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OBREIRO Aprovado Ano 46 - N 103 - 4 Trim 2023

Revista Obreiro Aprovado (4º trim. 2023) sobre os dons espirituais e sua manifestação. Inclui entrevista com Álvaro Alén Sanches; artigos de Elinaldo Renovato de Lima, Jonas Mendes, Esdras Bentho, Marcos Tedesco e Abiezer Apolinário (dons atuais, elocução, revelação, poder, ministeriais) e texto de Douglas Baptista sobre o ethos pentecostal na esfera pública.

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Gustavo

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n p i
APROVADO
Roberto
Máquina de escrever
VENDA PROIBIDA
A PARTICIPAÇÃO ESSENCIAL
DOS PENTECOSTAIS
NO DEBATE NACIONAL
O ETHOS PENTECOSTAL 
NA ESFERA PÚBLICA
Douglas Baptista
A participação na esfera pública de 
cidadãos que professam sua fé 
é cada vez maior, em especial de 
pentecostais. Um direito que não 
deve ser cerceado em nome de 
visões equivocadas do que seja 
Estado Laico.
Com sólida fundamentação ™ 
acadêmica, o autor apresenta, 
à luz da Declaração de Fé das 
Assembléias de Deus, a vitalidade 
da doutrina teológica institucional 
na formação do "ethos", isto 
é, da identidade pentecostal e 
demonstra sua influência positiva 
na esfera pública.
TA M B É M 
D IS P O N ÍV EL 
N A V E R S Ã O 
E -B O O KFormato: 14,5x22,5cm 
Páginas: 288
www.cpad.com.br
0800-021-7373 
g ) (021) 2406-7373
iS lIS lIU I
Livrarias CPAD
o#oo CPAD
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CARTA DA CPAD
RONALDO R. DE SOUZA
Diretor-executivo 
da CPAD
Esse tema é 
de grande 
importância 
porque os 
dons foram 
dados para 
edificação do 
Corpo de Cristo 
e também tem 
havido abusos
Os dons do 
Espírito, sua 
atualidade, uso e 
importância
Nesta última edição de 2023 da revista Obreiro Aprovado, 
nosso tema é Os dons espirituais e sua manifestação. Nosso 
objetivo é tratar sobre a atualidade, a importância e 
a operação dos dons do Espírito na vida da igreja. O 
apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes em Corinto, afirmou sobre 
esse assunto: "Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que 
sejais ignorantes (ICo 12.1). Urge, portanto, abordarmos esse as­
sunto, que é de grande importância para a coletividade da igreja, 
porque os dons foram dados para a edificação do Corpo de Cristo 
(ICo 12.7,11; Ef 4.12)), e também porque, infelizmente, muitos são 
os abusos que têm sido cometidos em alguns lugares em relação 
a esse assunto.
Nesse propósito, temos nesta edição uma entrevista com o 
pastor Álvaro Alén Sanches, líder da Igreja Evangélica Assembléia 
de Deus em Uberlândia (MG) e da Convenção dos Ministros das 
Assembléias de Deus no Triângulo Mineiro (Comadetrim), tratando 
sobre esse importante assunto; e os artigos dos pastores Elinaldo 
Renovato de Lima (RN), Jonas Mendes (MT), Esdras Bentho (RJ), 
Marcos Tedesco (SC) e Abiezer Apolinário (RJ) abordando, respec­
tivamente, os temas da atualidade dos dons, dos dons de elocução, 
dos dons de revelação, dos dons de poder e dos dons ministeriais. 
São artigos escritos por mestres que com certeza irão contribuir 
para um melhor entendimento sobre os dons do Espírito e a sua 
operacionalidade na vida da Igreja.
Aproveitamos este espaço para também louvar a Deus por 
mais um ano que se encerra, em que tivemos o privilégio de mais 
uma vez servi-lO com o que Ele, pela Sua graça, tem nos dado, e 
desejar toda sorte de bênçãos da parte de Deus para o seu minis­
tério, a sua família e a sua igreja neste final de ano. No mais, uma 
boa leitura e até 2024!
RO
SUMARIO
OBH1RO
A P R O V A D O
AN O 47 - N° 103 - 4 o TRIMESTRE 2023
Presidente da Convenção Geral
José Wellington Costa Junior 
Presidente do Conselho Administrativo
José Wellington Bezerra da Costa
Diretor-executivo
Ronaldo Rodrigues de Souza
Editor-Chefe
Silas Daniel
Editor
Eduardo Araújo 
Gerente Financeiro
Josafá Franklin Santos Bomfim
Gerente de Produção e Arte
Jarbas Ram ires Silva 
Gerente de Publicações 
Alexandre Claudino Coelho 
Gerente Comercial
Cícero da Silva
Chefe do Setor de Arte e Design
Wagner de Almeida 
Projeto Gráfico 
Fábio Longo 
Diagramação e Capa 
Leonardo Engel 
Projeto Digital 
Alan Valle 
Ilustrações
Banco de Imagens Shutterstock 
Fotografia
Arquivo (CPAD)
TELEMARKETING 
0800 021 7373
2" a 6" das 8h as 17:30min 
Opção 1 - Igrejas, cotas e assinaturas 
Opção 2 - Colportores e Lojistas 
Opção 3 - Pastores e demais clientes 
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t ip o d e p e s so a , r ep r e s en ta n te ou v en d ed o r de 
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cliente. O pagam en to d e assinaturas deve ser fe ito 
por m eio de boletos em agências bancárias ou através 
de cartão d e crédito.
O B R E IR O - R eiãsta evangélica trim estral, criada 
em ou tubro d e 1977, editada pela Casa Publicadora 
das A ssem bléias d e D eus, é destinada á liderança 
p en teco s ta l d e m odo g era l. R eg istrad a so b n.° 
007.022.328, con form e Lei d e Im prensa.
A correspondência para publicação deve ser endereçada ao 
Departamento de Jornalismo e as remessas de valor (pa- 
gam entode assinatura, publicidade etc.) exclusivamente 
à CPAD. A direção é responsável perante a Lei por toda 
matéria publicada. Perante a Igreja, os artigos assinados 
são de responsabilidade de seus autores, não representan­
do necessariamente a opinião da revista. Assegura-se a 
publicação, apenas, das colaborações solicitadas.
Casa Publicadora das Assembléias de Deus 
Av. Brasil 34.401, Bangu 
C ep 21852-002, R io d e Janeiro, RJ 
Teís.: (21) 2406-7373 / 2406-7413 
Fax: 2406.7370
06. CARTA À LIDERANÇA PENTECOSTAL 
A MENSAGEM QUE IMPACTA O CORAÇÃO DO PECADOR
O pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral dos Minis­
tros das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGADB), a partir do 
texto de Jeremias, ressalta as diferenças de mensagem entre os falsos mensageiros 
de Deus e os verdadeiros mensageiros de Deus.
ÉU»
>UI
ai-zUI
12. ARTIGO
OS DONS SÃO PARA HOJE
O pastor Elinaldo Renovato de Lima, líder da Assembléia de Deus em Parnami- 
rim (RN) e comentarista de Lições Bíblicas da CPAD, fala da atualidade dos dons 
espirituiais
20. ARTIGO
OS DONS DE ELOCUÇÃO
O pastor Jonas Mendes, professor de Teologia da faculdade teológica da Assem­
bléia de Deus em Cuiabá (MT), trata sobre os dons de profecia, variedade de lín­
guas e interpretação de línguas
27. RESENHA
O Fruto do Espírito - Antonio Gilberto
Teologia Sistemátia Pentecostal - Antonio Gilberto, Elienai Cabral, Esequias Soares, 
Severino Pedro, Wagner Gaby, Claudionor de Andrade, Ciro Zibordi e Geremias 
do Couto.
OS DONS DE REVELAÇÃO
O pastor e professor Esdras Bentho (RJ), da Faculdade das Assembléias de Deus 
(Faecad), analisa os chamados dons de revelação, abordando a sua operacionali- 
dade à luz do texto bíblico
38. ARTIGO 
OS DONS DE PODER
O professor, teólogo, pedagogo e pastor Marcos Tedesco (SC) discorre sobre a 
operação e o propósito dos chamados dons de poder
44. ARTIGO
OS DONS MINISTERIAIS
O pastor Abiezer Apolinário (RJ), presidente da Comissão Jurídica da Convenção 
Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus no Brasil (CGA­
DB), fala das características dos dons ministeriais à luz do texto bíblico
Entrevista: o pastor Álvaro Alen Sanches, lider da Convenção de 
Ministros das Assembléias de Deus no Triângulo Mineiro (COMA- 
DETRIM) e da Assembléia de Deus Missão aos Povos (ADMP) fala 
dos propósitos e da importância dos dons espirituais para a igre­
ja hodierna
http://www.cpaddigital.com
mailto:assinaturas@cpad.com.br
mailto:cpadweb@cpad.com.br
MENSAGENS
Revista proporciona 
base teológica para seus 
leitores
O que torna um obreiro preparado para a 
obra de Deus? O estudo sistemático das 
Escrituras Sagradas a fim de preparar 
membros de Cristo e enviá-los como pes­
cadores de almas devidamente equipados 
para não aceitar teorias críticas e destru­
tivas capazes de minar a fé do ministro. 
Esse é um dos objetivos que vejo neste pe­
riódico para a vida de seus leitores.
Profa. Leonarda Barros,
Campina Grande (PB)
Periódico com 
conteúdo fidedigno
A revista Obreiro Aprovado é o periódi­
co mais sólido de nossa denominação no 
Brasil. Nós sabemos que um dos pontos 
mais difíceis da fé cristã é o equilíbrio, 
e a supramencionadarevista tem esse 
escopo. Em suas páginas, encontramos 
erudição e piedade, teologia e vida. Ao 
lermos seus conteúdos, recebemos "luz 
na mente e fogo no coração".
Pr. Geovane Leite,
Barreiras (BA)
Profundidade em 
temas espirituais
A leitura da revista Obreiro Aprova­
do é indispensável para todo assem- 
bleiano que deseja uma leitura mais 
profunda sobre temas espirituais 
sob a ótica de vários autores pente- 
costais. Por esse motivo, a Obreiro 
Aprovado faz parte de minha leitu­
ra teológica, servindo também como 
recurso para ministrações e aulas na 
Escola Dominical, sempre com con­
teúdo aprofundado sobre os temas 
propostos.
Prof. Geisel de Paula,
Guarulhos (SP)
Fonte imprescindível
A revista Obreiro Aprovado não é uma revista, 
mas, sim, um manual prático que traz um es­
tudo para o dia a dia para aqueles que querem 
viver na Palavra de Deus. É um manuel que é 
fonte imprescindível para pastores, ministros do 
evangelho, professores; enfim, todos aqueles que 
vivem e ensinam a verdadeira Palavra de Deus.
Ev. Elias de Paula Ferreira,
P oços de Caldas (MG)
Quer também 
mandar sua mensagem?
Então escreva para a revista Obreiro Aprovado. Pode 
enviar sua mensagem para o email obreiro@cpad.com. 
br ou, se preferir, enviar sua carta para o endereço 
Avenida Brasil, 34.401, Bangu, Rio de Janeiro (RJ) 
CEP 21852-002.
Esperamos o seu contato!
mailto:obreiro@cpad.com
CARTA A LIDERANÇA PENTECOSTAL
PR. JOSÉ WELLINCTON 
COSTA JUNIOR
Presidente da 
Convenção Geral dos 
Ministros das Igrejas 
Evangélicas Assembléias 
de Deus no Brasil
Reflita sempre na 
palavra que nos 
estimula a manter 
a comunhão com 
Deus intacta a 
fim de evitar o 
embaraço com 
o pecado
A mensagem 
que impacta 
o coração 
do pecador
Convido o prezado leitor a meditar comigo na mensagem 
de Jeremias 29.11, em que o profeta foi um instrumento 
nas mãos de Deus. Parece que a voz emitida de seus lábios 
foi a do próprio Criador. A mensagem é esta: "Porque eu 
bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; 
pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais". 
Todos nós sabemos que Jeremias pertencia a uma linhagem sacer­
dotal, mas foi por Deus escolhido para servir como profeta e ele 
mesmo registrou essa realidade no primeiro capítulo de seu livro, nos 
versículos 4 e 5: "Assim veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 
Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses 
da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta". O Senhor 
lhe disse que havia estabelecido um concerto com ele antes de 
seu nascimento, porque Deus nos conhece antes mesmo de nossa 
existência neste mundo. Antes mesmo de nosso nascimento, o Se­
nhor colocou as Suas poderosas mãos na vida de cada um de nós!
As profecias de Jeremias manifestavam alguns propósitos, 
sendo que um destes era exortar seus compatriotas a abandonar 
a apostasia e a idolatria. O que é apostasia? É a renúncia de uma 
fé professada antes, é ignorar aquela confiança outrora defendida 
pelo indivíduo.
Na verdade, existem algumas situações em que o apóstata não 
se considera distante de Deus, e esta é a pior situação enfrentada 
por ele: o indivíduo imagina não estar afastado da presença divina, 
defende as suas idéias erradas e afirma não precisar se justificar 
a ninguém, mas "somente a Deus". Para completar, há outros 
profetas que emitem mensagens do tipo "Fique como estás" e "E 
tudo a mesma coisa".
O profeta Jeremias anunciava a seu povo uma mensagem fi­
dedigna com o propósito de conscientizar as pessoas distantes do 
Senhor, levando-as ao arrependimento e a refletir a sua condição 
diante de Deus. A Bíblia Sagrada revela que "aquele que confessa e 
deixa, alcança misericórdia, mas aquele que encobre transgressões, 
não prosperará" (Pv 17.9). Reflita sempre na Palavra que estimula 
o ser humano a manter a sua comunhão com Deus intacta a fim 
de evitar o embaraço com o pecado.
OB RO
6
ENTREVISTA
Pastor
Álvaro
Alén
Sanches
A importância 
e o propósito 
dos dons 
espirituais 
para a vida 
da Igreja
P ara falar sobre os dons 
espirituais, nosso en­
trevistado nesta edi­
ção da revista Obrei­
ro Aprovado é o pastor Álvaro 
Alén Sanches, líder da Assem­
bléia de Deus Missão aos Povos 
(ADMP), em Uberlândia (MG), e 
que exerce também, desde 1998, 
a presidência da Convenção dos 
Ministros das Assembléias de 
Deus do Triângulo Mineiro (Co- 
madetrim), além de ser 3o secre­
tário da Convenção Geral dos 
Ministros das Igrejas Evangéli­
cas Assembléia de Deus no Brasil 
(CGADB). Antes de exercer essas 
funções, pastor Álvaro admi­
nistrou várias congregações da 
ADMP em Uberlândia e nas cida­
des de Santa Helena e Itumbiara 
(GO), onde exerceu a presidência.
Em 26 de dezembro de 1993, ele 
assumiu a liderança da Assem­
bléia de Deus em Uberlância, 
sucedendo o pastor José Braga da 
Silva. O pastor Álvaro credita ao 
Senhor o sucesso de seu minis­
tério no interior mineiro. Graças 
ao seu esforço em disseminar a 
Palavra de Deus no Triângulo 
Mineiro, o ele adquiriu o respei- A
to e a credibilidade de seu corpo 
ministerial, da membresia e dos 
demais integrantes da comuni­
dade, inclusive fortalecendo a 
relação da igreja uberlandense 
com as autoridades do estado e 
município. Em sua gestão, pastor 
Álvaro também tem dado ênfase 
ao trabalho missionário. Nesta 
entrevista, o líder assembleiano 
fala dos dons esírituais e também 
sobre a importância do batismo 
no Espírito Santo.
Como o senhor define o 
propósito e a importância dos 
dons espirituais para a vida 
da igreja?
Biblicamente falando, os dons 
espirituais têm um duplo pro­
pósito: a edificação da igreja e a 
capacitação para que executemos 
a tarefa específica que Nosso Se­
nhor nos confiou em Sua obra. 
Os dons são dádivas advindas do 
Espírito Santo para que sejamos 
úteis no serviço a Deus. Pedro 
fala sobre isso em sua primeira 
carta, no capítulo 4, versículo 10, 
nos exortando a "administrarmos 
nossos dons como bons despen- 
seiros da multiforme graça de 
Deus". Os dons não são dados 
para promoção de pessoas. Logo, 
uma igreja desprovida dos dons 
espirituais não consegue atingir 
a sua finalidade, que é a salvação 
e a edificação de almas, e se com­
porta como a igreja de Sardes: 
tem fama de viva, mas está morta 
(Ap 3.1). Sabemos, sem sombra de 
dúvida, que precisamos lembrar 
que os dons são vitalis para cada 
crente. E preciso termos vestes 
brancas, mas que também não fal­
te o óleo do Espírito Santo sobre 
a nossa cabeça (Ec 9.8).
A que fatores o senhor cre­
dita a diminuição da mani­
festação dos dons espirituais 
em uma igreja?
Vivemos em um mundo onde 
centenas de igrejas têm sido víti­
mas de muitos males, mas diria 
que os principais são o mundanis- 
mo e o materialismo. Em relação a 
isso, temos um mal que, de forma 
sorrateira, está vindo para entrar 
de vez nas igrejas. Falo da inteli­
gência artificial. Hoje é só clicar 
em uma tecla e a mensagem está 
pronta. "Sendo assim, para que os 
dons do Espírito Santo?", alguns 
podem pensar. Na Europa, robôs 
já são consultados em assuntos 
eclesiásticos, missões, escatologia, 
e com isso o Espírito Santo e Seus 
dons ficam em segundo plano. 
Quando uma igreja perde sua re­
ferência de santidade, permitindo 
que práticas estranhas ao evange­
lho e à doutrina bíblica entrem em 
sua membresia, vemos o fracasso 
espiritual e consequentemente a 
diminuição dos dons espirituais. 
Igrejas que têm relativizado o 
pecado, adotado a famigerada te­
ologia liberal ou mesmo aceitado 
práticas pecaminosas sob o argu­
mento de serem "inclusivas" es­
tão se esvaziando da presença do 
Espírito Santo. Já o materialismo 
tem afetado comunidades inteiras 
cujo foco é o ganho terreno, uma 
vida plena nas riquezas da Terra, 
mesmo que para isso renunciem 
à pregação do evangelho de Jesus 
Cristo. Se uma instituição ama 
o dinheiro e o poder, ela está se 
adequando à realidade daqui e 
ficando mais longe da expectativa 
do Céu. A consequência natural 
é a extinção dos dons concedidos 
pelo EspíritoSanto.
Muitos teólogos pentecos- 
tais frisam que não obstante 
seja possível um crente ma­
nifestar algum dom espiritual
Os dons não 
são dados para 
promoção de 
pessoas. Uma 
igreja desprovida 
dos dons 
espirituais não 
consegue atingir 
sua finalidade, 
que é a salvação 
e a edificação de 
almas
sem ser batizado no Espírito 
Santo, é fato que o batismo 
no Espírito Santo é a grande 
porta de entrada para os dons 
espirituais, pois é através dele 
que temos um acesso muito 
maior aos dons do Espírito. 
