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Reações no carbono de compostos carbonilados alfa: enóis e enolatos Química orgânica II Profa.Franciele 2 Introdução • já estudamos como os aldeídos e cetonas sofrem adição nucleofílica em seus grupos carbonila. Por ex: • vimos também como a substituição pode ocorrer no grupo carbonila caso um grupo de saída adequado esteja presente. Este tipo de reação é chamado substituição acílica. Por ex, http://www.pucrs.br/ 3 carbono α • Agora iremos estudar reações derivadas da acidez dos átomos de hidrogênio nos átomos de carbono adjacentes ao grupo carbonila α. Esses átomos de hidrogênio são chamados de hidrogênios α, e o carbono no qual eles estão ligados é chamado de carbono α http://www.pucrs.br/ 4 A acidez dos hidrogênios α dos compostos carbonílicos: ânions enolato Quando dizemos que os hidrogênios α são ácidos, queremos dizer que eles são anomalamente ácidos para átomos de hidrogênio ligados ao carbono. • Os valores de pKa para a dissociação do H α da maioria dos aldeídos e cetonas simples são da ordem de 16– 20 pKa. • são mais ácidos do que os átomos de H do etino, pKa = 25 e são bem mais ácidos do que os H do eteno (pKa = 44) ou do etano (pKa = 50). No entanto, é menos acido que os H da água (pKa = 15,7) http://www.pucrs.br/ 5 A acidez dos hidrogênios α Por que um hidrogênio ligado a um carbono com hibridização sp3 adjacente ao carbono carbonílico é muito mais ácido do que os hidrogênios ligados a outros carbonos com hibridização sp3? Um hidrogênio α é mais ácido porque a base formada quando o próton é removido do carbono α é mais estável do que a base formada quando um próton é removido de outros carbonos com hibridização sp3 ,e a força do ácido é determinada pela estabilidade da base conjugada que se forma quando o ácido doa um próton http://www.pucrs.br/ 6 A acidez dos hidrogênios α dos compostos carbonílicos: ânions enolato Por que a base é mais estável quando o próton é removido do carbono α ? • As razões para a acidez anômala dos hidrogênios α dos compostos carbonílicos são simples. • O grupo carbonila é fortemente retirador de elétrons, e quando um composto carbonílico perde um próton α, o ânion que é produzido, chamado de enolato, é estabilizado por deslocalização. Os elétrons são mais bem acomodados em oxigênio que em carbono porque é mais eletronegativo http://www.pucrs.br/ 7 A acidez dos hidrogênios α Por que a base é mais instável quando quando o próton é removido de outros carbonos com hibridização sp3? Por exemplo: quando um próton é removido do etano, os elétrons que permaneceram estão unicamente em um átomo de carbono. Como o carbono não é muito eletronegativo, um carbânion é relativamente instável e, portanto, difícil de formar. Como resultado, o pka de seu ácido conjugado é muito alto. http://www.pucrs.br/ 8 A acidez dos hidrogênios α • Aldeídos e cetonas (pKa = 16-20) são mais ácidos do que ésteres (pKA = 25). Os elétrons que permaneceram quando um H α é removido de um éster não são rapidamente deslocalizados pelo oxigênio da carbonila, o par de elétrons livre no oxigênio do grupo OR de um éster também pode ser deslocalizado pelo oxigênio da carbonila, os dois pares de elétrons competem pela deslocalização do oxigênio. http://www.pucrs.br/ 9 A acidez dos hidrogênios α • Os nitroalcanos, as nitrilas e as amidas N,N-dissubstituídas também apresentam H α relativamente ácidos porque em cada caso os elétrons que permaneceram quando o próton é removido podem ser deslocalizado pelos átomos que são mais eletronegativos do que o carbono. http://www.pucrs.br/ 10 A acidez dos hidrogênios α • Se o carbono a estiver entre dois grupos carbonílicos, a acidez do hidrogênio a é ainda maior porque os elétrons que permanecem quando um próton é removido podem ser deslocalizados pelos dois átomos de oxigênio http://www.pucrs.br/ 11 A acidez dos hidrogênios α http://www.pucrs.br/ 12 carbono α • irá explorar as reações que ocorrem na posição α. Essas reações podem ocorrer através de um intermediário enol ou de um intermediário enolato http://www.pucrs.br/ 13 Enóis • Na presença de catálise ácida ou básica, vai existir um equilíbrio