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Quantidade de movimento e impulso 413 As forças P G e F N se cancelam, mas a força P M não é cancelada. Portanto, o sistema não está isolado. Porém, essa força externa não cancelada é uma força vertical; não há forças externas na direção horizontal. Isso significa que, na horizontal, a quantidade de movimento se conserva, embora a quantidade de movimento total varie, devido à força P M . No início o sistema estava em repouso e, portanto, sua quantidade de movimento era nula. Já que na horizontal o sistema está isolado, após o lançamento da melancia a quantidade de movimento horizontal do sistema deverá permanecer constante. Sendo Q G a quantidade de movimento horizontal do garoto e Q M a quantidade de movimento horizontal da melancia (fig. 46) logo após o lançamento: Q G + Q M = 0 ⇒ |Q G | = |Q M | ⇒ m G · v G = m M · v M ⇒ 40 · v G = (4,0)(5,0) ⇒ v G = 0,50 m/s P 1 F N 1 Figura 43. F 1 F 2 Figura 44. P M trajetória da melancia P G F N Figura 45. Q G Q M Q M Figura 46. É interessante observar que, inicialmente, a energia cinética do nosso sistema era nula (garoto e melancia em repouso). Porém, assim que o garoto lançou a melancia, a energia cinética total do sistema deixou de ser nula. De onde veio essa energia cinética? O que ocorreu é que parte da energia química armazenada no corpo do garoto transformou-se em energia cinética do garoto e da melancia. Aplicações do Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento entre as várias aplicações do princípio da Conservação da Quantidade de Movi- mento podemos destacar duas: o estudo das colisões e o das explosões. o exemplo do garoto jogando a melancia é análogo ao caso de uma explosão. por exemplo, quando uma granada explode, essa explosão é causada por forças internas; assim, a quantidade de movimento inicial da granada deve ser igual à soma das quantidades de movimento dos fragmentos após a explosão, incluindo os gases que resultam des- ta. a quantidade de movimento dos gases é difícil de calcular (pois envolve milhões de moléculas). No entanto, essa quantidade de movimento é pequena em comparação com a dos fragmentos e, por isso, nos exercícios será desprezada. É importante res- saltar que, numa explosão, a energia química do explosivo é transformada em energia cinética dos fragmentos. tanto explosões quanto colisões ocorrem num curto intervalo de tempo. assim, em geral, mesmo que a resultante das forças externas não seja nula, nesse curto intervalo de tempo, podemos admitir que a quantidade de movimento do sistema se conserva, iL u st R a ç õ es : Lu iZ a u g u st o R ib ei R o Capítulo 20414 isto é, a quantidade de movimento “um pouco antes” da ex- plosão (ou colisão) é igual à quantidade de movimento “logo após” a explosão (ou colisão). Nos experimentos de Física Nuclear ocorrem muitas situa- ções de colisões e explosões. Frequentemente observamos a “explosão” de um núcleo, isto é, o núcleo de um átomo emite uma ou mais partículas. Na realidade, os físicos não chamam isso de explosão, mas, sim, de decaimento. para investigar o núcleo e as partículas elementares, os físicos produzem colisões entre núcleos, prótons, elétrons, etc., usando gigantescas má- quinas denominadas aceleradores de partículas. Na figura 47, temos a visão aérea de um laboratório ame- ricano, o Fermilab (assim chamado em homenagem ao grande físico italiano enrico Fermi), na cidade de Chicago, estados uni- dos. o acelerador é um grande anel circular cuja circunferência mede 6 quilômetros. Na figura 48, temos a foto de um trecho do acelerador. Nesse acelerador, duas partículas são aceleradas em sentidos opostos e, quando suas velocidades ficam mui- to grandes, elas se chocam, produzindo durante a colisão ou- tras partículas e energia (fótons). essas colisões são analisadas usando-se duas “ferramentas” muito poderosas: o princípio da Conservação da energia e o princípio da Conservação da Quan- tidade de Movimento (além de outros princípios de conserva- ção mais complexos). Figura 47. Vista aérea do Fermilab em Chicago, EUA. Figura 48. Vista interna do acelerador do Fermilab. Exercícios de Aplicação 32. Determine a quantidade de movimento de cada