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CONCILIAÇÃO: Conciliar, se olharmos os dicionários, significa harmonizar-se, alcançar pacificação. A tentativa de conciliação prevê, portanto, a expressão maior do pacto social entre as partes. Do latim “conciliatio”, de “conciliare” (harmonizar, ajuntar), é o ato pelo qual duas ou mais pessoas se ajustam amigavelmente, pondo fim às suas divergências. Pode ser judicial ou extrajudicial. Maria Helena Diniz (2005), ensinando que Conciliação é o: “Encerramento da lide feito pelas partes, no processo por meio de autocomposição e heterocomposição daquela. É o método de composição em que um especialista em conflitos faz sugestões para sua solução entre as partes, não é adversarial e pode ser interrompida a qualquer tempo. Pressupõe transigência e é aplicável a todos os conflitos e alguns da esfera penal em pequenos delitos e contravenções.” CARACTERÍSTICAS DA CONCILIAÇÃO: Além da administração do conflito por um terceiro imparcial, este mesmo conciliador tem a prerrogativa de poder sugerir um possível acordo, após a avaliação das vantagens e desvantagens que tal proposição traria a ambas as partes. · A participação ativa do conciliador, como instrumento de garantia de possibilidade de acordo, empenho e técnica, bem como tratamento respeitoso, farão com que as partes (diante da resposta rápida e eficiente através da conciliação) sejam vistas como o próprio fim da prestação jurisdicional. Amparo Legal: Em resposta aos anseios sociais e em atendimento ao mandamento constitucional contido no art. 98, I da Constituição Federal, o legislativo editou e aprovou a Lei 9.099/95. O Processo, nesses Juizados, orientar-se-á pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade. UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE A CONCILIAÇÃO A conciliação no ordenamento jurídico brasileiro encontra seu início na Constituição de 1824, artigos 161 e 162, que estabeleceu a conciliação prévia como condição essencial de procedibilidade para todos os processos cíveis, repetindo o art. 48 e seguintes do Código de Processo Civil Francês. Concretizava o ideal maior de evitar a formação de litígios e promovia a harmonia entre os cidadãos. No mundo contemporâneo ocorre a manutenção das relações interpessoais e negociais, que, com certeza, não passam por uma sentença. NANCI ANDRIGHI, 2011, cita como exemplo a concepção que, até o século XIX, a China desenvolveu acerca do papel do Poder Judiciário, longe de qualquer influência ocidental. “A busca da harmonia, fonte do equilíbrio do mundo e da felicidade dos homens, estava inserida na imagem que os chineses projetavam sobre a Justiça. Para eles, estando as relações sociais na base do equilíbrio principal, buscava-se que, em primeiro plano, as partes em conflito fossem conciliadas pela intervenção de um terceiro, ou procurassem, elas mesmas, um consenso. Toda a condenação, toda a sanção e toda a decisão da maioria deveriam ser evitadas. Todo o litígio deveria ser acabado, o que é muito mais que ser resolvido e decidido. A solução proposta pela transação deveria ser livremente aceita pelos envolvidos, porque, na medida em que privilegiava o sentimento de cada um quanto ao que considerava justo, ninguém poderia levar consigo o sentimento de ter sido prejudicado ou de ter perdido a causa”. Os valores destacados, nestas situações, eram a educação e a persuasão, e não a autoridade e a coerção. A China de hoje está mudada, todavia muitas questões que, no Ocidente, são levadas aos tribunais continuam, na China, a serem resolvidas em âmbito não judicial. Segundo Andrighi (2011), a solução dos litígios, entre os chineses, passa muito mais pela responsabilidade política dos administradores do que pela autoridade dos integrantes do Poder Judiciário, pois, segundo pensam, o elevado número de processos em trâmite nos tribunais constitui prova da ineficiência dos administradores. Quanto ao Brasil, a crise do Poder Judiciário jamais será debelada se antes não nos empenharmos em mudar a mentalidade do povo brasileiro. Da aplicação da conciliação no ordenamento jurídico brasileiro A conciliação, no