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1 2 LIVRO TEÓRICO LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS iNTERPRETAÇÃO DE TEXTOS ENTRE TEXTOS Caro aluno Ao elaborar o seu material inovador, completo e moderno, o Hexag considerou como principal diferencial sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. O material didático é composto por 6 cadernos de aula e 107 livros, totali- zando uma coleção com 113 exemplares. O conteúdo dos livros é organizado por aulas temáticas. Cada assunto contém uma rica teoria que contempla, de forma objetiva e transversal, as reais necessidades dos alunos, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Para melhorar a aprendizagem, as aulas possuem seções específicas com determinadas finalidades. A seguir, apresentamos cada seção: De forma simples, resumida e dinâmica, essa seção foi desen- volvida para sinalizar os assuntos mais abordados no Enem e nos principais vestibulares voltados para o curso de Medicina em todo o território nacional. INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos de cada co- leção tem como principal objetivo apoiar o aluno na resolu- ção das questões propostas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, completos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam as explicações dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados e compõem um conjunto abrangente de informações para o aluno que vai se dedicar à rotina intensa de estudos. TEORIA No decorrer das teorias apresentadas, oferecemos uma cui- dadosa seleção de conteúdos multimídia para complementar o repertório do aluno, apresentada em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas, livros, etc. Tudo isso é encontrado em subcategorias que fa- cilitam o aprofundamento nos temas estudados – há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões de aplicati- vos que facilitam os estudos, com conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica, em uma seleção realizada com finos critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso aluno. MULTIMÍDIA Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é elaborada, a cada aula e sempre que possível, uma seção que trata de interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares atuais não exigem mais dos candidatos apenas o puro co- nhecimento dos conteúdos de cada área, de cada disciplina. Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abran- gem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como Biologia e Química, História e Geografia, Biologia e Ma- temática, entre outras. Nesse espaço, o aluno inicia o contato com essa realidade por meio de explicações que relacionam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, o aluno consegue entender que cada disciplina não existe de forma isolada, mas faz parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive. CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana, o que difi- culta a compreensão de determinados conceitos e impede o aprofundamento nos temas para além da superficial me- morização de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios na aprendizagem dos conteúdos, foi desenvolvida a seção “Vi- venciando“. Como o próprio nome já aponta, há uma preo- cupação em levar aos nossos alunos a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo com que eles têm contato em seu dia a dia. VIVENCIANDO Essa seção foi desenvolvida com foco nas disciplinas que fa- zem parte das Ciências da Natureza e da Matemática. Nos compilados, deparamos-nos com modelos de exercícios re- solvidos e comentados, fazendo com que aquilo que pareça abstrato e de difícil compreensão torne-se mais acessível e de bom entendimento aos olhos do aluno. Por meio dessas resoluções, é possível rever, a qualquer momento, as explica- ções dadas em sala de aula. APLICAÇÃO DO CONTEÚDO Sabendo que o Enem tem o objetivo de avaliar o desem- penho ao fim da escolaridade básica, organizamos essa seção para que o aluno conheça as diversas habilidades e competências abordadas na prova. Os livros da “Coleção Vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas dessas habilidades. No compilado “Áreas de Conhecimento do Enem” há modelos de exercícios que não são apenas resolvidos, mas também analisados de maneira expositiva e descritos passo a passo à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a apurar as questões na prática, a identificá-las na prova e a resolvê-las com tranquilidade. ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Por isso, criamos para os nossos alunos o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um deles é o ”Diagrama de Ideias”, para aqueles que aprendem visualmente os conte- údos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas mentais e fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita a organização dos estudos e até a resolução dos exercícios. DIAGRAMA DE IDEIAS © Hexag SiStema de enSino, 2018 Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2023 Todos os direitos reservados. Coordenador-geral Murilo de Almeida Gonçalves reSponSabilidade editorial, programação viSual, reviSão e peSquiSa iConográfiCa Hexag Editora editoração eletrôniCa Letícia de Brito Matheus Franco da Silveira projeto gráfiCo e Capa Raphael de Souza Motta imagenS Freepik (https://www.freepik.com) Shutterstock (https://www.shutterstock.com) Pixabay (https://www.pixabay.com) iSbn 978-85-9542-258-2 Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a in- clusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens pub- licadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições. O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não rep- resentando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora. 2023 Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino. Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP CEP: 04043-300 Telefone: (11) 3259-5005 www.hexag.com.br contato@hexag.com.br ENTRE TEXTOS INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS AULA 5: FUNÇÕES DE LINGUAGEM (PRÁTICA) 006 AULA 6: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA I 010 AULA 7: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA II 018 AULA 8: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA (PRÁTICA) 021 SUMÁRIO Co m pe tê n Ci a 1 Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida. H1 Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação. H2 Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais. H3 Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas. H4 Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação. Co m pe tê n Ci a 2 Conhecer e usar língua(s) estrangeira(s) moderna(s) como instrumento de acesso a informações e a outras culturas e grupos sociais. H5 Associar vocábulos e expressões de um texto em LEM ao seu tema. H6 Utilizar os conhecimentos da LEM e de seus mecanismos como meio de ampliar as possibilidadesde acesso a informações, tecnologias e culturas. H7 Relacionar um texto em LEM, as estruturas linguísticas, sua função e seu uso social. H8 Reconhecer a importância da produção cultural em LEM como representação da diversidade cultural e linguística. Co m pe tê n Ci a 3 Compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade. H9 Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social. H10 Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas. H11 Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos. Co m pe tê n Ci a 4 Compreender a arte como saber cultural e estético gerador de significação e integrador da organização do mundo e da própria identidade. H12 Reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais. H13 Analisar as diversas produções artísticas como meio de explicar diferentes culturas, padrões de beleza e preconceitos. H14 Reconhecer o valor da diversidade artística e das inter-relações de elementos que se apresentam nas manifestações de vários grupos sociais e étnicos. Co m pe tê n Ci a 5 Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção. H15 Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político. H16 Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construçãodo texto literário. H17 Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional. Co m pe tê n Ci a 6 Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constitu- ição de significados, expressão, comunicação e informação. H18 Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos. H19 Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução. H20 Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional. Co m pe tê n Ci a 7 Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas. H21 Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos. H22 Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos. H23 Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados. H24 Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras. Co m pe tê n Ci a 8 Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade. H25 Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. H26 Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social. H27 Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação. Co m pe tê n Ci a 9 Entender os princípios, a natureza, a função e o impacto das tecnologias da comunicação e da informação na sua vida pessoal e social, no desenvolvimento do conhecimento, associando-o aos conhecimentos científicos, às linguagens que lhes dão suporte, às demais tec- nologias, aos processos de produção e aos problemas que se propõem solucionar. H28 Reconhecer a função e o impacto social das diferentes tecnologias da comunicação e informação. H29 Identificar pela análise de suas linguagens, as tecnologias da comunicação e informação. H30 Relacionar as tecnologias de comunicação e informação ao desenvolvimento das sociedades e ao conhecimento que elas produzem. MATRIZ DE REFERÊNCIA DO ENEM INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS CIÊNCIAS MÉDICAS CMMG Dentre os temas abordados neste ca- derno, o de maior incidência no ENEM é o uso de tempos verbais. Os demais temas são de aplicação bastante es- porádica. As maiores ocorrências no vestibular da Fuvest são regência verbal e normas pa- drão e coloquial. É comum que a prova exija do candidato conhecimentos sobre aspectos morfossintáticos. Convém aten- tar-se sobre advérbios, tempos e vozes verbais. Como uma prova transversal, a exigência de conhecimentos tende a se alargar a outros assuntos. Dessa maneira, é com- preensível que se veja os significados textuais que a mudança de classes de palavras, a pontuação ou mesmo aspec- tos coesivos podem provocar no texto. Vê-se maior incidência de temas que se orientam sobre os processos de forma- ção de palavras e a utilização das vozes verbais. No mais, assuntos como a apli- cação de classes de palavras em determi- nados contextos surgem com frequência. Bastante objetivo, o vestibular da Unesp exige domínio acerca dos sentidos deno- tativos e conotativos que uma palavra pode ter em determinado contexto, além da compreensão de classes gramaticais. Tempos verbais e suas aplicações tam- bém são frequentes. Nesse vestibular, aspectos semânticos de um termo dentro de seu contexto são o ponto de partida para a resolução das questões. Também, poderá ser exigido do candidato compreender as possibilidades de variação linguística. Os temas de maior incidência são a com- preensão conotativa e denotativa de ter- mos no âmbito de determinado texto e o uso das pontuações para a construção de sentido. Além disso, temas que atra- vessam conhecimentos a respeito das classes gramaticais. Concordâncias verbal e nominal, regên- cia e aspectos sintáticos na dinâmica de um texto aparecem com frequência nas provas. De igual modo, as diferentes situações que conduzem a pontuação também aparecem com frequência. Bastante direto e objetivo, o vestibular da Santa Casa faz exigências de com- preensão sobre vozes verbais e classes gramaticais. É seguro, então, entender os procedimentos textuais que configuram as especificidades destes temas. Tam- bém, a atenção à pontuação é uma constante. A prova da UEL cobra conhecimentos gramaticais apenas na segunda fase. Questões que associam a semântica à interpretação de textos literários são co- muns, além de um trabalho mais direcio- nado à formação de palavras e às classes gramaticais (substantivo, adje- tivo e verbo). A Semântica é trabalhada em contexto, sempre em comparação e por relações de equivalência. Além disso, questões objeti- vas que abordem a Morfologia do portu- guês podem, também, aparecer com uma grande incidência. Questões que exigem conhecimentos sobre elementos coesivos e figuras de linguagem, bem como aspectos se- mânticos que podem aparecer em um texto, seja por expressões denotativa ou conotativa. O uso de vozes verbais e os processos de formação de palavras. Igualmente, o sentido de determinado tempo verbal na dinâmica textual, bem como os prejuízos que a mudança de um modo verbal a outro pode provocar a um texto. Os temas de maior incidência são classes de palavras e pontuação. Por isso, com- preender aspectos morfológicos e recur- sos coesivos é essencial para a resolução de suas questões. Essa prova é bastante flexível no que diz respeito aos temas que aborda. Faz exi- gências sobre tempos e modos verbais, elementos coesivos e funções sintáticas. Apesar disso, de modo geral, suas questões sãobastante objetivas. 6 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 FUNÇÕES DA LINGUAGEM (PRÁTICA) COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULA 5 AplicAndo pArA Aprender (A.P.A.) 1. (Enem 2022) Assentamento Zanza daqui Zanza pra acolá Fim de feira, periferia afora A cidade não mora mais em mim Francisco, Serafim Vamos embora Ver o capim Ver o baobá Vamos ver a campina quando flora A piracema, rios contravim Binho, Bel, Bia, Quim Vamos embora Quando eu morrer Cansado de guerra Morro de bem Com a minha terra: Cana, caqui Inhame, abóbora Onde só vento se semeava outrora Amplidão, nação, sertão sem fim Ó Manuel, Miguilim Vamos embora BUARQUE, C. As CidAdEs. Rio dE JAnEiRo: RCA, 1998 (fRAgmEnto). Nesse texto, predomina a função poética da linguagem. Entretanto, a função emotiva pode ser identificada no verso: a) “Zanza pra acolá”. b) “Fim de feira, periferia afora”. c) “A cidade não mora mais em mim”. d) “Onde só vento se semeava outrora”. e) “Ó Manuel, Miguilim”. 2. (Unichristus - Medicina 2022) O texto anterior é usado com o objetivo de influenciar o comportamento do receptor da mensagem. Isso evi- dencia a presença da função a) conativa. b) fática. c) metalinguística. d) poética. e) expressiva. 3. (Pucgo Medicina 2022) Leia o texto a seguir, consi- derando o emprego das linguagens verbal e não verbal: Alexandre Beck, na construção de sua tirinha, tendo em vista a intencionalidade de sua mensagem, utiliza recursos linguísticos que evidenciam uma função de lin- guagem. O autor reforça a presença da função (marque a única alternativa correta) a) apelativa, pois o objetivo do emissor é persuadir seu interlocutor sobre a dificuldade de escrever histó- rias em quadrinhos. b) emotiva, pois o emissor coloca em evidência suas emoções em relação à composição de quadrinhos. c) poética, o texto verbal aborda os elementos estéti- cos da composição de histórias em quadrinhos. d) metalinguística, pois o personagem tece comentá- rios sobre a construção do gênero textual quadrinhos. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 7 V O LU M E 2 4. (Esa 2022) Observe a tira do Calvin a seguir. A função da linguagem predominante na fala de Calvin, por testar o canal de contato com outra pessoa, é a: a) conativa (apelativa). b) metalinguística. c) poética. d) denotativa. e) fática. 5. (Enem PPL 2021) Anatomia Qual a matéria do poema? A fúria do tempo com suas unhas e algemas? Qual a semente do poema? A fornalha da alma com os seus divinos dilemas? Qual a paisagem do poema? A selva da língua com suas feras e fonemas? Qual o destino do poema? O poço da página com suas pedras e gemas? Qual o sentido do poema? O sol da semântica com suas sombras pequenas? Qual a pátria do poema? O caos da vida e a vida apenas? CAEtAno, A. disponívEl Em: www.AntoniomiRAndA.Com.BR. ACEsso Em: 27 sEt 2013 (fRAgmEnto). Além da função poética, predomina no poema a função metalinguística, evidenciada a) pelo uso de repetidas perguntas retóricas. b) pelas dúvidas que inquietam o eu lírico. c) pelos usos que se fazem das figuras de linguagem. d) pelo fato de o poema falar de si mesmo como lin- guagem. e) pela prevalência do sentido poético como inquie- tação existencial. 6. (Enem 2021) Estojo escolar Rio de Janeiro – Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas ele- trônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial. [...] Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil. No sábado, recebi um embrulho complicado que neces- sitava de um manual de instruções para ser aberto. [...] De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância. Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tam- pa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, ar- rumados em divisões, havia lápis coloridos, um aponta- dor, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros. [...] Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. [...] O notebook que agora abro é negro e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, a aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida. ConY, C. H. CRôniCAs pARA lER nA EsColA. são pAUlo: oBJEtivA, 2009 (AdAptAdo). No texto, há marcas da função da linguagem que nele predomina. Essas marcas são responsáveis por colocar em foco o(a) a) mensagem, elevando-a à categoria de objeto esté- tico do mundo das artes. b) código, transformando a linguagem utilizada no texto na própria temática abordada. c) contexto, fazendo das informações presentes no texto seu aspecto essencial. d) enunciador, buscando expressar sua atitude em relação ao conteúdo do enunciado. e) interlocutor, considerando-o responsável pelo dire- ciona mento dado à narrativa pelo enunciador. 8 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 7. (Enem 2020) Vou-me embora p’ra Pasárgada foi o poema de mais longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas” ou “tesouro dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias, como o de L’invitation au Voyage, de Baudelaire. Mais de vin- te anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito em minha vida por motivo da doença, saltou-me de súbito do subconsciente este grito estapafúrdio: “Vou-me embora p’ra Pasárgada!” Senti na redondilha a primeira célula de um poema, e tentei realizá-lo, mas fracassei. Alguns anos depois, em idênticas circunstân- cias de desalento e tédio, me ocorreu o mesmo desa- bafo de evasão da “vida besta”. Desta vez o poema saiu sem esforço como se já estivesse pronto dentro de mim. Gosto desse poema porque vejo nele, em escorço, toda a minha vida; [...] Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí e “não de uma forma imperfeita neste mundo de aparências’, uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a “minha” Pasárgada. BAndEiRA, m. itinERáRio dA pAsáRgAdA. Rio dE JAnEiRo: novA fRontEiRA; BRAsíliA: inl, 1984 Os processos de interação comunicativa preveem a pre- sença ativa de múltiplos elementos da comunicação, en- tre os quais se destacam as funções da linguagem. Nes- se fragmento, a função da linguagem predominante é a) emotiva, porque o poeta expõe os sentimentos de an- gústia que o levaram à criação poética. b) referencial, porque o texto informa sobre a origem do nome empregado em um famoso poema de Bandeira. c) metalinguística, porque o poeta tece comentários sobre a gênese e o processo de escrita de um de seus poemas. d) poética, porque o texto aborda os elementos estéticos de um dos poemas mais conhecidos de Bandeira. e) apelativa, porque o poeta tenta convencer os leitores sobre sua dificuldade de compor um poema. 8. (Enem digital 2020) De acordo com as intenções comunicativas e os recur- sos linguísticos que se destacam, determinadas funções são atribuídas à linguagem. A função que predomina nesse texto é a conativa, uma vez que ele a) atua sobre o interlocutor, procurando convencê-lo a realizar sua escolha de maneira consciente. b) coloca em evidência o canal de comunicação pelo uso das palavras “corrige” e “confirma”. c) privilegia o texto verbal, de base informativa, em detri-mento do texto não verbal. d) usa a imagem como único recurso para interagir com o público a que se destina. e) evidencia as emoções do enunciador ao usar a imagem de uma criança. 9. (Enem 2019) O Instituto de Arte de Chicago dispo- nibilizou para visualização on-line, compartilhamento ou download (sob licença Creative Commons), 44 mil imagens de obras de arte em altíssima resolução, além de livros, estudos e pesquisas sobre a história da arte. Para o historiador da arte, Bendor Grosvenor, o sucesso das coleções on-line de acesso aberto, além de demo- cratizar a arte, vem ajudando a formar um novo públi- co museológico. Grosvenor acredita que quanto mais pessoas forem expostas à arte on-line, mais visitas pes- soais acontecerão aos museus. A coleção está disponível em seis categorias: paisagens urbanas, impressionismo, essenciais, arte africana, moda e animais. Também é possível pesquisar pelo nome da obra, estilo, autor ou período. Para navegar pela ima- gem em alta definição, basta clicar sobre ela e utilizar a ferramenta de zoom. Para fazer o download, disponível para obras de domínio público, é preciso utilizar a seta localizada do lado inferior direito da imagem. disponívEl Em: www.REvistABUlA.Com. ACEsso Em: 5 dEz. 2018 (AdAptAdo). A função da linguagem que predomina nesse texto se caracteriza por a) evidenciar a subjetividade da reportagem com base na fala do historiador de arte. b) convencer o leitor a fazer o acesso on-line, levando-o a conhecer as obras de arte. c) informar sobre o acesso às imagens por meio da descri- ção do modo como acessá-las. d) estabelecer interlocução com o leitor, orientando-o a fazer o download das obras de arte. e) enaltecer a arte, buscando popularizá-la por meio da possibilidade de visualização on-line. 10. (Enem 2018) Deficientes visuais já podem ir a al- gumas salas de cinema e teatros para curtir, em maior intensidade, as atrações em cartaz. Quem ajuda na tare- fa é o aplicativo Whatscine, recém-chegado ao Brasil e disponível para os sistemas operacionais iOS (Apple) ou Android (Google). Ao ser conectado à rede wi-fi de cine- mas e teatros, o app sincroniza um áudio que descreve o que ocorre na tela ou no palco com o espetáculo em andamento: o usuário, então, pode ouvir a narração em seu celular. O programa foi desenvolvido por pesquisadores da Uni- versidade Carlos III, em Madri. “Na Espanha, 200 salas de cinema já oferecem o recurso e filmes de grandes estúdios já são exibidos com o recurso do Whatscine!”, LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 9 V O LU M E 2 diz o brasileiro Luis Mauch, que trouxe a tecnologia para o país. “No Brasil, já fechamos parceria com a São Paulo Companhia de Dança para adaptar os espetácu- los deles! Isso já é um avanço. Concorda?” disponívEl Em: Http://vEJA.ABRil.Com.BR. ACEsso Em 25 JUn. 2014 (AdAptAdo). Por ser múltipla e apresentar peculiaridades de acordo com a intenção do emissor, a linguagem apresenta fun- ções diferentes. Nesse fragmento, predomina a função referencial da linguagem, porque há a presença de ele- mentos que a) buscam convencer o leitor, incitando o uso do apli- cativo. b) definem o aplicativo, revelando o ponto de vista da autora. c) evidenciam a subjetividade, explorando a entonação emotiva. d) expõem dados sobre o aplicativo, usando linguagem denotativa. e) objetivam manter um diálogo com o leitor, recorren- do a uma indagação. 11. (Enem digital 2020) Nessa simulação de verbete de dicionário, não há a pre- dominância da função meta linguística da linguagem, como seria de se esperar. Identificam-se elementos que subvertem o gênero por meio da incorporação marcan- te de características da função a) conativa, como em “(valeu, galera)!”. b) referencial, como em “é festejar o próprio ser.” c) poética, como em “é a felicidade fazendo visita.” d) emotiva, como em “é quando eu esqueço o que não importa.” e) fática, como em “é o dia que recebo o maior número de ligações no meu celular.” 12. (Enem 2015) 14 coisas que você não deve jogar na privada Nem no ralo. Elas poluem rios, lagos e mares, o que con- tamina o ambiente e os animais. Também deixa mais difícil obter a água que nós mesmos usaremos. Alguns produtos podem causar entupimentos: - cotonete e fio dental; - medicamento e preservativo; - óleo de cozinha; - ponta de cigarro; - poeira de varrição de casa; - fio de cabelo e pelo de animais; - tinta que não seja à base de água; - querosene, gasolina, solvente, tíner. Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como óleo de cozinha, medicamento e tinta, podem ser levados a pontos de coleta especiais, que darão a desti- nação final adequada. moRgAdo, m.; EmAsA. mAnUAl dE EtiQUEtA. plAnEtA sUstEntávEl, JUl.-Ago. 2013 (AdAptAdo). O texto tem objetivo educativo. Nesse sentido, além do foco no interlocutor, que caracteriza a função conativa da linguagem, predomina também nele a função refe- rencial, que busca a) despertar no leitor sentimentos de amor pela na- tureza, induzindo-o a ter atitudes responsáveis que beneficiarão a sustentabilidade do planeta. b) informar o leitor sobre as consequências da desti- nação inadequada do lixo, orientando-o sobre como fazer o correto descarte de alguns dejetos. c) transmitir uma mensagem de caráter subjetivo, mostrando exemplos de atitudes sustentáveis do au- tor do texto em relação ao planeta. d) estabelecer uma comunicação com o leitor, procu- rando certificar-se de que a mensagem sobre ações de sustentabilidade está sendo compreendida. e) explorar o uso da linguagem, conceituando deta- lhadamente os termos utilizados de forma a propor- cionar melhor compreensão do texto. 13. (Enem 2ª aplicação 2014) O telefone tocou. – Alô? Quem fala? – Como? Com quem deseja falar? – Quero falar com o sr. Samuel Cardoso. – É ele mesmo. Quem fala, por obséquio? – Não se lembra mais da minha voz, seu Samuel? Faça um esforço. – Lamento muito, minha senhora, mas não me lembro. Pode dizer-me de quem se trata? AndRAdE, C. d. Contos dE ApREndiz. Rio dE JAnEiRo: José olYmpio, 1958 (fRAgmEnto). Pela insistência em manter o contato entre o emissor e o receptor, predomina no texto a função a) metalinguística. b) fática. c) referencial. d) emotiva. e) conativa. 