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CURSO ANUAL DE GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO 
Prof. Cláudio Neves 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
ANÁLISE SINTÁTICA 
COMPLEMENTO VERBAL 
 
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO 
Certos verbos ou nomes presentes numa oração não possuem 
sentido completo em si mesmos. Sua significação só se completa 
com a presença de outros termos, chamados integrantes. São 
eles: 
complementos verbais (objeto direto e objeto indireto); 
complemento nominal; 
agente da passiva. 
 
Complementos Verbais 
Completam o sentido de verbos transitivos diretos, transitivos 
indiretos e transitivos diretos e indiretos. Vamos rever os tipos de 
verbo: 
VERBO INTRANSITIVO – não exige complemento verbal. 
VERBO TRANSITIVO DIRETO – exige complemento direto, ou 
seja, sem uso de preposição. 
VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO – exige complemento 
direto e indireto. 
 
Importante: 
- Complementos Verbais sempre são ALGO ou ALGUÉM. Não 
podem ser lugar, modo, tempo etc. 
- Complementos completam verbos, jamais nomes! Quem completa 
nome é o complemento nominal, que estudaremos na próxima 
semana. 
 
1) Objeto Direto 
É o termo que completa o sentido do verbo transitivo direto, 
ligando-se a ele sem o auxílio necessário da preposição. 
 
Por Exemplo: 
Abri os braços ao vê-lo. 
 Objeto Direto 
 
O objeto direto pode ser constituído: 
 
a) Por um substantivo ou expressão substantivada. 
Exemplos: 
O agricultor cultiva a terra./ Unimos o útil ao agradável. 
b) Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos. 
Exemplos: 
Espero-o na minha festa. / Ela me ama. 
c) Por qualquer pronome substantivo. 
Por Exemplo: 
O menino que conheci está lá fora. 
 
Atenção: 
Em alguns casos, o objeto direto pode vir acompanhado de 
preposição facultativa. Isso pode ocorrer: 
 
- quando o objeto é um substantivo próprio: Adoremos a Deus. 
- quando o objeto é representado por um pronome pessoal oblíquo 
tônico: Ofenderam a mim, não a ele. 
- quando o objeto é representado por um pronome substantivo 
indefinido: O diretor elogiou a todos. 
- para evitar ambiguidade: Venceu ao inimigo o nosso colega. 
 
Obs.: caso o objeto direto não viesse preposicionado, o 
sentido da oração ficaria ambíguo, pois não poderíamos 
apontar com precisão o sujeito (o nosso colega). 
 
Saiba que: 
Frequentemente, verbos intransitivos, podem aparecer como 
verbos transitivos diretos. 
Por Exemplo: 
A criança chorou lágrimas doídas pela perda da mãe. 
 Objeto Direto 
 
2) Objeto Indireto 
É o termo que completa o sentido de um verbo transitivo indireto. 
Vem sempre regido de preposição clara ou subentendida. Atuam 
como objeto indireto os pronomes: lhe, lhes, me te, se, nos, vos. 
 
Exemplos: 
Não desobedeço a meus pais. 
 
Objeto Indireto 
 
Preciso de ajuda. (Preposição clara "de") 
 
Objeto Indireto 
 
Enviei-lhe um recado. (LHE = A ELE) 
 Objeto Indireto 
 
Obs.: muitas vezes o objeto indireto inicia-se com crase (à, àquele, 
àquela, àquilo). Isso ocorre quando o verbo exige a preposição "a", 
que acaba se contraindo com a palavra seguinte. 
 
Por Exemplo: 
Entregaram à mãe o presente. 
 (à = "a" preposição + "a" artigo definido) 
 
Observações Gerais: 
a) Pode ocorrer ainda o (objeto direto ou indireto) pleonástico, que 
consiste na retomada do objeto por um pronome pessoal, 
geralmente com a intenção de colocá-lo em destaque. 
Por Exemplo: 
As mulheres, eu as vi na cozinha. (Objeto Direto) 
A todas vocês, eu já lhes forneci o pagamento mensal. (Objeto 
Indireto) 
 
b) Os pronomes oblíquos o, a, os, as (e as variantes lo, la, los, 
las, no, na, nos, nas) são sempre objeto direto. Os pronomes lhe, 
lhes são sempre objeto indireto. 
Exemplos: 
Eu a encontrei no quarto. (OD) 
Vou avisá-lo.(OD) 
Eu lhe pagarei um sorvete.(OI) 
 
c) Os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos podem ser objeto 
direto ou indireto. Para determinar sua função sintática, podemos 
substituir esses pronomes por um substantivo: se o uso da 
preposição for obrigatório, então se trata de um objeto indireto; 
caso contrário, de objeto direto. 
 
