Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

OAB
EXAME DE ORDEM
Capítulo 06
 
1 
CAPÍTULOS 
 
Capítulo 1 -Direito do Trabalho: conceito, características, natureza e 
funções. Fontes do Direito do trabalho. Eficácia das normas 
trabalhistas no tempo e no espaço. Princípios do Direito do 
trabalho 
 
Capítulo 2 – Relação de trabalho versus relação de emprego. 
Empregado. Empregador. 
   
Capítulo 3 – Contrato Individual do Trabalho. Alteração no Contrato de 
Trabalho. Suspensão e Interrupção no Contrato de Trabalho. 
    
Capítulo 4 – Extinção do Contrato de Trabalho. Estabilidades 
    
Capítulo 5 – Lei 6.019/1974: Terceirização e Trabalho Temporário.  
Capítulo 6 (você está aqui!)– Duração do Trabalho. Períodos de 
descanso. Turnos ininterruptos de revezamento. Teletrabalho. Férias 
     
Capítulo 7 – Segurança e medicina no trabalho: atividades insalubres 
e perigosas. Trabalho do menor. Trabalho da mulher. 
  
Capítulo 8 – Remuneração e Salário. Equiparação salarial      
Capítulo 9 – FGTS. Renúncia e Transação. Prescrição e Decadência. 
Dano Extrapatrimonial. 
   
Capítulo 10 – Direito Coletivo do Trabalho. Organização Sindical. 
Negociação Coletiva. Greve. 
    
 
 
2 
SOBRE ESTE CAPÍTULO 
 
 
E ai, OABeiro! Tudo certinho? 
A apostila de número 06 do nosso curso de Direito Processual do Trabalho tratará sobre 
Duração do Trabalho. De acordo com a nossa equipe de inteligência, esse assunto esteve 
presente 12 VEZES nos últimos 3 anos, sendo considerado um assunto de altíssima relevância 
para sua preparação na primeira e na segunda fase! 
É importante fazer uma ressalva sobre o assunto de horas extras, OABeiro! Visto que este 
conteúdo foi cobrado impressionante 7 vezes durante os últimos exames! Assim, atenção 
redobrada neste tópico, ok? 
Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta 
é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei, 
entendimentos e orientações jurisprudenciais, e sempre em companhia de alguma doutrina à 
sua escolha. 
Lembre-se: A resolução de questões é a chave para a aprovação! 
Vamos juntos! 
 
 
3 
SUMÁRIO 
DIREITO DO TRABALHO ......................................................................................................................... 5 
Capítulo 6 .................................................................................................................................................. 5 
6. Duração do Trabalho. Períodos de descanso. Turnos ininterruptos de revezamento. 
Teletrabalho. Férias ................................................................................................................................. 5 
6.1 Jornada de trabalho ............................................................................................................................................. 5 
6.1.1 Tempo à disposição do empregador ........................................................................................................... 6 
6.1.2 Trabalho em regime de tempo parcial ........................................................................................................ 7 
6.1.3 Jornada 12x36......................................................................................................................................................... 8 
6.1.4 Jornada suplementar ........................................................................................................................................... 9 
6.1.5 Compensação de jornada ................................................................................................................................. 9 
6.2 Períodos de descanso ...................................................................................................................................... 15 
6.3 Turnos ininterruptos de revezamento ....................................................................................................... 19 
6.4 Teletrabalho .......................................................................................................................................................... 21 
6.5 Férias ........................................................................................................................................................................ 22 
QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 29 
QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................... 31 
GABARITO ............................................................................................................................................... 42 
QUESTÃO DESAFIO ................................................................................................................................ 43 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................... 44 
LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 47 
JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................... 48 
MAPA MENTAL ...................................................................................................................................... 53 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 54 
 
4 
 
 
 
5 
DIREITO DO TRABALHO 
Capítulo 6 
6. Duração do Trabalho. Períodos de descanso. Turnos 
ininterruptos de revezamento. Teletrabalho. Férias 
6.1 Jornada de trabalho 
A duração do trabalho, conhecida também como jornada de trabalho, é o tempo diário 
que o empregado permanece à disposição do empregador. Serviço efetivo, como define o 
artigo 4º da CLT, não é apenas a execução do trabalho em si, mas também o tempo gasto 
aguardando ordens do empregador. 
Quando se fala em jornada de trabalho, basicamente devemos ter em mente os conceitos 
de tempo de trabalho efetivo, tempo à disposição do empregador, horas extras. sobreaviso e 
prontidão, pois são os temas mais cobrados em provas de concurso. 
O art. 7º, inciso XIII da CF dispõe que a duração do trabalho normal não poderá ser 
superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de 
horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. No mesmo 
sentido, o art. 58 da CLT1 aduz que a duração normal do trabalho, para os empregados em 
qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias, desde que não seja fixado 
expressamente outro limite. 
Todavia, existem jornadas especiais. Por exemplo, os bancários trabalham 6 horas diárias 
e 36 semanais. No caso de trabalhadores de minas de subsolo, são 6 horas diárias e 36 
 
1 Vide questão 06 desse material. 
 
6 
semanais. Jornalistas profissionais laboram 5 horas diárias, sendo possível haver prorrogação 
para até 7 horas, mediante acordo escrito. Operadores cinematográficos trabalham também 6 
horas diárias, sendo 5 na cabine e 1 hora dedicada para limpeza e lubrificação das máquinas. 
Os aprendizes não podem ter jornada acima de 6 horas, vedadas a prorrogação e a 
compensação de jornada (salvo para os aprendizes que concluíram o ensino fundamental, 
conforme art. 432, caput, c/c §1º, CLT). 
 
De acordo com a Lei 13.874/2019, que alterou o §2º do art. 74 da CLT, se o estabelecimento 
contar com mais de vinte trabalhadores será obrigatório o registro do ponto, isto é, a 
anotação da hora de entrada e de saída, seja de forma manual, mecânica ou eletrônica. 
Cumpre-nos ressaltarque as regras que veremos a seguir sobre jornada de trabalho não 
são aplicadas aos seguintes empregados: 
 Empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário 
de trabalho (para memorizar, lembre dos vendedores externos); 
 Gerentes, aqueles que exercem cargos de gestão, salvo quando a gratificação de 
função for inferior a 40% do salário efetivo); 
 Empregados em regime de teletrabalho. 
6.1.1 Tempo à disposição do empregador 
Conforme dito mais acima, a duração do trabalho configura o tempo em que o 
empregado permanece à disposição do empregador. 
Veja o que dispõe o art. 4º, caput, da CLT: 
 
7 
CLT, Art. 4º - Considera-se como de serviço efetivo o período em que o empregado esteja 
à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial 
expressamente consignada.2 
Em continuidade, é importante que você saiba da modificação ocorrida com o advento 
da Lei 13.467/2017, a qual incluiu o §2º ao art. 4º da CLT3 com a finalidade de excluir as 
chamadas horas in itinere do tempo à disposição do empregador. Assim, o tempo despendido 
pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o 
seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo 
empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição 
do empregador. Ou seja, a possibilidade de computar as horas in itinere prevista anteriormente 
no art. 58, §3º, da CLT foi expressamente revogada! 
Além disso, o §2º do art. 4º da CLT ainda prevê que não será considerado tempo à 
disposição do empregador (e, portanto, não será computado como período extraordinário) o 
tempo em que o empregado permaneça nas dependências da empresa para buscar proteção 
pessoal, bem como para exercer atividades particulares que envolvam práticas religiosas, 
descanso, lazer, estudo, alimentação, atividades de relacionamento social, higiene pessoal, além 
da troca de roupa ou uniforme (quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na 
empresa). 
6.1.2 Trabalho em regime de tempo parcial 
Existem duas hipóteses de jornada em tempo parcial, quais sejam: 
 Aquela cuja duração não exceda a trinta horas semanais, sem a possibilidade de 
horas suplementares semanais; OU 
 Aquela cuja duração não exceda a vinte e seis horas semanais, com a possibilidade 
de acréscimo de até seis horas extras semanais. Essas horas extras podem ser 
compensadas na semana seguinte. 
 
2 Vide questão 07 desse material. 
3 Vide questão 08 desse material 
 
 
8 
Quanto ao salário, será proporcional à sua jornada, em relação aos empregados que 
cumprem, nas mesmas funções, tempo integral. 
Sobre o tema, destacamos o seguinte entendimento do TST: 
358. SALÁRIO MÍNIMO E PISO SALARIAL PROPORCIONAL À JORNADA REDUZIDA. 
EMPREGADO. SERVIDOR PÚBLICO. 
I - Havendo contratação para cumprimento de jornada reduzida, inferior à previsão 
constitucional de oito horas diárias ou quarenta e quatro semanais, é lícito o pagamento do 
piso salarial ou do salário mínimo proporcional ao tempo trabalhado. 
II – Na Administração Pública direta, autárquica e fundacional não é válida remuneração 
de empregado público inferior ao salário mínimo, ainda que cumpra jornada de trabalho 
reduzida. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. 
6.1.3 Jornada 12x36 
A Reforma Trabalhista regulamentou a possibilidade de jornada de 12 horas de trabalho 
por 36 horas de descanso. Assim, de acordo com o art. 59-A da CLT4, é facultado às partes, 
mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho 
estabelecer tal regime, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. 
Outro ponto especial sobre o tema é a questão da remuneração dos empregados que 
laboram sob esse tipo de jornada. Isso porque, nos termos do parágrafo único do art. 59-A, a 
remuneração mensal pactuada abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal 
remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as 
prorrogações de trabalho noturno, quando houver. 
 
