Prévia do material em texto
Administração Integrada Professor conteudista: Marcos Eduardo de Mattos Nicola Acquaviva Neto Silvio Olivo Professor revisor: Flávio Celso Muller Martin Sumário Administração Integrada Unidade I 1 PRÁTICAS DE GESTÃO.......................................................................................................................................2 2 UM POUCO DA HISTÓRIA DA INDÚSTRIA E DOS MODELOS DE GESTÃO ................................. 17 3 FUNDAMENTOS DA EXCELÊNCIA .............................................................................................................. 21 3.1 Pensamento sistêmico ........................................................................................................................ 21 3.2 Aprendizado organizacional ............................................................................................................ 21 3.3 Cultura de inovação ............................................................................................................................ 24 3.4 Liderança e constância de propósito ............................................................................................ 26 3.5 Orientação por processos e informações ................................................................................... 31 3.6 Visão de futuro ...................................................................................................................................... 32 3.7 Geração de valor ................................................................................................................................... 33 3.8 Valorização das pessoas ..................................................................................................................... 34 3.9 Conhecimento sobre o cliente e o mercado.............................................................................. 34 3.10 Desenvolvimento de parcerias ...................................................................................................... 35 3.11 Responsabilidade social ................................................................................................................... 35 Unidade II 4 NORMAS E PROCESSOS ................................................................................................................................ 39 5 NORMALIZAÇÃO INTERNACIONAL E NACIONAL ................................................................................ 45 5.1 Normalização internacional ............................................................................................................. 46 5.2 Normalização nacional ...................................................................................................................... 47 5.2.1 Comitês técnicos ..................................................................................................................................... 48 6 VISÃO GERAL DAS PRINCIPAIS NORMAS .............................................................................................. 49 7 A NORMA ISO 9001 ........................................................................................................................................ 60 1 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Unidade I APRESENTAÇÃO A Administração Integrada é entendida como a integração de práticas de gestão consagradas mundialmente, acrescidas de outras inovadoras, que produzam resultados relevantes para todas as partes interessadas, com eficiência e eficácia sendo ao mesmo tempo aderentes às restrições impostas por esses mesmos interessados. A eficiência está ligada à boa utilização dos recursos disponíveis, à ideia de produtividade – fazer certo as coisas. A eficácia tem a ver com o bom resultado global da organização – fazer as coisas certas. Assim, são objetivos gerais da disciplina Administração Integrada: conhecer os fundamentos da excelência e demais normas consagradas, tendo‑os como um modelo de administração. A intenção é de que, ao término do curso, o aluno tenha desenvolvido sua capacidade de analisar criticamente as práticas de gestão utilizadas nas empresas; examinar criticamente os resultados relevantes produzidos pela aplicação dessas práticas, bem como a distribuição desses resultados relevantes entre as partes interessadas. Todo o referencial teórico deste modelo de excelência está consubstanciado nas publicações da Fundação Nacional da Excelência, além de outras publicações pertinentes, que serviram como referencial teórico do conteúdo programático desta disciplina. 2 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Em qualquer situação, você pode exercitar a arte de administrar, seja administrando as suas próprias atividades, finanças ou grupo de pessoas que exercem atividades sob a sua supervisão. Neste livro‑ texto, você será convidado(a) a exercitar, na sua empresa ou organização, os conceitos e técnicas aqui apresentados. Esta disciplina afeta todas as profissões e situações. Nela, buscamos apresentar o estado da arte em gestão com exemplos reais, para que seja facilitado o seu aprendizado. Dessa forma, você poderá assimilar mais facilmente todos os conceitos que lhe serão apresentados e constatar a aplicação deles em qualquer condição de trabalho. 1 PRÁTICAS DE GESTÃO Para a Fundação Nacional da Qualidade, organização é: companhia, corporação, firma, órgão, instituição, empresa ou uma unidade dessas; sociedade anônima, limitada ou com outra forma estatutária, que tem funções e estruturas administrativas próprias e autônomas, no setor público ou privado, com ou sem finalidade de lucro, de portes pequeno, médio ou grande. Em outras palavras, a organização é a soma de um conjunto de pessoas únicas acrescidas de variáveis econômicas, legais, tecnológicas, culturais e outras, interagindo entre si, sendo que a interação pode ser favorável ou contrária à organização. Por sua vez, a organização como um todo também interage com outras organizações, de forma positiva ou negativa, gerando dinamicamente equilíbrios ou desequilíbrios que afetam o crescimento da sociedade. O conceito de Administração sempre foi muito discutido, e diversos autores trouxeram contribuições: • Administração é o processo de alcançar objetivos pelo trabalho com e por intermédio de pessoas e outros recursos organizacionais. 3 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar o trabalho dos membros da organização e utilizar todos os recursos organizacionais disponíveis para alcançar objetivos organizacionais definidos. • Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar o uso de recursos para alcançar objetivos de desempenho. • Administração é o alcance de objetivos organizacionais da maneira eficaz e eficiente graças ao planejamento, à organização, à lidernaça e ao controle dos recuros organizacionais. • Administração é o ato de trabalhar com e por intermédio de outras pessoaspara realizar os objetvios da organização, bem como dos seus membros (CHIAVENATO, 2007, p. 4). Foco em objetivos estratégicos Planejamento Direção Controle Organização Comunicação Desempenho Convergência Visão de futuro Missão e valores Proatividade e a visão antecipada Foco em resultados Eficácia e eficiencia Visão sistêmica e holística Networking Liderança A rosácea da administração: a reunião de competências necessárias. Fonte: Costa Neto (2010). Figura 1 4 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Costa Neto (2010) afirma que, desde a publicação das obras Taylor e Ford que entendiam a Administração como uma ciência, e não como uma arte, passou‑se a definir as quatro grandes funções da Administração: planejamento, organização, direção e controle, descritas no Quadro 1. Quadro 1 – Funções da Administração e tópicos correlatos Planejamento O que (what) fazer Por que (why) fazer Como (how) fazer Organização Quem (who) vai fazer Onde (where) fazer Quando (when) fazer Direção Efetividade, eficiência e eficácia Liderança e motivação Comando eficaz Controle Comparação com os padrões Correção de rumos Subsídios ao aperfeiçoamento Fonte: Costa Neto (2010). Podemos citar vários autores que pensam sobre a Administração, mas o que vem a ser Administração Integrada? Imagine o trabalho da construção das pirâmides no Egito, do Coliseu na Itália e da Grande Muralha da China. Desde épocas remotas, havia uma organização do trabalho. Considere que cada povo tinha a sua maneira particular de organizar o trabalho e administrá‑lo. Nos dias atuais isso não é diferente: cada organização possui uma forma específica de administrar as atividades de forma integrada com eficiência e eficácia. 5 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Eficiência tem a ver com ouso adequado dos recursos, enquanto a eficácia tem a ver com a qualidade dos resultados das ações realizadas. Então, como administrar de forma integrada? Qual modelo seguir? Na busca por respostas, vários teóricos analisaram as organizações e suas formas próprias de administrar e desenvolveram diversas teorias. Carvalho (2005) e Costa Neto (2010) fazem uma resgate histórico de pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da administração como ciência e citam “os pioneiros”: • Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.) via a Administração como uma habilidade pessoal separada do conhecimento técnico e da experiência. • Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) estudou a organização do Estado e distingue três formas de administração pública: a monarquia, a aristocracia e a democracia. • Francis Bacon (1561 – 1626) enunciou o princípio do principal sobre o acessório. • Thomas Hobbes (1588 – 1679) defendia que Estado deveria impor a ordem e a organização da vida em sociedade. • Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778) pregou a necessidade do contrato social. • Adam Smith (1723 – 1790) introduziu o liberalismo econômico, ao publicar a obra A riqueza das nações. • Jeremy Bentham (1748 – 1832) publicou Uma introdução aos princípios da moral e da legislação. • William Gladstone (1809 – 1898) criou a figura da sociedade de responsabilidade limitada. 6 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • Karl Heinrich Marx (1818 – 1883), juntamente com Friedrich Engels (1820 – 1895), lançou o Manifesto Comunista. • Henry Fayol (1841 – 1925), considerado o idealizador da Teoria Clássica da Administração, lançou em 1911 o livro Administração industrial e geral. • Vilfredo Pareto (1848 – 1923) executou, em 1897, um estudo sobre a distribuição de renda, mediante o qual se percebeu que a distribuição de riqueza não se dava de maneira uniforme, havendo grande concentração de riqueza (80%) nas mãos de uma pequena parcela da população (20%). • Frederick Winslow Taylor (1856 – 1915) foi considerado o pai da Administração Científica, ao consubstanciá‑la em seu clássico livro Princípios da Administração Científica. • Henry Ford (1863 – 1947) foi um dos principais responsáveis pela produção em massa na indústria automotiva. • Max Weber (1864 – 1920) notabilizou‑se por publicar estudos sobre a importância e o tipo ideal de burocracia. • Alfred P. Solan Jr. (1875 – 1966), opondo‑se a Ford, estabeleceu a divisão da produção em unidades autônomas com marcas e preços diferenciados. • George Elton Mayo (1880 – 1949) descobriu a importância do fator humano na produção. • Walter Andrew Shewhart (1891 – 1967) concebeu os gráficos de Controle Estatístico de Processos – CEP, o gráfico Plan Do Control Action – PDCA, publicando o livro Economic control of quality of manufactured product (1931). 7 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • William Edwards Deming (1900 – 1993) ministrou ensinamentos da qualidade aos japoneses após a Segunda Guerra Mundial e popularizou o ciclo PDCA concebido por Shewart. Em sua homenagem, os japoneses criaram o Prêmio Deming da Qualidade (1950). • Ludwig Von Bertalanffy (1901 – 1972) enxergou que os processos que existem na natureza, sejam biológicos, administrativos ou de qualquer outra natureza, não ocorrem isoladamente, mas se desenvolvem como partes de um meio ambiente maior em que estão inseridos. • Joseph M. Juran (1904 – 2008), um dos pioneiros da qualidade, criou a trilogia planejamento, controle e melhoria da qualidade. • Peter Ferdinand Drucker (1909 – 2005), considerado o maior guru da Administração, publicou dezenas de livros voltados à área. • Armand V. Feigenbaum (1922) concebeu o conceito de controle da qualidade total e gestão da qualidade total. • Philip Crosby (1926 – 2001) popularizou o princípio de fazer certo da primeira vez como parte do seu programa Zero Defeito. Observe que até aqui mencionamos autores consagrados ocidentais, mas, por outro lado, há autores orientais que não poderiam deixar de ser citados, dentre eles: • Kaoru Ishikawa (1915 – 1989): desenvolveu o modelo espinha de peixe para resolução de problemas, dentre outros. • Genichi Taguchi (1924): introduziu a interessante ideia da qualidade como associada à perda monetária imposta à sociedade por falhas dos produtos. 8 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • Tahiichi Ono (1912 – 1990): foi considerado o criador do Sistema Toyota de Produção e o pai do sistema Kanban. • Toyoda Kiichiro (1894 – 1951): criador do sistema Just‑in‑Time. Há também dois brasileirosque devem ser citados: • Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto (1939): engenheiro pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, mestre pela Stanford University e doutor pela USP – Universidade de São Paulo, professor aposentado pela USP, diretor‑presidente da Fundação Carlos Alberto Vanzolini, juiz do Prêmio Nacional da Qualidade e autor de 14 livros, alguns deles citados na bibliografia desta disciplina. • Vicente Falconi Campos (1940): divulgador das técnicas japonesas para a qualidade em nosso país e autor de diversos livros, tais como: TQC – Controle da Qualidade Total (no estilo japonês); Qualidade total: padronização de empresas, dentre outros. Todos esses autores contribuíram para a evolução da Administração como ciência, e, com ideias inovadoras e revolucionárias para a sua época e ainda presentes em muitos segmentos industriais e prestadores de serviços, modificaram a gestão das organizações ao longo do século XX. Muito pouco do que eles desenvolveram foi descartado; na verdade, vem sendo aperfeiçoado ao longo dos séculos XX e XXI; e muito do pensamento desses visionários foi aplicado nos mais diversos segmentos, transformando‑se em doutrina e pontos de partida para novas pesquisas por autores deste século XXI. Parte do conhecimento produzido, acumulado ao longo do século e passado à nossa geração, foi registrado em livros e disseminado pelos próprios autores, por intermédio de consultorias e professores em diversos cursos. 9 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Acabamos de ver autores consagrados até a década de 1980. Porém, a partir deste ponto houve uma explosão criativa teórica e prática com o surgimento de aproximadamente setenta ferramentas de gestão. Eis algumas delas: Quadro 2 Alinhamento estratégico Empowerment Análise de valor econômico Gestão do conhecimento Análise SWOT Inteligência competitiva Balanced Scorecard Organizações que aprendem Benchmarking Planejamento de cenários Cadeia de valor Reengenharia Competência essencial Seis sigmas Disciplinas de valor Valor vitalício do cliente Fonte: Davenport; Prusak, apud Herrero (2005). Até meados da década de 1980, no mundo ocidental, as grandes empresas do ramo automobilístico, petroquímico, energético possuíam enormes departamentos voltados para a qualidade que englobavam a engenharia e a garantia da qualidade para o desenvolvimento e aplicação de novas ferramentas que evitassem as falhas antes que elas ocorressem (ações preventivas), controle este que tinha por objetivo detectar as falhas ocorridas nos processos produtivos (ações corretivas) e também promover o desenvolvimento de fornecedores. Era comum tais empresas exigirem dos seus fornecedores sistemas de gestão da qualidade aderentes ao seu próprio modelo de gestão. Do lado dos fornecedores, era comum estes possuírem “diversos sistemas de gestão da qualidade”, um sistema para cada cliente, o que tornava a sua gestão uma verdadeira torre de babel, ou melhor, caótica. Já no lado oriental, os japoneses, na direção oposta, desenvolviam outras ferramentas de gestão que veremos mais adiante. 10 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Em 1987, surge a primeira versão da norma ISO 9001, que fornecia documentação contratual para demonstrar que a produção estava sob controle, mudando a gestão das empresas mundo afora, pois a partir disso as grandes organizações passaram a exigir os certificados ISO 9001, obtido junto a entidades certificadoras que atuavam de forma independente. Pelo efeito cascata, cada fornecedor exigia dos seus fornecedores os certificados ISO 9001 de seus fornecedores, que, por sua vez, exigiam o mesmo de seus fornecedores criando um efeito cascata benéfico para todos. Nesta época, era comum as empresas desmontarem departamentos da qualidade dispensando os funcionários, pois para ter qualidade era suficiente ter fornecedores certificados pela norma. Os funcionários demitidos, sem muitas chances de emprego, se converteram em consultores que, atendendo a empresas de porte médio ou pequeno, disseminaram como implantar a norma de qualidade e sua certificação, criando outro efeito cascata benéfico. Do lado dos fornecedores essa “certificação” veio facilitar a sua gestão, pois bastava apenas um manual, um certificado. Fomos de um extremo a outro: terceirização total do processo de desenvolvimento de fornecedores, da grande indústria para consultores e entidades certificadoras, o que, convenhamos, não é adequado para ambas as partes. Hoje muitas empresas buscam caminhos intermediários para equacionar tais problemas. Algumas recriaram seus departamentos da qualidade em novas bases, outras passaram a exigir critérios mais rigorosos nos processos de seleção de fornecedores etc. Em 1994 é publicada a segunda versão da ISO 9001 enfatizando ações preventivas e corretivas, mas, tal qual na versão anterior, a tônica era a documentação; os auditores buscavam documentos que apresentassem as evidências objetivas. 