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O que estudar em feridas e curativos? 1. Anatomia da pele; 2. Conceito e classificação de feridas; 3. Resolução COFEN nº 501/2015 (revogada) e Resolução COFEN nº 567/2018; 4. Tipos de cicatrização (1ª, 2ª e 3ª intenção); 5. Fases da cicatrização (inflamatória, proliferativa e maturação); 6. Diferença das úlceras venosas, arteriais e neuropáticas; 7. Lesão por pressão; 8. Ferida operatória e Infecção de ferida cirúrgica; 9. Curativos (classificação, tipos, técnica, curativo com dreno, retirada de pontos). Quais são as camadas da pele? Pele Características Histologia: tecido epitelial (queratinócitos) e conjuntivo (fibroblastos e fibrócitos) Maior órgão do corpo Camadas Epiderme Derme Subcutâneo (adiposo) Funções Proteger o corpo de ações do meio ambiente; Evitar perda de líquido e evitar a entrada de substâncias ruins no organismo; Regular a temperatura do corpo; Garantir a sensibilidade através dos nervos da pele. Qual o conceito de ferida? Conceitos de Feridas Resolução 501/2015 As feridas são modificações da pele ocasionadas por: traumas, processos inflamatórios, degenerativos, circulatórios, por distúrbios do metabolismo ou por defeito de formação. É o rompimento da estrutura e do funcionamento anatômico normal, resultante de um processo patológico que se iniciou interna ou externamente no(s) órgão(s) envolvido(s). Manual da ANVISA Rompimento anormal da pele ou superfície do corpo. Normalmente comprometem a pele, os tecidos moles e os músculos. Qual a diferença entre ferida aguda e crônica? Classificação aguda X crônica Ferida aguda É resultado de cirurgia ou lesões ocorridas através de acidentes. Ferida crônica têm um tempo de cicatrização maior que o esperado devido a sua etiologia. São feridas que não apresentam a fase de regeneração no tempo esperado, havendo um retardo na cicatrização. Qual a classificação pré- operatória da ferida? ANVISA - CLASSIFICAÇÃO DE FERIDAS LIMPAS condições assépticas sem microrganismos. São feridas produzidas em ambiente cirúrgico, desde que não foram abertos sistemas digestório ou geniturinário. A probabilidade de infecção é baixa em torno de 1 a 5%. LIMPA – CONTAMINADA também conhecida como potencialmente contaminadas, são feridas cirúrgicas em que houve abertura do sistema digestório ou geniturinário, ou produzidas acidentalmente com arma branca. Lesão inferior a 6 horas entre o trauma e o atendimento, sem contaminação significativa. O risco de infecção é de 3 a 11%. CONTAMINADAS apresentam reação inflamatória, ou tiveram contato com material contaminado, como fezes, poeira ou outro tipo de sujidade. São consideradas contaminadas também as feridas que já se passaram 6hs do ato que produziu a ferida (trauma e atendimento). O risco de infecção é de 10 a 17%. INFECTADAS presença de agente infeccioso no local e lesão com evidência de intensa reação inflamatória e destruição de tecidos podendo haver secreção purulenta. Quais as classificações das feridas? Classificação Potencial de contaminação Ferida limpa – aquela produzida voluntariamente no ato cirúrgico, em local passível de assepsia ideal e condições apropriadas, não contendo microrganismos patogênicos. Ferida contaminada ou suja – ocorrida com tempo maior que 6 horas entre o trauma e o atendimento, sem sinal de infecção. Ferida infectada – são aquelas em que houve a proliferação de microrganismos, levando a um processo infeccioso, de início localizado, mas que pode sob determinadas condições, estender-se aos tecidos vizinhos, formar novos focos a distância ou generalizar-se por todo o organismo. Apresentação clínica FECHADAS: Contusão: a pele e/ou mucosa são lesionadas, mas permanecem íntegras. Podem ser profundas e alcançar tecido conectivo, muscular, tendíneo e ósseo. Geralmente resultantes de esmagamento. ABERTAS Incisa: sol. de continuidade linear, bordas regulares e profundidade variável. Produzida por objetos cortantes (faca, bisturi). Lacerada: produzida por objetos ponteagudos que cortam o tecido formando bordas irregulares, pouco