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TÉCNICA DIETÉTICA PROF.A DRA. MARCELA CALEFFI DA COSTA LIMA CANIATTI Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-reitor: Prof. Me. Ney Stival Diretoria EAD: Prof.a Dra. Gisele Caroline Novakowski PRODUÇÃO DE MATERIAIS Diagramação: Alan Michel Bariani Thiago Bruno Peraro Revisão Textual: Felipe Veiga da Fonseca Luana Ramos Rocha Marta Yumi Ando Produção Audiovisual: Adriano Vieira Marques Eudes Wilter Pitta Paião Márcio Alexandre Júnior Lara Osmar da Conceição Calisto Gestão de Produção: Kamila Ayumi Costa Yoshimura © Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Sócrates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande responsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a sociedade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conhecimento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivência no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de qualidade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mercado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR 33WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 01 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................................................5 1. CONCEITOS BÁSICOS ...........................................................................................................................................6 1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS .....................................................................................................................6 1.1.1 ALIMENTOS NATURAIS .....................................................................................................................................6 1.1.1.1 ALIMENTO CONVENCIONAL ............................................................................................................................6 1.1.1.2 ALIMENTO ORGÂNICO .....................................................................................................................................6 1.1.1.3 ALIMENTO HIDROPÔNICO ..............................................................................................................................7 1.1.2 ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS ...................................................................................................................8 1.1.2.1 ALIMENTO DIET ...............................................................................................................................................8 1.1.2.2 ALIMENTO LIGHT ............................................................................................................................................8 PRINCÍPIOS DA TÉCNICA DIETÉTICA PROF.A DRA. MARCELA CALEFFI DA COSTA LIMA CANIATTI ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: TÉCNICA DIETÉTICA 4WWW.UNINGA.BR 1.1.2.3 ALIMENTO ENRIQUECIDO .............................................................................................................................9 1.1.2.4 ALIMENTO FUNCIONAL ..................................................................................................................................9 1.1.2.5 ALIMENTO TRANSGÊNICO ............................................................................................................................9 2. INDICADORES NO PREPARO DOS ALIMENTOS ............................................................................................... 10 2.1 INDICADOR DE PARTE COMESTÍVEL (IPC) ...................................................................................................... 11 2.2 INDICADOR DE CONVERSÃO (IC) ..................................................................................................................... 12 2.3 INDICADOR DE REIDRATAÇÃO (IR) ................................................................................................................... 13 3. PESOS E MEDIDAS ............................................................................................................................................. 13 3.1 TÉCNICAS PARA A PADRONIZAÇÃO DE MEDIDAS ........................................................................................... 14 3.1.1 MATERIAIS UTILIZADOS PARA A MENSURAÇÃO DOS ALIMENTOS............................................................ 14 3.1.2 DESIGNAÇÃO PRÁTICA .................................................................................................................................... 16 3.2 DENSIDADE DOS ALIMENTOS ........................................................................................................................... 18 3.3 TÉCNICAS PARA PESAGEM OU MEDIÇÃO ...................................................................................................... 18 3.3.1 INGREDIENTES SECOS .................................................................................................................................... 18 3.3.2 INGREDIENTES LÍQUIDOS ............................................................................................................................. 19 3.3.3 INGREDIENTES PASTOSOS OU GORDUROSOS .......................................................................................... 20 3.3.4 COMO MEDIR FRAÇÕES? ............................................................................................................................... 21 4. FICHA TÉCNICA .................................................................................................................................................. 21 4.1.1 EXEMPLO DE PREENCHIMENTO DA FICHA TÉCNICA ................................................................................ 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 26 5WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A técnica dietética (TD) é tida como uma das ferramentas pedagógicas essenciais para a formação do profissional nutricionista. A familiarização com os alimentos promove a aproximação dos estudantes com a dietética, o que é essencial no exercício da profissão. É por meio do estudo da técnica dietética que o aluno conhece as transformações químicas, físicas, sanitárias e sensoriais que ocorrem com os alimentos durante as etapas de pré- preparo e preparo, a nível doméstico ou coletivo, aliado à promoção da segurança alimentar e também nutricional. Técnica e dietética é a disciplina que, baseada em ciências exatas, estuda as operações as quais são submetidos os alimentos depois de cuidadosa seleção e modificação que estes sofrem durante os processos culinários e de preparação para o consumo (ORNELLAS, p. 1, 2003). Portanto, podemos destacar como objetivos da TD: • Conhecer e aplicar os métodos adequados à seleção, conservação e preparo dos alimentos, visando preservar suas características nutricionais. • Aprimorar a digestibilidade e as características sensoriais dos alimentos. • Estudar a dietética por grupos de alimentos. • Reconhecer as principais características que definem o padrão de identidade e qualidade de alimentos, ingredientese preparações. • Compreender as transformações físicas e químicas decorrentes dos processos de pré- preparo e preparo dos alimentos. • Identificar a adequação de diferentes preparações para a elaboração de cardápios. • Exercitar o desenvolvimento de fichas técnicas de preparações. 6WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 1. CONCEITOS BÁSICOS Dietética: aplica os princípios da ciência da nutrição no organismo humano para o planejamento e execução de dietas adequadas aos indivíduos. Técnica dietética: estudo dos processos culinários aos quais são submetidos os alimentos, envolvendo sua seleção e as modificações que eles sofrerão até o consumo. Tem objetivo de manter o valor nutricional e atingir as características sensoriais adequadas. Alimento: é toda substância ou mistura de substâncias destinada a fornecer ao organismo vivo os elementos necessários à sua formação, desenvolvimento e manutenção. 1.1 Classificação dos Alimentos Tabela 1 - Classificação dos alimentos. Fonte: a autora. 1.1.1 Alimentos naturais São alimentos de origem animal ou vegetal in natura, os quais necessitam de processos (preparo), simples à elaborados, para que possam ser consumidos. Esses processos envolvem: higienização, remoção de partes não comestíveis (p. ex. casca de vegetais e frutas), cozimento (p. ex. leguminosas), entre outros. 1.1.1.1 Alimento convencional É aquele produzido com o uso do solo, de adubos químicos altamente solúveis e com o uso de agrotóxicos dentro do que é permitido (inseticidas, bactericida, fungicidas etc.). Ou seja, são alimentos que recebem aditivos, como fertilizantes, para o crescimento da planta, inseticidas, para reduzir a infestação de pestes e doenças, e herbicidas, para o controle de ervas daninhas. 1.1.1.2 Alimento orgânico Resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e os demais recursos naturais. É um alimento produzido sem o uso de agrotóxicos e adubos de síntese química. Visa o equilíbrio da natureza e a melhoria da qualidade de vida da família. Portanto, são alimentos que não recebem nenhum tipo de agrotóxico ou fertilizante químico em nenhum momento das etapas de produção, desde o plantio até a gôndola do supermercado. 7WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Os alimentos orgânicos são produzidos sempre com a preocupação de não prejudicar o meio ambiente. Por isso, são considerados mais saudáveis, inclusive, para o ambiente. 1.1.1.3 Alimento hidropônico Ciência de cultivar plantas sem solo, no qual as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada que contém água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta. A planta cresce na água! Produzido em um ambiente protegido (estufas), e por ficarem em ambiente controlado e longe do solo, contém menos contaminantes. Figura 1 - Plantação de alface hidropônica. Fonte: Google imagens (2018). 8WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 1.1.2 Alimentos industrializados Alimentos que são tantos de origem animal como vegetal, os quais são submetidos a processos industriais, envolvendo várias etapas, aplicação de técnicas, adição de outras substâncias, como açúcares, sal, óleos, gorduras e ingredientes de uso exclusivo das grandes indústrias, tais como conservantes, corantes, emulsificantes, dentre outros aditivos químicos, que têm como principais funções realçar a cor, o sabor, o aroma e a textura, ou mesmo, estender o prazo de validade (vida de prateleira) dos alimentos. São exemplos dessa classe de alimentos: enlatados, embutidos, desidratados, congelados, empacotados, entre outros. 1.1.2.1 Alimento diet Um dos ingredientes/nutrientes da sua formulação (açúcar, gorduras, sódio, proteínas, por exemplo) é substituído ou eliminado em relação ao original. Não necessariamente possuem baixas calorias! Normalmente, a redução total de um determinado nutriente, ocorre com o açúcar, a gordura ou o sal. O produto é usado, por exemplo, por diabéticos, já que não contêm açúcar. Em contrapartida, quando há redução ou ausência de algum ingrediente, outros são utilizados para reposição, no intuito de manter as características sensoriais do alimento, como cor, maciez e sabor. 1.1.2.2 Alimento light Aplicado apenas nos casos em que o alimento tiver, no mínimo, 25% a menos de um determinado nutriente comparado ao produto convencional da mesma marca. O produto light, visto que ocorre a redução de, pelo menos, 25% de algum nutriente, que usualmente é a gordura e o açúcar, consequentemente, é um produto que tende a apresentar menos calorias. Para mais informações sobre as diferenças entre diet e light, acesse: Conselho Federal de Nutricionistas. Entenda o que são produtos light e diet. Disponível em: <http://www.cfn.org.br/index.php/entenda-o-que-sao-produtos-light-e-diet/>. 9WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Os termos diet e light foram criados para facilitar e ajudar na identificação de diferentes tipos de alimentos. Dessa forma, facilitar a escolha do consumidor, de acordo com seu estado de saúde. Diante desse contexto, responda: podemos afirmar que o alimento light pode ser diet? E o diet pode ser light? 1.1.2.3 Alimento enriquecido Todo alimento ao qual for adicionado um ou mais nutrientes essenciais contidos naturalmente ou não no alimento. Tem o objetivo de reforçar o seu valor nutritivo e/ou prevenir/ corrigir deficiência(s) na alimentação da população. 1.1.2.4 Alimento funcional Alimentos úteis na manutenção de uma boa saúde física e mental, podendo auxiliar na redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis, além de suas funções nutricionais básicas. Um alimento pode ser considerado como funcional quando: • Exerce efeito metabólico ou fisiológico que contribua para a saúde e reduza risco de desenvolvimento de doenças crônicas. • Faz parte da alimentação usual. • Tem efeito benéfico em quantidades não tóxicas e mesmo com a suspensão temporária da ingestão. • Não é utilizado para tratamento de doença. 1.1.2.5 Alimento transgênico Organismo geneticamente modificado (OGM): são plantas, animais ou microrganismos cujo material genético (DNA/RNA) tenha sido modificado por qualquer técnica de engenharia genética. Quando a transferência de genes é entre espécies diferentes, além de geneticamente modificados, são também transgênicos. 10WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Em Icapuí, cidade no interior do Ceará, agricultores resolveram apostar na produção de melancia com um formato inusitado e também sem sementes. O risco superou as expectativas: toda a produção é vendida para o mercado europeu. Cada uma é vendida a US$ 50. Figura 2 - Agricultores produzem melancia geneticamente modificada no Ceará. Fonte: Google imagens (2018). 2. INDICADORES NO PREPARO DOS ALIMENTOS Em uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) são utilizados índices que relacionam os pesos dos alimentos, os quais são capazes de nos informar se houve desperdício ou o quanto de água o alimento perde, até mesmo a variação de peso que sofre durante as etapas do preparo, como a cocção, por exemplo. Sendo assim, sabendo que os alimentos podem sofrer essas perdas ou ganhos nos processos de pré-preparo e preparo, o profissional nutricionista, utiliza os indicadores ou índices de conversão de alimentos como uma importante ferramenta de trabalho. Antes de apresentar os indicadores, é importante estabelecer conceitos fundamentais: • Peso bruto: peso do alimento na forma em que ele foi adquirido, antes de ser submetido às operações de pré-preparo ou cocção. quantidade a comprar Empregado para o dimensionamento de pedidos de compra e cálculo de custos. 11WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA • Peso líquido: peso doalimento após ser submetido à procedimentos de pré-preparo (limpeza ou separação), mas antes do preparo. quantidade a servir ou utilizar no preparo Empregado para cálculo dietético do alimento na atividade de planejamento do cardápio quando se dispõe da receita. • Per capta: é uma expressão latina que significa “por cabeça”. É a quantidade necessária para preparação da refeição para uma pessoa. O per capita bruto corresponde ao alimento cru, ainda com as aparas, cascas, caroços etc. O per capita líquido corresponde ao alimento já limpo. A partir do per capita é possível realizar o dimensionamento de compras, sendo que este pode ser obtido a partir do cálculo do peso líquido pelo rendimento em número de porções da preparação ou, ainda, por meio de tabelas de per capita. • Porção: é a quantidade de alimento pronto para o consumo por pessoa. Útil no cálculo do rendimento e no cálculo de compras de acordo com o número de comensais. 2.1 Indicador de Parte Comestível (IPC) Também denominado Índice de Correção (IC) ou Fator de Correção (FC), este é um índice que quantifica as perdas durante a operação de pré-preparo dos alimentos no processo de remoção das partes que não são tidas como comestíveis, tais como cascas, talos, ossos ou aparas. É determinado pela relação entre o peso bruto e o peso líquido do alimento. Obs.: em gramas • Expressa a parte comestível dos alimentos. • Prevê as perdas (evitáveis e inevitáveis) ocorridas quando os alimentos são limpos, descascados, desossados ou cortados. • Ideal = mais próximo de 1 (quanto maior o IPC, maior a perda). Utilizado para quais alimentos? • Frutas e hortaliças (casca, sementes). • Carnes (pele, gorduras, ossos). • Alguns casos: cereais e leguminosas (grãos imperfeitos), alguns queijos (casca). 12WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 3 - Diferentes tipos de perdas que ocorrem com o alimento em seu preparo. Fonte: Google imagens (2018). O ideal é que cada UAN possua sua própria tabela de IPC, pois pode haver variação na quantidade de perdas por conta da qualidade da matéria-prima (p. ex., diferentes fornecedores), tipos dos utensílios utilizados ou equipamentos disponíveis nas unidades (p. ex., descascadores manuais e elétricos), além do treinamento dos manipuladores. 