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DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA Unidade 1 CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS DIRETORA EDITORIAL ALESSANDRA FERREIRA GERENTE EDITORIAL LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS PROJETO GRÁFICO TIAGO DA ROCHA AUTORIA GLEIBE PRETTI 4 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 A U TO RI A Gleibe Pretti Sou mestre pela Universidade de Guarulhos - Univeritas (2017). Pós-graduado em Direito Constitucional pela UNIFIA - UNISEPE (2015). Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela UNIFIA-UNISEPE (2015). Graduado em Direito pela Universidade São Francisco (2002). Sociólogo pela Faculdade Paulista São José (2016). Jornalista inscrito no Ministério do Trabalho. Advogado. Atualmente, sou professor da UnG (Universidade de Guarulhos), na graduação em Direito, pós-graduação, ESA SP- OAB SP, professor do curso de Direito da Faculdade Paschoal Dantas (graduação e pós-graduação); professor da pós-graduação de Direito e Processo do Trabalho na Universidade Piaget Brasil; professor da pós-graduação do IDP (Instituto do Direito Público) de São Paulo; professor convidado da UniDrummond do Curso NEAF, entre outros; avaliador do MEC, tanto para autorização quanto renovação de cursos de Direito; avaliador do INEP; editor-chefe da Revista Educação da Universidade de Guarulhos; avaliador Ad Hoc da Revista de Constitucionalização do Direito - RECONTO, ISSN 2594-9489 Árbitro do Ministério da Cultura (Minc). Colunista do Jornal dos Concursos e Jornal Carta Forense. Membro da comissão de pesquisa e pós-graduação da OAB-SP. Palestrante do Departamento de Cultura e Eventos da OAB-SP. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 ÍC O N ESEsses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos: OBJETIVO No início do desenvolvimento de uma nova competência. DEFINIÇÃO Caso haja a necessidade de apresentar um novo conceito. NOTA Quando são necessárias observações ou complementações. IMPORTANTE Se as observações escritas tiverem que ser priorizadas. EXPLICANDO MELHOR Se algo precisar ser melhor explicado ou detalhado. VOCÊ SABIA? Se existirem curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo. SAIBA MAIS Existência de textos, referências bibliográficas e links para aprofundar seu conhecimento. ACESSE Se for preciso acessar sites para fazer downloads, assistir vídeos, ler textos ou ouvir podcasts. REFLITA Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido. RESUMINDO Quando for preciso fazer um resumo cumulativo das últimas abordagens. ATIVIDADES Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada. TESTANDO Quando uma competência é concluída e questões são explicadas. 6 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Fundamentos e competência legislativa .............................. 11 Base legal ............................................................................................................12 Conceito ...............................................................................................................12 Riscos da atividade econômica .......................................................................13 Poderes ................................................................................................................15 Poder de direção do empregador ...................................................15 Poder de organização ........................................................................16 Poder de controle ...............................................................................16 Poder disciplinar..................................................................................16 Responsabilidade solidária do grupo de empresas .....................17 Sucessão de empresas ......................................................................18 Alterações na empresa ......................................................................21 Princípios do Direito do Trabalho ...................................................................22 Princípio da proteção do trabalhador .............................................24 Princípio da irrenunciabilidade .........................................................25 Princípio da continuidade da relação de emprego .......................26 Princípio da primazia da realidade ..................................................26 Princípio da flexibilização do Direito do Trabalho.........................26 Outros princípios.................................................................................27 Eficácia .................................................................................................................27 Hierarquia das normas .....................................................................................28 Interpretação .......................................................................................29 Integração .............................................................................................29 Empregador .............................................................................. 31 Conceito ...............................................................................................................31 SU M Á RI O 7DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Equiparados a empregador .............................................................................34 Sucessão de empregador ................................................................................35 Base legal ..............................................................................................35 Sucessão de empresas ......................................................................36 Alterações na empresa ......................................................................38 Teletrabalho ........................................................................................................38 Teoria .....................................................................................................38 Contrato de trabalho .............................................................. 44 Base legal ............................................................................................................45 Teoria ...................................................................................................................46 Contrato de trabalho ..........................................................................46 Conceito .................................................................................46 Natureza jurídica ..................................................................47 Características do contrato de trabalho ..........................47 Responsabilidade pré-contratual .....................................................50 Formação ..............................................................................................51 Requisitos .............................................................................................53 Classificação ........................................................................................................54 Conversão do contrato por tempo determinado e indeterminado .....................................................................................56 Circunstâncias possibilitadoras do contrato por tempo determinado ........................................................................................57 Trabalho intermitente .......................................................................................59 Base legal ..............................................................................................59de trabalho, é vedado ao menor de 18 anos dar, sem assistência dos seus responsáveis legais, quitação ao empregador pelo recebimento da indenização que lhe for devida. A contratação de servidor público, quando não aprovado em concurso público, deve obedecer às determinações do art. 37, II e § 2º, da CF, que lhe confere o direito ao pagamento da contraprestação em relação ao número de horas trabalhadas. NOTA Os contratantes devem manifestar livremente sua vontade, devendo estar livre dos vícios que possam fraudar a lei ou prejudicar as partes contratadas, tais como o erro, a má-fé, a coação, a simulação e a fraude. Os vícios praticados sem dolo não fraudam a lei, mas o contrário sim. Desde que não contrariem as normas legais pertinentes, as cláusulas constantes do contrato de trabalho são de livre estipulação das partes. 53DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Em relação ao objeto lícito, a atividade desenvolvida deve ser lícita, permitida por lei e aceita pelo Direito. A forma prescrita em lei reza que o contrato deve ser escrito ou verbal, salvo os casos previstos em lei que exigem a forma escrita. Para elucidar, ressaltam-se alguns contratos que exigem a forma escrita na lei: o contrato temporário (art. 11, da Lei nº 6.019/74), contratos por prazo determinado (art. 443, da CLT), contrato de aprendizagem (art. 428, da CLT), contrato em regime de tempo parcial (art. 58-A, § 2º, da CLT), trabalho voluntário (art. 2º, da Lei nº 9.608/98) e outros. De acordo com o art. 443, da CLT, os contratos de trabalho podem ser celebrados por tempo determinado ou indeterminado. Assim, no contrato por tempo determinado, antecipadamente as partes ajustam seu termo. No contrato por tempo indeterminado não há prazo para a terminação do pacto laboral. Requisitos Para melhor entendermos os requisitos do contrato de trabalho, devemos levar em consideração as definições encontradas nos arts. 2º e 3º, da CLT. A CLT dispõe que: Art. 2° Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. Art. 3º Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. 54 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Dentro dessas definições, podemos considerar os seguintes requisitos do contrato de trabalho: • Continuidade – por ser um ajuste de vontade, o contrato de trabalho deve ser prestado de forma contínua, não eventual; • Onerosidade – deve ser prestado de forma onerosa, mediante o pagamento de salários, pois o trabalhador deverá receber pelos serviços prestados; • Pessoalidade – o empregado deverá ser pessoa física ou natural, e não poderá ser substituído por outra pessoa (intuito personae); • Alteridade – o empregador assume qualquer risco, pois a natureza do contrato é de atividade, e não de resultado; e • Subordinação – existe uma relação hierárquica entre empregado e empregador. Classificação O contrato de trabalho pode ser classificado quanto à forma – tácito ou expresso, escrito ou verbal (arts. 442 e 443, da CLT) – e quanto à sua duração – determinado e indeterminado. 55DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Imagem 1.3 - Contratos de trabalho Contratos Prazo determinado Prazo determinado Prazo indeterminado Prazo indeterminado Fonte: Elaborado(a) pela autoria (2020). Quanto à forma, o contrato será tácito quando a manifestação de vontade decorrer de um comportamento que indique a relação de emprego, caracterizada pela existência de emprego, assim como quando não houver palavras escritas ou verbais. De acordo com o art. 29, da CLT, independentemente da forma de contrato de trabalho, este sempre deverá ser anotado na CTPS. Quanto à sua duração, o contrato poderá ser por prazo determinado ou indeterminado, fato que não altera a sua natureza jurídica, pois ambos são regidos pelas leis trabalhistas, o que muda é a estipulação do prazo. Será por prazo determinado quando seu término estiver previsto no momento da celebração, quando os contratantes expressam e previamente limitam sua duração, determinando o seu fim mediante termo ou condição. Neste caso, o término do contrato pode ocorrer com data certa ou data aproximada da conclusão dos serviços. 