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W BA 10 63 _V 1. 0 LEGISLAÇÃO SANITÁRIA E SEGURANÇA DOS ALIMENTOS: DA HIGIENE À IMPLANTAÇÃO 2 Tatiana Cristina Teixeira Eto São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 LEGISLAÇÃO SANITÁRIA E SEGURANÇA DOS ALIMENTOS: DA HIGIENE À IMPLANTAÇÃO 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Camila Turchetti Bacan Gabiatti Revisor Marília Liotino dos Santos Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Eto, Tatiana Cristina Teixeira Legislação sanitária e segurança dos alimentos: da higiene à implantação / Tatiana Cristina Teixeira Eto. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 33 p. ISBN 978-65-5356-191-5 1. Legislação de alimentos. 2. Segurança dos alimentos. 3. Qualidade sanitária dos alimentos. I. Título. CDD 353.997 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 010289/O E85l © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. https://www.platosedu.com.br/ 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 DTAs: perigo nos alimentos e legislações sanitárias _________ 07 Boas práticas na manipulação de alimentos _________________ 20 Registros e Instruções de trabalho: monitoramento e qualidade ____________________________________________________ 33 Ferramentas de qualidade: Procedimentos Operacionais Padronizados e Manual de Boas Práticas ____________________ 45 LEGISLAÇÃO SANITÁRIA E SEGURANÇA DOS ALIMENTOS: DA HIGIENE À IMPLANTAÇÃO 5 Apresentação da disciplina Prezado(a) estudante, esta disciplina é uma imersão na revisão de conceitos importantes para gerenciar a qualidade no setor da alimentação. Com base nos estudos propostos, você será capaz de elaborar e implantar ferramentas de qualidade e gerir sua aplicação por meio de monitoramento. As falhas no processamento dos alimentos podem prejudicar a saúde do consumidor, inclusive levá-lo à óbito, por isso as boas práticas são de extrema importância. Outro ponto importante é que o consumidor está cada vez mais exigente e quer consumir alimentos de locais que transpareçam qualidade higiênico-sanitária. Diante disso, os profissionais do setor precisam estar munidos de ferramentas que promovam esta qualidade. O conhecimento das legislações sanitárias e das ferramentas de qualidade como planilhas, instruções de trabalho, procedimentos operacionais padronizados e manual de boas práticas são essenciais para torná-lo capaz de adequar as práticas a diversas áreas do setor de alimentos. A área de atuação é vasta, assim como a necessidade de profissionais competentes. Além dos conhecimentos que você adquirirá, esta disciplina está repleta de modelos que servirão de base para que você crie os seus, com vistas à realidade de seus clientes. 6 Este é o objetivo desta disciplina: torná-lo competente com base em conhecimentos robustos e ferramentas de implantação da qualidade em serviços de alimentação. Bons estudos! 7 DTAs: perigo nos alimentos e legislações sanitárias Autoria: Tatiana Cristina Teixeira Eto Leitura crítica: Marília Liotino dos Santos Objetivos • Conhecer os perigos responsáveis pelas Doenças Transmitidas pelos Alimentos. • Entender o papel da vigilância sanitária no controle de qualidade dos alimentos. • Conhecer as legislações sanitárias. 8 1. Doenças transmitidas por alimentos e a importância da aplicação das legislações sanitárias Prezado estudante, após a leitura deste material você será capaz de identificar os perigos que cercam os alimentos, e conhecer as legislações sanitárias que trazem consigo normas que devem ser aplicadas com o objetivo de eliminar tais perigos. Você provavelmente conhece alguém que já apresentou sintomas como diarreia e vômito depois do consumo de algum alimento. E com você, isso já ocorreu? Se a resposta foi sim, possivelmente você ingeriu um alimento contaminado. As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) são aquelas causadas pela ingestão de alimentos ou água contaminados por perigos físicos, químicos e/ou biológicos. Existem mais de 250 tipos de doenças transmitidas por alimentos no mundo, e a maioria delas são causadas por bactérias e suas toxinas, vírus e outros parasitas (BRASIL, 2021). Nas Américas, 77 milhões de pessoas são acometidas por doenças transmitidas por alimentos a cada ano e 9 mil morrem. Crianças de até 5 anos de idade contaminadas contabilizam 31 milhões, das quais 2 mil morrem ao ano (OPAS, 2021). A contaminação dos alimentos ocorre especialmente por condições inadequadas de higiene, tanto do ambiente como do manipulador. A contaminação cruzada (transferência de contaminante de um ambiente a outro) é uma das formas de contaminação dos alimentos via vetores, bancadas, tábuas de corte e manipulador de alimentos, entre outros (TONDO, 2018). As DTAs podem ser classificadas como: 9 Figura 1 – Classificação das DTAs Fonte: adaptada de Tondo, 2018 (p. 115-116). Consideramos surto quando duas ou mais pessoas apresentam sintomas relacionados, ou quando uma pessoa é acometida de doença rara devido ao consumo de alimento contaminado (ASSIS, 2018). 1.1 Perigos nos Alimentos A contaminação pode ocorrer em toda a cadeia alimentar pelos perigos físicos, químicos e biológicos. Figura 2 – Tipos de perigos nos alimentos Fonte: adaptada de Assis (2018, p. 13;116). 10 O controle e a eliminação dos perigos são a única forma de prevenção das DTAs. Entre esses perigos, os biológicos são os mais importantes. Bolores Pertencem ao reino dos fungos. Os bolores estão dispostos em forma de filamentos chamados de hifas, cujo conjunto é chamado de micélio, a parte visível em um alimento, que tem aspecto de algodão. Por isso, quando você vê um alimento com bolor, não se engane: a parte interna está repleta de hifas, ou seja, o alimento deve ser descartado (MARTINS; BASÍLIO; SILVA, 2016). Alguns bolores são utilizados na produção de medicamento, queijos e molho de soja, por exemplo, outros degradam os alimentos, e outros, ainda, são patogênicos, pois produzem micotoxinas que podem causar doenças. As principais são aflotoxinas, ocratoxinas e fumosinas (ASSIS, 2018). Figura 3 – Principais micotoxinas causadoras de doenças em humanos Fonte: adaptada de Assis (2018, p. 60-62). 11 Leveduras Assim como os bolores, também pertencem ao reino dos fungos. Têm aplicação culinária por sua capacidade de fermentação, e podem causar a deterioração dos alimentos. Não têm participação na veiculação de doenças e não produzem toxinas como os bolores (ASSIS, 2018). Vírus Não se replicam em alimentos, ou seja, não se multiplicam. Para isso, precisam de um hospedeiro vegetal, animal ou outros microrganismos, ainda assim, os que parasitam células animais não parasitam as vegetais nem microrganismos, e o contrário é verdadeiro (MARTINS; BASÍLIO; SILVA, 2016). São de importância na área da alimentação os vírus causadores dahepatite A, rotavírus e o norovírus, que com medidas adequadas de desinfecção dos alimentos podem ser eliminados. A contaminação pode ocorrer com o consumo de água, leite ou outros alimentos contaminados, contato direto com pessoas doentes ou pela manipulação de alimentos (TONDO, 2018). 