sistema apresentado a seguir: a) 5,0 m/s 3,0 kg 8,0 m/s 2,0 kg b) 4,0 m/s 15 kg 6,0 m/s 10 kg c) 5,0 m/s 3,0 kg 2,0 m/s 10 kg d) 4,0 m/s 3,0 kg 2,0 m/s 14 kg 5,0 m/s 3,0 kg 3,0 m/s 15 kg 33. Na figura representamos dois carrinhos A e B, de massas m A = 7,5 kg e m B = 2,5 kg, que se movem com velocidades constantes v A e v B , sobre a mesma reta, em uma superfície horizontal sem atrito. São dados: v A = 6,0 m/s e v B = 2,0 m/s. v A v B A B Os carrinhos têm um engate de modo que, após a colisão, prosseguem unidos. a) Qual a velocidade dos carrinhos após a colisão? b) Calcule a soma das energias cinéticas dos dois carrinhos antes da colisão. c) Calcule a energia cinética do conjunto após a colisão. d) Calcule a variação da energia cinética do sis- tema. 34. A figura representa dois carrinhos A e B, de mas- sas m A = 4,0 kg e m B = 6,0 kg, inicialmente em repouso, comprimindo uma mola e unidos por um barbante. A B iL u st R a ç õ es : Za pt pH o to R es ea R C H eR s/ La ti N st o C k pe te R g iN te R /s C ie N C e Fa C ti o N /g et ty iM a g es Quantidade de movimento e impulso 415 Num determinado instante o barbante se rompe, e a mola se distende e cai. Logo após observa- se que o carrinho B move-se para a direita com velocidade 8,0 m/s. a) Qual a velocidade adquirida pelo carrinho A? b) Qual a energia potencial elástica armazena- da na mola antes do rompimento do barban- te? 35. Na figura a representamos um garoto de massa 50 kg, segurando uma pedra de massa 2,0 kg, sobre um carrinho de massa 10 kg. Na situação da figura, o sistema está em repouso. Num determinado instante, o garoto lança a pedra horizontalmente, com velocidade inicial v 0 em relação ao solo (fig. b), cujo módulo é 3,0 m/s. Figura a. v 0 Figura b. a) Desprezando os atritos, calcule a velocidade de recuo do carrinho. b) No exercício anterior, a energia cinética final do sistema veio da energia potencial armaze- nada na mola. Na situação deste exercício, de onde veio a energia cinética do sistema após o lançamento da pedra? 36. Na figura a representamos a situação inicial de duas bolas A e B, de massas m A = 6,0 kg e m B = 2,5 kg, que se movem sobre uma mesma reta, com velocidades de sentidos opostos e módulos v A = 4,0 m/s e v B = 12 m/s. Depois da colisão das bolas verifica-se que elas con- tinuam a mover-se sobre a mesma reta, sendo que a bola B move-se para a direita com velo- cidade v' B = 6,0 m/s. Determine a velocidade da bola A após a colisão. 4,0 m/s A B 12,0 m/s Figura a. Resolu•‹o: Quando as velocidades têm a mesma direção, podemos considerar as velocidades e as quantida- des de movimento como grandezas escalares cujos sinais dependem de um eixo adotado (fig. b). 4,0 m/s eixo A B –12,0 m/s Figura b. Antes da colisão. v' A = ? 6,0 m/s A B eixo Figura c. Após a colisão. Assim, antes da colisão temos: v A = 4,0 m/s e v B = –12,0 m/s Após a colisão temos: v' B = 6,0 m/s A quantidade de movimento do conjunto deve ser a mesma antes e após a colisão: m A · v A + m B · v B = m A · v' A + m B · v' B (6)(4,0) + (2,5)(–12) = (6)v' A + (2,5)(6,0) Resolvendo essa equação, obtemos: v' A = –3,5 m/s Como a velocidade resultou negativa, isto quer dizer que após a colisão a bola A move-se em sentido oposto ao do eixo, isto é, para a esquerda (fig. d). A 3,5 m/s Figura d. 37. A figura a seguir representa duas bolas A e B, de massas respectivamente iguais a 10 kg e 4,0 kg, que se movem sobre uma mesma reta. 8,0 m/s 6,0 m/s A B Sabe-se que após a colisão as bolas continuam a se mover sobre a mesma reta, e que a bola B temvelocidade 12 m/s para a direita. a) Determine o módulo e o sentido da velocidade da bola A após a colisão. b) Calcule a variação da energia cinética do sistema. 38. Duas bolas A e B, de massas respectivamente iguais a 3,0 kg e 2,0 kg, têm inicialmente velocidade de módulo v A = 5,0 m/s e v B = 10 m/s, como ilustra a figura, movendo-se sobre a mesma reta. v B v A A (r) B Verifica-se que, após a colisão, as bolas continuam a se mover sobre a reta r, sendo que a bola B tem velocidade 8,0 m/s para a direita. a) Determine o módulo e o sentido da velocidade da bola A após o choque. b) Calcule a variação da energia cinética do sistema. iL u st R a ç õ es : Za pt