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Avaliação Imobiliária Unidade 2 Avaliação dos imóveis urbanos Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria NATHALIA ELLEN SILVA BEZERRA SILVIA CRISTINA DA SILVA AUTORIA Nathalia Ellen Silva Bezerra Formada em Direito e tenho experiência técnico-profissional nas áreas de Direito do Trabalho e de Direito Previdenciário. Também atuo como conciliadora e como advogada, tendo em vista a prática e a valorização dos meios alternativos de solução de conflitos. Ao longo da minha vida acadêmica, sempre demonstrei um grande interesse pela escrita. Dessa forma, espero que, por meio deste material e da experiência vivenciada, você consiga ampliar os seus conhecimentos e exercer uma vida profissional plena. Além disso, atualmente, sou mestranda do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Campina Grande. Silvia Cristina da Silva Mestre Interdisciplinar em Educação, Ambiente e Sociedade pela UNIFAE, tenho participação docente e discente no Mestrado em Análise do Discurso da Universidade Federal de Buenos Aires. Sou especialista em Docência do Ensino Superior e em Direito e Educação pela Faculdade Campos Elíseos, pós-graduanda em EAD pela Faculdade Campos Elíseos e graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela UNIFEOB. Sou vice-diretora Acadêmica da Agência Nacional de Estudos em Direito ao Desenvolvimento (ANEDD), especialista em Investigação de Antecedentes em instituições públicas e privadas, docente e conteudista em diversas instituições com cursos de graduação e de pós-graduação, elaboradora de questões para concursos públicos de várias organizadoras e degravadora, redatora, tradutora e intérprete da Língua Espanhola. Por isso, fomos convidadas pela Editora Telesapiens para integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes por poder ajudar você nesta fase de muito estudo e de muito trabalho. Conte conosco! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Aspectos legais da avaliação dos imóveis urbanos ..................... 10 Avaliação de imóveis: definição e características ...................................................10 Conceitos importantes para a avaliação imobiliária ............................11 Avaliação imobiliária dos imóveis urbanos: principais aspectos .................. 12 Conceitos importantes para a avaliação imobiliária de imóveis urbanos ................................................................................................................................ 14 Procedimentos básicos da avaliação de imóveis urbanos ........... 15 Métodos de avaliação dos imóveis urbanos .................................... 19 Aspectos introdutórios dos métodos de avaliação dos imóveis urbanos ................................................................................................................................................... 19 Método comparativo de dados de mercado .............................................................. 21 Método involutivo ...........................................................................................................................23 Método da renda .............................................................................................................................25 Método evolutivo.............................................................................................................................25 Variáveis e tipos de avaliações dos imóveis urbanos ..................27 Variáveis: o que são? .....................................................................................................................27 Variáveis das avaliações dos imóveis - aspectos gerais ....................................29 Tipos de variáveis na avaliação dos imóveis ............................................................. 30 Variáveis quantitativas ..............................................................................................32 Variáveis qualitativas .................................................................................................32 Variável proxy ..................................................................................................................34 Variável dicotômica ....................................................................................................34 Homogeneidade e estimativa de valor ..............................................36 Tratamento por fatores ou homogeneização de dados .................................... 36 Tratamento por fatores ou homogeneização ......................................... 39 Tratamento científico .................................................................................................43 7 UNIDADE 02 Avaliação Imobiliária 8 INTRODUÇÃO Agora que já conhecemos os aspectos introdutórios acerca das perícias e das avaliações, podemos adentrar no campo da avaliação dos imóveis urbanos com a intenção de entender os aspectos gerais que se relacionam a essa temática. A avaliação imobiliária pode ser empregada em vários setores cotidianos e com a intenção de atender demandas variadas, que podem ou não estar associadas a demandas judiciais, mas que no geral possuem como objetivo fixar o valor de determinado imóvel. Desta feita, ao longo dessa unidade iremos aprender quais são os aspectos gerais da avaliação dos imóveis urbanos, em seguida estudaremos os métodos de avaliação dos imóveis urbanos. Já no terceiro capítulo, o nosso foco será a compreensão acerca das variáveis e dos tipos de avaliação dos imóveis, para que, por fim, possamos entender os assuntos relativos a homogeneidade e a estimativa de valor dos imóveis urbanos. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Avaliação Imobiliária 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender os meandros legais que regem os imóveis urbanos. 2. Aplicar os métodos de avaliação dos terrenos e imóveis urbanos. 3. Categorizar os tipos e variáveis da avaliação de imóveis urbanos. 4. Processar a homogeneização de dados e estimar valores de mercado para um imóvel urbano. O conhecimento consiste em uma busca infinita em que todo aprendizado é válido de alguma forma! Então, vamos avançar na procura de melhorar os nossos aprendizados. Avaliação Imobiliária 10 Aspectos legais da avaliação dos imóveis urbanos OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de identificar os conceitos básicos e as características principais das perícias e das avaliações. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivadopara desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Avaliação de imóveis: definição e características Os imóveis são bens de consumo desejados por grande parte da população, pois eles são conhecidos pelo grande valor monetário e pela quantidade significativa de transações comerciais das quais podem ser objeto. Ainda que muito se discuta nos meios não acadêmicos sobre a venda e a compra de imóveis, essa é uma temática que requer certos conhecimentos, pois caso contrário os negócios firmados não terão um bom respaldo e poderão ter a sua segurança afetada de algumas formas. Desta feita, Viana (2019) enfatiza que as transações comerciais que envolvam imóveis urbanos para que sejam bem realizadas necessitam de um certo nível de conhecimento técnico, sendo interessante que tanto o vendedor, quanto o comprador sejam dotados dos mencionados conhecimentos para que nenhuma das duas partes saia prejudicada. Para que você possa entender de forma mais facilitada, imagine a situação em que você, aluno, possui a intenção de adquirir determinado imóvel, contudo, já que você ainda não conhece o mercado imobiliário, acaba pagando um valor superior ao valor de mercado na casa que deseja adquirir, essa por si só já é uma situação complexa e capaz de causar prejuízos e desconfortos ao comprador. Todavia, imagine agora que em razão da frustração com a compra você decide vender o mencionado imóvel e para isso, ainda sem entender muito bem como funciona o Avaliação Imobiliária 11 mercado financeiro, fixa o valor da casa como igual ou superior ao valor de compra, porém o imóvel não é vendido, em razão da ausência de ofertas. Situações como a narrada no exemplo anterior acontecem com uma frequência maior do que a imaginada, por isso é de suma importância que profissionais devidamente habilitados sejam contratados para realizar e auxiliar as transações comerciais que envolvem imóveis, principalmente, quando existe a necessidade de que o valor do mesmo seja estabelecido. A contratação do avaliador de imóveis garante