11 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Em 2000, é publicada a terceira versão da ISO 9001, agora fundamentada em oito princípios da qualidade aderentes aos conceitos de Gerenciamento Total da Qualidade, desenvolvidos para a utilização da alta direção, tendo em vista a melhoria de desempenho da organização. Vejamos quais são eles: a) Foco no cliente. b) Liderança. c) Envolvimento de pessoas. d) Abordagem de processo. e) Abordagem sistêmica para a gestão. f) Melhoria contínua. g) Abordagem factual para tomada de decisões. h) Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. O uso com sucesso dos oito princípios de gestão por uma organização resultará em benefícios para as partes interessadas, tais como melhoria no retorno financeiro, criação de valor e aumento de estabilidade (ABNT, NBR ISO 9004). Outras normas foram desenvolvidas. Em 1996 foi publicada a primeira versão da norma ISO 14001 relativa ao meio ambiente, e, em seguida, a OHSAS 18001 (1999) publicou a sua norma sobre Segurança e Saúde no Trabalho. Outras normas foram publicadas por organismos internacionais (IEC, IEEE, Coso, Cobit, PMI etc). Recentemente, publicou‑se a ISO 26000, que trata da responsabilidade social, com os seguintes princípios: 12 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Quadro 3 Princípios Responsabilidade Assumir voluntariamente o dever de responder por todas as consequências de suas ações. Transparência Oferecer às partes interessadas todas as informações sobre os fatos que possam afetá‑las, de forma acessível, compreensível e com prazos adequados. Comportamento ético Agir de modo aceito pela sociedade como correto, e não fazer a outros o que não aceitaria que fosseimposto por outros a você. Consideração pelas partes interessadas Ouvir e considerar as manifestações das pessoas, ou entidades que tenham interesse identificável nas atividades da organização. Legalidade Como ponto de partida mínimo, para ser socialmente responsável, cumprir integralmente as leis do país onde está operando. Normas internacionais Adotar prescrições de tratados e outros acordos internacionais favoráveis à responsabilidade social, mesmo que ainda não obrigados por lei. Direitos Humanos Reconhecer a importância e a universidade dos Direitos Humanos, cuidando para que as atividades da organização não os agridam direta ou indiretamente. Fonte: Pagliuso (2010). A tabela a seguir apresenta algumas empresas consagradas, campeãs do Prêmio Nacional da Qualidade, que foram acumulando sistemas de gestão, tornando‑os integrados. Tabela 1 Empresa Certificações CPFL PAULISTA IS0 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, SA 8000. ALBRAS IS0 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, SA 8000, ANSI/ASQ Q 9001. PROMON IS0 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, ISO 27001. CETREL S.A IS0 9001, ISO 14001, OHSAS 18001, ISO 17025; SA 8000. DANA IS0 9001, ISO 14001, ISO/TS 39479, ISO/TS 16949. Fonte: Pagliuso (2010). 13 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Há muitos modelos de gestão consagrados e há sempre novos sendo desenvolvidos. Surge então a questão: qual é o melhor? A resposta: aquele que melhor se adequar à situação, pois como Herrero (2005) afirma, não existe uma fórmula mágica para o sucesso empresarial. Um exemplo de empresa que não se adequou à situação é o das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo – IRFM, um império dos anos 1950 que perdeu progressivamente sua importância ao longo das décadas. Keller e Teufel (1998) lembram que os modelos de referência à gestão podem ser – e normalmente são – elaborados a partir do que se consideram as melhores práticas do mercado, mantendo sua universalidade e possibilitando “reutilização” na construção de modelos específicos ou de outros modelos de referência (PAGLIUSO, 2010, p. 50). Como resultado da observação e estudo de tantas variantes, o modelo que é considerado o estado da arte da gestão é o Modelo de Excelência da Gestão concebido pela Fundação Nacional da Qualidade. Têm‑se aí práticas de gestão e resultados, ou seja, resultados são consequências da aplicação de boas práticas de gestão. Práticas de gestão Resultados Figura 2 Para facilitar o entendimento dessa integração de práticas de gestão, vamos começar com um exemplo simples e muito familiar a você caro (a) aluno (a). Com certeza, você deseja ser aprovado 14 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 (resultado) em todas as disciplinas do curso e posteriormente aplicar esse conhecimento obtido na sua atividade profissional. No entanto, como obter esse resultado (aprovação)? Confúcio (551 a.C – 479 a.C.) dizia “Eu ouço e esqueço, eu vejo e eu lembro, eu faço e eu aprendo”. Esse pensamento é, portanto, um precursor do “aprender fazendo”? Existem várias formas de gerar conhecimento: observar, pesquisar, empregar engenharia reversa, tecnologia etc., entre outras. A mais tradicional é por meio de cursos presenciais e semipresenciais, e recentemente temos a EaD, educação a distância. Observe que você teve diversas opções de aprendizado e pôde escolher uma delas, fazendo uso de alguns critérios pessoais: preço, horários, disponibilidade do seu tempo, facilidades de transporte etc. Você optou pela EAD. Vamos nomear opção como definição da prática de gestão. Ela não difere em nada dos processos de gestão empresariais, quando os gestores escolhem as suas práticas de gerência. É claro que existem muito mais variáveis envolvidas, pois, enquanto no seu caso o único a se beneficiar ou se prejudicar pela escolha da prática é você mesmo, no âmbito empresarial isso é mais complexo, os beneficiários ou os prejudicados pela escolha das práticas são vários: clientes, fornecedores, funcionários, comunidade, estado, sociedade, academia, sindicatos, acionistas etc. Uma vez escolhida a prática de gestão (sua forma de aprendizado, por meio do EaD), você se verá diante da etapa seguinte: como implantá‑la, ou, em outras palavras, como estudar? Para isso, precisará realizar o planejamento de seu estudo respondendo a seis questões fundamentais: o que, quem, quando, onde, como, por quê. • O que: a realização da disciplina Administração Integrada. • Quem: você. • Quando: escolha adequadamente seus horários de estudo conciliando com suas outras atividades pessoais e profissionais. 15 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • Onde: sala de aula, polo, casa, trabalho etc. • Como: lendo o livro‑texto antes de assistir à videoaula ou à aula ao vivo; assistindo à aula; esclarecendo as dúvidas; resolvendo os exercícios; consultando o banco público de boas práticas, tais como: Fundação Nacional da Qualidade, ETHOS, ABES, entre outros. • Por quê: para adquirir conhecimento, aprender, ser aprovado (resultado) nas provas e aplicá‑lo na vida profissional. É conveniente que você elabore um cronograma para visualização do seu planejamento. Pode ser uma simples tabela como esta: Tabela 2 Horário Semana 0 Semana 1 Semana 2 Semana 3 ...... Semana n Leitura prévia Aula 1 Aula 2 ............. ............. ...... ................... Assistir aula Aula 1 Aula 2 ............... Esclarecer dúvidas Aula 1 Aula 2 Resolver exercícios Aula 1 Aula 2 Pesquisar sites Aula 1 Aula 2 Realização de provas Dando continuidade ao planejamento de seus estudos, agora é hora de executar tudo o que foi planejado. Não espere terminar o semestre para verificar se realizou ou não o que planejou, se obteve os resultados desejados. Ao final de cada semana, compare o que estava programado com aquilo que efetivamente realizou. Ao fazer a comparação, você detecta os itens cumpridos e os não cumpridos do seu planejamento, e então é hora de realizar uma avaliação e agir sobre eles, de forma proativa, e realimentar o plano dos seus estudos, corrigindo‑o, adaptando‑o, mantendo‑o etc. 16 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Até aqui você deve ter percebido que aplicou o famoso ciclo PDCA ao seu processo de aprendizado: P de plan – planejamento, D de do – execução, C de control – controle, acompanhamento, follow‑up, e A de act – ação. Esse é exatamente o ciclo utilizado por qualquer empresa, de qualquer ramo, de qualquer tamanho, de qualquer nacionalidade, conforme ilustra a figura em seguida desenvolvida por Shewart (1920) e popularizada por Deming (1950). A C P D Figura 3 Com o tempo você melhora o processo de aprendizado. A experiência adquirida após as provas, questionáriose atividades permite observar os resultados (práticas e resultados) e com isso você pode planejar suas etapas futuras nos próximos semestres. Se você comparar suas práticas e resultados com os dos seus colegas você pode estabelecer outras formas de estudar. Isso é comparar sua prática com outras práticas similares, visando à melhoria do seu processo de aprendizado e redefinindo a sua prática de gestão. Conclusão: pratica o L de learning – aprendizado, ou seja, além de realizar um ciclo PDCA, também executa um ciclo PDCL melhor visualizado na figura a seguir: 17 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Planejamento da execução Ação AvaliaçãoMelhoria Execução Verificação Definição das práticas e padrões Figura 4 2 UM POUCO DA HISTÓRIA DA INDÚSTRIA E DOS MODELOS DE GESTÃO Até o século XVIII, a evolução da humanidade era muito lenta uma vez que quaisquer inovações apresentavam absorção extremamente vagarosa. Da metade do século XVIII em diante, a Revolução Industrial transformou os modos de produção e iniciou um acelerado processo de crescimento econômico, criando inovações mais rapidamente. Veja o texto a seguir: A maioria das empresas atuais – qualquer que seja o seu ramo, a sofisticação tecnológica de seus produtos ou serviços, ou a sua nacionalidade de origem – pode remontar o seu estilo de trabalho e as suas raízes organizacionais à prototípica fábrica de alfinetes descrita por Adam Smith em A riqueza das nações, publicado em 1776. Smith, filósofo e economista, reconheceu que a tecnologia da Revolução Industrial havia criado oportunidades sem precedentes para os fabricantes aumentarem a produtividade dos trabalhadores e, assim, reduzirem o custo dos produtos, não em pequenas porcentagens – atingíveis quando se persuade um 18 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 artesão a trabalhar com um pouco mais de rapidez – mas em ordens de grandeza. Em A riqueza das nações, esse precursor do consultor de empresas, em sua época um pensador radical, explicou o que denominou de princípio da divisão do trabalho. O princípio de Smith refletiu as suas observações de que certo número de trabalhadores especializados, cada qual realizando uma etapa individual da fabricação de um alfinete, poderia produzir, em um dia, muito mais alfinetes do que o mesmo número de trabalhadores empenhados na produção de alfinetes inteiros. “Um homem” – escreveu Smith – “estica o arame, outro o endireita, um terceiro o corta, um quarto faz a ponta, um quinto esmerilha o topo para receber a cabeça; produzi‑Ia requer duas ou três operações distintas; ajustá‑la no alfinete é uma atividade peculiar, pratear os alfinetes é outra; inseri‑los na cartela de alfinetes constitui até uma atividade independente.” Smith relatou ter visitado uma pequena fábrica, empregando apenas dez pessoas, cada uma realizando apenas uma ou duas das 18 tarefas especializadas envolvidas na fabricação de um alfinete. “Essas dez pessoas eram capazes de produzir, conjuntamente, mais de 48 mil alfinetes por dia. Porém, trabalhando separada e independentemente, e sem ter sido educada nessa atividade peculiar, cada uma delas certamente não conseguiria produzir vinte ou nem mesmo um alfinete ao dia.” A divisão do trabalho aumentava a produtividade dos alfineteiros em centenas de vezes. “A vantagem”, escreveu Smith, “deve‑se a três diferentes circunstâncias: primeira, ao aumento da destreza de cada trabalhador individual; segunda, à economia do tempo normalmente perdido na passagem de 19 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 uma espécie de trabalho para outra; e, finalmente, à invenção de um grande número de máquinas que facilitam, abreviam o trabalho e permitem a um homem realizar o trabalho de muitos.” As atuais companhias aéreas, usinas siderúrgicas, firmas de contabilidade e fabricantes de chips para computadores foram todas construídas em torno da ideia central de Smith – a divisão ou especialização da mão de obra e a resultante fragmentação do trabalho. Quanto maior uma organização, mais especializados são os seus trabalhadores e mais fragmentado é o seu trabalho. Fonte: Hammer; Champy (1994). O processo de aprendizado da época consistia na transferência de conhecimentos e habilidades do mestre para o aprendiz. Basicamente ensinava‑se e praticava‑se como fazer, e não necessariamente a melhor forma de fazer. Pense em ferreiros transmitindo as técnicas para seus aprendizes: qualidade e competitividade não eram preocupações diuturnas. Até então, quaisquer revoluções se estabilizavam após algum tempo, e a Revolução Industrial foi diferente: não se estabilizava, pois procurava novas tecnologias e inovações. Entre 1850 e 1950, aproximadamente, as descobertas da ciência (máquina a vapor, eletricidade, química e outras), aumentam a produtividade e levam à criação de novos mercados. No século XX ocorreu um gigantesco crescimento em todas as ciências e áreas do conhecimento conjuntamente com o crescimento da população mundial, que passou de um para mais de sete bilhões de pessoas, mesmo com guerras mundiais, catástrofes naturais e epidemias. Ciência e população em rápido crescimento se traduz em aumento da demanda por produtos e serviços. 20 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 A resposta da indústria a essa demanda foi a rápida difusão de inovações tecnológicas e organizacionais, suprindo‑a em escala mundial. Foi o século das inovações em transporte (ferrovias, motor a combustão, motor elétrico etc.), comunicações (telégrafo, telefone, telex, fax, internet etc.), e, naturalmente, de gestão. Esse avanço tecnológico resultou na empresa industrial, que levou à concentração econômica (com monopólios e oligopólios) e outros fenômenos. Resgatando a história das organizações, podemos citar a Administração Científica que Taylor desenvolveu e Henry Ford implantou (1913), em que os operários realizam tarefas braçais e os gestores ficam distantes do “chão de fábrica”. Entre os instrumentos desenvolvidos no século XX para aprimorar os métodos de gerenciamento das empresas está o da qualidade. Autores consagrados, como Shewart, Juran e Deming, desenvolveram ferramentas de gestão da qualidade, mas não puderam testá‑las nos Estados Unidos, pois havia excesso de recursos naturais, financeiros e humanos, e não havia interesse no assunto. Porém, no Japão as oportunidades foram promissoras para a implantação destas ferramentas, uma vez que após a Segunda Guerra Mundial havia falta de recursos naturais e financeiros, aliados à característica peculiar da população de ter enraizados valores sociais de respeito à hierarquia, como mostra a figura 5. Imperador PátriaEmpresa Família ‑ pais, avós Família ‑ filhos, netos, avós Eu Figura 5 21 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 É interessante notar que um dos alicerces para o crescimento da importância da indústria japonesa na economia mundial foi exatamente um conjunto de práticas de gestão desenvolvidas por americanos que não encontraram espaço em seu próprio país para aplicá‑las. Isto não desmerece os japoneses, pois foram capazes de desenvolver seus próprios modelos de gestão, como o modelo Toyota de produção. 3 FUNDAMENTOS DA EXCELÊNCIA Os fundamentos da excelência expressam conceitos reconhecidos internacionalmente e que se traduzem em práticas ou fatores de desempenho encontrados em organizações líderes de classe mundial, que buscam constantemente se aperfeiçoar e se adaptar às mudanças. 3.1 Pensamento sistêmico O conceito de pensamento sistêmico envolve o entendimento das relações de interdependência entre os diversos componentes de uma organização, bem como entre a organização e o ambiente externo. O pensamento sistêmico é mais facilmente demonstrado e compreendido pelas pessoas de uma organização quando esta adota um modelo de gestão e o dissemina de forma transparente, com um monitoramento por meio de autoavaliações sucessivas. 3.2 Aprendizado organizacional Busca alcançar um novo patamar de conhecimento organizacional por meio da percepção, reflexão, avaliação e compartilhamento de experiências. O aprendizado organizacional deve estar internalizado na cultura da organização, tornando‑se parte do trabalho diário em todos os níveis e em quaisquer de suas atividades. Preservar 22 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 o conhecimento que a organização tem de si própria, de sua gestão e processos é fator básico para sua evolução. A organização deve buscar o conhecimento compartilhado e o aprendizado coletivo. A gestão do conhecimento, apoiada na geração, codificação, disseminação e apropriação de conhecimentos, valorizam e perpetuam o capital intelectual. O aprendizado organizacional incentiva a experimentação, utiliza o erro como instrumento pedagógico, dissemina suas melhores práticas, compartilha informação e conhecimento, desenvolve soluções e implementa melhorias e inovações de forma sustentada. Para entendermos melhor esse tema, recorremos a Senge (2003, p. 50), que define as organizações que aprendem como lugares “onde as pessoas continuamente expandem sua capacidade de criar os resultados que verdadeiramente desejam, onde novos e vastos padrões de pensamento são alimentados, onde a aspiração coletiva é libertada e onde as pessoas estão sempre aprendendo sobre como aprender em conjunto”. Para Ikujiro Nonaka, citado por Garvin (2002, p. 5): “A invenção de novos conhecimentos não é uma atividade especializada, é uma forma de comportamento, ou melhor, um modo de ser no qual todos são trabalhadores do conhecimento”. Quadro 4 Definições de aprendizagem organizacional Aprendizagem organizacional significa o processo de aprimoramento das ações por meio de melhor conhecimento e compreensão. Aprendizagem organizacional é definida como o aumento da capacidade de uma organização realizar ações eficazes. Uma entidade aprende se, por meio de seu processamento de informações, a gama de comportamentos potenciais é ampliada. Aprendizagem organizacional é um processo de detecção e correção de erros. Aprendizagem organizacional é definida como o processo pelo qual se desenvolve o conhecimento das relações ação‑resultado entre a organização e o ambiente. Considera‑se que as organizações aprendem quando codificam inferências da história em rotinas que orientam o comportamento. Aprendizagem organizacional ocorre por meio de insights compartilhados, conhecimento e modelos mentais [... e] se baseia no conhecimento e experiências passadas – ou seja, na memória. Fonte: Garvin (2002). 23 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Individualmente, cada um tem a sua própria forma de aprender e que vai se aperfeiçoando ao longo da vida, em função dos erros cometidos e de novos conhecimentos que vão sendo adquiridos. Alguns princípios, valores e conhecimentos que adquirimos permanecem imutáveis para nós, o que explica as muitas situações em que temos dificuldades de deletar aquilo que aprendemos, seja pelo fato de ter sido útil em determinadas ocasiões, seja porque nos agrada etc. Em outros momentos, entretanto, sabemos que não devemos percorrer determinados caminhos, pois eles conduzem a erros. Podemos chamar essa soma de erros e acertos como experiência profissional e pessoal. Enfim, devemos evoluir de uma forma tal que nos mantenha atualizados em relação à profissão que escolhemos. Devemos, assim, estar sempre pesquisando novos conhecimentos que serão úteis para o nosso exercício profissional. No mundo empresarial não é diferente, as empresas também possuem suas experiências de acertos e erros, ganhos e perdas, etc. Enquanto que, na vida pessoal, você é o gestor das suas experiências pessoais; na empresa, a dificuldade em gerir esses erros e acertos é imensa, pois se trata de um ambiente coletivo, que reúne experiências diversas e conhecimentos acumulados por um determinado número de pessoas. Autores consagrados internacionalmente vêm se dedicando a este tema: aprendizado organizacional –, buscando formas de documentar as experiências (conhecimentos) da empresa, gerir e adquirir novos conhecimentos e disseminá‑los de forma adequada para as pessoas pertinentes e para o mercado, ou seja, não reinventar a roda, ser competitivo, ser produtivo, ser mais ágil que os concorrentes, atender melhor aos clientes, minimizar os custos internos etc. 24 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 3.3 Cultura de inovação Até o advento da primeira Revolução Industrial, tivemos poucas inovações, sejam na agricultura ou na indústria da época. Foi a partir dessa revolução que as inovações passaram a ocorrer com mais intensidade em todos os ramos do saber, de modo que, nos dias atuais, é impossível não nos preocuparmos com as inovações que devemos gerar e com aquelas que possam afetar de forma benéfica ou adversa nossas vidas pessoais, profissionais e empresariais. Podemos tomar como exemplo a fabricação de carros há cem anos em escala industrial e as inovações que diariamente surgem na indústria automobilística, assim como nas indústrias médica, farmacêutica e as ligadas à moda, surgem nas TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação etc. Portanto, “invente, tente, faça diferente”. Esse é o comercial da Rede Globo que você já conhece. Aplique‑o na sua vida pessoal, profissional e empresarial, seja como funcionário ou ocupando cargosgerencias e empresariais. A cultura de inovação se traduz em ambiente interno que incentive a criatividade para gerar ideias que possam gerar um diferencial competitivo para a empresa. Vejamos, no quadro em seguida, definições dos tipos de inovação: Quadro 5 Tipos de inovação Definição Inovação de produto É a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado com relação aos produtos existentes tanto de características funcionais como de usos previstos. As inovações de produto podem utilizar novos conhecimentos ou tecnologias, ou podem basear‑se em novos usos ou novas combinações para conhecimento ou tecnologias existentes. 