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<p>2017</p><p>TreinamenTo DesporTivo</p><p>em eDucação Física</p><p>Prof. Paulo Cesar do Nascimento Salvador</p><p>Prof. Amadeo Félix Salvador</p><p>Prof. Anderson Santiago Teixeira</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2017</p><p>Elaboração:</p><p>Prof. Paulo Cesar do Nascimento Salvador</p><p>Prof. Amadeo Félix Salvador</p><p>Prof. Anderson Santiago Teixeira</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>796.07</p><p>S182t</p><p>Salvador; Paulo César do Nascimento</p><p>Treinamento desportivo em educação física / Paulo</p><p>César do Nascimento Salvador; Amadeo Félix Salvador; Anderson Santiago</p><p>Teixeira: UNIASSELVI, 2017.</p><p>215 p. : il.</p><p>ISBN 978-85-515-0072-9</p><p>1.Educação Física - Treinamento.</p><p>I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.</p><p>III</p><p>apresenTação</p><p>Caro acadêmico! Seja bem-vindo a mais uma disciplina do nosso</p><p>curso!</p><p>Convido você a começar agora sua jornada de estudos na disciplina de</p><p>TREINAMENTO DESPORTIVO EM EDUCAÇÃO FÍSICA. Acreditamos</p><p>que será uma viagem prazerosa pelos caminhos do conhecimento que</p><p>envolvem a teoria do Treinamento Esportivo e suas facetas dentro do contexto</p><p>da Educação Física. Esperamos poder proporcionar a você, acadêmico, bons</p><p>momentos de estudos e reflexão para que possamos aprender mais sobre a</p><p>temática.</p><p>Na Unidade 1, teremos como objetivos o entendimento dos</p><p>fundamentos do Treinamento Esportivo e seus processos de avaliação, o</p><p>desenvolvimento das capacidades aeróbias e anaeróbias e o treinamento</p><p>esportivo no contexto escolar e suas implicações para a saúde.</p><p>Na Unidade 2, o objetivo é o aprendizado dos aspectos relacionados aos</p><p>princípios do Treinamento Esportivo, como a individualidade, especificidade</p><p>e a sobrecarga, bem como, o condicionamento físico específico para diferentes</p><p>atividades esportivas.</p><p>Enquanto que, na Unidade 3, veremos os principais métodos e a</p><p>periodização do treinamento, com o objetivo de entender a aplicação deste</p><p>para crianças e adolescentes, o condicionamento e o desenvolvimento das</p><p>principais qualidades físicas como força, resistência e flexibilidade.</p><p>Por fim, nós desejamos a você um ótimo período de estudos dentro</p><p>desta e outras disciplinas do curso. Que você possa aproveitar esta fase da</p><p>vida da melhor forma possível, valorizando a formação profissional e, acima</p><p>de tudo o crescimento pessoal que você obterá!</p><p>Bons estudos e sucesso!</p><p>Prof. Paulo Cesar do Nascimento Salvador</p><p>Prof. Amadeo Félix Salvador</p><p>Prof. Anderson Santiago Teixeira</p><p>IV</p><p>Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para</p><p>você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades</p><p>em nosso material.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o</p><p>material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato</p><p>mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.</p><p>O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação</p><p>no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir</p><p>a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,</p><p>apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade</p><p>de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para</p><p>apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto</p><p>em questão.</p><p>Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas</p><p>institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa</p><p>continuar seus estudos com um material de qualidade.</p><p>Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de</p><p>Desempenho de Estudantes – ENADE.</p><p>Bons estudos!</p><p>UNI</p><p>V</p><p>VI</p><p>VII</p><p>UNIDADE 1 - FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO .................................... 1</p><p>TÓPICO 1 - OS FUNDAMENTOS ...................................................................................................... 3</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3</p><p>2 FUNDAMENTOS ................................................................................................................................ 4</p><p>2.1 O TREINAMENTO FÍSICO ........................................................................................................... 7</p><p>3 OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO DO TREINAMENTO DESPORTIVO ............................. 8</p><p>3.1 A AVALIAÇÃO DOS ASPECTOS FÍSICOS ................................................................................ 10</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 23</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 24</p><p>TÓPICO 2 - O TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA E ANAERÓBIA ............................ 25</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 25</p><p>2 APTIDÃO AERÓBIA .......................................................................................................................... 26</p><p>3 O DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA ................................................................... 31</p><p>3.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AERÓBIA ..................................................................................... 34</p><p>3.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA ....................................... 43</p><p>4 APTIDÃO ANAERÓBIA .................................................................................................................... 45</p><p>5 DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO ANAERÓBIA ................................................................ 46</p><p>5.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO ANAERÓBIA ............................................................................... 51</p><p>5.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO ANAERÓBIA ................................. 53</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 55</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 57</p><p>TÓPICO 3 - O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR ............ 59</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 59</p><p>2 PREOCUPAÇÕES EM RELAÇÃO À SAÚDE NA ADOLESCÊNCIA ...................................... 59</p><p>3 O ESPORTE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA SAÚDE DE ADOLESCENTES ......................... 61</p><p>4 O ESPORTE COLETIVO E OS PROCESSOS DE CRESCIMENTO DE</p><p>ADOLESCENTES, POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO ..................................................... 65</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 68</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 72</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 73</p><p>UNIDADE 2 - PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO</p><p>FÍSICO APLICADO ..........................................................................................................................</p><p>entra na mitocôndria e age como receptor de H+ para formar</p><p>H2O que vai sair da célula. O O2 permite que os elétrons continuem passando pela</p><p>cadeia transportadora e que estes processos não sejam interrompidos, dessa forma,</p><p>enquanto há O2 presente há formação de energia aeróbia (POWERS; HOWLEY,</p><p>2005).</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>28</p><p>FIGURA 9 – O PAPEL DO O</p><p>2</p><p>E A FORMAÇÃO AERÓBIA DE ENERGIA</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=mitocondria&source>.</p><p>Acesso em: 13 fev. 2017.</p><p>Se o O2 tem esse importante papel no metabolismo aeróbia, qual é o caminho</p><p>que ele percorre para chegar até a mitocôndria? A partir do ar que respiramos</p><p>como que o O2 chega lá neste momento final de produção de energia que vimos até</p><p>aqui para formar água?</p><p>FONTE: Powers e Howley (2005)</p><p>FIGURA 10 – O SISTEMA RESPIRATÓRIO</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>29</p><p>O oxigênio vai entrar pelas narinas e passar pela cavidade nasal. Existem</p><p>outros órgãos do sistema respiratório que vão auxiliar a filtrar o ar e transportá-lo</p><p>para o interior dos pulmões, a faringe, laringe, traqueia e a árvore brônquica. O</p><p>sistema respiratório tem como principal objetivo prover um meio de troca gasosa,</p><p>em outras palavras, permitir que um indivíduo possa liberar o CO2 que está</p><p>acumulado no sangue e repor o O2 que está sendo utilizado durante uma tarefa.</p><p>A troca de O2 e CO2 entre os pulmões e o sangue ocorre em consequência</p><p>da ventilação e da difusão. O termo ventilação se refere ao processo</p><p>mecânico de mobilização do ar para dentro e para fora dos pulmões.</p><p>Difusão é o movimento aleatório das moléculas de uma área de</p><p>concentração elevada para uma área de menor concentração. Como</p><p>a tensão de O2 nos pulmões é maior do que no sangue, o O2 se move</p><p>daqueles para este. Similarmente a tensão do CO2 no sangue é maior do</p><p>que a tensão do CO2 nos pulmões, consequentemente este se move do</p><p>sangue para os pulmões e é expirado (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 35).</p><p>Podemos salientar também que a respiração acontece por diferença de</p><p>pressão. Os pulmões são revestidos por uma fina camada chamada pleura. A</p><p>pleura reveste tanto os pulmões como a caixa torácica e o músculo diafragma. A</p><p>pressão na cavidade interna da pleura é menor do que a pressão atmosférica e se</p><p>torna mais baixa ainda durante a inspiração. O diafragma desempenha um papel</p><p>fundamental na mecânica da respiração. Existem outros músculos que participam</p><p>aumentando o volume torácico, mas o diafragma é o principal músculo inspiratório.</p><p>Quando o diafragma se contrai aumenta o espaço torácico e diminui a pressão</p><p>intrapleural e a pressão intrapulmonar fazendo os pulmões se expandirem. Assim,</p><p>a pressão atmosférica, que é maior, faz com que o ar flua para dentro dos pulmões.</p><p>FIGURA 11 – A MECÂNICA RESPIRATÓRIA</p><p>FONTE: Powers e Howley (2005)</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>30</p><p>O caminho do ar, desde a faringe (garganta), no sistema respiratório pode</p><p>ser dividido em duas etapas. Uma zona de condução e uma zona respiratória.</p><p>Como o nome propriamente já diz, a zona de condução inclui todas as estruturas</p><p>que auxiliam na passagem do ar até chegar à zona respiratória, bem como</p><p>umidificam e filtram o ar. Destacamos como estruturas desta zona a traqueia,</p><p>árvore brônquica, os bronquíolos e os bronquíolos terminais. A zona respiratória é</p><p>onde ocorre a troca dos gases propriamente dito. Nesta zona estão os bronquíolos</p><p>respiratórios e os sacos alveolares. A troca gasosa ocorrerá através de pequenas</p><p>estruturas chamadas de alvéolos. Estima-se que a área superficial total de alvéolos</p><p>em um pulmão humano é de mais 60 metros.</p><p>FIGURA 12 – O CAMINHO DO OXIGÊNIO</p><p>FONTE: Powers e Howley (2005)</p><p>Dessa forma, observe, caro acadêmico, que nos alvéolos é onde o O2 entra</p><p>na corrente sanguínea para seguir sua jornada até o músculo. Ressalto que esta</p><p>troca ocorrerá por diferença de pressão e, dessa forma, o CO2 deixa a corrente</p><p>sanguínea e é expirado. Grande parte do O2 que seguirá caminho para o organismo</p><p>recebe uma “carona”, ou seja, ele é conduzido pelas artérias. A molécula que vai ser</p><p>responsável por dar essa “carona”, de conduzir a maior parte (aproximadamente</p><p>99%) do O2 que entra na circulação sanguínea é a hemoglobina. Perceba na figura</p><p>anterior que o O2 ligado à hemoglobina vai seguir para o coração e depois é</p><p>bombeado juntamente com o sangue para o restante do corpo.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>31</p><p>A rota segue então com o O2 ligado à hemoglobina, passando pela veia</p><p>pulmonar até o átrio esquerdo no coração, e depois para o ventrículo esquerdo</p><p>que vai enviar a hemoglobina através da aorta para o restante do corpo. O O2 é</p><p>necessário em todas as outras partes do corpo, principalmente no tecido cerebral,</p><p>mas para o nosso contexto aqui, do treinamento, o destino final do O2 é o tecido</p><p>muscular. No entanto, para chegar ao destino final o O2 precisa fazer uma</p><p>“baldeação” podemos assim dizer, ele vai deixar sua ‘carona’ com a hemoglobina</p><p>para pegar uma nova ‘carona’, agora num trecho menor, com a mioglobina. A</p><p>mioglobina é uma proteína que se encontra no músculo esquelético e cardíaco,</p><p>mas não é encontrada no sangue. O papel dela é pegar o O2 que está chegando à</p><p>membrana da célula muscular e levá-lo para o interior das mitocôndrias. Como</p><p>dito anteriormente, é lá no músculo que o O2 vai agir auxiliando na produção de</p><p>energia em forma de ATP de maneira aeróbia. Dito tudo isto, acreditamos agora,</p><p>caro acadêmico, que conseguiremos entender melhor a aptidão aeróbia e as</p><p>possibilidades de desenvolvimento desta.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Resumindo o que foi visto até o momento sobre a aptidão aeróbia, destacamos</p><p>que precisamos ter claro em mente que a formação de energia de forma oxidativa é dependente</p><p>da disponibilidade de O2. Com O2 disponível para o tecido celular, mais especificamente em</p><p>nosso contexto no músculo, a formação de energia aeróbia vai ocorrer na mitocôndria com</p><p>o ciclo de Krebs e a cadeia respiratória participando efetivamente desse processo. A produção</p><p>de energia aeróbia pode ocorrer utilizando as diferentes formas de substratos energéticos,</p><p>gordura, carboidrato e proteína, em maior ou menor grau dependendo da intensidade e da</p><p>duração do exercício.</p><p>3 O DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA</p><p>Agora, caro acadêmico, vamos pensar em aspectos um pouco mais práticos</p><p>relacionados à aptidão aeróbia. Esta qualidade física pode ser dividida em dois</p><p>aspectos, a capacidade aeróbia e a potência aeróbia. A capacidade aeróbia está</p><p>relacionada à resistência de um indivíduo (ou seja, o organismo deste) em sustentar</p><p>esforços físicos por um longo período de tempo. Em outras palavras, podemos</p><p>dizer que está relacionada à produção de energia aeróbia de maneira predominante</p><p>com a mínima participação do metabolismo anaeróbio, a capacidade do organismo</p><p>produzir energia através das vias oxidativas.</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>32</p><p>FIGURA 13 – EVENTOS DE LONGA DURAÇÃO</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=maratona&source>. Acesso em:</p><p>13 fev. 2017.</p><p>Num aspecto mais prático podemos pensar, por exemplo, que os esforços</p><p>físicos que são caracterizados pela sustentação por um longo período de tempo e</p><p>dessa forma em intensidades mais baixas. Esse tipo de exercício exigirá uma alta</p><p>resistência dos indivíduos em realizar tais tarefas, tais como a maratona, triátlon e</p><p>maratonas aquáticas. Considere que, para conseguir sustentar tal tipo de exercício</p><p>um indivíduo terá que realizá-lo em uma intensidade relativamente mais baixa,</p><p>e esse é um ponto importante para entendermos do funcionamento das vias de</p><p>produção de energia, intensidade e duração sempre estão em direção opostas e</p><p>uma precisará diminuir para a outra aumentar. Assim, dependendo desta relação</p><p>a participação aeróbia para a produção de energia vai ser maior ou menor.</p><p>Podemos observar então que os eventos de longa duração são dependentes</p><p>da capacidade de o metabolismo</p><p>produzir energia de maneira aeróbia. Neste tipo</p><p>de esforços indivíduos realizarão o exercício por um longo período de tempo, ou</p><p>seja, horas, e em baixa intensidade, 50% ou menos da capacidade máxima. Porém,</p><p>a pergunta que precisa ser feita então é: e os eventos de curta duração? Como</p><p>por exemplo as provas de 1500 metros e 3000 metros com obstáculo no atletismo,</p><p>determinadas provas na natação como a de 400 metros, boa parte dos esportes</p><p>coletivos, entre outros.</p><p>Estes tipos de esforços vão ser caracterizados pela necessidade de gerar</p><p>energia da maneira mais rápida e eficiente possível. Dessa forma, estes exercícios</p><p>serão classificados como dependentes da potência aeróbia. Pensemos no conceito</p><p>de potência que é força versus velocidade, assim pode-se dizer que a potência aeróbia</p><p>está relacionada a produzir em maior quantidade de energia de maneira oxidativa</p><p>no menor tempo possível. Um dos índices fisiológicos que representa a potência</p><p>aeróbia é o consumo máximo de oxigênio (VO2max). Como o nome já sugere o</p><p>VO2max é definido com a taxa mais alta de captação (pulmões), transporte (vasos)</p><p>e utilização (células musculares) de oxigênio no nível do mar para fornecimento de</p><p>energia necessária à locomoção (POWERS; HOWLEY, 2005). Mais adiante vamos</p><p>analisar possibilidades de avaliação para mesurar e estimar o VO2max.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>33</p><p>É preciso destacar para vocês acadêmicos que todas as vias de produção de</p><p>energia trabalhem simultaneamente. Assim, mesmo nas atividades físicas de baixa</p><p>intensidade, onde o predomínio é aeróbio, o metabolismo anaeróbio vai trabalhar,</p><p>mas com uma pequena parcela de produção. Em outras palavras, podemos dizer</p><p>que sempre haverá uma parcela de contribuição anaeróbia para a produção total</p><p>energética, mas dependendo da intensidade e duração do esforço essa contribuição</p><p>será em maior ou menor grau.</p><p>ATENCAO</p><p>Intensidade e duração: GUARDE bem estas duas palavras, elas serão muito</p><p>importantes no planejamento e prescrição do treinamento, pois o trabalho sempre será pensado</p><p>baseado na relação das duas. Mais à frente, nas próximas unidades, você verá especificamente</p><p>como pensar as cargas de treinamento considerando estes aspectos.</p><p>TABELA 4 – SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE ENERGIA</p><p>FONTE: Powers e Howley (2005, p. 47)</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>34</p><p>Observe a tabela anterior, Powers e Howley (2005) apontam no seu livro</p><p>de “Fisiologia do Exercício” a duração do exercício e o percentual de participação</p><p>aeróbia ou anaeróbia (parte superior). Na parte de baixo da figura podemos ver que</p><p>eles listaram uma série de modalidades e sua respectiva estimativa de participação</p><p>dos metabolismos. Com algumas ressalvas para as modalidades apresentadas,</p><p>visto que a tabela é baseada em dados mais antigos da literatura, os autores nos</p><p>permitem uma ideia de como funciona o metabolismo em diferentes eventos.</p><p>• O primeiro ponto a ser destacado, como já dito anteriormente, é que ambas as</p><p>vias aeróbias ou anaeróbias trabalham ao mesmo tempo para uma produção</p><p>total de energia.</p><p>• O segundo ponto é que depende da modalidade praticada, a predominância vai</p><p>ser aeróbia ou anaeróbia.</p><p>• Terceiro ponto é que a partir de aproximadamente três minutos de duração do</p><p>exercício a predominância de produção de energia vai ser sempre aeróbia.</p><p>3.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO AERÓBIA</p><p>Para avaliar a capacidade e a potência aeróbia o método considerado</p><p>padrão ouro na literatura é a espirometria. A espirometria é um tipo de teste</p><p>utilizado há décadas, que vem evoluindo e passando por transformações com</p><p>o avanço tecnológico. Porém, o princípio é sempre o mesmo, a mensuração das</p><p>trocas de gases de um indivíduo com o ambiente durante algum tipo de exercício</p><p>(FOX; MATHEWS, 1983). Como dissemos anteriormente, o VO2max é uma medida</p><p>que indica a potência aeróbia máxima de um indivíduo em exercício envolvendo</p><p>grandes grupos de massa muscular.</p><p>Embora existam vários testes para estimar o VO2max, o meio mais</p><p>preciso é a mensuração laboratorial direta. A mensuração direta do</p><p>VO2max geralmente é realizada num laboratório utilizando-se uma</p><p>esteira motorizada ou uma bicicleta ergométrica, e a espirometria de</p><p>circuito aberto é utilizada para a mensuração da troca gasosa pulmonar.</p><p>[...] historicamente, a mensuração do VO2max tem sido considerada o</p><p>teste de escolha para a predição do sucesso em eventos de resistência,</p><p>como a corrida de longa distância (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 407).</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>35</p><p>FIGURA 14 – ESPIROMETRIA EM ESTEIRA ROLANTE</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Durante os testes de espirometria, além da medida do VO2max como</p><p>indicador de potência aeróbia, é possível determinar outras variáveis relacionadas</p><p>à capacidade aeróbia. Entre elas podemos destacar os limiares ventilatório e/</p><p>ou limiar de lactato e os limiares do início de acúmulo de lactato no sangue.</p><p>Entretanto, para podemos entender melhor isso precisamos pensar nas</p><p>características dos testes. Existem diversos protocolos de testes na literatura que</p><p>são válidos para a mensuração da capacidade e potência aeróbia. Eles geralmente</p><p>são realizados em esteira ou bicicleta ergométrica. Outro ponto importante</p><p>é que na maioria das vezes esses testes são realizados de maneira incremental,</p><p>aumentando a velocidade, inclinação (esteira) ou carga imposta (se for realizado</p><p>em cicloergômetro) buscando fazer o indivíduo atingir o seu máximo fisiológico</p><p>(FOX; MATHEWS, 1983).</p><p>Atualmente, na literatura existem dois tipos principais de testes incrementais,</p><p>o incremental de rampa e o teste de degrau. O princípio é o mesmo, aumentar a</p><p>carga ou a velocidade de execução durante o teste. A diferença consiste no grau</p><p>de aumento, enquanto no teste de rampa são realizados pequenos aumentos</p><p>sucessivos durante todo o teste, o protocolo de degrau é realizado em estágios de</p><p>3 a 5 minutos, geralmente, ou seja, a cada estágio aumenta a velocidade ou a carga</p><p>(DENADAI, 1999). No laboratório de esforço físico da Universidade Federal de</p><p>Santa Catarina, os protocolos adotados para este tipo de avaliação geralmente são:</p><p>se for teste degrau estágios de 3 min com aumentos de 1 km.h-1 se for na esteira, ou</p><p>30 W se for na bicicleta. Se for teste rampa aumentos de 0,5 km.h-1 a cada 30 s na</p><p>esteira, ou aumentos de 1 W a cada 2 s.</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>36</p><p>GRÁFICO 2 – TESTES INCREMENTAIS DE DEGRAU OU RAMPA</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Observe, no gráfico anterior, o teste de degrau realizado com um voluntário</p><p>(gráfico da esquerda), e o teste de rampa realizado com outro voluntário (gráfico da</p><p>direita). Perceba você que com o aumento da intensidade ocorre um aumento do VO2</p><p>até atingir valores máximos. Vamos pensar primeiramente no teste incremental de</p><p>degrau. Com o objetivo de estimar a capacidade cardiorrespiratória do indivíduo é</p><p>possível mensurar através deste tipo de teste os limiares de transição metabólica</p><p>pela análise do lactato sanguíneo e a potência aeróbia pela análise do consumo</p><p>máximo atingido e pela intensidade máxima. É preciso ter em mente que o</p><p>organismo apresenta comportamentos distintos de acordo com a intensidade do</p><p>exercício. Esses diferentes comportamentos podem ser nomeados como domínios</p><p>de intensidade de esforço ou domínios fisiológicos. Basicamente, a literatura</p><p>apresenta três domínios, o moderado, o pesado e o severo (DENADAI, 1999).</p><p>GRÁFICO 3 – DOMÍNIOS FISIOLÓGICOS</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Num teste incremental de degrau, no final de cada estágio é coletada uma</p><p>gota de sangue, geralmente do lóbulo da orelha, para analisar a resposta do lactato</p><p>sanguíneo. Observe no gráfico anterior que durante o início do teste o lactato</p><p>permanece estável e depois começa a aumentar gradualmente. Um segundo</p><p>aumento ainda pode ser visto, mas este vai ser exponencial e o lactato vai continuar</p><p>aumentando até o indivíduo atingir o máximo de esforço. O primeiro aumento</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS</p><p>CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>37</p><p>acima dos valores de base vai ser denominado limiar de lactato (LL) e define o</p><p>limite superior do domínio moderado. O segundo aumento exponencial pode ser</p><p>definido como limiar anaeróbio (LAn) ou início de acúmulo de lactato no sangue e</p><p>define o limite do domínio pesado, entre o limiar de lactato e este último. Todas as</p><p>intensidades de esforço que estiverem acima do LAn serão no domínio severo e o</p><p>indivíduo atingirá seu máximo de esforço em poucos minutos (DENADAI, 1999).</p><p>IMPORTANTE</p><p>O lactato sanguíneo é uma substância encontrada na circulação sanguínea ou</p><p>no músculo que pode indicar quanto uma atividade está tendo participação do metabolismo</p><p>anaeróbio. Quando o suprimento de O2 é deficiente para a musculatura em exercício ocorre</p><p>uma maior participação da via glicolítica para produzir energia de maneira anaeróbia e o</p><p>produto final dessa cadeia de reações é o lactato (ASTRAND; RODAHL, 1980).</p><p>Na prática, conhecer os domínios de intensidade de esforço ou domínios</p><p>fisiológicos são de grande valia, pois a partir destes poderá se ter uma estimativa</p><p>de quanto um indivíduo poderá se exercitar em determinada intensidade.