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Centro Universitário de Pato Branco Laboratório de Patologia – SOI IV Profa. Dra. Rafaela Macagnan ALTERAÇÕES PROSTÁTICAS PRÓSTATA A próstata é uma grande glândula formada por grupos de glândulas menores, cada qual com seu sistema de dutos excretores separados. É atravessada pela uretra (porção denominada uretra prostática), na qual os dutos das glândulas prostáticas liberam sua secreção. Os grupos de glândulas prostáticas são separados por septos de tecido conjuntivo (lóbulos) e envolvida por uma cápsula fibroelástica rica em músculo liso. As unidades secretoras das glândulas prostáticas são do tipo túbulo-alveolares. As glândulas tubuloalveolares da próstata são divididas em duas camadas uma camada de célula basal plana e uma sobrejacente de célula secretora, formadas por um epitélio cuboide alto ou pseudoestratificado. Pequenos corpos esféricos formados por glicoproteínas, medindo 0,2 a 2 mm de diâmetro e frequentemente calcificados, são frequentemente observados no lúmen de glândulas da próstata de adultos. Eles são chamados concreções prostáticas ou corpora amylacea (corpos amiláceos). Sua quantidade aumenta com a idade, porém seu significado não é conhecido. A próstata tem três zonas distintas: a zona central; a zona de transição e a zona periférica. A zona de transição corresponde à região que envolve a uretra proximal; a zona central, à porção que acompanha os ductos ejaculadores; a zona periférica (maior), à parte que envolve a uretra distal e que corresponde à região posterior da próstata. Os tipos de lesões proliferativas são diferentes em cada região. Por exemplo, a maioria das lesões hiperplásicas surge na região mais interna da zona de transição, ao passo que a maioria dos carcinomas (entre 70-80%) surge nas zonas periférica. Comando: Observe as imagens e lâmina (glândulas tubuloalveolares) Azul claro= uretra prostática ; Azul escuro= porção terminal de dutos excretores das glândulas prostáticas ; Verde= grupos de glândulas prostáticas. Laranja= septos; Azul= lúmen glândulas. Esquema das regiões prostáticas os ductos glandulares se abrem na uretra. ATROFIA PROSTÁTICA É a lesão que histologicamente mais se confunde com o câncer da glândula; na atrofia, os ácinos são pequenos e simulam adenocarcinoma microacinar. A lesão pode ser difusa (todos os ácinos prostáticos são atróficos) ou focal. A forma difusa resulta de radioterapia ou terapêutica hormonal. Inflamação e isquemia crônica por aterosclerose causam atrofia focal, cuja frequência aumenta com a idade. Morfologicamente, a atrofia focal pode ser completa ou parcial. A completa apresenta glândulas com aspecto basofílico devido ao citoplasma escasso e aglomerado de núcleos e pode ser subtipada em simples, hiperplásica (ou hiperplasia pós-atrofia) e esclerosante. Na maioria dos casos, os subtipos histológicos estão combinados, corroborando a hipótese de que representam um espectro morfológico de uma única lesão. Comando: Observe as imagens. Difusa= todos os ácinos prostáticos são atróficos. Glândulas reduzidas de volume e com epitélio baixo. Atrofia parcial consiste em glândulas aglomeradas, geralmente com um padrão de crescimento desorganizado, apresenta citoplasma pálido lateral aos núcleos. Atrofia parcial Atrofia simples: geralmente envolve um lóbulo inteiro, embora ácinos isolados possam ser afetados. Os ácinos são pequenos apresentando escasso citoplasma e diminuição da altura das células epiteliais. Eles podem ser císticos e o estroma circundante pode ou não mostrar qualquer fibrose. Na atrofia esclerosante corre simultaneamente atrofia do epitélio e uma proliferação de fibroblastos ao redor do ácino. Esta proliferação resulta em um colarinho fibro-hialino não raro associado a elastose (rico em fibras elásticas) envolvendo o ácino. À medida que a hialinização aumenta o ácino dilata, e o epitélio torna-se extremamente achatado o qual pode não mais ser identificado. Em fases avançadas, o lúmen é substituído por tecido mesenquimatoso frouxo com presença de células inflamatórias redondas esparsas. Na atrofia esclerosante. A atrofia hiperplásica mostra pequenos ácinos muito próximos entre si revestidos por epitélio atrófico. O citoplasma é muito escasso e os núcleos tendem a se mostrar sobrepostos o que confere à lesão tonalidade basófila. O estroma pode mostrar elastose e os ácinos dilatação cística. Os ácinos podem estar associados com infiltrado inflamatório crônico. Atrofia hiperplásica. A lesão mais frequente e muito característica de atrofia focal combinada é a esclerosante rodeada pela hiperplásica. HIPERPLASIA NODULAR A hiperplasia nodular da próstata (HNP) consiste em crescimento nodular do órgão resultante de proliferação não neoplásica do estroma e das glândulas prostáticas, podendo causar a obstrução da uretra. A zona de transição é o local onde geralmente se origina esta condição. Embora a causa ainda não seja plenamente compreendida, sabe-se que o crescimento excessivo é dependente de androgênos. Na hiperplasia nodular, a próstata apresenta nódulos hiperplásicos bem delimitados, em sua maior parte constituídos por estroma e glândulas (nódulos estrômato-glandulares). Podem também, menos frequentemente, ser puramente estromatosos ou glandulares. As células epiteliais são colunares, com citoplasma claro de aspecto mucoso, e são mais altas que as da próstata normal. As dobras do epitélio glandular são