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M ETO D O LO G IA D O EN SIN O D E B A SQ U ETEB O L Fábio H ech D om inski Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6692-6 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 9 2 6 Código Logístico 59607 Metodologia do ensino de basquetebol Fábio Hech Dominski IESDE BRASIL 2020 © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: EFKS / Balazs Toth/ doomu /Shutterstock Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ D72m Dominski, Fábio Hech Metodologia do ensino de basquetebol / Fábio Hech Dominski. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 126 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6692-6 1. Basquetebol. 2. Basquetebol - Estudo ensino. I. Título. 20-65664 CDD: 796.323 CDU: 796.323.2 Fábio Hech Dominski Doutor e Mestre em Ciências do Movimento Humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Graduado em Educação Física pela mesma universidade. Atua como professor no ensino superior, ministrando disciplinas relacionadas aos esportes: basquetebol, futsal, voleibol e handebol; e ao exercício: musculação e treinamento funcional. É pesquisador no Laboratório de Psicologia do Esporte e do Exercício (LAPE/CEFID/UDESC), onde desenvolve pesquisas na área de atividade física e saúde nos temas: Psicologia do esporte e do exercício, Poluição e Qualidade do ar e Saúde no exercício físico e esporte. SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 Evolução e características do basquetebol 9 1.1 Histórico do basquetebol 9 1.2 Basquetebol no Brasil 13 1.3 Características do basquetebol 16 1.4 A pluralidade de manifestações do basquetebol 20 1.5 Evolução do basquetebol 25 2 Regras básicas oficiais do basquetebol 30 2.1 Jogo, quadra, equipamentos e equipes 31 2.2 Regulamentos de jogo 35 2.3 Violações e faltas 40 2.4 Provisões gerais e arbitragem 46 2.5 Diferenças básicas das regras FIBA e NBA 48 3 Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 51 3.1 Fundamentos do basquetebol 52 3.2 Princípios da pedagogia aplicados ao basquetebol 59 3.3 Métodos de ensino 62 3.4 Estratégias de ensino-aprendizagem do basquetebol 67 3.5 O basquetebol na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) 70 3.6 Elaboração de plano de aula 74 4 Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 80 4.1 Aspectos técnicos 80 4.2 Aspectos físicos 85 4.3 Aspectos táticos 87 4.4 Aspectos psicológicos 101 5 Possibilidades do basquetebol 108 5.1 Regras oficiais do basquetebol 3x3 108 5.2 Possibilidades de aplicação do 3x3 113 5.3 História, regras e características do basquetebol adaptado 116 5.4 Mini-basquetebol 122 É com grande expectativa e entusiasmo que apresentamos o livro Metodologia do ensino do basquetebol, objetivando contribuir para a formação do licenciado em Educação Física, além de estimular a prática do basquetebol de maneira consciente, criativa e contextualizada. O basquetebol, para a maioria dos estudantes do ensino superior, foi a modalidade menos praticada na escola durante o ensino fundamental e médio, se considerarmos as quatro mais comuns: futebol, voleibol, handebol e basquetebol. No entanto, esse esporte possui extremo potencial para impactar a formação de cidadãos na escola e fora dela. Como uma modalidade esportiva coletiva e cooperativa, com relação de ataque e defesa constantes e inevitáveis, cria- se uma dinâmica especial e atrativa para todos os públicos, apresentando uma gama de possibilidades da prática, dos iniciantes ao alto rendimento. Esse livro está organizado em 5 capítulos que abordarão desde aspectos básicos do esporte, por exemplo, histórico, características e regras, até os mais aplicados ao contexto da sua prática profissional – de iniciação esportiva, educacional e escolar. No primeiro capítulo, conheceremos a história do basquetebol, suas características como modalidade esportiva coletiva e sua evolução ao longo dos anos. Será possível compreender a pluralidade de formas em que esse esporte se manifesta e em quais delas o profissional de educação física mais atuará. No segundo capítulo, abordaremos as regras oficiais básicas do esporte, de acordo com a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA), além de reconhecermos as principais diferenças em relação ao basquete mais famoso do mundo: a NBA. O capítulo três trará em seu conteúdo os fundamentos técnicos do basquetebol, assim como os princípios da pedagogia aplicados ao esporte, considerando os métodos e as estratégias práticas de ensino. Ademais, estudaremos a respeito do processo de elaboração de um plano de aula para o ensino do esporte em questão. APRESENTAÇÃO Vídeo Já no capítulo quatro, trataremos dos aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores. Nesse capítulo, conheceremos as posições, as funções, as características e as ações de cada jogador; além das ações táticas individuais e coletivas, e de que modo os aspectos físicos e psicológicos influenciam o basquetebol. Por fim, o capítulo cinco nos trará novas possibilidades de prática do esporte, abordando o novo formato olímpico 3x3, o basquetebol adaptado para pessoas com deficiência e o mini-basquetebol. Ainda, nessa obra serão trazidos encaminhamentos didático-pedagógicos com base nas literaturas que consideram a complexidade do esporte e seu potencial de contribuição para a sociedade e para a formação de alunos e futuros atletas. Bons estudos! Evolução e características do basquetebol 9 1 Evolução e características do basquetebol Para entender o basquetebol atualmente, é preciso relembrar sua criação e seu desenvolvimento, compreendendo as caracte- rísticas, como ocorreu sua evolução e os contextos em que esse esporte se manifesta. Essa análise é fundamental para entender e, posteriormente, ensinar essa magnífica prática que está em cons- tante transformação. Desse modo, este capítulo tem como objetivos: conhecer a his- tória do basquetebol no mundo e no Brasil; identificar as manifes- tações do esporte; e entender a evoluçãodo jogo. Com base nesses objetivos, apresentaremos uma introdução teórica essencial ao basquetebol, abordando sua história, suas ca- racterísticas e sua evolução. Portanto, o presente capítulo serve como base para a leitura e para o entendimento dos muitos fun- damentos dessa modalidade. Fique atento às dicas de livros, filmes e vídeos de cada seção! Uma boa leitura a todos! 1.1 Histórico do basquetebol Vídeo A necessidade é a mãe da invenção. Platão Essa famosa frase do filósofo e matemático grego Platão pode des- crever o motivo da origem do basquetebol. O entendimento desses motivos é importante para que posteriormente seja possível com- preender e ensinar essa prática. Em 1891, durante o rigoroso inverno nos Estados Unidos, em Springfield – Massachusetts –, ao observar a drástica redução da prática de atividades físicas e esportes por parte de seus alunos, 10 Metodologia do ensino de basquetebol Luther Halsey Gullick, na época diretor do Springfield College, da Asso- ciação Cristã de Moços (ACM), solicitou uma solução a James Naismith, até então professor de Educação Física da instituição, para que esse problema fosse resolvido. O frio da região impossibilitava a prática de esportes ao ar li- vre, em que as modalidades futebol, rúgbi e beisebol eram as mais comuns e praticadas na época. Dessa forma, restava aos alunos a prática de atividades apenas em ambientes fechados (indoor), como ginástica de aparelhos e calistenia. No entanto, ao reduzir as opções de esportes que poderiam ser praticados, houve, conse- quentemente, redução do interesse dos alunos e diminuição dos níveis de atividade física. Diante da necessidade de resolução do problema, de modo a considerar um esporte que pudesse ser praticado em ambiente fechado, sem violência, com pouco contato pessoal e, sobretudo, atrativo para os alunos, o professor canadense James Naismith, considerando a orientação inicial do diretor de contemplar carac- terísticas dos esportes já praticados e de suas reflexões iniciais, realizou alguns testes, porém não ficou satisfeito. Houve inúmeras tentativas de elaborar um novo jogo. Naismith, em seu escritório, rabiscava em folhas de rascunho possibilidades de diferentes jogos. Contudo, quando não apreciava a ideia, amas- sava essas folhas de modo que formassem bolinhas de papel e as arre- messava ao cesto de lixo. Diante disso, percebeu que ali poderia estar um importante aspecto do novo esporte – o arremesso a determinado alvo, que seria o principal objetivo do jogo. O novo jogo, denominação dada na época, deveria contemplar: • o elevado número de praticantes simultâneos; • a não violência, pois se observava elevado número de lesões no futebol e rúgbi, devido ao intenso contato corporal; • a possibilidade de adaptação em qualquer espaço, fechado ou aberto (indoor ou outdoor); • a facilidade do aprendizado; • a característica de ser um exercício completo, considerando as amplas possibilidades do movimento humano. Saiba mais Para saber um pouco mais sobre como se iniciou, de fato, a prática do basquetebol, você pode assistir ao vídeo em que é apresentada a única gravação de áudio conhecida de James Naismith. Nela, o professor explica como o primeiro jogo o levou a redigir as 13 regras ori- ginais, que descreviam o método de movimen- tação da bola e o que constituía uma falta. Disponível em: https://youtu. be/JlgYkCctZcM. Acesso em: 29 jul. 2020. Figura 1 Professor James Naismith, criador do basquetebol. wikimedia commons https://youtu.be/JlgYkCctZcM https://youtu.be/JlgYkCctZcM Evolução e características do basquetebol 11 Apesar de encontrar algumas dificuldades, os esforços de Naismith resultaram a determinação de o novo jogo precisar ser jogado obri- gatoriamente com bola. Assim, ele seria semelhante aos esportes po- pulares da época; mas diferentemente do que ocorria com futebol e rúgbi, deveria ter um alvo fixo e não seria permitida a retenção da bola, indicando princípios de alta dinâmica de jogo. Logo, as características iniciais do novo jogo estavam tomando forma: • Praticado com bola (grande e redonda). • Proibido o contato corporal entre os praticantes. • Alvos fixos horizontais. • Posicionamento dos participantes como e quando quisessem no terreno de jogo. • Proibido correr com a bola sem quicá-la (drible). Definidas as cinco normas iniciais, em 1891, Naismith rapidamente verificou que elas eram insuficientes para controlar o jogo, de modo que se fazia necessária uma organização para a prática. Nesse sentido, o professor elaborou as primeiras regras do basque- tebol, que foram distribuídas em 13 itens, e regulamentou inicialmente o novo jogo (Tabela 1). É importante observarmos essas regras para notar com maior clareza a evolução desse esporte ao longo dos anos. Quadro 1 Regras iniciais do basquetebol Regra Descrição 1 A bola poderia ser arremessada/passada em qualquer direção com apenas uma mão ou com ambas. 2 A bola poderia ser tapeada para qualquer direção com uma ou ambas as mãos, mas nunca com os punhos. 3 Não era permitido que o jogador corresse com a bola. Ele deveria arremessá-la do mesmo ponto em que a houvesse pegado; exceto em situações em que recebesse a bola enquanto estivesse correndo. 4 A bola deveria ser segurada pelas mãos ou entre as mãos. Os braços ou o corpo não poderiam ser usados para isso. 5 Não era permitido puxar, empurrar, segurar ou derrubar um adversário. A primeira infração dessa regra contaria como uma falta; a segunda, desqualificaria o jogador até que uma nova cesta fosse convertida; e se houvesse intenção evidente de machucar, não era permitida a subs- tituição do infrator. (Continua) Curiosidade A primeira bola de basquete da história era um pouco maior do que uma bola de futebol e foi produzia em 1981, em Massachusetts. O aro de ferro com rede apareceu somente em 1896, mas a cesta ainda era fechada no fundo. Há relatos de que o primeiro jogo de basquetebol foi tão empolgante que tiveram dificuldade para retirar os alunos da quadra após o horário de aula. Onde surgiu o basquetebol e com base em qual ação do seu criador foi concebido o principal objetivo do jogo? Atividade 1 12 Metodologia do ensino de basquetebol Regra Descrição 6 Uma falta consistia em bater na bola com o punho ou em alguma violação das regras 3, 4 e 5. 7 Se uma das equipes cometesse três faltas consecutivas, era marcado um ponto para o time adversário. 8 Um ponto era marcado quando a bola fosse arremessada ou tapeada para dentro da cesta e lá permanecesse; não era permitido que o defensor tocasse na cesta. Se a bola estivesse na borda e um adversário movesse a cesta, o ponto era marcado para a equipe que arremessou. 9 Quando a bola saísse da quadra, deveria ser jogada de volta pelo jogador que a tocou por primei- ro. O tempo máximo para essa ação era de cinco segundos e, caso não ocorresse, a bola deveria ser repassada para o adversário. 10 O árbitro auxiliar deveria observar as faltas e avisar ao árbitro principal quando três faltas con- secutivas fossem marcadas. Ele possuía o poder de desqualificar jogadores, de acordo com a regra 5. 11 O árbitro decidia quando a bola estava em jogo, a que equipe pertencia sua posse, além de con- trolar o tempo. Também ficava ao seu cargo decidir quando um ponto era marcado e controlar os pontos já marcados. 12 Tempo de jogo: 2 tempos de 15 minutos cada e 5 minutos de intervalo entre eles. 13 A equipe que marcasse mais pontos dentro do tempo estabelecido era declarada vencedora. Em caso de empate, o jogo poderia, mediante acordo entre os capitães, continuar até que outro ponto fosse marcado. Fonte: Adaptado de CBB, 2017. Naismith levou as 13 regras para o ginásio da universidade e as re- gistrou em um quadro na parede, comunicando aos alunos que tinha um novo jogo e caracterizando-o como o primeiro jogo de basquetebol da história. Após a breve apresentação da prática, escolheu dois capi- tães paraque organizassem suas respectivas equipes. Com isso, os 18 alunos foram separados em dois grandes times. Logo após essa orga- nização, cada equipe escolheu o jogador mais alto para disputar a bola ao alto, procedimento que dá início ao jogo até hoje. O primeiro jogo de basquetebol da história, com registro oficial, ocorreu em 11 de março de 1892, no Ginásio Armony Hill, em Springfield. Já o basquetebol feminino data de janeiro de 1892. Na ocasião, as professoras da Buckingham Grade School, com base nas orientações e na supervisão de James Naismith, iniciaram a prática em sua instituição. Que tal experimentar o basque- tebol com suas 13 regras iniciais? Pode ser uma boa atividade para posteriormente perceber como o esporte evoluiu. Dica Evolução e características do basquetebol 13 1.2 Basquetebol no Brasil Vídeo Após cinco anos da criação do basquetebol nos Estados Uni- dos, em 1896, o esporte chegou ao Brasil por meio do professor norte-americano Augusto Farnham Shaw. Apesar de ser bacharel em Artes pela Universidade de Yale, Shaw teve contato com o basquetebol em 1892. Por isso, ao ser convidado para ministrar aulas no Mackenzie College, em São Paulo, trouxe consigo a ideia desse esporte até então desconhecido no Brasil. Além da ideia, o professor também trouxe uma bola de basquete. Inicialmente, o esporte foi aprovado pelas mulheres, fato que, devido ao machismo imperante na época, dificultou a prática entre os homens. Além disso, alguns anos antes, o inglês Charles Miller tinha trazido o fu- tebol, esporte que era forte concorrente para a disseminação efetiva do basquetebol entre os homens, cenário que ainda perdura atualmente. O Brasil foi o quinto país em nível mundial e o primeiro na América do Sul a receber o basquetebol. O primeiro time organizado no Brasil ocorreu no mesmo ano em que o esporte chegou ao Mackenzie College; e a primeira partida oficial de basquetebol no país aconteceu em 1912, no Rio de Janeiro. Na Figura 2, podemos observar os princi- pais acontecimentos com relação ao basquetebol no Brasil nos séculos XIX e XX, que vai desde a chegada do esporte no país até a fundação da Confederação Brasileira de Basketball (CBB), em 1941. Figura 2 Linha do tempo: histórico do desenvolvimento do basquetebol no Brasil Chegada do basquetebol ao Brasil. 1896 1912 1915- 1916 1922 1930 1933 1941 Prática do jogo como esporte no Rio de Janeiro. Seleção brasileira convocada pela primeira vez. É fundada a Federação Brasileira de Basketball em 25 de dezembro de 1933, no Rio de Janeiro. Foram traduzidas as primeiras regras em português, que foram publicadas em um catálogo da Casa Stamp. Primeiro torneio da América do Sul. Primeiro Campeonato Sul-Americano de Basquete com a participação do Brasil. É fundada a Confederação Brasileira de Basketball, em 26 de dezembro de 1941, no Rio de Janeiro. Fonte: Elaborada pelo autor. 14 Metodologia do ensino de basquetebol Ao longo da evolução do esporte em nosso país, a participação das seleções brasileiras masculina e feminina de basquetebol em Olimpía- das foi distinta. A primeira atuação aconteceu com o time masculino em 1936 nas Olimpíadas de Berlim, na Alemanha; já o time feminino teve sua primeira participação somente em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, na Espanha. O basquetebol brasileiro acumula cinco pódios ao longo da história das Olimpíadas da Era Moderna, com três meda- lhas de bronze no âmbito masculino; e uma de prata e uma de bronze no feminino (SOUZA, 2018, p.15). Em campeonatos mundiais, a seleção masculina tem 18 participações e 6 pódios, disputa o mundial desde 1950 e conquistou duas medalhas de ouro, uma em 1959 e outra em 1963, sendo essas as grandes con- quistas do basquetebol brasileiro em nível de alto rendimento; além de duas medalhas de prata (1954 e 1970) e duas de bronze (1967 e 1978). A seleção feminina nacional tem 16 participações em mundiais com 2 pódios, sendo a primeira atuação em 1953, com uma conquista de me- dalha de ouro, em 1994, e uma medalha de bronze, em 1971. Já no âmbito dos Jogos Pan-Americanos, a seleção masculina tem seis medalhas de ouro, duas de prata e seis de bronze; a seleção femi- nina tem quatro medalhas de ouro, quatro de prata e quatro de bronze ao longo da história. A Confederação Brasileira de Basketball é a principal entidade que rege o esporte em nosso país; tem como objetivo liderar o processo de desenvolvimento do esporte em nível nacional com as entidades filiadas, os clubes e os atletas. São 27 federações estaduais associadas à CBB. Observe na Figura 3 como ocorre a hierarquia do basquetebol no Brasil. As seleções nacionais têm como maiores cestinhas, ou seja, maiores pontuadores de sua história, os atletas Oscar Schmidt, com 7.693 pontos; e Hortência Marcari, com 3.160 pontos. Ainda, Schmidt é con- siderado o maior pontuador de todos os tempos do basquetebol, com 49.737 pontos ao total, e foi incluído no Hall da Fama da Federação Internacional de Bas- quetebol (FIBA) e no Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos. Curiosidade Evolução e características do basquetebol 15 Figura 3 Hierarquia do basquetebol no Brasil Basquetebol no Brasil Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Federações estaduais Confederação Brasileira de Basketball Ligas Fonte: Elaborada pelo autor. Em níveis de alto rendimento esportivo, o basquete brasileiro par- ticipa de diversas competições; entre elas, estão as ligas e os campeo- natos oficiais. A liga de basquetebol masculina no Brasil é chamada de Novo Basquete Brasil (NBB), sendo reconhecida pela FIBA e organizada com a chancela da CBB. Em um breve histórico dos campeonatos bra- sileiros de basquetebol, temos: a Taça Brasil, que foi o primeiro torneio oficial de basquete no país (1965-1989); o Campeonato Nacional de Basquete (1990-2008); e o Novo Basquete Brasil (desde 2009). A Liga de Basquetebol Feminino (LBF) no Brasil é reconhecida pela FIBA e organi- zada pela Liga Nacional de Basquete (LNB). Com maior visibilidade em ligas e campeonatos, o esporte tem de- monstrado expressivo crescimento no Brasil, fato que pode ser consta- tado nas horas de transmissão de jogos na televisão aberta e fechada, tornando-se o terceiro esporte com mais espaço na TV brasileira no ranking esportivo. Esse crescimento pode estar relacionado ao modelo de competi- ção da NBB, que é semelhante ao da liga norte-americana, a National Basketball Association (NBA). No entanto, é importante ressaltarmos que na NBB há uma temporada regular na qual acontece a maior parte dos jogos e os playoffs – ou mata-mata –, ocorrendo o melhor de cinco Leia o livro Conquistando o sucesso: a trajetória de Oscar Schmidt no basquete e na vida para conhecer mais a respeito do maior jogador de basquetebol da história do Brasil, con- siderado o maior cestinha do basquete. SCHMIDT, O. 1. ed. São Paulo: Komedi, 2009. Livro https://pt.wikipedia.org/wiki/Confedera%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_de_Basketball 16 Metodologia do ensino de basquetebol jogos entre as equipes. Essa organização é muito diferente da NBA, em que são disputadas até sete partidas entre os times, além das finais, que reúnem os campeões de cada conferência – leste e oeste – em uma nova disputa para que se chegue ao melhor de sete jogos. O número de equipes das ligas na NBB também é diferente, sendo o maior número o da NBA. 1.3 Características do basquetebol Vídeo O basquetebol como modalidade esportiva coletiva apresenta, de acordo com Bayer (1994), seis elementos que são comuns a todos os esportes coletivos: a bola, o espaço de jogo, os companheiros de equi- pe, os adversários, as regras e uma meta ou alvo. É possível perceber que essas características também são comuns ao futebol, futsal, volei- bol, handebol, futebol americano, rúgbi, entre outros esportes. Desse modo, é com base nessas características invariantes que é construída uma estrutura de jogo comum nos jogos esportivoscoletivos – uma construção pedagógica similar pode ser dada a essas modalidades. No basquetebol, temos a bola, o espaço de jogo (quadra com 28 metros de comprimento e 15 metros de largura), os 5 companheiros de equipe, os 5 adversários, as regras estabelecidas pelas entidades or- ganizadoras (FIBA) e um alvo (cesta), conforme os exemplos ilustrados na figura a seguir. Figura 4 Elementos do basquetebol Fonte: Elaborada pelo autor. Ch er dc ha i c ha ra sr i/ Ta tia na Z ab ro di na / Vi kt or ija R eu ta / O le ks an dr O si po v / Sh ut te rs to ck Outra característica comum entre os esportes coletivos é o confron- to entre duas equipes, em que situações de ataque e defesa são alter- nadas, determinando de quem será a posse de bola no terreno de jogo e como irão ocorrer as marcações de pontuação no alvo adversário. Evolução e características do basquetebol 17 Entre as diversas classificações para modalidades esportivas coleti- vas disponíveis na literatura, o basquetebol se classifica como: Figura 5 Características básicas do basquetebol Coletiva Cooperação Oposição Invasão Fonte: Elaborada pelo autor. No basquetebol, essas características podem ser observadas tan- to na defesa quanto no ataque. Isso significa que uma equipe pode invadir a quadra do adversário para realizar uma marcação sob pressão e tentar obter a posse de bola. No ataque, o objetivo está em atingir a meta adversária (cesta), e para isso é necessário realizar a invasão da quadra do adversário, furando bloqueios defensivos. Na invasão, há o confronto entre ataque e defesa, caracterizando a oposição. Na defesa e no ataque existem ações grupais (coletivas), em que é preciso colaborar com os colegas de equipe (cooperação) para obter sucesso nas jogadas. A ocupação do espaço comum no basquetebol – diferentemente de outras modalidades em que há separação do espaço ocupado –, além da participação simultânea de todos os praticantes, gera uma dinâmica especial. Essa dinâmica ocorre devido à constante e inevitável relação ataque/defesa, pois se uma equipe está com a posse de bola, conse- quentemente ela está em ataque; por outro lado, a equipe sem a posse de bola está em defesa. O basquetebol é um esporte altamente dinâmico e participativo. Apesar de haver funções ou posições específicas (armador, ala, pivô), não há limitação da atuação dos praticantes ou atletas, ou seja, não há divisão entre setores na quadra de jogo como ocorre no futebol (de- fesa, meio de campo, ataque). Atacar a cesta adversária, defender a própria cesta, oferecer oposição ao adversário e cooperar com compa- nheiros de equipe são consideradas as quatro tarefas a serem executa- das no basquetebol (DE ROSE JR.; PINTO FILHO; CORREA NETO, 2015). Em sua essência, analisando a formação da palavra inglesa bas- ketball, temos dois significados: basket, que significa cesto; e ball, que significa bola. Literalmente, o jogo em português significa bola ao cesto. Curiosidade Quais são as principais carac- terísticas do basquetebol como modalidade esportiva? Atividade 2 18 Metodologia do ensino de basquetebol Observe na Figura 6 de que forma pode ocorrer a disposição das equipes em um jogo de basquetebol e quais são as principais características. Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Figura 6 Disposição das equipes em uma quadra de jogo e as características do basquetebol Fonte: Elaborada pelo autor. Invasão da quadra adversária Oposição entre as equipes Cooperação Coletiva Não é preciso esperar a ação do adversário para atuar, uma vez que essa característica torna mais acentuada a disputa pela posse de bola. No entanto, é necessário que essa ação de posse seja desenvolvida de modo a criar espaços para realizar um adequado e eficiente arremesso – principal fundamento do jogo – e atingir o objetivo, realizar a cesta para pontuar mais que o adversário. Para não sofrer pontuação, a equi- pe sem posse de bola deve diminuir os espaços do adversário por meio de ações táticas, visando dificultar os arremessos e recuperar a bola, podendo ser por meio de uma técnica de roubo, um rebote defensivo ou um erro adversário. A interpenetração na quadra adversária é um dos fatores que mais contribui para o grau de previsibilidade do jogo. Nos esportes de inva- são, o grau de previsibilidade é menor quando comparado aos espor- tes não invasivos. Podemos notar isso facilmente se compararmos o basquetebol ou o handebol (invasivos) com o voleibol (não invasivo). Por esse motivo, a imprevisibilidade é um fator presente em todos os jogos de basquetebol, uma vez que muitas partidas são decididas nos segundos finais. Alguns dos fatores que contribuem para que isso aconteça são o espaço reduzido para as ações e as regras relacionadas Evolução e características do basquetebol 19 ao tempo de posse de bola, pois dão maior dinâmica e imprevisibilida- de ao jogo. Dessa forma, a cooperação e a oposição entre as equipes; a imprevisibilidade; a criação e a diminuição de espaços são três fatores fundamentais para a prática do basquetebol (Figura 7). Figura 7 Três fatores fundamentais do basquetebol Fonte: Elaborada pelo autor. Cooperação e oposição Imprevisibilidade Criação e diminuição de espaços Contudo, para essa prática acontecer são exigidas capacidades mo- toras e físicas. As formas básicas de movimento humano, como correr, saltar e lançar, estão presentes constantemente no esporte. Além disso, alguns autores colocam três capacidades condicionantes como básicas no basquetebol: força, resistência e velocidade (DE ROSE JR., 2006, p. 16). A seguir, vamos entender um pouco mais sobre cada uma delas. A força pode ser dividida em: força de salto (utilizada em arremessos do tipo jump ou bandeja, ou para rebotes); força de resistência (pré-requisito físico para manter a qualidade dos gestos técnicos durante o jogo); e força de sprint (para acelerações, saídas rápidas e mudanças de direções). A resistência está dividida em resistência geral ou aeróbia e resistência anaeróbia. Já a velocidade se traduz na capacidade de deslocamentos rápidos – em reações, em movimentos acíclicos ou de agilidade. Há também as capacidades coordenativas, que incluem: destreza manual, precisão, percepção espaço-temporal, estabilidade de braço e mão, coordenação multimem- bros, seleção imagem-campo e coordenação óculo-manual. Essas são habilidades que, aliadas às condicionantes, permitem ao jogador executar os movimentos ne- cessários com eficácia. Com base nas características estudadas até aqui, podemos concluir que o basquetebol é um esporte coletivo, cooperativo, de invasão e, algumas vezes, competitivo. Além disso, esse esporte se tornou um dos Para saber um pouco mais sobre a história do basquetebol, assista ao curta-metragem Dear Basketball (2017), de Glen Keane e Kobe Bryant, publicado no canal Engnerd Cinema. O curta ganhou o Oscar de melhor curta-metragem em Animação em 2018, é narrado pelo astro Kobe Bryant e tem como base sua carta de aposentado- ria do basquete. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=IlseDXUwFZQ. Acesso em: 29 jul. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=IlseDXUwFZQ https://www.youtube.com/watch?v=IlseDXUwFZQ https://www.youtube.com/watch?v=IlseDXUwFZQ 20 Metodologia do ensino de basquetebol mais populares do mundo, fazendo com que as instituições que o ad- ministram estejam constantemente preocupadas em mantê-lo dinâmi- co e atrativo, permitindo que haja uma evolução contínua ao longo dos tempos como forma de mostrar que um mesmo esporte pode ter uma pluralidade de formas, as quais serão estudadas a seguir. 1.4 A pluralidade de manifestações do basquetebol Vídeo A prática do basquetebol não é limitada apenas para atletas de alto rendimento, como geralmente vemos nas partidas exibidas na tele- visão. Pelo contrário, essa é somente uma das manifestações desse esporte, sendo a que menos envolve praticantes, nesse caso atletas,mundialmente. A literatura reconhece a prática do basquetebol sob diversas mani- festações: iniciação esportiva, profissional, lazer, representação, esco- lar, reabilitação/recuperação e prevenção da saúde (GRECO; BENDA, 1998). Vamos observar um organograma (Figura 8) que ilustra as prin- cipais manifestações desse esporte. Figura 8 Manifestações esportivas do basquetebol Fonte: Elaborada pelo autor. Iniciação esportiva Escolar Profissional Reabilitação/recuperação Lazer Prevenção da saúde Representação Ba sq ue te bo l É importante ressaltar que algumas manifestações nos esportes acontecem concomitantemente. Um exemplo disso é o esporte educa- Evolução e características do basquetebol 21 cional, em que ocorre, além da iniciação esportiva, o ensino do esporte como forma de lazer. A identificação e a diferenciação das manifesta- ções do basquete são importantes e devem ser muito bem compreen- didas pelo professor de Educação Física, uma vez que cada uma tem público-alvo, motivos e objetivos diferentes, auxiliando a nortear a prá- tica profissional para o viés mais adequado. A seguir, saberemos um pouco mais como o basquete se manifesta dentro de cada contexto. 1) Iniciação esportiva: esse é o momento do primeiro contato da maioria das pessoas com o esporte. O basquete é trabalhado de ma- neira organizada e sistematizada, pode ocorrer nas escolas durante as aulas de Educação Física ou nas escolas de basquetebol. O objetivo da iniciação esportiva no basquetebol é o processo de ensino-apren- dizagem do esporte, de modo que o aluno leve em consideração os valores, os princípios, as regras, os fundamentos e os demais aspec- tos que norteiam a prática. Portanto, essa iniciação esportiva deve apresentar como eixo princi- pal a aprendizagem motora por meio de propostas pedagógicas, objeti- vando sempre o aprendizado e o aperfeiçoamento dos gestos técnicos esportivos específicos, como arremesso, passe e drible (DE ROSE JR., TRICOLI, 2005). Em um sistema de formação esportiva, o processo de ensino-aprendizagem deve ser programado de maneira equilibrada e orientada por meio do desenvolvimento das capacidades táticas, bem como deve estar em harmonia com as capacidades técnicas, físicas, coordenativas, psicológicas e sociais dos alunos. Greco e Benda (1998) ressaltam que, para uma melhor compreensão da proposta de inicia- ção esportiva, é fundamental não nos limitarmos, como professores, a somente uma metodologia de ensino, mas criarmos uma filosofia de trabalho com base em uma nova visão e postura profissional. É importante citar que a iniciação esportiva não é um processo que ocorre exclusivamente no período da infância das pessoas, visto que pode acontecer também na fase adulta, chamada de iniciação esportiva tardia. Essa iniciação tardia corresponde ao ingresso de jovens, adultos ou idosos no processo de ensino-aprendizagem-treinamento de um es- porte. É notável que tanto a literatura quanto a prática do basquetebol têm foco apenas na iniciação esportiva das crianças, havendo poucas oportunidades de iniciação esportiva para jovens, adultos e idosos (SIL- VA; GALATTI; PAES, 2010). Para compreender mais a respeito do sistema de formação esportiva para todos os esportes, proposto pelos autores Greco e Benda (1998), re- comendamos a leitura da obra Iniciação Esportiva Universal. GRECO, P. J.; BENDA, R. N. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1998. (v. 1 e 2). Livro 22 Metodologia do ensino de basquetebol 2) Profissional: essa é uma das manifestações fre- quentemente exibida nos canais de esporte. Muitas vezes, é por meio dos jogos profissionais que outros tipos de manifestações do basquetebol são influen- ciados, inspirando pessoas. O basquetebol profissio- nal tem foco mercadológico e no esporte-espetáculo, objetivando o máximo rendimento de seus partici- pantes nas partidas. Essa manifestação consiste no emprego de atletas, técnicos, dirigentes, gestores, mídia, entre outros, tornando-os profissionais nessa área. As equipes profissionais comumente partici- pam de ligas nacionais, como a NBB e LBF, e as ligas norte-americanas NBA e Woman National Basketball Association (WNBA). 3) Lazer: o basquetebol também pode ser uma forma de lazer. A prática é motivada, geralmente, por razões próprias do interessado e está relacio- nada principalmente à diversão que a ludicidade do jogo promove. Essa manifestação envolve grande número de praticantes mundialmente, que visam, além da diversão, à prevenção e ao cuidado com a saúde. Figura 10 Prática do basquetebol durante o lazer Pe xe ls . Figura 9 Atleta de basquetebol no contexto profissional Pe xe ls . Assista a The Last Dance (Arremesso Final) para saber mais a respeito dos campeonatos e das ligas profissionais. É uma série documental produzida pela ESPN que acompanha a temporada de 1997-1998 do Chicago Bulls, além de cobrir as fases finais da carreira do melhor jogador de basquetebol de todos os tempos, Michael Jordan. Direção: Jason Hehir. EUA: ESPN; Netflix, 2020. Filme Evolução e características do basquetebol 23 4) Representação: por vezes confundido com o esporte profissional e de alto rendimento, a manifestação do esporte aqui objetiva a repre- sentação de instituições – de caráter público ou privado – e de clubes, municípios, ou até mesmo estados e países, em torneios e campeona- tos esportivos. Em outras palavras, é considerado um esporte não pro- fissional – amador –, mas com as regras oficiais. Figura 11 Basquetebol de representação Pe xe ls . 5) Escolar: o basquetebol no contexto escolar é o princi- pal meio de atuação do professor licenciado em Educação Física. O foco do ensino de basquetebol na escola deve ser sempre o processo de ensino-aprendizagem dos alunos. Segundo De Rose Jr. e Tricoli (2005), é necessário dar ao es- porte o enfoque essencialmente educativo, sob a perspecti- va pedagógica, sobretudo, no contexto escolar. Entretanto, para que isso aconteça e seja um aprendizado efetivo, é preciso uma boa base teórica. Importante ressaltar aqui que a manifestação é o foco de nossos estudos. 6) Reabilitação/recuperação: a prática de basquetebol também pode fazer parte de programas de reabilitação e de recuperação de lesões e doenças. Esse esporte é escolhi- do para esse tipo de projeto devido ao fato de a ludicidade da prática ser um fator importante para a aderência e ma- nutenção das pessoas nesses programas de reabilitação. Figura 12 Basquetebol escolar Pe xe ls . Assista ao filme O caminho de volta (The way back) que conta a história de como o basquetebol, no contexto do esporte de representação, pode mudar a vida das pessoas. Direção: Peter Weir. EUA: National Geographic, 2020. Filme 24 Metodologia do ensino de basquetebol 7) Prevenção da saúde: o basquetebol também pode ser uma ma- nifestação esportiva que objetiva apenas a saúde e sua manutenção. Sabe-se que alguns esportes são considerados atividades físicas, e que a prática regular está diretamente relacionada à redução no risco de desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes, doenças cardía- cas e alguns tipos de cânceres, contribuindo também para a redução da mortalidade da população. 1.5 Evolução do basquetebol Vídeo É notável a evolução do basquetebol desde a sua criação, em 1891. Isso pode ser observado por meio de diferentes perspectivas, como a técnica dos jogadores, as táticas, a condição física dos atletas, as regras e o aumento da visibilidade do próprio esporte. Nesta seção, nos dedicaremos às principais modificações das regras que alteraram a dinâmica do jogo ao longo dos anos. Essas informa- ções darão embasamento para nossos estudos e para que as suas au- las de Educação Física sejam elaboradas da melhor forma. As mudanças foram, sobretudo, relacionadas à dinâmica do jogo, de modo a torná-lo atrativo tanto para praticantes quanto para espectado- res. Na prática, busca-se um jogo mais veloz, no qual a condição física e técnicados jogadores é aproveitada e o tempo de jogo é otimizado. Ao longo do tempo, houve organizações táticas individual e coletiva, bem como foram estabelecidas funções que estivessem de acordo com a posição de cada jogador na quadra, o deixando conforme era espera- do (veloz e com tempo adequado). Podemos observar no Quadro 2 as mudanças mais drásticas que ocorreram no basquetebol. Quadro 2 Principais alterações do jogo de basquetebol desde sua origem Regra original Regra atual De 3 a 40 jogadores titulares 5 jogadores titulares e 7 reservas Nenhuma organização tática Há ações táticas individuais e coletivas bem estabelecidas. Não havia limite de tempo de posse bola, tornando o jogo lento. Existem diversas regras relacionadas ao tempo e que proporcionam mais dinâmica ao jogo (otimização do tempo). Até 1936, a cada cesta feita, a bola era reposta no formato bola ao alto sempre ao centro da quadra. A cada cesta feita, a bola é reposta ao fundo da quadra o mais rápido possível pela equipe. (Continua) Evolução e características do basquetebol 25 Regra original Regra atual Tempo de jogo: 2 tempos x 15 minutos. 4 tempos x 10 minutos (FIBA) 4 tempos x 12 minutos (NBA) Nos anos 1950, equipes defendiam basicamente por zona e de maneira estática. Há diversos tipos de defesa, como individual, por zona, sob pressão, mista e combinada. Tabelas de madeira e aros fixos. Tabelas de vidro ou acrílico e aros retráteis. Bolas de couro com gomos. Bolas fabricadas com alta tecnologia, com melhor aderência à absorção do suor das mãos. Fonte: Elaborado pelo autor. Outra modificação marcante foi a configuração da área restritiva na quadra: o garrafão, que de trapézio, em 1950, passou para retângulo, em aproximação ao formato da NBA. Também houve uma mudança na arbitragem, que visava maior precisão nas marcações e melhor apli- cação das regras: antes contava com apenas um árbitro; atualmente, tem-se três árbitros em quadra, sendo um principal e dois auxiliares. Outra mudança relevante na trajetória do basquetebol foi a evolução quanto às técnicas e aos fundamentos desenvolvidos pelos jogadores. Considerando que o esporte de alto rendimento se caracteriza pela ne- cessidade de potência, ou seja, de realizar movimentos em alta veloci- dade, essas são variáveis preponderantes nos treinos. Com base nisso, e apesar de existirem posições específicas no basquetebol, em que há ações executadas mais vezes por determinada posição, atualmente são exigidas múltiplas capacidades de um mesmo jogador, não o limitando e o impedindo de realizar ações mais comuns a outras posições. De acordo com a CBB, esse esporte é praticado por mais de 300 milhões de pessoas no mundo e há mais de 170 países filiados à Federação Internacional de Basquete. A sede da FIBA está localizada em Mies, na Suíça, e é conhecida como House of Basketball. A FIBA admi- nistra o esporte mundialmente, exceto nos Estados Unidos, pois lá há uma liga independente do país – NBA para as equipes masculinas, e a WNBA para as equipes femininas. A NBA e a WNBA são consideradas as famosas ligas norte-americanas. No Brasil, existem 31 milhões de fãs desse esporte, sendo 13 mi- lhões desses considerados superfãs, ou seja, aqueles que consomem conteúdos de basquetebol todos os dias. Também há dados de que existem 3 milhões de praticantes, considerando desde pessoas que jo- 26 Metodologia do ensino de basquetebol gam por lazer até atletas profissionais, com mais de 1.000 equipes de diversos níveis em todo o país. Com base em nossos estudos sobre as técnicas e evolução do bas- quetebol, faz-se necessário mencionarmos os nomes mais importan- tes do basquetebol mundial, uma vez que esses atletas também foram responsáveis pela evolução do esporte, com sua habilidade técnica, condição física, carisma e outras contribuições que trouxeram para a modalidade. Desse modo, a Figura 13 ilustra, por meio de uma nuvem, os nomes de alguns dos mais importantes atletas do basquetebol. É fundamental observamos que, quanto maior o nome do jogador na imagem, mais importante ele foi na história desse esporte. Figura 13 Maiores nomes da história do basquetebol masculino Larry Bird LeBron James Wilt Chamberlain Jerry West Elgin Baylor Moses Malone Julius Erving Kobe Bryant Oscar Robertson David Robinson Charles Barkley Shaquille O’nealMichael Jordan Kareem Abdul-Jabbar Stephen Curry Hakeem Olajuwon John Stockton Magic Johnson Tim Duncan Bill Russell Karl Malone Kevin Garnett Kevin Durant Dirk Nowitzki Fonte: Elaborada pelo autor. Já no âmbito do basquetebol feminino, a WNBA, quando completou 20 anos, apresentou uma lista com as 20 melhores jogadoras da histó- ria. Confira na nuvem a seguir quais são essas mundialmente renoma- das jogadoras profissionais do basquetebol. Quanto maior o nome da jogadora, mais importante ela foi na história desse esporte. Assista ao vídeo sobre a evolução do basquetebol apresentado no evento All Star Game da NBA, em 2016. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=zjgRdOT6tG8. Acesso em: 22 jul. 2020. Vídeo Para conhecer mais sobre um dos grandes nomes do basquetebol mundial, sugerimos a leitura do livro Kobe Bryant: the incredible story of Kobe Bryant – one of basketball’s greatest players! LOWE, J. 1. ed. Tennessee: Ingram Publishing, 2020. Livro https://www.youtube.com/watch?v=zjgRdOT6tG8 https://www.youtube.com/watch?v=zjgRdOT6tG8 https://www.youtube.com/watch?v=zjgRdOT6tG8 Evolução e características do basquetebol 27 Figura 14 Maiores nomes da história do basquetebol feminino Becky Hammon Lindsay Whalen Teresa Weatherspoon Maya Moore | Tina Thompson Deanna Nolan Lauren Jackson Diana Taurasi Katie Smith Cappie Pondexter Candace Parker Sheryl Swoopes Ticha Penicheiro Seimone Augustus Swin Cash Tamika Catchings Cynthia Cooper-Dyke Sue Bird Lisa Leslie Yolanda Griffith Fonte: Elaborada pelo autor. Como pudemos observar, há vários fatores que contribuíram para o avanço e para a evolução do basquetebol ao longo de todos esses anos – novas técnicas, novas regras, novos aperfeiçoamentos e até mesmo a contribuição de cada um dos jogadores e praticantes que passaram por alguma fase do esporte. Vamos ver agora algumas curiosidades do basquetebol? • O registro que se tem do maior público da história em um jogo de basquetebol ocorreu no ano de 2010. Foi na 59ª edição do NBA All-Star Game, em que 108 mil pessoas assistiram, presencialmente, o evento que ocorreu no estádio do time de futebol ame- ricano do Dallas Cowboys, nos Estados Unidos. • A maior pontuação registrada em uma mesma partida por um mesmo jogador foi de 100 pontos. Isso aconteceu em 2 de março de 1962, quando Wilt Chamberlain mar- cou 100 pontos pelo Philadelphia Warriors em uma vitória de 169 a 147 contra o New York Knicks. • O hall da fama Naismith Memorial, em Springfield, Estados Unidos, homenageia três grandes nomes de jogadores de basquetebol brasileiros: Hortência Marcari, Oscar Schmidt e Ubiratan Maciel. Consulte seus familiares ou amigos de outra geração a respeito de quem foi a referência do basquetebol masculino ou feminino naquela época. Você pode conhecer grandes nomes do esporte. Dica 28 Metodologia do ensino de basquetebol CONSIDERAÇÕES FINAIS Desde 1891, o basquetebol está em constante crescimento e vem se tornando um fenômeno esportivo que se caracteriza como um esporte coletivo, cooperativo, de oposição, invasão e que permite diversas possibi- lidades de atuação para o professor de Educação Física determinar como ocorrerá o processo de ensino-aprendizagem. Conhecer a história do esporte é reconhecer o esforço de nossos an- tepassados para criar, desenvolver e chegar ao que hoje é esse magnífico jogo e fenômeno esportivo. Uma prática consciente e criativa do basque- tebol se inicia com uma boa base teórica, considerando seu histórico, suas características iniciais e sua evolução ao longo do tempo. REFERÊNCIAS BAYER,C. O ensino dos desportos coletivos. Paris: Editions Vigot, 1994. CBB. Confederação Brasileira de Basketball. Regras oficiais de basquetebol, 2017. Disponível em: http://sge.esumula.com.br/Arquivos/LIVRO_DE_REGRAS.pdf. Acesso em: 03 nov. 2020. DE ROSE JR., D.; PINTO FILHO, T.; CORREA NETO, W. Minibasquetebol na escola. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2015. DE ROSE JR., D.; TRICOLI, V. Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática. Barueri: Manole, 2005. GRECO, J. P.; BENDA, R. N. (org.). Iniciação desportiva universal. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998. SILVA, R. M. P.; GALATTI, L. R.; PAES, R. R. Pedagogia do esporte e iniciação esportiva tardia: perspectivas a partir da modalidade basquetebol. Pensar a Prática, Goiânia, v. 13, n. 1, maio 2010. SOUZA, V. H. Metodologia do ensino do basquetebol. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. GABARITO 1. O basquetebol foi criado nos Estados Unidos em 1891 por James Naismith, que, en- quanto rabiscava ideias de jogo, lançou ao cesto de lixo bolinhas de papel, ato que gerou a ideia de que o arremesso a determinado alvo seria o objetivo do jogo. 2. O basquetebol caracteriza-se como esporte coletivo, de invasão, de oposição, com participação simultânea. Ainda, tem elevada interpenetração na quadra de jogo, fato que gera imprevisibilidade e constante relação de ataque e defesa. Regras básicas oficiais do basquetebol 29 2 Regras básicas oficiais do basquetebol Neste capítulo, estudaremos as regras básicas do basquetebol de acordo com a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA). A Confederação Brasileira de Basketball (CBB), por meio de seu Departamento de Arbitragem, divulga as regras oficiais traduzidas para o português, uma vez que todo o material da FIBA é feito no idioma inglês. No Brasil, utilizamos somente as regras da FIBA. É importante ressaltar que as regras da National Basketball Association (NBA), a liga norte-americana e a principal liga de basquete do mundo, são diferentes da FIBA. Ao fim do capítulo, abordaremos algumas dessas diferenças. Além disso, vamos observar que as regras do basquetebol têm sofrido alterações ao longo dos anos, fato que ocorre para manter o jogo atrativo tanto para praticantes/atletas quanto espectadores, objetivando, principalmente, manter a dinâmica peculiar do jogo. Para proporcionar a você, aluno, uma compreensão de todas as regras do basquetebol, nas próximas seções deste livro va- mos estudar cada um desses tópicos de modo mais aprofunda- do. Lembre-se: trataremos aqui apenas das regras da Federação Internacional de Basquetebol. 30 Metodologia do ensino de basquetebol 2.1 Jogo, quadra, equipamentos e equipes Vídeo Primeiro, é importante sabermos que, de acordo com esses ma- nuais, as regras são divididas em oito tópicos, que permitem uma compreensão mais objetiva de cada uma delas. Observe o Quadro 1 a seguir como é feita essa divisão. Quadro 1 Principais regras do basquetebol 1. Jogo 4. Regulamentos do jogo 3. Equipes 6. Faltas 8. Oficiais, oficiais de mesa, comissário: deveres e poderes 2. Quadra de jogo e equipamentos 5. Violações 7. Provisões gerais REGRAS Fonte: Elaborado pelo autor. A primeira regra do livro oficial é uma elucidativa definição do jogo de basquete e aborda o objetivo e as orientações básicas do esporte. Vejamos: • É jogado, obrigatoriamente, por duas equipes de cinco jogadores cada. Cada equipe tem como objetivos marcar pontos na cesta adversária e evitar que a outra equipe pontue. • A cesta atacada por uma equipe é a cesta do time adversário. Já a cesta defendida é a sua própria cesta. • A equipe vencedora será a que marcar o maior número de pon- tos ao fim do jogo. Qual é o objetivo do jogo de basquetebol? Como é possível alcançá-lo? Atividade 1 Regras básicas oficiais do basquetebol 31 Figura 1 Representação de ataque e defesa em uma quadra de basquetebol Fonte: Elaborada pelo autor. Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Ataque Defesa 5 x 5 Já a segunda regra estabelece quesitos a respeito da quadra de jogo e dos equipamentos: • O tamanho da quadra deve ser de 28 m de comprimento por 15 m de largura em uma superfície plana, rígida e sem obstruções. • As linhas que delimitam o espaço devem ter 5 cm de largura. É importante ressaltar que nenhuma linha limítrofe faz parte da quadra de jogo, tanto as laterais quanto as de fundo. Outro ponto importante é o de que o tamanho das linhas tem papel relevante no basquetebol, pois caso o praticante pise na linha ao mesmo tempo em que está com a posse de bola, é considerado fora da quadra de jogo. No entanto, caso a quadra da escola em que dará aula não tenha linhas demarcadas, você pode desenhá-las consi- derando sempre a largura de 5 cm. • Qualquer obstrução que ocorra fora da quadra deve estar a 2 m de distância (como bancos de reservas e arquibancadas). • A distância da linha de três pontos para a cesta deve ser de 6,75 m. Além disso, para que ocorra um jogo de basquetebol é necessário que haja os seguintes equipamentos e a seguinte estrutura: Para ver um resumo completo e detalhado das regras do basquetebol assista ao vídeo Regras do basquetebol: resumo das regras oficiais, publicado pelo canal Dicas Educa- ção Física. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=e36sfmb0M_o. Acesso em: 11 ago. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=e36sfmb0M_o https://www.youtube.com/watch?v=e36sfmb0M_o https://www.youtube.com/watch?v=e36sfmb0M_o 32 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 2 Quadra oficial de basquetebol Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck 15 m d e la rg ur a Linha com 5 cm de largura 28 m de comprimento 2 m d e di st ân ci a Área do banco da equipe Linha lateral 3,6 m Linha lateral Ár ea re st rit iv a Li nh a fin al Li nh a fin al Linha de 3 pontos Li nh a ce nt ra l Cí rc ul o ce nt ra l Li nh a de re po si çã o Se m ic írc ul o se m c ar ga Mesa de controle 0,15m 5m2m Área do banco da equipe Banco da equipe Banco da equipe • Tabelas e respectivos suportes, incluindo cestas com aros, molas de compensação e redes; estrutura de suporte para as tabelas, contendo acolchoamento. • Bolas de basquetebol. • Cronômetro de jogo. • Placar. • Relógio de 24 segundos. • Cronômetro específico para debitar os tempos solicitados pelas equipes. • Dois sinais sonoros independentes: um para o operador do reló- gio de 24 segundos e outro para o cronometrista. • Súmula de jogo. • Marcadores de faltas de jogadores. • Marcadores de faltas das equipes. • Seta de posse alternada. • Piso de jogo. • Quadra de jogo. • Iluminação adequada. CBB. Regras Oficiais de Basquetebol 2017. Disponível em:http://sge.esumula.com.br/Arquivos/LIVRO_DE_REGRAS.pdf. Acesso em: 11 ago. 2020. Adaptado. Regras básicas oficiais do basquetebol 33 Quanto às equipes, a regra expõe que não é permitido mais do que 12 membros de equipe com direito de jogo, incluindo o capitão. Desses 12 membros, cinco deverão ser os titulares; e os outros sete, os reservas. Figura 3 Início de jogo com bola ao alto Pe xe ls Também deverá existir um técnico e, no máximo, oito membros considerados acompanhantes de equipe. É per- mitido a esses acompanhantes sentarem-se no banco, contanto que haja, no máximo, dois assistentes técnicos. Os uniformes devem ser da mesma cor predominante na frente e atrás. Não são permitidas camisas de manga comprida ou o uso de camisetas com mangas por baixo da camisa oficial de jogo. É imprescindível que os jogadores coloquem suas camisetas para dentro dos calções, que de- vem terminar acima do joelho, deixando as meias visíveis. Figura 4 Uniforme de jogo Pe xe ls 34 Metodologia do ensino de basquetebol 2.2 Regulamentos de jogo Vídeo Os regulamentos de jogo são regras gerais que regem a partida e consistem, prioritariamente, em: tempo de jogo, bola ao alto, posse al- ternada,como a bola deve ser jogada, valor (pontuação) das cestas, reposição de bola, tempo debitado, substituição, jogo perdido por de- sistência e jogo perdido por número insuficiente de jogadores. A seguir, observaremos de modo mais aprofundado cada um desses pontos. • Tempo de jogo O jogo de basquetebol é organizado em quatro períodos – ou tem- pos/quartos – de 10 minutos. Há também um intervalo específico de jogo de 20 minutos antes do horário previsto para o início da parti- da, ou seja, é um período preparatório para ambas equipes e para a arbitragem. Entre o primeiro e segundo quartos (primeira metade), entre o ter- ceiro e quarto quartos (segunda metade) e antes de cada tempo extra (prorrogação) deve haver, obrigatoriamente, intervalos de 2 minutos. As equipes trocarão de lado da quadra apenas no intervalo de 15 minu- tos, que ocorre entre o 2º e 3º quartos. Na Figura 5, podemos observar os tempos de jogo e seus respectivos intervalos. Figura 5 Períodos de jogo e intervalos Ch er dc ha i c ha ra sr i/ sh ut te rs to ck 10 min. 10 min. 10 min. 10 min. 1º quarto 2º quarto 2 min. Intervalo 2 min. Intervalo15 min. Intervalo Troca de lados da quadra Fonte: Elaborada pelo autor. 