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SEMANA 1 – FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA A Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948, estabeleceu os princípios universais da liberdade e igualdade de direitos entre os seres humanos, sendo um importante marco histórico na luta pelo fim da segregação social das pessoas com deficiência. A Declaração de Salamanca, elaborada na Conferência Mundial sobre Educação Especial, em 1994, pode ser considerada como o grande marco histórico da educação especial em perspectiva inclusiva. A educação é um direito universal do ser humano, sem discriminação nem exclusão. É direito de ser sujeito e ser diferente. É direito de aprender a autonomia para o exercício da cidadania. É um fim em si próprio e um recurso essencial para a realização de todos os direitos humanos (MONTEIRO, 2006, p. 165). Em 1961, o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser fundamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), que aponta o direito dos “excepcionais” à educação, preferencialmente dentro do sistema geral de ensino (BRASIL, 1961). A LDBEN de 1961 foi alterada em 1971 (BRASIL, 1971), quando foi especificado “tratamento especial” para os alunos que apresentassem deficiências físicas ou mentais, atraso escolar considerando sua idade e, também, os superdotados. O MEC, em 1973, o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), com a responsabilidade de gerenciar a educação especial no Brasil. Com a intenção de integrar os serviços, o CENESP impulsionou ações educacionais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdotação, mas ainda configuradas por campanhas assistenciais e iniciativas isoladas do Estado. O Brasil assinou, em 1990, a Declaração de Jomtien (BRASIL, 1990a), assumindo, perante os demais signatários o compromisso de erradicar o analfabetismo e universalizar o ensino fundamental no país. Para tanto, foram elaboradas ações norteadoras pautadas em documentos legais com o objetivo de tornar os sistemas educacionais inclusivos, nos três domínios públicos: municipal, estadual e federal. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, é o documento que caracteriza a Educação Especial enquanto modalidade de educação escolar, e que, como tal, perpassa as demais modalidades de ensino. O Brasil, país-membro da Organização das Nações Unidas (ONU), mesmo sendo aquele que escreve a documentação aprovada pela entidade, anexa vagarosamente essa documentação nas políticas públicas nacionais. Diante do exposto, assinale a alternativa que apresenta corretamente as principais características históricas do século XX. Em 1959, o número de instituições voltadas às pessoas com deficiência era 190. 77% dessas instituições eram públicas, o que caracterizava a responsabilidade do Estado pela educação. A Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência define a educação especial como uma modalidade transversal em todos os níveis e modalidades de ensino (BRASIL, 1999). BRASIL. Lei nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1999]. I. É um resultado da união entre o governo e a sociedade civil, de modo a desconsiderar a integração total do sujeito com deficiência nos contextos socioeconômico e cultural. II. Há a aplicação de leis, regulamentos e demais documentos legais que garantam ao sujeito com deficiência o exercício da cidadania, de acordo com a Constituição Federativa de 1988. IV. Há o respeito às pessoas com deficiência, que devem receber oportunidades igualitárias, em detrimento do reconhecimento dos direitos que lhes são assegurados, sem privilégios ou paternalismos. No Brasil colonial, ocorriam ações orientadas pela metrópole do velho continente. Pouca atenção era demandada às pessoas com deficiência, que, até o século XVIII, eram abandonadas ou atendidas em casa. Foi apenas no início do século seguinte que surgiram instituições que buscavam atender especialmente aos surdos e aos cegos, com a criação do Instituto dos Meninos Cegos e do Instituto do Surdo-Mudo. São respectivamente os nomes atuais do Instituto dos Meninos Cegos e do Instituto do Surdo- Mudo: Instituto Benjamin Constant e Instituto de Educação de Surdos. SEMANA 2 - Características dos estudantes Público-Alvo da Educação Especial (PAEE) Público-alvo da educação Especial: PAEE Deficiência Auditiva: De 41 a 55 db - surdez moderada De 56 a 70 db - surdez acentuada De 71 a 90 db - surdez severa Acima de 91 db - surdez profunda Anacusia Surdez leve/moderada: quando a perda auditiva ocorre entre 40 e 70 decibéis em ambos os ouvidos e dificulta, mas não impede, a pessoa de se expressar oralmente, bem como de perceber a voz humana com ou sem a utilização de uma prótese auditiva. Surdez severa/profunda: assim considerada quando a perda auditiva ocorre acima de 70 decibéis, o que vai impedir a pessoa de entender, com ou sem aparelho auditivo, a voz humana, bem como de adquirir naturalmente o código da língua oral (fala). Deficiência Física: Paraplegia, Paraparesia, Monoplegia, Monoparesia, Tetraplegia, Tetraparesia, Triplegia, Triparesia, Hemiplegia, Hemiparesia, Amputação, Paralisia, Cerebral, Ostomia. Deficiência Intelectual: Funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, podem afetar as seguintes áreas: Cuidado pessoal, Utilização da comunidade, Saúde e segurança, Habilidades acadêmicas, Lazer, Trabalho, Comunicação, Habilidades sociais. 1. Habilidades conceituais: linguagem e alfabetização; conceitos de dinheiro, tempo e número; e direção própria. 2. Habilidades sociais: interpessoais, responsabilidade social, autoestima,credulidade, ingenuidade (cautela), resolução de problemas sociais e a capacidade de seguir regras/obedecer às leis e evitar ser vitimado. 