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OAB EXAME DE ORDEM Capítulo 06 1 CAPÍTULOS Capítulo 1 -Direito do Trabalho: conceito, características, natureza e funções. Fontes do Direito do trabalho. Eficácia das normas trabalhistas no tempo e no espaço. Princípios do Direito do trabalho Capítulo 2 – Relação de trabalho versus relação de emprego. Empregado. Empregador. Capítulo 3 – Contrato Individual do Trabalho. Alteração no Contrato de Trabalho. Suspensão e Interrupção no Contrato de Trabalho. Capítulo 4 – Extinção do Contrato de Trabalho. Estabilidades Capítulo 5 – Lei 6.019/1974: Terceirização e Trabalho Temporário. Capítulo 6 (você está aqui!)– Duração do Trabalho. Períodos de descanso. Turnos ininterruptos de revezamento. Teletrabalho. Férias Capítulo 7 – Segurança e medicina no trabalho: atividades insalubres e perigosas. Trabalho do menor. Trabalho da mulher. Capítulo 8 – Remuneração e Salário. Equiparação salarial Capítulo 9 – FGTS. Renúncia e Transação. Prescrição e Decadência. Dano Extrapatrimonial. Capítulo 10 – Direito Coletivo do Trabalho. Organização Sindical. Negociação Coletiva. Greve. 2 SOBRE ESTE CAPÍTULO E ai, OABeiro! Tudo certinho? A apostila de número 06 do nosso curso de Direito Processual do Trabalho tratará sobre Duração do Trabalho. De acordo com a nossa equipe de inteligência, esse assunto esteve presente 12 VEZES nos últimos 3 anos, sendo considerado um assunto de altíssima relevância para sua preparação na primeira e na segunda fase! É importante fazer uma ressalva sobre o assunto de horas extras, OABeiro! Visto que este conteúdo foi cobrado impressionante 7 vezes durante os últimos exames! Assim, atenção redobrada neste tópico, ok? Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei, entendimentos e orientações jurisprudenciais, e sempre em companhia de alguma doutrina à sua escolha. Lembre-se: A resolução de questões é a chave para a aprovação! Vamos juntos! 3 SUMÁRIO DIREITO DO TRABALHO ......................................................................................................................... 5 Capítulo 6 .................................................................................................................................................. 5 6. Duração do Trabalho. Períodos de descanso. Turnos ininterruptos de revezamento. Teletrabalho. Férias ................................................................................................................................. 5 6.1 Jornada de trabalho ............................................................................................................................................. 5 6.1.1 Tempo à disposição do empregador ........................................................................................................... 6 6.1.2 Trabalho em regime de tempo parcial ........................................................................................................ 7 6.1.3 Jornada 12x36......................................................................................................................................................... 8 6.1.4 Jornada suplementar ........................................................................................................................................... 9 6.1.5 Compensação de jornada ................................................................................................................................. 9 6.2 Períodos de descanso ...................................................................................................................................... 15 6.3 Turnos ininterruptos de revezamento ....................................................................................................... 19 6.4 Teletrabalho .......................................................................................................................................................... 21 6.5 Férias ........................................................................................................................................................................ 22 QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 29 QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................... 31 GABARITO ............................................................................................................................................... 42 QUESTÃO DESAFIO ................................................................................................................................ 43 GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................... 44 LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 47 JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................... 48 MAPA MENTAL ...................................................................................................................................... 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 54 4 5 DIREITO DO TRABALHO Capítulo 6 6. Duração do Trabalho. Períodos de descanso. Turnos ininterruptos de revezamento. Teletrabalho. Férias 6.1 Jornada de trabalho A duração do trabalho, conhecida também como jornada de trabalho, é o tempo diário que o empregado permanece à disposição do empregador. Serviço efetivo, como define o artigo 4º da CLT, não é apenas a execução do trabalho em si, mas também o tempo gasto aguardando ordens do empregador. Quando se fala em jornada de trabalho, basicamente devemos ter em mente os conceitos de tempo de trabalho efetivo, tempo à disposição do empregador, horas extras. sobreaviso e prontidão, pois são os temas mais cobrados em provas de concurso. O art. 7º, inciso XIII da CF dispõe que a duração do trabalho normal não poderá ser superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. No mesmo sentido, o art. 58 da CLT1 aduz que a duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite. Todavia, existem jornadas especiais. Por exemplo, os bancários trabalham 6 horas diárias e 36 semanais. No caso de trabalhadores de minas de subsolo, são 6 horas diárias e 36 1 Vide questão 06 desse material. 6 semanais. Jornalistas profissionais laboram 5 horas diárias, sendo possível haver prorrogação para até 7 horas, mediante acordo escrito. Operadores cinematográficos trabalham também 6 horas diárias, sendo 5 na cabine e 1 hora dedicada para limpeza e lubrificação das máquinas. Os aprendizes não podem ter jornada acima de 6 horas, vedadas a prorrogação e a compensação de jornada (salvo para os aprendizes que concluíram o ensino fundamental, conforme art. 432, caput, c/c §1º, CLT). De acordo com a Lei 13.874/2019, que alterou o §2º do art. 74 da CLT, se o estabelecimento contar com mais de vinte trabalhadores será obrigatório o registro do ponto, isto é, a anotação da hora de entrada e de saída, seja de forma manual, mecânica ou eletrônica. Cumpre-nos ressaltarque as regras que veremos a seguir sobre jornada de trabalho não são aplicadas aos seguintes empregados: Empregados que exercem atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho (para memorizar, lembre dos vendedores externos); Gerentes, aqueles que exercem cargos de gestão, salvo quando a gratificação de função for inferior a 40% do salário efetivo); Empregados em regime de teletrabalho. 6.1.1 Tempo à disposição do empregador Conforme dito mais acima, a duração do trabalho configura o tempo em que o empregado permanece à disposição do empregador. Veja o que dispõe o art. 4º, caput, da CLT: 7 CLT, Art. 4º - Considera-se como de serviço efetivo o período em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada.2 Em continuidade, é importante que você saiba da modificação ocorrida com o advento da Lei 13.467/2017, a qual incluiu o §2º ao art. 4º da CLT3 com a finalidade de excluir as chamadas horas in itinere do tempo à disposição do empregador. Assim, o tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador. Ou seja, a possibilidade de computar as horas in itinere prevista anteriormente no art. 58, §3º, da CLT foi expressamente revogada! Além disso, o §2º do art. 4º da CLT ainda prevê que não será considerado tempo à disposição do empregador (e, portanto, não será computado como período extraordinário) o tempo em que o empregado permaneça nas dependências da empresa para buscar proteção pessoal, bem como para exercer atividades particulares que envolvam práticas religiosas, descanso, lazer, estudo, alimentação, atividades de relacionamento social, higiene pessoal, além da troca de roupa ou uniforme (quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa). 6.1.2 Trabalho em regime de tempo parcial Existem duas hipóteses de jornada em tempo parcial, quais sejam: Aquela cuja duração não exceda a trinta horas semanais, sem a possibilidade de horas suplementares semanais; OU Aquela cuja duração não exceda a vinte e seis horas semanais, com a possibilidade de acréscimo de até seis horas extras semanais. Essas horas extras podem ser compensadas na semana seguinte. 2 Vide questão 07 desse material. 