Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

1 
 
 
HISTÓRIA CULTURAL 
1 
 
 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ................................................................................. 2 
INTRODUÇÃO ....................................................................................... 3 
HISTÓRIA, CULTURA, E ANÁLISES DOS DOCUMENTOS DA 
PRODUÇÃO COMO DIFERENÇA ................................................................ 5 
A HISTÓRIA CULTURAL NA HISTORIOGRAFIA 
CONTEMPORÂNEA ................................................................................ 10 
 
 
 
2 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
Ao considerar as temáticas da história cultural e da análise de 
documentos, é importante ressaltar as práticas que forjam modos de ser, de 
pensar e de agir, no presente, e como elas atualizam um campo de 
possibilidades de existências. O presente artigo pretende problematizar algumas 
práticas historicamente fabricadas que, todavia, não são causais deterministas, 
pois são correlatas e imanentes. No intuito de refletir sobre aspectos da 
contemporaneidade, foi utilizado um trabalho de análise baseada nas 
contribuições da teoria da história para a Psicologia Social. Para tanto, 
empregamos alguns conceitos de Michel Foucault, de Michel De Certeau, de 
Roger Chartier e de Nietzsche, no campo dos estudos históricos. Com base na 
análise, foi possível interrogar as práticas que forjam a relação entre história 
cultural e documentos, propor um olhar pautado na filosofia da diferença como 
posição ética, estética e política, a fim de colocar em xeque a dualidade cultura 
popular e cultura erudita, além de problematizar os efeitos racistas e de 
discriminação que essa divisão enseja. Até o século XVI, a palavra “cultura” era 
utilizada para denominar ações ou processos que se referiam a “ter cuidado com 
algo”, podendo servir tanto para animais quanto para a colheita e o cultivo da 
terra. A partir do final do século XIX, a objetivação de cultura passa por uma 
transformação, sendo definida como desenvolvimento das faculdades humanas, 
em comparação ao cuidado para o desenvolvimento agrícola. Nesse período, as 
obras de arte e as práticas envolvidas na construção das atividades artísticas 
passam a representar a própria cultura (Cuche, 2002). As noções oriundas do 
pensamento iluminista francês evidenciam que cultura é um estado de espírito 
cultivado pela instrução, como um conjunto de saberes que foram acumulados e 
que são transmitidos pela humanidade, ao longo da história. Associado às ideias 
de evolução, progresso e educação, o termo cultura também estava intimamente 
relacionado com o de civilização, somente com a diferença de que cultura 
4 
 
 
indicava o progresso individual e civilização referia-se ao progresso coletivo 
(Canedo, 2008). É nesse contexto que se estabelece uma ruptura entre a visão 
de homem em seu estado natural (selvagem, irracional e sem cultura) e o homem 
civilizado, o qual adquire cultura através dos meios de instrução intelectual. 
Produziu-se o binarismo cultura versus natureza, e essa distinção resultou na 
criação do pensamento corrente o qual caracterizava indivíduos como 
detentores dos chamados saberes formais. Esses indivíduos eram designados 
como aqueles que possuíam cultura. Provém daí igualmente a noção de que as 
comunidades tradicionais poderiam evoluir culturalmente, alcançando assim o 
estágio de progresso das nações civilizadas (Canedo, 2008). A concepção 
francesa de cultura, entendida como característica do gênero humano de 
aquisição e transmissão de conhecimentos engendrou um conceito universalista 
de cultura. Enquanto isso, a noção de cultura, vista sob a ótica alemã, se referia 
especificamente ao conjunto das produções artísticas, intelectuais e morais de 
uma nação, considerada como patrimônio fundador de uma unidade nacional, o 
qual resultou no conceito particularista e nacionalista de cultura, alimentando 
racismos variados e totalitarismos de diferentes ordens. O desenvolvimento do 
sentido de cultura na trama de relações em tensão entre França e Alemanha 
marcou a emergência desse acontecimento, desdobrando-se em duas correntes 
de pensamento que estão na base dos estudos em Ciências Sociais (Cuche, 
2002). Contemporaneamente, destaca-se a importância de se dilatar o conceito 
de cultura, considerando-o como fruto da criação coletiva de símbolos, valores e 
ideias, os quais conformam os indivíduos e grupos de indivíduos como sujeitos 
culturais. Dessa maneira, atribui-se valor também ao patrimônio cultural 
imaterial, como as tradições orais, as formas de organização social tradicionais, 
as crenças e costumes da cultura popular que remontam à noção de mito 
fundador de cada comunidade. Nesse caso, em especial, a perspectiva de 
cultura como folclore foi apropriada politicamente para gerar consensos, 
sobretudo, em uma prática de integração nacional, na Doutrina de Segurança 
Nacional, nos períodos ditatoriais brasileiros (Chauí, 1995). Nesse aspecto, a 
história tem produzido análises sobre extensa documentação a respeito das 
ditaduras e regimes autoritários, no Brasil, por exemplo, problematizando o uso 
da cultura como vetor de difusão do ideário totalitário como podemos 
acompanhar nos estudos realizados na Fundação Getúlio Vargas, nos últimos 
5 
 
 
anos. Tais pesquisas vêm debatendo aspectos da cultura política ditatorial, 
descrevendo de que modo os valores do cotidiano eram usados para criar uma 
visão de modernidade e de desenvolvimento do país (Gomes, 1996; Pandolfi, 
1999). Outro fator caro aos estudos culturais se relaciona às análises do 
consumo das produções e difusões culturais, de seus modos de circulação e 
apropriação. A criação, a distribuição e o consumo de bens e serviços que 
constituem o sistema de produção cultural tornaram-se elementos considerados 
estratégicos para o desenvolvimento das nações, visto que essas atividades 
colocaram em movimento uma cadeia produtiva em franca expansão, inclusive 
gerando emprego e renda. Ou seja, a cultura se transformou em um mercado 
instrumentalizado, no capitalismo atual, uma indústria que extrai mais-valia 
subjetiva dos modos de pensar, de agir e de sentir, conforme apontam Félix 
Guattari e Suely Rolnik (1996). 
 
Figura 1: Suely Rolnik 
HISTÓRIA, CULTURA, E ANÁLISES DOS DOCUMENTOS 
DA PRODUÇÃO COMO DIFERENÇA 
É fundamental realizar uma análise e descrição histórica das práticas 
culturais cristalizadas e naturalizadas, que operam pela organização dos 
arquivos e pela guarda de documentos-monumentos. Os monumentos são 
6 
 
