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CURSO ANUAL DE GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO Prof. Cláudio Neves VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência ANÁLISE SINTÁTICA COMPLEMENTO VERBAL TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO Certos verbos ou nomes presentes numa oração não possuem sentido completo em si mesmos. Sua significação só se completa com a presença de outros termos, chamados integrantes. São eles: complementos verbais (objeto direto e objeto indireto); complemento nominal; agente da passiva. Complementos Verbais Completam o sentido de verbos transitivos diretos, transitivos indiretos e transitivos diretos e indiretos. Vamos rever os tipos de verbo: VERBO INTRANSITIVO – não exige complemento verbal. VERBO TRANSITIVO DIRETO – exige complemento direto, ou seja, sem uso de preposição. VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO – exige complemento direto e indireto. Importante: - Complementos Verbais sempre são ALGO ou ALGUÉM. Não podem ser lugar, modo, tempo etc. - Complementos completam verbos, jamais nomes! Quem completa nome é o complemento nominal, que estudaremos na próxima semana. 1) Objeto Direto É o termo que completa o sentido do verbo transitivo direto, ligando-se a ele sem o auxílio necessário da preposição. Por Exemplo: Abri os braços ao vê-lo. Objeto Direto O objeto direto pode ser constituído: a) Por um substantivo ou expressão substantivada. Exemplos: O agricultor cultiva a terra./ Unimos o útil ao agradável. b) Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos. Exemplos: Espero-o na minha festa. / Ela me ama. c) Por qualquer pronome substantivo. Por Exemplo: O menino que conheci está lá fora. Atenção: Em alguns casos, o objeto direto pode vir acompanhado de preposição facultativa. Isso pode ocorrer: - quando o objeto é um substantivo próprio: Adoremos a Deus. - quando o objeto é representado por um pronome pessoal oblíquo tônico: Ofenderam a mim, não a ele. - quando o objeto é representado por um pronome substantivo indefinido: O diretor elogiou a todos. - para evitar ambiguidade: Venceu ao inimigo o nosso colega. Obs.: caso o objeto direto não viesse preposicionado, o sentido da oração ficaria ambíguo, pois não poderíamos apontar com precisão o sujeito (o nosso colega). Saiba que: Frequentemente, verbos intransitivos, podem aparecer como verbos transitivos diretos. Por Exemplo: A criança chorou lágrimas doídas pela perda da mãe. Objeto Direto 2) Objeto Indireto É o termo que completa o sentido de um verbo transitivo indireto. Vem sempre regido de preposição clara ou subentendida. Atuam como objeto indireto os pronomes: lhe, lhes, me te, se, nos, vos. Exemplos: Não desobedeço a meus pais. Objeto Indireto Preciso de ajuda. (Preposição clara "de") Objeto Indireto Enviei-lhe um recado. (LHE = A ELE) Objeto Indireto Obs.: muitas vezes o objeto indireto inicia-se com crase (à, àquele, àquela, àquilo). Isso ocorre quando o verbo exige a preposição "a", que acaba se contraindo com a palavra seguinte. Por Exemplo: Entregaram à mãe o presente. (à = "a" preposição + "a" artigo definido) Observações Gerais: a) Pode ocorrer ainda o (objeto direto ou indireto) pleonástico, que consiste na retomada do objeto por um pronome pessoal, geralmente com a intenção de colocá-lo em destaque. Por Exemplo: As mulheres, eu as vi na cozinha. (Objeto Direto) A todas vocês, eu já lhes forneci o pagamento mensal. (Objeto Indireto) b) Os pronomes oblíquos o, a, os, as (e as variantes lo, la, los, las, no, na, nos, nas) são sempre objeto direto. Os pronomes lhe, lhes são sempre objeto indireto. Exemplos: Eu a encontrei no quarto. (OD) Vou avisá-lo.(OD) Eu lhe pagarei um sorvete.(OI) c) Os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos podem ser objeto direto ou indireto. Para determinar sua função sintática, podemos substituir esses pronomes por um substantivo: se o uso da preposição for obrigatório, então se trata de um objeto indireto; caso contrário, de objeto direto. 2 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) Por Exemplo: Roberto me viu na escola.(OD) Substituindo-se "me" por um substantivo qualquer (amigo, por exemplo), tem-se: "Roberto viu o amigo na escola." Veja que a preposição não foi usada. Portanto, "me" é objeto direto. Observe o próximo exemplo: João me telefonou.