25 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Inovação de processo É a implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado. Os métodos de produção envolvem técnicas, equipamentos e/ou softwares utilizados para produzir bens e serviços. Já os métodos de distribuição, dizem respeito à logística da empresa. Além da produção e distribuição, esse tipo de inovação também envolve as atividades de compras, contabilidade, computação e manutenção e a implementação de tecnologias da informação e da comunicação (TICs) novas ou significativamente melhoradas, caso vise à melhoria de eficiência. Inovação organizacional É a implementação de um novo método organizacional, que pode ser uma nova prática de negócio da empresa, uma nova organização do local de trabalho ou nas relações externas. Os aspectos distintivos da inovação organizacional, se comparada a outras mudanças organizacionais, está no fato de não ter sido usada anteriormente na empresa e de ser o resultado de decisões estratégicas tomadas pela gerência. Inovação no marketing Implementação de novos métodos de marketing, como mudanças no design do produto e na embalagem, na promoção do produto e sua colocação no mercado, e de métodos de estabelecimento de preços de bens e de serviços. É a implementação de um novo método de marketing, voltado para as necessidades dos consumidores, abrindo novos mercados ou reposicionando o produto no mercado, com o objetivo de aumentar as vendas. Deve representar mudanças significativas na concepção do produto ou em sua embalagem, no posicionamento do produto, em sua promoção ou na fixação de preços. Deve fazer parte de um novo conceito ou estratégia de marketing que representa um distanciamento substancial dos métodos de marketing existentes na empresa. Fonte: Carvalho (2009). Uma contribuição importante nos é fornecida por Tigre (2006, pp. 47‑48): Uma inovação só produz impactos econômicos abrangentes quando se difunde amplamente entre empresas, setores e regiões, desencadeando novos empreendimentos e criando novos mercados: Ex: energia elétrica, semicondutores, Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC etc. 26 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Conceitos de mudança tecnológica Do ponto de vista conceitual, uma primeira distinção é usualmente feita entre tecnologias e técnicas. A tecnologia pode ser definida como conhecimento sobre técnicas, enquanto as técnicas envolvem aplicações desse conhecimento em produtos, processos e métodos organizacionais. Quadro 6 – Taxonomia das mudanças tecnológicas Tipo de mudança Características Incremental Melhoramentos e modificação cotidiana. Radical Saltos descontínuos na tecnologia de produtos e processos. Novo sistema tecnológico Mudanças abrangentes que afetam mais de um setor e dão origem a novas atividades econômicas. Novo paradigma tecnoeconômico Mudanças que afetam toda a economia envolvendo mudanças técnicas e organizacionais, alterando produtos e processos, criando novas indústrias e estabelecendo trajetórias de inovações por várias décadas. Fonte: Tigre (2006). Como as definições que acabamos de estudar, devemos estar atentos para não cairmos na armadilha de que as inovações são apenas produtos da pesquisa e desenvolvimento. Podemos também inovar comparando‑nos com outros segmentos. Por exemplo, nos hospitais, nas clínicas etc. é obrigatório ter um sistema eficaz de limpeza, principalmente de resíduos tóxicos, entre outros. Essa técnica de limpeza, no modelo japonês, recebe o nome de 5S. Caso não exista essa cultura na sua empresa, você poderá implantá‑la; esta é uma metodologia inovadora. 3.4 Liderança e constância de propósito A liderança e constância de propósito exigem uma gestão de portas abertas, de igualdade, uma gestão criativa e motivadora 27 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 da força de trabalho em busca da consolidação de uma cultura da excelência, de incentivo à qualidade e a salvaguarda das necessidades e expectativas das partes interessadas. Peter Drucker, pai da Administração, ensina‑nos que líder é aquele que consegue seguidores para as suas causas. São exemplos todos os líderes religiosos e os políticos eleitos pelo voto das pessoas. Nesta disciplina, tratamos de líderes empresariais. Você percebeu que o líder precisa ter um enorme jogo de cintura, uma excelente visão de futuro; sem tirar os pés do chão, deve contemplar todas as partes interessadas. Desde os tempos bíblicos, a prática da liderança foi abordada por inúmeros autores ao longo da história. As organizações de classe mundial deste século buscarão gênios coletivos para poder atender à inserção e à manutenção num ambiente competitivo. Gerenciar de forma estratégica o talento é a chave para a vantagem competitiva e para isso se faz necessária uma gestão que possibilite que os profissionais se ajustem e operem em organizações que superem o dilema fundamental da liderança, que é a atração de talentos (TIGRE, 2006, p. 16). Observe que o autor, quanto ao termo “empresa de classe internacional”, não definiu tamanho, porte ou nacionalidade. Portanto, nada impede que você implante na sua empresa, independentemente de tamanho, porte, nacionalidade todas essas práticas, pois essa é a magia da gestão: adaptar técnicas, práticas e metodologias usualmente utilizadas pelas grandes organizações nas demais empresas. Para o aprendizado e para a liderança é importante tanto se preocupar com o passado, como com o presente e com o futuro. 28 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 As lições do passado podem clarificar o futuro e, numa época de velocidade da internet, olhar para o passado pode parecer perda de tempo, um recurso escasso na atualidade (Ibidem, p. 17). Lembre que Garvin (2002), citado anteriormente, também trata desse assunto: primeiro olhar para trás e observar o que deu certo e o que não deu certo e, a partir daí, iniciar a pesquisa sobre novos líderes, produtos e serviços. Tercredibilidade é um atributo da liderança. Como liderar seguidores um tanto descrentes para um amanhã não conhecido e incerto? Como pode ser um líder se não for confiável? Para responder a essa questão, o autor citado entrevistou pessoas de mais de trinta países, numa amostra significativa de setores e funções existentes, indagando o que elas buscavam em um líder para poderem segui‑lo. A resposta obtida desde 1980 e até hoje é a de que esses líderes sejam honestos, preocupados com o futuro, motivadores e competentes. Nessa pesquisa também foram citadas as necessidades de integridade, de confiabilidade, de visão e de senso de direção, com capacidade de motivação e um passado de realização. A mensagem só será crível se as pessoas acreditarem no mensageiro (Ibidem, p. 18). Implicações para o líder do século XXI: Comprometimento da liderança, com a inclusão de líderes potenciais e onde todos se comprometam com tudo, facilitando o alcance do sucesso (Ibidem, p. 19). 29 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Liderança baseada nas emoções: Há a necessidade de uma liderança diferente, com a aposentadoria do convencional e estímulo à inovação e à paixão pela organização (Ibidem, p. 32). Das competências essenciais aos competentes essenciais: Qualquer que seja a organização, há a necessidade de pessoas que saibam inovar, concebendo ideias originais. Esses indivíduos incorporam habilidades necessárias para serem competentes essenciais e não apenas incorporarem as competências essenciais apregoadas por Gary Hamel e C. K. Prahalad com fonte de vantagem competitiva. As competências, como conhecidas popularmente, representam um estado anterior e não atual (Ibidem, p. 34). Pessoas consideradas competentes essenciais evoluem, pois questionam o status quo, são curiosos, são independentes, assumem riscos. Isto obriga o empresário a questionar quantas pessoas com tais atitudes atuam na sua organização? (Ibidem, p.35). Economias da alma: uma organização que busca ser competitiva no futuro precisa de forças associadas a sentimentos fortes, que o autor em questão denomina como economias de alma. O professor Manfred Kets de Vries (Insead) preconiza que os recursos responsáveis para tornar os indivíduos malucos, tristes e felizes devem ser bem utilizados para que não sejam desperdiçados. Muitos executivos afirmam que esse desperdício pode representar a utilização de apenas 10% a 15% do capital intelectual. Pedem para tomar cuidado com o que o autor chama de castração de competência. Alegam que as organizações precisam de pessoas que não se limitem a oferecer para essas apenas as mãos, e sim se dediquem de corpo e alma. 30 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Hoje há a necessidade, para auferir lucros efetivos, que as organizações atraiam os clientes e força trabalho pela emoção e não pela racionalização (Ibidem, p. 38). Liderança como gênio coletivo: apesar da existência de talentos natos, tais indivíduos, para concluírem sua formação, têm de passar pelas interações sociais. A tensão na vida empresarial dá origem à vulnerabilidade e à ansiedade, e só podem ser superadas por meio do apoio social. Para sobreviver num mundo turbulento e competitivo, há a necessidade de fronteiras organizacionais permeáveis e flexíveis. Daí a importância da visão que afeta o orgulho profissional dos indivíduos, para manter a motivação e alcançar o comprometimento. O importante é desenvolver o talento das pessoas. Isto implica desafios do tipo: “O que é supervisionável, quem faz o quê, o que deve ser feito e quem somos os nós” (Ibidem, p. 45). Assim, o paradoxo gerencial tem a ver com a modelagem da cultura, dos processos e das criatividades. Esse paradoxo tem a ver com liberar e reter o gênio do coletivo, e são identificadas quatro tensões conflitantes (paradoxos) que devem ser compreendidas, aceitas e ponderadas: • conciliar diferenças individuais, metas e identidade coletivas; • incentivar o apoio e o confronto entre os participantes do coletivo; • manter o foco no desempenho, na aprendizagem e no desenvolvimento; • ponderar a autoridade da liderança com a autonomia e o discernimento dos componentes do coletivo. 31 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Para modelar a estrutura, a organização precisa de uma orientação para ação de decisões vitais que precisam ser implementadas, de ações que precisam ser executadas e de busca pela experiência. Para isso, faz uma série de ilações sobre os líderes do futuro com base em John Kotter, que afirmou que nos últimos 50 anos do século passado as organizações estavam mais preocupadas com o gerenciamento do que com a liderança, com o gerente preocupando‑se com a complexidade e o líder, com as mudanças. O principal empecilho para abrir uma empresa com grandes possibilidades de sucesso não é o capital financeiro e sim o capital intelectual. Para o atual cenário, há a necessidade de lideranças visionárias. 3.5 Orientação por processos e informações É a necessidade de entender e separar as ações organizacionais que criem valores para as partes interessadas e com o processo decisório e de execução, levando em consideração a medição e análise do desempenho, com base nas informações disponíveis e na identificação dos riscos pertinentes. Um aspecto importante da Gestão com Qualidade, desde os anos 1990, tem a ver com a Gestão por Processos, reforçado pelo avanço da Tecnologia da Informação e Conhecimento – TIC, que contribui com o processo decisório de pessoas ou profissionais e, qualquer que seja a decisão, abrange riscos e acertos. A atenção das empresas está, então, em implantar processos com a consequente geração de dados e informações confiáveis e para que se tome a melhor decisão possível, visando a maximizar os acertos e minimizar os riscos para as partes interessadas nos momentos certos. Processos principais do negócio são aqueles que estão em linha direta com os clientes e que geram receitas para a empresa. 32 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Todos os demais processos são tidos como processos de apoio ou suporte. 3.6 Visão de futuro É o entendimento dos fatores que interferem na organização, no seu ecossistema, e no ambiente externo tanto no curto como no longo prazo, com o objetivo de sua perpetuação. Desde que você era criança, perguntavam‑lhe sobre o que queria ser quando crescesse. Você cresceu e, em função de alguns critérios citados no início desta disciplina, decidiu pelo curso que está prestes a concluir. A pergunta se repete quanto ao que você quer ser daqui a 10, 20 anos, aonde você pretende chegar, qual é a sua visão de futuro de si mesmo. Quer ser servidor público;progredir na carreira em empresa privada ou mesmo na pública; ser apenas um bom funcionário sem grandes desafios; ser executivo; ser microempreendedor; ser empresário; gestor de herança familiar, constituir família. Enfim, você se depara com o questionamento sobre o futuro que visualiza para si. Para respondê‑la, primeiro trace os seus objetivos pessoais, familiares e profissionais. Em seguida, procure identificar as variáveis que afetam a sua trajetória, benéficas e adversas, ou seja, o cenário onde você está inserido. Identifique as dificuldades que enfrentará e os fatores críticos de sucesso que deverão ser superados. Mensure quanto de dinheiro precisará nessa caminhada e o que deve fazer para obtê‑lo apenas trabalhando ou mediante financiamento, empréstimos etc. Uma vez definidos os objetivos, os obstáculos, os desembolsos financeiros, é hora de começar a trilhar o seu futuro desejado e, ao longo desse percurso, estabelecer pontos intermediários de medição daquilo que atingiu e o que deveria ter atingido. Em poucas palavras, deve monitorar o seu progresso realimentando o seu planejamento e tomando novas medidas de melhorias, preventivas e corretivas. 33 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Enfim, qual a qualidade de vida que você deseja para si mesmo. Para que tudo isso aconteça, faz‑se necessária uma combinação de: acreditar em você mesmo, perseverar, ter entusiasmo, coragem para não desistir dos seus ideais e motivação. Nas empresas, a situação é mesma, para onde ela quer ir, aonde quer chegar, com que produtos e serviços, que clientes atender, que status manter etc. Mudam os termos, as práticas etc., e os objetivos continuam sendo os mesmos: manutenção e melhoria da qualidade de vida das pessoas e dos negócios envolvidos visando à perenidade da empresa e das partes interessadas. Ao longo dos séculos, diversos foram os estudos sobre as várias estratégias (caminhos) para sobreviver, vencer o concorrente para ser o melhor etc., voltadas inicialmente para as técnicas militares, vencer as batalhas, as guerras e, posteriormente, transplantadas e consequentemente aperfeiçoadas para as iniciativas estatais e privadas. 3.7 Geração de valor Valor é uma qualidade que confere às coisas uma estimativa da importância que estas detêm. Algumas pessoas valorizam (ou concedem valor) princípios éticos de comportamento, enquanto outras não. No que tange às organizações, a geração de valor trata do quanto se adiciona ao coletivo. Por exemplo, uma localidade sem escola de inglês ganha muito quando uma filial de alguma rede de ensino de idiomas se instala, pois a população passa a ter acesso a este aprendizado. Essa escola está gerando valor para a comunidade, por assim dizer. E essa escola está gerando valor para seus acionistas ou proprietários, pois há faturamento e lucratividade. Pode‑se gerar valores tangíveis e intangíveis, sendo considerado valor tangível tudo que pode ser mensurado e 34 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 registrado contabilmente pela organização, como o faturamento, estoques etc. Já valor intangível é tudo que não pode ser mensurado pelas técnicas tradicionais de valoração dos ativos, além daqueles de difícil mensuração. São exemplos o talento das pessoas, o valor de um ponto comercial e assim por diante. 3.8 Valorização das pessoas As pessoas constituem o principal ativo de uma organização. São elas que levam a empresa ao sucesso ou, por outro lado, também ao fracasso. Assim sendo, merecem todos os cuidados possíveis. Para esse fundamento que abordamos agora não importa a relação jurídica das pessoas que compõem a força de trabalho da empresa, funcionários seletistas, terceirizados, consultores etc. As organizações, para serem bem sucedidas, têm cada vez mais de aproveitar as oportunidades de aprendizado da força de trabalho e de um ambiente propício para o desenvolvimento de habilidades. Com isso, é possível um jogo de ganha‑ganha: maior produtividade e maior felicidade, aumentando a retenção de talentos e atraindo novos. 3.9 Conhecimento sobre o cliente e o mercado Clientes são a razão da existência da empresa, são eles que pagam a folha de salários, os investimentos, a pesquisa e desenvolvimento, os impostos. Sem eles não haveria empresa e consequentemente não haveria postos de trabalho. Nada mais justo, então, do que tratá‑los de uma forma melhor que os concorrentes, oferecendo produtos e serviços que atendam às suas necessidades a preços justos, preferencialmente inferiores àqueles dos concorrentes e serviços pós‑venda condizentes com as suas expectativas. 35 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 O importante é conhecer o cliente e compreendê‑lo, com a finalidade de gerar valor de forma sustentada e em decorrência uma maior competitividade mercadológica. 