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 Exercício I 
2º simulado julho de 16 
QUESTÃO 01 
 
A “tirinha” é um gênero textual de cunho humorístico – às vezes 
político –, muito comum em jornais, cuja constituição se estabelece pela 
combinação de frases curtas – geralmente de efeito ambíguo – com 
desenhos que ilustram e complementam o sentido da obra. Na tirinha 
acima O efeito de humor se deve, respectivamente: 
A) à postura desobediente de Mafalda diante da mãe. 
B) à resposta autoritária da mãe de Mafalda à pergunta da filha. 
C) ao uso de palavras em negrito e cada vez maior do 2º ao 4º quadrinho. 
D) ao fato de aparecer apenas a fala da mãe de Mafalda e não sua 
imagem. 
E) aos sentidos atribuídos por Mafalda para as palavras “títulos” e 
“diplomamos”. 
 
QUESTÃO 02 
 
POR QUE COMEMOS COM O GARFO? 
 
Norbert Elias, sociólogo alemão que viveu entre 1897 e 1990, analisa, a 
partir de manuais de boas maneiras produzidos entre a Idade Média e o 
início da era moderna, as mudanças operadas no âmbito do uso do garfo, 
utensílio que surgiu no fim da Idade Média, com o objetivo de retirar 
alimentos da travessa comum. Paulatinamente, foi introduzido como 
utensílio de uso individual. De início, o uso do garfo para se levar o alimento 
à boca era considerado um sinal exagerado de refinamento e seriamente 
reprimido. 
Na análise de Elias (1994, p. 133), “o garfo nada mais é que a 
corporificarão de um padrão específico de emoções e um nível específico 
de nojo”. Esse processo nos mostra como ocorriam as relações entre as 
pessoas na Idade Media. Segundo o sociólogo alemão, “as pessoas que 
comiam juntas na maneira costumeira na Idade Média, pegando a carne 
com os dedos na mesma travessa, bebendo vinho no mesmo cálice, 
tomando a sopa na mesma travessa ou prato fundo – essas pessoas 
tinham entre si relações diferentes das que hoje vivemos. E isto envolve 
não só o nível da consciência, clara e racional, pois sua vida emocional 
revestia-se também de diferente estrutura e caráter” (ELIAS, 1994, p. 82). 
 
Fonte: PACHECO, S.S.M. O habito alimentar enquanto um 
comportamento culturalmente produzido. In: FREITAS, M.C.S.; FONTES, 
G.A.V.; OLIVEIRA, N. (Orgs.). Escritas e narrativas sobre alimentação e 
cultura [online]. Salvador: EDUFBA, 2008, p. 228-229. (adaptado) 
 
 
 
O fragmento acima pertence ao gênero textual artigo científico, em geral 
essa construção textual, refere-se à apresentação de um relatório escrito 
de estudos a respeito de uma questão específica ou à divulgação de 
resultados de uma pesquisa realizada. A passagem do artigo em questão, 
dentro de uma ideia de gênero textual tem por objetivo, 
A) tornar conhecido o diálogo produtivo com o referencial teórico utilizado 
no estudo. 
B) apresentar a metodologia empregada e a análise da questão-problema 
junto aos resultados obtidos. 
C) promover o intercâmbio de ideias entre os estudiosos de uma área de 
atuação. 
D) esclarecer as ideias do escritor Norbert Elias para a compreensão de 
todo o texto. 
E) chamar a atenção para o contexto histórico dos objetos simples do 
cotidiano. 
 
QUESTÃO 03 
 
A tira “As cobras”, de autoria de Luis Fernando Veríssimo, expõe a opinião 
da lesma Flecha acerca do machismo. Sobre isso, pode-se afirmar que: 
A) explicitamente, Flecha se revela machista. 
B) Flecha não possui, de fato, uma opinião formada a respeito da temática 
do machismo. 
C) Flecha defende, em seus dois momentos de fala, um único ponto de 
vista, que é contrário a atitudes machistas. 
D) Flecha, através de uma opinião implícita, pode ser caracterizada como 
uma personagem que possui um raciocínio machista. 
E) a partir das duas falas, de forma explícita, podemos perceber a defesa 
de pontos de vista conflitantes por parte da lesma Flecha. 
 
QUESTÃO 04 
FAVELÁRIO NACIONAL 
 
Carlos Drummond de Andrade 
 
Quem sou eu para te cantar, favela, 
Que cantas em mim e para ninguém 
a noite inteira de sexta-feira 
e a noite inteira de sábado 
E nos desconheces, como igualmente não te 
conhecemos? 
Sei apenas do teu mau cheiro: 
Baixou em mim na viração, 
direto, rápido, telegrama nasal 
anunciando morte... melhor, tua vida. 
... 
Aqui só vive gente, bicho nenhum 
tem essa coragem. 
... 
 
 
 
3 
Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer, 
Medo só de te sentir, encravada 
Favela, erisipela, mal-do-monte 
Na coxa flava do Rio de Janeiro. 
 
Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver 
nem de tua manha nem de teu olhar. 
Medo de que sintas como sou culpado 
e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade. 
Custa ser irmão, 
custa abandonar nossos privilégios 
e traçar a planta 
da justa igualdade. 
Somos desiguais 
e queremos ser 
sempre desiguais. 
E queremos ser 
bonzinhos benévolos 
comedidamente 
sociologicamente 
mui bem comportados. 
Mas, favela, ciao, 
que este nosso papo 
está ficando tão desagradável. 
vês que perdi o tom e a empáfia do começo? 
... 
 
(ANDRADE, Carlos Drummond de, Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984) 
 
Nos versos abaixo, percebe-se que foram utilizadas figuras de linguagem, 
enfatizando o sentimento do eu-lírico em: 
A) “e traçar a planta/da justa igualdade.” 
B) “Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver” 
C) “Aqui só vive gente, bicho nenhum” 
D) “sociologicamente/mui bem comportados.” 
E) “a noite inteira de sexta-feira/e a noite inteira de sábado” 
 
QUESTÃO 05 
 
A charge dialoga com acontecimentos noticiados através de referências 
que deslocam os fatos de seus cenários habituais, promovendo uma 
inversão de valores. O que originalmente era sério ou grave é 
ridicularizado. Neste contexto, pode-se dizer que A charge acima satiriza: 
a) a presunção do consumidor quando este revela sua “esperteza” em 
comprar carro com IPI baixo e IOF reduzido. 
b) a alienação do interlocutor por desconhecer as atuais formas facilitadas 
de pagamento propostas pelo governo. 
c) a visão excessivamente materialista da sociedade de consumo a qual 
vê o automóvel como um fetiche. 
d) a postura paternalista que a população espera do governo nas relações 
econômicas. 
e) o modelo econômico de redução de IPI e IOF para incentivar o 
desenvolvimento da indústria brasileira. 
QUESTÃO 06 
 O mundo dessa pintura, como o dos sonhos, é ao mesmo tempo familiar 
e desconhecido: familiar, em razão do estilo minuciosamente realista, que 
permite ao espectador o reconhecimento de uma figura ou de um objeto 
pintados; desconhecido, por causa da estranheza dos contextos em que 
eles aparecem, como num sonho. 
(Fiona Bradley. Surrealismo, 2001. Adaptado.) 
 
 
O comentário da historiadora de arte aplica-se à pintura reproduzida em: 
 
A) B) 
 
C) D) 
E) 
 
 
 
 
 
 
 
4 
QUESTÃO 07 
 
Na tirinha de Quino, a personagem Mafalda afirma, no último quadrinho, 
ter sido persuadida por Susanita (sua interlocutora), esta teria sido, 
inclusive, a razão para Mafalda apelar para a violência. Diante de uma 
análise interpretativa linguística, pode-se afirmar que a estratégia 
argumentativa de que se valeu a personagem Susanita para convencer 
Mafalda é: 
a) explicativa, pois Susanita cita um fato ocorrido com Mafalda que 
materializa a tese que defende. 
b) utilização de dados concretos, visto que a personagem faz uso de 
elementos como: estatísticas, valores financeiros e pesquisas de opinião. 
c) a argumentação por causa-consequência, pois estabelece uma relação 
entre a sua tese e as consequências que uma opção diferente poderia 
gerar. 
d) a argumentação por testemunho de autoridade, uma vez que Susanita 
é uma pessoa reconhecida como profunda conhecedora do assunto 
debatido. 
e) indução, pois Susanita elabora sua estratégia argumentativa de acordo 
com os anseios que a personagem Mafalda possui. 
 