 
construções edificadas pela apropriação da cultura e pelo arquivamento da 
memória, em narrativas que selecionam quais acontecimentos devem ser alvo 
de cuidado e perpetuação – e quais não. Essa seleção é fruto de um olharvalorativo, que avalia culturalmente as práticas, para torná-las documentos-
monumentos ou não. Por isto, é relevante desnaturalizar pela via da análise 
histórica e, assim, romper com qualquer forma de hierarquia cultural. Criticar a 
construção de racismos de Estado e de sociedade, por meio da pesquisa com 
arquivos em instituições penais e médicas foi uma preocupação de Foucault 
(1979), de sorte a colocar em xeque os projetos etnocêntricos e xenófobos tão 
presentes, nas narrativas de documentos que operaram a exaltação da cultura 
de alguns grupos e banalizaram e calaram o que diferenciava, em termos de 
valores. Nesse sentido, a História Cultural, através da História Nova, permitiu a 
fabricação de uma filosofia da diferença, em que diferir passou a ser uma 
possibilidade de existência e não um marcador estigmatizante de condutas. Não 
estamos aludindo à diferença pela diferença, em uma estética sem ética e sem 
política. Ao contrário, tratamos de uma política e de uma ética em que a criação 
de possibilidades pode ser um processo de subjetivação que não representa 
descarte de subjetividades já existentes. Ou seja, agimos historicamente, 
sublinhando que toda maneira de viver, de sentir e de pensar foi fabricada e pode 
ser criticada e modificada, não sendo, portanto, objetos naturais (Veyne, 1998). 
Isso não quer dizer que defendemos uma sociedade niilista, em uma vontade de 
nada, apenas destacamos que tudo tem história e que essa postura nos dá 
liberdade de agir e pensar, considerando o passado, sem, contudo, erigi-lo como 
monumento a ser apenas reproduzido e narrado como marcador de 
superioridade de qualquer grupo e/ou povo frente aos outros. Friedrich Nietzsche 
(2003) destaca, em seus estudos, em especial em Segundas considerações 
intempestivas, de que maneira era forjada a história monumental e como ela nos 
fazia enaltecer o passado enquanto tradição a ser reproduzida e exaltada, 
impedindo-nos de viver o presente. Já a cultura antiquário seria ligada à idolatria 
e reverência dos museus e das chamadas obras raras, que resultaria em 
exaltação de formas culturais eruditas diante de outras, denominadas senso 
comum ou práticas culturais menores, comparativamente. O autor também 
ressalta que a história crítica era uma concepção de cultura a ser sempre 
superada, de modo evolutivo e continuísta, rumo às teleologias progressistas do 
7 
 
 
futuro, que operam o desprezo pelo passado e pelo presente. Ao final do estudo, 
Nietzsche (2003) defende uma história a favor do tempo e contra o tempo, que 
nomeia como efetiva, trazendo marcas das anteriores e, ao mesmo tempo, 
operando fora da memória inchada, do ressentimento xenófobo e do 
etnocentrismo racista. Assim, ao pensar a cultura desse modo, nota-se a 
importância de observar as especificidades das produções em processos 
singulares e heterogêneos. Não se trata apenas de fazer distinções, mas de 
pensar sobre as formas de acesso aos espaços e de qualificação da produção, 
com base nos valores sociais criados a partir do distanciamento entre os grupos. 
Significa, igualmente, pensar e romper com seletividades que fazem alguns 
valores serem apresentados como mais importantes que outros, implicando 
decisões sobre as vidas no campo dos racismos, materializados em arquivos 
históricos e em escrituras. Em meio ao debate sobre essas questões que 
permeiam a temática da cultura, é essencial retomar os aspectos antes 
mencionados, a fim de problematizar a noção de acesso. Este estudo, ao propor 
uma análise crítica, buscou refletir sobre os modos de realização e consumo da 
cultura, uma vez que as conjunturas da contemporaneidade modificam, em certa 
medida, algumas ideias cristalizadas. Por essa razão, é importante pensar na 
produção da diferença que possibilita o trânsito e as possibilidades de 
existências, em um processo de transvaloração cultural. Em genealogia da 
moral, Nietzsche (2009) analisa a história da cultura e efetua uma defesa ética 
da estilística da existência, pensando a produção da verdade e da cultura, por 
meio de uma filosofia genealógica, historiando as emergências e as 
proveniências dos acontecimentos. Estamos aludindo a uma história política da 
verdade e da crítica corajosa de uma cultura que padecia pela moral ressentida 
e vingativa. Assim, sair da noção de valores naturais a serem imitados por 
tradições e nacionalismos populistas é uma prática histórica, que apresenta a 
vida ética, estética e politicamente. Em Paul Veyne, na obra Como se escreve a 
história (1998), podemos visualizar um modo de narrar, analisar e descrever as 
práticas culturais como efeitos datados, os quais figuram no espaço e no tempo 
e não são naturais, portanto. O historiador delimita um questionamento aos usos 
de universais e de conceitos que funcionariam como tipos ideais fora do tempo 
e de lugar. Ou seja, Veyne critica o princípio do comentário e o dogmatismo 
repetidor de conceitos, tomados como universais culturais. Essa ação não 
8 
 
 
impossibilitava o trabalho conceitual do historiador, na análise dos documentos 
e na escrita histórica, apenas alertava para o fato de que estes não poderiam ser 
universais e não deveriam funcionar como explicação para tudo, em qualquer 
tempo. Nesse sentido, Veyne pensou uma história conceitual sem criar uma 
grade hierárquica das epistemologias e das ciências mais e menos importantes, 
das disciplinas mais ou menos interessantes etc. Por isto, Foucault (1979) se 
preocupava em efetuar a genealogia enquanto uma insurreição dos saberes 
assujeitados e de uma desdisciplinarização dos mesmos. Inúmeros projetos 
sociais têm sido desenvolvidos, proporcionando a participação de indivíduos de 
baixa renda em atividades que, majoritariamente, seriam realizadas por grupos 
elitistas. No entanto, é importante ter em vista o caráter de tais ações, já que os 
princípios assistencialistas e de inserção são sinônimos, muitas vezes, de 
práticas utilitaristas. Nesse contexto, interrogar o acesso às diferentes culturas 
também traz reflexões sobre as políticas de inserção e assistência que visam 
forjar a integração social, por meio da construção de consensos e políticas 
compensatórias. Ora, a cultura erudita tem sido ofertada por programas sociais 
como maneira de adestrar a pobreza e os grupos classificados como desviantes 
sociais, reiterando a hierarquia de valores, simultaneamente ao uso de um 
aparato artístico como mediador de um processo de integração social acrítico. 
Porém, há situações em que elementos da chamada cultura popular são 
igualmente instrumentalizados para forjar consensos em políticas sociais para 
grupos classificados como em risco ou em situação de vulnerabilidade, por 
especialistas das normas sociais. Podemos vislumbrar essa prática em projetos 
e oficinas com hip hop, com rodas da capoeira, com confecção de pipas, com 
danças como o funk, entre outros, que objetivam gerir a vida e disciplinar as 
condutas através da cultura dita de massa. Nos dois casos, mantém-se a lógica 
dual e a hierarquia social racista. Trata-se de uma prática disciplinar divisória a 
qual segmenta a cultura, exalta alguns valores e desqualifica e enaltece outros. 
Opor erudição a popular é uma visão maniqueísta, que não nos auxilia a 
questionar historicamente nossas produções valorativas, pois cria tribos e 
grupos supostamente unitários, que fortalecem discriminações e preconceitos. 
Assim, não defendemos a cultura erudita nem a popular, pois ambas só 
funcionam na dualidade causal determinista e hierarquizante da vida. O objetivo 
em pauta, neste texto, é operar a transformação social e a ruptura dos modos de 
9 
 
