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Avaliação e cuidados 
nutricionais na 
Paralisia Cerebral (PC) 
e Síndrome de Down
NUTRIÇÃO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
PARALISIA CEREBRAL (PC): DEFINIÇÃO
 Comprometimento crônico, não progressivo, 
do sistema nervoso central em fases de 
maturação estrutural e funcional, resultando 
em disfunções do tônus muscular, 
movimentação voluntária e postura. 
 Esta situação pode ocorrer durante a gravidez, 
durante o parto ou após o nascimento.
Os sintomas são variáveis e podem mudar ao longo 
do tempo. Embora não haja cura para a PC, as suas 
consequências podem ser minimizadas. 
Quais são os
tipos de 
Paralisia
Cerebral?
De acordo com a tonicidade
muscular (o critério mais utilizado
atualmente) podemos classificar
a PC em:
Como realizar a avaliação 
nutricional?
 A utilização de métodos de avaliação nutricional baseados na população saudável
pode indicar um manejo nutricional inadequado (????)
 O estado nutricional de portadores de PC deve ser avaliado por meio de curvas
específicas para essa população (????)
A antropometria adequada é de suma importância para orientação nutricional
satisfatória e individualizada, além de fornecer melhor qualidade de vida a crianças e
adolescentes com PC e suas famílias.
DEVEMOS USAR OS GRÁFICOS DA 
OMS PARA AVALIAR PCs?
Considera que não são 
confiáveis os gráficos de 
crescimento padrão ou 
específicos para PC = padrões 
de crescimento variam 
significativamente na 
população pediátrica 
Usar gráficos da OMS para crianças com 
altura confiável até 5 anos de idade e 
para crianças maiores usar um gráfico 
de crescimento relevante nacional
ESPGHAN, 2019
Como realizar a avaliação 
nutricional?
 O “North American Growth Cerebral Palsy Project” recomenda que as medidas
antropométricas sejam peso, estatura, pregas cutâneas e circunferências;
DIFICULDADE PARA AFERIÇÃO DE PESO E ALTURA
• Peso: Método diferencial Estatura: Métodos alternativos
Preferência para o antropômetro 
pediátrico (até 100cm) ou a régua Luft 
(acima de 100cm) na posição deitada.
✓Não se baseie apenas nas medidas de peso e altura.
✓Usar altura do joelho ou comprimento tibial, quando a altura não pode ser medida.
✓Usar dobra cutânea deve ser um componente de rotina da avaliação nutricional.
J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2017 Aug;65(2):242-264
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28737572
ESTIMATIVAS 
ALTURA
ESTIMATIVAS ALTURA
ESPGHAN, 2019
Curvas de crescimento
CURVAS DE CRESCIMENTO BROOKS 
2011
 Estratificada por:
 Sexo
 Severidade do 
comprometimento motor 
(GMFCS)
 Alimentação oral x 
alimentação enteral (GRUPO 
V)
Brooks et al 2011
VALORES DE 
CORTE DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL
Peso para Idade Altura para Idade IMC
Percentil
entre 5 e 95
Peso adequado para 
idade
Altura adequada para 
idade
Eutrófico
Percentil < 5 Baixo peso para idade Baixa altura para idade Magreza
Percentil > 
95
Acima do peso para idade Obesidade
Brooks et al 2011
Diagnóstico nutricional
Necessidades nutricionais
Devem ser individualizados, pois deve-se levar em consideração:
• a mobilidade, 
• o tônus muscular, 
• o nível de atividade, 
• o metabolismo alterado e 
• o crescimento
Essas crianças possuem necessidades energéticas diminuídas em comparação às crianças com 
desenvolvimento normal. As diferenças ocorrem, em parte, pela diminuição da taxa metabólica 
basal (relacionada à diminuição da massa magra e à adaptação à má nutrição crônica) e 
redução da prática de atividade física.
Nutrologia pediátrica : prática baseada em evidências / Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida, Elza Daniel de Mello. - 2. ed. -
Santana de Parnaíba [SP] :Manole, 2022.
