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1 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO AUDITORIA DE RECURSOS HUMANOS 3 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO2 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO BiBLiotecA muLtiViX (dados de publicação na fonte) As imagens e ilustrações utilizadas nesta apostila foram obtidas no site: http://br.freepik.com Lopes, Ketnes Ermelinda Guimaraes. Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Alfabetização / Ketnes Ermelinda Guimaraes Lopes. – Serra: Multivix, 2018. editoriAL FAcuLdAde cAPiXABA dA serrA • muLtiViX Catalogação: Biblioteca Central Anisio Teixeira – Multivix Serra 2018 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999 atua no mercado capixaba, des- tacando-se pela oferta de cursos de gradua- ção, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimen- to: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sem- pre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com cons- ciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 institui- ções avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. missÃo Formar profissionais com consciência cida- dã para o mercado de trabalho, com ele- vado padrão de qualidade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VisÃo Ser uma Instituição de Ensino Superior reconheci- da nacionalmente como referência em qualidade educacional. GRUPO MULTIVIX Diretor Executivo Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretora Acadêmica Eliene Maria Gava Ferrão Penina Diretor Administrativo Financeiro Fernando Bom Costalonga Diretor Geral Helber Barcellos da Costa Diretor da Educação a Distância Pedro Cunha Conselho Editorial Eliene Maria Gava Ferrão Penina (presidente do Conselho Editorial) Kessya Penitente Fabiano Costalonga Carina Sabadim Veloso Patrícia de Oliveira Penina Roberta Caldas Simões Revisão de Língua Portuguesa Leandro Siqueira Lima Revisão Técnica Alexandra Oliveira Alessandro Ventorin Graziela Vieira Carneiro Design Editorial e Controle de Produção de Conteúdo Carina Sabadim Veloso Maico Pagani Roncatto Ednilson José Roncatto Aline Ximenes Fragoso Genivaldo Félix Soares Multivix Educação a Distância Gestão Acadêmica - Coord. Didático Pedagógico Gestão Acadêmica - Coord. Didático Semipresencial Gestão de Materiais Pedagógicos e Metodologia Direção EaD Coordenação Acadêmica EaD 5 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO4 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Aluno (a) Multivix, Estamos muito felizes por você agora fazer parte do maior grupo educacional de Ensino Superior do Espírito Santo e principalmente por ter escolhido a Multivix para fazer parte da sua trajetória profissional. A Faculdade Multivix possui unidades em Cachoei- ro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória. Desde 1999, no mercado capixaba, destaca-se pela oferta de cursos de graduação, pós-graduação e extensão de qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, tanto na mo- dalidade presencial quanto a distância. Além da qualidade de ensino já comprova- da pelo MEC, que coloca todas as unidades do Grupo Multivix como parte do seleto grupo das Instituições de Ensino Superior de excelência no Brasil, contando com sete unidades do Grupo en- tre as 100 melhores do País, a Multivix preocupa- -se bastante com o contexto da realidade local e com o desenvolvimento do país. E para isso, pro- cura fazer a sua parte, investindo em projetos so- ciais, ambientais e na promoção de oportunida- des para os que sonham em fazer uma faculdade de qualidade mas que precisam superar alguns obstáculos. Buscamos a cada dia cumprir nossa missão que é: “Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores.” Entendemos que a educação de qualidade sempre foi a melhor resposta para um país crescer. Para a Multivix, educar é mais que ensinar. É transformar o mundo à sua volta. Seja bem-vindo! APRESENTAÇÃO DA DIREÇÃO EXECUTIVA Prof. Tadeu Antônio de Oliveira Penina diretor executivo do Grupo multivix Apresentação da Disciplina Caro(a) Aluno(a), nesta disciplina, abordaremos como as organizações mudaram sua forma de enxergar os negócios ao longo do tempo e como essas mudanças modifi- caram o papel do gestor organizacional. O gestor que anteriormente focava seu tra- balho exclusivamente nas atividades da sua função, passou a levar em conta as infor- mações correntes nas organizações e os seus respectivos fluxos. Mais que isso, vamos entender como esses gestores passaram a analisar e monitorar o trabalho daqueles sob sua alçada e como essas pessoas passaram a se autogerenciar. Vamos aprender que esse processo de monitoramento e avaliação dos recursos humanos deve ser rea- lizado com ética, sem perder de vista a ideia de uma performance adequada aos ob- jetivos da empresa. Esta é uma disciplina que trará a você uma grande compreensão sobre a forma como as melhorias da área de Recursos Humanos são implementadas. Assim, entendemos que você tem aqui uma grande oportunidade de aprimorar seus conhecimentos, a partir das discussões em cada uma das unidades, mas também a partir das atividades complementares, como fóruns e indicações de leitura. objetivos da disciplina Ao final desta disciplina, esperamos que você seja capaz de: • Descrever a evolução das demandas das empresas e o seu atual contexto de atuação. • Esclarecer o papel do consultor nos processos de monitoramento e avaliação de Recursos Humanos. • Aplicar de forma ética e assertiva ações de auditoria em Recursos Humanos alinhadas aos objetivos de performance das empresas. 7 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO6 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO > FIGURA 1 - O gestor contemporâneo 13 > FIGURA 2 - O profissional de RH 14 > FIGURA 3 - Controle do fluxo de materiais na General Motors, em 1941 17 > FIGURA 4 - Empresas contemporâneas 20 > FIGURA 5 - Stakeholder 23 > FIGURA 6 - A realidade da turbulência 24 > FIGURA 7 - Complexidade versus conhecimento 26 > FIGURA 8 - Uso da informação nas empresas 27 > FIGURA 9 - Diferentes tipos de gerentes 29 > FIGURA 10 - Estereótipos gerenciais de Pitcher 30 > FIGURA 11 - Matriz Inovação x Integração 54 > FIGURA 12 - Possíveis Abordagens para a Consultoria em RH 57 > FIGURA 13 - Modelode Hólons 63 > FIGURA 14 - Equação 78 ListA de FiGurAs sumÁrio 1UNIDADE 2UNIDADE 3UNIDADE 1 A emPresA contemPorÂneA e o seu conteXto de AtuAÇÃo 12 1.1 O GESTOR E AS DEMANDAS DA EMPRESA CONTEMPORÂNEA 12 1.1.1 O PAPEL DO PROFISSIONAL DE RH 14 1.1.2 UM BREVE HISTÓRICO DAS MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS 16 1.2 CENÁRIO ATUAL DAS ORGANIZAÇÕES 19 1.2.1 A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL 21 1.2.2 A NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO 24 1.2.3 MELHORIA DA INFORMAÇÃO DA EMPRESA 26 1.3 OS TIPOS DE GESTORES/ GERENTES ORGANIZACIONAIS 28 concLusÃo 31 2 conceitos BÁsicos de consuLtoriA 33 2.1 CONCEITOS BÁSICOS E INTRODUÇÃO À CONSULTORIA 33 2.1.1 HISTÓRICO DA CONSULTORIA 35 2.1.2 MOTIVOS PARA A CONTRATAÇÃO DE UMA CONSULTORIA 36 2.2 TENDÊNCIAS DA CONSULTORIA 38 2.2.1 O PAPEL DO CONSULTOR 41 2.2.2 DIFERENÇAS ENTRE AUDITORIA E CONSULTORIA 45 concLusÃo 47 3 monitorAndo A mudAnÇA no rH 49 3.1 INTRODUÇÃO 49 3.2 PROCESSOS DE MONITORAÇÃO DE PESSOAS 49 3.2.1 MATRIZ INOVAÇÃO X INTEGRAÇÃO 52 3.3 CONSULTORIA E AUDITORIA COMO INSTRUMENTO DE MONITORAMENTO DOS RECURSOS HUMANOS 55 3.4 AUTOGESTÃO 57 concLusÃo 60 9 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO8 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 4 A imPortÂnciA dA ÉticA nA consuLtoriA de GestÃo de PessoAs 62 4.1 INTRODUÇÃO 62 4.2 INTRODUÇÃO 62 4.2.1 ANÁLISE MULTINÍVEL DA ÉTICA ORGANIZACIONAL 63 4.2.2 A ÉTICA DO INDIVÍDUO E DA EMPRESA 65 4.3 A ÉTICA E O PROFISSIONAL DE RECURSOS HUMANOS 67 4.4 A ÉTICA DO CONSULTOR 68 concLusÃo 74 5 A AnÁLise dA GestÃo e o ProJeto de consuLtoriA 76 5.1 A AVALIAÇÃO ORGANIZACIONAL 76 5.1.1 APRENDIZAGEM PARA A INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL E SEU PROCESSO DE AVALIAÇÃO 79 5.2 O PROJETO DA CONSULTORIA 80 5.2.1 A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CONSULTORIA 81 5.2.1.1 PREMISSAS 82 5.2.1.2 CONTEÚDO DO PROJETO DE CONSULTORIA 82 5.2.1.3 CARACTERÍSTICAS DA CONSULTORIA 83 concLusÃo 87 6 interVenÇÃo em GestÃo de PessoAs 90 6.1 FATORES DE COMPETÊNCIA EM RECURSOS HUMANOS 91 6.1.1 OTIMIZAÇÃO DO CAPITAL HUMANO VIA PLANEJAMENTO E ANÁLISE DA FORÇA DE TRABALHO 92 6.1.2 DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS 95 6.1.3 FORMATAÇÃO DAS PRÁTICAS ORGANIZACIONAIS 97 6.1.4 AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO 98 6.2 CONCEITUANDO INDICADORES DE DESEMPENHO 100 6.3 AVALIANDO E DESENVOLVENDO A CONSULTORIA EM RH 103 6.3.1 ELABORAÇÃO DE PLANO DE MANUTENÇÃO E APRIMORAMENTO QUE EXTRAPOLE O PERÍODO DE TEMPO DO PROJETO DE CONSULTORIA 103 4UNIDADE 5UNIDADE 6UNIDADE 6.3.2 INTEGRAÇÃO DO CONTEÚDO DO SERVIÇO DE CONSULTORIA COM OUTROS PROJETOS E ATIVIDADES DA EMPRESA-CLIENTE 104 6.3.3 IDENTIFICAÇÃO DOS PATRONOS RESPONSÁVEIS PELOS ASSUNTOS INERENTES AO SERVIÇO DE CONSULTORIA REALIZADO 104 concLusÃo 105 GLossÁrio 106 reFerÊnciAs 107 11 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO10 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de: iconoGrAFiA ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS >• Identificar como os modelos de gestão e as demandas organizacionais evoluíram ao longo dos anos. • Esclarecer como os modelos de gestão foram sendo modificados ao longo do tempo em função das necessidades do ambiente. • Identificar a importância do fluxo de informações no dia a dia das empresas e seu papel no processo de tomada de decisão. UNIDADE 1 13 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO12 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 1 A EMPRESA CONTEMPORÂNEA E O SEU CONTEXTO DE ATUAÇÃO As organizações mudaram ao longo dos anos, sejam pelas suas demandas internas, sejam pelas pressões dos seus concorrentes, clientes e sociedade em geral. É preciso entender como as mudanças no relacionamento com os clientes e com os governos, os avanços da tecnologia e os fluxos de informação influenciaram novos modelos de gestão. Em meio a essas mudanças, encontra-se o profissional de RH, trazendo, por exemplo, questões culturais e sociais para essas novas configurações organizacionais. Para entender melhor esse processo, abordaremos o histórico das mudanças ocorri- das nas organizações ao longo da história, as demandas do mercado em termos de fer- ramentas e abordagens e como estas definiram novas atitudes do profissional de RH. 1.1 O GESTOR E AS DEMANDAS DA EMPRESA CONTEMPORÂNEA Apesar de termos observado o desenvolvimento de um grande número de conceitos, métodos e ferramentas gerenciais, ao longo das últimas décadas, também foi pos- sível observar o surgimento de novos contextos organizacionais. Na medida em que surgiram novas necessidades de relacionamento com clientes, novos requisitos legais e regulamentações, as organizações precisaram rever sua capacidade de gestão fren- te a um ambiente de negócios em constante mudança. FIGURA 1 - O GESTOR CONTEMPORÂNEO Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018. Para Pagliuso et al. (2010), essas novas necessidades tornaram-se base para as orga- nizações que buscam melhores níveis de competitividade e sustentabilidade. Além disso, essas novas necessidades orientam os tomadores de decisão na construção da gestão organizacional, especialmente quando as ações precisam ser legitimadas junto às partes interessadas da organização, como, por exemplo, o governo, seus acio- nistas, clientes etc. (comumente tratados como stakeholders). Autores renomados, como Peter Senge, Gareth Morgan e Henry Mintzberg, propõem sistematicamente um novo olhar sobre a gestão das organizações, resgatando discussões já iniciadas sobre pensamento sistêmico, pensamento complexo, cultura e metáforas organiza- cionais e inovação. Assim, ainda de acordo com o autor, é preciso que as organizações busquem cons- tantemente ajustar o ambiente de negócio, suas estratégias e os principais compo- nentes da gestão organizacional (como pessoas, arquitetura, rotinas e cultura), como forma de obter melhor desempenho ou mesmo sobreviver no mercado. Ao conside- rarmos as organizações que desapareceram nos últimos 40 anos, inclusive no Brasil, concluiremos que, mesmo para aquelas que apresentaram sucesso financeiro, com produtos ou serviços de qualidade, faltou aos seus gestores uma visão sistêmica sobre 15 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO14 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO a organização e seu ambiente de atuação. Não apenas isso, mas também um equilí- brio entre a busca por resultados e o atendimento das demandas de seus stakeholders. De fato, essa noção de mudança, em decorrência de fatores como novas tecnologias, expectativas dos clientes e fluxos incessantes de informações também é apresentada por Ulrich et al. (2013). Segundo os autores, o ritmo de mudanças está crescendo ex- ponencialmente, fazendo com que o conhecimento tenha uma meia-vida, cada vez mais curta, à medida que a mudança emana de novos conhecimentos, mais acessí- veis pela Internet. Em linha com Pagliuso et al. (2010), os autores ressaltam que cin- quenta e seis anos depois da publicação, em 1955, da listaoriginal da Fortune 500, apenas 70 empresas existem de forma independente. Em apenas uma década, de 2000 a 2010, cerca de metade dessas grandes empresas desapareceu. 1.1.1 O PAPEL DO PROFISSIONAL DE RH Com todas essas mudanças organizacionais acontecendo, é possível questionar: Qual o papel do profissional de RH nesse cenário de constantes mudanças organizacionais? FIGURA 2 - O PROFISSIONAL DE RH Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018. O papel do profissional de RH nas organizações em constantes mudanças, segundo Ulrich et al. (2013): • Os profissionais de RH deveriam ajudar suas empresas a enfrentar, aceitar e estar aberta às pressões por mudança, em vez de fugir delas. • Os profissionais de RH precisam enfrentar o desafio dos fracassos das mudan- ças e trabalhar para melhorar esses números desanimadores, ou seja, diagnos- ticar as razões do fracasso nas mudanças e aprender com elas. • Aqui temos uma clara oportunidade para que o profissional de RH possa desenvolver a motivação da sua equipe, por meio da discussão dos resul- tados e adaptação dos processos atualmente realizados na empresa. • Os profissionais de RH ajudam a criar aptidões pessoais e organizacionais de mudança em discussões periódicas, pois essas capacidades melhoram o de- sempenho. • Os profissionais de RH podem ajudar os líderes a buscar em suas estratégias, a serem claros e precisos sobre o que estão procurando fazer e, depois, a criarem uma capacidade de mudança para rapidamente oferecerem cada resultado. • Aqui vemos o potencial de ação do profissional de RH, em termos de aprimoramento dos mecanismos de comunicação empresarial e geração periódica de ideias, a partir do diálogo entre os mais variados níveis da empresa. • Os profissionais de RH trazem disciplina aos processos de mudança, para que as pessoas façam o que sabem. Eles criam e usam uma lista de mudanças para ajudar a manter a organização no rumo. • Os profissionais de RH precisam ajudar os gerentes de área a determinarem quando começar a mudança evolucionária e quando optar pela mudança re- volucionária. • Os profissionais de RH podem ajudar a conceber desejos e definir ações para unir o presente ao futuro. • Os profissionais de RH podem ser instrutores para a melhoria individual, agen- tes para as mudanças de iniciativa e administradores para a transformação cultural. • Os profissionais de RH conceituam e projetam agilidade e flexibilidade orga- 17 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO16 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO nizacional, assim como flexibilidade às mudanças externas. • Os profissionais de RH precisam criar um processo aceito, compartilhado e sabiamente utilizado para implementar iniciativas por toda a organização. Após essa apresentação sobre o papel do profissional de RH nas organizações em constantes mudanças, vamos agora entender um pouco melhor como estas ocorre- ram ao longo do tempo. 1.1.2 UM BREVE HISTÓRICO DAS MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS Tradicionalmente, ao se traçar um panorama das mudanças ocorridas nos processos, conceitos e ferramentas de gestão, tem-se a Revolução Industrial americana como um ponto de partida, sendo que o papel de destaque não é à toa. Para Pagliuso et al. (2010), a revolução acarretou na mudança das produções artesanais que ocorriam em pequenas quantidades dentro de oficinais para as produções em massa, em que a produção – agora realizada em grandes fábricas – necessitava de mecanismos para viabilizar o intercâmbio de peças. Assim, os conceitos gerenciais adotados anteriormente precisaram ser ajustados à nova realidade de grandes volumes de produção. “Era necessário atuar de forma pro- fissional para mitigar o impacto do aumento de defeitos proporcionado por linhas de produção não artesanais e em larga escala” (PAGLIUSO et al., 2010). É nesse pe- ríodo que podemos observar as contribuições de Frederick W. Taylor, considerado o “pai da administração científica”, que garantiu processos e produtos cada vez mais padronizados, a partir da separação entre as atividades específicas de inspeção e as atividades de produção. A Segunda Guerra Mundial apresenta-se como um outro grande marco na trajetória gestão organizacional como um todo. A necessidade norte-americana de constru- ção do seu arsenal militar, principalmente após as perdas ocorridas em Pearl Harbor, trouxe situações industriais inusitadas, como as produções da IBM de mais de 340 mil carabinas para o exército norte-americano. Em dezembro de 1940, o Departamento de Guerra formou um comitê para sugerir padrões na área da qualidade, publicados oficialmente nos anos seguintes (GARVIN, 2002). Os conceitos do controle da qualida- de tornaram-se tão importantes nesse momento que foram inseridos como discipli- na acadêmica na Carnegie Institute of Tecnology (1941) e Stanford (1942), havendo, ao final da guerra, disciplinas em mais de 25 instituições de ensino norte-americanas. FIGURA 3 - CONTROLE DO FLUXO DE MATERIAIS NA GENERAL MOTORS, EM 1941 Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018.\ Após o término da Segunda Guerra Mundial e em meio ao seu processo de recons- trução, empresas japonesas passaram a desenvolver e adotar novas abordagens para a gestão dos seus escassos recursos. Essas novas abordagens deram origem ao Mo- vimento da Qualidade que, amparado pela União Japonesa de Cientistas e Enge- nheiros ou JUSE (Japanese Union of Scientists and Engineers), configurou o modelo japonês de produção (também conhecida como filosofia japonesa de produção), re- volucionando a maneira de se gerenciar as organizações. 19 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO18 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Em paralelo ao Movimento da Qualidade e ao da Engenharia da Confiabilidade, a Toyota realizou modificações na sua produção e construiu conceitos, métodos e ferramentas até hoje referenciados mundialmente. Nesse período, a preocupação dessa empresa japonesa era a competitividade mundial por meio da produção de muitos modelos em pequenas quantidades e com alta flexibilidade de produção (OHNO, 1997). Em 1965, o Sistema Kanban de Produção foi consolidado e iniciou-se o treinamento nas fábricas filiadas, influenciando não somente essas fábricas, mas também diversas outras organizações japonesas. Em 1970/1971, conforme Ohno (1997), a evolução da gestão da Toyota atingiu o patamar de definição das principais práticas e ferramentas. Fonte: Pagliuso et al. (2010, p. 18-19). As décadas de 60 e 70, por sua vez, apresentaram o surgimento de conceitos até hoje utilizados nas organizações. Dentre eles, é possível destacar a criação do Pro- ject Management Institute como resposta às demandas por ferramentas de gestão associadas a projetos cada vez mais complexos de desenvolvimento de produtos e processos (como, por exemplo, os projetos desenvolvidos durante a corrida espacial travada entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética). Para saber mais sobre o Project Management Institute (PMI) e seu guia para o gerenciamento de projetos (PMBOK), acesse o site oficial do instituto. As técnicas e ferramentas desenvolvidas no Japão e adotadas pelas suas empresas após a Segunda Guerra Mundial, renderam seus melhores frutos durante as déca- das de 70 e 80. Já em 1973, a Toyota respondia por cerca de 20% do mercado nor- te-americano de automóveis. O Japão teve seu Produto Interno Bruto (PIB) multipli- cado por oito entre os anos de 1955 e 1975. Esse desempenho superior não passou despercebido pela indústriaocidental (e principalmente a norte-americana). Logo, começou-se a questionar os motivos pelos quais o Japão conseguiu chegar a tal nível de eficiência. A resposta veio a partir de uma série de estudos, entre os quais, destaca- -se o trabalho de Wickham Skinner, de 1986, no qual o autor argumenta que a busca da redução dos custos das indústrias norte-americanas não tinha sido suficiente para vencer o modelo japonês, que se baseava em pilares, como o investimento em tecno- logia, a obsessão por qualidade e planejamento eficiente e eficaz. Com a emergência da Guerra Fria, surgem inúmeros esforços de pesquisa e produção das instituições militares, em relação à qualidade e padronização dos seus processos e produtos. Em 1976, motivados pelos resultados desses estudos de natureza militar, surgem o grupo de trabalho da ISO e as normas britânicas Defense Standart e BS 5750. Com isso, aprovam-se as normas ISO 9000, com o objetivo de atestar, através de documentação contratual, o controle sobre a padronização dos processos produtivos. Os anos 80 apresentam contribuições derivadas dos avanços obtidos nas áreas de Tecnologia de Informação, Gerenciamento de Projetos e Proteção de Políticas Pú- blicas. Pagliuso et al. (2010) concluem seu panorama histórico destacando que, em 1984, surge a publicação Certificação de Profissional de Projeto (PMP), definida pelo PMI. Em 1985, é formado o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO), para apoiar as iniciativas da National Commission on Fraudu- lent Financial Reporting, conhecida como Treadway Commission. 