 
ser pautados em valores estabelecidos como normais e que sustentam a difusão 
de modelos a serem imitados por aqueles que são tachados de párias e refugos 
da sociedade, em uma política de segurança cada vez mais erigida como capital 
social. Neste ponto, documentos sãousados para fazer das práticas culturais um 
capital, em termos da apropriação de danças, músicas, esculturas, pinturas, 
ritmos, hábitos diversos, dialetos, maneiras de se alimentar, poesias, 
vestimentas e construções em um dispositivo de reconhecimento de identidades 
culturais. O interesse pelos aspectos culturais da sociedade encontra profícua 
acolhida de 1970 até os dias de hoje, quando houve uma considerável virada 
teórica e metodológica em determinadas disciplinas como: Geografia, 
Antropologia, Economia, Psicologia, Ciência Política, Estudos Culturais e 
História, que passaram a dar mais atenção aos aspectos culturais nos seus 
estudos, permitindo dessa forma o surgimento de um nova História, denominada 
“Nova História Cultural”. Para entender um pouco mais sobre alguns aspectos 
teóricos e metodológicos da Historia Cultural e da Nova História Cultural, os 
estudiosos brasileiros podem contar com a obra O que é História Cultural?, do 
historiador britânico Peter Burke, traduzido por Sergio Góes de Paula e publicado 
recentemente pela editora Jorge Zahar. A relevância desse trabalho está na 
capacidade de síntese e análise do autor, que em 191 páginas, conseguiu 
apresentar com clareza e profundidade a História da História Cultural. Essa obra, 
sem sombra de dúvidas, tem uma grande contribuição a dar aos estudiosos da 
História Cultural, não somente pelo fato de ela ser um compêndio da trajetória 
dessa História, mas também por apresentar seus problemas e paradoxos ao 
longo de duzentos anos de sua existência. As críticas mais agravantes ao 
período clássico da História Cultural vieram dos historiadores marxistas, que, 
além de salientarem a falta de análise cuidadosa das fontes, evidenciaram 
também a pouca análise social e econômica, e a homogeneização cultural 
ausente de conflitos. O principal expoente desses críticos foi o historiador E. P. 
Thompson, designando o conceito “termo desajeitado” para a prática de alguns 
historiadores culturais que não deram tanta importância às distinções culturais 
presentes nas sociedades. Na primeira metade do século XX, a história “abriu-
se” para as demais ciências, com uma proposta de diálogo interdisciplinar. O 
campo historiográfico, então, sofreu mudança significativa, obrigando os 
historiadores a reconsiderar o conceito de fontes, para além daquelas 
10 
 
 
predominantemente documentais, na pesquisa em história. Sobre essas fontes 
de pesquisa incidem a reflexão, considerando-se a contribuição que os avanços 
tecnológicos trazem à coleta de dados, em particular, na história oral. Do ponto 
de vista metodológico, trata-se de estudo de caso, com caráter bibliográfico, que 
traça uma retrospectiva da história cultural, enfatizando as possibilidades de uso 
da história oral. Como aportes teóricos foram consultados estudos d e Ribeiro 
(2003), Pesavento (2005) e Alberti (2005). Os resultados apontam para 
possibilidades de utilização da história oral na pesquisa em história cultural. 
A HISTÓRIA CULTURAL NA HISTORIOGRAFIA 
CONTEMPORÂNEA 
Entendendo-se o cultural como um certo tipo de enfoque ou abordagem, 
ficaria de pé a ideia da unidade da história - "só existe uma história". Logo, a ser 
aceito esse ponto de vista, a história cultural equivale teoricamente às outras 
grandes divisões da história - a econômica, a política e a social. No lugar de 
objetos previamente definidos como culturais, a história cultural contemplaria de 
fato o conhecimento de uma dimensão do real. Haveria assim uma diferença 
conceitual bastante real entre história cultural e história da cultura, já que esta 
última se definiria a partir de objetos ou de um único objeto, a cultura 
reconhecidos como aqueles pertencentes, ou inerentes, à própria idéia de 
cultura. Logo, em lugar de um tipo de abordagem ou de uma dimensão do real, 
tratar-se-ia do recorte de objetos históricos reconhecidos como culturais. Que 
não se trata de um simples jogo de palavras, pode-se perceber com clareza, por 
exemplo, em Gombrich (1994), quando se propõe a definir aquilo que deveria 
ser uma verdadeira história cultural, em oposição à "velha história da cultura", 
autêntico obstáculo epistemológico, segundo ele, no caminho da construção 
necessária de uma "história cultural realmente histórica". Peter Burke (2000), ao 
escrever sobre as Variedades de história cultural, assinala o fato de que hoje já 
existem muitos historiadores que preferem definir-se como historiadores 
culturais, algo talvez impensável há alguns poucos anos. Ao mesmo tempo, a 
maioria desses historiadores prefere trabalhar com disciplinas setoriais em vez 
de escrever sobre culturas totais como reação à dependência da antiga história 
cultural ao postulado da unidade ou consenso cultural (tipo "espírito do tempo", 
weltanschauung, "civilizações" etc.). Outro exemplo desse tipo de crítica a um 
11 
 
 
conceito unitário de cultura é dado por Thompson (1963, 1968) em seu 
conhecido estudo sobre a formação da classe operária inglesa. Afirma Schorske 
(1988) que, assim como é necessário conhecer os métodos críticos da ciência 
moderna para interpretá-la historicamente, também é preciso conhecer os tipos 
de análise empregados pelos estudiosos de humanidades para se poder abordar 
a produção cultural não-científica do século XX. Mas o historiador não partilha 
totalmente do objetivo do analista de textos na área de humanas. Este visa o 
máximo de elucidação de um produto cultural, relacionando todos os princípios 
de análise com o seu conteúdo particular. Já o historiador procura situar e 
interpretar temporalmente o artefato, num campo no qual se cruzam duas linhas. 
Uma é vertical, ou diacrônica, com a qual ele estabelece a relação de um texto 
ou um sistema de pensamento com expressões anteriores no mesmo ramo de 
atividade cultural (pintura, política etc.). A outra é horizontal, ou sincrônica; com 
ela, o historiador avalia a relação do conteúdo do objeto intelectual com as outras 
coisas que vêm surgindo, simultaneamente, em outros ramos ou aspectos de 
uma cultura. O fio diacrônico é a urdidura, e o sincrônico é a trama do tecido da 
história cultural. O historiador é o tecelão, mas a qualidade do tecido depende 
da firmeza e cor dos fios. Ele tem de aprender um pouco de fiação com as 
disciplinas especializadas, cujos estudiosos, na verdade, perderam o interesse 
de utilizar a história como uma de suas modalidades básicas de entendimento 
mas ainda sabem melhor do que o historiador o que constitui, em seu ofício, um 
fio resistente de cor firme (1988, p. 17). O ponto de vista de Chartier (1990) a 
respeito da natureza da história cultural foi expresso de uma forma bastante 
sintética: 
[...] trata-se de identificar o modo como em diferentes lugares e 
momentos determinada realidade social é construída, pensada, dada 
a ler, [sendo necessário] considerar os esquemas geradores das 
classificações e das percepções próprias de cada grupo ou meio como 
verdadeiras instituições sociais, incorporando sob a forma de 
categorias mentais e de representações coletivas as demarcações da 
própria organização social. (p. 25, nota 45) 
Afirma ele, ainda, que podemos 
[...] pensar uma história cultural do social que tome por objeto a 
compreensão das formas e dos motivos, isto é, das representações do 
12 
 