 
4 Vide questão 01 desse material. 
 
9 
 
 
 
 
A Reforma Trabalhista possibilitou a celebração da jornada 12X36 através de acordo 
individual escrito. 
 
6.1.4 Jornada suplementar 
Em regra, o trabalho exercido após a jornada normal é considerado trabalho 
extraordinário, momento em que surge para o trabalhador o recebimento do adicional de hora 
extra de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal, nos termos do art. 7º, XVI da CF. 
Na mesma linha é a disposição do caput, da e no §1º do art. 59 da CLT: 
 Art. 59. A duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em número 
não excedente de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de 
trabalho. 
§ 1o - A remuneração da hora extra será, pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior 
à da hora normal. 
Nos termos da súmula 376, do TST, embora o número máximo de horas extras deva ser 
de duas horas, o desrespeito a esse limite não exime o empregador de pagar as horas que 
foram trabalhadas. 
6.1.5 Compensação de jornada 
Nem sempre a extrapolação do horário normal da jornada de trabalho será remunerada 
com o respectivo adicional. Isso porque, nos casos de compensação de jornada, tal acréscimo 
de salário poderá ser dispensado. 
 
10 
Inicialmente, é preciso que você saiba que a compensação da jornada não poderá 
ultrapassar 10 (dez) horas diárias. 
Em segundo lugar, pode-se afirmar que a CLT prevê três tipos de compensação de 
jornada: a mensal, a semestral e a anual, também conhecida como banco de horas. Vejamos 
detalhadamente cada uma delas: 
 Compensação de jornada mensal: é a compensação ocorrida dentro de um mês. Tal 
módulo compensatório poderá ser acertado por meio de acordo individual, tácito 
ou escrito. 
 Compensação de jornada semestral: é aquela realizada em até um semestre, podendo 
ser estipulada via acordo individual escrito. 
 Banco de horas anual: como o próprio nome diz, é aquele em que a compensação é 
feita em até um ano. Tal modalidade somente é permitida por meio de convenção 
coletiva de trabalho ou acordo coletivo de trabalho, nos termos do §2º do art. 59 da 
CLT. 
Além dessas modalidades de compensação, ressaltamos que o TST admite também a 
chamada “semana espanhola”, regime de compensação de horas em que o trabalhador presta 
jornada semanal de 48 horas e na semana seguinte, presta a jornada de 40 horas. Nesse 
sentido, vide a OJ 323, SDI-1, TST e a Súmula 349, TST. 
O art. 59-B da CLT, incluído pela Reforma Trabalhista, determina que o não atendimento 
das exigências legais para a compensação da jornada, inclusive quando estabelecida mediante 
acordo tácito, não implica a repetição do pagamento das horas excedentes à jornada normal 
diária se não ultrapassada a duração máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo 
adicional. 
Ademais, o mesmo dispositivo estabelece que a prestação de horas extras habituais não 
descaracteriza o acordo de compensação de jornada e banco de horas, contrariando o 
entendimento do TST contido na Súmula 85, IV. 
 
11 
Acrescente-se, ainda, que no caso de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha 
havido a compensação integral das horas extras realizadas, o trabalhador terá direito ao 
pagamento destas calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão. 
Por fim, a legislação trabalhista prevê que, em regra, para que haja prorrogação da 
jornada de trabalho em atividade insalubre, será necessária uma licença prévia das autoridades 
competentes. A exceção fica para o caso da jornada 12x36, que, de acordo com o art. 60, 
parágrafo único da CLT, dispensa a exigência da licença prévia. 
 
 
- Mas professora, é possível havera prorrogação da jornada de trabalho por ato unilateral 
do empregador? 
Sim. 
Quando houver necessidade imperiosa ou para garantir a continuidade da atividade 
empresarial, nas hipóteses de força maior, de realização/conclusão de serviços inadiáveis 
ou de situação em que a inexecução da tarefa possa acarretar prejuízo manifesto. Para tais 
casos, o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe outro 
limite. 
Além disso, também poderá ocorrer a prorrogação da jornada de forma unilateral pelo 
empregador quando ocorrer interrupção do trabalho, nas hipóteses de causas acidentais 
ou de força maior. Nesse caso, deverá haver autorização prévia da autoridade competente 
e a jornada poderá se estendida para 2 (duas) horas diárias, durante o numero de dias 
indispensáveis à recuperação do tempo perdido, até 10 (dez) horas por dia, em período 
não superior a 45 (quarenta e cinco) dias por ano. 
 
12 
6.1.6 Sobreaviso e prontidão 
No que se refere às horas de prontidão, o art. 244, §3º, da CLT regulamenta que consiste 
no tempo em que o trabalhador ferroviário ficar nas dependências da estrada aguardando 
ordens, em escala não superior a 12 horas, sendo seu valor equivalente a 2/3 do valor da hora 
normal. Já as horas de sobreaviso são aquelas em que o empregado efetivo permanecer em 
sua própria casa, aguardando a qualquer momento o chamado para o serviço, conforme o art. 
244, § 2º, da CLT. 
Note que o art. 244, §2º, da CLT fala apenas sobre os trabalhadores ferroviários, mas o 
regime de sobreaviso vem sendo aplicado por analogia àqueles empregados que, pelo avanço 
da tecnologia, ficam aguardando o chamado do empregador a qualquer momento para retornar 
ao trabalho. Todavia, ressaltamos que, de acordo com a Súmula 428 do TST, a mera 
disponibilização de telefones da empresa (os famosos telefones funcionais) não caracteriza, por 
si só, o regime de sobreaviso. A duração máxima será de 24 horas e o valor equivale a um 
terço do salário. 
PRONTIDÃO SOBREAVISO 
Empregado fica nas dependências da 
empresa, aguardando ordens. 
Empregado fica em sua residência, 
aguardando ser chamado a qualquer 
momento para ser chamado para serviço. 
Duração máxima = 12 horas Duração máxima = 24 horas (cada 
sobreaviso) 
Horas serão remuneradas em 2/3 do salário-
hora normal. 
Horas serão remuneradas em 1/3 do salário-
hora normal. 
6.1.7 Trabalho noturno 
 
13 
Em relação ao trabalho noturno, é importante que você saiba que a remuneração é 
superior à do trabalho diurno, nos moldes do art. 7º, IX, CF. Para o trabalho urbano, o adicional 
será sempre maior ou igual a 20%. A hora do trabalho noturno é contada de forma diferente, 
de modo que a hora de trabalho corresponde a 52 minutos e 30 segundos, é a chamada “hora 
ficta”. É considerada hora noturna (na área urbana) o trabalho realizado entre às 22h de um dia 
e às 05h do dia seguinte, conforme o art. 73, §2º, CLT. 
Para os rurais que trabalham na agricultura, o horário noturno é definido entre 21h de 
um dia e 5h do dia seguinte. Para os que trabalham na pecuária, consiste no trabalho realizado 
entre às 20h de um dia às e 4h do dia seguinte, conforme o art. 7º, Lei n. 5.889/73. O 
empregado rural (tanto da agricultura como da pecuária) recebe adicional noturno de 25% 
sobre a remuneração normal (parágrafo único, art. 7º, Lei n. 5.889/73). De acordo com o 
entendimento do TST, o rural não tem direito à hora noturna reduzida. 
 
 
 
TRABALHO NOTURNO 
URBANO RURAL 
Adicional de 20% sobre a hora diurna. Adicional de 25% sobre a remuneração 
normal. 
Trabalho noturno = 22h às 5h. Lavoura: trabalho noturno = 21h às 5h. 
Pecuária: trabalho noturno = 20h às 4h. 
Hora ficta = 52 minutos e 30 segundos Não possui hora ficta. 
 
14 
Sendo o trabalhador transferido para o turno matinal, perde o direito de receber o 
adicional, conforme súmula 265 do TST. 
Importa, também, saber os seguintes entendimentos do TST: 
Súmula nº 60 do TST - ADICIONAL NOTURNO. INTEGRAÇÃO NO SALÁRIO E 
PRORROGAÇÃO EM HORÁRIO DIURNO. 
I - O adicional noturno, pago com habitualidade, integra o salário do empregado para 
todos os efeitos. 
II - Cumprida integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta, devido é 
também o adicional quanto às horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT. 
Súmula nº 65 do TST – VIGIA. O direito à hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos 
aplica-se ao vigia noturno. 
 
De acordo com o art. 620 da CLT (inovação trazida pela Reforma), as condições 
estabelecidas em acordo coletivo de trabalho (ACT) SEMPRE prevalecerão sobre as 
estipuladas em convenção coletiva de trabalho (CCT). 
É certo que temos medo de expressões generalizadoras (a exemplo de “sempre” e “nunca
”), porém, nesse caso, o próximo texto da lei trouxe a expressão “sempre”. Então, não tenha 
medo: se o tema for abordado em sua prova, pode ficar tranquilo em afirmar que o ACT 
sempre prevalece em face da CCT. Vamos abordar isso melhor quando tratarmos dos 
instrumentos coletivos. 
 