QUESTÃO 08 
 Pau de Dois Bicos 
 
 Um morcego estonteado pousou certa vez no ninho da coruja, e 
ali ficaria de dentro se a coruja ao regressar não investisse contra ele. 
 – Miserável bicho! Pois te atreves a entrarem minha casa, 
sabendo que odeio a família dos ratos? 
 – Achas então que sou rato? Não tenho asas e não voo como 
tu? Rato, eu? Essa é boa!... 
 A coruja não sabia discutir e, vencida de tais razões, poupou-lhe 
a pele. 
 Dias depois, o finório morcego planta-se no casebre do gato-do-
mato. O gato entra, dá com ele e chia de cólera. 
 – Miserável bicho! Pois te atreves a entrar em minha toca, 
sabendo que detesto as aves? 
 – E quem te disse que sou ave? - retruca o cínico - sou muito 
bom bicho de pelo, como tu, não vês? 
 – Mas voas!... 
 – Voo de mentira, por fingimento... 
 – Mas tem asas! 
 – Asas? Que tolice! O que faz a asa são as penas e quem já viu 
penas em morcego? Sou animal de pelo, dos legítimos, e inimigo das aves 
como tu. Ave, eu? É boa... 
 O gato embasbacou, e o morcego conseguiu retirar-se dali são e 
salvo. 
 
 
Moral da Estória: 
O segredo de certos homens está nesta política do morcego. É vermelho? 
Tome vermelho. É branco? Viva o branco! 
 
(LOBATO, José Bento Monteiro. Fábulas. 45. ed. São Paulo: Brasiliense, 
1993. p. 49.) 
 
 
A charge de Sassá refere-se a um problema que afeta a cidade de 
Londrina e muitas outras cidades brasileiras: o risco de contrair doenças 
transmitidas pelas pombas que vivem na região urbana. O que permite ao 
morcego, da fábula, e à pomba, da charge, disfarçarem sua condição é 
 
A) o fato de suplicarem pela vida e pela misericórdia de seus inimigos. 
B) a postura corporal, visto que um imita o comportamento do outro. 
C) o uso de recursos argumentativos presentes na fala. 
D) a confiança na consciência ambiental dos interlocutores. 
E) a esperteza simbolicamente atribuída a esses animais. 
 
 
QUESTÃO 09 
 
Leia a letra da canção e observe a pintura a seguir para responder à(s) 
questão(ões). 
 
Metamorfose ambulante 
 
Prefiro ser essa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Quero dizer agora o oposto do que eu disse antes 
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante 
 
 
 
5 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
Sobre o que é o amor 
Sobre o que eu nem sei quem sou 
 
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou 
Se hoje eu lhe odeio amanhã lhe tenho amor 
Lhe tenho amor 
Lhe tenho horror 
Lhe faço amor 
Eu sou um ator 
 
É chato chegar a um objetivo num instante 
Quero viver nessa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
 
Vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes 
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
 
Vivi a viver a vida no segundo e no instante 
Prefiro ser essa metamorfose ambulante 
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo 
 
SEIXAS, Raul. Metamorfose ambulante. Disponível em: 
<http://www.letras.com.br/#!raul-seixas/metamorfose-ambulante>. Acesso 
em: 02 set. 2015. 
 
 
 
 
 
Tanto a letra da canção quanto a pintura são paradoxais porque 
expressam 
 
A) exagero expressivo 
B) aspecto satírico 
C) ideias contrastantes 
D) formas abstratas 
E) opiniões distintas nos conteúdos 
 
 
QUESTÃO 10 
 
Ainda com base nos textos da questão anterior, em relação à letra da 
música, a pintura retrata uma cena 
 
A) discrepante, na medida em que faz referência ao caráter estável de tudo 
quanto existe. 
B) complementar, na medida em que corrobora a noção de que o ser 
humano é decidido e linear. 
C) discrepante, na medida em que o trabalho com luzes e sombras 
simboliza a imutabilidade da alma humana. 
D) complementar, na medida em que alude, por meio de jogos de luz, à 
passagem do tempo, que tudo transforma. 
E) experimentalista, na medida em que busca elementos ainda não tanto 
explorados do universo da pintura. 
 
QUESTÃO 11 
Para responder à questão a seguir, leia o fragmento de um romance de 
Érico Veríssimo (1905-1975). 
 
O defunto dominava a casa com a sua presença enorme. 
Anoitecia, e os homens que cercavam o morto ali na sala ainda não se 
haviam habituado ao seu silêncio espesso. 
Fazia um calor opressivo. Do quarto contíguo vinham soluços sem choro. 
Pareciam pedaços arrancados dum grito de dor único e descomunal, 
davam uma impressão de dilaceramento, de agonia sincopada. 
As velas ardiam e o cheiro da cera derretida se casava com o perfume 
adocicado das flores que cobriam o caixão. A mistura enjoativa inundava 
o ar como uma emanação mesma do defunto, entrava pelas narinas dos 
vivos e lhes dava a sensação desconfortante duma comunhão com a 
morte. 
O velho calvo que estava a um canto da sala, voltou a cabeça para o militar 
a seu lado e cochichou: 
— Está fazendo falta aqui é o Tico, capitão. 
O oficial ainda não conhecia o Tico. Era novo na cidade. 
Então o velho explicou. O Tico era um sujeito que sabia animar os velórios, 
contava histórias, tinha um jeito especial de levar a conversa, deixando 
todo o mundo à vontade. Sem o Tico era o diabo... Por onde andaria aquela 
alma? 
Entrou um homem magro, alto, de preto. Cumprimentou com um aceno 
discreto de cabeça, caminhou devagarinho até o cadáver e ergueu o lenço 
branco que lhe cobria o rosto. 
Por alguns segundos fitou na cara morta os olhos tristes. Depois deixou 
cair o lenço, afastou-se enxugando as lágrimas com as costas das mãos e 
entrou no quarto vizinho. 
O velho calvo suspirou. 
— Pouca gente... 
O militar passou o lenço pela testa suada. 
— Muito pouca. E o calor está brabo. 
— E ainda é cedo. 
O capitão tirou o relógio: faltava um quarto para as oito. 
 
(Um lugar ao sol, 1978.) 
 
 
A força expressiva da locução silêncio espesso resulta do fato de o 
substantivo e o adjetivo 
A) traduzirem conceitos religiosos. 
B) produzirem uma reestruturação sintática do período. 
C) apresentarem sentidos similares. 
D) harmonizarem sensações agradáveis e desagradáveis. 
E) associarem características sensoriais distintas. 
 
 
 
 
6 
QUESTÃO 12 
 TEXTO I 
 
CLIII 
 
Criou a Natureza damas belas, 
Que foram de altos plectros celebradas; 
Delas tomou as partes mais prezadas, 
E a vós, Senhora, fez do melhor delas. 
 
Elas diante vós são as estrelas, 
Que ficam com vos ver logo eclipsadas. 
Mas se elas têm por sol essas rosadas 
Luzes de sol maior, felizes elas! 
 
Em perfeição, em graça e gentileza, 
Por um modo entre humanos peregrino, 
A todo belo excede essa beleza. 
 
Oh! Quem tivera partes de divino 
Para vos merecer! Mas se pureza 
De amor vale ante vós, de vós sou digno. 
 
(CAMÕES, Luís de. Rimas: Segunda parte, Sonetos. In: 
Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 529.) 
 
 
TEXTO II 
 
34. 
 
Seu João, perdido de catarata negra nos dois 
olhos: 
– Meu consolo que, em vez de nhá Biela, vejo 
uma nuvem. 
 
 
 
 
As referências à Senhora de Camões (texto I) e à nhá Biela de Dalton 
Trevisan (texto II) têm em comum: 
 
A) as antíteses reiteradas. 
B) a comparação aos deuses. 
C) a metáfora celeste. 
D) a aliteração sibilante. 
E) a hipérbole da beleza. 
 
