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1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 Fatores ocupacionais que favorecem o desenvolvimento da Síndrome de Burnout nos profissionais de enfermagem Occupational factors that favor the development of Burnout Syndrome in nursing professionals Factores ocupacionales que favorecen el desarrollo del Síndrome de Burnout en profesionales de enfermería DOI: 10.55905/revconv.17n.6-145 Originals received: 05/10/2024 Acceptance for publication: 05/31/2024 Gabriela Lago Técnica de Enfermagem Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: São Carlos – São Paulo, Brasil E-mail: gabrielalago0@gmail.com Maira Gabriela Perego Doutora em Enfermagem Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: São Carlos – São Paulo, Brasil E-mail: maira.perego@ebserh.gov.br Fernanda Michelle Duarte da Silva Doutoranda em Enfermagem Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Endereço: São Carlos – São Paulo, Brasil E-mail: ferdychelle@msn.com Vanessa Carreiro Paulino Especialista em Educação Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: João Pessoa – Paraíba, Brasil E-mail: vanessapaulinop2@gmail.com Beibilene Perlato Melo da Silva Mestre em Ciências da Saúde Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: São Carlos – São Paulo, Brasil E-mail: beibilene@gmail.com mailto:maira.perego@ebserh.gov.br mailto:ferdychelle@msn.com mailto:vanessapaulinop2@gmail.com mailto:beibilene@gmail.com 2 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 Lidia Katiane Alencar Sarmento Graduada em Enfermagem Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: Cajazeiras - Paraiba, Brasil E-mail: lidia.sarmento@ebserh.gov.br Michelle Tatiane da Silva Gusmão Técnica de Enfermagem Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: São Carlos – São Paulo, Brasil E-mail: michelle.tatiane@ebserh.gov.br Maria Lúcia Fernandes de Carvalho Marques Especialista em Enfermagem Obstétrica Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: João Pessoa – Paraíba, Brasil E-mail: lucinhafc@hotmail.com Bárbara Jeane Pinto Chaves Mestre em Enfermagem Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: João Pessoa – Paraíba, Brasil E-mail: barbichaves@hotmail.com Malueska Luacche Xavier Ferreira Sales Mestre em Enfermagem Instituição: Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: João Pessoa – Paraíba, Brasil E-mail: malu_luacche@hotmail.com Jéssica Viviane Silva de Moura Graduada em Enfermagem Instituição:Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) Endereço: Caruaru – Pernambuco, Brasil E-mail: jeh.viviane@gmail.com RESUMO Objetivo identificar os fatores ocupacionais que favorecem o desenvolvimento da síndrome de Burnout nos profissionais da enfermagem. Materiais e Método Revisão integrativa realizada em 2022 nas bases: SCIELO e LILACS. Buscou-se artigos originais em português, publicados a partir de 2016, os quais foram analisados conforme análise temática. Resultados Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, cinco artigos permitiram evidenciar que categoria da enfermagem está exposta a fatores ocupacionais que favorecem o desenvolvimento da síndrome de Burnout, pelo simples fato de lidarem com a vida e a morte, além de a forte influência das condições de trabalho que são expostos, como as exigências e as longas jornadas de trabalho. Conclusão dentre os pontos críticos, destaca-se a vulnerabilidade aos profissionais de enfermagem às dimensões da Síndrome de Burnout. Esses achados reafirmam a importância das mailto:lidia.sarmento@ebserh.gov.br mailto:michelle.tatiane@ebserh.gov.br mailto:barbichaves@hotmail.com 3 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 investigações epidemiológicas, do acompanhamento longitudinal desses profissionais e da definição de linhas de intervenção e prevenção adequadas desse fenômeno. Palavras-chave: esgotamento profissional, esgotamento psicológico, fardo do cuidador, cuidados de enfermagem. ABSTRACT Objective to identify the occupational factors that favor the development of Burnout syndrome in nursing professionals. Materials and Method Integrative review carried out in 2022 on the bases: SCIELO and LILACS. Original articles in Portuguese, published since 2016, were sought, which were analyzed according to thematic analysis. Results After applying the inclusion and exclusion criteria, five articles made it possible to highlight which category of nursing is exposed to occupational factors that favor the development of Burnout