3 Vide questão 08 desse material 8 Quanto ao salário, será proporcional à sua jornada, em relação aos empregados que cumprem, nas mesmas funções, tempo integral. Sobre o tema, destacamos o seguinte entendimento do TST: 358. SALÁRIO MÍNIMO E PISO SALARIAL PROPORCIONAL À JORNADA REDUZIDA. EMPREGADO. SERVIDOR PÚBLICO. I - Havendo contratação para cumprimento de jornada reduzida, inferior à previsão constitucional de oito horas diárias ou quarenta e quatro semanais, é lícito o pagamento do piso salarial ou do salário mínimo proporcional ao tempo trabalhado. II – Na Administração Pública direta, autárquica e fundacional não é válida remuneração de empregado público inferior ao salário mínimo, ainda que cumpra jornada de trabalho reduzida. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. 6.1.3 Jornada 12x36 A Reforma Trabalhista regulamentou a possibilidade de jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. Assim, de acordo com o art. 59-A da CLT4, é facultado às partes, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho estabelecer tal regime, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. Outro ponto especial sobre o tema é a questão da remuneração dos empregados que laboram sob esse tipo de jornada. Isso porque, nos termos do parágrafo único do art. 59-A, a remuneração mensal pactuada abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver. 4 Vide questão 01 desse material. 9 A Reforma Trabalhista possibilitou a celebração da jornada 12X36 através de acordo individual escrito. 6.1.4 Jornada suplementar Em regra, o trabalho exercido após a jornada normal é considerado trabalho extraordinário, momento em que surge para o trabalhador o recebimento do adicional de hora extra de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal, nos termos do art. 7º, XVI da CF. Na mesma linha é a disposição do caput, da e no §1º do art. 59 da CLT: Art. 59. A duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em número não excedente de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. § 1o - A remuneração da hora extra será, pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior à da hora normal. Nos termos da súmula 376, do TST, embora o número máximo de horas extras deva ser de duas horas, o desrespeito a esse limite não exime o empregador de pagar as horas que foram trabalhadas. 6.1.5 Compensação de jornada Nem sempre a extrapolação do horário normal da jornada de trabalho será remunerada com o respectivo adicional. Isso porque, nos casos de compensação de jornada, tal acréscimo de salário poderá ser dispensado. 10 Inicialmente, é preciso que você saiba que a compensação da jornada não poderá ultrapassar 10 (dez) horas diárias. Em segundo lugar, pode-se afirmar que a CLT prevê três tipos de compensação de jornada: a mensal, a semestral e a anual, também conhecida como banco de horas. Vejamos detalhadamente cada uma delas: Compensação de jornada mensal: é a compensação ocorrida dentro de um mês. Tal módulo compensatório poderá ser acertado por meio de acordo individual, tácito ou escrito. Compensação de jornada semestral: é aquela realizada em até um semestre, podendo ser estipulada via acordo individual escrito. Banco de horas anual: como o próprio nome diz, é aquele em que a compensação é feita em até um ano. Tal modalidade somente é permitida por meio de convenção coletiva de trabalho ou acordo coletivo de trabalho, nos termos do §2º do art. 59 da CLT. Além dessas modalidades de compensação, ressaltamos que o TST admite também a chamada “semana espanhola”, regime de compensação de horas em que o trabalhador presta jornada semanal de 48 horas e na semana seguinte, presta a jornada de 40 horas. Nesse sentido, vide a OJ 323, SDI-1, TST e a Súmula 349, TST. O art. 59-B da CLT, incluído pela Reforma Trabalhista, determina que o não atendimento das exigências legais para a compensação da jornada, inclusive quando estabelecida mediante acordo tácito, não implica a repetição do pagamento das horas excedentes à jornada normal diária se não ultrapassada a duração máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo adicional. Ademais, o mesmo dispositivo estabelece que a prestação de horas extras habituais não descaracteriza o acordo de compensação de jornada e banco de horas, contrariando o entendimento do TST contido na Súmula 85, IV. 11 Acrescente-se, ainda, que no caso de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral das horas extras realizadas, o trabalhador terá direito ao pagamento destas calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão. Por fim, a legislação trabalhista prevê que, em regra, para que haja prorrogação da jornada de trabalho em atividade insalubre, será necessária uma licença prévia das autoridades competentes. A exceção fica para o caso da jornada 12x36, que, de acordo com o art. 60, parágrafo único da CLT, dispensa a exigência da licença prévia. - Mas professora, é possível havera prorrogação da jornada de trabalho por ato unilateral do empregador? Sim. Quando houver necessidade imperiosa ou para garantir a continuidade da atividade empresarial, nas hipóteses de força maior, de realização/conclusão de serviços inadiáveis ou de situação em que a inexecução da tarefa possa acarretar prejuízo manifesto. Para tais casos, o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe outro limite. Além disso, também poderá ocorrer a prorrogação da jornada de forma unilateral pelo empregador quando ocorrer interrupção do trabalho, nas hipóteses de causas acidentais ou de força maior. Nesse caso, deverá haver autorização prévia da autoridade competente e a jornada poderá se estendida para 2 (duas) horas diárias, durante o numero de dias indispensáveis à recuperação do tempo perdido, até 10 (dez) horas por dia, em período não superior a 45 (quarenta e cinco) dias por ano. 12 6.1.6 Sobreaviso e prontidão No que se refere às horas de prontidão, o art. 244, §3º, da CLT regulamenta que consiste no tempo em que o trabalhador ferroviário ficar nas dependências da estrada aguardando ordens, em escala não superior a 12 horas, sendo seu valor equivalente a 2/3 do valor da hora normal. Já as horas de sobreaviso são aquelas em que o empregado efetivo permanecer em sua própria casa, aguardando a qualquer momento o chamado para o serviço, conforme o art. 244, § 2º, da CLT. Note que o art. 244, §2º, da CLT fala apenas sobre os trabalhadores ferroviários, mas o regime de sobreaviso vem sendo aplicado por analogia àqueles empregados que, pelo avanço da tecnologia, ficam aguardando o chamado do empregador a qualquer momento para retornar ao trabalho. Todavia, ressaltamos que, de acordo com a Súmula 428 do TST, a mera disponibilização de telefones da empresa (os famosos telefones funcionais) não caracteriza, por si só, o regime de sobreaviso. A duração máxima será de 24 horas e o valor equivale a um terço do salário. PRONTIDÃO SOBREAVISO Empregado fica nas dependências da empresa, aguardando ordens. Empregado fica em sua residência, aguardando ser chamado a qualquer momento para ser chamado para serviço. Duração máxima = 12 horas Duração máxima = 24 horas (cada sobreaviso) Horas serão remuneradas em 2/3 do salário- hora normal. Horas serão remuneradas em 1/3 do salário- hora normal. 6.1.7 Trabalho noturno 13 Em relação ao trabalho noturno, é importante que você saiba que a remuneração é superior à do trabalho diurno, nos moldes do art. 7º, IX, CF. Para o trabalho urbano, o adicional será sempre maior ou igual a 20%. A hora do trabalho noturno é contada de forma diferente, de modo que a hora de trabalho corresponde a 52 minutos e 30 segundos, é a chamada “hora ficta”. É considerada hora noturna (na área urbana) o trabalho realizado entre às 22h de um dia e às 05h do dia seguinte, conforme o art. 73, §2º, CLT. Para os rurais que trabalham na agricultura, o horário noturno é definido entre 21h de um dia e 5h do dia seguinte. Para os que trabalham na pecuária, consiste no trabalho realizado entre às 20h de um dia às e 4h do dia seguinte, conforme o art. 7º, Lei n. 5.889/73. O empregado rural (tanto da agricultura como da pecuária) recebe adicional noturno de 25% sobre a remuneração normal (parágrafo único, art. 7º, Lei n. 5.889/73). De acordo com o entendimento do TST, o rural não tem direito à hora noturna reduzida. TRABALHO NOTURNO URBANO RURAL Adicional de 20% sobre a hora diurna. Adicional de 25% sobre a remuneração normal. Trabalho noturno = 22h às 5h. Lavoura: trabalho noturno = 21h às 5h. Pecuária: trabalho noturno = 20h às 4h. Hora ficta = 52 minutos e 30 segundos Não possui hora ficta. 14 Sendo o trabalhador transferido para o turno matinal, perde o direito de receber o adicional, conforme súmula 265 do TST. Importa, também, saber os seguintes entendimentos do TST: Súmula nº 60 do TST - ADICIONAL NOTURNO. INTEGRAÇÃO NO SALÁRIO E PRORROGAÇÃO EM HORÁRIO DIURNO. I - O adicional noturno, pago com habitualidade, integra o salário do empregado para todos os efeitos. II - Cumprida integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta, devido é também o adicional quanto às horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT. Súmula nº 65 do TST – VIGIA. O direito à hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos aplica-se ao vigia noturno. De acordo com o art. 620 da CLT (inovação trazida pela Reforma), as condições estabelecidas em acordo coletivo de trabalho (ACT) SEMPRE prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho (CCT). É certo que temos medo de expressões generalizadoras (a exemplo de “sempre” e “nunca ”), porém, nesse caso, o próximo texto da lei trouxe a expressão “sempre”. Então, não tenha medo: se o tema for abordado em sua prova, pode ficar tranquilo em afirmar que o ACT sempre prevalece em face da CCT. Vamos abordar isso melhor quando tratarmos dos instrumentos coletivos. 15 Por que estamos mencionando essa questão agora? Para que você saiba que se, por exemplo, o ACT prever o pagamento de adicional de horas extras correspondente a 70% e a CCT prever 60%, prevalecerá o disposto no ACT. 6.2 Períodos de descanso Por razões biológicas e para prevenir as doenças e acidentes do trabalho, entre duas jornadas diárias ou dentro da mesma jornada contínua, o empregador é obrigado a conceder intervalos. 6.2.1 Intervalos interjornada e intrajornada O intervalo interjornada é medida de higiene, saúde e segurança do trabalho. Está previsto no art. 66 da CLT, o qual preleciona que entre duas jornadas diárias de trabalho são necessárias, no mínimo, 11 horas consecutivas de repouso, para descanso do empregado. A jurisprudência posiciona-se no sentido de que a não concessão integral do intervalo interjornada acarreta o pagamento do período subtraído.5 A obrigatoriedade de concessão de intervalo interjornada de, no mínimo, 11 horas consecutivas abrange também os empregados rurais, conforme art. 5º da Lei nº 5.889/1973. Veja o seguinte exemplo: Martin, empregado da empresa “X” cumpre jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais. Hoje, ele trabalhou até às 20h e, para cumprir o intervalo interjornada de, no mínimo, 11h, o seu empregador só poderá exigir que inicie sua jornada amanhã a partir das 07h. 5 Vide TRT-24 00253603220155240061, Relator: Amaury Rodrigues Pinto Júnior, julgado em 09.05.2017. 16 Nesse tema, há uma casca de banana clássica. Veja: o empregador é obrigado a conceder um repouso semanal remunerado (RSR ou DSR) de 24 horas e, também, entre cada jornada de trabalho, deve ser concedido o intervalo interjornada de 11 horas. Logo, soma-se o RSR e o intervalo interjornada, perfazendo um total de 35 horas, período em que o empregado deve permanecer em descaso. Já o intervalo intrajornada está previsto no art. 71 da CLT e consiste no intervalo realizado dentro da mesma jornada diária de trabalho, normalmente para alimentação e repouso. Há alguns lapsos temporais que você precisa memorizar, mas não é complexo. Observe: Trabalho contínuo com duração superior a 06 horas: obrigatória a concessão de intervalo para repouso e alimentação de, no mínimo, 1 hora e, salvo convenção coletiva ou acordo individual ou coletivo que disponha em sentido contrário, não pode exceder 2 horas, nos termos do art. 71, CLT. Se a jornada não exceder 06 horas diárias de trabalho contínuo, é obrigatório um intervalo de 15 minutos, nos termos do art. 71, §1º, CLT. INTERVALO INTRAJORNADA Jornada superior a 6h/dia 1h a 2h de repouso Jornada de 4h a 6h/dia 15 min de repouso Jornada de até 4h/dia Sem intervalo Para os trabalhadores rurais, observe o disposto no art. 5º da Lei nº 5.889/73. 17 Lembre-se, ainda, que essesintervalos de descanso não são computados na duração do trabalho. Além disso, o limite mínimo de 1 hora para repouso pode ser reduzido, em duas hipóteses: Por ato do Ministro do Trabalho, quando se verificar que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os empregados não estiverem sujeitos à prestação de horas extras, conforme §3º, art. 71 da CLT: CLT, Art. 71, § 3º - O limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição poderá ser reduzido por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o Serviço de Alimentação de Previdência Social, se verificar que o estabelecimento atende integralmente às exigências concernentes à organização dos refeitórios, e quando os respectivos empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares. Mediante convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, limitados ao mínimo de 30 minutos para jornadas superiores a 6h diárias, nos termos do art. 611-A, inciso III da CLT. De acordo com o art. 71, §4º, CLT, a não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada implica o pagamento apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho. Atenção a esse dispositivo, já que foi uma importante modificação trazida pela Reforma! Acrescente-se, ainda, que, segundo o entendimento do TST, consubstanciado na Súmula 118, os intervalos concedidos pelo empregador durante a jornada de trabalho que não estão previstos em lei significam tempo à disposição do empregador (ou seja, trabalho efetivo) e são remunerados como serviço extraordinário (hora extra), caso adicionados ao final da jornada. Há, ainda, alguns intervalos especiais concedidos a certas categorias: nos serviços permanentes de mecanografia (datilografia, escrituração, cálculo e digitação), a cada 90 minutos de trabalho consecutivo corresponderá um repouso de 10 minutos não deduzidos na duração 18 normal de trabalho (CLT, art. 72). Analise, também, a Súmula 346, TST, que equipara os digitadores aos prestadores de serviços permanentes de mecanografia: Súmula nº 346 do TST - DIGITADOR. INTERVALOS INTRAJORNADA. APLICAÇÃO ANALÓGICA DO ART. 72 DA CLT. Os digitadores, por aplicação analógica do art. 72 da CLT, equiparam-se aos trabalhadores nos serviços de mecanografia (datilografia, escrituração ou cálculo), razão pela qual têm direito a intervalos de descanso de 10 (dez) minutos a cada 90 (noventa) de trabalho consecutivo. 6.2.2 Repouso semanal remunerado Também chamado de repouso hebdomadário, trata-se de um direito fundamental social dos empregados urbanos e rurais, nos termos do art. 7º, XV, CF. A todo empregado é assegurado um repouso ou descanso semanal remunerado de, no mínimo, 24 horas consecutivas, preferencialmente, aos domingos. O RSR é computado, para todos os efeitos legais, como tempo de serviço. A MP 905/2019 trouxe importantes alterações em relação ao trabalho aos domingos. Observe: Art. 67. É assegurado a todo empregado um repouso semanal remunerado de vinte e quatro horas consecutivas, preferencialmente aos domingos (Redação dada pela Medida Provisória nº 905, de 2019) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 19 Parágrafo único - Nos serviços que exijam trabalho aos domingos, com exceção quanto aos elencos teatrais, será estabelecida escala de revezamento, mensalmente organizada e constando de quadro sujeito à fiscalização. Art. 68. Fica autorizado o trabalho aos domingos e aos feriados. (Redação dada pela Medida Provisória nº 905, de 2019) § 1º O repouso semanal remunerado deverá coincidir com o domingo, no mínimo, uma vez no período máximo de quatro semanas para os setores de comércio e serviços e, no mínimo, uma vez no período máximo de sete semanas para o setor industrial. (Incluído pela Medida Provisória nº 905, de 2019) § 2º Para os estabelecimentos de comércio, será observada a legislação local. (Incluído pela Medida Provisória nº 905, de 2019) Art. 69 - Na regulamentação do funcionamento de atividades sujeitas ao regime deste Capítulo, os municípios atenderão aos preceitos nele estabelecidos, e as regras que venham a fixar não poderão contrariar tais preceitos nem as instruções que, para seu cumprimento, forem expedidas pelas autoridades competentes em matéria de trabalho. Art. 70. O trabalho aos domingos e aos feriados será remunerado em dobro, exceto se o empregador determinar outro dia de folga compensatória. (Redação dada pela Medida Provisória nº 905, de 2019) Parágrafo único. A folga compensatória para o trabalho aos domingos corresponderá ao repouso semanal remunerado. (Incluído pela Medida Provisória nº 905, de 2019) 6.3 Turnos ininterruptos de revezamento O turno ininterrupto de revezamento (TIR) está previsto no art. 7º, XIV, CF e ocorre quando o turno trabalhado é variável dentro de certo período. A jornada deve ser de seis horas de trabalho, salvo negociação coletiva. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv905.htm#art28 20 Exemplo: Pedro, enfermeiro, trabalhou na semana passada no turno da noite, mas agora está trabalhando pela manhã e, na próxima semana, trabalhará no turno da tarde, sua jornada deve ser de, no máximo 06 horas e caso extrapole, deverá receber o valor correspondente às horas extras (salvo negociação coletiva). Atenção aos seguintes entendimentos do TST sobre o assunto: Súmula 360 - TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO. INTERVALOS INTRAJORNADA E SEMANAL. A interrupção do trabalho destinada a repouso e alimentação, dentro de cada turno, ou o intervalo para repouso semanal, não descaracteriza o turno de revezamento com jornada de 6 (seis) horas previsto no art. 7º, XIV, da CF/1988. Súmula 423 - TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. FIXAÇÃO DE JORNADA DE TRABALHO MEDIANTE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. VALIDADE. Estabelecida jornada superior a seis horas e limitada a oito horas por meio de regular negociação coletiva, os empregados submetidos a turnos ininterruptos de revezamento não têm direito ao pagamento da 7ª e 8ª horas como extras. OJ nº 360, SDI-I - TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. DOIS TURNOS. HORÁRIO DIURNO E NOTURNO. CARACTERIZAÇÃO. Faz jus à jornada especial prevista no art. 7º, XIV, da CF/1988 o trabalhador que exerce suas atividades em sistema de alternância de turnos, ainda que em dois turnos de trabalho, que compreendam, no todo ou em parte, o horário diurno e o noturno, pois submetido à alternância de horário prejudicial à saúde, sendo irrelevante que a atividade da empresa se desenvolva de forma ininterrupta. OJ nº 395, SDI-I - TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO. HORA NOTURNA REDUZIDA. INCIDÊNCIA. O trabalho em regime de turnos ininterruptos de revezamento não retira o direito à hora noturna reduzida, não havendo incompatibilidade entre as disposições contidas nos arts. 73, § 1º, da CLT e 7º, XIV, da Constituição Federal. OJ nº 420, SDI-I - TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO. ELASTECIMENTO DA JORNADA DE TRABALHO. NORMA COLETIVA COM EFICÁCIA RETROATIVA. INVALIDADE. É 21 inválido o instrumento normativoque, regularizando situações pretéritas, estabelece jornada de oito horas para o trabalho em turnos ininterruptos de revezamento. 6.4 Teletrabalho O teletrabalho está previsto no Capítulo II-A da CLT, especificamente nos artigos 75-A, 75-B, 75-C, 75-D e 75-E da CLT6. É uma espécie de trabalho a distância, exercido fora das dependências do empregador, em que subsiste a subordinação jurídica. O controle é realizado a partir de câmaras, sistemas de informática, relatórios, ligações, dentre outros. A legislação prevê, ainda, que o comparecimento do empregado às dependências da empresa para a realização de atividades específicas não descaracteriza o regime de teletrabalho. Essa modalidade deve constar expressamente no contrato individual de trabalho e devem estar especificadas as atividades desempenhadas pelo empregado. Pode haver alteração entre o regime presencial e o teletrabalho e também o oposto.: Se for alterada do regime presencial para o teletrabalho, precisa haver mútuo acordo entre as partes e o registro em aditivo contratual; Se a alteração for do regime de teletrabalho para o presencial, pode ser feito por determinação do empregador e deve ser garantido prazo de transição mínimo de quinze dias, com o devido registro em aditivo contratual. PRESENCIAL TELETRABALHO Mútuo acordo e aditivo 6 Vide questão 02 desse material. 22 TELETRABALHO PRESENCIAL Determinação do empregador 15 dias e aditivo. Não esqueça de que as disposições relativas à responsabilidade pela aquisição, manutenção ou fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária e adequada à prestação do trabalho remoto, bem como ao reembolso de despesas arcadas pelo empregado, devem estar previstas em contrato escrito. O empregador deverá instruir os empregados, de maneira expressa e ostensiva, quanto às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho e caberá ao empregado assinar termo de responsabilidade se comprometendo a seguir as instruções. 6.5 Férias As férias possuem fundamento constitucional (art. 7º, XVII, CF). A cada período de 12 meses de vigência do contrato, o empregado adquire o direito a férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do seu salário normal. Para o cabimento das férias, são considerados dois momentos distintos: Período aquisitivo: corresponde aos primeiros 12 meses de trabalho, contados da admissão do empregado; Período concessivo: corresponde aos 12 meses após o período aquisitivo. Ou seja, após o período aquisitivo, o empregado tem o direito subjetivo às férias e, a partir disso, o empregador possui o lapso temporal de 12 meses (período concessivo) para conceder as férias. Dentro desses 12 meses, o empregador escolherá qual o período em que prefere conceder as férias. Sobre as férias, o art. 130 da CLT estabelece: 23 CLT, Art. 130 - Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: I - 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; II - 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas; III - 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; IV - 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas. As férias podem ser usufruídas em até três períodos, desde que haja concordância do empregado. Mas lembre-se: o período não pode ser inferior a 14 dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um, nos termos do art. 134, §1º, CLT. FALTAS DIAS DE FÉRIAS Até 5 dias 30 dias De 6 a 14 dias 24 dias De 15 a 23 dias 18 dias De 24 a 32 dias 12 dias Atenta-se que, para a doutrina e a jurisprudência, se o empregado faltar mais de 32 dias, perderá o direito a férias. Frisa-se que o disposto no art. 130 da CLT também se aplica aos empregados que laboram em regime de tempo parcial. 24 O art. 131 da CLT enumera as hipóteses em que não serão consideradas faltas ao serviço, para efeitos de férias, as ausências do empregado: Nos casos do art. 473, da CLT (faltas justificadas); Licença maternidade ou aborto espontâneo; Afastamento em razão de acidente de trabalho, salvo quando o empregado ficar afastado por mais de 6 (seis) meses, mesmo que descontínuos; Suspensão preventiva para responder a inquérito administrativo; Prisão preventiva, quando for impronunciado ou absolvido; Paralisação da empresa, salvo quando ultrapassar 30 dias com remuneração. Além dessas situações, também não se considera falta aquela que for justificada pela empresa, entendida como a que não determinar o desconto do salário. É possível que o empregado perca o direito a férias? Sim. De acordo com o art. 133 da CLT, não terá direito a férias o empregado que, no curso do período aquisitivo: Deixar o emprego e não for readmitido em 60 dias; Gozar de licença remunerada por mais de 30 dias; Paralisação parcial ou total da empresa por mais de 30 dias, com percepção de salário; Receber prestações de acidente de trabalho ou de auxílio doença por mais de 6 (seis) meses, embora descontínuos. 25 Para que o tempo de trabalho anterior à apresentação do empregado para serviço militar obrigatório seja computado no período aquisitivo das férias, deverá este comparecer ao estabelecimento dentro de 90 dias da data em que se verificar a respectiva baixa. Quanto à concessão das férias analisemos as regras a seguir. Primeiramente, destaca-se que a escolha das férias, dentro do período concessivo, caberá ao empregador. Em segundo lugar, as férias podem ser usufruídas em até três períodos, desde que haja concordância do empregado. Contudo, o período não pode ser inferior a 14 dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um, nos termos do art. 134, §1º, CLT. Somado a isso, o art. 134, §3º, CLT dispõe que é vedado o início das férias em período de dois dias que antecede feriado ou repouso semanal remunerado. A concessão será participada, por escrito, ao empregado com antecedência mínima de 30 dias. Ademais, o empregado não poderá entrar em gozo de férias sem que apresente ao seu empregador sua CTPS para fins de anotação da concessão desse período. O art. 136, §1º, da CLT, dispõe que os membros de uma família que trabalham no mesmo estabelecimento ou empresa terão direito a gozar férias no mesmo período, cabendo ao empregador analisar se o descanso de ambos no mesmo período causará ou não prejuízo. Além dessa previsão, o §2º do art. 136, da CLT, estabelece que o empregado estudante, menor de 18 (dezoito) anos, terá direito a fazer coincidir suas férias com as férias escolares. O empregado pode trabalhar durante o período de férias? A resposta é negativa, salvo em virtude de contrato de trabalho já estipulado. Visto isso, falaremos agora das situações que ensejam o pagamento em dobro das férias: Concessão fora do período de 12 meses; 26 Se não pagar dentro do prazo do art. 145 da CLT (2 dias antes do respectivo período); Sobre o tema, vide o entendimento do TST: Súmula nº 450 - FÉRIAS. GOZO NA ÉPOCA PRÓPRIA. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. DOBRA DEVIDA. ARTS. 137 E 145 DA CLT. É devido o pagamento em dobro da remuneração de férias, incluído o terço constitucional, com base no art. 137 da CLT, quando, ainda que gozadas na época própria, o empregador tenha descumprido o prazo previsto no art. 145 do mesmo diploma legal. Concessão dentro do período concessivo, mas fruição ultrapassa este período. Exemplo: o período concessivo das férias de uma empregada éde nov/2018 a nov/2019. Porém, ela só começa a fruir das férias no dia 29 de nov/2018. Nesse caso, o período de fruição das férias vai ultrapassar o período de concessão. Logo, serão devidas as férias dobradas. É oportuno ressaltar a seguinte jurisprudência do TST: Súmula nº 7 – FÉRIAS. A indenização pelo não deferimento das férias no tempo oportuno será calculada com base na remuneração devida ao empregado na época da reclamação ou, se for o caso, na da extinção do contrato. E férias proporcionais, você sabe o que significa e como são pagas? As férias proporcionais são aquelas concedidas ainda no curso do período aquisitivo e são calculadas na proporção de 1/12, sendo considerado 1 mês completo quando houver prestação de serviço ao empregador por 15 dias ou mais. Em suma, temos o seguinte: Férias em dobro: concedidas após o período concessivo. 