1.2 CENÁRIO ATUAL DAS ORGANIZAÇÕES Após a breve apresentação das mudanças históricas que permearam a atuação das organizações, passamos à discussão das questões atuais que se observam na rotina das empresas. Atualmente, é possível observar a frequente utilização de termos como Ter- ceira Revolução Industrial, Nova Economia, Era da Informação ou Sociedade do Conhe- cimento. Todas as terminologias referem-se ao fato de que os rápidos avanços tecnoló- gicos e a globalização têm impactado significativamente na dinâmica das organizações. A inovação tem papel fundamental nessa dinâmica de constante evolução. Pode-se dizer que, em maior ou menor grau, as organizações contemporâneas precisam lidar 21 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO20 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO cada vez mais, com maiores e mais frequentes necessidades de inovação (PAGLIUSO et al., 2010). Peter Drucker, reconhecido autor da área de gestão de negócios, defen- de que o principal desafio para as empresas no século XXI seria a gestão baseada em atividades como a inovação e a tomada de decisão. FIGURA 4 - EMPRESAS CONTEMPORÂNEAS Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018.\ Assim, as empresas enfrentariam um ambiente de competição cada vez mais acirra- do no processo de conquista de fatias de mercado. Em meio a esse processo de so- brevivência das empresas, ressalta-se a importância do desenvolvimento de pessoal e o papel estratégico da função de Recursos Humanos. Com efeito, defende-se que a excelência da gestão deveria levar em consideração também questões culturais, sociais e ambientais em detrimento a uma abordagem focada exclusivamente em transações comerciais entre sociedade e os mercados. Essa abordagem mais contemporânea, social e ambientalmente responsável das or- ganizações apresenta os seguintes pilares ou pressupostos na visão de Pagliuso et al. (2010): • Visão sistêmica – Tudo está interligado a tudo”. É preciso compreender que as funções organizacionais e as empresas, como um todo, não existem isola- damente no mundo. O resultado do seu trabalho é o início do trabalho de um outro departamento. • Sociedade – O mundo é fragmentado e a sociedade é plural. Existe uma série de interesses que podem ser compatibilizados ainda que com fraco compar- tilhamento de crenças e valores. • Meio ambiente – As organizações influenciam o equilíbrio do planeta pelo simples fato de existirem. É necessário neutralizar os danos causados ao ecos- sistema e proteger o meio ambiente, visando atender aos interesses das gera- ções futuras. • Organização – As organizações não sistemas sociais abertos e dinâmicos ope- rando em redes. A identificação dessas redes e a atuação integradora facilitam a adaptação ao seu ecossistema. As organizações têm um papel preponde- rantemente social. É necessário considerar o desenvolvimento socioeconômi- co em toda sua cadeia de valor. Além disso, as organizações não singulares e constituem sistemas complexos. Assim, é fundamental uma visão transdisci- plinar para explorar essa complexidade. • Gestão – Visa desenvolver a capacidade da organização de se adaptar a um mundo em transformação. Nesse sentido, deve buscar o equilíbrio entre: o qualitativo e o quantitativo; o objetivo e o subjetivo; os estilos racional e analí- tico com os estilos intuitivo e orgânico, baseados na empatia; a competição e a colaboração. • Indivíduo – A realidade pode ser interpretada de múltiplas maneiras. O en- tendimento individual deve ser valorizado e respeitado. As organizações não constituídas por pessoas. O humano compreende o biológico, o mental e o es- piritual. Há que se dar importância à cultura, ao significado e ao simbólico. As organizações escolhem caminhos e se comportam sob influência preponde- rante de seus líderes. Os seus valores pessoais influenciam nas decisões. Con- forme veremos mais adiante, esses valores tendem a determinar o estilo de gerenciamento dos líderes. Indivíduos mais concentrados tendem a se tornar gerentes mais analíticos e sistemáticos, enquanto que pessoas mais extroverti- das podem se tornar gerentes mais criativos e ousados em suas decisões. 1.2.1 A INFLUÊNCIA DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL Após o entendimento dos grandes ciclos históricos que motivaram mudanças na gestão organizacional e dos pilares que dão suporte aos processos de gestão organi- 23 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO22 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO zacional, passamos a discutir um pouco mais a fundo como o ambiente organizacio- nal (e a sua turbulência) influencia essas novas configurações. Novamente, iniciamos nossa análise pela Segunda Guerra Mundial. Crocco e Guttmann (2017) destacam que, logo no pós-guerra, o principal foco foi a operação da empresa. A maior preocupação era a eficiência empresarial, e a resposta para tal preocupação foi a criação de documentos que descrevessem claramente os procedimentos, de modo a direcionar os recursos de maneira mais ade¬quada e vin- culada às prioridades estabelecidas. Após este primeiro momento, novos desafios se apresentaram às empresas. Nos anos 60, a utilização adequada de recursos para a minimização e possível administração dos riscos passou a ser a nova demanda empresarial. Para tanto, as empresas apre- sentaram como resposta, as iniciativas de planejamento de longo prazo. Já nos anos 70, o foco empresarial voltou-se para a concorrência. Buscava-se entender e adequar o posicionamento de cada empresa no mercado em que atuava. Essa análise am- biental possibilitava à empresa a interpretação da ação dos seus concorrentes em relação ao seu negócio. Crocco e Guttmann (2017) destacam que, como resposta, es- tabeleceu¬-se uma estratégia de mercado, com as ações necessárias à manutenção ou alteração desse posicionamento. Ainda segundo Crocco e Guttmann (2017): [...] estes fatores de preocupação empresarial não cumulativos,ou seja, em cada momento da vida da empresa existe um foco, uma preocupação e suas principais res¬postas. Ao se atingirem os resultados esperados na primeira fase, automaticamente o foco passa para a fase seguinte, porém, sem haver qualquer tipo de redução ou descarte da fase anterior, tornando as ati-vidades uma rotina empresarial. Isso significa que, uma vez atingidos os resultados por meio de procedimentos documentados e orçamentos realizados e acompa- nhados, eles se tornam atividades rotineiras, permitindo às empresas o deslo- camento de energia para um novo foco. Elas têm de se renovar, atualizar ou se adaptar à nova realidade ambiental em cada momento. Desse modo, o desempenho empresarial passou a ser o foco durante a década de 80, mais especificamente a execução das funções de produção, os resultados atingidos e o relacionamento entre os principais stakeholders. Nesse momento, observa-se o aumento das técnicas associadas à gestão da qualidade associadas à adoção de nor- mas internacionais como ISO. FIGURA 5 - STAKEHOLDER Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018.\ Crocco e Guttmann (2017) apresentam uma situação que ilustra a visão empresarial predominante a partir dos anos 80: [...] empresários japoneses e norte¬ ¬americanos estavam negociando um lote de 1 milhão de unidades de determinado produto, e o comprador norte¬- americano insistia em determinar um índice denominado Nível de Qualidade Aceitável (NQA). Para o negociador japonês, isso era desconhecido e existia um evidente desconforto em se determinar esse índice. Foi então expli¬cado o que era medido, e que o NQA era o limite máximo de unidades com defeito permitido para a aceitação do lote. Caso fosse ultra¬passado esse número, todo o lote seria rejeitado. Imediatamente, os japoneses aceitaram o pedido e saíram extremamente satisfeitos da mesa de negociação. A entrega foi realizada em um contêiner com as peças encomendadas. Ao abrirem, os norte¬-americanos se depa¬raram com embalagens de mil unidades e uma caixa lacrada, com uma etiqueta especial que continha os seguintes dizeres “NQA”. Era o lote contendo o total de peças defeituosas constantes em contrato, pois as demais estavam em perfeito estado (CROCCO; GUTTMANN, 2017). 25 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO24 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Conforme as melhores técnicas de produção tornavam-se amplamente difundidas, surge a necessidade de renovação. O foco empresarial, a partir da década de 90, foi na renovação de seus métodos e técnicas, por meio de processos de inovação e/ ou da adoção de técnicas de outras áreas. Crocco e Guttmann (2017) apresentam então a FIG. 6 a seguir, em que é possível per- ceber a evolução da complexidade empresarial ao longo do tempo e das respostas das organizações em termos de mudanças nos seus processos de gestão. FIGURA 6 - A REALIDADE DA TURBULÊNCIA FFonte: Crocco e Guttmann (2017). Por fim, os autores destacam que nesse ambiente, cada vez mais complexo, a neces- sidade de aquisição, atualização e adaptação do conhecimento. Dessa forma, é mais intensa e rápida e faz com que a função ou profissão de consultor seja adequada e necessária, pois as pessoas não tem condição nem tempo para conhecer e se man- terem atualizadas sobre todas as informações para a condução de suas atividades. 1.2.2 A NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO Ainda hoje é possível observar a necessidade de adaptação das organizações. Com um cenário de competição cada vez mais acirrado, vêm as demandas por redução de custos no mesmo tempo das inovações em processos e produtos. Em paralelo, observa-se um fluxo de informações nunca antes visto no mundo dos negócios. Nesse sentido, o conhecimento se apresenta como um recurso diferencial, pois, em um piscar de olhos, pode ser tornar obsoleto, incompleto ou até inadequa- do. Contudo, o conhecimento (e as competências) necessárias à sobrevivência da empresa muitas vezes não está totalmente presente dentro de seus procedimentos, relatórios e repositórios de informação. Assim, as empresas contratam pessoas ou outras empresas para a realização de ati- vidades que não dominam ou não consideram prioritárias ao seu negócio. Surge en- tão a figura do consultor e o processo de consultoria, alvos desta disciplina. Ao longo dos demais capítulos, entraremos em maiores detalhes sobre a figura do consultor e como ele atua junto às empresas, e, em particular, na função de Recursos Humanos. Todavia, é necessário dizer que o consultor (ou auditor) não precisa necessariamente ser um elemento externo à empresa. Muitas vezes, um próprio funcionário da em- presa pode assumir o papel de auditor de processos internos. Assim, destacamos um espaço desse capítulo para apresentar algumas características do profissional de RH que terá contato com a consultoria dessa função, seja atuando como consultor/ auditor ou recebendo empresas ou profissionais externos para ajustar os processos da área. É importante perceber que, seja a partir de um elemento interno ou externo à em- presa, a consultoria tem a função de minimizar a lacuna existente entre a complexi- dade dos negócios e o nível de conhecimentos e competências existentes na empre- sa. Crocco e Guttmann (2017) apresentam a FIG. 7, a seguir, que ilustra a formação de uma lacuna de conhecimento em determinado período. À medida que a complexi- dade ambiental aumenta e o conheci¬mento e a competência gerencial tendem a atuar em sentido inverso, tem-¬se o aumento exponencial dessa lacuna. 27 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO26 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO FIGURA 7 - COMPLEXIDADE VERSUS CONHECIMENTO Fonte: Crocco e Guttmann (2017). 1.2.3 MELHORIA DA INFORMAÇÃO DA EMPRESA Para diminuir as lacunas entre as demandas de mercado e os conhecimentos da em- presa, as consultorias e as empresas, de forma geral, fazem uso de informações em tempo hábil, com qualidade e objetividade. Todavia, percebe-se que poucas empre- sas no Brasil detêm informações completas e funcionais, emitidas em tempo hábil por sistemas de informações gerenciais adequados. FIGURA 8 - USO DA INFORMAÇÃO NAS EMPRESAS Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018. É essencial a conscientização dos empresários de que o mundo desen¬volvido saiu da sociedade industrial e agora está na sociedade do conhecimento. Nesse sentido, Crocco e Guttmann (2017) defendem que os sistemas de informação gerencial de- vem compreender: • Informações e relatórios em tempo hábil, com qualidade e objetividade. Os funcionários só podem atender à missão estratégica da empresa se recebe- rem as informações necessárias para desempenharem com eficiência suas in- cumbências. • Remoção de controles paralelos dentro da empresa e atividades que não acrescentam valor ao produto/serviço final. • Entrada de dados em formato digital no ponto de origem para reduzir erros e a mão de obra para reentrada das informações. • Informações rápidas e segmentadas, on¬-line e em tempo real. • Automação de atividades rotineiras, monótonas e com custo alto, como re- conciliações de contas, aprovações, relatórios de exceções etc. Essa redução resultará em diminuição de custos e em melhoria de qualidade e produtivida- de da empresa. • Criação de uma rede eletrônica de parcerias. 29 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO28 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pelaportaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Os autores defendem ainda que fluxo da informação digital permite que se crie uma organização sem fronteiras, porém exige uma nova mentalidade e cultura corpora- tiva, por trans¬formar os fornecedores que eram “eles” em “nós”. Assim, listam as se- guintes lições a serem incorporadas no ambiente de negócios: • Os homens de negócios precisam abandonar a noção de que informação é difícil de se obter. • Melhores informações podem expandir a atuação dos gerentes de vendas, transformá-¬los de fixadores de grandes negócios em gerentes de negócios. • Reunir as informações corretas com as pessoas certas e melhorar, sensivel- mente, a capacidade de uma empresa em desenvolver opor-tunidades estra- tégicas de negócios e em agir em relação a elas. • Integrar os dados de vendas com seus parceiros para fazer não somente fluir os processos de negócios, mas também aumentar as discussões de negócios a um âmbito mais estratégico. 1.3 OS TIPOS DE GESTORES/ GERENTES ORGANIZACIONAIS Para finalizar a nossa primeira unidade, vamos falar brevemente de algumas carac- terísticas do profissional de RH. Ele tanto pode ser o responsável por selecionar, rece- ber e trabalhar em conjunto com a consultoria de RH, quanto pode atuar como um consultor ou auditor interno à empresa. Nesse sentido, é preciso entender que esses profissionais podem assumir posturas bem diferentes frente às demandas organiza- cionais. As diferenças, na forma de atuação, decorrem de diversos fatores, como, por exemplo, aspectos pessoais e culturais, formação acadêmica e experiência profissional. FIGURA 9 - DIFERENTES TIPOS DE GERENTES Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018. É preciso ressaltar que não existe um conjunto certo ou predeterminado de carac- terísticas para o profissional de RH (e em particular o gerente de RH), que, por vezes diferentes, devem ser entendidas como um reflexo da pluralidade existente nas orga- nizações e, assim, devem ser aproveitadas e não restringidas. O tradicional autor de gestão empresarial Henry Mintzberg (MINTZBER et al., 2007) defende o trabalho do gerente como principal ingrediente para entender o processo de formação da estratégia. Qualquer um na organização, que venha a controlar ações importantes ou estabelecer precedentes, pode ser um estrategista, que também pode ser um grupo de pessoas. Os gerentes não obviamente os primeiros candidatos a tal papel, pois sua perspectiva é geralmente mais ampla do que a de qualquer ou- tra pessoa que se reporte para eles. Mintzberg et al. (2007) revisam o texto clássico de Mintzberg no qual o autor analisa o trabalho do gerente médio e desafia a visão convencional da função. A partir da sua análise, tem-se um cenário de um trabalho caracterizado por pressão, interrupção, orientação para ação, comunicação oral em vez de escrita e trabalho com pessoas externas à organização e colegas, tanto quanto com os chamados subordinados. O trabalho também apresenta uma reflexão sobre o campo de atuação da função gerencial. Segundo o autor, o trabalho gerencial ocorre em três níveis – um nível de 31 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO30 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO informação muito abstrato, um nível intermediário, com pessoas, e um nível concreto de ação. Mais ainda, os papéis que os gerentes desempenham podem se ajustar a esses níveis, mas é preciso que os gerentes lidem com todos os níveis de uma forma integrada. Contudo, é possível observar que muitos favoreçam um nível em detri- mento a outro. O autor também apresenta uma discussão sobre a necessidade de reconciliar as dife- rentes visões estratégicas e gerenciais dentro da organização. Defende-se que não há necessidade de uma teoria encorpada e de grande integração. Como já comentado, há diferentes tipos de gerentes e diferentes crenças e estilos, além de diferentes tipos de autores. Para o autor, são lentes diferentes que capturam aspectos diferentes do trabalho gerencial. Nesse sentido, apresentamos a FIG. 10 que traz os estereótipos gerenciais de Pit- cher. Nele, podemos observar três diferentes tipos de gestor, cada qual com suas características de atuação. Enquanto o “artista” se mostra empolgante e corajoso na sua tomada de decisão, o “tecnocrata” apresenta uma atuação mais conservadora e meticulosa. Em meio a esses extremos, temos o “artesão” com uma abordagem mais razoável e conciliadora. FIGURA 10 - ESTEREÓTIPOS GERENCIAIS DE PITCHER Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018. CONCLUSÃO Após este capítulo inicial, entender o papel do ambiente e a sua influência sobre a atuação das empresas ficou mais claro para você. Foi possível perceber como as demandas do mercado moldaram os modelos de gestão ao longo do tempo e con- tinuam trazendo novas necessidades para o dia a dia das empresas que lutam para sobreviverem em meio a tanta competitividade. Nesse sentido, a atuação do profissional de Recursos Humanos se mostra cada vez mais crítica. É preciso que este profissional atue de forma cada vez mais harmoniosa, equalizando as demandas de um mercado eternamente mutável com os recursos existentes na sua empresa. Contudo, esta necessidade de equalização é mediada por características particulares dos profissionais de gestão (que apresentam estilos de ge- rência que muitas vezes se contrapõem) e um fluxo frenético de informações geradas tanto interna, quanto externamente à rotina da organização. E para auxiliar os profissionais nesta árdua missão, temos a figura do consultor em Recursos Humanos. 33 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO32 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de: > Identificar as características do processo de consultoria. > Interpretar como o histórico e o cenário atual da consultoria associam-se às suas tendências de mercado. > Identificar o papel do consultor na empresa contemporânea. > Diferenciar as características da atuação do consultor e do auditor. UNIDADE 2 2 CONCEITOS BÁSICOS DE CONSULTORIA Os avanços tecnológicos e a necessidade de tomada de decisão cada vez mais ace- lerados fazem com que a lacuna entre aquilo que é demandado pelo mercado e aquilo que é conhecido pelas empresas aumente de forma exponencial em menores intervalos de tempo. Assim, as empresas fazem uso da figura do consultor para dimi- nuir esta lacuna em tempo hábil de forma a se manterem vivas no mercado. Nesta unidade, conheceremos um pouco mais sobre o serviço de consultoria (definição, tipos, histórico, tendências) e sobre aquele profissional que faz o processo acontecer, o consultor. 2.1 CONCEITOS BÁSICOS E INTRODUÇÃO À CONSULTORIA Os desafios empresariais contemporâneos estão aumentando e se agravando sob diversos ângulos. A velocidade dos avanços tecnológicos e o intenso fluxo das infor- mações faz com que o conhecimento possuído pelas empresas se torne obsoleto, incompleto ou até inadequado em períodos de tempo cada vez mais curtos. Assim, de acordo com Crocco e Guttmann (2017, p. 6), as empresas contratam pes- soas ou outras empresas para a realização de atividades que não consideram essen- ciais ao seu negócio ou para auxiliarem seus colaboradores a entender melhor suas tarefas e manter ou aumentar seus resultados. Nesse sentido, cabe apresentar algumas definições inerentes aos processos de con- sultoria. Com base no Institute of Management Consultants (1974), Croccoe Gutt- mann (2017, p. 7) definem a consultoria como: o serviço prestado por uma pessoa ou grupo de pessoas, independentes e qualificadas para a identificação e investigação de problemas que digam res- peito a política, organização, procedimentos e métodos, de forma a recomen- darem a ação adequada e proporcionarem auxílio na implementação dessas recomendações. 