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Prévia do material em texto

André Willian Teixeira
Bruno Nunes Mendanha
Introdução a Sociologia
do Trabalho (2023)
CAPÍTULO 3 - LABOR 
❏ 11. “O labor de nosso corpo e o trabalho de nossas 
mãos”
❏ 12. O caráter de “objeto” do mundo
❏ 13. Labor e vida 
❏ 14. Labor e fertilidade
❏ 15. A privatividade da propriedade e da riqueza
❏ 16. Os instrumentos do trabalho e a divisão do labor
❏ 17. A sociedade de consumidores
“O labor de nosso corpo e o trabalho de 
nossas mãos” – Labor Trabalho
● Etimologia diferente, mas usadas quase como 
sinônimos
● ARENDT: Houve um desprezo pelo labor dos 
gregos em diante, uma luta do homem contra a 
necessidade e o esforço que não deixa vestígios
● Labor NÃO se refere ao produto final da ação
John Locke
ARENDT: 
LABOR
TRABALHO Trabalho
Labor Trabalho
ARENDT: 
LABOR
TRABALHO
LABOR = animal laborans = não deixa vestígios em seu 
consumo, é um tipo de trabalho efêmero / 
foca a própria reprodução / tem forma de ciclo infinito
(ex: alimentação, limpeza, descanso, família etc.)
TRABALHO = homo faber = produz instrumentos e 
objetos duradouros no mundo / tem forma linear (início - 
meio - fim) e é orientado a fins
(artesanato, transformações da natureza, alteração do habitat), …LABOR TRABALHO
“obra”
“O labor de nosso corpo e o trabalho 
de nossas mãos” – Labor Trabalho
● Escravidão nos antigos → natureza servil de todas as 
ocupações que exerciam a manutenção da vida. 
“Laborar significava ser escravizado pela necessidade”
● Modernidade inverteu essas posições, glorificando o 
trabalho (labor) como fonte de todos os valores, elevando o 
animal laborans à posição do animal rationale, mas sem 
distinção entre o animal laborans e o homo faber
ARENDT: 
LABOR ANTIGO
“O labor de nosso corpo e o trabalho de 
nossas mãos” – Arendt interpreta Marx
● Em Marx, Arendt vê o motivo da promoção do labor na era 
moderna na noção de “produtividade”, onde o trabalho 
distingue o homem dos outros animais e o trabalho 
improdutivo (também em Smith) como parasítico
● Arendt: O socialismo em Marx significaria a indistinção 
entre labor e trabalho, onde todo trabalho seria labor, 
pois em Marx FORÇA DE TRABALHO (LABOR = reprodução 
social que dá vitalidade ao trabalhador) GERA VALOR
○ Continua falta de qualificação, trabalho = reprodução social, 
mas ela não vê outras dimensões (como ação ou trabalho)
ARENDT: 
LABOR = TRAB. 
P/ MARX 
“O labor de nosso corpo e o trabalho de 
nossas mãos” – Arendt interpreta Marx
ARENDT: 
LABOR = TRAB. 
P/ MARX 
ARENDT: 
OS PRODUTOS 
E A NATUREZA 
DO LABOR 
E DO 
TRABALHO
O caráter de “objeto” do mundo
● Arendt foca na condição objetiva e mundana dos 
produtos do trabalho
● Produtos do trabalho, e não do labor, garantem a 
PERMANÊNCIA E A DURABILIDADE sem as quais o 
mundo não seria possível
● As outras esferas da condição humana, como a ação, o 
discurso e o pensamento, que pouco tem a ver com o labor 
e com o trabalho para Arendt, precisam ser 
PRESENCIADOS pelos outros e COISIFICADOS para que 
possam existir e persistir no mundo
ARENDT: 
CICLO DA VIDA 
E 
METABOLISMO 
DO LABOR
Labor e vida
● A vida é um processo que consome a durabilidade das coisas por ser 
marcada por movimentos cíclicos, assim como os da natureza 
● A vida corre o risco de ser sobrepujada pela natureza se não for 
protegida pela mundanidade (artifício humano)
● Labor ←→ consumo, não deixam quase nada para trás
● PORTANTO, do PDV humano, o labor é destrutivo pois consome o 
mundo produzido e não acrescenta nada a ele. Do PDV da 
natureza, o trabalho é destrutivo pois subtrai matéria sem devolver 
ao metabolismo (não volta à natureza)
produto trab.