56 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Por prazo indeterminado é a forma mais utilizada pelas empresas, pois as partes, ao celebrá-lo, não estipulam a sua duração e nem prefixam o seu termo extintivo. A indeterminação da duração é uma característica peculiar do princípio da continuidade. Ademais, o art. 443, § 2º, da CLT, estabelece as hipóteses admitidas do contrato de trabalho por tempo determinado: • Transitoriedade do serviço do empregado. Exemplo: implantação de sistema de informática; • Transitoriedade da atividade do empregador. Exemplos: época da páscoa, vender panetone no natal; e • Contrato de experiência. Conversão do contrato por tempo determinado e indeterminado O contrato de trabalho por prazo determinado será convertido em prazo indeterminado de acordo com as hipóteses que seguem: a. Estipulação de prazo maior do que o previsto em lei (2 anos) – (Lei nº 9.601/98) – ou 90 dias; b. Estipulação do contrato por prazo determinado fora das hipóteses previstas no art. 443, § 2º, da CLT: I – Serviços cuja natureza ou transitoriedade justifiquem a predeterminação de prazo; II – Atividades empresariais de caráter transitório; e III – Contrato de experiência; c. Se houver mais de uma prorrogação, o contrato vigorará sem prazo. O contrato de trabalho por prazo 57DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 determinado que for prorrogado mais de uma vez passará a vigorar sem determinação de prazo (art. 451, da CLT); d. Sucessão – para celebrar um novo contrato por prazo determinado com um mesmo empregado, é necessário respeitar o interregno de seis meses para o novo pacto contratual; e e. Cláusula de rescisão contratual antecipada – uma vez ocorrida a rescisão antecipada do contrato, vigorarão as normas concernentes ao contrato de trabalho por prazo indeterminado. Circunstâncias possibilitadoras do contrato por tempo determinado O contrato de trabalho por tempo determinado é aquele cuja vigência se dará por tempo certo. Este prazo poderá ser uma data determinada, a realização de certos serviços ou um fato futuro que tenha uma duração aproximada (art. 443, § 1º, da CLT). O art. 443, § 2º, da CLT, estabelece as hipóteses admitidas do contrato de trabalho por tempo determinado. Citam-se como exemplo de transitoriedade do serviço do empregado: os serviços, cuja natureza ou transitoriedade, justifiquem a predeterminação do prazo; e a safra agrícola, que não justifica o trabalho do empregado fora dessas épocas. A atividade transitória pode ser da própria empresa e estará ligada a um serviço específico, como no caso do Comitê Eleitoral. Nesta hipótese, não existe nenhum propósito em dar continuidade ao trabalho fora daquele período. 58 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Os contratos de experiência fazem parte da modalidade de contrato por prazo determinado, podendo ser fixados no máximo por 90 dias (art. 445, da CLT). Além disso, é permitida uma única prorrogação, conforme art. 451, da CLT. No caso de prorrogação, a duração total do contrato de experiência, somando o período inicial e a prorrogação, não pode ultrapassar 90 dias, pois, caso contrário, o contrato pode ser considerado indeterminado. O contrato de experiência é um contrato por prazo determinado cuja duração é reduzida, possibilitando ao empregador verificar as aptidões técnicas do empregado, e a este avaliar a conveniênciadas condições de trabalho. Determina o art. 445, da CLT, que o prazo de duração do contrato de trabalho por tempo determinado não poderá ser superior a dois anos, podendo ser prorrogado apenas uma vez, se firmado por prazo inferior, e desde que a soma dos dois períodos não ultrapasse o limite de dois anos (art. 451, da CLT). Exige a lei que este contrato seja expresso e devidamente anotado na CTPS. Somente será permitido um novo contrato após seis meses da data de conclusão do pacto anterior (art. 452, da CLT), salvo nas hipóteses em que a expiração do contrato dependeu da execução de serviços especializados ou da realização de certos acontecimentos. É proibida a contratação de empregados por prazo determinado visando a substituir pessoal regular e permanente contratados por prazo indeterminado. Havendo cláusula que permita a rescisão imotivada antes do prazo determinado, este será regido pelas mesmas regras do contrato por tempo indeterminado (art. 481, da CLT), cabendo aviso prévio. 59DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 São exemplos de contratos por prazo determinado: obra certa; safra (Lei nº 5.889/73); atletas profissionais (Lei nº 9.615/98); e, aprendizagem (art. 428, da CLT). Trabalho intermitente Base legal Leia o que dispõe a lei: Art. 452-A. O contrato de trabalho intermitente deve ser celebrado por escrito e deve conter especificamente o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário do salário mínimo ou àquele devido aos demais empregados do estabelecimento que exerçam a mesma função em contrato intermitente ou não. § 1º O empregador convocará, por qualquer meio de comunicação eficaz, para a prestação de serviços, informando qual será a jornada, com, pelo menos, três dias corridos de antecedência. § 2º Recebida a convocação, o empregado terá o prazo de um dia útil para responder ao chamado, presumindo-se, no silêncio, a recusa. § 3º A recusa da oferta não descaracteriza a subordinação para fins do contrato de trabalho intermitente. § 4º Aceita a oferta para o comparecimento ao trabalho, a parte que descumprir, sem justo motivo, pagará à outra parte, no prazo de trinta dias, multa de 50% (cinquenta por 60 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 cento) da remuneração que seria devida, permitida a compensação em igual prazo. § 5º O período de inatividade não será considerado tempo à disposição do empregador, podendo o trabalhador prestar serviços a outros contratantes. § 6º Ao final de cada período de prestação de serviço, o empregado receberá o pagamento imediato das seguintes parcelas: I – remuneração; II – férias proporcionais com acréscimo de um terço; III – décimo terceiro salário proporcional; IV – repouso semanal remunerado; e V – adicionais legais. § 7º O recibo de pagamento deverá conter a discriminação dos valores pagos relativos a cada uma das parcelas referidas no § 6º deste artigo. § 8º O empregador efetuará o recolhimento da contribuição previdenciária e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, na forma da lei, com base nos valores pagos no período mensal e fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento dessas obrigações. § 9º A cada doze meses, o empregado adquire direito a usufruir, nos doze meses subsequentes, um mês de férias, período no qual não poderá ser convocado para prestar serviços pelo mesmo empregador. 61DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Teoria Uma das grandes inovações trazida pela reforma trabalhista foi justamente o trabalho intermitente. O intuito dessa nova regra é o de flexibilizar as relações de trabalho e suas contratações, haja vista as novas relações de trabalho e emprego. O artigo 452-A define o contrato intermitente: Art. 452-A. O contrato de trabalho intermitente deve ser celebrado por escrito e deve conter especificamente o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário do salário mínimo ou àquele devido aos demais empregados do estabelecimento que exerçam a mesma função em contrato intermitente ou não. Existia a figura do empregado “horista” em que não havia uma regulamentação adequada; desta feita, a CLT, com a sua reforma, trouxe essa inovação. Diante das inovações e evolução da sociedade, existem, agora, novas regras acerca da comunicação do empregado e do empregador. A comunicação deve ser feita de forma rápida tanto pelo empregador (são três dias antes do início do trabalho) quanto pelo empregado (apenas um dia útil para a confirmação). Desta forma, verifica-se a nova forma de trabalho, com o objetivo de se adaptarem as novas relações da sociedade. Sendo assim, o cumprimento integral da regra deve ser atendido por todas as partes envolvidas. Caso ocorra seu descumprimento, a procura do Poder Judiciário é imprescindível para o seu fiel descumprimento. 62 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 RESUMINDO Neste capítulo de estudo, abordamos a base legal dos contratos de trabalho. Contrato de Trabalho se trata do acordo tácito ou expresso, verbal ou escrito, que formaliza a relação entre empregado e empregador, estipulando os direitos e deveres de ambas as partes. Esse acordo fundamenta a existência de uma relação empregatícia, sendo a base da dinâmica laboral. Antes da efetivação do contrato, as partes já estabelecem comunicações, negociações e promessas. A responsabilidade pré-contratual se refere à obrigação de as partes agirem de boa-fé durante essas negociações preliminares. Se uma das partes agir de maneira enganosa ou desonesta, causando prejuízo à outra, pode haver responsabilização, mesmo que o contrato ainda não tenha sido formalizado. Os contratos de trabalho podem ser classificados segundo diversos critérios. Os mais comuns incluem a duração (prazo determinado ou indeterminado), a natureza da atividade (trabalho contínuo, sazonal ou eventual) e a forma (escrito ou verbal). Vimos também como foi introduzido na legislação brasileira pela Reforma Trabalhista de 2017, o trabalho intermitente é caracterizado pela prestação de serviços de forma não contínua, alternando períodos de atividade e inatividade, determinados em horas, dias ou meses. Essa modalidade de contrato deve ser estabelecida por escrito e especificar o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário do salário mínimo ou ao dos demais empregados que exerçam a mesma função. 63DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Empregado OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de interpretar qual o papel do empregado e quais seus direitos de acordo com a CLT. No universo trabalhista, o termo “empregado” possui uma significância especial. De acordo com a legislação brasileira, especificamente a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), um empregado é aquele indivíduo que presta serviços de natureza não eventual a um empregador, sob sua dependência e mediante remuneração. Entender a distinção entre empregado e autônomo é crucial para delinear os direitos e deveres inerentes a cada relação laboral, assegurando que ambas as partes estejam cientes e protegidas em seus respectivos papéis. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá! Avante! Base legal O cenário laboral é repleto de nuances e especificidades, e no centro dessa dinâmica, encontramos a figura do “empregado”. De acordo com a legislação brasileira, especificamente a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), um empregado é definido como aquele indivíduo que presta serviços de natureza não eventual a um empregador, sob dependência deste e mediante pagamento de salário. Essa definição, consagrada em lei, não é meramente terminológica, mas carrega em si implicações jurídicas profundas. Ela é a base para a aplicação de uma vasta gama de direitos e garantias que a legislação trabalhista brasileira assegura, como jornada de trabalho regulamentada,férias remuneradas, 13º salário, FGTS e muitos outros. 64 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 A relação de emprego, ao ser formalizada, torna-se regida por um conjunto de normas estabelecidas para equilibrar os interesses de empregados e empregadores, garantindo proteção e justiça a ambas as partes. E o entendimento claro do conceito de empregado é o primeiro passo para navegar com propriedade nesse vasto mar de direitos e deveres. Um dos marcos distintivos da condição de empregado é a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). Esse documento não apenas serve como um registro histórico da jornada laboral do trabalhador, mas também garante direitos essenciais, como FGTS, seguro-desemprego e benefícios previdenciários. Leia o que dispõe a lei: Art. 3º Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Em contrapartida ao empregado, temos a figura do trabalhador autônomo. Esta é uma pessoa que presta serviços por conta própria, sem vínculo empregatício, assumindo os riscos da atividade econômica. Ao contrário do empregado, o autônomo não tem subordinação direta a um empregador e, frequentemente, não possui as garantias trabalhistas tradicionais. 65DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Requisitos imprescindíveis para a caracterização do empregado São cinco os elementos essenciais da definição de empregado: pessoalidade, habitualidade, subordinação, salário e pessoa física. A presença desses cinco elementos é requisito sempre indispensável para o sujeito que realize um determinado trabalho ser enquadrado como empregado. Imagem 1.4 - Requisitos, art. 3º, da CLT P – Pessoalidade H – Habitualidade S – Subordinação S – Salário P – Pessoa Física Fonte: Elaborado(a) pela autoria (2020). a. Pessoalidade – empregado é um trabalhador que presta pessoalmente os serviços ao empregador. O contrato de trabalho é ajustado em função de determinada pessoa, razão por que é considerado intuitu personae. Assim, o empregador tem o direito de contar com a execução dos serviços por determinada e específica pessoa, e não por outra qualquer. 66 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 b. Habitualidade (ou não eventualidade) – empregado é um trabalhador não eventual, que presta continuamente seus serviços. Deve haver habitualidade na prestação laboral, já que o contrato de trabalho é de prestação sucessiva, que não se exaure em uma única prestação. Se os serviços prestados pelo trabalhador são eventuais, este não será empregado, mas, sim, um trabalhador eventual, não alcançado pelos direitos estabelecidos na CLT. Imagem 1.5 - Habitualidade Habitualidade (ou não eventualidade) Trabalhador não eventual e prestação contínua de serviços. Contrato de trabalho é de prestação sucessiva. Fonte: Freepik A continuidade não significa, necessariamente, trabalho diário. É bem verdade que, na maioria das vezes, a prestação dos serviços pelo empregado é feita diariamente, mas não há essa necessidade para caracterizar a relação de emprego. A continuidade pode ser caracterizada, por exemplo, pela prestação de serviços de um profissional duas ou três vezes por semana, desde que nos mesmos dias e horário. 67DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Diversamente, se couber ao próprio trabalhador definir os dias e horários em que prestará os serviços, ou ainda estabelecer a periodicidade da prestação, conforme sua conveniência ou sua agenda, restará descaracterizada a continuidade. c. Subordinação (ou dependência) – empregado é um trabalhador cuja atividade é exercida sob dependência de outrem, para quem ela é dirigida. Isso significa que o empregado é dirigido por outrem, uma vez que a subordinação o coloca na condição de sujeição em relação ao empregador. Se os serviços executados não são subordinados, o trabalhador não será empregado, mas, sim, trabalhador autônomo, não regido pela CLT. d. Salário – empregado é um trabalhador assalariado, portanto, alguém que, pelo serviço que presta, recebe uma retribuição. Caso os serviços sejam prestados gratuitamente pela sua própria natureza (voluntário, de finalidade cívica, assistencial, religioso) não se configurará a relação de emprego. A gratuidade, porém, deve ser inerente à natureza do serviço prestado. Essa situação não deve ser confundida com a prestação gratuita de serviços de natureza eminentemente onerosa (serviços que normalmente são remunerados, que trazem vantagens patrimoniais diretas ou indiretas às pessoas para as quais são prestados), caso em que, se provada pelo trabalhador, restará caracterizado o contrato tácito de trabalho. Assim, se “A” presta serviços de natureza onerosa a “B” (por exemplo, “A” é motorista particular, secretário, faxineiro, jardineiro de “B”) continuadamente e sob as ordens deste, o fato de “B” não efetuar pagamento àquele, não desnatura a relação de emprego tacitamente configurada. Ao contrário, restará configurado o ajuste tácito de trabalho e a mora (atraso) no pagamento por parte de “B”. 68 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 e. Pessoa física – empregado é sempre pessoa física ou natural. Não é possível, dada a natureza personalíssima das obrigações que ele assume, admitir-se a hipótese de um empregado pessoa jurídica. A proteção da legislação trabalhista é destinada à pessoa física, ao ser humano que trabalha. Os serviços prestados por pessoa jurídica são regulados pelo Direito Civil. CTPS Base legal Leia o que dispõe a lei: Art. 47. O empregador que mantiver empregado não registrado nos termos do art. 41 desta Consolidação ficará sujeito à multa no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) por empregado não registrado, acrescido de igual valor em cada reincidência. § 1º Especificamente quanto à infração a que se refere o caput deste artigo, o valor final da multa aplicada será de R$ 800,00 (oitocentos reais) por empregado não registrado, quando se tratar de microempresa ou empresa de pequeno porte. § 2º A infração de que trata o caput deste artigo constitui exceção ao critério da dupla visita. (NR) Art. 47-A. Na hipótese de não serem informados os dados a que se refere o parágrafo único do art. 41 desta Consolidação, o empregador ficará sujeito à multa de R$ 600,00 (seiscentos reais) por empregado prejudicado. 69DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Teoria Carteira de Trabalho e Previdência Social — CTPS A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), emitida por órgão público, é documento obrigatório para o exercício de qualquer emprego, seja urbano ou rural, e para aqueles que exercem atividade profissional remunerada, mesmo que em caráter permanente (art. 13, da CLT). De acordo com o artigo 13 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é mandatório o registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) para a efetivação de qualquer emprego, incluindo posições temporárias ou em período de teste antes da contratação definitiva. Portanto, o registro deve ser feito em qualquer tipo de contrato de trabalho, seja ele por tempo determinado, trabalho intermitente ou outra modalidade, desde que o empregado esteja atuando sob direção do empregador. A idade mínima para emissão da CTPS é 14 anos, quando o menor poderá ser admitido como aprendiz. O prazo legal para este registro, conforme o artigo 29 da CLT, exige que o empregador assine a CTPS do trabalhador dentro de cinco dias úteis após o começo das atividades laborais. Essa anotação precisa conter detalhes como a data de início do emprego, o salário combinado e eventuais termos específicos do contrato de trabalho. Art. 29. O empregador terá o prazo de 5 (cinco) dias úteis para anotar na CTPS,em relação aos trabalhadores que admitir, a data de admissão, a remuneração e as condições especiais, se houver, facultada a adoção de 70 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 sistema manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério da Economia. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) § 1º As anotações concernentes à remuneração devem especificar o salário, qualquer que seja sua forma de pagamento, seja êle em dinheiro ou em utilidades, bem como a estimativa da gorjeta (BRASIL, 2019, on-line). Para cumprir esse prazo, o trabalhador deve fornecer sua CTPS à organização contratante com antecedência. No caso de não observância desse prazo, o empregador falha em realizar as contribuições necessárias para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), impactando no cálculo de benefícios como o décimo terceiro, férias e aposentadoria. O descumprimento dos prazos fixados pela legislação caracteriza uma infração trabalhista, sujeitando o empregador a penalidades financeiras, cujos valores são destinados ao tesouro público. Segundo o §3º, CLT o não cumprimento da obrigação do artigo 29, acarretará lavratura de auto de infração pelo Fiscal do trabalho, que de ofício comunicará o órgão competente para instauração de processo de anotação. O trabalhador deverá ter acesso às informações da CTPS no prazo de até 48 horas a partir da anotação (artigo 29 §8º). Diante de atrasos na formalização do registro, o trabalhador deve buscar esclarecimentos junto ao setor de Recursos Humanos da empresa e, se necessário, acionar o sindicato representativo da categoria. 71DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Na hipótese do empregador se recusar a fazer as devidas anotações, ou mesmo devolver a CTPS ao empregado, este poderá fazer uma reclamação perante a Delegacia Regional do Trabalho, que notificará o empregador para que tome as devidas providências. Não havendo mais espaço destinado ao registro e anotações na CTPS, o interessado deverá se locomover ao órgão competente para obter a segunda via de sua CTPS, na qual serão conservados o número e a série anterior (art. 21, da CLT). É vedado ao empregador efetuar anotações desabonadoras à conduta do empregado. O descumprimento dessa regra acarretará o pagamento de multa pelo empregador, prevista no artigo 52, CLT. Registro em livro As empresas são obrigadas a adotar o Livro de Registro de Empregados quando do início de suas atividades. Nele, serão anotados todos os dados sobre o empregado, tais como: nacionalidade, estado civil, documentos pessoais, qualificação profissional, data de admissão, salário-base, férias, acidentes e todas as demais circunstâncias que interessem à proteção do trabalhador. A lei admite a adoção de ficha individualizada de registro de empregados no lugar do livro. A falta do registro implica imposição de multa. Exame médico admissional É exigido do empregado, na data de admissão e antes que assuma as suas funções, o exame médico que compreende: avaliação clínica, anamnese ocupacional, exame físico e mental e demais exames complementares especificados na NR-7. 72 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 No exame, deverá o médico emitir o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) em duas vias, que será remetida a primeira ao empregador, para arquivá-lo no local de trabalho, e a segunda será entregue ao empregado. Autônomo Base legal Leia o que dispõe a lei: Art. 442-B. A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3º desta Consolidação. Teoria Conceito de relações de emprego e trabalho Para compreender a relação de emprego e trabalho, é necessário deter-se ao estudo dos elementos diferenciadores da relação de trabalho e da relação de emprego. A principal diferença é que somente a relação de emprego é protegida pela CLT e poderá ser objeto de ação ajuizada perante a Justiça do Trabalho. Assim, somente poderá ser considerada relação protegida pelas regras do Estatuto Consolidado, e caracterizar o “Empregado”, quando presentes alguns requisitos, os quais serão estudados mais adiante (art. 3º, da CLT): a. Pessoa física, pois a pessoa jurídica não pode ser considerada empregada; 73DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 b. O trabalho tem de ser prestado de forma contínua, pois trabalho eventual não consolida uma relação de emprego a ser protegida pela CLT, como o caso de convocar um mensageiro autônomo para enviar uma determinada mensagem; c. Trabalho subordinado, pois o empregado, no exercício de seu mister, cumpre ordens de seu empregador; e d. Existência de contraprestação, posto que o trabalho prestado de forma voluntária, sem pagamento de salário, também descaracteriza a relação de emprego. Diferença entre empregado e trabalhador Trabalhador é um gênero de que empregado é uma de suas espécies. O trabalhador presta atividade profissional independentemente de troca de salário ou não, não há subordinação e nem habitualidade, conclui-se, portanto, que não há vínculo de emprego. Para ser classificado como empregado, devem ser atendidos os requisitos da relação empregatícia, enquanto para ser trabalhador o mesmo não ocorre. Outro paralelo que se pode fazer está na relação de trabalho e na relação de emprego: • Relação de Trabalho (gênero) – relação de trabalho é o gênero, que compreende o trabalho autônomo, eventual, avulso, entre outros; e • Relação de Emprego (espécie) – relação de emprego é espécie, trata do trabalho subordinado do empregado em relação ao empregador. A lei brasileira define a relação entre empregado e empregador como um contrato, mas afirma que o contrato corresponde a uma relação de emprego. Segundo o art. 442, da 74 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 CLT: “contrato individual de trabalho é o acordo, tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego”. A relação de emprego é realmente contratual, ou seja, é uma manifestação de vontade, com características de subordinação, habitualidade, onerosidade, pessoalidade com relação ao empregado, e deve ser pessoa física. Elementos caracterizadores da relação de emprego Para ser caracterizado como empregado, mister é o preenchimento de alguns requisitos, que são: • Subordinação; • Habitualidade; • Onerosidade; • Pessoalidade; e • Pessoa física. Imperioso notar que a exclusividade não é um requisito para a configuração da relação laboral, e não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre trabalho intelectual, técnico e manual (art. 3º, parágrafo único, da CLT) e, por derradeiro, não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador e o executado no domicílio do empregado, desde que esteja caracterizada a relação de emprego (art. 6º, da CLT). Portanto, para a devida caracterização, é necessário que os cinco requisitos estejam juntos, respeitando, assim, a base legal do art. 3º, da CLT, os quais serão estudados, como segue: 1. Subordinação – trata da submissão do empregado em relação ao empregador, acatando as ordens impostas por este, e atendendo às exigências para a realização do trabalho. Nada mais é que uma subordinação 75DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 jurídica em razão do poder de direção do empregador ao empregado; 2. Inserida neste tema aparece a parassubordinação, um instituto que tem ganhado bastante reconhecimento no mundo jurídico, apesar de não ser prevista pela legislação brasileira, mas tão apenas discutida em artigos esparsos e pouca doutrina jurídica brasileira. O parassubordinado é a criação da figura do trabalhador que não é considerado um empregado, mas que exerce atividades similares às de um empregado, mediante pagamentopelo serviço prestado. É a subordinação dos não empregados que tem características de emprego; Na verdade, a parassubordinação aparece como um elemento entre a subordinação do empregado e o conceito de colaboração do trabalhador autônomo. O trabalho parassubordinado decorre de um contrato de colaboração no qual o trabalhador se compromete a desempenhar uma atividade mediante a coordenação, e não subordinação, da empresa tomadora, que acorda de forma livre e bilateral as condições e formas com que o serviço será prestado, em nada alterando a autonomia do trabalho coordenado, ainda que preenchidos os requisitos da subordinação, continuidade e pessoalidade caracterizadores da relação de emprego. Ao passo que no trabalho subordinado, as normas são impostas pelo empregador ao empregado, de forma paritária, no qual lhe deve obediência; Percebe-se, assim, que a distinção entre as duas hipóteses —subordinação e parassubordinação — se baseia na intensidade do poder diretivo do tomador. 