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Paralisia Cerebral Habilitando para a vida Profa Dra. Carolina Daniel de Lima -Alvarez O que é Paralisia Cerebral? Grupo de transtornos permanente no desenvolvimento da postura e movimento Causam limitação da atividade Decorrentes de alterações não progressivas no cérebro em desenvolvimento Alterações sensoriais, perceptivas, cognitivas, etc, podem estar associadas Alterações músculo-esquelética e epilepsias Executive Committee for the Definition of Cerebral Palsy, 2005 O que é paralisia cerebral? 1,5 a 3/1000 nascidos vivo, variando entre países de baixa, media e alta renda (Pathel et al., 2020). 80% - PC espástica PREVALÊNCIA ETIOLOGIA Multicausal predisposição genética (Jin et al., 2021). 92% - período perinatal 80% - considerados idiopáticos 8% - idades maiores (Vitrikas e Breish, 2020) Pré-natal – RCIU Diabetes materna Hipertensão arterial Gestação múltipla, infecção materna (TORCH), susceptibilidade genética Peri-natal – prematuridade, baixo peso ao nascer, icterícia, sepse neonatal, encefalopatia hipóxico-esquemica, HPIV, LPV Pós-natal – trauma cranioencefálico (sind. Bebê sacudido), meningite, quase afogamento E o diagnóstico? Apoiado em instrumentos validados e exames de imagem Precoce Clínico E o diagnóstico? Ressonância Magnética maior especificidade; Instrumentos preditivos General Movement Assessment Hammersmith Neurological Examination Test of Infant Motor Performance Sinais clínicos Disfunção do movimento Alteração de tônus Atraso na aquisição dos marcos motores Alterações de equilíbrio Classificações e tipos Clínicos SCPE - Scientific report (1998 – 2018) - Adaptado Fonte: https://eu-rd-platform.jrc.ec.europa.eu/sites/default/files/SCPE%20Scientific%20report%201998-2018.pdf SCPE - Scientific report (1998 – 2018) - Adaptado Fonte: https://eu-rd-platform.jrc.ec.europa.eu/sites/default/files/SCPE%20Scientific%20report%201998-2018.pdf Classificações PC – Distribuição Topográfica DIPLEGIA E TETRAPLEGIA=ESPÁSTICA BILATERAL HEMIPLEGIA=ESPÁSTICA UNILATERAL Classificações e Tipos clínicos Natureza da alteração do movimento Espasticidade Discinesia Parte do corpo acometido unilateral bilateral Ataxia Funcionalidade GMFCS MACS MISTA Classificações e Tipos clínicos 70 – 90% Lesão do neurônio motor superior Manifestações típicas: Fraqueza muscular Aumento de tônus Espasticidade Diminuição do limiar do reflexo de estiramento hiperreflexia Espástica Instalação de deformidades tipos bilaterais: lesões difusas, simétricas ou assimétricas Classificações e Tipos clínicos 10 - 15% Lesão em núcleos da base Manifestações típicas: Deficiência de regulação de tônus muscular Movimentos involuntários Déficit de sinergia muscular Discinética Discinesia aumenta conforme criança tenta se movimentar; luxações Classificações e Tipos clínicos Lesão em cerebelo Manifestações típicas: Desequilíbrio nas diferentes posturas Incoordenação motora Dismetria Atáxica Diminuição de força muscular, ritmo e precisão DISTRIBUIÇÃO DOS SUBTIPOS DE PC Fonte: SCPE 16 Classificação Natureza da alteração do movimento Espasticidade Discinesia Parte do corpo acometido unilateral bilateral Ataxia Funcionalidade GMFCS MACS Classifica a função motora grossa de lactentes e crianças, de acordo com a faixa etária até os 18 anos de vida, baseado em atividades auto iniciadas, com ênfase no sentar, andar e mobilidade. Palisano et al, 1997; Fonte: www.nossacasa.com GMFCS – O que é? Sistema de classificação com 5 níveis de função motora grossa de crianças/adolescentes com PC. Baseado nas habilidades e limitações funcionais e necessidade de tecnologia assistiva. Foco na função, NÃO NA QUALIDADE DO MOVIMENTO. Por que o GMFCS é importante? Sistemas Classificatórios Antigos - baseados em critérios clínicos (“leve”, “moderado” e “grave”): irrelevantes, sem validez e confiabilidade. 2) Baseado na observação, momento atual, relato dos pais – fácil e rápido. 