35 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO34 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A partir dessa definição, os autores destacam alguns elementos-chave que podem ser tratados como características particulares do processo de consultoria. • Pessoas independentes e qualificadas: a característica mais importante nesses termos é a imparcialidade na atuação do consultor, mas esse comportamento aumenta a complexidade no seu relacionamento com os clientes. Nem sem- pre as recomendações são agradáveis ou simples, mas deverão ser as melho- res para os clientes em uma determinada situação. Já a qualificação pressu- põe que o consultor esteja plenamente capacitado e fortemente embasado para fornecer as suas recomendações. • Política, organização, procedimentos e métodos: são aspectos de extrema im- portância e fazem parte da essência dos motivos que levam à contratação de um consultor. É também o provimento de conhecimento profissional e habi- lidades relevantes para as necessidades da empresa. • Recomendação: a ação esperada do consultor é de aconselhamento, não de decisão. A qualidade e a integridade das recomendações constituem o foco desse aconselhamento, respeitando o momento das pessoas e da empresa- cliente. • Auxílio: significa não ter controle direto sobre a situação ou a decisão. A res- ponsabilidade de aconselhar existe, mas a autoridade ou liberdade de decisão não (CROCCO; GRUTTMANN, 2017). De maneira semelhante, Oliveira (2015, p. 5) também apresenta uma definição para a consultoria empresarial e analisa seus elementos-chave separadamente. Para o autor a consultoria empresarial: é um processo interativo de um agente de mudanças externo à empresa, o qual assume a responsabilidade de auxiliar os executivos e profissionais da referida empresa nas tomadas de decisões, não tendo, entretanto, o controle direto da situação. Complementarmente, o autor ressalta a definição dos seguintes aspectos: • Processo: conjunto estruturado de atividades sequenciais que apresentam uma relação lógica entre si com a finalidade de atender e, preferencialmente, suplantar as expectativas e necessidades dos clientes internos e externos da empresa. • Interação: ação recíproca que é exercida entre duas ou mais pessoas ou áreas ou atividades da empresa. Logo, o processo interativo pode ser definido como o conjunto estruturado de atividades sequenciais que desenvolvem ação re- cíproca, lógica e evolutiva, visando atender e, preferencialmente, suplantar as expectativas e necessidades dos clientes internos e externos da empresa. • Agente de mudanças (ou agente de desenvolvimento): o profissional capaz de desenvolver comportamentos, atitudes e processos que possibilitem à empre- sa transacionar, proativa e interativamente, com os diversos fatores do ambien- te empresarial e do sistema no qual se está trabalhando. Destaca-se ainda que o agente de mudanças pode ser interno ou externo à empresa. A principal diferença entre os dois está no fato de que o agente interno, mesmo estando fora do sistema que está sendo analisado, faz parte da empresa. O agente ex- terno, por sua vez, encontra-se tanto fora do sistema que será analisado, quanto da empresa que o contrata para a realização da análise. Assim como Crocco e Guttmann (2017), Oliveira (2015) destaca o papel de auxílio do consultor. En- tende-se que o consultor deva assumir uma postura de parceria e orientação para com os executivos e profissionais da empresa-cliente. Esse auxílio deve em sua essência, estar direcionado à implantação de metodologias, técnicas, procedimentos e processos que auxiliem o processo de tomada de decisão dos executivos das empresas. Entende-se também que o consultor precisa conhe- cer o negócio da empresa em sua totalidade. • Decisão: a escolha entre vários caminhos alternativos que levam a de- termina- do resultado. A decisão é uma parte do processo decisório, o qual tem as se- guintes partes: o dado, o tratamento do processo, a informação e a alternativa, os quais aparecem antes do momento da decisão; e os recursos, o resultado e o controle, os quais aparecem depois do momento da decisão (OLIVEIRA, 2015). 2.1.1 HISTÓRICO DA CONSULTORIA Em termos históricos, é possível considerar que o nascimento dos serviços de consul- toria de forma estruturada, como conhecemos atualmente, data da década de 1880. Nessa época, Henry Varnum Poor (1812-1905), engenheiro norte-americano espe- cializado em ferrovias, estruturava e sistematizava melhorias em termos de organiza- ção, comunicação e informação. Essas melhorias culminaram em menores índices de desperdício e aumento de produtividade nas atividades da empresa-cliente. 37 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO36 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Se pensarmos em realização de consultorias de forma autônoma, leia-se externa- mente à empresa-cliente, pode-se destacar as atividades iniciais de George S. May (1890-1962). May, que iniciou sua carreira de homem de negócios como vendedor de bíblias, tornou-se um pioneiro na prestação de serviços de consultoria quando passou a utilizar sua expertise para a resolução de problemas. Contudo, é possível ainda associar as ações de consultoria aos anos 2300 a.C., na China, quando o imperador Yao (2350 a.C.-2256 a.C.) tinha a disciplina de debater, com alguns de seus principais colaboradores, conhecedores de assuntos específicos, quanto às ações que deveriam ser aplicadas em diferentes questões de regiões diver- sas do império (OLIVEIRA, 2015). Você pode conhecer um pouco mais sobre os pioneiros no assunto consultoria, a partir das fontes abaixo. CHIAVENATO, Idalberto. História da administração: entendendo a administração. São Paulo: Saraiva, 2008. LODI, João Bosco. História da administração. São Paulo: Thomson Pioneira, 1971. 2.1.2 MOTIVOS PARA A CONTRATAÇÃO DE UMA CONSULTORIA Apresentado o breve histórico da atividade de consultoria, trazemos alguns questio- namentos sobre os motivos para a contratação de uma consultoria. Muitos podem questionar os reais motivos a contratação desse tipo de serviço, contudo, a partir da análise das taxas de crescimento do setor de consultoria, pode-se evidenciar três principais motivos para a contratação que se desdobram em aspectos específicos, conforme apresentam Crocco e Guttmann (2017). • Necessidade de maior conhecimento. As situações mais frequentes encontra- das são: > A empresa não sabe do que precisa. > A empresa não tem o conhecimento do que precisa. > A empresa tem o conhecimento, mas não tem competência para usá lo. > A empresa não tem como administrar a gestão do conhecimento. • Falta de tempo: o segundo motivo refere se a trabalhos que os consultores deverão realizar para que a empresa possa alcançar e/ou se igualar a outras em seu ambiente competitivo. Mais especificamente, os consultores serão fa- cilitadores no processo de minimização das lacunas entre a complexidade ne- cessária à empresa para lidar com o ambiente e o conhecimento possuído. Na parte da complexidade, existem cinco variáveis que se inter-relacionam: > Percepção do ambiente — medidadesde o ambiente repetitivo, onde tudo é igual e nada evolui ou muda, até o ambiente de surpresa total, onde tudo é novidade ainda não testada. > complexidade da cobertura — significa o nível de abrangência da empresa, medido desde o mercado local até o global. > familiaridade dos eventos — inicia se nas tarefas rotineiras e familiares até a inclusão de novidades totais. > velocidade das mudanças — mede se a relatividade entre velo cidade de mu- danças e velocidade de respostas. > previsibilidade do futuro — refere se ao ambiente de atuação da empresa, e compreende desde a repetição dos acontecimentos passados até o futuro imprevisível. Quanto à parte do conhecimento, pode se avaliar os motivos que levam ao seu declí- nio por meio das seguintes variáveis: • Evolução empresarial — mede desde a parada no tempo, estagnação, até a mudança inovadora. • Estilo da estrutura empresarial — vai de conservadora até inovadora; • Postura mercadológica quanto ao cliente — iniciada pela imposição de produ- to até a antecipação de expectativas. 39 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO38 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • Processos administrativos e gerenciais — desde ações padronizadas até global- mente horizontais, ou seja, gerenciadas por processo de negócio, com equipes multifuncionais e poucos níveis hierárquicos. • Estilo de administração e organização — compreende desde as estruturas to- talmente centralizadas até as que funcionam com colaboração global. > Política empresarial: Essa análise é dificultada por estar frequentemente en- coberta por afirmações, aparentemente técnicas, de conhecimento ou uso de tempo. Na realidade, os motivos visíveis, quando bem explicados por al- guém da empresa cliente, são utilizar o consultor como observador externo imparcial, solicitar ou patrocinar trabalhos que possam ter por base deter- minadas argumentações na cúpula da empresa, solicitar uma segunda opi- nião sobre algum tópico importante, evitar ou solucionar conflitos, evitar ou conseguir ferramentas para gerenciar uma séria crise, por meio da capitaliza- ção de credibilidade do consultor. Em qualquer desses casos, a procura por um consultor é necessária, porque a empresa percebe a existência de um problema que não está sendo tratado de forma adequada pelos processos organizacionais normais e/ou pelas pessoas envolvidas. O outro lado da moe- da é perceber que a consultoria sempre lida com mudanças, turbulência e, muitas vezes, com o desconhecido (CROCCO; GRUTTMANN, 2017). 2.2 TENDÊNCIAS DA CONSULTORIA Agora que você já foi apresentado a alguns conceitos iniciais e fundamentais dos serviços de consultoria e a um breve histórico das suas atividades, podemos levantar questões sobre qual seria o futuro da consultoria e como a influência ambiental pode direcionar suas atividades. Crocco e Guttmann (2017) destacam as seguintes tendências para o ambiente de negócios de consultoria: • Econômicas: a economia está cada vez mais aberta, favorecendo o setor priva- do, com a retirada gradual do Estado como empresário, permanecendo ape- nas como agente regulador. As flutuações geradoras de crises afetarão cada vez menos o Brasil, em razão da continuidade do modelo econômico, inde- pendentemente dos modelos político sociais. Os investimentos tendem a au- mentar, como consequência da clarificação das “regras do jogo”. Os níveis de inflação devem permanecer controlados e em torno de um dígito, com pouca flutuação. O câmbio continuará favorecendo as expor tações, desencorajando, na outra ponta, as importações. • Políticas e normas legais: cada vez mais deve haver reformas na legislação, mas em um ritmo lento, em razão da necessidade de negociação no Congres- so Nacional, em função da mudança do perfil da sociedade, já que o Congres- so, historicamente, é um espelho confiável da população brasileira. O setor privado será bastante solicitado a contribuir para a formação desse novo perfil, com maior atuação e liderança. O Estado empresário será gradativamente re- duzido, podendo haver nova onda de privatizações. • Tecnológicas: o comércio e os negócios eletrônicos entre as empresas, o e mail e o correio de voz continuarão a crescer exponencialmente, alterando a ma- neira de realizar negócios no Brasil, bem como em todo o mundo. Haverá tam- bém crescimento das transações via home banking, home shopping, cartões de débito em conta, cartões inteligentes etc., com o uso amplo de soluções in- tegradas da tecnologia da informação, atendendo às necessidades dos clien- tes, com custos mais baixos, melhor acesso à comunicação, redução do tempo necessário para cada operação e, consequentemente, aumento do número de transações realizadas, como o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro. • Demográficas e sociais: haverá melhora na atitude em relação ao trabalho em geral, porém, ainda bem inferior ao registrado no Extremo Oriente, nos Esta- dos Unidos e na Europa, tanto hoje como no futuro. O crescimento no uso de computadores pessoais e de automação deve continuar com o aumento de telecentros e a redução da resistência à introdução de ferramentas de produ- tividade. A busca por qualidade de vida tende a avançar, por meio da redução do crescimento populacional e da evasão de empresas dos centros popula- cionais de primeiro nível, como o eixo São Paulo Rio de Janeiro, e aumentando nos centros populacionais de segundo nível, como Fortaleza, Campinas etc. A preocupação com o nível de ensino e pesquisa em universidades deverá ser in- crementado, em função do número de instituições e carência de educadores e cientistas (CROCCO; GRUTTMANN, 2017). Oliveira (2015) também apresenta seu posicionamento sobre as possíveis tendências para o mercado de consultorias. Em linha com o exposto por Pagliuso et al (2010), o autor dá destaque ao fenômeno da inovação como um direcionador das tendências 41 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO40 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO da área. De fato, o autor inicia sua apresentação das tendências argumentando que o aumento na demanda por serviços de consultoria se dará em função da busca das empresas por novos conhecimentos e inovações para lidar com a globalização da economia. Alguns outros aspectos relacionados ao ambiente da empresa-cliente e que atuariam como direcionadores (drivers) dessa tendência seriam a consolidação das suas vanta- gens competitivas, a constante necessidade de questionamento visando à noção de melhoria contínua e aumento significativo dos processos de terceirização. Contudo, é possível identificar também alguns direcionadores relacionados mais especificamen- te ao mercado das empresas de consultoria e ao papel do consultor propriamente dito. Nessa segunda categoria de direcionadores, mais ligados ao mercado e à capacitação do consultor, encontram-se argumentos para o aumento da demanda por consultoria que se baseariam nas fusões entre empresas de consultoria, na internacionalização dos serviços de consultoria e no aumento do número de professores e universidades que prestam serviços de consultoria. Você percebeu alguns termos diferentes ou muito específicos nesses três últimos parágrafos? De fato, quanto mais nos aproximamos de questões do mercado, maior é a nossa tendência de usar termos específicos e que podem gerar alguma confusão. Para que não fiquem dúvidas sobre os conceitos e sobre o que queremos dizer, apre- sentamos o glossário a seguir. Você também podecomplementar o que foi apresen- tado nesta unidade com a discussão realizada por Oliveira (2015) no seu livro. Para complementar o que foi aqui apresentado e se aprofundar nas tendências do mercado de consultoria, você pode consultar o tópico Evolução e tendências da consultoria, de Oliveira (2015, p. 9-17). Nessa discussão, você poderá revisar todos os drivers de tendência do mercado de consultoria introduzidos aqui, mas também ter acesso a aspectos mais específicos da agregação de valor dos serviços de consultoria, além de cifras sobre a evolução desse mercado. 2.2.1 O PAPEL DO CONSULTOR A definição do papel e das características necessárias para a atuação como um con- sultor é, algumas vezes, encarada como algo problemático. Além da vocação inerente à atuação como um assessor para a resolução de problemas, é necessária uma série de conhecimentos específicos relacionados ao processo decisório da empresa-clien- te e à operacionalização das ações de melhoria (OLIVEIRA, 2015). Somam-se, a esse cenário, algumas premissas que servem de base para a atuação do consultor de acordo com Crocco e Guttmann (2017): • independência: a possibilidade de ser seu próprio patrão ou chefe, de manei- ra formal ou intelectual, em razão do nível de conhecimento e experiência. • Automotivação: conhecer a amplitude e os limites, assegurando que esses dois fatores sejam impulsionadores de trabalho. Essa premissa significa que o consultor empresarial sabe quando e como as coisas precisam ser feitas, com que profundidade, e demonstra confiança no fornecimento dos seus traba- lhos. O consultor é, realmente, a fonte motivadora para a realização dos traba- lhos. Essa automotivação se manifesta na antecipação de problemas, soluções, métodos e ferramentas de trabalhos, fazendo com que o consultor não espere que qualquer outra pessoa o incentive ou o motive a realizar suas tarefas, mas seja ele próprio esse iniciador. • Perícia escrita e verbal: para que uma comunicação efetiva seja estabelecida, é necessário que um consultor saiba utilizar uma linguagem acessível, prática e simples; isso não significa linguagem simplória. As diversas formas de lin- guagem devem ajudar o consultor empresarial a atingir os diferentes públicos existentes em uma organização, permitindo que as ações que visam a resulta- dos ou mudanças sejam efetivamente realizadas e, principalmente, “compra- das” pelas pessoas, colaboradores do cliente. • capacidade analítica: como enfrentar situações ainda não estruturadas, deter- minando quais fatores se relacionam e quais não, buscando progresso na solu- ção de problemas. Essa premissa mostra um motivo importante na solicitação de um consultor – a solução de problemas. As organizações nem sempre têm bem definidos os contornos de um problema, ou não estão conseguindo ava- liar as causas e consequências de uma situação. Surge então uma expectativa, 43 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO42 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO por parte do cliente, de que o consultor empresarial possa determinar com precisão os fatores relevantes que devem ser atacados, quais as implicações e quais alternativas deverão ser utilizadas. A capacidade de relacionar essas variáveis e, consequentemente, propor soluções adequadas é a demonstração dessa premissa. • Autenticidade: manter um comportamento de forma visível ao cliente, para que ele possa perceber que estão sendo colocadas em palavras as vivências do consultor. É a exteriorização da diferença entre ser e estar consultor. Ser um consultor significa explicar, traduzir, analisar as situações, não necessitando apa- rentar algo que, fatalmente, vai se tornar um obstáculo mais à frente, durante a realização dos trabalhos, que é uma representação daquilo que não se é. • Ética: seguir princípios e valores que demonstrem verdade, honestidade de princípios e ações. A confidencialidade de informações é um princípio e uma prática da ética (CROCCO; GRUTTMANN, 2017). Partindo dessas premissas, é possível distinguir entre dois papéis fundamentais para o consultor. Enquanto o consultor de recursos fornece informações, recomenda pla- nos de ação e transfere conhecimento, esperando alterar comportamentos e atitudes individuais e grupais que sejam capazes de aumentar o desempenho organizacional, o consultor de procedimento ajuda a resolver problemas por meio da sensibilidade e consciência sobre os processos organizacionais, transferindo técnicas e métodos apropriados, para que o cliente tenha condições de diagnosticar, enfrentar e corrigir os seus problemas, existentes ou potenciais. O consultor de recursos tem por objetivo principal lidar com aspectos comportamen- tais ante a mudança. Nesse caso, todas as ferramentas e técnicas têm por base um modelo sequencial de três passos, a saber: • Descongelamento: confronto e/ou dissolução dos paradigmas ou padrões comportamentais estabelecidos. • Mudança: introdução e/ou adoção de um novo padrão ou paradigma. • Recongelamento: desenvolvimento e detalhamento do novo padrão ou para- digma. Para Crocco e Guttm ann (2017), os consultores que trabalham com o fator humano, inerente à função de Recursos Humanos ou Gestão de Pessoas são, fundamental- mente, consultores de recursos. Aqui pode-se destacar aqueles consultores que realizam palestras motivacionais com equipes de vendas ou reciclagem de conhecimentos. O foco está em capacitar os recursos humanos com uma carga de conhecimentos que não era observado na empresa ou precisava ser atualizado de modo que esta nova (ou atualizada) capaci- tação leve o indivíduo a um novo patamar de desempenho. Já o consultor de procedimentos, na visão dos autores, tem como foco principal o processo, o fluxo. Sua principal ferramenta de trabalho seria a alta capacidade de diagnóstico de problemas e causas de desvios, ou de situações indesejadas e conse- quentes alternativas de solução. Nessa categoria, encontra-se os consultores que tra- balham com a definição de estratégias organizacionais, mercadológicas ou métodos e meios de trabalho. Consultores nessa categoria podem ser caracterizados como aqueles que apresentam um trabalho de conscientização da cultura organizacional da empresa ou implementação de uma nova filosofia de trabalho. Um exemplo prático de consultores de procedimentos pode ser encontrado nas in- tervenções para adoção de cultura lean manufacturing ou metodologias ágeis em empresas. Nesse caso, não são apenas técnicas que são repassadas aos indivíduos, mas sim uma efetiva mudança na forma de enxergar o negócio e a cultura da em- presa como um todo. Apesar dessa separação em termos de objetivos e abordagens, na prática, os dois pa- péis podem ser executados simultaneamente, uma vez que tanto os papéis, quanto os conhecimentos associados a eles são complementares, e não mutuamente exclu- sivos. Crocco e Guttmann (2017) estendem essa afirmação e apresentam o exemplo a seguir para ilustrar a complementariedade dos diferentes papéis do consultor. 45 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO44 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Para exemplificar, considere que uma empresa de corretagem de seguros, atuando em vários ramos pessoais, como saúde, vida e previdência, além do ramo de automóveis, solicitou a presença de um consultor, definindo a ele certos pontos indesejados pela empresa: • alta rotatividade de seus agentes individuais de venda de apólices; • insatisfação de remuneração de seus representantesem outras localidades (empresas); • desconhecimento técnico das equipes sobre os diversos produtos; • pessoal de suporte despreparado para prestar informações aos clientes e pessoal de vendas, em termos de conteúdo e de atendimento; • outros detalhes: demora na emissão das apólices, na emissão dos boletos de pagamento, no envio dos manuais de consulta, entre outros. Esses sintomas indicavam, claramente, problemas nos processos operacionais e defi- ciência nas políticas e diretrizes de gestão de pessoas. Portanto, um diagnóstico bem profundo dos processos e desvios existentes era necessário, bem como a análise e o confronto de quais comportamentos eram adotados no relacionamento interno e externo. O consultor, então, procedeu de maneira que essas duas abordagens fossem utilizadas, definindo com bastante precisão os pontos que sofreriam a intervenção da consultoria. Esse exemplo mostra, precisamente, que um consultor pode e deve adotar os dois papéis para que seu trabalho traga os resultados esperados por seu cliente. Ele pode iniciar como consultor de recursos, desempenhando logo em seguida o papel de consultor de procedimento, e retornar ao papel de recurso e assim por diante, de acordo com cada etapa ou fase de sua intervenção, voltada para o alcance dos resul- tados propostos. Com base nessas premissas, pode se, então, determinar as características e qualifica- ções do consultor empresarial. Fonte: Crocco e Guttmann (2017). Alguns outros pontos que merecem reflexão sobre o seu posicionamento enquanto consultor são levantados por Oliveira (2015, p. 29-32). O autor complementa a visão de Crocco e Guttmann (2017) com questões que vão desde a definição de um estilo de atuação até a decisão de se trabalhar em casa (home office) ou em um escritório. 