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Aumento da lipidogênese inerente à velhice.
Insuficiência de sono.
Hábitos alimentares ruins ao longo da vida.
Atividade enzimática.
Estado hormonal endócrino.
Aumento da ingestão energética.
Muitas dessas condições são intensificadas pelo natural aumento da resistência à leptina e pela perda de
sensibilidade hormonal tireoidina, levando a dificuldades de controle de apetite.
VEM QUE EU TE EXPLICO!
Radicais livres, estresse oxidativo, envelhecimento celular e estilo de vida
Síndrome da fragilidade no idoso
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Identificar as condutas de avaliação, classificação e diagnóstico nutricional em idosos
PRINCIPAIS MEDIDAS DE AVALIAÇÃO
ANTROPOMÉTRICA DO ESTADO NUTRICIONAL
A determinação de parâmetros de risco para o status nutricional de idosos é baseada em dados epidemiológicos
multicêntricos. Contudo, o nutricionista deve precaver-se de estabelecer padronização na coleta de medidas, uma vez
que modificações físicas são inerentes ao envelhecimento. Idosos desenvolvem naturalmente processo de
desidratação, aumento de flacidez, dificuldade de manutenção postural e outros fatores que podem interferir
negativamente na medição antropométrica e, por conseguinte, no diagnóstico nutricional. Nesse sentido, as medidas
mais comumente utilizadas são de simples coleta e não invasivas, destacando-se principalmente a coleta de peso,
estatura, dobras cutâneas e perimetrias.
O cálculo do IMC destaca-se como uma ferramenta fácil e indicativa de estimativa de excesso ou carência de
compartimentos adiposos em harmonia antropométrica em idosos. A razão da massa corporal pela estatura ao
quadrado consiste em método de fácil aplicação especialmente por seu baixo custo e sua reprodutibilidade (OPAS,
2002; BRASIL, 2011). O quadro a seguir apresenta parâmetros de IMC para classificação nutricional de idosos,
independentemente do sexo.
IMC (kg/m2) Classificação
< 23 Baixo peso
23-28 Eutrofia
28-30 Sobrepeso
> 30 Obesidade
Quadro: Classificação do estado nutricional de idosos por IMC.
Adaptado de OPAS, 2002.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
 COMENTÁRIO
A medição do peso e da estatura de idosos pode ser difícil ou impossível para indivíduos que tenham restrições para
deambular ou que se encontram acamados. Nessas condições, é possível efetuar a aplicação de equações preditivas
de peso e de estatura baseadas na coleta de outras medidas, especialmente a aferição do comprimento da perna
(também denominada “altura do joelho”).
O comprimento da perna (CmP) deve ser medido necessariamente com o paciente sentado, mantendo a perna em
ângulo reto considerando os pés fixos no solo e os joelhos alinhados. A entrada da posição da fita métrica deve partir
da base do calcanhar até a protuberância fibular da perna direita. Os quadros que seguem exibem, respectivamente,
cálculos para estimativa de altura e massa corporal para idosos de acordo com o sexo.
Homens Mulheres
(2,02 × CmP) – (0,04 × I) + 64,19 (1,83 × CmP) – (0,24 × I) + 84,88
Quadro: Equação para estimativa de estatura em idosos.
Adaptado de Chumlea; Roche; Steinbaugh, 1985.
CmP: Comprimento da perna; I: Idade.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Homens Mulheres
(0,98 × CP) + (1,16 × CmP) + (1,73 × CB) + (0,37 ×
DCSE) – 81,69
(1,27 × CP) + (0,87 × CmP) + (0,98 × CB) + (0,4 ×
DCSE) – 62,35
Quadro: Equação para estimativa de peso em idosos.
Adaptado de Chumlea et al., 1988.
