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Artigo de revisão integrativa sobre iatrogenia em idosos. Identifica fatores predisponentes e principais iatrogenias na assistência; descreve busca nas bases PUBMED/MEDLINE, BDENF e SCIELO (163 artigos encontrados, 9 selecionados) e conclui pela necessidade de educação continuada.

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ARTIGO DE REVISÃO
ISSN: 2178-7514
Vol. 12| Nº. 3| Ano 2020
OCORRÊNCIA E RISCOS DE IATROGENIA EM IDOSOS:UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Daniel Contreira Júnior¹; Kayque Wellek Delgado do Amaral¹; Marcus Tadeu Fernandes Gomes da Silva¹; 
Waldir Rosa Júnior¹; Sellen Almeida Marques¹; Cristiane Venturini Garlet¹
RESUMO
Introdução: Um olhar mais atentivo e alerta para as questões de ordem iatrogênica nos idosos pode contribuir 
para que as equipes e instituições de saúde possam implementar outras formas de agir, buscando a diminuição dos 
problemas. Objetivo: Identificar os fatores predisponentes e as principais iatrogenias e fatores de risco na assistência 
aos idosos. Materiais e Métodos: Estudo do tipo revisão integrativa efetuada através das bases de dados, PUBMED/
MEDLNE, BDENF, SCIELO. Os descritores selecionados para busca foram: “doença iatrogênica”; “iatrogenia em 
idosos” “Enfermagem” Os critérios de inclusão definidos para a seleção dos artigos foram: artigos publicados em 
português, inglês e espanhol. Os artigos que não atingiram os critérios estabelecidos assim como os repetidos foram 
descartados. Resultados: Foram encontrados 163 artigos no total, do quais nove foram selecionados, pois atendiam 
aos critérios de inclusão. Conclusão: Nota-se a necessidade de atividades de educação permanente em saúde, que 
promovam nos profissionais da área de saúde o desejo em buscar uma qualificação adequada sobre os principais 
fatores de riscos e as principais iatrogenias.
Palavras-chave: Doença iatrogênica; enfermagem; iatrogenia em idosos. 
ABSTRACT
Introduction: A more attentive and alert look at iatrogenic issues in the elderly can contribute so that health teams 
and institutions can implement other ways of acting, seeking to reduce problems Objective: Identify the predisposing 
factors and the main iatrogenesis and risk factors in the care of the elderly. Materials and Methods: Study of the 
type integrative review carried out through the databases, PUBMED/MEDLNE, BDENF, SCIELO. The descriptors 
selected for the search were: “iatrogenic disease”; “iatrogenic in the elderly” “Nursing” The inclusion criteria defined 
for the selection of articles were: articles published in Portuguese, English and Spanish. Articles that did not meet the 
established criteria as well as the repeated ones were discarded. Results: A total of 163 articles were found, of which 
nine were selected, because they met the inclusion criteria. Conclusion: The need for continuing health education 
activities, which promote in health professionals the desire to seek an adequate qualification on the main risk factors 
and the main iatrogenic factors, is noted.
Keywords: Iatrogenic disease; nursing; iatrogeny in the elderly. 
Autor de correspondência
Daniel Contreira Júnior
daniel_contreira@hotmail.com
1- Universidad del Pacífico Privada-Pedro Juan Caballero-PY
Occurrence and risks of iatrogenic in the elderly: integrative review
DOI: 10.36692/v12n3-21r
https://doi.org/10.36692/v12n3-21r
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 2
 INTRODUÇÃO
 A palavra iatrogenia provém do grego 
iatros (médico, curandeiro) e genia (origem, 
causa), e se refere a qualquer alteração 
patológica (efeitos adversos ou complicações), 
causada ao paciente por erros dos profissionais 
de saúde, advindos do tratamento e que geram 
consequências prejudiciais à saúde do paciente/
cliente 1,2. 
 A iatrogenia adquire maior importância 
nos indivíduos idosos nos quais, tanto 
à incidência como a intensidade de suas 
manifestações costumam ser mais acentuadas. 
A população idosa no Brasil (com idade igual ou 
superior a 60 anos) vem crescendo rapidamente 
nas últimas décadas, tanto numericamente 
como em anos de sobrevida. Tal fato pode 
ocasionar, um aumento progressivo da 
demanda, principalmente no que diz respeito à 
internação hospitalar 3,4. 
