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Autora: Profa. Maria Aparecida Sanches Colaboradores: Prof. Flávio Celso Müller Martin Prof. Fábio Gomes da Silva Gestão de Pessoas Professora conteudista: Maria Aparecida Sanches Maria Aparecida Sanches é psicopedagoga com MBA em Gestão da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo. Mestre em Educação pela Universidade Paulista e doutora em Gestão da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência na área da psicologia organizacional, com ênfase em estratégia de enfrentamento, processo de tomada de decisão. Atua principalmente nos seguintes temas: gestão de pessoas, desenvolvimento humano, estresse e qualidade de vida. Atua como professora e coordenadora na Universidade Paulista e como pesquisadora e docente do Programa de Mestrado Profissional em Administração da FACCAMP – Instituto de Ensino Campo Limpo Paulista. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) S211g Sanches, Maria Aparecida. Gestão de pessoas / Maria Aparecida Sanches. - São Paulo, 2019. 208 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXV, n. 2-208/19, ISSN 1517-9230. 1. Gestão de pessoas. 2. Recursos humanos. 3. Relações sindicais. I. Título. CDU 658.3 U502.88 – 19 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice‑Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice‑Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice‑Reitor de Pós‑Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice‑Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Virgínia Bilatto Amanda Casale Sumário Gestão de Pessoas APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9 Unidade I 1 AS RELAÇÕES ENTRE PESSOAS E ORGANIZAÇÕES ........................................................................... 11 1.1 Objetivos organizacionais versus individuais ............................................................................ 11 1.2 Valores organizacionais versus valores individuais ................................................................ 13 1.3 Conflitos ................................................................................................................................................... 16 1.4 As pessoas e a organização .............................................................................................................. 18 1.5 Equilíbrio organizacional ................................................................................................................... 20 1.6 Incentivo e motivação ........................................................................................................................ 21 1.6.1 Estímulos: incentivo e motivação .................................................................................................... 21 1.6.2 Comportamento ...................................................................................................................................... 22 2 ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS ...................................................................................... 23 2.1 Conceito de ARH .................................................................................................................................. 23 2.2 Planejamento de RH ........................................................................................................................... 25 2.3 Objetivos de ARH .................................................................................................................................. 27 2.4 O papel da administração de recursos humanos .................................................................... 28 2.5 Principais características e dificuldade na ARH ....................................................................... 29 2.5.1 O caráter contingencial da administração de RH ..................................................................... 30 2.6 Administração: recursos humanos como um processo ........................................................ 31 2.6.1 Conceito de processo ............................................................................................................................ 31 2.7 As políticas de administração de recursos humanos ............................................................. 32 3 POLÍTICAS DE PROVISÃO DE RECURSOS HUMANOS ........................................................................ 35 3.1 Processos de provisão de pessoas .................................................................................................. 35 3.2 Mercado de recursos humanos e mercado de trabalho ....................................................... 36 3.2.1 O mercado de recursos humanos ..................................................................................................... 37 3.3 Rotatividade de pessoal ..................................................................................................................... 38 3.3.1 Índice de rotatividade de pessoal ..................................................................................................... 39 3.3.2 Diagnóstico das causas da rotatividade (turnover) .................................................................. 40 3.3.3 Custos da rotatividade .......................................................................................................................... 41 3.4 Absenteísmo ........................................................................................................................................... 45 3.4.1 Cálculo do índice de absenteísmo - segundo Chiavenato ..................................................... 46 3.4.2 Administração do absenteísmo e da rotatividade ..................................................................... 48 3.5 Recrutamento ........................................................................................................................................ 49 3.5.1 Recrutamento interno .......................................................................................................................... 51 3.5.2 Recrutamento externo ......................................................................................................................... 52 3.5.3 Recrutamento misto .............................................................................................................................. 54 3.5.4 Fontes de recrutamento ....................................................................................................................... 54 3.6 Seleção .................................................................................................................................................... 56 3.6.1 Seleção por competências .................................................................................................................. 57 3.6.2 Seleção como um processode comparação ................................................................................ 58 3.6.3 Seleção por meio da identificação das características pessoais do candidato ............. 58 3.6.4 Técnicas de seleção ................................................................................................................................ 58 4 POLÍTICAS DE APLICAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS ..................................................................... 63 4.1 Políticas de aplicação em RH........................................................................................................... 63 4.2 Conceito de cargo ............................................................................................................................... 68 4.3 Descrição de cargos ............................................................................................................................. 68 4.4 Análise do cargo ................................................................................................................................... 70 4.5 Desenho de cargo ................................................................................................................................. 70 4.6 Modelos de desenhos de cargos .................................................................................................... 72 4.6.1 Modelo de desenho clássico ............................................................................................................... 72 4.7 Métodos de avaliação de cargo ...................................................................................................... 77 4.7.1 Método de escalonamento (job ranking) ...................................................................................... 78 4.7.2 Método das categorias predeterminadas (job classification) ............................................... 78 4.7.3 Método da comparação de fatores (factor comparison)........................................................ 78 4.7.4 Método de avaliação por pontos (point ranking) ...................................................................... 80 4.8 Avaliação de desempenho ................................................................................................................ 81 4.9 Instrumentos para avaliação de desempenho ......................................................................... 85 4.9.1 Padrões de desempenho ..................................................................................................................... 87 4.10 Métodos de avaliação tradicionais ............................................................................................. 87 4.10.1 Métodos da escala gráfica ................................................................................................................ 88 4.10.2 Método da escolha forçada ............................................................................................................. 88 4.10.3 Método de frases descritivas ........................................................................................................... 89 4.10.4 Método de pesquisa de campo ....................................................................................................... 89 4.10.5 Método dos incidentes críticos ....................................................................................................... 89 4.10.6 Método de comparação aos pares (2 x 2) .................................................................................. 90 4.11 Métodos modernos de avaliação de desempenho .............................................................. 90 4.11.1 Autoavaliação ......................................................................................................................................... 91 4.11.2 Avaliação 360° ...................................................................................................................................... 91 4.11.3 Avaliação por competência ............................................................................................................. 94 4.11.4 Avaliação por objetivos ...................................................................................................................... 94 4.11.5 Método de avaliação por resultados............................................................................................. 94 4.11.6 Métodos mistos ..................................................................................................................................... 95 4.12 Outras características da avaliação de desempenho .......................................................... 95 4.12.1 Entrevista de avaliação de desempenho .................................................................................... 95 4.12.2 Aspectos positivos e negativos da avaliação de desempenho .......................................... 95 4.12.3 Principais dificuldades na avaliação de desempenho ........................................................... 97 Unidade II 5 POLÍTICAS DE MANUTENÇÃO DE RECURSOS HUMANOS .............................................................102 5.1 Políticas de manutenção .................................................................................................................102 5.2 Sistema de remunerações, incentivos e benefícios sociais ...............................................102 5.2.1 Punição .....................................................................................................................................................103 5.2.2 Teoria de reforço ...................................................................................................................................104 5.3 Componentes de remuneração ....................................................................................................105 5.3.1 O caráter multivariado do salário ..................................................................................................105 5.4 Abordagens em remuneração .......................................................................................................108 5.4.1 Sistema de remuneração estratégica ...........................................................................................109 5.4.2 Remuneração variável .........................................................................................................................111 5.4.3 Remuneração por competência ...................................................................................................... 112 5.4.4 Remuneração por habilidades ......................................................................................................... 115 5.5 Avaliação e classificação de cargos ............................................................................................116 5.5.1 Os métodos de avaliação de cargos .............................................................................................. 116 5.5.2 Classificação de cargos ....................................................................................................................... 116 5.5.3 Pesquisa salarial.....................................................................................................................................118 5.5.4 Cargo de referência .............................................................................................................................. 119 5.6 Política salarial .....................................................................................................................................119 5.6.1 Administração de carreira: promoção e crescimento na organização ........................... 120 5.6.2 Remuneração funcional .....................................................................................................................121 5.6.3 Salário indireto ......................................................................................................................................1215.6.4 Remuneração acionária .................................................................................................................... 122 5.6.5 Benefícios sociais ................................................................................................................................. 123 5.7 Qualidade de vida no trabalho......................................................................................................126 5.7.1 Higiene e segurança no trabalho .................................................................................................. 128 5.7.2 Ergonomia ............................................................................................................................................... 129 5.8 Legislação trabalhista – noções gerais ......................................................................................131 5.8.1 Tipos de contrato de trabalho .........................................................................................................131 5.8.2 Rescisão do contrato de trabalho (artigo 477, CLT) .............................................................. 132 5.8.3 Direitos do trabalhador (CLT) .......................................................................................................... 132 6 DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS ...............................................................................134 6.1 Processo de formar, treinar e educar pessoas ........................................................................134 6.2 Treinamento ..........................................................................................................................................138 6.2.1 Por que treinar pessoas? ................................................................................................................... 139 6.2.2 Objetivos do treinamento ..................................................................................................................141 6.2.3 Conteúdo do treinamento ............................................................................................................... 142 6.2.4 Levantamento de necessidades de treinamento .................................................................... 144 6.2.5 Programação do treinamento ........................................................................................................ 146 6.3 Controle do treinamento ................................................................................................................147 6.4 Métodos e técnicas de treinamento ...........................................................................................148 6.4.1 Métodos de treinamento em grupo ............................................................................................. 149 6.4.2 Técnicas de treinamento em grupo .............................................................................................. 149 6.4.3 Método de treinamento individual .............................................................................................. 150 6.4.4 Treinamento a distância .................................................................................................................... 150 6.4.5 Método expositivo ............................................................................................................................... 150 6.5 Local do treinamento........................................................................................................................151 6.5.1 Treinamento interno ............................................................................................................................151 6.5.2 Treinamento externo ...........................................................................................................................151 6.6 Avaliação de treinamento ...............................................................................................................152 Unidade III 7 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO E RELAÇÕES SINDICAIS ....................................................158 7.1 O processo de segurança e qualidade de vida ........................................................................158 7.1.1 Produtividade e QVT ............................................................................................................................161 7.1.2 QVT ..............................................................................................................................................................161 7.1.3 Conceito de QVT ................................................................................................................................... 162 7.1.4 Programa de QVT ................................................................................................................................. 162 7.1.5 Modelo de Walton para avaliar a QVT ......................................................................................... 163 7.1.6 QVT e sua prática nas empresas ..................................................................................................... 164 7.1.7 Indicadores de QVT .............................................................................................................................. 164 7.2 Segurança no trabalho .....................................................................................................................166 7.2.1 Direitos de quem se acidenta no trabalho ................................................................................ 166 7.2.2 Benefícios pagos pela Previdência ................................................................................................ 167 7.3 Liberdade sindical ...............................................................................................................................168 7.3.1 Representação dos trabalhadores ..................................................................................................170 7.3.2 Relação de trabalho .............................................................................................................................171 8 RESULTADOS RELATIVOS À GESTÃO DE PESSOAS ............................................................................171 8.1 Área de RH e sua contribuição .....................................................................................................171 8.2 Banco de dados e sistema de informação e auditoria de RH ..........................................174 8.3 Auditoria de recursos humanos ...................................................................................................176 8.4 Principais indicadores de desempenho relativo a RH .........................................................178 8.4.1 O que são indicadores e para que servem? ............................................................................... 180 8.4.2 Indicadores de desempenho segundo FNPQ .............................................................................181 8.5 Um estudo de caso ............................................................................................................................186 9 APRESENTAÇÃO Olá, aluno! Este livro-texto visa discutir aspectos práticos e teóricos da área funcional e organizacional de Recursos Humanos. A disciplina trata do que é a gestão de pessoas e sua importância nas corporações. Ela busca possibilitar o entendimento das relações de intercâmbio entre pessoas e organizações, procurando identificar formas de melhorar esse relacionamento. Apresenta uma visão sistêmica dos processos de administração de Recursos Humanos: provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento, monitoração, atração e retenção dos colaboradores. Mostra a importância da utilização das “ferramentas” adequadas dos processos na busca dos melhores resultados e excelência administrativa. Assim, os alunos poderão saber das funções da administração de pessoas nas organizações,sua utilidade e os resultados delas esperados. INTRODUÇÃO Vamos iniciar a discussão tratando das relações entre pessoas e organizações, abordando tópicos como objetivos, valores, conflitos, estímulo e comportamento. também discutiremos conceitos e aplicações da área de RH: políticas de provisão de pessoas, rotatividade, absenteísmo, recrutamento e seleção. Apresentaremos aspectos ligados a políticas de aplicação de RH, como descrição e desenho de cargos, além de processos de avaliação de desempenho. Veremos políticas de manutenção de pessoas, incluindo remuneração, incentivos e política salarial, bem como higiene e segurança no trabalho. Conheceremos o processo de desenvolvimento de RH para formar, treinar e educar pessoas. Por fim, a discussão será sobre qualidade de vida no trabalho e relações sindicais, abordando temas como produtividade, indicadores e liberdade sindical. Traremos os resultados relativos à gestão de pessoas através do sistema de informação e auditoria de RH e de indicadores de desempenho específicos, finalizando com um estudo de caso. 10 11 GESTÃO DE PESSOAS Unidade I 1 AS RELAÇÕES ENTRE PESSOAS E ORGANIZAÇÕES O indivíduo deve ser eficaz (à medida que o seu trabalho consegue atingir os objetivos organizacionais) e ser eficiente (à medida que seu trabalho lhe permite alcançar seus objetivos pessoais). Barnard (1971) 1.1 Objetivos organizacionais versus individuais Para atingir os seus objetivos e metas as organizações contam com a eficiência e a dedicação dos funcionários, assim como os funcionários esperam que as organizações proporcionem meios adequados para atingir seus objetivos individuais. No anseio por alcançá‑los, os funcionários motivados se comprometem com os processos organizacionais, substituindo os objetivos da organização pelos seus próprios objetivos. Chiavenato (1999, p. 15) afirma que as organizações são constituídas por pessoas e representam para elas um meio pelo qual podem alcançar muitos e variados objetivos pessoais com um mínimo de custo, de tempo, de esforço e de conflito. Diz ainda que as organizações bem‑sucedidas tendem a crescer, aumentando nelas o número de pessoas a serem administradas e, consequentemente, a estrutura se deve adequar com um maior volume de níveis hierárquicos, responsáveis pelo gradativo distanciamento entre pessoas (com os seus objetivos pessoais) e a cúpula da organização (com seus objetivos organizacionais). As organizações bem‑sucedidas tendem a crescer e ao crescer aumenta o número de pessoas que nelas trabalham. Ao ser elevado o número de pessoas, se multiplicam os níveis hierárquicos e um maior número de níveis organizacionais causa um maior distanciamento entre os objetivos das pessoas e os objetivos da organização. De forma geral, toda e qualquer organização tem um conjunto de objetivos: sobreviver a longo prazo; ter um crescimento sustentado, isto é, que não dependa de outras empresas; ter lucros; ter produtividade, ou seja: produzir pelo menos com a mesma eficiência das empresas concorrentes; ter qualidade nos produtos/serviços; ter custos reduzidos; ter uma boa participação no mercado (market-share); entrar em novos mercados; conquistar novos clientes; ser competitiva, isto é, ter a preferência dos clientes e uma boa imagem no mercado. Já as pessoas que trabalham nas organizações, também de forma geral, possuem um outro conjunto de objetivos: ter bons salários e benefícios; ter estabilidade no emprego e segurança no trabalho; ter 12 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 qualidade de vida no trabalho e obter, neste, satisfação; ter consideração e respeito tanto dos colegas quanto dos superiores, ter oportunidades de crescer dentro da empresa; ter liberdade para trabalhar e ter líderes ou chefes que não sejam autoritários. Quadro 1 Objetivos organizacionais versus individuais Objetivos organizacionais Objetivos individuais • sobrevivência • crescimento sustentado • lucratividade • produtividade • qualidade nos produtos/serviços • redução de custos • participação no mercado • novos mercados • novos clientes • competitividade • imagem no mercado • melhores salários • melhores benefícios • estabilidade no emprego • segurança no trabalho • qualidade de vida no trabalho • satisfação no trabalho • consideração e respeito • oportunidades de crescimento • liberdade para trabalhar • liderança liberal • orgulho da organização Como se pode ver, os objetivos da organização diferem dos objetivos pessoais. Para que eles não se tornem conflituosos a ponto de prejudicar o desenvolvimento de ambas as partes (pessoas e organização), é necessário que haja uma integração: é necessário que as pessoas, em busca dos seus objetivos pessoais acabem por realizar os objetivos organizacionais. Quem deve fazer esta integração? Argyris apud Chiavenato (1999, p. 92) entende que a parcela maior de responsabilidade pela integração entre os objetivos da organização e os dos indivíduos recai sobre a alta administração. Porém, existe uma relação de reciprocidade entre o indivíduo e a organização, expressa num contrato psicológico onde a expectativa recíproca do indivíduo e da organização estende-se muito além de qualquer contrato formal de emprego que estabeleça o trabalho a ser realizado e a recompensa a ser recebida. Embora não exista acordo formal ou algo claramente dito, o contrato psicológico é um entendimento tácito entre indivíduo e organização, no sentido de que uma vasta gama de direitos, privilégios e obrigações, consagrados pelo uso, será reputada e observada por ambas as partes (CHIAVENATO, 1999, p. 92). O contrato psicológico refere‑se à expectativa recíproca do indivíduo e da organização e estabelece o trabalho a realizar e a recompensa a receber. Mas o contrato psicológico, além de ser um acordo tácito entre o indivíduo e a organização, também constitui um elemento importante em qualquer relação de trabalho e influencia o comportamento das duas partes. Sem dúvida, uma fonte comum de dificuldades nas relações interpessoais é a falta de acordos explícitos — o que querem e do que precisam. Consequentemente, o esclarecimento dos contratos é importante para uma experiência interpessoal eficaz. Convém destacar que qualquer contrato apresenta dois aspectos: o contrato formal (que é o 13 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS escrito) e o “contrato psicológico”, que leva em conta o que a organização e o indivíduo esperam ganhar com a nova relação. Enquanto o primeiro passo é uma escolha recíproca, o segundo é um processo de adaptação mútua decorrente de um desenvolvimento recíproco, cabendo à gestão de RH assegurar‑se disto (PORRAS, 2001). 1.2 Valores organizacionais versus valores individuais Ao se considerar o assunto objetivos organizacionais e individuais se faz importante discutir sobre valores, pois eles são referenciais para a proposta dos objetivos. Quando falamos em valores, fazemos menção àqueles que dão critério à ação, com o objetivo de garantir o bem‑estar e a autorrealização do homem em sua sociedade. Quando se afirma que os valores “dão critério à ação” se quer dizer que os valores que uma pessoa tem orientam as escolhas que ela faz. Se você acredita que seu sucesso depende de estudo, você estuda, desenvolve a ação de estudar; se você acredita que o sucesso depende de “jeitinho”, você desenvolve outras ações. Desta maneira se percebe que os valores são imprescindíveis para que possamos guiar nossa compreensão do mundo e de nós mesmos, assim como servem de parâmetros a partir dos quais fazemos escolhas e orientamos nossas ações. Geertz apud Trompenaars (1993, p. 57) diz que é a cultura do indivíduo, por meio dos seus valores, que orienta sua ação quando afirma que “a cultura cria definições graças às quais oshomens interpretam sua experiência e guiam sua ação”. Nesse sentido, Rocher apud Morin (1996, p.11) afirma que “os valores são as maneiras de ser ou de agir que uma pessoa ou uma coletividade julgam ideais e que tornam desejáveis ou estimáveis as condutas às quais elas estão associadas”. esquema neural processa o real fatores genéticos organiza fatores ambientais valores crenças opiniões atitude estratégias de tomada de decisão comportamento Figura 1 14 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 O ser humano é provido de um conjunto de crenças e valores, denominado sistema cognitivo de crenças e valores, que foi adquirido ao longo da vida e tal conjunto é determinante do comportamento. Assim, quando decidimos fazer algo, estamos realizando uma escolha já que manifestamos preferências por algumas coisas em vez de outras. Evocamos, assim, certas justificativas, enquanto discernimos para as nossas tomadas de decisões. A construção desse sistema resulta na maneira que iremos perceber a nós mesmos e nossas relações interpessoais. A cultura de uma sociedade reflete a interação entre os valores, as atitudes e os comportamentos dos indivíduos, de maneira que os valores podem funcionar como uma forma de controle orientador ou de influência nos comportamentos; assim, cada indivíduo se comporta segundo seu próprio sistema de valores. Valores organizacionais Os valores organizacionais são elementos provenientes da cultura organizacional, são as crenças e os conceitos básicos estabelecidos na organização. Eles orientam e dão o senso de direção ao comportamento comum para todos os indivíduos inseridos na cultura da organização. São eles que estabelecem os padrões dos objetivos e metas que devem ser alcançados, porquanto representam a essência da filosofia da organização para o atendimento dos objetivos com sucesso. Tamayo (1996) define valores organizacionais como princípios ou crenças, organizados hierarquicamente, relativos a estados de existência ou a modelos de comportamento desejáveis que orientam a vida da empresa e estão a serviço de interesses individuais, coletivos ou mistos. Tamayo; Gondim apud Tamayo et al (2000) desenvolveram alguns aspectos relativos a esse sistema: os aspectos cognitivos e motivacionais, a função dos valores e a organização hierárquica dos mesmos. 1. O aspecto cognitivo dos valores organizacionais constitui um elemento básico, já que são crenças existentes na empresa, isto é, formas de conhecer a realidade organizacional, respostas cognitivas prontas e privilegiadas a problemas organizacionais. Essas crenças podem ser relacionadas com diversas dimensões da vida organizacional, tais como a produção, a qualidade, as interações interpessoais, o respeito à autoridade gerencial, a obediência às normas etc. Os valores são crenças valorizadas, enfatizadas na vida organizacional. Nem toda crença constitui um valor; somente aquelas que são enfatizadas e que são socialmente aceitas como princípios que orientam a vida da organização. Obviamente, as crenças que constituem os valores estão em interação entre si e com outras crenças, de forma a constituir um sistema de valores complexo e organizado hierarquicamente. Os valores funcionam como padrões para o julgamento e a justificação do comportamento de si e dos outros. 2. O aspecto motivacional. A raiz dos valores organizacionais é motivacional, eles expressam interesses e desejos de alguém. Esse alguém pode ser um indivíduo, o dono, o fundador, um gerente ou alguma pessoa influente na empresa; pode também ser um grupo, o conjunto dos membros da empresa. Os valores podem expressar interesses tanto do indivíduo como da coletividade. Assim, 15 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS os valores organizacionais representam metas mais ou menos conscientes da empresa (Tamayo; Schwartz, 1993). 3. A função dos valores. Os valores têm como função orientar a vida da empresa, guiar o comportamento dos seus membros. Eles são determinantes da rotina diária na organização, já que orientam a vida da pessoa e determinam a sua forma de pensar, de agir e de sentir. “Os valores organizacionais podem fortemente influenciar o que as pessoas realmente fazem”, afirmam Deal; Kennedy (1988, p. 22). Não somente o comportamento do indivíduo é influenciado pelos valores, mas também o julgamento que ele faz do comportamento dos outros, pertinente ao sistema organizacional. Os valores têm a função “de vincular as pessoas, de modo que elas permaneçam dentro do sistema e executem as funções que lhes foram atribuídas” (Katz; Kahn, 1978, p. 70). Os valores podem ser considerados como um projeto para a organização e um esforço para atingir as metas por ela fixadas. As normas organizacionais estão enraizadas neles e podem ser consideradas como uma operacionalização dos valores organizacionais. Os valores são mais abrangentes do que as normas e constituem uma espécie de ideologia. As normas definem explicitamente as formas de comportamento esperado dos membros de uma organização e os valores “proporcionam uma justificação mais elaborada e generalizada, tanto para o comportamento apropriado, como para as atividades e funções do sistema” (KATZ; KAHN, 1978, p. 70). 4. Hierarquia dos valores. Um sistema de valores, segundo Rokeach (1969, p. 551) é “nada mais do que uma disposição hierárquica de valores, uma classificação ordenada de valores ao longo de um continuum de importância”. As pessoas, as organizações e as culturas se diferenciam entre si não tanto pelo fato de possuírem valores diferentes, mas pela organização hierárquica dos mesmos. Os valores organizacionais implicam necessariamente uma preferência, uma distinção entre o importante e o secundário, entre o que tem valor e o que não tem. Assim, a essência mesma dos valores organizacionais parece ser a de permitir a sua hierarquização (TAMAYO, 2000). A organização hierárquica dos valores pressupõe que os membros da organização não se relacionam com o mundo físico e social como observadores que assistem a um espetáculo, mas como atores que participam, que tomam partido, que se envolvem nele, que transformam o ambiente organizacional e tentam se impor e se fazer reconhecer no meio social. Segundo Tamayo (1996), a ideia de graus de valor, de uma escala de valores ao longo de um contínuo de importância, encontra a sua base na relação dos valores com o tempo, elemento fundamental para o seu desenvolvimento, com a missão e os objetivos da empresa, cuja especificidade e cuja importância organizacional impõem uma ordem de primazia, com o esforço realizado pela empresa e pelos seus membros para a obtenção das metas propostas. A fonte dos valores organizacionais é constituída por exigências da organização e dos indivíduos que a compõem. Essas exigências abrangem um leque que vai desde as necessidades biológicas dos indivíduos até as necessidades referentes à sobrevivência e ao bem-estar da própria organização. A organização e os seus membros, para poderem dar conta da realidade, têm que reconhecer essas necessidades e criar ou aprender respostas apropriadas para a sua satisfação. Por meio desse mecanismo, tanto a organização como os seus membros passam a representar de forma consciente essas necessidades como valores ou metas a serem atingidas (TAMAYO et al, 2000). 16 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Os valores organizacionais não devem ser confundidos com os valores pessoais dos membros da organização, nem com o que eles gostariam que existisse na empresa. Por valores organizacionais, entende-se aqui os que são percebidos pelos empregados como efetivamente característicos da organização. Trata-se, portanto, de princípios ecrenças que, segundo os membros da organização, orientam o seu funcionamento e a sua vida. Expressam uma dimensão fundamental da cultura organizacional tal como ela é vivenciada pelos seus membros. Às vezes, esses dois tipos de valores podem coincidir parcialmente, mas com frequência são diferentes e até conflitantes (TAMAYO; PAZ, 2000). Segundo Katz; Kahn apud Tamayo; Gondim(1996), os principais componentes de uma organização são seus papéis, suas normas e seus valores. Esses elementos definem e orientam seu funcionamento. Os papéis prescrevem formas de comportamentos associadas a determinadas tarefas. As normas são as expectativas transformadas em exigências. Os valores, por sua vez, são as justificações e aspirações ideológicas mais generalizadas. Portanto, os papéis diferenciam as funções e os cargos exercidos pelas pessoas. As normas e os valores são os elementos integradores, na medida em que são compartilhados por boa parte dos elementos de uma organização. Assim, os princípios e valores organizacionais compõem um conjunto de filosofias e crenças que a organização estabelece como verdade que está acima das práticas cotidianas, na busca de resultados assertivos para sua sobrevivência. Saiba mais Veja a declaração de crenças e valores da Natura em: RECURSOS humanos. Crenças e valores. [s.d.]. Disponível em: <http://www2.natura.net/Web/Br/ Inst/HResources/rh_crencas_valores.asp>. Acesso em: 28 jun. 2013. 1.3 Conflitos A relação entre a organização e as pessoas, além de dinâmica é muito complexa, porquanto os objetivos individuais são diversificados de acordo com a necessidade de cada indivíduo. Os objetivos organizacionais resultam da vontade grupal da qual esse indivíduo compartilha, e na qual busca satisfazer suas próprias necessidades. Quando o indivíduo ingressa na organização seus objetivos individuais, como ocupar um determinado cargo, melhorar seu salário, ficam em mente. Porém, a organização, que também tem seus objetivos, exige que o indivíduo contribua para sua realização. É um estado que a organização pretende atingir e que orienta seu comportamento em relação ao futuro, como produtividade, lucratividade, qualidade dos produtos e competitividade. À medida que cada objetivo individual vai sendo realizado, outros mais sofisticados e avançados são formulados, em uma sequência sem 17 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS fim. No caso do objetivo organizacional, quando é alcançado deixa de ser uma imagem orientadora para se incorporar à organização como algo real e atual, e, assim, outros objetivos são estabelecidos (CHIAVENATO, 1999, p. 257). Portanto, as diferenças entre objetivos organizacionais e interesses individuais resultarão em um relacionamento conflitante, nem sempre cooperativo, que pode ser interno, por necessidades intrínsecas (psicológico), ou externo (social). Administrar conflitos é uma das mais importantes tarefas para os gestores, com relação à motivação da equipe de trabalho. É necessária muita energia física e emocional no processo de integração de objetivos, visando a satisfação das necessidades dos funcionários para evitar a queda da produtividade e, consequentemente, um processo entrópico. Barnard (1971) afirmava que “o indivíduo deve ser eficaz (à medida que o seu trabalho consegue atingir os objetivos organizacionais) e ser eficiente (à medida que seu trabalho lhe permite alcançar seus objetivos pessoais)”. Segundo Chiavenato (1999, p. 258), a organização oferece uma variedade de incentivos para obter a cooperação das pessoas em todos os níveis hierárquicos. Dentro desse esquema, cada pessoa precisa alcançar simultaneamente os objetivos organizacionais (para se manter ou crescer na organização) e seus objetivos individuais (para obter satisfações pessoais). Dessa maneira o relacionamento entre indivíduos e organizações poderá se pautar pela cooperação, diz Chiavenato (1999). Para tanto, a organização deve zelar, por meio dos seus gestores, pela elaboração dos seus objetivos de maneira que sejam claros, objetivos e alcançáveis. Para serem úteis, segundo Chiavenato (1999, p. 263), os objetivos devem ser: • mensuráveis: passíveis de serem definidos quando são atingidos ou não; • realistas: que possam ser alcançados no período de tempo estabelecido e com os recursos disponíveis; • desafiadores: que requeiram esforço das pessoas; • definidos no tempo: que exijam um lapso de tempo para sua consecução; • relevantes: que cubram as principais áreas de resultados da organização. Assim, a maior responsabilidade pela integração dos objetivos organizacionais e os objetivos dos indivíduos pertence à alta administração, pois, é ela quem deve estabelecer os meios e as políticas para que colaboradores e organizações percebam que seus objetivos são interdependentes. Isto é, as organizações precisam dos indivíduos, estes são os recursos humanos com os quais ela alcançará seus objetivos e, reciprocamente, os indivíduos necessitam das organizações para realizar os seus, diz Chiavenato (1999). 18 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 1.4 As pessoas e a organização O homem é um animal social, porque se caracteriza por uma irreprimível tendência à vida em sociedade e tem participações multigrupais. Vive em organizações, em ambientes cada vez mais complexos e dinâmicos. Montou um sistema total, dentro do qual organiza e dirige seus assuntos. Assim, “organizações são pessoas, organizações são grupos; e organizações são organizações. Gerentes administram pessoas; gerentes administram grupos; e gerentes administram organizações. Gerentes são pessoas; gerentes são membros de grupos; e gerentes são membros de organizações”, diz Chiavenato (2004, p. 59). As pessoas e as organizações estão engajadas em uma estrutura complexa e incessante interação; as pessoas dependem das organizações para viver e nesse ambiente passam a maior parte do tempo. As organizações dependem das pessoas, sem as quais não poderiam existir. Sem as pessoas e sem as organizações não haveria ARH (Administração de Recursos Humanos). As pessoas De acordo com Chiavenato (1998, p. 69), “as organizações dependem de pessoas para proporcionar-lhes o necessário planejamento e organização, para dirigi-las e controlá-las e para fazê-las operar e funcionar.” As organizações não existem sem as pessoas, pois qualquer organização é constituída de seres humanos que contribuem para seu sucesso e crescimento Vertente da ARH: pessoas como recursos e pessoas como pessoas Pessoas Como pessoas Como recursos personalidade e individualidade, inspirações, valores, atitude, motivação e objetivos pessoais habilidades, capacidades, experiências, destrezas e conhecimentos necessários tratamento pessoal e individualizado tratamento pela média, igual e genérico Figura 2 Deve-se considerar que existem as pessoas como pessoas, ou seja, com características próprias de personalidade e que individualmente possuem valores, atitudes, desejos, motivações e objetivos individuais. E, por outro lado, existem as pessoas como recursos intelectuais, com habilidades, capacidades e, conhecimentos específicos e necessários para a atividade a ser realizada na organização. 19 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS A Moderna ARH – Gestão de Pessoas – procura tratar as pessoas como pessoas e simultaneamente como importantes recursos organizacionais rompendo a maneira tradicional de tratá-las meramente como meios de produção. A “Gestão de Pessoas” substitui o termo “Administração de Recursos Humanos”, que indica uma visão das pessoas que trabalham na organização como meros recursos, assim como os materiais e financeiros. De acordo comGil (2001, p. 17), “Gestão de Pessoas é a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais”. As pessoas não são “recursos”, diz Peter Senge, manifestando a sua visão de que a organização é um sistema vivo e que existe dentro de outros sistemas vivos maiores, tais como o ecossistema e a sociedade. Nesse sentido, se coloca como um “anti-recursos humanos”, pois considera a palavra “recurso” muito limitada para descrever as pessoas e seus diversos papéis organizacionais. Observação Esta visão de Peter Senge lentamente está sendo absorvida pelas organizações. Hoje, segundo Chiavenato (2004, p. 59), a tendência é fazer com que todas as pessoas, em todos os níveis da organização, sejam os administradores. Além de executar as tarefas, cada pessoa deve conscientizar-se de que deve ser o elemento de diagnóstico e de solução de problemas para obter uma melhoria contínua de seu trabalho. Pessoas como pessoas Chiavenato (2004) destaca seis características atribuídas a cada pessoa. Essas características permitem maior visualização dos aspectos de comportamento dos indivíduos na organização. São elas: • a percepção: trata da forma como cada pessoa interpreta as mensagens que recebe e dá sentido a ela. Pode ser colocado como um processo de seleção, organização e interpretação dos estímulos que o ambiente oferece; • as atitudes: podem ser definidas como uma predisposição que reage a um estímulo e se manifesta por meio de opiniões. É uma característica facilmente mutável, a partir do momento que o estímulo ou o comportamento em relação a ela também mude; • as aptidões: referem-se ao potencial para a realização das tarefas e atividades, ou seja, a habilidade para realizar determinadas tarefas. Distingue-se de pessoa para pessoa e podem ser agrupadas em três categorias: intelectuais, físicas e interpessoais; 20 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • a inteligência: é a capacidade de lidar com a complexidade. Pode ser considerada uma aptidão geral que governa as demais aptidões; • a personalidade: é um conceito dinâmico, que procura descrever o crescimento e o desenvolvimento do sistema psicológico individual. Abrange todos os traços do comportamento e as características fundamentais de cada pessoa; • a biografia: trata das características pessoais como experiência, idade, sexo e situação conjugal. 1.5 Equilíbrio organizacional Partindo do princípio de que toda organização é um sistema vivo, gerido por pessoas que se agem e se inter-relacionam para satisfazer necessidades, cada participante de cada grupo tem suas recompensas em troca das quais faz contribuições à organização. Sendo assim, todo participante manterá sua ação participativa na organização na medida em que os estímulos (motivação e incentivo) que lhe são oferecidos forem iguais ou maiores do que as contribuições que lhe são exigidos. As contribuições trazidas pelos vários grupos de participantes constituem a fonte na qual a organização se supre e se alimenta dos incentivos que oferece aos participantes. Portanto, a organização continuará existindo somente e enquanto as contribuições forem suficientes para proporcionar estímulos para conduzir os participantes à prestação de contribuições. A base do equilíbrio organizacional está na capacidade de garantir que tanto os incentivos oferecidos como pagamentos a seus participantes, como salários, benefícios sociais, prêmios etc., quanto as contribuições de seus funcionários à organização, como trabalho, esforço, assiduidade, lealdade, dedicação, pontualidade etc., sejam coerentes e satisfatórios a ambos – organização e funcionário. Para tanto, cabe ao administrador de RH identificar um conjunto de estímulos capazes de incentivar e motivar os funcionários e as contribuições de interesse das organizações. Portanto, podemos afirmar que o equilíbrio organizacional depende do intercâmbio entre os incentivos oferecidos e as contribuições como retorno à organização. P E S S O A S O R G A N I Z A Ç Ã O Contribuições Relações de Intercâmbio Estímulos: incentivo/motivação Esforço físico/mental Tempo Conhecimentos Habilidades Lealdade Oportunidades Treinamento Salários Benefícios Sociais Segurança Figura 3 21 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 1.6 Incentivo e motivação Já vimos que os objetivos da organização diferem dos pessoais e, para que tais objetivos não se tornem conflituosos a ponto de prejudicar o desenvolvimento de ambas as partes (pessoas e organização), é necessário que haja uma integração: é preciso que as pessoas, em busca dos seus objetivos pessoais, acabem por realizar os organizacionais. Tal integração é de responsabilidade da alta administração e ela deve fazer a integração, estimulando e incentivando o comportamento adequado das pessoas, para que estas deem à organização a sua maior contribuição possível. Cada contribuição possui um valor de utilidade que varia conforme a organização – uma contribuição pode ser muito útil para uma e pode ser totalmente inútil para outra. 1.6.1 Estímulos: incentivo e motivação As informações captadas e enviadas ao cérebro permitem ao ser humano compreender o mundo ao seu redor. As informações são captadas por um eficiente sistema de rede de nervos que liga o cérebro aos sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. “O conceito de estímulo foi desenvolvido a partir do princípio de forças externas que produzem alterações transitórias ou permanentes sobre os indivíduos. Essas forças referem-se a eventos que podem determinar uma resposta (fisiológica, cognitiva ou motora) do indivíduo ante um determinado estímulo (estressor)” (LAUTERT et al,1999). Incentivo Parte-se do princípio de que as pessoas estão dispostas a cooperar desde que as suas atividades na organização contribuam diretamente para a satisfação de seus objetivos pessoais. São “pagamentos” feitos pela organização aos seus participantes em troca de contribuições. Cada incentivo possui um valor de utilidade que é subjetivo, pois varia de indivíduo para indivíduo – o que é útil e importante para um pode ser inútil e irrelevante para outro. Motivação Motivação pode ser definida como o impulso que cada indivíduo tem para realizar o seu próprio potencial, de forma contínua. Trata-se de necessidades mais elevadas, produtos da educação e da cultura. Devido à busca constante do homem por novas metas, cada vez mais complexas, raramente são satisfeitas em sua plenitude (CHIAVENATO, 1999). A motivação constitui-se de um conjunto de fatores psicológicos, conscientes ou não, de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, que determinam certo tipo de conduta no indivíduo. A motivação está intimamente ligada aos motivos que levam o indivíduo à atividade, ao que se quer da vida. Os motivos são pessoais, intransferíveis e partem do desejo e das necessidades de cada um. Portanto, a motivação na organização só é efetivamente conseguida quando os indivíduos conseguem realizar suas necessidades e seus objetivos de vida, dentro e por meio do próprio trabalho. 22 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 A motivação se refere, então, ao comportamento que é impulsionado por necessidades internas e que é dirigido a objetivos que podem satisfazer essas necessidades. Satisfeita uma necessidade, segundo Maslow, surge outra em seu lugar e assim por diante, contínua e indefinidamente. Com base em Maslow, as necessidades podem ser simplificadas em: • necessidades fisiológicas: estão relacionadas à sobrevivência do indivíduo, como fome, sede, sono, atividade física e outras; • necessidades psicológicas: desenvolvem-se e sofisticam-seao longo da vida do indivíduo, como necessidade de segurança, afeição, relacionamento e autoconfiança; • necessidades de autorrealização: síntese de todas as outras, este tipo de necessidades é o impulso que leva cada um de nós a realizar o seu próprio potencial, de estar em contínuo auto-desenvolvimento. Quando falamos em incentivos, estamos nos referindo a instrumentos de possam satisfazer as necessidades extrínsecas/fisiológicas. Quando estamos abordando necessidades intrínsecas, próprias de cada indivíduo, os estímulos trabalham sobre as necessidades psicológicas e de auto-realização. Nesse sentido, a motivação na organização só e possível em ambientes em que confiança e lealdade estejam no centro das relações, devendo prevalecer a ética e o respeito mútuo entre as pessoas, na medida em que não exista medo de qualquer natureza e, principalmente, onde haja esforço contínuo das lideranças para compatibilizar os objetivos pessoais com os organizacionais. Motivação é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada maneira ou que dá origem a uma propensão a um comportamento específico, podendo este impulso à ação ser provocado por um estímulo externo (provindo do ambiente) ou também ser gerado internamente e nos processos mentais do indivíduo, diz Chiavenato (1999). Ciclo motivacional Estímulo Necessidade (vontade/desejo) tensão que expressa motivo à ação Atitude (tomada de decisão) Esforço determinação Comportamento (ação) orientada para o objetivo Figura 4 1.6.2 Comportamento O comportamento das pessoas dentro da organização é complexo, porquanto depende de fatores internos, decorrentes de suas características de personalidade (como: capacidade de aprendizagem, motivação, percepção desenvolvida pela capacidade de interpretar bem os ambientes externo e interno, atitudes, gerenciamento das emoções, valores) e fatores externos, decorrentes do ambiente que envolve 23 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS as características organizacionais, como sistemas de recompensas e punições, fatores sociais, políticas organizacionais, relacionamento e coesão grupal. Segundo Chiavenato (1998, p.77), podem ser definidas três suposições para explicar o comportamento humano, por estarem intimamente relacionadas com o processo de motivação: • o comportamento humano é causado, existe uma causalidade do comportamento. Tanto a hereditariedade como o meio ambiente influem decisivamente sobre o comportamento das pessoas. Ele é causado por estímulos internos ou externos; • o comportamento é motivado, há uma finalidade em todo comportamento humano. Ele não é casual, nem aleatório, mas sempre orientado e dirigido para algum objetivo; • o comportamento humano é orientado para objetivos pessoais. Subjacente a todo comportamento existe sempre um impulso, um desejo, uma necessidade, uma tendência, expressões que servem para designar seus motivos. Podemos observar, assim, que a motivação é o grande gerador de desempenho. O comportamento humano é fundamentalmente orientado por objetivos, sejam eles conscientes ou inconscientes. Fica clara, nesse sentido, a importância de se associarem as atitudes motivacionais a esses objetivos. As necessidades, os desejos e os objetivos, que são os fatores motivacionais, vão influir diretamente no comportamento do indivíduo e, consequentemente, no desempenho das tarefas dentro da organização. Lembrete Lembre-se de que incentivo e motivação são estímulos para o comportamento. 2 ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS 2.1 Conceito de ARH Sem as pessoas e sem as organizações não haveria ARH (Administração de Recursos Humanos). A administração de pessoas é conceituada como um conjunto de técnicas administrativas que visam obter, aperfeiçoar e manter os recursos humanos necessários ao funcionamento da empresa. Decenzo; Robbins (2001) definem a Administração de Recursos Humanos (ARH) como a parte da organização que trata da dimensão pessoas. Esses autores propõem um sistema baseado em quatro funções básicas: 1. preenchimento de cargos (recrutá-los); 2. treinamento e desenvolvimento (prepará-los); 3. motivação (estimulá-los); 4. manutenção (mantê-los na organização). 24 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Os objetivos dessas quatro funções envolvem: 1. preenchimento de cargos: planejamento estratégico de recursos humanos, recrutamento e seleção; 2. treinamento e desenvolvimento: orientação, treiname nto do empregado, desenvolvimento do empregado e desen volvimento da carreira; 3. motivação: aplicação de teorias de motivação e desenho do cargo, avaliação de desempenho, recompensas e remuneração, benefícios dos empregados; 4. manutenção: segurança e saúde, comunicações, relações com os empregados. Chiavenato (1989) conceitua a ARH como sendo subsistemas interdependentes que formam um processo por meio do qual os recursos humanos são captados e atraídos, aplicados, mantidos, desenvolvidos e controlados pela organização. Esses subsistemas são estabelecidos por contingentes ou situacionais: variam conforme a organização e dependem de fatores ambientais, organizacionais, humanos, tecnológicos etc. Dutra (2002) define a gestão de pessoas como “um conjunto de políticas e práticas que permitem a conciliação de expectativas entre a organização e as pessoas para que ambas possam realizá-las ao longo do tempo”. Esse autor faz a seguinte conceituação sobre políticas e práticas: • políticas, como princípios e diretrizes que balizam decisões e comportamentos da organização e das pessoas em sua relação com a organização; • práticas, como os diversos tipos de procedimentos, métodos e técnicas utilizados para a implementação de decisões e norteamento das ações no âmbito da organização e em sua relação com o ambiente externo. Administração de pessoas ou gestão de pessoas é o conjunto de decisões integradas sobre as relações de emprego que influenciam a eficácia dos funcionários e das organizações. “Assim, todos os gerentes são, em certo sentido, gerentes de pessoas, porque todos eles estão envolvidos em atividades como recrutamento, entrevistas, seleção e treinamento. A gestão de pessoas é um conjunto integrado de processos dinâmicos e interativos.” São eles para Chiavenato (2005, p. 4): • prover pessoas; • aplicar pessoas (socialização; descrição e análise de cargos; avaliação); • manter pessoas; • desenvolver pessoas; • monitorar pessoas . 25 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 2.2 Planejamento de RH Planejamento estratégico de Recursos Humanos é uma projeção de como a empresa vai adquirir e utilizar seus recursos humanos em prol do alcance dos objetivos organizacionais. De acordo com Belchior (1972) qualquer planejamento compreende as seguintes fases: 1. definição e equacionamento preliminar do problema; 2. elaboração das diretrizes básicas do planejamento; 3. fixação inicial dos objetivos; 4. colheita preliminar de dados; 5. realização de levantamentos e pesquisas; 6. estabelecimento de projeções e previsões; 7. análise e discussão dos dados; 8. apresentação de alternativas ou opções; 9. escolha das alternativas; 10. formulação do plano e seus desdobramentos. O planejamento de Recursos Humanos tem como base o planejamento estratégico da organização e atua na garantia de que a empresa possua a quantidade e a qualidade correta de mão de obra, objetivando a realização dos objetivos organizacionais. O planejamento dos recursos humanos é uma técnica para determinar de forma sistemática para provisão e demanda de funcionários que são necessários na organização. Para a elaboração do planejamento estratégico do RH, Fischmann; Almeida (1990) propõem as seguintes etapas: • Avaliaçãoda estratégia vigente – trata‑se da identificação da estratégia que a empresa vem adotando em relação aos seus recursos humanos e envolve aspectos como remuneração oferecida em comparação com o mercado externo, política de benefícios, treinamento para os diversos níveis de trabalhadores; além de analisar se as estratégias de recursos humanos estão coerentes e o que será alcançado. • Avaliação do ambiente — visa identificar os predicados necessários ao profissional do futuro; se haverá falta de algum tipo de profissional para a empresa futuramente; verificar quais os objetivos pessoais que os profissionais esperam que a organização torne possível alcançar. 26 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • Estabelecimento do perfil estratégico — refere‑se ao delineamento dos objetivos e estratégias, onde o departamento de Recursos Humanos deverá levar em consideração não só os seus próprios interesses,como também inseri‑los no contexto empresarial global. • Quantificação dos objetivos — o RH deverá estimar o quanto está sendo despendido numericamente com salários, treinamentos, benefícios, avaliando a viabilidade da implementação dos objetivos propostos na etapa anterior. • Finalização — denomina‑se a etapa onde é criado um relatório sobre o plano estratégico, em geral, redigido pela alta administração; este plano deve ser discutido com as diversas áreas da empresa, especialmente com a área de Recursos Humanos. • Divulgação — diz respeito à transmissão dos planos estratégicos às pessoas que tenham um nível decisório na empresa e uma divulgação mais ampla a todos os funcionários por meio da área de Recursos Humanos, que deverá esclarecer a importância das medidas e sua interação com a avaliação de desempenho dos funcionários. • Preparação da organização — são as modificações não apenas materiais, mas também de estrutura de pessoal. • Integração como plano tático — qualquer estratégia, para ser implantada, necessita ser inserida no plano tático, como, por exemplo, a definição do orçamento. O departamento de Recursos Humanos deverá avaliar se os orçamentos iniciais foram mantidos no plano tático e os impactos de eventuais cortes ou alterações no orçamento sobre o planejamento estratégico de RH. • Acompanhamento — é o controle que deverá ser feito por todas as áreas, especialmente a área de Recursos Humanos, que deverá estar atenta às formas de realização de tudo o que foi planejado. As vantagens do planejamento dos recursos humanos são: • melhorar a utilização dos recursos humanos; • permitir a coincidência de esforços do departamento de pessoal com os objetivos globais da organização; • economizar nas contratações; • expandir a base de dados do pessoal para apoiar outros campos; • coadjuvar na implementação de programas de produtividade, mediante a contribuição de pessoal mais capacitado. 27 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS corrigir / evitar excesso de pessoal corrigir / evitar falta de pessoal Objetivos e Estratégias Organizacionais objetivos e estratégias de RH Etapa 1: avaliar os atuais recursos humanos Etapa 2: prever as necessidades de recursos humanos comparação Etapa 3: desenvolver e implementar planos de recursos humanos Figura 5 2.3 Objetivos de ARH Os objetivos da ARH, segundo Chiavenato (2004), derivam dos objetivos da organização inteira. Toda organização tem como um de seus principais objetivos a criação e a distribuição de algum produto (como um bem de produção ou de consumo) ou de algum serviço (como uma atividade especializada). Ao lado dos objetivos organizacionais, a ARH deve considerar os objetivos pessoais dos participantes. A administração de recursos humanos tem por objetivos principais: 1. criar, manter e desenvolver um contingente de pessoas com habilidades, motivação e satisfação para realizar os objetivos da organização; 2. criar, manter e desenvolver condições organizacionais de aplicação, desenvolvimento e satisfação plena das pessoas, e alcance dos objetivos individuais; 3. alcançar eficiência e eficácia por meio das pessoas. As pessoas podem ampliar ou limitar as forças e fraquezas de uma organização, dependendo da maneira como eles são tratadas. Para que os objetivos da Gestão de Pessoas sejam alcançados, é necessário que os gerentes as tratem como elementos básicos para a eficácia organizacional. Cabe à Gestão de Pessoas: 1. Ajudar a organização a alcançar seus objetivos e realizar sua missão. 28 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 2. Proporcionar competitividade à organização. 3. Proporcionar à organização empregados bem treinados e bem motivados. 4. Aumentar a autoatualização e a satisfação dos empregados no trabalho. 5. Desenvolver e manter qualidade de vida no trabalho. 6. Administrar a mudança. 7. Manter políticas éticas e comportamento socialmente responsável1. O processo de planejamento e a abordagem de diagnóstico na gestão de pessoas analisar as condições externas, organizacionais e as características dos funcionários; definir a visão e formular os objetivos da GP baseados na eficiência e na equidade, de acordo com as dimensões básicas dos parceiros envolvidos no processo; definir a estratégia da GP, escolher as atividades e definir os recursos necessários; checar os resultados pela avaliação das novas condições, de acordo com os objetivos definidos, e reiniciar o processo por meio de um planejamento eficiente. Abordagem de diagnóstico Questões de Planejamento Onde estamos? Aonde queremos chegar? Como chegar ao objetivo? Como fizemos? Onde estamos agora? Figura 6 2.4 O papel da administração de recursos humanos O papel da ARH é de desenhar e implementar o sistema de Gestão de Pessoal , de maneira que seja capaz de integrar todos os processos de agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar pessoas na organização. Isso significa: • obter, treinar, motivar e conservar funcionários competentes; • balancear a oferta de funcionários com a demanda por funcionários; 1Disponível em <www.escolaqi.com.br/professor/downloads/download1516.doc>. 29 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • combinar os talentos e habilidades dos funcionários com aquilo que a organização requer; • criar um ambiente de trabalho que fomente elevado desempenho do funcionário; • atender às necessidades salariais e de benefícios dos funcionários. A gestão de recursos humanos, de acordo com Ulrich (1998), deve desempenhar quatro papéis dentro das empresas, são eles: 1. administração de estratégias de RH que precisam estar ajustadas à estratégia empresarial; 2. administração da infraestrutura da empresa, ou seja, racionalização dos diversos processos de RH; 3. administração da contribuição do funcionário, ou seja, ajudar os funcionários na resolução de seus problemas e necessidades para com isso obter maior envolvimento e competência dos mesmos; 4. administração da transformação para traçar planos de ação, fazendo com que a mudança aconteça. Saiba mais Veja o site da Associação Brasileira de Recursos Humanos em: <http:// www.abrhnacional.org.br/>. 2.5 Principais características e dificuldade na ARH A Administração de Recursos Humanos é uma área de estudos relativamente nova. O profissional de Recursos Humanos é um executivo encontrado nas grandes e médias organizações. Embora a ARH seja perfeitamente aplicável a qualquer porte de organização, ela é interdisciplinar: envolve necessariamente conceitos de psicologia industrial e organizacional, sociologia organizacional, engenharia industrial, direito do trabalho, engenharia desegurança, medicina do trabalho, engenharia de sistemas, cibernética etc., diz Chiavenato (2004). São esses aspectos que dão a esta área um caráter multivariado. Os assuntos tratados pela ARH referem-se tanto a aspectos internos da organização quanto a aspectos externos ou ambientais. 30 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Quadro 2 Ambiente externo Ambiente interno • pesquisa de mercado de trabalho; • análise e descrição de cargos; • recrutamento e seleção; • avaliação de cargos; • pesquisa de salários e benefícios; • treinamento; • relações com sindicatos; • avaliação de desempenho; • relações com entidades de formação profissional; • plano de benefícios sociais; • legislação trabalhista; • plano de carreiras; • etc. • política salarial; • higiene e segurança; • etc. Fonte: Chiavenato (2004). Algumas técnicas são aplicadas diretamente a pessoas que constituem os sujeitos de sua aplicação. Outras são aplicadas indiretamente às pessoas, seja por meio dos cargos que ocupam, seja por planos ou programas globais ou específicos. Técnicas de Administração de Recursos Humanos aplicadas diretamente sobre pessoas aplicadas indiretamente sobre pessoas • recrutamento • entrevista • seleção • integração • avaliação de desempenho • treinamento • desenvolvimento de pessoas cargos ocupados planos genéricos • análise e descrição de cargo • avaliação e classificação de cargo • higiene e segurança • planejamento de recursos humanos • banco de dados • plano de benefícios sociais • plano de carreira • administração de salários Figura 7 31 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 2.5.1 O caráter contingencial da administração de RH Não há leis ou princípios para a administração dos recursos humanos. A ARH é contingencial, ou seja, depende da situação organizacional: do ambiente, da tecnologia empregada pela organização, das políticas e diretrizes vigentes, da filosofia administrativa preponderante, da concepção existente na organização acerca do homem e de sua natureza e, sobretudo, da qualidade e da quantidade dos recursos humanos disponíveis. À medida que mudam esses elementos, muda também a forma de administrar os recursos humanos da organização. Daí o caráter contingencial ou situacional da ARH, que não se compõe de técnicas rígidas e imutáveis, mas altamente flexíveis e adaptáveis, sujeitas a um dinâmico desenvolvimento (Chiavenato, 2004). A Administração de Recursos Humanos – ARH pode ter responsabilidade de linha e função de staff (de assessoria) ao mesmo tempo. Responsabilidade de linha quando está constituída em uma área, departamento, seção ou setor e staff, pois ao mesmo tempo assessora todas as áreas, departamentos, seções e setores. Chiavenato (1999) assinala que seria injusto pensar que essa abordagem moderna de agregar pessoas fosse responsabilidade apenas dos gerentes de linha. Ela é, acima de tudo, uma responsabilidade de toda a equipe, que deverá estar devidamente preparada, com a ajuda de uma consultoria interna e assessoria do órgão de recursos humanos, que exerce seu papel de staff. Quadro 3 Função de staff Responsabilidade de linha • cuidar das políticas de RH; • prestar assessoria e suporte; • dar consultoria interna de RH; • proporcionar serviços de RH; • dar orientação de RH; • cuidar da estratégia de RH. • cuidar de sua equipe de pessoas; • tomar decisões sobre subordinados; • executar as ações de RH; • cumprir metas de RH; • alcançar resultados de RH; • cuidar da tática e operações. Lembrete Lembre-se do caráter multivariado da área de RH para entender melhor as dificuldade e contingências. 2.6 Administração: recursos humanos como um processo 2.6.1 Conceito de processo Processo é um conjunto repetitivo de atividades estruturadas e destinadas a resultar em um produto especificado para um determinado cliente. É uma ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com um começo, um fim, e entradas e saídas claramente identificadas. Para Davemport (1994) processo é um conjunto de atividades estruturadas e medidas destinadas a resultar num produto especificado para um determinado cliente ou mercado. 32 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Quadro 4 Processo Objetivo Atividades Envolvidas Provisão quem irá trabalhar na organização pesquisa de mercado de RH recrutamento de pessoas seleção de pessoas Aplicação o que as pessoas farão na organização integração de pessoas desenho de cargo descrição e análise de cargo avaliação de desempenho Manutenção como manter as pessoas trabalhando na organização remuneração e compensação benefícios e serviços sociais higiene e segurança no trabalho relações sindicais Desenvolvimento como preparar e desenvolver as pessoas treinamento desenvolvimento organizacional Monitoração como saber o que são e o que fazem as pessoas banco de dados/sistema de informação, controles - frequências - produtividade - balanço social Fonte: Chiavenato (2004). O processo é entendido como uma série de atividades que fornecem valor a um cliente. O cliente do processo não é necessariamente um cliente externo da empresa. Ele pode estar dentro da empresa. É o chamado cliente interno. Os processos básicos na gestão de pessoas são: prover, aplicar, manter, desenvolver e monitorar as pessoas. São processos inter-relacionados e interdependentes com uma interação que faz com que qualquer alteração ocorrida em um deles provoque influência sobre os demais, as quais realimentarão novas influências nos outros. Dentro de uma visão sistêmica, os cinco processos podem ser abordados como subsistemas de um sistema maior (CHIAVENATO, 2004). Observação Gestão de Pessoas é um dos processos de apoio segundo a FNQ. 2.7 As políticas de administração de recursos humanos Políticas são orientações para medidas futuras baseadas em experiências passadas, crenças ou valores. Por exemplo: em nossa empresa temos como política de recrutamento admitir pessoas que possuem, no mínimo, o segundo grau completo (FALCONI, 1996, p. 305). Portanto, as políticas são regras estabelecidas para governar funções e assegurar que sejam desempenhadas de acordo com os objetivos desejados. Constituem uma orientação administrativa para impedir que as pessoas desempenhem funções indesejáveis ou que coloquem em risco o sucesso de suas funções específicas. 33 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Política de recursos humanos Resultados finais desejáveis práticas éticas e socialmente responsáveis produtos e serviços competitivos e de alta qualidade qualidade de vida no trabalho influências ambientais externas influências organizacionais internas processos de RH processos de agregar pessoas processos de aplicar pessoas processos de recompensar pessoas processos de desenvolver pessoas processos de manter pessoas processos de monitorar pessoas recrutamento e seleção desenho de cargos, avaliação de desempenho remuneração, benefícios e serviços treinamento, mudanças, comunicação disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida, relação com sindicatos banco de dados, sistema de informações gerenciais Figura 8 Políticas referem‑se às maneiras pelas quais a organização lida com seus membros e por intermédio deles atingir suas metas, permitindo condições para o alcance dos objetivos individuais. Cada organização desenvolve a Política de Recursos Humanos mais adequada à sua filosofia e suas necessidades. Assim, são guias para a ação interna referentes à Gestão de Pessoas. A política de recursos humanos geralmentese expressa por meio de um documento elaborado e divulgado pela alta administração, cujo objetivo é informar sobre como a organização desenvolve sua política de recursos humanos e as diretrizes a serem observadas pelos responsáveis pela condução gerencial dos processos existentes, na análise das questões apresentadas e na tomada de decisões com a finalidade solucioná‑las. As políticas, de forma geral, respondem a um conjunto específico de questões. Exemplos: Política de Recrutamento e Seleção – Quais as informações que deverão ser transmitidas ao órgão de recrutamento e seleção para início de um processo que visa suprir uma vaga em aberto? Quais os critérios gerais que devem ser observados, nos candidatos, para a habilitação no processo ? Onde e como devem ser captados candidatos em potencial? Quais as etapas e objetivos do processo de seleção adotado? Quais os critérios para a avaliação e a identificação dos melhores quadros? Política de Administração de RH — Como deve ser desenvolvido o processo de identificação das atribuições e responsabilidades de cada cargo? Qual a definição dada para escalonar e para valorar, em termos de remuneração, as atribuições? Qual a periodicidade a ser observada pelo sistema de avaliação do desempenho? 34 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Política de Administração do Pessoal — Quais os critérios para concessão de benefícios? Quais a periodicidade e a forma de pagamento adotadas? Quais os critérios a serem observados nas relações sindicais? Os limites de tolerância para faltas e atrasos? O processo de admissão, quais são as principais etapas e documentos a serem exigidos? Política de cargos e salários — Quais os critérios de evolução dos cargos em suas respectivas carreiras? Quais os procedimentos para dimensionar ou redimensionar atribuições e responsabilidades? Como analisar o desempenho individual e do grupo de trabalho para aplicar a remuneração variável? Quais os critérios de planejamento e alocação da força de trabalho disponível? Política de treinamento — Quais os critérios e diretrizes para cadastramento de prestadores de serviços de treinamento? Quais os fatores a serem considerados para a obtenção de reciclagem, via treinamento interno e aqueles proporcionados por terceiros? Quais os aperfeiçoamentos obrigatórios para evolução no sistema interno de carreira? Critérios de diagnóstico das necessidades de treinamento de cada área? Qual o perfil básico dos recursos destacados para ministrarem treinamento na organização2? São seis os processos básicos de que se utiliza a gestão de recursos humanos na execução da tarefa, visando integrar os diversos níveis da organização, tornando possível a execução dos objetivos do empreendimento. 1. Provisão (agregar pessoas) – Esse processo visa determinar quem irá trabalhar na organização (conhecido como processo de recrutamento e seleção). Compreende atividades de: pesquisa do mercado de trabalho, recrutamento dos profissionais que estejam enquadrados no perfil requerido pelo solicitante, seleção daquele que apresenta melhor perspectiva de êxito no desempenho das tarefas que são necessárias ao cargo. 2. Aplicação – Processo que determina o que as pessoas farão na organização (conhecido como administração de recursos humanos). A este processo é atribuída a responsabilidade de descrever o desenho dos cargos (perfil); indicar atribuições, requisitos de habilidades e responsabilidades; direitos e deveres. Descreve, também, os métodos para integração dos novos empregados e os procedimentos que irão avaliar o desempenho de cada um. 3. Manutenção (recompensar pessoas) – Processo que visa manter as pessoas trabalhando na organização (conhecido como administração do pessoal) e que trata dos aspectos que envolvem a remuneração e os benefícios sociais. 4. Desenvolvimento – Processo que visa apoiar o preparo e o desenvolvimento das pessoas dentro da organização, de forma a criar estímulo ao constante aperfeiçoamento profissional e pessoal, tanto no âmbito individual quanto no de grupo em todos os níveis hierárquicos. Conhecido como treinamento e desenvolvimento, tem a responsabilidade de formular e executar a capacitação técnica e psicológica do efetivo para assumir desafios mais complexos na organização. 5. Segurança – Processo que visa estabelecer disciplina e segurança, bem como qualidade de vida no trabalho. Inclui higiene e segurança do trabalho e as relações sindicais. 2 Disponível em <www.marcovanni.kit.net/apostilas/ADM423Resumo01.doc>. 35 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 6. Monitoração – Processo que visa saber como os indivíduos executam as atribuições que lhes são confiadas na organização, identificando pontos fortes e fracos, e dar subsídio à alta administração para a implementação das políticas de incentivo, de treinamento e de substituição. Conhecido como auditoria de pessoal ou avaliação do desempenho3. Esses processos são discutidos nos capítulo seguintes. 3 POLÍTICAS DE PROVISÃO DE RECURSOS HUMANOS 3.1 Processos de provisão de pessoas O processo de provisão de pessoas visa determinar quem irá trabalhar na organização – conhecido como processo de recrutamento e seleção. Suas atividades são: pesquisa ao mercado de trabalho, recrutamento dos profissionais que estejam enquadrados no perfil requerido pelo solicitante, seleção daquele que apresenta melhor perspectiva de êxito no desempenho das tarefas que estão afetas ao cargo. Para compreender como funcionam os processos de provisão, vamos entender como funciona o ambiente em que a organização está inserida e de que modo ela busca as pessoas para inseri-las no seu sistema de trabalho. Política de recursos humanos Resultados finais desejáveis práticas éticas e socialmente responsáveis produtos e serviços competitivos e de alta qualidade qualidade de vida no trabalho influências ambientais externas influências organizacionais internas processos de RH processos de agregar pessoas processos de aplicar pessoas processos de recompensar pessoas processos de desenvolver pessoas processos de manter pessoas processos de monitorar pessoas recrutamento e seleção desenho de cargos, avaliação de desempenho remuneração, benefícios e serviços treinamento, mudanças, comunicação disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida, relação com sindicatos banco de dados, sistema de informações gerenciais Figura 9 3Disponível em <www.marcovanni.kit.net/apostilas/ADM423Resumo01.doc>. 36 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Os processos de provisão estão relacionados com o suprimento de pessoas para a organização. São os processos responsáveis pelos insumos humanos e envolvem todas as atividades relacionadas com pesquisa de mercado, recrutamento e seleção de pessoas, bem como sua integração às tarefas organizacionais. Os processos de aprovisionamento representam a porta de entrada das pessoas no sistema organizacional. Trata-se de abastecer a organização dos talentos humanos necessários a seu funcionamento (CHIAVENATO, 2004). 3.2 Mercado de recursos humanos e mercado de trabalho O mercado de trabalho ou mercado de emprego é constituído pelos trabalhos ou empregos oferecidos pelas organizações, em determinados lugar e época. É basicamente definido pelas organizações e suas oportunidades de emprego. Quanto maior o número de organizações, em uma região específica, tanto maior o mercado de trabalho e seu potencial de disponibilidade de vagas e oportunidades de emprego. O mercado de trabalho pode ser segmentado por setores de atividades, por categorias (empresas metalúrgicas, de plásticos, bancos, financeiras etc.), por tamanhos(organizações grandes, médias, pequenas e microempresas) ou ainda por regiões (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Recife etc). Cada um desses segmentos tem características próprias. emprego → significa a utilização do trabalho humano. É a situação da pessoa que trabalha para uma organização ou para outra pessoa em troca de remuneração. mercado de trabalho → é o conjunto de empregos. subemprego → emprego com remuneração muito baixa e sem as garantias trabalhistas. Em economia, o termo emprego designa o uso dos fatores de produção, que incluem a terra e o capital, além do trabalho. O desemprego e o subemprego atingem principalmente os países em desenvolvimento. O mercado de trabalho funciona em termos de oferta e procura, ou seja, disponibilidade de empregos e demanda de empregos, respectivamente. Oferta maior do que a procura A oferta maior do que a procura representa excesso de ofertas de emprego por parte da organização e escassez de candidatos para preenchê-las. Consequências para a organização: • forte investimento em recrutamento; • critérios de seleção mais flexíveis; • fortes investimentos em treinamento; • ofertas salariais mais estimulantes; • altos investimentos em benefícios sociais; • ênfase no recrutamento interno; • forte concorrência entre as organizações. 37 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Oferta equivalente à procura Existe um relativo equilíbrio entre o volume de ofertas e o volume de candidatos para preencher as vagas quando a oferta equivale à procura. Oferta menor do que a procura Quando a oferta é menor do que a procura há pouca disponibilidade de ofertas de emprego por parte das organizações; há escassez de oferta de emprego e excesso de candidatos para preencher as vagas. Quadro 5 – Comportamento das organizações em função do mercado de trabalho Situação de oferta Situação de linha • excessiva quantidade de ofertas de vagas; • competição entre as empresas para obter candidatos; • intensificação dos investimentos em recrutamento; • redução das exigências aos candidatos e abrandamento dos investimentos em treinamento; • ênfase no recrutamento interno; • desenvolvimento de políticas de fixação do pessoal (retenção do capital humano); • orientação para as pessoas e para o seu bem-estar; • intensificação dos investimentos em benefícios sociais. • insuficiente quantidade de oferta de vagas; • falta de competição entre empresas; • redução nos investimentos em recrutamento; • aumento das exigências aos candidatos e maior rigor no processo seletivo; • redução nos investimentos em treinamento; • ênfase no recrutamento externo; • desenvolvimento de políticas de substituição do pessoal (melhoria do capital humano); • orientação para o trabalho e para a eficiência; • redução ou congelamento dos investimentos em benefícios sociais. Fonte: Chiavenato (2004). Saiba mais Veja em <http://www.mte.gov.br/geral/estatisticas.asp> diversas estatísticas sobre o mercado de trabalho no Brasil. 3.2.1 O mercado de recursos humanos O mercado de recursos humanos é composto pelo conjunto de pessoas aptas ao trabalho em determinado lugar e em determinada época. Pode ser definido pela parcela da população que tem condições de trabalhar, candidatos reais e potenciais, em relação a determinadas oportunidades de emprego: 38 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 candidatos reais — os que estão à procura de oportunidades de emprego, independentemente de estarem ou não empregados; candidatos potenciais — os que, apesar de não estarem procurando oportunidades de emprego, possuem condições de preenchê-las satisfatoriamente. Ao seguimento de operários não qualificados costuma-se dar o nome de mercado de mão de obra, que representa o mercado de recursos humanos constituído de pessoas não qualificadas, sem experiência prévia e sem instrução básica (Chiavenato, 2004). O comportamento das pessoas nas duas situações extremas do mercado de recursos humanos pode ser visto abaixo: Quadro 6 Situação de oferta Situação de linha • excessiva quantidade de candidatos; • competição entre candidatos para obter empregos; • rebaixamento das pretensões salariais; • extrema dificuldade em conseguir emprego; • temor de perder o atual emprego e maior fixação à companhia; • maré baixa nos problemas de absenteísmo; • o candidato aceita qualquer oportunidade, desde que ela apareça; • orientação para a sobrevivência. • insuficiente quantidade de candidatos; • falta de competição entre candidatos; • elevação das pretensões salariais; • extrema facilidade em conseguir emprego; • vontade de perder o atual emprego e menor fixação à companhia; • maré alta nos problemas de absenteísmo; • o candidato seleciona as múltiplas oportunidades; • orientação para melhoria e desenvolvimento. 3.3 Rotatividade de pessoal O termo rotatividade de pessoal, também conhecido por turnover, é definido pela flutuação de pessoal entre uma organização e seu ambiente; em outras palavras, o intercâmbio de pessoas entre a organização e o ambiente é definido pelo volume de pessoas que ingressam e saem da organização. As razões para os desligamentos podem ser diversas, por exemplo: solicitação de demissão por descontentamento com a política organizacional, falta de motivação, busca de melhor oportunidade profissional, uma posição da organização pela busca de profissionais mais capacitados ou pela busca de inovação. As organizações preocupam-se em avaliar as principais causas que levam os funcionários a saírem, assim como quais os fatores que levam a instituição a demiti-los, visto que, além de ser um processo oneroso para a organização, o elevado índice de turnover indica que algo não está indo bem e precisa ser observado e melhorado. 39 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS A rotatividade de pessoal ou turnover é expressa por meio de uma relação percentual entre as admissões e os desligamentos com relação ao número médio de participantes da organização, no decorrer de certo período de tempo. Quase sempre, a rotatividade é expressa em índices mensais ou anuais para permitir comparações, seja para desenvolver diagnósticos ou para tomar providências com caráter preditivo. 3.3.1 Índice de rotatividade de pessoal O cálculo do índice de rotatividade é baseado no volume de entrada e saída do pessoal em relação aos recursos humanos disponíveis na organização. Portanto, quando se trata de medir o índice de rotatividade para efeito do planejamento de recursos humanos, utiliza-se a seguinte equação: A + D IRP = ( ------------ )* 100 I + F ------------ 2 onde A = admissões de pessoal dentro do período considerado (entradas); D = desligamentos de pessoal (tanto por iniciativa da empresa como por iniciativa dos empregados) dentro do período considerado (saídas); EM = efetivo médio dentro do período considerado; pode ser obtido pela soma dos efetivos existentes no início (I) e no final do período (F), dividida por dois. Por exemplo: Admita-se que numa empresa foram feitas em um semestre 45 admissões de pessoal, tendo ocorrido 15 desligamentos de pessoal (tanto por iniciativa da empresa como por iniciativa dos empregados). No início do semestre a empresa tinha 1200 funcionários e ao final, 1230. A + D 45 + 15 IRP = ( ------------ )* 100 → IRP = ( -------------------- )* 100 I + F 1200 + 1230 ------------ --------------------2 2 60 IRP = ( ------------ )* 100 → IRP = 0,0494*100 = 4,94% 1215 40 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Nesse exemplo o Índice de Rotatividade de Pessoal é de 4,94%. O índice de rotatividade de pessoal exprime um valor percentual de empregados que circulam na organização em relação ao número médio de empregados. Assim, se o índice de rotatividade de pessoal for de, por exemplo, 4,94%, isto significa que a organização pode contar somente com 95,06% de sua força de trabalho naquele período. Para poder contar com 100% (cem por cento), a organização precisaria planejar um excedente de 5% (cinco por cento) de pessoal para compensar esse fluxo. Quando se trata de analisar as perdas de pessoal e suas causas, não se consideram as admissões (entradas) no cômputo do índice de rotatividade de pessoal, mas somente os desligamentos, sejam por iniciativa da organização ou dos empregados (Chiavenato, 2004). D IRP = ( ------------ )* 100 I + F ------------ 2 Outra fórmula de rotatividade de pessoal bastante utilizada pelas organizações é: D IRP = ( ------------------------ )* 100 I 1+ I 2 + ... +I n ------------------------ n Onde: D = demissões nos n meses In = números de empregados no início do mês n N = número de meses do período 3.3.2 Diagnóstico das causas da rotatividade (turnover) A rotatividade de pessoal, diz Chiavenato (2004), não é uma causa, mas um efeito, a consequência de certos fenômenos localizados interna ou externamente à organização que condicionam a atitude e o comportamento do pessoal. Portanto, é uma variável dependente daqueles fenômenos internos e/ou externos à organização. São eles: Fenômenos externos • situação de oferta e procura de recursos humanos no mercado; • a conjuntura econômica; • as oportunidades de empregos no mercado de trabalho. 41 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Fenômenos internos • a política salarial da empresa; • a política de benefícios da organização; • o tipo de supervisão exercido sobre o pessoal; • as oportunidades de crescimento profissional oferecidas pela organização; • o tipo de relacionamento humano dentro da organização; • as condições físicas ambientais de trabalho da organização; • o moral do pessoal da organização; • a cultura organizacional da empresa; • a política de recrutamento e seleção de recursos humanos; • os critérios e programas de treinamento de recursos humanos; • a política disciplinar da organização; • os critérios de avaliação do desempenho; • o grau de flexibilidade das políticas da organização etc. As informações a respeito desses fenômenos internos e externos são obtidas por meio das entrevistas de desligamentos feitas com as pessoas que se retiram para diagnosticar as falhas e corrigir as causas que estão provocando o êxodo do pessoal. É importante salientar que toda organização tem certa rotatividade que pode ser positiva ou negativa. Porém, se observarmos que as pessoas não adaptadas, não eficientes, ou seja, os funcionários não essenciais, estão deixando a empresa, a rotatividade terá aspecto positivo. A organização terá a oportunidade de substituição de um funcionário de baixo desempenho por outro capacitado. Olhando pelo aspecto positivo, isso pode aumentar as chances para a organização trazer ideias novas, estendendo a flexibilidade de aprendizagem organizacional e diminuindo a necessidade de demissões. 