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9 4 CAPÍTULO 3 a) Engraçada, positiva e sutil. b) Sarcástica, corrosiva e explícita. 4 Durante o relato das “aventuras” no restaurante natural e macrobiótico, o narrador faz referências a um cineasta e a dois amigos. Com base na descrição dessas per- sonagens, escreva um comentário sobre a percepção que o narrador tem de cada uma delas. a) O cineasta. b) O “falso” amigo. c) O outro amigo. Anote no caderno duas situações da crônica “Aventuras naturais” que evidenciem: a) Referências a assuntos do cotidiano. b) Marcas da linguagem coloquial. 2 Segundo o E-dicionário de termos literários: o humor é fundamentalmente a capacidade de exprimir as excentricidades de deter- minada ação ou situação que são susceptíveis de provocar o riso. CASTRO, Catarina. E-dicionário de termos literários. Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/humor/. Acesso em: 28 jul. 2020. Considere essa definição e registre três passagens do texto em que se nota a presença do humor. 3 O humor nessa crônica de João Ubaldo Ribeiro ganha força por meio da ironia que, algumas vezes, é engraçada, positiva e sutil e, em outras, é sarcástica, corrosiva e explícita. Essas formas de ironia aparecem nos diálogos entre o narrador e os inter- locutores. Identifique esses momentos no texto, selecione as ironias encontradas e organize-as em dois grupos. NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. BAGAGEM A ironia é uma figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra ou expressão de forma que tenha um sentido diferente do habitual e produza efeitos de sentido que transitam entre o divertimento e a irritação. É, portanto, um mecanismo que instaura ambiguidade, e o contexto social em que é produzida é um fator crucial para sua compreensão. Para que a ironia funcione, esse jogo com as palavras deve ser feito de maneira que a intenção do locutor não seja imediatamente identificada. Deve estimular o raciocínio e fazer o interlocutor considerar os diversos sentidos possíveis que determinada palavra ou expressão possa ter, até encontrar aquele que se encaixe na mensagem, produzindo um significado inusitado. Wikipedia/ W iki m ed ia C om m on s GERALDO SARNO (1938-) nasceu em Poções, na Bahia. É roteirista e diretor de cinema. Durante a carreira, foi premiado e ficou conhecido por filmes que abordam temas ligados à história nacional e ao Nordeste, como a migração, os elementos religiosos e a cultura popular. G oo dS tu di o /S hu tt er st oc k 1. a) Algumas possibilidades de referências a assuntos do cotidiano são os encontros e os almoços com os amigos; as idas a restaurantes; os pedidos feitos e a conversa com quem o atende (possivelmente um gar- çom); a conversa familiar com a esposa e a filha; a visita de um amigo ou vizinho; reunir-se com amigos; tomar café com amigos, etc. 1. b) Resposta pessoal. 2. Espera-se que os estudantes compreendam que o humor, nes- se caso, foi utilizado para marcar um ponto de vista. Para isso, o narrador transforma as situações que poderiam ser informativas (sobre a alimentação macrobióti- ca, por exemplo) em ocasiões que favorecem o riso. Em alguns mo- mentos, satiriza o cenário em que a comunicação inicial se situa e ridiculariza o comportamento dos sujeitos envolvidos. É importante que os estudantes percebam que todos os textos têm uma finali- dade e uma orientação valorativa diante dos temas e hábitos sociais abordados, até mesmo quando se utiliza o humor. São exemplos de passagens bem-humoradas da crônica, isto é, que provocam o riso: “experiência acabrunhante”, “momento de insensatez”, “masti- gadores obstinados”, “aura de ex- piação de pecados”, “penitências alimentares”, “atmosfera pálida e astênica”, “revoltante cinismo”, “falso amigo”, “rosário horripilante de possibilidades”, “suco de espi- nafre (que nunca vi, mas considero imoral por definição) e terminando por suco de beldroega, que não sei o que é mas tampouco soa como algo decente”, entre outras. 