 Todo profissional está susceptível a 
erros, os quais, usualmente, se devem à excesso 
de carga-horária de trabalho, falta de atenção, 
conhecimento escasso, estresse do profissional, 
negligência, imprudência, dificuldades para 
entender as prescrições e outras. Considerando 
que a iatrogenia é um indicador de qualidade do 
serviço prestado pela de um hospital, a maioria 
dos autores recomenda que “deve-se incentivar 
a notificação, do evento iatrogênico, e utilizar-
se de educação continuada para diminuir o 
número de erros” 5,6. 
 As negligencias “contribuem, 
sobremaneira, para o aparecimento das 
grandes síndromes geriátricas, ou seja, os 
‘5 is’ da geriatria: Instabilidade Postural, 
Incontinência Urinária, Insuficiência Cerebral, 
Iatrogenia e Isolamento Social. A prevalência 
destes eventos em idosos pode ser elevada, 
pois estas pessoas, usualmente não recebem 
um tratamento caracterizado para sua idade e 
assim, ficam mais suscetíveis a erros cometidos 
pelos profissionais de saúde 7,8. 
 O atendimento do idoso apresenta um 
caráter multidisciplinar, onde profissionais de 
varias áreas associam-se, para oferecer uma 
assistência global ao paciente, o conceito de 
iatrogenia direcionada para clientes idosos 
tem significado mais amplo, relacionando-se 
às condutas tomadas pelos vários membros da 
equipe 9. 
 Um olhar mais atentivo e alerta 
para as questões de ordem iatrogênica pode 
contribuir para que as equipes e instituições 
de saúde possam implementar outras formas 
de agir, buscando a diminuição dos problemas. 
Da atuação dos Conselhos de Medicina 
e Enfermagem, assim como dos serviços 
(públicos e privados) de educação e saúde 
depende a diminuição desta problemática 10. 
Através dessa revisão integrativa, o objetivo 
foi identificar os fatores predisponentes e as 
principais iatrogenias e fatores de risco na 
assistência aos idosos 
 
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 3
 MATERIAIS E MÉTODOS
 A análise foi efetuada através de 
revisão integrativa (“método que proporciona 
a síntese do conhecimento e a incorporação 
da aplicabilidade de resultados de estudos 
expressivo na prática”)7. Foram utilizadas as 
bases de dados: Scientific Electronic Library 
Online (Scielo), PUBMED/MEDLINE, e a 
Base de Dados de Enfermagem (BDENF). E 
os seguintes descritores: “doença iatrogênica”; 
“iatrogenia em idosos” “enfermagem”. Ao 
todo, foram encontrados 163 artigos que 
estavam relacionado aos descritores, destes, 
selecionaram-se 9 artigos seguindo os critérios 
estabelecidos para inclusão/exclusão (Figura 
1). 
 Através dos critérios definidos para 
inclusão (artigos, publicados em português e 
inglês na integra, elaborados por profissionais 
de saúde e direcionados para os objetivos deste 
trabalho - quanto aos sujeitos e objeto de 
estudo) e exclusão (dos repetidos, bem como 
das teses, dissertações, monografias e livros), 
foram selecionados nove artigos; todos foram 
lidos várias vezes, buscando-se explicitar as 
categorias e efetuar análises, em conformidade 
com os objetivos almejados. 
 Foi elaborado um formulário 
explicitando as informações a serem buscadas 
nos textos, buscando por aquelas que figuravam 
nos artigos a serem utilizados. Foi efetuado 
um teste piloto para avaliar a pertinência e 
repetitividade das informações, o que resultou 
em quadro , contendo dados de identificação 
(autores, identificação do artigo, objetivo 
abordado, principais resultados e conclusão) 
(Quadro 1). Como categorias de análise 
buscou-se explicitar as principais iatrogenias 
relatadas, os fatores de risco evidenciados, 
as consequências dos erros e o papel dos 
profissionais e instituições.