3.3.3 Custos da rotatividade Um dos problemas que o executivo de ARH encontra em economia competitiva é saber até quando vale a pena perder recursos humanos e manter uma política salarial relativamente conservadora. Muitas vezes, na manutenção de uma política salarial restritiva, o fluxo incessante de recurso humanos, por meio de uma rotatividade de pessoal elevada, pode sair muito mais caro. Trata-se, então, de avaliar a alternativa mais econômica. A rotatividade de pessoal envolve vários custos, como: custos primários, custos secundários e custos terciários, conforme Chiavenato (2004): 42 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Motivos para se evitar a rotatividade • custos de recrutamento: requisição, propaganda, visitas a escolas, pesquisa de mercado; • custos de seleção: entrevista, aplicação de provas de conhecimento, tempo dos selecionadores, checagem de referências, exames médicos; • custos de treinamento: programas de integração, orientação, custos diretos de treinamento, baixa produtividade durante o período de treinamento; • custos de desligamento: programas de salários e quitação de direitos, programas de benefícios, entrevistas de desligamentos. Custos primários da rotatividade de pessoal Os custos primários da rotatividade são custos diretamente relacionados à rotatividade das pessoas, e são os seguintes: Custo de recrutamento e seleção • despesas de emissão e processamento da requisição de empregado; • despesas de manutenção dos órgãos de recrutamento e seleção (salários do pessoal de recrutamento e seleção, encargos sociais, horas extras, material de escritório, aluguéis pagos etc.); • gastos com anúncios em jornais, folhetos de recrutamento, honorários de empresas de recrutamento, material de recrutamento, formulários etc.; • gastos com testes de seleção e avaliação de candidatos; • despesas de manutenção dos órgãos de serviços médicos (salário do pessoal da enfermaria, encargos sociais, horas extras etc.), rateadas pelo número de candidatos submetidos a exames médicos de seleção. Custo de registro e documentação • despesas de manutenção do órgão de registro e documentação de pessoal (salários, encargos sociais, horas extras, material de escritório, aluguéis pagos etc.); • gastos com formulários, documentação, anotações, registros, processamento de dados, abertura de conta bancária etc. Custo de integração • despesas do órgão de treinamento (se for o órgão responsável pela integração do pessoal recém-admitido na organização; se a integração for descentralizada pelos vários órgãos do 43 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS sistema de recursos humanos da organização – recrutamento e seleção, treinamento, serviço social, psicólogo, higiene e segurança etc.); deve-se fazer o rateio pelo tempo proporcional aplicado ao programa de integração de novos empregados, rateio pelo número de empregados submetidos ao programa de integração; • custo de tempo do supervisor do órgão requisitante aplicado na ambientação do empregado recém-admitido em sua seção. Custo de desligamento • despesas do órgão de registro e documentação relativas ao processamento do desligamento do empregado (anotações, registros, comparecimento, a homologação na Justiça do Trabalho e/ou no Sindicato dos Trabalhadores); • custo das entrevistas de desligamento (tempo do entrevistador aplicado às entrevistas de desligamento, custo dos formulários utilizados, custo da elaboração dos relatórios consequentes); • custo das indenizações pelo tempo anterior à opção pelo FGTS, conforme alguns casos; • custo da antecipação de pagamentos relacionados a férias proporcionais, 13º salário proporcional, aviso prévio (com ou sem a contraprestação do serviço pelo empregado), multa do FGTS – 50% etc. Custos secundários da rotatividade de pessoal Os custos secundários da rotatividade de pessoal são decorrentes dos reflexos da rotatividade. Podem ser destacados: Reflexos na produção: •perda da produção causada pela vaga deixada pelo empregado desligado, enquanto este não for substituído; • produção inferior – pelo menos durante o período de ambientação – à do novo empregado no cargo; • insegurança inicial do novo empregado e sua interferência no trabalho dos colegas. Reflexos na atitude do pessoal: • imagem, atitudes e predisposições que o empregado que está se desligando transmite aos colegas; • imagem, atitudes e predisposições que o empregado que está se iniciando transmite aos colegas; • influência de ambos os aspectos citados sobre o moral e a atitude do supervisor e do chefe; • influência de ambos os aspectos citados sobre a atitude dos clientes e fornecedores. 44 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Custos extra-laborais: • despesas de pessoal extra ou horas extras necessárias para cobrir a vaga existente ou a deficiência inicial do novo empregado; • tempo adicional de produção causado pela deficiência inicial do novo empregado; • elevação do custo unitário de produção com a queda da eficiência média provocada pelo novo empregado; • tempo adicional do supervisor aplicado na integração e no treinamento do novo empregado. Custos extra-operacionais: • custo adicional de energia elétrica, devido ao índice reduzido de produção do novo empregado; • custo adicional de lubrificação e combustível, devido ao índice reduzido de produção do novo empregado; • custo adicional de serviços de manutenção, utilidades, planejamento e controle de produção, expediente etc., que se torna mais elevado perante o índice reduzido de produção do novo empregado; • acréscimo de acidentes, e, consequentemente, de seus custos diretos e indiretos, devido à sua intensidade maior no período de ambientação inicial dos recém-admitidos; • acréscimo de erros, refugos e problemas de controle de qualidade provocados pela inexperiência do novo empregado. Custos extra-investimentos: • aumento proporcional das taxas de seguros, depreciação do equipamento, manutenção e reparos em relação ao volume de produção, redução em face das vagas existentes ou a recém-admitidos em período de ambientação e treinamento; • aumento do volume de salários pagos aos novos empregados e, consequentemente, de reajustes de todos os demais empregados, quando a situação do mercado de trabalho é de oferta, intensificando a competição e a oferta de salários iniciais mais elevados no mercado de recursos humanos. Perda nos negócios: • reflexos na imagem e nos negócios da empresa, provocados pela qualidade dos produtos ou serviços executados por empregados inexperientes em fase de ambientação. 45 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS A rotatividade de pessoal pelos seus inúmeros e complexos aspectos negativos, quando acelerada, torna-se um fato de perturbação. Principalmente quando forçada pelas empresas no sentido de obtenção de falsas vantagens em curto prazo. O certo é que a médio e longo prazos a rotatividade provoca enormes prejuízos à organização, ao mercado e à economia como um todo, e, principalmente, ao empregado tomado individual ou socialmente, em relação à sua família. 3.4 Absenteísmo O absenteísmo, também denominado ausentismo, é uma expressão utilizada para designar as faltas ou ausências dos empregados no trabalho, incluindo a famosa meia falta (quando o empregado vai trabalhar apenas na parte da tarde). Em um sentido mais amplo, é a soma dos períodos em que os empregados da organização se encontram ausentes do trabalho, seja por falta, seja por atraso, devido a algum motivo interveniente. Refere-se a ausência nos momentos em que o empregado deveria estar trabalhando normalmente (Chiavenato, 2004). É importante observar que o absenteísmo nem sempre tem suas causas no funcionário, às vezes, essas causas podem estar na organização, como: • supervisão/gerenciamento deficiente; • empobrecimento das tarefas; • falta de estímulo (incentivo e motivação); • condições, incluindo ambiente, desagradáveis; • falta de integração funcionário x organização. As causas do absenteísmo são variadas e necessitam de estudos/análises. As causas do absenteísmo, segundo Chiavenato (2004), são: 1. doença efetivamente comprovada – com atestado médico; 2. doença não-comprovada – exemplo: gripe; 3. razões diversas de caráter familiar – doença, problemas financeiros etc.; 4. atrasos involuntários por motivos de força maior; 5. faltas voluntárias por motivos pessoais; 6. dificuldades e problemas financeiros; 7. problemas de transporte; 46 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 8. baixa motivação para trabalhar; 9. supervisão precária da chefia; 10. políticas inadequadas da organização. 3.4.1 Cálculo do índice de absenteísmo ‑ segundo Chiavenato O índice de absenteísmo reflete a percentagem do tempo não trabalhado em decorrência das ausências em relação ao volume de atividade esperada ou planejada. H * d PARADOSIA = ------------------------ * 100 EM * dTRABALHO Onde: IA= índice de absenteísmo H*dparados= quantidade de homens-dia perdidos por ausência no trabalho EM = efetivo médio calculado por I + F ------------- 2 Exemplo: Numa empresa trabalham 10 pessoas. Uma delas faltou ao trabalho dois dias e duas outras, três dias cada. Considere-se o mês com 22 dias úteis. H * d PARADOSIA = ------------------------ * 100 EM * dTRABALHO (1 * 2) + (2 * 3) 8 IA = ---------------------- * 100 → IA = ------------ * 100 = 3,64% 10 + 10 220 ------------ * 22 2 Fórmula para calcular o absenteísmo, incluindo atrasos e meias faltas, substituindo dias por horas: H * h PARADOSIA = ------------------------ * 100 EM * hTRABALHO 47 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS IA= índice de absenteísmo H*dparados= quantidade de homens-hora perdidos por ausência no trabalho EM= efetivo médio calculado por I + F ------------- 2 Exemplo: O exemplo anterior serve, agora, considerando-se horas, em vez de dias. Numa empresa trabalham 10 pessoas. Uma delas faltou ao trabalho dois dias (16 horas) e duas outras, três dias cada (24 horas). Considere-se o mês com 22 dias úteis (176 horas). H * h PARADOSIA = ------------------------ * 100 EM * hTRABALHO (1 * 16) + (2 * 24) → IA = -------------------------- * 100 10 + 10 ------------ * 176 2 64 → IA = ---------- * 100 = 3,64% 1760 O índice deve considerar determinado período: semana, mês ou ano. Algumas organizações o calculam diariamente para comparações dos dias da semana. Na computação do índice de absenteísmo sugerimos duas abordagens complementares: a. Índice de absenteísmo sem afastados: refere-se ao pessoal em atividade normal, considerando-se apenas as faltas e os atrasos transformados em horas, mas relacionados com: • faltas justificadas por motivos médicos; • faltas por motivos médicos não justificadas; • atrasos por motivos justificados ou não justificados. 48 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 b. Índice de absenteísmo com afastados: é um índice puro relativo ao pessoal afastado por um período de tempo prolongado: • férias; • licença de toda espécie;• afastamentos por doença, por maternidade e por acidentes do trabalho. Trata-se de um índice de absenteísmo misto, pois inclui ausências legalmente amparadas. A escolha do índice mais adequado depende da finalidade com que se pretenda utilizá-lo4. 3.4.2 Administração do absenteísmo e da rotatividade Quando a rotatividade assim como o absenteísmo são causados pela insatisfação dos funcionários com relação à organização, a sugestão é que os gestores de RH façam uma análise sobre os programas motivacionais, sobre o clima organizacional e sobre as expectativa dos seus funcionários com relação ao seu papel e à execução de suas funções na organização. Hackman; Oldham (1980) fizeram uma análise das condições básicas para promover o alto potencial motivador e a satisfação no ambiente de trabalho e determinaram como essas condições podem ser criadas. Sugeriram para isso três condições necessárias para a motivação interna, chamadas “estados psicológicos críticos”, processos que ocorrem no interior das pessoas e não podem ser influenciados durante o gerenciamento do trabalho. A saber: • conhecimento dos resultados do seu trabalho; • responsabilidade percebida pelos resultados do seu trabalho; • significância percebida do seu trabalho. Sendo essas propriedades subjetivas, os autores definiram, ainda, propriedades objetivas do trabalho que podem ser avaliadas, mensuradas e modificadas e que promovem mudanças nos três estados psicológicos. São cinco as características do trabalho: • variedade de habilidade; • identidade da tarefa; • significação da tarefa; • autonomia; • feedback do trabalho. 4Disponível em: <http://www.obcursos.com.br/downloads/RH_STF.pdf>. 49 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Os itens apresentados podem promover a motivação, porquanto geram satisfação com o crescimento individual e com a realização da potencialidade, ao se perceber capaz de realizar tarefas de alta complexidade. Algumas práticas organizacionais que visam aumentar o comprometimento dos colaboradores são citadas por Walton (apud Vroom, 1997): • a remoção de níveis hierárquicos da produção; • o aumento da esfera de controle dos gerentes; • a integração das atividades de qualidade e produção nas camadas mais inferiores das empresas; • as combinações das operações de produção e manutenção, abrindo novas oportunidades de carreiras para os trabalhadores; • a disponibilidade de informações sobre os negócios da empresa, estimulando a participação de todos e a criação de atividades que envolvam maior responsabilidade e mais flexibilidade. Essas são atitudes e procedimentos que a organização pode adotar para evitar a rotatividade e o absenteísmo organizacional. É preciso mudar o cenário organizacional, zelando pela administração de recursos humanos de forma eficiente, com um planejamento adequado. Compreendendo que esses recursos tão importantes não são apenas o pessoal que a organização trabalha, mas, principalmente, a própria organização. Para tanto, é necessário um cuidado especial na escolha de quem serão as pessoas que integrarão as equipes de trabalho e, o primeiro passo a ser dado é o recrutamento. Lembrete É importante ressaltar a necessidade de administrar os índices de absenteísmo e rotatividade para melhorar a gestão organizacional. 3.5 Recrutamento Recrutamento é um conjunto de técnicas e procedimentos que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes para ocupar cargos dentro da organização. É um sistema de informação por meio do qual a organização divulga e oferece ao mercado de recursos humanos as oportunidades de emprego que pretende preencher. Conforme Marras (2000, p.70), o recrutamento envolve um processo que varia conforme a organização. O início do processo de recrutamento depende de decisão de linha. Entende-se, assim, que o RH não tem autoridade de efetuar qualquer atividade de recrutamento sem a devida tomada de decisão por parte do departamento que possui a vaga a ser preenchida. Portanto, como o recrutamento é uma função de staff, as providências dependem da decisão da linha, que é oficializada por meio de uma requisição de pessoal. Para Marras (2000, p.71), o recrutamento são as instâncias que devem ser exploradas na busca de recursos humanos para abastecer o processo seletivo da empresa. 50 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Observação O recrutamento requer um cuidado no planejamento que podemos dividir em três fases: • o que a organização precisa em termos de pessoas; • o que o mercado de recursos humanos pode oferecer; • onde localizar as fontes de recrutamento de pessoas no mercado e quais as técnicas de recrutamento aplicar. Chiavenato (1999, p. 54) afirma que o problema básico do recrutamento é diagnosticar e localizar as fontes supridoras de recursos humanos no mercado que lhe interessam especificamente, para concentrar seus esforços de recrutamento. O recrutamento é o processo de gerar um conjunto de candidatos para um cargo específico. Ele deve anunciar a disponibilidade do cargo no mercado e atrair candidatos qualificados para disputá-lo. O mercado no qual a organização tenta buscar os candidatos pode ser interno, externo ou uma combinação de ambos Chiavenato (1999, p. 92). Podemos adotar dois tipos de recrutamento: interno e externo. • interno: quando aborda candidatos reais ou potenciais aplicados na própria empresa; • externo: quando aborda candidatos reais ou potenciais, disponíveis no mercado ou aplicados em outras empresas; sua consequência é uma entrada de recursos humanos. Segundo Chiavenato (1995), o recrutamento pode ser dividido em três formas: interno, externo ou misto. • o recrutamento interno é feito na própria empresa; quando surge uma vaga, seu preenchimento se dá por meio de remanejamento de empregados, promoção, transferência ou transferência com promoção; • o recrutamento externo é aquele feito fora da organização, isto é, a empresa busca candidatos disponíveis no mercado ou atuantes em outras empresas; • o recrutamento misto é a consequência de um recrutamento interno, que provavelmente irá gerar uma nova vaga desta pessoa transferida, devendo assim se fazer um recrutamento externo. 51 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 3.5.1 Recrutamento interno Recrutamento interno é aquele que atua sobre os candidatos que estão trabalhando dentro de uma organização, a fim de promovê-los ou transferi-los para outras atividades mais complexas ou mais motivadoras. O recrutamento interno, em geral, é usado principalmente para buscar chefes dos primeiros níveis de supervisão. Na opção pelo recrutamento interno devem-se considerar os resultados: • dos testes de seleção; • das avaliações de desempenho; • dos programas de treinamento; • da análise da descrição do cargo atual e do vago; • do exame do plano de carreira; • da verificação das condições de promoção/transferência. A sugestão é que o primeiro passo na procura de pessoal seja sempre por meio do recrutamento dentro da empresa, que não deve ser confundido com o recrutamento por meio dos funcionários. Essa política, se adotada efetivamente, oferece diversas vantagens e desvantagens. Vantagens do recrutamento interno: • o potencial humano da organização é melhor aproveitado; • o desenvolvimento dos funcionários atuais é motivado; • incentiva a permanência e a fidelidade dos funcionários à organização; • ideal para situações de estabilidade e pouca mudança ambiental; • não requer socialização organizacional de novos membros; • probabilidade de melhor seleção, pois os candidatos são conhecidos; • custa menos do que fazer recrutamento externo. Vantagens do recrutamento interno,segundo Carvalho (1997): Proximidade: por já estar integrado à empresa, o aspirante ao posto de trabalho onde atua na organização torna-se um candidato em potencial com maiores possibilidades de êxito no preenchimento da vaga anunciada pela companhia. 52 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Economia: com o recrutamento interno, as despesas em anúncios e agendas deixam de existir, tornando seus custos bem menores em relação ao recrutamento externo. Rapidez: pela proximidade e pela identificação entre os vários quadros de pessoal da própria organização, o preenchimento de vagas disponíveis torna-se bem mais rápido. Conhecimento: é comum depararmos com deficiências e Iimitações no processo de referências de empregos anteriores quando da triagem de candidatos de fora da firma. Isso, via de regra, não ocorre com candidatos já empregados na empresa, pois são avaliados em seu desempenho, conhecendo-se melhor seus hábitos, limitações e méritos. Promoção: o recrutamento interno é um excelente incentivo à oportunidade de fazer carreira na empresa. Essa situação gera um maior interesse por parte dos empregados, os quais desejam ser treinados com maior intensidade no sentido de aproveitar as vagas disponíveis. Desvantagens do recrutamento interno: • pode bloquear a entrada de novas ideias, experiências e expectativas; • o conservantismo é facilitado e a rotina atual favorecida; • mantém quase inalterado o atual patrimônio humano da organização; • ideal para empresas burocráticas e mecanísticas; • a cultura organizacional existente é conservada; • funciona como um sistema fechado de reciclagem contínua. A maior vantagem do recrutamento interno está na política de valorização do profissional, haja vista a elevação do moral interno. O reconhecimento otimiza o aprimorando dos funcionários com relação a seus conhecimentos, aumentando suas capacitações e, seguramente, estimula os demais colaboradores a buscar a excelência. Outro fator de vantagem do recrutamento interno é que, mesmo que se contrate o melhor candidato externo, não se terá garantia de que o seu desempenho será bom, visto que uma série de variáveis ligadas a sua adaptação no novo ambiente organizacional poderá influenciar no desempenho do candidato. Com o candidato interno essa adaptação ocorrerá em menor grau de risco ou dificuldade. 3.5.2 Recrutamento externo As organizações recorrem a fontes externas, em geral, para os cargos de auxiliares do nível mais baixo, operários não qualificados, funções raras e muito especializadas, trainees de gerência, para sua expansão e também para o preenchimento de posições cujas especificações não podem ser satisfeitas pelo pessoal existente na empresa. Quando uma organização opta por uma política de recrutamento externo, pode-se entender que ela possui um turnover excessivo, ou não acredita no potencial do seu pessoal. Isso ocorre, principalmente, porque a organização não tem um sistema de capacitação, 53 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS treinamento e desenvolvimento de pessoal, ou, ainda, devido a uma grande expansão em seus negócios. Porém, nem sempre o recrutamento externo é menos favorável do que o recrutamento interno. Quadro 7 – Diferença entre recrutamento interno e externo Recrutamento interno Recrutamento externo * Os cargos vagos são preenchidos por funcionários que são selecionados e promovidos dentro da organização. Os cargos vagos são preenchidos por candidatos externos que são selecionados e ingressam na organização. * Os candidatos são recrutados dentro dos quadros da própria organização. * Os candidatos são recrutados externamente no mercado de recursos humanos. * Os candidatos já são conhecidos pela organização, passaram por testes de seleção, passaram por programas de treinamento e foram avaliados quanto ao seu desempenho. * Os candidatos são desconhecidos pela organização e precisam ser testados e avaliados pelo processo seletivo. * As oportunidades de emprego melhor são oferecidas aos próprios funcionários, que podem subir a postos melhores e desenvolver sua carreira profissional dentro da organização. * As oportunidades de emprego são oferecidas ao mercado, cujos candidatos podem disputá-las. Adaptado de: Chiavenato (2004). Vantagens do recrutamento externo: • introduz sangue novo na organização: novos talentos, habilidades; • enriquece o patrimônio humano, pela incorporação de novos talentos e habilidades; • aumenta o capital intelectual ao incluir novos conhecimentos e destrezas; • renova a cultura da organização e a enrique com novas aspirações; • incentiva a interação da organização com o MRH; • indicado para enriquecer mais intensa e rapidamente o capital intelectual. Desvantagens do recrutamento externo: • afeta negativamente a motivação dos atuais funcionários da organização; • diminui a fidelidade dos funcionários ao oferecer oportunidades a estranhos; • requer aplicação de técnicas seletivas para escolha dos candidatos externos, o que cria custos operacionais; 54 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • exige esquemas de socialização organizacional; • é mais custoso, demorado e inseguro do que o recrutamento interno. 3.5.3 Recrutamento misto Segundo Chiavenato (1995), uma empresa nunca faz um recrutamento interno sem fazer um recrutamento externo. Um sempre deve complementar o outro, pois quando um funcionário muda de posição, automaticamente um cargo ficará vago. O recrutamento misto pode ser adotado por três funções: inicialmente recrutamento externo seguido de recrutamento interno; e recrutamento externo e recrutamento interno concomitantemente. 3.5.4 Fontes de recrutamento Entre os meios mais comumente usados para fontes externas encontram-se as seguintes técnicas de recrutamento: • Anúncios: podem ser abertos com a identificação da empresa ou fechados. Podem ser inseridos em veículos específicos como jornais e revistas técnicas, especificas ou não e jornais de grande circulação. Os anúncios têm forte impacto no mercado, mas com pouca duração e, como fator negativo, requerem um sistema de apoio para recepção e triagem inicial; • Arrendamento: contratar pessoal especializado terceirizado por determinado período de tempo ou em definitivo, essa prática tem sido adotada com grande frequência em nossos dias; • Agências de emprego: existem agências e empresas especializadas para cuidar da procura de pessoal no mercado com grande capacidade de cadastro de candidatos. Embora seja um recurso mais caro, as agências encaminham os profissionais pré-selecionados; • Contato com escolas, universidades: muitas organizações fazem diligências especiais para estabelecer relações construtivas com alunos e administradores de faculdades. Nesse caso, as instituições de ensino indicam os candidatos de acordo com o perfil intelectual, o desempenho escolar e a dinâmica pessoal para solução de problemas; • Cartazes ou anúncios locais ou quadros de aviso na portaria: são editais colocados nos locais de trânsito dos funcionários para divulgar oportunidades de trabalho dentro da empresa, é uma técnica simples e barata; • Apresentação de candidato por indicação de funcionários: quando os empregados da organização são solicitados a recomendar candidatos a emprego; • Sindicatos de empregados: a mão de obra organizada e sindicalizada constitui uma fonte importante de empregados; 55 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • Consulta aos arquivos de candidatos: candidatos que se apresentam tanto no portão da organização, como por meio do correio, além de um sistemasimples e barato, costumam trazer retornos vantajosos para a organização; • Banco de dados de candidatos: formado a partir de currículos recebidos para consultas de acordo com as necessidades; • Recrutamento fechado: visa manter confiabilidade do nome da empresa, via Internet; • Nepotismo: a contratação de parentes será um componente inevitável dos programas de recrutamento em organizações que são propriedades de família; • Consultoria de replacemente: consultoria contratada por profissionais que necessitam de recolocação no mercado de trabalho. Esse tipo de consultoria é muito parecida com o outplacement, e os honorários equivalem a um salário do profissional recolocado; • Consultoria de outplacement: consultorias dedicadas a recolocar, especialmente, profissionais que estão em processo de desligamento da organização. Esse tipo de consultoria tem como cliente somente empresas; • Headhunter (caçadores de cabeças): trabalha somente com cargos do topo da pirâmide organizacional, como presidente, diretor. Saiba mais O serviço prestado pelas empresas de headhunters é bastante interessante. Acesse o site http://headhuntersbrazil.com/pt-br/ e conheça uma lista de várias empresas que buscam executivos no país. As técnicas de recrutamento citadas são os veículos por meio dos quais a organização divulga a existência de uma oportunidade de trabalho. São fundamentalmente meios de comunicação. Essas técnicas são escolhidas de acordo com os fatores custo e tempo e, ainda, de acordo com o veículo mais indicado para o recrutamento externo. Quanto maior a urgência para o recrutamento do candidato, maior será o custo da técnica a ser aplicada. Portanto, quando o recrutamento externo é desenvolvido de maneira contínua e sistemática, a organização pode dispor de candidatos a um custo menor dentro do processo. Fator custo representa a disponibilidade financeira de que a organização dispõe para realizar um processo de recrutamento e seleção. Fator tempo determina a exigência temporal, solicitação feita pela área solicitante, assim como determina, pela necessidade temporal, o método de recrutamento mais adequado. Esses dois fatores correspondem, principalmente, ao recrutamento externo. 56 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 3.6 Seleção A seleção tem como objetivo escolher, entre os candidatos atraídos pelo recrutamento, aqueles que correspondem ao perfil do cargo desejado pela empresa. Para Chiavenato (1999), a seleção busca, dentre os vários candidatos recrutados, aqueles que são mais adequados aos cargos existentes na organização, visando manter ou aumentar a eficiência e o desempenho do pessoal, bem como a eficácia da organização. Para Marras (2002, p.79), o processo de seleção de pessoal baseia-se fundamentalmente na análise comparativa de dois itens, que são: • especificações do cargo (“o que o cargo requer”) – variável obtida por meio da análise e descrição do cargo, para saber quais os requisitos que o cargo exige de seu ocupante; • características do candidato (“o que o candidato oferece”) – variável obtida por meio da aplicação de técnicas de seleção, para saber quais as condições pessoais para ocupar o cargo. Após a comparação entre as características exigidas pelo cargo e as oferecidas pelos candidatos, o processo de seleção apenas deve verificar quem é aceito ou não para o cargo ao qual estão sendo comparados. É frequente, no processo de seleção, vários candidatos apresentarem condições aproximadamente equivalentes para serem indicados para ocupar o cargo. Nesse caso, Chiavenato (1999, p.108) recomenda que, como o órgão de seleção não pode impor ao órgão requisitante a aceitação dos candidatos aprovados no processo de comparação, o mesmo pode apenas prestar o serviço especializado, aplicando as técnicas de seleção, e recomendar aquele candidato que julgar mais adequado ao cargo, ressaltando que é de responsabilidade do órgão requisitante a decisão final: aprovar ou rejeitar os candidatos apresentados. A seleção nem sempre significa escolher os que revelam aptidões ou capacidades nos índices mais elevados. É simplesmente a escolha dos melhores, daqueles que convêm a um determinado plano de ação, pois que os escolhidos, muitas vezes, não são os de nível mais elevado, e sim os mais adequados a uma situação predeterminada, diz Santos (1985, p.161). As técnicas de seleção permitem uma avaliação das características pessoais dos candidatos por meio de amostras de seu comportamento. Para isso, Milkovich (2000, p.111) afirma que é fundamental compreender a ligação entre os objetivos da organização e a estratégia de seleção. Ele verifica também a importância de ela partir diretamente da análise das metas organizacionais que indicarão os papéis e contribuições necessárias para o trabalho que determinarão as características a serem buscadas nos candidatos e que, finalmente, guiarão as escolhas dos métodos de seleção e da avaliação da sua eficácia. Depois de reunidas as informações sobre o cargo a ser preenchido, o passo seguinte é a escolha das técnicas de seleção para conhecer e escolher os candidatos adequados. Elas se agrupam em cinco categorias: entrevistas, provas de conhecimento ou capacidade, testes psicométricos, testes de personalidade e técnicas de simulação (Chiavenato, 1999, p.114). Segundo Robbins (2000, p.236), dois requisitos são fundamentais para os métodos de seleção a serem utilizados, um dos quais é a validade, pois deve haver uma relação comprovada entre o dispositivo de seleção e algum critério relevante. Além de ser válido, um dispositivo de seleção deve demonstrar confiabilidade, ou seja, indicar se o dispositivo mede constantemente a mesma coisa. 57 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Nesse sentido, Gross; Lima (2004) dizem que, na prática, as empresas utilizam geralmente mais de uma técnica de seleção, dependendo do cargo a ser ocupado. Cada uma pode auxiliar as demais, fornecendo um amplo conjunto de informações sobre o candidato e representando um preditor para um bom desempenho futuro do cargo. Como afirma Balerini apud Cross; Lima (2004): “Independentemente do instrumento utilizado, uma coisa é certa: nenhum deles, sozinho, consegue avaliar profundamente um candidato. Essas técnicas se complementam e podem fornecer uma visão mais ampla do profissional que se busca no mercado”. 3.6.1 Seleção por competências Segundo Gross; Lima (2004), os processos seletivos que envolvem a verificação dos perfis de competências estão ganhando espaço cada vez maior nas empresas, pois as competências comportamentais têm sido foco do mercado de trabalho. Antigamente, se observava apenas a habilidade técnica do profissional. Mas, hoje, esse quadro mudou. Balerini (2003) afirma que a organização precisa ter previamente definidas as competências essenciais consideradas sustentadoras de seus negócios. Normalmente, essas competências são formadas por: • competências intrínsecas ou estruturais — que constituem as características inerentes aos seres humanos e representam a estrutura de personalidade do indivíduo, sua maneira de ser e de agir: adaptabilidade, integridade profissional, autoconfiança, autocontrole, capacidade analítica, capacidade de comunicação, capacidade de influência, capacidade de direção e controle, capacidade de realização, comprometimento, empatia, dinamismo, habilidade social, inovação; • competências de gestão ou empresariais — representam a capacidade para gerenciar as complexidades inerentes ao papel profissional, compreendendo conceitos e procedendo a análises: pensamento estratégico e habilidades de fazer julgamentos rápidos em situações ambíguas ou novas, avaliação e controle do trabalho em equipe, capacidade de desenvolver pessoas, cooperação, entendimento de processos, gestãode mudanças, negociação, planejamento, tratamento das informações, visão estratégica; • competências técnicas — referentes aos conhecimentos técnicos relacionados ao negócio, considerando-se que o conhecimento é a base do desempenho eficiente e eficaz; é a capacidade de compreensão dos fatos ao ter que tomar decisões assertivas, fazendo uso da experiência. Normalmente, as empresas escolhem, no máximo, dez competências para serem avaliadas e as aplicam em um ou dois candidatos finalistas. As principais vantagens da seleção por competências apresentadas por Rabaglio apud Balerini (2003) são: • a da seleção realizada com maior foco e objetividade por meio de uma ferramenta consistente e de fácil utilização; • mais consistência na identificação de comportamentos específicos relevantes para a vaga; • maior facilidade de avaliação de desempenho futuro; 58 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • boa probabilidade de adequação do profissional à empresa e à atividade a ser desempenhada; • rotatividade mais baixa e aumento de produtividade; • fortalecimento da parceria entre a área de seleção e a área requisitante; • aumento da credibilidade da área de seleção para os clientes internos e externos. 3.6.2 Seleção como um processo de comparação Esta técnica também é utilizada para apoiar o processo de recrutamento, visto que possibilita uma primeira triagem antes da seleção. Nessa técnica se avaliam os requisitos em x e “y”, sendo “x” requisitos do cargo a ser preenchido e “y” perfil das características do candidato. • x – requisitos do cargo a ser preenchido; y – perfil das características do candidato; • Se x > y – o candidato não atinge as condições ideais para ocupar um cargo determinado; • Se x = y – o candidato reúne as condições ideais para ocupar um determinado cargo; • Se x < y – o candidato reúne mais do que as condições exigidas pelo cargo. 3.6.3 Seleção por meio da identificação das características pessoais do candidato Interdependência com outras tarefas: • atenção abrangente e dispersa; • visão global; • facilidade para coordenação; • espírito de integração; • resistência à frustração; • iniciativa própria etc. 3.6.4 Técnicas de seleção • Análise curricular Corresponde a uma das primeiras fases do processo de seleção e visa fazer uma pré-seleção dos candidatos, eliminando os que não tenham os pré-requisitos desejados pela organização. Depois de uma 59 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS pré-seleção, faz-se uma análise cuidadosa do currículo de cada candidato para que as próximas fases sejam direcionadas a seus conhecimentos, habilidades e atitudes específicas. Observação As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) são muito utilizadas em análises curriculares. Quadro 8 Entrevista de seleção * entrevista estruturada * entrevista não estruturada Provas de conhecimento ou de capacidade * gerais * cultura geral * línguas * específicos * conhecimentos técnicos * cultura profissional Testes psicológicos * testes de aptidões * gerais * específicas Testes de personalidade * expressivos * projetivos * inventários * de motivação * de interesses Técnicas de simulação * psicodrama * dramatização (role playing) • Entrevista de seleção Para Chiavenato (1999, p.100), a entrevista de seleção é a técnica mais amplamente utilizada independentemente do porte da empresa. Afirma ainda que, embora careça de base científica e se situe como a técnica mais subjetiva e imprecisa de seleção, a entrevista pessoal é aquela que mais influencia a decisão final a respeito dos candidatos, e que, como todo processo de comunicação, a entrevista sofre de todos os males – como ruído, omissão, distorção, sobrecarga e, sobretudo, barreiras - sendo imprescindível o treinamento adequado dos entrevistadores para uma melhor construção do processo de entrevista. Portanto, os entrevistadores devem ser treinados, preparar previamente a entrevista (pesquisar sobre o cargo e ler os currículos), escolher bem o ambiente de sua realização, não fugir de seu conteúdo e atentar para o comportamento do candidato. 60 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Entradas * perguntas * estímulos * respostas * reações Saídas entrevistador (tomada de decisão) entrevistado (caixa preta) Figura 10 Segundo Dessler (1998), a entrevista é de longe o procedimento mais amplamente usado no processo de seleção, pois o contato pessoal é uma das melhores formas de se extraírem conclusões da pessoa que será inserida no processo de trabalho da organização. • Dicas para entrevistar pessoas no processo de seleção: É muito importante estar preparado para fazer uma entrevista. Primeiramente, leia atentamente, e com antecedência, o currículo do candidato. Anote suas dúvidas e pontos que precisam ser esclarecidos. • Roteiro para a entrevista: — liste 15 a 20 perguntas sobre as experiências profissionais anteriores do candidato; — liste 5 perguntas sobre a vida acadêmica e idiomas; — termine a entrevista, sempre, perguntando sobre hobbies e atividades que demonstrem as habilidades de convivência e de trabalho em grupo. Segundo Hajjar (2006): 1. Se o candidato foi bem treinado, ele vai contar sobre grandes projetos como se ele tivesse sido o grande responsável por tudo. Você vai ter que extrair dele qual foi, EXATAMENTE, a participação dele. Em alguns casos você vai ter que perguntar 2 ou 3 vezes até obter a resposta exata. 2. Teste sempre o candidato, por exemplo, se o currículo diz que ele fala Inglês, então fale 5 minutos em inglês com ele. Pergunte sempre: • “Você estudou na universidade tal? Quem eram seus professores?” – já peguei muito candidato que não conseguia lembrar do nome dos professores – o que é um mau sinal. 61 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • “Trabalhou naquela empresa? Quem você conhece lá?” – aqui existe um espaço enorme para descobrir as pessoas com quem o candidato se deu bem ou não, e identificar um pouco do perfil psicológico dele. • “Tem hobby? Gosta de ler? Qual o último livro que você leu?” – todo mundo diz que os hobbies são cinema e leitura, mas não conseguem falar o nome do último filme ou livro que leram – mau sinal... 3. Avise ao candidato que você ligará para a empresa onde o candidato trabalhava para pedir referências, mas faça realmente isso. Marras (2000) diz que o processo da entrevista deve ser sempre conduzido com extremo profissionalismo. Por um lado o candidato deve ser levado a agir como alguém que pretende, de maneira séria, “vender” um produto: seu conhecimento, sua maneira de ser, suas habilidades e suas experiências. Por outro lado, o selecionador deve passar a imagem de alguém disposto a ouvir com atenção e interesse todo o depoimento, questionar com inteligência, colocar sutilmente o candidato em situações de avaliação e, finalmente, não permitir expectativas antecipadas com relação ao resultado da entrevista. Numa entrevista, os campos de pesquisa sobre a bagagem pessoal (CHA – conhecimento, habilidade e atitude) de um indivíduo são: personalidade, vida profissional, educacional e social. • Tipos de entrevistas: — Entrevista totalmente padronizada (estruturada): possui um roteiro preestabelecido, visa obter respostas definidas e fechadas. — Entrevista padronizada apenas nas perguntas: possui perguntas previamente elaboradas, mas que permitem resposta aberta (checklist). — Entrevista diretiva: é a entrevista que determina o tipo de resposta desejada, embora as perguntasfiquem a critério do entrevistador. — Entrevista não diretiva: entrevista totalmente livre e que não especifica nem as questões nem as respostas requeridas. Provas de conhecimento ou capacidade Avaliam o nível de conhecimentos gerais e específicos dos candidatos exigido pelo cargo a ser preenchido. Procuram medir o grau de conhecimentos profissionais e técnicos, ou ainda, constituem amostras de trabalho que são utilizadas como testes para verificar seu desempenho. Em decorrência de sua enorme variedade, as provas de conhecimento ou de capacidade são classificadas quanto a: sua forma de aplicação (provas orais, escritas e provas de realização), 62 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 sua abrangência (provas gerais ou específicas) e organização (provas tradicionais ou objetivas) (Cross; Lima, 2004). As provas podem ser referentes aos conhecimentos gerais, como cultura geral, línguas, e específicos: cultura profissional e conhecimento técnico. • Testes psicométricos Segundo Chiavenato (1999, p.122), os testes psicométricos constituem uma medida objetiva e estandardizada de uma amostra do comportamento no que se refere a aptidões da pessoa. São utilizados como medida de desempenho e se baseiam em amostras estatísticas de comparação, sendo aplicados sob condições padronizadas. Os testes psicométricos focalizam principalmente as aptidões. Servem para determinar o quanto elas estão presentes em cada pessoa com a finalidade de prever o seu comportamento em determinadas formas de trabalho. Baseiam-se nas diferenças individuais das pessoas e analisam o quanto variam as aptidões de um indivíduo em relação às estatísticas de resultados em amostras (Cross; Lima, 2004). • Testes de personalidade É importante salientar que tanto a aplicação como a interpretação de testes de personalidade exige a presença de um psicólogo. Esses testes revelam certos aspectos das características superficiais das pessoas, como aqueles determinados pelo caráter (traços adquiridos ou fenotípicos) e os determinados pelo temperamento (traços inatos ou genotípicos). Existem diversos tipos de testes de personalidade. Entre eles, os mais utilizados são Wartegg, Rorschard, PMK, Machovere da árvore de Koch. • Técnicas de simulação As técnicas de simulação são essencialmente técnicas de dinâmica de grupo. A principal técnica de simulação é o psicodrama, que se fundamenta na teoria geral dos papéis: cada pessoa põe em ação os papéis que lhes são característicos sob forma de comportamento, seja isoladamente, seja na interação com outra ou outras. Muitas organizações utilizam as técnicas de simulação como complemento do diagnóstico: além dos resultados das entrevistas e dos testes psicológicos, o candidato é submetido a uma situação de dramatização de algum acontecimento, geralmente relacionado ao futuro papel que desempenhará na organização, o que fornecerá uma expectativa mais realista acerca de seu comportamento no futuro cargo. Contudo, as técnicas de seleção devem ser necessariamente conduzidas por psicólogos, e não por leigos (Cross; Lima, 2004). • Verificação de referências Procura-se obter informações pessoais e profissionais do candidato, objetivando comprovar a veracidade dos dados fornecidos e aprofundar o nível de informações referentes ao desempenho profissional dos candidatos nos empregos anteriores. Essas informações podem ser adquiridas pessoalmente, por meio de contato telefônico ou carta de referência. 63 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Na identificação das características pessoais do candidato é necessário dar atenção especial a: • interdependência com outras pessoas; • relacionamento humano; • habilidade interpessoal; • colaboração e cooperação; • quociente emocional; • liderança de pessoas; • facilidade de comunicação. É impressionante a correlação existente entre organizações bem-sucedidas e o fato de elas delegarem totalmente o processo seletivo para seus gerentes e suas respectivas equipes de trabalho, em uma postura de administração participativa. É que a administração participativa se caracteriza por um gerenciamento de pessoas descentralizado, a fim de que cada gerente torne-se gestor de pessoas, isto é, gestor de seus subordinados. Mais do que isso, cada gerente administra os demais recursos com a ajuda de sua equipe de trabalho, diz Chiavenato (2004). 4 POLÍTICAS DE APLICAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS 4.1 Políticas de aplicação em RH O processo de aplicação determina o que as pessoas farão na organização - conhecido como ADMINISTRAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS. A esse processo é atribuída a responsabilidade de descrever o desenho dos cargos (perfil); indicar atribuições, requisitos de habilidades e responsabilidades; direitos e deveres. Descreve, também, os métodos para integração dos novos empregados e os procedimentos que irão avaliar o desempenho de cada um. Já foi visto que políticas são orientações para medidas futuras baseadas em experiências passadas ou em crenças ou valores. Ou seja: políticas são regras estabelecidas para governar funções e assegurar que sejam desempenhadas de acordo com os objetivos desejados. Constituem uma orientação administrativa para impedir que as pessoas desempenhem funções indesejáveis ou que coloquem em risco o sucesso de suas funções específicas. Neste capítulo são vistas as políticas referentes aos processos de aplicar pessoas, basicamente processos referentes a desenhos de cargos e avaliação de desempenho. 