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Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Assistência de Enfermagem 
às vítimas de Queimaduras
Profº Ms. Giuliano Michel Mussi
Referências
1. BOTTAS NETO, R. de O.; STEFANELI, R. Atendimento pré-hospitalar aos queimados in SUEOKA, J.S;
ABGUSSEN, C. M.B – APH RESGATE Emergência em Trauma, 1ª edição, Rio de Janeiro: Elservier, 2019;
2. Brasil-Ministério da Saúde – Cartilha para Tratamento de Emergência para Queimaduras, Série F -
Comunicação e Educação em Saúde, Brasília-DF, 2012;
3. CALIL, A. M , PARANHOS, W. Y. - O enfermeiro e a s Situações de emergência Atheneu São Paulo, 2007;
4. DOENGES, M. E.; MOOHOUSE, M.F. GEISSLER, A.C. Planos de cuidados de enfermagem : Orientações
para o cuidado individualizado do paciente. Rio de Janeiro Guanabara Koogan.. 5ª edição, 2003;
5. MARTINS, H. S. , DAMASCENO, M. C. T. AWADA, S. B. Pronto socorro- Condutas do Hospital das Clinicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Manole, Barueri, 2006;
6. NANDA. Diagnóstico de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2012-2014. Porto Alegre:
Artmed, 2012;
7. PHTLS – Pre-hospital Trauma Life Support – Atendimento pré-hospitalar ao traumatizado/NAEMT (National
Association of Emergency Medical Technicians); 8ª edição, Editora Artmed, São Paulo, 2016;
8. STEFANELLI, R. Queimaduras in FERIANI, G. et al – Pré-Hospitalar / GRAU (Grupo de Resgate e Atenção
ás Urgências e Emergências); 1ª ed, Barueri-SP, Manole, 2013;
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Definição de Queimadura
• As queimaduras são lesões decorrentes de agentes (tais como
a energia térmica, química ou elétrica) capazes de produzir calor
excessivo que danifica os tecidos corporais e acarreta a morte
celular. (Ministério da Saúde, 2012)
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Introdução
• No Brasil estima-se 1 milhão de queimados por ano, com 100.000
atendimentos e 2.500 óbitos (Stefanelli, 2013);
• Nos EUA: 1,25 milhões de queimaduras/ano – 5.550 mortes diretas
– terceira causa de óbitos em geral (Stefanelli, 2013);
• Patologia traumática que atinge todos os grupos populacionais;
• Apresentação clínica que varia de simples lesões superficiais até
casos muito graves com lesões que podem comprometer a vida;
• Queimaduras graves não devem ser encaradas como lesões
cutâneas, mas como trauma sistêmico, que produzem grande
desequilíbrio hidroeletrolíticos e hemodinâmico – possível trauma
multissistêmico associado;
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Introdução
• 50 % das internações são crianças de 0 -15 anos, 20% dessas
crianças são vítimas de lesão intencional ou abuso infantil;
– A maior parte ocorre na cozinha;
– Em junho há um aumento de 20% nos casos – fogueiras,
balões e fogos;
– Risco de morte;
– Cicatrizes, deformidade e perda de movimentação;
– Tratamento longo e muito doloroso.
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Classificação das Queimaduras
Quanto ao agente causal
Físicos: temperatura: vapor, objetos aquecidos, água quente, chama, as
ulcerações por frio. É o tipo mais comum;
Elétricos: corrente elétrica, raio, etc;
Radiação : sol, aparelhos de raios X, raios ultravioletas, nucleares, etc;
Químicos: ácidos, bases, álcool, gasolina, etc. Através de inalação,
ingestão e contato direto;
Biológicos: lagarta-de-fogo, água-viva, medusa, etc. e vegetais: o látex de
certas plantas, urtiga, etc;
Mecânicas: pela fricção ou abrasão.
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Queimadura de 1°Grau
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• Não sangra , geralmente seca;
• Cor rósea, toda inervada, não passam
da Epiderme;
• Queimadura de Sol (exemplo);
• Hiperemia (Vermelhidão) e dolorosa;
• Cicatrização em geral rápida e sem
fibrose;
• Descama de 4 a 6 dias.
Obs: Normalmente não chega na
emergência.