76 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 3. Habitualidade – ou não eventualidade, para a configuração desse requisito deverá haver a prestação de serviço de forma contínua e certa, não podendo este ser de forma esporádica ou ocasional. Segundo posicionamento do TST, habitual é aquele serviço prestado em até três vezes por semana; 4. Onerosidade – esse requisito alude acerca do contrato de trabalho não ser gratuito, mas sim oneroso; o empregador tem o dever de pagar o salário ao empregado pelos serviços prestados e o empregado tem a obrigação de prestar serviços ao empregador. Assim, se os serviços forem prestados espontânea e gratuitamente, não há relação empregatícia; 5. Pessoalidade – o contrato de trabalho, como estudamos, é intuitu personae, o que significa dizer que o trabalho será realizado com pessoa certa e específica, sempre pessoa física, e esta não poderá se fazer substituir sob pena do vínculo empregatício; e 6. Pessoa Física – só poderá ser empregada a pessoa física; pessoa jurídica não poderá ser empregada de outra pessoa jurídica. Trabalhador autônomo O profissional autônomo é sinônimo de independência, relativa a certo grau de liberdade, porém com limites. É se autogovernar, é a pessoa física que exerce, habitualmente e por conta própria, atividade profissional remunerada, prestando serviço de caráter eventual a uma ou mais empresas, sem relação de emprego e assumindo o risco de sua atividade. Este trabalhador caracteriza-se, portanto, pela autonomia da prestação de serviços a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, ou seja, por 77DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 conta própria, mediante remuneração, com fins lucrativos ou não (art. 12, V, alínea “h”, da Lei nº 8.212/91). O autônomo não é empregado. Para o trabalhador autônomo aplicam-se Lei Especial, Código Civil e, ainda, Código de Defesa do Consumidor (CDC), portanto, não se aplica a CLT. Importante destacar que a diferença entre o autônomo e o empregado está na subordinação. O empregado é totalmente subordinado, jurídica e economicamente, enquanto o autônomo é independente, não está de nenhuma forma subordinado à figura do empregador e tem total liberdade para executar o trabalho durante o tempo que achar necessário, podendo começar e parar a qualquer momento, além de poder se fazer substituir. Distingue-se o autônomo do eventual, uma vez que o autônomo presta serviços com habitualidade, enquanto o eventual presta serviços ocasionalmente ao tomador de serviço. Cabe salientar que o autônomo tem o direito de receber apenas comissões relacionadas às suas vendas. No entanto, caso ele receba comissões além de um salário fixo, independentemente do valor, ele será considerado um empregado convencional. São exemplos de autônomo: advogado, eletricista, chaveiro, médico, vendedor, representante comercial, arquiteto, engenheiro, marceneiro, encanador, entre outros. São profissionais que não trabalham como empregados, mas, sim, com independência e sem subordinação. Quando a autonomia é desvirtuada, a jurisprudência tem reconhecido o vínculo. 78 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 RESUMINDO Neste capítulo, estudamos que o ambiente laboral é moldado por diversas categorias profissionais, e entre elas, destaca-se a figura do empregado. Segundo a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o empregado é o indivíduo que presta serviços de natureza não eventual a um empregador, sob subordinação deste e mediante remuneração. Representando a formalização desta relação, temos a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), documento obrigatório para todo empregado. Além de servir como registro dos contratos de trabalho, a CTPS garante ao trabalhador direitos como FGTS, seguro-desemprego e benefícios previdenciários. Analisamos que há profissionais que não se enquadram na categoria tradicional de empregados. São os trabalhadores autônomos, que realizam suas atividades de forma independente, sem vínculo empregatício e, geralmente, sem as proteções tradicionais da CLT. Ao contrário do empregado, o trabalhador autônomo tem mais liberdade para definir seus horários e forma de trabalho, mas também assume integralmente os riscos de sua atividade. 79DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 RE FE RÊ N CI A S KUGELMASS, J. Teletrabalho: novas oportunidades para o trabalho flexível: seleção de funcionários, benefícios e desafios, novas tecnologias de comunicação. São Paulo: Atlas, 1996. MOTTA, P. R. de M. O estado da arte da gestão pública. Rev. adm. empres., São Paulo, v. 53, n. 1, p. 82-90, 2013. NASCIMENTO, A. M. do. Iniciação ao direito do trabalho. São Paulo: Editora Saraiva, 2018. NILLES, J. M. Fazendo do Teletrabalho uma realidade: um guia para telegerentes e teletrabalhadores. São Paulo: Futura, 1997. PRETTI, G. Direito do trabalho após a reforma trabalhista. São Paulo: Editora LTR, 2019. PRETTI, G. CLT comentada. São Paulo: Editora Ícone, 2018. PRETTI, G. Prática trabalhista com modelos de contratos e peças. São Paulo: Editora LTR, 2019. Fundamentos e competência legislativa Base legal Conceito Riscos da atividade econômica Poderes Poder de direção do empregador Poder de organização Poder de controle Poder disciplinar Responsabilidade solidária do grupo de empresas Sucessão de empresas Alterações na empresa Princípios do Direito do Trabalho Princípio da proteção do trabalhador Princípio da irrenunciabilidade Princípio da continuidade da relação de emprego Princípio da primazia da realidade Princípio da flexibilização do Direito do Trabalho Outros princípios Eficácia Hierarquia das normas Interpretação Integração Empregador Conceito Equiparados a empregador Sucessão de empregador Base legal Sucessão de empresas Alterações na empresa Teletrabalho Teoria Contrato de trabalho Base legal Teoria Contrato de trabalho Conceito Natureza jurídica Características do contrato de trabalho Responsabilidade pré-contratual Formação Requisitos Classificação Conversão do contrato por tempo determinado e indeterminado Circunstâncias possibilitadoras do contrato por tempo determinado Trabalho intermitente Base legal Teoria Empregado Base legal Requisitos imprescindíveis para a caracterização do empregado CTPS Base legal Teoria Carteira de Trabalho e Previdência Social — CTPS Registro em livro Exame médico admissional Autônomo Base legal Teoria Conceito de relações de emprego e trabalho Trabalhador autônomoTeoria .....................................................................................................61 8 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Empregado ............................................................................... 63 Base legal ............................................................................................................63 Requisitos imprescindíveis para a caracterização do empregado ...........65 CTPS .....................................................................................................................68 Base legal ..............................................................................................68 Teoria .....................................................................................................69 Carteira de Trabalho e Previdência Social — CTPS ........69 Registro em livro..................................................................................71 Exame médico admissional ...............................................................71 Autônomo............................................................................................................72 Base legal ..............................................................................................72 Teoria .....................................................................................................72 Conceito de relações de emprego e trabalho .................72 Trabalhador autônomo ......................................................................76 9DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 A PR ES EN TA ÇÃ O A complexa e multifacetada teia de relações de trabalho no Brasil é regida por um conjunto extenso e detalhado de leis e normativas. Ao longo da história, essas regras foram estabelecidas e refinadas para equilibrar os direitos e deveres entre empregadores e empregados, considerando as particularidades socioeconômicas do país e as demandas da nossa população trabalhadora. Além disso, em um contexto mais amplo, temos o sistema previdenciário, essencial para a proteção e segurança dos trabalhadores após anos de dedicação ao mercado de trabalho. Nessa primeira unidade de nosso e-book, mergulharemos nos fundamentos básicos do Direito do Trabalho e da Previdência Social, estabelecendo uma sólida base para compreensão das legislações e práticas que regem as relações laborais em nosso país. Buscaremos entender o alicerce do direito trabalhista e previdenciário, bem como a organização e competência de entidades e poderes para a criação e aplicação de leis nessa seara; a diversidade de legislações que determinam os direitos e deveres tanto dos empregadores quanto dos empregados, e como os contratos de trabalho são estabelecidos e operacionalizados no cenário brasileiro. Preparado para iniciar essa jornada de conhecimento? O Direito do Trabalho e da Previdência Social é uma área dinâmica, rica em detalhes e de extrema relevância para todo cidadão brasileiro. Seja você um estudioso, profissional da área, empregador, empregado ou simplesmente alguém interessado em conhecer mais sobre seus direitos e deveres, esse material foi elaborado pensando em você. 10 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 O BJ ET IV O S Olá! Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Definir os fundamentos e as competências legislativas. 2. Discernir sobre o papel do empregador de acordo com a CLT. 3. Entender a base legal de um contrato de trabalho. 4. Compreender o papel do empregado e seus direitos de acordo com a CLT. 11DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Fundamentos e competência legislativa OBJETIVO Ao nos depararmos com o universo do Direito, é fundamental entender que toda norma, toda regra ou lei não surge por acaso. Por trás de cada dispositivo legal, há fundamentos que justificam sua existência, baseados em valores sociais, históricos, econômicos e políticos. No âmbito do Direito do Trabalho e da Previdência Social, tais fundamentos assumem um papel crucial ao refletir a evolução dos direitos dos trabalhadores e o equilíbrio nas relações laborais. Mas, quem tem a prerrogativa de criar tais normas? Como são estabelecidos os limites e a abrangência da legislação trabalhista e previdenciária? E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá! Avante! Em um país federativo como o Brasil, a competência para legislar sobre determinados temas é claramente delineada pela Constituição Federal. Este delineamento é essencial para manter a ordem e a harmonia entre os entes federativos: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Entender os pilares que sustentam o Direito do Trabalho e da Previdência Social e como a competência legislativa é distribuída e exercida para a elaboração de normas que regem essas áreas, é fundamental para compreender o funcionamento e a organização de nosso sistema jurídico no que tange às relações de trabalho e proteção social. 12 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Base legal O Art. 2º, da CLT, dispõe que: “Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço”. Imagem 1.1 – Relação de trabalho Fonte: Freepik A relação de trabalho condiz sempre com a confiança entre as partes. Conceito Cumpre salientar que apenas a União poderá legislar sobre direito e processo do trabalho, com base no artigo 22, inciso I, da CF/88. Nesse material, não iremos abordar as questões que 13DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 envolvem o trâmite da lei, na Câmara e no Senado, tendo em vista que se trata de matéria de Direito Constitucional. De acordo com o artigo 2º da CLT, considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Segundo o mesmo dispositivo legal, equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. IMPORTANTE Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços (art. 2º, da CLT). Além disso, é empregador a pessoa física ou jurídica que explora atividades agrícolas, pastoris ou de indústria rural (Lei nº 5.889/73), e o empregador doméstico (Lei Complementar nº 150/2015), assim como a pessoa física que explora individualmente o comércio. É a chamada empresa individual. O empregador é o ente, dotado ou não de personalidade jurídica (pessoa física ou jurídica), com ou sem fim lucrativo, que admite o empregado para a prestação de serviços pelos quais é pago um salário, ou seja, remunerando-o pela utilização de serviço prestado, mediante contrato de trabalho (tácito ou expresso). Riscos da atividade econômica Assumir os riscos da atividade econômica significa que a empresa deve arcar com as despesas salariais dos seus funcionários, mesmo que ela sofra prejuízo. Isso significa que tanto os lucros quanto as perdas devem ser de responsabilidade 14 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 do empregador e não podem ser transferidos para o empregado. O empregador admite o empregado mediante a obrigação de lhe pagar salário, ou seja, a remuneração é um elemento fundamental na relação de trabalho. A “relação de trabalho” é um conceito amplo, que engloba diversas formas de prestação de serviço no Brasil. De acordo com a legislação brasileira, toda vez que uma pessoa física presta um serviço para outra pessoa (física ou jurídica),estabelecendo uma relação jurídica, podemos estar diante de uma relação de trabalho. É fundamental diferenciar “relação de trabalho” de “relação de emprego”. Enquanto a primeira é um termo mais abrangente, a segunda refere-se a um tipo específico de relação de trabalho. Segundo o artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), considera-se empregado toda pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Para caracterizar uma relação de emprego, são necessários alguns requisitos: • Pessoalidade: o serviço deve ser prestado pessoalmente pelo empregado. Ou seja, ele não pode se fazer substituir por outra pessoa. • Não eventualidade: o serviço é prestado de forma contínua e não apenas em ocasiões específicas. • Subordinação: o empregado presta serviços sob ordens, direção e controle do empregador. • Onerosidade: em troca do serviço, o empregado recebe um salário. Relação de trabalho abrange outras modalidades além da relação de emprego, como trabalhadores autônomos, trabalhadores temporários, estagiários, entre outros. 15DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Em suma, enquanto toda relação de emprego é uma relação de trabalho, nem toda relação de trabalho configura uma relação de emprego. O Direito do Trabalho brasileiro busca, através dessas definições, proteger os direitos dos trabalhadores e estabelecer os deveres e obrigações tanto para os empregados quanto para os empregadores. Nesse sentido, o empregador é o responsável pela direção da atividade empresarial, possuindo o poder de direção e organização, o poder de controle e o poder disciplinar, conforme serão comentados a seguir. Poderes Poder de direção do empregador O empregado está subordinado ao poder de direção do empregador, e este poder de direção é a faculdade atribuída ao empregador de determinar o modo como a atividade do empregado, em decorrência do contrato de trabalho, deve ser exercida. O poder de direção se subdivide em: • Poder de organização; • Poder de controle; e • Poder disciplinar. NOTA Os poderes mencionados anteriormente referem- se à relação de emprego, nos serviços prestados pelo empregado, no local de trabalho, e em conformidade com a legislação. 16 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Poder de organização O poder de organização se refere ao poder que o empregador possui de ordenar as atividades do empregado, inserindo-as no conjunto das atividades da produção, visando à obtenção dos objetivos econômicos e sociais da empresa. A empresa poderá ter um regulamento interno, e decorre dele a faculdade de o empregador definir os fins econômicos visados pelo empreendimento. Poder de controle O poder de controle significa o direito de o empregador fiscalizar as atividades profissionais dos seus empregados, e justifica-se, uma vez que, sem controle, o empregador não pode ter ciência das tarefas cumpridas por seu funcionário, visto que, em contrapartida, há salário a ser pago. A própria marcação do cartão de ponto é decorrente do poder de fiscalização do empregador sobre o empregado, de modo a verificar o correto horário de trabalho. do obreiro, que, inclusive, tem amparo legal. O artigo n° 74 da CLT determina que todo estabelecimento que conta com 20 ou mais funcionários deve realizar o controle de ponto. Nas empresas com mais de dez empregados, é obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, devendo haver a assinalação do período de repouso, garantindo assim a conformidade com as normas trabalhistas. Poder disciplinar O poder disciplinar é aplicado por meio de suspensão, advertência ou dispensa por justa causa. A advertência muitas vezes é feita verbalmente, contudo, caso o empregado reitere 17DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 o cometimento de uma falta, aí será advertido por escrito, e na próxima falta será suspenso. O empregado não poderá ser suspenso por mais de 30 dias, o que importa em rescisão injusta do contrato de trabalho (art. 474, da CLT), e a suspensão acarreta a perda dos salários dos dias respectivos, bem como o descanso semanal remunerado (DSR). Normalmente, o empregado é suspenso por 1 a 5 dias, não sendo necessária a gradação nas punições do empregado. Cabe mencionar que a lei não veda que o empregado seja demitido diretamente, sem antes ter sido advertido ou suspenso, desde que a falta por ele cometida seja realmente grave. É a chamada demissão por justa causa. As penalidades injustas ou abusivas serão passíveis de revisão na Justiça do Trabalho. Não é somente o empregador que tem obrigações a serem cumpridas sob pena de multa, os empregados têm responsabilidades legais. Vejamos uma situação prática, no caso de empregado ou empregador quiser encerrar o contrato com prazo determinado, a rescisão poderá ocorrer de forma antecipada. Mas para isso, o empregado deve solicitar expressamente a demissão antecipada, segundo o artigo 480 da CLT, deverá indenizar o empregador. Essa indenização corresponde a indenização de metade dos salários remanescentes do tempo de contrato que não será cumprido. Responsabilidade solidária do grupo de empresas O artigo 2º, § 2º, da CLT, dispõe quando uma ou mais empresas, embora cada uma delas tenha personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, 18 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 solidariamente responsáveis à empresa principal e a cada uma das subordinadas. Não elimina a responsabilidade das empresas a falência de uma delas. São exemplos: a coligação, as holdings, o pool, o consórcio de empregadores, joint venture (empreendimento conjunto), entre outros. Os grupos econômicos são formados por uma ou mais empresas, cada uma com personalidade jurídica própria, existindo entre elas vínculo de direção, controle, administração ou coordenação em face de atividade de qualquer natureza. IMPORTANTE A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário. É o que preceitua a Súmula nº 129, do TST. Sucessão de empresas A responsabilidade sucessora refere-se à mudança na propriedade da empresa, que designa todo acontecimento em virtude do qual uma empresa é absorvida por outra. É o que ocorre nos casos de incorporação, transformação e fusão. Declaram, ainda, os arts. 10 e 448, da CLT, que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Enfatizando, assim, a aplicação do Princípio da Continuidade da empresa, salientando que as alterações relativas à pessoa do empresário não afetam o contrato de trabalho, e no fato de que, dissolvida a empresa, ocorre a extinção do contrato de trabalho. 19DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Em relação à responsabilidade da empresa sucessora, esta responde pelos créditos trabalhistas dos empregados da empresa sucedida, ainda que exista cláusula contratual eximindo-a de tal responsabilidade. O real objetivo desta cláusula é a garantia que a sucessora resguarda para propor ação regressiva contra sua antecessora, não a eximindo de responsabilidade quanto aos créditos trabalhistas. A sucessão trabalhista fundamenta a aplicação do princípio das desconsiderações da personalidade jurídica no Direito do Trabalho, possibilitando a transferência de seus sócios a responsabilidade pelos créditos empregados. A desconsideração da personalidade jurídica é um instru- mento jurídico utilizado quando uma empresa, por meio de abu- sos ou fraudes, tenta se esquivar de suas responsabilidades legais, em especial obrigaçõesfinanceiras. Ao aplicar essa desconsidera- ção, o Poder Judiciário permite que os bens particulares dos sócios ou administradores da empresa sejam alcançados para garantir o cumprimento de tais obrigações. No âmbito da legislação trabalhista brasileira, a descon- sideração da personalidade jurídica é particularmente relevante. Trabalhadores que enfrentam empresas inadimplentes quanto a direitos trabalhistas fundamentais, como salários, benefícios e verbas rescisórias, podem encontrar na desconsideração uma via para garantir que seus direitos sejam respeitados. O artigo 8º-A da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), inserido pela Reforma Trabalhista de 2017, trouxe critérios específicos para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica no Direito do Trabalho. Estipula que só ocorrerá em casos de abuso e clara utilização fraudulenta da personalidade jurídica, demandando a demonstração de desvio de finalidade ou confusão patrimonial. 20 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Leia o que se encontra disposto em lei: Art. 855-A. Aplica-se ao processo do trabalho o incidente de desconsideração da personalidade jurídica previsto nos arts. 133 a 137 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 – Código de Processo Civil. § 1º Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente: I – na fase de cognição, não cabe recurso de imediato, na forma do § 1º do art. 893 desta Consolidação; II – na fase de execução, cabe agravo de petição, independentemente de garantia do juízo; e III – cabe agravo interno se proferida pelo relator em incidente instaurado originariamente no tribunal. § 2º A instauração do incidente suspenderá o processo, sem prejuízo de concessão da tutela de urgência de natureza cautelar de que trata o art. 301 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 – Código de Processo Civil. REFLITA A desconsideração da personalidade jurídica do empregador, como um dos principais mecanismos para que o Direito do Trabalho produza efeitos na realidade fática, alcançam a sua finalidade teleo- lógica. Um efeito que se pode evidenciar é o de viabilizar o princípio da continuidade da relação empregatícia quando da substituição do titular do empreendimento empresarial. 21DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Outro efeito é o de suavizar a vedação de alterações objetivas do contrato empregatício prejudiciais ao empregado, dadas as incessantes modificações nas estruturas da empresa. A despersonalização é, ainda, fundamento para que os sócios da entidade societária sejam alcançados e responsabilizados subsidiariamente quando frustrada a execução trabalhista, não satisfeita com o patrimônio do devedor principal. A desconsideração, por se tratar de exceção à regra da personalidade da pessoa jurídica, deve ser aplicada com parcimônia somente quando houver necessidade de despir a sociedade empresária e alcançar o patrimônio pessoal dos sócios, sendo imprescindível a sensibilidade dos julgadores diante dos casos concretos. NOTA Alguns julgados presumem a culpa do sócio administrador, em contrapartida, outros aduzem a fraude à lei ou violação de norma contratual (art. 50, do CC). Alterações na empresa As alterações empresariais podem ocorrer de duas formas: a. alterações na sua estrutura jurídica, como a mudança de regime jurídico; e b. alterações em sua propriedade, como a venda. A legislação celetista trata do tema por meio do art. 10, em que aduz que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. E, ainda, no art. 448, também da CLT, no qual consigna que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. 22 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Conclui-se, portanto, que eventual mudança jurídica na estrutura da empresa, assim como a sua transformação de empresa individual para coletiva ou de sociedade anônima para limitada em nada alterarão o contrato de trabalho dos empregados. E mais, a mesma regra vale para o caso de mudança de propriedade, como a venda ou inclusão de novos sócios. IMPORTANTE Note-se que, mesmo diante de acordo ou conven- ção coletiva de trabalho firmada entre as partes, não excluirá os direitos dos trabalhadores, e não há nenhuma repercussão jurídica. Princípios do Direito do Trabalho Os princípios são a base do direito. No Direito do Trabalho, os princípios são fundamentos que nos permitem orientar, na falta de disposições legais ou contratuais, a exata compreensão das normas, cujo sentido é obscuro, complementando estas lacunas da lei. Assim, diante da falta de dispositivo legal, aplicam-se os princípios (art. 8º, da CLT). No Direito do Trabalho, existem princípios específicos previstos na Constituição Federal, dentre eles: • Igualdade nas relações de trabalho e garantia da dignidade da pessoa humana; • Art. 5º, XIII – Liberdade de exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão; • Art. 7º, I – Proteção contra dispensa arbitrária ou sem justa causa; • Art. 7º, VI – Irredutibilidade dos salários; 23DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 • Art. 7º, XXVI – Reconhecimento das convenções e acordos coletivos; • Art. 7º, XXVII – Proteção em face da automação; • Art. 7º, XXX, XXXI, XXXII – Princípio da não discriminação nas admissões, contratação ou extinção do contrato de trabalho; • Art. 8º – Liberdade sindical; • Art. 9º – Direito de greve; e • Art. 11 – Representação dos trabalhadores nas empresas. REFLITA Estabelece o art. 8º, da CLT, que: “as autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do Direito do Trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público”. São princípios próprios do Direito do Trabalho: o princípio da proteção ao trabalhador, que se desdobra em in dubio pro operario, na norma mais favorável e na condição mais benéfica. O princípio da norma mais favorável, que também se desdobra no princípio da hierarquia das normas, princípio da elaboração da norma mais favorável e princípio da interpretação mais favorável. Além destes, tem o princípio da irrenunciabilidade dos direitos, o princípio da continuidade da relação de emprego, o princípio da primazia da realidade e o princípio da flexibilização do Direito do Trabalho. 