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9 4 CAPÍTULO 3
a) Engraçada, positiva e sutil. 
b) Sarcástica, corrosiva e explícita.
4 Durante o relato das “aventuras” no restaurante natural e macrobiótico, o narrador 
faz referências a um cineasta e a dois amigos. Com base na descrição dessas per-
sonagens, escreva um comentário sobre a percepção que o narrador tem de cada 
uma delas. 
a) O cineasta. b) O “falso” amigo. c) O outro amigo. 
 Anote no caderno duas situações da crônica “Aventuras naturais” que evidenciem: 
a) Referências a assuntos do cotidiano. 
b) Marcas da linguagem coloquial.
2 Segundo o E-dicionário de termos literários:
o humor é fundamentalmente a capacidade de exprimir as excentricidades de deter-
minada ação ou situação que são susceptíveis de provocar o riso. 
CASTRO, Catarina. E-dicionário de termos literários. 
Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/humor/. Acesso em: 28 jul. 2020.
 Considere essa definição e registre três passagens do texto em que se nota a 
presença do humor.
3 O humor nessa crônica de João Ubaldo Ribeiro ganha força por meio da ironia que, 
algumas vezes, é engraçada, positiva e sutil e, em outras, é sarcástica, corrosiva e 
explícita. Essas formas de ironia aparecem nos diálogos entre o narrador e os inter-
locutores. Identifique esses momentos no texto, selecione as ironias encontradas e 
organize-as em dois grupos.
NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. 
BAGAGEM
A ironia é uma figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra ou 
expressão de forma que tenha um sentido diferente do habitual e produza efeitos de 
sentido que transitam entre o divertimento e a irritação. É, portanto, um mecanismo 
que instaura ambiguidade, e o contexto social em que é produzida é um fator crucial 
para sua compreensão. Para que a ironia funcione, esse jogo com as palavras deve ser 
feito de maneira que a intenção do locutor não seja imediatamente identificada. Deve 
estimular o raciocínio e fazer o interlocutor considerar os diversos sentidos possíveis 
que determinada palavra ou expressão possa ter, até encontrar aquele que se encaixe 
na mensagem, produzindo um significado inusitado.
Wikipedia/
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GERALDO SARNO (1938-) nasceu em Poções, na Bahia. 
É roteirista e diretor de cinema. Durante a carreira, foi 
premiado e ficou conhecido por filmes que abordam temas 
ligados à história nacional e ao Nordeste, como a migração, 
os elementos religiosos e a cultura popular.
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1. a) Algumas possibilidades de referências a assuntos 
do cotidiano são os encontros e os almoços com os 
amigos; as idas a restaurantes; os pedidos feitos e a 
conversa com quem o atende (possivelmente um gar-
çom); a conversa familiar com a esposa e a filha; a visita 
de um amigo ou vizinho; reunir-se com amigos; tomar 
café com amigos, etc.
1. b) Resposta pessoal.
2. Espera-se que os estudantes 
compreendam que o humor, nes-
se caso, foi utilizado para marcar 
um ponto de vista. Para isso, o 
narrador transforma as situações 
que poderiam ser informativas 
(sobre a alimentação macrobióti-
ca, por exemplo) em ocasiões que 
favorecem o riso. Em alguns mo-
mentos, satiriza o cenário em que 
a comunicação inicial se situa e 
ridiculariza o comportamento dos 
sujeitos envolvidos. É importante 
que os estudantes percebam que 
todos os textos têm uma finali-
dade e uma orientação valorativa 
diante dos temas e hábitos sociais 
abordados, até mesmo quando se 
utiliza o humor. São exemplos de 
passagens bem-humoradas da 
crônica, isto é, que provocam o 
riso: “experiência acabrunhante”, 
“momento de insensatez”, “masti-
gadores obstinados”, “aura de ex-
piação de pecados”, “penitências 
alimentares”, “atmosfera pálida e 
astênica”, “revoltante cinismo”, 
“falso amigo”, “rosário horripilante 
de possibilidades”, “suco de espi-
nafre (que nunca vi, mas considero 
imoral por definição) e terminando 
por suco de beldroega, que não sei 
o que é mas tampouco soa como 
algo decente”, entre outras.