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 4
 RESULTADOS E DISCUSSÃO
 Durantemuito tempo, no Brasil, as 
iatrogenias na área da saúde eram consideradas 
como problemas de ordem ética, ou seja, 
mantidas em segredo, tanto pelos profissionais 
na respectiva área de atuação como pelas 
entidades de classe e instituições de saúde. 
 Após a criação do Ministério 
Público(1951) e explicitação dos direitos 
do cidadão (1937) as pessoas e a imprensa 
começaram a exigir/reivindicar o cumprimento 
das penalidades impostas pela lei àqueles que 
tivessem, por um motivo ou outro, deixado que 
enganos comprometessem a integridade física 
da clientela.
 Dessa forma, nos anos mais 
recentes(após 1990), começaram a ocorrer 
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 5
publicações científicas direcionadas para 
a qualificação dos profissionais de saúde, 
procurando-se evitar a ocorrência de 
iatrogenias.
 No caso específico das pessoas que 
vivenciam a terceira idade buscou-se, com 
este trabalho, alcançar alguns objetivos 
através da analise do conhecimento científico 
difundido no Brasil, acerca da ocorrência e 
riscos de iatrogenia em idosos. As informações 
analisadas permitiram evidenciar as seguintes 
categorias: Iatrogenias observadas em idosos 
hospitalizados; Fatores de risco explicitados 
na produção científica dos profissionais de 
saúde; Consequências das iatrogenias para o 
cliente/paciente e equipe de saúde; O papel 
das instituições formadoras e prestadoras de 
assistência em saúde, no que diz respeito aos 
idosos.
 Principais iatrogenias observadas 
em idosos hospitalizados. 
 Existem diversas classificações de 
iatrogenia. Alguns autores consideram que 
iatrogenia não é sinônimo de procedimentos 
errados e concordam com estudos anteriores 
que explicitaram três tipos de iatrogenias: 
as físicas (causadas por intervenções 
instrumentais e manobras semióticas, o 
uso de medicamentos, contrastes e vacinas, 
as irradiações e tecnologias empregadas 
na atualidade), as psíquicas (causadas por 
inadvertência, ignorância ou má fé) e as sociais 
(ocasionadas por diagnósticos incorretos 
que podem ocasionar a discriminação social 
do cliente/paciente no seu núcleo familiar e 
social)11.
 Analisando situações que envolvem 
iatrogenia e hospitalização tem-se observado, 
que ocorrem numerosas intervenções 
médicas e de enfermagem, representado 
riscos para a clientela, pois o excessivo 
número de intervenções, de medicamentos 
e de exames invasivos, pode ocasionar danos 
físicos e psíquicos aos pacientes. A escassez 
de intervenções (procedimentos) também 
pode ocasionar problemas para os clientes, 
principalmente os idosos. Os erros de 
administração podem ser ocasionados pela 
sobrecarga de trabalho, despreparo profissional, 
condições de saúde do profissional, insatisfação 
no trabalho e outras 11.
 Investigações mais recentes classificam 
as iatrogenias em: diagnósticas (ocasionadas 
pela demora na realização de exames 
diagnósticos, problemas ocasionados por 
contrastes e desidratação) podem ocorrer, 
também, erros diagnósticos. As iatrogenias 
terapêuticas (provocadas por diversos tipos 
de procedimentos ou por reações adversas aos 
medicamentos administrados), e iatrogenias 
por ocorrências diversas (úlcera de decúbito, 
quedas, infecções hospitalares) 12.
 Notou-se a observância dos princípios 
éticos por parte dos autores, ou seja: os 
profissionais de saúde usualmente analisam 
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 6
as iatrogenias em conformidade com a 
sua profissão, não explicitando agravos 
ocasionados por outros membros da equipe. 
Desta forma no caso do trabalho efetuado por 
Szlejf 12, a responsabilidade da ocorrência dos 
erros encontrados foram atribuídos a: tempo 
de internação, número de drogas utilizadas, 
instabilidade postural, delirium.
 Pesquisas empreendidas pela enfermagem, 
como por exemplo, o estudo elaborado por 
Souza13, identificou e analisou os diagnósticos 
de enfermagem relacionados à síndrome 
geriátrica em idosos hospitalizados. Foram 
efetuados 394 diagnósticos de enfermagem 
relacionados à cinco síndromes geriátricas: 
isolamento social (32,8%), iatrogenia (28,6%), 
instabilidade postural (20,6%), insuficiência 
cerebral (11,1%), incontinência urinaria 
(6,9%). Este estudo mostrou que as iatrogenias 
ocuparam o segundo lugar em termo de 
síndromes geriátricas.
 Outro artigo recente14 efetuado 
através dos prontuários de pacientes idosos, 
internados em duas enfermarias de um 
hospital universitário de Campinas – SP. Não 
constatou nenhuma diferença significativa 
na idade dos pacientes nos casos em que 
ocorreram iatrogenias. Encontrou-se diferença 
significativa no tempo de internação nos casos 
em que houve relato de iatrogenias (14,0 +/- 
18,3dias, mediana de 8,0) e aqueles sem essa 
ocorrência (7,1 +/- 9,5dias, mediana de 4,0) 
(p= 0,03, teste de Mann-Whitney). Entre os 
26 prontuários que mencionavam a existência 
de erros de enfermagem 76,9% (20 casos), não 
tinham anotações detalhadas sobre os erros 
cometidos e 100% deles não identificavam 
quem cometeu o ato erroneamente.
 Uma análise acerca da evolução dos 
pacientes15 durante o período de hospitalização, 
permitiu evidenciar: 1) em 42 (43,7%) pacientes 
ocorreram uma ou mais complicações 
iatrogênicas, num total de 56 episódios; 2) 
manifestações relacionadas aos procedimentos 
diagnósticos corresponderam a 17,9% das 
iatrogenias; 3) alterações relacionadas às 
medidas terapêuticas corresponderam a 
58,9%, sendo 32,1% referentes à terapêutica 
farmacológica e 26,8% à outros procedimentos 
terapêuticos; 4) manifestações iatrogênicas 
não relacionadas diretamente às afecções 
(úlceras de decúbito, quedas e fraturas) 
corresponderam a 23,2%; 5) a presença de 
manifestações iatrogênicas correlacionou-se 
com período mais prolongado de internação; 
6) cinco pacientes faleceram em consequência 
direta de complicações iatrogênicas.
 Uma revisão16 acerca das grandes 
síndromes geriátricas: incapacidade cognitiva 
(as principais etiologias da incapacidade 
cognitiva são: demência, depressão, delirium 
e doenças mentais, como esquizofrenia, 
oligofrenia e parafrenia), com enfoque 
nos aspectos etiológicos, diagnósticos 
e condutas terapêuticas; instabilidade 
postural (comprometimento das principais 
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 7
funções corporais); imobilidade (restrição da 
independência do indivíduo) e incapacidade 
comunicativa ( comprometimento das funções 
encefálicas, prejuízo na funcionalidade da 
pessoa). Tais incapacidades estão, portanto, 
relacionadas com os riscos de iatrogenia. 
Estes estudos mostram que embora existam 
diferentes tipos de iatrogenias tem-se buscado 
estudá-las, atentando-se para os fatores que 
constituem maiores riscos de ocorrência. 
É preciso estimular os idosos no sentido 
de combater as síndromes geriátricas; e 
que a hospitalização possa constatar-se em 
momentos de terapia ocupacional, objetivando 
que os idosos tenham maior qualidade de vida.
 Fatores de risco explicitados na 
produção científica dos profissionais de 
saúde. 
 O envelhecimento humano possibilita 
o aumento dos riscos iatrogênicos, tanto no 
ambiente hospitalar, como no domiciliar (ou 
abrigo), pesquisa efetuada com 57 idosos 
residentes em São Gonçalo e Niterói17 que 
participaram de um programa desenvolvido 
para idosos (pela Universidade Federal 
Fluminense e junto ao Programa Médico da 
Família), no qual foi realizado visita domiciliar 
percebeu-se que o uso de medicamentos 
constitui o maior problema dos envolvidos. 
Os fatores de risco mais comuns foram: nãoguardam a medicação em local específico 
(33 idosos); não sabem (ou sabem pouco) 
as indicações da medicação que usam (21 
idosos); realizam a automedicação (33,3%); 
desconhecem as interações medicamentosas 
(89,5%); não verifica as datas de validade dos 
medicamentos (39 idosos).
