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GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER AULA 1 Prof. Marcos Ruiz da Silva 2 CONVERSA INICIAL Nosso objetivo é falar sobre espaços e equipamentos de esporte e lazer sob o ângulo de apresentar, em linhas gerais, uma breve retrospectiva do passado, desafios do presente e perspectivas futuras. Nesta aula vamos ter contato com os fundamentos gerais sobre o esporte e o lazer. Assim, você irá compreender que o lazer é uma construção social que durante o processo civilizacional sofreu várias alterações na forma com que as pessoas atribuíram sentidos a ele. Da mesma forma, o esporte é uma construção social que estabelece uma interface com o lazer. E, apesar das especificidades culturais de cada grupo social na sua relação com o fenômeno esportivo, existem características mais gerais na sua forma e conteúdo, que se reproduzem no Brasil e no mundo. Ainda será apresentado alguns indicativos sociais sobre o cenário contemporâneo do século 21 com o objetivo de despertar no gestor, a sensibilidade no tratamento do seu objeto de trabalho. Outro ponto importante desta aula será na discussão sobre a cidade enquanto espaço de convivência social, no qual as pessoas contam com oportunidades de lazer e prática esportiva como elementos da promoção da qualidade de vida. Na oficina temática, trouxemos um exemplo sobre equipamento de esporte e lazer para discutir, dentro de alguns fundamentos teóricos, sua articulação com as experiências de lazer das pessoas. TEMA 1 – LAZER COMO UM FENÔMENO SOCIOCULTURAL URBANO NA CIVILIZAÇÃO PÓS-INDUSTRIAL E DE SERVIÇOS O lazer pode ser considerado enquanto um fenômeno sociocultural que foi ganhando contornos distintos, conforme transcorre do processo civilizacional. A ideia que temos de lazer nos dias de hoje é muito distinta do que os gregos, na antiguidade, ou mesmos aquele que o império romano disseminava, por exemplo. Para os gregos, lazer estava associado às atividades contemplativas que levavam a pessoa ao desenvolvimento espiritual. Seu fundamento estava na busca de valores, como: bondade, beleza e sabedoria. 3 No império romano, havia uma distinção em relação ao lazer da elite e o lazer do povo. Para esse primeiro, a ideia de lazer se aproximada o ideal grego, enquanto para a população em geral, estava associado ao divertimento e ao entretenimento. Neste caso, a classe dominante promovia jogos que duraram vários dias, com atrações, como corrida de bigas e lutas dos gladiadores. A oferta de grandes espetáculos, associado à distribuição de alimentos durante os jogos, contribuiu para associar o lazer à ideia de “pão e circo’. Frase de uso cotidiano para referir-se ao lazer, como prática alienadora (Brasileiro, 2013). Apesar de podermos afirmar que a compreensão que as distintas sociedades têm sobre lazer é constituída sobre a influência de vários fatores, inclusive de caráter histórico, um marco na passagem da história que contribuiu para construir sentidos no lazer que conhecemos na atualidade é a Revolução Industrial, que iniciou em 1760, com a transição dos novos métodos de manufatura. Nesse período, o ideal do trabalho, impulsionado pelo discurso de produtividade, associado aos interesses econômicos, se consolida. Assim, valores morais do trabalho são instituídos no lazer e sinônimos de improdutividade e vagabundagem surgem para estabelecer críticas em relação ao uso do tempo livre de forma recreativa (Lafague, 1999). Ao mencionarmos sobre a Revolução Cultural no lazer, proposta apresentada pelo sociólogo francês Joffre Dumazedier (1994), consideramos que a sociedade tem se modificado sob a influência de um movimento, impulsionado pelo comportamento das pessoas na busca por experiências, como a pratica de exercícios físicos, o uso de parques públicos, manifestações artísticas e outras. Isto têm provocado nas pessoas questionamentos sobre sua condição social e seus direitos, não somente de acesso ao trabalho, mas também ao lazer. Em virtude de várias transformações ocorridas no mundo do trabalho, e também em outras dimensões sociais, as fronteiras entre trabalho e lazer estão mais tênues. A própria configuração da forma do trabalho nos dias de hoje, que permite ao cidadão sua realização pessoal, em alguns casos, pode provocar alguma confusão entre esses dois objetos: lazer e trabalho. Contudo, é necessário deixar claro que cada um desses fenômenos conta com dimensões, características, e configurações específicas. Assim, mesmo que o indivíduo encontre prazer em suas atividades laborais, isto não pode ser considerado 4 lazer. Um avanço significativo para a sociedade brasileira, a partir do século 20, quanto às questões do lazer, se dá ao fato de que o lazer passa a ser uma questão para a pauta nas discussões das políticas públicas, inclusive, na Constituição Federal Brasileira de 1988, ele consta com um direito social. Mesmo com a precarização de alguns serviços públicos, conforme a região, o Estado tem desenvolvido várias ações no sentido de garantir esse direito. Outro fator que precisa ser considerado para o gestor, sobre o esporte e lazer, é o de olhar para esses dois fatores e vê-los como produtos de uma determinada indústria: a indústria do entretenimento. Esse segmento tem movimentado uma cadeia produtiva significativa e está gerando empregos, receitas e negócios. São milhares de pessoas que dispendem recursos financeiros para adquirir ingressos para shows, partidas de futebol e outros eventos esportivos ou artísticos, que adquirem pacotes de turismo para conhecer novos lugares e novas culturas, que adquirem roupas e acessórios para a prática esportiva, dentre outras formas de consumo. Entretanto, apesar da indústria, alimentada pelo consumo, proporcionar às pessoas experiências diversas em quantidade e qualidade, é necessário estar atento quanto aos valores “semeados”, como o incentivo ao individualismo, pois mesmo que de forma relativamente inconsciente, as pessoas são levadas, muitas vezes, a ocupar seu tempo livre com práticas individualizadas. Com o acesso ao consumo de alguns equipamentos, como a televisão, é comum as famílias terem em suas casas mais de uma TV. Assim, cada membro desse núcleo social pode assistir seu programa, em seu cômodo, no momento que deseja. Talvez pareça óbvio as pessoas buscarem condições de melhorarem seu conforto, mas é preciso refletir sobre isto e pensar em possíveis prejuízos que esse tipo de comportamento pode afetar o convívio social das pessoas. TEMA 2 – ESPORTE COMO UM FENÔMENO CULTURAL URBANO – UMA BREVE ANÁLISE DA RELAÇÃO ESPORTE/LAZER NO BRASIL E NO MUNDO O esporte, enquanto fenômeno sociocultural, alcançou significativa abrangência em diversas áreas da sociedade. As discussões que giram em torno dele englobam assuntos relacionados à saúde, educação, turismo, economia, política, entre outros. 5 O que era visto como passatempo para a elite econômica e cultural no século XIX, no Brasil, passa a ser tratado como negócio no século XX. O processo de formalização do esporte contribuiu para que se tornasse um fenômeno globalizado e racionalizado. Assim, é possível praticar uma determinada modalidade esportiva em qualquer lugar do planeta, sob a mesma lógica burocrática. Assim, você encontrará em diferentes continentes, pessoas e instituições que se filiam a determinadas entidades de administração esportiva e seguem as orientações estabelecidas para sua prática. Entretanto, mesmo que o esporte apresente forma e conteúdo exatamente igual e as pessoas assimilem e reproduzam sua prática, a atribuição de sentidos que cada grupo social a é carregada de particularidades. Assim, para um garoto na Nigéria, aspirar ser um jogador de futebol profissional difere da representação que um outro garoto possa ter, com as mesmasaspirações, vivendo no Brasil, por exemplo. Apesar de haver, de maneira geral, uma relativa assimilação no Brasil de que o esporte é manifestado de forma participativa, educacional e profissional, podemos afirmar que não há somente uma forma de interpretar esse fenômeno. O caráter polissêmico do termo esporte, nos dá a possibilidade de aceitar formas distintas de interpretação desse objeto. Se fizemos uma breve análise na atualidade, nos deparamos com um cenário de mudanças, em que novas formas do indivíduo se relacionar com a ideia de esporte estão sendo construídas. Um exemplo são os e-sports, ou esportes eletrônicos. Diversos atletas do e-sports participam de competições em todo o Brasil, levando um expressivo número de adeptos a acompanharem os campeonatos e torcerem para as equipes e atletas. Transformados em grandes espetáculos, as disputas têm atraído grandes públicos nas arenas. Nesse cenário, as entidades de práticas esportiva (Ligas, Federações, Confederações, Federações Internacionais) são responsáveis pela gestão das respectivas modalidades. Considerando o esporte como um negócio que mobiliza investimentos e gera receitas, é razoável aceitar a ideia de que o profissional que faz gestão de espaços e equipamentos de esporte e lazer possa enxergar nele, sua íntima associação com diversão, entretenimento, e então, pensar na captação de público para seu negócio. 6 TEMA 3 – ESPORTE E LAZER – DESAFIOS DO PRESENTE E PERSPECTIVAS FUTURAS Lazer e esporte estão intimamente ligados. Porém, nem toda relação que alguma instituição ou pessoa tem com o esporte é lazer. E, da mesma forma, existem diversos conteúdos culturais no lazer para além do esporte, como as artes plásticas, o cinema, os trabalhos manuais, entre outras. Figura 1 – Intersecção entre esporte e lazer Na Figura 1 vemos que há uma intersecção entre os dois fenômenos, representando um conjunto de elementos que, simultaneamente pertencem ao grupo de práticas que podemos chamar de lazer esportivo. São práticas realizadas no tempo livre das pessoas – para fruição ou consumo – que tem como predominância o movimento corporal, como praticar alguma modalidade esportiva, caminhar, correr, fazer exercícios, entre outros. A manifestação do lazer esportivo acontece quando um indivíduo ou um grupo participa de atividades de lazer em que predomina o interesse em realizar a movimentação corporal. Entretanto, existem diferentes formas do indivíduo ocupar seu tempo livre de forma recreativa com outras práticas, além da realização de uma atividade física, impulsionado pelo universo do esporte. Por exemplo: assistir um jogo de futebol na televisão ou estádio. Apesar de podermos considerar que quando um indivíduo vai para um estádio de futebol assistir um jogo, isto é lazer para ele, é equivocado considerar que para aquele atleta profissional que está realizando a partida, representando sua equipe, também seja lazer. Para este, é uma atividade profissional, 7 remunerada, e ele precisa cumprir suas obrigações conforme contrato estabelecido com o clube e patrocinadores. Dentro do íntimo cenário de convivência do esporte e do lazer, a gestão precisa contar com equipes que consigam fazer a leitura do ambiente e atender às necessidades de clientes, usuários, patrocinadores, diretores, entre outros agentes sociais do meio. Assim, cabe ao gestor estruturar equipes multidisciplinares com habilidades e competências necessárias. Atrelado a isto, vemos vários cenários se constituindo na sociedade, exigindo dos profissionais que atuam no segmento do esporte e lazer, sensibilidade para dar respostas às expectativas das empresas e também das pessoas. Um exemplo é o envelhecimento populacional. As pessoas estão vivendo mais e com condições de dispenderem tempo, energia e recursos para desfrutar de suas horas livres com recreação. Apesar de ser arriscado afirmar, acreditamos que ainda não há profissionais suficientes para atender essa demanda social. Nos clubes sociorrecreativos, nas praças, nos parques, nos estádios, nos programas de esporte e lazer públicos, nas academias, nos centros de treinamento, há uma carência de profissionais que possam dar atendimento ao público idoso. Outro fator que merece destaque quando falamos de transformações sociais é a invasão tecnológica digital na vida das pessoas. Seja para entretenimento, para facilitar o dia a dia, para os estudos ou para o trabalho, os aplicativos têm contribuído para mudar o comportamento das crianças, jovens, adultos e idosos. Os hábitos sedentários das crianças devido ao excessivo número de horas que ficam em frente aos computadores ou celulares, a constituição das relações interpessoais a partir do uso de aplicativo são exemplos. TEMA 4 – OS ESPAÇOS DE ESPORTE E LAZER COMO CENÁRIOS PARA A INTERAÇÃO SOCIAL E A QUALIDADE DE VIDA A cidade é um “organismo vivo” que sofre alterações constantemente. Novas formas de viver e conviver no espaço urbano são construídas frequentemente. Em virtude do aumento do número de pessoas que migraram do campo para a cidade, vários municípios se tornaram grandes metrópoles e, de certa 8 forma, o espaço da rua, da convivência na calçada com os vizinhos tem sido suprimido pela falta de segurança e de tempo disponível dos moradores, entre outros fatores do cotidiano. Apesar disto, as ruas, os bares, as casas, as praças, os parques, projetados com finalidades específicas, como moradia, circulação de pessoas e automóveis, comércio, drenagem da água da chuva, podem ser considerados como equipamentos não específicos de lazer. Ou seja, espaços edificados, estruturados físico-arquitetonicamente para outros fins não recreativos, mas que podem ser utilizados para tal. Estes espaços podem ser ocupados com programas e atividades de lazer para a população. Um exemplo é a cidade de São Paulo, que fecha a rua nos finais de semana para que as pessoas possam ocupa-la da maneira que desejarem. Considerando o objeto de intervenção do profissional de Educação Física, a motricidade representada pela atividade ou exercício físico e pelo esporte manifestado na forma de lazer, vemos que, pensar em estratégias de mobilizar a sociedade para a participação em programas diversificados se constitui em alternativas de educar as pessoas para o uso do tempo disponível. TEMA 5 – OFICINA TEMÁTICA: ANÁLISE DE UM EQUIPAMENTO DE ESPORTE E LAZER DO PONTO DE VISTA SOCIAL EM SUA CIDADE Um profissional de Educação Física subordinado à dimensão do lazer está envolvido em uma trama complexa de práticas, gostos, anseios, expectativas e necessidades de todos os agentes inseridos nesse cenário. Desta forma, o papel do gestor está alinhado desde a concepção, até a animação dos equipamentos específicos de lazer. Com isto, há a necessidade de interpretar as possibilidades de apropriação de cada espaço. 