14. (Enem 2015) Exmº Sr. Governador: Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. [...] ADMINISTRAÇÃO Relativamente à quantia orçada, os telegramas custa- ram pouco. De ordinário vai para eles dinheiro conside- rável. Não há vereda aberta pelos matutos que prefei- 10 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 tura do interior não ponha no arame, proclamando que a coisa foi feita por ela; comunicam-se as datas históri- cas ao Governo do Estado, que não precisa disso; todos os acontecimentos políticos são badalados. Porque se derrubou a Bastilha - um telegrama; porque se deitou pedra na rua - um telegrama; porque o deputado F. es- ticou a canela - um telegrama. Palmeira dos Índios, 10 de janeiro de 1929. GRACILlANO RAMOS RAmos, g. vivEntEs dAs AlAgoAs. são pAUlo: mARtins fontEs, 1962. O relatório traz a assinatura de Graciliano Ramos, na época, prefeito de Palmeira dos Índios, e é destinado ao governo do estado de Alagoas. De natureza oficial, o texto chama a atenção por contrariar a norma prevista para esse gênero, pois o autor a) emprega sinais de pontuação em excesso. b) recorre a termos e expressões em desuso no por- tuguês. c) apresenta-se na primeira pessoa do singular, para conotar intimidade com o destinatário. d) privilegia o uso de termos técnicos, para demons- trar conhecimento especializado. e) expressa-se em linguagem mais subjetiva, com for- te carga emocional. 15. (Enem PPL 2014) Há o hipotrélico. O termo é novo, de impensada origem e ainda sem definição que lhe apanhe em todas as pétalas o significado.Sabe-se, só, que vem do bom português. Para a prática, tome-se hipotrélico querendo dizer: antipodático, sengraçante imprizido; ou talvez, vicedito: indivíduo pedante, im- portuno agudo, falta de respeito para com a opinião alheia. Sob mais que, tratando-se de palavra inventada, e, como adiante se verá, embirrando o hipotrélico em não tolerar neologismos, começa ele por se negar no- minalmente a própria existência. RosA, g. tUtAmEiA: tERCEiRAs EstóRiAs. Rio dE JAnEiRo: novA fRontEiRA, 2001 (fRAgmEnto). Nesse trecho de uma obra de Guimarães Rosa, depreen- de-se a predominância de uma das funções da lingua- gem, identificada como a) metalinguística, pois o trecho tem como propósi- to essencial usar a língua portuguesa para explicar a própria língua, por isso a utilização de vários sinôni- mos e definições. b) referencial, pois o trecho tem como principal obje- tivo discorrer sobre um fato que não diz respeito ao escritor ou ao leitor, por isso o predomínio da terceira pessoa. c) fática, pois o trecho apresenta clara tentativa de estabelecimento de conexão com o leitor, por isso o emprego dos termos “sabe-se lá” e “tome-se hipo- trélico”. d) poética, pois o trecho trata da criação de palavras novas, necessária para textos em prosa, por isso o emprego de “hipotrélico”. e) expressiva, pois o trecho tem como meta mostrar a subjetividade do autor, por isso o uso do advérbio de dúvida “talvez”. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o trecho do livro Bem-vindo ao deserto do real!, de Slavoj Žižek, para responder à(s) questão(ões) a seguir. Numa antiga anedota que circulava na hoje falecida Re- pública Democrática Alemã, um operário alemão conse- gue um emprego na Sibéria; sabendo que toda corres- pondência será lida pelos censores, ele combina com os amigos: “Vamos combinar um código: se uma carta estiver escrita em tinta azul, o que ela diz é verdade; se estiver escrita em tinta vermelha, tudo é mentira.” Um mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em tinta azul: “Tudo aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre prontas para um programa – o único senão é que não se consegue encontrar tinta vermelha.” Neste caso, a estrutura é mais refinada do que indicam as aparências: apesar de não ter como usar o código combinado para indicar que tudo o que está dito é mentira, mesmo assim ele con- segue passar a mensagem. Como? Pela introdução da referência ao código, como um de seus elementos, na própria mensagem codificada. (BEm-vindo Ao dEsERto do REAl!, 2003.) 16. (Unesp 2018) A “introdução da referência ao código, como um de seus elementos, na própria mensagem co- dificada” constitui um exemplo de a) eufemismo. b) metalinguagem. c) intertextualidade. d) hipérbole. e) pleonasmo. 17. (Fuvest 2004) Observe, a seguir, esta gravura de Escher: Na linguagem verbal, exemplos de aproveitamento de recursos equivalentes aos da gravura de Escher encon- tram-se, com frequência, a) nos jornais, quando o repórter registra uma ocor- rência que lhe parece extremamente intrigante. b) nos textos publicitários, quando se comparam dois produtos que têm a mesma utilidade. c) na prosa científica, quando o autor descreve com isenção e distanciamento a experiência de que trata. d) na literatura, quando o escritor se vale das palavras para expor procedimentos construtivos do discurso. e) nos manuais de instrução, quando se organiza com clareza uma determinada sequência de operações. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 11 V O LU M E 2 18. (Enem PPL 2018) “Escrever não é uma questão ape- nas de satisfação pessoal”, disse o filósofo e educador pernambucano Paulo Freire, na abertura de suas Cartas a Cristina, revelando a importância do hábito ritualizado da escrita para o desenvolvimento de suas ideias, para a concretização de sua missão e disseminação de seus pontos de vista. Freire destaca especial importância à escrita pelo desejo de “convencer outras pessoas”, de transmitir seus pensamentos e de engajar aqueles que o leem na realização de seus sonhos. KnApp, l. linHA finA. ComUniCAção EmpREsARiAl, n. 88, oUt. 2013. Segundo o fragmento, para Paulo Freire, os textos de- vem exercer, em alguma medida, a função conativa, porque a atividade de escrita, notadamente, possibilita a) levar o leitor a realizar ações. b) expressar sentimentos do autor. c) despertar a atenção do leitor. d) falar da própria linguagem. e) repassar informações. 19. (Enem 2018) A imagem da negra e do negro em pro- dutos de beleza e a estética do racismo Resumo: Este artigo tem por finalidade discutir a repre- sentação da população negra, especialmente da mulher negra, em imagens de produtos de beleza presentes em comércios do nordeste goiano. Evidencia-se que a pre- sença de estereótipos negativos nessas imagens disse- mina um imaginário racista apresentado sob a forma de uma estética racista que camufla a exclusão e normali- za a inferiorização sofrida pelos(as) negros(as) na socie- dade brasileira. A análise do material imagético aponta a desvalorização estética do negro, especialmente da mulher negra, e a idealização da beleza e do branquea- mento a serem alcançados por meio do uso dos pro- dutos apresentados. O discurso midiático-publicitário dos produtos de beleza rememora e legitima a prática de uma ética racista construída e atuante no cotidiano. Frente a essa discussão, sugere-se que o trabalho antir- racismo, feito nos diversos espaços sociais, considere o uso de estratégias para uma “descolonização estética” que empodere os sujeitos negros por meio de sua valo- rização estética e protagonismo na construção de uma ética da diversidade. Palavras-chave: Estética, racismo, mídia, educação, di- versidade. sAnt'AnA, J. A imAgEm dA nEgRA E do nEgRo Em pRodUtos dE BElEzA E A EstétiCA do RACismo. dossiê: tRABAlHo E EdUCAção BásiCA. mARgEns intERdisCiplinAR. vERsão digitAl. ABAEtEtUBA, n. 16. JUn. 2017 (AdAptAdo). O cumprimento da função referencial da linguagem é uma marca característica do gênero resumo de artigo acadêmico. Na estrutura desse texto, essa função é es- tabelecida pela a) impessoalidade, na organização da objetividade das informações, como em “Este artigo tem por finalidade” e “Evidencia-se”. b) seleção lexical, no desenvolvimento sequencial do texto, como em “imaginário racista” e “estética do negro”. c) metaforização, relativa à construção dos sentidos figurados, como nas expressões “descolonização esté- tica” e “discurso midiático-publicitário”. d) nominalização, produzida por meio de processos derivacionais na formação de palavras, como “infe- riorização” e “desvalorização”. e) adjetivação, organizada para criar uma termino- logia antirracista, como em “ética da diversidade” e “descolonização estética”. 20. (Enem 2017) TEXTO I Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas põem o seu ideal de perfeição porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou e consagrou. limA, C. H. R. gRAmátiCA noRmAtivA dA língUA poRtUgUEsA. Rio dE JAnEiRo: José olYmpio. 