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Paulo Heraldo Costa do Valle Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte Unidade 2 Bases Fisiológicas para a Suplementação Nutricional Livro didático digital Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ANDRÉA CÉSAR PEDROSA Projeto Gráfico MANUELA CÉSAR ARRUDA Autor PAULO HERALDO COSTA DO VALLE Desenvolvedor CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS Olá. Meu nome é PAULO HERALDO COSTA DO VALLE. Sou formado em fisioterapia, com mestrado e doutorado em fisiologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com uma experiência técnico, profissional e acadêmica na área de saúde a mais de 25 anos. Trabalhei em várias como a Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI), Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), Universidade Gama Filho (UGF), Universidade Ibirapuera (UNIb), Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e Kroton Educacional. Já trabalhei como consultor AD HOC do MEC para autorização, reconhecimento e renovação de cursos de graduação durante 10 anos e fui membro da Comissão Assessora do Curso de Fisioterapia do Exame Nacional de Desempenho do Estudante – ENADE. Fui membro da Comissão de Qualificação de Cursos e da Comissão de Educação do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO e membro da Comissão de Sindicância do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - CREFITO. Fui Vice Presidente da Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia e Presidente da Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia. Além da Telesapiens já produzi conteúdos para a Kroton Educacional, Editora Guanabara Koogam, 5G Educacional, Uninter, Delínea, Must e Campanha Nacional de Escolas da Comunidade. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso trabalho junto com a Editora Telesapiens compondo o seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo sempre. Autor PAULO HERALDO COSTA DO VALLE INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimen- to de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser prioriza- das para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofun- damento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma ativi- dade de autoapren- dizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; Iconográficos Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo pro- jeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: SUMÁRIO Introdução......................................................................................10 Competências................................................................................11 Bases fisiológicas para a suplementação nutricional.....12 Carboidratos.........................................................................................................15 Ingestão dos carboidratos..........................................................17 Ingestão dos carboidratos durante o exercício físico........18 Ingestão dos carboidratos após o exercício físico............19 Proteínas...................................................................................................................20 Proteínas e exercício de força.................................................21 Ingestão de proteínas....................................................................22 Suplementos nutricionais.........................................................24 Introdução utilização de suplementos nutricionais.................24 Recomendações nutricionais..................................................................25 Indicações dos suplementos...................................................................27 Principais alterações decorrentes da utilização dos suplementos........................................................................................................28 Suplementação de carboidratos e lipídios.........................30 Utilização dos carboidratos para a suplementação...............30 Suplementação de carboidratos antes do exercício físico.........................................................................................................30 Suplementação de carboidratos durante o exercício físico..........................................................................................................32 Suplementação de carboidratos após o treinamento.........................................................................................34 Suplementação lipídica...............................................................................35 Introdução a suplementação lipídica................................35 Suplementação de óleo de peixe........................................37 Suplementação com ácidos graxos ômega.................37 Suplementação do ácido linoleico conjugado..........38 Suplementação de proteínas..................................................40 Suplementação de proteínas...................................................................40 Principais benefícios da utilização de um suplemento proteico...................................................................................................42 Principais tipos de suplementos proteicos...................44 Treinamento de resistência.......................................................45 BCAAS (Aminoácidos de cadeia ramificada)...............46 Creatina...................................................................................................46 Bibliografia.....................................................................................50 Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 9 UNIDADE 02 BASES FISIOLÓGICAS PARA A SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte10 Olá tudo bem com você? Prezado aluno gostaria de convidar você neste momento para continuar o processo de conhecimento e aprendizagem, tenho certeza que será muito enriquecedor, repleto de desafios e estímulos para o seu o crescimento. Você é o nosso convidado especial para continuar esta viagem através do conhecimento, durante esta trajetória você irá se deparar com trilhas muito interessantes e desafiadoras em todo este percurso. Podemos continuar? O tema desta segunda unidade é Bases fisiológicas e suplementação nutricional, o qual está dividido nos seguintes conteúdos: Bases fisiológicas para a suplementação nutricional. Suplementos nutricionais. Suplementação de carboidratos e lipídios. Suplementação de proteínas. INTRODUÇÃO Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 11 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2 - Bases Fisiológicas para a Suplementação Nutricional. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Conhecer em detalhes as bases fisiológicas para a suplementação nutricional; 2. Conhecer em detalhes os suplementosnutricionais; 3. Conhecer em detalhes a suplementação de carboidratos e lipídios; 4. Conhecer em detalhes a suplementação de proteínas. Então? Preparado para continuar esta viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! COMPETÊNCIAS Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte12 Bases fisiológicas para a suplementação nutricional Ao término deste capítulo você será capaz de entender em detalhes todas as bases fisiológicas para a suplementação nutricional, como também as formas de suplementação nutricionais através da utilização dos carboidratos, lipídios e proteínas. Suplementos nutricionais Os atletas necessitam de vários tipos diferentes de nutrientes em função: da massa corporal; dos tipos de treinamento e da modalidade esportiva Os suplementos esportivos são utilizados com frequência pela grande maioria dos atletas ou indivíduos que são fisicamente ativos, tendo como principais objetivos: Aumento do desempenho esportivo; Hipertrofia muscular; Aumento da imunocompetência; Entre outros fatores. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 13 Figura 1: Atletas Fonte: Pixabay Uma boa parte dos atletas utiliza pelo menos um suprimento nutricional em altas doses frequentemente (GUYTON & HALL, 2017). Na tabela a seguir você pode observar alguns dos principais suplementos nutricionais utilizados pelos atletas. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte14 Tabela 1: Suplementos nutricionais e seus efeitos Fonte: Curi (2013, P. 316) SUPLEMENTO DESCRIÇÃO EFEITOS ESPERADOS Beta-hidroxi beta- metil butirato (HMB) Metabólito do ami- noácido leucina Diminuição da de- gradação proteica e aumento da massa magra e força. Bicarbonato de sódio Composto que atua no tamponamento do sangue Tamponamento do ácido lático, aumen- to do desempenho em exercício de alta intensidade. Cafeína Substância deriva- da da xantina, com ações estimulantes, presente no café, chocolate, chá verde e chá preto. Aumento do desem- penho. Carnitina Substância utilizada no transporte de áci- dos graxos de cadeia longa. Aumento da oxidação dos ácidos graxos, redução da massa corporal e melhora do consumo máximo de oxigênio. Coenzima Q10 Componente da cadeia de transporte de elétrons mitocon- driais. Melhora do consumo máximo de oxigênio, desempenho e redu- ção da fadiga. Colina Precursor do neuro- transmissor acetilcolina. Melhora do desem- penho e redução da fadiga. Creatina Carreador de grupa- mento fosfato. Aumento da força, redução da fadiga e aumento da síntese proteica. Glutamina Aminoácido condicionalmente indispensável. Melhora da função imunológica, ressín- tese de glicogênio muscular e aumento do desempenho físico. Picolinato de cromo Mineral traço essencial. Redução da massa corporal e aumento da massa muscular. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 15 Figura 2: Suplementos esportivos Fonte: Pixabay Carboidratos Os carboidratos são considerados como importantes fontes de energia durante a realização do exercício físico, sendo que o glicogênio muscular e a glicose sanguínea são substratos imprescindíveis para a ressíntese do trifosfato de adenosina na célula muscular durante a realização do exercício físico. Com o aumento da intensidade do exercício físico, os carboidratos da dieta acabam sendo ainda mais necessários. A utilização dos carboidratos por meio das células musculares vai garantir a execução dos exercícios até os de alta intensidade. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte16 Figura 3: Carboidratos Fonta: Freepik A grande importância quanto a disponibilidade dos carboidratos durante o exercício físico, de intensidade moderada, com duração prolongada, está relacionada com a fadiga física estando associada com a diminuição da concentração de glicogênio muscular e/ou hipoglicemia. A diminuição dos estoques endógenos de carboidratos durante o exercício físico vai provocar uma redução na concentração intramuscular de piruvato, o qual atua como um importante substrato para a formação do acetil CoA, como também nas reações de fornecimento dos intermediários do ciclo de Krebs (CURI, 2013). O piruvato é um precursor do oxaloacetato o qual vai se condensar com o acetil Coa para produzir o citrato, a produção do oxaloacetato é primordial para a oxidação dos ácidos graxos durante o exercício físico, visto que Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 17 o processo de β oxidação dos ácidos graxos vai levar à produção de grande quantidade de acetil CoA. Isso significa que os carboidratos são considerados como fundamentais para a dieta de todos os atletas. Existem várias estratégias nutricionais que podem ser utilizadas com a finalidade de melhorar a disponibilidade dos carboidratos proporcionando uma melhora quanto ao desempenho do atleta. Estes objetivos podem ser alcançados por meio da: Ingestão dos carboidratos antes dos exercícios físicos com a finalidade de reposição dos estoques de glicogênio muscular e hepático. Ingestão de carboidratos durante o exercício com o objetivo de manter a glicemia como também as altas taxas de oxidação da glicose originada do plasma. Já o treinamento de endurance vai acarretar uma diminuição da dependência de glicogênio muscular, glicogênio hepático e glicose sanguínea durante a realização do exercício físico na mesma intensidade absoluta, com aumento da oxidação dos ácidos graxos (CURI, 2013). Ingestão dos carboidratos As diretrizes referentes a alimentação dos atletas e dos indivíduos fisicamente ativos estão disponibilizadas quanto à porcentagem referente a participação de cada macronutriente em relação ao valor energético total ingerido. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte18 IMPORTANTE: As recomendações são as seguintes: 5 a 7 g de carboidrato/kg/dia durante um treinamento de intensidade moderada; 7 a 10 g de carboidrato/kg/dia durante o treinamento intenso e prolongado; Os atletas de endurance envolvidos nos programas de treinamentos exaustivos precisam então aumentar a ingestão dos carboidratos para 10 a 13 g carboidrato/kg/dia quando o treinamento é realizado diariamente, visto que esta ingestão vai possibilitar a repleção dos estoques de glicogênio, uma vez que todos estes estoques podem ser eliminados em uma única sessão de treinamento. Ingestão dos carboidratos durante o exercício físico Já é comprovado que a suplementação por volta de 40 a 65 g de carboidratos por hora durante o exercício físico é o suficiente para manterem a concentração sanguínea de glicose, apresentando uma grande influência nos exercícios de endurance. A ingestão da glicose, sacarose e maltodextrina durante a realização dos exercícios físicos garantem efeitos muito positivos sobre o desempenho.. A glicose exógena é oxidada na taxa máxima de 1g/min enquanto que os outros dois monossacarídeos frutose e galactose vão ser oxidados em taxas bastante inferiores durante a realização do exercício físico, isto ocorre em função da conversão da frutose e galactose em glicose no fígado antes que os açucares sejam metabolizados (CURI, 2013). Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 19 IMPORTANTE: A taxa máxima com que um único tipo de carboidrato pode ser oxidado é por volta de 1 g/ min, sendo que esta taxa máxima de oxidação de carboidrato exógeno pode ser alcançado quando a ingestão é por volta de 1 a 1,2 g/min, o que significa que os atletas precisam ingerir por volta de 60 a 70 g de carboidratos por hora para uma oferta do nutriente. Portanto uma ingestão maior do que esses valores não vai acarretar em maiores taxas de oxidação dos carboidratos isolados ingeridos, estando também associados com um desconforto intestinal.Ingestão dos carboidratos após o exercício físico A repleção do glicogênio muscular após o exercício físico acontece em duas diferentes fases que são: 1) Por volta de 30 a 60 minutos após o exercício físico, sendo que a permeabilidade da membrana plasmática da célula muscular, a glicose, como também a atividade da enzima glicogênio, sintetase estão elevadas de forma que a ressíntese do glicogênio vai ocorrer rapidamente. Esta fase é iniciada imediatamente após a finalização do exercício físico, sendo caracterizada por meio de mecanismos que são independentes de insulina. 2) É mais lenta sendo dependente da insulina e continuando até que a concentração do glicogênio esteja próxima dos valores encontrados em repouso, normalmente dentro de 24 horas. A ressíntese rápida das reservas do carboidrato endógeno no organismo durante as horas seguintes à prática da atividade física é considerada como um ponto crítico para os atletas que estão envolvidos em várias atividades em um único dia. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte20 No momento que as reservas de glicogênio muscular são depletadas, a glicose ingerida que não for utilizada pelo leito esplâncnico vai auxiliar para a ressíntese do glicogênio muscular. IMPORTANTE: A ingesta de uma solução de carboidratos após 2 horas da finalização do exercício físico, vai ocasionar a ressíntese do glicogênio 47% mais lenta, comparado durante 4 horas após o exercício físico comparado com a mesma ingestão quando praticado imediatamente após o exercício físico. Nos casos onde os intervalos entre as sessões de exercícios físicos são muito curtos, ou seja, menores que 8 horas, o tempo de recuperação efetiva do atleta deve ser maximizado por meio da ingestão imediata de carboidrato após o exercício físico. Porém quando os períodos de recuperação são mais prolongados os atletas têm mais opções desde que façam a ingestão da quantidade recomendada de carboidratos na dieta. Proteínas As proteínas são consideradas como os componentes estruturais e funcionais mais importantes de toda as células do corpo humano, sendo que as enzimas, carreadores de membrana, transportadores de hormônio do sangue, matriz extracelular, queratina, colágeno e vários hormônios são proteínas (CURI, 2013). Mesmo devido esta grande diversidade quanto as enzimas e as proteínas em todo o organismo, por volta de Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 21 50% do conteúdo proteico total está presente em quatro proteínas que são: Miosina; Actina; Colâgeno; Hemoglobina. Um indivíduo de 70Kg possui aproximadamente 12 kg de proteínas e 200 a 230 g de aminoácidos livres, sendo que o músculo esquelético vai representar por volta de 40 a 45% da massa corporal total e possui por volta de 7 Kg de proteínas, com aproximadamente 66% na forma de proteínas contráteis e 34% na forma de proteínas não contráteis (CURI, 2013). Aproximadamente 130 g de aminoácidos livres estão no espaço intramuscular, e na circulação sanguínea por volta de 5 g de aminoácidos livres. Os dois componentes em maiores quantidades no músculo esquelético são a água e as proteínas na ordem de 4:1, ou seja, para o aumento de 1Kg de músculo esquelético vai existir uma elevação em torno de 200g de massa muscular. Proteínas e exercício de força O exercício de força é considerado como muito eficiente para a hipertrofia dos músculos esqueléticos, ocorrendo quando a taxa de síntese proteica muscular é maior do que a taxa de degradação, de forma que o balanço proteico vai ser positivo. O efeito agudo do exercício de força vai melhorar o balanço proteico, entretanto na ausência da ingestão dos alimentos esse balanço vai permanecer negativo (catabólico). Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte22 Portanto o exercício de força pode diminuir o saldo de degradação proteica muscular na falta dos nutrientes, já o saldo positivo ou anabolismo vai ocorrer em resposta a ingestão dos nutrientes (GUYTON & HALL, 2017). Sendo recomendado como uma prática a alimentação após o exercício físico, devendo ser priorizado a hidratação do indivíduo somada a ingestão de carboidratos (1g/kg de massa corporal) e de proteínas (6 a 10g). Esse consumo de proteína pode ser realizado por meio da utilização de alimentos devido à baixa quantidade que é necessária ser ingerida. Ingestão de proteínas A quantidade diária de proteínas ingeridas pelos atletas precisa levar em consideração os aspectos que estão envolvidos tanto com o treinamento de força como o de resistência. A ingestão proteica é considerada como adequada quando for de 1,6 g/kg/dia para os atletas de endurance de alto nível, enquanto que o consumo de 1,7 a 1,8 g/kg/ dia de proteínas é indicado para os indivíduos que estão iniciando um programa de treinamento mais intenso. A atividade contrátil vai aumentar as respostas anabólicas, portanto o treinamento frequente vai deixar o metabolismo proteico mais eficiente com relação a ingestão de proteínas, isso quer dizer que a necessidade proteica dos atletas que realizam o treinamento de força, com um longo período de treinamento e que estão envolvidos quanto a manutenção da massa muscular diminuindo para 1,2 g/kg/dia de proteínas. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 23 IMPORTANTE: Para garantir esse aumento quanto a ingestão proteica é necessário uma dieta com um valor calórico total adequado como também a seleção dos alimentos que são fontes de proteína de alto valor biológico, é importante destacar que a ingestão das proteínas em excesso não acarreta em uma maior síntese proteica, uma vez que existe um platô quanto ao aumento da taxa de síntese proteica, mesmo com a elevação da ingestão de proteínas na dieta. Portanto pode ser indicado para todos os atletas que estão envolvidos tanto com exercícios de endurance como também de força, sendo importante frisar que estas quantidades proteicas podem ser obtidas através de uma dieta mista que possua por volta de 12 a 15% de energia na forma de proteínas. Além disso, o aumento do gasto energético devido o exercício físico vai proporcionar uma elevação da ingestão calórica total, o que acaba melhorando o consumo das proteínas em valores superiores aos recomendados para os indivíduos sedentários. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte24 Suplementos nutricionais A suplementação nutricional pode ser considerada como benéfica em muitos casos, visto que são bastante uteis em função das atividades que poderiam levar a fadiga em virtude por exemplo da baixa disponibilidade de carboidratos. Figura 4: Suplementos nutricionais Fonte: freepik Introdução utilização de suplementos nutricionais Existem vários tipos de suplementos esportivos com níveis diferentes de eletrólitos e carboidratos que podem ser utilizados com o objetivo de melhorar o desempenho esportivo. IMPORTANTE: As principais razões para a utilização dos suplementos são: evitar a desidratação; compensar a perda dos eletrólitos; compensar a perda das reservas dos carboidratos corporais; ganho de massa muscular. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 25 IMPORTANTE: A escolha do suplemento mais indicado deve levar em consideração: tolerância do atleta; composição da fórmula; praticidade. Um dos objetivos da suplementação é utilizar os recursos ergogênicos. O termo ergogênicos tem origem grega, e o seu significado é: ergon = trabalho e gennan = produção, ou seja, os recursos ergogênicos podem ser definidos como uma forma de atingir uma estratégia para aumentar a capacidade de trabalho. Atualmente os produtos esportivos comercializados são formulações desidratadas na forma de pó, que devem ser misturadas com líquido para serem consumidas ou podem ser na forma de gel que já é prontopara o consumo. Existem recursos ergogênicos diretos e indiretos, sendo que os diretos são indicados para a melhora do desempenho durante o exercício físico, já os indiretos vão oferecer uma proteção contra as lesões, recuperação tecidual rápida e melhora do perfil anabólico e catabólico do organismo. Também existem vários mecanismos que podem ser utilizados para o desempenho esportivo, tanto para o exercício de força como também para o de endurance. Recomendações nutricionais Antes de ser indicado qualquer tipo de suplementação é necessário a realização de uma orientação dietética adequada. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte26 A base fundamental para qualquer praticante de uma atividade física é a ingestão correta de carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminais, fibras e minerais (CURI, 2013). A Sociedade Internacional de Esportes e Nutrição realiza recomendações periódicas com relação a quantidade adequada tanto dos macronutrientes como também dos micronutrientes na alimentação, lembrando sempre que deve ser de forma individualizada de acordo com a carga de atividade física de cada indivíduo, é importante ressaltar que existem algumas particularidades com relação aos idosos e as dietas hipocalóricas. Na tabela a seguir você pode observar as últimas recomendações da Sociedade Internacional de Esportes e Nutrição. Tabela 2 – Recomendações da Sociedade Internacional de Esportes e Nutrição da quantidade de ingestão de macronutrientes com relação a atividade física. Fonte: (COSTA E BORBA, 2015, p. 124) Quantidade/ atividade física 3x/semana 30-40 minutos 5-6x/semana 120-180 minutos 5-6x/semana 180-360 minutos Calorias 25 a 35 kcal/ kg/dia 50 a 80 kcal/ kg/dia 50 a 80 kcal/ kg/dia Carboidratos 45-55% dieta (3 a 5 g/kg/dia) 55-65% dieta (5 a 8 g/kg/ dia) (8 a 10 g/kg/ dia) Proteínas 0,8 a 1 g/kg/ dia 1 a 1,5 g/kg/ dia 1,5 a 2 g/kg/ dia Lipídios 30% dieta 30% dieta 30% dieta Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 27 Indicações dos suplementos A suplementação primária é indicada nos casos onde não é mais possível prover as necessidades diárias dos nutrientes por meio da alimentação. Uma outra indicação da suplementação está relacionada como uma forma de praticidade, devido a falta de tempo para se fazer refeições mais adequadas, antes ou após o exercício físico ou ainda durante um treinamento de longa duração (COSTA & BORBA, 2015). Atualmente existe um grande interesse quanto a utilização dos suplementos nutricionais uma vez que vão acelerar os resultados decorrentes de uma atividade física. IMPORTANTE: A hipertrofia dos músculos esqueléticos decorrente do treinamento de força, é considerada como a mais estudada quanto a ergogenia da suplementação. Existem mais de 250 tipos de suplementos alimentares, sendo que os suplementos possuem carboidratos, proteínas, lipídios, minerais, vitaminas, enzimas, substâncias do metabolismo intermediário, por exemplo, os aminoácidos além de vários tipos de extratos vegetais e animais. Os suplementos podem ser classificados em: Conveniência – Barras energéticas e bebidas com carboidratos e minerais, oferendo uma quantidade adequada de calorias e substâncias; Ganho ou perda de peso; Melhora da performance (COSTA & BORBA, 2015). Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte28 Principais alterações decorrentes da utilização dos suplementos As principais alterações em função da utilização dos suplementos são: Manutenção da glicemia que é fundamental para o sistema nervoso central; Aumento da oxidação da glicose durante o exercício físico; Redução da degradação do glicogênio hepático e muscular; Aumento da síntese de glicogênio após o exercício físico. Para o cálculo da quantidade diária de carboidrato de um atleta devem ser levadas em consideração as necessidades basais aliadas com o gasto com o treinamento físico. É recomendado por volta de 5 a 10 g/Kg/dia para prover essas necessidades de acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte, um atleta por exemplo com 70 Kg deve consumir por volta de 700 g ao dia, isso equivale por volta de 2.800 kcal diárias de carboidratos (COSTA & BORBA, 2015). Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 29 Tabela 3 – Indicações e contra indicações dos suplementos Fonte: (COSTA E BORBA, 2015, p 125) SUPLEMENTO INDICAÇÕES CONTRA INDICAÇÕES Carboidrato Exercícios de longa duração Diabéticos Proteínas (Whey-protein) Baixa ingestão através da dieta Alérgicos a proteína do leite, doentes renais crônicos e hepatopatas BCAAs Ganho massa mus- cular, final provas longas e potencial efeito anti inflamatório Doentes renais crônicos e hepato- patas Creatina Ganho de massa, força muscular e reabilitação física Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte30 Suplementação de carboidratos e lipídios No ano de 1986 foram realizados os primeiros estudos sobre a suplementação de carboidratos através da indústria Gatorade. Na época eles demonstraram que após 3 horas de atividade física, a suplementação dos carboidratos iria poupar o glicogênio muscular nos últimos estágios do exercício físico, porém estudos posteriores não conseguiram demonstrar os mesmos resultados. Utilização dos carboidratos para a suplementação Existem estudos que apresentam excelentes resultados em algumas áreas do sistema nervoso central, sendo observado um aumento no desempenho decorrente da utilização dos carboidratos. IMPORTANTE: De acordo com a Sociedade Internacional de Esportes e Nutrição a suplementação com carboidratos é considerada como muito eficiente principalmente para os exercícios aeróbicos de longa duração. Suplementação de carboidratos antes do exercício físico A suplementação pode proporcionar um atraso na diminuição da glicose sanguínea, como também a ingestão do carboidrato antes do exercício físico pode auxiliar na manutenção das reservas de glicogênio como também quanto a prevenção de dores de cabeça, vertigens, náuseas entre outros sintomas adversos. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 31 A refeição antes do treinamento precisa conter quantidades apropriadas de carboidratos, estando relacionado de acordo com a fonte e o tipo (monossacarídeos, polissacarídeos e amido) (CURI, 2015). O tempo de digestão deve ser levado em consideração para que o processo ocorra antes da prática do exercício físico. Podem ser utilizado antes do exercício físico os carboidratos com baixo peso glicêmico (IG), sendo que estes carboidratos vão ocasionar um pequeno aumento da glicose e insulina plasmática, ao serem comparados com o consumo de carboidratos de alto índice glicêmico (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Foram realizadas comparações dos efeitos de ingestão de carboidratos de baixo e altos índices glicêmicos, ao serem comparados três horas antes do exercício físico de corrida, como também com relação à capacidade de endurance até atingir a exaustão. A ingestão de um composto de carboidratos com baixo índice glicêmico consumida três horas antes do exercício físico, aperfeiçoou a capacidade de endurance ao ser comparado com o grupo que realizou o consumo de uma mistura de carboidratos com alto índice glicêmico (CURI, 2015). Neste caso esta diferença pode ser explicada quanto a oxidação dos ácidos graxos e a manutenção da glicemia durante o exercício físico no grupo que utilizou uma refeição rica em carboidratos com baixo índice glicêmico. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte32 Suplementação de carboidratos durante o exercício físico A recomendação da suplementação de carboidratos durante a atividade física é para os exercícios com maior duração, sendo que existe um grande efeito positivo da suplementação dos carboidratosdurante o exercício físico com duração maior que 60 minutos. A ingestão dos carboidratos deve ser realizada a cada quinze ou vinte minutos após a primeira hora, por volta de seis a oito gramas de carboidratos. IMPORTANTE: A intensidade do exercício físico apresenta um grande efeito com relação a oxidação dos carboidratos. O aumento da intensidade do exercício físico vai ativar uma maior quantidade de massa muscular que vai elevar a necessidade da glicose como fonte de energia. A elevação da glicogenólise muscular e da glicemia auxiliar para suprir a demanda energética. A suplementação dos carboidratos durante o exercício físico vai ajudar na quebra do glicogênio hepático. A suplementação dos atletas com 40 a 75 g de carboidratos por hora vai proporcionar resultados positivos, indicando, portanto, que está pode ser considerada como a faixa ideal. As concentrações maiores de carboidratos não vão proporcionar uma melhora adicional quanto ao desempenho dos atletas (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Os maiores benefícios dos carboidratos são encontrados quando utilizados durante os exercícios com Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 33 duração maior que 60 minutos, portanto nos exercícios de longa duração os resultados são encontrados com pequenas doses de carboidratos por volta de 16 g/h. Quanto a forma a suplementação dos carboidratos pode ser tanto sólida como líquida, devendo neste