9 Figura 2 – Modelo de equipamento específico de lazer. 1. Salão de festas 2. Piscina Adulto 3. Piscina Infantil 4. Playground 5. Espaço Xadrez 6. Espaço Gourmet 7. Sala de descanso 8. Sauna a vapor 9. Sauna seca 10. Fogão a lenha 11. Espaço Terceira Idade 12. Espaço Fitness 13. Quadra areia Na Figura 2 temos um modelo de um equipamento específico de lazer. Neste caso, é visível sua vocação para as atividades de caráter físico- desportivo. O número de espaços para a prática esportiva, como futebol, tênis e outras modalidades na quadra poliesportiva, a piscina, o parque infantil, e academia de musculação e ginástica demonstram isto. Apesar disto, também há espaços que podem ser utilizados com outras atividades, como bailes, teatros, exposições, e outros eventos sociais ou artístico, como os salões. Para o gestor desses equipamentos é recomendável considerar que os espaços podem ser ocupados, independentementede sua natureza primária, como a quadra poliesportiva para as práticas esportivas com outras atividades que permitam a convivência social do grupo que frequenta esse espaço. Assim, o papel da animação – dar vida ao lugar – pode construir outras oportunidades de lazer para as pessoas, contribuindo para enriquecer as experiências dos frequentadores. NA PRÁTICA Imagine que após concluir sua graduação no curso de Bacharelado em Educação Física você foi convidado para fazer a gestão de uma academia de exercícios físicos. 10 O proprietário deseja tornar esse local, apesar da natureza das atividades estarem circunscritas no universo da atividade físico-desportiva, em um “centro de convivência”. Indique alguns encaminhamentos que podem auxiliar no planejamento desse conceito (veja alguns exemplos que podem ser respondidos no final do documento). FINALIZANDO Nesta aula, são pontos importantes para serem ressaltados: RESPOSTA 1. Arrumar/construir/organizar espaços para a convivência; 2. Identificar interesses e gostos; 3. Animação dos espaços (exposições, vernissage, lançamentos, palestras); 4. Propor eventos (dentro e fora da academia); 5. Estimular a formação de grupos de interesse. Es pa ço s e e qu ip am en to s d e es po rt e e la ze r: re tr os pe ct iv a do p as sa do , d es af io s d o pr es en te e p er sp ec tiv as fu tu ra s Esporte e lazer: influências no modo de viver durante o processo civilizacional Esporte: fenômeno cultural e polissêmico Intersecções entre esporte e lazer e sua mútua influência A cidade como espaço de convivência social A polivalência dos equipamentos de lazer 11 REFERÊNCIAS FUÃO, F.F. O sentido do espaço. Vitruvius, ano 4, maio 2004. Disponível em: <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.048/582>. Acesso em: 30 ago. 2019. HELLER, E. C. (trad.). Envelhecimento no Século XXI: Celebração e Desafio. 2012. Disponível em: <https://www.unfpa.org/sites/default/files/pub- pdf/Portuguese-Exec-Summary_0.pdf>. Acesso em: 30 ago. 2019. MARCHI JR. W. Desporto. In: FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo; GONZÁLEZ, Jaime (org.). Dicionário crítico da Educação Física. Ijuí, Rio Grande do Sul: Unijuí, 2005. PINA, L.W.; RODRIGUES, R.M. de A. Gestão do lazer e do entretenimento. 1. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2016, p. 140-164. GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER AULA 2 Prof. Marcos Ruiz da Silva 2 CONVERSA INICIAL Na primeira aula, vimos como o esporte está inserido na sociedade e ainda como ele se relaciona com as questões do lazer. À medida que consideramos o cenário do esporte e lazer um campo de atuação para o profissional de Educação Física, na função de gestor, é necessário saber interpretar a dinâmica que envolve essa atividade profissional, dentro desse segmento. Agora, vamos conversar mais detidamente sobre alguns conceitos básicos e princípios da administração e de gestão, procurando sempre aproximar do objeto em questão – os equipamentos de esporte e lazer. Para isto, apresentaremos algumas ideias centrais do conceito de gestão e suas funções principais, como planejamento, organização, execução e avaliação. Isto atrelado à uma proposta de um modelo conceitual de gestão, vinculada com a ideia de demanda e oferta. Também vamos apontar alguns cuidados em relação ao aspecto financeiro da gestão dos espaços e equipamentos de esporte e lazer, e concluiremos nossa aula demonstrando alguns passos importantes na realização de uma pesquisa diagnóstica de ambientes de esporte e lazer. TEMA 1 – EVOLUÇÃO DOS CONCEITOS NO CAMPO DA GESTÃO Não é consenso entre os autores que discutem a temática administração e gestão o entendimento conceitual entre esses dois temas. Para alguns, há distinção entre ambos, e, para outros, há mais semelhanças do que diferenças. Nossa visão sobre o assunto está inclinada a entender os dois objetos como expressões com sentidos muito próximos. Assim, tanto o administrador de um clube ou gestor de um clube, quanto o administrador ou gestor de uma federação esportiva desempenham funções correlatas para zelar pelo bom funcionamento de sua empresa. Independentemente do termo adotado pelo profissional – gestor ou administrador – espera-se que o indivíduo que ocupa essa função apresente resultados positivos ao seu negócio. Para isto, existem vários modelos de gestão que podem auxiliar. Considerados como um conjunto de estratégias adotado para auxiliar na busca de resultados. 3 Não existe um modelo de gestão ideal, mas aquele que melhor se adapta à realidade da empresa e também ao perfil do gestor. Entre os vários modelos, vemos, por exemplo, abordagens que tratam de gestão participativa, gestão por meritocracia, gestão com foco em resultados ou em processos e gestão autoritária. Existem outros modelos que se fundamentam em ferramentas, como o modelo de gestão com base no Balanced Scorecard (BSC) (em uma tradução livre – painel balanceado de controle). Esse modelo é uma metodologia de gestão que atua com base em indicadores produzidos, tendo como respaldo o histórico de desempenho da empresa e o posicionamento estratégico desejado. Quadro 1 – Mapa estratégico OBJETIVOS METAS INDICADORES INICIATIVAS Perspectivas financeiras (aumentar receitas) Aumentar em 10% o número de clientes na academia Demonstrativos financeiros Melhorar os equipamentos e ampliar os serviços oferecidos Perspectiva do cliente (contar com um ticket médio alto) Aumentar em 15% o gasto do cliente Valor dos gastos mensais dos clientes Promover pacotes de serviços Perspectivas de processos internos (melhorar os fluxos) Atingir uma média de 90% no índice de satisfação dos clientes Relatório de reclamações Padronizar os serviços realizados Perspectiva de aprendizado (contar com equipe treinada) Treinar 100% dos profissionais Número de profissionais treinados Contratar empresa especializada Com base no Quadro 1, um mapa estratégico elaborado sob o princípio do BSC, apresentamos o exemplo de uma academia de musculação e ginástica que resume o trabalho de planejamento incluindo os objetivos desejados, as metas – quantificáveis –, os indicadores e também uma sugestão de ação (iniciativa) que devem ser implementados. Com base no BSC é possível estabelecer uma visão de futuro, com objetivos claros em relação a cada uma da quatro perspectivas ou indicadores balanceados. 4 Conhecer o mercado é uma estratégia importante para qualquer segmento empresarial. Para o esporte e lazer, o benchmarking também é uma estratégia que contribui para melhorar os resultados de uma empresa. Trata-se da elaboração de pesquisas de análise de mercado para comparar práticas, serviços, metodologias usadas pelos concorrentes, com o objetivo de promover melhorias. Para operar por meio dessa ferramenta, é nessário seguir alguns procedimentos como: 1) fazer análise interna de seus produtos e formas de atuação para compreender o que precisa ser melhorado; 2) fazer um levantamento das empresas, no seu segmento, que prestam serviços que mereçam ser analisados; 3) definir métodos e estratégias de pequisa; 4) analisar os dados levantados e; 5) desenvolver um planejamento para a implementação das melhorias. (Bastos, 2004) Há, ainda, modelos de negócios fundamentos no planejamento de cenário. Esse princípio permite desenvolver estratégias cujo olhar se volta para cenários futuros. Neste caso, o objetivo é analisar os contextos interno e externo em que a empresa está inserida, identificando fatores que podem se tornar reais em longo prazo. Outra estratégia na elaboração de um plano de negócio está baseada na análise SWOT (em livre tradução: Forças,Fraquezas – ambiente interno – e Oportunidades e Desafios – ambiente externo). Sua função é avaliar os ambientes interno e externo para, com base nisso, formular estratégias para otimizar o desempenho no mercado. TEMA 2 – AS FUNÇÕES PRINCIPAIS DA GESTÃO – PLANEJAR, ORGANIZAR, EXECUTAR E AVALIAR Ao se deparar na função de gestor, é comum perguntar para si mesmo: “Mas o que, exatamente, faz um gestor?” Isto já um passo importante para o profissional que foi promovido de uma função técnica e estava habituado a atingir os objetivos de seu trabalho pelo resultado de seu próprio desempenho. Isto 5 porque, a partir de agora, na nova função, os resultados alcançados dependerão de sua capacidade de mobilizar pessoas e recursos. Independentemente de sua posição hierárquica no organograma da empresa e do tamanho de sua equipe, o papel do gestor é garantir o funcionamento das tarefas da organização. Figura 2 – Funções de um gestor Conforme demonstrado na Figura 2, as principais funções de um gestor estão distribuídas em 4 (quatro) atividades: planejamento, organização, direção (ou execução) e controle. Apesar de haver uma divisão entre elas, essas ações acontecem simultaneamente. Cada uma em intensidade específica, conforme o andamento dos fluxos de trabalho. Na fase do planejamento, é momento de projetar todas as ações que serão desenvolvidas, sejam elas de curto, médio ou longo prazo. Nas atividades da organização está inserido o processo de estruturação organizacional, como a construção de um organograma da estrutura funcional da empresa, da definição das tarefas essenciais e a abrangência de cada setor, da definição dos fluxos de trabalhos e também a padronização dos processos. Na fase de execução (ou direção) é o momento de colocar em prática tudo o que foi planejado e organizado, e isto inclui promover o treinamento da equipe Organizar: Pessoas, tempo, espaço, tarefas, recursos Executar: liderar Avaliar: resultados, ações corretivas Planejar: definir objetivos 6 de trabalho, realizar as atividades definidas no plano de ação, dentre outras tarefas. Ainda com base na Figura 2, existe a função de avaliação, que envolve a tarefa de acompanhar sistematicamente os trabalhos realizados, verificar os resultados alcançados e, ainda, fazer feedback de forma sistemática para toda a equipe. É importante destacar que a função de gestor, dentro de uma organização, pode estar acomodada em diferentes níveis e, por esta razão, encontramos gestores que são os diretores da empresa – os gerentes – e aqueles que correspondem a uma função mais operacional – como coordenadores de área. As diferentes posições ocupadas pelos gestores também correspondem a dimensões distintas de planejamento, sendo: • Diretores e altos executivos: planejamento estratégico, com metas de longo prazo definindo o negócio da empresa; envolve os ambientes interno e externo à organização. • Gerentes: planejamento tático, com objetivos de curto prazo com base nas estratégias da empresa. • Coordenadores e supervisores: planejamento operacional; pode ser semanal, mensal, semestral ou anual. TEMA 3 – PROPOSTA DE UM MODELO CONCEITUAL DE GESTÃO DE ESPORTE E LAZER – DEMANDA VERSUS OFERTA Demanda e oferta precisam ser termos comuns ao gestor de um equipamento de esporte e lazer. Saber quem e quantos são os consumidores dispostos a adquirir os serviços ou produtos oferecidos por sua empresa – demanda – e, ter claro quais os produtos e serviços que seu negócio tem disponível para ser consumido por esses clientes ou usuários – oferta – permite entender melhor seu negócio. Portanto, é preciso saber como opera o mercado, cuja lógica se resume em: quanto maior a oferta de um produto ou serviço, menor é o seu valor; já quando a demanda é maior que a oferta, o valor do serviço tende a ser mais alto. Um exemplo prático desse aspecto são as academias de ginástica, que contam com um reflexo da sazonalidade – no inverno, o número de clientes diminui, e, 7 com a chegada do verão, esse número aumenta. É necessário, ainda, saber compreender os diferentes valores cobrados nas academias, em virtude dos horários com mais procura e aqueles de menor procura. Tais empresas devem fazer a relação dos valores, baseando-se no comportamento desse mercado (oferta e demanda). Para um gestor, é imprescindível saber identificar a diferença entre expectativas/desejos e a real intenção de consumir algo. Isto porque é possível que os seus clientes, ou usuários, apresentem o interesse pela criação de determinado serviço, ou mesmo pela edificação de um novo equipamento de esporte e lazer, como uma pista de skate. Contudo, antes de implantar esse novo serviço ou equipamento é necessário investigar com mais atenção quais são as motivações que os levaram a solicitar essa nova demanda. As demandas podem ser estimuladas por vários motivos. Existem alguns fatores que influenciam o comportamento do consumidor, segundo Kotler (2000), como: • Fatores sociais: estão associados ao grupo social a que o indivíduo pertence; • Fatores culturais: dependem dos gostos do indivíduo, como música, leitura; • Fatores psicológicos: estão ligados a questões psicológicas e emocionais; • Fatores pessoais: dizem respeito a características como idade, cultura e necessidade, sexo etc. TEMA 4 – ASPECTOS FINANCEIROS NA GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER A saúde financeira de qualquer empresa depende de um bom planejamento. O papel do gestor é o de equilibrar despesas e receitas e ainda contar com recursos para futuros investimentos. Isto é fundamental para a manutenção dos espaços e serviços, bem como para a promoção de melhorias constantes, independentemente se o tipo de organização é público, privado ou do terceiro setor. 