3.10 Desenvolvimento de parcerias Na nossa vida pessoal, necessitamos de diversas parcerias para a nossa sobrevivência (alimentação, vestuário etc.) e profissional. Nenhum de nós é suficiente o bastante em tudo que necessita, sempre precisamos de parceiros. Na vida empresarial, a situação se repete, todas as empresas precisam de parceiros confiáveis para o pleno desenvolvimento das suas atividades. Nenhuma delas produz tudo que precisa para as suas operações, sejam produtoras de bens, produtos ou prestadoras de serviços. Alguns exemplos de parcerias que facilmente constatamos são as clínicas que solicitam exames realizados apenas por alguns laboratórios; construtores de shopping centers, que têm em determinadas lojas, parceiros fiéis (estas estão presentes em todos os shopping centers construídos por esses construtores); lanchonete do seu polo universitário, que tem seus fornecedores de legumes, parceiros fiéis etc. Outro exemplo são os consórcios que se constituem para realizar um determinado empreendimento, por exemplo a implantação de uma linha de metrô, e que se dissolvem ao término dessa obra. Quando surgem novas linhas, os mesmos componentes do consórcio se reagrupam para empreendê‑las. Mais exemplos são o associativismo e as cooperativas. 3.11 Responsabilidade social A Fundação Nacional da Qualidade, FNQ, foi a primeira instituição a introduzir o tema Responsabilidade Social como fundamento da excelência. Para este século XXI, temos várias questões fundamentais a resolver, talvez a mais importante seja a questão ambiental, pois, em um século, a humanidade levou boa parte dos recursos naturais à sua exaustão ou perto disso. Há inúmeros espécimes em extinção e outros tanto em vias de extinção, a poluição desenfreada afetando todos os 36 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 seres vivos, o aquecimento global,o derretimento das geleiras. A outra questão que se coloca é o aumento populacional absurdo, milhões de famintos, geração de renda e emprego, assistência social etc. Enfim, estamos destruindo a nossa casa comum: a Terra. Isto implica transparência com todas as partes interessadas que a organização se relaciona, tendo como objetivo o desenvolvimento sustentável da sociedade, possibilitando a preservação do meio ambiente e das características culturais para as próximas gerações, não afetando a diversidade e propiciando a diminuição das desigualdades sociais, incorporando tais aspectos na estratégia organizacional. E aí? Como viabilizar na prática este conceito? Responsabilidade social é aceitar o fato de que a sociedade é parte integrante do ecossistema organizacional, com necessidades e expectativas a serem identificadas, entendidas e atendidas. Significa conscientizar‑se moralmente e civicamente, com a organização entendendo o seu papel no desenvolvimento da sociedade. Constituem‑se em regras básicas nas relações da organização com as pessoas: respeitar individualidade, o sentimento coletivo e a liberdade de associação, abolindo políticas discriminatórias e protegendo as minorias. Cabe, assim, à organização a busca pelo desenvolvimento sustentável e a identificação dos problemas advindos do relacionamento com a sociedade em função de impactos das suas instalações, processos, produtos e serviços. A organização deve procurar não afetar os ecossistemas naturais, preservar os recursos não renováveis, e não desperdiçar os recursos renováveis na sua utilização. Deve ainda atender e superar os requisitos legais e regulamentares inerentes às suas atividades. Exercer a cidadania implica apoiar ações sociais, incluir a educação, a assistência à comunidade, incentivar a cultura, 37 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 o esporte, o lazer e atuar de forma ativa no desenvolvimento nacional, regional ou setorial. Liderar nesse campo implica influenciar outras organizações privadas ou públicas a buscar parcerias em tais finalidade, além de motivar as pessoas a participarem de atividades sociais. A iniciativa Caravana da Cidadania, da Universidade Paulista, sobre a qual trata matéria a seguir, é um exemplo desse fundamento que acabamos de estudar. Responsabilidade social concretizada: UNIP na caravana da cidadania Em 6 de junho, foi realizada mais uma edição da Caravana da Cidadania, evento organizado pelo Conselho da Mulher da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Rio Preto). Essa edição foi realizada no prédio da Fatec, localizado no bairro Eldorado, em São José do Rio Preto. O objetivo da Caravana é levar solidariedade à comunidade carente. De forma gratuita, diversas empresas privadas, órgãos públicos, entidades beneficentes e instituições de ensino da cidade ofereceram aulas e oficinas, além de atendimentos visando ao bem‑estar e à beleza, à cidadania e à saúde. A Universidade Paulista teve, em mais esta edição, participação destacada, proporcionando inúmeros serviços à comunidade. Funcionários, alunos e professores de diversos cursos dedicaram‑se, de forma voluntária, ao atendimento da população. Para os alunos, essa é mais uma forma de aplicar, na prática, e aprimorar o aprendizado de sala de aula. Os cursos de Serviço Social, Direito e Psicologia participaram do evento, oferecendo orientação e 38 Unidade I Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 aconselhamento. Os alunos do curso de Farmácia e Bioquímica realizaram o teste de tipagem sanguínea. Alunos do curso de Fisioterapia realizaram testes de força, massagens de relaxamento e orientação postural. O curso de Nutrição efetuou medição de altura, pesagem e índice de massa corpóreo, além de orientar sobre alimentação saudável, promovendo melhora na qualidade de vida. A Enfermagem prestou esclarecimentos a respeito de transmissão de doenças, aferiu pressão arterial, sendo que o diferencial da equipe foi a orientação para o autoexame da mama para a detecção de câncer. Os alunos dos cursos de Educação Física, Pedagogia e Letras proporcionaram momentos de diversão e entretenimento às crianças, com diversas atividades, dentre elas jogos, brincadeiras e desenhos; outro grande atrativo foi a pintura de faces, que fez sucesso entre os pequenos. Alunos de Ciências Biológicas, em parceria com o Rotary, realizaram a distribuição de cartilhas sobre o plantio de árvores e de mudas de árvores de várias espécies frutíferas por meio do projeto “Rio Preto Mais Verde”, que tem como fundamento estimular a plantação e o cultivo de plantas para aumentar as áreas verdes na cidade e proporcionar melhor qualidade de vida à população. A Caravana da Cidadania fortalece a sociedade promovendo a solidariedade e a integração cultural. Para a universidade como um todo – alunos, professores e funcionários –, o evento é um excelente meio de concretizar o papel de responsabilidade social perante a comunidade. Fonte: UNIP (2012c). 39 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Unidade II 4 NORMAS E PROCESSOS Sabemos que a busca da qualidade sempre acompanhou a evolução do homem, visto que queremos cada vez mais aprimoramento em nossas vidas, no nosso trabalho e nos produtos e serviços que consumimos. A globalização atual aliada ao aumento da competitividade e às constantes mudanças nos mercados (seja pela tecnologia, cultura ou inovações em geral), levam as atuais organizações a uma busca constante pela qualidade no intuito de aprimorar suas atividades e satisfazer os seus clientes. Qualidade pode ser traduzida como uma série de ações que levam as empresas a trabalhar em conformidade com os requisitos dos clientes, satisfazendo suas necessidades e atendendo (ou mesmo superando) suas expectativas. Portanto, a qualidade não é um conceito subjetivo para as organizações, deve ser considerada peça fundamental em seu processo de planejamento estratégico e deve ter participação ativa dos seus funcionários, dependendo, então, de uma mudança de cultura organizacional para sua implementação e manutenção. A visão de qualidade evoluiu e absorveu os conceitos relativos a foco no cliente, melhoria contínua e comprometimento de todos os funcionários da empresa (desde a alta administração), sendo um dos maiores impulsionadores de uma nova forma de gerenciamento: a gestão de qualidade. 40 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Nos dias atuais, as empresas necessitam da qualidade em seus processos e na sua gestão, mas também precisam comprová-la. Para isso, a normalização é passo essencial para tal comprovação. No site da ABNT, podemos ter uma das melhores definições para normalização: Normalizaçãoé a atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem em um dado contexto (ABNT, 2006). Então, o administrador deve ter conhecimento desta atividade para alcançar níveis de qualidade em sua empresa e atender a requisitos gerais que são estabelecidos em diversas áreas. Podemos afirmar que a normalização é a maneira de organizar atividades pela criação e utilização de regras e normas, elaboração, publicação e promoção do emprego destas normas e regras, visando contribuir para o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Na prática, a normalização está presente na fabricação dos produtos, na transferência de tecnologia, na melhoria da qualidade de vida por meio de normas relativas à saúde, à segurança e à preservação do meio ambiente. Também é chave de acesso a novos mercados, quebrando barreiras não tarifárias e, com isso, trazendo vantagem competitiva para as empresas, gerando inovações e ampliando conhecimentos tecnológicos, entre outros objetivos. No site da ABNT podemos verificar os principais objetivos da normalização: 41 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Quadro 7 Economia Proporcionar a redução da crescente variedade de produtos e procedimentos (simplificação). Comunicação Proporcionar meios mais eficientes na troca de informação entre o fabricante e o cliente, melhorando a confiabilidade das relações comerciais e de serviços. Segurança Proteger a vida humana e a saúde. Proteção do consumidor Prover a sociedade de meios eficazes para aferir a qualidade dos produtos. Eliminação de barreiras técnicas e comerciais Evitar a existência de regulamentos conflitantes sobre produtos e serviços em diferentes países, facilitando assim, o intercâmbio comercial. É evidente que, como todo processo novo em uma organização, a normalização terá um custo para sua implantação, efetivação e manutenção. Porém, este custo deve ser considerado como um investimento, visto que a normalização traz benefícios qualitativos e quantitativos para a empresa. Os benefícios qualitativos permitem que as empresas: • utilizem adequadamente os recursos (equipamentos, materiais e mão de obra); • uniformizem a produção; • efetuem o treinamento da mão de obra, melhorando seu nível técnico; • registrem o conhecimento tecnológico; • facilitem a contratação ou venda de tecnologia. Os benefícios quantitativos permitem que as empresas: • reduzam o consumo de materiais, a variedade de produtos e o desperdício; • padronizem componentes e equipamentos; • aumentem a produtividade; 42 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • melhorem a qualidade; • controlem os processos. Com todos esses objetivos e benefícios, podemos afirmar que a normalização está presente em vários produtos e serviços, bem como nos sistemas de gestão das empresas. Podemos verificar diversos exemplos de normalização em nosso dia a dia: A etiqueta nacional de conservação de energia (selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, o Procel) segue padrões preestabelecidos pelo Inmetro por meio do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), que implica a aceitação dos requisitos contidos no Regulamento de Avaliação da Conformidade (RAC) relativo ao produto. Figura 6 Fonte: <http://www.inmetro.gov.br>. Os trabalhos acadêmicos (como teses, dissertações etc.) devem seguir os padrões definidos nas normas NBR 6029 (apresentação 43 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 de livros), NBR 14723 (informação e documentação – trabalho acadêmicos) e, por fim, a NBR 6023 (referências bibliográficas). Os artigos (produtos) escolares destinados a crianças menores de catorze anos possuem uma norma (a ABNT NBR 15236, de 2009), que especifica os requisitos de segurança para esses produtos, referindo-se a aspectos químicos e físicos que possam trazer riscos no seu uso normal. Para o transporte e a embalagem de produtos perigosos também encontramos um simbologia própria devidamente convencionada pela norma ABNT NBR 7500, na qual vemos que os símbolos são utilizados para o reconhecimento dos riscos e cuidados que devem ser tomadas durante o transporte, manuseio, movimentação e armazenamento desse tipo de carga. As cores dos coletores de lixo reciclável são padronizadas segundo a resolução 275, de 25 de abril de 2001, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama): azul (papel/ papelão), vermelho (plástico), verde (vidro), amarelo (metal), preta (madeira) etc. Classificação das normas As normas podem ser classificadas de diversas maneiras de acordo com o enfoque pretendido. Duas das principais classificações sob as quais se encontram as normas são: quanto ao tipo e quanto ao nível. Tipos de normas: • de terminologia; • de padronização; • de especificação; 44 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • de ensaio; • de procedimento; • de simbologia; • de classificação. Em relação a cada um dos tipos de normas, vamos tomar como exemplo as normas que envolvem a produção e comercialização de uma lâmpada de filamento (fonte: <http://www.sebrae- sc.com.br>): • As diferentes partes componentes da lâmpada devem ser explicitadas por meio de terminologia definida, cujo significado não deixe dúvidas. • Exemplo: ao invés de “soquete” ou “bocal”, devemos dizer “porta lâmpada” (termo que consta na norma). • Para garantir a intercambialidade (produção e comercialização internacional), temos um processo de padronização mundial do “porta lâmpada”; no Brasil padronizou-se a tensão 110 e 220 V e a frequência 60 Hz. • A fim de permitir a perfeita adaptação da lâmpada ao “porta lâmpada” deve haver uma especificação que detalhe não só as dimensões de ambos, como as tolerâncias admissíveis, os materiais condutores e isolantes a serem utilizados. • A durabilidade da lâmpada deve ser verificada por meio de um ensaio devidamente normalizado (aparelhagem a usar e como usá-la, o que medir e como medir etc.). • Ao projetarmos a instalação de lâmpadas, precisamos de procedimentos que indicarão de que forma deveremos 45 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 executar o serviço, a fim de garantirmos um perfeito funcionamento e a integral observância dos requisitos de segurança. • Para representarmos uma lâmpada num circuito,a simbologia serve para auxiliar a instalação da parte elétrica. • Para classificarmos, de forma clara, os inúmeros tipos (incandescente, descarga gasosa) e subtipos de lâmpadas, necessitamos da classificação. Observação: os níveis de norma serão vistos no item seguinte. 5 NORMALIZAÇÃO INTERNACIONAL E NACIONAL Como vimos, a normalização estabelece prescrições destinadas à utilização em busca de melhoria dos processos da empresa. Estas prescrições são documentos formais criados por meio de consenso e da aprovação de organismos que atuam com essa função. Existem diversos organismos em praticamente todos os países e também organismos internacionais que efetuam normas técnicas internacionais. Portanto, podemos perceber que a normalização possui níveis. Os níveis de normalização são: • Internacional: são as normas utilizadas internacionalmente que resultam de comitês formados por técnicos representantes de diversas nações que possuem interesses comuns sobre o tema a ser normatizado. Exemplos: ISO (International Organization for Standardization) e IEC (International Eletrotechnical Comission). • Regional: são normas utilizadas regionalmente que começam a ser formuladas, principalmente, após o 46 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 surgimento dos grandes blocos econômicos e comercias, como a Comunidade Europeia e o Mercosul. Exemplos: CEN (Comitê Europeu de Normalização) e AMN (Associação Mercosul de Normalização). • Nacional: são normas de produtos, serviços e processos desenvolvidas para um determinado país, elaboradas a partir de comitês com representantes das instituições e organizações reconhecidas como autoridades que estão interessados na publicação da norma. Exemplos: ABNT (Brasil); ANSI (Estados Unidos); DIN (Alemanha); JISC (Japão) e BSI (Reino Unido). • Empresarial: são as normas de uso interno das empresas. 5.1 Normalização internacional O organismo internacional mais conhecido no âmbito administrativo é a ISO. Ele elabora uma série de normas que são aplicadas em empresas de todos os países do mundo. A ISO é uma organização internacional e não governamental, que foi estabelecida em 1947 e possui a sua sede em Genebra (Suíça). Elabora normas internacionais de qualidade, sendo reconhecida e aceita internacionalmente, estando presente em mais de 150 países. ISO quer dizer International Organization for Standardization, porém não é uma sigla. Seu nome vem do grego isos que significa “igual”. O objetivo da ISO é promover no mundo o desenvolvimento de normas que representam o consenso dos diferentes países, por meio da cooperação no âmbito intelectual, científico, tecnológico e de atividade econômica, com a intenção de facilitar o intercâmbio internacional de produtos e serviços. 47 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 A ISO cria diversas normas nos mais variados segmentos: produtos, matérias primas, sistemas de gestão, entre outros. Suas normas são definidas por Comitês Técnicos (TCs). Estes comitês técnicos realizam diversas reuniões anuais em diversos países com o intuito de alinhar os objetivos e definir os padrões das normas. Esses comitês técnicos são formados por membros representantes das suas devidas áreas e têm ligações formais com inúmeras organizações internacionais. O primeiro Comitê Técnico (TC 1), por exemplo, foi criado em 1947 para padronizar parafusos utilizados pela indústria automobilística. Depois disso, vieram diversos comitês, como o TC 176, comitê responsável pelo desenvolvimento das normas da família ISO 9000 e de normas genéricas do campo da gestão e da garantia da qualidade. A ISO se tornou mais conhecida quando surgiu série ISO 9000 – Sistema de Gestão da Qualidade nas empresas. As normas da série ISO 9000 são, portanto, documentos normativos internacionais relacionados com gestão de qualidade e de uso voluntário pelas empresas. Em 1987, ocorreu a primeira edição da série ISO 9000. Sete anos depois, em 1994, a série foi revisada com algumas poucas alterações. Porém, no ano de 2000, ocorreu uma grande revisão com alterações em toda a sua estrutura (na quantidade de normas primárias) e, também, no conceito de sistema de gestão de qualidade, alterando o conceito inicial que era de garantia da qualidade. 5.2 Normalização nacional Todos os países possuem um representante dos organismos internacionais de normalização. No Brasil, a representante desses órgãos (como a ISO) é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 48 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 A ABNT foi fundada no ano de 1940 para ser o órgão responsável pela normalização técnica brasileira. É uma entidade privada, sem fins lucrativos, que possui a função de ser o foro nacional de normalização. A ABNT é a representante brasileira de entidades internacionais como a ISO, IEC, COPANT e AMN sendo, inclusive membro fundador da ISO e da COPANT. A ABNT também possui diversos comitês técnicos para as mais diferentes áreas de trabalho. Como exemplo podemos citar o comitê técnico ABNT/CB-25 – Qualidade, responsável pela normalização no campo de gestão da qualidade, compreendendo sistemas da qualidade, garantia da qualidade e tecnologias de suporte. 5.2.1 Comitês técnicos Como já dito, as normas ISO são definidas por Comitês Técnicos (TCs), que tratam de diferentes assuntos. No Brasil, a criação de um Comitê Brasileiro (ABNT-CB) é efetuada por meio de proposta encaminhada pela entidade solicitante à ABNT através da Gerência do Processo de Normalização. Para o credenciamento de um Organismo de Normalização Setorial (ABNT/ONS), a entidade interessada também deve solicitar informações à ABNT através da Gerência do Processo de Normalização. Processo de criação de norma: a elaboração de normas brasileiras 1. a sociedade brasileira manifesta a necessidade de se ter uma norma; 49 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 2. o Comitê Brasileiro ou Organismo de Normalização Setorial analisa o tema e inclui no seu Programa de Normalização Setorial (PNS); 3. é criada uma Comissão de Estudo (CE), com a participação voluntária de diversos segmentos da sociedade, ou incorporada esta demanda no plano de trabalho da comissão de estudos já existente e compatível com o escopo do tema solicitado; 4. a comissão de estudo elabora um projeto de norma, com base no consenso de seus participantes; 5. o projeto de norma é submetido à consulta pública; 6. as sugestões obtidas na consulta pública são analisadas pela comissão de estudo e o projeto de norma é aprovado e encaminhado à gerência do processo de normalização da ABNT para homologação e publicação como norma brasileira; 7. a norma brasileira poderá seradquirida nos escritórios regionais da ABNT e nos diversos postos de venda espalhados pelo Brasil. ABNT-CB-25 Representante oficial da ABNT perante o ISO/TC 176 e ISO/CASCO e participa dos respectivos grupos de trabalho, produzindo as normas e outros documentos normativos brasileiros, relativos à qualidade e à avaliação da conformidade, equivalentes aos emitidos pela ISO. 6 VISÃO GERAL DAS PRINCIPAIS NORMAS Uma vez que já sabemos o que é normalização e a sua importância no contexto administrativo, precisamos conhecer as principais normas utilizadas nas empresas. 50 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Podemos separar as normas em dois grandes grupos: • Normas de produtos ou serviços: normas de fabricação de produtos e de execução de serviços. • Normas de sistemas de gestão: normas que definem os processos administrativos da empresa e complementam as normas de produção. Em nosso curso de Administração, vamos nos concentrar nas normas de gestão, pois estão diretamente ligadas ao trabalho do administrador em uma empresa. Dentre as normas de sistemas de gestão, vale destacar: • Sistema da segurança e saúde ocupacional – OHSAS 18001. • Sistema de gestão de responsabilidade social – SA 8000. • Sistema de gestão ambiental – ISO 14001. • Sistema de gestão da qualidade – Satisfação do Cliente – ISO 10002. • Sistema de gestão da qualidade – ISO 9001. Gestão da segurança e saúde ocupacional – OHSAS 18001. A OHSAS 18001 é um sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho criada em 1999. Seu principal objetivo foi desenvolver nas empresas um ambiente eficaz nos quesitos de saúde e segurança, alinhando-se as normas ISO 9001 e 14001, já existentes. Anteriormente, a segurança e a saúde do trabalho eram exercidas devido às obrigações legais. Os setores 51 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 prevencionistas eram vistos apenas como um custo para as empresas e, muitas vezes, considerados um entrave para a produtividade devido a sua intervenção quando verificados riscos ao trabalhador. Devido às exigências cada vez maiores do mercado (competitividade, melhoria nos processos, redução de custos e exigências da sociedade em geral) e a crescente percepção da relação direta entre saúde/segurança no trabalho e aumento da produtividade, surge a norma OHSAS 18001. Ficou evidente que a redução de acidentes levava a uma redução de custos de produção e a melhoria das condições de trabalho acarretava em maior produtividade. Além disso, as empresas começaram a se preocupar com a sua imagem perante o seu público-alvo e demais partes interessadas (stakeholders), melhorando as condições de trabalho e reduzindo o número de acidentes de trabalho. A OHSAS 18001 é a norma que permite às empresas a eliminação dos riscos de acidentes junto aos seus trabalhadores, pois implanta um processo de política preventiva em todo o processo produtivo, realizando auditorias para a verificação do seu sistema no intuito de orientar possíveis novas ações para garantia da saúde e da segurança de seus funcionários. Por ser uma norma padrão, não existe qualquer restrição quanto ao seu uso, podendo ser implantada em qualquer empresa (não importa o tamanho, a atividade ou o setor de negócios), inclusive apresentando ao mercado a valorização que a empresa possui em termos de imagem, ética e valores humanos. Na prática, as empresas devem seguir uma série de procedimentos: • gerenciamento de saúde e segurança; 52 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • treinamento junto aos funcionários e terceirizados (se houver); • avaliações de risco nos seus diversos processos; • definições de risco (insalubridade, periculosidade, proteções contra ruído, incêndios etc.); • tratamento de acidentes em geral (primeiros socorros); • recursos de bem-estar (equipamentos de proteção individual, luminosidade, ambiente etc.); • procedimentos documentados de emergência; • comunicação eficaz dos processos; • manutenção da higiene do ambiente; • auditorias periódicas nos processos. Gestão da responsabilidade social (SA 8000) A SA 8000 é o padrão mundial de certificação sobre responsabilidade social nas empresas. Iniciada em 1997 pela CEPAA (atual Social Accountability International - SAI), seu foco é a garantia dos direitos dos trabalhadores pela padronização dos processos de responsabilidade social nos processos produtivos. A SA 8000 é a norma aplicável ao ambiente de trabalho reconhecida internacionalmente, podendo ser utilizada por empresas de qualquer porte, em qualquer país e em qualquer setor. Seu sistema de auditorias é similar ao sistema das normas ISO 9000. A norma SA 8000 quando implementada nas empresas, permite a melhoria do relacionamento interno da empresa, maior confiabilidade dos compradores, uma significativa melhora na imagem e na reputação da empresa junto ao mercado e facilita o gerenciamento completo da produção. 53 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 As empresas iniciaram esse tipo de procedimento de certificação devido ao atual ambiente de negócios global no qual as organizações necessitam considerar seus impactos éticos e sociais por meio de uma gestão responsável socialmente. Atualmente, já podemos encontrar mais de 400 empresas no mundo devidamente certificadas na norma SA 8000. Algumas empresas brasileiras já possuem essa norma, entre elas: Avon Cosméticos Ltda., Ipiranga Comercial Química, Marcopolo S.A., Oxiteno S.A. etc. A SA 8000 é formada por nove requisitos baseados nas convenções da Organização Internacional do Trabalho, na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. São eles: • não apoiar o trabalho de crianças menores (proibição do trabalho infantil); • não permitir que o trabalhador execute funções incompatíveis com sua capacidade física (proibição do trabalho forçado); • assegurar ao trabalhador um ambiente de trabalho saudável com foco na prevenção de acidentes, manutenção de máquinas, utilização de equipamentos de segurança e treinamento regulares aos funcionários (saúde e segurança do trabalhador); • liberdade de associação e negociação coletiva; • não permitir qualquer tipo de discriminação; • não permitir punições físicas ou mentais, coerção física e abuso verbal, e pagamento de multas por não cumprimento de metas (práticas disciplinares); 54 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A man da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • cumprimento do horário de trabalho estabelecido em lei (não deve ultrapassar 48 horas semanais, além de 12 horas-extras semanais; no Brasil, a legislação permite 44 horas semanais); • efetuar a remuneração dos trabalhadores de forma regular e segura. A empresa também deve assegurar que não sejam realizados esquemas de falsa aprendizagem para evitar o cumprimento de obrigações impostas por lei; • deve existir um sistema de gestão (política de gestão) que garanta a efetividade do cumprimento de todos os requisitos da norma, por meio de documentação, implementação, manutenção, comunicação e monitoramento da empresa em relação às questões abordadas na norma, num processo de melhoria contínua. Gestão ambiental (ISO 14001) A ISO 14001 é uma norma internacional que define os requisitos para estabelecer um sistema de gestão ambiental em uma empresa. As organizações possuem diversos motivos para adotarem um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), entre eles: legislação, pressões da sociedade, mudança de hábitos do cliente e economia com processos. Porém, vamos destacar o aumento constante da preocupação mundial com o meio ambiente, a interferência do desenvolvimento e do progresso não apenas no esgotamento dos recursos naturais limitados, mas também no clima (aquecimento global, efeito estufa etc.) e nos problemas que serão repassadas para as gerações futuras. Estes fatos, entre outros não menos importantes, levaram as empresas a um processo de busca pelo que se denominou “desenvolvimento sustentável”. 55 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 A definição de desenvolvimento sustentável mais aceita surgiu na Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente (criada pela ONU): Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Portanto, as discussões sobre a questão ambiental proporcionaram a criação de diversas legislações ambientes em várias partes do globo e levaram as empresas a repensar o seu processo produtivo e sua forma de afetar e interferir no meio ambiente. Nessas discussões, surgem as normas da série ISO 14000 que procuram levar às empresas uma abordagem organizacional com gestão ambiental efetiva. As empresas que adotam a ISO 14001 possuem o benefício de gerenciar seus negócios com preocupação ambiental, evitando problemas de caráter legal (devido às exigências legais ambientais crescentes no mercado), e reduzem sensivelmente as barreiras não tarifárias no caso do comércio exterior e fortalecem a imagem perante seus clientes e a sociedade em geral. Além disso, as empresas que possuem a norma ISO 14001 também tendem a aprimorar seu controle de custos, além de uma maior facilidade na obtenção de licenças e autorizações, visto que as relações com o governo no que tange a proteção ambiental melhoram significativamente. Princípios do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é um instrumento que as empresas possuem para definir objetivos e estratégias 56 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 de negócios atendendo às preocupações ambientais. Seus princípios são: • comprometimento da alta administração com a gestão ambiental; • estabelecimento de uma política ambiental; • formulação de um planejamento ambiental (Programa de Gestão Ambiental – PGA); • implantação do PGA por meio de ações, tais como: comunicação, treinamento, controle operacional; • monitoramento das atividades operacionais do desempenho ambiental com ações corretivas e preventivas; • análise crítica e melhoria do SGA. Política ambiental Ao estabelecer um sistema de gestão ambiental, a empresa deve definir uma política ambiental que seja adequada à natureza, incluindo melhoria contínua dos processos e prevenção da poluição, também é necessário que esta política seja documentada, implementada, mantida e comunicada. A política ambiental deve fazer parte da política total da empresa e deve estar inserida em seu planejamento estratégico para que atenda aos requisitos da norma. Requisitos gerais da ISO 14001 • Política ambiental; • planejamento (aspectos ambientais; legislação e outros requisitos; objetivos e metas); • implementação e operação (estrutura e responsabilidades; treinamento, conscientização e competência; comunicação; 57 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 documentação do SGA; controle de documentos; controle operacional; e prontidão e resposta às emergências); • verificação e ação corretiva (monitoração e medição; avaliação da conformidade legal; não conformidade e ação corretiva e preventiva; registros; e auditoria do SGA); • análise crítica pela administração. Conceitos e definições importantes sobre poluição Segundo a Lei nº 6.938/81, poluição é a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: • prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; • criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; • afetem desfavoravelmente à biota e as condições estéticas ou sanitárias do meio-ambiente; • lancem matéria ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Aspecto: elemento que pode interagir com o meio ambiente e tem ou pode ter impacto ambienta significativo (exemplo: emissão de poluentes). Impacto: qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que reside, no todo ou em partes, das atividades, produtos ou serviços de uma organização (exemplo: alteração dos recursos hídricos). Mitigação: uso de processos, práticas, materiais, produtos ou energia que evitem, reduzam ou controlem a criação, emissão 58 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 ou descarte de qualquer tipo de poluente ou resíduo, de forma a reduzir impactos ambientais adversos (exemplo: reciclagem). Gestão da qualidade – satisfação do cliente: ISO 10002 Antigamente não existia a ouvidoria, apenas o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), e este último gerenciava a reclamações de clientes. Porém, surge na Inglaterra uma norma (BS 8600) que falava sobre o tratamento de reclamações. Essa norma foi evoluindo no mundo até que, em 2004, a ISO internacionalizou esta norma transformando-a na ISO 10002. Assim, foram criadas as ouvidorias e as reclamações de clientes começaram a ser tratadas conforme disposto nesta norma. Esta norma dá toda a orientação de como planejar o gerenciamento de uma reclamação, desde quais ferramentas e pessoas serão necessárias até como tratar a reclamação e qual o resultadoesperado. A ISO 10002 traz a concepção do planejamento, da execução, da checagem do gerenciamento e diretrizes de como monitorar este processo. Com a implementação do processo, as empresas poderão criar abordagem com foco no cliente para resolver reclamações e estimular os funcionários a melhorar suas habilidades no tratamento com seu público, além de aprimorar a habilidade para identificar tendências e eliminar as causas de reclamações. Acessibilidade ao processo de reclamação, rapidez no encaminhamento, tratamento objetivo, imparcial e sem ônus para o cliente insatisfeito, confidencialidade, comprometimento, monitoramento do desempenho e foco na melhoria contínua são alguns dos aspectos abordados pela ABNT NBR ISO 10002, envolvendo toda a estrutura de uma organização. 59 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 A utilização desta norma, portanto, promove um círculo virtuoso, no qual cada reclamação vira melhoria do serviço, com o cliente sendo informado no final do processo. Isso torna o reclamante parceiro da instituição participando, inclusive, da resolução, o que reflete, consequentemente, numa imagem positiva para as empresas. No Brasil, a norma foi elaborada pela Comissão de Estudo de Tecnologia de Suporte, do Comitê Brasileiro da Qualidade (ABNT/CB-25), com base na ISO 10002:2004. Gestão da qualidade – ISO 9000 Somente especificações técnicas de um produto ou de um serviço qualquer não garantem que os requisitos do cliente serão atendidos, pois as empresas podem possuir deficiências no seu sistema organizacional. Portanto, as empresas verificam a necessidade de um sistema de gestão de qualidade que viesse a garantir o gerenciamento do processo e sua melhoria contínua. Surge a série ISO 9000 que se refere a um conjunto de normas e diretrizes internacionais para sistemas de gestão da qualidade. Estas normas foram organizadas de forma a serem utilizadas da maneira mais amigável possível, facilitando as empresas a adquirir outros sistemas de gestão, como o sistema de gestão ambiental (ISO 14000) ou o sistema de gerenciamento de serviços de Tecnologia da Informação (ISO 20000). Normas da família ISO 9000 (normas primárias) ISO 9000 – Sistemas de Gestão da Qualidade – Fundamentos e Vocabulário: nesta norma encontramos os termos e as definições utilizadas nas normas da família ISO 9000. Esta norma, portanto, serve para auxiliar a interpretação correta para uma implantação precisa do sistema de gestão da qualidade. 60 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 ISO 9001 – Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisitos: esta é a norma certificada. As empresas recebem certificação da norma ISO 9001. Portanto, nela vemos todos os requisitos para um sistema de gestão da qualidade. ISO 9004 – Sistemas de Gestão da Qualidade – Diretrizes para Melhoria do Desempenho: fornece diretrizes para a melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade da organização. 7 A NORMA ISO 9001 Princípios de gestão da qualidade As normas da família ISO 9000 são baseadas em oito princípios de gestão de qualidade: Organização focada no cliente: as organizações atuais dependem dos seus clientes diretamente e devem trabalhar com foco para que eles estejam satisfeitos, atendendo a todos os requisitos e, até mesmo, para exceder as expectativas destes clientes. Com isso, a empresa necessita: • pesquisar as necessidades dos clientes e medir a satisfação do cliente; • comunicar as expectativas dos clientes para toda a organização; • atuar sobre os resultados, garantindo uma aproximação ao cliente que atenda as necessidades de todas as partes interessadas (acionistas, fornecedores, colaboradores e sociedade em geral). A empresa, portanto, deve compreender todas as necessidades e expectativas dos clientes, sendo que os clientes expressam seus requisitos, inclusive contratualmente, decidindo se o produto ou serviço fornecido é aceitável. 61 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Podemos dizer que o maior benefício que uma empresa possui sendo focada no cliente é a adequação de seus objetivos em relação às expectativas e necessidades do cliente, pois, desta forma, suas estratégias são voltadas para a fidelização do cliente. Liderança: a liderança deve estar comprometida com o sistema de gestão da qualidade para que seja estabelecida uma unidade na direção que a empresa deve seguir para que todos os colaboradores se sintam envolvidos nos objetivos da empresa. É a liderança empresarial que estabelece o rumo da organização, efetuando o planejamento estratégico com missão, visão, metas e objetivos estipulados, motivando e capacitando os funcionários para atingir o estabelecido. Os líderes da empresa, com um sistema de gestão da qualidade implantado, são proativos e constroem confiança e incentivos para que exista uma visão clara e transparente do futuro da organização entendida por todos os colaboradores. Envolvimento das pessoas: as pessoas são a essência da organização, portanto devem ser parte ativa do processo, participando da implementação e manutenção do sistema de gestão. Nas empresas atuais, o capital humano é reconhecidamente fator estratégico de vantagem competitiva e de inovação na busca de melhoria na qualidade dos processos, produtos e serviços. O envolvimento dos funcionários leva ao desenvolvimento e crescimento profissional, tornando-os inovadores, criativos e motivados para a participação no processo de melhoria contínua da organização. Enfoque no processo: as empresas devem verificar seus processos e trabalhar com enfoque direcionado para que encontre uma melhor definição das responsabilidades da realização dos processos e melhor avaliação de riscos, impactos e ganhos nestes processos. Portanto, as empresas precisam identificar as entradas e saídas de todos os seus processos, bem como as interfaces entre os processos internos (processamento). 