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0 1 Disciplina: Triagem neuropsicopedagógica e informe neuropsicopedagógico Autora: M.e Paula Maria Ferreira de Faria Revisão de Conteúdos: Esp. Alexandre Kramer Morgenterm Designer Instrucional: Esp. Alexandre Kramer Morgenterm Revisão Ortográfica: Esp. Lucimara Ota Eshima Ano: 2021 Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança de direitos autorais. 2 Paula Maria Ferreira de Faria Triagem neuropsicopedagógica e informe neuropsicopedagógico 1ª Edição 2021 Curitiba, PR Faculdade UNINA 3 Faculdade UNINA Rua Cláudio Chatagnier, 112 Curitiba – Paraná – 82520-590 Fone: (41) 3123-9000 Coordenador Técnico Editorial Marcelo Alvino da Silva Conselho Editorial D.r Eduardo Soncini Miranda / D.ra Marli Pereira de Barros Dias / D.ra Rosi Terezinha Ferrarini Gevaerd / D.ra Wilma de Lara Bueno / D.ra Yara Rodrigues de La Iglesia Revisão de Conteúdos Alexandre Kramer Morgenterm Designer Instrucional Alexandre Kramer Morgenterm Revisão Ortográfica Lucimara Ota Eshima Desenvolvimento Iconográfico Juliana Emy Akiyoshi Eleutério Desenvolvimento da Capa Carolyne Eliz de Lima FICHA CATALOGRÁFICA FARIA, Paula Maria Ferreira de. Triagem neuropsicopedagógica e informe neuropsicopedagógico / Paula Maria Ferreira de Faria. – Curitiba: Faculdade UNINA, 2021. 71 p. ISBN: 978-65-5944-156-3 1. Aprendizagem. 2. Conhecimento. 3. Neuropsicopedagógica. Material didático da disciplina de Triagem neuropsicopedagógica e informe neuropsicopedagógico – Faculdade UNINA, 2021. Natália Figueiredo Martins – CRB 9/1870 4 PALAVRA DA INSTITUIÇÃO Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a) à Faculdade UNINA! Nossa faculdade está localizada em Curitiba, na Rua Cláudio Chatagnier, nº 112, no Bairro Bacacheri, criada e credenciada pela Portaria nº 299 de 27 de dezembro 2012, oferece cursos de Graduação, Pós-Graduação e Extensão Universitária. A Faculdade assume o compromisso com seus alunos, professores e comunidade de estar sempre sintonizada no objetivo de participar do desenvolvimento do País e de formar não somente bons profissionais, mas também brasileiros conscientes de sua cidadania. Nossos cursos são desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar comprometida com a qualidade do conteúdo oferecido, assim como com as ferramentas de aprendizagem: interatividades pedagógicas, avaliações, plantão de dúvidas via telefone, atendimento via internet, emprego de redes sociais e grupos de estudos o que proporciona excelente integração entre professores e estudantes. Bons estudos e conte sempre conosco! Faculdade UNINA 5 Sumário Prefácio ..................................................................................................... 06 Aula 1 – Atuação neuropsicopedagógica: indícios, queixa inicial e anamnese .................................................................................................. 07 Apresentação da aula 1 ............................................................................ 07 1.1 Neuropsicopedagogia e aprendizagem ......................................... 07 1.2 Triagem neuropsicopedagógica: importância e indicativos ........... 10 1.3 Exploração da queixa inicial e realização da anamnese ............... 13 1.4 Considerações finais sobre a triagem neuropsicopedagógica ....... 19 Conclusão da aula 1 .................................................................................. 22 Aula 2 – Realização da triagem neuropsicopedagógica ............................ 23 Apresentação da aula 2 ............................................................................. 23 2.1 Triagem e avaliação em Neuropsicopedagogia ............................ 23 2.2 Funções avaliadas pela Neuropsicopedagogia ............................. 29 2.3 Instrumentos utilizados na Neuropsicopedagogia ......................... 32 Conclusão da aula 2 .................................................................................. 38 Aula 3 – Triagem, informe neuropsicopedagógico e entrevista devolutiva 39 Apresentação da aula 3 ............................................................................ 39 3.1 Finalização da triagem neuropsicopedagógica ............................. 39 3.2 Informe neuropsicopedagógico ..................................................... 45 3.3 Entrevista devolutiva ..................................................................... 49 Conclusão da aula 3 .................................................................................. 51 Aula 4 – Triagem neuropsicopedagógica, informe e entrevista devolutiva: exemplos de aplicação ............................................................................... 52 Apresentação da aula 4 ............................................................................. 52 4.1 Contextualizando a atuação .......................................................... 52 4.2 Queixa inicial, realização da triagem e entrevista de anamnese ... 53 4.3 Resultado da triagem e avaliação neuropsicopedagógica ............ 58 4.4 Elaboração do informe e entrevista devolutiva .............................. 61 4.5 Considerações finais ..................................................................... 65 Conclusão da aula 4 .................................................................................. 65 Conclusão da disciplina ............................................................................. 67 Índice Remissivo ........................................................................................ 68 Referências ............................................................................................... 70 6 Prefácio O homem sempre buscou respostas para questões centrais que permeavam sua vida. O desenvolvimento da ciência vem ao encontro dessa necessidade humana, fornecendo fundamentos para a compreensão da natureza e de si mesmo. Nesse contexto, insere-se a discussão sobre como o homem pensa (consciência de si), como aprende e como se desenvolve. A discussão sobre o funcionamento da mente é antiga e já proporcionou profundas discussões na academia científica sob distintas abordagens. Em nosso atual estágio de desenvolvimento, já surgiram ciências que se dedicam a compreender esses elementos, ou seja, como o cérebro do homem se situa em termos de estrutura, funcionamento e desenvolvimento. O avanço das neurociências proporcionou o surgimento de uma recente área do conhecimento: a Neuropsicopedagogia, ciência transdisciplinar com interfaces entre as Neurociências, a Pedagogia e a Psicologia Cognitiva. A Neuropsicopedagogia tem por objeto de estudo a relação entre a aprendizagem e o funcionamento cognitivo, em uma perspectiva abrangente que visa à reintegração dos aspectos pessoal, social e educacional do ser humano. Tal como revela o próprio nome, esta disciplina se dedica a estudar e compreender o processo de triagem Neuropsicopedagógica, bem como a posterior elaboração do documento de devolutiva denominado informe neuropsicopedagógico. O conhecimento desses elementos é fundamental para a atuação profissional do(a) neuropsicopedagogo(a), visto que tais dados compõem aspectos essenciais de sua práxis no contexto investigativo amplo da avaliação neuropsicopedagógica.Bons estudos! 7 Aula 1 – Atuação neuropsicopedagógica: indícios, queixa inicial e anamnese Apresentação da aula 1 Nesta aula iniciaremos nossa disciplina contextualizando a Neuropsicopedagogia em relação aos processos e às dificuldades de aprendizagem. Na sequência abordaremos as temáticas da triagem neuropsicopedagógica, exploração da queixa inicial e realização da anamnese. 1.1 Neuropsicopedagogia e aprendizagem Diferentes áreas do conhecimento se dedicam a compreender os fenômenos relacionados à educação e à aprendizagem humana sob distintos enfoques. Nesse âmbito, a Neuropsicopedagogia é uma ciência que estuda a aprendizagem a partir dos componentes neurológicos (sistema nervoso). O Código de Ética da Neuropsicopedagogia a define nos seguintes termos: A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana em uma perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional [grifos nossos] (SBNPp, 2021, p. 3). Os princípios das neurociências aplicados à área da aprendizagem trazem importantes contribuições para compreender as causas das dificuldades de aprendizagem e promovem a todas as crianças novas possibilidades de desenvolver o processo de aprender. Desse modo, em intersecção com a Pedagogia (ciência da educação) e a Psicologia Cognitiva (área da psicologia voltada ao estudo da cognição e suas repercussões sobre o comportamento humano), a atuação do (a) neuropsicopedagogo(a) está direcionada para a aprendizagem e para o desenvolvimento cognitivo, motor e comportamental dos aprendizes. A fundamentação na Psicologia Cognitiva permite à Neuropsicopedagogia um 8 olhar especializado sobre a aprendizagem, enfatizando uma compreensão abrangente sobre como a dinâmica funcional do cérebro se expressa e afeta os modos de aprender de cada estudante. O foco principal deve ser identificar as rotas de aprendizagem individuais e seu desenvolvimento atual e pregresso para compreender como o sujeito aprende, e não uma abordagem negativista, baseada em “por que não aprende”. Saiba Mais A avaliação neuropsicopedagógica auxilia no diagnóstico da queixa relacionada às dificuldades de aprendizagem, utilizando entrevistas com o paciente e seus responsáveis, aplicação de testes e escalas normatizadas e equipe multiprofissional que acompanha o indivíduo que será avaliado (TRAD, 2020, p. 8). O (a) neuropsicopedagogo(a) pode atuar nos contextos clínico e institucional. Seu campo de trabalho abrange escolas, centros educacionais e instituições de ensino, hospitais, clínicas e organizações do terceiro setor. Em cada um desses locais, o (a) profissional desenvolve atividades específicas, preferencialmente em equipe multidisciplinar, visando à otimização da aprendizagem e à promoção de estratégias que conduzam à superação das dificuldades existentes. A partir das competências específicas (foco de atuação) da Neuropsicopedagogia, o (a) profissional (neuropsicopedagogo) contribui para a compreensão das relações entre o cérebro e a aprendizagem, enfatizando a importância de aspectos como a neuroplasticidade, a estimulação cognitiva e as funções executivas sobre o desenvolvimento e a aprendizagem humana. Vocabula rio Neuroplasticidade: capacidade do sistema nervoso de modificar sua estrutura e função em decorrência dos padrões de experiência; pode ser concebida e avaliada a partir de uma perspectiva estrutural (configuração sináptica) ou funcional (modificação do comportamento). 9 Fonte: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/arquivos/1053 Em outras palavras, que expressa a capacidade de reestruturação cognitiva em termos de estrutura ou funcionamento do cérebro. Cada criança possui suas formas e tempos de aprender e nem todas conseguem alcançar o resultado que delas é esperado dentro do tempo e das expectativas da escola. A partir dos conhecimentos próprios da Neuropsicopedagogia, ou seja, dos recursos para avaliação e intervenção e dos saberes relacionados à área neurológica e ao funcionamento cerebral, o profissional pode estabelecer uma atuação eficaz conforme as particularidades de cada paciente. Cabe lembrar que o processo não é direcionado exclusivamente à criança, mas envolve também a família e a instituição escolar à qual ela pertence. O primeiro passo na identificação das causas da dificuldade de aprendizagem é a realização de um diagnóstico a partir da queixa inicial. Esse deve ser um processo cuidadoso, pois permitirá conhecer o aprendiz em profundidade, identificar suas potencialidades e fragilidades e delinear formas de intervenção que contribuam para seu pleno desenvolvimento. Essa é uma etapa que exige conhecimento aprofundado e muita seriedade por parte do(a) profissional, visto que diagnósticos incorretos podem impactar profundamente a vida do(a) aprendiz e sua família. Importante Segundo a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, “a atuação profissional em Neuropsicopedagogia ocorre no contexto institucional em atendimento coletivo e, quando necessário, individual para sondagem e/ou triagem visando a encaminhamentos a profissionais da área da saúde; e pelo atendimento individualizado que ocorre no contexto clínico” (SBNPp, 2021, p. 1). Antes da realização de um diagnóstico costuma-se realizar a triagem (ou sondagem), para delimitar a alçada de atuação profissional, ou seja, trata-se de um caso pertinente à Neuropsicopedagogia ou deve ser encaminhado para outra 10 área profissional. Frisamos que a triagem pode ser realizada tanto no contexto clínico quanto no institucional; porém, a avaliação, por ser um processo personalizado, só pode ser realizada individualmente e é uma competência da Neuropsicopedagogia Clínica. 