15 
Por que estamos mencionando essa questão agora? Para que você saiba que se, por 
exemplo, o ACT prever o pagamento de adicional de horas extras correspondente a 70% e 
a CCT prever 60%, prevalecerá o disposto no ACT. 
6.2 Períodos de descanso 
Por razões biológicas e para prevenir as doenças e acidentes do trabalho, entre duas 
jornadas diárias ou dentro da mesma jornada contínua, o empregador é obrigado a conceder 
intervalos. 
6.2.1 Intervalos interjornada e intrajornada 
O intervalo interjornada é medida de higiene, saúde e segurança do trabalho. Está 
previsto no art. 66 da CLT, o qual preleciona que entre duas jornadas diárias de trabalho são 
necessárias, no mínimo, 11 horas consecutivas de repouso, para descanso do empregado. A 
jurisprudência posiciona-se no sentido de que a não concessão integral do intervalo interjornada 
acarreta o pagamento do período subtraído.5 
 A obrigatoriedade de concessão de intervalo interjornada de, no mínimo, 11 horas 
consecutivas abrange também os empregados rurais, conforme art. 5º da Lei nº 5.889/1973. 
Veja o seguinte exemplo: Martin, empregado da empresa “X” cumpre jornada de trabalho 
de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Hoje, ele trabalhou até às 20h e, para cumprir o intervalo 
interjornada de, no mínimo, 11h, o seu empregador só poderá exigir que inicie sua jornada 
amanhã a partir das 07h. 
 
 
 
5 Vide TRT-24 00253603220155240061, Relator: Amaury Rodrigues Pinto Júnior, julgado em 09.05.2017. 
 
16 
 
Nesse tema, há uma casca de banana clássica. Veja: o empregador é obrigado a conceder 
um repouso semanal remunerado (RSR ou DSR) de 24 horas e, também, entre cada jornada 
de trabalho, deve ser concedido o intervalo interjornada de 11 horas. Logo, soma-se o RSR 
e o intervalo interjornada, perfazendo um total de 35 horas, período em que o empregado 
deve permanecer em descaso. 
Já o intervalo intrajornada está previsto no art. 71 da CLT e consiste no intervalo realizado 
dentro da mesma jornada diária de trabalho, normalmente para alimentação e repouso. 
 Há alguns lapsos temporais que você precisa memorizar, mas não é complexo. Observe: 
 Trabalho contínuo com duração superior a 06 horas: obrigatória a concessão de 
intervalo para repouso e alimentação de, no mínimo, 1 hora e, salvo convenção 
coletiva ou acordo individual ou coletivo que disponha em sentido contrário, não 
pode exceder 2 horas, nos termos do art. 71, CLT. 
 Se a jornada não exceder 06 horas diárias de trabalho contínuo, é obrigatório um 
intervalo de 15 minutos, nos termos do art. 71, §1º, CLT. 
INTERVALO INTRAJORNADA 
Jornada superior a 6h/dia 1h a 2h de repouso 
Jornada de 4h a 6h/dia 15 min de repouso 
Jornada de até 4h/dia Sem intervalo 
Para os trabalhadores rurais, observe o disposto no art. 5º da Lei nº 5.889/73. 
 
17 
 Lembre-se, ainda, que essesintervalos de descanso não são computados na duração do 
trabalho. Além disso, o limite mínimo de 1 hora para repouso pode ser reduzido, em duas 
hipóteses: 
 Por ato do Ministro do Trabalho, quando se verificar que o estabelecimento atende 
integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os 
empregados não estiverem sujeitos à prestação de horas extras, conforme §3º, art. 71 
da CLT: 
CLT, Art. 71, § 3º - O limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição poderá ser 
reduzido por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o 
Serviço de Alimentação de Previdência Social, se verificar que o estabelecimento 
atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e 
quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado 
a horas suplementares. 
 Mediante convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, limitados ao mínimo 
de 30 minutos para jornadas superiores a 6h diárias, nos termos do art. 611-A, inciso 
III da CLT. 
De acordo com o art. 71, §4º, CLT, a não concessão ou a concessão parcial do intervalo 
intrajornada implica o pagamento apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% 
(cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. Atenção a 
esse dispositivo, já que foi uma importante modificação trazida pela Reforma! 
Acrescente-se, ainda, que, segundo o entendimento do TST, consubstanciado na Súmula 
118, os intervalos concedidos pelo empregador durante a jornada de trabalho que não estão 
previstos em lei significam tempo à disposição do empregador (ou seja, trabalho efetivo) e 
são remunerados como serviço extraordinário (hora extra), caso adicionados ao final da jornada. 
Há, ainda, alguns intervalos especiais concedidos a certas categorias: nos serviços 
permanentes de mecanografia (datilografia, escrituração, cálculo e digitação), a cada 90 minutos 
de trabalho consecutivo corresponderá um repouso de 10 minutos não deduzidos na duração 
 
18 
normal de trabalho (CLT, art. 72). Analise, também, a Súmula 346, TST, que equipara os 
digitadores aos prestadores de serviços permanentes de mecanografia: 
Súmula nº 346 do TST - DIGITADOR. INTERVALOS INTRAJORNADA. APLICAÇÃO 
ANALÓGICA DO ART. 72 DA CLT. Os digitadores, por aplicação analógica do art. 72 da CLT, 
equiparam-se aos trabalhadores nos serviços de mecanografia (datilografia, escrituração ou 
cálculo), razão pela qual têm direito a intervalos de descanso de 10 (dez) minutos a cada 90 
(noventa) de trabalho consecutivo. 
6.2.2 Repouso semanal remunerado 
Também chamado de repouso hebdomadário, trata-se de um direito fundamental social 
dos empregados urbanos e rurais, nos termos do art. 7º, XV, CF. A todo empregado é assegurado 
um repouso ou descanso semanal remunerado de, no mínimo, 24 horas consecutivas, 
preferencialmente, aos domingos. 
O RSR é computado, para todos os efeitos legais, como tempo de serviço. 
 
 
 
 
 
A MP 905/2019 trouxe importantes alterações em relação ao trabalho aos domingos. 
Observe: 
Art. 67. É assegurado a todo empregado um repouso semanal remunerado de vinte e 
quatro horas consecutivas, preferencialmente aos domingos (Redação dada pela Medida 
Provisória nº 905, de 2019) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
 
19 
Parágrafo único - Nos serviços que exijam trabalho aos domingos, com exceção quanto aos 
elencos teatrais, será estabelecida escala de revezamento, mensalmente organizada e 
constando de quadro sujeito à fiscalização. 
Art. 68. Fica autorizado o trabalho aos domingos e aos feriados. (Redação dada pela Medida 
Provisória nº 905, de 2019) 
§ 1º O repouso semanal remunerado deverá coincidir com o domingo, no mínimo, uma vez 
no período máximo de quatro semanas para os setores de comércio e serviços e, no mínimo, 
uma vez no período máximo de sete semanas para o setor industrial. (Incluído pela Medida 
Provisória nº 905, de 2019) 
§ 2º Para os estabelecimentos de comércio, será observada a legislação local. (Incluído pela 
Medida Provisória nº 905, de 2019) 
Art. 69 - Na regulamentação do funcionamento de atividades sujeitas ao regime deste 
Capítulo, os municípios atenderão aos preceitos nele estabelecidos, e as regras que venham 
a fixar não poderão contrariar tais preceitos nem as instruções que, para seu cumprimento, 
forem expedidas pelas autoridades competentes em matéria de trabalho. 
Art. 70. O trabalho aos domingos e aos feriados será remunerado em dobro, exceto se o 
empregador determinar outro dia de folga compensatória. (Redação dada pela Medida 
Provisória nº 905, de 2019) 
Parágrafo único. A folga compensatória para o trabalho aos domingos corresponderá ao 
repouso semanal remunerado. (Incluído pela Medida Provisória nº 905, de 2019) 
 
6.3 Turnos ininterruptos de revezamento 
O turno ininterrupto de revezamento (TIR) está previsto no art. 7º, XIV, CF e ocorre quando 
o turno trabalhado é variável dentro de certo período. A jornada deve ser de seis horas de 
trabalho, salvo negociação coletiva. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28
 
20 
Exemplo: Pedro, enfermeiro, trabalhou na semana passada no turno da noite, mas agora 
está trabalhando pela manhã e, na próxima semana, trabalhará no turno da tarde, sua jornada 
deve ser de, no máximo 06 horas e caso extrapole, deverá receber o valor correspondente às 
horas extras (salvo negociação coletiva). 
Atenção aos seguintes entendimentos do TST sobre o assunto: 
Súmula 360 - TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO. INTERVALOS INTRAJORNADA 
E SEMANAL. A interrupção do trabalho destinada a repouso e alimentação, dentro de cada 
turno, ou o intervalo para repouso semanal, não descaracteriza o turno de revezamento com 
jornada de 6 (seis) horas previsto no art. 7º, XIV, da CF/1988. 
 