3. b) Os estudantes poderão citar: “De beldroega?”, “Hein? Sim, muito bem, está muito bem mesmo.”, “Com certeza, conseguem vender esse 3. a) Os estudantes poderão citar: “E essa água descansada é diferente da água comum?”, “Quer dizer que normalmente bebo água cansada? Isso é mau?”, “Fantástica água. Será que eu posso beber um copo de água geladinha?”, “Por quê? Gelar cansa a água?”, “Cinquenta vezes? É por isso que ninguém fala aqui, todo mundo contando as mastigadas?”, “Cinquenta vezes cada gole?”, entre outras. 4. a) Em relação ao cineasta, a percepção sugerida é de que se trata de uma pessoa que consome alimentos naturais, mas que não aparenta ser alguém que faz esse tipo de escolha ali- mentar. Aqui parece haver uma ironia, utilizada para sugerir que o cineasta não tem uma estrutura corporal dentro dos padrões sociais estabelecidos; ou que ele seja um sujeito que não fala muito sobre os seus hábitos alimentares com os outros e, por isso, ninguém imaginaria que esses seriam os seus. 4. b) O narrador passa a ideia de que esse amigo não foi leal, pois o levou a um lugar que o deixou “abaladíssimo”, “intimidado” e como quem paga penitências: o restaurante macrobiótico. Se a in- tenção era mostrar ou apresentar uma possibilidade de alimentação natural, o “falso amigo” apenas o assustou com esse programa do qual o narrador acredita que “de- via ter fugido antes”. 4. c) O narrador descreve o outro amigo como alguém de “espec- tro ossudo”, “macilento” e de “rosto escaveirado” – o que é irônico, já que o comumente esperado é que a alimentação adequada reflita também nos aspectos físicos do sujeito. Da forma como o narrador o descreve, parece que se trata de alguém quase debilitado. O com- portamento do outro amigo é diferente do comportamento dos an- teriores, pois ele reafirma o tempo todo quanto se sente saudável e rejuvenescido. negócio e o pessoal ainda paga e agradece.”, “Arroz, hein? Quem diria, assim à primeira vista eu pensei que era papa de alpiste com goma arábica.”, “Está certo. Acontecendo alguma coisa, avise à família.”, entre outras. V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 94V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 94 14/09/2020 17:0014/09/2020 17:00 9 5CAPÍTULO 3 5 O narrador identifica um dos amigos pelo nome, pela profissão e o caracteriza como uma pessoa “muito natural”. Os outros dois são descritos, respectivamen- te, como “um falso amigo” e alguém que aparenta ser “uns 40 anos mais velho”. Responda no caderno: Em sua opinião, essas diferentes definições teriam relação com o posicionamento do narrador a respeito dos restaurantes que esses amigos frequentam? Explique. 6 Releia este trecho extraído da crônica de João Ubaldo Ribeiro. Em seguida, escreva no caderno suas respostas às questões. — E essa água descansada é diferente da água comum? Quer dizer que normalmente bebo água cansada? Isso é mau? — De certa maneira, você bebe água cansada, sim, pode-se dizer isso. Água misturada com aditivos nocivos, talvez poluída, esterilizada através de meios violentos e antina- turais como a filtragem e a fervura. a) A resposta dada ao narrador apresenta expressões que atenuam o que é dito. Identifique essas expressões. b) Por que essas expressões foram usadas na resposta dada ao narrador? 7 A expressão “ironia do destino” é utilizada para designar aquelas situações em que um acontecimento inesperado se manifesta. São essas ocasiões que lembram a impossibilidade de se controlar tudo o que acontece, pois surpresas fazem parte da vida de qualquer ser humano. Responda no caderno: Como é possível relacionar essa expressão ao que acontece ao narrador no que se refere aos hábitos alimen- tares de sua filha Chica? Explique. 8 O narrador menciona que sua filha come grilos. Ele está sendo irônico nesse caso? Desenvolva argumentos que justifiquem sua resposta. 