3º quarto 4º quarto Um fator importante e que interfere no tempo de jogo é o de que não há empate no basquetebol. Isso significa que, em caso de empate ao fim do tempo regulamentar, o jogo continuará com quantos tempos Existe empate no basquetebol? Justifique sua resposta. Atividade 2 Regras básicas oficiais do basquetebol 35 extras (prorrogações) forem necessários para que ocorra o desempa- te. Cada prorrogação deverá ter, obrigatoriamente, duração de cinco minutos. • Bola ao alto A bola ao alto é uma técnica para tornar a bola “viva”. Ou seja, é quando um oficial lança a bola, no círculo central e entre dois jogado- res adversários, para o início do primeiro quarto de tempo (Figura 6). Os procedimentos que devem ser seguidos para executar a técnica de bola ao alto são: • A bola deve ser tapeada após atingir seu ponto mais alto, a altura máxima ao ser arremessada. • Caso a bola não seja tapeada por algum jogador, deve-se repetir o procedimento. • Os jogadores que disputam a bola ao alto não podem segurar ou tapear a bola mais do que duas vezes. É comum que os jogadores que disputam a bola ao alto sejam os pivôs, pois são os mais altos das equipes. Figura 6 Início de jogo a partir da bola ao alto Pe xe ls Além de dar início ao jogo, a bola ao alto poderá ocorrer nas seguin- tes situações: • Quando a bola fica presa entre dois jogadores em uma disputa de bola, sem clara definição de quem está, de fato, com a posse de bola. Qual é a duração total de um jogo de basquetebol? Atividade 3 Você sabe qual é o jogo com maior número de prorrogações? O jogo com maior número de prorrogações aconteceu em 1951, entre os times Indianapolis Olympians e Rochester Royals, em que houve a necessidade de seis prorrogações para o desem- pate. A partida foi vencida pelo Indianapolis Olympians com um placar de 75 a 73. Nos anos 1950 ainda não havia a regra de 24 segundos para arremesso, ou seja, as equipes poderiam prolongar a posse de bola, causando uma possível baixa pontuação. Fato que podemos comprovar ao observar as pontuações em partidas mais atuais, em que a regra de 24 segundos é válida. Curiosidade 36 Metodologia do ensino de basquetebol • Dúvida dos árbitros sobre de quem é a posse de bola após a bola se tornar “morta”. • Quando a bola para entre o aro e a tabela. • Posse alternada A posse alternada é outro método para fazer com que a bola esteja em movimento, sem ser por meio da bola ao alto. Com isso, a equipe que perdeu a bola ao alto no início de jogo inicia o próximo quarto com a posse de bola. Outro momento em que pode ser utilizada a posse alternada é quando há bola presa entre dois jogadores. Isso quer dizer que se a equipe B venceu a disputa de bola ao alto no início do jogo (ou em outro quarto de tempo) e há a ocorrência de bola presa, ela deve ficar com a equipe A. • Como a bola é jogada Durante uma partida de basquetebol a bola deve ser jogada somen- te com as mãos e pode ser passada, lançada, tapeada, rolada ou dribla- da em qualquer direção. Outro fator importante é o de que um jogador não poderá correr com a bola, chutá-la ou bloqueá-la com qualquer parte das pernas; ou, ainda, golpeá-la com o punho. Tais ações, se co- metidas, são caracterizadas como violação das regras oficiais. No entanto, tocar a bola com qualquer parte da perna de modo que seja constatado pelos árbitros que foi acidental, não é considerado vio- lação. Caso o jogador queira bloquear um passe com a coxa, joelho, perna ou pé de modo proposital, será considerado violação. • Cesta: quando feita e qual o seu valor A pontuação é marcada quando uma bola viva entra na cesta por cima e permanece ou atravessa os aros inteiramente. A bola é conside- rada dentro da cesta quando uma parte mínima dela está, pelo menos, abaixo do nível do aro. • O lance livre vale um ponto. • Cesta na área de campo de dois pontos vale dois pontos. • Cesta na área de campo de três pontos vale três pontos. Regras básicas oficiais do basquetebol 37 Figura 7 Áreas de cestas de 2 e 3 pontos Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Área da cesta de campo de dois pontos Direção da jogada Área da cesta de campo de três pontos Ce st a ad ve rs ár ia Questões curiosas! • E cesta contra, vale? Caso um jogador pontue, acidentalmente, uma cesta no espaço de sua própria equipe, ela contará dois pontos e será registrada na súmula como se houvesse sido realizada pelo capitão da equipe adversária na quadra de jogo. Todavia, se um jogador marcar, propositalmente, uma cesta na área de sua própria equipe, será considerada uma violação às regras e não será pontuado. • E uma cesta feita de baixo para cima? Caso um jogador jogue a bola de modo que ela passe inteiramente de baixo para cima através da cesta é considerada uma violação, portanto não é computado qualquer tipo de pontuação. • Reposição de bola A reposição de bola acontece quando a mesma é passada para den- tro da quadra de jogo por um jogador que está fora dela. Para repor a bola, o jogador deve estar inteiramente fora do espaço de jogo e, sem pisar nas linhas, tem um tempo de cinco segundos para executar a reposição. Não é permitido, na reposição, fazer com que a bola entre na cesta diretamente; tampouco tocar a bola na quadra de jogo antes de ela ter tocado outro jogador. O local de reposição, além de ser fora da qua- dra, poderá ocorrer próximo ao local de uma infração ou, ainda, onde Em um único ataque, na melhor possibilidade, quantos pontos uma equipe pode fazer? Atividade 4 38 Metodologia do ensino de basquetebol o jogo foi interrompido por um oficial, exceto em casos que ocorram diretamente atrás da tabela. Quando deve ocorrer a reposição de bola? • Logo no início de todos os quartos (exceto no primeiro, em que há bola ao alto) ou no início de prorrogações. • Sempre após uma falta pessoal. • Sempre após uma falta técnica. • Sempre após uma falta antidesportiva ou desqualificante. • Sempre após uma briga. • Sempre que a bola entrar na cesta, mas a cesta de campo ou o lance livre não forem válidos. • Tempo debitado Quando o técnico ou o primeiro assistente técnico solicitar tempo, a partida será interrompida. Cada tempo solicitado pela equipe deverá ter a duração de um minuto e, durante uma partida, cada equipe terá o di- reito de solicitar dois tempos no primeiro tempo (1º e 2º quartos) e três tempos no segundo tempo (3º e 4º quartos). Desse modo, em cada tem- po, ao solicitar duas interrupções, será debitado dois minutos ao total. A Figura 8 ilustra como deve ocorrer a separação das solicitações de tempo. Figura 8 Pedidos de tempo de acordo com cada quarto da partida Fonte: Elaborada pelo autor. 10 min. 10 min. 10 min. 10 min. 1ºtempo 2 tempos 3 tempos 2 min. 2 min.15 min. 2º tempo Tempos debitados e que não foram utilizados não podem ser acumulados para a próxima metade do jogo ou para a prorrogação. Durante a prorrogação, apenas um pedido de tempo com duração de um minuto é concedido para cada equipe. Regras básicas oficiais do basquetebol 39 • Substituição As equipes podem solicitar a substituição de jogadores somente quando a bola estiver morta. Alguns critérios para a substituição ime- diata são: • Um jogador que tenha cometido cinco faltas pessoais ou tenha sido desqualificado. • Caso o arremessador tiver que ser substituído devido a alguma lesão, for desqualificado ou tiver excessivo número de faltas, o lance livre deverá ser realizado pelo substituto. • Jogo perdido por desistência Uma equipe poderá perder um jogo por desistência caso não esteja presente no momento da partida ou, ainda, não apresente cinco joga- dores que estejam aptos a jogar após 15 minutos do horário marcado para início oficial da partida. Se esses fatores se comprovarem é conce- dida à equipe adversária a vitória e o placar será de 20 a 0. • Jogo perdido por número insuficiente de jogadores Uma equipe poderá perder a partida caso fique com menos de dois jogadores na quadra de jogo. Se isso ocorrer, o placar é mantido. Exem- plo: mesmo que a equipe seja desclassificada e o placar seja de 2 a 0 com relação ao adversário, a pontuação é mantida, e vice-versa. 2.3 Violações e faltas Vídeo • Violações A violação é um ato que constitui uma infração às regras. Toda vio- lação tem uma penalidade; esta consiste na perda da posse de bola. Dessa forma, a bola é concedida aos adversários para que seja feita a reposição no local mais próximo à infração; exceto em casos que ocorram diretamente atrás da tabela, conforme já mencionado. Existem diversos tipos de violação no basquete. A seguir, vamos en- tender quais são as principais violações e quais são os sinais manuais dos árbitros correspondentes a elas. • Andar: movimento de andar em qualquer direção e com um ou ambos os pés enquanto segura a bola é considerado um movimento ilegal no basquetebol. Também conhecido como 40 Metodologia do ensino de basquetebol andada, é uma das violações mais comuns nesse esporte, especialmente no caso das crianças que, ao receber a bola, se deslocam pela quadra com a bola em mãos. • Duplo drible: movimento ilegal no qual o jogador não dribla pela segunda vez após seu primeiro drible ter terminado. Essa ação consiste em driblar a bola, segurá-la e driblar novamente. Também é uma violação considerada comum para iniciantes. • Carregar a bola: movimento considerado ilegal em que o jogador realiza uma meia rotação com a mão carregando a bola enquanto realiza o drible. Figura 9 Sinais manuais dos árbitros referentes às violações Rotação dos punhos cerrados Fazer uma meia rotação com a mãoMovimentar, alternadamente, os braços com as palmas das mãos viradas para baixo ANDADA DRIBLE ILEGAL: CARREGAR A BOLA DRIBLE ILEGAL: DUPLO DRIBLE Há também violações relacionadas ao tempo (Figura 10), que são aplicadas visando manter a dinâmica do jogo e a constante relação en- tre ataque/defesa. São elas: • Três segundos no garrafão: enquanto uma equipe estiver com a posse de bola, o jogador não pode permanecer na área restritiva dos adversários (garrafão) por mais de tês segundos consecutivos. • Cinco segundos de posse de bola: quando um jogador é marcado de perto, ou seja, quando há um adversário em uma posição legal de defesa ativa a uma distância não superior a 1 m, o jogador que está sendo marcado deve passar, arremessar ou driblar a bola dentro de cinco segundos. • Oito segundos na quadra de defesa: ao recuperar a posse de bola, o time deve fazer com que a bola chegue na quadra de ata- que em até oito segundos. Regras básicas oficiais do basquetebol 41 • 24 segundos para realizar um arremesso: a equipe deve tentar um arremesso para a cesta dentro de 24 segundos. Caso não pontue e recupere a posse de bola por meio de um rebote ofen- sivo, tem novos 14 segundos para um novo arremesso. A regra dos 14 segundos foi incluída no ano de 2014. Com base na Figura 10, considere a equipe verde com a posse de bola. Essa equipe tem, de acordo com as regras de tempo, ao iniciar a jogada, oito segundos para levar a bola da quadra de defesa para a quadra de ataque; os jogadores desse mesmo time podem ficar até três segundos dentro do garrafão e quem receber a bola terá até cinco segundos para driblar, arremessar ou passar; ao total, a equipe tem 24 segundos para realizar um arremesso. Em caso de arremesso não con- vertido e rebote ofensivo, essa mesma equipe terá novos 14 segundos para um novo arremesso. Figura 10 Infrações relacionadas ao tempo no basquete Fonte: Elaborada pelo autor. Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck 5 segundos para passar, arremessar ou driblar 24 segundos para realizar um arremesso 3 segundos de permanência no garrafão 8 segundos para passar da quadra de defesa para o local de ataque Com base nessas regras é notável que no basquetebol não há tem- po para ações anti-jogo ou que não são condizentes com o espírito esportivo. Essa é uma vantagem desse esporte comparado a modali- dades como o futebol profissional, em que se perde tempo devido às ações anti-jogo dos jogadores. Para entender um pouco mais sobre como deve ser feita a sinaliza- ção de violação de tempo pelos árbitros, observe a imagem a seguir. 42 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 11 Sinais manuais dos árbitros referentes às infrações de tempo Fonte: Adaptada de CBB. Com os braços estendidos à frente do corpo, mostrar 3 dedos Mostrar 5 dedos 3 SEGUNDOS 5 SEGUNDOS 8 SEGUNDOS Mostrar 8 dedos • Bola retornada do ataque para a quadra de defesa: uma vez que o jogador ultrapassa a metade da quadra com a posse de bola, a equipe não pode retorná-la para a quadra de defesa. Caso isso ocorra, a equipe perde a posse de bola. Além das violações de tempo, existem violações relacionadas ao ato do arremesso, como a tendência de cesta e interferência. • Tendência de cesta: ocorre quando, durante um arremesso para a cesta, algum jogador adversário toca a bola enquanto ela está em trajetória descendente para a cesta ou após ela ter tocado a tabela. • Interferência: acontece quando um jogador adversário toca a ces- ta ou a tabela enquanto a bola está em contato com o aro. Tais violações relacionadas aos arremessos são penalizadas inde- pendentemente de o infrator ser da defesa ou do ataque. Contudo, caso seja cometida por um jogador atacante, nenhum ponto será con- cedido; se for cometida pelo defensor, dependerá da quantidade de pontos que o arremesso valeria, podendo ser de um, dois ou três pon- tos, ou seja, a concessão de pontos será considerada à equipe que fez o arremesso como se a bola houvesse entrado, de fato, na cesta. • Faltas As faltas também são consideradas uma violação às regras. Todavia, elas têm como base apenas o contato pessoal ilegal com um adversá- rio e/ou em um comportamento antidesportivo. Existem cinco tipos de falta, veja a seguir. Regras básicas oficiais do basquetebol 43 • Falta pessoal: contato ilegal com um adversário, independentemente de a bola estar viva ou morta. Esses contatos podem ser leve empurrão em ato de arremesso, segurar, empurrar, agarrar um adversário etc. • Falta dupla: quando dois adversários cometem faltas pessoais um contra o outro, concomitantemente, por exemplo, puxão de camisa simultâneo. • Falta técnica: a falta cometida pelo jogador não envolve contato e é de natureza comportamental. Por exemplo: provocar o adversário, desprezar as advertências dadas pelos oficiais, tocar de modo desrespeitoso os oficiais, usar linguagem ou gestos que possam ofender, cair para simular uma falta. • Falta antidesportiva: falta de contato em que não há tentativa legítima de jogar diretamente a bola de acordo com asregras. • Falta desqualificante (ou falta flagrante na NBA): caracterizada por qualquer ação antidesportiva flagrada por um jogador ou qualquer membro de equipe. Um exemplo disso são as faltas em que ocorrem qualquer tipo de violência. Figura 12 Sinais dos árbitros referentes às faltas pessoais Fonte: CBB. Segurar, na descendente, o punho fechado Colocar ambas as mãos no quadril Fazer o movimento de empurrar com as palmas das mãos voltadas para frente Primeiro, segurar o punho com a palma da mão aberta e voltada para frente, e, depois, fazer o movimento de empurrar para frente SEGURAR HANDCHECKING BLOQUEIO (DEFENSOR) CORTA-LUZ (ATACANTE) EMPURRAR OU CARREGAR SEM A BOLA Observe na Figura 13 como devem ser feitos os sinais correspon- dentes a essas faltas. 44 Metodologia do ensino de basquetebol 2.4 Provisões gerais e arbitragem Vídeo Para a partida de basquete acontecer de acordo com todas as re- gras e normas gerais, é necessário ter pleno conhecimento de todos os requisitos necessários para uma boa arbitragem. Por esse motivo, vamos estudar um pouco mais a respeito das decisões gerais relaciona- das à arbitragem e quem deve compor essa organização. Caso um jogador cometa cinco faltas pessoais durante a partida, deve ser automaticamente desqualificado e substituído dentro de 30 segundos. Considerando a equipe, caso esta cometa quatro faltas den- tro de um período (quarto), está em situação de penalidade de falta de equipe e, nesse momento, todas as faltas seguintes são penalizadas com dois lances livres para a equipe adversária, e não mais por meio da reposição de bola. Lance livre: nessa ocorrência, o jogador que sofreu a falta deve cobrar o lance livre. Esse lance pode ser feito utilizando qualquer método, desde que seja feito dentro de cinco segundos, e que a bola entre na cesta por cima ou, ao menos, toque o aro. Não é permitido simular um lance livre, tocar a linha ou entrar no garrafão até que a bola tenha entrado na cesta ou tocado o aro. Com relação à quantidade correta de arbitragem, devemos seguir a regra de que os oficiais serão um árbitro principal (crew chief) e um ou dois fiscais. Tanto o árbitro quanto os fiscais serão auxiliados pelos ofi- ciais de mesa e por um comissário, se presente. Entre os oficiais de mesa deverá existir: um apontador, um assisten- te de apontador, um cronometrista e um operador de 24 segundos. Já o comissário deverá se sentar en- tre o apontador e o cronometrista, e sua função principal durante o jogo é a de supervisionar o traba- lho dos oficiais de mesa, além de auxiliar o árbitro principal (crew chief) e o(s) fiscal(is) no bom anda- mento da partida. Figura 15 Lance livre na NBA W ik im ed ia Figura 13 Sinais dos árbitros referentes às faltas técnicas Fonte: CBB. Com os dois punhos cerrados, fazer o movimento de cruzar acima da cabeça Formar um “T” com a palma da mão aberta Segurar o punho cerrado acima da cabeça Levantar os dois braços com os punhos cerrados. FALTA DUPLA FALTA TÉCNICA FALTA ANTIDESPORTIVA FALTA DESQUALIFICANTE Você sabia que existe uma região na quadra em que não são consideradas as faltas? Essa região é dentro do semicírculo existente na área restritiva (garrafão). Nesse local, uma falta ofensiva nunca deverá ser marcada caso o contato do atacante ocorra com um defensor que esteja, também, dentro do semicírculo (Figura 14). O semicírculo serve como proteção para quem estiver no ataque, além de não privilegiar o defensor que tenha adotado uma posição logo abaixo de sua própria cesta gerando, novamente, a necessidade de dinâmica no jogo. A inclusão do se- micírculo, assim como da regra, foi realizada no ano de 2010. Figura 14 Semicírculo localizado na área restritiva Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Semicírculo Ainda quanto à infração das regras, é importante ter conhecimento de que um jogador é desqualificado da partida (sendo substituído por um reserva) quando cometer duas faltas técnicas, duas faltas antides- portivas, ou uma falta antidesportiva e uma falta técnica. Regras básicas oficiais do basquetebol 45 2.4 Provisões gerais e arbitragem Vídeo Para a partida de basquete acontecer de acordo com todas as re- gras e normas gerais, é necessário ter pleno conhecimento de todos os requisitos necessários para uma boa arbitragem. Por esse motivo, vamos estudar um pouco mais a respeito das decisões gerais relaciona- das à arbitragem e quem deve compor essa organização. Caso um jogador cometa cinco faltas pessoais durante a partida, deve ser automaticamente desqualificado e substituído dentro de 30 segundos. Considerando a equipe, caso esta cometa quatro faltas den- tro de um período (quarto), está em situação de penalidade de falta de equipe e, nesse momento, todas as faltas seguintes são penalizadas com dois lances livres para a equipe adversária, e não mais por meio da reposição de bola. Lance livre: nessa ocorrência, o jogador que sofreu a falta deve cobrar o lance livre. Esse lance pode ser feito utilizando qualquer método, desde que seja feito dentro de cinco segundos, e que a bola entre na cesta por cima ou, ao menos, toque o aro. Não é permitido simular um lance livre, tocar a linha ou entrar no garrafão até que a bola tenha entrado na cesta ou tocado o aro. Com relação à quantidade correta de arbitragem, devemos seguir a regra de que os oficiais serão um árbitro principal (crew chief) e um ou dois fiscais. Tanto o árbitro quanto os fiscais serão auxiliados pelos ofi- ciais de mesa e por um comissário, se presente. Entre os oficiais de mesa deverá existir: um apontador, um assisten- te de apontador, um cronometrista e um operador de 24 segundos. Já o comissário deverá se sentar en- tre o apontador e o cronometrista, e sua função principal durante o jogo é a de supervisionar o traba- lho dos oficiais de mesa, além de auxiliar o árbitro principal (crew chief) e o(s) fiscal(is) no bom anda- mento da partida. Figura 15 Lance livre na NBA W ik im ed ia 46 Metodologia do ensino de basquetebol A decisão sobre as faltas e os tipos de violações em um jogo é de responsabilidade dos árbitros, assim como passar a informação ao oficial de mesa. É por meio de sinais manuais que o árbitro deve informar: tipo de viola- ção, número da camisa do jogador que marcou a pontua- ção, o valor dos pontos da cesta (um, dois ou três pontos) e se essa tentativa, no caso de três pontos, ocorreu no perímetro correto. Você deve ter percebido que, após uma saída de bola ou início de partida, a bola sempre sai diretamente das mãos do árbitro para o jogador que fará a reposição. O controle de todas as reposições de bola é atividade cons- tante do árbitro, assim como no início de jogo o proce- dimento de bola ao alto. Outra função importante da arbitragem é controlar a violação de tempo a respeito dos oito segundos para passar da quadra de defesa para o ataque. Outro fator importante aos árbitros é o de que eles também são atletas e devem apresentar uma excelente condição física, potência, agilidade, equilíbrio, linguagem corporal, re- sistência, força, coordenação, flexibilidade, mobilidade, propriocepção e tempo de reação. Existe um protocolo da FIBA e da CBB que trata da aptidão física dos árbitros com relação a uma partida de basquete- bol, contemplando desde o pré-jogo no vestiário (mobilidade articular e flexibilidade), em quadra no início do jogo (aquecimento e resistência elástica, aquecimento geral e específico), em quadra antes do terceiro quarto (reaquecimento) e no vestiário no pós-jogo (procedimento de re- cuperação que inclui liberação miofascial, crioterapia e alongamentos). Uma vantagem é a de que a arbitragem é uma possibilidade de atuação profissional do licenciado em Educação Física. Para isso, você deve ficar atento aos cursos e às clínicas de capacitação e atua- lização da confederação e das federações estaduais de basquetebol voltadas a isso. Figura 16 Atuação do árbitro em uma partidaW ik im ed ia propriocepção: também conhecida como cinestesia, é a capacidade que o próprio corpo tem de avaliar a posição em que está com o objetivo de manter o perfeito equilíbrio parado, em movimento ou ao realizar esforços. Glossário Para ter um resumo didático das regras do basquetebol assista ao vídeo Regras básicas do basquete, publicado pelo canal Sikana Brasil. Disponível em: https://www.youtu- be.com/watch?v=DRMBX4sA-3Q. Acesso em: 11 ago. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=DRMBX4sA-3Q https://www.youtube.com/watch?v=DRMBX4sA-3Q Regras básicas oficiais do basquetebol 47 2.5 Diferenças básicas das regras FIBA e NBA Vídeo Em geral, o basquetebol atual sofre forte influência do modelo nor- te-americano da liga de basquetebol mais famosa do mundo – NBA. Contudo, é importante sempre lembrar que no Brasil seguimos as re- gras estabelecidas pela FIBA. Um ponto importante é o de que a NBA é uma liga organi- zada pelas franquias, em que cada uma delas tem um dono. Atualmente, tem-se 30 franquias (29 nos Estados Unidos e 1 no Canadá). A seguir, estudaremos algumas diferenças que exis- tem entre as regras da FIBA e da NBA. Embora seja uma pequena diferença, na NBA a quadra tem 28,65 m de comprimento x 15,24 m de largura, sendo pouco maior que a medida da FIBA: 28 m x 15 m. Já a inclusão do se- micírculo nas regras da FIBA ocorreu em 2010, porém na NBA já era utilizada anteriormente. Além disso, a bola dos jogos da NBA é mais pesada, e alguns atletas relatam que absorve mais o suor das mãos se comparada às bolas especificadas na FIBA. Aos observarmos um jogo de basquetebol da NBA, é per- ceptível a elevada quantidade de pontos se compararmos com as demais ligas, tanto brasileiras quanto europeias. Além da elevada qualidade técnica dos jogadores, há também maior tempo de jogo na NBA, ou seja, lá existem quatro períodos de 12 minutos cada, totalizan- do 48 minutos de partida, sendo oito minutos a mais do que nas regras da FIBA. Por outro lado, a dificuldade é maior nos arremessos de longa dis- tância, pois a linha de 3 pontos é mais distante da cesta nas regras da NBA: 7,24 m contra 6,75 m da FIBA. Outra grande diferença está nos pedidos de tempos pelas equipes: na NBA são seis pedidos de tempo durante toda a partida, com duração que pode variar de 60 a 100 se- gundos. No entanto, também há a possibilidade de solicitar um curto período de tempo em todos os períodos de 20 segundos. Na prorroga- ção, cada equipe ainda pode solicitar dois tempos. A exclusão do jogo para um jogador na NBA ocorre quando são co- metidas seis faltas pessoais; já na FIBA isso ocorre com apenas cinco faltas. Com relação aos sistemas de defesa, conforme veremos no Ca- pítulo 4, a FIBA não restringe o modo como as equipes poderão utilizar Livro Para saber um pouco mais sobre todas as regras do basquetebol, você pode acessar os livros de regras oficiais da FIBA e da CBB, disponíveis em: • http://sge.esumula.com.br/ Arquivos/LIVRO_DE_REGRAS. pdf. Acesso em: 3 nov 2020. • http://www.fiba.basketball/ documents/official-basketball- rules/2020.pdf. Acesso em: 3 nov. 2020. 48 Metodologia do ensino de basquetebol as técnicas de defesa. Já na NBA, com o objetivo de dinamizar a defesa, um jogador não pode ficar mais de três segundos no garrafão se não estiver defendendo de maneira ativa o adversário. A interferência na bola após ela tocar no aro não é permitida na NBA, nem quando ela está dentro do cilindro imaginário da cesta. Quando ocorre uma bola presa, é realizado o procedimento de bola ao alto; já na FIBA, quando ocorre uma bola presa, a posse de bola é definida pelo procedimento de posse alternada, indicado por uma seta presente na mesa de arbitragem. O Quadro 2 ilustra as principais diferenças de regras entre a FIBA e a NBA. Quadro 2 Diferenças básicas das regras FIBA e NBA NBAFIBA 4 x 10 min. (40 min.) 4 x 12 min. (48 min.) 6,75 m 7,24 m 2 no primeiro tempo e 3 no segundo 6 pedidos 5 faltas 6 faltas Tempo de jogo Linha de 3 pontos Pedidos de tempo Acúmulo de faltas Fonte: Elaborado pelo autor. Quais são as principais diferenças entre as regras da FIBA e da NBA? Atividade 5 Para conhecer mais a respeito da maior liga de basquetebol do mundo – a NBA –, escute o podcast Bola Presa, no ar desde 2007 nas principais pla- taformas de áudio. Esse canal é apresentado por Dênis Botana e Danilo Silvestre. Disponível em: https://bolapresa. com.br/category/podcast/. Acesso em: 03 nov. 2020. Saiba mais É possível que os alunos tenham mais contato com o basquetebol norte-americano do que o nacional devido às muitas transmissões televisas; além de serem influenciados pelos grandes atletas da NBA. Entretanto, é muito importante que as regras e provisões da FIBA se- jam aplicadas, pois são essas as vigentes no Brasil. Não é necessário desconsiderar totalmente as regras da NBA, sendo possível, durante as aulas, explicar as principais diferenças entre elas. Regras básicas oficiais do basquetebol 49 CONSIDERAÇÕES FINAIS A regulamentação do basquetebol ocorreu por meio das regras do esporte, que estão em constante evolução e objetivam sempre a dinâmica e a atratividade do jogo. De acordo com o criador do esporte, James Naismith, o basquetebol é um jogo considerado fácil de jogar e difícil de dominar também no que se refere às regras oficiais. É por esse motivo que o conhecimento das regras básicas se torna fundamental para que o processo de ensino-aprendiza- gem-treinamento do basquetebol seja efetivo, pleno e proveitoso. REFERÊNCIAS CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BASKETBALL. Regras Oficiais de Basquetebol – 2017. Disponível em: http://sge.esumula.com.br/Arquivos/LIVRO_DE_REGRAS.pdf. Acesso em: 03 nov. 2020. INTERNATIONAL BASKETBALL FEDERATION. Official basketball rules, 2018. Disponível em: http://www.fiba.basketball/documents/official-basketball-rules/2020.pdf. Acesso em: 03 nov. 2020. GABARITO 1. De acordo com a regra número 1 do basquetebol, o objetivo do jogo é pontuar mais que o adversário por meio de cestas. 2. Não existe empate no jogo de basquetebol. São jogadas quantas prorrogações forem necessárias para que a partida seja desempatada. 3. Um jogo de basquetebol dura 40 minutos, considerando somente seus períodos regu- lamentares, sem prorrogação. 4. Considerando um possível arremesso de três pontos em que o jogador acerta a con- versão, mas recebe uma falta, terá, além dos três pontos, um lance livre. Esse lance, se convertido, contabiliza quatro pontos em um ataque. Caso não converta o lance livre e sua equipe recupere a posse de bola por meio de um rebote ofensivo, tem uma nova chance de realizar mais dois ou três pontos. 5. As principais diferenças entre essas regras consistem: no tempo de jogo; na distância da linha de três pontos para a cesta; nos pedidos de tempo e nos acúmulos de faltas. 