syndrome, simply because they deal with life and death, in addition to the strong influence of working conditions that they are exposed to, such as demands and long working hours. Conclusion Among the critical points, the vulnerability of nursing professionals to the dimensions of Burnout Syndrome stands out. These findings reaffirm the importance of epidemiological investigations, longitudinal monitoring of these professionals and the definition of appropriate lines of intervention and prevention of this phenomenon. Keywords: professional burnout, psychological burnout, caregiver burden, nursing care. RESUMEN Objetivo identificar los factores ocupacionales que favorecen el desarrollo del síndrome de Burnout en profesionales de enfermería. Materiales y Método Revisión integrativa realizada en 2022 sobre las bases: SCIELO y LILACS. Se buscaron artículos originales en portugués, publicados desde 2016, que fueron analizados según análisis temático. Resultados Después de aplicar los criterios de inclusión y exclusión, cinco artículos permitieron resaltar qué categoría de enfermería está expuesta a factores ocupacionales que favorecen el desarrollo del síndrome de Burnout, simplemente por tratar con la vida y la muerte, además de la fuerte influencia del trabajo. condiciones a las que están expuestos, como exigencias y largas jornadas de trabajo. Conclusión Entre los puntos críticos se destaca la vulnerabilidad de los profesionales de enfermería ante las dimensiones del Síndrome de Burnout. Estos hallazgos reafirman la importancia de las investigaciones epidemiológicas, el seguimiento longitudinal de estos profesionales y la definición de líneas adecuadas de intervención y prevención de este fenómeno. Palabras clave: burnout profesional, burnout psicológico, sobrecarga del cuidador, cuidados de enfermagem. 1 INTRODUÇÃO O termo Burnout tem origem inglesa e significa “queimar o exterior”; buscando desta forma descrever a exaustão física e mental da pessoa acometida por esta patologia, criado pelo 4 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 psicanalista alemão Herbert Freudenberger (1926-1999) em 1974, que foi uma vítima do Burnout; com esgotamento físico e mental veio a ficar acamado. Entre as manifestações clínicas destaca a cefaléia, fadiga e dores musculares, assim como as comportamentais como agressividades, impessoalidade e descaso. Segundo estudo publicado recentemente, (Filho; Vital; Oliveira, 2021), o trabalho exercido e as altas cobranças atualmente têm contribuído para o aumento de doenças relacionadas à saúde, destacando-se, dentre elas, a depressão e a síndrome de Burnout. Ressalta-se que, entre as profissões mais afetadas, encontra-se atualmente a enfermagem, por lidarem diretamente com a vida e morte. A síndrome de Burnout é referente a exposição longa a estressores interpessoaisno ambiente de trabalho, dividindo-se em três dimensões, exaustão emocional; que interfere ao esgotamento psíquico e a falta de energia e entusiasmo para trabalhar, despersonalização; onde os indivíduos tornam-se indiferentes e apatia em relação a realização pessoal, onde passa a acreditar que seu trabalho é insuficiente para o resultado almejado (Filho; Vital; Oliveira, 2021). De acordo com Barros et al (2021), o desgaste físico e emocional dos profissionais de enfermagem em relação aos cuidados com os pacientes e a baixa remuneração afetam diretamente os profissionais, consumindo sua energia física e mental, somados aos fatores facilitadores, a exemplo das longas jornadas e condições de trabalho desfavoráveis para o desenvolvimento das atividades de enfermagem. Nesse contexto, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), reconhece que o estresse e a síndrome de Burnout não são fenômenos isolados, mas um risco ocupacional considerável. (OPAS, 2019) Reforçando o exposto, no estudo desenvolvido por Castro et al. (2020), a síndrome de Burnout foi definida como uma condição de desconforto psicológico relacionado ao trabalho, associada com mudanças fisiológicas devido ao estresse. Reforça também os três fatores multidimensionais interdependentes: exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização pessoal. Abordou que os profissionais geralmente experienciam uma síndrome de Burnout quando a natureza de seu trabalho demanda um contato direto com outros seres humanos, como na área da saúde. Diante das evidências encontradas, percebe-se que a categoria da enfermagem está exposta a fatores ocupacionais que favorecem o desenvolvimento da síndrome de