Necessidades 
nutricionais
Métodos de 
determinação das 
necessidades energéticas
Nutrologia pediátrica : prática baseada em evidências / Carlos Alberto Nogueira-
de-Almeida, Elza Daniel de Mello. - 2. ed. - Santana de Parnaíba [SP] :Manole, 2022.
Por se ter Paralisia
Cerebral, a
alimentação deverá
ser diferente?
Em muitos casos, tendo em conta os problemas 
alimentares recorrentes, poderá haver a 
necessidade de adaptações na alimentação, sem 
nunca esquecer os princípios de uma alimentação 
saudável. Nestas situações, é imprescindível o 
apoio de um nutricionista.
DIFICULDADES NA 
ALIMENTAÇÃO
 A dificuldade alimentar aparece desde os 
primeiros dias de vida, uma vez que tanto 
a hospitalização prolongada quanto a 
dificuldade de sucção, provenientes das 
disfunções oromotoras, são fatores que 
dificultam a amamentação.
DIFICULDADES NA ALIMENTAÇÃO
Os transtornos de deglutição, que podem gerar aspiração traqueal, são
conhecidos como disfagias orofaríngeas. É importante redobrar a atenção se a 
criança apresentar os seguintes sinais:
 Muita demora para terminar a refeição (mais de 45 minutos).
 Demora para engolir, ficando com o alimento parado na boca.
 Retorno do alimento para a boca ou nariz.
 Saída do alimento da boca.
 Presença de restos de comida na boca.
 Presença de engasgos com saliva ou alimentos.
 Presença de saliva excessiva durante e após a alimentação.
 Presença de pigarro ou tosse durante e após a alimentação.
 Presença de rouquidão ou mudança na voz durante e após a alimentação.
 Problemas respiratórios frequentes.
 Cansaço excessivo ou sonolência após a alimentação.
 Presença de suor excessivo durante e após a alimentação.
Quais os problemas nutricionais mais 
frequentes na Paralisia Cerebral?
 Baixo peso/desnutrição; 
 Excesso de peso/obesidade; 
 Refluxo gastroesofágico; 
 Constipação; 
 Desidratação; 
 Disfagia; 
 Dificuldades de mastigação e 
deglutição; 
 Alimentação monótona; 
 Deficiente aporte de 
macronutrientes e micronutrientes.
As alterações nutricionais são frequentes em crianças com PC e são de etiologia multifatorial, 
secundárias a fatores relacionados à lesão neurológica, diminuição da ingesta e do aporte 
nutricional adequado, alterações morfológicas e funcionais digestórias
Porque é comum o 
baixo peso na 
Paralisia Cerebral?
O tipo de lesão no cérebro e a gravidade da PC 
podem influenciar o movimento e função muscular 
essenciais para a ingestão de alimentos. 
 Falta de controle oro-motor, dificuldade ou
ausência de reflexo de mastigação, dificuldades de 
deglutição, falta ou diminuição do reflexo de 
sucção, vómitos frequentes, hipertonia com postura
corporal incorreta ou hipotonia são alguns dos 
responsáveis pelas dificuldades na alimentação. 
 Elevados gastos energéticos, devido a uma
anormal tonicidade muscular, estão também
associados ao baixo peso. 
Manejo do baixo peso na Paralisia 
Cerebral 
• Aumentar o número de refeições fornecidas: 
• Aumentar a densidade calórica das refeições. Deve limitar-se, ao máximo, os 
alimentos com baixo valor nutricional, prestando atenção a alimentos nutritivos
• Não compensar a baixa ingestão alimentar com alimentos pouco saudáveis e muito 
calóricos (bolachas, chocolates, produtos de pastelaria e confeitaria, …); 
• Elaborar refeições atrativas e nutritivas, evitando tornar a alimentação monótona; 
Manejo do baixo peso na Paralisia 
Cerebral 
• No caso das mudanças na alimentação oral não serem 
suficientes, fornecer suplementos nutricionais que 
complementem a alimentação;
Aquelas crianças que não têm indicação de alimentação
por via oral devido aspiração, dificuldade motora grave
ou incapacidade de atingir as necessidades energéticas
adequadas, necessitam de nutrição enteral
 Nutrição Enteral (NE ou TNE): alimento para fins especiais, com ingestão controlada
de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou estimada,
especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializado
ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a
alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades
nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou
manutençãodos tecidos, órgãos ou sistemas.