CP: Circunferência da panturrilha; CmP: Comprimento da perna; CB: Circunferência do braço; DCSE: Dobra cutânea
subescapular.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Do ponto de vista padrão, indica-se desenvolver os seguintes procedimentos para dobra cutânea subescapular
(DCSE), circunferência do braço (CB) e circunferência da panturrilha (CP) (MUSSOI, 2014, p. 107):
DCSE
Deve-se marcar o ponto 2cm abaixo da borda inferior da escápula direita, com a demarcação seguindo a orientação
inclinada dos arcos costais. O avaliador deve se posicionar atrás do avaliado e a prega deve ser realizada
obliquamente ao eixo anatômico longitudinal.
CB
Mede-se o membro direito do paciente, envolvendo a fita métrica na metade da distância entre a borda superior do
acrômio e a proeminência do olecrano. Para CB, o idoso deve manter os braços relaxados em paralelo ao eixo
longitudinal.
CP
A fita métrica deve circundar a região de maior perímetro aparente do músculo gastrocnêmio da perna direita.
Como contraponto ao uso isolado do indicador do IMC, que costuma ser uma excelente ferramenta do ponto de vista
epidemiológico, indica-se a aplicação de métodos capazes de aprofundar a composição corporal individual de idosos.
O IMC carece de maior alcance na definição do conteúdo dos compartimentos corporais e deixa lacunas sobre a
qualidade da harmonia e a relação entre a massa corporal total e a estatura.
Nesse sentido, as medidas de CB, circunferência muscular do braço (CMB) e área muscular do braço corrigida
(AMBc) podem indicar riscos de desnutrição ou excessos nutricionais, principalmente em condições de inviabilidade
de aferição de IMC ou até mesmo de se estimar peso e estatura em idosos. Enquanto a CB engloba a soma de todas
as massas acumuladas da região, a CMB e a AMBc delimitam estimativa de reserva musculoesquelética corporal
importante para indivíduos dessa faixa etária, compreendendo ferramenta valiosa na busca por eventuais processos
de deterioração tecidual.
Para determinação de estado nutricional a partir da CB, calcula-se o percentual de adequação da perimetria pela
obtenção de medidas detectadas na avaliação nutricional e pela coleta do valor percentil 50 (P50) de acordo com a
idade do paciente. A equação é descrita da seguinte maneira:
Adequação de CB = (CB / P50 da CB) × 100
A seguir, o primeiro quadro dispõe medidas de percentis (P) de CB para idosos de acordo com o sexo (BURR;
PHILLIPS, 1984); já o segundo apresenta a classificação do estado nutricional a partir do resultado da equação de
adequação da CB.
Homens
Idade P5 P10 P15 P25 P50 P75 P85 P90 P95
60- 64 26,6 27,8 28,6 29,7 32,0 34,0 35,1 36,0 37,5
65- 69 25,4 26,7 27,7 29,0 31,1 33,2 4,5 35,3 36,6
70- 74 25,1 26,2 27,1 28,5 30,7 32,6 33,7 34,8 36,0
75- 79 19,7 20,8 – 22,6 24,5 26,4 – 28,2 27,1
80- 84 19,3 20,2 – 21,9 23,7 25,5 – 27,2 28,1
> 84 18,9 19,8 – 21,3 23,0 24,7 – 26,2 27,1
Mulheres
Idade P5 P10 P15 P25 P50 P75 P85 P90 P95
60- 64 25,0 26,1 27,1 28,4 30,8 34,0 35,7 37,3 39,6
65- 69 24,3 25,7 26,7 28,0 30,5 33,4 35,2 36,5 38,5
70- 74 21,8 25,3 26,3 27,6 30,3 33,1 34,7 35,8 37,5
75- 79 19,3 20,6 – 22,6 24,9 27,2 – 29,3 30,5
80-84 17,9 19,2 – 21,2 23,5 25,8 – 27,9 29,1
> 84 16,4 17,6 – 19,8 22,1 24,5 – 26,6 27,8
Quadro: Valores de percentis de CB para idosos de ambos os sexos de acordo com a idade.
Adaptado de Burr; Phillips, 1984.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Classificação % de adequação da CB
Desnutrição grave < 70%
Desnutrição moderada 70%-79%
Desnutrição leve 80%-89%
Eutrofia 90%-109%
Sobrepeso 110%-120%
Obesidade > 120%
Classificação nutricional de acordo com percentual de adequação da CB.