sangrenta. Quando ocorridas a mais de 4 horas fecha-se parcialmente e utiliza-se drenos. Avulsionada: produzida por despregamento do tecido subcutâneo, resultando no arranchamento da pele. Pouco sangrentas, de grande espaço morto. Punctória: produzida por elementos perfurantes (cravos, pregos). Não atingem cavidades/órgãos. Penetrante: solução de continuidade da pele e tecidos subjacentes alcançando cavidades (abdome, tórax, seios faciais, etc). Geralmente resultam em perfuração de vísceras, empiema ou evisceração. Classificação Quanto à natureza do agente vulnerante (CAB 30) Incisa- São aquelas produzidas por agentes cortantes, afiados, capazes de cortar a pele produzindo ferida linear, com bordas regulares e pouco traumatizadas. O exemplo clássico é a ferida cirúrgica Contusa- São aquelas produzidas por objeto de natureza geralmente romba, capaz de romper a integridade da pele, produzindo feridas irregulares, retraídas e com bordas muito traumatizadas. Essas feridas vão desde as simples lacerações até as complexas com sangramento, contaminação e perda de substância. Perfurante- São aquelas cujo objeto é geralmente fino e pontiagudo, capaz de perfurar a pele e tecidos subjacentes, produzindo lesão cutânea puntiforme ou linear, de bordas regulares ou não. A profundidade atingida não pode ser estabelecida à simples inspeção. Penetrante- são as de mesmas características anteriores, cujo objeto é capaz de perfurar os tecidos e penetrar numa cavidade natural do organismo. Apresentam formato externo variável, geralmente linear ou puntiforme. Transfixante - Constituem uma variedade de ferida perfurante ou penetrante, na qual o objeto vulnerante é capaz de penetrar e atravessar os tecidos de determinado órgão em toda a sua espessura. Causa ✓Traumática (cirúrgica) ✓ Atraumática ✓ Patológica- úlceras venosas, arteriais e neuropáticas, tumores. ✓ Iatrogênica- decorrente de tratamentos Classificação Quanto à profundidade Feridas superficiais: são aquelas que atingem a pele, o tecido celular subcutâneo, as aponeuroses e os músculos, sem lesar estruturas profundas ou nobres como nervos, tendões, vasos de maior calibre, vísceras e ossos. As escoriações são um tipo de ferida superficial que atinge somente a pele e são produzidas pelo atrito de uma superfície áspera ou pontiaguda sobre ela. Feridas profundas: são aquelas em que são atingidas estruturas profundas, às vezes, de importância vital. Seu estudo foge aos objetivos deste capítulo Quanto à complexidade Feridas simples: são pequenos ferimentos nos quais não ocorre perda de tecidos nem contaminação grosseira. Aqui está incluída a maioria das feridas produzidas por acidentes domésticos. e. Feridas complexas: são graves, irregulares, nas quais geralmente ocorre perda de substância, esmagamento, queimadura, avulsão, dissecção e deslocamento de tecidos. Não raro albergam em seu interior corpos estranhos. Quais as recomendações da Resolução do COFEN 567/2017? Resolução COFEN Nº 567/2018 Art. 2º O Enfermeiro tem autonomia para abertura de Clínica/Consultório de Prevenção e Cuidado de pessoas com feridas, respeitadas as competências técnicas e legais. Art. 3º Cabe ao Enfermeiro da área à participação na avaliação, elaboração de protocolos, seleção e indicação de novas tecnologias em prevenção e tratamento de pessoas com feridas. Conceitue os termos da tabela? Conceitos importantes Exsudato Granulação Necrose Pus Escoriação Estoma Abrasão Abscesso Celulite Cisalhamento Fricção Cicatrização Deiscência Conceitos importantes Exsudato – acúmulo de líquidos em uma ferida. Granulação – formação de tecido conjuntivo e vários novos capilares em uma ferida. Necrose – degeneração de um tecido por morte de suas células. Apresenta aspecto amarelado ou enegrecido. Pus – fluido espesso composto por leucócitos, bactéria e debris celulares. Escoriação – arranhõeslineares na pele. Estoma é a abertura cirúrgica que permite a comunicação entre um órgão interno e meio exterior. Abrasão erosão da pele através de algum processo mecânico (fricção ou