1.2 Triagem neuropsicopedagógica: importância e indicativos No processo de triagem neuropsicopedagógica podem ser utilizados diversos instrumentos e recursos, tais como: ➢ Entrevistas com a criança, utilizando estratégias lúdicas; ➢ Entrevista com os pais/responsáveis para exploração da queixa e conhecimento aprofundado da criança; ➢ Visita à instituição escolar, observação da classe e entrevista com os professores; ➢ Análise do material escolar da criança; ➢ Realização de atividades de triagem propriamente ditas, envolvendo tarefas para conhecimento e exploração das funções cognitivas sondadas. As informações coletadas a partir desses instrumentos permitirão ao(à) profissional compreender melhor o quadro de aprendizagem da criança como um todo, delineando, então, um processo avaliativo direcionado e a proposição de estratégias interventivas que visem à superação das dificuldades identificadas. Importante A triagem neuropsicopedagógica segue-se ao contato inicial com o profissional por meio da queixa inicial da família/responsáveis. A triagem antecede a avaliação 11 propriamente dita, pois é um momento inicial no qual o profissional acolhe a queixa e identifica sua pertinência à sua área de atuação. A partir da triagem e como continuidade a esse momento do trabalho, realiza-se o processo de avaliação, que culminará com o parecer do neuropsicopedagogo, expresso em uma entrevista devolutiva por meio do informe psicopedagógico. O processo de triagem realizado pela Neuropsicopedagogia Institucional ocorre de modo diferenciado, visto que o atendimento não ocorre individualmente, mas dentro do grupo de estudantes. Esse tipo de sondagem visa investigar aspectos mais abrangentes da aprendizagem, selecionando grupos homogêneos menores dentro de um grande grupo heterogêneo. Em outras palavras, o(a) profissionalpode investigar questões amplas, por exemplo, a existência de estudantes com um transtorno específico de aprendizagem ou compreender melhor os níveis de desenvolvimento de aquisição da escrita dentro de uma mesma classe de alfabetização. Triagem e avaliação neuropsicopedagógica Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQzGFzZ4Oep_XBx8S anFy01K4J09mrQ0pLBfOwrY7Ak1FHKSjUNwz3fWuqj2Df9lm33__E&usqp=CAU Ao longo do processo de desenvolvimento e especialmente no início da vida escolar, há diversos elementos que podem ser compreendidos como indicadores de possíveis dificuldades de aprendizagem, cuja investigação 12 neuropsicopedagógica merece ser aprofundada. Fonseca (2011) elenca alguns desses sinais: ➢ Dificuldades para memorizar e reproduzir as letras do alfabeto, números, sílabas, palavras, frases, pequenas histórias etc.; ➢ Dificuldade em recuperar a sequência das letras do alfabeto; ➢ Dificuldades psicomotoras (tonicidade, postura, lateralidade, estruturação e organização do espaço e do tempo, ritmo, praxia global e fina etc.); ➢ Dificuldades nas aquisições básicas de atenção, concentração, interação e imitação; ➢ Confusão com pares de palavras que soam igual (ex: vaca-faca); ➢ Dificuldade em nomear rapidamente objetos em imagens; ➢ Dificuldades em reconhecer e identificar sons iniciais e finais de palavras simples, bem como para juntar fonemas para formar palavras simples; ➢ Dificuldades grafomotoras (na cópia, na escrita, no colorir e no recortar de letras) e inversão de letras (como escrita do nome em espelho); ➢ Dificuldades com sons de letras (problemas de conscientização fonológica). Amplie Seus Estudos SUGESTÃO DE LEITURA Leia a obra Desafios da aprendizagem: como as neurociências podem ajudar pais e professores (Lino de Macedo e Rodrigo Affonseca Bressan). Os autores abordam importantes questões: como a aprendizagem acontece? E como as tecnologias atualmente disponíveis influenciam esse processo? Nesse livro, procuram mostrar de que modo os estudos em neurociências podem lançar luz sobre vários aspectos do desenvolvimento de crianças e adolescentes na escola. 13 1.3 Exploração da queixa inicial e realização da anamnese A queixa principal é o motivo pelo qual a família/responsável é encaminhada e busca o atendimento neuropsicopedagógico. A fonte da queixa principal costuma ser a própria família ou a instituição escolar (professor ou outro profissional da escola, como o pedagogo ou o psicólogo escolar). Deve ser registrada tal como relatada e deve ser ouvida com atenção e sem preconceitos pelo(a) profissional, que buscará na sequência esclarecê-la e aprofundá-la por meio da entrevista de anamnese. Considerando que a Neuropsicopedagogia valoriza o trabalho multidisciplinar, o diálogo com a equipe escolar e outros profissionais de saúde e educação que atendam o paciente é importante no processo avaliativo, ajudando a compreender a criança enquanto ser integral e dinâmico nos diferentes ambientes e contextos nos quais se integra. A anamnese é um tipo de entrevista cuja finalidade é levantar o histórico clínico e familiar do(a) paciente, obtido pelos familiares/responsáveis (ou pelo próprio paciente, no caso de adultos). A anamnese deve conter informações detalhadas sobre o desenvolvimento da criança, tendo sempre em mente a amplificação da queixa inicial. É fundamental que a anamnese não seja apenas um momento de coleta de dados, no qual a “inquisição” aos familiares possa se tornar desgastante ou parecer invasiva. As informações sobre o desenvolvimento da criança devem ser compreendidas no contexto de seu surgimento, ou seja, é essencial adotar uma abordagem dinâmica de avaliação. Em outras palavras, cada dado deve ser contextualizado, atentando-se às informações mais relevantes para a compreensão e o aprofundamento da queixa inicial. Por isso, mais do que buscar uma infinidade de informações, o (a) profissional deve ter critério e sensibilidade para adequar a entrevista de anamnese aos seus objetivos de avaliação. Saiba Mais Se estamos lidando com uma criança cujo aproveitamento escolar é insatisfatório, temos de atentar para questões do desenvolvimento normativo. Entretanto, como tal desenvolvimento se deu em um contexto familiar, além de 14 dados cronológicos, devem-se explorar variáveis afetivas e sociais. Às vezes, importa pouco saber por quanto tempo o paciente foi alimentado ao peito sem ter uma noção sobre seus vínculos afetivos com a figura materna nessa época. [...] É extremamente importante que haja uma abordagem dinâmica dos fatos do desenvolvimento para permitir uma dimensão mais profunda na compreensão do caso. (CUNHA, 2007, p. 60; 66). A entrevista de anamnese pode durar de 40 a 60 minutos (em alguns casos, pode ser realizada em duas sessões) e permite que o (a) profissional conheça o paciente “através dos olhos” de seus pais/responsáveis. Esse é um aspecto importante, pois a forma como a queixa é relatada e como a criança é apresentada também revela informações acerca da dinâmica de funcionamento familiar, que podem contribuir para a compreensão do quadro como um todo. O objetivo da anamnese é compreender a queixa inicial a partir do conhecimento da história da vida pregressa e atual do paciente, correlacionando os sintomas (no caso da Neuropsicopedagogia, a dificuldade de aprendizagem) ao desenvolvimento e às situações de vida da criança. O (a) neuropsicopedagogo(a) deve possuir um roteiro com as principais questões que pretende investigar, mas pode acrescentar ainda novas questões no decorrer da entrevista (por exemplo, para aprofundar o entendimento de algum tópico relatado pela família). Pode ainda optar por fazer o registro da anamnese por audiogravação, registrando-a por escrito logo após o encontro com os familiares/responsáveis. Importante Para realizar a gravação do áudio da entrevista de anamnese, alguns cuidados são necessários: 1. Esclarecer à família acerca da finalidade do procedimento e solicitar consentimento para a gravação, deixando claro que nenhum outro profissional terá acesso a ele e que após a transcrição o arquivo será excluído; 2. Verificar o funcionamento do equipamento de gravação (se possível, utilizar dois gravadores simultâneos) e a acuidade do som (posicionamento do gravador, alcance da gravação, 15 local silencioso etc.), evitando a perda dos dados por dificuldades técnicas e o consequente comprometimento de toda a entrevista de anamnese; 3. Realizar a transcrição cuidadosa e revisada logo após a realização da entrevista, assegurando o registro minucioso de todas as informações coletadas junto aos familiares. Anexar a entrevista ao prontuário (ou portfólio) documental do paciente, registrando a data de realização e o nome dos informantes que participaram da anamnese. Considerando as particularidades de cada caso e a finalidade da avaliação frente à queixa inicial, não existe um modelo único de anamnese. Embora cada profissional possa adotar um roteiro, é importante adequá-lo e revisá-lo periodicamente, buscando a coleta de informações que permitem delinear um panorama geral e aprofundado da situação avaliada. Em outras palavras, o profissional deve adotar um roteiro amplo, porém flexível, durante a entrevista. Apresentamos uma lista com as principais informações que devem compor o roteiro de uma entrevista de anamnese neuropsicopedagógica: ➢ informações pessoais: nome, data de nascimento, escolaridade e nome da escola, se houve adoção, nome e ocupação dos pais, religião da família, endereço, dados para contato etc.; ➢ queixa inicial: descrição detalhada do motivo da procura pelo(a) profissional; quando/como a dificuldade de aprendizagem se iniciou; e como essa dificuldade de aprendizagem afeta o paciente (em quaiscontextos (familiar, social, lazer etc.) e como afeta também os demais familiares); ➢ composição familiar: quem mora com o(a) paciente, quais os membros da família e sua relação de parentesco; ➢ histórico do nascimento: informações sobre a gestação, o parto e teste APGAR; nascimento a termo ou intercorrências clínicas); 16 Curiosidade A escala de APGAR, também conhecida como índice ou escore APGAR, é um teste feito no recém-nascido logo após o nascimento que avalia seu estado geral e vitalidade, ajudando a identificar se é necessário qualquer tipo de tratamento ou cuidado médico extra após o nascimento. Esta avaliação é feita no primeiro minuto de nascimento e é repetida 5 minutos após o parto, tendo em consideração características do bebê como atividade, batimento cardíaco, cor, respiração e reflexos naturais. Fonte: https://www.tuasaude.com/escala-de-apgar/ ➢ Histórico médico (doenças, dores e sintomas ou tratamentos recorrentes, internamentos e procedimentos cirúrgicos, condições clínicas, uso de medicação etc.) do (a) paciente e da família (condições genéticas, hereditárias ou que afetem de algum modo o desenvolvimento da criança); ➢ Histórico de desenvolvimento neuropsicomotor (amamentação, sono, controle do tônus muscular, engatinhar/andar, fala, controle dos esfíncteres etc.); ➢ Histórico do desenvolvimento escolar (interesses e dificuldades, relato de professores, mudanças de classe/escola, reprovações, desempenho acadêmico e social, realização das atividades dentro e fora da escola, acompanhamentos e atividades extracurriculares etc.); ➢ Relacionamento familiar (clima em família, com quem convive, pessoas com maior/menor proximidade, eventos de crise familiar, comportamento em família e como a família reage a esses comportamentos etc.); ➢ Comportamento geral e interação social (“jeito de ser” da criança na escola, em casa e em outros ambientes e se há diferenças, hábitos, realização de atividades físicas, rotina de sono, comportamentos de 17 isolamento, agitação, birra, choro, agressividade, inquietude, habilidades e competências, brincadeiras, interesses persistentes, medos etc.). Por meio de todas essas informações, o(a) neuropsicopedagogo(a) poderá compreender melhor a queixa atual do paciente dentro de seu escopo de ação, ou seja, mantendo o foco sobre os aspectos neuropsicopedagógicos, situando-a no desenvolvimento histórico e dinâmico do paciente nos múltiplos contextos nos quais interage. A atuação do neuropsicopedagogo está focada nas questões relacionadas à aprendizagem e ao desenvolvimento humano nas áreas motoras, cognitivas e comportamentais, considerando os princípios da neurociência aplicada à educação em interface com a pedagogia e a psicologia. O neuropsicopedagogo não tem habilitação para avaliar a inteligência, os transtornos de humor e personalidade, bem como fazer o uso de testes projetivos! Lembramos novamente que a Neuropsicopedagogia enfatiza as bases biológicas do desenvolvimento cognitivo relacionadas ao funcionamento do sistema nervoso; por isso, esses aspectos devem ser valorizados na entrevista de anamnese. A partir da ampliação da compreensão da queixa inicial por meio do levantamento do histórico de dados, o(a) profissional poderá identificar elementos de interesse para a avaliação e excluir algumas possibilidades diagnósticas. É importante frisar que, por conter informação confidencial relacionada ao (à) paciente, a anamnese não poder ser lida/compartilhada com terceiros. A única exceção são os casos de atuação multidisciplinar em que o serviço de psicologia atue na mesma instituição clínica e faça parte do processo avaliativo, evitando, assim, a repetição do procedimento junto à família. Entretanto, no caso de encaminhamento para profissionais de outras instituições, estes deverão realizar uma nova anamnese. 18 Saiba Mais A Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (SBNPp) é uma sociedade sem fins lucrativos, promocional e educacional, criada em 2008 na cidade de Joinville (SC). Conheça mais sobre a SBNPp acessando o site da instituição: https://www.sbnpp.org.br/ Para ter êxito na entrevista de anamnese (assim como em todo o processo de intervenção neuropsicopedagógica) é preciso ir além da mera coleta de dados. O(a) profissional deve estabelecer com a família um vínculo de confiança, esclarecendo sobre as possibilidades e os limites de sua atuação profissional, nunca prometendo resultados que não pode garantir e evitando a criação de falsas expectativas acerca da avaliação/intervenção e da própria Neuropsicopedagogia. Independentemente do grau de instrução dos pais/responsáveis, o(a) profissional deve ser capaz de explicar sua função, proposta e os achados de sua avaliação, sanando quaisquer dúvidas em termos claros e compreensíveis para a família. A atuação em parceria com a família é essencial para o atendimento neuropsicopedagógico. Mais do que um profissional capacitado teoricamente, os familiares devem se sentir confortáveis e seguros junto ao/à profissional, sem culpabilizações ou julgamentos. Já no contato inicial, o(a) neuropsicopedagogo deve estabelecer o rapport, que se refere a um clima descontraído de confiança e entendimento entre ambas as partes. A partir de uma conversa informal e simples, começa-se a estabelecer um vínculo familiar, criando um ambiente seguro, acolhedor, respeitoso e tranquilo, no qual se sintam à vontade para fazer seus relatos, que muitas vezes envolvem situações evocadoras de constrangimento, tristeza e vergonha. Por isso, ao invés de adotar uma postura que constranja ou responsabilize os pais por suas atitudes na criação de seus filhos, cabe ao (à) 19 neuropsicopedagogo(a) primeiramente o acolhimento, para que, posteriormente, no processo de intervenção, após o estabelecimento de um vínculo de confiança e sempre pautado no respeito e na empatia, possa fazer orientações, se for esse o caso. É importante que a família se sinta acolhida e valorizada, para que haja adesão ao processo de avaliação/intervenção neuropsicopedagógica. Como a Neuropsicopedagogia é uma ciência com interface com a Psicologia Cognitiva, não envolve avaliações de aspectos subjetivos. Esse é mais um ponto diferencial da Psicopedagogia, que utiliza testagens projetivas para avaliar elementos subjetivos, visto que seu referencial teórico se associa à Psicologia Social e à Psicanálise. Também cabe frisar que o profissional nunca deverá emitir qualquer orientação acerca do uso de medicações, visto que sua intervenção se volta exclusivamente às questões de aprendizagem. Após a anamnese, o (a) profissional deve informar o objetivo da avaliação neuropsicopedagógica que será realizada, assim como o papel da Neuropsicopedagogia na intervenção junto às dificuldades de aprendizagem. Por fim, realiza-se o contrato de trabalho, o qual prevê os elementos de enquadre da atuação do(a) neuropsicopedagogo(a), tais como: quantidade de sessões necessárias para a avaliação, dias e horários, duração dos atendimentos, honorários e forma de pagamento, pausas, interrupções programadas (feriados, recessos etc.) e data da entrevista devolutiva, na qual será inclusive entregue à família o informe neuropsicopedagógico. Esse contrato pode ser retomado após a avaliação, para o estabelecimento do enquadre para o processo de intervenção neuropsicopedagógica. 