que a avaliação de um bem será feita de maneira adequada, assim como assegura que a transação seja justa para todos os envolvidos (VIANA, 2019). Em conformidade com Alves (2005), a avaliação de imóveis, urbanos e rurais se faz presente na maior parte dos negócios, assim como nas discussões e pendências interpessoais e sociais relativos a todas as sociedades e as comunidades que envolvem as mesmas, assim essa avaliação poderá ser utilizada na compra ou na venda de casa, lojas, indústrias, na fixação do valor do aluguel, na reavaliação dos ativos, entre tantas outras situações. A ABNT NBR 14653 é a incumbida por abordar as normas relativas à avaliação de bens sendo que seu texto traz disposições acerca dos procedimentos gerais, imóveis urbanos, imóveis rurais, empreendimentos, máquinas equipamentos, instalações e bens industriais em geral, avaliação de bens, bens de patrimônios histórico e artísticos. Assim, as determinações presentes na mencionada norma são dotadas de caráter e uso obrigatório. Conceitos importantes para a avaliação imobiliária O conhecimento de certos termos é de suma importância para a compreensão geral da avaliação imobiliária, além disso a sua utilização também estará presente no campo da avaliação imobiliária urbana, sendo esse mais um motivo que justifica a relevância do entendimento acerca deles. Assim, levando em consideração as disposições presentes na NBR 14653-1, o custo pode ser entendido como o total gasto, de maneira direta Avaliação Imobiliária 12 ou indireta, para aquisição ou produção de um determinado bem, na medida em que o preço é a “quantia pela qual se efetua, ou se propõe efetuar, uma transação envolvendo um bem, um fruto ou um direito sobre ele” (NBR 14653-1, p. 5, 2011). Segundo Viana (2019), o valor pode ser entendido como um conceito econômico dependente de outros fatores, por isso para que o mesmo seja fixado é preciso que as características do bem, as suas utilidades e condições de oferta e procura sejam levados em consideração. A mencionada autora ainda destaca que o valor de mercado será entendido como a quantia mais provável através da qual um bem poderá ser negociado perante o mercado de negócio. Vale ainda salientar que essas são apenas algumas das definições apresentadas pela NBR responsável por tratar acerca da avaliação imobiliária de forma geral, já que não seria interessante abordar todas no presente capítulo, contudo recomenda-se que para um melhor entendimento sobre o tema esses conceitos sejam lidos na íntegra e com a devida atenção, pois serão fundamentais para que os próximos assuntos sejam compreendidos e para que a avaliação imobiliária seja efetuada de forma correta na prática profissional do aluno em formação. Avaliação imobiliária dos imóveis urbanos: principais aspectos No presente capítulo iremos nos ater às avaliações relativas aos imóveis urbanos, desta feita iremos estudar, durante este capítulo, algumas das principais disposições presentes na parte da mencionada NBR, já que nessa seção são apresentados os procedimentos e as regras a serem seguidos quanto à realização da avaliação imobiliária dos imóveis urbanos. Assim, a NBR 14653-2 estabelece como necessários alguns procedimentos para que a avaliação dos imóveis seja bem-sucedida, ainda no momento em que está apresentando o escopo da mesma, dessa forma os procedimentos a serem seguidos envolvem: a) classificação da sua natureza; b) instituição de terminologia, definições, símbolos Avaliação Imobiliária 13 e abreviaturas; c) descrição das atividades básicas; d) definição da metodologia básica; e) especificação das avaliações e f) requisitos básicos dos laudos de avaliação. Desta feita, a avaliação de imóveis pode ser compreendida como um relatório que será formulado com base em conhecimentos técnicos e científicos destinado a avaliação dos bens, assim a avaliação irá resultar em um laudo, que terá como principal finalidade atribuir valor ao imóvel em questão. A importância da avaliação dos imóveis urbanos está relacionada com o fornecimento de segurança para grande parte das relações e dos negócios estabelecidos pelos humanos, tendo como foco aqueles que possuem os imóveis urbanos como objeto. Alves (2005) destaca que frequentemente os imóveis são dados como garantias reais em empréstimos efetuados com instituições financeiras, assim essa é apenas uma das hipóteses em que a necessidade do estabelecimento de valor para os imóveis ganha importância na vida prática cotidiana. Dessa forma, e levando em consideração o conceito de valor apresentado no tópico anterior, é notável que os valores dos imóveis dependem de fatores externos e internos para que possam ser fixados. Nesse contexto, Alves (2005), determina que: O valor de um imóvel pode ser subjetivo dependendo das circunstâncias e modo de avaliação. Por outro lado, o valor de um imóvel é dado pela soma dos valores da edificação e pelo valor do terreno, que depende da sua localização. No entanto, o valor de um bem não pode ser confundido com o preço do bem, que representa a quantidade de dinheiro paga pelo mesmo, o que depende da lei da oferta e da procura. (ALVES, 2005, p. 4) Assim, verifica-se que o conceito relativo ao valor de um bem é dotado de caráter subjetivo e intuitivo, e precisa, de fato, levar em consideração alguns critérios para que seja fixado, mas também dependerá das circunstâncias relacionadas ao vendedor ou ao comprador de um determinado, podendo ainda sofrer variações perante o mercado que esteja inserido. Nesse sentido, Alves (2005) destaca que: Avaliação Imobiliária 14 Quando o mercado permanece estável por um longo período, o preço e a quantidade acabam sendo negociados através da oferta e procura. Toda a subjetividade e intuição que leva os participantes do mercado atentar suprir sua satisfação, tornam-se, portanto em quantidades vendidas e ofertadas e seus respectivos preços. Logo, o preço estabelecido pelo mercado é considerado uma representação justa do valor do bem analisado. (ALVES, 2005, p. 8-9) O valor de um bem também pode ser entendido como um fenômeno social, pois é composto por diversas variáveis que atinge desde as suas características físicas, utilidade e fatores subjetivos vinculados ao mesmo. Conceitos importantes para a avaliação imobiliária de imóveis urbanos Da mesma maneira que a norma geral acerca da avaliação de bens apresenta alguns conceitos principais importantes para o entendimento dos assuntos que serão abordados em seu texto, bem como que são utilizados na prática das avaliações, a parte específica que se destina a avaliação de imóveis urbanos também o faz. A avaliação dos imóveis urbanos além de fazer uso dos termos que estão presentes na norma geral (NBR 14653-1) também irá utilizar aqueles termos e definições específicas presentes no tópico 3 da NBR 14653-2. Nesse sentido, alguns daqueles entendidos como principais foram destacados no quadro a seguir: Quadro 1 - Termos e definições da NBR 14653-2 Avaliação Imobiliária 15 Fonte: Elaborado pelas autoras com base na NBR 14653-2 (2010). Cabe ainda salientar que as definições apresentadas no quadro acima não se referem à totalidade apresentada na NBR em estudo, mas apenas aquelas que entende-se como as mais importantes, por isso recomenda-se que a leitura dos termos e definições presentes no tópico 3 sejam lidos em sua integralidade para que uma formação e aprendizado mais completo sejam conferidos ao aluno. Procedimentos básicos da avaliação de imóveis urbanos Além dos conceitos apresentados no tópico anterior, a NBR 14653-2 aborda outras determinações de suma importância para que a avaliação imobiliária seja realizada. Assim, no que se refere às atividades básicas, a norma recomenda que o engenheiro das avaliações precisa ser contratado para que possa ser designado para fazer certas avaliações. Além disso, será preciso esclarecer alguns aspectos essenciais para que os métodos de avaliação sejam devidamente definidos. Avaliação Imobiliária 16 Figura 1 - Finalidade da avaliação imobiliária urbana Doação em pagamento PermutaAlienação Aquisição DoaçãoLocação Adjudicação OutrosGarantia Fonte: Elaborado pelas autoras com base na NBR 14653-2 (2010). Além disso, a NBR 14653-2 determina que a avaliação dos imóveis urbanos possui como objetivo principal determinar o valor de mercado de compra e venda ou de locação, assim irá levar em consideração questões como o valor em risco, o valor patrimonial, o custo de reedição, o valor de liquidação, dentre outros. Dessa forma, antes e durante o momento em que a avaliação imobiliária está sendo feita