Súmula 423 - TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. FIXAÇÃO DE JORNADA DE 
TRABALHO MEDIANTE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. VALIDADE. Estabelecida jornada superior a seis 
horas e limitada a oito horas por meio de regular negociação coletiva, os empregados 
submetidos a turnos ininterruptos de revezamento não têm direito ao pagamento da 7ª e 8ª 
horas como extras. 
OJ nº 360, SDI-I - TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. DOIS TURNOS. HORÁRIO 
DIURNO E NOTURNO. CARACTERIZAÇÃO. Faz jus à jornada especial prevista no art. 7º, XIV, da 
CF/1988 o trabalhador que exerce suas atividades em sistema de alternância de turnos, ainda 
que em dois turnos de trabalho, que compreendam, no todo ou em parte, o horário diurno e o 
noturno, pois submetido à alternância de horário prejudicial à saúde, sendo irrelevante que a 
atividade da empresa se desenvolva de forma ininterrupta. 
OJ nº 395, SDI-I - TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. HORA NOTURNA 
REDUZIDA. INCIDÊNCIA. O trabalho em regime de turnos ininterruptos de revezamento não 
retira o direito à hora noturna reduzida, não havendo incompatibilidade entre as disposições 
contidas nos arts. 73, § 1º, da CLT e 7º, XIV, da Constituição Federal. 
OJ nº 420, SDI-I - TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO. ELASTECIMENTO DA 
JORNADA DE TRABALHO. NORMA COLETIVA COM EFICÁCIA RETROATIVA. INVALIDADE. É 
 
21 
inválido o instrumento normativoque, regularizando situações pretéritas, estabelece jornada de 
oito horas para o trabalho em turnos ininterruptos de revezamento. 
6.4 Teletrabalho 
O teletrabalho está previsto no Capítulo II-A da CLT, especificamente nos artigos 75-A, 
75-B, 75-C, 75-D e 75-E da CLT6. 
 É uma espécie de trabalho a distância, exercido fora das dependências do empregador, 
em que subsiste a subordinação jurídica. O controle é realizado a partir de câmaras, sistemas 
de informática, relatórios, ligações, dentre outros. 
 A legislação prevê, ainda, que o comparecimento do empregado às dependências da 
empresa para a realização de atividades específicas não descaracteriza o regime de teletrabalho. 
 Essa modalidade deve constar expressamente no contrato individual de trabalho e devem 
estar especificadas as atividades desempenhadas pelo empregado. Pode haver alteração entre 
o regime presencial e o teletrabalho e também o oposto.: 
 Se for alterada do regime presencial para o teletrabalho, precisa haver mútuo 
acordo entre as partes e o registro em aditivo contratual; 
 Se a alteração for do regime de teletrabalho para o presencial, pode ser feito por 
determinação do empregador e deve ser garantido prazo de transição mínimo de 
quinze dias, com o devido registro em aditivo contratual. 
 
 
 
 PRESENCIAL TELETRABALHO Mútuo acordo e aditivo 
 
6 Vide questão 02 desse material. 
 
22 
 
 TELETRABALHO PRESENCIAL Determinação do 
 empregador 
 
 15 dias e aditivo. 
Não esqueça de que as disposições relativas à responsabilidade pela aquisição, 
manutenção ou fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária e 
adequada à prestação do trabalho remoto, bem como ao reembolso de despesas arcadas pelo 
empregado, devem estar previstas em contrato escrito. O empregador deverá instruir os 
empregados, de maneira expressa e ostensiva, quanto às precauções a tomar a fim de evitar 
doenças e acidentes de trabalho e caberá ao empregado assinar termo de responsabilidade se 
comprometendo a seguir as instruções. 
6.5 Férias 
As férias possuem fundamento constitucional (art. 7º, XVII, CF). A cada período de 12 
meses de vigência do contrato, o empregado adquire o direito a férias anuais remuneradas 
com, pelo menos, um terço a mais do seu salário normal. 
Para o cabimento das férias, são considerados dois momentos distintos: 
 Período aquisitivo: corresponde aos primeiros 12 meses de trabalho, contados da 
admissão do empregado; 
 Período concessivo: corresponde aos 12 meses após o período aquisitivo. 
Ou seja, após o período aquisitivo, o empregado tem o direito subjetivo às férias e, a 
partir disso, o empregador possui o lapso temporal de 12 meses (período concessivo) para 
conceder as férias. Dentro desses 12 meses, o empregador escolherá qual o período em que 
prefere conceder as férias. 
 Sobre as férias, o art. 130 da CLT estabelece: 
 
23 
CLT, Art. 130 - Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, 
o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: 
I - 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) 
vezes; 
II - 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) 
faltas; 
III - 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; 
IV - 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) 
faltas. 
 
As férias podem ser usufruídas em até três períodos, desde que haja concordância do 
empregado. Mas lembre-se: o período não pode ser inferior a 14 dias corridos e os demais não 
poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um, nos termos do art. 134, §1º, CLT. 
FALTAS DIAS DE FÉRIAS 
Até 5 dias 30 dias 
De 6 a 14 dias 24 dias 
De 15 a 23 dias 18 dias 
De 24 a 32 dias 12 dias 
 
Atenta-se que, para a doutrina e a jurisprudência, se o empregado faltar mais de 32 dias, 
perderá o direito a férias. 
Frisa-se que o disposto no art. 130 da CLT também se aplica aos empregados que laboram 
em regime de tempo parcial. 
 
24 
O art. 131 da CLT enumera as hipóteses em que não serão consideradas faltas ao serviço, 
para efeitos de férias, as ausências do empregado: 
 Nos casos do art. 473, da CLT (faltas justificadas); 
 Licença maternidade ou aborto espontâneo; 
 Afastamento em razão de acidente de trabalho, salvo quando o empregado ficar 
afastado por mais de 6 (seis) meses, mesmo que descontínuos; 
 Suspensão preventiva para responder a inquérito administrativo; 
 Prisão preventiva, quando for impronunciado ou absolvido; 
 Paralisação da empresa, salvo quando ultrapassar 30 dias com remuneração. 
Além dessas situações, também não se considera falta aquela que for justificada pela 
empresa, entendida como a que não determinar o desconto do salário. 
É possível que o empregado perca o direito a férias? Sim. 
De acordo com o art. 133 da CLT, não terá direito a férias o empregado que, no curso 
do período aquisitivo: 
 Deixar o emprego e não for readmitido em 60 dias; 
 Gozar de licença remunerada por mais de 30 dias; 
 Paralisação parcial ou total da empresa por mais de 30 dias, com percepção de 
salário; 
 Receber prestações de acidente de trabalho ou de auxílio doença por mais de 6 (seis) 
meses, embora descontínuos. 
 
 
25 
Para que o tempo de trabalho anterior à apresentação do empregado para serviço militar 
obrigatório seja computado no período aquisitivo das férias, deverá este comparecer ao 
estabelecimento dentro de 90 dias da data em que se verificar a respectiva baixa. 
Quanto à concessão das férias analisemos as regras a seguir. 
Primeiramente, destaca-se que a escolha das férias, dentro do período concessivo, caberá 
ao empregador. 
Em segundo lugar, as férias podem ser usufruídas em até três períodos, desde que haja 
concordância do empregado. Contudo, o período não pode ser inferior a 14 dias corridos e os 
demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um, nos termos do art. 134, §1º, 
CLT. 
Somado a isso, o art. 134, §3º, CLT dispõe que é vedado o início das férias em período 
de dois dias que antecede feriado ou repouso semanal remunerado. 
A concessão será participada, por escrito, ao empregado com antecedência mínima de 
30 dias. Ademais, o empregado não poderá entrar em gozo de férias sem que apresente ao 
seu empregador sua CTPS para fins de anotação da concessão desse período. 
O art. 136, §1º, da CLT, dispõe que os membros de uma família que trabalham no 
mesmo estabelecimento ou empresa terão direito a gozar férias no mesmo período, cabendo 
ao empregador analisar se o descanso de ambos no mesmo período causará ou não prejuízo. 
Além dessa previsão, o §2º do art. 136, da CLT, estabelece que o empregado estudante, menor 
de 18 (dezoito) anos, terá direito a fazer coincidir suas férias com as férias escolares. 
O empregado pode trabalhar durante o período de férias? A resposta é negativa, salvo 
em virtude de contrato de trabalho já estipulado. 
Visto isso, falaremos agora das situações que ensejam o pagamento em dobro das férias: 
 Concessão fora do período de 12 meses; 
 
26 
 Se não pagar dentro do prazo do art. 145 da CLT (2 dias antes do respectivo 
período); 
Sobre o tema, vide o entendimento do TST: 
Súmula nº 450 - FÉRIAS. GOZO NA ÉPOCA PRÓPRIA. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. 
DOBRA DEVIDA. ARTS. 137 E 145 DA CLT. 
É devido o pagamento em dobro da remuneração de férias, incluído o terço 
constitucional, com base no art. 137 da CLT, quando, ainda que gozadas na época 
própria, o empregador tenha descumprido o prazo previsto no art. 145 do mesmo 
diploma legal. 
 Concessão dentro do período concessivo, mas fruição ultrapassa este período. 
 Exemplo: o período concessivo das férias de uma empregada éde nov/2018 a 
nov/2019. Porém, ela só começa a fruir das férias no dia 29 de nov/2018. Nesse caso, 
o período de fruição das férias vai ultrapassar o período de concessão. Logo, serão 
devidas as férias dobradas. 
É oportuno ressaltar a seguinte jurisprudência do TST: 
Súmula nº 7 – FÉRIAS. A indenização pelo não deferimento das férias no tempo oportuno 
será calculada com base na remuneração devida ao empregado na época da reclamação ou, 
se for o caso, na da extinção do contrato. 
E férias proporcionais, você sabe o que significa e como são pagas? 
As férias proporcionais são aquelas concedidas ainda no curso do período aquisitivo e 
são calculadas na proporção de 1/12, sendo considerado 1 mês completo quando houver 
prestação de serviço ao empregador por 15 dias ou mais. 
Em suma, temos o seguinte: 
 Férias em dobro: concedidas após o período concessivo. 
 
