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Relatórios e Indicadores na Auditoria Hospitalar 02 1. Indicadores e Relatórios Gerenciais 4 Distribuição dos Custos em Saúde 6 Gestão de Custos dos Planos Privados de Saúde 6 Auditoria de Qualidade 7 Fidelização dos Clientes 9 Acreditação Hospitalar 10 2. Indicadores Gerenciais em Sistemas Públicos de Saúde 13 3. Referências Bibliográficas 36 03 4 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR 1. Indicadores e Relatórios Gerenciais Fonte: medical Way1 s indicadores e relatórios ge- renciais são de suma importân- cia para o acompanhamento da si- tuação da utilização do plano de saú- de, como também se constituem uma informação valiosa para o audi- tor intra-hospitalar. Por meio dos indicadores gerenciais é possível a tomada de decisões coerentes frente aos processos. Os principais indicadores ge- renciais que o auditor em saúde deve manter e ter acesso em sua atuação, tanto no hospital como auditor in- terno, como na operadora do plano de saúde, são: Nº de consultas/usuário/ano; Índice de exames complemen- tares/usuário/ano; Índice de exames/consulta; Índice de exames/consulta/ especialidade; 1 Retirado em https://blog.medicalway.com.br Índice de procedimentos am- bulatoriais (QT, fisioterapia, hemodiálise) /usuário/ano; Índice de internações/usuá- rio/ano; Média de permanência/hos- pital; Custo médio/internação/hos- pital (com tipo de acomoda- ção, patologia, clínica/cirúr- gica/obstétrica); Custo médio/hospital – por- centagem de diárias e taxas, mat/med, SADT. Os indicadores gerenciais de- vem ser utilizados para comparação daquilo que é definido como sendo o ideal. Desta forma, pode-se citar al- guns indicadores de utilização con- siderados aceitáveis, como: Assistência Ambulatorial: O 5 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Consultas/usuário/ano (2 a 3/ano); Exames/usuário/ano (3 a 5/ano); Exames/consulta 2/consulta); Exames radiológicos/100 con- sultas (9 a 12); Exames laboratoriais/100 consultas (37 a 42); Ecografias/100 consultas (2,5) Endoscopias/100 consultas (1,5); OMS: para cada 100.000 usuários, 23% consultas/mês. Consultas x Exames: Gastroenterologia: EDA: 50% das consultas; Retossigmoidoscopia: 5%; Cardiologia ECG: 50 a 60% das consultas; Ecocardiograma: 20%; Ergometria :15 a 20%; Neurologia: EEG 20 a 25% das consultas; ORL: Audiometria: 10 a 15% das consultas; Ginecologia: Criocauterização do colo do útero: 5 a 10%; Colposcopia: 40 a 50%; Útero: 5 a 10%; Oftalmologia: Mapeamento retina - 5 a 10%; Fundoscopia – 2 a 5 %; Tonometria – 50%; Campimetria – 5%; Adaptação Lentes Contato – 7%; Ortopedia: Radiografias 90 a 95%; Fisioterapia – 2 a 5%. Assistência hospitalar: Índice de internações/ano (7%); Expectativa de internação/ mês = 7% do total de usuários/ 12. Taxas de Internação por Gran- des Especialidades: Clínicas - 19%; Cirúrgicas - 36%; Obstétricas - 28%; Uti - 4%; Pediátricas - 13%. Taxas de Internações Cirúr- gicas, por porte: Grande Porte - 26%; Médio Porte - 55%; Pequeno Porte - 19%. Tempo Médio de Permanência Hospitalar (em dias): Obstetrícia - 2,1 a 3,5; Clínica médica -3,6 a 4,8; Cirurgia - 2,5 a 3,3; Uti - 5,7 a 6,8; Pediatria - 4,8 a 5,3; Geral - 3, 0 a 3, 5. Índices hospitalares: Custo médio de internação: custo total de saídas/número de saídas; Custo médio de paciente/dia: custo total de saídas/pacien- tes-dia; Taxa de ocupação → ± 80 a 6 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR 90%; pacientes-dia/leitos-dia x 100; Média de permanência: Quan- tidade de diárias/Quantidade de Internações; Mortalidade geral: óbitos/al- tas x 100; Mortalidade institucional: óbitos após 48 horas/altas x 100. Distribuição dos Custos em Saúde Por grupos: Consultas - 20% Exames - 30% Internações - 43% PQA - 7% Internações (43%) Honorários - 25-30% Despesas Hospitalares - 70- 75% Diárias e Taxas: 35% Mat/ med: 50% SADT: 15% Análise do desempenho do Plano: Indicadores de desempenho financeiro: Lucro = receita total – custo total; Lucratividade = (receita total – custo total) x 100 receita total. Gestão de Custos dos Planos Privados de Saúde Análise da utilização: Grau: comparar os índices de utilização do Plano com parâmetros aceitáveis, determinados pelos cál- culos atuariais. Tipo: Pequeno risco = despesas am- bulatoriais (50 a 60% dos custos); Consultas (20%); Exames de baixo custo (até 300 CH) (12,7%); Exames de alto custo (acima de 300 CH) (7,8%); Terapias seriadas (fisiotera- pia, radioterapia, quimiotera- pia, hemodiálise) (16.32%). (2001): Outros atendimentos ambula- toriais (3, 18%). Tipo: Grande risco = despesas com internações (40 a 50% dos custos); Diárias e taxas (40%); Materiais; Medicamentos e gasoterapias (20%); SADT (6, 7%); Honorários médicos (31%). Sistemas de Informações e Indicadores Gerenciais baseados na literatura de Junqueira. Número de Consultas Usuá- rio/Ano: Índice Ideal: 3.6 a 5.6 Consulta Usuário/ano = Total de consultas/mês x 12 Quantidade de usuários 7 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Índice de Exames Comple- mentares: Ideal: 3 a 5 exames por usuá- rio/ano Índice de Exames = Quantidade de exames ao ano Quantidade de usuários Exames Por Consulta: Ideal: 2 exames por consulta Exame por Consulta = Quantidade de Exames Quantidade de Consultas Valores Considerados Ideais: Consultas = intervalo mínimo de 30 dias; Teste Alérgico por paciente = 1 por ano; EDA para controle = 90 dias após a última; EEG = 20 % do total de consultas; Mapeamento Cerebral = 5% do total de consultas; Fisioterapia = 30% dos proce- dimentos totais realizados. Auditoria de Qualidade A auditoria de qualidade reali- zada no âmbito da saúde tem como objetivo verificar se os processos de prestação da assistência à saúde da população possuem um índice de qualidade aceitável. Para realizar a avaliação da qualidade é preciso pri- meiramente que o auditor em saúde saiba o que significa a qualidade nos diferentes âmbitos de saúde. Este conhecimento é específi- co para diferentes profissões, desta forma, é importante