Logo, o senhor acredita que, 
além dos fatores mais co­
muns para a diminuição dos 
dons espirituais em uma igre­
ja, uma das possíveis causas 
para essa diminuição - não a 
única, mas uma das - possa 
ser também a falta da busca 
pelo batismo no Espírito San­
to e do entendimento quanto 
ao seu propósito para a vida 
do crente?
Com certeza! É importante res­
saltar que se nós, como membros
do Corpo de Cristo, também não 
buscarmos os dons, eles natural­
mente tendem a diminuir no seio 
da igreja. Muitas denominações 
deixaram de buscar o batismo no 
Espírito Santo, profecias e outros 
dons e vivem um esfriamento por 
isso. O apóstolo Paulo deixou re­
gistrado em 1 Coríntios 12 que os 
crentes devem "buscar com zelo 
os melhores dons". O Espírito San­
to é uma pessoa rica em dádivas, 
não só em relação aos dons, mais 
a muitas e muitas outras coisas 
necessárias para a igreja e o mi­
nistério, porém a manifestação 
de dons sem sermos batizados no 
Espírito é impossível. O talento 
pessoal pode ser útil no Reino de 
Deus quando dinamizado pelo
Espírito. Em Êxodo 31.3 e 35.30,35, 
vemos a demonstração de talentos 
usados por Deus. Há obras mate­
riais, mas dons são a manifestação 
direta do Espírito Santo, e para 
experimentar isso é preciso ser 
batizado nEle. Hoje, presenciamos 
grandes eventos, congressos, nos 
quais se investe muito dinheiro e 
não há uma busca pelo batismo no 
Espírito Santo e nem conversão de 
almas. É claramente uma inversão 
da finalidade que temos como 
igreja na Terra. Atos 2 nos revela 
que os discípulos oraram por mui­
tos dias reunidos no cenáculo até 
que o Espírito de Deus veio sobre 
eles. Precisamos aprender essa li­
ção e mantermos incessantemente 
a busca pelo batismo no Espírito
Santo em nosso meio. Os dons 
são obra do Espírito Santo com 
manifestação sobrenatural tendo 
como finalidade o crescimento do 
Corpo de Cristo.
Em alguns lugares, não 
se pode dizer que não há a 
manifestação dos dons do 
Espírito, mas, por outro lado, 
às vezes ocorrem muitos ex­
cessos, ou seja, “meninices” 
e até eventuais abusos. Fale 
sobre a melhor forma de evi­
tar esses problemas em uma 
igreja sem deixar de manter 
o cuidado para não apagar a 
chama do Espírito.
A Bíblia claramente receita o 
antídoto para não cairmos nessas A
o bS I ro
armadilhas e chama-se discerni­
mento espiritual. Note que quan­
do Paulo exorta a igreja de Corin- 
to, ele deixa bem claro que a igreja 
deveria buscar os dons espirituais, 
mas não renunciar um culto or­
deiro. A Assembléia de Deus foi 
fundada em 1911 e tem um lastro 
relevante como igreja pentecostal. 
Conhecemos o que é o mover de 
Deus e, justamente por isso, ana­
lisamos todas essas "inovações" à 
luz da Bíblia. Supostas "unções", 
manifestações incomuns de lín­
guas estranhas, cultos que mais 
se assemelham a cerimônias de 
religiões afro etc não encontram 
base bíblica alguma e, portanto, 
devem ser rejeitados. Como evitar 
o contágio desse tipo de atitude 
na igreja? Levando o rebanho de 
Cristo a estudar a Bíblia, a me­
ditar na Palavra de Deus. Nossa 
bússola norteadora é a Escritura 
Sagrada. Por ela nos protegemos 
daqueles que querem distorcer a 
obra e o mover do Espírito Santo. 
Tenho visto que essa modalidade 
mística, com apresentações mu­
sicais com excesso de dança ou 
com pregadores com gesticula- 
ções espalhafatosas pregando nas 
mídias, não faz parte das igrejas 
ligadas à Convenção Geral das 
Igrejas Evangélicas Assembléia de 
Deus no Brasil (CGADB), porque 
nossas lideranças se preocupam 
com a ordem na liturgia, promo­
vem seminários e valorizam a 
Escola Dominical pensando na 
geração de obreiros novos e, mais 
ainda, na apresentação de pastores 
idôneos, de homens que tenham o 
dom de discernimento.
Como o senhor descreve o 
dom de operação de maravi­
lhas, mencionado por Paulo, 
e a sua importância?
O dom de maravilhas é o mes­
mo dom de milagres, ou seja, é 
o presente de Deus que permite 
que o servo do Senhor seja usado 
na alteração das leis naturais, fa­
zendo aquilo que, pela capacida­
de humana, é impossível. Como 
milagre, ele é aquilo que escapa 
à ordem natural das coisas, que 
quebra as leis da ciência. O dom 
de maravilhas opera intervenções 
sobrenaturais. Podemos citar tan­
tos exemplos! Os milagres realiza­
dos pelos apóstolos, os sinais que 
Moisés realizou quando estava 
no Egito e durante a peregrinação 
pelo deserto, os milagres de Cris­
to, como a ressurreição de mortos. 
Tudo isso são manifestações do 
dom de maravilhas.
Qual a distinção entre o 
dom de palavra de sabedoria 
e o dom de palavra de conhe­
cimento? Cite exemplos bí­
blicos da manifestação deles 
para aclarar a distinção
A palavra de sabedoria é uma 
transmissão do próprio Deus atra­
vés do homem. Não está ligada à 
quantidade de conhecimento teo­
lógico ou técnico que uma pessoa 
tem, mas à sua capacidade de rece­
ber a sabedoria do Alto para tomar 
decisões e trazer aconselhamento. 
Um exemplo clássico que temos 
na Bíblia é o caso de Salomão. No 
evento em que ele julgava duas 
mães que disputavam o filho de 
uma delas, Salomão age imbuído 
da sabedoria do próprio Deus. Já a 
palavra de conhecimento é aquilo 
que popularmente chamamos de 
revelação. Quando Deus revela a 
um de seus servos algo oculto ou 
um evento futuro por meio de so­
nhos, visões ou alguma revelação 
especial, vemos o manifestar da 
palavra de conhecimento.
Muitas pessoas confun­
dem dons ministeriais com 
cargos. Gostaria que o se­
nhor fizesse essa distinção 
e explicasse a finalidade de 
cada um dos dons ministe­
riais.
Os dons ministeriais se dife­
renciam dos outros dons porque 
esses não são dados a quem pede, 
mas, sim, a quem Deus escolhe. 
Não existe hierarquia entre es­
ses dons e eles são dados para 
o aperfeiçoamento dos santos. 
A Bíblia cita quais são os dons 
ministeriais: apóstolos, profetas, 
evangelistas, pastores e doutores, 
também chamados de mestres. 
São atribuições vindas da parte 
de Deus. Quando Paulo escreve 
sobre esses dons em Efésios 4.11, 
repare que ele diz que "Ele mes­
mo deus uns para apóstolos (...)", 
isto é, não foi algo que pedimos, 
mas foi um ato discricionário 
de Deus. Já cargos são atribui­
ções que homens recebem para 
executar atividades técnicas ou 
de apoio na igreja, sem nenhum 
vínculo ministerial e obedecem a 
uma estrutura hierárquica. Pode­
mos citar secretários, tesoureiros, 
líderes de departamentos, regen­
tes etc. Qualquer pessoa que te­
nha as características necessárias 
para o bom desempenho dessas 
ordenanças pode ser indicada ao 
cargo. Outra diferença é que os 
dons ministeriais não deixam o 
homem porque, sob certa pers­
pectiva, o dom é o homem. A não 
ser, claro, que ele caia em pecado, 
afastando-se, assim, do propósito 
de Deus para a sua vida. Já cargos 
possuem um tempo de mandato 
ou execução. B
TENHA O CONHECIMENTO
PERFEITO DA LÍNGUA 
PORTUGUESA PARA 
PREGAR E ENSINAR 
COM EXCELÊNCIA
MANUAL DE
LÍNGUA PORTUGUESA
PARA OBREIROS CRISTÃOS
Em diversas passagens, a Bíblia ensina que o cristão 
deve fazer qua lquer ta re fa com zelo e excelência. 
Esta verdade não é menor ao fa larm os do estudo 
e transm issão das Escrituras Sagradas.
Nesta obra, o pro fessor de Língua Portuguesa e 
Literatura, Mareio Estevan, lhe levará a um mergulho 
ao m undo das pa lavras. Fornecendo conceitos 
básicos de g ra m á tica , a b ra n g e n d o fono log ia , 
m orfologia, sintaxe e semântica, além da citação 
de diversos versículos, o Manual de Língua Portuguesa paraObreiros Cristãos abre um cam inho para uma m aior 
com preensão da Palavra de Deus, e ajuda 
na busca da excelência no estudo e transm issão 
de e n s in a m e n to s bíb licos.
Formato: 14,5 x 22,5 cm / Páginas: 528
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Elinaldo Renovazo de L im a
Elinaldo Renovato de Lima é pastor, 
líder da Assem blé ia de Deus em 
P arnam irim (RN), com en ta ris ta de 
Lições B íb licas de Escola D om in ica l 
da CPAD, g raduado em Teologia e 
m estre em Ciência da Religião
A manifestação 
divina não tem 
data de validade;
nenhuma 
passagem bíblica 
dá a entender 
que os dons 
espirituais foram 
destinados 
apenas à Igreja 
do primeiro 
século
Os Dons
sença
uando os discípu- 
i los conviviam com 
Cristo, tinham a se­
gurança de Sua pre- 
de Seu apoio direto 
e de suas orações poderosas em 
seu favor. No entanto, quando 
perceberam que estavam pres­
tes a ver Sua partida de volta aos 
céus, ficaram um tanto atemori­
zados. Mesmo depois de terem 
feito o mais completo e perfeito 
curso de evangelização e missões 
aos pés do Mestre Jesus, eles se 
sentiam inseguros para cumprir 
o mandato de Cristo.
Mas, Jesus, ao se despedir dos 
discípulos, antes de Sua ascensão, 
lhes determinou que não saíssem 
a pregar "em todas as nações" 
antes do recebimento do indispen­
sável poder do alto: "Eis que sobre 
vós envio a promessa de meu Pai: 
Ficai, porém, na cidade de Jerusa­
lém, até que do alto sejais revestidos 
de poder" (Lc 24.49). Ainda que es­
tivessem inseguros, os discípulos 
poderíam começar sua missão a 
partir de Jerusalém. Jesus assegu­
rou que eles seriam batizados com 
o Espírito Santo: "E, estando com 
eles, determinou-lhes que não se 
ausentassem de Jerusalém, mas 
que esperassem a promessa do Pai, 
que (disse ele) de mim ouvistes. 
Porque, na verdade, João batizou 
com água, mas vós sereis batizados 
com o Espírito Santo, não muito de­
pois destes dias" (At 1.4-5 - grifo 
acrescido).
Eles obedeceram a Jesus e se 
reuniram no Cenáculo, onde fi­
caram em orações e súplicas, jun­
tamente com algumas mulheres 
seguidoras de Cristo (At 1.13.14), 
até que a "promessa do Pai" se 
tornou realidade.
Antes do Pentecostes
O judaísmo e as seitas que pro­
liferaram no período interbíblico, 
durante cerca de quatrocentos 
anos, levaram o povo de Israel a 
um estado de letargia espiritual. 
Os fariseus, os saduceus, os essê- 
nios e outros grupos religiosos 
daquela época tinham uma men­
sagem vazia, às vezes radicalista, 
cheia de hipocrisia e desfaçatez. 
Além disso, grande parte dos líde­
res desses grupos, com apoio dos 
sacerdotes judeus, perseguiam a 
Igreja nascente. Se esta não tivesse 
poder e não experimentasse o avi- 
vamento do Espírito Santo, jamais 
teria sobrevivido.
Jesus trouxe um novo tempo 
para o povo de Israel e para o 
mundo. Infelizmente, a maioria 
dos homens não compreendeu a 
mensagem dEle. Nesse contexto, 
Jesus determinou que os discí­
pulos teriam que esperar "a pro­
messa do Pai", prevista por Joel (J1 
2.28,29), de um derramamento do 
seu Espírito "sobre toda carne", 
ou seja, sobre toda a humanidade. 
Esse avivamento chegou no Dia 
de Pentecostes, quando o Espíri­
to Santo desceu sobre os que se 
achavam no Cenáculo orando 
a Deus, na expectativa do que 
aconteceria à Igreja após a volta 
de Jesus aos céus.
são para Hoje
A descida do 
Espírito Santo
Se com a presença de Jesus os 
discípulos já haviam experimenta­
do as evidências do poder de Deus 
em suas vidas, a ponto de verem 
curas, milagres e prodígios, e os 
demônios expulsos no Nome de 
Jesus, depois do batismo com o 
Espírito Santo, registrado em Atos 
2, houve uma verdadeira revolução 
espiritual no meio dos seguidores 
de Jesus. Na ocasião, houve sinais 
sobrenaturais de que o novo tempo 
havia chegado: "Cumprindo-se o 
dia de Pentecostes, estavam todos 
reunidos no mesmo lugar; e, de 
repente, veio do céu um som, como 
de um vento veemente e impetu­
oso, e encheu toda a casa em que 
estavam assentados. E foram vistas 
por eles línguas repartidas, como 
que de fogo, as quais pousaram 
sobre cada um deles. E todos foram 
cheios do Espírito Santo e come­
çaram a falar em outras línguas, 
conforme o Espírito Santo lhes 
concedia que falassem" (At 2.1-4).
Dali em diante, aquele movi­
mento espiritual, de dimensão 
jamais vista, deveria ser a marca 
impactante dos que faziam a Igreja 
de Jesus. No Novo Testamento, 
não existe a palavra "avivamento", 
mas vemos que, em todos os dias 
da Igreja Primitiva, o que identifi­
cava os cristãos era um viver fiel, 
santo e dedicado a Deus, num cli­
ma de avivamento espiritual cons­
tante. Nos Atos dos Apóstolos, o 
avivamento teve início, mas não
A 13
parou nos primeiros dias, como 
entendem irmãos cessassionistas, 
ligados principalmente a igrejas 
reformadas. Pelo contrário, pros­
seguiu na Igreja neotestamentária 
e continua até os dias de hoje, no 
meio dos crentes que aceitaram a 
Cristo como seu Salvador e bus­
cam uma vida de mais íntima 
comunhão com Ele. Meditemos 
nesse importante assunto do avi- 
vamento na vida da Igreja.
Os dons do Espírito Santo 
são para hoje
1. O engano dos cessassio­
nistas - Cessacionistas creem e 
afirmam que o batismo com o 
Espírito Santo, com sinais eviden­
tes de línguas estranhas aos que 
o recebiam, bem como os outros
sinais manifestados a partir do 
Dia de Pentecostes, foram “ape­
nas para aqueles dias", para os 
dias apostólicos; e seguindo seus 
teólogos e intérpretes da Bíblia, 
acrescentam ainda que o batismo 
com o Espírito Santo é a própria 
conversão. De acordo com a Bíblia, 
tal afirmação não corresponde à 
realidade dos fatos narrados no 
Novo Testamento.
“Os que se encontravam no 
Cenáculo, todos os dias, orando 
e esperando 'a promessa do Pai', 
não eram descrentes; muito pelo 
contrário, eram salvos, fiéis seguido­
res de Jesus. Participaram de seu 
ministério durante cerca de três 
anos e continuaram crendo, en­
sinando seu evangelho, que eram 
"boas novas" de poder, de unção 
e evidências de que o fenômeno
do batismo com línguas estranhas 
não era uma mensagem qualquer, 
de natureza religiosa, filosófica ou 
retórica e passageira. Era, na ver­
dade, a mensagem de Deus para 
os judeus, para a Igreja e para o 
mundo. Assim, nós, pentecostais, 
somos continuístas. Aceitamos 
que o batismo com o Espírito 
Santo, com evidência do falar em 
línguas estranhas, e os dons espi­
rituais, são para todos os tempos, 
desde que a Igreja foi inaugurada 
no Dia de Pentecostes" (LIMA, 
2023, p 52).
2. O Batismo com o Espírito 
Santo é para todos os salvos - Os
primeiros a receberem essa mani­
festação sobrenatural do Espírito 
Santo, com sinais evidentes, in­
cluindo o falar em línguas estra-
14
REIOB RO
nhas (para eles, os que falavam), 
foram os discípulos, que se reu­
niam no Cenáculo. Antes dessa 
experiência, eles foram levados até 
Betânia, onde Jesus os abençoou 
e voltou para o Céu (Lc 24.50,51); 
em seguida, depois da ascensão 
de Jesus, eles voltaram de Betânia 
para Jerusalém, os onze discípulos 
e também "as mulheres", os quais 
foram para o Cenáculo, onde per- 
severavam em oração, esperando 
o cumprimento da "promessa do 
Pai": "E, entrando, subiram ao ce­
náculo, onde habitavam Pedro e 
Tiago, João e André, Filipe e Tomé, 
Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho 
de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, 
filho de Tiago. Todos estes perse- 
veravam unanimemente em ora­
ção e súplicas, com as mulheres,
e Maria, mãe de Jesus, e com seus 
irmãos" (At 1.13,14).
Era grande a expectativa da­
queles irmãos, discípulos de Jesus, 
sobre o que aconteceria depois da 
volta de Jesus aos céus, mas eles 
se lembravam da promessa que o 
Senhor lhes fizera, em suas últi­
mas instruções, antes de ir para o 
Calvário, quando lhes prometeu o 
envio do Consolador. "E eu rogarei 
ao Pai, e ele vos dará outro Con­
solador, para que fique convosco 
para sempre" (Jo 14.16). Essa pro­
messa Ele repetiu nos momentospróximos à Sua ascensão: "E eis 
que sobre vós envio a promessa 
de meu Pai; ficai, porém, na cidade 
de Jerusalém, até que do alto sejais 
revestidos de poder" (Lc 24.49). Ela 
foi reiterada em Atos 1.5, explici­
tando que essa "promessa do Pai" 
era o batismo com o Espírito Santo.
Com a descida do Espírito 
Santo sobre os discípulos no Ce­
náculo, em Jerusalém, em Atos 2, 
houve grande alvoroço, pois era 
comemorado o Dia de Pentecostes, 
a segunda maior festa dos judeus, 
depois da Páscoa. Então. Pedro 
levantou-se e fez um discurso ex­
plicando a todos o que significava 
aquele movimento espiritual, ou 
melhor, aquele avivamento espiri­
tual, dizendo: "Mas isto é o que 
foi dito pelo profeta Joel: E nos 
últimos dias acontecerá, diz Deus, 
que do meu Espírito derramarei 
sobre toda a carne; e os vossos 
filhos e as vossas filhas profetiza­
rão, os vossos jovens terão visões, 
e os vossos velhos sonharão so- Á
nhos; e também do meu Espírito 
derramarei sobre os meus servos 
e minhas servas, naqueles dias, e 
profetizarão" (At 2.16-18).
As palavras de Pedro, em seu 
discurso inflamado sobre o ba­
tismo com o Espírito Santo, cau­
saram grande avivamento entre 
os que ali estavam, a ponto de, 
compungidos, indagarem: "Que 
faremos, varões irmãos?". Vejamos 
a resposta de Pedro, de modo di­
reto, incisivo e contundente, que 
não deixa a menor dúvida sobre o 
significado e o alcance do batismo 
com o Espírito Santo, "a promessa 
do Pai", "o dom do Espírito Santo": 
"E disse-lhes Pedro: Arrependei- 
-vos, e cada um de vós seja batiza­
do em nome de Jesus Cristo para 
perdão dos pecados, e recebereis 
o dom do Espírito Santo. Porque a 
promessa vos diz respeito a vós, a 
vossos filhos e a todos os que estão
longe: a tantos quantos Deus, nos­
so Senhor, chamar" (At 2.38,39).
Nesse trecho do discurso de 
Pedro, ele deixou bem claro que o 
batismo com o Espírito Santo, com 
sinais evidentes do falar línguas, 
não seria só para aqueles que se 
encontravam no Cenáculo no Dia 
de Pentecostes. Ele declarou com 
toda a clareza que a promessa era 
"para vós", os judeus a quem ele 
se dirigia"; "a vossos filhos", ou 
seja, aos descendentes dos judeus 
convertidos; "e a todos os que es­
tão longe" (os judeus convertidos 
e dispersos); e o mais importan­
te: "a tantos quanto Deus, nosso 
Senhor, chamar". Ou seja, é para 
todos os salvos.
3. A necessidade premente dos 
dons nos dias atuais - Deus quer 
"que, agora, pela igreja, a multifor- 
me sabedoria de Deus seja conhe­
cida dos principados e potestades 
nos céus" (Ef 3.10). Esta é uma das 
elevadíssimas missões da igreja 
nos dias atuais, como em todos os 
tempos: além de ser portadora da 
mensagem de salvação na Terra, 
deve ser portadora do conhecimen­
to e da sabedoria divina até mesmo 
perante os principados e potesta­
des espirituais. Essa sabedoria é 
tão profunda que Paulo teve de 
exclamar de modo eloquente: "O 
profundidade das riquezas, tanto 
da sabedoria, como da ciência de 
Deus! Quão insondáveis são os 
seus juízos, e quão inescrutáveis, 
os seus caminhos!" (Rm 11.13).
Diante de tão grande sabedo­
ria, a ser conhecida na esfera celes­
tial e na esfera dos homens, Deus 
quis propiciar à igreja o acesso a 
recursos espirituais, tanto para 
conhecer a ciência de Deus quanto 
para demonstrar o Seu poder no
meio dos homens. Se não fossem 
os dons espirituais nos dias de 
hoje, a Igreja seria apenas uma 
instituição meramente humana, 
uma "associação religiosa sem 
fins econômicos", por exigência 
legal. Assim, Deus capacitou a 
igreja, como organismo espiritual 
por excelência, com característi­
cas e recursos que transcendem a 
esfera humana. Diz Paulo, acerca 
desses recursos e manifestações 
espirituais: "Ora, há diversidade 
de dons, mas o Espírito é o mesmo. 
E há diversidade de ministérios, 
mas o Senhor é o mesmo. E há 
diversidade de operações, mas é 
o mesmo Deus que opera tudo 
em todos" (1 Co 12.4-6). "A 'multi- 
forme sabedoria de Deus' nunca 
poderia ser demonstrada através 
de um só dom. A mente humana 
jamais abarcaria a grandeza e a 
profundidade do saber divino. As­
sim, quis Deus que houvesse uma
diversidade de dons espirituais, 
para que, de modo equilibrado, os 
crentes pudessem compreender e 
atuar na esfera da vida espiritual" 
(LIMA, 2014, p. 25).
Dessa forma, Paulo registra 
que há nove tipos de dons (não 
nove dons). Numa igreja bem edi- 
ficada, os dons são abundantes. 
Há palavra de sabedoria, ciência 
de Deus, existe a fé; há os dons de 
curar, que são variados; há opera­
ção de maravilhas; há profecia au­
têntica e não "profetadas", porque 
há "dom de discernir os espíritos"; 
e também há línguas e interpre­
tação de línguas (cf. 1 Co 12.7-10).
Horton diz que "o Espírito 
Santo quer honrar Jesus, não só 
chamando-o de Senhor, mas dis­
tribuindo uma 'diversidade' (di­
ferentes tipos) de dons espirituais 
(gr. charismata, dons da graça li­
vremente dados; cf. charis, 'graça'). 
O único Espírito Santo é a fonte de
todos eles". Esse autor acrescenta 
que os diversos ministérios ou 
serviços (gr. diakoniõn) têm sua 
fonte no "único Senhor Jesus e os 
tipos de operações e atividades 
(gr. energematõn) vêm do único 
Deus, que opera efetivamente em 
todos eles e em todos os crentes". 
(HORTON, 2003, p. 112).
Os dons espirituais fazem 
parte do mais poderoso arsenal à 
disposição da Igreja nos dias de hoje 
para cumprir sua missão, num 
mundo dominado pela increduli­
dade e pela oposição cerrada con­
tra os seguidores de Jesus Cristo.
Na realidade, dons, ministérios e 
operações (1 Co 12.4-6) formam 
o arsenal espiritual que equipa 
a igreja para o cumprimento de 
sua missão ante as forças que se 
opõem a ela. O que seria da igreja 
se não houvesse esses recursos so­
brenaturais? Certamente, já teria 
desaparecido da face da terra há A
OB
17
REIRO
REFERÊNCIAS
NORTON, Stanley M. I e II Coríntios - os problemas da igreja esuas soluções. Rio de Janeiro, CPAD, 2003. 
LIMA, Elinaldo Renovato de. Dons Espirituais e Ministeriais. Riode Janeiro, CPAD, 2014. 
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ Aviva a Tua Obra. Rio de Janeiro, CPAD 2023.
muito tempo. Mas, como Corpo 
de Cristo, ela é indestrutível. Per­
seguida, sofrida, ameaçada, mas 
vitoriosa! Todos os impérios que 
se levantaram contra ela já su­
cumbiram. E os que ainda existem 
também hão de ser aniquilados. 
"As portas do inferno não preva­
lecerão contra ela" (Mt 16.18).
Negar a atualidade dos dons 
espirituais, como consequência 
natural do batismo com o Espírito 
Santo é negar a essência do poder 
de Deus, prometido por Cristo à 
Sua Igreja. Após prometer que 
Seus seguidores seriam batiza­
dos com o Espírito Santo pouco 
tempo depois, Ele proclamou de 
modo eloquente e claro: "Mas 
recebereis a virtude do Espírito 
Santo, que há de vir sobre vós; e 
ser-me-eis testemunhas tanto em 
Jerusalém como em toda a Judeia
e Samaria e até aos confins da 
terra" (At 1.8). Não há um só ver­
sículo no Novo Testamento que 
indique ou sugira que os dons 
espirituais foram "apenas para 
os dias apostólicos". Já pedimos 
a alguns cessassionistas que mos­
trassem uma só referência bíblica 
sobre essa afirmação equivocada 
e nenhum deles nos apontou. 
Apenas se baseiam nos "evange­
lhos" segundo seus teólogos.
A palavra de Deus exorta: 
"Assim, também vós, como de­
sejais dons espirituais, procurai 
sobejar neles, para a edificação da 
igreja" (1 Co 14.12). É preciso que 
os crentes desejam e procurem os 
dons espirituais. A maioria não 
busca. "Portanto, procurai com 
zelo os melhores dons; e eu vos 
mostrarei um caminho ainda mais 
excelente" (1 Co 12.31). "Segui o
A
amor, e procurai com zelo os dons 
espirituais, mas principalmente o 
de profetizar" (1 Co 14.1).
A luz da Palavra de Deus, não 
há dúvidas de que os dons espiri­
tuais, demonstrados no Novo Tes­
tamento, são para os dias de hoje. 
A ausência de manifestação dos 
dons espirituais em grande parte 
das igrejas, inclusive em igrejas 
pentecostais, é consequência do 
comodismo que tem tomado conta 
de muitos ministériospelo Brasil 
afora. Pregações modernistas to­
mam o lugar da mensagem cris- 
tocêntrica, na unção do Espírito 
Santo. Estamos observando que 
muitas igrejas pentecostais estão 
se "despentecostalizando". Que 
Deus nos ajude a entender que 
sem os dons espirituais nos dias 
de hoje, igrejas se tornarão apenas 
"museus do pentecostalismo". I
i y '
PENTECOSTAL SOBRE 
ATOS DOS APÓSTOLOS
VOLUME 1
^ > x o
0 3 1
55»' ' a 2.47
VOLUME 1
COMENTÁRIO
EXEGÉTICO
ATOS
INTRODUÇÃO
e C A P S, 1.1 a 2.47
CRAIG s. KEENER
■K ^ ^ » ^ 1-238
Para os historiadores interessados no cristianismo 
primitivo depois de Jesus, Atos é a única fonte 
disponível. Fruto de uma pesquisa de mais de vinte 
anos e sete de redação, o altamente respeitado 
estudioso do Novo Testamento Craig S. Keener 
escreveu um dos maiores e mais documentados 
comentários de Atos já escrito.
Com forte ênfase no contexto social e histórico, 
este trabalho coloca Atos sob a perspectiva do 
primeiro século, com foco no que o texto bíblico 
significava para seus primeiros leitores.
Neste primeiro volume de uma série de quatro, Keener 
nos apresenta uma extensa e relevante introdução 
bem como os comentários pormenorizados de 
Atos 1.1 até 2.47.
Principais características;
• Leitura sócio-histórica, exegética e teológica de Atos;
• Comentários versículo por versículo;
• Se utiliza tanto de estudos mais atuais quanto de 
materiais de fonte primária e secundária.
Sobre o autor:
Craig S. Keener, um dos maiores teólogos pente- 
costais da atualidade, é Ph.D. pela Duke University 
é F. M, e Professor de Estudos Bíblicos no Asbury 
Theological Seminary.
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ersiste
Ler
CB4D
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Jonas Jun io r M endes é evange lis ta , 
m e m b ro do Conse lho de Educação 
e C u ltu ra das A ssem blé ias de Deus 
de Cuiabá e Região; g ra du ado em 
Teologia, com pós-g raduação em 
Teologia do Novo Testam ento;
licenc iado em F ilosofia e 
P edagog ia com m es tra d o em 
F ilosofia pela UFMT; e pro fessor de 
Teologia na Faculdade FEICS e de 
F ilosofia na Faculdade FASIPE.
Os dons de 
elocução 
comunicam os 
sentimentos 
divinos ao Seu 
povo enquanto 
este estiver 
neste mundo
Jonas Jun io r M endes
Dons d
Q
uando lemos no ori­
ginal grego o após­
tolo Paulo dizendo, 
na passagem de 1 
.1, "acerca dos dons 
espirituais", não aparece no texto 
grego a expressão "dons". Sendo 
assim, uma tradução possível 
seria; "acerca dos espirituais". 
O plural genitivo TrveupaxiKCÕv 
(pneumatikon) pode ser neutro 
ou masculino. Caso seja mas­
culino, a discussão subsequente 
de Paulo se concentra naqueles 
que se consideram espirituais, 
"os espirituais". Caso seja neu­
tro, então a discussão do apósto­
lo Paulo se concentra nas coisas 
que dizem respeito ao Espírito, 
como os dons (2018, p. 161). O 
adjetivo 7iv£upaxixóç, tradicio­
nalmente traduzido por "espi­
ritual", refere-se à atividade/ 
presença do Espírito Santo. A 
melhor tradução para o termo 
talvez seja "as coisas do Espí­
rito", que seria basicamente 
"referência às manifestações 
do Espírito, da perspectiva da 
capacitação pelo Espírito; ao 
mesmo tempo, apontaria para 
aqueles que são assim capacita­
dos" (2019, p. 719-728). Como a 
expressão TtveupaiLKÓç (pneu- 
matikós) indica "aquilo que per­
tence ao espirito", ou até mesmo 
"dons, coisas espirituais" (1995, 
p. 316), conclui-se que não há 
nenhum problema na tradução 
"dons espirituais".
Propósito dos dons
Os dons são capacidades es­
pirituais concedidas por Deus a 
nós com o propósito de edificar 
a igreja para a realização de sua 
missão evangelizadora no mundo. 
Os dons são "concedidos gratuita­
mente, pela vontade soberana do 
Espírito, com o fim de fortalecer 
a igreja como organismo vivo" 
(2011, p. 36). Eles são a manifestação 
pública de Deus entre o Seu povo 
(2016, p. 15). Os dons não tomam o 
lugar da Bíblia na igreja (2020, p. 
202), mas são importantes para a 
mesma. Rejeitar os dons, é, de certo 
modo, dar as costas a Deus.
Classificação dos 
dons espirituais
"Os dons espirituais são vá­
rios, e nenhuma lista deles no 
Novo Testamento pretende ser 
exaustiva (...)" (2017, p. 172). Ou 
seja, as listas de dons apresenta­
das são exemplificativas; sendo 
assim, a classificação pauta-se 
em propósitos didáticos. Os dons 
apresentados por Paulo podem 
ser classificados da seguinte 
maneira:
a) Aqueles que concedem po­
der para saber sobrenaturalmente: 
palavra de sabedoria, palavra de 
conhecimento e discernimento;
b) Aqueles que concedem po­
der para agir sobrenaturalmente; 
fé, milagres e curas;
OB
20
REIRO
c) Aqueles que concedem po­
der para falar sobrenaturalmente: 
profecia, línguas e interpretação 
(2009, p. 320).
Ou podemos classificá-los 
também como Dons de Revela­
ção, Dons de Poder e Dons de 
Elocução/Expressão, conforme 
utilizado por Severino Pedro 
(1996) e Elienai Cabral (2011). Os 
dons de revelação expressam os 
pensamentos de Deus e também 
podem ser chamados de "dons de 
sabedoria" ou de "inspiração". Os 
dons de poder manifestam Sua 
onipotência e grandeza. Os dons 
de elocução/expressão comuni­
cam os sentimentos do coração de 
Deus (1996, p. 112).
Veremos a seguir os dons co­
nhecidos como "Dons de Elocução".
Profecia
Profecia é uma expressão ver­
bal, espontânea, inteligível, que 
normalmente ocorre na assem­
bléia dos crentes (2006, p. 1013). 
Profecia não pode ser reduzida 
à pregação, como alguns fazem. 
Craig S. Keener mostra isso, ao 
dizer que "no sentido bíblico, a 
profecia comumente depende 
de inspiração momentânea tanto 
quanto o dom de línguas. Não é 
apenas 'pregação'(...)" (2018, p. 116). 
Severino Pedro destaca três aspec­
tos da profecia: sua origem, valor 
e finalidade (1996, p. 112). Veremos 
brevemente esses três aspectos.
A
21
REIOB RO
1) Origem da profecia - Ao
tratar da profecia, o apóstolo Paulo 
diz: "E falem dois ou três profe­
tas, e os outros julguem. Mas, se 
a outro, que estiver assentado, for 
revelada alguma coisa, cale-se o 
primeiro. (1 Co 14:29,30). Isso mos­
tra que a origem da verdadeira 
profecia é divina, pois é "revela­
da". Wayne Grudem destaca que:
a) A revelação vem espontane­
amente, pois acontecia enquanto 
o primeiro profeta ainda falava. 
Não se trata de um estudo ou um 
sermão previamente preparado, 
mas de algo inspirado pelo Espí­
rito Santo de Deus.
b) A revelação vem a um in­
divíduo específico, a alguém que 
está sentado, e não à congregação 
inteira.
c) A revelação (apokalypsis) é de 
Deus, tem origem divina e não hu­
mana, pois sempre que a palavra 
"revelação" é usada no Novo Tes­
tamento, ela se refere à atividade 
de Deus, de Cristo ou do Espírito 
Santo (2020, p. 93-94).
Fica, portanto, evidente que, 
para Paulo, a origem da profecia 
é divina e que todos podem ser 
usados, mas cada um por sua vez, 
respeitando o princípio da ordem 
no culto. Paulo diz ainda que "os 
espíritos dos profetas estão su­
jeitos aos profetas" (ICo 14.32). 
Segundo Gordon Fee, a expressão 
"espírito dos profetas" significa 
"o Espirito profético" pelo qual 
cada um deles fala por meio do 
seu espírito. Ou seja, a ideia é que 
as falas estão sujeitas a quem fala 
no que diz respeito ao momento 
em que isso acontece, e o conteúdo 
é entendido como o produto do 
Espírito Divino que inspira tais 
falas (2019, p. 880). Sendo assim, 
o profeta escolhe quando e como 
transmitir a mensagem que rece­
beu, mas não é a fonte da mensa­
gem, pois ela procede de Deus.
2) O valor da profecia - A pro­
fecia é extremamente importante, 
pois foi umas formas escolhidas 
por Deus para se revelar a nós, e 
também para falar conosco. Paulo 
disse: "Procurai com zelo os dons 
espirituais, mas principalmente 
o de profetizar" (ICo 14.1). Paulo 
também orientou a igreja de Tessa- 
lônica a não "extinguir o Espírito", 
a "não desprezar as profecias" e a 
"examinar tudo" e "reter o bem" 
(lTs 5.19-21). Sobre esta última 
passagem paulina, Sam Stormsdestaca que a atividade do Espírito 
de transmitir visão reveladora da 
vontade de Deus é comparada por 
Paulo a um fogo que não devemos 
apagar com a água do ceticismo, da 
religiosidade ou do medo. Mas, em 
vez de apagar o Espírito Santo ou 
desprezar as profecias, devemos 
examinar tudo (2016, p. 129).
3) A finalidade da profecia - 
Paulo destaca que a profecia tem 
algumas finalidades: edificar, 
exortar e consolar (ICo 14.3). A 
profecia é maior que o dom de lín­
guas, quando não há interpretação, 
porque "o que profetiza edifica a 
igreja" (ICo 14.4) e o que fala em 
línguas sem interpretação edifica 
a si próprio. Exatamente por isso, 
o dom de profecia é superior. "E 
eu quero que todos vós faleis em 
línguas", diz Paulo, "mas muito 
mais que profetizeis; porque o que 
profetiza é maior do que o que fala 
em línguas, a não ser que também 
interprete para que a igreja receba 
edificação" (ICo 14.5).
Dom de línguas
"E a outro a variedade de lín­
guas" (1 Co 12.10). A "variedade de 
línguas" se refere ao dom de falar 
em línguas desconhecidas e nunca
AA
dantes aprendidas pelos locutores, 
e é frequentemente chamado de 
"glossolália" (2016, p. 1014). Antes de 
vermos a posição de Paulo sobre o 
dom de línguas, é bom termos em 
mente alguns aspectos da posição 
de Lucas sobre o assunto.
1) Línguas em Atos dos Após­
tolos - Em Atos, "o falar em lín­
guas é como um tipo especial de 
discurso profético" (2019, p. 41). 
Lucas mostra que a igreja é "a co­
munidade de profetas dos últimos 
dias", que foi batizada e empode- 
rada pelo Espírito (2018, 115-142). 
A delegação do Espirito Santo 
de Jesus aos discípulos no Dia de 
Pentecostes espelha a antiga dele­
gação do Espírito Santo de Moisés 
aos anciãos (At 2.15ss; Nm 11.25). 
