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04 | INTRODUÇÃO 07 | SUPLEMENTOS PARA EMAGRECER 52 | COMBINAÇÕES Sumár io INTRO DUÇÃO O que são suplementos? Suplementos são produtos que contêm nutrientes, vitaminas, mi- nerais, aminoácidos, ervas ou outras substân- cias que têm o objetivo de complementar a dieta e suprir deficiências nutricionais. Eles são projetados para serem consumidos como complemento à alimentação regular e não como substituto de uma dieta equilibrada. Os suplementos podem ser encontrados em várias formas, como comprimidos, cápsulas, pós, líquidos e gomas de mascar. Eles são amplamente disponíveis e podem ser adquiridos sem prescrição médica em farmácias, lojas de produtos naturais e online. Quem deve suplementar? Segundo o site da Agência Nacional de Vi- gilância Sanitária (Anvisa) , em seu documento Su- plementos Ali- mentares: Docu- mento de Base para Discussão Regulatória , su- plemento alimentar é todo produto para in- gestão oral apresentado em formas farmacêu- ticas e destinado a suplementar a alimentação de indivíduos saudáveis ou com deficiência de algum nutriente, vitamina, mineral, aminoáci- do ou outra substância complementar a dieta. http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3898888/Documento+Base+-+CP+456-2017/70ad9ccd-75f4-4be8-8c9e-51fa76cb1863 http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3898888/Documento+Base+-+CP+456-2017/70ad9ccd-75f4-4be8-8c9e-51fa76cb1863 http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3898888/Documento+Base+-+CP+456-2017/70ad9ccd-75f4-4be8-8c9e-51fa76cb1863 http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3898888/Documento+Base+-+CP+456-2017/70ad9ccd-75f4-4be8-8c9e-51fa76cb1863 http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3898888/Documento+Base+-+CP+456-2017/70ad9ccd-75f4-4be8-8c9e-51fa76cb1863 http://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/3898888/Documento+Base+-+CP+456-2017/70ad9ccd-75f4-4be8-8c9e-51fa76cb1863 SUPLE MENTOS para emagrecer Os suplementos que prometem auxílio no emagre- cimento são chamados de suple- mentos lipolíticos ou termogênicos, são aqueles que possivelmente potencializam a redução do percentual de gordura. Para que isso ocorra eles prometem auxiliar sobretudo na modulação positiva da lipólise, que é justa- mente a liberação de ácidos graxos do tecido adiposo, ou seja, a quebra da gordura para que posteriormente ela seja ‘’queimada’’. Então, primeiro há a lipólise (“quebra”), depois há a oxidação (‘’queima’’). Outros prometem também uma regulação negativa no processo de lipogênese que é a síntese de gordura (triglicérides), logo prometem aumento da quebra e diminuição da formação de tecido adiposo (gordura). No entanto, nem o melhor suplemento do mundo é capaz de fazer alguém emagrecer se a pessoa estiver se entupindo de calorias. Infelizmente nosso corpo funciona assim. Homens têm maior capacidade de queimar gordura em condições basais (repouso), enquanto mulheres têm maior capacidade durante exercícios físicos, principalmente aeróbicos, mas isso também não quer dizer que homens não precisam se exercitar para perder peso. Mas o que são Calorias? Caloria é uma unidade de medida de energia que é usada para quantificar o conteúdo energético dos alimentos e bebidas que consumimos. É uma forma de medir a quantidade de energia que o corpo obtém dos alimentos para realizar suas funções vitais e atividades diárias. Quando consumi- mos alimentos, nosso corpo utiliza a energia contida nas calorias para realizar várias funções, como respi- rar, manter a tempera- tura corporal, realizar atividades físicas e até mesmo para o funcio- namento adequado dos órgãos internos. A quantidade de calorias presente em um alimento ou bebida é determinada pela quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras e, em alguns casos, álcool que eles contêm. Cada grama de carboidrato ou proteína fornece aproximadamente 4 calorias, enquanto cada grama de gordura fornece aproximadamente 9 calorias. O álcool, por sua vez, fornece cerca de 7 calorias por grama. O balanço energético, que é a diferença entre a quantidade de calorias consumidas e a quantidade de calorias queimadas através do metabolismo e atividades físicas, é um fator-chave no controle de peso corporal. Se consumimos mais calorias do que queimamos, o excesso é armazenado no corpo como gordura, o que pode levar ao ganho de peso. Se queimamos mais calorias do que consumimos, ocorre o oposto, resultando na perda de peso. Mas existe uma grande diferença entre Calorias Cheias e Calorias Vazias. Calorias