50 Metodologia do ensino de basquetebol 3 Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino O olhar pedagógico do licenciado em Educação Física é de suma importância para compreender esportes coletivos em sua essên- cia, ou seja, para ter como parte de seus métodos a preocupação de qual é a melhor forma de ensinar a modalidade esportiva aos alunos. Como parte da metodologia é importante sempre conside- rar os movimentos técnicos específicos – chamados fundamentos –, e os gestos básicos do jogo, necessários para que tudo seja de- senvolvido com naturalidade. Neste capítulo, além de estudar quais são os fundamentos do basquetebol e a maneira adequada de executá-los, iremos, sobre- tudo, ver como ensinar os alunos por meio de diferentes métodos e estratégias atuantes no processo de ensino-aprendizagem. Em outras palavras, buscaremos aprender e compreender a teoria para aplicá-la na prática com qualidade. Conforme Naismith (apud DAIUTO, 1984) “o basquetebol é um jogo fácil de jogar e difícil de dominar.” Contudo, desde antes de sua criação (em 1891), como ideia de esporte, tinhao pré-requisito de que deveria ser fácil de ser ensinado. Com base nisso, este ca- pítulo pretende ir além do basquetebol, na medida em que for- nece subsídio teórico fundamental por meio da pedagogia do esporte, a qual será aplicada em diversos momentos do curso de graduação em licenciatura, mas, principalmente, no processo de ensino-aprendizagem dos alunos na escola durante sua prática profissional. Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 51 3.1 Fundamentos do basquetebol Vídeo Os fundamentos – também chamados de gestos técnicos específicos – do basquetebol podem ser classificados em sete movimentos. Podemos ob- servar a denominação cada um deles a seguir. Figura 1 Fundamentos do basquetebol Controle de corpo Arremesso Passe Manejo de bola Rebote Drible Posição defensiva Fonte: Elaborada pelo autor. O basquetebol, caracterizado pela constante relação entre ataque e defesa, pode ter seus fundamentos técnicos divididos em: de ataque (manejo de bola, drible, passe, arremesso e re- bote ofensivo), que ocorrem com a posse de bola; e de defesa (rebote defensivo, posição defensiva), os quais ocorrem sem a posse de bola. Na prática, quando a equipe perde a posse de bola, imediatamente a situação passa de ataque para defesa. A seguir, entenderemos cada fundamento, seus tipos e suas características. 3.1.1 Controle de corpo É um movimento técnico básico utilizado em todos os outros funda- mentos. Serve como base para todas as ações no esporte e consiste em ter controle dos movimentos do próprio corpo por meio da habilidade de domínio corporal em diversas situações, como desequilíbrio, acele- ração ou mudanças de direção. O basquetebol é composto de deslocamentos em todas as direções, saídas rápidas, paradas bruscas, corridas, saltos, giros e outros movi- mentos. Por isso, exercícios para controle do corpo devem incluir: zigue- -zague com cones, saltos com corda, treinamento de pés em escada de agilidade, deslocamentos laterais, entre outros. Importante Lembre-se: você não precisa realizar os fundamentos com perfeição, mas precisa saber ensiná-los aos seus alunos corretamente. 52 Metodologia do ensino de basquetebol 3.1.2 Controle ou manejo de bola Essa é uma habilidade necessária em uma si- tuação de ataque, isto é, quando a equipe está com posse de bola. Consiste no manuseio e manejo da bola em diferentes contextos do jogo. Também é base para a realização de outros fundamentos, como passe, drible e arremesso. Alguns exemplos de manejo e controle de bola são: segurar, lançar, rolar, girar e bater a bola. O simples ato de segurar a bola deve ser ensi- nado às crianças e aos adolescentes nas aulas de Educação Física. Para isso, a bola de basquetebol deve ser segurada pela ponta dos dedos e a palma da mão não deve encostar na bola. Os movimentos, ao serem executados corretamente, proporcionarão o sentimento de maior firmeza e aderência à bola. Os momentos iniciais de uma aula de Educação Física devem considerar a familiarização com a bola de basquete, visando desenvolver controle de bola. 3.1.3 Drible Trata-se um fundamento básico, e de ataque, em que se impulsiona a bola ao solo apenas com uma das mãos. Também se torna obrigatório caso o pra- ticante queira se deslocar em quadra com a posse de bola. Para que o deslocamento ocorra, a bola deve ser impulsionada ao solo com a palma das mãos e com o auxílio dos dedos. Dependendo da altura em que o praticante realiza o drible, podemos classificá-lo como drible baixo, médio ou alto. Esse é um fundamento que deve ser treinado desde o princípio na prática do basquete: com uma das mãos, trocando as mãos, de olhos fechados, com duas bolas, entre outras atividades. Figura 2 Controle de bola Pi xa ba y Figura 3 Atleta realizando drible baixo Pi xa ba y Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 53 3.1.4 Passe O passe é um fundamento básico, e de ataque, o qual consiste na ação de lançar a bola a um companheiro de equipe. Pesquisas do uni- verso esportivo evidenciam que, após o arremesso, o passe é o gesto técnico mais realizado em um jogo (NUNES et al., 2016). Ainda, equipes que realizam maior número de passes com eficiência possuem mais chances de vencer (GARCÍA et al., 2013). Esse fundamento pode ser rea- lizado com apenas uma ou com as duas mãos. A seguir, estão descritos os tipos de passe. É o mais comum utilizado em jogo e ocorre com ambas as mãos, na altura do tórax. É de fácil execução, rápido e seguro, e geralmente é executado para curta e média distância, quando não há adversários no caminho. Para dar mais força ao passe, é indicado que o jogador dê um passo à frente. Para executá-lo, ambas as mãos devem estar em direção ao chão, fazendo um “quique” de bola. É comumente utilizado em curta ou média distância, tendo o solo como intermédio do passe entre os colegas de equipe. Também é muito utilizado para servir o pivô. É um passe em que ambas as mãos devem estar acima da cabeça. É utilizado, principalmente, para repor a bola em jogo e tem como objetivo proteger a bola em relação a um adversário mais baixo que o jogador que realiza o passe. Neste passe uma das mãos deve estar na linha ou acima da cabeça. É comumente utilizado para passes de média ou longa distância e, devido a possível elevada amplitude de movimento, há a possibilidade de realizar o passe com grande força. Uma das mãos deve estar acima da cabeça, realizando o passe lateralmente. É utilizado para surpreender o adversário, geralmente próximo ao garrafão e à cesta. Passe de peito Passe quicado Passe acima da cabeça Passe de ombro Passe de gancho 54 Metodologia do ensino de basquetebol Em uma sequência pedagógica, o professor pode orientar os alunos para, em dupla, realizarem diferentes tipos de passe. À medida que os alunos vão evoluindo e se desenvolvendo bem, é possível aumentar a velocidade dos movimentos, assim como a complexidade das ativida- des para obter resultados mais satisfatórios. 3.1.5 Arremesso É o principal fundamento do basquetebol, considerando o objetivo do jogo que é o de pontuar mais que o adversário (regra número um) por meio de cestas. O arremesso é a habilidade de lançar a bola em direção à cesta. Figura 4 Sequência de jogo considerando o fundamento de arremesso. BLOQUEIO ARREMESSO CESTA PONTUAÇÃO VITÓRIA REBOTE Pode ser neutralizado com Pode gerar Pode gerar Pode gerar Gera Fonte: Elaborada pelo autor. Existem cinco tipos de arremesso. Vamos ver cada um deles de modo mais aprofundado. • Com uma das mãos (e apoio): é o arremesso mais básico e con- siste em um modo de execução mais simples. Geralmente ocorre em situações de lance livre ou quando não há marcação adver- sária. Esse arremesso não requer salto e pode ser considerado introdutório no processo de ensino-aprendizagem do basquete. • Bandeja: é o arremesso em que o praticante está em progressão à cesta e realiza a soltura da bola próximo ao aro/tabela. A impul- Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 55 são é feita em somente uma perna, já a aterrissagem em duas. Comumente, a bandeja ocorre após infiltração do jogador no gar- rafão. Quando solicitar aos alunos a realização desse movimento, o professor deve observar possíveis erros comuns, como não cal- cular o local de impulsão para realizar o arremesso, de modo que fique muito próximo ou muito distante da cesta, gerando falha de execução. • Jump: é uma técnica com salto em que a bola é arremessada no ponto mais alto deste. É considerado o mais comum em um jogo de basquetebol, correspondendo a até 70% dos arremessos de um jogo. Estudos dessa área demonstram maior precisão, velo- cidade de execução, proteção contra a marcação e execução a diversas distâncias da cesta nesse tipo de arremesso (ROSE JR., TRICOLI, 2017). Atualmente, esse arremesso está em evidência nos jogos de basquetebol devido ao grande número de arremes- sos de longa distância, aqueles que valem 3 pontos. Existe,du- rante a temporada no esporte de alto rendimento (NBA e NBB), uma semana em que diferentes competições são realizadas, sen- do uma delas o campeonato de arremesso de 3 pontos. • Gancho: é o tipo de arremesso que tem vantagem no sentido de que o atacante protege a bola do seu adversário com o cor- po e finaliza com um movimento de braço completo, que visual- mente lembra um gancho. Esse arremesso ficou marcado por ter sido executado pelo pivô e maior pontuador da NBA na história, Kareem-Abdul-Jabbar, com 38.387 pontos. No entanto, em jogos atuais é uma técnica não tão utilizada. • Enterrada: a enterrada é o lance mais plástico do basquetebol. Consiste em um salto do jogador, seguido de um arremesso de cima para baixo no aro, tocando este com uma ou duas mãos. É conhecida como dunk em inglês. Tanto na NBA quanto na NBB existe, anualmente, um campeonato em que alguns jogadores competem entre si realizando diferentes formas de enterradas. plástico: tudo em que há beleza, habilidade e destreza. Glossário 56 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 5 Principais tipos de arremesso: com uma das mãos com apoio, jump, enterrada e bandeja. Ca m er on C as ey / T im M os sh ol de / W al la ce C hu ck / A nd re a Pi ac qu ad io É importante saber que alguns fatores influenciam na eficiência do arremesso. Sendo esse fundamento o mais importante do esporte, a ciência se preocupa em investigar quais variáveis interferem no seu desempenho. É possível afirmar que o arremesso sofre influência do ângulo e da velocidade em que é executado, da altura de soltura da bola e menos significativamente da resistência do ar, a qual é considerada uma in- fluência pouco determinante devido ao esporte ser praticado em am- biente fechado. 3.1.6 Rebote Em caso de o arremesso não ser bem-sucedi- do, independentemente de qual equipe o fizer, há a possibilidade de recuperação da posse de bola. Isso ocorre por meio do rebote, o qual consiste na ação de recuperar uma bola após um arremesso não convertido. O rebote pode ser ofensivo, caso a equipe que realizou o arremesso recupere a posse de bola, ou defensivo, caso a equipe que não realizou o arre- messo recupere a posse de bola. Para um rebote efetivo, o jogador deve acompanhar visualmente a trajetória da bola arremessada para a cesta. Quais são os principais tipos de arremesso? Atividade 1 Figura 6 Rebote oneinchpunch/Shutterstock Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 57 3.1.7 Fundamento individual de defesa É um dos fundamentos mais específicos do basquetebol, pois ocorre sem a posse de bola. É a habilidade de se posicionar defensivamente de maneira adequada, uma vez que seu principal movimento é a posição básica de defesa, a qual é caracterizada por uma leve inclinação do tronco para frente, com joelhos semiflexionados. Assim, podemos considerar que é uma posição similar a cerca de 73% dos movimentos funda- mentais do basquete. A marcação deve acompa- nhar a movimentação do adversário, fazendo deslocamentos defensivos para frente, para trás e para os lados. Para resumir o que estudamos até aqui, o Qua- dro 1 sintetiza os principais fundamentos do basque- te e seus tipos/variações. Quadro 1 Fundamentos do basquetebol e seus tipos/variações. Fundamentos do basquetebol Tipos/variações Controle de corpo Mudança de direção, parada brusca, saída rápida, saltos, corridas, giros, fintas e deslocamentos em quadra. Controle/manejo de bola Segurar, lançar, conduzir, driblar, rolar, girar e bater bola. Drible Dependendo da altura do drible: baixo, médio ou alto. Con- siderado também drible de proteção. Como finta ao adversário: com mudança de direção, por en- tre as pernas, por trás do corpo. Passe De peito, quicado, de ombro, acima da cabeça, gancho. Arremesso Com uma das mãos, bandeja, jump, gancho e enterrada. Rebote Defensivo ou ofensivo. Posição defensiva Posição básica de defesa e deslocamentos defensivos. Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 7 Posição básica de defesa Andrea Piacquadio Uma dica de filme que pode ampliar seus conhe- cimentos em relação aos fundamentos do basque- te, é o famoso Mais que um jogo (ou More than a game). Esse filme conta a história de Lebron James, um dos jogadores mais completos quando se fala de fundamentos desse esporte. Direção: Kristopher Belman. Estados Unidos: Graham Stumpf, 2009. Filme 58 Metodologia do ensino de basquetebol 3.2 Princípios da pedagogia aplicados ao basquetebol Vídeo O basquetebol, assim como as demais modalidades esportivas co- letivas, apresenta seis invariantes: a bola, o espaço de jogo, os com- panheiros de equipe, os adversários, as regras e uma meta ou alvo. Por esse motivo, a estrutura de jogo comum em partidas esportivas coletivas é similar e deve ser levada em consideração, principalmente pelo motivo de que o basquetebol não é o esporte mais praticado em nosso país. Nesse sentido, nos apropriamos da ideia de transferência de conhecimento de um jogo para outro jogo. É importante ressaltar que é responsabilidade do professor promo- ver procedimentos pedagógicos no processo de ensino-aprendizagem dos alunos, os quais permitam condições para uma aquisição adequa- da de competências de operacionalização para um bom jogo (FERREIRA, GALATTI, PAES, 2005; SILVA, GALATTI, PAES, 2010). Considerando a pluralidade de manifestações do basquetebol, fo- caremos a área de atuação do licenciado em Educação Física – o con- texto escolar. Nesse sentido, existem princípios da pedagogia, área que tem como objeto de estudo a educação e o processo de ensino- -aprendizagem, que são especificamente aplicados ao basquete. O objetivo do basquete na escola é proporcionar um processo de ensino-aprendizagem efetivo para os alunos. Dessa forma, é necessá- rio reconhecer que o esporte precisa ser direcionado e embasado em métodos pedagógicos, visando ao aprendizado efetivo. Em uma proposta pedagógica para o ensino do basquetebol, De Rose Jr. e Tricoli (2005) propõem quatro pontos fundamentais, confor- me destacados na figura ao lado. A diversidade propõe que a pluralidade de mo- vimentos seja um pré-requisito no processo de ensino-aprendizagem da modalidade, assim como a exposição a situações-problema. Esse fator contrapõe a ideia de especialização esportiva, que tem como ob- Figura 8 Pontos fundamentais da proposta pedagógi- ca para o ensino de basquetebol Diversidade Cooperação Autonomia Inclusão Fonte: Elaborada pelo autor com base em De Rose Jr.; Tricoli, 2005. Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 59 jetivo preparar atletas para resultados e competições de alto nível. A modalidade do basquetebol permite a exploração de habilidades tanto básicas quanto específicas, como os fundamentos técnicos. Isso é possível devido às suas características remeterem à intermitência, em que há constante dinâmica pela relação ataque e defesa, além da exigência de habilidades motoras básicas necessárias, como correr, saltar e lançar. A inclusão é um fator de fundamental importância em todo e qual- quer esporte, sobretudo no contexto escolar. Sendo assim, a prática esportiva deve ter caráter inclusivo em detrimento da característica excludente e seletiva. A participação simultânea dos praticantes em espaço comum é um aspecto do basquetebol favorecedor da inclu- são. Entretanto, isso não significa que todos os alunos irão participar de maneira equilibrada, portanto o professor deve estar atento para que as oportunidades sejam promovidas de modo semelhante a to- dos os alunos, independentemente do grau de habilidade. Já a cooperação é um fator obrigatório na prática do basquetebol, o qual deve ser evidenciado no contexto escolar. Ao desenvolver um trabalho de modo cooperativo, a prática do esporte é construída de maneira a gerar um espírito de equipe essencial nos esportes cole- tivos. Outro fator importante no processo de ensino é a promoção da autonomia. Ao promovê-la nos alunos, geram-secondições para uma tomada de decisão em relação à forma com que desejam ter o esporte em sua vida, ou seja, a escolha pode ser voltada à prática es- portiva por lazer, prevenção e saúde, ou até como profissão por meio do esporte profissional. Considerando a atuação do professor de Educação Física na esco- la, existem alguns aspectos essenciais a serem considerados no pro- cesso de iniciação esportiva por meio do basquetebol. Esses aspectos (que são cinco) devem ter cunho educativo devido ao contexto em que estão inseridos. intermitência: períodos de esforço seguidos de intervalos de menor intensidade ou descanso. Glossário 60 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 9 Aspectos essenciais no processo de iniciação esportiva com foco educativo APRENDIZAGEM SOCIAL MOVIMENTO HUMANO INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS ASPECTOS PSICOLÓGICOS PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS Fonte: Elaborada pelo autor com base em De Rose Jr.; Tricoli, 2005. No basquetebol, o movimento humano é explorado de modo abran- gente, uma vez que, ao se criar esse esporte, foi preestabelecido que ele fosse uma prática completa. Assim, as capacidades físicas e habili- dades específicas, como os fundamentos, são exigidos diretamente na sua prática. O ambiente diversificado e imprevisível permite uma abordagem plural das habilidades e competências, exigindo inteligências múlti- plas. Dentre essas inteligências trabalhadas podemos destacar: cor- poral-cinestésica, verbal-linguística, lógico-matemática, espacial, intra e interpessoal, naturalista e musical. É importante ressaltar que em um ambiente de iniciação esportiva como a escola, todos têm essas inteligências. Já os aspectos psicológicos, como autoestima e liderança, são enfa- tizados nessa modalidade. De acordo com alguns princípios filosóficos, o esporte deve levar em conta sua natureza educacional, sobretudo no contexto escolar e de iniciação esportiva, pois é um ambiente de ensino-aprendizagem transformador. Conforme demonstrado no es- quema da Figura 9, a aprendizagem social é ponto fundamental de ar- ticulação entre os demais aspectos. Conhecidos os pontos fundamentais da proposta pedagógica para o ensino do basquetebol e os aspectos essenciais no processo de inicia- ção esportiva com foco educativo, é necessário conhecer quais são os métodos mais adequados para o ensino desse esporte. Para ampliar mais seus conhecimentos sobre a prática no basquetebol em contextos educacio- nais, indicamos o filme Coach Carter: Treino para a vida, de 2005. Esse filme é considerado um clássico que trata de bas- quete e traz uma história inspiradora, com lições acadêmicas, disciplinares e morais dadas pelo técnico Carter aos jovens jogadores de sua equipe. Direção: Thomas Carter. Estados Unidos. Paramount: 2005. Filme Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 61 3.3 Métodos de ensino Vídeo O processo de ensino-aprendizagem-treinamento das modalida- des esportivas coletivas é, ao longo de muitos anos, tema de inves- tigação das ciências do esporte e da educação física. A preocupação dos pesquisadores e professores a respeito do modo de ensino das regras, dos fundamentos, das habilidades e do próprio jogo é um as- pecto importante para a evolução da área, tanto na pesquisa quanto na prática profissional. A busca pelo melhor método de ensino deve ser constante na prática de um professor. Traçando um breve histórico, a inserção dos conteúdos esportivos nas aulas de Educação Física escolar aconteceu na década de 1950, quando chegou o método desportivo generalizado no Brasil (COUTINHO; SILVA, 2009). O modelo “esportivizado” era caracterizado pelo método tecnicista de ensino, que se baseava na repetição de gestos motores objetivando a melhoria do desempenho em certa habilidade, como o arremesso no basquetebol. Ao propor um padrão ideal de movimento, o professor de Educação Física busca, por meio de estratégias de ensino, au- tomatizar a movimentação do aluno. Uma possibilidade é se- parar o movimento em vários outros, isto é, em partes, para que o aluno treine com maior dedicação. Esse é um método considerado tradicional, pois é amplamente utilizado nas uni- versidades e escolas de educação básica. A literatura nos oferece, principalmente a partir dos anos 1980, uma gama de novos métodos de ensino aplicados aos esportes coletivos, os quais surgiram por meio das críticas que o mé- todo tecnicista predominante na época estava sofrendo (COUTINHO; SILVA, 2009). A prática tecnicista tinha como foco o desenvolvimento de habilidades específicas, como os fundamentos, porém apenas fora do contexto de jogo, o que levava a uma prática desprovida de objetivos, sendo limitada, seletiva e excludente. Com base nisso e nas críticas já mencionadas, estudos de novos métodos que pudessem ser mais efe- tivos no processo de ensino no esporte começaram a surgir. Atividade 2 Quais métodos de ensino foram predominantes durante suas aulas de Educação Física na escola? Questione seus familiares a respeito disso e elenque os pontos de diver- gência que observou. 62 Metodologia do ensino de basquetebol Atualmente, existem diversas metodologias para o ensino dos es- portes. Entretanto, há a urgente necessidade de uma intervenção peda- gógica para torná-los educativos, o que dependerá das formas com que os professores realizam isso. Sob a perspectiva da pedagogia do esporte atual, existem dois prin- cipais métodos de ensino (Figura 10) que podem ser aplicados objeti- vando a aprendizagem dos alunos, os quais vamos nos aprofundar a partir de agora. Figura 10 Métodos de ensino aplicados ao basquetebol Analítico-sintético Global-funcional Fonte: Elaborada pelo autor. O entendimento desses métodos é muito importante para que você faça a diferença na profissão 3.3.1 Método analítico-sintético O método analítico-sintético vem sendo muito utilizado desde a dé- cada de 1960. É um método de ensino caracterizado pela decomposi- ção dos movimentos e repetição de tarefas para a aprendizagem dos gestos, com o objetivo de aprimoramento técnico visando à posterior aplicação em jogo. A ênfase é na previsibilidade das tarefas, com predominância dos aspectos técnicos, ou seja, em como realizar de maneira mais adequada os movimentos que compõem uma partida. A aplicação desse método ocorre por meio do ato de treinar exaus- tivamente o passe em frente a Figura 11 Método analítico-sintético para treinamento do arremesso M íd ia Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 63 uma parede, ou arremessar diversas vezes na cesta sem marcação, por exemplo. O ponto forte aqui é que ele favorece a correção de uma técnica, pois como ela está isolada e fora do contexto de jogo fica mais fácil identificar possíveis falhas. Essa identificação permite que o professor direcione o aluno para um aperfeiçoamento técnico. Além disso, esse método também é conhecido como série de exercí- cios ou das partes. É caracterizado, principalmente, pela aprendizagem com técnicas básicas executadas sem a presença de adversário, ou seja, elas são treinadas separadamente e o processo de ensino-apren- dizagem se desenvolve em sequência, do simples para o complexo, buscando desenvolver a técnica da melhor forma. O foco sempre será o desempenho do gesto motor, como drible, arremesso, controle de corpo, manejo de bola, rebote e posição defensiva. Há também a se- paração da técnica da tática, o que acaba tornando o método distante da realidade de jogo (COUTINHO, SILVA, 2009; GRECO, BENDA, 1998). Figura 12 Método analítico-sintético J irk a_ To m ek /S hu tte rs to k Desvantagens Vantagens • Desmotivante. • Não há exigência de criatividade por parte dos alunos. • Proporciona um ambiente monótono e pouco atraente. • Inibe conflitos próprios do jogo. • Não cria situações próprias do jogo (descontextualização). • Os fundamentos são aprendidos e treinados detalhadamente, sempre dentro do padrão técnico. • As avaliações e correções são facilmenteaplicadas. • Permite individualizar o ensino das habilidades, respeitando o ritmo de aprendizado de cada aluno. Fonte: Elaborada pelo autor. 3.3.2 Método global-funcional O método global-funcional é, sobretudo, pautado por jogos, os quais têm como característica fundamental a necessidade de resolu- ção de situações-problema. A aplicação do método para o processo de ensino-aprendizagem do esporte vai desde brincadeiras e jogos lúdicos 64 Metodologia do ensino de basquetebol menos complexos até o jogo propriamente dito. Entretanto, é muito importante ressaltar que a prática de deixar os alunos jogarem livre- mente uma partida de basquete não se caracteriza como o método global-funcional. Figura 13 Jogo em quadra reduzida com a aplicação do método global-funcional. An dr ea P ia cq ua di o Como característica intrínseca do basquetebol, no método global- -funcional a ênfase está na imprevisibilidade das tarefas, pois não se tem certeza do que pode acontecer. Esse fato se encaixa com o que ocorre em um jogo real, é necessária a predominância da necessidade de princípios de tática: saber o que fazer nas diversas situações consi- derando as táticas individuais, grupais e coletivas. É em razão dessa imprevisibilidade que há a constante necessidade de resolução de problemas, por exemplo: em uma situação na qual o aluno é marcado de perto, é preciso que ele tome uma decisão entre tentar driblar o adversário, passar a bola ou arremessar. Ademais, o método global-funcional é eficiente, pois leva em consideração o dese- jo de jogar das crianças (GRECO, 2001), uma vez que desde as idades iniciais há a prática do jogo. Dessa forma, não há separação dos aspec- tos técnicos (foco do analítico-sintético) dos táticos, o que mantém as atividades próximas da realidade de jogo. Para ampliar seus estu- dos além das práticas esportivas, sugerimos a leitura do livro The Mamba Mentality: How I Play, de Kobe Bryant. Essa obra foca o proces- so e o trabalho árduo para se obter uma boa performance na carreira e na vida. BRYANT, K. Estados Unidos: MCD, 2018. Livro Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 65 Figura 14 Método global-funcional J irk a_ To m ek /S hu tte rs to k Desvantagens Vantagens • O aluno pode demorar a ver seu progresso técnico, o que pode provocar desmotivação. • Não proporciona uma avaliação eficaz sobre o desempenho do atleta. • Não permite o atendimento às limitações individuais. • Dificulta o direcionamento a objetivos específicos para serem aprimorados com o treinamento. • Desde cedo se pratica o jogo. • A técnica e a tática estão sempre juntas. • Permite a participação de todos os elementos envolvidos, como movimento, reação, percepção, ritmo, entre outros. • Favorece a motivação. Fonte: Elaborada pelo autor. Os métodos aqui apresentados são antagonistas. Enquanto o analí- tico-sintético tem como características as tarefas motoras, os exercícios e a previsibilidade, o global-funcional possui situações-problema que envolvem fatores motores, jogos e imprevisibilidade (Figura 15). No en- tanto, isso não quer dizer que um é melhor do que o outro. Há situa- ções específicas para a aplicação de cada método que irão depender da observação do professor. Figura 15 Características dos principais métodos de ensino Fonte: Elaborada pelo autor. Analítico-sintético Tarefas motoras Problemas motores Exercícios Jogos Previsibilidade Imprevisibilidade Global-funcional Não existem apenas dois métodos de ensino. Indicamos, como forma de aprofundar mais seus conhecimentos a respeito dos métodos de ensino, a leitura da obra sobre Teaching Ga- mes for Understanding e da Pedagogia Não-Linear no Ensino da Educação Física, do autor Filipe Manuel Clemente. Disponível em: https://seer. ufrgs.br/Movimento/article/ view/27495. Acesso em: 29 set. 2020. Artigo https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/27495 https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/27495 https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/27495 66 Metodologia do ensino de basquetebol 3.4 Estratégias de ensino-aprendizagem do basquetebol Vídeo Dentro dos métodos de ensino que embasam teoricamente o modo como iremos ensinar determinado esporte, existem as estratégias de ensino. Essas estratégias são formas práticas para aplicação no proces- so de ensino-aprendizagem e se baseiam em atividades diversas. Fique atento a cada uma dessas atividades, pois elas podem estar relaciona- das à sua aula de Educação Física. As estratégias vão desde exercícios isolados, em que se trabalha apenas um fundamento, até o jogo de basquetebol formal. É possível listar sete estratégias de ensino: exercícios analíticos, sincronizados e circuitos (método analítico-sintético), brincadeiras, situações de jogo, jogos pré-desportivos e o jogo formal (método global-funcional). Figura 16 Estratégias de ensino relacionadas aos métodos de ensino Exercícios analíticos Exercícios sincronizados Circuitos de exercícios An al íti co -s in té tic o 1 2 3 Brincadeiras ou jogos lúdicos Situação de jogo Jogos pré-desportivos Jogo formal G lo ba l-f un ci on al 4 5 6 7 Fonte: Elaborada pelo autor. É importante dominarmos as estratégias, pois é possível ensinar to- dos os fundamentos considerando todas elas. A seguir, iremos caracte- rizar cada estratégia e exemplificar algumas atividades no contexto do basquetebol. 