Além disso, do mesmo modo que 
a profecia é o sinal por excelência 
da delegação do Espírito no Antigo 
Testamento, no Dia de Pentecostes, 
são o falar em línguas e o profeti­
zar (At 2.4,17) (2020,222). Em Atos, 
as línguas são apresentadas como 
evidência inicial do batismo no 
Espírito Santo, pois dos quatro 
relatos da descida do Espírito, três 
explicitamente citam a glossolalia 
como seu resultado imediato (At 
2.4; 10.44-46; 19.6), e o outro insinua 
isso fortemente (At 8.14-19). Elas re­
presentam "falas proféticas emiti­
das pelos mensageiros de Deus dos 
tempos do fim". Na visão de Lucas, 
todo membro da igreja é chamado 
(Lc 24.45-49; At 1.4-8/ Is 49.6) a rece­
ber poder (At 2.17-21; cf. 4.31) para 
profetizar (2019, p. 42-59), ou seja, 
todo crente pode manifestar esse 
dom espiritual. Lucas apresenta o 
falar em línguas (glossolalia) como 
um sinal poderoso e edificante: 
um sinal que nos lembra de nosso 
chamado como profetas do tempo 
do fim e que testemunha a majes­
tade e o status glorificado de Jesus 
(2019, p. 146).
11/
1 Ê m ]
2) Línguas em Paulo - Paulo, 
diferentemente de Lucas, está tra­
tando de um problema específico 
na igreja de Corínto. Ao que tudo 
indica, alguns dos coríntios pare­
cem ter visto as línguas como uma 
expressão de um nível superior de 
espiritualidade. Assim, valoriza­
vam as línguas acima de outros 
dons e, no contexto das reuniões 
institucionais, seu elitismo espi­
ritual frequentemente encontrava 
expressão em explosões ininteligí­
veis que interrompiam as reuniões 
e não edificavam a igreja (2019, p. 
147). Paulo mostra que as línguas 
são importantes, pois o próprio 
Paulo falava em línguas mais do 
que todos (ICo 14.18) e desejava que 
todos falassem em línguas (ICo 
14.5). Mas, no contexto do culto 
público, onde o objetivo é a edifi­
cação do corpo, ele diz: "Todavia 
eu antes quero falar na igreja cinco 
palavras na minha própria inte­
ligência, para que possa também 
instruir os outros, do que dez mil 
palavras em língua desconhecida"
(ICo 14:18,19). Paulo mostra que 
"no culto, nem todos são chama­
dos para fazer uma verbalização 
pública em línguas" (2011, p. 81), 
quando diz: "Falam todos diversas 
línguas?" (1 Co 12.30). Ele não está 
proibindo o uso das línguas, pois 
ele mesmo disse: "Eu quero que 
todos vós faleis em línguas" (1 Co 
14:5). E "não proibais falar línguas" 
(ICo 14:39); e até disse que no culto 
"tem língua, tem interpretação" 
(1 Co 14.26). Portanto, Paulo não 
estava restringindo todo o uso 
das línguas, mas apenas um uso 
equivocado das línguas no culto 
público. Paulo não exclui o falar 
em línguas em um nível pessoal 
e discreto no culto ("...fale consigo 
mesmo e com Deus", ICo 14.28), 
além de se referir à função autoedi- 
ficadora do falar em línguas. Pode 
haver línguas no culto, desde que 
não interfiram na ordem do culto, 
a não ser que haja interpretação.
Como podemos ver pelo con­
texto de 1 Coríntios 14, Paulo não 
está falando sobre o papel do dom
de línguas no geral, mas apenas 
do seu uso sem interpretação na 
assembléia pública (2016, p. 159). 
Silas Daniel destaca que "o pro­
pósito de Paulo nesses versícu­
los é tratar da ordem no uso das 
línguas no culto público e não da 
proibição de se falar em línguas 
no culto público" (2020, p. 289). 
Obviamente Paulo não está pro­
pondo a abolição das línguas na 
reunião, mas apenas mostrando 
que deve haver um predomínio 
do discurso inteligível para a edi­
ficação de todos na assembléia. A 
preocupação de Paulo não é "com 
o falar em línguas em si no culto, 
mas com o espaço exagerado que 
as línguas estavam ganhando na 
adoração pública, perturbando a 
ordem do culto e tomando o lu­
gar das mensagens inteligíveis: 
cântico, pregação e orações (1 Co 
14.6-11,16,19)" (2020, p. 289). Fica 
evidente que as línguas, assim 
como a profecia, estão disponíveis 
a todos da comunidade dos cren­
tes, todos podem falar em línguas, A
e até devem buscar isso (2011, p. 
81), mas de forma a resguardar o 
princípio da ordem no culto.
Concluindo, Paulo mostra que 
as línguas são importantes e aju­
dam na edificação pessoal. Ele não 
permite a proibição das línguas, 
e deseja que todos falem em lín­
guas, mas também deseja que no 
culto público haja interpretação 
para que todos sejam edificados. 
Paulo mostra que o "dom de lín­
guas" está disponível a todos, 
assim como Lucas, mas, diferen­
temente de Lucas, não aborda a 
questão da evidência inicial, pois 
não era o seu propósito.
3) Oração em línguas - A ora­
ção em línguas é uma graça espe­
cial ao crente manifestada através 
do Espírito Santo, que ensina o nos­
so espírito interior a orar a Deus, 
independentemente do intelecto. 
"Não é o Espirito Santo que ora. É 
o espirito do crente que ora impe­
lido pelo Espírito Santo e fala em 
mistérios com Deus" (2011, p. 26). 
Paulo reconhece o valor da oração 
em línguas, mas também destacou 
que enquanto orava em línguas 
o seu espírito era edificado, mas 
o entendimento ficava sem fruto. 
"Então, que farei?". Paulo respon­
de: "Orarei com o espírito [ou seja, 
orarei em línguas], mas também
orarei com o entendimento", ou 
seja, as duas coisas. Paulo não abriu 
mão da experiência de orar em 
línguas, mas buscou o equilíbrio 
para que o entendimento não ficas­
se sem fruto. "Claramente, Paulo 
acreditava que uma experiência 
espiritual além do alcance da sua 
mente ainda era profundamente 
proveitosa. Paulo acreditava não 
ser absolutamente necessária uma 
experiência ser racionalmente 
cognitiva para ser espiritualmente 
benéfica e glorificar a Deus" (2016, 
p. 154).
Interpretação de línguas
A interpretação de línguas 
se faz necessário, pois o objetivo 
da reunião não é apenas louvar 
e orar, mas também instruir, en­
corajar e edificar os membros do 
Corpo. Portanto, tudo que aconte­
ce no âmbito do culto público pre­
cisa ser inteligível. Paulo insiste 
na interpretação de línguas, para 
que todos possam compreender 
e sejam edificados (2016, p. 156). 
Quando Paulo diz: "se não houver 
intérprete, esteja calado na igreja" 
(1 Co 14:28), Paulo não está dizen­
do "se não houver interpretes não 
pode haver línguas na igreja em 
hipótese alguma", ou seja, Paulo
não está afirmando que só pode 
ter línguas no culto se houver in­
terpretação.O que ele diz, segun­
do Silas Daniel (2020, p. 290), é que 
se "uma pessoa fala em línguas na 
congregação de forma a chamar 
a atenção para si, proferindo lín­
guas ressonantemente, como uma 
intervenção na ordem do culto", 
então tem de haver interpretação. 
Se alguém fala em línguas discre­
tamente, "em momentos de louvor 
e adoração congregacionais, sem 
perturbar a ordem do culto", e 
"sem chamar a atenção para si" 
então não se faz necessário o uso 
de intérpretes. Fica evidente que 
Paulo não pretende restringir o 
uso das línguas no culto público, 
mas direcionar o seu uso de forma 
correta para que não haja abusos.
Sobre a interpretação de línguas, 
"Paulo não considera a possibilidade 
de alguém com um conhecimento 
adquirido da língua falada estar 
presente e ser capaz de interpretá- 
-la. Pelo contrário, ele insiste que só 
se pode interpretar essas línguas se 
alguém tem um dom especial do 
Espírito para fazê-lo" (2019, p. 167). A 
interpretação de línguas é uma ca­
pacitação divina para que possamos 
entender, de maneira sobrenatural, 
aquilo que está sendo dito. I
B IB LIO G RAFIA:
ARRINGTON, L. French; STRONSTAD, Roger. Comentário bíblico pentecostal: Novo testamento. - Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
CABRAL, Elienai. Movimento pentecostal: As doutrinas da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
C0DLING, Don. Sola scriptura e os dons de revelação: como lidar com a atual manifestação de profecias? Natal, RN: Carisma, 2020.
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ST0RMS, Sam. Dons espirituais: uma introdução bíblica, teológica e pastoral. Traduzido por Cláudio Chagas. - São Paulo: Vida Nova, 2016.
STRONSTAD, Roger. Teologia lucana sob análise: experiências e modelos paradigmáticos em Lucas-Atos. Tradução de Celso Roberto. - Natal, RN: Carisma, 2018. 
VANG, Preben. ICoríntios.Tradução de Susana Klassen. - São Paulo: Vida Nova, 2018.
RO
OBRAS PARA O 
ENRIQUECIMENTO DA 
SUA VIDA MINISTERIAL
§Antonio
Gilberto
i‘ k a , .l.
m, O Fruto
d° Espírito
f m m
A Plenitude de Cristo 
na Vida do Crente
?
O Fruto do Espírito
O caráter cristão é desenvolvido à medida que o Espírito Santo 
produz seu fruto no crente. O fruto do Espírito, descrito em 
Gálatas 5.22, é resultado da presença e da ação do Espírito 
Santo na vida do crente. Este livro é um estudo sobre o caráter 
cristão baseado em Gálatas 5 e textos bíblicos relacionados. 
Ele enfatiza o desenvolvimento de qualidades cristãs e sua 
manifestação nos nos relacionamentos e no serviço do cris­
tão. Aliando em sua escrita o esmero e a clareza didática que 
o consagram como um dos mais conhecidos e respeitados 
teólogos pentecostais brasileiros, o pastor Antonio Gilberto 
lança luz sobre as palavras do apóstolo Paulo em Gálatas 5.22: 
"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, 
benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio pró­
prio". Este livro irá ajudá-lo a entender o desenvolvimento de 
um caráter semelhante a Cristo e a descobrir como cultivar 
o desenvolvimento do fruto espiritual em sua vida diária, 
levando-o a alcançar a plenitude de Cristo.
Teologia Sistemática Pentecostal
Teologia Sistemática Pentecostal
Depois de lançar no Brasil a Bíblia de Estudo Pentecostal (1995), 
a Teologia Sistemática - Uma Perspectiva Pentecostal (1996), 
Doutrinas Bíblicas - Uma Perspectiva Pentecostal (1996) e o Co- 
mentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento (2003), dentre 
outros títulos do tipo, a CPAD lançou em sequência, em 2008, 
a Teologia Sistemática Pentecostal, escrita por oito teólogos 
destacados das Assembléias de Deus no Brasil: os pastores 
Antonio Gilberto, Elienai Cabral, Esequias Soares, Severino 
Pedro da Silva, Wagner Tadeu dos Santos Gaby, Ciro Sanches 
Zibordi, Claudionor de Andrade e Geremias do Couto. Trata- 
-se de uma ótima fonte de aprendizado e conhecimento. Sem 
dúvida, é uma obra que não pode faltar na estante do pastor, 
professor, superintendente de Escola Dominical e palestran­
tes pentecostais em nosso país. Ainda mais que as doutrinas 
da Bíblia Sagrada devem estar constantemente na pauta do 
estudante bíblico a fim de reciclar seus conhecimentos e for­
talecer a sua fé na pessoa de Jesus Cristo e na Sua doutrina.
25
Esdras Costa B entho
Esdras Costa B en tho é pastor, 
pedagogo, m estre e d o u to r em 
Teologia pela PUC-RJ; coo rdenador 
da G raduação em Teologia da 
Faculdade das A ssem blé ias de 
Deus (Faecad); con ferencis ta e 
au to r das obras H erm enêutica 
Fácil e D esco m p iica d a (CPAD) e 
Introdução ao Estudo do Antigo 
Testam ento (CPAD).
Os dons de 
revelação 
manifestam a 
sabedoria e a 
mensagem de 
Deus a fim de 
manter a saúde 
espiritual da 
Igreja de Cristo
Nas décadas de 30 e 40 
do século 18, o pro­
fessor da Universi­
dade de Yale e prega­
dor puritano Jonathan Edwards 
(1703-1758) preocupou-se com a 
legitimidade das experiências re­
ligiosas durante o período de avi- 
vamento espiritual de seu tempo. 
Embora o psicólogo da religião 
W. James mais tarde não concor­
dasse com algumas proposições 
de Edwards, próprias de um te­
ólogo puritano que distingue o 
"convertido" como uma espécie 
de homem diferente, cita critica­
mente a obra de Edwards, Tratado 
das Afeições Religiosas, mostrando 
o pensamento arguto do autor.
Edwards afirm ara que "na 
medida em que as influências do 
verdadeiro Espírito abundavam, 
também as falsificações se disse­
minavam", e, por isso, procura ins­
truir a comunidade para a correta 
distinção entre o verdadeiro e o 
falso testemunho da revelação do 
Espírito. Edwards afirmava que a 
variedade da experiência religiosa 
não é critério suficiente para negar 
a experiência, uma vez que Deus 
não limita sua ação apenas ao 
que é revelado na Escritura, pois 
age de maneira diversa e nova. 
Ele ensinou que uma ação divina 
nunca deve ser julgada por sua 
reação emocional ou física, e que 
a popularidade da manifestação 
também não afiança sua origem 
divina.
Edwards considerava a Bíblia 
o fundamento para discernir os 
testemunhos verdadeiros dos fal­
sos, principalmente a partir dos 
escritos joaninos (ljo 4). O cristão é 
alertado nas Escrituras, pelo Espí­
rito, da existência de "imitações" 
e "falsificações" da experiência e 
carisma do Espírito. E, para isso, 
a Escritura instrui o crente com 
critérios eficazes para discernir o 
testemunho, a manifestação caris­
mática ou a experiência de êxtase 
de suas falsificações e idealizações 
mentais.
Segundo Edwards, com base 
em 1 João 4, os critérios para 
discernir racionalmente os teste­
munhos de experiência religiosa 
são: (1) O fato de a ação e o teste­
munho produzirem efeitos que 
engrandeçam a estima das pes­
soas por Jesus (ljo 4,2-3); (2) Se o 
espírito e o testemunho agirem 
contra os interesses do reino de 
Satanás (ljo 4.4-5); (3) O espírito e 
o testemunho geram nos homens 
uma profunda consideração pelas 
Escrituras (ljo 4.6);(4) O espírito 
e o testemunho revelam caracte­
rísticas da ação do Espírito Santo 
em oposição às ações e à natureza 
do espírito do erro (ljo 4.6); (5) Se 
o espírito que está em ação opera 
como "espírito de amor" a Deus e 
aos homens (ljo 4.7).
Edwards também apresentou 
as dimensões práticas e positivas 
de uma revelação espiritual na 
experiência religiosa. Por sua ex-
tensão, cito apenas duas: amor à 
Palavra de Deus e consciência de 
pecado e salvação. Por fim, afirma: 
"As regras das Escrituras servem 
para distinguirmos entre as in­
fluências comuns do Espírito de 
Deus, como as que são salvíficas, 
e a influência de outras causas". 
Por fim, solicita aos que afirmam 
algum tipo de experiência profun­
da: "Humildade, desconfiança de 
si mesmo e uma total dependência 
de nosso Senhor Jesus Cristo serão 
nossa melhor defesa".
Classificação dos
carismas de revelação
No pentecostalismo clássico, 
são chamados de "dons de re­
velação" três dons específicos: 
palavra de sabedoria, palavra 
da ciência (ICo 12.8) e discernir 
os espíritos (ICo 12.10). Todavia, 
a classificação desses três como 
"revelação" não representa uma 
unidade na teologia pentecostal. 
Eurico Bergstén classifica-os como 
"dons da sabedoria de Deus", mas, 
ao comentá-los, segue a ordem do 
texto bíblico; inclusive, a classifica­
ção usada por Bergstén é uma das 
mais adequadas ao texto bíblico: 
dons que manifestam o poder de 
Deus; dons que manifestam a sa­
bedoria de Deus e dons que mani­
festam a mensagem de Deus.
David Lim, embora reconheça 
a existência da tríplice classifica­
ção (revelação, poder e expressão), 
classifica os dois primeiros como
Á
OB01RO
"dons de ensino" e o terceiro como 
"dons do ministério". Lim segue 
a ordem dos carismas no texto 
bíblico, enquanto os pentecostais 
brasileiros costumam organizar 
pelas funções.
Todavia, em 1 Corínitos 12.10, 
o d iscern im ento de esp írito 
(òiaKQÍüEiç Ttveupáxajv) aparece 
entre os dons de locução, que são 
profecia, variedade de línguas 
e interpretação de línguas. Pelo 
que se depreende de 1 Coríntios 
14, a maneira como os três dons 
de comunicação se manifestavam 
na comunidade distorcia o pro­
pósito didático da liturgia (ICo 
14.5,12,19,26). Paulo, então, introduz 
o discernimento de espírito entre 
esses carismas como advertência 
ao profeta e glossolalo de que o 
Espírito habilitou alguns para dis­
cernir suas falas. Pelo menos, por
quatro vezes, os termos "julgar" 
(biaKQÍvco) e "provar" (ôoiapaCca) 
são mencionados juntamente com 
os dons de locução (ICo 14.26, 29; 
lTs 5.19-21; ljo 4.1). Essa relação 
significa que uma das proprieda­
des do discernimento de espírito é 
distinguir a glossolalia e a profecia 
do ânimo (espírito) do próprio pro­
feta e do espírito do anticristo (ljo 
4.1-6), da profecia revelada pelo 
Espírito (ICo 14.30,32).
Por outro lado, é possível, en­
tretanto, que a classificação desses 
três carismas como "revelação" 
seja uma ilação do vocábulo de 1 
Corínitos 14.6 (àTXOKaÀúipei), uma 
vez que esses dons habilitam o 
crente para conhecer (sabedoria, 
conhecimento e discernimento), 
falar (profecia, línguas e interpre­
tação de línguas) e agir (fé, curas, 
milagres) sobrenaturalmente (ICo
12.8-10). Contudo, é importante si­
nalizar que a profecia é chamada 
de revelação (ICo 14.24-25,30), e 
o hermeneuta de línguas, aquele 
que as interpreta, só interpreta-as 
mediante uma revelação do Espí­
rito (ICo 12.10-11). De modo geral, 
todos os dons revelam (ICo 14.6) 
a ação do Espírito na assembléia, 
mas a teologia pentecostal atribui 
o título de "dons de revelação" a 
três carismas específicos.
