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O Processo de Avaliação, a Inclusão Digital, a Educação e Trabalho na EJA Acadêmicos¹ Tutor Externo² RESUMO Este artigo explora a relação entre avaliação, inclusão digital, educação e trabalho na educação de jovens e adultos (EJA). Dados os desafios que esses públicos enfrentam, analisamos como a inclusão digital pode melhorar a aprendizagem e aumentar as oportunidades de renda no mercado de trabalho, sob a ótica de estudos e periódicos norteados pela doutrina de Paulo Freire. Também é discutida a importância de um processo de avaliação inclusivo que leve em conta a diversidade dos estudantes da EJA. Palavras-chave: Avaliação, Inclusão Digital, Educação, Trabalho, EJA. 1. INTRODUÇÃO A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino destinada àqueles que, qualquer que seja o motivo, não puderam concluir a educação básica na idade apropriada. Entretanto, esta modalidade enfrenta desafios intrínsecos, como por exemplo a heterogeneidade do público, muitas vezes de faixas etárias completamente diferentes; questões socioeconômicas e, principalmente, a necessidade de conciliar os estudos com trabalho (BRASIL, 2013). Logo, torna-se crucial discutir os processos de avaliação e a inclusão digital como elementos chave para a promoção da educação e do trabalho para esses alunos. Pois o papel do educador dessa modalidade se estende para muitos outros aspectos, além dos tradicionais. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Existem vários processos que necessitam de atenção no ensino, não poderia ser diferente no EJA. Um deles é a avaliação, esta precisa ser compreensiva e inclusiva, refletindo as particularidades do público a quem ela se destina. Segundo Freire (1996, p. 12), "ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção". Essa visão ressalta a importância de métodos avaliativos que considerem as experiências de vida dos alunos e suas trajetórias de aprendizagem, uma vez que não haveria absorção deste conhecimento se não houver alicerce para fixa-lo. Quanto as características sob as quais deve se fundamentar o EJA, Arroyo (2005) destaca que: A Educação de Jovens e Adultos tem de partir, para sua configuração como um campo específico, da especificidade desses tempos de vida – juventude e vida adulta – e da especificidade dos sujeitos concretos que vivenciam esses tempos. Tem de partir das formas concretas de viver seus direitos e da maneira peculiar de viver seu direito à educação, ao conhecimento, à cultura, à memória, à identidade, à formação e ao desenvolvimento pleno (ARROYO, 2005, p.22). Alinhado a este pensamento, Freire (2001, p.11) também diz que a leitura não se esgota somente na pura decodificação de signos das palavras e linguagens, ela também está presente na leitura do mundo, a qual vem antes da própria leitura da palavra, sendo tão importante uma quanto a outra. Inseridos nesse contexto, a inclusão digital é essencial para equipar os alunos dessa modalidade de ensino com habilidades necessárias no mundo contemporâneo. Como afirma Pinto (2000, p. 29), “o compromisso da escola é, sobretudo, o de assegurar a seus estudantes os instrumentos necessários para a participação ativa e cidadã no contexto em que estão inseridos”. Assim, o acesso às tecnologias da informação e comunicação (TIC) pode facilitar o processo de ensino-aprendizagem, promover a autonomia do aluno e melhorar suas perspectivas de emprego. Pois, uma vez que um computador, atualmente, representa acesso à diversas esferas sociais como conhecimento e também divertimento, ter uma versão que possa ser levada no bolso pode adquirir ainda mais valor, o que levaria a uma gama de possibilidades sociais e um aumento no interesse de aprendizado (Ferreira e Couto Junior, 2018). Sobre isso, Pretto (2013, p. 106) reforça ainda que: [...] os computadores e as redes nos trazem inúmeras possibilidades de produção de conhecimentos e de culturas e não apenas de consumo de informações e, se não forem aprisionadas por teorias pedagógicas estreitas e imediatistas, podem contribuir para a formação de uma geração de pessoas geniais que