1989. TEXTO II Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As pala- vras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sen- sualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho –, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal pá- gina de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem for- migar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer comoum ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida. pEssoA, f. o livRo do dEsAssossEgo. são pAUlo: BRAsiliEnsE, 1986. A linguagem cumpre diferentes funções no processo de comunicação. A função que predomina nos textos I e II a) destaca o “como” se elabora a mensagem, consi- derando-se a seleção, combinação a sonoridade do texto. b) coloca o foco no “com o que" se constrói a men- sagem, sendo o código utilizado o seu próprio objeto. c) focaliza o “quem" produz a mensagem, mostrando seu posicionamento e suas impressões pessoais. d) orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem, estimulando a mudança de seu comportamento. e) enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apre- sentada com palavras precisas e objetivas. GAbArito 1. C 2. A 3. D 4. E 5. D 6. D 7. C 8. A 9. C 10. D 11. C 12. B 13. B 14. E 15. A 16. B 17. D 18. A 19. A 20. B 12 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 1. Variação linguística A variação linguística é a diversificação dos sistemas de uma língua em relação às possibilidades de mudança de seus ele- mentos (vocabulário, fonologia, morfologia, sintaxe). 1.1. Linguagem formal versus linguagem informal a. Norma culta/padrão: é a denominação dada à varieda- de linguística dos membros da classe social de maior prestí- gio dentro da classe literária. Observação: não se trata da única forma correta. b. Linguagem informal/popular: é a denominação dada à variedade linguística utilizada no cotidiano e que não exige a observância total da gramática. 1.2. Língua falada versus língua escrita a. Língua falada/oral: dispõe de um número incontável de recursos rítmicos e melódicos – entonação, pausas, ritmo, flu- ência, gestos – porque, claro, o emissor (pessoa que fala ou transmite uma mensagem numa dada linguagem) está pre- sente fisicamente. Algumas das características principais são: § frequência da ocorrência de repetições, hesitações e bor- dões de fala (“Pois, eu aaa... eu acho que... pronto, não sei...“, “Cara, o que é isso, cara?“); § frases curtas; § frases inacabadas, porque foram cortadas ou inter- rompidas; § uso frequente da omissão de palavras; Exemplo: Eu vou com minha mãe e com meu pai; empresta o seu caderno? § formas contraídas; Exemplo: prof, med, refri, facul § afastamento das regras gramaticais; Exemplo: Eu vi ele. § possibilidade de adequar o discurso de acordo com as reações dos ouvintes. b. Língua escrita: recorre a sinais de pontuação e de acentuação para exprimir os recursos rítmicos e melódicos da oralidade: § uso de descrições ricas; § obedece às regras gramaticais com maior rigor; § sinais de pontuação e acentuação para transmitir a ex- pressividade oral; § frases longas, apesar de também poder usar frases curtas; § uso de vocabulário mais amplo e cuidadoso; § conectivos e estruturas sintáticas para garantir a coe- são textual. 1.3. Variação diatópica Também conhecida como variação regional ou variação geográfica, ocorre quando percebemos que a linguagem apresenta variações de acordo com o espaço em que ela é operada. É verificável não apenas entre estados (Rio de Janeiro × São Paulo), mas também entre regiões em um mesmo estado (interior de São Paulo × periferia de São Paulo × litoral de São Paulo). É por meio dessa variação que estudamos também os sotaques ou dialetos interiora- nos (como o dialeto caipira). Exemplos: I. Diferença de nomes entre regiões para um mes- mo objeto/item (mandioca × macaxeira × aipim). II. Diferença de caracteres morfológicos, sintáti- cos ou semânticos entre regiões (usos de “tu” no litoral de São Paulo × usos de “você” na ca- pital de São Paulo). VARIAÇÃO LINGUÍSTICA I COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULA 6 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 13 V O LU M E 2 1.4. Variação diacrônica Também conhecida como variação histórica, ocorre quan- do percebemos que a linguagem apresenta variações de acordo com o tempo em que ela é operada. Parte-se do pressuposto que a linguagem é um sistema vivo, constan- temente mutável, e que seu uso apresenta variações em três âmbitos: § na passagem entre gerações (avós, pais e filhos que uti- lizam linguagens diferentes); § na evolução tecnológica (as novas tecnologias fazem com que as pessoas passem a utilizar novos termos linguísticos); § nos textos arcaicos (textos que, mesmo pertencendo a nosso idioma, nos trazem certa dificuldade de compre- ensão pelo fato de estarem muito afastados temporal- mente. Um exemplo disso seria o texto Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, que por estar escrito em por- tuguês medieval, apresenta muitas diferenças fonológi- cas em relação ao português contemporâneo). 1.5. Variação diastrática Também conhecida como variação social, ocorre quando percebemos que a linguagem apresenta variações por con- ta de dois fatores mais gerais: § fatores socioeconômicos (uma pessoa que, por ques- tões financeiras, é obrigada a abandonar o espaço es- colar para trabalhar e ajudar no sustento do lar, pode apresentar, no futuro, dificuldades no uso da gramática normativa, por exemplo). § uso de socioleto (na linguística, um socioleto é a va- riante de uma língua falada por um grupo social, uma classe social ou subcultura. É também entendida como cada uma das variedades de uma língua usada pelos grupos de indivíduos que, tendo características sociais em comum (profissão, passatempos, geração etc.), usam termos técnicos, ou gírias, ou fraseados que os distinguem dos demais falantes na sua comunidade). 14 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 1. Variação linguística (continuação) Nessa aula, continuaremos a estudar as variações linguísticas. 1.1. Variação diafásica Também conhecida como variação situacional, ocorre quan- do percebemos que a linguagem apresenta variações de acordo com o contexto/situação em que ela é usada. É veri- ficável quando um indivíduo, adaptado a um tipo de uso lin- guístico, é obrigado a fazer uma alteração momentânea em seu registro por conta de uma situação de mundo específica. Por exemplo, alguém que use muitas gírias em seu dia a dia (registro informal) e que é obrigado a usar um registro mais formal por conta de uma entrevista de emprego. 1.2. Variação diamésica Ocorre quando percebemos que a linguagem apresenta variações de acordo com os diferentes “meios” em que ela usada, entendendo esses “meios” como espaços de uso oral da linguagem (fala) e uso escrito. Em geral, consiste em verificarmos as seguintes possibilidades: § A linguagem falada costuma ser entendida como um sistema normalmente desorganizado, marcado por he- sitações, reformulações, correções etc. Por conta disso, é comum encontrarmos recursos diferentes do que vemos no espaço escrito (alguns, inclusive, não seriam transpo- níveis, sendo exclusivos do espaço falado, como os mar- cadores conversacionais). § A linguagem escrita costuma ser entendida como um sistema normalmente organizado, em que, por mais que pensemos, por exemplo, em repetições de alguma pa- lavra, efetivamente elas não se materializam na escrita. Além disso, ao produzir um texto, costumamos organizar como vamos distribuir certas informações (parágrafos de introdução, argumentação e conclusão). 1.3. Preconceito linguístico Denomina-se preconceito linguístico aquele gerado pe- las diferenças linguísticas existentes dentre de um mesmo idioma. Ele está associado a diversas diferenças de base linguística, especialmente as regionais (envolvendo diale- tos, socioletos, regionalismos, gírias e sotaques). Também é gerado em menor grau pelos outros tipos de variação. O preconceito linguístico tem sido muito praticado na atu- alidade (de modo voluntário e involuntário), sendo forte marcador de exclusão social. Na obra Preconceito linguístico: o que é, como se faz (1999), o professor, linguista e filólogo Marcos Bagno aborda sobre os diversos aspectosda língua, especialmente o preconceito linguístico e suas implicações sociais. Segundo ele não existe uma forma “certa“ ou “errada“ dos usos da língua e que o preconceito linguístico, gerado pela ideia de que existe uma única língua correta (baseada na gramática normativa), colabora com a prática da exclu- são social. No entanto, devemos lembrar que a língua é mutável e vai se adaptando ao longo do tempo de acordo com ações dos falantes. Além disso, as regras da língua, determinada pela gramá- tica normativa, não inclui expressões populares e variações linguísticas, por exemplo as gírias, regionalismos, dialetos, dentre outros. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA II COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULA 7 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 15 V O LU M E 2 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA (PRÁTICA) COMPETÊNCIA(s) 5 HABILIDADE(s) 15, 16 e 17 LC AULA 8 AplicAndo pArA Aprender (A.P.A.) 1. (Unifor - Medicina 2023) O preconceito, seja ele de que natureza for, é uma crença pessoal, uma postura in- dividual diante do outro. Qualquer pessoa pode achar que um modo de falar é mais bonito, mais feio, mais ele- gante, mais rude do que outro. No entanto, quando essa postura se transforma em atitude, ela se torna discrimi- nação e esta tem de ser alvo de denúncia e de combate. No caso da língua, é imprescindível que toda cidadã e todo cidadão que frequenta a escola (pública ou priva- da) receba uma educação linguística crítica e bem infor- mada, na qual se mostre que todos os seres humanos são dotados das mesmíssimas capacidades cognitivas e que todas as línguas e variedades linguísticas são instrumentos perfeitos para dar conta de expressar e construir a experiência humana neste mundo. “A con- tundência e a radicalidade com que Bagno costuma ex- por suas críticas (frequentemente em meios de ampla difusão) fizeram dele uma personalidade extremamen- te polêmica, que conquista adesões entusiastas e ódios incondicionais. Trata-se de um linguista combativo, de todo afastado do modelo do acadêmico supostamente neutro. Bagno toma partido abertamente, convencido de que esta é a única maneira honesta de contribuir para o conhecimento”. pERE ComEllAs CAsAnovA, UnivERsidAdE dE BARCElonA. disponívEl Em < Https://www.EsfERA.Com.vC/p/pREConCEito- lingUistiCo-1ª-Ed/E101226970>. ACEsso Em 20 oUt. 2022. Refletindo sobre o conceito de variação linguística, assinale a situação comunicativa a seguir que estaria adequada. a) Dizer “passe-me a bola” em jogo de futebol entre amigos. b) Falar coloquialmente durante um almoço com a fa- mília. c) Abrir uma conta no banco utilizando um jargão mé- dico. d) Em uma entrevista de emprego, usar diversos neo- logismos. e) Usar sempre a norma-padrão em textos literários. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Examine a tirinha da cartunista Laerte. 2. (Unesp 2023) Contribui para o efeito de humor da tirinha o contraste entre a) a linguagem hermética do pai e a linguagem pe- dante do filho. b) a linguagem coloquial do pai e a linguagem con- cisa do filho. c) a linguagem erudita do pai e a linguagem enigmá- tica do filho. d) a linguagem formal do pai e a linguagem coloquial do filho. e) a linguagem informal do pai e a linguagem deslei- xada do filho. 3. (Enem PPL 2022) Cuidadora humilhada por erros de português ao enviar currículo para asilo recebe ofertas de emprego 16 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 Nessa conversa por aplicativo, em que se evidencia uma forma de preconceito, a atendente avaliou a candidata a uma vaga de emprego pelo(a) a) ausência de autocorreção durante um diálogo. b) desleixo com a pontuação adequada durante um bate-papo. c) desprezo pela linguagem utilizada em entrevistas de emprego. d) descuido com os padrões linguísticos no contexto de busca por emprego. e) negligência com a correção automática de palavras pelo corretor de textos do celular. 4. (Eam 2022) Nos quadrinhos acima, é observado que Armandinho e seus colegas pedem ao adulto "aipim", "mandioca" e "macaxeira". Esses termos são exemplos de variação regional, que também pode ser chamada de: a) variação diafásica. b) variação distintiva. c) variação discursiva. d) variação diatópica. e) variação diastrática. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia a crônica “Caso de justiceiro”, de Carlos Drum- mond de Andrade. Mercadinho é imagem de confusão organizada. Todos comprando tudo ao mesmo tempo em corredores es- treitos, carrinhos e pirâmides de coisas se comprimin- do, apalpamento, cheiração e análise visual de gêneros pelas madamas, e, a dominar o vozerio, o metralhar contínuo das registradoras. Um olho invisível, múlti- plo e implacável, controla os menores movimentos da freguesia, devassa o mistério de bolsas e bolsos, quem sabe se até o pensamento. Parece o caos; contudo nada escapa à fiscalização. Aquela velhinha estrangeira, por exemplo, foi desmascarada. – A senhora não pagou a dúzia de ovos quebrados. – Paguei. Antes que o leitor suponha ter a velhinha quebrado uma dúzia de ovos, explico que eles estão à venda as- sim mesmo, trincados. Por isso são mais baratos, e mui- ta gente os prefere; casca é embalagem. A senhora ia pagar a dúzia de ovos perfeitos, comprada depois; mas e os quebrados, que ela comprara antes? A velhinha se zanga e xinga em ótimo português-ca- rioca o rapaz da caixa. O qual lhe responde boas, no mesmo idioma, frisando que gringo nenhum viria lá de sua terra da peste para dar prejuízo no Brasil, que ele estava ali para defender nosso torrão contra piratas da estranja. A mulher, fula de indignação, foi perdendo a voz. Caixeiros acorreram, tomando posição em defesa da pátria ultrajada na pessoa do colega; entre eles, al- guns portugueses. A freguesia fez bolo. O mercadinho parou. Eis que irrompe o tarzã de calção de banho ainda rore- jante e berra para o caixa: – Para com isso, que eu não conheço essa dona mas vê-se pela cara que é distinta. – Distinta? Roubou cem cruzeiros à casa e insultou a gente feito uma danada. – Roubou coisa nenhuma, e o que ela disse de você eu não ouvi mas subscrevo. O que você é, é um calhorda e quer fazer média com o patrão à custa de uma pobre mulher. O outro ia revidar à altura, mas o tarzã não era de cine- ma, era de verdade, o que aliás não escapou à percep- ção de nenhum dos presentes. De modo que enquanto uns socorriam a velhinha, que desmaiava, outros pas- savam a apoiá-la moralmente, querendo arrebentar aquela joça. O partido nacionalista acoelhou-se. Foram tratando de cerrar as portas, para evitar a repetição de Caxias. Quem estava lá dentro que morresse de calor; enquanto não viessem a radiopatrulha e a ambulância, a questão dos ovos ficava em suspenso. – Ah, é? – disse o vingador. – Pois eu pago os cem cru- zeiros pelos ovos mas você tem de engolir a nota. Tirou-a do bolso do calção, fez uma bolinha, puxou para baixo, com dedos de ferro, o queixo do caixa, e meteu- -lhe o dinheiro na boca. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 17 V O LU M E 2 Assistência deslumbrada, em silêncio admiracional. Não é todos os dias que se vê engolir dinheiro. O caixa co- meçou a mastigar, branco, nauseado, engasgado. Uma voz veio do setor de ovos: – Ela não roubou mesmo não! Olha o dinheiro embaixo do pacote! Outras vozes se altearam: “Engole mais os outros cem!” “Os ovos também!” “Salafra” “Isso!” “Aquilo!”. A onda era tamanha que o tarzã, instrumento da justiça divina, teve de restabelecer o equilíbrio. – Espera aí. Este aqui já pagou. Agora vocês é que vão engolir tudo, se maltratarem este rapaz. (CARlos dRUmmond dE AndRAdE. CAdEiRA dE BAlAnço, 2020.) 5. (Albert Einstein - Medicina 2022) Verifica-se expres- são própria da linguagem coloquial no seguinte trecho: a) “outros passavam a apoiá-la moralmente, queren- do arrebentar aquela joça” (10º parágrafo) b) “enquanto não viessem a radiopatrulha e a am- bulância, a questão dos ovos ficava em suspenso” (10º parágrafo) c) “Caixeirosacorreram, tomando posição em de- fesa da pátria ultrajada na pessoa do colega” (5º parágrafo) d) “o que aliás não escapou à percepção de nenhum dos presentes” (10º parágrafo) e) “Antes que o leitor suponha ter a velhinha quebra- do uma dúzia de ovos” (4º parágrafo) 6. (Enem PPL 2021) Gírias das redes sociais caem na boca do povo Nem adianta fazer a egípcia! Entendeu? Veja o glossá- rio com as principais expressões da internet Lacrou, biscoiteiro, crush. Quem nunca se deparou com ao menos uma dessas palavras não passa muito tempo nas redes sociais. Do dia para a noite, palavras e frases começaram a definir sentimentos e acontecimentos, e o sucesso desse tour foi parar no vocabulário de muita gente. O dialeto já não se restringe só à web. O conta- to constante com palavras do ambiente on-line acaba rompendo a barreira entre o mundo virtual e o mundo real. Quando menos se espera, começamos a repetir, em conversas do dia a dia, o que aprendemos na internet. A partir daí, juntamos palavras já conhecidas do nosso idioma às novas expressões. Glossário de expressões Biscoiteiro: alguém que faz de tudo para ter atenção o tempo inteiro, para ter curtidas. Chamar no probleminha: conversar no privado. Crush: alguém que desperta interesse. Divou: estar muito produzida, sair bem em uma foto, assim como uma diva. Fazer a egípcia: ignorar algo. Lacrou/sambou: ganhar uma discussão com bons argu- mentos a ponto de não haver possibilidade de resposta. Stalkear: investigar sobre a vida de alguém nas redes sociais. disponívEl Em: Https://odiA.ig.Com.BR. ACEsso Em: 19 JUn. 2019 (AdAptAdo). Embora migrando do ambiente on-line para o vocabu- lário das pessoas fora da rede, essas expressões não são consideradas como características do uso padrão da língua porque a) definem sentimentos e acontecimentos corriquei- ros na web. b) constituem marcas específicas de uma determina- da variedade. c) passam a integrar a fala das pessoas em conversas cotidianas. d) são empregadas por quem passa muito tempo nas redes sociais. e) complementam palavras e expressões já conheci- das do português. 