(OI) Substituindo-se "me" por um substantivo qualquer (amigo, por exemplo), tem-se: "João telefonou ao amigo". A preposição foi usada. Portanto, "me" é objeto indireto. d) Os pronomes átonos oblíquos no papel de objeto direto ou indireto podem fundir-se, embora isso não seja comum no português brasileiro. Por Exemplo: - João, você deu a caneta a Alberto? - Sim, dei-lha. Veja o que ocorreu. Na primeira frase, temos: João, você deu a caneta a Alberto? Verbo dar – transitivo direto e indireto. Quem dá dá algo a alguém. A caneta – objeto direto. A Alberto – objeto indireto. Poderíamos substituir “a Alberto” por LHE, correto? Então ficaria: João, você lhe deu a caneta? Mas também podemos substituir “a caneta” por A. Ok? Então ficaria: João, você a deu a Alberto? Agora vamos pôr as duas trocas juntas: João, você lhe+a deu? Fundindo os dois pronomes temos LHA. Por isso que o João respondeu “Sim, dei-LHA.” Fica esquisito, mas está certo. Há mais fusões possíveis: lho, lhos, lhas, ta, to, ma, mas, mo etc. Ex: As congratulações, Susana MAS deu. (me+as) Ex: Ele ta deu? Sim, ele deu-ma! (te+a) (me+a) Fica estranho... Mas está certo! CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 3 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência QUESTÕES DE AULA 1) De acordo com o código à mostra, analise os termos em destaque das seguintes orações: OD – objeto direto OI – objeto indireto a) Eu acredito em você e não confio em fofocas ( ). b) Ganhei a corrida em tempo recorde ( ). c) Desejamos-lhe sucesso nesta caminhada ( ). d) Eu o vi saindo rapidamente ( ). e) Ela Continua persistindo no erro ( ). 2) Os pronomes oblíquos funcionam sintaticamente como complementos verbais. Partindo dessa prerrogativa, exercite seu conhecimento substituindo as palavras destacadas por pronomes, de modo a tornar as orações de acordo com a linguagem padrão. Em seguida, classifique-os como objeto direto ou indireto: a) Ame a vida e viva a vida intensamente. b) Trouxe os presentes e entregarei os presentes amanhã. c) Você foi vitorioso, por isto estamos aqui para cumprimentar você. d) Espero ansioso por notícias, gostaria de receber as notícias hoje mesmo. e) O livro já foi entregue ao professor, e na oportunidade gostaria de pedir o livro novamente. 3) Assinale a alternativa em que o termo grifado é objeto direto: a) Sua falta aos encontros sufocava o nosso amor. b) Ela é uma fera maluca. c) Ela é maluca por lambada nacional. d) Não tenho medo da louca. e) O amor de Deus é o primeiro mandamento. 4) Na expressão: “por todos era apedrejado o Luizinho”, o termo grifado é: a) objeto direto; b) objeto indireto; c) sujeito; d) complemento nominal; e) agente da passiva. 5) “O toque dos sinos ao cair da noite era trazido lá da cidade pelo vento”. O termo grifado é: a) sujeito; b) objeto direto; c) objeto indireto; d) complemento nominal; e) agente da passiva. 6) (Escola de Marinha Mercante) No período "Cumpriria com as obrigações, certamente". A função sintática do elemento sublinhado é: a) complemento nominal; b) objeto direto; c) objeto direto preposicionado; d) objeto indireto. 7) (UGF - EscolaMédica do RJ) Assinale o único caso em que o pronome oblíquo átono exerce a função de objeto indireto: a) Contive-me. b) Ele aguardava-me desde cedo. c) Isto me agrada. d) O aluno me viu. e) Socorram-me. 8) Escola de Marinha Mercante) No período: "As cartas, enviei-as, ontem, pelo portador da Companhia." A função sintática do termo sublinhado é: a) objeto indireto pleonástico; b) sujeito; c) objeto indireto; d) objeto direto pleonástico; e) objeto direto. 4 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) EXERCÍCIOS DE CASA 1) (FMU) Em: Tinha grande amor à humanidade / As ruas foram lavadas pela chuva / Ele é rico em virtudes. Os termos destacados são, respectivamente: a) complemento nominal, agente da passiva, complemento nominal b) objeto indireto, agente da passiva, objeto indireto c) complemento nominal, objeto indireto, complemento nominal d) objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva e) complemento nominal, complemento nominal, complemento nominal. 2) Assinale o item em que a função não corresponde ao termo em destaque: a) Comer demais é prejudicial à saúde. (complemento nominal) b) Jamais me esquecerei de ti. (objeto indireto) c) Ele foi cercado de amigos sinceros. (agente da passiva) d) Não tens interesse pelos estudos. (complemento nominal) e) Tinha grande amor à humanidade. (objeto indireto). 3) Assinale as opções cujos complementos verbais possuem a função de objeto indireto. 1) Preveniram antecipadamente os jovens do perigo. 2) Maria comprou um carro novo. 4) Conheço aqueles dois rapazes. 