64 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Política de recursos humanos Resultados finais desejáveis práticas éticas e socialmente responsáveis produtos e serviços competitivos e de alta qualidade qualidade de vida no trabalho influências ambientais externas influências organizacionais internas processos de RH processos de agregar pessoas processos de aplicar pessoas processos de recompensar pessoas processos de desenvolver pessoas processos de manter pessoas processos de monitorar pessoas recrutamento e seleção desenho de cargos, avaliação de desempenho remuneração, benefícios e serviços treinamento, mudanças, comunicação disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida, relação com sindicatos banco de dados, sistema de informações gerenciais Figura 11 As políticas de aplicação de pessoas fundamentalmente constituem processos de socialização. A socialização organizacional é o modo como a organização integra seus funcionários à sua cultura, ao seu contexto e ao seu sistema para que esses se comportem de maneira adequada às expectativas da organização. A socialização representa uma importante fase da iniciação do funcionário para moldar um futuro bom relacionamento entre o indivíduo e a organização. Chiavenato (1999) diz que a socialização funciona como elemento de fixação e manutenção da cultura organizacional. Chiavenato (1997) diz, ainda, que socializar é uma forma de estabelecer, junto ao funcionário, bases e premissas com as quais a organização pretende funcionar e como o funcionário poderá colaborar nesse aspecto. No caso da contratação, os gerentes procuram induzir a adaptação do indivíduo às necessidades e objetivos da organização, enquanto o novo participante da mesma busca influenciá-la para criar uma situação de trabalho que lhe gere satisfação e possibilidade para alcançar os seus objetivos pessoais. Esse processo de personalização resulta, muitas vezes, em um conflito com as tentativas de socialização feitas pela organização, pois trata de uma situação em que cada uma das partes tenta influenciar e adaptar a outra de acordo com suas conveniências e propósitos, sendo, dessa forma, bidirecionale recíproco. Porém, no decorrer do tempo, o novo funcionário e o gerente devem aprender a se ajustar um ao outro. 65 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Um programa de socialização deve conter: • assuntos organizacionais: são assuntos de interesse da organização como diretrizes, estrutura, produtos oferecidos, ergonomia, segurança do trabalho; • benefícios oferecidos: horários, dia de pagamento, rotinas; • relacionamento: aspectos voltados ao comportamento esperado; • deveres e responsabilidades do novo participante: responsabilidades, tarefas e metas. Quadro 9 Assuntos organizacionais • as políticas e diretrizes organizacionais; • a estrutura da organização e suas unidades de trabalho; • produtos e serviços oferecidos pela organização; • regras e procedimentos internos; • procedimentos de segurança no trabalho; • arranjo físico e instalações que o funcionário irá utilizar. Benefícios oferecidos • horário de trabalho, descanso e refeições; • dias de pagamento, adiantamento salarial; • programa de benefícios sociais oferecidos pels organização. Relacionamento • apresentação do pessoal. Deveres do novo funcionário • responsabilidades confiadas ao funcionário; • visão geral do cargo; • tarefas; • objetivos do cargo; • metas e resultados a alcançar de acordo com a função. A organização deve preocupar-se em obter/manter um programa de integração que contenha treinamento inicial destinado aos novos membros da organização, para familiarizá-los com a linguagem usual da organização, assim como ajudá-los a compreender os aspectos sociais, técnicos e culturais do local de trabalho onde se discute: • conteúdo do cargo: desempenho e atribuição das tarefas; metas e objetivos; • supervisor tutor: designado para cuidar da integração do novo funcionário; • grupo de trabalho: interação do funcionário atribuída a um grupo de trabalho. Segundo Chiavenato (2005, p.175), as empresas precisam promover a socialização dos novos funcionários, o que pode acontecer por meio de vários programas de integração: 66 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 1. formal ou informal: • formal se dá com programas específicos de integração e orientação; • informal coloca o funcionário imediatamente em seu cargo com pouca ou nenhuma atenção. 2. individual ou coletivo: os membros podem ser socializados individualmente ou em grupo, mas a socialização é processada de maneira idêntica como, por exemplo, no serviço militar. 3. uniforme ou variável: • o programa uniforme estabelece estágios-padrão de transição da etapa inicial de entrante para etapa de funcionário; • o variável não prevê nenhum programa de integração; 4. seriado ou randômico: • seriado utiliza papéis que treinam e encorajam como nos programas de aprendizagem e tutoria; • randômica não utiliza papéis e os novos funcionários atuam por conta própria. 5. reforço ou eliminação: • reforço confirma e apoia certas qualidades e qualificações do novo funcionário para o sucesso no cargo; • socialização por eliminação extingue ou neutraliza certas características indesejáveis do recruta para adaptá-lo ao papel a ser desempenhado. Para Boog (1980, p.273), treinamento de integração se refere a um conjunto de práticas, como reuniões, projeções de filmes ou slides, visitsa às instalações da empresa etc. mais ou menos regulares e semelhantes entre empresas. O programa de treinamento integracional objetiva a ambientação do novo funcionário à empresa, atuando no sentido de “familiarizá-lo” e “ajustá-lo” à empresa, bem como ao seu processo de funcionamento, por meio da facilitação do primeiro contato, fazendo com que ele “vista a camisa”, informando-o e sensibilizando-o. Programas de integração são, portanto, programas intensivos de treinamento inicial destinados aos novos funcionários da organização, com o objetivo de familiarizá-los com sua cultura, sua linguagem usual, seus usos e costumes internos e sua estrutura: as áreas ou departamentos existentes, com os principais produtos e serviços. Objetiva, ainda, preparar o funcionário para compreender a missão da organização, assim como os objetivos organizacionais. O principal objetivo da socialização é fazer com que o novo participante aprenda e incorpore valores, normas 67 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS e padrões de comportamento que a organização considera imprescindíveis e relevantes para um bom desempenho em suas funções e papéis. Manual do funcionário As informações, o sistema de comunicação dentro da organização é uma das principais condições para uma boa motivação no trabalho e para atender a essas condições, uma das ações necessárias é a produção de um manual de integração. O manual se direciona, principalmente, ao comportamento, objetivando integrar o novo funcionário e, muitas vezes, os veteranos, porque é imprescindível que estes últimos também sejam envolvidos com o propósito da empresa: mostrar o sentido que adquire seu próprio trabalho no movimento geral, e ainda, apresentar detalhadamente a organização e elevar o nível de relacionamento. Manual de integração do funcionário 1. Introdução 2. Nossa história 3. Política de recursos humanos 4. Recrutamento, seleção e desenvolvimento de pessoal 5. Administração de cargos e salários 6. Administração de pessoal e benefícios 7. Remuneração e benefícios: – Salário, FGTS – Adiantamento 13º salário – Férias + 1/3 – Licença-maternidade – Salário família – Vale transporte – PLR - Participação nos lucros/resultados – Ausências legais – Assistência médico hospitalar – Auxílio-alimentação, medicamentos, restaurante – Seguro de vida em grupo – Plano de sugestões – Cestas básica e de natal – Adiantamento de salário (empréstimo) 8. Jornada de trabalho 9. Normas de trabalho: – Registro – Registro de ponto – Faltas e atrasos 10. Segurança, medicina e higiene do trabalho: – Segurança do trabalho – Medicina e higiene do trabalho – Ginástica laboral – Comitê de ergonomia 68 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 11. Suas responsabilidades - Sigilo – Preservação do material e equipamentos – Desperdício de material – Atendimento ao cliente – Uso adequado dos recursos da empresa – Telefone 12. Tecnologia da informação 13. Documentação 14. Fumantes 15. Apresentação pessoal 16. Conservação do ambiente 17. Canais de comunicação 18. Palavras finais 4.2 Conceito de cargo Os cargos constituem a base da aplicação das pessoas nas tarefas organizacionais e constitui uma das maiores fontes de expectativas de desenvolvimento, crescimento e motivação nas organizações. Conceituamos cargo como todas as atividades desempenhadas por uma pessoa que podem ser englobadas em um todo unificado e que ocupam uma posição na estrutura da organização. O cargo consiste em um conjunto de deveres e responsabilidades que o tornam separados e distintos dos demais cargos. Segundo Pontes (2002, p.41), cargo “é o agregado de funções substancialmente idênticas quanto à natureza das tarefas executadas e especificações exigidas, o que leva a considerar que numa empresa existe um número muito menor de cargos em relação ao número de funções”. Assim, um cargo se caracteriza em colocar minuciosamente o que cada funcionário desenvolve (o que ele faz, por que ele faz, como ele faz), de maneira a promover um retrato simplificado do conteúdo das principais atividades e responsabilidades. A tarefa, assim como a atribuição, é toda atividade individualizada e executadapor um ocupante de determinado cargo. Enquanto função é um conjunto de tarefas ou de atribuições exercido de maneira mais sistemática e reiterado por um ocupante de cargo. 4.3 Descrição de cargos É de suma importância que a empresa tenha sua análise e descrição de cargos para conhecer as características, as habilidades, as aptidões e os conhecimentos que precisam ter os funcionários, para melhor administrá-los (Chiavenato, 1999). A análise e a descrição de cargos é a base fundamental de todo e qualquer trabalho de administração de recursos humanos, pois dá subsídios para o recrutamento e seleção, treinamento, administração de salários e avaliação de desempenho. 69 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Áreas de Atuação níveis hierárquicos responsabilidade autoridade cargo Figura 12 Descrever um cargo é proceder de maneira a enumerar as tarefas ou atribuições que compõem um cargo e que o tornam distinto de todos os outros existentes na organização. A descrição de cargos detalha o que o funcionário faz, quando faz, como faz, onde faz e por que faz. Ela preocupa-se com aspectos gerais da área funcional (Chiavenato, 1997). A avaliação de desempenho tem como indicador o alcance de objetivos anteriormente determinados (Lucena, 1992) e as estruturas de carreira passam a permitir um trânsito maior do indivíduo de uma área para outra, o que possibilita o desenvolvimento multifuncional (Dutra, 1996). Em todas essas práticas, novamente o cargo passa para segundo plano e em primeiro vem a estratégia da empresa e o potencial do indivíduo. Paschoal (2001) entende que devido à divisão do trabalho e consequente especialização funcional, as necessidades básicas de recursos humanos para a organização, seja em quantidade ou em qualidade, são estabelecidas por meio de um esquema de descrição e especificações de cargos. As descrições de cargos relacionam as tarefas, os deveres e as responsabilidades, enquanto as especificações se preocupam com os requisitos necessários ao ocupante. Portanto, descrever um cargo significa relacionar as tarefas, os deveres e as responsabilidades, enquanto as especificações se preocupam com os requisitos necessários ao funcionário. Exemplo das Informações contidas na descrição de cargo • título do cargo; • responsabilidades como um todo, incluindo tarefas a serem realizadas que darão subsídios à formulação do conteúdo do cargo; • relações: reporta-se a quem supervisiona quem, tem contato com quem, trabalha com quais departamentos (organograma); • qualificações: nível de escolaridade, graduação, experiência profissional, requisitos físicos exigidos. 70 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 4.4 Análise do cargo Feita a descrição do cargo, o próximo passo é a análise. A análise de cargo estuda e determina todos os requisitos qualificativos, as responsabilidades envolvidas e as condições exigidas para o desempenho adequado do cargo. Analisar um cargo significa, portanto, buscar informação a respeito do que o funcionário faz e os conhecimentos, habilidades e capacidades que ele precisa ter para desempenhar o cargo com eficiência. Isso é feito por meio de um processo sistemático de coletar dados para tomar decisões a respeito de cargos. A análise concentra-se em quatro áreas de requisitos, que podem ser aplicadas, em geral, a qualquer tipo ou nível de cargo: 1. Requisitos mentais – instrução necessária, experiência anterior, iniciativa, aptidões; 2. Requisitos físicos – esforço físico, concentração visual ou mental, destreza ou habilidades, compleição física; 3. Responsabilidades – supervisão de pessoas; material, equipamento ou ferramental; dinheiro, títulos ou documentos; contatos internos ou externos; 4. Condições de trabalho – ambiente físico, riscos de acidentes. Cada uma dessas áreas de requisito é dividida em vários fatores de especificações. Esses fatores, por meio de um tratamento estatístico, poderão ser transformados em fatores de avaliação de cargos. Dessa forma, a análise de cargos pode ser montada dentro de um esquema de padronização que facilitará a coleta de informações. Segundo Pontes (1996), a avaliação de cargos é o processo de analisar e comparar o conteúdo de cargos no sentido de colocá-los em uma ordem de classes, as quais podem ser usadas como base para um sistema de remuneração. Todavia, é uma técnica projetada para assessorar o desenvolvimento de uma nova estrutura de salários que define as relatividades entre os cargos sobre uma base consciente e sistemática. Em outras palavras, avaliação de cargos relaciona-se fundamentalmente com o preço para o cargo. 4.5 Desenho de cargo Desenho de cargos é a especificação do conteúdo das tarefas, dos métodos para executá-las e das relações com os demais cargos existentes. O desenho de cargos é a maneira pela qual um cargo é criado, projetado e combinado com outros para execução de tarefas maiores. O desenho de cargos representa o modo pelo qual os administradores projetam os cargos individuais e os combinam em unidades e departamentos. Segundo Chiavenato (1999), é uma composição de todas as atividades desempenhadas por uma pessoa - o ocupante - que podem ser englobadas em um todo unificado e que figura em certa posição formal do organograma da empresa. 71 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Princípios do desenho de cargo: • hierarquia; • divisão do trabalho; • amplitude de controle; • disciplina rígida; • unidade de comando; • especialização funcional; • cadeia de comando; • comunicação formal; • valor de acordo com posição hierárquica. Segundo Chiavenato (2002), desenhar um cargo significa, portanto, definir condições fundamentais, como: • qual é o conteúdo ou conjunto de tarefas ou atribuições que o funcionário deverá desempenhar, ou seja, qual é o conteúdo do cargo; • quais os métodos ou como esse conjunto de tarefas ou atribuições deverá ser desempenhado pelo funcionário com relação aos métodos e processos; • quem é o responsável (supervisor, chefe, coordenador) a quem o funcionário que ocupa o cargo deverá reportar-se (superior imediato); • quais as relações com os demais cargos dentro do processo, objetivando satisfazer os requisitos tecnológicos, sociais e os requisitos pessoais do funcionário que ocupa o cargo. Entende-se por conteúdo do cargo as informações que o funcionário precisa obter para realizar as tarefas sob sua responsabilidade: • o que fazer – tarefas e atividades a executar; • quando fazer – periodicidade; • como fazer – processos, métodos, materiais e equipamentos necessários, pessoas envolvidas; • onde fazer – local e ambiente de trabalho; • por que fazer – esta informação caracteriza o valor do cargo, seja: filosófico ou social; objetivos do cargo, metas e resultados. 72 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Conteúdo do cargo o que faz quando faz como faz onde faz por que faz tarefas e atividades a executar periodicidade: diária/semanal mensal anual esporádica por meio de: pessoas máquinas e equipamentos materiais dados e informações local e ambiente de trabalho objetivos do cargo, metas e resultados a atingir Figura 13 4.6 Modelos de desenhos de cargos Os desenhos de cargos começaram a surgir na década de 60, orientados por cientistas comportamentais preocupados com os objetivos organizacionais. Entre eles, podemos citar: • modelo clássico ou tradicional; • modelo humanístico; • modelo contingencial. 4.6.1 Modelo de desenho clássico No início do século XX, os engenheiros, pioneiros no movimento da administração científica, baseavam-se no princípiode que somente por meio de métodos científicos se poderia projetar cargos e treinar pessoas para atingir máxima eficiência possível. Acreditavam que o homem era um mero apêndice da máquina, um recurso produtivo. Trata-se de um modelo de sistema fechado que atende à teoria da máquina, pois dá as pessoas o mesmo tratamento concedido aos equipamentos e recursos físicos. O modelo do desenho clássico projetava a estabilidade, sem mudanças; projetava cargos dentro de uma lógica segmentada e fragmentada, com tarefas simples, repetitivas e facilmente treináveis. 73 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Esse modelo era mecanista/mecanicista. Sem privilegiar os indivíduos e as expectativas pessoais, evitava possíveis conflitos entre os funcionários e a organização. Nesse tipo de organização, frequentemente o trabalho é mecânico e repetitivo. As empresas são planejadas à imagem das máquinas, sendo esperado que os seus funcionários se comportem essencialmente como se fossem partes de uma engrenagem. Segundo Morgan (1996), o princípio de separar o planejamento e a organização do trabalho da sua execução é frequentemente visto como o mais pernicioso e elemento de enfoque de Taylor na administração. Efetivamente “divide” o trabalhador, defendendo a separação entre as mãos e o cérebro. Conforme Taylor gostava de dizer aos trabalhadores; “Não se espera que vocês pensem. Há outras pessoas por perto pagas para pensar.” Os homens nada mais eram do que mãos ou força de trabalho, energia ou força requerida para tocar a máquina organizacional. Modelo mecanicista O modelo mecanicista de desenho de cargo é um modelo apropriado para condições ambientais estáveis, que têm como características: centralização, formalização, predomínio da interação vertical com sistemas de controle simples. Características do modelo: • ênfase na tarefa e em tecnologia; • divisão de trabalho; • cargos ocupados por especialistas • fundamentado na estrutura; • eficiência por meio de método e racionalização do trabalho; • preocupação com o conteúdo do cargo; • baseado em ordens; • disciplina “executa e obedece”, hierarquia rígida; • conceito “homo economicus”; • recompensas salariais e materiais. Modelo contingencial Esse modelo ganhou o nome “contingencial”, porquanto depende da adequação entre as diferenças individuais das pessoas e as tarefas envolvidas. As variáveis desse modelo são a estrutura 74 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 da organização; a tarefa a ser desempenhada e a pessoa que irá desempenhá-la (Hackman, Lawler III; Edward E.). Os autores representam uma abordagem ampla e atual baseada nas cinco dimensões essenciais do cargo: 1. variedade: uso de uma diversidade de equipamentos e procedimentos para tornar o cargo menos repetitivo e menos monótono. 2. autonomia: é o grau de independência e de critério pessoal que o ocupante tem para planejar e executar o trabalho. 3. significado das tarefas: é o reconhecimento que o cargo provoca nas pessoas. 4. identidade com a tarefa: ocorre à medida que a pessoa executa um trabalho total e abrangente, cujo resultado final é um produto seu, uma realização sua, que lhe dá uma noção da totalidade, extensão e do objetivo a alcançar. 5. retroação: é a informação de retorno sobre como está indo na sua atividade, a qual é proporcionada pelo próprio resultado de seu trabalho5. Enriquecimento do cargo As cinco dimensões acima apontadas proporcionam condições para que o funcionário tenha satisfação intrínseca como responsável pelo resultado do cumprimento da tarefa que realiza, provocando, assim, três estados psicológicos nas pessoas: • percepção do significado; • percepção das responsabilidades pelos resultados; • conhecimento dos resultados. O modelo contingencial, diferentemente do clássico, foi projetado para ser dinâmico e com uma contínua ampliação do cargo por meio do enriquecimento de tarefas. Privilegia a responsabilidade dos responsáveis, como supervisores, gerente, coordenadores ou de sua equipe de trabalho. É um modelo, portanto, mutável de acordo com o desenvolvimento dos funcionários e a necessidade da organização. Por enriquecimento da tarefa entende-se “um deliberado aumento da responsabilidade, da amplitude e do desafio do trabalho” (Hersey; Blanchard, 1986, p.77). Para Chiavenato (1983), o enriquecimento de tarefas consiste em uma constante substituição de tarefas mais simples e elementares por mais complexas, a fim de acompanhar o crescimento individual de cada empregado, oferecendo-lhe condições de desafio e de satisfação profissional no cargo. 5 Disponível em: <http://www.partnerh.com.br/rhgeral/>. 75 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Bueno (2002) sugere algumas práticas administrativas que geram motivação e podem enriquecer o cargo/tarefa: Quadro 10 Práticas administrativas Fator motivador • eliminar alguns controles, mas manter a obrigatoriedade de prestar contas; • aumentar a obrigatoriedade de cada empregado prestar contas do seu próprio trabalho; • dar a uma pessoa uma unidade natural completa de trabalho (módulo, divisão, área); • conceder mais autoridade a um empregado em sua atividade; liberdade de cargo; • fornecer relatórios periódicos diretamente ao próprio empregado e não ao superior; • acrescentar tarefas novas e mais difíceis, não executadas anteriormente; • atribuir tarefas específicas ou especializadas a cada um dos empregados, permitindo-lhes que se tornem especialistas. • responsabilidade e realização pessoal; • responsabilidade e reconhecimento; • responsabilidade, realização e reconhecimento; • responsabilidade, realização e reconhecimento; • reconhecimento interno; • desenvolvimento e aprendizagem; • responsabilidade, desenvolvimento e progresso. A partir dessas análises é possível, então, propor o agrupamento dos fatores relacionados à motivação em cinco itens: a. busca do sentido: para sentir-se motivado, é preciso que o trabalhador perceba um sentido em seu trabalho. b. participação: para sentir-se motivado, o trabalhador precisa perceber a possibilidade de expansão de sua dimensão política por meio de um ambiente aberto, propício à autonomia e adequado aos valores sociais. c. educação: para sentir-se motivado é preciso que o trabalhador sinta-se capaz de atingir seus objetivos. 76 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 d. comunicação: para se manter a motivação, é preciso que se estabeleça entre líderes e liderados uma comunicação que preserve a estima. e. reconhecimento: para se manter motivação, é preciso que o trabalhador sinta-se reconhecido em seus êxitos e conquistas. Bueno (2002) sugere 20 itens para enriquecer tarefas, mantendo as pessoas motivadas: 1. Dar aos empregados as informações necessárias para a realização de um bom trabalho. 2. Dar feedback regular aos funcionários. 3. Solicitar ideias aos empregados e envolvê-los em decisões sobre suas funções. 4. Criar canais de comunicação fáceis de usar. 5. Aprender com os próprios funcionários sobre aquilo que os motiva. 6. Aprender quais as atividades desenvolvidas pelos empregados quando dispõem de tempo livre. 7. Cumprimentar pessoalmente o funcionário por um trabalho bem-feito. 8. Reconhecer o poder de sua presença física, em sua posição de gerente. 9. Enviar uma mensagem escrita ao empregado, elogiando seu desempenho. 10. Reconhecer publicamente um trabalho bem-feito. 11. Promover reuniões destinadas a comemorar o sucesso do grupo. 12. Dar ao empregado uma tarefa interessante para executar. 13. Verificar se o empregado dispõedas ferramentas para realizar o melhor trabalho. 14. Reconhecer as necessidades pessoais dos funcionários. 15. Usar o desempenho como base para promoção. 16. Adotar uma política abrangente de promoção dos funcionários. 17. Enfatizar o compromisso da empresa com a manutenção do emprego a longo prazo. 18. Estimular o sentido de comunidade. 77 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 19. Remunerar as pessoas de forma competitiva, em função do que elas fazem. 20. Dar aos funcionários uma razão financeira para serem excelentes. Isto significa incluir participação nos lucros. Modelo contingencial, portanto, depende da adequação entre as diferenças individuais das pessoas e as tarefas envolvidas. As variáveis desse modelo são a estrutura da organização; a tarefa a ser desempenhada e a pessoa que irá desempenhá-la. Por ser dinâmico, encontramos a necessidade de enriquecer o cargo. Esse método gera menor absenteísmo em virtude do comprometimento e sentimento de responsabilidade no cargo. Métodos aplicados: empowerment e downsizing. Empowerment Significa o fortalecimento das pessoas que trabalham em equipe, com responsabilidade total por metas e resultados e completa liberdade para tomar decisões. Empowerment exige pessoas treinadas e capacitadas e impõe as seguintes condições: • envolva as pessoas na escolha de suas responsabilidades; • crie um ambiente de cooperação; • encoraja as pessoas a assumir iniciativa e tomar decisões; • peça opiniões; • saia do meio do caminho; • mantenha a equipe com confiança e o moral elevado. Downsizing O downsizing surgiu como uma necessidade de solucionar o excesso de burocracia, além da morosidade que dificultava a tomada de decisões e a adaptação às novas realidades ambientais. O downsizing é a redução dos níveis da gestão e da dimensão da organização por meio da anulação de áreas produtivas não essenciais, permitindo uma maior flexibilização da estrutura. A aplicação prática do downsizing consistiu, em geral, no corte de custos em áreas consideradas não essenciais, resultando na demissão de funcionários. 4.7 Métodos de avaliação de cargo Segundo Chiavenato (1999), a avaliação de cargos (job evalution) se dá por meio da aplicação de critérios comuns para analisar e comparar seu conteúdo, para colocá-los numa ordem de classes e utilizar um sistema de remuneração. Os métodos de avaliação de cargos mais utilizados são: 78 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 4.7.1 Método de escalonamento (job ranking) O método de escalonamento, de acordo com Carneiro (1970), é o mais antigo de que se tem registro na história da avaliação de cargos. Devido a esse fator, pode-se considerá-lo o mais rudimentar e o mais singelo. Ele resume-se a uma comparação simples entre os cargos. Para tanto, tem que os dispor em um rol crescente em relação a algum critério de comparação. Para sua realização há duas formas: • a primeira seria, respectivamente, por meio de uma definição de critérios para comparação entre os cargos, estabelecer dois pontos extremos para serem colocados em um rol e posteriormente uma comparação dos demais cargos entre si. O escalonamento constitui a própria classificação. • a segunda alternativa seria, após definir os critérios de comparação entre os cargos, definir alguns de referência (cargos-chave) e dispor os mesmos em um rol de forma crescente. Os demais são comparados com eles e dispostos no rol. Assim, o rol dos cargos constitui a própria classificação. 4.7.2 Método das categorias predeterminadas (job classification) O método de categorias predeterminadas constitui uma variação do método do escalonamento simples. Poderia ser denominado método dos escalonamentos simultâneos. Para se aplicar esse método, faz-se necessário dividir os cargos a serem comparados em conjuntos (categorias predeterminadas) que possuam certas características comuns. A seguir, faz-se aplicação do método do escalonamento simples em cada um desses conjuntos ou categorias de cargos. 4.7.3 Método da comparação de fatores (factor comparison) O método da comparação de fatores é constituído pelas seguintes etapas: a) Fazer uma análise de cargos, dos quais serão selecionados os cargos-chave. b) Escolher os fatores de avaliação. Zimpeck (1992) sugere cinco que seriam comuns a todos os cargos da empresa (requisitos mentais, aptidões, requisitos físicos, responsabilidade e condições de trabalho). Porém, por serem fatores generalizados, ressalta a importância de subdivisões, além da definição do significado de cada um, para haver maior clareza. c) Escalonar os cargos e seus salários divididos entre os fatores. Atribuir valores monetários para cada fator de cada cargo, a fim de assegurar coerência entre eles. d) Fazer a montagem da matriz de escalonamento e de avaliação dos fatores que irá mostrar as diferenças relativas entre os cargos. É a escala comparativa de cargos que servirá de base para avaliação de todos os cargos da organização. 79 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Como podemos verificar, esse método utiliza o principio do escalonamento. Esta é uma técnica analítica, no sentido de que os cargos são comparados por meio de fatores de avaliação. Para melhorar a compreensão desse método, abaixo está a criação do método de comparação de fatores atribuída a Eugene Benge (1971) que propôs cinco fatores genéricos, a saber: 1. requisitos mentais; 2. habilidades requeridas; 3. requisitos físicos; 4. responsabilidade; 5. condições de trabalho. O método de comparação por fatores, segundo Fernandes et al (2007), exige as seguintes etapas que devem ser desenvolvidas após a análise de cargos: a. Escolha dos fatores de avaliação: constituem critérios de comparação, isto é, instrumentos de comparação que permitirão escalonar os cargos a avaliar. b. Definição do significado de cada um dos fatores de avaliação: quanto melhor a definição dos fatores, tanto maior a precisão do método. c. Escolha dos cargos de referência: permite as comparações dos cargos. Os cargos de referência são escolhidos para facilitar o manuseio dos fatores de avaliação. d. Escalonamento dos fatores de avaliação: cada cargo referenciado é avaliado por meio do escalonamento dos fatores de avaliação. e. Avaliação dos fatores nos cargos de referência: tomando-se por base os cargos de referência, os fatores devem ser posicionados e ponderados quanto a sua contribuição individual para o total, de modo que a soma total dos salários obtida para um cargo de referência possa ser dividida e considerada em termos absolutos para cada fator. f. Montagem da matriz de escalonamento e de avaliação dos fatores: é a reconciliação dos resultados obtidos na avaliação de fatores com aqueles obtidos no escalonamento original. Deve haver conformidade entre as diferenças relativas indicadas pelo escalonamento e as diferenças absolutas encontradas nas alocações salariais arbitrárias e subjetivas. g. Escala comparativa de cargos: transformação da matriz de escalonamento e de avaliação em cada escala comparativa de cargos. 80 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 4.7.4 Método de avaliação por pontos (point ranking) O método de avaliação de pontos, segundo Zimpeck (1992), é o que tem merecido uma excepcional preferência na generalidade das empresas. Para realizar a avaliação de cargos por meio deste método é necessário: • aplicar fatores capazes de estabelecer diferenças de requisitos entre o grupo de cargos a avaliar, adotando-se uma amostra de cargos em vigor, chamados “cargos-chave”. Esse procedimento se torna necessário devido à quantidadede cargos existentes em organizações de grande porte. • subdividir os fatores em graus, conforme o número de exigências a medir. Os graus são ponderados, recebendo determinado número de pontos de acordo com a sua importância. A soma dos pontos obtidos por um cargo em todos os fatores será a sua avaliação. Apesar de complexo, esse sistema prevê resultados precisos e tem a sua aplicação um pouco mais fácil do que os outros métodos. Segundo Fernandes et al. (2007), esse método é também denominado avaliação por fatores e pontos. Criado pelo americano Merril R. Lott, tornou-se o método de avaliação de cargos mais usado nas empresas. As técnicas são: — analítica: cargos são comparados por meio de fatores de avaliação em suas partes componentes; — quantitativa: são atribuídos valores numéricos para cada elemento do cargo e um valor total é obtido pela soma dos valores numéricos. O método de avaliação por pontos se fundamenta na análise de cargos e exige as seguintes etapas: 1. Escolha dos fatores de avaliação: são os mesmos fatores de especificações escolhidos para o programa de análise de cargos e são constituídos por quatro grupos de fatores: a) requisitos mentais; b) requisitos físicos; c) responsabilidades envolvidas; d) condições de trabalho. 2. Ponderação dos fatores de avaliação: é feita de acordo com a importância relativa de cada fator, já que eles não são idênticos em sua contribuição ao desempenho dos cargos, requerendo ajustamentos compensatórios. 3. Montagem da escala de pontos: a etapa seguinte é a atribuição de valores numéricos aos graus de cada fator. Geralmente o grau mais baixo de cada fator corresponde ao valor da percentagem de ponderação. 81 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 4. Montagem do manual de avaliação de cargos: passa-se a definir o significado de cada grau de cada um dos fatores de avaliação. 5. Avaliação dos cargos por meio do manual de avaliação: passa-se a avaliar os cargos. Tomando-se um fator de cada vez, se comparam com ele todos os cargos. Delineamento da curva salarial Delineamento da curva salarial é a conversão dos valores dos pontos em valores monetários. Deve-se ressaltar que isso não significa que a relação numérica entre os cargos indique uma diferenciação precisa em valores monetários. Lembrete Lembre-se de que é necessário adotar adequadamente um método de avaliação de cargo. 4.8 Avaliação de desempenho A avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa em função das atividades que ela desempenha, das metas e resultados a serem alcançados e do seu potencial de desenvolvimento (CHIAVENATO, 1999, p.189). A avaliação de desempenho é uma ferramenta gerencial utilizada pelo RH, objetivando identificar funcionários com necessidade de treinamento para ganhar mais habilidade e domínio sobre suas atividades e atingir metas e objetivos. Outra finalidade da avaliação é identificar funcionários com potencial para ocupar outras funções que exijam maior qualificação e habilidades. Existem seis questões fundamentais na avaliação do desempenho: 1. Por que avaliar o desempenho? 2. Qual o desempenho que deve ser avaliado? 3. Como avaliar o desempenho? 4. Quem deve fazer a avaliação do desempenho? 5. Quando avaliar o desempenho? 6. Como comunicar a avaliação do desempenho? Os fatores que afetam o desempenho no cargo, segundo Chiavenato (2004): 82 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Valor das recompensas Habilidades da pessoa Percepção de que as recompensas dependem de esforço Percepção do papel Esforço Individual Desempenho Figura 14 A avaliação de desempenho é vista como apreciação do desempenho do indivíduo no cargo. É um “conceito dinâmico”, haja vista a crença na existência de permanente avaliação (formal ou informalmente) dentro das organizações. Chiavenato (1994) salienta, ainda, que a ARH: “constitui uma técnica de direção imprescindível na atividade administrativa. É uma forma por meio da qual se podem localizar problemas de supervisão de pessoal, de integração do empregado à organização ou no cargo que presentemente ocupa, de dissonâncias, de desaproveitamento de empregados com potencial mais elevado do que é exigido pelo cargo, de motivação etc.” (CHIAVENATO, 1994, p.263). Lefton (1977) conceitua a avaliação de desempenho como sendo uma discussão formal entre superior e subordinado, visando descobrir como e por que o subordinado desempenha seus trabalhos presentemente e como pode efetuá-los no futuro, de modo a beneficiar a organização. Lucena (1992, p.26) entende avaliação de desempenho como a verificação da “atuação da força de trabalho na produção de resultados”; reforçando que “o conceito de avaliação de desempenho abrange como premissa básica a confrontação de algo que acontece (resultado) com algo que foi estabelecido antes (meta)”. A responsabilidade pela avaliação de desempenho pode ser, segundo Marras (1999): • Autoavaliação: cada pessoa se avalia constantemente quanto à suas performance, eficiência e eficácia, tendo em vista determinados parâmetros fornecidos pelo seu superior ou pela tarefa. • O gerente: na maioria das empresas cabe ao gerente a responsabilidade pelo desempenho dos seus subordinados e pela sua constante avaliação e comunicação dos resultados. A assessoria do órgão de RH é essencial, pois ele estabelece os meios e os critérios para a avaliação. 83 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • O indivíduo e o gerente: o envolvimento do indivíduo e do gerente na avaliação é uma tendência muito forte. O gerente é o elemento de guia e orientação, enquanto o funcionário avalia o seu desempenho em função da retroação fornecida pelo gerente. • Equipe de trabalho: os membros da equipe avaliam o seu próprio desempenho e estabelecem providências para a sua melhoria. • Avaliação por cima: a equipe avalia o seu gerente. Como ele proporcionou os meios e os recursos para a equipe alcançar os objetivos e como ele poderia incrementar a eficácia da equipe. • A comissão de avaliação de desempenho: trata-se de uma avaliação coletiva feita por um grupo de pessoas direta ou indiretamente interessadas no desempenho dos funcionários. Ela é formada por membros permanentes e transitórios. É uma alternativa onerosa, trabalhosa e demorada. • O órgão de RH: o órgão de RH assume todas as responsabilidades pela avaliação de todas as pessoas da empresa. É uma alternativa altamente centralizadora, monopolizadora e burocrática. Ao implantar a avaliação de desempenho humano os gestores devem dar a devida atenção à percepção dos funcionários com relação ao seu objetivo organizacional. É comum a expressão de medo ou insegurança em funcionários que não foram orientados sobre o real objetivo da avaliação, causando, assim, a percepção errada de que a avaliação tem objetivos punitivos e fiscalizadores. É importante demonstrar que a retroação da avaliação de desempenho é muito importante, porque toda pessoa precisa saber como está indo seu desempenho. Toda pessoa precisa receber retroação a respeito do seu desempenho para saber como está indo no seu trabalho. Sem essa retroação as pessoas caminham às cegas. Também a organização precisa saber como as pessoas desempenham as suas atividades para ter uma ideia de suas potencialidades (CHIAVENATO, 1999). O ato de retornar ou comunicar ao funcionário como está ou foi seu desempenho em determinada tarefa é uma importante ferramenta motivacional. O bom senso nos permite avaliar que o funcionário não se destaca em suas atividades somente pelo desempenho, mas o reconhecimento pelo trabalho bem feito é uma fonte inesgotável de estímulos positivos à continuidade das atividadesbem executadas. Segundo Davis (1992, p.65), “o feedback pelo desempenho tende a encorajar uma melhor performance e gera uma realimentação que representa um instrumento motivacional especialmente poderoso”. Práticas associadas à avaliação de desempenho Thomas; Bretz Jr. (1994) apresentam um estudo sobre as práticas associadas à avaliação de desempenho, com base numa pesquisa realizada pela Cornell University, junto às 100 maiores empresas 84 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 dos Estados Unidos, de acordo com a “Revista Fortune”. Tal estudo, no entendimento dos autores “provê algumas perspectivas no enigma da avaliação de desempenho”, a saber: • desenvolvimento do desempenho no trabalho; • administração de pagamento por mérito; • aviso aos empregados sobre expectativas de trabalho; • recomendações aos empregados; • promoção de tomadas de decisões; • motivação dos empregados; • avaliação de potencial dos empregados; • identificação de necessidades de treinamento; • melhoria de relacionamento no trabalho; • auxílio no ajuste de metas de carreira; • determinação de trabalhos de modo mais eficiente; • transferência de decisões; • tomada de decisões sobre dispensas; • auxílio no planejamento de longo prazo; • validação de procedimentos para contratação; • justificar outras ações gerenciais. Lucena (1992, p.18) relaciona alguns pontos que, no seu entendimento, evidenciam a importância da gerência do desempenho: • necessidade de a organização saber se seus objetivos estão sendo alcançados; • necessidade de assegurar-se de que o desempenho (individual e de equipe) está a contento; • necessidade de reconhecimento da “contribuição” dos empregados; • promoção do “desenvolvimento de habilidades” e da “capacitação” dos empregados. Segundo Chiavenato (1999), a avaliação de desempenho é o processo que mede o desempenho do funcionário, portanto, avalia os resultados e acompanhamento de seus colaboradores para que os objetivos organizacionais almejados sejam alcançados. Portanto, o programa de avaliação de desempenho deve preocupar-se em beneficiar tanto a organização quanto as pessoas, e as 85 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS pessoas devem ser orientadas para tanto sem temor. Os principais objetivos da avaliação do desempenho são: • oferecer informações possíveis para aumentos salariais, promoções, transferências, necessidade de treinamento e demissões; • oferecer conhecimento profundo quer do empregado, com a sua personalidade específica, quer das funções que lhe são atribuídas; • oferecer retroação aos funcionários sobre suas atividades; • trazer informação ao colaborador sobre o que o líder da sua equipe pensa a seu respeito, a respeito do seu desenvolvimento, sempre com o objetivo de facilitar o aconselhamento e a orientação dos membros da equipe de trabalho; • levantar as potencialidades dos funcionários, assim como suas deficiências; • melhorar os níveis de supervisão com relação à orientação adequada dos colaboradores atendendo às suas aptidões, capacidades e interesses; • detectar necessidades de formação. 4.9 Instrumentos para avaliação de desempenho Thomaz e Bretz Jr. (1994) dizem que o processo de medição de desempenho caminha sobre uma linha tênue, onde os agentes envolvidos apresentam-se em lados opostos. Bergamini (1992) apresenta dois grupos de instrumentos para avaliação de desempenho: • avaliação direta ou absoluta, em que o indivíduo é considerado o “centro de interesse” do avaliador, sendo observado seu padrão de desempenho em contraposição ao que é desejável no seu trabalho; • avaliação relativa ou por comparação, em que o indivíduo é posicionado num grupo de trabalho (sua equipe) e verificado seu “nível de eficiência”. O autor considera a escolha de um desses métodos como sendo “parcial e perigosa”, afirmando haver necessidade de uso dos dois grupos. Para o primeiro grupo, os instrumentos mais conhecidos, segundo Bergamini (1992) são: • relatórios verbais: descreve-se o “comportamento” de cada indivíduo no trabalho; • relatórios escritos: descreve-se o “comportamento” de cada indivíduo sob forma de relatório; 86 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • composição de gráficos analíticos: a partir de um conjunto de critérios pré-estabelecidos, o avaliador apenas identifica onde se enquadra o avaliado; ligam-se os pontos e tem-se uma descrição do perfil do avaliado; • padrões descritivos: a partir de um conjunto de características de cargos específicos, o avaliador deverá apontar a afirmativa que “melhor descreve o avaliado”; • lista de verificação: a partir de uma série de frases, o avaliador deverá identificar as que “melhor descrevem o avaliado”. Para o segundo grupo, os instrumentos mais conhecidos são: • sistema de classificação: o avaliador terá que identificar no grupo o melhor e o pior dos indivíduos, dentro de uma escala; • comparação binária ou por pares: o avaliador compara o avaliado com outro do grupo “em cada traço ou característica de desempenho”; • sistema de avaliação forçada: utilizada especialmente com grandes grupos e pela dificuldade de se usar a comparação binária. O avaliador deve agrupar os avaliados em conjuntos semelhantes e a partir de uma escala compará-los. Quando se trata de medir desempenho, procuram-se informações sobre um período passado e, de acordo com Sink; Tuttle (1993), esbarra-se em uma série de “paradigmas” e “barreiras”. As considerações levantadas pelos autores são referenciadas por pessoas que tratam da ARH, dizem que: • os processos de medição são vistos como ameaça; • os processos são intimidadores; • os processos são imprecisos; • os critérios são amplos; • outros. Sink; Tuttle (1993) apresentam alguns princípios que, tratando da medição de desempenho, necessitam ser analisados e usados como referência ao desenvolver-se um processo de avaliação de desempenho, a saber: • os processos de medição devem apontar para atividades desenvolvidas pelas pessoas, sem que permitam dúvidas ou interpretações equivocadas; • mesmo quando se tratar de medidas objetivas não significa que a precisão deva estar presente. A preocupação reside na confiabilidade das informações, sobretudo pelas diferenças existentes nos processos de trabalho e nos resultados; 87 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • não se deve dar ênfase a um indicador apenas. Tal aspecto deve ser considerado, evitando-se que, ao se enfatizar apenas um indicador, outros aspectos relevantes sejam negligenciados e transformem ainda mais o desempenho do sistema. Além disso, se o fator destacado não tiver significado considerável para o processo, há um deslocamento de foco e as informações obtidas serão inservíveis para a avaliação de desempenho. 4.9.1 Padrões de desempenho O padrão de desempenho pode ser entendido como “um valor escolhido para uma grandeza, o qual deverá servir como um referencial para comparação” (Moreira, 1996, p.24), proporcionando condições para a efetiva avaliação de desempenho. Horgreen, Foster; Datar (1994) ressaltam que um padrão representa um bom nível ou o melhor nível de desempenho. Para Kane; Freeman (1997), “os padrões podem ser vistos ou concebidos como uma interface entre a medição e a avaliação de desempenho”. Observam, ainda, que padrões de desempenho diferem e distinguem-se de benchmarks e de “âncoras” usados para a medida de desempenho. Argumentam que esses “elementos” gerenciais e comparativos são úteis para uso em escalas de medida de desempenho, para exemplificar o nível de efetividade demarcado a cada nívelde uma escala numérica. Moreira (1996) reconhece a importância dos padrões de desempenho e propõe um questionamento, objetivando solucionar um provável problema quando o sistema organizacional baseia-se somente em fatores internos, dos quais se destacam: • Como fixar o padrão interno e como atualizá-lo? • Como o padrão interno situa-se em relação aos resultados do mercado ou sistemas correlatos? • Como o padrão situa-se em relação à expectativa dos clientes? • Como o padrão pode ser comparado a outros padrões externos? 