3. b) Os estudantes poderão citar: “De beldroega?”, “Hein? Sim, muito 
bem, está muito bem mesmo.”, “Com certeza, conseguem vender esse 
3. a) Os estudantes poderão citar: “E essa água descansada é diferente da 
água comum?”, “Quer dizer que normalmente bebo água cansada? Isso é 
mau?”, “Fantástica água. Será que eu posso beber um copo de água geladinha?”, “Por quê? Gelar cansa 
a água?”, “Cinquenta vezes? É por isso que ninguém fala aqui, todo mundo contando as mastigadas?”, 
“Cinquenta vezes cada gole?”, entre outras.
4. a) Em relação ao cineasta, a percepção sugerida é de que 
se trata de uma pessoa que consome alimentos naturais, mas 
que não aparenta ser alguém que faz esse tipo de escolha ali-
mentar. Aqui parece haver uma ironia, utilizada para sugerir que 
o cineasta não tem uma estrutura corporal dentro dos padrões 
sociais estabelecidos; ou que ele seja um sujeito que não fala 
muito sobre os seus hábitos alimentares com os outros e, por 
isso, ninguém imaginaria que esses seriam os seus.
4. b) O narrador passa a ideia de 
que esse amigo não foi leal, pois 
o levou a um lugar que o deixou 
“abaladíssimo”, “intimidado” e 
como quem paga penitências: o 
restaurante macrobiótico. Se a in-
tenção era mostrar ou apresentar 
uma possibilidade de alimentação 
natural, o “falso amigo” apenas o 
assustou com esse programa do 
qual o narrador acredita que “de-
via ter fugido antes”.
4. c) O narrador descreve o outro amigo como alguém de “espec-
tro ossudo”, “macilento” e de “rosto escaveirado” – o que é irônico, 
já que o comumente esperado é que a alimentação adequada reflita 
também nos aspectos físicos do sujeito. Da forma como o narrador 
o descreve, parece que se trata de alguém quase debilitado. O com-
portamento do outro amigo é diferente do comportamento dos an-
teriores, pois ele reafirma o tempo todo quanto se sente saudável e 
rejuvenescido.
negócio e o pessoal ainda paga e agradece.”, “Arroz, hein? Quem diria, assim à primeira vista eu pensei que era papa 
de alpiste com goma arábica.”, “Está certo. Acontecendo alguma coisa, avise à família.”, entre outras.
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9 5CAPÍTULO 3
5 O narrador identifica um dos amigos pelo nome, pela profissão e o caracteriza 
como uma pessoa “muito natural”. Os outros dois são descritos, respectivamen-
te, como “um falso amigo” e alguém que aparenta ser “uns 40 anos mais velho”. 
Responda no caderno: Em sua opinião, essas diferentes definições teriam relação 
com o posicionamento do narrador a respeito dos restaurantes que esses amigos 
frequentam? Explique. 
6 Releia este trecho extraído da crônica de João Ubaldo Ribeiro. Em seguida, escreva 
no caderno suas respostas às questões.
— E essa água descansada é diferente da água comum? Quer dizer que normalmente 
bebo água cansada? Isso é mau? 
— De certa maneira, você bebe água cansada, sim, pode-se dizer isso. Água misturada 
com aditivos nocivos, talvez poluída, esterilizada através de meios violentos e antina-
turais como a filtragem e a fervura. 
a) A resposta dada ao narrador apresenta expressões que atenuam o que é dito. 
Identifique essas expressões.
b) Por que essas expressões foram usadas na resposta dada ao narrador?
7 A expressão “ironia do destino” é utilizada para designar aquelas situações em 
que um acontecimento inesperado se manifesta. São essas ocasiões que lembram 
a impossibilidade de se controlar tudo o que acontece, pois surpresas fazem parte 
da vida de qualquer ser humano. Responda no caderno: Como é possível relacionar 
essa expressão ao que acontece ao narrador no que se refere aos hábitos alimen-
tares de sua filha Chica? Explique. 
8 O narrador menciona que sua filha come grilos. Ele está sendo 
irônico nesse caso? Desenvolva argumentos que justifiquem sua 
resposta.
9 Leia as informações sobre os médicos Benjamin Spock e Rinal-
do De Lamare.Em seguida, escreva no caderno uma explicação 
sobre como a ironia se manifesta por meio da referência que o 
narrador faz a eles na crônica.
