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DOENÇA DIVERTICULAR DOS CÓLONS DEFINIÇÃO: Protusões saculares -> camadas mucosa e muscular da mucosa (divertículo falso ou pseudodivertículos). São mais comuns no cólon sigmóide, mas podem ser encontrados em todo o cólon. Diverticulose: presença de divertículos sintomático ou assintomático. Doença diverticular: sinais e sintomas e se divide em não complicada e complicada. Complicada: infecção, perfuração, fístula, obstrução e sangramento. Não complicada: dor abdominal persistente na ausência de colite ou diverticulite macroscopicamente evidente. Diverticulite aguda: perfuração microscópica ou macroscópica dos divertículos devido a inflamação diverticular e necrose fecal. FISIOPATOLOGIA Com o envelhecimento, há menor produção e deposição de colágeno na parede colônica, levando ao seu enfraquecimento e consequente protusão de suas camadas. FATORES DE RISCO O principal fator de risco é a idade! Prevalência de 60% em maiores de 60 anos e <5% em menores de 30 anos. Dietas pobres em fibras e ricas em carboidratos. Predominantemente ocidental. Não há preferência de sexo, acometendo igualmente homens e mulheres. DIAGNÓSTICO De doença diverticular dos cólons, não diverticulite. Os exames de imagem são: Colonoscopia. Enema opaco. TC de abdome total. TRATAMENTO Não necessitam de tratamento e seguimento regular. Objetivo: diminuir os sintomas e prevenir complicações. Dieta rica em fibras não absorvíveis, antiespasmódicos para controle de dor e probióticos. Consumo de fibras alimentares não absorvíveis - reter água leva a formação de fezes mais volumosas com maior poder de retenção hídrica, melhorando a velocidade do trânsito intestinal e reduzindo a formação de áreas de alta pressão intraluminal. DIVERTICULITE EPIDEMIOLOGIA Qualquer parte do cólon, sendo mais frequente no sigmóide. Aproximadamente 4% dos pacientes com diverticulose desenvolvem diverticulite. Principal complicação é o abscesso. ETIOLOGIA QUADRO CLÍNICO Variável e depende da gravidade do processo inflamatório subjacente. Dor abdominal em fossa ilíaca esquerda (queixa mais comum), náuseas e vômitos, febre, urgência urinária e disúria devido a irritação da bexiga pela inflamação no cólon sigmóide. Casos graves: hipotensão e choque/sepse -> perfuração e peritonite. DIAGNÓSTICO Diagnóstico de diverticulite aguda é clinico através da história e exames físico. Exames laboratoriais -> aumento de provas inflamatórias (PCR), leucocitose e piúria estéril. Exame de imagem é importante na diferenciação da forma simples da complicada. Escolha: TC de abdome total com contraste endovenoso. Espessamento da parede intestinal, aumento na densidade da gordura pericolônica e presença de divertículos. Complicações: abscessos, obstrução intestinal e fístula. USG de abdome total: operador dependente e não pode excluir outras causas de dor abdominal, então na prática, é pouco utilizado na suspeita de diverticulite aguda. RNM abdome total: vantagem de evitar a exposição à radiação e é capaz de excluir outras causas de dor abdominal, no entanto, é um exame menor disponível, mais demorado e de maior custo. Colonoscopia não tem papel no diagnóstico da diverticulite aguda! Tanto a colonoscopia quanto o enema opaco não devem ser realizados pelo risco de perfuração ou exacerbação da inflamação existente. Quando fazer a colonoscopia? Após 6 a 8 semanas da resolução completa dos sintomas - > exclusão de malignidade subjacente. TRATAMENTO Antibioticoterapia EV, hidratação endovenosa e analgesia. ATB -> gram-negativos e anaeróbios. EV até que a inflamação seja estabilizada (resolução da dor e da sensibilidade abdominal) -> 3 - 5dias. VO (clavulin ou ciprofloxacino + metronidazol) para completar o curso de 10 - 14 dias. Após 2 - 3 dias de tratamento, sem melhora ou deterioração clínica -> novo exame de