8 Qualquer novo projeto que exija da instituição a captação de recursos por meio de financiamentos, deve ser considerado somente com um bom estudo de viabilidade. Cada organização conta com características específicas em relação aos procedimentos administrativos dos recursos financeiros. Isto está condicionado à legislação, aos estatutos e às normas internas, bem como a outros fatores. Veja, por exemplo, algumas particularidades de distintas organizações, conforme sugere Oliveira (2006): • Instituições públicas: conta com previsão de orçamento anual, o qual é elaborado pelo Poder Executivo. Deve ser aprovado no ano anterior à sua execução. Tais instituições são reguladas por legislação que determina o limite a ser gasto em diferentes áreas como Saúde, Educação e outras. • Instituições privadas: toda a operação financeira também deve estar de acordo com a legislação, mas o que define o planejamento financeiro da organização são regras internas estabelecidas pela Direção da empresa. Da mesma forma que a empresa pública, os orçamentos das empresas geralmente são aprovados no ano anterior de sua execução, pela diretoria da empresa. Nesse orçamento já devem estar previstos: as receitas, a projeção de aumento de receitas, as despesas ordinárias, os investimentos futuros, entre outros compromissos. TEMA 5 – OFICINA TEMÁTICA – PESQUISA DIAGNÓSTICA DE AMBIENTES DE ESPORTE E LAZER O objetivo deste tema é apresentar o conteúdo de forma mais aplicada. Para isto, são apresentados alguns encaminhamentos sobre a estruturação de uma pesquisa diagnóstica em ambientes de esporte e lazer. Um gestor necessita de informações precisas que deem condições para a tomada de decisão sobre a vida da empresa. Qualquer tomada de decisão com base em informações imprecisas pode comprometer o funcionamento da empresa, ou mesmo colocá-la em risco de existência. Portanto, é necessário organizar as informações tomando como base instrumentos que garantam a confiabilidade dos dados, por meio de um 9 diagnóstico.Ou seja, a adoção de procedimentos para coleta de dados, análise e também para a observação da realidade existente. Veja alguns passos que devem ser levados em conta na realização de um diagnóstico da realidade: 1. Definir o que se pretende analisar. Por exemplo: qual é o cenário para a criação de um novo serviço de atividades físicas para idosos? 2. Fazer um levantamento do público a ser investigado. Por exemplo: moradores do bairro, funcionários de determinada empresa, associados de um clube, ou outros. 3. Fazer o levantamento de quais ferramentas serão utilizadas para a pesquisa. Por exemplo: questionários, frequência de clientes no local, número de solicitações e/ou reclamações dos usuários, dados demográficos do bairro etc. 4. Realizar uma pesquisa “piloto” com um público reduzido para aferir a ferramenta. 5. Aplicar as pesquisas. 6. Tabular e analisar os dados. 7. Produzir um relatório. Após contar com um bom relatório do diagnóstico realizado, inicia-se outra etapa do trabalho gerencial. Isto ainda está ligado à etapa do planejamento, que trata da produção de um plano de ação para dar prosseguimento ao projeto. NA PRÁTICA Vamos considerar a situação hipotética de que você é gestor de um clube sociorrecreativo e um diretor recebeu uma demanda de um grupo de associados. O pedido desse grupo é que o clube construa um novo espaço para a prática esportiva de determinada modalidade. Considerando a necessidade de tomar a decisão técnica mais coerente, quais encaminhamentos o gestor deve tomar para analisar essa demanda? Resposta: 1. Racionalizar as informações sobre os interesses dos clientes e analisar essa demanda por sua viabilidade; 2. Fazer um diagnóstico para identificar a real necessidade de determinada implementação; 10 3. Fazer um projeto e analisar a viabilidade deste. FINALIZANDO Vamos, agora, destacar alguns pontos centrais de nossa aula. Vimos que, apesar de não haver consenso entre os autores sobre o que vem a ser o termo gestão, razoável aceitar a ideia de que o gestor é o profissional responsável por atingir metas, sejam elas de curto, médio ou longo prazo. Aprendemos ainda que existem distintos modelos de gestão, fundamentados em algumas ferramentas existentes no mercado, como o Balanced Scorecard. Também foram abordadas, nesta aula, as funções principais de um gestor, as quais transitam entre o planejamento, a organização, a execução e a avaliação. Discutimos, posteriormente, sobre a necessidade de o gestor analisar a oferta e a demanda de seu negócio, de modo a encontrar um equilíbrio, considerando os diversos fatores que influenciam na construção de demandas. Estudamos, na sequência, que há a necessidade de o gestor atentar para os aspectos financeiros do seu negócio, cirando estratégias que permitam à empresa ter condições de prestar os serviços com qualidade e ainda prever investimentos para melhorias. Por último, comentamos sobre a elaboração do diagnóstico como estratégia imprescindível para que o gestor possa tomar decisões com segurança. 11 REFERÊNCIAS BASTOS, F. Administração esportiva: área de estudo, pesquisa e perspectivas no Brasil. São Paulo, 2004. Disponível em: <https://gepae.wordpress.com/producao-de-artigos-gepae/>. Acesso em: 10 jan. 2018. KOTLER, P. Princípios de marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000. OLIVEIRA, D. de P. R. Administração de processos. Conceitos, Metodologia, Práticas. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2006, 291 p. GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER AULA 3 Prof. Marcos Ruiz da Silva 2 CONVERSA INICIAL Vamos conversar, agora, sobre as concepções e orientações metodológicas dos espaços e equipamentos de esporte e lazer. Sendo assim, falaremos sobre o planejamento e a organização dos espaços e equipamentos de esporte e lazer, como função da gestão. Serão apresentadas, também, algumas orientações metodológicas para o planejamento dos espaços e equipamentos de esporte e lazer. Trataremos, também, dos processos de manutenção, os aspectos legais, ligados à gestão, além de apresentarmos algumas indicações sobre a estruturação de um mapa de manutenção. Além de também compreender algumas especificidades conceituais sobre a natureza desses espaços, nos quais as pessoas passam pelas suas experiências esportivas e de lazer. TEMA 1 – PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER COMO FUNÇÕES DA GESTÃO A forma com que as pessoas têm suas experiências no campo do esporte e do lazer acontece a partir da utilização de espaços projetados para essas finalidades, ou ainda, em locais minimamente arrumados para isso. Assim, encontramos as práticas em quadras esportivas, ginásios, piscinas, pistas de corridas, centros poliesportivos, parques e outros espaços, como também, vemos a população utilizar a rua, a casa, o quintal, ou mesmo um terreno abandonado quando ele é limpo e organizado para as brincadeiras das crianças, ou ainda para uma “pelada” – jogo recreativo com regras livres – de futebol ou outro esporte. Desta forma, encontramos os equipamentos específicos de lazer, como aquelas estruturas físico-arquitetônicas projetadas, edificadas, para a prática ou consumo das atividades de lazer, sejam elas o esporte, a música, as artes, ou outras manifestações. Encontramos, também, os equipamentos não específicos de lazer, como aquelas estruturas físico-arquitetônicas que foram construídas para outras finalidades, como a rua para a mobilidade urbana, a casa para a moradia, que são arrumadas, ajeitadas, adaptadas, adequadas para as experiências de lazer (Requixa, 1980). 3 Assim, vemos a população utilizar da rua (equipamento não específico de lazer) para realizar eventos comemorativos, jogos e brincadeiras, passeios de bicicleta, para a confraternização entre vizinhos e outras práticas possíveis. Do mesmo modo, encontramos crianças, jovens, adultos e idosos utilizando os clubes sociorrecreativos, as quadras esportivas, os parques para as caminhadas ou piqueniques, os estádios de futebol para assistirem os espetáculos, os museus, que são considerados equipamentos específicos de lazer. Veja, na Figura 1, alguns exemplos de equipamentos específicos de lazer: Figura 1 – Exemplos de equipamentos específicos de lazer Fonte: elaborada pelo autor. Na Figura 1, é possível identificar vários equipamentos específicos de lazer com características ou vocação distintos. O teatro está intimamente ligado às práticas de caráter artísticos; os estádios – com o esporte; os parques – com as caminhadas; os passeios e os centros culturais – também com as atividades de caráter artístico; os cinemas também podem ter relação com as atividades artísticas, pois o que vai determinar a experiência da pessoa é o conteúdo. 4 Temos, ainda, os clubes sociorrecreativos que, geralmente, possuem um conjunto diversificado de serviços oferecidos. TEMA 2 – ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS PARA O PLANEJAMENTO DE ESPAÇOS DE ESPORTE E LAZER Podemos arriscar dizer que os espaços e equipamentos de esporte e lazer são estruturas vivas, orgânicas, sendo que as pessoas constroem uma ligação afetiva com o lugar. Nesse sentido, a concepção desses lugares precisa levar em consideração a produção de identidade que favoreça o estabelecimento das relações entre as pessoas que convivem a partir das experiências e também das pessoas com o lugar. Os equipamentos de esporte e lazer ganham, no final do século XX, mais atenção quanto às características estruturais. Entre algumas recomendações técnicas está: • A preocupação em produzir elementos que estimulem as percepções das pessoas, a partir do uso das cores, texturas, formas, aromas e outros estímulos. • Que a funcionalidade de uso não iniba a condição dos equipamentosserem atrativos e despertem o interesse das pessoas. • Forneça conforto, não só pelas condições oferecidas ao conteúdo principal do equipamento, como uma quadra poliesportiva, por exemplo, mas também pelas condições das estruturas de apoio, tais como banheiros, vestiários, arquibancadas e outros. • A necessidade de respeitar a forma como as pessoas se relacionam com suas práticas de esporte e lazer, a partir de questões culturais. • Que esses espaços sejam sustentáveis, e assim possa consumir o mínimo de energia elétrica, e outros aspectos, nessa direção. Pensar nas questões técnicas para a edificação de equipamentos de esporte e lazer é somente uma parcela de todo o esforço necessário para consolidá-lo como um local para as experiências das pessoas. É necessário, também, pensar na animação desses espaços, e para isso é preciso prever o quadro de pessoal, levando em conta a necessidade de contar com uma equipe multidisciplinar. 