Dr. Spock
Benjamin Mclane Spock (1903-1998) foi um médico estadunidense que se tornou 
conhecido por defender uma postura mais flexível dos pais em relação à educação 
das crianças. Em 1946, ele publicou Meu filho, meu tesouro, obra em que reunia 
orientações sobre os cuidados básicos que se deve ter com os bebês e que se tor-
naria um dos livros mais vendidos na História.
De Lamare
Rinaldo Victor De Lamare (1910-2002) era professor e médico pediatra brasileiro, 
autor do livro A vida do beb•, que tem até hoje grande vendagem devido às orien-
tações sobre os cuidados e a educação de crianças. Também ficou famoso no Brasil 
e no exterior pela criação do soro caseiro, remédio simples que desde a década de 
1930 tem sido usado para curar a desidratação infantil.
NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. 
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Grilo.
5. Espera-se que os estudantes 
mencionem que é provável que 
sim. A descrição dos amigos pelo 
narrador colabora para que se 
tenha uma percepção negativa 
a respeito dos restaurantes (os 
naturais e os macrobióticos) que 
frequentam. A forma como ele 
se refere a cada uma das pessoas 
fortalece o posicionamento, que 
é explorado ao longo do texto, e 
destaca uma quase aversão a tudo 
que remeta “à naturalidade ou a 
qualquer coisa correlata”. Como 
se acredita, o tipo de alimentação 
se reflete na estrutura corporal, na 
aparência e na energia dos indiví-
duos, por isso o narrador trata de 
marcar esses aspectos na descri-
ção das pessoas citadas.
7. Espera-se que os estudantes 
observem que, como todos os 
hábitos alimentares das pessoas 
mencionadas causavam descon-
forto ao narrador, o esperado é 
que em seu núcleo familiar as 
pessoas tivessem costumes se-
melhantes aos dele. No entanto, o 
improvável acontece, pois, confor-
me suas palavras: “[...] o destino é 
irônico”. Em casa, ele lida com a 
aversão que a sua filha Chica tem 
às carnes, somada ao inusitado 
apetite da menina, que teria se 
arriscado a comer grilos.
As expressões são “de certa maneira”, “pode-se dizer” e “talvez”.
Espera-se que os estudantes concluam que essas expressões são usadas por quem atendeu o nar-
rador no restaurante, possivelmente um garçom, porque ele quer responder sem parecer agressivo, 
evidenciando respeito ao cliente do restaurante. 
8. Os estudantes poderão respon-
der que sim, argumentando que o 
narrador menciona que descobriu 
por acaso onde sua filha obtém as 
tão faladas proteínas, o que seria 
9. Resposta pessoal. Aguce a 
percepção e a interpretação dos 
estudantes para o uso de ironias. 
Uma das formas de construir essa 
figura de linguagem é dizer o con-
trário daquilo que de fato se quer 
expressar, lidando com a ambiva-
lência entre a proposição real ou 
pensada e aquela que foi rede-
senhada ou externada. No texto, 
o narrador faz referência a dois 
renomados médicos – Spock e De 
Lamare – para fortalecer o relato. 
É interessante que os estudan-
tes percebam que essa escolha 
demonstra a intencionalidade de 
reforçar uma fala ou um ponto de 
vista: a filha Chica precisa de “pro-
teínas, carboidratos e lipídios” e 
o hábito alimentar seguido não é 
o adequado. Trata-se de uma ma-
neira bem-humorada de respaldar 
um posicionamento. O narrador 
apresenta sua filha Chica, que 
recentemente completou um ano 
de vida, como uma criança fora dos padrões, pois pesa 13 quilos e “tem físico de lutador de sumô”, ou seja, está com sobrepeso, é “metida a natural” 
(utilizando a ironia mais uma vez) e não come carne. Isso desperta preocupações na família e, por isso, eles recorrem às referências do dr. Spock e do 
dr. De Lamare, que defendem, nas obras deles, que a criança precisa comer proteínas, carboidratos e lipídios para crescer e 
ser saudável.
uma explicação irônica para a robustez da criança e seu preparo físico, apesar de não gostar de co-
mer carne. Ele ainda diz que a infestação de grilos era mais moderada em sua casa que em outros 
lugares, porque Chica come grilos, mastigando-os com grande prazer gastronômico. A ironia é reforçada pela resposta da mãe da menina de 
que são João Batista, o último dos profetas que anunciaram a vinda de Jesus Cristo à Terra, de acordo com o cristianismo, também comia grilos.