27 
 Férias proporcionais: concedidas ainda no período aquisitivo, calculadas na 
proporção de 1/12.7 
 Férias simples: concedidas dentro do período concessivo, já tendo o empregado 
laborado por 12 meses no período aquisitivo. 
Extinguindo-se o contrato sem justa causa, o empregado terá direito a férias simples (se 
a extinção se deu durante o período concessivo), em dobro (se não gozadas as férias no período 
concessivo) e/ou proporcionais (à razão de 1/12, referente ao período aquisitivo incompleto), 
conforme preceitua o art. 146 e seu parágrafo da CLT. 
 
 
 
No caso do trabalhador intermitente, as férias são pagas, de modo proporcional, ao término 
de cada período de prestação de serviço (art. 452-A, § 6º). 
 
Na sequência, analisemos a questão do abono pecuniário, coloquialmente conhecido 
como “venda” das férias. Em regra, o empregado faz jus a 30 dias, sendo-lhe facultado converter 
1/3 (10 dias) de suas férias. 
A conversão das férias em abono pecuniário consiste em um direito potestativo do 
empregado e deve ser requerido até 15 dias antes do início do período das férias, nos termos 
do art. 143, § 1º, da CLT. 
 
7 Vide questão 6 desse material. 
 
28 
Por fim, temos as férias coletivas, nos termos do art. 139, CLT8. O seu intuito é assegurar 
os interesses da empresa, seja em virtude de uma crise econômica ou pela inviabilidade de 
manter o quadro de funcionários durante um período do ano. 
As férias coletivas podem ser concedidas para toda a empresa ou para determinados 
setores ou estabelecimentos. Poderão ser fracionadas em até 2 períodos anuais, sendo que 
nenhum deles poderá ser inferior a 10 dias corridos. 
De acordo com os §§ 2º e 3º do art. 139 consolidado, o empregador comunicará ao órgão 
local do Ministério do Trabalho (atualmente, Ministério da Economia) e ao sindicato da categoria 
profissional, com antecedência mínima de 15 (quinze) dias, as datas de início e de fim das 
férias, bem como os setores e estabelecimentos abrangidos. 
Encerramos, assim, o estudo das férias, porém, é importante que você faça a leitura da 
letra da lei, uma vez que, constantemente, é cobrada em prova. 
 
 
8 Vide questão 03 dessa apostila. 
 
29 
JORNADA DE 
TRABALHO
Tempo à disposição do 
empregador
Não se considera 
tempo à disposição do 
empregador: art. 4º, 
§2º, CLT.
Jornada em tempo 
parcial
36h  Sem horas 
extras
26h  Com horas extras 
até 6h
Excluídos da jornada 
de trabalho
Atividade externa
Cargo de gestão
(Gratificação > 40%) Teletrabalho
QUADRO SINÓTICO 
 
 
 
 
30 
 
 ACORDO MENSAL ACORDO 
SEMESTRAL 
BANCO DE HORAS 
ANUAL 
Módulo 
compensatório 
Compensa dentro de 1 
mês 
Compensa em até 
6 meses 
Compensa em até 
1 ano 
Requisito Acordo individual tácito 
ou escrito 
Acordo individual escrito CCT/ACT 
 
 
FÉRIAS INDIVIDUAIS FÉRIAS COLETIVAS 
Possibilidade de fracionamento em até 3 
períodos (art. 134, §1º, CLT) 
Possibilidade de fracionamento em 2 
períodos (art. 139, §1º, CLT) 
 
FÉRIAS
Período aquisitivo: primeiros 
12 meses de trabalho, contados 
da admissão do empregado.
(Art. 130, CLT)
Período concessivo: 12 meses 
após o período aquisitivo. 
(Art. 134, §1º, CLT) 
 
31 
QUESTÕES COMENTADAS 
Questão 1 
(XXVIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Rita de Cássia é enfermeira em um hospital desde 
10/01/2018, no qual trabalha em regime de escala de 12x36 horas, no horário das 7.00 às 19.00 
horas. Tal escala encontra-se prevista na convenção coletiva da categoria da empregada. Alguns 
plantões cumpridos por Rita de Cássia coincidiram com domingos e outros, com feriados. Em 
razão disso, a empregada solicitou ao seu gestor que as horas cumpridas nesses plantões fossem 
pagas em dobro. 
Sobre a pretensão da empregada, diante do que preconiza a CLT, assinale a afirmativa correta. 
A) Ela fará jus ao pagamento com adicional de 100% apenas nos feriados. 
B) Ela não terá direito ao pagamento em dobro nem nos domingos nem nos feriados. 
C) Ela terá direito ao pagamento em dobro da escala que coincidir com o domingo. 
D) Ela receberá em dobro as horas trabalhadas nos domingos e feriados. 
 
Comentário: 
CLT, Art. 59-A, Parágrafo único. A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput 
[12X36] deste artigo abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e 
pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações 
de trabalho noturno, quando houver, de que tratam o art. 70 e o § 5° do art. 73 desta 
Consolidação. 
Questão 2 
(XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Rogério foi admitido, em 08/12/2017, em uma locadora 
de automóveis, como responsável pelo setor de contratos, razão pela qual não necessitava 
 
32 
comparecer diariamente à empresa, pois as locações eram feitas on-line. Rogério comparecia à 
locadora uma vez por semana para conferir e assinar as notas de devolução dos automóveis. 
Assim, Rogério trabalhava em sua residência, com todo o equipamento fornecido pelo 
empregador, sendo que seu contrato de trabalho previa expressamente o trabalho remoto a 
distância e as atividades desempenhadas. 
Após um ano trabalhando desse modo, o empregador entendeu que Rogério deveria trabalhar 
nas dependências da empresa. A decisão foi comunicada a Rogério, por meio de termo aditivo 
ao contrato de trabalho assinado por ele, com 30 dias de antecedência. 
Ao ser dispensado em momento posterior, Rogério procurou você, como advogado(a), 
indagando sobre possível ação trabalhista por causa desta situação 
Sobre a hipótese de ajuizamento, ou não, da referida ação, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Não se tratando da modalidade de teletrabalho, deverá ser requerida a desconsideração do 
trabalho em domicílio, já que havia comparecimento semanal nas dependências do empregador. 
B) Não deverá ser requerido o pagamento de horas extras pelo trabalho sem limite de horário, 
dado o trabalho em domicílio, porém poderá ser requerido trabalho extraordinário em virtude 
das ausências de intervalo de 11h entre os dias de trabalho, bem como o intervalo para repouso 
e alimentação. 
C) Em vista da modalidade de teletrabalho, a narrativa não demonstra qualquer irregularidade 
a ser requerida em eventual demanda trabalhista. 
D) Deverá ser requerido que os valores correspondentes aos equipamentos usados para o 
trabalho em domicílio sejam considerados salário-utilidade. 
 
Comentário: 
Art. 75-B. Considera-se teletrabalho a prestação de serviços preponderantemente fora das 
dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação 
que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo. 
 
33 
Parágrafo único. O comparecimento às dependências do empregador para a realização de 
atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não 
descaracteriza o regime de teletrabalho. 
Art. 75-C. A prestaçãode serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente 
do contrato individual de trabalho, que especificará as atividades que serão realizadas pelo 
empregado. 
(...) 
§ 2 Poderá ser realizada a alteração do regime de teletrabalho para o presencial por 
determinação do empregador, garantido prazo de transição mínimo de quinze dias, com 
correspondente registro em aditivo contratual. 
Questão 3 
(XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Considerando a grave crise financeira que o país 
atravessa, a fim de evitar a dispensa de alguns funcionários, a metalúrgica Multiforte Ltda. 
pretende suspender sua produção por um mês. O Sindicato dos Empregados da indústria 
metalúrgica contratou você para, como advogado, buscar a solução para o caso. 
Segundo o texto da CLT, assinale a opção que apresenta a solução de acordo mais favorável 
aos interesses dos empregados. 
A) Implementar a suspensão dos contratos de trabalho dos empregados por 30 dias, por meio 
de acordo individual de trabalho. 
B) Conceder férias coletivas de 30 dias. 
C) Promover o lockout. 
D) Implementar a suspensão dos contratos de trabalho dos empregados por 30 dias, por meio 
de acordo coletivo de trabalho. 
 
Comentário: 
Art. 139. 
 
34 
Poderão ser concedidas férias coletivas a todos os empregados de uma empresa ou de 
determinados estabelecimentos ou setores da empresa. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 
1.535, de 13.4.1977 
§ 1º - As férias poderão ser gozadas em 2 (dois) períodos anuais desde que nenhum deles seja 
inferior a 10 (dez) dias corridos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977 
§ 2º - Para os fins previstos neste artigo, o empregador comunicará ao órgão local do Ministério 
do Trabalho, com a antecedência mínima de 15 (quinze) dias, as datas de início e fim das férias, 
precisando quais os estabelecimentos ou setores abrangidos pela medida. (Redação dada pelo 
Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977 
§ 3º - Em igual prazo, o empregador enviará cópia da aludida comunicação aos sindicatos 
representativos da respectiva categoria profissional, e providenciará a afixação de aviso nos 
locais de trabalho. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977 
 
Questão 4 
(XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017) Suely trabalha na casa de Rogério como cuidadora de 
seu pai, pessoa de idade avançada e enferma, comparecendo de segunda a sexta-feira, das 8:00 
às 17:00 h, com intervalo de uma hora para refeição. De acordo com o caso narrado e a 
legislação de regência, assinale a afirmativa correta. 
A) O controle escrito não é necessário, porque menos de 10 empregados trabalham na 
residência de Rogério. 
B) A lei de regência prevê que as partes podem acertar, por escrito, a isenção de marcação da 
jornada normal, assinalando apenas a eventual hora extra. 
C) A Lei é omissa a respeito, daí por que a existência de controle deve ser acertado entre as 
partes envolvidas no momento da contratação. 
D) Rogério deve, por força de Lei, manter controle escrito dos horários de entrada e saída da 
empregada doméstica. 
 