5 Outro ponto imprescindível nos projetos de espaços e equipamentos de esporte e lazer é a acessibilidade. Dentro do público que depende de adequações de estrutura específica para garantir segurança, acesso e conforto estão as pessoas com deficiência, as crianças, os idosos e outras pessoas que, de alguma maneira, apresentam algum aspecto, seja ele físico, intelectual, motor, social, cultural, étnico ou religioso, dentre outros. Quando falamos de acessibilidade, estamos nos referindo à eliminação das barreiras físicas e das barreiras culturais, entre outras. Assim, ao planejarmos os programas de animação, é necessário ter o cuidado de diversificar ao máximo as oportunidades de esporte e lazer para as pessoas, dando ótimas condições de participação. A atenção para os cuidados técnicos no planejamento dos espaços de esporte e lazer, para atender a toda a complexidade exigida pela natureza de sua finalidade, nos dá a indicação de que tudo é concebido após adequado planejamento. Preferencialmente que esse planejamento seja realizado por uma equipe multidisciplinar com especialistas de diversas áreas. Veja que, ao mencionarmos a necessidade de contar com especialistas de diferentes áreas, estamos considerando, também, aqueles que, mesmo sem formação acadêmica, possuem informações empíricas preciosas. Isso tudo, sobre um roteiro próprio, como: concepção, elaboração do projeto, construção – execução da obra – e, finalmente, o início da operação (Pina, 2014). TEMA 3 – PROCESSO DE MANUTENÇÃO DOS ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER São várias as reportagens que apresentam, nos noticiários da televisão, rádio ou outra mídia, denúncias de descaso das autoridades públicas para com os milhões de reais investidos na construção de equipamentos de esporte, e que ficam abandonados, por falta de um programa de animação, associado à falta de manutenção. Apesar das evidências de abandono do espaço público de esporte e lazer ficarem mais destacadas nos grandes empreendimentos, como a construção de ginásios, ou centros esportivos para grandes competições, como Jogos Pan- americanos, ou Jogos Olímpicos, não é incomum transitarmos pelas diversas cidades do país e encontramos praças, parques e quadras esportivas 6 abandonados por falta de manutenção, e, consequentemente, sem a ocupação da população com a prática de lazer esportivo ou outras atividades. Apesar disso, o descaso com a manutenção de equipamentos de esporte e lazer não está somente na esfera pública, pois é possível encontrar os clubes sociorrecreativos, de uso privado, também com suas estruturas em estados lastimáveis. Ou ainda, em algumas empresas que disponibilizam aos seus funcionários espaços para a prática esportiva, com instalações depreciadas pelo tempo e sem manutenção. Um espaço malconservado pode aumentar os riscos de acidentes, gerar custos demasiadamente altos para a revitalização ou mesmo provocar a inviabilidade de uso. Existem casos de acidentes que levaram praticantes amadores a prejuízos físicos graves. A organização responde civilmente por qualquer acidente ocorrido em virtude de problemas apresentados por esses equipamentos. A falta de manutenção periódica provoca uma deterioração mais rápida das instalações, e faz baixar a qualidade no atendimento oferecido aos seus clientes e usuários. Desse modo, a realização de manutenção adequada, amplia o tempo de uso, evitando, assim, gastos. O funcionamento adequado de manutenção é decorrente de um trabalho de planejamento da organização, seja ela pública ou privada. Para isso, é preciso contemplar um setor de manutenção para atender, pelo menos, as demandas mais rotineiras dos diversos setores. No entanto, alguns serviços de manutenção são muito especializados e isso poderá exigir da empresa formalização de contratos com serviços terceirizados. Para suprir as necessidades de manutenção de uma empresa, é pertinente considerar um planejamento estruturado – o que determina a constituição de um fluxo de trabalho, diário, semanal, mensal, anual, conforme a necessidade de cada estrutura. Assim, será possível contar com um trabalho que corrige falhas funcionais observadas de defeitos emergenciais – manutenção corretiva; contar com um atendimento preventivo, com troca de peças, consertos e reparações programadas – manutenção preventiva; dispor de verificação periódica de falhas não percebidas – manutenção defectivas; dentre outras. 7 Apesar de o gestor dos espaços de esporte e lazer não ter a obrigação de entender de manutenção, ele deve fazer a gestão dessa demanda para que os objetivos desejados sejam atingidos com esse trabalho. Vamos considerar a realização de um evento em que participem muitas pessoas e por vários dias. O uso das instalações e materiais utilizados provoca desgastes além do uso rotineiro. Com isso, dentro da estruturação de um plano de ação para a organização desse evento, é necessário considerar a tarefa de fazer uma revisão nos materiais e equipamentos, logo após a realização do evento. Isto irá permitir que o material continue em condições adequadas de uso, bem como permite identificar alguma anomalia existente. TEMA 4 – ASPECTOS LEGAIS LIGADOS À GESTÃO DOS ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER O esporte e o lazer estão inseridos dentro de uma estrutura legal que orienta, restringe e regula o funcionamento legal dos equipamentos de esporte e lazer, bem como das práticas. Envolvidos nos cenários municipal, estadual e federal, os instrumentos legais têm demonstrado a preocupação do poder público em garantir à população condições adequadas de utilização dos equipamentos e serviços na área do esporte e lazer. Com isso, surgem Planos Diretores de Desenvolvimento, como a Lei de Zoneamento de cada cidade, que trata da forma do uso e ocupação do solo do respectivo município. Leis como esta definem o que deve ser executado, delimitando as permissões e restrições das áreas urbanas, definindo, inclusive, em quais áreas podem ser implantados os espaços de esporte e lazer. Existem, também, em alguns países, planos de cultura, de esporte e lazer, em nível Estadual e também Federal. O gestor de esporte e lazer trabalha com essas informações, mesmo que o Plano Diretor esteja ligado a outras áreas, como a área da saúde ou educação, por exemplo. Neste caso, é possível encontrar diretrizes que, de forma indireta, contemplam o esporte o lazer, tais como na área da educação, a aprovação de um plano diretor que estabeleça instruções para programas e projetos de artes, esporte e lazer para complementar a formação do educando. Uma lei que provocou mudanças significativas na forma com que o usuário ou cliente se relaciona com o prestador de serviço é a Lei n. 8.078, de 8 11 de setembro de 1990, o Código de Defesa do Consumidor. Isso contribui para que as pessoas criassem consciência sobre seus direitos,e dessa forma reivindicarem por melhores condições na relação de consumo com um fornecedor de algum produto ou serviço prestado. Apesar da relativa autonomia do Terceiro Setor – entidades sem fins lucrativos –, o Estado também estabelece a forma como os projetos e programas sociais devem funcionar. Dentro da configuração do Terceiro Setor, encontramos também os clubes sociorrecreativos, com suas atividades de esporte e lazer devidamente regularizadas pelas normas internas de cada instituição, mas subordinadas à legislação. Para o gestor que trabalha nesse equipamento específico de esporte e lazer, é importante conhecer as leis que regulamentam o funcionamento da instituição. Outro aspecto que precisa ter atenção quanto às questões de regulamentação diz respeito à existência de normas que estabelecem parâmetros de limite e controle, como no caso das normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A partir de seu trabalho de normalização técnica no Brasil, ela fornece subsídios aos consumidores e órgãos de fiscalização, procedimentos de boas práticas, tais como a normatização para a instalação de brinquedos infláveis, como pula-pula, tobogã e outros, de forma que garanta a segurança do usuário. TEMA 5 – OFICINA TEMÁTICA: MAPA DE MANUTENÇÃO DE INSTALAÇÕES DE ESPORTE E LAZER A gestão profissional que assume dentro de seu plano de trabalho, a manutenção como um pilar estratégico, consegue dominar um elevado padrão de qualidade. O crescimento do mercado esportivo e de atividade física é evidente. A elaboração de um mapa de manutenção é uma estratégia que deve ser elaborada por uma equipe multidisciplinar, com profissionais de diferentes setores da empresa. Claro que para cada setor haverá um mapa com características distintas. Esse mapa de manutenção é, de certa forma, um calendário que indica ações que devem ser realizadas conforme as necessidades dos equipamentos ou materiais. Esse calendário pode contar uma periodicidade diária, semanal e 9 mensal, prevendo manutenção corretiva, preventiva, preditiva, detectiva e outras, quando necessário. Nesse quadro, ou mapa de manutenção, é importante fazer anotações sobre as ocorrências, os períodos em que foram realizadas substituições de equipamentos, instalações para manter o controle. Ao final de cada período – que pode ser mensal – esses registros precisam ser analisados pelo gestor e, após uma avaliação cuidadosa, é o momento de realizar um plano de trabalho para atingir as melhorias necessárias. Outra informação que precisa ser incorporada em um mapa de manutenção é sobre as reformas, independentemente da proporção do trabalho a ser realizado. Esse tipo de tarefa pode ser planejado com prazos distintos – curto, médio e longo prazo. NA PRÁTICA Você foi convidado para fazer a gestão de um grupo de trabalho em um clube sociodesportivo. A missão desse grupo é realizar a implantação de um parque aquático para atender os associados. Descreva alguns procedimentos necessários para a viabilidade da implantação desse projeto. FINALIZANDO Nesta aula, são pontos importantes para serem ressaltados: 1 Os espaços e equipamentos de lazer podem ser classificados em equipamentos específicos de lazer e equipamentos não específicos de lazer. Assim, encontramos aquelas estruturas físico-arquitetônica que foram projetadas para as experiências de lazer e aqueles que não foram projetados para as práticas de lazer, mas podem ser adaptados para esse fim, respectivamente. 2 Os espaços e equipamentos de esporte e lazer são estruturas vivas. E, para isso, há a necessidade de a estrutura ser projetada de forma que possa estimular as percepções, ser atrativa e interessante. Além disso, há a necessidade de que os espações e equipamentos de esporte e lazer ofereçam conforto e acessibilidade para seus usuários. 10 3 Qualquer empreendimento esportivo e de lazer necessita de um plano de manutenção preventiva. Essa preocupação contribui para evitar a deterioração e custos elevados na reforma ou recuperação de qualquer equipamento, bem como ajuda na manutenção da qualidade dos serviços prestados aos clientes ou usuários. 4 Existem vários documentos legais no âmbito da Federação, Estado ou Município. Entre esses documentos encontramos o Estatuto das Cidades, o Código do Consumidor. O gestor de espaços e equipamentos de esporte e lazer precisa conhecer a legislação para ter parâmetros e orientações para conduzir seus trabalhos. 5 Um mapa de manutenção é, de forma resumida, um calendário semanal, mensal e anual de manutenção. Com esse quadro, o gestor tem condições de fazer um acompanhamento das necessidades de manutenção dos equipamentos sob sua gerência. 11 REFERÊNCIAS PINA, L. W. Planejamento de equipamentos de lazer. 1. ed. São Paulo: Perse, 2014. REQUIXA, R. Sugestão de diretrizes para uma política nacional de lazer. 1. ed. São Paulo: SESC, 1980. RIBEIRO, F. T. Novos Espaços para esporte e lazer: planejamento e gestão de instalações para esportes, educação física, atividades físicas e lazer. 1. ed. São Paulo: Ícone, 2011. 12 GABARITO Resposta: 1. Organize uma equipe com profissionais de diversos setores da empresa. 2. Procure conhecer a legislação e as normas técnicas previstas para a instalação desse tipo de equipamento. 3. Identifique o público-alvo e seus interesses e expectativas para com esse novo espaço esportivo e de lazer. GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER AULA 4 Prof. Marcos Ruiz da Silva 2 CONVERSA INICIAL Em qualquer área de atuação, é necessário contar com profissionais que tenham competência técnica e compromisso político. Infelizmente, na área da gestão do esporte e lazer, ainda há um volume expressivo de profissionais que atuam sem qualificação necessária. São pessoas que possuem algum envolvimento pessoal com alguma atividade esportiva – geralmente praticantes – e acabam por assumir algumas funções essenciais em clubes recreativos ou federações, por exemplo. Também encontramos profissionais com formação acadêmica adequada, mas não possuem as competências necessárias para a compreensão sobre procedimentos gerenciais nessa área. Nesta aula, iremos falar sobre a formação e qualificação profissional, e da necessidade de contar com uma equipe multidisciplinar para a atuação nos espaços e equipamentos de esporte e lazer. Outro ponto importante é a apresentação das competências necessárias para o gestor. Considerar, no planejamento estratégico de qualquer empresa, a presença de planos de treinamento para os funcionários contribui para que as metas previstas possam ser cumpridas com eficiência. Contudo, não é a realidade no segmento esportivo e de lazer, em que o treinamento do pessoal tem ficado em segundo plano nas prioridades de clubes, academias, federações, e outros espaços e equipamentos de esporte e lazer. Agora você irá acompanhar as discussões sobre esses assuntos e compreender a importância de investimentos na formação de profissionais que atuam nos espaços e equipamentos de esporte e lazer. TEMA 1 – A ESTRUTURA DE PESSOAS NECESSÁRIA PARA DESENVOLVER A GESTÃO DE ESPAÇOS DE ESPORTE E LAZER A preocupação com a profissionalização dos gestores esportivos é um tema frequente quando a discussão é futebol. Há, de certa maneira, um consenso entre os atores sociais, da necessidade em contar com gestores profissionais para atuarem nos clubes esportivos. Sendo assim, podemos afirmar que no campo do lazer o problema não é diferente. Vamos considerar que encontramos duas naturezas distintas no campo dos espaços e equipamentos de esportes e lazer. Uma que está intimamente 3 ligada com o esporte profissional e a outra com o esporte lazer.No primeiro caso, o equipamento é um centro de treinamento que trata com atletas, independentemente da categoria, com finalidade muito clara: desenvolver um programa de treinamento aos atletas com finalidade de profissionalização. No segundo caso, mesmo havendo programas de treinamento esportivos para grupos específicos, o propósito principal não é a profissionalização. Claro, que há a possibilidade de que os talentos esportivos encontrados nesse meio sejam encaminhados para centros de treinamentos com direcionamento profissional. Agora, independentemente da natureza ou vocação desses espaços e equipamentos esportivos, é importante considerar a composição de equipes multidisciplinares. Dessa forma, no esporte profissional, o clube ou centro de treinamento poderá contar com profissionais de Educação Física, Nutricionistas, Psicólogos, Médicos, Fisioterapeutas e outros. Nos espaços e equipamentos de esporte e lazer, nos quais as práticas estejam intimamente ligadas com o lazer, é razoável organizar a equipe de trabalho com profissionais de diferentes áreas, tais como: profissionais de Educação Física, Pedagogos, Psicólogos, profissionais de Artes Visuais, músicos, artesãos, bacharéis de Turismos, dentre outros, para atuar na área de programação. Cada