2.2.2 DIFERENÇAS ENTRE AUDITORIA E CONSULTORIA Antes de finalizar, é importante que conheça as principais diferenças entre os termos e as características de atuação da consultoria e da auditoria. Dias (2015), ao abordar tais diferenças, apresenta incialmente a definição de auditoria interna estabelecida pelo Institute of Internal Auditors: a auditoria interna é uma atividade e objetiva de garantia e consultoria, con- cebida para adicionar valor e melhorar as operações de uma organização. Ela ajuda uma organização a atingir seus objetivos atra- vés de uma abordagem sistemática e disciplinada para avaliar e melhorar a efetividade dos processos de gerenciamento de riscos, controle e governança. Assim, o auditor interno é definido como um colaborador da empresa, um indivíduo que já faz parte da empresa e está incluído no seu organograma. Dias (2015) ressalta ainda que o auditor interno, de forma independente, analisa os riscos e controles dos processos organizacionais, verifica sua conformidade em relação aos procedimentos de- finidos e indica as ações corretivas para o desenvolvimento de suas possíveis melhorias. Ainda segundo Dias (2015), o auditor externo (que vamos aproximar da figura do consultor) atua como um prestador de serviço junto a uma empresa contratante para execução de algum projeto de auditoria. O consultor tem o seu trabalho caracte- rizado pela total independência, uma vez que se trata de um prestador de serviço contratado, sem qualquer vínculo com a empresa auditada. Já para Oliveira (2015), o 47 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO46 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO consultor é tido como um agente de mudanças externo à empresa capaz de desen- volver comportamentos, atitudes e processos que possibilitem que essa empresa seja capaz de se relacionar com os diversos fatores do seu ambiente de atuação. O autor ainda destaca a característica de o consultor ser considerado um agente de mudanças externo à empresa, “porque ele não deve ter controle direto da situação, enfocando-se a empresa-cliente como um todo”. Mais ainda, o diferencial de um consultor é a maneira como consegue solucionar determinado problema da empre- sa-cliente. Esse diferencial pode tornar-se uma vantagem competitiva do consultor quando ele tem uma resposta estruturada, inovativa e rápida para o problema da empresa-cliente (OLIVEIRA, 2015, p. 5). CONCLUSÃO Ao longo desta unidade, você teve um contato inicial com as características principais do serviço de consultoria. Mais que isso, foi apresentado algumas das características que tornam o profissional de consultoria um diferencial para aquelas empresas que necessitam ajustar-se às constantes mudanças demandadas pelo mercado. Dentre estas características, podemos destacar a capacidade analítica, a perícia ou especiali- zação do consultor em um segmento particular de atuação e a ética na sua atuação. Esta característica em particular, receberá uma atenção especial nas nossas discussões. Foi observado também alguns elementos particulares do cenário de atuação do con- sultor, como os tipos de consultoria e alguns motivos para a sua contratação. Além de estabelecer elementos de diferenciação entre a atuação do auditor (interno) e do consultor, também foi apresentado algumas tendências para o mercado de consul- toria considerando o histórico no mercado nacional e o seu contexto mais recente. Com isso, espera-se que você sinta-se mais ambientando ao contexto da consultoria e que possa inclusive, começar a fazer suas próprias reflexões sobre este mercado e visualizar eventuais oportunidades de atuação. 49 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO48 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de: > Recordar os processos de monitoração de mudanças no RH e na empresa como um todo, baseados em critérios de integração e inovação. > Identificar o papel da consultoria nesses processos e possíveis formas de abordagem. > Esclarecer os conceitos iniciais sobre autoavaliação ou autogestão. UNIDADE 3 3 MONITORANDO A MUDANÇA NO RH 3.1 INTRODUÇÃO A sobrevivência das empresas contemporâneas, em meio à turbulência ambiental, perpassa por características de adaptação de processos, produtos e serviços e, da mesma forma, pela diminuição das lacunas entre conhecimentos existentes e ne- cessários. Nesse sentido, a inovação, previamente ressaltada por Mintzberg (2011), e a integração surgem como norteadores das mudanças necessárias às empresas. Assim, deve-se entender como a auditoria em RH pode dar suporte à essas mudan- ças orientadas por inovação e integração. Mais que isso, deve-se entender como cada indivíduo internamente às empresas pode analisar as suas próprias funções de forma a desempenhá-las em direção às mudanças necessárias. 3.2 PROCESSOS DE MONITORAÇÃO DE PESSOAS Henry Mintzberg há muito defende que o principal direcionador do sucesso e, por vezes, da sobrevivência das empresas contemporâneas encontra-se na inovação. É possível observar a constante necessidade das empresas de diminuírem o distan- ciamento entre aquilo que já é sabido e aquilo que é necessário para a sua sobrevi- vência em um ambiente cada vez mais turbulento (MINTZBERG et al., 2011). Assim, aspectos como integração e inovação se tornam extremamente críticos para os resultados da empresa. Logo, é responsabilidade da área de Recursos Humanos (RH) se alinhar à essas demandas e construir as suas ações calcadas nas premissas de inovação e integração. Entre essas ações, deve-se destacar as auditorias internas e externas de RH. De fato, Ulrich et al. (2013) ressaltam queum RH inovador e integrador é uma com- petência de grande importância e que o seu foco está em garantir que a organização tenha o talento e a liderança certos para o sucesso atual e futuro do negócio. 51 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO50 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Os autores enfatizam ainda a necessidade de inovação no desenho de práticas de RH que orientam a agenda de talentos da organização. Para isso, é preciso garantir boas análises sobre os atuais talentos da empresa e as necessidades de contratações de ta- lentos competitivos junto ao mercado. Essas análises são baseadas em um processo constante de monitoração, que é o foco desta unidade. É preciso que os líderes sejam identificados e colocados em posições onde compe- tências sejam maximizadas e, da mesma forma, as equipes precisam ser projetadas com empregados que entregam aquilo que fora demandado e que levam as estraté- gias adiante. Nesse sentido, o acompanhamento sobre a inovação e a integração do RH geralmente leva a uma discussão de melhores práticas. Para Ulrich et al. (2013), o tema vem, ao longo dos últimos anos, se tornando uma proposta comum entre as empresas de consultoria. Contudo, é necessário ressaltar que o desempenho e as soluções adotadas, no passa- do, por outras organizações não são uma indicação dos ganhos futuros. Segundo os autores, as melhores práticas deveriam vir acompanhadas de uma etiqueta de adver- tência: o que funciona para outras empresas talvez não seja útil ou interessante para a sua empresa. A melhor prática pode ser inovadora, mas talvez não seja compatível com as necessidades do negócio. Logo, evidenciam-se três desvantagens para a abordagem das melhores práticas: • adequação: a melhor prática implementada em um setor pode não ser a me- lhor para a situação da empresa-cliente em questão. Por exemplo, a Goldman Sachs pode ter a melhor prática na remuneração dos executivos neste setor, mas a lógica de um banco de investimentos dificilmente seria apropriada para empresas de setores como o varejo; • relevância: aquilo que fora adequado para outras organizações, no passado, pode não tirar o foco do que é necessário no futuro da empresa-cliente; • sinergia: práticas específicas de treinamento, orientação, avaliação de desem- penho ou outros aspectos do RH podem ser extremamente úteis em uma organização, mas não em outra. A mistura de práticas de organizações com objetivos, estratégias, setores e marcas diferentes pode levar à confusão ou à mudanças muito frequentes. Assim, Ulrich et al. (2013) referem-se à noção de “melhor sistema”. Essa abordagem incentiva os profissionais de RH a evitarem tratar o contexto da empresa com uma solução já pronta, quando, na verdade, buscam resolver um problema ainda a ser identificado e/ou analisado. Para os autores, a ideia de melhor sistema leva à melhor combinação de atividades que oferecem eficácia e alinhamento. Dessa forma, é necessário definir quais os elementos essenciais para uma adequada monitoração da área de Recursos Humanos de modo a garantir alinhamento às ne- cessidades de inovação e integração. São eles: • pessoas: a correta monitoração das práticas das pessoas garante que as suas habilidades e aptidões estão alinhadas aos objetivos da organização. Com isso, criam-se condições que incentivam o comprometimento e o empenho das pessoas para alcançar esses objetivos e que demonstram que a participação delas na organização contribui para esse propósito e para a qualidade de vida no trabalho; • desempenho e recompensa: as práticas de desempenho transformam os re- sultados desejados em objetivos e incentivos mensuráveis que motivam as pessoas a buscar esses objetivos. Os critérios básicos para a gestão de desem- penho são: responsabilidade (comportamentos individuais e da equipe são vinculados a objetivos claros), transparência (recompensas financeiras e não financeiras pelas contribuições são compreendidas e divulgadas), completude (as práticas de gestão de desempenho cobrem toda a gama de comporta- mentos e objetivos necessários para o sucesso total do negócio) e equidade (os níveis de recompensa acompanham os níveis de contribuição). As práti- cas de gestão de desempenho, quando estabelecidas e integradas de acordo com esses critérios, ajudam a agregar valor; • informação e comunicação: as organizações precisam administrar o fluxo de informações externas (clientes, acionistas, econômicas e de regulamentação, tecnológicas e demográficas) para garantir que os empregados se adaptem à realidade externa. É preciso administrar também o fluxo interno de informa- ção, para coordenar as ações dentro da organização. Isso inclui ‘de fora para dentro’ (assegurar um conhecimento atualizado dos stakeholders), ‘de dentro para fora’ (manter os stakeholders informados do progresso da organização), ‘de cima para baixo’ (desde a diretoria até os funcionários de todos os níveis e vice-versa) e ‘lado a lado’ (comunicação permanente entre as unidades orga- nizacionais e os seus líderes e funcionários); 53 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO52 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • trabalho e organização: as empresas precisam gerenciar a cadeia de valor, des- de a demanda até o atendimento, para certificar-se de que as obrigações se- jam cumpridas. Para isso, distribuem metas às pessoas e aos grupos e definem estruturas de trabalho e organizacionais para integrar a produção variada em um todo colaborativo. Projetam processos para o próprio trabalho e para o ambiente físico que rodeia o trabalho. Os profissionais de RH são ideais para ajudar nesse processo, mas eles precisam ser competentes em diversas áreas: vincular o projeto organizacional com a estratégia, avaliar a eficiência organi- zacional, implementar novas estruturas organizacionais, garantir a realização de rigorosos processos de trabalho e montar equipes. Além disso, é cada vez mais importante alinhar o tempo com as instalações físicas, inclusive onde o trabalho é realizado (remotamente ou no local) e quando o trabalho é realiza- do (flexibilidade de tempo); • liderança: as práticas de liderança garantem que a organização estabeleceu e implementou uma marca de liderança clara e forte, que é a reputação dos lí- deres da sua organização: como são vistos pelos clientes e outros stakeholders e pela concorrência. Os processos para desenvolver líderes com marca incluem o exemplo único de liderança (por que é importante investir em liderança), a descrição de qual liderança é necessária para alcançar resultados, avaliação dos pontos fortes e fracos dos líderes atuais, investimentos em liderança como uma aptidão (atribuição, treinamento, feedback, experiências externas), me- didas (entender o impacto do investimento e a necessidade contínua de mu- dança e desenvolvimento) e criar uma consciência externa (transmitir a marca para os stakeholders). 3.2.1 MATRIZ INOVAÇÃO X INTEGRAÇÃO Definidos os elementos essenciais para a monitoração da área de Recursos Humanos, podemos aprofundar de forma mais sistêmica a análise dos pilares de integração e inovação. Para Ulrich et al. (2013), a função do RH impulsiona a inovação a partir de três níveis de atuação: a. nova para o mundo: pode provocar significativas oportunidades de negócio ou desempenho; b. nova para a empresa: pode ser aplicada ou adaptada às necessidades específi- cas e à cultura da organização; c. nova para a divisão: pode selecionariniciativas desenvolvidas por uma parte da organização e aplicá-las, ou adaptá-las, às outras divisões. Ao pensar em exemplos destas inovações, é possível trazer inicialmente, a situação em que uma startup desenvolve um sistema de monitoramento remoto das horas de trabalho realizadas em casa pelo funcionário (home-office). Esta seria uma oportuni- dade de um novo negócio (inovação para o mundo) que traria benefícios em termos de desempenho para as empresas que adquirissem o novo produto. Um exemplo de inovação para a empresa poderia ser encontrado no cenário em que uma empresa industrial passa a utilizar um grande sistema informatizado para a ges- tão dos seus processos e recursos (um ERP, ou Enterprise Resource Planning). Esta inovação já está disponível no mercado, é até possível que os seus concorrentes já possuam uma funcionalidade assim. Contudo, para esta empresa, os seus processos e rotinas serão modificados a partir da utilização do sistema. Ao entender este exemplo, é possível ilustrar a inovação para a divisão com o cenário de uma possível necessidade de adaptação dos processos do sistema para a realida- de da equipe de vendas da empresa que é composta tanto por funcionários próprios, quanto por representantes externos. Para saber mais sobre como as empresas desenvolvem cada um dos níveis de inovação, você pode ler os exemplos trazi- dos por Ulrich et al. (2013) nas páginas 153 a 155. Lá, você encontrará exemplos de empresas multinacionais como IBM, General Atlantic e Havard Business School. Você pode encon- trar esse livro na Biblioteca Virtual. A partir dos três níveis de inovação, é possível destacar uma abordagem para a análise da integração e da inovação apresentada por Ulrich et al. (2013). A abordagem, deno- minada de matriz de inovação x integração, é estruturada com base na definição de quadrantes que são formados pela combinação dos níveis de alta e baixa eficiência e alto e baixo alinhamento. 55 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO54 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO FIGURA 11 - MATRIZ INOVAÇÃO X INTEGRAÇÃO Fonte: ULRICH et al., 2013 A matriz apresenta-se como um efetivo mecanismo de monitoração dos processos organizacionais e das ações individuais existentes na empresa-cliente e, com isso, ilustra quais as suas reais necessidades. Assim, temos um diferenciado instrumento norteador de como devem ser desenvolvidas e realizadas as ações de auditoria da área de RH dentro das organizações. No quadrante inferior esquerdo, temos a área de baixo impacto das ações de inova- ção. Apesar dessas estarem altamente alinhadas às necessidades e ao contexto da empresa, apresentam baixa eficiência. Logo, é preciso que os processos sejam revis- tos de modo a aumentar a eficiência associada aos seus resultados. Exemplo: uma empresa que sabe quais os produtos ou os serviços que o seu mercado precisa, mas tem problemas para entregá-los em função de questões operacionais, como paradas de máquinas, ou de relacionamento, como um fornecedor que não entrega as maté- rias-primas no tempo previsto, atrasando, assim, o processo produtivo. Posicionada no quadrante superior direito, temos a situação analogamente inversa. As atividades organizacionais possuem alta eficiência, mas estão pouco alinhadas às necessidades da empresa, sendo extremamente eficiente em vender produtos que não trazem diferencial competitivo para a empresa. Exemplo: uma editora que pro- duz revistas com a melhor qualidade possível e distribui em tempo hábil para os quatro cantos do país, mas não apresenta as reportagens e os assuntos de interesse do seu público. As outras duas situações cobertas pelos quadrantes da matriz são os extremos da nossa análise. No canto superior esquerdo, temos a situação mais desejada pelas em- presas, em que os processos apresentam alta eficiência e alto alinhamento às suas demandas de mercado, fazendo bem aquilo que traz diferencial para a empresa. Exemplo: uma confecção de roupas líder de mercado, que oferece os produtos dese- jados pelos clientes, seguindo as tendências da moda, e que entrega esses produtos dentro de um preço aceitável (o que o mercado estaria disposto a pagar), dentro de uma disponibilidade adequada às suas necessidades. Já no canto inferior direito, temos o pior cenário possível. Nessa situação, é necessário corrigir tanto a eficiência dos processos quanto o alinhamento desses às demandas organizacionais. Exemplo: uma empresa de confecção que apresenta produtos com baixa qualidade, preços acima dos seus concorrentes e ainda não segue as tendên- cias de moda desejadas pelos seus consumidores. 3.3 CONSULTORIA E AUDITORIA COMO INSTRUMENTO DE MONITORAMENTO DOS RECURSOS HUMANOS Introduzindo mais detalhes acerca da consultoria ou auditoria como instrumentos para o monitoramento dos processos da área de Recursos Humanos, precisamos pre- viamente delimitar algumas questões sobre o produto da consultoria e como este será visto pela empresa. Neste tópico, apresentaremos brevemente alguns elementos constituintes do pro- duto da consultoria, bem como algumas técnicas que podem ser utilizadas durante o processo de consultoria em RH. Em relação ao produto da consultoria, Crocco e Guttmann (2017) destacam a sensação de tangibilidade a ser passada à empresa- -cliente. Essa tangibilidade pode ser obtida a partir da demonstração do serviço a ser prestado, separado em três partes, a saber: 57 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO56 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • núcleo: definido a partir do padrão de qualidade a ser entregue e como ele pode ser percebido pela empresa, pelo tempo de execução dos trabalhos, pelo tempo de espera para o início dos trabalhos e para a percepção dos re- sultados. É o trabalho propriamente dito da consultoria. Se pensarmos, por exemplo, em uma consultoria de desenvolvimento de lideranças em uma em- presa do varejo, o núcleo do projeto consistiria em (i) identificar as lideranças já existentes na empresa, as potenciais lideranças; (ii) identificar as suas compe- tências e (iii) estabelecer um plano de desenvolvimento para esses indivíduos ou grupos de indivíduos; • facilitadores: alguns trabalhos que poderão ser executados caso uma necessi- dade seja encontrada e que já estão inclusos no produto (por exemplo, treina- mentos específicos sobre uma determinada legislação para a contratação de terceiros, uma Norma Regulamentadora para uma dada atividade de risco ou ainda o uso adequado de um software para o departamento pessoal). Nesse caso, o produto do consultor parte do princípio de que a capacitação já existe, mas, caso não se observe tal conhecimento no decorrer do projeto, será obri- gado a introduzir o conhecimento gratuitamente; • apoio: trabalhos que agregam valor ou diferenciam o produto. O oferecimento de uma planilha eletrônica especificamente desenvolvida para as necessida- des de elaboração de escalas de trabalho pode ser um exemplo. Apresentadas as linhas gerais do produto da consultoria, serão ilustradas, brevemen- te, algumas possíveis abordagens a serem utilizadas durante a realização da consul- toria. É preciso destacar que não há uma “receita de bolo” em relação à atividade de consultoria. Com isso, tem-se de dar ainda mais destaque à diversidade de aborda- gens a serem utilizadas. É preciso entender também que não existe técnica melhor ou pior, cada técnica apresenta uma série de características particulares e, assim,prós e contras em termos de utilização. A figura a seguir ilustra uma tabela desenvolvida por Ulrich et al. (2013) listando algu- mas possíveis abordagens a serem adotadas na auditoria na área de Recursos Huma- nos, os seus pontos positivos e negativos. Os autores trazem, como exemplo, o caso da utilização de uma pesquisa. Ela pode ser a abordagem mais eficiente, mas talvez a or- ganização esteja esgotada de realizar pesquisas. Se for assim, uma metodologia mais prudente pode ser a de grupos de foco, apesar do seu custo aparentemente mais alto. FIGURA 12 - POSSÍVEIS ABORDAGENS PARA A CONSULTORIA EM RH Fonte: ULRICH et al., 2013 3.4 AUTOGESTÃO De acordo com Ivancevich (2011), a concorrência global e as mudanças no cenário econômico estão levando as empresas, independente do seu porte, a se reestru- turarem. É consenso entre os especialistas que a autogestão dos funcionários da empresa é uma nova realidade na área de Recursos Humanos. Isso significa que as organizações precisam saber como utilizar os talentos dos funcionários em todos os níveis da companhia. As funções mais atuais, que mostram-se mais amplas e tecnologicamente mais sofis- ticadas, demandam pessoas com capacitações mais específicas. Além disso, ressalta o autor, há a preocupação de desenvolver o potencial pleno de qualquer funcionário, com oportunidades de emprego que ofereçam responsabilidade, ascensão e desafio profissional. Assim, destaca-se que mesmo as organizações com um futuro estável ou 59 