o avaliador precisa se atentar a alguns critérios, que como já vimos, podem interferir na definição do valor do bem. Alguns exemplos que podem esclarecer dúvidas sobre o tema se referem a pontos importantes a serem analisados no momento em que a avaliação do imóvel for estabelecida. O primeiro se refere a conferir se o imóvel está localizado próximo a transporte público ou aos principais comércios e serviços da região, bem como de espaços destinados ao lazer e que tenham um bom acesso a natureza, já que esses são aspectos capazes de conferir aos seres humanos uma maior qualidade de vida e, portanto, é atrativa para os mesmos. Diante disso, quanto maior o número de elementos capaz de oferecer uma boa qualidade de vida ou atender uma quantidade maior de necessidades básicas ou interesses, maior será o valor do bem. Além disso, não é apenas a localidade ou os aspectos geográficos que podem interferir nessa definição, precisando também ser avaliados questões como crises econômicas, desvalorização da moeda nacional e inflação. Avaliação Imobiliária 17 Outros fatores importantes nessa determinação envolve a quantidade de poluição sonora, que quando elevada poderá reduzir o valor do imóvel, bem como as taxas de criminalidade e violência e as questões relativas à estrutura, sendo que nesse aspecto entram os imóveis que estão situados em áreas pavimentadas e que possuem saneamento básico. A documentação necessária para que a avaliação imobiliária urbana seja realizada são os mesmos que constam na NBR 14653-1, ou seja, caberá ao engenheiro solicitar os documentos necessários ao proprietário, contratante ou interessado para que a avaliação do imóvel seja realizada. No que se refere à legislação a ser obedecida na realização da avaliação do imóvel, além das normas NBR 14653-1 e NBR 14653- 2, algumas leis precisam ser obedecidas para tanto, os avaliadores necessitam estar atentos às legislações existentes a nível local, estadual ou federal, assim como deverá se ater às demais restrições ou incentivos que possam gerar influências e/ou impactos para a determinação do valor do imóvel. Em resumo, a avaliação do imóvel é efetuada em cinco passos, conforme disposições presentes na NBR 14653-2. A primeira é referente à análise e vistoria, momento em que será efetuado um levantamento dos dados que influenciarão o mercado e o valor do bem de alguma forma, a segunda etapa envolverá a pesquisa de mercado, momento em que o valor do bem será comparado aos valores comerciais de outros imóveis semelhantes a aquele que está sendo vendido. Já o terceiro passo irá estabelecer uma média do valor do metro quadrado das amostras, para que em seguida, no quarto passo, seja gerada uma média final do valor do metro quadrado e ao final, quinto passo, chegue-se a um valor médio final. Avaliação Imobiliária 18 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as avaliações dos bens podem ser utilizadas no cotidiano humano com a intenção de atingir uma variedade de objetivos, sendo que o mesmo se repete dentro do campo específico de atuação da avaliação imobiliária de imóveis urbanos. Assim, aprendemos que a NBR 14653-2 é a responsável por trazer as principais determinações e normatizações acerca desse tipo de avaliação, diante disso aprendemos quais são os principais conceitos existentes nessa modalidade de avaliação imobiliária, assim como passamos a compreender as suas finalidades e objetivos. Por fim, estudamos os cinco passos necessários para que a avaliação imobiliária, sendo esses: análise e vistoria; pesquisa de mercado; definição da média do valor do metro quadrado das amostras; estabelecimento da média final do valor do metro quadrado e determinação do valor médio final, respectivamente. Avaliação Imobiliária 19 Métodos de avaliação dos imóveis urbanos OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de explicar os métodos de avaliação dos terrenos e imóveis urbanos. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Aspectos introdutórios dos métodos de avaliação dos imóveis urbanos No capítulo anterior aprendemos que a NBR 14563-1 e 2 são as responsáveis por abordar as normas acerca da avaliação dos bens de forma geral e a avaliação dos bem imobiliários urbanos, respectivamente. Além das informações gerais e das apresentações de alguns conceitos básicos, as normas em questão também determinam e recomendam alguns métodos que irão ser adequados para a determinação do valor de um imóvel, sendo que o avaliador deverá optar pelo método de forma fundamentada, ou seja, deverá considerar as particularidades e as dificuldades que estarão relacionadas à sua execução. Existem diversos métodos de avaliação de imóveis, representados pela figura 2, sendo que essas tipologias apresentam ainda característicasvariáveis e que irão se adequar aos fatores a serem aplicados em cada situação específica, desta feita os imóveis podem ser considerados como ativos heterogêneos. Os métodos de avaliação dos imóveis são distintos, pois a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) apresenta vários métodos com a intenção de que os mesmos se adequem a diferentes tipos de propriedades e as diversas situações em que os mesmos estão inseridos. Avaliação Imobiliária 20 Dessa forma, no presente capítulo iremos estudar aqueles métodos entendidos como os de maior destaque, contudo não podem ser entendidos como os únicos a serem utilizados na avaliação de imóveis urbanos, já que existem outras variações advindas e relacionadas aos mesmos. Figura 2 – Métodos de avaliação de imóveis Método evolutivo Método de renda Métodos Método involutivo Método comparativo de mercado Fonte: Elaborado pelas autoras com base na NBR 14653-2 (2010). Nesse sentido, a avaliação de imóveis precisa ser realizada por um profissional devidamente habilitado e que tenha conhecimento aprofundado acerca da aplicação dos diversos métodos de avaliação de imóveis para que consiga identificar qual é o método adequado a ser utilizado em cada situação. Avaliação Imobiliária 21 Método comparativo de dados de mercado O primeiro método a ser destacado na construção do nosso conhecimento é o denominado como método comparativo de dados de mercado, sendo esse considerado como o mais exato e importante, já que o mesmo, sempre que possível, poderá ser utilizado na elaboração do laudo de avaliação dos imóveis urbanos e rurais, assim o mesmo também deverá seguir as normas apresentadas pela NBR 14563-2. Nesse sentido, o presente método sempre deverá ser preferido quando houver essa possibilidade, principalmente, quando o assunto em questão envolver a etapa de identificação do valor de mercado. O método comparativo direto de dados de mercado é utilizado para identificar o valor de mercado do bem através do qual o tratamento técnico seja atribuído aos elementos comparáveis, sendo os mesmos integrantes e constituintes da amostra. A utilização do método comparativo direto dos dados de mercado é mais frequente quando se refere aos imóveis residenciais e aos comerciais, podendo ainda ser usados em outras situações, porém de forma menos recorrente. O método comparativo, para ser colocado em prática irá depender de que o avaliador tenha conhecimentos necessários acerca do mercado local, pois para que o valor do bem que está sendo avaliado seja fixado, tais valores irão servir como base. Assim, o avaliador não poderá esquecer que no momento de determinação do valor de um imóvel, não é apenas o valor venal que será fixado, havendo também a necessidade de que os fundamentos sejam demonstrados e analisados de maneira a fornecer explicações acerca de como as conclusões foram alcançados, tendo como intenção atender e satisfazer o juiz, o cliente ou a instituição que solicitou o serviço, além disso também será capaz de oferecer as condições de julgar a confiabilidade do trabalho e do valor determinado. A NBR 14653-2 define que entre as fases da avaliação que opta pelo método comparativo está a realização do planejamento da pesquisa que envolve compor uma amostra que representa os dados de mercado, Avaliação Imobiliária 22 englobando as características dos imóveis para que uma melhor do avaliação seja prestada. Dessa forma, em primeiro lugar será efetuada a caracterização e a delimitação do mercado em análise, levando em consideração tanto as teorias, quanto os conceitos existentes acerca da avaliação em questão, sem ignorar as hipóteses que resultem das experiências adquiridas pelo avaliador, ou seja, aquelas que envolvam a experiência do mesmo, os seus conhecimentos técnicos e aqueles que foram adquiridos em