área de formação profissional contribui com competências distintas na forma e conteúdo do objeto de domínio. Um exemplo disso é o lazer: os profissionais de Educação Física possuem competências e habilidades com maior aderência às atividades de caráter físico-desportivo, os profissionais de artes visuais estão mais ligados às atividades como: pintura, desenho, e outros trabalhos manuais, o teatro com mais aderência às atividades dramáticas, e assim sucessivamente. Apesar de uma equipe de trabalho multidisciplinar trabalhar em conjunto para atingir os objetivos desejados pela empresa, é importante que fique claro na organização as tarefas e funções de cada setor e profissional. Com as atribuições bem definidas, o ambiente corporativo contará com os relacionamentos interpessoais profissionais mais alinhados para o sucesso. Nos exemplos comentados anteriormente está evidente que apontamos algumas profissões que devem estar vinculadas à atividade-fim do espaço e equipamento de esporte e lazer. Isto é, são os profissionais que planejam, 4 organizam, dirigem e executam os programas e desenvolvem as atividades para o público. Nas atividades-meio – aquelas de dão suporte para que a atividade-fim possa ser entregue ao cliente ou usuário de uma empresa – também é necessário contar com profissionais especializados para cada tarefa. Como o Contador para cuidar da contabilidade, o técnico em manutenção (eletricista, hidráulico, marceneiro e outros) para atender as demandas de conserto e ajustes. TEMA 2 – AS COMPETÊNCIAS DO GESTOR DE ESPAÇOS DE ESPORTE E LAZER Vamos considerar competência enquanto a reunião de três elementos: o conhecimento, a habilidade e a atitude que um indivíduo deve ter para a realização de uma determinada tarefa (Dutra, 2004). Com o desenvolvimento das sociedades urbanas, surgem, a cada dia, novas demandas, tecnologias, informações e outros fatores que têm exigido cada vez mais o desenvolvimento de competências diversificadas. Vamos considerar que um profissional de Educação Física foi convidado para ser o gestor de um clube sociorrecreativo – o que não é incomum em nosso país. Nesse espaço existem diversas atividades que são oferecidas aos associados, como bailes, festas temáticas (festa junina, festa da páscoa, e outras). Há, também, as “escolinhas” esportivas, as aulas de ginásticas, os torneios esportivos, as colônias de férias, os cursos de pintura, os passeios e outras atividades e programas. Nesse cenário de diversificadas práticas, o gestor precisa ter competências que permitam a compreensão de que o lazer é constituído pela diversidade, pois as pessoas possuem interesses e motivações distintas, como sugere Dumazedier (1980), quando fala que existe uma hierarquia nas motivações das pessoas quando elas buscam ocupar seu tempo livre. Assim, o autor classifica as atividades em: • Interesses físicos-desportivos: predominância do movimento, da atividade física. • Interesses artísticos: predominância da apreciação do que é belo, estético. 5 • Interesses anuais: predominância da manipulação e transformação do objeto. • Interesses sociais: predominância do encontro e convivência com outras pessoas. • Interesses intelectuais: predominância do racional. O sociólogo Camargo (1989) e a professora de Educação física Schwartz (2003) ampliam esse quadro, sugerindo a existência de outros dois interesses culturais do lazer, sendo o turístico e o digital, respectivamente. Nessa direção, é possível afirmar que o profissional de Educação Física não recebe preparação para atuar no campo do lazer, havendo a necessidade de que os gestores dessa área busquem qualificação que permita a compreensão de que esse espaço é multidisciplinar, e também disponibilizem à sua equipe treinamentos para a aquisição de competências necessárias para atuar nesse segmento. TEMA 3 – PROGRAMA DE TREINAMENTO E DE QUALIFICAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS PARA A GESTÃO DOS ESPAÇOS DE ESPORTE E LAZER Os programas de graduação no Brasil não formam profissionais para atuar na gestão de espaços e equipamentos de esporte e lazer. Apesar de a Educação Física ainda contar com um programa que mais se aproxima, pelo seu conteúdo, ainda há carência na formação. Em muitos casos, apenas no nível de pós-graduação existem programas oferecidos por algumas universidades. Para a formação de profissionais para a gestão de espaços e equipamentos de esporte e lazer, existem outras opções além dos cursos de graduação em nível superior. Como, por exemplo, a participação em congressos, seminários, fóruns de debate, cursos de extensão oferecidos pelas universidades, SESC e outras entidades que atuam no segmento. É possível notar ainda que a busca por formação continuada pode ser contemplada de duas formas, sendo uma constituída pela busca de subsídios teóricos que permita ao profissional conseguir conquistar autonomia intelectual sobre o objeto que atua. E a outra pela busca de conhecimento prático que propicie assimilar os processos operacionais da organização de um evento, de 6 uma oficina de artes, da organização de uma viagem de turismo, da promoção de um espetáculo, por exemplo. Consideramos, também, que as vivências de lazer que esse profissional conquistou ao longo de sua vida é um fator fundamental na promoção de competências. Quanto mais diversificada for sua experiência, maior a possibilidade de desenvolver um olhar multidisciplinar sobre a área. O oposto também é verdadeiro. Um indivíduo, que na trajetória de sua vida pessoal e profissional não contou com oportunidades que o colocassem frente a diferentes experiências no lazer, terá dificuldade de entender a diversidade da área. Nessa direção, é viável que qualquer empresa no segmento do esporte e lazer considere dentro de seu planejamento estratégico programas de treinamento de seu pessoal, independentemente da área e da função. Para pensar sistematicamente uma estrutura adequada aos treinamentos dos profissionais, existem algumas etapas que precisam ser levadas em consideração, como: diagnóstico, planejamento, execução e avaliação. Dentro de cada etapa existem tarefas que precisam ser realizadas para garantir os resultados esperados. Assim, temos: • Diagnóstico: fase do planejamento em que é feito o levantamento dos conhecimentos teórico e prático dos colaboradores, para conferir com os objetivos esperados pela empresa. Tais como a forma de atendimento aos clientes, a responsabilidade no cumprimento das tarefas de rotina, o conhecimento técnico e segurança na realização da atividadeque ele executa, como prescrição de exercício físico, ou uma aula de natação, por exemplo, e outras que estiverem dentro da função do profissional. • Planejamento: momento de definição sobre quando será realizado o treinamento, quem irá ministrar, quem participará, quanto custará, como o treinamento será realizado e outros detalhes que permitam a viabilização do programa de treinamento. • Execução: este é o momento de colocar o treinamento em ação. Neste ponto, deve-se cumprir o que foi planejado até concluir todo o programa. • Avaliação: esta etapa é constante. O programa precisa ser acompanhando permanentemente e analisado, de modo que seja possível verificar se ele realmente está atendendo às expectativas 7 desejadas. O resultado desse acompanhamento permite fazer ajustes, se necessário, e também, fornecerá subsídios para planejar futuros programas. Também é primordial organizar instrumentos que permitam avaliar as pessoas que participaram dos treinamentos, no próprio local de trabalho. Assim, essa supervisão permitirá verificar se aconteceram as mudanças esperadas. É importante destacar que há uma diferença significativa entre “programa de treinamento” e “treinamento ou cursos”. Na primeira situação, há uma proposta estruturada para a melhorias das competências dos profissionais, de forma planejada para atingir resultados a curto, médio e longo prazo. Quanto aos cursos e treinamentos, estes podem ser isolados, com o objetivo de resolver problemas ou provocar melhorias a curto prazo. TEMA 4 – PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DO QUADRO DE VOLUNTÁRIOS NO ESPORTE E LAZER O trabalho voluntário é algo comum no Brasil. Não são poucos os exemplos de pessoas que se dedicam voluntariamente para desenvolver ações que tenham como objetivo o bem comum. São pessoas que se dedicam a cuidar de animais abandonados, dispendem um tempo de sua rotina para trabalhos em asilos, hospitais, projetos sociais e outros. Encontramos, também, grupos organizados, mesmo que de maneira informal, para fazer atendimento às comunidades carentes. No cenário do esporte e lazer também não é diferente. Existe no Brasil uma infinidade de pessoas que dão assistência a projetos e programas sociais, de forma espontânea. Assim, encontramos pessoas que passam uma tarde desenvolvendo atividades com crianças, jovens, adultos ou idosos, que participam de um evento esportivo com finalidades filantrópicas, entre outros casos. Outro exemplo de voluntariado no esporte e lazer, de certa forma polêmica, está no envolvimento de pessoas que se dedicam – dentro de seu tempo disponível – para executar funções estratégias em instituições formais, sem receber alguma remuneração. Nesse caso, vemos os clubes sociorrecreativos, ou sócio desportivos, com diretores eleitos pelos associados, 8 além de encontrarmos as federações esportivas, em que os gestores também atuam, em geral, de forma voluntária. A participação do voluntariado também está nos grandes eventos esportivos. Um exemplo bastante comum é a realização dos Jogos Olímpicos, do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em cada edição são abertas inscrições para aqueles que desejam trabalhar como voluntários. Na seleção para participar como voluntário nos Jogos Olímpicos, são definidos vários requisitos mínimos para os interessados, como idade mínima, por exemplo. Apesar de o trabalho voluntário ser uma realidade no Brasil, ainda há muito a ser feito para que isso possa se tornar uma ação mais estruturada, tanto para a sociedade que recebe a ajuda, como para o cidadão que oferece seu tempo de forma espontânea. A valorização do trabalho voluntário poderá se efetivar a partir de políticas públicas e também pela inciativa privada, a partir do desenvolvimento de programas de voluntariado. Para estruturar um programa de voluntariado, é preciso levar em consideração alguns aspectos como: • Oferecer um programa de treinamento para os voluntários com finalidade de que a tarefa cumprida seja realizada confirme o desejado, e também para contribuir para o desenvolvimento pessoal do voluntário. • Promover campanhas de incentivo, valorizando as ações voluntárias. • Desenvolver ações que possam servir de estratégias de apoio ao voluntariado. É fundamental não confundirmos a substituição do trabalho profissional, por questões meramente econômicas, com a cultura do voluntariado. Neste caso, estamos considerando o trabalho voluntário enquanto ações de interesse social e comunitário, realizado sem qualquer tipo de remuneração, no qual seu esforço resulta em um bem comum à sociedade. Existe, ainda, uma legislação própria (Lei 9.608/98) que regulamente esse trabalho. TEMA 5 – OFICINA TEMÁTICA: GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER NO SETOR PÚBLICO E O PAPEL COLABORADOR DE UM CONSELHO MUNICIPAL DE ESPORTE E LAZER O objetivo deste tema é apresentar, de forma mais direcionada, como funciona a estruturação de um Conselho Municipal de esporte e lazer. Assim, o 9 gestor de espaços e equipamentos de esporte e lazer poderá refletir sobre sua disposição em relação às políticas públicas de esporte e lazer. Um primeiro aspecto a ser apresentado trata da forma de gestão. Apesar de não ser a única variável, podemos aceitar a ideia de que, à medida em que a gestão possibilita a participação popular na tomada de decisão das coisas relativas à administração pública, estamos mais propensos a uma gestão participativa. Da mesma forma, em um ambiente privado, como um clube sociodesportivo ou sociorrecreativo, à medida em que a diretoria institui a participação de seus associados nas decisões sobre as questões da administração, ela está inclinada a uma gestão participativa. Agora, para a efetiva colaboração de Conselhos em uma gestão, é preciso estabelecer as abrangências e restrições na forma de participação voluntária. Um Conselho é um órgão consultivo e não deliberativo, e a participação voluntária das pessoas não gera algum vínculo ou alguma remuneração para os componentes do Conselho. A constituição de um Conselho Municipal de esporte e lazer parte de um projeto que é elaborado e enviado à Câmara Municipal. Após a análise, a prefeitura solicita a autorização dos vereadores. Nessa proposta há a descrição da abrangência e forma de atuação do Conselho, deixando claro sua função consultiva. O número de membros é definido pelo projeto proposto e precisa ser composto pelos representantes da sociedade civil. Para isso, é necessário fazer um mapeamento dos setores envolvidos diretamente com o tema e permitir que todos os segmentos sejam representados de forma igualitária. Assim, podemos pensar na representatividade das Universidades pelos cursos de Educação Física, por exemplo, representante das entidades de prática desportiva, como os clubes sociorrecreativos, das entidades de administração esportiva, como as federações, representatividade dos atletas, entre outros. Outro passo importante na constituição de um Conselho Municipal de esporte e lazer é a regulamentação. Isto é, a definição da forma de atuação dos membros e seus limites e abrangências. Ainda, para esse Conselho, é necessário indicar um administrador com funções especificas dentro desse grupo. 