3) Consistente com o modelo da CIF. GMFCS – Utilidade Clínica? Ferramenta de comunicação (profissionais, familiares). Definição de intervenção / Planejamento das metas. Comparação com outras crianças da mesma idade/nível do GMFCS. O GMFCS é baseado no movimento iniciado voluntariamente, com ênfase no sentar, transferências e mobilidade. NÍVEL I – Anda sem limitações NÍVEL II – Anda com limitações NÍVEL III – Anda utilizando um dispositivo manual de mobilidade NÍVEL IV – Auto-mobilidade com limitações; pode utilizar mobilidade motorizada NÍVEL V – Transportado em uma cadeira de rodas manual GMFCS – Nível I Anda sem limitações; Sobe e desce escadas sem limitações; Corre e pula. GMFCS – Nível II Anda com limitações (pode usar dispositivo manual na comunidade); Sobe e desce escadas com apoio; Não corre nem pula (na melhor das hipóteses, habilidade mínima) GMFCS – Nível III Anda utilizando um dispositivo manual de mobilidade; Uso de mobilidade sobre rodas fora de casa e na comunidade. GMFCS – Nível IV Auto-mobilidade com limitações; Pode utilizar mobilidade motorizada. GMFCS – Nível V Transportado em uma cadeira de rodas manual; Grave limitação no controle da cabeça e tronco, requer tecnologia assistiva ampla e ajuda física. Rosembaum et al, 2002 Prognóstico de desenvolvimento baseado no GMFCS e GMFM Rosembaum et al, 2002 FMS Functional Mobility Scale Avalia desempenho na locomoção * Classificação Classifica o uso das mãos na manipulação de objetos nas atividades diárias. 5 níveis Eliasson et al, 2006; Fonte: www.canchild.com Classificação Eliasson et al, 2006; Fonte: www.canchild.com Nível I – manipula objetos facilmente e com sucesso Nível II - manipula a maioria dos objetos, mas com qualidade e/ou velocidade pouco reduzida Nível III - manipula objetos com dificuldade; necessita de ajuda para preparar/modificar atividades Nível IV - manipula uma variedade de objetos facilmente manipuláveis em situações adaptadas Nível V- não manipula objetos; limitação severa para ações simples Avaliação Estrutura e função do corpo Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF PC- Encefalopatia Hipóxico-Esquêmica Participação Atividade Fatores Ambientais Fatores Pessoais Alteração de tônus muscular Alteração nos reflexos primitivos e miotáticos Déficits sensoriais, de coordenação Tendência à alterações ME, biomecânicas e respiratórias Déficit de fala, cognitivo .... Limitações de mobilidade Limitações para autocuidado Lazer e recreação, comunicação e interação com outras pessoas Atraso no DNPM Dificuldade em manter a posição do corpo no espaço – posturas antigravitacionais Déficit na marcha Dificuldade na manipulação/exploração de objetos Facilitadores: tecnologia assistiva, dispositivo auxiliar de marcha, suporte familiar, acesso à serviços Barreiras: baixa instrução familiar, barreiras arquitetônicas Presença de dor, nível de motivação, estrutura familiar, depressão, idade... 40 Avaliação Função e estrutura do corpo Atividade e participação Inspeção geral: postura, trofismo muscular, cicatriz Função sensorial Dor Força Muscular Flexibilidade Reflexos Tônus Padrão de marcha Qualidade de vida Qualitativamente Observar movimentação espontânea em todas as posturas, transição de posturas. Quantitativamente Mensurar mobilidade, função, auto-cuidado, locomoção: FMS, GMFM-88, Time Up and Go, PEDI, etc 41 Avaliação Função e estrutura do corpo Inspeção geral: postura, trofismo muscular, cicatriz Função sensorial Dor Força Muscular Flexibilidade Reflexos Tônus Padrão de marcha Qualidade de vida 42 Avaliação Tonus Muscular 43 Avaliação do tônus passivo Manobra de echarpe Ângulo pé-perna Tonus Muscular Ângulos dos adutores Ângulo poplíteoFlexão/Extensão Passiva do eixo corporal Avaliação Força muscular 47 Avaliação Flexibilidade 48 Padrões de marcha na paralisia cerebral 49 CROUCH GAIT Dorsoflexão aumentada dos tornozelos na fase de apoio Excessiva flexão dos joelhos e quadris Padrões de marcha na paralisia cerebral 50 CROUCH GAIT - Hipercorreção do tendão de aquiles - Fraqueza de tríceps surais - Fraqueza de quadríceps