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Craque NetoCraque Neto

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ministério, a criar juntas onde elas não existiam e a preparar as eleições indiretas para as
Cortes.
Naquela altura, a principal questão que dividia as opiniões era o retorno ou não de Dom
João VI a Portugal. O retorno era defendido no Rio de Janeiro pela "facção portuguesa",
formada por altas patentes militares, burocratas e comerciantes interessados em subordinar o
Brasil à Metrópole, se possível de acordo com os padrões do sistema colonial. Opunha-se a
isso e ao retorno do monarca o "partido brasileiro", constituído por grandes proprietários
rurais das capitanias próximas à capital, burocratas e membros do Judiciário nascidos no Brasil.
Acrescentem-se a eles portugueses cujos interesses tinham passado a vincular-se aos da
Colônia: comerciantes ajustados às novas circunstâncias do livre comércio e investidores em
terras e propriedades urbanas, muitas vezes ligados por laços de casamento à gente da
Colônia.
Falamos em "partido brasileiro" entre aspas, porque com essa expressão se designa não
propriamente um partido, mesmo de organização frouxa como seria característico dos
partidos brasileiros, mas uma corrente de opinião. As articulações políticas se fizeram, nesse
período, sobretudo através das lojas maçônicas, uma instituição cujo nascimento se deu na
Europa.
Em seus primeiros tempos, provavelmente em fins da Idade Média, a maçonaria reuniu
principalmente artesãos ligados à construção c daí o seu nome derivado de maçon, "pedreiro"
em francês. A partir do século XVII, tomou a forma de um movimento secreto constituído por
grupos de iniciados, visando a combater as tiranias e a Igreja. No Brasil, onde os padres
participaram freqüentemente de atos de rebeldia, a maçonaria teve a feição de um núcleo
antiabsolutista, cujos membros mais extremados tendiam a defender a independência do país.
Por exemplo, um grande número de maçons participou ativamente da Revolução de 1817, e os
preparativos revolucionários foram feitos, em boa parte, em clubes e lojas secretas, embora
não se possa afirmar que fossem todos ligados à maçonaria.
A questão do regresso ou não de Dom João VI logo se esvaziou. Temendo perder o trono
caso não regressasse a Portugal, o rei decidiu-se afinal pelo retorno. Embarcou em abril de
1821, acompanhado de 4 mil portugueses. Em seu lugar, ficava como príncipe regente seu
filho Pedro, futuro Dom Pedro I. Nos meses seguintes, ocorreram no Brasil as eleições para as
Cortes. Quase todos os eleitos eram nascidos no Brasil. Entre eles, estavam alguns defensores
radicais ou ex-radicais da Independência, como Cipriano Barata (Bahia), Muniz Tavares
(Pernambuco) e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (São Paulo), que haviam participado da
Revolução dc 1817. Também se incluíam nomes como o do Padre Feijó e Nicolau de Campos
Vergueiro, políticos de relevo nos anos seguintes da história do Brasil.
As Cortes começaram a se reunir em janeiro de 1821, meses antes da chegada dos
deputados eleitos no Brasil. Tomaram-se uma série de medidas que produziram profundo
descontentamento na Colônia. Os governos pro¬vinciais passariam a ser independentes do Rio
de Janeiro, subordinando-se diretamente a Lisboa. Houve uma tentativa nas Cortes de revogar
os acordos comerciais com a Inglaterra, que eram do interesse tanto dos ingleses como dos
grandes proprietários rurais brasileiros e dos consumidores urbanos. Acrescente-se a isso o
fato de que os líderes da revolução liberal punham lenha na fogueira, com suas referências
desdenhosas à Colônia. Para muitos deles, o Brasil era "uma terra de macacos, de bananas e

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