Adaptado de Blackburn; Thornton, 1979.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Para obtenção do valor de CMB, é necessário haver a coleta de medidas de CB e dobra cutânea tricipital (DCT) para,
posteriormente, aplicar os dados na seguinte fórmula:
CMB = CB – [π × (DCT/10)]
Sendo π (pi) como número de valor aproximado de 3,1416. Em sequência, é indicado cálculo de adequação da CMB
seguindo a equação:
Adequação de CMB = (CMB/P50 da CMB) × 100
A seguir, o primeiro quadro lista valores de P50 para CMB; o segundo apresenta classificação nutricional de idosos a
partir da adequação da AMB (BLACKBURN; THORNTON, 1979).
Homens
Idade P50
60-64 27,8
65-74 26,8
75-79 22,1
80-84 21,5
> 84 20,8
MulheresIdade P50
60-64 22,5
65-74 22,5
75-79 20,0
80-84 19,2
> 84 18,2
Quadro: Valores de P50 de CMB para idosos de ambos os sexos de acordo com a idade.
Adaptado de Frisancho, 1981.; Burr; Phillips, 1984.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Classificação % de adequação da CMB
Desnutrição grave < 70%
Desnutrição moderada 70%-79%
Desnutrição leve 80%-89%
Eutrofia > 90%
Quadro: Classificação nutricional de acordo com percentual de adequação da CMB.
Adaptado de Blackburn; Thornton, 1979.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
A AMBc consiste na medida de determinação muscular braquial excluindo-se variável de tecido ósseo, no intuito de
obter melhor precisão das condições de massa proteica muscular do idoso, o que reflete um indicador mais acurado
que a CMB. As seguintes equações descrevem método de cálculo para AMBc para homens e mulheres:
AMBc para homens: [CB – π × (DCT/10)2 – 10]/4π
AMBc para mulheres: [CB – π × (DCT/10)2 – 6,5]/4π
De acordo com as normas padronizadas no Sistema Internacional de Cineantropometria (ISAK), a DCT deve ser
aferida na metade da distância entre a borda superior do acrômio e o olecrano, na região anterior do braço direito,
com o paciente mantendo o membro relaxado. A prega deve ser realizada de forma paralela ao eixo longitudinal
(TIRAPEGUI; RIBEIRO, 2013).
A seguir, o primeiro quadro expõe medidas de percentis (P) para AMBc para idosos de acordo com o sexo
(FRISANCHO, 1990), enquanto o segundo determina classificação do estado nutricional de acordo com percentil de
AMBc (BLACKBURN; THORNTON, 1979).
Homens
Idade P5 P15
60-64 34,5 41,2
65-69 31,4 38,4
70-75 29,7 36,1
Mulheres
Idade P5 P15
60-64 22,4 26,3
65-69 21,9 26,2
70-75 22,2 26,0
Quadro: Valores de percentis de AMBc (cm2) para idosos de ambos os sexos.
Extraído de Frisancho, 1990. Adaptado.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Classificação Percentil
Desnutrição grave < P5
Desnutrição ≥ P5-P15
Eutrofia > P15
Quadro: Classificação nutricional de acordo com percentil de AMBc.
Extraído de Blackburn; Thornton, 1979. Adaptado
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
A área adiposa do braço (AAB) e o percentual de gordura por AAB podem refletir o conteúdo lipídico de idosos com
projeção de risco. Para obtenção do valor, é necessária aplicação das seguintes fórmulas:
 Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal
Recomenda-se observação progressiva das medidas de percentual de gordura em idosos para determinar acúmulo
ou redução em casos de excessos ou de carências. Contudo, é importante evitar comparação dos resultados com
referências de percentual de gordura para adultos.
 SAIBA MAIS
A Organização Mundial da Saúde propõe que a medida de circunferência da panturrilha apresenta significativa
sensibilidade na predição de alteração de conteúdo de massa magra de idosos, especialmente aqueles com
dificuldades de locomoção e de manutenção de exercícios físicos regulares. Objetivamente, determina-se quadro de
risco de desnutrição para indivíduos que apresentem valores da perimetria inferiores a 31cm, tanto para homens
quanto para mulheres (NAJAS; NEBULONI, 2005).
