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25Curso de Bacharelado em Biblioteconomia na Modalidade a Distância
2.3 ESTRATÉGIAS DE 
LEITURA: UM PLANO 
A SEGUIR!
“Morte lenta ao luso infame 
que inventou a calçada por-
tuguesa. Maldito D. Manuel I
e sua corja de tenentes Eusé-
bios. Quadrados de pedregu-
lho irregular socados à mão. À 
mão! É claro que ia soltar. Nin-
guém reparou que ia soltar?”
“Quando certa manhã Gregor 
Samsa acordou de sonhos in-
tranquilos, encontrou-se em 
sua cama metamorfoseado 
num inseto monstruoso.”
Os trechos acima foram extraídos de diferentes livros. Lendo-os, o que 
você diria das obras de que fazem parte?
Se tivesse que apostar, diria que você os considerou partes de histó-
rias muito diferentes. O primeiro com elementos de humor cotidiano, o 
segundo com elementos fi ccionais fantásticos, só para começar. As ima-
gens sugerem uma cena carioca e um ambiente surreal, respectivamente. 
Possivelmente, você percebeu ainda mais coisas. Isso porque a leitura mal 
começou. Mas o clima da história, o estilo do escritor já aparecem e po-
dem ou não ter capturado sua atenção.
De fato, tratam-se de livros bem diferentes. O primeiro chama-se Fim, 
de Fernanda Torres, que parte da agonia de cinco personagens para falar 
da decadência de Copacabana. O segundo é o clássico da literatura mun-
dial, A Metamorfose, de Franz Kafka, que descreve um caixeiro que, em 
certa manhã, acorda metamorfoseado em um inseto monstruoso.
Essas análises e percepções fazem parte do que chamamos “estraté-
gias de leitura”. O conceito de estratégias de leitura já foi defi nido por 
muitos estudiosos da área, mas não há um consenso sobre ele. Em linhas 
gerais, utilizar estratégia de leitura é traçar um plano a ser seguido 
para melhor compreensão da leitura, é a capacidade de estabelecer 
objetivos na leitura, de fazer inferências, levantar hipóteses e bus-
car a resolução dos problemas encontrados durante esse processo.
26 Inglês Instrumental
Explicativo
As estratégias de leitura têm sido defi nidas como pro-
cessos ou comportamentos específi cos e intencionais, vi-
sando alcançar objetivos defi nidos, e que infl uem no con-
trole do esforço do leitor para decifrar e compreender as 
palavras e para construir o signifi cado de um texto (AFFLERBACH; 
PEARSON; PARIS, 2008; GARNER, 1987).
Ramos (1988, p. 25-26) cita Duffy e Roehler (1987, p. 416), que 
defi nem as estratégias como sendo “planos que o leitor usa fl exi-
velmente e adaptativamente, dependendo da situação”. Bons lei-
tores usam dois tipos de estratégia. O primeiro tipo – estratégias de 
pré-leitura – é ativado antes que o ato físico da leitura comece. Por 
exemplo, antes de iniciar a leitura, bons leitores fazem uso do que 
eles sabem sobre o tópico, o tipo de texto, o propósito do autor e 
seus próprios propósitos para fazerem predições sobre o conteúdo 
do texto. Isso requer um comportamento estratégico, ou seja, o 
leitor deve ter um plano para fazer essas predições e esses planos 
devem se adaptar a cada situação, já que o tópico, a estrutura do 
texto e seus propósitos mudam de texto para texto.
O segundo tipo engloba estratégias denominadas de reparação, 
que são ativadas, durante a leitura, toda vez que o signifi cado é 
bloqueado por palavras desconhecidas, por predições que se con-
fi rmam incorretas ou por truncamentos no fl uir da leitura. Essas 
situações são problemas que o leitor fl uente soluciona, ativando 
estratégias para remover tais obstáculos.
As estratégias a serem utilizadas durante a leitura dependerão 
do gênero textual a ser lido e da forma como um texto deve ser 
lido, e isso varia de acordo com os diferentes contextos e propósi-
tos da leitura. O uso das estratégias é fl exível e o leitor as seleciona 
como um plano de ação para que atinja seu objetivo, ou seja, a 
compreensão textual.
2.4 LENDO ANTES, LENDO 
DEPOIS
Na verdade, começamos a leitura antes mesmo de ler o texto, um pro-
cesso que chamamos de estratégias de pré-leitura. Essas estratégias 
ajudam a entender o material na primeira vez que o lemos, poupando 
tempo quando, de fato, estivermos em contato com o texto. Depois disso 
nos engajamos em estratégias de leitura, propriamente ditas, ou seja, já 
estamos percorrendo o texto de interesse.