</p><p>Basicamente, em intensidade do domínio moderado o indivíduo poderá realizar</p><p>horas e horas de exercício e os fatores que vão levá-lo a parar estão mais ligados</p><p>à fadiga do sistema nervoso central, como a motivação para realizar tal tarefa, só</p><p>para deixar um exemplo, atletas de Ironman ou Ultraman realizam as provas no</p><p>domínio moderado geralmente (BURNLEY; JONES, 2007). No domínio pesado,</p><p>os indivíduos ainda conseguem realizar esforços de longa duração, por exemplo,</p><p>podemos citar os maratonistas que geralmente realizam as provas em intensidades</p><p>muito próximas do limite superior do domínio pesado, o limiar anaeróbio. A</p><p>duração do exercício no domínio pesado pode variar de 30 minutos a 2 horas</p><p>ou mais, dependendo da capacidade do indivíduo e da intensidade (BURNLEY;</p><p>JONES, 2007). Vale lembrar que o limiar anaeróbio é um indicador de máxima fase</p><p>estável de lactato, ou seja, a produção de lactato que vai para a corrente sanguínea</p><p>ainda é “tamponada” por mecanismos próprios no organismo responsáveis por</p><p>isso. Em outras palavras, a produção e a capacidade de remoção ainda estão</p><p>balanceadas e pode-se dizer que é o ponto de máxima produção aeróbia de energia</p><p>com a menor participação do metabolismo anaeróbio (DENADAI, 1999).</p><p>Isto é importante porque muitos confundem e acham que a partir desse</p><p>ponto a predominância é anaeróbia, mas não é verdade. Nas intensidades do</p><p>domínio severo, a predominância de produção de energia ainda é AERÓBIA, mas</p><p>ocorre uma maior participação das fontes de energia anaeróbias e quanto maior a</p><p>intensidade maior será a participação anaeróbia, reveja a Tabela 4. Neste domínio</p><p>a duração do exercício geralmente vai ser menor do que meia hora e quanto mais</p><p>próximo da potência aeróbia máxima menor a duração (BURNLEY; JONES, 2007).</p><p>Um indivíduo poderá realizar um exercício na intensidade do VO2max com uma</p><p>duração de 5 a 6 minutos.</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>38</p><p>Antes da puberdade, meninos e meninas não mostram nenhuma</p><p>diferença significativa na potência aeróbia máxima. Posteriormente</p><p>a potência das mulheres é, em média, 70 a 75 por cento daquela dos</p><p>homens. Em ambos os sexos existe um pico dos 18 aos 20 anos, seguido</p><p>por um declínio gradual na captação máxima de oxigênio. Aos 65 anos,</p><p>o valor médio é de aproximadamente 70 por cento do valor de um</p><p>indivíduo com 25 anos (ASTRAND; RODAHL, 1980, p. 292).</p><p>ATENCAO</p><p>As crianças e adolescentes apresentam níveis diferentes de aptidão aeróbia</p><p>e anaeróbia quando comparados com os adultos. As crianças, até a fase da puberdade,</p><p>apresentam menores concentrações de testosterona, que podem determinar menor hipertrofia</p><p>de fibras brancas (anaeróbias), uma maior atividade enzimática aeróbia e uma menor atividade</p><p>de uma enzima específica (PFK) da via glicolítica, assim produzem menos lactato e apresentam</p><p>um sistema anaeróbio menos desenvolvido, mas em compensação apresentam uma maior</p><p>capacidade aeróbia relativa em comparação aos adultos (ASTRAND; RODAHL, 1980; DENADAI,</p><p>1995).</p><p>Importante pensarmos que a análise laboratorial não é de fácil acesso.</p><p>Outro ponto importante é que a coleta de lactato sanguíneo é um método invasivo</p><p>e que vai necessitar de matérias de alto custo e equipamentos caros. Além disso,</p><p>se o objetivo for avaliar crianças e adolescentes pode não ser a melhor maneira de</p><p>avaliar este tipo de população. Na busca de evitar este tipo de análise e na tentativa</p><p>de se realizar avaliações com um melhor custo benefício muitos pesquisadores</p><p>propuseram algumas alternativas. A primeira que vamos destacar é a metodologia</p><p>dos limiares ventilatórios (LV).</p><p>GRÁFICO 4 – LIMIARES VENTILATÓRIOS</p><p>FONTE: Os autores</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>39</p><p>A primeira questão que você precisa ter em mente é que para que</p><p>possamos analisar os limiares ventilatórios é preciso realizar um teste de rampa.</p><p>O teste de rampa com aumentos sucessivos da intensidade, como já foi explicado</p><p>anteriormente, não é o ideal para medir as respostas do lactato ao exercício, por que</p><p>o que está sendo produzido no músculo não irá refletir determinada intensidade,</p><p>visto que os aumentos são constantes. Dessa forma, este tipo de protocolo é o ideal</p><p>para analisar a resposta de algumas variáveis pulmonares que respondem de</p><p>maneira similar ao lactato apontando o momento que ocorrerá a mudança de um</p><p>domínio fisiológico para outro (FOX; MATHEWS, 1983). O gráfico acima apresenta</p><p>duas das variáveis em que podem ser analisados os equivalentes ventilatórios de</p><p>O2 e CO2 (VE/VO2 e VE/VCO2, respectivamente). Ainda existem outras variáveis</p><p>que auxiliam na determinação dos LV, como a resposta da ventilação, do VCO2 e</p><p>da pressão parcial de O2 e do CO2 no final da expiração (FOX; MATHEWS, 1983;</p><p>DENADAI, 1995).</p><p>Para fins didáticos vamos nos concentrar na resposta do VE/VO2 e</p><p>do VE/VCO2. Como pode ser observado no gráfico acima, o comportamento</p><p>dessas duas variáveis permanece praticamente estável durante o início do teste</p><p>quando analisadas sobre o tempo ou a intensidade do exercício. O que ocorre</p><p>primeiramente é um aumento VE/VO2 e com a VE/VCO2 permanecendo estável, o</p><p>que indica o primeiro LV (LV1) ou o limite superior do domínio moderado. Com</p><p>a continuação do teste e o aumento das intensidades vai ocorrer um aumento da</p><p>acidose metabólica e queda do pH em consequência do lactato aumentado, o que</p><p>pode ser verificado por aumento simultâneo da VE/VO2 e VE/VCO2 ou o segundo</p><p>LV (LV2) indicando o limite entre domínio pesado e severo (DENADAI, 1995).</p><p>Na prática, então, é possível com um teste mais acessível determinar as</p><p>mesmas respostas fisiológicas do organismo. Talvez você, que hoje está cursando</p><p>esta disciplina, no futuro profissional trabalhe com avaliações do gênero em clínicas</p><p>esportivas e, para tal vai precisar ter um domínio deste conhecimento. Talvez em</p><p>sua atuação profissional você não participe diretamente deste tipo de avaliação,</p><p>mas muitos dos seus alunos poderão realizar testes de espirometria e trazer para</p><p>você avaliar os resultados ou, até mesmo, como uma forma de acompanhamento</p><p>do desenvolvimento dos mesmos.</p><p>Porém, pode ser que você ainda não esteja convencido e veja todo esse</p><p>conteúdo apresentado muito distante de sua realidade. Dessa forma, iremos</p><p>apresentar a vocês um método ainda mais acessível para a análise indireta das</p><p>respostas fisiológicas. Com o teste de rampa, que você poderá realizar em uma</p><p>esteira motorizada ou em um cicloergômetro em qualquer academia ou até mesmo</p><p>em casa, utilizando aumentos pequenos e graduais, como por exemplo 1 km por hora</p><p>a cada minuto, é possível determinar o ponto de deflexão da frequência cardíaca</p><p>(PDFC). É claro que, nos dias de hoje, com o avanço tecnológico, é muito acessível</p><p>mensurar a frequência cardíaca (FC). Encontra-se facilmente frequencímetros</p><p>por</p><p>valores mais baixos do que um tênis simples. Muito também tem se utilizado</p><p>dos percentuais da FC para prescrever exercício. Há um consenso na literatura</p><p>que abaixo de 70% da FC máxima o indivíduo estaria se exercitando no domínio</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>40</p><p>moderado e entre 70% e 90% da FC máxima o exercício seria no domínio pesado.</p><p>Contudo, utilizar os percentuais da FC cardíaca pode ser complicado pela variação</p><p>grande que esta variável apresenta (DENADAI, 1995; GALOTTI; CARMINATTI,</p><p>2008).</p><p>Entretanto, buscando ainda alternativas que se valessem do comportamento</p><p>da FC cardíaca e como de forma de avaliação mais acessível alguns autores,</p><p>entre eles destaque para Conconi et al. (1982) e Kara et al. (1996) têm proposto</p><p>maneiras de se analisar o PDFC durante testes de laboratório e de campo. Conconi</p><p>et al. (1982) buscaram estimar o limite superior do domínio pesado com uma</p><p>metodologia visual tentando identificar o momento no qual ocorre uma perda da</p><p>linearidade na relação FC e intensidade. Enquanto Kara et al. (1996) buscaram</p><p>propor um método matemático chamado de Dmáx buscando identificar este</p><p>mesmo fenômeno fisiológico. No próximo gráfico, você poderá visualizar dois</p><p>exemplos de determinação do PDFC, um por cada método. Na parte superior</p><p>está o método visual, enquanto na parte inferior está o método matemático. No</p><p>primeiro é importante ignorar os valores FC abaixo de 140 bpm e tentar identificar</p><p>o momento que a linearidade da FC é perdida. No segundo, a partir de regressão</p><p>polinomial de 3ª ordem se obtém uma equação de estimativa que vai calcular o</p><p>ponto mais distante entre a curva da FC e uma reta unindo o primeiro e o último</p><p>ponto.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>41</p><p>FONTE: Galotti e Carminatti (2008)</p><p>GRÁFICO 5 – PONTO DE DEFLEXÃO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA</p><p>Se você, caro acadêmico, tem interesse em saber mais e entender melhor estas</p><p>questões que foram abordadas aqui como possiblidades de avaliação da aptidão aeróbia,</p><p>deixamos como dica o artigo do professor Benedito Sérgio Denadai, que foi utilizado como</p><p>referência algumas vezes no texto. Ou ainda, o livro do mesmo autor que trata sobre o assunto.</p><p>1. DENADAI, B. S. Limiar anaeróbio: considerações fisiológicas e metodológicas. Revista</p><p>brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 1, n. 2, p. 74-88, 1995.</p><p>2. DENADAI, B. S. Índices fisiológicos de avaliação aeróbia: conceitos e aplicações. Ribeirão</p><p>Preto: BSD, 1999.</p><p>DICAS</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>42</p><p>Por fim, para que possamos encerrar esta parte sobre avaliação da aptidão</p><p>aeróbia não poderíamos deixar de mencionar aqui uma opção de avaliação de teste</p><p>de campo. Nesta unidade já abordamos as vantagens e desvantagens dos testes</p><p>de campo e não queremos ser repetitivos. Foi citado também, no Tópico 1, como</p><p>opção de avaliação da aptidão aeróbia o teste de vai e vem de 20 metros. A crítica</p><p>maior a este teste é que ele é contínuo com distância fixa e um grande número de</p><p>mudanças de direção o que poderia vir a subestimar a potência aeróbia. Pois bem,</p><p>queremos apresentar outra opção já validada na literatura e reprodutível que pode</p><p>ser talvez uma opção ideal para a realidade de alguns lugares onde o acesso a</p><p>avaliações laboratoriais é mais difícil. O protocolo a que nos referimos é o teste de</p><p>Carminatti (TCAR). As vantagens deste método consistem em estar mais próximas</p><p>da realidade dos esportes coletivos com distâncias variadas e pausas. Outro ponto</p><p>é a possibilidade da avaliação de vários alunos ao mesmo tempo e a fácil aplicação.</p><p>FIGURA 15 – ESQUEMA DO TESTE DE CARMINATTI</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Nesse sentido, Carminatti et al. (2004) propuseram um teste de campo</p><p>incremental de corrida intermitente, o TCAR, a partir do qual se pode determinar</p><p>índices de capacidade e potência aeróbia. Ainda, Carminatti et al. (2005), em</p><p>um estudo com 112 atletas de modalidades intermitentes demonstraram que a</p><p>velocidade do PDFC se encontra em 80,4 ± 5,6% do pico de velocidade (PV) atingido</p><p>no TCAR, evidenciando a validade de identificação do limiar anaeróbio (limite</p><p>superior do domínio pesado) a partir de 80.4% do PV. Outra variável mensurada</p><p>no TCAR é o PV, que é a máxima velocidade alcançada em testes progressivos de</p><p>laboratório ou campo, apresentado como um indicador de potência aeróbia que</p><p>pode auxiliar na identificação da performance aeróbia (OLIVEIRA, 2004).</p><p>O TCAR é um teste incremental máximo, do tipo intermitente em sistema</p><p>“ida e volta”, com estágios de 90 segundos de duração, cada estágio com 5 repetições</p><p>de 12 segundos de corrida (distância variável), intercaladas por 6 segundos de</p><p>caminhada (± 5 m). O ritmo é ditado por um sinal sonoro, em intervalos regulares</p><p>de 6 segundos, que determinam a velocidade de corrida a ser desenvolvida nos</p><p>deslocamentos entre as linhas paralelas demarcadas no solo que podem ser</p><p>sinalizadas por cones. O teste inicia com velocidade de 9,0 km·h-1 (distância inicial</p><p>de 15 m) com incrementos de 0,6 km·h-1 a cada estágio, aumentando sucessivamente</p><p>1 m a partir da distância inicial até a exaustão voluntária do avaliado (SILVA et</p><p>al., 2011). Observe na figura anterior um esquema ilustrativo do teste. Lembrando</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>43</p><p>que o material necessário para o teste é basicamente uma caixa de som, alguns</p><p>cones para delimitar o espaço e as fichas do teste. É interessante a possibilidade</p><p>de avaliar o PDFC no TCAR, e para tal seria necessário o uso de frequencímetros.</p><p>Numa avaliação mais aprimorada ainda é possível coletar sangue para a análise</p><p>do lactato sanguíneo.</p><p>Se você tem interesse em utilizar o teste ou aprender mais sobre ele acesse o</p><p>YouTube e veja os vídeos no link a seguir:</p><p><https://www.youtube.com/watch?v=4WeoDhS2hmE>.</p><p>DICAS</p><p>3.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA</p><p>Podemos considerar que existem diversas formas e possibilidades de</p><p>treinamento da aptidão aeróbia. O objetivo deste livro não é esgotar as alternativas,</p><p>e nem seria possível, mas sim deixar algumas dicas e informações do que pode ser</p><p>pensando para o aprimoramento aeróbio. Vale considerar também que ao longo</p><p>desta unidade, bem como nas demais, assuntos relacionados às possibilidades do</p><p>treinamento das diferentes qualidades físicas serão abordados. No entanto, vamos</p><p>considerar alguns aspectos nesse momento. Um dos mais importantes é a duração</p><p>dos esforços e sua relação com a intensidade. Lembrando que em esforços mais</p><p>longos e de menor intensidade sempre o sistema aeróbio de produção de energia</p><p>estará atuando de maneira predominante.</p><p>O desenvolvimento do sistema de transporte de oxigênio deveria ser</p><p>parte de qualquer programa para melhorar a capacidade de resistência.</p><p>A alta capacidade aeróbia, vital para o treinamento, também facilita</p><p>a recuperação rapidamente durante e após o treinamento. Uma</p><p>recuperação ágil permite que o atleta reduza o intervalo de descanso</p><p>e execute o trabalho com intensidade mais alta. Como resultado de</p><p>intervalos de descanso mais curtos, é possível aumentar o número de</p><p>repetições, aumentando também o volume do treinamento. Uma taxa</p><p>de recuperação mais rápida, conquistada pela alta capacidade aeróbia,</p><p>é também importante em desportos que requerem muitas repetições</p><p>de uma habilidade, como eventos de salto, ou um número grande</p><p>de períodos curtos de exercício intenso em desportos de equipe [...]</p><p>(BOMPA, 2002, p. 360).</p><p>É importante pensar que o treinamento aeróbio poderá ser dividido em</p><p>treinamento de capacidade ou potência aeróbia. A capacidade, como já foi dito,</p><p>vai estar sempre ligada à resistência do metabolismo em produzir energia pelo</p><p>maior tempo possível, enquanto que potência vai estar ligada a mais alta taxa</p><p>de produção de energia de maneira aeróbia. Assim, podemos pensar em dividir</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>44</p><p>também o treinamento aeróbio em esforço de longa duração em intensidades</p><p>mais baixas, o chamado treinamento</p><p>contínuo e/ou esforços de média duração</p><p>e intensidades elevadas, geralmente realizado de maneira intermitente e por isso</p><p>comumente chamado de treinamento intervalado.</p><p>Independente do modelo de treino adotado é preciso novamente pensar</p><p>na realidade de prática esportivas de nossos alunos, por exemplo, podemos nos</p><p>questionar: é interessante fazer um treinamento de corrida contínua em baixa</p><p>intensidade para um aluno que vai praticar um esporte coletivo, como o handebol,</p><p>por exemplo? O handebol não seria mais caracterizado por esforço de maior</p><p>intensidade e curta duração, intercalado por períodos de recuperação passiva ou</p><p>ativa? Considerando estes quesitos, podemos seguir em nossa argumentação. Se</p><p>o objetivo for melhorar a capacidade aeróbia e a prática esportiva exige este tipo</p><p>de movimento, o treinamento contínuo com esforços com duração superiores a</p><p>meia hora em intensidade moderada serão bem recomendados. Se você, em sua</p><p>prática, adotar algum dos tipos de avaliação mencionados anteriormente também</p><p>poderá pensar em melhorar o limite superior do domínio moderado e do domínio</p><p>pesado, ou seja, os limiares de lactato e de início de acúmulo de lactato no sangue,</p><p>ou os limiares ventilatórios, ou o ponto de deflexão da FC, dependendo do tipo de</p><p>avaliação que for utilizada (DENADAI, 1999; BOMPA, 2002).</p><p>Por outro lado, caro acadêmico, se você quiser melhorar a potência aeróbia</p><p>de seus alunos será preciso planejar a realização de esforços máximos ou próximos</p><p>do máximo. Você provavelmente já deve ter ouvido falar do tão badalado HIT</p><p>que virou febre nos últimos tempos. O termo vem da expressão em inglês high-</p><p>intensity training e nada mais é do que o conhecido treinamento intervalado. Porém</p><p>este tipo de treinamento é preciso quando se quer melhorar a potência aeróbia e é</p><p>recomendado para uma grande gama de modalidades, como as lutas, os esportes</p><p>coletivos de maneira em geral, determinadas provas da natação, como o 400 m,</p><p>provas de 800 m,1500 m e 3000 m no atletismo, entre tantas outras.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>45</p><p>FIGURA 16 – TREINAMENTO INTERVALADO</p><p>FONTE: Buchheit e Laursen (2013)</p><p>A maneira como ele pode ser realizado, quais os tipos de estímulos, de que</p><p>maneira serão organizados vai depender muito da realidade que o profissional</p><p>estará inserido. Entretanto, em um estudo de revisão bastante interessante, Buchheit</p><p>e Laursen (2013) deixam algumas considerações importantes que poderemos ver</p><p>agora. Vejamos a figura esquemática apresentada por estes autores, visto que ela</p><p>está em inglês vamos analisar um pouco mais. A primeira divisão que podemos</p><p>pensar é a entre estímulo (work) e recuperação (relief). Para os estímulos precisamos</p><p>pensar nas variáveis de modalidade do estímulo (work modality), intensidade</p><p>(intensity), duração (duration), número de séries (# of series) e duração das séries</p><p>(series duration). Já quando pensarmos em planejar a recuperação vai ser preciso</p><p>pensar na intensidade da recuperação (passiva ou ativa), a duração da mesma, o</p><p>tempo entre as séries (time between series) e a intensidade da recuperação entre as</p><p>séries (between-series recovery intensity).</p><p>4 APTIDÃO ANAERÓBIA</p><p>Até o momento tratamos da aptidão aeróbia e das formas de avaliação.</p><p>Porém, acreditamos que como é de conhecimento, o organismo tem outras formas</p><p>de produzir energia para realizar trabalho. Entenda trabalho por qualquer tarefa</p><p>que necessitará do movimento de um ou mais grupos musculares. Sabemos</p><p>que esta outra forma de produção de energia é denominada de metabolismo</p><p>anaeróbio. O metabolismo anaeróbio, ao contrário do que foi estudado sobre</p><p>a produção de energia de forma aeróbia, não vai necessitar da presença do O2</p><p>para produzir energia. Outro ponto que precisa ficar destacado para você é, que</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>46</p><p>a produção anaeróbia de energia pode ser de mais de uma forma. Para tal temos</p><p>então o metabolismo anaeróbio alático e o anaeróbio lático, ou seja, o primeiro</p><p>vai produzir o ATP sem produzir lactato e o segundo terá a produção de lactato no</p><p>final da via, respectivamente.</p><p>Novamente, queremos lembrar que é preciso o entendimento dos aspectos</p><p>fisiológicos para que possamos pensar em maneiras de desenvolver as aptidões de</p><p>nossos alunos, sabendo como aplicar as cargas de treinamento e de que forma eles</p><p>responderão a diferentes estímulos. Voltando ao assunto, somente relembrando o</p><p>que foi dito no tópico anterior, o ATP é a forma imediata de energia no organismo,</p><p>ou seja, a forma mais rápida para que um músculo possa realizar uma contração</p><p>(ASTRAND; RODAHL, 1980). Assim, sabemos que existem reservas de ATP no</p><p>organismo para que qualquer estímulo recebido possa ser atendido. Em outras</p><p>palavras, quando o músculo recebe um estímulo nervoso ele já possuirá uma</p><p>maneira de responder de maneira imediata utilizando a quebra do ATP para</p><p>que com esse potencial energético o estímulo seja correspondido (ASTRAND;</p><p>RODAHL, 1980).</p><p>5 DESENVOLVIMENTO DA APTIDÃO ANAERÓBIA</p><p>Dessa forma, o ATP que é um fosfato de alta energia, onde é armazenada a</p><p>energia provinda dos alimentos, pode ser “quebrado” por uma enzima específica</p><p>(rompimento da ligação pela enzima ATPase) resultando em ADP (uma adenina</p><p>e dois fosfatos) e Pi (fosfato inorgânico). Essa quebra vai gerar energia necessária</p><p>para que ocorra a contração muscular por exemplo. Observe na figura a seguir o</p><p>formato bioquímico das moléculas de ATP e ADP. Vale ressaltar também que é a</p><p>energia provinda dos alimentos, sejam de lipídeos, carboidratos ou proteínas, que</p><p>vão possibilitar a formação desses fosfatos de alta energia. A maior questão está na</p><p>quantidade limitada de ATP, em que as células musculares possuem e por isso a</p><p>necessidade do auxílio de outra via metabólica, a via do fosfato de creatina.</p><p>FIGURA 17 – FOSFATOS DE ALTA ENERGIA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/bioquimica/</p><p>bioquimica2.php>. Acesso em: 20 fev. 2017.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>47</p><p>Como já vimos na Tabela 4, em esforços de alta intensidade a energia inicial</p><p>pode ser quase totalmente provinda do sistema anaeróbio. O sistema do fosfato de</p><p>creatina ou fosfocreatina (CP) vai atuar nos primeiros segundos do exercício para</p><p>gerar a energia de maneira mais rápida. Esse sistema também possui uma limitação</p><p>de estoques e poderá ter uma duração de 15 a 20 segundos. Todas as modalidades</p><p>ou esforços físicos utilizarão este sistema para gerar energia em menor o maior</p><p>grau, porém existem modalidades que dependem praticamente de forma total</p><p>deste metabolismo energético (MACARDLE; KATCH; KATCH, 2003). É o caso das</p><p>provas curtas na natação, o 100 e o 200 metros no atletismo, o levantamento de peso,</p><p>o futebol americano, entre outras. Veja bem, alguns esportes de predominância</p><p>aeróbia dependem da via da fosfocreatina durante sua execução, como é o caso do</p><p>futebol, que durante as partidas ocorrem os esforços como o chute, que irão utilizar</p><p>a fosfocreatina para auxiliar na produção de energia. Vale lembrar que, como foi</p><p>dito anteriormente, todas as vias de produção de energia participam em menor ou</p><p>maior grau durante o exercício. Assim, até mesmo em esforços ou modalidades</p><p>predominantemente aeróbias, neste exemplo o futebol, a via da fosfocreatina vai</p><p>atuar para produzir uma parcela de energia para realizar tal tarefa. Perceba na</p><p>próxima figura que a via da fosfocreatina é uma via muito rápida que depende</p><p>basicamente de uma reação. Uma enzima específica (fosfofrutoquinase – CPK) que</p><p>faz a ‘quebra’ da fosfocreatina para gerar o ATP.</p><p>FIGURA 18 – FOSFOCREATINA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://vetblog.vetjg.com/marcadores-bioquimicos-la-</p><p>creatinina/>. Acesso em: 20 fev. 2017.</p><p>Com os estoques limitados de fosfocreatina no músculo, e como existe</p><p>um limite deletério para o organismo da substância resultante, a creatina, a outra</p><p>via anaeróbia começa a participar mais efetivamente por volta de 20 segundos</p><p>para</p><p>auxiliar na contribuição energética. O metabolismo anaeróbio lático, ou</p><p>mais propriamente dito a via glicolítica. O número de reações dessa via é maior</p><p>em comparação com o anterior, porém ainda é bem menor, e dessa forma mais</p><p>rápido que o aeróbio. No metabolismo aeróbio somente a etapa de betaoxidação</p><p>são 16 reações, enquanto a via glicolítica precisará um total de 10 reações para</p><p>produzir ATP. Assim, podemos dizer que a velocidade de uma via metabólica está</p><p>ligada ao número de reações que precisam acontecer nesta para produzir energia</p><p>(MACARDLE; KATCH; KATCH, 2003).</p><p>Observe na próxima figura todas as etapas da via glicolítica. Perceba, você,</p><p>que, como o nome já diz, essa via vai depender da glicose sanguínea, que está sendo</p><p>disponibilizada para o músculo ou do glicogênio intramuscular. Independente</p><p>da fonte energética, a via vai ter o mesmo número de etapas e poderá produzir</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>48</p><p>um ATP a mais se for a partir do glicogênio muscular. O produto final dessa via</p><p>é o ácido pirúvico ou piruvato, que vai sofrer uma reação transformando-se em</p><p>lactato no interior da célula muscular.</p><p>Vale lembrar que a via glicolítica poderá produzir energia de maneira</p><p>aeróbia. Se houver O2 suficiente, o piruvato sofrerá uma conversão por uma</p><p>enzima específica (PDH) e poderá entrar na mitocôndria formando acetil-coa e</p><p>participando da via oxidativa. Por isso que a formação de lactato durante o exercício</p><p>é dependente da intensidade do exercício (POWERS; HOWLEY, 2005). Como já</p><p>dissemos anteriormente, no domínio moderado, por exemplo, não há acúmulo de</p><p>lactato no sangue, e quando a intensidade do exercício aumenta acima de 50 a</p><p>60% do máximo individual começa a ocorrer uma maior produção de lactato, mas</p><p>que em todas as intensidades que o domínio pesado abrange até por volta de 85</p><p>a 90% da potência aeróbia, ainda existe um balanço entre produção e remoção do</p><p>lactato. Em outras palavras, a via glicolítica estará participando em maior grau</p><p>para produzir energia, mas muita da energia produzida será de maneira aeróbia.</p><p>Quando o exercício for realizado no domínio severo, ou seja, acima de 90% da</p><p>potência aeróbia máxima ou da capacidade máxima individual, a produção de</p><p>lactato superará a capacidade de remoção e a via glicolítica atuará efetivamente</p><p>fornecendo energia (ATP) de maneira anaeróbia para um exercício que ainda</p><p>será predominantemente aeróbio (DENADAI, 1999; POWERS; HOWLEY, 2005).