decorrência do exercício prático da profissão. Assim, a NBR 14653-2 determina que o levantamento de dados de mercado: O levantamento de dados tem como objetivo a obtenção de uma amostra representativa para explicar o comportamento do mercado no qual o imóvel avaliando esteja inserido e constitui a base do processo avaliatório. Nesta etapa o engenheiro de avaliações investiga o mercado, coleta dados e informações confiáveis preferentemente a respeito de negociações realizadas e ofertas, contemporâneas à data de referência da avaliação, com suas principais características econômicas, físicas e de localização. (NBR 14653-2, p. 15, 2010) A estruturação da pesquisa irá envolver basicamente duas etapas principais: a primeira faz menção à variável dependente, por meio da qual é efetuada a investigação do mercado envolvendo a conduta e as formas de expressão dos preços, já a segunda levará em consideração as variáveis independentes que irá fazer referência às características físicas, a localização e as questões econômicas. Além disso, também mencionará a estratégia que, por sua vez, terá relação com a abrangência da amostra e das técnicas serem utilizadas perante a coleta de dados. Nesse sentido, a NBR 14653-2 estabelece que: 8.2.1.2.1 Variável dependente. Para a especificação correta da variável dependente, é necessária uma investigação no mercado em relação à sua conduta e às formas de expressão dos preços (por exemplo, preço total ou unitário, moeda de referência, formas de pagamento), bem como observar a homogeneidade nas unidades de medida. Avaliação Imobiliária 23 8.2.1.2.2 Variáveis independentes. As variáveis independentes referem-se às características físicas (por exemplo, área, frente), de localização (como bairro, logradouro, distância ao pólo de influência, entre outros) e econômicas (como oferta ou transação, época e condição do negócio – à vista ou a prazo). As variáveis devem ser escolhidas com base em teorias existentes, conhecimentos adquiridos, senso comum e outros atributos que se revelem importantes no decorrer dos trabalhos, pois algumas variáveis consideradas no planejamento da pesquisa podem se mostrar pouco relevantes na explicação do comportamento da variável explicada e vice-versa. (NBR 14653-2, p. 15, 2010) Nesse contexto, a construção de uma amostragem é de suma importância para que o método comparativo seja bem-sucedido, afinal para que a comparação seja realizada, como o próprio nome indica, é necessário que se tenha com que efetuar a comparação, assim quanto maior for a amostragem e mais representativa melhor será a avaliação, dessa forma os elementos a que o bem, no caso, o imóvel está sendo comparado deve conter características semelhantes ao mesmo. Método involutivo O segundo método a ser estudado é o denominado como involutivo, sendo o mesmo incumbido por efetuar a identificação do valor de mercado do imóvel urbano tendo como base um modelo de estudo de viabilidade técnico-econômica, assim será efetuado também por meio de uma comparação, porém aqui a mesma será feita com um empreendimento de caráter hipotético que possuirá características compatíveis as do bem e as condições de mercado em que o mesmo está inserido. Por sua vez, o método de viabilidade técnico-econômica direcionado para a determinação do terreno, também precisa levar em consideração alguns critérios, sendo os mesmos embasados no aproveitamento eficiente e nas condições de mercado. No que se refere ao projeto hipotético, o engenheiro precisará considerar o aproveitamento eficiente a partir da utilização de recomendações e técnicas adequadas ao local, tendo como base a Avaliação Imobiliária 24 data de referência em que a avaliação está sendo efetuado, assim como as tendências de mercado relativas à localização em que o imóvel se encontra, sem deixar de lado as regulamentações legislativas. Assim, a NBR 14653-2 (2010, p. 18), determina que “a concepção do projeto hipotético, o engenheiro de avaliações deve verificar o aproveitamentoeficiente para o imóvel avaliando”. Costa (2019) afirma que o método involutivo é o mais utilizado pelas construtoras e incorporadoras, consistindo na precificação da propriedade em conformidade com o aproveitamento do terreno. Dessa forma, o profissional irá analisar o espaço considerando os rendimentos que poderão serão auferidos pela construtora a partir do bem que está sendo avaliado, por meio de um exemplo, o avaliador irá analisar as características do imóvel para então determinar quanto as salas comerciais e os apartamentos de determinado prédio irão auferir para a construtora. Assim, é por meio dessa avaliação que o proprietário terá como base o lucro que poderá obter do empreendedor, assim como as despesas de comercialização e a remuneração que será atrelada ao mesmo. As despesas adicionais que serão consideradas, em conformidade com o disposto na NBR 14653-2 serão aquelas relativas à compra do imóvel, a administração do empreendimento, englobando nesses aqueles destinados a vigilância, os impostos, taxas e seguros, bem como os referentes a publicidade. Figura 3 - Modelos de avaliação do método involutivo Fluxos de caixa específicos Aplicação de modelos simplificados dinâmicos Aplicação de modelos estáticos Fonte: Elaborado pelas autoras com base na NBR 14653-2 (2010). Salienta-se ainda que, em conformidade com a mencionada norma, a avaliação poderá ser realizada com base na utilização dos modelos apresentados na figura 3, obedecendo a ordem ilustrada na mesma. Avaliação Imobiliária 25 Método da renda Por sua vez, o método de renda não possui tanta aplicação prática, porém ainda é considerado como comum no mercado imobiliário, sendo a avaliação imobiliária de imóveis urbanos que irá considerar o valor de renda gerado pela propriedade. Costa (2019) estabelece que esse é um método que possui pouca aplicação no que se refere à propriedade das residências, mas que é comumente aplicado perante a avaliação de imóveis hospitalares, universidades, escolas, entre outros. Nesse sentido, o método de renda irá considerar no momento da avaliação dos imóveis a capitalização relativa à renda líquida, real ou presumida, assim os principais aspectos relacionados a esse método envolvem a definição do período de capitalização e a utilização da taxa de desconto. Em aspectos práticos, esse método de avaliação irá determinar o valor do bem e em seguida deduzirá do mesmo as despesas necessárias para a sua manutenção e operação. Método evolutivo Por fim, o último método a receber destaque no estudo do presente capítulo é aquele denominado como método evolutivo, sendo esse incumbido por efetuar a identificação do valor do bem a partir da soma dos valores que o compõe. Esse método foi deixado por último em razão de suas próprias características, já que quando nenhum dos outros métodos apresentados tiverem aplicação o escolhido será este, já que a sua escolha implica na inexistência de dados de mercado suficientes para que a aplicação do método comparativo direto de dados de mercado seja efetuado. Assim, em conformidade com a NBR 14653-2 (2010, p. 20) “a composição do valor total do imóvel avaliando pode ser obtida através da conjugação de métodos, a partir do valor do terreno, considerados o custo de reprodução das benfeitorias devidamente depreciado e o fator de comercialização”, representado por meio da fórmula a seguir: Figura 4 - Cálculo do método evolutivo [VT + VB] x FC = VI Fonte: Elaborado pelas autoras com base na NBR 14653-2 (2010). Avaliação Imobiliária 26 No qual VI corresponde ao valor do imóvel, VT é relativo ao valor do terreno, VB é o valor da benfeitoria, na medida em que FC é o fator de comercialização. Salienta-se ainda como já mencionado anteriormente, que esses métodos apresentados são aqueles entendidos como os principais na avaliação dos imóveis urbanos, contudo não são os únicos. Assim, para que mais detalhes acerca dos presentes métodos sejam aprendidos, bem como para que os demais métodos possam ser analisados recomenda- se a leitura da NBR 14653-2 em sua integralidade, sendo dada uma maior atenção para os pontos já destacados ao longo desta unidade. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que na avaliação dos imóveis urbanos existem quatro principais métodos de avaliação, sendo estes: método comparativo direto de dados de mercado, método involutivo, método de renda e método evolutivo. O método comparativo será aquele efetuado a partir da comparação entre imóveis que apresentem características semelhantes. Dessa forma, é necessário que exista uma amostragem significativa para que a mesma seja efetuada de forma positiva e tenha resultados satisfatórios. O segundo método que estudamos, denominado como involutivo, identifica o valor de mercado, bem como a base no modelo de estudo de viabilidade técnico-econômico, que levará em consideração o hipotético empreendimento compatível com as características que estão sendo avaliadas e com as condições de mercado em que está inserido. Quanto ao método de renda, os principais aspectos relacionados a esse envolvem a definição do período de capitalização e a utilização da taxa de desconto. O último método apresentado e denominado como evolutivo identificará o valor do bem a partir do somatório dos valores dos seus componentes. Avaliação Imobiliária 27 Variáveis e tipos de avaliações dos imóveis urbanos OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de descrever as variáveis e os tipos de avaliações relativas a um bem imóvel. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Variáveis: o que são? Querido aluno, a nossa vida cotidiana está exposta a uma variedade de fenômenos significativos, assim a observação acerca deles pode ter como resultado um conjunto variável de possíveis resultados, assim o conceito de variável para Duarte (2019) pode ser qualquer quantidade, qualidade, tamanho que determinado coisa possa atingir. Em conformidade com a definição apresentada pelo Dicionário On-line de Português, o termo variável pode ser definido como “que pode variar, que se altera, muda; mutável: personalidade variável”, além disso também pode assumir a definição daquilo que é alvo de diversas e constantes variações e que, portanto, é relacionado a instabilidades e inconstâncias. O dicionário on-line em questão enfatiza ainda que variável também pode ser entendido como “que assume variados aspectos e formas dependendo do contexto em que se encontra, do propósito que possui: estilo variável”. Em outras palavras, as variáveis não podem ser associadas a aspectos estáveis, pelo contrário, são dinâmicas e associadas a modificações. Dessa forma, aquilo que é analisado com base nas mesmas pode ser alterado, na medida em que as variáveis também passarem por transformações. Um exemplo prático seria pensar nas evoluções referente aos direitos conquistados pelas mulheres na luta pela igualdade, se formos avaliar o contexto e as funções de trabalho e de salários recebidos pelas mulheres há 20 anos atrás e as existentes na atualidade, verificaremos um cenário Avaliação Imobiliária 28 bastante diferente, ainda que a desigualdade de gênero exista houve uma redução da mesma e um aumento de manifestações contrárias à sua existência. As variáveis podem ser aplicadas nas mais diversas áreas, sendo moldadas às necessidades de cada campo. Dessa forma, no meio matemático estará direcionada para a medição de valores numéricos, assim a variável será entendida como um tipo de classificação ou uma forma de medir aquilo que está sendo estudado. Figura 5 - Tipos de variáveis Variável FísicaRelativo a alterações de tamanho e de grandeza. Variável Linguística Constituída por elementos linguísticos que passam por alterações a depender da cultura e da sociedade em que estejam inseridos. Variável Informática Modificações referentes a execução de programas. Variável Lógica Símbolo que não apresenta significado determinado e que pode ser substituído por outras preposições ou termos. Variável Matemática Atribui distintos valores e integra um conjunto. Variável Gramatical Referente à palavra que varia em conformidade com a relação gramatical ou que seja suscetível a flexões. Fonte: Elaborado pelas autoras com base no Dicionário Online de Português. A figura 5 apresenta alguns dos tipos de variáveis, contudo essas tipologias não se resumem apenas às expostas. As variáveis também são aplicadas perante a avaliação dos imóveis urbanos e rurais, adotando as características e os aspectos necessários para que os valores dos bens sejam devidamente fixados. As variáveis podem ser definidas como quantitativas ou qualitativas, as primeiras serão relativas aos valores fornecidos em números, como idade, peso, quantidade de filhos, entre outros, já as variáveis qualitativas Avaliação Imobiliária 29 serão aquelas que não são expressas em valores numéricos, contudo dependem de características, como o sexo, a cor dos olhos, a etnia, o gênero sexual, entre outros. Variáveis das avaliações dos imóveis - aspectos gerais O campo da engenharia destinado à avaliação dos imóveis é denominado como Engenharia de Avaliações, sendo essa a especialização necessária para que os engenheiros possam desempenhar a função de avaliador e possuir a capacidade de identificar de forma eficiente o valor de um dado patrimônio. Cabe ainda relembrar que o fato de um imóvel já ter sido avaliado, não exclui a possibilidade de que novas avaliações sejam feitas eternamente, tendo em vista que os imóveis podem passar por deteriorações e melhorias, assim como o valor do patrimônio poderá ser alterado em épocas distantes e em decorrências de outros aspectos que já foram citados em momento anterior. Nesse sentido, Brenner (2005) ao discutir acerca das variáveis presentes na dinâmica presente na avaliação imobiliária estabelece que: A dinâmica imobiliária e a estruturação do espaço não ocorrem de forma homogênea, o que provoca um processo de valorização diferenciado. Nas regiões que estão em desenvolvimento, os imóveis podem sofrer valorizações, enquanto outras, estagnadas, podem sofre desvalorizações. Esta constatação impossibilita que se adotem índices genérico de valor para uma região ampla, na medida em que força uma homogeneidade que não existe no mercado imobiliário. (BRENNER, 2005, p. 6) As modificações presentes no meio urbano acontecem de forma constante e contínua, assim o mercado de imóveis precisa se adaptar e passar por ajustes para estar em acordo com as modificações ocasionadas, por isso é necessário que atualizações constantes sejam feitas, caso contrário, a validade da avaliação poderá ser questionada. Exemplificando: Imagine a situação em que você adquiriu um imóvel no ano de 2010 e, na época da compra, preocupado com o estado do imóvel, bem como tendo conhecimento da importância de uma avaliação Avaliação Imobiliária 30 imobiliária, contratou um avaliador para que os devidos serviços lhe fossem prestados. Ao passar dos anos o seu interesse em morar naquela região foi modificado, já que agora o seu trabalho fica muito longe da mencionada localização e você vem tendo um desgaste significativo. Em razão disso, resolve alugar o imóvel em questão, assim para que o preço do aluguel seja fixado em conformidade com o valor do imóvel, você pode fazer como uso a avaliação efetuada há dez anos? A resposta correta para esse questionamento seria negativa, já que as condições do imóvel em 2010 são diferentes das presentes em 2020, assim como o mercado financeiro e econômico, então o mais acertado seria a realização de uma nova avaliação imobiliária para que a correção do valor com base em índices de inflação e outros fatores fosse efetuada. Ainda em conformidade com Brenner (2005), podemos chegar à conclusão de que as principais dificuldades da avaliação dos imóveis são decorrentes das características especiais dos imóveis, já que esses não são bens homogêneos e sim formados por um vasto conjunto de atributos, que dificulta a comparação direta das unidades (razão pela qual aprendemos no capítulo anterior que para o método comparativo ser aplicado é necessário que a amostragem seja bem construída). Tipos de variáveis na avaliação dos imóveis Aprendemos até aqui que a NBR 14653-2 é a norma responsável por estabelecer as regras relativas à realização das avaliações dos imóveis urbanos, dentre as diversas determinações apresentadas pela norma em questão, a mesma ainda apresenta alguns tipos de variáveis a serem aplicadas nas avaliações dos imóveis. No capítulo anterior, quando estudamos o método comparativo de valores de mercado nos foram apresentados dois tipos de variáveis a serem utilizadas no momento da identificação das variáveis do modelo, sendo essas denominadas como variável dependente e variável independente. Assim, vale relembrar que a variável dependente será aquela necessária para a investigação do mercado quando se refere a conduta e as formas de expressão dos preços, levando ainda em consideração os fatores de homogeneidade presente nas unidades de medida, já a variável independente será aquela que faz Avaliação Imobiliária 31 menção as características físicas, a localização e aos aspectos econômicos, em