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NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO Fontes do direito administrativo: ● A Lei, que em sentido amplo, é a fonte primária do Direito Administrativo, podendo ser considerada como fonte, as várias espécies de ato normativo; ● A Doutrina, formada pelo sistema teórico de princípios aplicáveis ao Direito Administrativo; ● A Jurisprudência, representada pela reiteração dos julgados sobre um mesmo tema em um mesmo sentido; ● O costume, em razão da deficiência da legislação, a prática administrativa vem suprindo o texto escrito, e sedimentada na consciência dos administradores e administrados, a praxe burocrática passa a suprir a lei, ou atua como elemento reformativo da doutrina. 1 Estado, Governo e Administração Pública: conceitos, elementos, poderes e organização; natureza, fins e princípios; Estado - ESTADO = POVO+ TERRITÓRIO + GOVERNO SOBERANO É pessoa jurídica territorial soberana. Pessoa jurídica é a unidade de pessoas naturais ou de patrimônios, que visa à consecução de certos fins, reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de direitos e obrigações. Povo: é o componente humano do Estado Território: é o espaço físico em que o Estado exerce sua soberania Governo Soberano: é o elemento condutor do Estado, que detém e exerce o poder absoluto de autodeterminação e auto-organização emanado do Povo. Governo É o conjunto de órgãos e as atividades que eles exercem no sentido de conduzir politicamente o Estado, definindo suas diretrizes supremas. Tem a incumbência de determinar objetivos, estabelecer diretrizes, quanto a unidade da Soberania nacional. Tem que estar sempre amparado pela Constituição, agindo dentro dos limites dela. Sistema de Governo é o modo como se relacionam os poderes Executivo e Legislativo. Existem os seguintes sistemas de governo: Presidencialista e parlamentarista. Administração Pública É todo aparelhamento do Estado preordenado à realização de serviços, visando a satisfação das necessidades coletivas. A administração pública pratica atos de execução, com maior ou menor autonomia funcional, segundo competência dos órgãos e de seus agentes. A administração pública é instrumental de que dispõe o Estado para por em prática as opções políticas do Governo. Os três modelos de Administração Pública: 1. Patrimonialista: Se trata de uma forma de dominação tradicional. A dominação tradicional, por sua vez, é definida pela crença na tradição, ou seja, as leis são o conjunto de costumes de determinada sociedade e quem as determina são os membros de uma linhagem que dispõe do poder. 2. Burocrático: Se trata da crença na razão (dominação racional-legal): as leis são elaboradas a partir de normas mais coerentes com a realidade social. Além disso, os responsáveis pela elaboração das leis passam por critérios de escolha mais fundamentados como, por exemplo, eleições. 3. Gerencial: Trata-se de um modelo normativo (baseado em leis), que concentra esforços no controle dos resultados da máquina pública. Natureza: É a de um encargo de defesa, conservação e aprimoramento dos bens, serviços e interesses da coletividade. Fins: O bem comum da coletividade administrada. Toda atividade do administrador público deve ser orientada para esse objetivo. Os três Poderes Executivo: Dirige e administra o governo e representa o país no exterior. É quem toma decisões sobre economia, investimentos, construção e conservação de escolas, hospitais, estradas... É exercido pelo Presidente da República, pelos governadores de estado e prefeitos; Legislativo: Vota as leis em nome da população e fiscaliza atos do Executivo. É exercido nacionalmente, por senadores e deputados federais; nos estados, os deputados estaduais; nos municípios, os vereadores; Judiciário: Aplica as leis, decidindo conflitos dos cidadãos entre si e entre os cidadãos e o Estado. É exercido pelos magistrados nas diversas instâncias e âmbitos da Justiça Princípios De forma explícita no artigo 37 do CF trás: ● Legalidade: O agente público só pode fazer ou deixar de fazer o que está expressamente na lei. Na CF, as pessoas não podem fazer o que a lei proíbe (autonomia de vontade); ● Impessoalidade: Direciona que o servidor não pratique um ato para favorecer ou prejudicar alguém. Vedação à promoção pessoal (art. 37, P.1º); ● Moralidade: Exige que o agente público paute sua conduta por padrões éticos que têm por fim último alcançar a consecução do bem comum, independentemente da esfera de poder ou do nível político-administrativo da Federação em que atue; ● Publicidade: Vem propiciar a transparência, de modo que a todos é assegurado o direito à obtenção de informações e certidões, para defesa de direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal, assim como o remédio do habeas data; ● Eficiência: Deve ser dirigida a consecução do máximo de proveito, com o mínimo de recursos humanos, materiais e financeiros com destinação pública, a partir da constatação de que a eficiência pode ser obtida pelo contrato de gestão, e de acordos administrativos referentes às atividades tipicamente estatais. 2 Organização administrativa do Estado Administração Pública Direta ou Centralizada como o próprio nome diz, a atividade administrativa é exercida pelo próprio governo que “atua diretamente por meio dos seus Órgãos, isto é, das unidades que são simples repartições interiores de sua pessoa e que por isto dele não se distinguem”. Administração Pública Indireta ou Descentralizada é a atuação estatal de forma indireta na prestação dos serviços públicos que se dá por meio de outras pessoas jurídicas, distintas da própria entidade política. Estas estruturas recebem poderes de gerir áreas da Administração Pública por meio de outorga. A outorga ocorre quando o Estado cria uma entidade (pessoa jurídica) e a ela transfere, por lei, determinado serviço público ou de utilidade pública. Administração Centralizada x Administração Descentralizada ● Centralização: É o desempenho de competências administrativas por uma única pessoa jurídica governamental (Mazza, 2012). A distribuição das competências dentro do mesmo ente federado é chamada de desconcentração. ● Descentralização: As competências administrativas são exercidas por pessoas jurídicas autônomas, criadas pelo Estado para tal finalidade (Mazza, 2012). Ex: Autarquias, empresas públicas etc. Assim, quando a atividade administrativa é exercida pelo próprio ente federado, como o município, ou através dos órgãos que compõem a sua estrutura interna, fala-se de administração direta exercida de forma centralizada. Ex: as ações realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde do Município X. Há três Entidades da Administração Pública Indireta, são elas: 1. Autarquias: São pessoas jurídicas de direito público / criadas e extintas por lei específica / dotadas de autonomia gerencial, orçamentária e patrimonial / exercem atividade típicas (nunca exercem atividade econômica) / imunes a impostos / seus bens são públicos / celebram contratos administrativos / regime de contratação de pessoal é estatutário / possuem prerrogativas especiais da fazenda pública / responsabilidade é objetiva e direta. Autarquias comuns: Ex.: Autarquias Federais: INSS e IBAMA Ex.: Autarquias Estaduais: Em Minas Gerais – IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) e IEF (Instituto Estadual de Florestas) Ex.: Autarquias Municipais: SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto Autarquias de regime especial: Agências reguladoras: Possuem um mandato determinado e (diferentemente do que ocorre com as autarquias comuns) apenas perdem o cargo de direção em virtude de: encerramento do mandato; por renúncia; ou por sentença judicial transitada em julgado. Tal prerrogativa garante maior independência e autonomia. Ex.: ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e ANCINE (Agência Nacional de Cinema). 2. Fundações Públicas: Fundações de direito público interno: são pessoas jurídicas instituídas por lei específica mediante a afetação de um acervo patrimonial do Estado a uma dada finalidade pública. Também são conhecidas como Autarquias Fundacionais ou Fundações Autárquicas. Ex.: FUNAI e IBGE Fundações governamentais de direito privado são pessoas jurídicas de direito privado, criadas mediante autorização legislativa, com a afetação de um acervo de bens à determinada finalidade pública. Ex.: Fundação Padre Anchieta (SP) 3. Empresas Estatais: É a denominação ofertada por parte da doutrina às Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista: Empresas Públicas: criação autorizada por lei / registro dos atos constitutivos no cartório competente / registro na Junta Comercial / capital total público / sofre controle pelo Tribunal de Contas / deve contratar mediante licitação / dever de realização de concurso para contratação de pessoal Sociedades de Economia Mista: As mesmas das empresas públicas. Diferencia-se nos seguintes aspectos: Maioria do capital é público (nas empresas públicas a totalidade é pública) / deve assumir a forma de sociedade anônima (as empresas públicas podem assumir qualquer forma admitida em direito). Exemplo: Petrobrás e Banco do Brasil RESUMO IMAGÉTICO: 3 Agentes públicos: espécies e classificação, poderes, deveres e prerrogativas, cargo, emprego e função públicos; Agentes Públicos: Todas as pessoas físicas que possuem uma vinculação profissional com o Estado (cargo público, emprego público, mandato ou função pública), por meio de nomeação, eleição e designação (ou qualquer outra forma ou vínculo). Ainda que transitória, não remunerada. Classificações dos Agentes Basicamente, as bancas utilizam a classificação apresentada por Hely Lopes Meirelles, ocasionalmente, é possível encontrar questões exigindo o conhecimento da classificação da autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Segue correlação das duas Detalhes resumidos da classificação de Hely Lopes Meirelles: Agentes políticos: são os detentores de poder, competências previstas na Constituição Federal e autonomia para tomar suas decisões. Ex.: chefes do executivo, membros do legislativo e magistrados. Agentes administrativos: são os ocupantes de cargo, emprego ou função pública desempenhando atividades de execução e estando subordinados hierarquicamente. Ex.: servidores de um órgão público e empregados públicos de uma mesma sociedade de economia mista. Agentes honoríficos: são pessoas designadas ou requisitadas para a prestação de determinados serviços públicos em razão de condições que eles são peculiares. Em regra, atuam sem remuneração. Ex.: jurados e mesários eleitorais. Agentes credenciados: são pessoas que recebem a incumbência de representar a administração pública em razão de condições pessoais ou profissionais. Exemplo um artista ou um advogado que represente o Brasil no exterior. Agentes delegados: são os que assumem os riscos das atividades em que atuam, exercendo suas atribuições como colaboradores do Estado. Ex.: leiloeiros e as concessionárias de serviço público. Obrigatoriedade do Regime Jurídico Único Ainda que a imensa maioria dos entes federativos utilize o regime jurídico estatutário como forma de regular a vida funcional de seus agentes, deve-se salientar que não há a obrigação, por parte de um determinado ente, da utilização de um regime jurídico específico. Entretanto, há a obrigação da adoção de um regime jurídico único por parte de cada um dos entes federados. No âmbito da União e dos Estados, o regime utilizado é o estatutário, instituído por lei e conferindo aos seus agentes a ocupação de cargos públicos. 4 Poderes administrativos É o conjunto de prerrogativas de direito público que a ordem jurídica confere aos agentes administrativos para o fim de permitir que o Estado alcance seus fins”. Ou seja, para que sejam realizados os objetivos dos Estados é necessário fornecer poderes aos agentes estatais. Muitos autores afirmam que os poderes vinculado e discricionário não são poderes, mas características dos atos administrativos. Porém, como as bancas cobram esses assuntos de forma conjunta com outros poderes, vamos vê-los dessa forma: Poder administrativo vinculado O poder vinculado ocorre quando a administração pública não tem margem de liberdade para o seu exercício. Portanto, quando houver uma situação discriminada na lei, o agente público deve agir exatamente da forma prevista em lei. Ex.: se um cidadão infringiu determinada lei de trânsito, e nessa lei afirma que será cobrado o valor de R$ 1.000 reais. O agente público ao verificar a atitude da pessoa e o descumprimento da lei, deve cobrar o exato valor fixado. Portanto, não há margem de negociação. Poder administrativo discricionário Por outro lado, o poder é discricionário quando o agente público possui uma certa margem de liberdade no agir. Contudo, a liberdade está dentro dos limites legais da razoabilidade e da proporcionalidade. Em geral, fica claro que é uso do poder discricionário quando a lei prevê essa liberdade. Muitas vezes ela faz isso usando expressões como: “poderá”, “a juízo da autoridade competente”, “até determinado valor”. A liberdade do agente público no uso do poder discricionário tem limitações no próprio ordenamento jurídico, como a lei, quando a legislação mesmo define limites mínimos e máximos. Poder administrativo regulamentar ou normativo É a prerrogativa conferida à Administração Pública para editar atos gerais para apenas complementar as leis e permitir a sua efetiva aplicação (nunca alterá- la). Ressalta-se que esse é o conceito amplo e o mais abordado nas provas. Esse conceito retrata, na realidade, o poder normativo. Entretanto, o conceito restrito afirma que o poder regulamentar trata do poder conferido ao chefe do Poder Executivo (presidente, governadores e prefeitos) para a edição de normas complementares à lei, permitindo a sua fiel execução. Ou seja, o poder regulamentar está inserido no poder normativo. Características gerais do poder regulamentar/normativo: Editar atos gerais; Complementar as leis; Permitir a fiel execução da lei; Normas derivadas ou secundárias; Não podem inovar no ordenamento jurídico. Decreto autônomo: Em regra, o poder regulamentar não pode inovar na ordem jurídica. Mas, existem situações específicas em que será possível inovar no ordenamento jurídico, como é o caso do decreto autônomo. Conforme Constituição Federal, compete privativamente ao Presidente da República dispor mediante decreto sobre: Organização e funcionamento da organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos. Poder administrativo Hierárquico A hierarquia é a ordenação de elementos conforme a distribuição de poderes. Portanto, o poder hierárquico atinge aqueles que possuem algum grau de subordinação com outro agente público ou órgão. Pode-se afirmar que estão entre as atividades desse poder: Dar ordens; Editar atos normativos com o objetivo de ordenar a atuação dos subordinados; Delegar competências; Avocar atribuições; Aplicar sanções. Condições para uso do poder hierárquico: Dentro da mesma pessoa jurídica; Deve haver subordinação (diferente de vinculação); Não se fala em hierarquia entre os Poderes (Executivos, Legislativos e Judiciários). Poder administrativo disciplinar O poder disciplinar é definido como o poder dever de punir as infrações funcionais dos servidores e demais pessoas sujeitas à disciplina de órgãos públicos. Mas, não se confunde o poder punitivo com poder disciplinar. Já que o poder punitivo é mais abrangente, e o poder disciplinar é considerado uma espécie deste. O poder punitivo é a capacidade do Estado em puniros crimes e contravenções penais. Enquanto o poder disciplinar e o poder de polícia são a representação do poder punitivo na administração pública. O poder disciplinar atinge os servidores públicos e os particulares que estejam ligados por algum vínculo jurídico com a administração. Ou seja, uma empresa particular que a administração pública tenha contratado. Poder de polícia É a faculdade que dispõe a administração pública de condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades, e direitos individuais em benefício da coletividade ou do próprio Estado. A análise do conceito de poder de polícia pode ser em sentido amplo ou sentido estrito. Então, em sentido amplo, o poder de polícia é toda e qualquer ação restritiva imposta pelo Estado em detrimento ao direito individual. Por isso, envolveria o Poder Legislativo e o Executivo de forma ampla. Quadro do resumo dos Poderes administrativos 5 Atos administrativos: conceitos, requisitos, atributos, classificação, espécies e invalidação Classificação dos atos administrativos Inúmeras são as classificações dos atos administrativos, sendo que todas elas tomam por base um critério que favoreça o entendimento de alguma particularidade do ato administrativo praticado. Assim, ainda que não haja unanimidade, por parte dos autores administrativistas, acerca das classificações existentes para os atos administrativos, iremos estudar aquelas que são consideradas mais relevantes para o entendimento da matéria e, principalmente, mais exigidas pelas bancas organizadoras: 1. Perfeição, Validade e Eficácia: Perfeição Validade Eficácia Verifica-se se o ato completou todo o processo de formação e se todas as etapas de elaboração foram observadas. Em caso afirmativo, teremos um ato perfeito. Caso, no entanto, falte algum elemento ou alguma das etapas de formação ainda não tenha sido observada, o ato será considerado imperfeito. Temos um confronto do ato administrativo com o ordenamento jurídico vigente. Caso o ato não contenha nenhum tipo de vício, será considerado válido. Em sentido oposto, caso algum vício tenha sido encontrado no ato administrativo, poderemos ter um ato nulo (quando os vícios forem impossíveis de convalidação) ou então um ato anulável (quando os vícios forem possíveis de convalidação). Se refere à possibilidade do ato administrativo produzir efeitos jurídicos perante terceiros. Caso o ato não dependa de nenhuma condição para a produção de efeitos, será considerado eficaz. Caso dependa de alguma condição para poder produzir efeitos, será considerado um ato administrativo pendente e ineficaz. 2. Atos vinculados X Atos discricionários 3. Atos Simples, Atos Compostos e Atos Complexos 4. Atos Gerais e Atos Individuais Invalidação e Controle Judicial dos Atos Administrativos O estudo da invalidação e do controle judicial dos atos administrativos refere-se às diversas formas com que os atos administrativos podem ser retirados do universo jurídico, são eles: Cassação Caducidade Contraposição Trata-se da extinção do ato administrativo quando o beneficiário deixa de atender aos requisitos com os quais anteriormente se obrigara. A cassação é, na imensa maioria das vezes, considerada uma sanção pela doutrina, devido ao seu caráter de desfazimento com base em um não cumprimento de obrigação pelo particular. Temos a caducidade quando uma legislação posterior à edição do ato administrativo deixa aquele ato em desconformidade com o ordenamento jurídico. Trata-se, assim, de uma legislação superveniente que deixa o ato sem a possibilidade de produzir novos efeitos. Teremos a contraposição quando um ato posterior extingue o ato anterior, ainda que não faça menção direta neste sentido. Na contraposição, os efeitos do ato posterior são diametralmente opostos aos efeitos do ato anterior. 6 Controle e responsabilização da administração: controle administrativo, controle judicial, controle legislativo, responsabilidade civil do Estado. Controle administrativo É um procedimento que faz parte do processo administrativo e compreende todas as atividades da empresa. Seu intuito é garantir que as operações reais coincidam com o planejado 1. Quanto ao Âmbito ou à Origem: Interno: cada um dos Poderes exerce sobre seus próprios atos. É aquele exercido dentro de um mesmo poder. Externo: é aquele exercido por um Poder sobre os demais (um Poder sobre o outro). O controle externo é exercido pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União (art. 71, caput). 2. Quanto ao Momento: Prévio: exigência na CF de autorização ou aprovação prévia pelo CN ou de uma de suas casas de determinados atos do PE (arts. 49, II, III, XV, XVI e XVII, e 52, III, IV e V). Concomitante: acompanha a atuação administrativa. Posterior: rever atos já praticados. Aprovação, homologação, anulação, revogação e convalidação. 3. Quanto ao Aspecto: Legalidade/legitimidade: verificação do ato com o ordenamento jurídico. Pode ser exercido pela própria Administração, pelo PJ e pelo PL (exame pelo TCU de atos de admissão de pessoal). Mérito/político: como regra, compete ao próprio Poder. A doutrina denomina controle político o controle que o PL exerce sobre a Administração. 4. Quanto à Amplitude: Hierárquico: sempre controle interno. Presente no PE. Finalístico/tutela administrativa/supervisão ministerial: administração direta sobre a indireta. Controle judicial O Poder Judiciário, se provocado, poderá realizar o controle dos atos administrativos. Esse controle recai sobre os atos vinculados e discricionários. No ato vinculado o controle é mais amplo, já que o ato é regido inteiramente pela lei. No ato discricionário, que comporta análise de conveniência e oportunidade (mérito administrativo), o Judiciário poderá analisar o mérito administrativo para o controle de sua legalidade, não podendo verificar apenas a questão da conveniência e oportunidade da decisão. É importante mais, uma vez, frisar que os atos discricionários podem e devem ser controlados pelo Poder Judiciário, mas será um controle sob o ponto de vista da legalidade, confrontando o ato praticado com a observância dos princípios constitucionais (possível revogação) Contudo, quando o Poder Judiciário se depara com uma ilegalidade de um ato administrativo, como por exemplo, exclusão de um candidato de concurso por causa de uma tatuagem, deve fazer a sua anulação (ocorre quando a Administração ou o Poder Judiciário declara a extinção do ato administrativo, por motivos de vícios no ato praticado, com a produção de efeitos retroativos). Revogação e Anulação: Remédios Constitucionais ou ações constitucionais ou writs: São garantias constitucionalmente previstas, para assegurar a efetividade dos direitos fundamentais. São o habeas corpus, o habeas data, o mandado de segurança (individual e coletivo), o mandado de injunção (individual e coletivo) e a ação popular. Os direitos de petição e de certidão também são apontados pela doutrina como remédios constitucionais, embora não possuam a natureza de ação judicial. • Habeas corpus: conceder-se-á sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; • Habeas data: conceder-se-á para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público ou para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; Mandado de segurança, Mandado de segurança coletivo e Mandado de injunção: • Mandado de Segurança: conceder-se-á para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsávelpela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; • Mandado de Segurança Coletivo: É aquele que tem por objeto proteger direitos coletivos, por exemplo, os de determinada categoria profissional. Perceba-se que a diferença entre o MS individual e o coletivo não está no número de impetrantes, mas na natureza do direito protegido. • Mandado de Injunção: Quando há mora legislativa ou administrativa em produzir uma forma, decisão com natureza de sentença aditiva, inviável o exercício de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Ação popular: Anular ato lesivo ou de entidades de que o Estado participe à moralidade administrativa, meio ambiente, patrimônio histórico e cultural. Direito de Petição e Direito de Certidão: Direito de petição é o direito de reclamar do Poder Público, na via administrativa, direitos que se tem ou abusos de que se teve notícia. Assim, por exemplo, se um guarda de trânsito aplica uma multa indevidamente, é direito do cidadão representar, peticionar para o Poder Público, a fim de que este tome as devidas providências. Direito de certidão é o direito de obter documentos públicos para a defesa de direitos ou para esclarecer uma situação de interesse pessoal. Dessa forma, é direito de todos obter uma certidão que indique o tempo de contribuição para o INSS, a fim de instruir ação judicial contra autarquia; do mesmo modo, é direito de qualquer pessoa conseguir uma certidão negativa de débitos na Receita Federal, para provar que nada deve à União. Controle legislativo O chefe do Poder Executivo pode fazer decretos para a complementação das leis. Contudo, se o Presidente extrapolar os limites da delegação, o Congresso Nacional poderá SUSTAR o excesso, utilizando-se de um decreto legislativo. Sustar significa suspender a execução. Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) A CPI nasceu em decorrência de uma das atividades típicas do Legislativo, a saber, a função fiscalizatória. As funções típicas do Legislativo são legislar e fiscalizar. Inclusive, a primeira função do Legislativo foi a de fiscalizar. A instauração de CPI busca apurar a existência de um fato determinado. Responsabilidade civil do Estado: Teorias de responsabilidade extracontratual Não há vínculo contratual entre as partes, portanto, a obrigação de reparação do dano independe de contrato firmado. Teoria da Irresponsabilidade do Estado: Teoria adotada à época dos Estados absolutistas. Considerava-se que qualquer ideia de responsabilidade do Estado importaria em violação da soberania estatal. Tinha como principal fundamento a ideia de soberania do Estado, baseada no princípio de que o rei não pode errar (the king can do no wrong). O Estado era irresponsável pelos atos praticados. Teoria Civilista: A chamada teoria da culpa civil ou da responsabilidade subjetiva do Estado foi influenciada pelo individualismo característico do liberalismo, que pretendeu equiparar o Estado ao indivíduo, sendo, portanto, obrigado a indenizar os danos causados aos particulares nas mesmas hipóteses em que tal obrigação existe para os indivíduos Teorias Publicistas: Ações civis de indenização com base no princípio de que o Estado é civilmente responsável por prejuízos causados a terceiros em decorrência da ação danosa de seus agentes. Começaram a surgir as teorias publicistas: teoria da culpa do serviço (falta do serviço) ou culpa administrativa e teoria do risco, desdobrada, por alguns autores, em teoria do risco administrativo e teoria do risco integral. 1. Teoria da Culpa Administrativa ou Culpa do Serviço/Faute Du Service: A teoria da culpa administrativa procura desvincular a responsabilidade do Estado da ideia de culpa do funcionário. A culpa ocorre quando o serviço não funcionou, funcionou atrasado ou funcionou mal; vale dizer que existe a presunção de culpa. Por isso o nome de culpa anônima, uma vez que não se precisava identificar o funcionário causador do dano. Veja, então, que a culpa era do serviço. E, ainda, era uma culpa presumida (não funcionou ou funcionou mal ou atrasado). 2. Teorias do Risco: A teoria do risco tem duas vertentes: risco administrativo e risco integral. As duas vertentes dessa teoria consagram uma responsabilidade objetiva. A diferença é que, na teoria do risco administração, há fatores de exclusão da responsabilidade do Estado; já na teoria do risco integral, não há fator algum de exclusão, a reparação do dano recairá na pessoa do Estado. Elementos para Ser Configurada a Responsabilidade Civil do Estado Para gerar responsabilidade do Estado, devem surgir três elementos: Conduta: Conduta de agente público agindo nessa qualidade; Agente Público no exercício de função pública; Dano: Afeta o direito juridicamente tutelado pelo Estado. Pode decorrer de uma atividade lícita ou ilícita; Nexo causal: Há relação entre a conduta estatal e o dano sofrido pelo terceiro; A conduta estatal causou o dano • Habeas corpus: conceder-se-á sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; • Habeas data: conceder-se-á para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público ou para a retificação de dados, quando não se pref... • Mandado de Segurança: conceder-se-á para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atr... • Mandado de Segurança Coletivo: É aquele que tem por objeto proteger direitos coletivos, por exemplo, os de determinada categoria profissional. Perceba-se que a diferença entre o MS individual e o coletivo não está no número de impetrantes, mas na na... • Mandado de Injunção: Quando há mora legislativa ou administrativa em produzir uma forma, decisão com natureza de sentença aditiva, inviável o exercício de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à sobera...