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<p>Transtorno obsessivo compulsivo 1</p><p>Transtorno obsessivo compulsivo</p><p>Definição</p><p>Caráter obrigatório de ideias (obsessões) e atos (compulsões) que se impõem ao indivíduo.</p><p>Embora a ansiedade esteja sempre proeminente no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), este tem patogênese distinta, provavelmente</p><p>mais intimamente relacionada a outros quadros ex. transtorno dismórfico corporal, transtorno de acumulação, tricotilomania (arrancar os</p><p>cabelos) e o transtorno de escoriação (machucados na pele).</p><p>Epidemiologia — cerca de 0,5% nos sintomas mais graves, prevalência de 2 a 3% ao longo da vida, homens apresentam início mais</p><p>precoce e as idades mais frequentes do aparecimento são a adolescência e a vida adulta.</p><p>Patogênese</p><p>A prevalência de 12 meses de TOC é de aproximadamente 1%, com início típico na infância, na adolescência ou no início da vida adulta.</p><p>Os índices de remissão são baixos em adultos, com a maioria das pessoas experimentando um curso crônico crescente e decrescente. A</p><p>patogênese provavelmente envolve funcionamento alterado dos sistemas estriadofrontais, assim como papel proeminente para</p><p>sistemas serotoninérgicos centrais. As obsessões e as compulsões podem representar desencadeamento não apropriado de “roteiros”</p><p>neurais envolvendo pensamentos e comportamentos que fizeram analogia com aqueles envolvidos em cuidados com animais e outros</p><p>comportamentos complexos, mas estereotípicos.</p><p>Quadro clínico</p><p>Pacientes com TOC apresentam obsessões ou compulsões recorrentes, e a maioria os dois transtornos. O TOC não deve ser confundido</p><p>com os traços ou o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva. As obsessões são pensamentos recorrentes, persistentes e</p><p>tipicamente angustiantes que, em algum ponto durante o curso do transtorno, são experimentados como intrusivos e não desejados.</p><p>Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais pelos quais os indivíduos sente estar sendo guiado a executar, em resposta a</p><p>uma obsessão ou de acordo com regras rígidas. Por exemplo, lavar as mãos de maneira compulsiva pode estar relacionado a pensamentos</p><p>obsessivos sobre germes ou contaminação. Pacientes com TOC geralmente tentam ignorar, suprimir ou neutralizar suas obsessões</p><p>mas, ao fazê-lo, sofrem grande angústia psíquica. Além disso, essas obsessões e compulsões podem consumir muitas horas do dia</p><p>desses pacientes.</p><p>📌 Obsessões são ideias, imagens ou impulsos que surgem repetidamente na consciência de forma estereotipada. Causam</p><p>sofrimento ou repugnância porque se referem a temas violentos ou obscenos, ou porque são percebidos como irracionais, sem</p><p>sentido e contrários à vontade. A pessoa luta de modo infrutífero para evitar esses pensamentos, embora os reconheça como</p><p>próprios e não estranhos ao seu eu como nas psicoses.</p><p>📌 Compulsões são atos ou rituais compulsivos, estereotipados, repetidos inúmeras vezes, geralmente de acordo com certas</p><p>regras, sem finalidade útil, raramente proporcionando prazer. São justificados pelos pacientes como forma de prevenir que</p><p>algum evento ocorra (doença, acidente, perda).</p><p>Evolução</p><p>O início se dá, em geral, na infância, adolescência ou início da vida adulta. Ele pode ser agudo ou insidioso, com predominância do</p><p>último. O início da infância parece ser muito mais comum do que se imaginava a princípio, pois crianças e adolescentes reconhecem a</p><p>irracionalidade de seus pensamentos obsessivos e rituais compulsivos, esforçando-se por escondê-los. Com frequência, o início em jovens</p><p>adultos está relacionado a acontecimentos importantes, associação feita por metade dos pacientes: parto, doenças, aumento de</p><p>responsabilidade, problemas sexuais, morte na família etc.</p><p>Transtorno obsessivo compulsivo 2</p><p>O conteúdo varia ao longo do tempo em 95% dos casos, sendo os rituais de limpeza os mais frequentes, seguidos pelos atos de verificação</p><p>e pelos relacionados a perfeccionismo. Não raro, crianças e adolescentes com supostos quadros depressivos, ansiosos, dificuldades</p><p>escolares, do desenvolvimento ou da atenção, quando melhor avaliados, apresentam sintomas obsessivo-compulsivos.</p><p>Diagnóstico diferencial</p><p>Anorexia nervosa</p><p>Estado de estresse pós-traumático</p><p>Depressão</p><p>Psicoses</p><p>Personalidade anancástica</p><p>Doenças neurológicas</p><p>Tricotilomania</p><p>Transtornos do espectro obsessivo-compulsivo — transtorno dismórfico corporal, cleptomania, impulso compulsivo de comprar,</p><p>tricotilomania, autismo, bulimia nervosa, ingestão descontrolada de alimentos.</p><p>Em relação ao diagnóstico, em PET scan é possível notar alterações da utilização de glicose em áreas do cérebro. Os achados de</p><p>neuroimagem mais consistentes no TOC referem-se, em ordem decrescente de importância, a alterações nas regiões orbito-frontais,</p><p>núcleos da base, giro do cíngulo e tálamos; portanto, apontam quase invariavelmente para alterações nas regiões que compõem o</p><p>circuito pré-frontal-estriado-tálamo-cortical. Os sintomas variam a depender da região afetada.</p><p>Tratamento</p><p>Os únicos antidepressivos eficazes no TOC são aqueles com atividade forte em sistemas serotoninérgicos, como os ISRS ex. fluoxetina,</p><p>paroxetina, fluvoxamina; e o composto tricíclico clomipramina, este último sendo o padrão ouro. As terapias cognitivo-comportamentais</p><p>também têm eficácia bem demonstrada, geralmente em combinação com a farmacoterapia. A estimulação profunda do cérebro bisando à</p><p>cápsula ventral/estriado ventral tem aprovação da FDA nos EUA para TOC grave refratário ao tratamento, embora seu papel preciso</p><p>permaneça por ser determinado. Neuromodulação de alta frequência e ultrassom focalizado são possibilidades experimentais para casos</p><p>refratários.</p><p>📌 O tratamento medicamentoso pode incluir neuroepilépticos no caso do TOC refratário (risperidona e ziprasidona).</p>