2.2 Indicador de Conversão (IC) Também conhecido como Índice de Cocção (ICc) ou Fator de Cocção (FC) representa a relação entre o alimento em sua forma crua e cozida, o qual indica perdas ou ganhos durante o processo de preparo dos alimentos. Podem haver variações para um mesmo alimento, dependendo da forma de preparo que se foi utilizada, como calor seco, calor úmido ou calor misto, além de sofrer alterações em diferentes preparações devido ao acréscimo de outros ingredientes. Portanto é o indicador que corresponde às perdas ou ganhos sofridos durante o processamento/preparo. É obtido da relação entre peso do alimento processado e peso do alimento no estado inicial (após limpo). Obs.: em gramas • Quando o índice encontrado for menor do que 1, indica que houve perda de peso do alimento após processamento. • Quando o índice encontrado for maior do que 1, indica que houve ganho de peso após processamento. • Quanto MAIOR o IC MAIOR o rendimento. Para que serve? • Avaliar rendimento. • Planejamento de compras. • Evitar desperdício. 13WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA • Reduzir custos. • Monitoramento e/ou controle de qualidade do serviço. 2.3 Indicador de Reidratação (IR) Usado para verificar o ganho de água (reidratação) em cereais, leguminosas e outros alimentos deixados em remolho. Portanto, é utilizado para os alimentos que podem (ou devem) ser hidratados antes de serem preparados. O cálculo é baseado no aumento do volume em relação ao peso seco. Obs.: em gramas • Quanto MAIOR o tempo de reidratação, MENOR o tempo de cocção. Utilizado para quais alimentos? • Cereais e leguminosas. • Ex.: Proteína de soja texturizada, trigo para quibe, feijão, entre outros. 3. PESOS E MEDIDAS Qual a importância de pesarmos e medirmos os alimentos corretamente? É importante ressaltar que o sucesso de uma preparação depende de alguns fatores. É de suma importância que a receita tenha informações claras e precisas sobre os procedimentos a serem adotados durante o pré-preparo e preparo dos alimentos, assim como as quantidades dos ingredientes. É comum a dificuldade em reproduzir receitas quando diretamente ligadas à imprecisão nas quantidades dos ingredientes. No intuito de evitar que isso ocorra, é ideal que se adote o uso das medidas padronizadas. Para a realização de medidas precisas, devem ser utilizados balança e recipientes graduados que permitam a visualização em mililitros ou litros. Quando esses materiais não estiverem disponíveis, é possível adotar o uso das medidas caseiras, como xícaras, copos e talheres. No entanto, esses utensílios, na grande maioria das vezes, possuem diferentes tamanhos, o que pode causar variação na quantidade dos ingredientes. A nível nacional, não existe nenhuma regulamentação que padronize o tamanho e a capacidade dos utensílios; logo, pode haver diferenças de até 50% nas medidas de utensílios domésticos disponíveis no mercado. 14WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Portanto, os principais objetivos na padronização de pesos e medidas, são: • Padronizar métodos de pesagem de alimentos para minimizar erros e variações de medidas. • Manter as características sensoriais e nutricionais da preparação. • Facilitar as preparações na rotina da UAN. • Viabilizar o preparo de uma receita por pessoas diferentes em locais diversos ou pela mesma pessoa em diferentes momentos, mantendo as características dessa. Figura 4 - Objetivos da padronização de pesos e medidas. Fonte: a autora. 3.1 Técnicas para a Padronização de Medidas 3.1.1 Materiais utilizados para a mensuração dos alimentos • Uso de balanças digitais/eletrônicas Para o manuseio com alimentos, se faz necessário o uso de balanças digitais ou eletrônicas de precisão. Quando adotar o uso de balança de precisão, é recomendável usá-la para pesar tudo o que compõe a receita, no intuito de evitar as variações entre diferentes equipamentos. Primeiramente, um vasilhame deve ser pesado e seu peso anotado, para, em seguida, o ingrediente ser colocado nesse recipiente e pesado. Para a obtenção do peso da porção, é necessário subtrair o peso do vasilhame e anotar o resultado, que corresponderá apenas ao do alimento. Já a balança digital precisa ser, primeiramente, zerada e também nivelada. Em seguida, após a colocação do recipiente, deve-se tarar (zerar) a balança; o alimento pode, então, ser colocado na vasilha, o resultado obtido já corresponderá ao peso somente do alimento. 15WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA • Uso de recipientes graduados Para obtenção de medidas mais exatas para os ingredientes líquidos, os instrumentos com medidas padronizadas, tais como proveta, becker, recipientes graduados, são fundamentais. Figura 5 - Recipiente graduado. Fonte: Martins (2013). • Uso de medidas caseiras São utilizadas com grande frequência por serem de fácil e rápida aplicação. Medida caseira indica a medida normalmente utilizada pelo consumidor para medir alimentos, por exemplo: fatia, unidade, xícara, copo, colher de café, de sobremesa, sopa ou de servir. Ou seja, as representações de quantidades se dão em utensílios domésticos. Importante: • Podem ter vários tamanhos dificultando uma medição exata. • Especificar o tipo de medida caseira! Figura 6 - Medidas caseiras. Fonte: Martins (2013). 16WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA • Uso de medidas padronizadas Minimizam o erro, garantindo maior fidelidade das medidas. É necessário nivelar com uma faca.Figura 7 - Medidas padronizadas. Fonte: Martins (2013). 3.1.2 Designação prática A adoção de abreviaturas facilita a leitura e o preparo de receitas. C Colher de sopa Cs Colher de sobremesa c Colher de chá cc Colher de café Xíc. Xícara de chá Xc Xícara de café U Unidade q.s. Quantidade suficiente ch Cheio r Raso n Nivelado peq Pequeno md Médio gde Grande Quadro 1 - Abreviaturas utilizadas na redação de preparações culinárias. Fonte: a autora. Figura 8 - Colher de sopa rasa versus cheia. Fonte: Google imagens (2018). 17WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 9 - Copo cheio pequeno, médio e grande. Fonte: Google imagens (2018). Figura 10 - Copo nivelado pequeno, médio e grande. Fonte: Google imagens (2018). Figura 11 - Colher de sopa nivelada, rasa e cheia. Fonte: Google imagens (2018). 18WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 3.2 Densidade dos alimentos A densidade dos alimentos indica a relação entre a massa e o volume ocupado por esta massa. É representada pela Unidade Kg/m3. Em um mesmo volume pode haver pesos diferentes considerando alimentos de densidades diferentes. A densidade (d) é o produto da equação: Em UAN a densidade é uma ferramenta utilizada para calcular o volume de alimentos e preparações, determinando, assim, o tamanho dos utensílios e equipamentos necessários para o pré-preparo, preparo e distribuição. Uma vez que se conhece a massa total (porção x número de clientes) e a densidade de preparações, obteremos os volumes que estes ocuparão. Assim, pode-se quantificar e dimensionar as cubas ideais para o balcão, evitando excesso de reposição ou falta destes utensílios, comprometendo o ritmo da distribuição. Alimento Densidade (kg/m3) Fruta fresca 0,865-1,067 Fruta congelada 0,625-0,801 Hortaliça fresca 0,801-1,095 Hortaliça congelada 0,561-0,977 Pescado fresco 0,967 Pescado congelado 1,056 3.3 Técnicas para Pesagem ou Medição 3.3.1 Ingredientes secos Farinhas, açúcar, aveia, entre outros não devem ser comprimidos. Caso haja a presença de grumos, utilize um utensílio (ex. garfo ou colher) para desmanchá-los. Com o auxílio de uma colher, os alimentos devem ser acomodados no recipiente de modo que não sejam comprimidos, até que o utensílio esteja cheio o suficiente. Com uma espátula ou com o lado contrário da faca (lado cego), deve-se realizar o nivelamento, ou seja, removendo o excesso do ingrediente (passar a espátula rente ao utensílio). 19WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Etapas: 1. Homogeneizar o ingrediente –grumos deverão ser desmanchados com utensílio apropriado. 2. Preencher a medida com auxílio de uma colher. 3. Não sacudir e nem comprimir. 4. Nivelar com uma espátula ou lado reto de uma faca. 5. Pesar. Figura 12 - Nivelamento de ingrediente seco. Fonte: Google imagens (2018). 3.3.2 Ingredientes líquidos Para esse tipo de ingrediente não há a preocupação com a compactação natural do alimento, no entanto o passo-a-passo básico de pesagem (temperatura e nivelamento) deve ser seguido. Os alimentos líquidos devem ser vertidos nos utensílios em que serão pesados e, posteriormente, transferidos para medidores de vidro com escala de graduação. O recipiente deve ser completado de pouco em pouco, com o auxílio de um funil, até que se atinja a quantidade prescrita na receita. Observe dentro do medidor utilizado, quando se formar um menisco na superfície livre, deve-se realizar a leitura (na altura dos olhos), ao nível do menisco e tomada a medida de sua parte inferior. Etapas: 1. Homogeneizar o ingrediente. 2. Utilizar medidores de vidro graduados. 3. Usar um funil, ao usar a proveta. 4. Fazer a leitura ao nível dos olhos. 5. Não segurar o recipiente medidor – manter em superfície totalmente plana. 6. Fazer a leitura na extremidade inferior do menisco formado. 20WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 13 - Leitura de ingredientes líquidos, formação do menisco nos equipamentos volumétricos. Fonte: Google imagens (2018). Importante: • Utensílio ideal é aquele que apresenta uma capacidade próxima do que se pretende medir. • Exemplo, 40ml é melhor que seja medido com uma proveta de 50ml e não com uma de 100ml ou 500ml. • Alimentos espumosos (p. ex. leite batido): necessário aguardar até que haja acomodação da espuma para que a avaliação seja feita, pois ocorrerá redução do volume. 3.3.3 Ingredientes pastosos ou gordurosos Doces em pasta e purês, manteiga, margarina, banha de porco, gordura vegetal hidrogenada, devem estar sempre em temperatura ambiente e serem acomodados em um utensílio padronizado com auxílio de uma colher. Pressione o alimento cada vez que houver nova adição, a fim de acomodá-lo e evitar a formação de bolhas de ar. Ao completar o recipiente, a superfície deve ser nivelada com uma espátula ou lado contrário da faca (lado cego) para retirada do excesso. 21WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Dificuldade: Adesão do ingrediente na parede do utensílio! Etapas: 1. Temperatura ambiente, portanto, retire com antecedência da geladeira. 2. Compactar o ingrediente no medidor ou medida caseira adotada. 3. Comprimir e retirar as bolhas de ar. 4. Nivelar, retirando o excesso com espátula ou faca. 5. Pesar. Figura 14 - Nivelamento de ingrediente gorduroso. Fonte: Google imagens (2018). 3.3.4 Como medir frações? • ½ colher: encher a colher, nivelar e cortar ao meio no sentido do comprimento e tirar a metade. • ¼: cortar ao meio a metade. 4. FICHA TÉCNICA Uma das funções da Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) é o planejamento de cardápios, que visa programar tecnicamente refeições que atendam os hábitos alimentares e necessidades individuais daqueles que estão sendo servidos. Tendo em vista que, para toda preparação, se faz necessário o envolvimento de processo culinário, é necessário que a equipe conheça os ingredientes e a quantidade apropriada deles, assim como o método de preparo e o momento da aplicação de cada procedimento culinário. Todas essas informações, são devidamente descritas na ficha técnica. 22WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA A ficha técnica é um instrumento de apoio operacional que permite a padronização e o controle de processos na produção de alimentos. É fundamental em qualquer serviço de alimentação, uma vez que a padronização é a peça-chave para o gerenciamento e o controle de qualidade dos alimentos, facilitando a rotina do profissional nutricionista em diferentes aspectos, tais como: maior facilidade para aplicar treinamentos aos funcionários, menores dúvidas ou questionamentos no processo de pré-preparo e preparo dos alimentos, melhor planejamento na rotina de trabalho, execução de tarefas sem a necessidade de ordens frequentes, dentre tantos outros pontos positivos. Aplicabilidade: • Permite a repetição com fidelidade. • Contém informações suficientes para a execução da preparação por qualquer funcionário. • Permite o levantamento dos custos, a ordem de preparo e o cálculo do valor nutricional da preparação. • Possui informações como ingredientes utilizados e seus respectivos pesos. Deve ser estruturada com as seguintes informações: 1. Nome da preparação (p. ex.: salada tropical). 2. Relação de ingredientes na ordem que serão utilizados com as respectivas quantidades em medidas caseiras ou padronizadas. 3. Peso bruto. 3.1. É o peso do ingrediente ou alimento in natura. 3.2. Com aparas, cascas, sementes, caroços. 4. Peso líquido. 4.1. É a quantidade de alimento cru e limpo. 5. Índice de Parte Comestível (Fator de correção). 6. Indicador de Conversão (Fator de cocção). 7. Modo de preparo detalhado. 8. Tempo de preparo. 9. Temperatura de cocção. 10. Rendimento. 11. Equipamentos e utensíliosnecessários. 12. Custo (total e por porção). 13. Valor nutricional (opcional). 14. Foto da apresentação ou das etapas mais críticas. Isso facilita a padronização da preparação, bem como de sua apresentação. É um recurso muito utilizado em restaurantes que servem à la carte. 23WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Para ampliar seus conhecimentos sobre a importância da aplicação da ficha técnica em Unidades de Alimentação e Nutrição, assista ao vídeo Elaboração de ficha técnica para restaurantes. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=uDPVRNAH3AM>. Acesso em: 17 fev. 2019. 24WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 4.1 Modelo de Ficha Técnica ============================================================ FICHA TÉCNICA Nome da Receita_________________________________________________ Alimento (s) Utilizado(s) Medida(s) Padronizada (s)/ unidade(s) Peso Bruto (g) Peso Líquido (g) Índice de Parte Comestível/ Fator de correção (IPC/FC) Peso Cozido (g) Índice de Conversão/ Cocção (IC) Modo de preparo: _________________________________________________ Custo total e unitário: ______________________________________________ Equipamentos e utensílios: _________________________________________ Tempo de preparo: _______________________________________________ Rendimento: _____________________________________________________ N° de porções: ___________________________________________________ Peso por porção: _________________________________________________ Tempo de preparo: ________________________________________________ 25WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 4.1.1 Exemplo de preenchimento da ficha técnica 26WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade pudemos conhecer os conceitos básicos da técnica dietética, considerada uma ferramenta de estudo dos alimentos, que é toda substância ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido ou pastoso, destinada a fornecer ao organismo humano os elementos necessários à sua atividade energética, estrutural e reparadora. A importância dos alimentos decorre, essencialmente, da qualidade e quantidade dos nutrientes que ofertam. Diante disso, a adoção de técnicas adequadas e padronizadas permite que o alimento seja servido em sua melhor versão, respeitando as características nutricionais e também sensoriais. 2727WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 02 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 29 1 CEREAIS ................................................................................................................................................................... 30 1.1 DEFINIÇÃO ............................................................................................................................................................. 30 1.2 ESTRUTURA ..........................................................................................................................................................31 1.3 PROPRIEDADES NUTRICIONAIS ........................................................................................................................31 1.4 CARACTERÍSTICAS FUNCIONAIS DOS CEREAIS ............................................................................................. 32 1.4.1 GLÚTEN ................................................................................................................................................................ 32 1.4.2 AMIDO ................................................................................................................................................................ 