Também conhecida como força de preensão palmar, a aferição da espessura do músculo adutor do polegar (EMAP)
consiste em método de baixo custo, simples, ágil, não invasivo e de fácil reprodução e análise, uma vez que não há
necessidade de conversão do valor em fórmulas preditivas. Com auxílio de um adipômetro, o avaliador deve exercer
pressão contínua sob o músculo adutor. O equipamento deve pinçar o vértice do triângulo imaginário formado pela
extensão dos dedos polegar e indicador. Para verificar a evolução, indica-se comparar medidas obtidas do EMAP ao
longo do acompanhamento nutricional de longo prazo. O quadro a seguir apresenta adequação comparativa da
evolução dos valores (PEREIRA et al., 2019).
Nível de depleção % de evolução
Ausência 100%
Leve 99-90%
Moderada 90- 60%
AAB  =  (DCT   ×  0, 1)  ×  (CB/2) –  (π  ×  (DCT   ×  0, 1)
2
/4)
% de gordura por AAB  =  (AAB  ×  100)/(AMB  +  AAB)
Grave < 60%
Quadro: Adequação do EMAP.
Extraído de Mussoi, 2014, p. 186. Adaptado.
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SEMIOLOGIA NUTRICIONAL E AVALIAÇÃO
BIOQUÍMICA EM IDOSOS
Com o intuito de identificar precocemente possíveis desenvolvimentos e agravamentos patológicos, alguns
indicadores bioquímicos são utilizados em análises laboratoriais. O quadro a seguir apresenta os principais
biomarcadores utilizados na investigação de riscos de doenças no envelhecimento.
Teste Referência Implicações Clínicas
Glicemia em jejum (mg/dL) < 126
Valores elevados podem indicar diabetes
mellitus (DM).
Teste oral de tolerância a glicose
(TOTG) de 2h (mg/dL)
< 200 Valores elevados podem indicar DM.
Glicemia em jejum + TOTG de 2h
(mg/dL)
a) < 110 e < 140
b) > 110 a 125 e <
140
c) < 110 e > 140
d) > 110 a 125 e >
140
a) Valores normais
b) Glicemia alterada
c) Tolerância glicêmica
d) DM
Colesterol total (mg/dL)
a) > 200
b) < 50
a) Risco de doenças
cardiovasculares
b) Marcador de fragilidade
Colesterol-HDL (mg/dL) < 36 Risco de aterosclerose
Colesterol-LDL (mg/dL) > 159 Risco de aterosclerose
Albumina sérica (g/dL) < 3,5 Risco de desnutrição
Proteína C reativa (mg/dL) > 0,5 Estado inflamatório
Hemoglobina (g/dL)
· < 13 para
homens
· < 12 para
mulheres
Anemia
Número de hemácias
 
· < 4,3 × 106
para homens
· < 4,0 × 106
para mulheres
Anemia hemolítica, hemorragia ou
hemólise
· > 5,5 × 106
para homens
· > 5,1 × 106
para mulheres
Policitemia
Neutrófilos (M/mm3)
a) > 7500
b) < 1.500
a) Infecções, inflamação, doenças
metabólicas, neoplasmas
b) Neutropenia
Eosinófilos (M/mm3) > 500 Alergias, neoplasmas
Monócitos (M/mm3) > 1000 Infecções, sarcoidose
Linfócitos (M/mm3)
a) > 4.000
b) < 1.000
a) Desordens mieloproliferativas
b) Linfopenia
Quadro: Análise bioquímica usual em idosos.