território brasileiro, iniciou-se ainda na fase colonial, com a aplicação das ordenações manuelinas (livro 3º, título XV, item I), em que se previa expressamente a necessidade de as partes, antes de se socorrerem do Estado-Juiz, realizarem procedimento conciliatório na tentativa da autocomposição. A mesma sistemática foi mantida nas ordenações filipinas (livro 3º, título XX, §1º), sendo necessário ao juiz verificar se as partes cumpriram o procedimento extrajudicial prévio de tentativa de autocomposição. E no começo da demanda dirá o Juiz a ambas as partes, que antes que façam despezas, e se sigam entre elles os odios e dissensões, se devem concordar, e não gastar suas fazendas por seguirem suas vontades, porque o vencimento da causa sempre he duvidoso. E isto, que dissemos de reduzirem as partes à concordia, não he de necessidade, mas somente de honestidade nos casos, em que o bem poderem fazer. Porém, isto não haverá lugar nos feitos crimes, quando os casos forem taes, que segundo as Ordenações a Justiça haja lugar. (PORTUGAL, 1595) Com a declaração de independência do Brasil em 1822, tomou forma o primeiro movimento constitucionalista, que culminou com a outorga da Constituição Política do Império do Brasil em 1824. Nessa Constituição, o instituto da conciliação manteve papel de destaque, permanecendo como procedimento extrajudicial prévio obrigatório para se ajuizar a demanda judicial. Surgiu, assim, a figura do juiz de paz, responsável por realizar o procedimento de conciliação. Art. 161. Sem se fazer constar, que se tem intentado o meio da reconciliação, não se começará Processo algum. Art. 162. Para este fim haverá juízes de Paz, os quaes serão electivos pelo mesmo tempo, e maneira, por que se elegem os Vereadores das Câmaras. Suas attribuições, e Districtos serão regulados por Lei. (BRASIL, 1824). A criação da figura do juiz de paz e o fato de ser ele eleito contribuiu com a construção da cidadania, sendo considerado direito político importante, já que representava a participação direta da sociedade no Poder Judiciário. Em razão de vários problemas com o procedimento de conciliação, em especial com a escolha (eleição) dos juízes de paz13, o instituto tornou-se desacreditado e perdeu significativamente a sua importância no século XX. Esse descrédito decorreu especialmente da falta de destreza dos magistrados de paz na atuação jurídica, da ignorância das leis e do reduzido grau de instrução dos escolhidos ao cargo, o que atraiu sobre eles a pecha de corruptos e incompetentes. Deve-se registrar que o declínio do instituto da conciliação decorreu também do crescente formalismo jurídico15 que passou a viger em nosso ordenamento jurídico, fruto do avanço da teoria positivista do direito que avançava na Europa, onde estudavam os principais juristas brasileiros, a qual pregava uma neutralidade do ordenamento jurídico, um sistema jurídico fechado em si mesmo, sem permitir alternativas de solução de conflitos de fora do ordenamento. · A escola do formalismo jurídico ecoou no Brasil República, culminando com a edição do Decreto n.º 359/1980, que aboliu a conciliação como procedimento prévio obrigatório para o ajuizamento das ações judiciais, sob a justificativa da ineficiência e onerosidade desse procedimento. Já no início do século XX, o instituto da conciliação deixou de ser utilizado, tornando-se o processo judicial instrumento necessário e autônomo. A Consolidação das Leis do Processo Civil19, que previa a obrigatoriedade do prévio procedimento de conciliação perante os juízes de paz, foi revogada em 1939, com a edição do Decreto-lei n.º 1.608/1939, que instituiu o Código de Processo Civil. O referido instrumento normativo afastou a conciliação dos procedimentos processuais, reforçando o papel do Estado-Juiz na condução do processo e tornando praticamente sem função os juízes de paz, afastando peremptoriamente o instituto da conciliação dosprocedimentos judiciais. Em 11 de janeiro de 1973, foi promulgada a lei n.