</p><p>Importante aqui ressaltar uma nota que os exercícios realizados a 100% da potência</p><p>aeróbia, 100% do VO2max, por exemplo, ainda serão de predominância aeróbia,</p><p>mas com uma alta participação anaeróbia para a produção total de energia.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>49</p><p>FIGURA 19 – VIA GLICOLÍTICA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://vetblog.vetjg.com/marcadores-</p><p>bioquimicos-la-creatinina/>. Acesso em: 20 fev. 2017.</p><p>No gráfico a seguir poderemos ver um esquema didático da participação</p><p>dos três metabolismos de produção de energia. Em síntese, os primeiros segundos</p><p>de exercício são sustentados pela energia provinda da via da fosfocreatina, ou</p><p>também denominada ATP-CP. Após 10 a 20 segundos, a via glicolítica começa</p><p>a ser predominante para a produção de energia. Entre dois e três minutos o</p><p>sistema aeróbio se torna predominante. É lógico que estes tempos citados</p><p>dependem da intensidade de esforço e da aptidão física de cada indivíduo. Se</p><p>forem intensidades baixas de exercício, o sistema aeróbio poderá ser mais efetivo.</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>50</p><p>Geralmente, indivíduos sedentários levam mais tempo para que o sistema aeróbio</p><p>seja predominante em comparação com fisicamente ativos ou atletas. Em síntese,</p><p>uma maneira fácil de identificar se um exercício será predominantemente aeróbio</p><p>ou anaeróbio é pensar no tempo de esforço. O metabolismo anaeróbio é limitado e</p><p>não conseguirá sustentar o exercício por muito mais do que 3 minutos na maioria</p><p>da população (crianças saudáveis, fisicamente ativos, atletas etc.). Seguindo</p><p>o exemplo anterior, um exercício a 100% do VO2max será realizado entre 4 a 7</p><p>minutos dependendo das capacidades do indivíduo. Na prática, poderíamos</p><p>pensar na prova de 1500 metros no atletismo, de predominância aeróbia.</p><p>GRÁFICO 6 – CINÉTICA DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE ENERGIA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://fisioexfisio.blogspot.com.br/2013_03_31_archive.</p><p>html>. Acesso em: 20 fev. 2017.</p><p>ATENCAO</p><p>Resumindo esta parte, a produção de energia anaeróbia alática, ou seja, sem</p><p>a formação de lactato, acontecerá através da via da fosfocreatina ou também chamada ATP-</p><p>CP. Por outro lado, a formação de energia de maneira anaeróbia lática, com o lactato como</p><p>produto no final da via, será através da via glicolítica. Ainda lembrando que a via glicolítica</p><p>poderá formar energia de maneira aeróbia se houver O</p><p>2</p><p>suficiente, ou seja, intensidade mais</p><p>baixa de exercício.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>51</p><p>5.1 AVALIAÇÃO DA APTIDÃO ANAERÓBIA</p><p>Como já foi falado no Tópico 1, antes de se pensar em avaliar um dos</p><p>nossos alunos ou qualquer indivíduo que seja, é preciso fazer algumas perguntas</p><p>do tipo: O que eu quero avaliar? Como eu vou avaliar? Por que eu vou avaliar? Se</p><p>você ficou com algumas dúvidas sobre os processos de avaliação no treinamento</p><p>desportivo volte ao Tópico 1 e recapitule o assunto. Porém vamos abordar aqui</p><p>especificamente da avaliação anaeróbia. Como dito anteriormente, o metabolismo</p><p>anaeróbio pode ser alático ou lático, o que podemos considerar também como</p><p>potência anaeróbia e capacidade anaeróbia, respectivamente. Nesta parte vamos</p><p>tratar desta última nomenclatura, pois acreditamos que você já compreendeu bem</p><p>o assunto neste ponto, pois bem, reforçando o que já foi dito, para pensar numa</p><p>avaliação de capacidade e potência anaeróbia, você precisará pensar na realidade</p><p>das tarefas que serão executadas, ou seja, como seus alunos irão se exercitar.</p><p>Considerando isso, já será um fator de grande importância para saber se a avaliação</p><p>anaeróbia é precisa e de que forma ela poderá ser realizada.</p><p>Dito isto, relembramos que já vimos alguns testes no Tópico 1, que tem</p><p>por objetivo avaliar estas qualidades físicas. Recapitulando, lembramos o teste de</p><p>capacidade sprints repetidos, que terá o melhor tempo de execução dos 6 sprints</p><p>de 40 metros como indicador de potência anaeróbia e o tempo total para execução</p><p>do teste como indicador de capacidade anaeróbia (RAMPININI et al., 2007).</p><p>Podemos perceber então que a potência anaeróbia vai estar ligada diretamente</p><p>aos esforços de curtíssima duração, ou seja, poucos segundos (< 10 s). Enquanto</p><p>que os esforços com duração entre 30 e 60 segundos estarão ligados diretamente</p><p>com a capacidade anaeróbia (POWERS; HOWLEY, 2005). Vale ressaltar que o teste</p><p>de sprints repetidos é uma opção válida para este tipo de avaliação, mas é preciso</p><p>sempre pensar na característica do exercício ou da modalidade que seus alunos</p><p>estarão praticando. Em caso da maioria dos esportes coletivos seria interessante</p><p>realizar este tipo de avaliação, porém somente para exemplificar, nada adianta</p><p>verificar a capacidade e potência anaeróbia do aluno realizando sprints se aulas</p><p>serão de natação (teste não específico).</p><p>Entretanto, novamente resgatando conteúdo do Tópico 1, algumas avaliações</p><p>de laboratório que são consideradas mais válidas possuem maior validade, mas</p><p>perdem em especificidade, ou seja, não são tão próximos do movimento específico</p><p>ou das características da modalidade. No entanto, avaliações de laboratório</p><p>geralmente terão uma acurácia maior para medir aspectos relacionados às</p><p>qualidades físicas (MATHEWS, 1980). Para resgatar outros exemplos podemos</p><p>destacar os testes realizados em dinamômetro de força que poderão apresentar</p><p>protocolos para mensurar capacidade e potência anaeróbia. Ainda, o teste de saltos</p><p>verticais também poderá avaliar ambas qualidades físicas, no caso, o salto com</p><p>contramovimento está</p><p>mais relacionado à potência anaeróbia e os saltos contínuos</p><p>relacionados à capacidade anaeróbia (BOSCO, 1999).</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>52</p><p>Gostaríamos, ainda, de apresentar mais uma possibilidade de avaliação</p><p>anaeróbia. Considerado como padrão ouro para avaliar a potência e a capacidade</p><p>anaeróbia o teste de Wingate é um protocolo que vem sendo utilizado em diferentes</p><p>partes do mundo há muitos anos com este objetivo.</p><p>Pesquisadores do Wingate Institute de Israel desenvolveram um teste</p><p>de ciclismo de esforço máximo com duração de trinta segundos (teste</p><p>de Wingate) destinado a determinar tanto a potência anaeróbia de pico</p><p>como a potência média máxima durante o teste de trinta segundos</p><p>[...]. A maior potência durante os primeiros segundos é considerada</p><p>a potência de pico máxima e é indicadora da velocidade máxima com</p><p>que o sistema ATP-CP produz ATP neste tipo de exercício. O declínio</p><p>da potência máxima durante o teste é utilizado como um índice de</p><p>resistência anaeróbia e, supostamente, representa a capacidade máxima</p><p>de produção de ATP por meio de uma combinação do sistema ATP-CP</p><p>e da glicólise (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 416).</p><p>FIGURA 20 – PROTOCOLO DO TESTE DE WINGATE</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.bikemagazine.com.br/2011/04/avaliacao-fisica/>. Acesso</p><p>em: 20 fev. 2017.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>53</p><p>Observe que mesmo sendo um teste realizado em bicicleta ergométrica, o</p><p>que não proporciona especificidade com muitos outros esportes, é um teste que</p><p>tem uma grande acurácia para determinar a capacidade e potência anaeróbia.</p><p>Por ser um teste de relativa facilidade de aplicação e curta duração, um pequeno</p><p>aquecimento em baixa intensidade e um esforço máximo de 30 segundos é uma</p><p>excelente opção. Veja você na figura anterior que a potência reproduzida no teste</p><p>vai atingir valores de pico em poucos segundos, de 3 a 5 segundos, e depois começa</p><p>a cair atingindo valores de até 50% do pico. Vale ressaltar que por exigir um esforço</p><p>máximo do avaliado durante todo o teste, não é um teste muito recomendado para</p><p>aplicação em crianças e precisa ser bem pensando quando for colocado em algum</p><p>planejamento de treinamento.</p><p>Ainda é possível pensar em outras avaliações que podem proporcionar</p><p>o entendimento da capacidade e potência anaeróbia de nossos alunos. Teste de</p><p>tiros curtos com distâncias entre 50 a 200 metros na corrida, outros protocolos</p><p>de sprints repetidos, tiros máximos na natação, protocolos de medidas de força,</p><p>entre outros (POWERS; HOWLEY, 2005). A chave é saber de que forma vamos</p><p>utilizar os testes que são apresentados na literatura. Os testes de coordenação ou</p><p>velocidade de reação ou de membros, por exemplo, são de grande importância</p><p>quando trabalhamos com crianças até o final da fase maturacional. O mais</p><p>importante é conhecer o funcionamento do organismo e como ele responde a</p><p>determinados estímulos, nesse caso específico, esforços máximos de curta duração,</p><p>para poder adaptar ou escolher o melhor teste a ser aplicado dentro dos objetivos</p><p>do planejamento do treinamento desportivo.</p><p>5.2 POSSIBILIDADES DE TREINAMENTO DA APTIDÃO</p><p>ANAERÓBIA</p><p>Existem diferentes possibilidades e protocolos que podem ser criados com</p><p>o objetivo de aprimorar tanto a capacidade quanto a potência anaeróbia. Diversas</p><p>modalidades, tipos de exercício e esportes necessitam dessas qualidades físicas</p><p>muito bem desenvolvidas para sua prática, como é o caso do tênis, do vôlei, provas</p><p>de velocidade na natação e no atletismo, entre outros. Como já foi dito, nenhum</p><p>tipo de esforço vai ser dependente de apenas uma via metabólica para produzir</p><p>energia, mas é possível planejar estratégias de treinamento que possibilitem</p><p>uma exigência máxima das vias anaeróbias. Como é o caso do treinamento de</p><p>sprints repetidos, por exemplo. O número de estímulos, de séries, e a duração</p><p>precisará estar de acordo com um planejamento prévio, o nível de aptidão dos</p><p>indivíduos e fatores ambientais, mas estes assuntos ainda serão abordados com</p><p>maior cuidado adiante. É possível pensar o treinamento anaeróbio com o foco na</p><p>potência anaeróbia (sistema ATP-CP) ou na capacidade anaeróbia (treinamento da</p><p>via glicolítica).</p><p>O treinamento para melhorar o sistema ATP-CP envolve um tipo</p><p>especial de treinamento intervalado. Para pressionar ao máximo a</p><p>via metabólica do ATP-CP, intervalos de exercício de curta duração</p><p>e alta intensidade (cinco a dez segundos de duração) que utilizam</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>54</p><p>os músculos solicitados na competição são ideais. Em razão da curta</p><p>duração deste tipo de intervalo, pouco ácido lático é produzido e a</p><p>recuperação é rápida. O intervalo de repouso pode variar de trinta a</p><p>sessenta segundos, dependendo do nível de aptidão física dos atletas</p><p>(POWERS; HOWLEY, 2005, p. 431).</p><p>A outra possibilidade é pensarmos no treinamento de capacidade anaeróbia</p><p>ou da via glicolítica. Para tal é preciso pensar em esforços máximos e com duração</p><p>entre vinte a sessenta segundos, que sobrecarregarão esta via metabólica e gerar</p><p>uma alta acidose. Este tipo de treinamento é bem exaustivo e precisa ser planejado</p><p>com cautela, pois pode reduzir os estoques de glicogênio muscular (POWERS;</p><p>HOWLEY, 2005). Geralmente após esforços únicos de maior duração (por exemplo</p><p>60 segundos) ou mais curtos e repetidos, planeja-se um intervalo de recuperação</p><p>entre três e cinco minutos. Um modelo que é utilizado em modalidades coletivas, por</p><p>exemplo, é três séries de seis estímulos de 40 metros em cada série, recuperação de</p><p>vinte segundos de recuperação entre os estímulos e quatro minutos de recuperação</p><p>de forma passiva entre as séries. Outro cuidado importante é intercalar sessões</p><p>de treinamento de baixa intensidade entre as sessões que terão essa exigência</p><p>anaeróbia. Os princípios do treinamento esportivo que são utilizados como base</p><p>no planejamento e na montagem de uma ou mais sessões de treinamento serão</p><p>abordados mais profundamente na Unidade 2.</p><p>55</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• A respiração aeróbia necessita do oxigênio (O2), que é usado como agente</p><p>oxidante e essa propriedade importante do O2 é utilizada pelas células para</p><p>produzir uma forma utilizável de energia e converter moléculas de carboidratos,</p><p>gorduras e proteínas em moléculas de ATP.</p><p>• O ATP é uma molécula de fonte imediata de energia para a contração muscular,</p><p>que está no interior das células e precisa basicamente de uma reação para gerar</p><p>energia.</p><p>• Na mitocôndria, que está localizada no sarcoplasma celular, no caso das células</p><p>musculares, que o O2 vai realizar seu papel fundamental de receber o hidrogênio</p><p>e formar água.</p><p>• Esse processo vai na membrana interna da mitocôndria onde está localizada</p><p>a cadeia respiratória. O ciclo de Krebs, que está localizado no interior da</p><p>mitocôndria na matriz mitocondrial e, também vai interagir com a cadeia</p><p>respiratória para que ocorra a produção aeróbia de ATP.</p><p>• O sistema respiratório tem como principal objetivo prover um meio de troca</p><p>gasosa, ou seja, permitir que um indivíduo possa liberar o CO2 que está</p><p>acumulado no sangue e repor o O2 que está sendo utilizado durante uma tarefa.</p><p>• A produção de energia anaeróbia alática, ou seja, sem a formação de lactato,</p><p>acontecerá através da via da fosfocreatina ou também chamada ATP-CP.</p><p>• A formação de energia de maneira anaeróbia lática, com o lactato como produto</p><p>no final da via, será através da via glicolítica.</p><p>• A via glicolítica poderá formar energia de maneira aeróbia se houver O2</p><p>suficiente, ou seja, intensidade mais baixa de exercício.</p><p>• A capacidade aeróbia está relacionada à produção de energia aeróbia de maneira</p><p>predominante com a mínima participação do metabolismo anaeróbio, através</p><p>das vias oxidativas.</p><p>• A potência aeróbia é a capacidade do organismo em produzir a maior quantidade</p><p>de energia de maneira oxidativa no menor tempo possível.</p><p>56</p><p>• Ambas as vias aeróbias ou anaeróbias trabalham ao mesmo tempo</p><p>para uma</p><p>produção total de energia. O que difere é a predominância de uma das vias em</p><p>relação à outra em produzir energia e isso é dependente da modalidade ou do</p><p>tipo de exercício.</p><p>• O organismo apresenta comportamentos distintos de acordo com a intensidade</p><p>do exercício. Esses diferentes comportamentos podem ser nomeados como</p><p>domínios de intensidade de esforço ou domínios fisiológicos. A literatura</p><p>apresenta três domínios, o moderado, o pesado e o severo.</p><p>• São diversas as possibilidades para a avaliação e treinamento da aptidão aeróbia</p><p>e anaeróbia. No caso dos testes físicos é preciso se perguntar como, para que e</p><p>por que vou avaliar meu aluno. No caso do treinamento, é preciso saber qual é a</p><p>melhor forma para aplicá-lo, considerando a realidade em que se está inserido,</p><p>qual é a faixa etária, quais são os objetivos dos alunos, entre outros.</p><p>57</p><p>1 Vimos durante este tópico assuntos relacionados à aptidão aeróbia e anaeróbia.</p><p>Aprendemos que todos os sistemas de produção de energia trabalham em</p><p>conjunto para suprir a demanda do exercício. Porém, estudamos também</p><p>que, dependendo do modo de exercício e da intensidade do exercício</p><p>a predominância de produção de energia vai ser aeróbia ou anaeróbia.</p><p>Considerando esta afirmativa, assinale as alternativas CORRETAS quanto à</p><p>participação dos sistemas:</p><p>a) ( ) A prova de 100 metros rasos no atletismo é predominantemente anaeróbia.</p><p>b) ( ) A maratona no atletismo é predominantemente anaeróbia.</p><p>c) ( ) Uma série de levantamento de peso é predominantemente anaeróbia.</p><p>d) ( ) A prova de 50 metros na natação é predominantemente aeróbia.</p><p>e) ( ) A prova de remo de 2000 metros é predominantemente aeróbia.</p><p>f) ( ) A prova de cross-country de esqui é predominantemente aeróbia.</p><p>g) ( ) A prova de 400 metros na natação é predominantemente anaeróbia.</p><p>h) ( ) Os esportes coletivos de maneira em geral são predominantemente</p><p>aeróbios.</p><p>i) ( ) Uma aula de Educação Física com duração de 45 minutos é</p><p>predominantemente aeróbia.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>58</p><p>59</p><p>TÓPICO 3</p><p>O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA</p><p>IDADE ESCOLAR</p><p>UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Neste terceiro e último tópico da Unidade 1, vamos terminar</p><p>nossa jornada juntos falando sobre o treinamento esportivo e suas implicações</p><p>para a saúde de adolescentes. Nas próximas duas unidades do livro você será</p><p>acompanhado pelos nossos colegas para continuar os estudos da disciplina.</p><p>Porém, ainda temos mais algumas páginas para estudar. Os anos em torno da</p><p>puberdade são os mais críticos do ponto de vista da saúde pública. O exercício e a</p><p>boa nutrição nessa idade são tão importantes quanto aos 50 anos de idade, quando</p><p>a perda óssea relacionada à idade torna-se mais aparente. Os ganhos de massa</p><p>óssea nos três anos em torno da puberdade podem chegar a 30% da massa óssea</p><p>máxima final. Aumentos adicionais de densidade mineral óssea ocorrem até pelo</p><p>menos os 25 anos. O maior impacto do exercício sobre a densidade mineral óssea</p><p>e a geometria óssea ideal ocorre durante esses anos de rápido crescimento. No</p><p>entanto, você já deve ter percebido que tem crescido cada vez mais o número de</p><p>adolescentes e jovens com comportamento sedentário no Brasil e no mundo, assim</p><p>como é possível observar o aumento na quantidade de indivíduos nessa faixa</p><p>etária obesos e com risco de obesidade. A atividade física/exercício físico é uma</p><p>importante ferramenta no combate aos malefícios deste estilo de vida prejudicial</p><p>nesta população. Com os avanços tecnológicos, meios de transportes, diminuição</p><p>das áreas de lazer urbanas, aumento da criminalidade e padrões de moradia da</p><p>sociedade moderna (por exemplo, a vida em condomínios fechados) torna-se cada</p><p>vez mais necessária a busca de estratégias para fazer com que os adolescentes se</p><p>tornam mais ativos fisicamente, visto que, os benefícios perdurarão para a vida</p><p>adulta. Nesse contexto, os esportes coletivos são importantes ferramentas para</p><p>a motivação destes indivíduos quanto a prática de exercícios, considerando o</p><p>contexto da socialização.</p><p>2 PREOCUPAÇÕES EM RELAÇÃO À SAÚDE NA</p><p>ADOLESCÊNCIA</p><p>As recomendações atuais de atividade física para crianças e adolescentes</p><p>são de 300 minutos semanais e/ou 60 minutos diários de atividade de intensidade</p><p>moderada a vigorosa. A maioria destas atividades deve ser de caráter aeróbio e</p><p>intensidades vigorosas devem ser incorporadas, incluindo aquelas que fortaleçam</p><p>a musculatura e a estrutura óssea, ao menos três vezes por semana (WHO, 2010).</p><p>60</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>Por outro lado, os níveis de sedentarismo têm aumentado nessa faixa etária com</p><p>boa parte da população mundial não atingindo os níveis de recomendação diária,</p><p>por exemplo, o que foi demonstrado por Hallal et al. (2012) que mais de 80% dos</p><p>adolescentes em 55 países diferentes não atingem os 60 minutos diários. Esses</p><p>fatores preocupam os profissionais da área, especialistas e as autoridades políticas</p><p>cada vez mais, pois existe uma relação direta do sedentarismo/sobrepeso/obesidade</p><p>em adolescentes com os riscos de desenvolver doenças não contagiosas, como</p><p>câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e de desordens psicológicas. Observe</p><p>na figura a seguir, as partes mais escuras do mapa são onde o sedentarismo mais</p><p>prevalece na adolescência.</p><p>FIGURA 21 – MAPA-MÚNDI DO SEDENTARISMO NA ADOLESCÊNCIA</p><p>FONTE: Hallal et al. (2012)</p><p>Por sua vez, os esportes coletivos podem ser considerados uma ferramenta</p><p>interessante para que crianças e adolescentes se tornem mais ativos fisicamente</p><p>(ALVES; LIMA, 2008). Os esportes coletivos são praticados em nível mundial e</p><p>estão enraizados na cultura popular do Brasil e são praticados por toda parte.</p><p>Dessa forma, pela questão da sociabilização e pelos fatores motivacionais, esses</p><p>tipos de modalidade apresentam-se como uma possibilidade de combater o</p><p>sedentarismo para esta parcela da população. Além disso, a iniciação esportiva</p><p>e prática sistemática podem fazer com que crianças e adolescentes busquem o</p><p>aprimoramento e a especialização dentro de uma modalidade específica para uma</p><p>TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR</p><p>61</p><p>possível carreira esportiva futura (RÉ, 2011). Sabe-se que esportes coletivos, como</p><p>o futebol, voleibol e handebol são comumente praticados no Brasil. Considerando</p><p>que estas modalidades esportivas englobam movimentos como corrida, saltos e</p><p>mudanças de direção, os quais requisitam principalmente a ação muscular dos</p><p>membros inferiores e secundariamente os músculos de sustentação/posturais, o</p><p>que dessa forma, estimulariam maior ganho ósseo (LIMA et al., 2013), as cargas</p><p>exigidas durante a prática destes esportes estariam de acordo com o recomendado</p><p>pela organização mundial da saúde (OMS). Ainda podemos salientar que, grande</p><p>ênfase tem sido dada aos efeitos da atividade esportiva sobre a massa óssea e a</p><p>possibilidade de prevenção da osteoporose em época futura, uma vez que o exercício</p><p>físico vigoroso exerce um papel fundamental no processo de ganho de massa óssea</p><p>(CADORE et al., 2005). Considere você que os mecanismos de carga, impostos</p><p>pelos exercícios, aumentam a densidade mineral óssea, independentemente do</p><p>sexo e da idade dos indivíduos que os praticam (SNOW et al., 2001). O número de</p><p>adolescentes envolvidos em práticas desportivas tem aumentado sensivelmente</p><p>nos últimos anos. Por isso, precisamos ter em mente a necessidade de conhecer</p><p>os eventos que marcam a puberdade e a variabilidade individual em que eles</p><p>ocorrem, isso é de suma importância para o profissional que trabalhará com os</p><p>esportes coletivos voltados para essa faixa etária. O estresse contínuo, que pode ser</p><p>provocado com a prática, resulta em adaptações morfológicas, tais como: aumento</p><p>da espessura cortical e maior conteúdo ósseo na inserção músculo-tendínea. Esse</p><p>ganho de massa óssea pode prevenir complicações futuras, como por exemplo, a</p><p>osteoporose (SILVA; TEIXEIRA; GOLDBERG, 2003).</p><p>3 O ESPORTE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA SAÚDE DE</p><p>ADOLESCENTES</p><p>Observe,</p><p>caro acadêmico, o gráfico a seguir demonstra a mesma forma</p><p>que tinha sido mostrado pelo estudo de Hallal et al., (2012) em nível mundial,</p><p>dados coletados no Brasil pelo VIGITEL (2013). Veja que no gráfico superior</p><p>(A) aproximadamente 50% das crianças e adolescentes no Brasil parecem ser</p><p>sedentárias. Enquanto que, no gráfico da parte de baixo (B) podemos ver que mais</p><p>de 20% destas estão obesas. Este é um dado preocupante e que precisa de profunda</p><p>reflexão de nossa parte, e atitudes na busca de melhorar este quadro. O esporte</p><p>pode ser um grande aliado nessa luta.</p><p>62</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>GRÁFICO 7 – SEDENTARISMO NA ADOLESCÊNCIA NO BRASIL</p><p>FONTE: Vigitel (2013)</p><p>Observe na figura anterior, da mesma forma que tinha sido mostrado pelo</p><p>estudo de Hallal et al. (2012) em nível mundial, agora apresentamos dados coletados</p><p>no Brasil por Vigitel (2013). Veja que no gráfico superior (A) aproximadamente</p><p>50% das crianças e adolescentes no Brasil parecem ser sedentárias. Enquanto que,</p><p>no gráfico da parte de baixo (B) podemos ver que mais de 20% destas estão obesas.</p><p>Este é um dado preocupante e que precisa de profunda reflexão de nossa parte, e</p><p>atitudes na busca de melhorar este quadro. O esporte pode ser um grande aliado</p><p>nessa luta.</p><p>TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR</p><p>63</p><p>IMPORTANTE</p><p>A adolescência é um período da vida permeado por profundas mudanças</p><p>biopsicossociais. De acordo com a OMS, a fase da adolescência compreende a faixa etária</p><p>entre 10 e 19 anos. Um dos principais fenômenos da puberdade é o pico de crescimento</p><p>em estatura, acompanhado da maturação biológica (amadurecimento) dos órgãos sexuais</p><p>e das funções musculares (metabólicas), além de importantes alterações na composição</p><p>corporal, as quais apresentam importantes diferenças entre os gêneros (RÉ, 2011). Estudos</p><p>com crianças e adolescentes têm demonstrado o benefício da atividade física no estímulo</p><p>ao crescimento e desenvolvimento, prevenção da obesidade, incremento da massa óssea,</p><p>aumento da sensibilidade à insulina, melhora do perfil lipídico, diminuição da pressão arterial,</p><p>desenvolvimento da socialização e da capacidade de trabalhar em equipe (CADORE et al., 2005;</p><p>ALVES; LIMA, 2008; LIMA et al., 2013). Nesse sentido, os esportes coletivos podem contribuir de</p><p>grande maneira para que adolescentes atinjam esses benefícios da atividade física (LIMA et al.,</p><p>2013), tanto os físicos quanto os psicossociais, visto que as interações entre indivíduos (“eu e o</p><p>companheiro de equipe”, “eu e o adversário”, “eu e o professor/treinador”, “eu e os pais/família”)</p><p>são maximizadas.