Burnout, por https://pesquisa.bvsalud.org/portal/?lang=pt&q=au:%22Vital,%20Ana%20Lu%C3%ADsa%20Fernandes%22 https://pesquisa.bvsalud.org/portal/?lang=pt&q=au:%22Oliveira,%20Ana%20Katherine%20da%20Silveira%20Gon%C3%A7alves%20de%22 https://pesquisa.bvsalud.org/portal/?lang=pt&q=au:%22Vital,%20Ana%20Lu%C3%ADsa%20Fernandes%22 https://pesquisa.bvsalud.org/portal/?lang=pt&q=au:%22Oliveira,%20Ana%20Katherine%20da%20Silveira%20Gon%C3%A7alves%20de%22 5 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 atuarem diariamente com condições de saúde que podem levar o paciente à morte, bem como das condições de trabalho a que são expostos, como as exigências e as longas jornadas de trabalho. Segundo a Organização Mundial de Saúde (2011), nossa saúde mental tem um impacto opressivo em nossas habilidades para funcionar e participar na sociedade. Temos de começar a colocar mais de nossos recursos a favor da saúde mental”. Em 2001, o Ministério da Saúde (MS), apresentou os primeiros dados brasileiros sobre a Síndrome do Esgotamento Profissional. Respaldada através da portaria nº 1339 de 18 de novembro de 1999, quando passou a fazer parte da lista de doenças originadas do processo de trabalho, inserida no Grupo V da CID-10 que trata dos Transtornos Mentais do Comportamento Relacionado com o Trabalho, onde sugere que, após confirmação do diagnóstico da síndrome de Burnout, deve-se levantar os fatores ocasionados para desenvolvimento da mesma e se elas estiverem diretamente ligadas ao ambiente/processo de trabalho, deve-se tomar medidas preventivas para evitar que o número se eleve. Desta forma a identificação do estresse ocupacional torna-se fundamental para mudanças nos cenários atuais, para desta forma obter estratégicas de enfrentamento. O International Stress Management Association (ISMA-BR) realizou uma pesquisa em 2018, apresentando como resultado que 32% dos trabalhadores no país sofrem com a síndrome de Burnout, o que equivale, em média, a 33 (trinta e três) milhões de brasileiros. O enfermeiro compõe um dos principais grupos atingidos pela síndrome, necessitando de um olhar mais cauteloso, além da precoce identificação e prevenção de fatores ocupacionais, que possam predispor ao desenvolvimento da síndrome, favorecendo a saúde do trabalhador (ANMT, 2018). Esta pesquisa justifica-se para identificar os fatores ocupacionais que predispõem o desenvolvimento da síndrome através da literatura. E apresenta o seguinte Objetivo Geral: Sistematizar as referências da literatura sobre fatores ocupacionais que favorecem o desenvolvimento da síndrome de Burnout nos profissionais de enfermagem 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Trata-se de uma revisão de literatura de caráter exploratório com abordagem quantitativa. 6 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 A revisão de literatura permite o desenvolvimento de uma pesquisa com a utilização de materiais já elaborados por outros autores; desta forma o pesquisador pode realizar um levantamento mais amplo das informações. Entre as fontes para a pesquisa estão os livros, jornais, revistas e artigos científicos (Gil, 2002). Para realização dessa pesquisa realizou-se determinadas fases, sendo elas: escolha do tema e determinação do assunto; sendo este de interesse, após houve a necessidade de delimitá- lo evitando temas amplos. Em seguida foi elaborado o plano de trabalho; definindo uma estrutura lógica, logo após a definição das fontes com informações fundamentais ao trabalho. A etapa seguinte constitui-se na elaboração da revisão bibliográfica realizada através da leitura dos materiais encontrados, a última fase por fim foi análise e interpretação dos dados; onde foi realizada uma análise crítica determinando os seus valores científicos. Para selecionar o material utilizado, os critérios pré-estabelecidos foram: artigos originais completos, disponíveis no idioma português, publicados a partir de 2016, nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americano e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Electronic Library Online), com os seguintes descritores em saúde: “Esgotamento Profissional”, “Esgotamento Psicológico”, “Fardo do Cuidador” e “Cuidados de Enfermagem”. E como critérios de exclusão: artigos que não estão disponíveis na íntegra online, teses, dissertações, relatos de casos e artigos que fogem da temática proposta. Para a coleta de dados foi realizado inicialmente o cruzamento dos descritores: “Esgotamento Profissional”, “Fardo do Cuidador”, “Esgotamento psicológico” e “Cuidados de Enfermagem”. Posteriormente realizou-se a leitura prévia dos resumos dos artigos encontrados, selecionando cada artigo conforme o grau de contribuição para a temática abordada neste estudo. Segue abaixo o fluxograma da seleção dos artigos utilizados e dos descartados. 