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO58 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO promissor reconhecem que o segredo do desempenho está no desenvolvimento dos recursos humanos. De fato, tanto as organizações quanto os seus funcionários mudam. Por exemplo, as necessidades e as aspirações profissionais de um gestor recém-contratado são dife- rentes daquelas de um gestor que está no meio da carreira ou prestes a se aposentar. As diversas etapas profissionais produzem oportunidades e pressões diferentes que afetam o desempenho. Gestores competentes percebem essas implicações e facili- tam o empenho dos funcionários que desejam enfrentar e superar as necessidades profissionais e pessoais. Nesse sentido, o envolvimento e a autoanálise, tanto do gestor quanto do funcionário, são importantes no desenvolvimento da carreira de um profissional. No entanto, mui- tas vezes, o funcionário não tem a capacidade ou as informações necessárias para sozinho desenvolver, sistematicamente, o seu plano de carreira, a fim de trabalhar em benefício próprio e em benefício da organização, apesar do interesse crescente em oferecer esse tipo de informação. O desenvolvimento profissional, também abordado como enriquecimento do cargo por Bohlander e Snell (2016), pode ser realizado por meio do aumento da autonomia e da responsabilidade dos funcionários. Os autores apresentam cinco fatores que enriquecem os cargos e, consequentemente, motivam os funcionários: realização, re- conhecimento, crescimento, responsabilidade e desempenho em todo o trabalho versus em apenas partes dele. Assim, segundo os autores, os gerentes podem usar esses cinco fatores para enrique- cer os cargos, aumentando o seu nível de dificuldade e responsabilidade e permitin- do que os funcionários se tornem mais envolvidos no planejamento, na organização, na direção e no controle do seu próprio trabalho. O enriquecimento do cargo tam- bém pode ser realizado organizando-se os funcionários em equipes e dando a elas mais autoridade para a autogestão. Contudo, ressaltam que os programas de enriquecimento do cargo não são uma resolução para todos os problemas de fluxo de trabalho e de pessoal, como a insa- tisfação com remuneração, benefícios ou segurança do funcionário. Nem todos os funcionários que fazem objeção ao ritmo mecânico de uma linha de montagem bus- cam responsabilidade ou desafio adicionais. Algumas pessoas preferem trabalhos rotineiros porque eles são previsíveis. Lucena (2017) complementa a ideia do enriquecimento de cargos e autogestão tra- zendo luz para o fato de que a aplicabilidade desses atributos, ou fatores, terá que se apoiar em forte embasamento de valores, como caráter, ética, integridade e respeito ao outro, que comandarão a autogestão. Esses valores implicam compromissos recí- procos por parte das pessoas e das organizações, isto é, por parte dos trabalhadores e daqueles que respondem pelos donos da empresa. Assim, destacamos a importân- cia do estudo da ética nos processos de consultoria e auditoria em Recursos Huma- nos, objeto de estudo da nossa próxima unidade. Por fim, Bohlander e Snell (2016) ressaltam que muitas organizações estão estabe- lecendo programas que abordam como os funcionários podem se engajar na au- togestão da carreira. O treinamento enfoca dois objetivos principais: (1) ensinar os funcionários a buscar feedback e informações profissionais de modo contínuo e (2) incentivá-los a se prepararem para a mobilidade. Os autores destacam ainda que es- ses treinamentos não possuem foco em habilidades e comportamentos de um cargo específico, mas sim na efetividade pessoal no longo prazo. Em sua essência, a autogestão da carreira não é um processo, mas um evento. Na prá- tica, os funcionários fazem autoavaliações para aumentar a consciência acerca das próprias atitudes e valores em suas carreiras. Além disso, são encorajados a ampliar a visão para além da sua próxima promoção de forma a abranger maiores oportuni- dades no mercado de trabalho, participar de conferências e desenvolver bons rela- cionamentos no longo prazo com os seus chefes ou outros tutores. Os participantes podem ser incentivados a se engajar em um networking ou a identificar outros meios a fim de se prepararem para a mobilidade, como ouvir relatos de funcionários que fizeram transições para novas oportunidades de trabalho, tanto na empresa quanto fora dela (BOHLANDER; SNELL, 2016). Para saber mais sobre como são realizadas avaliações de autogestão no dia a dia das empresas, você pode checar o Apêndice B - Autoavaliação de competência do HRCS contido na obra de Ulrich et al. (2013). Nesse material, os autores fornecem uma breve versão de autoavaliação do exame de feedback criada com base em uma pesquisa de competências realizada em 2012. 61 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO60 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de: CONCLUSÃO Ao longo desta unidade, você pôde entender um pouco melhor a importância e a necessidade de se realizar uma monitoração adequada dos processos de Recursos Humanos. A partir de um processo de acompanhamento das atividades, rotinas e resultados dos indivíduos, temos uma noção realista do desempenho da empresa e podemos assim, nos posicionar em termos de decisões a serem tomadas. Garantindo desta forma, a sobrevivência das empresas. Mais que isso, você observou com maior detalhe a importância de aspectos como inovação e integração para esse cenário e como as pessoas dentro da empresa po- dem e devem observar a si e o seu entorno. Para tanto, foi possível conhecer alguns tipos de inovação realizadas pelas empresas e um poderoso instrumento para a ava- liação e eventual correção do curso de atuação da empresa – a matriz inovação versus integração. > Esclarecer os princípios éticos. > Identificar os aspectos éticos em diferentes níveis de análise, desde o individual até o ambiental.> Identificar a influência dos ambientes internos e externos à organização na conduta ética do profissional de Recursos Humanos, seja ele interno à empresa, seja um consultor. UNIDADE 4 63 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO62 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 4 A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA CONSULTORIA DE GESTÃO DE PESSOAS Nesta unidade, daremos uma maior ênfase ao papel da ética e da conduta ética nas ações da consultoria e, em particular, na consultoria em Recursos Humanos. Para isso, abordaremos não só os aspectos comportamentais, mas também algumas caracte- rísticas do consultor de Recursos Humanos, seja ele um membro interno à empresa- -cliente, seja um profissional desta. 4.1 INTRODUÇÃO Em meio a um ambiente organizacional que apresenta constante turbulência e ne- cessidade de mudanças, é importante entender que tais mudanças podem requerer das pessoas e das empresas posicionamentos conflituosos e, por vezes, questionáveis em termos de valores. Nesse sentido, a ética nos serve como um norteador para uma atuação mais condizente com os preceitos humanos que regem nossa sociedade. Esta unidade traz este tipo de discussão para o cenário da auditoria em RH. Você verá quais são as posturas e características adequadas a um profissional de auditoria em meio a essas turbulências. 4.2 INTRODUÇÃO Ao se pensar em ética de uma maneira geral, é possível encontrar diversas definições, dentre as quais, termos como bem e mal, relativo e absoluto, requerem certo grau de profundidade de análise, para um entendimento claro e para a possibilidade de transformarem se em prática todas essas definições. Contudo, independentemente da definição, é importante ressaltar que essas definições são construídas na mente, no sentimento e nas emoções do ser humano, desde seu nascimento, cristalizando se por toda a sua vida (CROCCO; GUTTMANN, 2017). Crocco e Guttmann (2017) destacam que podem existir mudanças nas considera- ções daquilo que é ético e do que não é. Com isso, destaca-se a importância de se analisar a ética no cenário de constantes mudanças em que se encontra a atividade empresarial e a consultoria. Mais ainda é preciso reforçar a ideia de que o profissional e a área de Recursos Humanos, por apresentarem formação e escopo mais voltados a aspectos humanísticos, têm um papel preponderante nas ações de monitoramento, construção, ajuste e manutenção de comportamentos éticos dentro das organiza- ções. Contudo, é necessário entender que a aproximação das questões éticas dentro das organizações se dá de maneira multinível. Diversos autores abordam essa atuação em diferentes níveis e também focam suas análises da ética no contexto das organi- zações (PINEDA; CÁRDENAS, 2011). 4.2.1 ANÁLISE MULTINÍVEL DA ÉTICA ORGANIZACIONAL As abordagens mais frequentes encontram-se na análise da ética do indivíduo e da organização. Entretanto, é possível observar abordagens que consideram outros ní- veis de análise. É o que pode ser encontrado no modelo de Hólons de Crocco e Gutt- mann (2017). Na figura, é possível perceber os diversos níveis de atuação da análise da conduta ética no contexto organizacional e os elementos que se relacionam com a mesma. FIGURA 13 - MODELO DE HÓLONS Fonte: CROCCO; GUTTMANN, 2017. 65 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO64 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO O primeiro nível de análise é o nível do indivíduo. Aqui tem-se o interesse de enten- der os seus modos de pensar, sentir e agir. Esses modos, que derivam das relações que o indivíduo manteve ao longo da sua vida com pessoas significantes, juntamente com o ambiente em que ele se encontra, moldam a sua forma de agir quanto aos aspectos éticos que venha a se deparar na sua vida profissional e também pessoal. Para Crocco e Guttmann (2017), a ética do indivíduo pode ser interpretada como seu conjunto de princípios e valores, sua estrutura de referência, afetando suas interações e comunicação com os demais Hólons. Os autores seguem com a descrição do modelo ressaltando o grupo social. Este, se- gundo Hólon, seria formado por um conjunto de indivíduos que compartilham um grupo de princípios e valores. A dinâmica do grupo social é baseada no fato de que os indivíduos do grupo têm esse conjunto de valores como um norte ético para suas ações. Assim, caso um desses indivíduos passe a questionar algum desses valores (ou questionar-se em relação a eles), tem-se um sinal de que tais valores não o norteiam mais, deixando de ser elementos fundamentais na sua conduta ética. Na visão dos autores, esse princípio ou valor foi “arranhado”, e o mais provável é a saída desse indi- víduo daquele grupo. Após o nível de análise de grupo, vem o nível da organização. Para Crocco e Guttman (2017), a organização é composta por um conjunto de grupos sociais comuns. Nesse nível, observam-se os processos de determinação de políticas, procedimentos e prá- ticas empresariais, que são idealizadas e implementadas por diretores, acionistas ou proprietários das organizações. Assim, as atividades de atrair e manter colaboradores nos quadros das organizações perpassaria por uma aderência dos valores dos indi- víduos àqueles estabelecidos nas políticas e procedimentos elaborados no nível da organização. Logo, de acordo como Crocco e Guttmann (2017), ocasiona-se a pos- sibilidade de demissão a incapacidade de adaptação ou a mudança no grau de im- portância deles. Ainda segundo os autores, o clima organizacional seria um elemento profundamente impactado pela dinâmica observada nesse Hólon. Finalmente, há o nível de análise ambiental. Em meio ao nível do ambiente é que se encontram as diversas organizações que se relacionam entre si (como fornecedores, clientes, instituições governamentais, universidades, sindicatos, etc.) e que exercem força de mudança e impacto sobre umas às outras. Exemplos de tais dinâmicas são os processos de fusões e aquisições entre empresas nos mais variados campos de atuação (que podem ocorrer de maneira harmônica ou hostil). Outros exemplos de forças atuantes observadas neste Hólon trazidos por Crocco e Guttmann (2017) são as relações comerciais, as pressões para a preservação ambiental ou a adoção de ações de responsabilidade social. Crocco e Guttmann (2017) estendem ainda a análise acerca das forças de atuação em cada um dos Hólons ao discutirem que essas pressões (sofridas ou exercidas) apresentam, inicialmente, intensidades diferentes. Gradativamente, essas forças vão se ajustando ao ambiente, chegando a um ponto de equilíbrio e, finalmente, reequili- brando todo o sistema em outro patamar. Para os autores, a resistência às mudanças pode ser explicada por meio desse modelo, uma vez que as mudanças só podem ser implementadas após o equilíbrio no primeiro Hólon. As mudanças só ́ pde, ser perce- bidas como um elemento positivo quando comparadas com uma referência anterior. Assim, exerce-se pressão no Hólon seguinte e assim por diante. 4.2.2 A ÉTICA DO INDIVÍDUO E DA EMPRESA Conforme já discutido, sabe-se que o consultor pode ser um indivíduo, uma empre- sa de consultoria ou um grupo social. Assim, o processo de consultoria pode se dar a partir de iterações individuais ou por meio de grupos sociais. Para Crocco e Gutt- mann (2017), independentemente da natureza dessas interações, elas serão permea- das pela pressão exercida e recebida dos valores e princípios de cada indivíduo ou do grupo social. Para cada caso, as condutasaparentes mostrarão quais princípios e valores são os fundamentais e quais são considerados os secundários. Para os autores, ao se tratar de ética individual, princípios, como honestidade, verda- de, lealdade, exatidão e sinceridade, são aqueles em que cada indivíduo acredita e pratica com maior ou menor grau de intensidade, sendo para ele uma verdade ab- soluta. Os argumentos utilizados para explicar a sua conduta demonstram que esse indivíduo acredita e se comporta conforme tais crenças. O nível da ética empresarial, por sua vez, deve ser analisado com maior especificidade, pois, segundo os autores, a realidade empresarial mostra condutas e comportamen- tos variados. Demonstra-se que os indivíduos dentro das organizações estão cada vez mais preocupados com a ética. Cada um a seu modo, com profundidade diferente, mas com algumas características que possibilitam um agrupamento e classificação (CROCCO; GUTTMANN, 2017). 67 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO66 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO É preciso lembrar que as forças atuantes no dia a dia das empresas o fazem em sentidos contrários e com intensidades diferentes, fazendo com que na prática, a importância da ética da gestão empresarial seja proporcional à importância da ética pessoal dos acionistas ou das lideranças. Crocco e Guttmann (2017) destacam que, em meio à rotina diária, alguns elementos inerentes à prática empresarial podem se mostrar como obstáculos à prática ética. Entre esses obstáculos, pode-se elencar aspectos diversos, como a gestão financeira, os processos de negócio, os comporta- mentos gerenciais (como a busca incessante por resultados) e as políticas de relacio- namento com clientes. Adicionalmente, pode-se listar alguns dos fatores influenciadores mais frequentes da questão ética. • Natureza do negócio: o mercado em que a empresa está inserida apresenta práticas do tipo cartel, orquestração de preços, métodos de transferência de lucros, nível de corrupção da atividade, entre outros. • Ambiente socio cultural: determinadas práticas e valores culturais de regiões geográficas que afetam o nível de rigor relativamente a práticas e condutas consideradas imorais ou amorais. • Sistema de remuneração: os sistemas que estimulam altos níveis de ambição e que podem se tornar perigosos se não houver o equilíbrio emocional neces- sário. • Valores da liderança: a intensidade de preocupação da alta liderança e dos grupos de poder na empresa com a questão ética. • Dilemas aparentes: práticas de suborno para conseguir benefícios específicos, como liberar a peça na alfândega para acelerar a produção ou perder fatura- mento e prejudicar os acionistas e colaboradores. • Falta de conhecimento do assunto: argumentos semelhantes a “mas a lei per- mite”. quando a ética e a moral precedem a lei, pode ser legal, mas não é ético (CROCCO; GUTTMANN, 2017). • Imagine que a empresa que você trabalha há alguns anos, que tem uma estrutura tradicional de empresa familiar, foi comprada por um grupo russo. Os novos diretores, habituados com as práticas comerciais no seu país de origem, exigem mais dinamismo na entrega de materiais que devem chegar pelo porto. Apesar de o gerente de logística da empresa estar seguindo todas as indicações previstas nas leis internacionais, nacionais e regionais de impor- tação e comercialização de produtos, os diretores russos cobram mais agili- dade no processo e induzem a ideia de que na Rússia esse tipo de situação se resolveria com pagamentos de subornos para os funcionários responsáveis pelo desembaraço das operações no porto. Tem-se aqui um claro exemplo de alguns fatores influenciadores de condutas (não) éticas em meio à rotina empresarial. Mais especificamente, têm-se aspectos de natureza do negócio (nível de corrupção), ambiente sociocultural (valores culturais questionáveis), valores da liderança (falta de preocupação com questões éticas) e dilemas aparentes (prática de suborno). 4.3 A ÉTICA E O PROFISSIONAL DE RECURSOS HUMANOS Se por um lado é necessário atingir níveis de desempenhos cada vez mais elevados, ganhar confiança por meio de resultados significa “fazer a coisa certa, da maneira cer- ta, no tempo certo, com as pessoas certas”. Nesse sentido, Ulrich et al. (2013) ressalta que a ética se torna um elemento importante. Mais ainda, como disponibilizadores da cultura, os profissionais de RH têm a obriga- ção de agir como modelos das aspirações culturais da organização: como os funcio- nários deveriam agir com relação aos clientes, fornecedores e parceiros e uns com os outros. Logo, segundo os autores, demonstrar integridade pessoal é um elemento- -chave do ativismo confiável. 69 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO68 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Parceiros comerciais que não acreditam que os profissionais de RH se comportarão de maneira ética, não darão atribuições importantes ou delicadas para o RH. Tam- bém procurarão limitar o relacionamento a questões transacionais ou administrati- vas. Os autores destacam ainda que, para questões estratégicas, as pessoas de fora do RH querem trabalhar com profissionais em quem confiam e em cujas opiniões podem confiar. Assim, listam algumas ações que os profissionais de RH podem fazer para consoli- dar os princípios éticos da organização. Os profissionais podem (e devem) escrever de forma clara e objetiva um código de ética para suas organizações contendo uma declaração dos valores éticos defendidos pelas suas empresas, identificando, inclu- sive, questões obscuras e nebulosas de conduta ética. Mais que isso, é papel do pro- fissional de Recursos Humanos realizar uma constante avaliação desses princípios e da sua aplicação no dia a dia dos colaboradores. Estes, inclusive, devem recorrer ao profissional de RH em caso de dúvidas sobre suas condutas ou de demais colegas (e eventuais consequências da falta de ética). Por fim, Ulrich et al. (2013) destaca o papel de benchmarking realizado pelo profissional de Recursos Humanos (e even- tualmente um consultor da área) na análise do comportamento de pessoas de outras empresas – concorrentes e também aquelas de outros setores – para entender as im- plicações práticas dos princípios éticos. Por exemplo, mostrar como a falta de trabalho em equipe entre a British Petro- leum e seus terceirizados e a falta de rigor na aplicação dos valores da empre- sa levou ao pior derramamento de óleo no Golfo do México da história. Outra possibilidade é mostrar como orientação para o lucro e a falta de foco nos seus valores essenciais levaram à falência. 