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Distúrbios do Pericárdio 
O pericárdio, também denominado saco pericárdico, é uma 
membrana serosa de camada dupla que isola o coração das 
outras estruturas torácicas e mantém sua posição no tórax, 
bem como previne o seu enchimento excessivo, além de servir 
de barreira contra infecções. 
• São compostos por duas camadas: 
➢ Uma camada interna fina, denominada pericárdio 
visceral, que está aderida ao epicárdio 
➢ E uma camada fibrosa externa, denominada pericárdio 
parietal, que está unida aos grandes vasos que entram e saem 
do coração, do esterno e do diafragma. 
• Essas camadas são separadas por um espaço virtual, a 
cavidade pericárdica que contem ate 50 ml de liquido seroso. 
Esse liquido impede o atrito enquanto o coração contrai. 
• Embora conte com um suprimento sanguíneo reduzido, o 
pericárdio é bem inervado e sua inflamação pode causar dor 
intensa. 
• O pericárdio está sujeito a muitos dos mesmos processos 
patológicos que afetam outras estruturas do corpo. 
 
Pericardite aguda 
• A pericardite consiste em um processo inflamatório no 
pericárdio. A pericardite aguda, definida por sinais e sintomas 
que resultam de uma inflamação pericárdica com duração 
inferior a 2 semanas, pode ocorrer como uma doença isolada 
ou como resultado de uma doença sistêmica. 
• As infecções virais, especialmente causadas por vírus como 
Coxsackie e ecovírus, são a principal causa de pericardite. 
• Outras causas incluem infecções bacterianas, doenças do 
tecido conjuntivo, uremia, cirurgia cardíaca, invasão 
neoplásica, radioterapia, traumatismo, toxicidade 
medicamentosa e processos inflamatórios próximos ao 
coração. 
A pericardite aguda resulta em aumento da permeabilidade 
capilar, levando à saída de proteínas plasmáticas para o 
espaço pericárdico. 
Isso gera um exsudato fibrinoso, que pode cicatrizar ou 
evoluir para formação de tecido cicatricial e aderências entre 
as camadas do pericárdio, envolvendo também o miocárdio 
superficial e a pleura adjacente. 
Manifestações clinicas 
• Elas incluem a tríade de dor torácica, atrito pericárdico e 
alterações no ECG. 
• Quase todas as pessoas com P.Aguda apresentam dor 
torácica. 
• A dor normalmente tem início abrupto e é aguda, ocorre na 
área precordial e pode irradiar até o pescoço, as costas, o 
abdome ou as laterais do corpo. Pode haver dor na crista da 
escápula resultante da irritação do nervo frênico. 
• A dor tipicamente piora com a respiração profunda, tosse, 
deglutição e alterações posturais, devido às alterações no 
retorno venoso e ao enchimento cardíaco. 
• A pessoa geralmente sente alívio ao sentar e se inclinar para 
a frente. 
Diagnóstico 
• Baseia-se nas manifestações clínicas, no ECG, na 
radiografia torácica e no ecocardiograma. 
• O atrito pericárdico, com frequência descrito como um som 
agudo ou de rangido, resulta da fricção e do atrito entre as 
superfícies pericárdicas inflamadas. 
• Esse atrito contem três componentes: sístole atrial, sístole 
ventricular e ao rápido enchimento do ventrículo. 
➢ Na pericardite urêmica, as alterações da pericardite ao 
ECG tipicamente evoluem ao longo de quatro estágios 
progressivos: elevações difusas do segmento ST e 
depressão do segmento PR, normalização dos segmentos 
ST e PR, inversões com alargamento da onda T e 
normalização das ondas T. 
➢ Marcadores laboratoriais de inflamação 
sistêmica também podem estar presentes, 
incluindo: 
• elevação da contagem de leucócitos 
• elevação da velocidade de hemossedimentação (VHS) 
• aumento da proteína C reativa (PCR). Embora o aumento 
da PCR não esteja presente em todos os casos. 
Tratamento da pericardite aguda 
Tratamento da Pericardite Aguda: 
1. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): 
• Indometacina: 25-50 mg via oral a cada 8 horas. 
• Mecanismo de Ação: Inibição da enzima ciclooxigenase, 
reduzindo a síntese de prostaglandinas responsáveis pela 
inflamação. 
 