conformidade com o disposto na NBR 14653-2. Em conformidade com Brenner (2005), sob a ótica da engenharia das avaliações, a variável dependente pode ser entendida como o valor que é praticado no mercado, na medida em que as variáveis independentes se referem às características destacadas acima, aspectos físicos como, por exemplo, quantidade de banheiros, de quartos, tamanho da cozinha, a localização, que levará em conta o bairro, a rua, distância para locais mais centrais, e o aspecto econômico está relacionado a lei da oferta e procura, época da venda, condições do negócios e assim por diante. Assim, considerando o exposto na mencionada norma, bem como os ensinamentos apresentados por Pelli (2003), perante a engenharia das avaliações as variáveis serão compreendidas como representações das características atribuídas aos imóveis, sendo que as mesmas se dividem em quatro tipos, sendo esses: 1) variáveis quantitativas; 2) variáveis qualitativas; 3) variáveis proxy; e 4) variáveis dicotômicas. Figura 6 - Tipos de variáveis na avaliação dos imóveis ProxyQualitativas Variáveis Dicotômicas Quantitativas Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Pelli (2003). Avaliação Imobiliária 32 As mencionadas variáveis serão melhor explicadas em tópicos específicos para que a compreensão delas fique mais clara. Então, vamos em frente! Variáveis quantitativas Em conformidade com a NBR 14653-2, as variáveis quantitativas podem ser compreendidas como aquelas que podem ser medidas ou contadas. Assim, em conformidade com Pelli (2003), essas variáveis representam os valores contáveis dos atributos, por isso são dotadas de objetividades e podem ser sempre associadas com as variáveis chaves do processo. Alguns exemplos que podem ser dados de variáveis quantitativas referentes à avaliação do imóvel são: número de quartos; número de banheiros; número de vagas na garagem; área privativa; o tamanho em metros da sala de jantar, entre outros. Assim, verifica-se que todos os exemplos em questão podem ser contados, ou seja, ao avaliar a casa observaremos de forma numérica se a mesma apresenta dois ou três quartos, sendo esses aspectos que irão promover interferências no valor do bem avaliado. Variáveis qualitativasAs variáveis qualitativas, por sua vez, não podem ser contadas, assim não apresentam valores objetivos, mas são caracterizadas a partir de valores abstratos, já que não há possibilidade de se realizar a sua medição ou contagem, todavia essas variáveis podem ser ordenadas, hierarquizadas e codificadas. Para isso irão considerar os atributos inerentes ao bem. No que se refere à quantificação das variáveis qualitativas, segundo Brenner (2005), é necessário que seja estabelecida alguma forma de codificação das mesmas, pois ao serem transformadas em códigos, também poderão ser convertidas em números e, consequentemente, passarão a ser contabilizadas. Avaliação Imobiliária 33 Figura 7 - Distinção entre variável qualitativa e variável quantitativa Pode ser contada e medida Valor objetivo Não pode ser contada e medida Valor abstrato Quantitativa Quantitativa Variável Fonte: Elaborado pelas autoras com base na NBR 14653-2 (2010). Na medida em que os exemplos das variáveis quantitativas se relacionam ao número de cômodos ou a metragem de determinado espaço da casa, as variáveis qualitativas terão como base os atributos inerentes do bem, como, por exemplo, o padrão que foi utilizado em sua construção, o estado de conservação em que o imóvel se encontra, a qualidade do solo em que o mesmo está situado, dentre outros. Existem diferenças qualitativas referentes às características dos imóveis, assim as mesmas poderão ser especificadas devem obedecer a ordem a seguir: a) pelo emprego de tantas variáveis dicotômicas quantas forem necessárias, especialmente quando a quantidade de dados for abundante e puderem ser preservados os graus de liberdade necessários à modelagem estatística definidos nesta Norma (por exemplo, aplicação de condições booleanas do tipo “maior do que” ou “menor do que”, “sim” ou “não”); b) pelo emprego de variáveis proxy6, por exemplo: custos unitários básicos de entidades setoriais, para expressar padrão construtivo; índice fiscal, índice de desenvolvimento humano, renda média do chefe de domicílio, níveis de renda da população, para expressar localização; coeficientes de depreciação para expressar estado de conservação das benfeitorias; valores unitários de lojas em locação para expressar a localização na avaliação de lojas para venda; Avaliação Imobiliária 34 c) por meio de códigos ajustados, quando seus valores são extraídos da amostra com a utilização dos coeficientes de variáveis dicotômicas que representem cada uma das características. O modelo intermediário gerador dos códigos deve constar no laudo de avaliação (ver A.7); d) por meio de códigos alocados construídos de acordo com A.6. (NBR 14653-2, p. 15) Ainda no que se refere às variáveis quantitativas e qualitativas, a NBR 14653-2 estabelece que deverá ser dada preferência às variáveis quantitativas quando houver a necessidade de escolha, já que em razão da objetividade atrelada a elas é mais fácil realizar uma avaliação com base em seus critérios. Variável proxy Já a variável proxy será utilizada na substituição de outras variáveis que sejam de difícil mensuração, todavia não é qualquer variável que poderá ser substituída, mas apenas aquelas que apresentam certo nível de relação de pertinência com a variável original. Nos termos da NBR 14653-2 a variável proxy será “utilizada para substituir outra de difícil mensuração e que se presume guardar com ela relação de pertinência, obtida por meio de indicadores publicados ou inferidos em outros estudos de mercado” (NBR 14653-2, p. 10). Matta (2007, p. 8) apresenta como exemplo para essa variável “a localização expressa por meio do índice fiscal ou dos padrões construtivos que são expressos através do custo unitário básico”. Variável dicotômica As variáveis dicotômicas, em conformidade com o expresso pela NBR 14653-2, serão aquelas que assumem apenas dois valores, em razão disso são normalmente utilizadas quando houver a necessidade de serem expressas a ausência ou a presença dos atributos que compõe dado elemento. As variáveis dicotômicas também podem ser denominadas como variáveis binárias, variáveis “dummies”, variáveis de estado, variáveis zero um, podendo ainda assumir outras nomenclaturas. Avaliação Imobiliária 35 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o conceito de variável é amplo e que o mesmo se faz presente em várias áreas do saber, adaptando-se a cada uma das especificidades relativas a essas, mas, no geral, a variável está associada à mudança. Dentre as áreas que as variáveis se fazem presente está a engenharia das avaliações, âmbito em que existem quatro tipos principais de variáveis a serem aplicadas, sendo essas: 1) variáveis quantitativas – são aquelas que podem ser medidas ou contadas; 2) variáveis qualitativas – aquelas que não podem ser medidas ou contadas, mas apesar disso podem ser ordenadas ou hierarquizadas, em conformidade com as características associadas ao bem; 3) variáveis proxy – essa variável é utilizada com a intenção de substituir uma outra que possua difícil mensuração, presumindo possuir relações de pertinência com a mesma e 4) variáveis dicotômicas – já as variáveis dicotômicas assumem apenas duas posições. Avaliação Imobiliária 36 Homogeneidade e estimativa de valor OBJETIVO: Ao término deste capítulo você será capaz de discutir como ocorre a homogeneização de dados e a estimativa de valores. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Tratamento por fatores ou homogeneização de dados Antes que adentremos no assunto relativo à homogeneização dos dados, é necessário que entendamos o que é a homogeneização em seu caráter geral. Assim, em conformidade com o Dicio – Dicionário Online de Português, a homogeneização é processo de “fazer com que alguma coisa se torne homogênea” e homogêneo, por sua vez, é entendido como “de mesma ou semelhante natureza, estrutura ou função, em comparação ou em relação a outra coisa”. Em outras palavras, a homogeneização pode ser compreendida como a ação de transformar as coisas em semelhantes para que as mesmas sejam comparadas. Um exemplo dentro do nosso estudo pode estar associado à construção da amostragem do método comparativo, já que a partir do mesmo iremos reunir imóveis que possuam semelhanças entre si para que sejam comparados na intenção de que o valor dos mesmos seja devidamente estabelecido, ou seja, a homogeneização ocorre a partir do momento em que se busca semelhanças de natureza e estrutura entre os imóveis urbanos para que os mesmos sejam comparados e, consequentemente, um valor razoável e coerente seja aplicado aos imóveis em questão. Assim, durante o estudo da homogeneização dos dados ainda continuaremos considerando as disposições presentes na NBR 14653-1 e 14653-2, pois o objeto do nosso estudo permanece sendo a avaliação dos imóveis urbanos. Avaliação Imobiliária 37 Nesse sentido, cabe esclarecer que, em conformidade com a NBR em questão, o tratamento de dados pode ser compreendido como a aplicação das operações matemáticas e/ou estáticas que sejam incumbidas por expressar os termos referentes as distinções presentes entre os dados de mercado e os bens que estão sendo avaliados. Por sua vez, em conformidade com o Instituto Federal de Brasília o tratamento de dados é entendido como a aplicação das operações que expressam as diferenças em questão, também em termos relativos. A NBR 14653-2 fornece algumas recomendações dentre essas estão algumas relativas aos tratamentos de dados, nesses termos: É recomendável, preliminarmente, a sumarização das informações obtidas sob a forma de gráficosque mostrem as distribuições de frequência para cada uma das variáveis, bem como as relações entre elas. Nesta etapa, verificam- se o equilíbrio da amostra, a influência das variáveis que presumivelmente expliquem a variação dos preços a forma dessa variação, possíveis dependências entre elas, identificação de pontos atípicos, entre outros. Assim, pode-se confrontar as respostas obtidas no mercado com as crenças a priori do engenheiro de avaliações, bem como permitir a formulação de novas hipóteses. (NBR 14653-2, p. 16) Os tratamentos dos dados podem ser utilizados de duas formas, representados na figura 8, levando em consideração a função da qualidade e da quantidade dos dados, bem como as informações disponíveis acerca dos mesmos, assim os dados podem ser passar por tratamento por fatores ou tratamento científico. Figura 8 - Tipos de tratamento de dados Tratamento por Fatores (Homogeneização) Tratamento Científico Tratamento de Dados Fonte: Elaborado pelas autoras com base na NBR 14653-2 (2010). Avaliação Imobiliária 38 Ainda em conformidade com a NBR 14653-2, é necessário que os modelos que sejam uma representação simplificada do mercado sejam levados em consideração, já que não englobam todas as informações acerca dos mesmos, por isso é necessário que certas cautelas sejam tomadas para que o caráter científico do tratamento de dados não seja afetado ou perdido, assim desde a etapa da preparação da pesquisa até o último exame dos resultados é imprescindível que a cautela com a metodologia e os procedimentos científicos seja tomada, pois, caso contrário, o processo de avaliação e a avaliação em si poderão estar maculadas. É importante ressaltar ainda que a qualidade de amostra a que o tratamento de dados será aplicado deve assegurar alguns critérios, sendo esses: a) correta identificação dos dados de mercado, com especificação e quantificação das principais variáveis levantadas, mesmo aquelas não utilizadas no modelo; b) isenção das fontes de informação; c) identificação das fontes de informação, observada a exceção contida em 8.2.1.3.3; d) número de dados de mercado efetivamente utilizados, de acordo com o grau de fundamentação; e) sua semelhança com o imóvel objeto da avaliação, no que diz respeito à sua situação, à destinação, ao grau de aproveitamento e às características físicas; diferenças relevantes perante o avaliando, devem ser tratadas adequadamente nos modelos adotados; f) inserção de mais de um tipo de agrupamento no mesmo modelo. Nestes casos, o engenheiro de avaliações deve se certificar de ter contemplado as diferenças significativas entre esses grupos, sendo obrigatória a verificação da influência das interações entre as variáveis. (NBR 14653-2, 2010, p. 16-17,). Por fim, a NBR 14653-2 determina ainda que o poder de predição do modelo precisa ser verificado com base no gráfico dos preços que são observados a partir do cálculo: abcissa X valores estimados pelo modelo presente na ordenada. A mencionada norma enfatiza ainda que, de forma alternativa, os procedimentos de validação podem ser utilizados. Avaliação Imobiliária 39 Tratamento por fatores ou homogeneização Os tratamentos por fatores são um dos dois métodos de tratamentos de dados que são utilizados na colocação em prática do método comparativo direto de dados de mercado, sendo um tratamento complexo e difícil de ser realizado, que em razão disso deverá estar devidamente acompanhado de suas justificativas e não pode ser determinado sem que certos critérios e justificativas sejam fornecidas acerca dos fatores utilizados. Em conformidade com as determinações do Instituto Federal de Brasília (IFB), a homogeneização pode ser compreendida como o tratamento dos preços observados perante a aplicação das transformações matemáticas responsáveis por expressar, por meio de termos relativos, as diferenças existentes entre os dados de mercado e o bem que está sendo avaliado. Desta feita, os tratamentos por fatores também são conhecidos como homogeneização, já que os mesmos são utilizados para ajustar os dados de mercado, tornando os imóveis urbanos pertencentes à amostra o mais semelhante possível do imóvel para que a avaliação seja efetuada. Assim, o mencionado tratamento é usado perante as situações em que a quantidade dos dados de mercado que já são parecidos é considerado como insuficiente para que um cálculo estatístico seja efetuado, por isso é necessário que mais dados sejam gerados, assim a homogeneização surge como uma forma que possibilita a aplicação do método comparativo direto quando os dados não são suficientes para que a mesma seja realizada. Nesse sentido, Viana (2016) destaca que os fatores serão utilizados com a intenção de promover ajustes nos dados de mercado, tornando a amostra o mais parecido possível com o imóvel que estão sendo avaliado. Dessa forma, a autora, tomando como base a NBR 14653-2, destaca alguns procedimentos básicos que são utilizados para os tratamentos de dados por fatores sejam devidamente realizados. Avaliação Imobiliária 40 Segundo Viana (2019), as etapas que compõe os procedimentos básicos dos tratamentos de dados por fatores são: 1) Coleta da amostra; 2) Escolha dos fatores; 3) Aprimoramento da amostra; 4) Estimativa do valor do imóvel; 5) Cálculo do Intervalo de confiança; 6) Cálculo do campo de arbítrio; 7) Enquadramento do modelo. Na fase da coleta de amostra recomenda-se que a mesma seja formada por dados de mercado que possuam a maior quantidade de semelhanças que for possível, pois assim a avaliação do imóvel urbano chegará o mais próximo da realidade, dessa forma, segundo Viana (2019), é recomendado que o número mínimo de elementos que componham o modelo não seja inferior a três. Em outras palavras é nessa etapa em que os dados que irão compor a amostra e, consequentemente, o modelo são selecionados. A segunda etapa é de suma importância para que o tratamento de dados por fatores seja efetuado, já que é nessa fase em que os fatores responsáveis por promover a homogeneização serão escolhidos, por isso nessa fase o avaliador precisará ser bastante cauteloso e basear as suas escolhas nas características pertencentes ao imóvel, fazendo ainda uma análise acerca das informações que foram disponibilizadas a partir dos dados amostrais. A figura 9 apresenta quais são os fatores em questão. Figura 9 - Fatores de homogeneização Fator oferta Fator localização Fator topografia Fator frente x fundos Fator padrão construtivo Fator idade/conservação Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Viana (2019). Avaliação Imobiliária 41 Em primeiro lugar, o fator de oferta é aquele que busca adequar os valores dos imóveis às leis da oferta e da procura, por isso também são denominados como fator elasticidade ou fator fonte. Assim, em conformidade com Viana (2019), o fator de oferta é utilizado quando houver a necessidade de descontar valores excedentes em razão das especulações que atingem o mercado, tornando os dados disponíveis o mais homogêneo possível quanto a sua fonte. Por sua vez, o segundo fator é nomeado como fator localização, também conhecido como fator transposição, sendo que esse é utilizado para efetuar a transferência do valor de um terreno de um lugar para outro com a intuição de realizar a homogeneização. Complementando, Oda (2011) afirma que esse fato é o incumbido por adequar as diferenças melhor ou