caso ser levado em consideração a tolerância gastrointestinal de cada atleta. A utilização dos carboidratos apresenta uma limitação quanto a ingestão e absorção e posteriormente quanto ao transporte da glicose para a circulação sistêmica, captação celular e a capacidade de oxidação muscular. Durante a realização de um exercício físico de alta intensidade, ou seja, maior que 80% do consumo máximo de oxigênio existe a diminuição do fluxo sanguíneo no intestino, podendo levar a uma diminuição de absorção tanto da glicose como também da água. De forma complementar o consumo dos suplementos com uma grande quantidade de carboidratos vai diminuir o esvaziamento gástrico, levando a desidratação da mucosa colônica como também a mudança na pressão osmótica dos líquidos corporais. Portanto a taxa de absorção intestinal colabora para a limitação da oxidação dos carboidratos (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). O fígado também é um órgão que possui uma importante participação em todo este processo. A produção de glicose hepática é regulada pela aquela proveniente do intestino. A suplementação dos carboidratos exógenos mantém os estoques endógenos de glicogênio no fígado e no músculo, garantindo a glicemia e aumentando a capacidade de endurance e desempenho no exercício físico. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte34 Suplementação de carboidratos após o treinamento A suplementação dos carboidratos em seguida a finalização do exercício físico vai auxiliar na reposição dos estoques de glicogênio muscular e hepático, uma vez que sem a suplementação são necessários por volta de doze a quarenta e oito horas para que ocorra a ressíntese. IMPORTANTE: Outra alteração encontrada decorrente da suplementação dos carboidratos é a redução da secreção do cortisol, a função deste hormônio é estimular o catabolismo e causar a imunossupressão. Deve ser administrado de 1,0 a 1,5 g/kg de carboidratos na refeição posteriormente ao exercício físico. Para um indivíduo com um peso corporal de 70 Kg é necessário de 70 a 105 g de carboidrato, por volta de 280 a 420 kcal. A manutenção da quantidade de carboidratos nas horas seguintes ao exercício físico é fundamental, uma vez que a ressíntese do glicogênio muscular e hepático está relacionada com este aporte. A suplementação posteriormente ao treinamento deve ser formada por carboidratos e proteínas que são digeridas facilmente com o objetivo de agilizar o processo de absorção. O consumo de forma adequada dos carboidratos vai aumentar os valores, ativar as enzimas responsáveis para a produção do glicogênio e a captação dos aminoácidos nos músculos esqueléticos incentivando a síntese proteica (CURI, 2015). Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 35 Suplementação lipídica Figura 5: Suplementação lipídica Fonte: Pixabay Introdução a suplementação lipídica O consumo de suplementos lipídios para os atletas deve ser em torno de 30% do total de calorias diárias. A quantidade e a qualidade dos lipídios dietéticos vão garantir aos atletas a reposição dos ácidos graxos essenciais para a absorção das vitaminas lipossolúveis, produção hormonal de esteroides e a cicatrização tecidual (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Estes suplementos lipídicos são utilizados com bastante regularidade como os triacilgliceróis de cadeia longa (TGCL), triacilgliceróis de cadeia média (TGCM) óleos de peixe e ácido linoleico conjugado (CLA) conforme você pode observar na tabela a seguir: Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte36 Tabela 4 – Principais suplementos lipídicos e efeitos sugeridos Fonte: (CURI, p 327, 2013) Substância Modo de Ingestão Efeito Sugerido TGCL 1 a 4 horas de exercício físico Reduzir a quebra do glicogênio muscular Melhorar a capacidade de en- durance TGCM 1 hora antes do exercício físico Reduzir a quebra do glicogênio muscular Melhorar a capacidade de en- durance Uso crônico Reduzir a massa corporal CLA Crônico 1 a 9 g/dia Reduz a massa de gordura corporal EPA e DHA (óleo de peixe) Crônico 1 a 6 g/dia Aumenta a deformidade das hemácias Aumento do consumo máximo de oxigênio Previne ou reduz o dano mus- cular Previne ou reduz as respostas inflamatórias Reduz os sintomas asmáticos Melhora o metabolismo Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 37 Suplementação de óleo de peixe Figura 6: Óleo de peixe Fonte: Pixabay Os principais ácidos graxos ômega 6 são o ácido linoleico e o araquidônico, enquanto que os principais ácidos graxos ômega 3 são os ácidos α linoleico, eicosapentaenoico (EPA) e docosa-hexaenoico (DHA). Os ácidos eicosapentaenoico e docosa-hexaenoico são os componentes do óleo de peixe, sendo que seu consumo alto está relacionado com a diminuição das doenças cardiovasculares e os processos inflamatórios crônicos. Suplementação com ácidos graxos ômega A suplementação com ácidos graxos ômega 3 (1 a 4 g/dia) não apresentou uma melhora no consumo máximo de oxigênio aeróbico, sendo que tanto nos indivíduos treinados como também nos não treinados não foi verificado uma melhora quanto a carga máxima atingida nos testes Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte38 incrementais, tempo de endurance, potência aeróbica e desempenho de corrida. Suplementação do ácido linoleico conjugado O ácido linoleico conjugado (CLA) abrange um grupo de isômeros de ácidos graxos (AG) de 18 carbonos derivados do ácido graxo essencial linoleico. Estes e os outros isômeros do CLA são encontrados frequentemente tanto nas carnes como nos produtos derivados de leite. IMPORTANTE: O grande interesse no CLA é devido aos importantes efeitos como a: Redução da massa gorda; Aumento da massa magra; Modulação da função imune; Prevenção de diabetes; Prevenção de obesidade. Os efeitos do CLA com relação a composição corporal foram avaliados tanto nos indivíduos obesos como também nos que estavam com sobrepeso com quantidades que estavam entre 1,7 a 6,8 g ao dia. A divisão quanto a administração diária deve ser realizada da seguinte maneira: café da manhã, almoço e jantar durante um período de 12 semanas, estes resultados ainda não são totalmente conclusivos, uma vez que alguns apresentam efeitos positivos enquanto outros não, esta diferença está relacionada com os fatores relacionados com o controle metodológico e os isômeros escolhidos (CURI,2015). Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 39 Existe indícios quanto ao efeito proinflamatório, sendo indicado uma maior produção de interleucinas, fator de necrose tumoral alfa e prostraglandina (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Figura 7: Efeitos gerais da suplementação do ácido linoleico conjugado Fonte: (CURI, p 328, 2013) Aumento do anabolismo muscular Prevenção de obesidade Aumento do anabolismo ósseo Reduçãoda massa gorda (efeito lipolítico) e aumento na oxidação de ácidos graxos Modulação sobre o sistema imune (efeito anti-inflamatório) Redução da aterosclerose Prevenção do diabetes Efeito anticarcinogênico CLA Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte40 Suplementação de proteínas Figura 8: Suplementos proteicos Fonte: Pixabay A suplementação de proteínas para os praticantes de atividade física é considerada como um assunto bastante controverso, porém nas últimas décadas as pesquisas tem indicado que os indivíduos que realizam atividades físicas intensas, necessitam manter um balanço proteico positivo sendo necessário portanto um aporte de proteína em média duas vezes maior do que a quantidade indicada pela ingestão diária recomendada que é por volta de 0,8 a 1 grama por quilo de peso por dia. Suplementação de proteínas A necessidade máxima para a ingestão de proteína diariamente para os indivíduos que praticam uma atividade física intensa é de duas gramas por quilo de peso por dia, sendo que maiores quantidades podem ocasionar até um piora do desempenho. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 41 Para garantir uma maior eficiência a quantidade de proteína ingerida deve ser equilibrada e ocorrer entre as refeições, sendo que este fracionamento é fundamental devido as vilosidades intestinais que apresentam uma capacidade diferenciada para a absorção dos aminoácidos, de acordo com a composição química dos mesmos (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). A absorção acontece nos diferentes sistemas de transporte, sendo que todos estes sistemas possuem limites na saturação. A ingestão das quantidades certas das proteínas intactas (clara de ovo, carnes, peixes, leite, leite e derivados) vai proporcionar uma quantidade suficiente de aminoácidos essenciais como também de cadeia ramificada, como também as vitaminas e os minerais (CURI, 2015). IMPORTANTE: Os indivíduos fisicamente ativos utilizam os suplementos proteicos através das proteínas hidrolisadas na forma de pó, geralmente estas proteínas em pó são adquiridas através do leite, ovo e soja, sendo que a qualidade está relacionada com o valor da digestabilidade dos aminoácidos. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte42 Principais benefícios da utilização de um suplemento proteico Os principais benefícios da utilização do suplemento roteico são os seguintes: Reposição da quantidade diária necessária de proteínas nos casos onde esta não é obtida por meio da alimentação; Maior facilidade para a digestão, sendo fundamental principalmente para os idosos que apresentam certas dificuldades com relação a mastigação, deglutição e digestão; Menor aporte de gorduras, uma vez que os alimentos ricos em proteínas possuem altas taxas de gordura enquanto que os suplementos proteícos isolados possuem menores taxas; Maior velocidade de absorção, sendo uma característica muito importante para a síntese das proteinas musculares; Existem outras fontes de proteínas integrais que são consideradas como opções para a complementação da quantidade de proteína diária, especialmente quanto ao período pré e pós-treinamento. É necessário que a fonte de proteína possua ótimas quantidades de aminoácidos essenciais para o estímulo da síntese proteica (CURI, 2015). IMPORTANTE: As indicações do Colégio Americano de Medicina do Esporte é a utilização por volta de 1,5 a 2,0 g/kg/dia, portanto um atleta com 80 kg precisa consumir uma média de 120 a 160 g de proteína, o que representa por volta de 480 a 640 kcal com relação ao valor calórico total da dieta. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 43 O emprego das proteínas de alto valor biológico apresenta grandes quantidades de aminoácidos essenciais e podem auxiliar na redução da degradação muscular que acontece nos atletas de resistência aeróbica. A oxidação dos aminoácidos essenciais vai ocasionar a formações dos constituintes da anaplerose do ciclo de Krebs durante a prática do exercício físico. A ingestão de 6 g de aminoácidos essenciais + 35 g de carboidratos posteriormente ao treinamento vai ocasionar um maior estímulo da síntese proteica muscular quando relacionado com uma ingestão imediatamente antes (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Em um treinamento de força em indivíduos jovens e idosos posteriormente a 30 minutos da finalização do protocolo de exercício físico, foram oferecidos 100 ml de um bebida com 34 g de carboidratos (50% de carboidratos e 50% maltodextrina) ou bicarbonato + 11 g de proteína extraída do soro do leite + 2,1 g de l leucina para ambos os grupos. As concentrações plasmáticas de insulina do grupo l leucina foram maiores em jovens e idosos, como a síntese proteica pesquisada pela cinética dos isótopos marcados. É fundamental que alimentação proporcione ótimas quantidades de proteína ao longo do dia, desta maneira as refeições pré e pós treinamentos não podem ser menosprezadas. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte44 Principais tipos de suplementos proteicos IMPORTANTE: Os principais tipos de suplementos proteicos são: Whey-Protein - Proteína do soro do leite, rico em aminoácidos essênciais, sendo que em média cada dosagem possui por volta de 20 a 25 gramas de proteína, existindo uma certa variação entre as marcas existentes no mercado. Caseína – Derivada do leite; Proteína de soja. Os estudos tem demonstrado que a taxa de síntese proteica muscular é maior para os indivíduos que utilizam o Whey-Protein quando comparado com a utilização da caseína ou da proteína de soja. A síntese proteica muscular possui um turnover constante, sendo observado um aumento da degradação proteica após a atividade física acontecendo desde o início da atividade até por volta de 6 horas após o exercício físico, com uma queda posteriormente nas 48 horas seguintes (CURI, 2015). Nos jovens a síntese proteica ocorre nas três primeiras horas posteriormente a atividade física, sendo este período denominado de janela anabólica. A síntese continua em forma de um platô por volta de vinte e quatro horas e posteriormente com uma menor intensidade até atingir por volta de quarenta e oito horas. A utilização das proteínas nos exercícios de endurance também apresenta importantes benefícios, sendo Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 45 observada uma alteração significativa com relação ao nível de insulinemia o que auxilia quanto a melhora na recuperação do glicogênio muscular, sendo também observado uma melhora na biogênese mitocondrial o que vai aumentar a capacidade aeróbica (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Treinamento de resistência Este tipo de treinamento quando realizado com um superávit de proteínas, é capaz de aumentar a síntese proteica muscular por volta de 40 a 100%. Existem muitos trabalhos existentes na literatura que comprovam que a suplementação de proteínas vai proporcionar um aumento tanto no desempenho como também no ganho de massa muscular durante as atividades físicas de resistência. IMPORTANTE: A última recomendação da Sociedade Internacional de Esportes e Nutrição orienta que a suplementação deve ser realizada com vinte gramas de Whey-Protein após o treinamento quando for necessário, nos casos onde a ingestão alimentar por meio dos alimentos não é suficiente para atingira demanda necessária diária de proteína, estando sempre relacionado com o peso e a quantidade de exercício físico semanal. Nos casos onde o treinamento é realizado imediatamente antes do período do sono, é indicado a utilização de quarenta gramas de caseína ou um copo de leite de 200 ml (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte46 Nas dietas hipocalóricas que tem como objetivo a perda ponderal, a ingestão de proteínas deve ser por volta de 35% do valor calórico diário, impedindo que exista perda da massa magra (CURI, 2015). BCAAS (Aminoácidos de cadeia ramificada) Estes aminoácidos vão atuar na síntese proteica através do estímulo das vias que vão levar a uma ativação final da via. Existe um outro benefício quanto a utilização destes aminoácidos nos momentos finais das provas de longa duração como por exemplo a maratona ou iron man, o principal motivo está relacionado com a sua participação no Ciclo de Cori, a reação onde existe a formação de glicose através dos aminoácidos. Creatina Figura 9: Creatina Fonte: Freepik Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 47 É uma amina sendo sintetizada endogenamente através do fígado, rins e pâncreas a começar dos aminoácidos glicina, arginina e metionina. Esta produção endógena é por volta de uma grama por dia, sendo que por meio da dieta é ingerido também uma grama por dia, especialmente em função do consumo de carne vermelha e peixes. IMPORTANTE: A creatina está localizada por volta de 95% dentro do tecido muscular, sendo que de 30 a 40% está na forma livre enquanto que 60 a 70% na forma fosforilada. A taxa de degradação da creatina é de duas gramas por dia, sendo que a degradação da creatina vai ocorrer de forma espontânea, através de uma reação não enzimática, tanto a creatina como a fosfocreatina são transformadas em creatinina. É considerada como o melhor suplemento para a hipertrofia muscular, desde que utilizada através de dosagens corretas, estando em maiores concentrações nas fibras musculares do tipo IIa e IIb estando relacionadas com as fibras de contração rápida e força muscular (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). A creatina atua auxiliando na geração de energia, abastecendo o sistema creatina fosfato sendo considerado como uma importante fonte para a liberação rápida e precoce da energia, atuando na diminuição da formação do lactato. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte48 Sendo considerada como mais eficiente nas atividades de sprints, auxiliando também nas atividades de combate, modalidades coletivas e provas de pequena duração, sendo menores que trinta segundos, enquanto que nos casos das provas de longa duração as provas que necessitam de uma massa corporal mais baixa, sendo que a creatina pode até piorar o desempenho. A dosagem de creatina vai atingir maiores efeitos quanto administradas com 0,3 g/kg por dia, por volta de três/dia, posteriormente deve ser utilizado de três a cinco gramas por dia com o objetivo de manter os estoques necessários (COSTA, TMRL. & BORBA, 2015). Enquanto que uma menor ingestão, por volta de dois a quatro g/dia, por um período de três a quatro semanas, vai levar a um aumento do estoque de creatina intramuscular, estes efeitos quanto ao desempenho com esta dosagem ainda não são tão estudados. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte 49 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudo? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que foi abordado. Estudamos inicialmente neste capítulo as bases fisiológicas para a suplementação nutricional através do estudo de vários suplementos nutricionais esportivos e seus efeitos, como também as formas de suplementação nutricionais através da utilização dos carboidratos, lipídios e proteínas. Foi abordado também as recomendações da Sociedade Internacional de Esportes e Nutrição com relação à quantidade de ingestão de macronutrientes relacionados com a pratica da atividade física. Neste capítulo também foi visto os principais suplementos, utilização dos suplementos antes, durante e após o exercício físico e as contra indicações da utilização dos suplementos. Suplementação Nutricional, Recursos Ergogênicos e Fitoterápicos no Esporte50 BIBLIOGRAFIA COSTA, TMRL. & BORBA, VZC. Suplementos nutricionais. Rev. Med. UFPR 2(3): 123-133, 2015. CURI, TCP. Fisilogia do Exercício. Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan, 2013. GUYTON, AC. & HALL, JE. Tratado de Fisiologia Médica. Rio de Janeiro, 13ª Edição, Editora Elsevier, 2017. HIRSCHBRUCH, MD. Nutrição esportiva: uma visão prática. 3ª Edição, Barueri, 2014. WENDLING, NMS. Introdução à nutrição esportiva. Curitiba, Editora Intersaberes, 2018.