Espasticidade de ísquios tibiais Padrões de marcha na paralisia cerebral 51 JUMP KNEE Padrões de marcha na paralisia cerebral Flexão de quadris e de joelhos na fase do apoio Apoio dos tornozelos em equino (dinâmico ou estruturado) Espasticidade / Contratura de adutores e flexores de quadril, flexores de joelhos e plantiflexores 52 STIFF KNEE Padrões de marcha na paralisia cerebral Atraso / Diminuição no pico de flexão de joelho no balanço Excessiva atividade do quadríceps: principalmente reto femoral (Teste de Ely) 53 Padrões de marcha na paralisia cerebral 54 Pavão et al., 2016 AHA (Assisting Hand Assessmnt) PMAL (Pediatric Motor Activety Log) GMFM (Gross Motor Function Measure) GMPM (Gross Motor Performance Measure) PEDI (Pediatric Evaluation of Disability Inventory Instrumentos de Avaliação Pretchtl Qualitative Assessment of General Movements - GMs Lactentes com menos de 5 meses de idade corrigida; Avalia movimentos espontâneos do lactente e os classifica; Alto valor preditivo para paralisia cerebral; Tem valor diagnóstico Test of Infant Motor Performance - TIMP Avalia qualidade do movimento no melhor desempenho do lactente; Observa controle de cabeça, movimentos seletivos de membros* Quantidade e qualidade de movimento realizado com o membro mais comprometido* Pediatric Upper Extremity Motor Activity Log GMFM – 88/66/ core set Gross Motor Function Measure Avalia desempenho Funcional em 5 dimensões * Avalia atividades de vida diária, mobilidade, função social, nível de assistência oferecido, necessidade de adaptação. PEDI Pediatric Evaluation Disability Inventory TUG Time Up and Go Avalia habilidades básicas de Mobilidade e equilíbrio dinâmico. O TUG mede, em segundos, o tempo necessário para um indivíduo levantar de uma cadeira de braços padrão (altura de aproximadamente 46cm), caminhar uma distância de 3m, virar, caminhar de volta para a cadeira e sentar-se novamente. 62 Avaliação Segmentar do Controle de Tronco – SATCo-BR Avalia nível de controle de tronco estático, ativo e reativo. Butler et al., em 1998;Major, Johnson e Butler, 2001; de Sá et al., 2017 Avaliação de Fatores Contextuais Craig Hospital Inventory of Enviromental Factors – CHIEF Avalia a percepção do indivíduo sobre a frequência e magnitude das barreiras ambientais que comprometem sua participação CHIEF - BR políticas físicas e estruturais no trabalho e na escola de atitude e suporte de serviços e assitencias Avaliação de Atividade e Participação Children Helping Out: Responsabilities, Expectations and Supports – CHORES Mensura a participação de crianças e adolescentes de 6-14 anos nas atividades domésticas e o nível de assistência dispensada pelos cuidadores CHORES Cuidados pessoais Cuidados familiares Avaliação de Atividade e Participação School Function Assessment - SFA Mensura o desempenho escolar da criança em atividades não acadêmicas que forneçam suporte à participação na educação infantil e ensino fundamental SFA Participação Necessidade de assistência Desempenho na atividade atividade física atividade cognitiva-comportamental sala de aula pátio/recreio transporte casa/escola/casa banheiro transição na escola hora da refeição e lanche Tratamento PRÁTICA ORIENTADA À TAREFA Goal-Directed Training or Functional Training PROGRAMAS DOMICILIARES Home Programs CIMT – HABIT Terapia de Movimento Induzido por Contensão e Treino Intensivo Bimanual de Braço e Mão VESTES TERAPÊUTICAS Therapeutics Suit SUPORTE PARCIAL DE PESO FORTALECIMENTO MUSCULAR E ATIVIDADE FÍSICA REALIDADE VIRTUAL ESTIMULAÇÃO ELETRICA FUNCIONAL EQUOTERAPIA TAPPING GROSS MOTOR ACTIVITY TRAINING GROSS MOTOR ACTIVITY TRAINGIN WITH PROGRESSIVE RESISTANCE EXERCICE + fisioterapia convencional GROSS MOTOR ACTIVITY TRAINING + fisioterapia convencional PHYSICAL FITNESS TRAINING (PFT) FORTE MODERADA MODIFIED SPORTS NON IMERSIVE VIRTUAL REALITY FRACA Clutterbuck et al., 2018. Intervenções focadas na performance mostraram-se mais eficazes na melhora das atividades funcionais treinadas Intervenções de