3.4.1 Exercícios analíticos São exercícios isolados visando ao desenvolvimento dos funda- mentos. Nesse exercício, evidencia-se a execução do gesto técnico em busca de um padrão de movimento. As atividades são básicas e envol- vem apenas um fundamento, como realizar passes de peito em dupla, Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 67 arremessos da linha de lance livre, driblar enquanto corre em volta da quadra, ou treinar a posição defensiva em deslocamentos na quadra. 3.4.2 Exercícios sincronizados São uma progressão dos exercícios analíticos, pois há o treinamen- to de mais de um fundamento na mesma atividade. Como exemplo te- mos: driblar em volta da quadra realizando uma bandeja em cada cesta. Além disso, podemos adicionar o rebote após o próprio arremesso. 3.4.3 Circuitos Nessa estratégia são incluídos diversos fundamentos do basque- tebol. Eles são executados um em cada estação e treinados separa- damente, de modo que todos os praticantes passem por todas as estações/fundamentos. Há o envolvimento de todos os alunos simul- taneamente, porém de maneira fragmentada, uma vez que cada um deve realizar um movimento/fundamento por determinado tempo ou de acordo com o número de repetições que o professor definir. 3.4.4 Brincadeiras Estratégia pautada pelo método global-funcional, em que há o en- sino e a aprendizagem dos fundamentos por meio de brincadeiras ou jogos lúdicos. Incluímos aqui o componente lúdico para o treinamento de aspectos técnicos, táticos e físicos. Há certa imprevisibilidade nas tarefas, pois as atividades aproximam-se do contexto de jogo, embora ainda distantes do jogo formal. Uma opção é trabalhar os passes por meio da brincadeira chamada espertinho, em que dois alunos podem ficar em situação de ataque com a bola, objetivando realizar passes, e outro em posição defensiva, ten- tando recuperar a posse de bola. Nessa brincadeira são trabalhados os fundamentos do basquetebol em uma situação mais próxima da rea- lidade de jogo se comparado aos exercícios analíticos. Outro exemplo é a brincadeira denominada bandeira-salva, em que duas equipes são formadas e há a necessidade de invadir a quadra do adversário para roubar a bola e trazê-la de volta para sua quadra. Nessa atividade, além de trabalhar o conceito do basquete de oposição e invasão, são treina- 68 Metodologia do ensino de basquetebol dos o controle de corpo, pois é necessário pegar os adversários, mas também fugir deles, bem como o drible e o passe. 3.4.5 Situações de jogo Nessa técnica, fracionamos o jogo como objetivo de simular par- tes específicas. Algumas dessas situações podem ser de ataque, de defesa, ou de superioridade numérica, como 3 contra 2, ou 2 contra 1. O método de ensino situacional de Pablo Juan Greco (1998) é ca- racterizado pelo ensino do esporte com base em situações extraídas do jogo. 3.4.6 Jogos pré-desportivos São jogos adaptados com regras pré-definidas. A possibilidade de participação de todos os alunos sem a exigência de elevado nível técni- co é a sua principal vantagem. O professor de Educação Física pode modificá-los de acordo com seu público, objetivo ou faixa etária. Desse modo, esses jogos devem ser organizados com regras simples. Por exemplo, pode ser inserida uma regra de que é necessário realizar 10 passes de bola dentro da equipe, ou que ela passe por todos da equipe, antes de ser arremessada. Ainda, é possível colocar em prática alguns jogos reduzidos, como 1x1, 2x2 ou 3x3. Lembrando que o 3x3 é um esporte olímpico recém-inserido no programa das Olimpíadas. 3.4.7 Jogo formal Realizamos o jogo formal de basquetebol aplicando as regras ofi- ciais da modalidade, em uma quadra completa e com cinco jogadores em cada equipe. É importante lembrar que o professor deve realizar intervenções pedagógicas mesmo durante o jogo e que a aula livre não é considerada uma estratégia de ensino. É importante notar que a aplicação tanto dos métodos quanto das estratégias dependerá da leitura do professor sobre sua turma e em relação às condições técnicas, como nível de habilidade dos fundamen- tos, às condições físicas e ao objetivo da turma ao praticar esse esporte. Pablo Juan Greco é professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um grande estudioso da pedagogia do esporte, sobretudo a respeito dos métodos de ensino. Curiosidade Como sugestão de leitura a respeito do método de ensino de esportes de invasão situacional com proces- sos cognitivos, temos o artigo Especialização esportiva precoce e o ensino dos jogos coletivos de invasão. Disponível em: https:// www.redalyc.org/ pdf/1153/115329361017.pdf. Acesso em: 29 set. 2020. Artigo Como são classificadas as estratégias de ensino de acordo com os métodos? Atividade 3 https://www.redalyc.org/pdf/1153/115329361017.pdf https://www.redalyc.org/pdf/1153/115329361017.pdf https://www.redalyc.org/pdf/1153/115329361017.pdf Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 69 3.5 O basquetebol na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Vídeo Antes de reconhecermos o basquetebol no mais atual documento norteador do ensino nas escolas no Brasil, é necessário lembrarmos que o sistema educacional brasileiro é basicamente orientado: • pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) – Lei n. 9.394 de 1996; • pelas diretrizes gerais da Constituição Federal de 1988 – a qual, dentro do seu Capítulo III, determina que a educação básica é um direito de todos os cidadãos, afirmando que “é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um” (BRASIL, 1988). Os esportes coletivos, em especial o basquetebol, nas suas va- riadas formas de manifestações, apresentam o esporte escolar como potencial mecanismo educacional para auxiliar na formação do indivíduo. Nessa dimensão, as práticas esportivas são conteúdos ensinados por meio das aulas de Educação Física, a qual é um com- ponente curricular obrigatório, determinado pela LDB promulgada em 1996 (Lei n. 9.394/96). Desse modo, a Educação Física deve ser integrada à proposta pedagógica da escola, sendo um componente curricular de caráter obrigatório na educação básica para todos os alunos. Como compo- nente, deve compreender a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, sendo facultativo em alguns casos: para alunos que cumpram jornada de trabalho igual ou superior a 6 horas diárias, se- jam maior de 30 anos de idade, estejam prestando serviço militar, ou que tenham filhos. Também em lei complementar, a Educação Física é facultativa para alunos de cursos noturnos. Reconhecida a importância e a atuação da educação física na escola, agora é o momento de estudar alguns documentos oficiais que regem e norteiam a disciplina e a atuação do professor no ambiente escolar. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento mais importante e atual a ser considerado, além de servir como base para toda a educação básica brasileira. Esse documento tem como função 70 Metodologia do ensino de basquetebol nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das unidades fe- derativas, assim como as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas do ensino básico. Ela foi prevista na Constituição Federal de 1988, regulamentada pela LDB em 1996 e orientada pelos princípios éticos e políticos traçados pelas Diretrizes Curriculares Na- cionais da Educação Básica de 2013. Figura 17 Componentes curriculares para a educação básica EDUCAÇÃO BÁSICA EDUCAÇÃO INFANTIL Direitos de aprendizagem e desenvolvimento Campos de experiências Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento Bebês (0-1 a 6 meses) Crianças bem pequenas (1a7m3a11m) Crianças pequenas (4a5a11m) Áreas do conhecimento Área do conhecimento Componentes curriculares Competências específicas de área Competências específicas de área Língua Portuguesa Matemática Competências específicas de componente Anos iniciais Unidades temáticas Objetos de conhecimento Habilidades Habilidades Anos finais ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO Competências gerais da Educação Básica ETAPAS Fonte: Elaborada pelo autor com base em Brasil, 2017. Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 71 A primeira versão da BNCC foi publicada em 2015 e hoje o Brasil possui bases previstas para toda a educação básica. Nesse documen- to, a Educação Física consta na área de conhecimento de linguagens, junto à Língua Portuguesa, Arte e Língua Inglesa, conforme ilustra a Figura 18. Figura 18 Educação Física na BNCC Fonte: Elaborada pelo autor com base em Brasil, 2017. EDUCAÇÃO BÁSICA Competências gerais da Educação Básica ENSINO FUNDAMENTAL Áreas do conhecimento Componentes curriculares Língua Portuguesa Matemática Ensino Religioso Ciências da Natureza Ciências Humanas Matemática Ensino Religioso Ciências Geografia História Arte Linguagens Educação Física Língua Inglesa Anos iniciais (1º ao 5º ano) Anos finais (6º ao 9º ano) Linguagens Educação Física 72 Metodologia do ensino de basquetebol A Educação Física na BNCC é o componente curricular que usa como base pedagógica as práticas corporais inseridas e classificadas em seis unidades temáticas (Figura 19). O próprio documento destaca que, na definição das unidades temáticas, não há pretensão de universalidade, mas sim de uma compreensão a respeito das denominações dos tipos de manifestações culturais relacionados às atividades físicas na escola brasileira. Figura 19 Unidades temáticas da Educação Física na BNCC Brincadeiras e jogos Danças 6 unidades temáticas Esportes Lutas Ginásticas Práticas corporais de aventura Fonte: Elaborada pelo autor com base em Brasil, 2017. Nos esportes são reunidas manifestações mais formais, as quais se caracterizam pela comparação de desempenho entre indivíduos (es- portes individuais) ou entre grupos (esportes coletivos). Os adversários são comparados com base na norma de regras estabelecidas especifi- camente para cada esporte. Para isso, são apresentadas na BNCC sete categorias esportivas que classificam os esportes por meio das suas características. Essas categorias são baseadas em uma lógica interna, tendo como referência os critérios de cooperação, interação com o adversário, desempenho motor e objetivos táticos da ação. Figura 20 Classificação esportiva na BNCC Marca Precisão Técnico-combinatório Rede/Parede Campo e Taco Combate Invasão ou Territorial Fonte: Elaborada pelo autor com base em Brasil, 2017. Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 73O basquetebol está inserido na categoria de esportes de invasão, assim como a maioria dos esportes coletivos (futsal, handebol, futebol). No entanto, outras modalidades esportivas coletivas também podem estar nas categorias de rede/parede, como o voleibol, e de campo e taco, como o beisebol. Pela classificação do basquetebol como esporte de invasão, a BNCC orienta em quais anos do ensino fundamental ele pode ser trabalhado, conforme vemos na Figura 21. Marca; Precisão. Marca; Precisão; Invasão; Técnico-combinatório. Campo e Taco; Rede/Parede; Invasão. Rede/Parede; Campo e Taco; Invasão; Combate. 1º e 2º 6º e 7º 3º ao 5º 8º e 9º Anos – Ensino Fundamental Figura 21 Posição dos esportes de invasão (basquetebol) no ensino fundamental de acordo com a BNCC Fonte: Elaborada pelo autor com base em Brasil, 2017. Considerando o ensino fundamental, a BNCC norteia a inclusão dos esportes coletivos, incluindo o basquetebol, a partir do 3º ano até o 9º ano. Sendo assim, é nesses anos que o professor poderá trabalhar o basquetebol no ensino fundamental. Figura 22 Estrutura norteadora para aula de Educação Física Currículo PPP da escola Plano de aula do professor Fonte: Elaborada pelo autor com base em Brasil, 2017. 3.6 Elaboração de plano de aula Vídeo Na construção do Projeto Político Pe- dagógico (PPP) nas escolas, a adoção da BNCC é obrigatória e serve como norte para a construção e a adaptação dos cur- rículos; e é com base nesses fatores que é possível a elaboração dos planos de aula. Na prática, o PPP das escolas pode, con- siderando os esportes de invasão como o basquetebol, ter uma proposta pedagó- BNCC 74 Metodologia do ensino de basquetebol gica para o ensino em que há quatro aspectos fundamentais já estu- dados aqui: diversidade, inclusão, cooperação e autonomia (ROSE JR.; TRICOLI, 2005). Com base no conteúdo de métodos e estratégias de ensino, temos condições de colocar em prática a teoria, no sentido de fornecer me- lhores condições para os alunos no processo de ensino-aprendizagem- -treinamento do esporte. Para isso, é importante elaborar um plano de aula coerente. Desse modo, a aula de Educação Física pode ser dividida em três momentos: • Contextualização: momento em que o professor realiza uma roda de conversa inicial e apresenta a unidade temática e o objeto de conhecimento, além das orientações didáticas a respeito da prática corporal que será realizada na Educação Física escolar. É o primeiro contato do professor com os alunos e é uma espécie de introdução para a aula. • Experimentação: é a parte principal da aula de Educação Física. Nesse momento, os alunos serão os protagonistas das atividades e poderão experimentar, criar, construir, produzir, entre outros domí- nios das práticas corporais. • Avaliação: é o momento de avaliação conjunta e de reflexão acerca do que foi realizado. Deve ser registrada considerando instrumen- tos adequados e coerentes. Na prática, o professor deve elaborar um plano de aula consideran- do os seguintes aspectos: objetivo, espaço da escola, data e duração da aula, a unidade temática (BNCC), as dimensões do conhecimento, as habilidades, as competências gerais e específicas. Veja a seguir um exemplo de plano de aula detalhado considerando a modalidade de basquetebol. PLANO DE AULA – EDUCAÇÃO FÍSICA – BASQUETEBOL • Componente curricular: Educação Física • Ano: 8º • Espaço: quadra de esportes • Duração: 50 minutos • Data: 03/08/2021 Como está classificado o basquetebol na BNCC? Comente. Atividade 4 Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 75 • Unidade temática: esportes • Objeto de conhecimento: esportes de invasão – basquetebol • Objetivo: Promover o ensino dos fundamentos técnicos do basquetebol. • Dimensões do conhecimento: estesia • Habilidade: “(EF67EF04) Praticar um ou mais esportes de marca, precisão, invasão e técnico-combinatórios oferecidos pela escola, usando habilidades técnico-táticas básicas e respeitando regras. (EF67EF05) Planejar e utilizar estratégias para solucionar os de- safios técnicos e táticos, tanto nos esportes de marca, precisão, invasão e técnico-combinatórios como nas modalidades esporti- vas escolhidas para praticar de forma específica” (BRASIL, 2017, p. 233). • Competências gerais: CG3 – “Valorizar e fruir as diversas manifes- tações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural” (BRASIL, 2017, p. 9). • Competências específicas: CE10 – “Experimentar, desfrutar, apre- ciar e criar diferentes brincadeiras, jogos, danças, ginásticas, esportes, lutas e práticas corporais de aventura, valorizando o trabalho coletivo e o protagonismo” (BRASIL, 2017, p. 223). Estrutura da aula 1. Contextualização (em torno de 10 minutos): o professor escolhe as atividades que serão realizadas em aula e explica como serão executadas. 2. Experimentação (em torno de 30 minutos): etapa em que há aplicação das atividades, saber: a. Com o objetivo de ensinar/treinar o passe e como um modo de iniciar o aquecimento, realiza-se uma roda com todos os alunos no centro da quadra e, inicialmente, com apenas uma bola de basquete, os estudantes deverão realizar passes de peito entre eles. Acrescentar mais uma bola à medida que o tempo passa, lembrando-os de permanecer com os joelhos semiflexionados durante a atividade. Solicitar que realizem, também, o passe quicado, mas deixando-os livres para realizar outro passe que quiserem (peito ou quicado). Em seguida, dificultar de maneira que a atividade desafie os alunos: ao receber um passe de peito 76 Metodologia do ensino de basquetebol deve-se fazer o passe quicado, e vice-versa. Posteriormente, adicionar mais uma bola e incluir os passes acima da cabeça e acima do ombro. b. Em trios, realizar o jogo chamado espertinho, em que dois alunos devem realizar passes sem que o terceiro roube a bola. É permitido driblar. Limitar a atividade de acordo com os tipos de passe (peito, quicado, acima do ombro, acima da cabeça) e com reduzido espaço físico. Nessa atividade são treinados os fundamentos de controle de corpo, manejo de bola, drible e passe, além da posição defensiva para quem está tentando recuperar a bola. Aqui, aplica-se, para o ensino e treinamento do passe, o método global-funcional, pois os alunos estão em uma situação reduzida de jogo, em que há a necessidade de tomar decisões. c. Introdução ao arremesso em que, ainda em trios, deve-se realizar arremessos para os colegas com foco na técnica de arremesso ensinada pelo professor. Nesse momento, preza-se pelo método analítico-sintético com o objetivo de aperfeiçoar a técnica. Os alunos podem fazer uma cesta com os próprios braços como alvo para o colega antes de utilizarem a cesta oficial. d. Com foco no principal fundamento do basquete, o arremesso, os alunos deverão realizar, em duplas, uma atividade desse movimento, considerando a curta, a média e a longa distância da cesta, ficando à vontade para escolher qual delas cada um deseja realizar. Um aluno deve arremessar enquanto o outro permanece próximo à cesta para rebote, realizando um passe para o arremessador. Realizar esse procedimento cinco vezes e trocar entre a dupla. e. Para aumentar a dinâmica da aula, solicitar aos alunos que corram, em duplas, ao redor da quadra realizando o drible e o arremesso do tipo bandeja ao se aproximar da cesta. Eles devem trocar a posse de bola entre a dupla após cada arremesso. Nessa atividade, um aluno sempre correrá sem bola e o outro com bola, realizando obrigatoriamente o drible. f. Jogo reduzido 3x3: aqui será utilizada a estratégia de ensino de jogo pré-desportivo, mas também de jogo formal. Em dois lados da quadra devem ser separadas equipes de 4 alunos (3 titulares e 1 reserva) para o jogo 3x3. As regras iniciais devem ser repassadas reforçando que se deve passar a bola por todos da equipe antes de realizar o arremesso. Posteriormente, emnova Para aprofundar mais os seus conhecimentos a respeito das práticas pedagógicas no ensino de esportes, sugerimos a lei- tura do livro Basquetebol na escola: Uma proposta didático-pedagógica. RODRIGUES, H. A. DARIDO, S. C. Editora: Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2012. Livro Fundamentos do basquetebol e métodos de ensino 77 regra, a equipe precisa dar 10 passes entre seus jogadores para realizar o arremesso. g. Jogo formal: são formadas equipes de cinco alunos para a realização do jogo formal em quadra completa. Nessa atividade, as regras oficiais do basquete devem ser respeitadas. 3. Avaliação (em torno de 10 minutos): nesse momento deve- se recuperar o conteúdo de cada atividade com os alunos em uma roda de conversa ao final da aula. Para isso, pode-se comentar sobre os fundamentos que foram trabalhados, de modo a promover reflexões, pois é preciso pensar sobre essas manifestações para entendê-las de fato. CONSIDERAÇÕES FINAIS Embora novas metodologias de ensino tenham surgido na literatura com elevado embasamento teórico e diversas aplicações na prática do processo ensino-aprendizagem-treinamento, o que se observa ainda são muitos professores de Educação Física se baseando exclusivamente no método tradicional de ensino – analítico-sintético –, principalmente nos esportes coletivos, como o basquetebol. Apesar de o capítulo estar focado nos principais métodos de ensi- no (analítico-sintético e global-funcional), é importante notar que exis- tem diversos outros métodos que possibilitam a ampliação do ensino, como o de ensino dos jogos para compreensão (ou teaching games for understanding), o método do professor Claude Bayer (1994) e o método situacional. Para isso, basta o professor não se limitar ao determinar o processo de ensino-aprendizagem. Com base nisso, evidenciamos a necessidade de estabelecer novas posturas nos professores frente ao ensino dos esportes, devido ao potencial de impacto na formação de cidadãos que o fenômeno es- portivo exerce por meio de suas diversas manifestações. Ressaltamos, ainda, a necessidade de os planos de aula elaborados pelos professores serem apoiados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 78 Metodologia do ensino de basquetebol REFERÊNCIAS BAYER, C. O ensino dos desportos coletivos. Lisboa: Dinalivro, 1994. BRASIL. Ministério da Educação. Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: MEC/SEB, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 30 set. 2020. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2017. Dis- ponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofi- nal_site.pdf. Acesso em: 30 set. 2020. BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF: 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao. htm. Acesso em: 30 set. 2020. COUTINHO, N. F.; SILVA, S. A. P. S. Conhecimento e aplicação de métodos de ensino para os jogos esportivos coletivos na formação profissional em educação física. Movimento, v. 15, n. 1, p. 117-144, 2009. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/view/2086. Acesso em: 30 set. 2020. DAIUTO, M. Basquetebol: manual do técnico. São Paulo: Cia. Brasil, 1984. FERREIRA, H. B.; GALATTI, L. R.; PAES, R. R. Pedagogia do esporte: considerações pedagógicas e metodológicas no processo de ensino e aprendizagem do basquetebol. In: PAES, R. R.; BALBINO, H. F. Pedagogia do esporte: contextos e perspectivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p. 123-136. GARCIA, J. et al. Identifying basketball performance indicators in regular season and playoff games. Journal of human kinetics, v. 36, n.1, p. 161-168, mar. 2013. Disponível em: https:// www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3661887/. Acesso em: 30 set. 2020. GRECO, J. P.; BENDA, R. N. (org.). Iniciação desportiva universal. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998. NUNES, H. et al. The influence of pick and roll in attacking play in top-level basketball. Cuadernos de Psicologia Del Deporte, v. 16, n. 1, p. 129-142, 2016. DE ROSE JR.; TRICOLI, V. Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática. São Paulo: Manole, 2005. DE ROSE JR.; D.; TRICOLI, V. Basquetebol: do treino ao jogo. São Paulo: Manole, 2017. SILVA, R. M. P.; GALATTI, L. R.; PAES, R. R. Pedagogia do esporte e iniciação esportiva tardia: perspectivas a partir da modalidade basquetebol. Pensar a Prática, v. 13, n. 1, 2010. GABARITO 1. Os principais tipos de arremesso são: com uma das mãos, bandeja, jump, gancho e enterrada. 2. Para responder a essa questão, é relembrar de suas experiências prévias quando alu- no. É importante também consultar familiares ou amigos para estabelecer um contra- ponto com as suas vivências. 3. Os exercícios analíticos, sincronizados e de circuitos de exercícios podem ser conside- rados do método analítico-sintético. Enquanto isso, as brincadeiras, situações de jogo, jogos pré-desportivo e formal, são parte do método global-funcional. 4. Na BNCC, o basquetebol está classificado como esporte de invasão e consta dentro da unidade temática de esportes que compõem a Educação Física na área de conhe- cimento de linguagens. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3661887 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3661887 Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 79 4 Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores Neste capítulo, aprofundaremos nossos conhecimentos a respeito dos aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos do basquetebol. O basquete é um esporte complexo, uma vez que, além das condições técnicas específicas, exige condições físicas, táticas e psicológicas de seus praticantes. Nas diversas situações de jogo é imprescindível que o atleta seja capaz de perceber essas condições e saber como tomar decisões adequadas e rápidas, considerando sempre as melhores ações para atingir determinado objetivo. Tanto as condições físicas quanto as táticas e psicológicas são treináveis e devem ser consideradas, desde o início, no processo de ensino-aprendizagem-treinamento do esporte. Em vista disso, neste capítulo partiremos do pressuposto de que toda a prepara- ção desses aspectos de ensino-aprendizagem deve ser dada de maneira equilibrada. Em torno disso, ao longo do capítulo trouxe- mos como objeto de estudo os fatores do treinamento esportivo, com base em Bompa (2002), para uma nova interpretação que elu- cidará igualdade entre os aspectos físicos, táticos ou psicológicos. 4.1 Aspectos técnicos Vídeo Apesar de existirem posições específicas no basquetebol – armador, ala e pivô –, elas não limitam a atuação dos jogadores dentro de qua- dra. Isso porque, no basquete atual, a versatilidade é um aspecto im- portante para o sucesso individual e coletivo. 80 Metodologia do ensino de basquetebol Em algumas transmissões esportivas pode-se ouvir o narrador citar as posições 1, 2, 3, 4 e 5, que correspondem às posições de armador, ala-armador, ala, ala-pivô e pivô, respectivamente. Nesta seção, vamos entender quais são as características de cada uma dessas posições e co- nhecer os melhores jogadores da história que ocuparam essas posições. Figura 1 Posições do basquete Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck 1 2 3 4 5 1 - Armador 2 - Ala-armador 3 - Ala 4 - Ala-pivô 5 - Pivô Fonte: Elaborada pelo autor. 4.1.1 Armador Conhecido como jogador da posição 1, o armador é o jogador res- ponsável pela organização das jogadas. Ele deve ser um bom driblador,passador e um ótimo arremessador. Além disso, é considerado o orga- nizador, o “cérebro” da equipe e quem normalmente conduz a bola da defesa para o ataque. Infiltrações seguidas de finalização por meio de bandejas e arre- messos de longa distância são duas das características dessa posição. Geralmente, nessa posição, o jogador tem menor porte físico e me- nor estatura se comparado aos de outras posições; no entanto, são muito habilidosos no controle da bola, considerando drible, passe e arremesso. Alguns ainda acreditam que o armador é uma “extensão do treinador” em quadra, pois, na formação de jogadas ofensivas, é o armador quem indica com os dedos um número, sinalizando qual de- Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 81 verá ser a jogada adotada pela equipe. A tradução dessa posição para o inglês é point guard (PG). Alguns jogadores armadores clássicos são: Magic Johnson, Oscar Robertson, Isiah Thomas, Bob Cousy, John Stockton, Jerry West, Steve Nash e Allen Iverson. Atualmente, podemos citar John Wall, Chris Paul, Derrick Rose, Stephen Curry, Russell Westbrook, Kyrie Irving, Damian Lillard e Luka Dončić. No Brasil, destaca-se o jogador Marcelinho Huertas. Já o ala-armador (posição 2) é considerado o ajudante do armador, também conhecido como escolta. Visando prejudicar a organização da defesa adversária, alguns técnicos designam o ala-armador – e não o ar- mador principal – para “carregar” a bola da quadra de defesa para a área de ataque. Outras funções importantes da posição 2 são as infiltrações em alta velocidade e o contra-ataque; este tem como objetivo chegar à frente dos adversários, recepcionar um passe e realizar a bandeja. A tradução dessa posição para o inglês é shooting guard (SG). Alguns dos maiores jogadores da história do basquete foram alas-armadores, entre eles: Michael Jordan e Kobe Bryant. Podemos também citar os jogadores: Allen Iverson, Dwyane Wade, Manu Ginóbili, Klay Thompson, Clyde Drexler, Reggie Miller, David Thompson. O atleta brasileiro Leandrinho se destaca no âmbito nacional. 4.1.2 Ala O ala, ou lateral, (posição 3) é o jogador capaz de definir as jogadas com boas infiltrações e bom aproveitamento de arremessos. Geral- mente é o atleta que mais pontua em uma partida. Além disso, atua especificamente nas laterais da quadra e participa da disputa pelos re- botes; quando está na defesa é um jogador que pode marcar qualquer adversário. A tradução dessa posição para o inglês é small forward (SF). Alguns exemplos de alas são: LeBron James, Larry Bird, Scottie Pippen, Kevin Durant, Julius Erving, James Wor- thy, Elgin Baylor, Dominique Wilkins, Kawhi Leonard, Carmelo An- thony, Rick Barry. O brasileiro Oscar Schmidt também se destaca nessa posição. Combo guards é como são chamados os jogadores que têm características tanto de arma- dores quanto de ala-armadores (posições 1 e 2). Curiosidade Magic and Bird: the courtship of rivals é um documentário que narra a rivalidade entre dois grandes atletas do bas- quetebol: Magic Johnson e Larry Bird. Direção: Ezra Edelman. Estados Unidos: HBO Films, 2010. Filme https://pt.wikipedia.org/wiki/Michael_Jordan https://pt.wikipedia.org/wiki/Kobe_Bryant https://pt.wikipedia.org/wiki/Allen_Iverson https://pt.wikipedia.org/wiki/Dwyane_Wade https://pt.wikipedia.org/wiki/Manu_Gin%C3%B3bili https://pt.wikipedia.org/wiki/Klay_Thompson https://pt.wikipedia.org/wiki/Clyde_Drexler https://pt.wikipedia.org/wiki/Reggie_Miller https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Thompson https://pt.wikipedia.org/wiki/LeBron_James https://pt.wikipedia.org/wiki/Larry_Bird https://pt.wikipedia.org/wiki/Larry_Bird https://pt.wikipedia.org/wiki/Scottie_Pippen https://pt.wikipedia.org/wiki/Kevin_Durant https://pt.wikipedia.org/wiki/Julius_Erving https://pt.wikipedia.org/wiki/James_Worthy https://pt.wikipedia.org/wiki/James_Worthy https://pt.wikipedia.org/wiki/Elgin_Baylor https://pt.wikipedia.org/wiki/Dominique_Wilkins https://pt.wikipedia.org/wiki/Rick_Barry https://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Schmidt 82 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 2 Posicionamento dos alas Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck 3a - Alas altos 3b - Alas baixos 3a 3a 3a 3a 3b 3b Fonte: Elaborada pelo autor. Em uma posição intermediária, temos o ala-pivô (posição 4), que desempenha um papel em quadra semelhante ao do pivô, mas com maior possibilidade de movimentação embaixo da cesta. O objetivo dessa posição é receber rebotes, além de realizar bons arremessos de média distância devido ao seu posicionamento em quadra. Esse joga- dor ainda pode realizar saídas do garrafão para arriscar uma tentati- va de bola de três pontos. O ala-pivô não se limita a jogadas perto da cesta, sendo possível realizar bloqueios eficientes e passes precisos. A tradução do nome dessa posição para o inglês é power forward (PF). Os jogadores mais marcantes historicamente nessa posição foram Dennis Rodman, Charles Barkley, Karl Malone, Tim Dun- can e Kevin Garnett. Atualmente, temos os atletas Giannis Anteto- kounmpo, Anthony Davis, Draymond Green, P. J. Tucker, LaMarcus Aldridge, Pau Gasol, Blake Griffin e Kevin Love. 4.1.3 Pivô O pivô (posição 5) é o jogador que tem a habilidade de jogar de costas para a cesta e realizar arremessos de curta distância. Ocupa a região do garrafão tanto na defesa quanto no ataque e, geralmente, é o mais alto da equipe, podendo ser também o mais pesado e o mais forte do que os outros jogadores. Na defesa, é o pivô quem realiza a https://pt.wikipedia.org/wiki/Dennis_Rodman https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Barkley https://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Malone https://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Duncan https://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Duncan https://pt.wikipedia.org/wiki/Kevin_Garnett https://pt.wikipedia.org/wiki/Giannis_Antetokounmpo https://pt.wikipedia.org/wiki/Giannis_Antetokounmpo https://pt.wikipedia.org/wiki/Anthony_Davis https://pt.wikipedia.org/wiki/Draymond_Green https://pt.wikipedia.org/wiki/P._J._Tucker https://pt.wikipedia.org/wiki/LaMarcus_Aldridge https://pt.wikipedia.org/wiki/LaMarcus_Aldridge https://pt.wikipedia.org/wiki/Pau_Gasol https://pt.wikipedia.org/wiki/Kevin_Love Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 83 marcação individual nos jogadores que estão no garrafão adversário. A tradução dessa posição para o inglês é center (C). Ao longo da história do basquete, alguns pivôs deixaram uma marca importante. Podemos citar, entre eles, Kareem Abdul-Jabbar (maior pontuador da história da National Basketball Association – NBA), Patrick Ewing, Shaquille O’Neal, Wilt Chamberlain, Bill Russell, Hakeem Olajuwon e David Robinson. No Brasil, destacam-se os jogadores Anderson Varejão, Tiago Splitter e Nenê Hilário, todos com atuação na NBA e na seleção brasileira. Figura 3 Posicionamento dos pivôs 5a - Pivô alto 5b - Pivôs baixos 5a 5b 5b 5b Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. Que ações os atletas de cada uma das posições mais realizam em jogo? Quem dribla mais? Quem arremessa mais? Quem pontua mais? Quem realiza mais passes? Quem pega mais rebotes? De acordo com a pesquisa de Okazaki et al. (2008), cada função tem uma especificidade. Vejamos cada uma delas. • Armadores: utilizam mais a técnica de drible e passe, além de perderem e roubarem mais a posse da bola. • Alas: arremessam mais à cesta e fazem mais pontos (média de 19,8 arremessos por jogo). • Pivôs: apresentam maior número de rebotes (9,4 rebotes por jogo) e bloqueios (1,1 bloqueios por jogo). Também têm o maior número de lances livres. Ainda, de acordo com o estudo, o arremesso do tipo jump e bandeja foram as técnicas de arremesso mais uti- lizadas, com índice de 69,7% e 16,7%, respectivamente. Com relação ao passe, os mais utilizados foram o de peito (44,1%), por cima da cabeça (24,0%) e ombro (20,1%). https://pt.wikipedia.org/wiki/Kareem_Abdul-Jabbar https://pt.wikipedia.org/wiki/Kareem_Abdul-Jabbarhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Patrick_Ewing https://pt.wikipedia.org/wiki/Shaquille_O%27Neal https://pt.wikipedia.org/wiki/Wilt_Chamberlain https://pt.wikipedia.org/wiki/Bill_Russell https://pt.wikipedia.org/wiki/Bill_Russell https://pt.wikipedia.org/wiki/Hakeem_Olajuwon https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Robinson 84 Metodologia do ensino de basquetebol Com base nas características das posições ocupadas por cada jogador, pode-se concluir que cada um tem sua posição original, mas, ao mesmo tempo, isso não os impede de transitar e atuar em outras funções – den- tro da equipe, de uma temporada ou mesmo de um jogo. O sucesso de uma equipe é mediado pela exploração das melhores características dos jogadores; por isso, a seguir, vamos compreender um pouco mais a res- peito dos aspectos físicos que são atuantes no basquete. 4.2 Aspectos físicos Vídeo No basquete – esporte que tem como principal característica a in- termitência 1 –, os jogadores precisam apresentar determinado nível de desenvolvimento em diversas capacidades físicas, principalmente quanto à resistência, agilidade, potência, força e força máxima, veloci- dade, flexibilidade e capacidade aeróbia e anaeróbia. As variações de tipo, duração e intensidade das ações faz com que seja impossível determinar com precisão as capacidades físi- cas necessárias a um jogo. Isso porque, dentro dessas capacidades, incluem-se as fontes energéticas para as ações e o número de repeti- ções de cada fundamento, além de existir sempre a imprevisibilidade que pode surgir durante a partida. Em um recente estudo a respeito dos jogadores e do contexto da partida, Schelling e Torres-Ronda (2013) concluíram que o corpo de evidências com relação à carga externa no basquete elucida os seguintes fatos: • Correm entre 4,5 km a 7,5 km por jogo. • Realizam até 1.000 diferentes ações (incluindo defesa, sprint, mudanças de dire- ção, saltos, caminhar, correr etc.). • Realizam em torno de 45 saltos. • Realizam poucas sequências que duram mais que 40 segundos. • A densidade de atividade do jogo – taxa de trabalho e descanso – varia depen- dendo da ação, da intensidade e do momento da partida. • Ações de intensidade médias para altas têm densidade de 1:1, ou seja, 15 segun- dos de trabalho para 15 segundos de recuperação. • Ações de intensidade altas para máximas têm densidade de 1:10, ou seja, 2 se- gundos de trabalho para 20 segundos de recuperação. • A maioria dessas ações utiliza o sistema anaeróbio, tanto lático quanto alático 2 . Quais são as posições do basquete? Atividade 1 1 Momentos em que há alternação de períodos de alta intensidade com elevado esforço, seguido por períodos de menor intensidade que podem ser de recuperação. O metabolismo anaeróbio se divide em alático e lático. O alático se refere à quebra dos estoques de adenosina trifosfato (ATP) e de fosfocreatina (CP). O anaeróbio lático está relacionado à degradação parcial da glicose, resultando no ácido lático. 2 Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 85 As constatações desse estudo devem servir como base para o trei- namento dos jogadores. Considerando os princípios do condiciona- mento esportivo, como a especificidade, ou seja, o treinamento físico, no basquete os treinos devem ser planejados e executados de acordo com os requisitos específicos, levando em consideração os sistemas energéticos preponderantes, as coordenações psicomotoras utilizadas e os fundamentos da modalidade. Já os atributos físicos dos jogadores são reportados na literatura com dados sobre o peso, a estatura e o somatótipo. As diferenças dos atributos físicos existem entre as posições de jogo e os níveis de habili- dade, por exemplo, os armadores tendem a ser mais leves, mais baixos e mais mesomórficos que os pivôs. Em ambos os sexos, o percentual de gordura dos pivôs é maior que a dos armadores e dos alas (ZIV; LIDOR, 2009). Ainda, os armadores tendem a realizar mais movimentos de alta intensidade durante o jogo, se comparados aos alas e pivôs. E as lesões no basquete? Entre as lesões mais comuns no basquetebol, de acordo com di- versas pesquisas, estão as que ocorrem nos membros inferiores, sen- do a entorse lateral do tornozelo a mais recorrente. Essas lesões são consequência do elevado número de saltos realizados no esporte para arremessar, pegar rebotes ou realizar bloqueios. Além disso, a tendi- nite patelar é outra lesão comum, também conhecida como joelho de saltador, causada pelo uso excessivo do joelho e reconhecida por uma dor localizada abaixo da patela. O ligamento patelar é o ligamento que conecta o osso da tíbia à rótula. Ao saltar repetidamente, uma grande quantidade de tensão é colocada nesse ligamento e pode resultar em uma ruptura que, às ve- zes, pode ocasionar lesões teciduais e músculos inflamados. Também são prevalentes lesões na lombar e nos posteriores de coxa, como con- traturas e estiramentos; nas mãos predominam as luxações e subluxa- ções dos dedos. Ainda assim, as lesões não são exclusivas dos esportistas de alto rendimento, visto que tanto lesões de mecanismo crônico quanto agu- do podem ocorrer com alunos no basquete escolar. Em vista disso, é imprescindível compreender todos os riscos a respeito da prática para que a prevenção possa ser feita da melhor forma. Os trabalhos de Você sabia que existe um Programa de Prevenção de Lesão no Basquete encabeçado pela Confederação Brasileira de Basquete? Alguns desses exercícios podem ser visualizados no vídeo Prevenção de lesões no basquete. Disponível em: http://youtu.be/ w9Kxs8KuKhk. Acesso em: 23 out. 2020. Saiba mais http://youtu.be/w9Kxs8KuKhk http://youtu.be/w9Kxs8KuKhk 86 Metodologia do ensino de basquetebol prevenção podem ser específicos ou incluídos dentro de uma aula de Educação Física. Nesse sentido, o trabalho proprioceptivo se faz impor- tante na prevenção de lesões. Vamos conhecer um pouco mais? 4.3 Aspectos táticos Vídeo Considerando a dinâmica do basquetebol, é importante identificar os aspectos táticos, uma vez que esse esporte não é uma soma de ha- bilidades específicas – fundamentos –, e sim uma rede complexa com- posta de situações de jogo imprevisíveis. Por isso, pode-se afirmar que as situações em um jogo de basquete nunca serão idênticas. Os aspectos táticos consistem em uma forma de facilitar o objetivo do jogo utilizando-se a somatória das capacidades e das habilidades individuais dos jogadores. Há, ainda, a utilização adequada e racional dos fundamentos individuais de ataque e defesa aplicados em uma si- tuação de jogo. A relação constante entre ataque e defesa é um contínuo expresso por meio de sistemas de organização dessas duas situações, as quais chamamos de sistemas de ataque e de defesa. Observe na Figura 4 como a interação desses sistemas ocorre. Figura 4 A dinâmica de jogo do basquetebol Fonte: Elaborada com base em De Rose Jr.; Pinto Filho; Correa Neto, 2015. A DINÂMICA DE JOGO NO BASQUETEBOL ATAQUE Situações de jogo coletivas: Sistemas de ataque Sistemas de defesa 5x5 Situações de jogo individuais e grupais: 1x1, 2x2, 3x3, 4x4, ... Fundamentos de defesa Fundamentos de ataque DEFESA Transição Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 87 Compreendida a dinâmica de jogo, é importante elucidar os con- ceitos de estratégia e tática. O primeiro termo, estratégia, refere-se ao conteúdo teórico proposto antes da partida e consiste no plane- jamento de como a equipe jogará. O segundo, tática, é a aplicação na prática do que foi planejado, ou seja, consiste nas ações aplicadas em quadra. Essas ações são coletivas e formam os sistemas de jogo defensivos e ofensivos. Para compreender esses sistemas é preciso, antes, apreender como funcionam os princípios táticos operacionais tanto em condi- ção de ataque quanto de defesa. Desse modo, quando a equipe tem a posse de bola, está em situação de ataque e busca, inicialmente, conservá-la com o objetivo deprogredir para a quadra do adversário, invadindo-a e, por fim, realizando um ataque à meta (cesta). Por outro lado, na defesa, os princípios são diferentes: o objetivo principal é de- fender a meta e, para isso, deve-se realizar oposição à equipe adver- sária, de modo a forçar uma regressão da equipe e da bola enquanto tentam recuperá-la. Observe a Figura 5 para compreender melhor esses esquemas. Figura 5 Princípios táticos operacionais OFENSIVOS Manutenção da posse de bola Progressão da equipe/bola Atacar a meta/alvo DEFENSIVOS Recuperação da posse de bola Regressão da equipe adversária/bola Defesa da meta/alvo Fonte: Elaborada pelo autor. A aplicação em jogo dos sistemas de defesa e ataque dependerá de alguns fatores, como características físicas e técnicas dos jogadores, que podem variar desde o grau de habilidade dos jogadores até as ca- racterísticas da equipe adversária ou do momento do jogo (Figura 6). 88 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 6 Fatores influenciadores dos sistemas táticos no basquetebol ks en vit al n /V ya ch es la vik us /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. Características físicas e técnicas dos jogadores Grau de habilidade dos jogadores da equipe Características da equipe adversária Situação momentânea da partida • Características físicas e técnicas dos jogadores: de acordo com De Rose Jr. e Tricoli (2017), as características dos jogadores da equi- pe serão sempre um fator determinante no planejamento tático. Cada indivíduo e suas capacidades são o ponto inicial para a de- terminação dos sistemas ofensivos e defensivos, por exemplo, um jogador extremamente alto ou forte pode fazer a diferença em um sistema tático da equipe. • Grau de habilidade dos jogadores: é comum os jogos serem po- sicionados sobre a função de suas principais habilidades. Como grandes arremessadores de longa distância (alas), exímios passa- dores (armadores) e jogadores com elevado potencial de infiltra- ção no garrafão adversário (armadores e alas). • Características da equipe adversária: o estudo do sistema de jogo da equipe adversária, assim como as características individuais dos jogadores, são grandes influenciadores dos sistemas táticos. • Situação momentânea da partida: a alta imprevisibilidade do bas- quete faz com que diferentes situações resultem em diferentes sistemas táticos, principalmente acerca dos segundos finais de uma partida, que podem ser decisivos. As ações táticas podem ser classificadas como individuais, grupais e coletivas. A seguir, vamos entender cada uma delas. a. Táticas individuais É a forma pela qual o aluno/jogador soluciona as problemáticas do jogo na defesa e no ataque de maneira individualizada, ou seja, é o Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 89 modo como ele resolve as situações pertinentes ao jogo utilizando seu repertório técnico em diferentes situações. Há diferença entre técnica e tática individual, conforme elucidado na Figura 7. Figura 7 Diferença entre técnica e tática individuais Fonte: Elaborada pelo autor. Execução da habilidade motora específica do basquetebol. Saber utilizar de maneira correta o gesto técnico específico para determinada situação de jogo. Técnica individual Tática individual b. Tática de grupo (ou grupal) Normalmente, são desenvolvidas com a participação de dois ou três jogadores. Trata-se de um processo de decisão relacionado diretamen- te às ações de, no mínimo, mais de um jogador. c. Tática coletiva Momento em que os jogadores aplicam seu repertório técnico in- dividual, tático individual e de grupo em prol de determinado sistema de jogo, ofensivo ou defensivo. Nessas decisões, envolvem-se a coope- ração e a oposição, principais características do basquete. A eficácia dessa tática está relacionada à qualidade e ao desempenho de todas as técnicas. A tática coletiva nos permite aprofundar os estudos a respeito dos sistemas defensivos e ofensivos. Portanto, agora vamos direcionar nossos estudos para esses sistemas. É importante ter sempre em men- te que a defesa se inicia, imediatamente, quando a equipe ofensora perde a posse de bola. Sistema defensivo Há dois tipos de defesa: a individual e a por zona, que podem ainda se desdobrar em outras três: sob pressão, mista e combinada. Assim, pode-se afirmar que há cinco tipos de sistemas de defesa, vamos en- tender como cada uma delas funciona. 90 Metodologia do ensino de basquetebol • Defesa individual É a defesa básica mais antiga, que surgiu com o próprio esporte. Essa tática consiste em cada jogador marcar determinado atacante adversário. “Cole em seu jogador e siga seus movimentos, ficando sempre entre atacante e a cesta.” James Naismith A frase do criador do basquete deixa evidente o que se deve fazer quando a marcação individual for utilizada. Observe na Figura 8 como os defensores, em azul, se posicionam com relação aos seus atacantes. Figura 8 Defesa individual Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. Entre as variações da defesa individual, temos: • Simples: o defensor se posiciona de costas para a cesta e de frente para o atacante. • Visão orientada: o defensor se posiciona de costas para cesta e de frente para o atacante, mas direciona sua visão para a bola. • Ajuda: manter o olhar para bola e, no caso de outro atacante passar por um defensor, tentar impedir a penetração desse atacante. Deve retornar à marcação original assim que seu companheiro conseguir recuperar a posição original. • Flutuação: os defensores se posicionam do lado oposto da bola e deslocam-se em direção a um ponto imaginário central com o objeti- vo de impedir penetrações. Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 91 • Antecipação: defensores deverão realizar a leitura de jogo de modo que seja possível antecipar o passe. • Troca de marcação: manobra defensiva quando ocorre o corta-luz. Trouxemos, na Figura 9, algumas vantagens e desvantagens da de- fesa individual. Figura 9 Vantagens e desvantagens da defesa individual J irk a_ To m ek /S hu tte rs to k Desvantagens Vantagens • Facilita infiltrações. • Facilita movimentações de corta-luz. • Pode provocar elevado número de faltas. • Dificulta rebote defensivo. • Adaptável a qualquer tipo de ataque. • Dificulta passes e arremessos de meia e longa distância. Fonte: Elaborada pelo autor. • Defesa por zona Nesse formato de defesa é feita a marcação por áreas da quadra. A movimentação dos defensores em quadra é mediada pela movimen- tação da bola que está com o adversário. Para que seja uma defesa efetiva, é necessário bom treinamento em conjunto e boa comunicação entre os defensores. A marcação por zona permite que as deficiências sejam mascaradas, portanto, caso um jogador seja “falho” na defesa, a equipe pode compensar congestionando o setor. Para entender mais a respeito do posicionamento dos jogadores e as vantagens de cada variação, nos aprofundaremos um pouco mais nessa tática de defesa por zona. Há algumas variações desse tipo de defesa, que devem ser utilizadas de acordo com a necessidade de cada time e de cada partida. 92 Metodologia do ensino de basquetebol • 2 – 1 – 2: é uma defesa básica por zona, em que o objetivo é con- gestionar o garrafão a fim de dificultar as infiltrações adversárias. Veja na Figura 10 como deve ser feita a disposição de jogadores. Figura 10 Sistema de defesa por zona 2 – 1 – 2 Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. • 3 – 2: é o tipo de defesa que prioriza, exclusivamente, a proteção das laterais e da linha de 3 pontos. Figura 11 Sistema de defesa por zona 3 – 2 Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 93 • 2 – 3: é a defesa feita por zona que objetiva, especificamente, a proteção da cesta porbaixo. Figura 12 Sistema de defesa por zona 2 – 3 Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. • 1 – 3 – 1: essa defesa é feita em formato de “cruz” e tem como objetivo neutralizar equipes com dois pivôs responsáveis pelas movimentações. Essa marcação visa dificultar a movimentação desses pivôs, devido à linha com os três defensores ser centrali- zada, o que gera dificuldades de movimento no garrafão por cau- sa da alta ocupação dos defensores. Figura 13 Sistema de defesa por zona 1 – 3 – 1 Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Fonte: Elaborada pelo autor. 94 Metodologia do ensino de basquetebol Na Figura 14, trouxemos algumas vantagens e desvantagens do mé- todo de defesa por zona, para elucidar de modo mais compreensível e direto esses aspectos. Figura 14 Vantagens e desvantagens da defesa por zona J irk a_ To m ek /S hu tte rs to k Desvantagens Vantagens • Facilita a troca de passes. • Facilita os arremessos de média e longa distância. • Pode provocar acomodação dos marcadores longe da bola. • Áreas vulneráveis. • Facilita o rebote de defesa. • Facilita saídas para contra-ataque. • Dificulta o jogo próximo à cesta. • Facilita a volta organizada para a defesa. Fonte: Elaborada pelo autor. • Defesa sob pressão Nessa tática de defesa há dois jogadores marcando apenas um ata- cante com intensidade. Para que essa marcação seja efetiva, é necessá- rio aos jogadores que estão na defensiva uma boa condição física para suportar o ritmo. Esse tipo de defesa é mais utilizado quando preten- de-se eliminar uma diferença de pontos ou mudar o ritmo de jogo do adversário, surpreendendo-o. Ainda, a defesa sob pressão pode ser dividida em: individual, zonas, meia-quadra, três quartos da quadra e quadra toda. Veja, na Figura 15, as vantagens e desvantagens dessa tática de defesa. Figura 15 Vantagens e desvantagens da defesa sob pressão J irk a_ To m ek /S hu tte rs to k Desvantagens Vantagens • Maior chance de faltas pessoais. • Possibilidade de o ataque utilizar, de modo eficiente, atacantes sem marcação. • Fator surpresa, que pode ocasionar erros do adversário. • Possibilidade de o adversário alterar o ritmo de jogo. • Forçar ataque e realizar passes ou arremessos precipitados. Fonte: Elaborada pelo autor. Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 95 • Defesa mista Esse é o tipo de tática que utiliza dois sistemas de defesa simul- taneamente: a defesa individual e a defesa por zona. Veja, grafica- mente (Figura 16), como ocorre a disposição dos jogadores nesse tipo de defesa. Figura 16 Defesas mistas: box and one (A) e diamond and one (B) Fonte: Elaborada pelo autor. Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck A B Note que a defesa mista box and one se caracteriza por quatro de- fensores na zona de defesa posicionados de modo que se assemelha ao formato de uma caixa/box, enquanto apenas um jogador faz a mar- cação individualmente. O mesmo pode ser observado no formato dia- mond and one, com a diferença de que os quatro jogadores em zona estão posicionados no formato de um diamante, mas ainda mantendo somente um jogador na marcação individual. Outro tipo de defesa mista é o triângulo-dois. Nela, três jogadores marcam por zona – formando um triângulo –, enquanto outros dois fazem a marcação individualmente. A variação ocorre no formato do triângulo, que pode ser tradicional ou invertido, conforme a Figura 17. 96 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 17 Defesa triângulo-dois Fonte: Elaborada pelo autor. Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Ainda falando da defesa mista, temos a match-up, na qual quatro jogadores ficam organizados em zona enquanto um deverá sempre marcar individualmente algum adversário. A marcação individual de- verá ser no jogador que estiver em posse da bola e os outros devem permanecer organizados em zona, alterando a configuração cada vez que a bola mudar de posse/jogador durante o ataque. • Defesa combinada Esse tipo de defesa que utiliza dois ou mais sistemas distintos em momentos diferentes do ataque, por exemplo: a equipe se posiciona para marcar por zona (2-1-2) e, após determinada ação do ataque, to- dos os defensores passam a marcar individualmente. Como forma de fixação de conteúdo, elaboramos a Tabela 1 com as principais informações de cada um dos tipos de sistemas de defesa no basquete. Exercite os sistemas defensivos de maneira simples e se diver- tida por meio do aplicativo para celular Quadro Tático: Basquete! Dica Qual é a diferença entre as defesas mista e combinada? Atividade 2 Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 97 Tabela 1 Sistemas defensivos Tipos de defesa Individual Zona Sob pressão Mista Combinada Va ria çõ es Simples 2 – 1 – 2 Individual Box and one Variadas Visão orientada 2 – 3 Zonas Diamond and one Não há Ajuda 3 – 2 ½ quadra Triângulo-dois Não há Flutuação 1 – 3 – 1 ¾ da quadra Não há Não há Antecipação Não há Quadra com- pleta Não há Não há Troca de mar- cação Não há Não há Não há Não há Fonte: Elaborada pelo autor. Sistemas de ataque Os sistemas de ataque têm como base a tentativa de maximizar o objetivo principal do jogo: pontuar cestas no adversário e atacar a meta com máxima eficácia possível. Esses sistemas de ataque, comumente, ocorrem da seguinte forma: Figura 18 Ataque no basquete Vy ac he sl av ik us /S hu tte rs to ck Manutenção da posse de bola pelo maior tempo possível, desde que dentro das regras. Desequilíbrio da defesa adversária. Finalização. Fonte: Elaborada pelo autor. As fases mais importantes são as de desequilíbrio da defesa adver- sária e a de finalização, pois no basquete há restrição de tempo de posse de bola (24 segundos ou 14 segundos após um rebote ofensivo). Por isso, o ataque deve ser finalizado de modo eficiente e simples. 