8) Não gosto de mamãe preocupada. 16) As crianças menores acreditam em contos de fada. 4) . (PUC) "O homem está imerso num mundo ao qual percebe ..." A palavra em negrito é: a) objeto direto preposicionado b) objeto indireto c) adjunto adverbial d) agente da passiva e) adjunto adnominal. 5) (MACK) Entre as alternativas abaixo, aponte a única em que um dos termos corresponde à análise dada: "Pareciam infinitas as combinações de cores no azul do céu." a) Pareciam é um verbo intransitivo b) Infinitas é objeto direto c) Cores é o núcleo do sujeito d) Do céu é o complemento nominal e) n.d.a 6) (CESCEM) Assinale a análise do termo destacado: "A terra era povoada de selvagens." a) objeto direto b) objeto indireto c) agente da passiva d) complemento nominal e) adjunto adverbial 7) (FGV) “Minha alva Dinamene, a Primavera, / Que os campos deleitosos pinta e veste (Camões) A função sintática de "os campos deleitosos" é: a) sujeito b) complemento nominal c) aposto d) objeto direto e) objeto indireto 8) (UM-SP) Em "Não eram tais palavras compatíveis com a sua posição", o termo em destaque é: a) complemento nominal b) objeto indireto c) objeto direto d) sujeito e) agente da passiva 9) (UF-PR) Na oração "O alvo foi atingido por uma bomba formidável", a locução por uma bomba formidável tem a função de: a) objeto direto b) agente da passiva c) adjunto adverbial d) complemento nominal. 10) (OMECE-SP) Assinale o item que apresenta objeto indireto: a) A casa que você viu é minha. b) O homem que trabalha vence na vida. c) Que aconteceu com você? d) O cargo a que aspiras é nobre. e) O rapaz que chegou é meu conhecido. GABARITO 1) A 2) E 3) 8 e 16 corretas. 4) A 5) E 6) C 7) D 8) A 9) B 10) D INTERPRETAÇÃO TEXTUAL O GÊNERO POÉTICO Em linhas gerais, pode-se dizer que: Texto em prosa – composto por períodos e parágrafos. Texto poético – composto por versos e estrofes. Poesia ou poema? Poesia significa o gênero, e poema, a obra. Portanto, Vinícius de Moraes escreve poesia, e compôs o famoso Soneto de Fidelidade. Poético e prosaico O adjetivo poético qualifica aqui que se associa à linguagem poética, como linguagem conotativa, lirismo, ludicidade, comoção etc. Já prosaico significa o seu oposto, ou seja, aquilo que é objetivo, denotativo etc. Eu lírico É a voz que fala no poema. Não deve ser confundido com o poeta. Não se pode afirmar que o poeta diz algo no poema, porque não é sua pessoa biográfica quem fala. Por exemplo, diz-se que, em CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 5 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência determinado poema, o eu lírico expressa tristeza, mas não há como saber o que o poeta, o ser humano que escreveu o poema, sentia naquele momento – e isso não importa, de fato. Principais subgêneros da poesia Lírico – poema em que o objetivo central é a expressão de sentimentos e ideias do eu lírico. Épico – poema (epopeias) em que se narram fatos grandiosos, como a Ilíada ou Os Lusíadas. Dramático – poesia escrita para ser encenada, como as tragédias gregas. Verso Unidade rítmica cujo final não precisa coincidir com o fim da margem da página. Tipos de versos Versos livres ou irregulares – Aqueles que não seguem um padrão métrico. Ex: Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. BANDEIRA, Manuel. "Libertinagem". Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1966. Versos metrificados ou regulares – Aqueles que seguem um padrão métrico. O nome que recebem indica a sua extensão: heptassílabos (7 sílabas), decassílabos (10) etc. Ex: Soneto de Fidelidade De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96. No exemplo acima, todos os versos têm 10 sílabas poéticas. Como contar as sílabas poéticas? Conta-se levando em conta a pronúncia. Assim, contam-se como uma apenas as sílabas que são pronunciadas de uma só vez. Outra peculiaridade é que só se conta até a última tônica, não importando se ela é ou não a última do verso. Vejamos: Ex: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Sílaba átona De / tu / do ao / meu / a/ mor /se/ rei / a / ten / to (não se conta) Última sílaba tônica 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 An / tes, / e /com / tal / ze/ lo, e / sem / pre, e / tan / to Ex: 1 2 3 4 5 6 7 Sílabas átonas Vou- / me em / bo / ra / pra / Pa / sár / ga / da Última sílaba tônica 1 2 3 4 5 6 7 Lá / sou / a / mi / go / do / rei Última sílaba tônica Versos rimados ou brancos Rimados são aqueles que apresentam a mesma terminação sonora. Brancos são os que não rimam entre si. Poemas sem versos Alguns poemas, como os poemas concretistas, não têm a noção de versos. Poema “pluvial”, Augusto de Campos. Como ler poesia? É preciso levar em conta três aspectos: 1) Sintático – deve-se perceber que a mudança de verso não significa uma quebra sintática. 