traumatismo). Abscesso coleção de pus na derme e tecidos profundos adjacentes. Celulite inflamação dos tecidos indicando uma infecção local, caracterizada por vermelhidão, edema e sensibilidade. Cisalhamento deformação que sofre um corpo quando sujeito à ação de forças cortantes. Fricção – atrito que causa traumatismo mecânico a pele. Cicatrização é a cura de uma ferida por reparação ou regeneração dos tecidos afetados evoluindo em fases distintas. Deiscência Separação das bordas da ferida. Quais são os tipos de cicatrização? Tipos de cicatrização 1ª Intenção De maneira asséptica, com mín. de destruição tecidual e que são devidamente fechadas. Tecido de granulação não é visível 2ª intenção Feridas → bordas não foram aproximadas com perda excessiva de tecido 3ª intenção Aproximação das margens da ferida (pele e subcutâneo) após deiscência. Ofechamento tardio ou por terceira intenção, as ferida é deixada abertas inicialmente, é feito debridamentos, antibioticoterapia, e após alguns dias, é feito sutura, enxerto cutâneo ou retalhos, ou seja, não é fechada por si só. Quais são as fases da Cicatrização? Contenção da hemorragia Inflamatória Proliferativa Remodelamento ou maturação Fases da Cicatrização Fase inflamatória (coagulação e limpeza) Inicia após a lesão. Substâncias vasoconstritoras (tromboxana A2 e prostaglandinas pelas membranas) Hemostasia: hemostasia (plaqueta e cascata de coagulação) – forma o coágulo Vasodilatação: quimiotaxia (migração de neutrófilos e macrófagos para a ferida). Sinais flogísticos Fase de proliferação ou de granulação (preenchimento e novos vasos) Início no 4º dia após a lesão e se estende aproximadamente até o término da segunda semana. Angiogênese: formação de capilares formação de tecido de granulação: deposição de colágeno (fibroblastos e as células endoteliais) Epitelização Fase de remodelamento ou de maturação (elasticidade) Deposição de colágeno de maneira organizada. O colágeno inicial (colágeno tipo III) é reabsorvido e um colágeno mais espesso é produzido e organizado ao longo das linhas de tensão. Estas mudanças se refletem em aumento da força tênsil da ferida. Fibroblastos e leucócitos secretam colagenases que promovem a lise da matriz antiga. Quais são os fatores que influenciam a cicatrização de feridas? Fases da Cicatrização Fatores locais Corpo estranho, sujidades, material de sutura, implantes Tecido necrosado ou isquêmico ou Infecção Temperatura Coleção de líquidos: hematoma, seroma Espaço morto Material de incisão: bisturi X tesoura Tempo transcorrido entre o trauma e o tratamento Bandagens Áreas de tensão, movimento Fatores sistêmicos Uso de corticosteroides Radioterapia, quimioterapia Idade Diabete melito descompensada Neuropatia Hipoproteinemia Hepatopatia: deficiência de fatores de coagulação Choque hipovolêmico Presença de toxinas bacterianas Anti-inflamatórios não esteroidais Oxigênio hiperbárico Quais são os estágios da lesão por pressão? Estágio Característica 1 Pele íntegra com área localizada de eritema que não embranquece 2 Perda da pele em sua espessura parcial com exposição da derme. O tecido adiposo e tecidos profundos não são visíveis. Bolha ou flictena 3 Perda da pele em sua espessura total na qual a gordura é visível. Tecido de granulação e epíbole. Podem ocorrer descolamento e túneis. Não há exposição de fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem e/ou osso. 4 Perda da pele em sua espessura total e perda tissular Exposição ou palpação direta da fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso. Quais são os conceitos da NPUAP 2016 sobre tipos de lesão? National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) - organização norte-americana, sem fins lucrativos, dedicada à prevenção e ao tratamento de lesões por pressão. Formado em 1986, o conselho diretor é multidisciplinar, composto de especialistas em lesões por pressão e líderes de diferentes áreas da saúde que compartilham o compromisso da organização. Em 2016, o NPUAP anunciou a mudança na terminologia Úlcera por Pressão para Lesão por Pressão