entre uma cetona e um enol. A cetona e o enol que são mostrados são tautômeros – isômeros constitucionais que se interconvertem rapidamente e que diferem um do outro na localização de um próton e na posição de uma ligação dupla. Não são estruturas de ressonância porque elas diferem no arranjo dos seus átomos. Em geral, a posição de equilíbrio vai favorecer a cetona, como pode ser visto no exemplo a seguir. A ciclo-hexanona existe em equilíbrio com a sua forma enólica tautomérica, que está presente em uma quantidade muito reduzida. Este é o caso para a maioria das cetonas. http://www.pucrs.br/ 14 Enóis • Lembre-se de que os tautômeros são isômeros que estão em rápido equilíbrio. Os tautômeros ceto-enólicos diferem na localização de uma ligação dupla e um hidrogênio. Mistura em equilíbrio de mais de 99,9% do tautômero ceto e menos que 0,1% do tautômero enol http://www.pucrs.br/ 15 Enóis • A fração de um tautômero enol em uma solução aquosa é maior para uma β-dicetona porque o tautômero enol é estabilizado pela ligação de hidrogênio intramolecular e pela conjugação da ligação C=C com o segundo grupo carbonílico. http://www.pucrs.br/ 16 Mecanismo: catalisada por acido • Enolização em meio neutro é muito lenta. A catálise ácida ou básica acelera este processo. http://www.pucrs.br/ 17 Mecanismo: catalisada por base Os mecanismos para a tautomerização catalisada por ácido e base envolvem as mesmas duas etapas (a protonação do grupo carbonila e a desprotonação da posição α). A diferença entre esses mecanismos é a ordem dos eventos. http://www.pucrs.br/ 18 Mecanismo: catalisada por ácido e base • É difícil evitar a tautomerização, pois pode ser catalisada pelas quantidades residuais de ácido ou de base que estão adsorvidas na superfície do vidro (mesmo após a lavagem do material de vidro ter sido feita rigorosamente). • A menos que sejam utilizadas condições extremamente raras, devemos sempre admitir que ocorrerá tautomerização se for possível, e que um equilíbrio será rapidamente estabelecido favorecendo a tautômero mais estável. • O tautômero enólico está geralmente presente apenas em pequenas quantidades, mas é muito reativo. Especificamente, a posição α é muito nucleofílica devido à ressonância. http://www.pucrs.br/ 19 Enolatos • Quando tratada com uma base forte, a posição α de uma cetona é desprotonada para dar um intermediário estabilizado por ressonância chamado de enolato. http://www.pucrs.br/ 20 Enolatos • Enolatos são chamados de nucleófilos ambidentados, porque eles possuem dois sítios nucleofílicos, cada um dos quais pode atacar um eletrófilo. Quando o átomo de oxigênio ataca um eletrófilo, esse ataque é chamado de ataque do oxigênio (ataque O), e quando o carbono α ataca um eletrófilo, esse ataque é chamado de ataque do carbono α (ataque C). Embora, o átomo de oxigênio de um enolato carregue a maioria da carga negativa, o ataque C, no entanto, é mais comum que o ataque O. http://www.pucrs.br/ 21 Lembre-se é importante ter em mente que apenas os prótons α de um aldeído ou de uma cetona são ácidos, os prótons beta (β) e gama (γ) não são ácidos, assim como o próton aldeídico que também não é ácido No exemplo que foi mostrado os prótons beta (β) e gama (γ) não são ácidos, assim como o próton aldeídico que também não é ácido. A desprotonação em qualquer uma dessas posições não conduz a um ânion estabilizado por ressonância. http://www.pucrs.br/ 22 Halogenação Alfa de Enóis e Enolatos • Halogenação Alfa em Condições Ácidas Sob condições catalisadas por ácido, cetonas e aldeídos sofrerão halogenação na posição α. A reação é observada para o cloro, bromo e iodo, mas não para o flúor. Vários solventes podem ser usados, incluindo ácido acético, água, clorofórmio e éter dietílico. Observa-se que a velocidade dehalogenação é independente da concentração e da natureza do halogênio, indicando que o halogênio não participa da etapa determinante da velocidade de reação. Sob condições ácidas, um halogênio substitui um dos hidrogênios a da substância carbonilada. http://www.pucrs.br/ HALOGENAÇÃO DE CETONAS CATALISADA POR ÁCIDO O mecanismo tem duas partes: Na primeira parte, a cetona sofre