 
35 
Comentário: 
LC nº 150: 
Art. 12. É obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico por qualquer 
meio manual, mecânico ou eletrônico, desde que idôneo. 
Não necessariamente o registro deverá ser escrito, como podemos ver pela leitura do artigo 
supra (pode ser eletrônico, por exemplo). 
Questão 5 
(XX EXAME DE ORDEM – FGV - 2016) Denise é empregada doméstica e labora em sistema de 
escala de 12 horas seguidas por 36 horas ininterruptas de descanso na residência da sua 
empregadora. Em relação ao caso concreto, e de acordo com a Lei de Regência, assinale a 
afirmativa correta. 
A) O sistema de 12x36 horas para o doméstico depende da assinatura de acordo coletivo ou da 
convenção coletiva de trabalho. 
B) É vedada a adoção do sistema 12x36 horas para os empregados domésticos, daí porque 
inválido o horário adotado. 
C) A Lei de regência é omissa a respeito, daí porque, em razão da proteção, não se admite o 
sistema de escala para o doméstico. 
D) É possível a fixação do sistema de escala de 12x36 horas para o doméstico, desde que feito 
por acordo escrito individual. 
 
Comentário: 
O caso em tela já trata de empregada doméstica em conformidade com a nova lei de 
regência, qual seja, LC 150/15. A jornada narrada se amolda ao artigo 10 do referido diploma: 
 
 
36 
Art. 10. É facultado às partes, mediante acordo escrito entre essas, estabelecer horário de 
trabalho de 12 (doze) horas seguidas por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas de descanso, 
observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. 
§1o A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput deste artigo abrange os 
pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e 
serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando 
houver, de que tratam o art. 70 e o § 5º do art. 73 da Consolidação das Leis do Trabalho 
(CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943, e o art. 9o da Lei no 605, 
de 5 de janeiro de 1949.. 
 
Questão 6 
(XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Fábio trabalha em uma mineradora como auxiliar 
administrativo. A sociedade empresária, espontaneamente, sem qualquer previsão em norma 
coletiva, fornece ônibus para o deslocamento dos funcionários para o trabalho, já que ela se 
situa em local cujo transporte público modal passa apenas em alguns horários, de forma regular, 
porém insuficiente para a demanda. O fornecimento do transporte pela empresa é gratuito, e 
Fábio despende cerca de uma hora para ir e uma hora para voltar do trabalho no referido 
transporte. Além do tempo de deslocamento, Fábio trabalha em uma jornada de 8 horas, com 
uma hora de pausa para repouso e alimentação. 
Insatisfeito, ele procura você, como advogado(a), a fim de saber se possui algum direito a 
reclamar perante a Justiça do Trabalho. 
Considerando que Fábio foi contratado em dezembro de 2017, bem como a legislação em vigor, 
assinale a afirmativa correta. 
 
A) Fábio faz jus a duas horas extras diárias, em razão do tempo despendido no transporte. 
B) Fábio não faz jus às horas extras, pois o transporte fornecido era gratuito. 
C) Fábio faz jus às horas extras, porque o transporte público era insuficiente, sujeitando o 
trabalhador aos horários estipulados pelo empregador. 
 
37 
D) Fábio não faz jus a horas extras, porque o tempo de transporte não é considerado tempo à 
disposição do empregador. 
 
Comentário: 
Questão trata sobre as horas in itineres que foram extintas com a Reforma Trabalhista pela 
nova redação do art. 58 da CLT. 
Antes da reforma, basta o preenchimento dos seguintes requisitos para caracterizar tempo a 
disposição do empregador: o local de trabalho seja de difícil acesso ou não servido por 
transporte público regular e o empregador forneça transporte para o deslocamento. 
 
Questão 7 
(XXVIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Você, como advogado(a), foi procurado por Pedro para ajuizar 
ação trabalhista em face da ex-empregadora deste. 
 
Pedro lhe disse que após encerrar o expediente e registrar o efetivo horário de saída do trabalho, ficava 
na empresa em razão de eventuais tiroteios que ocorriam na região. Nos meses de verão, ocasionalmente, 
permanecia na empresa para esperar o escoamento da água decorrente das fortes chuvas. Diariamente, 
após o expediente, havia culto ecumênico de participação voluntária e, dada sua atividade em setor de 
contaminação radioativa, era obrigado a trocar de uniforme na empresa, o que levava cerca de 20 
minutos. 
Considerando o labor de Pedro, de 10/12/2017 a 20/09/2018, e a atual legislação em vigor, assinale a 
afirmativa correta. 
 
A) Apenas o período de troca de uniforme deve ser requerido como horário extraordinário. 
B) Todo o tempo que Pedro ficava na empresa gera hora extraordinária,devendo ser pleiteado como tal 
em sede de ação trabalhista. 
C) Nenhuma das hipóteses gera labor extraordinário. 
 
38 
D) Como apenas a questão religiosa era voluntária, somente essa não gera horário extraordinário.. 
 
 
Comentário: 
 
CLT, art. 4°, § 2° Por NÃO se considerar tempo à disposição do empregador, NÃO será computado 
como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de 5 
minutos previsto no § 1° do Art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por ESCOLHA PRÓPRIA, 
buscar PROTEÇÃO PESSOAL, em caso de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas, 
bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer ATIVIDADES 
PARTICULARES, entre outras: (Exemplificativo) 
I – práticas religiosas; II – descanso; III – lazer; IV – estudo; V – alimentação; VI – atividades de 
relacionamento social; VII – higiene pessoal; VIII – troca de roupa ou uniforme, quando não houver 
obrigatoriedade de realizar a troca na empresa. 
 
Questão 8 
(XXVII EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Renato trabalha na empresa Ramos Santos Ltda. 
exercendo a função de técnico de manutenção. De segunda a sexta-feira, ele trabalha das 8h às 
17h, com uma hora de almoço, e, aos sábados, das 8h às 12h, sem intervalo. 
Ocorre que, por reivindicação de alguns funcionários, a empresa instituiu um culto ecumênico 
toda sexta-feira, ao final do expediente, cujo comparecimento é facultativo. O culto ocorre das 
17h às 18h, e Renato passou a frequentá-lo. 
Diante dessa situação, na hipótese de você ser procurado como advogado(a) em consulta 
formulada por Renato sobre jornada extraordinária, considerando o enunciado e a legislação 
trabalhista em vigor, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Renato não faz jus a qualquer valor de horas extras. 
B) Renato tem direito a uma hora extra semanal, pois o culto foi instituído pela empregadora. 
 
39 
C) Renato tem direito a uma hora extra diária, de segunda a sexta-feira, em razão do horário 
de trabalho das 8h às 17h. 
D) Renato tem direito a nove horas extras semanais, sendo cinco de segunda a sexta-feira e 
mais as 4 aos sábados. 
 
Comentário: 
Art. 4º - Considera-se como de serviço efetivo o período em que o empregado esteja à 
disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial 
expressamente consignada. 
§ 2º Por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado 
como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o 
limite de cinco minutos previsto no § 1º do art. 58 desta Consolidação, quando o 
empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas 
vias públicas ou más condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas 
dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: 
I - práticas religiosas 
Questão 9 
(XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Felisberto foi contratado como técnico pela sociedade 
empresária Montagens Rápidas Ltda., em janeiro de 2018, recebendo salário correspondente ao mínimo 
legal. Ele não está muito satisfeito, mas espera, no futuro, galgar degraus dentro da empresa. O 
empregado em questão trabalha na seguinte jornada: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h48min 
com intervalo de uma hora para refeição, tendo assinado acordo particular por ocasião da admissão para 
não trabalhar aos sábados e trabalhar mais 48 minutos de segunda a sexta-feira. 
Com base na situação retratada e na Lei, considerando que a norma coletiva da categoria de Felisberto 
é silente a respeito, assinale a afirmativa correta. 
A) Há direito ao pagamento de horas extras, porque a compensação de horas teria de ser feita por 
acordo coletivo ou convenção coletiva, não se admitindo acordo particular para tal fim. 
 
40 
B) Não existe direito ao pagamento de sobrejornada, porque as partes podem estipular qualquer 
quantidade de jornada, independentemente de limites. 
C) A Lei é omissa a respeito da forma pela qual a compensação de horas deva ser realizada, razão pela 
qual caberá ao juiz, valendo-se de bom senso e razoabilidade, julgar por equidade. 
D) A situação não gera direito a horas extras, porque é possível estipular compensação semanal de horas, 
inclusive por acordo particular, como foi o caso. 
 
 
Comentário: 
CLT, Art. 59. 
A duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em número não excedente 
de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. 
CLT, Art. 59, § 6o 
É lícito o regime de compensação de jornada estabelecido por acordo individual, tácito ou 
escrito, para a compensação no mesmo mês. 
 
