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Paralisia Cerebral Profª. Dra. Thabata Pasquini Soeira Situação - problema • HMA: Paciente com 4 anos, diagnosticado com Paralisia Cerebral. A mãe relata que o paciente apresenta limitações em algumas atividades como: tomar banho, vestir-se, alimentar-se, andar e conversar, porém relata que o paciente vem apresentando melhora no controle postural, consegue manter o corpo sentado sem apoio e auxiliar na troca de fraldas e roupas, relata que a espasticidade melhorou após a aplicação da toxina botulínica, porém a ultima aplicação foi há mais de 8 meses. Atualmente • Paralisia cerebral descreve um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento do movimento e postura, causando limitações de atividade, que são atribuídas a um distúrbio não progressivo que ocorre no desenvolvimento do cérebro fetal ou infantil. • A desordem motora na PC frequentemente é acompanhada por distúrbios sensoriais, perceptivos, cognitivos, de comunicação e comportamental; por epilepsia e por problemas musculoesqueléticos secundários (Rosenbaum, Paneth, Leviton, Goldstein, Bax, 2007) Definição • Não é uma doença • É um distúrbio crônico- não progressivo do movimento ou da postura com início precoce e prematuro • Normalmente está associado a um retardo mental (Rosenbaum, Paneth, Leviton, Goldstein, Bax, 2007) Epidemiologia Os recentes avanços da neonatologia têm reduzido significativamente as taxas de morbidade e mortalidade nos bebês de alto risco. Estes bebês apresentam maior risco para déficit de desenvolvimento e condições de incapacidade. PC afeta entre 2 e 3 por cada 1000 nascidos vivos em todo o mundo. É a mais comum causa de deficiência física grave na infância. Etiologia Prematuridade (extrema e RNPT muito baixo peso) Hipóxia ou isquemia Doença pulmonar crônica APGAR baixo Hemorragia intracraniana grave Leucomalácea perintraventricular grave Ventilação mecânica associada a outros agravos clínicos Classificação • PC - dois critérios: Ø Disfunção motora presente, ou seja, o quadro clínico resultante, que inclui os tipos extrapiramidal ou discinético (atetóide, coréico e distônico), atáxico, misto e espástico (Piramidal); ØTopografia dos prejuízos, ou seja, localização do corpo afetado, que inclui tetraplegia ou quadriplegia, monoplegia, paraplegia ou diplegia e hemiplegia. Na PC, a forma espástica é a mais encontrada e freqüente em 88% dos casos. Distribuição Topográfica Tipo de tônus ou movimento Classificação da função Motora Distúrbios associados Tetraplegia Monoplegia Paraplegia Hemiplegia Espasticidade Discinesia Ataxia Hipotonia Extremidades superiores e Extremidades inferiores Quadro Clínico + + + = Distribuição topográfica Tetraplegia ou tetraparesia: ü 9 a 43% dos casos ü Lesões difusas bilaterais no Sist. Piramidal ü Tetraparesia Espástica ü Retrações em semiflexão ü Padrões de extensão e adução ü Síndrome pseudobulbar (hipomimia, disfagia e disartria) ü Microcefalia ü Deficiência Mental ü Eplepisia Distribuição topográfica Tetraplegia ou tetraparesia: • A criança com PC tem menor estatura, menor peso e menor resistência às infecções, o que mostra a importância de um cérebro normal para uma constituição física normal. Distribuição topográfica Hemiplegia ou hemiparesia üMais frequente ü Maior comprometido MS ü Sinais de liberação Espasticidade ü Hiper-reflexia ü Em geral, semiflexão de MS e extensão e aduçao de MI com pé postura equinovara ü Hipotrofia/Hipoestesia Distribuição topográfica Diplegia ou diparesia: • Síndrome de Little • ( Hipertonia de Adutores) ü 10 a 30% ü Comum em prematuros ü Comprometimento MI ü Pouco ou muito afetado ü Hipotonia no 1 ano ü Distonia intermitente ü Hipertonia espástica inicio extensora, após