 
 
 
 
 2 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
Por Exemplo: 
Roberto me viu na escola.(OD) 
Substituindo-se "me" por um substantivo qualquer (amigo, por 
exemplo), tem-se: "Roberto viu o amigo na escola." Veja que a 
preposição não foi usada. Portanto, "me" é objeto direto. 
 
Observe o próximo exemplo: 
João me telefonou.(OI) 
Substituindo-se "me" por um substantivo qualquer (amigo, por 
exemplo), tem-se: "João telefonou ao amigo". A preposição foi 
usada. Portanto, "me" é objeto indireto. 
 
d) Os pronomes átonos oblíquos no papel de objeto direto ou 
indireto podem fundir-se, embora isso não seja comum no 
português brasileiro. 
 
Por Exemplo: 
 - João, você deu a caneta a Alberto? 
 - Sim, dei-lha. 
 
Veja o que ocorreu. Na primeira frase, temos: 
João, você deu a caneta a Alberto? 
 
Verbo dar – transitivo direto e indireto. Quem dá dá algo a alguém. 
A caneta – objeto direto. 
A Alberto – objeto indireto. 
Poderíamos substituir “a Alberto” por LHE, correto? 
Então ficaria: 
João, você lhe deu a caneta? 
Mas também podemos substituir “a caneta” por A. Ok? 
Então ficaria: 
 João, você a deu a Alberto? 
Agora vamos pôr as duas trocas juntas: 
 João, você lhe+a deu? 
Fundindo os dois pronomes temos LHA. Por isso que o João 
respondeu “Sim, dei-LHA.” 
Fica esquisito, mas está certo. Há mais fusões possíveis: lho, lhos, 
lhas, ta, to, ma, mas, mo etc. 
Ex: As congratulações, Susana MAS deu. 
 (me+as) 
Ex: Ele ta deu? Sim, ele deu-ma! 
 (te+a) (me+a) 
 
Fica estranho... Mas está certo! 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
 
 
 
 
 
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VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
 
QUESTÕES DE AULA 
 
1) De acordo com o código à mostra, analise os termos em 
destaque das seguintes orações: 
 
OD – objeto direto 
OI – objeto indireto 
 
a) Eu acredito em você e não confio em fofocas ( ). 
b) Ganhei a corrida em tempo recorde ( ). 
c) Desejamos-lhe sucesso nesta caminhada ( ). 
d) Eu o vi saindo rapidamente ( ). 
e) Ela Continua persistindo no erro ( ). 
 
2) Os pronomes oblíquos funcionam sintaticamente como 
complementos verbais. Partindo dessa prerrogativa, exercite seu 
conhecimento substituindo as palavras destacadas por pronomes, 
de modo a tornar as orações de acordo com a linguagem padrão. 
Em seguida, classifique-os como objeto direto ou indireto: 
a) Ame a vida e viva a vida intensamente. 
b) Trouxe os presentes e entregarei os presentes amanhã. 
c) Você foi vitorioso, por isto estamos aqui para 
cumprimentar você. 
d) Espero ansioso por notícias, gostaria de receber as 
notícias hoje mesmo. 
e) O livro já foi entregue ao professor, e na oportunidade gostaria 
de pedir o livro novamente. 
 
3) Assinale a alternativa em que o termo grifado é objeto direto: 
a) Sua falta aos encontros sufocava o nosso amor. 
b) Ela é uma fera maluca. 
c) Ela é maluca por lambada nacional. 
d) Não tenho medo da louca. 
e) O amor de Deus é o primeiro mandamento. 
 