que cada audi-- tor tenha em mente que seu conhe- cimento deverá ser direcionado con- forme a área de auditoria pela qual está se realizando a avaliação da qualidade. A busca por um serviço de qualidade é objetivo tanto das insti- tuições de saúde como para as ope- radoras de planos de saúde, uma vez que a qualidade é o grande diferen- cial de sobrevivência das empresas. Avaliar a qualidade de uma institui- ção é uma maneira de gerir a mesma. Adami & Maranhão (1995, p. 47) relatam: [...] o processo avalia- tivo deve ser entendido, não como um episódio, mas sim como um dos instrumentos da gestão desses ser- viços, indispensável para mensurar os esforços da instituição, voltados para o alcance da qualidade, exce- lência, utilidade e relevância social. A Joint Comission on Accre- ditation of Health Care Organization (JCAHO, 1990) citada por Zanon (2000, p. 17) define a qualidade da assistência médico-hospitalar como “o grau segundo o qual os cuidados com a saúde do paciente aumentam a possibilidade da desejada recupe- ração do mesmo e reduzem a proba- bilidade do aparecimento de eventos 8 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR indesejados, dado o atual estado de conhecimento”. Um quesito importante de ser mensuradoé a satisfação do cliente frente ao seu atendimento nos locais onde há a prestação da assistência à saúde. Entretanto, torna-se sozinho um dado insuficiente, pois permite avaliar a relação do paciente com o profissional de saúde, porém não avalia se o determinado tratamento é realmente de qualidade e livre de riscos, visto que o paciente não con- segue realizar esta avaliação de ma- neira adequada. Para a realização da avaliação da qualidade dos serviços médico- hospitalares pode-se utilizar inú- meros indicadores de qualidade que devem estar de acordo com os índi- ces aceitáveis para então considerar um serviço de saúde como possuidor da qualidade. O monitoramento e levanta- mento dos indicadores de qualidade médico-hospitalares segundo Zanon (2000, p. 17) podem ser os se- guintes: a. Falta de informação médica no prontuário do paciente; b. Tempo médio de perma- nência; c. Mortalidade institucional; d. Queixas sem diagnóstico; e. Complicações infecciosas hos- pitalares; f. Complicações não infecciosas hospitalares; g. Consumo de antibióticos. Estes são alguns dos indicado- res que podem ser mensurados, sen- do que a lista poderá ser aumentada conforme a necessidade institucio- nal; esta avaliação é realizada utili- zando-se a análise minuciosa do prontuário do paciente e dos dados registrados no mesmo, a partir de um instrumento de avaliação espe- cífico e preenchido por profissional capacitado. A qualidade da assistência de enfermagem prestada ao paciente igualmente é realizada por meio da mensuração de indicadores assis- tências como, por exemplo: número de quedas de leito, número de úlcera de pressão adquiridos em ambiente hospitalar, número de iatrogenias. Além disso, existem outros itens que podem ser avaliados pelo auditor para mensurar a qualidade do serviço de enfermagem prestado ao paciente, como por exemplo, a checagem de medicação, além de estar relacionada a cobrança do me- dicamento, também condiz com a execução da prescrição médica, des- ta forma, se não há a checagem da medicação, considera-se que o pa- ciente pode não ter recebido a me- dicação. 9 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Kurcgant (1991, p. 218) fala sobre a auditoria de enfermagem re- trospectiva, onde os principais itens que podem ser verificados abordan- do a questão de qualidade são: Condições do paciente no ato da internação; Atendimento das prescrições médicas; plantões; Método de admissão do pa- ciente; Sistema de elaboração do pla- no de cuidados individuali- zado; Sistema de elaboração de plano de serviços para cada funcionário dos diversos; Relatório de enfermagem – completo, incompleto, em que partes incompleto, e quais as suas causas; Chamadas do médico de plan- tão, verificando os porquês; Sinais vitais checados de acor- do com o diagnóstico e neces- sidade do paciente; Anotações quanto a pequenas alterações do paciente, siste- ma de observação (frequente ou contínua), reação pós- anestésica e pós-operatória; Descrição da ferida operatória, anotação de acidentes, deci- sões tomadas para evitar tais acidentes; Anotações dos sinais e sin- tomas; Transferências e suas causas; Condições de alta, orientação ao paciente no ato da alta e acompanhamento. Enfim, o principal objetivo da auditoria em saúde sempre é avaliar os processos visando uma melhor qualidade, as questões econômicas e financeiras não devem ser de maior relevância que a busca pela qualida- de do serviço prestado. O auditor na execução de sua função deve ter em mente que o objetivo maior é pro- porcionar ao paciente e/ou usuário de plano de saúde uma saúde de re- solutividade com um custo adequa- do. O tema qualidade é amplo, por isso exige do auditor um conheci- mento específico. Fidelização dos Clientes Como já foi mencionado ante- riormente, a satisfação do cliente frente ao atendimento é um item im- portante para mensurar a qualidade dos serviços. Fidelizar um cliente significa torna-lo fiel a determinado serviço, e, além disso, multiplicar uma informação positiva do serviço de saúde. É o segredo de todo o negócio, fidelizar, para consequentemente sobreviver. Fato este leva as insti- tuições de saúde e as operadoras de planos de saúde a verificar continua- mente a satisfação de seus usuários. As operadoras de planos de saúde devem saber qual o índice de satis- fação de seus usuários no atendi- mento dos prestadores físicos e jurí- 10 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR dicos, pois isto é uma das estratégias de fidelização. O auditor em saúde deve man- ter-se informado frente a estes ín- dices atuando nos serviços hospita- lares ou nas operadoras de planos de saúde. A ouvidoria propriamente di- ta deve ser feita por intermédio de profissionais capacitados que geral- mente compõem o chamado SAC - Serviço