12 Figura 4 – Vírus de maior importância no setor de alimentação Fonte: adaptada de Tondo,2018 (p. 50-51) e de Assis, 2018 (p. 99-101). Parasitos Assim como os vírus, não se multiplicam nos alimentos, mas são transmitidos por eles. Os parasitos são divididos em protozoários e helmintos. A transmissão em sua maioria é oral-fecal, por meio do consumo de água e alimentos contaminados. Giardíase, amebíase, teníase e ascaridíase são alguns exemplos de contaminação por protozoários (MARTINS; BASÍLIO; SILVA, 2016). Príons É uma proteína com a capacidade de modificar outras proteínas, e seu acúmulo no organismo pode levar à degeneração de células nervosas – por isso é denominada uma doença degenerativa e fatal. O tratamento consiste em alívio dos sintomas. Como exemplo temos o “mal da 13 vaca louca”. A contaminação se dá pelo consumo de carne bovina contaminada (ASSIS, 2018). Rickettsia Ocorre pelo consumo de leite contaminado por Coxiella burnettii, pertencente ao grupo das rickettsias. Gado, carneiro ou cabras são seus hospedeiros. É uma bactéria carregada por carrapatos, pulgas e piolhos, e causa uma doença pulmonar em seres humanos (ASSIS, 2018). Bactérias Diferente dos vírus, as bactérias conseguem se multiplicar fora de um hospedeiro. Sua multiplicação é binária e ocorre de forma exponencial; depois de 10 horas uma única célula de Escherichia coli pode dar origem a 1 bilhão de novas células, por exemplo. No ANEXO I você encontrará os principais microrganismos envolvidos em casos de DTAs e suas particularidades (TONDO, 2018). Depois de analisado o ANEXO I, você deve ter percebido que existe uma quantidade considerável de perigos biológicos que podem contaminar os alimentos, especialmente se as condições de pH, atividade de água (aw), potencial de oxirredução, composição do alimento (fatores intrínsecos) e de temperatura e umidade (fatores extrínsecos) lhes forem favoráveis. Estas condições são chamadas de fatores de crescimento (MARTINS; BASÍLIO; SILVA, 2016): Potencial de Hidrogênio (Ph): refere-se à acidez ou alcalinidade/ basicidade dos alimentos. Alimentos com Ph acima de 7 são alcalinos/ básicos, e abaixo de 7 são ácidos. 14 Quadro 1 – Ph ideal para crescimento de microrganismos Ph favorável Microrganismos 6,5 a 7,5 Bactérias e maioria dos microrganismos 4,5 a 6,8 Bolores 4,0 a 6,5 Leveduras Fonte: adaptado de Martins, Basílio e Silva (2016, p. 164). Atividade de água (Aw): refere-se à quantidade de água livre no alimento. A escala vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a quantidade de água livre, e maior o desenvolvimento microbiano. Quadro 2 – Aw ideal para crescimento de microrganismos Aw favorável Microrganismos 0,91 Bactérias 0,88 Bolor 0,80 Leveduras 0,75 Bactérias que suportam soluções salinas 0,65 Fungos com afinidade por ambientes secos 0,60 Leveduras que suportam alimentos com alta concentração de açúcar Fonte: adaptado de Martins, Basílio e Silva (2016, p. 164). Potencial de Oxirredução (Eh): refere-se à facilidade de um substrato perder (reduzir) ou ganhar (oxidar) elétrons. O O2 é o principal substrato que contribui para aumentar o potencial de oxirredução. Existem microrganismos que são favorecidos em ambientes aeróbios (com O2), e outros em ambientes anaeróbios (sem O2). Existem ainda os facultativos, aqueles que vivem bem em qualquer ambiente. 15 Quadro 3 – Eh ideal para crescimento de microrganismos Eh favorável Microrganismos Aeróbio Bolores, bactérias, leveduras Anaeróbio Bactérias (clostridium) Facultativos Leveduras fermentativas, enterobactérias e bacilos Macroaerófilos (pouca concentração de oxigênio) Bactérias láticas – produzem ácido lático no processo fermentativo Fonte: adaptado de Martins, Basílio e Silva (2016, p. 165). Composição dos alimentos: assim como você, os microrganismos precisam se nutrir. As bactérias dão preferência às proteínas, os fungos preferem os carboidratos, e óleos e gorduras não são opções para a maioria dos microrganismos. Temperatura: o crescimento da população de microrganismos é favorecido quando expostos a uma temperatura entre 30 °C e 45 °C. Vale ressaltar que alguns tipos de microrganismos são capazes de se multiplicar a uma temperatura menor ou maior. Umidade relativa do ar: a umidade está diretamente relacionada a Aw. Quando um alimento com baixa Aw for estocado em um ambiente com elevada umidade, este terá a sua Aw aumentada, propiciando um aumento da população de microrganismos. O controle dos fatores de crescimento é fundamental para garantir a qualidade higiênico-sanitária dos alimentos, e para isso as legislações sanitárias referentes às boas práticas são ferramentas imprescindíveis. 1.2 Legislações Sanitárias no setor de alimentos No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA é a responsável por promover diretrizes para o controle higiênico-sanitário em serviços de alimentação e os industrializadores de alimentos. É um órgão ligado ao Ministério da Saúde – MS pela Secretaria de Vigilância 16 Sanitária – SVS. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA também publica legislações voltadas especialmente para a indústria de alimentos. Estados e municípios têm responsabilidades neste setor por meio dos Centros de Vigilância Sanitária – CVS atrelados à Secretaria Municipal de Saúde – SMS. Na ausência da legislação municipal, o munícipio deve seguir as diretrizes propostas pelo estado e, na ausência de uma legislação estadual, a legislação federal é que deve ser respeitada. As legislações federais você pode encontrar no site da ANVISA e do MAPA. O Quadro 2 apresentará as legislações de âmbitos federal, estadual e municipal vigentes no ano de 2022. A legislação municipal e estadual é de São Paulo, e caso você more em outro estado ou município, pesquise a legislação vigente no respectivo centro de vigilância sanitária. Quadro 4 – Legislações no âmbito Federal, Estadual (SP) e Municipal (SP) Federal Portaria 326/1997 – MS/SVS: Boas Práticas de Fabricação para indústria de alimentos. Portaria 368/1997 – MAPA: Boas Práticas de Fabricação para indústria de alimentos. Resolução 216/2004 – MS/ANVISA: Boas Práticas para serviços de alimentação. Portaria 1428/1993 – MS: Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços e padrão de identidade e qualidade no setor de alimentos. Resolução 275/2002 – MS/ANVISA: Procedimentos Operacionais Padronizados e Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação na produção e industrialização de alimentos. Estadual SP Portaria 5/2013 – CVS/SP: Boas práticas para serviços de alimentação comerciais e institucionais. Municipal SP Portaria 2619/2011 – SMS/SP: Boas Práticas e Procedimentos operacionais padronizados na produção de alimentos. Fonte: elaborado pela autora. 17 As boas práticas, que são um conjunto de procedimentos necessários para garantir a qualidade higiênico-sanitária na produção de alimentos, devem ser aplicadas nos serviços de alimentação e indústria de alimentos (ASSIS, 2018). As legislações trazem consigo a descrição de tais procedimentos, por isso, é conhecimento necessário a todos aqueles que atuam neste setor. E você, conhece as legislações? Que tal lê-las? Referências ASSIS, L. Alimentos Seguros: ferramentas para gestão e controle da produção e distribuição. São Paulo: Senac São Paulo, 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças transmitidas por alimentos. Ministério da Saúde, 19 abr. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/ saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dtha/doencas-transmitidas-por- alimentos#:~:text=Doen%C3%A7as%20transmitidas%20por%20alimentos%20. Acesso em: 27 jan. 2022. MARTINS, B. T.; BASÍLIO,M. C.; SILVA, M. A. Nutrição aplicada e alimentação saudável. São Paulo: Senac São Paulo, 2018. FOOD DESIGN. Legislação: Segurança e Rotulagem de Alimentos. São Paulo, c2021. Disponível em: https://www.fooddesign.com.br/legislacao/#. Acesso em: 1 fev. 2022. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE – OPAS. Dia Mundial da Segurança dos Alimentos 2021: PANAFTOSA impulsa a cooperação técnica da segurança dos alimentos para países da região das Américas. OPAS, 7 jun. 2021. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/7-6-2021-dia-mundial-da-seguranca- dos-alimentos-2021-panaftosa-impulsa-cooperacao-tecnica#:~:text=A%20 Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20da%20Sa%C3%BAde,quais%20mais%20 de%202000%20morrem. Acesso em: 27 jan. 2022. TONDO, E. C. Perigo nos Alimentos. São Paulo: Senac São Paulo, 2018. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dtha/doencas-transmitidas-por-alimentos#:~: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dtha/doencas-transmitidas-por-alimentos#:~: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/dtha/doencas-transmitidas-por-alimentos#:~: https://www.fooddesign.com.br/legislacao/# https://www.paho.org/pt/noticias/7-6-2021-dia-mundial-da-seguranca-dos-alimentos-2021-panaftosa-impulsa-cooperacao-tecnica#:~:text=A%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20da%20Sa%C3%BAde,quais%20mais%20de%202000%20morrem https://www.paho.org/pt/noticias/7-6-2021-dia-mundial-da-seguranca-dos-alimentos-2021-panaftosa-impulsa-cooperacao-tecnica#:~:text=A%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20da%20Sa%C3%BAde,quais%20mais%20de%202000%20morrem https://www.paho.org/pt/noticias/7-6-2021-dia-mundial-da-seguranca-dos-alimentos-2021-panaftosa-impulsa-cooperacao-tecnica#:~:text=A%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20da%20Sa%C3%BAde,quais%20mais%20de%202000%20morrem https://www.paho.org/pt/noticias/7-6-2021-dia-mundial-da-seguranca-dos-alimentos-2021-panaftosa-impulsa-cooperacao-tecnica#:~:text=A%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20da%20Sa%C3%BAde,quais%20mais%20de%202000%20morrem 18 ANEXO I – Principais microrganismos envolvidos em casos de DTAs Quadro 5 – Principais microrganismos envolvidos em casos de DTAs Bactérias Alimentos envolvidos Sintomas Período de Incubação Salmonella spp Alimentos proteicos, leite e moluscos, aves. Mal-estar, cefaleia, febre alta persistente, tosse, anorexia, vômito, náusea, abdômen distendido, calafrios, delírio, disenteria. 12 a 72h Staphylococcus aureus Presunto e produtos cárneos, alimentos aquecidos, derivados de leite, cremes, saladas de batata, doces e alimentos proteicos. Náusea, vômito, diarreia, desidratação, salivação excessiva, sudorese. 1 a 8h Escherichia coli Carne moída crua ou malcozida, queijos, leite não pasteurizado. Diarreia, disenteria, dores abdominais severas, náusea, vômito e febre ocasional. 12 a 72h Shigella spp Água, saladas e leite (alimentos prontos para o consumo). Diarreia, com presença de sangue e muco, e febre. Formas graves: ulceração da mucosa intestinal, sangramento retal e desidratação severa. 4 a 7 dias. Clostridium perfrigens Carnes cozidas, aves, molhos de carne, leguminosas que foram resfriadas lentamente. Dores abdominais, diarreia. Desidratação e prostração podem ocorrer ocasionalmente. 7 a 12h 19 Campylobacter jejuni Leite e derivados não pasteurizados, aves, suínos, bovinos e carneiro, cobertura de bolos. Diarreia, febre, náusea, dores abdominais, cefaleia, vômitos. 1 a 5h até 10 dias Listeria monocytogenes Leites e queijos não pasteurizados, vegetais, aves e carnes, frutos do mar, alimentos preparados, refrigerados e prontos para consumo. Náuseas, vômito, cefaleia, febre, calafrios, dores na coluna, meningite e aborto. Até 2 meses Bacillus cereus Arroz e preparos à base de arroz, molhos, temperos, mistura de alimentos desidratados, especiarias, pudins, cereais, cremes, pratos à base de vegetais, rocambole de carne, sopas. Náusea, vômitos, diarreia e espasmos abdominais. 1 a 8h Vírus entéricos (rotavírus, norovírus) Água contaminada, vegetais e alimentos manipulados. Diarreia, febre, dores abdominais, problemas respiratórios e vômitos. 3 a 5 dias Fonte: adaptado de Tondo (2018, p. 124-125). 20 Boas práticas na manipulação de alimentos Autoria: Tatiana Cristina Teixeira Eto Leitura crítica: Marília Liotino dos Santos Objetivos • Inteirar-se a respeito da estrutura física adequada para estabelecimentos de alimentação. • Conhecer os procedimentos para garantir a qualidade higiênico-sanitária dos alimentos. • Concluir a importância da aplicação e monitoramento das normas sanitárias. 21 1. Boas Práticas na Manipulação de Alimentos Caro estudante, esta leitura lhe trará conhecimentos a respeito das Boas Práticas na área de alimentação, e você estará apto a aplicá-las. Pode ser que você já tenha presenciado um cozinheiro lambendo a mão para experimentar seus pratos, o que é muito comum nos reality shows culinários da TV. E não é novidade que é por essas e outras atitudes que vemos tantos casos de doenças adquiridas pelo consumo de alimentos contaminados, certo? De acordo com a Legislação RDC nº 216 de 15 de setembro de 2004, as boas práticas são práticas que devem ser adotadas em unidades de alimentação, garantindo a qualidade e a conformidade dos alimentos com a legislação sanitária. (BRASIL, 2004). As boas práticas englobam procedimentos desde a escolha e compra dos produtos até a venda ao consumidor e devem ser aplicadas: […] nos serviços de alimentação que realizam algumas das seguintes atividades: manipulação, preparação, fracionamento, armazenamento, distribuição, transporte, exposição à venda e entrega de alimentos preparados ao consumo, tais como cantinas, bufês, comissarias, confeitarias, cozinhas industriais, cozinhas institucionais, delicatéssens, lanchonetes, padarias, pastelarias, restaurantes, rotisserias e congêneres. (BRASIL, 2004, p. 25) Além dos locais supracitados, as indústrias de alimentos também devem se adequar às boas práticas, de acordo com a Portaria n. 326, de 30 de julho de 1997. (BRASIL, 1997). 1.1 Instalações, equipamentos e utensílios As instalações devem ser projetadas de maneira a evitar a contaminação dos alimentos, com um fluxo adequado e sem cruzamentos. Paredes, 22 piso e teto devem ser revestidos de material impermeável, liso e lavável. Todas as janelas/aberturas devem ser teladas, e as portas que fazem a comunicação entre armazenamento e preparo devem ter fechamento automático. Meias paredes devem ser utilizadas para separar os setores de manipulação. (BRASIL, 2004). A ventilação deve garantir conforto térmico, e o uso de ventiladores no setor de manipulação de alimentos é proibido. A iluminação deve ser uniforme e não pode alterar as características dos alimentos. Além disso, fios não devem estar expostos (SÃO PAULO, 2013). O controle de pragas é de suma importância para manter o ambiente livre de vetores e pragas urbanas. Para isso, é necessário (ASSIS, 2018): • Controlar o acesso de pragas com a colocação de borrachas na parte inferior das portas, telas nas janelas e cortinas de ar. • Eliminar frestas, rachaduras e monitorar ralos e motor de geladeiras, o que afastará as pragas, por não terem abrigo. • Impedir que haja água e alimento disponível; por isso, o armazenamento e a higiene do ambiente de trabalho são de especial importância. • Por fim, o controle químico, que deve ser realizado por empresas registradas na Vigilância Sanitária. A edificação deve estar conectada à rede de esgoto e contar com fossa séptica. A água de abastecimento deve ser potável. O reservatório de água deve permanecer tampado e estar sem rachaduras, a parte interna deve ser lisa, resistente e impermeável, e sua higienização deve ocorrer semestralmente, ou antes, se necessário (LASSE, 2019; SÃO PAULO, 2013). Nos procedimentos de higiene é proibido varrer a seco, utilizar panos não descartáveis ereutilizar recipientes de alimentos para armazenar produtos de limpeza (LASSE, 2019). 23 Equipamentos e utensílios não devem propiciar a contaminação dos alimentos; devem ser limpos e não absorventes (como a madeira). Preferir equipamentos como bancadas e geladeiras de aço inox ou outro material liso e de fácil limpeza. A higiene dos equipamentos, a estrutura física e os utensílios devem seguir as seguintes etapas (SÃO PAULO, 2013): • Remoção das sujidades. • Lavagem: aplicação de detergente e com auxílio de esponja, escova ou vassoura. • Enxágue: retirada do sabão com água corrente. • Desinfecção: vapor (77 °C por 15 minutos, 93 °C por 5 minutos), ar quente (82 °C por 20 minutos), água quente (77 °C por 5 minutos), álcool 70% (aguardar até total evaporação), solução clorada (10 mL de hipoclorito de 2,0 a 2,5% para 1 litro de água por 15 minutos). • Novo enxágue: para os processos de desinfecção com solução clorada. 