3. Habilidades práticas: atividades do dia-a-dia (cuidados pessoais), habilidades ocupacionais, saúde, viagens/transporte, horário/ rotina, segurança, uso do dinheiro, uso do telefone Deficiência Visual: Acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20° ou ocorrência simultânea de ambas as situações. Transtornos Globais do Desenvolvimento/Transtorno do Espectro Autista (BRASIL, 2008). • Apresentam alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. • Incluem-se nesse grupo estudantes com autismo, síndromes do espectro do autismo e psicose infantil. Altas Habilidades/Superdotação (BRASIL, 2008). • Potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas. • Intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes. • Apresentam grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse. Adaptar transporte e mobiliário, além do uso da tecnologia assistiva, podem contribuir para a permanência e o sucesso escolar dos alunos público-alvo da Educação Especial. O ENSINO COLABORATIVO é uma filosofia de trabalho que prevê a atuação conjunta entre professores da Educação Especial e do Ensino Regular, trabalhando em parceria para o sucesso da aprendizagem do aluno. O DECRETO 10.502, que atualiza a Política de Educação Especial, representa um retrocesso, pois não reforça o princípio de inclusão escolar, assim discorre a professora Enicéia Goncalves Mendes. EDUCAÇÃO ESPECIAL é uma modalidade de ensino que perpassa todos osníveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os serviços e recursos próprios desse atendimento e orienta os alunos e seus professores quanto a sua utilização nas turmas comuns do ensino regular (BRASIL, 2008, p.16). Na lida com pessoas com deficiência, se não acreditamos nas suas potencialidades ensinaremos menos coisas e reforçaremos sua dependência. Por outro lado, a crença nas suas capacidades e nas nossas de ensiná-los, pode auxiliar na promoção do seu desenvolvimento tornando-as pessoas autônomas e produtivas (RODRIGUES; CAPELLINI, 2014, p. 54). NÍVEIS DE APOIO PARA O ESTUDANTE DA EDUCAÇÃO ESPECIAL • Intermitentes: São episódicos, disponibilizados apenas em momentos necessários, com base em demandas específicas, aplicados em momentos de crise ou períodos de transição no ciclo de vida da pessoa. • Limitados: São caracterizados por sua temporalidade limitada e persistente, destinando-se ao atendimento a necessidades que requeiram assistência temporal de curta duração, com apoio mantido até sua finalização. • Extensivos: São caracterizados por sua regularidade e periodicidade (por exemplo, diariamente, semanalmente). • Pervasivos: São constantes, estáveis e de alta intensidade, disponibilizados nos diversos ambientes, potencialmente durante toda a vida, podendo envolver uma equipe com número maior de pessoas. Ao definir e avaliar a deficiência intelectual, a Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimento (AAIDD) enfatiza que os fatores adicionais devem ser levados em consideração, como o ambiente comunitário típico dos pares e a cultura. I. Os profissionais devem considerar a variedade linguística e as diversidades culturais quando se trata da maneira como as pessoas se comunicam, movem e se comportam. II. As avaliações devem presumir que as limitações dos indivíduos frequentemente coexistem com os pontos fortes e que o desempenho de uma pessoa é melhor se forem fornecidos suportes personalizados e adequados durante um período sustentado. III. Apenas com base nas avaliações multifacetadas, os especialistas podem averiguar se um sujeito tem Deficiência Intelectual (DI) e elaborar um plano de suporte individualizado. IV. Na fase pré-natal, a deficiência pode se manifestar em detrimento dos princípios biológicos, sociais e ambientais, incluindo a incidência de anabolizantes, a falta de nutrição paterna, os problemas de decorrência genética e o uso de drogas, por exemplo. A Política de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva adota uma concepção de deficiência respaldada na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU). Deixou de ser apenas um modelo médico. A deficiência é entendida como uma limitação do indivíduo. Trata-se de um modelo social mais inclusivo, que entende a deficiência como uma consequência das limitações e das estruturas do corpo. Contudo também abrange a influência dos fatores sociais e ambientais que permeiam o sujeito. Segundo Rodrigues e Capellini (2014, p. 54), “na lida com pessoas com deficiência, se não acreditamos nas suas potencialidades ensinaremos menos coisas e reforçaremos sua dependência. Por outro lado, a crença nas suas capacidades e nas nossas de ensiná-los, pode auxiliar na promoção do seu desenvolvimento tornando-as pessoas autônomas e produtivas dessa forma”. O mais importante, na escola, é desconsiderar que cada aluno é único, singular. Deficiência não é sinônimo de doença ou incapacidade. Muitas vezes, as barreiras são impostas pela sociedade. Dessa maneira, são necessárias políticas que assegurem a garantia dos sujeitos dessa categoria. Foi durante os anos de 1990 que aconteceram conferências e encontros que resultaram em ações que foram planejadas e executadas para a comunidade inclusiva. Considerando a Política Brasileira de Inclusão, assinale a alternativa correta. As barreiras atitudinais são atitudes que prejudicam as relações sociais da PCD. A deficiência auditiva representa a diminuição da capacidade de percepção, sem prejuízo do som. É considerado surdo o indivíduo cuja audição não é funcional na vida comum. Por sua vez, é considerado parcialmente surdo aquele cuja audição, mesmo que com perda, ainda é funcional com ou sem prótese auditiva. Surdez leve/moderada: caracterizada quando a perda auditiva ocorre entre 0(40) e 70 decibéis em ambas as orelhas. A pessoa pode se expressar oralmente e perceber a voz humana com ou sem o uso de aparelhos auditivos. A Deficiência Intelectual (DI) é caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, que abrangem muitas habilidades sociais e práticas do dia a dia. Essa deficiência tem origem antes dos 22 anos. Habilidades conceituais, habilidades sociais e habilidades práticas. Os movimentos sociais que envolvem pesquisadores, familiares e os sujeitos com deficiência consideram que a concepção de deficiência centrada no indivíduo deve ser superada. Está expressa no enunciado a abordagem Biopsicossocial. SEMANA 3 - O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) E A FAMÍLIA NA ESCOLARIZAÇÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA Atendimento Educacional Especializado (AEE) É um serviço da educação especial (que é transversal, perpassa por todas as disciplinas), que identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade. • Complementa e/ou suplementa a formação do aluno, visando a sua autonomia na escola e fora dela, é uma oferta obrigatória do sistema de ensino. • Suporte pedagógico especializado, o qual deve ser de apoio e não um local de reforço escolar. • Não é o local alternativo para se escolarizar aqueles estudantes considerados público-alvo da educação especial. O Atendimento Educacional Especializado é um serviço que pode complementar o currículo, neste caso, atende estudantes com deficiência ou Transtorno Global do Desenvolvimento; o serviço, quando disponibilizado, pode também suplementar o currículo, neste caso, atende estudantes com Altas Habilidades/Super Dotação. Atuam no AEE, professores e/ou pessoas habilitadas e especializadas em alguns campos como: Libras, Braile, Tecnologia assistida, atendimento especializado, etc... O Professor do AEE vai: Orientar professores e família, Acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos, Estabelecer parceria com o professor da sala comum, Estabelecer parcerias intersetoriais. PAEE: Plano de Atendimento Educacional Especializado (o professor do AEE é o responsável) PEI: Plano de Ensino Individualizado (o professor da classe comum é o responsável) O professor da sala comum é o responsável pelos ajustes curriculares, porém, é papel do professor da Educação Especial auxiliá-lo nessa tarefa, atuando de forma colaborativa para promover a acessibilidade ao currículo. Segundo Szymanski (2002), família pode ser definida como uma associação de pessoas que escolhe conviver por razões afetivas e assume um compromisso de cuidado mútuo com todos os membros que a compõem. Observa-se que a consanguinidade não é mais fator preponderante para a formação da família. É um grupo social caracterizado pela intimidade e pelas relações intergeracionais (PETZOLD, 1996). E, independente da sua configuração, é necessária para a sobrevivência humana (GEORGAS, 2006). Szymanski (2002) destaca nove principais tipos de composição familiar: (a) família nuclear com filhos biológicos; (b) família extensa, incluindo três ou quatro gerações; (c) família adotiva temporária; (d) família adotiva que pode ser birracial ou multicultural; (e) casal sem filhos; (f) família monoparental, chefiada por pai ou mãe; (g) casal homossexual com ou sem filhos; (h) família reconstituída depois do divórcio; (i) várias pessoas vivendo juntas, sem laços legais, mas com fortecompromisso mútuo. Omote (1981) descreve as fases dessas crises pelas quais passam as famílias de crianças com deficiência. A primeira é a fase da rotulagem ou da tragédia, quando os cuidadores se veem frente a uma situação irreversível que foge ao seu controle, mas lhes pertence. Na fase seguinte, a da normalização, a família tenta controlar a situação sem alterar as normas e os costumes familiares. É como se, sem ignorar as necessidades de tratamento especializado do bebê/criança, tentassem conviver naturalmente com a nova realidade. O projeto “Pipas no Ar” orienta sexualmente pessoas com deficiência intelectual a fim de prevenir doenças sexualmente transmissíveis e o abuso sexual. A parceria da escola com a família do aluno público-alvo é para causar uma reflexão coletiva sobre as possibilidades de serviços, organização familiar e papel de cada um dos membros no cuidado da pessoa com deficiência. O texto “Escola e Família: parceria possível e necessária”, expões que Bowlby (1990), destaca a relevância dos cuidados, tanto da família, quanto de outros cuidadores específicos realizam aos seus filhos e é algo considerado natural, deixando de lado sua grandiosidade. A Família deve ser fonte de referência e apoio a todos os seus membros, sejam eles bebês, adolescentes ou idosos. O sucesso acadêmico de cada estudante, independentemente da condição dele, depende da parceria forte entre família e escola. Ambas precisam ter o mesmo objetivo, porque estudos têm mostrado que existe uma correlação positiva entre o sucesso acadêmico, a frequência nas aulas e o comportamento adequado dos alunos com o envolvimento qualitativo das famílias (CANÁRIO, 2008). Quando a escola e a família se unem nessa missão, o sujeito com deficiência física ou mental e a comunidade, como um todo, ganham. A aprendizagem é afetada positivamente. Ao detectar uma deficiência em uma criança, que pode ocorrer em qualquer estágio, incluindo antes, durante ou após o nascimento, é difícil para os pais aceitarem a criança especial. Um filho com deficiência altera: As metas e os objetivos da família. É exigida uma reformulação dos papéis dos membros na dinâmica familiar. Os estágios descritos podem ser observados em qualquer estrutura de família. No entanto nem todas as tarefas são cumpridas por inúmeros motivos e/ou limitações. I. Há várias situações complicadas que podem ocorrer em um ambiente familiar, incluindo divórcio, gravidez inesperada, morte prematura, doença crônica e alcoolismo. II. As mudanças e as imposições de novas tarefas em situações mais vulneráveis evidenciam diferenças no desenvolvimento