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ASSISTÊNCIA 
FARMACÊUTICA
Liliana Rockenbach
Política Nacional de 
Assistência Farmacêutica
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Descrever os conceitos gerais da Política Nacional de Assistência 
Farmacêutica.
  Identificar os princípios estabelecidos pela Política Nacional de 
Assistência Farmacêutica.
  Explicar os eixos norteadores da Política Nacional de Assistência 
Farmacêutica.
Introdução
O acesso a medicamentos e serviços da saúde é, segundo a Política Na-
cional de Medicamentos e a legislação brasileira, um direito do cidadão. 
Apesar de o Brasil apresentar um crescimento econômico significativo, 
ainda tem uma das distribuições de rendas mais desiguais do mundo. 
Isso leva a um acesso extremamente heterogêneo aos cuidados médicos 
e farmacêuticos. Devido a esses fatores, uma revisão, em 1988, da Cons-
tituição Brasileira criou um sistema de saúde universal, financiado pelo 
setor público. Um de seus compromissos era a prestação de assistência 
farmacêutica à população. Apesar dos avanços, tornava-se necessária 
a efetivação das ações de assistência farmacêutica. Com isso, em 2004, 
foi aprovada a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), 
pela Resolução nº. 338, de 6 de maio de 2004, do Conselho Nacional 
de Saúde, que reforçou o direito dos cidadãos ao acesso à saúde e aos 
medicamentos.
Neste capítulo, você vai conhecer os conceitos gerais abordados pela 
PNAF, assim como os princípios estabelecidos e os eixos norteadores 
considerados para a criação dessa política. 
Conceitos gerais da Política Nacional 
de Assistência Farmacêutica
Após a Assistência Farmacêutica ter sido incluída na Política Nacional 
de Medicamentos (Portaria nº. 3.916, de 30 de outubro de 1998), foram 
incorporados novos avanços à legislação brasileira, a fi m de garantir ações 
estratégicas para a aplicação da Assistência Farmacêutica. Para isso, realizou-
-se, entre os dias 15 e 18 de setembro de 2003, a 1ª Conferência Nacional 
de Medicamentos e Assistência Farmacêutica (CNMAF), que teve como 
tema “Acesso, Qualidade e Humanização da Assistência Farmacêutica com 
Controle Social”. A conferência foi um processo totalmente democrático que 
envolveu gestores federais, usuários, funcionários e prestadores de serviços 
do Sistema Único de Saúde (SUS). Como resultado dessa conferencia, foi 
criada, em 2004, a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF) 
(Figura 1).
Figura 1. Marco legal da Política Nacional de Assistência Farmacêutica.
Fonte: Nascimento Júnior (2014, documento on-line).
Por meio da Resolução nº. 338, de 6 de maio de 2004, aprovada pelo Conse-
lho Nacional de Saúde, a Assistência Farmacêutica foi efetivada como política 
de saúde e definida como um: 
[...] conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, 
tanto individual como coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial 
e visando ao acesso e ao seu uso racional. Este conjunto envolve a pesquisa, 
o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como 
a sua seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação, garantia 
Política Nacional de Assistência Farmacêutica 2
da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua 
utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria 
da qualidade de vida da população(BRASIL, 2004, documento on-line). 
Na Figura 2, temos uma representação dos conceitos principais da Assis-
tência Farmacêutica.
Figura 2. Conceitos principais da Assistência Farmacêutica.
De acordo com a Portaria nº. 3.916 de 30.10.1998, a Assistência Farmacêutica 
deve ser organizada com base nos seguintes fundamentos (BRASIL, 1998): 
  a descentralização da gestão;
  a promoção do uso racional dos medicamentos; 
  a otimização e a eficácia do sistema de distribuição no setor público; 
  o desenvolvimento de iniciativas que possibilitem a redução nos preços 
dos produtos, viabilizando, inclusive, o acesso da população a eles no 
âmbito do setor privado.
A Resolução nº. 338, de 6 de maio de 2004, fixou conceitos básicos e 
estratégicos para a aplicação da PNAF, os quais constam nos artigos 1º e 2º.
Dois conceitos são imprescindíveis para o entendimento da PNAF, a inte-
gralidade e a descentralização. A integralidade é definida como:
[...] um conjunto articulado de ações e serviços de saúde, preventivos e curativos, 
individuais e coletivos, em cada caso, nos níveis de complexidade do sistema. 
Ao ser constituído como ato em saúde nas vivências cotidianas dos sujeitos nos 
serviços de saúde, tem germinado experiências que produzem transformações na 
vida das pessoas, cujas práticas eficazes de cuidado em saúde superam os modelos 
idealizados para sua realização (BIBLIOTECA..., 2018, documento on-line).
A integralidade deve garantir aos usuários do SUS a prestação dos serviços 
de saúde nas esferas preventivas, curativas, individuais e coletivas, assim 
3Política Nacional de Assistência Farmacêutica
como o atendimento nos mais diversos níveis de complexidade, ou seja, desde 
a atenção básica até o atendimento hospitalar de alta complexidade. Isso 
pode incluir procedimentos variados, como exames diagnósticos, cirurgias, 
dispensação de medicamentos, produtos e insumos de saúde. 
Em relação à descentralização, a PNAF parte do principio de que ela é 
necessária, especialmente para os municípios, para a aquisição e a dispen-
sação de medicamentos. A descentralização visa evitar desperdício de verba 
pública. Um exemplo de desperdício é a utilização da verba em duplicidade 
ou triplicidade pelas esferas federais, causada pela desordem nas definições 
das responsabilidades. Por outro lado, a descentralização também facilita a 
aproximação dos usuários ao gestor da política pública, o que possibilita a 
identificação, com maior facilidade, do perfil epidemiológico da população 
e das prioridades de saúde pública em diferentes localidades. Com isso, 
otimiza-se e racionaliza-se o emprego dos recursos públicos destinados à 
saúde.
Ainda hoje, existe discussão quanto à mediação da Política Nacional de 
Assistência Farmacêutica e da Política Nacional de Medicamentos e à forma 
como uma pode complementar a outra, visto que não se pode pensar em 
assistência farmacêutica sem o acesso aos medicamentos.
Para qualificar a gestão da Assistência Farmacêutica nas três esferas do SUS e contribuir 
para a ampliação do acesso aos medicamentos e da atenção à saúde prestada à 
população, o Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos 
do Ministério da Saúde (DAF/SCTIE/MS) dispõe do HÓRUS — Sistema Nacional de 
Gestão da Assistência Farmacêutica. Você pode encontrar mais detalhes sobre esse 
sistema no link a seguir.
https://goo.gl/cLYgTy
A PNAF, em seu artigo 2o, é caracterizada por treze eixos estratégicos que 
garantem o direito dos cidadãos à saúde, como é descrito a seguir (Quadro 1).
Política Nacional de Assistência Farmacêutica 4
Eixo estratégico Observações
I — Garantia de acesso às ações de saúde e 
equidade; inclui, necessariamente, a Assistência 
Farmacêutica.
Em concordância com as 
diretrizes do SUS.
II — Manutenção de serviços de Assistência 
Farmacêutica na rede pública de saúde, nos 
diferentes níveis de atenção, considerando 
a necessária articulação e a observância das 
prioridades regionais, definidas nas instâncias 
gestoras do SUS.
Deve haver disponibilidade 
de medicamentos ou uma 
alternativa para obter os 
medicamentos necessários.
III — Qualificação dos serviços de Assistência 
Farmacêutica existentes, em articulação com os 
gestores estaduais e municipais, nos diferentes 
níveis de atenção.
Financiamentos especí�cos 
para os serviços de farmácia, 
como o Qualifar-SUS.
IV — Descentralização das ações, com definição 
das responsabilidades das diferentes instân-
cias gestoras, de forma pactuada e visando a 
superação da fragmentação em programas 
desarticulados.
Atuação conjunta dos 
diferentes níveisde governo 
para favorecer os progra-
mas de distribuição de 
medicamentos.
V — Desenvolvimento, valorização, formação, 
fixação e capacitação de recursos humanos.
Em conformidade com o esta-
belecido na Política Nacional 
de Medicamentos (PNM).