33 1.5 TIPOS DE CERAIS ................................................................................................................................................. 34 1.5.1 ARROZ.................................................................................................................................................................. 34 CEREAIS E LEGUMINOSAS PROF.A DRA. MARCELA CALEFFI DA COSTA LIMA CANIATTI ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: TÉCNICA DIETÉTICA 28WWW.UNINGA.BR 1.5.2 FARINHAS ..........................................................................................................................................................35 1.5.2.1 MASSAS ..........................................................................................................................................................35 2. LEGUMINOSAS ......................................................................................................................................................40 2.1 CLASSIFICAÇÃO ....................................................................................................................................................41 2.2 FATORES ANTINUTRICIONAIS .........................................................................................................................41 2.3 VARIEDADES DE FEIJÃO (DE USO NACIONAL) .................................................................................................42 2.4 PRÉ-PREPARO E COCÇÃO ..................................................................................................................................42 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................44 29WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A partir dessa unidade iremos discorrer os conceitos, os valores nutritivos, as formas de consumo e conservação de diferentes alimentos e preparações, divididos por grupos: 1. Cereais 2. Leguminosas 3. Hortaliças 4. Frutas 5. Carnes 6. Ovos 7. Laticínios A Unidade II contemplará o grupo dos cereais e leguminosas. Iniciaremos falando do grupo dos cereais, que são alimentos presentes do reino vegetal, constituídos de grãos, os quais são amplamente consumidos pelos povos do mundo todo. Dentre os principais cereais cultivados estão: arroz, trigo, milho, aveia, centeio, cevada e triticale. São muito consumidos tanto pela facilidade, quanto pela conservação e rendimento (baixo custo), além do alto valor nutritivo. Já as leguminosas são grãos que dão em vagens, ricas em tecido fibroso. Algumas espécies podem ser consumidas ainda verdes, um exemplo são as ervilhas e as vagens. São muito interessantes do ponto de vista nutricional, já que possuem aproximadamente 50% de amido e cerca de 23% de proteínas em sua composição. 30WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1 CEREAIS 1.1 Definição ]Podem ser definidos, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na Resolução n. 12, de 24 de julho de 1978, como: As sementes ou os grãos comestíveis das gramíneas, tais como arroz, trigo, centeio e aveia. Os cereais, ao serem consumidos em forma de grãos e farinhas refinadas, abrem margem para possíveis carências de micronutrientes, com consequente aparecimento de distúrbios nutricionais de caráter endêmicos, tal como observado em grupos populacionais que consumiam milho como alimento básico e apresentaram pelagra, a qual se manifesta na deficiência de niacina na dieta. A nível nacional, nos anos 2000 houve o ressurgimento de beribéri no estado do Maranhão. Essa doença carencial é decorrente da falta de tiamina na rotina alimentar. Dentre as características que justificam a importante participação desse grupo de alimentos em diversos países, estão: • Facilidade para o preparo. • Armazenamento a longo prazo. • Teor de umidade reduzido e a retiradada aleurona – o que modifica (reduz) o teor original de vitaminas, sais minerais, gordura e proteínas, condições que dificultam o desenvolvimento tanto de fungos como bolores. Leia mais sobre a epidemia de beribéri no Maranhão. Acesse: Perfil epidemiológico do beribéri notificado de 2006 a 2008 no Estado do Maranhão, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, n. 27, v. 3, p. 449-459, mar. 2011. Disponível em: <http:// www.scielo.br/pdf/csp/v27n3/06.pdf>. 31WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1.2 Estrutura Os cereais contêm uma camada de envoltório (casca). Película, endosperma e germe. Cada uma dessas estruturas apresenta uma composição nutricional diferenciada. O endosperma é a parte mais representativa do grão (aproximadamente 80%). Figura 1 - Estrutura dos grãos. Fonte: Google imagens (20018). De acordo com Domene (2018, p. 95), gérmen é a Estrutura que representa a parte germinativa do grão dos cereais. Rico em proteínas diferenciadas de mais alto valor biológico, o gérmen contém grandes concentrações de lipídios, o que contribui para sua rápida deterioração e justifica o uso de refrigeração para ser conservado. Os cereais podem passar pelo processo de beneficiamento, ou seja, a remoção da casca, película e germe, o que resultará em um cereal rico em amido e com algumas proteínas classificadas de baixa qualidade nutricional (ou seja, que não possuem os principais aminoácidos essenciais em sua composição) ou, então, podem ser disponibilizados em sua forma integral. 1.3 Propriedades Nutricionais Os grãos, de uma maneira geral, possuem composição nutricional semelhante e têm, em grande parte, carboidratos, especialmente, o amido, além das vitaminas do complexo B (tiamina, riboflavina e niacina). Em seu formato integral, os cereais contêm teores de fibras interessantes (provenientes da casca), já no germe é onde se encontra a maior parte das vitaminas e minerais (como tiamina e vitamina E). Sobre as quantidades de proteínas, a concentração é aproximadamente de 10%, considerada incompleta. No entanto, essa limitação pode ser compensada por meio do balanceamento com as leguminosas (p. ex., o consumo do arroz com o feijão, as duas preparações se complementam a nível de aminoácidos, ou seja, o que falta em um, o outro compensa), o que resulta em proteínas de boa qualidade. A proporção adequada do consumo do arroz com o feijão é de 3:1. Já os cereais integrais, os quais não tiveram a estrutura original alterada, ou seja, não houve perda nutricional em virtude do beneficiamento, conseguem preservar os nutrientes tanto a nível de quantidade como de qualidade, portanto, são considerados mais nutritivos, especialmente, em relação a quantidade de fibras, vitaminas e sais minerais, presentes, em sua grande maioria, no germe e na casca. 32WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1.4 Características Funcionais dos Cereais 1.4.1 Glúten É uma proteína presente em alguns cereais, como trigo, aveia, centeio e cevada, que tem capacidade de conferir elasticidade às massas quando em contato com a água. Por isso, possuem atuação importante nos produtos de panificação, já que são responsáveis por conferir volume e textura, crocância e elasticidade de acordo com a umidade. A formação elástica do glúten favorece a estrutura da massa por meio da incorporação de gás carbônico, resultando em massas com propriedades de crescimento e aeração, em outras palavras, deixando o pão mais fofinho. Já em contato com o calor, a estrutura do glúten desidrata, adquirindo aspecto crocante. De acordo com Domene (2018, p. 101) Glutenina e gliadina: Proteínas do trigo; a estrutura monomérica da gliadina é responsável pela viscosidade observada nas massas panificáveis, enquanto a glutenina, de aspecto polimérico e rica em pontes dissulfeto, responde pela elasticidade. A combinação desses efeitos determina o sucesso para o preparo de pães. Em outros cereais, como o centeio, a cevada e a aveia, quantidades modestas dessas proteínas não resultam em produção satisfatória de glúten. Para expandir seus conhecimentos sobre a atividade do glúten na panificação assista ao vídeo A química do pão. Disponível em: <http://www.aquimicadascoisas. org/?episodio=a-qu%C3%ADmica-do-p%C3%A3o>. Acesso em: 17 fev. 2019. 33WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1.4.2 Amido Presente nos cereais com propriedades higrosocópicas, ou seja, é capaz de absorver e perder umidade rapidamente. Uma outra característica, é que são insolúveis em água fria e, se deixados em descanso, podem decantar (antes da etapa da cocção), sofrendo mudanças de acordo com as técnicas utilizadas, que podem ser gelatinização, dextrinação e retrogradação. De acordo com Domene (2018, p. 56), Gelatinização: Tratamento do amido com água e agitação, em presença de calor. Gelatinizar e dextrinizar o amido. A gelatinização do amido resulta da adição de água sob ação do calor com agitação; os grânulos entumescem ao incorporar água e ocorre espessamento das preparações; isso facilita o acesso das amilases digestivas e favorece a digestibilidade do amido. Já com o uso de calor seco, o amido é dextrinizado, o que diminui sua capacidade de absorver água, resultando em preparações com controle de viscosidade, que ficam espessas, mas não formam gel; a dextrinização do amido deve ser sempre seguida de gelatinização. São exemplos de técnicas culinárias que promovem dextrinização: fritar o arroz polido em óleo vegetal antes de cozinhar para que os grãos fiquem soltos ou dourar a farinha de trigo em manteiga para o roux, passo inicial para preparar o molho bechamel e outras bases ligadas. Figura 2 - Processo de gelatinização do amido. Fonte: Google imagens (20018). Retrogradação é a propriedade relacionada à insolubilidade do amido em água fria, ou seja, o amido “expulsa” a água em temperaturas frias, podendo ocorrer a formação de gel. 34WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1.5 Tipos de cerais 1.5.1 Arroz Dentre os cereais mais consumidos em nosso país, destaca-se o arroz, que, quando combinado com os feijões, forma um prato bastante comum para os brasileiros e, que do ponto de vista nutricional, é considerado completo. A combinação de 2 partes de arroz e 1 parte de feijão, dada a proporção de proteína desses grãos e sua composição em aminoácidos, proporciona uma mistura proteica de bom valor biológico (DOMENE, 2018, p. 96). Tem origem asiática. É o alimento básico de mais de 50% da população mundial. Conforme o tipo de beneficiamento (estágio de refino ou variedade agronômica), determinam os subgrupos: Definição proposta por Domene (2018, p. 97): Polido. Grão do qual se removeu a camada de aleurona por abrasão; de gelatinização fácil, exige dextrinização da camada externa do endosperma que, modificada, evita o amolecimento excessivo do grão para se obterem grãos soltos; por ser de estrutura mais frágil, é adequado para acompanhar preparações nas quais seja necessário incorporar molhos, como feijoada e estrogonofe. Integral. A aleurona não dispensa a gelatinização, mas oferece resistência à absorção de água pelo endosperma, exigindo maior tempo de cocção; a preparação final resulta em grãos mais firmes à mastigação e que não incorporam molhos e caldos com a mesma facilidade que o polido. Parboilizado. Antes do polimento, o grão é tratado termicamente e o endosperma modifica-se, incorporando parte dos nutrientes e pigmentos da aleurona e tornando-o resistente à gelatinização; o resultado é uma preparação bege, com grãos sempre soltos mesmo que a dextrinização em óleo seja suprimida. Portanto, em linhas gerais, podemos dizer que: • Polido ou branco: é mais pobre em nutrientes (sem germe e casca). Mais fácil armazenamento. • Parboilizado: passa por um processo que retém parte dos nutrientes antes deir para secagem. • Integral: contém mais nutriente, além de ser mais escuro. 35WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Qual o tipo de arroz menos consumido pela população brasileira? Justamente o que é mais nutritivo, o arroz integral, que apesar de reunir mais nutrientes em relação ao arroz branco, ainda é pouco consumido. É importante destacar que: Devido à importância do arroz na dieta, sua composição e suas características nutricionais estão diretamente relacionadas à saúde da população. São observadas variações na composição do arroz, tanto devido ao genótipo quanto ao processamento, afetando as características nutricionais. O arroz apresenta efeito positivo na prevenção de diversas doenças crônicas devido a diferentes constituintes, e sua composição vem sendo melhorada através da genética, obtendo-se grãos com características nutricionais cada vez mais interessantes (WALTER; MARCHEZAN; AVILA, p. 1184, 2008). 1.5.2 Farinhas Muito comumente, os cereais são utilizados em forma de farinhas, fazendo parte de receitas e uma grande variedade de produtos, como: pães, massas frescas e secas, bolachas, pudins, molhos, mingaus, dentre outros. De modo geral, o trigo é o alimento mais utilizado para a produção de farinha, mas existem muitas outras opções que permeiam entre farinha de aveia, centeio, de milho etc. Moído o grão obtém-se a farinha. As farinhas irão variar entre si de acordo com o grau de extração e de subdivisão. A farinha integral é obtida da trituração do grão limpo, mantendo- se tudo como produto único. Já no caso da farinha branca, de 100 gramas de grãos, separadas as partes de envoltórios, é de apenas 30 a 60g. Quanto mais refinada a farinha, menos rendimento dá o grão e mais destituída está dos minerais e vitaminas que o acompanham. Dependendo do grau de subdivisão dos grânulos, as farinhas podem ser finas ou grossas. A fubarina, o fubá e a canjiquinha de milho representam diferentes graus de subdivisão do milho, por exemplo. 1.5.2.1 Massas As massas alimentícias constituem um grupo de alimento de alto valor calórico. Além da farinha, os demais ingredientes usados na confecção de massas são os líquidos, gorduras, ovos, açúcar, sal e fermento. Cada ingrediente desempenha papel importante na preparação. O açúcar nas massas exerce o papel de agregar sabor e tem o potencial de acentuar a cor das preparações a partir da reação de Maillard (escurecimento não enzimático), dando aspecto dourado às massas. 36WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA O fenômeno de que os alimentos escurecem à medida que são aquecidos é provavelmente conhecido desde a descoberta do fogo, há mais de 300 mil anos. As reações químicas que resultam nesse fenômeno foram primeiramente descritas em 1912 pelo bioquímico francês Louis-Camille Maillard, que publicou o primeiro estudo sistemático mostrando que aminoácidos e açúcares redutores iniciam uma complexa cascata de reações durante o aquecimento, resultando na formação final de substâncias marrons chamadas de melanoidinas (SHIBAO; BASTOS, p. 896, 2011). As gorduras são responsáveis por conferir maciez e também podem servir como isolantes, separando camadas de massa, por exemplo, nas massas folhadas. Também têm capacidade de inibir a formação de glúten, esse conhecimento é valioso, pois sabe-se que quanto maior for a quantidade de gordura na preparação, menor será a formação de glúten. Destaca-se que as gorduras que apresentam melhor desempenho na produção de massas são as sólidas, usadas em temperatura ambiente, tais como manteiga ou a gordura vegetal hidrogenada. Os ovos também podem influenciar na maciez da preparação da massa, já que a gema tem propriedades emulsionantes e reduz a formação de glúten, já a clara pode propiciar a formação deste, além de incorporar ar, quando utilizada no formato de clara em neve. Os líquidos, como água, leite ou sucos, vão servir para auxiliar na formação do glúten e na gelatinização do amido. Tanto a quantidade de líquidos utilizada na preparação como a proporção em relação à farinha, irão variar em função da consistência desejada. Já em relação aos agentes de crescimento, estes podem ser físicos, como claras em neve, químicos, como à base de ácidos, bicarbonato e amido, ou biológicos. As massas podem ser classificadas segundo o teor de umidade, apresentando-se sob as formas: secas, frescas, instantâneas ou pré-cozidas. 37WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Domene (2018, p. 106) ilustra os diferentes tipos de massas, veja a seguir: Modelos de massas e cortes Há muita criatividade no corte de massas do tipo macarrão, e o mercado eventualmente apresenta novidades curiosas. O desenvolvimento dos cortes clássicos conhecidos no mundo todo tem como objetivo aprimorar a capacidade de retenção de molho das massas e, ao mesmo tempo, melhorar a combinação de ambos a cada bocado que deve se acomodar perfeitamente no talher – preferencialmente o garfo de mesa. Os cortes tradicionais reúnem reconhecida habilidade para facilitar a obtenção de quantidades proporcionais de ambos os componentes dos pratos de origem italiana – massa e molho. Alguns desses cortes são: spaghetti, fusilli, farfalle, tagliarini, lasagna. Há ainda os cortes pequenos, destinados ao preparo de sopas. As massas recheadas ampliaram a capacidade de diversificar sabores, ao incluir carnes, queijos e vegetais em combinação com os molhos, e dispensando a apresentação de qualquer outra fonte proteica na refeição. Alguns exemplos de massas recheadas são: capeletti; raviolli; conchiglione; manicaretti; gnochi (este, recheado ou não). 38WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 3 - Formato de massas italianas. Fonte: Domene (2018). As massas podem ser preparadas em calor seco (pães, bolos e tortas), ou em calor úmido (massas frescas ou secas – macarrão) e são classificadas em: • Massas alimentícias: frescas ou secas, conhecidas como massas de macarrão. • Bolos: normalmente, são doces e o peso do açúcar não deve exceder o peso das farinhas. Levam, em seu preparo, fermento químico, ovos, gordura e algum tipo de líquido, por exemplo, leite ou suco. São preparados em calor seco e apresentam aspecto dourado na superfície, resultante da reação de Maillard. 39WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA • Tortas: podem ser tanto doces como salgadas, e são formadas basicamente de massa à base de farinha e recheio. São divididas em três categorias: massa leve, úmida e podre/ pastelão. • Panquecas e crepes: massas semilíquidas à base de farinha, ovos e leite. A cocção da massa é realizada em frigideiras com pouco óleo. Podem ser doces ou salgadas, dependendo do recheio. • Polentas: são preparadas com fubá, consistem em uma preparação saldada de consistência cremosa – proveniente da gelatinização do amido. • Pão e pizza: massa básica de farinha, água e fermentação biológica, que pode incluir em sua composição outros ingredientes, como ovos, gorduras, leite ou açúcar; servem como base para diferentes preparações. • Choux: amplamente utilizada como base para éclairs e bombas. Pode ser usada como entrada salgada ou com recheio doce, como, por exemplo, doce de leite. Quadro 1 - Tipos de cereais, forma de consumo e preparação. Fonte: Escola Estadual de Educação Profissional – EEEP (2013). 40WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 2. LEGUMINOSAS Leguminosa é a denominação dada, em português, para os grãos da família Leguminosae, que inclui diversas variedades. A mais popular é o feijão-comum, Phaseolus vulgaris L., conhecido em nosso país especialmente por meio dos cultivares carioquinha, carioca 80, carioca SH, rosinha, roxinho, preto, jalo, rajado, roxo, mulatinho. Bastante consumido nasregiões Sul e Sudeste, o feijão-preto não é o preferido no restante do país. Já o feijão-carioca tem boa aceitação em todo o território nacional e na região Nordeste, o feijão-de-corda, ou feijão-fradinho (Vigna unguiculata L.) é considerado cultura de subsistência e muito popular. Embora exista produção em escala agroindustrial para atender a demando do mercado de alimentos típicos: esse grão é a base do preparo de pratos da culinária brasileira, como, por exemplo, o acarajé. Todos os grãos produzidos em vagens são chamados leguminosas, como exemplo pode- se citar: feijões (preto, mulatinho, manteiga, carioca), grão-de-bico, ervilha, soja, lentilha, fava e amendoim. Ou seja, são denominados como sementes/grãos maduros provenientes de vagens com alto teor proteico. Algumas espécies podem ser consumidas quando ainda verdes (ervilhas e vagens). As leguminosas representam o básico da alimentação da população de baixa renda do país. Apesar de amplamente consumida, oferecem apenas proteínas de limitado valor biológico, as quais não asseguram o crescimento e desenvolvimento adequado. No entanto, como já citado anteriormente, a combinação de arroz e feijão, na proporção de 3:1, corrige o aminograma. Em contrapartida, a soja, contém proteínas quase completas. Em relação ao conteúdo nutricional, as leguminosas contêm cerca de 7 a 12 mg de ferro, apreciável quota das vitaminas do complexo B e ainda 50% de glicídios/carboidratos. São alimentos ricos em proteínas (23%), sendo que, em algumas espécies, o conteúdo proteico chega até 40%. Já os lipídeos se encontram em baixa concentração nesse grupo, com exceção da soja, tremoço e amendoim. Além disso, são ricas em tecido fibroso (composição de fibras solúveis em maior quantidade) o que, consequentemente, as tornam capazes de produzir um bom tempo de saciedade. Os compostos fenólicos presentes no grão explicam sua ação antioxidante. Estas características nutricionais são suficientes para indicar o consumo regular de leguminosas. Aliás, o modo de preparo simples garante a autonomia de muitos para cozinhar os grãos. Com um repertório de receitas diversificado, outras leguminosas, como a soja, o grão-de-bico, a lentilha e a ervilha, ampliam a participação e a regularidade das leguminosas no cardápio. 41WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 2.1 Classificação As sementes leguminosas são classificadas em dois grupos: A. As oleaginosas: soja e amendoim. B. As de grão: feijão, lentilha, ervilha e fava. Figura 4 - Diferentes tipos de leguminosas. Fonte: Google imagens (20018). 2.2 Fatores Antinutricionais As leguminosas apresentam, em sua composição, os fatores antinutricionais (inibidores de tripsina, fitatos, polifenóis e os oligossacarídeos – rafinose e estaquiose). Especialmente no grupo dos feijões, essas substâncias são capazes de prejudicar a digestão e, consequentemente, a absorção de alguns nutrientes. Os inibidores de tripsina (enzima proteolítica) interferem na digestão das proteínas, no entanto, o tratamento térmico demonstra uma influência marcante, com mais de 90% de inativação da atividade após 60 minutos a 100°C. Já os fitatos e polifenóis têm capacidade de se ligar ao ferro e ao zinco, reduzindo sua absorção. Destaca-se que o consumo de vitamina C, de forma coadjuvante, promove melhora da biodisponibilidade do ferro, pois ela se liga ao ferro, evitando que o fitato estabeleça ligações com o mineral. O remolho dos grãos diminui significativamente o teor de fitato dos feijões e a cocção é responsável por inativar os fatores antinutricionais. 42WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Os oligossacarídeos estão relacionados com a produção de gases por conta da fermentação à nível de intestino grosso. Nem o remolho, nem o tratamento térmico reduzem significativamente os teores de oligossacarídeos, demonstrando que as condições usuais de modo de preparo dos feijões não são suficientes para solubilizá-lo. De acordo com Domene (2018, p. 114), Oligossacarídeos Carboidratos com 3 a 20 unidades de monossacarídeos, de ocorrência natural em alimentos, com predomínio nas leguminosas, que escapam à ação digestiva; por isso, alcançam o cólon, onde são empregados pelos microrganismos da microbiota intestinal. Por esse motivo, alimentos ricos em oligossacarídeos podem provocar incômodo intestinal decorrente da produção de gases em excesso. 2.3 Variedades de Feijão (de Uso Nacional) Existe uma vasta variedade de tipos de feijões de uso no Brasil, que variam de tamanho, cor e sabor diferentes. Tipo de feijão Características / Preparações Feijão-preto Muito usado em sopas e feijoadas Feijão-roxinho Comum no uso de saladas, sopas e como acompanhamento Feijão-fradinho Também conhecido como feijão-macassar, feijão-de-corda, é usado no preparo de acarajé Feijão-mulatinho Bom para o acompanhamento, embora, em algumas regiões, seja usado para a feijoada Feijão-branco Bom para sopas e saladas, também fica excelente em cozidos Feijão-jalo Compõe bem sopas e saladas Feijão-rosinha Para acompanhamento Feijão-rajadinho/ Feijão-verde Próprio para servir como acompanhamento Feijão-canário Também para acompanhamento Feijão-carioca É a variedade mais cultivada e consumidas pelos brasileiros Quadro 2 - Diversos tipos de feijões utilizados no Brasil. Fonte: Ornelas (2007). 2.4 Pré-preparo e Cocção Na produção dos grãos, a coleta mecanizada e o processo de classificação minimizam consideravelmente a quantidade de resíduos nos grãos de leguminosas, tais como palhas, pedras, fragmentos do vegetal e outros. No entanto, isso não dispensa a necessidade, no momento do consumo, de criteriosa seleção do manipulador. Para evitar o ataque de fungos e insetos até o momento do consumo, empregam-se defensivos nos armazéns. Outro aspecto a se destacar para esse grupo de alimentos refere-se ao seu conteúdo de oligossacarídeos, carboidratos com 3 a 20 unidades de açúcar, especialmente estaquiose e rafinose: por escaparem da ação das amilases do trato digestório, esses carboidratos ficam disponíveis para o metabolismo da microbiota intestinal. 43WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA A quantidade de gases que decorre da ação bacteriana é variável de pessoa para pessoa, podendo ser bem tolerado por indivíduos que consomem leguminosas regularmente, já para outros, nem tanto. Essas características justificam o pré-preparo das leguminosas, que envolve três etapas, descritas a seguir, para um bom uso culinário desses grãos. Etapas de pré-preparo dos grãos proposta por Domene (2018, p. 144) Seleção: por inspeção visual, para remoção de resíduos e grãos defeituosos; palhas, grãos defeituosos e pedras são possíveis sujidades encontradas nos feijões, especialmente para produtos advindos de pequenas propriedades que empregam coleta manual. Com a produção mecanizada e de elevada tecnologia, esses defeitos praticamente inexistem. Higienização: lavar os grãos selecionados com água. Remolho/maceração: deixar os grãos lavados de molho em água na proporção 2:1 v:v (água:grão), por 8 a 12 h, em temperatura de até 20°C; em épocas do ano ou regiões com temperatura ambiente superior a 20°C, recomenda-se uso de refrigeração. A água de maceração possibilita a ação de oligossacaridases naturalmente presentes no grão. Essas enzimas diminuem o conteúdo de oligossacarídeos, melhorando a digestibilidade dos grãos e reduzindo a produção de gases e o desconforto intestinal. Apesar de comum, o uso da água de maceração para a cocção dos grãos não é uma vantagem, pois a quantidade de nutrientes eventualmente desprendidos é pequena, e com seu descarte parte dos taninos é removida. Assim, recomenda-se o descarte da água de remolho, e cozimento em outra água. Após o remolho dos grãos, as leguminosas devem ser submetidas ao calor úmido. O tempo de cocção dos feijões irá variar de acordo com:• Temperatura utilizada. • Dureza da água (quando a água possui muitos sais minerais, calcário, torna o grão endurecido). • Método de cocção (ebulição ou pressão). Técnica de cocção Ebulição simples: 2 a 3 horas Panela de pressão: 10 a 40 minutos •Tempo de armazenamento e grau de umidade (interferem no endurecimento da casca). • Tipo de grãos utilizados. A proporção de água utilizada na cocção do feijão é de 3:1, embora isso dependa da espessura e da quantidade de caldo que se deseja. A adição de sal ou gordura na cocção de leguminosas irá interferir na gelatinização do amido e também no abrandamento das fibras, podendo agir de forma negativa na cocção e resultar em uma preparação com grãos endurecidos. Portanto, sal e gorduras devem ser adicionados apenas no final da cocção. Dicas: Espessamento do caldo: amassar de 10% dos grãos, liberação do amido. Engrossar o feijão com farinhas: apenas nas preparações de tutu de feijão ou pratos que necessitem. 44WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Terminamos essa unidade sabendo da importância inquestionável do grupo dos cereais e das leguminosas, tão presentes na rotina dos brasileiros, e com uma diversidade grande e valor nutricional significativo. Além disso, é também importante lembrar o fato de serem alimentos econômicos comparados a outros grupos de alimentos, tais como os de fontes proteicas, como a carne ou o pescado, possuem fácil acesso e simplicidade no preparo, o que permite que possam ser utilizados nas refeições do dia-a-dia (na sopa, numa salada, num prato principal, como acompanhamento etc.). Diversos estudos demonstram que o menor consumo de alimentos processados, e uma alimentação composta por alimentos naturais está associada à prevenção e melhoria de diversas doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Desta forma, o consumo dos cereais e das leguminosas devem ser incentivados ao longo de todo o ciclo de vida. 4545WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 03 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 47 1. HORTALIÇAS ........................................................................................................................................................... 48 1.1 DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO ............................................................................................................................. 48 1.2 PROPRIEDADES NUTRICIONAIS ....................................................................................................................... 49 1.3 AQUISIÇÃO E ARMAZENAMENTO ..................................................................................................................... 50 1.4 PRÉ-PREPARO ..................................................................................................................................................... 52 1.5 PREPARO .............................................................................................................................................................. 52 1.6 PREPARAÇÕES UTILIZADAS ............................................................................................................................... 53 1.7 TIPOS DE CORTES DE LEGUMES ....................................................................................................................... 54 1.8 PIGMENTOS ......................................................................................................................................................... 55 HORTALIÇAS, FRUTAS E OVOS PROF.A DRA. MARCELA CALEFFI DA COSTA LIMA CANIATTI ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: TÉCNICA DIETÉTICA 46WWW.UNINGA.BR 2. FRUTAS ..................................................................................................................................................................56 2.1 DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO ............................................................................................................................56 2.2ARMAZENAMENTO DAS FRUTAS ......................................................................................................................57 2.2.1CRITÉRIO AMADURECIMENTO ........................................................................................................................57 2.3 PRÉ-PREPARO ....................................................................................................................................................58 2.4 PREPARAÇÕES COM FRUTAS ............................................................................................................................59 2.4.1 CRUAS .................................................................................................................................................................59 2.4.2 COZIDAS ............................................................................................................................................................59 3. OVOS ......................................................................................................................................................................60 3.1 ESTRUTURA ...........................................................................................................................................................60 3.1.1 CASCA................................................................................................................................................................... 61 3.1.2 CLARA ................................................................................................................................................................ 61 3.1.3 GEMA .................................................................................................................................................................. 61 3.2 CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................................................. 61 3.2.1 OVOS CAIPIRAS ................................................................................................................................................ 61 3.2.2 OVOS ORGÂNICOS ........................................................................................................................................... 