4.4 A ÉTICA DO CONSULTOR Independentemente do setor de atuação ou se está interagindo com um indivíduo ou grupo de pessoas, o consultor empresarial possui responsabilidades de natureza social e profissional para com o seu cliente. Portanto, na visão de Oliveira (2015), é necessário que cada consultor e empresa de consultoria tenha seu código de ética. Para entender melhor a estrutura de um código de ética orientado à atuação de um consultor, você pode analisar o código de ética apresentado no site da Associação Brasileira de Consultores (ABCO). Esse código apresenta dois eixos centrais, sendo representados pelos capítulos de fundamentos teóricos e normas e deveres da conduta do profissional de consultoria. Oliveira (2015), por sua vez, apresenta uma lista de premissas de atuação do profis- sional de consultoria que pode ser utilizado com base no seu julgamento(prático) do que é necessário e válido para a consolidação de uma adequada atuação como consultor empresarial. a. Quanto à capacitação do consultor O consultor empresarial deve propor apenas serviços para os quais tenha ple- na capacidade e conhecimento, não aceitando serviços em assuntos para os quais não tenha experiência ou não esteja tecnicamente atualizado. b. Quanto à essência do serviço de consultoria O consultor empresarial deve desenvolver serviços que contribuam para a introdução de inovações que propiciem à empresa-cliente consolidar alavan- cagem de desempenho e de resultados. c. Quanto à interação com a empresa-cliente, referentes aos serviços propostos O consultor deve estabelecer, de forma clara e antecipada: • as finalidades dos serviços; • os resultados detalhados a serem esperados dos serviços de consultoria; • os recursos – equipe técnica, equipamentos, espaços – a serem utilizados; • as prováveis limitações e dificuldades que poderão ocorrer no desenvolvimen- to dos trabalhos; 71 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO70 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • o prazo previsto para a realização dos serviços; • o investimento e as despesas gerais da empresa cliente para a realização dos serviços de consultoria. d. Quanto aos assuntos sigilosos O consultor empresarial deve facilitar e consolidar todos os esforços e provi- dências necessários para a preservação do sigilo com relação às atividades e informações da empresa-cliente. e. Quanto à realidade da empresa-cliente O consultor empresarial deve ter adequado conhecimento da cultura da empresa-cliente, procurando respeitar e interagir em tempo real com essa realidade. Quando a cultura e as políticas da empresa-cliente contrariarem os seus princípios éticos e sua consciência pessoal e profissional, o consultor deve negociar cancelamento do contrato de consultoria. f. Quanto aos funcionários da empresa-cliente O consultor empresarial não deve procurar contratar, para si ou para outra em- presa, qualquer funcionário da empresa-cliente, exceto quando for previamen- te autorizado para exercer tal procedimento. g. Quanto às vontades próprias do consultor O consultor empresarial não deve tentar impor suas ideias e convicções à em- presa-cliente, mas procurar, por meio de seus conhecimentos e experiências, contribuir para a melhoria dos resultados da referida empresa. h. Quanto à transferência de conhecimentos O consultor empresarial deve incentivar e facilitar a transferência e assimilação, para a empresa-cliente, de todos os conhecimentos que propiciem a efetiva e sustentada continuidade e aprimoramento dos serviços de consultoria realiza- dos. Nunca deve manter reserva de mercado sobre conhecimentos – tecnolo- gias, em sua abordagem mais ampla – correlacionados aos serviços de consul- toria realizados, facilitando ao cliente tornar-se independente do consultor. O consultor empresarial não deve utilizar tecnologias, conhecimentos e infor- mações específicos e adquiridos durante a realização dos serviços na empresa- -cliente para o desenvolvimento de qualquer tipo de atividade ou negócio em benefício próprio ou de outros clientes. i. Quanto à interação com empresas-clientes concorrentes Para o caso de o consultor empresarial receber convite para trabalhar em uma concorrente de sua empresa-cliente, essa situação deve ser comunicada e de- batida com o cliente atual, bem como com o cliente potencial. O período para encerrar qualquer atrito de atuação em empresas concorren- tes pode ser de aproximadamente dois anos ou a partir de negociação com a empresa-cliente, analisando, principalmente, se os serviços realizados são exclusivos ou não. j. Quanto à interação com outras consultorias O consultor empresarial pode indicar outros consultores para a empresa-clien- te, mas ficando corresponsável pela qualidade de seus serviços. As indicações de outras consultorias devem respeitar o princípio da adequada interligação de seus serviços efetuados e dos serviços a serem realizados pela indicada. Essas indicações não devem ter quaisquer interesses pessoais ou comerciais, mas apenas para melhorar a qualidade dos serviços realizados para a empre- sa-cliente. Para os casos em que o consultor atuar de forma associada a outras consul- torias, esse fato deve ser previamente levado ao conhecimento da empresa- -cliente. k. Quanto aos honorários O estabelecimento dos honorários do consultor deve levar em consideração, prioritariamente, as características dos serviços a serem realizados e sua expe- riência no assunto. No caso de remuneração por resultados alcançados pela empresa-cliente como consequência dos serviços do consultor, o referencial para os resultados deve ser de longo prazo e ultrapassar o período de sua atua- ção direta. l. Quanto à postura de atuação O consultor empresarial não deve envolver-se em atividades públicas que pos- sam gerar conflitos de interesse em sua atividade profissional perante a em- presa-cliente. Ele não deve divulgar seus serviços de maneira leviana, de forma que possa gerar suspeitas sobre benefícios duvidosos para a empresa-cliente. O consultor empresarial deve interagir proativamente com outros consultores que estejam atuando na mesma empresa-cliente, evitando conflito de interes- ses e interferências. Ele deve respeitar e dar crédito de origem para as metodo- logias e técnicas que utilizar nas empresas-clientes. Ainda segundo Oliveira (2015), além de ser válido o consultor ter um código de ética, ele deve responsabilizar-se por seus serviços perante o Código do Consumidor. Pode 73 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO72 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO ser responsabilizado pela qualidade de seus serviços mediante prova apresentada pela empresa-cliente, a qual deve comprovar a atuação do consultor com culpa, ou seja, que a realização do serviço de consultoria, da qual resultou dano para a empre- sa-cliente, deu-se por imprudência, negligência ou imperícia. A título de exemplo, Oliveira (2015) apresenta a seguinte estrutura de código de ética. O autor destaca ainda a importância de o consultor estabelecer adequa- damente e respeitar seu papel, suas responsabilidades e seus compromissos enquanto profissional. I. Papel do consultor, que pode ser representado pelo conjunto dos seguintes itens: • contribuir na identificação das efetivas necessidades de serviços de con- sultoria das empresas-clientes, tendo em vista desenvolver sua matriz de negócios; • contribuir para o aprimoramento das empresas clientes por meio do de- senvolvimento e aplicação de metodologias e técnicas consistentes com as prioridades, as necessidades e a realidade de cada empresa-cliente; • catalisar e disseminar programas de treinamento na tarefa em assuntos de sua área de atuação para os diversos níveis hierárquicos e negócios das empresas-clientes; • atuar como facilitador da consolidação dos serviços de consultoria rea- lizados com os executivos e demais profissionais das empresas-clientes; • atuar como parte integrante da realidade atual e da situação futura de- sejada das empresas-clientes; • contribuir para a consolidação do ritmo de velocidade necessário para o processo de aprimoramento contínuo das empresas-clientes; • contribuir para o aprimoramento sustentado do estilo administrativo das empresas-clientes. II. Responsabilidades do consultor, que podem ser as seguintes: • respeitar as políticasde atuação das empresas clientes; • atuar dentro dos princípios éticos estabelecidos; • transferir para as empresas clientes todas as metodologias e técnicas ne- cessárias ao seu contínuo aprimoramento administrativo; • conhecer e interagir com as outras metodologias e técnicas aplicadas pelas empresas-clientes e por outras consultorias, para evitar conflitos conceituais e procurar sinergias administrativas. III. Compromissos do consultor, que podem ser os seguintes: • consolidar os níveis de qualidade e os prazos negociados com as empre- sas-clientes. • respeitar os custos e os recursos alocados em seu projeto de consulto- ria, de acordo com o anteriormente negociado com a empresa-cliente (OLIVEIRA, 2015). Por fim, o autor defende que a ética é uma questão que deveria ser colocada na mesa de negociação do projeto de consultoria, da mesma forma como ocorre com a capacitação do consultor, sua remuneração e o prazo do projeto. Quando isso não ocorre, o consultor deve ter o bom senso de colocar a questão da ética em debate, pois ela representa importante aspecto de conhecimento recíproco. Assim, os aspec- tos éticos devem ser explicitados e, durante o desenvolvimento dos referidos serviços, a ética deve ser vivida. E algo mais para se lembrar: a ética é a única coisa que as pessoas têm total controle. Portanto, não se pode jogar os desvios éticos como culpa de outras pessoas (OLIVEIRA, 2015, p. 188). 75 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO74 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de: CONCLUSÃO Nesta unidade foi possível observar a importância dos princípios e da conduta ética na rotina das organizações e nas ações dos indivíduos. Inclusive na conduta do profis- sional de consultoria no contexto de Recursos Humanos. Neste sentido, alerta-se para a necessidade de uma conduta ética por parte do consultor. Seja na posição de um profissional que adentra à empresa para prestar assessoria na construção de código de ética ou resolver questões éticas inerentes aos Recursos Humanos da empresa, seja como um consultor de quaisquer outros temas, mas que demanda uma postura calcada em preceitos éticos. Ressalta-se ainda que a “construção” desta conduta ética perpassa por aspectos, por vezes limitantes, como sistemas de remuneração, nature- za do negócio e valores da liderança organizacional. Foi possível perceber também, que a análise das questões éticas no meio empresa- rial pode ser realizada em um caráter multinível. Para isso, ilustrou-se o modelo de Hólons, que ressalta não só os diversos níveis de análise das condutas éticas (indo do nível individual até o nível ambiental), mas também a forma como esses diversos ní- veis e o próprio ambiente de atuação da empresa se relacionam entre si. O modelo considera, além dos diversos níveis de análise, a atuação de diferentes forças internas e externas à empresa e como estas podem gerar resistências ou suportes à conduta ética dos indivíduos e dos demais atores organizacionais. Em termos de definições, foi possível verificar que, no nível individual, grupal ou orga- nizacional, a ética pode ser interpretada tanto (i) como um elemento de extremo va- lor quanto (ii) como uma referência para uma atuação moralmente adequada frente às mudanças ambientais vividas pelos profissionais contemporâneos. Com isso, espera-se que você possa não apenas refletir melhor sobre suas condutas éticas nos contextos profissional e pessoal, mas também conduzir esse tipo de refle- xão a outras pessoas que estão no seu entorno. Neste processo, não deixe de levar em consideração os seus valores, os valores alheios, a visão compartilhada pela organização e a ação e os interesses de elementos exter- nos como entidades de classe, sindicatos, instituições governamentais. Pode parecer complexo no princípio, mas entende-se que com isso, suas intervenções serão cada vez mais abrangentes e contemplarão um número maior de elementos críticos ao bom desempenho (sempre aliado a uma postura ética) dos indivíduos e das empre- sas-clientes. > Identificar os princípios da análise de performance e avaliação organizacional. > Explicar sobre o processo de aprendizagem no processo de inovação organizacional. > Discutir as características e etapas de um bom projeto de consultoria em Recursos Humanos. UNIDADE 5 77 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO76 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 5 A ANÁLISE DA GESTÃO E O PROJETO DE CONSULTORIA No mundo dinâmico em que estão inseridas as organizações, não basta apenas ela- borar uma solução ou uma abordagem para a tratativa de problemas. É preciso cada vez mais aprender, mas também, refletir e evidenciar uma evolução dessas abor- dagens. Complementarmente, é necessário que essas soluções sejam analisadas e, eventualmente, passem por processos de inovação e evolução. Assim, tomando como base autores como Pagliuso, Cardoso e Spiegel (2010), serão discutidas abordagens para a avaliação e evolução dos modelos de gestão. Mais que apenas isso, você será apresentado a uma discussão de como um projeto de consulto- ria pode ser elaborado de modo a contemplar estas questões tão críticas à sobrevivên- cia da empresa. Ao longo da unidade você poderá perceber o destaque dado à apren- dizagem como um canal para a inovação da gestão das organizações. Em particular, você conhecerá os dois mecanismos (laço simples e laço duplo) a partir dos quais as empresas podem gerar processos de aprendizagem significativos e duradouros. Ao abordar especificamente como o projeto de consultoria pode ser estruturado para suportar os ciclos de aprendizagem, a unidade traz uma discussão acerca das ca- racterísticas necessárias dentro projeto. Assim, destacam-se os elementos que darão suporte à empresa-cliente na construção de uma estrutura de aprendizagem em que se observa contínua evolução e análise. Dentre estes elementos, pode-se citar as premissas, as fases do ciclo de vida e o conteúdo do projeto. 5.1 A AVALIAÇÃO ORGANIZACIONAL O termo “avaliação organizacional” ou “diagnóstico organizacional” são comumente utilizados para designar algum tipo de análise que, segundo Pagliuso et al. (2010) é (i) desenhada sobre conceitos, modelos e métodos científicos e (ii) examina o estado atual de uma organização, auxiliando-a a encontrar soluções para seus problemas ou, ainda, alcançar maior eficácia. A definição de avaliação pode ser ainda expandida como um exame global e siste- mático que regula as atividades e resultados de uma organização em comparação com um modelo de referência. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos revelam que para uma parcela considerável das empresas, a avaliação proporciona cada vez mais benefícios às organizações. A partir de trabalhos em linha com esta pesquisa, foi possível verificar os principais efei- tos da avaliação sobre o desempenho das organizações tais como: • Auxiliar na identificação das oportunidades de melhoria; • Fortalecer as práticas e ações de melhoria bem-sucedidas da organização; • Conduzir uma profunda conscientização sobre as práticas de gestão adotadas na empresa; • Permitir melhoria nas próprias atividades dos gerentes, uma vez que propicia o exame dessas atividades e o planejamento de ações; • Unir a gestão com o planejamento estratégico; • Promover a motivação na busca de melhorias do processo; • Utilizar informações confiáveis da realidade daorganização na tomada de de- cisão. Imagine que uma empresa após vários anos realizando processos de recrutamento e seleção segundo um mesmo procedimento e sem feedback externo resolve contratar uma consultoria em Recursos Humanos para realizar o processo. A partir desta intervenção, verificou-se que a empresa perdia bons candidatos por não realizar uma avaliação de quais as reais necessidades da empresa como um todo e eventualmente um alinhamento do perfil dos candidatos a estas necessidades. Considerando agora não só as demandas do setor que estava com necessidade de 79 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO78 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO recrutamento, mas também o direcionamento estratégico da empresa, o processo de recrutamento se mostrou mais efetivo. Uma vez trazia para dentro da empre- sa pessoas com perfil mais alinhado às necessidades globais da empresa. Mais que isso, o entendimento desta dinâmica trouxe também maior consciência dos demais setores para o processo de recrutamento e seleção e a necessidade de avaliação do mesmo. A pesquisa referida ainda apresenta uma definição para o termo diagnóstico organi- zacional: “um ciclo, entendido, sistemático e regular, de revisão das atividades e resul- tados da organização sobre um modelo de excelência, culminando em ações melhor planejadas”. O conceito é complementado a partir da associação entre a noção de diagnóstico e os modelos a partir da equação a seguir: FIGURA 14 - EQUAÇÃO Fonte: Elaborado pelo autor. Para Pagliuso et al. (2010), o modelo seria a base de referência para orientar o diag- nóstico. A medição deve ser desenvolvida com base nos elementos do modelo ado- tado, permitindo resultados tangíveis, de forma a identificar as prioridades para as futuras melhorias. O gerenciamento de toda a avaliação ocorre desde a seleção do modelo, passando por preparação e planejamento da base de trabalho e pela comunicação dos planos de avaliação, chegando até a fase de condução das atividades de implementação do diagnóstico. Para saber mais sobre modelos de referência em gestão que são amplamente utilizados nas empresas atuais, você pode ler os capítulos 2 e 3 de Pagliuso et al, Gestão organizacional: o desafio da construção do modelo de gestão, 2010. Lá você encontrará maiores detalhes sobre a composição de um modelo de gestão e suas principais características. Alguns exemplos de modelos encontrados são a ISO 9001:2008, bem como a NBR 15999-2. Sendo esta última voltada à responsabilidade social das organizações. 5.1.1 APRENDIZAGEM PARA A INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL E SEU PROCESSO DE AVALIAÇÃO Pensar a aprendizagem organizacional como algo benéfico ao desempenho e à so- brevivência da empresa perpassa por dois argumentos: um analítico e outro norma- tivo. Esta abordagem, delineada inicialmente por Peter Senge, prevê que a capacidade de aprendizagem é uma condição necessária para a sobrevivência em ambientes mais dinâmicos. Para Pagliuso et al. (2010), segundo o argumento normativo, a aprendiza- gem organizacional criaria ambientes onde as pessoas teriam seus padrões de pen- samento expandidos e continuamente aprenderiam juntas. Assim, torna-se importante investigar em quais situações e de que forma a aprendi- zagem organizacional mostra-se produtiva. Quando alinhados à uma cultura organi- zacional apropriada, os mecanismos de aprendizagem organizacional irão provavel- mente produzir aprendizado produtivo. Logo, a aprendizagem e seus mecanismos podem ser enxergados segundo uma hierarquia. Para Pagliuso et al. (2010), no ápice desta hierarquia encontra-se a aprendizagem contínua que requer informações válidas, transparência, orientação a resultado e res- ponsabilidade final. 81 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO80 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Ao se pensar em organizações que aprendem – e as consultorias em Recursos Huma- nos mostram-se ótimos norteadores desta aprendizagem –, defende-se a existência de dois circuitos de aprendizado: I. O single loop learning (aprendizagem de laço simples), segundo o qual a orga- nização é capaz de detectar e corrigir os seus erros de forma a cumprir os obje- tivos delineados. Por exemplo, uma empresa avalia suas necessidades internas de desenvolvimento e implementa um processo de tutoria; e II. O double loop learning (aprendizagem de laço duplo), no qual a organização serve-se desse esforço de detecção e correção de erros para mudar as normas, políticas e objetivos que sustentam a organização. Como exemplo, depois do processo implementado, a empresa revê suas necessidades, aprende com elas e finalmente ajusta o processo a esta nova realidade. Dada a sua maior complexidade, o double loop learning necessita de que os tomado- res de decisão sejam capazes de entender paradigmas, metáforas, posturas mentais e modelos que determinam como a organização opera, além de mudá-los quando preciso. Assim, a função de RH (e eventuais consultorias na área) torna-se cada vez mais importante uma vez que pode não apenas delinear estas mudanças, mas tam- bém acompanhá-la e nortear os mecanismos de aprendizado e os elementos de aprendizagem a serem extraídos de tais situações. Neste sentido, é de vital importância determinar de que forma estas consultorias se- rão realizadas e/ ou recebidas pela empresa-cliente. Para tanto, pensar na consultoria de forma estruturada, da mesma forma que um projeto, pode figurar com um dife- rencial de sucesso para a avaliação dos processos empresariais. 5.2 O PROJETO DA CONSULTORIA Ao se pensar na contratação ou até mesmo na elaboração de uma consultoria, é pre- ciso trazer alguns apontamentos à tona, de acordo com Crocco e Guttmann (2017): • O que o consultor efetivamente mostrará ao seu cliente. • Como transformar um serviço em algo tangível. • Como tornar os serviços descritos em uma proposta em uma imagem real. • Ao final dos trabalhos, o que realmente ficará com o cliente. Por exemplo: relatórios, manuais de treinamentos, manuais de conteúdo, descrição de pro- cessos. • Que tipo de realimentação de informações (feedback) o consultor dará e re- ceberá. Assim, destaca-se a importância de uma definição clara dos objetivos, procedimen- tos e limitações de uma consultoria. Desta forma, é necessário tratar a consultoria como algo dotado de planejamento, programação e acompanhamento, tal qual um projeto. Por exemplo, uma consultoria é contratada para trabalhar, durante um período de 3 meses, aspectos motivacionais junto à equipe de vendas após um ano com fatura- mento abaixo do esperado. Aqui tem-se a definição clara do conteúdo do serviço de consultoria, seu público-alvo e o tempo esperado para a sua realização. Ainda na visão de Crocco e Guttmann (2017), ser claro em relação ao projeto é impor- tante para poder justificar o preço cobrado e o tempo estimado para sua execução. Esse detalhamento também servirá de base para uma avaliação objetiva do anda- mento dos trabalhos e para o estabelecimento das medidas que serão adotadas para avaliar o desempenho e os resultados. Um outro argumento para um bom detalhamento das atividades do projeto de con- sultoria está no fato de que muitas vezes o cliente solicita modificações baseadas em novas necessidades. Quanto mais completas forem as especificações, mais fácil será qualquer revisão contratual, ou a inclusão de novas demandas ou novas propostas (CROCCO; GUTTMAN, 2017). 5.2.1 A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE CONSULTORIACrocco e Guttman (2017) apresentam uma lista de aspectos a serem considerados na elaboração de um projeto de consultoria. Abordando desde as linhas gerais ou premissas da consultoria até a forma de remuneração dos envolvidos. Veja estes as- pectos a seguir. 83 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO82 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 5.2.1.1 PREMISSAS Para determinar o nome do produto da consultoria empresarial, as seguintes premis- sas são seguidas: 1. Especialidade oferecida: deverá mostrar, com clareza, sua amplitude, os limites de atuação por meio da área de conhecimento, marketing ou finanças, entre outras, ou de qualquer outro meio ou setor de atuação, como gestão de entre- tenimento, por exemplo. 2. Nível de conhecimento e competência do consultor: mostrando a profundida- de com que esse produto será introduzido na empresa. Um exemplo caracterís- tico é o mapeamento de processos que é a identificação e sequenciamento das atividades de um fluxo logico de trabalho. 3. Reconhecimento pelo mercado: o potencial comprador deve perceber como o produto atenderá suas necessidades, e as explicações sobre o produto devem ser, principalmente, referentes à sua forma de aplicação. 4. Efetividade: ter a imagem detalhada e permitir a sensação de como o produto perdurará no tempo, mantendo sua atualidade ou em que prazo sua obsoles- cência ocorrerá; 5. Sustentação: transmitir o sentimento de ser um produto especial, único, com maior valor na visão do cliente. 