1.2 Saúde do Manipulador de Alimentos O manipulador de alimentos é o indivíduo que manuseia alimentos direta ou indiretamente, e a manipulação de alimentos consiste nas operações efetuadas no alimento para torná-lo apto ao consumo (BRASIL, 2004). Você sabia que o manipulador é um dos principais responsáveis pela contaminação dos alimentos? Se suas práticas forem inadequadas, ele poderá ser responsável pela contaminação dos alimentos, e estes, por causar danos à saúde do consumidor. Por isso, existem procedimento de extrema importância. 24 Quadro 1 – Procedimentos para garantir a saúde do manipulador Controle de Saúde • Os manipuladores devem realizar exames clínicos admissionais, periódicos e demissionais. • Sugere-se* exames laboratoriais para detecção de parasitas (protoparasitológicos) e bactérias (coprocultura). • A periodicidade pode ser anual ou semestral, a depender da legislação de cada estado e/ou município. Manipuladores com lesões ou sintomas de doenças • Não devem manipular alimentos, devem ser afastados. Higiene pessoal e comportamento • Banho diário, proibido uso de barba, unhas devem estar curtas e sem esmalte ou base, proibido uso de adornos (anéis, aliança, brincos, colares etc.). • Não devem fumar, falar, cantar, assobiar, espirrar, cuspir, tossir, comer, manipular dinheiro ou praticar outros atos que possam contaminar o alimento. Higiene de mãos • Lavar as mãos sempre que chegar ao trabalho, antes e após manipular alimentos, após qualquer interrupção do serviço, após tocar materiais contaminados, após usar os sanitários e sempre que se fizer necessário. Higiene de mãos (álcool 70% e sabão) • Conforme ANEXO 1. Uniformes (calça, camisa, sapato/ bota antiderrapante, touca para cabelos, avental de frente) • Trocados diariamente, conservados e limpos, de uso exclusivo no local de trabalho. Uso de máscaras • Antes da pandemia: sem orientação para o uso de máscaras. • Período de pandemia covid-19 (2020): uso de máscaras com troca a cada três a quatro horas. Uso de luvas • Podem ser usadas, mas não substitui a higienização das mãos. *As legislações não indicam os tipos de exames laboratoriais a serem realizados. Fonte: adaptado de Assis (2018), Brasil (2004) e Anvisa (2020). 25 1.3 Capacitação e Treinamento Não existe uma periodicidade estipulada pelas normas sanitárias, no entanto, a capacitação não é apenas um ato de treinar, mas de desenvolver conhecimento, habilidades e atitudes. Os programas de capacitação devem incluir temas como tipo de contaminação dos alimentos, doenças de origem alimentar, manipulação adequada dos alimentos e boas práticas (BRASIL, 2004). 1.4 Etapas do Processo Produtivo O processo produtivo consta das seguintes etapas: Figura 1 – Etapas do Processo Produtivo em Serviços de Alimentação Fonte: elaborada pelo autor. Recebimento O local para recebimento de mercadorias dever ser limpo e protegido. O responsável pela recepção deve ser treinado em boas práticas e proceder a avaliação com o seguinte fluxo (SÃO PAULO, 2013): 26 Figura 2 – Fluxo de procedimentos no recebimento de mercadorias *Congelados: -12 °C. Pescados refrigerados: 2 a 3 °C. Carnes refrigeradas: 4 a 7 °C. Demais produtos refrigerados: 4 a 10 °C. Fonte: adaptada de Assis (2018) e São Paulo (2013). Armazenamento O local de armazenamento deve ser limpo, organizado, ventilado e não receber luz direta. Caixas de madeira são proibidas, salvo para peixes salgados e alguns tipos de frutas, armazenados separadamente. Todos os produtos devem estar identificados. Os sistemas PVPS (primeiro que vence, primeiro que sai) e PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai) são os mais adequados para controle de qualidade de estoques (LASSE, 2019). Os equipamentos de armazenamento (paletes, prateleiras e estrados) devem ser limpos, de material liso, não absorvente e de fácil limpeza. Os produtos devem ficar distantes da parede, forro e piso para possibilitar ventilação e higienização do equipamento. Produtos a serem descartados ou devolvidos ao fornecedor devem estar devidamente identificados (BRASIL, 2004). • Armazenamento de alimentos perecíveis (LASSE, 2019): A temperatura de armazenamento sob congelamento deve ser <0 °C e sob refrigeração de 0 °C até 10 °C, conforme orientação do fabricante. 27 Caso não existam equipamentos de refrigeração suficientes (geladeiras, freezers e/ou câmaras frigoríficas), nas prateleiras superiores devem ficar armazenados os alimentos prontos para consumo, nas prateleiras do meio os alimentos pré-preparados e nas prateleiras inferiores os produtos crus. Todos os equipamentos devem ter as suas temperaturas monitoradas. • Armazenamento de alimentos não perecíveis: O local deve ser ventilado, sem umidade e calor excessivo, com temperatura em torno de 26 °C. Armazenar os alimentos em grupo (farináceos, sobremesas etc.). Produtos de limpeza e descartáveis devem ficar armazenado em local diferente dos alimentos; na impossibilidade, em prateleiras diferentes (LASSE, 2019). Caixas de papelão devem ser evitadas, e se não for possível, devem estar protegidas por sacos plásticos transparentes ou envolvidas em plástico filme (LASSE, 2019). Pré-preparo Etapa de descongelamento, dessalgue, higienização, limpeza e corte de alimentos. As seguintes normas devem ser observadas nesta etapa: Figura 3 – Pré-preparo de Alimentos Fonte: Brasil (2004), São Paulo (2013) e Lasse (2019). 28 A manipulação de alimentos perecíveis não deve exceder 30 minutos de exposição em temperatura ambiente, e em ambiente climatizado (12 °C a 18 °C) exposição dever ser de até 2 horas. Por isso, o pré-preparo em lotes é fundamental (ASSIS, 2018). Preparo Etapa de preparo que consiste na aplicação de tratamento térmico (cozinhar, assar, grelhar e fritar) nos alimentos, e a temperatura no centro do alimento deve atingir 70 °C. Para as frituras, a temperatura do óleo deve ser de no máximo 180 °C (BRASIL, 2004). Manutenção/distribuição Os alimentos preparados podem ter três destinos: congelamento, refrigeração ou distribuição (SÃO PAULO, 2013): • Congelamento (≤ -18 °C) e refrigeração (<5 °C): para estes destinos é preciso antes resfriar os alimentos (passar de 60 °C para 10 °C em até 2 horas – ultra resfriador, freezer, câmara frigorífica, banho de gelo) e depois seguir para o congelamento ou refrigeração. Após congelamento ou refrigeração dos alimentos, as seguintes datas de validade devem ser respeitadas: Quadro 2 – Validade de alimentos congelados pós preparo Temperatura de Armazenamento Validade (dias) 0 a -5 °C 10 -6 °C a -10 °C 20 -11 °C a -18 °C 30 < -18 °C 90 Fonte: São Paulo (2013). 29 Quadro 3 – Validade de alimentos refrigerados pós manipulação e/ou preparo Produtos Temperatura Máxima Validade (dias) Produtos de padaria e confeitaria com coberturas e recheios. 5 °C 5 Carnes e Pescados e, seus subprodutos manipulados crus. Alimentos pós cocção, exceto pescados. Frios e embutidos moídos/picados. Sobremesas, preparações comlaticínios. Outros alimentos preparados. 4 °C 3 Frutas, verduras e legumes manipulados, sucos e polpas. 5 °C 3 Preparações com carne moída, espetos mistos, bife à rolê. 4 °C 2 Pescados pós cocção. 2 °C 1 Fonte: adaptado de São Paulo (2013). Distribuição: Para a distribuição dos alimentos devem ser respeitadas as seguintes combinações de tempo e temperatura: Quadro 4 – Temperatura de manutenção de alimentos preparados Temperatura Tempo máximo de exposição Alimentos quentes Acima de 60 °C 6 horas Abaixo de 60 °C 1 hora Alimentos frios Até 10 °C 4 horas Entre 10 °C e 20 °C 2 horas Fonte: adaptado de São Paulo (2013) e Brasil (2004). 