1.4 Considerações finais sobre a triagem neuropsicopedagógica No contexto institucional, a atuação inicial do(a) neuropsicopedagogo(a) nas atividades de triagem/sondagem será solicitada pela equipe técnica ou pedagógica e deverá, antes de tudo, ter uma classificação mais ampla no âmbito institucional e contar tanto com estratégias de observação das pessoas com dificuldades de aprendizagemquanto com instrumentos apropriados (fundamentados, teoricamente, em consonância com os princípios da 20 Neuropsicopedagogia e validados para a população brasileira) para a avaliação, um recurso que pode ser utilizado é a entrevista de anamnese. O Código de Ética da Neuropsicopedagogia explicita a atuação desse profissional no âmbito das instituições, como vemos a seguir. RESOLUÇÃO SBNPp Nº 05, DE 12 DE ABRIL DE 2021 Altera as Resoluções 03/2014 e 04/2020. Dispõe sobre o Código de Ética Técnico-Profissional da Neuropsicopedagogia e suas alterações. [...] Art. 30º Ao Neuropsicopedagogo com formação na área Institucional, conforme descrito no Capítulo V, fica delimitada sua atuação com atendimentos neuropsicopedagógicos exclusivamente em ambientes educacionais e/ou instituições de atendimento coletivo. [...] §2º São bases da atuação institucional os conhecimentos sobre os fundamentos da avaliação neuropsicopedagógica, que são compostos pelas funções cognitivas (exceto a função intelectual e os transtornos de humor e personalidade), bem como, a legislação e as políticas nacionais de inclusão, programas de intervenção neuropsicopedagógica, e, quando necessário, sondagem e/ou triagem acadêmica: I -Observação, identificação e análise dos ambientes e dos grupos de pessoas atendidas, focando nas questões relacionadas à aprendizagem e ao desenvolvimento humano nas áreas motoras, cognitivas e comportamentais, considerando os preceitos da Neurociência aplicada a Educação, em interface com a Pedagogia e Psicologia Cognitiva. II –Criação de estratégias que viabilizem o desenvolvimento do processo ensino- aprendizagem dos que são atendidos nos espaços coletivos e, quando necessário, de forma individual para triagem. III -Análise do histórico escolar dos grupos de escolares, identificando dificuldades a serem trabalhadas em grupos através de ações específicas como Projetos de Trabalho e Oficinas Temáticas. IV –Em casos pontuais, quando ações coletivas não se aplicarem às especificidades do sujeito, deve-se buscar as origens das dificuldades apresentadas por meio de triagem e/ou sondagem. V -Encaminhamento, quando necessário, a profissionais de áreas específicas através do Relatório de triagem e/ou sondagem. Disponível em: <https://sbnpp.org.br/arquivos/Codigo_de_Etica_Tecnico_Profisisonal_da_Neuropsicopedagogia_- _SBNPp_-_2021.pdf> Cabe lembrar que o Código de Ética ainda autoriza a realização de triagem/sondagem individual em instituições, desde que vise ao encaminhamento a profissionais de saúde. De acordo com a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (2017), o foco da avaliação deve ser sempre a aprendizagem do indivíduo, abordando especificamente as seguintes funções cognitivas: ➢ atenção; ➢ memória de trabalho; 21 ➢ linguagem receptiva e expressiva; ➢ compreensão (interpretação/intelecção); ➢ linguagem matemática; ➢ observação psicomotora; ➢ habilidades sociais; ➢ planejamento; ➢ resolução de problemas. Saiba Mais O trabalho do neuropsicopedagogo consiste em, a partir de uma demanda específica, realizar a observação de aspectos inerentes a aprendizagem em contextos definidos e detectar elementos que são analisados de acordo com o conjunto de conhecimentos e experiências específicas do neuropsicopedagogo. Estes devem ser trabalhados com foco na potencialização dos recursos próprios de uma pessoa ou grupo no contexto da aprendizagem para que ocorra a reintegração pessoal, social e até escolar dos envolvidos, bem como favoreça os processos de inclusão (CARDOSO; FÜLLE, 2016, p. 17). As mesmas funções devem ser avaliadas pelo(a) neuropsicopedagogo(a) clínico(a), porém de forma individualizada, em ambiente adequado. Após receber a queixa inicial, o profissional deve realizar a anamnese, utilizando também outros recursos e instrumentos na continuidade de sua avaliação, com foco na aprendizagem e suas dificuldades relacionadas às áreas motoras, cognitivas e comportamentais. Ao final desse processo deverá elaborar um plano de trabalho com vistas à superação das dificuldades identificadas ao longo da avaliação, formalizando a proposta de atendimento interventivo por meio do informe neuropsicopedagógico. Por fim, destacamos que é facultado ao (à) profissional da Neuropsicologia (tanto no âmbito clínico quanto no institucional) a realização da triagem por meio virtual, desde que utilize instrumentos validados para a população brasileira e que tenham sido autorizados para a aplicação por profissionais das áreas da saúde e educação. 22 Ví deo Assista à animação Cérebro Herói, produzida pelo Center on the Developing Child da Harvard University e legendado pela equipe do Instituto Glia, que trata da importância do desenvolvimento infantil na construção da felicidade do indivíduo e de uma sociedade sólida e justa. Acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=yqYz5IBmma4> Conclusão da aula 1 A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar que estuda as relações entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem, tendo por fundamento os conhecimentos das neurociências no campo educacional, em interface com a Pedagogia e a Psicologia Cognitiva. Utilizando-se desses conhecimentos, o(a) neuropsicopedagogo(a) investiga questões relacionadas ao aprender e às dificuldades de aprendizagem, realizando uma triagem a partir da queixa inicial da família e da entrevista de anamnese. A partir desses procedimentos, poderá selecionar instrumentos e recursos para a avaliação do paciente, culminando na elaboração de um informe neuropsicopedagógico repassado à família por meio de uma entrevista devolutiva, no qual apresentará uma proposta de intervenção e/ou os encaminhamentos necessários. Nesta aula explicitamos as relações entre a Neuropsicopedagogia e os processos de aprendizagem; compreendemos a importância da queixa inicial apresentada pela família como norteadora para o desenvolvimento da entrevista de anamnese; conhecemos as especificidades da elaboração de um roteiro para entrevista de anamnese e por fim, apresentamos algumas reflexões importantes acerca da realização da triagem pelo(a) neuropsicopedagogo(a) clínico(a) e institucional, à luz do Código de Ética da Neuropsicopedagogia. Atividade de Aprendizagem Com base nos estudos desenvolvidos nesta aula, elabore um pequeno texto explicando como a Neuropsicopedagogia pode contribuir para a superação das dificuldades de aprendizagem de crianças e adolescentes em idade escolar. 23 Aula 2 – Realização da triagem neuropsicopedagógica Apresentação da aula 2 Nesta aula compreenderemos o que é a triagem neuropsicopedagógica, sua relação com o processo avaliativo e suas características nos distintos contextos de atuação (clínico e institucional) do(a) neuropsicopedagogo(a). 2.1 Triagem e avaliação em Neuropsicopedagogia Como vimos na aula anterior, a busca pelo profissional da Neuropsicopedagogia tem início a partir de uma queixa, relatada pela família/responsáveis e/ou pela instituição escolar. A triagem se insere nesse contexto como o processo de seleção de pacientes que se enquadrem e possam ser beneficiados pelo atendimento neuropsicopedagógico (avaliativo e/ou interventivo). A triagem antecede, portanto, o momento da avaliação propriamente dita, que envolverá diversas sessões após a identificação, pelo(a) profissional, da pertinência desse processo frente ao caso apresentado, considerando o foco e o escopo da atuação neuropsicopedagógica. Símbolo da neuropsicopedagogia Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRjJh_gLcguwZhiDs0q AXG7-U8_qt3fv_X3aNsTDl8Qc_DbfxtgDvyJcr-Mml6TMiHd-8A&usqp=CAU A triagem configura o primeiro contato do(a) paciente e sua família com o(a) neuropsicopedagogo. Mesmo que ao final do processo o profissional opte24 pelo encaminhamento a outras áreas do conhecimento, é importante compreender a triagem como um momento de acolhimento à família que busca o atendimento, no qual ambos (profissional e familiares) se conhecerão e discutirão as possibilidades de atendimento neuropsicopedagógico ao(à) paciente. Embora configure um breve momento da atuação neuropsicopedagógica (realizado dentro de uma sessão única), fundamentalmente, o processo de triagem realiza uma avaliação inicial com vistas ao esclarecimento diagnóstico, a partir do qual se pode definir o encaminhamento a seguir. Em outras palavras, trata-se de conhecer o(a) paciente e sua família, face à queixa inicial, identificando se o caso é pertinente à Neuropsicopedagogia e se ele (ela) pode se beneficiar dos recursos e técnicas neuropsicopedagógicas, frente à queixa inicial apresentada. Saiba Mais Em relação à função e aos objetivos da triagem neuropsicopedagógica, ela possibilita identificar a pertinência e a contribuição da Neuropsicopedagogia para cada caso. Após a triagem, caso seja identificada a contribuição da Neuropsicopedagogia frente ao caso, inicia-se, então, o processo de avaliação propriamente dito, no qual o(a) profissional explorará mais detalhadamente a queixa, aventando hipóteses que comporão suas indicações interventivas para o(a) paciente. O neuropsicopedagogo institucional pode fazer triagem (processo coletivo na instituição), mas não realiza avaliação individual. Caso identifique a necessidade de aprofundar a avaliação com determinados sujeitos, deve encaminhá-los para a avaliação individual com o neuropsicopedagogo clínico. A realização da triagem antes do início do processo de avaliação tem diversas vantagens, tais como: 25 ➢ ampliação da população atendida e redução do tempo de espera para avaliação inicial; ➢ economia de tempo durante o processo de avaliação, que já será direcionada à queixa neuropsicopedagógica; ➢ redução dos custos iniciais com avaliações longas e possivelmente fora do escopo da Neuropsicopedagogia; ➢ redução do desgaste emocional do(a) paciente e família/responsáveis, com consultas a diferentes profissionais sem receber um parecer diagnóstico. Desse modo, a triagem configura um espaço no qual o(a) profissional acolhe a queixa e verifica a real existência de uma demanda para a atuação neuropsicopedagógica. A partir da triagem tem-se um conhecimento das reais necessidades do(a) paciente, o que subsidiará a escolha dos instrumentos avaliativos na sequência ou, então, direcionará o encaminhamento para os profissionais que melhor atenderão ao caso em específico. Para finalizar a triagem, após a exploração aprofundada da queixa inicial por meio da entrevista de anamnese, o(a) neuropsicopedagogo(a) pode se valer de um momento avaliativo inicial com a criança por meio de observações, instrumentos específicos e lúdicos, nos quais será possível constatar a queixa e compreendê-la frente ao funcionamento global do(a) paciente. A atuação em Neuropsicopedagogia institucional inclui também a possibilidade da realização de triagens, porém essas deverão ser realizadas no contexto do grupo, para investigação de características específicas conforme a demanda da instituição. Portanto, embora também parta de uma queixa inicial ou solicitação institucional, difere da triagem neuropsicopedagógica clínica, que é realizada em ambiente privativo a partir da anamnese familiar. Para a triagem em instituições como escolas e organizações do terceiro setor, o(a) neuropsicopedagogo poderá utilizar testes e escalas específicos (como abordaremos mais à frente nesta aula), bem como observações, o desenvolvimento de atividades no grupo e a análise do material escolar. 26 Importante A formação em Neuropsicopedagogia clínica não habilita o profissional a avaliar a inteligência, os transtornos de humor, os transtornos psicóticos, os transtornos alimentares, entre outros. Seu campo de atuação é o da avaliação do processo de ensino- aprendizagem e suas dificuldades (RUSSO, 2020, p. 108). Conforme já indicamos anteriormente, durante a triagem pode ser realizada a entrevista de anamnese com o próprio sujeito (caso seja adulto) ou com os pais/responsáveis (no caso de crianças). Para adolescentes, costuma- se ouvir ambos, separadamente (em um primeiro momento a família e, na sequência, o/a adolescente). Associada à queixa inicial, a anamnese permite investigar como o sintoma surgiu, quais as situações de vida naquele momento, qual o contexto prévio e quais as condições a ele associadas, em suma, sua dinâmica funcional, suas relações com os processos cognitivos neurobiológicos e suas repercussões sobre a vida do(a) paciente e familiares, nos diversos contextos, nos quais interagem. Ao findar a triagem, o(a) profissional deverá concluir se o caso pertence ao escopo da Neuropsicopedagogia, aventando, então, hipóteses diagnósticas que serão investigadas em profundidade no momento seguinte, durante o processo de avaliação neuropsicopedagógica. O processo será enriquecido se a triagem for realizada por equipe multidisciplinar, capaz de avaliar de forma mais precisa e abrangente. Embora cada caso tenha suas especificidades, as principais áreas cujos profissionais costumam compor a equipe multiprofissional são: ➢ Neurologia; ➢ Fonoaudiologia; ➢ Psicologia; ➢ Fisioterapia; ➢ Terapia ocupacional; ➢ Psicomotricidade; ➢ Psicopedagogia. 27 Amplie Seus Estudos SUGESTÃO DE LEITURA É fundamental que o(a) neuropsicopedagogo(a) conheça e domine os transtornos e dificuldades de aprendizagem. Por isso, recomendamos fortemente o estudo dos Transtornos do Neurodesenvolvimento elencados no Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – DSM-V, publicado pela American Psychiatric Association (APA). A triagem pode ser compreendida como o primeiro momento avaliativo, que integra e resulta no diagnóstico neuropsicopedagógico, é a investigação abrangente do processo de aprendizagem do indivíduo, com vistas a compreender a origem e as melhores formas de intervenção sobre as dificuldades de aprendizagem. Em outras palavras, ela antecede a realização do processo de avaliação propriamente dito. Importante Em relação ao desenvolvimento e aprendizagem, o neuropsicopedagogo clínico e/ou institucional pode avaliar as seguintes áreas: ➢ Atenção e funções executivas; ➢ Linguagem; ➢ Compreensão leitora; ➢ Memória de aprendizagem; ➢ Motivação: intrínseca e extrínseca; ➢ Estratégias de aprendizagem; ➢ Desenvolvimento neuromotor; ➢ Habilidade matemáticas; ➢ Habilidades sociais. (SBNPp, 2016, p. 12). 