º 5.869, que instituiu o Código de Processo Civil de 1973, em substituição ao CPC/1939, o qual iniciou tímida retomada da conciliação no ordenamento jurídico ao prever as audiências de conciliação, segundo a qual deveriam as partes tentar se conciliar antes do início da fase de produção de provas. Mais importante do que a instituição da audiência de conciliação foi a previsão expressa da obrigação do magistrado de tentar promover a conciliação entre as partes, e a concessão de força executiva às conciliações celebradas perante o Juízo. Entretanto, a conciliação se mostrou incipiente, com pouca fluência e efetividade. Esse expediente não foi suficiente para resolver o problema do inchaço do Poder Judiciário e da insuficiência da máquina judiciária para a solução de todas as demandas de uma sociedade massificada, em especial em razão do enorme quantitativo de processos envolvendo relações de consumo que se multiplicavam e impediam que o Judiciário promovesse o princípio da duração razoável do processo com a mesma estrutura já ultrapassada. Registre-se, aliás, que, o princípio da duração razoável do processo é um elemento indispensável ao princípio da justiça: "o direito de acesso à justiça exige que o Estado preste a adequada tutela jurisdicional que, para esses autores, significa, também, a tutela estatal tempestiva e efetiva". Atento e preocupado com essa situação, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 inovou o ordenamento jurídico ao determinar a criação de Juizados Especiais e ao instituir a figura dos juízes leigos, atribuindo-lhes funções de conciliação e auxílio no julgamento de causas de menor complexidade, bem como ao fazer expressa previsão da justiça de paz também com a incumbência de promover a Conciliação. Essa inovação trazida pela Constituição de 1988 começou a ser implementada com a edição da Lei n.º 9.099/1995, que criou os Juizados Especiais, juízos responsáveis pela tramitação e julgamento das ações de pequeno valor, bem como regulamentou a figura do juiz leigo, como um auxiliar da Justiça com competência para auxiliar o magistrado em suas funções jurisdicionais, como a tentativa de conciliação das partes, produção de provas, condução de audiências e o desenvolvimento de projetos de sentença/decisões. O objetivo da instituição dos Juizados Especiais é estabelecer uma aproximação entre o Judiciário e a população, permitindo uma solução rápida dos conflitos de menor complexidade, garantindo maior acesso à Justiça e uma maior efetividade do Judiciário. A Lei n.º 9.958/2000 (ao modificar a Consolidação das Leis do Trabalho) deu mais um passo para o desenvolvimento da autocomposição, tentando resgatar o espírito da conciliação como forma alternativa de resolução dos conflitos entre as partes, tendo instituído a Comissão de Conciliação Prévia, que seria um órgão com representantes de empregados e empregadores instituído para promover a composição dos interesses do trabalhador e de seu empregador, para que não houvesse a necessidade de ajuizamento de Ações Trabalhistas, ou seja, implementou-se um procedimento prévio ao judicial para buscar a conciliação entre as partes a fim de evitar que recorressem ao Poder Judiciário e movimentassem a já inflada e insuficiente máquina judiciária. A Comissão de Conciliação Prévia como procedimento obrigatório antecessor do procedimento judicial foi suspensa, em 2009, pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da medida cautelar nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade n.º 2.139 e 2.160, por entender a Suprema Corte que esse procedimento prévio obrigatório violava o direito constitucional de acesso à justiça. Ocorre que, ao longo dos anos, a insuficiência do Poder Judiciário para julgar os variados litígios da sociedade de massa foi se intensificando e de forma progressiva o Judiciário vem dando sinais da impossibilidade de julgar o enorme quantitativo de ações individuais colocadas sob sua jurisdição, sem que se viole o princípio constitucional do devido processo legal e da duração razoável do processo. Surge, então, a necessidade de se incentivar e investir em alternativas de resolução de conflitos, em métodos equivalentes jurisdicionais que, assim como a jurisdição, assegurem a pacificação social e o fim do