</p><p>A puberdade é um período fundamental para a aquisição da massa óssea. O</p><p>aumento da densidade mineral óssea durante a puberdade é devido primariamente</p><p>à expansão do tamanho ósseo em função do crescimento físico e, posteriormente,</p><p>pelo aumento da espessura da cortical (CADORE et al., 2005). Em adolescentes</p><p>atletas, o pico de massa óssea pode apresentar maior incremento, em virtude do</p><p>estresse mecânico imposto aos ossos pelo exercício físico praticado (SNOW et al.,</p><p>2001; MATTA et al., 2013). O tecido ósseo é dinamicamente responsivo à demanda</p><p>funcional que lhe é imposta, o que gera alterações de sua massa e força. Essas</p><p>mudanças resultam da força gravitacional e da ação intensa dos músculos ligados</p><p>aos ossos (SNOW et al., 2001). A resposta adaptativa do osso dependerá, portanto,</p><p>da magnitude da carga e da frequência de aplicação, que são regularmente</p><p>repetidas, desencadeiam efeitos osteogênicos. A massa óssea responde por cerca</p><p>de 80% da variação na força óssea, mas outros fatores, como geometria óssea,</p><p>arquitetura interna e propriedades mecânicas também afetam a força de um osso</p><p>específico (LIMA et al., 2013). Durante a atividade física, a contração muscular</p><p>promove um aumento da atividade osteoblástica na região óssea próxima aos</p><p>locais onde os músculos se inserem, levando ao aumento da mineralização óssea.</p><p>Por outro lado, a ausência de contração muscular causa significativa perda óssea,</p><p>porém, considere você que o exercício físico realizado próximo ao pico máximo</p><p>da velocidade de crescimento, ou seja, no início da puberdade, é mais efetivo para</p><p>potencializar o ganho de massa óssea (ALVES; LIMA, 2008; RÉ, 2011).</p><p>64</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>FIGURA 22 – PROCESSOS DE CRESCIMENTO</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/</p><p>search?q=adolescência+e+processos+de+crescimento>. Acesso em: 26 fev. 2017.</p><p>Com relação ao esporte, a adolescência reveste-se de grande importância,</p><p>não somente por aspectos específicos da prescrição de exercícios físicos a essa faixa</p><p>de idade, como para todo o contexto biopsicossocial, que envolve esse período da</p><p>vida. Esse é um período em que o contexto é muito importante, e as amizades e os</p><p>modismos ditados pela sociedade são de extrema importância para o indivíduo.</p><p>Nesse sentido, o “conceito de beleza do magro e forte” devem ser trabalhados</p><p>juntamente com a inserção do adolescente nas atividades esportivas para evitar</p><p>desequilíbrios entre o exercício e os hábitos nutricionais (ALVES; LIMA, 2008).</p><p>Essa insatisfação com a imagem corporal pode induzir os adolescentes à busca de</p><p>atividades esportivas de alta intensidade e grande volume de treinamento, com</p><p>ingestão calórica inadequada, também como valorização do corpo e da imagem</p><p>idealizados, a serem atingidos, muitas vezes, a qualquer custo. Na combinação de</p><p>exercício físico intenso e baixa ingestão calórica, a prática esportiva competitiva e</p><p>TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR</p><p>65</p><p>intensa associada a um gasto energético excessivo estimula a liberação de citocinas,</p><p>como interleucina-1 (IL-1), IL-6 e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), os quais</p><p>poderiam inibir o eixo GH/IGF-1 e interferir nos processos de crescimento (ALVES;</p><p>LIMA, 2008).</p><p>Snow et al., (2001) relatam que, em estágios iniciais da puberdade, a</p><p>repercussão óssea ao estímulo da sobrecarga é pouco significativa, enquanto que,</p><p>em fases mais avançadas da maturidade sexual, o padrão hormonal conjugado à</p><p>atividade esportiva conduz a maior deposição de massa óssea nos locais específicos</p><p>dos estímulos musculares. A densidade mineral óssea atinge cerca de 90% do</p><p>seu pico no final da segunda década. Observe que, um quarto do osso adulto é</p><p>acumulado durante os dois anos de pico de velocidade de crescimento. Fatores</p><p>endógenos e exógenos participam desse processo. Entre os fatores endógenos</p><p>vamos destacar para vocês os seguintes: genética, raça e o aumento dos hormônios</p><p>anabólicos associados à puberdade. Em relação aos fatores exógenos (ambientais),</p><p>destacam-se o exercício e a nutrição, com adequado aporte de cálcio na dieta</p><p>(ALVES; LIMA, 2008).</p><p>4 O ESPORTE COLETIVO E OS PROCESSOS DE</p><p>CRESCIMENTO DE ADOLESCENTES, POSSIBILIDADES DE</p><p>INTERVENÇÃO</p><p>FIGURA 23 – RECOMENDAÇÕES DE ATIVIDADE FÍSICA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://ricardodelucena.blogspot.com.br/>. Acesso em: 26</p><p>fev. 2017.</p><p>66</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>Adolescentes devem realizar diariamente, pelo menos, 60 minutos de</p><p>atividade física e/ou desportiva em uma intensidade moderada a vigorosa e pelo</p><p>menos três vezes por semana de exercícios de força muscular capazes de promover</p><p>um desenvolvimento muscular e ósseo saudável (WHO, 2010). Por outro lado,</p><p>a interação social/ambiental nos dias de hoje é muito diferente, podendo ser</p><p>facilmente constatado nas alterações do estilo de vida da população jovem, que vão</p><p>desde uma diminuição das atividades ao ar livre a um aumento do tempo passado</p><p>em casa e com atividades sedentárias ligadas ao uso da tecnologia, aumento da</p><p>ingestão calórica e perda da qualidade do sono (GUEDES et al., 2002; SEABRA et</p><p>al., 2008; HALLAL et al., 2012).</p><p>Dessa forma, é preciso pensar em maneiras de incluir essa parcela da</p><p>população em atividades físicas que sejam prazerosas para estes indivíduos</p><p>(SEABRA et al., 2008), que façam com que o fator motivacional</p><p>e social tenha</p><p>efeito na permanência dos adolescentes em programas de treinamento (ALVES;</p><p>LIMA, 2008). Os profissionais de educação física precisam buscar envolvimento</p><p>com políticas públicas que proporcionem possibilidades de espaços que façam</p><p>com que exercícios se tornem uma prática habitual dos jovens (GUEDES et al.,</p><p>2002; RÉ, 2011; HALLAL et al., 2012), visto que, boa parte desta população parece</p><p>desconhecer os efeitos dos esportes e do exercício físico sobre sua saúde óssea</p><p>(KOPP et al., 2013).</p><p>A adolescência é uma fase de intensas transformações não só físicas,</p><p>como também de valores e crenças que podem ter consequências na vida adulta.</p><p>Estimular nossos alunos à prática de atividade física na idade escolar será de</p><p>extrema importância contra a epidemia de inatividade física na vida adulta. O</p><p>esporte coletivo moderno transformou-se em um novo meio de comunicação entre</p><p>os indivíduos. É um sentimento participativo, interativo e interpretativo que se</p><p>multiplica em diferentes culturas e etnias (RÉ, 2011). O esporte coletivo tem um</p><p>grande impacto nos hábitos culturais desportivos dos nossos dias, o que provoca</p><p>uma enorme atração para sua prática a muitas crianças e adolescentes (MATTA et</p><p>al., 2013). Por sua vez, o ensino de uma modalidade na perspectiva educacional deve</p><p>promover o desenvolvimento humano, por meio da inclusão social e da produção</p><p>cultural esportiva, numa relação interdependente entre o esporte em questão</p><p>e a ludicidade (KOPP et al., 2013). Seabra et al., (2001) ressaltam a importância</p><p>da diferenciação entre idade biológica e idade cronológica no planejamento de</p><p>um programa de atividade física para uma população de adolescentes. Para tal,</p><p>é necessária a avaliação dos estágios de maturação. A classificação em função</p><p>da idade biológica possibilita distinguir, de forma mais clara, as adaptações</p><p>morfológicas e funcionais resultantes de um programa de treinamento das</p><p>modificações observadas no organismo decorrentes do processo de maturação,</p><p>principalmente intensificado durante a puberdade (CADORE et al., 2005). Além</p><p>disso, possibilita evitar que adolescentes com as mesmas idades cronológicas, mas</p><p>com diferentes graus de maturidade, sejam colocados lado a lado em atividades</p><p>esportivas. Isso geraria um sentimento de frustração no adolescente derrotado que</p><p>poderia influenciar todo seu relacionamento com os demais do seu grupo ou faixa</p><p>etária.</p><p>TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR</p><p>67</p><p>IMPORTANTE</p><p>Quanto à iniciação esportiva ou os processos de seleção para uma prática</p><p>competitiva, observa-se que a idade cronológica determina diferenças nas características</p><p>antropométricas e no desempenho físico de jovens atletas no meio e final da adolescência</p><p>como provável resultado do processo de crescimento e maturação biológica (NASCIMENTO</p><p>et al., 2014). Além disso, a performance motora dos adolescentes do sexo masculino está</p><p>significativamente relacionada com o seu status maturacional. Os rapazes com estágios</p><p>maturacionais mais avançados evidenciam, geralmente, melhores performances do que os</p><p>atrasados na maturação (SEABRA et al., 2001). Em geral, os jovens que apresentam maturação</p><p>biológica precoce (antes dos 13 anos de idade), possuem maior capacidade metabólica e</p><p>tamanho corporal em comparação aos seus pares de mesma idade cronológica com ritmo</p><p>maturacional normal (por volta dos 13-14 anos) ou tardio (após os 14 anos). Vale destacar</p><p>a transitoriedade desse fenômeno biológico, ligado ao ritmo de crescimento e maturação</p><p>individual. Porém, especialmente em situações de esporte competitivo, alguns jovens podem</p><p>ter desvantagem significativa enquanto estiverem em estágios de maturação biológica menos</p><p>adiantada do que seus colegas de mesma faixa etária (SEABRA et al., 2001). Portanto, observe,</p><p>você acadêmico, que sem a avaliação da maturação biológica não será possível interpretar</p><p>adequadamente se o desempenho apresentado pelo indivíduo reflete a sua real capacidade</p><p>ou se, por outro lado, está sofrendo uma interferência transitória do processo de maturação</p><p>biológica (RÉ et al., 2005).</p><p>A prática esportiva dos adolescentes está associada à prática de seus pais e</p><p>o gênero dos pais exerce efeitos distintos em tal fenômeno. Fernandes et al. (2011)</p><p>demonstraram que em ambos os gêneros, o envolvimento dos pais foi associado</p><p>com um maior engajamento por parte do adolescente em práticas esportivas,</p><p>mas o envolvimento materno foi associado apenas com a atividade física no sexo</p><p>feminino. Para Kopp et al. (2013), não devemos ver a adolescência simplesmente</p><p>como um estágio biológico e psicológico do desenvolvimento humano, pois esta</p><p>visão percebe a adolescência a partir da perspectiva que menospreza a interação</p><p>juvenil e a sua produção social. Precisamos nos preocupar como são produzidos</p><p>os espaços que criam práticas e promovem relações características e típicas da</p><p>modernidade e das transformações operadas nesse estágio de vida (ALVES; LIMA,</p><p>2008; RÉ, 2011).</p><p>Por fim, queremos apresentar este último estudo de Lima et al. (2001),</p><p>que observou em meninos de 12 a 18 anos, que praticavam esportes de impacto,</p><p>como basquetebol, aumento significativo na densidade mineral óssea na coluna</p><p>lombar e no fêmur proximal, quando comparados com um grupo de adolescentes</p><p>que praticavam esportes com carga ativa, tais como polo aquático e natação.</p><p>Entretanto, ambos os grupos apresentavam densidade mineral óssea superior à</p><p>do grupo de adolescentes que não praticavam esporte algum. Assim, precisamos</p><p>considerar que a prática do esporte pode ser um potente modulador da massa óssea</p><p>durante a infância/adolescência e este ganho adicional de massa óssea na infância/</p><p>adolescência pode influenciar positivamente a saúde óssea na idade adulta (LIMA</p><p>et al., 2013).</p><p>68</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>UNI</p><p>As mudanças nos hábitos e no estilo de vida de adolescentes e jovens têm alertado</p><p>os profissionais da área na busca de compreender melhor as alterações comportamentais</p><p>e propor intervenções que auxiliem esta população quanto à prática de atividade física que</p><p>possibilitem benefícios tais como um melhor perfil lipídico, prevenção da obesidade, incremento</p><p>da massa óssea, aumento da sensibilidade à insulina, entre outros. Entre as diversas possibilidades</p><p>de exercícios, os esportes coletivos se destacam pelo fator motivacional e interação social</p><p>que são características intrínsecas da prática destas modalidades. As participações sistemáticas</p><p>nos esportes que exigem movimentos com a sustentação do peso corporal e altos níveis de</p><p>contração muscular geram tração entre os músculos e ossos e contribuem para o ganho de</p><p>massa óssea e densidade mineral óssea.</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Este é um artigo que foi publicado em 2011, por Maria de Fátima Goulart</p><p>Coutinho, do Comitê de Adolescência, IPPMG/UFRJ, no volume 12 (Suppl 1),</p><p>agosto de 2011, na revista de pediatria da Sociedade de Pediatria do estado do Rio</p><p>de Janeiro. Mesmo não sendo uma publicação recente traz uma importe reflexão</p><p>que acreditamos que contribuirá para o crescimento profissional de você.</p><p>CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO NA ADOLESCÊNCIA</p><p>A adolescência compreende um complexo processo de maturação que</p><p>transforma a criança em adulto. A puberdade reúne os fenômenos biológicos</p><p>da adolescência, possibilitando o completo crescimento somático e a maturação</p><p>hormonal que asseguram a capacidade de reprodução e de preservação da espécie.</p><p>A puberdade tem início e evolução influenciados por fatores genéticos e</p><p>ambientais caracterizando-se pela ocorrência de:</p><p>Adrenarca: resultante do aumento da secreção dos andrógenos suprarrenais</p><p>(entre 6 e 8 anos de idade óssea) e que parece ser independente da ativação do eixo</p><p>hipofisário-gônadas.</p><p>Ativação ou desinibição de neurônios hipotalâmicos secretores de hormônio</p><p>liberador de gonadotrofinas (LHRH), com consequente liberação dos hormônios</p><p>luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH) pela glândula hipófise.</p><p>Gonadarca (aumento dos</p><p>75</p><p>TÓPICO 1 - OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO .......................................... 77</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 77</p><p>2 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVOS – O QUE SÃO? ..................................... 77</p><p>3 HISTÓRIA DOS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO .................................... 79</p><p>4 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO – DEFINIÇÕES, EXEMPLOS,</p><p>APLICAÇÕES E CURIOSIDADES .................................................................................................. 82</p><p>4.1 O PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA ............................................................ 83</p><p>sumário</p><p>VIII</p><p>4.2 O PRINCÍPIO DA ADAPTAÇÃO ................................................................................................ 86</p><p>4.3 O PRINCÍPIO DA SOBRECARGA ............................................................................................... 91</p><p>4.4 O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE .......................................................................................... 95</p><p>4.5 O PRINCÍPIO DA REVERSIBILIDADE ...................................................................................... 96</p><p>4.6 O PRINCÍPIO DA INTERDEPENDÊNCIA VOLUME-INTENSIDADE ................................ 98</p><p>4.7 O PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE ......................................................................................... 100</p><p>4.8 O PRINCÍPIO DA VARIABILIDADE .......................................................................................... 102</p><p>4.9 O PRINCÍPIO DA TREINABILIDADE ........................................................................................ 104</p><p>4.10 O PRINCÍPIO DA SAÚDE .......................................................................................................... 106</p><p>4.11 INTER-RELAÇÃO ENTRE OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO ..................................... 107</p><p>4.12 EDUCAÇÃO ESPECIAL E OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO ........... 108</p><p>4.13 INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA AO ATLETA OU ESTUDANTE ESPECIAL ............... 111</p><p>4.14 SOBRECARGA APLICADA AO DEFICIENTE ....................................................................... 116</p><p>4.15 CONTINUIDADE COM TREINAMENTO ESCOLAR ........................................................... 117</p><p>4.16 ENTREVISTA COM PSICÓLOGA ESPORTIVA ...................................................................... 118</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 123</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 125</p><p>TÓPICO 2 - O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES</p><p>ATIVIDADES ESPORTIVAS ........................................................................................ 127</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 127</p><p>2 PLANEJAMENTO ............................................................................................................................... 127</p><p>2.1 HABILIDADES MOTORAS ENVOLVIDAS ............................................................................... 128</p><p>2.2 TREINAMENTO DE ESPORTES CÍCLICOS PARA JOVENS E CRIANÇAS ........................ 129</p><p>2.3 MINI JOGOS EM ESPORTES COLETIVOS ................................................................................ 131</p><p>2.4 ESPORTE DE COLISÃO – O CONTATO .................................................................................... 133</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 137</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 138</p><p>UNIDADE 3 - MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO</p><p>ESPORTIVO .................................................................................................................. 139</p><p>TÓPICO 1 - CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO</p><p>DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ........................................................................ 141</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 141</p><p>2 OS PERÍODOS ETÁRIOS DURANTE O CRESCIMENTO PÓS-NATAL ............................... 141</p><p>3 DEFININDO CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ............................ 142</p><p>4 MEDIDAS USADAS PARA A AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO E MATURAÇÃO ......... 143</p><p>4.1 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO .............................................................................................. 144</p><p>4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO .................................................................... 147</p><p>4.2.1 Idade no pico de velocidade em altura .................................................................................. 154</p><p>4.2.2 Porcentagem da estatura adulta predita ................................................................................ 155</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 157</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 158</p><p>TÓPICO 2 - TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA .................. 159</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 159</p><p>2 PERÍODOS SENSÍVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS</p><p>CAPACIDADES FÍSICAS .................................................................................................................. 160</p><p>3 MODELOS DE DESENVOLVIMENTO FÍSICO EM LONGO PRAZO</p><p>PARA JOVENS ..................................................................................................................................... 162</p><p>3.1 DIFERENÇAS RELACIONADAS AO SEXO .............................................................................. 168</p><p>3.2 TREINAMENTO PARA JOVENS: MATURAÇÃO TARDIA VS. PRECOCE ........................ 169</p><p>IX</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 171</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 172</p><p>TÓPICO 3 - ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS</p><p>DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA .................................... 173</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 173</p><p>2 TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES ......... 173</p><p>2.1 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO AERÓBIO ...................................................................... 174</p><p>2.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO AERÓBIO</p><p>EM JOVENS ..................................................................................................................................... 174</p><p>2.3 TREINO DE FORÇA PARA JOVENS E CRIANÇAS – PARADIGMAS ................................. 176</p><p>2.4 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO DE FORÇA E POTÊNCIA .......................................... 177</p><p>2.5 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO EXERCÍCIOS NA MÁQUINA E DE</p><p>PESO LIVRE .................................................................................................................................... 178</p><p>2.6 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO EXERCÍCIOS PLIOMÉTRICOS ......... 187</p><p>2.7 IMPLICAÇÕES PARA O TREINAMENTO PLIOMÉTRICO ...................................................</p><p>esteroides sexuais produzidos pelos testículos e</p><p>ovários).</p><p>TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR</p><p>69</p><p>EVENTOS PUBERAIS</p><p>A altura final, o ritmo como o crescimento se processa, o início e a velocidade</p><p>com que o desenvolvimento puberal ocorre, a maturação óssea, o desenvolvimento</p><p>dentário sofrem significante influência de fatores genéticos. As interações com os</p><p>fatores ambientais se dão de forma distinta, isto é, as condições ambientais que</p><p>alterem algum aspecto do crescimento não o fazem obrigatoriamente em todos.</p><p>A nutrição, incluindo a ingestão de nutrientes específicos, é um dos mais</p><p>significativos determinantes do crescimento.</p><p>Aspectos psicossociais como maus-tratos podem prejudicar o crescimento,</p><p>a despeito da nutrição adequada e de não haver doença orgânica.</p><p>A grande variabilidade quanto ao início, duração e progressão das mudanças</p><p>puberais tem, como consequência, a questão de a idade biológica nem sempre estar</p><p>de acordo com a idade cronológica. Assim, é preciso que se leve em conta a fase</p><p>puberal do desenvolvimento quando se analisa o crescimento de um adolescente.</p><p>ESTIRÃO DE CRESCIMENTO</p><p>Durante a adolescência, embora os hormônios desempenhem papéis</p><p>individuais, a interação entre os hormônios gonadais e adrenais com o hormônio</p><p>de crescimento torna-se essencial para o estirão de crescimento normal e para a</p><p>maturação sexual.</p><p>O estirão de crescimento, período em que se ganha 20% da estatura final,</p><p>tem idade de início e velocidade das mudanças variadas entre os indivíduos. Nas</p><p>meninas, ocorre no início da puberdade e, nos meninos, na fase intermediária.</p><p>A avaliação do crescimento é feita por meio de comparação com uma curva de</p><p>referência: a atualmente recomendada é a da Organização Mundial de Saúde (www.</p><p>soperj.org.br). Acima do escore Z-2, a estatura é considerada adequada para a idade;</p><p>acima do escore Z -3 e abaixo de Z-2, o diagnóstico é de baixa estatura para a idade;</p><p>estaturas inferiores ao escore Z-3 são consideradas muito baixas para a idade.</p><p>A velocidade de crescimento (aumento estatural no intervalo de um ano)</p><p>é medida em centímetros por ano e não deve ser aferida através de resultados</p><p>encontrados em intervalos menores do que seis meses, já que o crescimento sofre</p><p>influências sazonais.</p><p>Até os 4 anos, as meninas têm velocidade de crescimento discretamente</p><p>mais elevada que os meninos. A partir daí ambos crescem a uma velocidade de 5 a</p><p>6 cm/ano até o início da puberdade, quando a velocidade de crescimento sofre uma</p><p>aceleração, alcançando valores de 10 a 12 cm/ano no sexo masculino e 8 a 10 cm/</p><p>ano nas meninas. Essa aceleração da velocidade de crescimento é imediatamente</p><p>precedida por uma pequena redução da mesma.</p><p>70</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>Para acompanhamento do peso de adolescentes, a Organização Mundial de</p><p>Saúde recomenda a utilização do gráfico de Índice de Massa Corporal (IMC), ainda</p><p>se configurando como melhor parâmetro clínico de avaliação nutricional de uma</p><p>população (www.soperj.org.br).</p><p>O IMC está adequado para a idade (eutrofia) quando seus valores se</p><p>encontram entre os escores Z -2 e Z +1. A obesidade é caracterizada por valores de</p><p>IMC acima do escore Z +2, enquanto valores maiores que Z +1 e menores que Z +2</p><p>são classificados como sobrepeso. Valores inferiores ao escore Z -2 são caracterizados</p><p>como magreza, sendo esta acentuada quando o IMC é inferior ao escore Z -3.</p><p>Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, o déficit de peso</p><p>está presente em apenas 3,4% dos adolescentes brasileiros, enquanto o excesso de</p><p>peso tem uma prevalência de 21,7% (3,7% em 1974-75) entre adolescentes do sexo</p><p>masculino e de 19,4% no sexo feminino (7,6% em 1974-75).</p><p>Pelo fato de a estatura sofrer influência de fatores genéticos, o cálculo do alvo</p><p>genético avalia a herança (estatura dos pais) na determinação da faixa de estatura</p><p>final. Assim, para calcular o alvo genético, é utilizada a seguinte fórmula:</p><p>COMPOSIÇÃO CORPORAL</p><p>Durante a puberdade, os homens adquirem massa magra a uma velocidade</p><p>maior e por mais tempo do que a mulher. Na mulher, a massa muscular relativa</p><p>diminui do início ao final da puberdade (80% para 75% do peso corpóreo). Embora</p><p>haja aumento absoluto da massa muscular, seu percentual sofre queda porque o</p><p>tecido adiposo aumenta mais rapidamente. No homem, a massa muscular aumenta</p><p>de 80 a 85% do peso corpóreo para 90% na maturidade. Esse aumento reflete a ação</p><p>dos andrógenos circulantes.