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9 6 CAPÍTULO 3
10 Releia outro trecho extraído da crônica “Aventuras naturais”.
[...] Outro dia mesmo, quando Zé de Honorina estava lá em casa para tomar um cafezi-
nho, observou que tínhamos bem menos grilos do que as outras casas da ilha. 
— Que é que você faz, usa muito inseticida? — perguntou ele. 
— Não. Nós usamos controle biol—gico — respondi, olhando para minha filha orgu-
lhosamente.
 Considerando o que você estudou sobre a ironia e o humor nas questões an-
teriores, e o contexto da crônica, atente às palavras em destaque e responda 
no caderno:
a) Qual foi a intencionalidade do narrador ao criar esse jogo de palavras?
b) Que efeito de sentido se produz por meio dele? 
11 A crônica é um gênero textual que também pode propor reflexão. Em “Aventuras na-
turais”, o relato do narrador leva o leitor a pensar sobre diferentes hábitos alimentares 
seguidos em uma mesma sociedade. Em certos momentos, o narrador parece criticar 
o que ele considera extremismo de algumas vertentes, pois age com estranheza ao 
que lhe é oferecido; em outros, parece não acreditar na alimentação natural; e, ao 
final, parece flexibilizar o olhar ao que é diferente do que está acostumado. 
a) Você já passou por alguma experiência semelhante à do narrador? Comente 
com a turma.
Lembre-se de que nossos hábitos não podem ser utilizados como parâmetro valorativo 
para outras culturas. Cada cultura é singular, e isso faz parte da diversidade humana. Há 
costumes que podem não ser convencionais para você, mas são para o outro.
b) Que reflexões você faz com base nas atitudes do narrador? Conte aos colegas.
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Para responder a este item, considere questões como as semelhanças e diferenças entre 
os hábitos alimentares das personagens da crônica e os seus; que tipo de alimentação é 
considerada mais ou menos saudável; e os pontos positivos e negativos desses hábitos.
Conheça as principais 
diferenças entre 
alimentação natural, 
vegetariana, funcional, 
orgânica, sem açúcar e 
sem glúten lendo o texto 
“As principais diferenças 
entre as vertentes de 
alimentação”, escrito 
por Flávia Schiochet 
e publicado no site do 
jornal Gazeta do Povo. 
Disponível em: https://
www.gazetadopovo.com.
br/bomgourmet/veja-
principais-diferencas-
entre-vertentes-de-
alimentacao/. Acesso 
em: 5 ago. 2020.
VALE VISITAR
10. a) Espera-se que os estu-
dantes percebam que o todo do 
texto deve ser considerado para 
a compreensão das partes. Além 
disso, entender que as palavras 
são elementos importantes para a 
construção de efeitos de sentido 
e podem fornecer pistas e dire-
cionamentos a respeito da inten-
cionalidade do autor, narrador ou 
personagem. O jogo de palavras 
é um mecanismo bastante utiliza-
do quando se pretende instaurar 
trocadilhos, ser poético ou, ainda, 
atribuir ao texto peculiaridades 
humorísticas que causem o riso 
– como é o caso do trecho analisa-
do. Ao sugerir que a criança come 
todos os grilos, o narrador faz um 
trocadilho com o fato de aquela 
ação se tratar de um controle bio-
lógico, isto é, algo que seria natu-
ral, embora não seja. O narrador 
cria esse jogo com as palavras, 
que têm significados divergentes 
ou mesmo contrapostos, com a 
intenção de ser irônico, de promo-
ver humor e provocar o riso.
O leitor percebe uma ironia mais sutil, 
visto que o narrador, que criticava a ati-
tude da filha de não comer carne, agora, ao saber que ela come grilos, mostra-se orgulhosopor sua ação 
ser uma forma “biológica”, mais natural, de controlar a infestação destes em sua casa.