conflito. Com a missão de aperfeiçoar o sistema judiciário brasileiro, o CNJ implantou, de maneira definitiva, os métodos consensuais de resolução de conflito na engrenagem da Justiça brasileira ao criar a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário (Resolução CNJ n. 125/2010), considerada um marco regulatório nesse tema. Ela rendeu frutos expressivos: a Lei de Mediação (Lei n. 13.140/2015) e a mudança no Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), prevendo o oferecimento da conciliação, etapa obrigatória na tramitação do processo. O primeiro esforço concentrado da Justiça para resolver ações judiciais por meio da conciliação ocorreu no dia 8 de dezembro de 2006. O Dia Nacional da Conciliação, como foi chamado à época, realizou 83 mil audiências e obteve quase 47 mil acordos. No ano seguinte, o mutirão passaria a ocorrer durante uma semana. “Quando se consegue fazer a conciliação de maneira correta, temos uma solução de maior qualidade do que a solução judicial. A execução é imediata – a situação se resolve de maneira mais rápida e econômica para cidadão e Estado –, e, se a pessoa construiu ou ajudou a construir a solução, ela vai aderir ao cumprimento daquele acordo”, afirmou Ellen Gracie Northfleet, presidente do CNJ nos anos de 2006 e 2007, quando o Movimento foi iniciado. A Lei n.º 13.015/2015, que instituiu o Código de Processo Civil de 2015, valoriza sobremaneira o instituto da conciliação como forma de solução de conflitos, buscando estimular as partes a encontrar entre elas a autocomposição, evitando a atuação do Estado-Juiz. Para isso, torna obrigatória a audiência preliminar de conciliação e determina que essa será realizada pela figura do conciliador22 e não pelo juiz, em ambiente menos formal, o que permite às partes ter maior tranquilidade na tentativa de autocomposição, sem o receio de que seus comportamentos sejam considerados reconhecimento de procedência ou improcedência do pedido pelo julgador da causa, tendo ampla liberdade para buscar a conciliação. Além disso, permite-se a realização de mais de um encontro para se buscar a conciliação das partes. Ainda, a fim de valorizar essa tentativa de conciliação, o código estabelece penalidade em caso de ausência injustificada de qualquer das partes à audiência de conciliação, considerando-a como ato atentatório à dignidade da justiça. O sistema jurídico vem buscando formas alternativas à resolução de conflitos e a Lei n.º 13.105/2015 evidencia que a conciliação é a principal alternativa a ser desenvolvida para alcançar o objetivo de uma maior efetividade do Poder Judiciário. Da importância da conciliação no sistema jurídico pátrio. A realidade tem demonstrado a insuficiência do Poder Judiciário para resolver os conflitos sociais, com processos judiciais que se arrastam durante anos, morosos, custosos e ineficientes. Em diversos casos se verifica empiricamente que, não tendo as partes chegado a um consenso para se conciliar e optado por requerer a atuação do Estado-juiz para decisão do litígio, a solução apresentada pelo magistrado, após longo, custoso e tortuoso processo judicial, é em muito similar às propostas de conciliação que foram aventadas em audiências de conciliação, mas que foram recusadas pelas partes. Além disso, é bastante comum o sentimento de descontentamento de ambas as partes do processo com o provimento jurisdicional, indicando que a referida solução poderia ter sido implementada com um acordo prévio entre elas, sem a burocracia, os elevados custos e os dissabores emocionais do processo judicial. O instituto da conciliação tem sido desenvolvido no ordenamento jurídico pátrio como formaalternativa ao processo estatal para solução dos conflitos interpessoais em razão da insuficiência do modelo jurisdicional formal, o qual vem demonstrando não conseguir solucionar todos os problemas que são colocados sob a tutela e jurisdição estatal, agravando os problemas e conflitos estatais. NATUREZA JURÍDICA E ESPÉCIES DE CONCILIAÇÃO A conciliação tem natureza jurídica de transação. Alguns doutrinadores subdividem a conciliação em algumas espécies, podendo ser extrajudicial