de Atendimento ao Cliente. Entretanto, somente os resul- tados das pesquisas de satisfação de clientes não são suficientes, visto que é necessário buscar caminhos para fidelizar os clientes, na área da saúde principalmente no que tange a resolutividade de seus problemas, isto caracteriza muito a busca por determinado serviço. Acreditação Hospitalar Oliveira et al. (2003, p. 04) define acreditação hospitalar como: [...] um método de desenvolvimento da qualidade que fala a linguagem da área médica, diferentemente de outras metodologias que, apesar de respeitadas, se adaptam ao ambien- te da indústria. A acreditação hospi- talar foi criada para apreciar a quali- dade da assistência médico-hospita- lar, com base em standards iniciais e standards de excelência. Espera-se que, mediante a determinação de di- rigentes governamentais e adminis- tradores em geral, se consiga supe- rar constantes desafios de aprimora- mento da qualidade do atendimen- to à saúde. O processo de Acreditação Hospitalar é realizado por meio da Organização Nacional de Acredita- ção (ONA) que em conjunto com o Ministério da Saúde articula e des- creve o Manual Brasileiro de Acredi- tação Hospitalar, este manual com- tém os padrões a serem atendidos pelas instituições hospitalares, pú- blicas e privadas que buscam a acre- ditação. A ONA é o órgão que regula- menta todo o processo de acredita- ção hospitalar no Brasil; por meio dele existem as chamadas entidades acreditadoras que são aquelas habi- litadas a fornecer a acreditação a uma determinada instituição. Os acreditadores hospitalares (ou ava- liadores) são os profissionais que realizam as avaliações nas institui- ções para posteriormente verificar quais os padrões da mesma, estes profissionais devem possuir curso específico de avaliadores e passarem por teste de proficiência como tam- bém estarem ligados as entidades acreditadoras e atender alguns re- quisitos básicos propostos pela ONA. A Acreditação Hospitalar, se- gundo Oliveira et al. (2003, p. 05): [...] é uma metodologia desenvolvi- da para apreciar a qualidade da as- 11 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR sistência médico-hospitalar em to- dos os serviços de um hospital, com base na avaliação dos padrões de re- ferência desejáveis, construídos por peritos e previamente divulgados, e também baseada nos indicadores, isto é, os instrumentos que o avalia- dor usará para constatar se os pa- drões foram observados ou que es- tão presentes na instituição. A metodologia da Acreditação Hospitalar é realizada por meio da utilização do Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar, esse é com- posto por seções e subseções; nas subseções há os padrões que são de- finidos em três níveis. Para cada ní- vel existem itens de verificação espe- cíficos. Sobre o padrão Oliveira et al. (2003, p. 06) descreve: Cada padrãoapresenta uma definição e uma lista de itens de verificação que permitem a identificação precisa do que se busca avaliar e a concordância com o padrão estabelecido. O método de coleta de dados é a observação no local e contatos com os profissionais dos diversos serviços. Os níveis que o hospital é ava- liado são três e diante desses é que irá ou não receber a acreditação. O nível 1 é considerado o mais simples e o três o mais complexo, ou seja, do nível 1 ao 3 os itens de verificação e avaliação se tornam mais complexos e abrangentes. No resultado final do Processo de Acreditação Hospitalar podem ser obtidos quatro resultados di- ferentes, conforme a avaliação são eles: Não acreditado: não atendido aos padrões e níveis mínimos exigidos; Acreditado: conformidade com os padrões definidos no nível 1; Acreditado pleno: conformi- dade com os padrões definidos no nível 2; Acreditado com excelência: conformidade com os padrões definidos no nível 3. Por ser um assunto atual e que a maioria dos hospitais insere-se ou tem intenção de se inserir é impor- tante que o auditor de saúde conhe- ça este processo e, principalmente tenha em mente que todos os itens avaliados estão diretamente relacio- nados à sua atuação enquanto auditor. A Norma Técnica 004 de 05 de abril de 2010 da ANS – Agência Nacional de Saúde estabelece que as operadoras de planos privados de assistência à saúde podem contratar Instituições Acreditadoras Creden- ciadas pela ONA - Organização Nacional de Acreditação com o intuito de certificar seus programas de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças. 1 2 13 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR 2. Indicadores Gerenciais em Sistemas Públicos de Saúde Fonte: Globo2 s indicadores gerenciais no Sistema Público de Saúde po- dem ser divididos nos seguintes in- dicadores ou informações que ser- vem de subsídios para tomada de decisão em saúde, criação de políti- cas de saúde pública e gestão da saú- de nacional, regional e municipal, são eles: - Informações de Saúde: As informações de saúde podem ser pesquisadas em âmbito nacional pe- la web na página do DATASUS do Ministério da Saúde e dizem respei- to principalmente aos Indicadores de Saúde, Assistência à Saúde, In- 2 Retirado em https://g1.globo.com formações Epidemiológicas e de Morbidade, Rede Assistencial, Esta- tísticas Vitais, Informações Demo- gráficas e Socioeconômicas, Inqué- ritos e Pesquisas e Informações so- bre a Saúde Suplementar. A seguir cada um será discutido separada- mente: Indicadores de Saúde: dentro dos Indicadores de saúde é possível pesquisar o IDB (Indicadores e Da- dos Básicos do Brasil) cuja última versão disponível é de 2009 que contém dados até o ano de 2008. É um conjunto de informações com- O 14 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR posto por mais de 100 indicadores, divididos em seis grupos: demográ- ficos, socioeconômicos, mortalida- de, morbidade e fatores de risco, recursos e cobertura. Podem ser pesquisados segundo a unidade da federação, capitais e regiões, por fai- xa etária, sexo e outras característi- cas dependendo do indicador. Nos Indicadores Demográficos é possível realizar