Palavra de Sabedoria 
(ICo 12.8)
A palavra de sabedoria (Aóyoç 
CTOcjHaç) é uma habilidade sobre­
natural que o Espírito Santo con­
cede a determinados cristãos para 
declarar uma sabedoria em circuns­
tâncias específicas. Geralmente, 
distinguem-se os substantivos 
lógos (Àóyoç), isto é, "razão", "ciên-
28
OB RO
cia", "estudo"; eipon (eiTcov), "falar", 
"dizer"; ou ainda rhema (pqpa), 
"aquilo que é falado". Contudo, o 
sentido de Aóyoç aqui não quer 
dizer tratado, ciência ou estudo 
meditado e profundo, mas "um 
falar", "fala", "pronunciamento", 
"uma declaração", como ocor­
re em Mateus 8.8 e 1 Coríntios 
14.9. Palavra de sabedoria é um 
pronunciamento espontâneo de 
sabedoria do Espírito com a finali­
dade de anunciar uma mensagem 
ou conselho de sabedoria, como 
traduzem a NLH ("mensagem de 
sabedoria") e a NVT ("conselhos 
sábios"). Palavra de sabedoria 
pode inserir-se em outras duas ca­
tegorias: carisma de comunicação 
e carisma pedagógico.
A palavra de sabedoria é um 
conselho do Espírito. Na Primeira 
Aliança, o Espírito é chamado de 
o "Espírito de sabedoria", que re­
pousaria sobre o Messias (Is 11.2). 
O termo hokhmãh não se refere 
aqui às habilidades técnicas (Êx
28.3) ou à capacidade estratégica 
de governança (Gn 41.33-40), mas 
ao Messias como manifestação da 
sabedoria de Deus (Mt 13.54; Mc 
6.2; ICo 1.24,30; Cl 2.3).
A palavra da sabedoria não é a 
sabedoria como dom geral (Tg 1.5) 
ou sabedoria humana (ICo 2.4), 
mas uma centelha da sabedoria 
de Deus manifestada em situações 
que a exigem. Ela se manifesta em 
várias situações distintas, mas na 
Escritura apresenta-se: na defesa 
do Evangelho (At 6.10;Lc 21.14-15), 
em conselhos administrativos em 
tempo de crise (At 7.10), no dis­
cernimento da graça de Deus por 
meio de conselhos que designam 
e promovem o plano salvífico (At 
15), na compreensão dos mistérios 
de Deus por meio do Espírito (Rm 
11.33;lCo 2.10-16), na exposição do 
Evangelho (ICo 2.4-9) e no teste­
munho afiançado pelo Espírito 
(At 9.26-27). É uma palavra de 
sabedoria não premeditada, mas 
espontânea, cuja fonte é o Espíri-
AA
to de Cristo (Lc 21.14-21). E assim, 
é um dom imprescindível para o 
curso de ação da igreja pentecostal 
contemporânea.
Palavra da Ciência 
{ICo 12.8)
A palavra da ciência (Aóyoç 
yvcócrEcoç) é uma habilidade que 
o Espírito concede a determina­
dos cristãos para conhecer além 
da capacidade humana. O termo 
gnõsis (yvcÒCTLç) se refere ao "ato de 
entender" e daí o sentido de "co­
nhecimento" ou "ciência". O modo 
subjetivo no v.8, designa aquilo 
que se conhece e, no caso do ca­
risma, um conhecimento melhor e 
mais profundo (ICo 14.6; 2Co 11.6; 
14.26). A razão pela qual se nomi- 
na "palavra da ciência", no qual 
logos designa uma "declaração" ou 
"fala", talvez esteja relacionada ao 
fato de que um cristão iletrado re­
ceba tanto a revelação da "ciência" 
quanto a habilidade para declarar 
(Aóyoç) correta e adequadamente A
o "conhecimento". Algumas ve­
zes, Paulo se referiu à sua inapti- 
dão retórica em comparação aos 
gramáticos (2Co 10.10;11.6; ICo 2.1). 
Contudo, a palavra da sabedoria 
e da ciência eram as habilidades 
que o Espírito lhe concedia para 
desempenhar com eficácia o mi­
nistério da pregação e do ensino 
(ICo 2.13; 2Co 11.6).
O sentido de gnõsis ou "ciên­
cia" (ARC) não se refere à ciência 
como conjunto de conhecimento 
sistematizado obtido pela obser­
vação e pesquisa, mas à revelação 
imediata do conhecimento da ver­
dade divina. Enquanto a palavra 
de sabedoria é um conselho prático, 
a palavra do conhecimento é a ex­
pressão da verdade dos mistérios 
divinos. Em Isaías 11.2, o Espírito 
do Senhor é chamado de "Espí­
rito de conhecimento". O termo 
hebraico daath (conhecimento) é 
usado para descrever o dom do 
conhecimento técnico (Ex 31.3; 
35.31), o conhecimento de Deus 
obtido pela experiência (Nm 24.16; 
Is 53.11) e a percepção e discerni­
mento que provém da fidelidade 
na Palavra de Deus (SI 119.66).
O Espírito é aquele que revela 
os mistérios de Deus (ICo 2.10), 
pois somente Ele conhece-o (ICo 
2.12). Deste modo, a palavra da 
ciência é uma ação do Espírito 
Santo sobre o crente que o habi­
lita e ensina a falar os mistérios 
do Evangelho (2Co 2.14). Sua ex­
pressão mais contundente é na 
comunicação de uma revelação 
da Escritura e dos mistérios da 
salvação (At 10.42-44), daí a razão 
pela qual ocarisma é paralelo ao
ministério do apóstolo, do mestre 
e do evangelista. Trata-se assim de 
uma declaração de ciência divina 
não obtida pelo estudo meditado 
e profundo, mas como revelação 
do Espírito para circunstâncias e 
necessidades específicas.
Discernir os espíritos 
(ICo 12.10)
O dom de discernir os espíri­
tos (ôuxKQLCTeiç Ttveupáxtóv) é uma 
habilidade sobrenatural que o 
Espírito concede a determinados 
membros do corpo de Cristo para 
discernir a origem espiritual de 
certa ação, ensino, profecia, línguas 
e até mesmo motivações. Embora 
a ARC e a NAA empreguem a ex­
pressão no singular, "discernir os 
espíritos", e muitos comentaristas
o bEUro
prefiram o singular, a frase, no ori­
ginal, está no plural, o que indica 
que se trata de um carisma que se 
manifesta de muitos modos. Duas 
lições depreendem-se da frase no 
plural. A primeira é a de que há 
variedade de formas em que o Es­
pírito manifesta o discernimento. 
A segunda lição refere-se ao fato 
de se tratar de “espíritos" - vários 
espíritos são julgados e discernidos 
por meio desse carisma.
No contexto de 1 Coríntios 
12.10, é uma aptidão espiritual para 
julgar a inspiração das profecias e 
das línguas pneumáticas (lTs 5.20- 
21). Nesse aspecto, quando a fonte 
da profecia ou das variedades de 
línguas não é o próprio Espírito 
Santo, então sua origem pode ser 
humana ou demoníaca. O homem 
é capaz de imitar esses dois caris­
mas locutórios, passando como 
profeta e glossolalo verdadeiros até 
que o discernimento dos espíritos 
tira-lhe a máscara da hipocrisia e 
da fraude. São obreiros fraudulen­
tos que se transfiguram em profe­
tas e glossolalos verdadeiros (2Co 
11.13). Da parte de Satanás e dos 
demônios, não se pode ignorar os 
seus ardis (2Co 2.10-11). O Diabo é 
capaz de se transfigurar em anjo de 
luz e seus demônios, em ministros 
da justiça (2Co 11.14-15). Por isso, 
são imitadores fraudulentos dos 
carismas.
O Espírito Santo concedeu o 
discernimento de espíritos à Igreja 
para que ela não seja ludibriada 
por qualquer profeta ou glossolalo 
que fala em seu próprio nome ou 
é usado pelos espíritos. Lembro- 
-me de que, em certa ocasião, com 
relutância aceitei o convite de 
um pastor para ministrar numa 
vigília após o culto. Apesar de 
mais de 8 horas de viagem e da 
pregação, com relutância aceitei o 
convite. Ao chegar, recebi da parte 
do Espírito o discernimento das 
línguas de um glossolalo. Disse 
ao dirigente que aquelas línguas, 
sonoras e belas, não eram do Es­
pírito. A pessoa que estava nos 
fundos da igreja, que não pode- 
ria ouvir o que disse em segredo 
ao pastor, deu um grito, correu e 
tentou se jogar do segundo andar. 
Repreendi o espírito imundo e a 
pessoa foi liberta. Ao dizer-lha 
o ocorrido, espantou-se e depois 
falou a situação de sua vida es­
piritual, que incluía participação 
noutras tradições religiosas.
O discernimento de espírito 
é espontâneo, direto, objetivo e 
prático. E uma revelação especial 
que o Espírito Santo concede ao 
crente para que os falsos profe­
tas e glossolalos não enganem a 
Igreja. A profecia e a variedade de 
línguas são os dons mais imitados 
pelos falsos profetas e demônios 
nos dias atuais.
O dom de discernimento de 
espíritos manifesta-se: no discer­
nimento entre verdade e mentira, 
quando há propósitos ocultos mas­
carados sobre a aparência de pieda­
de (At 5.1-11), no discernimento de A
BIBLIOGRAFIA
BERGSTÉN, E. Introdução a Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
EDWARDS, J. Afeições Religiosas. São Paulo: Vida Nova, 2018.
HORTON, S. M. (ed.) Teologia Sistemática: perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
forças demoníacas e mágicas que 
se passam como ação do Espírito 
e dão lucro aos seus possuintes 
(At 8.9-24; 13.8-11; 16.16-19); no 
discernimento de todo e qualquer 
dom, inclusive profecia e varieda­
de de línguas, que se passa como 
manifestação do Espírito, quando 
na verdade é do espírito humano 
ou demoníaco (ICo 12.10); no dis­
cernimento das motivações mais 
profundas e ocultas daqueles que 
usam seus talentos naturais como 
se fossem dons do ministério de 
Cristo (Fp 1.15-21); no discerni­
mento de enfermidades causadas 
por perturbação m aligna (Mt
12.22; Mc 9.25); no discernimento 
de heresias que se mesclam à ver­
dade do Evangelho, destituindo 
sagazmente a natureza do Evan­
gelho de Cristo (G11.16-9; Cl 2); no 
discernimento de falsos ministros, 
pregadores, ensinadores e profetas 
que se transfiguram como bons 
ministros (2Co 11.13; ljo 7-10); e no 
discernimento de operações demo­
níacas que se passam por ações do 
Espírito (2Co 11.14-15).
É necessário resaltar que o 
dom de discernimento de espí­
ritos não é uma habilidade para 
identificar as faltas alheias e 
expô-las com propósitos escusos
e muito menos se trata de leitura 
de pensamento. E um dom que 
procede da bondade de Deus para 
que a noiva de Cristo não seja 
enganada pela operação do erro.
Conclusão
Os dons de revelação são ne­
cessários e indispensáveis à Igreja 
hodierna. A comunidade cristã deve 
buscá-los em oração assim como 
anseia pela profecia, línguas e varie­
dades de línguas. Uma igreja pente­
costal madura é a que apresenta uma 
diversidade de dons, ministérios e 
operações (ICo 12,4-7). I
AS ORIGENS TEOLÓGICAS 
DO PENTECOSTALISMO 
ASSEMBLEIANO
Um Resgate Histórico da 
Soteriologia e Pneumatologia do Inicio do
£ I M o v i m e n t o P e n t e c o s t a l
A
>í ■------- -
Nesta importante obra, o pastor e escritor 
José Gonçalves faz um resgate histórico das 
pneumatologias e soteriologias americana, 
britânica e escandinava do início do movimento 
pentecostal. Ao pesquisar essas teologias 
carismáticas, Gonçalves revela as raízes 
teológicas das Assembléias de Deus no Brasil. 
Divido em duas partes, onde a primeira trata 
da pneumatologia pentecostal e a segunda 
aborda a teologia soteriológica, o livro conta 
ainda com diversos apêndices, inclusive confissões 
de fé de várias denominações, desde o séc. 
X V II até os dias de hoje.
Formato: 14,5 x 22,5 cm / Páginas: 544
TAMBÉM 
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CPAD
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Marcos A nderson Tedesco é pastor 
auxiliar na Assem blé ia de Deus em 
Jo inv ille (SC), m estre em Educação, 
especia lista em A n tig o Testam ento, 
pedagogo, h is to riador e teó logo; 
professor na Faculdade Teológica 
R efid im , coo rdenador pedagóg ico 
do Colég io Evangélico Pastor 
M anoel G erm ano de M iranda em 
Joinville ; escrito r e pa lestrante; 
com en ta ris ta de Lições Bíblicas da 
Escola D om in ica l da CPAD para 
Jovens.
Os dons de 
poder estimulam 
as pessoas a se 
interessarem, 
cada vez mais, 
acerca do 
movimento 
divino na 
existência 
humana
M arcos Anderson Tedesco
Dons
Durante os anos em 
que Jesus desenvol­
veu seu ministério 
terreno, algo se fez 
constante e marcante na vida de 
todos: milagres. Por onde o Fi­
lho de Deus passava, milagres 
aconteciam, tocando o coração e 
a mente de todos que os presen­
ciavam. Esses eventos instiga­
vam o povo a desejar conhecer 
mais acerca do que estava acon­
tecendo naqueles dias. A cada 
vida que era alcançada por um 
milagre, um grupo de pessoas 
se reunia curioso em busca de 
melhor compreensão acerca do 
acontecia. Os quatro evangelhos 
são repletos desses episódios; a 
transformação de água em vinho 
(Jo 2.1-11); o acalmar da tempesta­
de (Mc 4.37-41); as multiplicações 
de pães (Lc 9.12-17 e Mt 15.32-38); 
o andar por sobre as águas (Jo 
6.19-21); a ressurreição da filha de 
Jairo (Mt 9.18-25), do filho da viú­
va de Naim (Lc 7.11-15) e de Láza­
ro (Jo 11.1-44); a cura de leprosos 
(Mt 8.1-4, Mc 1.40-42, Lc 5.12-13); a 
cura da mulher do fluxo de san­
gue (Lc 8.43-48); a libertação de 
endemoniados (Mt 8.24-34; Mt 
9.32-33; Lc 11.14); a cura de cegos 
(Mt 9.27-31, Mc 8.22-26); e mui­
tos outros. Essa pequena lista já 
nos permite uma perfeita noção 
do quanto esses episódiosforam 
importantes no avanço da men­
sagem de salvação, trazendo aos 
olhares das pessoas uma nítida
A
percepção de que estavam pre­
senciando algo totalmente trans­
formador e sobrenatural.
Na sequência, ao longo do 
texto neotestamentário, também 
é notável a presença de milagres 
apontando para a ocorrência dos 
dons de poder. Em Atos, encontra­
mos diversas referências: cura de 
coxos (At 3.1-6, 14.8-10); restaura­
ção da visão de Saulo (At 9.17-18); 
ressureição de Dorcas (At 9.36-41) 
etc. Podemos entender os dons de 
poder como capacitações especiais 
em situações onde há a necessida­
de de uma ação sobrenatural do 
Espírito Santo na vida dos crentes. 
Mediante os dons de poder, po­
demos ver a manifestação divina 
na vida dos crentes de forma im­
pressionante sobre o mundo físico. 
Essa ação não é para a glória hu­
mana, mas, sim, para que o nome 
de Deus seja glorificado através 
das vidas que protagonizam os 
episódios milagrosos.
A Bíblia Sagrada nos revela 
que "...há diversidade de dons, 
mas o Espírito é o mesmo. [...] e a 
outro, pelo mesmo Espírito, a fé; 
e a outro pelo mesmo Espírito, os 
dons de curar; e a outro, a opera­
ção de maravilhas; [...] Mas um só 
e o mesmo Espírito opera todas 
essas coisas, repartindo particu­
larmente a cada um como quer" 
(ICo 12.4,9-11). Diante dessa mag­
nífica verdade, vamos conhecer 
um pouco melhor acerca dos dons 
que manifestam o poder de Deus:
de poder
o dom da fé, os dons de curar e o 
dom de operação de maravilhas.
O dom da fé
Em Hebreus, lemos que "a fé 
é o firme fundamento das coisas 
que se esperam e a prova das coi­
sas que se não veem" (Hb 11.1). A 
fé implica uma postura de absolu­
ta confiança no - e dependência do 
- Senhor, levando-nos a uma vida 
onde todas as nossas concepções e 
ações estarão sendo direcionadas 
por Deus.
A fé como dom (ICo 12.9) 
distingue-se da fé salvífica (Rm 
10.17, Ef 2.8), da fé observada como 
fruto do Espírito (G1 5.22), da fé 
apontada no corpo das doutrinas 
bíblicas (G1 1.23) e da fé como 
aspecto da vida cristã (2Co 13.5). 
É uma fé especial usada em um 
momento específico (At 3.4-7). 
O dom da fé pode ser percebido 
como uma capacidade concedida 
ao cristão pelo Espírito Santo para 
que realize ações que vão além da 
esfera natural, com o objetivo de 
edificação da Igreja.
O dom da fé é envolto por 
uma forte convicção no poder e 
na misericórdia divinos com a 
finalidade de, em um momento 
específico e em uma determ i­
nada causa, possibilitar algo so­
brenatural em um processo com 
características bem particulares. 
Exemplos desse dom podem ser 
observados em determ inadas
Á
curas de enfermidades, em reso­
luções maravilhosas de situações 
naturais e emergenciais, em am­
paro e suporte em momentos de 
grande perseguição, dentre tantas 
outras possibilidades. É uma das 
formas do Espírito Santo amparar 
o cristão em momentos especí­
ficos. De forma muito nítida, é a 
fé que sustentou os que sofreram 
perseguições e enfrentaram gran­
des desafios, permanecendo fieis 
até o fim, confiando em Deus de 
forma notável, conforme narrado 
em Hebreus 11.
O dom da fé deve ser enten­
dido como algo que ajudará toda 
a Igreja, mas que também pode 
ser considerado um dom especial 
para uma necessidade em parti­
cular. Pode ser visto como a "fé 
que move montanhas" trazendo 
m anifestações extraordinárias 
do poder de Deus (Mt 17.20), mas
também pode se apresentar como 
um "cuidado confortante" para 
com um crente que passa por um 
momento difícil. No memorável 
livro Heróis da Fé, Orlando Boyer 
relata alguns desses testemunhos 
onde o dom de fé foi colocado em 
ação. Um exemplo impressionante 
é o de George Müller, "o apóstolo 
da fé" (1805-1898): certa vez, após 
uma noite de oração pedindo ao 
Senhor mantimentos para os orfa­
natos que estavam sem provisões, 
ao amanhecer, chegaram as doa­
ções que alimentaram 2 mil órfãos 
por um mês!
Os dons de curar
Os dons de curar são mani­
festações sobrenaturais do Espí­
rito Santo à disposição da Igreja 
para que a humanidade perceba 
em Deus o poder de curar os en­
fermos e sarar as feridas dos que 
sofrem. Mencionado no plural, "os 
dons de curar" fazem referência 
à concessão segundo a vontade 
divina, no tempo certo e quando 
se faz necessária a ação milagrosa.
Segundo o pastor e teólogo An- 
tonio Gilberto, os "dons de curas" 
são operados de diversas formas 
diferentes: através da Palavra, 
através de outro dom, através de 
uma palavra de ordem, um olhar, 
o impor as mãos, entre outras pos­
sibilidades. São manifestações de 
poder para a cura de doenças do 
corpo, da alma e do espírito, para 
crentes e descrentes.