10 Um Conselho bem estruturado e com boa gestão possui oportunidade significativa de contribuição na gestão. Além de garantir à população o direito de participar do processo na tomada de decisões sobre aspectos que tratam sobre a vida pública. NA PRÁTICA Vamos considerar que você é gestor de um centro de recreação comunitário e tem a missão de aproximar a comunidade da administração desse equipamento. Nessa direção, você precisa fazer um planejamento para a implantação desse projeto. Dessa forma, aponte alguns passos necessários a serem considerados. FINALIZANDO Nesta aula, são pontos importantespara serem ressaltados: 1 Os profissionais que atuam no segmento de esporte e lazer precisam fazer parte de equipes multidisciplinares, seja pela composição de diversas especialidades acadêmicas, como Fisioterapeutas, Pedagogos, profissionais de Educação Física, Nutricionistas, Psicólogos, bacharel em Turismo e outros; seja pela diversidade de funções, como marceneiros, administradores. 2 A competência de um gestor está atrelada às dimensões do conhecimento, das habilidades e da atitude que o profissional possui frente à uma tarefa. E, dentro das tarefas de um gestor está a gestão para resultados, a gestão de pessoas, a gestão do tempo, gestão do conhecimento e da inovação. 3 Um programa de treinamento para o pessoal que atua em espaços e equipamentos de esporte e lazer deve fazer parte do planejamento estratégico. Para isso, é necessário levar em conta objetivos que devem ser alcançados com esses programas, a curto, médio e longo prazo. 4 Voluntariado não pode ser confundido com “mão de obra gratuita”. Para isso, é fundamental que a instituição que promove esse tipo de iniciativa tenha em sua meta o desenvolvimento de programas que valorizem o trabalho voluntariado. 11 5 A participação popular é uma oportunidade para aproximar os interesses e necessidades da população com as políticas públicas. No entanto, há de se garantir a representatividade de todos os segmentos sociais organizados. 12 REFERÊNCIAS CAMARGO, L. O. O que é lazer. Editora Brasiliense. São Paulo, 1989. DUMAZEDIER, J. A teoria sociológica da decisão. 1. ed. São Paulo: Sesc, 1980. SCHWARTZ, G. M. O conteúdo virtual do lazer: contemporizando Dumazedier. Revista Licere, CELAR/UFMG, v. 6, n. 2, p. 23-31, 2003. GABARITO 1. Faça um diagnóstico para identificar o perfil do público da região. Descubra como a comunidade se organiza, quem são as pessoas que frequentam suas instalações, por exemplo. 2. Faça também um diagnóstico junto ao seu pessoal para verificar a compreensão deles sobre gestão participativa. 3. Descubra quem são as lideranças da comunidade. 4. Promova debates públicos sobre o assunto. 5. Resolva as questões burocráticas. 6. Treine as pessoas para a participação nesse processo. GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER AULA 5 Prof. Marcos Ruiz da Silva 2 CONVERSA INICIAL Para os espaços e equipamentos de esporte e lazer, há a previsão da animação desses lugares de práticas. Isso quer dizer que há um trabalho de planejamento para prever a organização do conteúdo (vôlei, basquete, ginástica, corrida etc.) e da forma (aulas, treinamentos, jogos, ocupação livre etc.) com que as atividades serão oferecidas aos usuários (crianças, jovens, adultos, idosos ou combinado). Isto é, fazer a articulação equilibrada entre horários, dias de semana, público e atividades que serão oferecidas. Em outras palavras: trata-se de dar vida aos espaços e equipamentos de esporte e lazer. Estamos tratando da gestão de programas de esporte e lazer e sua relação operacional com os espaços e equipamentos. De modo que consideramos esse tema complexo, levando em conta a necessidade de administrar um conjunto de variáveis que interferem na concepção das propostas de experiências de esporte e lazer das pessoas. Relacionando tudo isso com a organização de fluxo de pessoas, com a construção de redes de relacionamento, com a capacidade de atender às necessidades e expectativas das pessoas e outros fatores. Sendo assim, vamos falar, nesta aula, sobre modelo de demanda e oferta das experiências de esporte e lazer, discutindo sobre como funciona a estrutura de uma programação de esporte e lazer e sua execução. Outra proposta desta aula trata de apresentar algumas ferramentas de avaliação que podem ser utilizadas para analisar os resultados obtidos no funcionamento de um programa de esporte e lazer. Seja em um centro de treinamento, um clube sociorrecreativo, uma academia, ou outra configuração possível, avaliar com precisão permite ao gestor analisar os resultados dos trabalhos realizados. Contar com boas ferramentas de avaliação e ter habilidade de analisar as informações ajudará na tomada de decisão de um gestor. Para finalizar, apresentaremos uma proposta de estruturação de um programa de atividades de esporte e lazer. Com isso, será possível identificar vários elementos críticos na sua composição. 3 TEMA 1 – MODELO DEMANDA-OFERTA DAS EXPERIÊNCIAS DE ESPORTE E LAZER De forma resumida, podemos entender que demanda é a manifestação do desejo das pessoas por algum produto ou serviço. Essa demanda é influenciada por diversos fatores, como preferência, o preço e a qualidade dos produtos ou serviços, por exemplo. Já a oferta pode ser entendida como quantidade de produtos disponíveis para esse público consumidor. Entre diversas formas possíveis de determinar a estrutura de uma programação de esporte e lazer, Bramante (2006) sugere considerar um modelo a partir do binômio oferta-demanda. Segundo o autor, a estratégia é identificar a demanda das pessoas por lazer (considere, aqui, o esporte dentro desse cenário), a partir da proposta de predominância de interesses culturais do lazer, de Dumazedier (1980). A partir desse modelo e adaptando-o especificamente para o esporte, é possível identificar distintas demandas (formas das pessoas ou instituições buscarem pela prática), tais como: o esporte de natureza recreativa, escolar, de rendimento ou profissional, de manutenção – intimamente ligado às questões terapêuticas – e outros. Quanto à oferta pelos serviços e produtos de esporte e lazer, existem os equipamentos específicos de lazer (clubes, centros de treinamento, academias de ginástica, e outros) e, aqueles equipamentos que foram construídos para outros fins – equipamentos não específicos de lazer (rua, parques, escolas, casa, praças e outros) – que também disponibilizam oportunidades de práticas às pessoas. Assim, encontramos ofertas de esporte e lazer a partir da administração pública (prefeituras, secretarias de estado e do governo federal) da iniciativa privada e também por organizações não governamentais (ONGs). É interessante notar que em virtude da associação da atividade física com a ideia de uma vida saudável, diferentes organizações – públicas ou privadas – têm oferecido programas de esporte e lazer, como secretarias de saúde (público) e empresas privadas diversas. Uma preocupada em reduzir os gastos públicos e outra em garantir a melhor disposição para o trabalho, respectivamente. Acreditamos, ainda, que a demanda pelo esporte e lazer passa por diferentes fatores influenciadores na tomada de decisão das pessoas, e que isso 4 está ligado às experiências que cada um possui. Assim, quanto maior e mais diversificadas as experiências dos indivíduos, maior será a possibilidade de haver uma diversificada demanda por esporte e lazer. O oposto também é verdadeiro, ou seja, quanto mais restritas as oportunidades, menor e mais restrita será a procura por práticas de esporte e lazer. Dentro desse cenário, vemos como fundamental o papel do gestor de espaços e equipamentos de esporte e lazer na promoção da Educação das pessoas para o lazer, a partir das próprias experiências no campo do lazer. Isso quer dizer que cabe ao gestor contemplar na ocupação dos equipamentos, conteúdos (esporte, jogos, ginástica, espetáculos e outros) e forma (aulas, treinamento, livre participação e outras) diversos para a participação das pessoas. Assim, mesmo que uma determinada organização ofereça como predominância, ou mesmo de forma exclusiva, somente uma modalidade esportiva, como o futebol, por exemplo, cabe ao gestor, considerar propor aos clientes, usuários, ou associados, múltiplos conteúdoe distintas formas para participar. TEMA 2 – PROGRAMAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS E EVENTOS NOS ESPAÇOS DE ESPORTE E LAZER Para compreender melhor a ideia de programação, é preciso considerar que as pessoas usufruem desses espaços de esporte e lazer, de maneira espontaneamente organizada, ou então, sob a organização, orientação ou controle de algum profissional. Assim, na primeira situação, as pessoas se apropriam dos espaços e, dentro do que é possível realizar, auto-organizam-se individualmente ou em grupos e jogam bola, assistem televisão, ouvem música, tomam sol, dentre outras possibilidades. Na segunda forma, participam de aulas, de treinamentos, campeonatos, assistem a algum espetáculo ou disputa esportiva, por exemplo. Para delimitação do tema, vamos considerar programação de esporte e lazer como um conjunto de ações planejadas, preparadas e desenvolvidas que permitem o consumo ou prática de atividades que atende às motivações das pessoas quanto às expectativas no campo do esporte e lazer. O processo de planejamento de uma programação segue um fluxo, conforme é possível verificar na Figura 1: 5 Figura 1 – Processo da programação Créditos: Marcos Ruiz da Silva. Conforme demonstrado na Figura 1, o processo de elaboração de um programa segue um fluxo com ações distintas, como: • Diagnóstico: identificar a realidade existente (verificação do público, seus desejos e outras informações). • Definição dos objetivos: definir claramente o que se pretende atingir com o programa. • Recursos disponíveis: fazer o levantamento dos recursos físicos, materiais, financeiros e de pessoal para o desenvolvimento do programa. • Estudo do local: analisar como a programação poderá ser disposta para o público-alvo. • Estudo do tempo: reconhecer as condições climáticas para a adequação da forma da atividade. • Produção do programa: organização equilibrada de todas as atividades. • Realização: execução de tudo o que foi planejado. • Avaliação: levantamento de informações e análise dos resultados. O trabalho de organização das atividades de esporte e lazer dentro de uma programação é um trabalho que exige sensibilidade, visto que existe uma diferença entre relação de atividades e programação. Diagnóstico Definição dos objetivos Recursos Disponíveis Produção do programa Estudo do tempo Estudo do local Realização Avaliação 6 TEMA 3 – EXECUÇÃO DOS PROGRAMAS OPERACIONAIS DE ESPORTE E LAZER Existem alguns princípios fundamentais na execução dos programas de esporte e lazer que precisam ser considerados no momento de execução. A flexibilidade na execução desses programas é um desses princípios, embora haja a necessidade de não se fazer confusão com a ideia de improviso. O planejamento dos programas de esporte e lazer podem contemplar, dentro de um certo limite, adaptações e ajustes, conforme o andamento do programa. Outro aspecto primordial na execução dos programas de esporte e lazer é a organização da equipe de trabalho, com a definição das funções e responsabilidades. Trabalhar com um organograma, conforme a Figura 2, auxilia o gestor e todo o grupo a saber o que cada um deve fazer. Figura 2 – Organograma Crédito: Marcos Ruiz da Silva. No exemplo simplificado de um organograma, na Figura 2, é possível ver a figura de quatro profissionais com uma relação horizontal e vertical entre eles. Nesse caso, temos um gestor com a função de controlar, dirigir, acompanhar, os trabalhos de todos o grupo. Subordinado a esse gestor, temos a figura de três profissionais, sendo o professor de vôlei, o recreador e a secretária. Cada um dispõe de uma abrangência de ação, conforme a função que ocupa. Assim, o Gestor Professor de vôlei Aulas de vôlei, treinamentos, festivais Recreador Jogos e brincadeiras, gincanas, Secretária Formulários; inscrições, 7 professor de vôlei é responsável pelas atividades relacionadas à modalidade, como ministrar as aulas, realizar os treinamentos com as equipes de competição e ainda promover festivais para divulgação e promoção do vôlei. O recreador é responsável pelas atividades com caráter menos formal, com o objetivo de promover a integração entre os usuários, clientes ou associados, com atividades diversas. Já a secretária tem as responsabilidades de prestar assistência ao setor, com as tarefas de caráter mais burocrático, como a elaboração e preenchimento de formulários de compra, realizar inscrições para as atividades ou eventos, e outras atividades correlatas. Para garantir resultados positivos, ainda é necessário treinar a equipe, realizar reuniões periódicas para que todos estejam seguros em relação às tarefas as serem realizadas. Isso pode demandar a produção de manuais de procedimentos, nos quais cada profissional receberá orientações sobre seu papel dentro da organização. Vale destacar, também, a necessidade de prever o atendimento para públicos especiais, tais como: idosos, pessoas com deficiência, gestantes, famílias com bebes e outros. Apesar de não ser muito comum, outro aspecto que merece atenção à execução de programas de esporte e lazer é a elaboração de planos de contingência, pois ajudará a garantir o atendimento caso haja alguma ocorrência que não estava no controle da gestão desses espaços e equipamentos. TEMA 4 – FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DOS PROGRAMAS DE ESPORTE E LAZER Algumas perguntas que deveríamos fazer quando assumimos uma função de gestão é: o que avaliar? Para que avaliar? Como avaliar? A função do gestor é cumprir metas, atingir objetivos e buscar melhorias constantemente. Caso ele não tenha em sua rotina o hábito de avaliar os trabalhos