Estamos utilizando estratégias de pré-leitura quando:
27Curso de Bacharelado em Biblioteconomia na Modalidade a Distância
a) estabelecemos a definição do objetivo para a leitura (para que vou 
ler este texto?);
b) estabelecemos a definição do nível de leitura que necessitamos 
atingir (preciso somente de uma informação?; desejo obter 
compreensão detalhada do texto ou apenas compreender seus 
pontos principais?).
A predição/prediction é uma habilidade básica para a prática de todas 
as estratégias de leitura e para o processo de leitura de um modo em ge-
ral. Envolve “adivinhações”, suposições, hipóteses, inferências que serão 
confi rmadas ou rejeitadas durante a leitura. A predição de um texto deve 
partir de gravuras, gráfi cos, conteúdos do texto, da superestrutura do 
texto e do conhecimento que o leitor já possui sobre o assunto. Ela deve 
ser realizada antes da leitura, pois consiste em hipóteses levantadas sobre 
o assunto do texto. Para isso, baseamo-nos nos aspectos já mencionados: 
conhecimentos anteriores e superestrutura do texto.
Seguindo, estamos utilizando estratégias de leitura quando:
a) fazemos uso de nosso conhecimento prévio (conhecimento de 
mundo, conhecimento da estrutura da sentença, conhecimento da 
estrutura textual, conhecimento da língua materna);
b) utilizamos a estratégia denominada skimming (to skim, que, literal-
mente, significa “desnatar”, “tirar o que está por cima”; to skim 
through e/ou to skim over, que significa “ler por alto”). Essa estratégia 
consiste em uma leitura rápida de um texto para adquirir a compreen-
são geral do assunto. É bastante utilizada no dia a dia; por exemplo, 
quando folheamos um jornal para obter uma ideia geral sobre as suas 
principais reportagens;
c) além de prestar atenção nos itens já mencionados, nos detemos 
em títulos, subtítulos (se houver), na fonte do texto e nas primeiras 
e últimas linhas de cada parágrafo, para efetivar a compreensão 
geral do texto;
d) estamos atentos ao formato do texto (layout) e ao uso das 
informações não verbais (gráficos, desenhos, símbolos, numerais, 
dicas tipográficas – como negritos, itálicos, maiúsculas, pontuação 
e demais ilustrações) como estratégias que auxiliam a compreensão;
e) nos utilizamos dos cognatos, que são palavras da língua estrangeira 
que têm a mesma raiz da língua materna do leitor. No caso do 
inglês e do português, essas palavras têm procedência grega ou 
latina; são bastante parecidas, tanto na forma como no significado. 
Auxiliam muito a compreensão dos textos, juntamente com outras 
estratégias relacionadas ao vocabulário;
f) na busca de uma informação específica, para localizar dados como 
datas, nomes, um conceito etc., concentramos nossa atenção na se-
leção desses itens, ignorando outros detalhes do texto. A essa técni-
ca chamamos de scanning, e ela não exige uma leitura minuciosa do 
texto. É uma leitura rápida, feita para que se obtenham informações 
específicas, para que se busque a ideia principal do parágrafo ou do 
texto. O verbo to scan significa “esquadrinhar”, “detectar”, etc.
Utilizamos a seletividade, em que, como o próprio nome diz, o leitor 
seleciona o que lhe interessa, ou seja, aspectos relevantes sem os quais 
seria impossível compreender o texto. A fl exibilidade também é um re-
curso para a compreensão de textos, pois muitas vezes não necessitamos 
fazer uma leitura linear.
28 Inglês Instrumental
Explicativo
Para encontrar a ideia geral do texto, que é o início do processo 
de compreensão, o leitor deve ativar seus conhecimentos anterio-
res, recorrendo às estratégias de leitura para acionar os esquemas 
mentais que lhe permitam fazer predições, formular hipóteses e 
fazer inferências pertinentes ao signifi cado do texto.
Kleiman (1997, p. 25) esclarece essa relação daseguinte forma:
[…] a ativação do conhecimento prévio é, então, 
essencial à compreensão, pois é o conhecimento 
que o leitor tem sobre o assunto que lhe permi-
te fazer inferências necessárias para relacionar 
diferentes partes discretas do texto num todo 
coerente. Este tipo de inferência, que se dá como 
decorrência do conhecimento de mundo e que é 
motivado pelos itens lexicais no texto, é um pro-
cesso inconsciente do leitor proficiente.
2.5 LEIA-ME
As estratégias de leitura sobre as quais você acabou de ler se aplicam 
tanto à nossa língua materna, quanto a uma língua estrangeira. A partir 
desta Unidade, a seção “Leia-me” vai trazer atividades que vão ajudar 
você a aplicar todos os conceitos e ideias sobre os quais tivermos apren-
dido. Faça uso do conhecimento prévio, pistas tipográfi cas, informações 
não lineares, cognatos e gêneros textuais para ler e compreender cada 
vez mais e melhor na língua inglesa. Vamos lá?