30 Todos os alimentos armazenados devem estar identificados com o tipo de produto, data de fabricação e data de validade (BRASIL, 2004). Amostras dos alimentos distribuídos devem ser coletadas para análise laboratorial, quando necessário, seguindo critérios de armazenamento constantes na legislação. Você deve ter observado que o conhecimento do binômio tempo- temperatura é uma das maneiras de controle da qualidade dos alimentos, assim, é necessário o monitoramento por meio de planilhas específicas para isso. Manejo de Resíduos Depois de todo o processo produtivo o que não faltam são resíduos (cascas, ossos, copos plásticos, guardanapos e caixas de papelão, entre outros), e é preciso que você tenha especial atenção a esta etapa, garantindo a sustentabilidade. Você pode começar encaminhando os recicláveis para coleta seletiva, e resíduos de óleos podem ser comercializados de forma legal com empresas que processam este resíduo. O lixo orgânico pode se tornar adubo. O lixo deve ser armazenado em sacos plásticos resistentes específicos para este fim, e os recipientes devem permanecer fechados no interior da área de manipulação de alimentos, então, devem possuir pedal. A saído do lixo deve ocorrer em horários diferentes da entrada de alimentos ou por outro local. Assim que coletado, o lixo deve ficar armazenado em local fechado, de preferência refrigerado, distante da área de manipulação dos alimentos (BRASIL, 2004; LASSE, 2019). Atenção: a aplicação das normas deve ser monitorada com planilhas e documentos como Manual de Boas Práticas, Procedimentos Operacionais Padronizados e Instruções de trabalho, exigidos pela legislação. 31 Referências ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Uso de luvas e máscaras em estabelecimentos da área de alimentos no contexto do enfrentamento ao COVID-19. Brasília, DF: ANVISA, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt- br/arquivos-noticias-anvisa/310json-file-1. Acesso em: 9 fev. 2022. ASSIS, L. Alimentos Seguros: ferramentas para gestão e controle da produção e distribuição. São Paulo: Senac São Paulo, 2018. BRASIL. Portaria n° 326 de 30 de julho de 1997. Regulamento técnico sobre as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação para estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 01 ago 1997. BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 216, de 15 de setembro de 2004. Dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 set. 2004. LASSE, G. C. P. Higiene na Manipulação de Alimentos. São Paulo: Senac São Paulo, 2019. SÃO PAULO (Estado). Portaria CVS 5, de 09 de abril de 2013. Aprova o regulamento técnico sobre boas práticas para estabelecimentos comerciais de alimentos e para serviços de alimentação, e o roteiro de inspeção, anexo. Diário Oficial do Estado, São Paulo, SP, 19 abr. 2013. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/arquivos-noticias-anvisa/310json-file-1 https://www.gov.br/anvisa/pt-br/arquivos-noticias-anvisa/310json-file-1 32 ANEXO I – Como higienizar as mãos com água e sabão 1 - Molhe as mãos. 2 - Aplique sabonete e friccione as palmas das mãos. 3 - Esfregue o dorso das mãos. 4 - Esfregue o dorso dos dedos, as pontas das digitais e unhas. 5 - Entrelace os dedos e friccione. 6 -Lave os polegares. 7 - Lave o antebraço. 8 - Enxágue as mãos. 9 - Seque as mãos com papel toalha não reciclado. Caso o sabonete não seja bactericida, o álcool 70% deve ser utilizado. Fonte: Makoto Hara/iStock.com. 33 Registros e Instruções de trabalho: monitoramento e qualidade Autoria: Tatiana Cristina Teixeira Eto Leitura crítica: Marília Liotino dos Santos Objetivos • Conhecer as ferramentas para garantir a qualidade dos alimentos. • Entender a importância dos registros para garantia da qualidade. • Elaborar instrumentos de controle e instruções de trabalho. 34 1. Controle de Qualidade na área de alimentação Caro estudante, esta leitura o levará a conhecer ferramentas de monitoramento do controle de qualidade e as instruções de trabalho, registros responsáveis pela avaliação da aplicação de procedimentos adequados em serviços de alimentação. Você sabe a importância de uma planilha de monitoramento no controle de qualidade dos alimentos? Ela é importante para avaliar se os procedimentos estão de acordo com o que diz a legislação, e alerta para correção de práticas inadequadas. Considere uma padaria que tem planilhas de monitoramento limpas e organizadas, e outras escritas a lápis. Esse fato pode deixar um fiscal desconfiado, certo? Afinal, as planilhas de controle ficam o tempo todo em uso, pouco provável alguma ser apresentada em um papel imaculado como se não tivesse sido tocado, ou escrita com letras iguais e com a mesma cor de caneta (ASSIS, 2018). Essa reflexão nos leva a entender que às vezes alguns controles podem ser colocados à prova, logo, cuidado e ética no monitoramento são essenciais. Os registros são anotações, realizadas em planilhas/documentos, dos procedimentos relacionados ao controle de qualidade dos alimentos produzidos nos serviços de alimentação. Na planilha devem constar a data e o nome do responsável pelo preenchimento (BRASIL, 2004; BERTIN, 2017). Essas planilhas são essenciais para validação dos procedimentos ou aplicação de ações corretivas. 35 1.1 Ferramentas de Monitoramento Figura 1 – Ferramentas de Monitoramento Fonte: elaborada pela autora. Roteiro de inspeção/lista de verificação: é um documento que recebe vários nomes e consiste em uma auditoria do serviço de alimentação. Todos os procedimentos são listados, e o auditor faz a verificação de seu cumprimento anotando a conformidade ou a não conformidade (BRASIL, 2004). O quadro a seguir é um exemplo desse documento: Quadro 1 – Exemplo de checklist para serviços de alimentação Legislação Âmbito Itens sugeridos Resolução – RDC 275/2002 Federal Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/ Industrializadores de Alimentos. Portaria CVS 5/2013 Estadual (SP) Roteiro de Inspeção das Boas Práticas em Estabelecimentos Comerciais de Alimentos e Serviços de Alimentação. Fonte: elaborada pela autora. Os checklists são importantes ferramentas na assessoria e na consultoria. Na consultoria, seu papel é identificar não conformidades, 36 alertando o cliente para correção. Já na assessoria, serve para proposição e implantação de ações corretivas Os exemplos citados podem ser utilizados para a criação de um roteiro do próprio serviço de alimentação. Planilhas: documentos nos quais se registram os procedimentos realizados, e uma importante ferramenta para tomada de decisão acerca da correção de inadequações. Além disso, podem ser um instrumento eficaz para indicar a necessidade de manutenção e/ou troca de equipamento. Suponha que a temperatura de um freezer não atinge 0 °C há um tempo, e foram feitas manutenções, que não resolveram a situação. A planilha de monitoramento de temperatura de equipamentos, assim como a de controle de manutenção, podem ser a comprovação da necessidade de troca deste equipamento (BERTIN, 2017). Planilhas utilizadas em controle de qualidade devem conter cabeçalho constando logotipo da empresa, título do item a sermonitorado, data de criação e número de revisão. O número da planilha é um item não obrigatório. O corpo da planilha deve conter os detalhes do monitoramento, e no rodapé, a assinatura do responsável e a data. Não existe um modelo, e cada local pode criar a sua, de acordo com as particularidades do estabelecimento. A resolução RDC nº 216/2004 orienta o registro dos seguintes itens (BRASIL, 2004): • Calibração de equipamentos. • Capacitação de funcionários. • Controle de saúde de manipuladores. • Controle de pragas. • Higienização de equipamentos e filtros de climatização. • Higienização de instalações, equipamentos e utensílios. 37 • Higienização de reservatório de água. • Manutenção preventiva e corretiva de equipamento e utensílios. • Temperatura de equipamentos de armazenamento. Já a legislação do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2013) orienta o registro dos itens que seguem: • Capacitação de funcionários. • Higiene e saúde do colaborador. • Higienização de instalações, equipamentos e utensílios. • Higienização de reservatório de água. • Potabilidade da água. • Recepção de mercadorias. • Transporte de alimentos. • Controle de pragas. Modelos de planilhas/documentos: Quadro 2 – Modelo de documento de monitoramento de capacitação de funcionários Logo da empresa Capacitação de Funcionários Planilha 01 Revisão: 0 Data Data: Palestrante: Tema: Nome Função Assinatura 1 2 3 Assinatura do palestrante: Data: Fonte: elaborado pela autora. 