familiar. III. As dificuldades são muito maiores e as tarefas, embora iguais, vêm associadas a problemas de diferentes ordens. Com o passar do tempo, é normal que os filhos saiam da casa dos pais. O filho amadurece e tem independência para trilhar o próprio caminho. Essa fase é chamada de “ninho vazio”. O objetivo geral é a aceitação de várias entradas e saídas no sistema familiar. Para isso, várias tarefas são requeridas. Dentre elas, é possível destacar: O desenvolvimento de um relacionamento de adulto para adulto com os filhos crescidos. SEMANA 4 - SURDEZ: CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA Antiguidade Greco-romana: “os surdos não eram seres humanos competentes” (sem audição > sem fala > sem linguagem > sem pensamento) – Aristóteles. Pedro Ponce de León foi o primeiro educador europeu a realizar experiências educativas formais com pessoas surdas, o que ocorreu entre 1520 e 1584. Queria garantir que os surdos tivessem direito à herança, ensinou fala, leitura e escrita. Juan Pablo Bonet se apropriou do método de León, lançou em 1620 obras sobre a arte de ensinar surdos a falar (sinais e fala simples) Seu estudo foi usado por Pereire, Amman e Wallis com foco em sinais, alfabeto manual e oralidade. Charles-Michel de l’Epée (idade moderna) • Fundou o Instituto Nacional para Surdos-Mudos de Paris (1760) • Primeiro a reconhecer que os surdos têm uma língua • Tirou o foco da oralização • Criou os sinais metódicos O modelo oralista surgiu na Alemanha, com Samuel Heinick, enquanto a França usava um método combinado, a partir da língua de sinais utilizada pelos surdos nos guetos franceses. Método Combinado: Foi até 1880 e tinha como foco a oralização, os sinais eram só um tipo de apoio. Método Oral Puro: Foi instituído no congresso de Milão em 1880, onde reuniram-se vários educadores de surdos e adotaram o método que foca apenas na fala. Fundaram em 1857, Dom Pedro II e o Padre Huet, o Instituto Imperial de Surdos-Mudos. Usavam-se a língua de sinais francesa e os sinais metódicos (libras). INES para alunos surdos (RJ) Instituto Santa Terezinha para alunas surdas (SP/1929) LIBRAS • Lei 10.436 abril/2002 (direito à educação bilingue) • Decreto 5.626 dez/2005 Reconhecimento oficial das libras Garantia de acessibilidade e difusão Formação do professor de Libras Formação do tradutor/intérprete de Libras/Líng. Port. Setembro Azul foi um movimento nacional que instaurou o Dia Nacional do Surdo e tinha como objetivo fincar as lutas e emendas específicas sobre a educação de surdos no PNE que estava em tramitação no congresso nacional (2011) “A oficialização da Libras tornou-se a bandeira que engendrou ou que esteve presente nas mais expressivas ações coletivas produzidas pelo movimento surdo entre os anos de 1990 e 2002, tais como a promoção de cursos dessa língua para a formação de intérpretes e capacitação de instrutores surdos, as passeatas, reivindicações e busca de apoio junto a órgãos estatais, a constituição do Comitê Pró- oficialização da Libras, a formulação e entrega de documentos, manifestos e abaixo-assinados a autoridades públicas, a condução das associações locais e regionais de surdos para se obter a aprovação de leis municipais e estaduais de reconhecimento da libras e o lobby junto a parlamentares.” “Enfim, estamos construindo a nossa política de verdade: as escolas bilíngues de surdos não são segregadas, não são segregadoras e nem segregacionistas como tem alardeado tanto o Ministério da Educação. Pelo contrário, são espaços de construção do conhecimento para o cumprimento do papel social de tornar os alunos cidadãos verdadeiros, conhecedores e cumpridores dos seus deveres e defensores dos seus direitos, o que, em síntese, leva à verdadeira inclusão.” (Campello e Rezende, 2014) A professora Cristina Broglia Feitosa de Lacerda discorre sobre os avanços e desafios atuais da escolarização do aluno com deficiência auditiva/surdez e explica que, conforme o Decreto n. 5626/2005, no Brasil existem 3 modelos vigentes na educação de surdos: 1) inclusão na sala regular; 2) salas bilingues; e 3) escolas de surdos. “Os surdos-mudos possuem dois tipos de linguagem. Ambas se valem de gestos das mãos. Uma, para indicar letras, que formam palavras, nas mais variadas línguas. Outra, que expressa, através dos gestos, uma linguagem própria, permitindo que os surdos-mudos possam ser compreendidos em qualquer parte do mundo, ao contrário do que acontece com as pessoas que ouvem e falam (ROCHA, 1992, p. 9).” Certeau (1998, p.102) apresenta os conceitos de estratégia e tática. Diz ele: “A tática é determinada pela ausência de poder, enquanto que a estratégia é organizada pelo postulado de um poder”. O bilinguismo é uma realidade brasileira arduamente construída ao longo da história. Com ele, o povo surdo brasileiro escreveu uma nova história no capítulo das suas vidas, com possibilidade de acesso ao conhecimento e conquista do livre arbítrio. O professor L’Epée queria salvar os surdos de acordo com um ponto de vista religioso, uma história que nos coloca paralelamente a um documento redigido pelos jesuítas, o Ratio Studiorum, que contém datações dos anos 1551 e 1559, e exibe um conjuntode métodos e guias didáticos e informativos. O Ratio Studiorum tem como finalidade organizar, unificar e planejar os estudos da Companhia de Jesus aos jesuítas docentes. Durante as décadas de 1980 e 1990, os grupos de defesa da comunidade surda começaram a se organizar e pedir ao governo brasileiro para que houvesse uma integração mais democrática e ampla da comunidade surda brasileira. Nesse contexto, a língua de sinais ainda não era compreendida a nível nacional como língua franca. A filosofia educacional pode ser entendida como Comunicação Total. Em estudos específicos são encontradas notícias de que as pessoas que nasciam com