5.2.1.2 CONTEÚDO DO PROJETO DE CONSULTORIA Além do conteúdo propriamente dito da consultoria, o objetivo do projeto é a apre- sentação de elementos que possam produzir uma noção de prestação de serviço. Para Crocco e Guttman (2017), esta noção pode ser atingida a partir de uma maior sensação de tangibilidade; para tanto, sugere-se a demonstração do produto da con- sultoria com base em três componentes, ou partes, a saber: 1. Núcleo: constituído pelo padrão de qualidade a ser entregue e como ele pode ser percebido pela empresa, pelo tempo de execução dos trabalhos, pelo tem- po de espera para o início dos trabalhos e para a percepção dos resultados. 2. Facilitadores: trabalhos que poderão ser executados caso haja uma necessidade para o sucesso do processo de consultoria e que de início, não se encontram no produto, como treinamentos acessórios em determinado conhecimento espe- cífico, obrigatórios para que a empresa alcance os resultados propostos. Pode-se tomar como exemplo o uso adequado de uma calculadora financeira em um processo de fluxo financeiro, que inclui aplicações e empréstimos. Nesse caso, o produto do consultor parte do princípio de que a capacitação já existe, mas, no decorrer do projeto, se ele não encontrou esse conhecimento, será obrigado a introduzir o conhecimento gratuitamente. 3. Apoio: trabalhos que agregam valor ou diferenciam o produto. O oferecimento de uma planilha eletrônica especificamente desenvolvida para as necessidades da empresa pode ser um exemplo de apoio. 5.2.1.3 CARACTERÍSTICAS DA CONSULTORIA Independentemente do tipo de consultoria a ser prestada, algumas características são comuns e devem ser definidas de forma clara para que o cliente possa avaliar aquilo que está sendo proposto e posteriormente entregue. Veja as principais carac- terísticas: a. Custo de oportunidade Significa o preço que será cobrado ao cliente e que deve ser analisado e estabe- lecido a partir da identificação do estágio do ciclo de vida no qual o produto se encontra: introdução, crescimento, maturidade ou declínio. • Produtos em estágio introdutório devem ter preços mais baixos, pois tem-se ali um potencial ponto de referência no caso de resultados positivos. Por causa dos riscos que o cliente corre, ele deve ser plenamente informado e estar cons- ciente desse papel, funcionando assim como “cobaia” (CROCCO; GUTTMAN, 2017). • Produtos em estágio de crescimento são aqueles passíveis de adaptações e ajustes naturais e necessários ao seu bom desempenho e também ao seu preço. Os produtos maduros são aqueles caracterizados por grandes níveis de consumo. Projetos de consultoria para este tipo de produto, fazem com que o conhecimento gerado no processo seja incorporado à empresa, o tempo seja bem utilizado, e as decisões empresariais sejam harmônicas, gerando sinergia 85 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO84 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO e eliminando pontos de atrito e conflito. Para os autores, nesse estágio, existe a possibilidade de cobrança do chamado preço cheio, cujo fator determinante é a competitividade do mercado. • Produtos em estágio de declínio entram nessa etapa muito em razão da alta resistência dos colaboradores da empresa de incorporarem às mudanças propostas e implementadas. Nesse caso, as reconfigurações no produto e a incorporação de novos detalhes e características são necessárias, tendo como consequência uma reavaliação nos preços. Se você gostaria de conhecer um pouco mais sobre os aspectos complementares à atuação de um consultor (como a precificação dos projetos de consultoria) nas páginas 47 a 55 do livro do Crocco e Guttman (2017): Consultoria Empresarial. Lá, você poderá encontrar discussões que tratam inclusive, do posicionamento de mercado de empresas de consultoria. b. Fragmentação do processo em etapas A divisão da atuação da consultoria em etapas menores é de vital importância, pois os resultados do projeto não serão alcançados todos de uma única vez e em um único momento. Dividir o projeto em módulos e estes em etapas é uma abordagem comum e que possibilita a medição dos resultados e do desempe- nho em cada uma destas etapas. Para Crocco e Guttmann (2017), esta medição “pontual” serve: [...] para que a expectativa seja atendida, e esse resultado seja gerador de tran- quilidade e transparência, que levem a interação entre consultor e cliente ao chamado momento da verdade, momento no qual o que foi feito é verificado com o que foi dito ou escrito — o discurso (CROCCO; GUTTMANN, 2017, p. 45). Outro momento de vital importância é o momento da entrega. É aquele em que elementos facilitadores e de apoio como manuais, procedimentos, relatórios e avalia- ções são entregues ao cliente. Como exemplo, a introdução de um sistema de qualidade na empresa pode e deve ser fragmentada em várias etapas: definição do grupo interno responsável, definição da política da qualidade, definição da “norma zero”, descrição de normas e procedimentos, treinamentos, auditorias internas, auditorias externas, certificações, entre outras. Cada uma dessas etapas é mensurável, permitindo que as ações possam ser comparadas ao discurso, e formando o juízo de valor do consultor e de suas ações. c. Utilização do tempo Este tópico refere-se à quantidade de horas (dias, semanas, meses etc.) efeti- vamente alocada para a realização do projeto de consultoria. Esse tempo deve considerar a fase do ciclo de vida no qual o produto se encontra. Produtos nos estágios introdutório e de crescimento demandam uma maior alocação de tempo por parte do consultor. Para produtos em estágios de maturidade e de- clínio, esta demanda tende a diminuir. Um projeto com quatro meses de duração total, por exemplo, no qual o consultor estará presente em oito dias alternados para determinação de trabalhos ao grupo interno e para aferição de resultados, sinaliza como médio a pequeno o grau de interesse e o estágio no ciclo de vida dematuridade ou declínio. d. Avaliação do retorno e parâmetros de acompanhamento A avaliação do retorno trata da determinação das medições que serão utilizadas para aferição e avaliação do produto pelo cliente. Também é possível a incorpo- ração de cláusulas de risco, fazendo com que consultor e cliente tenham uma relação e interação mais vinculadas. A introdução de parte de pagamento por alcance de resultados é um exemplo desse item. 87 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO86 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Os parâmetros de acompanhamento são os indicadores de desempenho e de resul- tado do produto da consultoria. Dizem respeito à identificação dos resultados ime- diatos da consultoria, não da consequência de sua utilização. Um consultor pode e deve ser responsável pelo aumento de conhecimento dos colaboradores da empresa, no caso de treinamento ou introdução de mudanças em processos, mas não pode assumir a responsabilidade pelo incremento de produtividade ou redução de tempo de processamento. Esses últimos indicadores dependem do estilo de gestão existente na empresa, da vontade e motivação do colaborador ou de outros parâmetros, incontroláveis pelo consultor. e. Intensidade de contato Pode ser avaliada pela quantidade de reuniões e de troca de ideias entre o consultor e seu cliente (ex. dois encontros presenciais mensais e uma reunião de acompanhamento de status de 30 minutos diariamente). Essa intensidade mostra o nível de credibilidade e confiança existente na relação profissional. Contudo, deve-se evitar a relação de dependência e valorizar a relação de con- fiança entre as partes. f. Responsabilidade e transparência Diz respeito ao estabelecimento dos limites de cada uma das partes envolvidas desde o início do projeto de consultoria. Imagine a situação previamente apresentada de uma empresa que após um ano com faturamento abaixo do esperado, necessita que seus colaboradores sejam motivados. Uma consultoria em RH é contratada para elaborar o treinamento. Com isso, a consultoria tem a responsabilidade de treinar os analistas e gerente de Recursos Humanos no processo de motivação dos diretores e demais gerentes. O treinamento em si e as eventuais multiplicações do treinamento, devem ser realizados pela equipe interna da empresa). As atividades de uma empresa são as mais diversas e não são interrompidas duran- te os trabalhos da consultoria. Caso a responsabilidade e a transparência não sejam consideradas, algumas atividades de responsabilidade da empresa-cliente podem ser atribuídas à consultoria, aumentando a resistência a seu trabalho. Caso contrário, a aceitação será. incrementada à proporção que os limites forem claramente estabe- lecidos e bem divulgados ao corpo funcional. CONCLUSÃO Após a apresentação dos elementos desta unidade, acredita-se que você está mais apto a entender um pouco mais sobre o mundo das consultorias e como esses proje- tos são elaborados e avaliados. Você pode entender a importância da avaliação orga- nizacional e da aprendizagem organizacional para a inovação dentro das organiza- ções. Espera-se que após as discussões apresentadas aqui, você tenha compreendido não apenas os mecanismos pelos quais as organizações aprendem – de forma siste- mática e duradoura –, mas também a importância dessa aprendizagem para a sua sobrevivência. Juntamente com a aprendizagem, esta unidade destacou a importância de um processo de avaliação (inclusive dos processos de aprendizagem) para as empresas- -clientes. Algumas das vantagens advindas de uma boa avaliação podem ser encon- tradas, dentre outros exemplos, na identificação de oportunidades de melhoria dos 89 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO88 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de: > Identificar os principais fatores de competência em Recursos Humanos, como o desenvolvimento de talentos e a análise de desempenho; > Aplicar os conceitos relativos aos indicadores de desempenho como método de análise; > Avaliar o desenvolvimento de um projeto de consultoria, tendo como referências a interação de elementos como o conteúdo da consultoria e os patronos do projeto. UNIDADE 6 processos organizacionais, no fortalecimento e conscientização acerca das práticas bem-sucedidas da organização e na utilização de informações confiáveis para o pro- cesso de tomada de decisões. A abordagem realizada aqui teve por objetivo também apresentar as características dos projetos de consultoria de um ponto de vista neutro. Os aspectos abordados aqui podem ser interpretados tanto por aqueles que estão recebendo uma consultoria em sua empresa quanto por aquelas pessoas que desejam desenvolver uma consul- toria própria. Destacaram-se as premissas do processo de consultoria e suas caracte- rísticas, como custos de oportunidade e fases do ciclo de vida do produto ou serviço da empresa-cliente. É importante destacar que é na fase de reflexão sobre as premissas do projeto que você deve estabelecer critérios e parâmetros sobre a forma como serão realizados os encontros da consultoria e como serão entregues os seus resultados. Também é preciso que você defina – preferencialmente junto à empresa-cliente – como se dará o processo de feedback do projeto de consultoria, bem como o seu conteúdo em função do estágio do ciclo de vida do produto ou serviço da empresa. Espera-se que com estes direcionamentos você possa elaborar um projeto de con- sultoria na área de Recursos Humanos alinhado às expectativas da empresa-cliente e, mais que isso, que possa ser bem avaliado e que contribua para a aprendizagem desta. 91 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO90 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 6 INTERVENÇÃO EM GESTÃO DE PESSOAS Apresentados alguns dos principais elementos e características da função de Recur- sos Humanos e das suas auditorias, você entenderá como estas auditorias, sejam elas internas ou externas, intervêm na rotina das empresas-clientes. O foco principal desta unidade é de que você compreenda os aspectos principais da intervenção em Recursos Humanos por meio de um projeto de consultoria. Mais especificamente, espera-se que você perceba a importância de fatores que garantem competência à área de RH, dentre eles, o desenvolvimento de talentos, o planeja- mento da força de trabalho, a configuração de práticas organizacionais e a análise de desempenho. Em relação a este último aspecto, dá-se uma atenção especial. Uma vez que, os in- dicadores de desempenho, bem como sua utilização e concepção são constantes na rotina das empresas contemporâneas. Assim, é preciso conceituá-los e trazer al- gumas de suas principais características para o contexto da consultoria em Recursos Humanos. Por fim, você será apresentando a algumas questões que podem direcionar a sua forma de avaliar e eventualmente, desenvolver consultorias na área de Recursos Hu- manos. Para que este desenvolvimento se dê de maneira adequada, é preciso pensar a consultoria não só no período em que esta ocorre, mas também posteriormente à saída do consultor ou consultora. Também é preciso entender que a consultoria não é o único processo que está ocorrendonaquele momento na rotina da empresa, as- sim, ela concorrerá em termos de recursos (financeiros, tempo, humanos, etc.) com outras atividades. Logo, precisa ser bem elaborada e “negociada” junto aos patronos da empresa-cliente. 6.1 FATORES DE COMPETÊNCIA EM RECURSOS HUMANOS De acordo com Ulrich et al. (2013), a intervenção na área de Recursos Humanos das empresas perpassa pela análise dos seus principais fatores de competência. Apesar de abordarem cinco fatores, para fins desta unidade, será destacado apenas quatro deles. . Assim, nossa abordagem inicial estará focada nos seguintes fatores: • Otimização do capital humano via planejamento e análise da força de traba- lho; • Desenvolvimento de talentos; • Formatação das práticas organizacionais; • Avaliação do desempenho. Você pode conhecer um pouco mais sobre os fatores apresentados por Ulrich et al. (2013) – inclusive àqueles relativos à composição de marcas – e como eles foram selecionados a partir de um grande estudo denominado Human Resource Competency Study (HRCS), que há mais de 25 anos realiza pesquisa na área de Recursos Humanos. O anexo B do livro apresenta um questionário bem estruturado para intervenções em Recursos Humanos que pode servir de referência em seus trabalhos futuros. Em particular, você pode verificar o impacto de tais fatores nos resultados dos negócios das empresas investigadas. A Figura a seguir apresenta suscintamente alguns dos resultados obtidos a partir de uma intervenção ocorrida em 2012, dentro do estudo de Ulrich. 93 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO92 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO FIGURA 15 - IMPACTO DOS FATORES DE COMPETÊNCIA NOS NEGÓCIOS DAS EMPRESAS INVESTIGADAS Fonte: Ulrich et al. (2013) 6.1.1 OTIMIZAÇÃO DO CAPITAL HUMANO VIA PLANEJAMENTO E ANÁLISE DA FORÇA DE TRABALHO Os autores sugerem uma abordagem pautada em quatro princípios para a otimiza- ção do capital humano considerando o planejamento e a análise da força de traba- lho: 1. Definir papeis estratégicos importantes: as entrevistas e outros esforços de coleta de dados, combinados com o trabalho em conjunto com outras equi- pes da empresa (como por exemplo, finanças), irão ajudá-lo a desenvolver um modelo ou perfil das funções e habilidades que entregam valor aos clientes (internos e externos) da empresa. O objetivo é definir quais funções são verda- deiramente estratégicas, quais fornecem apoio, mas não são estratégicas em si (que podemos chamar de staff ou funções meio), e quais são essenciais, mas não acrescentam valor estratégico ou apoio importante. As organizações e as indústrias são muito diferentes. Por exemplo, na indústria química, a produção é uma função estratégica. Nas empresas de alta tecnologia, como a Cisco e a Apple, a produção é importante, mas pode ser terceirizada. 2. Faça uma avaliação SWOT: é muito importante avaliar os pontos fortes e fracos na entrega da estratégia, seguido de perto pelo desenvolvimento do estado fu- turo baseado numa consideração de oportunidades e ameaças. Por exemplo, empresas de consultoria, como McKinley e BCG, identificaram a necessidade de mudança dos serviços estratégicos de consultoria para o suporte e a implementação de soluções. Esta é uma significativa mudança em estratégia e capacidade, e irá exigir um considerável re-treinamento para novas habilidades nessas empresas. Para conhecer mais sobre esta ferramenta, você pode acessar um material informativo do SEBRAE, intitulado Ferramenta: Análise Swot (clássico). 3. Comprar, construir ou ambos: uma mudança na mobilização de recursos pro- voca o questionamento da melhor maneira de alcançar o resultado. A decisão sobre qual estratégia seguir (compra, desenvolvimento externo ou uma junção de ambos) varia de empresa para empresa e leva em consideração sua estraté- gia de negócio, o momento atual, previsões futuras e o seu histórico de atuação. 95 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO94 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Algumas organizações, como P&G e Exxon Mobil, são comprometidas desenvolvedoras de funcionários e resistem na contratação de equipes experientes. Outras organizações, como a Marx, tendem a comprar talentos experientes, isto é, trazem de fora. E ainda outros, como Goldman Sachs e J.P. Morgan combinam essas estratégias: procuram ser desenvolvedores, mas complementam com uma contratação externa seletiva. Seu plano deveria ser tanto estrategicamente prudente quanto culturalmente aceitável. 4. Administrar o processo de mudança: significa iniciar o processo de maneira que facilite o sucesso. Significa envolver as pessoas certas, fornecer informações eficazes e passar tarefas, analisar as contingências, monitorar e manter o de- sempenho revisando a eficácia das decisões tomadas e antecipando possíveis problemas. Aqui cabe o destaque para o link com os últimos itens desta unida- de que tratam da análise de desempenho a partir da construção de indicadores adequados à realidade da empresa-cliente. Uma empresa que pretende migrar suas vendas de um ambiente essencialmente físico (três lojas em diferentes pontos da cidade) para um cenário de atendimento on-line, não pode simplesmente definir que isso irá acontecer sem se preparar para isso. É preciso enxergar essa mudança como um processo. É preciso, por exemplo, pensar nas pessoas mais aptas a realizarem esta nova forma de atendimento (aquelas que possuem um perfil de atendimento mais dinâmico), estimar prazos para o treinamento no novo sistema de coleta de pedidos, verificar se os treinamentos estão sendo efetivos, etc. 6.1.2 DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS Em se tratando do desenvolvimento de funcionários e seus respectivos talentos, Ulri- ch et al. (2013) argumentam que o foco está em como e quão bem a organização está desenvolvendo as habilidades técnicas e organizacionais (e aqui incluem-se também as habilidades interpessoais) necessárias para que as pessoas tenham vidas profissio- nais satisfatórias. As ações que compõem o fator de desenvolvimento de talentos são: estabelecimentos de padrões, avaliação, investimentos em talentos e follow-up. • Estabelecer um padrão de competência: começa na identificação das com- petências necessárias para prestar trabalho futuro. Em vez de focar no que deu certo no passado, comparando funcionários de alto e baixo desempenho, os padrões mais recentes de competência surgem da transformação de ex- pectativas futuras do cliente em exigências atuais do funcionário. Assim, para quaisquer níveis organizacionais, é possível que um auditor de Recursos Hu- manos possa estabelecer um exame dos padrões necessários a partir dos se- guintes itens: • As competências sociais e técnicas já possuídas pela empresa; • As mudanças ambientais enfrentadas pelo negócio e as possíveis respostas estratégicas. • As competências técnicas e sociais que os funcionários precisam demonstrar considerando escolhas futuras, ambientais e estratégicas do negócio. Considerando novamente o exemplo da empresa que está migrando para o ambiente on-line de vendas, os diretores poderiam se questionar sobre quais dos funcionários atuais já possuem as características necessárias para o atendimento on-line (inclusive em termos de utilização dos novos sistemas). Outros questionamentos estariam associados à atuação dos concorrentes e dos seus fornecedores. Poderíamos ter situação em que os fornecedores da empresa precisassem ser treinados no novo sistema de pedidos. Da mesma forma, aempresa poderia estar pensando a frente e já vislumbrando a ideia de desenvolver novos fornecedores mais ágeis e alinhados às necessidades do atendimento on-line. 97 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO96 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO Para os autores, os questionamentos dariam suporte aos profissionais de RH e geren- tes em geral na elaboração de um ponto de vista sobre as competências que levam a um conjunto de padrões do funcionário. Ao estabelecerem modelos de competên- cia baseados nas expectativas futuras do cliente, os gerentes dirigem a atenção dos funcionários para o que eles deveriam ser, saber e fazer. Um bom direcionador seria perguntar aos principais clientes se os valores defendidos pelos empregados da em- presa inspiram confiança. • Avaliando indivíduos e organizações: definidos os padrões, os funcionários podem ser avaliados quanto ao atingimento ou não destes. Ulrich et al. (2013) argumentam que o desempenho é uma função de atributos (competên- cias) e resultados. O funcionário competente apresenta resultados da ma- neira certa, e esta é definida pelos padrões de competência. As organizações com visão de futuro estão cada vez mais priorizando a harmonização da busca entre perspectivas externas de desempenho (a partir da visão de stakeholders externos como clientes, fornecedores, investidores e líderes comunitários) ao mesmo tempo em que buscam visões internas. Para os autores, esta prática ajuda as pessoas a entenderem como melhorar, e também fornece valiosas informações para a organização sobre como projetar e distribuir práticas de RH a fim de aprimorar o talento. Um ex-funcionário do Google, ressalta que os padrões de competência para o processo de recrutamento e seleção da sua empresa e de uma de suas principais concorrentes, a Microsoft, são bem diferentes. Enquanto na Google a referência é a de que uma contratação seja realizada de maneira minuciosa e extensiva, na Microsoft isto ocorre de maneira muito mais ágil. Nas palavras do ex-funcionário: a Google “realmente comemora seu processo de contratação como se sua interminável duração fossem prova de perfeição, algo para se orgulhar. Mas eu apostaria que o processo de contratação da Microsoft, que leva bem menos tempo, não resulta em uma força de trabalho de qualidade inferior ou tenha taxa mais alta de desgaste”. • Investindo no aprimoramento do talento: as falhas de pessoas e da orga- nização podem ser preenchidas com investimento no talento. Seis tipos de investimentos que podem ajudar a aprimorar o talento são descritos a seguir: 1. Comprar: recrutar, buscar fornecedores, manter novos talentos na organização. 