a pesquisa dos seguintes itens: População total; Razão de sexos; Taxa de crescimento da po- pulação; Grau de urbanização; Proporção de menores de 5 anos de idade na população; Proporção de idosos na população; Índice de envelhecimento; Razão de dependência; Razão entre nascidos vivos in- formados e estimados;341 Taxa bruta de natalidade; Taxa específica de fecun- didade; Taxa de fecundidade total; Razão entre óbitos informados e estimados; Mortalidade proporcional por idade; Mortalidade proporcional por idade, em menores de 1 ano de idade; Taxa bruta de mortalidade; Esperança de vida ao nascer; Esperança de vida aos 60 anos de idade. É possível utilizando o progra- ma RIPSA (Rede Interagencial de Informações para Saúde) pesquisar todos os indicadores acima, utilizan- do os parâmetros de pesquisa, com- forme a necessidade de conheci- mento do Auditor. O exemplo abaixo demonstra o resultado de uma pes- quisa sobre o Índice de Envelheci- mento por Região, em Mato Grosso do Sul. 15 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR No exemplo anterior, o auditor em saúde poderá avaliar qual o ín- dice de envelhecimento no Mato Grosso do Sul que conforme descrito é de 34,4. Este dado pode evidenciar uma necessidade de aprimorar polí- ticas de saúde voltadas para o enve- lhecimento, como também ter uma estimativa específica destes valores para promover programas de pre- venção em saúde, como promoção e prevenção primária. Os indicadores socioeconômi- cos são possíveis para consulta, por meio dos seguintes itens: Taxa de analfabetismo; Níveis de escolaridade da po- pulação de 15 anos e mais; Níveis de escolaridade da po- pulação de 18 a 24 anos; Produto Interno Bruto (PIB) per capita; Renda Média Domiciliar per capita; Razão de Renda; Proporção de pessoas de baixa renda; Taxa de Desemprego; Taxa de Trabalho infantil. Como na pesquisa anterior, estes dados também podem ser obti- dos por intermédio dos parâmetros necessários para a pesquisa do Auditor em Saúde, desta forma utili- zando para exemplo, pesquisa da Taxa de Analfabetismo, na Unidade de Federação Mato Grosso do Sul, região Centro-Oeste na população de 15 anos ou mais, período de 2008, o seguinte resultado é obtido: Fonte: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2009/b01.def>. O índice de analfabetismo re- presenta um dado importante para saúde pública, uma vez que não há como desmembrar a aplicabilidade das políticas de saúde sem compre- ender o real perfil da população on- de estão sendo desenvolvidas, desta forma, a questão analfabetismo po- de estar igualmente relacionada a dificuldade da população em receber as orientações específicas no contin- gente da saúde, principalmente com 16 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR foco em prevenção de doenças. O que leva a pensar que dependendo destes índices para ampliar a atua- ção de ações de saúde são neces- sários igualmente meios de educa- ção que satisfaçam a aprendizagem da população. Os indicadores de mortalidade expressos pelo IDB, podem ser veri- ficados por meio da pesquisa aos seguintes itens: Sarampo; Difteria; Coqueluche; Tétano Neonatal; Tétano (exceto o neonatal); Febre Amarela; Raiva Humana; Hepatite B; Hepatite C; Cólera; Febre Hemorrágica do Dengue; Sífilis Congênita; Rubéola; Síndrome da Rubéola Con- gênita; Doença Meningocócica. Taxa de Incidência de Doenças Transmissíveis: AIDS; Tuberculose; Dengue; Leishmaniose Tegumentar Americana; Leishmaniose Visceral; Hanseníase; Índice Parasitário Anual da Malária; Taxa de Incidência de Neopla- sias Malignas; Taxa de Incidência de Doenças Relacionadas ao Trabalho em Segurados da Previdência So- cial; Taxa de Incidência de Aci- dentes de Trabalho em se- gurados da Previdência Social; Taxa de Prevalência da Han- seníase; Proporção de Internações hospitalares (SUS) por grupo de causas; Proporção de Internações Hospitalares (SUS) por causas externas; Proporção de Internações Hospitalares (SUS) por afecções originadas no período perinatal; Taxa de prevalência de pacien- tes em diálise (SUS). Percebe-se neste tipo de indicador a amplitude das informa- ções que podem ser obtidas por meio da pesquisa, é de suma impor- tância queo Auditor em Saúde, tenha este conhecimento de dados e/ou busque estas informações para tomada de decisões em saúde. Uti- lizando um exemplo da questão Indicadores de Morbidade, na Pro- porção de Internações (SUS) origi- nadas no período perinatal em Mato Grosso do Sul 2008, o resultado conforme: 17 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Fonte: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2009/d23.def> Com a proporção apresentada é possível que o Auditor em Saúde tenha uma visão da ocorrência de internações hospitalares com ori- gem de afecções durante o período perinatal, o acompanhamento desta questão proporciona uma visão sobre algumas possíveis questões que poderiam ser evitadas, se por exemplo, houvesse um atendimento de pré-natal adequado, hospitalar adequado e pós-parto adequado, ou mesmo se chegar a índices aceitáveis que representam que todo o proces- so está adequado. Fonte:https://blog.iclinic.com.b r/ No item Indicadores de Fato- res de Risco e Proteção, é possível consultar sobre as seguintes taxas e percentuais: Taxa de Prevalência de Dia- bete Melito. Taxa de Prevalência de Hiper- tensão Arterial. Taxa de Prevalência de ativi- dade física suficiente no tempo livre. Taxa de Prevalência de fuman- tes atuais. Taxa de Prevalência de Consu- mo abusivo de bebidas alco- ólicas. Taxa de Prevalência de Preva- lência de indivíduos dirigindo veículos motorizados após consumo abusivo de bebida alcoólica. Taxa de Prevalência de excesso de peso em adultos. Taxa de Prevalência de excesso de peso para idade segundo IMC em crianças menores de cinco anos. 18 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Taxa de Prevalência de déficit ponderal para idade em crian- ças menores de cinco anos de idade. Taxa de Prevalência de déficit estatural para idade em crian- ças menores de cinco anos