Cheias: São ricas em nutrientes, vitaminas, fibras e promovem saciedade (satisfação). Ex.: ovos, verduras, etc. Calorias Vazias: São pobres em nutrientes, ricas em conservantes e gorduras. Ex. Pizza, Hamburguer, biscoitos recheados, petiscos, etc. Portanto, compreender o conceito de calorias na alimentação é importante para manter um equilíbrio adequado entre a ingestão e o gasto de energia, promovendo uma alimentação saudável e sustentável. É fundamental lembrar que a qualidade e variedade dos alimentos também são essenciais para uma dieta equilibrada e que nem todas as calorias são iguais em termos de valor nutricional. CAFEÍNA É uma das drogas mais consumidas no mundo. É a substância psicoativa – e é assim classificada já que apresenta efeitos no sistema nervoso central e carece de valor nutricional – mais utilizadas na história da humanidade. Está presente em uma diversidade de espécies de plantas – mais de 60, sendo encontrada em chás, café, cacau, guaraná, em chocolates e refrigerantes. Seu nome científico é 1,3,7-trimetilxantina. É uma substância lipossolúvel, ou seja, que é solúvel em gordura; em outras palavras se mistura na gordura. Em virtude dessa propriedade, praticamente 100% de sua ingestão oral é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal. Quando consumida em baixas doses ela aumenta o estado de vigília (desperto), diminui o sono, alivia a fadiga, aumenta a respiração e frequência cardíaca, além de aumento no metabolismo e micção (ato de urinar). Em altas doses pode provocar insônia, tremores, nervosismo e desidratação. O Café por meio da cafeína está associado também ao alívio de cefaleia (dores de cabeça) de tensão, por isso a cafeína é frequentemente associada a princípios de medicamentos utilizados para dores de Cabeça. A cafeína também melhora o humor e a função cognitiva. Pessoas com distúrbios relacionados a sono e ansiedade devem consumir cafei1na com cautela, visto que ela gera aumento do estado de alerta, gerando insônia e pode exacerbar quadros de ansiedade. Doses e efeitos adversos: A dose para que os efeitos citados sejam pronunciados varia de 3 a 6 mg por quilograma de peso corporal. Não é observado aumento do desempenho com doses maiores de 9mg por quilograma de peso corporal. Doses elevadas de cafeína podem acarretar efeitos adversos, como arritmia, elevação da pressão arterial, insônia, agitação psicomotora, nervosismo, distúrbios gastrointestinais, tremores e até mesmo morte. A dose letal da cafeína é estimada em 10g em indivíduos saudáveis, o que seria algo em torno de 140mg por quilograma de peso corporal, algo bem acima da dose usual. As evidências sugerem que a ingestão de doses entre 3 e 9 mg/kg de cafeína pode levar a um aumento da pressão arterial. Indivíduos sensíveis podem apresentar efeitos adversos com doses inferiores a 3mg por quilograma de peso corporal. O uso frequente da cafeína pode ocasionar desenvolvimento de tolerância, levando o indivíduo a consumir doses cada vez maiores, o que eleva o risco de efeitos colaterais. Na forma de cápsulas, a cafeína apresenta potencial ergogênico (capaz de melhorar a performance) superior, possivelmente em virtude de outros compostos presentes no café reduzirem a capacidade da cafeína de se ligar aos receptores de adenosina. Existem diversas marcas. Nota: É um excelente suplemento, no entanto deve ser usado com cautela.As pessoas têm diferentes metabolismos e sensibilidades à cafeína. Além disso, uma dose inadequada vai provocar efeitos adversos e prejudicar na concentração e coordenação neuromuscular durante o treino. Para pessoas mais sensíveis à cafeína e que apresentam dificuldade de dormir logo após o consumo, recomenda-se consumir doses menores e pelo menos 12h antes de deitar. CHÁ VERDE (CAMELLA SINENSIS) O chá é a bebida mais consumida no mundo depois da água. O chá verde é feito a partir das folhas secas da planta Camellia sinensis. Trata-se de um produto natural que tem sido usado nas preparações concentradas na forma de extrato com o objetivo de controle do peso. Sua absorção ocorre melhor se consumido sem a presença de alimentos. Benefícios do consumo de chá verde: Ação antioxidante: A propriedade antioxidante do chá verde te sido apontada como principal fator contribuinte na prevenção e tratamento de doenças crônico-degenerativas, incluindo câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. Ação anti-inflamatória: Seu efeito anti- inflamatório está associado à inibição da expressão de um gene relacionado à inflamação chamado de TNF-alfa. Esse gene é um mediador central em doenças