Prévia do material em texto
vez que cargas iguais se repelem) no substrato p ao longo da borda da camada isolante de SiO2 para que deixem a região e penetrem no substrato até as camadas mais profundas, como mostra a figura. O resultado é uma região de depleção próxima à camada isolante SiO2 livre de lacunas. No entanto, os elétrons no substrato p (os portadores minoritários do material) serão atraídos para a porta positiva e se acumularão próximo à superfície da camada de SiO2. Essa camada isolante evitará que os portadores negativos sejam absorvidos pelo terminal de de baixa potência para áudio ESPECIFICAÇÕES MÁXIMAS CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS CARACTERÍSTICAS EM ESTADO DESLIGADO CARACTERÍSTICAS EM ESTADO LIGADO CARACTERÍSTICAS DE PEQUENO SINAL CARACTERÍSTICAS FUNCIONAIS C a menos que outro valor seja especificado) Especificações Características Tensão dreno-fonte Faixa de temperatura da junção Faixa de temperatura do canal para armazenamento Tensão porta-fonte Corrente de dreno Tensão de ruptura dreno-fonte Corrente reversa de porta (1) Tensão de corte porta-fonte Corrente reversa dreno-porta (1) Corrente de dreno para tensão nula na porta Corrente de dreno em estado ligado Admitância de transferência direta Admitância de saída Capacitância de entrada Capacitância de transferência reversa (1) Esse valor de corrente inclui tanto a corrente de fuga do FET quanto a corrente de fuga associada ao soquete e ao equipamento de teste quando medidos sob as condições mais favoráveis. Figura de ruído Dissipação total do dispositivo @ TA = 25oC Fator de redução acima de 25OC Símbolo Símbolo Mín. Típ. Máx. Unidade Valor Unidade Dreno Fonte Porta Canal n — Depleção CC CC CC a CC CC CC CC CC CC VGS(desligado) , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ID(ligado) Figura 6.31 MOSFET 2N3797 tipo depleção de canal n da Motorola. 336 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap06.indd 336 3/11/13 5:53 PM porta. Conforme VGS aumenta de valor, a concentração de elétrons próximo da superfície de SiO2 se intensifica até um nível em que a região induzida tipo n possa suportar um fluxo mensurável entre o dreno e a fonte. O nível de VGS que produz um aumento significativo da corrente de dreno é chamado de tensão de limiar, representado pelo símbolo VT. Nas folhas de dados, ele é denominado VGS(Th); porém VT é mais utilizado, e esse será o símbolo adotado na análise a seguir. Visto que o canal não existe com VGS = 0 V e é “intensificado” pela aplicação de uma tensão porta-fonte positiva, esse tipo de MOSFET é chamado de MOSFET tipo intensificação. Os dois tipos de MOSFETs têm regiões do tipo intensificação, mas o nome foi dado a apenas um por ser seu único modo de operação. Quando VGS aumenta além do valor de limiar, a den- sidade de portadores livres no canal induzido cresce, o que resulta em um aumento na corrente de dreno. Entretanto, se mantivermos VGS constante e aumentarmos o valor de VDS, a corrente de dreno eventualmente alcançará o valor de saturação, como ocorreu para o JFET e para o MOSFET tipo depleção. A manutenção de ID em um valor fixo ocorre devido ao processo de pinch-off, que torna o canal induzido mais estreito próximo ao dreno, como mostra a Figura 6.34. Aplicando a lei de Kirchhoff para tensões às tensões dos terminais da Figura 6.34, descobrimos que VDG = VDS - VGS )31.6( (6.13) Se VGS for mantido em um valor fixo, como 8 V, e VDS for aumentado de 2 V para 5 V, a tensão VDG, de acordo com a Equação 6.13, aumentará de – 6 V para –3 V, e a porta se tornará cada vez menos positiva com relação ao dreno. Tal redução da tensão porta-dreno reduzirá, por sua vez, as forças de atração para os portadores livres (elétrons) nessa região do canal induzido, provocando