 
mundo social que, à revelia dos atores sociais, traduzem as suas 
posições e interesses objetivamente confrontados e que, 
paralelamente, descrevem a sociedade tal como pensam que ela é ou 
como gostariam que fosse. (idem, ibidem) 
Essas duas citações permitem-nos perceber que estamos diante de duas 
concepções da história cultural: uma que a associa a uma história da cultura 
orientada para o recorte e a análise de objetos específicos chamados objetos 
culturais - e aí entra, é claro, a distinção entre cultura material e cultura imaterial 
(ou espiritual); e outra que privilegia o critério dos pressupostosmetodológicos 
que têm em vista a abordagem tanto das representações como das práticas 
sociais de acordo com as concepções típicas das diversas teorias sociais. 3. O 
conceito de história cultural também não se encontra imune ao conflito dos 
sentidos: há quem pense a história cultural nos moldes da velha oposição 
historicista entre um mundo natural e um mundo da cultura, ou humano, histórico 
por definição. No bojo de algumas dessas interpretações, persiste, não raro, uma 
associação do cultural ao espiritual ou mental, fazendo-nos recordar as 
conhecidas distinções oitocentistas entre uma alta cultura, ou cultura das elites 
letradas, e uma cultura popular, iletrada, por definição, e muito próxima, quando 
não mesmo idêntica, das manifestações chamadas então folclóricas. Já no 
território marxista, a história cultural ora vem referida aos produtos e 
manifestações da cultura material, ora se restringe ao estudo das formas de 
consciência social, e aí entra em cena o problema da ideologia. Muito comum, 
também, é a discussão segundo pressupostos estruturais - e estruturalistas, 
mais recentemente -, na qual se indaga se a cultura e o cultural constituem ou 
não uma instância do real, sua autonomia relativa e as relações que mantêm 
com as outras instâncias do real. De acordo com o conceito de cultura que se 
tenha em vista, há pelo menos duas concepções básicas acerca do campo de 
abrangência da história cultural: a primeira delas define a história cultural como 
história da cultura intelectual ou desinteressada, voltada para as coisas do 
espírito, sinônimo talvez de história intelectual, e muito próxima da antiga história 
das ideias. Basicamente voltada para as formas textuais em geral, essa história 
cultural identifica-se bastante com a chamada alta cultura, ou cultura dominante. 
Já no caso da segunda, porém, a história cultural compreende tanto a cultura 
intelectual (ou do espírito) quanto a cultura material, ou seja, a erudita e a 
13 
 
 
popular, a cultura científica, filosófica e artística, mais sofisticada, e a cultura 
cotidiana, ou do senso comum. Frequentemente, a alta cultura, enquanto cultura 
dominante, é associada às chamadas elites ou classes letradas, ao passo que a 
cultura cotidiana é vista como a cultura popular, ou dominada. Todas essas 
denominações e oposições vêm sendo submetidas a críticas constantes. Para 
não poucos historiadores, aliás, tais dicotomias culturais são demasiado 
simplistas, reducionistas e irreais - tal como se dá, por exemplo, com Roger 
Chartier (1990), Jacques Revel (1989) e Carlo Ginzburg (1991) -, já que a 
dinâmica das relações culturais e sociais tende a misturar essas divisões e 
distinções aparentemente tão homogêneas. Quanto aos autores marxistas, suas 
críticas têm sido endereçadas a esse conceito supostamente amplo de história 
cultural, mas que deixa de fora praticamente toda a cultura material. Trabalhar 
cada vez menos com um conceito único de cultura ou com suas supostas 
oposições dicotômicas parece ser a tendência entre os historiadores do cultural. 
A historiografia contemporânea vem demonstrando a realidade e a 
especificidade da história cultural. No limite, aliás, já existem aqueles que 
admitem não ser mais aceitável tentar pensá-la segundo os esquemas 
explicativos que legitimam os demais campos do conhecimento histórico, tal 
como acabo de fazer. Assim, chega-se a uma conclusão bastante interessante: 
a história cultural não deveria ser apenas uma denominação ou rótulo que se 
aplicaria a um campo de estudos constituído de objetos e temas específicos. A 
ideia de atribuir uma espécie de lugar ao cultural em termos de realidade 
histórica, um lugar situado entre o econômico, o político e o social, talvez tenha 
tido sua razão de ser no começo da história cultural. 
 
OBJETOS E MÉTODOS DA HISTÓRIA CULTURAL 
Afirma Georges Duby (1982, p. 14) que "a história cultural tem como 
proposta observar no passado, em meio aos movimentos de conjunto de uma 
civilização, os mecanismos de produção dos objetos culturais" (da produção 
vulgar à mais refinada). Nas atas do Colóquio Franco-Húngaro de Tihany sobre 
"Objeto e métodos da história da cultura", realizado em 1977, do qual 
participaram Duby, Le Goff, Makkai e Kosary (os dois últimos historiadores 
14 
 
 
húngaros), ficaram registradas as seguintes indicações temáticas (cf. Le Goff & 
Kopeczi, 1982): 
a) Visões de mundo: sistemas de valores e de normas ligados às necessidades 
econômicas, sociais e políticas da sociedade, sua influência sobre o 
conhecimento cotidiano, científico e artístico e sobre as atitudes e modos de vida. 
b) Política cultural: as concepções das diferentes classes e camadas sociais e 
dos diversos movimentos e correntes. 
c) Atividades institucionais na difusão da cultura material e intelectual (ensino, 
edição, imprensa, rádio, televisão, igrejas e organizações sociais; a língua como 
meio de comunicação). 
d) Intelectuais: seu papel/função como difusores da cultura e a sua 
realização/concretização. 
e) Ciência: condições de existência, resultados e funções no cotidiano, no 
desenvolvimento da sociedade, da consciência cotidiana e das ideologias. 
f) Literatura e artes: condições de existência, resultados, funções e influência 
sobre a consciência cotidiana, as ideologias, as atitudes e os modos de vida; a 
imagem da sociedade e do homem em seus produtos. 
g) Cultura material e intelectual da vida cotidiana das diversas classes, camadas 
e grupos sociais. Principais características. 
h) Tradição e inovação cultural de uma época; valores que se transmite ou que 
desaparecem; lugar do período em causa na evolução global de determinado 
povo ou da humanidade. 
Quanto aos métodos, Duby (1982, p. 14-17) sublinha o conceito de produção 
cultural, pois, segundo afirma, o historiador deve considerar o conjunto da 
produção cultural e as relações que possam existir entre os acontecimentos 
produzidos no topo do edifício - como obra-prima - e essa base quase inerte da 
produção corrente, pois, em geral, as disciplinas separadas/especializadas 
permanecem ancoradas no excepcional. Seria fundamental, segundo ele, 
elucidar as relações existentes entre o movimento criador, que arrasta a 
evolução de uma cultura, e as suas estruturas profundas. Entre estas últimas 
15 
 
 
estão situadas as estruturas econômicas e suas conexões com os ritmos da 
produção cultural em certas épocas. Ainda segundo Duby, há também outros 
fatores, não-econômicos, a considerar: 
a) uma herança, um capital de formas de que cada geração lança mão (formas 
literárias, artísticas, filosóficas). 
b) os fatores ideológicos, o papel do imaginário, do sistema de valores, das 
imagens que servem para explicar o mundo). 
c) o fato de que não existe apenas uma cultura, mas sim culturas, mesmo em 
sociedades pouco evoluídas; logo, é importante não trabalhar com as noções de 
povo e elite como se fossem blocos homogêneos, ignorando-lhes as 
estratificações e combinações variadas "os deslizamentos, passagens, 
interferências, origens da complexidade do espaço cultural" (apud Falcon, 2002, 
p. 100-102). 
 
 
HISTÓRIA E LITERATURA 
Uma das vertentes da História Cultural que tem recebido grande atenção 
no momento atual é aquela que se debruça sobre os diversos tipos de textos 
para pensar sua escrita, linguagem e leitura. Para Duby (s.d. apud MENDES, 
2010), a História Cultural estuda, dentro de um contexto social, os “mecanismos 
de produção dos objetos culturais”, entendidos em sentido amplo e não apenas 
obras, literárias ou não, reconhecidas ou obscuras, e autores canônicos. Ela 
enfoca os mecanismos de produção dos objetos culturais, como suas 
intencionalidades, a dimensão estética, a questão da intertextualidade ou do 
diálogo que um texto estabelece com outro, dentre aspectos diversos, como seus 
mecanismos de recepção, a qual pode ser pensada como uma forma de 
produçãode sentidos. Isto, porque, de acordo com Chartier (1990, p. 27), o termo 
“apropriação” é visto como “a maneira de usar os produtos culturais” e de 
“reescritura”, que ocorre na diferença e nas transformações sofridas pelos textos 
quando adaptados às necessidades e expectativas do leitor. Pensando que as 
narrativas, sejam históricas ou literárias, ou outras, constroem uma 
16 
 
 
representação acerca da realidade, procura-se compreender a produção e a 
recepção dos textos, entendendo que a escrita, a linguagem e a leitura são 
indivisíveis e estão contidas no texto, que é uma instância intermediária entre o 
produtor e o receptor, articuladora da comunicação e da veiculação das 
representações. Dessa forma, há uma tríade a considerar na elaboração do 
conhecimento histórico, composta pela escrita, o texto e a leitura. No que se 
refere à instância da escrita ou da produção do texto, o historiador volta-se para 
saber sobre quem fala, de onde fala e que linguagem usa. Já ao enfocar o texto 
em si, o que se fala e como se fala são questões indispensáveis. No trato da 
recepção, visa abordar a leitura deum determinado receptor/leitor ou de um 
grupo de receptores/leitores, tratando das expectativas de quem recebe o texto, 
de sua contemplação, ou seu enfrentamento ou resistência a ele (PESAVENTO, 
2013). A Literatura registra e expressa aspectos múltiplos do complexo, 
diversificado e conflituoso campo social no qual se insere e sobre o qual se 
refere. Ela é constituída a partir do mundo social e cultural e, também, 
constituinte deste; é testemunha efetuada pelo filtro de um olhar, de uma 
percepção e leitura da realidade, sendo inscrição, instrumento e proposição de 
caminhos, de projetos, de valores, de regras, de atitudes, de formas de sentir, 
entre outros. Enquanto tal é registro e leitura, interpretação, do que existe e 
proposição do que pode existir, e aponta a historicidade das experiências de 
invenção e construção de uma sociedade com todo seu aparato mental e 
simbólico. Sendo a Literatura uma forma de ler, interpretar, dizer e representar o 
mundo e o tempo, possuindo regras próprias de produção e guardando modos 
peculiares de aproximação com o real, de criar um mundo possível por meio da 
narrativa, ela dialoga com a realidade a que refere de modos múltiplos, como a 
confirmar o que existe ou propor algo novo, a negar o real ou reafirmá-lo, a 
ultrapassar o que há ou mantê-lo. Ela é uma reflexão sobre o que existe e 
projeção do que poderá vir a existir; registra e interpreta o presente, reconstrói o 
passado e inventa o futuro por meio de uma narrativa pautada no critério de ser 
verossímil, da estética clássica, ou nas notações da realidade para produzir uma 
ilusão de real. Como tal, é uma prova, um registro, uma leitura das dimensões 
da experiência social e da invenção desse social, sendo fonte histórica das 
práticas sociais, de modo geral, e das práticas e fazeres literários em si mesmos, 
de forma particular (BORGES, 2010). 
17 
 
 
 
Figura 2: Literatura 
IDENTIDADES 
As identidades são, pelo seu lado, um outro campo de pesquisa para a 
História Cultural. Enquanto representação social, a identidade é uma construção 
simbólica de sentido, que organiza um sistema compreensivo a partir da ideia de 
pertencimento. A identidade é uma construção imaginária que produz a coesão 
social, permitindo a identificação da parte com o todo, do indivíduo frente a uma 
coletividade, e se estabelece à diferença (...), é relacional, pois ela se constitui a 
partir da identificação de uma alteridade. Frente ao ‘eu’ ou ao ‘nós’ do 
pertencimento se coloca a estrangeiridade do outro (PESAVENTO, 2005). A 
questão das identidades, o modo como os indivíduos e grupos enxergam a si 
mesmos, constroem referenciais culturais e defendem seus valores, criando 
espaços de negociação com outros grupos ou sustentando conflitos, é hoje uma 
discussão essencial. Em um cenário em que a globalização massificou o acesso 
à informação, padronizando comportamentos e referenciais, a conscientização 
acerca do convívio com as diferenças, paradoxalmente, adquiriu uma 
importância ímpar. A razão é óbvia, diante dos antagonismos, a diversidade 
saltou aos olhos, os mais diferentes grupos voltaram seu olhar para si mesmos 
tentando manter viva, entre outras, a identidade étnica ou regional. Por outro 
lado, a integração econômica, no âmbito do capitalismo neoliberal, fomentou a 
necessidade de conhecer o outro, entender seus anseios e desejos, o que passa 
pelo estudo das identidades. Esta preocupação não é nova, desde o século XVII, 
a filosofia discuti o tema, enquanto o século XIX trouxe a temática para o campo 
de estudo de ciências nascentes como a psicologia, a sociologia e a 
18 
 