9 Leia as informações sobre os médicos Benjamin Spock e Rinal- do De Lamare.Em seguida, escreva no caderno uma explicação sobre como a ironia se manifesta por meio da referência que o narrador faz a eles na crônica. Dr. Spock Benjamin Mclane Spock (1903-1998) foi um médico estadunidense que se tornou conhecido por defender uma postura mais flexível dos pais em relação à educação das crianças. Em 1946, ele publicou Meu filho, meu tesouro, obra em que reunia orientações sobre os cuidados básicos que se deve ter com os bebês e que se tor- naria um dos livros mais vendidos na História. De Lamare Rinaldo Victor De Lamare (1910-2002) era professor e médico pediatra brasileiro, autor do livro A vida do beb•, que tem até hoje grande vendagem devido às orien- tações sobre os cuidados e a educação de crianças. Também ficou famoso no Brasil e no exterior pela criação do soro caseiro, remédio simples que desde a década de 1930 tem sido usado para curar a desidratação infantil. NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. E ile en K um pf /S hu tt er st oc k Grilo. 5. Espera-se que os estudantes mencionem que é provável que sim. A descrição dos amigos pelo narrador colabora para que se tenha uma percepção negativa a respeito dos restaurantes (os naturais e os macrobióticos) que frequentam. A forma como ele se refere a cada uma das pessoas fortalece o posicionamento, que é explorado ao longo do texto, e destaca uma quase aversão a tudo que remeta “à naturalidade ou a qualquer coisa correlata”. Como se acredita, o tipo de alimentação se reflete na estrutura corporal, na aparência e na energia dos indiví- duos, por isso o narrador trata de marcar esses aspectos na descri- ção das pessoas citadas. 7. Espera-se que os estudantes observem que, como todos os hábitos alimentares das pessoas mencionadas causavam descon- forto ao narrador, o esperado é que em seu núcleo familiar as pessoas tivessem costumes se- melhantes aos dele. No entanto, o improvável acontece, pois, confor- me suas palavras: “[...] o destino é irônico”. Em casa, ele lida com a aversão que a sua filha Chica tem às carnes, somada ao inusitado apetite da menina, que teria se arriscado a comer grilos. As expressões são “de certa maneira”, “pode-se dizer” e “talvez”. Espera-se que os estudantes concluam que essas expressões são usadas por quem atendeu o nar- rador no restaurante, possivelmente um garçom, porque ele quer responder sem parecer agressivo, evidenciando respeito ao cliente do restaurante. 8. Os estudantes poderão respon- der que sim, argumentando que o narrador menciona que descobriu por acaso onde sua filha obtém as tão faladas proteínas, o que seria 9. Resposta pessoal. Aguce a percepção e a interpretação dos estudantes para o uso de ironias. Uma das formas de construir essa figura de linguagem é dizer o con- trário daquilo que de fato se quer expressar, lidando com a ambiva- lência entre a proposição real ou pensada e aquela que foi rede- senhada ou externada. No texto, o narrador faz referência a dois renomados médicos – Spock e De Lamare – para fortalecer o relato. É interessante que os estudan- tes percebam que essa escolha demonstra a intencionalidade de reforçar uma fala ou um ponto de vista: a filha Chica precisa de “pro- teínas, carboidratos e lipídios” e o hábito alimentar seguido não é o adequado. Trata-se de uma ma- neira bem-humorada de respaldar um posicionamento. O narrador apresenta sua filha Chica, que recentemente completou um ano de vida, como uma criança fora dos padrões, pois pesa 13 quilos e “tem físico de lutador de sumô”, ou seja, está com sobrepeso, é “metida a natural” (utilizando a ironia mais uma vez) e não come carne. Isso desperta preocupações na família e, por isso, eles recorrem às referências do dr. Spock e do dr. De Lamare, que defendem, nas obras deles, que a criança precisa comer proteínas, carboidratos e lipídios para crescer e ser saudável. uma explicação irônica para a robustez da criança e seu preparo físico, apesar de não gostar de co- mer carne. Ele ainda diz que a infestação de grilos era mais moderada em sua casa que em outros lugares, porque Chica come grilos, mastigando-os com grande prazer gastronômico. A ironia é reforçada pela resposta da mãe da menina de que são João Batista, o último dos profetas que