VI — Modernização e ampliação da capacidade 
instalada e da produção dos Laboratórios Farma-
cêuticos Oficiais, visando o suprimento do SUS e o 
cumprimento de seu papel; referências de custo e 
qualidade da produção de medicamentos, incluída 
a produção de fitoterápicos.
Investimento nos Laborató-
rios O�ciais.
VII — Utilização da Relação Nacional de Medica-
mentos Essenciais (RENAME), atualizada periodi-
camente, como instrumento racionalizador das 
ações no âmbito da Assistência Farmacêutica.
Em conformidade com o 
estabelecido na Política 
Nacional de Medicamentos 
(PNM).
VIII — Pactuação de ações intersetoriais que 
visem a internalização e o desenvolvimento de 
tecnologias que atendam às necessidades de 
produtos e serviços do SUS nos diferentes níveis 
de atenção.
Em conformidade com o 
estabelecido na Política 
Nacional de Medicamentos 
(PNM).
Quadro 1. Eixos estratégicos da PNAF
(Continua)
5Política Nacional de Assistência Farmacêutica
Eixo estratégico Observações
IX — Implementação, de forma intersetorial e, 
em particular, em conjunto com o Ministério da 
Ciência e Tecnologia, de uma política pública de 
desenvolvimento científico e tecnológico, envol-
vendo os centros de pesquisa e as universidades 
brasileiras, com o objetivo de desenvolvimento 
de inovações tecnológicas que atendam aos 
interesses nacionais e às necessidades e priori-
dades do SUS.
Eixo de partida para a cria-
ção da Política Nacional de 
Gestão de Tecnologias em 
Saúde e da CONITEC.
X — Definição e pactuação de ações inter-
setoriais que visem a utilização das plantas 
medicinais e dos medicamentos fitoterápicos 
no processo de atenção à saúde, com respeito 
aos conhecimentos tradicionais incorporados, 
com embasamento científico, com adoção de 
políticas de geração de emprego e renda, com 
qualificação e fixação de produtores. É preciso 
envolvimento dos trabalhadores em saúde 
no processo de incorporação dessas opções 
terapêuticas. Essas são baseadas no incentivo à 
produção nacional, com a utilização da biodiver-
sidade existente no país.
Incentivar a utilização de 
plantas medicinais e fitote-
rápicas no SUS. Incentivar a 
produção de fitoterápicos. O 
eixo incentivador da Política 
Nacional de Plantas Medici-
nais e Fitoterápicos foi criado 
em 2006, pelo Decreto nº. 
5.813.
XI — Construção de uma Política de Vigilância 
Sanitária que garanta o acesso da população 
a serviços e produtos seguros, eficazes e de 
qualidade.
Em conformidade com o 
estabelecido na Política 
Nacional de Medicamentos 
(PNM).
XII — Estabelecimento de mecanismos adequa-
dos à regulação e ao monitoramento do mer-
cado de insumos e produtos estratégicos para a 
saúde, inclusive medicamentos.
Incentivo à implantação do 
HÓRUS.
XIII — Promoção do uso racional de medica-
mentos por intermédio de ações que discipli-
nem a prescrição, a dispensação e o consumo.
Em conformidade com o esta-
belecido na Política Nacional 
de Medicamentos (PNM).
Quadro 1. Eixos estratégicos da PNAF
(Continuação)
Política Nacional de Assistência Farmacêutica 6
Princípios estabelecidos pela Política Nacional 
de Assistência Farmacêutica
Com o objetivo de promover, proteger e recuperar a saúde individual e coletiva 
da sociedade, a PNAF foi criada seguindo quatro princípios básicos, os quais 
estão contidos no artigo 1º de sua resolução: 
I – a Política Nacional de Assistência Farmacêutica é parte integrante da 
Política Nacional de Saúde, envolvendo um conjunto de ações voltadas 
à promoção, proteção e recuperação da saúde e garantindo os princípios 
da universalidade, integralidade e equidade (BRASIL, 2004, documento 
on-line).