 
QUESTÃO 13 
 
 
O efeito de humor produzido pela tira decorre do fato de 
A) o interlocutor se impressionar com a incredulidade do indiozinho. 
B) o nome do indiozinho remeter a uma ascendência japonesa. 
C) o indiozinho ter dificuldades de se acostumar à cidade grande. 
D) o indiozinho afirmar que a cidade grande é também uma selva. 
E) o interlocutor se incomodar em função da timidez do indiozinho. 
 
QUESTÃO 14 
 
 
Acudiro. Nhola tinha ânsia, tonteira, celeração, corpo largado, não via 
nada, nem a lampa da candeia. Dei chá de goiabeira. Esperei clareá o dia, 
bandiei o corgo, fui na casa da Delíria. Aí falei: 
— Delíria, me prouve um insonso de sal, Nhola tá ruim... 
Delíria me pruveu o sal. 
Eu fiz um engrossado de farinha de milho, Nhola comeu, descansou, 
miorou e falou: 
 
 
 
7 
— Nunca comi comesinho tão bão. Louvado seja Deus. 
Nóis demos gaitada... Aí correu mundo que Nhola teve vertige de fraqueza, 
falta de cumê... A casa se encheu de vizinho. Cada um trazendo uma coisa 
pra nóis. Até pedaçode capado e cuia de sal; café pilado e açúcar branco. 
Nóis fiquemo tão contente... Nhola dava gaitada... virou uma infância. 
 
CORALINA, Cora. Quadrinhos da vida. In: Estórias da casa velha da ponte. 
13. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 39-40. 
 
A partir de uma leitura atenta aos textos apresentados acima, permite dizer 
que a temática da pobreza 
 
A) é abordada de maneira análoga nos dois textos, pois o primeiro sugere 
ajuda humanitária entre as classes sociais, e o segundo explicita um drama 
de ordem moral. 
B) é tratada de modo igual em ambos os textos, uma vez que os problemas 
aos quais aludem não são minimizados por quaisquer ações 
governamentais. 
C) surge associada a um problema de impossível solução nos quadrinhos 
e a uma questão político-religiosa no excerto literário. 
D) surge associada a uma questão político-social nos quadrinhos e a um 
entrave social suavizado pela caridade no texto de Cora Coralina. 
E) aparece como forma de fenômeno natural e a um contexto superficial 
da solidariedade. 
 
QUESTÃO 15 
 
 
 
Na tira do cartunista argentino Quino, utilizam-se recursos gráficos que 
lembram o cinema. 
A associação com a linguagem artística do cinema, que lida com o 
movimento e com o instrumento da câmera, é garantida pelo procedimento 
do cartunista demonstrado ao: 
 
A) ressaltar o trabalho com a vassoura para sugerir ação 
B) ampliar a imagem da mulher para indicar aproximação 
C) destacar a figura da cadeira para indiciar sua importância 
D) apresentar a sombra dos personagens para sugerir veracidade 
E) selecionar um tamanho único para todos os quadros. 
 
QUESTÃO 16 
A questão a seguir focaliza uma passagem da comédia O juiz de paz da 
roça do escritor Martins Pena (1815-1848). 
 
JUIZ (assentando-se): Sr. Escrivão, leia o outro requerimento. 
 
ESCRIVÃO (lendo): Diz Francisco Antônio, natural de Portugal, porém 
brasileiro, que tendo ele casado com Rosa de Jesus, trouxe esta por dote 
uma égua. “Ora, acontecendo ter a égua de minha mulher um filho, o meu 
vizinho José da Silva diz que é dele, só porque o dito filho da égua de 
minha mulher saiu malhado como o seu cavalo. Ora, como os filhos 
pertencem às mães, e a prova disto é que a minha escrava Maria tem um 
filho que é meu, peço a V. Sa. mande o dito meu vizinho entregar-me o 
filho da égua que é de minha mulher”. 
 
JUIZ: É verdade que o senhor tem o filho da égua preso? 
 
JOSÉ DA SILVA: É verdade; porém o filho me pertence, pois é meu, que 
é do cavalo. 
 
JUIZ: Terá a bondade de entregar o filho a seu dono, pois é aqui da mulher 
do senhor. 
 
JOSÉ DA SILVA: Mas, Sr. Juiz... 
 
JUIZ: Nem mais nem meios mais; entregue o filho, senão, cadeia. 
 
(Martins Pena. Comédias (1833-1844), 2007.) 
 
 O efeito cômico produzido pela leitura do requerimento decorre, 
principalmente, do seguinte fenômeno ou procedimento linguístico: 
 
A) paródia. 
B) intertextualidade. 
C) ambiguidade. 
D) paráfrase. 
E) sinonímia. 
 
QUESTÃO 17 
 DICIONÁRIO FEITO POR CRIANÇAS REVELA UM MUNDO QUE OS 
ADULTOS NÃO ENXERGAM MAIS 
 
Em abril, aconteceu a Feira do Livro de Bogotá, e um dos maiores 
sucessos foi um livro chamado Casa das estrelas: o universo contado 
pelas crianças. Nele, há um dicionário com mais de 500 definições para 
133 palavras, de A a Z, feitas por crianças. 
 
 
 
8 
1O curioso deste “dicionário infantil” é como as crianças definem o mundo 
através daquilo que os adultos já não conseguem perceber. O autor do 
livro é o professor Javier Naranjo, que compilou informações ao longo de 
dez anos durante as aulas. Ele conta que a ideia surgiu quando ele pediu 
aos seus alunos para definirem a palavra “criança”, e uma das respostas 
que lhe chamou atenção foi: 2“uma criança é um amigo que tem o cabelo 
curtinho, não toma rum e vai dormir cedo”. 
 
Veja outros verbetes do livro e as idades das crianças que os definiram: 
- 3Adulto: pessoa que, em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma. 
(Andrés, 8 anos) 
- Água: transparência que se pode tomar. (Tatiana, 7 anos) 
- 4Branco: o branco é uma cor que não pinta. (Jonathan, 11 anos) 
- 5Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro, somente seus 
filhos. (Luis, 8 anos) 
- 6Céu: de onde sai o dia. (Duván, 8 anos) 
- Dinheiro: coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, 
sem ela, se faz inimigos. (Ana María, 12 anos) 
- 7Escuridão: é como o frescor da noite. (Ana Cristina, 8 anos) 
- 8Guerra: gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz. (Juan 
Carlos, 11 anos) 
- Inveja: atirar pedras nos amigos. (Alejandro, 7 anos) 
- 9Mãe: mãe entende e depois vai dormir. (Juan, 6 anos) 
- 10Paz: quando a pessoa se perdoa. (Juan Camilo, 8 anos) 
- Solidão: tristeza que dá na pessoa às vezes. (Iván, 10 anos) 
- Tempo: coisa que passa para lembrar. (Jorge, 8 anos) 
- 11Universo: casa das estrelas. (Carlos, 12 anos) 
 
André Fantin 
Adaptado de repertoriocriativo.com.br, 22/05/2013. 
 
 
A partir de uma análise do texto acima, vê-se que uma afirmação paradoxal 
contém alguma contradição interna. Neste sentido, pode-se dizer que um 
exemplo de afirmação paradoxal é identificado em: 
 
A) Adulto: pessoa que, em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma. 
B) Guerra: gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz. 
C) Mãe: mãe entende e depois vai dormir. 
D) Paz: quando a pessoa se perdoa. 
E) Tempo: coisa que passa para lembrar. 
 
QUESTÃO 18 
Ainda com base no texto da questão anterior, podemos observar uma 
intenção discursiva proposta pelo professor Javier Naranjo, como objetivo 
a ser alcançado, que se configura como: 
A) criar um novo dicionário de utilização específica das crianças. 
B) reelaborar um universo de significação para os dicionários dos adultos. 
C) provocar humor a partir das respostas das crianças envolvidas 
D) enfatizar a demasiada inocência das crianças com base nas definições 
adquiridas. 
E) resgatar a sensibilidade do universo linguístico infantil que os adultos 
perderam. 
 
QUESTÃO 19 
O último poema 
Manuel Bandeira 
 
Assim eu queria o meu último poema 
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais 
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas 
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume 
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos 
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação. 
 
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova 
Aguilar, 1996, p. 223. 
 