4) Na expressão: “por todos era apedrejado o Luizinho”, o termo 
grifado é: 
a) objeto direto; 
b) objeto indireto; 
c) sujeito; 
d) complemento nominal; 
e) agente da passiva. 
 
5) “O toque dos sinos ao cair da noite era trazido lá da cidade pelo 
vento”. O termo grifado é: 
a) sujeito; 
b) objeto direto; 
c) objeto indireto; 
d) complemento nominal; 
e) agente da passiva. 
 
6) (Escola de Marinha Mercante) No período "Cumpriria com as 
obrigações, certamente". 
A função sintática do elemento sublinhado é: 
a) complemento nominal; b) objeto direto; 
c) objeto direto preposicionado; d) objeto indireto. 
 
7) (UGF - EscolaMédica do RJ) Assinale o único caso em que o 
pronome oblíquo átono exerce a função de objeto indireto: 
a) Contive-me. 
b) Ele aguardava-me desde cedo. 
c) Isto me agrada. 
d) O aluno me viu. 
e) Socorram-me. 
 
8) Escola de Marinha Mercante) No período: "As cartas, enviei-as, 
ontem, pelo portador da Companhia." 
A função sintática do termo sublinhado é: 
a) objeto indireto pleonástico; 
b) sujeito; 
c) objeto indireto; 
d) objeto direto pleonástico; 
e) objeto direto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
 
EXERCÍCIOS DE CASA 
 
1) (FMU) Em: Tinha grande amor à humanidade / As ruas foram 
lavadas pela chuva / Ele é rico em virtudes. Os termos destacados 
são, respectivamente: 
a) complemento nominal, agente da passiva, complemento 
nominal 
b) objeto indireto, agente da passiva, objeto indireto 
c) complemento nominal, objeto indireto, complemento nominal 
d) objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva 
e) complemento nominal, complemento nominal, complemento 
nominal. 
 
2) Assinale o item em que a função não corresponde ao termo em 
destaque: 
a) Comer demais é prejudicial à saúde. (complemento nominal) 
b) Jamais me esquecerei de ti. (objeto indireto) 
c) Ele foi cercado de amigos sinceros. (agente da passiva) 
d) Não tens interesse pelos estudos. (complemento nominal) 
e) Tinha grande amor à humanidade. (objeto indireto). 
 
 
3) Assinale as opções cujos complementos verbais possuem a 
função de objeto indireto. 
1) Preveniram antecipadamente os jovens do perigo. 
2) Maria comprou um carro novo. 
4) Conheço aqueles dois rapazes. 
8) Não gosto de mamãe preocupada. 
16) As crianças menores acreditam em contos de fada. 
 
4) . (PUC) "O homem está imerso num mundo ao qual percebe ..." 
A palavra em negrito é: 
a) objeto direto preposicionado 
b) objeto indireto 
c) adjunto adverbial 
d) agente da passiva 
e) adjunto adnominal. 
 
5) (MACK) Entre as alternativas abaixo, aponte a única em que um 
dos termos corresponde à análise dada: "Pareciam infinitas as 
combinações de cores no azul do céu." 
a) Pareciam é um verbo intransitivo 
b) Infinitas é objeto direto 
c) Cores é o núcleo do sujeito 
d) Do céu é o complemento nominal 
e) n.d.a 
 
6) (CESCEM) Assinale a análise do termo destacado: "A terra era 
povoada de selvagens." 
a) objeto direto 
b) objeto indireto 
c) agente da passiva 
d) complemento nominal 
e) adjunto adverbial 
 
7) (FGV) “Minha alva Dinamene, a Primavera, / Que os campos 
deleitosos pinta e veste (Camões) 
 
A função sintática de "os campos deleitosos" é: 
a) sujeito 
b) complemento nominal 
c) aposto 
d) objeto direto 
e) objeto indireto 
 
8) (UM-SP) Em "Não eram tais palavras compatíveis com a sua 
posição", o termo em destaque é: 
a) complemento nominal 
b) objeto indireto 
c) objeto direto 
d) sujeito 
e) agente da passiva 
 
9) (UF-PR) Na oração "O alvo foi atingido por uma bomba 
formidável", a locução por uma bomba formidável tem a função de: 
a) objeto direto 
b) agente da passiva 
c) adjunto adverbial 
d) complemento nominal. 
 