• Ibuprofeno: 400-800 mg via oral a cada 6-8 horas. 
• Mecanismo de Ação: Similar à indometacina, inibindo a 
ciclooxigenase e diminuindo a produção de prostaglandinas. 
 
2. Colchicina: 
• Dose de ataque: 1,2 mg via oral, seguido por 0,6 mg uma 
hora depois. 
• Manutenção: 0,6 mg via oral uma ou duas vezes ao dia. 
• Mecanismo de Ação: Inibe a formação do microtúbulo e a 
migração dos neutrófilos para o local da inflamação, 
reduzindo a resposta inflamatória. 
 
3. Corticosteroides: 
• Prednisona: 0,2-0,5 mg/kg/dia via oral, com redução gradual 
ao longo de semanas. 
• Mecanismo de Ação: Atua como um potente anti-
inflamatório, inibindo múltiplas vias da resposta imune e 
reduzindo a inflamação pericárdica. 
 
4. Tratamento da causa subjacente: 
• O tratamento específico depende da etiologia identificada, 
como antibióticos para infecções bacterianas ou antivirais 
para infecções virais. 
 
5. Repouso e monitoramento: 
• Recomenda-se repouso relativo durante o período agudo. 
• Monitorar sinais de tamponamento cardíaco e efusão 
pericárdica. 
7.Considerar drenagem pericárdica: 
• Em casos de tamponamento cardíaco refratário ou 
recorrente. 
• Mecanismo de Ação: Consiste na remoção do líquido 
acumulado no espaço pericárdico, aliviando a pressão 
sobre o coração e restaurando sua função adequada. 
Derrame do pericárdio e tamponamento cardíaco 
• O derrame pericárdico se refere ao acúmulo de líquido 
na cavidade pericárdica, normalmente como resultado de 
um processo inflamatório ou infeccioso. 
• O seu desenvolvimento também pode resultar de 
neoplasias, cirurgia cardíaca, traumatismo, ruptura 
cardíaca por infarto do miocárdio e aneurisma aórtico 
dissecante. 
Patogênese 
• A quantidade de líquido, a rapidez com que ele se 
acumula e a elasticidade do pericárdio determinam o 
efeito do derrame sobre a função cardíaca. 
• Um acúmulo súbito de até mesmo 200 mℓ de líquido 
pode elevar a pressão intracardíaca a níveis que limitam 
seriamente o retorno venoso para o coração. 
• Os sintomas de compressão cardíaca também podem 
ocorrer com acúmulos relativamente pequenos de 
líquido em um pericárdio que tenha sofrido 
espessamento resultante de formação de tecido 
cicatricial ou infiltração neoplásica. 
• O derrame pericárdico pode levar a uma condição 
denominada tamponamento cardíaco, no qual ocorre 
compressão do coração em consequência do acúmulo de 
líquido, pus ou sangue no saco pericárdico. 
• O tamponamento cardíaco resulta em aumento da pressão 
intracardíaca, limitação progressiva do enchimento 
diastólico ventricular, assim como reduções no volume 
sistólico e no débito cardíaco. 
 