28 Cabe ressaltar que o processo de avaliação em Neuropsicopedagogia inclui aspectos quantitativos e qualitativos. A avaliação quantitativa é pautada pelo uso de testes e escalas validados para a população brasileira e de uso permitido ao (à) profissional de Neuropsicopedagogia. Esses instrumentos produzem scores numéricos que representam os resultados alcançados pelo(a) paciente, no quesito avaliado, naquele recorte espaço-temporal (pois ele (sujeito) poderá apresentar resultados diferentes em outras condições e momentos da vida). Pode incluir o uso de baterias fixas (testes a serem aplicados em conjunto e em determinada sequência) ou flexíveis (que podem ser selecionados e agrupados conforme a finalidade avaliativa). A avaliação qualitativa diz respeito à análise dos dados quantitativos, ou seja, ela auxilia na compreensão dos dados quantitativos, contextualizando os dados brutos obtidos e considerando a dinâmica funcional do(a) paciente. Pode também utilizar instrumentos investigativos específicos, tais como as provas piagetianas (provas operatórias). A avaliação qualitativa envolve, ainda, dados obtidos por meio de instrumentos não mensuráveisquantitativamente, tais como observações, entrevista lúdica, análise do material escolar etc. Vocabula rio Provas operatórias: desenvolvidas por Jean Piaget, são instrumentos de avaliação intelectual individual que permitem investigar se o sujeito já atingiu um estágio cognitivo no qual é capaz de realizar operações mentais. Elas dão um bom direcionamento do nível de raciocínio lógico, indicando em qual dos estágios piagetianos o sujeito avaliado se encontra (estágio sensório-motor, pré-operatório, de operações concretas ou de operações formais). Fonte:https://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/568/da s-provas-operatorias-a-construcao-de-estruturas-cognitivas--um-e studo-de-caso-em-psicopedagogia Novamente ressaltamos que a Neuropsicopedagogia não avalia elementos relacionados à subjetividade, tais como aspectos afetivos do processo de aprendizagem e vínculos emocionais. Ao utilizar testes específicos 29 que investigam amplamente o funcionamento cognitivo, a avaliação neuropsicopedagógica identifica se há algum déficit, quais suas relações com o quadro atual e as possíveis conexões com dificuldades ou transtornos ainda não diagnosticados. Desse modo, estabelece quais funções, áreas ou sistemas cerebrais podem estar envolvidos na dificuldade de aprendizagem, fonte da queixa inicial, aventando hipóteses diagnósticas frente ao quadro. Saiba Mais Para contribuir com o diagnóstico de um transtorno de aprendizagem, o neuropsicopedagogo busca as origens das dificuldades de aprendizagem apresentas pelo sujeito e avalia de maneira criteriosa todo o processo, tendo como premissa o funcionamento cerebral. [...] Geralmente, são utilizadas análises de questionários, material escolar, atividades de matemática, escrita, leitura, produção de texto, desenhos, jogos, atividades psicomotoras e interações em grupos (SCHNEIDER; SOUZA; CHUPIL, 2018, p. 57). 2.2 Funções avaliadas pela Neuropsicopedagogia Como estabelecemos anteriormente, a partir da queixa inicial o(a) neuropsicopedagogo(a) realizará uma primeira investigação, por meio da anamnese (podendo também incluir outros recursos, como observações e avaliações gerais). No âmbito da instituição ou da escola, poderá inclusive utilizar algumas escalas e testes padronizados para a triagem neuropsicopedagógica. Após a triagem e frente à confirmação da alçada da Neuropsicopedagogia face à demanda solicitada, tem início, então, o processo de avaliação propriamente dito. O plano de avaliação é delineado a partir das hipóteses investigativas que o(a) profissional estabelece, com base na queixa inicial e na anamnese realizada junto à família/responsáveis (e outros dados aos quais teve acesso, tais como observações, análise do histórico e material escolar). É importante sempre buscar a integração dos dados, compreendendo que cada teste ou instrumento, por si só, representa apenas um aspecto de um ser humano que é integral e só pode ser compreendido em sua totalidade. 30 Ví deo Assista ao vídeo informativo da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia acerca da instrumentalização do neuropsicopedagogo nas áreas clínica e institucional. Acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=9jSmarCvOn0 Lembramos que o foco de estudo da Neuropsicopedagogia é a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana, tendo como principais bases as Neurociências, a Pedagogia e a Psicologia Cognitiva. Tendo isso em mente, o(a) profissional formulará suas hipóteses investigativas atendo-se aos aspectos que é de sua alçada avaliar, selecionando para isso instrumentos adequados e pertinentes para a avaliação. É importante destacar que o Código de Ética da Neuropsicopedagogia dispõe, no parágrafo segundo do Artigo 66º, que o(a) profissional deve utilizar recursos “que contemplem fundamentos básicos sobre a aprendizagem e desenvolvimento como as funções executivas, atenção, linguagem, raciocínio lógico-matemático e desenvolvimento neuromotor” (SBNPp, 2021, p. 13). Para fins ilustrativos, apresentamos a seguir um diagrama que sintetiza as funções executivas e os conceitos que as definem. Diagrama – funções executivas Fonte: RHODEN; HENNEMANN (2020). 31 O conceito de funções executivas surgiu na década de 1980, refere-se, de modo amplo, à gestão das atividades cognitivas que realizamos diariamente. As funções executivas são as habilidades cognitivas responsáveis pela gestão e execução das tarefas que realizamos nas atividades cotidianas. Elas podem ser classificadas em quentes ou frias. As funções quentes relacionam-se à autorregulação (capacidade de regular impulsos e emoções), especialmente nas situações críticas do cotidiano. As funções frias dizem respeito à capacidade de realizar tarefas com êxito e de articular estratégias metacognitivas, tais como planejar, organizar, objetivar (definir objetivos para as atividades realizadas), perseverar, focalizar (manter o foco atencional), operacionalizar (usar a memória operacional – ou de trabalho – para realizar atividades) e flexibilizar (utilizar perspectivas cognitivas diferentes na resolução de problemas). De modo sintético, podemos dizer que as funções frias estão mais relacionadas a componentes cognitivos sem grande comprometimento emocional, enquanto as funções quentes dizem respeito a processos que envolvem situações e decisões socioemocionais e interpessoais. Curiosidade O termo funções executivo (FEs) foi introduzido pelo neuropsicólogo Muriel D. Lezak em 1982. Para ele, as FEs dizem respeito às habilidades de formular metas e planejar e executar planos de maneira eficaz, que são essenciais para comportamentos autônomos, criativos e socialmente construtivos. Seu modelo apresentava quatro categorias de habilidades executivas: habilidades necessárias para formular metas; habilidades envolvidas no planejamento de estratégias; habilidades de colocar essas estratégias em prática; e habilidades necessárias para ter sucesso na resolução de tarefas (monitorar os resultados e corrigir, se necessário). Fonte: https://www.psicoedu.com.br/2018/09/funcoes-executivas- psicologia.html#more Ao avaliar as funções cognitivas, o(a) neuropsicopedagogo(a) pode compreender o funcionamento de cada função no contexto mais amplo do 32 funcionamento do cérebro, identificando de que forma afeta ou repercute sobre o comportamento humano. Desse modo, por meio da aplicação de testes e instrumentos específicos (não apenas quantitativos, mas também qualitativos), o(a) profissional pode comparar os resultados obtidos com os dados esperados para seu perfil (faixa etária, escolaridade, nível de desenvolvimento cognitivo etc.), sendo, então, capaz de mapear as funções preservadas e comprometidas. Ví deo Compreenda melhor a importância do desenvolvimento das funções executivas ao longo da infância. Acesse o link: https://institutoglia.com.br/a-importancia-da-educ acao-das-funcoes-executivas/ 2.3 Instrumentos utilizados na Neuropsicopedagogia Para realizar o diagnóstico, o(a) neuropsicopedagogo(a) pode utilizar diversos instrumentos, que devem ser selecionados com base no objetivo e nas hipóteses aventadas para a avaliação. Deve considerar uma análise dos fundamentos teóricos que embasam a utilização de cada teste ou instrumento. Outros aspectos relevantes a considerar na seleção dos instrumentos são: ➢ O conhecimento, o treinamento e o domínio do profissional na aplicação dos instrumentos; ➢ As características particulares do(a) paciente (idade, escolaridade etc.) e eventuais limitações funcionais (linguagem, comprometimento motor, acuidade visual etc.); ➢ Conhecimento prévios dos testes (aplicações anteriores por outros profissionais); ➢ Especificidades técnicas dos instrumentos e do processo avaliativo (quantidade de sessões edisponibilidade de tempo, custo do material etc.). 33 O neuropsicopedagogo deverá buscar materiais não vetados para seu uso, que forneçam parâmetros para analisar/avaliar tanto as dificuldades quanto as facilidades de aprendizagem do sujeito. É oportuno ressaltar que na prática de avaliação devemos utilizar instrumentos com estudos e padronização brasileira (SBNPp, 2017, p. 2). Para além do uso de testes padronizados, enfatizamos também o uso de outros recursos e instrumentos que podem compor a avaliação quantitativa e qualitativa, auxiliando no entendimento do funcionamento do sujeito em sua integralidade nos diversos contextos e situações com os quais interagem. Dentre essas possibilidades, estão incluídas: ➢ Observações informais, tanto no contexto clínico quanto no ambiente escolar; ➢ Interações em grupo do sujeito avaliado com seus pares; ➢ Análise do material escolar e do histórico acadêmico do(a) estudante; ➢ Entrevistas estruturadas e semiestruturadas com pessoas próximas, como familiares, professores e outros profissionais que prestem ou tenham prestado algum tipo de atendimento ao avaliado; ➢ Atividades dirigidas e lúdicas, envolvendo jogos, brincadeiras e expressão artístico-criativa; ➢ Instrumentos estruturados, como o Diagnóstico Operatório (provas piagetianas); ➢ Atividades para investigação específica de certas funções e áreas, como atividades de leitura, produção de texto, resolução de problemas, cálculos, desenhos, atividades psicomotoras etc. Saiba Mais Alguns aspectos a serem observados pelo(a) neuropsicopedagogo(a) em uma sessão lúdica são: ➢ Iniciativa: tomada de decisão na escolha dos brinquedos; 34 ➢ Plasticidade: expressão de diferentes formas em brinquedos diversos; alteração da função dos brinquedos conforme as necessidades de expressão; ➢ Perseverança: repetição do mesmo comportamento (ou escolha sempre pelo mesmo brinquedo); ➢ Personificação: interpretação de papéis (ou solicitação ao observador que o faça) durante as brincadeiras; ➢ Motricidade: gestos e posturas compatíveis à expressão verbal; ritmo corporal; uso do corpo nas brincadeiras; lateralidade; etc.; ➢ Criatividade: uso inventivo e diversificado dos brinquedos; ➢ Cognição: compreensão das instruções em jogos e brincadeiras; uso da linguagem expressiva e compreensiva etc. (CAETANO, 2021, s/p.). Cada instrumento e técnica pode colaborar para a investigação de funções específicas. Nesse sentido, por exemplo, informações da família acerca da autonomia do(a) paciente nas atividades da vida diária fornecem dados acerca das habilidades sociais. Semelhantemente, o desempenho da criança durante jogos e atividades lúdicas pode revelar dados sobre a concentração da atenção, o planejamento, a linguagem, a memória, a volição e o controle inibitório. Amplie Seus Estudos SUGESTÃO DE LEITURA Leia a obra Neurociência e educação: como o cérebro aprende (Ramon M. Cosenza e Leonice B. Guerra). A obra visa compreender o funcionamento do cérebro, seu potencial e as melhores estratégias de favorecer seu pleno desenvolvimento, considerando que o cérebro é responsável pela forma como processamos as informações, armazenamos o conhecimento e selecionamos nosso comportamento. Embora não seja o escopo desta disciplina, cabe lembrar que há diversos recursos que podem auxiliar o(a) neuropsicopedagogo(a) a melhor compreender o funcionamento cognitivo do(a) paciente, oferecendo uma perspectiva mais 35 abrangente e precisa das dificuldades de aprendizagem. Assim, mesmo que neste momento não nos aprofundemos na explicação de cada um desses instrumentos dos quais a Neuropsicopedagogia pode se valer, citamos: ➢ Torre de Hanói; ➢ Cubos de Corsi; ➢ Coruja PROMAT - Roteiro para Sondagem das Habilidades Matemáticas; ➢ Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (PROLEC); ➢ Teste TOL – Torre de Londres (Teste de Avaliação das funções executivas); ➢ Avaliação Neuropsicológica Cognitiva – Atenção e Funções Executivas; ➢ Teste Token (TT) (avaliação da linguagem compreensiva); ➢ Teste de Trilhas – Partes A e B; ➢ Teste de Atenção por Cancelamento (TAC); ➢ Teste STROOP de Cores e Palavras; ➢ Protocolo de Identificação Precoce dos Problemas de Leitura (IPPL); ➢ Teste Infantil de Nomeação; ➢ Teste de Repetição de Palavras e Pseudopalavras (TRPP); ➢ Escala de Avaliação das Estratégias de Aprendizagem para o Ensino Fundamental (EAVAP-EF); ➢ Protocolo de Avaliação das Habilidades Cognitivo-Linguísticas (PAHCL); ➢ Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra (BANC). Importante A investigação das habilidades sociais, bem como o conhecimento da independência/dependência nas atividades da vida diária, servirá de subsídio ou para a elaboração do protocolo de intervenção neuropsicopedagógica, visando à orientação familiar quanto a autonomia do paciente e estratégias para a convivência social ou, frente à gravidade do caso, o encaminhamento para outro profissional especialista na demanda (RUSSO, 2020, p. 110). 