10) (OMECE-SP) Assinale o item que apresenta objeto indireto: 
a) A casa que você viu é minha. 
b) O homem que trabalha vence na vida. 
c) Que aconteceu com você? 
d) O cargo a que aspiras é nobre. 
e) O rapaz que chegou é meu conhecido. 
 
 
GABARITO 
1) A 
2) E 
3) 8 e 16 corretas. 
4) A 
5) E 
6) C 
7) D 
8) A 
9) B 
10) D 
 
 
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 
 
O GÊNERO POÉTICO 
 
Em linhas gerais, pode-se dizer que: 
Texto em prosa – composto por períodos e parágrafos. 
Texto poético – composto por versos e estrofes. 
 
Poesia ou poema? 
Poesia significa o gênero, e poema, a obra. Portanto, Vinícius de 
Moraes escreve poesia, e compôs o famoso Soneto de Fidelidade. 
 
Poético e prosaico 
O adjetivo poético qualifica aqui que se associa à linguagem 
poética, como linguagem conotativa, lirismo, ludicidade, comoção 
etc. Já prosaico significa o seu oposto, ou seja, aquilo que é 
objetivo, denotativo etc. 
Eu lírico 
É a voz que fala no poema. Não deve ser confundido com o poeta. 
Não se pode afirmar que o poeta diz algo no poema, porque não é 
sua pessoa biográfica quem fala. Por exemplo, diz-se que, em 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
 
 
 
 
 
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VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
determinado poema, o eu lírico expressa tristeza, mas não há como 
saber o que o poeta, o ser humano que escreveu o poema, sentia 
naquele momento – e isso não importa, de fato. 
 
Principais subgêneros da poesia 
Lírico – poema em que o objetivo central é a expressão de 
sentimentos e ideias do eu lírico. 
Épico – poema (epopeias) em que se narram fatos grandiosos, 
como a Ilíada ou Os Lusíadas. 
Dramático – poesia escrita para ser encenada, como as tragédias 
gregas. 
 
Verso 
Unidade rítmica cujo final não precisa coincidir com o fim da 
margem da página. 
 
Tipos de versos 
Versos livres ou irregulares – Aqueles que não seguem um 
padrão métrico. 
Ex: 
Poema tirado de uma notícia de jornal 
 
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da 
Babilônia num barracão sem número 
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro 
Bebeu 
Cantou 
Dançou 
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. 
 
BANDEIRA, Manuel. "Libertinagem". Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José 
Olympio, 1966. 
 
Versos metrificados ou regulares – Aqueles que seguem um 
padrão métrico. O nome que recebem indica a sua extensão: 
heptassílabos (7 sílabas), decassílabos (10) etc. 
 
Ex: 
Soneto de Fidelidade 
 
De tudo ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento. 
 
Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento 
 
E assim, quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 
 
Eu possa me dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure. 
 
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96. 
 
No exemplo acima, todos os versos têm 10 sílabas poéticas. 
 
Como contar as sílabas poéticas? 
Conta-se levando em conta a pronúncia. Assim, contam-se como 
uma apenas as sílabas que são pronunciadas de uma só vez. 
Outra peculiaridade é que só se conta até a última tônica, não 
importando se ela é ou não a última do verso. Vejamos: 
 
Ex: 
 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Sílaba átona 
De / tu / do ao / meu / a/ mor /se/ rei / a / ten / to (não se conta) 
 
 Última sílaba tônica 
 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 
An / tes, / e /com / tal / ze/ lo, e / sem / pre, e / tan / to 
 
Ex: 
 1 2 3 4 5 6 7 Sílabas átonas 
Vou- / me em / bo / ra / pra / Pa / sár / ga / da 
 
 Última sílaba tônica 
 1 2 3 4 5 6 7 
Lá / sou / a / mi / go / do / rei 
 
 Última sílaba tônica 
 
Versos rimados ou brancos 
Rimados são aqueles que apresentam a mesma terminação 
sonora. Brancos são os que não rimam entre si. 
 