Labor e fertilidade
● Para ela, os teoristas modernos confundiram labor e trabalho, e Marx 
(que na visão dela definiu o homem como animal laborans) teve que 
admitir que a produtividade do trabalho só começa quando há 
reificação e a construção de um mundo objetivo de coisas, mas o 
labor permanece como a “eterna necessidade imposta pela natureza”
● Marx: quando o reino da liberdade suplantar o reino da 
necessidade é que vai ter ocorrido emancipação. 
Arendt: PORTANTO, em Marx até mesmo a revolução não se 
destinava a emancipar as classes trabalhadoras, mas emancipar o 
HOMEM DO TRABALHO 
ARENDT: 
REP. SOCIAL = 
LABOR P/ MARX 
Labor e fertilidade
● Reprodução social do Marx – condição prévia (comer, 
sustento etc). Feito pela mulher em grande parte, que provê 
tudo isso e filhos. Os filhos já entram no capitalismo para 
trabalhar também 
● Arendt – como o socialismo seria emancipação do trabalho os 
filhos nasceriam já direto para o labor, para aquele trabalho 
efêmero etc. Assim, segundo Arendt, Marx também 
equacionaria em sua teoria o labor e a procriação como duas 
modalidades do mesmo processo fértil da vida 
ARENDT: 
REP. SOCIAL = 
LABOR P/ MARX 
ARENDT:
A PROPRIE-
DADE 
A privatividade da propriedade e 
da riqueza
● Arendt estranha a teoria de Marx, que leva “tão conclusivamente à abolição de 
toda propriedade [,] tenha partido da afirmação teórica da prop. privada” (?)
● Arendt: Economistas da época de Marx defendiam a propriedade em relação 
ao governo “parasitário”. Já a modernidade não defende a propriedade como 
tal, mas defende a busca desenfreada de mais propriedade, ou seja, a 
apropriação”, em oposição ao “comum” 
● Dor – sem o mundo, isolamento. Já que labor não produz trabalho, também não 
precisa do mundo porque embora em atividade, se volta a si, a seu 
metabolismo com a natureza, apenas consumo. Se labor fosse a origem da 
prop. priv, então a privatividade da prop. priv. seria tão independente do 
mundo quanto a de se ter um corpo e de se sentir dor 
A privatividade da propriedade e da 
riqueza
● A propriedade sempre esteve em contato com o mundo comum, 
mesmo quando esse mundo era ameaçado pela natureza. 
● PORTANTO dada a estabilidade humana, a propriedade diminui a 
desvinculação do labor em relação ao mundo. E o caráter de processo 
do labor desaparece com a aquisição da propriedade
● PORTANTO Marx estava certo quanto a decadência da esfera pública nas 
condições de livre desenvolvimento das forças produtivas da sociedade 
(labor) e certo quando previu que num mundo socializado e livre do 
trabalho os homens aproveitariam sua liberdade em atividades 
estritamente privadas e isoladas do mundo, os hobbies.