retrações semiflexoras Distribuição topográfica Monoplegia ou monoparesia: ü Envolvimento de uma extremidade Distribuição Topográfica Tipo de tônus ou movimento Classificação da função Motora Distúrbios associados Tetraplegia Monoplegia Paraplegia Hemiplegia Espasticidade Discinesia Ataxia Hipotonia Extremidades superiores e Extremidades inferiores Quadro Clínico + + + = Tipo de tônus ESPÁSTICA ATETOSE OU DISTONIA ATÁXICA TIPOS MISTOS Ti po d e tô nu s PC espástica à hemiparesia, diplegia e quadriparesia PC discinéticas • Atetose: movimentos contorcidos lentos da face e extremidades, afetando principalmente musculatura distal; • Distonia: distorções rítmicas e mudanças no tônus, envolvendo principalmente o tronco e as extremidades proximais, gerando movimentos lentos e não controlados (posturas fixas); • Coreia: movimentos abruptos, rápidos e irregulares, comuns na face e nas extremidades • Tremor: movimento fino de balanço da cabeça e das extremidades PC mista à envolvem atetose com espasticidade, atetose com ataxia ou rigidez espástica ATAXIA - Cerebelo/ Dissinergia/ Base alargada/ Tremor intencional COREOATETOSE – Mov. Involuntário de contorções com presença de movimentação associada/ Postura/ Extremidades / Base Encéfalo/ Núcleos da Base DISTONIA – Contração Muscular Inv. Prejudicada/ Tono variável desencadeado pelo mov./Torção e Posturas anormais/ Sono/ Núcleos da base/ Base do Encefálo/ Extrapiramidal Hemiparesia Diplegia ou diparesia Distribuição Topográfica Tipo de tônus ou movimento Classificação da função Motora Distúrbios associados Tetraplegia Monoplegia Paraplegia Hemiplegia Espasticidade Discinesia Ataxia Hipotonia Extremidades superiores e Extremidades inferiores Quadro Clínico + + + = Classificação Funcional da Paralisia cerebral • É baseado no movimento iniciado voluntariamente com ênfase no sentar, transferências e mobilidade • Classifica a criança/jovem em cinco níveis • Nível I : anda sem limitações • Nível II: anda com limitações • Nível III: anda utilizando um dispositivos de mobilidade • Nível IV: auto mobilidade com limitações. Podendo utilizar mobilidade motorizada • Nível V: transportado em uma cadeira de rodas manual Sistema de classificação da função motora grossa - GMFCS https://aprender.ead.unb.br/pluginf ile.php/146630/mod_resource/cont ent/4/GMFCS%20instru%C3%A7%C 3%B5es.pdf http://www.scielo.br/pdf/rbfis/v12n5/a11 v12n5.pdf Sinais precoces Principais problemas associados • Processamento sensorial • Cerebelo • Circuito córtex-gânglios da base-tálamo • Córtex cerebral e tratos piramidais • Exemplos: estereognosia, propriocepção • Estrabismos • Esotropia (desvio dos olhos em direção a linha média) • Retardo mental • Doenças convulsionais • Distúrbios de comunicação Avaliação Av al ia çã o Necessário o entendimento do fisioterapeuta em relação ao controle motor contra a gravidade, controle postural e o desenvolvimento musculoesquelético em crianças normais O propósito da avaliação é descobrir as habilidades funcionais e potenciais da criança Determinar as deficiências primárias e secundárias (compensações usadas devido às deficiências primárias) Descobrir os objetivos funcionais desejados pela criança/família e cuidadores P.A.S.O – Plano de avaliação subjetiva-objetiva Avaliação do movimento ü Observação do bebê / criança Avaliação do controle postural ü Mudanças na antecipação da tarefa aprendida – recebe o estímulo sensorial e faz os ajustes necessários para completar a tarefa de modo mais eficiente Ex.: bebê sentado no chão vê um brinquedo ao lado e tenta alcança-lo. Se o brinquedo estiver muito longe, o bebe vai cair na tentativa de agarrá-lo. Na próxima tentativa ele fará ajustes na sua base de apoio e na ativação muscular na tentativa