deficiência, especialmente na antiguidade, sofriam atrocidades e preconceitos. Isso continuou durante o tempo, o que exigiu políticas que promovessem a inserção desses sujeitos na sociedade. I. As civilizações antigas buscavam a valorização dos indivíduos que tinham características intelectuais e físicas consideradas normais. II. As deformidades eram consideradas aberrações ou castigos dos deuses. III. A deficiência física era considerada demoníaca. Os deficientes físicos eram julgados com castigos físicos e psicológicos. De acordo com Goldfeld (1997 apud MORI; SANDER, 2015), nos Estados Unidos, a educação segue em pleno desenvolvimento e descobertas. Esse pensamento é refletido em políticas públicas que desenvolvem melhores condições de ensino-aprendizagem à comunidade escolar. A partir de 1821, todas as escolas de surdos passaram a seguir o mesmo padrão. Diante disso, consideramos: O uso de sinais para a comunicação entre professores e alunos. No Art. 18 da Lei nº 10.098/00, a formação dos profissionais intérpretes da escrita em braile, da língua de sinais e de guias-intérpretes deve estar presente para facilitar qualquer tipo de comunicação direta à pessoa com deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação no cotidiano escolar. BRASIL. Lei n° 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. E apresenta em seu artigo 18 os termos: Intérprete, língua de sinais, guia-intérprete. Na Alemanha, criou-se uma escola em Leipzig. Nela, o representante da educação de surdos é Samuel Heinick, de onde surgem as primeiras ideias sobre a educação oralista, rejeitando a língua de sinais. I.Segundo a filosofia oral, os sinais atrapalham a fala, impedindo os surdos de falar. II.Os simpatizantes dos signos os usavam para transmitir informações e ideias abstratas. III.Hoje, é reconhecido que a comunidade surda de cada país tem a própria língua de sinais. A escola de Gallaudet se tornou a Universidade Gallaudet para surdos em Washington, capital americana, em 1864. Neste ano, ela completa 150 anos de existência. Foi a primeira escola dedicada exclusivamente ao ensino superior para surdos e continua sendo a única universidade do mundo a oferecer todos os cursos e serviços projetados especificamente para surdos e deficientes auditivos. I. Em 1821, as instituições escolares dos Estados Unidos adotaram os mesmos padrões de uso dos sinais para a comunicação entre aluno e docente. II. Existiam dois grupos distintos e que argumentavam a favor do próprio método. III. Os educadores em prol dos sinais tinham os próprios educadores surdos e as comunidades europeias de surdos a favor. A prática pedagógica é relevante para o processo de ensino-aprendizagem. Na educação inclusiva, isso é primordial para o desenvolvimento do aluno e da comunidade escolar. Portanto, é necessário conhecer os aspectos formativos inclusivos. I. A escola do INES era o ponto de aproximação e a matriz dos docentes de surdos e dos próprios surdos da época. II. Era utilizada a língua de sinais francesa, trazida por Huet. Ela era mesclada com a existente no país. III. A mesclagem de línguas originou a Língua Brasileira de Sinais. IV. Assim como as línguas orais, as línguas de sinais são constituídas a partir de outras existentes. SEMANA 5 – DEFICIÊNCIA AUDITIVA/SURDEZ DEFINIÇÃO DE SURDEZ: A deficiência auditiva é definida como a perda, ou a diminuição considerável, do sentido da audição, ou seja, é a redução da sensação de intensidade sonora em dB. Pode ser classificada segundo: • o período em que ocorre (pré-natal; perinatal; pós-natal) - ETIOLOGIA • a origem do problema (hereditária (congênita) não-hereditária (adquirida)) – PERÍODO DE AQUISIÇÃO • o local onde ela ocorre (sistema condutivo; sistema neurossensorial; sistema nervoso central) – LOCALIZAÇÃO DA LESÃO EXTERNO – Sistema Condutivo -> Sistema Neurossensorial -> Sistema Nervoso Central - INTERNO LIBRAS • É uma língua com o mesmo estatuto linguístico e com qualidades iguais a qualquer outra língua oral. • Língua viso-gestual que, mesmo produzida pelos movimentos das mãos, do corpo e pelas expressões faciais, também possui níveis linguísticos, como fonologia, sintaxe, morfologia, semântica e pragmática próprias. • Regras gramaticais próprias. • Língua verdadeira e natural que nasce a partir da cultura surda e da experiência visual, tendo um rico valor linguístico e cultural. CONCEPÇÕES • No MODELO CLÍNICO-TERAPÊUTICO, a surdez é concebida como a experiência de uma falta, como uma incapacidade, como uma deficiência (SÁ, 2006). • Parte da ótica daquilo que ele não tem: a audição • A partir de uma noção de “normalidade” ouvinte (âmbito da saúde). • Visão fortemente associada ao déficit, à patologia, que se traduz em estratégias direcionadas para a reabilitação, correção. • No MODELO SOCIOANTROPOLÓGICO a surdez não é concebida como deficiência (como falta, desvio, patologia), mas como diferença; • Diferença funcional que é o limiar auditivo diferente das outas pessoas. • A característica linguística se sobrepõe ao status auditivo da pessoa surda. • Parte da experiência visual, da cultura surda e das identidades surdas, isto é, com base em um modelo surdo como referência de normalidade. • Em consonância com esse modelo, consolidou- -se no âmbito educacional uma abordagem bilíngue. No Bilinguismo a língua de sinais é tida como natural e primeira língua dos surdos, e a língua majoritária, na modalidade oral ou escrita, é ensinada como segunda língua. • Busca-se então, contemplar o direito linguístico do surdo de ter acesso aos conhecimentos sociais e culturais em uma língua acessível a ele, e que ele tenha domínio. CONSIDERA-SE SURDO aquele que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo apenas por experiências visuais, como Libras. CONSIDERA-SE DEFICIENTE AUDITIVO a perda bilateral, parcial ou total de 41dB (decibéis) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000 Hz, 2.000Hz e 3.000Hz. Grau Leve: 26 a 40 Db Grau Moderada: 41 a 55 Db Grau moderadamente severo: 56 - 70 db Grau Severo: 71 a 90 db Grau Profundo: acima de 91 db O princípio linguístico “oralismo e comunicação total” relaciona-se à concepção “clínico-terapêutica”, enquanto a “língua de sinais” relaciona-se à concepção “socioantropológica”. O paradigma de serviços se caracteriza pela criação de serviços de avaliação e intervenção para reabilitação, buscando a integração dessas pessoas nos mais variados segmentos sociais, como a escola, o mercado de trabalho, entre outros. “Entende-se como Língua Brasileira de Sinais — Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil” (BRASIL, 2002, on-line). I. ( V ) A Libras foi reconhecida como forma de comunicação e manifestações pessoais. IV. ( V ) A Libras foi aceita no processo de aprovaçãodela como língua oficial para surdos, sem ter processos de modificações. A partir de 1821, novas escolas públicas americanas começaram a usar a Língua Americana de Sinais (ASL), a qual teve influência francesa. Concomitante a tudo isso, foram fundados instituições e métodos para garantir a melhoria da educação para os surdos norte-americanos. Desde então, a utilização da LÍNGUA DE SINAIS foi reconhecida como algo proibido, espalhando-se a ideia de que não é uma LÍNGUA, mas a comunicação em língua de sinais sem a capacidade de criar condições para o desenvolvimento do COGNITIVO. No estado de São Paulo, o atendimento às pessoas com surdez teve início em 1959, depois da criação e da regulamentação do Serviço de Educação de Surdos-Mudos. II. Houve uma divisão na classificação da deficiência, subdividindo em deficientes mentais, auditivos e físicos. III. Uma das atividades oferecidas era a oferta de terapia e metodologias para o ensino da língua oral. Durante o século XIX, houve vários movimentos e alterações na metodologia utilizada no ensino a surdos e mudos, mas foi apenas a partir do ano de 1821 que todas as escolas públicas passaram a utilizar uma linguagem “universal”. Língua Americana de Sinais (ASL). O educador Charles-Michel de l’Epée aprendeu, nos anos 50, na França, como interagir e se comunicar com surdos e mudos. Nessa época, era utilizada uma linguagem peculiar. Ele utilizou uma metodologia que foi bem-sucedida e a partir disso ele se interessou e começou a usar sua casa como escola. “Sinais Metódicos” – Língua de sinais mais Gramática Sinalizada No ano de 2000, iniciou-se a utilização do bilinguismo no Brasil, com pesquisas realizadas pela professora Lucinda Ferreira de Brito, a respeito da Língua Brasileira de Sinais. Essas pesquisas buscaram fazer com que a pessoa se informe sobre as duas línguas, no caso, Libras (como primária) e a segunda língua (a que é falada pelo próprio país). No desenvolvimento dessa pesquisa, foi compreendido que o histórico desse processo apresenta, no mínimo, três diferentes momentos de atenção a essas pessoas com deficiência. 1. Primeiro momento Um momento de exclusão total, quando a sociedade percebe que as pessoas com deficiência devem ser transformadas em instituições de ensino. 2. Segundo momento Estabelecer propostas de avaliação e intervenção sobre oportunidades de integração. 3. Terceiro momento Uma escola inclusiva avalia os alunos de acordo com suas necessidades e capacidades e deve estar pedagogicamente preparada para garantir o direito à educação O ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libra) é uma educação inclusiva e responsável por educar alunos surdos no país e criar oportunidades para esses jovens e crianças. I. Os educadores sempre criaram vários métodos para educar os surdos, como o oral, a linguagem de sinais e os códigos visuais. II. L'Epée aprendeu a linguagem de sinais nas ruas de Paris, criando a linguagem de sinais e os "método dos sinais". III. Samuel Heinicke fundou a primeira escola oral para defender a filosofia contra o ensino da língua de sinais. Na década de 1960, ocorreu a dominação da abordagem educacional oralista, e nesse mesmo ano, William Stokoe publicou um artigo mostrando que a Língua Americana de Sinais (ASL) é uma língua que tem todas as características para a linguagem oral, com aspectos próprios. Foi então que surgiram inúmeros estudos sobre a língua de sinais e o ensino para pessoas com surdez. Essas características ficaram denominadas como: gramática própria, morfologia e sintaxe. SEMANA 6 – LIBRAS LEGISLAÇÃO • Em 2002, a Lei nº 10.436, reconheceu a LIBRAS, conferindo a ela o status de língua oficial brasileira, ganhando assim legitimidade entre as comunidades surdas. • O Decreto n. 5.626 de 2005, que regulamenta a referida Lei, traz importantes contribuições para a educação de surdos. - Língua de Sinais: Aumenta o vocabulário com novos sinais que a comunidade surda introduz. - Não é universal. Cada país tem sua língua de sinais e estrutura gramatical própria; Por exemplo: ASL, LSE e LIBRAS. - Estrutura e gramática próprias. 1. Alfabeto manual (datilologia): Representar cada letra por um sinal diferente para formar palavras. 2. Sinais icônicos: Representar alguma coisa fazendo um sinal que se pareça com o objeto que está sendo representado, como o sinal de casa, onde se forma um telhado com as mãos. 3. Sinais arbitrários: Sinais que não tem relação com o que representam. 4. Empréstimos linguísticos: Sinais que vieram de outras linguagens de sinais. 