De acordo com uma análise interpretativa do o poema acima, é coerente 
afirmar que: 
A) neste poema de versos regulares, o eu lírico emprega o metadiscurso, 
debruçando-se sobre seu próprio fazer poético. 
B) neste poema de versos livres, o eu poético lança mão da 
metalinguagem para refletir sobre o seu próprio processo criativo. 
C) neste poema de versos brancos, o eu lírico, pelo processo 
metalinguístico, compara a poesia ao suicídio. 
D) neste poema de versos rimados, o eu lírico, pelo processo da 
metapoesia, compara o fazer poético ao diamante. 
E) neste poema de versos hendecassílabos, o eu lírico reflete 
metalinguisticamente sobre o fazer poético. 
 
QUESTÃO 20 
CANÇÃO DO VER 
 
Fomos rever o poste. 
O mesmo poste de quando a gente brincava de pique 
e de esconder. 
1Agora ele estava tão verdinho! 
O corpo recoberto de limo e borboletas. 
Eu quis filmar o abandono do poste. 
O seu estar parado. 
O seu não ter voz. 
O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com 
as mãos. 
Penso que a natureza o adotara em árvore. 
Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos1 de passarinhos 
que um dia teriam cantado entre as suas folhas. 
Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos. 
Mas o mato era mudo. 
Agora o poste se inclina para o chão − como alguém 
que procurasse o chão para repouso. 
Tivemos saudades de nós. 
 
Manoel de Barros 
Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. 
1 arrulos − canto ou gemido de rolas e pombas 
 
No poema, o poste é associado à própria vida do eu poético. Nessa 
associação, a imagem do postese constrói pelo seguinte recurso da 
linguagem: 
 
A) anáfora 
B) metáfora 
C) sinonímia 
D) hipérbole 
E) metonímia 
 
 
 
9 
QUESTÃO 21 
BEM NO FUNDO 
 
1no fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, 
2a gente gostaria 
de ver 3nossos problemas 
resolvidos por decreto 
 
a partir desta data, 
aquela mágoa sem remédio 
é considerada nula 
e sobre ela − silêncio perpétuo 
 
extinto por lei todo o remorso, 
maldito seja quem olhar pra trás, 
lá pra trás não há nada, 
e nada mais 
 
mas problemas não se resolvem, 
problemas têm família grande, 
e aos domingos saem todos a passear 
o problema, sua senhora 
e outros pequenos probleminhas 
 
LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013. 25. (Uerj 
2015) no fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, (ref. 1) 
 
Nesses versos iniciais do poema, a repetição de palavras e o emprego do 
vocábulo “bem” produzem um efeito de: 
A) ênfase 
B) eufemismo 
C) enumeração 
D) ambiguidade 
E) comparação 
 
QUESTÃO 22 
Capítulo CVII 
Bilhete 
 
“Não houve nada, mas ele suspeita alguma cousa; está muito sério e não 
fala; agora saiu. Sorriu uma vez somente, para Nhonhô, depois de o fitar 
muito tempo, carrancudo. Não me tratou mal nem bem. Não sei o que vai 
acontecer; Deus queira que isto passe. Muita cautela, por ora, muita 
cautela.” 
 
Capítulo CVIII 
Que se não entende 
 
Eis aí o drama, eis aí a ponta da orelha trágica de Shakespeare. Esse 
retalhinho de papel, garatujado em partes, machucado das mãos, era um 
documento de análise, que eu não farei neste capítulo, nem no outro, nem 
talvez em todo o resto do livro. Poderia eu tirar ao leitor o gosto de notar 
por si mesmo a frieza, a perspicácia e o ânimo dessas poucas linhas 
traçadas à pressa; e por trás delas a tempestade de outro cérebro, a raiva 
dissimulada, o desespero que se constrange e medita, porque tem de 
resolver-se na lama, ou no sangue, ou nas lágrimas? 
 ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. 
 
 
 Ao comentar o bilhete de Virgília, o narrador se vale, principalmente, do 
seguinte recurso retórico: 
 
A) Hipérbato: transposição ou inversão da ordem natural das palavras de 
uma oração, para efeito estilístico. 
B) Hipérbole: ênfase expressiva resultante do exagero da significação 
linguística. 
C) Preterição: figura pela qual se finge não querer falar de coisas sobre as 
quais se está, todavia, falando. 
D) Sinédoque: figura que consiste em tomar a parte pelo todo, o todo pela 
parte; o gênero pela espécie, a espécie pelo gênero; o singular pelo plural, 
o plural pelo singular etc. 
E) Eufemismo: palavra, locução ou acepção mais agradável, empregada 
em lugar de outra menos agradável ou grosseira. 
 
QUESTÃO 23 
 
 
 
O milagre das folhas 
 
 1Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes 
2isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a 
mim? Por que só de ouvir falar? 3Pois já cheguei a ouvir conversas assim, 
sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um 
objeto de estimação se quebraria”. 4Meus objetos se quebram banalmente 
e pelas mãos das empregadas. 
 5Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou 6daqueles 
que rolam pedras durante séculos, e não 7daqueles para os quais os seixos 
já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes 
de adormecer – seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que 
isso até nome tem: cidetismo (sic), capacidade de projetar no alucinatório 
as imagens inconscientes. 
 Milagre, não. Mas as coincidências. 8Vivo de coincidências, vivo 
de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam 
um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de 
pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada. 
 9Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou 
andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A 
incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e 
de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. 10Isso me 
acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a 
escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-
a na bolsa, como o mais diminuto diamante. 
 11Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a 
folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto 
como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão 
comigo. 
 12Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma 
grande delicadeza. 
 
LISPECTOR, Clarice. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Organização e 
introdução. As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 
2007. p. 186-187. 
 
 
 
 
 
10 
A partir de uma leitura atenta do texto acima, é coerente dizer que o 
enunciado da referência 4, “Meus objetos se quebram banalmente e pelas 
mãos das empregadas”, 
 
A) tem sutis conotações irônicas. 
B) é puramente informativo. 
C) exige um conhecimento especializado do leitor. 
D) traz uma informação indispensável para a atribuição de um sentido ao 
texto. 
E) cobra do leitor uma atenção extralinguística para compreensão de todo 
texto. 
 
QUESTÃO 24 
O nome de Emir quase nunca era mencionado nas horas das refeições ou 
nas conversas animadas por baforadas de narguilé, goles de 1áraque e 
lances de gamão. 2Os filhos de Emilie éramos proibidos de participar 
dessas reuniões que varavam a noite e terminavam no pátio da fonte, 
aclarado por uma luz azulada. Era um momento em que os assuntos, já 
peneirados, esgotados e fartos de serem repetidos, 3davam lugar a 
4confidências e 5lamúrias, 6abafadas às vezes pela linguagem dos 
pássaros, e entremeadas por exclamações e vozes que pronunciavam o 
nome de Deus. Era como se a manhã – 7como uma intrusa que silencia as 
vozes calorosas da noite – 8dispersasse o ambiente festivo, 9arrefecendo 
os gestos dos mais exaltados, chamando-os ao ofício 10que se inicia com 
a aurora. 11Mas, em algumas reuniões de sextas-feiras, o 12prenúncio da 
manhã não os dispersava. Eu acordava com berros dilacerantes, gemidos 
terríveis, ruídos de trote e 13uma algazarra de alimárias que 14assistiam à 
agonia dos carneiros que possuíam nomes e 15eram alimentados pelas 
mãos de Emilie. 
 
HATOUM, Milton. Relato de um certo Oriente. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2008, pp. 50 e 51. 
 
 
Em relação à obra Relato de um certo Oriente de Milton Hatoum, pode-se 
afirmar que: 
 
A) o uso do sinal gráfico da crase é opcional em “abafadas às vezes” 
(referência 6), assim como em “davam lugar a confidências” (referência 3). 
B) em “Os filhos de Emilie éramos proibidos de participar dessas reuniões” 
(referência 2) há a figura de linguagem chamada silepse de pessoa. 
C) as palavras “áraque” (referência 1), “confidências” (referência 4), 
“lamúrias” (referência 5) e “prenúncio” (referência 12) são acentuadas por 
serem paroxítonas terminadas em ditongo. 
D) infere-se da leitura da obra, que o nome de Emir, filho mais novo de 
Emilie, quase nunca era mencionado nos encontros familiares porque há 
muito abandonara a família, causando mágoa. 
E) infere-se da leitura da obra, que os empregados, principalmente as 
mulheres, eram tratados com muita regalia, pois participavam de todos os 
encontros e de todas as atividades festivas da família de Emilie. 
 
