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<p>HIGIENE DO TRABALHO II</p><p>UNIASSELVI-PÓS</p><p>Autoria: Luciane Eloisa Brandt Benazzi</p><p>Indaial - 2020</p><p>2ª Edição</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI</p><p>Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito</p><p>Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC</p><p>Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090</p><p>Reitor: Prof. Hermínio Kloch</p><p>Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol</p><p>Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:</p><p>Carlos Fabiano Fistarol</p><p>Ilana Gunilda Gerber Cavichioli</p><p>Jóice Gadotti Consatti</p><p>Norberto Siegel</p><p>Julia dos Santos</p><p>Ariana Monique Dalri</p><p>Marcelo Bucci</p><p>Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais</p><p>Diagramação e Capa:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2020</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>B456h</p><p>Benazzi, Luciane Eloisa Brandt</p><p>Higiene do trabalho II. / Luciane Eloisa Brandt Benazzi. – Indaial:</p><p>UNIASSELVI, 2020.</p><p>252 p.; il.</p><p>ISBN 978-85-7141-432-7</p><p>ISBN Digital 978-85-7141-433-4</p><p>1. Higiene do trabalho. - Brasil. Centro Universitário Leonardo Da</p><p>Vinci.</p><p>CDD 363.110981</p><p>Impresso por:</p><p>Sumário</p><p>APRESENTAÇÃO ............................................................................5</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>AGENTES FÍSICOS ......................................................................... 7</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>AGENTES QUÍMICOS ................................................................... 83</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS ............................. 161</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Prezado acadêmico!</p><p>É com enorme satisfação que apresentamos a você o material didático que</p><p>direcionará a disciplina Higiene do Trabalho II, abordando assuntos fundamentais</p><p>que fazem parte do contexto diário da segurança e higiene do trabalho.</p><p>Vale relembrar que a Higiene do Trabalho, de modo geral, trata do</p><p>reconhecimento, avaliação e controle de agentes ambientais laborais que podem</p><p>causar danos à saúde dos trabalhadores, uma vez que há diversos riscos</p><p>ambientais e organizacionais a que os trabalhadores estão expostos, em função</p><p>de sua inserção nos processos de trabalho.</p><p>A natureza da atividade desenvolvida, as características de organização</p><p>e a exposição aos agentes físicos, químicos, biológicos e ergonômicos podem</p><p>comprometer a saúde do trabalhador em um curto, médio ou longo prazo, caso</p><p>esses riscos não sejam controlados ou minimizados, tendo em vista que o</p><p>ambiente laboral deve ser adaptado ao trabalhador e não o contrário.</p><p>Assim, conhecer profundamente os agentes/riscos, como estes penetram ou</p><p>são absorvidos no corpo do trabalhador e quais as agressões ou doenças que</p><p>podem causar, subsidiam a escolha da melhor proteção individual e coletiva,</p><p>bem como o controle sobre a saúde do trabalhador, sendo essenciais para o</p><p>desenvolvimento dos programas de saúde e segurança do trabalhador.</p><p>Nesta direção, o objetivo geral da disciplina é aprimorar seus conhecimentos</p><p>no que se refere à higiene de trabalho, visando à melhoria do seu desempenho</p><p>profissional, fornecendo subsídios para que possa atuar de maneira eficiente e</p><p>em consonância com as legislações vigentes.</p><p>A estrutura deste livro está dividida em três capítulos. O primeiro capítulo</p><p>apresenta os agentes físicos, especificamente sobre pressões anormais, umidade,</p><p>radiações ionizantes e não ionizantes. No segundo capítulo, adentra-se de forma</p><p>particular sobre os agentes químicos presentes no ambiente de trabalho e o</p><p>terceiro capítulo trata dos agentes biológicos, dos agentes ergonômicos e sobre</p><p>alguns estudos de casos relativos aos agentes estudados.</p><p>Como pode-se constatar, os assuntos são abrangentes e, por isso, não</p><p>se pretende esgotar temas tão complexos, mas apresentar considerações</p><p>relevantes, disponibilizadas nas mais diversas fontes bibliográficas atuais, bem</p><p>como contextualizar e tematizar algumas questões. Por isso, ao longo do livro</p><p>serão indicadas leituras técnicas e complementares, além de vídeos que tratam</p><p>sobre os temas abordados, a fim de que você possa explorá-los com mais</p><p>profundidade, viabilizando um conhecimento ainda mais amplo, tornando-o mais</p><p>qualificado para o mundo do trabalho.</p><p>Em cada seção, estarão disponibilizadas atividades de estudo que lhe</p><p>possibilitarão o aprofundamento dos conteúdos, proporcionando, assim, uma</p><p>revisão e reflexão sobre cada um dos agentes discutidos, permitindo verificar o</p><p>quanto você está avançando em seu processo de aprendizagem.</p><p>Esperamos que essa obra, a qual foi preparada com muito esmero e</p><p>dedicação, seja bem aproveitada e muito útil na sua prática profissional, bem</p><p>como que você participe de todas as atividades propostas.</p><p>Desta forma, agora você é convidado a trilhar os caminhos de novos</p><p>conhecimentos, fazendo deste processo um momento em que seus horizontes</p><p>possam descortinar-se, construindo novos saberes, alinhando a teoria e a prática</p><p>para o seu desenvolvimento profissional ainda mais promissor.</p><p>Bons estudos!</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>AGENTES FÍSICOS</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� Proporcionar conhecimentos sobre agentes e riscos físicos, especificamente</p><p>sobre pressões anormais, umidade, radiações ionizantes e radiações não</p><p>ionizantes presentes no ambiente de trabalho, orientando e habilitando os</p><p>profissionais para a identificação, a análise e a avaliação dos riscos físicos</p><p>inerentes às várias atividades laborais, bem como seus possíveis impactos e</p><p>medidas preventivas e de correções para que possam trabalhar de maneira</p><p>integrada e contributiva em equipes multidisciplinares com vistas à proteção e à</p><p>prevenção.</p><p>� Classificar e avaliar qualitativamente os agentes/riscos físicos pressões</p><p>anormais (hipobáricas e hiperbáricas).</p><p>� Identificar o agente/risco físico umidade, bem como sua ocorrência, formas</p><p>avaliativas, normas vigentes, malefícios à saúde do trabalhador e medidas de</p><p>proteção e prevenção.</p><p>� Conhecer profundamente os agentes/riscos radiações ionizantes e radiações</p><p>não ionizantes presentes no ambiente ocupacional.</p><p>� Reconhecer que estes agentes/riscos (pressões anormais, umidade, radiações</p><p>ionizantes e radiações não ionizantes) são capazes de ocasionar alterações na</p><p>saúde do trabalhador ou afetar o seu conforto e a sua eficiência.</p><p>� Indicar medidas de proteção individual e coletiva de acordo com o tipo de risco</p><p>a que o trabalhador estiver exposto, a fim de eliminá-lo ou reduzi-lo em níveis</p><p>aceitáveis.</p><p>8</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>9</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>1 CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Neste capítulo, abordaremos alguns agentes físicos, como pressões</p><p>anormais, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes. Antes de iniciarmos,</p><p>que tal relembrarmos, de forma sucinta, um pouco sobre os agentes físicos?</p><p>Vejamos o que a NR-9, que trata do Programa de Prevenção de Riscos</p><p>Ambientais, através da Portaria MTB nº 871, de 6 de julho de 2017, define sobre</p><p>agentes físicos: “Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia</p><p>a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações,</p><p>pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não</p><p>ionizantes, bem como o infrassom e o ultrassom” (BRASIL, 2017).</p><p>A NR-9 não indica a umidade como agente físico, uma vez que os agentes</p><p>físicos são, em última análise, alguma forma de energia liberada pelas condições</p><p>dos processos e equipamentos a que será exposto o trabalhador.</p><p>A maior parte da literatura disponível classifica a umidade como agente</p><p>físico, o que justifica sua inserção neste material. Também cabe mencionar que</p><p>não serão abordados o ultrassom e o infrassom neste capítulo.</p><p>FIGURA 1 – AGENTES FÍSICOS</p><p>FONTE: A autora</p><p>Outro fato que devemos levar em consideração é a diferença</p><p>entre agente e risco, pois muitas vezes esses termos são utilizados</p><p>de forma inadequada e até mesmo como sinônimos. Vale lembrar que</p><p>a NR-9, em seu item 9.1.5, considera os agentes</p><p>nuclear é bastante conhecido,</p><p>especialmente no que se refere à usina nuclear, medicina nuclear, arma nuclear e</p><p>gamagrafia industrial.</p><p>Outro ponto a discutir é sobre as fontes de radiação ionizante. Você lembra</p><p>quais são elas? As fontes geradoras de radiação ionizante são: gás radônio;</p><p>construções e solos; raios cósmicos, comidas e bebidas e fontes artificiais</p><p>(energias nucleares, testes de armas atômicas, atividades médicas, as quais</p><p>são as principais, em especial, o raio X etc.). Além disso, são fontes geradoras:</p><p>atividades de operação e manutenção de reatores nucleares; atividade de</p><p>operação e manutenção de aceleradores de partículas (ex.: radioterapia,</p><p>tratamento de câncer ou fabricação de radiofármaco); atividades de operação</p><p>com aparelhos de raio X; irradiadores de radiação gama (utilizado na radioterapia</p><p>por Cobalto-60 para tratamento de câncer ou para a esterilização de material</p><p>médico e de alimentos, a fim de eliminar os micróbios, entre outros); radiação beta</p><p>(utilizada na medicina, especialmente para tratamento da tireoide com iodo-131)</p><p>ou radiações de nêutrons (através da bomba aceleradora de nêutrons, utilizada</p><p>para o tratamento de tumor da glândula parótida); atividades de medicina nuclear</p><p>(aparelho de cintilografia, por exemplo) e descomissionamentos de instalações</p><p>nucleares, radioativas, de minas, moinhos, usinas de tratamento de minerais</p><p>radioativos.</p><p>Portanto, as radiações ionizantes são assim denominadas, tendo em vista</p><p>a produção de ionização nos materiais sobre os quais incidem, bem como são</p><p>provenientes de materiais radioativos, como: raios alfa (α), beta (β) e gama (γ)</p><p>ou através da produção artificial, como raio X (SCALDELAI et al., 2012).</p><p>Vamos, agora, conhecer as principais características destas radiações?</p><p>l Partículas alfa (α): são partículas que provêm da emissão do núcleo</p><p>de átomos instáveis, as quais apresentam uma grande quantidade de</p><p>energia em curtas distâncias, o que limita seu poder de penetração, ou</p><p>seja, a radiação alfa é a combinação de dois prótons e dois nêutrons que</p><p>saem do núcleo do átomo, sem que possa penetrar uma folha de papel,</p><p>por exemplo (ver Figura 13). Seus efeitos na exposição humana são</p><p>observados no tecido cutâneo, uma vez que essa radiação é facilmente</p><p>suavizada pela camada superficial da pele. Portanto, a maior parte</p><p>destas partículas não consegue atravessar a camada externa da pele.</p><p>Já em casos de exposição acidental, através de ingestão ou inalação,</p><p>no organismo humano, devido a sua toxidade, torna-se uma fonte de</p><p>exposição interna nos órgãos e tecidos expostos (BREVIGLIERO;</p><p>POSSEBON; SPINELLI, 2017). A radiação alfa é a maior e, por isso, é a</p><p>menos penetrante, tornando-se perigosa se atingir os pulmões ou se for</p><p>42</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>ingerido algum material capaz de emiti-la. Seu principal risco quanto aos</p><p>elementos químicos emissores está em sua ingestão (PEREIRA, 2015).</p><p>l Partículas beta (β): são partículas emitidas por núcleos de átomos</p><p>instáveis, isto é, a radiação beta é um elétron que parte do núcleo</p><p>atômico. É uma radiação que penetra facilmente na matéria ao ser</p><p>comparada com a alfa; por isso, conseguem atravessar a pele, mas não</p><p>todo o corpo, conforme pode-se visualizar na Figura 13. No que se refere</p><p>aos danos biológicos, a radiação beta pode causar lesões oculares e</p><p>cutâneas (SCALDELAI et al., 2012).</p><p>l Radiação gama (γ): são ondas eletromagnéticas de frequência elevada</p><p>e de altíssima energia, que têm origem no núcleo do átomo, com alto</p><p>poder de penetração, inclusive todo o corpo humano, devido a não</p><p>terem massa, devendo ser blindadas por materiais densos (chumbo,</p><p>concreto e aço). É uma radiação que não pode ser percebida, uma</p><p>vez que não envolve partículas. Provocam danos mais profundos no</p><p>organismo humano, tendo em vista seu poder de penetração e nível de</p><p>energia. Portanto, podem causar alterações genéticas, anemia, câncer e</p><p>leucemia, por exemplo (SCALDELAI et al., 2012; PEREIRA, 2015).</p><p>l Raio X: é uma onda eletromagnética ionizante não nuclear, pois não</p><p>é produzida no núcleo do átomo e sim num equipamento, através de</p><p>movimentos de elétrons, gerando uma onda eletromagnética de alta</p><p>frequência, a qual é capaz de ionizar. Portanto, não é uma energia</p><p>nuclear, pois não existe no aparelho de raio x um elemento radioativo.</p><p>É uma radiação que atravessa o papel, o corpo humano e o aço, mas</p><p>não penetra o chumbo. São utilizados na área da saúde, em aeroportos</p><p>e diversas outras atividades. Assim, os raios alfa e beta oferecem menor</p><p>risco, tendo em vista que produzem menor penetração no organismo,</p><p>enquanto que o raio gama e os raios X são mais maléficos, uma vez que</p><p>têm alto poder de penetração (SCALDELAI et al., 2012), conforme pode-</p><p>se comprovar na figura a seguir.</p><p>43</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>FIGURA 13 – PODER DE PENETRAÇÃO DO RAIO ALFA, BETA E GAMA</p><p>FONTE: http://www.eletronuclear.gov.br/Nossas-Atividades/Documents/</p><p>EIA/v01_02_caracterizacao.html. Acesso em: 2 abr. 2019.</p><p>Há também os nêutrons, produzidos artificialmente e que também podem</p><p>ocorrer naturalmente como componentes da radiação cósmica. Por serem partículas</p><p>eletricamente neutras, eles possuem um alto poder de penetração à medida que</p><p>interagem com material ou tecido.</p><p>Desde a descoberta dos raios X por Röntgen e da radioatividade por Becquerel,</p><p>como já mencionado, as radiações ionizantes passaram a ser amplamente utilizadas</p><p>em diversas áreas e são comumente encontradas em serviços de saúde (diagnóstico</p><p>e tratamento médico e diagnóstico odontológico); em indústrias (controle de</p><p>processos, como medição de nível, espessura e gramatura etc.); radiografia industrial</p><p>(avaliação de soldas, peças etc.); agricultura (verificar a ação de fertilizantes, ensaio</p><p>sobre a alimentação do gado, marcação de insetos para eliminação de pragas);</p><p>esterilização de produtos e alimentos; medição de umidade e densidade de solos;</p><p>escâneres de inspeção corporal e de cargas; traçadores radioativos; transporte de</p><p>materiais radioativos; prospecção de petróleo e inúmeras outras aplicações, conforme</p><p>consta na literatura.</p><p>Embora algumas aplicações, como na área da saúde, resultassem em</p><p>benefícios para a população, com o uso indiscriminado da radiação ionizante e a</p><p>falta de conhecimento sobre os riscos associados à exposição às fontes radioativas,</p><p>começaram a aparecer os danos advindos dos efeitos biológicos desse tipo de</p><p>radiação.</p><p>O que acontece com o trabalhador que está exposto às radiações ionizantes?</p><p>44</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>5.1 EFEITOS BIOLÓGICOS DAS</p><p>RADIAÇÕES IONIZANTES</p><p>Inicialmente, considerando que todo indivíduo é constituído por sistemas,</p><p>órgãos, tecidos, células e assim por diante, tudo é formado por átomo. Portanto,</p><p>somos formados por átomos e moléculas. Também é importante recordar que o</p><p>principal efeito provocado pela radiação ionizante é a ionização, que é a capacidade</p><p>de arrancar elétrons dos átomos e, consequentemente, transformar o átomo em íon.</p><p>O átomo forma uma molécula; a molécula forma uma substância e esta, por sua</p><p>vez, forma uma célula, sendo que os efeitos biológicos podem acontecer em função</p><p>dessa ionização ocorrida no átomo, que forma a célula. Nesse sentido, a célula é</p><p>basicamente formada por membrana, citoplasma e núcleo, sendo que a radiação</p><p>atua com mais intensidade no núcleo da célula, onde se encontra a molécula do</p><p>DNA, que é a mais importante, não a única, na qual haverá a atuação da radiação.</p><p>Dessa forma, as radiações ionizantes, por serem invisíveis, agirem de forma</p><p>lenta e devido a sua alta energia, podem ser nocivas, pois favorecem reações</p><p>químicas entre os átomos presentes no corpo humano, alterando a estrutura das</p><p>células, causando danos aos órgãos e ao ser humano como um todo. Assim, os</p><p>efeitos biológicos dessa radiação ocorrem quando a radiação translada energia para</p><p>as moléculas das células dos tecidos expostos, ocorrendo em quatro etapas: efeitos</p><p>físicos, químicos, biológicos e orgânicos.</p><p>Há que se considerar que os efeitos biológicos das radiações dependem da dose</p><p>ministrada, bem como da distribuição microscópica da dose expressa em termos de</p><p>transferência linear de energia (LET - linear energy transfer), que quanto maior for,</p><p>maior será o efeito biológico.</p><p>À medida que o trabalhador é exposto às radiações ionizantes, existe a</p><p>possibilidade de se produzir danos nas células somáticas e germinativas e a</p><p>exposição a altas doses dessa radiação pode causar vários danos genéticos,</p><p>inclusive corrompendo o DNA.</p><p>Conforme a lesão que a radiação ionizante provocar no DNA, pode-se ter a</p><p>morte celular, efeito sobre a genética humana (como o caso das crianças vítimas do</p><p>acidente de Chernobyl) ou efeitos cancerígenos (neoplasias), pois altera o material</p><p>genético, gerando células defeituosas que se multiplicam sem controle. Cabe</p><p>ressaltar que a maioria dos tipos de câncer só aparece muitos anos depois da dose</p><p>de radiação ser recebida, variando de 10 a 40 anos.</p><p>Também é importante salientar que alguns órgãos humanos são mais sensíveis</p><p>à radiação ionizante, como as células-tronco da medula óssea, se comparadas</p><p>aos músculos, por exemplo. Tal fato ocorre devido às células-tronco se dividirem e</p><p>45</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>originarem os glóbulos vermelhos (carregam oxigênio e gás carbônico no sangue),</p><p>glóbulos brancos (responsáveis pela defesa do corpo) e plaquetas (coagulação</p><p>do sangue). Assim, as células-tronco e os glóbulos brancos têm núcleo (material</p><p>genético), o que explica o porquê que essas células (glóbulos brancos e tronco) são</p><p>sensíveis à radiação ionizante.</p><p>Neste sentido, as células da medula óssea, as células espermatogênicas, as</p><p>células da mucosa intestinal, as células hematopoiéticas da medula óssea, a pele,</p><p>o cristalino e os ovários têm alta sensibilidade à radiação ionizante, as quais fazem</p><p>parte da lista oficial de doenças do trabalho relacionadas à radiação do Ministério</p><p>da Saúde (neoplasias; doenças da medula e do sangue; doenças oculares; doenças</p><p>gastrointestinais; doenças dermatológicas; doenças testiculares e síndrome aguda da</p><p>radiação (SAR).</p><p>A Radiobiologia é a ciência que estuda a ação das radiações ionizantes nos</p><p>organismos vivos e os efeitos dessas radiações ao trabalhador dependerão da dose</p><p>absorvida (alta ou baixa), da taxa de exposição (crônica ou aguda), da sensibilidade</p><p>do tecido com relação à radiação e da forma de exposição (corpo inteiro ou</p><p>localizada), conforme o Instituto Nacional de Seguro Social (2017). Além disso, deve-</p><p>se considerar o órgão afetado e o intervalo entre as irradiações.</p><p>É fundamental recordar que, caso a pessoa ingira ou inale um radionuclídeo, ela</p><p>está contaminada internamente e se caso esse radionuclídeo estiver na superfície</p><p>do seu corpo, ela está contaminada externamente, bem como se torna uma fonte</p><p>radioativa. Assim, todas a pessoas contaminadas são irradiadas, mas nem todas as</p><p>irradiadas são contaminadas (OKUNO, 2018).</p><p>Os efeitos da exposição à radiação ionizante, no aspecto biológico, podem ser</p><p>classificados em: somáticos, hereditários ou genéticos e in útero.</p><p>l Os somáticos são os que ocorrem a partir de danos provocados pela</p><p>irradiação de quaisquer células do organismo, com exceção das células</p><p>germinativas. Seus efeitos aparecem na própria pessoa que recebeu a</p><p>radiação, são os denominados carcinogênicos, bem como são os mais</p><p>estudados, especialmente os relacionados à tireoide, à mama e à medula</p><p>óssea. A dose recebida e a região atingida definirão a gravidade dos efeitos</p><p>somáticos, que podem ser divididos de acordo com o tempo de exposição,</p><p>chamados de imediatos, caso ocorra uma exposição aguda (ex.:</p><p>radiodermite); ou tardia, após anos ou décadas de exposição (ex.: câncer).</p><p>l Os genéticos são os que podem causar prejuízos às células sexuais</p><p>femininas e masculinas nos descendentes do indivíduo que está exposto,</p><p>de caráter cumulativo e independe da taxa de absorção da dose.</p><p>46</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>l O in útero é quando os efeitos podem causar um retardo de crescimento,</p><p>morte ou malformação no embrião ou feto. Os riscos de exposição in útero</p><p>permanecem controversos na literatura, sendo que estudos demonstram</p><p>que nenhum efeito biológico é relatado em doses abaixo de 50 mGy.</p><p>Em função da dose e da forma de resposta, os efeitos podem ainda ser</p><p>classificados em: estocásticos (há uma probabilidade de que o efeito ocorrerá</p><p>e referem-se a qualquer dose de exposição que possa ocasionar dano, tanto</p><p>em células germinativas como somáticas, ocorrendo a leucemia, por exemplo) e</p><p>determinísticos (há uma certeza de que o dano ocorrerá). É resultante de doses</p><p>elevadas, que ultrapassam o limiar, na qual a ocorrência da gravidade do dano torna-</p><p>se maior com a gravidade da ocorrência. Como exemplos: queimaduras (eritemas),</p><p>epilação (queda de pelos) e catarata.</p><p>Portanto, os efeitos radioinduzidos podem receber denominações em função</p><p>do valor da dose e forma de resposta (estocásticos e determinísticos), em função</p><p>do tempo de manifestação (em imediatos e tardios) e do nível orgânico atingido</p><p>(somáticos e genéticos ou hereditários) (TAUHATA et al., 2014).</p><p>Vale salientar que o efeito biológico é uma resposta natural do organismo a um</p><p>agente agressor e que o seu surgimento não significa uma doença, pois quando a</p><p>quantidade de efeito biológico é pequena, o organismo se recupera. Isso pode ser</p><p>exemplificado numa exposição à radiação X ou gama, a qual pode provocar uma</p><p>diminuição de leucócitos, hemácias e plaquetas, retornando aos níveis normais após</p><p>algumas semanas, ou seja, houve a irradiação, bem como efeitos biológicos, mas</p><p>que, posteriormente, foram reparados.</p><p>Outrossim, a exposição à radiação ionizante causa efeitos na saúde humana,</p><p>a depender da dose de exposição e da suscetibilidade individual, que vão desde</p><p>sintomas como náuseas até a danificação do sistema nervoso central, ocasionando a</p><p>morte em poucos dias, como no caso de receber doses agudas de radiação.</p><p>O quadro a seguir apresenta a classificação dos tecidos, conforme a</p><p>radiossensibilidade.</p><p>QUADRO 3 – TECIDOS E RADIOSSENSIBILIDADE</p><p>Radiossensibilidade Tipo de tecido</p><p>Máxima Leucócitos, formadores de sangue, endócrino</p><p>Intermediária Vasos sanguíneos, estruturas dérmicas, fígado, intestino e</p><p>pâncreas</p><p>Mínima Rins, músculos, ossos, nervos, fibrocartilagens, gordura</p><p>FONTE: Adaptado de Pereira (2015)</p><p>47</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Dentre os principais danos causados pela radiação ionizante, estão os</p><p>seguintes:</p><p>FIGURA 14 – PRINCIPAIS DANOS CAUSADOS PELA RADIAÇÃO IONIZANTE</p><p>FONTE: A autora</p><p>Relativo ao câncer, a probabilidade de ocorrer, após a exposição à radiação</p><p>ionizante, é a principal preocupação, embora a real contribuição da radiação</p><p>como sua causa ainda permaneça desconhecida, tendo em vista a dificuldade</p><p>em distinguir os tumores induzidos por radiação daqueles originados por outras</p><p>etiologias. Não obstante, diversos estudos relatam a probabilidade de associação</p><p>entre exposição, um sistema de reparo ineficiente e o acúmulo de mutações no</p><p>DNA com o aumento dos riscos da proliferação das células cancerígenas.</p><p>Contudo, é importante destacar que a partir de 2014, as radiações ionizantes</p><p>foram reconhecidamente cancerígenas e estão listadas no Grupo 1 da Lista</p><p>Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (LINACH), criada pelos</p><p>Ministérios do Trabalho e Emprego (MTE), Previdência Social (MPS) e da Saúde</p><p>(MS), por meio da Portaria Interministerial nº 9, de 7 de outubro de 2014.</p><p>Acesse <https://www.abho.org.br/wp-content/uploads/2014/10/</p><p>Lista-de-Agentes.pdf> e veja a lista na íntegra.</p><p>48</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Para complementar esse tema, sugerimos a leitura do artigo</p><p>“Efeitos biológicos das radiações ionizantes. Acidente radiológico de</p><p>Goiânia”, da autora Emico Okuno. Disponível em: <http://www.scielo.</p><p>br/pdf/ea/v27n77/v27n77a14.pdf>.</p><p>Não podemos deixar de mencionar o uso de efeitos biológicos</p><p>da radiação em</p><p>te rapias, como no caso das radioterapias de combate ao câncer, em que tumores</p><p>profundos podem ser destruídos ou regredidos sob a ação de feixes de radiação</p><p>gama adequadamente aplicados, bem como em aplicações oftalmológicas e</p><p>dermatológicas e aplicações de radiofármacos.</p><p>5.2 LEGISLAÇÕES, NORMAS E</p><p>REGULAMENTOS INTERNACIONAIS</p><p>E NACIONAIS</p><p>À medida que os riscos associados ao uso da radiação foram sendo</p><p>conhecidos, houve a necessidade da criação da primeira comissão internacional</p><p>(International Commission on Radiation Units and Measurements - ICRU), em</p><p>1925, com o objetivo de estabelecer grandezas e unidades referentes às radiações</p><p>ionizantes. Em 1928, outra comissão internacional foi criada (International</p><p>Commission on Radiological Protection - ICRP), objetivando a elaboração de</p><p>normas de proteção radiológica, a fim de estabelecer limites de exposição à</p><p>radiação ionizante (OKUNO; YOSHIMURA, 2010).</p><p>Desta forma, a ICRP propõe recomendações que protegem os profissionais</p><p>expostos às radiações ionizantes, sendo que, em 1991, publicou novas</p><p>recomendações referentes à proteção radiológica, para aplicação em uma</p><p>variedade de situações e atividades com materiais radioativos (ICRP Publicação</p><p>60) e em 1996 publicou a “Proteção Radiológica e Segurança em Medicina” (ICRP</p><p>Publicação 73), devido à necessidade mais específica para a área da medicina</p><p>(ICRP, 1991; 1996).</p><p>Cabe mencionar que, após a criação da ICRU e ICRP, outras organizações</p><p>internacionais foram também criadas, como o United Nations Scientific Committee</p><p>on the Effects of Atomic Radiation (UNSCEAR), o qual foi criado em 1955, durante</p><p>Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e a International</p><p>49</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Atomic Energy Agency (IAEA), fundada em 1957 como órgão oficial da ONU, tendo</p><p>como objetivo primordial a utilização da energia nuclear pelos países-membros de</p><p>forma pacífica (IAEA, 2011; UNSCEAR, 2016). Além disso, outras organizações</p><p>internacionais trabalham em conjunto, como a Organização Internacional do</p><p>Trabalho e a Agência Internacional de Energia Atômica, publicando normas</p><p>e recomendações que regulamentam o uso seguro e pacífico das radiações</p><p>ionizantes, bem como a segurança e a proteção dos indivíduos ocupacionalmente</p><p>expostos.</p><p>Assim, estas normas e recomendações abrangem desde aspectos referentes</p><p>à proteção radiológica, como grandezas e unidades e aplicação dos princípios</p><p>de proteção radiológica, até aspectos técnicos referentes à instrumentação</p><p>e equipamentos utilizados nas diversas áreas que fazem uso das radiações</p><p>ionizantes.</p><p>Na legislação brasileira, essa radiação é tratada na NR-15, em seu Anexo 5,</p><p>que determina que devem ser adotadas proteções para o trabalhador e também</p><p>para o ambiente, bem como seus parâmetros de segurança estão definidos/</p><p>estabelecidos pela CNEN, em sua Norma CNEN-NN-3.01: “Diretrizes Básicas</p><p>de Radioproteção”, emitida em julho de 1988, que tem por objetivo estabelecer</p><p>os requisitos básicos de proteção radiológica em relação à exposição à radiação</p><p>ionizante. Cabe ressaltar que este anexo caracteriza a radiação ionizante como</p><p>insalubre de grau máximo, pela avaliação quantitativa.</p><p>A Norma CNEN-NN-3.01 define requisitos básicos de segurança para a</p><p>prática de atividades radiológicas (exceto radiodiagnóstico médico e odontológico,</p><p>que são regulamentados por Portaria do Ministério da Saúde), trazendo definições</p><p>importantes para o total conhecimento dos agentes radioativos. Nela, também são</p><p>informados os limites de dose anual, bem como diretrizes quanto às exposições</p><p>ocupacionais, médicas e em geral, além de abordar sobre o monitoramento de</p><p>áreas e indivíduos. Esta norma orienta que seja implantado um programa de</p><p>saúde ocupacional, o qual deverá contar com avaliação inicial e periódica, tendo</p><p>como referência o PCMSO.</p><p>É importante salientar que a Portaria nº 1.084/2018, publicada no Diário</p><p>Oficial da União em 19 de dezembro de 2018, alterou o Anexo 5 - Radiações</p><p>Ionizantes - da NR-15 - Atividades e Operações Insalubres com a seguinte</p><p>redação:</p><p>Nas atividades ou operações onde trabalhadores possam ser</p><p>expostos a radiações ionizantes, os limites de tolerância, os</p><p>princípios, as obrigações e controles básicos para a proteção</p><p>do homem e do seu meio ambiente contra possíveis efeitos</p><p>indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes</p><p>da Norma CNEN-NN-3.01: “Diretrizes Básicas de Proteção</p><p>Radiológica”, de março de 2014, aprovada pela Resolução</p><p>CNEN nº 164/2014, ou daquela que venha a substituí-la.</p><p>http://appasp.cnen.gov.br/seguranca/normas/pdf/Nrm301.pdf</p><p>http://appasp.cnen.gov.br/seguranca/normas/pdf/Nrm301.pdf</p><p>50</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Relativo aos serviços de saúde e instalações que utilizam radiações</p><p>ionizantes, no Brasil, esses devem seguir as normas, as portarias e as resoluções</p><p>estabelecidas pela CNEN, pelo Ministério da Saúde (MS), Ministério do Trabalho</p><p>e Emprego, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pelas</p><p>Secretarias Estaduais de Saúde e também pelas Vigilâncias Sanitárias Estaduais</p><p>e Municipais.</p><p>Ressalta-se que a Portaria nº 453/1998, do Ministério da Saúde e Secretaria</p><p>de Vigilância Sanitária, estabelece as “Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica</p><p>em Radiodiagnóstico Médico e Odontológico”, a qual regula e limita a aplicação</p><p>das radiações ionizantes em condições aceitáveis. Esta Portaria, ainda, disciplina</p><p>as práticas que utilizam os raios X para fins diagnósticos e intervencionistas,</p><p>visando à defesa da saúde dos pacientes, dos profissionais e do público em geral</p><p>em todo o território nacional (BRASIL, 1998). Todavia, é necessário recordar que</p><p>os quesitos dessa Portaria estão direcionados para a radiologia convencional e</p><p>não para a computadorizada.</p><p>Já a NR-32 - Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde,</p><p>em seu item 32.4 aborda sobre as Radiações Ionizantes, informando que “é</p><p>obrigatório manter no local de trabalho e à disposição da inspeção do trabalho o</p><p>Plano de Proteção Radiológica - PPR, aprovado pela CNEN, e para os serviços</p><p>de radiodiagnóstico aprovado pela Vigilância Sanitária” (item 32.4.2).</p><p>Para saber mais sobre as radiações ionizantes nos serviços de</p><p>saúde, acesse a NR-32 na íntegra em: <http://www.trabalho.gov.br/</p><p>images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf>.</p><p>Também há a Norma de Higiene Ocupacional: NHO-05 - Avaliação da</p><p>Exposição Ocupacional aos Raios X nos Serviços de Radiologia (FUNDACENTRO,</p><p>2001), que estabelece os procedimentos para a realização de levantamento</p><p>radiométrico para serviços de radiologia.</p><p>A NR-7 - PCMSO, em seu Quadro II (parâmetros para a monitorização da</p><p>exposição ocupacional a alguns riscos à saúde) relativo à radiação ionizante,</p><p>informa que deve ser solicitado, aos trabalhadores expostos às radiações</p><p>ionizantes, hemograma completo e contagem de plaquetas, tanto no admissional</p><p>como semestralmente, uma vez que o sangue é um dos tecidos mais sensíveis a</p><p>essa radiação, como vimos anteriormente.</p><p>51</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Não deixe de ler o artigo sobre radiações ionizantes, intitulado</p><p>“Radiações Ionizantes - Insalubres ou Periculosas”. Disponível em:</p><p><https://prorad.com.br/downloads>.</p><p>O Decreto nº 3048/1999, em seu Anexo IV, institui a aposentadoria especial</p><p>(25 anos) para o trabalhador exposto à radiação ionizante (código 2.0.3).</p><p>Relativo ao trabalho com exposição a radiações ionizantes na indústria da</p><p>construção e reparação naval, há a Portaria nº 790, de 9 de junho de 2017, que</p><p>altera a NR-34.</p><p>A NR-16 - Periculosidade - Anexo Radiação Ionizante, relata que são</p><p>consideradas perigosas as produções de radioisótopos, ou seja, é quando o</p><p>elemento químico tem variações de pesos baseados no número de nêutrons,</p><p>pois o número de prótons sempre será o mesmo, ocasionando o núcleo instável,</p><p>tornando-o mais radioativo. Assim, alguns elementos, como césio, urano, cobalto</p><p>e irídio, que têm núcleo instável,</p><p>liberam ondas do tipo Gama e partículas</p><p>ionizantes. Portanto, qualquer atividade que produz, transporta ou utiliza material</p><p>radioativo expõe os trabalhadores às radiações ionizantes, como as atividades</p><p>já mencionadas, quando abordamos sobre as fontes geradoras de radiação</p><p>ionizante. Desta forma, o trabalhador tem direito ao adicional de periculosidade</p><p>incidente sobre o salário, devendo optar ou por esse adicional ou pelo de</p><p>insalubridade. Entretanto, tal fato gera controvérsias, uma vez que o conceito de</p><p>periculosidade está intimamente correlacionado com a possível morte imediata do</p><p>trabalhador.</p><p>Saiba mais sobre a Portaria nº 790. Disponível em: <http://www.</p><p>trtsp.jus.br/geral/tribunal2/ORGAOS/MTE/Portaria/P790_17.html>.</p><p>5.3 LIMITES DE TOLERÂNCIA</p><p>Primeiramente, devemos recordar que existem diversas unidades utilizadas</p><p>52</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>FIGURA 15 – LIMITES DE DOSES ANUAIS</p><p>ESTABELECIDOS PELA NORMA CNEN NN 3.01</p><p>em radioatividade, as quais, com certeza, você já deve estar familiarizado.</p><p>Dentre elas: Sievert (Sy); milisievert (mSv), sendo que na rotina diária em</p><p>proteção radiológica usa-se com frequência submúltiplos do Sievert; Gray (Gy);</p><p>Röntgen ou Roentgen (R); Röntgen Equivalent Man (REM) e assim por diante.</p><p>Para o efeito biológico da radiação sobre o corpo humano é utilizada a</p><p>unidade de medida milisievert (mSv).</p><p>Cabe mencionar que durante a trajetória histórica, o limite anual de dose</p><p>sofreu modificações, sendo que em 1924 era de 2.520 mSv, passando para 150</p><p>mSv em 1946.</p><p>O Anexo 5 da NR-15 - Radiações Ionizantes, nos direciona a consultar e a</p><p>obedecer aos requisitos de segurança propostos pela norma de radioproteção</p><p>da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Assim, a norma 3.01 estabelece os</p><p>limites primários anuais de dose individual efetiva e equivalente, conforme pode-</p><p>se visualizar na figura a seguir.</p><p>FONTE: http://appasp.cnen.gov.br/seguranca/normas/</p><p>pdf/Nrm301.pdf. Acesso em: 14 maio 2019.</p><p>53</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Desta forma, podemos observar que os limites de dose são para o público</p><p>em geral e para os indivíduos ocupacionalmente expostos (IOE), mas não se</p><p>aplicam às exposições médicas e à radiação natural. Vale salientar que para</p><p>mulheres grávidas IOEs, suas tarefas devem ser controladas de maneira que seja</p><p>improvável que o feto receba dose efetiva superior a 1 mSv durante o resto do</p><p>período de gestação, assim como menores de 18 anos não podem estar sujeitos</p><p>a exposições ocupacionais. Frisa-se também que a CNEN, através da Resolução</p><p>114/2011, alterou o limite anual de dose equivalente para o cristalino, que era</p><p>de 150 mSv para 20 mSv, conforme recomendação da ICRP, fundamentada em</p><p>estudos epidemiológicos sobre o aparecimento de cataratas em trabalhadores na</p><p>área da radiologia intervencionista.</p><p>Para indivíduos ocupacionalmente expostos aos raios X, a dose</p><p>efetiva, média anual, não deve ultrapassar 20 mSv em qualquer</p><p>período de cinco anos consecutivos, bem como não deve exceder 50</p><p>mSv em nenhum ano. Já no que se refere à dose equivalente, para as</p><p>extremidades, a dose anual não deve exceder a 500 mSv, enquanto</p><p>que para o cristalino, essa dose não pode ultrapassar 20 mSv. Relativo</p><p>às grávidas, é aconselhável que não trabalhem na área de radiologia,</p><p>inclusive, a NR-32 determina que a trabalhadora grávida seja afastada</p><p>da atividade laboral com radiação ionizante. Entretanto, existem alguns padrões</p><p>para aquelas que trabalham enquanto gestantes, ou seja, a dose na superfície</p><p>do abdome não deve exceder a 2 mSv durante toda a gestação, para que o feto</p><p>não seja exposto a mais de 1 mSv. Sobre os menores de 18 anos, é preconizado</p><p>que não trabalhem com raio X diagnóstico, exceto em treinamento (16 a 18</p><p>anos). Cabe frisar que o limite de dose é estipulado mundialmente, sugerido pela</p><p>Agência Internacional de Energia Atômica. Atualmente, o UNSCEAR usa o termo</p><p>baixa dose para indicar níveis de ~10 mGy a ~100 mGy (múltiplas tomografias</p><p>computadorizadas) e o termo alta dose para indicar níveis maiores do que ~1 Gy</p><p>(acidentes graves de radiação) (UNEP, 2016).</p><p>Caso o valor da dose mensal esteja acima do limite estabelecido, cabe aos</p><p>laboratórios contratados para a leitura do dosímetro comunicar às autoridades</p><p>competentes, mas se a dose de absorção for menor ou igual a 0,2 mSv, tal valor</p><p>não será especificado no relatório.</p><p>Qual é a dose letal? A dose letal que mata 50% dos seres humanos irradiados</p><p>no corpo todo, cerca de 30 dias após a irradiação, é de 4 Gy (OKUNO, 2013).</p><p>Para indivíduos</p><p>ocupacionalmente</p><p>expostos aos raios</p><p>X, a dose efetiva,</p><p>média anual, não</p><p>deve ultrapassar 20</p><p>mSv.</p><p>54</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Para saber mais sobre as normas vigentes, acesse a página da</p><p>CNEC. Disponível em: <http://www.cnen.gov.br/normas-tecnicas>.</p><p>5.4 AVALIAÇÃO OCUPACIONAL</p><p>De acordo com o Instituto de Radioproteção e Dosimetria, da Comissão</p><p>Nacional de Energia Nuclear (IRD/CNEN), em seu banco de dados denominado</p><p>Gerência de Dose Ocupacional Externa, existem mais de 140 mil IOEs vinculados</p><p>a instituições que utilizam radiação ionizante em seus procedimentos e que</p><p>utilizam dosímetros para monitoração da dose ocupacional (CNEN, 2014).</p><p>As medições dos níveis de radiação exigem técnicas especializadas,</p><p>normatizadas pela CNEN, sendo realizadas através do método quantitativo.</p><p>Dentre os instrumentos usados nessa avaliação, estão os contadores Geiger-</p><p>Müller, que fornecem a intensidade de radiação instantânea (medição de área)</p><p>e os dosímetros de filme ou de bolso, que fornecem a dose equivalente recebida</p><p>pelo empregado durante a jornada laboral (monitoramento individual), conforme</p><p>Saliba (2015) e Pereira (2015).</p><p>A avaliação da exposição à radiação no local deve ser feita através da</p><p>monitoração de área, também conhecida por levantamento radiométrico ou</p><p>radiometria, podendo ser utilizados câmaras de ionização, detector Geiger-Müller</p><p>e detector de nêutrons. Vale lembrar que a área que conter radiação neutrônica</p><p>também terá radiação gama associada, sendo necessário avaliar de forma</p><p>concomitante ambas, bem como somá-las, a fim de comparar com os limites de</p><p>tolerância (SOUTO; SOUTO; ELBERN, s.d.).</p><p>Relativo à avaliação individual, no Brasil, os Serviços de Monitoração</p><p>Individual (SMIEs) disponibilizam dosímetros passivos de corpo inteiro (de tórax),</p><p>para extremidades (pulseira e anel), bem como na monitoração de áreas.</p><p>As radiações ionizantes não podem ser medidas de forma direta e sua</p><p>detecção ocorre pelo resultado produzido da sua interação com o meio, através</p><p>de dispositivos que captem esses fenômenos, os quais são classificados em</p><p>detectores passivos: funciona com diferentes tecnologias: filmes (dosimetria</p><p>fotográfica); luminescência térmica (TL) e luminescência ótica (OSL - OSLD),</p><p>(conforme podem ser visualizados na Figura 16) e ativos (câmara de gás,</p><p>55</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>cintilador etc.). Embora alguns países já utilizem dosímetros ativos, a maioria dos</p><p>serviços de monitoração individual utiliza sistemas de dosimetria passiva, nos</p><p>quais a avaliação das doses é feita a posteriori.</p><p>FIGURA 16 – MODELOS DE DOSÍMETROS INDIVIDUAIS</p><p>FONTE: https://www.sapralandauer.com.br/protecao-radiologica-saiba-sobre-os-</p><p>principais-aspectos-normas-e-tecnologias-empregadas/tecnologias-utilizadas-</p><p>na-dosimetria-e-protecao-radiologica/. Acesso em: 30 maio 2019.</p><p>Há também o dosímetro ocular, conforme figura a seguir, que permite</p><p>determinar com alto grau de precisão a dose de radiação no cristalino.</p><p>FIGURA 17 – DOSÍMETRO OCULAR: EYE-D</p><p>FONTE: https://caredosimetry.com/caredosimetry/tipos-</p><p>de-dosimetro.html. Acesso em: 1º jun. 2019.</p><p>O dosímetro é de uso individual, intransferível, específico da empresa onde</p><p>se trabalha, devendo ser substituído ao final de cada mês e enviado à empresa</p><p>responsável pela dosimetria (devidamente credenciada junto à CNEN, através</p><p>do Instituto de Radioproteção e Dosimetria) para realizar</p><p>a dosagem, a fim de</p><p>monitorar a dose equivalente efetiva recebida durante a jornada de trabalho</p><p>56</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>mensal, estabelecendo, dessa forma, o controle da exposição anual permitida</p><p>pela legislação. Caso o profissional trabalhe em outro local, o dosímetro deve ser</p><p>cedido pela segunda empresa contratante, bem como haverá outro relatório de</p><p>dose (CNEN, 2014). Entretanto, à medida que isso ocorre, ou seja, dupla jornada,</p><p>não se tem conhecimento sobre a dose total a que o profissional foi exposto,</p><p>tornando a dosimetria física imprecisa.</p><p>Quando não for possível realizar o monitoramento individual, recomenda-se</p><p>que a avaliação ocupacional tome como base os resultados obtidos nas medições</p><p>de área (SALIBA, 2015).</p><p>Não deixe de assistir ao vídeo sobre a importância de conhecer</p><p>a dose do IOE e a implantação do equivalente de dose individual</p><p>Hp (10) no Brasil. Disponível em: <https://www.youtube.com/</p><p>watch?time_continue=133&v=KFy-y39IsIU>.</p><p>Para as condições de radiotoxicidade, é utilizada a biodosimetria, que</p><p>é a avaliação dos níveis de dose efetiva ou dose absorvida média ponderada</p><p>em um determinado tecido ou órgão, estimando a dose absorvida através de</p><p>biomarcadores de exposição, os quais são capazes de quantificar as alterações</p><p>cromossômicas (dosimetria biológica citogenética), tornando-se complementar à</p><p>dosimetria física.</p><p>Portanto, é imprescindível garantir a apropriada monitorização dos níveis de</p><p>radiação, de forma a prevenir a exposição dos trabalhadores a níveis superiores</p><p>aos estabelecidos pelas normas vigentes.</p><p>5.5 MEDIDAS PREVENTIVAS:</p><p>PROTEÇÃO COLETIVA E INDIVIDUAL</p><p>Tendo em vista as consequências adversas que a radiação ionizante causa,</p><p>existe o princípio da proteção radiológica, o qual consiste em evitar todas as</p><p>exposições desnecessárias a ela.</p><p>Conforme a ACGIH, o ICRP e a CNEN, é necessário controlar a exposição às</p><p>57</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>radiações ionizantes do público e, especialmente, dos trabalhadores envolvidos</p><p>na atividade, devendo-se obedecer aos princípios básicos:</p><p>a) Princípio da justificação: nenhuma prática de trabalho envolvendo exposição</p><p>à radiação ionizante deve ser adotada, a menos que produza benefícios</p><p>suficientes aos indivíduos expostos ou à sociedade, capazes de compensar o</p><p>dano causado.</p><p>b) Princípio da limitação de dose: as doses individuais de trabalhadores</p><p>e de indivíduos não devem exceder os limites anuais de dose equivalentes</p><p>estabelecidos na norma da CNEN - NN 3.01.</p><p>c) Princípio da otimização: o projeto, o planejamento do uso e a operação de</p><p>instalações e de fontes de radiação devem ser feitos de modo a garantir que as</p><p>exposições sejam tão reduzidas quanto possível, levando-se em consideração</p><p>fatores sociais e econômicos (Princípio ALARA - As Low As Reasonably</p><p>Achievable).</p><p>Assim, de acordo com esses princípios (justificação, limitação de dose e</p><p>otimização), os níveis de dose efetiva devem ser mantidos tão baixos quanto</p><p>razoavelmente exequível.</p><p>Dessa maneira, é necessário enfatizar que quanto mais perto o trabalhador</p><p>estiver da fonte de radiação ionizante, maior será a sua potência de propagação,</p><p>estando exposto à radiação intensa. Por isso, deve-se manter o trabalhador o</p><p>mais distante da fonte.</p><p>Outro aspecto que merece atenção, é que alguns metais podem ser</p><p>utilizados na construção de paredes de concreto para barrar a radiação, ou seja,</p><p>muitas vezes para a construção de uma sala de raios X ou gama, por exemplo,</p><p>pode-se utilizar argamassa com bário e paredes contendo chumbo, a fim de evitar</p><p>a propagação das radiações, blindando a parede e evitando que as pessoas que</p><p>estejam fora da sala sejam atingidas pela radiação.</p><p>Para tanto, os projetos arquitetônicos e de engenharia para trabalhos com</p><p>radiações ionizantes devem ser próprios, com blindagem, pisos e paredes de fácil</p><p>descontaminação, ou seja, de fácil limpeza.</p><p>Como formas de proteção coletiva, deve-se ter: projeto de radioproteção</p><p>específico; Plano de Proteção Radiológica (conforme NR-32); monitoramento de</p><p>radioatividade na área; enclausuramento de processo; isolamento e sinalização</p><p>da área, com restrição de acesso; afastamento de gestantes; barreiras de</p><p>proteção com película de chumbo (biombos, cabines, portas); treinamento dos</p><p>trabalhadores; palestras educativas; orientações às gestantes IOEs; medidas</p><p>administrativas (minimizar o tempo de exposição do trabalhador); manutenção</p><p>58</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>periódica e preventiva dos equipamentos, entre outras medidas.</p><p>O local de emprego da radiação ionizante deve estar devidamente sinalizado,</p><p>conforme os termos da norma CNEN, através da simbologia internacional de</p><p>radiação.</p><p>Relacionado à proteção individual do trabalhador que exerce atividade</p><p>com radiação ionizante, essa é bastante relativa, uma vez que algumas radiações</p><p>atravessam paredes de concreto e chumbo, como vimos em outro momento.</p><p>Assim, o ideal é o EPC, bem como que o trabalhador se exponha o mínimo</p><p>possível às radiações ionizantes.</p><p>É necessária a elaboração de um registro individual do trabalhador,</p><p>por 30 anos, contendo informações diversas como: dados de identificação;</p><p>funções associadas às fontes de radiação; registro de doses mensais e anuais;</p><p>capacitações recebidas, entre outras informações pertinentes a sua vida laboral</p><p>exposta a essa radiação.</p><p>Há também a dosimetria individual, a qual já abordamos anteriormente.</p><p>Lembrando que os dosímetros devem ser obtidos, calibrados e avaliados pelos</p><p>laboratórios acreditados pela CNEC e substituídos ao final de cada mês.</p><p>Para os serviços de radiologia diagnóstica e intervencionista, o Ministério</p><p>da Saúde recomenda o uso de avental de chumbo; protetores de tireoide e</p><p>de gônadas plumbíferos; luvas; máscaras; óculos plumbíferos; seringas</p><p>blindadas, entre outros.</p><p>FIGURA 18 – EXEMPLOS DE EPIs PARA TRABALHADORES</p><p>NA ÁREA DE RADIAÇÃO IONIZANTE</p><p>FONTE: http://www.staffsul.com.br/dosimetria/dosimetro-metrobras;</p><p>http://sauderadiologica.blogspot.com/2013/11/equipamentos-</p><p>de-protecao-individual.html. Acesso em: 1º jun. 2019.</p><p>59</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Relativo aos EPIs para os trabalhadores expostos às fontes radioativas,</p><p>existem as vestimentas de chumbo, impermeáveis à contaminação e com</p><p>suprimento de ar; óculos plumbíferos; luvas; máscaras com filtros etc., sendo que</p><p>para cada situação específica haverá um equipamento de proteção próprio.</p><p>Além disso, como proteger ainda mais o trabalhador exposto à radiação</p><p>ionizante?</p><p>Através de exames oftalmológicos admissional e anual, uma vez que a</p><p>radiação ionizante pode ser geradora de problemas oculares e visuais, além de</p><p>exames médicos na inspeção da pele, tireoide; controle medular/hematológico, da</p><p>função hepática e renal.</p><p>Para se estabelecer um controle de dose ocupacional deve-se considerar</p><p>o seguinte: a) sempre obedecer os limites de dose para os IOE; b) observar o</p><p>histórico de dose do IOE nos últimos cinco anos; c) uma semana tem 40 horas</p><p>para o IOE; d) o período de um ano equivale a 50 semanas e tem 2.000 horas; e)</p><p>um mês para cálculo de dose equivale a quatro semanas.</p><p>Portanto, a minimização dos efeitos da radiação ionizante inicia pela avaliação</p><p>de risco, utilização dos equipamentos de proteção (EPI e EPC), adequado</p><p>planejamento das atividades a serem desenvolvidas, entre outros cuidados,</p><p>objetivando a diminuição da magnitude das doses individuais, bem como do</p><p>número de pessoas expostas e a probabilidade de exposição desnecessária e/ou</p><p>acidental (FIOCRUZ, s.d.).</p><p>Assista ao vídeo da FUNDACENTRO referente à</p><p>radiação ionizante. Disponível em: <https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=bz0KZcJfylY>.</p><p>As radiações ionizantes representam grandes riscos aos trabalhadores</p><p>expostos. Contudo, as proteções são muito eficientes, sendo que as atividades</p><p>laborais, que envolvem esses riscos, são possíveis de serem executadas com</p><p>extrema segurança.</p><p>Nesta seção, você aprendeu sobre as radiações</p><p>ionizantes, bem como seus</p><p>efeitos no organismo, as normas aplicáveis, os limites de tolerância estabelecidos</p><p>e as medidas de controle a serem empregadas.</p><p>60</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Agora que você recordou e ampliou seus conhecimentos sobre as radiações</p><p>ionizantes, vamos responder às atividades de estudo para, após, adentrarmos no</p><p>mundo das radiações não ionizantes.</p><p>Dentre os diversos assuntos relacionados à segurança</p><p>ocupacional, temos a radiação ionizante, que tem a capacidade de</p><p>ionizar átomos, podendo lesar as células corporais humanas devido</p><p>a sua alta frequência, sendo a mais perigosa para o trabalhador que</p><p>estiver exposto a ela sem a devida proteção. Com referência ao</p><p>agente físico radiação ionizante, responda:</p><p>1 Relacione as radiações alfa, beta e gama com suas respectivas</p><p>características:</p><p>I- Alfa (α).</p><p>II- Beta (β).</p><p>III- Gama (γ).</p><p>( ) Possuem alto poder de penetração e não possuem carga elétrica</p><p>nem massa.</p><p>( ) Não incidem sobre o corpo humano.</p><p>( ) Incidem sobre a pele, mas não em todo o corpo.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>( ) III – I – II.</p><p>( ) I – III – II.</p><p>( ) II – I – III.</p><p>( ) III – II – I.</p><p>2 Assinale certo ou errado para as sentenças a seguir:</p><p>a) As radiações ionizantes geram alterações moleculares dos</p><p>tecidos e órgãos humanos sempre que o limite tolerável for</p><p>ultrapassado, gerando insalubridade de grau máximo. ( ) certo (</p><p>) errado</p><p>b) O limite de doses de radiações ionizantes é estabelecido pelo</p><p>Ministério do Trabalho. ( ) certo ( ) errado</p><p>c) As radiações ionizantes têm seu uso na medicina através de</p><p>61</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>radiodiagnóstico e radioterapia. Contudo, essas radiações podem</p><p>produzir danos biológicos, dependendo do tempo de duração e</p><p>do tipo de exposição. ( ) certo ( ) errado</p><p>d) Os efeitos biológicos resultantes da deposição da energia da</p><p>radiação ionizante somente podem ser classificados em efeitos</p><p>determinísticos e efeitos estocásticos. ( ) certo ( ) errado</p><p>e) O uso de blindagem, o distanciamento da fonte e o tempo de</p><p>exposição são parâmetros utilizados para a definição das ações</p><p>que devem ser tomadas para minimizar a exposição de um IOE</p><p>em um campo de radiação. ( ) certo ( ) errado</p><p>6 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES</p><p>Nesta seção, revisaremos os conceitos básicos relacionados às radiações</p><p>não ionizantes, seus efeitos no organismo, limites de tolerância, bem como</p><p>entenderemos de que forma poderão ser realizadas as avaliações e as medidas</p><p>de controle desse agente em um ambiente laboral.</p><p>O sol é a mais famosa fonte de radiação não ionizante. Outras radiações</p><p>não ionizantes muito conhecidas são a luz visível, infravermelha, micro-ondas,</p><p>radiofrequência (ondas de rádio, televisão e telecomunicação), as ultravioletas e</p><p>o laser, as quais veremos a seguir.</p><p>As radiações não ionizantes, ao contrário das ionizantes, não produzem</p><p>ionizações, pois não possuem energia suficiente para “arrancar” elétrons dos</p><p>átomos. Assim, elas são ondas eletromagnéticas de menor frequência e energia</p><p>ao serem comparadas com as radiações ionizantes, bem como não possuem</p><p>energia suficiente para produzir a perda do átomo (BREVIGLIERO; POSSEBON;</p><p>SPINELLI, 2017).</p><p>Com relação ao seu espectro, as ondas das radiações não ionizantes podem</p><p>ser classificadas pela sua frequência, que varia de 3 Hz até 300 kHz, ou pelo seu</p><p>comprimento de onda, que pode variar de 100 nm até 300.000 km.</p><p>As radiações não ionizantes, por terem efeitos nocivos sobre a saúde do</p><p>trabalhador, apresentam interesse do ponto de vista ambiental e ocupacional.</p><p>Contudo, é necessário recordar que o dano provocado pela exposição do</p><p>trabalhador a esse tipo de radiação varia conforme a duração, intensidade de</p><p>exposição, comprimento de onda e região do espectro.</p><p>62</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Nos ambientes laborais, as radiações não ionizantes normalmente estão</p><p>presentes como radiação ultravioleta (serviços a céu aberto); gerada por</p><p>operações em solda elétrica ou ainda na radiação infravermelha, proveniente</p><p>de operação em fornos, especialmente aqueles que atingem altas temperaturas</p><p>(indústria siderúrgica e cimenteira) ou de solda oxiacetilênica. Também se faz</p><p>presente em processos de secagem/curagem, exposição às micro-ondas (antenas</p><p>e máquinas de solda por radiofrequência), além dos campos eletromagnéticos</p><p>(linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica, subestações), entre</p><p>outros.</p><p>Vamos, agora, nos dedicar às radiações não ionizantes e conhecer mais</p><p>sobre elas?</p><p>6.1 PRINCIPAIS NORMAS PARA AS</p><p>RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES</p><p>O Anexo 7 da NR-15 trata, de modo geral e simplificado, das radiações não</p><p>ionizantes, mas não estabelece limites de tolerância para elas. Assim, a NR-9</p><p>(item 9.3.5.1) permite adotar os limites da ACGIH (American Conference of</p><p>Governmental Industrial Higienists), que é comumente utilizada como referência</p><p>em higiene ocupacional.</p><p>A ACGHI classifica como radiações não ionizantes as sub-radiofrequências,</p><p>as radiofrequências, as radiações infravermelhas e ultravioletas, as micro-ondas,</p><p>bem como os campos magnéticos estáticos e eletrostáticos (PEREIRA, 2015).</p><p>De acordo com o Anexo 7 (NR-15), as operações ou atividades que</p><p>exponham os trabalhadores às radiações não ionizantes sem a devida proteção,</p><p>serão consideradas insalubres (grau médio), em decorrência de laudo de inspeção</p><p>realizada no local de trabalho, com exceção das atividades ou operações que</p><p>exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa de</p><p>400 - 320 nanômetros), as quais não serão consideradas insalubres, ou seja, a</p><p>caracterização da insalubridade está vinculada diretamente à medida de proteção.</p><p>Assim, estabelece uma avaliação qualitativa, ou seja, insalubridade determinada</p><p>através de inspeção do local de trabalho.</p><p>É importante destacar que para a caracterização de insalubridade, conforme</p><p>o anexo supracitado, são exemplos de radiação não ionizante apenas micro-</p><p>ondas, ultravioletas e laser.</p><p>63</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Outro ponto que merece ser ressaltado é que o Decreto nº 611/92 validou o</p><p>Anexo do Decreto nº 53.831/64, sendo que a radiação não ionizante permaneceu</p><p>como condição especial de trabalho. Contudo, o Decreto nº 2.172/1997 excluiu</p><p>definitivamente para fins de enquadramento de tempo especial, conforme o</p><p>Instituto Nacional do Seguro Social (2017).</p><p>6.2 LIMITES DE EXPOSIÇÃO ÀS</p><p>RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES</p><p>Os comitês internacionais são os responsáveis pelas elaborações das</p><p>diretrizes e recomendações de proteção às radiações não ionizantes, tendo como</p><p>base estudos epidemiológicos, de biologia, física e dosimetria.</p><p>Na década de 1970, a International Radiation Protection Association (IRPA)</p><p>formou um grupo de trabalho sobre radiação não ionizante, denominando-o de</p><p>International Non-Ionizing Radiation Commission (INIRC), a qual em 1992 passou</p><p>a ser a International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection (ICNIRP),</p><p>para promover orientações sobre os riscos da exposição à radiação não ionizante</p><p>à saúde e dispor de diretrizes internacionais sobre os limites de exposição deste</p><p>tipo de radiação. Em 1998 houve a revisão das diretrizes, definindo as restrições</p><p>de níveis de referência para diferentes faixas de frequência de até 300 GHz,</p><p>tanto para o público em geral como para os IOEs, tendo sido aprovadas pela</p><p>Organização Mundial de Saúde, Organização Internacional do Trabalho e União</p><p>Internacional de Telecomunicações.</p><p>Cabe mencionar que a ICNIRP também publicou diretrizes para os campos</p><p>magnéticos estáticos, bem como um guia focado para as faixas de baixa</p><p>frequência.</p><p>No Brasil, a Lei nº 11.934/2009 dispõe sobre limites à exposição humana</p><p>a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos, estabelecendo limites</p><p>à exposição humana a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos,</p><p>associados ao funcionamento de estações transmissoras de radiocomunicação,</p><p>de terminais de usuário e de sistemas de energia elétrica nas faixas de frequências</p><p>até 300 GHz, visando garantir a proteção da saúde e do meio ambiente, adotando</p><p>os limites da OMS, a qual está amparada pela ICNIRP.</p><p>Suplementar a isso, temos a NR-9, que discorre sobre as radiações não</p><p>ionizantes como agentes causadores de riscos físicos aos trabalhadores a ela</p><p>expostos, bem como a NR-15, através de seu Anexo 7, o qual já abordamos.</p><p>64</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>6.3 AVALIAÇÃO DA RADIAÇÃO NÃO</p><p>IONIZANTE</p><p>De maneira geral, medidores portáteis manuais estão disponíveis para</p><p>a medição das radiações não ionizantes, os quais incorporam um material</p><p>fotoemissor, de forma que a radiação incidente libera elétrons da superfície, sendo</p><p>que esses elétrons são coletados por ânodo e colocados em um fluxo com uma</p><p>corrente elétrica, a qual é medida por um amperímetro adequadamente calibrado.</p><p>Desta forma, os dados obtidos são confrontados com os limites de exposição</p><p>ocupacional apropriados.</p><p>A ACGIH adotou ou propôs TLVs (Limites de Exposição Ocupacional) para</p><p>cada uma das radiações (radiação ultravioleta; radiação infravermelha visível e</p><p>próxima; radiação do laser; radiação de micro-ondas e de radiofrequência), sendo</p><p>que os limites de intensidade de radiação são expressos em mW/cm2.</p><p>6.4 PRINCIPAIS EFEITOS DA</p><p>RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE À</p><p>SAÚDE HUMANA</p><p>A interação entre a radiação não ionizante e o corpo humano resulta em</p><p>efeitos que podem ser térmicos e não térmicos (quanto à temperatura) e em</p><p>efeitos adversos e biológicos (quanto à consequência). Tais efeitos podem variar</p><p>conforme os graus de absorção de energia pelo corpo humano. Portanto, existem</p><p>diversos fatores que estão relacionados com essa absorção (meio ambiente;</p><p>fonte e frequência de onda; condutividade do corpo humano etc.).</p><p>Existem diversos estudos que correlacionam a exposição à radiação não</p><p>ionizante e os danos à saúde. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer</p><p>(2019), as evidências sugerem que a exposição crônica à radiação não ionizante</p><p>de baixa frequência e fontes de campos eletromagnéticos de frequência</p><p>extremamente baixa podem aumentar o risco de câncer.</p><p>Dentre as principais consequências das radiações não ionizantes encontradas</p><p>nas literaturas estão: fotoenvelhecimento (alterações dermatológicas); alterações</p><p>oculares; alterações no sono; alterações testiculares e espermáticas; alterações</p><p>no sistema nervoso; alterações celulares e alterações comportamentais.</p><p>65</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>6.5 TIPOS DE RADIAÇÃO NÃO</p><p>IONIZANTE</p><p>As radiações não ionizantes são classificadas de acordo com o comprimento</p><p>de onda e a frequência ou pelo tipo de fonte e interação com a matéria. A seguir</p><p>veremos quais são elas.</p><p>6.5.1 Radiação solar</p><p>A radiação solar é fonte de vida, fluxo de energia emitida pelo sol na forma</p><p>de radiação eletromagnética não ionizante e é a principal fonte de exposição</p><p>humana à radiação ultravioleta (INCA, 2019).</p><p>Diversas profissões e ocupações estão atreladas às atividades a céu aberto,</p><p>ou seja, os trabalhadores estão expostos à radiação solar, dentre eles, pedreiro,</p><p>gari, carteiro, agricultor, pescador, portanto, esses trabalhadores constituem</p><p>um grupo de risco para patologias associadas a essa radiação, tornando</p><p>imprescindível a adequada utilização de equipamentos e produtos de proteção,</p><p>assim como a adoção de medidas de controle.</p><p>Cabe ressaltar que o Anexo 7 da NR-15 está ligado intimamente com a NR-</p><p>21 - Trabalhos a céu aberto, sendo que no item 21.1 aborda que serão exigidas</p><p>medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva.</p><p>A radiação solar causa efeitos nocivos ao trabalhador, especialmente na</p><p>pele e nos olhos. Contudo, não há pagamento de adicional de insalubridade por</p><p>exposição solar para o trabalhador em atividades a céu aberto, devido à falta de</p><p>previsão legal, embora o Brasil seja um país tropical, ensolarado quase o ano</p><p>todo e que o câncer de pele é o mais incidente na população brasileira, sendo um</p><p>problema de saúde pública.</p><p>Nesse sentido, há a necessidade de estudos envolvendo esse tema, tanto</p><p>no âmbito da saúde ocupacional como da segurança, a fim de estabelecer a</p><p>relação entre os riscos inerentes à exposição solar e os fatores ocupacionais e</p><p>predisponentes, propondo medidas preventivas e controles eficazes, objetivando</p><p>a integridade e a preservação da saúde do trabalhador.</p><p>Agora que fizemos uma pequena introdução sobre a radiação solar, vamos</p><p>adentrar no mundo das radiações ultravioletas?</p><p>66</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>6.5.2 Radiação ultravioleta (UV)</p><p>A radiação ultravioleta é uma onda eletromagnética cuja frequência varia</p><p>entre 3 x 1014 Hz e 7,5 x 1015 Hz, ou com comprimento de onda compreendido</p><p>entre 100 nm e 400 nm. Está dividida, de acordo com os seus comprimentos de</p><p>onda, em três faixas de radiação, conforme entidades internacionais, como WHO</p><p>(World Health Organization), AIHA (American Industrial Hygiene Association) e</p><p>ICNIRP (International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection):</p><p>• UVA (315 a 400 nm): denominada luz negra, representando 90 a 95% da</p><p>radiação ultravioleta e está subdividida em UVA-I e UVA-II.</p><p>• UVB (280 a 315 nm): chamada também de luz eritematogênica, pois</p><p>provoca eritema (queimadura da pele), sendo os mais danosos aos</p><p>tecidos biológicos. Apenas 5 a 10% dos raios UVB atingem a superfície</p><p>terrestre.</p><p>• UVC (100 a 280 nm): intitulada de luz germicida, é mais absorvida</p><p>pela camada de ozônio, chegando à superfície terrestre em pequenas</p><p>quantidades, além de ser a mais energética das radiações, com</p><p>capacidade de penetração maior.</p><p>É necessário informar que a definição dos limites dessas faixas não é muito</p><p>precisa, pois algumas vezes elas são determinadas pela forma de utilização e</p><p>outras vezes pelo modo de produção dessas radiações.</p><p>A fonte natural da radiação ultravioleta é o sol, mas há também fontes</p><p>artificiais como: lâmpadas, germicidas, equipamentos para solda industrial de</p><p>metal ou mesmo as lâmpadas negras (OKUNO; VILELA, 2005).</p><p>Assim, as faixas denominadas eritemáticas e germicidas são as que</p><p>apresentam maiores riscos potenciais, sendo que estas faixas são emitidas em</p><p>operações com solda elétrica, metais em fusão, maçaricos operando a altas</p><p>temperaturas, lâmpadas germicidas, entre outras, estando também presentes na</p><p>radiação solar.</p><p>A radiação UV produz vários efeitos a nossa saúde, podendo oferecer riscos</p><p>(especialmente para a pele e olhos) ou benefícios (síntese de vitamina D, ação</p><p>bactericida para esterilizar alimentos e equipamentos cirúrgicos, entre outros),</p><p>conforme a intensidade e o tempo de exposição a essa radiação.</p><p>Relativo aos efeitos danosos das isoformas da radiação ultravioleta: UVA,</p><p>UVB e UVC, constata-se que as camadas da epiderme e derme, bem como as</p><p>camadas da córnea, são as mais atingidas, sofrendo ação direta dos efeitos</p><p>fotobiológicos, conforme podemos verificar na Figura 19.</p><p>67</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>FIGURA 19 – PENETRAÇÃO DA RADIAÇÃO UV NO OLHO E NA PELE</p><p>FONTE: Adaptada de Okuno (2018)</p><p>hipoderme</p><p>epiderme</p><p>camada córnea</p><p>UVC UVB UVA</p><p>derme</p><p>Veja que a radiação UVA é a que atinge as camadas mais profundas da</p><p>derme, danificando as fibras colágenas e elásticas, bem como a UVC é absorvida</p><p>na córnea.</p><p>A exposição da pele a essa radiação resulta em inúmeros danos no</p><p>âmbito molecular do DNA e RNA alterando suas estruturas, podendo levar ao</p><p>desenvolvimento de lesões benignas, que se não tratadas podem evoluir para</p><p>neoplasia maligna (câncer). Essa exposição pode ter efeitos imediatos, ou</p><p>seja, logo após a exposição, ocasionando bronzeamento, síntese de vitamina</p><p>D, eritema, queimadura da pele, lesões das células Langerhans ou tardios,</p><p>ocorrendo anos depois, sendo caracterizados por fotoenvelhecimento cutâneo e</p><p>fotocarcinogênese (câncer de pele: carcinoma de células basais, carcinoma de</p><p>células escamosas e melanoma), sendo que os danos</p><p>causados dependerão da</p><p>intensidade e do tempo de exposição.</p><p>Já a exposição ocular pode causar danos na córnea (ceratite), na conjuntiva</p><p>(pterígio), no cristalino (catarata), no humor vítreo (degeneração) e na retina</p><p>(degeneração macular). Patologias, como a fotoceratite e a fotoceratoconjuntivite</p><p>são consideradas doenças relacionadas com a atividade dos profissionais da</p><p>solda.</p><p>Na figura a seguir, pode-se verificar a incidência de raios UVA, que incidem</p><p>diretamente na retina (fundo do olho), provocando alterações na visão central e</p><p>UVB, que incidem na córnea e no cristalino, danificando-os (regiões que absorvem</p><p>esse tipo de radiação).</p><p>68</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>FIGURA 20 – INCIDÊNCIA UVA E UVB NO OLHO HUMANO</p><p>FONTE: http://retinabrasil.org.br/site/como-os-raios-uv-</p><p>afetam-a-retina/. Acesso em: 3 jun. 2019.</p><p>As radiações UV são produzidas em diversos locais laborais: na indústria,</p><p>em processos de solda elétrica; sopragem de vidro; operação com metal quente;</p><p>processos de fotorreprodução; esterilização do ar e da água; produção de luz</p><p>fluorescente; dispositivos odontológicos; processos de aluminotermia, entre</p><p>outros.</p><p>No que se refere ao estabelecimento de normas dos limites de exposição</p><p>ocupacional às radiações UV, nos Estados Unidos, a ACGIH é a responsável</p><p>por estabelecer esses limites de tolerância, representando o comitê mais</p><p>antigo a prover informação sobre os riscos ocupacionais da radiação UV no</p><p>mundo. Enquanto que na Europa, a ICNIRP é uma das principais entidades que</p><p>estabelecem os limites máximos para essa exposição.</p><p>No Brasil, como vimos, a legislação brasileira não prevê limites de tolerância,</p><p>devendo seguir os valores adotados pela ACGIH, a qual define um tempo máximo</p><p>de exposição diária, sendo este tempo de acordo com a função da irradiância</p><p>efetiva avaliada no local. Para a avaliação da insalubridade decorrente da radiação</p><p>UV, essa é através de laudo de inspeção (Anexo 7 - NR-15).</p><p>Relativo aos limites propostos pela ACGIH, alguns aspectos devem ser</p><p>considerados: esses limites protegem a maioria das pessoas, mas não todas, o</p><p>que dá margem para que algumas desenvolvam efeitos, mesmo que os limites</p><p>estejam dentro do preconizado. Além disso, esses limites se referem à proteção</p><p>de efeitos específicos e não de todos. Outro fato importante é a necessidade de</p><p>uma instrumentação específica, a qual é composta por um detector de UV e um</p><p>69</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>radiômetro de leitura, para que o limite de exposição seja aplicado. Portanto, esse</p><p>detector é muito especial, uma vez que nem todos os comprimentos de onda</p><p>UV têm a mesma capacidade para produzir efeitos nocivos, devendo o detector</p><p>seguir essa sensibilidade, porém, não é qualquer medidor de UV que é capaz de</p><p>ter essa sensibilidade, conforme ABHO (tradução da ACGHI).</p><p>Ainda, os limites da ACGIH são dados em função do tempo de exposição e</p><p>da intensidade da radiação, cuja unidade é μW/cm2, para certa irradiância efetiva.</p><p>Se o detector for adequado, ele já fornece o valor chamado irradiância efetiva e o</p><p>tempo permitido de exposição à radiação UV por dia, como exposição permissível</p><p>à radiação UV: duração da exposição por dia = 8h/Irradiância Efetiva Eeff (μW/</p><p>cm2) = 0,1. Há, também, um limite de exposição específico para o UVA, não</p><p>ponderado, de 1,0 J/cm2 para exposições menores que 1000 segundos (energia</p><p>recebida), e de uma irradiância de 1,0 mW/cm2 para exposições maiores ou</p><p>iguais a 1000 segundos.</p><p>De acordo com a INCA (2019), a radiação UV pode ser medida por</p><p>detectores químicos (químicos incluem emulsões fotográficas, soluções</p><p>actinométricas e filmes plásticos) ou físicos (incluem dispositivos radiométricos),</p><p>os quais, geralmente, estão associados a dispositivos que permitem selecionar o</p><p>comprimento de onda da radiação. Enquanto que a WHO indica três sistemas de</p><p>medição: radiômetros (medem a potência radiante incidente), espectroradiômetros</p><p>(medem a distribuição de energia radiante) e dosímetros (respondendo</p><p>diretamente à dose incidente).</p><p>Como medidas de proteção e controle podemos citar: controle da distância</p><p>da fonte; uso de EPCs (biombo/barreiras, enclausuramento do processo,</p><p>isolamento e sinalização da área, treinamento e medidas administrativas); uso</p><p>de EPIs (óculos com proteção UV, máscara facial com proteção UV, vestimentas</p><p>apropriadas; protetor solar; chapéu/boné com proteção UV) e controle médico</p><p>periódico (olhos e pele, especialmente), embora no Quadro II da NR-7 não haja</p><p>exames específicos.</p><p>6.5.3 Radiação infravermelha (IV)</p><p>Segundo a ICNIRP (1998), a radiação infravermelha é a banda do espectro</p><p>de radiação eletromagnética entre 780 nm a 1 mm e está subdividida em IR-A</p><p>(780 nm-1.4 µm), IR-B (1.4-3 µm) e IR-C (3 µm-1 mm).</p><p>A radiação infravermelha é, talvez, a radiação com maior aplicação, sendo</p><p>comumente encontrada em numerosos processos industriais, trabalhos com solda</p><p>70</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>elétrica, metais e vidros incandescentes, solda oxiacetilênica, locais onde existam</p><p>fornos e fornalhas (materiais altamente aquecidos), fundições, siderurgias,</p><p>indústria cerâmica, processos de secagem de tintas e materiais úmidos, bem</p><p>como em trabalhos a céu aberto (o sol é fonte natural emissora dessa radiação),</p><p>entre outros.</p><p>A lista de doenças relacionadas com o trabalho do Ministério da Saúde</p><p>(1998) aborda as seguintes doenças desencadeadas pela radiação IV: ceratite,</p><p>ceratoconjuntivite, catarata, alterações da pele devido às exposições crônicas às</p><p>radiações não ionizantes (sem especificar quais). Assim, as radiações IV atingem</p><p>os olhos, a pele e também os testículos (causando infertilidade).</p><p>No espectro infravermelho distante (IR-C), há uma alta absorção da radiação</p><p>pela superfície frontal do olho, enquanto que a região infravermelha média (IR-</p><p>B) e a infravermelha próxima (IR-A) apresentam penetração mais profunda,</p><p>contribuindo ambas para catarata (doença ocupacional mais antiga - “catarata do</p><p>vidreiro”).</p><p>Relativo aos limites de tolerância para a exposição à radiação IV, esses são</p><p>tratados de forma conjunta ao risco físico calor, constantes no Anexo 3 da NR-15.</p><p>Como já vimos, o Anexo 7 da NR-15 não determina limites de tolerância,</p><p>nem critérios para avaliação quantitativa para insalubridade para a radiação</p><p>infravermelha. Deve-se, então, recorrer aos limites de exposição propostos pela</p><p>ACGIH, a qual indica limites que visam proteger a retina contra a lesão térmica</p><p>provocada pela radiação visível, lesões térmicas na córnea e possíveis efeitos</p><p>tardios no cristalino (cataratogênese). Referente à instrumentação e à metodologia</p><p>de avaliação quantitativa, da mesma forma ao que acontece com a radiação UV,</p><p>são pouco difundidas (SALIBA, 2015).</p><p>Como medidas de controle para esta radiação, podemos citar: blindagem</p><p>das fontes incandescentes; redução da área exposta das fontes; afastamento</p><p>das fontes; redução do tempo de exposição; uso dos EPIs (máscaras, óculos</p><p>e chapéus com proteção IV, vestimenta adequada) e EPCs (refletores de calor,</p><p>promoção de barreiras com material metálico polido, treinamento etc.); controle</p><p>médico periódico. Deve-se seguir as orientações do Anexo 3 da NR-15 (calor).</p><p>6.5.4 Radiações micro-ondas</p><p>As micro-ondas são radiações eletromagnéticas com frequência abaixo</p><p>do infravermelho e com comprimento de onda bem menor que as ondas de</p><p>71</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>radiofrequência. Apresentam ondas do tipo UHF, SHF e EHF, ondas essas que</p><p>são utilizadas e encontradas em diversas atividades (domésticas e industriais).</p><p>São muito utilizadas nas comunicações, sendo produzidas em instalações</p><p>de radar e de radiotransmissão, em processos industriais químicos, em fornos de</p><p>micro-ondas, secagem de materiais, processos de aquecimento em produção de</p><p>cerâmicas e plásticos, entre outros. As radiações micro-ondas estão presentes</p><p>na TV digital e por satélite; celular; telefone sem fio; radar; GPS; roteadores;</p><p>Bluetooth;</p><p>fornos, ou seja, em diversos materiais. Contudo, as potências desses</p><p>equipamentos não causarão males à saúde do trabalhador.</p><p>Desta forma, o maior risco ao trabalhador fica por conta das</p><p>atividades industriais que usam as micro-ondas (ex.: trabalhador em</p><p>torres de energia ou em fornos industriais de secagem à base dessa</p><p>radiação).</p><p>Quais os efeitos das micro-ondas no organismo do trabalhador? A exposição</p><p>à radiação de micro-onda pode provocar efeito térmico quando absorvida pelo</p><p>corpo, sendo que o maior risco ocorre quando a absorção é através dos olhos ou</p><p>pelo cérebro. Essas radiações têm ações mais profundas, atingindo estruturas</p><p>superficiais e o cristalino (catarata); o sistema nervoso central (ocasionando</p><p>cefaleia, vertigens, convulsões); provocam aquecimento corporal (gerando mal-</p><p>estar, sudorese, fadiga) e problemas de infertilidade masculina.</p><p>Assim, é uma das radiações que o Anexo 7 (NR-15) menciona o adicional</p><p>de insalubridade, devido a esse tipo de frequência aquecer com agilidade,</p><p>deteriorando o tecido humano com facilidade, determinando que a avaliação seja</p><p>por inspeção, realizada no ambiente de trabalho (avaliação qualitativa). Todavia,</p><p>existem limites de exposição definidos pela ACGIH que pretendem limitar o</p><p>aquecimento por absorção para as exposições ocupacionais, mas não o eliminar.</p><p>A avaliação destas radiações é bastante complexa e requer instrumentação</p><p>específica (SALIBA, 2015; SESI, 2007).</p><p>Dentre as medidas de controle das radiações de micro-ondas, podemos</p><p>citar: controlar a distância da fonte para reduzir a exposição; as fontes de</p><p>produção devem ser blindadas; uso do dosímetro de radiação; manutenção do</p><p>equipamento; utilização de EPIs (vestimenta apropriada, uso do dosímetro);</p><p>controle médico periódico.</p><p>O maior risco ao</p><p>trabalhador fica por</p><p>conta das atividades</p><p>industriais que usam</p><p>as micro-ondas.</p><p>72</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>6.6 CAMPOS ELÉTRICOS, CAMPOS</p><p>MAGNÉTICOS E RADIOFREQUÊNCIA</p><p>Os campos elétricos produzem voltagem, são bloqueados com facilidade por</p><p>objetos condutores e enfraquecem à medida que se distanciam da fonte. Já os</p><p>campos magnéticos não são bloqueados com facilidade, embora se enfraqueçam</p><p>quando se distanciam da fonte (PEREIRA, 2015).</p><p>A exposição ocupacional a esses campos ocorre em atividades que estão</p><p>relacionadas à manutenção de antenas, rede elétrica de alta tensão, em trabalhos</p><p>que estejam próximos a essas situações, entre outros.</p><p>Estudos apontam malefícios ao organismo do trabalhador</p><p>que está exposto a tal situação, como queimaduras, aumento da</p><p>temperatura corpórea e neoplasias (embora com poucas evidências</p><p>epidemiológicas).</p><p>A NR-15 não define os campos magnéticos como agentes</p><p>insalubres. Contudo, a Portaria 700/2018 aprova o Regulamento sobre</p><p>a Avaliação da Exposição Humana a Campos Elétricos, Magnéticos e</p><p>Eletromagnéticos Associados à Operação de Estações Transmissoras</p><p>de Radiocomunicação, revogando a Resolução nº 303/2002, que</p><p>aprova o Regulamento sobre Limitação da Exposição a Campos</p><p>Elétricos, Magnéticos e Eletromagnéticos na Faixa de Radiofrequências</p><p>entre 9 kHz e 300 GHz.</p><p>A Portaria</p><p>700/2018 aprova o</p><p>Regulamento sobre</p><p>a Avaliação da</p><p>Exposição Humana</p><p>a Campos Elétricos,</p><p>Magnéticos e</p><p>Eletromagnéticos</p><p>Associados</p><p>à Operação</p><p>de Estações</p><p>Transmissoras de</p><p>Radiocomunicação.</p><p>Para saber mais, acesse os sites da ANATEL que abordam</p><p>esse tema. Disponível em: <http://www.anatel.gov.br/legislacao/</p><p>resolucoes/2018/1161-resolucao-700> e <https://sei.anatel.gov.</p><p>br/sei/modulos/pesquisa/md_pesq_documento_consulta_externa.</p><p>php?eEP-wqk1skrd8hSlk5Z3rN4EVg9uLJqrLYJw_9INcO7PtW2t42</p><p>GJUnEX84hrDv9LwFA64_VRDbwihH-XodssOoyDub7TtisJLmZL8-</p><p>cawzi7YBFgYwK0f-1pfI3IeQ3r>.</p><p>A ACGIH delimita a exposição para campos magnéticos estáticos em valores-</p><p>teto, sendo: para corpo inteiro (ambiente geral de trabalho) 2T; corpo inteiro</p><p>(trabalhador em treinamento e ambiente laboral controlado) 5T; braços e pernas</p><p>20T e usuários de dispositivos médicos 0,5mT (PEREIRA, 2015).</p><p>73</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Relativo às radiofrequências (RF), estão as ondas de rádio (AM e FM),</p><p>televisores (VHF e UHF), radioamador, rádio de comunicação da aeronáutica e</p><p>marinha etc. com frequências de onda distintas e cada frequência dessa pode</p><p>ou não provocar efeitos deletérios na saúde do trabalhador, pois dependerá do</p><p>tempo de exposição, potência da onda, proximidade da fonte, entre outros.</p><p>Assim, pela NR-15 não há adicional de insalubridade para quem trabalha</p><p>exposto a essa radiação. Como medidas de proteção podem e devem ser</p><p>utilizadas as mesmas descritas nas radiações micro-ondas.</p><p>A FUNDACENTRO apresenta um vídeo sobre a radiação não</p><p>ionizante, o qual pode ser acessado em: <https://www.youtube.com/</p><p>watch?time_continue=1&v=mFSk1TUPFbY>.</p><p>Depois de abordarmos sobre quase todas as radiações, convidamos você a</p><p>“viajar” nos raios laser e maser!</p><p>6.7 LASER E MASER</p><p>Antes de falarmos sobre o laser, que tal abordarmos um pouco sobre a</p><p>história?</p><p>Conta a história que o laser teve início no ano de 1917 com uma publicação</p><p>de Albert Einstein e que o pai do laser, ou seja, seu precursor é o Maser.</p><p>O que é MASER? A sigla significa Microwave Amplification by Stimulated</p><p>Emission of Radiation, que traduzindo para o português, podemos dizer que é</p><p>amplificação de micro-ondas por emissão estimulada de radiação. Em 1952,</p><p>Nikolay Basov e Alexander Prokhorov (Instituto Lebedev) descreveram seu</p><p>princípio e em 1953, Charles Townes, J. P. Gordon e H. J. Zeiger constroem o</p><p>primeiro maser na Universidade de Colúmbia.</p><p>Dessa forma, o maser é um equipamento que possui o comprimento de</p><p>onda mais elevado que o laser, que utiliza micro-ondas ao invés de luz, mas seu</p><p>modo de operação é o mesmo do laser, embora seu modo de trabalho seja com</p><p>74</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>uma faixa de operação do espectro de radiação de menor frequência (TIPLER;</p><p>LIEWELLYN, 2001). Portanto, pode-se dizer que o maser é um sistema análogo</p><p>ao laser.</p><p>Laser é um acrônimo para a expressão inglesa Light Amplification by</p><p>Stimulated Emission of Radiation, que em português significa: amplificação de</p><p>luz por emissão estimulada de radiação, que tem como ação básica amplificar</p><p>luz usando o efeito de emissão estimulada de radiação, sendo uma ferramenta</p><p>versátil, também denominada de “a luz de mil funções”, permitindo diversas</p><p>possibilidades e aplicações (SILVA NETO; FREIRE JÚNIOR, 2017).</p><p>Conforme a ICNIRP (1998), o laser faz parte da radiação óptica, a qual está</p><p>dividida em radiação visível (radiação não ionizante), fazendo parte das fontes</p><p>artificiais. Assim, o laser não é uma outra radiação, mas, sim, é uma outra forma</p><p>de emissão das radiações conhecidas. Por isso, ele não aparece de forma</p><p>individualizada no espectro não ionizante, uma vez que qualquer radiação do</p><p>espectro (luz, infravermelho, micro-onda e ultravioleta) pode, em princípio, ser</p><p>emitida na forma de laser (SESI, 2007).</p><p>O laser é bastante utilizado em indústrias metalúrgicas (corte de metais,</p><p>solda), topografia, telemetria, mapeamento de superfícies, telecomunicações,</p><p>informática, gravações em metais, medicina, odontologia, entre outros.</p><p>Diversos estudos e pesquisas têm sido realizados referentes aos perigos</p><p>que o laser pode trazer à saúde do trabalhador, mas até agora nada conclusivo.</p><p>Entretanto, seu maior efeito é sobre o aparelho ocular, podendo causar danos</p><p>retinianos severos e irreversíveis, levando à cegueira. A sua interação com o</p><p>tecido biológico pode ocorrer através de cinco fenômenos (reflexão, refração,</p><p>absorção, espalhamento e transmissão), afetando também a pele, ainda que a</p><p>potência seja baixa.</p><p>Como a NR-15 (Anexo 7) contempla a radiação laser, esta é passível de</p><p>insalubridade, devendo ser realizada avaliação qualitativa. Já a ACGIH apresenta</p><p>limites de tolerância, as quais são estabelecidas de acordo com o comprimento</p><p>de onda, da intensidade e do tempo de exposição, bem como recomenda limites</p><p>específicos para a exposição</p><p>da pele e ocular. Entretanto, como a maioria</p><p>dos raios laser vem com um rótulo de classe de risco, afixado pelo fabricante,</p><p>geralmente não são necessárias a avaliação quantitativa e a determinação da</p><p>irradiância, a fim de compará-las com os limites de tolerância da ACGIH.</p><p>Com relação às medidas de controle, as exposições perigosas ao laser</p><p>podem ser minimizadas com a aplicação de medidas apropriadas, evitando a</p><p>exposição direta do olho ao feixe de laser; treinamento do operador; limitar a</p><p>75</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>presença de pessoas em áreas controladas; uso de biombos/cortina de proteção;</p><p>automatização do processo; isolamento e sinalização da área; vestimenta</p><p>adequada; óculos com proteção; palestras educativas e acompanhamento médico</p><p>frequente.</p><p>6.8 MEDIDAS DE PROTEÇÃO E</p><p>CONTROLE PARA AS RADIAÇÕES</p><p>NÃO IONIZANTES</p><p>De forma geral, as medidas de proteção e controle para os trabalhadores</p><p>expostos às radiações não ionizantes incluem controles físicos (controle na fonte</p><p>geradora do risco); controles administrativos (redução do tempo de exposição,</p><p>limitação de acesso, sinais de alerta); programas de proteção individual e coletiva</p><p>(uso de EPIs e EPCs) e vigilância médica (acompanhamento médico periódico).</p><p>Portanto, medidas de controle devem ser adotadas, objetivando a manutenção</p><p>dos níveis de exposição dos trabalhadores dentro das normas estabelecidas.</p><p>Não deixe de assistir “Colloquium diei”: do Maser ao Laser (O</p><p>Laser Pointer Verde). Disponível em: <https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=Pb5RI4CxFbI>.</p><p>Assim, essa seção apresentou as radiações não ionizantes e seus tipos,</p><p>normas e limites de exposição, sua interação com o corpo humano, efeitos</p><p>e possíveis danos à saúde do trabalhador, conforme levantamento de dados</p><p>encontrados nas mais diversas literaturas.</p><p>Agora que você já se apropriou de alguns conceitos, pode construir sua</p><p>própria concepção, respondendo às atividades a seguir.</p><p>76</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>1 De acordo com a Comissão Internacional de Proteção Contra a</p><p>Radiação Não Ionizante (ICNIRP) “Radiação não ionizante é um</p><p>termo genérico usado para descrever a radiação eletromagnética</p><p>que não carrega energia suficiente de fótons para ionizar átomos</p><p>ou moléculas”, sendo que as pessoas são expostas a essa</p><p>radiação de forma natural, como ao campo magnético da Terra</p><p>e à radiação do sol ou em situações de aplicações tecnológicas</p><p><https://www.icnirp.org/>. Tendo como referência a seção que</p><p>aborda sobre as radiações não ionizantes, leia com atenção as</p><p>afirmativas a seguir:</p><p>I- Os raios laser são um dos tipos de radiação não ionizante</p><p>e a exposição a eles dá o direito ao trabalhador de receber</p><p>insalubridade e periculosidade.</p><p>II- Com relação aos efeitos provocados pelas radiações não</p><p>ionizantes, o olho é considerado um órgão crítico, afetando</p><p>especialmente o cristalino, causando catarata.</p><p>III- A radiação ultravioleta pode causar danos à saúde do trabalhador</p><p>de acordo com o tempo de exposição, podendo ocasionar a curto</p><p>prazo eritema cutâneo e a longo prazo câncer de pele.</p><p>IV- Dentre as medidas de proteção da integridade física do</p><p>trabalhador, podemos citar o afastamento da fonte de radiação</p><p>ou o seu enclausuramento entre paredes, tapumes, cortinas,</p><p>biombos ou cabines.</p><p>V- A radiação não ionizante é absorvida pela pele e por níveis mais</p><p>profundos do corpo, podendo causar um aumento de temperatura</p><p>corporal.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>( ) As afirmativas II, III, IV e V estão corretas.</p><p>( ) As afirmativas I, II e V estão corretas.</p><p>( ) As afirmativas I, III e V estão corretas.</p><p>( ) As afirmativas I, II e IV estão corretas.</p><p>77</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Neste capítulo, discorremos sobre alguns agentes físicos (pressões</p><p>anormais, umidade, radiações ionizantes e radiações não ionizantes) presentes</p><p>nos ambientes laborais, que podem, se não forem tomadas as devidas medidas</p><p>preventivas, causar danos à saúde e à integridade física dos trabalhadores.</p><p>Vimos que as condições hiperbáricas e hipobáricas podem provocar sérios</p><p>problemas a quem está exposto a elas, bem como as atividades executadas</p><p>em locais encharcados ou alagados, ou seja, com umidade excessiva, também</p><p>são capazes de produzir efeitos deletérios na saúde do trabalhador, sendo</p><p>consideradas insalubres. Logo, a minimização dos efeitos nocivos ao trabalhador,</p><p>tanto em condições de trabalho em atividades a pressões anormais como em</p><p>excessiva umidade, deve se dar por meio de medidas de proteção coletiva e</p><p>individual.</p><p>Constatamos também que, dependendo da quantidade de energia, uma</p><p>radiação pode ser descrita como ionizante ou não ionizante, sendo que as</p><p>ionizantes são consideradas as mais perigosas para a saúde do trabalhador,</p><p>provocando sérios danos biológicos, que variam de pequenas queimaduras até</p><p>neoplasias.</p><p>Assim, ao término desse capítulo, esperamos que você se sinta apto a:</p><p>antecipar, identificar, reconhecer, avaliar e controlar esses agentes inerentes ao</p><p>processo produtivo e ao ambiente laboral, amparado através das bases legais,</p><p>normativas e científicas, bem como das tecnologias disponíveis aqui apresentadas,</p><p>a fim de eliminá-los ou reduzi-los aos níveis aceitáveis, contribuindo, dessa forma,</p><p>para a preservação da saúde do trabalhador, evitando a ocorrência de doenças</p><p>ocupacionais.</p><p>78</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABHO. Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais. 2019. Disponível</p><p>em: https://www.abho.org.br/. Acesso em: 10 jun. 2019.</p><p>ABRAETD - Associação Brasileira de Especialistas e Trabalhadores</p><p>Disbáricos. SST em ambientes disbáricos. Publicação n. 01/2014. 2014.</p><p>Disponível em: https://docplayer.com.br/88965628-A-sst-em-ambientes-</p><p>disbaricos.html. Acesso em: 24 abr. 2019.</p><p>ACGIH. American Conference of Governmental Industrial Hygienists. 2019.</p><p>Disponível em: http://www.acgih.org/. Acesso em: 24 abr. 2019.</p><p>ANDREUCCI, R. A radiologia industrial. 2013. Disponível em: http://www.</p><p>abendi.org.br/abendi/Upload/file/Radiologia-Nov-2013_pdf%20substituir.pdf.</p><p>Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>ANDREUCCI, R. Proteção radiológica, aspectos industriais. 2010. Disponível</p><p>em: http://docplayer.com.br/21249161-Protecao-radiologica-aspectos-industriais-</p><p>ricardo-andreucci-ed-jan-2010-1-ricardo-andreucci.html. Acesso em: 21 ago.</p><p>2019.</p><p>BRASIL. Norma Regulamentadora NR 7: Programa de Controle Médico de</p><p>Saúde Ocupacional. 2018. Disponível em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/</p><p>images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-07.pdf Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Nota de Documentação Evolutiva n. 01/2018 - Anexo II. Esta Nota</p><p>de Documentação Evolutiva - NDE tem como objetivo disponibilizar o leiaute</p><p>dos eventos de Segurança e Saúde no Trabalho - SST, cuja obrigatoriedade tem</p><p>início a partir de janeiro de 2019, de acordo com o cronograma de implantação</p><p>do eSocial. 2018. Disponível em: http://portal.esocial.gov.br/manuais/nde-01-</p><p>2018.zip/view. Acesso em: 19 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Norma Regulamentadora NR 9: Programa de Prevenção de Riscos</p><p>Ambientais. 2017. Disponível em: http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/</p><p>nr9.htm. Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Normas da Autoridade Marítima para Atividades Subaquáticas -</p><p>NORMAM-15. 2ª revisão. 2016. Disponível em: https://www.marinha.mil.br/dpc/</p><p>sites/www.marinha.mil.br.dpc/files/normam15.pdf. Acesso em: 25 abr. 2019.</p><p>BRASIL. Norma Regulamentadora NR 16: atividade e operações perigosas</p><p>https://docplayer.com.br/88965628-A-sst-em-ambientes-disbaricos.html</p><p>https://docplayer.com.br/88965628-A-sst-em-ambientes-disbaricos.html</p><p>http://www.abendi.org.br/abendi/Upload/file/Radiologia-Nov-2013_pdf substituir.pdf</p><p>http://www.abendi.org.br/abendi/Upload/file/Radiologia-Nov-2013_pdf substituir.pdf</p><p>http://docplayer.com.br/21249161-Protecao-radiologica-aspectos-industriais-ricardo-andreucci-ed-jan-2010-1-ricardo-andreucci.html</p><p>http://docplayer.com.br/21249161-Protecao-radiologica-aspectos-industriais-ricardo-andreucci-ed-jan-2010-1-ricardo-andreucci.html</p><p>físicos, químicos e</p><p>biológicos, existentes no ambiente de trabalho, como riscos ambientais,</p><p>em decorrência de sua natureza, concentração/intensidade e tempo</p><p>Outro fato que</p><p>devemos levar em</p><p>consideração é</p><p>a diferença entre</p><p>agente e risco,</p><p>pois muitas vezes</p><p>esses termos são</p><p>utilizados de forma</p><p>inadequada e</p><p>até mesmo como</p><p>sinônimos.</p><p>10</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>de exposição, os quais poderão causar danos à saúde do trabalhador (BRASIL,</p><p>2017). Portanto, a diferença, justamente, reside aí, ou seja, um agente somente</p><p>será um risco, quando esse estiver afetando a saúde do trabalhador.</p><p>Neste sentido, os riscos físicos podem comprometer a performance dos</p><p>trabalhadores, que “podem sofrer diversos efeitos na saúde que variam em razão</p><p>da sensibilidade, suscetibilidade e defesa do organismo” (ROSSETE, 2014, p.</p><p>14).</p><p>Após esta rápida revisão dos agentes físicos, iniciaremos nossa reflexão</p><p>sobre as pressões anormais. Esperamos que você aproveite bem a seção,</p><p>através da leitura dos conteúdos e participação nas atividades propostas.</p><p>2 PRESSÕES ANORMAIS</p><p>Os trabalhadores, de modo geral, são influenciados pela pressão do ar, que</p><p>é igual ou muito próxima à pressão atmosférica, no desenvolvimento das suas</p><p>atividades e não sentem sua intensidade, uma vez que estão acostumados com</p><p>ela. Contudo, existem situações especiais em que alguns trabalhadores ficam</p><p>expostos às pressões atmosféricas acima ou abaixo das pressões normais a que</p><p>estamos inseridos, ou seja, desempenham suas atividades laborais em ambientes</p><p>disbáricos.</p><p>De acordo com a Associação Brasileira de Especialistas e Trabalhadores</p><p>Disbáricos (ABRAETD), caso haja a incapacidade do organismo em equilibrar a</p><p>pressão das suas cavidades pneumáticas ou outras, com a pressão ambiental em</p><p>variação, ocorrerão patologias e acidentes disbáricos, sendo que a profundidade</p><p>ou a altitude, o tempo de permanência e a velocidade da transição à atmosfera</p><p>normal são alguns dos fatores de risco (ABRAETD, 2014).</p><p>Conforme Neto (2015), as pressões anormais são classificadas em</p><p>dois tipos: baixas pressões (hipobárica) e altas pressões (hiperbárica),</p><p>as quais veremos a seguir.</p><p>Cabe enfatizar que o trabalho em pressões anormais é considerado</p><p>especial pela legislação previdenciária (OLIVEIRA, 2017), bem como</p><p>fatores de riscos do meio ambiente do trabalho, conforme Tabela 23</p><p>da Nota de Documentação Evolutiva - NDE nº 01/2018 - Anexo II, sob os códigos</p><p>01.01.019 - Pressão Hiperbárica e 01.01.020 - Pressão Hipobárica.</p><p>As pressões</p><p>anormais são</p><p>classificadas</p><p>em dois tipos:</p><p>baixas pressões</p><p>(hipobárica) e</p><p>altas pressões</p><p>(hiperbárica).</p><p>11</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>2.1 BAIXAS PRESSÕES OU</p><p>PRESSÕES HIPOBÁRICAS</p><p>As baixas pressões ou pressões hipobáricas são aquelas que se</p><p>situam abaixo da pressão atmosférica normal (a pressão atmosférica</p><p>média no nível do mar mede 760 mm Hg ou 1 ATM), sendo que as</p><p>atividades realizadas em condição hipobárica são aquelas desenvolvidas</p><p>em grandes altitudes. Assim, quanto mais elevada a altitude, menor será</p><p>a pressão barométrica e, consequentemente, menor será a pressão</p><p>parcial de oxigênio (PO2) e dos demais gases (SCALDELAI et al., 2012).</p><p>Contudo, cabe frisar que não importa a altitude, o percentual de O2</p><p>presente no ar segue inalterado, sendo que as únicas alterações são</p><p>nos valores das pressões parciais.</p><p>Como exemplos de trabalhadores que atuam em ambiente disbárico</p><p>(pressão atmosférica menor) temos os astronautas, os aeronautas</p><p>(piloto, copiloto, comissário de bordo), os paraquedistas, os alpinistas,</p><p>os montanhistas, as pessoas que trabalham em regiões naturalmente</p><p>altas, entre outros.</p><p>Como o organismo humano reage a essa pressão hipobárica? O ar</p><p>atmosférico é uma mistura de diferentes gases, formado essencialmente por</p><p>nitrogênio (78%), oxigênio (21%) e outros gases (1%), e quando estamos</p><p>expostos a elevadas altitudes, há uma redução da pressão parcial de oxigênio</p><p>no organismo (sangue e tecidos corporais), denominada de hipóxia, que, de</p><p>modo geral, pode acarretar alterações fisiológicas e cerebrais no ser humano.</p><p>Assim, o corpo humano, ao ser submetido à exposição a uma altitude elevada,</p><p>fisiologicamente precisa desencadear uma série de modificações e ajustes que</p><p>vão desde o sistema cardiovascular até o músculo esquelético, passando pelos</p><p>sistemas endócrino e imunológico, até chegar ao cérebro, a fim de adaptar-se a</p><p>essa condição hipobárica.</p><p>Com a diminuição da pressão atmosférica, o ar se torna rarefeito e,</p><p>consequentemente, há menos oxigênio disponível para ser respirado e entrar nos</p><p>pulmões, fazendo com que a hemoglobina não consiga transportar o oxigênio em</p><p>quantidade suficiente para que as funções fisiológicas corporais se mantenham</p><p>em equilíbrio.</p><p>Neste sentido, a atividade laboral em altitude faz com que ocorra perda de</p><p>água corporal, o que aumenta a viscosidade sanguínea, decaindo o volume de</p><p>ejeção e fazendo com que haja um aumento da frequência cardíaca para sanar</p><p>momentaneamente essa queda de volume.</p><p>As baixas pressões</p><p>ou pressões</p><p>hipobáricas são</p><p>aquelas que se</p><p>situam abaixo da</p><p>pressão atmosférica</p><p>normal (a pressão</p><p>atmosférica média</p><p>no nível do mar</p><p>mede 760 mm Hg</p><p>ou 1 ATM), sendo</p><p>que as atividades</p><p>realizadas em</p><p>condição hipobárica</p><p>são aquelas</p><p>desenvolvidas em</p><p>grandes altitudes.</p><p>12</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>À medida que ocorrem mudanças na fisiologia do nosso organismo devido</p><p>às condições hipobáricas, surgem efeitos fisiopatológicos que podem ir desde</p><p>uma simples fadiga mental e muscular, mal-estar, cefaleia, respiração ofegante,</p><p>prurido, sonolência, desorientação, até uma hemorragia retiniana, hipóxia</p><p>hipobárica, podendo evoluir para um edema pulmonar e/ou edema cerebral,</p><p>levando a graves complicações e, muitas vezes, ao óbito.</p><p>Portanto, grandes altitudes suscitam uma instabilidade da homeostase</p><p>corporal, necessitando que o organismo se ajuste às mudanças fisiológicas</p><p>quando exposto a elevadas altitudes por tempo prolongado, adotando medidas</p><p>compensatórias, cujo processo é denominado de aclimatação.</p><p>Diante dessa realidade, especificamente no que se refere aos aeronautas,</p><p>estes estão inseridos em um ambiente laboral seguro e confortável (temperatura,</p><p>pressão e umidade) através das cabines pressurizadas, mantendo a pressão</p><p>abaixo daquela correspondente à altitude na qual a aeronave está voando,</p><p>protegendo a tripulação contra o efeito da hipóxia. No entanto, e se acontecer um</p><p>problema de despressurização ou descompressão?</p><p>Primeiramente, é importante relatar que os efeitos causados pela</p><p>despressurização dependerão da rapidez com que a descompressão</p><p>ocorrerá, bem como dos fatores que ocasionaram tal evento, podendo</p><p>acarretar manifestações como: saída brusca do ar dos pulmões; sintomas de</p><p>aeroembolismo (formação de bolhas de nitrogênio no sangue devido à súbita</p><p>diminuição da pressão atmosférica) e aerobarotraumas (traumas decorrentes da</p><p>dificuldade de equalização de pressão interna no ouvido com a externa); confusão</p><p>mental, entre outros.</p><p>A exposição à baixa pressão barométrica faz com que haja a expansão</p><p>gasosa nas cavidades corporais, denominada de aerodilatação, podendo levar</p><p>à aerodontalgia (inflamação dental), disfunção da articulação temporomandibular</p><p>(ATM), aerogastralgia e aerocolia (estômago e intestino grosso), barotite média</p><p>e barosinusite (inflamação aguda ou crônica do ouvido médio e seios da face),</p><p>perfuração timpânica e alteração no paladar.</p><p>Amplie seus conhecimentos lendo o material “Fisiologia</p><p>da Aviação”, disponível no site da Sociedade Brasileira de</p><p>Medicina Aeroespacial: <https://www.sbma.org.br/copia-dica-</p><p>de-almoco>.</p><p>13</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Que tal vermos agora sobre trabalho sob condições hiperbáricas?</p><p>2.2 ALTAS PRESSÕES OU PRESSÕES</p><p>HIPERBÁRICAS</p><p>As altas pressões, também denominadas de pressões hiperbáricas, são</p><p>as que se situam acima da pressão atmosférica normal,</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-07.pdf</p><p>https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-07.pdf</p><p>http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr9.htm</p><p>http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr9.htm</p><p>79</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>do Ministério do Trabalho. 2015. Disponível em: http://trabalho.gov.br/images/</p><p>Documentos/SST/NR/NR16.pdf. Acesso em: 30 abr. 2019.</p><p>BRASIL. Comissão Nacional de Energia Nuclear. Ministério de Ciência,</p><p>Tecnologia e Inovação. Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica. Norma</p><p>CNEN NN 3.01. Resolução 164/14, mar. 2014. Disponível em: http://appasp.</p><p>cnen.gov.br/seguranca/normas/pdf/Nrm301.pdf. Acesso em: 23 abr. 2019.</p><p>BRASIL. Princípios Básicos de Segurança e Proteção Radiológica. 4. ed.</p><p>Porto Alegre: Universidade do Rio Grande do Sul, 2014. Disponível em: http://</p><p>www.cnen.gov.br/component/content/article?id=170. Acesso em: 23 abr. 2019.</p><p>BRASIL. Norma Regulamentadora NR 32: segurança e saúde no trabalho</p><p>em serviços de saúde. 2011. Disponível em: http://trabalho.gov.br/images/</p><p>Documentos/SST/NR/NR32.pdf. Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Lei n. 11.934, de 05 de maio de 2009. Dispõe sobre à exposição</p><p>humana a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos; altera a Lei n.</p><p>4.771, de 15 de setembro de 1965 e dá outras providências. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11934.htm. Acesso</p><p>em: 21 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os</p><p>serviços de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2001.</p><p>BRASIL. Decreto n. 3.048, de 6 de maio de 1999. Aprova o Regulamento da</p><p>Previdência Social, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.</p><p>gov.br/ccivil_03/decreto/D3048.htm. Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Norma Regulamentadora NR 21: trabalhos a céu aberto. 1999.</p><p>Disponível em: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR21.pdf.</p><p>Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas</p><p>e Estratégicas. Lista de doenças relacionadas ao trabalho: Portaria n. 1.339/</p><p>GM, de 18 de novembro de 1999. Departamento de Ações Programáticas e</p><p>Estratégicas. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2008.</p><p>BRASIL. Portaria n. 453, do Ministério da Saúde (MS) e Secretaria de</p><p>Vigilância Sanitária (SVS), de 1º de junho de 1998. Diretrizes de proteção em</p><p>radiodiagnóstico médico e odontológico. Diário Oficial da União, Brasília,</p><p>1998. Disponível em: https://www.phymed.com.br/fisica-medica/site/textos/</p><p>portaria453.PDF. Acesso em: 23 abr. 2019.</p><p>http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf</p><p>http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR32.pdf</p><p>http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC 3.048-1999?OpenDocument</p><p>http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR21.pdf</p><p>80</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>BRASIL. Norma Regulamentadora NR 15: atividades e operações insalubres.</p><p>1978. Disponível em: http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15.htm.</p><p>Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>BRASIL. Manual do Trabalho Submerso. Normativa produzido pelo Grupo</p><p>Técnico do Ministério do Trabalho e Emprego. [s.d.]. Disponível em: http://</p><p>downloads.brasilmergulho.com.br/Guias/Manual%20Trabalho%20Submerso.pdf.</p><p>Acesso em: 30 abr.2019.</p><p>BREVIGLIERO, E.; POSSEBON, J.; SPINELLI, R. Higiene ocupacional:</p><p>agentes biológicos, químicos e físicos. 9. ed. São Paulo: SENAC, 2017.</p><p>BRISTOT, V. M. Introdução à engenharia de segurança do trabalho. Criciúma:</p><p>UNESC, 2019. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/6948/1/</p><p>Introdu%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A0%20engenharia%20de%20</p><p>seguran%C3%A7a%20do%20trabalho.pdf. Acesso em: 25 maio 2019.</p><p>FIOCRUZ. Radiação. [s.d]. Disponível em: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/</p><p>Bis/lab_virtual/radiacao.html. Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>FUNDACENTRO. Norma de Higiene Ocupacional. NHO 05 - Procedimento</p><p>Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional aos Raios X nos Serviços de</p><p>Radiologia. 2001. Disponível em: http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/</p><p>normas-de-higiene-ocupacional/publicacao/detalhe/2013/3/nho-05-procedimento-</p><p>tecnico-avaliacao-da-exposicao-ocupacional-aos-raios-x-nos-servicos. Acesso</p><p>em: 21 ago. 2019.</p><p>IAEA. International Atomic Energy Agency. Cytogenetic Dosimetry: Applications</p><p>in Preparedness for and Response to Radiation Emergencies. Vienna, 2011.</p><p>Disponível em: https://www.iaea.org/publications/8735/cytogenetic-dosimetry-</p><p>applications-in-preparedness-for-and-response-to-radiation-emergencies. Acesso</p><p>em: 30 maio 2019.</p><p>ICNIRP. Internacional Commission on Non-Ionizing Radiation Protection.</p><p>ICNIRP Guidelines for Limiting Exposure to Time-Varying Electric, Magnetic</p><p>and Electromagnetic Fields (up to 300 GHz). Health Physics, v. 74, n. 4, p.</p><p>494-522, 1998. Disponível em: http://www.icnirp.org/cms/upload/publications/</p><p>ICNIRPemfgdl.pdf. Acesso em: 18 abr. 2019.</p><p>ICRP. International Commission On Radiological Protection. Recommendations</p><p>of the International Commission on Radiological Protection, Editor J.</p><p>Valentin, v. 37, n. 103, p. 2-4, 2007.</p><p>http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15.htm</p><p>http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/radiacao.html</p><p>http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/radiacao.html</p><p>http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional/publicacao/detalhe/2013/3/nho-05-procedimento-tecnico-avaliacao-da-exposicao-ocupacional-aos-raios-x-nos-servicos</p><p>http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional/publicacao/detalhe/2013/3/nho-05-procedimento-tecnico-avaliacao-da-exposicao-ocupacional-aos-raios-x-nos-servicos</p><p>http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional/publicacao/detalhe/2013/3/nho-05-procedimento-tecnico-avaliacao-da-exposicao-ocupacional-aos-raios-x-nos-servicos</p><p>https://www.iaea.org/publications/8735/cytogenetic-dosimetry-applications-in-preparedness-for-and-response-to-radiation-emergencies</p><p>https://www.iaea.org/publications/8735/cytogenetic-dosimetry-applications-in-preparedness-for-and-response-to-radiation-emergencies</p><p>81</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>ICRP. International Commission On Radiological Protection. Radiological</p><p>protection and sa1ety in medicine. Annals of the ICRP, v. 26, n. 2, 1996 (ICRP</p><p>73).</p><p>ICRP. International Commission On Radiological Protection. Recommendations</p><p>01 the International Commission on Radiological Protection, Annals of the ICRP,</p><p>v. 22, n. 1, 1991 (ICRP 60).</p><p>INCA. Instituto Nacional de Câncer. Radiações não ionizantes. 2019.</p><p>Disponível em: https://www.inca.gov.br/exposicao-no-trabalho-e-no-ambiente/</p><p>radiacoes/radiacoes-nao-ionizantes. Acesso em: 3 maio 2019.</p><p>INSS. Instituto Nacional do Seguro Social. Manual de Aposentadoria Especial.</p><p>Diretoria de Saúde do Trabalhador. 2017. Disponível em: http://www.assimpasc.</p><p>org.br/Manual%20Aposentadoria%20Especial.pdf. Acesso em: 13 abr. 2019.</p><p>MATTOS, U.; MÁSCULO, F. Higiene e segurança do trabalho. Rio de Janeiro:</p><p>Elsevier/Abepro, 2011.</p><p>NETO, N. W. Segurança do trabalho: os primeiros socorros. São Paulo: Viena,</p><p>2015.</p><p>OKUNO. E. Radiação: efeitos, riscos e benefícios. 2. ed. São Paulo: Oficina de</p><p>Textos, 2018.</p><p>OKUNO. E. Efeitos biológicos das radiações ionizantes: acidente radiológico</p><p>de Goiânia. Estudos Avançados, São Paulo, v. 27, n. 77, p. 185-200, 2013.</p><p>Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v27n77/v27n77a14.pdf. Acesso em: 2</p><p>jun. 2019.</p><p>OKUNO, E.; VILELA, M. A. C. Radiação ultravioleta: características e efeitos.</p><p>São Paulo: Livraria da Física, 2005.</p><p>OKUNO, E.; YOSHIMURA, E. M. Física das radiações. São Paulo: Oficina de</p><p>Textos, 2010.</p><p>OLIVEIRA, C. A. D. de. Segurança e Saúde no Trabalho: guia de prevenção de</p><p>riscos. São Caetano do Sul: Yendis, 2014.</p><p>OLIVEIRA, U. R. de. Perfil Profissiográfico (PPP), Laudo Técnico (LTCAT) e</p><p>Aposentadoria Especial. São Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>PEREIRA, A. D. Tratado de segurança e saúde ocupacional:</p><p>aspectos</p><p>82</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>técnicos e jurídicos: NR-13 a NR-15. 2. ed. v. 3. São Paulo: Saraiva, 2015.</p><p>ROCHA, D. M. Estudo para adequação de máquina de gravação a laser. Revista</p><p>ABHO, 49. ed., 2017.</p><p>ROSSETE, C. A. Segurança e higiene do trabalho. São Paulo: Pearson</p><p>Education do Brasil, 2014.</p><p>SALIBA, T. M. Manual prático de higiene ocupacional e PPRA. 7. ed. São</p><p>Paulo: LTr, 2015.</p><p>SCALDELAI, A. V. et al. Manual prático de saúde e segurança do trabalho. 2.</p><p>ed. rev. e ampl. São Caetano do Sul: Yendis, 2012.</p><p>SESI. Departamento Nacional. Técnicas de avaliação de agentes ambientais:</p><p>manual SESI. Brasília: Serviço Social da Indústria, 2007.</p><p>SILVA NETO, C. P. da; FREIRE JUNIOR, O. Um presente de Apolo: lasers,</p><p>história e aplicações. Rev. Bras. Ensino Fís., São Paulo, v. 39, n. 1, 2017.</p><p>SOUTO, E. B.; SOUTO, G. D. B.; ELBERN, M. K. Avaliação da Exposição</p><p>Ocupacional às Radiações conforme legislação Brasileira. [s.d.]. Disponível</p><p>em: https://prorad.com.br/sis/storage/conteudos/216/2102_Avaliacao_da_</p><p>Exposicao_Ocupacional_as_Radiacoes___Artigo.pdf. Acesso em: 30 maio 2019.</p><p>TAUHATA, L. et al. Radioproteção e dosimetria: fundamentos. 10. ed. Rio de</p><p>Janeiro, 2014.</p><p>TIPLER, P. A., LIEWELLYN, R. A. Física Moderna. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC,</p><p>2001.</p><p>UNEP. United Nations Environment Programme. Radiação: efeitos e fontes.</p><p>Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. 2016. Disponível em: http://</p><p>www.ird.gov.br/index.php/publicacoes/send/35-publicacoes/109-publicacao-das-</p><p>nacoes-unidas-sobre-efeitos-da-radiacao-e-fontes. Acesso em: 16 abr. 2019.</p><p>UNSCEAR. United Nations Scientific Comitee on the Effects of Atomic Radiation.</p><p>Sources, Effects And Risks Of Ionizing Radiation. United Nations Scientific</p><p>Committee on the Effects of Atomic Radiation. New York: United Nations</p><p>Publications, 2016.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>AGENTES QUÍMICOS</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� Fornecer embasamento teórico e prático sobre os agentes e riscos químicos</p><p>ocupacionais, incluindo contaminantes sólidos, líquidos e gasosos, nos mais</p><p>diversos processos produtivos, a fim de capacitar os profissionais, através</p><p>de uma visão integrada e ampla, a reconhecer, analisar, avaliar e controlar</p><p>situações de exposições aos agentes químicos no ambiente laboral, permitindo</p><p>atuar com eficiência, visando ao zelo pela preservação da segurança, higiene e</p><p>saúde do trabalhador.</p><p>� Identificar os agentes químicos (aerodispersoides, gases e vapores) no</p><p>ambiente de trabalho.</p><p>� Recordar algumas definições básicas sobre agentes químicos, classificações,</p><p>legislações nacionais e internacionais e métodos básicos de amostragem.</p><p>� Recapitular sobre equipamentos e dispositivos empregados na avaliação de</p><p>particulados, gases e vapores.</p><p>� Reconhecer as vias de penetração e efeitos sobre o organismo dos principais</p><p>riscos químicos que possam ocasionar patologias ocupacionais.</p><p>� Identificar, analisar, avaliar e controlar os principais riscos químicos no ambiente</p><p>laboral, contextualizando-os com as legislações vigentes, a fim de trabalhar de</p><p>maneira integrada com equipes multidisciplinares, considerando os princípios</p><p>de segurança e higiene do trabalho.</p><p>� Reconhecer questões relativas aos contaminantes sólidos (poeira, fibras</p><p>e fumos), líquidos (névoas e neblina) e gasosos (gases e vapores) e as</p><p>respectivas medidas de controle e prevenção.</p><p>� Propor medidas de prevenção e controle para os riscos químicos, visando</p><p>subsidiar a elaboração do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais</p><p>(PPRA) e fornecer informações para a elaboração do Programa de Controle</p><p>Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).</p><p>84</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>85</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>1 CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Seja bem-vindo ao Capítulo 2 da disciplina Higiene do Trabalho II, no qual</p><p>abordaremos especificamente sobre os agentes e os riscos químicos: agentes</p><p>químicos nos ambientes laborais, riscos químicos e exposição ocupacional</p><p>e contaminantes sólidos, líquidos e gasosos.</p><p>Não deixe de fazer as atividades propostas no final de cada seção, bem</p><p>como ampliar seus conhecimentos com as leituras e as pesquisas indicadas nos</p><p>diversos sites da área. Lembre-se de que o conhecimento diferencia qualquer</p><p>profissional dos demais.</p><p>Esperamos atender as suas expectativas e que você aproveite bem este</p><p>conteúdo que foi elaborado com muito esmero.</p><p>Bons estudos!</p><p>2 AGENTES QUÍMICOS NOS</p><p>AMBIENTES LABORAIS</p><p>Primeiramente, é necessário recordarmos que as substâncias químicas são</p><p>fundamentais em nossa vida e que somos constituídos por elas. Ademais, estão</p><p>presentes nos medicamentos, na culinária e até mesmo no sol, bem como a sua</p><p>produção e uso são fatores cruciais para o desenvolvimento de qualquer país.</p><p>Assim, as substâncias químicas podem ser produzidas de forma natural ou por</p><p>intermédio do ser humano.</p><p>Mudanças significativas ocorreram nos processos de produção a partir da</p><p>Revolução Industrial e poucas décadas foram necessárias para a introdução de</p><p>novos materiais, produtos e substâncias químicas.</p><p>Diante das inúmeras atividades que utilizam substâncias químicas e,</p><p>consequentemente, quase todos os trabalhadores estarem expostos a elas,</p><p>existem alguns setores que ganham maior relevância, uma vez que as utilizam</p><p>de forma mais intensa, como: indústrias petroquímicas, químicas e petrolíferas,</p><p>metalúrgicas, siderúrgicas, entre outros.</p><p>Dentre os principais agentes químicos encontrados nos ambientes laborais,</p><p>podemos citar: soda cáustica, ácido sulfúrico, cloro, ácido clorídrico, amônia,</p><p>86</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>hidrogênio, sílica, cromo, nitrogênio, butano, hélio, metano, níquel, dióxido de</p><p>carbono, acetona, propano, monóxido de carbono, solventes e agrotóxicos.</p><p>Existem inúmeras substâncias químicas conhecidas, produzidas e</p><p>manipuladas em escala cada vez maior, mundialmente, as quais são encontradas</p><p>como misturas em produtos comercializados.</p><p>Os produtos químicos podem estar presentes nos ambientes de trabalho</p><p>de inúmeras formas como: matéria-prima, produtos intermediários ou finais,</p><p>subprodutos com finalidade específica (agrotóxicos), entre outras.</p><p>De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Associação</p><p>Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), a Química é a ciência que mais</p><p>contribui para a melhoria da qualidade de vida humana, sendo a base para a</p><p>maioria das cadeias produtivas. Os produtos químicos são essenciais para</p><p>a humanidade, tendo diferentes aplicações, sendo a indústria dividida em dois</p><p>segmentos: o de produtos químicos para uso industrial (PQI) e o de produtos</p><p>químicos de uso final (PQUF) (ABIQUIM, 2012).</p><p>O Chemical Abstracts Service (CAS), que é um banco de dados</p><p>para pesquisadores, cientistas e desenvolvedores de novos produtos</p><p>e de uso restrito e pago, contém diversos registros, dentre eles o</p><p>CAS REGISTRY SM, o qual informa que há mais de 155 milhões de</p><p>substâncias químicas orgânicas e inorgânicas únicas registradas.</p><p>Vale salientar que é nesse instituto que são registrados todos os</p><p>agentes químicos, a partir de sua descoberta, os quais recebem um</p><p>número, mundialmente reconhecido, o CAS (ex.: cloreto de sódio -</p><p>NaCI, seu registro no CAS é 7647-14-5).</p><p>FONTE: https://www.cas.org/support/documentation/chemical-</p><p>substances. Acesso em: 27 ago. 2019.</p><p>O Common Chemistry é um recurso da Web que contém</p><p>os números de registro do CAS para aproximadamente oito mil</p><p>substâncias químicas mais utilizadas, com busca pelo nome popular,</p><p>químico ou comercial, de acesso livre. Para acessá-lo, basta ir em:</p><p><http://www.commonchemistry.org/>.</p><p>Os registros são atualizados diariamente com as novas</p><p>substâncias descobertas no âmbito mundial. Para se ter ideia da</p><p>dimensão e rapidez com que essas informações são atualizadas,</p><p>em 2015 havia em torno de 95 milhões de agentes químicos</p><p>reconhecidos.</p><p>87</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>É importante</p><p>relembrarmos que os agentes químicos surgem da Tabela</p><p>Periódica e podem ser simples (quando composto pelo mesmo elemento - ex.:</p><p>O2) ou compostos (quando há elementos distintos - ex.: H2O), sendo que a</p><p>combinação de múltiplos elementos formará os agentes químicos. Assim, uma</p><p>substância química é formada por um ou mais compostos, permitindo que cumpra</p><p>a sua função através do componente ativo em parceria com vários excipientes,</p><p>que melhorarão a sua eficiência.</p><p>Portanto, a cada instante novas substâncias químicas estão sendo</p><p>sintetizadas, podendo ou não serem nocivas para a saúde humana, requerendo</p><p>estudos e pesquisas.</p><p>Para que tenhamos informações sobre os agentes químicos, é necessário</p><p>o conhecimento sobre o CAS (Chemical Abstracts Service), que é uma divisão</p><p>da American Chemical Society, com publicação de informações desde 1907,</p><p>considerado padrão-ouro sobre os agentes químicos; GHS (Globally Harmonized</p><p>System of Classification and Labeling), o qual é muito utilizado, pois classifica os</p><p>riscos e padroniza a rotulagem, o qual foi idealizado na Rio 92; NR-15; ACGIH,</p><p>entre outros, os quais serão referenciados durante este capítulo.</p><p>Não podemos deixar de mencionar a Convenção 170, relativa à segurança</p><p>na utilização dos produtos químicos no trabalho, que a Organização Internacional</p><p>do Trabalho (OIT) publicou em 1990, na qual o Brasil participa. Essa Convenção</p><p>deixa claro que, ao proteger os trabalhadores, o meio ambiente e a população em</p><p>geral estarão da mesma forma protegidos, além da necessidade de haver uma</p><p>cooperação entre os órgãos internacionais para a identificação e organização dos</p><p>agentes químicos.</p><p>Outro aspecto que merece ser destacado é a Conferência das Nações Unidas</p><p>para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), em que foi criada uma agenda</p><p>(Agenda 21) de compromissos com soluções para os problemas socioambientais,</p><p>tendo um capítulo específico (capítulo 19) para as substâncias químicas, sendo</p><p>que o item 19.27 relata o seguinte: “Até o ano 2000 deve-se dispor, se exequível,</p><p>de um sistema de classificação de riscos e rotulagem compatível mundialmente</p><p>harmonizado, comportando folhas de dados sobre a segurança e símbolos</p><p>facilmente compreensíveis”.</p><p>Desta forma, em 2002, foi lançada a primeira edição do GHS, denominada</p><p>de Purple Book, com requisitos técnicos de classificação e de comunicação de</p><p>riscos químicos e com informações explicativas sobre como aplicar o sistema.</p><p>88</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Acesse o Purple Book, sétima edição, de 2017, e saiba mais</p><p>sobre o GHS em: <https://www.unece.org/fileadmin/DAM/trans/</p><p>danger/publi/ghs/ghs_rev07/English/ST_SG_AC10_30_Rev7e.pdf>.</p><p>Convém recordar que o GHS faz parte da nossa legislação da Saúde e</p><p>Segurança do Trabalho, estando presente na NR-26, especificamente no item</p><p>26.2 e nos subitens 26.2.1, 26.2.2 e 26.2.3 (26.2.3.1), bem como na ABNT NBR</p><p>14725 (partes 1 a 4), as quais foram embasadas nas premissas básicas do GHS.</p><p>Os avanços oportunizados pela utilização das substâncias químicas</p><p>contribuíram de forma considerável para a melhoria da vida humana, uma vez que</p><p>houve uma evolução na expectativa de vida e as principais contribuições foram</p><p>nas áreas da saúde e alimentos, com a descoberta de novos medicamentos e</p><p>vacinas e na fabricação de defensivos e fertilizantes agrícolas. Por outro lado,</p><p>também surgiram os danos à saúde e ao meio ambiente, bem como nos ambientes</p><p>laborais que utilizam substâncias para prestar ou produzir serviços.</p><p>Assim, pode-se dizer que os produtos químicos, dependendo das suas</p><p>características, trazem benefícios em certas áreas, mas também podem provocar</p><p>efeitos adversos, caso seu uso seja de forma indevida, podendo causar doenças,</p><p>acidentes e até mesmo levar ao óbito, além de causar incêndios e explosões,</p><p>gerando custos para as empresas, com perdas de materiais, equipamentos e</p><p>instalações e danos ao meio ambiente.</p><p>Diante desse contexto, há muito para conhecer sobre os agentes químicos</p><p>nos ambientes de trabalho e seus danos causados à saúde do trabalhador e é por</p><p>isso que estudaremos as suas principais características.</p><p>Agora que fizemos uma rápida introdução, nos aprofundaremos nos agentes</p><p>químicos.</p><p>2.1 CONCEITOS INICIAIS</p><p>Você lembra o que são agentes químicos? Para responder a esta pergunta,</p><p>vejamos o que define a NR-9:</p><p>89</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos</p><p>ou produtos que possam penetrar no organismo pela via</p><p>respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas,</p><p>gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de</p><p>exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo</p><p>organismo através da pele ou por ingestão (NR-9, 2017).</p><p>Conforme Brevigliero, Possebon e Spinelli (2017), na higiene ocupacional,</p><p>os agentes químicos são os gases, os vapores e os aerodispersoides (poeiras,</p><p>fumos, névoas, neblinas e fibras), os quais se mantêm em suspensão no ar,</p><p>contaminando os ambientes de trabalho e podendo provocar desconforto, bem</p><p>como ocasionar doenças incapacitantes e até mesmo a morte.</p><p>De acordo com o disposto na NR-9 e NR-15, os agentes químicos podem ser</p><p>divididos em: agentes químicos com limite de tolerância – gases e vapores,</p><p>que são as substâncias químicas cujos limites de tolerância estão previstos no</p><p>Anexo 11 da NR-15, e agentes químicos de avaliação qualitativa, que são</p><p>produtos químicos cujas atividades e operações são consideradas insalubres em</p><p>decorrência de inspeção no local de trabalho e definidas pelo Anexo 13 da NR-15.</p><p>Os agentes químicos, segundo Mattos e Másculo (2011), podem se</p><p>apresentar na forma gasosa, líquida ou sólida ou na forma de partículas suspensas</p><p>no ar, sejam elas sólidas (poeiras e fumos) ou líquidas (névoas e neblina), sendo</p><p>que os agentes suspensos são chamados de aerodispersoides.</p><p>Outro conceito que devemos relembrar é sobre a ficha de informações de</p><p>segurança de produtos químicos (FISPQ), conhecida como Ficha de/com Dados</p><p>de Segurança (FDS), que segundo a NBR 14725-4:2014, “fornece informações</p><p>sobre vários aspectos de produtos químicos (substâncias ou misturas) quanto à</p><p>proteção, à segurança, à saúde e ao meio ambiente”. É um documento obrigatório</p><p>que apresenta recomendações sobre medidas de proteção e ações em situação</p><p>de emergência, servindo como instrumento de comunicação sobre perigos e</p><p>possíveis riscos (ABNT, 2014). Internacionalmente, essa ficha é conhecida como</p><p>Material Safety Data Sheet (MSDS).</p><p>Outro conceito a ser revisto é relativo aos produtos perigosos, sendo que o</p><p>Ministério do Meio Ambiente (2019) define como:</p><p>São produtos que, devido as suas características, podem</p><p>representar risco à saúde humana, ao meio ambiente e/ou às</p><p>propriedades públicas ou privadas. São exemplos de produtos</p><p>químicos perigosos: agrotóxicos, combustíveis (gasolina,</p><p>álcool, Diesel, gás liquefeito de petróleo - GLP), ácidos,</p><p>explosivos, infectantes, alcalinos (soda cáustica).</p><p>90</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>A Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), por meio da Resolução</p><p>ANTT nº 5.232/2016, define como produto perigoso: “todo produto que tenha</p><p>potencial de causar danos ou apresentar risco à saúde, segurança e meio</p><p>ambiente”, bem como estabelece exigências e detalhamentos sobre a correta</p><p>classificação do produto; adequação, certificação e identificação dos volumes</p><p>e embalagens; sinalização das unidades e dos equipamentos de transporte;</p><p>documentação; prescrições aplicáveis a veículos e equipamentos do transporte</p><p>rodoviário, quantidade limitada e provisões especiais, quando aplicáveis, entre</p><p>outros.</p><p>Já no que se refere à rotulagem, a NBR 14725-3:2017 informa que é um</p><p>conjunto de elementos com informações escritas, impressas ou gráficas relativas</p><p>a um produto químico, e deve ser afixada, impressa ou anexada à embalagem</p><p>que contém o produto. É opcional a inclusão das exigências desta Norma nas</p><p>embalagens externas (ABNT, 2017). Lembrando que deverá haver correlação</p><p>entre as</p><p>informações da FISPQ e da rotulagem do produto químico perigoso.</p><p>De acordo com o item 26.2.2.1 da NR-26, a rotulagem deve estar presente</p><p>em todo produto químico classificado como perigoso pela GHS, devendo conter</p><p>os seguintes elementos: a) identificação e composição do produto químico; b)</p><p>pictograma(s) de perigo; c) palavra de advertência; d) frase(s) de perigo; e)</p><p>frase(s) de precaução; f) informações suplementares. Caso o produto químico</p><p>não seja classificado como perigoso conforme o GHS, deve dispor de rotulagem</p><p>preventiva simplificada, contendo, no mínimo, a indicação do nome, a informação</p><p>de que se trata de produto não classificado como perigoso e recomendações de</p><p>precaução.</p><p>Também não se pode deixar de mencionar sobre os símbolos pictográficos</p><p>(Figura 1), que são imagens gráficas com reconhecimento mundial, que</p><p>imediatamente mostram a que tipo de perigo o usuário de um produto perigoso</p><p>está exposto e que, com uma rápida visualização, tem-se a noção se o produto</p><p>pode ser considerado perigoso à saúde, com fácil entendimento.</p><p>91</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>FIGURA 1 – SÍMBOLOS PICTOGRÁFICOS DO GHS</p><p>FONTE: https://www3.uepg.br/crrq/ghs/. Acesso em: 27 jun. 2019.</p><p>Legenda: Explosivo / Líquidos inflamáveis / Líquidos oxidantes / Gás sobre</p><p>pressão / Metais corrosivos / Tóxico / Corrosivo / Cuidado / Perigo / Poluente.</p><p>As medidas de concentrações dos agentes químicos, em Higiene do</p><p>Trabalho, são expressas em termos volumétricos e em massa, sendo adotadas</p><p>as seguintes medidas: PPM (parte por milhão) para partes do contaminante por</p><p>milhão de parte de ar, geralmente é utilizada para representar a concentração</p><p>de gases e vapores; % em volume (porcentagem), não é uma unidade, mas é</p><p>utilizada para representar a quantidade de gás ou vapor na forma de volume, e</p><p>mg/m3 (miligrama por metro cúbico), usualmente empregada para representar</p><p>a quantidade de aerodispersoides. Dependendo do meio adotado para a</p><p>amostragem e análise, às vezes é necessário fazer a conversão, devendo ser</p><p>utilizados valores padrões para condições de temperatura de 25 ºC e pressão</p><p>atmosférica de 760 mmHg.</p><p>2.2 TIPOS DE AGENTES QUÍMICOS</p><p>NO AMBIENTE LABORAL</p><p>Os agentes químicos podem estar na forma sólida, líquida ou gasosa, sendo</p><p>que quando estiverem em suspensão no ar, são denominados de contaminantes</p><p>https://www3.uepg.br/crrq/ghs/</p><p>92</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>atmosféricos (aerodispersoides, gases e vapores).</p><p>Os aerodispersoides, também chamados de aerossóis, são partículas</p><p>sólidas ou líquidas com tamanho reduzido e que ficam suspensas no ambiente</p><p>por um longo tempo, sendo que esse tempo de permanência no ar depende do</p><p>seu tamanho, peso e da sua velocidade de movimentação no ar. Portanto, quanto</p><p>maior é o seu tempo de permanência no ar, maior será a probabilidade de ser</p><p>inalado e produzir danos à saúde do trabalhador (BARBOSA, 2013).</p><p>A maioria dos agentes químicos presentes no ambiente laboral encontra-se</p><p>na forma de aerodispersoides (líquidos e sólidos) e na forma de gases e vapores,</p><p>os quais veremos a seguir com maiores detalhes.</p><p>A figura a seguir indica os agentes químicos do tipo aerodispersoides e suas</p><p>subdivisões. Veremos mais adiante, de forma individualizada e pormenorizada,</p><p>sobre cada um desses agentes.</p><p>FIGURA 2 – AERODISPERSOIDES E SUAS SUBDIVISÕES</p><p>FONTE: A autora</p><p>Existem outros tipos de agentes químicos como: corrosivos (causam danos</p><p>relevantes quando em contato com os tecidos vivos, além de danificar e destruir</p><p>as coisas, em caso de vazamento. Ex.: soda cáustica); inflamáveis (substância</p><p>que se misturada ao ar ou na presença de uma fonte de ignição entra em</p><p>combustão. Ex.: metanol); mutagênicos (provocam problemas hereditários. Ex.:</p><p>chumbo); cancerígenos (produzem tumores malignos. Ex.: amianto, benzeno)</p><p>93</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>e pneumoconióticos (provocam algum tipo de pneumoconiose. Ex.: poeira de</p><p>sílica).</p><p>Relativo aos agentes químicos insalubres, estes estão descritos na NR-15</p><p>e em seus respectivos anexos, podendo-se citar benzeno, arsênico, chumbo,</p><p>carvão, poeiras minerais, cromo, mercúrio, fósforo, hidrocarbonetos e outros</p><p>compostos de carbono, silicato e substâncias cancerígenas como os principais.</p><p>2.3 CLASSIFICAÇÕES DOS AGENTES</p><p>QUÍMICOS</p><p>Existem, na literatura, diversas classificações dos agentes químicos quanto</p><p>a sua origem, a sua utilização, quanto ao risco, ao estado físico e aos efeitos</p><p>fisiológicos. A seguir, abordaremos algumas delas.</p><p>2.3.1 Classificação física</p><p>A classificação física divide os agentes químicos em contaminantes</p><p>aerodispersoides (na forma de partículas), gases e vapores.</p><p>2.3.2 Classificação segundo o</p><p>perigo</p><p>De acordo com a NBR 14725 (parte 2), os agentes químicos são classificados</p><p>quanto ao perigo, sendo divididos em: perigos físicos (considerando o tipo</p><p>da substância, ou seja, se é inflamável, explosiva, oxidante etc.); perigos à</p><p>saúde (se é carcinogênica, tipo de toxicidade, sensibilização dérmica, se causa</p><p>alterações celulares etc.) e perigos ao meio ambiente (se o agente é tóxico ao</p><p>meio ambiente).</p><p>2.3.3 Classificação quanto ao risco</p><p>à saúde</p><p>A Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) classifica os agentes químicos quanto ao</p><p>94</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>risco à saúde em 4 graus de riscos, sendo: Grau 1: Ácido cítrico; Ácido crômico;</p><p>EDTA; Ácido fosfomolíbdico; Sulfato de cobre II; Nitrato de prata e Cromato de</p><p>potássio; Grau 2: Ácido nítrico fumegante; Ácido sulfanílico; Amoníaco 25%;</p><p>Anidrido acético; Anidrido carbônico; Sulfato de cádmio; Cianetos; Formalina;</p><p>Nitrogênio - gás; O-toluidina; Oxigênio - gás e Timerosal; Grau 3: Acetato de etila;</p><p>Acetato de butila; Acetona; Ácido clorídrico; Ácido fórmico; Ácido lático; Ácido</p><p>periclórico; Ácido sulfúrico; Ácido tricloroacético; Acrilamida; Álcool etílico; Álcool</p><p>isobutílico; Álcool metílico; Amoníaco; Anilina; Benzeno; Tetracloreto de carbono;</p><p>Clorofórmio; Fenol; Nitrobenzeno; Ozônio; Dicromato de potássio; Hidróxido de</p><p>potássio; Permanganato de potássio; Tolueno e Xileno; Grau 4: Acetileno; Ácido</p><p>acético; Ácido fluorídrico; Ácido pícrico; Ácido sulfídrico e Azida sódica.</p><p>2.3.4 Classificação quanto à ação</p><p>tóxica</p><p>Quanto à ação tóxica, os agentes químicos são classificados da seguinte</p><p>forma:</p><p>• Irritantes: a intensidade da ação dependerá da concentração da</p><p>substância e o local da ação dependerá da solubilidade (maior ou menor)</p><p>na água. Podem ser primários (a ação irritante local é imediata. Ex.:</p><p>amônia, ácido clorídrico, ozônio e dióxido de nitrogênio) ou secundários</p><p>(têm ação sistêmica e são irritantes locais. Ex.: fosfina).</p><p>• Asfixiantes: provocam deficiência de oxigenação sem interferir com</p><p>a ventilação pulmonar. Podem ser simples ou mecânicos (atuam no</p><p>ambiente laboral diminuindo a pressão parcial do oxigênio. Ex.: nitrogênio,</p><p>hélio, propileno) ou bioquímicos (por agirem bioquimicamente provocam</p><p>asfixia. Ex.: monóxido de carbono e cianetos).</p><p>• Anestésicos e narcóticos: provocam depressão no sistema nervoso</p><p>central (SNC). Ex.: ésteres, propano e acetona.</p><p>• Sistêmicos: atuam nos sistemas orgânicos. Podem ser hepatotóxicos</p><p>(ex.: clorofórmio, benzeno-halogenados); nefrotóxicos (ex.: mercúrio,</p><p>cromo e cádmio); neurotóxicos (ex.: álcool etílico e ulfeto de carbono)</p><p>ou hematotóxicos (ex.: benzeno, anilina e nitritos).</p><p>• Alergizantes: causam algum tipo de processo alérgico (ex.: pólen,</p><p>formaldeído e resinas).</p><p>• Imunodepressores: deprimem o sistema de defesa do organismo (ex.:</p><p>corticoides e ciclosporina).</p><p>• Carcinogênicos: causam câncer (ex.: asbesto, arsênico e cloreto de</p><p>vinila).</p><p>95</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>• Pneumoconióticos: atuam nos pulmões e podem ser benignos (ex.:</p><p>tungstênio, titânio, alumínio, carvão e ferro) ou malignos (sílica, asbesto</p><p>e berílio).</p><p>• Teratogênicos: determinados agentes químicos podem interferir no</p><p>desenvolvimento normal do feto, especialmente durante</p><p>os três primeiros</p><p>meses gestacionais, causando deformidades (ex.: mercúrio, gases</p><p>anestésicos e solventes orgânicos). Portanto, o feto é exposto quando a</p><p>mulher grávida é exposta aos produtos químicos.</p><p>• Mutagênicos: alguns agentes químicos podem causar alterações</p><p>genéticas em gerações futuras (ex.: cerca de 85% dos químicos</p><p>carcinogênicos podem causar mutagênese).</p><p>2.4 CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTOS</p><p>PERIGOSOS</p><p>A Organização das Nações Unidas (ONU) classifica os produtos perigosos</p><p>em nove classes de risco com suas respectivas subclasses, conforme o Quadro</p><p>a seguir.</p><p>QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS PERIGOSOS</p><p>Classificação Subclasse Definições</p><p>Classe 1</p><p>Explosivos</p><p>1.1 Substância e artigos com risco de explosão em massa.</p><p>1.2 Substância e artigos com risco de projeção, mas sem risco de</p><p>explosão em massa.</p><p>1.3 Substâncias e artigos com risco de fogo e com pequeno risco</p><p>de explosão ou de projeção, ou ambos, mas sem risco de</p><p>explosão em massa.</p><p>1.4 Substância e artigos que não apresentam risco significativo.</p><p>1.5 Substâncias muito insensíveis, com risco de explosão em</p><p>massa.</p><p>1.6 Artigos extremamente insensíveis, sem risco de explosão em</p><p>massa.</p><p>Classe 2</p><p>Gases</p><p>2.1 Gases inflamáveis: são gases que a 20 °C e à pressão normal</p><p>são inflamáveis.</p><p>2.2 Gases não inflamáveis, não tóxicos: são gases asfixiantes e</p><p>oxidantes, que não se enquadram em outra subclasse.</p><p>2.3 Gases tóxicos: são gases tóxicos e corrosivos que constituam</p><p>risco à saúde das pessoas.</p><p>Classe 3</p><p>Líquidos In-</p><p>flamáveis</p><p>- Líquidos inflamáveis: são líquidos, misturas de líquidos ou</p><p>líquidos que contenham sólidos em solução ou suspensão,</p><p>que produzam vapor inflamável a temperaturas de até 60,5</p><p>°C.</p><p>96</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Classe 4</p><p>Sólidos Inflamáveis</p><p>4.1 Sólidos inflamáveis, substâncias autorreagentes e explosivos</p><p>sólidos insensibilizados: sólidos que, em condições de trans-</p><p>porte, sejam facilmente combustíveis, ou que, por atrito, pos-</p><p>sam causar fogo ou contribuir para tal.</p><p>4.2 Substâncias sujeitas à combustão espontânea: substâncias</p><p>sujeitas a aquecimento espontâneo em condições normais de</p><p>transporte, ou a aquecimento em contato com o ar, podendo</p><p>inflamar-se.</p><p>4.3 Substâncias que, em contato com água, emitem gases in-</p><p>flamáveis: substâncias que por interação com água, podem</p><p>tornar-se espontaneamente inflamáveis, ou liberar gases in-</p><p>flamáveis em quantidades perigosas.</p><p>Classe 5</p><p>Substâncias Oxi-</p><p>dantes e Peróxidos</p><p>Orgânicos</p><p>5.1 Substâncias oxidantes: são substâncias que podem causar a</p><p>combustão de outros materiais ou contribuir para isso.</p><p>5.2 Peróxidos orgânicos: são poderosos agentes oxidantes, peri-</p><p>odicamente instáveis, podendo sofrer decomposição.</p><p>Classe 6</p><p>Substâncias Tóxi-</p><p>cas e Substâncias</p><p>Infectantes</p><p>6.1 Substâncias tóxicas: são substâncias capazes de provocar</p><p>morte, lesões graves ou danos à saúde humana, se ingeridas</p><p>ou inaladas, ou se entrarem em contato com a pele.</p><p>6.2 Substâncias infectantes: são substâncias que podem provo-</p><p>car doenças infecciosas em seres humanos ou em animais.</p><p>Classe 7</p><p>Material radioativo</p><p>- Qualquer material ou substância que emite radiação.</p><p>Classe 8</p><p>Substâncias corro-</p><p>sivas</p><p>- São substâncias que, por ação química, causam severos</p><p>danos quando em contato com tecidos vivos.</p><p>Classe 9</p><p>Substâncias e</p><p>Artigos Perigosos</p><p>Diversos</p><p>- São aqueles que apresentam, durante o transporte, um risco</p><p>abrangido por nenhuma das outras classes.</p><p>FONTE: http://www.bvsde.paho.org/cursode/p/modulo1-5.1.php. Acesso em: 27 jul. 2019.</p><p>Ressalta-se que o Anexo 11 da NR-15, em seu Quadro 1, classifica os</p><p>produtos químicos um a um, conforme seu valor teto, absorção, limites em ppm e</p><p>mg/m3 até 48h/semanal e grau de insalubridade.</p><p>2.5 INTERAÇÃO DE AGENTES</p><p>QUÍMICOS</p><p>Os limites de exposição ocupacional geralmente são estabelecidos para uma</p><p>substância química isolada. Entretanto, no ambiente laboral, os agentes químicos</p><p>interagem de várias formas, bem como estão dispersos simultaneamente.</p><p>Quando dois ou mais agentes químicos coexistem no ambiente de trabalho,</p><p>97</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>algumas ações ou efeitos podem ocorrer como: ação aditiva: ocorre quando</p><p>a soma de dois ou mais agentes é igual à soma dos efeitos individuais (ex.:</p><p>chumbo mais arsênio na biossíntese do heme); ação antagonística: é quando</p><p>a toxicidade da mistura é menor que o efeito aditivo (ex.: selênio mais cádmio);</p><p>ação sinergística: é quando a toxicidade da mistura é maior que a ação</p><p>aditiva (ex.: EPN mais malation); ação potencializadora: ocorre quando um</p><p>agente químico tóxico tem seu efeito aumentado ao interagir com outro agente</p><p>químico (ex.: propanol aumenta a hipertoxidade do tetracloreto de carbono)</p><p>e ação independente é quando as toxicidades dos agentes da mistura são</p><p>independentes entre si.</p><p>Vale registrar que quando existir uma exposição às misturas de</p><p>contaminantes e a interação entre as substâncias produzir efeito aditivo, o efeito</p><p>total será a soma dos efeitos das substâncias individualmente, sendo que o limite</p><p>de tolerância será dado pela equação a seguir:</p><p>Onde: C1, C2 e C3 = concentração dos agentes químicos</p><p>LT1, LT2 e LT3 = limite de tolerância dos agentes químicos</p><p>LT = C1 + C2 + C3 < 1</p><p>L1 L2 L3</p><p>3 LEGISLAÇÃO E LIMITES DE</p><p>TOLERÂNCIA</p><p>Convém enfatizar que a ACGIH é responsável pela regulamentação dos</p><p>índices de exposição, não sendo um organismo normativo. Todavia, suas</p><p>recomendações são aderidas por diversos órgãos e agências regulamentadoras</p><p>internacionais relacionadas à segurança e à saúde no trabalho, uma vez que suas</p><p>publicações são relevantes e de qualidade, sendo as guias relativas ao Índice de</p><p>Exposição Biológica (BEI ® - Biological Exposure Índex) e Limite de Exposição</p><p>a Substâncias Químicas e Físicas (TLV ® - Threshold Limit Values), referências</p><p>mundiais.</p><p>É válido ressaltar que a diferença entre BEIs e TLVs é que o primeiro está</p><p>relacionado aos indicadores de “absorção” de um agente químico, ao passo que o</p><p>segundo se refere a um limite de “exposição”.</p><p>98</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Para saber mais sobre TLVs ® e BEIs ®, acesse: <https://www.</p><p>acgih.org/tlv-bei-guidelines/documentation-publications-and-data/</p><p>substances-and-agents-listing>.</p><p>A ACGIH apresenta, inicialmente, três categorias de limites de tolerância para</p><p>os agentes químicos, a saber: TLV-TWA, TLV-STEL e TLV-C.</p><p>O TLV-TWA é a média ponderada no tempo e foi definido como a concentração</p><p>a que quase todos os trabalhadores possam estar expostos durante a vida laboral,</p><p>no dia a dia, numa jornada de 8 horas diárias e 40 horas semanais, exposição</p><p>laboral repetitiva, sem apresentar efeitos nocivos à saúde do trabalhador.</p><p>Já o TLV-STEL é um limite de exposição média ponderada no tempo em</p><p>15 minutos (ou seja, a coleta da amostra deverá ser durante 15 minutos), em</p><p>que o trabalhador fica exposto por curtos períodos de tempo (quatro vezes</p><p>durante a jornada), com intervalos de uma hora, sem causar efeitos à saúde e</p><p>é um limite que complementa o TLV-TWA. É recomendado nos casos em que já</p><p>foram relatados efeitos tóxicos em seres humanos ou animais como resultado de</p><p>exposições elevadas em curtos períodos. É importante salientar que na legislação</p><p>brasileira não há esse tipo de limite. O limite STEL é sempre maior que o TWA</p><p>porque visa intoxicações agudas e ele nunca pode ser ultrapassado.</p><p>A categoria TLV-C é considerada como aquele limite de exposição que não</p><p>deve ser excedido em nenhum momento da jornada laboral e que, normalmente,</p><p>é utilizado para substâncias que apresentam alta toxicidade e com baixo limite de</p><p>exposição. Na NR-15 é o equivalente ao valor teto. A sua medição (método de</p><p>amostragem) deve ser instantânea, com leitura direta. Contudo, se não houver</p><p>metodologia para medida instantânea de algum agente, deve-se amostrar o</p><p>menor tempo possível (maior vazão e menor volume). Caso a substância tenha</p><p>limite do tipo Teto e do tipo TWA eles serão complementares.</p><p>Em 2016, a ACGIH lançou</p><p>outro limite, denominado de limite tipo exposição</p><p>pico (regra de ouro 3/5) para casos em que a exposição se encontra entre três</p><p>vezes o limite TWA e cinco vezes o limite STEL. Nesses casos, a exposição</p><p>somente poderá durar 15 minutos, ser realizadas quatro vezes ao dia e ter</p><p>espaçamento de uma hora. Este limite serve para exposições esporádicas</p><p>(eventuais).</p><p>99</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Ressalta-se que todo limite de exposição ocupacional tem uma carga horária</p><p>(relação temporal), bem como visa um tipo de dano à saúde do trabalhador, ou</p><p>seja, preocupa-se com a prevenção do efeito.</p><p>A OSHA publica os denominados Permissible Exposure Limits (PEL) de</p><p>observância obrigatória (existem mais de 500 PELs para, aproximadamente, 300</p><p>substâncias químicas, sendo que os tipos de limites estabelecidos são média</p><p>ponderada no tempo (TWA), valor teto, níveis de ação, STEL e, em alguns casos,</p><p>BEIs, de forma similar à ACGIH. Assim, o NIOSH estabelece os Recommended</p><p>Exposure Levels (REL) para as substâncias perigosas, que se dividem em: TWA,</p><p>valor teto, STEL e BEIs.</p><p>Salienta-se que, apesar de os limites de tolerância internacionais não</p><p>serem uma garantia de que os agentes não produzirão efeitos à saúde, eles são</p><p>ferramentas indispensáveis, uma vez que são determinados por meio de critérios</p><p>científicos e estão em evolução, apresentando dados atualizados.</p><p>Saiba mais sobre OSHA e NIOSH em: <https://www.osha.gov/>;</p><p><https://www.cdc.gov/niosh/topics/chemical.html>.</p><p>Nesse site <https://www.osha.gov/dsg/annotated-pels/tablez-1.</p><p>html> você encontrará uma tabela com os limites regulatórios e</p><p>recomendados para algumas substâncias adotados pela CAL/OSHA,</p><p>NIOSH e ACGIH.</p><p>No Brasil, a NR-15 apresenta os requisitos para atividades e operações</p><p>insalubres e estabelece limites, estando em consonância com a ACGIH (adota</p><p>os seus padrões, conforme Portaria nº 3.214/78), bem como está alinhada com</p><p>a NR-9 - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Lembrando que a NR-9</p><p>estabelece duas medidas fundamentais para os agentes químicos, ou seja, no item</p><p>9.3.5.1.c informa que deverão ser adotadas medidas de eliminação, minimização</p><p>e controle dos riscos, orientando que, em casos de determinado agente químico</p><p>não constar na NR-15, deve-se buscar as referências existentes na ACGIH, bem</p><p>como no item 9.3.6.1 relata sobre o estabelecimento do nível de ação, prevendo o</p><p>monitoramento periódico do trabalhador em exposição acima da metade do valor</p><p>estabelecido de LT para o agente químico.</p><p>Assim, ao utilizar os valores limites da ACGIH, estes precisam ser ajustados</p><p>para a jornada de trabalho brasileira, que é maior, utilizando o método Brief &</p><p>Scala.</p><p>100</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Conheça as principais mudanças da ACGIH 2018 no que se</p><p>refere a algumas substâncias químicas. Disponível em: <http://</p><p>nneventos.com.br/new/assets/uploads/Informativo%20-%20</p><p>Mudancas%20ACGIH%202018.pdf>.</p><p>O valor máximo não está atualizado, apresenta uma tabela que</p><p>contém diversos erros e, portanto, deve somente ser utilizado para</p><p>risco grave e iminente.</p><p>Um ponto que merece ser ressaltado é que a NR-15 apresenta três tipos de</p><p>limites (valor teto, média ponderada do tempo e valor máximo), os quais estão</p><p>direcionados ao adicional de insalubridade, diferentemente dos tipos de limites</p><p>da ACGIH, que estão voltados para a insalubridade, objetivando a higiene do</p><p>trabalho (ocupacional/ambiental).</p><p>Os Anexos 11, 12 e 13 da NR-15 tratam especificamente dos agentes</p><p>químicos.</p><p>O Anexo 11 - Agentes Químicos cuja Insalubridade é Caracterizada por</p><p>Limite de Tolerância e Inspeção no Local de Trabalho - traz 204 agentes químicos</p><p>e define o método e os parâmetros para calcular o grau de insalubridade em</p><p>função da exposição. Ele apresenta características dos LTs, como: os limites</p><p>de tolerância para jornada de trabalho de 48 horas/semanais; Valor Teto para</p><p>algumas substâncias; Valor Máximo associado aos limites tipo média ponderada</p><p>(VM = LT x FD) e não estabelece critérios para medições. Lembrando que em</p><p>momento algum pode-se chegar próximo ao valor máximo, pois o trabalhador</p><p>estará em risco grave e iminente.</p><p>Já o Anexo 12 - Limites de Tolerância para Poeiras Minerais - aborda sobre</p><p>o asbesto, manganês e seus compostos e sílica livre cristalizada, definindo</p><p>procedimentos de medição e limites de tolerância para a exposição dos</p><p>trabalhadores a poeiras minerais, sem estabelecer critérios para medições.</p><p>101</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>O Anexo 13 - Agentes Químicos - trata da relação das atividades e operações</p><p>envolvendo agentes químicos, consideradas, insalubres em decorrência de</p><p>inspeção realizada no local de trabalho. Excluam-se desta relação as atividades</p><p>ou operações com os agentes químicos constantes dos Anexos 11 e 12 -, relata</p><p>sobre arsênico, carvão, chumbo, cromo, fósforo, hidrocarbonetos e outros</p><p>composto de carbono, mercúrio, silicatos, substâncias cancerígenas, operações</p><p>diversas. O Anexo 13A refere-se à regulamentação do uso do benzeno, ou</p><p>seja, esse Anexo está relacionado aos agentes químicos que darão o direito ao</p><p>adicional de insalubridade com base no tipo de atividade e não pelo limite de</p><p>tolerância.</p><p>Contudo, o Anexo 13 encontra-se desatualizado, contendo enquadramentos</p><p>ultrapassados, resquícios da Portaria nº 491/1965, como a insalubridade de grau</p><p>médio para “telegrafia e radiotelegrafia, manipulação em aparelhos do tipo Morse</p><p>e recepção de sinais em fones”.</p><p>O Anexo 11 da NR-15 informa quais são os agentes químicos que podem</p><p>gerar o adicional de insalubridade, o qual é caracterizado por limite de tolerância</p><p>e inspeção no local de trabalho, para uma exposição de até 48 horas semanais.</p><p>Também relata que será considerado insalubridade quando os limites de tolerância</p><p>ultrapassarem os valores que constam no Quadro 1, os quais são válidos apenas</p><p>para absorção via respiratória.</p><p>Observe que a jornada de trabalho brasileira é considerada de 48 horas</p><p>semanais e, na época (1978), a ACGIH aplicava a jornada de 40 horas semanais.</p><p>Assim, com relação aos valores da ACGIH (1978), houve a necessidade de se</p><p>reduzir os valores dos limites de tolerância (em torno de 20%) do Anexo 11.</p><p>Dessa forma, devido à falta de atualização do referido Anexo,</p><p>há um descompasso nas informações contidas na norma, gerando</p><p>milhares de trabalhadores expostos à insalubridade.</p><p>Para se ter ideia, o Anexo 11 da NR-15 tem em média 200 agentes químicos</p><p>cadastrados, enquanto que a publicação da ACGIH (2016) dispunha de mais de</p><p>600 agentes químicos, por exemplo.</p><p>102</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Além disso, como vimos, a cada instante novas substâncias químicas estão</p><p>sendo inseridas, bem como os limites de tolerância são modificados nos Estados</p><p>Unidos, constantemente, no Brasil, a relação de produtos continua a mesma da</p><p>década de 1970.</p><p>Como exemplo, podemos citar o limite de tolerância de exposição</p><p>ocupacional ao formaldeído, que a Organização Mundial de Saúde estipula</p><p>como aceitável valor menor de 0,05 ppm, sendo níveis acima de 0,10 ppm</p><p>considerados preocupantes. Entretanto, a NR-15 tem como limite de tolerância</p><p>para os trabalhadores o valor de 1,6 ppm para uma jornada de 48 horas semanais.</p><p>Portanto, muito acima do aceitável pela OMS.</p><p>Em um estudo comparativo entre os limites de tolerância (LT) estabelecidos</p><p>pela NR-15 e os TLV-TWA da ACGIG 2016, com 193 agentes químicos, 22 não</p><p>possuem LT na ACGIH (TLV-TWA 2016) e 94 agentes (54,97%) do Anexo 11 da</p><p>NR-15 apresentam LTs superiores aos TLV-TWA sugeridos pela ACGIH 2016.</p><p>Outro ponto a ser destacado é que as normas apresentam o limite</p><p>de tolerância para uma exposição isolada do trabalhador sem prever uma</p><p>possível exposição combinada com outras substâncias químicas. Isso pode ser</p><p>corroborado, exemplificando com a concentração e a composição dos fumos</p><p>metálicos, que se combinados apresentam efeito toxicológico, mas para os</p><p>componentes isolados a concentração está</p><p>abaixo do valor máximo tolerável e se</p><p>combinado ultrapassa esse valor.</p><p>Também há que se considerar a sensibilidade de cada organismo em contato</p><p>com diferentes substâncias tóxicas, pois mesmo o trabalhador estando exposto</p><p>a uma baixa concentração (abaixo do limite de tolerância), pode apresentar</p><p>algum problema, uma vez que pode ter maior suscetibilidade a uma determinada</p><p>substância tóxica. Tal fato pode ocorrer considerando-se que os estudos, em sua</p><p>maioria, são realizados em animais, podendo os limites de tolerância extrapolar</p><p>os valores encontrados para os seres humanos.</p><p>Cabe relatar que, em 2012, o Ministério do Trabalho publicou a Portaria nº</p><p>332/12, que trata da Consulta Pública sobre a NR-15, aspirando a atualização</p><p>dos limites de tolerância dos agentes químicos e, em 2018, a Secretaria de</p><p>Inspeção do Trabalho constituiu um grupo de trabalho a fim de propor alterações</p><p>nos anexos da NR-15 que abordam os agentes químicos, através da Portaria nº</p><p>747/18 e que, até então (2019), nada foi definido.</p><p>Em janeiro de 2019 foi publicada a versão 2.5.01 do Manual do eSocial,</p><p>o qual trouxe avanços na parte dos agentes químicos. As empresas devem</p><p>ter as Fichas de Informação de Segurança para Produtos Químicos (FISPQ)</p><p>103</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>atualizadas, bem como para o envio das informações ao eSocial é preciso</p><p>especificar a composição química do produto, indicando o número de registro</p><p>CAS correspondente, ou seja, não basta apenas indicar o nome comercial do</p><p>produto utilizado no ambiente laboral.</p><p>Em 2019 entrou em vigor o TLV-SL (Threshold Limit Value - Surface</p><p>Limit), que é uma nova categoria de limites, cujo objetivo é avaliar e medir uma</p><p>determinada superfície de trabalho, a fim de verificar se contém ou não partículas</p><p>ou pequenas quantidades de agentes químicos, que ao encostar no trabalhador</p><p>(braços, mãos e roupa) possa contaminá-lo, adentrando via pele, inalação ou por</p><p>ingestão, por exemplo.</p><p>Esse tipo de limite já é aplicado nos Estados Unidos e a sua diferença está</p><p>em sua unidade (micrograma por 100 cm2), isto é, o limite de superfície deve ser</p><p>delimitado em área de cem centímetros quadrados e a coleta pode ser realizada</p><p>utilizando um pano úmido ou através de uma bomba (estilo aspirador de pó) para</p><p>coletar o agente químico. Ressalta-se que esse limite TLV-SL deverá ser incluído</p><p>no documento do Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA).</p><p>Portanto, é complementar, sendo mais um parâmetro de proteção à saúde do</p><p>trabalhador, constituindo-se em um avanço para a Higiene Ocupacional.</p><p>Além da inclusão de um novo limite na ACGIH 2019, há também a inclusão</p><p>da notação ototóxica, relativa às substâncias químicas que possam causar perda</p><p>auditiva.</p><p>A NR-7 também traz dois quadros que definem exames complementares para</p><p>os trabalhadores expostos a riscos ambientais, sendo que no Quadro 1 apresenta</p><p>uma série de agentes químicos que terão exames específicos (ex.: exposição</p><p>ao xileno: coletar urina e dosar o ácido metil-hipúrico). Contudo, existem muitos</p><p>agentes químicos que não constam nessa norma (ex.: piretroide, glifosato, entre</p><p>outros).</p><p>Relativo à segurança e à saúde no trabalho em serviços de saúde, há a</p><p>NR-32 (item 32.3), a qual estabelece as práticas adequadas para o contato e a</p><p>manipulação dos agentes químicos no ambiente laboral.</p><p>Vale ressaltar que, tendo em vista a existência de produtos químicos nos</p><p>estabelecimentos de serviços de saúde, é comum que todos os produtos</p><p>existentes sejam relacionados para fins de Programa de Prevenção de Riscos</p><p>Ambientais (PPRA) e outros documentos relacionados à saúde e segurança do</p><p>trabalhador. Entretanto, apenas os produtos químicos capazes de causar danos</p><p>à saúde do trabalhador, devido à natureza, concentração ou intensidade e tempo</p><p>de exposição, existentes nos ambientes de trabalho, devem ser relacionados, ou</p><p>104</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>seja, se o produto não oferecer risco à saúde do trabalhador não será necessário</p><p>relacioná-lo como risco ambiental.</p><p>Há também a Norma Regulamentadora Rural (NRR5), revogada pela</p><p>Portaria MT 191/2008, que trata dos produtos químicos utilizados no trabalho</p><p>rural (agrotóxicos e afins, fertilizantes e corretivos).</p><p>A NR-26 - Normas de Sinalização de Segurança - estabelece as diretrizes</p><p>para a sinalização segura, que inclui a sinalização obrigatória nos produtos</p><p>químicos utilizados pelos trabalhadores, que auxiliarão no manuseio seguro e na</p><p>prevenção de acidentes, bem como aborda de forma clara a FISPQ.</p><p>Para atender o que apregoa o GHS, dispomos das normas técnicas da</p><p>ABNT como: NBR 14725-1:2009 Versão corrigida: 2010, que define os termos</p><p>empregados no sistema de classificação de perigo de produtos químicos, na</p><p>rotulagem de produtos químicos perigosos e na ficha de informações de segurança</p><p>de produtos químicos (FISPQ); NBR 14725-2:2019, que estabelece critérios para</p><p>o sistema de classificação de perigos de produtos químicos (substâncias ou</p><p>misturas), de modo a fornecer ao usuário informações relativas à segurança, à</p><p>saúde humana e ao meio ambiente; NBR 14725-3:2017, a qual estabelece as</p><p>informações de segurança relacionadas ao produto químico perigoso a serem</p><p>incluídas na rotulagem, não definindo um formato fixo e a NBR 14725-4:2014,</p><p>que apresenta informações para a elaboração de uma ficha de informações de</p><p>segurança de produto químico (FISPQ).</p><p>Além dessas normas técnicas, existem a NBR 12085:1991 - Agentes</p><p>químicos no ar - Coleta de aerodispersoides por filtração -, método de ensaio que</p><p>prescreve o método de avaliação de agentes químicos no ar, em coletas individual</p><p>e ambiental de aerodispersoides, nos quais se utiliza o processo de captação</p><p>por filtração; NBR 13158:1994 - Avaliação de agentes químicos no ar - Coleta</p><p>de fibras respiráveis inorgânicas em suspensão no ar e análise por microscopia</p><p>óptica de contraste de fase - Método do filtro de membrana - Método de ensaio</p><p>e a NBR 14983:2008 - Papel de segurança - Determinação da presença de</p><p>substâncias reativas a agentes químicos.</p><p>Há a recomendação de que quando determinado agente químico não constar</p><p>na NR-15, deve-se buscar as referências existentes na ACGIH, precisa-se estar</p><p>atento às mudanças que ocorrem anualmente.</p><p>Assim, dentre as últimas mudanças ocorridas em 2019 na ACGIH, podem-</p><p>se citar os limites de alguns metais como o Cobalto, que agora seu limite é para</p><p>fração inalável, mudando a forma de coleta (IOM), bem como a redução do limite</p><p>do Fluoreto em 10x, Estanho inorgânico (fração inalável); Metil vinil cetona com</p><p>105</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>limite do tipo teto. Também foi incluído o limite para: Monometil formamida e Éter</p><p>etílico do monopropilenoglicol (TWA). Houve também alterações para alguns</p><p>agroquímicos (Sulfoxaflor; Temefos).</p><p>Destaca-se que são os limites de exposição que ditam as regras para a</p><p>coleta das amostras, os quais são peças-chave para um bom trabalho de higiene</p><p>ocupacional, com correto reconhecimento de risco e o dimensionamento das</p><p>avaliações sendo a base de tudo.</p><p>Fica a dica: a aquisição do “Guide to Occupational Exposure</p><p>Values - 2019”, que é um compilado de vários agentes químicos,</p><p>apresentando diversos limites, como da ACGIH, OSHA, NIOSH, da</p><p>Alemanha, entre outros.</p><p>4 AVALIAÇÃO DOS AGENTES</p><p>QUÍMICOS</p><p>Inicialmente, para realizar uma avaliação, deve-se saber se o agente</p><p>agressivo realmente existe e, caso constatada a sua existência, parte-se para</p><p>a avaliação que poderá ser quantitativa ou qualitativa, sendo necessários</p><p>embasamentos teóricos e técnicos para subsidiar o processo avaliativo.</p><p>Deve-se considerar que a avaliação é uma etapa de um processo amplo e</p><p>que não pode ser um fim em si e que deve estar em sintonia com o objetivo a</p><p>que se destina. Por exemplo, se o objetivo é determinar se existe risco à saúde</p><p>do trabalhador e a verificação da necessidade de intervenções preventivas, a</p><p>avaliação quantitativa, nesse caso, pode não ser necessária.</p><p>Por outro lado, se o</p><p>objetivo é obter dados, estabelecer nexos entre condições ambientais e doenças</p><p>ocupacionais, então, a avaliação quantitativa é a indicada, pois garantirá precisão</p><p>nos resultados.</p><p>Assim, a avaliação de um agente químico tem o objetivo primordial de</p><p>determinar a existência de riscos por meio da análise da concentração do agente,</p><p>avaliando inúmeros aspectos que envolvem a exposição, sendo necessários</p><p>106</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>conhecimentos sobre o(s) agente(s) presente(s), interações, ciclos de trabalho,</p><p>medidas de controle, condições de manuseio e operação e demais variáveis</p><p>que possam influenciar na avaliação, como temperatura, velocidade do ar, entre</p><p>outras.</p><p>Toda avaliação requer o cumprimento de etapas, que são: identificação do</p><p>risco; pesquisa e definição dos agentes químicos a serem avaliados; estratégia</p><p>de amostra; coleta de amostras; análise do material coletado e interpretação dos</p><p>resultados.</p><p>Existem centenas de métodos para a avaliação dos agentes químicos, os</p><p>quais podem ser para um agente específico ou para grupos de agentes (vapores</p><p>orgânicos, hidrocarbonetos, por exemplo).</p><p>Cabe salientar que a avaliação fornece informações sobre a efetividade das</p><p>medidas de controle existentes (EPIs e EPCs), bem como sobre as relações entre</p><p>a exposição e os possíveis efeitos à saúde do trabalhador (PCMSO - NR-7).</p><p>Para a metodologia de coleta e análise, é necessário saber qual a vazão de</p><p>ar (mínimo e máximo - L/min ou ml/min); tempo de coleta (mínimo e máximo em</p><p>minutos) e volume de ar (mínimo e máximo em litros).</p><p>Um ponto a destacar é que, sempre que uma avaliação for realizada, a coleta</p><p>ou a medição do agente químico deverá ser feita dentro da zona respiratória,</p><p>assim como o tempo de amostragem deverá ser maior que um ciclo de trabalho,</p><p>pois a avaliação deve refletir de forma mais fidedigna e representativa possível a</p><p>exposição do trabalhador.</p><p>Qualquer que seja o tipo de avaliação (quantitativa ou qualitativa) de agentes</p><p>químicos, ela é essencial para identificar os riscos químicos existentes no ambiente</p><p>laboral. Ao se encontrar a concentração real do agente químico, ela servirá</p><p>para fins comparativos com os limites de tolerância, os quais estão presentes</p><p>nas normas nacionais e internacionais, sendo esse comparativo essencial para</p><p>a verificação e a identificação do agente químico que pode estar ocasionando</p><p>danos à saúde do trabalhador. Em contrapartida, a avaliação qualitativa se faz</p><p>necessária antes da avaliação quantitativa, pois determina medidas de controle,</p><p>implementa as melhorias propostas e as avalia.</p><p>A avaliação quantitativa consiste em avaliar ou inspecionar os agentes</p><p>químicos utilizando equipamentos específicos através de medição dos agentes</p><p>presentes no ambiente laboral, com técnicas específicas, a fim de validar o</p><p>dimensionamento e estabelecer medidas de controle.</p><p>107</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>A NR-9, no item 9.3.4, informa que a avaliação quantitativa deverá ser</p><p>realizada sempre que necessária, para: a) comprovar o controle da exposição ou</p><p>a inexistência de riscos identificados na etapa de reconhecimento; b) dimensionar</p><p>a exposição dos trabalhadores; c) subsidiar o equacionamento das medidas de</p><p>controle.</p><p>De acordo com Carvalho (2018), a avaliação quantitativa de agentes</p><p>químicos exige investimentos profissionais especializados e financeiros, o</p><p>que muitas vezes é inviável para as empresas de pequeno porte e tem o</p><p>objetivo principal de determinar a concentração dos agentes químicos no ar no</p><p>ambiente laboral, apresentando as seguintes etapas: a) Reconhecimento ou</p><p>caracterização básica: ocorre através da coleta inicial de informações, seguida</p><p>pela visita ao local de trabalho para observações detalhadas e a definição dos</p><p>grupos de trabalhadores; b) Avaliação qualitativa e priorizações: constituição</p><p>e priorização dos grupos de trabalhadores, selecionar as medidas de controle</p><p>para as situações identificadas como de risco para a saúde, determinar os</p><p>agentes químicos e as situações a serem submetidas à avaliação quantitativa;</p><p>c) Estratégia de avaliação quantitativa: composta por: amostra ou coleta</p><p>pessoal; amostra ou coleta estacionária; tipos de amostras segundo a duração;</p><p>substâncias com VRATMPT e sem VRATTeto ou VRATCD; substâncias com VRATMPT</p><p>e VRATCD; substâncias com VRATMPT e com VRATTETO; substâncias que só</p><p>possuem o VRATTETO; substâncias que só possuem o VRATCD; número mínimo de</p><p>resultados necessários; avaliação inicial e distribuição das amostras no tempo),</p><p>que é o planejamento das amostragens e das medições.</p><p>Desta forma, haverá a interpretação dos resultados das concentrações</p><p>dos agentes químicos, se está em conformidade com a legislação, sendo que</p><p>estas informações constarão no relatório anual do PPRA, por exemplo. Contudo,</p><p>é necessário demonstrar a confiabilidade estatística do seu julgamento através</p><p>da realização de testes de conformidade com os valores de referência, para se</p><p>levar ao julgamento de conformidade. Assim, a partir dos índices de julgamento</p><p>calculados, a periodicidade dos monitoramentos (reavaliações) será determinada</p><p>(CARVALHO, 2018).</p><p>É importante se atentar para a importância da estatística, pois ela é uma</p><p>ferramenta que auxiliará na interpretação dos resultados, sendo útil para as</p><p>situações em que os resultados de concentração estão abaixo dos VRATs, nos</p><p>dias avaliados, induzindo o profissional à conformidade, podendo mostrar que a</p><p>exposição de um determinado grupo não está em conformação.</p><p>Vale ressaltar que a quantificação é indispensável para ter um PPRA</p><p>eficiente, bem como é importante para comprovar o controle ou a inexistência</p><p>dos riscos, conforme relata o item 9.3.4, letra “a”, da NR-9. Veja que a própria</p><p>108</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>NR-9 relata a obrigatoriedade da quantificação para dimensionar a exposição dos</p><p>trabalhadores em seu item 9.3.4, letra “b”, determinar a dimensão das medidas</p><p>preventivas que a empresa terá que adotar para controlar os agentes de risco</p><p>(item 9.3.4, letra “c”).</p><p>Assim, a avaliação quantitativa deve ser utilizada para identificar se a</p><p>exposição a determinado agente químico está abaixo ou acima do limite de</p><p>tolerância ou dos níveis de ação, determinar se a exposição é tolerável ou</p><p>aceitável ao longo do tempo, além de identificar a necessidade da aplicação de</p><p>medidas de controle de saúde ocupacional, de engenharia ou administrativa.</p><p>Para saber mais sobre esse tema, acesse o “Guia técnico sobre</p><p>estratégia de amostragem e interpretação de resultados de avaliações</p><p>quantitativas de agentes químicos em ambientes de trabalho”,</p><p>publicado em 2018. Disponível em: <http://www.fundacentro.gov.br/</p><p>biblioteca/biblioteca-digital/publicacao/detalhe/2018/8/guia-tecnico-</p><p>sobre-estrategia-de-amostragem-e-interpretacao-de-resultados-de-</p><p>avaliacoes>.</p><p>A avaliação qualitativa, que é uma herança da Portaria nº 491/1965,</p><p>preceitua a simples inspeção no local de trabalho, o que pode, em determinados</p><p>momentos, trazer interpretações equivocadas pelos profissionais da segurança e</p><p>saúde do trabalhador.</p><p>De acordo com o Fundacentro (2012), a avaliação qualitativa está direcionada</p><p>para empresas de pequeno e médio porte que necessitam de métodos simples</p><p>para ajudar a prevenir e a reduzir os riscos decorrentes da exposição a produtos</p><p>químicos no local de trabalho, facilitando a recomendação de ações preventivas,</p><p>sem aguardar por avaliações quantitativas dispendiosas e complicadas.</p><p>É uma avaliação clássica, que não será substituída, pois facilita a tomada</p><p>de ações preventivas sem a necessidade da avaliação quantitativa, além de ser</p><p>complementar.</p><p>A metodologia está dividida em cinco etapas: 1) Alocação do fator de risco</p><p>de acordo com as frases R ou GHS; 2) Quantidade utilizada; 3) Propagação</p><p>no ambiente; 4) Como encontrar a medida de controle correta (quatro</p><p>109</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>medidas preconizadas pelo método:</p><p>ventilação geral, controle de engenharia,</p><p>enclausuramento e suporte especial, sendo que para cada uma existe uma</p><p>gama de ações a serem implementadas); 5) Localização da ficha de controle.</p><p>Há também a necessidade de elaborar um plano de ação, contendo as seguintes</p><p>etapas: avaliação de todos os produtos químicos e atividades; planejamento</p><p>de como colocar em prática as medidas de controle; avaliação dos riscos à</p><p>segurança e ao meio ambiente; implementar as orientações sugeridas nas fichas</p><p>de controle e revisão periódica da avaliação (FUNDACENTRO, 2012).</p><p>As avaliações qualitativas estão baseadas em observação, experiência</p><p>e modelos, que devem ser utilizadas segundo metodologia adequada, como</p><p>Método do “Control Banding”, desenvolvido pelo HSE (Inglaterra), para agentes</p><p>químicos (líquido ou pó), adaptado para uso internacional pela IOHA para OIT,</p><p>que mediante a classificação semiquantitativa da toxicidade da substância e</p><p>do seu potencial de exposição, oferece uma proposta de medidas de controle,</p><p>segundo o grau de risco.</p><p>Para ampliar seus conhecimentos, acesse o material “Avaliação</p><p>qualitativa de riscos químicos: orientações básicas para o controle</p><p>da exposição a produtos químicos”. Disponível em: <http://www.</p><p>fundacentro.gov.br/bibl ioteca/bibl ioteca-digital/publicacao/</p><p>detalhe/2013/2/avaliacao-qualitativa-de-riscos-quimicos-orientacoes-</p><p>basicas-para-o-controle-da-exposicao-a-2>.</p><p>Aproveite e leia também “Herramientas para la gestión del riesgo</p><p>químico. Métodos de evaluación cualitativa y modelos de estimación de la</p><p>exposición”, publicado em 2017, o qual está disponível em: <https://www.</p><p>insst.es/InshtWeb/Contenidos/Documentacion/FICHAS%20DE%20</p><p>PUBLICACIONES/EN%20CATALOGO/Higiene/Herramientas%20</p><p>para%20la%20gestion%20del%20riesgo%20quimico.pdf>.</p><p>Internacionalmente, os métodos de avaliação simplificada são utilizados</p><p>para a realização da avaliação qualitativa dos riscos químicos nos ambientes de</p><p>trabalho. Dentre os diversos métodos, tem-se: o COSHH Essentials da Health and</p><p>Safety Executive (HSE), o Institut National de Recherche et de Sécurité (INRS),</p><p>o Easy-to-Use, o Stoffenmanager e o REGETOX.</p><p>110</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>4.1 IDENTIFICAÇÃO DOS AGENTES</p><p>QUÍMICOS NO AMBIENTE LABORAL</p><p>De acordo com Peixoto e Ferreira (2013), alguns parâmetros, como o</p><p>tempo de amostragem, a quantidade das amostras, os tipos de amostragem,</p><p>o amostrador a ser utilizado, os tipos de meios coletores e o método de coleta</p><p>servem para melhor identificação dos agentes químicos presentes no ambiente</p><p>de trabalho.</p><p>Relativo ao tempo de amostragem existem normas específicas, como NR-</p><p>15, NHO 08 e NIOSH. Contudo, as características do agente e o estudo do ciclo do</p><p>trabalho é que determinarão a duração da amostragem. Esse tempo dependerá</p><p>do volume de contaminante que será coletado, bem como se esse tempo</p><p>deverá ser suficiente para coletar um volume de ar adequado a fim de obter uma</p><p>quantidade satisfatória para realizar a análise. Por exemplo, o limite de média</p><p>ponderada no tempo (TWA) tem uma jornada de trabalho de 8h/diárias e, portanto,</p><p>a conclusão sobre a exposição do trabalhador é para 8 horas, independente do</p><p>tempo em que ele ficou exposto, sendo a melhor coleta de amostra de 8 horas,</p><p>abrangendo a jornada completa, pois não importa as flutuações da exposição</p><p>durante a jornada e sim a média.</p><p>Já a quantidade da amostra dependerá da variedade de exposição que</p><p>existe no ambiente laboral e do objetivo da avaliação, podendo, às vezes, serem</p><p>necessárias diversas avaliações, em dias e horários distintos.</p><p>O tipo de amostragem pode ser pessoal ou ambiental (ou por área ou</p><p>estática). O do tipo pessoal acompanha o trabalhador durante a jornada de</p><p>trabalho por intermédio de um dispositivo acoplado perto da região respirável,</p><p>enquanto que o do tipo ambiental, o amostrador fica fixado em um ponto</p><p>determinado no ambiente de trabalho, fornecendo informações sobre a</p><p>emissividade da fonte.</p><p>O tipo de amostragem também pode ser classificado de acordo com a</p><p>duração, podendo ser: instantânea, ou seja, curta duração (inferior a cinco</p><p>minutos) para verificar se o valor teto ou máximo foi atingido ou para avaliar os</p><p>momentos de maior concentração do agente; ou contínua, isto é, períodos</p><p>longos (30 minutos), sendo mais adequada para avaliação da média ponderada.</p><p>Essa última (amostragem contínua) pode ser dividida em: amostra única</p><p>de período completo (avaliação da exposição em uma única amostragem);</p><p>amostras consecutivas de período completo (a amostragem é dividida em</p><p>várias amostragens), sendo que ambas fornecem informações ao longo da jornada</p><p>111</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>de trabalho e são indicadas para avaliar a média da concentração; e amostra de</p><p>período parcial (o tempo de amostragem não será coberto integralmente), a qual</p><p>se adapta à amostragem de operações específicas, ou seja, para avaliar picos de</p><p>concentração.</p><p>No que se refere aos amostradores, estes podem ser quanto à passagem do</p><p>ar e quanto à leitura de concentração. Os amostradores quanto à passagem</p><p>do ar podem ser de dois tipos: ativo ou passivo. No amostrador do tipo ativo,</p><p>a passagem de um determinado volume de ar ocorre de forma forçada por</p><p>intermédio de uma bomba de fluxo (para aspirar ou empurrar o ar), podendo</p><p>ser bombas manuais, automáticas ou instrumentos eletrônicos de leitura direta.</p><p>É utilizado para avaliar a concentração média no tempo (TWA), o contaminante</p><p>investigado é coletado em filtros ou substâncias específicas e os procedimentos</p><p>de amostragem adequados, conforme o contaminante, encontram-se nas normas</p><p>nacionais e internacionais. No amostrador do tipo passivo, a passagem</p><p>acontece pela difusão molecular (de uma região mais concentrada para uma</p><p>menos concentrada), sem a necessidade de bombas de amostragem, é utilizado</p><p>para a coleta de gases e vapores. É colocado próximo à zona respiratória do</p><p>trabalhador e ao final da jornada de trabalho é enviado ao laboratório. Existem</p><p>várias opções desse amostrador para diversos agentes químicos (vapores</p><p>orgânicos, amônia, mercúrio inorgânico, formaldeído, óxido de etileno, SO2, NO2</p><p>e HCN).</p><p>Já os amostradores quanto à leitura da concentração podem ser de</p><p>leitura direta, (tubos colorimétricos ou display de equipamentos, como oxímetros,</p><p>medidores de CO, CO2, H2S, SO2 e explosímetros), os quais são indicados</p><p>para monitoramentos qualitativos ou contínuos, detecção de vazamento,</p><p>para sistemas de alarme, bem como são úteis na identificação de ambientes</p><p>Imediatamente Perigosos à Vida e à Saúde (IPVS) para detectar níveis elevados</p><p>de contaminantes do ar ou atmosferas inflamáveis e/ou explosivas ou de leitura</p><p>indireta, que retém o contaminante para posterior análise em laboratório.</p><p>Os meios coletores podem ser de três tipos: filtros de membrana</p><p>(utilizados para coletar aerodispersoides); sólido adsorvente (as moléculas</p><p>do contaminante são aderidas a uma superfície sólida específica) e líquido</p><p>absorvente (as moléculas do contaminante introduzem-se em outra fase,</p><p>normalmente, líquida).</p><p>Os métodos de coleta podem ser de dois tipos: ar total ou com separação</p><p>dos contaminantes. No primeiro (ar total), todo o volume coletado será utilizado</p><p>para fazer a análise (sacos e frascos de amostragem e seringas), ao passo que no</p><p>segundo método (separação dos contaminantes), o contaminante será separado</p><p>por um filtro para análise em laboratório. Cabe salientar que, em ambos os casos,</p><p>112</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>a análise deverá ser realizada o mais rápido possível, pois o contaminante a ser</p><p>analisado pode sofrer dessorção pelas paredes do recipiente e assim diminuir o</p><p>composto na amostra.</p><p>O Anexo 11 da NR-15 estabelece o seguinte critério de avaliação das</p><p>concentrações:</p><p>A avaliação das concentrações dos agentes químicos através</p><p>de métodos de amostragem instantânea, de leitura direta ou</p><p>não, deverá ser feita pelo menos em 10 (dez) amostragens,</p><p>para cada ponto ao nível respiratório do</p><p>trabalhador. Entre</p><p>cada uma das amostragens deverá haver um intervalo de,</p><p>no mínimo, 20 (vinte) minutos. Cada uma das concentrações</p><p>obtidas nas referidas amostragens não deverá ultrapassar</p><p>os valores obtidos na equação que segue sob pena de ser</p><p>considerada situação de risco grave e iminente (BRASIL,</p><p>1978).</p><p>Desta forma, uma amostragem de agente químico tem o objetivo</p><p>básico de obter uma amostra do contaminante presente no ambiente</p><p>laboral para quantificar a exposição. Entretanto, ela é complexa, pois</p><p>dependendo do agente a ser avaliado e do tipo de exposição, deverá ser</p><p>realizada durante vários dias e turnos. De outro modo, as amostragens</p><p>podem ser de curta duração, caso a avaliação seja de uma substância</p><p>de ação rápida que possa causar danos irreversíveis, uma vez que tem o</p><p>objetivo de detectar os picos de concentração.</p><p>Assim, deve-se ter uma estratégia de amostragem, que é o caminho</p><p>que será utilizado para se chegar ao objetivo final das medições, pois não</p><p>basta apenas medir, uma vez que existem inúmeras formas de medições</p><p>e, portanto, há que se saber quais são os seus propósitos. A antecipação,</p><p>o reconhecimento, a avaliação e o controle de riscos passam pelo ciclo da</p><p>estratégia de amostragem.</p><p>Existem algumas diretrizes para a elaboração da estratégia de</p><p>avaliação, como a definição do método de amostragem; a seleção dos</p><p>postos de trabalho (ideal avaliar todos os postos, mas como nem sempre</p><p>é possível, utilizam-se os Grupos Homogêneos de Exposição - GHE);</p><p>o número de amostras (quanto maior for esse número, mais próximo a</p><p>avaliação estará da verdadeira concentração); duração das amostras,</p><p>entre outras.</p><p>113</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Vamos agregar ainda mais conhecimento? Então leia o artigo</p><p>“Metodologia Simplificada de Avaliação de Risco Químico”, de autoria</p><p>de Marisa Alago, Manuel Freitas e Hernâni Veloso Neto. CESQUA, n.</p><p>1, 2018. Disponível em: <http://www.cesqua.org/index.php/cesqua/</p><p>article/view/14/8>.</p><p>5 INSTRUMENTOS DE COLETA E</p><p>MEDIÇÃO</p><p>Existem diversos instrumentos de coleta e medição para os agentes químicos,</p><p>sendo que para cada tipo de agente ou família existe um medidor específico.</p><p>Desta forma, dentre eles, abordaremos alguns:</p><p>Bombas de amostragem: é um equipamento portátil que fornece vazão</p><p>constante (até 5 L/min), com sistema automático de controle de fluxo, que ajusta</p><p>e compensa as variações durante a coleta, com precisão de 5%. Cabe lembrar</p><p>que essa bomba não mede a concentração do agente químico e, portanto, não</p><p>há a necessidade de ser calibrada em laboratório, mas deverá ser realizado</p><p>um ensaio de desempenho, em laboratório especializado, a fim de verificar seu</p><p>funcionamento e a necessidade ou não de manutenção. Os principais tipos de</p><p>bombas de amostragem são: bombas para baixa vazão (coletas de gases e</p><p>vapores); bombas de alta vazão (para coleta de poeiras, fumos, fibras e névoas)</p><p>e bombas de alta e baixa vazão (coletam gases e poeiras), as quais são as mais</p><p>comuns.</p><p>Tubo adsorvente: é um tubo de vidro com as duas pontas seladas, podendo</p><p>ser de carvão ativado (o mais comum e o mais indicado para vapores orgânicos),</p><p>sílica gel (mais usado para gases ácidos), tenax etc., os quais reagem com o</p><p>agente a ser coletado, retendo o contaminante em sua superfície (solução</p><p>adsorvente). É conectado a uma bomba de aspiração através de uma mangueira</p><p>flexível. Deve ser colocado na zona respiratória do trabalhador e é muito utilizado</p><p>para gases e vapores.</p><p>Tubo colorimétrico: tubo pequeno de vidro com grânulos de carvão</p><p>ativados, sílica gel ou alumina, que são impregnados com uma substância</p><p>114</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>química, a qual reagirá com o contaminante, alterando a coloração do material</p><p>granulado. Salienta-se que para cada produto ou família de produtos existe um</p><p>tubo específico, bem como tem vantagens (fácil operação, baixo custo, registro</p><p>das concentrações altas e baixas, que tenham “valor teto” ou para determinar</p><p>o “valor máximo”) e desvantagens (baixa precisão e não servem para avaliar a</p><p>exposição do trabalhador).</p><p>Sacos de coleta (bags ou balões ou bolsas): usado para coletar o ar total</p><p>em recipiente flexível para posterior análise. Seu uso não é muito frequente, pois</p><p>serve para poucos agentes (monóxido de carbono e biogás), bem como são</p><p>poucas as bombas que conseguem fazer a avaliação, pois necessita ter saída de</p><p>ar (a bomba precisa sugar e soprar o ar).</p><p>Impingers (borbulhadores): pequena garrafa de vidro que realiza a coleta</p><p>de agentes químicos em um meio líquido, sendo que a bomba faz com que o ar</p><p>borbulhe ao passar pelo meio líquido, dissolvendo o agente e coletando-o (usados</p><p>para gases ácidos). Não é um método prático.</p><p>Filtros tratados quimicamente: são tratados com reagentes específicos</p><p>para a coleta do contaminante e são montados em cassetes, sendo utilizados</p><p>para coleta de brometos, cloretos, fosfina etc.</p><p>Ressalta-se que para qualquer equipamento é fundamental a sua calibração</p><p>antes da realização das medições. A calibração da vazão das bombas tem como</p><p>finalidade determinar a vazão volumétrica exata, devendo ser realizada pelo</p><p>próprio usuário, devendo realizar a verificação ao término da coleta, anotando-se</p><p>a vazão e caso houver variação (± 5%) nova coleta deverá ser feita.</p><p>É fundamental que o sistema de coleta (bomba + amostrador + acessório)</p><p>seja calibrado, pois o laboratório necessita saber o volume exato de ar que</p><p>passou pelo amostrador, uma vez que um erro no volume pode subestimar ou</p><p>superestimar a concentração.</p><p>Outro aspecto que merece atenção é sobre os adaptadores de calibração</p><p>(específicos e “universais”), os quais são necessários para conectar o calibrador</p><p>ao sistema de coleta, pois são eles que garantirão a perfeita vedação do sistema,</p><p>embora seu uso não seja citado pelos métodos. Todavia, nem sempre se faz</p><p>necessário seu uso, como no caso da coleta de poeira total ou para coleta com</p><p>tubo.</p><p>Também não podemos deixar de mencionar sobre a questão de qual</p><p>amostrador se deve utilizar para a calibração, ou seja, será o mesmo que fará</p><p>a coleta ou será um amostrador separado (só para calibração)? Tem-se as</p><p>115</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>duas opções, desde que se tenha bom senso, pois não se deve usar o mesmo</p><p>amostrador que foi utilizado num ambiente já contaminado, o que influenciará o</p><p>resultado da amostra.</p><p>Como exemplos de calibradores tem-se: bureta com bolha de sabão,</p><p>calibrador digital com bolha de sabão, calibrador totalmente digital (eletrônico),</p><p>sendo que eles deverão ser calibrados periodicamente, contendo certificado de</p><p>calibração, via laboratório.</p><p>Quer saber mais? Acesse o Guia SKC para métodos de</p><p>amostragens de ar OSHA/NIOSH/ASTM, que compila e apresenta</p><p>links para as metodologias de coleta. Disponível em: <https://www.</p><p>skcinc.com/catalog/osha-niosh.php>.</p><p>Você saberia responder de imediato quais riscos os agentes químicos</p><p>oferecem à saúde do trabalhador?</p><p>Este é o tema da nossa próxima seção, mas antes, que tal fazer as atividades</p><p>de estudo?</p><p>1 Abordamos sobre diversos temas relacionados aos agentes</p><p>químicos, dentre eles, legislação e limites de tolerância, avaliação</p><p>e instrumentos de coleta e medição. Desta forma, classifique V</p><p>para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) O Anexo 13 da NR-15 define o adicional de insalubridade</p><p>através da avaliação qualitativa, enquanto que os Anexos 11</p><p>e 12 consideram como adicional de insalubridade por meio da</p><p>avaliação quantitativa.</p><p>( ) A ACGIH apresenta atualmente cinco tipos de limites de</p><p>exposição, enquanto que a NR-15 expõe três tipos.</p><p>( ) O tempo de coleta da amostragem é definido pelo limite de</p><p>exposição ocupacional.</p><p>116</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>( ) A identificação dos agentes químicos ocorre por meio da</p><p>FISPQ, a qual foi originada pelo NIOSH, e deve acompanhar</p><p>somente os produtos químicos perigosos e cancerígenos com</p><p>suas respectivas informações.</p><p>( ) Na etapa da análise qualitativa</p><p>estando presentes</p><p>nos ambientes abaixo do nível do mar e, de modo artificial, nos ambientes</p><p>pressurizados propositalmente. Por serem consideradas uma atividade de alto</p><p>risco, apresentam uma legislação específica (NR-15 - Anexo 6) a ser obedecida.</p><p>Assim, o Anexo 6 da NR-15, em seu item 2.1 (VII), que trata do trabalho sob</p><p>condições hiperbáricas, relata que condição hiperbárica é “qualquer condição em</p><p>que a pressão ambiente seja maior que a atmosférica”, ou seja, é todo trabalho</p><p>realizado em que a pressão é maior do que a do nível do mar.</p><p>Conforme a Associação Brasileira de Especialistas e Trabalhadores</p><p>Disbáricos (ABRAETD, 2014), fazem parte das atividades em ambientes com</p><p>pressões hiperbáricas: o mergulho (pesquisa, exploração, trabalhos e reparos</p><p>submarinos, construções subaquáticas, manutenção de embarcações etc.), coleta</p><p>de pérolas, pesca de lagosta, tubulões pressurizados, câmaras hiperbáricas,</p><p>Shields (tatuzões), plataformas de petróleo, mineração, entre outras.</p><p>Quem são os que atuam em ambientes disbáricos sob pressão</p><p>hiperbárica?</p><p>De acordo com a literatura analisada, temos os mergulhadores (aquaviários);</p><p>homens-rãs; trabalhadores em minas; profissionais que atuam em subterrâneos;</p><p>escavadores; pescadores, especialmente de lagostas e ostras; trabalhadores</p><p>da construção civil pesada; geólogos; metroviários; petroleiros; antropólogos;</p><p>profissionais da área da saúde, especialmente os profissionais hiperbaricistas, que</p><p>atuam em tratamentos com oxigenoterapia hiperbárica, em câmaras hiperbáricas</p><p>multiplace (onde o atendente também entra para a realização do procedimento);</p><p>entre outros.</p><p>14</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>De modo geral, as altas pressões são encontradas em trabalhos submersos</p><p>ou abaixo do nível do lençol freático, onde são utilizadas pressões elevadas para</p><p>expelir a água do local, sendo que o trabalhador fica submetido a uma pressão</p><p>atmosférica acima do normal, podendo, dessa forma, ocasionar danos à saúde</p><p>caso não sejam levadas em consideração medidas preventivas e de segurança</p><p>(SCALDELAI et al., 2012). É preciso lembrar que os trabalhadores devem estar</p><p>bem preparados e treinados para executar atividades sob alta pressão, uma vez</p><p>que poderão submeter-se a pressões de até 3,4 kgf/cm², a uma profundidade de</p><p>até 30 metros abaixo do nível do solo (ABRAETD, 2014).</p><p>Como consequências das altas pressões, podem ocorrer perfuração da</p><p>membrana timpânica, quando o aumento de pressão for brusco; liberação de</p><p>nitrogênio nos tecidos e vasos sanguíneos e até a morte (OLIVEIRA, 2014).</p><p>Além disso, nessas condições, há o risco de doenças descompressivas, tendo</p><p>em vista que, sob pressão, o nitrogênio se solubiliza no organismo e quando a</p><p>descompressão ocorre de forma inadequada, esse nitrogênio se transforma em</p><p>bolhas, causando diversas complicações, dentre elas: pulmonares, cardíacas,</p><p>ósseas e tissulares. É importante relatar que a maioria dessas doenças é tratada</p><p>em câmaras hiperbáricas, com o uso do oxigênio 100% pressurizado, através da</p><p>oxigenoterapia hiperbárica (ABRAETD, 2014).</p><p>Já no que se refere aos profissionais hiperbaricistas, os quais não são</p><p>amparados por legislação específica que os respaldem em seus direitos em</p><p>Segurança e Saúde no Trabalho, as principais condições clínicas decorrentes da</p><p>atividade em câmaras hiperbáricas são: barotraumas do ouvido médio; perfuração</p><p>timpânica; otite barotraumática; barotrauma facial; sinusite barotraumática;</p><p>labirintite; embolia traumática; artralgia hiperbárica; doença descompressiva;</p><p>osteonecrose asséptica; intoxicação pelo oxigênio e/ou pelo nitrogênio; síndrome</p><p>neurológica das altas pressões, demonstrando, assim, a vulnerabilidade laboral.</p><p>Para saber mais sobre esse assunto, acesse o site da Sociedade</p><p>Brasileira de Medicina Hiperbárica, disponível em: <https://sbmh.</p><p>com.br/>.</p><p>Outro aspecto que merece destaque é que o Anexo 6 da NR-15 divide a</p><p>condição hiperbárica em dois tipos: trabalhos sob ar comprimido e trabalhos</p><p>submersos, definindo que ambos são passivos de recebimento de adicional</p><p>15</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>de insalubridade (grau máximo). Contudo, referente à periculosidade, a NR-16</p><p>não considera tais condições perigosas, não dando o direito ao adicional de</p><p>periculosidade.</p><p>Os trabalhos sob ar comprimido são definidos, pelo Anexo 6 da NR-15,</p><p>como: “[...] os efetuados em ambientes onde o trabalhador é obrigado a suportar</p><p>pressões maiores que a atmosférica e onde se exige cuidadosa descompressão”,</p><p>sendo eles: tubulões de ar comprimido e túneis pressurizados, os quais estão</p><p>muito presentes em atividades da construção civil pesada, construção de pontes,</p><p>viadutos, túneis em terrenos alagadiços, barragens, portos, indústria naval, entre</p><p>outros e que são considerados de alto risco, podendo deixar sequelas irreversíveis</p><p>ou serem fatais.</p><p>Trabalhos em túneis e escavações, que seja necessária a perfuração do</p><p>solo, em um determinado momento será encontrada água e para que o trabalho</p><p>se desenvolva de forma satisfatória, será utilizado o ar comprimido, através do</p><p>tubulão (Figura 2), onde o trabalhador desenvolverá sua atividade dentro dele,</p><p>uma vez que é injetado ar sob pressão, evitando que a água entre no local de</p><p>trabalho, mantendo o ambiente seco. Portanto, é um sistema complexo, pois a</p><p>pressão do tubulão deve ser mantida a fim de que não entre água, bem como</p><p>para que o trabalhador não seja descomprimido de repente.</p><p>FIGURA 2 – TUBULÕES DE AR COMPRIMIDO: TRABALHADORES</p><p>SOFRENDO AÇÃO DO AGENTE FÍSICO PRESSÕES ANORMAIS</p><p>FONTE: https://sites.google.com/site/langeotecniaefundacao/</p><p>contato/produtos. Acesso em: 20 abr. 2019.</p><p>16</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>De acordo com o Anexo 6 da NR-15, tubulão de ar comprimido</p><p>“é uma estrutura vertical que se estende abaixo da superfície da água</p><p>ou solo através da qual os trabalhadores devem descer, entrando</p><p>pela campânula, para uma pressão maior que a atmosférica”.</p><p>Vale ressaltar que o trabalhador é comprimido dentro do tubulão e</p><p>descomprimido quando termina a sua jornada de trabalho, sendo que esse</p><p>processo deve ser muito bem realizado para que não tenha nenhum problema de</p><p>saúde decorrente desse processo, objetivando a preservação da sua integridade</p><p>física.</p><p>Diante dessa situação, as atividades realizadas sob ar comprimido são</p><p>consideradas insalubres de grau máximo, sendo que a NR-15 faz uma série de</p><p>orientações/restrições/prescrições relacionadas a esse tipo de atividade.</p><p>Dentre as prescrições, o Anexo 6 (NR-15) relata que o trabalhador não</p><p>pode sofrer mais que uma compressão num período de 24 horas; não pode estar</p><p>exposto à pressão superior a 3,4 kgf/cm2 durante o transcorrer do trabalho, bem</p><p>como não pode exceder oito horas em pressões de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm2;</p><p>seis horas em pressões de 1,1 a 2,5 kgf/cm2 e quatro horas em pressões de</p><p>trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm2. Além disso, o trabalhador deverá ter mais de 18 anos</p><p>e menos de 45 anos de idade, ser submetido a exame médico pré-admissional</p><p>periódico (a cada seis meses) e/ou em caso de ausência por mais de 10 dias ou</p><p>afastamento por doença, ao retornar deverá ser submetido a novo exame, pelo</p><p>médico do trabalho (medicina hiperbárica). Antes da jornada de trabalho deverá</p><p>ser inspecionado pelo médico, não sendo permitido que trabalhadores com sinais</p><p>de afecções das vias respiratórias ou outras moléstias, alcoolizados ou com sinais</p><p>de ingestão de bebidas alcoólicas, desempenhem a função.</p><p>Convém enfatizar que, após a descompressão, os trabalhadores são</p><p>obrigados a permanecer por duas horas, no mínimo, no local de trabalho,</p><p>cumprindo um período de observação médica.</p><p>A NR-7 (PCMSO), no Quadro II, informa que o trabalhador que estiver em</p><p>condições hiperbáricas deverá fazer radiografia de articulações coxofemorais</p><p>(quadril) e escapuloumerais (ombros), sendo obrigatória por ocasião do exame</p><p>admissional e anualmente. Essa obrigatoriedade ocorre tendo em vista a</p><p>17</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS</p><p>é que se identifica</p><p>antecipadamente os riscos, enquanto que na avaliação</p><p>quantitativa é realizada medições que indicarão a concentração</p><p>ou a intensidade, sendo que o resultado deverá ser equiparado</p><p>com os valores de referência determinados na NR-15.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>( ) V – V – V – F – V.</p><p>( ) F – V – V – F – F.</p><p>( ) V – F – V – V – V.</p><p>( ) V – V – F – F – V.</p><p>6 RISCOS QUÍMICOS E EXPOSIÇÃO</p><p>OCUPACIONAL</p><p>Muito antes de Cristo, a preocupação e os problemas de saúde relacionados</p><p>ao trabalho já eram objetos de estudo, como podemos constatar com Hipócrates</p><p>(460-355 a.C.), cognominado Pai da Medicina, o qual escreveu, dentre outros</p><p>temas, sobre as cólicas intestinais dos trabalhadores com chumbo, além das</p><p>propriedades tóxicas deste metal.</p><p>Lucrécio (99-55 a.C.), outro estudioso, expressou preocupação com</p><p>os trabalhadores que tinham jornadas de trabalho de 10 horas diárias nas</p><p>galerias das minas de Siracusa, bem como com as condições laborais destes</p><p>locais. Plínio, o Velho (23-79 a.C.), no tratado História Natural, abordou sobre</p><p>trabalhadores expostos ao chumbo, mercúrio e poeira e fez menção aos primeiros</p><p>equipamentos de proteção individual, como máscaras e bexigas de carneiros</p><p>utilizadas para impedir a inalação de poeiras e fumos. Avicena (908-1037), médico</p><p>árabe, preocupou-se com o saturnismo, correlacionando o uso de tinta à base de</p><p>chumbo com as cólicas apresentadas pelos trabalhadores.</p><p>Avançando um pouco mais na história, temos no século XVI a recomendação</p><p>de Leonardo Da Vinci para que fosse utilizado, contra os agentes químicos, sobre</p><p>117</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>as vias respiratórias (nariz e boca) um pano molhado, bem como a divulgação da</p><p>primeira obra relatando a associação entre doenças respiratórias e o trabalho de</p><p>mineração, por Georg Bauer, em 1556, denominada de Re metallica.</p><p>Com o surgimento da Revolução Industrial, no seu auge, entre 1800 e 1850,</p><p>reconheceu-se a diferença entre contaminantes particulados e gasosos, tendo em</p><p>vista que até então eram considerados como poeiras, apenas. Em 1854, com a</p><p>descoberta da possibilidade de o carvão ativo remover gases do ar contaminado</p><p>e vapores orgânicos, houve o fomento de respiradores e máscaras, com avanços</p><p>mais expressivos durante a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, com o incremento de</p><p>máscaras militares contra os agentes químicos utilizados.</p><p>A indústria química, que apresentou um desenvolvimento vertiginoso a partir</p><p>do século XX, tornou-se a principal responsável pela ocorrência de episódios de</p><p>intoxicação em massa de origem ocupacional e ambiental.</p><p>Assim, como podemos constatar, a necessidade de proteção da saúde</p><p>dos trabalhadores contra a inalação de agentes químicos é assentida desde os</p><p>primórdios e, portanto, não podem ser considerados inofensivos, uma vez que</p><p>são capazes de produzir danos físicos, bem como levar à morte, em casos mais</p><p>graves.</p><p>De acordo com dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do</p><p>Trabalhador, os acidentes e mortes de trabalhadores causados por agentes</p><p>químicos (gases, vapores e poeiras) diminuíram nos últimos anos (2012 a 2018) no</p><p>Brasil, embora os agentes químicos representem 14% (484.904) dos causadores</p><p>mais frequentemente citados em notificações de acidentes de trabalho e 5% (793)</p><p>dos acidentes com morte.</p><p>A associação entre as substâncias químicas, exposição ocupacional e</p><p>doenças é conhecida há muito tempo e está no âmago da tríade saúde-trabalho-</p><p>ambiente, por ser um problema de saúde pública, haja vista que a maioria dos</p><p>processos produtivos gera exposição a alguma substância química (líquidos,</p><p>gases, vapores ou aerodispersoides), de forma direta ou indireta.</p><p>Assim, a existência de agentes químicos no ambiente laboral pode</p><p>oferecer risco à saúde dos trabalhadores que ali desenvolvem suas atividades.</p><p>Todavia, o mero fato de um trabalhador estar exposto ao risco não significa que,</p><p>obrigatoriamente, adquirirá uma doença ocupacional, pois, para que isso ocorra,</p><p>é inevitável que haja uma inter-relação entre determinados fatores como: tipo e</p><p>concentração da substância, tempo de exposição, forma em que o contaminante</p><p>se apresenta, toxicidade e suscetibilidade individual.</p><p>118</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Como vimos anteriormente, os agentes químicos são composições feitas</p><p>pelo homem ou produzidos pela natureza, que podem ou não serem nocivos à</p><p>saúde ao entrar em contato com o ser humano. Como exemplos podemos citar:</p><p>chumbo, mercúrio, carvão, arsênico, fósforo, cromo, hidrocarboneto e outros</p><p>compostos de carbono, silicatos e substâncias cancerígenas, sendo que estes</p><p>agentes influenciam a saúde humana independente de seu estado (sólido, líquido</p><p>ou gasoso).</p><p>6.1 RISCOS QUÍMICOS E SAÚDE</p><p>OCUPACIONAL</p><p>O que são os riscos químicos? Risco químico é definido como “o</p><p>perigo a que determinado indivíduo está exposto ao manipular produtos</p><p>químicos que podem lhe causar danos físicos ou prejudicar-lhe a</p><p>saúde” (FIOCRUZ, s.d.).</p><p>Nessa acepção, os produtos químicos são considerados perigosos</p><p>quando causam risco ao homem ou ao ambiente devido as suas</p><p>características toxicológicas, físico-químicas e ecotoxicológicas.</p><p>Como vimos, os riscos químicos são classificados como</p><p>aerodispersoides (névoas, neblinas, poeiras, fumos metálicos e fibras)</p><p>e gases e vapores, os quais podem ou não ser nocivos à saúde do trabalhador.</p><p>Para que o agente químico se torne um risco, causando danos no organismo do</p><p>trabalhador, deve-se levar em conta algumas variáveis, como as características</p><p>físicas, químicas e físico-químicas do agente, ou seja, formato, tamanho,</p><p>densidade, concentração no ambiente, reatividade e velocidade de reação.</p><p>Conforme Mattos e Másculo (2011), os riscos químicos são provocados por</p><p>agentes que modificam a composição química do meio ambiente, bem como</p><p>podem atingir pessoas que não estejam em contato direto com a fonte e, portanto,</p><p>não necessitam de um meio para a propagação de sua nocividade, pois algumas</p><p>substâncias são nocivas pelo contato direto.</p><p>Há que se considerar que nem sempre as fontes de risco estão próximas</p><p>ao local de exposição, provocando poluição hídrica ou atmosférica, por exemplo,</p><p>necessitando, assim, de uma visão integrada da saúde do trabalhador e do meio</p><p>ambiente, sendo imprescindível entender que os riscos químicos devem ser</p><p>vistos sob uma perspectiva histórica, integrada e sistêmica, devendo ocorrer o</p><p>gerenciamento do risco.</p><p>Risco químico</p><p>é definido como</p><p>“o perigo a que</p><p>determinado</p><p>indivíduo está</p><p>exposto ao</p><p>manipular produtos</p><p>químicos que podem</p><p>lhe causar danos</p><p>físicos ou prejudicar-</p><p>lhe a saúde”</p><p>119</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Como saber se um determinado agente químico é ou não um risco para a</p><p>saúde do trabalhador? Lembrando que os agentes químicos vêm da Tabela</p><p>Periódica, a qual apresenta 118 elementos químicos (parcial) e a combinação</p><p>desses elementos gera os 155 milhões de substâncias químicas. Assim, fica</p><p>impossível sabermos, de forma mental ou até mesmo por listagem, quais são as</p><p>substâncias químicas existentes e quais oferecem risco à saúde do trabalhador.</p><p>Para isso, podemos usar ferramentas disponíveis na internet para buscarmos</p><p>informações sobre determinada substância, dentre elas, a própria NR-15 (somente</p><p>traz informações sobre adicional de insalubridade); Common Chemistry (busca</p><p>pelo número registrado no CAS ou pelo nome popular, comercial e químico da</p><p>substância) e/ou num dos maiores portais de busca sobre substâncias químicas,</p><p>que é o eChemPortal (digitando o nº do CAS da substância ou nome). Para tanto,</p><p>o número registrado no CAS é a referência para a busca sobre os efeitos e os</p><p>riscos de cada agente químico.</p><p>Existem diversos sites de busca (em inglês) sobre os agentes</p><p>químicos, ligados a institutos, órgãos e organizações, como Toxnet</p><p><https://toxnet.nlm.nih.gov/>; Haz-Map <https://hazmap.nlm.nih.</p><p>gov/>; OSHA <https://www.osha.gov/>; NIOSH <https://www.cdc.gov/</p><p>niosh/> e IPCS INCHEM <http://www.inchem.org/>.</p><p>Portanto, para se ter conhecimento se o trabalhador está exposto a uma</p><p>substância química insalubre, no que se refere a fazer mal à saúde, não adianta</p><p>somente buscar informações na NR-15, pois essa, além de ser limitada, informa</p><p>sobre o grau de insalubridade da substância e não sobre a sua insalubridade.</p><p>Para ser considerado como risco para a saúde do trabalhador, deve-se levar</p><p>em consideração a intensidade/concentração do agente e o tempo de exposição a</p><p>que esse indivíduo permaneceu em contato (exposto) à substância química.</p><p>Alguns fatores devem ser considerados para avaliar o potencial tóxico</p><p>das substâncias químicas, como concentração (quanto maior a concentração,</p><p>maior será o efeito nocivo no organismo); frequência respiratória e capacidade</p><p>pulmonar (relacionado à quantidade de ar inalado durante a jornada laboral e</p><p>quanto maior a capacidade, maior será a absorção do agente); sensibilidade</p><p>120</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>individual (o nível de resistência é variável de pessoa para pessoa, pois mesmo</p><p>a exposição sendo baixa (inferior ao LT), dependendo das características</p><p>pessoais, pode ocasionar efeitos maléficos); toxicidade (é o potencial tóxico de</p><p>cada substância no organismo); tempo de exposição (tempo que o organismo</p><p>fica exposto ao contaminante, devendo ser considerado o ciclo de trabalho).</p><p>7 EFEITOS DOS AGENTES QUÍMICOS</p><p>NO ORGANISMO DO TRABALHADOR</p><p>Antes de abordarmos sobre os efeitos que os agentes químicos causam na</p><p>saúde do trabalhador, devemos recordar como eles chegam até o organismo,</p><p>ou seja, qual o caminho (via de exposição) pelo qual a substância ingressa no</p><p>organismo.</p><p>As principais vias de absorção (penetração) dos agentes químicos são o</p><p>sistema respiratório (inalação), a pele (absorção dérmica) e o sistema digestório</p><p>(ingestão).</p><p>Parte dos produtos químicos podem ser rapidamente eliminados pelo corpo,</p><p>enquanto outros podem se concentrar em determinados tecidos ou órgãos. Assim,</p><p>as substâncias químicas podem ser absorvidas por ingestão, inalação ou contato</p><p>direto (especialmente pele e olhos), sendo que no ambiente laboral as formas</p><p>mais usuais são pelas vias cutâneas e respiratórias.</p><p>Vamos, agora, discorrer sobre cada uma dessas vias?</p><p>A estrutura da pele é formada por três camadas (epiderme, derme e</p><p>hipoderme), sendo composta por pelos, glândula sudorípara, vasos sanguíneos,</p><p>tecido gorduroso, glândulas sebáceas, corpúsculos sensitivos e músculo eretor</p><p>do pelo. A epiderme é uma barreira e proteção para diversos agentes, inclusive os</p><p>químicos.</p><p>A pele, embora seja uma proteção, permite que muitas substâncias a</p><p>ultrapasse, sendo que seu efeito dependerá do grau de absorção da substância</p><p>e da integridade da pele, podendo ocasionar irritação ou lesões (dermatoses), as</p><p>quais são as mais comuns devido à exposição prolongada a uma determinada</p><p>substância química.</p><p>Quando uma substância química entra em contato com a pele, pode agir</p><p>de duas formas: a) direto na pele: permanece na superfície e provoca irritação</p><p>121</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>primária, bem como pode se combinar com as proteínas da pele e ocasionar uma</p><p>sensibilização. Se for corrosiva pode provocar queimadura e algumas substâncias</p><p>podem provocar reação alérgica; b) penetrando nela: algumas substâncias têm</p><p>a capacidade de penetrar na pele, alcançar a corrente sanguínea e se espalhar</p><p>por outras partes do corpo, provocando alterações que poderão criar quadros de</p><p>anemia, alterações nos glóbulos vermelhos (hemácias) e na medula óssea, por</p><p>exemplo.</p><p>Algumas situações serão facilitadoras para que os agentes químicos</p><p>entrem pela pele e sejam absorvidos e direcionados para a corrente sanguínea</p><p>(ferimentos, abrasões, dermatoses, inflamação, redução sebácea, tempo de</p><p>exposição, temperatura local). Entretanto, a maioria não será absorvida, tendo</p><p>uma ação local (dermatoses ocupacionais).</p><p>No que se refere às ações dos agentes químicos na pele, podem ser divididas</p><p>em: alérgicas, irritativas e outras (ceratoses, foliculites, acnes ocupacionais,</p><p>transtornos de pigmentação, entre outras) e, conforme a Lista de Doenças</p><p>Relacionadas com o Trabalho, do Ministério da Saúde, as principais patologias</p><p>da pele e tecido subcutâneo são: dermatoses pápulo-pustulosas, dermatites</p><p>alérgicas de contato, dermatites de contato por irritantes, urticárias, neoplasias</p><p>malignas, entre outras. Já relativo aos principais agentes químicos causadores</p><p>dessas patologias, estão: bromo, cromo, mercúrio, fósforo, iodo, arsênio, berílio,</p><p>agrotóxicos, poeiras de madeiras, hidroquinona, entre outros.</p><p>A forma mais comum da penetração do agente químico pela pele é o</p><p>manuseio e o contato direto com substâncias, como cimento, derivados de</p><p>petróleo, borracha, corantes, solventes, formol, cosméticos, entre outras.</p><p>Cabe relembrar que o Quadro 1, do Anexo 11 da NR-15, apresenta algumas</p><p>substâncias assinaladas na coluna “absorção também pela pele” (ex.: ácido</p><p>cianídrico ou sulfato de dimetila). Salienta-se que, para essas substâncias,</p><p>além do controle da concentração do agente, medidas de proteção para evitar a</p><p>absorção através da pele devem ser providenciadas.</p><p>Uma questão importante a ser ressaltada é que às vezes pode ocorrer de o</p><p>agente não estar assinalado na coluna do Quadro 1, por não ser absorvido pela</p><p>pele, mas ele pode causar danos e ser agressivo à pele, como é o caso do formol.</p><p>Portanto, é um agente que tem ação sobre a pele, mas não é absorvido por ela.</p><p>O sistema respiratório é constituído por um conjunto de órgãos (fossas</p><p>nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos, alvéolos, pulmões e</p><p>diafragma) que regula a entrada, a filtragem, o aquecimento, a umidificação e a</p><p>saída do ar e apresenta estratégias de defesa contra agentes irritantes (pelos no</p><p>122</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>nariz e mucosas e cílios na parte superior do trato respiratório, ou seja, epitélio</p><p>mucociliar), filtrando o ar, evitando que partículas grandes de poeira penetrem</p><p>nos pulmões. Está dividido em vias respiratórias altas ou superiores e baixas</p><p>ou inferiores. Contudo, esse sistema não está preparado para filtrar pequenas</p><p>partículas que podem sobrecarregar as vias respiratórias.</p><p>Desta forma, o sistema respiratório se constitui numa interface significativa</p><p>do organismo humano com o ambiente laboral, especialmente com o ar e os</p><p>aerodispersoides, sob a forma líquida e sólida, bem como com os gases e os</p><p>vapores, pois é a principal via de entrada para a maioria desses agentes químicos.</p><p>Para se ter uma ideia, durante uma jornada de trabalho, o volume de ar aspirado</p><p>pode variar de 7.500 a 15.000 litros de ar.</p><p>Muitas vezes, o sistema respiratório do trabalhador não consegue filtrar as</p><p>partículas, tendo em vista a sua alta concentração no ambiente e o tempo de</p><p>exposição ser superior ao que o organismo é capaz de lidar. Assim, a exposição</p><p>aos ambientes contaminados por agentes químicos constitui-se em riscos</p><p>respiratórios, causando danos à saúde dos trabalhadores, porém, ressalta-se</p><p>que a simples presença desses agentes no ar e a exposição do trabalhador não</p><p>significa necessariamente que será desencadeada uma doença ocupacional, pois,</p><p>para que isso realmente aconteça, é necessário a exposição a uma determinada</p><p>concentração durante um prolongado período.</p><p>A quantidade e a intensidade de agente químico que penetrará e</p><p>ultrapassará as barreiras dependerão de algumas circunstâncias, sendo que no</p><p>caso dos aerodispersoides, do tamanho da partícula e nos gases e vapores, da</p><p>hidrossolubilidade e em ambos os casos dependerão da concentração do agente</p><p>no ambiente (ar), do tempo de exposição e da ventilação pulmonar.</p><p>Caso o agente químico esteja sob a forma líquida ou sólida, geralmente</p><p>fica retido nos pulmões, provocando sérias patologias (pneumoconiose, edema</p><p>pulmonar e câncer) a curto e longo prazo. Se estiver no ar na forma gasosa,</p><p>pode causar problemas de saúde mais graves, pois a substância</p><p>atravessa os</p><p>pulmões e entra na corrente sanguínea, podendo alojar-se nos rins, sangue,</p><p>fígado, medula óssea, cérebro etc., causando leucemia, paralisias, convulsões,</p><p>entre outras patologias.</p><p>Como exemplos de doenças ocasionadas pelos agentes químicos, conforme</p><p>a lista oficial do Ministério da Saúde, no sistema respiratório temos: faringite,</p><p>rinite (alérgica e crônica), laringotraqueite, sinusite, bronquite, asma, pneumonite,</p><p>pneumoconiose, fibrose pulmonar, tumores neoplásicos (carcinoma brônquico,</p><p>mesotelioma), entre outras.</p><p>123</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Já no que se refere aos agentes químicos que poderão provocar as doenças</p><p>ocupacionais no trato respiratório, podemos citar: bromo, iodo, poeira de algodão,</p><p>arsênico, névoas de ácidos minerais, amônia, cádmio, cloro gasoso, poeira</p><p>de sílica livre, anidrido sulfuroso, poeira de carvão mineral, manganês, berílio,</p><p>solvente, asbesto, entre outros.</p><p>O sistema digestório representa uma via secundária de ingresso</p><p>de substâncias químicas no organismo, as quais são absorvidas no trato</p><p>gastrointestinal, que pode ocorrer desde a boca até o reto, tendo como maior</p><p>sítio de absorção o intestino delgado, devido a sua função fisiológica de absorver</p><p>nutrientes.</p><p>A ingestão de uma substância química no ambiente laboral é pouco</p><p>frequente, normalmente é acidental (podendo ser proposital) e, via de regra, é</p><p>decorrente do descumprimento de normas de higiene e segurança por parte do</p><p>trabalhador (maus hábitos, como ingerir alimentos com as mãos sujas ou que</p><p>ficaram expostas ao produto químico ou roer as unhas).</p><p>O aparelho ocular também poderá ser uma via de exposição, pois as</p><p>substâncias químicas que permanecem no ar podem causar irritação ocular,</p><p>conjuntivite, turvação visual, por exemplo. A cal pode provocar queimaduras</p><p>oculares e substâncias irritantes, como amoníaco, cloro e ácido sulfúrico podem</p><p>lesionar a conjuntiva.</p><p>Cabe ressaltar que, na prática, a exposição ao agente químico raramente</p><p>ocorre somente por uma única via, como nos casos do chumbo ou do pesticida</p><p>organofosforado paration/parationa, que podem ser absorvidos pela pele,</p><p>pulmões e pelo trato digestivo.</p><p>Assim, o caminho que as substâncias seguem depois que atingem a corrente</p><p>sanguínea é fundamental para que sejam determinadas as suas toxicidades.</p><p>Quando elas são absorvidas pela pele e pulmões são enviadas para todos</p><p>os órgãos antes de irem até o fígado. Já, em contrapartida, as substâncias</p><p>absorvidas pelo trato digestivo passam pelo fígado antes de serem transportadas</p><p>para o resto do organismo.</p><p>Desta forma, a via de exposição mais tóxica é aquela que permite a maior</p><p>absorção, ou seja, a inalação apresenta a maior absorção de substâncias</p><p>químicas, seguida pela ingestão e pela absorção dérmica (BUSCHINELLI, 2014).</p><p>Por existir uma variedade de substâncias químicas, numerosa demais</p><p>para ser mencionada, devemos recordar que foram indicados alguns sites de</p><p>pesquisa, bem como os Anexos 11, 12 e 13 da NR-15 e a própria FISPQ auxiliam</p><p>no conhecimento das ações dos agentes químicos no organismo do trabalhador.</p><p>124</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Quais os efeitos das substâncias químicas no corpo humano?</p><p>Com certeza você já deve ter lido ou escutado “a diferença entre um veneno</p><p>e um remédio é a dose”. Essa é uma citação de Paracelsus (século XVI).</p><p>A exemplo dessa frase, a diferença entre o surgimento ou não do efeito</p><p>nocivo de uma substância química no organismo do trabalhador está justamente</p><p>na dose e nas condições de exposição, na qua a dose, em termos ocupacionais,</p><p>pode ser alusiva ao meio da concentração existente no local laboral e o tempo em</p><p>que o trabalhador está exposto.</p><p>Com base nisso, podemos dizer que toda substância química é tóxica, sendo</p><p>uma redundância utilizarmos “substância tóxica”, pois até a água, quando utilizada</p><p>em doses exageradas, tem efeito nocivo (intoxicação hídrica). Para isso, há a</p><p>toxicologia, que é uma ciência que estabelece a quantidade (dose) da substância</p><p>que causa determinado efeito.</p><p>O IPVS (Imediatamente Perigoso para Vida ou Saúde), tradução de IDLH</p><p>(Immediately Dangerous to Life or Health), é o parâmetro mais importante em</p><p>saúde ocupacional para toxicidade aguda, o qual foi idealizado especialmente</p><p>para substâncias asfixiantes, corrosivas ou com efeitos agudos sobre o sistema</p><p>nervoso central. É a concentração de uma determinada substância no ar</p><p>ambiente, a qual apresenta risco de causar efeito permanente à saúde ou risco</p><p>evidente de morte ou de impedir que o trabalhador abandone a área contaminada</p><p>(BUSCHINELLI, 2014).</p><p>Os limites IDLH (IPVS) foram criados e estabelecidos pela OSHA e NIOSH</p><p>para facilitar a tomada de decisões no que se refere ao uso do respirador e</p><p>representa a concentração máxima de uma substância química no ar (exposição</p><p>de 30 minutos) a que um trabalhador saudável possa estar exposto, caso o</p><p>respirador autônomo falhar, sem que ele sofra efeitos permanentes ou que haja</p><p>o impedimento de fuga, prejudicando a sua saúde. Ressalta-se que, para locais</p><p>com alta concentração IPVS, a presença do trabalhador somente é permitida</p><p>em casos de emergência e com o uso de equipamento de proteção respiratória</p><p>autônoma.</p><p>Para saber mais sobre o assunto, acesse: <https://www.cdc.gov/</p><p>niosh/idlh/>.</p><p>125</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Segundo Mattos e Másculo (2011), existem fases na evolução da</p><p>contaminação, sendo que na fase de exposição há o contato inicial com alguma</p><p>substância. Enquanto que na segunda fase, denominada de toxicocinética,</p><p>é o momento que a substância é absorvida pela via cutânea, respiratória ou</p><p>digestória, sendo distribuída e biotransformada. Depois da absorção, a substância</p><p>pode ser eliminada ou incorporada bioquimicamente ao organismo, sendo que</p><p>essa incorporação poderá ou não ser crítica, o que caracteriza a sua toxicidade.</p><p>Na terceira fase, que é a toxicodinâmica, aparecem os efeitos adversos, dando</p><p>início à fase clínica da contaminação.</p><p>Desta forma, é necessário conhecer as características químicas de cada</p><p>produto, realizar ensaios clínicos para se saber quais efeitos poderá causar no</p><p>organismo e no meio ambiente, bem como analisar dose-resposta (realizar testes</p><p>em cobaias para estimar a exposição segura em seres humanos). Entretanto,</p><p>deve-se levar em consideração que o comportamento de determinadas</p><p>substâncias pode ser diferente em humanos, assim como estudos em substância</p><p>de forma isolada podem não ser eficientes para trabalhadores que geralmente</p><p>estão expostos a diferentes produtos ao mesmo tempo.</p><p>Informações sobre os efeitos de cada substância no organismo, bem como</p><p>seus principais sintomas, podem ser encontrados na sua respectiva FISPQ. Cabe</p><p>relembrar que muitas substâncias químicas não constam na NR-7 para que sejam</p><p>realizados exames complementares específicos, embora, as informações da</p><p>FISPQ identifiquem possíveis efeitos. O Quadro 2 apresenta os parâmetros para</p><p>a monitorização das exposições ocupacionais (ex.: aerodispersoides fibrogênicos</p><p>e não fibrogênicos), embora não sejam exames específicos (espirometria e Rx</p><p>do tórax), que informam como está a função do pulmão. Desta forma, a FISPQ</p><p>auxilia na definição de alguns exames preventivos do PCMSO.</p><p>As substâncias químicas, uma vez absorvidas pelo corpo do trabalhador,</p><p>podem provocar efeitos agudos (manifesta-se rapidamente após a exposição) ou</p><p>crônicos (são manifestados tardiamente) e a intensidade desses efeitos depende</p><p>da dose que penetrou no organismo, do tipo de substância penetrante, a via de</p><p>entrada, características individuais do trabalhador (idade, sexo, IMC, metabolismo,</p><p>estado de saúde) e da existência ou não de interações químicas. Portanto, os</p><p>efeitos de um agente químico para um determinado trabalhador poderão ser</p><p>distintos para outro trabalhador em virtude das diferenças individuais, assim como</p><p>podem variar os órgãos críticos.</p><p>No que tange aos órgãos críticos, pode-se citar como exemplo o</p><p>pulmão</p><p>quando há exposição a curto prazo e em altas concentrações de mercúrio ou o</p><p>sistema nervoso central quando da exposição a longo prazo.</p><p>126</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>É relevante recordar que alguns agentes químicos (inseticidas</p><p>organoclorados, metil-mercúrio, dioxinas e chumbo, por exemplo) absorvidos pelo</p><p>organismo materno poderão passar para o bebê durante a amamentação.</p><p>Como ocorre a distribuição e a acumulação dos agentes químicos no</p><p>organismo?</p><p>No que se refere à distribuição e à acumulação dos agentes químicos</p><p>no organismo, após ingressarem no corpo, ultrapassam as membranas</p><p>biológicas, alcançando a corrente sanguínea, ocorrendo a absorção e a</p><p>sua distribuição, sendo que esta distribuição dependerá de alguns fatores</p><p>relacionados ao agente químico como: solubilidade; afinidade com as moléculas</p><p>orgânicas; grau de ionização meio, bem como com maior ou menor vascularização</p><p>de determinadas áreas e condições orgânicas (existência ou não de lesões).</p><p>Os agentes químicos se acumulam ou se armazenam nas proteínas</p><p>plasmáticas (maioria que está no sangue se liga com elas. Ex.: cobre +</p><p>ceruloplasmina); nos lipídios (ex.: hexoclorociclohexano condiciona a uma</p><p>intoxicação crônica devido a sua fixação prolongada nos tecidos graxos); ossos</p><p>(ex.: chumbo e urânio); fígado e rins.</p><p>Assim, posteriormente à distribuição dos agentes químicos no organismo,</p><p>estes se acumulam no sítio de ação ou em sítios específicos ou são transportados</p><p>aos órgãos capazes de transformá-los (biotransformação) e/ou eliminá-los.</p><p>Por falar em biotransformação, esta é a transformação que o agente químico</p><p>sofre no organismo, ou seja, a metabolização (conversão de um composto</p><p>diferente do original), que ocorre pela ação sinérgica do fígado e rim sobre a</p><p>substância, podendo ser por: oxidação (ex.: tolueno transforma-se em ácido</p><p>benzoico); conjugação (ex.: a conjugação do ácido benzoico forma o ácido</p><p>hipúrico); redução (ex.: nitrobenzeno transforma-se em anilina); por hidrólise</p><p>(ex.: fosgênio por hidrólise forma o ácido clorídrico), entre outros.</p><p>Você deve estar se perguntando: como ocorre a eliminação do agente</p><p>químico do corpo?</p><p>Os agentes químicos são eliminados de duas formas: inalterados ou sob</p><p>a forma de produtos de biotransformação. Essa eliminação ocorre por diversas</p><p>vias, dependendo das propriedades físico-químicas do agente. Por exemplo: os</p><p>compostos gasosos e alguns voláteis usam a via pulmonar, enquanto que os</p><p>hidrossolúveis (suficientemente polares) usam a via renal (fenol, por exemplo).</p><p>Basicamente, quem elimina a maioria dos agentes químicos é o fígado</p><p>127</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>(através da bile que envia para o intestino, sendo eliminado pelas fezes ou</p><p>trabalhará o agente, que cairá na corrente sanguínea e será filtrado pelos rins) e</p><p>os rins (excreta através da urina), pois são os principais órgãos de metabolização</p><p>e de excreção para essas substâncias.</p><p>Como vimos, o fígado é o órgão principal da biotransformação, sendo que</p><p>o mercúrio, o cobalto, o cromo, o manganês, o arsênio, entre outros agentes</p><p>químicos podem ser excretados pela bile, sem serem distribuídos, enquanto que</p><p>os solventes orgânicos (lipossolúveis) são pouco eliminados por essa via.</p><p>Não seria, então, interessante que a NR-7 contemplasse</p><p>exames para esses órgãos, uma vez que são essenciais para os</p><p>trabalhadores expostos aos agentes químicos?</p><p>Assim, é de bom senso que se avalie esse trabalhador, podendo ser colocada</p><p>no PCMSO uma prova de função renal e hepática.</p><p>A eliminação também pode ocorrer pelo suor (iodo, ácido benzoico, álcool,</p><p>mercúrio, por exemplo) e saliva (ex.: atropina, álcool etílico), embora esse tipo de</p><p>eliminação não seja tão significativo e dependa da difusão da forma não ionizada</p><p>lipossolúvel.</p><p>Considerando-se que os agentes químicos também atingem o corpo como</p><p>um todo, que tal tratarmos sobre esse tema?</p><p>Primeiramente, convém informar que não se tecerá maiores comentários</p><p>acerca das ações no corpo e suas respectivas doenças, tendo em vista não ser</p><p>o objetivo da disciplina, bem como diante dos inúmeros agentes químicos e das</p><p>diversas ações nos mais variados órgãos.</p><p>Guardadas as limitações, cabe lembrar que muitos agentes químicos são</p><p>absorvidos pela pele ou aparelho respiratório, agindo no corpo (ação sistêmica),</p><p>em inúmeros órgãos (cérebro, tireoide, coração, intestino etc.), com ênfase no</p><p>fígado e nos rins, por serem fundamentais no metabolismo da desintoxicação</p><p>dos agentes químicos estranhos ao corpo (agentes xenobióticos), como já</p><p>evidenciado.</p><p>128</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>No Quadro 1 da NR-7 existem os agentes químicos e os indicadores</p><p>biológicos. Veja que os trabalhadores expostos ao arsênico, cromo e cádmio,</p><p>por exemplo, necessitam realizar exame de urina para a análise desses agentes.</p><p>Portanto, esses agentes passaram pelo rim e, por isso, a necessidade de avaliar</p><p>esse órgão na admissão do trabalhador como forma preventiva. Por outro lado,</p><p>trabalhadores expostos, por exemplo, ao etilbenzeno, no exame de sangue será</p><p>dosado o ácido mandélico. Isso ocorre devido ao fígado ser um biotransformador</p><p>de alguns agentes químicos.</p><p>Relativo à Lista de Doenças Relacionadas com o Trabalho, do Ministério da</p><p>Saúde (Portaria nº 1.339/99), encontram-se diversas doenças relacionadas aos</p><p>agentes químicos, dentre elas: angiossarcoma de fígado; neoplasia maligna do</p><p>pâncreas; neoplasia maligna dos brônquios e do pulmão; síndrome de Raynaud;</p><p>acrocianose e acroparestesia, provocadas pelo Cloreto de Vinila, por exemplo.</p><p>Como informado anteriormente, não há como abordarmos na íntegra as</p><p>ações dos agentes químicos no corpo do trabalhador. Desta forma, a melhor</p><p>alternativa é indicar caminhos para que você possa pesquisar por meio da CID-</p><p>10 (Classificação Internacional de Doenças), a qual é utilizada nos atestados</p><p>médicos, no Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário e na Lista de Doenças</p><p>Relacionadas com o Trabalho, do Ministério da Saúde.</p><p>Para pesquisar o código da doença há o PesqCid, do DATASUS,</p><p>que é um programa que pode ser baixado gratuitamente pelo site:</p><p><http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/descrpesq.htm>. Ademais</p><p>pode-se fazer o download da Lista de Doenças Relacionadas com</p><p>o Trabalho, do Ministério da Saúde <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/</p><p>publicacoes/doencas_relacionadas_trabalho_2ed_p1.pdf>, a qual</p><p>apresenta o agente etiológico e a doença ocupacional segundo a</p><p>CID-10 (ex.: asbesto/amianto - asbestose (J60.-).</p><p>Concernente aos cancerígenos, o Anexo 13 da NR-15 apresenta uma relação</p><p>de substâncias (- 4 - amino difenil (p-xenilamina); - Produção de Benzidina; -</p><p>Beta-naftilamina; - 4 - nitrodifenil) consideradas cancerígenas, as quais não são</p><p>permitidas nenhuma exposição ou contato, por qualquer via.</p><p>Atualmente, existem em diversos países vários programas que estão</p><p>129</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>revisando sobre as exposições ocupacionais a agentes poten cialmente</p><p>cancerígenos, pois há critérios usados que não são os mesmos, apresentando</p><p>diferenças nas classificações, como a IARC, que considera a poeira de sílica livre</p><p>cristalizada como agente cancerígeno, enquanto que a ACGIH classifica como</p><p>suspeito de provocar câncer (ACGIH, 2017).</p><p>Convidamos você a ler o artigo “Aposentadoria especial:</p><p>exposição aos agentes cancerígenos”, de autoria de Tuffi M. Saliba</p><p>e Suelen M. Creton, publicado em 2019, disponível em: <http://rbds.</p><p>ieprev.com.br/rbds/article/download/57/62> para complementar esse</p><p>importante tema.</p><p>Para saber mais, acesse o Atlas do Câncer Relacionado ao</p><p>Trabalho no Brasil. Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/1b</p><p>vH48GTtZERrqiuhWNepV8d84b2VP3G9/view>.</p><p>Conforme o Ministério da Saúde, o qual divulgou estudos em 2019 e que deu</p><p>origem ao Atlas do Câncer Relacionado ao Trabalho no Brasil, alguns ambientes</p><p>laborais podem conter até 900 agentes cancerígenos distintos que poderão</p><p>causar riscos à saúde do trabalhador. Essa</p><p>pesquisa apresenta dados relevantes</p><p>sobre os riscos químicos, informando que evitar contato com agrotóxicos, metais,</p><p>solventes, poeiras orgânicas e produtos petroquímicos podem reduzir em até 37%</p><p>os casos de determinadas neoplasias relacionadas ao trabalho.</p><p>7.1 MEDIDAS DE PREVENÇÃO E</p><p>CONTROLE</p><p>É notório que toda empresa deve praticar medidas de prevenção individuais</p><p>130</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>e coletivas quando da utilização de substâncias químicas, devendo atender ao</p><p>disposto na NR-9. Além disso, medidas técnicas, médicas, formação e informação</p><p>dos trabalhadores são medidas de proteção e prevenção fundamentais que</p><p>devem ser adotadas a fim de reduzir ao mínimo os riscos inerentes à utilização</p><p>dos agentes químicos.</p><p>A área da saúde do trabalhador, na segunda metade do século passado,</p><p>reconhecendo a complexidade da exposição a agentes químicos, passou</p><p>a preconizar a substituição ou a modificação do processo e que os EPCs são</p><p>mais eficazes que os EPIs. Além disso, passou a operar com abordagens</p><p>multidisciplinares e interdisciplinares para a resolução de problemas. Aliás, há</p><p>mais de 300 anos, Ramazzini (1633-1714) já mencionava a adoção de EPC</p><p>(sistema de ventilação exaustora) em minas subterrâneas, quando caracterizou a</p><p>doença dos mineiros.</p><p>As medidas de proteção devem seguir a seguinte hierarquização, conforme</p><p>Brevigliero, Possebon e Spinell (2017): eliminação da fonte (substituição de</p><p>produtos químicos; modificação de método e processo de trabalho; modificações</p><p>de projetos; manutenção de equipamento); neutralizar o risco por meio de EPC</p><p>(criação de sistema de ventilação/exaustão; enclausuramento de máquinas e</p><p>substâncias) e evitar ou diminuir lesões (uso de EPIs).</p><p>Saliba (2016) e Oliveira (2017) indicam como métodos de controle e medidas</p><p>de proteção: substituição do produto tóxico ou nocivo; mudanças ou alteração</p><p>do processo ou operação; encerramento ou enclausuramento da operação;</p><p>segregação da operação ou processo; ventilação local exaustora e ventilação</p><p>geral diluidora.</p><p>Já no que se refere às medidas de controle e proteção humana, Saliba</p><p>(2016) indica: limitação do tempo de exposição; educação e treinamento; controle</p><p>médico e equipamento de proteção respiratório (EPR).</p><p>Nessa perspectiva, as ações prioritárias da higiene ocupacional são:</p><p>ações no ambiente, no processo e no trabalhador, devendo ser monitoradas</p><p>constantemente para a verificação da sua eficácia e a constatação da necessidade</p><p>de novas ações.</p><p>A NR-9, em seu item 9.3.5.2, relata que as medidas de proteção coletiva</p><p>devem eliminar ou reduzir a utilização ou a formação de agentes prejudiciais;</p><p>prevenir a liberação ou a disseminação desses agentes e reduzir os níveis ou a</p><p>concentração desses agentes no ambiente de trabalho, seguindo essa ordem.</p><p>Portanto, segundo a NR-9, as medidas de controle dos riscos devem ser</p><p>131</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>inseridas na seguinte ordem de prioridade: 1º - medidas coletivas (EPC); 2º -</p><p>medidas administrativas ou de organização do trabalho e 3º - utilização de</p><p>equipamentos de proteção individual (EPI).</p><p>Por que o EPI é o último recurso? Porque ele não atua no problema, somente</p><p>no efeito, ou seja, ele ameniza as consequências. Além disso, o EPI somente</p><p>alcançará seu máximo desempenho quando o trabalhador obtiver conhecimento</p><p>completo sobre o seu uso.</p><p>São diversos os EPIs desenvolvidos para proteger o trabalhador e todos</p><p>eles devem, em sua concepção, atender às características antropométricas dos</p><p>trabalhadores, a fim de atuarem de forma eficaz e eficiente.</p><p>Diante dessas considerações, existem algumas etapas para se definir o uso</p><p>do EPI para os agentes químicos, a saber: 1ª verificar se é possível não usá-lo;</p><p>2ª buscar informações sobre o posto de trabalho e sobre a substância/produto</p><p>químico; 3ª averiguar todas as informações sobre o EPI a ser usado.</p><p>Especificamente para os produtos químicos, podemos citar os seguintes</p><p>EPIs: olhos e face (visores): devendo ser verificado se tem tratamento</p><p>antiembaçante; transparência; lente com tratamento químico, UV, IV, luz visível</p><p>e antirrisco e se cobre bem a visão; proteção de projeção de partículas sólidas e</p><p>líquidas; ventilação para evitar condensação, ajuste telescópico, angular e do clip</p><p>nasal, por exemplo; pele: através de cremes ocupacionais (repelentes, proteção</p><p>contra água, óleos, solventes e microrganismos) etc.; membros inferiores: botas</p><p>e perneiras; corpo inteiro: roupas e macacões; membros superiores: mangotes</p><p>e luvas, sendo que as luvas necessitam ter determinadas características, como</p><p>flexibilidade, resistência física, química e de temperatura; degradação, permeação</p><p>e penetração do material. Além disso, a verificação do material (borracha natural,</p><p>butílica, PVA, PVC, neoprene etc.) mais adequado para o produto químico (ou</p><p>grupo) a ser trabalhado é fundamental.</p><p>Quando as medidas de proteção coletiva não são suficientes para manter o</p><p>ambiente laboral respirável, o protetor respiratório é um EPI indispensável para a</p><p>proteção do trabalhador quando no uso de agentes químicos.</p><p>No que se refere à proteção respiratória, pode-se dividir em dependentes</p><p>e independentes do ar atmosférico. As dependentes são com filtro e estão</p><p>classificadas em: motorizadas (com filtro e motor) e não motorizadas (o “motor”</p><p>é o pulmão), enquanto que as independentes não possuem filtro e recebem o</p><p>ar de fora, podendo ser: a) linha de ar comprimido (fluxo contínuo, fluxo de</p><p>demanda, fluxo de demanda com pressão positiva); b) linha de ar comprimido</p><p>com cilindro auxiliar. Existem também as máscaras autônomas (circuito aberto</p><p>ou circuito fechado).</p><p>132</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>A NR-6 classifica os EPIs para proteção respiratória em: respirador purificador</p><p>de ar não motorizado; respirador purificador de ar motorizado; respirador de</p><p>adução de ar tipo linha de ar comprimido; respirador de adução de ar tipo máscara</p><p>autônoma e respirador de fuga. Já a FUNDACENTRO classifica os respiradores</p><p>conforme a figura a seguir:</p><p>FIGURA 3 – CLASSIFICAÇÃO DE RESPIRADORES</p><p>FONTE: Torloni (2016, p. 126)</p><p>Os filtros utilizados na proteção respiratória dependente podem ser</p><p>mecânicos (usados para poeiras, fumos e névoas, por exemplo) e químicos</p><p>(utilizados para gases e vapores) e são mais importantes do que a máscara em</p><p>si, pois de acordo com o trabalho a ser executado, deve-se ter o filtro adequado.</p><p>A vida útil do filtro está condicionada à concentração do produto químico, ao tipo</p><p>de contaminante, ao tipo de trabalho, à umidade e à temperatura do ambiente e</p><p>ao tamanho do filtro.</p><p>Os filtros mecânicos podem ser: PFF1 ou P1; PFF2 ou P2 e PFF3 ou P3</p><p>(onde: PFF a própria máscara é o filtro e P é o filtro a ser acoplado na máscara).</p><p>A escolha do filtro químico tem alguns critérios a serem seguidos como: MCU</p><p>133</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>< IPVS; MCU > C e MCU < FPA x LT (onde: MCU = máxima concentração de uso;</p><p>C = concentração).</p><p>A definição da proteção respiratória adequada deve seguir alguns</p><p>critérios como: identificação do contaminante por intermédio da FISPQ;</p><p>concentração do contaminante no ambiente; limite de tolerância; tempo</p><p>de exposição do trabalhador; condições físicas do trabalhador; considerar</p><p>o tamanho adequado para cada usuário (ensaio de vedação); verificar se o</p><p>ambiente possui concentração de oxigênio maior que 18% (conforme Anexo</p><p>11); verificar a concentração IPVS (nesse caso, escolher a melhor proteção,</p><p>por ex.: máscara de ar mandado com pressão positiva e com cilindro auxiliar);</p><p>definir o FPR (fator de proteção requerido); identificar o FPA (fator de proteção</p><p>atribuído); seleção do filtro, bem como a observação da ficha de instruções de</p><p>uso, armazenamento e sua higienização e a realização de treinamento de uso,</p><p>a qual é imprescindível.</p><p>De acordo com Torloni (2016), os respiradores adequados para agentes</p><p>químicos são aqueles que reduzem a exposição do trabalhador a valores</p><p>abaixo</p><p>do limite máximo de tolerância, ou seja, a um Limite de Exposição Ocupacional</p><p>(LEO), devendo seguir as recomendações da FUNDACENTRO contidas na</p><p>publicação intitulada “Programa de Proteção Respiratória - Recomendações,</p><p>Seleção e Uso de Respiradores”.</p><p>Acesse o Programa de Proteção Respiratória na íntegra</p><p>em: <http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/biblioteca-digital/</p><p>publicacao/detalhe/2016/6/programa-de-protecao-respiratoria>.</p><p>Merece ser relembrado que os limites de exposição visam à prevenção</p><p>e cada um desses limites está relacionado a um tipo de dano. Por exemplo: o</p><p>TWA visa à prevenção de efeitos crônicos (leucemia, câncer, silicose, entre</p><p>outros), enquanto que o STEL objetiva os efeitos de curta duração, ou seja,</p><p>os efeitos agudos (irritação, lesão tissular, entre outros). Logo, o TWA não visa</p><p>ao mesmo tipo de proteção que o STEL que, por sua vez, não visa à mesma</p><p>proteção de um limite teto, o qual tem como meta a proteção de irritações</p><p>físicas (instantâneas).</p><p>http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/biblioteca-digital/publicacao/detalhe/2016/6/programa-de-protecao-respiratoria</p><p>http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/biblioteca-digital/publicacao/detalhe/2016/6/programa-de-protecao-respiratoria</p><p>134</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>A Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica o monitoramento da</p><p>saúde dos trabalhadores expostos a agentes químicos por meio da avaliação</p><p>médica ocupacional como medida preventiva, objetivando a detecção precoce, a</p><p>fim de minimizar os efeitos adversos. Esse monitoramento tem duas vertentes:</p><p>a vigilância à saúde (abrange os exames médicos aos trabalhadores expostos</p><p>aos agentes químicos para verificar possíveis efeitos, sendo uma atividade de</p><p>segmento ao longo do tempo para detectar alterações clínicas) e monitoramento</p><p>da exposição (é um procedimento de interpretação de parâmetros biológicos</p><p>e/ou ambientais com a finalidade de detectar os possíveis danos à saúde,</p><p>possibilitando a implantação de medidas de prevenção e controle apropriadas),</p><p>ou seja, a vigilância à saúde monitora possíveis efeitos de um determinado agente</p><p>e o monitoramento biológico da exposição verifica se o controle implantado no</p><p>ambiente laboral é eficaz (BUSCHINELLI, 2014).</p><p>Ressalta-se que a elaboração do PCMSO deve contemplar a combinação</p><p>da vigilância à saúde e o monitoramento biológico de exposição.</p><p>Nessa abrangência, compete ao higienista ocupacional realizar o</p><p>mapeamento, incluindo todos os riscos químicos aos quais os colaboradores</p><p>estão expostos como forma preventiva. O correto e adequado armazenamento</p><p>das substâncias químicas, a garantia da oferta e do uso dos EPCs, a exigência do</p><p>uso de EPIs, a oferta da realização de exames médicos regulares, a orientação</p><p>aos trabalhadores sobre como manusear corretamente as substâncias, bem</p><p>como sobre o tempo limite que podem ficar expostos à contaminação, são alguns</p><p>exemplos primordiais, que garantem a redução dos danos causados pelos</p><p>agentes químicos, uma vez que a promoção da saúde e a prevenção são sempre</p><p>o melhor caminho.</p><p>1 Sobre os riscos químicos e seus efeitos na saúde do trabalhador,</p><p>as vias de penetração dos agentes químicos e as medidas de</p><p>prevenção e controle, analise as asserções a seguir:</p><p>I) Os agentes químicos que proporcionam perigo à saúde do</p><p>trabalhador são os compostos, produtos ou substâncias que</p><p>podem prejudicar por via respiratória, cutânea e/ou ingestão.</p><p>II) A inalação apresenta maior grau de risco devido à rapidez com</p><p>que as substâncias químicas são absorvidas pelos pulmões,</p><p>sendo a principal via de intoxicação no ambiente de trabalho.</p><p>III) Em muitos casos o empregador somente paga o adicional</p><p>de insalubridade, não adotando medidas de proteção para o</p><p>trabalhador, pois a NR-15 não obriga a adoção protetiva.</p><p>135</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>IV) Os respiradores de filtro químico devem ser utilizados em locais</p><p>em que há concentrações superiores ao limite de tolerância.</p><p>V) Saber quais contaminantes estão presentes no ambiente laboral</p><p>é o primeiro passo para garantir a proteção do trabalhador.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>( ) As asserções I, II e III estão corretas.</p><p>( ) As asserções III, IV e V estão corretas.</p><p>( ) As asserções I, II, IV e V estão corretas.</p><p>( ) As asserções I, III e V estão corretas.</p><p>( ) As asserções II e III estão corretas.</p><p>8 CONTAMINANTES SÓLIDOS,</p><p>LÍQUIDOS E GASOSOS</p><p>Um dos mais antigos trabalhos sobre contaminantes de que se tem referência</p><p>é do toxicologista alemão Rudolf Kobert, que em 1912 publicou em um de seus</p><p>livros uma lista chamada “As menores quantidades de gases industriais nocivos</p><p>que são tóxicos e os montantes que podem ser suportados”.</p><p>Cabe ressaltar que determinadas substâncias químicas, as quais são</p><p>utilizadas nos processos industriais, são lançadas no meio ambiente, de forma</p><p>acidental ou intencional, os denominados contaminantes químicos. Ademais,</p><p>toda atividade industrial pode produzir resíduos sólidos, líquidos ou gasosos com</p><p>características diversas, os quais podem ser inflamáveis e explosivos, devido às</p><p>perdas ou até mesmo pela ineficiência do processo. Tais substâncias e resíduos</p><p>podem afetar a saúde do trabalhador, bem como a parte física da indústria, o</p><p>entorno (comunidade) e o meio ambiente, gerando poluição ambiental, problemas</p><p>de saúde, entre outros impactos.</p><p>Assim, contaminante químico é toda e qualquer substância orgânica</p><p>ou inorgânica, natural ou sintética, que durante sua fabricação, manuseio,</p><p>transporte ou armazenamento, pode difundir-se no meio ambiente em forma de</p><p>aerodispersoides, gases e vapores que podem causar efeitos adversos direto ou</p><p>indireto a um sistema biológico, dependendo da sua concentração no ambiente</p><p>laboral (TORLONI, 2016).</p><p>136</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Nesse contexto, cabe relembrar que a segurança química é um conceito</p><p>global, que foi desenvolvido para assegurar a proteção da vida, da saúde e</p><p>das condições ambientais diante dos riscos decorrentes das atividades com</p><p>substâncias químicas, a fim de utilizá-las de forma consciente e racional.</p><p>Os efeitos adversos ocasionados por agentes químicos, tanto para o meio</p><p>ambiente como para a saúde humana, em especial a do trabalhador, dependem,</p><p>dentre outras, das suas propriedades físicas e químicas, da forma de uso, via e</p><p>intensidade de exposição, características toxicológicas e ecotoxicológicas, assim</p><p>como das especificidades dos seres vivos que estão submetidos à exposição,</p><p>conforme a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).</p><p>Os contaminantes químicos estão classificados em aerodispersoides, que</p><p>podem ser sólidos ou líquidos e em contaminantes gasosos, conforme pode-se</p><p>visualizar na figura a seguir.</p><p>FIGURA 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS CONTAMINANTES QUÍMICOS</p><p>FONTE: A autora</p><p>Os contaminantes ou agentes químicos na forma de partícula ou</p><p>particulado, são conhecidos como aerodispersoides, os quais podem ser</p><p>sólidos (poeiras, fibras e fumos) ou líquidos (névoas e neblinas) e, de acordo</p><p>com Lopes (2007), por possuírem massa muito pequena (partículas menores que</p><p>100 μm) ficam em suspensão no ar e nem mesmo a ação da gravidade é capaz</p><p>de promover deposição das partículas de forma imediata. Já os contaminantes</p><p>gasosos são classificados em gases e vapores.</p><p>137</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Com relação à origem desses contaminantes, podem ser formados</p><p>por dispersão (resultantes de uma desintegração mecânica da matéria. Ex.:</p><p>processos de pulverização e lixamento de material sólido) ou condensação</p><p>(produzidos pela supersaturação de vapores ou gases que não se volatilizam).</p><p>Vale lembrar que é a forma física de uma substância química que determina</p><p>como ela se dispersa no ambiente. A dispersão ou propagação na atmosfera</p><p>será determinada pela quantidade de poeira produzida, quando a substância se</p><p>encontra no estado sólido, ou pela volatilidade, quando a substância se encontra</p><p>no estado líquido (FUNDACENTRO,</p><p>2012).</p><p>Outro ponto importante a considerar é que, em uma análise de</p><p>aerodispersoides, deve-se sempre levar em conta a origem da partícula e</p><p>o tamanho, pois são esses os parâmetros que determinarão o potencial de</p><p>toxicidade desse contaminante dentro do organismo do trabalhador. A exposição</p><p>aos aerodispersoides propicia o surgimento de doenças respiratórias.</p><p>Os aerodispersoides são classificados quanto aos seus efeitos sobre o</p><p>organismo humano como: incômodas (são partículas que não contêm asbesto ou</p><p>com teor de sílica cristalina inferior a 1%, que não tem efeito tóxico conhecido, mas</p><p>não podem ser consideradas inertes. Ex.: calcário, gesso); fibrogênicas (alteram</p><p>a estrutura celular dos alvéolos limitando a capacidade de troca de oxigênio. Ex.:</p><p>amianto, sílica cristalina, ferro, berílio e algodão); irritantes (irritam, inflamam e</p><p>ulceram o trato respiratório. Ex.: névoas ácidas ou alcalinas); produtoras de febre</p><p>(produzem febre e calafrios. Ex.: fumos de zinco e cobre); sistêmicas (provocam</p><p>danos nos órgãos ou sistemas do organismo. Ex.: chumbo, cádmio e manganês);</p><p>alergênicas (geram reações alérgicas devido à formação de anticorpos. Ex.:</p><p>pólen e pelos de animais); cancerígenas (causam câncer após período latente.</p><p>Ex.: amianto, cromatos e radionuclídeos); mutagênicas (induzem mutação em</p><p>nível celular) e teratogênicas (alterações genéticas. Ex.: chumbo e mercúrio).</p><p>8.1 CONTAMINANTES SÓLIDOS</p><p>Segundo a Fundacentro (2012), ao se trabalhar com contaminantes sólidos</p><p>(aerodispersoides), deve-se sempre recordar que a propagação no ambiente será</p><p>determinada pela quantidade de poeira produzida pelo sólido, sendo classificada</p><p>em empoeiramento alto (poeiras finas e leves), médio (sólidos granulares e</p><p>cristalinos) e baixo (grânulos grossos).</p><p>A NHO-08 (2009) classifica os particulados da seguinte forma: a) Particulado</p><p>inalável (partículas de diâmetro aerodinâmico menor que 100 μm, que podem</p><p>138</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>entrar pela boca e narinas, ingressando no trato respiratório durante a inalação);</p><p>b) Particulado torácico (partículas de diâmetro aerodinâmico menor que 25 μm,</p><p>que podem passar pela laringe, entrar nas vias aéreas superiores e adentrar nas</p><p>vias aéreas dos pulmões); c) Particulado respirável (partículas de diâmetro</p><p>aerodinâmico menor que 10 μm, que podem invadir além dos bronquíolos terminais,</p><p>bem como se alojar nos pulmões, causando efeito adverso); d) Particulado total</p><p>(deve ser coletado somente quando não houver indicação específica para coleta</p><p>de particulado inalável, torácico ou respirável); e) Partículas não especificadas</p><p>de outra maneira - Particulates not otherwise classified (PNOS) (partículas</p><p>para as quais não há dados suficientes para demonstrar efeitos na saúde e que</p><p>não podem ser totalmente consideradas inertes). De acordo com a ACGIH são</p><p>exemplos: fibra de celulose, cal, carbonato de cálcio (calcário), gesso e amido.</p><p>É relevante mencionar que a ACGIH também aborda sobre os agentes com</p><p>limite fração inaláveis e vapor, que são agentes químicos na forma de material</p><p>particulado mais a fração vapor, sendo que a amostragem deverá atender</p><p>ao critério estabelecido no Anexo C do TLVs e BEIs - Limites de Exposição</p><p>Ocupacional (TLVs®).</p><p>Que tal analisarmos cada um dos aerodispersoides? Como vimos</p><p>anteriormente, os aerodispersoides sólidos são divididos em: poeiras, fibras e</p><p>fumos.</p><p>8.1.1 Poeiras</p><p>Agora, abordaremos sobre as poeiras, sua classificação e seus efeitos na</p><p>saúde do trabalhador.</p><p>É importante lembrarmos que encontramos estudos sobre a nocividade da</p><p>poeira desde a Antiguidade, os quais foram realizados por vários pesquisadores,</p><p>como Hipócrates, Plínio, Galeno, Platão e Ramazzini, o qual estudou os sintomas</p><p>clínicos e as lesões ocasionadas pela inalação de pó, em 1700, conforme Saliba</p><p>(2016).</p><p>Conforme Torloni (2016, p. 76), “poeira - aerossol gerado mecanicamente,</p><p>constituído por partículas sólidas formadas por ruptura mecânica de um sólido”.</p><p>Geralmente surgem quando os materiais sólidos sofrem processo de moagem,</p><p>ruptura, lixamento, trituração, entre outros, gerando partículas que flutuam no ar,</p><p>como no caso dos processos que produzem pó (mineração, amianto, calcário, pó</p><p>de madeira, jato de areia etc.).</p><p>139</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>As poeiras são partículas sólidas dispersas no ar, com diâmetros maiores</p><p>que 0,5 μm, as quais são produzidas por ação mecânica (lixadeiras, polimento,</p><p>britagem, lixamento, escavação etc.), podendo ser minerais: produzidas a</p><p>partir de perfurações, explosão, britagem de pedra, pó de mármore, granito,</p><p>por exemplo, e que podem causar doença pulmonar e até câncer; ou vegetais:</p><p>proveniente de atividades industriais (ex.: pó de certas madeiras) e agrícolas</p><p>(ex.: poeira de algodão), que podem ocasionar doenças respiratórias obstrutivas,</p><p>asma, alergias, dermatoses, bissinose, entre outras. Vale salientar que o nosso</p><p>sistema respiratório tem proteção somente contra as poeiras naturais (acima de</p><p>10 μm).</p><p>Dependendo da sua composição química, as poeiras podem ser orgânicas:</p><p>não são muito comuns na indústria, mas constituem risco para doenças</p><p>pulmonares e risco de explosão (ex.: madeiras, algodão etc.) e inorgânicas: de</p><p>origem mineral ou sintética (ex.: sílica, manganês etc.), mais comuns no ambiente</p><p>laboral, provocam um número maior de doenças ocupacionais e são divididas em</p><p>silicosas e não silicosas.</p><p>As poeiras, de todos os aerodispersoides, possuem características próprias,</p><p>como o tamanho da partícula (o que define como sendo inalável ou respirável),</p><p>além de serem responsáveis pela pneumoconiose. Ademais, é o tamanho</p><p>da poeira que determina onde a partícula se depositará ao longo do sistema</p><p>respiratório.</p><p>Deve-se levar em consideração a classificação da poeira quanto ao</p><p>tamanho da partícula, ou seja, ≥ 10 e < 100 µm é inalável (sendo capaz de</p><p>penetrar pela boca e nariz, mas, em sua maior parte, é retida nas vias aéreas</p><p>superiores: faringe e laringe e nas passagens nasais) e < 10 µm é respirável</p><p>(pode se alojar na região alveolar por ser muito pequena, sendo a de maior risco).</p><p>Como exemplos de atividades laborais onde há exposição a poeiras, pode-se</p><p>citar o corte de pedras (como nas marmorarias), o corte de madeiras, a fundição</p><p>de ferro etc.</p><p>As poeiras são classificadas quanto aos efeitos no organismo humano da</p><p>seguinte forma: irritantes: são aquelas que irritam as mucosas do aparelho</p><p>respiratório, provocando doença pulmonar crônica; fibrogênicas: aquelas que</p><p>provocam a fibrose (doença responsável por lesões permanentes nos pulmões),</p><p>sendo as mais comuns as poeiras de sílica e de amianto; tóxicas: são as que</p><p>atingem a respiração, a parte central do sistema nervoso e os órgãos internos</p><p>(ex.: cádmio, chumbo e manganês); alergênicas: são as provocadas por poeiras</p><p>vegetais, fungos e pelos de animais, causando alergias respiratórias (asma); de</p><p>efeitos cutâneos: são aquelas que causam problemas na pele (dermatites e</p><p>140</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>urticárias) (ex.: fibra de vidro, lã de rocha); cancerígenas: o amianto e o arsênico</p><p>são exemplos que podem transformar as células sadias em malignas, afetando o</p><p>mecanismo regulador bioquímico.</p><p>É importante ressaltar que as pneumopatias relacionadas à inalação de</p><p>poeiras em ambiente laboral, genericamente designadas como pneumoconiose</p><p>e que é a doença ocupacional mais antiga, é resultante do acúmulo de poeira</p><p>nos pulmões, causada pela inalação de poeiras inorgânicas. São excluídas dessa</p><p>designação as alterações neoplásicas, reações das vias aéreas e enfisema.</p><p>Assim, o Ministério da Saúde (2006), em seu protocolo sobre pneumoconiose,</p><p>utiliza esse termo para designar todas as doenças pulmonares parenquimatosas</p><p>causadas por inalação de poeiras.</p><p>Didaticamente, as pneumoconioses são divididas de acordo com o potencial</p><p>da poeira em produzir fibrose reacional em: fibrogênicas (são irreversíveis e</p><p>provocam danos permanentes na estrutura alveolar) e não fibrogênicas</p><p>(são</p><p>reversíveis e provocam pequenas reações). São muitas as doenças do tipo</p><p>pneumoconiose, como asbestose, silicatose, baritose e a silicose (pior delas,</p><p>provocada pela exposição à sílica livre cristalina) e estão relacionadas a diversas</p><p>atividades, como mineração, metalurgia, cerâmica, agricultura, indústria de</p><p>madeira, entre outras.</p><p>O Anexo 12 da NR-15 define o limite de tolerância para poeiras minerais</p><p>(asbesto, manganês e seus compostos e para a sílica cristalizada), bem como</p><p>trata da poeira como fonte de adicional de insalubridade, informando que a</p><p>exposição do trabalhador deverá ser avaliada de forma quantitativa, conforme</p><p>os limites de tolerância constantes no anexo. Assim, caso seja constatado, por</p><p>intermédio de laudo pericial, que o trabalhador está exposto acima dos limites,</p><p>terá direito ao adicional de insalubridade de grau máximo. Já as outras poeiras</p><p>consideradas como adicional de insalubridade são apresentadas no Anexo 13 e</p><p>são avaliadas de forma qualitativa.</p><p>Conforme o anexo supracitado, o limite de tolerância para poeira respirável</p><p>(sílica livre cristalizada), expresso em mg/m3, é dado pela seguinte fórmula:</p><p>LT = 8</p><p>% quartzo+2</p><p>Enquanto que a fórmula para o limite de tolerância para poeira total (respirável</p><p>e não respirável) é: LT = 24</p><p>% quartzo+3</p><p>141</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Veja que o Anexo supracitado somente aborda três poeiras minerais,</p><p>pois segundo a legislação apenas esses três tipos dão direito ao adicional de</p><p>insalubridade. No entanto, a poeira de algodão ou a poeira do carbonato de cálcio,</p><p>por exemplo, causam malefícios ao trabalhador, sendo insalubres, mas não dão</p><p>direito ao adicional.</p><p>O propósito elementar da amostra da poeira é identificar os trabalhadores</p><p>expostos e, detectada a necessidade, determina-se onde e quantas amostragens</p><p>serão necessárias, priorizando atividades e áreas com mais alta exposição, bem</p><p>como os trabalhadores que estão mais expostos à poeira. O dimensionamento</p><p>da amostragem está atrelado ao tamanho da partícula, às características de</p><p>manipulação, ao material, ao ambiente e aos controles de poeira.</p><p>Relativo aos equipamentos de amostragem de poeira, devem, de forma</p><p>mais fidedigna possível, simular o que ocorre no sistema respiratório quando</p><p>da inalação, ou seja, esses equipamentos devem coletar apenas as partículas</p><p>(poeira respirável) que possam penetrar no trato respiratório.</p><p>A fração de coleta é indicada pelo método ou pelo limite de exposição a</p><p>ser considerado e as frações utilizadas em Higiene do Trabalho são: total (sem</p><p>tamanho definido); respirável (até 10 µm); inalável (até 100 µm); torácica (até</p><p>25 µm) e a fração inalável e vapor (FIV).</p><p>A coleta de poeiras totais geralmente é realizada em altas vazões, sendo</p><p>capturadas em um filtro encaixado dentro de uma peça plástica (cassete) e</p><p>conectado a uma bomba de amostragem. Para a coleta das poeiras respiráveis,</p><p>deve-se separar fisicamente as poeiras antes dela chegar no filtro através do</p><p>ciclone (devido à rotação do ar na câmara interna), tendo como mesmo princípio</p><p>da centrífuga para separar as partículas conforme seu tamanho aerodinâmico.</p><p>Lembrando que cada ciclone usa uma vazão específica, bem como tem um ponto</p><p>de corte que é definido pela ACGIH e ISO 7708. Já para a coleta das poeiras</p><p>inaláveis, utiliza-se o amostrador IOM, que é um separador de partícula e para</p><p>a coleta da fração torácica, a qual tem uma aplicação limitada, pois são poucos</p><p>os agentes que possuem esse limite (ex.: poeira de algodão), é utilizado o ciclone</p><p>BGI. Para a coleta da fração inalável e vapor (FIV), há o amostrador FIV, que</p><p>coleta os agentes que são encontrados no ambiente em duas formas: inalável</p><p>e vapor (ex.: pesticidas e herbicidas pulverizados ou pulverização de diesel).</p><p>Lembrando que a NHO 08, em seu Anexo D, apresenta tabelas de critério para a</p><p>coleta de particulados suspensos no ar.</p><p>Como EPCs para as poeiras podemos citar: substituição do produto</p><p>(ex.: jateamento de areia por jateamento de granalha de aço); exaustão,</p><p>enclausuramento e umidificação. Sobre essa última, ressalta-se que a eficiência</p><p>142</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>desse método depende de dois fatores: do umedecimento da poeira e de sua</p><p>adequada disposição depois de molhada. O Ministério do Trabalho determina que</p><p>as máquinas e as ferramentas utilizadas nos processos de corte e acabamento</p><p>de rochas ornamentais devem ser dotadas de um sistema de umidificação capaz</p><p>de minimizar ou eliminar a geração de poeira decorrente de seu funcionamento</p><p>(Portaria nº 43/2008).