realizados, terá dificuldades em compreender o trabalho que está fazendo. Respondendo à primeira questão levantada no início deste texto (o que avaliar?), devemos avaliar tudo o que pode gerar melhorias em nossa organização. Assim, avaliamos o número de atendimentos realizados, semanalmente, mensalmente e anualmente, tomando o devido cuidado de identificar como se comportou o número de atendimentos, conforme o horário do 8 dia. Esse tipo de análise permite ao gestor analisar como está a oferta e a demanda, a variação da quantidade de alunos, conforme horário, período do mês e do ano. Além de ajudar a compreender o perfil do público por período. Outro cuidado que o gestor precisa ter na sua rotina é sobre o tempo de manutenção ou substituição de cada equipamento ou material. Com uma avalição criteriosa, terá informações precisas para a elaboração de sua previsão orçamentária para o ano seguinte, prevendo gastos com esse tipo de serviço. Também é possível ter dados que lhe ajudarão e tomar decisões sobre a substituição do tipo de material ou ajustes na manutenção preventiva para ampliar a vida útil de algum equipamento. Com boas ferramentas para avaliação, será capaz de analisar se o custo dos serviços oferecidos ao seu público está compatível com sua arrecadação. Bramante (1997) faz uma crítica em relação à forma de gestão adotada no campo do lazer. Para o autor, além de haver um planejamento precário, a avaliação é ainda mais deficiente, porque não há a cultura da avaliação. Outro aspecto sobre a avaliação no processo de gestão do esporte e lazer está diretamente associado ao fato de se avaliar mal. Isso mesmo, além de se avaliar pouco, se avalia mal. Veja o exemplo do Quadro 1: Quadro 1 – Avaliação Muito bom Bom Regular Ruim Péssimo Crédito: Marcos Ruiz da Silva. No Quadro 1, vemos que há uma combinação de binômios opostos, tais como: muito bom e péssimo, bom e ruim. A princípio está adequado, seria possível pensar até em mais algumas categorias como: bom-ruim; muito bom- muito ruim; excelente-péssimo. Entretanto, o que compromete nessa escala de valores, apresentada No Quadro 1, é a referência “regular”. O que é regular?Isso vem a ser algo bom ou ruim? O serviço atendeu ou não atendeu às expectativas do cliente? Enfim, com a variável “regular” não há informação precisa sobre o sentimento do avaliado que me permita tomar alguma decisão precisa. 9 Outra questão é: será que o gestor estaria satisfeito com um serviço prestado que fosse avaliado como regular? Afirmo que não. Assim, a sugestão para melhor direcionar uma ferramenta de avaliação é, no caso do Quadro 1, eliminar a opção “regular”. Veja, vamos considerar agora, no Quadro 2, como é possível fazer uma análise do índice de satisfação ou insatisfação do cliente. Quadro 2 – Avaliação: Índice de Satisfação e índice de Insatisfação INDÍCE DE SATISFAÇÃO INDÍCE DE INSATISFAÇÃO Excelente Muito Bom Bom Ruim Muito Ruim Péssimo Fonte: Marcos Ruiz da Silva. No exemplo do Quadro 2, o índice de satisfação do cliente está atrelado às respostas positivas em relação ao serviço prestado, com bom, muito bom e excelente. E o índice de insatisfação em relação ao serviço prestado está associado às variáveis ruim, muito ruim e péssimo. Vamos imaginar uma situação-hipotética e considerar que 100 pessoas responderam o questionário. Dessas, 73 indicaram suas respostas entre as variáveis, excelente, muito bom e bom. As demais nas variáveis que representam o índice de insatisfação, ou seja, ruim, muito ruim e péssimo. Com isso, você poderia afirmar que o índice de satisfação dos serviços prestados é de 73%. Cabe destacar ainda que as avaliações precisam estar dentro de um planejamento, e devem acontecer de forma sistematizada. Um alerta quanto às avaliações realizadas com clientes, colaboradores e outros é que à medida que não é tomada alguma decisão, não é comunicado aos entrevistados quais encaminhamentos foram feitos com os resultados da pesquisa. Isso provocará desgaste na relação de confiança entre a administração da organização e seus clientes, sejam eles internos ou não. 10 TEMA 5 – OFICINA TEMÁTICA: PROPOSTA DE UM PROGRAMA DE ATIVIDADES E EVENTOS PARA UM DETERMINADO ESPAÇO DE ESPORTE E LAZER EXISTENTE EM SUA CIDADE Neste tema, apresentaremos um modelo de estruturação de um programa esportivo de lazer. Para isso, escolhemos um modelo cujas variáveis mais perceptíveis é a periodicidade com que a atividade é realizada e a estrutura necessária para seu funcionamento. Assim, encontramos: • Atividades permanentes: aquelas que fazem parte da rotina diária dos frequentadores do local, e demandam recursos de permanentes e de consumo diário. • Atividades de apoio: acontecem com menor frequência, podendo ser semanal ou mensal, e tem como objeto contribuir para o fomento das atividades que acontecem rotineiramente. • Atividade de impacto: são atividades que tem uma frequência menos regular, podendo acontecer semestralmente, por exemplo, e têm como objetivo principal mobilizar um maior número de pessoas. Esse tipo de atividade exige da organização uma mobilização específica para sua realização. • Atividade especial: sua frequência é a menor entre as demais e tem como proposta ser um grande acontecimento, gerando investimento de recursos específicos para a produção dessa atividade. Vamos considerar esse modelo no departamento de futebol de um clube sociorrecreativo. Nesse lugar, acontecem as partidas de futebol diariamente para diferentes públicos (atividades permanentes) e, aos finais de semana, o clube realiza clínicas para os jovens e as crianças, bem como realiza palestra com ex- atletas, nutricionistas e outros (atividades de apoio). A cada final de semestre o clube realiza os campeonatos internos, mobilizando todos os praticantes (atividades de impacto). No final do ano eles realizam uma partida do campeonato estadual, na qual a equipe do clube participa, reunindo um grande número de associados para prestigiar o evento (atividade especial). 11 NA PRÁTICA Para nossa prática, vamos considerar a realização de um festival de voleibol que você precisa promover em um clube esportivo. O objetivo com a realização desse evento é divulgar a modalidade para os associados e atrair um número maior de adeptos. Considerando uma programação a partir da periodicidade das atividades (permanente, apoio, impacto, especial), sugira uma programação com uma semana de duração. FINALIZANDO Nesta aula, são pontos importantes para serem ressaltados: 1 Precisa haver um equilíbrio entre oferta e demanda. Além disso, o gestor precisa conhecer os nichos e suas expectativas para adequar a oferta aos interesses das pessoas. 2 A programação é um conjuntos de ações que envolve planejamento, organização e execução de adequação dos espaços de esporte e lazer, bem como das atividades a serem disponibilizadas às pessoas. 3 A execução de um programa de esporte e lazer depende da organização da equipe. Para auxiliar no desenvolvimento das tarefas e funções de cada profissional é recomendável a implantação de um manual de procedimentos. 4 A precisão na tomada de decisão de um gestor está diretamente ligada ao nível de informações que ele tem sobre seu negócio. Para ajudar nesse processo, é recomendável a realização planejada e sistemática de avaliações. 5 É razoável pensar a implementação de um programa de esporte e lazer a partir das atividades, permanentes, de apoio, de impacto e especiais. 12 REFERÊNCIAS BRAMANTE, A. C. Qualidade no Gerenciamento do Lazer. In: BRUHNS, H. Introdução aos Estudos do Lazer. Campinas: Editora UNICAMP, 1997. _____. Gestão Estratégica de Negócios do Lazer. Brasília: SESI/Departamento Nacional, 2006. DUMAZEDIER, J. Valores e conteúdos culturais do lazer. 1. ed. São Paulo: Sesc, 1980. 13 GABARITO Resposta Na Prática: • 01 – Atividade permanente: curso esportivo e jogos livres • 02 – Atividade de apoio: “cumbução” (jogos com equipes formadas na hora). • 03 – Atividade de impacto: Festival para todas as idades e com premiação • 04 – Atividade de impacto: realização de uma partida oficial do campeonato estadual. Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom Permanente 01 01 01 01 01 Apoio 02 Impacto 03 Especial 04 GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER AULA 6 Prof. Marcos Ruiz da Silva 2 CONVERSA INICIAL Os espaços e equipamentos de esporte e lazer comportam uma complexa e dinâmica relação com seus usuários. Isto se dá pela combinação entre a diversidade de práticas, de públicos e ainda pela diversidade de interesses e expectativas de cada indivíduo. Assim, como cada estrutura arquitetônica (casa, hospital, escola e outros) tem suas especificidades, o campo do esporte e lazer também apresenta características muito peculiares. Para compreender melhor esse assunto, vamos falar dos elementos essenciais que precisam ser levados em conta na formulação ou instalação de equipamentos de esporte e lazer: são indicadores de caráter cultural, social, ambiental, técnico que orientam a viabilidade de implantação e também de animação desses espaços. Vamos conversar também sobre como a comunicação interfere no relacionamento construído entre a organização e seu público-alvo, e descrever por que ela precisa ser considerada como uma ação estratégica para o gestor. Apresentaremos, ainda, algumas ferramentas de marketing e discutiremos como elas podem potencializar o uso das instalações, as tendências sociais presentes e futuras que estão influenciando na configuração de novas práticas ou mesmo na forma com que as pessoas estão ocupando seu tempo livre de forma recreativa. Para finalizar nossa conversa, apresentaremos, na Oficina Temática, alguns encaminhamentos sobre a formulação de estratégias de implantação deespaços e equipamentos de esporte e lazer com o olhar para a sustentabilidade. TEMA 1 – ELEMENTOS ESSENCIAIS PARA A FORMULAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DE INDICADORES DE VIABILIDADE DE INSTALAÇÕES DE ESPORTE E LAZER A ideia de viabilidade de algum projeto está muito ligada à questão econômico-financeira. Ou seja, é preciso ter claro qual é o valor do empreendimento e se há recursos financeiros suficientes para a execução do mesmo. Apesar de ser inconteste a necessidade de ter segurança quanto à questão econômica para a implantação ou execução de qualquer projeto, 3 entendemos que a viabilidade de implantação de um equipamento de esporte e lazer não está limitada a esse fator. Apresentaremos, agora, alguns tipos de viabilidade que precisam ser levadas em conta no momento de pensar qualquer projeto: viabilidade econômico-financeira – recursos financeiros disponíveis para construção para operação e manutenção; viabilidade política – aprovados pelos poderes públicos; viabilidade cultural – interesses e motivações da população para frequentá-los; viabilidade social – importância para a cidade ou comunidade, atribuída pela população; viabilidade ambiental – análise dos impactos gerados, com medidas para compensar as diferenças; viabilidade técnica – disponibilidade para fornecer equipamentos, insumos, materiais e soluções técnicas para os espaços de esporte e lazer. No conjunto dos fatores, vamos considerar que possa haver, na concepção do gestor, algum com maior ou menor grau de importância. Apesar disto, acreditamos na integração entre eles, sem haver algum que mereça ser priorizado em detrimento dos demais. O estudo de viabilidade de implantação de um equipamento específico de lazer, devidamente estruturado, vai dimensionar o custo (econômico-financeiro) levando em conta desde as necessidades iniciais de implantação até a fase de operação. Portanto, é considerado no levantamento, as despesas com horas trabalhadas no projeto, comissões, contratação de assessoria, viagens, refeições e outras que estão diretamente atreladas à fase da construção do projeto. Caso a obra seja pública ou esteja dentro de uma organização administrada por uma diretoria, como os clubes sociorrecreativos, há ainda a necessidade de que o projeto seja aprovado pela administração (política). Há também a necessidade de fazer o levantamento da vocação da comunidade local (usuários, clientes ou associados). Quais são seus gostos e hábitos com as práticas recreativas (cultural). Associado a isto, identificar 4 também, na região, grupos organizados de artistas e outros profissionais ligados ao esporte e lazer que poderão prestar serviços para a organização. Outros fatores de viabilidade também são importantes, como compreender os interesses da população e também a forma com que as pessoas se organizam para seus momentos de lazer (social), considerando que haverá impactos ambientais na instalação desse equipamento e é preciso projetar estratégias de minimizá-los (ambiental). Tudo isto tomando o cuidado de verificar a adequação entre soluções técnicas e a disponibilidade de contar com assistência (técnica). TEMA 2 – RELACIONAMENTO COMUNITÁRIO E INTEGRAÇÃO SOCIAL PARA IMPLEMENTAR UM PLANO ESTRATÉGICO DE COMUNICAÇÃO NO CAMPO DO ESPORTE E LAZER As novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) têm disponibilizado às pessoas um volume expressivo de informação. Seja por smartphone, televisão, tablet, computador ou outra mídia, todos os dias somos bombardeados com notícias, comentários de amigos, informações úteis, piadas, vídeos e outras. À medida que os indivíduos se mantêm conectado à rede, as informações não param de chegar. A velocidade e a abrangência da comunicação entre as pessoas alcançaram, de certa forma, níveis inimagináveis. Com um dispositivo eletrônico ligado à internet qualquer pessoa pode conversar com uma ou várias outras pessoas simultaneamente, mesmo que estas estejam separadas geograficamente. Um acontecimento do outro lado do globo pode ser comunicado instantaneamente com uma pessoa, uma comunidade ou mesmo com todo