de pegar o brinquedo sem cair • A antecipação é importante nas preparações posturais para o movimento à ocorre devido ao aprendizado e experiência • O aprendizado motor somente irá ocorrer quando a criança está envolvida na sessão defisioterapia e avança no tratamento por meio de respostas de feedback para o controle antecipatório • Ajustes posturais está na ativação muscular ao redor de uma ou mais articulações Ao avaliar o controle postural observar: • A criança tem vários modos de transição entre as posturas ou apenas escolhe as estereotipadas? • A criança empurra ativamente a superfície de apoio com a pelve ou com as extremidades? • A criança é capaz de repetir movimentos ou tarefas e fazer pequenas mudanças em seu desempenho motor? Avaliação do tônus postural “Tônus” à como sentimos em nossas mãos um músculo ou um grupo muscular quando as articulações se movem em uma determinada amplitude Hipotonia Hipertonia: os músculos hipertônicos podem ter uma rigidez aumentada quando eles precisarem produzir mais força ao realizar um movimento Observar essa rigidez no pescoço, cabeça, tronco e extremidades É importante avaliar a rigidez da hipertonia durante às transições posturais – por exemplo observar quando a criança brinca O terapeuta deve sentir essa rigidez ao trabalhar com a criança e utilizar de técnicas de tratamento para facilitar os movimentos, “inibindo” essa rigidez “Sinais de tônus aumentado: Fixação distal Dificuldade em mover um segmento Posturas assimétricas Lábios e línguas retraídos Sinais de tônus diminuído: Colapsos dos segmentos corporais Perda do alinhamento postural Incapacidade de manter a postura contra a gravidade Sinais flutuantes de tônus: Atetose e ataxia Intervenção terapêutica • A criança e família sempre serão o centro da equipe no tratamento • Enfatizar as funções no lar e na comunidade (escola, igreja, recreação etc) • Documentar e quantificar os resultados • Observar seus potenciais funcionais atuais – percebendo oportunidades de ganhos funcionais em curto prazo • Saber a frequência adequada de cada terapia assim como a duração • Identificar o melhor método adequado para cada momento na terapia. Ex: estimulação elétrica, integração sensorial, Bobath, etc • Cada criança é única em seu tratamento, mesmo tendo o mesmo diagnóstico clínico, o objetivo funcional e seus potencias irão ser diferentes Estabelecimento de metas de tratamento • Listar o que a criança/família gosta de fazer • Listar as habilidades funcionais que ela tem dificuldades • Listar as deficiências primárias e secundárias Metas curto prazo Metas longo prazo Treinamento controle de tronco Treinamento locomotor - Paralisia Cerebral - GMFCS 5 Discussão de Caso Clínico Caso clínico • HMA: Paciente com 4 anos, diagnosticado com Paralisia Cerebral. A mãe relata que o paciente apresenta limitações em algumas atividades como: tomar banho, vestir-se, alimentar-se, andar e conversar, porém relata que o paciente vem apresentando melhora no controle postural, consegue manter o corpo sentado sem apoio e auxiliar na troca de fraldas e roupas, relata que a espasticidade melhorou após a aplicação da toxina botulínica, porém a ultima aplicação foi há mais de 8 meses. Caso clínico a) Após discutir o caso clínico, descreva a definição de tônus muscular, explicando a diferença entre hipotonia e hipertonia. b) Explique qual teste utilizamos para avaliar se o paciente apresenta espasticidade e o seu grau. c) Quais ferramentas de avaliação ou testes podem ser utilizadas para melhor entender o caso da paciente? d) Com os conceitos já vistos, qual o diagnóstico fisioterapêutico e quais são os objetivos de tratamento para esse paciente? e) Cite 3 condutas que poderiam ser realizadas com esse pacient