QUESTÃO 25 
OS HUMANOS SÃO UMA PARTE IMPORTANTE DA BIOSFERA 
 
As maravilhas do mundo natural atraem a nossa curiosidade sobre a vida 
e tudo que nos cerca. Para muitos de nós, nossa curiosidade sobre a 
Natureza e os desafios de seu estudo são razões suficientes. 1Além disso, 
contudo, nossa necessidade de compreender a Natureza está se tornando 
mais e mais urgente, 2à medida que o crescimento da população humana 
estressa a capacidade dos sistemas naturais em manter sua estrutura e 
funcionamento. 
Os ambientes que as atividades humanas dominam ou criaram – incluindo 
nossas áreas de vida urbanas e suburbanas, nossas terras cultivadas, 
nossasáreas de recreação, plantações de árvore e pesqueiros – são 
também ecossistemas. O bem-estar da humanidade depende de manter o 
funcionamento desses sistemas, sejam eles naturais ou artificiais. 
Virtualmente toda a superfície da Terra é, ou em breve será, fortemente 
influenciada por pessoas, se não completamente sob seu controle. 3Os 
humanos já usurpam quase metade da produtividade biológica da biosfera. 
Não podemos assumir essa responsabilidade de forma negligente. 
4A população humana se aproxima da marca de 7 bilhões, e consome 
energia e recursos, e produz rejeitos muito além do necessário ditado pelo 
metabolismo biológico. Essas atividades causaram dois problemas 
relacionados de dimensões globais. O primeiro é o seu impacto nos 
sistemas naturais, incluindo a interrupção de processos ecológicos e a 
exterminação de espécies. O segundo é a firme e constante deterioração 
do próprio ambiente da espécie humana à medida que pressionamos os 
limites dentro dos quais os ecossistemas podem se sustentar. 
5Compreender os princípios ecológicos é um passo necessário para lidar 
com esses problemas. 
 
RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 6. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2010. p. 15. (Adaptado). 
 
 
No trecho “Os humanos já usurpam quase metade da produtividade 
biológica da biosfera. Não podemos assumir essa responsabilidade de 
forma negligente” (ref. 3), os períodos apresentam pessoas verbais 
diferentes. O uso da primeira pessoal do plural, no segundo período, 
constitui um recurso linguístico por meio do qual o autor 
 
A) assume ser parte da comunidade humana e, consequentemente, 
responsável pelo modo como ela tem explorado os recursos naturais. 
B) evidencia sua concordância sobre o modo como os humanos usam, de 
forma desequilibrada e devastadora, os recursos da terra. 
C) retira de si a responsabilidade sobre o modo como os recursos da 
biosfera têm sido consumidos pelas sociedades urbanas e suburbanas. 
D) conclama a humanidade à invenção de tecnologias que possibilitem a 
descoberta de novos organismos e a criação de novos bens de consumo. 
E) exime-se da responsabilidade dos efeitos catastróficos da natureza 
quando se utiliza de uma figura de construção em que o verbo não 
concorda com o sujeito. 
 
QUESTÃO 26 
MEC quer rever veto a livro de Monteiro Lobato 
 
O ministro da Educação, Fernando Haddad, pedirá que (sic) o CNE 
(Conselho Nacional de Educação) reveja o parecer que recomendou 
restrições à distribuição do livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro 
Lobato, em escolas públicas. O Conselho de Educação quer vetar livro de 
Monteiro Lobato em escolas. 
Como revelou a Folha, o conselho sugeriu que a obra não seja distribuída 
pelo governo ou, caso isso seja feito, que contenha uma “nota explicativa”, 
devido a um suposto teor racista. 
Haddad disse ter recebido diversas reclamações de educadores e 
especialistas contra a decisão do CNE. “Foram muitas manifestações para 
 
 
 
11 
que o MEC afaste qualquer hipótese de censura a qualquer obra”, afirmou. 
(PINHO, Angela. In: http://www.substantivoplural.com.br/monteiro-lobato-
e-a-proibicao-da-cacada-de-pedrinho/. Acessado em 09/09/2011) 
 
No trecho acima predomina a função referencial da linguagem, por meio 
da qual o emissor: 
A) imprime ao texto as marcas de sua atitude pessoal, seus sentimentos. 
B) transmite informações objetivas sobre o tema de que trata o texto. 
C) busca persuadir o receptor do texto a adotar certo comportamento. 
D) procura explicar a própria linguagem que utiliza para construir o texto. 
E) objetiva verificar ou fortalecer a eficiência da mensagem veiculada. 
 
QUESTÃO 27 
leia o fragmento de um texto publicado em 1867 no semanário Cabrião. 
 
São Paulo, 10 de março de 1867. 
 
Estamos em plena quaresma. 
A população paulista azafama-se a preparar-se para a lavagem geral das 
consciências nas águas lustrais do confessionário e do jejum. 
A cambuquira* e o bacalhau afidalgam-se no mercado. 
A carne, mísera condenada pelos santos concílios, fica reduzida aos 
pouquíssimos dentes acatólicos da população, e desce quase a zero na 
pauta dos preços. 
O que não sobe nem desce na escala dos fatos normais é a vilania, a 
usura, o egoísmo, a estatística dos crimes e o montão de fatos 
vergonhosos, perversos, ruins e feios que precedem todas as contrições 
oficiais do confessionário, e que depois delas continuam com 
imperturbável regularidade. 
É o caso de desejar-se mais obras e menos palavras. 
E se não, de que é que serve o jejum, as macerações, o arrependimento, 
a contrição e quejandas religiosidades? 
O que é a religião sem o aperfeiçoamento moral da consciência? 
O que vale a perturbação das funções gastronômicas do estômago sem 
consciência livre, ilustrada, honesta e virtuosa? 
Seja como for, o fato é que a quaresma toma as rédeas do governo social, 
e tudo entristece, e tudo esfria com o exercício de seus místicos preceitos 
de silêncio e meditação. 
De que é que vale a meditação por ofício, a meditação hipócrita e obrigada, 
que consiste unicamente na aparência? 
Pois o que é que constitui a virtude? É a forma ou é o fundo? É a intenção 
do ato, ou sua feição ostensiva? 
Neste sentido, aconselhamos aos bons leitores que comutem sem o menor 
escrúpulo os jejuns, as confissões e rezas em boas e santas ações, em 
esmolas aos pobres. 
 
(Ângelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manoel dos Reis. Cabrião, 
10.03.1867. Adaptado.) 
 
 
* Iguaria constituída de brotos de abóbora guisados, geralmente servida 
como acompanhamento de assados. 
 
 
 [...] fica reduzida aos pouquíssimos dentes acatólicos da população. 
Na expressão dentes acatólicos, a palavra “dentes” é empregada em lugar 
de “pessoas”, segundo uma relação semântica de 
 
a) símbolo pela coisa significada. 
b) parte pelo todo. 
c) continente pelo conteúdo. 
d) causa pelo efeito. 
e) todo pela parte. 
 
QUESTÃO 28 
 
EM RESPEITO A SUA NATUREZA, SÓ TRABALHAMOS COM O 
MELHOR DA NATUREZA 
 
Selecionamos só o que a natureza tem de melhor para levar até a sua 
casa. Porque faz parte da natureza dos nossos consumidores querer 
produtos saborosos, nutritivos e, acima de tudo, confiáveis. 
www.destakjornal.com.br, 13/05/2013. Adaptado. 
 
 
Sabe-se que as estratégias linguísticas permeiam os significados e 
significantes na construção dos textos. No texto acima, o autor procura dar 
maior expressividade discursiva pois, 
a) serve-se do procedimento textual da sinonímia. 
b) recorre à reiteração de vocábulos homônimos. 
c) explora o caráter polissêmico das palavras. 
d) mescla as linguagens científica e jornalística. 
e) emprega vocábulos iguais na forma, mas de sentidos contrários. 
 