Cada cura necessita de um 
dom distinto, especial. Esse dom 
não é dado especificamente ao 
que ministra, mas por meio dela 
para a que está enferma. E Deus 
quem cura o doente e não a pes­
soa que ora impondo as mãos. E
OB
36
REI
em nome de Jesus que o milagre 
acontece, a Ele seja dada a glória 
(At 4.30). Ao lermos os evange­
lhos, podemos perceber como 
o amor de Jesus pelas almas se 
manifestava de forma belíssima 
nos relatos de cura. O milagre 
tão almejado pelo enfermo era 
uma das formas usadas por Jesus 
para, primeiramente, tocar-lhes o 
coração demonstrando o seu cui­
dado e piedade e, posteriormente, 
abrir-lhes os olhos em uma prévia 
aplicação prática da nova vida que 
lhes era anunciada. A cura, mais 
do que um fim em si mesma, era 
um convite a uma nova vida.
Como cristãos, os exemplos 
deixados pelo Mestre nos ins­
piram a buscarmos os dons de 
curas para abençoarmos as vidas 
com o alívio de seus sofrimentos 
físicos bem como da alma e do 
espírito. Enfim, essa busca deve­
rá também ser uma expressão do 
quanto estamos dispostos a viver 
inspirados nos exemplos deixados 
por Jesus Cristo. Os dons de curar
são necessários em um tempo de 
crescente incredulidade, onde a 
medicina tem avançado e a ciên­
cia, de forma pretensiosa, insinua 
ter resposta cartesiana para os 
mais diversos fenômenos. Esses 
avanços contem porâneos não 
podem responder às perguntas 
mais essenciais do ser humano 
nem saciar as necessidades mais 
básicas de sua existência.
Observemos também que nem 
todos os enfermos foram curados. 
Dois casos interessantes no Novo 
Testamento são os de Timóteo 
(lTm 5.23) e Trófimo (2Tm 4.20) 
que são alvos da preocupação e 
menção do apóstolo Paulo. Há 
casos onde a enfermidade conti­
nua presente na vida do cristão 
em um exercício de compreensão 
da vontade soberana do Senhor.
Esse fenômeno também mar­
cou a história de Gunnar Vingren, 
um dos pioneiros da Assembléia 
de Deus no Brasil. Embora tenha 
sido usado de forma intensa pelo 
Senhor orando pelos enfermos e
presenciando inúmeras curas di­
vinas, o pioneiro sofreu por anos 
de uma insistente enfermidade 
que lhe causava fraquezas, dores 
e febres. As orações de Gunnar pe­
dindo a cura de sua doença eram 
constantes, mas o milagre não 
acontecia. No entanto, o pioneiro 
jamais sentiu-se desamparado. 
Segundo seu filho Ivar, "até o fim 
ele cria que Deus ia fazer a obra e 
curá-lo. Mas os caminhos de Deus 
eram diferentes. O servo fiel havia 
terminado a sua obra terrena". A 
vontade do Senhor é soberana. 
Amém!
Operação de maravilhas
Operação de m aravilhas é 
um dom que altera a ordem na­
tural, tornando o impossível em 
possível e o improvável em real. 
São ações que vão muito além da 
capacidade humana, encontrando 
apenas no poder de Deus a expli­
cação para as suas ocorrências.
A expressão "operação de ma- A
OB
37
REIRO
ravilhas" indica o plural "obras 
poderosas", apontando para uma 
ampla variedade de milagres na 
forma de sinais poderosos e ex­
traordinários (At 5.12-15; 19.11-12).
A operação de maravilhas era 
uma constante no ministério ter­
reno de Jesus. Desde o acalmar da 
tempestade, à ordem severa a uma 
figueira, à libertação de endemo- 
niados e à ressureição de mortos, 
o Mestre teve uma trajetória mar­
cada por eventos extraordinários 
que provocaram nas pessoas uma 
impressão favorável ao avanço das 
boasnovas de salvação: afinal, para 
Deus nada é impossível (Lc 1.37).
As multiplicações de pães e 
peixes são exemplos desse dom 
(Mt 14.15-21; 15.32-38). Nos dois 
eventos, m ilhares de pessoas 
foram saciadas como fruto do 
milagre sobre aquelas poucas uni­
dades de alimento. A operação de 
maravilhas permitiu que aquelas 
pessoas vissem na prática o poder 
de Deus sendo derramado sobre 
elas em um ato abençoador. Algo 
aparentemente cotidiano, como a 
alimentação, foi amplificado pela 
graça e pela compaixão divinas. 
Não só o corpo físico foi nutrido, 
mas também houve uma imer­
são na aplicação prática do que o 
Mestre havia ensinado no período 
que antecedeu o milagre. A fé foi 
colocada em ação, o Deus que ama 
alimentou e saciou a fome, milha­
res de olhares contemplaram o 
cuidado divino sobre as suas vidas.
O dom de operação de mara­
vilhas pode ser entendido como 
a operação de milagres extraordi­
nários e surpreendentes para, con­
forme Antonio Gilberto, despertar 
e converter descrentes, céticos, 
oponentes e crentes enfraquecidos 
(At 8.6-13; 19.11; Js 10.12-14). O que 
era improvável torna-se uma rea­
lidade impressionante que passa
a despertar a atenção de todos. No 
livro de Atos, encontramos uma 
Igreja que viveu amplamente a 
manifestação do dom de operação 
de maravilhas, apontando para 
uma história que continua a ser 
escrita até os dias atuais.
Os dias atuais são fortemente 
marcados pelo ceticismo, con- 
sumismo, individualismo, nar- 
cisismo, perseguição religiosa e 
fragilidade dos valores humanos. 
Alguns apontam esse tempo como 
a "era da desesperança", levando 
ao descrédito quanto a um futuro 
melhor. Cada vez mais a ansie­
dade e a depressão, entre tantos 
outros transtornos e sentimentos, 
vão ganhando espaço em vidas 
que perdem o encanto pela ca­
minhada.
Diante dessa realidade, nós 
precisamos de um fortalecimento 
de Deus para anunciar o evan­
gelho de forma firme, ousada e 
decisiva. O desafio é grande e a 
busca pelos dons deve ser uma 
constante na vida dos crentes, em 
uma ação voltada para o anúncio 
da salvação e a promoção do Reino 
de Deus.
Distorções no uso dos dons
A manifestação desses dons 
em nossa caminhada deve ser 
envolvida em uma grande depen­
dência da vontade divina e em 
um profundo desejo de levar as 
bênçãos de Deus à vida das pes­
soas. As curas e as operações de 
maravilhas devem fazer parte de 
uma ação movida pelo amor pelas 
almas e pela intencionalidade de 
anunciar o evangelho.
O Espírito Santo distribui os 
dons a cada crente, porém não 
para benefício do próprio indi­
víduo ou interesses particulares. 
Conforme Stanley Horton, o dom 
é dado por meio de cada um para
A
o bem comum (ICo 12.7), ou seja, 
para o bem do corpo local como 
um todo. Dessa forma, os dons 
contribuem para a Igreja atual 
assim como também contribuíram 
nos tempos do livro de Atos.
No entanto, observamos dis­
torções no uso dos dons de curar 
e de operação de maravilhas. Mui­
tos usam expressões como "de­
terminar" e "decretar" a cura dos 
enfermos baseando suas falas em 
uma pretensa autoridade sobre 
Deus e não na fé. Mas, quem é o 
homem para que determine algo 
a Deus? O cristão não tem auto­
ridade para impor algo a Deus, 
mas, sim, deve sempre viver sob 
a dependência da vontade divina.
Nossas orações devem ser fru­
tos de uma atitude movida por 
amor às almas e ao desejo de que 
a bênção do Senhor alcance cada 
vida. Como cristãos, devemos 
orar buscando a cura dos enfer­
mos (Tg 5.14-15), impondo-lhes as 
mãos para que sejam curados (Mc 
16.18) cientes da nossa dependên­
cia da soberana vontade de Deus 
(ljo 5.14).
Também é preciso um cui­
dado para não cairmos na ar­
madilha da glamourização do 
homem que se nutre da fama 
em volta da aplicação do dom. 
No caso dos dons de cura, mui­
tos buscam uma autopromoção, 
como se tivessem em si o poder 
sobrenatural, um engano. Os 
dons são manifestações do poder 
do Espírito Santo que operam de 
formas diversas para a cura das 
enfermidades, ou seja, é conce­
dida por Deus à pessoa que irá 
ministrá-la (At 4.30).
Considerações finais
Os dons de poder, assim como 
os demais, são distribuídos pelo
Espírito Santo em Sua soberania 
(ICo 12.11-18). Os cristãos podem 
almejar e pedir os dons (ICo 12.31; 
14.39), porém é o Espírito quem os 
dá segundo a Sua vontade, a fim 
de que a Igreja possa cumprir o 
seu papel e anunciar a salvação, 
cumprindo a Grande Comissão 
(Mt 28.19-20). Fiquemos com as 
palavras de Paulo em sua Carta 
aos Coríntios: "A minha palavra e 
a minha pregação não consistiram
em palavras persuasivas de sabe­
doria humana, mas em demons­
tração do Espírito e do poder, para 
que a vossa fé não se apoiasse em 
sabedoria dos homens, mas no po­
der de Deus" (ICo 2.4-5). Os dons 
espirituais são imprescindíveis 
tanto à Igreja como a cada mem­
bro em particular. E importante 
que os busquemos com zelo e 
disciplina para vivermos os pro­
pósitos de Deus em nossas vidas.
Quando somos usados pelo 
Espírito Santo através dos dons, 
podemos compreender com clare­
za que cada crente no Senhor tem 
algo a contribuir em sua Igreja. 
Lawrence Richards afirma que 
nossas vidas precisam estar dis­
postas a serem usadas por Deus 
para o bem dos demais. Ao vi­
vermos essa realidade, o Espírito 
operará através de nós e os outros 
serão abençoados. Amém. H
REFERÊNCIAS
BOYER, Orlando. Heróis da Fá: vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo. Rio de Janeiro: CPAD, 1996. 
GILBERTO, Antonio. Bíblia com comentários de Antonio Gilberto. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
GILBERTO, Antonio (Ed.). Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
H0RT0N, Stanley. I e II Coríntios: os problemas da Igreja e suas soluções. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
SOARES, Esequias (Org.). Declaração de Fé das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
RICHARDS, Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
VINGREN, Ivar. 0 diário do pioneiro Gunnar Vingren. Rio de Janeiro: CPAD, 1991.
o bEUro
A biezer A po liná rio da Silva
Abiezer A po liná rio da Silva é 
pastor, advogado e p res idente da 
Com issão Jurídica da Convenção 
Geral dos M in istros das Igrejas 
Evangélicas Assem blé ia de Deus no 
Brasil (CGADB).
Os dons 
ministeriais 
habilitam o 
crente a servir 
em ministérios 
específicos
Os Don
Disse o apóstolo Paulo 
aos irmãos de Corin- 
to: "Irmãos, não que­
ro que vocês estejam 
desinformados a respeito dos 
dons espirituais" (1Co12.1, NAA). 
Ou: "Agora, irmãos, quanto à sua 
pergunta sobre os dons espiri­
tuais, não quero que continuem 
confusos" (NVT). Ou: "Irmãos, 
quanto aos dons espirituais, não 
quero que vocês sejam ignoran­
tes" (NVI). Ora, a "ignorância" 
combatida pelo apóstolo acerca 
dos "dons espirituais" na igreja 
de Cristo se acentua terrivelmen­
te quando muitos obreiros não 
sabem distinguir os chamados 
"dons ministeriais" dos "dons 
espirituais", sendo estabelecida 
verdadeira confusão que causa 
graves prejuízos espirituais à 
edificação do Corpo de Cristo, 
Sua Igreja.
Etimologicamente falando, no 
contexto bíblico, "dom" ministe­
rial ou espiritual é um "presente 
oferecido", uma "dádiva", uma 
"graça que se recebe". No caso 
da igreja, o apóstolo revela que 
"quando ele [Cristo] subiu às 
alturas [...] concedeu dons aos 
homens" (Ef 4.8), deixando su­
bentendida a razão da concessão 
dos dons espirituais e ministe­
riais aos humanos que fazem a 
obra do Reino de Deus: sem a 
capacitação do Espírito de Deus, 
é impossível a realização de Sua 
obra na Terra. Afinal, "ninguém
A
pode dizer: 'Jesus é Senhor', a não 
ser pelo Espírito Santo" (ICo 12.3, 
NVI). Essa verdade é amparada, 
por exemplo, pelo que é dito acer­
ca da construção do Tabernáculo, 
cujo modelo Deus deu a Moisés 
com a seguinte recomendação: 
"Diga a todos os homens capa­
zes, aos quais dei habilidade, que 
façam vestes para a consagração 
de Arão, para que me sirva como 
sacerdote" (Êx 28.3, NVI). "Eu es­
colhí a Bezalel, filho de Uri, filhode Hur, da tribo de Judá, e o enchi 
do Espírito de Deus, dando-lhes 
destreza, habilidade e plena ca­
pacidade artística para desenhar 
e executar trabalhos em ouro, 
prata e bronze..." (Êx 31.2-4, NVI). 
Outro exemplo: na organização 
do louvor no culto a Deus pro­
movido por Davi, os cantores e 
instrumentistas tinham que ter 
capacidade técnica para utilizar 
os instrumentos e vozes conjun­
tamente com a profecia ("...para o 
ministério de profetizar ao som de 
harpas, liras e címbalos. [...] que, 
por sua vez, profetizavam sob a su­
pervisão do rei. [...] que profetizava 
ao som da harpa para agradecer 
e louvar ao Senhor" (lCr 25.1-3, 
NVI). Portanto, em síntese, em 
razão da impossibilidade espiri­
tual dos humanos realizarem a 
obra de Deus sem a capacitação 
divina, Ele lhes dá Seus "dons" 
espirituais e ministeriais, que são 
instrumentos para edificação e 
solidificação da Igreja.
Ministeriais
O ministro e os dons 
ministeriais
De início, convém rememorar 
o significado de "m inistro" no 
contexto bíblico. Segundo os es­
tudiosos, na língua original das 
escrituras gregas cristãs, a palavra 
"ministro" era diákonos. Embora 
haja diversas idéias sobre a origem 
desta palavra, o significado é bem 
conhecido. Basicamente, significa 
"servo". Nos Evangelhos, diáko­
nos e palavras relacionadas muitas 
vezes são usadas com referência 
aos que serviam os recostados 
para uma refeição. Com tal visão, 
todas as vezes que nos avaliamos 
como m inistros do evangelho, 
devemos estar convencidos de que 
somos apenas servos daqueles que 
Deus colocou sob nossos cuidados 
espirituais (lPe 4.10,11).
O próprio Cristo ensinou a 
todos que fazem a obra de Deus 
a se distanciar do pensamento de 
grandeza e de excelência: "Mas 
vocês não serão chamados 'mes­
tre', porque um só é Mestre de vo­
cês, e todos vocês são irmãos" (Mt 
23.8, NAA). E acrescentou: "Tal 
como o Filho do Homem, que não 
veio para ser servido, mas para 
servir e dar a sua vida em resgate 
por muitos" (Mt 20.28, NAA). Por­
tanto, ser ministro do evangelho 
é ser servo. Nessa perspectiva, o 
apóstolo Paulo disse aos irmãos de 
Corinto, comparando suas ativida­
des apostólicas com as de outros 
apóstolos, que era mais ministro
A
OB
41
REIRO
(servo) de Cristo que eles. Veja em 
2 Coríntios 11.23-30 que situações 
ele apontou como sendo aquelas 
nas quais ele se destacava mais.
Estabeleceu o Senhor por Sua 
infinita sabedoria que Seu Reino 
estabelecido entre os seres hu­
manos fosse operacionalizado 
por estes seres frágeis, cheios de 
defeitos e sujeitos às tentações e 
quedas como a ocorrida no Éden. 
Interessante é o salmista afirmar: 
"Pois ele conhece a nossa estru­
tura e sabe que somos pó" (SI 
103.14, NAA). Por sua onipotência, 
Deus poderia ter entregado essas 
tarefas a seres celestiais, dotados 
de características absolutamente 
diferentes dos humanos, algumas 
das quais os tornam superiores. 
Porém, o Senhor entregou-nos as 
Suas santas tarefas, as quais não 
podem ser executadas apenas pelo 
nosso querer e vontade, pois pre­
cisamos ser por Ele capacitados 
(ICo 15.10).
Assim sendo, ser "ministro de 
Cristo" não resulta de escolha pes­
soal de qualquer interessado em 
fazer a obra de Deus nem mesmo 
por qualquer dos salvos por Jesus, 
pois é Deus quem escolhe, voca­
ciona e capacita através de Seus 
dons ministeriais, resultantes da 
onisciência divina. Não é o esco­
lhido que se escolhe e se capacita 
para o exercício do ministério. Foi 
o que o Senhor disse a respeito de 
Paulo (At 9.15,16).
A sobrenaturalidade da vo­
cação ou a chamada do humano 
para a obra divina é algo que vem 
do coração de Deus, sem qualquer 
participação do vocacionado, 
independente da sua opinião ou 
escolha como, por exemplo, nos 
casos de Jeremias e Paulo. Em 
Jeremias 1.5 e Gálatas 1.15,16, 
descobrimos que a vocação mi­
nisterial obedece a dois momentos
espirituais distintos: 1) o momento 
da escolha ("Antes de formá-lo no 
ventre materno... antes de você 
nascer"; e 2) o momento da reve­
lação ("quando Deus... achou por 
bem revelar seu Filho em mim"). 
O maravilhoso, porém, foi o após­
tolo dizer que sua escolha e sua 
capacitação para o exercício do 
ministério apostólico decorriam 
unicamente "pela sua graça". Ou 
seja, eu não me escolhi, não me 
capacitei, não me disponibilizei, 
porém foi a insondável graça 
de Deus que realizou tudo isso 
na minha vida; e ele acrescenta 
que a ação da graça divina em 
seu ministério fez-lhe superar 
em trabalho outros obreiros (ICo 
15.9,10). Como afirma Paulo, "onde 
abundou o pecado, superabundou 
a graça" (Rm 5.20). Pela graça de 
Deus somos salvos (Ef 2.8) e pela 
graça de Deus fazemos a Sua obra, 
tendo a graça como parâmetro es­
piritual ("Mas pela graça de Deus 
sou o que sou", ICo 15.10) e de 
suficiência espiritual ("A minha 
graça te basta", 2Co 12.9).
Segundo os estudiosos, outra 
palavra grega para ministros ou 
servos é U7i£Q£xr|ç (huperetes), que 
significa "auxiliar, alguém que 
presta serviços a outra pessoa; 
ministro, ajudante, assistente, sú­
dito, servo ou remador inferior, de 
terceira categoria". Em 1 Coríntios 
9.19-23, Paulo se expressou acer­
ca do seu ministério conforme o 
significado aqui transcrito dessa 
palavra. Ele disse também que 
"assim, pois, importa que os ho­
mens nos considerem como minis­
tros de Cristo e despenseiros dos 
mistérios de Deus" (ICo 4.1, ARA); 
ou: "Portanto, devemos ser consi­
derados simples servos de Cristo, 
encarregados de explicar os mis­
térios de Deus" (NVT). Aqui está 
a essência da necessidade dos
ministros de Cristo terem que 
abundar nos dons ministeriais, 
pois as ovelhas por eles assistidas 
esperam com muita razão que o 
despenseiro tire da sua despensa 
os "mistérios de Deus".