inflamatórias como esclerose múltipla. Portanto, a capacidade do chá-verde de inibi-lo está relacionada à sua ação anti-inflamatória. Além disso, o chá- verde consegue inibir enzimas envolvidas no processo inflamatório, como uma enzima chamada ciclooxigenase 2 (COX2). Dessa forma apresenta bom potencial anti-inflamatório. Ação Hipoglicemiante: É a capacidade de uma substância reduzir os níveis de açúcar no sangue. Ação Antiaterogênica: Efeitos aterogêni- cos de forma simples, são aqueles capazes de gerar formação de placas de gordura na pa- rede dos vasos. O chá verde está associado à prevenção dessas placas de ateromas, por meio de seus efeitos antioxidantes. Potencial anticarcinogênico: Diversos estudos na literatura discutem o papel do chá verde na prevenção de neoplasias malignas. O papel do chá verde na prevenção do câncer está associado à capacidade de catequinas do chá verde agirem no sequestro de espécies reativas de oxigênio, ou seja, diminuindo a formação de radicais livres e agindo como antioxidante. Além disso, as catequinas estão relacionadas à indução do apoptose (destruição) de células tumorais e à redução da proliferação de células cancerígenas. As catequinas do chá verde estão associa- das especialmente à prevenção do câncer de mama e têm potencial no tratamento a partir da associação com tamoxifeno (uma medica- ção), sendo citotóxico para as células cancerí- genas. Foi demonstrado também em estudos grande potencial na prevenção de gastrite crônica ativa, proteção da mucosa intestinal contra atrofia e prevenção de câncer de estô- mago. Doses e efeitos adversos: A dose de consumo recomendada de chá verde está relacionada à quantidade de EGCG na dose, e isso varia de uma preparação de chá para outra, dependendo do tipo de chá, tempo de imersão e tempo de oxidação. Uma grama de folha de extrato seco de chá verde. Uma grama de folha de extrato seco de chá verde em 100ml de água contém em média 35-45mg de EGCG e 6mg de cafeína, consumindo de 3 a 4 doses dessa por dia já se podem obter benefícios referentes à queima de gordura, com necessidade de ingestão de 400 a 500mg de chá verde. Outros autores relatam necessidades de doses maiores para obtenção dos níveis de EGCG por dia. A toxicidade do chá verde está de modo geral, associada a altas doses e toxicidade hepática (fígado) sendo relatada em uma parcela mínima de indivíduos, normalmente associada à utilização concomitante com medicamentos. Sabe-se que o chá verde associado a alguns medicamentos, como diclofenaco, paracetamol e progestogênios está relacionado à hepatotoxicidade. A toxicidade aguda em humanos está calculada em aproximadamente 8g de extrato de chá verde (1x ao dia) ou 2g (3x ao dia). Os possíveis efeitos adversos advêm de altas dosagens ou hipersensibilidade aos componentes do chá verde a saber: Gastrointestinais (quando ingerido na forma de bebida em grande quantidade – 5 a 6 litros por dia): náuseas, vômitos, diarreia, distensão abdominal, flatulência, indigestão. Hepatotoxidade (quando o extrato de chá verde foi ingerido na forma de pílula): os efeitos geralmente estão associados ao uso conjunto com medicamentos ou contaminantes químicos do processo de fabricação do extrato de chá verde. Cardiovasculares (associados ao efeito da cafeína presente no chá verde): taquicardia (aumento da frequência cardíaca maior que 100 batimentos por minuto), hipertensão e palpitações (percepções incômodas dos batimentos cardíacos). Sistema nervoso central: insônia, tonturas, agitação, tremores e confusão. Nota: A suplementação de cafeína + extrato de chá verde na forma de suplementação ou bebida é uma excelente combinação para otimização da ação lipolítica, antioxidante, anti-inflamatória e benefícios gerais de ambos os compostos. Deve-se, no entanto, ficar atento às dosagens e sensibilidades individuais a ambos os compostos. L – CARNITINA Trata-se de um aminoácido, ou seja, uma fração componente da proteína produzida no nosso corpo, no fígado e nos rins a partir de dois outros aminoácidos: metionina e lisina. Além disso, ela pode ser obtida também por meio da dieta, com alimentos de origem animal, a partir da proteína animal, como carne vermelha e laticínios, além de ser um constituinte do leite materno. A suplementação de L-carnitina só é capaz de gerar aumento do seu conteúdo muscular após meses de uso e seus efeitos estão diretamente relacionados a esse aumento de concentração muscular. Sua entrada na célula muscular é aumentada na presença de insulina, portanto, consumir em conjunto com uma refeição que contenha grande quantidade