36 Frisamos que alguns instrumentos, inclusive, podem ser utilizados pelo(a) neuropsicopedagogo(a) institucional para a realização da triagem, como é o caso do IAR (Instrumento de Avaliação do Repertório Básico para a Alfabetização) e do TDE (Teste de Desempenho Escolar). Como já expusemos anteriormente, no contexto das instituições, a Neuropsicopedagogia pode realizar triagens coletivas, com vistas a identificar potenciais necessidades dentro de grupos maiores de estudantes. Inclusive, o Código de Ética da Neuropsicopedagogia permite, em alguns casos, a investigação da triagem realizada de modo individual (por exemplo, realizando a anamnese junto à família): A atuação profissional em Neuropsicopedagogia ocorre no contexto institucional em atendimento coletivo e, quando necessário, individual para sondagem e/ou triagem visando a encaminhamentos a profissionais da área da saúde; e pelo atendimento individualizado ocorre no contexto clínico (SBNPp, 2021, p. 1). No âmbito escolar, juntamente com a equipe pedagógica, o(a) neuropsicopedagogo(a) pode também realizar o levantamento dos estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem expressas no desempenho acadêmico ou de outras formas (comportamento, interação interpessoal etc.). Com essas informações, pode fazer um levantamento documental (análise do histórico escolar, portfólios e produções diversas dos estudantes e dados informados pela família), aventando a possível existência de transtornos e síndromes e também buscando identificar possíveis questões relacionadas às dificuldades de aprendizagem (como histórico de reprovações, questões familiares, mudanças frequentes de escola etc.). Após a identificação desses casos, o(a) profissional poderá, então, realizar uma observação global (o estudante em seu contexto coletivo de interação na escola); se necessário, deverá encaminhar para a realização de uma avaliação personalizada, competência do(a) neuropsicopedagogo(a) clínico(a). 37 Para Refletir Ao selecionar testes para aplicação, o neuropsicopedagogo deve considerar algumas importantes questões: ➢ Que tipo de informações eu pretendo obter com a testagem? ➢ Como essas informações serão usadas? ➢ Quais dessas informações já estão disponíveis em outras fontes? ➢ Que outras ferramentas podem ser usadas para obter as informações que busco? ➢ Quais as vantagens de usar testes em lugar de outras fontes de informação? ➢ Quais as desvantagens ou custos em termos de tempo, esforço e dinheiro, de usar testes em vez de outras fontes de informação? (TRAD, 2020, p. 47) Cabe ainda ressaltar que a escolha por um instrumento deve considerar um estudo criterioso dos fundamentos teóricos dele, evitando o uso desnecessário, repetitivo ou mesmo o mau uso dos recursosexistentes. Nesse quesito, enfatizamos a necessidade da constante busca do(a) profissional por aperfeiçoamento e atualização, buscando compreender e dominar em profundidade os instrumentos disponíveis para seu uso. Lembrando que tanto a triagem quanto a avaliação devem ser sempre personalizadas, ou seja, o(a) profissional não pode se prender a utilizar sempre os mesmos testes e recursos, mas deve selecionar os instrumentos com base nas necessidades específicas de cada caso. Durante a avaliação, o(a) neuropsicopedagogo(a) deve buscar contato com equipe multiprofissional, inclusive entrando em contato com outros profissionais relacionados ao(à) paciente, buscando uma abordagem integrada com vistas à ampla compreensão e a um atendimento mais completo à demanda do(a) paciente. É essencial lembrar que a avaliação oferece uma perspectiva do desenvolvimento do(a) paciente no recorte espaço-temporal do momento da avaliação. Esse entendimento dinâmico é fundamental para não cristalizar posicionamentos deterministas, pois o ser humano está em constante 38 modificação; por isso, o nível de desenvolvimento não é estático e não pode limitar ou restringir a compreensão do sujeito. Ao final do processo de avaliação, o(a) profissional deverá elaborar um informe neuropsicopedagógico, no qual descreverá os resultados da avaliação, as potencialidades e as dificuldades identificadas, o prognóstico e as indicações de intervenção para o caso em específico, bem como orientações pertinentes aos familiares/responsáveis e à escola, quando necessário. Abordaremos esta questão com maior profundidade nas próximas aulas. Conclusão da aula 2 A triagem neuropsicopedagógica investiga o processo de aprendizagem, compreendendo suas potencialidades e suas limitações no âmbito do funcionamento cognitivo de cada sujeito, frente às interações socioculturais que estabelece em seu meio. Para realizá-la, o(a) profissional deve estar familiarizado com diversos instrumentos e recursos, os quais selecionará com base na queixa inicial expressa pela família/responsáveis, com vistas a compreender se o caso é pertinente à alçada da Neuropsicopedagogia, quando, então, dará início ao processo de avaliação neuropsicopedagógica. Nesta aula aprendemos o que é a triagem neuropsicopedagógica e como ela pode ser realizada pelos profissionais, tanto no contexto clínico quanto no institucional. Compreendemos o que são as funções executivas e como elas podem ser avaliadas pelo(a) neuropsicopedagogo(a). Por fim, conhecemos alguns instrumentos que podem integrar a triagem da Neuropsicopedagogia. Atividade de Aprendizagem Com base nos conteúdos estudados nesta aula, explique o que é a triagem neuropsicopedagógica e como ela pode ser realizada, no contexto clínico ou institucional, depois escreva um breve texto. 39 Aula 3 – Triagem, informe neuropsicopedagógico e entrevista devolutiva Apresentação da aula 3 Nesta aula daremos continuidade às nossas reflexões acerca da triagem neuropsicopedagógica e compreenderemos como elaborar o documento intitulado Informe neuropsicopedagógico, que é apresentado durante a entrevista devolutiva. 3.1 Finalização da triagem neuropsicopedagógica Conforme abordamos nas aulas anteriores, a triagem neuropsicopedagógica tem por objetivo compreender e discernir se o caso em específico (expresso pela queixa inicial) é da alçada da Neuropsicopedagogia (NeuroPp). Trata-se de uma classificação concisa e objetiva que identifica a situação geral do(a) paciente, tanto com vistas à identificação de suspeitas de dificuldades e transtornos (que poderão ser investigadas posteriormente na avaliação) quanto para a otimização das atividades propostas (no caso da intervenção junto a grupos, no âmbito institucional). Nesse sentido, a triagem realizada pelo(a) neuropsicopedagogo(a) institucional no âmbito coletivo voltada para as funções cognitivas assume um papel importante, pois pode contribuir para a identificação precoce de questões referentes às dificuldades de aprendizagem, o que permite, por sua vez, a pronta atuação de intervenção precoce junto a essas crianças, otimizando assim seu desenvolvimento integral. Vocabula rio Intervenção precoce: é o conjunto das intervenções dirigidas às crianças, até aos seis anos, com problemas de desenvolvimento ou em risco de os virem a apresentar [...], tendo por objetivo responder, o mais cedo possível, às necessidades transitórias ou permanentes que apresentam (FRANCO, 2007, p. 115). Em outras palavras, resposta nos casos de risco iminente ou potencial ao desenvolvimento infantil. 40 A triagem realizada de modo coletivo pelo(a) neuropsicopedagogo(a) institucional pode utilizar tanto instrumentos próprios da Neuropsicopedagogia quanto outros materiais, desde que fundamentados teoricamente e validados de acordo com os critérios de padronização para a população brasileira (estudos validados com amostras no Brasil). Novamente ressaltamos que o foco da NeuroPp são os processos de aprendizagem compreendidos sob a fundamentação das neurociências, tendo como interface a Pedagogia e a Psicologia Cognitiva. É a partir desses referenciais que o profissional deve delinear toda a sua atuação, tanto no contexto de avaliação como durante a intervenção. De acordo com o Código de Ética, o(a) neuropsicopedagogo(a) não pode fazer uso de testes projetivos, visto que essa área do conhecimento se fundamenta nos pressupostos psicológicos da psicologia cognitiva. Nesse sentido, seus instrumentos de avaliação devem ser pertinentes a essa vertente, investigando aspectos como as funções executivas, atenção, linguagem, raciocínio lógico-matemático e desenvolvimento neuromotor. O(a) neuropsicopedagogo(a) poderá utilizar instrumentos quantitativos e qualitativos para triagem e a avaliação. No contexto institucional, o profissional poderá realizar a triagem; entretanto, identificando a necessidade do(a) paciente e a pertinência do caso à atuação da Neuropsicopedagogia, a avaliação deverá ser realizada no contexto neuropsicopedagógico clínico. Lembramos que a Neuropsicopedagogia se dirige particularmente à investigação das funções executivas. De acordo com a SBNPp (2016), Existem vários instrumentos disponíveis para a investigação dos diferentes aspectos das funções cognitivas, variando em sua forma de apresentação, complexidade das tarefas envolvidas, critérios de correções e normas disponíveis. A seleção de instrumentos a ser utilizada é realizada de acordo com os objetivos da avaliação, e o neuropsicopedagogo deverá buscar materiais não vetados para seu uso, que forneçam parâmetros para analisar/avaliar tanto as dificuldades quanto as facilidades de aprendizagem do sujeito. (SBNPp, 2016, p. 2). A Neuropsicopedagogia pode utilizar instrumentos em comum com outros profissionais, tais como a Psicologia e a Fonoaudiologia, desde que tais 41 instrumentos não sejam de uso privativo dessas áreas do conhecimento. Também é essencial verificar sempre se tais instrumentos permanecem sendo indicados, visto que há um processo de avaliação permanente com vistas a preservar a qualidade dos instrumentos e sua validação no contexto brasileiro. Por isso, indicamos a consulta periódica aos sites dos Conselhos Federais de Psicologia e de Fonoaudiologia, mantendo-se sempre inteirado acerca do posicionamento (favorável ou não) acerca dos instrumentos e testes de uso liberado ao(à) neuropsicopedagogo(a). Saiba Mais O Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI) foi desenvolvido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e apresenta também instrumentos não privativos do psicólogo, que podem ser utilizados por outros profissionais (como o neuropsicopedagogo), de forma complementar e secundária à avaliação. Acesse a lista de instrumentosavaliativos pelo link: https://sa tepsi.cfp.org.br/testesNaoPrivativos.cfm Quanto à realização da triagem pelos profissionais de neuropsicopedagogo(a): constitui-se em uma etapa anterior à avaliação, que pode ser realizada tanto individual quanto coletivamente. Em relação aos instrumentos quantitativos, o(a) neuropsicopedagogo(a) deve utilizar instrumentos com estudos validados e padronizados para a população brasileira. É muito importante compreender que os instrumentos utilizados para a triagem e a avaliação têm por finalidade investigar a queixa, avaliando elementos específicos que contribuirão para a compreensão do quadro como um todo, a partir da queixa inicial. Nesse sentido, os instrumentos utilizados para a triagem/avaliação visam à coleta de dados que serão analisados pelo(a) profissional. Em relação aos instrumentos qualitativos, o(a) profissional (tanto clínico como institucional) pode utilizar recursos e instrumentos que esclareçam e complementem a compreensão dos dados quantitativos acerca das funções 42 investigadas, tais como sessões lúdicas, as provas piagetianas e as etapas psicogenéticas do processo de alfabetização. Curiosidade O termo psicogênese pode ser compreendido como origem, gênese ou história da aquisição de conhecimentos e funções psicológicas de cada pessoa, processo que ocorre ao longo de todo o desenvolvimento, desde os anos iniciais da infância, aplica-se a qualquer objeto ou campo de conhecimento. [...] De acordo com este referencial, a apropriação da escrita se apoia em hipóteses do aprendiz, baseadas em conhecimentos prévios, assimilações e generalizações, dependendo de suas interações sociais e dos usos e funções da escrita e da leitura em seu contexto cultural. Tais hipóteses oferecem informações relevantes sobre níveis ou etapas psicogenéticas no processo de alfabetização e podem se manifestar tanto em crianças quanto em adultos. Essas hipóteses podem ser classificadas em: pré-silábica, silábica, silábico-alfabética e alfabética. Fonte: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbet es/psicogenese-da-aquisicao-da-escrita Ainda quanto ao processo de avaliação realizada no âmbito neuropsicopedagógico, o(a) profissional deve sempre se pautar a partir dos referenciais da Neuropsicopedagogia; em outras palavras, o foco da triagem e posterior avaliação é o processo de aprendizagem (e as dificuldades de aprendizagem) a partir do funcionamento do sistema nervoso, enfatizando a compreensão das funções executivas. Como a triagem configura um momento anterior à avaliação, pode ser realizada individualmente (contexto clínico) ou em grupo (contexto institucional), a partir da demanda da família/responsáveis/instituição. Considerando essa demanda (queixa inicial), as funções que pretende investigar e as características do sujeito/grupo investigado, que deverá, então, selecionar os instrumentos e recursos necessários. 43 Saiba Mais A Nota Técnica 02/2017 da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (SBNPp) apresenta orientações e indicações para protocolo de atendimento em Neuropsicopedagogia, distinguindo o contexto de atuação clínica e institucional. O documento também sumaria uma série de materiais que o neuropsicopedagogo pode utilizar para avaliação e intervenção nos contextos clínico e institucional. Acesse o link e saiba mais: https://www.sbnpp.org.br/arquivo s/notas_tecnicas.pdf A atualização permanente é fundamental ao(à) neuropsicopedagogo(a) e inclui não apenas o aprofundamento acerca de recursos e instrumentos, mas, sobretudo, sobre os fundamentos teóricos de sua área de atuação, o que inclui o conhecimento profundo acerca das dificuldades e transtornos de aprendizagem. Para isso, é indispensável que conheça e estude alguns documentos e manuais reconhecidos e validados internacionalmente, tais como: ➢ A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), atualmente em sua 11ª versão publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS); ➢ O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), atualmente em sua 5ª edição, produzido pela Associação de Psiquiatria Americana (APA); ➢ A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e toda a família de classificações internacionais delineada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ao término da triagem, poderá, então, iniciar-se o processo de avaliação. Trata-se de uma investigação aprofundada, realizada em um conjunto de sessões, nas quais o(a) profissional levantará dados (quantitativos e qualitativos) a partir dos quais poderá compreender o funcionamento executivo do sujeito no momento da 44 avaliação, identificando possíveis dificuldades e transtornos de aprendizagem. Além disso, poderá aventar hipóteses diagnósticas e delinear uma proposta interventiva com vistas à superação das dificuldades identificadas. Importante A dificuldade de aprendizagem é um termo global e abrangente, pois sua origem pode relacionar-se com diferentes situações: métodos pedagógicos não assertivos, metodologias do educador e ambiente físico, assim como algumas causas relacionadas ao próprio aluno. De maneira geral, as