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TÓPICO 3 | OS DESDOBRAMENTOS DAS CONT. DA SOC. DA EDU. NA COMP. DOS SUJEITOS E DA CULTURA NA EDUCAÇÃO 51 O professor é advertido para o fato de não cumprir o programa. Nestes exemplos, verifica-se a ritualização completa do ensino: o professor é transformado em “maquininha de ensinar”, que atua por controle remoto, e os alunos são tratados como meros receptores de informações. A educação, enquanto formação humana, não tem vez na escola (PILETTI, 2004, p. 13). Vamos destacar aqui que o risco de transformar a educação em uma forma de opressão não está somente na organização da disposição da sala de aula, mas também da submissão de alunos e professores ao tempo. É preciso seguir à risca o plano da aula nos 45 ou 50 minutos previstos, é preciso “vencer” o conteúdo proposto no plano de curso. Com esses objetivos tão claros, corre-se o risco de perder pelo caminho momentos importantes de aprendizado ao sanar dúvidas, ao trocar experiências, ao buscar compreender o tempo dos alunos e da turma. Mais uma vez, é preciso estar atento para que o foco siga na educação. Por que dedicamos nossos olhares e atenção a esses elementos presentes na sala de aula? Porque é na sala de aula, no contexto descrito até aqui, que se desenvolvem diversas relações sociais. Vamos refletir agora sobre as relações entre os sujeitos que estão dispostos na organização das carteiras? Considerar os diálogos que ocorrem, ou não, nos tempos determinados pela rotina escolar? Pois bem, podemos levantar mais uma questão sobre o espaço da sala de aula: qual espaço ocupa a diversidade entre espaços e rotinas tão bem delimitados? Aqui chegamos a outro aspecto da educação revelado pela sala de aula: a normatização da diferença. Atentemos para as palavras de Esteban (2006, p. 8): Na sala de aula há, necessariamente, diálogos entre os diferentes com suas diferenças. Diálogos atravessados por consensos, confrontos, acordos, conflitos. Diálogos buscados; diálogos que não se deseja travar, diálogos que se prefere esquecer; diálogos que as palavras não são capazes de mediar; diálogos interrompidos/constituídos por intensos ruídos, por longos silêncios, por breves olhares, por gestos contraditórios. Diálogos monológicos e assim tecidos por muitos outros diálogos. A descrição da autora sobre a diversidade de diálogos nos leva a refletir sobre as formas de naturalizar comportamentos considerados normais ou, ainda esperados, e, por consequência, constituir um processo educacional que ao normatizar a diferença exclui sujeitos, práticas, culturas. A normatização pode levar ao desenvolvimento de tensões e conflitos na sala de aula. Nesse ponto chegamos a situações que ganham contornos opostos aos esperados em um ambiente que deveria promover o aprendizado de todos: