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Apostila Civil III

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obrigações do depositante decorrerão de fatos posteriores à sua formação, resumindo-se a duas:
a)     A obrigação de reembolsar as despesas feitas pelo depositário com o depósito;
b)     A de indenizar o depositário pelos prejuízos que advieram do depósito, como nos casos de prejuízos decorrentes de vício ou defeito da coisa.
Já quando o depósito é oneroso e, portanto, bilateral, constitui obrigação do depositante pagar ao depositário a remuneração convencionada.
O art. 644 do Código Civil assegura ao depositário o direito de retenção da coisa dada em depósito, como meio de defesa para forçar o devedor a efetuar o pagamento da retribuição devida e das despesas e indenizações mencionadas, concedendo-lhe ainda a faculdade de exigir caução, ou, na sua falta, a remoção da coisa para o depósito, até que se liquidem as dívidas (parágrafo único).
 
5.2. Obrigações do depositário.
a) A guarda da coisa alheia, devendo o depositário cuidar dela como se fosse sua. Pode confiar a coisa, para maior segurança, a um banco, a cofres de aluguel ou terceiros, por não se tratar de dever personalíssimo e intransmissível. Neste caso, deve obter autorização prévia do depositante, pois, nos termos do art. 640 do CC/2002, sob pena de responder por perdas e danos, não poderá o depositário, sem licença expressa do depositante, servir-se da coisa depositada, nem a dar em depósito a outrem. Acrescenta o parágrafo único do referido artigo que, se o depositário, devidamente autorizado, confiar a coisa em depósito a terceiro, será responsável se agiu com culpa na escolha deste.
A obrigação de guardar a coisa pode, porém, cessar antes do término do contrato, havendo motivo justificável. O art. 635 do Código Civil concede ao depositário a faculdade de resilir o contrato unilateralmente, havendo motivo justificável. Assim, nos termos do referido artigo, ao depositário será facultado, outrossim, requerer depósito judicial da coisa, quando, por motivo plausível, não a possa guardar, e o depositante não queira recebê-la.
b) A conservação da coisa alheia deixada em depósito, devendo o depositário zelar para restituir a coisa no estado em que a recebeu. O depositário responde por culpa ou dolo, se a coisa perecer ou deteriorar-se, seja o depósito gratuito ou remunerado. O depositário só se exonera da responsabilidade nos casos deforça maior, nos termos do art. 642 do CCB. Mas, para que lhe valha a escusa, terá de prová-los. Há, portanto, em princípio, uma presunção de culpa do depositário, que deverá demonstrar a ocorrência da força maior.
No dever de conservar a coisa insere-se o de não devassá-la, se estiver fechada e não houver expresso consentimento do depositante. Nos termos do art. 630 do CCB, se o depósito se entregou fechado, colado, selado, ou lacrado, nesse mesmo estado se manterá.
c) Restituir a coisa, com os seus frutos e acrescidos, quando o exija o depositante (CC, 629, segunda parte). Segundo o art. 633 do CCB, ainda que o contrato fixe prazo à restituição, o depositário entregará o depósito logo que se lhe exija, salvo se: a) tiver o direito de retenção a que se refere o art. 644; b)se o objeto for judicialmente embargado; c) se sobre ele pender execução, notificada ao depositário; d) ou se houver motivo razoável de suspeitar que a coisa foi dolosamente obtida. Salvo as hipóteses mencionadas, não poderá o depositário furtar-se à restituição, alegando não pertencer a coisa ao depositante, ou opondo compensação, exceto se noutro depósito se fundar (CC, 638). A não-devolução da coisa, com quebra de confiança e da boa-fé, é reprimida severamente pela lei, com a cominação de pena de prisão ao depositário infiel (CC, 652), prisão esta que tem caráter coercitivo, não sancionatório, e está entre as duas únicas hipóteses de prisão civil por dívida (CF/88, art. 5º, inciso LXVII).
 