62 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Com processos bem-definidos e bem-elaborados, a empresa atinge com maior facilidade os resultados esperados, bem como utiliza melhor seus recursos, reduzindo seus custos, tempo de processos e erros, provocando maior produtividade e melhor qualidade no atendimento das necessidades dos clientes. Enfoque sistêmico para gerenciamento: as empresas com um sistema de gestão da qualidade terão um melhor acompanhamento gerencial dos objetivos estabelecidos, permitindo uma visão mais ampla dos processos. A empresa deve compreender e gerenciar os processos inter- relacionados, alinhando suas metas e garantindo a eficácia e a eficiência da organização. • Melhoria contínua: um “estado de espírito” que anda associado à existência de uma culturada empresa, e à definição de ações corretivas e preventivas nos processos gerais da empresa. Para isso, é necessário que os colaboradores entendam e participem do sistema que deve ser comunicado a todos (comunicação interna). Melhorias devem ser executadas em quaisquer situações, não sendo necessário que a empresa apenas resolva problemas encontrados em seus processos, mas que também atue de forma preventiva, se antecipando as expectativas e necessidades por meio da utilização de ferramentas que conduzam a empresa ao processo de melhoria. Tomada de decisões baseada em fatos: a empresa deve se orientar e seguir seus objetivos, utilizando-se de fatos devidamente avaliados e divulgados. A empresa necessita de medição e de coleta de informações para definir sua estratégia e tomar as ações necessárias para atingir os objetivos realistas e possíveis. Com isso, suas estratégias serão mais seguras e mais confiáveis, possibilitando uma visão, objetivos e metas mais realistas. 63 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Relacionamento com fornecedor mutuamente benéfico: a aplicação deste princípio pressupõe boas relações entre fornecedores e empresas com seriedade e confiança, pois, desta forma, otimiza custos e criam atividades com valor para ambas as partes. Abordagem de processos A própria norma ISO 9001 explica, em seu texto, qual a abordagem de processo que a empresa deve seguir para a implementação e manutenção do sistema de gestão: Esta norma incentiva a adoção de uma abordagem de processo para o desenvolvimento, implementação e melhoria da eficácia de um sistema de gestão da qualidade para aumentar a satisfação do cliente por meio do atendimento destas. Portanto, se a empresa está orientada por processos conseguirá identificar e trabalhar as interações entre eles, focando na melhoria contínua de cada passo. A empresa pode aplicar a metodologia conhecida como PDCA para todos os seus processos. O ciclo PDCA é a uma das ferramentas mais utilizadas nos métodos de qualidade (também conhecido como ciclo de Deming). Podemos verificar que a essência deste ciclo é a definição de metas, a execução das tarefas para alcançá-las, medindo e controlando os passos do processo e tomando as medidas corretivas e preventivas necessárias: A P C D Figura 7 64 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Durante o P (Plan), a empresa elabora metas e objetivos a serem alcançados, bem como os processos e métodos necessários para alcançá-los, visando sempre atender os requisitos dos clientes e a política da empresa (visão/missão). Na fase D (Do), ocorre a implementação dos processos, executando-se todas as tarefas. Muitas empresas utilizam esta fase também para o treinamento e desenvolvimento de seus colaboradores no intuito de elaborar os processos de forma correta (sem retrabalho). A fase C (Check) é o momento do monitoramento e da medição dos processos em relação ao definido na estratégia empresarial (metas / objetivos). Por fim, na fase A (Act) ocorre a execução das ações necessárias a manter a melhoria contínua dos processos. Em um sistema de gestão de qualidade, o modelo de abordagem de processos envolve os requisitos da norma com o entendimento do ciclo PDCA para a empresa: Cliente requisitos Cliente satisfação Responsabilidade da direção Gestão de recursos Medição, análise e melhoria Realização do produto Entradas Saídas produto/ serviço Melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade Figura 8 65 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Interpretação dos requisitos da ISO 9001 Aplicação da ISO 9001: a norma ISO 9001 foi criada de forma a ser utilizada em toda e qualquer empresa, não considerando o tipo, tamanho e produto ou serviço fornecido aos clientes, visto que todos os requisitos da norma são genéricos e aplicáveis. A norma ISO 9001 é constituída de requisitos do sistema de gestão da qualidade. As primeiras três seções referem-se aos objetivos, fornecendo referências normativas (definidas pela ISO – ABNT no Brasil) e demonstrando os termos e definições constantes da norma. São elas: • objetivo; • aplicação; • termos e definições. Além dessas, encontramos mais cinco seções com diversos requisitos. São elas: Seção 4 – Sistema de Gestão da Qualidade 4.1 Requisitos gerais: define as etapas necessárias para a implementação do sistema de gestão da qualidade. A norma, portanto, inicia demonstrando a necessidade da organização estabelecer, documentar e implementar seu sistema de gestão da qualidade, determinando os processos necessários para a sua operacionalização. A empresa também deve ter elaborado e mapeado seus macro-processos, identificando os processos-chave e os processos de apoio, bem como verificando as inter-relações e as sequências lógicas das suas atividades. 4.2 Requisitos de documentação: a ISO 9001 possui uma estrutura de documentação a ser seguida que está claramente 66 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 definida neste requisito. Esta documentação pode ser elaborada em cópia física ou por meio de mídia eletrônica (disponibilizados a todos os funcionários pela rede ou até mesmo pela intranet da empresa). Os documentos da norma são divididos em níveis: Documentos do nível I • Declaração documentada da política da qualidade e dos objetivos da qualidade: neste caso as empresas devem criar uma política e os objetivos baseados nesta política, divulgando-os para todos os envolvidos nos processos. Esta declaração pode estar descrita de forma clara e precisa no próprio manual da qualidade. • Manual da qualidade: a empresa deve estabelecer e manter um manual no qual possamos encontrar o escopo do sistema de gestão da qualidade, os procedimentos documentados estabelecidos e a descrição de interação entre os processos. Este manual servirá como referência para implementação e manutenção do sistema de gestão da qualidade, não existindo uma regra para seu formato, porém este deve possuir uma estrutura mínima de tópicos. É considerado o documento de nível estratégico da empresa. Documentos do nível II • Procedimentos da qualidade: a empresa deve estabelecer que todos os procedimentos dos requisitos da norma (que veremos mais adiante) estejam devidamente documentados, comunicados e controlados em suas alterações, inclusões, exclusões ou qualquer outra ação que venha a alterar esses procedimentos. São os documentos do nível tático. 67 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M árci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Documentos do nível III • Procedimentos operacionais: a empresa deve estabelecer que todos os procedimentos operacionais (fluxogramas, por exemplo) estejam documentados e comunicados aos envolvidos em todos os processos. Suas alterações também devem ser controladas. São os documentos do nível operacional da empresa. Além disso, as empresas devem ter o controle de documentos (manual, procedimentos, fluxogramas, manuais técnicos, e documentos de origem externa). Este controle visa impedir que documentos obsoletos ou pessoais façam parte dos processos da empresa. Com isso, todos os documentos da empresa devem ser aprovados antes de sua emissão, analisados e revistos periodicamente, controlados em relação a sua utilização (estando disponíveis para todos os colaboradores de forma clara, legível e identificável) e, por fim, eliminados quando estiverem obsoletos ou desatualizados. Uma das formas de efetuar esse controle é verificada por meio da utilização de uma “lista mestra”. Não existe qualquer exigência deste documento na norma, porém é uma das formas mais utilizadas pelas empresas para o controle das revisões de cada documento do sistema de gestão da qualidade. Outra forma de controle que pode ser utilizada é um sistema de controle de documentos informatizado vinculado a intranet que possibilite aos colaboradores verificarem a versão atual da documentação (e seu número de revisão), bem como acompanhar qual foram as alterações efetuadas pela visualização das revisões anteriores. Por fim, as empresas também devem manter controle sobre os registros da qualidade. Registros da qualidade são 68 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 tipos especiais de documentos que devem seguir os controles necessários para identificação, legibilidade, armazenamento, proteção, recuperação, tempo de retenção e descarte dos registros da qualidade. Seção 5 – Responsabilidade da direção: apresenta as responsabilidades que o nível estratégico da empresa deve ter para um sistema de gestão da qualidade. 5.1 Comprometimento da direção: a direção deve estar comprometida com todo o processo e repassar esse comprometimento a todos os funcionários da empresa. A qualidade exige o comprometimento de todos os funcionários de uma empresa e a falta de comprometimento resulta em graves problemas. Essa falta de comprometimento é demonstrada de diversas maneiras: • A gerência não assume a qualidade. • Os funcionários veem a qualidade como um trabalho a mais. • Falta de treinamento para funcionários e falta de transparência nos atos. • A empresa não cumpre metas e objetivos e não atende às necessidades dos clientes. Se a responsabilidade de todos os funcionários é fator fundamental para o desenvolvimento de uma empresa com vistas à certificação nas normas ISO, percebemos que a responsabilidade e o comprometimento da alta direção da empresa é “peça-chave” para um sistema de gestão de qualidade. A alta direção necessita demonstrar esse comprometimento por meio de ações, tais como: 69 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • Comunicação da importância de satisfazer o cliente, atendendo seus requisitos. Essa comunicação deve ser efetuada a todos os colaboradores por meio de qualquer tipo de divulgação: revista interna, informativos etc. • Estabelecer os objetivos da qualidade vinculados à política da qualidade. • Disponibilizar os recursos necessários para o sistema de gestão da qualidade e para a busca de sua melhoria contínua. 5.2 Foco no cliente: foco no atendimento aos clientes cumprindo os requisitos devidamente determinados, aumentando sua satisfação. Os requisitos dos clientes podem ser observados através de pesquisas que identifiquem suas necessidades e expectativas. 5.3 Política da qualidade: deve estar estabelecida e cumprida, sendo que deve ser apropriada ao propósito da empresa. A norma exige que a política inclua o comprometimento com a melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade e o atendimento dos requisitos, bem como que a política seja comunicada e entendida por todos os colaboradores da empresa. Por fim, devido ao ambiente estar cada vez mais dinâmico (concorrência, globalização, exigências do mercado etc.), a política da qualidade deve ser analisada periodicamente e, caso necessário, alterada para a nova realidade. 5.4 Planejamento: a alta administração deve planejar os objetivos e o sistema de gestão de qualidade. Planejar é projetar um conjunto de ações para atingir um resultado. Com isso, a empresa deve vincular seus objetivos à política da qualidade, criando metas bem claras e definidas e divulgando a todos. 70 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Exemplo de um sistema planejado vinculando os aspectos da Política da Qualidade aos objetivos e seus devidos indicadores: Quadro 8 Política Produto / serviço Objetivo / nível de serviço Meta / prazo Agilidade Negociação de documentos Notificar o cliente do recebimento dos documentos. Dois dias úteis Remeter documentos ao exterior. Um dia útil Financiamento Liberar todos os recursos (crédito em conta, TED ou DOC) de operações registradas. Até 19:00h do dia da negociação Precisão Créditos ao cliente Registro das movimentações e aberturas de conta. No dia da movimentação O planejamento da qualidade, portanto, deve ser executado por meio de um plano de qualidade do produto ou serviço, “o plano de ação”. No plano de ação devem ser consideradas as possibilidades de alterações (layout, produtos, processos, pessoas etc.). 5.5 Responsabilidades e autoridades: assegurar e definir de forma clara e transparente as responsabilidades e autoridades dos processos existentes na empresa, bem como definir o representante da direção que é responsável por assegurar que os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade sejam estabelecidos, implementados e mantidos. O representante da direção é um membro da equipe que irá gerenciar e coordenar todo o sistema de gestão da qualidade, sendo um facilitador. Não é necessário que o representante da direção faça parte da alta administração, porém como este deve conhecer a organização de forma geral, muitas vezes as empresas vinculam esta função a um diretor ou gerente. Outro fato que leva a este tipo de escolha é a necessidade do representante da direção de assegurar o sistema de gestão da 71 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 qualidade, relatando à alta administração as necessidade de melhoria e promovendo a conscientização e o treinamento necessário a todos os funcionários.A empresa também deve manter a comunicação interna e o fluxo de informações de forma clara e transparente para todos os envolvidos nos processos da empresa (normas, regras e requisitos bem entendidos e amplamente divulgados). A comunicação pode ser executada por meio das mais variadas formas: reuniões, correio eletrônico, palestras, jornais internos etc. 5.6 Análises críticas: reuniões periódicas para os ajustes nos objetivos e metas, incluindo necessidades de alterações no planejamento estratégico sempre com vistas à melhoria (termo utilizado nas normas ISO para esse passo: análise crítica). A análise crítica da alta organização deve considerar como instrumento de trabalho e fonte de informação apenas os dados gerados de maneira científica e com todo o foco administrativo. Esses dados, chamados de entradas para análise crítica, podem vir de auditorias internas e externas, consultas aos clientes através de diversos meios já conhecidos (exemplo: SAC), acompanhamento das ações efetuadas para o cumprimento das metas e dos objetivos estipulados durante o planejamento estratégico da empresa, medições e análises efetuadas no desempenho do processo e na conformidade dos produtos e serviços prestados. Estas reuniões (relatadas em atas/relatórios) devem produzir decisões e ações (conhecidas como saídas da análise crítica) envolvendo melhorias da eficácia do sistema de gestão da qualidade, melhorias do produto/serviço com vistas a satisfação do cliente e, também, necessidades de recursos para que a empresa possa cumprir suas metas e objetivos. 72 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Com isso, percebemos que a norma estabelece uma forma planejada de reuniões que decidam a estratégia da empresa e as mudanças necessárias. Essas reuniões costumam ocorrer semestralmente, porém nada impede que sejam efetuadas em frequências menores: mensais, trimestrais etc. As reuniões devem tratar, no mínimo, dos resultados das auditorias, dos processos relacionados aos clientes, das situações de ações corretivas e preventivas, dos resultados dos treinamentos e das recomendações de melhoria. Seção 6 – Gestão de recursos: os recursos necessários para a implementação e manutenção de um sistema de gestão da qualidade, possuindo a: 6.1 Provisão de recursos: a empresa deve prover os recursos humanos, a infraestrutura e o ambiente de trabalho. 6.2 Recursos humanos: além de possuir capital humano suficiente para a execução de suas atividades, a empresa deve ter pessoal competente com base na educação, treinamento, habilidades e experiência apropriados para a função. No caso da educação, considera-se o nível de graduação que cada funcionário possui e da necessidade de cada cargo e cada função. Em relação ao treinamento, a empresa deve fornecer cursos de capacitação técnica ou cursos de comportamento e gerenciamento. Habilidade tem relação com a capacidade dos funcionários em realizar suas funções. Por fim, a experiência é o conhecimento prático de cada funcionário que foi adquirido durante o seu período de vida profissional e suas atividades na empresa ou em empresas anteriores. 73 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Quadro 9 – Exemplo de controle dos cargos da empresa em relação aos quatro itens apresentados Nome do cargo Descrição das atividades Educação Treinamento Habilidade Experiência Assistente Recepção de documentos Cadastramento de clientes Impressão e disponibilização de documentos Ensino Médio completo Treinamento técnico Inglês básico (desejável) Conhecimento básico de aplicativos Windows Sem experiência anterior Analista JR Triagem de documentos Análise e registro de cópias de documentos Registro de garantias Cursando superior (Administração ou Economia) Treinamento técnico Inglês básico Conhecimento de documentação e de garantias Dois anos de experiência na área Analista PL Preparação e remessa de documentos Acompanhamento das operações Emissão de garantias Cursando superior (Administração ou Economia) Treinamento técnico Inglês básico Conhecimento de documentação e de garantias Três anos de experiência na área Analista SR Abono de assinaturas Legitimação de operações Análise de garantias Superior completo (Administração ou Economia) Treinamento técnico Inglês avançado Conhecimento de documentação e de garantias Cinco anos de experiência na área Coordenador Implementação de planos de ação Análise de resultados Monitoramento dos fluxos Assinatura dos contratos Superior completo (Administração ou Economia) Treinamento em gestão e relacionamento com o cliente Inglês avançado Conhecimento de documentação e de garantias Liderança de equipes Cinco anos de experiência na área Gerente Gestão de processos e equipes Planejamento estratégico da área Interação com áreas parceiras Parecer em novos produtos e processos Pós-graduação (Administração ou Economia) Treinamento em gestão e relacionamento com o cliente Inglês fluente Liderança de equipes Elaboração de planejamentos Sete anos de experiância na área A organização deve determinar as competências necessárias, executar treinamentos e avaliar a eficácia das ações, bem como manter registros desses processos. Com isso, a empresa tem a obrigação de efetuar um levantamento das necessidades de treinamento de todos os colaboradores, considerando suas funções e as habilidades 74 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 necessárias para cada cargo e verificando futuras necessidades relacionadas às mudanças que a empresa enfrente durante sua vida organizacional. Esse plano de treinamento deve ser avaliado e aprovado pela alta administração, sendo que todos os treinamentos devem ser registrados, inclusive com lista de presença e, posteriormente, a avaliação do resultado destes treinamentos para vinculá-los a melhoria do desempenho. 