também mais pronunciadas que na glândula normal. Em muitos lugares é possível observar que as glândulas são formadas por uma dupla camada de células epiteliais: a mais interna, de células colunares proeminentes, e uma camada periférica de células basais achatadas, que pode ser descontínua. O encontro da dupla camada tem importância para definir a benignidade do processo (ou seja, que se trata de hiperplasia, e não neoplasia) já que nos carcinomas há perda da dupla camada. Ainda, pode haver infiltrado linfocitário no estroma dos nódulos e entre os nódulos. Comando: Observe as imagens. Hiperplasia nodular. A) Nódulos bem definidos comprimem a uretra em direção ao lúmen e deixam apenas uma fenda. B) Hiperplasia lobos laterais e e no lobo mediano. Hiperplasia nodular da próstata. A) exibe um nódulo (glandular) bem demarcado à direita do campo, com uma porção da uretra vista à esquerda. B) A maior aumento evidencia glândulas hiperplásicas com projeções papilares. Hiperplasia de próstata. A) nódulo glandular. B) Bicamada celular (benignidade) Infiltrado inflamatório (linfócitos) pode estar presente no estroma e nódulos. ADENOCARCINOMA DE PRÓSTATA É o tipo de câncer mais comum nos homens Observações clínicas e experiementais sugerem que os androgênios, a hereditariedade, os fatores ambientais e as mutações somáticas adquiridas desempenham papéis na patogenia do câncer de próstata. A maioria dos carcinomas detectados clinicamente não é visível a olho nu. As lesões mais avançadas se apresentam como lesões firmes e branco-acinzentadas. No exame histológico, a maioria das lesões é de adenocarcinomas moderadamente diferenciados que produzem glândulas bem definidas. As glândulas são tipicamente menores são revestidas por uma única camada uniforme de epitélio cúbico ou colunar baixo, amontoadas e caracteristicamente não apresentam ramificação e projeção papilar. O citoplasma das células tumorais varia quanto à aparência, de pálido-claras a anfofílico (cor indeterminada ou corado simultaneamente em azul e rosa) distinto, os núcleos são aumentados e frequentemente contêm um ou mais nucléolos proeminentes com variação de tamanho (pleomorfismo nem sempre é identificado), figuras mitóticas são incomuns. Estão presentes, em graus crescentes, estruturas glandulares irregulares, glândulas cribriformes (glândulas no interior de glândulas) e ninhos de células ou células infiltrastes individuais. Neste sentido, podem estar em arranjo sólido (sem formar glândulas) ou formar microácinos glandulares dispostos muito proximamente entre si (chama-sea isto caráter medular). Considerando-se que a carcinogênese ocorre por uma sucessão de alterações celulares, admite-se que o adenocarcinoma latente corresponde a uma neoplasia que não atingiu todas as etapas necessárias para que as células neoplásicas adquiram o potencial de infiltração local e metastatização. A etapa 1 da carcinogênese prostática corresponde ao surgimento das lesões pré-cancerosas (NIP); a etapa 2, ao adenocarcinoma histológico; a etapa 3, ao adenocarcinoma clínico. A denominação neoplasia intraepitelial prostática (NIP) é usada para designar lesões atípicas do epitélio derevestimento de ductos e ácinos que apresentam, em princípio, maior risco de evoluir para adenocarcinoma histológico ou clínico. Microscopicamente, a neoplasia intraepitelial prostática caracteriza-se por células atípicas, irregularmente dispostas, com núcleos volumosos e nucléolos evidentes, no epitélio de revestimento ductal ou acinar. Não há desarranjo arquitetural, e as células basais estão presentes. Existem quatro tipos arquiteturais de NIP: plano, ondulado, micropapilar e cribriforme (peneira), este último muito parecido com o adenocarcinoma de arranjo cribriforme. Por extensão local, podem ser atingidos uretra, colo vesical, vesículas seminais e trígono vesical. A parede do reto só é comprometida rara e tardiamente. Contudo, metástase linfática é comum, bem como hematogênica. Em alguns casos, as primeiras manifestações do tumor relacionam-se com metástases ósseas, em forma de dor ou de fraturas patológicas. Comando: Observe as imagens e sega o comando especificado no esquema ilustrativo. (colículo seminal) Adenocarcinoma. Parte superior esquerda neoplasia. Parte inferior ácinos pré-existentes. Glândula pré-existente. Caráter infiltrativo: adenocarcinoma da próstata infiltrando a musculatura lisa da própria glândula. Observe o esquema e ordena as imagens abaixo. A graduação histológica tem grande interesse prático, pois guarda relação com o estadiamento clínico e com o prognóstico. O sistema de graduação de Gleason é o mais utilizado e baseia-se no grau de diferenciação glandular e no padrão de crescimento em relação ao estroma. É composta por 5 graus de diferenciação: nos graus 1 e 2, a neoplasia mostra apenas desarranjo arquitetural; no grau 3 há infiltração do estroma; no grau 4, fusão entre os ácinos; no grau 5 o arranjo é sólido. Nesse sistema, não se consideram as atipias nucleares e, até hoje, não foi demonstrada superioridade da avaliação. Ao contrário de outros sistemas de graduação, considera-se tanto o padrão predominante como o padrão secundário de alteração. Assim, se o grau histológico de 90% da área examinada é 3 e dos restantes 10% é 5, o grau da neoplasia é 3 + 5, o que dá uma contagem final de 8. Caso o grau histológico seja 3 em toda a área examinada, repete-se o número; o grau é 3 + 3, e a contagem final,