Resposta pessoal. O objetivo é que os estudantes compartilhem suas expe-
riências com a turma, identificando afinidades com a experiência do narrador, 
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes reflitam sobre o tema considerando as ideias apontadas 
no enunciado: crítica aos extremismos de vertentes e escolhas, incredulidade na alimentação natural e 
flexibilização de ponto de vista.
assim como respeitando diferenças de hábitos alimentares em uma sociedade ou entre comunidades.
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9 7CAPÍTULO 3
VOCÊ TEM FOME DE MÚSICA?
O corpo físico não é o único que precisa de cuidados. Alimentar a alma também é 
importante! Como diz a famosa frase do poeta romano Juvenal: “Mente sã, corpo são”. 
Sorte que o “cardápio” desta parada, além de nutritivo, é variado: música, dança, circo... 
Você tem fome de quê?
1 Leia a letra da canção “Comida”, da banda Titãs, e responda às atividades no caderno.
Comida
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
 
 
A gente não quer só comer
A gente quer comer e quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer pra aliviar a dor
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade
Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh
Necessidade, vontade, eh
Necessidade
COMIDA. Intérprete: Titãs. Compositores: Arnaldo 
Antunes, Marcelo Fromer, Sérgio Britto. 
In: JESUS não tem dentes no país dos banguelas. 
Rio de Janeiro: Liminha, 1987. 1 CD, faixa 2.
NA BNCC
Competências gerais: 1, 3, 4, 5, 7, 9
Competências específicas de 
Linguagens: 1, 2, 3, 6, 7
Habilidades de Linguagens: 
EM13LGG102, EM13LGG103, 
EM13LGG104, EM13LGG201, 
EM13LGG202, EM13LGG301, 
EM13LGG302, EM13LGG303, 
EM13LGG601, EM13LGG602, 
EM13LGG603, EM13LGG701, 
EM13LGG703
Habilidades de Língua Portuguesa: 
 Todos os campos de atuação social: 
EM13LP06, EM13LP07, EM13LP13, 
EM13LP17, EM13LP18
 Campo da vida pessoal: EM13LP20
 Campo de atuação na vida pública: 
EM13LP23
 Campo jornalístico-midiático: 
EM13LP43
 Campo artístico-literário: EM13LP47, 
EM13LP53, EM13LP54
NÃO ESCREVA NESTE LIVRO. 
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TITÌS é uma banda brasileira formada em 1982. Conhecidos 
pelas letras bem-humoradas e pela grande quantidade de 
integrantes (nove membros na formação original), os Titãs 
fizeram parte de um cenário de efervescência cultural no 
país em que surgiram muitas outras bandas de rock. Desde 
1982, a banda já lançou mais de vinte álbuns e ganhou 
diversos prêmios, transitando entre o rock e o pop. Ao longo 
da carreira, teve diversos integrantes, entre os quais Arnaldo 
Antunes, Nando Reis e Paulo Miklos. A formação atual conta 
com Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, integrantes 
desde a origem do grupo, além dos músicos de apoio Mario 
Fabre e Beto Lee.
3ª PARADA 
Consulte respostas esperadas e mais informações para o trabalho com as ativi-
dades desta parada nas Orientações específicas deste Manual.
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9 8 CAPÍTULO 3
a) Considere a letra da canção “Comida”: Qual é a crítica feita na música?
b) Releia os dois primeiros versos da letra: “Bebida é água / Comida é pasto”. Que 
conteúdos implícitos são transmitidos neles?
c) E você, tem fome e sede de quê? 
2 O Objetivo 2 (ODS2), um dos 17 implementados pela ONU em 2015 para transfor-
mar o mundo até 2030, é “Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e 
melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”. Mas, segundo dados 
da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2020), 
falta comida para mais de 45 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe. 
Leia o trecho da reportagem a seguir para responder às atividades no caderno.
A volta da fome
[...] 