24 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Princípio da proteção do trabalhador O princípio da proteção ao trabalhador tem por objetivo equilibrar a relação laboral, tornando-se uma forma de compensar a desigualdade econômica presente nas relações de emprego, ou seja, “tratar desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualam” (Rui Barbosa). Desdobra-se no in dubio pro operario, nas regras da aplicação da condição mais benéfica e da norma mais favorável. O in dubio pro operario determina que, havendo dúvida, o aplicador da lei deve optar pela solução mais favorável ao empregado. A verdadeira aplicação do princípio do in dubio pro operario está na aferição e valoração dos fatos no processo do trabalho, para que assim se possa obter a verdade e eliminar a dúvida. A aplicação da condição mais benéfica estabelece que, mesmo que sobrevenha uma norma mais nova, esta nunca deverá servir para diminuir as condições mais favoráveis ao trabalhador, permanecendo, neste caso, o trabalhador na situação anterior, se mais favorável. Quando houver mais de uma norma aplicável, a opção é aplicar aquela que seja melhor ao empregado, mesmo que hierarquicamente inferior. O princípio da norma mais favorável também pode ser desdobrado em três: princípio da hierarquia das normas,princípio da elaboração da norma mais favorável e princípio da interpretação mais favorável. Determina o princípio da hierarquia que, independentemente da hierarquia entre as normas, sempre deverá ser aplicada a que for mais benéfica ao empregado. 25DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 O princípio da elaboração da norma mais favorável estabelece que, quando o legislador elabora uma lei trabalhista, ele deve sempre ampliar sua proteção, buscando a melhoria de condições ao trabalhador. IMPORTANTE Pelo princípio da interpretação mais favorável prevalecerá o entendimento que for mais benéfico aos interesses do trabalhador. Princípio da irrenunciabilidade O princípio da irrenunciabilidade dos direitos vem previsto nos arts. 9º, 444 e 461, da CLT, e estabelece que os direitos trabalhistas não podem ser renunciados, pois representam as condições mínimas asseguradas pelo legislador, ou mesmo por convenções, ao trabalhador. A renúncia é o ato unilateral do empregado, pelo qual desiste de um direito garantido por lei. Somente será permitida a renúncia se tratar-se de norma legal cogente, ou que derive de sentença normativa ou de cláusula indisponível de pacto coletivo, mesmo assim, a renúncia só será possível quando realizada em juízo e comprovado que o empregado não foi coagido. São consideradas como justificativas para esse princípio: as normas trabalhistas são de ordem pública, ou seja, o Estado as caracteriza como imprescindíveis e essenciais para a sociedade; as normas trabalhistas não podem ser transacionadas, portanto, são indisponíveis; e, ainda, as normas trabalhistas tratam de condições mínimas ao trabalhador, por isso são imperativas. 26 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Princípio da continuidade da relação de emprego No Direito do Trabalho, prevalece a preferência aos contratos por tempo indeterminado, atribuindo à relação de emprego a mais ampla duração sob todos os aspectos. Determina a lei que o contrato de trabalho será por tempo indeterminado, salvo quando houver permissão legal, aplicando- se, assim, o contrato por prazo determinado. NOTA O objetivo deste princípio é reprimir a sucessão de contratos, ou seja, a demissão e readmissão em curto prazo, que visam a fraudar os direitos trabalhistas. Princípio da primazia da realidade Estabelece esse princípio de que o ocorrido deve ser levado em conta, prevalecendo o fato real do que aquilo que consta de documentos formais. Princípio da flexibilização do Direito do Trabalho O princípio da flexibilização no Direito do Trabalho significa a adaptação das relações de trabalho a uma determinada situação econômica, resultando, assim, em oposição à existência de um direito inflexível e engessado. Significa um ajuste na legislação trabalhista à realidade, sem modificar sua estrutura e seus fundamentos. 27DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Outros princípios Além desses princípios constitucionais e gerais do Direito do Trabalho, a doutrina ainda cita vários outros: • Princípio da razoabilidade – o aplicador da lei deve ser razoável, baseando sua conduta no bom senso; • Princípio da boa-fé – as partes devem utilizar a boa-fé na execução do contrato laboral; • Princípio da integralidade e intangibilidade dos salários – o salário é impenhorável e imune de descontos não previstos em lei; • Princípio da autonomia da vontade – não havendo ofensa à ordem jurídica e ao interesse público, a vontade dos contratos é livre; e • Princípio da força obrigatória dos contratos – os contratos devem ser cumpridos. Eficácia Quanto à eficácia das normas trabalhistas, estas entram em vigor na data de sua publicação. Sendo norma omissa, a vigência ocorrerá aos 45 dias após a publicação. Segundo o § 1º, do art. 614, da CLT, as convenções ou acordos coletivos entram em vigor três dias após o depósito na Delegacia Regional do Trabalho. IMPORTANTE Estabelece ainda o art. 867, da CLT, que a sentença normativa entrará em vigor a partir da publicação, salvo se as negociações se iniciaram 60 dias antes da data-base, situação em que vigorará a partir da data-base. 28 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 No Direito do Trabalho, a lei brasileira trabalhista deverá ser aplicada no território brasileiro, tanto aos trabalhadores nacionais quanto aos estrangeiros que laboram no Brasil. Hierarquia das normas A norma jurídica regula as atividades dos sujeitos em suas relações sociais, assim como imputa certa ação ou comportamento a alguém, que é seu destinatário. Para a aplicação das normas, devemos obedecer a uma hierarquia existente entre elas, lembrando-se sempre de que as leis não possuem o mesmo valor, uma vez que apresentam diferenças em sua essência e força, já que cada qual é dotada de uma elaboração peculiar e posição hierárquica diversa das demais. Assim, uma norma superior deve prevalecer sobre uma norma inferior, sob pena de ser ilegal ou, até mesmo, inconstitucional. No Direito do Trabalho também devemos obedecer a uma hierarquia das normas, mas sempre levando em conta que, havendo conflito de normas, deverá ser aplicada a norma mais favorável ao empregado. Seguindo o que estabelece o art. 59, da CF, inexiste hierarquia entre a lei complementar, a ordinária, a delegada e a medida provisória, pois todas utilizam seus fundamentos de validade na própria Constituição Federal. São hierarquicamente inferiores a estas leis: os decretos, os regulamentos, as normas internas da Administração Pública, as portarias, os circulares e as ordens de serviço. As convenções, os acordos coletivos e as sentenças norma- tivas são hierarquicamente inferiores à lei, e, consequentemente, as disposições contratuais são inferiores a estas. 29DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Interpretação Interpretação é o entendimento perfeito do texto, é também expor, dar o sentido, dizer o fim, significar o objetivo, extraindo do objeto tudo aquilo que ele tem de essencial. Quando o objeto de interpretação é a norma jurídica, é preciso, além do sentido, fixar seu alcance, estabelecendo em que situações ou a que pessoas a norma jurídica interpretada será aplicada. NOTA No Direito do Trabalho, temos as seguintes formas de interpretação: gramatical ou literal, lógica, teleológica ou finalista; sistemática, extensiva ou ampliativa; restritiva ou limitativa; e histórica, autêntica ou sociológica. Integração A integração tem por objetivo suprir as eventuais lacunas da lei, que, segundo estabelece o art. 8º, da CLT, poderão ser utilizados como métodos a doutrina, a jurisprudência, a analogia, os costumes e os princípios. IMPORTANTE Art. 8º, CLT – As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e ou- tros princípios e normas gerais de direito, princi- palmente do direito do trabalho, e, ainda, de acor- do com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse pú- blico. 30 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 RESUMINDO Neste capítulo, que os fundamentos do Direito do Trabalho e da Previdência Social no Brasil têm origem em valores socioeconômicos, históricos e políticos, buscando proteger e equilibrar os inte- resses entre empregados e empregadores. Esses fundamentos se traduzem em normas e leis, que não surgem por acaso, mas sim de um processo democrático e hierarquizado. A competência le- gislativa, por sua vez, define quem, dentro da fe- deração brasileira, tem o poder de criar, modificar ou extinguir leis sobre determinados temas. No Brasil, a Constituição Federal delimita claramente essa competência, garantindo a ordem e harmonia entre os entes federativos: União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Enquanto os fundamentos representamas bases e valores que sustentam o Direito do Trabalho e Previdenciário, a competên- cia legislativa estabelece quem tem a autoridade para traduzir esses fundamentos em leis concretas e aplicáveis. 31DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Empregador OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de in- terpretar qual o papel do empregador de acordo com a CLT. Dentro do universo das relações tra- balhistas, a figura do empregador é de suma im- portância. A Consolidação das Leis do Trabalho traz uma definição clara e objetiva de empregador, estabelecendo não apenas quem é, mas também suas responsabilidades e deveres perante seus empregados e a legislação. Essa compreensão é vital para identificar e estabelecer os direitos e deveres nas relações de emprego, servindo como base para decisões judiciais, negociações coleti- vas e para a atuação dos sindicatos. Ao longo do estudo do Direito do Trabalho, percebe-se o quão fundamental é conhecer e compreender a figura do empregador, seus limites e responsabilidades, garantindo, assim, o equilíbrio nas relações labo- rais. E então? Motivado para desenvolver esta com- petência? Então, vamos lá! Avante! Conforme a CLT, empregador é aquele que assume os riscos da atividade econômica, admitindo, assalariando e dirigindo a prestação de serviços. Esta definição, contida no artigo 2º da CLT, amplia o entendimento de empregador para além da figura individual, incluindo também empresas e instituições que contratam trabalhadores sob sua direção. Conceito Como estudamos, o art. 2º, da CLT, dispõe que: “considera- se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços”. 32 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 A empresa é comumente conceituada como uma atividade organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços destinados ao mercado, com objetivo de lucro. No âmbito do Direito do Trabalho, a CLT expressamente estabelece que a empresa deve assumir tanto os resultados positivos quanto os negativos do empreendimento, não podendo estes últimos serem transferidos ao empregado. DEFINIÇÃO Vamos retomar o conceito de empresa: empresa é a atividade organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços destinados ao mercado com objetivo de lucro. A pessoalidade não é elemento essencial da definição de empregador. Embora esse requisito seja imprescindível para a conceituação de empregado, não o é para a de empregador. Prova disso é o fato de o empregador poder ser substituído normalmente no comando dos negócios, sem que sejam afetadas em qualquer aspecto as relações de emprego existentes com os trabalhadores da empresa. O empregado, ao contrário, não pode se fazer substituir livremente, conforme já estudamos. A figura do empregador é de extrema importância no Direito do Trabalho, pois representa a parte que detém a função organizativa e diretiva nas relações laborais. O empregador é quem contrata, remunera e dirige o trabalho do empregado. De acordo com o artigo 2º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), empregador é a empresa, individual ou coletiva, que assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Desse conceito, podemos extrair os elementos essenciais que compõem a figura do empregador: 33DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 • Assunção dos riscos da atividade econômica: isso implica que o empregador é quem assume as consequências e os riscos decorrentes do empreendimento, seja lucro ou prejuízo. • Admissão de trabalhadores: o empregador é quem seleciona e contrata os trabalhadores para integrar sua empresa ou atividade. • Pagamento de salário: compromete-se a remunerar o empregado pelo serviço prestado, garantindo a ele a contraprestação acordada no contrato de trabalho. • Direção da prestação pessoal do serviço: significa que é o empregador quem estabelece as diretrizes, ordena e direciona a atividade do empregado, indicando o modo como o trabalho deve ser realizado. • Caráter econômico da atividade: o empregador, tipicamente, busca lucro através de suas atividades, diferenciando-se de outras modalidades organizativas que não possuem finalidade lucrativa. • Natureza jurídica: o empregador pode ser uma pessoa física (empresário individual) ou jurídica (sociedades empresárias, associações, entre outros). Esses elementos são fundamentais para a caracterização do empregador nas relações de trabalho. A compreensão adequada desses aspectos é essencial para a aplicação correta das normas trabalhistas e para a garantia dos direitos dos empregados. É válido ressaltar que a legislação ainda prevê o conceito de “grupo econômico”, em que empresas que estão sob direção, controle ou administração de outras, ou ainda quando, mesmo em situações distintas, pertençam a um mesmo grupo industrial, podem ser consideradas empregadoras solidárias em relação aos contratos de trabalho. 