 
antropologia. Posteriormente, a interdisciplinaridade dos estudos culturais, nas 
ciências humanas e sociais, questionou a formação das identidades. Foi quando 
linguistas e teóricos da comunicação somaram esforços, abordando o tema 
através de uma infinidade de métodos de análise, cunhando uma enorme gama 
de significados, fragmentando as pesquisas em volta da identidade nacional, 
étnica e social. Entretanto, a preocupação com as identidades é relativamente 
recente para os historiadores. A temática veio à tona somente no final do século 
XX, com o surgimento dos debates sobre a pós-modernidade e o 
multiculturalismo. Para a história existe uma vinculação estreita entre as 
identidades e a memória que os grupos mantêm de si mesmos. Segundo André 
Lalande, a memória seria uma reminiscência do passado, uma leitura feita a 
partir daquilo que é almejado como tendo sido e não como realmente foi, 
espelhando uma representação que serve de sustentação a criação de 
identidades. Neste sentido, é obvio o interesse da história pela construção das 
identidades, já que o trabalho do historiador consiste em abordar a memória dos 
grupos como fonte. Na realidade, a história realiza um duplo movimento. Ao 
tentar entender a construção das identidades, estudando a memória, como 
afirmou Massimo Mastrogregori, expressa uma tradição de lembranças, 
ordenadas com o apoio de relatos e visões particularizadas. Por outro lado, forja 
uma memória coletiva que, não correspondendo exatamente como as coisas 
foram, na maior parte das vezes, legitima a ordem política e ideológica 
estabelecida e, simultaneamente, cria ou reforça identidades construídas. 
Inserido neste contexto, no Brasil, ao mesmo tempo em que, recentemente, 
grupos de pesquisa surgiram nas universidades para tentar entender a formação 
das identidades, há décadas a história já tinha servido à construção de 
identidades que atendiam aos interesses dos grupos no poder, uma discussão 
também relevante dentro do âmbito da temática. Seja como for, abordar as 
identidades, atreladas à história, tornou-se essencial não só para entender quem 
somos, como nos vemos e porque nos identificamos com referenciais 
específicos, os quais nem sempre correspondem as nossas origens concretas; 
como também promove a conscientização sobre a diversidade, auxiliando na 
compreensão do mundo contemporâneo. Um conceito que, a partir das ideias de 
Jean Jacques Rousseau, afirmava a sobreposição das individualidades sobre o 
coletivo. No final do século XIX, Emile Durkheim deu prosseguimento à 
19 
 
 
contestação da identidade liberal, afirmando que a sociedade seria composta 
sim por indivíduos, mas não seria fruto destas individualidades cruzadas, pois, 
ao inverso, as identidades seriam produto da coletividade. Segundo esta 
concepção, nas sociedades pré-industriais, com nenhuma ou pouca 
especialização econômica, todos os membros da sociedade seriam similares em 
atitudes, valores e normas. Uma homogeneidade mantida pelo que Durkheim 
chamou de solidariedade mecânica, uma consciência coletiva sustentada por 
uma identidade única que suprime as individualidades através da punição dossujeitos que se desviam das normas estabelecidas pelo grupo. Em 
contraposição, nas sociedades industriais imperaria a solidariedade orgânica, 
uma complexa divisão de trabalho, exigindo que cada membro da sociedade seja 
um especialista, incapaz de suprir suas necessidades sem a cooperação do 
outro. Neste sentido, nas sociedades modernas não haveria mais necessidade 
de punição para os sujeitos desviantes, já que a coesão seria mantida pela 
própria estrutura social, a qual, por sua vez, seria garantida por uma identidade 
coletiva. 
 
Figura 3: Tarsila do Amaral – Obra Operários (Retratando as identidades) 
 
20 
 
 
HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE 
Segundo Ferreira (2000), a História dos fatos recentes nem sempre foi 
vista como problemática. Na Antiguidade clássica, muito ao contrário, a História 
recente era o foco central da preocupação dos historiadores. Para Heródoto e 
Tucídides, a História era um repositório de exemplos que deveriam ser 
preservados, e o trabalho do historiador era expor os fatos recentes atestados 
por testemunhos diretos. Não havia, portanto, nenhuma interdição ao estudo dos 
fatos recentes, e as testemunhas oculares eram fontes privilegiadas para a 
pesquisa. Mas, a partir do século XIX, a História recente, então chamada de 
contemporânea, tornou-se um objeto problemático. O ponto de partida para 
entender esse processo é a constatação do triunfo de uma determinada definição 
de História a partir da institucionalização da própria História como disciplina 
universitária. Essa definição, fundada sobre uma ruptura entre o passado e 
presente, atribuía à História a interpretação do passado e sustentava que só os 
indivíduos possuidores de uma formação especializada poderiam executar 
corretamente essa tarefa. A profissionalização da História e dos historiadores 
exigia uma disciplina mais rígida, que afastasse os amadores, que tivesse seu 
próprio ritual, sua mística, seu método. Foi nesse quadro de afirmação dos 
historiadores profissionais que se colocou como condição indispensável para se 
fazer uma História científica um punhado de posicionamentos estanques: a visão 
retrospectiva, a lisura das informações, o documento escrito, autêntico e sua 
análise intensiva. O documento e sua crítica eram assim essenciais para 
distinguir a História científica da História literária, os profissionais historiadores 
dos ensaístas, literatos, contistas e amadores. A afirmação da concepção da 
História como uma disciplina que possuía um método de estudo de textos que 
lhe era próprio, que tinha uma prática regular de decifrar documentos, implicou 
a concepção da objetividade como uma tomada de distância em relação aos 
problemas do presente. Assim, só o recuo no tempo poderia garantir uma 
distância crítica. Se se acreditava que a competência do historiador devia-se ao 
fato de que somente ele podia interpretar os traços materiais do passado, seu 
trabalho não podia começar verdadeiramente senão quando não mais 
existissem testemunhos vivos dos mundos estudados. Para que os traços 
pudessem ser interpretados, era necessário que tivessem sido arquivados. 
21 
 
 
Desde que um evento era produzido ele pertencia à História, mas, para que se 
tornasse um elemento do conhecimento histórico erudito, era necessário esperar 
vários anos, para que os traços do passado pudessem ser arquivados e 
catalogados (SANTOS,2009). Enfim, havia vários embates, dentre eles, o 
reconhecimento profissional, acadêmico e científico. A delimitação de espaço de 
atuação e do campo de trabalho, objetivava o desligamento com o popularesco, 
o folclórico, o corriqueiro e o amador. A luta pelo reconhecimento da disciplina 
histórica exigia naquele momento um rompimento entre passado e presente, 
erudito e popular, profissional e amador, Literatura e ciência. Com tal cisma, o 
desprezo e a desqualificação dos testemunhos diretos, pelas fontes orais foi 
inevitável, ficando quase que exclusivamente nas mãos dos historiadores (ditos) 
amadores já que o período recente, acreditavam eles, não exigia uma farta 
cultura clássica, nem o controle dos procedimentos eruditos do método histórico. 
Uma outra questão sempre levantada contra esse tipo de História é a de que o 
historiador sofre as influências de seu tempo já que participou, viveu, 
protagonizou os acontecimentos. Hobsbawm (1996) admite que relutou em 
iniciar tal tarefa devido à consciência dos assuntos públicos que lhe trariam 
opiniões e preconceitos sobre a época. Mesmo assim, Hobsbawm além de 
vencer as dificuldades de ser participante, ainda ultrapassa os seus preconceitos 
e de outros, para considerar assuas ações enquanto agente histórico do 
processo, utilizando sua memória como fontes. Dessa forma, ele abre caminho 
para se entender que a História enquanto o historiador está presente é mais do 
que possível, é necessária. Mediante as apresentações acima, a História 
Cultural é, nesse sentido, um movimento internacional, e não tipicamente 
francês, como muitas vezes se presume.Com a abertura de áreas e campos de 
pesquisa proporcionados pela História Cultural, ocorreu uma verdadeira quebra 
das fronteiras, sejam as de pesquisa, sejam mesmo as que definiam as áreas do 
conhecimento. Dentre os principais contatos que foram intensificados pela 
História Cultural está: 
a) O da História com a Antropologia, por intermédio do conceito de 
cultura. 
b) O da História com a Literatura, por intermédio da discussão das 
fronteiras do texto histórico e do texto literário. 
22 
 