O Brasil não escapou. Após tirar quase 14 milhões de pessoas da desnutrição, estamos 
de volta ao Mapa da Fome das Nações Unidas, de onde havíamos saído em 2014, quan-
do menos de 5% da população ficou abaixo da linha da miséria. Em 2017, 11,7 milhões 
de brasileiros (5,6%) viviam com menos [de] US$ 1,90 (R$ 7,22) ao dia, o que os tornou 
vulneráveis à desnutrição, mal que afeta principalmente idosos e crianças. Decorren-
tes da crise econômica e dos cortes orçamentários, o encolhimento dos programas so-
ciais e de incentivo aos pequenos produtores dificulta o acesso a alimentos. De acordo 
com a FAO, hoje 5,2 milhões de brasileiros estão desnutridos, um aumento de 200 mil 
pessoas desde 2012. Algo vexaminoso para um país que colhe 300 milhões de tone-
ladas anuais de grãos. “Precisamos avançar para que todos recebam cuidados devido 
à desnutrição e suas consequências”, disse Carissa Etienne, diretora da Organização 
Pan-Americana de Saúde (OPAS).
[...]
VARGAS, André. A volta da fome. Istoƒ, 15 nov. 2018. 
Disponível em: https://istoe.com.br/a-volta-da-fome/. Acesso em: 7 jul. 2020.
a) Tanto a canção “Comida” quanto o trecho da reportagem “A volta da fome” têm a 
fome como tema. Discuta com um colega os sentidos dessa palavra nos dois textos.
b) O que você pode fazer para ajudar a combater a fome de comida no Brasil?
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1. b) O objetivo é explorar a pro-
dução de inferências. Espera-se 
que os estudantes interpretem a 
inferência semântica gerada pelas 
expressões linguísticas nesses 
versos e pelo contexto. Água e 
pasto são oferecidos a outros 
animais, bois, seres irracionais, 
que não são capazes de lutar por 
seus direitos. A arte, a diversão 
e a cultura reivindicadas na can-
ção são anseios de pessoas que 
raciocinam e que, portanto, são 
capazes de demandar ou mesmo 
exigir direitos.
1. c) Resposta pessoal. Espera-se 
que os estudantes apresentem 
respostas que evidenciem inter-
pretações que a canção “Comida” 
permite. Uma delas seria a de crí-
tica às injustiças sociais, à existên-
cia no Brasil de muitas pessoas po-
bres e desamparadas que passam 
fome, e que não têm condições 
de satisfazer outras necessidades 
humanas. Outra leitura seria a de 
que a letra pode fazer referência 
ao nosso desejo de sempre querer 
mais, embora nunca estejamos 
felizes e satisfeitos. Ainda há uma 
terceira interpretação, a de que a 
canção “Comida”, lançada no ano 
de 1987, pode ser vista como uma 
canção relacionada ao contexto da 
redemocratização, período vivido 
no Brasil após o Movimento das 
Diretas Já (1984). Nesse contexto, 
haveria fome e sede de liberdade, 
cultura, diversão, arte, etc.
2. a) Espera-se que os estudantes 
reflitam que, na canção, a palavra 
fome é usada tanto em sentido 
denotativo, relacionado à carên-
cia alimentar, quanto em sentido 
conotativo, pois trata de desejo, 
ambição, avidez. Já no trecho 
da reportagem, a palavra fome é 
usada apenas em sentido deno-
tativo e significa a necessidade 
fisiológica de comer. Nessa dis-
cussão, instrua os estudantes a 
argumentarem, esclarecendo as 
razões que os levaram à opinião 
que defendem.
2. b) Resposta pessoal. É interes-
sante chamar a atenção dos es-
tudantes para posturas e atitudes 
que eles mesmos podem adotar 
no dia a dia, como não desperdiçar 
alimentos (aproveitar as sobras), 
adotar dietas mais saudáveis e sus-
tentáveis,consumir produtos de 
estabelecimentos mais próximos 
do bairro ou da cidade, promover 
a conscientização da comunidade 
e propor mudanças de atitudes vi-
sando à melhoria das condições de 
vida em todos os aspectos.
1. a) Espera-se que os estudantes 
infiram que a canção “Comida” 
critica a falta de cultura, diversão, 
arte, felicidade e liberdade na so-
ciedade. A música remete não só 
à satisfação de duas necessida-
des vitais do ser humano – comer/
comida/fome e beber/bebida/
sede –, mas também reivindica o 
direito da população (“a gente”) à 
satisfação de outras necessida-
des humanas, de se querer intei-
ro e não pela metade: dinheiro e 
felicidade, sexo e amor, alimento 
para o corpo físico e para a alma.
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