anunciaram a vinda de Jesus Cristo à Terra, de acordo com o cristianismo, também comia grilos. V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 95V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 95 14/09/2020 17:0014/09/2020 17:00 9 6 CAPÍTULO 3 10 Releia outro trecho extraído da crônica “Aventuras naturais”. [...] Outro dia mesmo, quando Zé de Honorina estava lá em casa para tomar um cafezi- nho, observou que tínhamos bem menos grilos do que as outras casas da ilha. — Que é que você faz, usa muito inseticida? — perguntou ele. — Não. Nós usamos controle biol—gico — respondi, olhando para minha filha orgu- lhosamente. Considerando o que você estudou sobre a ironia e o humor nas questões an- teriores, e o contexto da crônica, atente às palavras em destaque e responda no caderno: a) Qual foi a intencionalidade do narrador ao criar esse jogo de palavras? b) Que efeito de sentido se produz por meio dele? 11 A crônica é um gênero textual que também pode propor reflexão. Em “Aventuras na- turais”, o relato do narrador leva o leitor a pensar sobre diferentes hábitos alimentares seguidos em uma mesma sociedade. Em certos momentos, o narrador parece criticar o que ele considera extremismo de algumas vertentes, pois age com estranheza ao que lhe é oferecido; em outros, parece não acreditar na alimentação natural; e, ao final, parece flexibilizar o olhar ao que é diferente do que está acostumado. a) Você já passou por alguma experiência semelhante à do narrador? Comente com a turma. Lembre-se de que nossos hábitos não podem ser utilizados como parâmetro valorativo para outras culturas. Cada cultura é singular, e isso faz parte da diversidade humana. Há costumes que podem não ser convencionais para você, mas são para o outro. b) Que reflexões você faz com base nas atitudes do narrador? Conte aos colegas. G o o d S tu d io / S h u tt e rs to ck Para responder a este item, considere questões como as semelhanças e diferenças entre os hábitos alimentares das personagens da crônica e os seus; que tipo de alimentação é considerada mais ou menos saudável; e os pontos positivos e negativos desses hábitos. Conheça as principais diferenças entre alimentação natural, vegetariana, funcional, orgânica, sem açúcar e sem glúten lendo o texto “As principais diferenças entre as vertentes de alimentação”, escrito por Flávia Schiochet e publicado no site do jornal Gazeta do Povo. Disponível em: https:// www.gazetadopovo.com. br/bomgourmet/veja- principais-diferencas- entre-vertentes-de- alimentacao/. Acesso em: 5 ago. 2020. VALE VISITAR 10. a) Espera-se que os estu- dantes percebam que o todo do texto deve ser considerado para a compreensão das partes. Além disso, entender que as palavras são elementos importantes para a construção de efeitos de sentido e podem fornecer pistas e dire- cionamentos a respeito da inten- cionalidade do autor, narrador ou personagem. O jogo de palavras é um mecanismo bastante utiliza- do quando se pretende instaurar trocadilhos, ser poético ou, ainda, atribuir ao texto peculiaridades humorísticas que causem o riso – como é o caso do trecho analisa- do. Ao sugerir que a criança come todos os grilos, o narrador faz um trocadilho com o fato de aquela ação se tratar de um controle bio- lógico, isto é, algo que seria natu- ral, embora não seja. O narrador cria esse jogo com as palavras, que têm significados divergentes ou mesmo contrapostos, com a intenção de ser irônico, de promo- ver humor e provocar o riso. O leitor percebe uma ironia mais sutil, visto que o narrador, que criticava a ati- tude da filha de não comer carne, agora, ao saber que ela come grilos, mostra-se orgulhosopor sua ação ser uma forma “biológica”, mais natural, de controlar a infestação destes em sua casa. Resposta pessoal. O objetivo é que os estudantes compartilhem suas expe- riências com a turma, identificando afinidades com a experiência do narrador, Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes reflitam sobre o tema considerando as ideias apontadas no enunciado: crítica aos extremismos de