uma Contatos metálicos região dopada do tipo n ausência de canal Substrato SS substrato do tipo p região dopada do tipo n Figura 6.32 MOSFET tipo intensificação de canal n. Pinch-off (início) Região de depleção Substrato do tipo p Figura 6.34 Alterações no canal e na região de depleção com o aumento de VDS para um valor fixo de VGS. n p SS S D + I = 0 AG ID + + + + + + + + + + + + Lacunas repelidas pela porta positiva Camada isolante G I = IS D e e e e e e e n Elétrons atraídos para a porta positiva (canal n induzido) Região de depleção de portadores tipo p (lacunas) e– + SVG – + SVD FIG. 6.33 Formação do canal no MOSFET tipo intensificação de canal n. Figura 6.33 Formação do canal no MOSFET tipo intensificação de canal n. Capítulo 6 transistores de efeito de campo 337 Boylestad_2012_cap06.indd 337 3/11/13 5:53 PM redução na largura efetiva desse canal. Eventualmente, o canal será reduzido até o ponto de pinch-off e uma con- dição de saturação será estabelecida, como descrito ante- riormente para o JFET e para o MOSFET tipo depleção. Em outras palavras, qualquer aumento adicional de VDS, estando fixa a tensão VGS, não afetará o nível de saturação de ID até que as condições de ruptura sejam alcançadas. As curvas características de dreno da Figura 6.35 revelam que, para o dispositivo da Figura 6.34, com VGS = 8 V, a saturação ocorre para VDS = 6 V. Na verdade, o valor de saturação de VDS está relacionado ao valor da tensão VGS aplicada por: VDSsat = VGS - VT )41.6( (6.14) Obviamente, portanto, para um valor fixo de VT, quanto maior o valor de VGS, maior o valor de saturação para VDS, como mostra o lugar geométrico para os valores de saturação na Figura 6.35 . Para as características da Figura 6.35, o nível de VT é 2 V, como revela o fato de que a corrente de dreno caiu para 0 mA. De modo geral, portanto: Para valores de VGS menores do que o nível de limiar, a corrente de dreno de um MOSFET tipo intensificação é 0 mA. A Figura 6.35 mostra claramente que, quando o valor de VGS aumenta de VT para 8 V, o valor de saturação resultante para ID também aumenta, indo de 0 mA para 10 mA. Além disso, é totalmente observável que o espaça- mento entre as curvas é ampliado conforme VGS aumenta de valor, o que resulta em aumentos sempre crescentes na corrente de dreno. Para valores de VGS > VT, a corrente de dreno está relacionada com a tensão porta-fonte pela seguinte relação não linear: ID = k(VGS - VT)2 )51.6( (6.15) Mais uma vez, o termo quadrático é o responsável pela relação não linear entre ID e VGS. O termo k é uma constante que é uma função da estrutura do dispositivo. O valor de k pode ser determinado a partir da seguinte equação (derivada da Equação 6.15), em que ID(ligado) e VGS(ligado) são os valores para um ponto particular das curvas do dispositivo. k = ID (ligado) (VGS (ligado) -VT)2 )61.6( (6.16) Substituindo ID(ligado) =10 mA quando VGS(ligado) = 8 V a partir das curvas características da Figura 6.35, temos k = 10 mA (8 V - 2 V)2 = 10 mA (6 V)2 = 10 mA 36 V2 = 0,278 × 10 3 A>V2 e a equação geral para ID para as curvas características da Figura 6.35 é: ID = 0,278 × 10–3(VGS – 2 V)2 5 V 10 V0 1 2 3 4 5 6 7 8 ID (mA) VGS = +8 V VGS = +7 V VGS = +6 V VDS15 V 20 V 25 V 6 V VGS = +5 V 9 10 11 VGS = +4 V VGS = +3 V VGS = V = 2 VT Lugar geométrico de VDSsat Figura 6.35 Curvas características de dreno de um MOSFET tipo intensificação de canal n com VT = 2 V e k = 0,278 × 10–3 A/V2. 338 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap06.indd 338 3/11/13 5:53 PM Substituindo VGS = 4 V, concluímos que ID = 0,278 × 10–3(4 V – 2 V)2 = 0,278 × 10–3(2)2 = 0,278 × 10–3(4) = 1,11 mA como podemos verificar na Figura 6.35. Em VGS = VT, o termo quadrático é 0 e ID = 0 mA. Para a análise CC do MOSFET tipo intensificação que será realizada no Capítulo 7, a característica de transferência será novamente a curva a ser empregada na solução gráfica. Na Figura 6.36, as curvas de dreno e a curva de transferência foram colocadaslado a lado para descrever o procedimento de transferência de uma para a outra. Esse processo é realizado, basicamente, do mesmo modo que foi descrito antes para o JFET e para o MOSFET tipo depleção. Nesse caso, porém, devemos lembrar que a corrente de dreno é 0 mA para VGS ≤ VT. Conforme VGS aumenta além de VT, a corrente de dreno ID começará a fluir a uma taxa crescente, de acordo com a Equação 6.15. Observe que, na definição dos pontos da curva de transferência a partir da curva de dreno, so- mente os níveis de saturação são empregados e, por esse motivo, a região de operação é limitada aos valores de VDS maiores do que os níveis de saturação, como definido pela Equação 6.14. A curva de transferência da Figura 6.36 é certa- mente bem diferente daquela obtida anteriormente. Para um dispositivo de canal n (induzido), a curva está agora totalmente na região de valores positivos de VGS, e aumenta somente a partir de VGS = VT. A questão agora é como traçar a curva de transferência, dados os valores de k e VT como vemos a seguir para um MOSFET específico: ID = 0,5 × 10–3 (VGS – 4 V)2 Primeiro, uma linha horizontal é desenhada em ID = 0 mA de VGS = 0 V até VGS = 4 V, como mostra a Figura 6.37(a). Em seguida, um valor para VGS maior do que VT (como, por exemplo, 5 V) é escolhido e substituído na Equação 6.15 para determinar o valor resultante de ID como segue: ID = 0,5 × 10–3(VGS – 4 V)2 = 0,5 × 10–3(5 V – 4 V)2 = 0,5 × 10–3(1)2 = 0,5 mA e um ponto no gráfico é obtido, como mostra a Figura 6.37(b). Por fim, outros valores para VGS são escolhidos, e os valores correspondentes de ID são obtidos. Em parti- cular, em VGS = 6 V, 7 V e 8 V, o valor de ID é 2 mA, 4,5 mA e 8 mA, respectivamente, como mostra o gráfico da Figura 6.37(c). MosFet tipo intensificação de canal p A estrutura de um MOSFET tipo intensificação de canal p é exatamente inversa àquela que aparece na Figura 6.32, como mostra a Figura 6.38(a). Isto é, agora o substra- to é do tipo n, e as regiões abaixo das conexões de dreno e da fonte são do tipo p. Os terminais continuam como iden- tificados, mas todas as polaridades das tensões e os senti- dos das correntes são invertidos. As curvas características de dreno são como mostra a Figura 6.38(c), com aumento dos valores de corrente resultantes de valores crescentes negativos de VGS. A curva característica de transferência da Figura 6.38(b) é a imagem refletida (em relação ao eixo ID) da curva de transferência da Figura 6.36, com ID VT 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 7 8 9 VGS ID (mA) VDS870 10 2 3 4 5 6 8 9 0 5 10 15 20 25 VGS = +8 V VGS = +7 V VGS = +6 V VGS = +5 V VGS = +4 V VGS = +3 V ID (mA) VGS = V = 2 VT 10 7 1 Figura 6.36 Esboço da curva característica de transferência de um MOSFET tipo intensificação de canal n a partir das curvas características do dreno. Capítulo 6 transistores de efeito de campo 339 Boylestad_2012_cap06.indd 339 3/11/13 5:53 PM crescente para valores de VGS negativos crescentes além de VT, como mostra a Figura 6.38(c). As equações 6.13 a 6.16 são igualmente aplicáveis aos dispositivos de canal p. símbolos, folhas de dados e encapsulamento Na Figura 6.39, são apresentados os símbolos grá- ficos para os MOSFETs tipo intensificação de canal n e canal p. Observe novamente que os símbolos tentam refletir a estrutura real do dispositivo. A linha tracejada entre o dreno e a fonte significa que não há um canal entre os dois terminais sob condições de não polarização. Na verdade, essa é a única diferença entre os símbolos dos MOSFETs tipo depleção e