Distinção bíblica entre dons
ministeriais e espirituais
Todos os salvos têm a respon­
sabilidade de anunciar as novas 
do evangelho, cumprindo a Gran­
de Comissão dada por Jesus ao 
se despedir dos Seus discípulos 
quando ascendeu aos céus (Mc 
16.15; lPe 2.9). Todavia, o próprio 
Cristo escolheu, dentre Seus discí­
pulos, apenas doze para apóstolos. 
Os doze tinham que desempenhar 
tarefas específicas as quais exigi­
ram capacitação e qualificações 
também específicas (Mt 10.1).
Na visão do apóstolo Paulo, a 
Igreja é um corpo composto de 
muitos membros, os quais pre­
cisam interagir entre si para que 
haja harmonia e integração para 
a saúde corporal (ICo 12.2). Den­
tro dessa visão, todos possuem 
funções específicas, o que exige 
obrigatoriam ente capacitação 
individual para o desempenho 
eficaz de suas atividades no cor­
po (ICo 12.15-21). Assim sendo, é 
bastante nítida a distinção entre 
os dons ministeriais e os espiritu­
ais, pois estes não são concedidos 
pelo Espírito acompanhados de 
ministérios. Por exemplo: o após­
tolo Paulo diz que "pelo Espírito, 
a um é dada [...] a outro, profecia" 
(ICo 12.8,10, NVI), acrescentando, 
porém, que "ele designou alguns 
para apóstolos, outros para pro­
fetas, outros para evangelistas, e 
outros para pastores e mestres" 
(Ef 4.11, NVI). Nestes textos, resta 
clara a visão da ação do Espírito 
na igreja ao usar alguém para
transmitir uma palavra profética 
ocasionalmente (dom espiritual) 
enquanto outros são designados 
para o ministério de profeta, como 
aconteceu na igreja em Antioquia 
(At 13.1). Ou seja, tanto o profeta 
quanto o mestre, por exemplo, são 
ministérios individuais concedi­
dos por Cristo à igreja "com o fim 
de preparar os santos para a obra 
do ministério, para que o corpo 
de Cristo seja edificado, até que 
todos alcancemos a unidade da 
fé e do conhecimento do Filho de 
Deus, e cheguemos à maturidade, 
atingindo a medida da plenitude 
de Cristo" (Ef 4.12,13, NVI).
Entretanto, a ignorância de 
muitos em relação aos dons mi­
nisteriais e espirituais estabelece 
o pensamento de que só é profe­
cia se a palavra pronunciada for 
preditiva, reveladora de algum 
evento futuro e desconhecido. 
Nesse caso, a m anifestação é 
sempre do dom espiritual de 
profecia. Contudo, a palavraprofética proferida através do 
ministério de profeta, que tem 
a utilidade de edificar, consolar 
e exortar a igreja (ICo 14.3), tem 
uma distinção bastante clara. Ve­
jamos: "A notícia a respeito deles 
chegou aos ouvidos da igreja que 
estava em Jerusalém; e enviaram 
Barnabé até Antioquia. Quando 
ele chegou e viu a graça de Deus, 
ficou muito alegre. E exortava 
todos a que, com firmeza de cora­
ção, permanecessem no Senhor" 
(At 11.22,23, NAA); e "naqueles 
dias, alguns profetas foram de 
Jerusalém para Antioquia. E, 
apresentando-se um deles, cha­
mado Ágabo, dava a entender, 
pelo Espírito, que haveria uma 
grande fome em todo o mundo. 
Essa fome veio nos dias do im­
perador Cláudio" (vv. 27,28). Ou 
seja, Barnabé, pelo ministério de
profeta, “exortava todos a que, 
com firmeza de coração, perma­
necessem no Senhor", enquanto 
irmão Ágabo "dava a entender, 
pelo Espírito, que haveria uma 
grande fome em todo o mundo". 
Essa edificação, exortação e con­
solação provêm da Palavra de 
Deus, que é a fonte autêntica da 
profecia (At 15.32; ICo 14.37).
Por outro lado, o dom espiri­
tual de profecia na igreja, por não 
utilizar a Palavra eterna de Deus 
como base, está sujeito a sofrer 
influência humana na predição 
proferida, pelo que está sujeito 
à aferição espiritual pelos que 
ouvem a mensagem profética, o 
que o torna vulnerável e obriga os 
ouvintes a serem cautelosos quan­
to à mensagem ouvida por não 
ser rara a confusão: "Tratando-se 
de profetas, falem apenas dois 
ou três, e os outros julguem" (ICo 
14.29, NAA). Veja também 1 João 
4.1. A advertência do Senhor pelo 
profeta Ezequiel é atualíssima: 
"Filho do homem, profetize contra 
os profetas de Israel. A esses que 
profetizam o que lhes vem do co­
ração, diga que ouçam a palavra 
do Senhor. Assim diz o Senhor 
Deus: Ai dos profetas insensatos, 
que seguem o seu próprio espírito 
sem nada terem visto!'" (Ez 13.2,3, 
NAA).
Paulo deu testemunho de que 
seu discípulo Timóteo era "minis­
tro de Deus no evangelho de Cris­
to, para fortalecer e animá-los na 
fé" (lTs 3.2, NAA). Ou seja, ele pos­
suía dons ministeriais específicos 
pelos quais a igreja era fortalecida 
e animada na fé, como ocorreu 
com Barnabé em Antioquia, que 
"exortava todos a que, com firme­
za de coração, permanecessem no 
Senhor". Como está fazendo falta 
à igreja atual ministros com tal 
dom ministerial!
Os dons ministeriais
Os dons ministeriais são tam­
bém denominados "dons de ser­
viço" e "dons de liderança" ("para 
o desempenho do seu serviço", Ef 
4.12, NAA), os quais obrigatoria­
mente trazem consigo um minis­
tério a ser exercido na e em favor 
da igreja pelo escolhido e dado a 
ela pelo Senhor. Paulo indica que 
eles resultam da obra redentora 
de Cristo, incluindo Sua humi­
lhação e exaltação acima de todas 
as coisas criadas (Ef 4.10). A lista 
clássica dos dons ministeriais é 
a registrada por Paulo em Efé- 
sios, na qual menciona apóstolos, 
profetas, evangelistas, pastores e 
mestres (Ef 4.11), complementada 
pelo contido na sua Carta aos Ro­
manos, na qual diz que "temos 
diferentes dons, de acordo com a 
graça que nos foi dada. Se alguém 
tem o dom de profetizar, use-o na 
proporção da sua fé. Se o seu dom 
é servir, sirva; se é ensinar, ensine; 
se é dar ânimo, que assim faça; se 
é contribuir, que contribua gene­
rosamente; se é exercer liderança, 
que a exerça com zelo; se é mos­
trar misericórdia, que o faça com 
alegria" (Rml2.6-8. NAA).
Há uma grande informação 
do apóstolo quanto aos dons mi­
nisteriais, quando diz que Cristo 
"concedeu uns para...". Ou seja, ele 
se refere diretamente às pessoas 
escolhidas e não aos dons ou à ca­
pacidade outorgados a cada uma 
delas. Tal entendimento é apoia­
do em suas outras manifestações 
acerca do tema (Cl 4.17; lTm 4.14; 
2Tm 1.6). Então, Cristo dá a Seu 
escolhido o dom ministerial e o dá 
como Sua dádiva à Igreja.
Com tal consciência, o minis­
tro tem que honrar a vocação ce­
lestial a si outorgada e tudo fazer 
para que o exercício de seu minis­
tério na igreja resulte em glorifi- A
cação a Cristo, nunca servindo de 
exaltação a si mesmo (Rm 11.13). 
O ministro precisa ter profunda 
consciência quanto ao ministério 
que recebeu de Cristo, o qual, se 
exercido com glória, esta será toda 
do titular do ministério, Cristo. 
Não é sem razão que Paulo sempre 
demonstrou saber suas vocações 
ministeriais (2Tm 1.11,12).
Paulo não fala em "apostolado, 
profecia, evangelismo, pastorado 
e ensino", mas fala em "apóstolos, 
profetas, evangelistas, pastores e 
mestres". E antes disso, ele escre­
veu que Cristo "concedeu dons 
aos homens" (Ef 4.8). Aqui vale 
lembrar que a palavra dom signi­
fica "dádiva" ou "doação". Logo, 
o ensino paulino deixa bem claro 
que os ministros portadores dos
dons, eles próprios, as suas pes­
soas físicas, são e devem sempre 
ser dádivas de Cristo à Sua Igreja. 
Tendo sido Cristo exaltado após 
ressurreto, dá pessoas especial­
mente chamadas e vocacionadas 
para os ministérios de apóstolo, 
pastor, profeta, evangelista e mes­
tre, com um santo propósito na 
concessão desses ministérios (Ef 
4.12,13). Portanto, os dons minis­
teriais não são dados para atender 
a desejos e anelos ou ao próprio 
interesse pessoal de quem os re­
cebe, mas são dados por Cristo no 
interesse da Igreja, para edificação 
do Corpo de Cristo.
Os demais membros da igreja 
que não foram escolhidos para 
funções ministeriais não deixam 
de contribuir para o crescimento
e edificação do Corpo de Cristo, 
pois o Espírito Santo também os 
qualifica pelos dons espirituais 
(ICo 12.4-7). Para melhor com­
preensão, o apóstolo usa a figura 
do corpo, o qual não é formado 
apenas por um membro, mas por 
vários, com todos interagindo 
harmoniosamente (ICo 12.8). Para 
solucionar um problema na Igreja 
Primitiva, tal entendimento foi 
posto em prática antes mesmo do 
ensino paulino (At 6.2-4).
E importante ressaltar que, no 
mesmo ensino sobre os dons espi­
rituais em 1 Coríntios, o apóstolo 
Paulo, ao tratar sobre a distinção 
entre dons ministeriais e espiri­
tuais, indica a existência de uma 
certa graduação entre eles que, se 
corretamente observada, elimina
OB
44
REIRO
qualquer risco de disputa pesso­
al no exercício, pois o princípio 
é bastante claro: "Mas um só e o 
mesmo Espírito realiza todas es­
sas coisas, distribuindo-as a cada 
um, individualmente, conforme 
ele quer" (ICo 12.11, NAA). Disse o 
apóstolo: "A uns Deus estabeleceu 
na igreja, primeiramente, apósto­
los; em segundo lugar, profetas; 
em terceiro lugar, mestres; depois, 
operadores de milagres; depois, 
os que têm dons de curar, ou de 
ajudar, ou de administrar, ou de 
falar em variedade de línguas. 
Será que são todos apóstolos? 
Será que são todos profetas? Será 
que são todos mestres? São todos 
operadores de milagres? Todos 
têm dons de curar? Todos falam 
em línguas? Todos têm o dom de 
interpretar essas línguas?" (ICo 
12.28-30, NAA).
“Ele mesmo deu uns para...”
Em Efésios, Paulo aponta a 
existência de cinco ministérios, 
embora alguns estudiosos falem 
de quatro, por entender que pas­
tores e mestres constituem um 
único. Veremos os cinco, por ser 
mais seguro.
1) Apóstolo - A palavra "após­
tolo" significa "aquele que é envia­
do", "mensageiro", "embaixador" 
ou "missionário". Na Bíblia, essa 
palavra é aplicada a Jesus, como 
enviado do Pai; aos doze discí­
pulos, como enviados pelo Filho, 
que eram consideradas como 
"apóstolos de Jesus"; a Paulo, Bar- 
nabé e a outros, como enviados 
pelo Espírito Santo, através da 
igreja, os quais eram tidos como 
representantes de igrejas locais 
e designados como "apóstolos da 
Igreja". Embora seja um termo 
eminentemente neotestamentário, 
no Antigo Testamento encontra­
mos alguns paralelos, através dos
profetas usados por Deus para 
missões equivalentes, como, por 
exemplo, o que foi enviado por 
Deus para profetizar ao rei Jero- 
boão (lRs 13.1,2).
a) Jesus como "ap óstolo" 
enviado pelo Pai - Falando de 
si mesmo, assim se manifestou 
Jesus: "Então como vocês dizemque aquele que o Pai santificou 
e enviou ao mundo está blasfe­
mando, só porque declarei que 
sou Filho de Deus?" (Jo 10.36, 
NAA). Hebreus qualifica Cristo 
como "apóstolo e sumo sacerdo­
te da nossa confissão" (Hb 3.1; 
c/c Jo 8.29). Como "apóstolo" do 
Pai, Jesus tornou-se padrão para 
os demais, ao "aniquilar-se" ao 
ponto de se submeter irrestrita­
mente à vontade dAquele que O 
enviou, tendo como única meta 
não apenas cumprir, mas fazer, o 
que envolve a renúncia de direitos 
pessoais inalienáveis e persona­
líssimos, como, por exemplo, não 
comer embora estivesse faminto 
(Jo 4.31-34). Ele afirmou: "Porque 
eu desci do céu, não para fazer 
a minha própria vontade, mas a 
vontade daquele que me enviou" 
(Jo 6.38, NAA).
Portanto, a submissão de Jesus 
à vontade do Pai não era simples 
empenho para desincumbir-se de 
uma tarefa que lhe fora imposta, 
mas o interesse supremo e o de­
sejo ardente de promover a gló­
ria dAquele que O comissionou 
e vocacionou (Jo 7.18). Aos que 
duvidavam da autoridade de Seu 
apostolado divino, disse Ele: "Mas 
eu tenho maior testemunho que o 
de João; porque as obras que o Pai 
me confiou para que eu as reali­
zasse, essas que eu faço testemu­
nham a meu respeito de que o Pai 
me enviou. O Pai, que me enviou, 
esse mesmo é que tem dado teste­
munho de mim" (Jo 5.36,37, NAA).
b) Os doze escolhidos e envia­
dos por Jesus - Com a consciência 
de que o apostolado que recebeu 
teria começo, meio e fim, logo no 
início Jesus escolheu, dentre os 
Seus discípulos, doze homens, a 
quem instruiu, treinou e prepa­
rou para continuarem a implan­
tação da Sua Igreja na Terra e a 
consolidarem, cumprindo a meta 
estabelecida pelo Pai. "E Jesus lhes 
disse outra vez: Que a paz esteja 
com vocês! Assim como o Pai me 
enviou, eu também envio vocês"
(Jo 20.21, NAA). Ele havia con­
cluído com sucesso as exclusivas 
tarefas do Seu apostolado terreno, 
as quais não poderiam ser execu­
tadas por alguém que não fosse 
Ele. Todavia, anunciar Sua mor­
te e ressurreição e os resultados 
espirituais delas decorrentes, a 
serem usufruídos pelos que vies­
sem a crer na Sua Palavra, seria 
tarefa daqueles por Ele escolhidos 
pelo padrão estabelecido pelo Pai: 
"Assim como o Pai me enviou, eu 
também envio vocês".
Os critérios de seleção de Seus 
apóstolos seguiram os mesmos 
que o Pai empregou ao escolhê-lO, 
como registra Marcos: "Depois, 
Jesus subiu ao monte e chamou 
os que ele quis, e vieram para 
junto dele. Então designou doze, 
aos quais chamou de apóstolos, 
para estarem com ele e para os 
enviar a pregar e a exercer a au­
toridade de expulsar demônios" 
(Mc 3.13-15). Nas expressões (1) 
"chamou os que ele quis" e (2) 
"vieram para junto dele (...) para 
estarem com ele" estão todos os 
requisitos indispensáveis para 
alguém ser chamado apóstolo de 
Jesus. Quanto ao primeiro, veja 
como Paulo se identificava: "Pau­
lo, servo de Cristo Jesus, chamado 
para ser apóstolo, separado para 
o evangelho de Deus" (Rm 1.1, A
45
OBH1RO
NAA); "chamado pela vontade de 
Deus para ser apóstolo de Cristo 
Jesus." (ICo 1.1, NAA); "apóstolo 
de Cristo Jesus pela vontade de 
Deus" (2Co 1.1, NAA); "apóstolo, 
não da parte de pessoas, nem por 
meio de homem algum, mas por 
Jesus Cristo e por Deus Pai, que 
o ressuscitou dos mortos" (G11.1, 
NAA). Em relação ao segundo re­
quisito, a convivência com Cristo 
na fase de treinamento serviu de 
reconhecimento da escolha deles 
ao apostolado (At 4.13).
Na lista de dons ministeriais, 
a maioria dos intérpretes acredita 
que Paulo aplica a palavra "após­
tolos" em seu sentido mais estrito. 
Isso quer dizer que ele parece ter 
em mente os apóstolos que foram 
os equivalentes neotestamentário 
dos profetas; ou seja, os apósto­
los de Jesus que serviram como 
agentes da revelação de Deus e 
produziram a Escritura do Novo 
Testamento. A Bíblia diz que es­
ses apóstolos foram escolhidos 
por Jesus para lançarem os fun­
damentos da Igreja: "...edificados 
sobre o fundamento dos apósto­
los e profetas, sendo ele mesmo, 
Cristo Jesus, a pedra angular" (Ef 
2.20, NAA). Isso explica por que 
os apóstolos são mencionados em 
primeiro lugar na lista dos dons 
ministeriais. Sem dúvida, ocupa­
ram um ministério fundamental 
e singular.
c) Apóstolos enviados pelo 
Espírito através da igreja - A
cidade dos primeiros missioná­
rios era Antioquia da Síria (At 
13.1). O evangelho chegou a ela 
como resultado da perseguição 
desencadeada contra a Igreja em 
Jerusalém após a morte de Estevão 
(At 11.19-21). Quando o colegiado 
apostólico em Jerusalém tomou 
conhecim ento do alvissareiro 
acontecimento, enviou Barnabé a
Antioquia (At 11.22). Incontinenti, 
"Barnabé foi a Tarso procurar Sau- 
lo. Quando o encontrou, levou-o 
para Antioquia. Ali permanece­
ram com a igreja um ano inteiro, 
ensinando a muitas pessoas. Foi 
em Antioquia que os discípulos 
foram chamados de cristãos pela 
primeira vez. Durante esse tem­
po, alguns profetas viajaram de 
Jerusalém a Antioquia" (At 11.25- 
27, NVT).
O Espírito Santo mudou o 
centro espiritual do mundo, de 
Jerusalém para Antioquia da Sí­
ria, pois a obra que Ele estava por 
fazer não poderia ser impedida 
por questões particulares e hu­
manas que ainda questionavam 
salvação versus circuncisão ver­
sus graça de Deus. É quando, em 
uma reunião de oração naquela 
igreja, aconteceu o imprevisível: 
"Certo dia, enquanto adoravam 
o Senhor e jejuavam, o Espírito 
Santo disse: Separem Barnabé e 
Saulo para realizarem o trabalho 
para o qual os chamei" (At. 13.2, 
NVT). Sem consultar nem pedir 
autorização à igreja-mãe em Je­
rusalém, "depois de mais jejuns 
e orações, impuseram as mãos 
sobre eles e os enviaram em sua 
missão. Enviados pelo Espírito 
Santo, eles desceram ao porto de 
Selêucia, de onde navegaram para 
a ilha de Chipre" (At 13.3,4. NVT). 