27 Férias proporcionais: concedidas ainda no período aquisitivo, calculadas na proporção de 1/12.7 Férias simples: concedidas dentro do período concessivo, já tendo o empregado laborado por 12 meses no período aquisitivo. Extinguindo-se o contrato sem justa causa, o empregado terá direito a férias simples (se a extinção se deu durante o período concessivo), em dobro (se não gozadas as férias no período concessivo) e/ou proporcionais (à razão de 1/12, referente ao período aquisitivo incompleto), conforme preceitua o art. 146 e seu parágrafo da CLT. No caso do trabalhador intermitente, as férias são pagas, de modo proporcional, ao término de cada período de prestação de serviço (art. 452-A, § 6º). Na sequência, analisemos a questão do abono pecuniário, coloquialmente conhecido como “venda” das férias. Em regra, o empregado faz jus a 30 dias, sendo-lhe facultado converter 1/3 (10 dias) de suas férias. A conversão das férias em abono pecuniário consiste em um direito potestativo do empregado e deve ser requerido até 15 dias antes do início do período das férias, nos termos do art. 143, § 1º, da CLT. 7 Vide questão 6 desse material. 28 Por fim, temos as férias coletivas, nos termos do art. 139, CLT8. O seu intuito é assegurar os interesses da empresa, seja em virtude de uma crise econômica ou pela inviabilidade de manter o quadro de funcionários durante um período do ano. As férias coletivas podem ser concedidas para toda a empresa ou para determinados setores ou estabelecimentos. Poderão ser fracionadas em até 2 períodos anuais, sendo que nenhum deles poderá ser inferior a 10 dias corridos. De acordo com os §§ 2º e 3º do art. 139 consolidado, o empregador comunicará ao órgão local do Ministério do Trabalho (atualmente, Ministério da Economia) e ao sindicato da categoria profissional, com antecedência mínima de 15 (quinze) dias, as datas de início e de fim das férias, bem como os setores e estabelecimentos abrangidos. Encerramos, assim, o estudo das férias, porém, é importante que você faça a leitura da letra da lei, uma vez que, constantemente, é cobrada em prova. 8 Vide questão 03 dessa apostila. 29 JORNADA DE TRABALHO Tempo à disposição do empregador Não se considera tempo à disposição do empregador: art. 4º, §2º, CLT. Jornada em tempo parcial 36h Sem horas extras 26h Com horas extras até 6h Excluídos da jornada de trabalho Atividade externa Cargo de gestão (Gratificação > 40%) Teletrabalho QUADRO SINÓTICO 30 ACORDO MENSAL ACORDO SEMESTRAL BANCO DE HORAS ANUAL Módulo compensatório Compensa dentro de 1 mês Compensa em até 6 meses Compensa em até 1 ano Requisito Acordo individual tácito ou escrito Acordo individual escrito CCT/ACT FÉRIAS INDIVIDUAIS FÉRIAS COLETIVAS Possibilidade de fracionamento em até 3 períodos (art. 134, §1º, CLT) Possibilidade de fracionamento em 2 períodos (art. 139, §1º, CLT) FÉRIAS Período aquisitivo: primeiros 12 meses de trabalho, contados da admissão do empregado. (Art. 130, CLT) Período concessivo: 12 meses após o período aquisitivo. (Art. 134, §1º, CLT) 31 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (XXVIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Rita de Cássia é enfermeira em um hospital desde 10/01/2018, no qual trabalha em regime de escala de 12x36 horas, no horário das 7.00 às 19.00 horas. Tal escala encontra-se prevista na convenção coletiva da categoria da empregada. Alguns plantões cumpridos por Rita de Cássia coincidiram com domingos e outros, com feriados. Em razão disso, a empregada solicitou ao seu gestor que as horas cumpridas nesses plantões fossem pagas em dobro. Sobre a pretensão da empregada, diante do que preconiza a CLT, assinale a afirmativa correta. A) Ela fará jus ao pagamento com adicional de 100% apenas nos feriados. B) Ela não terá direito ao pagamento em dobro nem nos domingos nem nos feriados. C) Ela terá direito ao pagamento em dobro da escala que coincidir com o domingo. D) Ela receberá em dobro as horas trabalhadas nos domingos e feriados. Comentário: CLT, Art. 59-A, Parágrafo único. A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput [12X36] deste artigo abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver, de que tratam o art. 70 e o § 5° do art. 73 desta Consolidação. Questão 2 (XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Rogério foi admitido, em 08/12/2017, em uma locadora de automóveis, como responsável pelo setor de contratos, razão pela qual não necessitava 32 comparecer diariamente à empresa, pois as locações eram feitas on-line. Rogério comparecia à locadora uma vez por semana para conferir e assinar as notas de devolução dos automóveis. Assim, Rogério trabalhava em sua residência, com todo o equipamento fornecido pelo empregador, sendo que seu contrato de trabalho previa expressamente o trabalho remoto a distância e as atividades desempenhadas. Após um ano trabalhando desse modo, o empregador entendeu que Rogério deveria trabalhar nas dependências da empresa. A decisão foi comunicada a Rogério, por meio de termo aditivo ao contrato de trabalho assinado por ele, com 30 dias de antecedência. Ao ser dispensado em momento posterior, Rogério procurou você, como advogado(a), indagando sobre possível ação trabalhista por causa desta situação Sobre a hipótese de ajuizamento, ou não, da referida ação, assinale a afirmativa correta. A) Não se tratando da modalidade de teletrabalho, deverá ser requerida a desconsideração do trabalho em domicílio, já que havia comparecimento semanal nas dependências do empregador. B) Não deverá ser requerido o pagamento de horas extras pelo trabalho sem limite de horário, dado o trabalho em domicílio, porém poderá ser requerido trabalho extraordinário em virtude das ausências de intervalo de 11h entre os dias de trabalho, bem como o intervalo para repouso e alimentação. C) Em vista da modalidade de teletrabalho, a narrativa não demonstra qualquer irregularidade a ser requerida em eventual demanda trabalhista. D) Deverá ser requerido que os valores correspondentes aos equipamentos usados para o trabalho em domicílio sejam considerados salário-utilidade. Comentário: Art. 75-B. Considera-se teletrabalho a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo. 33 Parágrafo único. O comparecimento às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não descaracteriza o regime de teletrabalho. Art. 75-C. A prestaçãode serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente do contrato individual de trabalho, que especificará as atividades que serão realizadas pelo empregado. (...) § 2 Poderá ser realizada a alteração do regime de teletrabalho para o presencial por determinação do empregador, garantido prazo de transição mínimo de quinze dias, com correspondente registro em aditivo contratual. Questão 3 (XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Considerando a grave crise financeira que o país atravessa, a fim de evitar a dispensa de alguns funcionários, a metalúrgica Multiforte Ltda. pretende suspender sua produção por um mês. O Sindicato dos Empregados da indústria metalúrgica contratou você para, como advogado, buscar a solução para o caso. Segundo o texto da CLT, assinale a opção que apresenta a solução de acordo mais favorável aos interesses dos empregados. A) Implementar a suspensão dos contratos de trabalho dos empregados por 30 dias, por meio de acordo individual de trabalho. B) Conceder férias coletivas de 30 dias. C) Promover o lockout. D) Implementar a suspensão dos contratos de trabalho dos empregados por 30 dias, por meio de acordo coletivo de trabalho. Comentário: Art. 139. 34 Poderão ser concedidas férias coletivas a todos os empregados de uma empresa ou de determinados estabelecimentos ou setores da empresa. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977 § 1º - As férias poderão ser gozadas em 2 (dois) períodos anuais desde que nenhum deles seja inferior a 10 (dez) dias corridos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977 § 2º - Para os fins previstos neste artigo, o empregador comunicará ao órgão local do Ministério do Trabalho, com a antecedência mínima de 15 (quinze) dias, as datas de início e fim das férias, precisando quais os estabelecimentos ou setores abrangidos pela medida. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977 § 3º - Em igual prazo, o empregador enviará cópia da aludida comunicação aos sindicatos representativos da respectiva categoria profissional, e providenciará a afixação de aviso nos locais de trabalho. (Incluído pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977 Questão 4 (XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017) Suely trabalha na casa de Rogério como cuidadora de seu pai, pessoa de idade avançada e enferma, comparecendo de segunda a sexta-feira, das 8:00 às 17:00 h, com intervalo de uma hora para refeição. De acordo com o caso narrado e a legislação de regência, assinale a afirmativa correta. A) O controle escrito não é necessário, porque menos de 10 empregados trabalham na residência de Rogério. B) A lei de regência prevê que as partes podem acertar, por escrito, a isenção de marcação da jornada normal, assinalando apenas a eventual hora extra. C) A Lei é omissa a respeito, daí por que a existência de controle deve ser acertado entre as partes envolvidas no momento da contratação. D) Rogério deve, por força de Lei, manter controle escrito dos horários de entrada e saída da empregada doméstica. 35 Comentário: LC nº 150: Art. 12. É obrigatório o registro do horário de trabalho do empregado doméstico por qualquer meio manual, mecânico ou eletrônico, desde que idôneo. Não necessariamente o registro deverá ser escrito, como podemos ver pela leitura do artigo supra (pode ser eletrônico, por exemplo). Questão 5 (XX EXAME DE ORDEM – FGV - 2016) Denise é empregada doméstica e labora em sistema de escala de 12 horas seguidas por 36 horas ininterruptas de descanso na residência da sua empregadora. Em relação ao caso concreto, e de acordo com a Lei de Regência, assinale a afirmativa correta. A) O sistema de 12x36 horas para o doméstico depende da assinatura de acordo coletivo ou da convenção coletiva de trabalho. B) É vedada a adoção do sistema 12x36 horas para os empregados domésticos, daí porque inválido o horário adotado. C) A Lei de regência é omissa a respeito, daí porque, em razão da proteção, não se admite o sistema de escala para o doméstico. D) É possível a fixação do sistema de escala de 12x36 horas para o doméstico, desde que feito por acordo escrito individual. Comentário: O caso em tela já trata de empregada doméstica em conformidade com a nova lei de regência, qual seja, LC 150/15. A jornada narrada se amolda ao artigo 10 do referido diploma: 36 Art. 10. É facultado às partes, mediante acordo escrito entre essas, estabelecer horário de trabalho de 12 (doze) horas seguidas por 36 (trinta e seis) horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. §1o A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput deste artigo abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver, de que tratam o art. 70 e o § 5º do art. 73 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943, e o art. 9o da Lei no 605, de 5 de janeiro de 1949.. Questão 6 (XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Fábio trabalha em uma mineradora como auxiliar administrativo. A sociedade empresária, espontaneamente, sem qualquer previsão em norma coletiva, fornece ônibus para o deslocamento dos funcionários para o trabalho, já que ela se situa em local cujo transporte público modal passa apenas em alguns horários, de forma regular, porém insuficiente para a demanda. O fornecimento do transporte pela empresa é gratuito, e Fábio despende cerca de uma hora para ir e uma hora para voltar do trabalho no referido transporte. Além do tempo de deslocamento, Fábio trabalha em uma jornada de 8 horas, com uma hora de pausa para repouso e alimentação. Insatisfeito, ele procura você, como advogado(a), a fim de saber se possui algum direito a reclamar perante a Justiça do Trabalho. Considerando que Fábio foi contratado em dezembro de 2017, bem como a legislação em vigor, assinale a afirmativa correta. A) Fábio faz jus a duas horas extras diárias, em razão do tempo despendido no transporte. B) Fábio não faz jus às horas extras, pois o transporte fornecido era gratuito. C) Fábio faz jus às horas extras, porque o transporte público era insuficiente, sujeitando o trabalhador aos horários estipulados pelo empregador. 37 D) Fábio não faz jus a horas extras, porque o tempo de transporte não é considerado tempo à disposição do empregador. Comentário: Questão trata sobre as horas in itineres que foram extintas com a Reforma Trabalhista pela nova redação do art. 58 da CLT. Antes da reforma, basta o preenchimento dos seguintes requisitos para caracterizar tempo a disposição do empregador: o local de trabalho seja de difícil acesso ou não servido por transporte público regular e o empregador forneça transporte para o deslocamento. Questão 7 (XXVIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Você, como advogado(a), foi procurado por Pedro para ajuizar ação trabalhista em face da ex-empregadora deste. Pedro lhe disse que após encerrar o expediente e registrar o efetivo horário de saída do trabalho, ficava na empresa em razão de eventuais tiroteios que ocorriam na região. Nos meses de verão, ocasionalmente, permanecia na empresa para esperar o escoamento da água decorrente das fortes chuvas. Diariamente, após o expediente, havia culto ecumênico de participação voluntária e, dada sua atividade em setor de contaminação radioativa, era obrigado a trocar de uniforme na empresa, o que levava cerca de 20 minutos. Considerando o labor de Pedro, de 10/12/2017 a 20/09/2018, e a atual legislação em vigor, assinale a afirmativa correta. A) Apenas o período de troca de uniforme deve ser requerido como horário extraordinário. B) Todo o tempo que Pedro ficava na empresa gera hora extraordinária,devendo ser pleiteado como tal em sede de ação trabalhista. C) Nenhuma das hipóteses gera labor extraordinário. 38 D) Como apenas a questão religiosa era voluntária, somente essa não gera horário extraordinário.. Comentário: CLT, art. 4°, § 2° Por NÃO se considerar tempo à disposição do empregador, NÃO será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de 5 minutos previsto no § 1° do Art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por ESCOLHA PRÓPRIA, buscar PROTEÇÃO PESSOAL, em caso de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer ATIVIDADES PARTICULARES, entre outras: (Exemplificativo) I – práticas religiosas; II – descanso; III – lazer; IV – estudo; V – alimentação; VI – atividades de relacionamento social; VII – higiene pessoal; VIII – troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa. Questão 8 (XXVII EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Renato trabalha na empresa Ramos Santos Ltda. exercendo a função de técnico de manutenção. De segunda a sexta-feira, ele trabalha das 8h às 17h, com uma hora de almoço, e, aos sábados, das 8h às 12h, sem intervalo. Ocorre que, por reivindicação de alguns funcionários, a empresa instituiu um culto ecumênico toda sexta-feira, ao final do expediente, cujo comparecimento é facultativo. O culto ocorre das 17h às 18h, e Renato passou a frequentá-lo. Diante dessa situação, na hipótese de você ser procurado como advogado(a) em consulta formulada por Renato sobre jornada extraordinária, considerando o enunciado e a legislação trabalhista em vigor, assinale a afirmativa correta. A) Renato não faz jus a qualquer valor de horas extras. B) Renato tem direito a uma hora extra semanal, pois o culto foi instituído pela empregadora. 39 C) Renato tem direito a uma hora extra diária, de segunda a sexta-feira, em razão do horário de trabalho das 8h às 17h. D) Renato tem direito a nove horas extras semanais, sendo cinco de segunda a sexta-feira e mais as 4 aos sábados. Comentário: Art. 4º - Considera-se como de serviço efetivo o período em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada. § 2º Por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos previsto no § 1º do art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: I - práticas religiosas Questão 9 (XXVI EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Felisberto foi contratado como técnico pela sociedade empresária Montagens Rápidas Ltda., em janeiro de 2018, recebendo salário correspondente ao mínimo legal. Ele não está muito satisfeito, mas espera, no futuro, galgar degraus dentro da empresa. O empregado em questão trabalha na seguinte jornada: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h48min com intervalo de uma hora para refeição, tendo assinado acordo particular por ocasião da admissão para não trabalhar aos sábados e trabalhar mais 48 minutos de segunda a sexta-feira. Com base na situação retratada e na Lei, considerando que a norma coletiva da categoria de Felisberto é silente a respeito, assinale a afirmativa correta. A) Há direito ao pagamento de horas extras, porque a compensação de horas teria de ser feita por acordo coletivo ou convenção coletiva, não se admitindo acordo particular para tal fim. 40 B) Não existe direito ao pagamento de sobrejornada, porque as partes podem estipular qualquer quantidade de jornada, independentemente de limites. C) A Lei é omissa a respeito da forma pela qual a compensação de horas deva ser realizada, razão pela qual caberá ao juiz, valendo-se de bom senso e razoabilidade, julgar por equidade. D) A situação não gera direito a horas extras, porque é possível estipular compensação semanal de horas, inclusive por acordo particular, como foi o caso. Comentário: CLT, Art. 59. A duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em número não excedente de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. CLT, Art. 59, § 6o É lícito o regime de compensação de jornada estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito, para a compensação no mesmo mês. Questão 10 (XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Lúcio foi dispensado do emprego, no qual trabalhou de 17/11/2017 a 20/03/2018, por seu empregador. Na sociedade empresária em que trabalhou, Lúcio batia o cartão de ponto apenas no início e no fim da jornada efetiva de trabalho, sem considerar o tempo de café da manhã, de troca de uniforme (que consistia em vestir um jaleco branco e tênis comum, que ficavam na posse do empregado) e o tempo em que jogava pingue- pongue após almoçar, já que o fazia em 15 minutos, e poderia ficar jogando até o término do intervalo integral. Você foi procurado por Lúcio para, como advogado, ingressar com ação pleiteando horas extras pelo tempo indicado no enunciado não constante dos controles de horário. 