O farmacêutico pode, segundo a Resolução 417/2004 do Conselho Federal 
de Farmácia (CFF), que aprova o Código de Ética da Profissão Farmacêutica, 
e a Resolução 357/2001 do CFF, que aprova o Regulamento Técnico das Boas 
Práticas de Farmácia, contribuir para a promoção da saúde individual e 
coletiva, sobretudo no campo da prevenção (quando desempenhar cargo ou 
função pública na área). A promoção à saúde pode ser realizada por meio de 
atividades que visam a conscientização do uso racional de medicamentos, 
atividades educativas, palestras, ações na comunidade, entrevistas em veículos 
de comunicação, veiculação de publicidade e participação em projetos de lei 
ou campanhas, por exemplo. 
A proteção à saúde, segundo o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, 
implica no direito de cidadania e necessita da atuação dos estados na garantia 
de seu acesso universal e na regulação daquilo que interfere na saúde da po-
pulação. Para tanto, a saúde não deve ser interpretada como mera mercadoria 
ou atividade lucrativa. 
Já a prevenção à saúde, segundo uma revisão publicada pela Fiocruz em 
2003, consiste em uma ação antecipada, baseada nos conhecimentos, com o 
objetivo de tornar improvável o progresso de doenças. As ações preventivas 
devem orientar os cidadãos a evitar o aparecimento de doenças, de modo a 
reduzir sua incidência e prevalência nas populações. As bases para a prevenção 
são o conhecimento epidemiológico das doenças, as ações para o controle de 
transmissão de doenças infecciosas e a redução do risco de doenças degene-
rativas ou outros agravos específicos. Os projetos de prevenção e de educação 
7Política Nacional de Assistência Farmacêutica
em saúde estruturam-se mediante à divulgação de informação científica e de 
recomendações normativas de mudanças de hábitos.
II – a Assistência Farmacêutica deve ser compreendida como política pública 
norteadora para a formulação de políticas setoriais, entre as quais destacam-se 
as políticas de medicamentos, de ciência e tecnologia, de desenvolvimento 
industrial e de formação de recursos humanos, dentre outras, garantindo a 
intersetorialidade inerente ao sistema de saúde do país (SUS) e cuja implanta-
ção envolve tanto o setor público como privado de atenção à saúde (BRASIL, 
2004, documento on-line).
A Política de Medicamento deve ter como base os princípios e diretrizes 
do SUS. Para sua implementação, é necessário definir planos, programas e 
atividades específicas nas esferas federal, estadual e municipal. Em relação à 
política de ciências e tecnologia, essa deve estimular a maior articulação das 
instituições de pesquisas e das universidades com o setor produtivo a partir 
do estabelecimento de prioridades. No que diz respeito ao desenvolvimento 
industrial, iniciativas devem possibilitar a redução nos preços dos produtos, 
viabilizando, inclusive, o acesso da população a medicamentos em âmbito 
privado. Além disso, investimentos devem ser feitos para a gestão continua 
da Assistência Farmacêutica.
III – a Assistência Farmacêutica trata de um conjunto de ações voltadas à 
promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletivo, 
tendo o medicamento como insumo essencial e visando o acesso e ao seu uso 
racional. Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de 
medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, 
distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, 
acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção 
de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população 
(BRASIL, 2004, documento on-line).
Neste contexto, a atuação do profissional farmacêutico deve garantir a 
contínua oferta de medicamentos seguros e eficazes à população por meio 
da implementação do ciclo da Assistência Farmacêutica (Figura 3), o qual 
permite que pontos positivos e negativos sejam levantados e soluções sejam 
apontadas para a melhoria do serviço.
Política Nacional de Assistência Farmacêutica 8
Figura 3. Detalhamento do ciclo de da Assistência Farmacêutica.
Fonte: Adaptada de Diário MS (2017,documento on-line).
IV - as ações de Assistência Farmacêutica envolvem aquelas referentes à 
Atenção Farmacêutica, considerada como um modelo de prática farmacêuti-
ca, desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica e compreendendo 
atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e co-
-responsabilidades na prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, 
de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico 
com o usuário, visando uma farmacoterapia racional e a obtenção de resultados 
definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta 
interação também deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitadas 
as suas especificidades bio-psico-sociais, sob a ótica da integralidade das 
ações de saúde (BRASIL, 2004, documento on-line).