6.3 Infraestrutura: deve ser adequada para a realização dos processos. Exemplos: edifícios, espaço de trabalho, equipamentos, etc. Além disso, a alta direção deve verificar às melhorias e os ajustes necessários na infraestrutura. 6.4 Ambiente de trabalho: seguro, saudável, higienizado, entre outros requisitos, atendendo as necessidades dos colaboradores (funcionários) e da empresa. Seção 7 – Realização do produto: o produto/serviço é elemento fundamental para um processo de qualidade, pois existem diversas etapas, iniciando-se no planejamento deste (um projeto de um automóvel, por exemplo) até a sua saída da empresa (além dos processos de pós-venda ao cliente). 7.1 Planejamento e realização do produto: a organização deve planejar e desenvolver os processos necessários para a realização de um produto ou serviço a ser entregue aos clientes, atendendo às suas necessidades. Durante o planejamento, devem-se considerar diversos fatores (eventuais substitutos no mercado, custo da mudança para novos produtos; identificação da marca com o cliente etc.). O planejamento deve ser consistente e deve consideraros objetivos da qualidade, os requisitos do produto, a documentação dos processos, os processos de verificação, monitoramento, medição, entre outros. 75 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Além disso, a empresa deve criar um documento que demonstre o plano de qualidade do produto ou serviço que deve ser mantido e atualizado (sempre que necessário) durante toda a vida do produto ou serviço. 7.2 Processos relacionados ao cliente: a organização deve determinar os requisitos relacionados ao produto, respeitando, assim, as necessidades dos clientes, as leis e os regulamentos, bem como analisando criticamente todos os requisitos (contratos, exceções, emendas e alterações nos pedidos, comunicação com o cliente, tratamento de reclamações etc.). Em resumo, os requisitos especificados pelo cliente devem ser seguidos para o processo de qualidade, tais como: prazo de entrega, serviços pós-venda, normas e regras de conduta (ética e responsabilidade social), elaboração de manuais (comunicação com o cliente), entre outros. O requisito é dividido na determinação de requisitos relacionados ao produto, na análise crítica dos requisitos relacionados ao produto e na comunicação ao cliente. Na determinação dos requisitos relacionados ao produto devem ser considerados os requisitos dos clientes (que pode ser definido de várias formas): produto, entrega, pós-venda. Os requisitos também devem considerar normas, regulamento e leis municipais, estaduais e federais. A empresa, também, deve verificar (analisar criticamente) se todos os requisitos estão definidos, se a organização possui os recursos necessários (humanos, infraestrutura e ambiente de trabalho) para atender aos requisitos e se os requisitos estão devidamente e formalmente registrados (em contratos com o cliente, por exemplo). A comunicação com o cliente deve ser estabelecida pela empresa pelas mais variadas formas já disponíveis no mercado: 76 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 serviço de atendimento ao cliente, manual do produto, entre outros. 7.3 Projeto e desenvolvimento: controle do projeto e do desenvolvimento do produto em suas diversas fases. Importante salientar as análises críticas efetuadas durante essa fase, bem como as responsabilidades envolvidas nas diversas etapas (verificação do projeto e desenvolvimento, validações e controle de alterações durante todo o tempo do projeto). O planejamento de projeto e desenvolvimento deve possuir um cronograma com todos os estágios, considerando os prazos necessários para a realização de cada etapa, bem como as revisões necessárias nos casos em que haja alguma mudança ou atraso nas etapas. As entradas do projeto, internas ou externas, devem ser determinadas pela empresa. As entradas podem ser mudanças tecnológicas, bem como normas internacionais ou nacionais a serem cumpridas e desenhos, plantas, amostras ou qualquer outra informação importante ao projeto. Por sua vez, as saídas do projeto, ou seja, o resultado final deve atender a todos os requisitos, conter as características do produto e conter os critérios de aceitação do produto. Essas saídas devem ter especificações de produto, processo, material e ensaio, assim como todos os relatórios necessários e o devido estudo de viabilidade do negócio (viabilidade técnica, financeira e econômica, por exemplo). Com isso, a empresa deve efetuar a análise crítica desse projeto, considerando todos os aspectos do projeto. Com essa análise, a empresa verifica se todas as etapas estão sendo cumpridas conforme planejado, adequando as entradas, corrigindo os problemas encontrados, melhorando o processo e controlando as devidas alterações no projeto e no desenvolvimento. 77 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Por fim, a empresa necessita validar seu projeto para atender a todos os requisitos e garantir a confiança de que as etapas foram cumpridas. Essas validações dever ser feitas e concluídas antes do produto ou serviço ser introduzido ao mercado e entregue ao cliente. 7.4 Aquisição: a empresa deve ter completo controle sobre o produto ou serviço adquirido (matéria-prima, terceirização etc.) para que atenda a todos os requisitos especificados durante o planejamento. Podem ser considerados requisitos para aquisição: aprovação técnica do produto ou serviço (equipamentos, procedimento, MP), qualificação do pessoal (aquisição de mão de obra terceirizada e/ou um sistema de qualidade de gestão) e exigência de certificações para os fornecedores. O processo de aquisição não deve considerar apenas o preço dos fornecedores, sendo necessário verificar o histórico dos fornecedores, o desempenho destes no mercado e a capacidade produtiva, financeira, administrativa e logística destes fornecedores. Com isso, a empresa deve qualificar os fornecedores com critérios específicos, tais como: • preço; • qualidade; • entrega (prazo); • condições de pagamento; • embalagem; • transporte; • pós-venda; • atendimento. 78 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Além disso, a empresa pode exigir que os fornecedores possuam um sistema de gestão de qualidade certificado. De qualquer forma, a empresa deve preparar uma documentação com a descrição do produto ou serviço adquirido, que pode ser elaborada em conjunto com os fornecedores. Esse documento deve conter as especificações com nome e descrição do produto, código, características do produto, prazos de validade, embalagem, entre outros. A empresa, por fim, deve inspecionar todo e qualquer produto ou serviço adquirido para que estes não impactem diretamente na qualidade dos processos e do produto elaborado. Essa inspeção pode ser efetuada em todo o material adquirido ou em amostras aleatórias, avaliando as características técnicas do material, por exemplo. Em alguns casos, essa inspeção também pode ser efetuada no próprio fornecedor (visitas de qualificação). Quando a inspeção refere-se, por exemplo, à mão de obra terceirizada (entregue a empresa por um fornecedor de serviços), pode ser realizada por meio de questionários. 7.5 Produção e fornecimento de serviço: o produto/ serviço final deve atender a todos os requisitos que a empresa planejou e controlou e a empresa precisa controlar todo o produto entregue pelo cliente, protegendo-o e preservando-o. Também deve possuir identificação (numérica, alfanumérica etc.), embalagem, armazenamento, proteção e o manuseio, com o intuito de identificação e rastreabilidade ao longo da realização dos processos gerais da empresa (se for um requisito, a organização deve controlar e registrar a identificação única do produto). 79 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia -D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Em resumo, esse requisito é subdividido em outros cinco requisitos: • Controle de produção e prestação de serviços: as empresas devem disponibilizar as instruções de trabalho, disponibilizar as informações das características do produto ou serviço, utilizar equipamentos adequados e com devida manutenção, implementar o monitoramento e a medição nas fases do processo, bem como a entrega e pós-entrega do produto ou serviço. • Validação dos processos de produção e prestação de serviço: a empresa deve validar seus processos quando o monitoramento ou medição não puder verificar durante o processo. • Identificação e rastreabilidade: a empresa necessita criar um método de identificação do seu produto ou serviço durante todo o processo (por exemplo: número de lote, número de chassi no caso da fabricação de automóveis etc.) para, se necessário, verificar possíveis falhas no produto ou serviço entregue, notificando o cliente sobre o fato. Também é importante salientar que a empresa deve ter identificação de todo o produto ou serviço entregue pelo fornecedor e que faça parte do seu produto final. • Propriedade do cliente: qualquer item fornecido pelo cliente (material ou dados de um cadastro, por exemplo) deve ser preservado pela empresa, sendo que ela deve possuir controles de inspeção, identificação e preservação deste produto. • Preservação do produto: a norma informa que a empresa deve preservar os materiais utilizados na produção, considerando a identificação (registro do produto e identificação do local onde está preservado - layout do estoque, por exemplo), o manuseio, a embalagem (caixas 80 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 de papelão, fardos, recipientes plásticos, containeres, pallets etc.), o armazenamento e a proteção (em todas as situações de estoque: matéria-prima, produtos em processos e produtos acabados). 7.6 Controle de dispositivos de medição e monitoramento: a empresa deve controlar todos os equipamentos utilizados para este fim (calibração de aparelhos, equipamentos para testes e ensaios, comprovação metrológica etc.). A empresa, portanto, deve possuir um plano de calibração que deve considerar: • controle de calibração e ajuste; • padrões de referência ou padrões de trabalho; • novos equipamentos para testes e ensaios; • padrões consumíveis; • inventário e classificação; • frequência da calibração (neste caso, deve-se considerar diversos fatores, tais como: tipo de equipamento, histórico de manutenção, condições ambientais, a utilização do aparelho etc.); • execução do programa; • registros de comprovação metrológica; • equipamentos de monitoramento e medição que tenham algum dano ou estejam com condições não ideais de uso; • rastreabilidade dos padrões de medição; • proteção de dispositivos contra ajustes; • ambiente devidamente controlado; • manuseio, transporte e armazenamento ideais; 81 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 • pessoal devidamente treinado; • calibração executada por terceiros. Seção 8 – Medição, análise e melhorias: as empresas devem planejar e implementar processos necessários para esse fim. 8.1 Generalidades: os processos de medição, análise e melhoria que podem ser implantados: • demonstrar conformidade dos produtos/serviços; • assegurar a conformidade do sistema de gestão da qualidade; • efetuar melhoria contínua do sistema de gestão de qualidade. Várias medições devem ser efetuadas, tais como: • medir a satisfação dos clientes (SAC, Customer Service. Exemplo: Renner); • medir por auditorias internas; • medir os diversos passos dos processos (produtos/ serviços). 8.2 Monitoramento e medição: as medições costumam ser efetuadas por meio de dados estatísticos (gráficos, tabelas) entre o que foi planejado e o que foi obtido (indicadores). Os indicadores são variáveis representativas de um processo que permitem quantificá-lo, medindo a eficácia e eficiência deste processo. Servem para indicar o que está ocorrendo em um processo e deve ser sempre considerado como a base de uma ação de melhoria. A análise dos dados (indicadores) tem o objetivo de demonstrar a adequação e eficácia do sistema de gestão. 82 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 8.2.1 Satisfação do cliente: análises de dados deve fornecer informações relativas à satisfação dos clientes. Deve- se, portanto, medir e monitorar. A satisfação do cliente pode ser medida por meio de pesquisas de satisfação do cliente. Essas pesquisas são importantes para identificar se a empresa está realmente trabalhando com foco no cliente e está devidamente voltada para atender às necessidades dos seus clientes (atendimento de requisitos). É comum, as empresas possuírem diversos controles internos de produção que verificam diversos aspectos que a norma exige, porém continuam trabalhando com o foco em seus processos internos (através de ajustes no planejamento e na execução de suas tarefas), não avaliando se todas as suas decisões e se o seu planejamento e sua política estão realmente atendendo ao objetivo ideal: satisfazer o cliente. As formas de recepção dos dados dos clientes também pode ser feitas pelas reclamações e sugestões que os clientes podem efetuar nos mais variados canais, bem como a partir de pequenos questionários ou estudos efetuados por órgãos relacionados aos direitos dos consumidores. 8.2.2 Auditoria interna: a auditoria interna também deve ser utilizada como fator de medição e monitoramento para a busca de melhoria contínua dos processos. Um programa de auditoria deve ser planejado, levando em consideração a situação e a importância dos processos e os resultados das auditorias anteriores. A auditoria interna é uma das partes mais importantes que a empresa deve seguir em um processo de sistema de gestão da qualidade. Além de servir como entrada de análise crítica para as devidas correções que se fazem, por várias vezes, necessárias no 83 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 planejamento da empresa, a auditoria interna também é excelente termômetro para se verificar o nível de comprometimento de todos os envolvidos no processo. A auditoria interna, também, é importante como fonte agregadora e de unificação de entendimento por parte dos funcionários e, por isso, as empresas devem formar grupos de auditores internos (por meio de treinamento específico para este fim)dentre os funcionários dos mais variados setores e de todos os níveis hierárquicos. A ser auditado por um colega de trabalho e verificar a relação que existe entre um processo de gestão da qualidade e os trabalhos que são executados diariamente (rotina diária de atividades), há uma possibilidade muito grande de, com o passar do tempo, aumentar a aceitação e o entendimento de todo o processo. Como todo novo processo e uma empresa, temos que lembrar que uma implementação de um sistema de gestão da qualidade do porte de uma norma ISO pode levar a empresa a conflitos internos e dificuldade de absorção geral e plena de todos os funcionários da importância do processo. Com isso, a realização de auditorias internas, envolvendo os próprios funcionários como parte integrante do processo, conduz a empresa a um amadurecimento do sistema de gestão e do conceito de melhoria contínua para satisfação do cliente. Por fim, as auditorias internas devem ser realizadas em determinado intervalo de tempo (mais usual é que seja feito semestralmente), sendo comunicadas para todos os funcionários com devida antecedência. Os auditores devem ser independentes, ou seja, os funcionários devem auditar setores diferentes daquele no qual trabalha, exatamente para buscar maior imparcialidade nos resultados e também propiciar uma visão holística dos processos e da empresa para os auditores. Também é importante lembrar que a auditoria deverá ter um relatório final com todos os itens da norma e com os setores auditados e suas devidas anotações e apontamentos. 84 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Observação: orientações mais detalhadas sobre o processo de auditoria interna do sistema de gestão da qualidade podem ser vistos na norma ISO 19011. 8.2.3 Monitoramento e medição do processo e 8.2.4 Monitoramento e medição do produto: como dito anteriormente, as empresas devem ter métodos adequados e monitoramento e medição para atender aos requisitos dos clientes e buscar melhoria contínua dos seus processos e produtos. 8.3 Controle de produto não conforme: a empresa mede e monitora para verificar se os requisitos estão atendidos. Quando os resultados não são alcançados conforme planejado, devem ocorrer as devidas correções, executando-se as ações corretivas necessárias para esse fim. No caso de produtos e serviços não conformes, a empresa deve identificar e controlar no intuito de evitar o uso ou entrega indevida. É importante definir bem o termo “não conforme” ou “não conformidade” para os conceitos das normas da família ISO 9000. Não conformidade é qualquer situação, fato ou processo que apresentou um resultado diferente do planejado, ou seja, é a verificação de que o executado (ou sua execução) está diferente do que foi previamente programado. Com isso, as empresas tendem a criar um relatório ou um documento específico que possa conter as informações referentes a não conformidade. Este documento também servirá para apresentar as causas do problema, que devem ser totalmente verificadas por meio das mais variadas ferramentas disponíveis no mercado e/ou na empresa (tais como: técnicas estatísticas, questionários etc.). 85 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Lembre-se de que toda a tomada de decisão da empresa deve ser executada com base em fatos, portanto é necessária uma verificação minuciosa da causa do problema encontrado (não conformidade) para que as ações a serem tomadas pela empresa (sejam elas ações corretivas ou preventivas) tenham eficácia e venham a eliminar o problema. Portanto, para o controle do produto não conforme, a ISO recomenda que: • a empresa tome ações que eliminem a não conformidade; • a empresa entregue ao cliente produtos ou serviços não conformes apenas com autorização expressa deste; • a empresa não entregue produto não conforme ao cliente de forma intencional. 