5. Parâmetros: São a posição, modo de articulação e outras formas de representar os sinais. (existem 5 parâmetros) PARÂMETROS: Configuração de mãos • Formato que se faz com as mãos • Uma mesma configuração pode representar diferentes sinais Ponto de articulação • É o lugar onde incide a mão predominante configurada, sendo que esta pode tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro. Movimento • Os sinais podem ou não ter movimentos • Os movimentos possíveis são: retilíneo, angular, sinuoso, circular, semicircular e helicoidal Orientação • É o plano em direção ao qual a palma da mão é orientada (cima, baixo, esquerda, direita, etc.) Expressão facial/corporal • As expressões também são muito importantes para se fazer entender, como calmo, nervoso, feliz, triste, etc. Na identidade flutuante o surdo assume o papel de deficiente e comporta-se de modo a tentar superar sua perda auditiva, enquanto na identidade inconformada o surdo sente-se inferior ao ouvinte. Observa-se que, em ambas, impera uma concepção clínico-patológica sobre a surdez, e o ouvintismo engendra essa percepção sobre si mesmo e seu espaço no mundo. Já na identidade de transição, o surdo tem contato com a Comunidade Surda, mas esse contato é tardio. Dessa forma, não se encontra plenamente em nenhum dos mundos. A identidade híbrida é aquela em que o surdo perdeu audição ao longo da vida e aprendeu a Língua de Sinais como uma segunda língua. Dessa forma, conserva seu pensamento pautado na língua oral, mas reconstrói suas relações sociais amparadas na língua visual. Segundo Moura (2016, p. 10), “Observa-se, de forma habitual, que o nascimento de uma criança surda é cercado por uma série de sensações, muitas vezes, confusas e negativas. Infelizmente ainda ‘é muito comum o sentimento de culpa dos pais, de negação, indiferença, superproteção, vergonha, ódio de si mesmos e da criança, ressentimento, medo, impotência, etc.’, como defende Rita Furtado em publicação de 2008.”. A surdez é compreendida como uma restrição ou limitação. Surdez é o termo para incapacidade ou dificuldade em ouvir. A audição consiste em um sistema de canais que levam o som ao ouvido interno, em que as ondas são convertidas em impulsos elétricos que são enviados ao cérebro, órgão responsável por detectar e interpretar o que ouvimos. Sobre as causas da surdez, pensamos que: no período de PRÉ-NATAL, não é possível determinar a surdez por meio de testes. Esse reconhecimento ocorre APÓS o nascimento da criança. No período perinatal, e DURANTE o parto, fatores como infecções hospitalares, falta de oxigênio no cérebro, parto prematuro ou tardio podem causar perda auditiva. De acordo com Moura (2016, p. 14), “A identidade surda é um tema muito estudado por vários pesquisadores. A autora Gladis Perlin descreve vários tipos de identidade que podem desenvolver- se dependendo da experiência social e cultural vivenciada pelos surdos.”. 1. Identidade flutuante - O surdo aceita sua condição de deficiente e age para tentar superar essa perda. 2. Transição - O deficiente auditivo tem contato mais tarde do que o normal com a comunidade. 3. Híbrida - É definida como a perda da audição ao longo da vida e o aprendizado da utilização da Línguade Sinais como língua secundária. Oliver Sacks descreve seu passo no mundo dos surdos. Nesses relatos, o autor rompe com o conceito médico de surdez e o compreende para além dos aspectos biológicos. A magia volta quando você conhece a comunidade surda e sua LÍNGUA DE SINAIS. Enquanto os surdos eram comparados a OUVINTES que tinham problemas, eles não podiam se desenvolver no mundo, e quando eles podiam ser surdos, a existência e as possibilidades de sua INCLUSÃO eram surpreendentemente abertas. O teste da orelhinha é um recurso para diagnóstico da surdez que deve obrigatoriamente ser realizado em recém-nascidos. Até os quatro meses de idade podem ser realizados outros exames para a confirmação da surdez. Com a confirmação precoce, é possível um direcionamento mais eficaz. O período que deve ocorrer a realização do teste da orelhinha é nos primeiros dias de vida do bebê Moura (2016), em sua obra "Introdução à surdez e à Libras", define e conceitua os diferentes graus de perda auditiva. Com base em nos estudos desse autor, assinale a alternativa que apresenta os graus de perda auditiva definidos por Moura (2016). Os graus de perda auditiva são: normal; leve; moderado; moderadamente severo; severo; profundo SEMANA 7 - A ESCOLARIZAÇÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA / SURDEZ Os recursos visuais, tais como vídeos ou figuras, são essenciais para o processo educacional de alunos com surdez. A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão das comunidades surdas no Brasil por meio da Lei n. 10.436 de 2002 e regulamentada pelo Decreto n. 5.626 de 2005. “[...] considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras” Abordagens de ensino: Oralismo, Comunicação Total e Bilinguismo. O método fônico propõe a reprodução dos fonemas como forma de aprendizagem da fala e da escrita, tendo como base teórica o Oralismo. Proposta educacional e características Atualmente, muito se discute a respeito da educação bilíngue. Um grande número de pesquisadores em educação de surdos, principalmente aqueles que se dizem defensores da cultura surda, têm lutado para que os surdos sejam educados através da abordagem educacional bilíngue, mais conhecida como bilinguismo. Contudo, alguns autores afirmam não ser conveniente o uso do termo “Educação Bilíngue”, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10436.