e a atualização da nomenclatura dos estágios do sistema de classificação. Estágio Característica Suspeita de lesão profunda Profundidade Indeterminada. Área vermelha escura ou púrpura localizada em pele intacta e descolorada ou flictena preenchida com sangue, provocadas por danos no tecido mole subjacente resultantes de pressão e/ou cisalhamento. Lesão Relacionada a Dispositivo Médico Apresenta o padrão ou forma do dispositivo Lesão por Pressão em Membranas Mucosas histórico de uso de dispositivos médicos no local do dano. Devido à anatomia do tecido, essas lesões não podem ser categorizadas. Lesão por pressão É um dano localizado na pele e/ou tecidos moles subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea ou relacionada ao uso de dispositivo médico ou a outro artefato. Lesão não classificável Crosta necrose impede visualizar a profundidade da ferida Quais são as escalas de avaliação do risco de LPP? Es ca la d e B ra d en Es ca la d e N o rt o n Quais são os cuidados na prevenção de LPP? Cuidados na prevenção de LPP Avaliação do Risco Avaliar todos os pacientes em risco no momento da admissão e em intervalos regulares Considerar o risco: todas as pessoas restritas ao leito ou cadeira de rodas; e riscos individuais (diminuição do estado mental, umidade, incontinência, deficiências nutricionais) Aplicar escalas de avaliação de risco: Escala de Norton ou BRADEN Cuidados com a Pele e Tratamento Precoce Inspecione a pele pelo menos 1x diariamente e documente as observações; Individualize a frequência do banho. Use um agente de limpeza suave. Evite água quente e fricção excessiva; Avalie e trate a incontinência; Use hidratantes para pele seca. Minimize os fatores ambientais que causam o ressecamento da pele como ar frio e de baixa umidade; Evite massagear as proeminências ósseas; Posicionamento apropriado, técnicas corretas de movimentação e transferência para minimizar a fricção e o cisalhamento; Use lubrificantes secos (amido de milho) ou coberturas protetoras (tipo curativos transparentes) para reduzir a lesão por fricção. Mudança de decúbito conforme necessidade, não superior a 2h; Nutrição adequada (proteína). Estimular atividade e mobilidade Coloque as pessoas em risco, em colchões ou almofadas que reduzam a pressão. Não use almofadas tipo argola ou roda d´água. Redução da Carga Mecânica e Utilização de Superfícies de Suporte Alívio de pressão na cadeira de rodas a cada 15 min. Use trapézio, lençol móvel/forro de cama para elevar ou movimentar ao invés de arrastar as pessoas durante a transferência ou mudança de posição. Use travesseiros ou almofadas de espuma para manter as proeminências ósseas como joelhos e calcâneos fora do contato direto com a cama. Evite posicionar o paciente diretamente sobre o trocânter. Quando usar o decúbito lateral diretamente no trocânter, use a posição lateral inclinada em ângulo de 30 graus. Eleve a cabeceira da cama o menos possível e por pouco tempo (máximo 30°) Não usar Intervenções ultrapassadas não devem ser utilizadas como almofadas tipo rodas d’água ou de espuma, luvas com água para elevar calcâneos, lã de carneiro para redução da pressão, massagem nas proeminências ósseas em pele com hiperemia que não embranquece. Quais as diferenças entre úlceras venosas e arteriais? CARACTERÍSTICAS DAS ÚLCERAS ARTERIAL VENOSA Localização Extremidade dos dedos dos pés, espaços interdigitais, calcanhar Maléolo medial; raramente, maléolo lateral ou área tibial anterior Profundidade da úlcera Profunda, acometendo frequentemente o espaço articular Superficial Formato Circular Borda irregularBase da úlcera Pálida a preta e gangrena seca Tecido de granulação – vermelho vivo a amarelo fibrinoso na úlcera crônica a longo prazo Edema de perna Mínimo, a não ser que o membro seja mantido na posição pendente constantemente para aliviar a dor Moderado a grave ITB Alterado < 0,9 Normal Sintomas Muita dor Pouca dor Insuficiência venosa Edema em tornozelo e/ou acima; Hiperpigmentação; Lipodermatoesclerose; Varizes e/ou veias reticulares e/ou telangiectasias.