98 Metodologia do ensino de basquetebol No ataque, temos duas possibilidades: 1. Ataque sustentado (ou posicionado): ocorre quando todos os atacantes estão ocupando suas posições na quadra ofensiva de acordo com o sistema a ser utilizado e a defesa se iguala numericamente (5x5), também em sistemas organizados. Para o ataque posicionado, a criação de espaço é um aspecto fundamental, pois permite melhores condições para o arremesso. 2. Contra-ataque: tem origem na quadra defensiva, após a recuperação da posse de bola, progredindo em direção ao cesto adversário na tentativa de obter vantagem numérica. Um contra-ataque pode ocorrer com rebote defensivo, lateral na quadra defensiva, bola ao alto, reposição de bola no fundo após cesta do adversário ou interceptação de um passe. Os sistemas de ataque representam uma multiplicidade de opções e, em razão disso, não apresentam uma classificação bem definida con- forme os sistemas de defesa. É importante ressaltar que não há parti- cipação tática em todas as ações de ataque no basquete, uma vez que criar espaços para arremessos pode ser consequência de uma ação individual ou grupal. Fatores como número de pivôs (simples, duplo ou triplo), posiciona- mento inicial dos atacantes (1-3-1, 1-4, 2-3) e rotatividade influenciam o modo como a equipe atacará. Observe na Figura 19 os formatos de ataque de acordo com o número de pivôs. Figura 19 Situação de ataque dependendo do número de pivôs Fonte: Elaborada pelo autor. Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck Simples Duplo Triplo P P P P P P Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 99 Apesar de não apresentarem uma classificação bem definida, al- guns princípios podem ser utilizados para elaboração de um ataque: • organização; • movimentação ordenada; • rebote ofensivo; • equilíbrio defensivo; • continuidade. A organização consiste em movimentações que dependem dos se- guintes aspectos: observar o tipo de defesa da equipe adversária (in- dividual, zona, sob pressão, mista ou combinada);e a disposição dos atacantes de acordo com suas características físicas e técnicas. A movimentação ordenada tem como finalidade colocar um jogador em boas condições de arremesso. No entanto, após o arremesso há a possibilidade de o jogador gerar um rebote ofensivo, tornando impor- tante a organização de quais atacantes disputarão essa bola (rebote ofensivo). Ao mesmo tempo em que ocorre o rebote ofensivo, a equipe tem a necessidade de retornar para a defesa, portanto, deve-se deter- minar quem serão os jogadores que se preocuparão com a volta para essa zona. Em caso de o arremesso não acontecer, é necessário que o sistema de ataque continue sua movimentação, caracterizando o prin- cípio da continuidade. Além disso, há estratégias ofensivas que objetivam a criação de es- paços para melhores condições de arremesso: são as ações táticas em grupo. A primeira delas é o pick and roll. Essa é uma jogada em dupla, em que um atle- ta (geralmente um pivô ou um ala) faz um bloqueio (corta-luz) no marcador do seu companheiro que está driblando (normalmente um armador). Outra estratégia utilizada é o pick and pop. Nela, em vez de o jogador que faz o corta-luz ou bloqueio girar para receber a bola em direção à cesta, ele se posiciona (pop) para arremessar de uma longa distân- cia. Também é uma estratégia ofensiva em que fre- quentemente acontece um arremesso da linha dos 3 pontos. Figura 20 Armador livre após pick and roll Erik Sevilla Estrada. Quais são as possibilidades de ações táticas no basquetebol? Atividade 3 100 Metodologia do ensino de basquetebol Em suma, os sistemas de defesa e ataque nas ações táticas coletivas podem ser separadas em: • Individual • Zona • Sob pressão • Mista • Combinada • Ataque sustentado • Contra-ataque Defesa Ataque 4.4 Aspectos psicológicos Vídeo Apesar de o basquetebol ser um esporte coletivo, é praticado por indivíduos. Consequentemente, há influências e interações da equipe no indivíduo, bem como do indivíduo na equipe, resultando em situa- ções complexas e interessantes. Embora os aspectos físicos, táticos e técnicos tenham reconhecida importância e sejam por vezes mais va- lorizados, os aspectos psicológicos são tão valiosos quanto os demais. Figura 21 Componentes do rendimento esportivo no basquetebol Ab er t/ Sh ut te rs to ck Componentes do rendimento esportivo no basquete Habilidades táticas Habilidades técnicas Capacidades físicas Habilidades psicológicas Fonte: Elaborada pelo autor. Os aspectos psicológicos no basquetebol são analisados sob a pers- pectiva da psicologia do esporte e do exercício. Essas são subáreas da educação física e da psicologia. A psicologia do esporte é um campo de Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 101 conhecimento e de prática profissional que ainda precisa justificar sua importância no meio esportivo, principalmente no alto rendimento. A psicologia do esporte busca entender a influência dos fatores psi- cológicos sobre o desempenho de atletas, por exemplo: de que modo a ansiedade afeta o desempenho de um jogador cobrando lance livre, ou como o estresse influencia a tomada de decisão do jogador. Há tam- bém a psicologia do exercício, que analisa quais são os efeitos do exer- cício físico sobre os aspectos psicológicos de praticantes, sendo que o exercício em questão pode ser por meio da prática do próprio esporte (WEINBERG; GOULD, 2017). É por meio desses estudos que investigam-se aspectos como a an- siedade, o estresse, a motivação, o humor, o burnout, entre outras va- riáveis. Na Figura 22, trouxemos essas variáveis citadas em um formato diferente: as palavras com tamanho maior indicam maiores pesquisas delas relacionadas diretamente aos esportes coletivos. Figura 22 Variáveis da psicologia do esporte Qualidade de vida Abandono Imagem corporal Autoeficácia Burnout Overtraining Saúde mental Personalidade Perfil psicológico Agressividade Ativação Treinamento mental Autoconfiança estilo parental Depressão Bem-estar Flow-feeling Competência Perfeccionismo Autoconceito Resiliência Relação treinador-atleta Emoções Tempo de reação Coesão Tomada de decisão Motivação Estresse Ansiedade Meta de orientação Relaxamento Prazer no risco Transtorno alimentar Humor Coping Liderança Percepção Psicologia do esporte Orientação esportiva Satisfação Fonte: Elaborada pelo autor com base em Dominski et al., 2018. Na ciência, de acordo com publicações relacionadas à psicologia no esporte, o basquete é a terceira modalidade mais investigada, e uma das variáveis que mais surgem em pesquisas relacionadas é o fator do estresse. Na ótica da psicologia do esporte, de acordo com De Rose Jr. e Tricoli (2017), o rendimento máximo é atingido quando há melhora significa- Aprofunde seus conhe- cimentos a respeito das variáveis da psicologia do esporte e do exercício com a leitura do livro Fundamentos da Psicologia do Esporte e do Exercício, de Robert S. Weinberg e Daniel Gould. WEINBERG, R. S.; GOULD, D. 6. ed. São Paulo: Artmed, 2017. Livro https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_ebooks_1?ie=UTF8&field-author=Robert+S.+Weinberg&text=Robert+S.+Weinberg&sort=relevancerank&search-alias=digital-text https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_ebooks_2?ie=UTF8&field-author=Daniel+Gould&text=Daniel+Gould&sort=relevancerank&search-alias=digital-text 102 Metodologia do ensino de basquetebol tiva da atividade total da consciência e com maior velocidade das rea- ções motoras, o que implica melhor desempenho nos fundamentos. Por exemplo: os processos de percepção são otimizados, assim como há maior atenção e elevada capacidade de realizar esforços voluntários máximos. As intervenções relacionadas à psicologia em uma equipe de bas- quete devem ser realizadas por psicólogos do esporte, sendo que essas podem ser classificadas em: (1) para o indivíduo; e (2) para a equipe. É importante ter em mente que as consequências das intervenções po- dem ter influência dentro e fora da quadra de basquete, uma vez que esses jogadores são seres humanos. Entre as situações individuais e que envolvem aspectos psicológi- cos, podemos citar a falta de confiança no arremesso de lance livre, o mau desempenho de arremessos durante uma partida, a ansiedade excessiva, a falta de espírito esportivo que implica má conduta e postu- ra em quadra, a incapacidade de esquecer um desempenho ruim em determinado jogo e as preocupações com a relação treinador-jogador. Por esse motivo, o desenvolvimento emocional do atleta é objetivo principal de uma intervenção psicológica no esporte. Com relação aos possíveis problemas coletivos, ou seja, dentro da equipe, estão: expectativas inadequadas de desempenho da equipe, moral reduzida, problemas de comunicação entre os jogadores e entre a comissão técnica, além de coesão de equipe. A preparação psicológica como componente do treinamento espor- tivo no basquete pode ser dividida com base em outros componentes: físicos, técnicos e táticos. A seguir, vamos entender como os aspectos psicológicos atuam em cada uma dessas dimensões. Psicologia na preparação física Quem pensa que o atleta precisa apenas jogar muito bem o espor- te, focado exclusivamente na técnica, sem pensar e refletir a respeito de outros aspectos, está equivocado. A conscientização do atleta so- bre conceitos e representações das capacidades físicas é fundamen- tal. Considerando as principais capacidades físicas – força, velocidade e resistência –, identificaremos os elementos psicológicos que os jo- gadores devem perceber quando estiverem utilizando determinada capacidade física. Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 103 A velocidade é fator fundamental no basquete, sendo determi- nada pela duração e pelo ritmo no momento da execução de algum movimento, como o arremesso. Já os esforços musculares extremos envolvem a aplicação de força, como nos saltos para um rebote; e a resistência não tem umaexpressão evidente da estrutura psicológica. Tais percepções dessas principais capacidades do basquete requerem um elevado grau de atenção do jogador, uma vez que a autorregulação das funções potencializa o rendimento do atleta e, consequentemente, aumenta a consciência sobre os diversos aspectos que têm influência no jogo. Psicologia na preparação técnica Os processos de reação aos estímulos externos em um jogo de bas- quete são interessantes, visto que influenciam as ações técnicas da partida. Um exemplo disso é quando um jogador que está preparado para arremessar percebe o risco de um bloqueio e, instintivamente, realiza um passe que pode servir de assistência para a cesta de um colega. Os aspectos de adequação à realidade – objetivo, volume, am- plitude e velocidade de execução – são importantes na estrutura psico- lógica da técnica. Os sentidos de tempo, de espaço e da bola também são essenciais para as percepções no basquete. A conscientização dos gestos técnicos nesse esporte é peculiar, uma vez que a variabilidade é muito grande devido à imprevisibilidade do jogo. São fatores que justificam a cons- cientização dos movimentos técnicos: • Formação de automatismos flexíveis dos movimentos. • Aprimoramento da capacidade de variação, combinação e adap- tação do comportamento motor. Existem várias técnicas utilizadas para o treinamento psicológico, entre elas: técnicas de motivação; de redução da ansiedade; de melho- ra da ativação, de concentração, de autoconfiança, de relaxamento e de gerenciamento do estresse. Com o propósito de aprimorar o desempenho dos jogadores, a técnica de mentalização pode ser utilizada. Essa prática consiste em simular mentalmente as experiências vividas dentro do esporte. 104 Metodologia do ensino de basquetebol Vamos pensar o principal fundamento do basquete: o arremesso. O arremesso de lance livre é o principal alvo de estudos na ciência, se considerada a influência da mentalização. Vamos fazer um exercício? Exercite com você mesmo a simulação da execução de um lan- ce livre. Para isso, feche os olhos e imagine desde o árbitro entre- gando a bola para você, a realização de alguns dribles com a bola no chão, o modo como segura a bola com as mãos, o posiciona- mento dos pés, a respiração, a elevação dos membros inferiores para a posição do arremesso, a soltura da bola, o acompanha- mento visual da bola até a cesta e o resultado. Além disso, nessa prática, podem ser imagina- dos a quadra, o aro, a linha de lance livre, os compa- nheiros de equipe, os adversários, os espectadores, a cor, a textura, o formato e o tamanho da bola. Isso faz com que todos os sentimentos corporais sejam associados à habilidade e às emoções que podem ser sentidas durante uma partida. Essa prática pode ser realizada no ambiente de treinamento ou durante situações de jogo. A eficá- cia da mentalização na aprendizagem de habilida- des e na melhoria do desempenho é sustentada por diversas pesquisas científicas. Por esse motivo, psicólogos do esporte têm incorporado, regular- mente, práticas de mentalização nos programas de treinamento espor- tivo de muitas modalidades. Contudo, para que esses tratamentos sejam eficazes, é importan- te realizá-los com cuidado e progressivamente, uma vez que grande quantidade de informações fornecidas aos atletas pode resultar em di- ficuldade de concentração nos elementos-chave da tarefa. Psicologia na preparação tática Adotar rapidamente uma decisão tática eficiente é o principal obje- tivo do trabalho psicológico na preparação tática. No entanto, essa não é uma tarefa fácil no basquete. Thomson200/ wikimedia commons Assista a Hoop Dreams, um dos melhores docu- mentários já feitos sobre basquete! Essa produção aborda temas como o esporte, família e dife- renças raciais. Você pode enriquecer suas aulas ou mesmo compartilhar com os alunos, dependendo da faixa etária. Direção: Steve James. Estados Unidos: Kartemquin Films, 1994. Filme Aspectos técnicos, físicos, táticos e psicológicos dos jogadores 105 A velocidade do pensamento tático é um aspecto diferenciado de grandes atletas, pois indica que eles estão aptos a perceber as varian- tes das situações de jogo. Ao ter essa percepção mais aguçada é possí- vel calcular probabilidades de mudança e tomar decisões rápidas e eficientes. Esse resultado é considerado uma boa percepção tática por parte do jogador. Vamos pensar a prática: um jogador, ao receber uma bola em si- tuação de ataque, verifica como estão seus companheiros, seus adver- sários e ele mesmo. Com base nessa percepção, ele pode escolher a decisão mais adequada entre passar a bola, arremessar ou driblar. A decisão resultante da situação está diretamente relacionada à resolu- ção de problemas do jogo de basquete. Por esse motivo, o desenvolvimento de habilidades psicológicas de autocontrole é fundamental para manter um jogador capaz de tomar de- cisões mesmo em situações de elevada pressão. Isso porque, indepen- dentemente de ser atleta ou aluno, se esse indivíduo mantiver seu estado psicológico em desequilíbrio e com altos níveis de ansiedade, pode ser impossibilitado de perceber efetivamente alguma situação de jogo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tanto um programa de treinamento para jogadores de elite quanto de iniciação esportiva devem levar em consideração os aspectos físicos, téc- nicos, táticos e psicológicos de seus participantes. Esses fatores não são dissociados no fenômeno esportivo, embora ainda seja notada a baixa importância dada ao trabalho psicológico. O profissional de educação física em suas aulas ou treinos deve consi- derar o amplo espectro dos fatores atuantes na prática do basquete: físi- cos, técnicos, táticos e psicológicos, abordando-os de maneira equilibrada e consciente. REFERÊNCIAS BOMPA, T. O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. Phorte, 2002. DE ROSE JR., D.; PINTO FILHO, T.; CORREA NETO, W. Minibasquetebol na escola, 2015. DE ROSE JR., D., & Tricoli, V. Basquetebol: do treino ao jogo. Manole, 2017. 106 Metodologia do ensino de basquetebol DOMINSKI, F. H., VILARINO, G. T., COIMBRA, D. R., SILVA, R. B., ORLEANS CASAGRANDE, P. de., & ANDRADE, A. (2018). Análise da produção científica relacionada à psicologia do esporte em periódicos das ciências do esporte de língua portuguesa. Journal of Physical Education, 29(1). OKAZAKI, V. H., RODACKI, A. L., SARRAF, T. A., DEZAN, V. H., & OKAZAKI, F. H. (2008). Diagnóstico de especificidade técnica dos jogadores de basquetebol. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, 12(4), 19-24. SCHELLING, X.; TORRES-RONDA, L. Conditioning for basketball: Quality and quantity of training. Strength & Conditioning Journal, v. 35, n. 6, p. 89-94, 2013. WEINBERG, R. S; GOULD, D. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício, 4. ed. 2017. ZIV, G.; LIDOR, R. Physical attributes, physiological characteristics, on-court performances and nutritional strategies of female and male basketball players. Sports Medicine, v. 39, n. 7, p. 547-568, 2009. GABARITO 1. As posições no basquete são: armador, ala-armador, ala, ala-pivô e pivô. 2. A diferença se dá basicamente na dinâmica da defesa, pois ambos misturam tipos de defesa. No entanto, na defesa combinada há a utilização de dois ou mais sistemas distintos em momentos diferentes do ataque, dentro de uma mesma jogada, conside- rando o período de 24 segundos, por exemplo. 3. As ações táticas no basquete se classificam como individuais, grupais e coletivas. Possibilidades do basquetebol 107 5 Possibilidades do basquetebol Ao longo deste capítulo estudaremos as regras 3x3 do basque- tebol, a qual hoje é uma modalidade que faz parte, oficialmente, do programa esportivo das Olimpíadas. Além disso, analisaremos as possibilidades de ensino desse esporte – como o basquetebol adaptado –, considerando sua história, suas características e suas regras. Ademais, traremos uma proposta de ensino e desenvol- vimento relacionada ao mini-basquetebol, quepode ser aplicado nas escolas durante as aulas, de acordo com a faixa etária de cada criança. Vamos lá? 5.1 Regras oficiais do basquetebol 3x3 Vídeo A modalidade do basquete 3x3 tem regras próprias, sendo algumas delas diferentes do método tradicional. Geralmente o 3x3 é jogado em quadras abertas e com tamanho reduzido, bem como o número de ta- belas é diferente. Em vista disso, para que as regras não se confundam e sejam facilmente compreendidas, há um livro específico que abor- da algumas situações em que a aplicação das regras é feita de modo diferente. As Regras do Jogo de Basquete Oficiais da FIBA são válidas para todas as situações de jogo não especificamente mencionadas nas diretrizes do 3x3. Devido a essas diferenças específicas, nesta seção conheceremos quais são as regras da modalidade 3x3 e a sua aplicabilidade. As equipes são formadas por quatro jogadores, sendo três titula- res e um reserva. Eles jogam frente a frente e utilizam meia quadra, a qual tem dimensões de 15 m de largura por 11 m de comprimen 108 Metodologia do ensino de basquetebol to (Figura 1). Apesar desse espaço no formato 3x3 nos remeter à metade de uma quadra de basquetebol tradicio- nal, ela possui 3 m de comprimento a menos. Para o início do jogo é obrigató- ria a presença dos três jogadores titula- res, mas caso alguma das equipes não esteja completa no horário estabeleci- do, perderá por W.O. A bola utilizada também é diferen- te: tem tamanho 6 e um design urba- no, com fissuras para maior aderência às mãos e à prova de intempéries 1 . Os oficiais de jogo são sempre um ou dois árbitros, contando ainda com os marcadores de tempo e o placar (um para cada função, respectivamente). Para o início de jogo, o procedimento é o cara ou coroa. Um fato curioso aqui é o de que o vencedor decide se fica com a bola no início da partida ou na prorrogação, caso seja necessário. Além do cara ou coroa, existe um procedimento diferente chamado check-ball, este pode ser utilizado para decidir qual dos times iniciará a partida ou de quem será a posse após a bola ser perdida, seja pelo fundo ou pelas laterais. Quanto ao tempo de jogo, há apenas um tempo (período) de 10 minutos. No entanto, a primeira equi- pe que marcar 21 pontos ou mais, independentemen- te se em tempo inferior aos 10 minutos, vencerá o jogo. Em caso de empate, um período extra – prorro- gação – deverá ser jogado e a primeira equipe a mar- car dois pontos ganhará. A contabilização de pontos no 3x3 também é diferente, sendo considerados um ou dois pontos por cesta. Vejamos algumas regras a respeito dessa contabilização. Figura 1 Quadra de basquete 3x3 lu m ya i I s we et /S hu tte rs to ck 15 m 11 m A bola deve ser projetada para ter boa aderência, mesmo com fatores climáticos diversos, como chuva, vento etc. 1 Figura 2 Bola especial do formato 3x3 Sa nd ro H al an k/ W ik im ed ia C om m on s Possibilidades do basquetebol 109 • Todo arremesso considerado dentro do arco deverá ser contabilizado como um ponto. • Todo arremesso atrás do arco deverá ser contabilizado como dois pontos. • Todo arremesso de lance-livre convertido deverá ser contabilizado como um ponto. Fonte: FIBA, 2019. Em relação às faltas, uma equipe será julgada em situação de pena- lidade após ter cometido seis faltas. Para as faltas posteriores serão sempre concedidos dois lances-livres à equipe não penalizada. Contu- do, a partir da décima falta, serão concedidos dois lances-livres e a pos- se de bola para a equipe adversária. Um fator que proporciona alta dinâmi- ca ao formato 3x3 é o de que na sequên- cia de cada cesta o jogo recomeça, seja por meio de dribles ou com o passe da bola diretamente de dentro da quadra e o jogador posicionado embaixo da cesta (não atrás da linha de fundo), ou seja: o jogo não para. Nesse reinício, enquanto o atleta estiver na área do semicírculo e embaixo da cesta, a equipe de defesa não poderá tentar roubar a bola. Já o tempo para a posse de bola e para o arremesso de uma equipe é de 12 segundos. Em situações de arremesso não convertido, em que a mesma equipe (de ataque) recupera a posse de bola por meio de um rebote, é permitido conti- nuar a tentativa de pontuação sem a ne- cessidade de retornar a um local atrás do arco. No caso de a equipe de defesa ganhar o rebote, deve-se iniciar a jogada de um local atrás do arco, passando ou driblando. Outra regra que se diferencia do basquete convencional é que nes- sa modalidade não existem os pedidos de tempo. No entanto, mesmo Figura 3 Retorno de bola Jogadora retornando com a bola para um local atrás do arco após rebote defensivo. Sa nd ro H al an k/ W ik im ed ia C om m on s 110 Metodologia do ensino de basquetebol sem esse recurso, os árbitros podem interrom- per o jogo em caso de lesão ou de situações que venham a prejudicar o andamento da partida. Em circunstâncias como essas, o cronômetro do jogo deve ser parado, bem como em ocorrências de bola morta e lances-livres. Porém, para o trabalho no formato 3x3 com crianças abaixo de 12 anos, isto é, até o 7º ano do ensino fundamental, em ambiente escolar, algu- mas adaptações nas regras podem ser realizadas. A seguir temos algumas delas: • Redução da altura da cesta para 2,60 m. • Não há necessidade do uso de relógio para arremessos, ou seja, se um time não estiver ata- cando a cesta suficientemente, o árbitro pode dar uma advertência contando os últimos 5 segundos. • Situações de penalidade não se aplicam. Desse modo, as faltas são seguidas por check-ball; exceto aquelas no ato do arremesso, faltas técnicas e fal- tas antidesportivas. • Não é necessário conceder tempos técnicos e, em caso de prorrogação, o primeiro time a pontuar é o vencedor. Para conhecer melhor essa modalidade, trouxemos aqui um breve histórico. O cenário inicial de surgimento do basquetebol contribuiu para que o jogo também fosse desenvolvido em outros contextos. Em vista disso, a ori- gem do esporte 3x3 está relacionada diretamente à prática do basquete de rua, chamado streetball, que teve início ao final dos anos 1980, nas ruas dos Estados Unidos. A partir daí, o basquete 3x3 pôde ser formalmente conhecido 2 como FIBA 33 e, ao proporcionar um “visual urbano”, diferente do que já conhe- cíamos no basquete tradicional, trouxe consigo uma nova possibilidade de expansão da prática do esporte em todo o mundo. Dessa forma, a po- pularização só aumentou, culminando na institucionalização pela FIBA, a qual testou a modalidade em uma competição no ano de 2007, nos Jogos Asiáticos, que aconteceram em Recinto Coberto, Macau. Já no ano de 2010, o formato 3x3 teve sua primeira aparição nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura. (Continua) Figura 4 Basquete 3x3 Ha rri so n Ha in es /P ex el s. Não há registros datados de quando, especificamente, a prática foi formalmente reconhe- cida. Estima-se que seja próxima ao final dos anos 1980. 2 Possibilidades do basquetebol 111 A inclusão da modalidade nas competições oficiais foi um sucesso e, com isso, aconteceu a criação de competições mundiais de basquete 3x3. A primeira edição do evento foi em 2012, na cidade de Atenas (Grécia) e contou com a participação da equipe brasileira em dois naipes. Desde então, vários eventos da categoria têm sido realizados e, em 2017, o Comitê Olímpico Internacional (COI) oficializou o 3x3 como modalidade olímpica, junto ao beisebol, ao softbol, à escalada espor- tiva, ao caratê, ao surfe e ao skate. on ei nc hp un ch / S hu tte rs to ck Vamos relembrar algumas características do basquete e compará-las ao 3x3? Vejamos o Quadro 1. Regra 3x3 Basquetebol Quadra Menos da metade (15 m x 11 m) Completa (28 m x 15 m) Cestas 1 2 Jogadores titulares 3 5 Jogadores reservas 1 7 Tempo de jogo 1 x 10 minutos 4 x 10 minutos Tempo para arremesso 12 segundos 24 segundos Início de jogo Sorteio e check-ball Bola ao alto Reposição Por meio de check-ballFora da quadra Fim de jogo 21 pontos ou 10 minutos Após 4 tempos de 10 minutos ou prorrogação Prorrogação Até a equipe marcar 2 pontos Equipe com mais pontos ao fim de 5 minutos Valor das cestas 1 ou 2 pontos 2 ou 3 pontos Após pontuação de cesta Não há pausa Reposição no fundo de quadra Quadro 1 3x3 comparado ao basquetebol. Fonte: Elaborado pelo autor com base em FIBA, 2020. O streetball tem como objetivo, além de pontuar, realizar dribles “mais bonitos”, ou seja, melhor executados que os do adversário. Um show de habilidades com a bola é o aspecto diferencial do streetball. Curiosidade naipes: no basquetebol, é o modo de se referir às categorias femininas e às masculinas. Glossário 112 Metodologia do ensino de basquetebol O basquete 3x3 também possui um ranking que leva em conside- ração o desempenho individual de cada jogador. O Ranking Mundial Individual FIBA 3x3 é calculado com base nos nove melhores resultados de eventos patrocinados pela FIBA e disputados nos últimos 12 meses. O número de pontos ganhos por um jogador em um evento depen- de da importância deste na competição, dos resultados da equipe, da pontuação individual do jogador e do desempenho estatístico (quando registrado). No Brasil, existe a Associação Nacional de Basquete 3x3 (ANB 3x3), fundada em 2007 por atletas de basquetebol que, desde 2012, possui contrato de chancela com a Federação Internacional de Basketball (FIBA 3x3). Vamos conhecer, agora, algumas evidências científicas recentes so- bre a modalidade? A ciência sobre o basquete 3x3 Os jogos de basquete 3x3 exigem movimentos inerciais de alta velocida- de em distâncias limitadas, criando uma resposta fisiológica relativamente alta (MONTGOMERY; MALONEY, 2018). Dessa forma, evidencia-se que os profissionais envolvidos nessa modalidade precisam ter foco no desenvolvi- mento de características que melhorem o desempenho dos atletas. Conforme pesquisas, ele é caracterizado por ações constituídas de fases de curta duração, em que a relação de trabalho-descanso deve ser de 1:1 (CONTE et al., 2017). A análise da demanda fisiológica dos jogadores nessa modalidade demonstrou uma frequência cardíaca média de jogo de 165 e 164 batimentos por minuto para homens e para mulheres, respectivamente (MONTGOMERY; MALONEY, 2018). Foi possível compreender, até aqui, a origem do basquete 3x3 e como devem ser aplicadas as regras dele. É importante ter em mente que, em situações nas quais elas não estão registradas no manual es- pecífico, devem-se seguir as normas do basquetebol tradicional. 