ARENDT:
A PROPRIE-
DADE 
ARENDT: 
CONSEQUÊN-
CIAS DO 
ANIMAL 
LABORANS
Os instrumentos do trabalho e a 
divisão do labor
● O animal laborans não usa o corpo como o homo faber usa as mãos, pois 
são incapazes de dominar o lado animal de sua própria natureza, 
como argumenta Platão
● Numa humanidade socializada como Marx previa, os homens estariam 
isolados do mundo, seja como escravos domésticos, seja como seres 
livres (consequência: ter ou ser escravo, violência a terceiros ou 
sujeição voluntária)
● O animal laborans não foge do mundo, mas é dele EXPELIDO pois é 
prisioneiro da privatividade de seu corpo e sua incomunicabilidade 
(escravo da necessidade e não transfere ao mundo obras e objetos 
duradouros)
● Nos antigos, a escravidão passou despecebida como improdutiva, 
pois suas cidades eram centros de CONSUMO, essência do labor, 
ao contrário das medievais que eram centros de PRODUÇÃO, 
essência do trabalho
● NA SOCIEDADE MODERNA, A AUTOMAÇÃO NÃO LIBERTOU O 
ANIMAL LABORANS, MAS TORNOU DUPLO O LABOR DA VIDA 
(SEJA NO LOCAL DO CORPO SEJA NO LOCAL DE TRABALHO = 
FORDISMO)
Os instrumentos do trabalho e a 
divisão do labor
ARENDT: 
DIVISÃO DO 
LABOR
ARENDT: 
DIVISÃO DO 
LABOR
● Na modernidade, o homem ignora ser sujeito à necessidade e não 
pode ser livre dela (uma impossibilidade ontológica)
● Os instrumentos que podem suavizar o esforço do labor não são 
produtos do labor, mas do trabalho, e não pertencem ao processo de 
consumo, mas parte do mundo de objetos de uso
● A divisão do labor é resultado do processo de labor e não deve ser 
confundidacom a especialização dos processos de trabalho
Eles têm em comum apenas o princípio geral de organização 
(associação clara com Taylor e sua administração científica), que nada 
tem a ver com labor ou trabalho, mas com a esfera política, onde o 
homem é capaz de agir na companhia e em acordo com outros
● Somente dentro da estrutura de organização política, onde os homens 
não só vivem como também agem juntos, pode ocorrer a 
especialização e a divisão do labor (ligada à noção de humanidade 
genérica em Marx)
Os instrumentos do trabalho e a 
divisão do labor
● FATO É QUE a revolução industrial substituiu todo artesanato pelo 
labor e as coisas do mundo moderno são produtos do labor cujo 
destino é ser consumidos = fabricação e produção de objetos de uso
● PORTANTO foi a divisão do labor e não a mecanização aumentada 
que substituiu a especialização rigorosa do artesanato; na 
modernidade, apenas o modelo é fruto do trabalho e sua produção em 
massa ocupa a divisão do labor
● O processo de trabalho na modernidade mecanizada ou semi 
automatizada assume o caráter de labor por causa da natureza 
CÍCLICA E REPETITIVA desse processo de produção em massa 
(mesmo que não necessariamente produza objetos de consumo)
● LOGO os ideais do homo faber (permanência, estabilidade e 
durabilidade) foram substituídos pelo ideal do animal laborans (o 
benefício da abundância)
ARENDT: 
DIVISÃO DO 
LABOR
Os instrumentos do trabalho e a 
divisão do labor
ARENDT: 
CONSUMO
A sociedade de consumidores
● Não surge da emancipação das classes trabalhadoras, mas da 
emancipação da própria atividade do labor (séculos antes da 
emancipação política dos trabalhadores)
● Conseguimos na modernidade nivelar todas as atividades humanas, 
reduzindo-as ao denominador comum de assegurar as necessidades 
básicas a vida e garantir sua abundância
● A única exceção é o artista que continua sendo o único trabalhador a rigor 
do termo (work of art = obra de arte)
● Em consequência dessa sociedade, todas as atividades vitais são chamadas 
de trabalho (work = obra, worker = operário) e as que não são vitais (nem 
para o indivíduo nem para a sociedade) são chamadas de lazer
● Na modernidade ocorreu o declinio da violência, mas deu acesso ao 
retorno da necessidade em seu nivel mais elementar (raiz grega de 
tortura vem de necessidade)
● Uma humanidade isenta da dor e do esforço é uma entidade 
devoradora do mundo e que reproduz diariamente tudo o que deseja 
consumir 
● O ritmo das máquinas aumentaria e aceleraria o ritmo natural da vida, 
mas não mudaria (apenas tornaria mais destruidora) a principal 
característica da vida em relação ao mundo, que é a de minar a 