Poemas sem versos 
Alguns poemas, como os poemas concretistas, não têm a noção de 
versos. 
 
 
Poema “pluvial”, Augusto de Campos. 
 
Como ler poesia? 
É preciso levar em conta três aspectos: 
1) Sintático – deve-se perceber que a mudança de verso 
não significa uma quebra sintática. 
2) Semântico – trata-se do sentido dos vocábulos, dos 
versos, do contexto etc. 
3) Estilístico – analisam-se os recursos empregados pelo 
autor, comofiguras de linguagem, metalinguagem, 
recursos sonoros etc. 
 
TEXTOS PARA ANÁLISE 
 
Autopsicografia 
Fernando Pessoa 
 
 
 
 
 6 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
 
 
O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 
 
E os que lêem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm. 
 
E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
Esse comboio de corda 
Que se chama coração. 
 
QUESTÕES DE AULA 
 
 Luís de Camões 
 
Busque Amor novas artes, novo engenho, 
Para matar-me, e novas esquivanças; 
Que não pode tirar-me as esperanças, 
Que mal me tirará o que eu não tenho. 
 
Olhai de que esperanças me mantenho! 
Vede que perigosas seguranças! 
Que não temo contrastes nem mudanças, 
Andando em bravo mar, perdido o lenho. 
 
Mas, conquanto não pode haver desgosto 
Onde esperança falta, lá me esconde 
Amor um mal, que me mata e não se vê; 
 
Que dias há que na alma me tem posto 
Um não sei quê, que nasce não sei onde, 
Vem não sei como, e dói não sei por quê. 
 
01. Segundo os versos do poema, o eu lírico 
a) está à procura do Amor. 
b) está amando e cheio de esperanças. 
c) está seguro devido ao Amor. 
d) está sem esperança. 
 
02. Ao se dirigir ao Amor, na primeira estrofe, percebe-se por parte 
do eu lírico um tom de 
a) súplica b) desafio c) ameaça d) euforia 
 
03. Por que o eu lírico não teme as novas artes do Amor? 
a) Porque o eu lírico não possui mais esse sentimento. 
b) Porque onde falta esperança não há desgosto. 
c) Porque a esperança que ele tem o faz sentir mais seguro. 
d) Porque ele não teme nada, nem os perigos de um mar bravo. 
 
04. Apresenta uma contradição a justaposição dos termos da 
expressão 
a) novo engenho b) bravo mar c) perigosas seguranças d) 
novas artes 
 
05. “Busque Amor novas artes, novo engenho”, o termo em 
destaque tem o sentido de 
a) artimanha b) trabalho c) objetivo d) solução 
 
06. De acordo com o eu lírico do texto, o Amor gera 
a) segurança b) esperança c) sofrimento d) 
dúvidas 
 
07. “Amor um mal, que me mata e não se vê;” o verso sugere que o 
Amor é 
a) indefinido b) misterioso c) passageiro d) 
intransigente 
 
08. A última estrofe revela que 
a) o eu lírico realmente é imune as artes do Amor. 
b) o eu lírico busca descobrir as razões do Amor. 
c) o Amor ainda consegue atingir o eu lírico. 
d) o Amor abandona o destemido eu lírico. 
 
Gabarito: 01. d 02. b 03. b 04. c 05. a 06. c 07. b 08. c 
 
QUESTÕES DE CASA 
 
 
 
A tirinha acima estabelece uma interessante relação dialógica com 
o poema de Fernando Pessoa,: 
Eu sou do tamanho do que vejo 
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... 
Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer 
Porque sou do tamanho do que vejo 
E não do tamanho da minha altura... 
(Alberto Caeiro) 
 
1) A tira de Hagar e o poema de Alberto Caeiro (um dos 
heterônimos de Fernando Pessoa) expressam, com linguagens 
diferentes, uma mesma ideia: a de que a compreensão que temos 
do mundo é condicionada, essencialmente, 
a) pelo alcance de cada cultura. 
b) pela capacidade visual do observador. 
c) pelo senso de humor de cada um. 
d) pela idade do observador. 
e) pela altura do ponto de observação. 
 