2.5.1 Atividade
Qual é a estratégia?
Leia os textos a seguir e tente descobrir qual das estratégias 
de leitura descritas anteriormente você utilizou para compreender 
cada texto:
a) Texto 1:
O nosso cérebro é doido!!!
De aorcdo com uma peqsiusa
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
29Curso de Bacharelado em Biblioteconomia na Modalidade a Distância
a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Lreta isladoa, mas a plaarva
cmoo um tdoo.
Sohw de bloa.4
b) Texto 2:
35T3
P3QU3N0
T3XTO
53RV3
4P3N45
P4R4
M05TR4R
COMO
NO554
C4B3Ç4
CONS3GU3
F4Z3R
CO1545
1MPR3551ON4ANT35!15
Resposta comentada
Para lermos esses textos, utilizamos nossa experiência e conhe-
cimentos anteriores. Percebemos com ele que não lemos palavra 
por palavra, mas lemos em bloco.
Depois que você exercitou as estratégias de leitura na compreensão de 
textos escritos na língua portuguesa, que tal, agora, fazer uma experiên-
cia e tentar compreender algumas informações de um texto escrito em 
dinamarquês? Parece difícil? A atividade a seguir pode surpreender você.
2.5.2 Atividade
Qual é a estratégia?
Leia os textos a seguir e tente descobrir qual das estratégias 
de leitura descritas anteriormente você utilizou para compreender 
cada texto.
O texto a seguir está escrito em dinamarquês, observe-o aten-
tamente e responda:
a) a que gênero este texto pertence?;
b) que quantidade de farinha é utilizada no “bolo”?;
c) e de margarina?;
d) qual é a temperatura do forno?;
e) qual é o tempo de preparo?
2 Fonte: desconhecida/Internet.
5 Fonte: desconhecida/Internet.
30 Inglês Instrumental
Figura 11 – Receita
KAGEFIGURER
150 g farin
250 g sirup
150 g margarine
½ tsk. nellike
1 tsk.ingefaer
3 tsk. kanel
2 tsk. natron
1 aeg
ca. 550 g mel
Glasur:
1 aeggehvide
150 g flormelis
Smelt farin, sirupog margarine iengryde. Tag den afvarmen. Rorkrydderierog natron 
i. Kolmassenheltaf.Rorme log aeg I hold lidtmeltilbage. Eltdejensammen.Lad den 
hvileikoleskabtilnaeste dag ellerlaengere.Temperer dejen et par timer og aelt den 
igennem inden brug.
Fonte: indisponível.
Resposta comentada
Pense nas pistas que você utilizou para chegar às respostas. 
A maior parte de nós, falantes da língua portuguesa, diria ser im-
possível ler um texto escrito em dinamarquês. No entanto, algu-
ma interpretação da informação pôde ser feita, mesmo no caso 
de uma língua desconhecida, a partir de uma análise cuidadosa 
do texto. A conformação do texto, a existência de nomes e no-
tações conhecidos pode antecipar que se trata de uma receita, e 
conseguimos, inclusive, defi nir a quantidade de alguns ingredien-
tes, a temperatura e o tempo do cozimento. Independentemente 
do conhecimento específi co da língua, um certo grau de leitura e 
interpretação pode ocorrer graças ao estabelecimento de relações 
linguísticas entre elementos que nos são conhecidos.
Como afi rmamos anteriormente, os objetivos estabelecidos pelo leitor 
determinam o modo pelo qual ele realiza a leitura. Vamos treinar um 
pouco mais essa ideia? Dessa vez, na compreensão de um texto escrito 
na língua inglesa.
2.5.3 Atividade
Do que se trata?
As estratégias de pré-leitura e leitura sobre as quais conversa-
mos ao longo desta Unidade levam a algumas considerações:
31Curso de Bacharelado em Biblioteconomia na Modalidade a Distância
a) é importante fazer uma predição ou inferência do conteúdo 
do texto antes da leitura para se ter uma ideia geral do as-
sunto proposto. Faça um skimming;
b) seu cérebro pode começar a fazer conexões com seus co-
nhecimentos prévios (background knowledge), facilitando 
sua compreensão;
c) as marcas tipográficas são elementos que, no texto, trans-
mitem informações nem sempre representadas por palavras. 
Reconhecê-las é um auxílio bastante útil à leitura. Exemplos 
de marcas tipográficas:
− títulos e subtítulos;
− numerais;
− símbolos;
− palavras destacadas: negritos, itálicos, maiúsculas;
− desenhos, gráficos e demais ilustrações.
Observe, no texto a seguir, quanta informação pode-se obter 
utilizando essas estratégias.
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Figura 12 – Livro Mastering Digital Librarianship
Fonte: Facet Publishing (2013).6
6 Fonte: desconhecida/Internet.

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