sucesso ofereceram oportunidade de prática variável (variabilidade) Intervenções que enfatizam exercícios ativos melhoram a função motora grossa em crianças ambulantes/semi-ambulantes Clutterbuck et al., 2018. TIPS para o planejamento terapêutico Envolvimento da família Emponderamento Participação: identificação, planejamento, execução Hands off movimentos auto-gerados atividades sensório-motoras atividades tarefa específicas levar os bebês ao máximo de suas capacidades Enriquecimento ambiental Variabilidade Oportunidade de explorar ambiente e objetos oportunidade de tentativa e erro Pratica centrada na família Prática centrada na família M. An & R. J. Palisano , 2014. Hands OFF 79 Enriquecimento ambiental Enriquecimento Ambiental Morgan et al, 2013. Estabelecendo objetivos 84 Prevenir disfunções ME DNPM Funções musculares e controle postural Capacidade Funcional motora e cardiovascular Mobilidade, auto-cuidado e participação qualidade de vida 85 treino ortostático estático e dinâmico Caminhando com a HKAFO treino funcional 86 Tecnologia assistiva Inclui dispositivos de assistência, adaptação e reabilitação ÓRTESES Órtese Nível Indicação SMO Lombar baixo e sacral Posiciona art. Subtalar AFO Lombar baixo e sacral Posiciona art. Tibiotársica, subtalar e mediotarsal em neutro 87 Tecnologia assistiva DISPOSITIVOS DE SUPORTE 88 Tecnologia assistiva DISPOSITIVOS DE MOBILIDADE 89 Tecnologia assistiva DISPOSITIVOS DE MOBILIDADE Go Baby Go https://www.youtube.com/watch?v=be_jQIfkaIk 90 Referências Rosenbaum P, Paneth N, Leviton A, Goldstein M, Bax M, Damiano D, et al. A report: the definition and classification of cerebral palsy. April 2006. Dev Med Child Neurol Suppl 2007;109:8–14. Brunner MMR, Cuestas E. 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GMFCS - E & R © 2007 CanChild Centre for Childhood Disability Research, McMaster University Eliasson AC, Krumlinde Sundholm L, Rösblad B, Beckung E, Arner M, Öhrvall AM , Rosenbaum P. The Manual Ability Classification System (MACS) for children with cerebral palsy: scale development and evidence of validity and reliability Developmental Medicine and Child Neurology 2006 48:54 REFERÊNCIAS Morgan, Novak e Badawi. Enriched Environments and motor outcomes in cerebral palsy: systematic review and meta-analysis. Pediatrics v.12(3), 2013. Tudella E, Toledo AM, Lima-Alvarez, CD e Grecco, ALR, 2019. Introdução à intervenção precoce. Cap. XXV In: Interveção precoce: evidências para a prática clínica em lactentes de risco. Ed. Appris, 2019. Formiga, CKMR, Pedrazzani, ES, Tudella, E. Intervenção Precoce com Bebês de Risco. Ed. Atheneu, 2010. Obrigada image2.jpeg image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image10.png image9.png image8.png image11.png image12.png image13.png image14.jpeg image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image31.png image32.png image33.png image34.png image35.jpeg image36.jpeg image37.jpeg image38.jpeg image39.jpeg image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.svg image53.png image54.png image55.jpeg image56.jpeg image57.jpeg image58.png image59.png image60.png image61.png image62.png image63.png image64.png image65.jpeg image66.jpeg image67.jpeg image68.jpeg image69.png image70.png image71.png image72.png image73.png image74.png image75.png image76.png image77.png image78.png image79.png image80.jpeg image510.png image81.png image82.png image83.png image84.png image85.png image86.png image87.png image88.png image89.png image90.png image91.png image93.png image92.png image94.png image95.png image96.png image97.png image105.png image106.png image98.png image99.png image100.png image101.png image102.png image103.png image104.png image111.png image112.png image107.png image108.png image109.png image110.png image113.png image114.png image115.png image116.png image117.png image118.png image119.png image120.png image121.png image122.png image123.png image124.png image125.png image126.png image127.png image128.png image129.png image130.png