RDC 63, 2000
O que é nutrição enteral?
Quando e por que ela está indicada?
 Indicações: São candidatos à TNE os pacientes 
que não satisfazem suas necessidades 
nutricionais com a alimentação convencional, 
mas que possuam a função do trato intestinal 
parcial ou totalmente íntegra.
RDC 63, 2000
Quando e por que ela está indicada?
RISCO DE 
DESNUTRIÇÃO + VO
DESNUTRIÇÃO + VO INCOORDENAÇÃO 
DA DEGLUTIÇÃO
RISCO DE 
BRONCOASPIRAÇÃO
Vias de Acesso NE
Vias de 
Acesso NE
Administração da NE
Frascos Bomba de Infusão Equipo
Administração da NE
Método Características
Em bolus É feita com a ajuda de uma seringa
que injeta a dieta.
Intermitente Utiliza a força da gravidade para o
gotejamento da dieta.
Contínua Usa a bomba de infusão por 24 horas.
Artesanais
IndustrializadasCompletas 
Incompletas 
(Modulares)
Weffort & Lamounier. Nutrição em Pediatria: da neonatologia à adolescência. 2 edição. 2017
Tipos de Fórmulas
DIETA ARTESANAL
Alimentos Utilizados na Dieta Artesanal
❑ Leite de vaca tipo “B” ou “C” ou leite de soja;
❑ Frutas e vegetais (crus e cozidos);
❑ Creme de leite, óleo vegetais, TCM;
❑ Ovo de galinha cozido (1 gema e 3 claras);
❑ Chá de maçã seca, pêra ou marmelo seco, erva doce ou camomila;
❑ Sal;
❑ Caldo de carne;
❑ Módulos: maltodextrina (CH), albumina em pó (ptn), fibras, TCM. 
❑ Suplementos: sustacal,sustare, sustagem, soymilke, novomilke, nutren active
VISCOSIDADE DA DIETA ARTESANAL
❑O volume total de ingredientes sólidos (pós ou 
alimentos sólidos) não deve ultrapassar 1/3 do 
volume de líquido utilizado
❑Exemplo:
❑ INGREDIENTES: 
❑300 ml água SOLVENTE
❑30g leite em pó (10%)
❑21g de maltodextrina (7%)
❑40g maçã
SOLUTO = 91G = < 1/3 
DILUIÇÃO DE PRODUTOS PARA DIETA 
ARTESANAL
Leite em pó – 15%
Leite de soja – 15-20%
Farinhas (maisena, mucilon, neston, cremogema, aveia 
flocos finos, fª láctea) – 3%
Açúcar – 3 – 5%
Maltodextrina/Nidex – 5 – 10%
Gordura (óleo vegetal, TCM) – 1 – 3%
EXEMPLO FÓRMULA ARTESANAL
 VET = 2000kcal/dia
 DC = 1 kcal/ml = 2000 ml de dieta/dia
 Osmolaridade ????
 Fracionamento = 6 ref/dia = 3/3h
EXEMPLO FÓRMULA ARTESANAL
 Volume/refeição = 330ml
 Controlar volume final da preparação
 Quando usar solvente com valor nutricional (ex leite) não use no volume 
total (330ml) pois ao acrescentar os solutos o volume final irá aumentar = 
quanto???
 Deixe indefinida a quantidade de água no modo de preparo = água em 
quantidade suficiente para atingir volume final de 330ml
 VET/refeição = 330 kcal
 Escolha os ingredientes para atender a meta nutricional (CHO, PTN e LIP)
 Facilidade de preparo = 1 ou 2 preparações/dia
 Sabor, odor e cor
VÍDEO DIETA 
ARTESANAL
 Quais vantagens você identificou na 
elaboração de uma dieta artesanal?
 Quais desvantagens você identificou na 
elaboração de uma dieta artesanal?