pior posição dos imóveis em relação ao endereço em que o imóvel está avaliado. O terceiro fator é o fator topografia, sendo esse relativo ao imóvel localizado em topografia acidente que está passível de alagamento, que pode ser atingido o decréscimo de até 30% quanto ao valor da relação ao terreno, quanto Oda (2011). Por sua vez, o fator frente x fundos se refere aos terrenos que possuem pouca profundidade em que as características podem sofrerdesvalorizações. O fator padrão construtivo é destinado a adequação das diferenças de nível construtivo dos imóveis relativo à amostra para que fiquem em conformidade com o padrão do imóvel que está sendo avaliado. Por fim, o fator idade/conservação será destinado a adequação das diferenças entre os imóveis mais antigos e os mais recentes do que aquele que está sendo avaliado, sendo também levado em consideração o estado de conservação do mesmo e as necessidades de reformas referentes ao mesmo. Avaliação Imobiliária 42 SAIBA MAIS: Salienta-se ainda que os fatores apresentados não são os únicos, tendo em vista que existem fatores que se referem a outras especificidades, assim foram escolhidas apenas os que entendemos como os mais importantes. Por isso recomenda-se a leitura da matéria escrita por Dandara Viana, denominada como “Tratamento por fatores para avaliação dos imóveis”. Clique aqui para acessar o material. A etapa seguinte faz menção à necessidade da amostra ser melhorada, ou seja, nessa etapa ocorrerá o saneamento da amostra, sendo eliminadas quaisquer discrepâncias que possam gerar algum tipo de dano para a amostra. A quarta etapa se refere a estimativa do valor do imóvel, sendo nessa fase em que o mencionado valor será estimado a partir da soma do valor do terreno e do valor da edificação, nas hipóteses em que os dois estiverem presentes. O cálculo do intervalo de confiança, quinta etapa, segundo Viana (2019) faz menção ao intervalo de confiança, sendo esse compreendido como uma amplitude dos derivados da estatística que, por sua vez, apresentam a probabilidade de conter o chamado “valor de um parâmetro populacional desconhecido”. Em seguida, a sexta etapa faz menção a outro tipo de intervalo, denominado como cálculo do campo de arbítrio, sendo esse responsável por englobar “uma variação de mais ou menos 15% em torno do preço estimado e, assim como no intervalo de confiança, no campo de arbítrio podemos arbitrar o valor do bem, desde que devidamente justificado” (Viana, 2019, s.p.). Por fim, a última etapa será aquela em que ocorrerá o enquadramento do modelo, que deverá considerar o Grau de Precisão, o Grau de Fundamentação e as normas fixadas pela NBR 14653-2 (anexo B). Em conformidade com a NBR 14653-2, o tratamento por fatores poderá ser aplicado sobre as amostras que compõe os dados de mercado com as características que tornam os imóveis mais próximas daquele que está sendo avaliado. Além disso, a mencionada NBR enfatiza novamente que a metodologia científica deve ser seguida para que posteriormente Avaliação Imobiliária https://www.guiadaengenharia.com/tratamento-fatores/ 43 possa fundamentar teoricamente e de forma prática, aumentando a validação e a confiabilidade quando for interessante. É importante ainda ressaltar que o tratamento por fatores também deve enfatizar e esclarecer a validade temporal e a abrangência regional que precisam ser revisados no prazo de até quatro anos, quando for necessário. Assim, os fatores em questão podem ser: a) calculados e divulgados, juntamente com os estudos que lhe deram origem, pelas entidades técnicas regionais reconhecidas, conceituadas em 3.20, bem como por universidades ou entidades públicas com registro no sistema CONFEA/CREA, desde que os estudos sejam de autoria de profissionais de engenharia ou arquitetura; b) deduzidos ou referendados pelo próprio engenheiro de avaliações, com a utilização de metodologia científica, conforme 8.2.1.4.3, desde que a metodologia, a amostragem e os cálculos que lhes deram origem sejam anexados ao Laudo de Avaliação (NBR 14653-2, 2010, p. 17) No próximo tópico, estudaremos de forma breve o que são os tratamentos científicos, contudo cabe esclarecer que o fato do tratamento por fatores não conter a nomenclatura “científica” em sua denominação não retira as características que o tornam um método científico, já que para que os fatores em questão sejam utilizados é necessário que um estudo anterior e bem efetuado exista para que a escolha dos fatores seja motivada, assim como a escolha relativa aos mesmos. Dessa forma, ainda que os tratamentos de fatores não sejam apontados em sua denominação como “científicos” seguem as regras e os cálculos relativos à metodologia científica para que o laudo de avaliação seja elaborado. Tratamento científico Os tratamentos científicos podem ser compreendidos como todos aqueles modelos que são usados com a intenção de inferir determinados comportamentos do mercado e a formação de valores relativa aos mesmos, assim envolve os seus pressupostos que devem ser apresentados de forma clara, explícita e devidamente testada. Além disso, “quando necessário, devem ser intentadas medidas corretivas, com Avaliação Imobiliária 44 repercussão na classificação dos graus de fundamentação e precisão” (NBR 14653-2, 2010, p. 17). RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o tratamento de dados pode ser compreendido como a aplicação das operações matemáticas e/ou estáticas que sejam incumbidas por expressar os termos referentes as distinções presentes entre os dados de mercado e os bens que estão sendo avaliados. O tratamento de dados pode ocorrer através do tratamento por fatores ou do tratamento científico. Também aprendemos que as etapas que compõe os procedimentos básicos dos tratamentos de dados por fatores são: 1) Coleta da amostra; 2) Escolha dos fatores; 3) Aprimoramento da amostra; 4) Estimativa do valor do imóvel; 5) Cálculo do Intervalo de confiança; 6) Cálculo do campo de arbítrio; 7) Enquadramento do modelo. Além disso, as escolhas dos fatores são consideradas como uma das etapas de maior relevância, sendo necessário que o avaliador destine atenção para essa escolha, já que é a partir da mesma que a avaliação irá ganhar maior confiabilidade, viabilidade e credibilidade. Avaliação Imobiliária 45 REFERÊNCIAS BRASIL. NBR 14653-1. 2017. Disponível em: https://bit.ly/3kEjpaD. Acesso em: 26 nov. 2020. BRASIL. NBR 14653-2. 2010. Disponível em: https://bit.ly/2TwpkUg. Acesso em: 26 nov. 2020. BRENNER, M. L. Variáveis definidoras dos valores dos imóveis estudo de caso – Santa Maria – RS. 2005 (Dissertação de Mestrado) – Universidade Federal de Santa Maria, 2005. Disponível em: https://bit.ly/3eDsCfC. Acesso em: 28 nov. 2020. COSTA, M. Como fazer uma avaliação de imóvel urbano. Disponível em: https://bit.ly/3zlOdB7. Acesso em: 26 nov. 2020. COSTA, M. Avaliação de Imóvel: quais são os métodos atuais de avaliação imobiliária. Disponível em: https://bit.ly/3764a2x. Acesso em: 27 nov. 2020. DICIO – Dicionário Online de Português. Variável. Disponível em: https://www.dicio.com.br/variavel/. Acesso em: 28 de nov. de 2020. DICIO – Dicionário Online de Português. Homogêneo. Disponível em: https://www.dicio.com.br/homogeneo/. Acesso em: 30 de nov. de 2020. DUARTE, M. 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Avaliação Imobiliária _Hlk57968499 _Hlk57968552 _Hlk57968661 _Hlk57968747 _Hlk57968864 _Hlk57968921 _Hlk57969083 _Hlk57969130 _Hlk57969300 _Hlk57969493 _Hlk57969637 _Hlk57969933 _Hlk57969815 _Hlk57969967 _Hlk57970090 _Hlk57970148 _Hlk57970179 _Hlk57970346 _Hlk57970280 _Hlk57970210 _Hlk57970227 _Hlk57970320 _Hlk57970249 Aspectos legais da avaliação dos imóveis urbanos Avaliação de imóveis: definição e características Conceitos importantes para a avaliação imobiliária Avaliação imobiliária dos imóveis urbanos: principais aspectos Conceitos importantes para a avaliação imobiliária de imóveis urbanos Procedimentos básicos da avaliação de imóveis urbanos Métodos de avaliação dos imóveis urbanos Aspectos introdutórios dos métodos de avaliação dos imóveis urbanos Método comparativo de dados de mercado Método involutivo Método da renda Método evolutivo Variáveis e tipos de avaliações dos imóveis urbanos Variáveis: o que são? Variáveis das avaliações dos imóveis - aspectos gerais Tipos de variáveis na avaliação dos imóveis Variáveis quantitativas Variáveis qualitativas Variável proxy Variável dicotômica Homogeneidade e estimativa de valor Tratamento por fatores ou homogeneização de dados Tratamento por fatores ou homogeneização Tratamento científico