estarão programando máquinas, suas vidas, e, principalmente, os destinos do planeta e da humanidade (PRETTO, 2013, p. 106). Normalmente, muitos alunos estão conectados à Internet e utilizam redes sociais e diversos aplicativos. Porém, na EJA, por questões geracionais, muitas vezes encontramos na sala de aula a situação exatamente oposta: adultos e idosos não gostam de experiências digitais mediadas por redes, embora reconheçam a necessidade dessas tecnologias para melhorar sua prática social cotidiana (Silvia e Couto Junior, 2020). Diante da proposta de trabalhar com a Educação de Jovens e Adultos – EJA, é preciso encarar imediatamente a necessidade de abordar esses assuntos de uma forma diferente daquela que normalmente é associada aos alunos que seguem uma trajetória educativa para crianças e adolescentes. Pois ao retornarem às áreas da educação formal, jovens e adultos trazem consigo traços profundos de experiências que constituem suas dificuldades, mas também esperança e oportunidades, que não devem ser deixadas de lado no processo de construção do conhecimento vivenciado na escola. (SILVA, 2010, p.66). Uma dessas bagagens que os alunos do EJA constantemente trazem é necessidade de articulação entre educação e trabalho, sendo assim é também fundamental para a relevância e atratividade dessa modalidade de ensino que este seja um ponto de cuidado e atenção, uma vez que as pessoas que procuram por essa educação estão em sua maioria das vezes buscando melhores oportunidades. A formação deve estar alinhada às demandas do mercado de trabalho, promovendo habilidades que aumentem a empregabilidade dos alunos (BRASIL, 2013). 3. MATERIAIS E MÉTODOS Para a realização deste estudo, foi realizada uma revisão bibliográfica de literatura acadêmica e documentos oficiais sobre a EJA, processos de avaliação, inclusão digital, e articulação entre educação e trabalho. Figura 1: Fotografia de Paulo Freire ensinando adultos. Fonte: Jornal Online OutrasPalavras, Acervo O Globo. 2021. Foi tomado como norte para pesquisa os estudos baseados nas obras de Paulo Freire, autor e educador referência no ensino de jovens e adultos, sendo também doutrinador de vários estudos recentes sobre a construção do conhecimento. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 5. CONCLUSÃO A EJA desempenha um papel crucial na promoção da educação e da inclusão social. Para maximizar seu impacto, é necessário investir em processos de avaliação inclusivos, na inclusão digital e na articulação entre educação e trabalho. Essas estratégias podem proporcionar aos alunos da EJA as ferramentas necessárias para um desenvolvimento pessoal e profissional sustentável. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Brasília: MEC, 2013. FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 17ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001. SILVA, Jerry Adriani. Um estudo sobre as especificidades dos/as educandos/as nas propostas pedagógicas de educação de jovens e adultos-EJA: tudo junto e misturado. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010. ARROYO, Miguel. Educação de jovens adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, Leôncio José Gomes; GIOVANETTI, Maria Amélia.; GOMES, Nilma Lino. (Org.). Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. p.19-50. PINTO, Álvaro Vieira. Sete lições sobre educação de adultos. 11. Ed. São Paulo: Cortez, 2000. FERREIRA, Helenice Mirabelli Cassino; COUTO JUNIOR, Dilton Ribeiro. Juventudes, educação e cidade: a mediação dos dispositivos móveis de comunicação nos processos de aprender-ensinar. Textura, Canoas, v. 20, n. 44, p. 108-129, set/dez.2018. Disponível em: <https://bit.ly/2PSO3ue>. Acesso em: 3 jun. 2024. SILVA, Renata Borges Leal da; COUTO JUNIOR, Dilton Ribeiro. INCLUSÃO DIGITAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA): PENSANDO A FORMAÇÃO DE PESSOAS DA TERCEIRA IDADE. Revista Docência e Cibercultura, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 24–40, 2020. DOI: 10.12957/redoc.2020.46818. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/re-doc/article/view/46818. Acesso em: 3 jun. 2024. image1.png