(FEI - SP) 
Autopsicografia 
O poeta é um fingidor. 
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor 
A dor que deveras sente. 
E os que leem o que escreve, 
Na dor lida sentem bem, 
Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm. 
E assim nas calhas de roda 
Gira, a entreter a razão, 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
 
 
 
 
 
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VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Esse comboio de corda 
Que se chama coração. 
Fernando Pessoa 
 
2) A palavra título indica que: 
a) o texto apresentará a visão do eu lírico sobre os outros com 
quem convive. 
b) o poema tecerá considerações sobre a subjetividade do próprio 
eu lírico. 
c) o texto discutirá a formação do leitor. 
d) o poema dialogará com os leitores em potencial. 
e) o poema tecerá considerações sobre o amor. 
 
3) (Ufscar - 2002) 
 
Soneto de fidelidade 
(Vinicius de Moraes) 
 
De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto 
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento. 
 
Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento. 
 
E assim, quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 
 
Eu possa me dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure. 
 
Nos dois primeiros quartetos do soneto de Vinicius de Moraes, 
delineia-se a ideia de que o poeta 
 
a) não acredita no amor como entrega total entre duas pessoas. 
b) acredita que, mesmo amando muito uma pessoa, é possível 
apaixonar-se por outra e trocar de amor. 
c) entende que somente a morte é capaz de findar com o amor de 
duas pessoas. 
d) concebe o amor como um sentimento intenso a ser 
compartilhado, tanto na alegria quanto na tristeza. 
e) vê, na angústia causada pela ideia da morte, o impedimento para 
as pessoas se entregarem ao amor. 
 
4) (UEL – Londrina) 
Não há vagas 
O preço do feijão 
não cabe no poema. O preço 
do arroz 
não cabe no poema. 
Não cabem no poema o gás 
a luz o telefone 
a sonegação 
do leite 
da carne 
do açúcar 
do pão 
 
O funcionário público 
não cabe no poema 
com seu salário de fome 
sua vida fechada 
em arquivos. 
Como não cabe no poema 
o operário 
que esmerila seu dia de aço 
e carvão 
nas oficinas escuras 
 
- porque o poema, senhores, 
 está fechado: 
 "não há vagas" 
 
Só cabe no poema 
o homem sem estômago 
a mulher de nuvens 
a fruta sem preço 
 
 O poema, senhores, 
 não fede 
 nem cheira. 
Ferreira Gullar 
 
Sobre o poema Não há vagas, de Ferreira Gullar, é correto afirmar: 
a) Ao ser aproximada de um ato lúdico como o fazer poesia, a 
crítica social é atenuada e perde força. 
b) A ruptura com o verso tradicional situa o poema no contexto da 
primeira geração modernista. 
c) Nota-se uma conjunção entre a reflexão sobre o fazer poético e a 
preocupação com a realidade social adversa. 
d) A crítica política e a reflexão sobre a literatura presentes no 
poema configuram exceção na produção poética de Ferreira Gullar. 
e) Trata-se de texto poético que destoa do conjunto da obra Toda 
poesia por utilizar redondilhas maiores e menores. 
 
5) PUC - PR) 
Leia os fragmentos abaixo, retirados do poema Muitas vozes, de 
Ferreira Gullar, para responder à questão. 
 
Meu poema 
é um tumulto: 
a fala 
que nele fala 
outras vozes 
arrasta em alarido. 
(...) 
A água que ouviste 
num soneto de Rilke 
os ínfimos rumores no capim 
o sabor 
do hortelã 
(…) 
da manhã 
tudo isso em ti 
se deposita 
e cala. 
Até que de repente 
um susto 
ou uma ventania 
 
 
 
 
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VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
(que o poema dispara) 
chama 
esses fósseis à fala. 
Meu poema 
é um tumulto, um alarido: 
basta apurar o ouvido. 
 
I. É um exemplo de metapoesia, um dos vários temas recorrentes 
nesta obra. 
II. A intertextualidade surge como uma das muitas vozes presentes 
no poema. 
III. Fósseis, no poema, é uma referência aos mortos do eu poético, 
que também são vozes do poema. 
IV. Apurar o ouvido, no último verso, remete à percepção do 
material de que se compõe o poema. 
 