de idade. Participação diária per capita das calorias de frutas, verdu- ras e legumes no total de calorias da dieta. Taxa de prevalência no aleitamento materno. Taxa de prevalência no aleita- mento materno exclusivo em menores de seis meses. Proporção de nascidos vivos por idade materna. Proporção de nascidos vivos de baixo peso ao nascer. Índice CPO - D. Percentual de crianças de 5-6 anos de idade com índice CEO-d igual a zero. Utilizando como exemplo, a proporção de Nascidos Vivos com Baixo Peso ao nascer, na unidade de federação Mato Grosso do Sul no ano de 2007, verifica-se: Fonte: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2009/g16.def>. Na mesma expectativa da pro- porção anterior é possível por meio deste resultado acompanhar alguns resultados de acompanhamento pré-natal e hospitalar, para averi- guar quais são as medidas neces- sárias para melhorar as estratégias e evitar com isso o baixo peso ao nascer. No acompanhamento dos resultados se existe uma proporção considerada adequada, consequen- temente pode-se pensar que as ações estão sendo realizadas de maneira adequada. Nos Indicadores de Recursos é possível verificar as seguintes infor- mações: Número de profissionais de saúde por habitante. Número de concluintes em curso de graduação em saúde. Distribuição de postos de tra- balho de nível superior em es- 19 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR estabelecimento de Número de postos de trabalho de enfer- magem por leito hospitalar. Número de leitos hospitalares por habitantes. Equipamentos de imagem utilizados em saúde. Gasto com consumo de bens e serviços de saúde como percentual do PIB. Gasto per capita com consumo de bens e serviços de saúde. Gastos com ações e serviços públicos de saúde como proporção do PIB. Gastos com ações e serviços públicos em saúde per capita. Gasto federal com saúde como proporção do PIB. Gasto federal com saúde como proporção do gasto federal total. Despesa familiar autorreferida com saúde como proporção da renda familiar. Despesa familiar estimada com saúde como proporção da renda familiar. Participação das importações na oferta total por bens e serviços de saúde. Valor médio pago por interna- ção hospitalar no SUS (AIH). Gasto do Ministério da Saúde com atenção à saúde como proporção do gasto total do Ministério da Saúde. Gasto do Ministério da Saúde com atenção à saúde per capita. Gasto público com saneamen- to como proporção do PIB. Gasto federal com saneamento como proporção do PIB. Gasto federal com saneamento como proporção do gasto federal total. Utilizando como exemplo o número de profissionais de saúde por habitantes no Mato Grosso do Sul ano de 2008, verifica-se: Fonte: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2009/e01.def>. Aqui neste indicador citado acima é possível averiguar a necessi- dade ou não de profissionais médi- cos para uma determinada região e/ou área. Sabe-se que está propor- ção relaciona-se diretamente com a qualidade prestada em saúde, e na efetividade das ações, desta forma é 20 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR muito importante este acompanha- mento. Sobre os indicadores de co- bertura é possível verificar as se- guintes informações: Número de consultas médicas (SUS) por habitante: Proporção da população que refere ter consultado médico nos últimos 12 Distribuição da população se- gundo tempo de realização da última consulta odontológica. Número de procedimentos diagnósticos por consulta mé- dica (SUS). Distribuição da população fe- minina segundo tempo de rea- lização do último exame pre- ventivo para câncer do colo do útero. Distribuição da população fe- minina segundo tempo de realização da última mamo- grafia. Número de internações hospi- talares (SUS) por habitante. Proporção da população que refere internação hospitalar nos últimos 12 meses. Proporção de internações hos- pitalares (SUS) por especiali- dade. Cobertura de consultas de pré- natal. Proporção de partos hospi- talares. Proporção de partos cesáreos. Cobertura vacinal. Proporção da população femi- nina em uso de métodos anticonceptivos. Cobertura de planos de saúde. Cobertura de planos privados de saúde. Cobertura de redes de abas- tecimento de água. Cobertura de esgotamento sanitário. Cobertura de coleta de lixo. Um exemplo a ser consultado a Proporção de Partos Cesáreos na Unidade de Federação de Mato Grosso do Sul, referente ao ano de 2007, conforme segue: Fonte: <http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2009/f08.def>. 2 21 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR A proporção de partos cesá- reos em determinado estado e/ou região é importante para conheci- mento do auditor, uma vez que de- termina a continuidade dos serviços e está igualmente incorporada as metas da contratualização dos hos- pitais filantrópicos como foi visto no módulo anterior, visto que o parto natural é incentivado pelas políticas públicas de saúde. Ainda sobre os indicadores de saúde é possível visualizar consulta sobre outros aspectos, como os pai- néis de monitoramento e atlas, al- guns itens que podem ser verifica- dos são os seguintes: Painel de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal; Atlas de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal; Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna; Atlas de Monitoramento da Mortalidade Materna. Utilizando como exemplo o Painel de Monitoramento da Morta- lidade Infantil e Fetal para a Região Sul do Brasil, na pesquisa os parâ -metros de estudo podem ser por regiões, estados ou municípios sem- do que há outras especificidades que o auditor poderá utilizar na pesquisa para buscaras informações neces-- sárias. O exemplo a seguir demon- stra a primeira parte do painel re- presentada por dois gráficos: A seguir os demais gráficos que compõem o Painel: 22 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Além destes gráficos o Painel também demonstra por intermédio dos parâmetros colocados para pes- quisa, quais os locais da região sele- cionada e seus respectivos números de óbitos infantil e fetal represen- tados por uma tabela. O Atlas de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal trazem dados, diante do mapa com possi- bilidade de inúmeras pesquisa, con- forme demonstrado abaixo: A assistência à saúde também faz parte de um grupo de informa- ções possíveis de pesquisa e que servem de subsídio para tomada de decisão. Alguns dos principais itens que são possíveis de serem pesqui- sados são os seguintes. Referente a Internações Hosp- italares: Internações por especialidade e local de internação – a partir de 2008. Procedimentos Hospitalares por local de internação – a partir de 2008. Procedimentos hospitalares por gestos – a partir de 2008. Procedimentos Hospitalares por local de residência – a partir de 2008. 