38 Quadro 3 – Modelo de checklist Logo da empresa Checklist de Monitoramento Semanal Planilha 02 Revisão: 0 Data Higiene do Manipulador Data 01 02 03 04 05 06 07 Uniformes limpos e completos Cabelos protegidos e adornos ausentes Higiene das mãos correta e nos momentos indicados Ausentes sintomas de doença ou ferimentos Funcionários barbeados e sem esmalte Higiene de Instalações e Equipamentos Data 01 02 03 04 05 06 07 Instalações (piso, parede, janelas, portas) Liquidificador/ralador Bancadas Balanças Geladeiras e freezers Micro-ondas Fogões e Fornos Utensílios (cubas plásticas, panelas, bandejas) Buffet de distribuição Coifa e Exaustor Filtros de Climatização Controle de Pragas Data 01 02 03 04 05 06 07 Ausência de insetos (baratas, formigas, moscas), roedores e pombas Lixeira e ralos fechados Ausência de madeira e papelão nas áreas de produção e estoques. 39 C – Conforme NC – Não conforme Data Não conformidade Ação Corretiva Assinatura do responsável: Data: Fonte: adaptado de Brasil (2004) e São Paulo (2013). Quadro 4 – Modelo de Controle de Serviços Logo da empresa Monitoramento de Serviços Planilha 03 Revisão: 0 Data: Documentos Planejado Realizado Data Empresa Data Documento Sim Não Higienização do Reservatório de água Controle de saúde de pessoal Controle de pragas Laudo de Potabilidade de água Ação Corretiva: Assinatura do responsável: Data: Fonte: elaborado pela autora. 40 Quadro 5 – Modelo de Monitoramento de Manutenção de Equipamentos Logo da empresa Manutenção de equipamentos Planilha 04 Revisão: 0 Data: Data Equipamento Serviço realizado Empresa Preventiva Corretiva Assinatura do Responsável: Data: Fonte: elaborado pela autora. Quadro 6 – Modelo de Monitoramento de Calibração de Equipamentos Logo da empresa Calibração de Equipamentos Planilha 05 Revisão: 0 Data: Data Equipamento Empresa Assinatura do Responsável: Data: Fonte: elaborado pelo autor. Quadro 7 – Modelo de Monitoramento de Temperatura de Equipamentos Logo da empresa Temperatura de Equipamentos Planilha 07 Revisão: 0 Data: Data Equipamentos Ação corretiva Responsável Freezer (1) Freezer (2) Geladeira 01 02 Assinatura do Responsável: Data: Fonte: elaborado pela autora. 41 Quadro 8 – Modelo de Monitoramento do Transporte de Alimentos Logo da empresa Transporte de Alimentos Planilha 08 Revisão: 0 Data: Data Veículo Motorista/ Entregador T° inicial do alimento T° final do alimento Ação corretiva Responsável Assinatura do Responsável: Data: Fonte: elaborado pela autora. Quadro 9 – Modelo de Monitoramento de Temperatura dos alimentos Logo da empresa Temperatura dos alimentos Planilha 08 Revisão: 0 Data: Data Alimentos Arroz Feijão Prato Principal Guarnição Salada Sobremesa 01 02 Data Ação Corretiva Assinatura do Responsável: Data: Fonte: elaborado pela autora. Estes modelos podem ser modificados de acordo com a realidade de cada serviço de alimentação. Para cada não conformidade, ou seja, procedimentos inadequados ou não realizados, deve-se propor uma ação corretiva. Vale ressaltar que os critérios, para definir se determinado procedimento está ou não conforme, estão nas legislações sanitárias vigentes. Esses documentos devem ficar arquivados por trinta dias. 42 1.2 Instrução de Trabalho (IT) A Instrução de Trabalho (IT) é a descrição detalhada de como fazer determinado procedimento. É um instrumento destinado ao manipulador de alimentos. Normalmente as IT ficam dispostas em murais nos setores de trabalho (SEBRAE/RS, 2018). A elaboração das IT nos serviços de alimentação está relacionada aos Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) obrigatórios e constantes na Resolução RDC nº 216/2004 (BRASIL, 2004): • Higienização de instalações e equipamentos. • Higienização do reservatório de água. • Controle de pragas. • Higiene e saúde do manipulador. E na Resolução nº 275/2002 (BRASIL, 2002): • Higiene de instalações e equipamentos. • Controle de potabilidade da água. • Higiene e saúde do manipulador. • Manejo de resíduos. • Manutenção e calibração de equipamentos. • Controle de pragas. • Seleção de mercadorias. • Programa de recolhimento de alimentos. 43 Além dessas determinações, os serviços podem elaborar IT de acordo com a necessidade. Quanto mais detalhado for um IT melhor, por isso, para cada sequência elenque uma tarefa. Outro ponto importante: muitas instruções são elaboradas com desenhos e sem formalidades, o que também é permitido e pode favorecer a aplicabilidade. Figura 2 – Passos para elaboração de uma IT Fonte: adaptada de Sebrae/RS (2018). Quadro 10 – Modelo de Instrução de trabalho (IT) Logo da empresa Higienização de Instalações, Equipamentos e Utensílios IT 01 Revisão: 0 Data: Seq. Ilustração Descrição da tarefa Responsável Substituto Fonte: adaptado de Sebrae/RS (2018). Muitos controles são necessários para monitorar os procedimentos em um serviço de alimentação, além de demandarem tempo para realização e análise. Ainda assim não devem ficar em segundo plano, visto que são essenciais para garantir alimentos de qualidade, sem causar prejuízos ao consumidor, empresa e responsável. 44 Referências ASSIS, L. Alimentos seguros: ferramentas para gestão e controle da produção e distribuição. São Paulo: Senac São Paulo, 2018. BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 275, de 21 de outubro de 2002. Dispõe sobre o regulamento técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos e a lista de verificação das Boas Práticas de Fabricação em estabelecimentos produtores/ industrializadores de alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 nov. 2002. BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 216, de 15 de setembro de 2004. Dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 set. 2004. SÃO PAULO (Estado). Portaria CVS 5, de 9 de abril de 2013. Aprova o regulamento técnico sobre boas práticas para estabelecimentos comerciais de alimentos e para serviços de alimentação, e o roteiro de inspeção, anexo. Diário Oficial do Estado, São Paulo, SP, 19 abr. 2013. BERTIN, B. Segurança de alimentos no comércio: atacado e varejo. São Paulo: Senac São Paulo, 2017. SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – SEBRAE/RS. Instrução de Trabalho: processos. Rio Grande do Sul: Sebrae/RS, 2018. Disponívelem: https://sebraers.com.br/wp-content/ uploads/2019/01/e-book_-processos-instrucao-de-trabalho.pdf. Acesso em: 15 fev. 2022. https://sebraers.com.br/wp-content/uploads/2019/01/e-book_-processos-instrucao-de-trabalho.pdf https://sebraers.com.br/wp-content/uploads/2019/01/e-book_-processos-instrucao-de-trabalho.pdf 45 Ferramentas de qualidade: Procedimentos Operacionais Padronizados e Manual de Boas Práticas Autoria: Tatiana Cristina Teixeira Eto Leitura crítica: Marília Liotino dos Santos Objetivos • Conhecer os benefícios das ferramentas de qualidade. • Elaborar as ferramentas de qualidade de acordo com a realidade local. • Aplicar as ferramentas de qualidade no setor de alimentos. 46 1. Ferramentas de Qualidade Prezado estudante, esta leitura o munirá de conhecimentos para elaboração de importantes ferramentas para o controle de qualidade no setor de alimentos. Lembre-se de que a implantação dos procedimentos adequados é a base para elaboração de algumas ferramentas de qualidade. Seus conhecimentos prévios a respeito das legislações vigentes serão muito bem-vindos. Bons estudos! 1.1 Procedimentos Operacionais Padronizados – POP De acordo com a legislação sanitária, o POP (Procedimentos Operacionais Padronizados) é um documento que descreve de forma clara as instruções para execução de uma operação no setor de alimentos (BRASIL, 2002). A legislação RDC nº 275/2002, cujo foco é a indústria de alimentos, exige que os seguintes procedimentos estejam descritos (BRASIL, 2002): • Higienização do ambiente e dos equipamentos. • Potabilidade da água. • Higiene e saúde dos funcionários. • Controle de resíduos. • Manutenção dos equipamentos. • Controle de pragas. • Seleção de matéria-prima e ingredientes. • Programa de recolhimentos de alimentos. 47 Muitos serviços de alimentação elaboram seus POPs com base na RDC nº 275/2002 por ser mais completa. A RDC nº 216/2004, que trata de serviços de alimentação, por sua vez exige (BRASIL, 2004): • Higienização do ambiente e de equipamentos. • Controle de pragas. • Higienização da caixa d’água. • Higiene e saúde dos funcionários. Os POPs devem ser o mais detalhado possível e escritos para o manipulador, ou seja, de forma clara e objetiva para que o executor entenda e coloque em prática. Peres (2020) trata dos POPs e do conteúdo de cada um, conforme segue: POP 1 – Higienização de ambiente e equipamentos Deve conter as seguintes informações: superfície a ser higienizada, produto, princípio ativo, concentração, diluição e método (ASSIS, 2018). POP 2 – Potabilidade da água No detalhamento deste POP devem constar os locais de coleta da água, especialmente aqueles considerados críticos ao processo produtivo, a frequência, metodologia analítica e responsáveis. Se executado por empresa terceira, esta deverá apresentar certificado com os dados analíticos. 48 Se a unidade conta com reservatório de água, o que é comum, deverá também apresentar um POP relacionado à higienização deste reservatório, contemplando as informações referentes ao POP 1. Caso o reservatório seja higienizado por empresa terceira, ela deverá apresentar o certificado de execução do serviço com todos os dados exigidos no POP 1. POP 3 – Higiene e saúde dos funcionários Deve apresentar os exames admissionais, periódicos e demissionais exigidos dos manipuladores de alimentos, e a periodicidade. Além disso, contempla o programa de capacitação dos colaboradores em higiene e boas práticas e a periodicidade. A higienização das mãos é fundamental neste POP, e devem ser descritas etapas, produtos, princípio ativo, frequência e, no caso de o colaborador apresentar uma lesão, as providências a serem tomadas. POP 4 – Controle de resíduos Deve estabelecer a frequência da coleta de resíduos, assim como horários e responsáveis. Caso na unidade haja coleta de óleo por terceiro, o POP deve conter os dados da empresa coletora e a periodicidade de coleta. A empresa deve entregar um documento de coleta que certifique ser uma empresa legalizada para tal atividade. Os recipientes seguem as recomendações apresentadas no POP 1. POP 5 – Manutenção de equipamentos Especificar a periodicidade e os responsáveis pela atividade. A higienização deve ser realizada conforme o POP 1. Outra informação que deve constar é a calibração de equipamentos de medição, com certificado da empresa executora. 49 POP 6 – Controle de pragas Contempla medidas preventivas para evitar o aparecimento de insetos e roedores. No caso de controle químico, a periodicidade deve ser informada. A empresa responsável pela desinsetização e desratização deverá fornecer o certificado de execução do serviço contendo data de validade. A empresa deve ser legalizada na vigilância sanitária. POP 7 – Seleção e recebimento de matéria-prima e ingredientes Deve informar os critérios utilizados pelo serviço na escolha e recebimento de produtos, como temperaturas de recebimento e providências em relação aos produtos reprovados POP 8 – Programa de recolhimento de alimentos Este POP está diretamente relacionado à indústria de alimentos, em situações em que ela deve recolher produtos não conformes. Deve descrever os procedimentos para rápido recolhimento e destino final dos produtos A estrutura de um POP é composta pelos seguintes itens, de acordo com Peres (2020) e Assis (2018): • Cabeçalho: nome da empresa, título do POP, número de revisão, página e data de elaboração. • Objetivo: descrever o que se espera com a aplicação do POP. • Materiais necessários: descrição de produtos e utensílios necessários à realização do POP. 50 • Equipamentos de proteção individual (EPIs), se necessário: como exemplo, podemos citar luvas para manuseio de produtos de limpeza. • Frequência: indicar a quantidade de vezes aquele POP deve ser realizado – pode ser diariamente, quinzenalmente, mensalmente ou em outra periodicidade, a depender de cada atividade. • Descrição: neste item devem ser descritos os métodos para execução do POP, da forma mais detalhada possível. • Responsáveis: elencar o responsável ou responsáveis pela operação. • Monitoramento: avaliação dos procedimentos em sua execução, por exemplo, monitorar visualmente a higiene de mãos dos funcionários. • Ação corretiva: caso o funcionário esteja higienizando inadequadamente a mãos, propor ação corretiva, como realizar novamente a higiene das mãos. • Verificação: momento de avaliar a higiene correta das mãos, com a coleta de amostra por swabs para ser analisada em laboratório, ou os registros de controle por meio de planilhas de monitoramento. • Rodapé: com nome, número do RG, data e assinatura de quem elaborou e de quem aprovou o POP. Para que os POPs sejam executados é necessário que o programa de capacitação esteja bem estabelecido, assim como a supervisão e o monitoramento. 51 1.2 Manual de Boas Práticas – MBP Relembrando: as boas práticas são as ações adequadas no processamento de alimentos, regidas pelas legislações sanitárias e que devem ser seguidas desde a seleção dos alimentos até chegada destes ao consumidor (BRASIL, 2004). Para aprender lidar com um eletrodoméstico é necessário ler o manual de instruções, certo? Assim também é no setor de alimentos: há um Manual de Boas Práticas (MBP), que, em caso de dúvida, deve ser consultado. É importante salientar que o manual deve ficar disponível para o colaborador consultar quando for preciso. O MBP é uma ferramenta de quem manipula alimentos, e não deve ficar guardado (BERTIN; MENDES, 2017). A exigência do MBP se deu com a Portaria do Ministério da Saúde nº 1.248 de 1993 e passou por vários entendimentos. O mais importante é que um manual não deve ser copiado fielmente de um modelo, mas criado para cada local, considerando suas particularidades, equipamentos disponíveis e produção, entre outros aspectos (ASSIS, 2018). Como o MBP é um documento de qualidade, deve apresentar algumas características, como cabeçalho erodapé. No cabeçalho, conforme Quadro 3 em Anexos, deve conter o número de revisão; caso seja a primeira versão o número será 00, a primeira revisão, 01, e assim por diante. Também deve conter data, paginação e seção (BERTIN; MENDES, 2017). O rodapé deve apresentar o nome de quem elaborou, sua função, número de RG e assinatura e, os mesmos dados de quem aprovou. Caso a elaboração do MBP tenha sido elaborado por uma consultoria deverá constar a informação: “Elaboração com orientação de…”. A assinatura não deve ser do profissional consultor, pois ele não será o responsável 52 pelo serviço. Pode ocorrer de alguns itens não serem executados pelo serviço de alimentação, como transporte de alimentos; neste caso, indicar que este item não se aplica. Assim, o procedimento não é excluir o item do MBP, mas descrever que ele não se aplica ao serviço (BERTIN; MENDES, 2017). O MBP deve estar atualizado, por isso é importante você ficar atento às mudanças de legislação nas esferas municipal, estadual e federal. No MBP deve estar descrito apenas o que realmente ocorre no local, e as não conformidades devem ser corrigidas, assim como as necessidades estruturais: instalação de lavatório para mãos e telas nas janelas, por exemplo. Isso significa que não poderá ser descrito corretamente um procedimento caso ele não seja executado. Logo, o tempo verbal em um manual será o presente do indicativo (“é”), e não o futuro (“deverá”, “deverão”) (BERTIN; MENDES, 2017). O MBP pode ser elaborado pelo responsável técnico, profissional ou não, desde que conheça previamente o local e os procedimentos realizados, e deve seguir as seguintes fases: Figura 1 – Fases da Elaboração do Manual de Boas Práticas Fonte: elaborada pela autora. 53 A Figura 1 mostra que é complexo elaborar um MBP quando os procedimentos corretos de manipulação de alimentos não são aplicados, por isso, apenas depois dessa adequação é que se deve elaborar o MBP. Alguns serviços optam por elaborar o MPB ao mesmo tempo em que são implantados os procedimentos adequados. Uma orientação para proceder o diagnóstico situacional é o uso da lista de verificação disponível na RDC nº 275/2002, mas você também pode criar um checklist mais adequado ao serviço. O Conselho Regional de Nutricionistas 3ª Região (CRN-3, 2021) propõe um roteiro para elaboração do MBP, que deve incluir: Quadro 1 – Roteiro para elaboração de MBP Índice Para encontrar facilmente os assuntos de interesse. Definição de palavras-chave Alguns termos podem ser de fácil entendimento para uns e para outros não, por isso é necessário explicá-los. Objetivo da empresa Exemplo: • Produção de refeições. • Produção de produtos de panificação e confeitaria. • Produção de lanches. Campo de atuação Setores da empresa nos quais se aplica o MBP: setor de recepção de mercadorias, setor de armazenamento etc. Identificação da empresa Neste item devem ser informados dados da empresa, como Razão Social, CNPJ, endereço, responsável técnico, documentos legais para funcionamento (alvarás), horário de funcionamento, e características do serviço de alimentação: número de serviços e/ou refeições servidas ao dia, tipos de refeições e serviços. Recursos Humanos Número de colaboradores, controle de saúde, formas de admissão, treinamento, alimentação, segurança no trabalho. Instalações Descrever área externa, setores de trabalho, iluminação, ventilação, características da construção, esgotamento sanitário, layout, abastecimento de água, manejo de resíduos, controle de pragas e higienização das instalações. Equipamentos e utensílios Descrição de todos os equipamentos e utensílios disponíveis, manutenção e higienização. 54 Controle de qualidade Descrever todos os procedimentos de qualidade desde a recepção de mercadorias até a distribuição e transporte. Anexos Procedimentos Operacionais Padronizados, Planilha de controle de temperatura, fluxogramas de prepare, escala de limpeza. Fonte: adaptado de CRN-3 (2021). Lembre-se: o MBP não é apenas mais um documento dentre tantos já conhecidos, mas uma ferramenta que apresenta importantes benefícios aos serviços de alimentação (BERTIN; MENDES, 2017): • MBP é completo, pois engloba todos os documentos e procedimentos necessários para garantir a segurança dos alimentos. • MPB é um guia para novos colaboradores. • Ter um MBP no serviço é sinônimo de seriedade de seus gestores. • Cumprir o conteúdo do MBP possibilita melhoria continua. • Ter o MBP e aplicá-lo evita multas decorrentes das fiscalizações sanitárias. Concluindo, POP e MBP são documentos complementares e igualmente importantes, e informações constantes no MPB são necessárias para a perfeita aplicação do POP. Referências ASSIS, L. Alimentos seguros: ferramentas para gestão e controle da produção e distribuição. São Paulo: Senac São Paulo, 2018. BERTIN, B; MENDES, F. Segurança de alimentos no comércio: atacado e varejo. São Paulo: Senac São Paulo, 2017. 55 BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 275 de, 21 de outubro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/ Industrializadores de Alimentos. Brasília, DF, 21 out. 2002. BRASIL. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 216, de 15 de setembro de 2004. Dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 set. 2004. CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS – CRN-3. Manual de Boas Práticas: como fazer. CRN-3, 12 jul. 2021. Disponível em: https://www.crn3.org.br/Noticia/ Manual-de-Boas-Praticas-como-fazer. Acesso em: 26 fev. 2022. PERES, A. P. Vigilância sanitária aplicada aos alimentos. Curitiba: Contentus, 2020. https://www.crn3.org.br/Noticia/Manual-de-Boas-Praticas-como-fazer https://www.crn3.org.br/Noticia/Manual-de-Boas-Praticas-como-fazer 56 ANEXOS Quadro 2 – Modelo de Procedimento Operacional Padronizado XXX Refeições POP – HIGIENIZAÇÃO DE MÃOS Página 1 de 00 Data: xx/xx/xxxx Revisão: 00 1.Objetivo: garantir a correta higienização das mãos para prevenção da contaminação de alimentos, utensílios e superfícies. 2. Materiais necessário: água, sabonete bactericida ou neutro, papel toalha e álcool em gel 70%. 3. Responsáveis: todos os manipuladores de alimentos. 4. Descrição: 1. Molhar as mãos e antebraços com água. 2. Colocar o sabonete líquido antisséptico nas mãos. Esfregá-las completamente espalhando bem o sabonete entre os dedos, unhas, palmas, dorso, punhos e antebraços. Seguir o passo a passo ilustrado na instrução de trabalho específica. 3. Enxaguar com água corrente. 4. Enxugar as mãos com papel toalha descartável não reciclado. Desprezar o papel em recipiente próprio sem tocar as lixeiras ou o uniforme com as mãos higienizadas. 5. Complementar com o uso de álcool gel 70%, caso o sabão não seja bactericida. 5. Frequência Sempre que trocar de tarefa. Utilizar as mãos em outras atividades (mexer no cabelo, em dinheiro etc.). Sair do banheiro. 6. Monitoramento: visual e diário durante as atividades. O QUÊ? QUANDO? COMO? QUEM? DOCUMENTO Lavagem das mãos Diário Observação visual Proprietária e funcionário treinado Planilha de controle de treinamentos Planilha de monitoramento de procedimentos 57 7. Ações corretivas: são adotadas imediatamente após a detecção da não conformidade e registradas na planilha específica para esta finalidade no documento – Planilha de monitoramento de procedimentos. Podem ser: • Realizar novamente todo o processo. • Planejar treinamentos e reuniões do tema com a equipe o tema. • Realizar a demonstração do processo. 8. Verificação: O QUÊ? QUANDO? QUEM? DOCUMENTOS Verificação de planilhas de controle Mensalmente Proprietária e funcionário treinado Planilha de controle de treinamentos Planilha de monitoramentode procedimentos Elaborado por: Xxxxxxxx de Xxxxxxxxx Função: Nutricionista RG: xx.xxx.xxx-x Assinatura: Aprovado por: Xxxxxxxx de Xxxxxxxx Função: Proprietário RG: xx.xxx.xxx-x Assinatura: Fonte: adaptado de Bertin e Mendes (2017, p. 184-185). Quadro 3 – Modelo de Manual de Boas Práticas XXX Refeições MANUAL DE BOAS PRÁTICAS Página 1 de 00 Seção: 01 Data: xx/xx/xxxx Revisão: 00 IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA Razão Social XXX Refeições LTDA CNPJ: XX.XXX.XXX/XXXX-XX Endereço Rua: Xxxxxxxxxxx, nº xxx Bairro: Xxxxxxxxxxx Cidade: Xxxxxxxxx Estado: Xxxxxxxx CEP: xx.xxx- xxx TEL: (xx) xxxx-xxxx E-mail: xxxxxxxxxxx@xxxxxx.com.br 58 Responsável Técnico Xxxxxxxxx de Xxxxxxxx Cargo: Proprietário Capacitação em Boas Práticas: ANEXO 1 – Certificado Autorização de Funcionamento Alvará: Inspeção Sanitária: ANEXO 2 Horário de Funcionamento Segunda à sexta-feira das 8h às 20h Produtos Comercializados Refeições prontas para consumo: café da manhã, almoço, jantar Elaborado por: Xxxxxxxx de Xxxxxxxxx Função: Nutricionista RG: xx.xxx.xxx-x Assinatura: Aprovado por: Xxxxxxxx de Xxxxxxxx Função: Proprietário RG: xx.xxx.xxx-x Assinatura: Fonte: adaptado de Bertin e Mendes (2017, p. 188-189). 59 Sumário Apresentação da disciplina DTAs: perigo nos alimentos e legislações sanitárias Objetivos 1. Doenças transmitidas por alimentos e a importância da aplicação das legislações sanitárias Referências ANEXO I - Principais microrganismos envolvidos em casos de DTAs Boas práticas na manipulação de alimentos Objetivos 1. Boas Práticas na Manipulação de Alimentos Referências ANEXO I - Como higienizar as mãos com água e sabão Registros e Instruções de trabalho: monitoramento e qualidade Objetivos 1. Controle de Qualidade na área de alimentação Referências Ferramentas de qualidade: Procedimentos Operacionais Padronizados e Manual de Boas Práticas Objetivos 1. Ferramentas de Qualidade Referências ANEXOS