41 Sobre o caso, à luz da CLT, assinale a afirmativa correta. A) Lúcio não faz jus às horas extras pelas atividades indicadas, pois as mesmas não constituem tempo à disposição do empregador. B) Lúcio faz jus às horas extras pelas atividades indicadas, pois as mesmas constituem tempo à disposição do empregador, já que Lúcio estava nas dependências da empresa. C) Apenas o tempo de alimentação e café da manhã devem ser considerados como tempo à disposição, já que o outro representa lazer do empregado. D) Apenas o tempo em que ficava jogando poderá ser pretendido como hora extra, pois Lúcio não desfrutava integralmente da pausa alimentar. Comentário: Lúcio não faz parte da jornada de trabalho. (Tomar café, uniforme, jogar pingue-pongue, não fazem parte do horário do trabalho). Art. 4 parágrafo 2º d CLT.. 42 GABARITO Questão 1 - B Questão 2 - C Questão 3 - B Questão 4 - D Questão 5 – D Questão 6 - D Questão 7 – A Questão 8 - A Questão 9 - D Questão 10 - A 43 QUESTÃO DESAFIO Julgue as assertivas, de forma fundamentada: Julgue as assertivas, de forma fundamentada: O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, por qualquer meio de transporte fornecido pelo empregador, será computado na jornada de trabalho, por ser considerado tempo à disposição do empregador? Por ser considerado tempo à disposição do empregador, será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, desde que ultrapasse o limite de cinco minutos previsto no § 1º, do art. 58, da CLT, o tempo que o empregado permanecer nas dependências da empresa para exercer higiene pessoal? Responda em até 5 linhas 44 GABARITO QUESTÃO DESAFIO Assertiva errada, de acordo com o art. 58, § 2º, da CLT; assertiva errada, nos termos do art. 4º, § 2º, VII, da CLT. Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: ERRADA. Art. 58, § 2º, da CLT De acordo com o artigo 58, §2 º, da CLT, com redação dada pela Reforma Trabalhista: “O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador.” Acerca desse assunto, Gustavo Filipe Barbosa Garcia (Manual de Direitodo Trabalho, 2018, 11ª edição, p. 783 e 787) ensina que: “ Deixam de ser devidas, assim, as horas ‘in itinere’ ou de trajeto. Anteriormente, o art. 58, § 2º, da CLT, com redação decorrente da Lei 10.243/2001, previa que o tempo despendido pelo empregado até o local de trabalho e para seu retorno, não será computado na jornada de trabalho, salvo quando, tratando-se de local de difícil acesso ou não servido por transporte público, o empregador fornecer a condução. (…) Para que as horas do trajeto integrassem a jornada de trabalho eram exigidos dois requisitos, quais sejam: local de trabalho de difícil acesso, ou não servido por transporte público regular; e condução fornecida pelo empregador. (…) De todo modo, o art. 58, § 2º, da CLT, em sua atual redação, exclui por completo o direito à remuneração das horas ‘in intinere’. A medida, entretanto, é contrária ao mandamento constitucional de melhoria das condições de trabalho, ao princípio da progressividade na efetivação dos direitos sociais (art. 5º, §§ 1º e 2º, e art. 7º, caput, da Constituição da República) e ao valor social do trabalho, previsto como fundamento do Estado Democrático de Direito (art. 1º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988)”. Assim, a assertiva mostra-se errada, de acordo com a alteração promovida pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017). 45 Errada. Art. 4º, § 2º, VII, da CLT. De início, cabe ressaltar, que o art. 4º da CLT considera como tempo de serviço efetivo “o período em que que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição especial expressamente consignada.” Por sua vez, o § 2º, do referido dispositivo, incluído pela Reforma Trabalhista, estabelece que: “Por não se considerar tempo à disposição do empregador, não será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos previsto no § 1o do art. 58 desta Consolidação, quando o empregado, por escolha própria, buscar proteção pessoal, em caso de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas, bem como adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) I - práticas religiosas; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) II - descanso; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) III - lazer; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) IV - estudo; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) V - alimentação; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) VI - atividades de relacionamento social; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) VII - higiene pessoal; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) (Vigência) VIII - troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)”. O art. 58, § 1º, da CLT estatui que: “ Não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários.” 46 Acerca desse último dispositivo, Gustavo Filipe Barbosa Garcia (Manual de Direito do Trabalho, 2018, 11ª edição, p. 789 e 790) ensina que: “Não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário do registro de ponto não excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez minutos diários. Se ultrapassado esse limite, será considerada como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal, pois configurado tempo à disposição do empregador (Súmula 366 do TST). (…) Observe-se que embora o limite máximo seja de dez minutos diários, não se admite a variação superior a cinco minutos em cada campo de registro de horário no dia”. Ressalte-se que o art. 7º, XIII, da CF/88 assegura aos trabalhadores a duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais. Desse modo, verifica-se que assertiva está errada, uma vez que o inciso VII do § 2º do art. 4º estabelece que o tempo que o empregado permanecer na empresa para higiene pessoal é considerado atividade particular, o qual não é considerado tempo à disposição do empregador e, portanto, não será computado como período extraordinário o que exceder a jornada normal, ainda que ultrapasse o limite de cinco minutos, previsto no art. 58, § 1º, da CLT. Ressalte-se, por fim, o entendimento do TST, previsto na Súmula 449, no sentido de que: “A partir da vigência da Lei nº 10.243, de 19.06.2001, que acrescentou o § 1º ao art. 58 da CLT, não mais prevalece cláusula prevista em convenção ou acordo coletivo que elastece o limite de 5 minutos que antecedem e sucedem a jornada de trabalho para fins de apuração das horas extras.” ) 47 LEGISLAÇÃO COMPILADA Duração do trabalho e períodos de descanso CLT: Art. 4º; Arts. 57 ao 74; 244, §§2º e 3º; 611-A, III. CF/88: Art. 7º, IX, XIII, XV. Súmulas do TST: 85, IV; 60; 65; 265; 346; 349; 358; 376. OJ’s do TST da SDI-I: 323. Lei 5.889/73 (Lei do Trabalhador Rural) MP 905/2019 Turnos ininterruptos de revezamento CF/88: Art. 7º, XIV. Súmulas do TST: 360 e 423. OJ’s do TST da SDI-I: 360; 395; 420. Teletrabalho CLT: Arts. 75-A a 75-E. Férias CLT: Arts. 129 a 153. CF/88: Art. 7º, XVII. Súmulas do TST: 7; 261; 450. 