dificuldades podem ser passageiras e possíveis de serem solucionadas. Já os transtornos de aprendizagem correspondem a um padrão de dificuldade(s) muito acima do esperado, considerando como parâmetro a capacidade cognitiva esperada para a faixa etária da criança e seu nível escolar. Fonte: https://www.pearsonclinical.com.br/blog/2016/geral/qual-a-dife renca-entre-transtornos-e-dificuldades-de-aprendizagem-2/ Desse modo, esclarecendo ainda a atuação neuropsicopedagógica na investigação da queixa advinda da família/instituição escolar, a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia orienta os(as) profissionais a: ➢ Investigar e analisar a queixa, coletando dados por meio de diversos recursos e instrumentos (anamnese, entrevistas, observações etc.); ➢ Aventar hipóteses fundamentadas nos conhecimentos técnicos- científicos da Neuropsicopedagogia, delineando a futura intervenção; ➢ Selecionar instrumentos que permitam comprovar/refutar as hipóteses aventadas. De modo sucinto, podemos dizer que após a triagem, a questão central a ser respondida é: há alterações no funcionamento cognitivo, que é o foco da avaliação e da atuação da Neuropsicopedagogia, que justifiquem a existência das dificuldades responsáveis pelo encaminhamento do(a) paciente (queixa inicial)? Nesse caso, o(a) 45 profissional deve dar continuidade ao seu trabalho, realizando, então, a avaliação propriamente dita do sujeito ou, no caso do neuropsicopedagogo(a) institucional, encaminhando-o para essa avaliação no âmbito da Neuropsicopedagogia clínica. Saiba Mais A etapa de atuação da Neuropsicopedagogia que realiza uma investigação aprofundada da queixa inicial, estabelecendo um prognóstico e delineando propostas concretas que contribuam para a superação das dificuldades de aprendizagem do sujeito denomina-se: avaliação neuropsicopedagógica. Enquanto a identificação da existência de alterações no funcionamento cognitivo que afetem a aprendizagem do sujeito e que possam ser minimizadas/superadas com o auxílio das técnicas e recursos da Neuropsicopedagogia é o objetivo da triagem neuropsicopedagógica. Amplie Seus Estudos SUGESTÃO DE LEITURA Leia a obra Neuropsicopedagogia Institucional (Rita Margarida Toler Russo, org.). O livro reúne artigos de diversos autores nas áreas de educação e saúde, contribuindo para a compreensão do tema e do campo de atuação do neuropsicopedagogo institucional. 3.2 Informe neuropsicopedagógico Após realizar a triagem e conduzir o processo de avaliação, cabe ao(à) profissional sistematizar seus achados, organizando-os de forma clarae concisa para apresentar ao autor da queixa inicial. Esse documento é chamado de informe neuropsicopedagógico. O informe permite revelar uma visão global do sujeito avaliado, expressando todo o percurso trilhado pelo profissional no desenvolvimento da avaliação (relata de modo sintético a queixa inicial, caracteriza o sujeito, 46 identifica os instrumentos e funções avaliadas). Explicita como foi realizada a avaliação (quantas sessões, data e duração) e sintetiza as principais descobertas nesse processo, às quais o(a) profissional chegou a partir das hipóteses que estabeleceu. Apresenta as potencialidades e limitações do sujeito avaliado (note que não deve enfatizar exclusivamente as dificuldades, mas também os pontos fortes descobertos) e finaliza relatando orientações e sugestões de intervenção subsequente, que podem envolver ainda o encaminhamento a outros profissionais, conforme a situação identificada. Por se tratar de um documento, o(a) profissional deve tomar cuidados específicos em sua elaboração. Um deles é o uso correto e claro da norma culta da língua portuguesa. Outro elemento diz respeito à ética na produção do informe, relatando apenas os elementos necessários para a compreensão do quadro geral e excluindo qualquer tipo de viés (opinião tendenciosa, não fundamentada teoricamente nos referenciais científicos que embasam a Neuropsicopedagogia). Ao final do informe, o(a) profissional deve colocar sua identificação (nome completo, assinatura, dados completos para contato e número de registro profissional, caso possua). O documento deve ser apresentado em duas vias, assinadas por ambas as partes; o(a) neuropsicopedagogo(a) deve guardar uma via com a data da entrega e assinatura do responsável junto à documentação do(a) paciente. Importante Como a Neuropsicopedagogia ainda não possui um Conselho Nacional que regulamente a profissão, a filiação do(a) profissional não é obrigatória. Ainda, é facultativa a associação à Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, que atualmente emite notas técnicas que norteiam a atuação do(a) neuropsicopedagogo(a). O informe neuropsicopedagógico deve ter algumas características essenciais, como: 47 ➢ Clareza, tanto nos termos utilizados quanto na formulação das explicações (uso de termos técnicos e sem dubiedades ou duplos sentidos); ➢ Concisão e objetividade (informar o que é necessário, sem “floreios” ou extensões desnecessárias que possam dificultar a compreensão ou desviar o leitor da informação principal); ➢ Precisão e rigor científico (inclui tanto o uso adequado da língua padrão quanto o processo avaliativo, que deve ser pautado nos referenciais científicos reconhecidos pela Neuropsicopedagogia). Desse modo, o informe neuropsicopedagógico é elaborado após a conclusão da avaliação e deve sumariar seus aspectos principais, a saber: os objetivos, os procedimentos metodológicos, os resultados e as considerações do(a) profissional (prognóstico, orientações, indicações de encaminhamentos etc.). Apresentamos, a seguir, uma relação detalhada com os tópicos que devem constar em um informe neuropsicopedagógico. O primeiro conjunto de elementos que deve constar no informe diz respeito à identificação do(a) paciente. Devem ser incluídos dados como: nome completo, data de nascimento, filiação e local de nascimento, instituição de ensino e grau de escolaridade. A seguir, o(a) profissional deve registrar o período de avaliação. A informação deve relatar a quantidade de sessões e suas datas. Isso é importante para contextualizar o processo avaliativo, visto que o ser humano está em contínua transformação; nesse sentido, os achados apontados no informe neuropsicopedagógico não são perenes, mas podem ser alterados devido às circunstâncias espaço-temporais do contexto de vida de cada pessoa. Na sequência, é importante relatar detalhadamente a queixa inicial, incluindo a identificação das pessoas que a relataram (ex: pais, outros familiares, instituição escolar etc.). O elemento a ser relatado a seguir é a anamnese. Não se trata de replicá- la na íntegra, mas apresentar uma breve síntese com os aspectos centrais, de 48 modo genérico. Novamente, é preciso ter cuidados éticos em respeito à vida do(a) paciente e seus(suas) familiares, relatando somente as informações relevantes no contexto final da avaliação e omitindo detalhes desnecessários. Saiba Mais É por meio da anamnese que o profissional entenderá o real problema do paciente, as queixas da família e o ambiente que permeia a vida do paciente em questão. [...] Lembre-se de que a família, muitas vezes, omite informações, até mesmo mente, seja por receio de um julgamento ou, até mesmo, por vergonha. Então fique atento aos relatos, ouça com atenção, tire dúvidas, tente entender os fatos, esclareça se você não entendeu a informação (CAETANO, 2021, s/p.). O tópico seguinte deve relatar os instrumentos utilizados no processo avaliativo. Lembre-se de que esses instrumentos devem ser selecionados com base nas hipóteses que o(a) neuropsicopedagogo(a) aventa a partir da exploração da queixa inicial na anamnese e nos contatos iniciais com o(a) paciente. Além disso, os instrumentos devem ser sempre pertinentes à avaliação das funções executivas, ou seja, relacionados à aprendizagem no contexto do funcionamento do sistema nervoso, visto que este é o foco da atuação da Neuropsicopedagogia. A seguir, deve-se sumariar os resultados dos instrumentos utilizados. No caso de escalas e testes padronizados, é importante apresentar o escore bruto obtido em cada aspecto avaliado, mas também traduzir esses resultados numéricos em expressões e frases que permitam ao leitor compreender esses dados. Do mesmo modo, os dados qualitativos devem ser sintetizados, permitindo uma compreensão que integre todos os instrumentos utilizados, promovendo uma visão abrangente e integrada do(a) paciente em sua integralidade. Segue-se a apresentação das conclusões, um breve texto (cerca de três a cinco parágrafos, em média) no qual o(a) profissional descreve uma síntese que permita ao leitor verificar como todos os resultados se integram e resultam na compreensão das rotas e estratégias de aprendizagem e das dificuldades de aprendizagem do(a) paciente avaliado(a). Deve conter considerações gerais 49 acerca do funcionamento cognitivo do(a) paciente avaliado(a), incluindo pontos fortes e limitações no momento da avaliação, a hipótese diagnóstica aventada, sugestões para a família/responsáveis/instituição e os encaminhamentos para outros profissionais, quando necessário. Por fim, o(a) neuropsicopedagogo(a) deve inserir seus dados pessoais e profissionais (nome completo, formação, identificação profissional, dados para contato), acompanhados de sua assinatura. Lembre-se de incluir o local (cidade) e data de elaboração do informe. Importante O informe neuropsicopedagógico poderá ser encaminhado a outros profissionais de saúde e de educação, sempre com a autorização dos responsáveis. A devolutiva com a escola tem por objetivo informar os resultados e sugestões pertinentes ao encaminhamento escolar (adaptações metodológicas, avaliativas etc.), visando à melhora do desempenho do aluno (TRAD, 2020, p. 67). É importante ainda acrescentar ao documento a informação de que todas as pessoas que tiverem acesso ao informe devem respeitar o sigilo ético das informações ali relatadas. 3.3 Entrevista devolutiva A entrevista devolutiva que frisamos nesta aula é o momento da entrega do informe neuropsicopedagógico, que finaliza o processo de avaliação. Entretanto, cabe ressaltar que a devolutiva pode e deve ser realizada sempre ao final de uma etapa dentro da atuação neuropsicopedagógica, por exemplo, ao final da intervenção ou mesmo do pacote de sessões contratado,no caso de contratos firmados trimestral ou semestralmente, por exemplo. Ela permite tanto ao(à) profissional quanto à família acompanhar o desenvolvimento do(a) paciente naquele recorte específico de tempo. 50 Entrevista devolutiva Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQg3XZ3uFWbwV_qA K3Adh2XAS6oo3FiNnzO40OMwEwq8VvEiQ5t-U76Z7osiBIAtprxGxI&usqp=CAU De modo geral, podemos dizer que a entrevista devolutiva se refere ao relato verbal (e mais informal) das informações registradas no informe neuropsicopedagógico. É um momento de contato interpessoal que permite ao(à) neuropsicopedagogo(a) esclarecer as dúvidas da família e finalizar o processo de avaliação. Como toda comunicação interpessoal, a entrevista devolutiva deve ser objetiva, precisa e respeitosa, atendo-se às informações necessárias e relevantes. O(a) profissional deve utilizar a linguagem padrão com clareza, ou seja, um vocabulário adequado à compreensão do destinatário, enfatizando as possibilidades de desenvolvimento e evitando o uso de termos muito técnicos (ou explicando-os, quando seu uso não puder ser evitado). Obviamente, deve- se também ater ao contexto profissional de sua atuação, rejeitando qualquer comentário que possa denegrir ou colocar em posição constrangedora ou vexatória o(a) paciente, seus (seus familiares), outros profissionais e quais outras pessoas envolvidas no processo avaliativo. A entrevista devolutiva será feita, primeiramente, com o solicitante da avaliação, pais ou responsáveis. Quando o avaliado for criança ou adolescente, os resultados sempre serão discutidos com seus responsáveis (TRAD, 2020, p. 46). Uma opção para a realização da entrevista devolutiva é a leitura conjunta do informe; o(a) neuropsicopedagogo(a) realiza a leitura em voz alta, junto com a família e vai explicando detalhadamente cada um de seus tópicos. Desse modo, a finalidade da entrevista devolutiva é assegurar o entendimento do 51 processo realizado pelo(a) profissional, compreendendo o resultado da avaliação, a proposta de intervenção e as sugestões e orientações à família/instituição escolar, bem como os eventuais encaminhamentos. Nos casos em que se constata a existência de comprometimentos mais graves ao desenvolvimento, é importante que o(a) neuropsicopedagogo(a) oriente o aprofundamento da investigação junto a profissionais com habilitação específica para a situação observada; nesses casos, também, observa-se a importância de que o trabalho de avaliação não seja realizado de forma isolada, mas por meio de equipe multiprofissional junto à atuação da Neuropsicopedagogia. Ví deo Assista ao vídeo sobre neuroimagem e desenvolvimento cerebral com a Dra. Helen Neville, diretora do Brain Development Lab da Oregon University. Acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=zQux4VJayl8> Quando realizada com crianças, é importante a adequação do vocabulário à faixa etária e ao nível de compreensão do(a) avaliado. Além disso, é fundamental que o(a) profissional adote uma postura respeitosa e de valorização às conquistas e avanços da criança, ressaltando também suas potencialidades, ao invés de focar naquilo que a criança ainda não domina ou não consegue realizar. Independentemente da idade do sujeito avaliado, o objetivo é levá-lo(a) a compreender que tem potencial para aprender e se desenvolver e que poderá contar com o apoio do(a) neuropsicopedagogo(a) nesse processo de superação das dificuldades de aprendizagem. Conclusão da aula 3 A triagem neuropsicopedagógica é o passo inicial da avaliação, visto que identifica se a queixa inicial é pertinente e pode se beneficiar da atuação e dos recursos interventivos da Neuropsicopedagogia. Ela pode envolver avaliações gerais no contexto do grupo institucional, bem como o uso de outros recursos, 52 tais como análise do material e documentação escolar, observações e entrevistas (em especial a entrevista de anamnese). O processo avaliativo tem início após a triagem e culmina na produção de um documento intitulado informe neuropsicopedagógico, que sintetiza e esclarece à família/responsáveis todo o processo de avaliação. Nesta aula retomamos a realização da triagem neuropsicopedagógica, compreendendo-a como etapa que antecede a avaliação. Vimos também como é elaborado o informe neuropsicopedagógico e como esse documento é apresentado à família por meio da entrevista devolutiva. Atividade de Aprendizagem Com base nos estudos desta aula, elabore um texto explicando o que é a entrevista devolutiva em Neuropsicopedagogia e quais os seus principais elementos. Aula 4 – Triagem neuropsicopedagógica, informe e entrevista devolutiva: exemplos de aplicação Apresentação da aula 4 Nesta aula nos aproximaremos da prática profissional. Por meio de um caso fictício, aplicaremos os principais elementos que estudamos nas aulas anteriores (triagem, anamnese, elaboração do informe e realização da entrevista devolutiva) para que possamos compreender, de modo mais amplo e aprofundado, como o(a) neuropsicopedagogo(a) realiza essas práticas no contexto de sua atuação. 