 
c) O da História com a Arte, a partir dos debates sobre as imagens. 
d) E o da História com a Arquitetura (ou ao Urbanismo), pela 
identificação com o tema da cidade, suas imagens e representações 
(literárias e pictóricas). 
Mas por outro lado, o sucesso acadêmico, e mesmo no plano da mídia, 
alcançado pela História Cultural, não deve obscurecer certos riscos na análise, 
na abordagem e nos problemas levantados pelo historiador ao praticá-la (ROIZ, 
2008). Entre eles, Pesavento (2013) destaca: 
1) O historiador, enquanto produtor de um texto, e também o público 
leitor, consumidor de História, devem assumir a dúvida como um 
princípio de conhecimento do mundo. 
2) Um outro aspecto a ser discutido como desafio para o historiador é 
esta espécie de nostalgia da totalidade ou dos modelos globais, que se 
sintetizaram em um texto harmônico e compreensível, em uma 
explicação acabada. 
3) Um outro desafio é aquele trazido pela incorporação da 
subjetividade no trabalho do historiador. Primeiro, o desafio dá-se pela 
consciência da própria subjetividade do historiador, com sua intuição, 
sua individualidade, sua trajetória devida e sua inserção no mundo 
acadêmico e social. Depois, quando se leva em conta a subjetividade 
dos atores a resgatar no passado. Uma das características da História 
Cultural foi trazer à tona o indivíduo, como sujeito da História, 
recompondo histórias de vida, particularmente daqueles egressos das 
camadas populares. 
Das breves explanações sobre os campos de estudo/investigação da História 
Cultural, podemos resumir que as fotografias, as crônicas e gêneros literários 
encenados na cidade, as propagandas de moda e de produtos da vida cotidiana, 
a iconografia em geral, entre outros, são documentos que deixam transparecer 
valores, ideias, comportamentos e imaginários, que recriam a realidade e 
reapresentam os modos de ver e agir dos diferentes grupos sociais em 
determinada época e suas representações do mundo. Esses documentos 
descrevem a realidade não como um espelho, mas como uma interpretação 
daquilo que a sociedade é ou daquilo que ela poderia ser ou gostariam de ser. A 
proposta seria de compreender como estes “leitores especiais da cidade” 
descrevem a cidade e sociedade enquanto atores sociais, elaborando 
23 
 
 
representações que são determinadas pelos interesses dos grupos que as 
forjam e, portanto, devem ser relacionadascom a posição de quem as utiliza, 
para revelar os códigos e convenções que regulam a sua produção e que 
remetem ao contexto cultural em que se inserem. De acordo com o conceito de 
cultura que se tenha em vista, há pelo menos duas concepções básicas acerca 
do campo de abrangência da história cultural: a primeira delas define a história 
cultural como história da cultura intelectual ou desinteressada, voltada para as 
coisas do espírito, sinônimo talvez de história intelectual, e muito próxima da 
antiga história das ideias. Basicamente voltada para as formas textuais em geral, 
essa história cultural identifica-se bastante com a chamada alta cultura, ou 
cultura dominante. Já no caso da segunda, porém, a história cultural compreende 
tanto a cultura intelectual (ou do espírito) quanto a cultura material, ou seja, a 
erudita e a popular, a cultura científica, filosófica e artística, mais sofisticada, e a 
cultura cotidiana, ou do senso comum. Frequentemente, a alta cultura, enquanto 
cultura dominante, é associada às chamadas elites ou classes letradas, ao passo 
que a cultura cotidiana é vista como a cultura popular, ou dominada. Todas essas 
denominações e oposições vêm sendo submetidas a críticas constantes. Para 
não poucos historiadores, aliás, tais dicotomias culturais são demasiado 
simplistas, reducionistas e irreais - tal como se dá, por exemplo, com Roger 
Chartier (1990), Jacques Revel (1989) e Carlo Ginzburg (1991) -, já que a 
dinâmica das relações culturais e sociais tende a misturar essas divisões e 
distinções aparentemente tão homogêneas. Quanto aos autores marxistas, suas 
críticas têm sido endereçadas a esse conceito supostamente amplo de história 
cultural, mas que deixa de fora praticamente toda a cultura material. Trabalhar 
cada vez menos com um conceito único de cultura ou com suas supostas 
oposições dicotômicas parece ser a tendência entre os historiadores do cultural. 
Na expressão “História do Tempo Presente” a atenção, tanto de historiadores/ 
as profissionais quanto do público não especializado, é normalmente direcionada 
para a palavra “presente”. Afinal, dada a forma adquirida pela disciplina ao longo 
do século XIX, principalmente, quando de sua sistematização como área de 
saber científico, esta passou a ser apresentada como a “ciência do passado”. Tal 
configuração ganhou ainda mais consistência na medida em que se firmou uma 
periodização da História a partir de um modelo quadripartite francês que se 
tornou referência para diferentes historiografias nacionais, a exemplo da 
24 
 
 
brasileira, que mantém ainda, produtiva ou não, estreita ligação com aquela 
periodização francesa. Ao constituir-se como uma “cartografia” do que seria o 
tempo histórico universal, o quadripartismo tem óbvias implicações intelectuais 
e socioculturais ao firmar uma determinada ordem ocidental que se fia no 
progresso linear e ascendente. Outras tentativas de mapear o que seria a 
História mundial, como aquelas derivadas do materialismo histórico, não 
escapariam de um modelo análogo e sucessivo de grandes etapas, saltos 
evolutivos e teleologias. Nas narrativas históricas assim tracejadas, como aponta 
Jean Chesnaux (1995, p. 96-97), em particular a História contemporânea viria 
encerrar a construção de uma longa linha do tempo e “celebrar a aptidão dos 
historiadores ocidentais para apresentar um quadro coerente e global do mundo 
dos séculos XIX e XX, para ser os guias naturais da História africana, asiática ou 
americana”. Diante dessa construção tão coerente quanto frágil em suas 
pretensões universalizantes, afirmar a possibilidade de uma História do Tempo 
Presente pode soar estranho ou contraditório, somado à desconfiança quanto à 
validade de tal empreendimento, objeto ainda considerado muito fugidio e opaco. 
Entendemos, contudo, que ainda é possível acrescentar elementos a um debate 
que é certamente um dos que mais mobilizaram contribuições aguçadas e 
produtivas e que fazem parte da melhor cultura historiográfica desde, pelo 
menos, o último século. A relação entre história e tempo tornou-se problemática, 
envolvendo questões tão abrangentes como a do “sentido da história” e os 
interesses por diferentes “durações”, desde a do tempo muito longo e estrutural 
até a do passado mais imediato. Nesta dimensão, duas definições fundamentais, 
aquela referida aos pontos de partida e outra que diz respeito à periodização, 
com a formação de unidades mensuráveis equivalentes em duração, ganharam 
contornos menos pronunciados, pois o tempo histórico encontra-se e é 
atravessado pelo tempo da memória. Constatações que se abrem para 
compreender que “o historiador está submetido ao tempo em que vive” (LE 
GOFF 1994, p. 13). Isso significou que a demanda de que passado pudesse 
explicar o presente por si só tenha se tornado insuficiente para os historiadores, 
os quais se voltaram para discutir o quanto o presente tem de passado, mas 
também o quanto este tem de presente. Desde a chamada Escola dos Annales, 
as diferentes e possíveis concepções de tempo histórico referidas à historiografia 
acompanham os questionamentos teóricos e metodológicos e as diferentes 
25 
 