Extraído de Abbatecola et al., 2005. Adaptado.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Bioquimicamente, é possível observar alterações importantes nas concentrações de hormônios de várias classes em
função do envelhecimento. Por exemplo, os níveis séricos de hormônios esteroides androgênicos e estrogênicos
reduzem significativamente, em média, a partir dos 60 anos de idade. Destaca-se a diminuição de sulfato de
dehidroepiandrosterona (s-DHEA), dehidroepiandrosterona, androstenediona, testosterona, estradiol, estriol, hormônio
folículo-estimulante, estrona e hormônio luteinizante. Inversamente, costuma-se observar aumento dos níveis
hormonais de insulina em indivíduos de 60 a 90 anos de idade, quando comparados a adultos de 18 a 59 anos. O
quadro a seguir ilustra faixa média de valores de alguns hormônios esteroides de acordo com a faixa etária.
Hormônio Sexo 18-59 anos 60-90 anos > 90 anos
Testosterona
(mg/L)
Masculino 3,5-10,3 2,2-6,7 3,4
DHEA (mg/L) Masculino/Feminino 1,6-8,0 0,2-1,7 0,8
s-DHEA (mg/L)
a) Masculino
b) Feminino
a) 1800-
4500
b) 1200-3159
a) 40-750
b) 20-600
a) 287
b) 231
Insulina (mU/L) Masculino/Feminino 6- 26 7-37 2-19
Estradiol (ng/L) Feminino
Folicular: 30-100
Luteal: 70-300
<5- 20 6
Estrona (ng/L) Feminino
Folicular: 30-100
Luteal: 60-160
< 5- 58 29
Quadro: Hormônios e faixa etária.
Extraído de Abbatecola et al., 2005. Adaptado.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Muitas dessas mudanças hormonais culminam justamente no agravo de características físicas e funcionais de idosos,
como perda de locomoção independente associada a problemasde déficit ósseo ou muscular. Mecanismos
anabólicos costumam diminuir suas atividades e biossinalizações juntamente com aumento de atividade
catabolizante. A redução hormonal de somatomedina C ou fator de crescimento ligado à insulina (IGF-1) desencadeia
redução da síntese proteica muscular, em virtude do protagonismo da IGF-1 no controle desse mecanismo. Além
disso, observa-se diminuição das concentrações de hormônio do crescimento (GH) em razão direta da menor
atividade hipofisária.
HISTÓRIA MEDICAMENTOSA E INTERAÇÃO DROGA-
NUTRIENTE
A ingestão de medicamentos é bastante comum em idosos, tendo em vista a degradação sistêmica combinada, entre
outros fatores, com possíveis históricos pregressos de maus hábitos de saúde e qualidade de vida ao longo dos anos.
Contudo, inúmeras drogas podem afetar tanto a cinética, a disponibilidade e o armazenamento de nutrientes quanto o
sistema sensorial do indivíduo. Alguns fármacos, por exemplo, são capazes de induzir o processo de anorexia em
idosos, destacando-se os seguintes:
a) Para tratamento de doenças cardiovasculares: amiodarona, furosemida, digoxina, espironolactona.
b) Para tratamento de distúrbios neurológicos: levodopa, lítio, fluoxetina.
c) Para tratamento de desordens gastrointestinais: agonistas H2, inibidores de bomba de prótons (omeprazol e
pantoprazol, por exemplo).
d) Para cuidados de doenças ou desordens musculares: drogas anti-inflamatórias não esteroides, metotrexato,
colchicina.
e) Antibióticos: griseofulvina e metronidazol.
f) Quimioterápicos: todos.
A anotação ou observação cuidadosa do rol de drogas consumidas pelo paciente é capaz de apontar possíveis riscos
de desvios nutricionais ou implicações dietéticas para o nutricionista. O quadro a seguir descreve a relação de alguns
medicamentos com seu impacto nutricional.