durabilidade
● Horas vagas do animal laborans = consumo da cultura de massas (lazer e 
hobbies)
ARENDT: 
CONSUMO
A sociedade de consumidores
CAPÍTULO 4 - TRABALHO
❏ 18. A durabilidade do mundo
❏ 19. Reificação
❏ 20. Os instrumentos e o animal laborans 
❏ 21. Os instrumentos e o homo faber 
❏ 22. O mercado de trocas 
❏ 23. A permanência do mundo e a obra de arte 
ARENDT: 
O MUNDO 
FABRICADO
A durabilidade do mundo
● O homo faber faz e literalmente trabalha sobre os materiais, em oposição ao animal 
laborans que labora e se mistura com eles. O homo faber fabrica a variedade de 
coisas cuja soma total constitui o ARTIFÍCIO HUMANO
● Devidamente usadas, as coisas não desaparecem e emprestam ao artifício humano 
a estabilidade e solidez, mas não é ABSOLUTA DURABILIDADE: o uso que fazemos 
das coisas não as consome, mas as desgasta
● Desse ponto de vista, as coisas do mundo tem a função de estabilizar q vida 
humana, que é instável e frágil por natureza
● O trabalho é árduo e doloroso e precisa ser conservado: não chega a haver uma 
verdadeira reificação na qual a existência da coisa produzida é assegurada de uma 
vez por todas, as coisas precisam ser continuamente reproduzidas para que 
permaneçam como parte do mundo
ARENDT: 
O PROCESSO 
DE 
FABRICAÇÃO
Reificação
● A fabricação, que é o trabalho do homo faber, consiste em reificação. É preciso haver 
violência na natureza para que se produzam coisas mundanas e sólidas. A solidez já é 
um produto do homem, arrancada da natureza pelo homo faber, que sempre foi um 
destruidor da natureza
● O que orienta o trabalho de fabricação está fora do fabricante e precede o processo de 
trabalho em si (forma orienta o processo, do modelo a reprodução)
● O processo de trabalho é linear e possui uma potência infinita de ser multiplicado (o 
que difere da repetição do labor)
ARENDT: 
RESULTADOS 
DA 
FABRICAÇÃO
Reificação
● PORTANTO, o processo de fazer é inteiramente determinado pelas categorias de 
meios e fins. A coisa fabricada é um produto final no duplo sentido (1) de que o 
processo de produção termina com ela e (2) de que é apenas um meio de produzir 
esse fim.
● Diferente do labor, que produz para o fim de consumo, no trabalho de fabricação o fim 
é indubitável (algo novo e durável é acrescentado ao artifício humano). 
● Algumas distinções:
○ o labor não tem começo nem fim, é um ciclo repetitivo
○ o trabalho (fabricação) tem um começo definido e um fim definido e previsível
○ a ação, embora tenha um começo definido, jamais tem um fim previsível 
(devido ao encontro de diferentes indivíduos e suas possibilidades)
● A imagem do futuro do homo faber é definida e, se ele for deixado a sós no mundo, 
pode destruí-lo
ARENDT: 
FERRAMENTAS 
NO MUNDO
Os instrumentos e o animal laborans
● Os instrumentos criados pelo homo faber são projetados para construir o mundo e 
sua conveniência é ditada pelos fins objetivos definidos livremente por ele, não por 
carências ou necessidades subjetivas
● PORTANTO: para o animal laborans a durabilidade e estabilidade do mundo são 
representadas pelos instrumentos e ferramentas que utiliza e, numa sociedade de 
operários, os instrumentos podem assumir o caráter ou função mais que 
meramente instrumental
ARENDT: 
FERRAMENTAS 
ALHEIAS A NÓS
Os instrumentos e o animal laborans
● Na sociedade moderna, na qual a produção consiste no preparo para o consumo, a 
distinção entre meios e fins deixa de fazer sentido e os instrumentos que o homo 
faber construiu e que vieram ao auxílio do animal laborans perdem seu caráter 
instrumental assim que são usados por este último
○ nesse sentido, o ritmo das máquinas se aproxima do estado labor do animal 
laborans, igualmente automático e cíclico
○ enquanto condição humana atual, isso significa que enquanto dura o 
trabalho com as máquinas, o processo mecânico substitui o ritmo do corpo 
humano
○ Se a manufatura era uma série de passos separados , o fordismo é um 
processo contínuo, tal como labor
● Nesse processo contínuo, o mundo de máquinas perde seu caráter humano 
independente que tinhas as primeiras máquinas e ferramentas. Ao se aproximarem 
do ciclo vital, as máquinas nos aparecem como “carapaças”, partes tão integrantes 
de nossos corpos como a carapaça da tartaruga.
ARENDT: 
MUNDO 
UTILITÁRIO
Os instrumentos e o homo faber
● Os fins justificam a violência cometida contra a natureza, tudo é julgado em termos de 
adequação e serventia = fabricação de objetos de USO
● mas todos os fins, num mundo utilitário, tendem a ser de curta duração e a se 
transformar em meios para outros fins
● no mundo do homo faber tudo deve ter seu uso, um fim em si mesmo.
ARENDT: 
INSTRUMENTALIZAÇÃO 
E PERDA DE VALOR
Os instrumentos e o homo faber
O homo faber, por ser somente um fabricante de coisas e pensar em termos de meios e fins, 
é incapaz de compreender o significado das coisas no mundo, assim como o animal 
laborans é incapaz de compreender os instrumentos como conceito. Esse mundo se torna 
paradoxal para ambos
● o mundo construído perde valor quando os critérios utilizados para seu nascimento 
(meios e fins) prevalecem assim que ele é estabelecido. 
● o homo faber INSTRUMENTALIZA o mundo na medida em que generaliza seu modus 
operandi de fabricação. Somente quando oproduto volta a ser um MEIO (como objeto 
de troca) é que ele sai um pouco do processo de desvalorização geral promovido pela 
instrumentalização.
ARENDT: 
A ORIGEM DO 
MERCADO
O mercado de trocas
Se na antiguidade o homo faber era excluído da sociedade pelos homens de ação 
(cidadãos da polis), na modernidade ocorre uma inversão: o homo faber exclui da esfera 
pública o homem político (que age e fala)
● a esfera pública do homo faber é o mercado de trocas no qual ele exibe seus 
produtos, mas somente na medida em que essa relação é pautada pela troca, pois o 
homo faber é marcado pela privatividade e pelo isolamento, local onde ele produz (a 
garantia do isolamento garante que o trabalho seja produzido)
○ o trabalho em equipe é alheio ao artesanato (mestres artesãos passam todo o 
conhecimento para seus aprendizes)
○ somente com o capitalismo manufatureiro é que a cooperação aparece, mas 
como divisão do labor, na medida em surgem operários
ARENDT: 
RESULTADOS 
DO MERCADO
O mercado de trocas
● Arendt concorda com Marx sobre a alienação do trabalhador consigo mesmo e com 
os produtos de seu trabalho como fruto dessa sociedade
● o capitalismo em seus primeiros estágios ainda era regulado pelos critérios do homo 
faber, mas quando o homo faber deixa o isolamento, surge o mercador ou 
negociante e se estabelece o mercado de trocas
● essa mudança se reflete na distinção entre valor de uso e de troca, mas esse valor só 
pode surgir na esfera pública (valor como relação social entre sujeitos)
ARENDT: 
A 
IMORTALIDADE
A permanência do mundo e a obra de arte
● A obra de arte (fruto do trabalho=work) é o melhor exemplo da durabilidade das 
coisas no mundo, pois pode atingir a permanência e não se propõe a nenhum fim de 
consumo ou desgaste, apenas a apreciação como obra (trabalho)
○ é através da letra morta que o espírito vivo deve sobreviver
● a vida humana em sentido não-biológico depende do trabalho de artistas, 
construtores e fabricantes para sobreviver na história
● CONCLUSÃO: “o artifício humano deve ser um lugar adequado a ação e ao discurso, 
a atividades não só inteiramente inúteis às necessidades da vida, mas de natureza 
inteiramente diferente das várias atividades da fabricação mediante a qual são 
produzidos o mundo e todas as coisas que nela existem”

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