61 3.2.3 OVOS DE GRANJAS ...........................................................................................................................................62 3.3 SELEÇÃO ...............................................................................................................................................................62 3.3.1 OVOS FRESCOS .................................................................................................................................................62 3.4 ARMAZENAMENTO ..............................................................................................................................................63 3.5 PRÉ-PREPARO .....................................................................................................................................................63 3.6 PREPARO ..............................................................................................................................................................63 3.6.1 PREPARAÇÕES CULINÁRIAS ...........................................................................................................................64 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................66 47WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINOA DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Hortaliças são vegetais geralmente cultivados na horta. De forma genérica compreendem as partes comestíveis das plantas. São vulgarmente conhecidas pela população como verduras e legumes. A grande importância de incluir hortaliças variadas na dieta se deve ao seu favorecimento na implementação das quotas vitamínicas, minerais, e aumentarem o resíduo alimentar no trato intestinal, o que favorece diretamente o seu funcionamento. Já os alimentos comumente designados por frutas são os frutos de certas plantas. Porém, esses frutos utilizados amplamente para consumo humano têm características especiais: geralmente são de natureza polposa, aroma próprio, ricos em açúcares solúveis, de sabor doce, grande parte deles ricos em sucos, de sabor muitíssimo agradável e podendo ser consumidos, na maioria das vezes, crus. E, por fim, os ovos, definidos como corpo unicelular formado no ovário dos animais, apresentam um valor nutricional de expressão. Por serem classificados como proteínas de alto valor biológico, são considerados fundamentais à saúde, além de representar um ingrediente bastante versátil, de grande utilidade dentro das técnicas aplicadas em dietética, uma vez que permeiam por diferentes funções, desde espessante em cremes, molhos e sopas, para promover o crescimento de suflês, como agente de união em bolos e pudins, como emulsificantes em ingredientes não miscíveis até mesmo utilizado para decorar, vedar e cobrir preparações à milanesa. 48WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1. HORTALIÇAS 1.1 Definição e Classificação Este grupo engloba as verduras e legumes. Corresponde à parte das plantas que estão aptas ao consumo humano, tais como folhas, flores, raízes, caules, sementes e frutos. Como descrito anteriormente, são identificados como hortaliças aqueles alimentos que são produzidos em hortas; no entanto, essa denominação, embora facilite a classificação comercial dos alimentos, possui características botânicas e nutricionais bastante distintas. Estão presentes neste grupo, de acordo com Domene (2014, p. 111), Hortaliças herbáceas Das quais se consomem as partes que crescem acima do solo: folhosos, que se caracterizam por baixa densidade energética e elevado teor de compostos bioativos (alface, couve-manteiga, acelga, almeirão, agrião, rúcula, taioba, repolho, chicória, escarola, mostarda, espinafre, radicchio), talos e hastes (aspargo, funcho, aipo), flores e inflorescências (couve-flor, brócolis, alcachofra). Hortaliças-fruto Das quais são consumidos os frutos: abobrinha, pepino, quiabo, pimentão, tomate, ervilha, jiló, berinjela, abóbora, chuchu; com maior densidade energética. Portanto, de maneira geral, as verduras são as partes folhosas dessas plantas, enquanto os legumes incluem os frutos, sementes ou outras partes que se desenvolvem na terra. Conheça os diferentes tipos de hortaliças cultivados em nosso país, acessando: <http://www.ceasa.gov.br/dados/publicacao/Catalogo%20hortalicas.pdf>. Dentre uma seleção importantes de diferentes espécies, o material contempla recomendações de aproveitamento das hortaliças. A lista de 50 espécies de hortaliças foi elaborada pela Embrapa Hortaliças em parceria com a Unidade de Agronegócios do Sebrae. 49WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA As hortaliças são classificadas botanicamente de acordo com suas partes comestíveis. Classificação botânica Folhas Alface, agrião, acelga, almeirão, escarola, mostarda, couve, repolho, rúcula, endívia, chicória, espinafre, radicchio, couve-de-bruxelas. Sementes Ervilha fresca, milho verde, broto de feijão. Raízes e tubérculos Cenoura, beterraba, nabo, rabanete, mandio- quinha-salsa (batata-baroa), batata, batata doce, mandioca, inhame, cará. Bulbos Alho, cebola, alho-poró, cebolinha. Flores Brócolis, couve-flor, alcachofra. Caules Aspargo, palmito, aipo (salsão, broto de bambu. Frutos Tomate, abobrinha, pepino, abóbora, pimentão, quiabo, chuchu, berinjela, entre outros. Quadro 1 - Classificação das hortaliças comuns no Brasil segundo a família botânica. Fonte: Benetti et al. (2014). 1.2 Propriedades Nutricionais A grande maioria das verduras e legumes são fontes alimentares de micronutrientes, vitaminas e sais minerais, além das fibras. São características por possuíram valor calórico baixo e sua composição de nutrientes ser determinada de acordo com a classificação botânica que se encontra. Como exemplo, tubérculos e raízes, possuem uma concentração de glicídios, ou seja, de carboidratos, maior quando comparados às outras hortaliças. Já no quesito vitaminas, as verduras e legumes destacam-se por conter bons teores de vitamina C, betacaroteno (pró- vitamina A) e vitamina B1. Quando se fala em minerais, esse grupo apresenta: ferro, potássio, cálcio e magnésio. As fibras também são encontradas nas hortaliças, tanto as solúveis quanto as insolúveis. É importante destacar que, apesar de serem boas fontes de vitaminas e minerais, esse grupo também apresenta substâncias como oxalato e fitatos (conhecidos como antinutrientes), responsáveis por prejudicar a biodisponibilidade/absorção de nutrientes pelo organismo humano. Os chamados fatores antinutricionais podem ser inativados, para, assim, otimizar o aproveitamento dos alimentos. De acordo com os estudos científicos, grande parte desses fatores são expressivamente inativados por meio da exposição ao calor, ou seja, via cocção ou processamento, além da ação de tratamento enzimático. Dessa forma, os alimentos que normalmente são cozidos, têm (importante) redução dessa ação indesejada. Outros processos de beneficiamento também diminuem drasticamente a presença dessas substâncias, tais como: descascamento, lavagem, remolho, dentre outros. Enfim, sabendo da importância nutricional deste grupo, o Ministério da Saúde recomenda que sejam consumidos todos os dias, em média, três porções. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2003), o consumo inadequado de verduras e legumes está relacionado a um dos cinco principais fatores que estão atrelados à carga total de doenças crônicas degenerativas, como obesidade, hipertensão arterial e diabetes. 50WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1.3 Aquisição e Armazenamento Em seguida da colheita, é passível que as hortaliças sofram alterações, como desidratação e perda de nutrientes, sobretudo aquelas que são ocasionadas pela ação enzimática, que repercutem em alteração da cor nas folhas verdes, por exemplo. Além do mais, alguns cuidados se fazem necessários para que sejam alcançados os padrões microbiológicos aceitáveis e também seguros para o consumo humano. Para que isso ocorra, alguns aspectos devem ser analisados. De acordo com Domene (2014, p. 113), São características de qualidade das hortaliças: Hortaliças folhosas: sem sinais de queimadura por frio, ataque de pragas bacterianas ou fungos, danos mecânicos ou murchamentos. Talos, hastes e frutos: sem rachaduras, machucaduras e murchamento. Manchas ou murchamento podem ser causados por fungos, bactérias, excesso ou falta de nutrientes na produção (nitrogênio, cobre ou outros), e se caracterizam por lesões escuras, ferrugionosas ou amolecidas. O tamanho típico é um atributo de qualidade, por estar associado a hortaliças de sabor, cor, textura e conteúdo nutricional característicos. Hortaliças Características típicas Conservação Abóbora, abóbora-moranga, abóbora-cabochã Casca dura e grossa, uniforme, sem partes amolecidas Temperatura ambiente, por até 2 meses; depois de partidas, refrigeração, por 1 semana Acelga, alface Folhas verdes em tons claros a escuros, limpas e brilhantes; para a acelga, folhas crocantes Refrigeração de 5 a 7 dias Almeirão, chicória, mostarda Folhas verde-escuras, brilhantes, firmes, limpas Refrigeração de 5 a 7 dias Abobrinha Tamanho médio, com casca firme,lisa, lustrosa e macia, cor verde brilhante ou amarelada, com listras claras, extremidades firmes Refrigeração de 5 a 7 dias Berinjela Ligadas ao pedúnculo (3 a 4 cm) cor roxa ou negra uniforme, casca lisa e firme Refrigeração de 5 dias Beterraba Casca lisa, firme e sem rachaduras, com cor forte e tamanho médio, ainda presa às ramas Temperatura ambiente em lugar fresco e arejado por 3 a 5 dias; refrigeração por até 2 semanas 51WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Chuchu Casca lisa ou com rugosidades leves, sem espinhos, cor verde- clara, periforme, 10 a 11 cm de comprimento e 6 cm de largura no ponto médio, com peso de 230 a 250 g Refrigeração de 2 a 3 semanas Couve-flor Cor variando do creme ao gelo, limpa, sem manchas e sinais de bolor, firme, preferencialmente com folhas, talos firmes, sem sinais amarelados e pontos escuros Refrigeração de 2 a 3 dias Pimentão verde, vermelho ou amarelo Tamanho médio, firmes e brilhantes, carnudos e com pedúnculo Sob refrigeração por 2 a 3 semanas; amarelos duram 1 a 2 semanas Pepino Tipo comum (ou caipira): 10 a 14 cm de comprimento; tipo Aodai (ou japonês): 20 a 25 cm, cor verde-escura, tamanho médio, firme e sem partes amolecidas; o comum pode ter listras claras Sob refrigeração por 1 semana Quiabo Os melhores são os pequenos ou médios; os grandes são muito fibrosos e de textura muito firme, mesmo com muito tempo de cocção, o que não é indicado por diminuir a retenção de nutrientes; cor verde-escura e sem manchas, extremidade afilada e firme Sob refrigeração por 3 a 4 dias Repolho Cor verde-clara ou roxa, com peso de 1 a 2 kg Temperatura ambiente por 2 a 3 dias ou sob refrigeração, 2 semanas; em até 3°C pode durar várias semanas, com 90% de umidade do ar Tomate Liso, firme de cor uniforme, sem manchas ou rachaduras, vermelho intenso para molhos, alaranjado para saladas Em refrigeração, 1 semana; se verde, temperatura ambiente até maturação Quadro 2 - Características de qualidade e de conservação das hortaliças comuns no Brasil. Fonte: Domene (2018). 52WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1.4 Pré-preparo A etapa da higienização compreende dois passos, que serão descritos a seguir: • Passo 1: lavagem. A hortaliça (inteira) deve ser lavada em água corrente com o auxílio de uma escova macia para que seja realizada a remoção das sujidades e também da redução da carga de defensivos agrícolas. • Passo 2: descontaminação. Ainda com a hortaliça inteira, deve-se realizar a imersão em solução de 150 ppm de hipoclorito por 30 min, seguida de remoção do hipoclorito com água limpa. O passo de descontaminação é dispensável para hortaliças de produção orgânica que passarão por cocção. 1.5 Preparo No preparo das hortaliças, os principais objetivos são: Figura 1 - Preparo de hortaliças. Fonte: a autora. Para ampliar seus conhecimentos sobre as hortaliças (classificação importância na alimentação humana, utilização de partes não convencionais, planejamento de horta, dentre outros), acessar: BEVILACQUA HECR. 2011. Classificação das hortaliças. Disponível em: <https://ciorganicos.com.br/wp-content/ uploads/2013/09/02manualhorta_1253891788.pdf>. 53WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Já as técnicas aplicadas no preparo das hortaliças, existem particularidades para cada grupo, dispostas a seguir: • Hortaliças folhosas: preferencialmente, devem ser consumidas cruas. Quando a cocção for indicada, esta deve ser utilizada de forma breve. • Hastes, talos e frutos: para este grupo, a técnica mais indicada é submeter a cocção a vapor, para, assim, evitar as perdas nutricionais. De acordo com Domene (2018, p. 124), para o preparo de hastes, talos e frutos: A forma ideal de calor é o vapor, por evitar a perda por lixiviação, ou seja, a remoção do conteúdo celular que ocorre pelo contato do vegetal cortado com a água. Se a cocção por imersão for indicada, deve-se usar a menor quantidade de água possível e controlar o tempo para que a hortaliça fique cozida sem ficar excessivamente macia; esse modo de cocção também vale para a cenoura. • Hortaliças verdes (como couve) e alaranjadas (como a abóbora): o processo de cocção melhora a biodisponibilidade de carotenoides, sobretudo, quando tem pequena quantidade de óleo. Ao realizar a cocção, ocorre o amolecimento das estruturas celulares e a presença de óleo, favorecem a absorção dos nutrientes. Observação: quando a cocção por imersão for necessária, a adição de 1% de sal em relação ao volume de água contribui para diminuir a lixiviação! • Folhosos: devem ser refogados em óleo com temperatura branda, com alho e cebola, sem adição de água e com movimentação para diminuir a perda de sucos vegetais. 1.6 Preparações Utilizadas • Sopas. • Purê. • Suflê. • Hortaliças recheadas. • Hortaliças à milanesa. • Bolinhos e croquetes. • Hortaliças souté. • Hortaliças ensopadas. • Hortaliças refogadas. • Hortaliças gratinadas. • Saladas simples. • Saladas compostas. • Sucos. 54WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1.7 Tipos de Cortes de Legumes Com diferentes utensílios é possível realizar uma grande variedade de cortes dos legumes, os quais envolvem técnica e habilidade por parte do manipulador. É válido colocar que o ideal é a escolha de um corte que proporcione um aproveito total do alimento, já que as aparas acarretam no aumento do custo da preparação. Figura 2 - Principais cortes clássicos para legumes. Fonte: Google imagens (2018). Para aprender técnicas básicas e aplicações de corte de legumes assista aos ví- deos: • Corte de vegetais. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xf- f1XpNxVhc>. • Aula prática cortes básicos de legumes. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=Cil_ZiyuuyI>. 55WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1.8 Pigmentos É bem estabelecido que, para conseguir estabelecer uma alimentação saudável e equilibrada, é fundamental ingerir diferentes tipos de alimentos, contendo nutrientes e não- nutrientes, os quais exercem amplo efeito metabólico e também fisiológico na saúde. Dito isso, ressalta-se que a escolha por uma alimentação mais variada possível pode garantir o contato necessário com todos os nutrientes essenciais, ou seja, aqueles que nosso organismo não tem a capacidade de produção (de acordo com a demanda), bem como dos não-nutrientes, a exemplo dos pigmentos naturais. Uma vez que se conhecem os pigmentos presentes nas hortaliças, é possível que se escolha o melhor método de cocção a ser empregado, a fim de se manterem as características sensoriais dos alimentos em questão. Pigmento Cor Solubilidade em água Ácido Álcali Cocção prolongada Clorofila Verde Pouco solúvel Verde “opaco” Verde intenso Verde “opaco” Caroteno Alaranjado Insolúvel - - Escurecimento Xantofila Amarelo Pouco solúvel - - Escurecimento Licopeno Vermelho Insolúvel - - Escurecimento Antocianina Vermelho Muito solúvel Vermelho intenso Torna-se roxo - Flavinas Branco- amarelado Solúvel Branca Amarelada Escurecimento Taninos Incolor Insolúvel - Escurecimento Anula Quadro 3 - Pigmentos presentes em hortaliças. Fonte: Benetti et al. (2014). • Clorofila: é o pigmento responsável pela cor verde e que, durante a cocção, libera ácidos do próprio tecido vegetal. É afetada pela a alteração de pH da água, uma vez que em meios alcalinos ocorre a redução do grupo fitol, resultando em um novo composto, expressando um verde mais intenso, que leva o nome de clorofilina. Já o meio ácido, pode se dar pela adição de ingredientes como limão e tomate, ou mesmo, pelo acúmulo de ácidos orgânicos, que ocorrem quando a cocção é realizada com a tampa totalmente fechada. Diante disso, a clorofila sofre uma transformação em feofitina e promove uma coloraçãomarrom-oliva. A cor verde das hortaliças poderá ser melhorada com o ajuste do pH, bem como com a cocção em panela semitampada, permitindo o escape dos ácidos voláteis e por menor tempo possível. • Carotenoides: pigmentos alaranjados (existem centenas descritos, dentre os mais comuns estão, betacaroteno e licopeno). São relativamente estáveis diante da alteração de pH da água durante a cocção, o que justifica a mínima alteração na coloração característica, com a adição de substâncias ácidas ou alcalinas. Seu valor nutritivo é protegido pela insolubilidade na água. 56WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA • Antocianina: pigmento de coloração azul, púrpura ou vermelha, são solúveis na água. O ajuste do pH da água promove alterações, uma vez ácido, a cor vermelha se acentua, já a cor azul é produzida quando inserido algum ingrediente álcalis. Em resumo, a cocção em água acidificada (vinagre, limão) intensifica a cor para roxo- vermelho vivo. Quando a água é alcalinizada (bicarbonato de sódio), sua coloração muda para violeta azulada. • Antoxantinas: pigmento incolor ou ligeiramente amarelado, por exemplo: batata, couve-flor, repolho branco. Cocção em água acidificada: intensificação da cor clara. Água alcalinizada: coloração amarelada. 