tipo intensificação. Na Figura 6.40, é mostrada a folha de dados para o MOSFET tipo intensificação de canal n da Motorola. Figura 6.37 Gráfico da curva característica de transferência de um MOSFET tipo intensificação de canal n com k = 0,5 × 10–3 A/V2 e VT = 4 V. p (b) canal n canal p Figura 6.39 Símbolos para (a) MOSFET tipo intensificação de canal n e (b) MOSFET tipo intensificação de canal p. VT –6 1 2 3 4 5 6 7 8 VGS ID (mA) ID (mA) VDS VGS = –6 V VGS = VT = –2 V 1 2 3 4 5 6 7 8 (c) SS D G p S n )b()a( p ID + 0 – –5 –4 –3 –2 –1 VGS = –5 V VGS = –4 V VGS = –3 V 0 Figura 6.38 MOSFET tipo intensificação de canal p com VT = 2 V e k = 0,5 × 10 –3 A/V2. 340 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap06.indd 340 3/11/13 5:53 PM O encapsulamento e a identificação dos terminais são fornecidos junto às especificações máximas do disposi- tivo, que agora inclui uma corrente máxima de dreno de 30 mA CC. A folha de dados fornece o valor de IDSS na condição de “desligado”, que agora é simplesmente 10 nA CC (em VDS = 10 V, VGS = 0 V), bem menor do que o verificado para o JFET e o MOSFET tipo depleção. A tensão de limiar é representada por VGS(Th), e varia de 1 V a 5 V CC, dependendo do dispositivo empregado. A folha de dados não fornece o valor de k da Equação 6.15; entretanto, especifica um valor de ID(ligado) (3 mA, nesse caso) para um valor de VGS(ligado) (10 V para esse valor de ID). Isto é, quando VGS = 10 V, ID = 3 mA. Os valores apresentados de VGS(Th), ID(ligado) e VGS(ligado) permitem uma determinação de k a partir da Equação 6.16 e da equação geral para a curva característica de transferência. As especificações do MOSFET são revistas na Seção 6.9. ESPECIFICAÇÕES MÁXIMAS Especificações Símbolo Símbolo Valor Unidade Tensão dreno-fonte Tensão dreno-porta Tensão porta-fonte* Corrente de dreno Faixa de temperatura da junção * Potenciais transitórios de ±75 V não causam falha na função porta-óxido. Faixa de temperatura do canal para armazenamento CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS CARACTERÍSTICAS EM ESTADO DESLIGADO CARACTERÍSTICAS EM ESTADO LIGADO C a menos que outro valor seja especificado) Características Mín. Máx. Unidade Tensão de ruptura dreno-fonte Corrente de dreno para tensão nula na porta Corrente reversa de porta Tensão de limiar da porta Tensão de estado ligado dreno-fonte Admitância de transferência direta Capacitância de entrada Capacitância reversa de transferência Capacitância substrato-dreno Resistência dreno-fonte Atraso de ligamento (Fig. 5) Tempo de subida (Fig. 6) Atraso de desligamento (Fig. 7) Tempo de queda (Figura 8) (Veja a Figura 9; circuito de tempo determinado) Corrente de dreno no estado ligado CARACTERÍSTICAS DE PEQUENO SINAL CARACTERÍSTICAS DE CHAVEAMENTO de chaveamento Dreno Porta Fonte Encapsulamento Canal n — Intensificação Dissipação total do dispositivo @ TA = 25oC Fator de redução acima de 25OC CC CC CC CC CC CC CC CC CC CC CC , , , , , , , , ,, , VDS(ligado) ID(ligado) rds(ligado) CCCC CC , a Figura 6.40 MOSFET 2N4351 tipo intensificação de canal n da Motorola. Capítulo 6 transistores de efeito de campo 341 Boylestad_2012_cap06.indd 341 3/11/13 5:53 PM eXeMPLo 6.4 Utilizando os dados fornecidos na folha de dados da Figura 6.40 e uma tensão média de limiar de VGS(Th) = 3 V, determine: a) O valor resultante de k para o MOSFET. b) A curva característica de transferência. solução: a) Equação 6.16: k = ID (ligado) (VGS (ligado)-VGS (Th))2 = 3 mA (10 V - 3 V)2 = 3 mA (7 V)2 = 3 × 10-3 49 A>V2 = 0,061 × 10 3 A ,V2 b) Equação 6.15: ID = k(VGS – VT)2 = 0,061 × 10–3(VGS – 3 V)2 Para VGS = 5 V: ID = 0,061 × 10–3(5 V – 3 V)2 = 0,061 × 10–3(2)2 = 0,061 × 10–3(4) = 0,244 mA Para VGS = 8 V, 10 V, 12 V e 14 V, ID será 1,525 mA, 3 mA (conforme previsto), 4,94 mA e 7,38 mA, res- pectivamente. A curva de transferência é esboçada na Figura 6.41. 