ou judicial. A primeira é caminho facultativo, denominado de extra ou pré-processual, se instaura antes de intentada a ação. É uma alternativa que não afasta o processo, quando frutífera pode homologada pelo juiz, tão somente elimina a fase de conhecimento do processo podendo ser executada de plano, mas não exclui a possibilidade de ingresso nas vias judiciais. A segunda é praticada pela autoridade judiciária ou por alguém que a represente e esteja sob a sua tutela. É realizada dentro do processo, ou seja, ENDOPROCESSUAL. É o procedimento obrigatório realizado com o processo já iniciado e durante este, sendo a sua tentativa um dever do juiz (artigo 359, 694, 695, 696, 3º § 3º, 165, 335 cpc/15) OS CONCILIADORES Os tribunais têm autonomia para definir outros critérios para aceitação de conciliadores e mediadores. Por exemplo: Para atuar como mediador judicial é preciso ser graduado há pelo menos dois anos em qualquer área de formação, conforme o art. 11 da Lei n. 13.140, de 26 de junho de 2015. É necessário que os interessados entrem em contato com o Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) ou com os Centros de conciliação dos tribunais. A Resolução n. 125/2010 do CNJ, a Lei da Mediação (2015) e o Código de Processo Civil (2015) determinam que o mediador judicial e o conciliador devem ter capacitação, por meio de curso realizado por entidade credenciada, conforme parâmetro curricular definido pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça. O Código de Processo Civil (2015) prevê art. 165 § 2º figura do conciliador. Ver demais artigos. DIFERENÇAS ENTRE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO Na CONCILIAÇÃO, o terceiro envolvido propõe alternativas de resoluções, o que denota sua maior intervenção e responsabilidade para solucionar o conflito. Embora o acordo jamais possa ser imposto, a participação do conciliador na composição do litígio é mais efetiva, mostrando às partes envolvidas possibilidades de se chegar a um consenso. No que diz respeito à MEDIAÇÃO, nota-se um maior grau de empoderamento das partes que atuam de uma forma efetiva para solucionar o conflito, ficando a cargo do mediador o papel de facilitador da negociação. As partes estão autodeterminadas e são responsáveis pela composição do litígio, o que naturalmente facilita a elaboração, aceitação e posterior cumprimento do acordo firmado. Deve o mediador deixar de externar sua opinião ou posicionamento sobre o assunto, pois isso poderia significar que estaria agindo de forma a dar razão a uma das partes, o que poderia comprometer severamente a mediação. Segundo o Guia de Mediação e Conciliação (2015) são estabelecidos diversos pontos de distinção entre a mediação e a conciliação, sugerindo‑se que: i) a mediação visaria à “resolução do conflito” enquanto a conciliação buscaria apenas o acordo; ii) a mediação visaria à restauração da relação social subjacente ao caso enquanto a conciliação buscaria o fim do litígio; iii) a mediação partiria de uma abordagem de estímulo (ou facilitação) do entendimento enquanto a conciliação permitiria a sugestão de uma proposta de acordo pelo conciliador; iv) a mediação seria, em regra, mais demorada e envolveria diversas sessões enquanto a conciliação seria um processo mais breve com apenas uma sessão; v) a mediação seria voltada às pessoas e teria o cunho preponderantemente subjetivo enquanto a conciliação seria voltada aos fatos e direitos e com enfoque essencialmente objetivo; vi) a mediação seria confidencial enquanto a conciliação seria eminentemente pública; vii) a mediação seria prospectiva, com enfoque no futuro e em soluções, enquanto a conciliação seria com enfoque retrospectivo e voltado à culpa; viii) a mediação seria um processo em que os interessados encontram suas próprias soluções enquanto a conciliação seria um processo voltado a esclarecer aos litigantes pontos (fatos, direitos ou interesses) ainda não compreendidos por esses; ix) a mediação seria um processo com lastro multidisciplinar, envolvendo as mais distintas áreas como psicologia, administração, direito, matemática, comunicação, entre outros, enquanto a