Medicamento Interação nutricional
Diazepam, pentoxifilina, imipramida, orazepam,
ranitidina, clomipramida, haloperidol
Metabolismo de xantinas, limita ingestão de cafeína
Clorpromazina, metildopa, metformina,
omeprazol
Reduz absorção de vitamina B12
Captopril, sulfato ferroso
Eficácia reduzida (aproximadamente 50%) quando
consumidos com alimentos
Pepsogel®, Gastrol® Terapia quelante de folato
Sulfametoxazol Interfere no metabolismo de folato
Fenobarbital
Aumenta a necessidade de vitamina C e aumenta a
taxa de metabolismo das vitaminas K e D
Fenitoína, propranolol
Suplementação de cálcio, reduz absorção do
fármaco
Digoxina Ação reduzida por ingestão de fibras (25%)
AAS
Reduz a absorção de vitaminas, principalmente C e
K
Paracetamol Ação reduzida pela ingestão de fibras
Hidroclorotiazida
Pode levar à hipercalcemia quando combinada com
suplementação de cálcio e vitamina D
Bisacodil Reduz absorção de glicose e aminoácidos
Alopurinol
Quando combinado com doses elevadas de vitamina
C, pode resultar em cálculos renais
Óleo mineral Reduz absorção de vitamina A e de vitamina K
Furosemida Reduz absorção e aumenta excreção de sódio
Quadro: Relação droga-nutriente.
Extraído de Reis, 2004.
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INSTRUMENTOS DE TRIAGEM NUTRICIONAL
Para agilidade da triagem do estado nutricional de idosos, são aplicados questionários de fácil preenchimento no
intuito de obter diagnósticos ou apontamentos quanto à gravidade do quadro evolutivo de pacientes idosos. Essas
ferramentas têm como características serem facilmente utilizadas pela equipe multiprofissional, ter boa relação custo-
benefício e demandarem baixo nível de experiência do avaliador. O quadro a seguir resume os tipos de instrumento
de triagem nutricional diferenciando suas características técnicas e operacionais.
 NRS NSI NRI PNI SGA MNA NuRAS
Sensibilidade (%) – 36 46 93 82 96 –
Especificidade
(%)
– 85 85 44 72 98 –
Custo + + + +++ ++ + +
Tempo Rápido Rápido Rápido Lento Intermediário* Rápido Rápido
Condição do
idoso
Em
casa
Em
casa
Em
casa
Adoecido Adoecido Todos
Em
casa
Detecta
desnutrição?
Sim Sim Sim Não Não Sim Sim
Diagnostica
desnutrição?
Não Não Não Sim Sim Sim Não
É indicado para
acompanhamento
evolutivo?
Não Não Não Não Não Sim Não
Quadro: Ferramentas de triagem nutricional.
Adaptado de Lauque; Nourhashemi; Vellas, 1999.
* Paciente precisa se despir; +, barato; ++, custo médio; +++, custo alto; MNA: Mini Avaliação Nutricional; NRI: Índice
de Risco Nutricional; NRS: Escore de Risco Nutricional; NSI: Iniciativa de Triagem Nutricional; NuRAS: Escala de
Avaliação de Risco Nutricional; PNI: Índice de Prognóstico Nutricional; SGA: Avaliação Subjetiva Global.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
OS PRINCIPAIS PARÂMETROS NUTRICIONAIS
UTILIZADOS PARA UM ADEQUADO DIAGNÓSTICO
NUTRICIONAL EM IDOSOS
Veja no vídeo, com a palavra do especialista, os principais parâmetros nutricionais utilizados para um adequado
diagnóstico nutricional em idosos.
VEM QUE EU TE EXPLICO!
Principais medidas de avaliação antropométrica do estado nutricional
Semiologia nutricional e avaliação bioquímica em idosos
VERIFICANDO O APRENDIZADO
A composição conjunta de alterações fisiológicas e antropométricas em idosos pode ser uma combinação de grande
perigo para o atendimento dos requerimentos nutricionais nesse público, tendo em vista que não só a atividade
metabólica sofre algum grau de deterioração, especialmente por ERON, mas também há impacto no consumo, na
digestão e na absorção dos nutrientes.
De forma ampla, a desidratação inerente ao envelhecimento e a periculosidade com os extremos nutricionais, isto é,
desnutrição e obesidade, demandam o máximo de individualização nas ofertas nutricionais em idoso. Além disso, é
preponderante que o maior foco da oferta dietética em idosos se concentre no estímulo de ingestão oral. A indução a
MÓDULO 3
 Determinar as necessidades energéticas, hídricas e de micronutrientes em idosos

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