86 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Nº 111 Não Conformidade (NC) Oportunidade de Melhoria (OM) Origem da Não Conformidade (NC) ou da Oportunidade de Melhoria (OM) Análise Crítica Referências: Pedido de Compra 123 Cliente entrou em contato para verificar o motivo do atraso da entrega do pedido de compra citado. Auditoria Reclamação Produto Processo Responsável pelo Registro: Gerência de Produtos Responsável pela Análise: Depto de Qualidade Data de Abertura: 21/10/2008 Área onde a NC ou OM foi identificada: Descrição da NC ou OM: Padrão Aplicável: ISO 9001:2000 Requisito não atendido: 7.2.1 (Requisitos relacionados ao Produto) - Entrega dos produtos faltantes Disposição (Ação Imediata): Responsável pelo Tratamento: Depto de Logística Data de Conclusão do Tratamento: 25/10/2008 Análise da Não Conformidade (Causas): - Pedido foi efetuado sem a descrição total dos produtos a serem entregues Figura 9 – Modelo de registro de não conformidade 8.4 Análise de dados: a empresa deve fazer a investigação das causas das não conformidades e buscar soluções para eliminar causas reais e potenciais. Portanto, como vimos no item anterior, as empresas devem possuir métodos de análise de dados que possam verificar 87 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 a causa da não conformidade e que conduzam a empresa, a solução dos seus problemas. Entre essas ferramentas, podemos destacar aquelas que são utilizadas pelas empresas: • Diagrama de Pareto: gráfico de barras que representa uma ocorrência no processo, ordenada da maior para a menor. • Diagrama de causa – efeito (Diagrama de Ishikawa): também conhecido por “espinha de peixe”, é um modelo que busca identificar as causas dos problemas pela correlação entre os processos da empresa. Material Método Mão de obra Máquina Medição Meio ambiente Problema Causas Sub-causas Figura 10 8.5 Melhoria: a empresa deve sempre buscar a melhoria contínua de seus processos para eliminar qualquer falha em seus produtos e serviços. Estas melhorias são efetuadas utilizando as ferramentas que vimos: política da qualidade, objetivos, auditorias e seus resultados, análise dos indicadores e demais dados que a empresa possua ou venha a criar, análises críticas da alta administração e, por fim, das ações corretivas e preventivas tomadas. 8.5.1 Melhoria contínua: a empresa deve procurar sempre a melhoria, registrando formalmente todas as etapas dos seus processos. O conceito de melhoria contínua neste item está diretamente vinculado ao princípio de melhoria contínua do sistema de gestão 88 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão :M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 da qualidade e deve estar inserido de forma marcante na empresa, fazendo parte de seu planejamento e de suas metas e objetivos. Para demonstrar o processo de melhoria contínua, as empresas, usualmente, utilizam-se de indicadores que apresentam, de forma gráfica ou numérica, a evolução dos processos internos. A melhoria contínua é, portanto, peça fundamental para que a empresa implante e mantenha um sistema de gestão da qualidade. Melhorar de forma contínua representa a busca pela eficácia e eficiência dos processos empresariais e deve, com isso, estar incorporada à empresa em todos os seus níveis hierárquicos. As empresas, que possuem um sistema de gestão implantado e funcionando de forma a atingir essa busca de melhoria, devem vincular em seus objetivos (assim como repassar para os objetivos e metas individuais de todos os seus funcionários) o processo de melhoria. Naturalmente este processo é lento e exige uma mudança na cultura e na forma de aprendizagem organizacional, porém, uma vez alcançadas se tornam uma vantagem competitiva sustentável para a empresa em relação à concorrência, trazendo benefícios quantitativos e qualitativos. Importante também citarmos as diferenças entre os conceitos de eficácia e eficiência para podermos compreender as definições de produtividade e qualidade. No quadro a seguir podemos entender melhor estes contextos: - - + + Produtividade Qualidade Faz certo coisas erradas Faz certo coisas certas Faz errado coisas erradas Faz errado coisas certas Figura 11 89 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 8.5.2 Ações corretivas: as ações corretivas eliminam as não conformidades encontradas, evitando futuras repetições. É uma das ferramentas mais importantes para o sistema de gestão da qualidade. Para se tomar uma ação corretiva, é necessário que uma não conformidade seja registrada (pode ser de processo, produto, reclamação do cliente) e que se inicie um processo de identificação das causas dessa não conformidade (como vimos acima nos itens anteriores). A partir desta etapa, a empresa pode criar grupos de trabalho nas áreas para que se verifiquem quais são as ações que tomadas pela empresa irão corrigir o fato apontado, evitando sua repetição em situações futuras idênticas. Esse grupo de trabalho terá a obrigação de acompanhar o processo de solução de problemas até a sua validação final, ou seja, para a norma não basta implantar um novo processo com os devidos ajustes efetuados para que se tenha o encerramento da não conformidade encontrada, pois existe ainda a fase de monitoramento desse novo processo, ou seja, a constatação de que a solução encontrada para o problema apresentado realmente atingiu os objetivos e eliminou as causas de forma definitiva. 8.5.3 Ações preventivas: as ações preventivas eliminam as causas de não conformidades potenciais (que ainda não ocorreram), evitando a sua ocorrência. Elas podem ser detectadas devido a tendências encontradas na análise de dados. As ações preventivas são situações que, muitas empresas que possuem um sistema de gestão da qualidade ainda recente, possuem certa dificuldade de implantação e entendimento. É natural que façamos correções dos problemas que conhecemos e que encontramos no processo (ação corretiva), porém é difícil o conceito de buscar as relações de causa e efeito de situações que hipoteticamente trarão algum tipo de prejuízo ou levam a empresa a cometer algum erro em eventos futuros (ou seja, que ainda não ocorreram). 90 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Porém se fizermos uma análise, as empresas, muitas vezes, já possuem essas ações preventivas implantadas, facilitando assim seu conceito. Podemos tomar como exemplos: os treinamentos da CIPA e da brigada de incêndio por meio de simulações durante o ambiente de trabalho, bem como a instalação de irrigadores de teto contra incêndios. Outro exemplo seria a manutenção periódica dos automóveis nas concessionárias que servem para que as peças sejam substituídas ou ocorram algumas trocas (óleo, fluído de freio etc.) evitando, assim, problemas futuros com o carro. Observação: quando algum requisito da norma não pode ser aplicado devido à natureza da empresa e dos seus produtos/ serviços, basta que a empresa que esteja requerendo a certificação, exclua este requisito, inclusive explicando o motivo da exclusão em sua documentação. Implementação da ISO 9001 Para que a empresa implemente o sistema de gestão da qualidade da norma ISO 9001 e seja devidamente certificada, é necessário seguir alguns passos básicos: • decisão da alta administração da empresa por um sistema de gestão da qualidade; • criação de um setor de gestão da qualidade (SGQ); • elaboração e divulgação de uma política da qualidade; • treinamento e envolvimento de todos os funcionários envolvidos nos processos a serem certificados; • formação de auditores internos da qualidade; • auditoria interna da qualidade; • pré-auditoria com uma empresa certificadora; • auditoria de certificação (auditoria externa). 91 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Portanto, o primeiro e essencial passo para a implementação do sistema de gestão da qualidade na empresa é o total envolvimento e comprometimento da alta administração com esse processo. A alta administração da empresa deve considerar a gestão da qualidade com parte integrante do seu processo de planejamento, elaborando uma política da qualidade focada no cliente e ao propósito da empresa e, também, vincular sua missão, visão, metas e objetivos a esse processo. Precisamos lembrar esses conceitos e verificar a importância deles em uma estratégia empresarial: • visão: estado desejado e projetado pela organização em longo prazo; • missão: razão de existir da organização; • metas: marcas intermediárias para atingir um objetivo; • objetivos: alvos, situações e resultados a serem alcançados. Com esses aspectos considerados, a empresa, então, irá elaborar ou alterar a sua estrutura organizacional, criando um setor de gestão da qualidade: o SGQ. O SGQ possui as atribuições ligadas direta ou indiretamente ao sistema de gestão da qualidade, sendo responsável por diversas tarefas, dentre elas: • desenvolver e divulgar a padronização dos processos; • acompanhar o resultado dos indicadores, informando a alta administração sobre os mesmos ou preparando-os para as reuniões de análise crítica (entradas); • acompanhar as ações corretivas, preventivas e as oportunidades de melhoria implantadas na empresa; 92 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár cio - 18 /0 9/ 20 13 • analisar o desempenho do sistema de gestão da qualidade; • acompanhar o processo de auditorias internas e externas etc. O SGQ, em conjunto com a alta administração, também será responsável pela divulgação da política da qualidade para toda a empresa. Evidente que, uma empresa que pretenda implantar um novo processo como é o caso da implantação do sistema de gestão da qualidade baseada nas normas ISO, há necessidade de se efetuar um treinamento com todos os colaboradores envolvidos no processo para que haja um entendimento deste e uma participação ativa e constante no sistema de gestão. Sabemos que o envolvimento das pessoas é fator fundamental para o processo, fazendo parte, inclusive, dos princípios de gestão. Portanto, uma das formas de conseguir esse envolvimento é direcionando os funcionários da empresa ao conceito de satisfação do cliente e melhoria contínua, utilizando-se da ferramenta de treinamento para atingir esse objetivo. Um dos treinamentos a serem realizados é o da formação de auditores internos. Normalmente, as empresas escolhem alguns funcionários das mais variadas áreas e com todos os tipos de nível hierárquico para poder participar desse treinamento e se tornar auditor interna, participando ativamente dos processos de auditoria interna na empresa. Uma vez formado o grupo de auditores internos, a empresa deve realizar sua primeira auditoria interna, verificando se os documentos gerados nos processos (Manual da Qualidade e Procedimentos) estão em conformidade com os itens da norma, bem como verificar se todos os processos da empresa são realizados conforme planejado e atendendo todos os requisitos do sistema de gestão da qualidade. O procedimento da auditoria deve seguir o item 8.2.2. da norma (conforme visto anteriormente). Com todos os procedimentos efetuados e após a primeira auditoria interna, a 93 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 empresa já tem condições de pedir, a uma empresa certificada, devidamente autorizada a elaborar auditorias de qualidade, a auditoria externa para verificar se é possível a certificação. Porém, é muito comum que a empresa peça a certificado uma pré-auditoria de certificação. Neste caso, a empresa certificado irá agendar uma data para fazer toda a análise do sistema de gestão da qualidade da empresa. O resultado da pré-auditoria demonstrará se são necessários e quais os ajustes que a empresa deverá fazer para a auditoria de certificação. Finalmente, a empresa, com todos os dados da auditoria interna e mais os ajustes realizados na pré-auditoria, contata a empresa certificadora e realiza a auditora externa de certificação. Esta auditoria irá verificar todo o processo da empresa, analisando se todos os requisitos da norma estão devidamente implantados na empresa e se todos os processos de produção de produto e/ou serviço estão em comum acordo com o descrito. Se não houver qualquer não conformidade no processo que impeça a certificação, a empresa certificadora que efetuou a auditoria externa faz a recomendação da empresa para receber o certificado ISO 9001. Ao receber o certificado, a empresa pode informar publicamente que possui a certificação ISO 9001 aos seus clientes, respeitando certos critérios para esta divulgação. Importante salientar que a auditoria externa se repetirá, geralmente, a cada ano, sendo que após três anos de certificação da empresa, o sistema de gestão da qualidade será reavaliado para que o certificado seja renovado. Com isso, a empresa tem o comprometimento de manter o sistema de gestão da qualidade com o princípio de foco no cliente e com a busca contínua de melhoria dos seus processos. 94 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 Referências bibliográficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR ISO 9004. Rio de Janeiro, 2010. ___. Normalização. O que é normalização? Os objetivos e os benefícios. 2006. Disponível em: <http://www.abnt.org.br/ m3.asp?cod_pagina=931>. Acesso em: 25 set. 2009. ___. Processos de criação de uma norma. Disponível em: <http://www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=952>. Acesso em: 25 set. 2009. ACQUAVIVA NETO, N. PNQ x GRI. 2006. Trabalho apresentado como requisito para conclusão de Curso MBA em Gestão de Tecnologias Ambientais, Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia. Universidade de São Paulo, 2006. ALMEIDA, F. Os desafios da sustentabilidade: uma ruptura urgente. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2007. AMATO NETO, J. Rede entre organizações. São Paulo: Atlas, 2005. ___. As tecnologias da informação e comunicação (TICs) e as redes dinâmicas de cooperação: um novo paradigma de produção? Journal of technology management and innovation, out. de 2006, v. 1, n. 4. Disponível em: <http:// www.jotmi.org/index.php/GT/article/viewFile/art26/370>. Acesso em: 18 dez. 12. CAMPOS, V. F. Qualidade total: padronização de empresas. Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda., 2004. CARPINETTI, L. C. R.; MIGUEL, P. A. C.; GEROLAMO, M. C. Gestão da qualidade ISO 9001:2000: princípios e requisitos. São Paulo: Atlas, 2009. 95 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 CARVALHO, M. M. Inovação: estratégias e comunidades de conhecimento. São Paulo: Atlas, 2009. ___. Gestão da qualidade: teoria e casos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. CHOWDHURY, S. Administração do século XXI: o modo de gerenciar hoje e no futuro. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003. CONTADOR, J. C. Campos e armas da competição: novo modelo de estratégia. São Paulo: Saint Paul, 2008. COSTA NETO, P. L. Administração com qualidade: conhecimentos necessários para a gestão moderna. São Paulo: Blucher, 2010. ___. Qualidade e competência nas decisões. São Paulo: Blücher, 2007. COSTA NETO, P. L. O.; CANUTO, S. A. Administração com qualidade. São Paulo: Blücher, 2010. CRUZ JR. C. A. Modelo de gestão em biotério convencional de produção de Rattus norvegicus de instituição de ensino superior privada brasileira. Universitas Ciências da Saúde. v. 1, n. 2. pp. 343-362. FEDERAÇÃO DA INDÚSTRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Glossário de termos de qualidade. Disponível em: <http:// apps.fiesp.com.br/qualidade/mainglos.htm#i>. Acesso em: 25 set. 2009. 96 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Clientes. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Estratégias e planos. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Gestão da informação. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Implantação. 4. ed. São Paulo, 2012. (Cadernos de Excelência).___. Informações e conhecimento. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Introdução ao Modelo de Excelência da Gestão (MEG). 4 ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Liderança. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Pessoas. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Prêmio Nacional da Qualidade: Critérios de Excelência. São Paulo: 2012. Disponível em: <http://www.fnq.org.br/ site/402/default.aspx>. Acesso em: 19 dez. 2012. ___. Processos. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Responsabilidade social. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). ___. Resultados. 4. ed. São Paulo: FNQ, 2012. (Cadernos de Excelência). 97 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 ___. Critérios de excelência. 19 ed. São Paulo: FNQ, 2011. ___. Critérios de excelência: o estado da arte da gestão para a excelência do desempenho e para o aumento da competitividade. São Paulo: FNQ, 2008. ___. Critérios de Excelência. São Paulo: FNQ, 2007. ___. Benchmarking: relatório do comitê temático. São Paulo: FNQ, 2005. ___. Conceitos fundamentais da excelência. São Paulo: FNQ, 2006. ___.Banco de Boas Práticas. [s.d]. Disponível em <http:// canal.fnq.org.br/BBP_FNQ/Biblioteca%20de%20WebPart/BBP_ FNQ.aspx>. Acesso em: 19 dez. 2012. GARVIN, D. A. Aprendizagem em ação: um guia para transformar sua empresa em uma learning organization. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. HAMMER, M.; CHAMPY, J. Reengenharia revolucionando a empresa. 17. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1994. HERRERO, E. Balanced Scorecard e a gestão estratégica: uma abordagem prática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. HESPANHA, P. et al. Dicionário internacional da nova economia. Brasil: Almedina, 2009. INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Código das melhores práticas. São Paulo, 2012. Disponível em: <http://www.ibgc.org.br/CodigoMelhoresPraticas.aspx>. Acesso em: 19 dez. 2012. 98 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 JULIBONI, M. O recado das empresas à geração Y: bom mesmo é dar resultado. Exame.com, ago. 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/economia/o-recado- das-empresas-a-geracao-y-bom-mesmo-e-dar-resultado>. Acesso em: 23 jan. 12. LIKER, J. K. O modelo Toyota: 14 princípios de gestão do maior fabricante do mundo. Porto Alegre: Bookman, 2005. MELLO et al. ISO 9001:2008 – sistema de gestão da qualidade para operações e serviços. São Paulo: Atlas, 2009. PAGLIUSO, A. T. Gestão organizacional: o desafio da construção do modelo de gestão. São Paulo: Saraiva, 2010. PALADINI, E. P. Gestão estratégica da qualidade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. PERFUMES e bombons: a história do bombom Sonho de Valsa. Revista Marketing, jan. 2012. Disponível em: <http://www. revistamarketing.com.br/materia.aspx?m=825>. Acesso em: 23 jan. 12. SEIFFERT, M. E. B. ISO 14001 sistemas de gestão ambiental: implantação objetiva e econômica. São Paulo: Atlas, 2009. SENGE, P. M. A quinta disciplina. São Paulo: Best Seller; Nova Cultural, 2003. TIGRE, P. B. Gestão da inovação: a economia da tecnologia no Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. UNIP. Missão. 2012a. Disponível em <http://www.unip.br/ universidade/missao.aspx>. Acesso em: 19 dez. 2012. ___. Objetivos. 2012b. Disponível em <http://www.unip.br/ universidade/objetivos.aspx>. Acesso em: 19 dez. 2012. 99 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 ___. Responsabilidade social concretizada: UNIP na caravana da cidadania. 2012c. Disponível em <http://www.unip.br/ comunicacao/exibe_noticia.asp?id=3734>. Acesso em: 19 dez. 2012. VEIGA, J. E. Desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2005. 100 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 101 ADMINISTRAÇÃO INTEGRADA Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13 102 Unidade II Re vi sã o: N íz ia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 11 /0 5/ 20 10 / // s ol . d e re di m en sio na m en to e m ud an ça d e no m e: V irg ín ia / Di ag ra m aç ão : M ár ci o - 22 /0 4/ 20 13 // R ed im en sio na m en to : A m an da / Di ag .: M ár ci o - 18 /0 9/ 20 13