23 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Internações por especialidade e local de internação – de 1981 a 2007. Procedimentos hospitalares por local de internação – de 1992 a 2007. Procedimentos hospitalares por local de residência – de 1995 a 2007. Referente a Atendimentos Ambulatoriais: Produção Ambulatorial por local de atendimento – a partir de 2008. Produção Ambulatorial por local de residência – a partir de 2008. Produção Ambulatorial por gestor – a partir de 2008. Produção Ambulatorial – de 1997 a 2007. Imunizações desde 1994: Doses Aplicadas. Cobertura. Atenção Básica – Saúde da Família desde 1998: Situação de Saúde. Produção e Marcadores. Cadastramento Familiar. Situação de Saneamento. Vigilância Alimentar e Nutri- cional: Estado Nutricional – Usuários da Atenção Básica. Estado Nutricional dos Benefi- ciários do Programa de Saúde da Família. Vigilância Alimentar e nutri- cional: Estado Nutricional dos Usuá- rios da Atenção Básica. Nos dados Epidemiológicos e de Morbidade é possível a pesquisa aos seguintes itens: Morbidade Hos- pitalar SUS: Geral, por local de internação – a partir de 2008. Geral, por local de residência – a partir de 2008. Causas externas, por local de internação – a partir de 2008. Causas externas, por local de residência – a partir de 2008. Geral, por local de internação – de 1994 a 2007. Geral, por local de residência – de 1995 a 2007. Causas Externas, por local de internação – de 1998 a 2007. Causas Externas, por local de residência – de 1998 a 2007. Doenças de Notificação: AIDS – desde 1980. Demais Doenças de Noti- ficação – desde 2001. Estado Nutricional: Usuários da Atenção Básica. Beneficiários da Bolsa Fa- mília. Outros Agravos: Câncer do colo de útero e de mama desde 2000. Hiperdia – desde 2002. 24 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Sobre a Rede Assistencial é possível verificar as seguintes infor- mações: CNES – Estabelecimentos. CNES – Recursos Físicos. CNES – Recursos Humanos a partir de agosto de 2007 – Ocupações Classificadas pela CBO 2002. CNES – Recursos Humanos a partir de agosto de 2007 – Ocupações Classificadas pela CBO 1994. CNES – Equipes de Saúde. Pesquisa Assistência Médico Sanitária AMS 2002. Pesquisa Assistência Médico Sanitária AMS 1999. Pesquisa Assistência Médico Sanitária AMS 1992. Pesquisa Assistência Médico Sanitária AMS 1981 a 1990. Sobre as Estatísticas Vitais é possível realizar a pesquisa das se- guintes informações: Nascidos Vivos 1994 a 2009. Mortalidade Geral. Óbitos Infantis. Óbito de mulher em idade fér- til e óbitos maternos. Óbitos por causas externas. Óbitos fetais. Atlas de mortalidade por câncer. Causas mal definidas de mor- talidade. Completitude de campos rela- cionados aos dados da mãe em óbitos fetais e menores de um ano. Completitude dos principais campos. Sobre os dados referentes a questões demográficas e Socioeco- nômicas as principais informações que podem ser geradas são as se- guintes: População residente: Censos e Estimativas. Educação: Alfabetização e Escolaridade. Saneamento: Abastecimento de água, instalações sanitárias e coleta de lixo. Além disso, é possível verificar alguns Inquéritos e Pesquisas com várias relações interessantes para conhecimento sobre a situação da saúde da população. A ANS traz por intermédio do ANS TABNET infor- mações muito importantes sobre in- dicadores, planos, beneficiários, res- sarcimento ao SUS, entre outras, co- mo a ANS é um órgão governamen- tal, o auditor mesmo na função de auditor do SUS precisa ter conheci- mento sobre a abrangência da saúde suplementar, uma vez que as polí- ticas de saúde atingem a toda a po- pulação brasileira. Informações Financeiras: No item Informações Financeiras é pos- sível que o auditor tenha conheci- mento frente a questões ligadas aos Recursos do SUS (Recursos Federais do SUS por município e valores a- 25 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR provados da produção SUS por pres- tador); SIPOS (Sistema de Informa- ção sobre Orçamento Público em Saúde); BDAIH (Banco de Dados Armazenados de cada autorização de Internação Hospitalar); Transfe- rência a Municípios (informações sobre transferência fundo a fundo para os municípios pelo Fundo Na- cional de Saúde); Créditos a Presta- dores (consulta a créditos); GAP (Guia de Autorização de Paga- mento). Todos esses indicadores assim como outros já citados como de fun- damental importância na saúde su- plementar em módulos anteriores fazem parte de um conhecimento necessário ao auditor em saúde. É imprescindível salientar que um indicador sozinho não pode ser útil- zado de parâmetro para condutas, é elementar que os indicadores, per- centuais, proporções sejam utiliza- dos em conjunto, visualizando igual- mente a realidade local onde o audi- tor atua. A Portaria 312 de 02 de maio de 2002 do Ministério da Saú- de padroniza a nomenclatura no censo hospitalar e é de suma impor- tância o conhecimento do auditor frente a estas definições, consta no Anexo I deste módulo. O fato é que não se avalia de- sempenho algum com somente um indicador é preciso ter uma visão global no uso dos indicadores. Na atuação do auditor em saúde, é im- portante que o mesmo tenha visão do que são indicadores, e onde eles podem ser