de carboidrato é mais interessante. A carnitina participa do processo de ‘’queima’’ de gordura, sua suplementação tem mostrado resultados muito contraditórios no que se refere à queima de gordura, devido a isso, não é possível chegar a uma conclusão assertiva quanto à eficácia da L-carnitina para queima de gordura. Quando ocorre deficiência de L-carnitina, uma característica comum parece ser o acúmulo de gordura nas células. Por isso, pessoas portadoras de deficiência de L-carnitina têm maior tecido adiposo e, por conseguinte maior peso corporal. L-carnitina é usada na medicina em diversas aplicações clínicas: cardiopatias, dislipidemias com potencial de redução no colesterol total, triglicerídeos e elevação da HDL (colesterol ‘’bom’’), doenças renais, hepáticas, desordens musculares, síndrome de deficiência genética de L-carnitina, além de infertilidade masculina. Doses e efeitos adversos: A dose padrão de L-carnitina varia de 500mg e 2g por dia, embora muitos estudos tenham utilizado doses maiores, podendo chegar até 6g por dia. Costuma-se dividir a dose em 2 a 3 vezes por dia. Quanto aos efeitos adversos existem poucos relatos na literatura, são eles: náuseas, dispepsia (‘’má digestão’’), diarreia, além de odor corporal e odor na urina. Em pacientes portadores de diabetes melito tipo 2, com suplementação de L-carnitina ela não parece promover alterações na pressão arterial, sensibilidade insulínica, perfil lipídico, controle glicêmico (níveis de açúcar no sangue) e função renal. Apesar de os estudos não relatarem efeito adverso com a suplementação de 6g por 1 ano, a dose segura confirmada pelas pesquisas para ingestão a longo prazo é de 2g por dia. Nota: Trata-se de um bom suplemento, no entanto ainda existem lacunas a serem preenchidas quanto à sua eficácia para auxílio no emagrecimento. CAPSAICINA/ CAPSIATE Pertence ao grupo dos capsaicinoides. É a principal substância desse grupo responsável pela sensação de ardência que se sente ao ingerir a pimenta vermelha (Capsicum annum L.).O capsiate, por sua vez é uma substância que exerce os mesmos efeitos biológicos da capsaicina, mas que deriva de um grupo que não apresenta ardor, chamado de capsinoides. Postula-se que a capsacina module negativamente genes relacionados à lipogênese (síntese de gordura) e positivamente a adiponectina (hormônio relacionado à melhora da sensibilidade à insulina, propriedades anti-inflamatórias, antiaterogências, cardioprotetoras e de regulaça2o do metabolismo energético e regulação do tecido adiposo). Existem alterações quanto à magnitude da resposta de capsaicina em diferentes populações. Doses e efeitos adversos: Estudos mostram segurança quanto à ingestão de capsaicina a longo prazo. A ingestão oral de capsaicina por meio da pimenta vermelha ou dela diluída em outros alimentos promoveu bons efeitos na saciedade. No que se refere à saciedade, acredita-se que tal efeito seja mediado pela sensação de dor, estresse e queimação gastrointestinais que a capsaicina provoca. Nesse caso, não se pode afirmar o mesmo em relação à ingestão energética e saciedade dos capsinoides (capsiate), que, apesar de seus efeitos biológicos semelhantes, não apresentam pungência, ardência. Estudos mostraram que 10g de pimenta vermelha (30mg em média de capsaicina) contêm quantidade suficiente para provocar aumento do gasto energético, estimulação do sistema nervoso central, promovendo liberação de catecolaminas, e, portanto, promover seus efeitos e auxiliar no emagrecimento. As doses, no entanto, costumam variar de 3 a 10 mg/dia e ser divididas ao longo do dia. Seus efeitos adversos são irritação e sensação de queimação gastrointestinal, especialmente em indivíduos obesos. Nota: Um excelente suplemento para auxílio no processo de emagrecimento, sobretudo para pessoas sensíveis à cafeína. ÁCIDO LINOLEICO CONJUGADO – CLA São formados por um grupo de ácidos graxos. As fontes desses lipídios são as carnes de animais ruminantes (gado bovino, caprino, ovino e búfalos), principalmente os com maior quantidade de gordura já que o CLA se encontra principalmente estocado no tecido adiposo desses animais, além de ser encontrado também em queijos, sobretudo os com maior quantidade de lipídeos. As fontes naturais, no entanto, representam uma fração muito pequena de CLA na sua composição, sendo necessário um consumo maior para obtenção dos possíveis benefícios. Esses ácidos têm sido considerados um agente antiobesidade. Estudos em seres humanos evidenciaram benefícios relacionados ao metabolismo lipídico, especialmente nas células de gordura, além de serem usados para auxiliar no tratamento de câncer, melhora no estresse oxidativo, na formação óssea, diabetes, aterosclerose e melhora do sistema imune. A produção de CLA pela indústria de suplementos se dá a partir do óleo de cártamo, em forma de cápsulas gelatinosas. Eles contribuem na quebra e formação da gordura, no entanto os estudos relacionados ao mecanismo de ação dele ainda são muito controversos. Doses e efeitos adversos: Na maioria dos estudos houve baixa ocorrência de efeitos adversos e a suplementação é bem tolerada. Entretanto a segurança da suplementação ainda é um pouco questionada e ela encontra-se proibida no Brasil pela ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária). O questionamento quanto à sua segurança diz respeito ao aumento da inflamação no tecido adiposo e a resistência à insulina, principalmente em indivíduos obesos. Nota: Não se aposta muito ele como primeira opção para auxílio no processo de perda de gordura por ser uma suplementação ainda muito questionada tanto em eficácia quanto em segurança. IOMBINA Trata-se de um alcaloide en- contrado na planta da espécie Pausinystalia johimbe, conheci- da como pau-de-cabinda, além de ser encontrado também na planta Rauwolfia serpentina. Essa substância está presente em diversos suplementos nutricionais e no pas- sado foi utilizada como auxílio no tratamento da disfunção erétil. Após ser absorvida pelo trato gastrointestinal, é rapidamente distribuída pelo corpo e apresenta meia vida muito curta. A maior parte dos estudos recentes não analisa a iombina isoladamente como suplemento para a perda de peso, e sim em associação com outras substâncias. Dose e efeitos adversos: Os efeitos adversos mais conhecidos são: taquicardia (aumento da frequência cardíaca maior que 100 batimentos por minuto), irritação, hipertensão arterial, insônia, ansiedade, até crise de pânico e crise convulsiva. Vale ressaltar que tais efeitos não são comuns em dosagens apropriadas e que boa parte deles pode advir do uso concomitante com outras substâncias. As doses comumente utilizadas são de 5 a 10 mg por dia, divididas ao longo do dia, tendo uma dose como uso no pré-treino. Nota: Apesar de controverso, parece resultar em efeitos positivos para auxílio na queima de gordura. Sua associação com cafeína parece ser interessante, pois agem de forma sinérgica. A cafeína potencializa o efeito da ioimbina na queima de gordura. É considerado um suplemento válido, mas que deve ser usado com cautela e orientação. CITRUS AURANTIUM É o extrato da casaca da laranja que contém uma substância chamada para- sinefrina (p-sinefrina). Tal molécula apresenta semelhança estrutural com as moléculas com as moléculas de adrenalina, noradrenalina e efedrina, portanto, mostra atividade semelhante à dessas moléculas. Apresenta, portanto, atividade catecolaminérgica – atividade similar de catecolaminas que são a noradrenalina e adrenalina, hormônios que agem estimulando a quebra da gordura, lipólise. O mecanismo de ação da p-sinefrina inclui: aumento da termogênese (produção de calor pelo corpo), ação como agente lipolítico e inibidor do apetite. Com o aumento da termogênese há maior perda de energia na forma de calor pelo organismo, e esse aumento do gasto energético pode contribuir na perda de gordura. Dose e efeitos adversos: A dose costuma variar de 100 a 500mg por dia e deve ser dividida ao longo do dia; evitar ingestão à noite, em virtude do possível, ainda que mínimo impacto sobre a função cardiovascular. Nota: Não é um suplemento que está no topo dos que ajudarão no processo de perda de peso, ainda mais de forma isolada, no entanto é considerado seu uso válido se associado a outros suplementos com essa finalidade. CANELA (CINNAMOMUM SP) A canela é um dos alimentos considerados funcionais. Com base em seu composto ativo, o cinamaldeído, vêm sendo relatados diversos benefícios à saúde, principalmente relacionados à síndrome metabólica, que é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, obesidade, dislipidemia e hiperglicemia, apresentando efeitos benéficos também no diabetes melito tipo 2 e síndrome dos ovários policísticos. O controle dos níveis de açúcar no sangue é também fundamental não só na prevenção e tratamento dessas condições, como também no processo de emagrecimento, e por isso a canela tem sido usada como suplemento alimentar. Doses e efeitos adversos: A dose depende da preparação. A forma em pó é a mais comum e costuma variar entre 400mg e 6g/dia. É contraindicado o uso para gestantes, lactantes, pessoas com úlceras gástricas e intestinais, além de pessoas com alergia à canela e/ou com desordens hepáticas e renais. Nota: Apesar de apresentar inúmeros efeitos positivos para a saúde, não se espera muita ajuda significativa na perda de peso, nem se utiliza muito como suplemento nutricional, mas sim na alimentação, incluindo sempre na dieta. Para os que não gostam do sabor vale a pena como suplemento para colher os benefícios à saúde como um todo. CLEMBUTEROL Não é um suplemento; trata-se de um me- dicamento vendido apenas para uso veteriná- rio no Brasil. No entanto é muito utilizado no fisiculturismo e para pessoas que objetivam perda de gordura numgeral, por isso foi in- cluído nessa catego- ria. Apresenta efei- tos lipolíticos (mo- bilização da gordura do tecido adiposo) e de ganho de massa muscular. Seu uso é banido pelas agências de regulamentação no esporte, como Word An- tidoping Administration (WADA – em portu- guês, Agência mundial Antidoping) e Comitê Olímpico Internacional. Após a ingestão oral é absorvido rapidamente. É um agonista beta-2 adrenérgico com atividade simpaticomimética, ou seja, se liga ao receptor beta-2 adrenérgico, promovendo os efeitos comuns da ligação das catecolaminas (noradrenalina e adrenalina) com o receptor. O principal desses efeitos é a broncodilatação, dilatando a musculatura lisa das vias aéreas e melhorando a capacidade respiratória. Além disso, gera aumento da secreção de catecolaminas pelo sistema nervoso central, e isso gera aumento da pressão arterial e frequência cardíaca pois as catecolaminas agem nos receptores beta-1 no coração provocando tais efeitos. O Clembuterol pode exercer também efeitos no ganho de massa muscular – efeitos anabólicos e efeitos anticatabólicos -, impedindo o catabolismo proteico, ou seja, a perda de massa muscular. Efeitos adversos: Taquicardia (aumento da frequência cardíaca maior que 100 batimentos por minuto), taquipneia (aumento do número de incursões respiratórias maior que 20 por minuto), hiperglicemia (aumento dos níveis de açúcar no sangue), alterações no eletrocardiograma, palpitações (percepções incômodas dos batimentos cardíacos), tremores e até parada cardíaca, resultando em desfecho fatal. Nota: Não há necessidade de recorrer a esse tipo de composto, que só pode ser obtido com receita de médico- veterinário ou no mercado paralelo, sem nenhum controle ou garantia de qualidade, esterilização do material utilizado e muito menos se existem outros compostos misturados ou adulterados presentes. GINSENG Substância obtida a partir da raiz da planta Panax ginseng. É uma das principais plantas adaptogênicas (se não a principal), ou seja, capaz de estabilizar os processos fisiológicos e proteger os diversos tipos de estresse a que o organismo está sujeito. Seu principal composto bioativo é o chamado gingenosídeo. Tem seu uso com fins farmacológicos descrito há milhares de anos, possui ação positiva sobre o sistema imunológico, atividades antibacteriana, antitumoral, anticarcinogência, anti-inflamatória, antioxidante, hipotensora, hipoglicêmica e neuroprotetora, além de efeitos benéficos na fadiga, debilidade, disfunção erétil e tônico cerebral com efeitos positivos sobre a capacidade cognitiva, favorecendo a aprendizagem, memória e concentração. Doses e efeitos adversos: Comercialmente pode ser encontrado nas formas mais diversas tais como: extrato seco, cápsulas e comprimidos. A forma mais indicada e utilizada é de 200 a 400mg/dia de extrato seco de Panax ginseng. A tomada pode ser única ou dividida ao longo do dia. Seus efeitos adversos são leves e podem incluir náusea, diarreia e insônia. Nota: Um ótimo suplemento para compor o período de perda de gordura. Além disso, apesar de o benefício ser a longo prazo, é válido seu uso sob o aspecto cognitivo e neuroprotetor. Ainda é um suplemento relativamente novo, mas promissor. Vale a pena seu uso contínuo. GARCINA CAMBOGIA É uma pequena fruta de uso tradicional na culinária asiática. Há décadas é usada como condimento e aromatizante culinário. Nessa planta está presente um composto bioativo chamado ácido hidroxicítrico (HCA). A esse composto tem sido atribuído papel no emagrecimento. O HCA presente na Garcina cambogia tem capacidade de inibir uma enzima relacionada à formação de ácidos graxos (componente da gordura). Estudos em animais relatam efeitos positivos da Garcinia cambogia na oxidação de gorduras, no perfil lipídico, resistência à insulina e controle do apetite. A redução do apetite, segundo alguns autores se dá pelo fato de possibilitar aumento dos estoques de glicogênio, pois, já que há alguma inibição da formação de gordura, as calorias são direcionadas para formação de glicogênio. Esse aumento do glicogênio levaria ao aumento de um neurotransmissor chamado serotonina, relacionado com a sensação de bem-estar e saciedade. Alguns compostos bioativos presentes na Garcinia cambogia como as benzofenonas, tem ação antioxidante, por isso ela pode ter aplicações clínicas contra doenças relacionadas ao estresse oxidativo, como doenças cardíacas. Existem também evidências de efeitos neuroprotetores, hepatoprotetores, melhora dos níveis de açúcar no sangue e ação anti- inflamatória da Garcinia cambogia . Além disso, parece ser capaz de modular negativamente genes envolvidos na obesidade. Estudos de adipócitos (células de gordura) em cultura demonstram que o tratamento com Garcinia cambogia inibiu o acúmulo de gordura nas células, além de inibir a diferenciação de pré-adipócitos em adipócitos,mostrando que essa suplementação parece ser capaz de modular as vias de síntese e quebra de gordura. Os estudos em humanos ainda são bastante controversos e apresentam limitações, por isso a maior parte das pesquisas considera baixo o nível de evidência científica. Doses e efeitos adversos: Em relação à segurança de uso, alguns estudos relatam segurança outros citam efeitos adversos gastrointestinais. A suplementação com o fitoterápico não é recomendada durante a gestação e a amamentação, em grande parte por causa da falta de estudos que comprovem a segurança do uso. A dose comumente utilizada para a sinalização do tecido adiposo costuma variar de 300 a 500mg por dia de extrato de Garcinia cambogia, com consumo normalmente dividido antes das duas principais refeições. Pode ser consumido também em dose única antes da principal refeição do dia. Nota: É um suplemento interessante para compor o período de emagrecimento sobretudo para pessoas que precisam de auxílio no controle do apetite. No entanto não é considerado válido sua ingestão por períodos maiores que 12 semanas, justamente pela inconstância nos achados relacionados a segurança hepática (fígado). CROMO O cromo é um mineral traço essencial, presente em pequenas porções na alimentação, principalmente em alimentos como carnes, cereais integrais, oleaginosas e leguminosas. A principal função do cromo no metabolismo e aumentar a sensibilidade à insulina no organismo, ou seja, o mineral promove melhor utilização de insulina pelas células, potencializando seus efeitos. Sendo assim, participa ativamente do metabolismo dos carboidratos, pois a insulina é um hormônio que age na facilitação da entrada de glicose nas células e no metabolismo das proteínas através da maior captação de aminoácidos e maior síntese proteica. Além disso, o cromo também inibe uma enzima importante para síntese de colesterol (h idrox i-met i lg lutar i l -CoA-redutase) , melhorando o perfil lipídico de indivíduos com dislipidemias (presença de elevados níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue). A relevância clínica da utilização do mineral para o emagrecimento ainda é um pouco incerta. Mulheres que possuem síndrome dos ovários policísticos, uma síndrome metabólica conhecida por aumentar a resistência a insulina, podem também se beneficiar com a suplementação de picolinato de cromo. Uma revisão sistemática e matanálise de 2017 concluiu que o cromo, em mulheres com esse distúrbio, ajudou na redução do peso corporal e dos níveis de insulina em jejum, além de reduzir os níveis de testosterona livre que também se encontra aumentada nesses pacientes. Vale lembrar que a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento de síndrome dos ovários policísticos e resistência insulínica. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28595797/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28595797/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28595797/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28595797/Doses e efeitos adversos: A recomendação de cromo diária, segundo a Recommended Dietary Allowance (RDA- em português, Ingestão Dietética Recomendada), é de 35mcg/dia para homens e de 25 mcg/dia para mulheres. Para gestantes e lactantes, a dosagem aumenta sendo de 30mcg/dia e 45mcg/dia, respectivamente. A OMS (Organização Mundial da Saúde) relata que a suplementação de cromo em dosagens de 125 a 200 mcg/dia pode melhorar o controle glicêmico e o perfil lipídico. Os efeitos adversos da ingestão de cromo são raros, mas podem incluir dores de cabeça, insônia, diarreia e vômitos, além de possivelmente aumentar a excreção de outros minerais-traço e alterar o metabolismo do ferro. O cromo encontra-se disponível para suplementação principalmente na forma de picolinato de cromo, que apresenta boa biodisponibilidade, além de ser a forma mais usada nos estudos, o cromo também se apresenta na forma de cloreto, nicotinato e citrato de cromo. Nota: O cromo é eficiente na redução da resistência a insu- lina, portanto possivelmente auxilia na redução de peso. Pacientes com intolerância à glicose, diabetes melito, hipercolesterolemia e ido- sos costumam apresentar baixa concen- tração sérica de cromo. Atletas também podem apresentar maiores níveis de defi- ciência de cromo, pois o minera é mobili- zado durante a prática de atividade física, o que leva à maior excreção urinária de cro- mo pela urina pós-exercício. COMBI NAÇÕES DE SUPLEMENTAÇÃO Algumas combinações de su- plementos são interessantes num pe- ríodo de emagrecimento, de modo que, além da maior possibilidade de extração de benefí- cios de cada composto e sinergia entre eles, as adaptações diferentes de cada pessoa podem tornar as combinações mais compatíveis aos seus objetivos e à individualidade genética. Pode-se, portanto, utilizar mais de um com- posto ao mesmo tempo para otimizar, entre outros processos, o de auxílio no emagreci- mento. A ideia é sugerir opções para entendimen- tos das possíveis associações e , a partir delas, não somente otimizar o processo de emagre- cimento, como extrair mais benefícios à saúde. Chá verde + cafeína: ótima combinação de pré treino. Dose exemplo: 120 a 500 mg de extrato de chá verde + 100 a 400 mg de cafeí- na ou infusão de chá verde con- tendo entre 1 e 2 g de folha seca de chá + 1 xícara de café. Chá verde + capsiate: boa combinação de pré treino para quem não gosta de consumir café ou tem alta sensibilidade à cafeína, dado que o chá verde contém menor quantidade de ca- feína se comparado ao café. Dose exemplo: 120 a 500mg de extrato de chá verde + 3 a 8mg de capsiate. A dose pode também ser di- vidida ao longo do dia. Cafeína + ioimbina: combinação possível para pré treino. Dose exemplo: 100 a 400 mg de cafeína + 5 a 10mg de ioimbina. Cafeína + chá verde + ioimbina: combi- nação para pré treino ou doses divididas ao longo do dia. Dose exemplo: 100 a 400 mg/ dia de cafeína + 120 a 500mg/dia de extrato de chá verde + 5 a 10 mg/dia de ioimbina. Cafeína + chá verde + ioimbina + capsia- te: opção para pré treino, no entanto, por se tratar de quatro substâncias, pode ser interes- sante dividir as doses ao longo do dia. Mesma dose citada no exemplo anterior, acrescida de 3 a 10 mg/dia de capsiate. Cafeína + chá verde + capsiate + gin- seng: ótima opção para quem não quer ou não pode fazer uso da ioimbina. Mesma dose citada no exemplo anterior, acrescida de 200 a 400 mg/dia de ginseng. O ginseng também pode ser misturado com qualquer uma das combinações mencionadas acima. Cafeína + chá verde + ioimbina + cap- siate + ginseng: combinação bem interessan- te para emagrecimento. Algumas substâncias podem ainda ser substituídas por outros su- plementos lipolíticos na dosagem atual. Além disso, poderia ainda ser acrescentado nessa combinação picolinato de cromo, também para finalidade de auxílio no emagrecimento. Os suplementos lipolíticos são, portanto, um auxílio no emagrecimento. Negar que têm impacto positivo e auxiliar é errôneo. Contudo é importante ressaltar que eles apenas atuam de forma a auxiliar a dieta e o treinamento no processo de emagrecimento. O olhar deve ser sempre direcionado aos fatores chave ao emagrecimento: dieta com déficit energético e com boa distribuição de macro e micronutrientes, treinamento resis- tido e aeróbico, sono adequado e equilíbrio hormonal. Sem esses fatores fundamentais minima- mente organizados e equilibrados é impossí- vel pensar em perda de gordura. Quanto ao uso de suplementos lipolíticos no processo de hipertrofia, ou seja, em perío- dos de maior oferta de alimentos e calorias, com uma dieta em que se consome a mesma quantidade de calorias que se gasta (normo- calórica) ou uma dieta em que se consomem mais calorias do que se gasta (hipercalórica), são efetivos na medida em que promovem benefícios de aumento da sensibilidade à in- sulina, ação estimulante, antioxidante, anti-in- flamatória, cognitiva etc. A queima de gordura depende de ambien- te com déficit calórico, porque, de forma sim- ples, obrigará o organismo a buscar a energia, que está faltando para suas funções, no te- cido adiposo. Utilizar suplementos lipolíticos que favorecem a mobilização de gordura em períodos de alta energética não surtirá efeitos no sentido de emagrecimento.