6.9 Manuseio do MosFet A fina camada de SiO2 entre a porta e o canal do MOSFET tem o efeito positivo de permitir uma carac- terística de alta impedância de entrada para o disposi- tivo, mas sua largura extremamente reduzida introduz uma preocupação com o seu manuseio, o que não ocor- ria com os transistores TBJ e JFET. Frequentementehá um acúmulo suficiente de carga estática que adquirimos (devido a condições externas) que estabelece uma diferença de potencial através da fina camada e que pode, eventualmente, danificá-la e permitir a condução através dela. É necessário, então, que seja mantida a embalagem condutiva (ou anel de curto-circuito) conectando os ter- minais do dispositivo até que ele seja inserido no sistema. Assim, evitamos a possibilidade do surgimento de um potencial entre quaisquer dois terminais do dispositivo. Com o anel, a diferença de potencial entre dois terminais quaisquer é mantida em 0 V. No mínimo, sempre toque um ponto aterrado para permitir a descarga das cargas estáticas acumuladas antes de manusear o dispositivo, e somente segure o transistor pelo encapsulamento. Frequentemente ocorrem transientes (mudanças abruptas no valor de tensão ou de corrente) em um circuito quando elementos são removidos ou inseridos com a fonte ligada. Os níveis de transiente podem ultrapassar os limites que o dispositivo suporta e, por isso, a fonte deve estar sempre desligada ao modificarmos o circuito. A máxima tensão porta-fonte costuma ser fornecida na folha de dados do dispositivo. Um método para assegu- rar que essa tensão não seja ultrapassada (talvez devido a um efeito transiente) em ambas as polaridades consiste em introduzir dois diodos Zener, como mostra a Figura 6.42. Os Zeners são colocados em posições opostas um ao outro para garantir proteção em ambas as polaridades. Se forem utilizados Zeners de 30 V e surgir no circuito um transiente positivo de 40 V, o Zener inferior da figura vai “disparar” em 30 V, e o diodo superior ligará com uma queda de tensão de zero volt (considerando um diodo semicondutor ideal em situação “ligado”). O resultado disso é que limitamos a tensão porta-fonte a 30 V. Uma desvantagem introduzida pelo Zener é que a resistência de um diodo Zener “desliga- do” é menor do que a impedância de entrada estabelecida pela camada SiO2. A impedância é reduzida, mas, mesmo assim, é muito grande para a maioria das aplicações. Os dispositivos discretos que possuem a proteção de Zener são tantos que alguns dos problemas listados anteriormente não incomodam mais. No entanto, devemos ter cautela ao manipular dispositivos MOSFET discretos. Figura 6.41 Solução do Exemplo 6.4. Figura 6.42 MOSFET protegido por Zener. 342 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap06.indd 342 3/11/13 5:53 PM 6.10 MosFets de PotênCia VMos e uMos Uma das desvantagens do MOSFET planar comum é seu nível reduzido de potência de operação (geralmente menor do que 1 W) e de valores de corrente, em compa- ração com a ampla gama de transistores bipolares. Entre- tanto, com um projeto vertical como o ilustrado para o MOSFET VMOS da Figura 6.43(a) e o MOSFET UMOS da Figura 6.43(b), os níveis de potência e corrente foram aumentados juntamente com velocidades de chaveamento mais altas e dissipação de potência reduzida. Todos os elementos do MOSFET planar estão presentes nos tipos VMOS e UMOS — a conexão da superfície metálica aos terminais do dispositivo, a camada de SiO2 entre a porta e a região do tipo p localizada entre o dreno e a fonte para o crescimento do canal n induzido (operação tipo intensifi- cação). O termo vertical se deve principalmente ao fato de o canal agora ser formado na direção