A prática da atenção farmacêutica ou do cuidado farmacêutico envolve 
alguns macrocomponentes, como a educação em saúde, a orientação farma-
cêutica, a dispensação, o atendimento farmacêutico, o seguimento farmaco-
terapêutico, o registro sistemático das atividades, a mensuração e a avaliação 
dos resultados. Para isso, o farmacêutico deve atender diretamente o paciente, 
9Política Nacional de Assistência Farmacêutica
avaliando-o e orientando-o em relação às terapias medicamentosas por meio 
da avaliação de suas necessidades. Com isso, torna-se possível identificar os 
problemas e resultados negativos associados à medicação.
Eixos norteadores da Política Nacional 
de Assistência Farmacêutica
Como consta no item II do artigo 1º da PNAF, a Assistência Farmacêutica 
deve ser compreendida como política pública norteadora para a formulação 
de políticas setoriais, entre as quais se destacam (BRASIL, 2004):
  a política de medicamentos;
  a política de ciência e tecnologia; 
  a politica de desenvolvimento industrial; 
  a política de formação de recursos humanos; 
Essas politicas devem garantir a intersetorialidade do sistema de saúde 
do país (SUS), cuja implantação envolve tanto o setor público quanto o setor 
privado de atenção à saúde.
Política de medicamentos
A saúde no Brasil é um direito constitucional que pode ser fornecido por insti-
tuições privadas e públicas. A saúde pública é fornecida a todos os residentes 
permanentes brasileiros e estrangeiros no território brasileiro por meio do 
Sistema Nacional de Saúde, conhecido como Sistema Único de Saúde (SUS), 
o qual se caracteriza pela universalidade e gratuidade.
A Política Nacional de Saúde baseia-se na Constituição Federal de 1988, 
que estabelece os princípios e diretrizes para a prestação de cuidados de 
saúde no país por meio do SUS. De acordo com a Constituição, as atividades 
do governo federal devem se basear em planos plurianuais, aprovados pelo 
Congresso Nacional por períodos de quatro anos. Os objetivos essenciais para 
o setor da saúde são a melhoria da situação geral de saúde, com ênfase na 
redução da mortalidade infantil, e a reorganização político-institucional do 
setor, com vistas a potencializar a capacidade operativa do SUS. Atualmente, 
os compromissos assumidos pelos gestores do SUS, nas três esferas, tornam-se 
públicos por meio da Pactuação da Saúde, que pode ser consultada no âmbito 
da Programação Pactuada e Integrada (PPI).
Política Nacional de Assistência Farmacêutica 10
Economicamente, o Brasil é o maior mercado de saúde da América Latina, 
gastando 9,1% de seu PIB com esse setor. Dos cerca de 6.500 hospitais do 
território nacional, 70% são privados. Existem aproximadamente 495.000 leitos 
hospitalares, 96.000 serviços complementares de saúde, 432.000 médicos, 
144.000 dentistas e 70.000 drogarias. O Brasil está entre os sete principais 
mercados, em tamanho, para medicamentos e produtos farmacêuticos, com 
vendas de US$ 29,9 bilhões em 2017, segundo o Sindicato da Indústria de 
Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma). Nesse mesmo ano, o Brasil importou 
US$ 6,5 bilhões em medicamentos e matérias-primas. Para medicamentos de 
alto valor agregado, Estados Unidos e Europa são os principais exportadores 
para o Brasil, enquanto China, Índia e Irlanda são os principais fornecedores 
de matérias-primas. 
Política de ciência e tecnologia
O Brasil é uma das maiores economias do mundo, com uma população grande 
e relativamente jovem, uma constituição nacional que assegura amplos direitos 
sociais e um sistema de saúde concebido para ser público e universal — o 
Sistema Único de Saúde (SUS). A partir do seu nascimento, em 1988, o SUS 
foi, primeiramente, baseado em uma estrutura descentralizada de atenção 
à saúde, enraizada no desenho federalista, que favoreceu a criação de uma 
importante base de apoio composta por políticos, profi ssionais de saúde, 
usuários e acadêmicos. Em segundo lugar, houve uma expansão signifi cativa 
dos serviços de atenção primária à saúde no Brasil, com implicações positivas 
para o acesso aos cuidados e para a melhoria das condições de saúde. Terceiro, 
os processos de descentralização e regionalização avançaram muito em vários 
aspectos — mecanismos de fi nanciamento, formas de organização e prestação 
de cuidados de saúde, formas de integrar atividades e serviços no território e 
formas de relacionamento e divisão de funções e responsabilidades entre os 
níveis federal, estadual e municipal.