Classificação das Queimaduras - profundidade
• Afeta a epiderme e parte da derme,
forma bolhas ou flictenas.
• Superficial: a base da bolha é rósea,
úmida e dolorosa.
• Profunda: a base da bolha é branca,
seca, indolor e menos dolorosa
(profunda).
• A restauração das lesões ocorre
entre 7 e 21 dias;
• Possibilidade de cicatriz hipertrófica.
Queimadura de 2°Grau
Queimadura de 3° Grau
➢ Afeta a epiderme, a derme e
estruturas profundas;
➢ É indolor;
➢ Existe a presença de placa
esbranquiçada ou enegrecida;
➢ Possui textura coriácea;
➢ Não reepiteliza e necessita de
enxertia de pele.
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Fisiopatologia do choque associado a queimadura
• Aumento da permeabilidade vascular;
• Diminuição da pressão coloidosmótica;
• Presença de edema e aumento do hematócrito;
• Diminuição da volemia com aumento da viscosidade
sanguínea;
• Aumento da resistência periférica;
• Diminuição do débito cardíaco;
• Falência de órgãos.
Como abordar um paciente nesta situação?
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Abordagem Inicial
Avaliação Primária
X – Exsanguinação;
A – Vias aéreas; 
B – Ventilação;
C – Circulação; 
D – Avaliação neurológica;
E – Exposição e avaliação da área corpórea queimada.
Avaliação Secundária
Sampla, Sinais Vitais, Glicemia Capilar, Reavaliação constante.
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O atendimento se dá pelo protocolo do ATLS, com algumas
particularidades.
Vias aéreas 
• As vias aéreas superiores são bastante susceptíveis a
queimaduras onde o resultado é uma obstrução que pode se
instalar insidiosamente;
• Alguns sinais devem servir como marcador de possível lesão de
via aérea: dificuldade respiratória ou a respiração ruidosa,
porém, esses podem não estar presentes e outros indicadores
devem ser pesquisados.
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Indicativo de queimadura de via aérea
1. Queimadura na face;
2. Chamuscamento de cílios e das vibrissas 
nasais;
3. Depósitos de carbono e inflamação aguda 
na orofaringe;
4. Escarro com restos carbonados;
5. História de queimadura em local confinado;
6. Queimadura por explosão;
7. Intoxicação por carboxi-hemoglobina.
Respiração
• Inspeção, palpação, ausculta, percussão;
• Atentar para sibilos – indicativo de inalação de fumaça e/ou
queimadura de via aérea;
• Aspirar S/N;
• Aporte de oxigênio;
• Cuidados com ventilação mecânica.
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Circulação
• Acima de 20% de sua superfície corpórea queimada em adulto e 10%
em criança - necessita de reposição volêmica – algumas literaturas
trazem o termo ressuscitação volêmica;
• Utilize cateteres de grosso calibre e curtos (14 ou 16), uma vez que os
volumes requeridos para o tratamento podem ser muito elevados;
• Dê preferência pela inserção do cateter em uma área de pele integra -
Considerar a utilização de dispositivo intra-ósseo;
• Só coloque o cateter em área queimada se a extensão da queimadura
não permitir outra escolha. 14
Circulação
Tratamento do choque:
• O choque é um dos sintomas principais da fase aguda das
queimaduras;
• Restabelecimento e manutenção de volume líquido circulante;
• O tratamento consiste em repor líquidos perdidos;
• A via escolhida deve ser a periférica*;
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Quantificação da Superfície Corpórea Queimada
Circulação
– Tratamento do choque:
• Líquidos que devem ser repostos - solução cristalóides:
Ringer lactato ou solução hipertônica de NaCl 7,5% -
(queimadura pulmonar);
Colóides: plasma, sangue.
• Quantidade de líquidos: Fórmula de Parkland
2 a 4ml x SQC(%) x peso (Kg) (em 24 horas).
Controle de diurese:
Deverá ser através de cateter vesical, o volume deve se
manter entre 0,5mL/kg/h em adultos e, e em crianças até
30 kg - 1 ml/kg/h.