 
posições assumidas nos debates acadêmicos e nas abordagens de temas, 
objetos e processos. Duração, repetibilidade, movimento, estruturas e 
conjunturas, singularidade e universalidade, diacronia, sincronia e anacronia, 
memória e imaginação, constituíram-se, por si próprios, em objetos 
historiográficos, ao passo em que também suscitaram a reflexão quanto a 
métodos e abordagens adequados à documentação pesquisada e às escalas 
temporais adotadas. O tempo deixa de ser um pano de fundo para tornar-se a 
própria trama social construída em distintas dimensões e tensões. Se a História 
do Tempo Presente tem sua configuração inexoravelmente ligada à “dimensão 
temporal” (DELGADO; FERREIRA 2014, p. 7-12), pode-se questionar se o 
“tempo” referido na expressão que nomeia esta nova abordagem corresponde a 
um tempo histórico diferente, naquilo que contém em termos de experiências 
sociais e culturais, ou seja, como dimensão do que se costuma chamar de 
temporalidade. Do que seria composta esta temporalidade presente? 
Compreende-se que pode ser demarcada a partir de critérios ainda em 
construção, naquilo que diz respeito ao vivido tal como se apresenta a cada um 
ou cada uma, em suas contingências e significados, e que venha a definir 
episódios e articular o que se passa individual ou coletivamente ao tempo 
histórico abrangente. Se os últimos movimentos do campo historiográfico voltam-
se para o desafio, longe de qualquer zona de conforto, de interrogar os 
fenômenos sociais do presente com elementos característicos deste tempo 
naquilo que informa as experiências de homens e mulheres, ainda que sob o 
risco do abandono de “cartografias” do tempo histórico consagradas, em relação 
às quais a própria História do Tempo Presente permanece tributária. 
Entendemos que elaborar uma História do Tempo Presente requer, entre outras 
problemáticas ainda mais complexas, dar-se conta do desafio que subjaz à 
própria expressão que define esta nova dimensão historiográfica e explorá-la em 
termos ainda não suficientemente abordados. Pensar o tempo presente e, em 
particular, este tempo vivido no momento em que se elabora este texto, requer 
um esforço de reflexão que põe em discussão alguns dos limites de nossa 
compreensão do “tempo e suas temporalidades”, em particular do campo 
historiográfico como tal. Portanto, ao empreender este esforço intelectual, é 
necessário considerar que o próprio tempo histórico em suas implicações para a 
escrita historiográfica está em questão. Sem pretender simplesmente questionar 
26 
 
 
o quadripartismo, ademais alvo de críticas contundentes há décadas, o que se 
quer dizer é que uma História do Tempo Presente não deve ser compreendida 
como mais um pilar na construção do grandee consagrado edifício do tempo 
histórico, cujo projeto estrutural foi configurado pela historiografia ocidental 
predominante nos séculos XIX e XX. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
LOHN, Reinaldo; CAMPOS, Emerson. Tempo Presente: entre 
operações e tramas. HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA, 2017. Disponível em: 
<https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/1176> Acesso 
em 12/09/2020. 
FALCON, Francisco. História cultural e história da educação. SCIELO, 
2006. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
24782006000200011&script=sci_arttext&tlng=pt> Acesso em 12/09/2020. 
 
SILVA, Daiane; LEMOS, Flávia; MONTEIRO, Eline. Reflexões a respeito 
da história cultural e a análise de documentos. DIALNET, 2014. Disponível 
em: <https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5036142.pdf> Acesso em 
12/09/2020. 
 
HISTÓRIA CULTURAL E SUAS ANÁLISES. ACADEMIA.EDU, 2020. 
Disponível em: 
<https://www.academia.edu/36423342/HIST%C3%93RIA_CULTURAL_E_SUA
S_AN%C3%81LISES_CREDENCIADA_JUNTO_AO_MEC_PELA_PORTARIA
_No_1_282_DO_DIA> Acesso em 12/09/2020. 
Burke, Peter (1992/1997). A Escola dos Annales (1929-1989). A revolução 
francesa da historiografia. São Paulo: UNESP. 
Canedo, Daniele (2008). Cultura, Democracia e Participação Social: um 
estudo da II Conferência Estadual de Cultura da Bahia. (2008, 190f). 
Dissertação de Mestrado inédita, Universidade Federal da Bahia. 
 Chartier, Roger (1995). “Cultura popular”: revisitando um conceito 
historiográfico. Estudos históricos, 8(16), 179-192. 
28 
 
 
Chauí, Marilena (1995). Cultura política e política cultural. Estudos 
Avançados, 9(23), 71-84. http://dx.doi.org/10.1590/S0103- 40141995000100006 
Cuche, Denys (2002). O Conceito de Cultura nas Ciências Sociais. (Tradução 
de Viviane Ribeiro, 2a. ed.) Bauru: EDUSC. 
Domingues, Petrônio (2011). Cultura popular: as construções de um 
conceito na produção historiográfica. História, 30(2), 401-419. 
http://dx.doi.org/10.1590/S0101- 90742011000200019 
Foucault, Michel (1979). Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal. Foucault, 
Michel (1989/1996). A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France 
pronunciada em 2 de dezembro de 1070. São Paulo: Loyola. 
Foucault, Michel (1987/1999). Vigiar e Punir: a história da violência nas 
prisões (19a. ed.) Petrópolis: Vozes. 
Foucault, Michel (2006a). A vida dos homens infames. In Manoel Barros da 
Motta (Org.), Estratégia, poder-saber (Coleção Ditos & Escritos, Volume IV, 2a. 
ed., pp. 201-222) Rio de Janeiro: Forense Universitária. 
 Foucault, Michel (2006b). Poder e saber. In: Manoel Barros da Motta (Org.), 
Estratégia, podersaber (Coleção Ditos & Escritos Volume IV, 2a. ed., pp. 223-
240) Rio de Janeiro: Forense Universitária. 
Gomes, Ângela de Castro (Org.) (1996). A cultura histórica do Estado Novo. 
Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas. 
Guattari, Félix & Rolnik, Suely (Org.) (1996). Micropolítica: cartografias do 
desejo. Petrópolis/RJ: Vozes. 
Le Goff, Jacques (2005). A História Nova. In: Jacques Le Goff (Org.), A História 
Nova (pp. 32- 84). São Paulo: Martins Fontes. 
 Nietzsche, Friedrich (2003). Segundas considerações intempestivas: da 
utilidade e desvantagem da história para a vida. Rio de Janeiro: Relume 
Dumará. 
Nietzsche, Friedrich (2009). Genealogia da moral: uma polêmica (Tradução, 
notas e posfácio Paulo César de Souza). São Paulo: Companhia das Letras. 
29 
 
 
Pandolfi, Dulce (Org.) (1999). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: 
Editora da Fundação Getúlio Vargas. Veyne, Paul (1998). Como se escreve a 
história. Brasília: UNB.

Mais conteúdos dessa disciplina