</p><p>O ganho de tecido adiposo é mais acentuado no sexo feminino, sendo</p><p>importante para que os ciclos menstruais se instalem e se mantenham regulares.</p><p>HORMÔNIOS</p><p>Apesar de hormônios tireoideanos ainda serem necessários para o</p><p>crescimento normal, os hormônios gonadais desempenham um papel de maior</p><p>significância. A puberdade é caracterizada pelo aumento da amplitude dos pulsos</p><p>de secreção de hormônio luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH), detectáveis</p><p>TÓPICO 3 | O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE ESCOLAR</p><p>71</p><p>já antes que os sinais externos da puberdade sejam evidentes. Além do aumento</p><p>do hormônio de crescimento e dos esteroides sexuais, há aumento na resistência</p><p>à insulina. A testosterona estimula a eritropoiese. Por isso, há aumento de células</p><p>vermelhas no sexo masculino.</p><p>ÓRGÃOS E TECIDOS</p><p>A maioria dos órgãos duplica de tamanho durante a puberdade. O tecido</p><p>linfoide sofre uma involução nesse período.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=555>. Acesso</p><p>em: 3 maio 2017.</p><p>72</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• O comportamento sedentário tem crescido cada vez mais no Brasil e no mundo,</p><p>assim como tem aumentado a quantidade de crianças, adolescentes e jovens</p><p>com sobrepeso, obesos e/ou com risco de obesidade.</p><p>• As recomendações atuais de atividade física para crianças e adolescentes são</p><p>de 300 minutos semanais e/ou 60 minutos diários de atividade de intensidade</p><p>moderada a vigorosa. A maioria destas atividades deve ser de caráter aeróbio</p><p>e intensidades vigorosas devem ser incorporadas, incluindo aquelas que</p><p>fortaleçam a musculatura e a estrutura óssea, ao menos três vezes por semana.</p><p>• Esportes coletivos, como o futebol, voleibol, basquetebol e handebol englobam</p><p>movimentos que requisitam, principalmente, a ação muscular dos membros</p><p>inferiores e secundariamente os músculos de sustentação/posturais, o que dessa</p><p>forma, estimulariam maior ganho ósseo e a possibilidade de prevenção da</p><p>osteoporose em época futura.</p><p>• Estudos com crianças e adolescentes têm demonstrado o benefício da atividade</p><p>física no estímulo ao crescimento e desenvolvimento, prevenção da obesidade,</p><p>incremento da massa óssea, aumento da sensibilidade à insulina, melhora do</p><p>perfil lipídico, diminuição da pressão arterial, desenvolvimento da socialização</p><p>e da capacidade de trabalhar em equipe.</p><p>73</p><p>1 Agora, caro acadêmico, chegou a hora de você praticar o que aprendeu</p><p>neste tópico. Crie uma resenha de uma página, considerando o que você</p><p>estudou neste tópico sobre o treinamento desportivo e suas consequências</p><p>para a saúde na idade escolar. Como o comportamento sedentário tem</p><p>crescido entre as crianças e adolescentes devido aos novos estilos de vida</p><p>da sociedade moderna, e pensando no esporte coletivo como uma proposta</p><p>de intervenção para combater este tipo de comportamento e estimular a</p><p>população a cumprir as recomendações da Organização Mundial da Saúde.</p><p>Dessa forma, em seu texto atenda às seguintes perguntas:</p><p>Quais são as consequências do sedentarismo em crianças, jovens e adolescentes?</p><p>Como as aulas de Educação Física podem promover a boa prática de atividade</p><p>física?</p><p>Que tipos de ferramentas didáticas poderiam ser usadas durante as aulas? Dê</p><p>exemplos práticos.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>74</p><p>75</p><p>UNIDADE 2</p><p>PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E</p><p>O CONDICIONAMENTO FÍSICO</p><p>APLICADO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>Esta unidade tem por objetivos proporcionar a você:</p><p>• conhecer os princípios do</p><p>treinamento e suas aplicações no mundo do</p><p>Educação Física;</p><p>• destacar o condicionamento físico necessário para as mais diversas ativi-</p><p>dades e modalidades esportivas;</p><p>• conhecer os princípios do treinamento e suas aplicações no mundo do</p><p>Educação Física;</p><p>• compreender as diferenças dos princípios do treinamentos desportivo de</p><p>acordo com a população.</p><p>Esta unidade está dividida em dois tópicos. No final de cada um deles, você</p><p>encontrará atividades que visam à compreensão dos conteúdos apresenta-</p><p>dos.</p><p>TÓPICO 1 – OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>TÓPICO 2 – O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVI-</p><p>DADES ESPORTIVAS</p><p>76</p><p>77</p><p>TÓPICO 1</p><p>OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO</p><p>DESPORTIVO</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Bem-vindo, acadêmico! Neste tópico, abordaremos algumas das mais</p><p>importantes bases da montagem e/ou manutenção do treinamento esportivo.</p><p>Sabendo que o treinamento é conhecido como um processo constante, repetitivo</p><p>e sistemático, composto de exercícios progressivos que visam ao aperfeiçoamento</p><p>do desempenho físico ou mental (BARBANTI; TRICOLI; UGRINOWITSCH, 2004),</p><p>e, além disso, conforme mencionamos até o momento, o treinamento esportivo</p><p>vem passando por evoluções a todo momento. Novas tecnologias, novos meios</p><p>e novos métodos, periodização e novos planejamentos, entretanto, as bases de</p><p>sua construção são de longa data. Entre estas bases devemos estacar com grande</p><p>importância os princípios do treinamento que são: o Princípio da Individualidade</p><p>Biológica, o Princípio da Adaptação, o Princípio da Sobrecarga, o Princípio da</p><p>Continuidade, o Princípio da Interdependência Volume-Intensidade, o Princípio</p><p>da Especificidade, o Princípio da Variabilidade e o Princípio da Saúde, entre outros</p><p>que também iremos mencionar posteriormente.</p><p>Todos estes princípios servem de ferramenta para os treinadores e cientistas</p><p>do esporte, assim como para os professores de educação física no momento de</p><p>criação de determinado treinamento esportivo, seja em um plano de sessão ou</p><p>em um macrociclo. Para aumentar seu conhecimento e senso crítico, durante todo</p><p>este tópico, abordaremos a opinião de profissionais que trabalham com o tema da</p><p>unidade para que você possa ver o conhecimento sendo aplicado no campo, na</p><p>quadra e na escola.</p><p>2 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVOS – O QUE</p><p>SÃO?</p><p>Caro acadêmico! Antes de discutir os princípios esportivos, suas qualidades,</p><p>aspectos históricos e aplicações práticas temos que entender o que realmente os</p><p>princípios são e como são definidos pelos autores.</p><p>Começaremos com a definição de Dantas (2014), que determina que os</p><p>princípios são os aspectos cuja observância diferenciará o trabalho feito à base de</p><p>ensaios e erros, do científico. Possivelmente, você, acadêmico, ficou confuso com</p><p>tal afirmação, acalme-se, vamos explicar. Podemos entender que a observância</p><p>(cumprimento rigoroso de uma regra) a que o autor se refere diz respeito</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>78</p><p>ao cumprimento deste princípio e terá resultados diferentes que devem ser</p><p>analisados em bases dos resultados, ensaios e erros. Portanto, temos que entender</p><p>o treinamento quando tomado com base nos princípios do treinamento como</p><p>um sistema contínuo organizado, muitas vezes não linear, que é construído em</p><p>princípios científicos, estimulando modificações morfológicas além de funcionais</p><p>no organismo (BARBANTI, TRICOLI e UGRINOWITSCH, 2004).</p><p>Segundo a Associação Atlética Gaélica (GAA, 2017), que estuda a formação</p><p>e aperfeiçoamento de treinadores, os princípios do treinamento desportivo</p><p>promovem um equilíbrio e aumento na aptidão física devido a uma adaptação</p><p>específica causada por um regime de treinamento necessário de cada esporte, e</p><p>além disso, necessário por cada atleta. Segundo a associação, um programa de</p><p>treinamento que tenha o objetivo de aumentar o desempenho do atleta deve</p><p>obedecer aos princípios do treinamento desportivo.</p><p>Baseado nestas definições, podemos estipular que os princípios têm muita</p><p>importância na construção de um treinamento e assim torna-se uma obrigação ao</p><p>professor ou treinador conhecer estes princípios. Por fim, com o crescimento do</p><p>conhecimento da ciência do esporte, os princípios do treinamento desportivo são</p><p>bases norteadoras na construção do treinamento e devem ser levados em conta</p><p>em todas as suas fases, seja na avaliação pré e pós-treinamento de determinado</p><p>atleta ou estudante, no controle do treinamento durante a temporada ou o ano</p><p>letivo, no modelo de organização, planificação, planejamento e periodização</p><p>do treinamento dos ciclos escolares ou ciclos competitivos, e além disso, no</p><p>desenvolvimento das capacidades motoras ou aperfeiçoamento destas por alunos</p><p>e atletas, respectivamente (ROSCHEL et al., 2011).</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>79</p><p>FIGURA 24 - EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA DO ESPORTE – FOTO A, EM</p><p>1967, CONSUMO DE GASES COLETA EM CORRIDA. FOTO</p><p>B, 2016, TESTES EM LABORATÓRIO COM APARELHOS</p><p>SOFISTICADOS</p><p>FONTE: Disponível em: <http://blogs.bmj.com/bjsm/2016/03/20/</p><p>retrospective-part-i-american-pioneers-in-distance-running-</p><p>research/ e http://www.flanderstoday.eu/education/</p><p>ugent-sports-lab-unites-science-and-athletics?utm_</p><p>content=buffere075e&utm_medium=social&utm_</p><p>source=twitter.com&utm_campaign=buffer>. Acesso em: 1º</p><p>mar. 2017.</p><p>3 HISTÓRIA DOS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>Em seus ensinamentos anteriores você já aprendeu as construções e</p><p>evoluções históricas do treinamento, portanto, neste momento iremos fazer uma</p><p>breve recapitulação para que você possa entender a origem histórica dos princípios</p><p>do treinamento desportivo. O fato da evolução do treinamento ter acontecido</p><p>simultaneamente em várias partes do mundo é difícil determinar um ponto e</p><p>local específico na linha do tempo para cada princípio, entretanto, iremos apontar</p><p>fatos e evidências que correspondem à determinada cultura e período de tempo</p><p>e relacioná-los ao determinado princípio de treinamento. Caro acadêmico! Neste</p><p>momento, atente-se a algumas descobertas que são vendidas como inovações, mas</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>80</p><p>já são muito antigas, e como o treinamento tem muito tempo de conhecimento,</p><p>porém continua em constante evolução.</p><p>A evolução do treinamento se divide em alguns períodos, são eles:</p><p>Período da Arte Civilização Grega</p><p>Período da Improvisação 1896-1920</p><p>Período da Sistematização 1920- 1939</p><p>Período Pré-científico 1939- 1960</p><p>Período Científico Depois de 1956</p><p>QUADRO 8 – A EVOLUÇÃO DO TREINAMENTO</p><p>FONTE: Os autores</p><p>No período da arte, temos algumas evidências sobre os princípios de</p><p>treinamento, Filostratos (séc. II d.C.) mencionou a preparação que o treinador</p><p>necessita e também discutiu sobre treinos individualizados para os atletas da época,</p><p>relacionando-se assim ao princípio da individualidade biológica. A civilização</p><p>grega abordava a importância do descanso e da volta à calma, evolução de carga,</p><p>além de ciclos temporais de treinamento, conhecidos como tretas, princípios de</p><p>sobrecarga, continuidade e importância de um planejamento já estavam sendo</p><p>abordados (DUARTE, 2004).</p><p>Durante o período de improvisação vários modelos de periodização e</p><p>planejamento foram elaborados no meio de tentativa e erro, naquele tempo, o</p><p>treinamento não poderia ser muito longo (8 a 10 semanas), nesta época começaram</p><p>as divisões de treinamento geral, preparatório e especial.</p><p>Durante o período de sistematização, em 1928, Mang discute e defende que</p><p>a formação do atleta, seja ela geral, especial ou técnica deve ser realizada de modo</p><p>paralelo e não de modo sucessivo, argumentos que podem ser evidenciados ao</p><p>princípio da adaptação e também ao princípio de continuidade. Em 1930, Pihkala</p><p>instala o controle ondulatório de cargas, partindo de curtos períodos, como dias</p><p>e semanas, para períodos mais longos de programação, como meses e anos, isso</p><p>nada mais é que a aplicação do princípio de sobrecarga aplicado ao estudo de</p><p>periodização.</p><p>Ainda na década de trinta, o aumento da intensidade e diminuição do</p><p>volume é aplicado e defendido por Nurmi, exemplificando muito bem o Princípio</p><p>da Interdependência Volume-Intensidade. Além de Nurmi, Osolin, na antiga</p><p>URSS aplicava o treinamento de um ano inteiro de uma mesma modalidade.</p><p>Durante o período pré-científico, Gerschler deu início ao que conhecemos</p><p>como “Interval Training”, (treino caracterizado por cargas intervaladas, distâncias</p><p>curtas e intensidade altíssima). Este treino ainda é muito utilizado nos dias de</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>81</p><p>hoje nos mais variados centros de treinamento, sua criação foi o entendimento do</p><p>doutor alemão Woldemar Gerschler, do Princípio da Interdependência Volume-</p><p>Intensidade.</p><p>FIGURA 25 - À DIREITA DR. WOLDEMAR GERSCHLER – UM DOS PIONEIROS DO</p><p>TREINAMENTO INTERVALO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.irishrunner.ie/progression-by-intervals/>.</p><p>Acesso em: 1º mar. 2017.</p><p>Em 1939, Periodização do treinamento semelhante ao de Matweyev,</p><p>realizada por Grantyn, ainda nesta época Zatopék surgiu com a alteração de séries</p><p>de 200 m e 400 m para aprimorar o treinamento intervalado.</p><p>UNI</p><p>Emil Zatopék é o nome de um tcheco que realizou um feito único no esporte.</p><p>Nas olimpíadas de 1952, em Helsinque, conquistou a medalha de ouro nos 5.000 m, nos 10.000</p><p>m e na Maratona. Zatopék ficou conhecido como um atleta que treinava muito e tinha o</p><p>apelido de locomotiva humana pelos seus treinos intervalados acompanhando trens. Mais</p><p>tarde Zatopék veio ao Brasil e ganhou a famosa corrida de São Silvestre. Outra curiosidade</p><p>sobre este corredor é seu desafio de treino, denominado Desafio Zatopék, consistia em 100</p><p>tiros de 100 metros, ou seja, 10km em uma intensidade muito alta.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>82</p><p>Em 1945, ao final da guerra, começou a cultura muito forte do “Weight</p><p>training”, nos EUA e na URSS. O momento de guerra queria mostrar os soldados</p><p>mais preparados e mais fortes, ainda no período Pré-científico.</p><p>No período conhecido como Científico temos a melhoria do Interval training,</p><p>entre outros treinos, com a descoberta de como controlar a frequência cardíaca e</p><p>como utilizá-la como parâmetro de treinamento. Além disso, temos os treinos com</p><p>grande intensidade e também com grandes volumes até a exaustão e esgotamento.</p><p>A evolução dos centros de treinamento e de análise dos atletas e do ser humano em</p><p>exercício no geral também são marcas deste período da história.</p><p>Existem alguns autores que separam este período em suas principais</p><p>descobertas como científico-metodológicos (métodos e meios de treinamento),</p><p>biológicos (descobertas biomédicas que auxiliam e auxiliaram no treinamento),</p><p>tecnológico (tecnologias que melhoram o desempenho físico dos humanos),</p><p>mercantilista (aumento de esporte como fonte de renda e lucro).</p><p>4 PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO – DEFINIÇÕES,</p><p>EXEMPLOS, APLICAÇÕES E CURIOSIDADES</p><p>Acadêmico! Para o seu entendimento, nesta parte, queremos responder às</p><p>seguintes perguntas e explicações sobre cada princípio:</p><p>• Qual é a definição de princípio de treinamento?</p><p>• Como este princípio determinado funciona no treinamento?</p><p>• Aplicações práticas e exemplos práticos.</p><p>• Artigos científicos de aprofundamento de cada princípio.</p><p>• Curiosidades.</p><p>Para melhor entendimento e posteriormente poder estudar com mais prioridade,</p><p>faça um resumo de cada princípio do treinamento desportivo.</p><p>DICAS</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>83</p><p>4.1 O PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA</p><p>Definições</p><p>Quando conversamos sobre individualidade, estamos falando sobre o</p><p>indivíduo como sendo único, por isso este princípio do treinamento desportivo é</p><p>tão importante, pois acredita que apesar de respostas de determinados estímulos</p><p>serem parecidas, cada praticante vai ter uma singularidade na resposta do</p><p>treinamento ou do exercício físico.</p><p>Nas definições encontradas em livros podemos destacar a definição de</p><p>Tubino, que faz relação tanto a aspectos físicos de condicionamento quanto a</p><p>aspectos psíquicos de condicionamento.</p><p>Chama-se individualidade biológica o fenômeno que explica a</p><p>variabilidade entre elementos da mesma espécie, o que faz com que se</p><p>reconheça que não existem pessoas iguais entre si. Cada ser humano</p><p>possui uma estrutura física e uma formação psíquica própria, o que</p><p>obriga a estabelecer-se diferentes tipos de condicionamento para um</p><p>processo de preparação esportiva que atenda às características físicas</p><p>e psíquicas individuais dos atletas (TUBINO, 1979, p. 93, grifo nosso).</p><p>Assim, a individualidade tornou-se um dos principais pontos e requisitos</p><p>do treinamento. Baseia-se no pensamento que o treinador ou o professor deve</p><p>tratar cada atleta ou cada estudante de modo individualizado. Estudando e</p><p>analisando suas habilidades motoras, seu potencial de evolução, sua capacidade</p><p>e velocidade de aprender determinada tarefa, independentemente de seu nível</p><p>de desempenho ser iniciante ou avançado. Conceitos fisiológicos e biomecânicos,</p><p>assim como psicológicos devem ser levados em conta no momento de construção</p><p>do treinamento (BOMPA, 2002).</p><p>Quando pensamos em escola ou esporte de base para crianças também</p><p>temos que perceber a individualidade biológica, pois ela nos permitirá entender</p><p>como funcionará o desenvolvimento individual de cada atleta. Para isso, buscamos</p><p>no Caderno de Esportes, criado com o apoio com a UNESCO, uma opinião formada</p><p>sobre este princípio de treinamento aplicado na escola:</p><p>Cada indivíduo é único e, por isso, cada indivíduo traz para o esporte as</p><p>suas próprias aptidões, capacidades e respostas aos estímulos do treino.</p><p>Crianças e atletas diferentes responderão de formas diferentes ao</p><p>mesmo tipo de treino. Assim, não existe uma forma de treino ideal que</p><p>produza resultados ótimos para todos. O professor-treinador precisa</p><p>entender esses princípios e aplicá-los, de forma a respeitar os diferentes</p><p>tempos de aprendizagem que os alunos apresentam para uma</p><p>determinada tarefa, ou mesmo compreender a lentidão na melhora do</p><p>desempenho de um aluno-atleta (VALE, 2013, p. 14, grifo nosso).</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>84</p><p>FIGURA 26 - DIFERENTES BIÓTIPOS, O PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://app.globoesporte.globo.com/olimpiadas/biotipos-dos-</p><p>atletas/>. Acesso em: 2 mar. 2017.</p><p>Gostou da individualidade biológica? Que tal comparar o seu biótipo com o de</p><p>atletas olímpicos. Este aplicativo criado pelo Globo Esporte permite você se comparar a atletas</p><p>olímpicos. Basta entrar no site: Disponível em: <http://app.globoesporte.globo.com/olimpiadas/</p><p>biotipos-dos-atletas/>.</p><p>Boa sorte acadêmico!</p><p>DICAS</p><p>Quando discutimos a individualidade biológica, geralmente conversamos</p><p>também sobre genótipo e fenótipo, estes dois aspectos entendidos em conjunto</p><p>formam a maneira como o atleta ou estudante respondem ao treinamento ou</p><p>atividade. Dantas (2014) caracteriza genótipo como a carga genética do indivíduo,</p><p>que nasce com ele, já o fenótipo é caraterizado como a interferência do meio,</p><p>acrescido, somado ao indivíduo.</p><p>Podemos citar como fatores genéticos: a composição corporal do indivíduo,</p><p>o biótipo, altura máxima esperada, força máxima possível e aptidões físicas e</p><p>intelectuais. Entretanto, já as características do fenótipo são: habilidades esportivas,</p><p>o consumo máximo de oxigênio que um indivíduo apresenta e potencialidades</p><p>expressas (altura do indivíduo, sua força máxima etc.), ou seja, fatores que são</p><p>alterados com o treinamento do indivíduo.</p><p>Para facilitar ainda mais o seu entendimento vamos pensar que o resultado</p><p>fenótipo seja a soma do genótipo com as alterações que a ambiente causa. Um</p><p>exemplo muito simples utilizado em aula de biologia é a pigmentação da pele da</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>85</p><p>pessoa, quando nasce seria genótipo, o sol e as alterações na pigmentação da pele</p><p>causadas por ele são alterações do ambiente</p><p>e o resultado fenótipo seria a pele com</p><p>alteração de pele.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Abordaremos alguns exemplos para que você reflita e leve este princípio</p><p>de treinamento desportivo a sua prática:</p><p>• Você é um professor de Educação Física e se depara com estudantes da quarta</p><p>série heterogêneos com genótipos diferentes, um tem uma disposição de</p><p>gordura exagerada com 100 quilogramas de massa corporal e outro com uma</p><p>disposição de gordura diminuída com 50 quilogramas de massa corporal. A</p><p>pergunta central é: Você tomará as mesmas medidas de treinamento com ambos</p><p>os atletas, repetições, limites de exercícios, altura de saltos, esportes de combate?</p><p>Sim, acadêmico, esta pergunta é complicada, pois o princípio não tem como</p><p>objetivo a exclusão de atletas de atividades ou separação de grupos, porém</p><p>cabe a você, como futuro professor de Educação Física, tomar decisões para o</p><p>confronto ou prática com estes dois genótipos e que sejam seguras para ambos.</p><p>• Estudantes de sexos diferentes na mesma classe, quais atividades podem ser</p><p>realizadas em modelo misto e quais devem ser realizadas em momentos e</p><p>espaços separados ou em modelo diferente? Para esta resposta, caro acadêmico,</p><p>o correto é utilizar uma escala de crescimento e desenvolvimento por sexo, que</p><p>mostra quando os meninos começam a ter vantagem sobre as meninas nas mais</p><p>variadas capacidades físicas, é claro que cabe também ao professor identificar</p><p>modelos de exercícios que permitam que os atletas ou estudantes possam</p><p>praticá-los em harmonia entre sexos.</p><p>No link que segue você pode encontrar uma tabela de crescimento e</p><p>desenvolvimento que estratifica por sexo entre as idades, que irá auxiliar você quando encontrar</p><p>o problema descrito acima. Disponível em: <http://www.misodor.com/CRESC.html>.</p><p>DICAS</p><p>Para aprender ainda mais sobre este princípio importantíssimo, o professor Dr.</p><p>João Moura explica a valência da individualidade biológica com muita propriedade, vale a pena</p><p>conferir o vídeo explicativo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=zuCc26zf0kI>.</p><p>DICAS</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>86</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Aguiar et al. (2007) apresentou um artigo interessantíssimo sobre a área no</p><p>5º Simpósio de Ensino de Graduação da Universidade Metodista de Piracicaba,</p><p>intitulado “TREINAMENTO MISTO NO ESPORTE COLETIVO VOLEIBOL”.</p><p>O artigo abordou temas como sexo e individualidade biológica de cada sexo. A</p><p>metodologia abordada objetivou sanar as seguintes dúvidas: Como são feitos os</p><p>treinamentos mistos? Você vê benefícios no treino misto? Quais? Há preocupação</p><p>com a realização de treinos diferenciados para os sexos masculino e feminino</p><p>durante algum período?</p><p>Aguiar et al. (2007, p. 4) concluíram que: “[...] um treinamento misto só é</p><p>possível e benéfico se respeitar as individualidades de cada sexo e proporcionar</p><p>momentos de treinos separados, em que cada sexo melhorará seus desempenhos</p><p>dentro de parâmetros semelhantes”. Concluímos que é de grande importância</p><p>para todos os treinadores e para todos os professores levar em conta o princípio</p><p>da individualidade biológica, respeitar as características do indivíduo, além de</p><p>tornar a prática mais segura torna os resultados de desempenho mais fáceis de</p><p>serem alcançados.</p><p>4.2 O PRINCÍPIO DA ADAPTAÇÃO</p><p>Definições</p><p>Este princípio do treinamento desportivo está altamente relacionado com a</p><p>busca pela homeostase que o ser humano realiza. Para quem não sabe, homeostase</p><p>é o estado de equilíbrio mantido entre os sistemas que constituem o organismo</p><p>humano, além do equilíbrio existente entre este e o meio ambiente. Assim, de modo</p><p>resumido, o Princípio da Adaptação baseia-se na busca permanente de homeostase</p><p>pelo organismo. Para estímulo que o ser humano recebe em seu organismo haverá</p><p>uma resposta para busca de equilíbrio.</p><p>Conhecendo o estresse e os estímulos estressantes</p><p>Antes de partirmos para as definições dos autores sobre este princípio temos</p><p>que entender que a criação ou estabelecimento dele tem grande influência sobre as</p><p>pesquisas com estresse. Os estudos de estresse tiveram seu início em 1920, porém</p><p>foi entre 1950 e 1970 que a maioria das pesquisas aconteceu. Podemos destacar o</p><p>austríaco Hans Selye e também o Sueco Von Euler como grandes pesquisadores</p><p>deste tema. Porém, foi Claude Bernard, no século XIX, que mostrou que o ser</p><p>humano é capaz de se adaptar às variações ambientais através de manutenções</p><p>no meio interno humano, no organismo em constante equilíbrio. O que o francês</p><p>Bernard mostrou foi que, apesar de no meio externo haver grande poder de</p><p>alteração, o organismo humano tem ferramentas de controle destas alterações,</p><p>como por exemplo reservas energéticas para uma possível perda de energia,</p><p>mecanismos de proteção que controlam a temperatura com o próprio suor, entre</p><p>outras ferramentas fisiológicas e metabólicas (TUBINO, 1979).