2) Semântico – trata-se do sentido dos vocábulos, dos versos, do contexto etc. 3) Estilístico – analisam-se os recursos empregados pelo autor, comofiguras de linguagem, metalinguagem, recursos sonoros etc. TEXTOS PARA ANÁLISE Autopsicografia Fernando Pessoa 6 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração. QUESTÕES DE AULA Luís de Camões Busque Amor novas artes, novo engenho, Para matar-me, e novas esquivanças; Que não pode tirar-me as esperanças, Que mal me tirará o que eu não tenho. Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, Andando em bravo mar, perdido o lenho. Mas, conquanto não pode haver desgosto Onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que me mata e não se vê; Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei por quê. 01. Segundo os versos do poema, o eu lírico a) está à procura do Amor. b) está amando e cheio de esperanças. c) está seguro devido ao Amor. d) está sem esperança. 02. Ao se dirigir ao Amor, na primeira estrofe, percebe-se por parte do eu lírico um tom de a) súplica b) desafio c) ameaça d) euforia 03. Por que o eu lírico não teme as novas artes do Amor? a) Porque o eu lírico não possui mais esse sentimento. b) Porque onde falta esperança não há desgosto. c) Porque a esperança que ele tem o faz sentir mais seguro. d) Porque ele não teme nada, nem os perigos de um mar bravo. 04. Apresenta uma contradição a justaposição dos termos da expressão a) novo engenho b) bravo mar c) perigosas seguranças d) novas artes 05. “Busque Amor novas artes, novo engenho”, o termo em destaque tem o sentido de a) artimanha b) trabalho c) objetivo d) solução 06. De acordo com o eu lírico do texto, o Amor gera a) segurança b) esperança c) sofrimento d) dúvidas 07. “Amor um mal, que me mata e não se vê;” o verso sugere que o Amor é a) indefinido b) misterioso c) passageiro d) intransigente 08. A última estrofe revela que a) o eu lírico realmente é imune as artes do Amor. b) o eu lírico busca descobrir as razões do Amor. c) o Amor ainda consegue atingir o eu lírico. d) o Amor abandona o destemido eu lírico. Gabarito: 01. d 02. b 03. b 04. c 05. a 06. c 07. b 08. c QUESTÕES DE CASA A tirinha acima estabelece uma interessante relação dialógica com o poema de Fernando Pessoa,: Eu sou do tamanho do que vejo Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer Porque sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... (Alberto Caeiro) 1) A tira de Hagar e o poema de Alberto Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa) expressam, com linguagens diferentes, uma mesma ideia: a de que a compreensão que temos do mundo é condicionada, essencialmente, a) pelo alcance de cada cultura. b) pela capacidade visual do observador. c) pelo senso de humor de cada um. d) pela idade do observador. e) pela altura do ponto de observação. (FEI - SP) Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 7 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Esse comboio de corda Que se chama coração. Fernando Pessoa 2) A palavra título indica que: a) o texto apresentará a visão do eu lírico sobre os outros com quem convive. b) o poema tecerá considerações sobre a subjetividade do próprio eu lírico. c) o texto discutirá a formação do leitor. d) o poema dialogará com os leitores em potencial. e) o poema tecerá considerações sobre o amor. 3) (Ufscar - 2002) Soneto de fidelidade (Vinicius de Moraes) De tudo, ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento. E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Nos dois primeiros quartetos do soneto de Vinicius de Moraes, delineia-se a ideia de que o poeta a) não acredita no amor como entrega total entre duas pessoas. b) acredita que, mesmo amando muito uma pessoa, é possível apaixonar-se por outra e trocar de amor. c) entende que somente a morte é capaz de findar com o amor de duas pessoas. d) concebe o amor como um sentimento intenso a ser compartilhado, tanto na alegria quanto na tristeza. e) vê, na angústia causada pela ideia da morte, o impedimento para as pessoas se entregarem ao amor. 4) (UEL – Londrina) Não há vagas O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Não cabem no poema o gás a luz o telefone a sonegação do leite da carne do açúcar do