imagem para procurar novas complicações que possam exigir intervenção adicional. Precisa de TC para controle de cura? Não. HINCHEY I - tratamento conservador (ATB) + vigilância rigorosa (pode evoluir para estágio II ou III). HINCHEY II - tamanho do abscesso determina a abordagem inicial. Abscessos < 4cm: tratamento clínico (ATB). Sem melhora ou piora após 3 dias de tratamento -> drenagem percutânea ou até mesmo cirurgia. Abscessos > 4cm: drenagem percutânea guiada por exame de imagem. É esperada melhora clínica em 24 - 48 horas. Caso o paciente não apresente melhora - > avaliar cirurgia. HINCHEY III E IV - extremamente graves, altos índices de morbimortalidade -> cirurgia de urgência. Retossigmoidectomia a Hartamann, com ressecção intestinal com colostomia terminal e sepultamento do coto retal. Ambulatorial -> analgesia, antibioticoterapia oral de amplo espectro (cobertura para gram negativos e anaeróbios) por 7 - 10 dias e dieta líquida/leve. Reavaliados 2 - 3 dias até completa resolução dos sintomas. Estudos de imagem repetidos não são indicados a menos que o paciente não melhore com tratamento clínico. Colonoscopia em 6 a 8 semanas, para exclusão de malignidade. COMPLICAÇÕES TARDIAS Tardias: Estenose. Fístula colovesical -> pneumatúria, fecalúria e disúria. OBS: QUEM TEM DDC NÃO PODE COMER SEMENTES? É MENTIRA. QUESTÃO 1 (FMABC - 2021) - Homem, 66 anos de idade, procurou atendimento por queixa de dor abdominal há 5 dias, em flanco esquerdo e fossa ilÍaca esquerda, associada a náuseas e febre. Nega sintomas urinários. Sem outras queixas ou antecedentes pessoais prévios. Ao exame clínico, regular estado geral, desidratado 2+/4+. Frequência cardíaca = 115bpm. PA 90x60mmHg. Dor a palpação difusa do abdome, com descompressão brusca positiva. Realizou TC que evidenciou múltiplos divertículos no cólon sigmoide, com sinais de processo inflamatório local, assim como grande quantidade de líquido livre na cavidade. Em relação ao caso, assinale a correta. a. Trata-se de um caso de diverticulite aguda Hinchey II, e a conduta é drenagem abdominal guida por radiologia. b. A principal hipótese é de diverticulite complicada com peritonite e a conduta é cirúrgica. c. O achado de doença diverticular no cólon sigmoide é raro, sendo muito mais prevalente no cólon direito d. A melhor conduta nesse momento é iniciar antibioticoterapia EV e solicitar colonoscopia QUESTÃO 2 (USP-SP 2020) - Mulher, 85 anos, diabética e hipertensa chega ao pronto socorro com quadro de dor abdominal localizada em região do flanco e fossa ilíaca esquerda acompanhada de vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de gases e fezes. Não refere febre mas relata calafrios. Pressão arterial = 95 x 70 mmHg, pulso = 120 bpm, Sat 0₂ 88%. 0 hemograma mostra 15.000 leucócitos/mm3 com importante desvio a esquerda, creatinina de 1,5 mg/dl e glicemia de 130 mg/dl. Após reposição volêmica, medicação sintomática e antibioticoterapia empírica de amplo espectro e realizada tomografía de abdome que mostra diverticulite aguda em cólon sigmóide com sinais de pneumoperitônio. É indicada laparotomia exploradora que mostra contaminação grosseira de material fecal e líquido livre em toda pelve, goteira parietocólica esquerda e em ambos espaços subfrênicos. Nesse momento o anestesista informa que precisou entrar com noradrenalina. Qual é a melhor conduta nesse caso? A. Sigmoidectomia, limpeza da cavidade,anastomose término terminal e drenagem da cavidade no local da anastomose. B. Sigmoidectomia, limpeza da cavidade, anastomose término terminal e realização de ileostomia protetora. C. Reavivamento das bordas da perfuração e sutura em dois pianos e drenagem da região da sutura com dreno de aspiração contínua. D. Sigmoidectomia, limpeza da cavidade com fechamento do coto distal e exteriorização do coto proximal (cirurgia de Hartmann).