2. FRUTAS 2.1 Definição e Classificação Parte “carnuda” e comestível que envolve as sementes das plantas e das árvores. Apresentam características próprias, geralmente são polposas, com aroma próprio, ricas em açúcares solúveis e sucos. Têm sabor doce e agradável. A grande maioria das frutas pode ser consumida crua, ou seja, sem que precise da aplicação de métodos de processamento. Classificação de acordo com suas características físicas: • Extra: frutas de qualidade elevada sem defeitos, sem manchas. bem desenvolvida e madura. tamanho, cor e conformação uniformes. pedúnculo e polpa intactos. A variedade de cores das frutas e hortaliças é devido aos pigmentos nelas presentes. Neste vídeo iremos acompanhar os principais pigmentos que compõem estes vegetais. Pigmentos dos vegetais. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=slsHehv6qdQ>. 57WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA • Primeira: boa qualidade sem defeitos sérios, podendo apresentar pequenas manchas. bem desenvolvida e madura, tamanho, cor e conformação uniformes. polpa firme e intacta e pedúnculo pode estar ligeiramente danificado. • Segunda: boa qualidade a casca não pode estar danificada, porém pequenos defeitos e manchas são permitidos. ligeiros defeitos na cor, desenvolvimento e conformação. polpa deve estar intacta. • Terceira: fins industriais frutas não incluídas nas classes anteriores, mas que preservam suas características. não exigido uniformidade de: tamanho, cor, grau de maturação e conformação. são permitidos pequenos defeitos, manchas e rachaduras cicatrizadas. 2.2 Armazenamento das Frutas 2.2.1 Critério amadurecimento Climatéricas são frutas que amadurecem depois de colhidas, podem ser adquiridas verdes. Sensíveis ao gás etileno (própria respiração) que faz a fruta amadurecer. As não climatéricas não amadurecem depois de colhidas, podem ser adquiridas verdes e azedas, vão continuar assim até murchar e apodrecer. Alguns tipos de frutas apresentam um bom amadurecimento após serem colhidas e, assim, podem ser mantidas em temperatura ambiente até atingirem a maturação ideal. Já outras qualidades precisam de refrigeração imediata. Portanto, o armazenamento das frutas pode se dar por refrigeração ou em temperatura ambiente. Como descrito, essa decisão está atrelada ao estágio de maturação de cada fruta. Quando o intuito é estender o prazo de conservação, existe a possibilidade do congelamento ou mesmo transformar as frutas em conservas (como por exemplo as frutas em calda) ou desidratá-las (frutas secas, tais como, ameixa, damasco, uva passa). Já as frutas classificadas como oleaginosas (tal como castanha-do-pará, noz, amêndoa, avelã, pecã, entre outras) podem ser guardadas em temperatura ambiente em local seco e fresco. 58WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Frutas compatíveis com armazenamento à temperatura ambiente até o amadurecimento pleno Frutas que devem ser adquiridas em estágio de maturação plena e receber refrigeração Abacate Maçã Papaia Cereja Banana Uva Melão cantaloupe Romã Manga Framboesa Nectarina Morango Pêssego Tangerina Ameixa Melancia Abacaxi Laranja Tomate Limão Quadro 4 - Critério de armazenamento segundo a exigência ou não de refrigeração para a conservação de frutas. Fonte: Domene (2018). 2.3 Pré-preparo Após a realização da seleção das frutas, conforme a firmeza, suculência, cor, aroma, integridade e uniformidade característicos de cada uma, faz-se a higienização antes de serem servidas, a partir das etapas de lavagem e descontaminação. De acordo com Domene (2018, p. 123), essas etapas se dão da seguinte forma: Lavagem. Em água com o uso de escova macia para remoção de sujidades e diminuição da carga de defensivos agrícolas; a escovação das frutas em uma bacia com água, seguida de lavagem em água corrente com fluxo normal, diminui o consumo de água. O uso de jato forte não é necessário devido à escovação prévia. O uso racional da água nas UAN e no ambiente doméstico exige revisão dos procedimentos de preparo dos alimentos para controlar seu consumo Descontaminação. Banho de hipoclorito a 150 ppm por 30 min, seguido de remoção do hipoclorito com água limpa. O passo de descontaminação é dispensável para frutas orgânicas que serão cozidas ou quando a casca é removida. Na década de 20, pesquisadores avaliavam as condições ideais para armazenamento de maçãs. Nessa oportunidade, identificaram um aumento brusco na respiração dos frutos durante o amadurecimento, que denominaram climatério. Desde então, os frutos começaram a ser classificados de acordo com suas atividades respiratórias após a colheita, como sendo climatéricos e não- climatéricos. Diante disso, levanta-se a questão: a classificação de frutos por “climatério” é conceito em extinção? 59WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 2.4 Preparações com Frutas 2.4.1 Cruas Há uma grande variedade de preparações em que são utilizadas frutas in natura: sucos, sorvetes, purês, saladas mistas, batida com leite, salada de frutas etc. Destaca-se que, ao realizar alguma modificação na fruta, por exemplo, o corte, a exposição à luz e o contato com o ar dão início às perdas nutricionais do alimento, ou seja, a exposição excessiva à temperatura ambiente promove importantes perdas de nutrientes lábeis. Ao utilizar em preparações, como saladas, servir o mais rápido possível após preparada. 2.4.2 Cozidas A cocção produz modificação de sua estrutura, perda de aroma, de sabor característico e de nutrientes. Para minimizar essas perdas: acrescentar mínimo de água (ou líquidos, sucos, caldas) para cocção ou fazer no vapor; não aplicar altas temperaturas para cocção. A princípio, as frutas deveriam ser usadas ao natural, maduras e cruas. São indicadas em circunstâncias especiais: excesso de safra, impossibilidade de estocar, frutas colhidas verdes, aumentar a variedade do cardápio. Algumas preparações são indicadas: • Fruta assada. • Fruta seca. • Compota de fruta (30% açúcar). • Doce em massa/doce de corte (60 a 70% açúcar). • Geleia de frutas: uva, maçã, morango, figo, goiaba – frutas ricas em pectina. O açúcar, especialmente quando aliado ao aquecimento, é um bom agente de conservação dos produtos alimentícios. A sua presença aumenta a pressão osmótica e reduz a atividade de água do meio, criando, assim, condições desfavoráveis para o crescimento e reprodução da maioria das espécies de microrganismos (GAVA, 1985). 60WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA3. OVOS É um corpo unicelular formado no ovário dos animais. A simples designação ovos, entende-se por ovos de galinha, já ovos das demais espécies serão acompanhados de designação da espécie que o procedem. Contêm nutrientes necessários para o desenvolvimento de um novo ser da espécie de origem. É dividido em 3 compartimentos: • Casca • Clara • Gema As proteínas integrantes dos ovos são de alto valor biológico e, por esta razão, nos guias alimentares encontram-se agrupados juntamente com as carnes e laticínios. A nível nacional, a maioria dos ovos consumidos são de galinha (granja ou caipira) e codorna. Não tão comumente, de pata, galinha d’angola, de gansa, de peixe (caviar), entre outros. 3.1 Estrutura Figura 3 - Estrutura do ovo. Fonte: Google imagens (2018). Quadro 5 - Peso estimado das partes. Fonte: a autora. 61WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 3.1.1 Casca Estrutura porosa, a qual permite troca gasosa, evaporação da água e penetração de microrganismos. Representa, em média, 11% do peso total da estrutura do ovo. A cor da casca varia de branco a vermelho, de acordo com as diferentes raças e espécies das aves, o que não se relaciona com o valor nutritivo dos ovos. 3.1.2 Clara Composta por uma espessa mistura de proteínas e água. Situada ao redor da gema, tem a finalidade de mantê-la centralizada. As duas camadas de clara que envolvem a gema apresentam texturas diferentes – clara fluida e clara espessa. Existem diferentes proteínas que constituem a clara, sendo as representativamente mais importantes: ovoalbumina e ovotransferrina. Ambas representam cerca de 70% do total de proteínas da composição da clara. Outras proteínas também presentes são: ovomucoide, ovomucina, avidina etc. Em relação às propriedades voltadas para a técnica dietética, essas proteínas apresentam aplicabilidade funcional de bastante proveito na produção de alimentos, seja no âmbito doméstico ou industrial, podendo destacar a função de formação de espuma, gelatinização e a coagulação. 3.1.3 Gema É considerada de alto valor nutritivo por conter proteínas, lipídeos, vitaminas e minerais. 30% gordura, 16% proteínas (lipoproteínas) e 30% água. Contém pigmentos como os carotenoides. Pode-se dizer que o teor de macronutrientes da gema está diretamente ligado à alimentação da ave. 3.2 Classificação 3.2.1 Ovos caipiras Galinhas poedeiras para produção de ovos caipira são criadas em ambiente e manejo diferenciado. Elas ficam soltas, ciscam, comem capim, verduras e insetos. Recebem complementação alimentar em forma de uma ração feita pelo próprio produtor (com soja – não transgênica) e leguminosas. A ração das galinhas caipiras não leva aditivos de crescimento nem antibióticos. 3.2.2 Ovos orgânicos Ovos orgânicos são produzidos da mesma forma, com a restrição que as galinhas recebem somente alimentação orgânica. 62WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 3.2.3 Ovos de granjas De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o sistema mais disseminado no país, o qual se utiliza de recursos específicos na criação das galinhas em granjas ou gaiolas, como dieta e iluminação artificial. A alimentação é realizada com ração balanceada. 3.3 Seleção 3.3.1 Ovos frescos • Casca: íntegra, áspera, fosca e sem manchas • Clara: espessa e membranas aderidas à casca. Deve ser límpida, transparente, consistente, densa e alta. • Gema: coloração uniforme, redonda, alta e fixa no centro do ovo. Deve ser translúcida e consistente. Não se rompe facilmente. Devem ter sabor e odor característicos e agradáveis. Uma outra forma de se poder analisar o quão freso o ovo se apresenta, é por meio da análise da câmara de ar, uma vez que, ocorre uma expansão com a concentração no interior do ovo por conta da desidratação. Em outras palavras, a casca do ovo é porosa e a água dentro do ovo vai evaporando e sendo substituída por ar. Se a massa do ovo fica menor que a massa de água, ele vai flutuar. Figura 4 - Representação de ovos fresco, não fresco e velho. Fonte: Google imagens (2018). 63WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 3.4 Armazenamento De 2 a 4 semanas em temperatura de 8 a 10ºC, umidade 70 a 90%. Sem refrigeração, no entanto, a durabilidade varia. Até dez dias no verão e no máximo quinze, no inverno. Recipiente limpo, fechado, prateleira interna (para proporcionar menor variação da temperatura), pois os ovos absorvem odores e sabores de outros produtos armazenados no mesmo ambiente, como vegetais, frutas, cebola e produtos químicos. Figura 5 - Armazenamento em recipiente limpo e posicionado em uma prateleira interna do refrigerador. Fonte: Google imagens (2018). 3.5 Pré-preparo A estrutura porosa da casca dos ovos, a qual pode permitir a penetração de microrganismos, condiciona a lavagem no ato do uso/preparo. Indica-se que cada ovo deve ser aberto de forma isolada, ou seja, em recipiente separado, a fim de se certificar da sua qualidade, para, em seguida, ser incorporado aos outros ingredientes. 3.6 Preparo Para que se garanta a qualidade microbiológica dos ovos, faz-se necessário empregar o uso do calor, conforme descrito por Domene (2018, p. 144): Ovos devem permanecer pelo menos por 3 min a 100°C no centro geométrico. Quando for empregada à fervura, devem-se considerar 4 min contados a partir do momento de reinício da fervura após a colocação do ovo na água quente. Para outros tipos de calor, no preparo de omeletes ou ovos mexidos, por exemplo, deve-se observar a ausência de qualquer fração de ovo líquido e, então, o calor pode ser interrompido. Portanto, não são admitidos ovos crus para o preparo de alimentos: para receitas tradicionalmente com ovos crus, como gemadas e musses, é possível usar ovos pasteurizados ou em pó. Dentre as doenças que podem ser transmitidas via alimentos está a salmonelose, causada bactérias do tipo Salmonella, comumente transmitidas por ovos que podem apresentar microrganismo tanto no interior, como na casca. Diante disso, o ato da higienização não dispensa a necessidade do uso do calor para garantia da inocuidade dos ovos. Uma vez em contato com a Salmonella spp., esta irá se manifestar como gastrenterite em humanos. 64WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 3.6.1 Preparações culinárias O ovo pode ser preparado e consumido de diversas formas: • Puro ou combinado: ovo quente, cozido frito, mexido, pochê, omelete, fritada, gemada, tortilla. • Acompanhamento de preparações: bife a cavalo, carne recheada com ovo cozido. • Ingrediente de preparações de acordo com suas características: coagulação, formação de espuma, emulsificação, coloração. Preparações Funções Cremes, mingaus, sopa e molhos Espessar Pão de ló, suflês e musse Aerar, crescer Milanesa, empanado Cobrir Bolos, pudins e flans Unir Superfície de pães e tortas Conferir cor, brilho e sabor Maionese, molhos e sorvetes Emulsificar Recheios Conferir liga Pastéis e tortas Vedar Quadro 5 - Função do ovo como ingrediente de preparações. Fonte: Philippi (2016). Para ampliar seus conhecimentos sobre esse importante problema de saúde pública, a Salmonella Enteritidis, acesse: Salmonella Enteritidis – Perguntas e Respostas. Disponível em: <http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro- de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-transmitidas-por-agua- e-alimentos/doc/2008/2008_salmonella_pergresp.pdf>. 65WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 6 - Orientações práticas na utilização de ovos. Fonte: Philippi (2016). Sugerimos a leitura do artigo de Marchetto e colaboradores. Avaliação das partes desperdiçadas de alimentos no setor de hortifruti visando seu reaproveitamento. Disponível em: <http://www.ibb.unesp.br/Home/Departamentos/Educacao/Simbio-Logias/artigo_nutr_avaliacao_partes_desperdicadas_alimentos_setor.pdf>. 66WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos essa unidade destacando a importância do grupo hortifruti dentre as práticas de técnica dietética e levantando uma importante questão. Apesar de sermos um grande produtor (a nível mundial) dessa classe de alimentos, será que estão sendo bem aproveitados? As taxas de desperdício permeiam por números tidos como normais? Infelizmente o desperdício alimentar está agregado à cultura brasileira, o que contribui para a redução dos recursos nutricionais ofertados à grande parte das famílias, sendo este fator agravante nas populações mais carentes. Estima-se que a perda no setor de refeições coletivas chegue a 15%. 6767WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 04 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 69 1. LATICÍNIOS ............................................................................................................................................................. 70 1.1 DEFINIÇÃO ............................................................................................................................................................. 70 1.2 CLASSIFICAÇÃO .................................................................................................................................................... 70 1.3 ASPECTOS NUTRICIONAIS ................................................................................................................................ 72 1.4 SELEÇÃO E CONSERVAÇÃO ................................................................................................................................. 