utilizados. Os indicado- res podem ser utilizados na gestão pública ou na gestão privada de atuação do auditor. Os indicadores são definidos, segundo o SIPAGEH (Sistema de In- dicadores Padronizados para Gestão Hospitalar), como: indicadores são medidas usadas para ajudar a des- crever a situação atual de um deter- minado fenômeno ou problema, fa- zer comparações, verificar mudan- ças ou tendências e avaliar a execu- ção das ações planejadas durante um período de tempo, em termos de qualidade e quantidade das ações de saúde executadas. (SIPAGEH, 2006) O SIPAGEH é um sistema de padronização de informações hospi- talares que visa medir o desempe- nho de instituições hospitalares e utilizar a comparação entre os indi- cadores iniciou em 1998 no Rio Grande do Sul, pela iniciativa de al- guns hospitais que para avaliar a qualidade da gestão hospitalar e comparar os índices entre os hospitais. Os indicadores padronizados pelo SIPAGEH são distribuídos em quatro áreas, são elas: Indicadores relacionados ao cliente: 26 RELATÓRIOS E INDICADORES NAAUDITORIA HOSPITALAR Índice de satisfação dos clien- tes particulares e de com- vênios; Índice de satisfação dos clien- tes SUS; Turnover. Indicadores com foco nos recursos humanos: Absenteísmo; Índice de Frequência de Acidentes de Trabalho; Horas de Treinamento por Funcionário. Indicadores Relacionados à Assistência: Tempo Médio de Permanência Geral. Tempo Médio de Permanência na Obstetrícia. Tempo Médio de Permanência na Pediatria. Taxa de Mortalidade Geral. Taxa de Mortalidade Obste- trícia. Taxa de Mortalidade Pediá- trica. Taxa de Cesáreas. Índice de Infecção na Corrente Sanguínea relacionada a Cate- ter Venoso Central. Índice de Infecção Hospitalar em Cirurgias Limpas. Indicadores Relacionados ao Desempenho: Taxa de Ocupação de Leitos. Margem Líquida. É importante que o auditor em saúde saiba como implantar esses indicadores em sua atuação, visto que inúmeros deles serão utilizados para tomada de decisões. Dessa for- ma, mesmo já existindo no mercado alguns programas que calculam au- tomaticamente estes índices, é importante saber como criar um indicador. Primeiramente é importante ressaltar que o indicador é formado basicamente pelo denominador e o numerador, o percentual se avalia multiplicando por 100. Assim sendo: O que se quer avaliar (nume- rador) x 100 (percentual); População Exposta. Outra questão importante a ser avaliada pelo auditor em saúde é o fato de ser ter possibilidade de adotar dois tipos de indicadores, ou seja, o de desfecho que demonstra o resultado final (os números totais do que se está procurando) ou o indi- cador de processo, esse por sua vez indica índices relacionados ao pro- cesso antes do resultado (desfecho). A seguir o exemplo: Indicador de Desfecho: Taxa de Queda de Paciente em Ambiente Hospitalar Indicador de Processo: Adesão da Enfermagem ao Protocolo de Prevenção de Queda No exemplo citado acima é possível identificar que apenas o 27 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR indicador de desfecho quando utili- zado pressupõe a verificação e/ou avaliação do resultado final, mas não abrange o processo, se for plau- sível realizar a verificação de ambos os indicadores é possível ter uma visão ampliada frente ao que se bus- ca mensurar, uma vez que a partir de um resultado insatisfatório do indi- cador de desfecho deve-se igual- mente buscar o indicador de pro- cesso para verificar se um resultado está relacionado ao outro ou não. Sobre os indicadores citados pelo SIPAGEH e sua busca ou men- suração, para chegar a tais resul- tados, investiga-se por meio da utilização das seguintes fichas técni- cas, adequando as necessidades da instituição e pela busca do in- dicador: Nome do Indicador Índice de Satisfação dos clientes particulares e de convênios Descrição Medir o índice de satisfação dos clientes particulares e convênios dos pacientes atendidos em determinada instituição Finalidade Mensurar o índice de satisfação dos clientes particulares e convênios Definição do Numerador Número de conceitos ótimos Definição do Denominador Total de Respostas Efetivas Análise Mensal Fonte de Dados Questionários padronizados População Incluída Total de Pacientes Particulares e Conveniados atendidos em determinada instituição que responderam ao questionário População Excluída Pacientes SUS e pacientes que não responderam ao questionário padrão Resultado Percentual Fórmula Nº de conceitos ótimos x 100 Total de Respostas Efetivas 28 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Nome do Indicador: Índice de Satisfação dos clientes SUS Descrição: Medir o índice de satisfação dos clientes SUS atendidos em determinada instituição Finalidade: Mensurar o índice de satisfação dos clientes SUS Definição do Numerador: Número de conceitos ótimos SUS Definição do Denominador: Total de Respostas Efetivas Análise: Mensal Fonte de Dados: Questionários padronizados População Incluída: Total de Pacientes SUS atendidos em determinada instituição que responderam ao questionário População Excluída: Pacientes conveniados e particulares e pacientes que não responderam ao questionário padrão Resultado: Percentual Fórmula: Nº de conceitos ótimos SUS x 100 Total de Respostas Efetivas Nome do Indicador Índice de Turnover Descrição Medir o índice de turnover dos colaboradores de determinada instituição Finalidade Mensurar o índice de satisfação dos funcionários por meio da análise da rotatividade de pessoal na empresa Definição do Numerador Admissões+Demissões / 2 29 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Definição do Denominador Nº médio de funcionários (média entre o quadro de pessoal no início do período avaliado, considerando como quadro de pessoal o número de funcionários ativos mais os afastados) Análise Mensal Fonte de Dados Departamento de Pessoal População Incluída Todos os funcionários da instituição População Excluída - Resultado Percentual Fórmula Admissões+Demissões /2 x 100 Nº médio de funcionários Nome do Indicador: Índice de Satisfação dos clientes