QUESTÃO 29 
 
 
O texto pode ser considerado uma manifestação da linguagem, ou seja, a 
linguagem é o meio pelo qual o texto se materializa. O texto acima é um 
típico exemplo de texto não verbal, que busca transmitir a mensagem 
crítica temática que: 
A) edifícios e outros grandes empreendimentos estão dialogando com os 
grandes centros urbanos. 
B) as residências não fazem mais parte do cenário das grandes 
metrópoles. 
C) a verticalização dos grandes centros urbanos dominam o cenário atual. 
D) a modernização tende a descaracterizar a imagem dos centros urbanos. 
E) o acelerado desenvolvimento não permitirá a construção de casas. 
 
QUESTÃO 30 
O texto a seguir é um excerto retirado do primeiro parágrafo do artigo de 
opinião “Com um braço só”, escrito por J. R. Guzzo, que trata da corrupção 
na política. 
 
 
 
 
12 
1Um dos aspectos menos atraentes da personalidade humana é a 
tendência de muitas pessoas de só condenar os vícios que não praticam, 
ou pelos quais não se sentem atraídas. Um caloteiro que não fuma, não 
bebe e não joga, por exemplo, é frequentemente a voz que mais grita 
contra o cigarro, a bebida e os cassinos, mas fecha a boca, os ouvidos e 
os olhos, como 6os três prudentes macaquinhos orientais, quando o 
assunto é honestidade no pagamento de dívidas pessoais.É a velha 
história: 2o mal está 4sempre na alma dos outros. Pode até ser verdade, 
5infelizmente, quando se trata da política brasileira, em que continua 
valendo, mais do que nunca, a máxima popular do 3“pega um, pega geral”. 
 
Extraído do artigo ”Com um braço só”, de J.R. Guzzo. VEJA. 21/08/2013. 
 
 
37. (Uece 2014) O articulista inicia o texto com a expressão: 
 
“Um dos aspectos menos atraentes da personalidade humana”. 
 
Sobre esse começo de texto, pode-se dizer que expressa dentro de uma 
construção linguística coerente: 
 
A) a linguagem é figurada, portanto direta e sem subterfúgios, de modo a 
preparar o leitor para o tom contundente do texto. 
B) a linguagem é simples, sem elementos apelativos ou argumentativos. 
Predomina nela a função fática da linguagem. 
C) a linguagem é eufemística, demonstrando uma intenção do enunciador: 
preparar o leitor para o teor pesado do texto. 
D) o início do texto manteria a mesma força argumentativa se fosse 
reescrito da seguinte maneira: Um dos aspectos mais repulsivos da 
personalidade humana [...]. 
E) a expressão “menos atraente” sugere para o leitor uma irrelevância do 
conteúdo administrado no entorno do texto. 
 
QUESTÃO 31 
 
 
Disponível em: http://orion-oblog.blogspot.com.br. Acesso em: 6 jun. 2012 
(adaptado). 
 
O cartaz aborda a questão do aquecimento global. A relação entre os 
recursos verbais e não verbais nessa propaganda revela que 
 
A) o discurso ambientalista propõe formas radicais de resolver os 
problemas climáticos. 
B) a preservação da vida na Terra depende de ações de dessalinização da 
água marinha. 
C) a acomodação da topografia terrestre desencadeia o 
natural degelo das calotas polares. 
D) o descongelamento das calotas polares diminui a quantidade de água 
doce potável do mundo. 
E) a agressão ao planeta é dependente da posição assumida pelo homem 
frente aos problemas ambientais. 
 
QUESTÃO 32 
 
Leia o soneto de Cláudio Manuel da Costa para responder à questão. 
 
Onde estou? Este sítio desconheço: 
Quem fez tão diferente aquele prado? 
Tudo outra natureza tem tomado; 
E em contemplá-lo tímido esmoreço. 
 
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço 
De estar a ela um dia reclinado; 
Ali em vale um monte está mudado: 
Quanto pode dos anos o progresso! 
 
Árvores aqui vi tão florescentes, 
Que faziam perpétua a primavera: 
Nem troncos vejo agora decadentes. 
 
Eu me engano: a região esta não era; 
Mas que venho a estranhar, se estão presentes 
Meus males, com que tudo degenera! 
 
(Obras, 1996.) 
 
 
Com base em uma leitura interpretativa do poema acima, vê-se no soneto, 
que o eu lírico expressa-se de forma 
a) eufórica, reconhecendo a necessidade de mudança. 
b) contida, descortinando as impressões auspiciosas do cenário. 
c) introspectiva, valendo-se da idealização da natureza. 
d) racional, mostrando-se indiferente às mudanças. 
e) reflexiva, explorando ambiguidades existenciais. 
 
QUESTÃO 33 
O que a internet esconde de você 
Sites de busca manipulam resultados. Redes sociais decidem quem vai 
ser seu amigo — e descartam as pessoas sem avisar. E, para cada site 
que você pode acessar, há 400 outros invisíveis. Prepare-se 
para conhecer o lado oculto da internet. 
 
 
 
13 
 
GRAVATÁ, A. Superinteressante, São Paulo, ed. 297, nov. 2011 
(adaptado). 
 
 Analisando-se as informações verbais e a imagem associada a uma 
cabeça humana, compreende-se que a venda 
 
A) representa a amplitude de informações que compõem a internet, às 
quais temos acesso em redes sociais e sites de busca. 
B) faz uma denúncia quanto às informações que são omitidas dos usuários 
da rede, sendo empregada no sentido conotativo. 
C) diz respeito a um buraco negro digital, onde estão escondidas as 
informações buscadas pelo usuário nos sites que acessa. 
D) está associada a um conjunto de restrições sociais presentes na vida 
daqueles que estão sempre conectados à internet. 
E) remete às bases de dados da web, protegidas por senhas ou 
assinaturas e às quais o navegador não tem acesso. 
 
QUESTÃO 34 
O nada que é 
 
Um canavial tem a extensão 
ante a qual todo metro é vão. 
 
Tem o escancarado do mar 
que existe para desafiar 
 
que números e seus afins 
possam prendê-lo nos seus sins. 
 
Ante um canavial a medida 
métrica é de todo esquecida, 
 
porque embora todo povoado 
povoa-o o pleno anonimato 
 
que dá esse efeito singular: 
de um nada prenhe como o mar. 
 
(João Cabral de Melo Neto. Museu de tudo e depois, 1988.) 
 
 
Ao comparar o canavial ao mar, a imagem construída pelo eu lírico 
formaliza-se em 
A) uma assimetria entre a ideia de nada e a de anonimato. 
B) uma descontinuidade entre a ideia de mar e a de canavial. 
C) uma contradição entre a ideia de extensão e a de canavial. 
D) um paradoxo entre a ideia de nada e a de imensidão. 
E) um eufemismo entre a ideia de metro e a de medida. 
 
QUESTÃO 35 
Crianças brincando 
 
 
 
Uma psicóloga da PM-SP defende que crianças de oito anos podem 
manusear armas de fogo, “desde que acompanhadas pelos pais”. É 
normal, diz ela, que o filho de um policial tenha curiosidade sobre o 
instrumento de trabalho de seu pai, “assim como o filho do médico tem 
sobre o estetoscópio”. A recente tragédia em São Paulo, envolvendo o 
menino Marcelo Pesseghini, 13, suspeito de matar seus pais (ambos, po-
liciais militares), a avó e a tia-avó, e que se matou em seguida, tudo a tiros, 
não abalou sua convicção. 
Vejamos. É normal que o filho de oito anos de um piloto de aviação tenha 
curiosidade sobre o instrumento de trabalho do pai - o avião. Isso autoriza 
o piloto a pôr o filho na cadeira do copiloto e “acompanhá-lo” enquanto ele 
pousa o aparelho levando 300 passageiros? O filho de um madeireiro, 
apenas por ser quem é, estará autorizado a brincar com uma motosserra? 
E o filho de um proctologista estará apto a manipular o instrumento de 
trabalho de seu pai? (...) 
A professora Maria de Lourdes Trassi, da Faculdade de Psicologia da 
PUC-SP, rebate o argumento da psicóloga da PM, dizendo: “O cirurgião 
pode até dar o estetoscópio ou a luva [para o filho brincar]. Mas não vai lhe 
apresentar o bisturi”. 
Também acho. E há muitas coisas com que o filho de um PM pode brincar 
- gás de mostarda, bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha -, sem 
ter de apelar para armas de fogo. 
 