Assinale a alternativa CORRETA: 
a) Somente as assertivas I e IV são verdadeiras. 
b) As assertivasI, II são verdadeiras. 
c) Somente a assertiva I é falsa. 
d) As assertivas I, II, III, IV são verdadeiras. 
e) Todas as assertivas são verdadeiras. 
 
Confidência do itabirano 
Alguns anos vivi em Itabira. 
Principalmente nasci em Itabira. 
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. 
Noventa por cento de ferro nas calçadas. 
Oitenta por cento de ferro nas almas. 
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. 
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, 
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem 
horizontes. 
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, 
é doce herança itabirana. 
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço: 
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil, 
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; 
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; 
este orgulho, esta cabeça baixa... 
Tive ouro, tive gado, tive fazendas. 
Hoje sou funcionário público. 
Itabira é apenas uma fotografia na parede. 
Mas como dói! 
(Carlos Drummond de Andrade) 
 
6) Sobre o poema de Drummond, é correto afirmar que: 
I. O poeta emprega o recurso do eu-lírico para distanciar-se do 
tema desenvolvido nos versos. 
II. A palavra “confidência” afasta o poeta do tema proposto. 
III. Há vários indícios que corroboram a afirmativa de que existem 
contrapontos importantes entre o eu-lírico e o autor do poema. 
IV. A palavra “confidência” aproxima o autor do tema proposto. 
 
Estão corretas as proposições: 
a) I e II. 
b) II e III. 
c) III e IV. 
d) I, III e IV. 
 
 
(UEFJ) 
 
Os poemas 
Os poemas são pássaros que chegam 
não se sabe de onde e pousam 
no livro que lês. 
Quando fechas o livro, eles alçam voo 
como de um alçapão. 
Eles não têm pouso 
nem porto; 
alimentam-se um instante em cada 
par de mãos e partem. 
E olhas, então, essas tuas mãos vazias, 
no maravilhado espanto de saberes 
que o alimento deles já estava em ti... 
Mario Quintana 
 
Eles não têm pouso 
nem porto (v. 6-7) 
7) Os versos acima podem ser lidos como uma pressuposição do 
autor sobre o texto literário. Essa pressuposição está ligada ao fato 
de que a obra literária, como texto público, apresenta o seguinte 
traço: 
a) é aberta a várias leituras 
b) provoca desejo de transformação 
c) integra experiências de contestação 
d) expressa sentimentos contraditórios 
 
SONETO DE SEPARAÇÃO 
De repente do riso fez-se o pranto 
Silencioso e branco como a bruma 
E das bocas unidas fez-se a espuma 
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. 
 
De repente da calma fez-se o vento 
Que dos olhos desfez a última chama 
E da paixão fez-se o pressentimento 
E do momento imóvel fez-se o drama. 
 
De repente, não mais que de repente 
Fez-se de triste o que se fez amante 
E de sozinho o que se fez contente. 
 
Fez-se do amigo próximo o distante 
Fez-se da vida uma aventura errante 
De repente, não mais que de repente. 
 
8) Sobre o poema de Vinícius de Moraes, é correto afirmar, exceto: 
a) O poema Soneto de separação possui forma fixa e regular, 
formado por quatro estrofes, quatorze versos, dois quartetos e dois 
tercetos. Vinícius está entre os poetas que consagraram o soneto 
no Brasil. 
b) O recurso da antítese em “fez-se” e “desfez-se” revela, sob certo 
aspecto, a inconstância na vida amorosa de Vinícius, que ao longo 
da vida casou-se várias vezes. 
c) O soneto é composto por um jogo antitético: riso x pranto, calma 
x vento; triste x contente e próximo x distante, o que confere certo 
dinamismo ao soneto. 
d) No soneto, o poeta utiliza vocábulos do cotidiano, pouco comuns 
nesse tipo de composição. Pode-se observar também que o 
erotismo é recriado a partir de uma forma clássica e de uma 
linguagem direta. 
 
CURSO ANUAL GRAMÁTICA E INTERPRETAÇÃO – (Prof. Cláudio Neves) 
 
 
 
 
 
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Gabarito 
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