</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>87</p><p>FIGURA 27 - HANS SELYE, EXPLICANDO SUA TEORIA DO STRESS</p><p>FONTE: Disponível em: <http://brainimmune.com/hans-selye-80th-</p><p>birthday-stress-research/>. Acesso em: 1º mar. 2017.</p><p>Mais tarde, estes estudos foram evoluindo até chegar ao que chamamos</p><p>antes de homeostase, mostrando que as células respondiam entre alterações</p><p>controladas e limites compatíveis com a atividade vital, funcionando com um</p><p>equilíbrio dinâmico e não algo imutável ou uma estabilidade totalmente rígida.</p><p>Segundo os pesquisadores, o ser humano teria uma situação ambiental de equilíbrio</p><p>com pressão e temperatura controlada além de nutrição e hidratação saudável, fora</p><p>desta situação o organismo perde homeostase e começa uma batalha fisiológica e</p><p>metabólica para a busca pelo equilíbrio novamente. Hans Selye trouxe ao mundo</p><p>científico o termo SAG – Síndrome da Adaptação Geral, processos de adaptação</p><p>aos chamados “agentes estressores”, também citado por Hans (MARGIS et al.,</p><p>2003).</p><p>A Síndrome de Adaptação é dividida em quatro principais fases que</p><p>acontecem em sequência até que o limite da capacidade fisiológica seja alcançado.</p><p>São eles, de acordo com Lipp (2000):</p><p>1. Fase de Alarme.</p><p>2. Fase de Resistência.</p><p>3. Fase da Quase Exaustão.</p><p>4. Fase de Exaustão.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>88</p><p>FIGURA 28 - TEORIA DA SÍNDROME DA ADAPTAÇÃO GERAL DE HANS SELYE, AINDA SEM A FASE</p><p>DE QUASE EXAUSTÃO ADICIONADA POSTERIORMENTE</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.saudedescomplicada.com/doencas/sindrome-da-</p><p>adaptacao-geral/>. Acesso em: 1º mar. 2017.</p><p>A fase de alerta acontece quando o indivíduo entra em contato com o</p><p>agente estressor e mecanismos, a primeira tentativa é combater a fonte de estresse</p><p>e fazer com que o organismo possa voltar à homeostase (LIPP, 2000).</p><p>A fase de resistência é a fase de adaptação, nesta fase acontece o</p><p>desenvolvimento dos mecanismos de defesa do organismo. Se por acaso o</p><p>organismo não conseguir, na fase de alerta, combater o agente estressor, o</p><p>organismo continua a lançar defesas metabólicos e adaptações às opressões, alguns</p><p>autores a consideram como a mais importante ao estudo de treinamento esportivo</p><p>(LIPP, 2000).</p><p>A fase da quase exaustão, depois da luta contra o agente, é marcada pela</p><p>queda nos sistemas de proteção do corpo humano e o organismo fica vulnerável a</p><p>doenças se o agente opressor não cessar o estresse.</p><p>A fase de exaustão, propriamente dita, é quando estão totalmente escassos</p><p>os sistemas de proteção, queda total do sistema imunológico, e pode levar ao</p><p>colapso e até mesmo à morte (LIPP, 2000).</p><p>O pesquisador sueco Von Euler dividiu os agentes estressores segundo a</p><p>sua origem (TUBINO, 1979) e estes são divididos em três principais tipos:</p><p>• Agente estressor físico (qualquer agente da natureza física, como ventos,</p><p>umidade, temperatura ou esforço muscular).</p><p>• Agente estressor bioquímico (causados por efeitos farmacológicos, como</p><p>calmantes, estimulantes, anestésicos, entre outras drogas ou medicamentos).</p><p>• Agente estressor mental (causado</p><p>por fatores como motivação, preocupações,</p><p>bullying etc).</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>89</p><p>O que determina a nossa adaptação é: primeiro a força que o estímulo tem</p><p>e quão preparados ou treinados estamos para aquele estresse. Além dos agentes</p><p>estressores, Dantas (2014) classificou os estímulos conforme o quadro a seguir:</p><p>QUADRO 2 – ESTÍMULOS E CONSEQUÊNCIAS</p><p>Estímulos Consequências</p><p>Débeis Sem consequências</p><p>Médios Excitação somente</p><p>Fortes Provocam adaptações</p><p>Muito Fortes Provocam Danos</p><p>FONTE: Adaptado de Dantas (2014)</p><p>Caro acadêmico! Agora que já entendemos como funciona a teoria do</p><p>estresse e dos estímulos podemos ver as definições dos autores da área com mais</p><p>propriedade, busque entender o verdadeiro significado por trás da definição.</p><p>Na biologia, compreende-se ‘adaptação’ fundamentalmente como uma</p><p>reorganização orgânica e funcional do organismo, frente a exigências</p><p>internas e externas; adaptação é a reflexão orgânica, adoção interna de</p><p>exigências. Ela ocorre regularmente e está dirigida a melhor realização</p><p>das sobrecargas que induz. Ela representa a condição interna de uma</p><p>capacidade melhorada de funcionamento e é existente em todos os</p><p>níveis hierárquicos do corpo (WEINECK, 1999, p. 135).</p><p>O princípio de adaptação pode ser definido como a busca pelo equilíbrio</p><p>do organismo em resposta aos mais variados estímulos e agentes estressores.</p><p>Agora que definimos o princípio de adaptação temos que entender os</p><p>tipos de adaptações que podem acontecer no ser humano. Tubino (1979) divide as</p><p>adaptações em tipo, localização, efeito e o tempo necessário para cada adaptação.</p><p>Quanto à adaptação, existem dois principais tipos: adquiridos durante</p><p>a vida e as adaptações hereditárias. De modo óbvio as adaptações hereditárias</p><p>necessitam de alterações genéticas, já as adquiridas durante a vida acontecem</p><p>durante a existência do indivíduo.</p><p>Quanto à localização da adaptação destacamos as adaptações realizadas</p><p>em nível celular (acontecendo dentro das estruturas celulares), em nível tecidual</p><p>(acontecem em tecidos, sejam em alteração de forma ou composição), em nível</p><p>de órgãos ou sistemas (estômago e/ou sistema digestivo etc.) e em nível de uma</p><p>população (alteração de DNA).</p><p>Quanto ao tempo necessário para uma adaptação acontecer, nós partiremos</p><p>desde segundos, minutos, horas, dias, semanas, até anos e gerações, como é o caso</p><p>de alterações hereditárias.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>90</p><p>Exemplos práticos</p><p>Agora que conhecemos as características da adaptação podemos citar</p><p>alguns exemplos de cada tipo de adaptação:</p><p>• Como professor dedicado você acompanha o crescimento ósseo de um</p><p>determinado aluno durante os anos. Sabemos que o crescimento do aluno é</p><p>algo que acontece por via de adaptações causadas pelo efeito piezoeléctrico,</p><p>que através de estímulos nos osteoblastos (adaptação em nível celular), causam</p><p>aumento na calcificação e formação de osso (adaptação em nível tecidual) e por</p><p>fim na altura corporal (adaptação no sistema esquelético).</p><p>• Desastres nucleares têm a infelicidade de deixar traços não somente nas pessoas</p><p>que estavam vivas, assim como nas gerações posteriores aos afetados (adaptação</p><p>do corpo ao evento nuclear estressor).</p><p>• Fase de maturação de jovens e adolescentes (mais comentada na Unidade</p><p>3 deste livro) tem aumento de hormônios circulantes (nível celular), que</p><p>por consequência se associa a outros fatores e causa a hipertrofia muscular</p><p>(adaptação tecidual).</p><p>Outro exemplo que acontece muito no treinamento seja de crianças ou de</p><p>adolescentes é o “strain” – que seria uma fadiga total, uma estafa, ou exaustão</p><p>total, para melhor entender este termo vamos primeiro ler com atenção o trecho de</p><p>Tubino (1979, p. 101):</p><p>É importante estabelecer que será sempre a adaptação do organismo</p><p>que dirigirá o nível de treinamento a ser imposto. Mas essa observação</p><p>é de difícil constatação no que diz respeito aos estresses mentais, pois</p><p>muitas vezes, devido ao excesso de atividades diárias, os treinadores</p><p>não conseguem perceber que seus atletas se encontram estimulados</p><p>continuamente por fortes agentes estressores mentais, como, por</p><p>exemplo, reações familiares em relação à "vida de atleta" ou pressões</p><p>sobre os resultados.</p><p>Neste contexto, entendemos que vários são os fatores que podem causar</p><p>o “strain”. Entre eles destacam-se esforço físico exacerbado, nutrição e hidratação</p><p>inadequada, patologias, estado psicológico anormal, repouso faltante (CARLILE;</p><p>DEE, 1967). Então, como evitaremos este mal denominado “strain”?</p><p>Com base nisso existem alguns protocolos que estudam sintomas ou</p><p>evidências que avisam ou alertam que o seu atleta ou estudante terá um strain.</p><p>Entre os sintomas podemos destacar: perda de peso excessivo, insônia, dores em</p><p>articulações, problemas digestivos, irritabilidade aguda, falta de ar, transtornos no</p><p>metabolismo e dificuldade de raciocínio.</p><p>Talvez, agora, você, acadêmico, entenda quão importante é a correta</p><p>utilização do princípio da adaptação, erros na identificação desta adaptação e dos</p><p>estímulos que são cruciais.</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>91</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Para você que quer ser o diferencial, aqui está o seu desafio de</p><p>aprendizado ainda maior, temos certeza de que se você ler este artigo terá mais</p><p>conhecimento sobre aspectos importantíssimos no entendimento da adaptação</p><p>ao treinamento de força. O artigo intitulado “Adaptações neurais e morfológicas</p><p>ao treinamento de força com ações excêntricas”, de Barroso e colaboradores</p><p>(2005), da Revista Brasileira de Ciência e Movimento, traz abordagens didáticas</p><p>de como o músculo, entre outras estruturas, responde ao treinamento de força</p><p>com ações excêntricas com uma visão de força muscular em nível celular até o</p><p>nível biomecânico dos membros geradores de força muscular. Quer aprender</p><p>ainda mais, basta clicar no link <https://scholar.googleusercontent.com/</p><p>scholar?q=cache:XOwDvt0ak3oJ:scholar.google.com/+adapta%C3%A7%C3%A3</p><p>o+ao+treinamento&hl=pt-BR&as_sdt=0,5> para ler o artigo no íntegra.</p><p>4.3 O PRINCÍPIO DA SOBRECARGA</p><p>Antes de conversarmos sobre o princípio da sobrecarga, vamos ao setor de</p><p>histórias, pois esta história, além de muito interessante, lhe ensinará como funciona</p><p>o princípio da sobrecarga. Contaremos a história de Mílon de Crotona da época de</p><p>500 a 580 a.C., na Itália. Foi atleta olímpico de luta (pancrácio), além de discípulo do</p><p>matemático Pitágoras. Nos jogos antigos teria ganho doze competições: seis vezes</p><p>nos Jogos Olímpicos e seis vezes nos Jogos Píticos. O nome da cidade de Milão foi</p><p>dado em sua homenagem. Tudo indica que através dele o método de treinamento</p><p>mais antigo da humanidade, utilizado até hoje, a evolução progressiva da carga,</p><p>foi criado. Este atleta corria com um bezerro nas costas, para aumentar a forças dos</p><p>membros inferiores, e quanto mais pesado o bezerro ficava, proporcionalmente</p><p>sua força aumentava. Esta história nada mais é que a aplicação do princípio da</p><p>sobrecarga, que a cada adaptação que você realiza, o estímulo necessitado para</p><p>evoluir é maior.</p><p>FIGURA 29 - MÍLON DE CROTONA E A EXPLICAÇÃO ILUSTRATIVA DO PRINCÍPIO</p><p>DE SOBRECARGA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://revistasuaacademia.com.br/materia/um-pouco-</p><p>mais-sobre-a-historia-da-musculacao/363>. Acesso em: 25 ago. 2016.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>92</p><p>Definições</p><p>Depois de conhecermos a história de Mílon de Crotona, o princípio</p><p>de sobrecarga fica mais fácil de entender. Realmente, o momento ou período</p><p>que acontece a adaptação do organismo aos eventos estressores (estímulos de</p><p>treinamento) é uma das principais incógnitas e discussões da ciência do esporte.</p><p>Existem estudos que evidenciam a adaptação durante os intervalos intermediários</p><p>dos treinos, enquanto outras pesquisas evidenciam a adaptação após o último</p><p>intervalo da sessão de treino (TUBINO, 1979). Assim, o princípio da sobrecarga</p><p>consiste em:</p><p>[...] sobrecarregar o organismo do atleta, de maneira adequada, variando-</p><p>se a frequência, a intensidade, o volume e a duração do treinamento.</p><p>A sobrecarga deve ser individualizada e aplicada de forma progressiva</p><p>ao longo do processo de treinamento (VALE, 2013, p. 10, grifo nosso).</p><p>Basicamente, para que tenhamos evolução no decorrer de um treinamento</p><p>é necessário que este treinamento seja realizado numa sobrecarga maior do que a</p><p>que se está habituado, parece óbvio, pois se você sempre se exercitar da mesma</p><p>maneira e com a mesma intensidade não acontecerão evoluções.</p><p>Entretanto, Dantas (2014) acredita que, conforme dito anteriormente,</p><p>a adaptação acontecerá pela busca de equilíbrio, porém o autor cita um termo</p><p>importante à assimilação compensatória também chamado de supercompensação.</p><p>A assimilação compensatória ou supercompensação é a capacidade do</p><p>organismo de volta ao seu estado ou em um estado melhor que o estado depois</p><p>de determinado agente estressor agir, por exemplo, fadiga. Assim, o processo</p><p>de supercompensação acontece posterior ao treinamento, quando seu corpo se</p><p>recupera do treinamento e então melhora suas qualidades morfológicas. O processo</p><p>de supercompensação do organismo pode ser severamente comprometido por uma</p><p>incorreta disposição do tempo de aplicação das cargas (CIOLAC; GUIMARÃES,</p><p>2004).</p><p>GRÁFICO 9 - SUPERCOMPENSAÇÃO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://treinodeforca.com.br/?p=699>. Acesso em: 2 mar.</p><p>2017.</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>93</p><p>Tubino (1979) complementa as definições de assimilação compensatória</p><p>como a soma do período de restauração e do período de restauração ampliada.</p><p>Para o autor, restauração seria o período que o corpo reestabelece aos padrões</p><p>de força e capacidade que estava no momento anterior ao estímulo. Já o período</p><p>de recuperação ampliada é quando o organismo se recupera e disponibiliza de</p><p>mais força ou mais capacidades que no momento anterior ao estímulo. Além</p><p>disso, acredita-se que é no final do período de recuperação ampliada que o novo</p><p>estímulo deve ser aplicado, momento em que o organismo está com mais energia</p><p>para o próximo treino.</p><p>Conforme conversamos, acadêmico, no princípio de adaptação sobre o</p><p>“strain”, quando realizamos um estímulo em momento inadequado podemos</p><p>alcançar algo denominado “over training”, conforme mostra a figura a seguir, com</p><p>dois caminhos do treinamento. Os sintomas são semelhantes aos “strain”, existem</p><p>autores que afirmam ser o mesmo efeito.</p><p>FIGURA 31 - SUPERCOMPENSAÇÃO VERSUS OVER TRAINING, IMPORTÂNCIA NO MOMENTO</p><p>CERTO DE ESTÍMULO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://corredoresanonimos.pt/actualidade/especialistas/a-</p><p>importancia-do-estimulo-nos-treinos-para-a-melhoria-do-nosso-rendimento>. Acesso</p><p>em: 4 mar. 2017.</p><p>A supercompensação pode ser atingida de diversas maneiras, são algumas</p><p>delas:</p><p>• Alterando a velocidade da atividade.</p><p>• Aumentando a resistência.</p><p>• Aumentando o número de séries e/ou de repetições.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>94</p><p>• Alterando o método de treinamento.</p><p>• Diminuindo descanso entre séries.</p><p>• Aumentando o tempo total da sessão.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Será que existe o princípio da sobrecarga na escola? Se você é professor e</p><p>percebe que os estudantes estão começando a entrar em um plateau de desempenho</p><p>em determinada atividade, o que você faz? Seja ela uma atividade técnica ou</p><p>funcional. O mais sensato seria fazer uma análise na sala e verificar se todos já</p><p>compreendem o básico pré-estipulado, se sim, pensar e estudar novos meios mais</p><p>avançados e seguros daquela atividade. Lembre-se, acadêmico, de que podemos</p><p>falar de um saltar de corda como de um quicar da bola.</p><p>Over training na escola? O contrário também pode ser verdadeiro, é</p><p>possível que alguns estudantes passem por um over training ou strain. E assim,</p><p>é responsabilidade sua, professor, estar pronto para identificar os sintomas e</p><p>diminuir a intensidade e/ou volume do treinamento, ou até mesmo outras formas</p><p>de tratamento de over training.</p><p>Quer aprofundar ainda mais seu conhecimento sobre a adaptação e suas</p><p>aplicações, confira o vídeo explicativo do professor Dr. João Moura: Disponível em: <https://</p><p>www.youtube.com/watch?v=oH1EujCGyQA>.</p><p>DICAS</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Exercícios de força para crianças, isso é possível? Para você que quer ser</p><p>um professor diferenciado, deve ler este artigo sobre o princípio da sobrecarga</p><p>aplicado no treinamento-força para as crianças.</p><p>O manuscrito intitulado “Elaboração de programas de treinamento de</p><p>força para crianças”, de Oliveira e colaboradores (2004) é uma revisão estruturada</p><p>sobre temas como atividade física na criança, aspectos fisiológicos e fatores de</p><p>crescimentos. Além disso, os autores abordam o treinamento com sobrecargas</p><p>para várias faixas etárias (5 a 7 anos, 8 a 10 anos, 11 a 13 anos, 14 a 15 anos, 16 anos</p><p>em diante). Os autores concluem que a musculação ou atividades resistidas é mais</p><p>uma opção de atividade física para crianças e adolescentes. Concorda ou discorda?</p><p>Leia e estude o artigo completo clicando no link que segue: <http://www.uel.br/</p><p>revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/3662/29>.</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>95</p><p>4.4 O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE</p><p>Definições</p><p>Caro acadêmico! Sabemos que é o treinamento que leva o atleta a ser</p><p>realmente classificado como atleta, porém não é somente um treino que vai tornar</p><p>aquele atleta com uma composição corporal de um atleta de elite. A continuidade</p><p>do treinamento é que o tornará um atleta. Além disso, como já estudamos a</p><p>sobrecarga, os treinos anteriores irão direcionar e influenciar os novos treinos</p><p>a serem planejados e executados. Estes dois pontos irão direcionar para o que</p><p>chamamos de o Princípio da continuidade, a influência de treinos anteriores e a</p><p>regularidade em sequência do treino. Tubino (1979, p. 107) discute estes conceitos</p><p>e acrescenta que:</p><p>[...] este princípio compreenderá sempre, no treinamento em curso,</p><p>uma sistematização de trabalho que não permita uma quebra da</p><p>continuidade. Em outras palavras, considerando um tempo maior, o</p><p>princípio da continuidade é aquela diretriz que não permite interrupções</p><p>durante esse período.</p><p>Segundo Dantas (2014), é necessário um mínimo de persistência no</p><p>treinamento para que este possibilite o desenvolvimento de algumas qualidades</p><p>físicas, tais como alterações morfológicos e/ou biológicas. Assim, um atleta ao</p><p>chegar ao topo tem uma enorme bagagem de treinamento, sem interrupções não</p><p>desejáveis.</p><p>Para o controle deste princípio os treinadores costumam usar termos para</p><p>os períodos que devem ser seguidos durante a periodização do treinamento como,</p><p>por exemplo, período preparatório, período competitivo, período de transição,</p><p>período de recuperação, período de base, sessões, microciclos, mesociclos,</p><p>macrociclos, entre outros termos.</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.farediunamosca.com/schema-bilancio-idrico-</p><p>infermieristico.html>. Acesso em: 5 mar. 2017.</p><p>FIGURA 32 - MODELO DE PERIODIZAÇÃO</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>96</p><p>Exemplos práticos</p><p>Você, como futuro professor, deve ter como dever programar as aulas</p><p>anteriormente e, além disso, programar os períodos do ensino, será que isso é</p><p>possível?</p><p>Claro, o professor deve analisar o que ensinará em cada parte do aprendizado,</p><p>não pode realizar sempre as mesmas atividades e não deve depender de sua mente</p><p>para criar atividades no momento, pois assim, você, futuro professor, não estará</p><p>criando uma linha de evolução no estudante. Por exemplo, o movimento de quicar</p><p>da bola, cabe ao professor programar quando pretende ensinar o movimento de</p><p>quicar com certas maneiras de evolução:</p><p>• Quicar com as duas mãos.</p><p>• Quicar com a mão dominante.</p><p>• Quicar com a mão não dominante.</p><p>• Quicar sem fase aérea.</p><p>• Quicar duas bolas simultaneamente.</p><p>• Quicar duas bolas alternadamente.</p><p>Artigo de aprofundamento</p><p>do conhecimento aprendido</p><p>Quer saber tudo sobre periodização, busque mais conhecimento específico</p><p>sobre o assunto, lhe fornecemos o manuscrito intitulado “Estudo sobre a</p><p>Fundamentação do Modelo de Periodização de Tudor Bompa do Treinamento</p><p>Desportivo”. Este estudo explica bem e efetuou uma comparação entre os modelos</p><p>de periodização de Matveev e o modelo de Bompa através de uma metanálise entre</p><p>os dois, o que permite ao leitor um acompanhamento entre estes dois modelos.</p><p>Matveev publicou seu modelo em 1965 e foi utilizado por muito tempo, porém,</p><p>em 2002, Bompa publicou outro modelo com adaptações de Matveev, existem</p><p>os que acreditam que o modelo de Bompa é mais abrangente aos modelos de</p><p>exercícios de resistência. Leia o artigo em sua íntegra, clicando no link que segue:</p><p><http://openrit.grupotiradentes.com/xmlui/bitstream/handle/set/520/159%20</p><p>Periodiza%C3%A7%C3%A3o%20de%20Bompa%20-%20F%26P%20J%20</p><p>%2805%29%20-%20DOI.pdf?sequence=1> e descubra detalhes desta ciência em</p><p>crescimento que se chama modelos de periodização.</p><p>4.5 O PRINCÍPIO DA REVERSIBILIDADE</p><p>Definições</p><p>Quando pensamos em treinamento não podemos esquecer que da mesma</p><p>forma como o treinamento se adapta de acordo com a sobrecarga exata, a falta de</p><p>treinamento faz com que o atleta ou estudante volte ao seu estado normal antes</p><p>do treino, ou seja, ele perde capacidade funcional ou adaptações morfológicas</p><p>que foram adquiridas com o treinamento. Basicamente, isto seria o princípio da</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>97</p><p>reversibilidade, caracterizado pela volta ao estado original antes do treinamento</p><p>quando o exercício não é mais realizado, se esta pausa nos treinamentos não se</p><p>cessar, o indivíduo se tornará uma pessoa sedentária (MCARDLE, KATCH;</p><p>KATCH, 1998).</p><p>Monteiro (2011) menciona continuidade e reversibilidade na mesma</p><p>sentença, uma vez que o organismo se adapta a um nível habitual de solicitação, em</p><p>que os efeitos do treinamento se revertem, caso o indivíduo se torne mais inativo.</p><p>FIGURA 33 - EFEITO DO TREINAMENTO SEGUIDO DE DESTREINAMENTO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://nikolasctesportivo.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.</p><p>html>. Acesso em: 6 mar. 2017.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Será que existe possibilidade de utilizar este recurso durante o planejamento</p><p>de um treinamento escolar ou em um treinamento de base. Imagine, você prepara</p><p>a criança durante todo o ano, percebe uma melhora em sua força, velocidade e</p><p>coordenação. Porém, agora vem o período de férias escolares (2-3 meses sem classes</p><p>de Educação Física), então, princípio da reversibilidade, segundo ele, o estudante</p><p>perderá um pouco do que foi ganho se não realizar atividades físicas durante as</p><p>férias. Outro exemplo é se acontecer uma lesão com algum estudante ou atleta.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>98</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Para que entenda melhor o que acontece quando crianças ou jovens param</p><p>o treinamento, ou seja, destreinam, sugerimos a leitura do artigo de Fontoura e</p><p>colaboradores (2004), que avaliou o destreinamento do treinamento de força no</p><p>artigo intitulado “O efeito do destreinamento de força muscular em meninos pré-</p><p>púberes”. Neste estudo foi avaliado o efeito de 12 semanas de destreino na força</p><p>muscular de meninos treinados por 12 semanas. Você se surpreenderia se a força</p><p>não tivesse caído nem um pouco durante 12 semanas?</p><p>Quer aprofundar ainda mais seu conhecimento sobre os princípios do treinamento</p><p>desportivo da continuidade e reversibilidade e suas aplicações, confira o vídeo explicativo do</p><p>professor Dr. João Moura: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=YuYaX7CqxJI>.</p><p>DICAS</p><p>4.6 O PRINCÍPIO DA INTERDEPENDÊNCIA VOLUME-</p><p>INTENSIDADE</p><p>Definições</p><p>Antes de ir às definições do princípio do treinamento, temos que saber o</p><p>que é volume e o que é intensidade. De modo simplificado, volume é a quantidade</p><p>de tempo, distância ou trabalho em que você realiza a atividade física. Intensidade</p><p>é também, de modo simples, a carga do exercício, que pode ser mensurada em</p><p>peso, tempo, potência, entre outros. Alguns seriam na academia, suas séries do</p><p>treinamento vão ser seu volume e o haltere ou peso que escolher será a intensidade.</p><p>Em um treino de corrida, os quilômetros que correrá serão seu volume e a</p><p>velocidade será sua intensidade.</p><p>Este princípio do treinamento é extremamente importante quando</p><p>pensamos em prescrição do treinamento baseado nas variáveis volume de treino e</p><p>intensidade de treino. Basicamente, podemos dizer, de modo geral, que o aumento</p><p>dos estímulos de uma dessas variáveis é acompanhado de uma queda nos estímulos</p><p>da outra variável, ou seja, existe uma interdependência entre eles. Isso é, quando o</p><p>atleta aumenta muito abruptamente sua intensidade, logo o volume que consegue</p><p>percorrer ou treinar diminuirá. Assim, se o atleta resolver realizar um volume de</p><p>treino muito longo não poderá manter uma intensidade alta por muito tempo.