7. (Enem 2021) Falso moralista Você condena o que a moçada anda fazendo e não aceita o teatro de revista arte moderna pra você não vale nada e até vedete você diz não ser artista Você se julga um tanto bom e até perfeito Por qualquer coisa deita logo falação Mas eu conheço bem o seu defeito e não vou fazer segredo não Você é visto toda sexta no Joá e não é só no Carnaval que vai pros bailes se acabar Fim de semana você deixa a companheira e no bar com os amigos bebe bem a noite inteira Segunda-feira chega na repartição pede dispensa para ir ao oculista e vai curar sua ressaca simplesmente Você não passa de um falso moralista nElson sARgEnto. sonHo dE Um sAmBistA. são pAUlo: EldoRAdo, 1979. As letras de samba normalmente se caracterizam por apresentarem marcas informais do uso da língua. Nessa letra de Nelson Sargento, são exemplos dessas marcas a) “falação” e “pros bailes”. b) “você” e “teatro de revista”. c) “perfeito” e “Carnaval”. d) “bebe bem” e “oculista”. e) “curar” e “falso moralista” 8. (Enem PPL 2015) – Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai ver. Compro um barato. – Barato? Admito que você compre uma lembrancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco-caso de mim. – Ih, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que barato é o melhor que tem, é um barato! 18 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 – Deixe eu escolher, deixe... – Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a senhora me deu no Natal! – Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu um blazer furado? – Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela cor já era, mãe, já era! AndRAdE, C. d. poEsiA E pRosA. Rio dE JAnEiRo: novA AgUilAR, 1998. O modo como o filho qualifica os presentes é incom- preendido pela mãe, e essas escolhas lexicais revelam diferenças entre os interlocutores, que estão relaciona- das a) à linguagem infantilizada. b) ao grau de escolaridade. c) à dicotomia de gêneros. d) às especificidades de cada faixa etária. e) à quebra de regras da hierarquia familiar. 9. (Enem 2014) Em bom português No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é apanhada (aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”). A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso. Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas coisas, chamou minha atenção para os que falam assim: — Assisti a uma fita de cinema com um artista que re- presenta muito bem. Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não sabe- rão dizer que viram um filme com um ator que trabalha bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, ves- tido de roupa de banho em vez de biquíni, carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão um automó- vel em vez de comprar um carro, pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada. Viajarão de trem de ferro e apresen- tarão sua esposa ou sua senhora em vez de apresentar sua mulher. sABino, f. folHA dE s.pAUlo, 13 ABR. 1984 (AdAptAdo). A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes classes socioculturais. O texto exemplifica essa caracte- rística da língua, evidenciando que a) o uso de palavras novas deve ser incentivado em detrimento das antigas. b) a utilização de inovações no léxico é percebida na comparação de gerações. c) o emprego de palavras com sentidos diferentes ca- racteriza diversidade geográfica. d) a pronúncia e o vocabulário são aspectos identi- ficadores da classe social a que pertence o falante. e) o modo de falar específico de pessoas de diferentes faixas etárias é frequente em todas as regiões. 10. (Enem PPL 2013) Os textos relativos ao mundo do trabalho, geralmen- te, são elaborados no padrão normativo da língua. No anúncio, apesar de o enunciador ter usado uma varie- dade linguística não padrão, ele atinge seus propósitos comunicativos porque a) os fazendeiros podem contar com a comodidade de serem atendidos em suas fazendas. b) a parede de uma casa é um suporte eficiente para a divulgação escrita de um anúncio. c) a letra de forma torna a mensagem mais clara, de modo a facilitar a compreensão. d) os mecânicos especializados em máquinas pesadas são raros na zona rural. e) o contexto e a seleção lexical permitem que se al- cance o sentido pretendido. 11. (Enem PPL 2011) Diz-se, em termos gerais, que é preciso “falar a mesma língua”: o português, por exem- plo, que é a língua que utilizamos. Mas trata-se de uma língua portuguesa ou de várias línguas portuguesas? O português da Bahia é o mesmo português do Rio Gran- de do Sul? Não está cada um deles sujeito a influências diferentes – linguísticas, climáticas, ambientais? O por- tuguês do médico é igual ao do seu cliente? O ambien- te social e o cultural não determinam a língua? Estas questões levam à constatação de que existem níveis de linguagem. O vocabulário, a sintaxe e mesmo a pronún- cia variam segundo esses níveis. vAnoYE, f. Usos dA lingUAgEm. são pAUlo: mARtins fontEs, 1981 (fRAgmEnto). Na fala e na escrita, são observadas variações de uso, motivadas pela classe social do indivíduo, por sua re- gião, por seu grau de escolaridade, pelo gênero, pela intencionalidade do ato comunicativo, ou seja, pelas situações linguísticas e sociais em que a linguagem é empregada. A variedade linguística adequada à situa- ção específica de uso social está expressa a) na fala de um professor ao iniciar a aula no ensino superior: “Fala galerinha do mal! Hoje vamos estudar um negócio muito importante”. b) na leitura de um discurso de uma autoridade públi- ca na inauguração de um estabelecimento educacio- nal: "Senhores cidadões do Brasil, com alegria, inau- guramos mais uma escola para a melhor educação de nosso país”. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 19 V O LU M E 2 c) no memorando da diretora da escola ao responsá- vel por um aluno: “Responsável pelo aluno Henrique, dê uma chegadinha na diretoria da escola para saber o que o seu filhinho anda fazendo de besteira". d) na fala de uma criança, na tentativa de convencer a mãe a entregar-lhe a mesada: “Mãe, assim não dá para ser feliz! Dá pra liberar minha mesada? Prometo que só vou tirar notão nas próximas provas”. e) na fala de uma mãe em resposta ao filho que so- licitou a mesada: “Caro descendente, por obséquio, antecipe a prestação de suas contas, a fim de fazer jus ao solicitado”. 12. (Enem 2011) Mandioca - mais um presente da Amazônia Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As designações da Manihot utilissima podem variar de re- gião, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em conta em todo o território nacional: pão-de-pobre — e por vários motivos óbvios. Rica em fécula, a mandioca — uma planta rústica e nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro, especialmente pelos colonizadores portugueses — é a base de sustento de muitos brasi- leiros e o único alimento disponível para mais de 600 milhões de pessoas em vários pontos do planeta, e em particular em algumas regiões da África. o mElHoR do gloBo RURAl. fEv. 2005 (fRAgmEnto). De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de nomes para a Manihot utilissima, nome científico da mandioca. Esse fenômeno revela que a) existem variedades regionais para nomear uma mesma espécie de planta. b) mandioca é nome específico para a espécie exis- tente na região amazônica. c) “pão-de-pobre” é designação específica para a planta da região amazônica. d) os nomes designam espécies diferentes da planta, conforme a região. e) a planta é nomeada conforme as particularidades que apresenta. 13. (Enem 2018) “Acuenda o Pajubá”: conheça o “diale- to secreto” utilizado por gays e travestis Com origem no iorubá, linguagem foi adotada por tra- vestis e ganhou a comunidade “Nhaí, amapô! Não faça a loka e pague meu acué, dei- xe de equê se não eu puxo teu picumã!” Entendeu as palavras dessa frase? Se sim, é porque você manja al- guma coisa de pajubá, o “dialeto secreto” dos gays e travestis. Adepto do uso das expressões, mesmo nos ambientes mais formais, um advogado afirma: “É claro que eu não vou falar durante uma audiência ou numa reunião, mas na firma, com meus colegas de trabalho, eu falo de ‘acué’ o tempo inteiro”, brinca. “A gente tem que ter cuidado de falar outras palavras porque hoje o pessoal já entende, né? Tá na internet, tem até dicionário ...”, comenta. O dicionário a que ele se refere é o Aurélia, a dicionária da língua afiada, lançado no ano de 2006 e escrito pelo jornalista Angelo Vip e por Fred Libi. Na obra, há mais de 1.300 verbetes revelando o significado das palavras do pajubá. Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas sabe-se que há claramente uma relação entre o pa- jubá e a cultura africana, numa costura iniciada ainda na época do Brasil colonial. disponívEl Em: www.midiAmAx.Com.BR. ACEsso Em: 4 ABR. 2017 (AdAptAdo). Da perspectiva do usuário, o pajubá ganha status de dialeto, caracterizando-se como elemento de patrimô- nio linguístico, especialmente por a) ter mais de mil palavras conhecidas. b) ter palavras diferentes de uma linguagem secreta. c) ser consolidado por objetos formais de registro. d) ser utilizado por advogados em situações formais. e) ser comum em conversas no ambiente de trabalho. 14. (Enem 2012) eu gostava muito de passeá... saí com as minhas colegas... brincá na porta di casa di vôlei... andá de patins... bicicleta... quando eu levava um tom- bo ou outro... eu era a::... a palhaça da turma... ((risos))... eu acho que foi uma das fases mais... assim... gostosas da minha vida... essa fase de quinze... dos meus treze aos dezessete anos... A.P.S., sexo feminino, 38 anos , nível de ensino funda- mental. Projeto Fala Goiana, UFG, 2010 (inédito). Um aspecto da composição estrutural que caracteriza o relato pessoal de A.P.S. como modalidade falada da língua é a) predomínio de linguagem informal entrecortada por pausas. b) vocabulário regional desconhecido em outras va- riedades do português. c) realização do plural conforme as regras da tradição gramatical. d) ausência de elementos promotores de coesão en- tre os eventos narrados. e) presença de frases incompreensíveis a um leitor iniciante. 15. (Enem PPL 2015) Em primeiro lugar gostaria de manifestar os meus agradecimentos pela honra de vir outra vez à Galiza e conversar não só com os antigos colegas, alguns dos quais fazem parte da mesa, mas também com novos colegas, que pertencem à nova ge- ração, em cujas mãos, com toda certeza, está também o destino do Galego na Galiza, e principalmente o destino do Galego incorporado à grande família lusófona. E, portanto, é com muito prazer que teço algumas con- siderações sobre o tema apresentado. Escolhi como tema como os fundadores da Academia Brasileira de Letras viam a língua portuguesa no seu tempo. Como sabem, a nossa Academia, fundada em 1897, está agora completando 110 anos, foi organizada por uma reunião 20 LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias V O LU M E 2 de jornalistas, literatos, poetas que se reuniam na secre- taria da Revista Brasileira, dirigida por um crítico literá- rio e por um literato chamado José Veríssimo, natural do Pará, e desse entusiasmo saiu a ideia de se criar a Academia Brasileira, depois anexada ao seu título: Aca- demia Brasileira de Letras. Nesse sentido, Machado de Assis, que foi o primeiro presidente desde a sua inauguração até a data de sua morte, em 1908, imaginava que a nossa Academia de- veria ser uma academia de Letras, portanto, de literatos. BECHARA, E. disponívEl Em: www.ACAdEmiAgAlEgA.oRg. ACEsso Em: 31 JUl. 2012. No trecho da palestra proferida por Evanildo Bechara, na Academia Galega da Língua Portuguesa, verifica-se o uso de estruturas gramaticais típicas da norma padrão da língua. Esse uso a) torna a fala inacessível aos não especialistas no assunto abordado. b) contribui para a clareza e a organização da fala no nível de formalidade esperado para a situação. c) atribui à palestra características linguísticas restri- tas à modalidade escrita da língua portuguesa. d) Dificulta a compreensão do auditório para preser- var o caráter rebuscado da fala. e) evidencia distanciamento entre o palestrante e o auditório para atender os objetivos do gênero palestra. 16. (Enem 2015) Assum preto Tudo em vorta é só beleza Sol de abril e a mata em frô Mas assum preto, cego dos óio Num vendo a luz, ai, canta de dor Tarvez por ignorança Ou mardade das pió Furaro os óio do assum preto Pra ele assim, ai, cantá mio Assum preto veve sorto Mas num pode avuá Mil veiz a sina de uma gaiola Desde que o céu, ai, pudesse oiá gonzAgA, l.; tEixEiRA, H. disponívEl Em: www.lUizgonzAgA. mUs.BR. ACEsso Em: 30 JUl. 2012 (fRAgmEnto). As marcas da variedade regional registradas pelos com- positores de Assum preto resultam da aplicação de um conjunto de princípios ou regras gerais que alteram a pronúncia, a morfologia, a sintaxe ou o léxico. No texto, é resultado de uma mesma regra a a) pronúncia das palavras “vorta” e “veve”. b) pronúncia das palavras “tarvez” e “sorto”. c) flexão verbal encontrada em “furaro” e “cantá”. d) redundância nas expressões “cego dos óio” e “mata em frô”. e) pronúncia das palavras “ignorança” e “avuá” 17. (Enem PPL 2016) Lisboa: aventuras tomei um expresso cheguei de foguete subi num bonde desci de um elétrico pedi um cafezinho serviram-me uma bica quis comprar melas só vendiam peúgas fui dar a descarga disparei um autoclisma gritei "ó cara!" responderam-me «ó pá» positivamente as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá. pAEs, J. p. A poEsiA Está moRtA mAs JURo QUE não fUi EU. são pAUlo: dUAs CidAdEs, 1988. No texto, a diversidade linguística é apresentada pela ótica de um observador que entra emcontato com uma comunidade linguística diferente da sua. Esse observa- dor é um a) falante do português brasileiro relatando o seu con- tato na Europa com o português lusitano. b) imigrante em Lisboa com domínio dos registros for- mal e informal do português europeu. c) turista europeu com domínio de duas variedades do português em visita a Lisboa. d) português com domínio da variedade coloquial da língua falada no Brasil. e) poeta brasileiro defensor do uso padrão da língua falada em Portugal. 18. (Enem 2ª aplicação 2016) Da corrida de submarino à festa de aniversário no trem Leitores fazem sugestões para o Museu das Invenções Cariocas “Falar ‘caraca!’ a cada surpresa ou acontecimento que vemos, bons ou ruins, é invenção do carioca, como tam- bém o ‘vacilão’.” “Cariocas inventam um vocabulário próprio”. “Dizer ‘merrmão’ e ‘é merrmo’ para um amigo pode até doer um pouco no ouvido, mas é tipicamente carioca.” “Pedir um ‘choro’ ao garçom é invenção carioca.” “Chamar um quase desconhecido de ‘querido’ é um carinho inventado pelo carioca para tratar bem quem ainda não se conhece direito.” “O ‘ele é um querido’ é uma forma mais feminina de elogiar quem já é conhecido.” sAntos, J. f. disponívEl Em: www.ogloBo.gloBo. Com. ACEsso Em: 6 mAR. 2013 (AdAptAdo). Entre as sugestões apresentadas para o Museu das In- venções Cariocas, destaca-se o variado repertório lin- guístico empregado pelos falantes cariocas nas diferen- tes situações específicas de uso social. LINGUAGENS, CÓDIGOS e suas tecnologias 21 V O LU M E 2 A respeito desse repertório, atesta-se o(a) a) desobediência à norma-padrão, requerida em am- bientes urbanos. b) inadequação linguística das expressões cariocas às situações sociais apresentadas. c) reconhecimento da variação linguística, segundo o grau de escolaridade dos falantes. d) identificação de usos linguísticos próprios da tradi- ção cultural carioca. e) variabilidade no linguajar carioca em razão da faixa etária dos falantes. 19. (Enem PPL 2020) No texto, o trecho “Cê tá muito louco, véio” caracteriza um uso social da linguagem mais comum a a) jovens em situação de conversa informal. b) pessoas conversando num cinema. c) homens com problemas de visão. d) idosos numa roda de bate-papo. e) crianças brincando de viajar. 20. (Enem PPL 2020) Vaca Estrela e Boi Fubá Seu doutô, me dê licença Pra minha história contar Hoje eu tô em terra estranha É bem triste o meu penar Eu já fui muito feliz Vivendo no meu lugar Eu tinha cavalo bão Gostava de campear Todo dia eu aboiava Na porteira do currá [...] Eu sou fio do Nordeste Não nego meu naturá Mas uma seca medonha Me tangeu de lá pra cá pAtAtivA do AssARé. intéRpREtEs: pEnA BRAnCA; xAvAntinHo; tEixEiRA, R. Ao vivo em Tatuí. Rio de Janeiro: Kuarup Discos, 1992 (fragmento). Considerando-se o registro linguístico apresentado, a letra dessa canção a) exalta uma forma específica de dizer. b) utiliza elementos pouco usuais na língua. c) influencia a maneira de falar do povo brasileiro. d) discute a diversidade lexical de um dado grupo social. e) integra o patrimônio linguístico do português brasileiro. GAbArito 1. B 2. D 3. D 4. D 5. A 6. B 7. A 8. D 9. B 10. E 11. D 12. A 13. C 14. A 15. B 16. B 17. A 18. D 19. A 20. E EN TR E A SPA S - O BR A S LiTER Á R iA S LiN G U A G EN S, C Ó D iG O S E SU A S TEC N O LO G iA S