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm alegando que seria mais correto nos referirmos a essa abordagem como “Abordagem Educacional com Bilinguismo”, pois bilíngue é o falante, é a pessoa. A abordagem educacional com bilinguismo é, portanto, aquela que estabelece, acima de tudo, um trabalho escolar feito em duas línguas, com diferentes privilégios entre ambas, sendo: a Língua de Sinais como 1ª língua (L1) e a língua da comunidade ouvinte local como 2ª língua (L2). Caracterizando-se, assim, como uma abordagem realmente sólida que propõe o uso separado da língua de sinais e da língua oral (apenas na modalidade escrita em alguns casos), postulando que o surdo tem capacidade para fazer uso de ambas. Esta filosofia da comunicação tem como principal preocupação os processos comunicativos entre surdos e surdos e entre surdos e ouvintes, acredita que somente o aprendizado da língua oral não assegura que a criança surda irá desenvolver-se plenamente e valoriza muito a família da criança surda, acreditando no papel que ela tem, de compartilhar seus valores e significados às crianças. Márcia Goldfeld (1997), afirma que uma das grandes diferenças entre a COMUNICAÇÃO TOTAL e as outras filosofias educacionais é “defender a utilização de qualquer recurso linguístico, seja a língua de sinais, linguagem oral ou códigos manuais, para facilitar a comunicação com pessoas surdas”. Oralismo: Os surdos aprendem a fazer a leitura facial e a falar utilizando a mesma língua que as pessoas do seu país. A abordagem educacional oralista é aquela que visa a capacitar a pessoa surda de utilizar a língua da comunidade ouvinte na modalidade oral como única possibilidade linguística, de modo que seja possível o uso da voz e da leitura labial tanto nas relações sociais como em todo processo educacional. A língua na modalidade oral é, portanto, meio e fim dos processos educativo e de integração social. (SÁ, 1999, p. 69, grifos nossos). Bilinguismo: Apregoa que a Língua de Sinais é a língua materna do surdo. Essa abordagem vai lidar com duas línguas de modalidades diferentes: uma espaço-visual, a Libras, e outra oral-auditiva, a Língua Portuguesa. Comunicação total: Propõe o uso do Português Sinalizado. Não usa Libras como língua, mas seus sinais como ferramenta. Priorizava a Língua Portuguesa e colocava alguns sinais em um plano secundário a fim de facilitar o entendimento, que não dava conta da estruturação do pensamento das pessoas com deficiência auditiva, uma vez que elas precisavam se aproximar o quanto possível da comunidade majoritária para ter garantido seu direito à educação. De acordo com Gesser (2009), há duas formas de conceber a surdez: patologicamente ou culturalmente. Os surdos e ouvintes que usam e valorizam a língua de sinais assumem uma postura positiva diante da surdez. Datilologia: É a soletração de uma palavra, utilizando o alfabeto digital ou manual de língua de sinais. Segundo Vieira e Molina (2018, p. 7), “Como acreditava-se que primeiro deveria ser ensinado o som e a partir daí a escrita, o método fônico foi levado para dentro das escolas e classes especiais de surdos para que a aprendizagem ocorresse, porque atendia o princípio primeiro som, depois a correspondência gráfica.”. O instrumento utilizado na prática abordada é a BOCA. Entende-se por bilinguismo o uso concomitante e/ou a sobreposição das línguas. Essa observação atesta um desconhecimento da proposta pedagógica para surdos e faz com que eles continuem sendo prejudicados no espaço escolar, mesmo tendo seus direitos linguísticos garantidos legalmente. I.( V ) O bilinguismo é a utilização de duas ou mais línguas. II.( V ) O bilinguismo não teve boas constatações em seu entendimento. IV. ( V ) O bilinguismo é uma língua obrigatória na França. Segundo Vieira e Molina (2018, p. 3), “O Oralismo como abordagem educacional prioriza a fala e todo o trabalho elaborado visa à reabilitação de surdos, ou seja, torná-los próximos aos ouvintes. Nessa concepção, era e é necessário fazê-los falar como se fossem ouvintes, ainda que sem a mesma fluência e/ou entonação, para que, a partir daí, sejam ensinados. Esses elementos corroboram para o fato de que a Comunicação Total seria e é entendida como parte do Oralismo, na qual os gestos são aceitos para estabelecimento de comunicação, considerados acessórios à aprendizagem e ferramenta de ensino para a oralização dos estudantes surdos.”. A comunicação total não deixa de ser um oralismo com a inclusão de gestos ou sinais sem o peso ou importância de uma língua. De acordo com Brito (1995, p. 36), “A estrutura da Língua Brasileira de Sinais é constituída de parâmetros primários e secundários que se combinam de forma sequencial ou simultânea”. Isso significa dizer que ela é mais que sinais representados graficamente, a Libras não pode ser reduzida a representações gráficas, ela é espaço-visual e sua representação vai além da apresentada na atividade selecionada. Assim como não se deve utilizar sinais da Libras na estrutura da Língua Portuguesa, não se deve também utilizar as palavras da Língua Portuguesa na estrutura da Libras. Cada uma das línguas deve manter sua integridade e ser utilizadanos contextos adequados. III. ( V ) Cada língua deve ser utilizada apenas nos contextos adequados. Pessoas com deficiência podem apresentar deficiências físicas, mentais, intelectuais ou emocionais de longo prazo. Elas interagem com várias barreiras que podem impedi-las de participar plena e efetivamente na sociedade ao lado de outras pessoas. A pessoa com deficiência auditiva não participou ativamente das atividades SOCIAIS e FAMILIARES. A falta de repertório linguístico impedia o acesso a questões acadêmicas, estruturas psicológicas e EXPERIÊNCIAS que, segundo Vygotsky, estão diretamente relacionadas à aquisição do mundo, à formação social da mente e à cognição. No desenvolvimento da metodologia, na escola, o trabalho de alfabetização era realizado com frases curtas e estruturas fixas para que o aluno pudesse memorizar o modelo de produção. Ele era estimulado a dizer oralmente as frases estruturadas dessa forma e, com base nelas, os professores trabalhavam a escrita. I. A aplicação do ensino era baseada em sugestões de ações que tinham como objetivo propor a utilização de frases em língua portuguesa para que os alunos seguissem um modelo-base. PORQUE II. Os alunos iniciavam as propostas e depois substituíam alguns vocábulos. Ambas corretas, uma justifica a outra.