 Estudo publicado18 em 2010 no qual 
se avaliaram todos os internados do Hospital 
Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro 
II (instituição de longa permanência para 
idosos situada em São Paulo), totalizando 505 
leitos e pacientes (308 foram incluídos por 
se enquadrarem nos critérios da pesquisa). 
Buscando-se efetuar os fatores associados 
à problemática em idosos explicitou que a 
prevalência de polifarmácia (definida como 
a tomada de mais de 5 medicamentos por 
paciente). Revelou, também, que a polifarmácia 
é usada pelos idosos nos diversos estados 
brasileiros; sendo encontradas em algumas 
localidades, médias mais altas (9,9 à 13,6 em 
hospitalizados). O problema existe em diversos 
países e o fato dos idosos ignorarem o motivo 
do uso dos medicamentos, pode representar um 
fator a mais para a ocorrência das iatrogenias.
 O estudo publicado por Silva et al., 
(2003) 19 mostrou uma pesquisa efetuada com 
20 (vinte) idosos com idade entre 65 e 85 anos 
que auto-administram seus medicamentos (são 
atendidos no EPIGG/UFF (Enfermagem 
no Programa de Geriatria e Gerontologia da 
UFF), trazem como causa vários riscos devido 
à: administração do medicamento no horário 
certo (14 idosos); prática da automedicação (11 
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 8
idosos); falta da verificação da data de validade 
(19 idosos); ausência de conhecimento dos 
efeitos colaterais (17 idosos); dificuldade na 
aquisição de medicamentos (19 idosos). Refere, 
ainda, que os sistemas mais susceptíveis à 
utilização dos medicamentos do idoso são: 
sistema cardiovascular, sistema nervoso, 
sistema gastrointestinal, sistema endócrino e 
visão.
 Os problemas relacionados à saúde 
mental são citados, frequentemente, nos 
estudos, envolvendo pessoas da terceira idade. 
Pacientes idosos necessitam de avaliações 
nutricionais periódicas (particularmente 
durante hospitalizações). A desnutrição, 
condição comum e grave nessa faixa etária, é 
pouco diagnosticada. “Percentuais significativos 
de asilados apresentam dificuldades para a 
realização de atividades da vida diária como, por 
exemplo, alimentar-se, vestir-se, deambular...”20 
Estes estudos mostram que, o idoso requer um 
cuidar holístico e, isso requer a participação 
de diversos profissionais, que atuem o mais 
possível, de forma integrada. 
 Uma investigação efetuada em 31 
participantes mostrou que 19 (44%) faziam 
uso de Psicotrópicos; 16 (36%) usavam Anti-
hipertensivos e 09 (20%) faziam uso dos 
Antiulcerosos. Este estudo recomenda que 
a enfermagem deve tomar alguns cuidados 
com a medicação na terceira idade, entre os 
quais: permitir somente o uso de medicação 
com prescrição médica, lembrando que é 
recomendado iniciar o tratamento com doses 
inferiores das utilizadas em jovens adultos; 
aumentar a dose gradativamente, conforme 
a necessidade do paciente; contribuir com 
os demais membros da equipe de saúde, na 
definição do tempo de tratamento; orientar 
sobre possíveis efeitos colaterais e interações; 
monitorar risco benefício, principalmente, 
quanto ao uso de medicações, como 
tranquilizantes, hipnóticos, e outros psicóticos. 
Para esses autores os maiores riscos que 
envolvem medicamentos e idosos são: nenhum 
grau de instrução (68%); a utilização diária de 
medicamentos (97%); o elevado número de 
remédios tomados por dia (97% tomavam 3 
remédios ou mais).
 O asilamento de idosos em instituições 
públicas, geralmente de grande porte, requer a 
existência de uma equipe de saúde preparada 
para atuar de forma integrada; buscando 
diminuir a medicalização e estimular a terapia 
ocupacional, a conversação, deambulação, 
jogos... enfim, gostar de viver e de sentir-se um 
ser humano. As famílias, também, devem ser 
orientadas no sentido de evitar o abandono dos 
idosos em instituições, mesmo que particulares, 
pois, as pessoas idosas fizeram e fazem parte 
de uma família. E o estímulo e o carinho “da 
sua gente” só podem lhe trazer benefícios.