7 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 Figura 1 - Fluxograma de seleção dos artigos. Fonte: Elaborado pelos autores, 2022. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com Möller, Gisele et al (2020) ficou evidente que cerca de 80% dos enfermeiros pertencem ao sexo feminino e grande proporção desses, possuem mais de um emprego na área da saúde. A equipe de enfermagem está inserida em uma sociedade capitalista, onde cada dia surgem novos ideais, preocupados em cumprir suas normas e tarefas. No entanto, muitos profissionais se vinculam duas ou mais instituições de saúde para desenvolver suas atividades laborais, que somado ao perfil do serviço de saúde gera sobrecarga de trabalho e estresse. O contexto do cuidado de enfermagem perpassa uma rotina de trabalho desgastante, de altas demandas, horários inflexíveis, baixa remuneração, baixo apoio de colegas. O impacto do trabalho na saúde física e mental desses profissionais pode induzir a insatisfação e exaustão, afetando a qualidade do serviços prestados 8 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 Para Silva (2020) as longas jornadas de trabalho ea soma de mais de um emprego são fontes geradoras de demandas, que contribuem para a exaustão, sendo que seu alto nível gera uma queda drástica na qualidade e humanismo do atendimento prestado aos pacientes. Nesse contexto, favorece o surgimento de agravos biopsicossociais, apresentando sintomas de estresse até agravar seu quadro e evoluir para a Síndrome de Burnout (SB) ou“esgotamento profissional”, que pode ser definida como uma síndrome psicológica, esgotamento físico e mental, associado ao estresse crônico, que reduz de certa forma a efetividade do trabalho, sensação de não realização e incapacidade, independente de sua área de atuação (Santos et al, 2021). Pode-se afirmar que há predominância de mulheres na profissão de enfermagem e sendo as mesmas que apresentam maior vulnerabilidade e a desenvolverem burnout, uma vez que são mais propensas a se envolverem com os problemas das pessoas a quem prestam serviço e também por terem remunerações menores, a falta e ou ausência de autonomia, o difícil trabalho em equipe e o próprio envolvimento no cuidado ao paciente como fatores que predispõem aos profissionais em desenvolver a síndrome. Essa exaustão também pode estar relacionada ao fato que as mulheres apresentam dupla responsabilidades (profissional e pessoal) o que gera uma sobrecarga de responsabilidades, já que precisam executar e gerenciar tarefas do meio laboral e de seus lares (Möller et al., 2020). A síndrome de burnout é um processo que decorre entre o meio de trabalho e a realização profissional, sendo que as atividades assistenciais de saúde possuem fatores que predispõem para o desenvolvimento de tal síndrome. O fator relacionado ao número insuficiente de profissionais é um dos fatores agravantes e atuantes que gera sobrecarga de trabalho para os profissionais causando um ambiente desgastante e ocasionando a síndrome. Os profissionais de saúde são expostos a diversas situações de estresse e desgaste decorrente do contato cotidiano com pessoas debilitadas, ou doentes, além de terem que lidar com tensas relações interpessoais e hierárquicas nas instituições de saúde (Kirby et al., 2021). Há um número elevado de estudos sobre o burnout em trabalhadores de enfermagem, já que essa categoria profissional apresenta elevado nível de estresse e menor satisfação com trabalho, especialmente pela mudança no processo laboral. O nível de estresse percebido por esses profissionais depende de certa forma da percepção desses com relação ao grau de suporte 9 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 oferecido pelo setor que realiza suas atividades laborais e da capacidade individual de defesa, sendo considerada as estratégias de coping no trabalho (Lorenz, 2009). Pesquisas realizadas no Brasil sobre a SB em profissionais de saúde, efetuadas principalmente em ambiente de trabalho hospitalar, avaliaram essa síndrome entre médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem. Existe um consenso na literatura com relação a pontos de corte para avaliações das dimensões de burnout, o que explica diferenças na prevalência entre as mesmas categorias