conciliação seria unidisciplinar (ou monodisciplinar) com base no Direito (p.36-7). Conselho Nacional de Justiça (2010) e consolidada em resoluções e publicações diversas, pode‑se afirmar que a conciliação no Poder Judiciário busca: i) além do acordo, uma efetiva harmonização social das partes; ii) restaurar, dentro dos limites possíveis, a relação social das partes; iii) utilizar técnicas persuasivas, mas não impositivas ou coercitivas para se alcançarem soluções; iv) demorar suficientemente para que os interessados compreendam que o conciliador se importa com o caso e a solução encontrada; v) humanizar o processo de resolução de disputas; vi) preservar a intimidade dos interessados sempre que possível; vii) visar a uma solução construtiva para o conflito, com enfoque prospectivo para a relação dos envolvidos; viii) permitir que as partes sintam‑se ouvidas; e ix) utilizar‑se de técnicas multidisciplinares para permitir que se encontrem soluções satisfatórias no menor prazo possível (GUIA DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO, p.37) PROCEDIMENTO Analisadas a dimensão do conflito e as partes nele envolvidas, a conciliação pode apresentar-se como o método eficaz para a sua rápida solução, que, em geral, se desenvolve em apenas quatro etapas: (a) na primeira delas, o conciliador esclarece às partes acerca do procedimento e as implicações legais do alcance do acordo; (b) na segunda, as partes manifestam suas posições e o conciliador, ouvindo-as e questionando-as sobre os fatos, deverá identificar os pontos convergentes e divergentes da controvérsia, criando atalhos para a terceira etapa; (c) na terceira, são criadas as opções para a solução da lide, inclusive, se for o caso, com informações técnicas ou sugestões de terceiros, visando o consenso ou o fechamento do acordo; (d) na quarta e última, a redação do acordo/transação e sua assinatura. Artigo 334 CPC/15 – procedimento. CONCILIAÇÃO NO SÉCULO XXI Assim, a utilização de técnicas adequadas na conciliação, como as ferramentas da mediação, pressupõe, na essência, que os profissionais não se afastem dos princípios norteadores do disposto no Código de Ética da Resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça, de 29 de novembro de 2010, ressaltando‑se especialmente: - Confidencialidade: tudo o que for trazido, gerado, conversado entre as partes durante a conciliação ou mediação fica adstrito ao processo. - Imparcialidade: o conciliador/mediador não toma partido de nenhuma das partes. - Voluntariedade: as partes permanecem no processo conciliatório se assim desejarem. - Autonomia da vontade das partes: a decisão final, qualquer que seja ela, cabe tão somente às partes, sendo vedado ao conciliador e ao mediador qualquer imposição. RESUMO Você pode perceber que o maior ganho a ser obtido com a prática da negociação e da conciliação será a possibilidade das partes construírem a solução para os seus conflitos. Uma vez que o conciliador não atua como um juiz, impondo uma decisão, mas, sim, como um facilitador da discussão, ele irá colaborar para que a negociação termine em um acordo e as duas partes saiam vencedoras. A decisão consensual facilita e impulsiona atingir a pacificação e a harmonia social, porque valoriza a autonomia dos litigantes, resolvendo o conflito de forma adequada e satisfatória para todos os envolvidos. CONCILIAÇÃO: C onciliar, se olharmosos dicionários , significa harmonizar - se, alcançar pacificação . A tentativa de conciliação prevê, portanto, a expressão maior do pacto social entre as partes. Do latim “ conciliatio”, de “conciliare” (harmonizar, ajuntar), é o ato pelo qual duas ou mais pessoas se ajustam amigavelmente, pondo fim às suas divergências. Pode ser judicial ou extrajudicial. CONCILIAÇÃO: Conciliar, se olharmos os dicionários, significa harmonizar-se, alcançar pacificação. A tentativa de conciliação prevê, portanto, a expressão maior do pacto social entre as partes. Do latim “conciliatio”, de “conciliare” (harmonizar, ajuntar), é o ato pelo qual duas ou mais pessoas se ajustam amigavelmente, pondo fim às suas divergências. Pode ser judicial ou extrajudicial.