4.10 Métodos de avaliação tradicionais Existem métodos chamados tradicionais para se avaliar o desempenho, como: escala gráfica, escolha forçada, pesquisa de campo, incidentes críticos e lista de verificação. Para Chiavenato (1981), a avaliação de desempenho, muitas vezes, pode servir de base às políticas de promoção das organizações. O processo é efetuado periodicamente, normalmente com caráter anual, e consiste na análise objetiva do comportamento do avaliado no seu trabalho e, posteriormente, na comunicação dos resultados. Tradicionalmente compete aos superiores avaliarem os seus subordinados, estando a avaliação sujeita a correções posteriores para que os resultados finais sejam compatíveis com a política de promoções. 88 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 4.10.1 Métodos da escala gráfica O método de escala gráfica é o método de avaliação de desempenho mais utilizado, divulgado e simples. Exige muitos cuidados, a fim de neutralizar a subjetividade e o pré-julgamento do avaliador para evitar interferências. Trata-se de um método que avalia o desempenho das pessoas por meio de fatores de avaliação previamente definidos e graduados. Utiliza um formulário de dupla entrada, no qual as linhas em sentido horizontal representam os fatores de avaliação de desempenho; enquanto as colunas em sentido vertical representam os graus de variação daqueles fatores. Quadro 11 – Modelo de escala gráfica descontínua Fator Nível gráfica descontínua Qualidade do trabalho considere o grau de perfeição que o trabalho apresenta e seu resultado final. ( ) Apresenta trabalhos de excelente qualidade executando-o com economia de tempo e material. ( ) A qualidade de trabalho não chega a ser excelente, mas satisfaz muito bem. Poderia melhorar. ( ) O resultado do seu trabalho é satisfatório, mas já aconteceu de apresentar falhas. Necessita melhorar. ( ) Apresenta falhas em seu trabalho. Muitas vezes é necessário fazer correções. ( ) Apresenta trabalhos malfeitos e com imperfeições. Desperdiça muito tempo e material. Quadro 12 – Modelo de escala gráfica contínua Fator Níveis de Desmpenho Qualidade do trabalho considera o grau de perfeição que o trabalho apresenta e seu resultado final 1 2 3 4 NA Apresenta trabalhos de excelente qualidade, executando-os com economia de tempo e material. Apresenta trabalhos malfeitos e com imperfeições. Desperdiça muito tempo e material. 4.10.2 Método da escolha forçada No método da escolha forçada, em cada bloco, ou conjunto composto de duas, quatro ou mais frases, o avaliador deve escolher, forçosamente, apenas uma ou duas alternativas, que mais se aplicam ao desempenho do empregado avaliado. Segundo Chiavenato (1981, p.228), este método consiste em avaliar o desempenho dos indivíduos por intermédio de frases descritivas de determinadas alternativas de tipos de desempenho individual. As frases podem variar. Entretanto, existem basicamente duas formas de composição: 1- Os blocos são formados por duas frases de significado positivo e duas de significado negativo. O supervisor ou avaliador, ao julgar o empregado, seleciona a frase que mais se aplica e a que menos se aplica ao desempenho do avaliado. 2- Os blocos são formados somente por quatro frases com significado positivo. O supervisor ou avaliador, ao julgar o empregado, escolhe as frases que mais se aplicam ao desempenho do avaliado. 89 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Quadro 13 Método de escolha forçada Tem condições de progredir ( ) Respeita os colegas ( ) Conhece as normas da empresa ( ) Trabalha mesmo na ausência do chefe ( ) Está entre os médios do grupo ( ) Tem alta capacidade de iniciativa ( ) Rápido na execução dos trabalhos ( ) Não brinca no ambiente de serviço ( ) Adapta-se bem a situações novas ( ) É comunicativo ( ) Cumpre o horário de trabalho ( ) Pode-se confiar no trabalho que faz ( ) 4.10.3 Método de frases descritivas O método de frases descritivas não exige obrigatoriedade na escolha de frases. O avaliador assimila apenas as frases que caracterizam o desempenho do subordinado (sinal “+” ou “s”) e aquelas que realmente demonstram o oposto de seu desempenho (sinal “-“ ou “n”). 4.10.4 Método de pesquisa de campo O método de pesquisa de campo é feito pelo chefe, com assessoria de um especialista (staff) em avaliação de desempenho. O especialista comparece a cada sessão para entrevistar a chefia sobre o desempenho de seus respectivos subordinados. Embora a avaliação seja responsabilidade de cada chefe, há uma ênfase na função de staff em assessorar da maneira mais completa. Segundo Chiavenato (1981, p.233), este método é desenvolvido com base em entrevistas como superior imediato, por meio das quais se verifica e se avalia o desempenho dos subordinados. Levantam-se as causas, as origens e os motivos de tal desempenho pela análise de fatos e situações. Ele permite planejar, juntamente com o superior imediato, seu desenvolvimento na função e na empresa. 4.10.5 Método dos incidentes críticos O método dos incidentes críticos baseia-se no fato de que no comportamento humano existem certas características extremas, capazes de proporcionar resultados positivos. Focaliza tanto as exceções positivas quanto as negativas no desempenho. Segundo Chiavenato (1981, p.237), esta é uma técnica sistemática por meio da qual cada superior imediato pesquisa, observa e registra os fatos (positivos ou negativos) relevantes e significativos do desempenho de cada subordinado em suas tarefas. 90 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Quadro 14 Método de controle de incidentes críticos Incidentes críticos negativos Incidentes críticos positivos data da ocorrência item data da ocorrência item Quadro 15 – Método de avaliação de incidentes críticos Método de avaliação de incidentes críticos Indicadores do desempenho Avaliação quase nunca 1 2 3 4 5 quase sempre É pontual no trabalho Usa as palavras “por favor” e “obrigado quando fala com clientes Tenta lembrar o nome dos clientes frequentes Mantém os cinzeiros limpos Para de falar com colegas tão logo um cliente se aproxima do balcão Atende o telefone até o terceiro toque 4.10.6 Método de comparação aos pares (2 x 2) O método de comparação aos pares consiste em comparar empregados dois a dois, anotando na coluna da direita aquele que é considerado melhor quanto ao desempenho. 4.11 Métodos modernos de avaliação de desempenho Um dos principais fatores que contribuíram para a elaboração de métodos mais modernos de avaliação de desempenho foi a participação nos resultados da empresa e a nova forma de remuneração dos funcionários. Essa inovação nas formas de remuneração requer, também, novas formas de avaliação para que possam atender às exigências da atribuição do modelo de remuneração. Este método proporciona a auto-avaliação e a auto-direção das pessoas, engajamento e participação dos funcionários no planejamento de desenvolvimento, foco no futuro e a melhoria contínua do desempenho. É importante observar que, se o objetivo do RH é trazer benefícios para ambas as partes– organização e pessoas –, a avaliação de desempenho deve traçar seis procedimentos: 1. desempenho e objetivos devem ser inseparáveis; 2. a avaliação de desempenho não deve observar fatores somente dentro do cargo, mas também o alcance das metas e objetivos traçados; 91 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 3. avaliar a credibilidade e a aceitabilidade de ambas as partes - avaliador e avaliado; 4. focalizar a melhoria da eficiência, assim como a eficácia do colaborador; 5. avaliação objetiva do desempenho; 6. jamais importar modelos de avaliação de outras organizações, porque as realidades são diferentes. O sistema moderno de avaliação de desempenho, que é denominado Avaliação Participativa Por Objetivos - APPO, segundo Chiavenato (1999), é uma das boas ideias que foram destruídas pelo furor burocrático de algumas organizações. É um sistema democrático, participativo, envolvente e motivador. “Na moderna concepção, a avaliação de desempenho começa não pela apreciação do passado, mas pela focalização no futuro. Ou melhor, está mais orientada para o planejamento do desempenho futuro do que para o julgamento do desempenho passado.” A avaliação de desempenho é uma avaliação contínua e sistemática, formal ou informal, feita pelos avaliadores que conheçam profundamente as funções e o consequente desempenho por parte do funcionário. As avaliações podem ser realizadas pelo gerente, pelo indivíduo e pelo gerente, pela equipe de trabalho, pela comissão de avaliação, pelo RH ou, ainda, pelas auto‑avaliação, avaliação 360°, avaliação por competência. 4.11.1 Autoavaliação Na auto-avaliação o próprio funcionário é solicitado a fazer uma análise de suas próprias características de desempenho, fazendo uso de sistemáticas variáveis, inclusive formulários baseados nos esquemas apresentados nos diversos métodos de avaliação do desempenho aqui descritos. A auto-avaliação acontece em organizações mais abertas e democráticas. O empregado é o responsável pelo seu próprio desempenho e pela monitoração, com a ajuda de seu superior. Segundo Chiavenato (1999), a auto-avaliação proporciona excelentes resultados, desde que realizada por meio de parâmetros bem estabelecidos, fornecidos pelo chefe ou pela tarefa, a fim de minimizar a subjetividade implícita no processo. 4.11.2 Avaliação 360° A avaliação 3600 é um instrumento que tem por objetivo apoiar o desenvolvimento e a melhoria do desempenho do funcionário. Essa metodologia solicita a participação de todas as pessoas que interagem com o funcionário avaliado, de maneira que o indivíduo é avaliado por seu superior, pelos pares, por si próprio (auto-avaliação) e, em algumas organizações, até por clientes. Para Marras (2002, p.201), esse modelo encontra grande ressonância nas organizações brasileiras por estar identificado fortemente com ambientes democráticos e participativos, que se preocupam tanto com os cenários internos à organização quanto os externos Neles o avaliando é focado por praticamente todos os elementos que o cercam: membros da equipe, superiores, pares, clientes 92 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 internos e externos, fornecedores etc. Esse processo de avaliação total recebe o nome de “360°” exatamente pela dimensão que assume o campo de feedback ou retro-alimentação do seu sistema de informações. “O sistema de 360º Alinhamento de Competências e Feedback é um método eficiente e eficaz, que permite ao profissional avaliar-se e ser avaliado, recebendo feedback de uma rede formada de pessoas de seu relacionamento profissional. Mais do que uma simples avaliação quantitativa, baseada em números e resultados, esta metodologia possibilita a cada profissional avaliado receber, por escrito, o feedback de todos os seus avaliadores, obtendo também informações de caráter qualitativo e que serão os direcionadores de melhoria, funcionando como um orientador profissional6.” CONCEITOS Superiores Equipe Parceiros Alinhamento de competências Diagnóstico de necessidade e desenvolvimento Feedback do Processo Visão do Profissional Figura 15 O principal objetivo do sistema de alinhamento de competências e feedback 360º é proporcionar o desenvolvimento profissional alinhado com as necessidades da organização. O processo inicia-se com a indicação de pessoas do relacionamento profissional, superiores, pares e subordinados; poderão, ainda, participar do processo alguns clientes, fornecedores. Para maior consistência nos resultados, deverão ser indicados sempre 2 superiores (direto e o acima) e no mínimo 2 pares e 3 subordinados. Nesse processo é importante evitar a tendência de indicar pessoas com as quais se tem maior afinidade pessoal. 6 Disponível em: <www.catho.com.br>. 93 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS METODOLOGIA 4 3 2 1 Profissional indica no mínimo 07 avaliadores que sejam as melhores fontes de feedback: 02 superiores, 02 parceiros e 03 subordinados Avaliadores realizarão a análise e o feedback em 15 competências Plano de ações de melhoria e desenvolvimento são estabelecidos: orientação profissional Relatórios estatísticos comparativos são gerados na absoluta confidencialidade e disponibilizados para o profissional e a empresa Figura 16 A questão central da metodologia é a abordagem sistêmica para análise e verificação de 03 (três) dimensões que norteiam e sustentam a dinâmica empresarial: • dimensão organizacional; • dimensão funcional; • dimensão individual. O importante é conhecer o comportamento do talento humano no cenário de negócios, nas soluções de problemas e tomada de decisões e na contribuição para os resultados. Obviamente o sucesso da competitividade das organizações é o alinhamento das competências de seus colaboradores à sua estratégia de negócios por meio do alinhamento da cadeia de valor organizacional de parceiros, clientes, fornecedores, colaboradores e dirigentes7. A avaliação 360° deve ser respondida dentro de critérios de muita honestidade e respeito. Após a análise pelo profissional responsável por meio da compilação dos dados, realiza-se a sessão de feedback, quando o funcionário avaliado tomará conhecimento da sua avaliação e um relatório individual relacionando sua autopercepção e a percepção externa. Este é um instrumento que muitas empresas têm procurado por permitir respostas mais precisas e pela relação gerente-empregado ficar “protegida”, haja vista que os questionários são confidenciais. 7 Disponível em: < www.catho.com.br>. 94 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 4.11.3 Avaliação por competência A avaliação por competência é um processo sistemático que busca auxiliar na estruturação de uma visão mais objetiva do potencial de cada funcionário, que envolve não só o funcionário, mas também os supervisores ou aqueles que estão familiarizados com os métodos de trabalho e com as metas da organização. Método de aplicação: • inicia-se pelo mapeamento que irá permitir colher dados relativos às competências necessárias para o bom desempenho das atividades e ao perfil do funcionário. • classificação em três blocos, que são: — competências conceituais (conhecimento e domínio de conceitos e teorias que dão base às técnicas); — competências técnicas (domínio de métodos e ferramentas específicas para determinada área); — competências interpessoais (permitir que as pessoas se comuniquem e interajam de forma eficaz; atitudes e valores pessoais). Por meio da avaliação podem ser observadas e avaliadas competências como: visão estratégica, planejamento, organização, responsabilidade, acompanhamento,liderança, delegação, tomada de decisão, solução de problemas, iniciativa, proatividade, criatividade e inovação, orientação a resultados, auto-desenvolvimento, administração de conflitos, capacidade de negociação, flexibilidade e adaptação a mudanças, competências interpessoais e trabalho em equipe (Chiavenato, 1981). 4.11.4 Avaliação por objetivos A avaliação por objetivos ocorre numa negociação entre o gestor e o colaborador sobre os objetivos a serem alcançados durante um período de tempo. Os objetivos devem ser específicos, mensuráveis e estar alinhados aos da organização. Periodicamente o gestor e o colaborador devem se reunir e discutir o nível de desempenho, objetivando a renegociação dos objetivos. A motivação do funcionário é fundamental para apresentar planos, propor melhorias e sugerir novas ideias. O avaliador deve comunicar a sua satisfação ou insatisfação perante os resultados alcançados, assim como, deve propor correções, ou melhorias. 4.11.5 Método de avaliação por resultados O método de avaliação por resultados liga-se aos programas de administração por objetivos. Este método baseia-se numa comprovação periódica entre os resultados fixados (ou separados) para cada funcionário e os resultados efetivamente alcançados. As conclusões a respeito dos resultados permitem a identificação dos pontos fortes e fracos do funcionário, bem como as providências necessárias para o próximo período. É considerado um método prático, embora seu funcionamento dependa sobremaneira das atitudes e dos pontos de vista do supervisor a respeito da avaliação do desempenho. 95 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 4.11.6 Métodos mistos É muito comum organizações que se caracterizam pela complexidade de seus cargos recorrerem a uma mistura de métodos na composição do modelo de avaliação de desempenho. 4.12 Outras características da avaliação de desempenho 4.12.1 Entrevista de avaliação de desempenho É um espaço de comunicação direta entre os avaliadores e o avaliado. A entrevista de avaliação de desempenho tem os seguintes objetivos: a. oferecer condições para melhorar a performance do funcionário por meio da comunicação do respectivo padrão de desempenho; b. oferecer ao funcionário um feedback de como está realizando o seu trabalho, salientando pontos fortes e fracos, comparando-os com os padrões de desempenho esperados; c. oferecer a possibilidade de diálogo aberto entre empregado e gestor hierárquico. 4.12.2 Aspectos positivos e negativos da avaliação de desempenho Benefícios que a avaliação de desempenho traz para a organização: a. abarca o desempenho do funcionário dentro do cargo, assim como o alcance das metas estabelecidas e objetivos; b. enfatiza o indivíduo no cargo; c. melhora a produtividade do indivíduo em busca das metas à medida que os objetivos e metas são elaborados e aceitos pelos funcionários e pela organização. Cabe, novamente, observar que para que esses itens sejam atendidos é imprescindível a construção de relações mais fortes entre superior hierárquico e funcionários, com o objetivo de eliminar ou reduzir dissonâncias, ansiedade, tensões e incertezas sobre a avaliação. Críticas ao processo de avaliação de desempenho A maior crítica aos processos se refere a um aspecto que merece plena consideração: é a sua transformação num evento em que avaliadores e avaliados entram em conflito, dada a forma da qual ele se reveste absolutamente inconveniente ao objetivo da avaliação. A lógica defendida por Deming (1980) para criticar o processo está de acordo com a equipe Coopers & Lybrand (1996) e também Sink & Tuttle (1993), com relação à razão dos próprios desvios que o processo 96 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 toma por questões gerenciais. Como observa Lucena (1992) em relação às limitações gerenciais, “falta de visão estratégica”, “despreparo para o relacionamento interpessoal”, “centralização”, “processo decisório lento” dificultam o processo de avaliação de desempenho. Os pontos apontados pela equipe Coopers & Lybrand (1996) como críticos, na visão de Deming (1980), são: a) “foco distorcido”: a atenção deve ser voltada para os processos ou sistemas, não para as pessoas; b) “controle dos resultados”: boa parte das situações de trabalho independem do avaliado e de suas ações; c) “metas numéricas”: as metas podem transformar-se em limitações às melhorias, tão logo sejam atingidas. As fragilidades da avaliação do desempenho, pontos fracos: • quando as pessoas envolvidas na avaliação a interpretam como uma situação de recompensa ou punição pelo desempenho; • quando a ênfase do processo repousa mais sobre o preenchimento de formulários do que sobre a avaliação crítica e objetiva; • quando as pessoas avaliadas acham o processo injusto ou tendencioso. A iniquidade prejudica profundamente o processo de avaliação; • quando os comentários desfavoráveis do avaliador conduzem a uma reação negativa do avaliado; • quando a avaliação é inócua, isto é, quando está baseada em fatores de avaliação que não conduzem a nada e não agregam valores. Segundo Marras (2000), há muita controvérsia sobre a validade do emprego de um programa de avaliação de desempenho. Algumas organizações defendem fortemente esse instrumento e o praticam com muito sucesso há muito tempo, ao longo de toda a pirâmide organizacional. Outras utilizaram-no por algum tempo e chegaram à conclusão de que sua utilização nada ou pouco acrescentava no processo administrativo. Na prática, é preciso destacar que esse instrumento carrega no seu processo uma dose forte de subjetividade, que o reveste de uma ambiguidade realmente discutível. Esta ambiguidade, contudo, deve ser reconhecida apenas em certos tipos de metodologia utilizados. Ao discutir a questão de sua validade, o fato mais relevante dentro de todo o instrumento avaliativo é, pois, a subjetividade inserida no processo de julgamento praticado pelo ser humano. Principalmente quando esse julgamento diz respeito a outro ser humano. Daí a vulnerabilidade bastante significativa creditada inexoravelmente ao programa de avaliação de desempenho, diz Marras (2000). 97 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 4.12.3 Principais dificuldades na avaliação de desempenho Vícios de julgamento: • conscientes: quando o avaliador sob qualquer pretexto “vicia” um resultado, premeditando intencionalmente a interesses em jogo ou buscando ajudar ou prejudicar o avaliado; • inconscientes: quando o avaliador toma as mesmas atitudes, porém, sem a intenção premeditada, dolosa, de provocar uma alteração no resultado original. Erros de julgamento: As disfunções perceptivas, segundo Bergamini (1988, p.51), são disfunções que acontecem num processo de avaliação de desempenho. Diz-se que ocorreram “vícios de avaliação”, cujos mais comuns estão apresentados abaixo: • subjetivismo: atribuir ao avaliado qualidades e defeitos que o avaliador julga existir; • unilateralidade: valorizar aspectos que apenas o avaliador julga importantes; • tendência central: não assumir valores extremos por medo de prejudicar os fracos e assumir responsabilidade pelos excelentes; • efeito de halo: contaminação de julgamentos; tendência a avaliar o funcionário em função de suas características mais marcantes, em detrimento de outros aspectos de seu desempenho igualmente relevantes; • falta de memória: ater-se apenas aos últimos acontecimentos; • supervalorização da avaliação: acreditar que um simples instrumento de avaliação das diferenças individuais possa corrigir diferentes defeitos profissionais; • desvalorização da avaliação: acreditar que a avaliação seja um procedimento sem nenhum valor e que nada possacontribuir para melhorar o aproveitamento dos recursos humanos na empresa; • falta de técnica: desconhecimento das principais características da avaliação, emitindo julgamentos unicamente por meio do bom senso; • força de hábito: insensibilidade ao apontar variações no desempenho do avaliado com relação a ele mesmo no decorrer dos anos ou com relação aos demais colegas; é o que se chama de avaliação congelada; • posições contrárias: preconceitos em relação à avaliação de desempenho, facilmente detectados por meio de boatos, que apresentam distorções dos pressupostos básicos e das aplicações práticas objetivadas pela sistemática. 98 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Segundo Tiffin (1969, p.331), “é difícil para qualquer avaliador, especialmente um avaliador inexperiente, isolar e avaliar separadamente os vários traços que um funcionário pode possuir”. O autor fala, ainda, sobre o “erro constante”, que consiste em alguns avaliadores tenderem a ser altamente generosos com seus funcionários nas avaliações, e outros bastante severos. Quando esses resultados forem comparados entre si não estarão espelhando o real desempenho. Para isso, é necessário realizar uma conveniente correção dos valores, convertendo-os a uma base comum. Para evitar que esses vícios de avaliação aconteçam, é fundamental que o avaliador esteja verdadeiramente preparado, a fim considerar cada funcionário individualmente, procurando não incorrer nos vícios. É importante estar alerta para o fato de que a avaliação de desempenho não constitui um meio para identificar os funcionários a receberem ou não punição. Portanto, é necessário que avaliadores e avaliados estejam conscientes dos reais objetivos da mesma, diz Gago (2001). Sugestões: Cada gerente avalia se as metas e objetivos dos seus colaboradores foram atingidos. • recomenda-se fazer o processo de avaliação a cada 6 meses; • reserve 1 a 2 horas para cada colaborador que você gerencia; • repasse a lista com todas as metas e objetivos; • analise os resultados e o status, e dê uma nota de 1 a 5 para cada um dos objetivos, sendo nota 5 para resultados “excepcionalmente acima do esperado” e nota 1 para os “muito abaixo do esperado” (“Escala Likert”). Entrevista de avaliação: • converse com seu colaborador e veja quais foram as dificuldades de aprendizado; • identifique possíveis desvios na condução dos objetivos e aplique ações corretivas; • analise as percepções com relação ao trabalho e à empresa; • verifique, com o funcionário, a necessidade de mais treinamento para um determinado colaborador. Planeje um acompanhamento mais intenso (mensal) para os funcionários menos experientes ou que apresentem maiores dificuldades. O acompanhamento diário do funcionário facilita a avaliação de desempenho no final do período de seis meses. Feedback O feedback, muitas vezes, é confundido com uma bronca, e leva a fortes frustrações. Nunca misture emoções com as questões que serão abordadas sobre as necessidades da organização. 99 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Só faz avaliação quem conhece bem os funcionários e as necessidades da organização. Portanto, se você tem apenas um conhecimento supérfluo ou tenha herdado a equipe, não tire conclusões precipitadas. Para tanto: • reserve um tempo para conversar e pergunte sobre as tarefas que desenvolvem, troque impressões e peça auto-avaliações de desempenho; • analise o perfil do colaborador para ajustar a linguagem e ter uma comunicação mais efetiva; • reúna o máximo de informação possível para se preparar para o feedback. Exemplo de aplicação Imagine que sua empresa tenha feito avaliação de desempenho e reflita sobre quais seriam seus pontos de discussão. Resumo Esta unidade tratou sobre as relações entre as pessoas e a organização: seus objetivos e valores. Observamos que os conflitos fazem parte das relações humanas e, para tanto, foi apresentada a forma como as pessoas se relacionam na organização e com a organização. Foi abordada a forma como as pessoas podem ser incentivadas e motivadas para melhor comportar-se no ambiente empresarial de acordo com o esperado pelas organizações. Foi abordada especificamente a administração de recursos humanos: como fazer o planejamento, o papel, seus processos e políticas de administração dos recursos humanos. Também foram apresentadas as características dos principais processos que agregam pessoas, basicamente processos de recrutamento e seleção, abordando inicialmente a rotatividade de pessoal e incluindo 34 índices de rotatividade de pessoal e diagnóstico de suas causas (turnover). Discutiu também o absenteísmo (cálculo do índice de absenteísmo e a administração do absenteísmo e da rotatividade). Em seguida, foi exposto o recrutamento de pessoas, incluindo o interno, o externo, o misto e suas fontes. Por fim abordou a seleção de pessoas, em especial: seleção por competências; seleção como um processo de comparação; seleção por meio da identificação das características pessoais do candidato e algumas técnicas. 100 Unidade I Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Exercícios Questão 1. Um dos principais desafios do líder é conseguir a dedicação e o empenho de seus liderados na realização das atividades e tarefas que lhes competem, visando a alcançar os objetivos organizacionais. A liderança efetiva pressupõe, portanto, o conhecimento das principais teorias motivacionais que podem orientar as ações do líder com o objetivo de canalizar os esforços dos liderados. É correto afirmar, tendo em conta os conceitos básicos das teorias da motivação, que: A) a expectativa dos indivíduos sobre a sua habilidade em desempenhar uma tarefa com sucesso é uma importante fonte de motivação no trabalho. B) objetivos genéricos e abrangentes, que dão margem para diferentes interpretações e ações, são uma importante fonte de motivação no trabalho. C) os indivíduos tendem a se esforçar e a melhorar seu desempenho quando acreditam que esse desempenho diferenciado resultará em recompensas para o grupo. D) todas as modalidades de recompensas e punições são legítimas, quando seu intuito é estimular os esforços individuais em prol dos objetivos organizacionais. E) todos os indivíduos possuem elevadas necessidades de poder, e a busca por atender a essas necessidades direciona os seus esforços individuais. Resposta correta: alternativa A. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: segundo a teoria de dois fatores de Herzberg, os fatores motivacionais são intrínsecos e relacionados aos sentimentos positivos que o colaborador tem em relação ao conteúdo do cargo, ou seja, ao trabalho a ser realizado, à realização pessoal, por estar empossado, ao reconhecimento decorrente e às suas responsabilidades. Assim, pode-se afirmar que, quando o cargo é desafiador, o colaborador sentirá que suas expectativas em desempenhar bem e obter sucesso na realização de suas tarefas servirão como importantes fatores motivacionais. Como o funcionário estará motivado, ele começará a executar a tarefa pela realização, pelo reconhecimento, pela responsabilidade e pelas possibilidades de progresso. B) Alternativa incorreta. Justificativa: liderar consiste em gerar confiança e espírito colaborador entre as pessoas para a melhoria do desempenho, ou seja, consiste em guiar, influenciar e direcionar a um objetivo específico, 101 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS pela oferta de atribuições e de responsabilidades que as motivem. O não oferecimento de objetivos claros e específicos tornará os trabalhadores insatisfeitos edesmotivados. C) Alternativa incorreta. Justificativa: não podemos afirmar que os indivíduos tendem a se esforçar e a melhorar seu desempenho quando há recompensas para o grupo. D) Alternativa incorreta. Justificativa: nem todas as modalidades de recompensas e punições são legítimas, independentemente dos seus objetivos. E) Alternativa incorreta. Justificativa: nem todos os indivíduos manifestam a necessidade pelo poder, segundo a pirâmide de necessidades de Maslow. Esse sentimento dependerá do seu posicionamento na escala das necessidades, já que a aspiração ao poder depende das percepções relacionadas à estima e à autorrealização. Questão 2. As novas políticas de pessoal, recentemente implantadas na Confecção Norma Modas, trouxeram insatisfação e estresse para o ambiente de trabalho e consequentes perdas financeiras. A insatisfação e o estresse foram detectados a partir dos seguintes indicadores: I – custos associados a doenças ocupacionais; II – violência no trabalho; III – nível de responsabilidade atribuída ao cargo; IV – inclinações pessoais; V – absenteísmo e rotatividade. Como fontes adequadas de investigação, estão corretos, somente, A) I, II e V. B) I, III e V. C) II, III e IV. D) II, IV e V. E) III, IV e V. Resolução desta questão na plataforma. 102 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Unidade II 5 POLÍTICAS DE MANUTENÇÃO DE RECURSOS HUMANOS 5.1 Políticas de manutenção O processo de manutenção é o processo que visa manter as pessoas trabalhando na organização – conhecido como administração do pessoal ‑ e que trata dos aspectos que envolvem a remuneração, os benefícios sociais. Política de recursos humanos Resultados finais desejáveis práticas éticas e socialmente responsáveis produtos e serviços competitivos e de alta qualidade qualidade de vida no trabalho influências ambientais externas influências organizacionais internas processos de RH processos de agregar pessoas processos de aplicar pessoas processos de recompensar pessoas processos de desenvolver pessoas processos de manter pessoas processos de monitorar pessoas recrutamento e seleção desenho de cargos, avaliação de desempenho remuneração, benefícios e serviços treinamento, mudanças, comunicação disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida, relação com sindicatos banco de dados, sistema de informações gerenciais Figura 17 5.2 Sistema de remunerações, incentivos e benefícios sociais A remuneração e os benefícios representam o sistema de recompensa da organização. São incentivos com o objetivo de estimular a ação dos funcionários para atender às necessidades da organização (Pfefeer, 1994). Assim como a remuneração e os benefícios, podemos também apresentar a punição como estímulos reais ou potenciais para coibir certos tipos de comportamentos, ou ainda para balizar comportamentos. 103 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Davis (1992, p. 65) entende que: Quando as pessoas entram numa organização, trazem consigo certas forças e necessidades que afetam seu desempenho na situação de trabalho. Algumas vezes são facilmente perceptíveis, mas frequentemente tais forças e necessidades são difíceis de determinar e satisfazer, além de variarem enormemente de uma pessoa para outra. Torna‑se útil então entender como as necessidades criam tensões que estimulam o esforço de desempenho, gerando‑se assim a satisfação via recompensas. Para Kohn (1995, p. 15), as recompensas e as punições constituem os dois lados da mesma moeda. A recompensa tem um efeito punitivo, porque, tanto quanto a punição declarada, é manipuladora: “faça isto e você conseguirá aquilo” não é realmente muito diferente de “faça isto e eis o que acontecerá a você”. Não receber uma recompensa esperada é o mesmo que ser punido. “Quanto mais a recompensa é desejada, mais desmoralizadora é sua falta.” 5.2.1 Punição Os reforços positivos ou as punições recebidas no passado, em especial na infância, formam parte da nossa atual experiência, o do nosso mapa neural. De maneira que tudo aquilo de que gostamos pode representar um processo de reforço positivo, assim como tudo aquilo de que não gostamos pode representar um processo punição. A punição reduz a probabilidade de um comportamento indesejável. Recebem o nome de punição as penalidades ou evento desagradável com a finalidade de eliminar um tipo de comportamento não desejado. Porém, é importante ressaltar que a punição reduz a motivação e o nível de energia. Sendo assim, pode provocar a extinção da motivação. Isso ocorre quando não se fazem elogios, não se agradece por um favor, traçam‑se metas impossíveis e ridiculariza‑se o funcionário na frente de seus colegas de trabalho (BATEMAN, 1998, p. 363). Segundo Juran (1991, p. 109): O modo mais eficiente de administrar as consequências (particularmente para incentivar o autocontrole) é identificar e administrar os reforços positivos que fazem com que as pessoas se sintam bem com elas mesmas e se sintam vencedoras. Dependências em consequências adversas das punições ou dos reforços negativos como mecanismos de controle é uma mentalidade retrógrada. Elas mostram falta de confiança da pessoa para fazer o serviço sem ser vigiada e faz com que as pessoas se sintam perdedoras. Ela cria o medo, inibe o arrojo, a criatividade e a inovação. 104 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 5.2.2 Teoria de reforço É a teoria que se preocupa com o comportamento do indivíduo em seu ambiente de trabalho, traçando estratégias para alterá‑lo dentro das organizações por meio do reforço positivo e do reforço negativo. Segundo Skinner, a eficácia do reforço depende da proximidade temporal e espacial em relação ao comportamento que se que pretende modelar, sob pena de incidir sobre outro que não esteja em questão. A punição é diferente do reforço negativo. Em termos conceituais, a punição se refere a um desprazer (estímulo) que se faz presente após um determinado comportamento não pretendido por aquele que a aplica, enquanto o reforço negativo se caracteriza pela ausência (retirada) do desprazer após a ocorrência de um comportamento pretendido por aquele que o promove. Skinner ilustra assim o aspecto anti‑pedagógico da punição: O pai reclama do filho até que cumpra uma tarefa: ao cumpri‑la, o filho escapa às reclamações (reforçando o comportamento do pai)...Um professor ameaça seus alunos de castigos corporais ou de reprovação, até que resolvam prestar atenção à aula; se obedecerem estarão afastando a ameaça de castigo (e reforçam seu emprego pelo professor). De um ou outra forma, o controle adverso intencional é o padrão de quase todo o ajustamento social ‑ na ética, na religião, no governo, na economia, na educação, na psicoterapia e na vida familiar1. Segundo Bateman (1998, p. 363): • O reforço positivo é uma consequência ou um estímulo que faz com que o comportamento se repita, seja por meio de elogios, congratulação, prêmios, aumento de salário, desempenho e outros. Um reforço positivo fortalece a probabilidade do comportamento pretendido que segue. O seu registro é a presença (positividade) de uma recompensa (Skinner). O reforço positivo é diretamente orientado para resultados desejados. A teoria do reforço positivo parte do fato de que a pessoa se comporta por uma dessas duas razões: 1. porque um tipo ou nível de desempenho específico é consistentemente recompensador; 2. porque um padrão de desempenho específico foi alguma vez recompensado, de maneira que ele será repetido na expectativa de que a recompensa se repita. 1 Disponível em: <http://penta.ufrgs.br/~jairo/1skinner.htm>. 105 Re vi sã o (r edim en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • O reforço negativo é a frequência ou a intensidade de evitar um fato com uma consequência desagradável, como tirar o empregado da observação por já ter melhorado seu desempenho, por exemplo. Quando o funcionário realiza algo indesejável para o seu superior, ele será punido, razão pela qual responde com críticas, gritos, designação de tarefas desagradáveis, não efetuação de eventuais pagamentos. O que, diga‑se, não é um método motivacional, pelo contrário, deixa‑o cada vez mais desanimado. Um reforço negativo enfraquece um determinado comportamento em proveito de outro que faça cessar o desprazer com uma situação. O seu registro é a ausência (retirada) de um estímulo que cause desprazer após a resposta pretendida (Skinner). Verificar‑se, porém, que ambos incidem após a emergência de um comportamento pretendido pelo experimentador. Portanto, podemos reforçar com elogios e recompensas as ações favoráveis de um funcionário e, assim, encorajá‑lo a repetir o comportamento ou desencorajá‑lo com repreensões às ações desfavoráveis, por meio de punição, fazendo com que não haja repetição. Não podemos dizer que a punição é um método pouco utilizado. Muito pelo contrário, é comum os gestores punirem os funcionários por não corresponderem ao resultado esperado. Situação que faz com que as pessoas passem a produzir bem por um determinado tempo, porém, ficarem logo desanimadas; e a produção cai, exigindo da organização um grande esforço para estimulá‑las novamente. Isso demonstra que, apesar de a punição ser o habitual, o reforço positivo geralmente se mostra superior quando se busca produtividade com qualidade. 5.3 Componentes de remuneração A remuneração total de um funcionário é constituída de três componentes principais: remuneração básica, incentivos salariais e benefícios. Na maioria das organizações a única forma de remuneração é básica, pagamento fixo que o funcionário recebe de maneira regular na forma de salário mensal ou por hora trabalhada. Os incentivos salariais são programas para recompensar funcionários que apresentam bom desempenho e podem ser concedidos por meio de bônus, participação nos resultados. É uma espécie de recompensa pelos bons resultados alcançados (CHIAVENATO, 1999). Segundo Herzberg apud Bergamini (1993), salário é uma demonstração objetiva quando a empresa valoriza o trabalho do seu funcionário. Se bem administrado pelo departamento de RH da empresa, ele pode vir a ser não propriamente um fator de motivação, mas um fator que servirá de base aos fatores motivadores ligados ao cargo ocupado. 5.3.1 O caráter multivariado do salário Compensação é uma das razões pela quais as pessoas buscam e mantêm‑se em uma organização, assim como a forma como se remunera e beneficia influencia de forma direta a consequência da elaboração das tarefas por parte dos funcionários. A compensação é compreendida como fator vital 106 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 para o empregado, para a organização e para todo o sistema produtivo inerente à relação existente entre empregado e empresa. Compensação é a área que lida com a recompensa que o individuo recebe como retorno pela execução de tarefas organizacionais. É basicamente uma relação de intercâmbio entre as pessoas e a organização (CHIAVENATO, 2004). A compensação pode ser: • compensação financeira direta: consiste no pagamento que cada empregado recebe na forma de salários, bônus, prêmios e comissões; • compensação financeira indireta: é o salário indireto decorrente de cláusulas da convenção coletiva de trabalho e do plano de benefícios e serviços sociais oferecidos pela organização. Remuneração é a soma do salário direto e do indireto, ou seja, é tudo o que o funcionário recebe direta ou indiretamente como consequência do trabalho desenvolvido na organização. O sistema de remuneração e incentivos, ou sistemas de recompensa, “consistem no conjunto de contrapartidas materiais e imateriais que os empregados recebem, em função da qualidade do seu desempenho, da sua contribuição de longo prazo para o desenvolvimento do negócio e da sua identificação com os valores e princípios de funcionamento da empresa” (Camara, 1997, p. 299). A política de remunerações objetiva influenciar as percepções e as convicções dos colaboradores, a fim de produzir comportamentos desejados pela organização. Para tanto, a empresa deve definir, com clareza, os princípios básicos que orientam a política salarial. Segundo Perreti (1997, p. 324), os princípios que orientam as políticas salariais devem ser afirmados clara e frequentemente. A empresa deve ter uma posição clara, tanto em relação à equidade interna e externa como em relação ao desempenho. A empresa deve interrogar‑se sobre o modo como a remuneração influencia a motivação e dedicação das pessoas. A injustiça interna provoca elevados níveis de ressentimentos. Segundo Chiavenato (1999), administração de salários é um conjunto de normas e procedimentos que visam a estabelecer e/ou manter estruturas de salários equitativas e justas na organização. Essas estruturas de salários deverão ser equitativas e justas com relação ao: • equilíbrio interno: é alcançado por meio de informações internas obtidas por meio da avaliação e da classificação de cargos, assentadas sobre um prévio programa de descrição e análise; • equilíbrio externo: é alcançado por meio de informações externas obtidas a partir de pesquisa salarial. 107 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Composição dos salários • Tipologia dos cargos na organização • Política de RH da organização • Política salarial da organização • Desempenho e capacidade financeira da organização • Competividade da organização • Situação do mercado de trabalho • Conjuntura econômica • Sindicatos e negociações coletivas • Legislação trabalhista • Situação do mercado de clientes • Concorrência do mercado Fatores internos (organizacionais) Fatores externos (ambientais) Composição dos salários Figura 18 Com a manutenção de estruturas de salários equilibradas, a administração de salários propõe‑se a atingir os seguintes objetivos: 1. remunerar cada empregado de acordo com o valor do cargo ocupado; 2. recompensá‑lo adequadamente a partir de seu desempenho e sua dedicação; 3. atrair e reter os melhores candidatos para os cargos; 4. ampliar a flexibilidade da organização, dando‑lhe os meios adequados para a movimentação do pessoal; 5. obter dos empregados a aceitação dos sistemas de remuneração adotados pela empresa; 6. manter o equilíbrio entre os interesses financeiros da organização e sua política de relações com os empregados. Administração de salários Implantação e/ ou manutenção de estruturas salariais Avaliação de cargos Classificação de cargos Pesquisa salarial Políticas da organização Política salarial retroação (reciclagem) Figura 19 108 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Chiavenato (2004) define administração de salários como o conjunto de normas e procedimentos que visam estabelecer e/ou manter estruturas de salários equitativas e justas na organização. Essa estrutura de salários deverá ser justa com relação: • aos salários em comparação aos demais cargos da própria organização, visando‑se o equilíbrio interno; • aos salários em comparação aos mesmos cargos de outras empresas que atuam no mercado de trabalho, visando‑se o equilíbrio externo dos salários. 5.4 Abordagens em remuneração Em um mundo dinâmico, com a globalização da economia e com a profunda influência da tecnologia da informação, os programas de compensação nãopoderiam ficar à margem. As organizações não podem continuar a aumentar indefinidamente os salários em determinadas percentagens a cada ano para acompanhar os aumentos de custo de vida, sem um correspondente aumento no desempenho e na produtividade, diz Chiavenato (2004). Apesar dessa observação, ainda encontramos organizações com estruturas salariais tradicionais, baseadas nas descrições de tarefas e responsabilidades de cada função. Os modelos de remuneração baseados nas descrições de cargos, rigidamente atendidos, estimulam os funcionários a fazer apenas o que está naquela descrição, ação seriamente prejudicial para a organização e para o processo de aprendizado. Wood Jr.; Picarelli Filho (1999, p. 85) citam as críticas mais comuns ao sistema de remuneração funcional: • promove um estilo burocrático de gestão; • reduz a amplitude de ação dos indivíduos e grupos; • inibe a criatividade; • não considera o foco nos clientes internos e externos; • reforça a hierarquia; • promove a obediência a normas e procedimentos, não a orientação para resultados; • não tem orientação estratégica; • não encoraja o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos; • torna as promoções excessivamente importantes e incentiva o carreirismo. A remuneração tradicional, por se fixa, caracterizada apenas pela administração de salários, não interfere nas diversas áreas da organização, assim como não estimula os funcionários a desenvolverem suas tarefas de forma eficiente. 