5.2 Possibilidades de aplicação do 3x3 Vídeo Apesar de olímpico, o basquete 3x3 é muito recente, uma vez que foi considerado oficialmente a nível mundial pela FIBA apenas em 2010. Em vista disso, muitos ainda desconhecem a modalidade e suas possibilidades de aplicação, ou mesmo as diferenças em relação ao basquete tradicional. Mesmo sendo bastante similar ao tradicional, é necessário, além de Para um acompanhamento individual, cada jogador pode se registrar em: play.fiba3x3. com e ter seu próprio ranking, o qual evolui de acordo com os resultados em eventos da FIBA. Nesse acompanhamento, é possível que o jogador compare suas habilidades com amigos, jogadores amadores e profissio- nais de todo o mundo. Saiba mais Quais são as principais diferenças entre o basquetebol tradicional e o basquete 3x3? Atividade 1 Possibilidades do basquetebol 113 conhecer essas diferenças, compreender as oportunidades que essa “nova” modalidade pode proporcionar. Aprofundaremos a partir da- qui algumas possibilidades de aplicação e de ensino para as aulas de Educação Física. O alto grau de imprevisibilidade, o formato simples, rápido, dinâmi- co e democrático, envolvendo esporte e arte – uma vez que constan- temente há presença de DJs –, cultura urbana e grafite, são aspectos marcantes da categoria. Quando falamos de simplicidade, a relaciona- mos diretamente às seguintes características: uso de apenas um aro e de metade da quadra, com duas equipes de três jogadores e um substi- tuto, bem como tempo reduzido para 10 minutos de jogo. Desse modo, não é necessária uma quadra poliesportiva completa para a prática, uma vez que um simples espaço pode ser adaptado, como o pátio da própria escola. Vamos entender como pode ser feita a demarcação da quadra, ou do espaço, para a prática do 3x3 dentro da escola. Na prática Para delimitar a quadra de basquete 3x3, podemos assumir como base a linha de três metros do voleibol, que será a linha de fundo oposta à tabela. É importante utilizar essa referência, pois, se assumirmos metade da quadra completa, ela ficará com 14 m, não com 11 m. Além disso, ao utilizar uma quadra poliesportiva, suas possibilidades para o desenvolvimento do basquete 3x3 aumentam, uma vez que os dois lados da quadra podem ser utilizados simultaneamente permitindo que mais equipes joguem. Figura 5 Limite a ser utilizado para adaptar uma quadra de basquete 3x3. Ax el W ol f/ Sh ut te rs to ck Há, também, a diversidade de problemas táticos nessa modalida- de, que proporciona ao praticante exercitar sua autonomia quanto às estratégias de jogo. Essa liberdade só é possível devido à elevada oportunidade de envolvimento nas ações de jogo com e sem bola. 114 Metodologia do ensino de basquetebol A participação ativa durante uma partida 3x3 é maior se comparada ao 5x5, visto que a equipe contém somente você e mais dois colegas. Durante as aulas de Educação Física, geralmente, o tempo é reduzi- do, ou seja, há uma ou duas aulas semanais que acontecem em um pe- ríodo de 40 a 50 minutos cada. Por esse motivo, a aplicação do esporte pode contribuir para a participação ativa dos alunos, por ser uma prática altamente dinâmica e democrática. Muitas vezes, ao aplicar o basquete tradicional, alguns alunos podem ter poucas chances de participação, o que resulta em poucas oportunidades de sucesso em suas ações e menor percepção de competências e de habilidades. Isso pode influenciar a mo- tivação com relação à participação, não somente nas aulas de Educação Física, mas na prática de atividades esportivas em geral. O basquete 3x3 pode ser considerado tanto uma versão reduzida do tradicional – sendo trabalhado nas aulas de Educação Física como um jogo pré-desportivo (estratégia de ensino) –, quanto um jogo formal completo. Para isso, o professor deve avaliar o contexto de aplicação, seu público, o nível de entendimento, a habilidade, o condicionamento dos alunos e os objetivos para tomar uma decisão assertiva de como trabalhar esse formato. Além disso, é importante proporcionar aos alunos um ambiente de ensino que valorize as relações sociais, incentive o engajamento nas atividades e estimule a participação ativa no esporte. Um diferencial para auxiliar esse engajamento é utilizar a música como aliada, uma vez que o hip-hop é uma característica marcante e está sempre presen- te nas partidas do basquete 3x3. Outro fator importante a ser abordado aqui é que o basquete 3x3 também é inclusivo, pois há um direcionamento da modalidade para pessoas com deficiência física, conhecido como basquete 3x3 em cadeira de rodas. Assim como no basquetebol adaptado, os jogadores recebem uma pontuação de acordo com o nível de deficiência. Desse modo, não é permitida a participação de uma equipe cujo valor total de pontos exceda o limite de 8,5: essa pontuação varia de 1 a 4,5, ou seja, a soma de pontos dos três jogadores não deve ultrapassar 8,5. As demais re- gras são semelhantes ao basquete em cadeira de rodas convencional, as quais estudaremos a seguir. O filme One in a Billion conta a jornada de Satnam Singh Bhamara em busca do sonho de tornar-se o primeiro joga- dor de basquete indiano a competir na NBA. Esse filme está disponível em diversas plataformas de streaming de vídeo. Direção: Roman Gackowski. Estados Unidos: OBB Pictures; RGTV, 2016. Filme Quais são as possibilidades de aplicação do basquete3x3? Atividade 2 https://www.imdb.com/name/nm7268004/?ref_=tt_ov_dr Possibilidades do basquetebol 115 Figura 6 Basquete 3x3 em cadeira de rodas An dr ew M cM ur tri e/ Pe xe ls É importante compreender de que forma ocorre essa prática e adaptá-la ao contexto escolar. Trazer um pouco da vivência do basque- tebol adaptado para pessoas com deficiência é um modo de elucidar os alunos sobre a inclusão em todos seus formatos, inclusive na prática de esportes. Proporcionar um ambiente de aprendizado ao aluno que tor- ne a prática agradável e eficaz é uma maneira de despertar o interesse para qualquer tipo de esporte. Para compreender mais a respeito das regras e de como ocorre o jogo de basquete 3x3 em cadeira de rodas, é importante ler o Manual da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas. Disponível em: http:// basquete3x3.com.br/wp- content/uploads/2019/05/ Regras-do-basquete-3x3- atualiza%C3%A7%C3%A3o- de-2019.pdf. Acesso em: 09 nov. 2020. Livro 5.3 História, regras e características do basquetebol adaptado Vídeo O basquetebol convencional adaptado para pessoas com deficiência é uma excelente oportunidade para trabalhar a inclusão nos esportes, prin- cipalmente, no contexto escolar. Nesse sentido, aprofundaremos, nesta seção, os conhecimentos a respeito do basquete em cadeira de rodas. Essa modalidade começou a ser praticada, inicialmente, por ex-sol- dados do exército norte-americano, devido aos ferimentos causados durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945. O esporte como ferra- menta de inclusão social é exacerbado nesse cenário em razão do po- tencial de reinserção do indivíduo na sociedade, no qual se objetiva http://basquete3x3.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Regras-do-basquete-3x3-atualiza%C3%A7%C3%A3o-de-2019.pdf http://basquete3x3.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Regras-do-basquete-3x3-atualiza%C3%A7%C3%A3o-de-2019.pdf http://basquete3x3.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Regras-do-basquete-3x3-atualiza%C3%A7%C3%A3o-de-2019.pdf http://basquete3x3.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Regras-do-basquete-3x3-atualiza%C3%A7%C3%A3o-de-2019.pdf http://basquete3x3.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Regras-do-basquete-3x3-atualiza%C3%A7%C3%A3o-de-2019.pdf http://basquete3x3.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Regras-do-basquete-3x3-atualiza%C3%A7%C3%A3o-de-2019.pdf 116 Metodologia do ensino de basquetebol dar-lhes um propósito e auxiliá- -los no processo de reabilitação. No entanto, não há um registro que confirme a data inicial dessa prática. Em vista disso, considera-se que o basquete em cadeira de ro- das teve início nos Estados Unidos e esteve presente em todas as edições dos Jogos Paraolímpicos, desde 1960, em Roma, na Itália. A modalidade feminina foi inserida em 1968, na cidade de Tel Aviv-Yafo, em Israel. Atualmente, o basquete em cadeira de rodas é o esporte mais proeminente dos Jogos Paralímpicos. O Brasil participa das Paraolimpíadas desde 1972, na modalidade masculina, e desde 1996, na feminina; porém, ambas as seleções bra- sileiras ainda não conquistaram medalhas paralímpicas. As melhores colocações brasileiras nessa modalidade foram o quinto lugar, no mas- culino; e o sétimo, no feminino, as duas conquistadas nas Olimpíadas de 2016, realizadas no Rio de Janeiro. A Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF) é a organização oficial do esporte, sendo a responsável por adaptar e padronizar as cadeiras utilizadas pelos jogadores. Já a Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC) é a entidade que administra a modalidade em nosso país. Nele, a prática teve iní- cio a partir do ano de 1958, no Rio de Janeiro, em que por meio do trabalho de Robson Sampaio de Almeida, ex-atleta da modalidade, e o técnico Aldo Miccolis, o basquete em cadeira de rodas teve sua pri- meira apresentação no Clube do Otimismo. Já o primeiro jogo oficial no Brasil ocorreu entre as equipes paulista e carioca, no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, em que a equipe paulista venceu. Apesar dos muitos tipos de deficiências motoras presentes nessa modalidade, para melhor organização optou-se por dividi-las em duas classes: deficiências neurológicas, como lesão da medula espinal e po- liomielite; e deficiências musculoesqueléticas, como amputações. Outro ponto é que essa modalidade possui apenas uma categoria de jogo em Lucian Coman/Shutterstock Possibilidades do basquetebol 117 cada naipe; diferente da natação e do atletismo, por exemplo, em que há classes de competição conforme o grau e o tipo de deficiência. Já no que diz respeito às deficiências físico-motoras, há uma ressal- va de que atletas de ambos sexos com essa limitação possam partici- par da modalidade de acordo com o comprometimento físico-motor apresentado. Para manter o equilíbrio entre as equipes, visto a grande variabilidade das deficiências físico-motoras, utiliza-se uma escala que usa os números 1, 1.5, 2, 2.5, 3, 3.5, 4 e 4.5 para uma classificação corre- ta quanto às limitações do atleta. Figura 7 Classificação por grau de deficiência Fonte: Elaborada pelo autor. 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 Não consegue controlar o tronco Não tem limitação de movimentações na cadeira de rodas Desse modo, considera-se que quanto maior a deficiência, menor será a pontuação. Além disso, o somatório geral das pontuações dos atletas em quadra não pode ultrapassar 14. Caso a equipe, em algum momento, ultrapasse os 14 pontos com os cinco atletas em quadra, o treinador deverá ser sancionado com uma falta técnica, além de preci- sar ser realizada a correção na formação da equipe. Vamos observar, a seguir, um exemplo de pontuação de cada atleta. Na Figura 8 podemos notar a distribuição dos valores para que o máxi- mo permitido seja alcançado. Para saber um pouco mais a respeito das re- gras do basquetebol em cadeira de rodas, confira o manual completo da Federação Internacional de Basquete em cadeira de rodas. Disponível em: https://iwbf.org/ wp-content/uploads/2020/06/ Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT- -BRASIL-final-small.pdf. Acesso em: 01 out. 2020. Saiba mais https://iwbf.org/wp-content/uploads/2020/06/Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT-BRASIL-final-small.pdf https://iwbf.org/wp-content/uploads/2020/06/Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT-BRASIL-final-small.pdf https://iwbf.org/wp-content/uploads/2020/06/Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT-BRASIL-final-small.pdf https://iwbf.org/wp-content/uploads/2020/06/Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT-BRASIL-final-small.pdf 118 Metodologia do ensino de basquetebol Figura 8 Pontuação de cada atleta Ta tia na Z ab ro di na /S hu tte rs to ck 2,5 2,5 3,5 3,5 4,5 2,0 2,0 3 2,5 1,5 Fonte: Elaborada pelo autor. No geral, as regras do basquete em cadeira de rodas são semelhan- tes às do jogo tradicional, como a quadra, o número de jogadores, a pontuação e o tempo de jogo. No entanto, há algumas diferenciações que conheceremos em seguida. A primeira regra se refere à cadeira de rodas, a qual pode ter três ou quatro rodas, sendo duas na parte traseira e uma ou duas na dianteira; os pneus traseiros (maiores) devem ter diâmetro máximo de 69 cm. Ainda, é permitida a utilização de uma almofada no assento que não ultrapasse mais de 10 cm de espessura, pois poderá aumentar a altura do praticante. Essa regra é uma forma de padronizar as cadeiras, de modo que sejam iguais para todos os jogadores; ademais, para que fiquem fixos, nela utilizam-se faixas e suportes. Essas regulamentações são conferidas pelos árbitros antes do início do jogo. Pneus pretos, aparelhos de direção e freios são proibidos. Outra infração considerada falta técnica, nessa modalidade, é levantar as pernas ou o corpo para ganhar vantagem no momento do arremesso. Portanto, o jogador deve permanecer sentado em sua cadeira enquan- to passa, arremessa ou dribla a bola. Já em relação à movimentação, o atleta pode quicar a bola e dirigir a cadeira de rodas simultaneamente. Possibilidades do basquetebol 119 É obrigatórioquicar, arremessar ou passar a bola a cada dois toques (ou impulsões) dados na cadeira. Não há regra de drible duplo. Logo, se o jogador der mais de dois empurrões na cadeira com a bola em mãos, sem driblar, será contabi- lizada uma violação. Além disso, não é permitido nenhum contato dos pés com a superfície de jogo enquanto o atleta estiver com a bola. Em uma possível queda da cadeira, o árbitro provavelmente in- terromperá a partida caso julgue a possibilidade do atleta se machucar. Caso contrário, o jogo continuará. Figura 9 Cadeiras de rodas do basquete adaptado Lu ci an C om an /S hu tte rs to ck E a ciência sobre o basquete em cadeira de rodas? Com base em análises de estudos publicados, Seron, Carvalho e Greguol (2019) destacam as demandas fisiológicas e cinemáticas do basquete em cadeira de rodas. Considera-se, também, um esporte muito exigente em relação à demanda cardiovascular, uma vez que mais de 65% do tempo de jogo é gasto em zonas de alta intensidade de frequência cardíaca, o que corresponde a valores acima do limiar anaeróbio, chegando a até 70% do pico de VO2. A frequência cardíaca em geral varia entre 148 a 163 ba- timentos por minuto para esses atletas. Já a distância percorrida em uma partida fica entre 2,6 e 5 km, com velocidades médias de 1,8 a 2 m/s, com velocidade máxima de 4 m/s. Os autores ainda observaram que a execução dos movimentos rotacionais parecem ter grande relevância para a prática dessa modalidade de basquete. (Continua) Para conhecer histórias sobre o basquetebol em cadeira de rodas, assista ao documentário The Rebound: wheelchair bas- ketball documentary, de 2016. Veja o trailer para despertar um pouco mais a curiosidade! Disponível em: https://youtu.be/ MNbF5Nlb3k4. Acesso em: 01 out. 2020. Você também pode ter acesso a mais informa- ções no link a seguir. Disponível em: https://www. reboundthefilm.com/about/. Acesso em 01 out. 2020. Vídeo https://youtu.be/MNbF5Nlb3k4 https://youtu.be/MNbF5Nlb3k4 https://www.reboundthefilm.com/about/ https://www.reboundthefilm.com/about/ 120 Metodologia do ensino de basquetebol Ainda, é importante ressaltar que a heterogeneidade das deficiências faz com que cada atleta responda de maneira diferente aos estímulos físi- cos do jogo. Figura 10 Diferentes deficiências no basquete em cadeira de rodas. Pi er re S el im /W ik im ed ia C om m on s Quem são os melhores jogadores do mundo na modalidade? O atleta canadense Patrick Anderson é considerado o melhor jogador de basquete em cadeira de rodas do mundo e de todos os tempos. Sua classificação por grau de deficiência é 4.5 e, sem dúvidas, uma das maiores honras do basquete em cadeira de rodas é vencer as Paraolimpíadas. Após isso, ainda venceu o Campeonato Mundial da Federação Internacional de Basquete em Cadeira de Rodas (IWBF). O canadense já conquistou a me- dalha de ouro junto à equipe canadense em três Olimpíadas (2000, 2004 e 2012), além de um campeonato mundial em 2006. Outros jogadores que impulsionam a modalidade também devem ser lembrados: Adedoyin Olayiwola “Ade” Adepitan (Nigéria), Janet McLachlan (Canadá), Cobi Crispin (Austrália), Leanne Del Toso (Austrália), Joey Johnson (Canadá) e Matt Scott (Estados Unidos). No Brasil, atualmente, estima-se que existam mais de 50 clubes de basquete em cadeira de rodas, o que demonstra o crescimento da mo- dalidade no país e a visibilidade que a inclusão no esporte está ganhan- do perante o mundo. Veja o dia em que Michael Jordan expe- rimentou o basquete em cadeira de rodas e perdeu a partida! Isso nos mostra que a prática dessa modalidade requer muito preparo e determinação, é uma forma de superação e inclusão de todos. Disponível em: https://www. paralympic.org/feature/when-e- ric-barber-beat-michael-jordan- -wheelchair-basketball. Acesso em: 01 out. 2020. Curiosidade https://www.paralympic.org/feature/when-eric-barber-beat-michael-jordan-wheelchair-basketball https://www.paralympic.org/feature/when-eric-barber-beat-michael-jordan-wheelchair-basketball https://www.paralympic.org/feature/when-eric-barber-beat-michael-jordan-wheelchair-basketball https://www.paralympic.org/feature/when-eric-barber-beat-michael-jordan-wheelchair-basketball Possibilidades do basquetebol 121 5.4 Mini-basquetebol Vídeo Uma forma adaptada do basquetebol tradicional é o mini-basquetebol, criado a fim de gerar oportunidades para as crianças praticarem o espor- te de modo prazeroso. Essa prática foi criada em 1950 por Jay Archer, professor de Educação Física no Estado de Nova York. O nome original era Biddy basketball e a difusão inicial ocorreu nos continentes da: América do Norte, Ásia, Oceania e, na década seguinte, Europa e América do Sul. Para essa prática, as adaptações realizadas visam o melhor aproveita- mento das crianças, principalmente dos 5 aos 12 anos de idade. Por esse motivo, a tabela foi colocada a uma altura de 2,35 m e o aro a 2,60 m. A redução no tamanho e no peso da bola também foi necessária, passan- do a medir de 68 a 72 cm de circunferência e pesar entre 450 e 500 g. Além disso, a grande vantagem do mini-basquetebol está nas possi- bilidades de adaptações de acordo com as condições técnicas e físicas dos alunos, assim como as condições estruturais da escola em que o professor vai ministrar suas aulas. Lembre-se: é importante sempre con- siderar a realidade, o contexto e imaginar a aplicação nesses cenários. O jogo ocorre no formato 5x5 ou 4x4. O ponto fundamental é que todas as crianças devem participar ativamente, ou seja, devem ser as protagonistas. Apesar de pensarmos prioritariamente que o mini-basquetebol é utilizado para a iniciação esportiva, é preciso con- siderá-lo, antes de tudo, uma possibilidade que vai além da iniciação. Desse modo, o esporte educacional deve ser exercido por meio dessa prática, assim como o esporte durante o lazer. Um dos aspectos mais importantes é a diversão de seus praticantes. Na prática desse formato, na escola, é fundamental que o professor assegure que todos os alunos participem. Dessa maneira, em jogos 5x5 ou 4x4 pode-se realizar a substituição dos participantes após os quartos jogados. Nessa modalidade, especificamente, não há a linha de três pontos ou a regra de 24 segundos, não sendo necessária a apli- cação dos sistemas de defesa. Entretanto, mesmo com essas regras iniciais, os professores poderão realizar adaptações que visam o apro- veitamento da prática, uma vez que o mini-basquetebol não trata-se de uma metodologia de jogo fechada; pelo contrário, a ludicidade deve estar sempre presente. 122 Metodologia do ensino de basquetebol Veremos, a seguir, uma proposta de aplicação da modalidade con- forme as faixas etárias das crianças. • Crianças de 5 a 7 anos: é essencial que, antes de tudo, o treinador também consiga se divertir durante a prática, pois dessa forma tornará, indiretamente, as atividades propostas mais divertidas. Crianças diver- tem-se quando estão com os amigos, quanto estão ativas (em detrimento do tempo gasto ouvindo ou as- sistindo), e quando aprendem coisas novas. Durante as aulas de Educação Física é importante não gastar muito tempo em apenas uma atividade, portanto, o professor deve ter um repertório de atividades que mantenha os alunos interessados. É importante evi- tar limitar as ações e os movimentos, ditando exa- tamente como devem fazer. Essas ações devem ser descritas com a finalidade de permitir que as crian- ças explorem o como fazer. Nessa fase, quanto mais ações e movimentos forem introduzidos, mais as habilidades motoras melhorarão. Não é necessário que os jogos reproduzam o basquete formal. O ensino pelo método analítico- -sintético deve ser evitado nessa faixa etária. Por outro lado, o foco em jogos coletivos que envolvam corrida, saltos, mudanças de direções, atirar e pegar é recomendado. • Crianças de 8 a 9 anos: a continuidade no treinamento e desen- volvimento de padrões motores básicos deve ocorrer, paraque, posteriormente, as habilidades mais específicas do basquete sejam incorporadas ao treinamento. Nessas idades, a diversão ainda deve ser o aspecto dominante, pois as crianças começam a aprender o jogo nesse momento. Jogos que envolvam funda- mentos, por exemplo, drible, passe e arremesso, devem ser reali- zados. Além disso, regras básicas podem ser introduzidas, como os movimentos que podem ser realizados, o espaço disponível para o jogo, o que devem fazer no ataque e na defesa, bem como as regras propriamente ditas. A prática na Educação Física deve fornecer a cada aluno oportunidades para desenvolver diversas habilidades, mas com equilíbrio entre as habilidades em uma si- tuação mais formal do basquete e a não formal. Ressalta-se que todas as situações devem ser divertidas! Pressmaster/Shutterstock Possibilidades do basquetebol 123 Figura 11 Diversão como aspecto dominante Se rg ey N ov ik ov /S hu tte rs to ck • Crianças de 10 a 12 anos: nesse estágio, o treinamento e o desen- volvimento das habilidades motoras dos alunos continuam, mas com maior ênfase nos fundamentos do basquete. O feedback do professor para o aluno agora deve ser de natureza mais analítica, refinando as habilidades técnicas da modalidade. Os movimen- tos e os gestos não necessitam, ainda, ser extremamente técni- cos e o jogo deve ocorrer de maneira livre e natural. O objetivo principal nessas idades deve ser direcionado para que as crianças joguem no formato 5x5 de modo mais organizado. Figura 12 Aplicação do método analítico-sintético para ensino dos fundamentos. Ra wp ix el .c om /S hu tte rs to ck . Conheça o manual para treinadores de mini-bas- quetebol, da Associação Mundial de treinadores de basquete. Disponível em: https://www.fiba. basketball/documents/Mini-Baske- tball-English.pdf. Acesso em: 01 out. 2020. Saiba mais https://www.fiba.basketball/documents/Mini-Basketball-English.pdf https://www.fiba.basketball/documents/Mini-Basketball-English.pdf https://www.fiba.basketball/documents/Mini-Basketball-English.pdf 124 Metodologia do ensino de basquetebol Nesses momentos de inserção da prática, é importante que o pro- fessor proponha atividades divertidas, visando o desenvolvimento de movimentos gerais (controle de corpo) e controle de bola, equilíbrio e coordenação, resistência, velocidade, antecipação e tomada de deci- são. Posteriormente, podem-se incluir atividades objetivando melhor desenvolvimento no drible, no passe e no arremesso. Inicialmente, e de maneira isolada, podem ser propostas atividades que incluam ações, como driblar e arremessar, e driblar, passar e arremessar. Jogos com regras modificadas são bem-vindos, pois permitem a par- ticipação ativa de todos os alunos e uma aprendizagem mais eficaz e motivadora! CONSIDERAÇÕES FINAIS Conhecer as diferentes possibilidades de aplicação do basquetebol amplia horizontes para a atuação do professor de Educação Física. A va- riabilidade do ser humano deve ser aproveitada e o basquete incorpora tudo isso. Por esse motivo é importante considerar o basquete 3x3, o basquetebol adaptado e o mini-basquetebol em suas aulas de Educação Física escolar. Finalizamos este livro de Metodologia do ensino de basquetebol com a certeza de que este é um esporte com múltiplas possibilidades de aplica- ções. Você, como profissional de educação física, deve explorar ao máxi- mo essas possibilidades para ensinar aos alunos e/ou aos futuros atletas da forma mais proveitosa possível. REFERÊNCIAS FIBA. Official 3x3 basketball rules. Beijing: FIBA Central Board, 2019. Disponível em: https:// fiba3x3.com/docs/fiba-3x3-basketball-rules-full-version.pdf. Acesso em: 01 set 2020. IWBF. 3x3 Official Wheelchair Basketball Rules of the Game. Mies: IWBF, 2019. Disponível em: https://iwbf.org/wp-content/uploads/2019/04/3x3-IWBF-Rules_2019_approved.pdf. Acesso em: 03 set 2020. IWBF. Regras oficiais do basquetebol em cadeira de rodas. Hamburgo: IWBF, 2018. Disponível em: https://iwbf.org/wp-content/uploads/2020/06/Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT-BRASIL- final-small.pdf. Acesso em: 26 out. 2020. MONTGOMERY, P. G.; MALONEY, B. D. Three-by-Three Basketball: Inertial Movement and Physiological Demands During Elite Games. International Journal of Sports Physiology and Performance, v. 13, n. 9, p. 1169-1174, out. 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm. nih.gov/29584513/. Acesso em: 26 out. 2020. Qual é o principal aspecto do mini-basquetebol? Atividade 3 https://fiba3x3.com/docs/fiba-3x3-basketball-rules-full-version.pdf https://fiba3x3.com/docs/fiba-3x3-basketball-rules-full-version.pdf https://iwbf.org/wp-content/uploads/2019/04/3x3-IWBF-Rules_2019_approved.pdf https://iwbf.org/wp-content/uploads/2020/06/Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT-BRASIL-final-small.pdf https://iwbf.org/wp-content/uploads/2020/06/Regras-Oficiais-IWBF-2018-PT-BRASIL-final-small.pdf https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29584513/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29584513/ Possibilidades do basquetebol 125 SERON, B. B.; CARVALHO, E. M. O. de; GREGUOL, M. Analysis of physiological and kinematic demands of wheelchair basketball games—a review. The Journal of Strength & Conditioning Research, v. 33, n. 5, p. 1453-1462, mar. 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih. gov/30844988/. Acesso em: 26 out. 2020. GABARITO 1. As principais diferenças entre as modalidades são percebidas no tamanho da quadra, no número de jogadores em quadra e nos substitutos, no tempo de jogo e na pon- tuação geral. 2. O basquete 3x3 pode ser aplicado a partir de diferentes estratégias, por exemplo, jogo pré-desportivo (estratégia de ensino), quando tratamos do basquete tradicional; ou um jogo formal, uma vez que é reconhecido como esporte. Além disso, o basquete 3x3 também pode ser jogado na modalidade de cadeira de rodas. 3. A diversão dos alunos é o principal aspecto do mini-basquetebol. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30844988/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30844988/ M ETO D O LO G IA D O EN SIN O D E B A SQ U ETEB O L Fábio H ech D om inski Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6692-6 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 9 2 6 Código Logístico 59607