</p><p>Sobre esta escolha entre intensidade e volume entre atletas de elite, Tubino</p><p>(1979, p. 108) afirma: “[...] os êxitos de atletas de alto rendimento, independente</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>99</p><p>da especialização esportiva, estão sempre referenciados numa grande quantidade</p><p>(volume) e numa alta qualidade (intensidade) de trabalho”.</p><p>Existe uma grande gama de pesquisa neste princípio de Interdependência</p><p>Volume-Intensidade, pois os cientistas estão em busca constante de qual seria o</p><p>jogo perfeito de volume e intensidade para cada modalidade. Algumas maneiras,</p><p>entre muitas, de sobrecarregar o treinamento com volume e intensidade.</p><p>Volume – Maiores percursos; maior número de percursos; maior número</p><p>de repetições.</p><p>Intensidade – Menor duração nos intervalos entre estímulos; menor número</p><p>de intervalos entre estímulos; maior velocidade de execução.</p><p>GRÁFICO 10 - O JOGO DE VOLUME E INTENSIDADE DURANTE AS FASES DO TREINAMENTO E A</p><p>CURVA DE PERFORMANCE</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.viverdecorrida.com/periodizacao-de-treinamento-corrida-</p><p>de-rua/>. Acesso em: 6 mar. 2017.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Você, como futuro professor, quer ensinar ao seu atleta técnica de corrida,</p><p>entre elas quer desenvolver a capacidade de correr distâncias longas, utilizará</p><p>a interdependência do volume e intensidade e obviamente não poderá colocar</p><p>intensidade e volume alto sempre. O correto, ou mais comum, seria seguir um</p><p>padrão de crescimento gradativo de ambas as variáveis e depois começar com</p><p>oscilações de ambas para que o atleta comece a entender que maiores volumes</p><p>precisam de intensidade mais baixa para que o volume possa ser completado com</p><p>sucesso.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>100</p><p>Vamos lá, mais uma grande aula do professor Dr. João Moura, sobre o jogo de</p><p>intensidade e volumes durante o planejamento de treinamento: Disponível em: <https://www.</p><p>youtube.com/watch?v=I6hQzk_ua-4>.</p><p>DICAS</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Um dos maiores problemas das crianças atualmente é o sobrepeso e,</p><p>por este motivo, você, como o futuro profissional, deve saber ainda mais sobre</p><p>emagrecimento. Como deve imaginar, volume e intensidade tem tudo a ver com</p><p>emagrecimento, visto que a utilização de gordura é dependente da intensidade</p><p>que você está e do volume que está percorrendo. Assim, caro acadêmico, com</p><p>o objetivo de preparar você ainda mais para o mercado de trabalho e ser um</p><p>profissional diferenciado recomendamos a leitura do artigo “Exercício resistido</p><p>e gordura corporal: relação entre volume, intensidade e emagrecimento”, de</p><p>Santos e colaboradores (2016). O artigo investigou a relação do treinamento com</p><p>peso e o emagrecimento, analisando o volume e a carga utilizados em estudos</p><p>experimentais, que investigaram sua influência na redução da gordura corporal.</p><p>Leia o artigo completo clicando no link: <http://portaldeperiodicos.unibrasil.com.</p><p>br/index.php/anaisevinci/article/view/1355/1169>.</p><p>4.7 O PRINCÍPIO DA</p><p>ESPECIFICIDADE</p><p>Definições</p><p>Talvez você vai dizer que este princípio do treinamento desportivo é óbvio</p><p>depois de ler os seguintes conceitos. O princípio da especificidade preconiza que</p><p>quando um treinamento busca a melhoria de determinada variável (por exemplo,</p><p>força, velocidade, resistência etc.) é esta variável que você deve trabalhar, ou seja,</p><p>quer ficar forte nos membros superiores não treine os membros inferiores; quer</p><p>ficar rápido não treine capacidades de longas distâncias. Simples? Sim, porém</p><p>saiba que existem muitos profissionais cometendo o erro de não seguir o princípio</p><p>da especificidade. Temos que nos lembrar que:</p><p>O treinamento deve ser montado sobre os requisitos específicos da</p><p>performance desportiva, em termos de: qualidades físicas intervenientes,</p><p>proporcionalidade entre os sistemas energéticos participantes;</p><p>segmento corporal; utilizando coordenações psicomotoras empregadas</p><p>(DANTAS, 2014, p. 23).</p><p>Assim, de modo simples, se quisermos entender o princípio da especificidade</p><p>precisamos entender que quanto mais específica for a tarefa de treinamento, ou</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>101</p><p>seja, quanto mais próxima da tarefa motora realizada na competição, maior será a</p><p>transferência que pode ser levada ao treinamento.</p><p>Os estudos de ciências do esporte utilizam o que chamamos de correlação</p><p>de Pearson (teste estatístico) para entender quanto determinado modelo de</p><p>treinamento determina ou auxilia na tarefa motora da competição e assim</p><p>conseguirmos mensurar quão importante é ter aquele tipo de exercício no</p><p>treinamento do atleta ou estudante.</p><p>GRÁFICO 11 - CORRELAÇÃO DE PEARSON UTILIZADA PARA ENTENDER QUANTO O TESTE</p><p>DE UMA REPETIÇÃO MÁXIMA É IMPORTANTE PARA A EXECUÇÃO DE SPRINTS E</p><p>SALTOS EM JOGADORES DE FUTEBOL</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.musculacao.net/treino-pesos-melhora-rendimento-</p><p>jogadores-futebol/>. Acesso em: 7 mar. 2017.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Uma aplicação prática para este tipo de princípio do treinamento é simples,</p><p>se você necessita que seu estudante aprenda a pular corda, você não deve pedir</p><p>para ele quicar a bola. Você deve pensar em exercícios com maiores aplicações</p><p>à tarefa motora desejada. Por exemplo, movimento de elevação de joelhos em</p><p>conjunto, assim efetuando um salto primeiramente sem a corda. Outro exemplo,</p><p>seria a tarefa motora de pegar uma bolinha de tênis, uma vez que, se o aluno ainda</p><p>não tem coordenação motora fina para pegar a bola pequena, comece com bolas</p><p>maiores e vá diminuindo até a bola menor de tênis. Lembre-se e programe-se com</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>102</p><p>base no processo pedagógico de cada movimento, porém, às vezes, precisamos dar</p><p>a liberdade ao estudante vivenciar o movimento de modo global, ou seja, saltar</p><p>com a corda ou pegar a bola de tênis. Estude cada movimento por mais simples</p><p>que seja, este é seu papel, professor.</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Muito se discute sobre o treinamento de potência muscular aplicado ao</p><p>esporte, quanto que treinar exercícios resistidos com velocidade é aplicado ao</p><p>jogo/ou competição em esportes coletivos de invasão (futebol, basquete, futebol</p><p>americano, rúgbi etc.). Quanto que o princípio da especificidade está sendo aplicado</p><p>ou não aplicado? Para ficar expert neste assunto e no conceito especificidade</p><p>recomendamos o artigo de Pinno e González (2008) intitulado “A musculação e</p><p>o desenvolvimento da potência muscular nos esportes coletivos de invasão: uma</p><p>revisão bibliográfica na literatura brasileira”. Os autores realizaram uma revisão</p><p>interessante sobre o assunto, leia o artigo na íntegra clicando no link que segue</p><p><http://ojs.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/3396/2417>.</p><p>Que tal aprofundarmos ainda mais nosso conhecimento com este vídeo</p><p>explicativo sobre o princípio da especificidade: Disponível em: <https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=RCYqItnuvRE>.</p><p>DICAS</p><p>4.8 O PRINCÍPIO DA VARIABILIDADE</p><p>Definições</p><p>Começaremos citando o trabalho clássico de Gomes da Costa (1996), que</p><p>define o princípio da variabilidade como fundamentado no pensamento de um</p><p>treinamento total, um treinamento completo, desenvolvido de modo global,</p><p>utilizando as mais variadas formas de treinamento e natureza de estímulos.</p><p>Este princípio pode lhe causar um pouco de confusão, acadêmico,</p><p>então muita atenção! Até um momento atrás estávamos conversando sobre a</p><p>especificidade do treinamento e agora conversamos sobre variabilidade. Sim, o</p><p>princípio da variabilidade acredita que uma grande variedade na característica</p><p>dos estímulos estressores causa um aumento maior na performance do atleta ou</p><p>estudante. Então, especificidade e variabilidade são princípios contrários, um</p><p>vai contra o outro, se contradizem? Não, você pode ter um treino que varia em</p><p>característica mais contínua, sendo específico para determinada tarefa motora.</p><p>Assim podemos definir este princípio como: “Quanto maior for a diversidade dos</p><p>estímulos, desde que estes fiquem em conformidade com todos os conceitos de</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>103</p><p>segurança e eficiência que devem reger qualquer atividade, maiores serão então</p><p>as possibilidades de atingirmos uma melhor performance e resultados” (COSTA,</p><p>1996, p. 357).</p><p>A variabilidade é muito importante ao processo do treinamento,</p><p>principalmente quando alcançamos o plateau do treinamento (por exemplo,</p><p>estagnação do treinamento, dificuldade de melhora depois de nível de desempenho</p><p>alto). Quando somente a sobrecarga do exercício não consegue ser suficiente, uma</p><p>alteração na natureza do estímulo pode ser uma ótima saída para melhorar o</p><p>desempenho de seu atleta ou estudante ainda mais. Se esta alteração não acontecer,</p><p>assim como no princípio da sobrecarga, podem acontecer regressões no nível de</p><p>treinamento (FORNO, 2013).</p><p>FIGURA 34 - TIPOS DE AGACHAMENTOS QUE PERMITEM A APLICAÇÃO DA VARIABILIDADE DO</p><p>EXERCÍCIO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.mundoboaforma.com.br/10-melhores-exercicios-de-</p><p>agachamento/ e http://blogspotdakamy.blogspot.com.br/2015/07/agachamento-com-</p><p>bola.html e http://www.pressaoalta.com.br/varie-no-agachamento-para-turbinar-o-</p><p>bumbum/>. Acesso em: 8 mar. 2017.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Como professores e treinadores podemos aplicar este princípio com dois</p><p>motivos principais: tornar o treino mais produtivo e com maior evolução, além</p><p>disso para todos um treino diferente é muito atraente depois de vários treinos</p><p>repetitivos. Não quer dizer que você vai ter um treino diferente toda vez, lembre-</p><p>se do princípio da continuidade.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>104</p><p>Você, como professor, pode usar este princípio como saída quando outras</p><p>maneiras convencionais não funcionarem. Por exemplo, é comum utilizar objetos</p><p>como steps e barreiras para ensinar saltos, uma vez que a presença de um obstáculo</p><p>torna o exercício mais palpável. Neste momento, a criatividade do treinador é</p><p>muito importante, facilite e busque ferramentas para o aprendizado.</p><p>Um erro muito comum nos profissionais de Educação Física</p><p>é os treinos se tornarem uma rotina eterna, sempre o mesmo treinamento.</p><p>Que tal observar a abordagem que este vídeo faz sobre o tema – princípio da variabilidade.</p><p>Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-UW327gbOMk>.</p><p>DICAS</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Como artigo de aprofundamento do conhecimento recomendamos o artigo</p><p>“O princípio da variabilidade nos programas para hipertrofia muscular prescritos</p><p>pelos professores de musculação na cidade de Criciúma”. O estudante Leandro</p><p>dal Forno vez uma abordagem muito interessante sobre a variabilidade do</p><p>treinamento prescrito nas academias. Você se surpreenderá com o resultado sobre</p><p>esta variabilidade e os modelos de treinamento utilizados. Será que poderíamos</p><p>pensar em uma pesquisa semelhante na escola de nossa cidade? Leia o texto</p><p>completo no link que segue <http://200.18.15.27/handle/1/1625> e reflita por</p><p>um</p><p>momento: será que não sairia deste estudo um trabalho para conclusão de curso.</p><p>Qual é a variabilidade dos nossos professores nos treinamentos ou planos de aula?</p><p>4.9 O PRINCÍPIO DA TREINABILIDADE</p><p>Definições</p><p>Quando pensamos em atletas de elite, temos que ter em mente que o nível</p><p>de treinamento destes atletas é tanto que manter ou melhorar seu desempenho se</p><p>torna um grande desafio. O princípio da treinabilidade diz questão a este grande</p><p>desafio, uma vez que quanto mais treinado o atleta mais difícil treiná-lo.</p><p>Outra menção que é muito importante é que de acordo com a individualidade</p><p>temos que entender que pessoas diferentes e com cargas genéticas diferentes</p><p>tendem a responder de forma diferente ao treinamento. Algumas pessoas evoluirão</p><p>mais rapidamente e outras mais lentamente (TUBINO, 1979).</p><p>Esta dificuldade no desenvolvimento é normal do ser humano, pois</p><p>todos temos um limite físico e mental que podemos desenvolver com segurança.</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>105</p><p>Muitos atletas de elite utilizam substâncias anabólicas, que causam muitos efeitos</p><p>colaterais podendo levar até a morte do usuário.</p><p>GRÁFICO 12 - PLATEAU DO TREINAMENTO DE FORÇA</p><p>FONTE: Disponível em: <https://pt.slideshare.net/cleitonesef/adaptaes-ao-tfpot>. Acesso</p><p>em: 8 mar. 2016.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Como treinadores teremos que saber que o atleta possui um limite de</p><p>treinamento, ele terá um limite de evolução em determinado tempo e por isso</p><p>não podemos exigir de forma demasiada do estudante ou atleta. Quando estamos</p><p>falando de esporte e limites podemos citar inúmeros países que utilizam técnicas</p><p>forçadas de treinamento. Alguns exemplos são os treinamentos de ginástica que</p><p>buscam força e flexibilidade em atletas de 10 a 15 anos ou com idade inferior.</p><p>Temos que entender, como profissionais, que este treinamento forçado precoce</p><p>causa, além de sequelas morfológicas, também psicológicas.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>106</p><p>FIGURA 35 - ESPECIALIZAÇÃO PRECOCE NA GINÁSTICA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://edfpibid.blogspot.com.br/2014_08_01_archive.html>.</p><p>Acesso em: 8 mar. 2017.</p><p>Artigo de aprofundamento do conhecimento aprendido</p><p>Recomendamos que você aumente seu conhecimento sobre o tema e</p><p>esteja ainda mais preparado para o estudo da próxima unidade, para o mercado</p><p>de trabalho e principalmente entendendo que é responsável pela formação da</p><p>vida de jovens, leia o artigo intitulado “A relação entre a especialização precoce</p><p>e o abandono prematuro da Natação”. Oliveira e colaboradores (2007) fizeram</p><p>mensurações de correlação entre a especialização precoce e a madura desistência</p><p>da prática e os resultados são impressionantes. Leia o artigo na íntegra clicando no</p><p>link que segue: <https://goo.gl/FcTIgV>.</p><p>4.10 O PRINCÍPIO DA SAÚDE</p><p>Definições</p><p>Este princípio do treinamento desportivo ainda não é citado por todos os</p><p>autores, porém já está sendo citado em artigos mais atuais. O princípio da saúde</p><p>diz questão de que o exercício não deve ser contra a saúde da pessoa, deve ser</p><p>um dos cargos chefes do objetivo de se fazer exercício físico. Além disso, este</p><p>princípio defende que a prática deve ser sempre acompanhada por profissionais</p><p>da saúde. Conforme Gomes da Costa (1996, p. 358, grifos nosso), o princípio tem</p><p>uma abordagem bem mais ampla:</p><p>Assim, não só a Ginástica Localizada em si e suas atividades</p><p>complementares possuem grande importância. Também os setores</p><p>de apoio da Academia, como o Departamento Médico, a Avaliação</p><p>Funcional e o Departamento Nutricional assumem relevante função no</p><p>sentido de orientar todo o trabalho, visando a aquisição e a manutenção</p><p>dessa Saúde.</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>107</p><p>Sabemos que nem sempre o princípio da saúde vem sendo o norteador das</p><p>atividades físicas realizadas, por exemplo, o esporte de alto rendimento possui</p><p>desvios da linha da saúde, visto que a busca constante por resultados cada vez</p><p>melhores faz com que os atletas se submetam a práticas nem sempre saudáveis,</p><p>como por exemplo, o arremessador do beisebol realiza milhares de arremessos em</p><p>sua vida com somente um lado de seu corpo, em longo prazo isso causará uma</p><p>disfunção postural no atleta. Outro exemplo é atletas que devido à busca infinita</p><p>por resultados se submetem a jogos e competição ainda lesionados.</p><p>Exemplos práticos</p><p>Quando tratamos o princípio em nossa prática na escola fica fácil entender</p><p>que a nossa prática deve ser sustentada para a saúde, as atividades escolhidas</p><p>devem ter segurança e devem levar em conta a interdisciplinaridade das ações,</p><p>com nutricionistas e psicólogas da escola, entre outros profissionais. Esta</p><p>interdisciplinaridade acontece com mais frequência em escolas de alunos especiais,</p><p>visto que são geralmente estruturadas com fisioterapia, nutricionista, psicólogos</p><p>e médicos.</p><p>4.11 INTER-RELAÇÃO ENTRE OS PRINCÍPIOS DO</p><p>TREINAMENTO</p><p>É simples entender, caro acadêmico, que um princípio não acontece de</p><p>modo único ou separado, os princípios se inter-relacionam, ou seja, acontecem</p><p>simultaneamente e assim, você, professor e treinador, deve pensar de modo</p><p>conjunto no momento que irá estruturar o treinamento. Isso é, por exemplo,</p><p>pensar no princípio da sobrecarga ao mesmo tempo que pensa no princípio da</p><p>especificidade daquela sobrecarga.</p><p>Costa (1996, p. 358, grifos nosso) comenta sobre esta inter-relação entre</p><p>alguns dos princípios do treinamento desportivo:</p><p>Apesar dessa importante correlação, os Princípios da Adaptação,</p><p>da Sobrecarga, da Continuidade e da Interdependência Volume-</p><p>Intensidade é que vão não só dar corpo como orientar toda a aplicação</p><p>prática do treinamento, ou seja, são os verdadeiros responsáveis pela</p><p>“arrumação” de todo o processo de treinamento, traduzida na forma</p><p>dos micro, meso e macrociclos de trabalho.</p><p>Assim, quanto maior a associação e o entendimento dos princípios do</p><p>treinamento esportivo, maiores são as chances de a periodização e a evolução do</p><p>treinamento beirar o excelente. É seu dever como professor entender e aplicar estes</p><p>princípios do treinamento a fim de buscar o melhor físico e mental do seu atleta e/</p><p>ou estudante.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>108</p><p>4.12 EDUCAÇÃO ESPECIAL E OS PRINCÍPIOS DO</p><p>TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>Caro acadêmico, adentraremos em uma área da educação muito carente de</p><p>conhecimento, mas não menos importante, pois hoje um dos principais desafios da</p><p>escola é a inclusão escolar, na qual a Educação Especial, modalidade de educação,</p><p>deve ser oferecida preferencialmente na regular de ensino para pessoas com</p><p>necessidades educacionais especiais, desde a educação infantil ao ensino superior.</p><p>Portanto, a educação especial é um conjunto de recursos educacionais e estratégias</p><p>organizadas institucionalmente para apoiar, complementar e suplementar de modo</p><p>a garantir a educação escolar, promover o desenvolvimento das potencialidades</p><p>dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais.</p><p>Afinal de contas, a quem nos referimos quando nos reportamos aos alunos</p><p>da educação especial, ou alunos com necessidades educacionais especiais? Estamos</p><p>nos referindo a educandos que podem possuir a deficiência física (DF), afetados</p><p>na sua mobilidade e coordenação motora; deficiência intelectual (DI), em que seu</p><p>funcionamento cognitivo e emocional são prejudicados significativamente inferior</p><p>da média (DI leve = Q.I. entre 50-70, DI moderado = Q.I. entre 35 – 49, DI severo</p><p>= Q.I entre 20-30 e DI profundo= Q.I menor que 20); deficientes sensoriais (DS)</p><p>acometidos pela cegueira, visão subnormal e surdos, em muitos artigos/estudos</p><p>você verá esta classe subdividida em DV (deficiente visual) e DA (deficiente</p><p>auditivo), embora a caracterização continua a mesma. E, por fim, você, caro</p><p>acadêmico, poderá encontrar alunos com deficiência múltipla, em que ocorre a</p><p>associação de mais uma deficiência.</p><p>Agora que já sabemos o que é educação especial e a quem nos reportamos</p><p>quando tratamos</p><p>deste assunto, como nós profissionais da área de educação física</p><p>lidaremos com estes alunos, como iremos aplicar nossos conteúdos tão práticos e</p><p>que exigem de certo modo toda nossa integridade corporal, tanto em aspectos de</p><p>mobilidade, coordenação e acuidades sensoriais? Foi então que surgiu o conceito</p><p>de educação física adaptada, que segundo Menezes et al. (2002), consiste em um</p><p>programa diversificado de atividades, jogos, esportes e ritmos, adequados aos</p><p>interesses, capacidades e limitações do aluno com necessidades especiais. O objetivo</p><p>da educação física adaptada, segundo o autor, é dar oportunidade ao portador de</p><p>necessidades especiais de ter várias opções de esporte e lazer, mostrando o impacto</p><p>destas atividades na qualidade de vida, nos aspectos físicos, sociais e psicológicos.</p><p>Partindo desse princípio vamos imaginar agora uma aula em que temos 20 alunos,</p><p>e que dois educandos possuem necessidades educacionais especiais, sendo que</p><p>um deles é cadeirante, devido à paralisia cerebral que afetou a mobilidade dos</p><p>membros inferiores e a outra educanda com visão subnormal, não é cega, mas</p><p>possui apenas 30% da visão do olho esquerdo e você tem como atividade planejada</p><p>uma estafeta lúdica que visa dar as primeiras noções da modalidade de handebol</p><p>de deslocamento com bola, que no caso você modificou para balão. Como você</p><p>poderia adaptar essa aula?</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>109</p><p>FIGURA 36 - ESTAFETA DE HANDEBOL</p><p>FONTE: Disponível em: <http://adailbarbosa.blogspot.com.br/2015_11_01_archive.</p><p>html>. Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>Uma possível adaptação seria você, como professor, orientar/auxiliar os</p><p>educandos com necessidades educacionais especiais a realizar a atividade de</p><p>modo lado a lado, em que o professor fica ao lado auxiliando o aluno no que</p><p>necessitar de ajuda, no caso do cadeirante, auxílio no deslocamento da cadeira,</p><p>para que ele possa apenas conduzir o balão e no caso a deficiente visual, estar</p><p>ao lado dando as orientações espaciais. Entretanto, você, como um professor que</p><p>almeja mais o desenvolvimento do aluno, mas também a inclusão dele de fato na</p><p>turma e que o enxergue como um ser com muitas capacidades, você opta por uma</p><p>adaptação que todos terão o mesmo grau de dificuldade. Além de dividir a turma</p><p>em duas equipes, você determina que eles trabalhem em duplas, em que um deve</p><p>vendar os olhos e o outro sentar na cadeira de rodas. O que estiver sentado, além</p><p>de conduzir o balão, terá de orientar o condutor da cadeira que estará vendado,</p><p>vence a equipe que terminar a atividade antes. Estas seriam duas formas de se</p><p>aplicar uma mesma atividade, entretanto de modos distintos. O que é importante</p><p>ressaltar é que quando falamos de educação devemos abandonar o ensino a partir</p><p>dos déficits, mas adotar como base de ensino as capacidades. Para Hallahan,</p><p>Kauffman e Pullen (2011), não devemos deixar que as incapacidades das pessoas</p><p>nos impossibilitem de reconhecer as habilidades.</p><p>E partindo deste pressuposto, se é na educação física escolar que observamos</p><p>futuros talentos esportivos, porque não enxergar estes alunos especiais com as</p><p>mesmas potencialidades.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>110</p><p>FIGURA 37 - LEVANTAMENTO DE PESO POR CADEIRANTE</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/noticias/iraniano-bate-</p><p>recorde-mundial-tres-vezes-levanta-310kg-e-encanta-criancas-e-adultos>.</p><p>Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>Nas paraolimpíadas de 2016 no Brasil, o iraniano S. Raman bateu novo</p><p>recorde na categoria acima de 107 Kg. Com 169 Kg de peso corporal, o atleta quebra</p><p>o recorde levantando 310 Kg após conquistar medalha de Ouro levantando 305 Kg.</p><p>O atleta é deficiente físico, devido a poliomielite, doença viral que pode afetar os</p><p>nervos e levar à paralisia parcial ou total.</p><p>Depois do Brasil sediar as Olímpiadas e Paraolimpíadas Rio 2016, todos</p><p>puderam acompanhar quão capazes, determinados e desportistas são nossos</p><p>atletas paraolímpicos, mas a principal indagação feita pelo público era, como eles</p><p>conseguem? Como conseguem levantar 300 kg sem ter a mobilidade das pernas?</p><p>Como eles conseguem bater recordes se eles não enxergam a linha de chegada</p><p>em um final de 100 metros? Estas perguntas são respondidas a partir de um</p><p>conceito que nós já vimos anteriormente, quando nos reportamos aos princípios</p><p>do treinamento desportivo. O treinamento baseado na individualidade biológica,</p><p>a partir disso, poderemos conversar sobre como ensinar, preparar, desenvolver e</p><p>aprimorar um treinamento para alunos com necessidades educacionais especiais.</p><p>FIGURA 38 - EQUIPE BRASILEIRA DE REVEZAMENTO, O ESPORTE POSSÍVEL</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/noticias/brasil-conquista-ouro-</p><p>inedito-no-revezamento-4-x-100-para-deficientes-visuais>. Acesso em: 12 mar.</p><p>2017.</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>111</p><p>Com direito a recorde dos jogos, a equipe brasileira do revezamento 4x100</p><p>metros da classe T11-13 (para deficientes visuais) dominou a final da categoria e</p><p>subiu ao lugar mais alto do pódio com a marca de 42s37.</p><p>4.13 INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA AO ATLETA OU</p><p>ESTUDANTE ESPECIAL</p><p>Ao se discutir treinamento desportivo com pessoas portadoras de</p><p>necessidades especiais, muitas dúvidas acabam aparecendo de imediato em nossas</p><p>mentes, entretanto é importante salientar o que nos difere uns dos outros são nossas</p><p>diferenças, quando aplicamos um treinamento a uma pessoa dita “normal”, sem</p><p>deficiência, antes de prescrevermos o treino ideal, realizamos todo um contexto</p><p>biológico, físico, emocional, esportivo e o real objetivo para a realização do</p><p>treinamento. E quando nos reportamos à pessoa com deficiência devemos pensar e</p><p>agir do mesmo modo, respeitar e partir do princípio da individualidade biológica</p><p>para a construção de um treinamento que tenha volume, intensidade, frequência e</p><p>duração adequada ao perfil do atleta/ aluno com deficiência.