109 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Wood Jr.; Picarelli Filho (1999) relacionam algumas características dos sistemas tradicionais de remuneração que resultam em dificuldades para as empresas: • Inflexibilidade: os sistemas tradicionais são rígidos, portanto, tratam situações diferentes de forma homogênea. Não levam em consideração as diferenças entre as empresas, áreas ou funções. • Falsa objetividade: os sistemas tradicionais acabam enxergando a organização apenas com base no organograma formal. Ignoram as necessidades atuais das empresas com relação à agilidade e à flexibilidade. • Metodologia desatualizada: esses sistemas são trabalhosos e pouco ágeis, além de exigirem manutenção trabalhosa do sistema de avaliações. • Conservadorismo: os sistemas tradicionais reforçam a burocracia interna, privilegiando a rígida hierarquia e desconsiderando o foco no cliente, seja ele interno ou externo. • Anacronismo: esses sistemas dificultam as mudanças organizacionais, como a descentralização das estruturas de comando, orientação para resultados, maior autonomia das áreas funcionais, trabalho em equipe e flexibilidade. • Divergência: os sistemas tradicionais não consideram a visão estratégica do negócio. Por se prestarem apenas como instrumento de gestão de salários, esses sistemas estão dissociados do planejamento estratégico das empresas. 5.4.1 Sistema de remuneração estratégica Em função das transformações que as estruturas organizacionais vêm sofrendo existe, hoje, a necessidade de um novo sistema de remuneração, onde se percebe a remuneração não mais como fator de custo, mas como fator de aperfeiçoamento que impulsiona a organização e seus funcionários para processos focados na melhoria e na competitividade. Nesse sentido, na visão de Xavier, Silva; Nakahara (1999), no futuro, as empresas terão limitado número de níveis funcionais. Os sistemas de remuneração terão que se adaptar a essa nova realidade, em que duas grandes mudanças serão percebidas: • de um enfoque com base no cargo para um enfoque com base na responsabilidade da função; • da ênfase no desempenho para foco no resultado e no conhecimento que as pessoas puderem agregar ao negócio. Xavier, Silva; Nakahara (1999) citam, ainda, seis categorias que serão consideradas pelas organizações relacionadas à remuneração estratégica: • Remuneração da responsabilidade: as pessoas serão recompensadas pelo seu papel e não pelo cargo que ocupam. Os empregados necessitarão de uma visão integral do negócio, pois precisarão coordenar equipes multifuncionais e terão maior poder de decisão na fixação de objetivos, metas e nas negociações com fornecedores e clientes. 110 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • Remuneração do conhecimento: a remuneração levará em consideração o conjunto dos conhecimentos da pessoa e de que forma tais conhecimentos poderão agregar valor aos negócios da empresa. • Remuneração por competências e habilidades: conjunto dos conhecimentos, habilidades e atitudes das pessoas, que poderão contribuir para os resultados da empresa. • Remuneração potencial: estabelece a recompensa com base no potencial futuro do retorno que o funcionário poderá trazer para os resultados da organização. • Remuneração do talento: a recompensa terá como base a criatividade e a capacidade de inovação do funcionário, bem como suas habilidades na solução de problemas e na apresentação de sugestões que levem melhorias à organização. • Remuneração do resultado: terá como base a fixação de objetivos e metas e levará em conta o atingimento ou superação das mesmas. Visa a resultados quantitativos, qualitativos e estratégicos. Para dar continuidade à discussão sobre remuneração, vamos considerar o conceito de Wood Júnior; Picarelli Filho (1999, p. 90), que definem a remuneração estratégica como “catalisador para a convergência de energias na organização”. Os autores fazem uma combinação equilibrada de diferentes métodos de remuneração, com o importante objetivo de aproximar o vínculo entre organização e funcionários. A saber: 1. remuneração funcional: determinada pela função, também conhecida por “plano de cargos e salários”, considerado o método mais tradicional; 2. salário indireto: compreende benefícios e outras vantagens, tendo como vantagem a flexibilização dos benefícios; 3. remuneração por habilidades: é determinada pela formação e capacitação dos funcionários, deslocando o foco do cargo ou função para o indivíduo; as habilidades passam a ser a base da remuneração; é a mais adequada ao nível operacional; 4. remuneração por competências: também é determinada pela formação e capacitação dos funcionários, só que mais adequada ao nível gerencial; 5. plano privado de aposentadoria: os fundos de pensão relacionam‑se aos sistemas de previdência privada e atuam como complementar de remuneração, embora de forma inequívoca; 6. remuneração variável: é vinculada a metas de desempenho dos indivíduos, das equipes ou da organização, incluindo a participação nos lucros e a remuneração por resultados; pode‑se incluir a remuneração por competências; 7. participação acionária: vinculada a objetivos de lucratividade da empresa, utilizada, algumas vezes, como alternativa à participação nos lucros; 8. alternativas criativas: incluem prêmios, gratificações e outras formas de reconhecimento. 111 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Alternativas criativas Remuneração variável Remuneração por competências Participação acionária Plano privado de aposentadoria Salário indireto Remuneração por habilidades Remuneração funcional Figura 20 A figura abaixo mostra o perfil delineado para uma empresa que privilegia a remuneração por habilidades e competências e os incentivos especiais (alternativas criativas). Observar o quanto o sistema de remuneração funcional aparece diminuído na figura. Alternativas criativas Remuneração variável Remuneração por competências Participação acionária Plano privado de aposentadoria Salário indireto Remuneração por habilidades Remuneração funcional Figura 21 5.4.2 Remuneração variável A remuneração variável é um campo em expansão nos assuntos ligados ao gerenciamentode recursos humanos, em que a forma de compensação tende a ser o pagamento pela performance, diz Altmansberger (2000). Isso significa o pagamento de um bônus de acordo com o desempenho alcançado por um grupo de funcionários ou pela organização, conforme um sistema predeterminado de metas (BELCHER, 2000). 112 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Ribeiro (1997) menciona que a remuneração variável constitui‑se num programa de alta relevância marcado pela plena interação dos grupos formais e informaise pela condução participativa dos métodos e processos, além de dar aos empregados a oportunidade de repensarem sua postura profissional e analisarem sua performance perante o grupo a que pertencem e a organização como um todo. Nesse sentido, o grande desafio da organização passa a ser aumentar a produtividade com o envolvimento direto dos seus funcionários. As companhias que fizeram os empregados parceiros nos negócios, por meio de um sistema de remuneração que incentiva um sistema de trabalho de alta performance, foram recompensadas com ganhos na produtividade e na performance, diz Zall (2001). A esse respeito, Álvares (1999, p. 71) afirma que a utilização da remuneração variável não se restringe às grandes empresas, mas que sua utilização está mais vinculada à ideologia do fundador coma crença de que o compartilhamento do sucesso entre os empregados aumenta a produtividade e os lucros. Reis Neto; Marques (2004) apontam como objetivo central do sistema de remuneração variável criar um clima organizacional que apoie e favoreça o aumento da produtividade e da criatividade humana, bem como ter processos que criem flexibilidade. E, para alcançar tal objetivo, há várias formas de remuneração variável. Entre os objetivos da remuneração variável, Garrido (1999, p. 26) entende que os fundamentais são: • sustentar a cultura participativa da empresa; • motivar o sentimento de os empregados se sentirem como donos do negócio; • comunicar os valores da organização. Remuneração variável é a remuneração vinculada a metas do desempenho dos indivíduos, das equipes ou da organização. Inclui participação nos lucros e a remuneração por resultados. Pode‑se incluir, também, nessa modalidade, a remuneração por competências. A utilização da remuneração por resultados deve estar fundamentada em um bom sistema de indicadores de desempenho, que ligue o direcionamento estratégico da empresa às atividades operacionais e de apoio. Portanto, esse sistema é um conjunto de diferentes formas de recompensa oferecidas aos empregados, complementando a remuneração fixa e atrelando fatores, como atitudes, desempenho e outros, com o valor percebido. Observação A remuneração variável é bastante comum nas áreas de vendas. 5.4.3 Remuneração por competência Competência é uma palavra do senso comum, utilizada para designar uma pessoa qualificada para realizar alguma coisa. O seu oposto, ou o seu antônimo, não implica apenas a negação desta capacidade, 113 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS mas guarda um sentimento pejorativo, depreciativo. Chega mesmo a sinalizar que a pessoa se encontra ou se encontrará brevemente marginalizada dos circuitos de trabalho e de reconhecimento social (FLEURY; FLEURY, 2001). O conceito de competência é pensado como conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é, conjunto de capacidades humanas) que justificam um alto desempenho, acreditando‑se que os melhores desempenhos estão fundamentados na inteligência e na personalidade das pessoas. Em outras palavras, a competência é percebida como estoque de recursos que o indivíduo detém. Embora o foco de análise seja o indivíduo, a maioria dos autores americanos sinaliza a importância de se alinharem as competências às necessidades estabelecidas pelos cargos ou posições existentes nas organizações (FLEURY; FLEURY, 2001). As competências de um funcionário pressupõem operações mentais, capacidades para usar as habilidades, emprego de atitudes, adequadas à realização de tarefas e conhecimentos. Dentro desse conceito as habilidades estão relacionadas ao saber fazer. Habilidade pode ser definida como o conjunto de conhecimentos formalmente aprendidos, somado à aptidão pessoal. Nas habilidades são relacionadas todas as atividades e os desafios dos cargos que constituem uma carreira e possibilitam à organização avaliar seu nível. São exemplos de habilidades: identificar variáveis, compreender fenômenos, relacionar informações, analisar situações‑problema, sintetizar, julgar, correlacionar e manipular. Santos (2003, p. 31) afirma que uma definição para competência é “o saber‑agir diante de situações complexas e o saber mobilizar conhecimentos, habilidades, atitudes e recursos (tecnológicos, financeiros, mercadológicos e humanos), em que as pessoas objetivam agregar valor de diversas naturezas às organizações [...]”. A remuneração por competências é utilizada no trabalho realizado por executivos que têm como características a variedade, sendo utilizada nas empresas que envolvam abstração, incerteza e criatividade. Para, Wood Júnior e Picarelli Filho (1999, p. 126) “competência significa conhecimento aplicado e orientado para melhorar o desempenho do indivíduo, do grupo e da organização”. Wood Júnior; Picarelli Filho (1999) apresentam um processo para identificação de competências estruturado em quatro passos: 1. levantar as informações relacionadas à intenção estratégica de empresa; 2. identificar as competências essenciais da organização; 3. desdobrar essas competências essenciais (coletivas) em cada área (pesquisa e desenvolvimento, marketing, vendas etc.) e processo (desenvolvimento de novos serviços, lançamento de produtos, logística integrada etc.); 4. desdobramento final das competências grupais em competências individuais. 114 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Quadro 16 – Competências para o profissional Saber agir Saber o que e por que faz. Saber julgar, escolher, decidir. Saber mobilizar recursos Criar sinergia e mobilizar recursos e competências. Saber comunicar Compreender; trabalhar; transmitir informações, conhecimentos. Saber aprender Trabalhar o conhecimento e a experiência, rever modelos mentais; saber desenvolver‑se. Saber engajar‑se e comprometer‑se Saber empreender; assumir riscos. Comprometer‑se. Saber assumir responsabilidades Ser responsável, assumindo os riscos e consequencias de suas ações e sendo por isso reconhecido. Ter visão estratégica Conhecer e entender o negócio da organização, o seu ambiente, indentificando oportunidades e alternativas. Fonte: Le Boterf apud Fleury; Fleury (2001). O quadro anterior apresenta uma amostra das competências esperadas pela organização no momento da avaliação, que pode ajudar na definição da remuneração. A remuneração baseada em competências, para que seja uma prática salarial mais justa, requer que se avalie o funcionário, enfatizando como trabalha, em vez de simplesmente o que realiza, sendo, portanto, necessário mais do que identificar as competências e estabelecer um novo programa de remuneração. Quase na sua totalidade, é pertinente realizar uma avaliação de “360°”, e também um programa de treinamento contínuo com os funcionários para o desenvolvimento de suas competências (Flannery, 1997). Mathis; Jackson (2003), no quadro abaixo, demonstram os principais resultados individuais e organizacionais de uma organização que remunera por competências. Quadro 17 Resultados organizacionais Resultados indivíduais Maior flexibilidade da força de trabalho. Compreensão melhorada de toda a organização. Aumento da flexibilidade das equipes de trabalho. Melhores capacidades autogerenciáveis. Produtividadepor empregado aumentada. Maior satisfação. Mais oportunidade de melhoria de carreira. Maior comprometimento. A remuneração por competência, portanto, é determinada pela formação e pela capacitação do funcionário. Difere da remuneração por habilidades quanto ao seu objeto: enquanto a remuneração por habilidades é geralmente aplicada no nível operacional, a por competência é mais adequada ao nível gerencial. Competência envolve conhecimento, o que pode ser formalmente aprendido. Habilidades, embora possam ser aprendidas, necessitam de aptidão pessoal. Atitudes correspondem à postura/ comportamento que o profissional necessita para o exercício do cargo. 115 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 5.4.4 Remuneração por habilidades Remuneração por habilidades é determinada pela formação e pela capacitação dos funcionários. Essa forma de remuneração desloca o foco do cargo ou função para o indivíduo. Sendo assim, o conhecimento e as habilidades passam a determinar a base da remuneração. Importante não confundir habilidades com conhecimentos. Para Fiorelli (2000, p. 184), “uma habilidade é um conhecimento posto em prática.” Nesse sistema de remuneração os aumentos salariais são vinculados a um processo de certificação onde os empregados necessitam demonstrar o domínio dos conhecimentos exigidos para desempenho das funções inerentes ao cargo. De maneira que o fator relevante para o aumento salarial é a capacitação dos profissionais. Os objetivos de um sistema de remuneração por habilidades, segundo Wood Júnior e Picarelli Filho (1999), são: • remunerar os profissionais por suas características pessoais; • alinhar as capacidades dos colaboradores com o direcionamento estratégico e as necessidades da organização; • favorecer o aprendizado organizacional; • superar o paradigma de gestão tradicional, que foca a hierarquia rígida, as funções bem definidas e as descrições de cargos. A principal vantagem do sistema de remuneração por habilidades é a maior flexibilidade no uso da força de trabalho, com a ruptura do conceito de cargos e a maior capacitação dos profissionais, embora existam limitações e dificuldades de expansão de sua aplicação, diz Hipólito (2001). Conforme a equipe Coopers & Lybrand (1997, p.57), a remuneração por habilidade costuma receber diferentes nomes nas empresas que a utilizam. Os mais comuns são: remuneração por conhecimento, remuneração por habilidades certificadas ou, simplesmente, remuneração por habilidades. A remuneração por habilidade é um método de avaliação que considera as habilidades pessoais como critério de classificação para se estabelecerem as diferenças entre os salários praticados na empresa. Habilidade é a capacidade de realizar uma tarefa ou um conjunto de tarefas em conformidade com determinados padrões exigidos pela organização. Os funcionários podem aprender um leque de habilidades relacionadas ao seu cargo por meio de um treinamento cruzado e serem recompensados pelo conjunto dessas habilidades, mesmo que desenvolvam um trabalho específico (SHERMERHORN JÚNIOR, HUNT, OSBORN, 1999). Nesse sentido, Wood Júnior; Picarelli Filho (1999) afirmam que promoções e evolução salarial são diretamente vinculadas a um processo de certificação, no qual o funcionário deve demonstrar domínio do conhecimento, sendo que a certificação por parte da empresa reforça a credibilidade do sistema utilizado, sempre valorizando o desenvolvimento de habilidades importantes para o cargo em que ocupa na empresa. 116 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Lembrete Lembre‑se da discussão sobre o caráter multivariado do salário. 5.5 Avaliação e classificação de cargos A avaliação de cargos é um meio de determinar o valor relativo de cada cargo dentro da estrutura organizacional e, portanto, a posição relativa de cada um dentro da estrutura da organizacional. No sentido estrito, essa avaliação procura determinar a posição relativa de cada cargo com os demais: as diferenças significativas entre eles são colocadas em uma base comparativa, a fim de permitir uma distribuição equitativa dos salários dentro de uma organização, para neutralizar qualquer arbitrariedade, diz Chiavenato (2004). 5.5.1 Os métodos de avaliação de cargos Como vimos no capítulo anterior, todos os métodos de avaliação de cargos são eminentemente comparativos: ou comparação dos cargos entre si ou comparação dos cargos com alguns critérios (categorias ou fatores de avaliação) tomados como base de referência: 1.método do escalonamento ou método de comparação simples (job ranking); 2.‑método das categorias predeterminantes (job classification); 3. método da comparação de fatores (factor comparison); 4. método de avaliação por pontos (point ranking). A avaliação de cargos (job evaluation), segundo Chiavenato (1999), se dá por meio da aplicação de critérios comuns para analisar e comparar o conteúdo de cargos, para colocá‑los numa ordem de classes e utilizar um sistema de remuneração, também denominado remuneração funcional, que é determinado pela função e ajusta‑se ao mercado. Portanto, os métodos de descrição e análise de cargos são fundamentais para a construção do sistema de remuneração. Trata‑se de um sistema que possibilita aos gestores reconhecerem as contribuições no aumento da produtividade e na obtenção de maior índice de satisfação no trabalho de seus funcionários. 5.5.2 Classificação de cargos De acordo com os resultados da avaliação, os cargos podem ser classificados em classes. O agrupamento dos cargos em classes visa facilitar a administração salarial, além de permitir que cada classe tenha um tratamento genérico em termos de salários, benefícios sociais, regalias, vantagens, sinais de status etc. A classificação dos cargos é fixada arbitrariamente. Para o propósito de estabelecer salários, é costume dividir as séries em graus ou grupos de cargos (classes), para os quais são atribuídas faixas de classes de salários 117 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS com limites máximos e mínimos. No final, cada classe passa a ter um relativo grau de impotência, e todos os cargos nela contidos passam a ter igual tratamento (CHIAVENATO, p. 2004). Existem vários critérios para a classificação de cargos, segundo Chiavenato (2004): 1. classificação por pontos: os cargos são agrupados em classes de acordo com intervalos de pontos. 2. classificação por cargos de carreira: • escriturário I; • escriturário II; • escriturário III. 3. classificação por grupo ocupacional: • engenheiro civil; • engenheiro eletricista; • engenheiro químico. 4. classificação por área de serviço: • gerente de finanças; • tesoureiro; • contador; • sub‑contador; • caixa etc. 5. classificação por categoria: • secretária júnior; • secretária português; • secretária bilíngue; • secretaria executiva. Antes de definir as estruturas salariais da organização, convém pesquisar e analisar os salários da comunidade. Para tanto a empresa poderá: • utilizar pesquisas feitas por empresas nas quais tenha participado; • utilizar pesquisas feitas por empresas especializadas; • promover sua própria pesquisa salarial. 118 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 5.5.3 Pesquisa salarial A pesquisa salarial é realizada, objetivando a manutenção do plano de cargos e salários adequados à organização. Seu objetivo específico é informar qual a situação do mercado concorrente e comparar com os dados da empresa. Assim, a política salarial representa as tomadas de decisões organizacionais a respeito de assuntos sobre remuneração e benefícios concedidos aos funcionáriosSegundo Pontes (1996), pesquisa salarial é o estudo do comportamento salarial praticado em certo setor. A pesquisa salarial não difere das demais pesquisas e, portanto, para propiciar tomadas de decisões deve conter as fases: • de coleta; • tratamento estatístico; • análise dos dados. Há quem defina pesquisa salarial como levantamento dos salários nominais, adicionais e benefícios pagos por empresas que de alguma forma influencia no mercado de mão de obra. Nesse sentido, Pontes (1995, p. 55) entende que “o ponto‑chave da pesquisa salarial está na definição da amostra de cargos e de empresas a ser pesquisada. Com boa amostra de cargos, é possível fazer uma interferência sobre todos os cargos em relação ao segmento empresarial pesquisado”. Como verificamos anteriormente, a administração de salários procura obter não só o equilíbrio interno de salários, como também o equilíbrio externo de salários em relação ao mercado de trabalho. Assim, antes de se definirem as estruturas salariais da empresa, convém pesquisar e analisar os salários da comunidade, diz Chiavenato (2004). A pesquisa de salários pode ser feita por meio de: • questionários; • visitas à empresa; • reuniões com especialistas em salários; • telefonemas entre especialistas em salários; • pesquisas realizadas por empresas especializadas. A montagem de uma pesquisa de salários deve levar em conta: • quais os cargos a serem pesquisados (cargo de referência); • quais as organizações participantes e qual a época da pesquisa. 119 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 5.5.4 Cargo de referência Segundo Chiavenato (2004), os cargos de referência são ao mesmo tempo amostras do mercado de salários externos e da estrutura interna de salários da empresa. Eles podem ser: • cargos que representam os vários pontos da curva salarial da empresa; • cargos facilmente identificáveis no mercado; • cargos que representam os setores de atividade da empresa. Seleção das empresas participantes Os critérios adotados para a escolha das empresas que deverão ser convidadas a participar da pesquisa salarial como amostras do mercado de trabalho são os seguintes: a. localização geográfica; b. ramo de atividade; c. tamanho; d. pesquisa salarial. 5.6 Política salarial A política salarial consiste na adoção de medidas que a organização toma para estruturar os cargos, com o objetivo de oferecer aos funcionários perspectivas de uma remuneração melhor. É o conjunto de princípios e diretrizes que refletem a orientação e a filosofia da organização com relação à remuneração. Uma política salarial, segundo Chiavenato (2004), deve ter como conteúdo: • Estrutura de cargos e salários: classificação dos cargos e as faixas salariais para cada classe de cargos. • Salários de admissão para as diversas classes salariais: normalmente coincide com o limite inferior da classe salarial. • Previsão de reajustes salariais, seja por determinação legal (dissídios coletivos), sejam espontâneos. Os reajustes salariais podem ser: — reajustes coletivos — reajustes individuais: ‑ por promoção; 120 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 ‑ por enquadramento; ‑ por mérito. 5.6.1 Administração de carreira: promoção e crescimento na organização Cada vez mais as organizações sentem necessidade de medir e alinhar as habilidades e competências técnicas e pessoais de seus funcionários com seu planejamento estratégico. A gestão de competências e habilidades resgatou a expressão “plano de carreira”, ao identificar metodologicamente a existência de profissionais técnicos especializados, sem o perfil gerencial, e que são fundamentais para o sucesso dos negócios. Dutra (1996) propõe repensarmos sobre a gestão de pessoas quando afirma que a administração de carreiras não resolve todos os problemas das empresas. Contribui, porém, para: • adequar os projetos de desenvolvimento das pessoas ao projeto de desenvolvimento da empresa; • estimular e dar suporte para que as pessoas planejem seu futuro profissional; • identificar e trabalhar pontos fortes e fracos; • explorar os pontos fortes das pessoas, independentemente de suas preferências profissionais; • melhorar a comunicação entre empresa e funcionários; • oferecer maior transparência na negociação de expectativas entre empresa e funcionários; • direcionar e integrar as práticas de gestão de pessoas. Uma nova leitura sobre plano de carreira é feita e surge a gestão de carreira em Y, ou gestão de carreiras paralelas. Ela recebe novos contornos, adequando os projetos de desenvolvimento das pessoas ao projeto de desenvolvimento da empresa. Essa nova visão objetiva estimular e dar suporte para que os funcionários possam planejar o futuro, evitando ao máximo a perda de capacidade técnica e gerencial. Essa forma de carreira tem as seguintes características: • os eixos técnico e gerencial apresentam uma base comum, conferindo maior flexibilidade na alocação das pessoas nos dois eixos; • a base tem característica técnica, o que permite que o profissional técnico possa optar pela carreira técnica ou pela gerencial; • o formato em Y confere legitimidade àqueles que ocupam posições gerenciais, o que facilita o diálogo e sua aceitação como gerentes junto àqueles que optaram pelo eixo técnico da carreira. Com a política de redução de níveis hierárquicos adotada pelas grandes e médias empresas, ficou mais difícil oferecer promoções dentro da organização como estímulo motivador ou de retenção de talentos. 121 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Para tanto, a empresa adotou a carreira Y, que ajuda quando um profissional chega a um estágio de sua carreira em que já não desempenha mais uma atividade técnica ou administrativa corriqueira e, por outro lado, não há espaço para ascensão profissional em nível gerencial. O funcionário é promovido a consultor ou especialista. São cargos que se caracterizam pela aplicação de tecnologia específica ou pelo desempenho de atividades de apoio que requerem conhecimentos especializados. A atuação é feita de forma independente ou por meio da liderança técnica de uma pequena equipe de colaboradores. A carreira em Y foi criada para permitir que os talentos da área técnica, que preferem continuar em laboratórios e centros de pesquisa, recebam os mesmos salários, benefícios e oportunidades dos que optam pela carreira gerencial. O profissional pode escolher crescer dentro do pilar técnico ou crescer dentro do pilar gerencial. 5.6.2 Remuneração funcional Conhecido popularmente como PCS (Plano de Cargos e Salários), é um dos sistemas de remuneração mais tradicionais existentes e também o mais usual nas empresas. O sistema de remuneração funcional é composto de: • descrição de cargo; • avaliação de cargos; • faixas salariais; • política para administração dos salários; • pesquisa salarial. As organizações que utilizam esse tipo de remuneração tendem ao conservadorismo e à inércia, dizem Wood Júnior; Picarelli Filho (1999). Ela promove o equilíbrio externo e interno. • equilíbrio externo: consiste na adequação dos salários da empresa em relação ao valores praticados no mercado, em função de pesquisas salariais. • equilíbrio interno: ocorre após avaliação de todos os cargos e aplicação de uma regra geral para estabelecimento dos salários, gerando um sentimento de justiça entre os empregados. 5.6.3 Salário indireto Compreende benefícios e outras vantagens que correspondem, muitas vezes, a uma parcela considerável da remuneração total. A remuneração indireta, representada pelos benefícios, tem como finalidade permitir uma garantia de manutenção de seu padrão de qualidade de vida. Esse sistema 122 Unidade II Re vi sã o(r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 é aplicável a todo e qualquer nível de colaborador, desde os escalões superiores até os ocupantes de função na linha básica da hierarquia institucional. Segundo Wood Júnior; Picarelli Filho (1999), a grande tendência no salário indireto é a flexibilização dos benefícios que, na forma mais tradicional variam de acordo com o nível hierárquico. Na forma flexibilizada, cada colaborador escolhe o “pacote” de benefícios de acordo com as suas necessidades e preferências a partir das alternativas disponíveis. Dentre os benefícios, encontram‑se: automóvel, empréstimo financeiro, assistência médica, previdência privada, estacionamento, auxílio‑doença, auxílio‑farmácia, assistência odontológica, auxílio‑funeral, aluguel de casa, clube recreativo, transporte, alimentação, creche, cursos em geral e outros. É importante observar que, por se tratar de “benefícios”, não é aconselhável oferecer produtos que não interessam aos funcionários. Portanto, a melhor alternativa é flexibilizar os planos de benefícios, permitindo ao funcionário a opção de escolha. O crescimento dos fundos de pensão relaciona‑se diretamente com a disseminação dos sistemas ou previdência privada. Tal componente de remuneração tem atraído a atenção de empresários e executivos. Ele contribui de forma inequívoca para a valorização do compromisso de longo prazo entre empresa e funcionário (WOOD JÚNIOR; PICARELLI FILHO, 1999). 5.6.4 Remuneração acionária Este é um dos sistemas de remuneração mais complexos e sofisticados do conjunto da remuneração estratégica. É um sistema vinculado a objetivos de lucratividade da empresa e utilizado para reforçar o compromisso a médio e longo prazo entre ela e o funcionário. Porém, necessita de um projeto muito bem elaborado, conscientemente aprovado pela alta direção para ser implantado. Essas providências devem ser tomadas, porque a participação acionária pode apresentar desvantagens para a empresa quando ela tem uma distribuição mal dimensionada de ações que pode causar a redução do valor unitário, prejudicando os acionistas. É positiva a sua implantação por apresentar satisfação nos funcionários que, ao se sentirem proprietários da empresa, adquirem senso de identidade, comprometimento e orientação para resultados. Segundo Wood Júnior; Picarelli Filho (1999), esse tipo de remuneração é utilizada para reforçar compromisso de longo prazo entre a organização e seus funcionários. Vantagens: • cria um real vínculo entre os empregados e a empresa, uma vez que eles passam a ser “donos” de uma parte da empresa; • cria um vínculo dos empregados com os resultados da empresa, uma vez que o seu maior ganho financeiro passa a ser os dividendos e, em termos econômicos, a valorização das ações no mercado; • retenção dos profissionais; 123 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • pode gerar ganhos expressivos; • fontes de ganhos adicionais, contingentes, não submetidos a encargos tributários/trabalhistas; • esses benefícios são alcançados sem desembolso de caixa. Desvantagens: • grande espaço de tempo entre o esforço e o reconheci mento da recompensa; • impacto de movimentos especulativos; • proibição de venda ou troca de ações durante certo período; • pode diluir capital e prejudicar minoritários; • desempenho da empresa não é só desempenho da ação; • conflito de interesses – governança corporativa. 5.6.5 Benefícios sociais Os planos de benefícios, inicialmente, foram implantados nas organizações com o intuito de reter a mão de obra e reduzir a rotatividade de pessoal. Atualmente, a preocupação está voltada, também, para a preservação das condições físicas e mentais das pessoas. Os benefícios são facilidades, conveniências, vantagens e serviços sociais que as organizações oferecem aos funcionários, objetivando poupar‑lhes preocupações. Segundo Chiavenato (1994), os planos de benefícios são representados pela remuneração indireta com os seguintes objetivos: • funcionar como um instrumento de atração pessoal; • procurar preencher deficiências, lacunas ou carências da previdência social e demais serviços prestados pelo governo; • procurar atender às necessidades individuais das pessoas, proporcionando uma vida pessoal, familiar e de trabalho mais tranquila e produtiva. Bohlander et al (2003) confirma a linha de pensamento acima quando afirma que “os principais objetivos da maioria dos benefícios são: aprimorar a satisfação do funcionário no trabalho; atender aos requisitos de saúde e segurança; atrair e motivar os funcionários; reduzir a rotatividade e manter uma posição competitiva favorável”. A classificação dos planos de benefícios, segundo Chiavenato (1999), pode ser quanto aos objetivos assistenciais, recreativos e supletivos: • assistenciais ‑ visam certas condições de segurança e previdência para o funcionário e sua família; • recreativos ‑ visam proporcionar diversão, recreação, higiene mental ao funcionário; 124 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • supletivos ‑ visam proporcionar algumas facilidades, conveniência e utilidades para uma melhor qualidade de vida do funcionário. Os benefícios sociais podem, ainda, ser divididos em legais e espontâneos: • benefícios legais: são os exigidos por lei, como 13º salário, férias, aposentadoria, seguro de acidentes de trabalho, salário família, horas extras, adicional por trabalho noturno etc. • benefícios espontâneos: são concedidos por atividade das organizações, como gratificações, refeições, transporte, empréstimos, assistência médica privada, complementação da aposentadoria etc. Segundo Marras (2000), os benefícios espontâneos são aqueles que a empresa oferece por vontade própria, geralmente com o objetivo de atender às necessidades dos empregados ou de tornar o perfil da remuneração atraente e competitiva no mercado de trabalho, tanto para atrair novos recursos humanos quanto para manter os atuais. Entre os benefícios espontâneos mais encontrados no mercado, segundo pesquisa realizada por Marras; Associados, encontram‑se os seguintes: Quadro 18 Tipo de benefício % de incidência na amostra Restaurante 100 Seguro de vida 100 Assistência médica 100 Confraternização 75 Transporte 70 Cesta básica 60 Seguro de acidentes pessoais 60 Veículo designado 58 Clube para empregados 58 Pagamento de quilometragem 55 Assistência odontológica 50 Observação Na pesquisa de Marras, três benefícios foram detectados em 100% da amostra, apesar destes não serem exigidos por lei. É importante lembrar que, assim como comentamos sobre o plano de recompensa, cada organização determina o seu plano de benefícios para atender às necessidades dos seus funcionários. Cada plano é constituído de um pacote de benefícios apropriado ao seu perfil. Os serviços e benefícios oferecidos têm por fim satisfazer objetivos individuais, econômicos e sociais (CHIAVENATO, 1999). 125 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Na visão de Bohlander et al. (2003) há vantagens e desvantagens na implantação de um programa flexível de benefícios: Vantagens: • empregados selecionam benefícios que atendem às suas necessidades individuais; • as seleções de benefícios adaptam‑se a uma força de trabalho (diversificada) em constante mudança; • os empregados ganham mais entendimento dos benefícios oferecidos a eles e dos custos implícitos; • os empregadores maximizam o valor psicológico do seu programa de benefícios, pagando apenas pelos benefícios altamente desejados; • os empregadores limitam os custos de benefícios, permitindo aos empregados “comprar” benefícios apenas até um valor máximo (definido);• os empregadores ganham vantagem competitiva no recrutamento e na retenção dos funcionários. Desvantagens: • a má seleção dos benefícios concedidos aos empregados resulta em custos financeiros indesejáveis; • há certos custos adicionais para estabelecer e manter o plano flexível; • os empregados podem escolher benefícios de alto uso para eles que aumentem os custos de prêmio para o empregador. Há, ainda, as recompensas não financeiras, que seriam a auto‑estima, o reconhecimento, a segurança no emprego e a auto‑realização, que afetam profundamente a satisfação do funcionário. A preocupação da empresa em melhorar a qualidade de vida no trabalho, a sensação de estabilidade, o apoio que o funcionário recebe da empresa são fatores de reconhecimento e valorização considerados como recompensas não financeiras. Outras alternativas criativas: Segundo Wood Júnior; Picarelli Filho (1999), as alternativas criativas incluem prêmios, gratificações e outras formas específicas de reconhecimento. Essas formas têm sido utilizadas com grande frequência como apoio no esforço de construir um ambiente organizacional caracterizado pela convergência de esforços e energias voltadas para o atendimento de objetivos estratégicos. 126 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 5.7 Qualidade de vida no trabalho O tema Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) recebe diferentes enfoques dados pelos pesquisadores. Campanário; França (2001) relacionam esse tema ao grau de satisfação dos trabalhadores às condições ambientais gerais e à promoção da saúde e do bem‑estar. Ulbricht (1998) e Buss (2002) e Valle; Vieira (1996) a conceituam em relação à satisfação e ao bem‑estar do trabalhador na execução de suas tarefas. Para Wyatt; Wah (2001), além da humanização do espaço de trabalho, a QVT visa também o aumento da produtividade da empresa. A concepção de Arellano (2004) também confirma o enfoque dado aos objetivos da organização, já que para o autor as ações de QVT refletem o aumento na produtividade e na melhoria da imagem da empresa, levando a um crescimento pessoal e organizacional. Walton (1974) ressalta a existência de oito categorias associadas à QVT, a saber: 1. compensação justa e adequada – a remuneração deve estar de acordo com as necessidades de subsistência e equivalente ao trabalho anterior; 2. ambiente seguro e saudável – os trabalhadores não devem estar expostos a condições ambientais e modos de produção que ponham em risco a sua saúde; 3. desenvolvimento das capacidades humanas – a organização deve investir na capacitação do trabalhador, o que possibilita o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que afetam seu envolvimento e sua auto‑estima; 4. oportunidade de crescimento e segurança – as tarefas devem contribuir para a expansão das capacidades; as habilidades adquiridas devem ser utilizadas em outras tarefas futuras e deve haver a possibilidade de avanço na carreira; 5. integração social – a identidade do trabalhador e sua auto‑estima são influenciadas por um ambiente livre de preconceitos, um bom relacionamento interpessoal, uma comunicação aberta e a mobilidade nos níveis hierárquicos; 6. constitucionalismo – os direitos dos trabalhadores devem estar na base da sua relação com os empregadores, contribuindo para a sua privacidade fora do trabalho, liberdade de expressão e igualdade no tratamento no emprego; 7. espaço total de vida – deve haver um equilíbrio entre as atividades do trabalho e a vida privada do trabalhador, com momentos para o lazer e a família; 8. relevância social do trabalho – a imagem da organização no tocante a sua responsabilidade social pode afetar a auto‑estima do trabalhador e a sua percepção quanto ao valor do trabalho e sua carreira. 127 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Objetivos Fatores‑chave Indicadores de desempenho Metas Po si ci on am en to p es so al s ob re Q VT Satisfação dos clientes internos e externos Limpeza, higiene, arrumação, proteção, (EPIs), segurança Condições de trabalho Assistência (func./família) ‑ educação, conscientização ‑ saúde ocupacional Saúde Indentidade com a tarefa ‑ relações interpessoais ‑ reconhecimento e retroação ‑ orientação para as pessoas Moral Salários (Equidade interna) ‑ salários (equidade externa) ‑ bônus, participação nos resultados ‑ beneficios sociais Compensação Criatividade/expressão pessoal ‑ repercussão das ideias ‑ programas de participação ‑ benefícios sociais Participação Conhecimento das metas ‑ fluxo informacional ‑ veículos formais Comunicação Identificação com a empresa ‑ imagem interna e externa ‑ responsabilidade comunitária ‑ enfoque no cliente Imagem da empresa Apoio socioemocional, orientação técnica, igualdade de tratamento, gerenciamento pelo exemplo Relação chefe/ subordinado Inovações, grupos de trabalho, variedade, ritmo Organização do trabalho Padrões de excelência Planejamento estratégico da qualidade Figura 22 As concepções sobre quais são os fatores que determinam a QVT diferem de autor para autor. Moretti (2003) destaca a maior participação dos trabalhadores nas decisões da organização, a descentralização das decisões, um ambiente físico seguro e confortável, a oportunidade de crescimento e desenvolvimento pessoal. Moraes et al. (2001) ressaltam que os principais elementos que a compõem são a resolução de problemas, a reestruturação da natureza básica do trabalho, a inovação no sistema de recompensas e a melhoria do ambiente de trabalho. Rio (1998, p. 293) afirma que “adequar a carga de trabalho às necessidades e características das pessoas é um dos fatores mais importantes a ser abordado no universo do trabalho”. Nesse sentido, pode‑se afirmar que os indivíduos satisfeitos com seus trabalhos produzem melhor. 128 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Quanto aos objetivos, Lida (2002, p. 347) afirma que a saúde do indivíduo pode ser melhorada por meio do conhecimento das situações que o colocam em risco e do desenvolvimento do comportamento para a situação do posto de trabalho. Tendo em vista que saúde, nesse contexto, se refere à saúde física e mental dos funcionários, pode‑se afirmar que, segundo Limongi; Rodrigues (1999), o nosso corpo é uma interação biopsicossocial, ou seja, biológica, psicológica e social, e esses elementos se influenciam uns aos outros, apesar de cada um ter dimensões específicas, a saber: • aspecto biológico: trata das características físicas herdadas ou adquiridas ao longo da vida; • aspecto psicológico: trata dos processos afetivos, emocionais e de raciocínio; • aspectos sociais: abordam as crenças, os valores, o papel da família e na família, no trabalho e em grupos, comunidades em que o indivíduo está inserido. 5.7.1 Higiene e segurança no trabalho A política de saúde, higiene e segurança no trabalho é a plataforma de sustentação de todas as outras políticas de recursos humanos. A saúde física e mental, bem como a prevenção de riscos e a manutenção de um sistema de higiene e segurança, ajustado às necessidades da organização, são a edificação de uma gestão estratégica de RH onde as pessoas são, efetivamente, o fator‑chave de competitividade. A higiene no trabalho tem por objetivo o reconhecimento, a avaliação e o controle dos fatores ambientais, assim como das tensões originadas no ambiente de trabalho, que podem provocar doenças, prejuízos à saúde ou ao bem‑estar, desconforto significativo e ineficiência nos trabalhadores. São procedimentos que visam a proteção física e mental dos funcionários, preservando‑os dos riscos de saúde inerentes às tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas.A segurança no trabalho compreende medidas técnicas, educativas, médicas e psicológicas, utilizadas para prevenir acidentes, quer eliminando as condições inseguras do ambiente, quer instruindo ou convencendo as pessoas da implementação de práticas preventivas. Objetivos da higiene e da segurança no trabalho: 1. diminuição dos riscos profissionais; 2. tratamento e prevenção de doenças profissionais; 3. melhoria das condições físicas de trabalho; 4. melhoria das condições ambientais; 5. controlo da fadiga; 6. manutenção da saúde dos trabalhadores e aumento da produtividade. 129 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS A higiene e a segurança do trabalho atendem a dois tipos de ações: • ações preventivas: preocupa‑se em evitar as doenças, os acidentes; • ações de restabelecimento: depois de ocorrido o acidente, preocupa‑se em restabelecer o trabalhador ou o estabelecimento. 5.7.2 Ergonomia Murrel (1965) afirma que “a ergonomia pode ser definida como o estudo científico das relações entre o homem e o seu ambiente de trabalho”. Para Grandjean (1968), a ergonomia é uma ciência interdisciplinar que compreende a fisiologia e a psicologia do trabalho, bem como a antropometria e a sociedade no trabalho. O objetivo prático da ergonomia é a adaptação do posto de trabalho, dos instrumentos, das máquinas, dos horários e do meio ambiente às exigências do homem. A realização de tais objetivos, no nível industrial, propicia uma facilidade no trabalho e um rendimento do esforço humano. Para Montmollin (1971), “a ergonomia é a tecnologia das comunicações homem‑máquina”. Leplat (1972) ressalta que “a ergonomia é a tecnologia e não uma ciência, cujo objeto é a organização dos sistemas homens‑máquina”. Wisner (1972) aponta para a direção de que “a ergonomia é o conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários à concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto e eficácia”. Tem como objetivo a melhoria da QVT e como missão colocar à disposição dos responsáveis pela empresa os conhecimentos sobre a realidade do trabalho. Os ergonomistas preocupam‑se em elaborar recomendações necessárias para as escolhas técnicas, organizacionais, humanas e sociais. As recomendações estão relacionadas com: • Iluminação – evitar reflexos. As superfícies de trabalho, paredes e pisos, devem ser foscas e o monitor deve possuir uma tela anti‑reflexiva. Evite posicionar o computador perto de janelas e use luminárias com proteção adequada. • Cores – usar cores suaves em tons mate. Os coeficientes de reflexão das superfícies do ambiente devem estar em torno de 80% para o teto, 15 a 20% para o piso; 60% para a parede (parte alta), 40% para as divisórias, para a parede (parte baixa) e para o mobiliário. • Temperatura – manter temperaturas confortáveis. Para ambientes informatizados, são entre 20° e 22°, no inverno; e entre 25° e 26° no verão (com níveis de umidade entre 40 e 60%). • Acústica – é recomendável para ambientes de trabalho em que exista solicitação intelectual e atenção constantes índices de pressão sonora inferiores a 65 dB(A). Por esse motivo recomenda‑se o adequado tratamento do teto e das paredes, com o uso de materiais acústicos e a adoção de divisórias especiais. • Humanização do ambiente – humanizar o ambiente com plantas, quadros e, quando possível, som ambiente. Estimule a convivência social entre os funcionários. Muitas empresas que estão adotando políticas nesse sentido vêm obtendo um aumento significativo de produtividade. 