4.1 Contextualizando a atuação Criamos um estudo de caso fictício para compreender, na prática, como o(a) neuropsicopedagogo(a) inicia sua atuação, partindo da exploração da queixa inicial e finalizando com a entrega do informe neuropsicopedagógico por 53 meio da entrevista devolutiva. Para atender o escopo de nossa disciplina, note que abordaremos somente os elementos de avaliação, o processo de intervenção tem início subsequente, após a finalização do período avaliativo, mediante contrato finalizado entre as partes (profissional e família/responsáveis). Amplie Seus Estudos SUGESTÃO DE LEITURA Leia a obra Relatório de Avaliação Neuropsicopedagógica (RAN) – da anamnese à devolutiva (Cintia Caetano). O livro descreve passo a passo os caminhos que serão percorridos pelo profissional de Neuropsicopedagogia Clínica para a elaboração do Relatório de Avaliação Neuropsicopedagógica – RAN, desde a anamnese, o protocolo de avaliação, os testes utilizados até a intervenção. Para facilitar a compreensão, daremos vida aos nossos personagens fictícios nomeando-os. Vamos acompanhar a atuação da neuropsicopedagoga Núria, que realizará a triagem e posterior avaliação de Juliano, filho de Adolfo e Lindaura. 4.2 Queixa inicial, realização da triagem e entrevista de anamnese No mês de agosto, a neuropsicopedagoga Núria recebeu um telefonema. A mulher se identificou como Lindaura, mãe de Juliano, de sete anos de idade. Disse que recebeu a indicação de Núria por Camila, mãe de um colega do filho. Muito aflita, Lindaura começou a contar para Núria que o filho não estava indo bem na escola e que a professora Maria já a havia chamado para diversas reuniões. Contou que não sabia o que fazer, que o menino, de fato, não ia bem nas avaliações, mas que não tinha ideia do motivo. Lindaura acabou comentando a situação com outras mães na saída da escola e foi assim que Camila acabou passando o telefone da neuropsicopedagoga, que foi recomendada como uma profissional muito boa. 54 Antes que Lindaura prosseguisse, Núria informou que de fato atendia esse tipo de caso, mas que preferia ter mais informações por meio de um contato direto pessoalmente e não por telefone; desse modo, teria mais tempo e poderia dar mais atenção à Lindaura. Importante Note que a neuropsicopedagoga acalma a mãe e conduz o relato mais longo e detalhado para o momento presencial, preservando a confidencialidade do momento e a exploração adequada das informações com ética e cuidado. Núria acrescentou que, no encontro pessoal, Lindaura poderia ir acompanhada por outras pessoas que pudessem complementar seu relato ou trazer informações adicionais, comoo marido ou outro familiar com contato próximo à criança. Poderia também levar algum tipo de material escolar de Juliano, caso assim o desejasse. Entretanto, advertiu que nesse primeiro encontro, Juliano não deveria estar presente, para que a família tivesse mais liberdade no relato sem constranger ou influenciar negativamente a criança. Ambas agendaram, então, um horário para atendimento presencial na semana seguinte. Na data marcada, Lindaura compareceu ao consultório da neuropsicopedagoga Núria, acompanhada por seu marido, Adolfo. Núria os acolheu, explicando que de início precisaria compreender qual o motivo que levou à busca pelo atendimento. Assegurou que tudo o que conversassem seria mantido em sigilo e que poderiam ficar à vontade para relatar tudo o que desejassem, pois seu papel não era o de julgar ou responsabilizar ninguém. Núria acrescentou que essa conversa inicial seria muito importante para que ela entendesse o caso; a partir desse contato ela poderia determinar se poderia de fato atendê-los para uma avaliação mais completa. Se não fosse esse o caso, também poderiam ficar tranquilos, pois ela os orientaria à área profissional que melhor poderia atender Juliano. 55 Saiba Mais Observe que a neuropsicopedagoga estabelece o rapport inicial, desenvolvendo uma relação de conforto e segurança para que os pais possam se expressar livremente. Em seguida, ela se posiciona enquanto escuta profissional, delimitando e esclarecendo à família qual a sua função e qual o papel da triagem neuropsicopedagógica, ou seja, é a relação entre o(a) profissional, o(a) paciente e seus(suas) familiares. Vamos, a seguir, sintetizar esse atendimento, sumariando as informações principais relatadas pelos pais de Juliano. Juliano tem sete anos e tem uma irmã mais nova, Júlia, com cinco anos de idade. Seus pais residem em união estável há 12 anos na mesma casa, em um bairro de classe média do município. O pai é farmacêutico e a mãe, desde o nascimento de Júlia, não exerce atividade remunerada. A mãe relatou que a gravidez ocorreu sem intercorrências; Juliano nasceu a termo, de parto normal, e recebeu Apgar 8/9. Não foram relatadas situações específicas em relação ao desenvolvimento inicial (a fala, a marcha e o controle dos esfíncteres ocorreram dentro dos limites esperados do desenvolvimento neurotípico). Vocabula rio Neurotípico: pessoas neurotípicas (ou típicas) são aquelas que não possuem problemas de desenvolvimento neurológico. [...] Já as pessoas neuroatípicas (atípicas ou neurodivergentes) lidam com diferentes alterações relacionadas ao desenvolvimento neurológico. Fonte: https://autismoerealidade.org.br/2020/10/23/como-neurotipi cos-podem-se-comunicar-melhor-com-pessoas-com-autismo/ Juliano frequenta a mesma instituição de ensino desde a Educação Infantil, uma escola pequena próxima à sua casa. Atualmente cursa o segundo ano. 56 Juliano sempre gostou de ir para escola e de brincar com os colegas. Na Educação Infantil, parecia mais interessado e feliz. Desde que iniciou o Ensino Fundamental no período integral, entretanto, a família percebeu certo desinteresse. A professora do ano anterior comentava que ele interagia pouco e se mostrava bastante sonolento, chegando mesmo a adormecer, por vezes, durante a aula. Frequentando atualmente o segundo ano, Juliano se encontra entre a minoria dos estudantes de sua turma ainda não alfabetizada. A professora Maria, este ano, tem chamado a família frequentemente à escola, relatando que Juliano parece não conseguir memorizar as letras e tem dificuldades em organizá-las em sílabas de forma ordenada, correspondendo ao som. Segundo Adolfo, Juliano interage muito bem com a família e é muito criativo. Embora goste de brincar de robôs, inclusive fazendo os seus próprios com recicláveis da casa, o que mais gosta de fazer é assistir a vídeos e lives no youtube e jogar em seu tablet, o que faz diariamente ao chegar da escola. A família relata não compreender o porquê de Juliano não conseguir aprender; para eles, a criança parece “perfeitamente normal”, de acordo com seu pediatra. A partir das reclamações da professora, os pais marcaram uma consulta com um neuropediatra para Juliano. Relatam que ele “fez vários exames” e que ao final “não tinha nenhuma doença, estava perfeito”. Frente às comunicações da escola e à proximidade do final do ano letivo (o contato foi realizado em agosto), a família decidiu procurar outro profissional para tentar “resolver a situação”. Com a indicação de outra mãe, Lindaura convenceu o pai a buscar Núria, para que ela “ajudasse Juliano a ser alfabetizado”. Importante Lembre-se de que a Neuropsicopedagogia não avalia aspectos emocionais subjetivos, tampouco referentes à personalidade, humor e inteligência. Seu foco reside na aprendizagem e nas funções cognitivas resultantes do funcionamento neurobiológico do sistema nervoso. 57 Nesse momento, Núria agradeceu à família por compartilhar as informações e explicou que ela, como neuropsicopedagoga, poderia sim auxiliar no desenvolvimento de Juliano. Contou para os pais que a Neuropsicopedagogia trabalha com as dificuldades de aprendizagem a partir do entendimento do funcionamento do cérebro, mas que isso não significava uma doença – e que também não se tratava de reforço escolar. Explicou que sua função é ajudar a pessoa a utilizar suas capacidades cognitivas de modo funcional, superando as dificuldades. Ilustração do estudo de caso – juliano Fonte: elaborado pelo autor (2021). Ao final da conversa com os pais, Núria já havia realizado a triagem e explorando a queixa inicial por meio da entrevista de anamnese. O relato informado pela família apresentou dados relevantes, que permitiram à Núria compreender que a queixa inicial estava relacionava a dificuldades de aprendizagem que poderiam ser melhor compreendidas à luz das neurociências (e não a elementos exclusivamente sociais ou emocionais, por exemplo). Além disso, o paciente não apresentava histórico clínico de comprometimentos, comprovado pela realização de exames neuropediátricos. Os dados da triagem sinalizaram para Núria que o caso de Juliano era pertinente à alçada de atuação neuropsicopedagógica e que poderia ser beneficiado por meio da Neuropsicopedagogia, devendo ser mais bem compreendido e aprofundado por meio de instrumentos específicos. Desse modo, Núria concluiu, ao final da triagem, que Juliano preenchia os critérios para uma avaliação neuropsicopedagógica completa. 58 Para Refletir Nesse momento, a neuropsicopedagoga finaliza o processo de triagem. No caso relatado, a indicação é de fato para a avaliação neuropsicopedagógica. Entretanto, é importante refletir: nos casos em que essa indicação não é confirmada, como a triagem pode ser benéfica para o(a) paciente e sua família? 4.3 Resultado da triagem e avaliação neuropsicopedagógica Considerando o propósito de nossa disciplina e desta aula, em específico, vamos apenas sumariar o processo de avaliação. Após a triagem, a neuropsicopedagoga informou para Lindaura e Adolfo as especificidades de seu trabalho e que seria necessário realizar uma avaliação aprofundada junto a Juliano, para poder de fato contribuir para o seu desenvolvimento e para que pudesse ter melhor desempenho na escola, ou seja, contribuindo para a sua alfabetização. Em outras palavras, a triagem indicou a pertinência e a necessidade da avaliação neuropsicopedagógica. Mediante um contrato de trabalho, Núria combinou com a família a realização de cinco sessões para avaliação, realizadas duas vezes por semana. Após acertarem os detalhes de horário, duração das sessões e honorários profissionais, formalizados no contrato, Juliano, então, foi avaliado por Núria. O elemento que formaliza o enquadre da atuaçãoneuropsicopedagógica durante a avaliação e/ou intervenção junto ao(à) paciente e seus(suas) familiares é o contrato de trabalho. Lembre-se de que a escolha dos recursos e instrumentos deve ser norteada para a investigação das funções executivas, cujo desenvolvimento parece estar envolvido na dificuldade de aprendizagem expressa na queixa inicial pela família. Considerando a queixa inicial e os dados coletados durante a anamnese junto à família de Juliano, Núria optou pelos seguintes instrumentos para compor o protocolo de avaliação: 59 ➢ Torre de Londres (TOL): é uma tarefa utilizada para a avaliação das habilidades de planejamento, um componente das funções executivas. Consiste na solução de problemas em que, com o menor número de movimentos possível, o voluntário deverá posicionar três esferas de cores diferentes, em três pinos de tamanhos diferentes, para que elas fiquem em uma configuração-alvo apresentada ao sujeito. A dificuldade da tarefa consiste em realizar a ordenação correta das esferas dentro de uma quantidade máxima de movimentos (SERPA et al., 2019, p. 11). Pode também ser aplicado em sua versão computadorizada. Para alcançar a solução correta, é preciso visualizar mentalmente a sucessão de passos adequados para que se alcance a solução correta de forma eficiente, demandando em tal processo a atividade dos circuitos pré-frontais (PAULA et al., 2012, p. 17); ➢ Teste de Conhecimento de Letras (TCL): composto por um caderno de aplicação, no qual as 23 letras do alfabeto português, anterior à atual reforma ortográfica, são apresentadas à criança, uma a uma, em ordem aleatória. A tarefa da criança é nomear as letras em voz alta. [...] O escore no teste consiste na frequência total de letras nomeadas corretamente. (SEABRA; DIAS, 2012, p. 48); ➢ Teste de Discriminação Fonológica (TDF): visa verificar se a criança discrimina fonologicamente palavras que diferem em apenas um fonema. Nessa prova, é apresentado à criança um caderno de aplicação com 23 pares de figuras, cujos nomes diferem em apenas um fonema, por exemplo, as figuras de “pato” e “gato”. O aplicador dá a instrução à criança, dizendo que ela deve apontar a figura que ele nomear, posteriormente pronunciando o nome da figura e devendo a criança apontar a figura correspondente. É computado um ponto para cada resposta correta, sendo o máximo possível de 23 pontos (SEABRA; DIAS, 2012, p. 47); 60 ➢ Teste de Repetição de Palavras e Pseudopalavras (TRPP): avalia a memória fonológica de curto prazo. Neste instrumento o aplicador pronúncia para a criança sequências com 2 a 6 palavras, com intervalo de um segundo entre elas, sendo a tarefa da criança repetir as palavras na mesma sequência. Há 2 sequências para cada comprimento, ou seja, 2 sequências com 2 palavras, 2 sequências com 3 palavras e assim por diante. Posteriormente são apresentadas sequências com pseudopalavras. Também há 2 sequências para cada comprimento, variando de 2 a 6 pseudopalavras por sequência. Todas as palavras e as pseudopalavras são dissílabas, com estrutura silábica consoante-vogal. É computado um ponto para cada sequência repetida corretamente (SEABRA; DIAS, 2012, p. 47); Saiba Mais As pessoas com deficiências são avaliadas pelas mesmas razões que aquelas neurotípicas. Uma avaliação alternativa é feita por meio de uma adequação de recursos ou instrumentos conforme as necessidades do avaliando. Essa acomodação pode ser definida como uma adaptação de um teste, um procedimento, uma situação, ou substituição de um teste por outro, para tornar a avaliação mais apropriada a um avaliado com necessidades especiais. [...] As adaptações podem ser feitas com certa cautela, a fim de não comprometer a validade do teste. Um avaliando com dificuldades para ler letras pequenas pode ter o enunciado ampliado. Crianças com dificuldades para se concentrar podem ter um intervalo maior entre um teste e outro. Pode- se também substituir um teste por outro equivalente (TRAD, 2020, p. 49; 50). ➢ Teste IAR (Instrumento de Avaliação do Repertório Básico de Alfabetização): avalia o repertório comportamental das crianças no que diz respeito aos pré-requisitos fundamentais para a aprendizagem da leitura e escrita, revelando informações que indicarão se a criança está em condições ideais de iniciar a alfabetização propriamente dita (LEITE, 2013, p. 3). Este instrumento pode ser utilizado tanto no contexto clínico quanto no institucional. 