</p><p>Outro fato que merece ser citado é no que se refere à ventilação geral</p><p>diluidora, que deve ser usada quando não é possível ou viável a ventilação local</p><p>exaustora. Contudo, diversas razões levam à não utilização frequente deste</p><p>tipo de ventilação para poeiras e fumos, pois a quantidade de material gerado é</p><p>normalmente muito grande e sua dissipação pelo ambiente é desaconselhável.</p><p>Além disso, o material pode ser muito tóxico, requerendo, portanto, uma excessiva</p><p>quantidade de ar de diluição (OLIVEIRA, 2017).</p><p>Já no que se refere às medidas de controle e proteção humana, Saliba (2016)</p><p>indica: limitação do tempo de exposição; educação e treinamento; controle médico</p><p>e equipamento de proteção respiratório (EPR), sendo este considerado, por</p><p>Torloni (2016), o último recurso na hierarquia das medidas de controle, devendo</p><p>ser adotado somente após cuidadosa avaliação dos riscos. Nas operações em</p><p>que as concentrações de poluentes são superiores ao limite de tolerância, devem</p><p>ser usados respiradores mecânicos (poeiras). Deve-se usar filtro classe P1 ou</p><p>peça semifacial filtrante para partículas PFF1 se o FPMR for igual a 5, para</p><p>poeiras mecanicamente geradas (TORLONI, 2016).</p><p>8.1.2 Fibras</p><p>Quanto as suas características físicas, as fibras são partículas sólidas, as</p><p>quais são produzidas por ruptura mecânica de sólidos e que, segundo a NHO-</p><p>04, podem ser definidas como longos e finos filamentos de um material.</p><p>Elas se diferenciam das poeiras justamente por terem a forma alongada (com</p><p>comprimento de 3 a 5 vezes superior ao seu diâmetro). Entre os exemplos, o mais</p><p>característico é o amianto, há também fibra animal (lã), fibra vegetal (algodão) e</p><p>fibra mineral (cerâmica).</p><p>As fibras podem ser divididas em orgânicas (algodão, linho, sisal etc.) e não</p><p>orgânicas (amianto/asbesto, fibras cerâmicas, fibras vítreas etc.).</p><p>Conforme a NHO-04, a fibra respirável é aquela com diâmetro menor que 3</p><p>µm, com comprimento maior que 5 µm e relação entre comprimento e diâmetro ≥</p><p>3:1.</p><p>143</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Lembrando que a NHO-04 aborda sobre Método de ensaio:</p><p>método de coleta e a análise de fibras em locais de trabalho e pode</p><p>ser acessada em: <http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-</p><p>de-higiene-ocupacional/publicacao/detalhe/2013/3/nho-04-metodo-</p><p>de-ensaio-metodo-de-coleta-e-a-analise-de-fibras-em-locais-de-</p><p>trabalho>.</p><p>A fibra de amianto é uma categoria especial dos aerodispersoides.</p><p>Amianto (latim) ou asbesto (grego) são nomes comerciais de um grupo de</p><p>minerais silicatos hidratados, sendo responsáveis por duas importantes doenças</p><p>ocupacionais: asbestose e câncer de pulmão, embora, ainda, gere polêmicas no</p><p>meio industrial e acadêmico como verdadeira causadora do câncer, mesmo que</p><p>a Organização Mundial de Saúde já tenha declarado, em 2004, que o amianto</p><p>crisotila é um carcinógeno humano letal e que nenhum limite de exposição seguro</p><p>tinha sido identificado até aquele momento.</p><p>O Anexo 12 da NR-15 apresenta os limites de tolerância para fibras respiráveis</p><p>de asbesto crisotila, que é de 2,0 f/cm3, especificando que: entende-se por fibras</p><p>respiráveis de asbesto aquelas com diâmetro inferior a 3 µm, comprimento maior</p><p>que 5 µm e relação entre comprimento e diâmetro superior a 3:1.</p><p>A metodologia a ser adotada para a fibra dependerá de normalização</p><p>específica,</p><p>podendo demandar de dispositivos especiais ou de dispositivos, como</p><p>cassetes, tubos, filtros, entre outros, de acordo com o laboratório.</p><p>Cabe salientar que, de modo geral, substâncias tóxicas não são utilizadas na</p><p>produção (fiação e tecelagem) de fibras naturais. Todavia, os trabalhadores estão</p><p>expostos à poeira dessas fibras, bem como é possível que o algodão cru esteja</p><p>contaminado por bactérias, desfoliantes ou dessecantes ou que a lã crua esteja</p><p>contaminada por pesticidas, os quais foram aplicados como tratamento medicinal</p><p>nas ovelhas, por exemplo. Em contrapartida, na fabricação de fibras sintéticas são</p><p>empregadas substâncias tóxicas, estando presentes em alguns processos, como</p><p>no tingimento e acabamento e, portanto, os trabalhadores são frequentemente</p><p>expostos aos corantes e a uma variedade de ácidos (acético, fórmico e sulfúrico,</p><p>por exemplo), além de fixadores, solventes orgânicos e clareadores fluorescentes.</p><p>É necessário relembrar que diversas poeiras e fibras que são geradas nos</p><p>processos industriais podem criar uma atmosfera explosiva, mas para que elas</p><p>144</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>sejam combustíveis, é preciso verificar se as partículas são muito pequenas e se</p><p>estão dentro do limite de explosividade.</p><p>Como EPCs pode-se citar: a substituição; a exaustão; o enclausuramento e</p><p>a umidificação.</p><p>8.1.3 Fumos</p><p>Fumos são definidos como “aerodispersoides, gerados termicamente,</p><p>constituídos por partículas sólidas formadas por condensação de vapores, em</p><p>geral após volatização de substância fundida, [...] frequentemente acompanhada</p><p>de reação química, tal como a oxidação” (TORLONI, 2016, p. 74).</p><p>São partículas sólidas dispersas no ar com diâmetro inferior a 1 μm, que</p><p>se formam quando um material sólido se vaporiza ou sublima com o calor e em</p><p>seguida esfria bruscamente, condensando-se. O exemplo mais comum é na solda</p><p>(fundição de metais) que forma partículas de fumo, onde os vapores do metal</p><p>fundido se esfriam, solidificam-se e oxidam-se rapidamente formando os fumos</p><p>metálicos, que são aerotransportados.</p><p>Os fumos podem ser plásticos (originados das atividades de aquecimento</p><p>e fusão de materiais plásticos) ou metálicos (gerados das operações de solda,</p><p>fundição ou outras atividades que envolvem aquecimento e fusão de metais).</p><p>Para o procedimento de amostragem de fumos metálicos são</p><p>indispensáveis o conjunto de cassete e filtro, bomba de amostragem e</p><p>calibrador. Eles são coletados diretamente no filtro, assim como a poeira total e a</p><p>amostragem geralmente é realizada sem separação, embora a ACGIH recomende</p><p>a avaliação da fração respirável para alguns fumos que, nesse caso, se utilizará</p><p>um ciclone.</p><p>Vale recordar que é necessária a análise do processo e a utilização de</p><p>metodologias normatizadas para a escolha da vazão e volume mínimo, bem</p><p>como, concomitante à avaliação quantitativa, deve-se ter a avaliação biológica</p><p>(urina e sangue). Ademais, na avaliação de fumos metálicos deve-se considerar</p><p>os efeitos independentes e os combinados.</p><p>Os fumos podem causar pneumoconioses ou envenenamento por metais</p><p>pesados (caso do saturnismo provocado pelo chumbo em fundições). Nas</p><p>décadas de 1970 e 1980, os fumos metálicos foram considerados um dos maiores</p><p>problemas de saúde ocupacional, tendo em vista a causa de inúmeros problemas</p><p>145</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>respiratórios, inclusive câncer pulmonar.</p><p>A principal porta de entrada dos fumos no organismo humano é a respiração</p><p>e, portanto, atacam o trato respiratório, causando ação irritante, desconfortante,</p><p>alérgica e/ou corrosiva, pois partículas maiores que 5 µm se depositam nas</p><p>narinas, garganta e traqueia. Já as partículas menores (entre 0,1 e 0,5 µm)</p><p>penetram nos pulmões, se alojando nos alvéolos pulmonares, podendo também</p><p>penetrar na corrente sanguínea. Assim, quanto menor a partícula, mais prejudicial</p><p>poderá ser.</p><p>Tanto a absorção dos fumos metálicos no organismo como os danos que</p><p>podem causar, são os mais diversos e mais extensos à saúde do trabalhador.</p><p>Segundo Saliba (2016), geralmente, a avaliação dos fumos metálicos</p><p>é realizada sem a separação do tamanho das partículas, mas a ACGIH</p><p>recomenda para alguns metais (óxidos de zinco) limites de tolerância na fração</p><p>respirável. Informa também que os instrumentos utilizados para a avaliação</p><p>desse agente são basicamente os mesmos da poeira, com exceção do filtro,</p><p>que nas amostragens de metais deve ser constituído de éster de celulose (0,8 μm</p><p>de poro).</p><p>O principal tipo de EPI são os respiradores, que de acordo com o Programa</p><p>de Prevenção Respiratório (PPR) da Fundacentro, para um ambiente laboral</p><p>que contenha fumos metálicos, deve-se utilizar o respirador com filtro classe P2</p><p>ou peça semifacial filtrante para partículas PFF2 se o FPMR for menor que 10</p><p>(TORLONI, 2016). Já a NR-6 recomenda os tipos PFF2, PFF3, P2 e P3 para</p><p>proteção contra fumos.</p><p>No que se refere aos EPCs, para prevenir que os fumos metálicos presentes</p><p>no ar cheguem ao sistema respiratório do trabalhador, os mais indicados são:</p><p>substituição, enclausuramento, ventilação, sistema de exaustão e filtragem.</p><p>8.2 CONTAMINANTES LÍQUIDOS</p><p>De acordo com a Fundacentro (2012), ao se trabalhar com contaminantes</p><p>líquidos, deve-se considerar que quanto mais volátil for a substância, maior será</p><p>a sua evaporação a uma dada temperatura e maior será a quantidade desta</p><p>substância presente no ar.</p><p>Outro ponto importante é que se a FISPQ apresentar mais de um valor de</p><p>ponto de ebulição para o produto, utiliza-se o de mais baixo valor e se a tarefa</p><p>146</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>necessitar de vários níveis de temperatura, utiliza-se a mais alta. Contudo, se</p><p>houver mistura de uma ou mais substâncias, considera-se a de menor ponto de</p><p>ebulição (FUNDACENTRO, 2012).</p><p>8.2.1 Névoas e neblinas</p><p>De acordo com Torloni (2016, p. 75), “névoas são partículas líquidas geradas</p><p>por condensação de vapor que retorna ao estado líquido ou por desagregação de</p><p>líquido, formando um aerossol”.</p><p>As névoas são partículas líquidas dispersas no ar, as quais são produzidas</p><p>pela ruptura mecânica de líquidos, sendo os exemplos mais comuns aquele</p><p>formado durante as atividades de pintura com pistola (névoa de tinta) ou o</p><p>agricultor aplicando agrotóxico na plantação. Podem provocar efeitos nocivos à</p><p>saúde, de acordo com a natureza do líquido disperso.</p><p>Referente ao respirador, se a névoa for mecanicamente gerada, usar filtro</p><p>classe P1 ou peça semifacial filtrante para partículas PFF1 se o FPMR for igual</p><p>a 5 ou filtro classe P2 (ou peça semifacial filtrante para partículas PFF2, se o</p><p>FPMR for menor ou igual a 10). Caso a névoa for à base de tinta, esmalte ou</p><p>verniz, contendo solvente orgânico, usar filtro combinado: filtro químico contra</p><p>vapores orgânicos e filtro para partículas classe P2. Pode-se utilizar filtro da</p><p>classe P1, quando o FPMR for igual a 5. Já se a névoa conter agrotóxico, usar</p><p>filtro combinado: filtro químico contra vapores orgânicos e filtro para partículas</p><p>classe P2 (TORLONI, 2016).</p><p>As neblinas são suspensões de partículas líquidas dispersas no ar, com</p><p>diâmetro menor que 0,5 μ, as quais foram formadas pela condensação de</p><p>vapores de uma determinada substância que é líquida em temperatura normal.</p><p>A condensação somente ocorrerá quando o vapor do líquido estiver saturado no</p><p>ambiente.</p><p>Relativo às características físicas, as neblinas são formadas pela</p><p>condensação de vapores de substâncias líquidas que se volatilizaram (ex.:</p><p>processos de galvanoplastia).</p><p>As neblinas podem causar efeitos nocivos à saúde do trabalhador, como</p><p>uma neblina de ácido num galpão de galvanização, provocando irritação ocular,</p><p>cutânea e respiratória.</p><p>É importante frisar que é bastante corriqueiro o equívoco entre névoa</p><p>147</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>e neblina com vapor, pois mesmo que o vapor acompanhe a névoa, eles são</p><p>distintos e isso é fundamental quando houver a seleção de filtros para os</p><p>respiradores.</p><p>Assim, as névoas e as neblinas são agentes químicos no estado</p><p>líquido e são geradas pela ruptura do líquido ou pela condensação de vapores de</p><p>substâncias líquidas que estão em temperatura ambiente.</p><p>Quanto aos EPCs para as névoas e as neblinas, basicamente são: exaustão,</p><p>enclausuramento e substituição.</p><p>8.3 CONTAMINANTES GASOSOS:</p><p>GASES E VAPORES</p><p>Constantemente ouvimos falar em gases e vapores e, de modo geral, os</p><p>gases são definidos como uma substância que se encontra em estado</p><p>gasoso, estando em condições normais de temperatura e pressão,</p><p>diferentemente do vapor, que é uma substância que, em condições normais</p><p>de pressão e temperatura, está no estado líquido. Assim, uma das diferenças</p><p>entre os dois está relacionada ao espaço que ocupam. Os gases, por terem</p><p>mobilidade, ocupam todo o espaço disponível e quando submetidos a altas</p><p>temperaturas e pressões se tornam liquefeitos.</p><p>Nos ambientes laborais são encontrados os seguintes gases: gases</p><p>asfixiantes: são inertes, mas em alta concentração são capazes de reduzir</p><p>a concentração de oxigênio no ambiente, provocando asfixia (gás carbônico,</p><p>acetileno, argônio); gases tóxicos: são aqueles que possuem componentes</p><p>tóxicos em suas composições (amônia, monóxido de carbono, cloro). Quando</p><p>inalado, absorvido ou ingerido, reage quimicamente com o organismo humano,</p><p>provocando desde irritação até a morte. A exposição não pode exceder os</p><p>valores de segurança e deve-se levar em consideração a concentração do gás</p><p>(risco imediato) e o tempo de exposição (efeito acumulativo). Para a detecção</p><p>da exposição aos gases tóxicos, os equipamentos detectores são ajustados para</p><p>três alarmes: 1) Limite instantâneo (quando a concentração do gás alcança o</p><p>seu 1º limite); 2) TWA (concentração média ponderada do gás durante 8 horas</p><p>consecutivas, sem causar danos à saúde do trabalhador) e 3) STEL (concentração</p><p>máxima do gás durante 15 minutos consecutivos, sem provocar danos à saúde);</p><p>gases inflamáveis: são os facilitadores de explosões e incêndios (propileno,</p><p>metano e propano) e são detectados por meio do percentual do LIE. Ressalta-</p><p>se que a composição da mistura gás + ar se estabelece entre o LIE e o LSE,</p><p>variando de acordo com o tipo de gás, sendo aqueles com faixa muito ampla</p><p>entre esses limites os mais perigosos (hidrogênio 4% e 75%).</p><p>148</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Você está convidado a ler o artigo “Gases industriais: transporte,</p><p>manuseio, cuidados e análise de risco”, publicado na Revista</p><p>Pesquisa Ação, v. 5, n. 2, jun. 2019, o qual está disponível em:</p><p><https://revistas.brazcubas.br/index.php/ pesquisa/ article/view/680>.</p><p>Os vapores, que são provenientes da evaporação de um líquido ou sólido,</p><p>são emanações que serão mais concentradas e com maior índice de evaporação</p><p>no ar à medida que a temperatura for maior (vapores da gasolina, do álcool e dos</p><p>solventes).</p><p>Os gases e os vapores, sob o ponto de vista da Higiene do Trabalho, são</p><p>tratados juntos tendo em vista o seu comportamento similar, devido aos métodos</p><p>utilizados para sua amostragem nos locais de trabalho e sua posterior análise</p><p>laboratorial serem frequentemente similares.</p><p>De acordo com suas características físicas, os gases são substâncias que</p><p>estão no estado gasoso, em condições normais de pressão e temperatura (25 ºC</p><p>e 760 mmHg) e como exemplos podemos citar: oxigênio e nitrogênio. Enquanto</p><p>que os vapores voltam aos seus estados originais após alteração nas condições</p><p>de temperatura e/ou pressão, sendo exemplos: vapores de água, vapores</p><p>resultantes de volatilização de solventes (tolueno, benzeno) etc.</p><p>Os gases e os vapores, de acordo com as suas propriedades químicas,</p><p>classificam-se em: orgânicos (contêm carbono em sua estrutura molecular. Ex.:</p><p>acetona, benzeno, xileno e álcool etílico); ácidos (já são ácidos ou se tornaram à</p><p>medida que reagiram com a água. Ex.: cloro, ácido clorídrico, dióxido de enxofre e</p><p>dióxido de carbono); alcalinos (quando reagem com a água formam uma solução</p><p>básica. Ex.: amônia e arsina); e inertes (não reagem com outras substâncias. Ex.:</p><p>nitrogênio e metano).</p><p>É importante conhecer e entender as classificações dos agentes químicos</p><p>para a elaboração de um PPR adequado, visto que é corriqueiro encontrar</p><p>trabalhadores expostos a vapores orgânicos, por exemplo, utilizando um</p><p>respirador do tipo PFF2.</p><p>Os gases e os vapores são classificados em três grupos, conforme a sua</p><p>ação sobre o organismo humano, como demonstrado na figura a seguir:</p><p>149</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>FIGURA 5 – CLASSIFICAÇÃO DOS GASES E VAPORES TÓXICOS</p><p>FONTE: A autora</p><p>Cabe lembrar que essa classificação está baseada no efeito mais significativo</p><p>sobre o organismo humano e que, portanto, se uma substância pertence a um grupo,</p><p>não significa que ela não tenha características de outro grupo.</p><p>Os gases e os vapores irritantes são aqueles capazes de reduzir a</p><p>concentração de oxigênio no ambiente, seu modo de ação é determinado pela sua</p><p>solubilidade e eles podem ocasionar sérios danos para a saúde do trabalhador. São</p><p>divididos em: irritantes primários: atuam no sistema respiratório e ocular, com ação</p><p>local, causando inflamação, edema, hiperemia, desidratação, destruição da parede</p><p>celular e até necrose. Distinguem-se de acordo com o local de ação em: irritantes</p><p>de ação sobre as vias respiratórias superiores (ácidos e álcalis fortes); irritantes</p><p>de ação sobre os brônquios (anidrido sulfuroso e cloro) e irritantes de ação sobre os</p><p>pulmões (gases nitrosos e fosgênio); irritantes secundários: têm ação sistêmica e</p><p>são absorvidos pelo organismo (sistema respiratório e nervoso); irritantes atípicos:</p><p>possuem ação irritante sobre as vias respiratórias superiores, apesar da baixa</p><p>solubilidade.</p><p>150</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Os gases e os vapores anestésicos são substâncias que interferem no</p><p>sistema nervoso central, podendo causar perda de consciência, parada respiratória e</p><p>até a morte. São divididos em: primários: são substâncias que não produzem outro</p><p>efeito a não ser o anestésico, mesmo que o trabalhador se submeta a exposições</p><p>recorrentes, em baixa concentração; anestésicos de efeitos sobre as vísceras: são</p><p>aquelas substâncias que podem ocasionar danos nos rins e fígado dos trabalhadores</p><p>expostos; de ação sobre o sistema formador de sangue: são substâncias que se</p><p>acumulam especialmente na medula óssea, no sistema nervoso e nos tecidos graxos.</p><p>Salienta-se que o benzeno é a substância que representa o maior risco, pois mesmo</p><p>em exposições a baixas concentrações de forma repetida, pode ocasionar anemia</p><p>irreversível, chegando à leucemia. O tolueno e o xileno, homólogos do benzeno,</p><p>também têm efeitos anestésicos, mas seus efeitos tóxicos são considerados</p><p>menores; de ação sobre o sistema circulatório e o sangue: são substâncias que</p><p>pertencem ao grupo dos nitrocompostos de carbono quando utilizadas na indústria</p><p>e que podem alterar a hemoglobina; de ação sobre o sistema nervoso central:</p><p>são substâncias que têm eliminação lenta por parte do organismo devido a sua</p><p>alta solubilidade em água e, portanto, se manifestam de forma mais acentuada no</p><p>sistema nervoso central.</p><p>Os gases e os vapores asfixiantes são substâncias químicas que levam o</p><p>organismo à deficiência ou privação de oxigênio, sem haver interferência direta na</p><p>respiração. São subdivididos em: asfixiantes simples: que são gases inertes que</p><p>afetam a concentração do oxigênio, sem alterar a troca gasosa nos pulmões, portanto,</p><p>sem efeito tóxico. Em caso de exposição a essas substâncias, é fundamental que a</p><p>concentração de oxigênio esteja dentro de padrões mínimos aceitáveis. O Anexo 11,</p><p>da NR-15, aponta que “Todos os valores fixados no Quadro nº 1 como “Asfixiantes</p><p>Simples” determinam que nos ambientes de trabalho, em presença destas</p><p>substâncias, a concentração mínima de oxigênio deverá ser 18% em volume”. Assim,</p><p>situações em que a concentração do oxigênio estiver inferior a este valor serão</p><p>consideradas de risco iminente e grave e é por</p><p>Capítulo 1</p><p>possibilidade de osteonecrose (morte de uma parte do osso decorrente da falta</p><p>de irrigação sanguínea), decorrente das bolhas de nitrogênio que formam no</p><p>corpo, devido ao não cumprimento do tempo de descompressão, afetando vários</p><p>órgãos, inclusive os ossos, em especial as extremidades. Já o Anexo 6 da NR-15</p><p>recomenda também a radiografia do joelho desses trabalhadores.</p><p>No que se refere ao trabalho submerso, de acordo com o Anexo 6 da NR-</p><p>15 (subitem 2.1 - inciso XXXII), é “qualquer trabalho realizado ou conduzido por</p><p>um mergulhador em meio líquido”. O mergulhador é submetido a uma pressão</p><p>atmosférica maior e é exigida uma cuidadosa descompressão, conforme as</p><p>tabelas que constam no Anexo C.</p><p>Considera-se mergulhador o profissional qualificado e legalmente habilitado</p><p>para utilização de equipamentos de mergulho, o qual deve passar por exame</p><p>médico específico (admissional e periódico), por profissional qualificado, para o</p><p>exercício da atividade (NR-15 Anexo 6).</p><p>Quais são as normas que regem as atividades submersas? Basicamente,</p><p>são o Anexo 6 da NR-15 (que trata das atividades de mergulho e trabalhos sob</p><p>ar comprimido) e a Norma da Autoridade Marítima para Atividades Subaquáticas</p><p>(NORMAM-15), aprovada pela Portaria 09/2000.</p><p>Saiba mais sobre a NORMAM-15. Acesse <https://www.</p><p>marinha.mil.br/dpc/sites/www.marinha.mil.br.dpc/files/normam15.</p><p>pdf> e amplie seus conhecimentos.</p><p>Os Anexos A e B, do Anexo 6 da NR-15, retratam sobre os padrões psicofísicos</p><p>para seleção dos candidatos e para o controle dos profissionais mergulhadores</p><p>em atividade, respectivamente. Para o primeiro grupo são considerados a idade,</p><p>a anamnese e o exame médico, composto por: biometria; aparelhos circulatório,</p><p>respiratório, digestivo e geniturinário; oftalmo-otorrinolaringológico; exame</p><p>neuropsiquiátrico; exames complementares; testes de pressão, de tolerância ao</p><p>oxigênio e aptidão física. Para o segundo grupo, os critérios são os mesmos, com</p><p>algumas modificações.</p><p>Conforme NORMAM-15 e o Manual do Trabalho Submerso - normativa</p><p>produzido pelo Grupo Técnico do Ministério do Trabalho e Emprego -, os</p><p>18</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>mergulhadores são classificados em dois níveis: mergulhador raso: podendo</p><p>operar em até 50 metros de profundidade, utilizando ar comprimido como</p><p>fonte respiratória, o qual é fornecido através de equipamento autônomo ou</p><p>dependente, quando interligado à superfície e não podendo exceder a quatro</p><p>horas o tempo máximo submerso diário; mergulhador profundo: podendo</p><p>operar em profundidades maiores de 50 metros, com habilitação para operações</p><p>de mergulho que exijam a utilização de mistura respiratória artificial (MRA),</p><p>composta de hélio e oxigênio (HeO2), a fim de evitar o efeito narcótico, bem como</p><p>necessita de um suporte/monitorização dado pela superfície.</p><p>Ainda de acordo com o Manual, há diversas classificações do mergulho.</p><p>Dentre elas, quanto ao tipo de equipamento, podendo ser: a) mergulho</p><p>autônomo: utilizando ar comprimido SCUBA (cilindro), ou seja, a fonte de</p><p>respiração é transportada pelo mergulhador; b) mergulho dependente: a fonte</p><p>respiratória está na superfície (umbilical); c) mergulho com umbilical ligado</p><p>diretamente à superfície: o mergulhador está preso à superfície pela linha de</p><p>vida (para mergulho até 50 metros); d) mergulho com sino aberto (sinete):</p><p>campânula com a parte inferior aberta e provida de estrado; e) mergulho com</p><p>sino de mergulho (fechado): campânula fechada, utilizada para transferir</p><p>os mergulhadores, sob pressão, entre o local de trabalho e a câmara de</p><p>descompressão de superfície. O tempo de fundo deverá ser mantido dentro dos</p><p>limites de mergulho sem descompressão, definidos nas tabelas do Anexo 6.</p><p>FIGURA 3 – MERGULHO COM EQUIPAMENTO AUTÔNOMO</p><p>FONTE: https://www.opetroleo.com.br/soldador-subaquatico-conheca-profissao-</p><p>que-tem-um-dos-maiores-salarios-do-mundo/. Acesso em: 20 abr. 2019.</p><p>19</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>FIGURA 4 – MERGULHO DEPENDENTE</p><p>FONTE: https://clickpetroleoegas.com.br/profissionais-de-mergulho-sao-</p><p>convocados-por-empresa-offshore/ Acesso em: 20 abr. 2019.</p><p>Segundo a NORMAM-15, o mergulho profundo é dividido em mergulho de</p><p>intervenção (Bounce Dive) e mergulho saturado.</p><p>No mergulho de intervenção é utilizado o sino de mergulho (sino fechado)</p><p>ou sinete (sino aberto), conforme pode ser visualizado nas Figuras 5 e 6. Com sino</p><p>aberto, o tempo de permanência do mergulhador na água não poderá exceder a</p><p>160 minutos e com sino de mergulho, o tempo de fundo não poderá exceder 90</p><p>minutos, (até 90 metros de profundidade); 60 minutos (90 a 120 metros) e 30</p><p>minutos (120 a 130 metros de profundidade), segundo o Anexo 6 da NR-15.</p><p>FIGURA 5 – EQUIPAMENTO PROFISSIONAL DO TIPO SINO FECHADO</p><p>FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sino_de_mergulho. Acesso em: 20 abr. 2019.</p><p>20</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>FIGURA 6 – EQUIPAMENTO PROFISSIONAL DO TIPO SINO ABERTO</p><p>FONTE: http://www.revistastatus.com.br/2015/02/20/a-</p><p>caminho-da-escuridao/. Acesso em: 20 abr. 2019.</p><p>Já o mergulho saturado, conforme a NORMAM-15, emprega técnicas de</p><p>saturação, nas quais o indivíduo é exposto à pressão por tempo suficiente para</p><p>que o organismo atinja o limite de absorção de gás inerte, ou seja, ele é saturado</p><p>de nitrogênio. Após, por meio de um sino fechado, ele é realocado para o local</p><p>de trabalho, podendo trabalhar por um período maior (máximo de permanência</p><p>será de 28 dias) e o espaço mínimo entre duas saturações será igual ao tempo</p><p>de saturação, não podendo este período ser menor que 14 dias. O tempo total</p><p>de estada sob saturação, num espaço de 12 meses consecutivos, não poderá</p><p>exceder 120 dias, conforme as regras contidas no Anexo 6.</p><p>Nessa perspectiva, o mergulho de saturação é uma atividade em alta</p><p>profundidade, desgastante e perigosa, como a do mergulhador de plataforma</p><p>submarina de exploração de petróleo, por exemplo, o qual submerge a mais de</p><p>300 metros de profundidade, com o objetivo de manipular válvulas nos oleodutos</p><p>ou reparar equipamentos. Agora que já abordamos sobre os tipos de trabalho</p><p>em condições hiperbáricas, vamos ver o que acontece com o organismo diante</p><p>dessas atividades?</p><p>Para entendermos sobre esse tema, precisamos compreender um pouco</p><p>sobre a respiração. Em primeiro lugar, respiramos porque necessitamos de</p><p>oxigênio para a manutenção do nosso organismo e para liberar o gás carbônico.</p><p>Para que isso aconteça, a glicose circulante no sangue reage com o oxigênio</p><p>respirado, liberando energia para o funcionamento corporal, sobrando, assim, o</p><p>gás carbônico (eliminado pela expiração) e a água (eliminada pela urina e pelo</p><p>suor). Assim, o oxigênio chega até a célula e reage com a glicose, saindo o</p><p>gás carbônico obtido por essa reação, fazendo com que inspiremos oxigênio e</p><p>expiremos gás carbônico.</p><p>http://www.revistastatus.com.br/2015/02/20/a-caminho-da-escuridao/</p><p>http://www.revistastatus.com.br/2015/02/20/a-caminho-da-escuridao/</p><p>21</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Como vimos na condição hipobárica, quase 80% do ar que respiramos é</p><p>nitrogênio, mas na respiração usamos o oxigênio. Como entender isso?</p><p>O nitrogênio é um gás inerte, pois o corpo humano não o utiliza. Dessa forma,</p><p>a maior parte do ar que respiramos não usamos. Aqui, é importante lembrar que a</p><p>pressão atmosférica do nitrogênio na superfície é de 0,8 ATM (representando 80%</p><p>de 1 ATM). Então, à medida que o trabalhador exerce suas funções num local</p><p>hiperbárico, a pressão relativa do nitrogênio é maior, entrando com mais facilidade</p><p>nitrogênio no corpo (do pulmão para o sangue), sendo que essa quantidade</p><p>depende da pressão e do tempo de exposição sob a pressão. Portanto, quanto</p><p>maior a pressão e/ou o tempo de exposição, maior será a difusão do nitrogênio</p><p>no corpo e, consequentemente, esse nitrogênio com maior pressão espalhado</p><p>pelo corpo gerará a doença descompressiva, assim como poderá provocar efeito</p><p>narcótico.</p><p>Podemos dizer que o aparelho</p><p>isso que não há LT para esses agentes</p><p>(ex.: etano, acetileno etc.) no Anexo 11, pois se mede a concentração do oxigênio e</p><p>não o agente em si; asfixiantes químicos: que em pequenas concentrações podem</p><p>causar asfixia, porque interferem no transporte do oxigênio pelos tecidos.</p><p>Entretanto, a OSHA estabelece que, no ambiente de trabalho, o teor de oxigênio</p><p>deve ser entre 19,5% e 23,5% e que concentrações maiores apresentam chance de</p><p>inflamação e riscos de explosão e ambientes com menos de 19,5% se constituem em</p><p>risco para a segurança e saúde do trabalhador. As situações de perigo ocasionadas</p><p>pela deficiência de oxigênio podem ser detectadas através de medições (oxímetro).</p><p>Assim, nossa legislação, mais uma vez demonstra que não está em concordância</p><p>com as normas internacionais.</p><p>É pertinente recordar que gases e vapores são sempre classificados na</p><p>151</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>categoria alta volatilidade (TORLONI, 2016).</p><p>No que se refere às unidades de medida, as utilizadas para gases e vapores são</p><p>o ppm (partes de vapor ou gás por milhão de ar contaminado, em volume) ou mg/m³</p><p>(miligramas por metro cúbico de ar), sendo a conversão realizada da seguinte forma:</p><p>ppm = 24,45 x mg/m³ e mg/m³ = ppm x PM</p><p>PM 24,45</p><p>O Anexo n° 11, da NR-15, trata dos gases e vapores como fonte de insalubridade,</p><p>sendo que sua caracterização se dará por intermédio da avaliação quantitativa.</p><p>Entretanto, como há um alto custo, geralmente é realizada de forma qualitativa,</p><p>conforme indicado no Anexo 13. O trabalhador exposto ao agente insalubre gases</p><p>e vapores fará jus ao adicional de insalubridade, variando de acordo com a espécie</p><p>do agente químico, podendo ser de grau mínimo (20%) até grau máximo (40%),</p><p>conforme indicado no Quadro 1 do referido Anexo (SALIBA; CORRÊA, 2015).</p><p>Relacionado à avaliação e à detecção de gases e vapores, pode-se utilizar</p><p>equipamentos fixos (no interior do ambiente) e/ou portáteis (avaliar exposição do</p><p>trabalhador). A maioria dos gases e vapores são coletados na baixa vazão (entre 5 e</p><p>500 ml/min).</p><p>A amostragem pode ser efetuada por coleta de ar total ou por separação dos</p><p>contaminantes por meio de retenção desses agentes em meio sólido (adsorção), por</p><p>condensação ou em meio líquido (absorção). Ressalta-se que o êxito da amostragem</p><p>dependerá dos processos de coleta e análise serem realizados corretamente,</p><p>seguindo rigorosamente o método escolhido.</p><p>Referente às medidas de controle de gases e vapores, elas podem ser adotadas</p><p>no ambiente de trabalho (fonte de produção desses agentes ou no meio de difusão) e</p><p>no próprio trabalhador (por receptor). Contudo, as medidas de controle no trabalhador</p><p>somente poderão ser aplicadas quando as medidas no ambiente laboral forem</p><p>inviáveis. Existem também outras medidas de controle coletivas como: substituição</p><p>do produto (ex.: vapor da gasolina dos automóveis com chumbo tretaetila ou o</p><p>solvente das tintas - tinta à base de água); enclausuramento da operação; alteração</p><p>da operação ou processo (ex.: uso do pincel ao invés da pistola na pintura); utilização</p><p>de sistema de alarme (ex.: para monitorar a concentração de monóxido de carbono);</p><p>ventilação geral diluidora; ventilação local exaustora e conservação do local de</p><p>trabalho. Já as medidas de controle no trabalhador são: treinamento, utilização de</p><p>EPIs; limitação do tempo de exposição; controle médico e Programa de Proteção</p><p>Respiratória (PPR).</p><p>152</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Não deixe de assistir ao vídeo da Fundacentro sobre</p><p>“Instrumentação agentes químicos”. Disponível em: <https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=hnIjys-Cmxg>.</p><p>Chegamos ao final da nossa última seção e agora só falta você revisar o que</p><p>leu, fazendo as atividades de estudo.</p><p>Durante a seção, discorremos sobre os contaminantes</p><p>químicos sólidos, líquidos e gasosos, mais especificamente sobre os</p><p>aerodispersoides (poeira, fibras, fumos, névoas e neblina) e gases</p><p>e vapores. Assim, considerando esses temas estudados, leia com</p><p>atenção as duas atividades que seguem:</p><p>1 Analise as afirmativas a seguir e, em seguida, assinale a</p><p>alternativa INCORRETA:</p><p>( ) As partículas abaixo de 10 µm são as mais perigosas, sendo</p><p>visíveis somente por meio de microscópio e se constituem na</p><p>chamada fração respirável, pois podem ser absorvidas pelo</p><p>sistema respiratório.</p><p>( ) Os aerodispersoides, que são distintos dos aerossóis, são</p><p>agentes químicos na forma de partículas sólidas e líquidas com</p><p>tamanhos visíveis e que se encontram suspensos no ar.</p><p>( ) Contaminante químico é qualquer agente químico que se</p><p>encontra no local de trabalho e que provoca efeitos adversos,</p><p>como doenças e/ou acidentes de trabalho nos trabalhadores</p><p>expostos.</p><p>( ) Como exemplos de agentes químicos no estado sólido, temos</p><p>as poeiras de origem animal, mineral e vegetal, no estado</p><p>gasoso, como exemplo, podemos citar o GLP (Gás Liquefeito</p><p>de Petróleo) e no estado líquido, temos os ácidos, os solventes,</p><p>as tintas e os inseticidas domésticos.</p><p>153</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>2 Com base na última seção, relacione as colunas:</p><p>(1) Fumo</p><p>(2) Névoa</p><p>(3) Poeira</p><p>(4) Neblina</p><p>( ) Partícula líquida produzida mecanicamente em forma de spray.</p><p>( ) Partícula líquida produzida por condensação de vapor.</p><p>( ) Partícula sólida produzida por ruptura mecânica.</p><p>( ) Partícula sólida produzida pela condensação de metal.</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Nesse capítulo, você obteve várias informações sobre os agentes químicos,</p><p>um tema bastante amplo e, assim, esperamos que esse compilado tenha sido</p><p>satisfatório.</p><p>Pode-se constatar que reconhecer o risco químico que está presente no</p><p>ambiente laboral e saber intervir exige observação cuidadosa das condições</p><p>ambientais, caracterização das atividades, muito conhecimento, dedicação, entre</p><p>outros, sendo as medidas de controle necessárias para a etapa da prevenção.</p><p>Dessa forma, compete a você especificar e propor tipos de avaliação,</p><p>metodologias e procedimentos adequados para medições dos agentes químicos</p><p>a fim de proporcionar um ambiente laboral salubre, contribuindo com uma série</p><p>de recomendações técnicas pertinentes à saúde do trabalhador.</p><p>Portanto, estar atualizado e conectado com as novidades e os acontecimentos</p><p>no mundo da Higiene do Trabalho é fundamental para se ter sucesso profissional.</p><p>154</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT. NBR 14725-2:2019. Produtos químicos - Informações sobre segurança,</p><p>saúde e meio ambiente Parte 2: Sistema de classificação de perigo. Disponível</p><p>em: https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=418238. Acesso em: 2 set.</p><p>2019.</p><p>ABNT. NBR 14725-3:2017. Produtos químicos - Informações sobre segurança,</p><p>saúde e meio ambiente. Parte 3 - Rotulagem. Disponível em: https://www.</p><p>abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=374798. Acesso em: 2 set. 2019.</p><p>ABNT. NBR 14725-4:2014. Produtos químicos - Informações sobre segurança,</p><p>saúde e meio ambiente. Parte 4 - FISPQ. Disponível em: https://www.</p><p>abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=325473. Acesso em: 2 set. 2019.</p><p>ABNT. NBR 14725-1:2009. Produtos químicos - Informações sobre segurança,</p><p>saúde e meio ambiente Parte 1: Terminologia. Disponível em: http://www2.iq.usp.</p><p>br/pos-graduacao/images/documentos/seg_2_2013/nbr147251.pdf. Acesso em: 2</p><p>set. 2019.</p><p>ABNT. NBR 14983:2008. 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TLVs e Bels Thereshold Limit Values and Biological Expresure.</p><p>Tradução da Associação Brasileira de Higienista Ocupacional (ABHO). São</p><p>Paulo, 2017.</p><p>155</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>ACGIH. Limites de exposição ocupacional (TLVs®) para substâncias</p><p>químicas e agentes físicos e índices biológicos de exposição (BEIs®).</p><p>Tradução Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais – ABHO, São Paulo,</p><p>2013.</p><p>AGENDA 21. UNCED - Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente</p><p>e Desenvolvimento (1992), Agenda 21 (global), em português. Ministério do</p><p>Meio Ambiente - MMA Disponível em: http://www.meioambiente.pr.gov.br/</p><p>arquivos/File/agenda21/Agenda_21_Global_Sintese.pdf. Acesso em: 28 jun.</p><p>2019.</p><p>ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual Segurança</p><p>no Ambiente Hospitalar. Versão 1.1. 2003. 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Acesso em: 28 jul. 2019.</p><p>PEIXOTO, N. H.; FERREIRA, L. S. Higiene ocupacional III. Santa Maria:</p><p>Universidade Federal de Santa Maria, Colégio Técnico Industrial de Santa Maria,</p><p>Rede e-Tec Brasil, 2013.</p><p>RIBEIRO, M. G. et al. Avaliação qualitativa de riscos químicos: orientações</p><p>básicas para o controle da exposição a produtos químicos. São Paulo:</p><p>Fundacentro, 2012.</p><p>RODRIGUES A. et al. Exposição a agentes químicos. Lisboa: ACT, 2014.</p><p>SALIBA, T. M. Manual Prático de Avaliação e Controle de Poeira e outros</p><p>159</p><p>AGENTES QUÍMICOSAGENTES QUÍMICOS Capítulo 2</p><p>Particulados. 8. ed. São Paulo: LTr, 2016.</p><p>SALIBA, T. M.; CORRÊA, M. A. C. Insalubridade e periculosidade: aspectos</p><p>técnicos e práticos. 14. ed. atual. São Paulo: LTr, 2015.</p><p>SILVA, R. M. S. Higiene e segurança do trabalho (HST) para educação</p><p>profissional. Brasília: IFB, 2013.</p><p>SOTO, J. M. O. G. et al. Riscos químicos. 2. ed. São Paulo: Fundacentro, 1985.</p><p>TORLONI, M. Programa de proteção respiratória: recomendações, seleção e</p><p>uso de respiradores. (coord. técnico). 4. ed. São Paulo: Fundacentro, 2016.</p><p>VENDRAME, A. C. Perícias judiciais de insalubridade e periculosidade. 3.</p><p>ed. São Paulo: Ed. do autor, 2015.</p><p>VENDRAME, A. C. Agentes químicos na higiene ocupacional:</p><p>reconhecimento, avaliação e controle. 2. ed. São Paulo, 2011.</p><p>VIDAL, M. S.; CARVALHO, J. M. F. C. Segurança química em laboratórios de</p><p>pesquisa. Campina Grande, RS: Circular Técnica, Embrapa, 2003.</p><p>160</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E</p><p>ERGONÔMICOS</p><p>A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>� Conhecer os agentes de riscos biológicos e ergonômicos, considerando os</p><p>aspectos técnicos relativos à segurança, higiene e saúde no trabalho, bem como</p><p>apresentar alguns estudos de casos relativos aos agentes discutidos.</p><p>� Além disso, preparar profissionais para realizar a gestão dos riscos biológicos e</p><p>dos riscos ergonômicos para subsidiar futuras ações preventivas e/ou corretivas,</p><p>a partir da antecipação, identificação, monitoramento e definição de medidas</p><p>de controle para preservar a saúde do trabalhador, assegurando a qualidade</p><p>dos serviços prestados no decorrer de suas atividades profissionais, bem como</p><p>contextualizar os agentes estudados através de estudos de casos específicos.</p><p>Portanto, ao final deste capítulo, você será capaz de:</p><p>� Identificar os agentes biológicos nos ambientes laborais.</p><p>� Reconhecer os riscos biológicos, tendo como base os parâmetros normativos,</p><p>legais e científicos para neutralizá-los, eliminá-los ou reduzi-los, de modo a</p><p>preservar a saúde do trabalhador.</p><p>� Classificar os riscos biológicos, conforme literatura técnica, normas e legislações</p><p>vigentes.</p><p>� Conhecer os acidentes com materiais biológicos com base na literatura.</p><p>� Revisar sobre agentes biológicos e ergonômicos por meio das instruções contidas</p><p>nas Normas Regulamentadoras.</p><p>� Reforçar o nível de conhecimento com relação aos riscos ergonômicos que</p><p>comprometem a saúde e o bem-estar do trabalhador, a fim de adquirir competências</p><p>para evitá-los.</p><p>� Contextualizar os agentes estudados por meio de artigos científicos que</p><p>apresentam estudos de casos.</p><p>162</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>163</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>1 CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Seja bem-vindo ao Capítulo 3 da disciplina Higiene do Trabalho II, no qual</p><p>abordaremos sobre os agentes biológicos e ergonômicos, bem como sobre</p><p>alguns estudos de casos inerentes a esses agentes que serão apresentados em</p><p>três seções: Agentes e riscos biológicos ocupacionais; Agentes e riscos</p><p>ergonômicos; Estudos de casos específicos.</p><p>Antes de iniciarmos a Seção 1, convém recordarmos que o ambiente de</p><p>trabalho está continuamente em transformação, tendo em vista a tecnologia, os</p><p>produtos e os processos inovadores, gerando novas características laborais, as</p><p>quais acarretam novos riscos e desafios aos empregadores e aos trabalhadores.</p><p>De acordo com a NR-9, item 9.1.5, “consideram-se riscos ambientais os</p><p>agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que,</p><p>em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição,</p><p>são capazes de causar danos à saúde do trabalhador”. Contudo, para fins de</p><p>mapa de riscos, os riscos são classificados em cinco categorias: riscos físicos,</p><p>riscos químicos, riscos biológicos, riscos ergonômicos e riscos mecânicos.</p><p>Em outros momentos da disciplina, já abordamos sobre alguns riscos físicos</p><p>e químicos e, neste capítulo, enfatizaremos os riscos biológicos e ergonômicos,</p><p>sem mencionarmos os mecânicos, os quais não fazem parte da ementa da</p><p>disciplina.</p><p>Assim, convidamos você a explorar o último capítulo, a investigar os</p><p>conteúdos de interesse, navegar por sites indicados no material didático, bem</p><p>como resolver as atividades propostas para que feche com chave de ouro esta</p><p>disciplina.</p><p>Desejamos a você um excelente estudo e muito sucesso!</p><p>2 AGENTES E RISCOS BIOLÓGICOS</p><p>OCUPACIONAIS</p><p>Os agentes biológicos são encontrados em diversos setores, tendo presença</p><p>onipresente no meio ambiente, coabitando em todos os seres vivos. Como</p><p>raramente são visíveis, os riscos gerados por eles nem sempre são apreciados,</p><p>sendo que a exposição a esses agentes pode ocasionar doenças crônicas e</p><p>164</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>agudas, inclusive desencadear doenças letais, pois seu caráter silencioso e</p><p>propagação elevada pode passar despercebido. Portanto, esses agentes podem</p><p>representar potencial perigo para a saúde dos trabalhadores e para a saúde</p><p>pública.</p><p>Embora estejam presentes em todo lugar, existem determinados ambientes</p><p>laborais em que o risco de adoecer em decorrência desses seres microscópicos</p><p>é bem maior.</p><p>É notório que os agentes biológicos podem ser considerados como os</p><p>mais antigos riscos ocupacionais existentes nas atividade laborais, uma vez que</p><p>os trabalhadores se expunham a uma infindável gama de agentes infecciosos</p><p>(bactérias, fungos, vírus, parasitas etc.), conforme descrito por Ramazzini (1633-</p><p>1714), em 1700, quando relatou sobre a “doença dos coveiros”, os quais estavam</p><p>expostos a uma “atmosfera pestilenta”.</p><p>Indubitavelmente, os profissionais de saúde humana e animal são os mais</p><p>expostos aos agentes biológicos, uma vez que estão em contato com pacientes</p><p>humanos ou animais que são portadores de patologias causadas por tais agentes.</p><p>Contudo, eles também estão presentes em diversos ambientes laborais, como:</p><p>indústrias (alimentícias e farmacêuticas), abatedouros, frigoríficos, agricultura,</p><p>pecuária, silvicultura, pesca, atividades que envolvem resíduos, esgoto e</p><p>saneamento, necrotérios, incineradores, biotérios e, é claro, hospitais, clínicas,</p><p>serviços de saúde em geral e laboratórios (de análises e de pesquisas), entre</p><p>outros. Assim, a presença de agentes biológicos, os quais podem causar danos à</p><p>saúde, não é exclusivo dos serviços de saúde, visto que também estão presentes</p><p>em ambientes não ocupacionais.</p><p>Nessa acepção, há que se considerar que, com a evolução das tecnologias</p><p>de gestão de resíduos, os trabalhadores que desempenham atividades de</p><p>coleta, triagem, tratamento e eliminação de resíduos estão expostos a agentes</p><p>biológicos de risco, uma vez que os detritos são um meio ideal para a propagação</p><p>de microrganismos e, portanto, se constituem em um problema de saúde pública.</p><p>É preciso mencionar que a NR-33 afirma que os espaços confinados</p><p>apresentam condições propícias para a proliferação de microrganismos, tendo</p><p>em vista a alta umidade, água estagnada, presença de nutrientes e iluminação</p><p>precária. Além disso, predispõem a algumas espécies de animais, como ratos,</p><p>morcegos, pombos, entre outros, os quais são vetores de doenças transmissíveis</p><p>ou hospedeiros intermediários. Nesses</p><p>espaços também podem ser encontradas</p><p>poeiras contendo material biológico potencialmente patogênico devido à presença</p><p>de urina, excrementos, saliva e outros fluidos orgânicos oriundos desses animais.</p><p>165</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>Assim, os agentes biológicos podem ser encontrados na água, no ar, na</p><p>superfície cutânea (pele) dos trabalhadores, nas matérias-primas, nas superfícies</p><p>de trabalho, em equipamentos utilizados nas indústrias etc.</p><p>Desta forma, não podemos dissociar os agentes biológicos da biossegurança,</p><p>sendo que essa é definida como “um conjunto de medidas e procedimentos</p><p>técnicos necessários para a manipulação de agentes e materiais biológicos</p><p>capazes de prevenir, reduzir, controlar ou eliminar riscos inerentes às atividades</p><p>que possam comprometer a saúde humana, animal, vegetal e o meio ambiente”</p><p>(BRASIL, 2010, p. 9).</p><p>Estendendo-se nesse raciocínio, cabe relatar sobre os bioaerossóis,</p><p>que são partículas de esporo de fungos, bactérias, pólen e vírus (fragmentos</p><p>e subprodutos) e demais partículas biológicas (algas, amebas, fragmentos</p><p>de vegetais, restos mortais de insetos e fâneros), as quais estão dispersas</p><p>aereamente, sendo que o efeito destes na saúde do trabalhador dependerá de</p><p>seu tamanho (varia de 0,01 a 100 µm) e de suas propriedades físicas, os quais</p><p>são frequentemente encontrados em instalações fabris, edifícios públicos e de</p><p>serviços e casas, conforme a American Conference of Governmental Industrial</p><p>Hygienists (ACGIH).</p><p>É relevante informar que os agentes biológicos ao constituírem bioaerossóis</p><p>apresentam o mesmo comportamento aerodinâmico das partículas aéreas e que o</p><p>estudo deste tema é realizado pela Aerobiologia, que tem como objetivo o estudo</p><p>dos agentes biológicos no ar que podem ser prejudiciais para a saúde humana.</p><p>Nesse sentido, cabe mencionar sobre a Síndrome dos Edifícios Doentes</p><p>(Sick Building Syndrome – SED), em que agentes biológicos (fungos, protozoários,</p><p>bactérias e ácaros) estão entre as principais causas dos problemas de saúde</p><p>ocupacional, aumentando o absentismo e provocando uma diminuição da</p><p>produtividade. Tal Síndrome, reconhecida em 1982 pela Organização Mundial de</p><p>Saúde (OMS), ocorre, especialmente, em recintos com ar-condicionado central,</p><p>embora também aconteça em edifícios sem ar-condicionado (mal ventilados), ou</p><p>seja, é comum em ambientes laborais fechados, sem a devida renovação do ar,</p><p>tornando-o um ambiente insalubre.</p><p>Quer ampliar seus conhecimentos? Que tal acessar o artigo “Sick</p><p>building syndrome: are we doing enough?”, disponível em: https://www.</p><p>tandfonline.com/doi/full/10.1080/00038628.2018.1461060.</p><p>166</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Outro fato importante a ser relatado é que a NR-15, que trata de atividades</p><p>e operações insalubres, não aborda a qualidade do ar interno (QAI), somente</p><p>retratando sobre a qualidade do ar em ambientes em trabalhos com ar comprimido</p><p>(Anexo nº 6).</p><p>Assim, conhecer bem os agentes biológicos no que se refere a como ele</p><p>penetra ou é absorvido no corpo do trabalhador facilita a escolha do EPI e EPC e,</p><p>consequentemente, na elaboração do PPRA, bem como a forma de como ele age</p><p>ou agride o trabalhador, ocasionando patologias, auxilia no controle da saúde por</p><p>meio do PCMSO e, portanto, é essencial.</p><p>Quem são estes agentes biológicos, em quais atividades são encontrados e</p><p>quais são seus principais riscos, ou seja, as doenças causadas por eles? Veremos</p><p>a seguir!</p><p>2.1 DEFINIÇÕES, TIPOS E</p><p>CLASSIFICAÇÕES DE AGENTES</p><p>BIOLÓGICOS OCUPACIONAIS</p><p>O Parlamento e Conselho Europeu publicaram, em 2000, a Diretiva 2000/54/</p><p>CE, a qual adota a definição de agentes biológicos como “microrganismos,</p><p>incluindo aqueles que foram geneticamente modificados, culturas celulares e</p><p>endoparasitas humanas, que podem provocar qualquer infecção, alergia ou</p><p>toxicidade”. Além dessa definição legal formal, eles também são denominados</p><p>como um grupo de substâncias constituídas por microrganismos, como vírus,</p><p>zoonoses, parasitas, bactérias e fungos; seus subprodutos, incluindo toxinas,</p><p>constituintes de suas paredes celulares (ex.: endotoxinas) e partes de organismos</p><p>vivos (DIRETIVA 2000/54).</p><p>A ACGIH define agente biológico como toda substância de origem</p><p>biológica que é capaz de produzir um efeito adverso (alteração na</p><p>saúde), como uma infecção, irritação ou inflamação.</p><p>No Brasil, a NR-9 não define os agentes biológicos, apenas</p><p>cita alguns exemplos em seu item 9.1.5.3, como: bactérias, fungos,</p><p>parasitas, vírus, bacilos, protozoários, entre outros. Veja que esses</p><p>“outros” é bem abrangente, não indicando quais agentes poderão estar</p><p>presentes nos ambientes laborais.</p><p>A NR-15 em seu Anexo 14 também não apresenta definição para os</p><p>NR-9 não define os</p><p>agentes biológicos,</p><p>apenas cita alguns</p><p>exemplos em</p><p>seu item 9.1.5.3,</p><p>como: bactérias,</p><p>fungos, parasitas,</p><p>vírus, bacilos,</p><p>protozoários, entre</p><p>outros.</p><p>167</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>agentes biológicos, enquanto que a NR-32, em seu item 32.2.1.1 relata</p><p>“consideram-se Agentes Biológicos os microrganismos, geneticamente</p><p>modificados ou não; as culturas de células; os parasitas; as toxinas e os</p><p>príons”.</p><p>É importante relembrar que um agente só se tornará um risco</p><p>quando causar danos à saúde do trabalhador, devido a sua natureza,</p><p>concentração/intensidade e tempo de exposição (Item 9.1.5). Assim, a</p><p>natureza do agente biológico é fundamental para que ele se torne um</p><p>risco.</p><p>2.2 TIPOS DE AGENTES BIOLÓGICOS</p><p>NO CONTEXTO OCUPACIONAL</p><p>Com base na NR-9 e na NR-32, apresentaremos os principais agentes</p><p>biológicos que podem ser encontrados nos diversos contextos laborais.