34 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Equiparados a empregador Enquanto o caput do art. 2º, da CLT, define empregador, o seu § 1º trata das pessoas equiparadas a empregador. Consoante este dispositivo, após a reforma trabalhista, com os seguintes termos: § 1º Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. § 3º Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes. O legislador optou por estabelecer essa dicotomia – empregador e equiparado a empregador – em razão de as pessoas enumeradas no § 1º, do art. 2º, da CLT, transcrito anteriormente, não poderem ser enquadradas no conceito econômico de empresa. Entretanto, no intuito de assegurar a proteção jurídica, conferida aos empregados em geral, aos trabalhadores 35DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 contratados como empregados por essas pessoas, o legislador, embora reconhecendo não serem elas empresas, equiparou-as ao empregador, para o fim de aplicação das leis trabalhistas. Podemos concluir, que a CLT não foi taxativa ao indicar os tipos possíveis de empregador ou de pessoas a ele equiparadas. A leitura de seu art. 2º evidencia que o ponto essencial da definição está no fato de haver contratação de trabalhadores enquadráveis como empregados, isto é, na configuração da relação de emprego. Em verdade, chega-se à identificação do empregador, ou daquele a ele equiparado, por meio da verificação da presença de empregado. Sucessão de empregador Base legal Leia o que dispõe a lei: Art. 10-A. O sócio retirante responde subsi- diariamente pelas obrigações trabalhistas da sociedade relativas ao período em que figurou como sócio, somente em ações ajuizadas até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, observada a seguinte ordem de preferência: I – a empresa devedora; II – os sócios atuais; e III – os sócios retirantes. Parágrafo único. O sócio retirante responderá solidariamente com os demais quando ficar comprovada fraude na alteração societária decorrente da modificação do contrato. 36 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Sucessão de empresas Refere-se à mudança na propriedade da empresa, que designatodo acontecimento em virtude do qual uma empresa é absorvida por outra. É o que ocorre nos casos de incorporação, transformação, fusão, entre outros. Declaram, ainda, os arts. 10 e 448, da CLT, que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Enfatizando, assim, a aplicação do Princípio da Continuidade da empresa, salientando que as alterações relativas à pessoa do empresário não afetam o contrato de trabalho, e também no fato de que, dissolvida a empresa, ocorre a extinção do contrato de trabalho. Portanto, em uma eventual alteração na estrutura jurídica e sucessão de empresas em nada afetará os créditos trabalhistas dos empregados, uma vez que os empregados se vinculam à empresa, e não aos seus titulares. Importante ressaltar que o contrato de trabalho é firmado entre o empregado e a empresa, independentemente dos seus titulares e sua eventual mudança ou alteração. Por isso, diz que é impessoal em relação a quem se encontra à frente do empreendimento. Assim, percebe-se que o verdadeiro empregador é a empresa, sendo que a transferência do estabelecimento supõe também a de todos os elementos nele organizados, incluindo o corpo de trabalho. Vale lembrar que o vínculo empregatício é firmado com a empresa, e não com o empregador, salvo empregador pessoa física, não podendo este ser prejudicado por qualquer tipo de alteração na estrutura jurídica daquela. Desta feita, a lei visa 37DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 proteger o trabalhador em seu emprego, sendo irrelevante quem seja o empregador. É oportuno consignar, em se tratando de sucessão de empresas, o conceito de fusão, incorporação, transformação, cisão e sucessão de empresas: • Fusão – é a operação ou o procedimento pelo qual se unem duas ou mais empresas com o objetivo de formar uma nova que lhe sucede em direitos e obrigações; • Incorporação – é a operação ou o procedimento pelo qual uma ou mais empresas são absorvidas por outra, que lhe sucede em direitos ou obrigações; • Cisão – é a operação ou o procedimento pelo qual uma empresa se divide, ensejado o surgimento de outras duas; • Sucessão – mudança na propriedade da empresa, ou seja, a empresa continua sendo a mesma, mas surge um novo empregador; e • Transformação – alteração na estrutura da empresa, ou seja, o empregador continua sendo o mesmo, mas há uma mudança na relação jurídica da empresa. Em relação à responsabilidade da empresa sucessora, esta responde pelos créditos trabalhistas dos empregados da empresa sucedida, ainda que exista cláusula contratual eximindo-a de tal responsabilidade. O real objetivo desta cláusula é a garantia que a sucessora resguarda para propor ação regressiva contra a sua antecessora, não a eximindo de responsabilidade quanto aos créditos trabalhistas. Alguns julgados, presumem a culpa do sócio administrador, em contrapartida, outros aduzem a fraude à lei ou violação de norma contratual (art. 50, do CC). 38 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Alterações na empresa As alterações empresariais podem ocorrer de duas formas: a. Alterações na sua estrutura jurídica, como a mudança de regime jurídico; e b. Alterações em sua propriedade, como a venda. A legislação celetista trata do tema por meio do art. 10, em que aduz que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. E, ainda, no art. 448, também da CLT, em que consigna que a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Conclui-se, portanto, que eventual mudança jurídica na estrutura da empresa, assim como sua transformação de empresa individual para coletiva ou de sociedade anônima para limitada, em nada irão alterar o contrato de trabalho dos empregados. E mais, a mesma regra vale para o caso de mudança de propriedade, como a venda ou inclusão de novos sócios. Note-se que, mesmo diante de acordo ou convenção coletiva de trabalho firmada entre as partes, não excluirá os direitos dos trabalhadores, e não há nenhuma repercussão jurídica. Teletrabalho Teoria A maneira como trabalhamos passou por profundas transformações nas últimas décadas. O modelo tradicional, que exigia a presença física do empregado em um espaço corporativo 39DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 específico e em horários pré-determinados, dominou a cena laboral por muito tempo. Contudo, a crescente digitalização, somada à necessidade de flexibilidade e a eventos mundiais, como a pandemia de COVID-19, impulsionou mudanças significativas nesse cenário. O trabalho remoto surgiu como uma alternativa viável e, muitas vezes, mais produtiva. Utilizando tecnologias de informação e comunicação, os profissionais passaram a desempenhar suas funções de qualquer lugar. Já o modelo híbrido, combina o melhor dos dois mundos. Nele, os empregados alternam entre períodos no escritório e períodos trabalhando remotamente. Esse sistema busca aproveitar a interação face a face, essencial para algumas atividades e para a cultura organizacional, enquanto ainda oferece a flexibilidade e autonomia do trabalho remoto. Essas mudanças refletem não apenas avanços tecnológicos, mas também uma redefinição das prioridades e valores no mundo do trabalho, colocando em foco o bem-estar do empregado, a eficiência das tarefas e a adaptabilidade das organizações. As conceituações sobre teletrabalho são variadas e se encontram em processo de formação evolutiva, não existindo um consenso, por parte dos estudiosos do assunto, no que tange a uma definição precisa e, se possível, generalizada. As divergências mais específicas ocorrem em relação à utilização ou não de tecnologias de informação e comunicação e na periodicidade da quantidade de horas/mês despendidas em atividades que são desenvolvidas fora do escritório tradicional. A norma utilizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), define como a forma de trabalho efetuada em lugar distante do escritório central e/ou do centro de produção, que permita a separação física e implique o uso de uma nova tecnologia facilitadora da comunicação. 40 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 As novas formas de organização do trabalho em teletrabalho exigem, por parte dos administradores das organizações, adotar procedimentos diferentes aos utilizados anteriormente, em relação ao local, horário de funcionamento e, consequentemente, ao estilo de administração. REFLITA As transformações tecnológicas que interligam nossos locais de trabalho requerem flexibilidade no modo de organizar o trabalho e administrá-lo. Para que as pessoas mudem suas maneiras de trabalhar, os gerentes terão que mudar a maneira como gerenciam. O importante na adoção do teletrabalho, segundo Motta (2013), é a mudança no estilo administrativo: as inovações tecnológicas acarretam modificações profundas nas estruturas sociais com reflexos no funcionamento das organizações. Nilles (1997) vai além, dizendo que uma das questões centrais do gerenciamento do teletrabalho é a mudança de prioridades. Ao invés de pôr em foco o número de horas trabalhadas, dá-se mais atenção às questões ligadas ao desempenho. O verdadeiro segredo do teletrabalho bem-sucedido está na confiança mútua estabelecida entre o gerente e seu subordinado. Porém, grande parte das empresas que adotam o teletrabalho, ainda continuam amarradas aos mecanismos clássicos de controle: supervisão da presença física e do tempo utilizado pelo trabalhador. Este mecanismo baseia-se em dois tipos de controle: regras (o que fazer) e observação visual do processo de trabalho (como fazer). O teste eficaz para avaliar a produção do funcionário é o resultado. A prática organizacional costumava determinar que o trabalho da maior parte da organização fosse descrito e definido, portanto,seria cuidadosamente monitorado e controlado. Kulgelmass (1996), afirma que na economia do conhecimento o 41DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 tempo é flexível e o ritmo próprio substitui a velha necessidade da sincronização de massa. Ao permitir que seus funcionários empreendedores, criativos e intuitivos, se autogerenciem, as empresas terão um teletrabalhador mais produtivo e a sua revitalização ocorrerá de dentro para fora. A legislação brasileira abordou de maneira mais específica o teletrabalho, popularmente conhecido como home office, através da Reforma Trabalhista de 2017 (Lei nº 13.467). A partir dessa reforma, o teletrabalho foi incluído e definido no texto da Consolidação das Leis do Trabalho. Vamos explorar alguns pontos principais dessa legislação: • Definição (Art. 75-B da CLT): teletrabalho é a prestação de serviços com a utilização de tecnologias da informação e comunicação que, por sua natureza, não se constitua como trabalho externo. • Contrato de trabalho (Art. 75-C da CLT): a prestação de serviços na modalidade de teletrabalho deve constar expressamente no contrato individual de trabalho, especificando as atividades que serão realizadas pelo empregado. Eventuais aditivos contratuais podem ser realizados para transitar entre o regime presencial e o teletrabalho, observando um prazo mínimo de transição estipulado em contrato. • Responsabilidade sobre equipamentos (Art. 75-D da CLT): as despesas relacionadas à aquisição, manutenção ou fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária para o teletrabalho, bem como o reembolso de despesas arcadas pelo empregado, serão previstas em contrato escrito. • Saúde e segurança (Art. 75-E da CLT): o empregador deve informar aos empregados, por escrito e de 42 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 forma expressa, sobre eventuais riscos do trabalho remoto, cabendo ao empregado assinar termo de responsabilidade comprometendo-se a seguir as instruções fornecidas pelo empregador. • Controle de jornada: uma das particularidades do teletrabalho é a dificuldade de controle da jornada de trabalho. Portanto, o artigo 62, III, da CLT estabelece que os empregados em regime de teletrabalho não têm direito às horas extras tradicionais, uma vez que não se enquadram na jornada de trabalho convencional. 43DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 RESUMINDO Ao longo deste capítulo, exploramos o conceito de empregador e discutimos aqueles que são equipa- rados a empregadores, como no caso dos profis- sionais liberais. Estudamos também o processo de sucessão de empregador e de empresas, além de tratarmos do conceito de teletrabalho. O universo das relações de trabalho, regulado principalmente pela CLT, aborda profundamen- te a figura do empregador. Na CLT, empregador é definido como aquele que assume os riscos da atividade econômica, contratando, assalariando e dirigindo a prestação pessoal de serviço, seja este uma pessoa física ou jurídica. A sucessão de em- pregadores se refere a situações em que, mesmo havendo mudança na propriedade ou estrutura jurídica da empresa, os contratos de trabalho dos empregados são mantidos com o novo emprega- dor. Essa sucessão implica que o novo empregador assuma os direitos e obrigações trabalhistas do an- terior, garantindo a continuidade dos contratos e a proteção dos direitos dos empregados. Já o teletra- balho, um tema contemporâneo e em ascensão, é caracterizado pelo exercício da atividade profissio- nal de forma predominante ou totalmente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias da informação e comunicação. A refor- ma trabalhista de 2017 trouxe importantes regula- ções sobre o teletrabalho, abordando aspectos co- mo a formalização do contrato, responsabilidades sobre equipamentos e condições de trabalho. 44 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Contrato de trabalho OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de explicar a base legal de um contrato de trabalho. O contrato de trabalho é o instrumento que for- maliza a relação entre empregado e empregador, estabelecendo os direitos e deveres de ambas as partes. Esse acordo, que pode ser tácito ou expres- so, escrito ou verbal, é a base das relações traba- lhistas em muitos países, sendo regido por princí- pios e normas específicas para garantir a proteção dos trabalhadores. Ao longo deste contrato, são detalhadas condições como remuneração, jornada de trabalho, funções a serem desempenhadas e outros aspectos pertinentes à relação empregatí- cia. Ao entender sua estrutura e suas cláusulas, é possível compreender os mecanismos que regem a vida laboral e assegurar que os direitos e respon- sabilidades de cada parte sejam respeitados. E en- tão? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá! Avante! Em uma sociedade estruturada e organizada, a formaliza- ção das relações entre indivíduos é essencial para garantir equilí- brio e justiça. No mundo laboral, essa formalização é encapsula- da no conceito de contrato de trabalho. Essa ferramenta jurídica, mais do que um simples acordo entre partes, é o alicerce que de- termina os direitos e obrigações tanto de quem oferece quanto de quem presta o serviço. Ele reflete o equilíbrio necessário entre a necessidade de proteção ao trabalhador e a demanda empresarial por eficiência e produtividade. Através do contrato de trabalho, temas como salário, jornada, funções, entre outros, são estabele- cidos, formando uma bússola que orientará a relação empregatí- cia. Compreender seus contornos e nuances é fundamental para adentrar no intrincado, mas fascinante, universo das relações de trabalho. 45DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Base legal Leia o que dispõe a lei: Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação de trabalho intermitente. (...) § 3º Considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria. Art. 444 (...) Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. 46 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Teoria Contrato de trabalho Conceito A CLT define contrato de trabalho em seu art. 442, caput: “contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego”. É o acordo no qual as partes ajustam direitos e obrigações recíprocas, em que uma pessoa física (empregado) se compromete a prestar pessoalmente serviços subordinados, não eventuais a outrem (empregador), mediante o pagamento de salário. O contrato de trabalho é um ato jurídico, tácito ou expresso que cria a relação de emprego, gerando, desde o momento de sua celebração, direitos e obrigações para ambas as partes. Nele, o empregado presta serviços subordinados mediante salário. Imagem 1.2 – Contrato de trabalho CONTRATO DE TRABALHO (ART. 443, CLT) • Tácito ou permanente; • Verbalmente ou escrito; • Por prazo determinado ou indeterminado; e • Ou para prestação de trabalho intermitente. Fonte: Elaborado(a) pela autoria (2023). 47DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Natureza jurídica As teorias contratualista e anticontratualistaprocuram explicar a natureza jurídica do contrato de trabalho. A teoria contratualista considera a relação entre empregado e empregador um contrato, pois decorre de um acordo de vontade entre as partes, devendo este ser escrito. Por outro lado, a teoria anticontratualista entende que o empregador é uma instituição na qual há uma situação estatutária e não contratual, em que as condições de trabalho demonstram uma subordinação do empregado pelo empregador, podendo ser este um acordo verbal. IMPORTANTE No Brasil, adotamos a teoria mista intermediária, que determina que o contrato de trabalho possui natureza contratual, podendo, portanto, ser formalizado tanto de forma escrita quanto verbal, conforme estipulado no artigo 442, caput, da CLT. Características do contrato de trabalho A doutrina classifica o contrato de trabalho como um negócio jurídico de direito privado, expresso ou tácito, pelo qual uma pessoa física (empregado) presta serviços continuados e subordinados a outra pessoa física ou jurídica (empregador) recebendo, para tanto, salário. O contrato de trabalho é um negócio jurídico bilateral, sinalagmático, oneroso, comutativo, de trato sucessivo, já que não se completa com um único ato, e que se estabelece entre o empregador e o empregado, relativo às condições de trabalho. 48 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 VOCÊ SABIA? São características do contrato de trabalho: fundamentado no direito privado, consensual, sinalagmático, comutativo, de trato sucessivo, oneroso, subordinativo. Características do contrato de trabalho: • Oriundo do direito privado, uma vez que as partes, empregado e empregador, pactuam seus próprios regulamentos, contudo, são limitados à legislação trabalhista. • É um contrato consensual e não solene, pois a lei não exige forma especial para sua validade, bastando o simples consentimento das partes (art. 443, da CLT). • É um negócio jurídico sinalagmático (convenção, pacto, contrato - envolve obrigações recíprocas e interdependentes) e bilateral, uma vez que cada uma das partes se obriga a uma prestação. Por resultar em obrigações contrárias e equivalentes, a parte que não cumprir sua obrigação não tem o direito de reclamar. • É comutativo, uma vez que de um lado há a prestação de trabalho e do outro lado há a contraprestação dos serviços. • É considerado de trato sucessivo, pois não se exaure em uma única prestação. • É oneroso, uma vez que o objeto do contrato é a prestação de serviços mediante salário, e de mês a mês as obrigações se repetem. • É subordinativo, uma vez que o empregado se subordina às ordens do empregador. 49DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Quadro 1.1 - Características do contrato de trabalho BILATERAL Produz direitos e obrigações para ambos. ONEROSO Remuneração é requisito essencial. COMUTATIVO As prestações de ambas as partes apresentam relativa equivalência, sendo conhecidas no momento da celebração do ajuste. CONSENSUAL A lei não impõe forma especial para a sua celebração, bastando anuência das partes. CONTRATO DE ADESÃO Um dos contratantes, o empregado, limita-se a aceitar as cláusulas e condições previamente estabelecidas pelo empregador. PESSOAL Intuitu personae, a pessoa do empregado é considerada pelo empregador como elemento determinante da contratação, não podendo aquele se fazer substituir na prestação laboral sem o consentimento deste. EXECUÇÃO CONTINUADA A execução do contrato não se exaure em uma única prestação, prolongando-se no tempo. Fonte: Elaborado(a) pela autoria (2023). O que caracteriza o contrato de trabalho, ou seja, o que é capaz de diferenciar este contrato dos demais, é a dependência ou subordinação do empregado ao empregador (subordinação técnica, social, econômica e jurídica). A subordinação jurídica é a que predomina na doutrina, uma vez que o empregado cumpre as ordens do empregador. Isso ocorre em razão da relação contratual laboral. O contrato de trabalho no Brasil é amplamente regulamen- tado, principalmente pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituída pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Além da CLT, outros dispositivos legais e constitucionais, assim como convenções e acordos coletivos, também podem regulamentar aspectos específicos do contrato de trabalho. Vejamos os pontos centrais da legislação sobre o contrato de trabalho no Brasil: 50 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 • Formalização (Art. 442 da CLT). • Prazo determinado (Art. 443 e 445 da CLT). • Remuneração (Art. 457 da CLT). • Jornada de trabalho (Art. 58 da CLT). • Intervalos (Art. 71 da CLT). • Férias (Art. 129 da CLT). • Rescisão (Art. 477 da CLT). • Alterações contratuais (Art. 468 da CLT). Modalidades específicas: a legislação brasileira também prevê contratos especiais de trabalho, como o contrato de trabalho temporário, o contrato de aprendizagem e o contrato por tempo parcial. Esses são apenas alguns dos muitos aspectos regulados pela legislação brasileira referente ao contrato de trabalho. A CLT é uma legislação extensa e detalhada que aborda diversas nuances da relação empregatícia, sendo fundamental para quem busca compreender a dinâmica laboral no Brasil. Responsabilidade pré-contratual A responsabilidade do empregador não se limita somente ao período da contratação, sendo possível ao empregado pleitear perante a Justiça do Trabalho danos morais e materiais. O contrato de trabalho deve criar uma confiança entre as partes (princípio da boa-fé dos contratos), motivo pelo qual precisa ser reconhecida a responsabilidade daquele que desiste da concretização do negócio jurídico. 51DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 Em afronta ao princípio da dignidade da pessoa humana e com a discriminação em entrevista de emprego, é possível pleitear na Justiça do Trabalho eventual dano moral. Além disso, os danos emergentes e os lucros cessantes podem ser angariados diante da falsa proposta de emprego, pois, muitas vezes, o trabalhador recusa outras propostas, ou, ainda, pede demissão do atual emprego em detrimento da promessa de emprego. Os sujeitos do contrato de trabalho são as pessoas físicas, naturais ou jurídicas que possam ser contratadas. Estabelece a CLT que são sujeitos do contrato de trabalho o empregado e o empregador (arts. 2º e 3º, da CLT). O profissional liberal, a instituição de beneficência, as associações recreativas e outras instituições sem fins lucrativos que contratem trabalhadores como empregados são equiparados por lei ao empregador. A família e a massa falida, mesmo sem personalidade jurídica, podem assumir as condições de empregador. Formação Como todo negócio jurídico, o contrato de trabalho deve respeitar as condições previstas no art. 104, do Código Civil brasileiro, que exige agente capaz, objeto lícito e possível, determinado ou indeterminado, e forma prescrita ou não defesa em lei. Será considerado nulo o ato jurídico quando for ilícito ou impossível seu objeto (art. 166, II, do Código Civil). São requisitos necessários para a formação do contrato de trabalho: • Capacidade dos contratantes; 52 DIREITO DO TRABALHO E DA PREVIDÊNCIA U ni da de 1 • Manifestação de vontade; • Objeto lícito; e • Forma prescrita em lei. No que se refere à capacidade dos contratantes, o Direito do Trabalho veda qualquer trabalho ao menor de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, mas somente a partir dos 14 anos (art. 7º, XXXIII, da CF). Para o Direito do Trabalho, o menor entre 16 e 18 anos é considerado relativamente capaz. A capacidade absoluta só se adquire aos 18 anos (art. 402, da CLT). Portanto, é proibido o contrato de trabalho com menor de 16 anos, porém, caso ocorra a prestação de serviço, este produzirá efeitos. De acordo com o art. 439, da CLT, é lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos salários. Tratando-se, porém, de rescisão do contrato