130 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Saiba mais Veja o artigo: ERGONOMIA aplicada ao ambiente de trabalho é benéfica à saúde e produtividade. Revista Viva BH, 20 mar. 2013. Disponível em: <http://revistavivabh.blogspot.com.br/2013/03/ergonomia‑ aplicada‑ao‑ambiente‑de.html>. Acesso em: 28 jun. 2013. Na administração moderna a gestão da qualidade de vida é uma competência organizacional. De acordo com Rodrigues (1994, p. 76), a QVT tem sido uma preocupação do homem desde o início de sua existência, com outros títulos, em outros contextos, mas sempre voltada para facilitar ou trazer satisfação e bem‑estar ao trabalhador na execução de sua tarefa. A qualidade é antes de tudo uma questão de atitude. Quem a faz e garante são as pessoas, muito mais do que o sistema, as ferramentas e os métodos de trabalho (Fernandes,1996, p. 24). Os objetivos dos programas de qualidade de vida, em geral, são: • tornar atraente o conteúdo das tarefas; • promover a cooperação; • melhorar a comunicação; • criar possibilidades de aprendizagem; • participação, de auto‑organização no âmbito da execução. O baixo nível de QVT tem como consequências: • falta de motivação; • baixo nível de produtividade; • altas taxas de absentismo; • relações conflitantes entre parceiros sociais. Limongi; Rodrigues (1999, p. 87) afirmam que as doenças, como a LER/Dort, causadas no ambiente de trabalho “constituem‑se hoje em importante patologia no contexto organizacional e das relações entre o estresse e o trabalho, causada por ‘pressões’ surgidas quotidianamente no trabalho”. Segundo consta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica as doenças por categorias “relacionadas ao trabalho”, pois estão ligadas diretamente a sua execução. Aborda, ainda, que para a “OMS, as doenças relacionadas ao trabalho podem ser causadas em parte pelas condições de trabalho desfavoráveis”. 131 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Há um consenso entre os autores pesquisadores dessa área de que a busca da competitividade e da produtividade faz com que os indivíduos trabalhem, muitas vezes, de modo não adequado, em máquinas improvisadas, porque a organização não pode parar sua produção com a finalidade de tomar providências de melhorias para o ambiente, acarretando assim danos à saúde do trabalhador. 5.8 Legislação trabalhista – noções gerais Existe um conhecimento básico que todo administrador deve ter para justificar as tomadas de decisão com relação aos funcionários, no âmbito legal, listado abaixo: O contrato de trabalho é o acordo, tácito ou expresso, firmado entre o empregador e o empregado, correspondente à relação de emprego. Para a ocorrência do vínculo empregatício, o contrato de trabalho deverá ter os seguintes requisitos: • continuidade: o empregado deve comparecer à empresa repetidamente, por força do contrato de trabalho; • subordinação: do vínculo exige a subordinação do empregado ao empregador, de maneira que o empregado deve cumprir ordens e ser subordinado economicamente, mediante remuneração; • onerosidade: relaciona‑se com a contraprestação pecuniária fornecida pelo empregador ao empregado, em virtude do contrato de trabalho; • pessoalidade: requisito inerente ao contrato de trabalho, pois esse é personalíssimo ‑ o empregado não pode ser substituído por outra pessoa; • alteridade: prestação de serviço por conta e risco do empregador; trata‑se de uma proteção ao empregado, visto que esse até pode participar dos lucros da empresa, porém, sem poder participar dos prejuízos. 5.8.1 Tipos de contrato de trabalho O contrato de trabalho pode ser por prazo determinado (artigo 443, §1º, CLT) ou por prazo indeterminado. O contrato por prazo determinado é aquele cuja vigência depende de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. O prazo máximo do contrato de trabalho por prazo determinado é de 2 (dois) anos. A CLT elenca as hipóteses em que será válido o contrato de trabalho por prazo determinado quando: • o contrato de trabalho tiver como objeto serviço cuja naturezaou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; • se tratar de atividades empresariais de caráter transitório; • se tratar de contrato de experiência. 132 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Contrato de experiência é aquele em que o empregador verificará se o empregado está apto para exercer as funções para as quais foi contratado. Ele não poderá exceder 90 (noventa) dias. 5.8.2 Rescisão do contrato de trabalho (artigo 477, CLT) “A cessação do contrato de trabalho é o término do vínculo empregatício, com a extinção das obrigações para os contratantes. Esta cessação pode se dar de vários modos, quais sejam: 1. dispensa do empregado sem justa causa: ocorre quando o empregador simplesmente dispensa o empregado, sem justo motivo; 2. dispensa do empregado com justa causa: ocorre quando o empregador dispensa o empregado em virtude da ocorrência de alguma das hipóteses elencadas no artigo 482, CLT; 3. pedido de demissão do empregado: ocorre quando o próprio empregado deseja rescindir o contrato sem justo motivo; 4. rescisão indireta: ocorre quando, em face da incidência de alguma das hipóteses elencadas no artigo 483, CLT, o empregado pode considerar rescindido o contrato, pleiteando a devida indenização; 5. rescisão automática: ocorre com os contratos de trabalho por prazo determinado findo o seu prazo; 6. rescisão por culpa recíproca ‑ artigo 484, CLT: configura‑se a culpa recíproca com a ocorrência dos seguintes elementos: a) a existência de duas justas causas; uma do empregado e outra do empregador; as duas graves e suficientes para por si só serem causa da rescisão; b) duas relações de causa e efeito; a segunda falta, que é causa da rescisão do contrato, é por sua vez efeito da culpa cometida pela outra parte; c) contemporaneidade; d) proporcionalidade entre as faltas. Exemplo: troca de ofensas entre empregador e empregado”. 5.8.3 Direitos do trabalhador (CLT) “Férias ‑ é um direito constitucional do trabalhador, pelo qual após cada período de 12 meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias. As férias deverão ser concedidas em um só período, nos 12 meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito (art. 134, CLT). A remuneração das férias compreende um salário mensal do empregado, mais um terço daquele. Caso haja horas extras habitualmente prestadas, serão incluídas na remuneração das férias. Caso as férias não sejam concedidas nos 12 meses subsequentes, serão consideradas férias vencidas, e, por isso, a remuneração respectiva deverá ser paga em dobro. 133 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Férias proporcionais são as férias que não completaram o período aquisitivo de 12 meses, posto que serão remuneradas na proporção de 1/12 avos por mês de serviço ou fração superior a 14 dias. O empregado com mais de um ano de serviço tem direito às férias proporcionais, salvo se despedido por justa causa. Mesmo tendo pedido demissão, o empregado que tem mais de um ano de serviço terá direito à remuneração das férias proporcionais. Aviso prévio ‑ é a quantia devida no caso de qualquer das partes do contrato de trabalho por prazo indeterminado rescindi‑lo, sem a antecedência mínima de trinta dias. Caso não haja esta antecedência, o empregado terá direito à percepção do salário correspondente ao prazo acima e o empregador terá o direito de descontar do empregado o salário correspondente ao mesmo prazo. 13º salário ‑ é um direito constitucional do trabalhador que consiste num salário mensal do empregado. É a antiga gratificação de Natal. 13º salário proporcional ‑ será devido ao trabalhador que seja dispensado sem justa causa. Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ‑ trata‑se de um direito constitucional, consistente num fundo cujo beneficiário é o trabalhador e que é formado por depósitos mensais no valor de 8% incidentes sobre a sua remuneração (isto é, incluindo as horas extras, comissões e gorjetas habitualmente recebidas). Estes depósitos poderão ser levantados nas seguintes hipóteses: • por despedimento sem justa causa, inclusive indireta, culpa recíproca ou rescisão do contrato por fechamento do estabelecimento, supressão da atividade, falecimento do empregador ou pagamento de prestações do Sistema Financeiro da Habitação, extinção do contrato a termo; • por aposentadoria, falecimento do empregado; • quando o empregado tenha contraído AIDS (lei n.7670/88, art.1º,II e Circ. CEF/Defus/ Diarp 5/91). Multa do FGTS ‑ tem caráter indenizatório, visto que visa proteger o emprego do trabalhador. Assim, na hipótese de despedimento sem justa causa, ainda que indireto, o empregador deverá depositar na conta vinculada do empregado 40% de todos os depósitos efetuados e devidamente corrigidos. No caso de culpa recíproca ou força maior, a multa será de 20%. Horas extras ‑ são consideradas horas extras aquelas que ultrapassem a jornada de trabalho normal do empregado e as que são trabalhadas em dia útil quando o empregado não tem obrigação de fazê‑lo. A remuneração das horas extras será, no mínimo, cinquenta por cento a mais do que a hora normal; assim preceituou a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, XVI. A integração da remuneração das horas extras habituais para o cálculo de férias, 13º salário, aviso prévio e FGTS é pacífica. 134 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Adicional noturno ‑ é o acréscimo incidente sobre a hora de trabalho em virtude de ser laborada entre as 22 horas de um dia e as 5 horas do dia seguinte. Este acréscimo será de, no mínimo, 20% sobre a hora diurna. A percentagem legal integra‑se nos cálculo para todos os fins (férias, 13º salário, indenização, FGTS, etc.). Adicional de insalubridade e de periculosidade: é o acréscimo concedido ao trabalhador que esteja exposto a agentes nocivos à saúde durante sua jornada de trabalho. Este acréscimo será de 40%, 20% e 10% do salário mínimo da região, segundo a classificação da insalubridade nos graus máximo, médio e mínimo. Acordo coletivo: são pactos celebrados entre uma ou mais de uma empresa e sindicato da categoria profissional a respeito das condições de trabalho no âmbito da empresa ou empresas. O sindicato dos trabalhadores exerce o monopólio da negociação coletiva, mesmo se a parte patronal consistir de uma só empresa, negociando diretamente.” Em qualquer negociação coletiva é obrigatória a representação dos trabalhadores pelo seu respectivo sindicato. No caso de acordos coletivos, as empresas podem negociar diretamente com ele, não sendo obrigatória a presença do sindicato patronal. Lembrete É importante lembrar‑se da necessidade de se adequar aos parâmetros da legislação trabalhista. 6 DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS 6.1 Processo de formar, treinar e educar pessoas O processo de desenvolvimento é o processo que visa apoiar o preparo e o desenvolvimento das pessoas dentro da organização, de forma a criar estímulo ao constante aperfeiçoamento profissional e pessoal, tanto a nível individual quanto de grupo em todos os níveis hierárquicos. Conhecido como treinamento e desenvolvimento, ele tem o objetivo de formular e executar a capacitação técnica e psicológica do efetivo para assumir desafios mais complexos na organização. No processo de formação, treinamento e educação das pessoas, o que se espera como resultado é um indivíduo melhor desenvolvido com relação as suas capacidades e potencialidades. Obviamente que esse resultado objetiva um indivíduo mais produtivo em prol do desenvolvimento e produtividade da organização. O objetivo de educar na organização é levar o indivíduo a: • dimensionar a importância do planejamento estratégico; • dimensionara importância do alinhamento das suas competências com o planejamento, a partir de uma visão sistêmica consciente da estrutura organizacional. 135 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Política de recursos humanos Resultados finais desejáveis práticas éticas e socialmente responsáveis produtos e serviços competitivos e de alta qualidade qualidade de vida no trabalho influências ambientais externas influências organizacionais internas processos de RH processos de agregar pessoas processos de aplicar pessoas processos de recompensar pessoas processos de desenvolver pessoas processos de manter pessoas processos de monitorar pessoas recrutamento e seleção desenho de cargos, avaliação de desempenho remuneração, benefícios e serviços treinamento, mudanças, comunicação disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida, relação com sindicatos banco de dados, sistema de informações gerenciais Figura 23 Neste capítulo são abordados diversos aspectos do processo de formar, treinar e educar pessoas, incluindo: objetivos e conteúdo do treinamento; controle do treinamento; métodos e técnicas de treinamento e avaliação do treinamento. Educar os indivíduos na organização significa orientá‑los para compreender a filosofia e a cultura da organização que dará estrutura às justificativas da ação humana para planejar e/ou atender ao planejamento estratégico da organização. Assim, os indivíduos são educados quando são chamados a discutir as diretrizes, os valores e os princípios como base formadora da visão e da missão da organização. Os valores atuam como objetivos e referências na vida. Constituem‑se como o marco que proporciona sentido, orienta os juízos e as ações e permitem tomar decisões. Têm a dimensão de projetos ou de direcionamentos e fazem referência a estados finais, a qualidades de existência desejáveis que se almejam alcançar (paz, liberdade, igualdade, felicidade etc.) ou a tipos de conduta considerados ideais, criatividade, honestidade, responsabilidade etc. (Salvador, 2000, p. 322). Ainda segundo Salvador (2000), os valores são transcendentes, manifestam‑se de maneira individual e são representações construídas ao longo da vida, socialmente. São condicionantes da maneira como cada pessoa vê o mundo e de como se situa no mesmo. Possuem uma gênese histórico‑social, são dinâmicos, mudando de acordo com a cultura. 136 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 A educação possibilita o desenvolvimento cognitivo e afetivo dos indivíduos com relação às suas crenças, valores e formação de opiniões que servirão de suporte às estratégias de aprendizagem desenvolvidas a fim de prepará‑los para a execução melhor e diferente das suas funções. Educar, portanto, não é apenas prover um novo conhecimento, mas, muitas vezes, remover o que já se sabe. Para adaptar‑se à organização, em geral, os indivíduos precisam prover‑se de novos significados de valores individuais em função dos organizacionais. Nesse sentido, Tamayo; Gondim (1996) analisam os componentes cognitivo e motivacional contidos no conceito dos valores organizacionais como “crenças sobre o que é bom para a empresa, o que é desejável, o que garante o sucesso e a harmonia interna”. Tais crenças estão em processo interativo entre si e outras crenças, de forma a constituir um sistema de valores complexos e organizados hierarquicamente, relacionados a vários aspectos da vida organizacional – a produção, a qualidade, as interações interpessoais, o respeito à autoridade gerencial, a obediência às normas. Enfatizam que os valores expressam formas de conhecer a realidade organizacional, com respostas prontas e privilegiadas a problemas organizacionais. Os valores funcionam como padrões cognitivos para o julgamento e a justificação do comportamento de si e dos outros (Tamayo, 1999, p. 256). O processo de desenvolvimento prepara o indivíduo para posições mais complexas em termos de carreira profissional, ou seja, amplia as potencialidades do indivíduo, capacitando‑o a ocupar cargos que envolvem mais responsabilidade e poder. Contudo, esse desenvolvimento deve ser pautado na ética profissional de cada profissão (Carvalho, 1994, p. 172). Educação é toda influência que o ser humano recebe no ambiente social durante a sua existência, com o objetivo de se adaptar às normas e valores sociais vigentes e aceitos em uma determinada sociedade. O indivíduo recebe essas influências que enriquecem ou modificam o comportamento dentro dos seus próprios padrões pessoais. Educação é, portanto, o preparo para a vida desenvolvido pela vida. Formação profissional visa preparar e formar o homem para o mercado de trabalho, qualificando‑o para a futura vida profissional. É a educação que visa desenvolver e aperfeiçoar o conhecimento profissional em uma determinada função ou carreira na organização, ou para o um futuro cargo. Educação profissional é a educação institucionalizada que visa o preparo do homem para a vida profissional. Chiavenato (2004) compreende a educação profissional em três etapas interdependentes, mas distintas: • Formação profissional: é a educação que prepara a pessoa para uma profissão em determinado mercado de trabalho. Seus objetivos são amplos e mediatos, situados no longo prazo, visando qualificar a pessoa para uma futura profissão. A formação profissional pode ser dada em escolas ou mesmo dentro da organização. • Desenvolvimento profissional: é a educação profissional que aperfeiçoa a pessoa para uma carreira dentro de uma profissão. Visa ampliar, desenvolver e aperfeiçoá‑la para o seu crescimento profissional em determinada carreira na organização ou para que se torne mais eficiente e 137 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS produtiva em seu cargo. Seus objetivos são menos amplos do que os da formação e situados no médio prazo. • Treinamento: é a educação profissional que adapta a pessoa para o cargo ou função. Seus objetivos, situados no curto prazo, são restritos e imediatos, visando dar ao homem os elementos essenciais para o exercício de um cargo, preparando‑o adequadamente para ele. Obedece a um programa preestabelecido e atende a uma ação sistemática, visando a adaptação do homem ao trabalho. Educação profissional, segundo Santos (1978, p. 128), é um sistema intencional voltado para criar habilitações, tanto quanto possível permanentes, para os papéis que a sociedade exige na produção de bens e serviços. Coloca o indivíduo em um panorama completo, integrando‑o como ente produtor de alguma coisa, mas também como ser social que julga e dirige seus atos de trabalho. Nadler (1984) faz distinção entre os termos treinamento, desenvolvimento e educação, ressaltando que frequentemente são entendidos como sinônimos: • “o treinamento representa os esforços das organizações para disponibilizar situações de aprendizagem que favoreçam o desempenho no trabalho; • a educação refere‑se às estratégias de aprendizagem desenvolvidas, visando o preparo do indivíduo para um trabalho diferente do atual em um futuro próximo; • o desenvolvimento é um conjunto de ações que promove o crescimento individual, não estando necessariamente relacionado ao trabalho atual ou futuro.” Para Senge (1999), quem busca o domínio pessoal é alguém disposto a aprender e experimentar o crescimento pessoal. As pessoas com altos níveis de domínio pessoal estão expandindo continuamente sua capacidade de criar na vida os resultados que realmente procuram. Da sua busca pelo aprendizado contínuo surge o espírito da organização que aprende. Quando se torna uma disciplina – uma atividade que integramos à nossa vida – o domínio pessoal incorporadois movimentos subjacentes: 1. é o contínuo esclarecimento do que é importante para nós; 2. é aprender continuamente como ver a realidade atual com mais clareza. As pessoas com altos níveis de domínio pessoal comprometem‑se mais. Elas tomam mais iniciativas. Têm senso mais abrangente e profundo de responsabilidade pelo seu trabalho. Elas aprendem mais rápido (SENGE, 1999, p. 171). Borges‑Andrade (2000, p. 1), ao tratar da questão do treinamento como crescimento pessoal contínuo, inserindo‑o como um dos recursos estratégicos mais requisitados, entende que, por outro 138 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 lado, um treinamento cuidadosamente formulado, para resolver problemas específicos de desempenho de um indivíduo ou de uma categoria ocupacional, pode ser visto, por outros indivíduos ou categorias como uma oportunidade de desenvolvimento que garantiria melhor empregabilidade no mercado interno ou externo à organização. Segundo Bohlander, Snell; Sherman (2003, p. 134), o termo treinamento muitas vezes é usado de forma casual para descrever qualquer esforço da organização para estimular o aprendizado de seus membros. Nesse sentido, vários especialistas fazem a distinção entre treinamento e desenvolvimento. Enquanto o treinamento é mais focalizado e orientado para questões concernentes a desempenho de curto prazo, o desenvolvimento é mais orientado para ampliar as habilidades dos indivíduos para futuras responsabilidades. Segundo os autores, os dois termos tendem a combinar‑se numa única frase ‑ “treinamento e desenvolvimento”, indicando a combinação de atividades nas empresas que aumentam a base de habilidades das pessoas. Além de relacionados, esses termos apresentam diferenças básicas que são importantes para compreensão do tema em questão. O treinamento é toda e qualquer atividade que vise a qualificação e o aperfeiçoamento de habilidades para desenvolver tarefas com relação ao comportamento de FAZER. A educação utiliza estratégias de aprendizagem, visando o aperfeiçoamento cognitivo, atitudinal, no aprimoramento das tomadas de decisão. Portanto, representa o produto final do treinamento. Observa‑se, então, que o desenvolvimento pode ocorrer em dois níveis: no organizacional e/ou individual. 6.2 Treinamento Considerando a discussão acima, podemos conceituar treinamento como o processo de capacitar pessoas, no sentido de desenvolver suas potencialidades e habilidades para torná‑las mais competentes na realização de suas tarefas. Competências, segundo Fleury (2000), é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes das pessoas, aliadas ao ambiente onde elas estão inseridas. O que não se pode esquecer é esse conceito procura ultrapassar o de qualificação: refere‑se à capacidade de a pessoa assumir iniciativas, ir além das atividades prescritas, ser capaz de compreender e dominar novas situações no trabalho, ser responsável e ser reconhecida por isso (ZARIFIAN, 2003). Treinamento é o processo educacional de curto prazo, aplicado de maneira sistemática e organizada, por meio do qual as pessoas aprendem conhecimentos, habilidades e competências em função de objetivos definitivos, diz Chiavenato (2004). No caso específico de nossas empresas ocidentais, o termo treinamento passou a designar o processo de preparar pessoas para executar as tarefas exigidas por um posto de trabalho. Na visão de Boog (1994), é o processo que leva alguém a ser capaz de fazer algo que nunca fez antes, e fazê‑lo sem a assistência de quem ensina. De acordo com Tachizwa, Ferreira; Fortuna (2001, p. 229), o treinamento prepara as pessoas para o desempenho do cargo mediante um processo contínuo, visando mantê‑las permanentemente 139 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS atualizadas com a tecnologia utilizada na realização de suas tarefas. O treinamento visa o aperfeiçoamento do desempenho funcional, o aumento da produtividade e o aprimoramento das relações interpessoais. Na visão simplificada de Bohlander, Snell; Sherman (2003), treinamento é um termo frequentemente utilizado de forma casual ao descrever os esforços da empresa para estimular o aprendizado de seus membros. Segundo Marras (2000, p. 45), “treinamento é o processo de assimilação cultural em curto prazo, que objetiva repassar ou reciclar conhecimentos, habilidades ou atitudes relacionadas diretamente à execução de tarefas ou à sua otimização no trabalho”. Por meio do treinamento, o funcionário transita entre um estado de mudança e acomodação dos saberes, para ter uma bagagem de conhecimento e realizar suas tarefas de forma otimizada. Análise organizacional Análise dos recursos humanos Análise dos cargos Análise do treinamento Objetivos a serem utilizados na avaliação do programa de treinamento. Exame dos requisitos exigidos pelos cargos, especificações e mudanças nos cargos. Determinação de quais os comportamentos, atitudes e competências necessários ao alcance dos objetivos organizacionais. Diagnóstico organizacional. Determinação da missão e visão dos objetivos estratégicos da organização. Figura 24 6.2.1 Por que treinar pessoas? • para adequá‑las a seu cargo; • para desenvolver competências para que se tornem mais inovadoras e produtivas; • para agregar valor a elas, à organização e aos clientes; • para melhorar o desempenho no cargo que ocupa; • para mobilizar e ajustar os vários mecanismos, desde a ação motora até às operações mentais; • para alterar o comportamento de uma situação de menor rendimento profissional para uma de maior eficiência. 140 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Segundo Boog (1980), desde o desenvolvimento das civilizações, o treinamento tornou‑se necessário na medida em que se inventaram novas tecnologias e aprimoraram as técnicas de transformação da matéria‑prima e da produção. É a partir do treinamento que o homem transmite, expõe, demonstra, discute ou pratica as informações sobre o trabalho numa dada organização. Quadro 19 Processo de treinamento O treinamento é um processo cíclico e contínuo composto por 4 etapas Necessidades a satisfazer Desenho do treinamento Condução do treinamento Avaliação dos resultados Diagnóstico da situação Decisão quanto à estratégia Implementação ou ação Avaliação e controle 1. objetivos da organização; 2. competências necessárias; 3. problemas de produção; 4. problemas de pessoal; 5. resultados da avaliação de desempenho. programa do treinamento • quem treinar; • como treinar; • o que treinar; • por quem; • onde treinar; • quando treinar; • para que treinar. condução e aplicação do programa de treinamento por meio de: • gerente de linha; •assessoria de RH; • por ambos; • por terceiros. • monitoração de processos; reação dos treinamentos ao programa • avaliação e medição de resultados: o aprendizado do treinando e as mudanças comportamentais geradas para implementação da metas organizacionais; • comparação da situação com a situação anterior; • análise do custo/benefício. Fonte: Menezes (2007). Parecida com a estrutura de Menezes, Bohlander, Snell; Sherman (2003) entendem que a estrutura de um programa de treinamento pode ser definida por meio de quatro etapas básicas: • avaliação das necessidades; • projeto; • implementação; • avaliação do treinamento. “A avaliação pode considerar dois aspectos essenciais: o técnico e o comportamental, envolvendo a análise de necessidades, o preparo organizacional e as competências necessárias a determinado programa de treinamento”, diz Marras (2001). É importante incluir na avaliação a análise da relação entre custos e benefícios organizacionais da implementação de programas de treinamento. O treinamento, portanto,permite que as pessoas aprendam Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (CHA), objetivando aumentar o conhecimento e a perícia de um funcionário para o desenvolvimento de determinados cargo ou tarefas, conforme mostra o quadro a seguir. 141 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS agregar valor indivíduo conhecimentos habitantes atitudes organização saber agir saber mobilizar saber transferir saber aprender saber se engajar ter visão estratégica assumir responsabilidades Competências como fonte de valor para o indivíduo e para a organização social econômico Figura 25 Dutra (2002) afirma existir uma grande diversidade de conceitos sobre competências, os quais podem ser complementares. O autor estrutura esses vários conceitos e entende as competências como uma entrega da pessoa (inputs) para a organização, que são também apresentadas como um conjunto de CHA, necessário para a pessoa exercer suas atividades que vão agregar valor à organização (outputs), conforme a figura acima. 6.2.2 Objetivos do treinamento O objetivo do treinamento é proporcionar oportunidade aos empregados de todos os níveis organizacionais a obtenção do conhecimento, da prática e da conduta requeridos para alcançar os objetivos organizacionais, sem perder de vista os objetivos individuais. Dessa forma, o treinamento não deve ser visto como despesa, mas sim como um investimento. O treinamento, do ponto de vista administrativo, é de responsabilidade de linha e função do staff. Nesse sentido, conforme Chiavenato (2004), no treinamento, a situação preferida seria um modelo equilibrado onde o órgão de linha assumisse a responsabilidade de treinamento e obtivesse a assessoria especializada do órgão de staff, na forma de levantamento de necessidades e diagnósticos de treinamento e de programação de treinamento. Os teóricos Tachizwa, Ferreira; Fortuna (2001, p. 220) afirmam que os principais objetivos do treinamento são: • preparar o pessoal para a execução imediata das tarefas peculiares à organização; • proporcionar oportunidades para o contínuo desenvolvimento pessoal; não apenas nas atividades atuais, como também para funções mais complexas e elevadas; • mudar a atitude das pessoas, a fim de criar um clima satisfatório, aumentando‑lhes a motivação, tornando‑as mais receptivas às técnicas de supervisão e gestão. 142 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Marras (2000, p. 147) utiliza a palavra prevenção, defendendo que os objetivos do treinamento devem estar associados a esse fator, justificando que as constantes mudanças têm caracterizado o ambiente organizacional. Classifica os objetivos do treinamento em dois tipos: • Objetivos específicos do treinamento: — formação profissional: visa alcançar um grau de capacidade laboral para determinada profissão; — especialização: proporciona ao treinando conhecimentos ou prática específica dentro de uma área de trabalho objetivando a otimização de resultados; — reciclagem: tem como propósito básico rever conceitos, conhecimentos ou práticas de trabalho, renovando‑os ou atualizando‑os. • Objetivos gerais: — aumento direto da produtividade: o treinamento propicia aos indivíduos a possibilidade de realizar ações mais precisas e corretas; — aumento direto da qualidade: a qualidade do trabalho tende a ser otimizada de modo proporcional ao conhecimento que o individuo tem sobre aquilo que é bem feito e sobre o grau de responsabilidade que lhe cabe no processo produtivo; — incentivo (estímulo) motivacional: deve envolver as metas de todo ser humano; corresponde à oportunidade de ser tornar eficiente e eficaz; — otimização pessoal e organizacional: parte‑se da premissa de que trabalhadores em ascensão, satisfeitos e motivados, transformam os ambientes organizacionais e passam a favorecer o alcance de resultados organizacionais; — atendimento às exigências das mudanças: as organizações tradicionais utilizam o treinamento como principal instrumento para enfrentamento e acompanhamento dos efeitos das mudanças que as atingem, enquanto as organizações de ponta utilizam do treinamento para se prevenir das eventuais mudanças tecnológicas e de processos comportamentais impostas pelo ambiente. 6.2.3 Conteúdo do treinamento Os programas de treinamento precisam ser flexíveis, dinâmicos e atualizados, para que os objetivos de desenvolvimento pessoais possam ser alcançáveis. Carvalho (2001, p. 21), dentro de uma perspectiva formativa, propõe elementos norteadores no trato da questão dos objetivos do treinamento, quando entende que todo programa de formação visa atingir os objetivos de caráter geral, a saber: • desenvolvimento de destrezas manipulativas necessárias para a execução de trabalhos práticos, operacionais; • desenvolvimento da capacidade mental; • desenvolvimento de hábitos e atitudes necessários ao domínio do trabalho e ao progresso do treinando; 143 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • desenvolvimento de princípios morais e cívicos; • desenvolvimento de capacidade de pensamento crítico. O conteúdo do treinamento, conforme o quadro abaixo, pode envolver quatro tipos de mudança, segundo Chiavenato (2004): • transmissão de informações; • desenvolvimento de habilidades; • desenvolvimento ou modificação de atitude; • desenvolvimento de conceitos. Elevar o nível de abstração: • Desenvolver ideias e conceitos para ajudar as pessoas a pensar em termos globais e estratégicos. Desenvolvimento de conceitos Desenvolver ou modificar comportamentos: • Mudar de atitudes negativas para atitudes favoráveis, conscientização das relações de melhoria da sensibilidade com as pessoas, com os clientes internos e externos. Desenvolvimento de atitudes Melhorar as habilidades e destrezas: • Habilitar as pessoas para a execução e operação de tarefas, manejo de equipamentos, máquinas e ferramentas. Desenvolvimento de habilidades Aumentar o conhecimento das pessoas: • Informações sobre a organização, seus clientes, seus produtos/serviços e diretrizes, regras e regulamentos. Transmissão de informações Conteúdo do treinamento Figura 26 Boog (1994, p. 67), ao abordar o processo de treinamento, foi incisivo e enfatizou: “é preciso saber o que queremos que alguém aprenda, diagnosticar que alguém precisa aprendê‑lo, preparar situações que possibilitem o aprendizado, verificar os resultados”. Nesse sentido, verificamos a necessidade do levantamento de necessidades de treinamento, da definição da programação, da operacionalização e da verificação dos resultados. 1. Diagnóstico Levantamento de necessidades de treinamento a serem satisfeitas 2. Programação Desenho do programa de treinamento 3. Implementação Aplicação do programa de treinamento 4. Monitoração Avaliação dos resultados do treinamento e análise do custo / benefício Figura 27 144 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 6.2.4 Levantamento de necessidades de treinamento O treinamento deve seguir as seguintes etapas: • diagnóstico; • programação; • implementação/execução; • monitoração/avaliação. O levantamento de necessidades de treinamento (diagnóstico) é a primeira etapa para a implantação de um programa de treinamento organizacional. Segundo Tachizwa, Ferreira; Fortuna (2001, p. 222), o diagnóstico de necessidades de treinamento engloba três níveis de análise complementar: • análise organizacional: é a determinação do locus interno onde será enfatizado o treinamento. • análise das operações e tarefas: determina os requisitos necessários para o bom desempenho de cada cargo, envolve definições de habilidades, conhecimentos,atitudes e os comportamentos a serem desenvolvidos, a fim de que o ocupante de determinado cargo adquira as habilidades necessárias para seu desempenho. • análise individual e por equipes: refere‑se ao exame de potencial de crescimento de cada indivíduo e de cada equipe. Objetiva identificar eventuais problemas de desempenho que possam ser corrigidos por meio do treinamento. Para Carvalho (2001, p. 29), o levantamento de necessidades de treinamento não é uma tarefa fácil, e, portanto não pode ser reduzido a um simples tratamento estatístico. O seu conceito sobre o levantamento de necessidades de treinamento assemelha‑se ao de Tachizwa, Ferreira; Fortuna, interpretando‑o como um diagnóstico amplo que inclui três áreas decisivas da empresa: • análise da empresa ‑ como resultado, esta análise indicará os segmentos organizacionais onde o treinamento é necessário; • análise do trabalho ‑ tem como objetivo identificar o modo como deve ser feito o trabalho do funcionário a ser formado; • análise do comportamento do funcionário a ser treinado ‑ visa caracterizar os conhecimentos, habilidades e atitudes do colaborador a ser formado. 145 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Análise organizacional Análise dos recursos humanos Análise dos cargos Análise do treinamento Objetivos a serem utilizados na avaliação do programa de treinamento. Exame dos requisitos exigidos pelos cargos, especificações e mudanças nos cargos. Determinação de quais os comportamentos, atitudes e competências necessários ao alcance dos objetivos organizacionais. Diagnóstico organizacional. Determinação da missão e da visão dos objetivos estratégicos da organização. Figura 28 Carvalho; Nascimento (2002, p.159) sugerem que o sucesso do diagnóstico empresarial, à luz do treinamento, depende dos seguintes fatores: • deve‑se orientar cada empregado quanto à melhor maneira de responder a determinado tipo de instrumento de análise; • os funcionários devem ser motivados para responder ao diagnóstico; deve‑se informar que se trata de empreendimento que objetiva a implantação de um sistema de treinamento; • o levantamento de dados da pesquisa precisa ser feito de maneira objetiva, imparcial e racional, delineando situações onde o desempenho profissional preocupa; • os dados da pesquisa devem servir de base para elaboração de políticas de treinamento da empresa. Marras (2000, p. 54) entende que o levantamento das necessidades de treinamento é um programa de pesquisa. Assim, segue a mesma linha de trabalhos sui generis. Para que se possa realizar o levantamento de necessidades a área de treinamento pode utilizar um ou mais, ou ainda um mix dos seguintes métodos: • aplicação de questionários; • entrevistas com os funcionários; • aplicação de testes ou exames; • observação in loco de trabalhos; • folha de avaliação de desempenho; • solicitação direta ao trabalhador ou supervisor. 146 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 6.2.5 Programação do treinamento A programação do treinamento visa planejar como as necessidades diagnosticadas serão atendidas. Nessa fase, selecionam‑se as ações, objetivando solucionar as dificuldades e as necessidades detectadas no diagnóstico. Marras (2000, p.156) entende que devemos observar os aspectos fundamentais, para que se possa idealizar uma programação de um módulo de treinamento. Para que o processo ocorra de forma satisfatória, algumas questões devem encontrar respostas positivas, como: 1. Em que medida o módulo é necessário? 2. Um módulo será capaz de suprir as necessidades, ou será necessário construir mais de um? 3. A necessidade é passageira ou permanente? 4. Qual é o número de treinandos e quantos setores atinge? 5. Qual a prioridade deste módulo? 6. Qual a extensão ideal do módulo? 7. A relação custo‑benefício torna o módulo viável? Segundo Carvalho; Nascimento (2002), o que caracteriza o dinamismo do processo de capacitação é a sua versatilidade de poder atuar sob diferentes formas com vistas à consecução de metas previamente estabelecidas. O planejamento representa uma projeção das intenções baseada em fatos passados e presentes, decorrente do ordenamento dos fatos apurados na pesquisa. Eles destacam que o planejamento é a função gerencial que seleciona os objetivos de uma determinada unidade ou de toda a organização, apontando as diretrizes, programas e procedimentos para atingir as metas propostas. Recomendam, ainda, que para viabilizar as metas do treinamento é necessário buscar as seguintes respostas: 1. O QUE será transmitido no processo de treinamento? 2. QUEM receberá o treinamento? 3. ONDE será o treinamento? 4. COMO se processará o treinamento? 147 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Quadro 20 ‑ Elementos da Programação do Treinamento Quem deve ser treinado Treinandos Quem vai treinar Treinador ou instrutor Em que treinar Assunto ou conteúdo do treinamento Onde treinar Local físico, órgão ou entidade Como treinar Métodos de treinamento e/ou recursos necessários Quando treinar Época do treinamento e horário Quanto treinar Volume, duração ou intensidade Para que treinar Objetivos ou resultados esperados Fonte: Carvalho; Nascimento (2002, p. 175). O planejamento de um programa eficaz de treinamento deve envolver as oito etapas que podem ser visualizadas no quadro a seguir: Quadro 21 Prescrição do treinamento Dá os detalhes dos objetivos, comportamento inicial e final e teste, análise das tarefas. Análise do assunto Desenvolve um conjunto de regras; uma lista dos pontos de aprendizagem. Planejamento das táticas de ensino Destermina as estruturas de ensino e as táticas apropriadas. Redação de um rascunho do curso Uma cópia barata do rascunho do curso que possa ser facilmente alterada. Teste com pessoas Um teste do curso com treinandos típicos. O curso está em julgamento. Revisão do curso Continuar a revisão e o restante até que seja alcançado um padrão aceitável. Produção e instalação do curso Versão final do curso juntamente com a administração e a manutenção. Validação do curso Determina a assimilação conseguida em termos de resultados práticos. Diferença entre pré‑teste e pós‑teste. Fonte: Marras (2000). 6.3 Controle do treinamento Como em toda atividade organizacional, é necessário se manter um controle, Carvalho; Nascimento (2002) afirmam que os controles de treinamento são utilizados para verificar se o plano de treinamento está sendo conduzido em função dos objetivos traçados e destacam para isso itens e atributos desse controle: • orçamento de formação profissional; • fichas de acompanhamento do treinando durante o processo de formação; • testes e provas aplicados no decorrer da capacitação; 148 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • entrevistas formais e informais com treinandos; • relatórios de treinamento elaborados por coordenadores e instrutores de capacitação; • folhas de apreciação encaminhadas pelos treinandos, avaliando o treinamento recebido; • documentação de acompanhamento do treinando após conclusão do processo de formação. Atributos do controle: • revelar eventuais desvios do plano de treinamento em execução; • ser flexível na aplicação e no acompanhamento; • ser econômico no que se refere ao seu custo operacional; • ser compreendido por avaliadores e treinandos; • indicar ações corretivas para manter o plano no sentido certo. Uma vez diagnosticado, planejado e controlado, verificaremos as necessidades para colocar em prática o treinamento. Sua execução consiste na aplicação prática daquilo que foi planejado e programadopara suprir as necessidades de aprendizagem detectadas na organização. Marras (2000) sugere que se verifique a qualidade da aplicação dos módulos: • didática dos instrutores: verificar se o nível de comunicação e didática dos instrutores atende às necessidades dos treinandos; • preparo técnico: é essencial que o instrutor tenha convivência constante e prática com a função ou com as responsabilidades de que trata o tema do aprendizado; • lógica do módulo: os treinandos devem captar, de forma transparente, e logo nas primeiras sessões de treinamento, a praticidade da proposta; • qualidade dos recursos: os módulos de treinamento estão sustentados por um planejamento prévio dos recursos a serem aplicados como subsídios às sessões de aprendizado; entre os recursos utilizados na execução de um módulo de treinamento, verificam‑se: transparências, slides, filmes de vídeo, computador, sistema de áudio e televisão; • técnicas utilizadas: as técnicas variam conforme a situação, o objetivo do treinamento e o grupo de treinandos. 6.4 Métodos e técnicas de treinamento De acordo com Carvalho; Nascimento (2002), os métodos de treinamento são identificados como um conjunto de etapas compreendidas desde a apresentação do assunto até a avaliação da aprendizagem, enquanto as técnicas de treinamento referem‑se aos procedimentos didáticos utilizados pelos instrutores visando contribuir para a realização de parte da aprendizagem do treinando. 149 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS 6.4.1 Métodos de treinamento em grupo Este método deve funcionar sob a forma sinérgica, enquanto seu desempenho deve ser mais eficiente como equipe, comparativamente à atuação individual e de seus membros. Visando a obtenção de êxito na aplicabilidade do método de treinamento grupal, devem‑se observar os seguintes aspectos: • definir as finalidades do grupo; • caracterizar individualmente os participantes; • definir o quantitativo de participantes; • definir o local onde o grupo irá se reunir. 6.4.2 Técnicas de treinamento em grupo As técnicas de dinâmica grupal são as mais utilizadas neste tipo de treinamento, entre as quais podem ser destacadas: • Reunião em grupo: esta técnica é indicada para pequenos grupos, de seis a oito participantes. Constitui‑se na discussão e na decisão sobre problemas de formação ligados ao trabalho dos treinandos, onde o grupo indica um líder para coordenar. • Demonstração: técnica mais empregada na formação em grupo, embora possa ser utilizada no treinamento individual. É uma técnica que se aplica com frequência na aprendizagem de habilidades manuais. • Dramatização: também conhecida como “roly‑playing”, baseia‑se na representação dramatizada ou teatralizada de situações reais no trabalho. É indicada para situações de formação, envolvendo atividades que exigem contatos públicos. • Brainstorming (tempestade cerebral ou tempestade de ideias): é utilizada para pequenos grupos (no máximo de 10 participantes). Visa produzir novas ideias para encaminhar sugestões e problemas relacionados ao processo de formação profissional. • Estudo de caso: esta técnica é baseada em discussões organizadas e sistemáticas de casos tomados da vida real. O estudo de caso é programado para que o treinando possa descobrir os princípios básicos que o levam a pesquisar e oferecer sugestões em relação ao problema apresentado. • Painel: técnica coordenada por um instrutor ou um coordenador que reúne vários especialistas (entre três e seis) para analisar determinado assunto, diante de um grupo de assistentes. Os dois tipos mais utilizados de painel são: o painel simples e o painel com interrogadores. • Simpósio: esta técnica reúne dois ou mais especialistas sobre determinado assunto, sob orientação de um coordenador. Esta técnica é mais formal do que o painel, e tem como finalidade encaminhar um trabalho de pesquisa e a reflexão entre seus participantes. 150 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 • Jogos de empresa: conhecida também como “jogo administrativo” ou “jogo de negócios”, esta técnica de formação utiliza em sua realização um modelo simulado face às situações de trabalho. 6.4.3 Método de treinamento individual A auto‑instrução, ou método de treinamento individual, é um processo de ensino direcionado ao treinando que, sob determinadas condições, controla sua capacidade de produzir resultados em respostas a problemas que lhe são encaminhados durante o treinamento. As técnicas de treinamento individual são: • Treinamento no próprio serviço: é mais utilizado nas empresas, principalmente naquelas que não contam com centros de treinamentos. O treinando adquire habilidades, conhecimentos e atitudes, utilizando equipamentos e outros recursos empregados no próprio serviço que irá desempenhar depois de treinado. • Rodízio de funções: refere‑se à formação individual. Faz com que o treinando passe por diversos cargos afins ou não ao seu. Esta técnica contribui para a formação de banco de talentos da empresa. • Instrução programada: técnica de auto‑instrução, com a qual o treinando experimenta, seleciona e aplica a si mesmo uma aprendizagem dosada. Visa basicamente possibilitar a racionalização de conteúdos didáticos. 