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CONVERSA DE CONVERSA DE A ideia de progresso sofreu transformações ao longo do tempo. Auguste Comte (1798-1857) acreditava que, devido às transformações sociais causadas pelos grandes avanços tecnológicos, era necessário analisar a sociedade – esse es- tudo foi posteriormente chamado de Sociologia. Uma de suas ideias centrais é que a maneira de compreender os fenômenos humanos passou por três fases. A primeira era o estado teoló- gico, em que um deus era o responsável pelos fenômenos naturais e humanos. A segunda era o estado metafísico, em que o conhecimento era baseado em abstrações, na busca da essência do mundo, como na ideia de direitos naturais. Por fim, a última fase seria o estado positivo, em que o conhecimento é fundamentado por me- todologia científica, com a observação das evi- dências, elaboração de hipóteses e formulação de leis universais. Com isso, Comte tem como premissa a evolução da humanidade e, portanto, seu progresso. Posteriormente, essa ideia sofreu várias críti- cas. Georges Sorel (1847-1922) denunciou o pro- gresso como uma ilusão. Para ele, tratava-se da “ideologia dos vencedores”, que visava legitimar a exploração dos trabalhadores no capitalismo. Angelus Novus, de Paul Klee, 1920 (óleo e aquarela sobre papel, de 31,8 cm 3 24,2 cm). Considere os diferentes sentidos da ideia de progresso e responda: 1 Como a ideia de progresso era definida pelos pensadores iluministas? 2 Para Comte, de que dependeria a continuidade do progresso tecnológico que a Europa experimentava em meados do século XIX? 3 Quais as críticas que a ideia de progresso recebeu por parte de intelec- tuais como Sorel e Benjamin? B ri d g e m a n i m a g e s /E a s y p ix B ra s il SOCIÓLOGOS & FILÓSOFOS Uma das críticas mais emblemáticas veio de Walter Benjamin (1892-1940), para quem avanço tecnológico e conhecimento científico não eram sinônimos de progresso. Com base em uma interpretação da pintura Angelus Novus, de Paul Klee (1879-1940), Benjamin definiu a história e criticou a ideia de progresso: Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece afastar-se de algo que ele encara �xamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fe- chá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso. BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de História. In: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas. v. 1. São Paulo: Brasiliense, 1987. p. 226. 69 V4_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap3_064a085_LA.indd 69V4_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap3_064a085_LA.indd 69 9/27/20 2:28 PM9/27/20 2:28 PM Litografia estadunidense, de 1897, sobre a guerra no Sudão. O cartaz apresenta a seguinte legenda: “Cena da terceira guerra no Sudão com encontros, assaltos, combates navais e episódios bélicos.". No fundo, fábricas e uma locomotiva sugerem que os europeus levavam o progresso à região. IMPERIALISMO E PROGRESSO O crescimento industrial e a acumulação de capitais na Europa alcançaram níveis que exigiram a expansão para outras regiões. Nos países capitalistas europeus, empresários, grande comerciantes e financistas voltaram suas am- bições para África e Ásia. Havia não apenas a necessidade de matérias-primas para a indústria – ferro, carvão, petróleo, cobre, etc. –, mas também de merca- dos consumidores para escoar a produção de suas indústrias. A partir da déca- da de 1880, teve início o imperialismo, também chamado de neocolonialismo. O país que mais se beneficiou da corrida imperialista foi a Inglaterra. Suas colônias na África, na Ásia e na América chegaram a um quarto da superfície do planeta. A Inglaterra ficou conhecida como o império em que “o sol nunca se punha”. A seguir, com menor extensão de territórios colonizados, estavam França, Bélgica e Holanda. Alemanha e Itália chegaram mais tarde, por causa da necessidade de unificar seus Estados nacionais primeiro. Estados Unidos e Japão também entraram nessa corrida. Particularmente no caso da África, os países europeus realizaram, entre 1884 e 1885, encontros para organizar a ocupação do continente, dividindo os territórios e estabelecendo fronteiras artificiais, no que ficou conhecido como Conferência de Berlim. As potências europeias ocuparam militarmente vastos territórios africanos e asiáticos, com o objetivo de explorar os recursos naturais e o trabalho das populações que lá viviam, formulando justificativas para isso. Uma delas era a de que levariam o “progresso” para aquelas regiões. No entanto, não lhes importavam se os povos africanos e asiáticos tinham seu modo de produzir, que lhes garantiam alimentação suficiente e maneiras de viver e se relacionar que permitiam uma vida social estável. Para os europeus, tratava-se de povos selvagens, primitivos e atrasados. imperialismo conjunto de ideias e medidas que, sob determinação de um Estado-nação, resulta em políticas de expansão e domínio territorial, cultural ou econômico sobre outras regiões geográficas, sejam elas vizinhas, sejam distantes. neocolonialismo neste contexto, processo de dominação política e econômica, pelas potências capitalistas, no final do século XIX e ao longo do século XX, de regiões da África e da Ásia. U n iv e rs a l H is to ry A rc h iv e /U IG /G e tt y i m a g e s 70 V4_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap3_064a085_LA.indd 70V4_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap3_064a085_LA.indd 70 9/27/20 2:28 PM9/27/20 2:28 PM