vertentes e escolhas, incredulidade na alimentação natural e flexibilização de ponto de vista. assim como respeitando diferenças de hábitos alimentares em uma sociedade ou entre comunidades. V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 96V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 96 14/09/2020 17:0014/09/2020 17:00 9 7CAPÍTULO 3 VOCÊ TEM FOME DE MÚSICA? O corpo físico não é o único que precisa de cuidados. Alimentar a alma também é importante! Como diz a famosa frase do poeta romano Juvenal: “Mente sã, corpo são”. Sorte que o “cardápio” desta parada, além de nutritivo, é variado: música, dança, circo... Você tem fome de quê? 1 Leia a letra da canção “Comida”, da banda Titãs, e responda às atividades no caderno. Comida Bebida é água Comida é pasto Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte A gente não quer só comida A gente quer bebida, diversão, balé A gente não quer só comida A gente quer a vida como a vida quer Bebida é água Comida é pasto Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comer A gente quer comer e quer fazer amor A gente não quer só comer A gente quer prazer pra aliviar a dor A gente não quer só dinheiro A gente quer dinheiro e felicidade A gente não quer só dinheiro A gente quer inteiro e não pela metade Diversão e arte Para qualquer parte Diversão, balé Como a vida quer Desejo, necessidade, vontade Necessidade, desejo, eh Necessidade, vontade, eh Necessidade COMIDA. Intérprete: Titãs. Compositores: Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Sérgio Britto. In: JESUS não tem dentes no país dos banguelas. Rio de Janeiro: Liminha, 1987. 1 CD, faixa 2. NA BNCC Competências gerais: 1, 3, 4, 5, 7, 9 Competências específicas de Linguagens: 1, 2, 3, 6, 7 Habilidades de Linguagens: EM13LGG102, EM13LGG103, EM13LGG104, EM13LGG201, EM13LGG202, EM13LGG301, EM13LGG302, EM13LGG303, EM13LGG601, EM13LGG602, EM13LGG603, EM13LGG701, EM13LGG703 Habilidades de Língua Portuguesa: Todos os campos de atuação social: EM13LP06, EM13LP07, EM13LP13, EM13LP17, EM13LP18 Campo da vida pessoal: EM13LP20 Campo de atuação na vida pública: EM13LP23 Campo jornalístico-midiático: EM13LP43 Campo artístico-literário: EM13LP47, EM13LP53, EM13LP54 NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. Repr od uç ão /I n st a g ra m TITÌS é uma banda brasileira formada em 1982. Conhecidos pelas letras bem-humoradas e pela grande quantidade de integrantes (nove membros na formação original), os Titãs fizeram parte de um cenário de efervescência cultural no país em que surgiram muitas outras bandas de rock. Desde 1982, a banda já lançou mais de vinte álbuns e ganhou diversos prêmios, transitando entre o rock e o pop. Ao longo da carreira, teve diversos integrantes, entre os quais Arnaldo Antunes, Nando Reis e Paulo Miklos. A formação atual conta com Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, integrantes desde a origem do grupo, além dos músicos de apoio Mario Fabre e Beto Lee. 3ª PARADA Consulte respostas esperadas e mais informações para o trabalho com as ativi- dades desta parada nas Orientações específicas deste Manual. V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 97V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 97 14/09/2020 17:0014/09/2020 17:00 9 8 CAPÍTULO 3 a) Considere a letra da canção “Comida”: Qual é a crítica feita na música? b) Releia os dois primeiros versos da letra: “Bebida é água / Comida é pasto”. Que conteúdos implícitos são transmitidos neles? c) E você, tem fome e sede de quê? 2 O Objetivo 2 (ODS2), um dos 17 implementados pela ONU em 2015 para transfor- mar o mundo até 2030, é “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”. Mas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2020), falta comida para mais de 45 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe. Leia o trecho da reportagem a seguir para responder às atividades no caderno. A volta da fome [...] O Brasil não escapou. Após tirar quase 14 milhões de pessoas da desnutrição, estamos de volta ao Mapa da Fome das Nações Unidas, de