2. Construir: ajudar as pessoas a crescer por meio de treinamento ou experiências de vida. 3. Pedir emprestado: trazer conhecimento para a organização por meio de consul- tores externos ou parceiros. 4. Promover: estimular a promoção das pessoas certas para funções-chave. 5. Demitir: retirar de suas funções, e da empresa (caso não haja outras funções a serem desempenhadas) aqueles empregados de baixo rendimento. 6. Vincular: manter os principais talentos por meio de oportunidade, recompensa e reconhecimento não financeiro. Quando os profissionais de RH criam opções nessas seis áreas, ajudam as pessoas e as organizações a investir em talentos futuros. • Fazendo um follow-up e rastreando a competência: “Confie, mas confira”. Este item ressalta o quão importante é rastrear o desempenho e o desenvol- vimento. Questionamentos sobre a maneira pela qual as pessoas estão de- senvolvendo suas habilidades, o tempo de aprendizagem frente aos concor- rentes, a eficácia das atividades que estão sendo realizadas, a manutenção e desenvolvimento de talentos e se os feedbacks estão sendo realizados nas posições chave são de grande importância para a sobrevivência das empresas 6.1.3 FORMATAÇÃO DAS PRÁTICAS ORGANIZACIONAIS De acordo com os autores, a formatação de práticas organizacionais, juntamente com as práticas de comunicação se encaixam para formar um todo eficaz. Contudo, deve-se ter em mente que a organização não é apenas as caixas apresentadas em um organograma. Para Ulrich et al. (2013), uma organização eficiente é um conjunto de protocolos operacionais reforçados por relações que, necessariamente, envolvem comunicações combinadas com o que denominamos de capacitações. Para entender melhor este conjunto de protocolos e suas respectivas relações podemos tomar por base os se- guintes itens: 99 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO98 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • O resultado do negócio que estamos tentando alcançar; • As capacitações que são adequadas para que o resultado do negócio ao longo do tempo seja alcançado e mantido; • Como ativar essas capacitações por meio de sistemas e práticas do RH; • Como implementar mudanças de maneira a reforçar esse ciclo virtuoso; • Como medir e monitorar a eficácia e eficiência; • Como assegurar o alinhamento ao longo do tempo. 6.1.4 AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO Ao longo das últimas décadas, a avaliação de desempenho assumiu um papel de grande importância e destaque na gestão organizacional. Neste sentido, destaca-se a participação e contribuição da função de Recursos Humanos. Em linha com tal ar- gumento, Ulrich et al. (2013) defendem que os profissionais de RH eficientes exercem diversos papeeis importantes na administração de desempenho. A saber: • Estabelecer padrões claros de desempenho: profissionais de RH eficientes afir- mam que um bom processo de comunicação determina desempenho espe- rado e sua real motivação. O processo cria um vínculo entre o empregado e o cliente ou outros stakeholders. Para os autores, este foco deve ser realizado de fora para dentro, o que tornaria real o impacto de desempenho para funcioná- rios de todos os níveis e em todas as funções. Histórias que descrevem o impacto real de desempenho nos clientes são particularmente eficazes. Por exemplo, a British Petroleum (BP) fez um excelente trabalho ao transformar e dar significado à limpeza do Golfo, envolvendo os empregados em esforços de limpeza e a organização com informações sobre os verdadeiros cidadãos da região do Golfo e o impacto do derramamento de petróleo em suas vidas. Da mesma maneira, a GE Medical Systems torna real o impacto do trabalho realizado nos pacientes apresentando seus empregados a sobreviventes de câncer. 1. Colocar um processo claro de avaliação de desempenho em vigor com me-di- das de desempenho bem definidas: para os autores, é importante que o proces- so de gestão de desempenho seja eficaz, eficiente e transparente - quem faz o que, quando, como e com que informações ou métricas em vigor. 2. Oferecer feedback nos pontos fortes e necessidades de melhoria e desenvolvi- mento: um feedback relevante e significativo é a base para o desenvolvimento. Ulrich et al. (2013) ressaltam ainda a mudança do feedback de 360 graus - em que todos os funcionários da área se avaliavam mutuamente- para as aborda- gens que envolvem diretamente os clientes, fornecedores e outros stakeholders externos. 3. Recompensa e reconhecimento do bom desempenho: a avaliação de desem- penho depende da combinação das recompensas financeiras e reconhecimen- to não financeiro ou reconhecimento de conquistas. Recomenda-se os seguin- tes princípios no desenvolvimento de programas de recompensas eficientes e de reconhecimento: a. Equidade: os funcionários que contribuem com mais valor para a organização devem receberas maiores recompensas. b. Transparência: a determinação das recompensas deve ser clara para todos. c. Significado: as recompensas devem ter um significado para as pessoas. É funda- mental que se compreenda o que é importante para cada um. Por exemplo, al- guns empregados podem se interessar mais por folgas, outros por recompensas financeiras e ainda outros por novas oportunidades ou desafios. 4. Ensinar habilidades no fornecimento e recebimento de feedback aos funcio- nários: a gestão de desempenho eficiente baseia-se em habilidades no forne- cimento e recebimento de feedback. As melhores organizações não recebem feedback de graça, em vez disso, reforçam suas habilidades por meio de uma educação normal. 5. Adaptar padrões de desempenho às demandas estratégicas: o RH desempenha um papel importante ao garantir que os padrões de desempenho permane- çam precisos e relevantes. Os padrões devem refletir metas estratégicas, e Ulri- ch et al. (2013) reforçam que, quando as metas mudam, os padrões precisam mudar com elas. 101 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO100 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO A empresa de janelas e clarabóias Velux Group enfatiza a implementação de tecnologias enxutas na produção industrial. Os padrões de desempenho estão mudando – liderados pelo RH – para reforçar a importância dessa iniciativa. Com o aumento da concorrência e, principalmente com a disponibilização de alternativas menos caras para os consumidores, a empresa se concentrou mais na redução do custo de produção sem perda de qualidade. 6. Lidando com o mau desempenho: finalmente, a maneira como a organização lida com o mau desempenho tem um impacto significativo na maneira como a empresa é vista. Para Ulrich et al. (2013), o mau desempenho precisa ser tra- tado de forma respeitosa e justa e, acima de tudo, rapidamente. A reação da organização aos desempenhos altos ou baixos manda uma mensagem a todos os funcionários sobre o valor do desempenho, a equidade e a transparência do sistema, e a importância que a empresa dispende para alcançar essas metas e atender seus clientes e outros stakeholders. 6.2 CONCEITUANDO INDICADORES DE DESEMPENHO Apresentadas as principais características do processo de avaliação e intervenção em Recursos Humanos, podemos perceber a importância dada aos indicadores de de- sempenho enquanto ferramenta de gestão contemporânea. Assim, cabe apresentar alguns conceitos inerentes à temática e que poderão auxiliá-lo em suas intervenções em auditorias de RH. Para Crocco e Guttmann (2017), um indicador pode ser definido como um conjun- to de padrões de medida capazes de dar uma ideia de estado determinado ou planejado ou de seu desvio, passível de mudanças e oscilações. Ainda segundo os autores, para cada avaliação ou medida desejada, podem ser estabelecidos quatro tipos de indicadores: • Quantitativos: como o próprio nome indica, são padrões que resultam em nú- meros, sinalizando a intensidade, extensão, abrangência ou outra medida de força ou fraqueza; • Qualitativos: são aqueles que qualificam as forças e fraquezas em certo ou er- rado, bom ou mau, sim ou não, ida ou volta, mais ou menos, não permitindo medidas numéricas diretas, mas com acesso à informação e formação de juízo de valores; • Tempo: é um tipo específico de padrão numérico, medindo o uso e desperdí- cio de tempo para determinado assunto. Deve ser tratado de forma particular, pois representa um recurso da empresa e das pessoas e pode gerar conse- quências importantes nas ações; • Financeiros: são os padrões que envolvem recursos financeiros ou econômicos. Podem ser os custos, as receitas, ou seja, todos aqueles que sinalizam para o lucro ou prejuízo da empresa. Destacam ainda que um ponto de grande importância em termos de indicadores é a possibilidade de determinar quais os tipos que melhor representam a medição e avaliação desejadas, já que todos os aspectos que as pessoas querem medir se com- portam nesses quatro indicadores. Para um trabalho de determinação da missão de uma empresa, ele pode ser medido por meio do tempo consumido na elaboração, pelo grau de visibilidade que a empresa mostra com sua missão, pelo consumo de recursos na sua divulgação interna e externa e pela quantidade de descartes até a sua forma final. Cada um desses indicadores tem sua força de medição e refletirá melhor se o trabalho teve ou não o sucesso pretendido. Para os autores, os indicadores têm suas características próprias, relacionadas ao que se quer atingir, podendo ser combinadas das mais variadas formas. Esses indicadores podem ser: 103 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO102 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO • Diretos ou indiretos: medem por si só ou tem necessidade de composição com outros. Por exemplo: o valor da moeda, significando a sua equivalência em re- lação a outra moeda, é um indicador direto. Pode-se afirmar que r$ 1,00 vale us$ x,xx ou € z,zz. Em se tratando de uma avaliação de estudos, normalmente realizada por meio de uma prova, ela indicará quanto uma pessoa memorizou a respeito de determinado conhecimento, sendo preciso aplicar indicadores adicionais e complementares se for necessário avaliar o grau de aquisição de novo conhecimento; • Absolutos ou relativos: são os valores que, individualmente, refletem o resul- tado da medição ou são relacionados a duas variáveis, uma fixa e a outra com variação de acordo com a anterior. Um número porcentual representa o resul- tado de um indicador relativo, pois uma parte variou em relação a outra parte fixa, com base de valor em cem. Um resultado numérico simples, 3 mil, é uma representação de um indicador absoluto. Para conhecer com um pouco mais de detalhes os principais indicadores de desempenho ou Key Performance Indicators – KPI utilizados no mercado de Recursos Humanos, você pode acessar os sites de alguns blogs em Recursos Humanos, são eles: • Conteúdo RH • BlogRH • Kenoby • RH Portal 6.3 AVALIANDO E DESENVOLVENDO A CONSULTORIA EM RH Por fim, cabe ressaltar algumas considerações sobre as maneiras de desenvolver e efetivamente avaliar o desempenho da consultoria em Recursos Humanos. A partir de Oliveira (2015), elencam-se algumas posturas que podem ser assumidas pelo con- sultor para o desdobramento da atividade de consultoria alinhada às necessidades da empresa-cliente. Você pode complementar esta leitura com o capítulo 6 do livro Consultoria Empresarial, de Crocco e Guttmann (2017), em particular os itens 6.4 e 6.5, onde os autores discutem aspectos como conteúdo dos relatórios finais de consultoria possibilidades de trabalhos subsequentes. Algumas sugestões apresentadas por Oliveira (2015) são descritas a seguir. 6.3.1 ELABORAÇÃO DE PLANO DE MANUTENÇÃO E APRIMORAMENTO QUE EXTRAPOLE O PERÍODO DE TEMPO DO PROJETO DE CONSULTORIA Deve ser elaborado em conjunto pelo executivo da empresa-cliente e o consultor. O momento ideal para sua realização é quando o projeto de consultoria estiver na me- tade de sua efetivação, quando o consultor já terá adquirido conhecimento sobre a realidade da empresa-cliente e o executivo da empresa-cliente terá efetivo domínio do andamento do projeto de consultoria. Como o serviço de consultoria é um projeto, obrigatoriamente tem data de término, e deve haver uma preocupação da continuidade e melhoria dos trabalhos realizados. Essa visão de longo prazo para o projeto facilita o entendimento dos resultados a serem apresentados,pois ambos, consultor e executivo coordenador, realizam um debate sobre como a empresa-cliente vai utilizar, no futuro, os resultados dos serviços de consultoria. 105 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO104 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO 6.3.2 INTEGRAÇÃO DO CONTEÚDO DO SERVIÇO DE CONSULTORIA COM OUTROS PROJETOS E ATIVIDADES DA EMPRESA-CLIENTE Para dar maior força e sustentação a qualquer projeto de consultoria em uma em- presa-cliente, deve-se interligar o assunto básico desse projeto com outros projetos e atividades efetivadas na referida empresa. Essa abordagem mais global para todo e qualquer projeto facilita o desenvolvimento do raciocínio e análise decisória sistê- mica por parte dos executivos da empresa-cliente. Também proporciona importan- te situação em que a melhoria em uma atividade ou parte do projeto considerado proporciona melhorias interativas em outras atividades ou partes dessa abordagem global. Esse procedimento é facilitado pelo uso de equipes multidisciplinares. 6.3.3 IDENTIFICAÇÃO DOS PATRONOS RESPONSÁVEIS PELOS ASSUNTOS INERENTES AO SERVIÇO DE CONSULTORIA REALIZADO Patronos são executivos e profissionais da empresa-cliente que ficam responsáveis pela manutenção e possível aprimoramento de uma parte ou de todo o projeto de consultoria realizado. A indicação dessas pessoas deve ser espontânea, pois elas devem saber que essa responsabilidade extra é importante para sua evolução pessoal e profissional. Os patronos devem ter relativa preocupação conceitual e forte atuação com base em treinamentos na tarefa. Ao longo do tempo, eles tornam-se especialistas no assunto considerado, dentro da cultura e da realidade da empresa- -cliente e dos serviços de consultoria realizados. CONCLUSÃO Após a apresentação de aspectos diversos da auditoria em Recursos Humanos, esta última unidade focou nos processos de análise e avaliação das intervenções em Re- cursos Humanos. Para tanto, foram apresentados os fatores de competência envol- vidos na função de RH. Mais especificamente foi abordada a otimização do capital humano via planejamento e análise dos recursos humanos, o desenvolvimento de talentos, a formatação de práticas organizacionais e a avaliação de desempenho pro- priamente dita. Dando um maior destaque a esta última, você viu os conceitos básicos sobre os indi- cadores de desempenho e sugerimos uma série de sites onde você poderá encontrar diversos indicadores de desempenho utilizadas na área de RH. Por fim, apresenta- mos algumas abordagens sugeridas para o desenvolvimento e avaliação do processo de consultoria em RH. Espera-se que agora você esteja mais seguro e preparado para iniciar uma interven- ção em Recursos Humanos destacando os reais fatores geradores de competência em uma empresa-cliente. Você poderá visualizar as diversas oportunidades de cria- ção de indicadores para apoiar as empresas no processo de manutenção e desen- volvimento de talentos internos, bem como na captação externa. Mais ainda, você agora tem conhecimento de que a consultoria a ser prestada não é a única coisa que acontece na empresa naquele momento. Contudo, você já sabe como balancear as necessidades de recursos de tempo junto aos principais tomadores de decisão nesse período de atuação e posteriormente à sua intervenção otimizando assim os proces- sos e desenvolvimento dentro da empresa. 107 FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 AuditoriA de recursos HumAnos SUMÁRIO106 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO GLOSSÁRIO inovação: é a capacidade de perceber, idealizar, estruturar e operacionalizar situações novas. Vantagem competitiva: é a característica dos produtos e serviços que dire- cionam os clientes e o mercado a comprá-los, em detrimento aos produtos e serviços dos concorrentes. A vantagem competitiva deve ser: • real, ou seja, de conhecimento do mercado e dos clientes; • sustentada, ou seja, deve estar interligada com outros sistemas admi- nistrativos da empresa e que seja de elevada qualidade; e • duradoura, ou seja, em condições de perdurar pelo tempo que for necessário, consolidando uma personalidade para a empresa, bem como para seus negócios, produtos e serviços. Terceirização é o processo administrado de transferência, para terceiros, de atividades que não constituem a essência tecnológica dos produtos e servi- ços da empresa pois envolvem tecnologias de pleno domínio do mercado e, por consequência, não consolidam quaisquer vantagens competitivas, quer sejam tecnológicas ou comerciais, além de contribuírem para o aumento dos custos fixos da empresa. melhoria contínua: é tornar o processo – administrativo, operacional – cada vez mais capaz e alavancador, progressivo e acumulativo dos resultados da empresa, com otimização da utilização dos recursos disponíveis. Fonte: oliveira (2015). Benchmarking é um termo bastante utilizado na área de marketing, que passou a ser integrado à rotina de outras áreas para denotar o processo de avaliação que as empresas realizam com seus concorrentes e outras empre- sas para a incorporação das melhores práticas de mercado e posterior me- lhoramento dos seus métodos e processos. 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Manual de consultoria empresarial: concei- tos, metodologia e práticas, 13ª Edição, São Paulo: Atlas, 2015. 108 AuditoriA de recursos HumAnos FACULDADE CAPIXABA DA SERRA/EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017SUMÁRIO EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS CROCCO, Luciano. Consultoria empresarial. São Paulo: Saraiva, 2017. BANOV, Márcia Regina. Psicologia no Gerenciamento de Pessoas, 4ª edição. São Pau- lo: Atlas, 2015. ATTIE, William. Auditoria: conceitos e aplicações. 7. ed. – São Paulo: Atlas, 2018. MAFFEI, José Luiz. Curso de auditoria : introdução à auditoria de acordo com as nor- mas internacionais e melhores práticas. São Paulo:Saraiva, 2015. SCHOETTI, Jean-Marc. Consultoria. 1.ed. –São Paulo: Saraiva Educação, 2018. SILVA, Edson Cordeiro da. Governança corporativa nas empresas: guia prático de orientação para acionistas, investidores, conselheiros de administração e fiscal, audi- tores, executivos, gestores, analistas de mercado e pesquisadores. 4. ed. – São Paulo: Atlas, 2016. 1 A EMPRESA CONTEMPORÂNEA E O SEU CONTEXTO DE ATUAÇÃO 1.1 O GESTOR E AS DEMANDAS DA EMPRESA CONTEMPORÂNEA 1.1.1 O papel do profissional de RH 1.1.2 Um breve histórico das mudanças organizacionais 1.2 CENÁRIO ATUAL DAS ORGANIZAÇÕES 1.2.1 A influência do ambiente organizacional 1.2.2 A necessidade de adaptação 1.2.3 Melhoria da informação da empresa 1.3 OS TIPOS DE GESTORES/ GERENTES ORGANIZACIONAIS CONCLUSÃO 2 Conceitos básicos de consultoria 2.1 CONCEITOS BÁSICOS E INTRODUÇÃO À CONSULTORIA 2.1.1 Histórico da consultoria 2.1.2 Motivos para a contratação de uma consultoria 2.2 Tendências da consultoria 2.2.1 O papel do consultor 2.2.2 Diferenças entre auditoria e consultoria CONCLUSÃO 3 Monitorando a Mudança no RH 3.1 Introdução 3.2 Processos de Monitoração de Pessoas 3.2.1 Matriz Inovação x Integração 3.3 Consultoria e Auditoria como Instrumento de Monitoramento dos Recursos Humanos 3.4 Autogestão Conclusão 4 A Importância da Ética na Consultoria de Gestão de Pessoas 4.1 Introdução 4.2 Introdução 4.2.1 Análise multinível da ética organizacional 4.2.2 A ética do indivíduo e da empresa 4.3 A ética e o profissional de Recursos Humanos 4.4 A ética do consultor Conclusão 5 A análise da gestão e o projeto de consultoria 5.1 A avaliação organizacional 5.1.1 Aprendizagem para a inovação organizacional e seu processo de avaliação 5.2 O projeto da consultoria 5.2.1 A elaboração do projeto de consultoria 5.2.1.1 Premissas 5.2.1.2 Conteúdo do projeto de consultoria 5.2.1.3 Características da consultoria Conclusão 6 Intervenção em gestão de pessoas 6.1 Fatores de competência em Recursos Humanos 6.1.1 Otimização do capital humano via planejamento e análise da força de trabalho 6.1.2 Desenvolvimento de talentos 6.1.3 Formatação das práticas organizacionais 6.1.4 Avaliação do desempenho 6.2 Conceituando indicadores de desempenho 6.3 Avaliando e desenvolvendo a consultoria em RH 6.3.1 Elaboração de plano de manutenção e aprimoramento que extrapole o período de tempo do projeto de consultoria 6.3.2 Integração do conteúdo do serviço de consultoria com outros projetos e atividades da empresa-cliente 6.3.3 Identificação dos patronos responsáveis pelos assuntos inerentes ao serviço de consultoria realizado Conclusão Glossário Referências FIGURA 1 - O gestor contemporâneo FIGURA 2 - O profissional de RH FIGURA 3 - Controle do fluxo de materiais na General Motors, em 1941 FIGURA 4 - Empresas contemporâneas FIGURA 5 - Stakeholder FIGURA 6 - A realidade da turbulência FIGURA 7 - Complexidade versus conhecimento FIGURA 8 - Uso da informação nas empresas FIGURA 9 - Diferentes tipos de gerentes FIGURA 10 - Estereótipos gerenciais de Pitcher FIGURA 11 - Matriz Inovação x Integração FIGURA 12 - Possíveis Abordagens para a Consultoria em RH FIGURA 13 - Modelo de Hólons FIGURA 14 - Equação Os indivíduos separadamente e em conjunto atuando frente às atividades e demandas organizacionais.