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Diálogos em Ciências Humanas Convívio Democrático (26)

Trecho de livro didático sobre violência estrutural e cultural segundo Johan Galtung. Contém gráfico da expectativa de vida por raça e unidade federativa (PNAD 2017), questões de interpretação, definição de violência cultural, discussão sobre paz cultural e cautelas contra generalizações.

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NEGROS (pretos e pardos) BRANCOS
68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83
Expectativa de vida ao nascer por raça/cor 
e unidade federativa do Brasil (2017)
Galtung pesquisou formas para identificar e até mesmo medir a violência 
estrutural em uma sociedade, o que, a princípio, é mais difícil do que reco-
nhecer a violência direta. A forma mais eficaz que o autor encontrou foi com-
parar diferentes expectativas de vida entre setores da sociedade de acordo 
com a posição social.
A expectativa de vida é um conceito estatístico que indica a média do tem-
po de vida de determinada população e está relacionada com a qualidade de 
vida, já que fatores como educação, saúde, saneamento básico, por exemplo, 
influenciam-na diretamente. Aplicando o método de Galtung à realidade bra-
sileira, poderíamos usar como exemplo um gráfico que expõe a expectativa 
de vida de pessoas negras e brancas em cada unidade da federação.
1. Compare a situação do estado onde você vive com a dos demais estados 
brasileiros.
2. Em qual estado brasileiro a discrepância entre os dados é maior? O que 
poderia explicar essa grande diferença?
3. Que conclusão podemos tirar a partir do gráfico de expectativa de vida, 
considerando a definição de Galtung sobre violência estrutural?
Veja respostas e orientações no Manual do Professor.
Interpretar NÃO ESCREVA NO LIVRO
Fonte: elaborado com base 
em PNAD 2017 (Pesquisa 
Nacional por Amostra 
de Domicílios) Via Radar 
IDHM PNUD (Programa 
das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento).
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Violência cultural
A violência cultural se embasa em diferenças culturais, étnicas e de gênero 
e pode se manifestar através da arte, religião, ideologia, linguagens e ciência. 
Ela não está nas crenças e nos costumes em si, mas na forma como eles são 
utilizados para justificar ou legitimar formas de violência sem que pareça ser 
errado, ou seja, não necessariamente aparece como causadora direta ou indi-
reta da violência, mas como legitimadora ou justificadora de atos violentos. 
Por isso, a violência cultural pode ser considerada a forma mais sutil, indire-
ta e duradoura de agressões ao longo do tempo, e mudanças nesse campo po-
dem ser extremamente lentas e difíceis de se notar. Nas palavras de Galtung:
Por “violência cultural” nós queremos dizer aqueles aspectos da cul-
tura, a esfera simbólica da nossa existência – exemplificada pela religião 
e a ideologia, a linguagem e a arte, a ciência empírica e formal (lógica, 
matemática) – que pode ser utilizada para justificar ou legitimar a violên-
cia direta ou estrutural. […] A violência cultural faz com que a violência 
direta e estrutural apareça, ou mesmo seja sentida como, correta – ou ao 
menos não errada. Assim como a ciência política trata de dois problemas 
– o uso do poder e a legitimação do uso do poder – os estudos da violência 
são sobre dois problemas: o uso da violência e a legitimação desse uso.
Para utilizar esse conceito é importante não incorrer no erro da genera-
lização e reproduzir concepções preconceituosas, afirmando, por exemplo, 
que uma religião é violenta, como se a religião inteira fosse violenta. 
É aconselhável explicitar qual é o elemento violento em uma cultura, evi-
tando assim reproduzir injustiças. Em vez de afirmar categoricamente que 
determinada cultura é violenta, é mais correto destacar que determinado as-
pecto de determinada cultura é um exemplo de violência cultural.
Muitas manifestações de violência envolvem mais de um tipo da classifi-
cação de Galtung. Por isso mesmo, o autor aponta que a violência direta é a 
única visível aos olhos. Entretanto, ao analisarmos sua causa, veremos que 
há muitos fatores referentes às violências estrutural e cultural, o que pode 
ser simbolizado na imagem da página a seguir.
GALTUNG, Johan. Cultural 
Violence. Journal of Peace 
Research, v. 27, 1o ago. 
1990, p. 291 apud CONTI, 
Thomas V. Os conceitos de 
violência direta, estrutural 
e cultural. 31 maio 2016. 
Disponível em: http://
thomasvconti.com.br/2016/
os-conceitos-de-violencia-
direta-estrutural-e-cultural/. 
Acesso em: 6 ago. 2020.
Paz cultural
Para se opor à violência cultural, Galtung utiliza o conceito de “paz cultural”, referindo-se a aspectos de uma cultura 
que justifiquem e legitimem ações para a promoção da paz. Por exemplo, elementos da cultura popular, obras de arte, 
símbolos nacionais como hinos, bandeiras, etc. podem ser usados para promover união e legitimar ações pacíficas. 
Contudo, os mesmos recursos podem ser usados para incitar violência, por isso é preciso tomar muito cuidado para 
não confundir a paz cultural com impor uma cultura sobre a outra, o que é em si um ato de violência cultural. Por 
exemplo, ainda que os portugueses, ao chegarem à América, afirmassem que queriam cristianizar os diferentes 
grupos indígenas, a imposição da cultura europeia a esses grupos foi um processo de violência cultural – com 
desdobramentos de violência direta e estrutural –, pois essa outra cultura lhes foi imposta independentemente da 
vontade desses grupos.
Conceitos
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