 
Questão 10 
(XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Lúcio foi dispensado do emprego, no qual trabalhou 
de 17/11/2017 a 20/03/2018, por seu empregador. Na sociedade empresária em que trabalhou, 
Lúcio batia o cartão de ponto apenas no início e no fim da jornada efetiva de trabalho, sem 
considerar o tempo de café da manhã, de troca de uniforme (que consistia em vestir um jaleco 
branco e tênis comum, que ficavam na posse do empregado) e o tempo em que jogava pingue-
pongue após almoçar, já que o fazia em 15 minutos, e poderia ficar jogando até o término do 
intervalo integral. 
Você foi procurado por Lúcio para, como advogado, ingressar com ação pleiteando horas extras 
pelo tempo indicado no enunciado não constante dos controles de horário. 
 
41 
Sobre o caso, à luz da CLT, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Lúcio não faz jus às horas extras pelas atividades indicadas, pois as mesmas não constituem 
tempo à disposição do empregador. 
B) Lúcio faz jus às horas extras pelas atividades indicadas, pois as mesmas constituem tempo à 
disposição do empregador, já que Lúcio estava nas dependências da empresa. 
C) Apenas o tempo de alimentação e café da manhã devem ser considerados como tempo à 
disposição, já que o outro representa lazer do empregado. 
D) Apenas o tempo em que ficava jogando poderá ser pretendido como hora extra, pois Lúcio 
não desfrutava integralmente da pausa alimentar. 
 
Comentário: 
Lúcio não faz parte da jornada de trabalho. (Tomar café, uniforme, jogar pingue-pongue, não fazem parte 
do horário do trabalho). Art. 4 parágrafo 2º d CLT.. 
 
 
 
42 
GABARITO 
 
Questão 1 - B 
Questão 2 - C 
Questão 3 - B 
Questão 4 - D 
Questão 5 – D 
Questão 6 - D 
Questão 7 – A 
Questão 8 - A 
Questão 9 - D 
Questão 10 - A 
 
 
 
43 
QUESTÃO DESAFIO 
Julgue as assertivas, de forma fundamentada: Julgue as assertivas, 
de forma fundamentada: O tempo despendido pelo empregado 
desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho 
e para o seu retorno, por qualquer meio de transporte fornecido 
pelo empregador, será computado na jornada de trabalho, por ser 
considerado tempo à disposição do empregador? Por ser 
considerado tempo à disposição do empregador, será computado 
como período extraordinário o que exceder a jornada normal, 
desde que ultrapasse o limite de cinco minutos previsto no § 1º, do 
art. 58, da CLT, o tempo que o empregado permanecer nas 
dependências da empresa para exercer higiene pessoal? 
Responda em até 5 linhas 
 
44 
GABARITO QUESTÃO DESAFIO 
Assertiva errada, de acordo com o art. 58, § 2º, da CLT; assertiva errada, nos termos do art. 
4º, § 2º, VII, da CLT. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 ERRADA. Art. 58, § 2º, da CLT 
De acordo com o artigo 58, §2 º, da CLT, com redação dada pela Reforma Trabalhista: “O tempo 
despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho 
e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido 
pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição 
do empregador.” 
Acerca desse assunto, Gustavo Filipe Barbosa Garcia (Manual de Direitodo Trabalho, 2018, 11ª 
edição, p. 783 e 787) ensina que: “ Deixam de ser devidas, assim, as horas ‘in itinere’ ou de 
trajeto. Anteriormente, o art. 58, § 2º, da CLT, com redação decorrente da Lei 10.243/2001, previa 
que o tempo despendido pelo empregado até o local de trabalho e para seu retorno, não será 
computado na jornada de trabalho, salvo quando, tratando-se de local de difícil acesso ou não 
servido por transporte público, o empregador fornecer a condução. (…) Para que as horas do 
trajeto integrassem a jornada de trabalho eram exigidos dois requisitos, quais sejam: local de 
trabalho de difícil acesso, ou não servido por transporte público regular; e condução fornecida 
pelo empregador. 
(…) De todo modo, o art. 58, § 2º, da CLT, em sua atual redação, exclui por completo o direito 
à remuneração das horas ‘in intinere’. A medida, entretanto, é contrária ao mandamento 
constitucional de melhoria das condições de trabalho, ao princípio da progressividade na 
efetivação dos direitos sociais (art. 5º, §§ 1º e 2º, e art. 7º, caput, da Constituição da República) 
e ao valor social do trabalho, previsto como fundamento do Estado Democrático de Direito 
(art. 1º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988)”. Assim, a assertiva mostra-se errada, de 
acordo com a alteração promovida pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017). 
 
45 
 Errada. Art. 4º, § 2º, VII, da CLT. 
De início, cabe ressaltar, que o art. 4º da CLT considera como tempo de serviço efetivo “o 
período em que que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou 
executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada.” 
Por sua vez, o § 2º, do referido dispositivo, incluído pela Reforma Trabalhista, estabelece que: 
“Por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado como período 
extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos 
previsto no § 1o do art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por escolha própria, 
buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas, 
bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades 
particulares, entre outras: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 
I - práticas religiosas; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 
II - descanso; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 
III - lazer; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 
IV - estudo; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 
V - alimentação; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 
VI - atividades de relacionamento social; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
(Vigência) 
VII - higiene pessoal; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) 
VIII - troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na 
empresa. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)”. 
O art. 58, § 1º, da CLT estatui que: “ Não serão descontadas nem computadas como jornada 
extraordinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes de cinco minutos, 
observado o limite máximo de dez minutos diários.” 
 
46 
Acerca desse último dispositivo, Gustavo Filipe Barbosa Garcia (Manual de Direito do Trabalho, 
2018, 11ª edição, p. 789 e 790) ensina que: “Não serão descontadas nem computadas como 
jornada extraordinária as variações de horário do registro de ponto não excedentes de cinco 
minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários. Se ultrapassado esse limite, será 
considerada como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal, pois configurado 
tempo à disposição do empregador (Súmula 366 do TST). (…) Observe-se que embora o limite 
máximo seja de dez minutos diários, não se admite a variação superior a cinco minutos em cada 
campo de registro de horário no dia”. 
Ressalte-se que o art. 7º, XIII, da CF/88 assegura aos trabalhadores a duração do trabalho normal 
não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. 
Desse modo, verifica-se que assertiva está errada, uma vez que o inciso VII do § 2º do art. 4º 
estabelece que o tempo que o empregado permanecer na empresa para higiene pessoal é 
considerado atividade particular, o qual não é considerado tempo à disposição do empregador 
e, portanto, não será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, 
ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos, previsto no art. 58, § 1º, da CLT. 
Ressalte-se, por fim, o entendimento do TST, previsto na Súmula 449, no sentido de que: “A 
partir da vigência da Lei nº 10.243, de 19.06.2001, que acrescentou o § 1º ao art. 58 da CLT, não 
mais prevalece cláusula prevista em convenção ou acordo coletivo que elastece o limite de 5 
minutos que antecedem e sucedem a jornada de trabalho para fins de apuração das horas 
extras.” 
) 
 
47 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
Duração do trabalho e períodos de descanso 
 CLT: Art. 4º; Arts. 57 ao 74; 244, §§2º e 3º; 611-A, III. 
 CF/88: Art. 7º, IX, XIII, XV. 
 Súmulas do TST: 85, IV; 60; 65; 265; 346; 349; 358; 376. 
 OJ’s do TST da SDI-I: 323. 
 Lei 5.889/73 (Lei do Trabalhador Rural) 
 MP 905/2019 
Turnos ininterruptos de revezamento 
 CF/88: Art. 7º, XIV. 
 Súmulas do TST: 360 e 423. 
 OJ’s do TST da SDI-I: 360; 395; 420. 
Teletrabalho 
 CLT: Arts. 75-A a 75-E. 
Férias 
 CLT: Arts. 129 a 153. 
 CF/88: Art. 7º, XVII. 
 Súmulas do TST: 7; 261; 450. 
 
 
48 
JURISPRUDÊNCIA 
Jornada de Trabalho 
 TST-AIRO-277-95.2015.5.17.0000, SDC, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, red. p/ 
acórdão Min. Ives Gandra da Silva Martins Filho, 8.4.2019 (Info 194) 
Ação anulatória. Acordo coletivo de trabalho. Sistema de registro de ponto por exceção. 
Validade. A SDC, por maioria, deu provimento a recurso ordinário para considerar válida cláusula 
constante de acordo coletivo de trabalho que estabeleceu sistema de controle de jornada por 
exceção, no qual o empregado anota no registro de ponto somente situações excepcionais, 
como faltas, saídas antecipadas, atrasos, licenças e horas extras. Prevaleceu o entendimento de 
que o art. 74, §2º, da CLT, ao atribuir ao empregador a obrigação de formar prova pré-
constituída a respeito da jornada de trabalho de seus empregados, possui natureza 
eminentemente processual. Não se trata, portanto, de matéria de ordem pública, que asseguraria 
ao trabalhador determinado regime de marcação de ponto. Assim, não há óbice a que os 
sujeitos coletivos negociem a forma pela qual o controle será realizado, desde que garantida 
aos empregados a verificação dos dados inseridos no sistema. Vencidos os Ministros Mauricio 
Godinho Delgado, relator, e Aloysio Corrêa da Veiga. 
Comentário: De acordo com o TST, é válida a cláusula constante de acordo coletivo de trabalho 
que estabeleceu sistema de controle de jornada por exceção, no qual o empregado anota no 
registro de ponto somente situações excepcionais, como faltas, saídas antecipadas, atrasos, 
licenças e horas extras. 
Períodos de descanso 
 TST: RO-22003-83.2018.5.04.0000, SDC, rel. Min. Ives Gandra da Silva Martins Filho, 
14.10.2019 (Info 208) 
 