o mundo. Agora, imagine sua empresa administrando um volume significativo de informações e com a necessidade de se comunicar bem com todo seu núcleo social (clientes internos, clientes externos, fornecedores, acionistas, entre outros). Muitas empresas ignoram o impacto da comunicação sobre os negócios e não pensam estrategicamente nesse ponto. Os “ruídos’ na comunicação acontecem, independentemente do tamanho da empresa. Entre alguns erros comuns na comunicação corporativa está a ausência de definição do tipo de comunicação para cada característica de público. Assim, 5 para um cliente interno há uma forma de se comunicar, diferentemente do cliente externo. Segundo Kunsch (2009), existem algumas dimensões comunicacionais, como: institucional – cuja característica principal é a construção de uma imagem positiva da empresa perante a sociedade, investidores, cliente ou usuários; mercadológica – seu objetivo principal é melhorar a imagem de seus produtos ou serviços; administrativa – tem como característica mais evidente a transmissão de dados produzidos na administração, para os demais setores; interna – busca construir um ambiente corporativo que facilite o desenvolvimento das tarefas. As empresas precisam investir em processos de comunicação para minimizar ou eliminar algumas barreiras, como: barreiras pessoais – as interferências decorrentes das limitações, emoções, valores de cada pessoa e cultura; barreiras físicas – são as interferências presentes no ambiente; barreiras semânticas – são as limitações decorrentes dos símbolos. Para que isso ocorra, é recomendável utilizar algumas ferramentas internas para melhorar a comunicação, como reuniões periódicas, murais, e-mail marketing, intranet e outros. Recomenda-se que, de acordo com o nível de importância da informação, algumas medidas sejam criadas para certificar-se de que o receptor compreendeu corretamente a mensagem enviada. Outro processo que as organizações têm vivenciado na construção de uma comunicação eficiente é o da comunicação participativa, cujo princípio é aceitar a ideia de que todos têm direito à comunicação. Dessa forma, estratégias como a criação de comissões representativas têm sido utilizadas para aproximar a empresa dos clientes internos e externos. Para a efetiva implantação de uma comunicação colaborativa é necessário mudar ou adequar as estruturas relacionais comunicativas. 6 TEMA 3 – FERRAMENTAS DE MARKETING PARA POTENCIALIZAR O USO DAS INSTALAÇÕES DE ESPORTE E LAZER Para abordar este tema, vamos nos valer de alguns princípios do marketing, estruturados por Kotler (2000), por acreditar que seus estudos são subsídios importantes para entendermos esse assunto. Primeiramente, é importante nos posicionarmos e afirmarmos que o marketing está intimamente ligado à visão estratégica de qualquer empresa, não se restringido apenas à visão de captação de recursos, por meio de patrocínios esportivos para as equipes, ou mesmo à visão de manutenção de espaços de esporte e lazer. Ao conceber o marketing em um plano de gestão, vemos sua intervenção de forma estrutural e periférica. O que lhe vem à mente ao mencionarmos o termo marketing? Será que sua compreensão está associada à ideia de compra e venda? De certo modo, se a sua resposta foi positiva, não está equivocada. O que talvez não lhe venha à mente é que para construir uma relação de negócio no mercado, há a necessidade de mexer com as estruturas da empresa. Conhecer algumas ferramentas de marketing ajudará o gestor a pensar estrategicamente e também a descobrir, dentre outras coisas, a criar valor para seu negócio. Ao elaborar um plano de marketing, impreterivelmente deverá serrealizado um trabalho de levantamento de informações detalhadas. Para isto, é necessário considerar o ambiente interno e o ambiente externo à empresa e as variáveis que precisam ser controladas. Entre as variáveis que interferem na elaboração de um plano de marketing, Kotler (2000) destaca algumas como as principais a serem consideradas: Quadro 1 – Principais variáveis a serem consideradas na elaboração de um plano de marketing VARIÁVEIS CARACTERÍSTICAS Econômica Variações existentes no cenário econômico que podem afetar, positivamente ou negativamente, o mercado. Demográfica Diz respeito à quantidade e características das pessoas ou grupos sociais, distribuídas por idade, 7 sexo, etnia, nível educacional, taxa de crescimento dentre outras especificidades. Cultural Informações que envolvem saber o comportamento das pessoas, ou grupos, e conhecer seus hábitos, aspectos religiosos, alimentares, de lazer, entre outros. Tecnológica Associado às mudanças e ao acesso das pessoas e instituições às tecnologias. Político-legais Alterações na legislação. Fonte: adaptado de Kotler, 2000. Quanto às ferramentas de marketing, ou o mix marketing, trata-se de um conjunto de elementos que configuram as ações do marketing. O modelo mais adotado pelos profissionais é conhecido como 4 Ps, sendo: produto, preço, praça e promoção, conforme apresentado no Quadro 2: Quadro 2 – Os 4 Ps do marketing FERRAMENTA CARACTERÍSTICA Produto O que a empresa oferece. Pode ser tangível ou intangível. É analisado com base na variedade, qualidade, design, embalagem, tamanho, garantias, marca, entre outras. Praça Onde o produto ou serviço é ofertado ao cliente, isto é, o local em que pode adquiri-lo no momento que desejar. Preço Como é estabelecido o valor do produto ou serviço: preço, desconto, concessões, prazo para pagamento, condições de financiamento, entre outras. Promoção Como o produto ou serviço é ofertado ao cliente/usuário e quais estratégias de divulgação são utilizadas para que eles saibam o que e como adquirir, como publicidade, eventos e outras ações. Fonte: adaptado de Kotler, 2000. Conforme demonstrado no Quadro 2, ao transportarmos os 4 Ps para os cenários do esporte e lazer, encontramos o voleibol, a natação, as quadras esportivas, as pistas de caminhada acessíveis, limpas e adequadas às práticas regulares de exercício físico (produtos). Isto pode ser ofertado ao usuário e cobrado de forma parcelada, com desconto para pagamento à vista, ou mesmo 8 por meio de pacotes promocionais (preço). Estas facilidades podem ser ofertadas em um horário de atendimento compatível com as necessidades dos clientes (praça), com promoções especiais para aqueles que são assíduos e fazem o pagamento das taxas em dia (promoção). TEMA 4 – QUATRO TENDÊNCIAS PRESENTES-FUTURAS PARA A GESTÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE ESPORTE E LAZER O século XXI tem se apresentado à sociedade como um período de incertezas. Em virtude das rápidas mudanças ocorridas, muitas delas influenciadas pelos avanços tecnológicos, as pessoas não se arriscam a prever o que irá ocorrer daqui a 15, 10 ou mesmo 5 anos. A velocidade com que as informações circulam, anunciando mudanças, tem gerado certa dúvida sobre quais serão as profissões do futuro, o que ensinar nas escolas para as crianças, qual será a relação de trabalho com as empresas, entre tantas outras. Contudo, existem alguns indicadores que precisam ser acompanhados sistematicamente para compreendermos as tendências presentes e analisar as projeções futuras. Entre algumas possibilidades de análise, vemos, na área do lazer, um volume considerável de pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos, usando seu tempo disponível com práticas recreativas intermediadas pelo uso de mídias digitais, como jogos e redes de relacionamento. São horas, seja, dentro de um transporte, em casa, na praça, no estádio de futebol, com o uso dessa tecnologia, seja para filmar um espetáculo ou uma partida de futebol que está assistindo; para compartilhar momentos com a rede, postando fotos ou vídeos; ou, ainda, fazendo várias coisas simultaneamente, como assistir a uma partida de futebol e se divertir com um jogo no smartphone, em rede. Outras mudanças que estão ocorrendo na sociedade e estão influenciando o comportamento das pessoas, no contexto do lazer, estão associadas ao aumento da longevidade, a integração de animais domésticos como “membros da família”, que, devido aos cuidados recebidos, são, de certa forma, humanizados. Estes dois fatores estão provocando a quebra de alguns paradigmas. Por exemplo: é cada vez mais frequente a presença de pessoas idosas em 9 academias para praticar exercícios físicos regularmente, assim como a aceitação de animais em restaurantes, shoppings, hotéis, e outros locais. Esse cenário nos obriga a pensar, cada vez mais, em novas possiblidades de recreação com as quais estas pessoas possam usar o seu tempo livre. Também é preciso preocupar-se com a qualidade dos serviços ou espaços oferecidos, bem como pela diversidade de práticas. É provável que, em vez de os profissionais de educação física travarem uma guerra contra os jogos digitais, precisem construir novas formas de oferecer experiências às pessoas, integrando o ambiente físico com o digital. Podemos afirmar, ainda, que há um grande número de profissionais na área de esporte e lazer que precisa aprofundar seus estudos, de modo a construir novos olhares para esse campo de atuação, caso contrário, a contribuição que poderão dar à sociedade será restrita. TEMA 5 – OFICINA TEMÁTICA – FORMULAÇÃO DO ÍNDICE DE SUSTENTABILIDADE DE INSTALAÇÕES DE ESPORTE E LAZER Vamos considerar a ideia de sustentabilidade para esta oficina temática – como as condições adequadas para a implantação de um espaço ou equipamento de esporte e lazer – as quais estão intimamente atreladas a questões de caráter social, ambiental e econômico. A integração equilibrada dessas variáveis pode contribuir para que um projeto seja concebido de forma sustentável. A análise da viabilidade sustentável exige a utilização de ferramentas gerenciais para realização de estudos aprofundados sobre as variáveis que compõem um cenário de sustentabilidade. É preciso identificar quais são os fatores essenciais para poder aplicar o Índice de Viabilidade Múltipla de Espaços e Equipamento de Cultura, Esporte e Lazer (Bramante, 2011). Para isto, são considerados fatores como proximidade do equipamento com a comunidade local, atendimento aos usuários, manutenção das instalações e outros. Tais fatores são transformados em dados, de modo a definir escalas e valores como parâmetros de análise. No Quadro 3, temos um exemplo de escala cujo objetivo é verificar o índice de proximidade da comunidade com o equipamento esportivo e de lazer: 10 Quadro 3 – Índice de proximidade comunidade versus equipamento Distância - 2 km 2/-4 Km 4/-6 Km 6/- 8 km 8/-10 km 10km ou + TOTAL Pontuação 10 8 6 4 2 zero Fonte: Bramante, 2011. Ao observar o Quadro 2, vemos que as distâncias, em quilômetros, estão atreladas a uma escala de pontuação, na qual a menor distância entre a residência da pessoa e o equipamento esportivo, por exemplo, recebe a pontuação máxima. Assim, é possível afirmar que, nesta escala, é aceita a ideia de que aquelas pessoas que residem a uma distância de até 2 quilômetros do equipamento esportivo estão inseridas em um conceito aceitável, de acordo com a visão de sustentabilidade, e recebe a nota máxima na avaliação. À medida que o equipamento esportivo está mais distante da residência das pessoas, conforme demonstrado no Quadro 3, reduz sua nota e, consequentemente, sua viabilidade social é comprometida. NA PRÁTICA Sua empresa acabou de construir um novo espaço esportivo de lazer para a comunidade.Porém, antes de disponibilizá-lo ao público é necessário tomar algumas providências. Indique alguns desses caminhos. FINALIZANDO Nesta aula, são pontos importantes a serem ressaltados: 1 Existem alguns fatores de viabilidade que precisam ser considerados para a implantação de um equipamento de esporte e lazer, como econômico- financeiro, político, cultural, social, ambiental e técnico. 2 A comunicação pode ser interpretada considerando diferentes dimensões, como a institucional, a administrativa, a mercadológica e a interna. Para cada uma delas há objetivos e características distintos. Ainda existem barreiras na comunicação que precisam ser eliminadas para que a empresa tenha menor dificuldade de se comunicar com seu público. 11 3 O mix marketing, composto pelos 4 Os – produto, praça, preço e promoção. Nas empresas, ele precisa ocupar uma posição estratégica. 4 O século XXI tem se apresentado como um período de rápidas mudanças. O gestor precisa ficar atendo às tendências presentes e futuras. A longevidade das pessoas, o uso da tecnologia digital para diversão e a relação “familiar” são alguns indicadores dessas tendências. 5 Para que um equipamento de esporte e lazer seja considerado sustentável, precisa combinar elementos como: questão ambiental, social e econômica. Para aplicar ferramentas de análise sobre sustentabilidade, é necessário que sejam feitos estudos aprofundados sobre o cenário no qual o equipamento se encontra. 12 REFERÊNCIAS BRAMANTE, A.; MARCOLINO, L. Estudos de viabilidade econômica, social e ambiental: construção de um índice para efetivas mudanças. In: BRAMANTE, A. Caderno técnico de gestão e otimização de espaços de cultura, esporte e lazer no SESI. Brasília: SESI/Departamento Nacional: 2011, v. 2: Fazendo mudanças – estudos de viabilidade econômica, social e ambiental. KOTLER, P. Princípios de marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000. KUNSCH, M. M. K. (org.). Comunicação Organizacional. São Paulo: Saraiva, 2009, v. 1: histórico, fundamentos e processos. 13 RESPOSTA Organizar um comitê consultivo que seja representativo de toda a comunidade para discutir as normas, possibilidades e restrições de uso; Elaborar um plano de marketing para comunicar às pessoas as características do espaço, o regulamento e outras informações importantes; Na estratégia da comunicação, desenvolver um plano educativo de uso do espaço.