73 1.5 APLICAÇÕES ......................................................................................................................................................... 73 1.6 DERIVADOS DO LEITE .......................................................................................................................................... 74 1.6.1 QUEIJOS .............................................................................................................................................................. 74 1.6.2 IOGURTE ............................................................................................................................................................ 79 LATICÍNIOS E CARNES PROF.A DRA. MARCELA CALEFFI DA COSTA LIMA CANIATTI ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: TÉCNICA DIETÉTICA 68WWW.UNINGA.BR 1.6.3 CREME DE LEITE .............................................................................................................................................. 79 2. CARNES ...................................................................................................................................................................80 2.1 CARNE BOVINA .....................................................................................................................................................80 2.1.1 ESTRUTURA .........................................................................................................................................................80 2.1.1.1 TECIDO MUSCULAR .........................................................................................................................................80 2.1.1.2 TECIDO ADIPOSO .............................................................................................................................................82 2.1.1.3 TECIDO CONJUNTIVO ......................................................................................................................................83 2.1.2 CONSISTÊNCIA ..................................................................................................................................................83 2.1.2.1 QUALIDADE, MACIEZ E SUCULÊNCIA ...........................................................................................................83 2.1.3 ARMAZENAMENTO............................................................................................................................................84 2.1.4 PRÉ-PREPARO ...................................................................................................................................................84 2.1.4.1 AMACIAMENTO ................................................................................................................................................85 2.1.5 CORTES ...............................................................................................................................................................85 2.1.5.1 QUARTO DIANTEIRO E TRASEIRO .................................................................................................................85 2.1.6 PREPARO ............................................................................................................................................................ 87 2.2 PESCADOS ...........................................................................................................................................................88 2.2.1 PRÉ-PREPARO ...................................................................................................................................................88 2.2.2 PREPARO ..........................................................................................................................................................89 2.3 AVES .....................................................................................................................................................................89 2.3.1 PRÉ-PREPARO ...................................................................................................................................................89 2.3.2 PREPARO ...........................................................................................................................................................90 2.3.2.1 COCÇÃO SECA (BRASA OU FORNO) .............................................................................................................90 2.3.2.2 COCÇÃO ÚMIDA .............................................................................................................................................90 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................................................................... 91 69WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Nesta última unidade iremos abordar dois grandes grupos proteicos: leite e seus derivados e carnes. Aqui destacaremos as principais propriedades desses dois grupos que tanto representam dentre as práticas de técnica dietética, seja pelo seu conteúdo nutricional, por serem ótimas fontes de proteínas completas, ou seja, de alto valor biológico, seja pela versatilidade que permitem em inúmeras preparações. Dentre as variações comercializadas do grupo do leite, estão: leite condensado, doce de leite, iogurte, bebidas lácteas, leites fermentados, sorvetes, chantilly, manteiga, requeijão, cream cheese, creme de leite e outros. Já as carnes são utilizadas como prato único ou como ingredientes incorporado em diversas receitas, como empadas, coxinhas, tortas, sopas e inúmeras outras preparações. São dois grupos de alimentos perecíveis que devem envolver todo o cuidado necessário tanto no armazenamento quanto na manipulação. Além disso, é válido colocar que a produção de preparações que envolvem alimentos de origem animal, agregam um custo maior, o que acaba sendo um fator limitante para algumas populações. 70WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DADE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1. LATICÍNIOS 1.1 Definição Ponto de vista biológico: é a secreção das glândulas mamárias das fêmeas dos animais mamíferos. Ponto de vista legal: é o produto integral, fresco oriundo da ordenha completa e ininterrupta de vacas sadias, 15 dias antes e 5 dias após o parto da vaca. Ponto de vista químico ou nutricional: é uma solução complexa de proteínas em emulsão com gorduras, açúcares, vitaminas e minerais, dentre outros componentes (ex. enzimas). A composição do leite em diferentes espécies está atrelada a uma soma de fatores, que envolvem: alimentação do animal, manejo (nível de produção) e estação do ano. Já em relação aos aspectos intrínsecos dos animais estão: fatores genéticos, sanitários, grau de adaptação metabólica e período de lactação. Veja, na Figura 1, as diferenças na concentração dos macronutrientes e do valor energético conforme cada espécie. Figura 1 - Composição química do leite em diferentes espécies. Fonte: Morzelle (2016). 1.2 Classificação Pode ser classificado segundo: • Origem (espécie produtora): vaca, cabra, ovelha, búfala. • Teor de gordura: integral, padronizado e desnatado. • Tipo de ordenha: A, B ou C. • Tratamento térmico: cru e pasteurizado. 71WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Leite Tipo A: • Produção em granja leiteira. • Gado sob inspeção veterinária permanente. • Ordenha mecânica em sala apropriada. • Pasteurização logo após a ordenha (imediata). • Distribuição para consumo em até 12h após a ordenha. Leite Tipo B: • Produção em estábulos leiteiros ou instalações apropriadas. • Gado sob inspeção veterinária permanente. • Ordenha mecânica em sala apropriada. • Transporte refrigerado a 10°C até a usina, chegando, no máximo, 9h após a ordenha. • Pasteurização de, no máximo, 2 horas após a chegada na usina. • Distribuição para consumo em até 24h após a chegada à usina. Leite Tipo C: • Produção em fazenda leiteira. • Gado sob inspeção veterinária periódica. • Ordenha manual no próprio estábulo. • Transporte refrigerado (não obrigatório) até a usina, chegando, no máximo, 12h após a ordenha. • Pasteurização de, no máximo, 5 horas após a chegada na usina. • Distribuição para consumo em até 24h após a chegada à usina. 72WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 2 - Características específicas conforme cada tipo de ordenha. Fonte: Benetti (2014). Outras variedades: • Leite integral: teor de gordura original (A e B). • Leite padronizado: teor de gordura ajustado a 3% (C). • Leite desnatado: quase isento em gordura. • Leite semidesnatado: retirada parcial da gordura. • Leite fermentado: adicionado bactérias tornando o pH do leite ácido. • Leite em pó: tratado termicamente e desidratado. Para uso precisa ser reconstituído. Pode ser integral ou desnatado. • Leite condensado: tratado termicamente, com retirada parcial de água e acréscimo de açúcar. • Leite modificado: acréscimo ou redução de nutrientes (ex. infantil). 1.3 Aspectos Nutricionais Um dos principais constituintes do leite são as proteínas, tidas como de alto valor biológico, já que, na sua composição, apresentam aminoácidos essenciais e não essenciais em concentrações adequadas. A caseína destaca-se como a principal proteína presente no leite, já que corresponde a uma fração de aproximadamente 85% do conteúdo proteico. Podemos também evidenciar outras proteínas, como a alfalactoalbumina e a betalactoalbumina, importantes na constituição do soro do leite. Já em relação ao conteúdo sólido do leite, a lactose é a representante principal, outros carboidratos também se apresentam na composição, no entanto, em menor proporção, como é o caso da glicose e galactose. Em relação ao conteúdo de gordura, este irá variar de acordo com os fatores ambientais e intrínsecos, ou seja, relacionados ao próprio animal, como descrito anteriormente. 73WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA A gordura do leite, normalmente, é utilizada sob três principais formas: • Homogeneizada → como no leite integral. • Concentrada → como na nata. • Isolada → como na manteiga. Além disso, podemos dizer que o leite é um alimento que pode fornecer bom conteúdo de vitaminas e minerais. Dentre estes, destacam-se o cálcio, cloretos (sódio), fosfatos e citratos (magnésio, potássio). Já as vitaminas, estão as do complexo B e a vitamina A. 1.4 Seleção e Conservação Por se tratar de um tipo de alimento com alto conteúdo de nutrientes e elevada atividade de água, a seleção e a conservação dos laticínios é considerada um ponto crítico de controle. Para a seleção, deve-se realizar a inspeção visual e sensorial, a fim de detectar qualquer alteração que fuja do padrão de normalidade do produto, uma vez que a conservação pode alterar as características originais em pouco tempo. Assim como para os demais alimentos, a compra deve ser realizada de modo programado, no qual o produto seja utilizado dentro do prazo de validade. Para leite e derivados conservados em refrigeração, a temperatura de transporte não deve ultrapassar 8°C. 1.5 Aplicações • Sabor. • Cor. • Maciez. • Umidade. • Cremosidade. • Preparações não ácidas com cereais e hortaliças: arroz doce, mingau, sopas, cremes • Ingredientes de preparações: bolos, pães, purês, molhos, sorvete • Puro ou associado a outros alimentos: leite com café, com frutas, com achocolatado • Na panificação, as principais funções do leite na massa são: umidade para a formação do glúten e gelatinização; estabilizar a fermentação; melhorar textura, aroma e sabor. 74WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1.6 Derivados do Leite 1.6.1 Queijos Obtidos a partir da coagulação do leite pasteurizado (uso de coalho, fermento lático ou calor) e retirada do soro. Um dos derivados do leite que agrega maior versatilidade na montagem de cardápios e preparações. As características específicas de cada tipo podem favorecer na escolha do queijo mais adequado a ser utilizado. Segue uma relação, proposta por Domene (2018, p. 177), dos principais tipos de queijos e suas respectivas ilustrações: Parmesão. O nome remete à cidade italiana de Parma, origem da receita que definiu as características desse alimento. De consistência muito firme, é apropriado para o consumo na forma ralada, que confere acabamento a massas e sopas; também ralado, pode ser acrescentado em pequenas quantidades para sobremesas como queijadinha e bom-bocado. Em pedaços, é servido como entrada em cardápios festivos. Figura 3 - Queijo parmesão. Fonte: Google imagens (2018). Roquefort. Produzido com leite de ovelha, apresenta bolores lácticos, vistos como cicatrizes verde-azuladas; adequado para consumo como entrada, de sabor forte e pronunciado, o queijo roquefort acrescentado em pequenas quantidades modifica e enriquece diversas receitas de molhos para massas e saladas. 75WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 4 - Queijo roquefort. Fonte: Google imagens (2018). Camembert. Originário da região da Normandia, na França, tem casca branca, firme e aveludada e interior cremoso; o resultado é um produto que mistura sabores intensos e suaves, e de aplicação para consumo como entrada, servido em espécie, raramente empregado em alimentação coletiva pelo elevado custo. Figura 5 - Queijo camembert. Fonte: Google imagens (2018). 76WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Fetta. De origem grega e preparado com leite de cabra, deve ser consumido muito fresco, e por vezes conservado em soro, o que lhe confere características únicas de textura e cor, muito alva; por suas propriedades sensoriais, é indicado para compor saladas com folhas verdes, azeite e outros vegetais. Figura 6 - Queijo fetta. Fonte: Google imagens (2018). Edam. Queijo de origemholandesa, de consistência semidura, tem elevado teor de gordura, sendo aplicado em receitas que necessitem de fusão, como molhos para massas. Figura 7 - Queijo edam. Fonte: Google imagens (2018). 77WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Queijo fresco. No Brasil, o queijo tipo minas original era produzido com leite cru, o que conferia características únicas de aroma e textura. Para atender à legislação sanitária, que impede o uso e a comercialização de leite e derivados sem tratamento térmico, passou-se a empregar leite pasteurizado para o preparo do queijo fresco, e o produto é semelhante ao minas original, ainda bastante apreciado. Queijos frescos podem ser conservados com soro ou mantidos à temperatura de refrigeração não embalados para que maturem, dando origem ao queijo curado (ou meia-cura, com menor tempo); queijos curados são excelentes para o preparo de pães e do tradicional pão de queijo, bem como para serem consumidos como queijo de mesa. Queijos de pasteurização acentuada do leite podem não curar. Figura 8 - Queijo fresco. Fonte: Google imagens (2018). Muçarela. A muçarela foi o queijo produzido inicialmente com o leite de búfala, mas rapidamente a técnica foi adaptada para o emprego de leite de vaca. Trata-se de um produto que desmancha em fios quando fresco e ainda pode ser armazenado em soro; maturado, pode ser fatiado ou ralado e torna-se ideal para o emprego em receitas que vão ao forno, para que funda e confira uma consistência cremosa a pizzas e massas. Figura 9 - Queijo muçarela. Fonte: Google imagens (2018). 78WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Queijo creme e requeijão. Produto com elevada quantidade de gordura pelo emprego do creme de leite, tem consistência e sabor suaves para uso como cobertura de pães e biscoitos; é empregado também para diversos pratos gratinados, como pescados. Em cidades do interior do Brasil, está disseminada a prática de preparar requeijões firmes, para corte, com o formato de pratos rasos, eventualmente maturados em fogões a lenha. Figura 10 - Queijo creme e requeijão. Fonte: Google imagens (2018). Ricota. Preparada por meio da precipitação das proteínas do soro do leite, não é, por este motivo, tecnicamente classificada como queijo. É empregada para o preparo de tortas e recheios de massas, como pastéis fritos e assados. Figura 11 - Queijo ricota. Fonte: Google imagens (2018). 79WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Emmenthal. Talvez o mais popular representante da vasta variedade de queijos de origem suíça, o emmenthal tem grandes orifícios e é indicado para o fondue e outras preparações que exigem derretimento. Figura 12 - Queijo ementhal. Fonte: Google imagens (2018). 1.6.2 Iogurte É leite fermentado naturalmente ou artificialmente. Adição de cultura de fermentos lácteos (Lactobacilus bulgaricus e Streptococcus thermophilus), à 45ºC. Consumidos na forma natural, acompanhado de fruta, mel ou cereais, além disso, podem compor preparações, como molhos e sopas frias. 