DIETA ARTESANAL 
HC/UNICAMP 
https://www.youtube.com/watc
h?v=Mfjstt7F87U
https://www.youtube.com/watc
h?v=gFhyPfv2BHI
Porque é frequente o excesso 
de peso/obesidade na 
Paralisia Cerebral?
 No caso da PC, o excesso de peso/obesidade 
pode estar associado a diversos fatores, como 
um menor gasto de energia, devido à limitada 
atividade física, à baixa tonicidade muscular, 
ao crescimento atípico e a situações de 
compensação com alimentos de elevada 
densidade energética ou ingestão alimentar 
compulsiva. 
Porque é comum a constipação na 
Paralisia Cerebral?
 Problema bastante comum na PC:
 presença de hipotonicidade, que 
resulta na menor motilidade intestinal.
 reduzido relaxamento muscular e a 
imobilidade dificultam o processo de 
defecação. 
 A medicação comummente utilizada 
na população com PC e o baixo 
consumo de fibras e de água 
contribuem, igualmente, para o 
agravamento desta situação. 
COMO RESOLVER OU MINIMIZAR O 
PROBLEMA DA OBSTIPAÇÃO?
Uma alimentação rica em fibras alimentares, 
presentes em hortícolas, fruta crua, cereais e 
sementes (tais como a linhaça, chia e aveia), 
e a elevada ingestão de água ao longo do 
dia são essenciais para a resolução ou 
minimização de problemas de obstipação.
Porque é tão frequente a 
desidratação na Paralisia Cerebral?
A desidratação é muito frequente na PC por vários motivos:
 Incapacidade de comunicar a sensação de sede; 
 Sialorreia, ou seja, a dificuldade em controlar a saliva levando, 
por exemplo, ao ato de babar em fio; 
 Disfagia para líquidos; 
 Resistência à ingestão de água.
 Um sinal de alerta facilmente detectável é uma urina muito 
concentrada (escura), com odor forte e em pouca quantidade
 CRIAR A ROTINA DE INGESTÃO DE ÁGUA AO LONGO DO DIA.
Estimular a 
autonomia
PARAESTUDAR = 
ACESSE EM 
“MINHA 
BIBIOTECA"
Nutrologia pediátrica : 
prática baseada em 
evidências / Carlos Alberto 
Nogueira-de-Almeida, Elza 
Daniel de Mello. - 2. ed. -
Santana de Parnaíba [SP] 
:Manole, 2022.
Avaliação e cuidados 
nutricionais na 
Síndrome de Down
NUTRIÇÃO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Definição:
 Avaliação nutricional
 Curvas específicas
 Mais baixas / IMC maior / TMB menor
Síndrome de Down é uma 
condição genética 
caracterizada pela 
presença de três cópias 
do cromossomo 21, sendo 
também conhecida 
como Trissomia do 
cromossoma 21
Síndrome de 
Down
Disponível: http://www.growthcharts.com/charts/DS/charts.htm
Disponível: http://www.growthcharts.com/charts/DS/charts.htm
Síndrome de 
Down
Disponível: http://www.growthcharts.com/charts/DS/charts.htm
Síndrome de 
Down
Disponível: http://www.growthcharts.com/charts/DS/charts.htm
Síndrome de 
Down
Pontos de corte para pacientes com Síndrome de Down
VALORES DE 
CORTE
DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL
Peso para Idade Altura para Idade
Percentil entre 10 
e 90
Peso adequado para 
idade
Altura adequada
para idade
Percentil < 10 Baixo peso para idade Baixa altura para 
idade
Percentil > 90 Acima do peso para 
idade
Síndrome de 
Down
Intercorrências nutricionais na SD
 Constipação intestinal, tendência à obesidade, maior 
predisposição a gripes, resfriados e infecções, dentre outros.
 Estes problemas podem ser melhorados quando a pessoa 
recebe uma alimentação adequada.
 Crianças com Síndrome de Down podem apresentar (o que 
não significa uma regra geral) malformação do coração, 
intestino e esôfago. Nesses casos, é necessário orientação 
médica, porque pode haver dificuldade na alimentação.

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