6. Ação de depósito (CPC, 901 a 906).
Só há interesse para a propositura da ação de depósito quando se tratar de depósito contratual(voluntário ou necessário) e o depositário não restituir a coisa que recebeu para guardar.
Quando a hipótese é de depósito judicial, a ação não se faz necessária, uma vez que o depositário é mero detentor, podendo o juiz, nos próprios autos em que se constituiu o encargo, determinar, por simples mandado, a busca e apreensão da coisa, restituindo-a a quem de direito, tudo nos termos da Súmula 619 do STF.
Além das hipóteses de depósito contratual previstas no Código Civil, existem outras, previstas em legislação esparsa, que justificam a ação de depósito, como no caso da alienação fiduciária, quando o credor poderá requerer a conversão da ação de busca e apreensão em ação de depósito, nos mesmos autos (Decreto-Lei nº. 911/69, art. 4º). Também é considerada depositária, nos termos da Lei nº. 8.866/94, a pessoa a quem a legislação tributária ou previdenciária imponha a obrigação de reter ou receber de terceiro, e recolher aos cofres públicos, impostos, taxas e contribuições, inclusive à Seguridade Social.
A ação de depósito tem natureza cognitiva e obedece a procedimento especial, previsto nos arts. 901 a 906 do Código de Processo Civil.
Nos termos do art. 902 do CPC, na petição inicial instruída com a prova literal do depósito e a estimativa do valor da coisa, se não constar do contrato, o autor pedirá a citação do réu para, no prazo de 5 (cinco) dias: I - entregar a coisa, depositá-la em juízo ou consignar-lhe o equivalente em dinheiro; II - contestar a ação.
Conforme prescreve o art. 903 do CPC, Se o réu contestar a ação, observar-se-á o procedimento ordinário.
Julgada procedente a ação, ordenará o juiz a expedição de mandado para a entrega, em 24 (vinte e quatro) horas, da coisa ou do equivalente em dinheiro. Não sendo cumprido o mandado, o juiz decretará a prisão do depositário infiel (CPC, 904). A decretação da prisão depende de pedido expresso do autor, que pode ser formulado na petição inicial, ou no curso do processo (CPC, 902, §1º). É importante lembrar que conforme a Súmula Vinculante nº 25, a prisão civil do depositário infiel é ilícita, motivo pelo qual as disposições legais relativas a tal procedimento não podem mais ser aplicadas no Brasil.
 
CONTRATOS NOMINADOS – VISÃO GERAL (continuação)
2.6        Prestação de serviço
2.7        Mandato
2.8        Comissão
Procedimentos de ensino	
2.6. Prestação de serviço
 
Noções gerais
Do contrato de prestação de serviços (locação de serviços, na terminologia antiga), que inicialmente abrangia toda e qualquer prestação de atividade remunerada, destacou-se o contrato de trabalho, que pressupõe a continuidade, a dependência econômica e a subordinação.
Continuam sob o manto da prestação de serviços o trabalho autônomo (exercido por profissionais liberais e representantes comerciais), o trabalho eventual e o trabalho a cargo de pessoas jurídicas (empresas prestadoras de serviços de limpeza, segurança, administração imobiliária etc.).
Conceito
Para Caio Mário da Silva Pereira, a prestação ou locação de serviço é o contrato em que uma das partes se obriga para com a outra a fornecer-lhe a prestação de uma atividade, mediante remuneração.
Classificação
a) Bilateralidade;
b) Onerosidade;
c) Consensualidade.
 
Objeto da prestação de serviços
O Objeto da prestação de serviços é uma obrigação de fazer, ou seja, a prestação de atividade lícita, não vedada pela lei e pelos bons costumes, oriunda da energia humana aproveitada por outrem, e que pode ser material ou imaterial (CC, 594).
Qualquer serviço pode ser objeto nesse contrato: material ou imaterial, braçal ou intelectual, doméstico ou externo; apenas se exige que seja lícito, isto é, não proibido por lei e pelos bons costumes.
Se o executor não foi contratado para certo e determinado trabalho, entender-se-á que sua obrigação diz respeito a todo e qualquer serviço compatível com as suas forças e condições (CC, 601).
Nos termos do art. 605 do CC/2002, nem aquele a quem os serviços são prestados, poderá