vertical, resultando em uma corrente de direção vertical, ao contrário do que ocorria com o dispositivo planar, no qual o crescimento do canal era horizontal. No entanto, o canal da Figura 6.43(a) também possui o aspecto de um corte em “V” na base semicondutora, que, para alguns, pode servir de característica para a memorização do nome do dispositivo. A estrutura da Figura 6.43(a) é um tanto simplificada, pois não considera alguns dos níveis de transição de dopagem; porém, ainda assim, permite uma descrição das facetas mais importantes de operação do dispositivo. A aplicação de uma tensão positiva no dreno e uma tensão negativa na fonte, com a porta em 0 V ou em algum valor positivo para o estado “ligado”, como mostra a Figura 6.43(a), resulta em um canal n induzido na região estreita do tipo p do dispositivo. O comprimento do canal agora é definido pela altura vertical de região p, que pode se tornar significativamente menor do que a de um canal em que se emprega a estrutura planar. Em um plano horizontal, o comprimento do canal é limitado entre 1 μm e 2 μm (1 μm = 10–6 m). As camadas de difusão (tal como a região p da Figura 6.43) podem ser controladas em pequenas frações de um mícron. Uma vez que o comprimento do canal é diretamente proporcional ao valor de resistência, o nível de dissipação de potência do dispositivo (dissipada na forma de calor) é menor para os valores de corrente de operação. Além disso, a área de contato entre o canal e a região n+ é bastante aumentada pela construção vertical, contribuindo para mais redução do valor de resistência e para um aumento de área para o fluxo de corrente entre as camadas dopadas. Existem também dois caminhos de condução entre o dreno e a fonte, como mostra a Figura 6.43, o que torna maior a amplitude de corrente para o dispositivo. Devido a todas es- sas características, o dispositivo suporta correntes de dreno da ordem de ampères e níveis de potência acima de 10 W. O MOSFET VMOS foi o primeiro da linha de MOSFETs verticais a ser destinado principalmente para uso como chaves de potência para controlar a operação de fontes de alimentação, controladores de motor de baixa tensão, conversores CC-CC, monitores de tela plana e uma série de aplicações nos automóveis modernos. Fundamen- talmente, um chaveador eficaz deve funcionar em tensões relativamente baixas (inferiores a 200 V) e ter excelentes características de alta velocidade e baixos valores de resis- tência “ligada” para assegurar perdas mínimas de potência durante a operação. Ao longo do tempo, uma variedade de outros projetos verticais começou a surgir para melhorar a estrutura em “V” da Figura 6.43(a). O trabalho delicado necessário para estabelecer o sulco em V resultou em difi- culdades na criação de uma tensão de limiar consistente, e a ponta afiada no final do canal criava campos elétricos elevados que afetavam a tensão de ruptura do MOSFET. – S G D Largura do canal n+n+ substrato n+ n– e e e e pp 20 µm 6 µm + (a) – S (b) G D Largura do canalsubstrato n+ n– e e e e 4 µm 2 µm + pp Comprimento do canal Comprimento do canal Figura 6.43 (a) MOSFET VMOS; (b) MOSFET UMOS. Capítulo 6 transistores de efeito de campo 343 Boylestad_2012_cap06.indd 343 3/11/13 5:53 PM A tensão de ruptura é importante porque está diretamente relacionada com a resistência “ligada”. Quando se au- menta a tensão de ruptura, a resistência “ligada” começa a aumentar. Uma melhoria em relação ao projeto em “V” é o sulco ou o canal em “U”, mostrado na Figura 6.43(b). O funcio- namento desse MOSFET UMOS (também chamado Trench MOSFET) é muito semelhante ao do MOSFET VMOS, mas com características aprimoradas. Em primeiro lugar, o processo de fabricação é preferido porque o processo de trench-etching desenvolvido para as células de memória em DRAMs pode ser utilizado. O resultado é a largura reduzida para algo em torno de 2 μm a 10 μm em comparação com a estrutura VMOS com largura na faixa de 20 μm a 30 μm. A largura do canal em si pode ser de apenas 1 μm, com altura de 2 μm. A resistência “ligada” é menor usando-se o método de trincheira (trench) porque o comprimento do canal é dimi- nuído e a largura do caminho da corrente aumenta próximo ao fundo da trincheira. No entanto, devido à grande área de superfície necessária para o pesado fluxo de corrente, existem efeitos capacitivos que devem ser levados em consideração para frequências acima de 100 kHz. Os três que devem ser analisados são CGS, CGD e CDS (respectivamente referidos como Ciss, Crss e Cossem folhas de dados). Para o MOSFET UMOS, a capacitância porta-fonte na entrada é a maior e, normalmente, consiste em milhares de pF. A linha de UMOS-V MOSFETs da Toshiba tem uma corrente de dreno que vai de 11 A a 45 A com resistências “ligadas” tão baixas quanto 3,1 mΩ a 11,5 mΩ em 10 V. A tensão dreno-fonte máxima para as unidades é de 30 V, e a capacitância porta-fonte varia de 1400 pF a 4600 pF. São usadas principalmente em monitores de tela plana, computadores desktop e notebooks e outros dispositivos eletrônicos portáteis. Portanto, de modo geral, comparado ao MOSFET planar, o MOSFET de potência tem valores de resistência “ligada” menores e especifi- cações de corrente e potência maiores. Outra importante característica da construção vertical é: O MOSFET de potência tem um coeficiente de tem- peratura positivo que evita a possibilidade de uma deriva térmica. Se a temperatura do dispositivo se elevasse devido às condições externas, os valores de resistência aumenta- riam, ocasionando uma redução na corrente de dreno, ao contrário do que ocorre com um dispositivo convencional. Coeficientes de temperatura negativos resultam em uma redução dos valores de resistência com o aumento da tem- peratura, o que faz o fluxo de corrente se elevar, causando uma instabilidade e uma possível deriva térmica. Outra importante característica da configuração vertical: Os níveis reduzidos de armazenamento de carga proporcionam períodos de chaveamento mais rápidos na construção vertical quando comparados àqueles obtidos para a construção planar convencional. Na verdade, os dispositivos VMOS e UMOS apre- sentam períodos de chaveamento menores do que a metade do período encontrado para um TBJ comum. 6.11 CMos É possível estabelecer um circuito lógico bastante eficiente por meio da construção de um MOSFET de ca- nal p e um de canal n no mesmo substrato, como mostra a Figura 6.44. Observe o canal p induzido à esquerda e o canal n induzido à direita para os dispositivos de canal p e n, respectivamente. A configuração é chamada de arranjo MOSFET complementar (CMOS); é intensamente empre- gada em projetos de lógica computacional. A impedância de entrada relativamente alta, a alta velocidade de chavea- mento e os níveis reduzidos de potência de operação da configuração CMOS resultaram em uma disciplina com- pletamente nova, chamada de projeto por lógica CMOS. pQuando “ligado” MOSFET de canal p n+ p+ p+ p+np Substrato do tipo n Quando “ligado” MOSFET de canal n VSS S2 D2 D1 G2 G1 S1 Vi SiO2 Vo n+n+ Figura 6.44 CMOS com as conexões indicadas na Figura 6.45. 