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Avaliação neurológica
• As alterações neurológicas relacionadas ás queimaduras estão
mais ligadas ás lesões elétricas, com passagem da corrente na
região da cabeça e cervical, podendo provocar convulsões ou
até fraturas de vértebras pela contração muscular;
• Vale lembrar que tanto os traumas associados quanto a
hipoxemia podem produzir alterações no estado neurológico do
queimado.
• Escore de coma de Glasgow;
• Pupilas.
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Exposição/ ambiente
• A remoção das vestes queimadas, principalmente as de tecidos
sintéticos, adornos, interrompe o processo de queimadura;
• Além disto, elas podem conter líquidos inflamáveis e produtos
químicos, e devem ser manipuladas com cuidado – lavar e aquecer o
paciente com manta laminada estéril;
• Lembre-se que o queimado tem uma predisposição à hipotermia, daí
arecomendação de evitar o uso de água/SF0,9% fria ou gelada –
queimadura química.
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Se não expor
adequadamente o
paciente pode ser
que não evidencie
todas as possíveis
lesões e situações de
agravo.
• Tratamento da dor:
– É de extrema importância para prevenir o choque neurogênico
que agrava o choque hipovolêmico;
– Administração de morfina, meperidina (diluída), IV;
– A dose deve ser avaliada conforme o peso e idade do paciente,
porém a sensibilidade individual determinará a dose.
• Prevenção de infecção:
– Prevenção de tétano;
– Anatox e imunoglobulina 250 U;
– Antibióticos.
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• Tratamento da área queimada:
– Aliviar e tratar os sinais e sintomas que surgem nas queimaduras:
dor, perda de líquidos, destruição de tecidos e infecção;
– O curativo local protege a lesão do meio ambiente – curativo seco
e estéril na emergência e, após, de acordo com protocolo local*;
– Rever a possibilidade de escarotomia/fasciotomia.
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Escarotomia
Diagnósticos de enfermagem
1) Déficit de volume de líquidos caracterizado pela perda de
líquidos pelas lesões e baixo volume urinário, relacionado á área
queimada;
2) Risco para infecção tendo como fator de risco o
comprometimento das defesas do organismo;
3) Integridade da pele prejudicada, caracterizado pela perda do
tecido e áreas lesionadas, relacionado á exposição aos agentes
lesivos;
4) Padrão respiratório ineficaz, relacionado queimadura de via
aérea ou região do tórax e caracterizado por modificações da
frequência e profundidade da erspiração;
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Diagnósticos de enfermagem
5) Dor aguda, caracterizada pelos descritores de dor, verbal ou
codificada e relacionada à lesão pela queimadura/escarotomia;
6) Perfusão tissular renal alterada, caracterizada pela diminuição
do volume urinário e perda volêmica, relacionado ao choque
hipovolêmico e ás lesões exsudativas;
7) Nutrição desequilibrada menos do que as necessidades
corpóreas, caracterizada pelas necessidades metabólicas maiores
e perda de peso, relacionada com a necessidade de cicatrização e
reconstrução dos tecidos lesados.
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Cuidados gerais de Enfermagem
• Monitorização multiparamétrica;
• Cateterização vesical e Balanço hídrico rigoroso;
• Controle de pressão venosa central PVC;
• Sondagem gástrica, prevenindo a distensão e a aspiração de
líquidos – quantificar drenagem;
• Cuidado com aporte calórico e pesar diariamente o paciente;
• Prevenção de úlcera de Curling através de administração de
drogas prescritas (Antagonista do receptor da
Histamina/H2, e antiácidos);
• Prevenção do TEV-TEP;
• Alinhamento corporal no leito, com alívio das compressões
sobre as saliências ósseas;
• Utilização de colchões com ajuste de pressão;
• Técnica asséptica na manipulação do grande queimado –
curativos*; 24
Cuidados gerais de Enfermagem
• Cuidado com perda de calor – manter temperatura corpórea;
• Manutenção de fixação adequada de tubos endotraqueais ou
sondas nasogástricas ou nasoenterais, cateteres diversos;
• Aspiração traqueal, avaliação de secreção;
• Acompanhar resultados de exames: Rx/Tomo tórax;
bioquímica, hemograma, coagulograma, função renal e
hepática, gasometria;
• Cuidados gerais na administração de
hemocomponente/hemoderivado;
• Cuidado especial com analgesia do paciente.
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