profissionais (Trigo, 2010). Os trabalhadores da equipe de enfermagem, particularmente, se deparam com a falta de preparo para enfrentarem suas demandas emocionais e a dos pacientes acometidos por diferentes problemas de saúde e duas famílias, também esses profissionais têm um grau de interação maior, direto e contínuo com os pacientes. Geralmente permanecem mais tempo na organização, confrontando-se diariamente com a dor e o sofrimento alheio e a vivência direta com indivíduos que vem a morte, sem nenhum suporte, expostos a cargas psíquicas que, somadas às outras condições oferecidas pelas instituições ruins de trabalho, podem proporcionar sofrimento mental importante, com sintomas de esgotamento físico e mental (Pitta, 2003). A maneira como os processos de trabalho ocorrem em equipe está diretamente relacionado com o desempenho do profissional ao realizar suas funções, de maneira que, caso ocorra um desarranjo no ambiente, devido relações conflituosas e ou problemas interpessoais, poderá resultar em prejuízos psicológicos para aqueles que compõem a equipe (Kirby et al., 2021). Diante da pandemia causada pelo COVID foram evidenciados agravos à saúde psíquica de trabalhadores, principalmente nos trabalhadores de saúde. O cenário pandêmico demonstrou ser um fator estressor para a prevalência destes transtornos, pelo alto risco de contaminação e o adoecimento serem mais um dos fatores estressores. Após o período pandemico pode-se constatar altos índices de depressão, ansiedade, esgotamento e risco de suicídio na população mundial (Moser et al., 2020). As relações interpessoais se não ocorre de maneira eficaz, respeitosa e produtiva para o indivíduo e equipe, poderá resultar em o envolvimento dos sentimentos de tensão, ansiedade e medo, que poderá ser permeada por desafios constantes, que exigem do profissional uma imensa capacidade adaptativa diante de diferentes situações e condições emergenciais, fato que pode 10 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 favorecer o desenvolvimento de doenças e transtornos como a síndrome de Burnout (Mourão et al.,2017). 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Observou-se um predomínio do sexo feminino na enfermagem e que entre os principais fatores ocupacionais que favorecem o desenvolvimento da síndrome de Burnout nos profissionais de enfermagem temos: as baixas renumerações que levam a possuírem mais de um emprego o que também gera um fator contribuinte, a falta de autonomia, a dificuldade no trabalho em equipe, sobrecarga de trabalho e dificuldades no cuidado com o paciente. Desta forma evidencia- se uma necessidade de melhorias para esta categoria profissional no Brasil, gerando remunerações dignas a fim de diminuir a procura por mais de um emprego além de mudanças e treinamentos partindo das instituições de saúde para facilitar o trabalho em equipe. Enfatiza-se a importância de se executar uma busca sistematizada e permanente de trabalhadores adoecidos pela SB, com relevância realizar notificação compulsória aos casos de burnout como parte dos transtornos mentais relacionados ao trabalho, conforme estabelece a legislação. Necessário que as instituições venham possibilitar a discussão com os sujeitos envolvidos nos processos de trabalho sobre os fatores potenciais de organização do trabalho que podem a vir a desencadear adoecimento psíquico e disponibilizar suporte psicologicos a toda a equipe de enfermagem e demais profissionais de saúde no acompanhamento e avaliação de formas de intervenção precoce. Conclui-se que há uma importante vulnerabilidade aos profissionais de enfermagem às dimensões da SB. Esses achados reafirmam a importância das investigações epidemiológicas, do acompanhamento longitudinal desses profissionais e da definição de linhas de intervenção e prevenção adequadas desse fenômeno. 11 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-12, 2024 jan. 2021 REFERÊNCIAS ANMT. Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Brasil). 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome de Burnout. São Paulo: Correio 24 horas, 2018. Disponível em: https://www.anamt.org.br/portal/2018/12/12/30-dos-trabalhadores-brasileiros- sofrem-com-a-sindrome-de-burnout/. Acesso em: 3 jun. 2024. BARROS, A. M. M. et al. Avaliação da susceptibilidade da síndrome de burnout em enfermeiros onco hematológicos. Rev. Pesqui. (Univ. Fed. Estado Rio J., Online), 2021. DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v13.9156. 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