</p><p>Convém relembrar que a NR-9 apresenta como agentes biológicos bactérias,</p><p>fungos, parasitas, vírus, bacilos, protozoários, entre outros, não especificando</p><p>quais são esses “outros”. Já a NR-32 informa que os “microrganismos são formas</p><p>de vida de dimensões microscópicas, visíveis individualmente apenas ao</p><p>microscópio – entre aqueles que causam danos à saúde humana, incluem-se</p><p>bactérias, fungos, alguns parasitas (protozoários) e vírus”.</p><p>Agora, daremos continuidade a cada um dos principais agentes biológicos</p><p>ocupacionais de forma sucinta:</p><p>2.2.1 Bactérias</p><p>Conforme diversas literaturas pesquisadas, as bactérias são abundantes</p><p>nos seres humanos e no ambiente, representando um leque de microrganismos,</p><p>uma vez que existem mais de 150 mil espécies de bactérias conhecidas, sendo</p><p>que a maioria não causa efeitos adversos à saúde, inclusive algumas delas são</p><p>essenciais para o corpo humano e para o meio ambiente. Um indivíduo saudável</p><p>carrega cerca de 1012 bactérias na pele, incluindo Staphylococcus epidermidis</p><p>e o Propionibacterium acnes, e aproximadamente 1014 bactérias no trato</p><p>gastrointestinal, incluindo a espécie Bacteroides.</p><p>Sem embargo, os riscos para a saúde do trabalhador aparecem quando as</p><p>NR-32, em seu</p><p>item 32.2.1.1 relata</p><p>“consideram-se</p><p>Agentes Biológicos</p><p>os microrganismos,</p><p>geneticamente</p><p>modificados ou</p><p>não; as culturas</p><p>de células; os</p><p>parasitas; as toxinas</p><p>e os príons”.</p><p>168</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>concentrações de algumas espécies aumentam, tendo em vista que as bactérias</p><p>se multiplicam rapidamente (se duplicam em 20 minutos), quando em condições</p><p>favoráveis.</p><p>As primeiras referências que se têm na história sobre as bactérias datam de</p><p>1676, quando Antonie van Leeuwenhoek, considerado o primeiro microbiologista,</p><p>escreveu uma carta relatando sobre elas. Até então, a teoria miasmática era a que</p><p>vigorava para explicar as causas das doenças epidêmicas e com a descoberta da</p><p>microbiologia ocorre um avanço na medicina e na ciência, em especial, com Louis</p><p>Pasteur e Robert Koch, que foram os primeiros cientistas a defender a teoria</p><p>microbiana das doenças, tendo as bactérias como protagonistas de diversas</p><p>doenças.</p><p>Para enriquecer seu aprendizado, sugerimos que assista ao</p><p>vídeo “Humanidade:</p><p>a história de todos nós – Episódio 5: Peste”, que</p><p>aborda sobre a bactéria Yersínia pestis, a qual dizimou grande parte</p><p>da população mundial. Disponível em: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=2HLunVt6dqE.</p><p>As bactérias são seres unicelulares, procariontes, microscópicos e podem</p><p>ter a forma de bastonetes (bacilos), de esferas (coco, podendo ser estafilococo</p><p>ou estreptococo), de vibrião (forma de vírgula) e de espiroqueta (espiral). São</p><p>classificadas de acordo com suas características celulares, morfológicas ou</p><p>bioquímicas e a maioria contém informação genética e capacidade energética</p><p>que garantem o seu crescimento e sua reprodução, sendo capazes de utilizar</p><p>várias fontes de nutrientes inorgânicos e orgânicos. Vale salientar que para</p><p>se multiplicarem, necessitam de bastante umidade e um ambiente favorável</p><p>(ABELHO, 2010; GOYER et al., 2001), bem como precisam de um hospedeiro</p><p>que lhes propiciem condições favoráveis de crescimento.</p><p>Apresentam diferentes tipos de revestimentos e conforme a reação à mancha</p><p>de Gram, podem ser: Gram-positivas (revestidas por uma camada externa de</p><p>peptidoglicano, com parede celular resistente, algumas produzem toxinas e outras</p><p>produzem esporos e este grupo contém bactérias termofílicas, de interesse na</p><p>qualidade do ar. Ex.: Legionella pneumophila) e Gram-negativas (revestidas por</p><p>uma camada externa de macromoléculas, com parede celular frágil, não toleram</p><p>a desidratação e sofrem quando expostas ao ar. Ex.: Clostridium tetani), que</p><p>169</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>assumem um papel relevante do ponto de vista da higiene do trabalho (ABELHO,</p><p>2010).</p><p>As bactérias na forma de bioaerossóis podem ser transportadas a longas</p><p>distâncias junto à massa de ar e quando em contato com os trabalhadores podem</p><p>desencadear enfermidades. As bactérias aeróbias (difundidas através do ar)</p><p>aumentam seus riscos quando presentes em espaços confinados com falta de</p><p>ventilação.</p><p>Como já mencionado, existem inúmeras bactérias, as quais podem ser</p><p>maléficas ou benéficas, dentre elas podemos citar a Escherichia coli, uma</p><p>bactéria comum nas fezes humanas, que é utilizada para a produção de insulina</p><p>para diabéticos, por exemplo, e, em contrapartida, é a principal causa de cistite</p><p>feminina (infecção urinária).</p><p>Várias patologias são causadas por bactérias, dentre elas: infecções</p><p>hospitalares, meningite meningocócica, cólera, tétano, difteria, pneumonia</p><p>bacteriana etc., sendo que os antibióticos têm se mostrado profícuos contra as</p><p>infecções bacterianas existentes.</p><p>Estudos têm demonstrado que o teclado e o mouse do</p><p>computador têm 20 mil vezes e 45 mil vezes, respectivamente, mais</p><p>bactérias que o vaso sanitário, assim como o crachá utilizado pelos</p><p>trabalhadores contém milhares de bactérias.</p><p>FONTE: <https://noticiaalternativa.com.br/ambiente-de-trabalho/>.</p><p>Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>2.2.2 Bacilos</p><p>Os bacilos são um tipo de bactéria, microscópicos, unicelulares, procariontes,</p><p>em forma de bastonete (bastão) e alguns têm características especiais e</p><p>comportamentos diferentes das demais bactérias, como o caso do bacilo da</p><p>tuberculose e da hanseníase, o que justifica a legislação (NR-9) fazer tal distinção</p><p>das demais bactérias. Ressalta-se que a NR-9 (Item 9.1.5.3) traz bactérias e</p><p>bacilos de forma separada, pois diferencia alguns bacilos importantes para a</p><p>saúde humana com comportamento distinto.</p><p>170</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Em 1876, Robert Koch descobre o bacilo Antrax (Bacillus anthracis) como</p><p>o causador do Carbúnculo e, em 1882, o bacilo da tuberculose (Bacilo de Koch</p><p>ou mycobacterium tuberculosis) é também descoberto por ele, as quais estão na</p><p>Lista das Doenças do Trabalho do Ministério da Saúde.</p><p>Os principais bacilos gram-negativos são: Bacteroides; Enterobacter;</p><p>Bordetella; Escherichia, Brucella; Salmonella; Klebsiella; Proteus; Shigella; entre</p><p>outros e os gram-positivos são: Bacillus; Clostridium; Corynebacterium e Listeria.</p><p>Tendo em vista o grande número de procedimentos invasivos realizados nas</p><p>unidades de terapia intensiva (UTI), unidades de queimados, berçários de alto risco</p><p>e em unidades oncológicas, assim como o uso elevado de antimicrobiano, esses</p><p>ambientes se tornam propícios ao surgimento de patógenos multirresistentes,</p><p>especialmente entre os bacilos gram-negativos, ocasionando altos índices de</p><p>infecção hospitalar.</p><p>2.2.3 Fungos</p><p>Cabe lembrar que existem dezenas de milhares de espécies conhecidas de</p><p>fungos e que a penicilina é um produto do metabolismo de fungos do gênero</p><p>Penicillium (primeiro antibiótico descoberto em 1928, por Alexander Fleming), bem</p><p>como muitas vitaminas e proteínas são produtos do metabolismo de bactérias e/</p><p>ou fungos.</p><p>Os fungos são microrganismos eucarióticos (presença de núcleo</p><p>individualizado, em que o material genético está envolto numa membrana nuclear),</p><p>são saprófitos primários (usam material orgânico morto como fonte de nutrientes</p><p>para o seu crescimento e reprodução), geralmente são aeróbicos, sendo que</p><p>vários vivem no solo e participam ativamente na decomposição de material. Nós,</p><p>seres humanos, somos expostos a mais de 200 espécies, das quais, várias se</p><p>proliferam num ambiente úmido (OPPLIGER; DUQUENNE, 2016).</p><p>Esses microrganismos pluricelulares se reproduzem através da formação de</p><p>esporos que se disseminam com facilidade pelo ar e são capazes de se procriar</p><p>em condições ambientais favoráveis. A maioria deles produz grandes quantidades</p><p>de materiais fúngicos e esporos que são facilmente liberados no ar, tanto por meio</p><p>de mecanismos intrínsecos/naturais como por intermédio de atividades humanas</p><p>(ABELHO, 2010; OPPLIGER; DUQUENNE, 2016).</p><p>A título de exemplo, uma colônia de Penicillium spp., com aproximadamente</p><p>2,5 cm de diâmetro, produz e libera cerca de 400 milhões esporos. Assim, embora</p><p>171</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>a extensão de crescimento do fungo seja pequena, a produção de esporos é</p><p>imensa, podendo causar sérios agravos à saúde dos trabalhadores.</p><p>Os fungos apresentam uma estrutura mais complexa do que as bactérias,</p><p>apresentando-se, basicamente, de duas formas distintas: mofo (pluricelular,</p><p>tendo como elemento principal de crescimento as hifas e se disseminam pelo ar</p><p>com facilidade) e levedura (unicelular, formada por células esféricas ou ovais).</p><p>Existem também as espécies que crescem nas duas formas, denominadas de</p><p>dimórficas, as quais apresentam importância clínica, uma vez que são elas as</p><p>mais patogênicas ao homem.</p><p>Um indivíduo saudável tem elevado grau de imunidade natural contra</p><p>infecções micóticas devido à grande barreira fisiológica que é a pele. Contudo,</p><p>se houver algum distúrbio na pele, nas mucosas ou no sistema imunológico, as</p><p>infecções podem ocorrer. Ressalta-se que diferentes doenças de origem viral</p><p>podem ser causadas pelo mesmo vírus, bem como a mesma doença pode ser</p><p>originada por vírus diferentes.</p><p>Do ponto de vista industrial, os fungos são de grande importância na</p><p>fabricação de alimentos e bebidas alcoólicas, além da preparação de alguns</p><p>medicamentos, como a penicilina sintetizada a partir de metabólitos do fungo</p><p>Penicillium chrysogenum e ciclosporina (para pessoas transplantadas), substância</p><p>isolada a partir de fungos de solo (Tolypocladium inflatum e Cylindrocarpon</p><p>lucidum). Por outro lado, são alvo de preocupações devido a sua capacidade de</p><p>provocar danos à saúde humana, estando relacionados a três tipos de doenças:</p><p>tóxicas (devido à ingestão de alimentos contaminados com fungos); alérgicas</p><p>(interação do antígeno fúngico com um hospedeiro sensibilizado) e infecciosas</p><p>(fungo como oportunista, provocando micoses).</p><p>Um dos fatores abióticos mais significativos para o ciclo biológico do fungo</p><p>se desenvolver é a temperatura, bem como eles se dispersam na natureza por</p><p>meio do ar atmosférico e por outras vias, como homem, animais/insetos e água.</p><p>Os fungos leveduriformes (leveduras) são fungos</p><p>unicelulares, os quais</p><p>apresentam maior incidência como agentes etiológicos das onicomicoses</p><p>(infecção causada por fungos que se alimentam da queratina das unhas), sendo</p><p>que entre as leveduras com importância industrial, apenas a Candida tropicalis</p><p>tem patogenicidade significativa.</p><p>Oppliger e Duquenne (2016), em estudos científicos, analisaram as espécies</p><p>de fungos mais encontradas em ambientes ocupacionais e as atividades com</p><p>maior exposição, por meio da revisão da concentração, demonstrando que</p><p>inúmeros trabalhadores, de vários setores, estão expostos a níveis moderados,</p><p>172</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>elevados e muito elevados a partículas de fungos no ar (esporos, fragmentos de</p><p>micélio e detritos). Uma vez suspensas no ar, essas partículas podem ser inaladas</p><p>por trabalhadores expostos, causando sintomas diversos (alergias, irritações e</p><p>infecções), sendo a tosse, a irritação ocular e das vias aéreas (nariz e garganta)</p><p>as mais mencionadas decorrentes da exposição a fungos aéreos, apresentando</p><p>efeitos a curto prazo, enquanto uma maior exposição está relacionada ao aumento</p><p>do risco de doenças crônicas.</p><p>Existem entre 50 e 100 espécies de fungos descritas como agentes causais</p><p>de enfermidades no ser humano e a maioria causa doenças dermatológicas, como</p><p>micoses, frieiras e dermatoses de caráter oportunista. As micoses (infecções</p><p>fúngicas), as mais comuns, podem ser classificadas em profundas ou sistêmicas</p><p>(afetam órgãos ou vísceras internas e sua porta de entrada é a via respiratória</p><p>pela inalação de esporos presentes no ambiente) e cutâneas (afetam a epiderme,</p><p>pelos e unhas e sua ação destrutiva é escassa, com tendência à cronicidade).</p><p>Vale salientar que a correlação entre a exposição fúngica e as doenças</p><p>ocupacionais na maioria das vezes é de difícil comprovação devido à (co)</p><p>exposição a outros componentes dos bioaerossóis, os quais são definidos</p><p>como partículas transportadas pelo ar (esporos e as hifas de fungos, bactérias,</p><p>endotoxinas, β(1→3)-glucanos, micotoxinas, alergênios de alto peso molecular e</p><p>partículas) que, geralmente, são constituídos por agentes biológicos.</p><p>A proliferação de agentes biológicos do tipo fungo é mais prevalente em</p><p>ambientes fechados (mal ventilados e sem renovação de ar) onde o acúmulo de</p><p>poeira e umidade é constante, favorecendo especialmente o desenvolvimento</p><p>de fungos anemófilos (constituídos de esporos) que quando inalados, por serem</p><p>aeroalérgenos, podem ser causadores de infecções oportunistas e manifestações</p><p>respiratórias alérgicas. Contudo, isso não significa que todos os trabalhadores</p><p>que permaneçam nestes ambientes adquirirão patologias causadas pelos fungos</p><p>que ali se encontram.</p><p>Para evitar efeitos adversos à saúde do trabalhador, a caracterização da</p><p>exposição a fungos no ar ocupacional é fundamental, sendo que os estudos, na</p><p>maioria, demonstram que a avaliação da presença e da quantificação de fungos</p><p>aéreos ocorre por meio da cultura de partículas fúngicas viáveis e cultiváveis</p><p>em ágar nutriente ou por meio da contagem de esporos (número total). Para a</p><p>coleta de fungos, a legislação estabelece que seja utilizado, preferencialmente, o</p><p>Agar Extrato de Malte, o Agar Batata ou o Agar Sabouraud. Portanto, existe uma</p><p>variedade de métodos distintos que são utilizados para a coleta e análise dos</p><p>fungos.</p><p>A legislação brasileira não limita a presença de fungos no ambiente laboral.</p><p>173</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>Já a ACGIH limita a presença de 100 ufc/m3 (unidades formadoras de colônia por</p><p>metro cúbico de ar) de fungos em hospitais, sendo que a Comissão Europeia para</p><p>ambientes não industriais utiliza esse mesmo limite.</p><p>A Resolução nº 09 da ANVISA informa que os fungos são indicadores</p><p>biológicos da qualidade do ar em ambientes climatizados artificialmente,</p><p>especificando o valor máximo recomendado em 750 ufc/m3 para amostragem</p><p>ativa, bem como define uma relação I/E < 1,5 (onde: “I” é a quantidade de fungos</p><p>no ambiente interior e “E” é a quantidade de fungos no ambiente exterior), sendo</p><p>inaceitável a presença de fungos patogênicos e toxicogênicos. Entretanto, esta</p><p>resolução não especifica se deve ser realizada a contagem de todos os tipos de</p><p>fungos ou somente dos fungos filamentosos (BRASIL, 2003).</p><p>2.2.4 Vírus</p><p>Os vírus geralmente medem menos de 0,2 µm (são aproximadamente</p><p>1000 vezes menores que as bactérias), não apresentam estrutura celular e</p><p>são constituídos por material genético envolto por uma cápsula proteica que,</p><p>ao infectar uma célula hospedeira, injeta o seu material genético, utilizando da</p><p>estrutura celular hospedeira para se multiplicar e invadir novas células. Assim,</p><p>somente realizam suas atividades vitais quando estão no interior de células vivas.</p><p>Os vírus podem penetrar o organismo nas seguintes condições: quando</p><p>a integridade da pele se encontra comprometida (utilizando as membranas</p><p>mucoepiteliais que revestem os olhos, a boca, o trato respiratório, os genitais e</p><p>o trato gastrointestinal); por inalação; por insetos vetores e pela entrada direta na</p><p>corrente sanguínea por agulhas ou lesões.</p><p>São responsáveis pela maioria das infecções humanas, podendo originar</p><p>doenças agudas e crônicas, bem como permanecer latentes e reativar-se após</p><p>longos anos.</p><p>As infecções virais afetam principalmente os sistemas respiratório e</p><p>gastrointestinal, além da pele, boca e genitais (revestimentos endoteliais), sistema</p><p>nervoso central (SNC), fígado, entre outros órgãos.</p><p>Podem causar inúmeras doenças como: gripe; hepatites; herpes; sarampo;</p><p>catapora; rubéola; caxumba; dengue; Aids; entre outras, sendo que os antibióticos</p><p>não fazem efeito para vírus, assim como para a maioria dos vírus não há</p><p>medicamentos, sendo que o próprio corpo os combaterá. Os medicamentos</p><p>antivirais se propagaram com o advento da Aids, mas ainda são específicos para</p><p>174</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>alguns vírus (ex.: Tamiflu para gripe; Aciclovir para herpes/catapora; Dolutegravir</p><p>(DTG) para HIV).</p><p>Entretanto, para algumas doenças virais existem as vacinas como forma</p><p>preventiva, como no caso da gripe, rubéola, sarampo, catapora, caxumba,</p><p>hepatite A e B, entre outras, as quais imunizam de forma ativa o trabalhador,</p><p>criando anticorpos. Lembrando que as vacinas não são 100% eficazes. Já para</p><p>outras patologias virais ainda não existem vacinas, como para dengue, Aids, Zika,</p><p>hepatite C etc.</p><p>Vale salientar que, de modo geral, a população e, especialmente, os</p><p>trabalhadores, ainda apresentam resistência em aderir à vacinação como medida</p><p>de prevenção, o que facilita a disseminação de alguns vírus que poderiam</p><p>ser evitados, como a gripe, por exemplo. Tal fato indica a necessidade de</p><p>sensibilização para a vacinação, assim como processos contínuos de educação</p><p>aos trabalhadores, independentemente do tipo de atividade que exercem.</p><p>2.2.5 Parasitos ou parasitas</p><p>Os parasitos são heterogêneos, complexos, com elevada diversidade, de</p><p>tamanhos variáveis e apresentam uma variedade de ciclos de vida (passando</p><p>por uma série de estágios de desenvolvimento no hospedeiro ou apenas</p><p>estabelecendo uma relação permanente com o organismo).</p><p>Primeiramente, é necessário esclarecer sobre os vocábulos</p><p>“parasita” e “parasitos”. Na acepção biológica, têm sido empregados</p><p>indistintamente na literatura médica brasileira desde o século</p><p>passado. Portanto, ambos estão corretos, com predomínio de</p><p>prevalecer “parasito”, devido à etimologia e evolução histórica.</p><p>FONTE: <http://www.ufrgs.br/parasito/Aulas%20Parasito/Rafael/</p><p>Parasito,parasita.pdf>. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>Os parasitos possuem diversas classificações, conforme a literatura. De</p><p>maneira geral, estão classificados em três classes: protozoários, helmintos,</p><p>artrópodes (por serem vetores e hospedeiros intermediários para o parasito), as</p><p>175</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>quais podem provocar enfermidades nos seres humanos.</p><p>São organismos que se associam de forma negativa ao organismo humano,</p><p>ou seja, vivem dentro de um organismo hospedeiro e se nutrem dele, causando</p><p>efeitos diversos e por vezes patológicos, sendo que as doenças provocadas por</p><p>eles são originadas por fonte exógena.</p><p>De acordo com a NR-32, parasita é um “organismo que sobrevive e se</p><p>desenvolve às expensas de um hospedeiro, podendo localizar-se no interior ou no</p><p>exterior deste. Usualmente causa algum dano ao hospedeiro”. Já o Guia Técnico</p><p>de Riscos Biológicos (2008) complementa que os parasitas são “organismos</p><p>que sobrevivem e se desenvolvem às expensas de um hospedeiro, unicelulares</p><p>ou multicelulares – as parasitoses são causadas por protozoários, helmintos</p><p>(vermes) e artrópodes (piolhos e pulgas)”.</p><p>Os parasitos adentram no organismo humano, mais comumente, por</p><p>intermédio de ingestão oral e penetração direta pela superfície cutânea, sendo</p><p>que a ocorrência de infecção por eles dependerá da via de exposição.</p><p>Os parasitos intestinais são os mais prevalentes em trabalhadores que</p><p>lidam com resíduos sólidos devido aos riscos ofertados pelas atividades</p><p>desempenhadas, ocasionando danos ao organismo infectado (desequilíbrio</p><p>nutricional, obstrução intestinal etc.).</p><p>2.2.6 Protozoários</p><p>Os protozoários são organismos unicelulares, eucariontes, heterótrofos,</p><p>com diâmetro de 1 µm a 2 µm (dimensões microscópicas, mas maiores que as</p><p>bactérias), com ciclo de vida complexo, necessitando, em alguns casos, de vários</p><p>hospedeiros para completar seu desenvolvimento, sendo que se replicam intra e</p><p>extracelularmente.</p><p>De acordo com sua estrutura podem ser: flagelados (utilizam os flagelos</p><p>para locomoção, são os mais primitivos. Ex.: Trypanosoma brucei (transmite a</p><p>doença do sono); ciliados (utilizam os cílios para locomoção e se encontram em</p><p>águas doces. Ex.: Balantidium coli); rizópodes (sua movimentação ocorre através</p><p>de pseudópodes – falsos pés. Ex.: Entamoeba histolytica); esporozoários (não</p><p>possuem nenhum meio de locomoção. Ex.: Plasmodium).</p><p>Existem mais de 50 mil espécies distintas de protozoários e, destas, em torno</p><p>de 20 a 30 causam enfermidades no ser humano, as quais, normalmente, estão</p><p>176</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>associadas a condições de higiene deficitária, tendo como meio de transmissão</p><p>a água, embora algumas sejam transmitidas por insetos. Dentre as doenças</p><p>causadas por eles, podemos citar a doença de Chagas, toxoplasmose, malária,</p><p>leishmaniose e amebíase. Salienta-se que os protozoários não são afetados</p><p>pelos antibióticos na mesma concentração em que são letais para as bactérias.</p><p>2.2.7 Outros</p><p>Aqui pode-se incluir os artrópodes, que agrupam mais de 800 mil espécies,</p><p>os quais são adaptáveis em distintos ambientes e que podem afetar a saúde</p><p>do trabalhador, bem como atuar como vetores de outros patógenos. São</p><p>classificados em cinco classes: insetos (ex.: barata, mosquito); aracnídeos (ex.:</p><p>aranha, escorpião, carrapato, ácaro); crustáceos (ex.: siri, camarão); quilópodes</p><p>(ex.: lacraia) e diplópodes (piolho de cobra).</p><p>Os ácaros, por exemplo, são inofensivos para a maioria das pessoas, mas</p><p>algumas espécies são endoparasitas e por meio de toxinas inoculadas podem</p><p>causar efeitos adversos à saúde do trabalhador. O seu desenvolvimento está</p><p>atrelado a fatores ambientais, como temperatura, umidade relativa do ar e</p><p>disponibilidade de alimento, sendo que essas condições variam conforme as</p><p>espécies. Os ambientes laborais mais propícios são os ligados à agricultura, à</p><p>pecuária e à indústria alimentícia, podendo desencadear processos alérgicos e</p><p>enfermidades infecciosas.</p><p>2.2.8 Microrganismos geneticamente</p><p>modificados</p><p>É necessário recordar que a modificação genética é uma tecnologia</p><p>desenvolvida nas últimas décadas que serve para alterar as características dos</p><p>organismos vivos (plantas e animais), envolvendo a adição de um novo material</p><p>genético no genoma de um organismo.</p><p>De acordo com a NR-32, os microrganismos geneticamente modificados</p><p>são aqueles que tiveram seu material genético (DNA) alterado por meio de</p><p>técnicas de biologia molecular, especialmente a tecnologia do DNA recombinante.</p><p>A biotecnologia moderna abrange métodos artificiais de alteração do material</p><p>genético, isto é, não envolvendo cruzamentos ou recombinações genéticas</p><p>naturais.</p><p>177</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>Os microrganismos geneticamente modificados (MGM), também</p><p>denominados de organismos geneticamente modificados (OGM) são regulados</p><p>pelas normas estabelecidas na legislação brasileira de biossegurança (Lei nº</p><p>11.105/2005, Resolução nº 18/2018 e Resolução Normativa nº 21/2018).</p><p>Eles têm aplicações generalizadas, ou seja, são utilizados em pesquisas</p><p>médicas e biológicas, na agricultura, na produção de medicamentos e sua maior</p><p>aplicação tem sido na produção de culturas alimentares ou para ataques de</p><p>insetos para uma maior produção agrícola.</p><p>O tema, bastante polêmico, suscita muitas controvérsias, pois apresenta</p><p>vantagens e desvantagens. Contudo, é povoado de incertezas, especialmente, no</p><p>que se refere aos danos causados ao meio ambiente e ao ser humano.</p><p>Como exemplo, pode-se citar a alteração genética de mosquitos para</p><p>controle de doenças, como é o caso do mosquito Aedes aegypti, transmissor de</p><p>doenças, como dengue, febre amarela, Zika e Chikungunya.</p><p>Para saber mais sobre esse tema, acesse: https://www.blogs.</p><p>unicamp.br/cienciapelosolhosdelas/2019/06/29/a-brasileira-que-</p><p>criou-o-mosquito-transgenico-para-combater-a-dengue/.</p><p>Se interessou pelo assunto? Que tal ler o artigo “Processos</p><p>biotecnológicos na produção de bioinseticidas”. Disponível em: http://</p><p>periodicos.unincor.br/index.php/revistaunincor/article/view/3119.</p><p>Outro exemplo é o caso dos bioinseticidas e biopesticidas, alternativas</p><p>eficientes à substituição dos inseticidas e pesticidas, respectivamente.</p><p>https://www.blogs.unicamp.br/cienciapelosolhosdelas/2019/06/29/a-brasileira-que-criou-o-mosquito-transgenico-para-combater-a-dengue/</p><p>https://www.blogs.unicamp.br/cienciapelosolhosdelas/2019/06/29/a-brasileira-que-criou-o-mosquito-transgenico-para-combater-a-dengue/</p><p>https://www.blogs.unicamp.br/cienciapelosolhosdelas/2019/06/29/a-brasileira-que-criou-o-mosquito-transgenico-para-combater-a-dengue/</p><p>http://periodicos.unincor.br/index.php/revistaunincor/article/view/3119</p><p>http://periodicos.unincor.br/index.php/revistaunincor/article/view/3119</p><p>178</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>2.2.9 Culturas de células de</p><p>organismos multicelulares</p><p>De acordo com o Guia Técnico de Riscos Biológicos do Ministério do</p><p>Trabalho, culturas de células de organismos multicelulares estão relacionadas</p><p>ao crescimento in vitro de células derivadas de tecidos ou órgãos de organismos</p><p>multicelulares em meio nutriente e em condições de esterilidade que podem causar</p><p>danos à saúde humana quando contiverem agentes biológicos patogênicos.</p><p>Os cultivos celulares não contaminados geralmente não apresentam risco</p><p>significativo, causando apenas inflamação local e os de maiores riscos são os</p><p>provenientes de primatas e humanos, especialmente os derivados de sangue,</p><p>tecido linfoide e nervoso, estando, portanto, relacionados aos trabalhadores de</p><p>laboratórios.</p><p>Assim, para o manejo seguro dos cultivos celulares, é necessária</p><p>uma avaliação adequada dos riscos, uma boa organização do</p><p>trabalho e a aplicação dos princípios das boas práticas no laboratório.</p><p>FONTE: <https://www.uab.cat/doc/ap_2cultiuscel_guia_664>.</p><p>Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>2.2.10 Toxinas (exotoxinas e</p><p>endotoxinas)</p><p>Segundo a NR-32, as toxinas são substâncias químicas sintetizadas por</p><p>organismos, que exercem efeitos biológicos adversos no ser humano.</p><p>As exotoxinas são substâncias secretadas por microrganismos, como</p><p>bactérias, protozoários, fungos e algas. Por serem potentes, podem causar</p><p>grandes danos ao hospedeiro, destruindo as células e modificando o metabolismo</p><p>normal celular, podendo exercer efeitos locais ou sistêmicos. A maioria é destruída</p><p>pelo calor e entre as mais conhecidas estão a toxina botulínica, produzida</p><p>179</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>pelo Clostridium botulinum; o Clostridium tetani, responsável pelo tétano e o</p><p>Corynebacterium diphtheriae, que produz a difteria.</p><p>Quanto às endotoxinas, que são substâncias liberadas por microrganismos,</p><p>geralmente se multiplicam rapidamente em águas estagnadas, uma vez que</p><p>necessitam de poucos nutrientes para sobreviverem. Por serem altamente</p><p>tóxicas, podem produzir febre, mal-estar, afecções respiratórias e, em casos</p><p>extremos, podem levar ao óbito. Como exemplos de endotoxinas, pode-se citar</p><p>Meningococo e Salmonella. Geralmente afetam trabalhadores da indústria aviária,</p><p>têxtil (algodão, linho) e de resíduos sólidos, agricultores, entre outros, e têm sido</p><p>reconhecidas como fator etiológico importante de enfermidades ocupacionais do</p><p>aparelho respiratório, especialmente a asma não alérgica.</p><p>2.2.11 Príons</p><p>Os príons são partículas formadas por glicoproteínas patogênicas (letais), que</p><p>não possuem ácidos nucleicos e que, por causas desconhecidas, possuem uma</p><p>forma tridimensional anômala. São menores que os vírus, não têm capacidade</p><p>respiratória, crescimento e não se reproduzem. Além disso, não desencadeiam</p><p>nenhuma resposta imunológica e são extremamente resistentes à inativação</p><p>térmica, aos desinfetantes e à luz ultravioleta (LAGOMA, 2008).</p><p>Não se conhece um único mecanismo de transmissão, podendo ser:</p><p>adquiridas ou infecciosas (se produzem pelo contato com material contaminado);</p><p>genéticas ou hereditárias (vinculadas a existência de mutações na linha germinal</p><p>do gene) ou esporádicas (de origem desconhecida).</p><p>De acordo com a literatura analisada, os príons, geralmente, se encontram</p><p>no sistema nervoso central (SNC), afetando seres humanos e animais durante</p><p>um período de incubação prolongado, com caráter de transmissibilidade e</p><p>evolução clínica fatal, sendo responsáveis por doenças neurodegenerativas</p><p>(encefalopatias espongiformes) ocasionadas pelo acúmulo no tecido nervoso</p><p>de proteínas anômalas (príons). Não há, até o presente momento, tratamento e</p><p>gera numerosas interrogações e opiniões controversas na comunidade científica</p><p>mundial.</p><p>No ambiente laboral, as encefalopatias espongiformes são patologias</p><p>de baixa incidência e estão mais relacionadas às atividades em matadouros,</p><p>frigoríficos, zoológicos, laboratórios de experimentos com príons, serviços de</p><p>anatomia patológica e autópsia, por exemplo.</p><p>180</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Conforme a NR-32, os príons são estruturas proteicas alteradas relacionadas</p><p>como agentes etiológicos das diversas formas de encefalite espongiforme –</p><p>exemplo: a forma bovina, vulgarmente conhecida por “mal da vaca louca”, que,</p><p>atualmente, não é considerada de risco relevante para os trabalhadores dos</p><p>serviços de saúde.</p><p>2.3 CLASSIFICAÇÕES DOS AGENTES</p><p>BIOLÓGICOS</p><p>A Portaria nº 2.349, de 14 de setembro de 2017, aprovou a classificação</p><p>de risco dos agentes biológicos, a qual foi elaborada pela Comissão de</p><p>Biossegurança em Saúde (CBS), do Ministério da Saúde (BRASIL, 2017), com</p><p>base na classificação elaborada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em</p><p>quatro classes, a saber:</p><p>l Classe de risco 1: baixo risco individual para o trabalhador e para</p><p>a coletividade (comunidade), sendo improvável que cause doenças</p><p>ao ser humano e aos animais sadios. Ex.: Bacillus subtilis; Lactobacillus</p><p>spp., entre outros.</p><p>l Classe de risco 2: moderado risco individual para o trabalhador,</p><p>podendo causar doenças nos seres humanos e animais, sendo que</p><p>geralmente há meios de profilaxia ou tratamento disponíveis e</p><p>eficazes. É improvável que se espalhe para a comunidade, pois sua</p><p>proliferação é limitada. Ex.: vírus e príons (Febre Amarela, Hepatites B</p><p>e C, Rubéola, Influenza A, Rotavírus, alguns príons, entre outros); fungos</p><p>(Candida albicans; Cryptococcus neoformans; Microsporum spp.);</p><p>parasitas protozoários (Leishmania amazonense; Toxoplasma gondii;</p><p>Trypanosoma cruzi etc.); bactérias, incluindo Clamídias e Riquétsias</p><p>(Bordetella pertussis; Pseudomonas aeruginosa; Staphylococcus</p><p>aureus; Leptospira spp.; Clostridium tetani etc.); parasitas helmintos</p><p>(Schistosoma mansoni; Ascaris lumbricoides).</p><p>l Classe de risco 3: elevado risco individual para os trabalhadores,</p><p>podendo causar doenças e infecções graves ao ser humano e animais,</p><p>existem usualmente medidas profiláticas e terapêuticas. Com</p><p>moderada probabilidade de se espalhar para a coletividade, por meio</p><p>de transmissão, em especial, por via respiratória. Ex.: bactérias, incluindo</p><p>Clamídias e Riquétsias (Bacillus anthracis, Clostridium botulinum,</p><p>Salmonella entérica subsp., Mycobacterium Tuberculosis, Brucella,</p><p>Chlamydophila psittaci); vírus e príons (Hantavírus, Influenza A – H5N1,</p><p>H7N9 e H9, HIV, príons); fungos (Coccidioides immitis, Histoplasma</p><p>181</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>capsulatum); parasitas (nenhum).</p><p>l Classe de risco 4: elevado risco individual para o trabalhador e para</p><p>a coletividade, com grande poder de transmissibilidade de uma pessoa</p><p>para outra (via respiratória ou transmissão desconhecida). Causa</p><p>doenças graves ao ser humano e animais e não há, até o presente</p><p>momento, meios de profilaxia ou tratamento eficazes. Ex.: bactérias</p><p>(nenhuma); fungos (nenhum); vírus (Marburg, Ebola, Varíola, Febres</p><p>hemorrágicas – Família Arenaviridae); parasitas (nenhum).</p><p>Desta forma, essa classificação está baseada nos efeitos que produzem e</p><p>nas medidas disponíveis para o combate, ou seja, tratamento e profilaxia. Além</p><p>disso, a Portaria supracitada está programada com periodicidade de atualização</p><p>a cada dois anos ou em carácter excepcional, surtos ou condições especiais,</p><p>podendo ser alterada.</p><p>Para acessar a Portaria na íntegra, acesse: http://bvsms.saude.</p><p>gov.br/bvs/ saudelegis/gm/2017/prt2349_22_09_2017.html.</p><p>Ademais, a NR-32 em seu anexo I também apresenta essa classificação dos</p><p>agentes biológicos, distribuindo os agentes em classes de risco de 1 a 4, tendo</p><p>como base trabalhadores sadios, sem levar em consideração efeitos particulares</p><p>como: patologias existentes, uso de medicamentos, gravidez, lactação e pessoas</p><p>imunodeprimidas. Além disso, o Anexo II da NR-32 apresenta uma lista de agentes</p><p>biológicos e as respectivas classes de risco, as quais servem como auxílio</p><p>para caracterização da exposição do trabalhador e para a adoção de medidas</p><p>preventivas.</p><p>Cabe registrar que as classificações dos agentes biológicos com potencial</p><p>risco patogênico em distintos países variam em função de fatores regionais</p><p>específicos, embora coincidam com a maioria dos agentes (BRASIL, 2017).</p><p>Os agentes biológicos quanto a sua transmissibilidade podem ser</p><p>classificados de forma direta (de pessoa para pessoa) ou indireta (através de</p><p>objetos, animais ou outros vetores).</p><p>Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), as exposições</p><p>aos riscos biológicos podem ser classificadas conforme a gravidade: a)</p><p>182</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>exposição classe 1: exposição das membranas mucosas, pele não intacta ou</p><p>lesões percutâneas ao sangue ou fluídos corporais potencialmente contaminados,</p><p>às quais se aplicam as precauções padrão (PP); b) exposição classe II:</p><p>exposição das membranas mucosas e pele não intacta aos fluídos, aos quais não</p><p>se aplica PP ou não estão visivelmente contaminados com sangue; c) exposição</p><p>classe III: exposição da pele intacta ao sangue ou fluídos, aos quais se aplicam</p><p>as PP.</p><p>As exposições ao agente biológico podem ser divididas em duas categorias,</p><p>conforme o Guia Técnico de Riscos Biológicos (BRASIL, 2008):</p><p>• Exposição com intenção deliberada: relativo à exposição derivada</p><p>da atividade laboral que implique utilização ou manipulação do agente</p><p>biológico, que constitui o objeto principal do trabalho, sendo a presença</p><p>do agente estabelecida e determinada e o reconhecimento dos riscos</p><p>relativamente simples, pois as características do agente são conhecidas</p><p>e os procedimentos de manipulação estão bem determinados, assim</p><p>como os riscos de exposição (ex.: atividades em laboratórios de</p><p>diagnóstico microbiológico, pesquisas envolvendo manipulação direta de</p><p>agentes biológicos, atividades relacionadas à biotecnologia).</p><p>• Exposição não deliberada: quando a exposição decorre da atividade</p><p>laboral sem que implique manipulação direta deliberada do agente</p><p>biológico como objeto principal do trabalho (ex.: atendimento em saúde,</p><p>consultórios médicos e odontológicos, laboratórios clínicos, com exceção</p><p>do setor de microbiologia, limpeza e lavanderia em serviços de saúde).</p><p>Agora que já revisamos sobre os agentes biológicos, que tal abordarmos</p><p>sobre os riscos biológicos?</p><p>3 RISCO BIOLÓGICO</p><p>Várias atividades apresentam riscos diretos e indiretos para a segurança</p><p>dos trabalhadores, sendo um dos mais preocupantes os riscos biológicos,</p><p>devido esses agentes serem formados por patógenos, por se desenvolverem</p><p>e multiplicarem-se em condições favoráveis, de maneira fácil em um pequeno</p><p>espaço de tempo. Contudo, ante o ponto de vista técnico, não são do mesmo</p><p>modo relevantes ao trabalhador ao serem comparados aos agentes físicos e</p><p>químicos, uma vez que a probabilidade de afetarem o trabalhador é bem menor,</p><p>embora seus danos sejam mais graves.</p><p>De acordo com a NR-32, considera-se risco biológico a probabilidade</p><p>183</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>da exposição a agentes biológicos que são possíveis de causar infecções,</p><p>efeitos tóxicos, alérgicos, doenças autoimunes e a formação de neoplasias</p><p>e malformações. Além disso, existem também diversos animais e plantas</p><p>que produzem substâncias tóxicas, alergênicas e irritativas com as quais os</p><p>trabalhadores entram em contato, como pelos, pólen, ou por mordeduras e</p><p>picadas (BRASIL, 2008).</p><p>Quando um agente biológico se torna um risco biológico? Primeiramente,</p><p>é necessário relembrar que grande parcela dos microrganismos (micróbios)</p><p>existentes é inofensivo aos seres humanos, ou seja, são agentes, mas que alguns</p><p>podem ser patogênicos, tornando-se riscos.</p><p>Como já vimos em outros momentos da disciplina, para alguns agentes fica</p><p>claro quando se tornam um risco devido ao limite de tolerância, ou seja, existem</p><p>parâmetros. Já para os agentes biológicos, os quais estão presentes em todos os</p><p>ambientes, laborais ou não, é necessária uma atenção maior para fazermos essa</p><p>distinção, pois os agentes biológicos estão no ar, na água, no solo, nos aparelhos</p><p>de ar-condicionado, no animais domésticos e selvagens, na pele, nos objetos e</p><p>em todos os lugares.</p><p>Por incrível que pareça, quando falamos sobre riscos, perigos e acidentes</p><p>relacionados ao trabalhador, geralmente associamos a explosões, quedas,</p><p>desabamentos, entre outros fatores. Entretanto, os vírus e as bactérias, ou seja,</p><p>os seres microscópicos, são os que mais levam ao óbito, pois são os maiores</p><p>causadores das infecções crônicas e agudas.</p><p>De acordo com diversos estudos realizados, o risco de exposição a agentes</p><p>biológicos é mais expressivo nos países desenvolvidos, como resultado do</p><p>crescimento das tecnologias e dos hábitos das sociedades, gerando maior</p><p>quantidade de resíduos, por exemplo, além da expansão das investigações</p><p>microbiológicas no contexto alimentar e farmacêutico.</p><p>Para entendermos melhor sobre riscos biológicos, alguns conceitos da área</p><p>da saúde são importantes como: a) infectividade: é a capacidade do agente</p><p>de alojar-se e multiplicar-se dentro de um hospedeiro (ex.: vírus da gripe – alta</p><p>infectividade ou fungos – geralmente baixa infectividade); b) patogenicidade:</p><p>é a capacidade que um microrganismo tem de causar doenças em pessoas</p><p>infectadas (ex.: vírus do sarampo – alta patogenicidade; vírus da poliomielite –</p><p>baixa patogenicidade); c) virulência: é a capacidade do agente produzir casos</p><p>graves e fatais (ex.: vírus da raiva – alta virulência; vírus do sarampo – alta</p><p>infectividade e patogenicidade e baixa virulência); d) imunogenicidade: é a</p><p>capacidade de induzir resposta imune (ex.: vírus do sarampo, caxumba, rubéola</p><p>– alta imunogenicidade; vírus da gripe – baixa imunogenicidade); e) infecção:</p><p>184</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>causada pela presença de microrganismo (micróbios); f) inflamação: pode ou</p><p>não ter microrganismos, sendo uma reação do organismo a uma infecção ou</p><p>lesão tecidual.</p><p>Respondendo ao questionamento inicial, um agente biológico torna-se um</p><p>risco quando o trabalhador tem contato permanente com um ou mais agentes</p><p>biológicos potencialmente patogênicos, capazes de provocar danos à saúde do</p><p>trabalhador, podendo acarretar doenças tanto pelo contato direto como indireto</p><p>(infecções, efeitos tóxicos ou alergênicos, doenças autoimunes e a formação de</p><p>neoplasias e malformações).</p><p>É importante ter em mente que o risco biológico pode ser considerado um</p><p>risco em evolução, tanto nos locais de trabalho com tecnologias modernas como</p><p>em ambientes de trabalho tradicionais.</p><p>Quem são os profissionais mais afetados pelos riscos biológicos?</p><p>Veterinários, zoólogos, trabalhadores de abatedouros, por intermédio das</p><p>antropozoonoses (doenças primárias de animais transmitidas ao homem) e</p><p>anfixenoses (doenças que circulam entre animais e homens, ex.: doenças</p><p>de Chagas); trabalhadores de autópsia/necrópsia (legistas); trabalhadores</p><p>que lidam com a coleta de lixo doméstico, industrial ou hospitalar, bem como</p><p>aqueles que atuam na industrialização do lixo (usinas de compostagem, aterros</p><p>sanitários e incineradores), uma vez que o lixo é a fonte de inúmeras doenças</p><p>(leptospirose, cólera, tifo, entre outras), profissionais de estação de tratamento</p><p>de esgoto (galerias ou tanques), além dos profissionais de saúde. Enfim, vários</p><p>trabalhadores estão expostos a agentes biológicos, embora nem sempre estes</p><p>se tornem um risco, como bem já evidenciado em outros momentos da disciplina.</p><p>Complemente seus conhecimentos lendo o artigo “Biological</p><p>agents as occupational hazards – selected issues”, disponível em:</p><p>http://www.aaem.pl/Biological-agents-as-occupational-hazards-</p><p>selected-issues,71702,0,2.html.</p><p>3.1 CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DE</p><p>RISCO DOS AGENTES BIOLÓGICOS</p><p>Para se categorizar um local de trabalho como sendo de risco ou não, deve-</p><p>185</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>se, inicialmente, realizar uma avaliação dos riscos biológicos, a qual averiguará</p><p>e destacará os parâmetros que estimam e dimensionam o risco, considerando</p><p>alguns critérios.</p><p>De acordo com a Classificação de Risco dos Agentes Biológicos do Ministério</p><p>da Saúde (2017), os critérios que devem ser considerados para a avaliação de</p><p>risco dos agentes biológicos estão apresentados na figura a seguir:</p><p>FIGURA 1 – CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DE RISCO DOS AGENTES BIOLÓGICOS</p><p>FONTE: Brasil (2017, p. 13-14)</p><p>No que se refere à natureza do agente biológico, ela está relacionada aos</p><p>vírus, às bactérias, ao reino archaea, aos fungos, aos protozoários, aos parasitos,</p><p>ou entidades acelulares, como príons, RNA ou DNA (RNAi, ácidos nucleicos</p><p>infecciosos, aptâmeros, genes e elementos genéticos sintéticos etc.) e partículas</p><p>virais (VPL).</p><p>A virulência pode ser avaliada por meio dos coeficientes de mortalidade</p><p>(percentual de casos da doença que são mortais) e de gravidade (percentual dos</p><p>casos considerados graves).</p><p>Relativo ao modo de transmissão do agente biológico, é importante o seu</p><p>conhecimento para que medidas que visem conter a disseminação do patógeno</p><p>sejam aplicadas.</p><p>A estabilidade é a capacidade de manutenção do potencial infeccioso de um</p><p>agente biológico no meio ambiente e em condições adversas (exposição à luz, a</p><p>agentes biológicos, a temperaturas etc.).</p><p>186</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Relacionado à concentração e volume, podemos dizer que quanto maior</p><p>a concentração, maior será o risco, sendo de grande importância o volume do</p><p>agente, pois os fatores de risco aumentam proporcionalmente ao aumento do</p><p>volume.</p><p>Deve ser considerada a origem do hospedeiro do agente biológico</p><p>potencialmente patogênico, se humano ou animal, assim como a localização</p><p>geográfica, ou seja, as áreas endêmicas, e o vetor.</p><p>Quando há disponibilidade de medidas profiláticas, as quais sejam</p><p>eficazes, como vacinação, antissoro, controle de vetores, entre outros, o risco é</p><p>reduzido. Assim como quando há disponibilidade de tratamento eficaz que seja</p><p>capaz de prover a contenção do agravamento e a cura da patologia causada pela</p><p>exposição ao agente biológico.</p><p>Já referente à dose infectante, ela varia de acordo com a virulência do</p><p>agente biológico e a suscetibilidade do indivíduo à infecção.</p><p>A manipulação do agente biológico pode potencializar o risco e, por fim, o</p><p>conhecimento da eliminação do agente biológico é essencial para a adoção de</p><p>medidas de contingenciamento.</p><p>Nessa dimensão, a avaliação de risco incorpora ações que têm como</p><p>meta reconhecer e identificar os agentes biológicos e a probabilidade de danos</p><p>que estes possam ocasionar. Para a análise de risco, é de total relevância que</p><p>seja formada uma equipe multiprofissional, com abordagem interdisciplinar,</p><p>envolvendo não somente aspectos técnicos e agentes biológicos de risco, bem</p><p>como seres humanos e animais complexos e ricos em suas naturezas e relações</p><p>(BRASIL, 2017).</p><p>A Figura 2 demonstra a avaliação do risco considerando a classificação em</p><p>classe de risco e quanto à exposição, podendo ser da seguinte forma:</p><p>187</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>FIGURA 2 – AVALIAÇÃO DO RISCO CONFORME CLASSIFICAÇÃO</p><p>EM CLASSE DE RISCO E EXPOSIÇÃO</p><p>FONTE: A autora</p><p>A Agência Europeia de Segurança e Saúde do Trabalho está</p><p>desenvolvendo um questionário de avaliação do tipo checklist para</p><p>a realização de avaliação dos riscos biológicos, com previsão de</p><p>lançamento em dezembro de 2019. Para saber mais, acesse: http://</p><p>www.aspaprevencion.com/instrumentos-de-evaluacion-y-medidas-</p><p>preventivas-ante-el-riesgo-biologico-de-la-plantilla-de-los-spa-</p><p>especial-atencion-a-los-profesionales-sanitarios/.</p><p>4 LEGISLAÇÃO E MÉTODOS</p><p>DE AVALIAÇÃO E COLETA DOS</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS</p><p>É importante destacar que os agentes biológicos, nos anos 1970, foram</p><p>classificados com base na sua virulência pelo Center of Disease Control (CDC)</p><p>188</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>e em 1991 pela OSHA e que no Brasil, somente em 1997, por intermédio da</p><p>Instrução Normativa nº 7 da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança</p><p>(CTNBio), é que foi apresentada uma classificação dos agentes biológicos,</p><p>considerando a legislação internacional existente.</p><p>A ACGIH não estabelece valores limites para os agentes biológicos</p><p>por diversas razões, dentre elas: a existência de uma ampla gama</p><p>de microrganismos e sua capacidade de reprodução em condições</p><p>favoráveis; a resposta de uma pessoa a um agente é diferente de outra</p><p>pessoa, pois depende de sua suscetibilidade; a falta de documentação</p><p>das relações de exposição-resposta específicas de agentes e a dificuldade em</p><p>analisar todos os competentes de um agente biológico utilizando apenas um</p><p>método. No entanto, alguns países estabelecem limites para certos agentes,</p><p>como para algumas toxinas, por exemplo (RUBIO et al., 2018). Para exemplificar,</p><p>pode-se citar a metodologia BIOGAVAL de avaliação de riscos biológicos em</p><p>atividades laborais diversas, desenvolvida pelo Gabinete de Segurança e Higiene</p><p>do Trabalho de Valência – Espanha.</p><p>A ACGIH não</p><p>estabelece valores</p><p>limites para os</p><p>agentes biológicos.</p><p>Quer saber mais sobre o método BIOGAVAL? Acesse: http://</p><p>www.invassat.gva.es/documents/161660384/161741765/Biogaval_</p><p>neo_2018_cs/ea1b4c14-8033-4c8b-8779-c9efe5db45ac.</p><p>De forma geral, ou seja, não especificamente no ambiente laboral, pois até o</p><p>presente momento não há limite microbiológico de exposição ocupacional, e sim para</p><p>os ambientes externos, existem inúmeras propostas para demarcação dos valores</p><p>máximos aceitáveis com relação aos marcadores epidemiológicos, especialmente</p><p>para bactérias e fungos, por meio de normas ou padrões, indicados por órgãos</p><p>governamentais ou não, pesquisas científicas e experiências profissionais. Todavia,</p><p>não há uniformidade entre essas propostas, uma vez que existem variações</p><p>climáticas, macrogeográficas, tecnológicas e socioeconômicas.</p><p>Considerando-se o exposto, estudos realizados pela Environmental Protection</p><p>Agency (EPA) apontam que a qualidade do ar interior pode ser até dez (10) vezes</p><p>pior que a qualidade do ar externo, tendo em vista que microrganismos diversos,</p><p>como vírus, fungos, bactérias, entre outros, ficam retidos em ambientes fechados,</p><p>acumulando-se no ar, sendo que essa situação piora em ambientes climatizados.</p><p>No Brasil, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) é quem</p><p>189</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>estabelece os padrões de qualidade do ar nos ambientes externos por meio da</p><p>Resolução 491/2018, a qual se atenta aos materiais particulados. Já para os níveis</p><p>de contaminantes biológicos do ar de interiores, os quais variam substancialmente</p><p>em função do espaço e do tempo, não existem métodos e padrões claros aceitos</p><p>no país. Salienta-se que a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) define</p><p>os padrões de análise da qualidade do ar interior em ambientes climatizados de uso</p><p>público ou coletivo.</p><p>Salienta-se também que para os bioaerossóis, várias propostas internacionais</p><p>para o estabelecimento de limites de exposição foram feitas por diferentes</p><p>organizações, principalmente com relação à exposição a fungos e endotoxinas. No</p><p>entanto, essas propostas foram desenvolvidas principalmente para a avaliação de</p><p>problemas de mofo em ambientes internos ou frequentemente não eram baseadas</p><p>na saúde ou eram realizadas fora de um processo formal de definição de padrões de</p><p>exposição.</p><p>Sobre os agentes biológicos no ambiente laboral, o Anexo 14 da NR-15 é</p><p>uma das legislações brasileiras vigentes, apresentando de forma generalizada</p><p>as atividades que envolvem tais agentes, as quais estão agrupadas pelo grau de</p><p>insalubridade (médio e máximo), conforme podemos constatar na Figura 3, não</p><p>apresentando especificamente os agentes em si e informando que a avaliação deve</p><p>ser qualitativa.</p><p>FIGURA 3 – RELAÇÃO DAS ATIVIDADES QUE ENVOLVEM</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS, CONFORME ANEXO 14 DA NR-15</p><p>190</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>FONTE: <http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/</p><p>nr15_anexoXIV.htm>. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>Ademais, o Anexo 14 não submete essas atividades e operações envolvendo</p><p>o contato permanente com os agentes biológicos a um limite de tolerância, sendo</p><p>apenas caracterizadas pela avaliação qualitativa. Nesse ínterim, a caracterização</p><p>é dada pelo perito, o qual deve ter sensibilidade, bom senso e interpretar de forma</p><p>adequada e correta o Anexo, de como é a forma de exposição e o contato que</p><p>o trabalhador tem com o agente biológico, a fim de que o laudo pericial seja</p><p>conclusivo e convincente e embasado legalmente.