1.6.3 Creme de leite É extraído da nata e corresponde à fração lipídica do leite, ou seja, é a parte gordurosa do leite, a pura nata. Pode ser encontrado fresco ou em conserva. Aplicações: importante ingrediente no preparo de molhos, sopas e confeitaria. Agente de liga. Enquanto a coalhada é o resultado da coagulação do leite, o iogurte é produzido pela inoculação de microrganismos específicos no leite. 80WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2. CARNES Definidas como todo tecido muscular que recobre o esqueleto e órgão de diferentes animais. Comercialmente, denomina-se carne todas as partes dos animais que servem como alimento ao homem. Pode-se dizer que a atividade pecuária do Brasil é bastante expressiva, uma vez que a exportação de carne bovina já classificou o país, por diversas vezes, como primeiro exportador na classificação mundial. Classificadas em: • vermelha (bovina, suína e ovina). • aves (frango, pato, peru, ganso, avestruz). • pescados (peixes, camarão, lagosta, ostras). • caça (animais não domésticos). 2.1 Carne Bovina É compreendida por: tecido muscular, adiposo e conjuntivo. É composta por cerca de 70% de água e uma quantidade considerável de vitaminas do complexo B. 2.1.1 Estrutura 2.1.1.1 Tecido Muscular Possui em sua constituição fibras musculares que contêm pigmentos, sais inorgânicos, substâncias extrativas, glicogênio, proteínas, entre outros. Os pigmentos presentes são: mioglobina considerada o pigmento muscular e a hemoglobina do sangue. A cor da carne indica a concentração de mioglobina e seu estado de oxigenação. Observe na tabela a seguir. Tecido animal mg mioglobina/g Peito de frango 0,05 Carne de porco 1-4 Carne de carneiro 6-12 Carne bovina (1-2 anos) 4-10 Carne bovina (4-6 anos) 16-20 Tabela 1 - Concentração de mioglobina conforme o tipo de carne. Fonte: a autora. 81WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 13 - Coloração dos diferentes tipos de carnes conforme a concentração de mioglobina. Fonte: Google ima- gens (2019). Sabendo que a mioglobina é responsável pela variação da cor vermelha dos músculos, os cortes de carne devem apresentar coloração característica, vermelho vibrante, por conta da presença da oximioglobina se expostas ao ar. Já a cor em tom marrom, típica das carnes embaladas, se dá devido à redução do ferro e manifestação da cor da metamioglobina. Em resumo: 1. Mioglobina reduzida vermelho púrpura. 2. Reação da mioglobina com o oxigênio Oximioglobina (logo após a morte) coloração vermelho-brilhante. 3. Oxidação do ferro Metamioglobina coloração castanho clara. 82WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 14 - Coloração da carne. Mioglobina, Oximioglobina e Metamioglobina, respectivamente. Fonte: Google imagens (2019). 2.1.1.2 Tecido adiposo Constituído fundamentalmente de gordura, entre 75 a 90%, se apresenta na cobertura da carne ou entremeada nos feixes musculares e, por isso, é responsável por agregar sabor, suculência e textura. Quando a gordura é extraída na etapa de pré-preparo, a tendência é que se perca parte dessas características citadas. Ao atingirmos uma temperatura de 50°C o tecido adiposo funde- se, a gordura se liquefaz produzindo o “goteio”. • Depósito energético. • Características organolépticas. • Classificação: gordura externa (subcutânea). interna (envolvendo os órgãos e vísceras). intermuscular (ao redor dos músculos). intramuscular (gordura entremeada às fibras musculares, marmoreio). • Altamente variável: qualidade e quantidade. Influência de raça, idade, sexo e alimentação. > quantidade em animais mais velhos. > gordura intramuscular nas fêmeas e animais castrados. Tabela 2 - Grau de saturação dos ácidos graxos. Fonte: Fennema (1993). 83WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2.1.1.3 Tecido conjuntivo Colágeno e elastina. Têm como função a sustentação. Quando submetidos à água fria são insolúveis, já ao calor seco dessecam e endurecem. • Possui coloração branca a amarelada. • Função estrutural de unir e sustentar os demais tecidos. • Apresenta vários tipos, porém os mais importantes na carne são o colágeno e a elastina. • Está presente em todos os cortes, porém com proporções variáveis em cada um. 2.1.2 Consistência Existem alguns fatores atrelados à consistência das carnes, o estado de maturação é um deles. Após o abatimento do animal, o glicogênio se desdobra em glicose e ácido lático, somado ao pH ácido, as proteínas se agrupam e como resultado se observa a rigidez cadavérica. No entanto, o ácido lático tem ação reversível, posteriormente, hidrolisando a proteína e abrandando a carne. Em resumo, a maturação: • Ocorre apóso abate e um dos objetivos é obter a maciez da carne. • Ocorre, durante esse processo, quebra das proteínas, o que faz tornar a carne mais macia e saborosa. • Durante o estágio de maturação compostos responsáveis pelo sabor também irão se desenvolver. • Toda carne deve sofrer a maturação. • O processo consiste em deixar os cortes sob refrigeração e temperatura controlada por um período que pode variar de 7 dias a meses. • No Brasil, não se costuma maturar a carne além de 15 dias: o principal motivo é o custo. • Após maturadas as carnes são embaladas. Embalagens a vácuo: ausência de oxigênio, limita o crescimento de bactérias aeróbicas putrefativas maior “tempo de prateleira”. 2.1.2.1 Qualidade, maciez e suculência Diferem-se em relação a: • Percentual de gordura. • Cortes e natureza das fibras musculares. pequeno diâmetro são mais macias. Tecido conjuntivo quanto maior a quantidade, mais dura a carne. Músculo mais exercitado a carne tende ser mais dura. 84WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA • Idade do animal (galeto, vitela, leitão). • Fêmeas (carnes mais tenras) maior teor de gordura. • Alimentação do animal. 2.1.3 Armazenamento Refrigeração à 4⁰ C. • Congelamento: 30 min ou menos na temperatura de: -10 a -40⁰ C (o congelamento rápido diminuiu o inconveniente da destruição celular). • Descongelamento lento, refrigerado, entre 0 e 5⁰ C para reabsorção de água: carne mais macia e suculenta. • Congelamento excessivo: oxidação de lipídeos, especialmente insaturados, rancificação, ressecamento da superfície. Tempo de armazenamento sob congelamento, em meses, expresso na Tabela 3. Tabela 3 - Tempo de armazenamento sob congelamento. Fonte: Ordóñez (2005). 2.1.4 Pré-preparo • Não lavar. • O hábito de lavar carnes cruas, como a do frango e a do peixe, pode trazer riscos à saúde. É que, durante a lavagem, as bactérias que geralmente vêm nesses alimentos, em vez de irem para o ralo, podem se espalhar ao redor da pia, dando margem para a contaminação cruzada. • Limpeza de aparas (ossos, tendões, excesso de gorduras). • Técnicas de amaciamento de acordo com o corte e a cocção a ser realizada. 85WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2.1.4.1 Amaciamento • Mecânico (“quebra as fibras”): cortar, bater, moer. • Romper as fibras impedindo seu encolhimento Doméstico Industrial Figura 15 - Máquina e utensílios utilizados no amaciamento das carnes. Fonte: Google imagens (2019). • Químico Limão (peixes): mistura com vinho ou vinagre e temperos na véspera do preparo (ph ácido= hidrólise proteica). Enzimas: própria carne (maturação), papaína (mamão), bromelina (abacaxi) e ficina (figo). 2.1.5 Cortes As carnes classificadas como primeira e segunda representam cerca de 60% do animal, o restante, 40%, são representados pela carne de terceira. 2.1.5.1 Quarto dianteiro e traseiro Resulta da subdivisão da meia-carcaça em traseiro e dianteiro, por separação entre a quinta e a sexta costelas. Tanto o mamão como o abacaxi são frutas que contêm enzimas com potencial de realizarem a digestão da carne, conhecidas como papaína e bromelina, respectivamente. Estas enzimas exercem sua ação principalmente no colágeno da carne, ou seja, no tecido conjuntivo – que dá liga ao músculo e é um dos principais responsáveis pela eventual dureza da carne. 86WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Quadro 1 - Quarto dianteiro e traseiro. Fonte: a autora. Figura 17 - Desenho esquemático que ilustra os cortes de carne bovina adotados no Brasil. Fonte: Domene (2018). Figura 19 - Cortes de carne bovina classificados como magros e gordos. Fonte: Philippi (2016). 87WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Sempre seccionar as fibras musculares no sentido perpendicular (transversal) e não no sentido horizontal. A regra geral é que a carne seja cortada no sentido contrário ao das fibras, ou seja, a lâmina da faca deve fazer um ângulo de 90° em relação às fibras, proporcionando um corte transversal, para que a carne fique mais macia. 2.1.6 Preparo • Cortes de carne com pouco colágeno (paleta, acém, peito e capa de filé). Calor úmido, cocção tempo prolongado ou pressão. • Cortes mais macios (alcatra, maminha, picanha, filé mignon, contrafilé). Calor seco, preparações grelhadas, assadas. Quadro 2 - Tempo médio para fritura de bifes. Fonte: Philippi (2016). Cortes Preparações Pescoço Sopa, cozido Acém Ensopado, refogado, assado de panela, picado bife de caldo Peito Cozido, sopa,moído, carne recheada, carne enrolada. Braço, pá ou paleta Ensopado, molho, moído, sopa, caldo, picado, cozido Fraldinha Ensopado, refogado, assado de panela, espetinho, churrasco, Ponta de agulha Ensopado, sopa Filé mignon Bife alto, (medalhão, chateaubriant), estrogonofe, escalope Filé de costelas Ensopado, churrasco, cozido Contra filé Bife na chapa ou grelhado, rosbife, estrogonofe, churrasco, escalope e medalhão Capa de filé Assado, refogado, ensopado Alcatra Bife de chapa ou grelhado, refogado, assado, picadinho, espeto, escalope, medalhão, estrogonofe, churrasco Patinho Assado, bife, almôndegas, bife rolê, cubos, moído Coxão duro Cozido, moído, caldo, ensopado, bife rolê Coxão mole Assado, bife rolê, refogado, à milanesa, estrogonofe, espetinho, picado, moído Lagarto Assado, bife, rosbife, carpaccio, bife rolê Músculos Sopa, ensopado, moído, caldo, cozido Maminha de alcatra Assado, bife, grelhado Picanha Assado de panela, churrasco, espeto Cupim Churrasco, assado, bife Bisteca/Chuleta Grelhado, na chapa, cozida Tutano Cozido, sopa, caldo Figura 20 - Cortes de carne bovina e suas respectivas preparações. Fonte: Philippi (2016). 88WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Um dos tipos de carne amplamente consumida pelos brasileiros é a carne moída. No entanto, ao comprá-la você não sabe em que condições a carne foi moída. Por exemplo, se a pessoa que manipulou a carne fez uma boa higiene das mãos e se o moedor estava higienizado também, correto? Ou mesmo se essa carne não foi reaproveitada de uma peça que não estava fresca o suficiente. Portanto, fica a questão: como o consumidor deve agir no ato da compra desse tipo de carne? Existem dois caminhos, o primeiro é que a carne deve ser preparada na presença do consumidor. Segundo, se a carne já estiver moída, tenha a certeza de que a origem é segura e também inspecionada pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Prefira a que já se encontra em embalagem e que contenha data de validade. 2.2 Pescados Tidos como animais aquáticos utilizados para fins alimentares, podem ser provenientes de água doce ou salgada. Os de água salgada ofertam bom aporte de iodo, contêm boa concentração de cálcio e baixo teor de tecido conjuntivo, o que torna a carne de fácil digestão. Para fins alimentares são classificados em: peixes, crustáceos, moluscos e quelônios. Existem inúmeros benefícios ao incorporar os peixes na alimentação. Segue os mais relevantes citados por Domene (2018, p. 161): O consumo de peixes é considerado saudável por diversos motivos, com destaque para os seguintes: - Fonte de proteína de alto valor biológico e boa digestibilidade (digestibilidade verdadeira = 94 ± 3%); - Fonte de ácidos graxos do tipo ômega-3, como o eicosapentaenoico (EPA, C20:5) e o docosa-hexaenoico (DHA, C22:6), precursores de prostaglandinas e leucotrienos, com efeito positivo sobre a pressão arterial sistêmica e redução de triglicerídeos circulantes; há provável efeito positivo desses ácidos graxos sobre as frações de colesterol circulantes; - Teores de colesterol semelhantes a outros produtos cárneos; - Grande diversidade de sabores e texturas, enriquecendo cardápios. 2.2.1 Pré-preparo Esta etapa tem a finalidade de porcionar, de modo uniforme, para posterior cocção, além de eliminar as partesnão comestíveis. Os peixes de cartilagem permitem corte transversal, para que se faça postas, uma vez que esse tipo de corte exige mais firmeza da carne, além disso deve ser empregada a cocção seca. Corte de filé é comum para pescados com espinha. Já as aparas podem ser destinadas para a produção de molhos, sopas e pirão. 89WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2.2.2 Preparo A carne de peixe, por apresentar pouco tecido conjuntivo, cozinha facilmente e em tempo relativamente curto, sem exigir altas temperaturas. As formas de preparo variam entre: cozidas, assadas, grelhadas, fritas, ensopadas etc. 2.3 Aves As carnes mais novas das aves tendem a se apresentar mais tenras por possuírem menos tecido conjuntivo e também menos gordura, o que facilita a digestão. Em relação ao conteúdo de proteínas, possuem teor semelhante às outras carnes. Tem característica de sabor suave e boa tolerância a diferentes tipos de temperos e também forma de preparo. Este, normalmente, é definido de acordo com o corte empregado na carne de frango e a característica final da preparação. Entre as aves domésticas ou selvagens mais usadas como alimento estão: • Frango. • Pato. • Ganso. • Peru. • Galinha-d’angola. • Codorna. • Faisão. 2.3.1 Pré-preparo Nesta etapa são realizados os cortes de dimensões que variam, além de realizar a remoção da pele das aves, para menor oferta de gordura (colesterol e ácido graxo saturado) e, por fim, a condimentação, com sal, pimenta, ervas, conforme o objetivo da preparação. Após encerrada essa etapa, indica-se a higienização cuidadosa de toda a área e dos utensílios para evitar a contaminação cruzada com Salmonella e outros microrganismos. Para uma melhor compreensão sobre o manejo com os pescados, sugiro a leitura do capítulo “Carnes”, subitem “Pescados”, do livro Técnica Dietética - Teoria e Aplicações, 2ª edição, 2018, de Semíramis Martins Álvares Domene. 90WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Para melhor compreensão sobre a dinâmica da contaminação cruzada, sugiro que assista ao vídeo Contaminação Cruzada. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=Ox_TdZ3O1oA>. 2.3.2 Preparo O tempo de cocção varia pelos seguintes fatores: tamanho da peça/corte e idade da ave. Para aquelas que serão assadas, indica-se menor temperatura e mais tempo de forno, dessa forma, se obtém uma carne mais macia e tenra. 2.3.2.1 Cocção seca (brasa ou forno) Para cortes que ofertam mais gordura, como coxas, sobrecoxas e asas. A grelha promove distribuição mais rápida do calor, portanto, pode ser utilizada também para cortes magros, como o peito. 2.3.2.2 Cocção úmida Apta para todo o tipo de corte. Quando se utiliza a pressão, o tempo deve ser muito breve, a fim de evitar que a peça se desmanche, comprometendo a aparência final da preparação. 91WWW.UNINGA.BR TÉ CN IC A DI ET ÉT IC A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Fechamos essa unidade contemplando dicas importantes abordadas pela apostila Cuidados com os alimentos, proposta pelo Ministério da Saúde: Carne Bovina: Quando frescas, são compactas, apresentam gordura branca e firme, cor vermelho- brilhante e cheiro agradável. Não compre se a carne estiver escura ou esverdeada, o cheiro for desagradável e não houver origem determinada e carimbo de inspeção do Ministério da Agricultura, denominado Serviço de Inspeção Federal (SIF). Peixe e Frutos do Mar: Estão frescos quando os olhos são arredondados, a guelra é vermelha, o cheiro é suave, a pele está brilhante e as escamas firmes. Se você apertar a carne, ela deve voltar à posição rapidamente. O camarão precisa estar com a cabeça presa ao corpo, a carapaça firme, o olho brilhante e o cheiro agradável. Frango e Aves: Estão bons quando a cor da pele variar do branco ao amarelo, a superfície for brilhante e firme ao tato. Verifique o carimbo de inspeção (SIF) e a validade. Miúdos (coração, fígado, rins, língua): Estão bons quando a superfície é brilhante, firme ao tato e a cor é regular, sem pontos brancos. É importante, também, que não haja mau cheiro Embutidos (salsicha, linguiça, salame, mortadela, presunto): A cor deve ser original, sem fungos ou corantes demais. Salsicha e linguiça não podem ter bolhas de ar ou apresentar líquidos. Observe se o salame não tem bolor, está escuro demais ou endurecido pela perda de água. 92WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS BENETTI, G. B.; BRANCO, L. M.; COMENALE, N.; ATAYDDE, S. R.; ZOLLAR, V. Manual de Técnicas Dietéticas. São Paulo: Yendis, 2014. BORGES, V. C. 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