A partir de então, passou a existir 
o grupo dos apóstolos "enviados 
pelo Espírito Santo", através da 
igreja, com Barnabé e Saulo sendo 
conhecidos como "apóstolos" (At 
14.3,4,13).
Havia também outros servos 
de Deus que foram tidos como 
apóstolos, embora não tivessem 
ligação com o colegiado formado 
pelos doze originais, como, por 
exemplo, Adrônico e Júnia (Rm 
16.7), e "Tiago, irmão do Senhor"
M
(G11.19). O credenciamento para o 
apostolado dos aqui mencionados 
se dava pelas obras realizadas por 
eles, as quais se assemelhavam às 
realizadas por Jesus como após­
tolo. O próprio Paulo, que está 
incluído no grupo dos "enviados 
pelo Espírito Santo", falou que 
as manifestações e operações do 
Espírito no seu ministério creden­
ciavam seu apostolado (2Co 12.12).
2) Profetas - A Igreja Primitiva 
reconhecia a existência do minis­
tério de profeta, distinto do dom 
de profecia, como vemos em Atos 
11.27 e 13.1. O Espírito também 
usava-os pelo dom de profecia (At 
11.28; At 21.11). Conforme já expos­
to, o dom ministerial de profeta 
tem como escopo a realização de 
um trabalho sistemático, em con­
junto com a operação dos demais 
dons ministeriais, que produz a 
consolidação e edificação da igreja 
(Ef 4.12), enquanto que, pelo dom 
de profecia, o Espírito costuma 
predizer, revelar ou mostrar algo 
ainda por acontecer e desconhe­
cido dos destinatários do anúncio 
profético. Atos 11.28 e 21.11 confir­
mam o aqui afirmado. No segun­
do exemplo (At 21.11), que registra 
o mensageiro prevendo a prisão 
de Paulo caso insistisse em viajar 
a Jerusalém na ocasião, é dito que 
o evangelista Filipe "tinha quatro 
filhas solteiras que profetizavam" 
(At 21.9. NVT), o que não impediu 
que o Espírito usasse Agabo.
O m inistério de profeta no 
Antigo Testamento tinha peculia­
ridades que o fazem semelhante 
ao do Novo Testamento, como 
acontecia quando o profeta Jere­
mias ditava a mensagem e Baru- 
que a redigia (Jr 45), ou quando 
fazia grandes deslocamentos para 
entregar mensagens de Deus até 
outros povos, reis e autoridades, 
convocando ao arrependimento
e à conversão a Deus. Também 
temos profetas consolando, forta­
lecendo e aconselhando a igreja, 
como Judas e Silas(At 15.32).
3) Evangelistas - Etimologica- 
mente falando, "evangelizador" é 
aquele que evangeliza, que difun­
de ou ensina o evangelho. É uma 
atividade a ser desempenhada 
por todos os salvos, cumprindo 
a determinação geral de Jesus 
Cristo (Mc 16.15). Não obstante, 
o apóstolo Paulo informa que, 
dentre todos os evangelizadores, 
o Senhor escolhe alguns para lhes 
outorgar o ministério de "evange­
lista", com o qual contribuem para 
o Corpo de Cristo (Ef 4.12). O vo­
cábulo "evangelista" é encontrado 
na Bíblia apenas em três situações
específicas e distintas: Atos 21.8, 
em referência a Filipe; Efésios 4.11, 
na lista dos dons ministeriais; e 
2 Timóteo 4.5, em referência a 
Timóteo. A curiosidade quanto 
esse ministério é que o evangelista 
Filipe fora escolhido pela igreja 
em Jerusalém para diácono (At 
6.5), porém, tendo sido disperso e 
chegado em Samaria, foi revelada 
sua verdadeira vocação ministe­
rial, que era de evangelista (At 8.5), 
confirmada pela ação do Espírito 
na vida dele (At 8.26,27).
A força motriz e impulsiona- 
dora do ministério do evangelista 
é uma ardente paixão pelas almas 
e um desejo profundo de ganhá- 
-las para Cristo, como, aliás, tes­
temunhou o próprio Paulo acerca
de sua visão de "evangelista" ou 
"pregador" (ICo 1.17; 9.16). Portan­
to, o ministério de "evangelista" 
é uma verdadeira dádiva divina 
à Igreja, pois através dele o Reino 
de Deus se expande, almas são 
alcançadas e os céus povoados, 
sendo Jesus Cristo o modelo e 
padrão a ser observado por todos 
os que detém consigo a vocação 
ministerial de evangelista, sendo 
Paulo também um exemplo a ser 
imitado.
A Bíblia diz que, em um dia de 
sábado, como de costume, Jesus foi 
à sinagoga para o culto semanal. 
Lá estando, "levantou-se para ler. 
Então lhe deram o livro do profeta 
Isaías. E, abrindo o livro, achou o 
lugar onde está escrito" (Lc 4.16,17,
OB01RO
NAA). O texto por Ele lido era 
uma mensagem proferida pelo 
profeta Isaías, a qual, segundo Sua 
interpretação, falava exatamente 
acerca de Seu ministério de evan­
gelista que estava sendo iniciado 
naquele momento. Então, absolu­
tamente consciente, proclamou: 
"Hoje se cumpriu a Escritura que 
vocês acabam de ouvir" (Lc 4.21, 
NAA). De igual forma, Paulo sem­
pre manifestou certeza de que ha­
via sido escolhido para o labor de 
pregar o evangelho, independente 
de reconhecimento humano, re­
muneração ou recompensas finan­
ceiras, ao ponto de considerar uma 
glória ministerial não receber da 
igreja de Corinto qualquer valor 
para sua manutenção (ICo 9.18), o 
que lhe serviu de testemunho aos 
obreiros de Efeso, quando deles se 
despediu (At 20.33).
Para os evangelistas Cristo 
e Paulo, o valor de uma alma é 
único. Aliás, o Senhor determinou 
a Moisés que o valor recolhido 
de cada pessoa para o Taberná- 
culo fosse um só, independente 
das condições financeiras dos 
cultuantes (Êx 30.13-15). Na pa­
rábola da ovelha perdida, Jesus 
demonstra o valor único de uma 
alma (Lc 15.4,5), e O encontramos 
tanto saciando a fome de mais de 
5 mil homens quanto pregando 
a uma única mulher samaritana, 
ou ainda parando a caminhada da 
multidão que lhe seguia para dia­
logar pessoalmente com Zaqueu. 
Paulo, no exercício do ministério 
de evangelista que possuía (lTm 
1.11; ICo 1.17), pregava à multidão 
(At 14.11) ou a uma única alma 
(At 13.7).
A coragem é uma marca distin­
tiva do ministério do evangelista. 
O apóstolo Paulo concita com o 
evangelista Timóteo para ele "avi­
var a chama do dom que Deus lhe
deu quando impus minhas mãos 
sobre você" (2Tm 1.6, NVT). É 
imaginável que o jovem estivesse 
sofrendo amargamente com a no­
tícia da prisão de seu mentor e sua 
possível morte. Ao apóstolo não 
restou alternativa senão a de en­
corajar Timóteo (2Tm 1.7,8; 4.5). Ele 
disse Ele lembrou-lhe que o tema 
central do evangelho pregado por 
ambos era "que Jesus Cristo, des­
cendente do rei Davi, ressuscitou 
dos mortos", e, porque Cristo res­
suscitou, morrer pela pregação da 
Palavra era de menor importância. 
Portanto, a marca maior do dom 
m inisterial de evangelista é a 
cosnciência e a coragem plena de 
enfrentar os desafios intrínsecos 
ao cumprimento do dom conce­
dido a esse chamado.
4) Pastores - De todas as fun­
ções eclesiásticas da Igreja do Se­
nhor, a de pastor é a mais conhe­
cida e, infelizmente, cobiçada. Os 
que a cobiçam geralmente levam 
em consideração alguns aspectos 
materiais e circunstâncias que cer­
cam a função, sem, contudo, aten­
tar para o ensino bíblico acerca do 
tema, que aponta para a existência 
de regras divinas disciplinadoras 
do pastorado, dentre as quais a 
principal: é Deus quem dá pastor 
às Suas ovelhas, segundo Suas 
regras, prescrições e critérios que 
não levam em conta os desejos, as 
aspirações e as características do 
por Ele escolhido (Ef 4.11; Jr 3.15).
Em toda a Bíblia, de Gênesis a 
Apocalipse, o conjunto das pes­
soas que servem a Deus é figu- 
rativamente tratado como sendo 
e pertencendo ao seu rebanho, 
cuja visão tem um significativo 
valor espiritual (Nm 27.15-17). O 
salmista afirma que "foi ele quem 
nos fez, e dele somos; somos o seu 
povo e rebanho do seu pastoreio" 
(SI 100.3, NAA). Em outras pas­
o bEü r o
sagens bíblicas, no Antigo Tes­
tamento e muito mais no Novo 
Testamento, há um vastíssimo 
emprego da ovelha, suas caracte­
rísticas, limitações e hábitos como 
figura de linguagem utilizada 
para o povo de Deus (SI 44.11; Is 
53.6.7; Ez 34.6,11; Mt 10.6,16; 26.31). 
Então, é impossível alguém ser 
ovelha de Cristo fora de Seu reba­
nho e viver sem pastor, por ser este 
indispensável à guarda, proteção 
e orientação do rebanho, tendo o 
próprio Deus assim estabelecido. 
Jesus declarou acerca de si mesmo: 
"Eu sou o bom pastor", dando em 
seguida a razão de assim se qua­
lificar: "O bom pastor dá a vida 
pelas ovelhas" (Jo 10.11). Com tal 
afirmação, nenhum outro humano 
poderá usurpar para si a quali­
ficação de "bom pastor", já que 
ninguém morre fisicamente como 
Ele morreu para salvar um peca­
dor, pelo que todos atuais pastores 
nada mais são que condutores das 
ovelhas de Jesus.
Interessante destacar o grau de 
interação entre o "Bom Pastor" e 
Suas ovelhas, qualidade ímpar 
inalcançada pelos pastores hu­
manos, materializado pelo íntimo 
conhecimento nutrido pelo rela­
cionamento pessoal íntimo entre 
Ele e a ovelha: "As ovelhas ou­
vem a sua voz, ele chama as suas 
próprias ovelhas pelo nome e as 
conduz para fora" (Jo 10.3, NAA). 
Independente da quantidade de­
las, são chamadas individualmen­
te "pelo nome". Considerando os 
atuais tamanhos dos rebanhos das 
ovelhas do Senhor entregues aos 
cuidados dos pastores humanos, 
é evidente a impossibilidade deles 
conhecerem nominalmente cada 
uma delas. Entretanto, o "Bom 
Pastor" as conhece nom inal e 
individualmente, por Seu poder 
infinito, que lhe dá a capacidade
única de também dar nome a cada 
uma das incontáveis estrelas (SI 
147.4). Por tudo que realiza e faz 
em favor de Suas ovelhas, Cristo 
recebeu do apóstolo Pedro o título 
de "Supremo Pastor" aquele que 
é superior a todos os demais pas­
tores e aferirá a conduta de todos 
os demais, conferindo prêmio aos 
que forem aprovados (lPe 5.4).
O único pastor completo, que 
não recebe qualquer reparo no de­
sempenho do pastorado, é Jesus, 
o "Bom Pastor". Todos os demais, 
por Ele escolhidos para desempe­
nhar tão honrada e elevada posi­
ção de cuidador das ovelhas por 
Ele compradas por Seu próprio 
sangue, carecem de capacitação e 
preparo espiritual, sem os quais é 
impossível agradá-lO. A começar 
pela escolha. Ninguém se escolhe 
ou é escolhido pelo desejo pessoal, 
pois é Ele, exclusivamente Ele, que 
escolhe a quem quer, independen­
te até da manifestação de vontade 
do escolhido (Mc 3.13). Creio que 
se Jesus convocasse os apóstolos 
e submetesse a eles a restituição 
do apóstolo Pedro ao ministério 
apostólico, certamente que muitos 
votariam contrários à readmissão. 
Entretanto, como a escolha de al­
guém para a santa atividade de 
pastor nãodepende da opinião e 
concordância de quem quer que 
seja, inclusive das ovelhas que 
serão pastoreadas pelo escolhido, 
simplesmente falou com Pedro e 
o restaurou ao pastoreio de Suas 
ovelhas (Jo 21.15).
A confirmação do apóstolo Pe­
dro somente se deu após todo um 
duríssimo processo de preparo, 
que incluiu a sua disponibilização 
pessoal à ação diabólica podero­
sa, pela qual torna compreensível 
ouvir Pedro negar que conhecia 
Cristo (Jo 18.25-27), embora Je­
sus o tenha advertido acerca da
ação do Diabo para lhe destruir 
(Lc 22.31,32). Pela experiência 
sofrida, Pedro, reabilitado, pode 
recomendar acerca do exercício 
do ministério pastoral: "Aos pres­
bíteros que há entre vocês, eu, 
presbítero como eles, testemunha 
dos sofrimentos de Cristo e, ainda, 
coparticipante da glória que há de 
ser revelada, peço que pastoreiem 
o rebanho de Deus que há entre 
vocês, não por obrigação, mas es­
pontaneamente, como Deus quer; 
não por ganância, mas de boa 
vontade; não como dominadores 
dos que lhes foram confiados, mas 
sendo exemplos para o rebanho" 
(lPe 5.1-3, NAA).
De todos os requisitos espiri­
tuais a serem preenchidos pelo 
escolhido de Cristo para portar 
um dom ministerial, um é des­
tacado por Pedro no texto acima 
transcrito: "sendo exemplos para o 
rebanho". Sim, porque as ovelhas 
observam atentamente o com­
portamento daquele que as guia 
e conduz. Neste quesito, Paulo foi 
abundante no ensino, ao dizer às 
ovelhas sob seus cuidados: "Mas 
esmurro o meu corpo e o redu­
zo à escravidão, para que, tendo 
pregado a outros, não venha eu 
mesmo a ser desqualificado" (ICo 
9.27). A situação é ainda agravada 
pela recomendação das ovelhas a 
imitarem seus pastores (Hb 13.7).
5) Mestres - Embora um gran­
de grupo de estudiosos da Bíblia 
entenda que o dom ministerial de 
mestre é operado com o de pastor, 
o que se fosse verdade seria mara­
vilhoso, na realidade são distintos, 
possuindo cada um deles suas 
próprias características, ao ponto 
de em três referências bíblicas 
aparecerem isolados (Rm 12.7; ICo 
12.28; Ef 4.11). Logo, convém reco­
nhecer a existência do ministério 
de mestre.
É inquestionável que nas Sa­
gradas Escrituras há temas eiva­
dos em mistérios; aliás, o próprio 
Pedro disse que "nelas há certas 
coisas difíceis de entender", cuja 
compreensão não é facilmente 
alcançada. Quando Filipe per­
guntou ao eunuco se ele estava 
entendendo o que estava lendo 
nas Escrituras, sua resposta foi 
bem objetiva: "Como poderei en­
tender, se ninguém me explicar?" 
(At 8.30,31, NAA). Exatamente 
por conta das "coisas difíceis de 
entender" é que o Espírito Santo 
disponibiliza à Igreja o dom de 
"mestre". Nos dias de Jesus, ha­
via o "mestre", "rabi" ou "doutor 
da lei", profundo conhecedor da 
Lei e responsável pela explicação 
e interpretação das Escrituras de 
então, como Nicodemos (Jo 3.10) e 
Gamaliel (At 5.34).
Escrevendo a Timóteo, Paulo 
entendeu que o dom de ensinar na 
igreja tem fundamental importân­
cia no desenvolvimento do Reino 
de Deus (2Tm 2.2). Ele também en­
tendia que o evangelho de Cristo 
era figurativamente uma grande 
semeadura, na qual "um planta 
e outro rega", donde pregar aos 
perdidos a mensagem divina é a 
plantação, enquanto que o ensino 
é o ato de regar, até porque o que é 
plantado, se não for regado, morre. 
Por outro lado, o Senhor deu à Sua 
Igreja duas tarefas distintas, a sa­
ber: a de pregar o evangelho a toda 
a criatura e a de fazer discípulos, a 
qual é cumprida quando é ensina­
da a Palavra ao convertido; ou seja, 
é plantar e regar. Como ensinador, 
Paulo era incansável e não perdia 
nenhuma oportunidade, como, por 
exemplo, em Trôade, onde "alargou 
a prática até à meia-noite"; e depois 
que resolveu o acidente com Êutico, 
"ainda lhes falou largamente até à 
alvorada" (At 20.7,11). Á
Na igreja de Antioquia, se so­
bressaiam os dons ministeriais 
de "profetas e doutores" (At 13.1), 
ambos convivendo pacificamente 
e contribuindo para o desenvol­
vimento do Reino de Deus, sem 
invasão nem disputas humanas. 
Neste aspecto, Pedro dá um exem­
plo lindo e profundo ao reconhecer 
que Paulo possuía uma capacidade 
de ministrar certos temas bíblicos 
que ele, com toda sua experiência 
de ter convivido pessoalmente 
com Cristo, não possuía, sem que 
se sentisse, com isso, inferiorizado 
(2Pe 3.15,16). Outro santo exemplo a 
considerar sobre a atuação do dom 
de ensinar na igreja é a atuação 
ministerial de Apoio (At 18.24,25). 
Embora fosse ele "varão eloquente 
e poderoso nas Escrituras", não era
detentor de todo conhecimento das 
Escrituras, pois conhecia "somente 
o batismo de João". Recorde-se que 
sua capacidade de expor a Pala­
vra era tamanha que, na igreja de 
Corinto, foi formado o grupo de 
Apoio (ICo 3.4). Porém, apesar de 
todo seu profundo conhecimento 
e capacidade de expor a Palavra, 
era humilde, pois aceitou ser ins­
truído "mais pontualmente" so­
bre o "caminho de Deus" por um 
casal, Priscila e Aquila (At 18.26). 
Paulo chegou a pedir-lhe que fosse 
ministrar em Corinto, o que não 
aceitou (ICo 16.12).
Se em muitos lugares há hoje 
a ausência de bons ensinadores, é 
porque uma exigência bíblica bá­
sica aplicável ao dom de ensinar 
na igreja não tem sido atendida
atualmente: "Se é ensinar, haja 
dedicação ao ensino" (Rm 12.7). 
Como "examinar as escrituras" 
é uma atividade enfadonha e 
cansativa, muitos ministros que 
acessam os púlpitos das igrejas 
não ensinam o povo de Deus 
como convém à sã doutrina, ha­
vendo muitos "analfabetos" espi­
rituais nas igrejas, contrariando 
a recomendação bíblica (Os 6.3). 
Lembremos: "O meu povo foi 
destruído porque lhe faltou o co­
nhecimento" (Os 4.6). De quem é 
a culpa e a responsabilidade pela 
tragédia da falta de conhecimento 
de Deus por grande parte do Seu 
povo? Com certeza, do Espírito 
Santo não é, pois Ele disponibi­
liza para a Sua Igreja o dom de 
ensinar. H
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