</p><p>Desta forma, para que o enquadramento do adicional de insalubridade para</p><p>os agentes biológicos seja lícito, é necessária uma inspeção técnica, que deve</p><p>responder positivamente a três perguntas: 1) Existe exposição do trabalhador</p><p>a agentes biológicos?; 2) Essa exposição é permanente?; 3) A atividade</p><p>desempenhada pelo trabalhador consta no Anexo 14 da NR-15?</p><p>Nesse contexto, convém relembrar que devido a muitas espécies de</p><p>microrganismos apresentarem efeitos semelhantes na saúde do trabalhador,</p><p>há certa dificuldade em identificar para além dos efeitos e, portanto, algumas</p><p>características dos agentes biológicos não permitem estabelecer valores limites de</p><p>exposição, o que consequentemente leva à complexidade na tarefa da avaliação</p><p>e controle dos riscos provocados por tais agentes.</p><p>Associado a isso, a avaliação da gravidade resultante da exposição</p><p>auditivo é o mais exigido do corpo devido</p><p>às condições hiperbáricas, uma vez que a pressão empurra o tímpano para</p><p>dentro, ocasionando otalgia (dor de ouvido). Assim, deve-se realizar a manobra</p><p>de Valsalva (pressão com a boca e nariz fechado) para que entre ar pela tuba</p><p>faringotimpânica, a fim de regular/igualar a pressão do ouvido médio e a do ouvido</p><p>externo, fazendo com que o tímpano retorne para a posição neutra (na pressão</p><p>de superfície). Em contrapartida, quando o trabalhador emerge, a pressão do</p><p>ouvido interno que estava elevada quando ele estava submerso, torna-se maior</p><p>do que a pressão externa, esticando o tímpano para fora, sendo que a tuba</p><p>deverá fazer com que o ar saia pela garganta para que o tímpano volte a sua</p><p>posição neutra. Desta forma, o mecanismo de regulagem da pressão realizado</p><p>pela tuba faringotimpânica é essencial para esses trabalhadores para que não</p><p>tenham problemas auditivos.</p><p>Como visto anteriormente, o nitrogênio se espalha pelo corpo do trabalhador</p><p>e deve ser eliminado, sendo que o indivíduo precisa ser submetido, de forma</p><p>lenta, a pressões menores, para que, através da respiração, elimine gradualmente</p><p>o excesso de nitrogênio, sendo esse processo denominado de descompressão.</p><p>Todavia, quanto maior a quantidade de nitrogênio no corpo, maior será o</p><p>tempo de descompressão, conforme as Tabelas disponibilizadas no Anexo 6.</p><p>Lembrando que o processo de descompressão serve tanto para o trabalhador sob</p><p>ar comprimido como para o que está submerso.</p><p>Assim, os riscos das atividades realizadas sob condições hiperbáricas estão</p><p>relacionados com o momento de compressão e descompressão do trabalhador.</p><p>Logo, o trabalhador precisa ser pressurizado e despressurizado</p><p>gradualmente, a fim de equilibrar a pressão dos gases contidos no corpo com</p><p>o ambiente externo, pois se a descompressão for de forma abrupta, gerará</p><p>22</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>sintomas, causará dores abdominais, dentárias e nas articulações, rupturas dos</p><p>alvéolos, funcionamento cerebral anormal, paralisia (caso a expansão dos gases</p><p>atingir o sistema nervoso central), embolia gasosa, entre outros, inclusive levando</p><p>ao óbito.</p><p>Para entender melhor sobre a atividade de mergulho, assista ao</p><p>vídeo Pesca da Lagosta Nordeste do Brasil. Disponível em: <https://</p><p>www.youtube.com/watch?time_continue=19&v=e-cLS-SI5_s>.</p><p>É oportuno frisar que o Anexo 6 da NR-15, em seu Anexo C, estabelece</p><p>parâmetros para a descompressão como medidas de controle através das</p><p>tabelas, as quais apresentam os mais diversos períodos de trabalho em função da</p><p>pressão (trabalhos sob ar comprimido) e em função da profundidade e do tempo</p><p>(trabalhos submersos), bem como padrões psicofísicos que recomendam a forma</p><p>de tratamento para doença descompressiva e embolia gasosa.</p><p>Também é necessário esclarecer que, de acordo com o Anexo II da NDE</p><p>nº 01/2018, Tabela 28, os trabalhos em caixões ou câmaras hiperbáricas (cód.</p><p>09.009); trabalhos em tubulões ou túneis sob ar comprimido (cód. 09.010);</p><p>operações de mergulho com o uso de escafandros ou outros equipamentos (cód.</p><p>09.011); atividades sob ar comprimido (cód. 10.005) e submersas (cód. 10.006)</p><p>são consideradas atividades especiais por exposição aos agentes físicos. Além</p><p>disso, essas atividades são passíveis de aposentaria especial (PPP e LTCAT),</p><p>conforme Decreto 3048/99 em seu Anexo IV (cód. 2.0.5).</p><p>Diante dessas considerações, segue um quadro com as doenças</p><p>relacionadas ao trabalho sob ar comprimido, do Ministério da Saúde, através da</p><p>Portaria nº 1339/GM de 18 de novembro de 1999.</p><p>QUADRO 1 – DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO: AR COMPRIMIDO</p><p>• Otite média não supurativa (H65.9).</p><p>• Perfuração da membrana do tímpano (H72 ou S09.2).</p><p>• Labirintite (H83.0).</p><p>• Otalgia e secreção auditiva (H92-).</p><p>• Outros transtornos especificados do ouvido (H93.8).</p><p>23</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>• Osteonecrose no “Mal dos Caixões” (M90.3).</p><p>• Otite barotraumática (T70.0).</p><p>• Sinusite barotraumática (IT70.1).</p><p>• “Mal dos Caixões” (Doença da Descompressão) (T70.4).</p><p>• Síndrome devido ao deslocamento de ar de uma explosão (T70.8).</p><p>FONTE: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1999/</p><p>prt1339_18_11_1999.html. Acesso em: 19 ago. 2019.</p><p>Como podemos constatar, a lista oficial brasileira de doenças relacionadas</p><p>ao trabalho sob ar comprimido (condições hiperbáricas) refere-se a muitas</p><p>doenças relacionadas ao ouvido, já que é o órgão mais afetado, justificando o</p><p>item 1.3.7, do Anexo 6 da NR-15, que relata que trabalhadores com afecções</p><p>nas vias respiratórias ou outras moléstias (gripe, sinusite) não deverão trabalhar</p><p>em condições hiperbáricas, devendo ser examinados pelo médico antes da</p><p>jornada de trabalho, a fim de detectar tais problemas. Essa lista também</p><p>apresenta a labirintite, a sinusite e o “mal dos caixões” (osteonecrose e doença da</p><p>descompressão).</p><p>É oportuno frisar que a doença da descompressão pode afetar o cérebro e a</p><p>medula espinhal, uma vez que as bolhas de nitrogênio podem se expandir até a</p><p>medula, provocando paralisia dos membros inferiores, como pôde-se comprovar</p><p>com os casos dos pescadores de lagostas ou provocar lesões cerebrais, como</p><p>convulsões, AVC (derrame) e até levar ao óbito, como exemplificado no vídeo</p><p>indicado para assistir.</p><p>Existem, contudo, para as atividades realizadas sob condições hiperbáricas,</p><p>as câmaras hiperbáricas de recompressão e terapêuticas, que têm como finalidade</p><p>a descompressão e o tratamento de doenças descompressivas, respectivamente.</p><p>Para as atividades submersas, os mergulhadores devem permanecer dentro</p><p>da câmara hiperbárica por algumas horas antes de realizar sua tarefa, objetivando</p><p>a adaptação a essas condições. Já as câmaras de superfície servem para a</p><p>descompressão dos trabalhadores, seja em decorrência da atividade exercida</p><p>ou para tratamento hiperbárico e há, ainda, as câmaras terapêuticas, as quais</p><p>são utilizadas exclusivamente para o tratamento hiperbárico (oxigenoterapia</p><p>hiperbárica), sendo imprescindível nos casos de doenças descompressivas em</p><p>mergulhadores, operários dos tubulões pressurizados e de outros profissionais</p><p>que trabalham em ambientes hiperbáricos, uma vez que a pressão e o oxigênio</p><p>são a única maneira que se tem para eliminar as bolhas de nitrogênio. Tal atividade</p><p>envolve profissionais da saúde e de áreas multidisciplinares, já mencionados no</p><p>24</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>início dessa seção, quando apresentamos as principais patologias ocasionadas</p><p>em profissionais hiperbaricistas.</p><p>Agora, vamos ver como são realizadas as medidas de proteção coletiva para</p><p>as condições hiperbáricas?</p><p>Conforme a literatura, pode-se atuar na fonte, modificando-a, ou seja,</p><p>automatizar os processos de grandes riscos, como túneis de metrôs com o</p><p>uso do Shield (tatuzão) ou um robô que realize trabalhos submersos a grandes</p><p>profundidades, isto é, sem a presença de um ser humano. Outra forma é a</p><p>manutenção preventiva dos equipamentos, os quais devem estar em perfeito</p><p>funcionamento, a fim de evitar qualquer risco ao trabalhador, sendo que a NR</p><p>aponta diversos testes que devem ser realizados, com item específico para</p><p>a manutenção dos equipamentos. O treinamento diário é uma das principais</p><p>ações, pois é fundamental que o trabalhador entenda o risco que ele está sendo</p><p>submetido ao desempenhar sua tarefa e suas possíveis consequências.</p><p>Você sabia que pesquisas demonstram que os trabalhadores</p><p>de tubulões pressurizados possuem pouco conhecimento sobre as</p><p>normas que regem suas atividades? Você concorda? Um artigo que</p><p>corrobora com isso é “Avaliação do conhecimento das normas de</p><p>segurança no trabalho por trabalhadores em tubulões pressurizados”,</p><p>que está disponível em: <http://www.rbmt.org.br/details/62/en-US/</p><p>avaliacao-do-conhecimento-das-normas-de-seguranca-no-trabalho-</p><p>por-trabalhadores-em-tubuloes-pressurizados>.</p><p>É importante lembrar que o Anexo 6 traz uma série de itens que o trabalhador</p><p>deve seguir antes de realizar a tarefa sob condições hiperbáricas (planejamento,</p><p>ocupacional a agentes biológicos torna-se impraticável, devido à inexistência legal</p><p>de valores limites estabelecidos, assim como a interpretação dos resultados sobre</p><p>a avaliação referente à exposição é complexa.</p><p>191</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>Camareira de hotel receberá adicional máximo de insalubridade</p><p>por limpeza de banheiros. Disponível em: https://juristas.com.</p><p>br/2019/01/17/camareira-de-hotel-recebera-adicional-maximo-de-</p><p>insalubridade-por-limpeza-de-banheiros/.</p><p>Relativo aos trabalhadores da área da saúde, a NR-15 qualifica em grau</p><p>máximo (40%) os que lidam exclusivamente com pacientes em isolamento</p><p>portadores de moléstias infectocontagiosas, bem como com objetos de seu uso</p><p>não esterilizados previamente; contudo, se o profissional tiver contato permanente</p><p>com pacientes, animais ou com materiais infectocontagiosos em hospitais,</p><p>enfermarias, ambulatórios, serviços de emergência, unidades básicas e outros</p><p>estabelecimentos de saúde, incluindo laboratórios, o normativo estabelece que</p><p>o adicional é de grau médio (20%), aplicando-se unicamente ao pessoal que</p><p>mantém contato com os pacientes, bem como aos que manuseiam objetos de uso</p><p>destes, não previamente esterilizados.</p><p>Como verifica-se, a redação do Anexo 14 da NR-15 informa que o adicional</p><p>de insalubridade deve ser aplicado exclusivamente ao pessoal que tenha contato</p><p>permanente com pacientes (em isolamento ou não) ou com objetos de uso</p><p>desses pacientes que não estejam previamente esterilizados. Logo, deixa claro</p><p>que o adicional de insalubridade não será concedido a todos os trabalhadores de</p><p>hospitais e somente àqueles mencionados no Anexo.</p><p>No entanto, verifica-se que muitos laudos periciais ampliam o conceito</p><p>exposto no Anexo 14 sob a justificativa de que o hospital é um local insalubre,</p><p>apresentando diversas teorias e argumentos a fim de que esta tese seja legítima</p><p>e que, portanto, todo trabalhador de hospital faz jus ao adicional de insalubridade.</p><p>Cabe mencionar que existem duas vertentes: uma que preconiza o hospital</p><p>como um ambiente insalubre, não só pela exposição a agentes biológicos e riscos</p><p>de acidentes, mas também por apresentar aspectos específicos, como excessiva</p><p>jornada de trabalho, elevado nível de tensão, sofrimento psíquico, condições</p><p>precarizadas de trabalho, entre outros; e outra defende que o hospital não é</p><p>caracterizado como um ambiente insalubre e, sim, apresenta condições e/ou</p><p>situações insalubres em locais específicos, as quais são controladas com rigor.</p><p>Associado a isso, temos a lei trabalhista (CLT) , a qual estabelece que</p><p>um ambiente de trabalho hostil à saúde do trabalhador é considerado um local</p><p>192</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>insalubre, sendo declaradas como atividades ou operações insalubres aquelas</p><p>que exponham o trabalhador a agentes nocivos a sua saúde devido à natureza,</p><p>condições ou métodos de trabalho, estando sob competência do Ministério do</p><p>Trabalho aprovar tais atividades e operações, fixando normas com os devidos</p><p>critérios.</p><p>Como exemplos, podemos citar inúmeros casos, dentre eles o</p><p>deferimento a uma auxiliar de higienização de um hospital sobre as</p><p>diferenças relativas ao adicional de insalubridade em grau máximo,</p><p>indo na contramão do Anexo 14, que preconiza que somente as</p><p>atividades desempenhadas (contato permanente) com pacientes</p><p>em isolamento por doenças infectocontagiosas serão tidas como</p><p>insalubres em grau máximo, conforme pode ser acompanhado</p><p>em: http://www.tst.jus.br/noticias/-/ asset_publisher/89Dk/content/</p><p>limpeza-de-banheiro-em-hospital-gera-direito-a-adicional-de-</p><p>insalubridade-em-grau-maximo?inheritRedirect=false.</p><p>Ou como o caso da oficial administrativa, cuja função era atender</p><p>pacientes na recepção e agendar consultas médicas de um hospital</p><p>público, que ingressou com uma reclamação trabalhista para receber</p><p>o adicional de insalubridade, sendo concedido em grau médio.</p><p>FONTE: <https://www.saudeocupacional.org/2018/11/mantido-adicional-</p><p>de-insalubridade-a-trabalhadora-que-exercia-funcao-administrativa-em-</p><p>hospital.html>. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>Ou ainda, o caso do porteiro de um centro de saúde que deve</p><p>receber o adicional de insalubridade em grau médio.</p><p>FONTE: <https://www.conjur.com.br/2019-jan-29/tst-adicional-</p><p>insalubridade-porteiro-centro-saude>. Acesso em: 15 set. 2019.</p><p>Como analisar um risco biológico? É notório que a análise de um risco</p><p>biológico desempenha um papel fundamental no âmbito da prevenção dos riscos</p><p>laborais, bem como existem diversos métodos de avaliação de riscos, sejam</p><p>eles qualitativos, quantitativos ou semiquantitativos. Entretanto, informações e</p><p>publicações relativas à avaliação de riscos biológicos são escassas e limitadas.</p><p>Como já evidenciado anteriormente, o Anexo 14 apregoa que a avaliação dos</p><p>riscos biológicos seja de forma qualitativa.</p><p>193</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOSAGENTES BIOLÓGICOS E ERGONÔMICOS Capítulo 3</p><p>Fica evidente que uma avaliação qualitativa abre margem para o aspecto</p><p>subjetivo, com interpretações analógicas, acarretando em interpretações</p><p>periciais divergentes e que, muitas vezes, podem ser injustas. Na esteira dessa</p><p>compreensão, quando os critérios técnicos não são precisos, ou seja, dependem</p><p>da interpretação, os peritos devem se ater exatamente ao que consta no texto</p><p>legal, fundamentando-se na redação oficial da legislação vigente, mesmo que</p><p>esta esteja desatualizada.</p><p>Esse Anexo tem suscitado controvérsias, não só pela utilização</p><p>do critério qualitativo da inspeção do local de trabalho como também</p><p>pelo grau de subjetividade em que a questão é tratada, pois sob</p><p>o ponto de vista técnico, os agentes biológicos não apresentam o</p><p>mesmo grau de perigo, variando o risco e, portanto, em determinados</p><p>casos (agentes biológicos com exposição letal), não poderiam estar</p><p>inseridos no contexto da insalubridade, tendo em vista que oferecem</p><p>risco de morte, devendo ser classificados como periculosos, pois</p><p>agem de forma abrupta e que por serem microscópicos, na maioria</p><p>das vezes, impedem que o trabalhador se preserve e/ou evite a</p><p>exposição.</p><p>Outro aspecto que merece atenção é que os trabalhadores do campo</p><p>(rurais) também deveriam ser contemplados com o adicional de insalubridade,</p><p>tendo em vista que estão sujeitos a inúmeros agentes biológicos oriundos do</p><p>solo, plantas e animais. Vale salientar que os animais possuem suas próprias</p><p>doenças infectocontagiosas e que algumas delas podem infectar o ser humano</p><p>(antropozoonoses), como febre aftosa, brucelose, carbúnculo dos bovinos e</p><p>ovinos, toxoplasmose, raiva etc.</p><p>A legislação brasileira é falha na caracterização dos riscos biológicos,</p><p>instituindo adicional de insalubridade a poucas atividades, sem exigir análise</p><p>quantitativa, além de não contemplar todos os trabalhadores envolvidos com risco</p><p>biológico. No Brasil, persiste ainda o pagamento desse adicional para atividades</p><p>insalubres, priorizando a monetização do risco e, paralelamente, existe a</p><p>desatualização dos parâmetros que caracterizam as atividades insalubres, como</p><p>bem vimos no Capítulo 2.</p><p>Assim, durante a disciplina, constatamos que a saúde e a segurança</p><p>ocupacional são amparadas por leis e normas, as quais contemplam grande</p><p>194</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>parte das recomendações internacionais, mas que muitas vezes a sua leitura e</p><p>compreensão são dificultadas. Além disso, identificam-se algumas lacunas no</p><p>que se refere à eficiência da fiscalização, especialmente relativo à adoção das</p><p>recomendações de segurança nos ambientes laborais, muitas vezes persistindo a</p><p>ideia de que o risco é inerente à atividade desempenhada, ou seja, considerando</p><p>que a presença do risco biológico é natural e normal e que a exposição a esse</p><p>risco é aceitável.</p><p>4.1 MÉTODOS DE COLETA DOS</p><p>AGENTES BIOLÓGICOS</p><p>Para a coleta dos microrganismos no ar, por exemplo, existem diversas</p><p>técnicas, conforme Brevigliero, Possebon, Spinelli (2017) e Saliba (2019). Dentre</p><p>elas,</p><p>preparação, execução).</p><p>Relativo aos equipamentos de proteção individual (EPIs), especificamente</p><p>para os mergulhadores, temos os controladores de pressão, tempo e profundidade;</p><p>computadores de mergulho (que controlam profundidade, pressão, realizam</p><p>cálculos de descompressão etc., ou seja, substituindo as tabelas do Anexo 6);</p><p>tanques de ar e ares com misturas adequadas com equipamentos que realmente</p><p>irão protegê-lo da condição hiperbárica.</p><p>Para concluir, no que se refere às medidas de controle relativas ao</p><p>25</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>trabalhador em condições de pressões anormais, o quadro a seguir apresenta um</p><p>resumo destas.</p><p>QUADRO 2 – MEDIDAS DE CONTROLE EM CONDIÇÕES DE PRESSÕES ANORMAIS</p><p>FONTE: A autora</p><p>Consulte a NR-15, Anexo 6 “Trabalho sob condições</p><p>hiperbáricas” e revise com detalhes os cuidados a serem tomados em</p><p>condições hiperbáricas. Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.</p><p>com.br/legislacao/nr/nr15_anexoVI.htm>.</p><p>Assim, chegamos ao final dessa seção, onde vimos sobre as pressões</p><p>anormais (condições hipobáricas e hiperbáricas), bem como sobre as patologias</p><p>laborais causadas por elas, as normas vigentes e as medidas de controle</p><p>aplicáveis.</p><p>Agora, convidamos você a testar os conhecimentos adquiridos.</p><p>26</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>1 Todo local de trabalho apresenta uma pressão atmosférica, que é</p><p>denominada de pressão normal. Entretanto, existem profissões</p><p>ou ocupações que exigem que o trabalhador esteja em pressões</p><p>diferentes da normal, as quais são denominadas de pressões</p><p>anormais, que podem ser hipobáricas ou hiperbáricas. Sobre o</p><p>assunto, classifique as sentenças em “V” para as verdadeiras e “F”</p><p>para as falsas:</p><p>( ) As pressões anormais podem se dar em condições hipobáricas</p><p>(pressões menores que a pressão atmosférica) ou hiperbáricas</p><p>(pressões maiores que a pressão atmosférica), sendo a segunda</p><p>a mais comum.</p><p>( ) Como medida preventiva, no que se refere às atividades em</p><p>condições hiperbáricas, podemos citar o cumprimento ao Anexo 6</p><p>da NR-15, observando, unicamente, as tabelas de descompressão</p><p>para o pessoal envolvido na atividade submersa.</p><p>( ) Quando os trabalhadores estão expostos a uma pressão acima</p><p>da atmosférica normal, como em tubulões a ar comprimido, esses</p><p>devem receber insalubridade de grau máximo.</p><p>( ) É exigida cuidadosa compressão e descompressão, de acordo</p><p>com as tabelas do Anexo 5 da NR-15, sendo que antes de cada</p><p>jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados</p><p>pelo médico, bem como o trabalhador não poderá sofrer mais de</p><p>uma compressão num período de 48 horas.</p><p>( ) Nas atividades laborais em grandes altitudes, como no caso dos</p><p>aeronautas, à medida que se ganha altura sobre o nível do mar,</p><p>a pressão total do ar ambiental e a concentração de oxigênio</p><p>diminuem gradualmente.</p><p>( ) Visando monitorar os trabalhadores expostos às pressões</p><p>anormais (condições hiperbáricas, nas avaliações periódicas de</p><p>saúde, deve ser solicitado pelo médico do trabalho radiografia</p><p>das articulações coxofemorais e escapuloumerais como exame</p><p>complementar, de acordo com o que preceitua a NR-7, Quadro II.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>( ) V – V – V – F – V – V.</p><p>( ) F – F – V – F – F – V.</p><p>( ) V – F – V – F – V – V.</p><p>( ) F – V – F – V – V – F.</p><p>27</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>3 UMIDADE</p><p>Agora, discutiremos sobre o agente físico umidade, considerando os aspectos</p><p>técnicos relativos à segurança, à higiene e à saúde no trabalho, objetivando a</p><p>preservação da saúde do trabalhador exposto a essa condição.</p><p>Como já vimos na introdução dos agentes físicos, a umidade</p><p>não faz parte da NR-9 (última atualização em 2017), mas está</p><p>contemplada na NR-15 e em diversas fontes bibliográficas, sendo</p><p>considerada um risco físico pela Portaria nº 25/1994, do Ministério do</p><p>Trabalho e Emprego.</p><p>Quando falamos em umidade, o que vem logo em mente? A maioria das</p><p>pessoas associa a umidade com a quantidade de vapor de água que está</p><p>presente na atmosfera, configurando se o ar está seco ou úmido, ou seja, a</p><p>umidade relativa do ar. No entanto, a umidade, no âmbito laboral, também está</p><p>relacionada às atividades desempenhadas em locais encharcados ou alagados,</p><p>com excessiva umidade, o que pode trazer consequências à saúde do trabalhador,</p><p>como veremos a seguir.</p><p>Há de se considerar que a umidade pode ser benéfica ou maléfica para o</p><p>organismo, pois dependerá de como ela está presente no ambiente laboral, ou</p><p>seja, se em maior ou menor quantidade, bem como de que forma o trabalhador</p><p>está exposto a ela. Portanto, aqui abordaremos sobre o excesso de umidade no</p><p>ambiente laboral e quem são os trabalhadores expostos.</p><p>3.1 ENTENDENDO A UMIDADE</p><p>Para a NR-15, a umidade está relacionada a um local molhado, encharcado</p><p>ou alagado. O que esses termos significam?</p><p>28</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>De acordo com o Dicionário On-line de Português: Encharcado:</p><p>que está envolto por charco; imerso em água parada, suja e</p><p>lodacenta. Ensopado; que possui excesso de água. Alagado: que</p><p>está envolto por água em excesso; inundado.</p><p>FONTE: https://www.dicio.com.br. Acesso em: 6 maio 2019.</p><p>Assim, o Anexo 10 da NR-15, que aborda sobre umidade, define que as</p><p>atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcados, com</p><p>umidade excessiva, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, serão</p><p>consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local</p><p>de trabalho.</p><p>Em suma, o Anexo 10 relata que atividades desempenhadas em locais</p><p>com excessiva umidade são caracterizadas como insalubres, uma vez que</p><p>podem provocar danos à saúde do trabalhador, ou seja, que tem risco para a</p><p>saúde (nocividade), conforme pode ser corroborado com a NR-9 - PPRA (Item</p><p>9.1.5). Portanto, a nocividade tem a ver com a intensidade do agente (o quanto</p><p>o trabalhador está molhado) e com o tempo de exposição (por quanto tempo ele</p><p>está molhado).</p><p>Quem são os trabalhadores que estão expostos a esse agente? Ao</p><p>considerarmos o Anexo 10 da NR-15, podemos dizer que são trabalhadores</p><p>que executam atividades ou operações em locais alagados ou encharcados,</p><p>a exemplo de: rios; riachos; açudes; lagoas; represas; poços subterrâneos;</p><p>tanques e regiões pantanosas (limpadores de riachos/esgotos; atividades de</p><p>pesca, aquicultura); entre outros, conforme podemos visualizar na Figura 7.</p><p>Trabalhadores que desempenham atividades em lavanderias, lavação de veículos,</p><p>frigoríficos, cozinhas, limpeza em geral (predial, urbana), atividade a céu aberto</p><p>(sujeito às intempéries), mineração, construção civil (escavação) etc., também</p><p>estão expostos a esse agente.</p><p>29</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>FIGURA 7 – EXEMPLOS DE TRABALHADORES EM LOCAIS COM O AGENTE UMIDADE</p><p>FONTE: http://www.cmedicinaocupacional.com.br/site/novidades/</p><p>comentando-o-anexo-10-da-nr-15-umidade/. Acesso em: 6 maio 2019.</p><p>Convém ressaltar que a base legal para o risco físico umidade está</p><p>contemplada na Lei 6.514/1977 (CLT), no Artigo 200 (Das Outras Medidas</p><p>Especiais de Proteção): V - “proteção contra insolação, calor, frio, umidade</p><p>e ventos, sobretudo no trabalho a céu aberto, com provisão, quanto a este, de</p><p>água potável, alojamento profilaxia de endemias”, bem como o seu adicional de</p><p>insalubridade consta nos Artigos 189 e 190 da CLT.</p><p>A NR-21 - Trabalho a Céu Aberto, no item 21.2, relata que “serão exigidas</p><p>medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva, o</p><p>calor, o frio, a umidade e os ventos inconvenientes”. Assim como a CLT, a NR-21</p><p>também está preocupada com a proteção do trabalhador frente ao risco umidade.</p><p>Um fato que merece atenção é sobre a diferença entre agente de</p><p>insalubridade e adicional de insalubridade, pois trabalhadores expostos</p><p>à chuva ou um lavador de pratos de um restaurante, por exemplo, estão</p><p>expostos à umidade, mas não são contemplados com o adicional de</p><p>insalubridade. Todavia,</p><p>independente se o trabalhador faz jus ou não ao</p><p>adicional de insalubridade, deve-se considerar que a umidade pode ser</p><p>um agente agressor à saúde do trabalhador. Portanto, a meta primordial</p><p>é a proteção da saúde do trabalhador, com o devido fornecimento do</p><p>equipamento adequado para a realização da atividade laboral, a fim de</p><p>que não venha sofrer consequências, acarretando danos a sua saúde, e</p><p>não o adicional de insalubridade em si.</p><p>No Decreto nº 611/1992, o qual, na época, validou o Anexo do</p><p>Decreto nº 53.831/1964, a umidade permaneceu como condição</p><p>especial de trabalho até 5 de março de 1997. Entretanto, o Decreto nº</p><p>2.172, de 6 de março de 1997, exclui o agente umidade para fins de</p><p>enquadramento de tempo especial, de acordo com o Instituto Nacional</p><p>do Seguro Social (2017).</p><p>Um fato que</p><p>merece atenção é</p><p>sobre a diferença</p><p>entre agente de</p><p>insalubridade</p><p>e adicional de</p><p>insalubridade,</p><p>pois trabalhadores</p><p>expostos à chuva</p><p>ou um lavador</p><p>de pratos de</p><p>um restaurante,</p><p>por exemplo,</p><p>estão expostos à</p><p>umidade, mas não</p><p>são contemplados</p><p>com o adicional de</p><p>insalubridade.</p><p>30</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Conforme o Anexo II da NDE nº 01/2018, as atividades executadas em</p><p>locais alagados ou encharcados, com umidade excessiva (cód. 10.009) são</p><p>consideradas atividades especiais por exposição a agentes físicos e o Anexo</p><p>10 da NR considera uma atividade insalubre de grau médio (20% do salário</p><p>mínimo), sendo que a eliminação ou neutralização da insalubridade determinará</p><p>a cessação do pagamento do adicional. A NR-16 não considera a umidade como</p><p>um agente perigoso.</p><p>É importante destacar que a ACGIH (American Conference of</p><p>Governmental Industrial Hygienists) e outros órgãos internacionais,</p><p>como NIOSH (National Institute of Occupational Safety and Health)</p><p>e OSHA (Occupational Safety and Health Administration) não</p><p>estabelecem limites de tolerância para o agente umidade, bem como</p><p>não consideram a umidade como um agente em higiene ambiental</p><p>de forma isolada e que precisa ser tratado especificamente, ou seja,</p><p>diferentemente da legislação brasileira, onde a umidade está prevista</p><p>na NR-15, mais precisamente no Anexo 10, como agente insalubre,</p><p>tendo como principal característica a produção de danos à saúde</p><p>do trabalhador (intensidade e tempo de exposição a esse agente), a</p><p>qual acarretará consequências ao trabalhador, sendo essa análise</p><p>qualitativa, pois depende da percepção visual.</p><p>Dessa maneira, embora tenhamos uma legislação específica para</p><p>o adicional de insalubridade frente ao risco umidade, não há uma regra</p><p>clara, ocasionando controvérsias, uma vez que o Anexo 10 é abreviado,</p><p>trazendo pouca informação a respeito da exposição.</p><p>Ao analisarmos a lista de doenças relacionadas ao trabalho do</p><p>Ministério da Saúde (Portaria nº 1.339/1999), o item 27 aborda sobre</p><p>os agentes físicos, químicos ou biológicos que afetam a pele, mas não</p><p>apresenta a umidade como um agente físico, bem como não consta nenhuma</p><p>doença relacionada à umidade nessa listagem. No entanto, a umidade excessiva</p><p>danifica a pele, o que facilita a ação de agentes biológicos, como bactérias,</p><p>fungos, entre outros, ocasionando micoses. Assim, geralmente, a umidade está</p><p>associada a outros agentes ambientais, como o calor, o frio e os riscos biológicos.</p><p>Em consequência disso, as doenças ocupacionais relacionadas à</p><p>umidade se encontram na lista do Ministério da Saúde relativa aos agentes/</p><p>riscos biológicos (do Grupo II da Classificação de Schilling), onde constam a</p><p>Dermatofitose (infecções micóticas que afetam a superfície epidérmica, devido</p><p>a fungos dermatófitos) e Outras Micoses Superficiais, devido a trabalhos em</p><p>condições de temperatura elevada e umidade (cozinhas, piscinas e ginásios).</p><p>A ACGIH (American</p><p>Conference of</p><p>Governmental</p><p>Industrial Hygienists)</p><p>e outros órgãos</p><p>internacionais,</p><p>como NIOSH</p><p>(National Institute</p><p>of Occupational</p><p>Safety and Health) e</p><p>OSHA (Occupational</p><p>Safety and Health</p><p>Administration) não</p><p>estabelecem limites</p><p>de tolerância para</p><p>o agente umidade,</p><p>bem como não</p><p>consideram a</p><p>umidade como um</p><p>agente em higiene</p><p>ambiental de forma</p><p>isolada e que</p><p>precisa ser tratado</p><p>especificamente</p><p>31</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Também é oportuno relatar que órgãos, como OSHA, NIOSH,</p><p>International Labour Organization (ILO) e European Agency for Safety</p><p>and Health at Work reconhecem a umidade associada ao frio, o que</p><p>pode ocasionar o pé de emersão, degradando os tecidos do pé devido</p><p>a uma exposição prolongada em ambiente úmido ou molhado e com</p><p>temperatura acima do ponto de congelamento (10 a 15 ºC).</p><p>Não se pode deixar de mencionar que, além da questão umidade</p><p>e dos agentes micóticos, a água também serve de contaminante para</p><p>esses trabalhadores, uma vez que pode estar poluída, causando</p><p>doenças por bactérias (leptospirose, cólera etc.), por vírus (rotavírus, hepatite</p><p>etc.) e por parasitas (esquistossomose, giárdia etc.).</p><p>Tendo em vista que as atividades as quais o trabalhador é exposto ao agente</p><p>umidade são diversas, como vimos anteriormente, no que se refere às medidas</p><p>de proteção coletiva, estas também são variadas, podendo ser através de</p><p>estudo de modificação no processo de trabalho; automação de processos</p><p>de risco; isolamento de processos; revezamento com diminuição do tempo</p><p>de exposição; treinamento; instalações sanitárias adequadas para secagem</p><p>e troca de vestimenta; abrigo contra as intempéries; colocação de ralos para</p><p>escoamento da água, estrado de madeira, entre outras medidas.</p><p>Já no que se refere à proteção individual (EPI), esta é essencial, haja</p><p>vista as controvérsias com relação aos geradores do adicional de insalubridade</p><p>e à proteção do trabalhador, que é o fator primordial. Em função disso, o uso</p><p>de vestimentas impermeáveis é imprescindível (macacão e capa), sem</p><p>desconsiderar o calor e o suor, fazendo revezamento e pausa. Além do uso de</p><p>avental, botas e luvas de PVC e perneiras.</p><p>Considerando a NR-7, não existem exames específicos que</p><p>detectem se o trabalhador está exposto ao excesso de umidade, sendo</p><p>que o médico do trabalho deverá enfatizar o exame médico para as</p><p>lesões específicas das doenças relacionadas à umidade excessiva,</p><p>especialmente para as patologias dermatológicas, bem como estar</p><p>atento aos sinais e sintomas relatados pelos trabalhadores. Pessoas</p><p>com doenças dermatológicas, alérgicas e com doenças circulatórias</p><p>periféricas devem ser restringidas a exercerem funções sob essas</p><p>condições, pois há a tendência de aumentar esses riscos. Essa NR também</p><p>enfatiza a importância das palestras educativas aos trabalhadores, os quais</p><p>devem conhecer os efeitos da umidade excessiva, as patologias geradas, bem</p><p>como a identificação dos primeiros sinais e sintomas, a fim de buscar atendimento</p><p>médico imediato.</p><p>Órgãos, como</p><p>OSHA, NIOSH,</p><p>International Labour</p><p>Organization</p><p>(ILO) e European</p><p>Agency for Safety</p><p>and Health at Work</p><p>reconhecem a</p><p>umidade associada</p><p>ao frio.</p><p>Considerando a</p><p>NR-7, não existem</p><p>exames específicos</p><p>que detectem se</p><p>o trabalhador está</p><p>exposto ao excesso</p><p>de umidade.</p><p>32</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Desta forma, finalizamos a seção, na qual vimos os efeitos da umidade</p><p>excessiva no organismo, as normas aplicáveis à exposição ocupacional e as</p><p>medidas de controle.</p><p>Atividades exercidas ou operações executadas em locais com</p><p>excessiva umidade, ou seja, em locais encharcados ou alagados,</p><p>podem acarretar danos à saúde do trabalhador, devendo, desta</p><p>forma, ter uma atenção especial por parte dos profissionais</p><p>prevencionistas, a fim de implantar medidas de proteção.Com base</p><p>no tema umidade excessiva no ambiente laboral, responda:</p><p>1 Complete as lacunas a seguir:</p><p>a) As atividades laborais desempenhadas em locais com</p><p>_______________ (pouca/excessiva) umidade são</p><p>caracterizadas como ______________ (insalubres/salubres),</p><p>uma vez que podem provocar _____________ (danos/benefícios)</p><p>à saúde do trabalhador.</p><p>b) As atividades ou operações executadas</p><p>em locais alagados</p><p>ou encharcados estão amparadas pelo Anexo ___________</p><p>(10/9) da ___________ (NR-13/NR-15), considerando atividade</p><p>insalubre de grau __________ (médio/máximo).</p><p>c) No _____________ (PCMSO/PPRA) em seu Quadro II não</p><p>consta o risco umidade, mas o ______________ (clínico/</p><p>médico do trabalho) deve enfatizar as lesões _______________</p><p>(oculares/dermatológicas).</p><p>2 Relacione as colunas de acordo com o controle da exposição do</p><p>trabalhador exposto à umidade excessiva no que se refere às</p><p>medidas de proteção:</p><p>I- EPI.</p><p>II- EPC.</p><p>( ) Colocação de estrado de madeira.</p><p>( ) Uso de avental de borracha.</p><p>( ) Macacão impermeável.</p><p>( ) Capacitação e treinamento.</p><p>33</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>( ) II – I – I – II.</p><p>( ) I – I – II – II.</p><p>( ) II – I – II – I.</p><p>( ) I – II – II – I.</p><p>4 INTRODUÇÃO À RadiaçÃO E ÀS</p><p>RADIAÇões IONIZANTES</p><p>Agora, abordaremos sobre as radiações do tipo ionizante, sua conceituação;</p><p>ocorrência; efeitos das exposições; limites de tolerância; medidas de controle e</p><p>medidas preventivas, além de apresentar as Normas Regulamentadoras vigentes,</p><p>a fim de proporcionar conhecimento sobre sua aplicação, uso e riscos.</p><p>Antes de adentrarmos no assunto específico sobre as radiações ionizantes,</p><p>faremos uma breve revisão sobre radiação.</p><p>4.1 INTRODUÇÃO À RADIAÇÃO</p><p>Com certeza você já ouviu falar muito em radiação! Já parou para pensar o</p><p>que é radiação?</p><p>Muitos associam a radioatividade fazendo analogia aos acontecimentos</p><p>como o de Fukushima, Chernobyl, Hiroshima e Nagasaki ou a catástrofe nuclear</p><p>brasileira com o césio-137 em Goiânia. Entretanto, é certo que estamos expostos</p><p>a ela a todo momento, sem nem mesmo estarmos conscientes disso, seja no dia</p><p>a dia ou no ambiente laboral, ou seja, a radiação existe em todo lugar, através dos</p><p>raios cósmicos, da radiação terrestre (radônio), da incorporação de radioisótopos</p><p>(alimentos) ou nas exposições ambientais específicas.</p><p>A principal radiação e a mais abundante é a luz solar, ou seja, a luz branca,</p><p>que varia do vermelho ao violeta, compondo a luz visível.</p><p>É importante lembrarmos que o olho humano somente consegue captar</p><p>radiações de certas frequências, que vai do vermelho (frequência mais baixa e</p><p>34</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>comprimento de onda maior) até o violeta (frequência mais alta e comprimento de</p><p>onda menor), conforme pode ser visualizado na Figura 8.</p><p>Portanto, a radiação que vemos se encontra dentro desta estreita fração</p><p>do espectro eletromagnético (espectro visível), sendo que acima da frequência</p><p>do violeta existem outras radiações, como a radiação ultravioleta, e abaixo da</p><p>frequência do vermelho existe a radiação infravermelha, por exemplo, as quais</p><p>não são visíveis ao olho humano e que serão vistas detalhadamente adiante.</p><p>FIGURA 8 – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO</p><p>FONTE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_vis%C3%ADvel. Acesso em: 19 ago. 2019.</p><p>Veja que, na figura, o espectro eletromagnético é o intervalo de todas</p><p>as possíveis frequências (Hz) e comprimentos de onda (m) da radiação</p><p>eletromagnética, ou seja, ele se estende desde as ondas de alta frequência até as</p><p>de mais baixa frequência e, em contrapartida, o comprimento de onda se estende</p><p>da menor para a maior.</p><p>Convém ressaltar que todas as radiações que veremos durante a nossa</p><p>disciplina serão comparadas às faixas visíveis, isto é, do vermelho ao violeta,</p><p>pois as faixas acima do violeta e abaixo do vermelho são as mais nocivas aos</p><p>trabalhadores, como veremos mais adiante.</p><p>Na literatura, podemos constatar diversas definições e classificações sobre</p><p>radiação. Antes disso, que tal iniciarmos com um pouco da história?</p><p>Muito antes que a vida surgisse, os materiais radioativos e suas</p><p>radioatividades já existiam na Terra, mas foi somente no final do século XIX que</p><p>noções sobre radiação foram abordadas. A Figura 9 ilustra um breve panorama</p><p>histórico dos precursores da ciência da radiação.</p><p>35</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>FIGURA 9 – PIONEIROS DA CIÊNCIA DA RADIAÇÃO</p><p>FONTE: A autora</p><p>Como podemos constatar na figura, os raios X foram descobertos em 1895,</p><p>pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen, rendendo-lhe, em 1901, o primeiro</p><p>Prêmio Nobel de Física, tendo em vista um grande avanço para a medicina. Em</p><p>1896, Henri Becquerel, cientista francês, descobriu, acidentalmente, o fenômeno</p><p>da radioatividade, após colocar alguns filmes fotográficos em uma gaveta junto</p><p>a fragmentos de um mineral que continha urânio. Em seguida, a química Marie</p><p>Sklodowska Curie deu continuidade à pesquisa sobre radioatividade, tornando-</p><p>se a primeira a usar esse termo e, em 1898, junto a seu marido, Pierre Curie,</p><p>identificaram que à medida que o urânio liberava radiação, este transformava-</p><p>se em outros elementos, os quais denominaram de polônio e de radium (rádio),</p><p>recebendo o Prêmio Nobel de Física, em 1903, juntamente a Becquerel. Em 1911,</p><p>ela recebeu outro Prêmio Nobel por descobertas na química da radiação.</p><p>No início do século XX, em 1903, Ernest Rutherford formulou hipóteses sobre</p><p>as emissões radioativas, após profundos estudos, formulando o primeiro modelo</p><p>atômico criado. Até hoje permanecem suas características (ANDREUCCI, 2013).</p><p>Outro fato histórico que merece destaque é que em 1928, durante o 2º</p><p>Congresso Internacional de Radiologia, em Estocolmo, foi estabelecido o</p><p>Comitê Internacional de Proteção aos Raios X e ao Rádio e que durante</p><p>a 2ª Guerra Mundial foi reestruturado e renomeado como Comissão</p><p>Internacional em Proteção Radiológica (International Commission on</p><p>Radiological Protection - ICRP).</p><p>Neste momento, você deve estar se perguntando: e qual é a</p><p>definição de radiação? Como dissemos no início, temos diversas</p><p>definições e a que apresentamos é a de Saliba (2015, p. 131):</p><p>Radiação pode ser definida como “ondas eletromagnéticas vibratórias</p><p>que se trasladam no espaço acompanhadas por um campo magnético</p><p>vibratório, com as características de um movimento ondulatório”. Assim,</p><p>as radiações se movimentam no espaço em forma de ondas, dependem</p><p>Radiação pode</p><p>ser definida</p><p>como “ondas</p><p>eletromagnéticas</p><p>vibratórias que se</p><p>trasladam no espaço</p><p>acompanhadas</p><p>por um campo</p><p>magnético</p><p>vibratório, com as</p><p>características de</p><p>um movimento</p><p>ondulatório”.</p><p>36</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>do comprimento e da frequência da sua onda eletromagnética e “viajam” na</p><p>velocidade da luz.</p><p>As radiações são categorizadas em dois tipos de fontes: naturais e artificiais,</p><p>as quais são capazes de realizar ionização em moléculas ou átomos.</p><p>As radiações de fontes naturais, as quais estão presentes no ambiente</p><p>e não há maneira de evitar a sua exposição, são responsáveis pela maior parte</p><p>das exposições humanas. Dentre elas, temos as fontes terrestres (solo; gás</p><p>radônio - que é a principal fonte de exposição à radiação em todos os tipos de</p><p>minas subterrâneas), fontes em alimentos e bebidas (radionuclídeos) e os raios</p><p>cósmicos, que são a maior fonte natural de exposição externa à radiação e,</p><p>portanto, é pertinente remetermos à altitude, pois o nível de exposição aumenta</p><p>e, consequentemente, afeta os trabalhadores da aviação e astronautas, por</p><p>exemplo.</p><p>Você sabia que pessoas que vivem ao nível do mar recebem,</p><p>em média, uma dose efetiva anual de cerca de 0,3 mSv proveniente</p><p>de fontes cósmicas de radiação ou, grosseiramente, 10 - 15% de sua</p><p>dose total proveniente de fontes naturais? (UNEP, 2016).</p><p>Profissionais da saúde envolvidos nas áreas de radiações de</p><p>fontes artificiais recebem uma dose efetiva anual média de cerca de</p><p>0,5 mSv (UNEP, 2016).</p><p>Já no que se refere às radiações de fontes artificiais, o uso da energia</p><p>do átomo para diversas finalidades, pelos cientistas, aumentou muito nos últimos</p><p>anos, sendo as aplicações médicas as mais prevalentes, seguidas das fontes</p><p>ocupacionais (aplicações industriais; indústrias/usinas nucleares).</p><p>A Figura 10 apresenta uma estimativa de</p><p>dose anual que uma pessoa recebe</p><p>por ano, demonstrando que, em média, a dose anual proveniente de fontes</p><p>naturais é 2,4 mSv, sendo que 2/3 desse valor provêm de substâncias radioativas</p><p>do ar que respiramos, dos alimentos que comemos e da água que bebemos. Já no</p><p>que se refere às fontes artificiais, em média, recebemos 0,65 mSv (UNEP, 2016).</p><p>37</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>FIGURA 10 – EXPOSIÇÕES MÉDIAS DO PÚBLICO POR FONTES DE RADIAÇÃO*</p><p>*ESTIMATIVA DE DOSE EFETIVA PARA UMA PESSOA EM UM ANO (MÉDIA MUNDIAL)</p><p>FONTE: http://www.ird.gov.br/index.php/publicacoes/download/35-</p><p>publicacoes/109-publicacao-das-nacoes-unidas-sobre-efeitos-</p><p>da-radiacao-e-fontes. Acesso em: 14 maio 2019.</p><p>As radiações estão divididas em dois grupos: a corpuscular ou de partícula e</p><p>a eletromagnética, sendo que o esquema a seguir auxilia a entender melhor o que</p><p>é a radiação.</p><p>FIGURA 11 – CLASSIFICAÇÃO DA RADIAÇÃO</p><p>FONTE: A autora</p><p>38</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Conforme a figura, a radiação, de forma bem concisa, é uma forma de energia,</p><p>podendo estar dividida em radiação corpuscular e radiação eletromagnética.</p><p>A radiação corpuscular ou de partícula é formada por um feixe de</p><p>partículas, compostos por elétrons, prótons, nêutrons, partículas alfa, entre</p><p>outras; enquanto que a radiação eletromagnética é uma forma de energia que se</p><p>propaga através de ondas com a combinação de campos elétricos e magnéticos</p><p>oscilantes, viajando no vácuo ou no ar, na mesma velocidade que a luz.</p><p>As radiações eletromagnéticas podem ser descritas como ionizantes e</p><p>não ionizantes, dependendo da quantidade de energia e segundo o resultado de</p><p>sua interação com a matéria, sendo denominada de ionizante “quando a radiação</p><p>é superior à energia de ligação dos elétrons de um átomo com o seu núcleo,</p><p>suficiente para arrancar elétrons de seus orbitais e de não ionizante, quando isso</p><p>não ocorre” (INSS, 2017, p. 98).</p><p>Saliba (2015) informa que a diferença entre as duas é que a quantidade</p><p>de energia da radiação não ionizante é insuficiente para desalojar elétrons dos</p><p>tecidos do corpo humano. De forma bem simplificada, podemos dizer que o que</p><p>diferencia uma radiação ionizante de uma não ionizante é a frequência da onda,</p><p>comprimento e energia irradiada.</p><p>A figura a seguir nos mostra exemplos de diferentes aplicações utilizando</p><p>radiação não ionizante e ionizante, bem como demonstra que a não ionizante</p><p>possui um comprimento de onda eletromagnética maior e uma frequência baixa</p><p>em relação à ionizante.</p><p>FIGURA 12 – EXEMPLOS DE RADIAÇÃO NÃO IONIZANTE E IONIZANTE</p><p>FONTE: https://radioprotecaonapratica.com.br/wp-content/uploads/2017/11/</p><p>diferentes_utilizacoes_radiacao.png. Acesso em: 19 ago. 2019.</p><p>39</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Está lembrado dos pioneiros da ciência da radiação? Devido à exposição</p><p>constante e sem os devidos cuidados preventivos, que na época nem se tinha</p><p>conhecimento, eles sofreram alguns efeitos. Henri Becquerel, ao colocar um</p><p>frasco de rádio no bolso, teve danos na pele. Wilhelm Conrad Roentgen, em</p><p>1923, faleceu devido a um câncer no intestino e Marie Curie veio a óbito, em</p><p>1934, devido a uma doença sanguínea.</p><p>Atualmente, sabe-se que a energia da radiação pode danificar o tecido</p><p>vivo, causando efeitos biológicos, ou seja, danos tardios e/ou genéticos, quando</p><p>atingem as fitas do ácido desoxirribonucleico (DNA), acarretando alguma</p><p>mutação celular, podendo levar ao câncer. Há também os efeitos imediatos, como</p><p>queimaduras na pele, infertilidade e alopecia (queda de cabelo).</p><p>A quantidade de energia da radiação acumulada no tecido é denominada</p><p>de dose, podendo ser expressa de diferentes formas, pois depende de quanto</p><p>o corpo, ou parte do corpo, tenha sido irradiado, bem como a quantidade de</p><p>pessoas expostas e a duração do tempo de exposição.</p><p>Desta forma, temos a dose de exposição (X), que é a quantidade de radiação</p><p>transferida para determinada massa de ar; a dose absorvida (D), expressa em</p><p>uma unidade denominada gray (Gy), que é a quantidade de energia da radiação</p><p>absorvida por quilograma de tecido; a dose equivalente ou dose de efeito (H),</p><p>que serve para comparar doses absorvidas resultantes de diferentes tipos de</p><p>radiação, é avaliada em uma unidade chamada sievert (Sv). Há também a dose</p><p>efetiva, que é um indicador da probabilidade de indução de câncer e de efeitos</p><p>genéticos, pois leva em conta a suscetibilidade de causar danos em diferentes</p><p>tecidos e órgãos e a dose efetiva coletiva, resultante de todas as doses efetivas</p><p>recebidas por cada indivíduo em uma população e é expressa em homem.sievert</p><p>(homem.Sv), conforme UNEP (2016) e Pereira (2015).</p><p>O UNSCEAR (United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic</p><p>Radiation) avalia informações científicas sobre os efeitos da exposição à radiação</p><p>em humanos e no meio ambiente, utilizando faixas de doses, empregando o termo</p><p>dose alta para maior do que ~1 Gy; dose moderada para ~100 mGy a ~1 Gy; dose</p><p>baixa para ~10 mGy a ~100 mGy e dose muito baixa para menor do que ~10 mGy.</p><p>Para se ter ideia, uma dose maior que 50 Gy danifica o sistema nervoso central de</p><p>tal forma que a morte ocorre em poucos dias. Mesmo doses menores, como uma</p><p>dose de 8 Gy pode provocar diversos sinais e sintomas, como náuseas, vômitos,</p><p>diarreia, salivação, sudorese, cefaleia, fadiga, apatia, letargia, entre outros.</p><p>Vale ressaltar que a radiação, por ter diferentes quantidades de energia e</p><p>tipos de partículas, apresenta diferentes poderes de penetração, bem como</p><p>diferentes efeitos na matéria viva. Contudo, veremos mais detalhadamente sobre</p><p>esse tema em outro momento.</p><p>40</p><p>Higiene do Trabalho II</p><p>Convidamos você a ler o artigo “A Radiação: Má ou Boa”,</p><p>publicado na Revista Internacional em Língua Portuguesa, de 2018,</p><p>o qual está disponível em: <http://rilp-aulp.org/index.php/rilp/article/</p><p>view/RILP2018.34.7>.</p><p>5 RADIAÇÕES IONIZANTES</p><p>Veremos agora, mais especificamente, sobre a radiação ionizante, que</p><p>é definida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) como “energia</p><p>capaz de interagir com a matéria, arrancando elétrons de seus átomos (ionização)</p><p>e modificando as moléculas”, ou seja, essas radiações possuem um poder</p><p>energético elevado, que transformam os átomos ou moléculas em íons, à medida</p><p>que interagem com a matéria. São invisíveis, pois estão numa frequência de onda</p><p>acima do espectro visível. Devido ao seu comprimento de onda e alta frequência</p><p>são capazes de ionizar.</p><p>A radiação ionizante se propaga pelo ar e também por contato direto, bem</p><p>como se comporta como a luz, uma vez que emite radiações espalhadas. Há a</p><p>utilização de um colimador, criando um feixe único, concentrando a radiação,</p><p>como quando somos submetidos a um raio X, pois a potência maior ionizante</p><p>vai para a pessoa que está sendo radiografada. Todavia, isso não significa que</p><p>não há radiação no restante do ambiente e, portanto, o profissional que está</p><p>realizando o exame também está exposto, só que em menor quantidade. Outra</p><p>forma de propagação é através do contato direto com a fonte, como o contato</p><p>direto com a gamagrafia industrial, que é uma das principais causas de acidentes</p><p>com trabalhadores.</p><p>O que significa ionizante? Devemos lembrar que toda matéria é constituída</p><p>de átomos, os quais são compostos por prótons (carga positiva) e nêutrons (carga</p><p>neutra) que estão inseridos no seu núcleo e, girando em torno desse núcleo,</p><p>existem os elétrons (carga negativa), sendo que todo átomo tem carga neutra, ou</p><p>seja, a mesma quantidade de prótons e elétrons. Desta forma, a ionização ocorre</p><p>quando há uma alteração dessa neutralidade, passando a ter uma carga positiva</p><p>ou negativa, formando um íon, expulsando o elétron da sua órbita. Outro fato</p><p>importante é que a ionização não ocorre somente com as ondas eletromagnéticas,</p><p>mas também com partículas nucleares, que veremos a seguir.</p><p>41</p><p>AGENTES FÍSICOSAGENTES FÍSICOS Capítulo 1</p><p>Cabe ressaltar que o termo nuclear ou energia</p>