pão O funcionário público não cabe no poema com seu salário de fome sua vida fechada em arquivos. Como não cabe no poema o operário que esmerila seu dia de aço e carvão nas oficinas escuras - porque o poema, senhores, está fechado: "não há vagas" Só cabe no poema o homem sem estômago a mulher de nuvens a fruta sem preço O poema, senhores, não fede nem cheira. Ferreira Gullar Sobre o poema Não há vagas, de Ferreira Gullar, é correto afirmar: a) Ao ser aproximada de um ato lúdico como o fazer poesia, a crítica social é atenuada e perde força. b) A ruptura com o verso tradicional situa o poema no contexto da primeira geração modernista. c) Nota-se uma conjunção entre a reflexão sobre o fazer poético e a preocupação com a realidade social adversa. d) A crítica política e a reflexão sobre a literatura presentes no poema configuram exceção na produção poética de Ferreira Gullar. e) Trata-se de texto poético que destoa do conjunto da obra Toda poesia por utilizar redondilhas maiores e menores. 5) PUC - PR) Leia os fragmentos abaixo, retirados do poema Muitas vozes, de Ferreira Gullar, para responder à questão. Meu poema é um tumulto: a fala que nele fala outras vozes arrasta em alarido. (...) A água que ouviste num soneto de Rilke os ínfimos rumores no capim o sabor do hortelã (…) da manhã tudo isso em ti se deposita e cala. Até que de repente um susto ou uma ventania 8 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) (que o poema dispara) chama esses fósseis à fala. Meu poema é um tumulto, um alarido: basta apurar o ouvido. I. É um exemplo de metapoesia, um dos vários temas recorrentes nesta obra. II. A intertextualidade surge como uma das muitas vozes presentes no poema. III. Fósseis, no poema, é uma referência aos mortos do eu poético, que também são vozes do poema. IV. Apurar o ouvido, no último verso, remete à percepção do material de que se compõe o poema. Assinale a alternativa CORRETA: a) Somente as assertivas I e IV são verdadeiras. b) As assertivasI, II são verdadeiras. c) Somente a assertiva I é falsa. d) As assertivas I, II, III, IV são verdadeiras. e) Todas as assertivas são verdadeiras. Confidência do itabirano Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana. De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço: esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil, este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; este orgulho, esta cabeça baixa... Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói! (Carlos Drummond de Andrade) 6) Sobre o poema de Drummond, é correto afirmar que: I. O poeta emprega o recurso do eu-lírico para distanciar-se do tema desenvolvido nos versos. II. A palavra “confidência” afasta o poeta do tema proposto. III. Há vários indícios que corroboram a afirmativa de que existem contrapontos importantes entre o eu-lírico e o autor do poema. IV. A palavra “confidência” aproxima o autor do tema proposto. Estão corretas as proposições: a) I e II. b) II e III. c) III e IV. d) I, III e IV. (UEFJ) Os poemas Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti... Mario Quintana Eles não têm pouso nem porto (v. 6-7) 7) Os versos acima podem ser lidos como uma pressuposição do autor sobre o texto literário. Essa pressuposição está ligada ao fato de que a obra literária, como texto público, apresenta o seguinte traço: a) é aberta a várias leituras b) provoca desejo de transformação c) integra experiências de contestação d) expressa sentimentos contraditórios SONETO DE SEPARAÇÃO De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. 8) Sobre o poema de Vinícius de Moraes, é correto afirmar, exceto: a) O poema Soneto de separação possui forma fixa e regular, formado por quatro estrofes, quatorze versos, dois quartetos e dois tercetos. Vinícius está entre os poetas que consagraram o soneto no Brasil. b) O recurso da antítese em “fez-se” e “desfez-se” revela, sob certo aspecto, a inconstância na vida amorosa de Vinícius, que ao longo da vida casou-se várias vezes. c) O soneto é composto por um jogo antitético: riso x pranto, calma x vento; triste x contente e próximo x distante, o que confere certo dinamismo ao soneto. d) No soneto, o poeta utiliza vocábulos do cotidiano, pouco comuns nesse tipo de composição. Pode-se observar também que o erotismo é recriado a partir de uma forma clássica e de uma linguagem direta. CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 9 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Gabarito 01-B 02-B 03-D 04-C 05- B 06-C 07-A 08-D