49 
Lei nº 13.467/2017. Cláusula de norma coletiva que prevê jornada de 7h20min. Validade. 
Necessidade de concessão do intervalo intrajornada mínimo de trinta minutos para jornadas 
superiores a seis horas. Art. 611-A, III, da CLT. É válida, independentemente de indicação 
expressa de contrapartidas recíprocas, cláusula de instrumento coletivo firmado após a vigência 
da Lei nº 13.467/2017 que flexibilize normas trabalhistas concernentes à jornada e ao intervalo 
intrajornada, desde que, neste último caso, seja respeitado o limite mínimo de trinta minutos 
para jornadas superiores a seishoras (art. 611-A, III, da CLT). Ao dispor sobre direitos 
insuscetíveis de supressão ou redução por norma coletiva, o art. 611-B, parágrafo único, da CLT 
excluiu expressamente as regras sobre duração do trabalho e intervalos, as quais não são 
consideradas como normas de saúde, higiene e segurança do trabalho, para os fins do referido 
artigo. Ademais, à espécie não se aplica a Súmula nº 437 do TST, visto que suas disposições 
regem situações anteriores à vigência da Lei nº 13.467/2017. No caso, o TRT de origem, 
considerando a petição informando a existência de negociação direta entre as partes, 
homologou o acordo firmado, com ressalvas do Ministério Público que, no recurso ordinário, 
pleiteou a exclusão da cláusula que admite a adoção de “(...) jornada de trabalho ininterrupta 
de 07h20min diários, sem redução e sem acréscimo salarial e/ou gratificação de hora 
extraordinária”. Assim, verificando que a cláusula impugnada, embora preveja jornada de 
trabalho válida, não assegurou o intervalo intrajornada mínimo previsto em lei, a SDC, por 
unanimidade, conheceu do recurso ordinário do MPT e, no mérito, deu-lhe provimento parcial 
para adequar a redação da cláusula e incluir a concessão do intervalo intrajornada de trinta 
minutos a que se refere o art. 611-A, III, da CLT. 
 
 TST: E-RR-168000-85.2009.5.02.0027, SBDI-I, rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, 
24.5.2018. (Info 179) 
 
Intervalo intrajornada. Redução. Autorização do Ministério do Trabalho. Horas extras 
prestadas sem habitualidade. Pagamento das horas extraordinárias decorrentes da redução 
do intervalo intrajornada restrito aos dias em que houve efetivo trabalho em sobrejornada. 
Não se admite a redução do intervalo intrajornada nos dias em que concomitantemente houver 
prestação de horas extras, ainda que presente a autorização do Ministério do Trabalho a que se 
 
50 
refere o art. 71, § 3º, da CLT. Na hipótese, registrou-se que além de a empresa ter autorização 
para reduzir o intervalo intrajornada, o empregado não estava submetido a regime de trabalho 
prorrogado a horas suplementares, mas apenas prestava horas extras de forma esporádica. 
Assim, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos por divergência jurisprudencial, e, 
no mérito, por maioria, deu-lhes provimento parcial para limitar o pagamento das horas extras 
decorrentes da redução do intervalo intrajornada, no período em que havia autorização do 
Ministério do Trabalho, aos dias em que efetivamente houve prestação de horas extras. Vencidos 
parcialmente os Ministros Aloysio Corrêa da Veiga e Maria Cristina Irigoyen Peduzzi. 
Comentário: De acordo com o TST, é proibida a redução do intervalo intrajornada nos dias em 
que concomitantemente houver prestação de horas extras, ainda que presente a autorização do 
Ministério do Trabalho a que se refere o art. 71, § 3º, da CLT. 
Turno ininterrupto de revezamento 
 TST: AIRO-277-95.2015.5.17.0000, SDC, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, red. p/ 
acórdão Min. Ives Gandra da Silva Martins Filho, 8.4.2019 (Info 194) 
Ação anulatória. Acordo coletivo de trabalho. Turno ininterrupto de revezamento. Regime 
4x4. Validade. Súmula nº 423 do TST. Não incidência. É válida cláusula da norma coletiva que 
fixa em dez horas a jornada de trabalho em turno ininterrupto de revezamento, em que o 
empregado trabalha dez horas diárias, com intervalo intrajornada de duas horas, alternando-se 
dois dias no período diurno e dois dias no período noturno, seguidos de quatro dias 
consecutivos de folga. Tal regime (4x4) não viola o art. 7º, XIV, da CF, pois o limite de seis horas 
para a jornada em turno ininterrupto de revezamento estabelecido pelo legislador constitucional 
somente se aplica se não houver negociação coletiva dispondo especificamente sobre o assunto. 
De outra sorte, não há falar em incidência da Súmula nº 423 do TST ao caso concreto, visto que 
a modalidade de trabalho adotada na espécie difere do turno ininterrupto típico, na medida em 
que garante duas horas de intervalo intrajornada. Ademais, a súmula em questão não impõe à 
norma coletiva o limite máximo de oito horas para a jornada em turnos ininterruptos de 
revezamento, mas apenas estabelece que, nessa situação, a 7ª e a 8ª horas não serão pagas 
 
51 
como extras. Sob esses fundamentos, a SDC, por maioria, negou provimento ao recurso ordinário 
do Ministério Público do Trabalho para manter a decisão do Tribunal Regional que julgara 
improcedente o pedido de nulidade da cláusula que fixou o regime 4x4. Vencido o Ministro 
Mauricio Godinho Delgado, relator. 
Férias 
 TST-RR-684-94.2012.5.04.0024, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado 
em 2.10.2019. (Info 207) 
“(...)1 - FÉRIAS INTERROMPIDAS. PAGAMENTO EM DOBRO DO PERÍODO INTEGRAL E NÃO 
APENAS DOS DIAS TRABALHADOS. No caso concreto, restou demonstrado que a reclamante 
foi chamada para trabalhar por três dias nas férias. Todavia, a Corte de origem manteve a 
condenação da reclamada ao pagamento em dobro apenas dos três dias trabalhados. O trabalho 
durante as férias torna irregular a sua concessão, porquanto frustra a finalidade do instituto, 
gerando, assim, o direito de o trabalhador recebê-las integralmente em dobro, e não apenas 
dos dias trabalhados, nos termos do artigo 137 da CLT. Precedente. Recurso de revista conhecido 
e provido. (...)” 
 TST-E-ED-RR-104300-96.2009.5.04.0022, SBDI-I, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello 
Filho, 8.11.2018. (Info 186) 
Férias. Conversão de 1/3 do período em abono pecuniário. Imposição do empregador. 
Aplicação da sanção do art. 137 da CLT. Pagamento em dobro devido. Dedução dos valores 
recebidos a título de abono pecuniário. A conversão de 1/3 do período de férias em abono 
pecuniário, conforme o art. 143 da CLT, é um direito potestativo do empregado, razão pela qual 
não pode ser imposta pelo empregador, sob pena de descumprimento dos arts. 134 e 143 da 
CLT e 7º, XVII, da CF. Ausente a livre escolha do trabalhador, aplica-se a sanção do art. 137 da 
CLT, que impõe o pagamento em dobro do período não usufruído, a fim de coibir a prática que 
compromete o direito ao descanso anual. Verificado, contudo, que o empregado já recebeu o 
abono pecuniário, esse montante deve ser considerado para efeito de aplicação da penalidade, 
evitando-se o pagamento em triplo da remuneração de férias e o consequente enriquecimento 
 
52 
sem causa. Sob esses fundamentos, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos, por 
divergência jurisprudencial, e, no mérito, deu-lhes provimento para restabelecer o acórdão do 
Regional. 
 
 
53 
MAPA MENTAL 
 
 
 
54 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
CISNEIROS, Gustavo. Direito do Trabalho Sintetizado. 1ª ed. Método, 2016. 
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do trabalho/ Maurício Godinho Delgado. – 17 
ed. rev. atual. e ampl. – São Paulo: Ltr, 2018. 
LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito do Trabalho. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018. 
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 34ª ed. Saraiva, 2018. 
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 43ª ed. Saraiva, 2018. 
RENZETTI, Rogério. Direito do Trabalho para Concursos – Teoria e questões práticas. 5ª ed. 
Método, 2018. 
RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho. 8ª ed. Método, 2018. 
RODRIGUEZ, Américo Plá. Princípios de Direito do Trabalho. 3. ed. atual. São Paulo: LTr, 2000. 
ROMAR, Carla Tereza Martins. Direito do Trabalho Esquematizado. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 
2018. 
 
	DIREITO DO TRABALHO
	Capítulo 6
	6. Duração do Trabalho. Períodos de descanso. Turnos ininterruptos de revezamento. Teletrabalho. Férias
	6.1 Jornada de trabalho
	Cumpre-nos ressaltar que as regras que veremos a seguir sobre jornada de trabalho não são aplicadas aos seguintes empregados:
	6.2 Períodos de descanso
	Por razões biológicas e para prevenir as doenças e acidentes do trabalho, entre duas jornadas diárias ou dentro da mesma jornada contínua,o empregador é obrigado a conceder intervalos.
	6.3 Turnos ininterruptos de revezamento
	6.4 Teletrabalho
	6.5 Férias
	QUADRO SINÓTICO
	QUESTÕES COMENTADAS
	GABARITO
	QUESTÃO DESAFIO
	GABARITO QUESTÃO DESAFIO
	LEGISLAÇÃO COMPILADA
	JURISPRUDÊNCIA
	MAPA MENTAL
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Mais conteúdos dessa disciplina