6.4.4 Treinamento a distância Baseia‑se em num programa de auto‑desenvolvimento que visa alcançar o treinando onde quer que ele se encontre. 6.4.5 Método expositivo Consiste em uma exposição oral, dinâmica e objetiva de um determinado assunto, sendo destinada tanto ao treinamento individual como a formação em grupo. O método se subdivide em dois tipos: • exposição fechada: não ocorre oportunidade de diálogo entre apresentador e ouvintes; • exposição aberta: há participação dos ouvintes nos debates e conclusões sobre o tema apresentado. Técnicas expositivas Palestra É também chamada de preleção. Não é recomendável a utilização desta técnica de forma isolada na execução de um programa de treinamento. Para que a palestra obtenha êxito, é necessário que o instrutor: 151 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS • domine o tema a ser exposto; • adapte sua prelação às necessidades de quem ouve; • estimule debates com o auditório; • encaminhe aos ouvintes, com antecedência, um roteiro da palestra, contendo os temas principais do assunto a ser abordado. Conferência Esta técnica é mais formal do que a palestra. Suas indicações são as mesmas da preleção. Deve‑se utilizá‑la, quando o número de treinandos for muito grande, quando for introduzido em novo método ou técnica de treinamento e quando se desejar vender a ideia de novos métodos e técnicas de trabalho. 6.5 Local do treinamento É importante que a equipe de treinamento tenha zelo pelo local do treinamento, porquanto este é que vai ajudar a determinar o clima percebido pelos treinandos com relação à importância que os treinadores estão atribuindo ao treinamento. Marras (2000, p. 166) classifica o treinamento quanto ao local de realização em: 6.5.1 Treinamento interno Refere‑se aos módulos que são aplicados dentro do recinto da empresa e dividem‑se, de acordo com o período de realização, em: • treinamento introdutório: é realizado no momento da entrada do funcionário; e oferece todas as informações necessárias sobre a organização, envolvendo desde horários de frequência até segurança do local; • treinamento no trabalho: são módulos realizados ao longo da permanência do empregado na empresa, visa reciclar conhecimentos e práticas ou aplicar técnicas de aprendizagem específica. 6.5.2 Treinamento externo São os módulos que se dividem segundo a homogeneidade do grupo, aplicados fora do recinto da empresa: • treinamento in company: refere‑se às sessões de treinamentorealizadas somente com funcionários de uma mesma empresa; • treinamento aberto: são sessões de treinamento nas quais há participação de empregados de diversas empresas, formando um só grupo. 152 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 6.6 Avaliação de treinamento Esta é uma fase muito importante. Existem organizações que não fazem aquisição dos processos de treinamento pela incapacidade dos seus treinadores em demonstrar, após o treinamento, quais foram os ganhos obtidos com essa prática. Deve‑se observar que o processo de treinamento não tem um resultado imediato, quando este depende da compreensão, do tempo de acomodação e aprendizagem pelos seus participantes. Há que se entender que o treinamento/educação tem seu tempo de aplicação, observação da mudança pela aplicação, reforço do aspecto treinado e, somente depois, a constatação dos resultados. Gil (1994, p. 78) entende que “a avaliação constitui um dos aspectos mais críticos do treinamento. Por ser uma atividade delicada e complexa, costuma ser relegada a segundo plano, quando não deliberadamente rejeitada. Entretanto, só a partir da avaliação é que se pode saber se o treinamento atingiu seus objetivos”. Boog (1994) entende que as razões para que a avaliação seja feita são as seguintes: a. encontrar dados objetivos que reforcem suas crenças de que o treinamento não foi em vão; b. predizer os resultados de investimentos em treinamentos; c. conseguir informações que permitam aperfeiçoar o processo de treinamento; d. vender o treinamento (à direção da organização, aos clientes da agência de treinamento e ao público‑alvo do processo); e. provar que a relação custo‑benefício é vantajosa e que o treinamento deve ser considerado instrumento com bom retorno e não apenas custo. Nesse sentido, Gil (1994) afirma que existem três formas de avaliação de treinamento: Avaliação de reação que envolve: Avalia‑se a adequação do conteúdo, eficiência das atividades de apoio, desempenho do treinador, qualidade dos recursos didáticos, entre outros. Esta avaliação consiste em conhecer a opinião do grupo sobre o curso e serve de feedback para o aprimoramento dos programas de treinamento. Avaliação do aprendizado: Avalia‑se o quanto foi efetivamente assimilado no processo de ensino‑aprendizagem. Sugere‑se utilizar, nesta avaliação, exercícios ou questionários, em vez de testes. 153 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Avaliação dos resultados do treinamento: Verifica‑se se o treinamento proporcionou os resultados desejados e se os resultados obtidos contribuíram para aumento da eficácia organizacional. Sugere‑se que seja feito por meio de entrevistas com os participantes e seus supervisores após o treinamento. Segundo Gil (1994), a avaliação dos resultados do treinamento pode ser feita a partir dos seguintes níveis: organizacional, de recursos humanos e das tarefas e operações. • no nível organizacional: o treinamento deve proporcionar aumento de eficiência e eficácia organizacional, melhoria da imagem externa à organização e do clima organizacional; • no nível de recursos humanos: redução de rotatividade de pessoal e de absenteísmo, aumento da eficiência individual e das habilidades individuais, elevação do conhecimento das pessoas, mudanças de comportamentos individuais; • no nível das tarefas e operações: deve‑se verificar aumento de produtividade, melhoria da qualidade dos produtos e serviços, redução dos índices de acidentes, redução do índice de manutenção de máquinas e equipamentos e melhor atendimento ao cliente. Hamblin apud Marras (2000, p. 161) sugere dois outros níveis de avaliação: • avaliação de comportamento: é o processo mais difícil, devido à dificuldade imediata de comprovar a mudança e pela própria subjetividade em estimar os resultados obtidos; • avaliação de valores: é feita a partir da análise dos efeitos do treinamento no que se refere aos sistemas de valores dos indivíduos. Borges‑Andrade (2000) tem enfatizado que não se deve apenas avaliar a realização do treinamento e sim analisar, de forma sistemática e contínua, o seu impacto para as organizações e para os indivíduos. Desenvolveu e discutir instrumentos e procedimentos, visando oferecer por meio do Modelo de Avaliação Integrado e Somatório (MAIS) uma resposta para a questão da avaliação do treinamento. Nesse sentido, Hamblin apud Borges‑Andrade (2000) explica que a avaliação de treinamento deve seguir cinco níveis: 1. reação: corresponde a um levantamento de atitudes e opiniões dos treinandos, bem como sua satisfação em relação ao processo; 2. aprendizagem: consiste em verificar as diferenças de conhecimento no treinando antes e depois do treinamento, e o que foi adquirido de acordo com as metas instrucionais; 3. comportamento no cargo: deve considerar o desempenho do treinando em seus cargos, antes e depois do treinamento; 154 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 4. organização: apresenta como critério de avaliação o funcionamento ou as mudanças da organização ocorridas com a realização do treinamento; 5. valor final: implica comparar custo e benefício do treinamento, possui como foco a produção ou o serviço prestado pela organização. Borges‑Andrade (2000) sugere o MAIS disposto em cinco componentes e sub‑componentes, são eles: 1. insumos: são os fatores físicos, sociais e comportamentais apresentados anteriormente pelo treinando e que podem afetar a realização do processo; 2. procedimentos: correspondem às operações realizadas para gerar os resultados instrucionais, usualmente são controladas pelo instrutor ou por algum meio de entrega de instruções; 3. processos: são as consequências da realização dos procedimentos, geralmente estão relacionados aos desempenhos intermediários dos treinandos e podem deduzir os resultados finais; 4. resultados: correspondem ao conhecimento adquirido pelo treinando no final do processo; 5. ambiente: está dividido em quatro sub‑componentes: • necessidades apresentadas no ambiente de trabalho que estão relacionadas ao desempenho esperado e apresentado, podendo influenciar os insumos; • apoio: envolve variáveis no lar, na organização ou na comunidade, influenciando diretamente os insumos, procedimentos e processos, e indiretamente a aprendizagem e os resultados a longo prazo; • disseminação: compreende outros aspectos que podem contribuir para procura ou escolha do treinamento, como as formas utilizadas para a sua divulgação; • resultados a longo prazo: se referem às consequências ambientais do treinamento que serão medidas após algum tempo, envolvendo os níveis de comportamento no cargo (3), organização (4) e valor final (5) propostos por Hamblin. Os treinamentos feitos nas organizações nos permitem uma vivência ou trabalho interativo que nos possibilita atingir mais facilmente os objetivos propostos pela organização. Principalmente porque os sistemas de avaliação e de processo de tomadas de decisões dos indivíduos são estruturas bem no interior do cérebro e são as mais responsáveis pelas emoções, sob a forma de energia. Sendo assim, somente as informações que penetram nesse sistema são capazes de produzir mudança no comportamento. Quando oferecemos o treinamento, somos capazes de levar as informações por meio da vivência ‑ o que queremos é mudar no comportamento – com mais propriedade para os sistemas de avaliação e tomadas de decisões. 155 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Saiba mais Conheça a Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento em <http://portal.abtd.com.br/portal/home.html>. Resumo Esta unidade ocupou‑sebasicamente do processo de remuneração e de benefícios. Abordou os componentes da remuneração e algumas abordagens, tais como: sistema de remuneração estratégica, remuneração variável, remuneração por competência e remuneração por habilidades. Seguindo, foram discutidas a avaliação e a classificação de cargos, que inclui: os métodos de avaliação de cargos, classificação de cargos e pesquisa salarial. A política salarial também foi abordada com os tópicos: administração de carreira, promoção e crescimento na organização, remuneração funcional, salário indireto, plano privado/aposentadoria, remuneração acionária e benefícios sociais. Outros assuntos, tais como qualidade de vida no trabalho e alguns aspectos da legislação trabalhista, também foram discutidos aqui. Exercícios Questão 1. Embora constitua área de conhecimento das mais fascinantes, as bases teóricas da administração ainda estão em formação. Os estudos pioneiros de Taylor e Fayol, por exemplo, foram ampliados, de forma significativa, nos anos posteriores. Sobre as teorias da administração pode‑se afirmar que: I – na burocracia, o trabalho realiza‑se por meio de funcionários que ocupam cargos, os quais têm atribuições oficiais, fixas e ordenadas por meio de regras, leis ou disposições regimentais; II – na administração científica, enfatiza‑se o estudo das tarefas, a seleção e o treinamento de trabalhadores e a busca pela eficiência operacional; III – na reengenharia de processos, há um esforço deliberado de se ter uma visão sistêmica da empresa, lastreado em estruturas organizacionais verticalizadas; IV – na visão contingencial, procura‑se analisar como as condições ambientais da empresa afetam as possibilidades de escolha nas decisões organizacionais; V – na abordagem comportamentalista, a eficácia organizacional é promovida pela aplicação de análise quantitativa aos problemas e decisões administrativas. 156 Unidade II Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 São corretas, apenas, as afirmativas: A) I, II e III. B) I, II e IV. C) I, III e V. D) II, IV e V. E) III, IV e V. Resposta correta: alternativa B. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: a frase descreve a escola burocrática, caracterizada pela dimensão da formalidade (sistema de normas) e pela impessoalidade (cada um tem atribuições determinadas pelas normas de onde provém a autoridade, independentemente de quem ocupe o cargo). II – Afirmativa correta. Justificativa: Taylor estabelece como objetivo de seus estudos a busca pela eficiência operacional, conseguida por meio do estudo das tarefas, da criação de padrões de trabalho e da seleção e do treinamento dos trabalhadores como modo de consolidar as conquistas anteriores (remuneração por produção e metodologia do trabalho). III – Afirmativa incorreta. Justificativa: a reengenharia foca em processos, privilegiando a visão sistêmica, mas lastreia‑se em estruturas horizontais, não verticais. IV – Afirmativa correta. Justificativa: a característica básica da visão contingencial é o fato de que o bom funcionamento das organizações está diretamente ligado ao ambiente externo. V – Afirmativa incorreta. Justificativa: a utilização de métodos quantitativos é característica da teoria matemática da Administração. A abordagem comportamentalista dá ênfase à relação entre o homem e o ambiente social, ao conhecimento e ao atendimento das necessidades do trabalhador. 157 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Questão 2. A Empresa de Exportação Ji‑Paraná está fazendo uma atualização de seus cargos e salários. Iniciou o processo a partir da descrição de cargos, como é recomendado. Para implementar uma descrição eficiente de cargos é necessário considerar: A) os requisitos mentais. B) os requisitos físicos. C) as faixas salariais. D) as tarefas e atribuições. E) as condições de trabalho. Resolução desta questão na plataforma. 158 Unidade III Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Unidade III 7 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO E RELAÇÕES SINDICAIS 7.1 O processo de segurança e qualidade de vida O processo de segurança visa estabelecer disciplina e segurança, bem como qualidade de vida no trabalho. Inclui higiene e segurança do trabalho e as relações sindicais. Política de recursos humanos Resultados finais desejáveis práticas éticas e socialmente responsáveis produtos e serviços competitivos e de alta qualidade qualidade de vida no trabalho influências ambientais externas influências organizacionais internas processos de RH processos de agregar pessoas processos de aplicar pessoas processos de recompensar pessoas processos de desenvolver pessoas processos de manter pessoas processos de monitorar pessoas recrutamento e seleção desenho de cargos, avaliação de desempenho remuneração, benefícios e serviços treinamento, mudanças, comunicação disciplina, higiene, segurança e qualidade de vida, relação com sindicatos banco de dados, sistema de informações gerenciais Figura 29 Desde o início do século, a racionalização do trabalho a partir de métodos científicos foi uma tendência dominante. O objetivo maior era a elevação da produtividade. Essa preocupação permanece até os nossos dias, porém se tende a um tratamento mais humanizado. Segundo Fernandes (1996, p. 40), “apesar de a preocupação voltada para organizar o trabalho ter sido uma constante desde o advento da administração científica, só recentemente as empresas vêm‑se preocupando com a satisfação do trabalhador na execução de suas tarefas, como requisito para atingirem altos índices de produtividade”. 159 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS A noção de QVT surgiu no início da década de 50, na Inglaterra, por meio de Eric Trist e colaboradores, que estudaram um modelo para agrupar o trinômio “indivíduo/trabalho/organização. Para Nadler; Lawler (1983, p. 20), QVT “é a grande esperança das organizações para atingirem alto nível de produtividade, sem esquecer a motivação e satisfação do indivíduo”. A ciência comportamental, tratando especificamente de aspectos ligados ao bem‑estar das pessoas em situação de trabalho, desenvolveu uma linha de pesquisas cujo foco central era o questionamento das formas a serem adotadas, “para que os cargos se mostrem mais produtivos e satisfatórios, com vantagens para as pessoas e organizações, mediante a reformulação de desenho de cargos e postos de trabalho” (WALTON, 1974, p. 52). A tecnologia da QVT pode ser utilizada para que as organizações renovem suas formas de organização do trabalho, a fim de que, ao mesmo tempo em que se eleve o nível de satisfação do pessoal, se eleve também a produtividade das empresas, como resultado de maior participação dos empregados nos processos relacionados ao seu trabalho. As reformulações em nível do trabalho constituem o objetivo implícito das ações de QVT, visando garantir maior eficácia e produtividade e, simultaneamente, o atendimento das necessidades básicas dos trabalhadores, como enfatiza Walton (1973, p. 11). O conceito de QVT é, de certa forma, abrangente e precisa ser definido com clareza, uma vez que, como afirmam Werther; Davis (1983, p.36), “os cargos / postos de trabalho representam não apenas uma fonte de renda para os trabalhadores, mas um meio de satisfazerem suas necessidades de toda ordem, com reflexos evidentes em sua qualidade de vida”. Os trabalhadores têm no trabalho uma fonte de realização pessoal, principalmente quando fazem aquilo de que gostam e, consequentemente, o fazem com prazer. Segundo Fernandes (1996, p. 40), “quantoà expressão Qualidade de Vida no Trabalho, (...) não se pode atribuir uma definição consensual. O conceito engloba, além dos atos legislativos que protegem o trabalhador, o atendimento a necessidades e aspirações humanas, calcado na ideia de humanização do trabalho e na responsabilidade social da empresa”. A princípio, pode‑se pensar que as exigências por melhor qualidade de vida se referem apenas à remuneração. Mas, especialmente no que tange à melhoria das condições de trabalho e da organização psicossocial, é que existe demanda por mudanças no comportamento organizacional, isto é, trata‑se de atender às necessidades humanas. Esse seria o ponto de partida para qualquer programa de QVT, uma vez que sua gestão é flexível, porque organizações e pessoas mudam constantemente, e cada empresa tem a sua realidade. De acordo com Fernandes (1996, p. 46): pouco resolve atentar‑se apenas para fatores físicos, pois os aspectos sociológicos e psicológicos interferem igualmente na satisfação dos indivíduos em situação de trabalho; sem deixar de considerar os aspectos 160 Unidade III Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 tecnológicos da organização do próprio trabalho que, em conjunto, afetam a cultura e interferem no clima organizacional com reflexos na produtividade e na satisfação dos empregados. É preciso atentar para uma gama de fatores que, quando presentes numa situação de trabalho, se refletem na satisfação e na participação do indivíduo, mobilizando suas energias e atualizando seu potencial. Dessa forma, pode‑se dizer que há fatores intervenientes na qualidade de vida das pessoas, quando em situação de trabalho. Dependendo de seu competente gerenciamento, eles proporcionarão condições favoráveis, imprescindíveis aos melhores desempenho e produtividade. Ao se estudar a produtividade de uma empresa, não se pode, apenas, concentrar atenção nos processos de trabalho e na tecnologia a ser aplicada. O fator humano é uma ferramenta relevante dentro deste processo; portanto, deve ser dada a ele uma atenção toda especial. Segundo Lima (1998, p. 41): ao planejar a capacidade de produção de um grupo de pessoas é preciso levar em conta sua motivação, a qual depende (...) de sua satisfação com a empresa (...). A tecnologia da QVT (Qualidade de Vida no Trabalho) pode ser utilizada exatamente para que as pessoas queiram fazer mais, como decorrência de um envolvimento maior com o trabalho que realizam (...) sintam‑se estimuladas e motivadas a produzir, satisfazendo seus anseios e necessidades, e ao mesmo tempo indo ao encontro dos objetivos organizacionais. Nos dias atuais, a preocupação das empresas está voltada para os aspectos que possam ajudar o trabalhador a ter melhor qualidade de vida, também, no trabalho. Nota‑se que o mercado hoje está voltado para quem conseguir obter maior eficiência em produzir mais, melhor e em menos tempo. Tudo isso sem prejudicar a saúde, no sentido amplo do termo, dos funcionários, pois ela é fundamental ao processo produtivo. Cipriani (1998, p. 12) afirma: “Acredito que investimentos em proteção e prevenção do funcionário sejam indispensáveis no mercado que busca produtividade, competitividade e asseguramento de liderança”. Empresas que têm esse tipo de preocupação podem desfrutar de vantagens oferecidas pela QVT, com o retorno do capital investido, ao tentarem proporcionar o melhor ambiente de trabalho. Como observa Lima (1998, p. 11), “um programa de qualidade de vida representa custos. No entanto, vale a pena se a empresa tem a intenção de melhorar a sua produtividade, sua imagem, ter funcionários contentes convivendo em um ambiente saudável”. 161 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Segundo Harck apud Rodrigues (1999, p. 25): compreende‑se que não se pode desprezar o aspecto financeiro da questão, já que as empresa precisam investir dinheiro para manter esses programas, e precisam aferir alguma forma de retorno. Quando bem desenhados e dirigidos ao público certo na dosagem certa, esses programas têm bom custo‑benefício. Um dos fatores almejados pelas empresas atuais é a formação de uma imagem positiva, em relação não só ao cliente interno como também ao externo. Uma boa imagem a ser alcançada por uma empresa que procura proporcionar melhor QVT poderá ser altamente benéfica para sua lucratividade, como prêmio desse investimento. A melhoria dos fatores físicos ou tangíveis nas condições de trabalho, tais como flexibilidade de horário, modificação do local dos equipamentos, entre outros, pode acarretar uma melhora de desempenho. Conforme Huse; Cummings apud Rodrigues (1994, p. 91), “com a melhoria das condições de trabalho, os operários tornam‑se mais satisfeitos com seus serviços. A QVT afeta positivamente a produtividade de forma indireta1.” 7.1.1 Produtividade e QVT A QVT e a produtividade são componentes do mundo organizacional que estão estreitamente interligados. Podem representar tanto para o indivíduo quanto para a organização uma fonte desenvolvimento ou de estagnação. Mas para que isso ocorra, é preciso que as condições oferecidas atendam ou não às exigências humanas e organizacionais necessárias à melhoria da qualidade de vida no trabalho que, por sua vez, afeta o nível de produtividade. Assim, a qualidade de vida no trabalho pode ser um fator de desenvolvimento humano, mas pode também constituir‑se em um fator de instrumentação somente para aumentar o nível de produtividade, sem uma preocupação mais profunda e sincera com o indivíduo. Hackman; Oldham apud Rodrigues (1994, p.124) entendem que a QVT tem muito a ver com produtividade e também com a relação de satisfação entre o indivíduo e a organização na qual trabalha. Nesse sentido, desde a origem dos estudos sobre QVT, percebe‑se que a mesma nasceu voltada para as questões relativas à produtividade. Autores como Werther; Davis (1983) constatam que os esforços para melhorar a qualidade de vida do trabalhador, na verdade, devem atender às necessidades de produção da organização. 7.1.2 QVT Rodrigues (1994) oferece uma compreensão da QVT como um meio para beneficiar simultaneamente o indivíduo e a organização, por meio da melhoria do desempenho humano e consequentemente do 1Disponível em: <http://www.moraesjunior.edu.br/pesquisa/cade7/qualidade.doc>. 162 Unidade III Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 aumento do nível de produtividade. Em consequência é possível inferir que ela, ainda que propicie benefícios para o homem, é principalmente um instrumento da produtividade necessária às organizações. A melhoria das condições de trabalho envolve flexibilidade de horário, modificação do local, entre outros, que podem tornar os indivíduos mais satisfeitos e consequentemente melhores em seus serviços. Mais uma vez observa‑se que a QVT afeta a produtividade, ainda que indiretamente, como pode ser visto na figura acima. Conforme pode ser observado nessa figura, sua melhoria desenvolve positivamente, de imediato, a coordenação, a capacidade e a motivação, que são fatores do interesse da organização, pois são pré‑requisitos para um melhor desempenho e, consequentemente, uma maior produtividade. 7.1.3 Conceito de QVT O termo Qualidade de Vida no Trabalho engloba motivação, satisfação, condições de trabalho, estilos de liderança, dentre outros. Relacionados a esses aspectos, a lista de fatores que se constituem em pontos positivos e negativos do trabalho é bem ampla. Um dos principais expoentes no estudo da questão, Walton (1973) afirma que a ideia de QVT é calcada em humanização do trabalho e responsabilidade social da empresa, envolvendo o entendimento de necessidades e aspirações do indivíduo, por meio da reestruturação do desenho decargos e de novas formas de organizar o trabalho, aliado a uma formação de equipes com um maior poder de autonomia e uma melhoria do meio organizacional. Fernandes (1996) sugere que o termo sustenta‑se sobre quatro pontos básicos: 1. a resolução de problemas com o envolvimento de todos os funcionários (participação, sugestões, inovações); 2. a reestruturação da natureza do trabalho (enriquecimento de tarefas, redesenho de cargos, rotação de funções, grupos autônomos ou semi‑autônomos); 3. a inovação no sistema de recompensas (remunerações financeiras e não‑financeiras); 4. a melhoria do ambiente organizacional (clima, cultura, ambiente físico, aspectos ergonômicos e assistenciais). 7.1.4 Programa de QVT No Brasil, na década de 90, falar em QVT não passava de simples utopia. Hoje se percebe que esse quadro mudou substancialmente, não em função de um “modismo”, mas por determinantes de sobrevivência num cenário competitivo. Tanto que Silva; De Marchi (1997, p.12) destacam que no Brasil os programas de QVT têm despertado grande interesse nos últimos anos e que as empresas perceberam que ela está inteiramente ligada a maior produtividade e vantagem competitiva. Para Fernandes (1996, p. 59), em primeiro lugar convém lembrar que QVT, na prática, não dispensa em absoluto a teoria, ou seja, é preciso a fundamentação advinda de conhecimentos interdisciplinares e 163 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS em especial ligados à ciência comportamental, pois não se pode implantar um programa sem um forte apoio teórico e técnico sobre o tema. Por outro lado, mesmo que cada experiência de implantação de projetos de QVT seja única, é possível, a título de sistematização, se estabelecerem algumas fases que, independentemente das características particulares, se aplicam a todas as empresas. Alguns autores têm feito recomendações sobre a implantação de programas de QVT. Vellozo (1996, p.68) diz que não existem fórmulas prontas para implantá‑los. Em cada organização existe um processo particular que deve ser analisado cuidadosamente. A autora entende QVT como uma política de trabalho que deve ser definida e adotada após minucioso levantamento de necessidades, devidamente analisadas de forma consciente e comprometida com as mudanças que se fizerem necessárias. Em empresas cujo estágio organizacional seja pouco desenvolvido, dificilmente um programa será efetivo sem o apoio de uma nova filosofia gerencial, sem o aval e o apoio da administração superior. Ou seja, os responsáveis pela área de RH das organizações têm que convencer a todos – especialmente as principais lideranças – de que QVT é responsabilidade de todos e não apenas de alguns. Mesmo porque iniciativas e/ou esforços particulares, ainda que da área própria, não terão capacidade de obter resultados efetivos. 7.1.5 Modelo de Walton para avaliar a QVT Existem diversos métodos desenvolvidos por estudiosos, visando identificar os aspectos presentes no trabalho e que estão relacionados à QVT. O modelo proposto por Walton (1973) permite analisar as práticas adotadas nas melhores empresas para trabalhar no Brasil e as dimensões de QVT. As dimensões e os seus respectivos indicadores apresentados por Walton (1973) são as exibidas no quadro abaixo. Essas oito dimensões permitem ao pesquisador apreender os pontos percebidos pelos trabalhadores como positivos ou negativos na situação de trabalho. Possibilitam analisar tanto o conjunto de condições e práticas organizacionais, quanto aspectos relacionados às satisfação e percepção dos empregados sobre os fatores positivos no trabalho (SILVA; TOLFO, 1995). Quadro 22 – Categorias conceituais de QVT Critérios Indicadores de QVT 1 – Compensação justa e adequada equidade interna e externa justiça na compensação partilha dos ganhos de produtividade proporcionalidade entre salários 2 – Condições de trabalho jornada de trabalho razoável ambiente físico seguro e saudável ausência de insalubridade 3 – Utilização e desenvolvimento de capacidades autonomia autocontrole relativo qualidades múltiplas informações sobre o processo total do trabalho 4 – Oportunidade de crescimento e segurança possibilidade de carreira crescimento pessoal perspectiva de avanço salarial segurança de emprego 164 Unidade III Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 5 – Integração social na organização ausência de preconceitos igualdade mobilidade relacionamento senso comunitário 6 – Constitucionalismo direitos e proteção do trabalhador privacidade pessoal liberdade de expressão tratamento imparcial direitos trabalhistas 7 – O trabalho e o espaço total de vida papel balanceado no trabalho estabilidade de horários poucas mudanças geográficas tempo para lazer da família 8 – Relevância social do trabalho na vida imagem da empresa responsabilidade social da empresa responsabilidade pelos produtos práticas de emprego Fonte: Walton (1973, p. 11). 7.1.6 QVT e sua prática nas empresas Os resultados positivos de pesquisas que avaliam a QVT, especialmente no Brasil, têm sido fonte de desconfiança por parte de estudiosos mais críticos. Concebida na sociedade americana, preocupada com as condições de trabalho e os seus reflexos sobre o bem‑estar do trabalhador, encontra um contexto social bastante diferenciado nos países menos desenvolvidos. Isso pode ser vislumbrado nos resultados da presente análise, em que anualmente foram selecionadas muitas empresas, mas poucas receberam avaliação máxima em relação à metade ou mais dos itens considerados essenciais para que elas sejam consideradas um excelente lugar para trabalhar. Pode‑se inferir, então, que é muito reduzido o número de empresas atuando no país que efetivamente põem em prática ações que visem a QVT do seu pessoal. Nesse sentido, concorda‑se com Drucker (1995, p. 51), quando ele assinala que hoje todas as organizações dizem: “as pessoas são o nosso maior ativo”. Entretanto, poucas praticam aquilo que pregam e menos ainda acreditam nisso. A maioria ainda acredita, embora talvez não conscientemente, naquilo que acreditavam os empregadores do século XIX: as pessoas precisam mais de nós do que nós delas. 7.1.7 Indicadores de QVT Eis alguns indicadores de QVT: Orgulho de trabalhar na empresa. Um item muito representativo da QVT é o orgulho do trabalho e da empresa. Isso significa que os funcionários avaliam positivamente a imagem da empresa na sociedade. Os empregados das empresas consideradas excelentes lugares para trabalhar percebem que essa possibilidade é decorrente, em primeiro lugar, do papel social do trabalho. Segurança e confiança na gestão. A segurança e a confiança na gestão são aspectos também muito valorados pelos empregados. As chefias vêm desenvolvendo cada vez melhor os conceitos 165 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS introduzidos com as novas formas de organização e que prescrevem a elas um papel de articuladores de equipes, com vistas ao alcance dos objetivos organizacionais. Oportunidades de carreira e treinamento. As oportunidades de carreira e treinamento (que, para Walton, significa possibilidade de crescimento e segurança) são valorizadas (especialmente quando avaliada a carreira em separado) como um dos itens mais importantes para que uma organização seja excelente para se trabalhar. Por outro lado, existe farta literatura que sinaliza o fim do emprego e da carreira (BRIDGES, 1995; TOMEI apud DAVEL e VASCONCELOS, 1996). Os resultados permitem inferir que existe aí um ponto de divergência entre aquilo que os empregados esperam das organizações e a perspectiva que vem sendo destacada de um tipo de carreira mais horizontalizada, frente ao modelo vigente até pouco tempo atrás. Salários e benefícios.Os salários e benefícios aparecem entre os aspectos menos contemplados pelas empresas avaliadas como um lugar excelente para trabalhar no Brasil. Este item pode ser relacionado ao fator descrito por Walton (1973) como compensação justa e adequada, que compreende a renda pertinente ao trabalho realizado, a equidade interna e a equidade externa. Tal questão é amplamente estudada e comporta diversas possibilidades. Se buscarmos a origem nos estudos da psicologia, a contribuição de Herzberg apud Bergamini (1993) continua importante, quando confere ao salário uma função higiênica: a remuneração e os benefícios não são fonte de motivação, mas evitam a desmotivação. O quadro a seguir apresenta os indicadores apontados com maior destaque pelo conjunto de chefias e trabalhadores das empresas consideradas como melhores locais para se trabalhar no Brasil. Ele mostra bastante diversidade, se compararmos os três anos estudados. Quadro 23 – Indicadores de QVT mais identificados pelos empregados das melhores empresas 1999 2000 2001 • orgulho do trabalho e da empresa; • segurança e confiança na gestão; • oportunidade de carreira; • camaradagem no ambiente de trabalho; • treinamento; • inovação no sistema de trabalho; • benefícios; • clareza e abertura na comunicação interna; • salários. • oportunidade de carreira e treinamento; • segurança e confiança na gestão; • orgulho do trabalho e da empresa, • salários; • benefícios; • responsabilidade social; • clareza e abertura na comunicação interna. • segurança e confiança na gestão; • camaradagem no ambiente de trabalho; • orgulho do trabalho e da empresa; • clareza e abertura na comunicação interna; • oportunidade de carreira e treinamento; • salários; • benefícios; • responsabilidade social. Fonte: Tolfo; Piccinini (2003). 166 Unidade III Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Lembrete É importante lembrar que a qualidade de vida no trabalho permite elevar o nível de satisfação do pessoal tendo em contrapartida a elevação da produtividade da empresa. 7.2 Segurança no trabalho Segurança do trabalho pode ser entendida como os conjuntos de medidas que são adotadas visando minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador. A Segurança do Trabalho estuda diversas disciplinas como Introdução à Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho, Prevenção e Controle de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações, Psicologia na Engenharia de Segurança, Comunicação e Treinamento, Administração Aplicada à Engenharia de Segurança, O Ambiente e as Doenças do Trabalho, Higiene do Trabalho, Metodologia de Pesquisa, Legislação, Normas Técnicas, Responsabilidade Civil e Criminal, Perícias, Proteção do Meio Ambiente, Ergonomia e Iluminação, Proteção Contra Incêndios e Explosões e Gerência de Riscos. O quadro de segurança do trabalho de uma empresa compõe‑se de uma equipe multidisciplinar composta por técnico de segurança do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, médico do trabalho e enfermeiro do trabalho. Esses profissionais formam o que chamamos de Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT). Também os empregados da empresa constituem a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. A Segurança do Trabalho é definida por normas e leis. No Brasil a Legislação de Segurança do Trabalho compõe‑se de Normas Regulamentadoras, Normas Regulamentadoras Rurais, outras leis complementares, como portarias e decretos e também as convenções Internacionais da Organização Internacional do Trabalho, ratificadas pelo Brasil2. 7.2.1 Direitos de quem se acidenta no trabalho Conceitos fundamentais3: Acidentes de trabalho – São situações que ocorrem pelo exercício do trabalho; a serviço da empresa; acidente por doença profissional ou do trabalho e ainda acidente de trajeto, que é aquele que 2 Disponível em: <http://www.areaseg.com/seg/> 3 Disponível em: <http://www.opas.org.br/saudedotrabalhador/Arquivos/Sala311.doc>. 167 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS ocorre no percurso entre a residência do empregado e o local de exercício profissional, ou entre dois locais de trabalho. Recai sobre o empregador, ou o órgão gestor de mão de obra, a responsabilidade pela emissão, em seis vias, da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e o seu envio à Previdência, mesmo que o acidente não justifique afastamento do trabalho e concessão de benefícios. A empresa que não informar acidentes de trabalho está sujeita a multa. Doenças laborais – No caso dos trabalhadores que desenvolvem doenças relacionadas ao trabalho, a empresa deve também emitir a CAT em seis vias e enviar à Previdência. 7.2.2 Benefícios pagos pela Previdência Auxílio‑doença – É o benefício concedido ao segurado impedido de trabalhar, devido a doença ou acidente, por mais de 15 dias consecutivos. Os primeiros 15 dias são pagos pelo empregador. No caso de contribuinte individual (como empresários, profissionais liberais e autônomos), a Previdência paga todo o período da doença ou do acidente (desde que o trabalhador tenha requerido o benefício). Tem direito ao auxílio‑doença acidentário o empregado, o trabalhador avulso, o médico residente e o segurado especial. O benefício não é concedido quando, mesmo doente, o trabalhador tem condições de permanecer em atividade. A concessão do auxílio‑doença acidentário não exige tempo mínimo de contribuição. O auxílio deixa de ser pago quando o segurado recupera a capacidade e retorna ao trabalho ou quando o benefício é trocado pela aposentadoria por invalidez. Auxílio‑acidente – É um benefício concedido, como forma de indenização, ao segurado empregado, ao trabalhador avulso urbano e rural e ao segurado especial quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resulte em sequela definitiva que impeça as atividades laborais. Essa regra não inclui o trabalhador doméstico, o contribuinte individual e o segurado facultativo. Caso o segurado não se reabilite em 15 dias, deve solicitar o benefício. Aposentadoria por invalidez – Concedida aos trabalhadores que, por doença ou acidente, forem considerados incapacitados para exercer suas atividades ou outro tipo de serviço que lhes garanta o sustento. Não tem direito à aposentadoria por invalidez quem, ao se filiar à Previdência Social, já tiver doença ou lesão que geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade resultar do agravamento da enfermidade. Quem recebe aposentadoria por invalidez deve passar por perícia médica de dois em dois anos. A aposentadoria deixa de ser paga quando o segurado recupera a capacidade. Para ter direito, o trabalhador tem que contribuir por no mínimo 12 meses, no caso de doença. Se for acidente, esse prazo não é exigido, mas é preciso estar inscrito na Previdência. Aposentadoria especial – Benefício concedido ao segurado que tenha trabalhado em condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. O trabalhador deve comprovar, além do tempo de trabalho, efetiva exposição aos agentes físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais pelo período exigido (dependendo do agente, 15, 20 ou 25 anos). A comprovação será feita em formulário do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), preenchido pela empresa com base em Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho (LTCA), expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. 168 Unidade III Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gram aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 Pensão por morte – Os dependentes de segurado que recebia benefício como aposentadoria ou auxílio‑doença e faleceu podem requerer a pensão por morte4. Saiba mais Conheça a Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho e do Meio Ambiente em: <http://www.pr5.com.br/abraphiset/ associacao.htm>. 7.3 Liberdade sindical De acordo com Siqueira Neto (2008), a liberdade sindical e a representação dos trabalhadores nos locais de trabalho nos moldes consagrados pelo direito internacional ocupam, indiscutivelmente, um papel determinante na configuração dos sistemas de relações de trabalho nos países de democracia consolidada. As ideias de um sindicalismo livre e sua concepção foram cristalizadas nos países de democracia consolidada e de industrialização avançada no segundo pós‑guerra, assim permanecendo até os dias atuais, sem qualquer objeção significativa, mesmo diante das constantes crises dos últimos decênios e da investida conservadora dos anos 1980 e de meados dos anos 1990 na Inglaterra. O resultado disso é que os direitos de associação sindical e de representação dos trabalhadores por local de trabalho são direitos fundamentais para equilibrar a desigual distribuição de poder nas relações de trabalho. E, uma vez estruturados de forma livre, sem interferência limitadora da autonomia por parte do Estado e dos empregadores, com garantia de efetivo exercício da ação coletiva, transformam‑se no centro de gravidade mais evoluído do direito do trabalho. Funcionando, assim, como ponto de partida da negociação coletiva entendida em seu sentido mais moderno, e, por conseguinte, de todo o sistema de relações de trabalho. Siqueira Neto (2008) afirma ainda que a liberdade sindical e a representação dos trabalhadores nos moldes consagrados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1948, pelos pactos internacionais dela decorrentes, sobre os direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos, ambos de 1966, e pelos instrumentos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), indiscutivelmente, jogam um papel determinante na configuração orgânica dos sistemas de relações de trabalho nos países de industrialização avançada e de democracia participativa consolidada (Estados Unidos, Japão e países da Europa Ocidental). Segundo o autor, no âmbito internacional, o primeiro ato com repercussões trabalhistas foi a Declaração de Filadélfia, de 1944, que ampliou o campo de ação da OIT. Em seguida, diversos tratados e documentos internacionais versaram sobre a liberdade sindical ou temas a ela ligados. 4 Disponível em: <http://www.opas.org.br/saudedotrabalhador/Arquivos/Sala311.doc>. 169 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 GESTÃO DE PESSOAS Nesse rol podemos destacar: • a Declaração Universal dos Direitos do Homem (ONU) de 1948; • as convenções da OIT de nº 87 (sobre liberdade sindical e a proteção do direito sindical) de 1948 e nº 98 (sobre a aplicação dos princípios do direito de sindicalização e de negociação coletiva) de 1949; • a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e Liberdade Fundamentais de 1950; • a Carta Social Europeia de 1961; • o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, ambos da ONU e de 1966; • as Convenções da OIT de nº 135 (sobre proteção e facilidades a serem dispensadas a representantes de trabalhadores na empresa), nº 141 (sobre organizações de trabalhadores rurais e seu papel no desenvolvimento econômico social) e 154 (sobre a promoção da negociação coletiva). No Brasil a liberdade sindical foi tratada pelo art. 8º da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB) de 1988, inserido no Título II, dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo II, Dos Direitos Sociais. Os dispositivos específicos, entretanto, comportam contradições incompatíveis com a liberdade sindical consagrada no direito internacional, e por isso incapazes de gerar um sistema de relações de trabalho realmente harmônico. Pela importância do assunto, achamos oportuno transcrever o art. 8º da CRFB, para depois apresentar o nosso entendimento sobre suas principais consequências. “Art. 8º – É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I – a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical; II – é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município; III – ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; IV – a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei; 170 Unidade III Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi rg ín ia - R ed ia gr am aç ão : M ár ci o - 02 /0 7/ 20 13 V – ninguém será obrigado a filiar‑se ou manter‑se filiado a sindicato; VI – é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho; VII – o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais; VIII – é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam‑se às organizações de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer”. Observação Segundo o Ministério do Trabalho, há mais de 15 mil sindicatos no Brasil. 7.3.1 Representação dos trabalhadores Pela primeira vez, em 1988, uma constituição brasileira consagrou a Representação dos Trabalhadores nos Locais de Trabalho. O art. 11 da CFRB assegura, nas empresas de mais de duzentos empregados, a eleição de um representante deles com a finalidade de promover seu entendimento direto com os empregadores. Trata‑se, portanto, de uma representação dos trabalhadores e não representação sindical. A Constituição não assegurou a estabilidade ao representante dos trabalhadores, já que o art. 11 é, quanto a isso, omisso e o inciso VIII do art. 8º refere‑se apenas a dirigentes e a representantes sindicais. O objetivo da representação dos trabalhadores nos locais de trabalho é promover o entendimento direto com o empregador. Assim, o representante dos trabalhadores não tem poderes para assinar acordos coletivos de trabalho. A representação é por empresa e não por estabelecimento. O dispositivo constitucional enfocado não depende de lei alguma para vigorar, apesar de não existir qualquer impedimento à edição de uma lei a respeito. São raros os representantes eleitos desde a promulgação da Constituição de 1988. O legislador constituinte distinguiu claramente a representação dos trabalhadores nos locais de trabalho da co‑gestão e da participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. Tanto é que regulou esses dois últimos institutos em artigo distinto (art. 7º, inciso XI). O sistema de representação dos trabalhadores nos locais de trabalho: é aquele instituído por lei, com representação geral, autônoma e independente dos sindicatos, mas com respeito à atividade sindical nos moldes do direito internacional, com competência para todos os assuntos 171 Re vi sã o (r ed im en sio na m en to ): Vi