• A gravidade da condição depende da quantidade de 
líquido presente e da velocidade com que ele se acumula. 
• Um acúmulo significativo de líquido no pericárdio resulta 
em aumento do estímulo adrenérgico, que leva à 
taquicardia e ao aumento da contratilidade cardíaca. 
Ocorre elevação da pressão venosa central (PVC), 
distensão das veias jugulares, queda da pressão arterial 
sistólica, estreitamento da pressão de pulso, abafamento 
das bulhas cardíacas e sinais de choque circulatório. 
Diagnóstico 
1. Diagnóstico pelo Pulso Paradoxal: 
➢ Pode ser determinado por palpação, 
esfigmomanometria com manguito ou monitoramento 
da pressão arterial. 
➢ O pulso arterial palpado na artéria carótida ou femoral é 
fraco ou ausente durante a inspiração e se torna mais 
forte durante a expiração. 
➢ A queda superior a 10 mmHg na pressão sistólica 
durante a inspiração, quando comparada à expiração, 
sugere tamponamento cardíaco. 
2. Diagnóstico pelo Ecocardiograma: 
➢ Método rápido, preciso e amplamente utilizado. 
➢ Avalia o derrame pericárdico de forma eficaz. 
3. Outros Métodos Diagnósticos: 
➢ Eletrocardiograma (ECG): Revela alterações 
inespecíficas na onda T e uma baixa voltagem no QRS. 
➢ Radiografia Torácica: Detecta normalmente apenas 
derrames moderados a grandes. 
Tratamento 
Tratamento da PericarditeAguda: 
1. Dependência da Progressão: 
• A abordagem varia de acordo com a evolução para 
tamponamento cardíaco. 
2. Derrames Pequenos ou Tamponamento Leve: 
• Administração de AINE, colchicina ou corticosteroides para 
reduzir acúmulo de líquido. 
 
3. Pericardiocentese: 
• Tratamento inicial de escolha. 
• Utilização de ecocardiograma para orientação. 
• Remoção do líquido do saco pericárdico. 
4. Pericardiocentese Fechada: 
• Medida de emergência em tamponamento cardíaco grave. 
• Inserção de agulha através da parede torácica. 
 
5. Pericardiocentese Aberta: 
• Para derrames recidivantes ou loculados. 
• Possibilita coleta de biópsias e criação de janela 
pericárdica. 
6. Identificação do Agente Causal: 
• Aspiração e avaliação laboratorial do líquido pericárdico. 
• Ajuda a identificar o agente responsável pela pericardite. 
Pericardite constritiva 
• Na pericardite constritiva, ocorre o desenvolvimento de 
um tecido cicatricial fibroso e calcificado entre as lâminas 
visceral e parietal do pericárdio seroso. 
• Com o tempo, o tecido cicatricial contrai e interfere no 
enchimento diastólico do coração, ponto em que o débito 
cardíaco e a reserva cardíaca se tornam invariáveis. 
• A pericardite constritiva-exsudativa, uma combinação de 
derrame, tamponamento e constrição, é uma síndrome que 
se desenvolve em uma quantidade significativa de pessoas 
com doença pericárdica. 
 
Etiologia e manifestações clínicas 
• Normalmente, a inflamação de longa duração resultante de 
radioterapia mediastinal, cirurgia cardíaca ou infecção é a 
causa da pericardite constritiva. 
• A ascite é um achado inicial importante e pode ser 
acompanhada por edema dos pés, dispneia com esforço e 
fadiga. 
• As veias jugulares também estão distendidas. 
• O sinal de Kussmaul é uma distensão expiratória das veias 
jugulares, causada pela incapacidade do átrio direito, que 
está encapsulado no seu pericárdio rígido, de acomodar o 
aumento no retorno venoso que ocorre com a inspiração. 
• Na pericardite constritiva em estágio terminal, há o 
desenvolvimento de intolerância a exercícios, atrofia 
muscular e perda de peso. 
Diagnóstico 
• A radiografia torácica e o ecocardiograma transesofágico com 
Doppler são úteis no diagnóstico da pericardite constritiva. 
• O ecocardiograma com Doppler e a cateterização cardíaca 
são especialmente úteis na diferenciação entre a pericardite 
constritiva e a miocardiopatia restritiva, assim como a 
tomografia computadorizada (TC) e a ressonância 
magnética (RM). 
• Na pericardite constritiva crônica, a remoção cirúrgica ou 
ressecção do frequentemente é o tratamento de escolha

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