48 JURISPRUDÊNCIA Jornada de Trabalho TST-AIRO-277-95.2015.5.17.0000, SDC, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, red. p/ acórdão Min. Ives Gandra da Silva Martins Filho, 8.4.2019 (Info 194) Ação anulatória. Acordo coletivo de trabalho. Sistema de registro de ponto por exceção. Validade. A SDC, por maioria, deu provimento a recurso ordinário para considerar válida cláusula constante de acordo coletivo de trabalho que estabeleceu sistema de controle de jornada por exceção, no qual o empregado anota no registro de ponto somente situações excepcionais, como faltas, saídas antecipadas, atrasos, licenças e horas extras. Prevaleceu o entendimento de que o art. 74, §2º, da CLT, ao atribuir ao empregador a obrigação de formar prova pré- constituída a respeito da jornada de trabalho de seus empregados, possui natureza eminentemente processual. Não se trata, portanto, de matéria de ordem pública, que asseguraria ao trabalhador determinado regime de marcação de ponto. Assim, não há óbice a que os sujeitos coletivos negociem a forma pela qual o controle será realizado, desde que garantida aos empregados a verificação dos dados inseridos no sistema. Vencidos os Ministros Mauricio Godinho Delgado, relator, e Aloysio Corrêa da Veiga. Comentário: De acordo com o TST, é válida a cláusula constante de acordo coletivo de trabalho que estabeleceu sistema de controle de jornada por exceção, no qual o empregado anota no registro de ponto somente situações excepcionais, como faltas, saídas antecipadas, atrasos, licenças e horas extras. Períodos de descanso TST: RO-22003-83.2018.5.04.0000, SDC, rel. Min. Ives Gandra da Silva Martins Filho, 14.10.2019 (Info 208) 49 Lei nº 13.467/2017. Cláusula de norma coletiva que prevê jornada de 7h20min. Validade. Necessidade de concessão do intervalo intrajornada mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas. Art. 611-A, III, da CLT. É válida, independentemente de indicação expressa de contrapartidas recíprocas, cláusula de instrumento coletivo firmado após a vigência da Lei nº 13.467/2017 que flexibilize normas trabalhistas concernentes à jornada e ao intervalo intrajornada, desde que, neste último caso, seja respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seishoras (art. 611-A, III, da CLT). Ao dispor sobre direitos insuscetíveis de supressão ou redução por norma coletiva, o art. 611-B, parágrafo único, da CLT excluiu expressamente as regras sobre duração do trabalho e intervalos, as quais não são consideradas como normas de saúde, higiene e segurança do trabalho, para os fins do referido artigo. Ademais, à espécie não se aplica a Súmula nº 437 do TST, visto que suas disposições regem situações anteriores à vigência da Lei nº 13.467/2017. No caso, o TRT de origem, considerando a petição informando a existência de negociação direta entre as partes, homologou o acordo firmado, com ressalvas do Ministério Público que, no recurso ordinário, pleiteou a exclusão da cláusula que admite a adoção de “(...) jornada de trabalho ininterrupta de 07h20min diários, sem redução e sem acréscimo salarial e/ou gratificação de hora extraordinária”. Assim, verificando que a cláusula impugnada, embora preveja jornada de trabalho válida, não assegurou o intervalo intrajornada mínimo previsto em lei, a SDC, por unanimidade, conheceu do recurso ordinário do MPT e, no mérito, deu-lhe provimento parcial para adequar a redação da cláusula e incluir a concessão do intervalo intrajornada de trinta minutos a que se refere o art. 611-A, III, da CLT. TST: E-RR-168000-85.2009.5.02.0027, SBDI-I, rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, 24.5.2018. (Info 179) Intervalo intrajornada. Redução. Autorização do Ministério do Trabalho. Horas extras prestadas sem habitualidade. Pagamento das horas extraordinárias decorrentes da redução do intervalo intrajornada restrito aos dias em que houve efetivo trabalho em sobrejornada. Não se admite a redução do intervalo intrajornada nos dias em que concomitantemente houver prestação de horas extras, ainda que presente a autorização do Ministério do Trabalho a que se 50 refere o art. 71, § 3º, da CLT. Na hipótese, registrou-se que além de a empresa ter autorização para reduzir o intervalo intrajornada, o empregado não estava submetido a regime de trabalho prorrogado a horas suplementares, mas apenas prestava horas extras de forma esporádica. Assim, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos por divergência jurisprudencial, e, no mérito, por maioria, deu-lhes provimento parcial para limitar o pagamento das horas extras decorrentes da redução do intervalo intrajornada, no período em que havia autorização do Ministério do Trabalho, aos dias em que efetivamente houve prestação de horas extras. Vencidos parcialmente os Ministros Aloysio Corrêa da Veiga e Maria Cristina Irigoyen Peduzzi. Comentário: De acordo com o TST, é proibida a redução do intervalo intrajornada nos dias em que concomitantemente houver prestação de horas extras, ainda que presente a autorização do Ministério do Trabalho a que se refere o art. 71, § 3º, da CLT. Turno ininterrupto de revezamento TST: AIRO-277-95.2015.5.17.0000, SDC, rel. Min. Mauricio Godinho Delgado, red. p/ acórdão Min. Ives Gandra da Silva Martins Filho, 8.4.2019 (Info 194) Ação anulatória. Acordo coletivo de trabalho. Turno ininterrupto de revezamento. Regime 4x4. Validade. Súmula nº 423 do TST. Não incidência. É válida cláusula da norma coletiva que fixa em dez horas a jornada de trabalho em turno ininterrupto de revezamento, em que o empregado trabalha dez horas diárias, com intervalo intrajornada de duas horas, alternando-se dois dias no período diurno e dois dias no período noturno, seguidos de quatro dias consecutivos de folga. Tal regime (4x4) não viola o art. 7º, XIV, da CF, pois o limite de seis horas para a jornada em turno ininterrupto de revezamento estabelecido pelo legislador constitucional somente se aplica se não houver negociação coletiva dispondo especificamente sobre o assunto. De outra sorte, não há falar em incidência da Súmula nº 423 do TST ao caso concreto, visto que a modalidade de trabalho adotada na espécie difere do turno ininterrupto típico, na medida em que garante duas horas de intervalo intrajornada. Ademais, a súmula em questão não impõe à norma coletiva o limite máximo de oito horas para a jornada em turnos ininterruptos de revezamento, mas apenas estabelece que, nessa situação, a 7ª e a 8ª horas não serão pagas 51 como extras. Sob esses fundamentos, a SDC, por maioria, negou provimento ao recurso ordinário do Ministério Público do Trabalho para manter a decisão do Tribunal Regional que julgara improcedente o pedido de nulidade da cláusula que fixou o regime 4x4. Vencido o Ministro Mauricio Godinho Delgado, relator. Férias TST-RR-684-94.2012.5.04.0024, 2ª Turma, rel. Min. Delaíde Miranda Arantes, julgado em 2.10.2019. (Info 207) “(...)1 - FÉRIAS INTERROMPIDAS. PAGAMENTO EM DOBRO DO PERÍODO INTEGRAL E NÃO APENAS DOS DIAS TRABALHADOS. No caso concreto, restou demonstrado que a reclamante foi chamada para trabalhar por três dias nas férias. Todavia, a Corte de origem manteve a condenação da reclamada ao pagamento em dobro apenas dos três dias trabalhados. O trabalho durante as férias torna irregular a sua concessão, porquanto frustra a finalidade do instituto, gerando, assim, o direito de o trabalhador recebê-las integralmente em dobro, e não apenas dos dias trabalhados, nos termos do artigo 137 da CLT. Precedente. Recurso de revista conhecido e provido. (...)” TST-E-ED-RR-104300-96.2009.5.04.0022, SBDI-I, rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 8.11.2018. (Info 186) Férias. Conversão de 1/3 do período em abono pecuniário. Imposição do empregador. Aplicação da sanção do art. 137 da CLT. Pagamento em dobro devido. Dedução dos valores recebidos a título de abono pecuniário. A conversão de 1/3 do período de férias em abono pecuniário, conforme o art. 143 da CLT, é um direito potestativo do empregado, razão pela qual não pode ser imposta pelo empregador, sob pena de descumprimento dos arts. 134 e 143 da CLT e 7º, XVII, da CF. Ausente a livre escolha do trabalhador, aplica-se a sanção do art. 137 da CLT, que impõe o pagamento em dobro do período não usufruído, a fim de coibir a prática que compromete o direito ao descanso anual. Verificado, contudo, que o empregado já recebeu o abono pecuniário, esse montante deve ser considerado para efeito de aplicação da penalidade, evitando-se o pagamento em triplo da remuneração de férias e o consequente enriquecimento 52 sem causa. Sob esses fundamentos, a SBDI-I, por unanimidade, conheceu dos embargos, por divergência jurisprudencial, e, no mérito, deu-lhes provimento para restabelecer o acórdão do Regional. 53 MAPA MENTAL 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CISNEIROS, Gustavo. Direito do Trabalho Sintetizado. 1ª ed. Método, 2016. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do trabalho/ Maurício Godinho Delgado. – 17 ed. rev. atual. e ampl. – São Paulo: Ltr, 2018. LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito do Trabalho. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018. MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 34ª ed. Saraiva, 2018. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 43ª ed. Saraiva, 2018. RENZETTI, Rogério. Direito do Trabalho para Concursos – Teoria e questões práticas. 5ª ed. Método, 2018. RESENDE, Ricardo. Direito do Trabalho. 8ª ed. Método, 2018. RODRIGUEZ, Américo Plá. Princípios de Direito do Trabalho. 3. ed. atual. São Paulo: LTr, 2000. ROMAR, Carla Tereza Martins. Direito do Trabalho Esquematizado. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018. DIREITO DO TRABALHO Capítulo 6 6. Duração do Trabalho. Períodos de descanso. Turnos ininterruptos de revezamento. Teletrabalho. Férias 6.1 Jornada de trabalho Cumpre-nos ressaltar que as regras que veremos a seguir sobre jornada de trabalho não são aplicadas aos seguintes empregados: 6.2 Períodos de descanso Por razões biológicas e para prevenir as doenças e acidentes do trabalho, entre duas jornadas diárias ou dentro da mesma jornada contínua,o empregador é obrigado a conceder intervalos. 6.3 Turnos ininterruptos de revezamento 6.4 Teletrabalho 6.5 Férias QUADRO SINÓTICO QUESTÕES COMENTADAS GABARITO QUESTÃO DESAFIO GABARITO QUESTÃO DESAFIO LEGISLAÇÃO COMPILADA JURISPRUDÊNCIA MAPA MENTAL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS