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ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO PROF.ª DR. SELMA FERREIRA DE OLIVEIRA RIBEIRO SUMÁRIO AULA 01 AULA 02 AULA 03 AULA 04 AULA 05 AULA 06 AULA 07 AULA 08 AULA 09 AULA 10 AULA 11 AULA 12 AULA 13 AULA 14 AULA 15 AULA 16 LINGUAGEM E SISTEMAS DE ESCRITA 4 ALFABETISMO E ANALFABETISMO NO BRASIL 11 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEITOS 16 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA ALFABETIZAÇÃO 21 MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL 28 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR 34 ALFABETIZAÇÃO: DIFICULDADES E DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM 38 ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 43 ESTRATÉGIAS PARA A ALFABETIZAÇÃO 47 O PROFESSOR ALFABETIZADOR 57 EDUCAÇÃO DOMICILIAR – HOMESCHOOLING E A ALFABETIZAÇÃO 62 PROGRAMAS DE ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL 66 ALFABETIZAÇÃO E TECNOLOGIA 70 ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 74 ALFABETIZAÇÃO E INCLUSÃO 80 AVALIAÇÃO NA ALFABETIZAÇÃO 84 INTRODUÇÃO Olá caro aluno! Nesse módulo trabalharemos a disciplina Alfabetização e Letramento. Esse material contém dezesseis aulas que tecem reflexões sobre a história dos siste- mas de escrita, as etapas constitutivas do processo de alfabetização, as principais teorias, métodos e políticas em diferentes épocas e contextos. A universalização da alfabetização no Brasil é uma meta que vem sendo esta- belecida nos Planos Nacionais da Educação desde o início do século passado, com o princípio da sistematização do ensino no país, mas, infelizmente, ainda não foi alcançada, trata-se de um desafio educacional e uma dívida social que compro- mete o desenvolvimento e a inclusão social de milhões de pessoas no país. Na perspectiva pedagógica você poderá constatar que não existe uma receita para a alfabetização que atenda a todos os estilos e ritmos de aprendizagem, as pessoas aprendem de maneiras diversificadas e as situações de aprendizagem precisam ser observadas, analisadas e trabalhadas em um momento ímpar de inserção do aluno no mundo da leitura e escrita. O conhecimento disseminado nesse estudo é apenas o início de uma etapa de formação. Que sejam momentos de envolvimento e que instigante você para propagar as práticas de alfabetização em seu convívio social, em ambientes edu- cacionais, em projetos sociais de modo a minimizar os excluídos do acesso ao mundo letrado. Aproveite cada aula para conhecer sobre a alfabetização e letramento e cons- tituir-se um alfabetizador por excelência. LINGUAGEM E SISTEMAS DE ESCRITA AULA 01 5 LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO “A linguagem é a forma que usamos para comunicar nossas ideias e, justamen- te por isso, ela pode se manifestar de muitas formas” (VALLE, 2013, p.20). Veja a seguir algumas formas de linguagem: Fonte: Desenvolvido pela autora As escolhas por uma ou mais linguagens para comunicação variam de acordo com os contextos, momentos e demandas. Em algu- mas situações uma forma de linguagem se so- brepõe a outra. A linguagem oral é representada pela fala. Pode-se afirmar que a linguagem verbal é a lin- guagem mais comumente utilizada em conjun- to com a linguagem não verbal. A linguagem oral pode ser mediada por uma série de ferramentas como telefone, aparelho celular, rádio, computador e quando há essa mediação a precisão com a linguagem oral deve ser ainda maior, pois as pessoas não têm recursos complementares de comunicação como expressão corporal, gestos, entre outros. Fonte: https://pixabay.com https://pixabay.com/pt/photos/menina-telefonema-loira-telefone-3316429/ 6 A linguagem não verbal é representada por gestos, códigos, sons, cores entre outros signos. Nesse tipo de linguagem está incluída a Língua Brasileira de Sinais. A linguagem escrita compreende o uso da escrita para a comunicação. Demanda a apropriação de có- digo, símbolos e representação para o seu uso. O uso da linguagem escrita compreende, ainda, o processo de aquisição de consciência fonológica. A linguagem musical possibilita a manifestação ou comunicação por meio da música. Nesse caso é possível expressar muitas sensações e emoções, ex- pressar um modo de vida, a cultura, religião, entre outras manifestações. É importante destacar que todos os tipos de linguagens uti- lizados são dotados de sentidos que nem sempre são iguais ao emissor e ao receptor. Muitas vezes o que se quis comunicar não foi o que o receptor com- preendeu, pois as concepções e percepções acerca do mundo variam de acordo com as expe- riências de vida de cada um. Fonte: Desenvolvido pela autora Fonte: https://pixabay.com Fonte: https://pixabay.com https://cdn.pixabay.com/photo/2015/10/25/19/00/harmony-1006179_960_720.png https://pixabay.com/pt/photos/eu-sou-um-estudante-aprendizagem-1412778/ 7 SISTEMAS DE ESCRITA Os sistemas de escrita como hoje conhecemos são frutos de construções histó- ricas e culturais. A necessidade de registrar situações, falas, acordos por meio de representações levou o homem a elaborar sistemas de escrita ao longo da história. Tais sistemas foram cons- truídos a partir das vivências e das necessidades existentes nos diversos contextos, a fala, por meio da palavra dada perdurou como principal instru- mento de comunicação. Inicialmente, os registros eram rea- lizados com desenhos que se aproxi- mavam dos objetos e situações que deveriam ser registradas. Esses dese- nhos são chamados de pictogramas. Fonte: https://pixabay.com Fonte: Desenvolvido pela autora https://pixabay.com/pt/photos/arte-indiana-petroglyph-467709/ 8 Isto está na rede O vídeo é um documentário que resgata a história da escrita, o modo como as pessoas se comunicavam antigamente e os motivos que levaram a ne- cessidade da escrita. Filme: A História da Palavra - O Nascimento da Escrita https://www.youtube.com/watch?v=TVxmJoi-DDg Como surgiram os primeiros escritos? Os primeiros escritos foram identificados por volta de 3.300 a 3.200 aC. em um sí- tio arqueológico na antiga Mesopotâmia, onde atualmente fica localizado o Iraque. Naquela época a argila era essencial para os registros. Os primeiros escritos eram registros de sinais (+, . ,\ ,|). Nos acordos realizados em comércios os con- tratos eram registrados em pequenos pedaços de argila com os sinais que tinham significado para as partes envolvidas e eram guardados em um jarro também de argila. Posteriormente passaram a usar as placas de argila. Foram encontradas placas de argila com escrita triangular chamada de cunei- forme. Esse modelo de escrita foi elaborado pelos sumérios que deixaram uma herança valiosa que contribuiu para o desenvolvimento da sociedade. Posteriormente, os sinais evoluíram para o desenho em tábuas de argila. Nes- sas tábuas eram desenhadas as situações que representavam os acordos. Esses escritos eram chamados de pictografia, desenho que lembra a forma física da- quilo que representam. Registros por meio de imagem. Com o tempo passou-se a usar o logogrifo, que remetia aos sons das sílabas das palavras. Vejamos o exemplo a seguir: 9 O ensino e aprendizagem do cuneiforme não era para todos. Somente os filhos de famílias ricas e sacerdotes poderiam tornar-se escribas. Foram surgindo símbolos mais elaborados e a escrita foi sendo aperfeiçoada, posteriormente os registros passaram a ser realizados em papiros e passaram a ser com base na sonoridade. Fonte: Vídeo A História da Escrita Isto está na rede Título: A História da Escrita https://www.youtube.com/watch?v=VPqsXZe-ofo O vídeo trata da história da escrita desde o princípio e suas evoluções. Fonte: Vídeo A História da Escrita 10 A Base Nacional Comum Curricular (2018, p.90) reafirma A humanidade levou milênios para estabelecer a relação entre um grafismo e um som. Durante esse período, a representação gráfica deixou de ser motivada pelos objetos e ocorreu um deslocamento da representação do significado das palavras para a representaçãoconvencional de sons dessas palavras. No alfabeto ugarítico, por exemplo, as consoantes, mais salientes sonoramente e em maior número, foram isoladas primeiro. Com a Proclamação da República no Brasil (1889), ocorreu o princípio de siste- matização da educação e, consequentemente, houve uma expectativa em relação à leitura e escrita, tendo em vista o anseio de desenvolvimento urbano que havia na época e, posteriormente, o surgimento da indústria. Ler e escrever desde o princípio esteve relacionado à ideia de desenvolvimento e essa relação serviu e serve às necessidades, primeiramente, pessoais e a quali- ficação de mão de obra para a indústria. Inicialmente não houve uma harmonia entre as expectativas e a realidade visto que nem todos tinham acesso à escola- rização e os poucos que tinham acesso tinham dificuldades para aprender, alto índice de reprovas, evasão, despreparo dos professores, entre outros desafios. 11 ALFABETISMO E ANALFABETISMO NO BRASIL AULA 02 12 Fonte: https://pixabay.com Compreender o sistema alfabético e fazer o seu uso com propriedade e auto- nomia é uma necessidade atual diante da sociedade letrada, no entanto, o anal- fabetismo é uma realidade no Brasil. Dominar a leitura e a escrita possibilita o acesso a um volume maior de infor- mações e ao conhecimento, além de promover condições para o efetivo exercício da cidadania por meio da tomada de consciência dos direitos e deveres para atuar em sociedade. Há o discurso de que a educação é ofertada para todos, mas nem todos têm acesso a ela, seja por questões de trabalho, família, de localização, de saúde, entre outros, desse modo, a alfabetização fica comprometida. Além da falta de acesso há os alunos que têm acesso à escolarização, mas não são alfabetizados por falhas no sistema educacional como o baixo investimento em infraestrutura, número de alunos por turma, melhor formação de professo- res, escolhas metodológicas equivocadas e insuficientes, desrespeito ao ritmo de aprendizagem do aluno, falta de estímulos fora e dentro do ambiente escolar, comprometimento neurológico, psicológico entre outros. O fato é que há uma quantidade expressiva de analfabetos no Brasil e uma série de prejuízos são gerados pela ausência desse domínio. É necessário conhe- cer a temática analfabetismo e compreender os prejuízos e dificuldades que o analfabetismo pode trazer ao indivíduo analfabeto. https://pixabay.com/pt/photos/humanos-papel-adulto-m%C3%A3o-escrever-3305707/ 13 Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2017), no Brasil há 11, 5 milhões de analfabetos. Veja a seguir dados sobre os níveis de alfabetismo no Brasil: Níveis de alfabetismo no Brasil conforme o INAF (2001-2018) Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2017) Ao analisarmos o índice de alfabetismo no Brasil do ano de 2001 a 2018 pode- mos constatar que diminuiu a porcentagem de analfabetos, mas ainda permanece na faixa dos 8%, porém é possível verificar que em 2015 o índice já foi de 6% mais baixo que em 2018, o que nos leva a entender que o empenho em erradicar o analfabetismo por meio de políticas públicas deve ser constante. Quando são estabelecidos critérios mais precisos para identificar o alfabetis- mo e analfabetismo no Brasil surge a figura do analfabeto funcional. Segundo o INAF (2018, p.8), Os Analfabetos Funcionais (...) têm muita dificuldade para fazer uso da leitura e da escrita e das operações matemáticas em situações da vida cotidiana, como reco- nhecer informações em um cartaz ou folheto ou ainda fazer operações aritméticas simples com valores de grandeza superior às centenas. Infelizmente você deve conhecer pessoas nessas condições, alguns deles di- plomados, porém sem conseguir fazer o uso competente da leitura e escrita em situações diárias. No Brasil 29% da população encontra-se nessa situação, o que prova que a alfabetização e o letramento devem ocorrer em um contexto signi- ficativo ao aluno, de modo a prepará-los para fazer uso desse conhecimento em todos os contextos de atuação. 14 Isto acontece na prática 66% da população presidiária não concluíram o ensino fundamental, menos de 8% têm o en- sino médio e a mesma proporção é analfabeta. A falta de escolaridade afeta especialmente os homens em idade produtiva (três quartos têm de 18 a 34 anos) (CNE, 2012) Trata-se de uma população de baixa escolaridade e baixa renda. O professor precisa ter conhecimento dessas informações a fim de cola- borar para que os indivíduos não fiquem socialmente excluídos devido a comprometimentos ou a falta de acesso ao conhecimento no âmbito escolar. É possível prevenir, estabelecer planos de trabalho específico ao aluno que encontra dificuldades para o processo de alfabetização. A maior conquista que um aluno pode ter na vida escolar é a apropriação da leitura e escrita, dessa posse muitos outros conhecimentos poderão ser construídos. Isto está na rede Para saber mais e explorar os dados acerca do alfabetismo e analfabetis- mo no Brasil, assim como as técnicas e relatório da pesquisa recomenda- mos a leitura do relatório a seguir: http://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2018/08/Inaf2018_Rela- t%C3%B3rio-Resultados-Preliminares_v08Ago2018.pdf Para que não fiquem dúvidas quanto a relação direta do analfabetismo e os prejuízos sociais e econômicos que acarretam ao indivíduo, confira os dados a seguir: 15 Ainda que o Poder Público não assuma o seu papel de prover políticas de alfabetização mais consistentes, a escola precisa assumir a responsabili- dade dos alunos que por ela passam e cumprir com o papel de alfabetizar a todos a fim de minimizar o índice de analfabetismo. Se o aluno encontra dificuldades para compreensão do processo de al- fabetização o professor deverá auxiliá-lo e, se o professor não tiver os conhecimentos necessários para o desenvolvimento desse processo, o coordenador pedagógico deverá estar atento a essa situação provendo formação em serviço ao profissional de modo que possa tornar-se apto para esse processo. Trata-se de uma situação que deve ser acolhida por todos da escola, a preocupação não deve ser apenas do professor. As perguntas que devem ser feitas primeiramente pelo professor: por que esse aluno não aprende? A minha prática pedagógica tem sido suficien- te? Necessita de alguma abordagem metodológica diferenciada? Quais são os interesses desse aluno? Falta disciplina para o estudo? Há algum diagnóstico médico? E tantos outros questionamentos que necessitam de respostas. A escola precisa estabelecer um processo investigativo para as situações em que a aprendizagem não ocorre. Atribuir ao aluno o insucesso da sua aprendizagem é uma covardia da escola e do sistema educacional como um todo que se propõem a formar o indivíduo fornecendo os elementos fundamentais para a sua aprendizagem e quando isso não acontece há a culpabilização do próprio indivíduo. Essas ações podem evitar que o aluno passe pela escola e ainda assim saia dela analfabeto. Na prática há crianças que são criadas de maneira tão livre, na rua, onde tudo é de todos e todos se entendem que quando é colocada em uma sala de aula, em uma carteira específica para escrever entre espaços minús- culos de uma linha ela perde a sua referência, sua identidade. É preciso sensibilidade para entender e desenvolver no aluno os pré-requisitos para a alfabetização, antes que uma proposta brusca de aprendizagem da leitura e escrita bloqueie o seu interesse. Isto acontece na prática 16 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEITOS AULA 03 17 Fonte: https://pixabay.com Os primeiros ensinamentos e estudos sobre a leitura e escrita eram realizados sob a ótica do conceito de alfabetização, as expectativas quanto aos conhecimen- tos de leitura e escrita eram mais restritas, o volume de informações era menor. Atualmente, os termos utilizados parareferir-se ao processo de construção e aquisição da leitura e escrita são: alfabetização e letramento. É válido tecermos uma breve discussão sobre os conceitos de alfabetização e letramento, antecipando que um termo não anula o outro e que um pode acres- centar ao outro. O conceito de alfabetização circunscreve-se no sentido de saber ler e escrever por meio das relações entre o sistema fonológico e o sistema gráfico. Soares (2017, p.16) define o termo alfabetização como “levar à aquisição do alfabeto [...] ensinar o código da leitura e escrita, ensinar as habilidades de ler e escrever”. A autora defende, ainda, que a alfabetização tem a sua especifici- dade e, portanto, o termo alfabetização não é suficiente para expressar o sentido mais amplo do processo de aquisição e dos usos da leitura e escrita. Com a necessidade de “reconhecer e nomear práticas sociais de leitura e de escrita mais avançadas e complexas”, segundo Soares (2017, p. 30), surge o con- ceito de letramento, disseminado mais recentemente. Embora, na própria palavra contenha a palavra letra (letra-mento), o sentido não se refere ao método sintético de codificação e decodificação das partes menores para as maiores, ou seja, não se restringe a conhecer sobre as letras, suas formas, seus sons, suas variantes, esses https://pixabay.com/pt/illustrations/alfabeto-abc-letra-aprenda-leitura-1219546/ 18 detalhes estão relacionados a especificidade da alfa- betização. Soares (2004, p.9) define que o letramen- to consiste no estabelecimento das relações entre as práticas sociais de leitura e escrita, o domínio das competências de leitura e escrita demanda- das em práticas sociais e profissionais. O indivíduo letrado é capaz de fazer uso da leitura e escrita nos diferentes contextos que atua. O indivíduo pode conhecer letras e até escrever pa- lavras e frases, porém no seu contexto social pode apresentar dificuldades para a escrita de cartas, bilhetes, postagem em redes sociais, entre outros, ou seja, não se apropriou plenamente da língua escrita, o que Soares (2017, p. 33) define como a necessidade de desenvolver “habilidades para o uso competente da leitura e escrita”. Segundo Soares (2017, p. 31) a por volta de 1980 começa a surgir discussões sobre o letramento nos Estados Unidos, Inglaterra e Portugal. As discussões envol- viam a ampliação das competências de leitura e escrita para participação ativa em práticas sociais e profissionais. Essa ampliação ocorreu devido às constatações de que os alunos tinham conhecimento restrito acerca da própria língua, não que não soubessem ler ou escrever, mas que os impedia de desenvolver o uso competente da leitura e escrita fora do contexto escolar. Nos países citados anteriormente, a alfabetização e o letramento eram momen- tos específicos da formação, embora se complementassem. No Brasil houve uma sobreposição do ensino da alfabetização e do letramento, desse modo, algumas peculiaridades da técnica de alfabetização ficou desprezada por pesquisadores e professores causando prejuízos à formação do aluno, mesmo com esse conflito ficou claro que não era suficiente o indivíduo saber ler ou escrever era preciso que esse indivíduo fizesse o uso adequado, coerente com seus contextos de atuação. Ler e escrever o próprio nome antes era considerado ser alfabetizado, passou a não ser mais suficiente para a análise de pesquisas nacionais realizadas pelo Ins- tituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Surgem novos termos para classificação como semianalfabetos, iletrados e analfabetos funcionais. Para evolução na clas- sificação era necessário não apenas ler ou escrever um bilhete, mas interpretá-lo compreendendo a mensagem nele contida e as ações necessárias após o recebi- mento da comunicação ou a sua emissão. 19 O letramento não surgiu para substituir a alfabetização. Ele surge a partir da ne- cessidade de ampliar os conhecimentos acerca da língua de forma contextualizada. Para que o indivíduo seja considerado letrado faz-se necessário o conhecimento para além da alfabetização, ou seja, usar os conhecimentos advindos do processo de alfabetização em atuações práticas e sociais coerentes com os diferentes espaços. Com o surgimento do conceito de letramento levantou-se a hipótese de que hou- ve uma “perda de especificidade do processo de alfabetização”, conforme Soares (2017, p.37), ou seja, houve uma preocupação com o uso social e com o contexto e descuidou-se da técnica de alfabetização gerando analfabetos que apesar de es- tarem nas escolas não eram alfabetizados. Uma visão equivocada de descartar as especificidades da alfabetização. Soares (2017, p.36) trata da questão da perda da especificidade da alfabetização e a classifica como um fracasso nas escolas brasileiras. Foi constatado “altos índi- ces de reprovação, repetência e evasão”. A eficiência das escolhas e a atuação da escola incide diretamente na vida da comunidade escolar e traz repercussões em série como frustração e insatisfação pessoal, bloqueio emocional, marginalização e repercute na dificuldade de acesso do sujeito ao mercado de trabalho. Pensando as- sim a escola e os professores têm uma grande responsabilidade em fazer escolhas certas, pois há alguns erros que não podem ser revistos e trazem consequências na vida das pessoas. Apesar da glamourização em torno do termo letramento, conhecer o sistema alfabético, seus grafemas, os fonemas correspondentes, estabelecer relações entre eles e refletir sobre o processo de apropriação da língua escrita, não deveria e nem deve ser deixado de lado por fazer parte de procedimentos de ensino e aprendiza- gem da alfabetização. É muito válido destacar que o letramento pode ser instigado por meio de dis- cussões e reflexões sobre a leitura e a escrita. A alfabetização demanda trabalho contínuo e em conjunto do professor e do aluno sobre as letras, sílabas, fonemas, palavras, textos, conflitos existentes nessas apropriações, revisões de equívocos na escrita ou leitura. Não se trata de desprezar um momento e exaltar outro. Trata-se de atribuir o devido valor aos momentos essenciais de formação do aluno, sem abrir mão de nenhuma especificidade nessa fase de conhecimento. O processo de alfabetização e o processo de letramento não ocorrerão de ma- neira espontânea ou automática. É necessário o envolvimento do aluno com o objeto de estudo, que é a língua escrita, sob a mediação do professor. O esforço é 20 imprescindível para ambas as partes, aluno e professor em uma busca permanente pelo conhecimento. Tanto no método global quanto no método fônico ou outro método de alfabeti- zação adotado, pode ser complementado com o processo de letramento, ou seja, a escolha do método de alfabetização não implica em deixar de letrar o aluno e essa é uma escolha do professor que poderá fazê-lo ou não potencializando a formação do seu aluno ou restringindo-a à codificação e decodificação da escrita. Soares (2017, p. 45) defende que a alfabetização e o letramento, embora tenham as suas especificidades, são processos interdependentes e indissociáveis. A leitura de mundo que o aluno traz à escola é matéria-prima essencial para o processo de alfabetização e, do mesmo modo, as aprendizagens no contexto do sistema alfa- bético levará o aluno a uma atuação melhor em sociedade. Para além das discussões sobre as especificidades da alfabetização e do letra- mento, uma discussão pertinente e esclarecedora é que tanto alfabetização quanto letramento devem ser realizados com seriedade sem detrimento um do outro a fim de assegurar ao indivíduo a instrumentalização necessária para atuar em sociedade. Não basta saber escrever o próprio nome. É importante saber qual é o seu papel na sociedade, a sua importância enquanto ser humano, trabalhador, membro de uma família, membro de organizações. É fundamental ter consciência do quanto a leitura e escrita pode acrescentara sua formação como cidadão. Isto está na rede Alfabetização e Letramento O vídeo tem por objetivo discutir o fenômeno do letramento diferencian- do-o do processo de alfabetização. https://www.youtube.com/watch?v=um6TNGjPT2A 21 FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA ALFABETIZAÇÃO AULA 04 22 Atualmente, as teorias de aprendizagem mais comumente utilizadas para fun- damentar práticas de alfabetização são: teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget, psicogênese da língua escrita de Ferreiro e Teberoski (1986) e a teoria histórico cultural de Vygotsky (1984). É importante voltar o olhar para as teorias, não para o que é certo ou errado, mas analisar as suas limitações em contextos de aprendizagem. Teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget É importante destacar que Piaget era um biólogo e realizou ou seus estudos a partir da perspectiva biológica. O autor não desenvolveu estudos pensando es- pecificamente sobre educação e, tampouco sobre a alfabetização, no entanto, a teoria aplica-se a contextos de aprendizagem diante das respostas dos indivíduos a determinados estímulos. Piaget desenvolveu a teoria epistemologia genética que concebe o conheci- mento como “uma contínua construção que ocorre por meio do contato da criança com os objetos de estudos” (VALLE, 2013, p.24). Para Piaget o conhecimento resulta das interações entre o sujeito e objeto, sendo que as interações podem ser físicas ou mentais. As interações permitem ao sujeito vivências de experiências e a construção de conhecimentos. Para Piaget são quatro os estágios de desenvolvimento do indivíduo que devem ser considerados nas interações entre o sujeito e os objetos. São eles: Fonte: Desenvolvido pela autora 23 Na teoria de desenvolvimento humano de Piaget Independentemente do estágio em que os seres humanos se encontram, a aquisição de conhecimentos segundo Piaget acontece por meio da relação sujeito/objeto. Esta relação é dialética e se dá por processos de assimilação, acomodação e equilibração, num desenvolvimento sintético mútuo e progressivo (ABREU et al., 2010, p. 363). No processo de desenvolvimento humano e de aprendizagem há constantes processos de assimilação, equilíbrio e acomodação. ABREU et al. (2010, p. 365) definem que A assimilação ocorre quando a informação é incorporada (...) às estruturas já pré- -existentes nessa dinâmica estrutura cognitiva, enquanto a adaptação ocorre quando o organismo se modifica de alguma maneira de modo a incorporar dinamicamente a nova informação (ABREU et al., 2010, p. 365). O equilíbrio é o constante esforço de moderação para a acomodação da infor- mação assimilada. Em um contexto de alfabetização muitas infor- mações são apresentadas aos alunos que não são apropriadas devido aos múltiplos processos de interação com o conhecimento, como conhecer o formato das letras, seus sons, as palavras, a função social da escrita e escolhas adequadas para regis- tros apropriados. A acomodação promove a aceitação de mudan- ças de concepções, revisão de conceitos e nem to- dos os indivíduos têm a resiliência necessária para permitir que haja mudanças em seu modo de pen- sar e agir. Os conflitos são moderados pela fase do equilíbrio que busca justificativas que façam permanecer ou não as informações assimiladas. Fonte: Desenvolvido pela autora 24 Psicogênese da língua escrita de Emília Ferreiro Na perspectiva psicogenética o processo de construção da escrita considera o aluno como sujeito ativo, ou seja, passou-se a entender que o processo de ensino e aprendizagem não dependem somente de estímulos externos. Na perspectiva do estudo da Psicogênese da Língua Escrita de Emília Ferreiro e Teberoski, o processo de construção da escrita considera o aluno como sujeito ativo, ou seja, há o entendimento de que o processo de ensino e aprendizagem não depende somente de estímulos externos. Os erros deixam de ser vistos como sen- tenças e passam a ser considerados como erros construtivos (SOARES, 2017, p. 11). Ferreiro e Teberoski (1986) apresentaram, por meio de pesquisas, que a construção da escrita passa por níveis conceituais, ou seja, há um pro- cesso evolutivo das concepções dos alunos acerca da escrita. Os níveis apontados pelas pesquisadoras são: pré-silábico, silábico, silábico alfabético e alfabético. No nível pré-silábico a principal marca é o desenho; a garatuja entendidos, primeiramente, como rabiscos que representam a escrita de algo. Pode haver símbolos misturados, com formatos invertidos, tamanhos diferenciados e dentro do processo pré-silábico há uma evolução até que se compreenda que a escrita alfabética é constituída por meio de letras, embora não se tenha consciência das posições das letras e da quantidade de letras necessárias para a escrita de uma palavra. No nível silábico, inicialmente, a criança faz a representação de uma letra para cada sílaba sem valor sonoro e, posteriormente, estabelece relação entre som e letra correspondente registrando uma letra por sílaba. As letras mais utilizadas são as vogais pelo fato da sonoridade aberta dessas letras. Exemplos: BOLA MARIA OA AIA Posteriormente, essas mesmas palavras podem ser registradas de maneira diferente como: BOLA MARIA OLA MARA Os registros podem se apresentar de diferentes formas privilegiando letras que a criança tem mais familiaridade. 25 A escrita da criança indica o seu desenvolvimento cognitivo e fornece elemen- tos ao professor para avaliar as evoluções e fazer os questionamentos adequados para que novas reflexões sobre a escrita ocorram e haja avanços. No nível silábico-alfabético a criança percebe que apenas uma letra para cada sílaba é insuficiente e que outros sons são ouvidos em uma sílaba. Exemplo: BONECA FELIPE BOECA FIPE É uma fase transitória e rápida em que as exigências de escrita, pela própria criança, aumentam e a leitura da palavra faz com que ela reflita sobre a escrita de maneira consciente, pois possui mais elementos para analisar a sua produção escrita e fazer revisões. O nível alfabético é o momento em que a criança passa a ter o domínio da escrita e representa o som por meio de um grafema para cada fonema. A sua exi- gência quanto à sonoridade e as letras correspondentes é maior. É um momento muito satisfatório ao professor e ao aluno. Alcançar o objetivo de alfabetizar uma criança dá a sensação de dever cumprido, porém alcançar o nível alfabético não é o fim, há outros elementos da escrita que precisam ser ensinados e incentivados como ortografia, pontuação, paragrafação, gênero, conjugação verbal e nominal, ou seja, é um processo longo e contínuo de aprimoramento do universo da escrita. Todas as palavras citadas como exemplo (BOLA, MARIA, BONECA, FELIPE) não podem ser trabalhadas isoladamente, fora de um contexto. As palavras citadas são apenas exemplos. Os alunos têm interesses diversos que o professor deverá identificar trabalhando o que mais atrai a essas crianças e que tenha funcionali- dade em seu contexto. A evolução de concepções e teorias sobre o ensino e a aprendizagem da lei- tura e escrita é positiva, no entanto, no período de disseminação da teoria da Psicogênese da Escrita no Brasil constatou-se que houve desprezo ou descarte da especificidade da alfabetização como objeto linguístico. Entendeu-se o pro- cesso como “sistema ortográfico de relações convencionais e frequentemente arbitrárias entre fonemas e grafemas” (SOARES, 2017, p. 11). Esse desprezo levou a um prejuízo na formação dos alunos do ponto de vista da análise e reflexão dos aspectos linguísticos da escrita. A teoria da Psicogênese da Língua Escrita é uma das mais utilizadas no Brasil para análise e classificação do nível de desenvolvimento da escrita da criança. 26 Teoria Histórico Cultural Valle (2013, p. 28) aponta o estudo de Vygotsky sobre o desenvolvimento da linguagem como uma das contribuições para a construção do conhecimentope- los indivíduos. Tais princípios podem ser aplicados ao processo de alfabetização. Vygotsky (1984) defende que é pela interação de um indivíduo com o outro que ocorre o seu desenvolvimento. Para Vygotsky (1998, p. 70), “as funções psíquicas superiores são processos mediados, e os signos constituem o meio básico para dominá-las e dirigi-las. O signo mediador é incorporado à sua estrutura como parte indispensável, do processo como um todo”. A teoria vygotskyana apresenta níveis de desenvolvimento do indivíduo. a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar atra- vés da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes (VYGOTSKY, 1991, p. 58). É importante destacar que o desenvolvimento potencial, quando trabalhado, será o desenvolvimento real promovendo uma progressão dos graus de autono- mia do indivíduo. Lúria (1988) estende os estudos de Vygotsky apontando que as crianças precisam ter alguns domínios para compreender e se apropriar da escrita. Orienta que o tra- balho nesse sentido deve partir de elementos significativos à criança e esses podem ser desenvolvidos em diversos contextos, antes mesmo da criança chegar à escola. Coelho (2012, p.68) por meio dos estudos de Vygotsky, Luria e Braslavski, apre- senta níveis constitutivos do processo de construção da escrita Nível I - Fase pré-instrumental ou pré-escrita, dos atos diretos, imitativos, pri- mitivos. A criança não compreende o mecanismo da escrita, apenas imita o gesto do adulto. Ela não usa o signo como auxiliar mnemônico, mas grafa em sentido linear, demonstrando primeiros sinais de compreensão externa da escrita. Nesta fase, escrever não ajuda a memorização, pelo contrário, atrapalha. A criança realiza grafismos por impulso imitativo da escrita alheia, faz “leituras” a partir de ilustrações, pode utilizar-se de letras ou pseudoletras, mas de maneira não-instrumental, isto é, elas não têm função específica de escrita. 27 Nível II - Fase do signo primário ou signo estímulo. As inscrições não são dife- renciadas, mas há relação funcional com a escrita, com sinais estáveis. Por meio da escrita topográfica, a criança faz o desenho da fala na qual usa marcas (figuras e imagens) específicas para lembrar-se do material que foi “ditado”. O aspecto topo- gráfico dessa escrita indica que nenhum rabisco significava coisa alguma, mas sua posição, situação, relação com outros rabiscos conferiam-lhe a função de auxiliar técnico de memória. Ela pode começar a usar letras de maneira ainda ilegível, sem muita significação, como uma simples resposta a uma sugestão, não há conteúdo próprio e a criança não desvenda o significado do que foi anotado. Nível III - Fase do signo-símbolo. A escrita já é estável e vai adquirindo significação e caráter mnemônico. O signo-estímulo da fase anterior é substituído pelo signo-sím- bolo, com o mesmo significado para todos, legível, de uso instrumental. Consegue demonstrar uma aproximação com a escrita, com o conhecimento do signo, com letras de forma ou manuscrita, e uma preocupação com a direção, respondendo a uma sugestão: frase grande grafia grande, frase pequena grafia pequena. Um pri- meiro salto qualitativo é dado, refletindo não apenas o ritmo externo das palavras dadas, mas o seu conteúdo. O signo começa a adquirir significado ao se introduzirem os fatores número, forma e cor, relacionados às palavras. Nível IV - Escrita simbólica. A grafia da criança começa a adquirir características, pela primeira vez, a criança é capaz de “ler” o que escreveu. Sai do nível da imitação mecânica para o status de instrumento funcionalmente empregado. Pode ocorrer que a criança utilize a escrita pictográfica como recurso, se ela não conhece as letras ainda. Nível V - Fase da escrita simbólica. A criança tem condições de utilizar estratégias metalinguísticas. A criança compreende a leitura e produz escrita significativa como forma complexa de comportamento cultural, com textos que utilizam palavras for- madas por sílabas complexas que, apesar dos erros, são legíveis para os demais leitores. Na leitura, passa a fazer pausas, a ter fluidez crescente com eventuais de- moras e erros isolados. Demonstra controle na escrita como um instrumento de linguagem mais elevada, cuidando da sintaxe, da ortografia. Utilizando-se de suas funções mentais superiores, apresenta pensamento categorial que permite o uso de estratégias metacognitivas para monitorar seus conhecimentos linguísticos. As etapas são gradativas e processuais que vão adquirindo sentidos e significa- dos à medida em que as interações com a leitura e escrita vão sendo estreitadas. 28 MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL AULA 05 29 Alguns indivíduos podem ser alfabetizados em dias, meses e outros necessitam de anos para apropriação dos conhecimentos necessários para o uso competente da leitura e escrita. A variação do tempo para a efetivação do processo está re- lacionada a uma série de variantes que envolve professor, aluno, escola, família entre outros. Um bom planejamento, com os recursos necessários e práticas pedagógicas instigantes, geralmente, são fatores de peso no processo de alfabetização. A escolha do professor por um método que atenda à necessidade de aprendi- zagem do aluno não é a única responsável, mas é muito importante para promo- ver a aprendizagem. Quando nos referimos à alfabetização de crianças, o proces- so de ensino aprendizagem precisa incluir, obrigatoriamente, atividades lúdicas intencionais para o ensino. Quando a alfabetização é de adultos torna-se fundamental despojar-se de texto e posturas infantilizadas, adequando as necessidades do sujeito de acordo com os interesses de trabalho, lazer, interesses esses que devem ser sondados junto aos alunos para que a aprendizagem seja significativa. Breve histórico dos métodos de alfabetização Mendonça (2011, p. 23) divide a história da alfabetização em 4 períodos. ANTIGUIDADE E IDADE MÉDIA SÉCULO XVI E XVII ATÉ 1960 1980 INÍCIO DO SÉCULO XXI Criação do alfabeto (grego). Soletração, decorar. Levava até 4 anos para aprender a ler e escrever. Reação contra a soletração. Método analítico e sintético. Associação dos sinais gráficos à escrita dos sons da fala. Psicogênese da língua es- crita. Método global. Reinvenção da alfabetização. Perspectivas sociolinguística, psicolinguística. Fonte: Mendonça (2011, p. 23) A criação do alfabeto foi uma grande conquista para a humanidade e nas con- dições da época soletrar e decorar eram os recursos utilizados para aprender a ler e escrever. 30 No método sintético o ponto de partida é o componente menor da palavra: a letra, depois a sílaba, para posterior abordagem das palavras e frases. No método analítico que surgiu no Brasil no início do século XX, a alfabetização inicia-se a partir da palavra, frase ou de uma história, ou seja, da parte maior para a menor (VALLE, 2013, p.57). Posteriormente, a mistura dos dois métodos sintéti- co e analítico passou a ser adotada e recebeu a denominação de método misto. Naquela época o ensino da alfabetização no Brasil ocorria por meio das carti- lhas. Nesse material continha o “abecedário, silabário e textos de leitura” (MEN- DONÇA, 2011, p. 29). Exemplo de silabário A E I O U B BA BE BI BO BU C CA CE CI CO CU D DA DE DI DO DU F FA FE FI FO FU G GA GE GI GO GU Com a leitura diária do B com A forma-se BA, era disseminado que a somatória de letras formavam as sílabas e as sílabas formavam as palavras, que formavam o texto. É uma atividade mecânica porque não é a letra B mais a letra A que dará BA, são os sons das letras que formarão a sílaba fonética. A cartilha, na verdade, pode configurar-se como um método de ensino, uma vez que mesmo sem as cartilhas como material físicopara trabalhar com os alu- nos, alguns professores conseguem recompô-las por meio de fichas de atividades avulsas. Muitas críticas foram feitas às cartilhas especialmente por apresentar assuntos desconexos, sendo um produto pronto e acabado distante da realidade do apren- diz. O uso das cartilhas comprometeu gerações, pois o ensino da leitura e escrita ocorreu de forma superficial tendo por base a decodificação e memorização. Em 1970 para que as pessoas pudessem adentrar no processo de alfabetiza- ção deveriam apresentar requisitos necessários, como a maturidade. Para isso as escolas aplicavam testes a fim de avaliar se as crianças tinham habilidades necessárias para desenvolver a aprendizagem. Lourenço Filho elaborou o teste ABC que conferia o grau de habilidades do indivíduo para frequentar classes regulares ou classes especiais com exercícios motores. 31 Naquela época concebia-se a alfabetização como “mera transmissão de técni- cas (...) repetição de exercícios (...) decodificação” (VALLE, 2013, p.42). Posteriormente, surgiu o método global “com a finalidade de partir de um contexto e de algo mais próximo da realidade da criança, pois se sabe que a letra ou a sílaba, isoladas de um contexto, dificultam a percepção, pois são elementos abstratos para o aprendiz” (MENDONÇA, 2011, p.27). A tentativa de estabelecer um vínculo entre objetivos de aprendizagem e a realidade da criança permanece um desafio constante nas práticas pedagógicas. Fonte: (MENDONÇA, 2011, p. 28) Métodos de alfabetização mais usados na atualidade O uso de alguns métodos tradicionais perdura até a atualidade. As escolhas metodológicas estão diretamente relacionadas com a formação do professor, com a adoção de posturas metodológicas pelas escolas. Em determinados contextos escolares alguns métodos são privilegiados e em outros contextos os mesmos métodos podem ser desprezados. As expectativas e anseios educacionais de uma determinada comunidade escolar determina o método ou métodos necessários para aquele contexto. 32 Soares (2017, p. 133) reflete sobre o seguinte questionamento: “o que se ensi- na, quando se ensina a ler e escrever?” A autora apresenta três dimensões envol- vidas nesse processo: a dimensão linguística, a dimensão cognitiva e a dimensão e sociocultural. A dimensão linguística diz respeito à conversão da língua oral em língua es- crita. A dimensão cognitiva está relacionada à interação cerebral com o sistema de escrita. A dimensão sociocultural refere-se à adequação das atividades ao contexto. Por fim, Soares (2017, p. 133) define que o objeto de ensino da alfabetização “é a língua escrita em sua inteireza, envolvendo todas as suas dimensões e com- ponentes”, ou seja, a língua escrita em sua íntegra. Do mesmo modo a autora questiona: como se deve ensinar a ler e a escrever? E esta pergunta é a mesma que muitos professores ingressantes fazem. Soares (2017, p.134) afirma que “não pode reduzir-se a uma escolha entre conceitos e métodos” tendo em vista que a concepção de formação educacional varia de acordo com a cultura de um povo. Atualmente, perdura o uso do método global na maior parte das escolas bra- sileiras. Segundo Sebra e Dias (2011, p. 312), o método global tem como principal característica a abordagem a partir de contexto mais amplo como a palavra, texto, contexto realizando associações semânticas. A grande crítica feita a esse método é o fato de não conseguir aprofundar nas especificidades da língua escrita. Pode-se dizer que a Teoria da Psicogênese da Língua escrita compactua com o método global, assim como a Teoria Histórico Cultural e Método Paulo Freire, pois nenhuma dessas teorias adotam o fonema ou a sílaba isolada como ponto de partida para a alfabetização. A abordagem fônica em processos de alfabetização vem sendo difundida pelos linguistas, fonoaudiólogos, psicopedagogos. Essa abordagem busca esclarecer a correspondência entre os grafemas e os fonemas para desenvolvimento das habilidades da consciência fonológica. 33 Um método que tem sido resgatado e adotado, parcialmente, em criança com necessidades especiais é o método multissensorial criado por Montessouri. Nes- se método há a combinação de diferentes modalidades sensoriais no ensino da linguagem às crianças. Os órgãos do sentido são explorados nos aspectos visual, auditivo, tátil e cinestésico. O professor alfabetizador precisa estar atento às concepções de erro no en- sino da leitura e escrita, pois cada metodologia pode considerar o erro de uma maneira diferente. No método tradicional, por exemplo, o erro é entendido como uma limitação da criança para a aprendizagem, no modelo construtivista o erro faz parte do processo de construção dos conceitos, serve como diagnóstico para as próximas ações pedagógicas. Com as opções metodológicas citadas anteriormente pode-se constatar que há diferentes maneiras de alfabetizar um aluno, no entanto, é válido observar as concepções de Soares (2018, p. 333) sobre métodos e alfabetização: [...] uma alfabetização bem-sucedida não depende de um método, ou, genericamen- te, de métodos, mas é construída por aqueles/aquelas que alfabetizam compreen- dendo os processos cognitivos e linguísticos do processo de alfabetização, e com bases nele desenvolvem atividades que estimulem e orientem a aprendizagem da criança, identificam e interpretam dificuldades em que terão condições de intervir de forma adequada – aqueles/aquelas que alfabetizam com método. Isto acontece na prática O link a seguir traz a sugestão de 7 atividades de alfabetização que são realizadas a partir de desafios. Para a realização das atividades é importante que a criança já tenha tido contato com o alfabeto. https://www.youtube.com/watch?v=f9uvKlzEo7I 34 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR AULA 06 35 A Base Nacional Comum Curricular – BNCC – é um documento oficial publicado pelo Ministério da Educação que estabelece a base para toda a Educa- ção Básica brasileira. Foi elaborada por especialistas de todas as áreas do conhecimento e está funda- mentada na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9.394/96. O objetivo do documento é garantir o conjunto de aprendizagens essenciais aos estudantes brasileiros, seu desenvolvimento integral por meio das (...) competências gerais para a Educação Básica, apoiando as escolhas necessárias para a concretização dos seus projetos de vida e a continuidade dos estudos (BRASIL, 2018, p.5). A proposição do documento, embora tenha sofrido críticas, busca suprir o esta- belecimento de uma base nacional para a Educação Básica de modo a harmonizar os objetivos, habilidades e competências a serem trabalhados no país buscando minimizar as desigualdades nas ofertas educacionais em escolas brasileiras. Sempre houve uma preocupação quanto a necessidade de estabelecer uma certa padronização no currículo escolar brasileiro para além do nome das disci- plinas na matriz curricular e, historicamente teve documentos oficiais que cum- priram parcialmente essa função como as Diretrizes Curriculares Nacionais dos níveis de Ensino (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) e o Re- ferencial Curricular da Educação Infantil, Parâmetro Curricular Nacional da Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Os documentos tiveram o seu valor no contexto em que foram propostos. Na BNCC estão descritas orientações para toda a Educação Básica, em todas as áreas do conhecimento, porém neste capítulo propomos o foco nas determi- nações dadas a alfabetização que é a temática de estudo. A Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018, p. 59) estabelece que a ação pedagógica deve estabelecer a alfabetização como foco nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental. Promovendo o acesso à apropriação do sistema de es- crita alfabética articulada com habilidades deleitura e escrita. 36 A alfabetização é tratada no documento sob a seguinte perspectiva aprender a ler e escrever oferece aos estudantes algo novo e surpreendente: amplia suas possibilidades de construir conhecimentos nos diferentes componentes, por sua inserção na cultura letrada, e de participar com maior autonomia e protagonismo na vida social (BRASIL, 2018, p. 63). Nesse sentido, a alfabetização é analisada como instrumento de acessibilidade ao conhecimento e de inclusão social. Na Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018, p. 89) foram apresentados eixos de trabalho no Ensino Fundamental – Anos Iniciais. Eixo Oralidade Aprofundam-se o conhecimento e o uso da língua oral, as características de interações discursivas e as estratégias de fala e escuta em intercâmbios orais. Eixo Análise Linguística/Semiótica Sistematiza-se a alfabetização, particularmente, nos dois primeiros anos, e desenvolvem-se, ao longo dos três anos seguintes, a observação das regularidades e a análise do funcionamento da língua e de outras linguagens e seus efeitos nos discursos. Eixo Leitura/Escuta Amplia-se o letramento, por meio da progressiva incorporação de estratégias de leitura em textos de nível de complexidade crescente. Eixo Produção de Textos Progressiva incorporação de estratégias de produção de textos de diferentes gêneros textuais. Fonte: (BRASIL, 2018, p. 89). A Base Comum Nacional conceitua que alfabetizar é trabalhar com a apropriação pelo aluno da ortografia do português do Brasil escrito, compreendendo como se dá este processo (longo) de construção de um conjunto de conhecimentos sobre o funcionamento fonológico da língua pelo estudante. Para isso, é preciso conhecer as relações fono-ortográficas, isto é, as relações entre sons (fonemas) do português oral do Brasil em suas variedades e as letras (grafemas) do português brasileiro escrito. Dito de outro modo, conhecer a “mecânica” ou o funcionamento da escrita alfabética para ler e escrever significa, principalmente, perceber as relações bastante complexas que se estabelecem entre os sons da fala (fonemas) e as letras da escrita (grafemas), o que envolve consciên- cia fonológica da linguagem: perceber seus sons, como se separam e se juntam em novas palavras etc. (BRASIL, 2018, p. 90). 37 Os objetos de conhecimento da disciplina Língua Portuguesa nos primeiros e segundos anos estão voltados para o conhecimento do alfabeto em Língua Portuguesa do Brasil, a construção do sistema alfabético e da ortografia (BRASIL, 2018, p. 98). Segundo a Base Nacional Comum Curricular (2018), as capacidades/habilidades envolvidas no processo de alfabetização são: • Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros sistemas de representação); • Dominar as convenções gráficas (letras maiúsculas e minúsculas, cursiva e script); • Conhecer o alfabeto; • Compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita; • Dominar as relações entre grafemas e fonemas; • Saber decodificar palavras e textos escritos; • Saber ler, reconhecendo globalmente as palavras; • Ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto que meras palavras, desenvolvendo assim fluência e rapidez de leitura (fatiamento). (BRASIL, 2018, p. 93) As práticas de linguagem envolvidas no processo de alfabetização e posterior ortografização são atividades de análise linguística, semiótica, escrita, oralidade a partir de materiais significativos para a criança. O professor tem um papel fundamental na elaboração das propostas de ativi- dades a serem desenvolvidas com os alunos, de modo progressivo, diversificado, significativo e dentro do contexto da criança. Na BNCC apresenta o que trabalhar e dá pequenos indícios de como fazer. Não há uma proposta metodológica específica do modo como os eixos de conheci- mento devam ser abordados, ou seja, não há uma prescrição de como efetivar o processo de ensino aprendizagem. Isto está na rede A Base Nacional Comum Curricular está disponível na internet e é recomen- dável a leitura do material em sua íntegra. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ 38 ALFABETIZAÇÃO: DIFICULDADES E DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM AULA 07 39 Fonte: https://pixabay.com Muitos fatores podem interferir no processo de ensino aprendizagem tan- to para o seu sucesso como para o seu fracasso. Na alfabetização também são apresentadas situações em que a aprendizagem não acontece ou ocorre parcial- mente. Para além da constatação de patologias, há situações em que não são identificados comprometimentos aparentes, mas o aluno demanda um processo de alfabetização diferenciado para assegurar sua aprendizagem. Em contextos de alfabetização Cagliari (1998, p. 84) classifica os alunos em 3 tipos: a) os que sabem ler e escrever, b) os que leem e escrevem com ajuda e c) os que não sabem ler e escrever. Os que sabem ler e escrever com autonomia não demanda tanta preocupação exceto com a apropriação das normas ortográficas que é um passo importante pós-alfabetização. Os dois últimos tipos de alunos constituem-se como desafio aos professores em busca de estratégias e conhecimentos para a superação da situação. Ler e escrever com ajuda não é para ser uma situação permanente, mas sim transitória na formação do aluno. É necessário criar situações que promova o de- senvolvimento do aprendiz. Para tal, é fundamental levar o aluno a compreensão da relação entre a língua oral e escrita e todas as complexidades dessa relação que não é passiva, pois envolve a epilinguística, a metalinguística e tantos outros fatores históricos e culturais. https://pixabay.com/pt/photos/escola-aprenda-letras-alunos-3704033/ 40 Por meio de atividades de reflexão o aluno precisa perceber que a palavra é um conjunto de letras e sons, repletos de dialetos, mas também é fundamental proporcionar ao aluno meios de compreensão do sistema de escrita apresentan- do-o como um sistema orgânico inter-relacionado. Ainda segundo Cagliari (1998, p. 93), os alunos apresentam “lógicas” próprias de aprendizagem. Essas lógicas precisam ser identificadas pelos professores para a partir delas ser traçado um plano de trabalho que atenda as suas necessidades de aprendizagem. Aos alunos que aprendem por rotas diferentes de aprendiza- gem, a percepção sobre a leitura e escrita precisa ser trabalhada desde o princípio, contando a história da escrita, a necessidade do uso dela nos diferentes contextos e suas evoluções até a atualidade. Os alunos precisam conhecer o formato das letras, atualmente há um consenso que o primeiro formato de letra a ser apresentado ao aluno é a letra de forma maiúscula ou caixa alta, para posteriormente apresentar os demais formatos. Atividades como o manuseio do alfabeto móvel, classificação das letras em vogal e consoante, classificação das letras iguais, classificação de letras com os sons parecidos, classificação de letras com formatos parecidos, atividades com as letras do próprio nome a partir da referência do crachá, organizar as letras em ordem alfabética são oportunidades de interação do aluno com os grafemas. Nessa etapa estão previstos equívocos nas classificações manuseios que são indicativos de concepções que ainda não foram elaboradas e que, portanto, pre- cisam de mais exploração pelo professor e apoio. Nesse processo, o professor lida com uma série de fatores emocionais e atua como moderador da ansiedade, apatia, timidez e frustrações não só do aluno, mas da família que nem sempre tem as expectativas de aprendizagem correspondidas. Outro fator relevante é a autoestima da criança, que pode chegar à escola sem conhecer o seu potencial e sentir-se incapaz. É por esses motivos que o processo de alfabetização demanda ações que antecedem ao contato restrito ao mundo da escrita. As crianças vivenciam muitas experiências antes de chegar na escola, porém em alguns contextos familiares elas não têm a oportunidadede tomar decisões, sempre há alguém dizendo a ela o que deve ser feito e como deve ser feito. Na escola a autonomia é incentivada e certamente o aluno que sempre teve alguém tomando as decisões por ele encontrará dificuldades para posicionar-se. Outro fator que deve ser considerado em situação de dificuldade na aprendi- zagem é a saúde da criança que pode estar anêmica, não ter uma rotina de sono 41 adequada causando o cansaço e apatia na escola, a alimentação inadequada causando desconforto. Ao deparar-se com situações de não aprendizagem a primeira avaliação que o professor deve fazer é em relação a sua atuação pedagógica, se ele tem levado em consideração as peculiaridades dos alunos, os diferentes ritmos de aprendizagem, o acompanhamento adequado. Uma atuação docente pode ser insuficiente em muitos aspectos e pode ser revista em tempo para que a aprendizagem ocorra. O argumento de que a ausência da aprendizagem ou a aprendizagem parcial não ocorre por falta de vontade do aluno demonstra a falta de conhecimento do professor em relação aos problemas que interferem na aprendizagem. Conheça a seguir alguns transtornos e distúrbios que pode comprometer a aprendizagem como: a disgrafia, discalculia, disortografia e dislexia. A disgrafia é um transtorno da escrita causado por perturbações motoras. A criança grafa as palavras equivocadamente. As letras podem se apresentar so- brepostas, com traçados muito grossos, tamanhos disformes. Não se trata de falta de atenção ou relaxo. Em situações comuns já faz parte da responsabilidade do professor orientar frequentemente ao aluno sobre o modo adequado de fazer os registros, certamente alguns alunos precisarão de novas orientações e pode ser que haja o aluno que não conseguirá atender às orienta- ções mesmo após insistentes recomendações. Esse aluno deve ser observado e novas estratégias devem ser traçadas para que ele tenha êxito em seus registros. A disortografia é uma deficiência na percepção do indivíduo que gera a con- fusão motora no ato do registro da escrita. A criança pode apresentar grafemas similares, omissões de letras, inversões. A percepção das pessoas acerca do seu meio apresenta-se de forma diferente. A criança com disortografia tem falhas nessa percepção podendo apresentar lacunas, confusões no processo de registro da escrita. A discalculia é uma desordem neurológica que provoca desvio na execução de cálculos matemáticos, ou seja, o aluno tem dificuldades em manipular números, o que gera frustração. A dislexia é um distúrbio neurológico que pode ter origem hereditária e gené- tica, que traz prejuízos à consciência fonológica. Esse prejuízo reflete no processo de apropriação da leitura e escrita. O professor precisa conhecer os problemas que comprometem a aprendiza- gem para que possam fazer intervenções o quanto antes, a fim de providenciar 42 meios alternativos para que a aprendizagem aconteça. O diagnóstico precoce antecipa as possibilidades da criança, do professor e da família sobre como lidar com essa dificuldade buscando sempre superá-la. Algumas escolas adotam o reforço escolar para os alunos com problemas na aprendizagem, porém o reforço é prover mais do mesmo, ou seja, não há um trabalho direcionado para superação das dificuldades e, nesse sentido, gera mais frustração ao aluno e ao professor. Todos os recursos possíveis devem ser explorados. Os jogos assumem um pa- pel importante como recurso pedagógico, não necessariamente os jogos compra- dos, os jogos podem ser construídos junto com os alunos para que estabeleçam uma relação afetiva com o jogo. Os jogos são cativantes pelo aspecto da diversão e do desafio. Outra opção para alavancar a aprendizagem da leitura e escrita são os jogos virtuais para a alfabetização. Cabe ao professor selecionar os melhores jogos que estejam coerentes com o trabalho que está sendo desenvolvido em sala de aula. Utilizar a tecnologia para atrair ao aluno é uma excelente estratégia que pode auxiliar no processo de alfabetização. Isto está na rede Game brasileiro auxilia crianças com dificuldades na alfabetização A USP de São Carlos desenvolveu um game chamado ILHA para auxiliar na alfabetização de crianças com dificuldades para a aprendizagem. http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/game_brasileiro_auxilia_ criancas_com_dificuldades_na_alfabetizacao.html 43 ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL AULA 08 44 Fonte: https://www.pexels.com Alfabetizar ou não na Educação Infantil? Essa pergunta tem sido recorrente entre as famílias, educadores e estudiosos da educação, que se questionam qual é a etapa escolar adequada para o processo de alfabetização. Pensando na alfabetização como um processo entendemos que ela não pode ser apresentada do nada há uma série de vivências da criança que são levadas em consideração para o ensino da leitura e escrita. A partir desse ponto de vista é importante destacar que todas as vivências prévias como brincar, o imaginar, classificar, distinguir semelhanças e diferenças, sequenciação, movimentos entre outros, são atividades que pertencem ao processo de alfabetização e letramento, mesmo antes da apresentação dos grafemas, pois a criança está trabalhando as suas estruturas mentais para o processo de simbolização, representação, deci- fração e outras experiências necessárias para a sistematização do processo de alfabetização. Em nenhum espaço social há o impedimento da criança ter contato ou interagir com a leitura ou escrita, tampouco a escola deveria fazê-lo sob pena de limitar as potencialidades dos alunos. https://www.pexels.com/photo/girl-in-red-short-sleeve-dress-and-flower-headband-holding-pen-and-writing-on-paper-on-table-159782/ 45 Neves (2015, p. 239) realizaram um estudo sobre o letramento na Educação Infantil e constataram que em determinados contextos “a ação das crianças (...) leva a compreender que, para elas, a dicotomia entre o brincar e práticas de le- tramento significativas não existe. As crianças estabelecem um movimento que atenua fronteiras entre o ler, o escrever e o brincar.” A aceitação ou sensação provocada na criança depende do modo como as pro- postas de alfabetização e letramento são apresentadas à criança. A apresentação de uma maneira lúdica é atrativa à criança. O livro pode ser apenas um livro ou ser transformado em um brinquedo pela criança, um objeto imaginário ou um objeto que faz imaginar. Envolver a criança em processos lúdicos que promovem o letramento é juntar o útil ao agradável, res- peitando primeiramente o ritmo de aprendizagem da criança e a condição infantil. Se o aluno questiona o professor sobre a escrita, o professor não deverá cer- cear as suas indagações, mas, sim propor momentos para que o aluno reflita e se desenvolva a partir delas. Os estímulos à aprendizagem não ocorrem somente na escola, algumas famílias demonstram ansiedade e expectativa para inserir a criança no mundo da leitura e escrita. A esse aluno não deve ser negado o direito de antecipar a aprendizagem. Por outro lado, há alunos com ritmo de aprendizagem considerado dentro da normalidade e, ainda, o aluno que se encontra em um momento anterior a esse desenvolvimento. O público da Educação Infantil, embora em uma mesma faixa etária, apresenta diversidade de vivências. O professor, geralmente, busca equi- librar as habilidades e competências desses alunos, retardar o desenvolvimento de uma criança que tem facilidade para aprendizagem é provocar nela o sofri- mento de não poder desenvolver-se, do mesmo modo, exigir que a criança sirva de parâmetro para as demais crianças não é uma atitude pedagógica, tampouco ética. Trabalhar com diferentes ritmos de aprendizagem é um desafio constante ao professor. Recomendações políticas e, até mesmo, estudos científicos acerca da idade apropriada para a alfabetização nem sempre são adequados para todas as situa- ções, que precisamser observadas e analisadas buscando o que é melhor para a criança. O brincar é o foco da Educação Infantil. Sacrificar esse momento com atividades massacrantes de leitura e escrita em salas de aula fechadas sem prezar por uma atuação lúdica é um desrespeito à infância. 46 O trabalho pedagógico realizado na Educação Infantil é extremamente impor- tante e, embora seja pautado na ludicidade, é intencional e todas as atividades são planejadas para atingir objetivos estabelecidos voltados ao desenvolvimento infantil. Toda forma de aprendizagem que é inserida de maneira forçosa é prejudicial para o desenvolvimento da criança. Quem poderá fazer a avaliação do que é apropriado ou inadequado para cada etapa de desenvolvimento é o professor que acompanha a criança no seu dia a dia. Escolas particulares de Educação Infantil geralmente incentivam a alfabetização e o letramento. Os responsáveis se colocam na situação de pagantes e não veem benefício de efetuar o pagamento das mensalidades para que o aluno “apenas” brinque na escola. A maior parte das escolas de Educação Infantil do setor priva- do alfabetizam de modo sistemático e a inibição da escrita na educação infantil praticamente inexiste. Isto está na rede Educação Infantil e alfabetização O vídeo a seguir aborda a questão da alfabetização na Educação Infantil como momento de descoberta da criança sobre o sistema de escrita. https://www.youtube.com/watch?v=aqgnnqrAhf4 47 ESTRATÉGIAS PARA A ALFABETIZAÇÃO AULA 09 48 A leitura e escrita é um objeto de desejo do aluno. Ele vê as pessoas ao seu redor lendo e escrevendo e consegue perceber o grau de autonomia que esse conhecimento proporciona às pessoas. Existem algumas atividades pedagógicas mais dinâmicas que podem estimular o desejo da criança a se interessar pela leitura e escrita. Nessa aula serão apresentadas algumas estratégias para o ensino da leitura e escrita de uma maneira lúdica. As atividades a seguir são práticas de ensino que tornam as aulas mais dinâ- micas e facilitam o processo de ensino aprendizagem. Isto acontece na prática Leitura A leitura diária feita pelo professor aos alunos tem por objetivo além de compartilhar as ideias contidas no material lido, instigar os alunos para a prática da leitura. Destinar trinta minutos, todos os dias, para a leitura é um investimento na formação do aluno. É importante conscientizar os alunos que eles já têm algumas práticas de leitura ainda não sistematizadas, mas que fazem parte do seu dia a dia como a leitura de rótulos, embalagens, fachadas de supermercados que costumam frequentar, slogans de personagens infantis de desenhos ou jogos que apreciam, entre outros. Essas leituras devem ser resgatadas para que se tornem pontos de partida para novas aprendizagens. Como incentivo à prática da leitura é importante que na própria sala de aula sejam preparados espaços como a gibiteca, caixa de poemas, livros de histórias infantis. A criança deve ter ao seu dispor materiais para leitura para que se familiarize com os registros escritos. Inicialmente os textos lidos ou propostos para leitura do aluno devem ser apropriados para a infância. Posteriormente devem ser ofertadas oportunidades de os alunos conhecerem outros estilos de textos para que identifiquem suas características e as intenções de comunicação. Até mesmo os textos de descobertas científicas podem ser compartilhados com os alunos. A Revista Recreio tem esse perfil de apresentar textos de curiosidades e descobertas científicas. 49 Isto está na rede http://recreio.uol.com.br/ Textos como esse podem ser explorados para o ensino da leitura e es- crita, se estiverem dentro do contexto do que vem sendo trabalhado em sala de aula. Dinâmica dos crachás Tornou-se praticamente cultura da escola disponibilizar aos alunos um crachá com seu nome no início do ano letivo. O crachá é importante pois, permite ao pro- fessor conhecer os alunos, mas mais que isso, permite ao aluno identificar como o seu nome é escrito. Alguns alunos chegam à escola com o conhecimento das letras que registram o seu nome, porém outros poderão observar as escritas dos demais. O aluno que ainda não identifica as letras do seu nome deverá receber o apoio do professor indicando as letras, seus traçados, ordem e sons. Várias atividades podem ser realizadas por meio dos crachás como: Amigo oculto O professor distribui os crachás aleatoriamente e pedirá aos alunos para obser- var e descobrir de quem é o crachá que ele está segurando. Após essa descoberta, que pode necessitar de apoio do professor ou indicação de outros colegas, o aluno fará a entrega do crachá ao aluno com o nome correspondente. 50 Ajudante do dia Quando a turma já está mais familiarizada com os crachás o professor pode nomear ajudantes do dia, que farão as entregas dos crachás observando a escrita do nome dos colegas e fazendo a entrega. Classificações O professor poderá fazer junto com os alunos análise da escrita dos nomes apresentando o nome das letras, seus sons e desafiá-los a observar nomes que começam com a mesma letra, nomes que terminam com a mesma letra, nomes com a mesma quantidade de letras. Leitura de histórias A leitura de histórias para crianças sempre foi um recurso muito bem-vindo para o estímulo da imaginação e da fantasia da criança. Por meio da leitura de histórias as crianças passam a fazer comparações do imaginário com o real, des- frutam de sensações que geram o medo, a alegria, a expectativa, a raiva. Embutido em todos esses benefícios está a construção da cultura da leitura e consequen- temente da escrita. Contação de histórias Se, inicialmente, as crianças não podem ler as histórias, essas podem recon- tá-las projetando na contação de história as suas impressões e representações. A prática de contar histórias pode refletir no desenvolvimento dos alunos como indi- víduos completos, pois pode ser um instrumento para o início de inúmeras atividades que associam movimentos corporais, gestos, expressões faciais, voz e afetividade no momento do reconto ou durante a contação, se a história narrada pedir a parti- cipação efetiva dos interlocutores (PACHECO, 2009, p. 40). Contar uma história para a criança já é uma atividade muito especial, mas ca- racterizar-se do personagem ou apresentar objetos que estão contidos na história, caracterizar o ambiente, acrescentar um fundo musical, possibilitar a interação das crianças com a história tornará o momento excepcional e inesquecível, além 51 de permitir que os professores alfabetize essa criança por meio das histórias contadas, seus personagens e o local onde a história acontece. Trazer pessoas diferentes para contar a história torna o momento ainda mais especial para a criança e a faz perceber que a leitura pode ser desenvolvida por qualquer membro da sociedade, os pais, uma pessoa importante no bairro, entre outros. A escolha da história a ser contada é muito importante. Tem que ser uma temática atraente, voltada a condição infantil e com personagens interessantes. É válido usar recursos como avental de histórias, saias de histórias, tapetes de histórias, guarda-chuva de histórias e caixa de histórias. Observe a seguir duas propostas interessantes de contação de história. Avental de histórias Contação de histórias usando o recurso de um avental de feltro com os per- sonagens. A menina que odiava livros- Manjusha Pauagl - No avental de histórias https://www.youtube.com/watch?v=UoKe-C9fUh8 52 Guarda chuva de histórias A história é contada com o auxílio de um guarda-chuva decorado. A proposta é encantar o ouvinte com atrativos para o interesse pela história. O guarda chu- va pode ser utilizado para contar outras histórias, uma vez que o personagem é móvel e poderá ser substituído. Certamente momentos como esse serão marcantes na vida do aprendiz. O Pássaro sem cor https://www.youtube.com/watch?v=bu302pHZDY0A partir dessa história muitas atividades podem ser trabalhadas com o foco na alfabetização, sendo possível trabalhar: Escritas das palavras pássaro, fada, céu, sol Cores Branco, verde, vermelho, azul, amarelo, preto, colorido Sentimentos Satisfeito, insatisfeito, vergonha, amor próprio Tipos de aves Pássaro, ... Note que essa proposta estaria baseada no método analítico uma vez que aborda a alfabetização a partir da palavra e não a partir da letra como no método sintético e se pauta, também, no método global que adota como ponto de partida uma situação mais ampla, advinda de um contexto mais envolvente. 53 Esses são apenas alguns exemplos de atividades que podem ser trabalhadas por intermédio da história contada. Perceba que ler histórias é diferente de contar histórias. A leitura de histórias faz uso do livro como recurso para a atividade. Na contação de histórias, as ideias são verbalizadas sem o apoio do livro físico, pode até ser a história de um livro, porém contada. Se são poucos os recursos para o incentivo à leitura ou contação de histórias, fazer uma roda com os alunos sentados no chão, no gramado ou no quiosque pode tornar o momento mais especial que ler sentados em carteiras enfileiradas. As crianças precisam compreender o momento da leitura como um encantamen- to, um momento atrativo e não impositivo. A entonação na voz na hora de contar a história é fundamental, dar vozes ca- racterizadas aos personagens, fazer caras e bocas, gritar ou sussurrar quando a história pedir são estratégias mágicas de encantamento dos alunos pelas histórias. Contar histórias é uma arte. Rodas de conversa As rodas de conversa são momentos especiais de desenvolvimento da oralida- de, que é um elemento indispensável para a apropriação da escrita. O aluno que tem a oralidade bem desenvolvida terá menos dificuldade para apropriação da leitura e escrita. A fala organiza o pensamento. Na roda de conversas podem ser trabalhadas as regras, valores, princípios que podem ser registrados pela escrita coletiva na lousa. Jogos "Na idade escolar o brincar não morre, mas é orientado para a realidade" (VY- GOTSKY, 1978, p. 104). A concepção de jogar é inerente à condição infantil. Aderir aos jogos no processo de formação dos alunos não significa abrir mão dos componentes curriculares e tampouco da sistematização desses conteúdos, pelo contrário, a proposta é que os conceitos sejam trabalhados por meio dos jogos de uma maneira prática e dinâmica facilitando a aprendizagem. 54 Uma proposta inicial de alfabetização é a confecção do jogo da memória com a foto do aluno e o seu nome. Trata-se de uma excelente estratégia para atrair os alunos para a leitura e escrita dos nomes. Essa atividade lúdica incentiva os alunos a observação e comparação da letra do seu nome com a letra do nome dos demais colegas. É uma proposta que envolve a identidade do aluno e além da observação e da comparação, instiga a atenção, a competição e socialização. Jogo dominó O jogo de dominó também pode ser confeccionado com fotos dos alunos e a escrita dos seus nomes. FOTO ESCRITA DO NOME Se estiver sendo desenvolvido um projeto sobre frutas, o jogo pode ser com as imagens das frutas e seus nomes. Se estiver sendo desenvolvido o projeto sobre animais o jogo poderá abordar imagens e nome de animais. A partir da apresentação dos nomes é preciso explorar as letras, seus nomes e seus sons. Jogo da memória Jogo pedagógico para alfabetização Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=aNwwNbqnqy4 55 O jogo deverá ser explorado dentro de um contexto que seja significativo aos alunos, por exemplo, em um projeto de animais de estimação. Cruzadinhas e diagramas com os nomes dos colegas da turma são atividades que chamam a atenção do aluno, desde que não sejam fora de contexto. Os jogos e brincadeiras contribuem para o desenvolvimento da criança que se sente desafiada para alcançar um determinado objetivo. É uma excelente estra- tégia para interação social e para o desenvolvimento da cognição. O jogo sempre é um instrumento de aprendizagem, pois permite ao jogador lidar com perdas, ganhos, desenvolvimento da observação, comparação, com- partilhamento, construção de estratégias, interação. Quando há uma intenção formativa o jogo torna-se um aliado para trabalhar os conteúdos escolares. Para além do uso de estratégias dinâmicas e jogos a lousa é um recurso para explicações coletivas, mas é preciso que fique muito claro que as explicações em lousa fora de um contexto motivador são insuficientes para um processo bem- sucedido de ensino e aprendizagem, do mesmo modo o uso do livro didático ou apostilas como ponto de partida ou como recurso isolado, não são capazes de promover as conceituações necessárias para a apropriação da leitura e escrita. Aprendemos a falar por meio da repetição de modelos de falas das pessoas que estão ao nosso redor, porém a aprendizagem da escrita não acontece por copiar repetidas vezes o que os outros escrevem. É necessário refletir sobre os grafemas e os sons correspondentes estabelecendo uma relação entre eles, ou seja, os alunos não aprenderão a escrever após copiar muitos textos ou palavras. Alfabeto móvel ou letras móveis Fonte: https://pixabay.com https://pixabay.com/pt/photos/cubo-de-madeira-abc-cubo-letras-473703/ 56 O alfabeto móvel ou letras móveis é um recurso muito utilizado no processo de apropriação da leitura e escrita. Trata-se de letras avulsas que são dadas às crianças para que construam palavras analisando quais são as letras necessárias para a composição de palavras e frases. A partir do crachá é possível solicitar à criança que observe as letras que compõem o seu nome e construa o próprio nome com as letras avulsas. O alfabeto móvel pode ser utilizado individualmente ou coletivamente depende dos objetivos da atividade proposta. É recomendável o seu uso diariamente nos dois anos iniciais do Ensino Fundamental. As letras poderão ser confeccionadas em folha de papel impressa, depois re- cortado ou pode ser letras plásticas, letras em EVA ou ainda letras coladas em tampinhas de garrafa PET, ou seja, não importa o material, o importante é criar oportunidade para que a criança tenha contato com as letras e possa refletir sobre elas em futuras construções. Atividades como as propostas nessa aula não deverão ser ofertadas apenas uma vez à criança, mas deverão ser apresentadas até que os alunos desenvolvam a consciência fonológica, que é a consciência de que as letras possuem sons, que quando são articulados podem construir palavras e textos em geral. Isto está na rede Os sites a seguir apresentam jogos interativos sobre letras, sílabas, as- sociações, soletrações, diagramas, caça-palavras, jogo da forca e cruza- dinhas. https://jogoseducativos.hvirtua.com.br/memoria-alfabeto/ https://www.jogos360.com.br/alfabetizacao/ 57 O PROFESSOR ALFABETIZADOR AULA 10 58 Fonte: https://visualhunt.com O profissional responsável por alfabetizar as crianças no ambiente escolar é o pedagogo. O alfabetizando pode até contar com o apoio da família, ou de outro profissional, mas a responsabilidade não deixa de ser do professor que ministra aulas a esse aluno. Não é uma tarefa qualquer é um desafio grandioso que pode favorecer o de- senvolvimento da criança para o resto da vida ou comprometer seu desenvolvi- mento, portanto, o professor precisa entender que momento da alfabetização é um momento sublime na vida do sujeito em fase de alfabetização. Esse processo não pode ser efetivado por meio de fichas avulsas desconexas. É preciso plane- jamento, intencionalidade e muita proximidade com o aluno. O indivíduo não tem uma vida inteira para ser alfabetizado, o momento ideal para alfabetização é na infância, nos anos iniciais de escolarização. Passado esse momento, infelizmente, a criança passa a ser rotulada como incapaz ou desin- teressada porseus colegas de sala, até mesmo rotulada por alguns professores ou familiares, o que pode provocar bloqueios emocionais na criança e dificultar ainda mais o processo. https://visualhunt.com/f2/photo/13316005693/77ed12f814/ 59 O professor alfabetizador trabalha muito. São horas de intenso trabalho perso- nalizado para acompanhar e promover o desenvolvimento de dezenas de crianças em estágios variados de apropriação da escrita. O professor alfabetizador precisa desenvolver algumas competências para ser bem-sucedido na profissão entre elas tornar-se comunicativo, criativo, ob- servador, investigador, um rápido intervencionista e muito ético para não expor o aprendiz a um momento vexatório em razão de conflitos do processo de apro- priação da língua escrita. Nenhum professor ingressante na carreira desenvolve essas habilidades ins- tantaneamente, o professor passa por um desenvolvimento na formação em serviço que o faz construir alguns conceitos, rever algumas atuações, comparar com a formação inicial e construir as suas próprias práticas pedagógicas de acordo com o público que está trabalhando. Alguns professores remetem ser um bom professor alfabetizador o que faz a melhor decoração da sala de aula com motivos infantis, criando “ambientes alfabetizadores” enfeitados, coloridos, painéis impecáveis. É encantador ter um espaço decorado para promover processos de ensino e aprendizagem, pode até ser motivador, mas não é um fator determinante no sucesso da apropriação da leitura e escrita. É necessário o esforço do pensar, do intervir, de sugerir, de ques- tionar e de valorizar pequenas conquistas dos alunos. Tem mais a ver com os sujeitos do processo do que com o espaço onde o processo ocorre. Na década de 80 a teoria de Donald Shön (1983), sobre o Profissional Reflexi- vo, foi disseminada no Brasil. Essa teoria defendia que os profissionais poderiam construir os seus próprios saberes no desenvolvimento de suas próprias práti- cas, que se constituiria como o conhecimento na ação. A busca por soluções no exercício da profissão levava o profissional a refletir sobre a ação e após ações e tomadas de decisões similares, o profissional teria condições de refletir sobre os motivos que o levaram a pensar daquele modo, o que se constituiria como a reflexão sobre a reflexão na ação. A teoria foi importante para a época, mas posteriormente passou a receber algumas críticas, pois era um estudo voltado para formação profissional em geral e não especificamente para atuação docente e por isso deixava algumas questões sem respostas. Tratava-se de um estudo sobre a produção de conhecimento em série no exercício da profissão, enquanto o necessário seria que as reflexões ti- vessem um viés voltado ao contexto educativo, à formação humana. 60 A simples adaptação da Teoria do profissional reflexivo em contextos educa- tivos não foi bem-sucedida, mas, apesar das críticas, surgiu um movimento de empoderamento do professor ao ser atribuído a ele o papel pesquisador/investi- gador das práticas pedagógicas que acontecem em sala de aula e os processos de aprendizagem do aluno. O professor passa a ser produtor do conhecimento e tem legitimidade para exercer o ofício com criatividade deixando de ser um professor reprodutor de teorias e métodos. São reconhecidos como seres pensantes com propriedade para agir e tomar decisões na área que atuam. A teoria de Shön não pode e nem deve ser descartada é preciso considerar os contextos em que ela é empregada. Fagundes (2016, p. 295) defende que a refle- xão “seja concebida como processo humano que se dá, individual e coletivamente, em busca de entendimento a respeito dos diferentes aspectos sociais, psicológi- cos, afetivos, políticos e educacionais”, ou seja, as reflexões tecidas em contextos de formação educativa devem prezar por princípios da formação humana. É fato o que o professor aprende muito ao ensinar e evolui com essa apren- dizagem, porém é preciso ir além desse conhecimento prático e estabelecer co- nexões com outros conhecimentos advindos de pesquisas que podem até ser realizadas pelo próprio professor, mas também é preciso observar o que vem sendo produzido sobre a temática e se essa produção traz contribuições para a prática em sala de aula. Em contextos de alfabetização a reflexão é fundamental para o que o professor possa desenvolver seu trabalho. Professor e alunos encontram-se em processos de formação contínuos motivados pelo pensar, o professor no processo de forma- ção profissional e o aluno no processo de apropriação da leitura e escrita. Refletir sobre como o meu aluno aprende, que recursos posso utilizar para auxiliá-lo no processo de aprendizagem, por que algumas estratégias funcionam com alguns alunos e com outros não são tão eficazes, são pontos de partidas que merecem o esforço da investigação, da busca por respostas ou alternativas de trabalho. Saber esperar o tempo de aprendizagem do aluno exige paciência e insistência do professor nas ações pedagógicas apropriadas para efetivação da aprendiza- gem. Aprender a lidar com as suas próprias emoções, a ansiedade dos alunos, suas frustrações e manter a calma e o equilíbrio em um momento tão revolu- cionário como o da apropriação da leitura e escrita, momento em que múltiplos processos ocorrem concomitantemente, é arte. 61 O equilíbrio deve ser buscado mesmo quando há metas a serem cumpridas (e elas são importantes) e um turbilhão de cobrança da escola e da família sobre o desempenho e rendimento dos alunos. A inteligência emocional deve ser desenvolvida pelo profissional da educação. Planejar e conduzir as etapas do desenvolvimento do aprendiz é uma maneira de evitar equívocos e prevenir desestabilidades emocionais. A afobação e a pressa geram a insegurança e a construção de conceitos equivocados sobre a leitura e a escrita. Mesmo com todos os desafios propostos a atuação do professor alfabetizador, a alegria de ver o aluno alfabetizado e sentir-se parte dessa conquista é muito maior que todo o esforço realizado para que o objetivo fosse alcançado. É uma satisfação pessoal incrível e a sensação do dever profissional e social cumprido com a inserção de indivíduos no mundo da leitura e escrita, que terão muitas outras oportunidades a partir da dessa conquista. 62 EDUCAÇÃO DOMICILIAR – HOMESCHOOLING E A ALFABETIZAÇÃO AULA 11 63 Fonte: https://pixabay.com Não é de hoje que a educação domiciliar vem sendo discutida no Brasil. Inclu- sive essa modalidade já foi permitida em outras épocas. Em 2017 havia 6000 crianças sendo educadas na modalidade domiciliar. Os argumentos das famílias para inserção das crianças na educação domici- liar é o fato de prevenir as crianças de ideologias diferentes das que são aceitas por elas, a disseminação de ensino religioso diferente do praticado pela família, a socialização do consumo de drogas e o argumento que nos diz mais respeito é a acusação da escola ser uma instituição deficitária despreparada para formar o indivíduo, ou seja, se a instituição que é própria para a formação educacional do indivíduo não é eficiente abre precedente para outra instituição ofertá-la, como a família, por exemplo. A desescolarização recebe apoio da Associação Nacional de Educação Domici- liar – ANED, que faz várias orientações, inclusive, juridicamente sobre quais são os procedimentos necessários para a família ter assegurado o direito da Educação Domiciliar. O Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA estabelece a obrigatoriedade da matrícula da criança na rede regular de ensino, artigo 55 da Lei 8069/90, sendo entendida pelos defensores da desescolarização como uma imposição do modelo de formação da educação ofertada pelo Estado. https://pixabay.com/pt/photos/jogos-crian%C3%A7as-crian%C3%A7a-menina-2801332/ 64 Se por um lado o ECA estabelece a obrigatoriedade da escolarização, nem a Constituição Federalde 1988, nem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na- cional n. 9.394/96 proíbem a educação domiciliar. No entanto, há a defesa da autonomia intelectual da família para escolher o tipo de educação que a criança deverá ter. Nesse sentido, a educação domiciliar favorece nos aspectos do tempo e espaço para a educação integral do indivíduo. Essa modalidade de ensino não recebe o apoio de muitos educadores que ale- gam o comprometimento no processo de socialização do indivíduo privilegiando a escola como espaço apropriado para a superação do egocentrismo e para a formação da cidadania além dos conhecimentos científicos (CURY, 2017). E como fica o processo de alfabetização dessas crianças? As famílias estão preparadas para inserir as crianças no mundo da leitura e escrita? Muitos pais reproduzem o método de alfabetização que foi utilizado em sua própria formação, inclusive, ainda hoje, a cartilha Caminho Suave está disponível para compra, para impressão e para baixar na internet ou, uma opção mais atual, é recorrer a sites especializados que disponibilizam o material para estudo. Os pais ou responsáveis que desbravam a educação domiciliar nem sempre possuem a formação adequada para o ensino, e para isso, têm buscado alterna- tivas e orientações na internet. É uma prática que tem sido retomada recentemente e que ainda não é possível avaliar as consequências dessa escolha pelas famílias, se exerceram a função de formação educacional com competência ou se comprometerão a formação desse indivíduo. Isto está na rede No link a seguir há modelos de sequência de conteúdos a serem desenvol- vidos em domicílio a fim do aluno ser bem-sucedido na avaliação anual. https://homeschoolingbrasil.info/formacao-1-educacao-domiciliar/ https://homeschoolingbrasil.info/material-didatico-6-anos-educacao-do- miciliar/ 65 Do mesmo modo apostilas digitais são comercializadas em sites especí- ficos que alegam disponibilizar os conteúdos necessários para a apren- dizagem. Diante da modalidade de ensino domiciliar, as teorias educacionais vol- tadas à aprendizagem de Piaget, Ferreiro, Vygotsky e Lúria ou mesmo os métodos mais utilizados, deixam de ser referência para as famílias que adotam métodos de aprendizagem híbridos e personalizados. A proposição da educação domiciliar não deixa de constituir-se em uma política de contenção de gastos, ou seja, o Estado arrecada, no entanto, delega à família a responsabilidade pela formação educacional. Não é uma modalidade adequada para a maior parte das famílias brasileiras que não dispõem de tempo ou conhecimento para auxiliar os filhos no ensino, contudo, é uma tendência que vem sendo incentivada pelo Poder Público. A educação domiciliar traz outras discussões a respeito da universalização da educação básica. Muitos movimentos lutaram por anos para que as pessoas tivessem acesso à escolarização e, de repente, deparamo-nos com a situação inversa de famílias que abrem mão desse acesso para exercer o ofício de formador no próprio domicílio. Diante da atual situação questiona-se: a instituição escolar tem cumpri- do o seu papel? Qual a possibilidade de a escola poder atender a uma variação tão grande de pessoas com ideais diversos e conceitos dife- rentes acerca da formação escolar? A escola é vilã ou faltam políticas educacionais? É vítima da eximição da família que tem sido insuficiente na formação dos filhos? A escola assume múltiplos papéis como o de cuidados, de orientação psicológica, mediadora de conflitos sociais e emocionais e precisa lidar diariamente com a problemática da indisciplina, da intolerância a diver- sidade, do desrespeito e da falta de ética. O atritos não ocorrem somente entre professor e aluno, eles atingem até mesmo a convivência organizacional nas relações interpessoais dos cola- boradores da escola e para além delas há a falta de políticas educacionais decentes e coerentes com as necessidades da escola o que se configura como falta de respeito do Estado para com a própria escola. Isto está na rede 66 PROGRAMAS DE ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL AULA 12 67 Existem alguns programas voltados à alfabetização como medidas de equili- brar as ofertas de alfabetização diante da diversidade e da dificuldade da educa- ção regular, alcançar a todos e atingir os objetivos mínimos para a aprendizagem, inclusive, alguns desses buscam atender à meta 5 do Plano Nacional da Educação (PNE), que estabelece a obrigatoriedade de alfabetização de todas as crianças até o final do terceiro ano do ensino fundamental. Vejamos alguns deles: Programa Mais Alfabetização Tendo em vista os resultados obtidos em avaliações internas como a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), o Bra- sil estabeleceu políticas de investimento na alfabetização. Ficou constatado, por meio da ANA/2016, que os alunos das escolas brasileiras tinham dificuldades na leitura e escrita e que, portanto, era necessário o desenvolvimento de um programa para sanar essas dificuldades. Fonte: Avaliação Nacional de Alfabetização - MEC (2016) Os dados apontaram que 54,73% dos estudantes acima dos 8 anos, faixa etária de 90% dos avaliados, permanecem em níveis insuficientes de leitura, o que com- promete o seu desenvolvimento educacional em todas as áreas do conhecimento. Outros 45,2% dos estudantes avaliados obtiveram níveis satisfatórios em lei- tura, com desempenho nos níveis 3 (adequado) e 4 (desejável). Fonte: BRASIL (MEC, 2018) 68 Diante desse dado é fundamental a proposição de políticas que busquem a resolução do problema. Em 2018, o Programa Mais Alfabetização atendeu 49.040 escolas, 4.348 muni- cípios e 125.932 turmas. Foi um investimento de 218.253 milhões de reais direcio- nado às escolas por meio do Programa Dinheiro Direto na escola (PDDE). Estão envolvidos no programa 3,6 milhões de alunos. O programa é um apoio às escolas na tarefa de alfabetizar. O objetivo é capaci- tar os professores e gestores envolvidos no processo de alfabetização e construir um plano de ação. A capacitação ocorre online com três módulos, totalizando 40 horas de formação aos professores alfabetizadores. É importante destacar que nenhuma política por si só pode trazer mudanças à educação. A materialização de uma política depende dos sujeitos que estão nela envolvidos. Nenhum recurso será suficiente se a escola não tiver consciência da necessidade de melhorar as práticas alfabetizadoras, incentivando mudanças no modo como os processos formativos são realizados. O que tem sido constatado é que os professores ingressantes, ou seja, que estão no início da carreira profissional assumem as turmas de alfabetização e, por serem inexperiente, nem sempre conseguem desenvolver um bom trabalho. Os professores que têm mais experiência, geralmente, escolhem as turmas posterio- res que têm mais autonomia para a realização das atividades escolares. 69 Fonte: Ministério da Educação Fonte: Ministério da Educação Programa Brasil Alfabetizado (PBA) O Programa Brasil Alfabetizado é voltado para a alfabetização de jovens e adultos. Trata-se de uma política pública de estímulo ao acesso e permanência em cursos de educação de jovens e adultos (EJA). São transferidos recursos para as secretarias de educação do Distrito Federal e dos estados e às prefeituras municipais para apoiar as ações ligadas ao processo de alfabeti- zação. No Programa há bolsas aos voluntários que atuam na alfabetização. Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa A finalidade do Pacto é apoiar os profes- sores que estão diretamente envolvidos na alfabetização, com um olhar especial para os professores que trabalham com as turmas multisseriadas e multietapa. O apoio está rela- cionado com o planejamento das aulas, ao uso de materiais e referências curriculares e peda- gógicas do Ministério da Educação (MEC) aos adeptos do Pacto Nacional pela Alfabetização na IdadeCerta. 70 ALFABETIZAÇÃO E TECNOLOGIA AULA 13 71 Fonte: https://pixabay.com A tecnologia faz parte do dia a dia da sociedade está no supermercado, no pos- to de combustível, na casa das pessoas etc. É impossível conceber a educação de qualidade sem o uso da tecnologia, seja para a pesquisa do professor no preparo das aulas, seja na organização do material de apoio nas aulas, ou seja, como um recurso de mediação do acesso do aluno ao conhecimento. É consensual entre os professores que o ensino deve ter como ponto de partida a realidade do aluno, a tecnologia faz parte dessa realidade, desse modo não é possível ignorá-la, inclusive o professor não pode recusar-se a dominar o uso da tecnologia como recurso certamente terá uma atuação pedagógica insuficiente. Atualmente, a própria família da criança utiliza os recursos tecnológicos para distração e entretenimento da criança por meio de jogos digitais, vídeos educati- vos, entre outros. Existem muitos aplicativos que estimulam o desenvolvimento da criança em diversas áreas do conhecimento há, inclusive, aplicativos com a proposta de alfabetizar a criança, softwares que incentivam a leitura, a escrita, cores, formas, enfim, há muitas opções de atividades educativas na internet. https://pixabay.com/pt/photos/crian%C3%A7as-alunos-pintura-desenho-1311506/ 72 Infelizmente nem todas as famílias têm formação para orientar ou ensinar o uso adequado das ferramentas tecnológicas para a formação educacional e as crianças acabam fazendo mau uso da tecnologia. Os recursos tecnológicos servem de apoio às práticas pedagógicas e processos de ensino aprendizagem. Por si só não podem resolver os problemas do ensino, mas podem ser excelentes recursos de atração fazendo com que o aluno tenha in- teresse em aprender em razão do recurso ou ferramenta que está sendo utilizado. Algumas ferramentas oferecem apoio para tornar as aulas mais atrativas como: lousas digitais interativas, computadores, tablets, projetor multimídia, televisão, celular, entre outros. Diversificar o modo como os alunos podem interagir com o conhecimento pode resolver alguns problemas apontados pelos professores como a falta de interesse e a falta de atenção dos alunos. O aluno pode ser alfabetizado sem esses recursos, no entanto, oferecer a ele a oportunidade de ampliar as possibilidades de atuação na sociedade é uma ma- neira de evitar que esse aluno não fique à margem da sociedade proporcionando a acessibilidade às tecnologias existentes na atualidade. É importante refletir que se há a intenção da apresentação de recursos novos para o processo de ensino aprendizagem, a metodologia também precisa ser ino- vadora. Usar novos recursos para velhas práticas pedagógicas não traz progressos à formação do aluno. Não se defende que a tecnologia venha substituir o brinquedo ou a atuação do professor, a tecnologia é apenas uma ferramenta de mediação entre o sujeito e o conhecimento que como todas as ferramentas deve ser utilizada com equilíbrio. As tecnologias são construtos sociais, ou seja, não podem ser vistas apenas como o fruto lógico de um esquema de desenvolvimento do progresso técnico. Elas são re- sultantes de orientações estratégicas, de escolhas deliberadas, num determinado mo- mento dado da história e em contextos particulares (PEIXOTO; ARAÚJO, 2012, p. 264). O atual contexto exige o uso da tecnologia como ferramenta que pode atrair ou potencializar o conhecimento trabalhado em sala de aula. 73 Isto está na rede O texto contido no link a seguir traz algumas orientações de como a tec- nologia pode auxiliar no processo de alfabetização. Título: Como as tecnologias ajudam na alfabetização das crianças https://jornadaedu.com.br/tecnologia/tecnologia-alfabetizacao-criancas/ Tecnologia ou metodologia? O vídeo a seguir faz uma apresentação do recurso tecnológico como re- curso inovador, mas nem sempre suficiente para promover novas práti- cas pedagógicas. É válido refletir sobre a necessidade de propor práticas coerentes com as necessidades de aprendizagem dos alunos. http://www.hashcut.com/v/xHmaf95 74 ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS AULA 14 75 Fonte: https://translate.google.com Aos indivíduos que não tiveram a oportunidade de estudo na idade própria é assegurado, por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9.394/96, que este tenha acesso: Art. 4º (...) IV – acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para todos os que não os concluíram na idade própria; (...) VI – oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII – oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola; Fica estabelecido legalmente que o acesso do jovem e do adulto ao ensino fun- damental e médio deve ser gratuito. Tendo em vista que muitos jovens e adultos que não tiveram acesso à educação são trabalhadores, ficou estabelecido, tam- bém, a oferta no período noturno adequando-se a situação do aluno. É importante destacar que o analfabetismo no Brasil não é gerado somente pela ausência de escolarização, ou seja, há alunos que frequentaram a escola, mas não foram alfabetizados ou tiveram desempenho insuficiente gerando re- petência e evasão e, posteriormente, alguns desses indivíduos procuram a escola para complementar a formação. Para esses alunos trata-se da recuperação de um fracasso anterior o que demandará maior esforço do professor na recuperação da estima desse aluno. https://translate.google.com/translate?hl=pt-BR&sl=en&tl=pt&u=https%3A%2F%2Fwww.pexels.com%2F 76 Não basta propor a formação é preciso considerar as características e moda- lidades adequadas, que significa considerar as peculiaridades desse público que pode ser composto por alunos com disparidade nas idades e, consequentemente nos interesses. É preciso variedades de posturas metodológicas de modo a aten- der esse público tão diverso. Nesse público de alunos constata-se que há evasão significativa, ou seja, o alu- no trabalhador, ou chefe de família, ou idoso com a saúde frágil, ou o aluno que não acredita em seu potencial pode levar a desistência dos estudos. Pensando nisso, a legislação cita que é necessário garantir além do acesso, a permanência. Com todos os obstáculos citados anteriormente, o jovem e adulto chega à escola e depara-se com o mundo letrado, um universo desconhecido e, embora tenha tido muito contato com a cultura letrada e principalmente com os desafios que a falta desse domínio traz, o primeiro passo do professor é trabalhar a estima desses alunos, que chegam desconfiados da sua capacidade de aprendizagem. Ao público jovem e adulto que não concluiu as etapas regular de ensino são estabelecidas políticas de certificação dos níveis escolares, ou seja, o jovem ou adulto que julga ter adquirido conhecimento por meio das experiências viven- ciadas em seu dia a dia poderá se inscrever no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos - ENCCEJA. Trata-se de um programa do Governo Federal para conferir diplomas aos indivíduos que forem aprovados no Exame. Não é uma oportunidade para quem não foi alfabetizado, pois o exame exige competências de leitura e escrita entre outras competências. Sem desprezar as experiências de vida desse indivíduo pode-se analisar que a estratégia de certificar o jovem ou adulto sem oferecer a escolarização é uma política de contenção de gastos. Por outro lado, é importante pensar que há indivíduos que não dispõem de tempo para frequentar a escola e possuem conhecimentos adquiridos de práticas profissionais e atuações pessoais que levaram a apropriação do conhecimento sem passar pela escola. As teorias e metodologias que regem o processo de alfabetização das crian-ças não são as mesmas que regem a alfabetização de jovens e adultos, ou seja, não deve ser um processo infantilizado. Os jovens e adultos possuem identidade própria e chegam às escolas com suas necessidades próprias de aprendizagem da língua escrita. Essas necessidades surgem do contexto em que estão inseridos. 77 Há alunos que querem aprender a ler e escrever para ter um melhor desempe- nho no trabalho, há alunos que sentem a necessidade de compreender a leitura e a escrita para auxiliar os filhos nas tarefas, há os que necessitam ter mais autono- mia para movimentações bancárias e pagamento de contas e deslocamentos sem ajuda, há quem queira apropriar-se da leitura e escrita para leitura de receitas, leitura da bíblia, para comunicar-se em redes sociais. Enfim, são muitos os inte- resses que precisam ser considerados no processo de alfabetização e letramento uma vez que não basta ofertar o ensino, o conhecimento tem que transformar para melhor a condição do aluno na sociedade. Sancho (1998, p. 11) assevera que “na atualidade, em um mundo em que ain- da existe uma alta porcentagem de analfabetismo, já não só é preciso dominar a língua oral e escrita” há demandas sobrepostas a esses conhecimentos como as linguagens audiovisuais e tecnológicas. As necessidades de aprendizagens impos- tas à população foram ampliadas e, embora isso tenha ocorrido a apropriação da leitura e escrita continua sendo a principal entrada dos demais conhecimentos. A formação de jovens e adultos que estão fora do fluxo escolar não é uma política que demonstra preocupação efetiva em minimizar a quantidade de anal- fabetos no Brasil. Mesmo diante desse contexto a escola não deve eximir-se do seu papel de formar indivíduos que encontram-se à margem da sociedade. A escola tem um papel social importante de inclusão e um compromisso com a sociedade. Para isso é preciso refletir e traçar planos de trabalho coerentes com as necessidades desse público. Há a necessidade especial de material didático e de estratégia de ensino es- pecífica para esse público. O aluno jovem e adulto tem interesses e motivação para escrita diferente das crianças. É necessário que o professor atente-se para as especificidades da alfabetização de jovens e adultos. Para alfabetizar um aluno jovem ou adulto é fundamental motivá-lo a ponto de trabalhar a sua estima a sua capacidade de aprendizagem. O aluno chega à escola com senso de limitação de incapacidade. Essas sensações devem ser afugentadas. Alguns exemplos de atividades bem-sucedidas com alunos jovens e adultos são leitura e interpretação de poemas, leitura e interpretação de receitas culinárias, leitura de bula de remédio, leitura de manuais instrucionais de eletrodomésticos e de eletrônicos, ou seja, textos nos contextos vivenciados por esse público. É papel do professor observar e identificar quais são os interesses dos alunos para pla- nejar a sua prática pedagógica pautada nas necessidades reais de aprendizagem. 78 Paulo Freire foi o criador de um método de alfabetização de jovens e adultos. O método foi criado em 1960 com trabalhadores rurais do Nordeste. Nesse método o autor abordava assuntos relativos ao cotidiano do aluno, assuntos relacionados às questões de trabalho. Paulo Freire alfabetizou com palavras comuns, mas não fazia um estudo limitado da constituição da palavra, ele trabalhava os aspectos po- lítico e social da palavra no contexto de vida dos alunos, uma vez que considerava as cartilhas, material utilizado na época, como “um saber abstrato, pré-fabricado e imposto. É uma espécie de roupa de tamanho único que serve pra todo mundo e pra ninguém” (BRANDÃO, 1981, p.10). No método Paulo Freire utilizava-se temas geradores que promoviam a discus- são e o interesse em conhecer e aprender sobre os temas, inclusive, sua grafia. O método utilizava palavras dos temas geradores como ponto de partida para conhecer as suas sílabas e as letras que a compunham. Com o método Paulo Freire era possível alfabetizar letrando, embora na época não houvesse a discussão sobre o letramento, havia a conscientização do que estava sendo aprendido e a importância da função social da leitura e escrita. O método foi bem reconhecido fora do Brasil, no entanto, no Brasil recebeu algumas críticas por fazer a abordagem social e política dos temas trabalhados, ou seja, a preocupação com a formação política do aluno indiretamente o vincularia à formação política de esquerda. Na prática, infelizmente, os materiais destinados à formação de jovens e adul- tos são livros didáticos fora da realidade, ou seja, sem relação direta como as vivências dos alunos. Ao estudante trabalhador as aulas deveriam ser mais insti- gantes e desafiadoras. O trabalho realizado com materiais e textos do conhecimento do aluno é ape- nas um ponto de partida para, posteriormente, apresentar outros modelos ou novos portadores de textos. Ensinar o aluno jovem ou adulto engloba até mesmo trabalhar atividades de coordenação motora fina. Alguns alunos podem não ter tido a experiência de rea- lizar os movimentos de pinça, que é pegar no lápis e fazer pequenos movimentos para a grafia das letras, nesse caso, o professor deverá auxiliá-lo de modo que ele possa adquirir esse movimento essencial para a escrita. Atividades de coordenação motora repetitivas e sem significado podem desmo- tivar o aluno jovem e adulto. Essas atividades deverão ser desenvolvidas em con- textos artísticos prazerosos e de acordo com os interesses da turma. Por exemplo: 79 atividades de recorte e colagem, atividades de perfuração, atividades que envolve técnicas de pintura com pincéis fino e grosso entre outras. Geralmente, as turmas de alunos jovens e adultos são híbridas, há uma mistura na faixa etária o que possivelmente gerará divergência nos interesses dos alunos. O professor deverá moderar e administrar esses interesses de modo a contemplar o interesse de todos revezadamente. O aluno jovem e adulto ingressa na escola com convicções acerca da fala, ou seja, vem com domínios orais que precisam ser respeitosamente desconstruídos como as conjugações verbais e nominais. É preciso sutileza no trato da fala do aluno, que até aquele momento conseguiu se comunicar com êxito por meio da linguagem coloquial e agora será necessário a adesão à norma culta. Não é um processo que ocorre de um dia para o outro, algumas vezes o próprio aluno sen- te-se envergonhado de falar com a norma culta pois, se desestabiliza com o que até então era tido como correto. Os desafios da Educação de Jovens e Adultos - 1º Bloco O vídeo traz discussões sobre quem é o aluno da Educação de Jovens e Adultos e a necessidade dessa modalidade de estudo no Brasil. https://www.youtube.com/watch?v=vOyWBZuMHBQ Isto está na rede Em uma década, Brasil perde um terço das escolas para adultos com aula de ensino fundamental Autora: Ana Carolina Moreno O texto indica que, embora o Brasil não tenha cumprido as metas quanto a formação de Jovens e Adultos, tem sido diminuída a oferta de vagas. https://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/04/06/em-uma-decada-bra- sil-perde-um-terco-das-escolas-com-aula-do-ensino-fundamental-para-a- dultos.ghtml 80 ALFABETIZAÇÃO E INCLUSÃO AULA 15 81 Fonte: https://pixabay.com A alfabetização não pode ser pensada fora do contexto da inclusão. Nesse sentido, o pressuposto adotado nesse estudo é o de que todos os indivíduos possuem diferentes características e necessidades de aprendizagem e devem ser respeitados em suas peculiaridades e ritmos de aprendizagem. o processo de desenvolvimento de cada pessoa segue uma trajetória singular. Um mesmo ponto de partida nunca levará a um mesmo ponto de chegada. Portanto, é preciso ver os sujeitos portadores de algum tipo de deficiência como sujeitos comple- tos, e estudar o modo como manejam e aplicam os recursos disponíveis, na medida em que isso pode levá-losa compensar seus déficits específicos mediante outros tipos de recursos (OLIVEIRA; REGO, 2010, p. 116). A inclusão demanda a necessidade de identificação de caminhos alternativos para a aprendizagem por meio de uma investigação do sujeito que apontará fato- res a ser desenvolvidos de modo a potencializar o processo de ensino e aprendi- zagem da criança com planos de trabalho específicos e intervenções apropriadas para a promoção do processo de aquisição da leitura e escrita. No processo de alfabetização é comum detectar alunos que não possuem as habilidades motoras para o registro por meio da escrita, ou encontram-se em estágios de desenvolvimento cognitivo diferenciado que demandará um esforço maior para trabalhar com as representações simbólicas, abstratas e necessárias para a aquisição da escrita. O processo de ensino e aprendizagem de alunos com laudos de algum com- prometimento especial demanda a adaptação curricular, a adaptação da ação pedagógica e a adaptação de materiais. O uso de atividades lúdicas auxilia o de- senvolvimento com o intuito de proporcionar ao aluno as condições necessárias para aprender. https://pixabay.com/pt/photos/braille-fonte-chaves-placa-de-metal-52554/ 82 A proposição diária de brincadeiras como massinha e jogos de encaixe são ex- celentes para desenvolvimento da motricidade da criança com desenvolvimento motriz mais lento. Técnicas de pintura e confecção de objetos artesanais também podem auxiliar no desenvolvimento da criança. Os exercícios repetitivos de coordenação motora em fichas descontextualiza- das são cansativos, estressantes e sem significado para a criança, além de pro- duzir as dificuldades para a aprendizagem por não estabelecer vínculo com o desenvolvimento cognitivo do ser humano, que é atraído pela criatividade e pelo envolvimento com o objeto de aprendizagem. Ressalta-se aqui que o desenvolvimento de atividades motoras por meio da ludicidade é apenas um ponto de partida. À criança com necessidades especiais de aprendizagem devem ser apresentadas todas as possibilidades de acesso ao conhecimento para o seu desenvolvimento. O processo de alfabetização da criança especial pode levar mais tempo e pode trazer mais equívocos nas escritas iniciais. Algumas das principais dificuldades estão relacionadas à interação, compreensão do processo de escrita, desse modo, recursos metodológicos específicos precisam ser utilizados. Aos deficientes visuais o uso da reglete e da máquina de braile é um recurso fundamental, ao deficiente auditivo o uso da leitura labial e da Língua Brasileira de Sinais. Muitas vezes será necessário a adaptação de material como lápis mais gros- so, lápis adaptado para que fique preso a mão, textos ampliados, comunicação visual por piscadas, por cores, enfim, é preciso que haja criatividade para ensinar e aprender no contexto da inclusão. Não se trata de intensificar repetidas vezes a mesma estratégia para a apren- dizagem, mas de apresentar insistentemente diferentes maneiras para que a aprendizagem ocorra. Na prática inclusiva, o modo como se organiza o ensino é determinante para que todos os aluno(a)s construam aprendizagens significativas e participem o máximo possível das atividades de sala de aula. A experiência demonstra que, quanto mais flexível e ajustado for o ensino às diferenças individuais do(s) aluno(a)s, maiores serão as possibilidades de os aluno(a)s aprenderem e participarem das atividades juntos com seus companheiros (BRASIL, 2005, p. 175). 83 É importante destacar que a criança com necessidades especiais de aprendiza- gem não é somente a que apresenta dificuldades, mas também, a que apresenta altas habilidades e tem extrema facilidade para a aprendizagem e encontrará problemas de ordem emocional e de convivência social com as outras crianças em fases de desenvolvimento diferente da sua. Esse aluno merece um olhar especial e atendimento personalizado. A ideia de tentar padronizar a aprendizagem com os demais alunos da sala trará situações de frustração. A ele deverá ser ofertado mais oportunidades ou será potencialmente um caso de indisciplina. O Ministério da Educação disponibiliza um material que traz orientações so- bre o Sistema Braille e o ensino da Língua Portuguesa, inclusive os princípios de alfabetização. Fonte: http://portal.mec.gov.br No vídeo a seguir é apresentada uma estratégia alternativa para trabalhar a alfabetização e proporcionar aos alunos novas oportunidades de aprendizagem. Título: Como usar o Jogo de luz e sombra - DIVERSA - Educação inclusiva na prática https://www.youtube.com/watch?v=Q-LZYKW2bOU&feature=youtu.be http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=105421-grafia-braille-para-a-lingua-portuguesa-2018&category_slug=dezembro-2018-pdf&Itemid=30192 84 AVALIAÇÃO NA ALFABETIZAÇÃO AULA 16 85 Debates Observação Diálogo Trabalhos individuais e coletivos Produções Textuais Individuais A avaliação consiste em procedimentos que permitem identificar o desenvol- vimento, estagnação ou a não aprendizagem. As informações obtidas por meio de técnicas de avaliação permitem ao professor rever ou avançar processos de ensino aprendizagem. A avaliação no processo de alfabetização e letramento é imprescindível, pois fornecerá os dados necessários para que o professor possa realizar interferências por meio de revisões e planejar as próximas ações pedagógicas de modo a avançar no processo de apropriação da leitura e escrita. Além da avaliação contínua que é realizada diariamente por meio das observações e diálogos do professor com o aluno para acompanhar o seu desenvolvimento. Algumas técnicas pontuais podem ser utilizadas para avaliar no decorrer dos ciclos de aprendizagem como a escrita e leitura de cantigas, fragmentos pequenos de uma música; identificação de palavras- chaves em textos curtos que façam parte da realidade dos alunos. Fonte: Produzida pela autora 86 O processo de alfabetização é um trabalho que exige muito envolvimento do professor com o aluno por meio do diálogo para desvendar suas primeiras repre- sentações e conhecer as (in)coerências entre elas. É por meio do diálogo com a criança que poderão ser conhecidas as suas concepções sobre a escrita e o que ainda não foi apropriado para planejamento do trabalho docente. O diálogo é ponto de partida e ponto de chegada constante, até que haja o domínio pleno do sistema de escrita e a criança passe a ler e escrever com autonomia. O Brasil possui um Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB – composto por avaliações externas para mapear índices da Educação Básica e traçar políticas educacionais. Estudantes, professores e diretores participam do processo de avaliação por meio de provas e questionários. O SAEB é composto por três avaliações externas: Avaliação Nacional da Educação Básica- ANEB/Prova Brasil, Avaliação Nacional do Rendimento Escolar - ANRESC e Avaliação Nacional da Alfabetização – ANA. As avaliações estão passando por reformulações havendo indicações de que serão realizadas por amostras e outras serão suspensas até que as escolas se adaptem às novas determinações da Base Nacional Comum Curricular. Isto está na rede Avaliação de alfabetização: o que é e como funciona Autora: Gabriele Silva Fonte: https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/noticias/avaliacao-de-alfabetizacao-o-que-e-e-co- mo-funciona 87 CONCLUSÃO O processo de alfabetização requer que todos os esforços sejam realizados, desde as políticas públicas dos Governos Federal, Estadual e Municipal até às ações da gestão educacional na pessoa do diretor de escola, coordenador pe- dagógico e aos professores em sala de aula. Se todas as ações que antecedem a atuação do professor com o aluno no processo da apropriação da leitura e escrita forem bem-sucedidas e o processo não for bem desenvolvido em sala de aula não teremos o sucesso no processode alfabetização. O professor precisa chamar a responsabilidade da alfabetização para si. Além dos esforços faz-se necessário o uso de recursos e estratégias diversificadas res- peitando as maneiras diferentes de aprendizagem, os ritmos de aprendizagem e e a condição do indivíduo na etapa infantil ou fase adulta. Para que haja diferentes atuações de ensino e aprendizagem é necessário que o professor conheça as variedades existentes para fazer o uso delas. Ao longo do estudo pudemos analisar que um método ou teoria em especial não pode ser tido como a solução para a aprendizagem de todos os alunos, devido às peculiaridades do modo como cada indivíduo aprende. O uso de recursos atrativos para a alfabetização é fundamental, recursos esses que precisam estar em sintonia com a concepção de ensinar e aprender brincando e as aproximações com as inovações tecnológicas como recurso desencadeador da aprendizagem. Os conteúdos apresentados nesta disciplina são conceitos iniciais sobre al- fabetização e letramento que poderão ser aprofundados em novas buscas. É importante lembrar que o pedagogo lida constantemente com o conhecimento e o conhecimento está frequentemente sendo modificado, do mesmo modo o professor deverá manter-se atualizado em sua área de atuação para exercê-la com competência. Caro aluno, foi um prazer poder compartilhar essas ideias com você! Espero que desfrute da doçura de alfabetizar letrando. Tenha a certeza do valor social, econômico e humano do educador no exercício da alfabetização. 88 REFERÊNCIAS ABREU, Luiz Carlos de et al. A epistemologia genética de Piaget e o construtivismo. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum., São Paulo, v. 20, n. 2, p. 361-366, ago. 2010. BRANDÃO, C. R. O que é método Paulo Freire. São Paulo. Brasiliense. 1981. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_ EC91_2016.pdf. Acesso em: 3 dez. 2018. BRASIL. 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