particulares e de convênios Descrição: Medir o índice de satisfação dos clientes particulares e convênios dos pacientes atendidos em determinada instituição Finalidade: Mensurar o índice de satisfação dos clientes particulares e convênios Definição do Numerador: Número de conceitos ótimos Definição do Denominador: Total de Respostas Efetivas Análise: Mensal Fonte de Dados: Questionários padronizados 30 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR População Incluída: Total de Pacientes Particulares e Conveniados atendidos em determinada instituição que responderam ao questionário População Excluída: Pacientes SUS e pacientes que não responderam ao questionário padrão Resultado: Percentual Fórmula: Nº de conceitos ótimos x 100 Total de Respostas Efetivas Nome do Indicador: Horas de Treinamento por funcionário Descrição: Medir o índice de treinamento por funcionário em determinada instituição Finalidade: Mensurar o índice de treinamento por funcionário em determinada instituição Definição do Numerador: Total de Horas de Treinamento Definição do Denominador: Número médio de Funcionários Análise: Mensal Fonte de Dados: Departamento de Pessoal e/ou de Educação Continuada da Instituição População Incluída: Total de funcionários da instituição População Excluída: - Resultado: Percentual Fórmula: Total de horas de treinamento x 100 Número médio de funcionários 31 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Nome do Indicador: Tempo Médio de Permanência Total Descrição: Medir o tempo médio que um paciente permanece no hospital Finalidade: Mensurar o tempo médio que um paciente permanece internado Definição do Numerador: Número de pacientes/dia Definição do Denominador: Número de saídas Análise: Mensal Fonte de Dados: Censo Hospitalar População Incluída: Total de Pacientes Internados População Excluída: - Resultado: Tempo médio de internação hospitalar em dias Fórmula: Número de Pacientes/dia Número de saídas Nome do Indicador: Tempo Médio de Permanência na Obstetrícia Descrição: Medir o tempo médio que a paciente permanece internado na Obstetrícia Finalidade: Mensurar o tempo médio que a paciente permanece internado em obstetrícia Definição do Numerador: Número de Pacientes Obstétricos/dia Definição do Denominador: Número de Saídas Obstétricas 32 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Análise: Mensal Fonte de Dados: Censo Hospitalar População Incluída: Total de pacientes internadas em obstetrícia População Excluída: Pacientes Internados que não são da área da obstetrícia Resultado:Tempo médio de internação na obstetrícia em dias Fórmula: Número de pacientes obstétricos/dia Número de saídas obstétricas Nome do Indicador: Tempo Médio de Permanência em Pediatria Descrição: Medir o tempo médio de permanência de um paciente em pediatria Finalidade: Mensurar o tempo médio que o paciente fica internado na pediatria Definição do Numerador: Números de pacientes pediátricos/dia Definição do Denominador: Número de saídas pediátricas Análise: Mensal Fonte de Dados: Censo Hospitalar População Incluída: Total de pacientes pediátricos internados em determinada instituição População Excluída: Pacientes internados fora da especialidade pediátrica Resultado: Tempo médio na internação em dias Fórmula: Número de pacientes pediátricos/dia Número de saídas pediátricas 33 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Nome do Indicador: Taxa de Mortalidade Geral Descrição: Medir a taxa de óbitos ocorridos no hospital Finalidade: Mensurar a taxa de óbitos ocorridos em um hospital Definição do Numerador: Número de óbitos Definição do Denominador: Número de saídas Análise: Mensal Fonte de Dados: Censo Hospitalar População Incluída: Total de óbitos do mês e saídas de pacientes População Excluída: Pacientes internados Resultado: Percentual Fórmula: Número de Óbitos x 100 Número de saídas Nome do Indicador: Taxa de Mortalidade Obstétrica Descrição: Medir o índice de absenteísmo de uma determinada instituição Finalidade: Mensurar o índice de absenteísmo de uma determinada instituição, disponibilidade de força de trabalho e nível de satisfação dos funcionários por meio das faltas ao serviço. Definição do Numerador: Horas líquidas faltantes Definição do Denominador: Horas líquidas disponíveis Análise: Mensal Fonte de Dados: Departamento de Pessoal População Incluída: Total de funcionários da instituição População Excluída: - Resultado: Percentual Fórmula: Horas líquidas faltantes x 100 Horas líquidas disponíveis 34 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR Os indicadores servem como uma ferramenta em auditoria para análise da situação atual e para to- mada de decisão. Entretanto, como já foi mencionado anteriormente, um indicador sozinho não deve ser- vir de embasamento, visto que se de- ve ter uma análise do conjunto, sen- do o conjunto um número maior de indicadores e a situação real viven- ciada. Fonte: Lukas Outra questão importante que norteia a utilização dos indicadores é o fato da utilização da comparação como forma de alcançar uma meta. A comparação de indicadores entre instituições deve ser feita seguindo- se o princípio de que as instituições possuam o mesmo porte e o mesmo aparato de atendimento. Assim, de nada adianta com- parar indicadores de instituições com portes e complexidades dife- rentes. Para a criação de um indi- cador pode-se utilizar a tabela técni- ca acima, incluindo uma meta a cumprir, e uma referência que será utilizada para comparação. 35 36 RELATÓRIOS E INDICADORES NA AUDITORIA HOSPITALAR 3. Referências Bibliográficas BOLNER, A. R. Tradução. Evidência Clíni- ca: consciso/British Medical. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Prevenção Clínica de Doenças Cardiovasculares e Renais/Mi- nistério da Saúde - Brasília, 2006. Cader- nos de Atenção Básica; 14 (Série A. Nor- mas e Manuais Técnicos). BRASIL. Constituição da República Fede- rativa do Brasil (1988). Diário Oficial da União, Brasília – DF, 15 out. 1988. 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