 Consequências das iatrogenias para 
o cliente/paciente e equipe de saúde. 
 Nos trabalhos analisados detectaram-
se várias consequências das iatrogenias para o 
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 9
cliente/paciente. Através da análise variada12 
notou-se que a incidência de iatrogenia 
correlacionou-se, significativamente, com 
maior tempo de internação, maior número de 
medicamentos usados à admissão, presença de 
infecção durante a internação, maior número 
de síndromes geriátricas, incontinência 
esfincteriana, instabilidade postural, 
imobilidade e presença de delirium durante a 
internação.
 A identificação de 394 diagnósticos13 de 
enfermagem, permitiu, perceber que os erros 
contribuem para o surgimento e agravamento 
do quadro de comorbidades, resultando em 
aumento de hospitalizações e complicações, 
tornando complexos os casos, requerendo, 
assim, atenção especializada da enfermagem da 
área gerontogeriátrica.
 Encontrou-se13 também que após ter-
se internado com uma doença de base (para a 
qual necessitaria de um determinado número 
de dias de hospitalização), uma vez iniciada a 
cascata iatrogênica, pode ser necessário que 
o idoso permaneça no hospital durante um 
período mais prolongado do que o esperado 
quando ingressou na instituição.
 Na casuística estudada por Carvalho 
Filho15 et al a iatrogenia teve influência direta 
no óbito de cinco pacientes e correlacionou-
se com o prolongamento do período de 
internação. O período médio de internção dos 
idosos, com complicações iatrogênicas, foi de 
44,6 dias, enquanto naqueles sem iatrogenia, 
foi de 33,6 dias. Essa diferença pode ter 
ocasionado o surgimento de vários fatores 
relacionados ao estado geral e às enfermidades 
apresentadas pelos pacientes; porém, em alguns 
deles, as complicações iatrogênicas podem ter 
influenciado o prolongamento do período de 
internação hospitalar.
 Foi relatada, ainda, a perda16 da 
funcionalidade global (do idoso), definida 
como a capacidade de gerir a própia vida 
ou cuidar de si mesmo (ou seja, perda da 
capacidade de funcionar sozinho, não podendo 
realizar tarefas do cotidiano), o que acarreta 
sentimentos de instabilidade que podem 
contribuir à depressão.
 É preciso, então, promover a qualidade 
da assistência em saúde principalmente na área 
de enfermagem, haja vista que se trata de uma 
profissão cujo objeto de trabalho é o cuidar do 
ser humano. Através do esforço conjunto da 
equipe de enfermagem, pode-se minimizar as 
ocorrências iatrogênicas através de assistência 
específica11 (e não generalizada) para cada 
cliente geriátrico, pensando o ser humano em 
sua essência, em seu ser como pessoa. 
 O risco da polifarmácia para o paciente 
idoso, a automedicação, a falta de esclarecimento 
por parte dos profissionais (quanto às reações 
adversas, efeitos, modo de uso, interações 
medicamentosas e outras) podem ocasionar, 
como há visto, grandes consequências para os 
idosos (confusão mental, sedação, distúrbios do 
movimento, turvamento da vista, constipação, 
Ocorrência e riscos de iatrogenia em idosos
Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida | Vol.12| Nº. 3| Ano 2020| p. 10
boca seca, tontura, dificuldade de micção, 
bradicardia, agravamento da depressão, 
impotência, hipotensão, diarreia, desidratação) 
e, até mesmo a morte. Para a equipe de 
saúde, o erro produz sentimento de perda do 
seu valor pessoale grupal. No caso de erro 
pessoal a frustração, o descrédito profissional, 
a exposição pública e, até mesmo processos 
(administrativos e/ou penal) revelam que é 
preciso estar sempre atualizado e atento. Um 
erro pode representar uma reviravolta na vida 
profissional, e pessoal do indivíduo que milita 
na área de saúde.
 Papel das instituições formadoras 
e prestadoras de assistência em saúde, 
notadamente no que diz respeito aos 
idosos.
 É preciso, então, promover a qualidade 
da assistência em saúde (enfermagem), 
minimizando as ocorrências iatrogênicas 
através de uma assistência específica e não 
generalizada para cada cliente geriátrico, 
considerando o ser humano em sua essência. 