344 dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos Boylestad_2012_cap06.indd 344 3/11/13 5:53 PM É possível empregar o arranjo complementar com bastante eficiência como um inversor, como mostra a Figura 6.45. Como mencionado no caso dos transistores de chaveamento, o inversor é um elemento na lógica que “inverte” o sinal aplicado. Isto é, se os valores de operação forem de 0 V (estado 0) e 5 V (estado 1), uma tensão de 0 V na entrada dará como saída um valor de 5 V e vice-versa. Observe, na Figura 6.45, que ambas as portas estão conectadas ao sinal aplicado e ambos os dre- nos à saída Vo. O terminal de fonte do MOSFET de canal p (Q2) está conectado diretamente à tensão aplicada VSS, enquanto o terminal de fonte do MOSFET de canal n (Q1) está conectado ao terra. Para os níveis lógicos definidos anteriormente, a aplicação de 5 V na entrada deve resultar em cerca de 0 V na saída. Com 5 V em Vi (com relação ao terra), VGS1 = Vi e Q1 está “ligado”, o que resulta em um valor relativamente baixo de resistência entre o dreno e a fonte, como mostra a Figura 6.46. Visto que Vi e VSS são iguais a 5 V, VGS2 = 0 V, que é menor do que o VT exigido para o dispositivo, resultando em um estado “desligado”. O valor resultante da resistência entre o dreno e a fonte é bastante alto para Q2, como mostra a Figura 6.46. Uma simples aplicação da regra do divisor de tensão revela que, nessas condições, Vo está bem próximo de 0 V (estado 0), estabelecendo a operação de inversão desejável. Para uma tensão aplicada Vi de 0 V (estado 0), VGS1 = 0 V, e Q1 estará “desligado” com VSS2 = –5 V, ligando o MOSFET de canal p. O resultado disso é que Q2 apresentará uma resistência baixa; Q1, uma resistência alta; e Vo = VSS = 5 V (estado 1). Como a corrente de dreno que flui em cada caso é limitada, pelo transistor “desligado”, à corrente de fuga, a potência dissipada pelo dispositivo nos dois estados é muito baixa. Comentários adicionais sobre a aplicação da lógica CMOS serão apresentados no Capítulo 13. 6.12 MesFets Como foi observado em discussões anteriores, o uso de GaAs na construção de dispositivos semicondutores ocorre há algumas décadas. Infelizmente, porém, fatores como custos de fabricação, menor densidade resultante em CIs e problemas de produção permitiram que esse uso ganhasse destaque no setor apenas nos últimos anos. A necessidade atual de dispositivos de alta velocidade e de métodos aprimorados de produção criaram uma forte deman- da por circuitos integrados em larga escala que usam GaAs. Embora os MOSFETs de Si que acabamos de des- crever possam ser feitos também com GaAs, o processo de fabricação se torna mais difícil por causa de problemas de difusão. No entanto, a produção de FETs utilizando uma barreira Schottky (discutida em detalhes no Capítulo 16) na porta pode ser muito eficiente: Barreiras Schottky são barreiras criadas pelo depósi- to de um metal como tungstênio sobre um canal do tipo n. A utilização de uma barreira Schottky na porta é a principal diferença em relação aos MOSFETs dos tipos depleção e intensificação, que empregam uma barreira isolante entre o contato de metal e o canal do tipo n. A ausência de uma camada isolante reduz a distância entre a superfície de contato metálico da porta e a camada de semicondutor, resultando em um nível inferior de capa- citância de dispersão entre as duas superfícies (lembre-se do efeito da distância entre as placas de um capacitor e sua capacitância terminal). O resultado do nível mais baixo de capacitância é uma sensibilidade reduzida a altas frequências (formando um efeito de curto-circuito), que suporta ainda mais a grande mobilidade dos portadores no material de GaAs. A presença de uma junção metal-semicondutor é a razão pela qual tais FETs são chamados de transistores de efeito de campo metal-semicondutor (MESFETs). Sua – – – + + + VSS = 5 V VGS1 VGS2 MOSFET de canal p MOSFET de canal n VoVi =~ 0 V (estado 0) 5 V (estado 1) Q2 Q1 Figura 6.45 Inversor CMOS. Q2 desligado Q1 ligado VSS 5 V Ifuga R2 (alta) R1 (baixa) Vo = ≅ 0 V (estado 0) R1 + R2 R1VSS Figura 6.46 Níveis relativos de resistência para Vi = 5 V (estado 1). Capítulo 6 transistores de efeito de campo 345 Boylestad_2012_cap06.indd 345 3/11/13 5:53 PM