61 Aos resultados dos instrumentos, Núria aliou a observação comportamental de Juliano durante sua interação com ela e na realização das tarefas do protocolo. Os resultados obtidos por meio do uso desses recursos e instrumentos será apresentado junto ao informe psicopedagógico. 4.4 Elaboração do informe e entrevista devolutiva Tendo finalizado o processo de avaliação, Núria elaborou o documento conhecido como Informe Neuropsicopedagógico, nos termos como apresentamos a seguir. INFORME NEUROPSICOPEDAGÓGICO Identificação do paciente Nome completo: Juliano da Silva Data de nascimento: 18/03/2014 Filiação: Lindaura da Silva e Adolfo da Silva Instituição de ensino: Escola Estrelinha Feliz Série/turma e período: 1º ano do Ensino Fundamental - período integral Período de avaliação: 10 a 23/08/2021 Queixa inicial De acordo com os pais, a queixa apresentada pela instituição de ensino frequentada por Juliano (professora Maria) se refere a dificuldades de aprendizagem, especificamente na alfabetização; dificuldade na memorização das letras do alfabeto; dificuldade no estabelecimento da relação grafema/fonema; dificuldade na formação de sílabas; e sono excessivo durante as aulas. 62 Anamnese Juliano tem sete anos e reside com os pais, tem uma irmã de cinco anos, mora em um bairro de classe média do município. Frequenta a Escola Estrelinha Feliz desde os três anos de idade. Atualmente, cursa o segundo ano do Ensino Fundamental. A gravidez e o parto ocorreram sem intercorrências; não foram relatadas situações específicas em relação ao desenvolvimento inicial (a fala, a marcha e o controle dos esfíncteres ocorreram dentro dos limites esperados do desenvolvimento neurotípico). Juliano foi avaliado por médico pediatra e médico neuropediatra; no momento da avaliação, ambos os profissionais atestaram desenvolvimento conforme os padrões neurotípicos condizentes à faixa etária, sem a existência de quaisquer tipos de alterações. Em relação ao desempenho escolar, a família notou alterações desde o início do Ensino Fundamental, em período integral. A escola tem relatado sonolência excessiva e pouca interação com os colegas, bem como dificuldades na alfabetização (memorização das letras do alfabeto e sua ordenação em sílabas de forma ordenada; correspondência grafema/fonema). Juliano atualmente se encontra em processo de alfabetização. Instrumentos utilizados na avaliação Para a realização da avaliação foram utilizados os seguintes instrumentos: ➢ Entrevista de anamnese; ➢ Torre de Londres (TOL); ➢ Teste de Conhecimento de Letras (TCL); ➢ Teste de Discriminação Fonológica (TDF); ➢ Instrumento de Avaliação do Repertório Básico de Alfabetização (IAR). Resultados 63 Anamnese: levantamento dos dados iniciais e de desenvolvimento do paciente Torre de Londres (TOL): escore bruto X pontos, pontuação X, resultado: xxxxx Teste de Conhecimento de Letras (TCL): escore bruto X pontos, pontuação X, resultado: xxxxx Teste de Discriminação Fonológica (TDF): escore bruto X pontos, pontuação X, resultado: xxxxx Instrumento de Avaliação do Repertório Básico de Alfabetização (IAR): escore bruto X pontos, pontuação X, resultado: xxxxx Importante É importante incluir também a avaliação qualitativa dos instrumentos aplicados,transcrevendo sob a forma de texto os resultados numéricos obtidos pelos testes e escalas. Outra questão é a seção do informe neuropsicopedagógico (conclusão e recordações), na qual o profissional faz a indicação de eventuais encaminhamentos. Conclusão e recomendações A partir da análise de todos os instrumentos supracitados, aliados à realização da entrevista familiar de anamnese e à análise comportamental do paciente durante a avaliação, não foram constatados déficits significativos quanto às funções executivas da atenção seletiva, memória de aprendizagem e motivação intrínseca e extrínseca. O paciente avaliado ainda não tem domínio do sistema de escrita alfabético e apresenta dificuldades em estabelecer a adequada relação entre o som das palavras (fonema) e sua escrita (grafema). Em relação às estratégias de aprendizagem, identificou-se a necessidade de desenvolvimento das funções preparatórias para a alfabetização. 64 Nessas condições, o resultado do processo avaliativo é compatível com a existência de dificuldades de aprendizagem (alfabetização) relacionadas à função executiva da compreensão leitora, bem como a necessidade concomitante do trabalho específico acerca do desenvolvimento da consciência fonológica. Indica-se, ainda, o trabalho junto às funções necessárias para a alfabetização, envolvendo funções como discriminação auditiva, verbalização de palavras, análise e síntese. Orienta-se que a família procure estabelecer uma rotina de atividades diárias para Juliano, com atenção específica aos períodos de descanso e sono. Sugere-se seguir as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (2020), que preconiza para crianças da faixa etária de Juliano o uso máximo de telas e jogos de uma a duas horas diárias, fazendo a desconexão também pelo período de uma a duas horas antes do horário de dormir. Orienta-se também à escola o desenvolvimento de atividades relacionadas à promoção das funções executivas anteriormente citadas, relacionadas ao som das letras e palavras (discriminação auditiva) e à correspondência entre elas (consciência fonológica), bem como atividades de suporte para a aprendizagem. Indica-se a realização de intervenção neuropsicopedagógica com frequência de duas vezes semanais no período inicial de seis meses, após o qual a necessidade de intervenção será reavaliada para desenvolvimento de atividades de estimulação das funções executivas e consequente melhoria no desempenho acadêmico escolar. Indica-se, por fim, a necessidade de realização de avaliação fonoaudiológica para investigação aprofundada acerca do desenvolvimento da consciência fonológica (noções de palavra, rima, aliteração, consciência silábica e consciência fonêmica). Atenciosamente, Núria de Souza Pedagoga – Neuropsicopedagoga Registro SBNPp nº. XXXXX nuriadesouza@nmail.com 65 4.5 Considerações finais Após a elaboração do informe neuropsicopedagógico, Núria agendou uma sessão com Adolfo e Lindaura para entregar o documento. Núria realizou a leitura comentada de cada item do informe e aproveitou para esclarecer as dúvidas dos pais. Questionada por Adolfo sobre quanto tempo levaria para que Juliano começasse a ler e escrever, Núria foi cuidadosa e ética; frisou que cada criança tem seu próprio tempo e ritmo, mas que a intervenção neuropsicopedagógica (e as demais orientações e encaminhamentos) auxilia e promove o desenvolvimento integral. Frisou, ainda, que o trabalho da Neuropsicopedagogia é complexo e delicado, mas que, ao final do primeiro pacote contratado (um semestre), ela novamente se reuniria com os pais para apresentar os resultados alcançados durante o período. Segundo o Art. 53º do Código de Ética da Neuropsicopedagogia, na realização de seus serviços, o(a) profissional não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais (par. V), tampouco fará previsão taxativa de resultados (par. VIII) (SBNPp, 2021). Resumindo, a ordem cronológica correta das etapas de atuação do(a) neuropsicopedagogo(a) é: triagem, avaliação e intervenção. Ví deo Assista à animação Um cérebro feliz, produzido pelo Dr. Amit Sood, Professor da Faculdade de Medicina da Mayo Clinic, o vídeo mostra aspectos biológicos, clínicos e práticos, para o dia a dia, sobre como as experiências negativas interferem no funcionamento cerebral e no nosso comportamento, bem como as positivas como empatia e gratidão. Acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=cPtIbcf8zpU Conclusão da aula 4 Como vimos ao longo de nossas aulas, a triagem é um procedimento facultativo ao(à) neuropsicopedagogo(a), seja ele(ela) clínico(a) ou institucional, 66 que permite selecionar o(a) paciente, compreendendo se sua demanda (expressa por meio da queixa inicial e explorada por intermédio da entrevista de anamnese) compete à alçada da Neuropsicopedagogia. Nesta aula fizemos um exercício de imaginação, acompanhando um estudo de caso fictício, que nos permitiu compreender como o(a) neuropsicopedagogo(a) pode realizar a triagem, realizando também a anamnese e prosseguindo para a avaliação neuropsicopedagógica (quando for o caso). O processo avaliativo se finaliza com a elaboração do informe neuropsicopedagógico, documento que é transmitido à família por meio da entrevista devolutiva. Atividade de Aprendizagem Com base nos estudos desta aula, cite e explique duas vantagens que a triagem neuropsicopedagógica pode aportar ao paciente e à sua família. 67 Conclusão da disciplina A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar cujos fundamentos estão alicerçados na aplicação das neurociências ao campo educacional. Embora ainda seja recente, sua contribuição para o entendimento de como o homem aprende e para a superação das dificuldades de aprendizagem de base biológico-cognitiva é inegável. Ao longo das quatro aulas, compreendemos o que é a triagem psicológica e como ela pode ser realizada, tanto no âmbito clínico quanto no institucional, com vistas a selecionar os casos pertinentes à Neuropsicopedagogia, otimizando recursos para um processo de avaliação mais ágil, econômico e preciso. Vimos a importância da exploração profunda da queixa inicial no contexto da triagem, aprofundando-a por meio da entrevista de anamnese, quando for o caso. Compreendemos a triagem enquanto etapa prévia à avaliação neuropsicopedagógica, ao término da qual o(a) profissional deverá relatar seus achados por meio do documento de informe neuropsicopedagógico. Por fim, estudamos como o informe é comunicado à família/responsáveis durante a entrevista devolutiva, compreendendo suas especificidades e os cuidados éticos que acompanham esse processo. Este conteúdo não visa esgotar o tema, mas municiar você, estudante, do arcabouço teórico inicial necessário para compreender os fundamentos desses importantes componentes da prática neuropsicopedagógica. Continue sempre estudando, pesquisando e se aperfeiçoando, para exercer uma atuação profissional de excelência, seja no contexto clínico ou institucional. Sucesso em sua jornada e bons estudos! 68 Índice Remissivo Atuação neuropsicopedagógica: indícios, queixa inicial e anamnese ........ (Anamnese; atuação; neuropsicopedagógica) 07 Considerações finais .................................................................................. (Considerações; informe; neuropsicopedagógico) 65 Considerações finais sobre a triagem neuropsicopedagógica ................... (Considerações finais; neuropsicopedagógica; triagem) 19 Contextualizando a atuação ....................................................................... (Atuação; contextualizando; prática) 52 Elaboração do informe e entrevista devolutiva ........................................... (Devolutiva; entrevista; informe)61 Entrevista devolutiva .................................................................................. (Devolutiva; entrevista; intervenção) 49 Exploração da queixa inicial e realização da anamnese ............................ (Anamnese; exploração da queixa; realização) 13 Finalização da triagem neuropsicopedagógica .......................................... (Objetivo; triagem; neuropsicopedagógica) 39 Funções avaliadas pela Neuropsicopedagogia .......................................... (Avaliações; funções; neuropsicopedagogia) 29 Informe neuropsicopedagógico .................................................................. (Avaliação; informe; neuropsicopedagógico) 45 Instrumentos utilizados na Neuropsicopedagogia ...................................... (Diagnóstico; instrumentos; neuropsicopedagogia) 32 Neuropsicopedagogia e aprendizagem ..................................................... (Aprendizagem; conhecimento; neuropsicopedagogia) 07 Queixa inicial, realização da triagem e entrevista de anamnese ............... (Anamnese; entrevista; triagem) 53 Realização da triagem neuropsicopedagógica .......................................... (Neuropsicopedagógica; realização; triagem) 23 Resultado da triagem e avaliação neuropsicopedagógica ......................... (Avaliação; resultado da triagem) 58 Triagem e avaliação em Neuropsicopedagogia ......................................... (Avaliação; neuropsicopedagogia; triagem) 23 Triagem neuropsicopedagógica, informe e entrevista devolutiva: exemplos de aplicação ............................................................................... 52 69 (Devolutiva; entrevista; informe) Triagem neuropsicopedagógica: importância e indicativos ........................ (Importância; indicativos; neuropsicopedagógica) 10 Triagem, informe neuropsicopedagógico e entrevista devolutiva .............. (Devolutiva; entrevista; informe) 39 70 REFERÊNCIAS ANDERLE, S. S. Psicopedagogia: compilação de instrumentos para avaliação diagnóstica psicopedagógica clínica. Disponível em: <https://pt.calameo.com/rea d/0007288608f4aad0e9442>. Acesso em: 29 out. 2021. CAETANO, C. Relatório de Avaliação Neuropsicopedagógica (RAN): da anamnese à devolutiva. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2021. CARDOSO, F. B.; FÜLLE, A. 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Resolução SBNPp n° 05 de 12 de abril de 2021. Dispõe sobre o código de ética técnico-profissional da Neuropsicopedagogia e suas alterações. Joinville: Conselho Técnico-Profissional da SBNPp, 2021. _______. SBP atualiza recomendações sobre saúde de crianças e adolescentes na era digital. 11 de fevereiro de 2020. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-atualiza-recomendacoes-so bre-saude-de-criancas-e-adolescentes-na-era-digital/>. Acesso em: 18 nov. 2021. TRAD, L. I. de A. Avaliação e intervenção neuropsicopedagógica nas diversas dificuldades e transtornos. Curitiba: Contentus, 2020. Copyright © - É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste material integral ou de suas páginas em qualquer meio de comunicação sem autorização escrita da equipe da Assessoria de Marketing da Faculdade UNINA. O não cumprimento destas solicitações poderá acarretar em cobrança de direitos autorais.