Um olhar mais atentivo por parte de avaliações 
multiprofissionais e difusão do conhecimento 
em geriatria/gerontologia com certeza 
é necessário e urgente (tendo em vista o 
processo de envelhecimento populacional). 
As instituições formadoras e prestadoras de 
serviço precisam direcionar sua atenção para os 
problemas que lhe dizem respeito: a formação 
profissional de forma competente, atualizada e 
direcionada para a solução de problemas. Os 
serviços de saúde por vez, precisam perceber 
que qualidade da assistência e quantidade 
de pessoal estão relacionados, interferindo 
diretamente na execução do trabalho 21. 
 Assim, a educação continuada nos 
serviços de saúde tanto público como privados 
e o estímulo à implementação de cursos de 
aperfeiçoamento, especialização e outras devem 
constituir metas a serem cumpridas a curto 
prazo. Como foi visto as iatrogenias podem 
ocorrer dentro e fora do ambiente hospitalar; 
no primeiro caso, podem ser cometidas por 
diversos profissionais de saúde e, muitas vezes, 
decorrem da estrutura física ou operacional 
deste sistema. Na esfera domiciliar, também 
existem diversas possibilidades de ocorrência 
de erros, sendo necessário a orientação e 
supervisão da equipe de saúde. É preciso, 
ainda, incentivar a participação dos familiares, 
cuidadores e dos próprios idosos em programas 
destinados a prepará-los para o enfrentamento 
do dia-a-dia de forma a minimizar os problemas 
e aumentar os níveis de qualidade de vida que 
diz respeito que vivenciam a terceira idade.
 
 CONCLUSÃO
 A maior parte das iatrogenias resulta do 
desconhecimento das alterações fisiológicas do 
envelhecimento. A visão fragmentada sobre o 
idoso é, indiscutivelmente, uma das principais 
causas de polifarmácia e iatrogenias, que tanto 
os prejudicam. A integralidade da assistência 
em saúde e sua humanização (vista aos serviços, 
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vinculo, acolhimento, resolutividade, referência 
e contra- referência, e outros) aliado à formação 
profissional qualificada, aprimoramento 
contínuo, inclusão dos familiares e cuidadores 
e, até mesmo, do próprio idoso (se tiver 
condições), mostra que o conhecimento deve 
ser produzido e repassados a todos que dele 
dependem. No caso dos serviços de saúde, 
hospitalares ou ambulatoriais à preocupação 
com os fatores de erros deve traduzir-se em 
avaliações e mudanças que possam identifica-
los e selecioná-los pelo menos reduzi-los o mais 
possível. Entendendo que a população idosa 
é a que, proporcionalmente, mais consome 
serviços de saúde e que está mais susceptível 
aos riscos e/ou iatrogenias cometidas, não 
podemos olvidar a possibilidade de sermos 
vítimas ou executores dos referidos erros/
enganos. O agir ético, alicerçado nas 
responsabilidades, pode não ser suficiente, pois 
é inquestionável o fato de que erros humanos 
ocorrem independentemente da vontade da 
pessoa. 
 O presente estudo revela a necessidade 
crescente de verificação das causas, índices e 
consequências dos erros nessa faixa etária, por 
parte das instituições hospitalares, uma vez que 
as iatrogenias constituem-se em indicadores 
da necessidade de melhorias dos sistemas 
hospitalares tanto em termos de estrutura física 
como de pessoal, processos de funcionamento, 
avaliações para a devida retração. A aprovação 
do estatuto do idoso favoreceu a atenção do 
Ministério Público. A criação e expansão do 
Conselhos Profissionais nas diversas esferas 
(medicina, enfermagem, odontologia) tem 
possibilitado a melhoria da assistência em saúde 
e o atendimento ao cidadão brasileiro. Mesmo 
assim, o idoso ( e outros grupos sociais), 
necessitam ser vistos como seres humanos, 
pessoas que contribuíram para o bem estar 
social da população e que precisam de ajuda. 
As áreas de Saúde e Educação ainda não tem 
propiciado, aos idosos, o reconhecimento que 
podem e devem ofertar. 
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OBSERVAÇÃO: Os autores declaram não 
existir conflitos de interesse de qualquer 
natureza.

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