tautomerização produzindo um enol. Em seguida, na segunda parte do mecanismo, o enol se comporta como um nucleófilo e insere um átomo de halogênio na posição α. A segunda parte do mecanismo (halogenação) ocorre mais rapidamente do que a primeira parte (formação do enol), e, por conseguinte, a formação do enol constitui a etapa determinante da velocidade de reação. O halogênio não está envolvido na formação do enol, e, portanto, a concentração do halogênio não tem nenhum impacto mensurável sobre a velocidade do processo global http://www.pucrs.br/ 24 HALOGENAÇÃO DE CETONAS CATALISADA POR ÁCIDO http://www.pucrs.br/ 25 HALOGENAÇÃO DE CETONAS CATALISADA POR ÁCIDO http://www.pucrs.br/ 26 Halogenação promovida por base • Quando excesso de Br2, Cl2 ou I2 é adicionado a uma solução básica dc um aldeído ou uma cetona, o halogênio substitui todos os hidrogênios α. http://www.pucrs.br/ 27 • Na primeira etapa, o íon hidróxido remove um próton do carbono α. • O íon enolato então reage com o bromo eletrofílico. • Essas duas etapas são repetidas até que todos os hidrogênios a sejam substituídos pelo bromo. o íon hidróxido remove um próton do carbono α íon enolato então reage com o bromo eletrofílico http://www.pucrs.br/ 28 A Reação do Halofórmio • Na presença de excesso de base e excesso de halogênio, uma metilcetona é primeiro convertida em uma cetona tri- halossubstituída. • A seguir, o íon hidróxido ataca o carbono carbonílico da cetona tri-halossubstituída. O íon tri-halometílico é o grupo eliminado mais facilmente do intermediário tetraédrico, portanto o produto final é um ácido carboxílico. • A conversão de uma metilcetona em um ácido carboxílico é denominada reação de halofórmio porque um dos produtos é o halofórmio — CHCl3 (clorofórmio), CHBr3 (bromofórmio) ou CHI3 (iodofórmio). http://www.pucrs.br/ 29 A Reação do Halofórmio Quando uma metilcetona é tratada com base em excesso e halogênio em excesso, ocorre uma reação em que um ácido carboxílico é produzido depois da acidificação. O mesmo processo ocorre com o cloro e o iodo, e os subprodutos são o clorofórmio e o iodofórmio, respectivamente. Este processo é sinteticamente útil para a conversão de metilcetonas em ácidos carboxílicos. http://www.pucrs.br/ 30 Bromação Alfa de Ácidos Carboxílicos: A Reação de Hell-Volhard • Halogenação alfa não ocorre rapidamente com ácidos carboxílicos, ésteres ou amidas. Esses grupos funcionais não são facilmente convertidos nos seus correspondentes enóis. No entanto, os ácidos carboxílicos sofrem halogenação alfa quando tratados com bromo na presença de PBr3 (Tribrometo de fósforo). http://www.pucrs.br/ 31 Bromação Alfa de Ácidos Carboxílicos: A Reação de Hell-Volhard • Acredita-se que este processo, conhecido como reação de Hell-Volhard, ocorre através da seguinte sequência de eventos: Etapas: O ácido carboxílico reage primeiro com o PBr3 (Tribrometo de fósforo) formando um haleto ácido, que existe em equilíbrio com um enol. Este enol então funciona como um nucleófilo e sofre halogenação na posição α. Finalmente, a hidrólise regenera o ácido carboxílico http://www.pucrs.br/ 32 Adição Aldólica • Aldeídos e as cetonas são eletrófilos e, portanto, reagem com nucleófilos; • Quando um próton é removido de um carbono α de um aldeído ou de uma cetona, o ânion resultante é um nucleófilo e, portanto, reage com um eletrófilo; Uma adição aldólica é uma reação na qual essas duas atividades são observadas: uma molécula de uma substância carbonilada — após a remoção de um próton do carbono α — reage como um nucleófilo e ataca o carbono carbonílico eletrofílico da segunda molécula da substância carbonilada. Uma adição aldólica é uma reação entre duas moléculas de um aldeído ou duas moléculas de uma cetona http://www.pucrs.br/ 33 Adição Aldólica http://www.pucrs.br/ 34 Adição Aldólica • As cetonas são menos suscetíveis a ataques nucleofílicos do que os aldeídos , por isso a adição aldólica ocorre mais lentamente em cetonas. • Como a reação de adição aldólica ocorre entre duas moléculas de uma mesma substância carbonilada, o produto tem o dobro do número de carbonos do reagente aldeído ou cetona http://www.pucrs.br/