onde havíamos saído em 2014, quan- do menos de 5% da população ficou abaixo da linha da miséria. Em 2017, 11,7 milhões de brasileiros (5,6%) viviam com menos [de] US$ 1,90 (R$ 7,22) ao dia, o que os tornou vulneráveis à desnutrição, mal que afeta principalmente idosos e crianças. Decorren- tes da crise econômica e dos cortes orçamentários, o encolhimento dos programas so- ciais e de incentivo aos pequenos produtores dificulta o acesso a alimentos. De acordo com a FAO, hoje 5,2 milhões de brasileiros estão desnutridos, um aumento de 200 mil pessoas desde 2012. Algo vexaminoso para um país que colhe 300 milhões de tone- ladas anuais de grãos. “Precisamos avançar para que todos recebam cuidados devido à desnutrição e suas consequências”, disse Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). [...] VARGAS, André. A volta da fome. Istoƒ, 15 nov. 2018. Disponível em: https://istoe.com.br/a-volta-da-fome/. Acesso em: 7 jul. 2020. a) Tanto a canção “Comida” quanto o trecho da reportagem “A volta da fome” têm a fome como tema. Discuta com um colega os sentidos dessa palavra nos dois textos. b) O que você pode fazer para ajudar a combater a fome de comida no Brasil? m an tin ov /S hu tt er st oc k 1. b) O objetivo é explorar a pro- dução de inferências. Espera-se que os estudantes interpretem a inferência semântica gerada pelas expressões linguísticas nesses versos e pelo contexto. Água e pasto são oferecidos a outros animais, bois, seres irracionais, que não são capazes de lutar por seus direitos. A arte, a diversão e a cultura reivindicadas na can- ção são anseios de pessoas que raciocinam e que, portanto, são capazes de demandar ou mesmo exigir direitos. 1. c) Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes apresentem respostas que evidenciem inter- pretações que a canção “Comida” permite. Uma delas seria a de crí- tica às injustiças sociais, à existên- cia no Brasil de muitas pessoas po- bres e desamparadas que passam fome, e que não têm condições de satisfazer outras necessidades humanas. Outra leitura seria a de que a letra pode fazer referência ao nosso desejo de sempre querer mais, embora nunca estejamos felizes e satisfeitos. Ainda há uma terceira interpretação, a de que a canção “Comida”, lançada no ano de 1987, pode ser vista como uma canção relacionada ao contexto da redemocratização, período vivido no Brasil após o Movimento das Diretas Já (1984). Nesse contexto, haveria fome e sede de liberdade, cultura, diversão, arte, etc. 2. a) Espera-se que os estudantes reflitam que, na canção, a palavra fome é usada tanto em sentido denotativo, relacionado à carên- cia alimentar, quanto em sentido conotativo, pois trata de desejo, ambição, avidez. Já no trecho da reportagem, a palavra fome é usada apenas em sentido deno- tativo e significa a necessidade fisiológica de comer. Nessa dis- cussão, instrua os estudantes a argumentarem, esclarecendo as razões que os levaram à opinião que defendem. 2. b) Resposta pessoal. É interes- sante chamar a atenção dos es- tudantes para posturas e atitudes que eles mesmos podem adotar no dia a dia, como não desperdiçar alimentos (aproveitar as sobras), adotar dietas mais saudáveis e sus- tentáveis,consumir produtos de estabelecimentos mais próximos do bairro ou da cidade, promover a conscientização da comunidade e propor mudanças de atitudes vi- sando à melhoria das condições de vida em todos os aspectos. 1. a) Espera-se que os estudantes infiram que a canção “Comida” critica a falta de cultura, diversão, arte, felicidade e liberdade na so- ciedade. A música remete não só à satisfação de duas necessida- des vitais do ser humano – comer/ comida/fome e beber/bebida/ sede –, mas também reivindica o direito da população (“a gente”) à satisfação de outras necessida- des humanas, de se querer intei- ro e não pela metade: dinheiro e felicidade, sexo e amor, alimento para o corpo físico e para a alma. V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 98V3_LINGUAGENS_Faccioli_g21At_Cap3_081a116_LA.indd 98 14/09/2020 17:0014/09/2020 17:00