(Ruy Castro, Folha de S. Paulo, 19.08.2013) 
 
 
Dos objetos citados no texto, pode-se dizer aquele que possui grau 
diferente de importância se comparado aos demais é: 
a) armas de fogo 
b) estetoscópio 
c) motosserra 
d) bisturi 
e) instrumento do proctologista 
 
QUESTÃO 36 
 
A(s) questão(ões) a seguir toma(m) por base um poema satírico do poeta 
português João de Deus (1830-1896). 
 
Ossos do ofício 
 
Uma vez uma besta do tesouro, 
Uma besta fiscal, 
Ia de volta para a capital, 
Carregada de cobre, prata e ouro; 
E no caminho 
 
 
 
14 
Encontra-se com outra carregada 
De cevada, 
Que ia para o moinho. 
 
Passa-lhe logo adiante 
Largo espaço, 
Coleando arrogante 
E a cada passo 
Repicando a choquilha 
Que se ouvia distante. 
 
Mas salta uma quadrilha 
De ladrões, 
Como leões, 
E qual mais presto 
Se lhe agarra ao cabresto. 
Ela reguinga, dá uma sacada 
Já cuidando 
Que desfazia o bando; 
Mas, coitada! 
Foi tanta a bordoada, 
Ah! que exclamava enfim 
A besta oficial: 
— Nunca imaginei tal! 
Tratada assim 
Uma besta real!... 
Mas aquela que vinha atrás de mim, 
Por que a não tratais mal? 
 
“Minha amiga, cá vou no meu sossego, 
Tu tens um belo emprego! 
Tu sustentas-te a fava, e eu a troços! 
Tu lá serves el-rei, e eu um moleiro! 
Ossos do ofício, que o não há sem ossos.” 
 
(Campo de flores, s/d.) 
 
 
Considerando que a sátira se apresenta sob forma de fábula, com 
personagens animais assumindo modos de agir e pensar tipicamente 
humanos, verifica-se que a atitude da besta real em relação à outra traduz 
um preconceito de 
A) cor. 
B) raça. 
C) credo religioso. 
D) credo político. 
E) classe social. 
 
QUESTÃO 37 
 
TapuiaAs florestas ergueram braços peludos para esconder-te 
com ciúmes do sol. 
 
E a tua carne triste se desabotoa nos seios, 
recém-chegados do fundo das selvas. 
 
Pararam no teu olhar as noites da Amazônia, mornas e imensas. 
 
No teu corpo longo 
ficou dormindo a sombra das cinco estrelas do Cruzeiro. 
 
O mato acorda no teu sangue 
sonhos de tribos desaparecidas 
– filha de raças anônimas 
que se misturaram em grandes adultérios! 
 
E erras sem rumo assim, pelas beiras do rio, 
que teus antepassados te deixaram de herança. 
 
O vento desarruma os teus cabelos soltos 
e modela um vestido na intimidade do teu corpo exato. 
À noite o rio te chama 
e então te entregas à água preguiçosamente, 
como uma flor selvagem 
ante a curiosidade das estrelas. 
 
(Raul Bopp apud Mário da Silva Brito. “Tapuia”. In: Poesia do Modernismo, 
1968.) 
 
 
A metáfora é uma figura de linguagem em que um termo substitui outro, 
em vista de uma relação de semelhança entre os elementos designados 
por tais termos. Essa figura ocorre no verso: 
 
A) que se misturaram em grandes adultérios! 
B) O vento desarruma os teus cabelos soltos 
C) As florestas ergueram braços peludos para esconder-te 
D) e então te entregas à água preguiçosamente, 
E) E erras sem rumo assim, pelas beiras do rio, 
 
QUESTÃO 38 
 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
muda-se o ser, muda-se a confiança; 
todo o mundo é composto de mudança, 
tomando sempre novas qualidades. 
 
Continuamente vemos novidades, 
diferentes em tudo da esperança; 
do mal ficam as mágoas na lembrança, 
e do bem (se algum houve), as saudades. 
 
O tempo cobre o chão de verde manto, 
que já coberto foi de neve fria, e, enfim, 
converte em choro o doce canto. 
 
E, afora este mudar-se cada dia, 
outra mudança faz de mor espanto, 
que não se muda já como soía*. 
 
Luís Vaz de Camões 
 
*soía: Imperfeito do indicativo do verbo soer, que significa costumar, ser 
de costume 
 
 
 
15 
 
Com base em uma análise do poema, vê-se que o sentido dos versos de 
Camões representam dentro de uma coerência interpretativa: 
A) o foco temático do soneto está relacionado à instabilidade do ser 
humano, eternamente insatisfeito com as suas condições de vida e com a 
inevitabilidade da morte. 
B) a inferência, a partir da leitura dos dois tercetos, que, com o passar do 
tempo, a recusa da instabilidade se torna maior, graças à sabedoria e à 
experiência adquiridas. 
C) que trata-se de mudanças e da passagem do tempo, o soneto expressa 
a ideia de circularidade, já que ele se baseia no postulado da imutabilidade. 
D) que na segunda estrofe, o eu lírico vê com pessimismo as mudanças 
que se operam no mundo, porque constata que elas são geradoras de um 
mal cuja dor não pode ser superada. 
E) que as duas últimas estrofes autorizam concluir que a ideia de que nada 
é permanente não passa de uma ilusão. 
 
QUESTÃO 39 
 
 O amor é feio 
Tem cara de vício 
Anda pela estrada 
Não tem compromisso 
 
[...] 
 
O amor é lindo 
Faz o impossível 
O amor é graça 
Ele dá e passa 
 
A.Antunes, C.Brown, M.Monte, “O amor é feio” 
 
 
Cotejando a letra da canção com os famosos versos camonianos Amor é 
fogo que arde sem se ver / É ferida que dói e não se sente, afirma-se 
corretamente que: 
A) assim como Camões, os compositores tematizam o amor, valendo-se 
de uma linguagem espontânea, coloquial, como prova o uso da expressão 
cara de vício. 
B) o caráter popular da canção é acentuado pelo uso de redondilhas, traço 
estilístico ausente nos versos camonianos citados. 
C) a concepção de amor como sentimento contraditório, típica de Camões, 
está ausente na letra da canção, uma vez que seus versos não se 
compõem de paradoxos. 
D) a ideia de que a dor do amor não é sentida pelos amantes, presente 
nos versos de Camões, é parafraseada nos versos Anda pela estrada /Não 
tem compromisso. 
E) a canção recupera o tom solene e altissonante presente nos versos 
camonianos. 
 
QUESTÃO 40 
 
XENOFOBIA E RACISMO (fragmento) 
 
As recentes revelações das restrições impostas, há mais de meio século, 
à imigração de negros, judeus e asiáticos durante os governos de Dutra e 
Vargas chocaram os brasileiros amantes da democracia. Foram atos 
injustos, cometidos contra estes segmentos do povo brasileiro que tanto 
contribuíram para o engrandecimento de nossa nação. 
Já no Brasil atual, a imigração de estrangeiros parece liberalizada e imune 
às manchas do passado, enquanto que no continente europeu marcha-se 
a passos largos na direção de conflitos raciais onde a marca principal é o 
ódio dos radicais de direita aos imigrantes. 
Na Europa, a história se repete com o mesmo enredo centenário: 
imigrantes são bem-vindos para reforçar a mão-de-obra local em 
momentos de reconstrução nacional ou de forte expansão econômica; 
após anos de dedicação e engajamento à vida local, começam a ser alvo 
da violência e da segregação. (O Globo, 13/7/01) 
Dentro de uma compreensão interpretativa, percebe-se que a seleção 
vocabular do primeiro período do texto permite dizer que: 
A) o adjetivo recentes traz como inferência que as revelações referidas 
no texto ocorreram nos dias imediatamente antes da elaboração do artigo. 
B) a escolha do substantivo revelações se refere a um conjunto de 
informações que, para o bem do país, deveria permanecer oculto. 
C) o substantivo restrições indica a presença de limitações oficiais na 
política migratória do país. 
D) o adjetivo impostas se liga obrigatoriamente a um poder discricionário, 
como o presente nas ditaduras de Dutra e Vargas. 
E) em razão das referências históricas imprecisas do texto, o segmento há 
mais de meio século se refere a uma quantidade de anos superior a 50 e 
inferior a 100. 
 
 QUESTÃO 41 
 
Ainda com base no texto anterior, ao escrever que os atos injustos foram 
cometidos “contra esses segmentos do povo brasileiro…”, o autor do texto 
mostra que: 
a) a população brasileira da era Vargas sofria pela discriminação oficial. 
b) negros, judeus e asiáticos são vistos como brasileiros pelo autor do 
texto. 
c) o povo brasileiro é constituído de raças e credos distintos. 
d) alguns segmentos de nosso povo foram autores de atos injustos. 
e) o Brasil e seu povo já passaram por momentos históricos difíceis. 
 
QUESTÃO 42 
O problema ecológico 
Se uma nave extraterrestre invadisse o espaço aéreo da Terra, com 
certeza seus tripulantes diriam que neste planeta não habita uma 
civilização inteligente, tamanho é o grau de destruição dos recursos 
naturais. Essas são palavras de um renomado cientista americano. Apesar 
dos avanços obtidos, a humanidade ainda não descobriu os valores 
fundamentais da existência. O que chamamos orgulhosamente de 
civilização nada mais é do que uma agressão às coisas naturais. A grosso 
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16 
modo, a tal civilização significa a devastação das florestas, a poluição dos 
rios, o envenenamento das terras e a deterioração da qualidade do ar. O 
que chamamos de progresso não passa de uma degradação deliberada e 
sistemática que o homem vem promovendo há muito tempo, uma autêntica 
guerra contra a natureza. 
Afrânio Primo. Jornal Madhva (adaptado). 
Segundo o Texto, o cientista americano está preocupado com: 
(A) a vida neste planeta. 
(B) a qualidade do espaço aéreo. 
(C) o que pensam os extraterrestres. 
(D) o seu prestígio no mundo. 
(E) os seres de outro planeta. 
QUESTÃO 43 
 
Jogar limpo 
Argumentar não é ganhar uma discussão a qualquer preço. Convencer 
alguém de algo é, antes de tudo, uma alternativa à prática de ganhar uma 
questão no grito ou na violência física — ou não física. Não física, dois 
pontos. Um político que mente descaradamente pode cativar eleitores. 
Uma publicidade que joga baixo pode constranger multidões a consumir 
um produto danoso ao ambiente. Há manipulações psicológicas não só na 
religião. E é comum pessoas agirem emocionalmente, porque vítimas de 
ardilosa — e cangoteira — sedução. Embora a eficácia a todo preço não 
sejaargumentar, tampouco se trata de admitir só verdades científicas — 
formar opinião apenas depois de ver a demonstração e as evidências, 
como a ciência faz. Argumentar é matéria da vida cotidiana, uma forma de 
retórica, mas é um raciocínio que tenta convencer sem se tornar mero 
cálculo manipulativo, e pode ser rigoroso sem ser científico. 
 
Língua Portuguesa, São Paulo, ano 5, n. 66, abr. 2011 (adaptado). 
 
No fragmento, opta-se por uma construção linguística bastante diferente 
em relação aos padrões normalmente empregados na escrita. Trata-se da 
frase “Não física, dois pontos”. Nesse contexto, a escolha por se 
representar por extenso o sinal de pontuação que deveria ser utilizado 
A) enfatiza a metáfora de que o autor se vale para desenvolver seu ponto 
de vista sobre a arte de argumentar. 
B) diz respeito a um recurso de metalinguagem, evidenciando as relações 
e as estruturas presentes no enunciado. 
C) é um recurso estilístico que promove satisfatoriamente a sequenciação 
de ideias, introduzindo apostos exemplificativos. 
D) ilustra a flexibilidade na estruturação do gênero textual, a qual se 
concretiza no emprego da linguagem conotativa. 
E) prejudica a sequência do texto, provocando estranheza no leitor ao não 
desenvolver explicitamente o raciocínio a partir de argumentos. 
 
QUESTÃO 44 
 
Ardor em firme coração nascido; 
pranto por belos olhos derramado; 
incêndio em mares de água disfarçado; 
rio de neve em fogo convertido: 
tu, que em um peito abrasas escondido; 
tu, que em um rosto corres desatado; 
quando fogo, em cristais aprisionado; 
quando crista, em chamas derretido. 
Se és fogo, como passas brandamente, 
se és fogo, como queimas com porfia? 
Mas ai, que andou Amor em ti prudente! 
Pois para temperar a tirania, 
como quis que aqui fosse a neve ardente, 
permitiu parecesse a chama fria. 
 
O texto pertencente a Gregório de Matos, apresenta todas seguintes 
características: 
 
A) Trocadilhos, predomínio de metonímias, a dualidade temática da 
sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem 
direta. 
B) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava 
imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade 
do tempo e da vida. 
C) Dualidade temática da entrega e do refreamento, predomínio figurativo 
das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo. 
D) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta 
predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o 
Romantismo. 
E) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente 
no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção 
assimétrica. 
 
QUESTÃO 45 
 
A Bela Azul 
Como a Terra é bela! Certos estavam os teólogos e astrônomos antigos 
em colocá-la no centro do universo! Os astrônomos modernos e os 
geômetras se riram da sua ingenuidade e presunção... Ora, a Terra, essa 
poeira ínfima perdida em meio a bilhões de estrelas e galáxias – o centro 
em torno do qual todo o universo gira? 
Mas eles, cientistas, não sabem que há duas formas de determinar o 
centro. Pode-se determinar o centro com o cérebro e pode-se determinar 
o centro com o coração. O cérebro mede o espaço vazio com réguas e 
calculadoras para assim localizar o seu centro geométrico. Mas, para o 
coração, o centro do universo é o lugar do amor. 
Para o pai e a mãe, qual é o centro de sua casa? Não será o berço onde 
o filhinho dorme? E para o trabalhador na roça, cansado e sedento, o 
centro do mundo não é uma fonte de água fresca? Chove e faz frio. A 
família inteira se reúne em torno da lareira, onde o fogo crepita. Ali se 
contam estórias... E sabe o apaixonado que o centro do mundo é o rosto 
de sua amada, ausente... 
Recebi de um amigo, via Internet, uma série de fotografias da Terra, tiradas 
de um satélite. Vinha tudo com o nome de "A Bela Azul". Que lindo nome 
para a nossa Terra! Porque é com a cor azul que ela aparece. Lembrei-me 
de um verso de Fernando Pessoa: "... e viu-se a Terra inteira, de repente, 
surgir, redonda, do azul profundo". O filósofo Niezstche também era um 
apaixonado pela Terra. Dizia que era uma deformação do espírito ficar 
lendo um livro em casa, num dia luminoso, quando a natureza está lá fora, 
fresca e radiante. É possível imaginar que ele, que proclamou a morte de 
Deus, tenha secretamente elegido a Terra como seu objeto de adoração. 
Mas agora anunciam os cientistas que a Bela Azul está agonizante... 
(Rubem Alves, Folha de S. Paulo, 07/02/2007) 26. 
 
O autor afirma, no primeiro parágrafo: Certos estavam os teólogos e 
astrônomos antigos (...). Com essa afirmação, pretende ele 
A) menosprezar a legitimidade das investigações e das conclusões 
científicas. 
 
 
 
17 
B) provar que os astrônomos antigos colocavam a emoção acima da razão. 
C) iniciar uma argumentação na qual relativiza o peso das verdades 
racionais. 
D) concluir sua tese de que as propriedades do universo derivam do amor. 
E) demonstrar seu respeito pelos sábios antigos, mais sensíveis que os 
atuais. 
 
 
 GABARITO 
01. E 
02. A 
03. D 
04. B 
05. D 
06. C 
07. C 
08. C 
09. C 
10. D 
11. E 
12. C 
13. D 
14. D 
15. B 
16. C 
17. B 
18. E 
19. B 
20. B 
21. A 
22. C 
23. A 
24. B 
25. A 
26. B 
27. B 
28. C 
29. C 
30. C 
31. E 
32. E 
33. B 
34. D 
35. B 
36. E 
37. C 
38. D 
39. B 
40. C 
41. C 
42. A 
43. C 
44. C 
45. C

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