No atual estágio de desenvolvimento do SUS, o governo federal é o principal 
ator no cenário brasileiro da ciência e inovação em saúde, pois estabelece 
prioridades, financia a pesquisa e fomenta colaborações entre laboratórios 
públicos e empresas privadas para transferência de tecnologia e fabricação 
de produtos estratégicos para a saúde.
A partir de 2004, como resultado de uma conferência nacional realizada 
pelo Ministério da Saúde com o objetivo de produzir e aplicar conhecimentos 
na busca da universalidade, equidade e qualidade da atenção à saúde da popu-
lação, foram produzidos dois importantes resultados: a aprovação da Política 
11Política Nacional de Assistência Farmacêutica
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde e o desenvolvimento da 
Agenda Nacional de Prioridades em Pesquisa em Saúde. Desde então, muitas 
atividades para fortalecer a pesquisa em saúde no Brasil foram adotadas pelas 
autoridades públicas em áreas prioritárias, como dengue, malária e câncer 
(BRASIL, 2008). Esforços para traduzir os resultados das pesquisas e da 
política em resultados foram feitos, e a regulação da ética na pesquisa em 
saúde foi aprimorada. Igualmente, o Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos 
(REBEC) foi implementado.
As compras governamentais passaram a ser utilizadas para fortalecer a 
inovação e a fabricação de tecnologias estratégicas para o SUS. Parcerias entre 
organizações públicas e empresas privadas para o desenvolvimento produtivo 
são exemplos desse tipo de política que visam garantir o acesso das pessoas às 
tecnologias de saúde prioritárias, reduzir a vulnerabilidade de longo prazo do 
SUS e reduzir os preços dos produtos estratégicos. Segundo dados do SUS, até 
junho de 2013, o governo federal havia promovido 88 parcerias, compreendendo 
17 laboratórios públicos e 53 empresas privadas envolvidos na fabricação de 78 
tecnologias diferentes (medicamentos, vacinas e dispositivos médicos).
No que se refere à gestão de tecnologias em saúde, foram adotados dois 
processos articulados no Brasil: 
  produção, sistematização e divulgação de estudos de avaliação de tec-
nologias em saúde;
  adoção de fluxo para análise de pedidos de inclusão e exclusão de 
tecnologias em saúde no SUS.
Esses processos fazem parte da Política Nacional de Gestão de Tecno-
logia em Saúde, aprovada em 2009. Vários avanços foram feitos até agora, 
incluindo a padronização de métodos de avaliação de tecnologias em saúde, 
a capacitação profissional, o desenvolvimento institucional, a cooperação 
internacional na área de avaliações tecnológicas em saúde, a definição dos 
requisitos necessários para apresentação de propostas, a definição de prazos 
e a ampliaçãodos segmentos que compõem o comitê responsável pela análise 
e recomendação. Apesar dos avanços identificados, alguns desafios permane-
cem, já que os resultados das pesquisas são pouco traduzidos na prática. As 
empresas brasileiras dependem fortemente dos incentivos do governo para 
investir em pesquisa e desenvolvimento. 
Política Nacional de Assistência Farmacêutica 12
Política de desenvolvimento industrial
O Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) representa um conjunto 
articulado de segmentos produtivos industriais e de serviços. Apesar da re-
levante atuação do CEIS no Brasil, há ainda alta dependência de produtos 
fabricados fora do país, causando defi ciência no abastecimento do SUS. O 
incentivo para o desenvolvimento do CEIS, por meio de políticas públicas, é 
de extrema importância para garantir o acesso aos medicamentos e insumos 
de saúde. 
A política industrial é um dos pontos constantemente sob discussão em 
relação à contribuição do Estado para o incentivo de crescimento. A política 
industrial deve incentivar a competitividade industrial e, no contexto estra-
tégico do CEIS, garantir um melhor acesso à saúde. Apesar de ser reportada 
uma desarticulação dessa política no Brasil, essa questão tende a mudar, já 
que, desde o ano de 2004, desenvolvem-se políticas industriais sequenciais 
associadas ao desenvolvimento do CEIS. São elas: 
  Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), de 
2004 a 2008; 
  Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), 2008 a 2010;
  Plano Brasil Maior (PBM), 2011 a 2014;
  Portaria nº. 506, de 21 de março de 2012 — institui o Programa para o 
Desenvolvimento Industrial da Saúde (PROCIS). 
O CEIS pode ser categorizado em três grupos de atividades (Figura 4):
  Indústrias de base química e biotecnológica: abrangem as indústrias 
farmacêuticas, de vacinas, de hemoderivados e de reagentes para 
diagnóstico.
  Indústrias de base mecânica, eletrônica e de materiais: englobam as 
indústrias de equipamentos e instrumentos mecânicos e eletrônicos, 
órteses, próteses e materiais de consumo. 
  Prestadores de serviços: envolvem os setores que desenvolvem atividades 
de prestação de serviços hospitalares, ambulatoriais, de diagnóstico 
e terapêuticos. Esses setores organizam a cadeia de suprimento dos 
produtos industriais em saúde, articulando o consumo por parte dos 
cidadãos no espaço público e privado.
13Política Nacional de Assistência Farmacêutica
Figura 4. Morfologia do Complexo Industrial da Saúde.
Fonte: Gadelha (2006, p. 16).
A política de desenvolvimento industrial procura captar, simultaneamente, a 
dimensão sanitária e a dimensão econômica, numa perspectiva para a integração 
da saúde e do desenvolvimento. O grande desafio é a constituição de um modelo 
que trabalhe a base produtiva nacional e que diminua a desigualdade e a exclusão 
social, como é o caso de todos os segmentos que fazem parte do complexo da saúde.
Saiba mais sobre o desenvolvimento do CEIS no Brasil acessando o artigo Políticas públicas 
para o desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Brasil no link a seguir. 
https://goo.gl/NgwDYB
Política de formação de recursos humanos
A Assistência Farmacêutica é um tema que vem ganhando importância ao 
longo do tempo e o Ministério da Saúde (MS) vem promovendo editais para 
concursos em todo o Brasil para a capacitação de recursos humanos em AF. 
A Diretriz de Desenvolvimento e Capacitação de Recursos Humanos é chave 
para a operacionalização dessa política, que deve trabalhar em conjunto com 
setores de desenvolvimento de recursos humanos do SUS, órgãos de fomento 
Política Nacional de Assistência Farmacêutica 14
e instituições de ensino, garantindo a formação e capacitação de profi ssionais 
de saúde, gestores e pesquisadores. 
A capacitação pode ser realizada por meio de cursos de curta e média 
duração, pós-graduação ou educação à distância, por exemplo. Programas 
para capacitação interdisciplinar, que atendam os gestores, profissionais de 
nível médio e técnico, também atendem às diretrizes.
Programas de pós-graduação em áreas de interesse do SUS devem ser 
especialmente apoiados, de forma a qualificar pesquisadores e gestores dos 
sistemas de saúde e de ciência, tecnologia e inovação. 
Para avaliar a efetividade desses programas, é importante a utilização de 
estratégias de avaliação dos cursos e do desempenho do pessoal. 
Para conhecer alguns os cursos oferecidos pelo SUS para o aperfeiçoamento de pro-
fissionais da saúde, acesse o link a seguir. 
https://goo.gl/zFiVzZ
15Política Nacional de Assistência Farmacêutica
BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE. O que é Integralidade em Saúde? 2018. Disponível em: 
<https://www.bvsintegralidade.icict.fiocruz.br/vhl/sobre/>. Acesso em: 11 nov. 2018.
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº. 338, de 06 de maio de 2004. Aprova 
a Política Nacional de Assistência Farmacêutica. Brasília, DF, 2004. Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2004/res0338_06_05_2004.html>. 
Acesso em: 11 dez. 2018.
BRASIL. Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. 2. ed. Brasília, DF: 
Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/
Politica_Portugues.pdf>. Acesso em: 11 dez. 2018.
BRASIL. Portaria nº. 3.916 de 30 de outubro de 1998. Aprova a Política Nacional de Medica-
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