</p><p>O que nos causa tanto temor é como lidar com a deficiência perante o</p><p>rendimento no treino, mas a que devemos nos atentar é até que ponto a deficiência</p><p>influencia na maneira de treinar? Em quais padrões fisiológicos devemos estar</p><p>atentos, que sofreram alteração em decorrência da deficiência? O que precisamos</p><p>modificar em termos biomecânicos para que ele consiga realizar o treino</p><p>resistido na academia? Como atuar sobre a resistência aeróbia de um aluno/</p><p>atleta cadeirante? As respostas para estas perguntas são simples, olhe para cada</p><p>aluno/atleta unicamente, aplique o princípio da individualidade biológica, o que</p><p>realmente é necessário ser executado com este indivíduo, qual a melhor forma</p><p>de se fazer isso, quais as suas capacidades, quais suas limitações, seus objetivos</p><p>de fato e que cuidados devemos ter para com aquela pessoa mediante o perfil</p><p>do esporte em relação à deficiência, pois como já estudamos anteriormente,</p><p>respeitarmos as características do indivíduo, além de tornar a prática mais segura,</p><p>torna os resultados de desempenho mais fáceis de serem alcançados.</p><p>Vamos a um exemplo prático</p><p>Você tem um aluno cadeirante que tem como talento um arremesso incrível,</p><p>é ágil, possui ótimo deslocamento com a cadeira, e o principal, ele sonha poder</p><p>jogar basquete, mas ele não consegue permanecer muito tempo na atividade, pois</p><p>tem baixo condicionamento aeróbio.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>112</p><p>FIGURA 39 - BASQUETE CADEIRA DE ROTAS</p><p>FONTE: Disponível em: <http://sportsregras.com/basquetebol-cadeira-</p><p>rodas-historia-regras/>. Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>Vamos construir o treinamento individualizado e específico para este aluno</p><p>passo a passo, então, preste atenção o que realmente precisa ser analisado e ter sua</p><p>total relevância:</p><p>• A etiologia da deficiência, quais são as causas, sequelas e o diagnóstico atual do</p><p>aluno/atleta (capacidades e incapacidades)?</p><p>• Quais são as aptidões físicas que devem ser aprimoradas?</p><p>• Qual é o objetivo do treinamento, recreacional, aperfeiçoamento</p><p>187</p><p>2.8 PROGRESSÃO DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO AO LONGO DA INFÂNCIA E</p><p>ADOLESCÊNCIA ........................................................................................................................... 188</p><p>2.9 TREINAMENTO PARA FLEXIBILIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ................ 191</p><p>2.9.1 Desenvolvimento da flexibilidade na infância e adolescência ........................................... 192</p><p>2.10 TREINAMENTO DA VELOCIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ...................... 194</p><p>2.10.1 Desenvolvimento da velocidade na infância e adolescência ............................................ 195</p><p>2.11 TREINAMENTO DA AGILIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES .......................... 198</p><p>2.11.1 Desenvolvimento da Agilidade na infância e adolescência .............................................. 199</p><p>2.11.2 Diretrizes para o treinamento da agilidade ......................................................................... 201</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 203</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 205</p><p>REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 207</p><p>X</p><p>1</p><p>UNIDADE 1</p><p>FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO</p><p>DESPORTIVO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>Esta unidade tem por objetivos proporcionar a você:</p><p>• conhecer acerca dos fundamentos e dos processos de avaliação do Treina-</p><p>mento Esportivo;</p><p>• entender as capacidades aeróbias e anaeróbias, os processos de produção</p><p>de energia e o desenvolvimento destas capacidades com o treinamento;</p><p>• compreender os métodos de treinamento para o condicionamento esporti-</p><p>vo de crianças e adolescentes em idade escolar.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você</p><p>encontrará atividades que visam à compreensão dos conteúdos apresentados.</p><p>TÓPICO 1 – OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>TÓPICO 2 – O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E</p><p>ANAERÓBIAS</p><p>TÓPICO 3 – O TREINAMENTO DESPORTIVO E A SAÚDE NA IDADE</p><p>ESCOLAR</p><p>2</p><p>3</p><p>TÓPICO 1</p><p>UNIDADE 1</p><p>OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO</p><p>DESPORTIVO</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao nosso livro de estudos. Você está tendo</p><p>o primeiro contato com o conteúdo que será abordado durante a disciplina de</p><p>Treinamento Desportivo, e já que estamos iniciando esta unidade, vamos introduzir</p><p>você ao primeiro tema que será apresentado. Esta unidade abordará os Fundamentos</p><p>do Treinamento Desportivo, e no nosso primeiro tópico, além dos fundamentos,</p><p>vamos também tratar sobre os processos de avaliação do treinamento. O objetivo</p><p>deste tópico é proporcionar a você, acadêmico, conhecimentos relacionados aos</p><p>principais fundamentos, por exemplo, o desenvolvimento físico e os fatores que</p><p>envolvem este, bem como os processos de avaliação que envolvem essa disciplina,</p><p>como por exemplo, as diferentes possibilidades de avaliação física.</p><p>Nos dias de hoje, com toda a evolução tecnológica e científica, a ciência</p><p>da Teoria e Metodologia do Treinamento também evoluiu muito. Na atualidade,</p><p>a Ciência do Esporte tem um enorme embasamento científico e teórico sobre</p><p>quais os melhores meios de atingir o melhor rendimento. Na área da iniciação</p><p>esportiva e na formação de talentos não é diferente, são inúmeros pesquisadores</p><p>e/ou cientistas com grande diversidade de publicações sobre o treinamento e o</p><p>desenvolvimento de crianças e adolescentes. São diversos os campos da ciência</p><p>que envolvem o treinamento. Podemos citar a anatomia, fisiologia, biomecânica,</p><p>estatística, medicina esportiva, psicologia, aprendizagem motora, a pedagogia e a</p><p>nutrição, entre outros.</p><p>A teoria e metodologia do treinamento é uma área muito extensa e cabe</p><p>ao professor de Educação Física selecionar os melhores conteúdos que estarão</p><p>diretamente envolvidos com sua forma de trabalho.</p><p>Durante o treinamento, o atleta reage a vários estímulos, alguns dos</p><p>quais podem ser previstos com mais exatidão do que outros, com</p><p>base na coleta de informações fisiológicas, biomecânicas, psicológicas,</p><p>sociais e metodológicas. Assim o treinador precisa de um instrumento</p><p>científico para garantir que o processo de treinamento seja ancorado</p><p>em avaliações objetivas que meçam a reação do atleta, a qualidade e a</p><p>carga dos exercícios, podendo-se assim planejar de modo apropriado os</p><p>futuros programas (BOMPA, 2002, p. 4).</p><p>Assim como este conceito que foi citado acima, muito da teoria que existe</p><p>sobre o Treinamento Desportivo está em livros-textos ou artigos científicos, que</p><p>Camila</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>4</p><p>tratam principalmente do como lidar com atletas. A intenção deste tópico é trazer</p><p>este conhecimento a você buscando possibilitar o aprendizado dos conceitos</p><p>principais e de como estes poderão ser aplicados na sua realidade na atuação</p><p>como professor de Educação Física. Por exemplo, podemos explorar no conceito</p><p>de Bompa (2002) que o planejamento das aulas e atividades da Educação Física</p><p>deverão estar ancoradas em avaliações específicas do comportamento e da evolução</p><p>dos alunos. O conhecimento dos fundamentos também auxiliará para uma melhor</p><p>compreensão do último tópico desta unidade que irá abordar especificamente o</p><p>treinamento desportivo na escola.</p><p>2 OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>Para começar precisamos pensar no significado da palavra fundamento. O</p><p>que seria para você os fundamentos do treinamento esportivo?</p><p>No dicionário Priberam (2017) o significado da palavra fundamento é</p><p>base principal, prova, causa, motivo, fundação, alicerce. Desta forma, podemos</p><p>pensar que fundamento poderia estar ligado ao sentido de alicerce ou uma base</p><p>sólida para construir algo que se deseja que seja duradouro. De outra forma</p><p>então, podemos pensar que os fundamentos do treinamento seriam as questões</p><p>teórico/práticas que dariam um embasamento para a construção ou planejamento</p><p>de uma linha de trabalho, ou seja, um ponto de partida e uma rota de destino</p><p>clara e fixa para conduzir as aulas e o trabalho que se objetiva. Em palavras mais</p><p>teóricas, poderíamos dizer que é o conjunto de regras básicas de organização e</p><p>funcionamento ou o conjunto de princípios a partir dos quais se pode fundar ou</p><p>deduzir um sistema ou um conjunto de conhecimentos.</p><p>UNI</p><p>E você, caro acadêmico, concorda com o que foi dito? O que você acredita</p><p>serem os fundamentos do Treinamento Desportivo? Pare por alguns instantes e reflita sobre o</p><p>assunto antes de prosseguir a leitura.</p><p>Para pensarmos de maneira um pouco mais aprofundada sobre o</p><p>assunto, vamos começar considerando as questões relacionadas aos objetivos do</p><p>treinamento. Estes objetivos podem ser diversos e será preciso adaptar cada um</p><p>deles a sua realidade na prática profissional. Porém, de maneira geral, o quadro a</p><p>seguir lista cada um dos principais objetivos que estão ligados ao treinamento de</p><p>acordo com Bompa (2002).</p><p>Camila</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>5</p><p>Desenvolvimento físico</p><p>multilateral.</p><p>Desenvolvimento físico</p><p>específico. Fatores técnicos.</p><p>Fatores táticos. Aspectos psicológicos. Habilidade para o trabalho em</p><p>equipe.</p><p>Fatores ligados a saúde. Prevenção de lesões. Conhecimento teórico.</p><p>QUADRO 1 - OBJETIVOS DO TREINAMENTO</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Vamos, a partir de agora, explorar um pouco mais detalhado cada um</p><p>deles. Comecemos pelo desenvolvimento físico multilateral.</p><p>• Desenvolvimento físico multilateral: Como o nome já propriamente refere,</p><p>é pensar no desenvolvimento do corpo como um todo, todas as habilidades</p><p>necessárias para uma boa execução esportiva. É uma base para o treinamento</p><p>físico geral. A ideia é aprimorar todas as qualidades físicas (por exemplo:</p><p>resistência, força e velocidade) de uma maneira harmoniosa para o melhor</p><p>desenvolvimento corporal.</p><p>• Desenvolvimento físico</p><p>ou rendimento?</p><p>• Quais cuidados e limites devem ser respeitados?</p><p>Agora vamos nos reportar ao aluno:</p><p>Sabemos, com base no histórico do aluno, que ele tem 16 anos, é deficiente</p><p>físico, acometido pela paralisia cerebral que afetou somente a mobilidade e</p><p>função motora dos membros inferiores, ele até consegue deambular, mas devido</p><p>à fraqueza muscular permanece na cadeira de rodas. No que tange aos membros</p><p>superiores e à região torácica, o educando possui ótima mobilidade articular e</p><p>função motora, além de controle cervical e torácico (mantém a postura ereta da</p><p>coluna e cabeça). Seus padrões de força, resistência, capacidade cardiorrespiratória,</p><p>agilidade, velocidade de reação e padrões intelectuais, cognitivos, emocionais e</p><p>psicológicos estão dentro da normalidade. Estes seriam os aspectos relacionados à</p><p>etiologia da deficiência. Nesse momento vamos analisar o segundo tópico, no qual</p><p>você analisou os comportamentos motores e aptidões físicas nas aulas de educação</p><p>física, em que concluiu que ele tem força e precisão na realização de arremesso, é</p><p>ágil, tem boa compreensão e visão de jogo, mas que sua resistência aeróbia está</p><p>um pouco defasada, o que o limita a atuação total da prática da modalidade de</p><p>basquete, modalidade em que ele demonstra um excelente desempenho desportivo.</p><p>Partindo dos dois primeiros tópicos, observamos uma real oportunidade de</p><p>aperfeiçoamento e possível prática de rendimento esportivo para este educando.</p><p>Assim, além da manutenção das habilidades e capacidades já apresentadas, pode-</p><p>se considerar o aprimoramento e melhor aproveitamento de outras. Embora reste</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>113</p><p>um tópico, não menos importante a ser examinado, existe alguma limitação ou</p><p>cuidado que devemos ter com este aluno? Perante conversa com o educando,</p><p>familiares, médicos que o acompanham e até pelo histórico dele, pelo desuso dos</p><p>membros inferiores, ele apresenta uma osteoporose, que já vem sendo medicada</p><p>há dois anos, mas que segundo relatos, deve-se evitar altos impactos e contusões,</p><p>pois há chance de fraturas. Agora sim temos o perfil completo do educando/atleta,</p><p>agora vamos construir seu treino para que este aluno/atleta venha a participar do</p><p>projeto esportivo da escola.</p><p>Treino específico de arremesso a cesta:</p><p>Treinos diários com arremessos de todas as posições e distâncias, sendo 3</p><p>séries de 20 – 30 repetições. Este exercício deve ser realizado em casa e na escola</p><p>nos dias do projeto. Deverá sempre ter acompanhamento durante a execução do</p><p>treino.</p><p>FIGURA 40 - POSIÇÕES DE ONDE DEVE OCORRER O ARREMESSO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://layup.com.br/cinco-posicoes-basquete/>.</p><p>Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>Treino de condicionamento físico:</p><p>Treinos diários de ciclo ergômetro e deslocamento. Sendo 5 séries de um</p><p>minuto de leve à moderada intensidade. Este treino será realizado na academia da</p><p>escola, ou com os materiais disponíveis que ela oferece ou na academia com que</p><p>a escola possui parceria. Deverá sempre ter acompanhamento durante a execução</p><p>do treino.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>114</p><p>FIGURA 41 - CICLO ERGÔMETRO DE BRAÇO (A) E DESLOCAMENTO COM A</p><p>CADEIRAS EM ROTAS (B)</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.polifisio.com.br/loja/cicloergometro-</p><p>pedalinho-exercitador-mecanico-para-membros-superiores-inferiores-</p><p>liveup-sports-p-1883.html> e <http://www.sportsscience.co/sport/strength-</p><p>or-power-for-increasing-vertical-jump/>. Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>Treino de força e resistência muscular:</p><p>Três seções semanais na academia com exercícios com peso livre/elástico</p><p>de leve à moderada carga e de moderada intensidade, executando em velocidade</p><p>média e com repouso de no máximo um minuto. Este treino será realizado na</p><p>academia da escola, ou com os materiais disponíveis que ela oferece ou na academia</p><p>com que a escola possui parceria. Deverá sempre ter acompanhamento durante a</p><p>execução do treino.</p><p>Supino deitado no banco</p><p>Rosca alternada</p><p>Francesa desenvolvimento militar</p><p>Remada baixa</p><p>Abdominal supra curto</p><p>3 séries de 12 a 15</p><p>repetições, somente o</p><p>abdominal que passa</p><p>a ter 25 repetições</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>115</p><p>FIGURA 42 - TREINAMENO DE ELÁSTICO COM CADEIRANTE</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.blogdocadeirante.com.</p><p>br/2013_02_01_archive.html>. Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>Treino coletivo:</p><p>Três seções semanais com duração de duas horas, quando serão</p><p>desenvolvidos os fundamentos técnicos, sistemas de jogo ofensivo e defensivo,</p><p>técnicas de queda e proteção e estudo de vídeo (jogos).</p><p>FIGURA 43 - ADOLESCENTES EM TREINAMENTO COLETIVO EM UMA ESCOLA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/pa/noticia2014/01/basquete-</p><p>paralimpico-do-para-enfrenta-dificuldades-fora-das-quadras.html>. Acesso em: 12</p><p>mar. 2017.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>116</p><p>O que você notou de diferente nesta prescrição de treino? Houve alguma</p><p>modificação significativa?</p><p>Não houve modificações tão significativas, apenas algumas adaptações de</p><p>modo de execução/orientação e, é claro, sempre ter acompanhamento durante os</p><p>treinos. Em relação aos cuidados, você notou a prescrição de técnicas de queda e</p><p>proteção?</p><p>Este fundamento é essencial para a saúde do atleta/aluno, pois além de não</p><p>se contundir com facilidade, ele irá aprender a enfrentar seu adversário sem medo</p><p>e sem machucá-lo. Esta seria a única modificação mais significativa, embora se</p><p>observada a prática convencional do esporte também é executada, para a prevenção</p><p>e saúde dos atletas, mas que acabamos não dando tanta ênfase, pois é um reflexo</p><p>automático, o cair e levantar sem nenhuma maior restrição e/ou dificuldade.</p><p>FIGURA 44 - RUGBY DE CADEIRANTES</p><p>FONTE: Disponível em: <http://panamericano.ig.com.br/2015-08-14/quase-radical-rugbi-em-</p><p>cadeiras-de-rodas-faz-sucesso-no-parapan-de-toronto.html>. Acesso em: 12 mar.</p><p>2017.</p><p>4.14 SOBRECARGA APLICADA AO DEFICIENTE</p><p>Como em qualquer prescrição de treinamento, devemos nos atentar às</p><p>adaptações ocorridas, os resultados alcançados, mas devemos muito nos preocupar</p><p>com os volumes, intensidades, frequência e duração dos treinos, pois nem sempre</p><p>a resposta almejada será a dada pelo nosso aluno/atleta e a partir disto podemos</p><p>ter ganhos ou então perdas na evolução do aluno/atleta. O princípio de sobrecarga</p><p>de treinamento parte do pressuposto, conforme já vimos anteriormente, que para</p><p>termos ganhos é preciso que seja realizada uma sobrecarga maior do que a que se</p><p>está habituado, pois se você sempre se exercitar da mesma maneira e com mesma</p><p>intensidade não acontecerão evoluções.</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>117</p><p>Após algumas semanas de treinamento seu aluno/atleta já lhe trará alguns</p><p>resultados que poderão lhe dar o feedback se o treino prescrito está trazendo</p><p>resultados positivos, assim como os atletas não deficientes as respostas podem ser</p><p>agudas e/ou crônicas, no caso do treino de força e hipertrofia a adaptação ocorre</p><p>entre 4 a 6 semanas de treinamento (BARROSO et al., 2005; SALVADOR et al.,</p><p>2016). Assim, a cada ciclo de quatro semanas, em média, é preciso que seja revisto</p><p>o treino, às vezes antes, caso você perceba uma melhora exacerbada de treino ou</p><p>então se seu aluno/atleta venha lhe solicitar, pois é de extrema importância você</p><p>reavaliar as cargas, volumes, intensidade e frequência para que seu aluno tenha</p><p>resultado positivo. Caso haja um exagero de cargas, além de não obter ganhos,</p><p>o aluno pode se lesionar, então é preciso ter muito cuidado e equilíbrio, pois é</p><p>preciso gerar estímulo, mas ele deve ser benéfico, caso contrário, ele passa ser</p><p>maléfico à saúde integral e atlética do aluno.</p><p>4.15 CONTINUIDADE COM TREINAMENTO ESCOLAR</p><p>O princípio da continuidade está diretamente ligado ao princípio de</p><p>adaptação que o treinamento ocasiona, pois é a partir da continuidade ao longo</p><p>de um determinado período que fará com que ocorram progressivas adaptações</p><p>e consequentemente ganhos e resultados</p><p>positivos, tanto em ambiente escolar, no</p><p>qual se iniciam os contatos com as modalidades esportivas, quanto nos clubes e</p><p>escolinhas esportivas.</p><p>Segundo Tubino (1979), a condição atlética só pode ser conseguida após</p><p>alguns anos seguidos de treinamento e que existe ainda uma forte influência das</p><p>preparações anteriores em qualquer esquema de treinamento em andamento.</p><p>Portanto, a continuidade do treinamento visará com que seu objetivo de</p><p>manutenção, aperfeiçoamento e rendimento de fato sejam alcançados. Ainda</p><p>segundo Tubino (1979), a continuidade de treinamento evita que o treinador/</p><p>professor esqueça as etapas importantes na formação atlética do esportista. De</p><p>modo geral, um atleta/aluno que tem um alto desempenho teve uma continuidade</p><p>ao longo de sua preparação, treinamento e também do aprendizado do esporte</p><p>praticado, que veio desde a base do ensino, lá na escola. Portanto, o princípio de</p><p>continuidade perante o treinamento deve estar inserido nos projetos e aulas de</p><p>base de iniciação esportiva das escolas tanto as do ensino regular como as especiais</p><p>(APAEs) não apenas com fim de alto rendimento, mas também recreacional ou de</p><p>lazer, pois esta acaba interferindo tanto em aspectos fisiológicos, mas também,</p><p>nos aspectos psicológicos e entre outros que podem interferir na prática esportiva</p><p>destes educandos, dando-lhes a oportunidade de um melhor desenvolvimento e</p><p>aproveitamento das atividades escolares.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>118</p><p>FONTE: Disponível em: <http://universoef.com.br/escolar/ef-inclusiva/intervencao-</p><p>profissional-na-inclusao-de-criancas-com-deficiencias-no-ensino-regular/sub>.</p><p>Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>FIGURA 45 - AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA</p><p>4.16 ENTREVISTA COM PSICÓLOGA ESPORTIVA</p><p>Entrevista com Lua Sobolwsky (CRP 12/12292), psicóloga clínica e do esporte</p><p>com grande experiência na prática desportiva, masculina adulta, feminina adulta,</p><p>assim como de crianças e adolescentes de ambos os sexos. Estamos abordando,</p><p>em um primeiro momento, os princípios do treinamento desportivo, estes são</p><p>princípios que regem a criação e execução do treinamento. Assim, viemos com</p><p>esta entrevista abordar como estes princípios podem ser abordados na psicologia</p><p>esportiva. O objetivo principal da entrevista é demostrar quão importante é a</p><p>psicologia no treinamento de base ou no treinamento escolar e como a psicologia</p><p>se relaciona nos princípios do treinamento.</p><p>1. Os princípios do treinamento são normas que devem ser seguidas se o</p><p>treinador ou professor deseja ter sucesso no treinamento. Princípio da</p><p>individualidade biológica, princípio da adaptação a estímulos, princípio de</p><p>sobrecarga são alguns deles. No estudo da psicologia existe algo semelhante</p><p>aos princípios do treinamento desportivo?</p><p>R.: Sim. Para a atuação no esporte, o psicólogo tem a necessidade de ampliar</p><p>seus conhecimentos específicos. Entendendo que o ser humano é seu objeto</p><p>de estudo, e que os processos mentais (cognitivos) e comportamentais são</p><p>os caminhos para a definição/análise/identificação deste sujeito, o psicólogo</p><p>do esporte deve atender aos rigores científicos para a obtenção de resultados</p><p>fidedignos. Cada ser humano é único. E diante disso é necessário que este seja</p><p>avaliado/analisado segundo cinco grandes frentes teóricas:</p><p>• Psicologia Experimental – em que se incluem a Psicologia da Aprendizagem</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>119</p><p>(como o sujeito aprende), a da Memória (sensorial, curto-prazo, episódica,</p><p>semântica, processual, visual/auditiva, priming) e a da Motivação (o que</p><p>direciona e mantém o comportamento).</p><p>• Psicologia do Desenvolvimento – estrutura no entendimento do</p><p>desenvolvimento do sujeito na vida pessoal e esportiva, da infância à idade</p><p>adulta.</p><p>• Psicologia da Personalidade – centrada nas diferenças individuais (inatas e</p><p>adquiridas).</p><p>• Psicologia Social – voltada às relações interpessoais da equipe esportiva e ao</p><p>desenvolvimento da coesão do grupo.</p><p>• Psicologia Clínica – focaliza os problemas de desajustamento psicológico do</p><p>atleta e suas modificações.</p><p>2. O princípio da individualidade biológica, apesar de muito usado, para</p><p>composição e aptidão física do ser humano, pode ser aplicado para mente</p><p>do ser humano? Se sim, como podemos aplicá-los?</p><p>R.: Sim, pode. Pois para a psicologia os indivíduos até podem ser classificados</p><p>em grupos específicos, entretanto não existem indivíduos exatamente iguais</p><p>(nem no caso de serem gêmeos univitelinos). Isso por que, as características</p><p>genéticas, fisiológicas e comportamentais são estimuladas e/ou extinguidas</p><p>pelo ambiente ao qual este sujeito é exposto. Por exemplo, um sujeito pode</p><p>ter seu limiar de dor aumentado ou diminuído de acordo com as experiências</p><p>antecedentes ao estímulo presente. O psicólogo que atua no esporte buscará,</p><p>através da observação dos comportamentos, da identificação das emoções</p><p>(comunicação verbal e/ou verbal) e da investigação (através de conversas</p><p>individualizadas, pesquisas) as especificidades subjetivas de cada atleta, a fim</p><p>de diminuir o estresse, a frustração, pensamentos negativos automáticos, além</p><p>de comportamentos não assertivos, que dificultam ou impedem o atleta na</p><p>obtenção dos resultados individuais (modalidades esportivas individuais) ou</p><p>de equipe.</p><p>3. O princípio da sobrecarga também deve ser levado em conta no treinamento</p><p>mental? Podemos sobrecarregar (no sentido de evoluí-lo) nosso atleta ou</p><p>estudante mentalmente a ponto de no futuro ele estar mais preparado?</p><p>R.: Sim. Na psicologia do esporte trabalhamos isso de acordo com a faixa etária.</p><p>Na infância o mais importante é a criança ser estimulada de forma lúdica a</p><p>gostar da prática esportiva. Sem ser cobrada de forma não reforçadora (ou seja,</p><p>punitiva). Desta forma, ela se sentirá estimulada a aprender e querer praticar mais</p><p>a modalidade futuramente, quando pode ser inserida no ambiente competitivo,</p><p>de alto rendimento e com foco em resultado. Já em atletas adolescentes e adultos,</p><p>há a inserção de metodologia de aprendizagem (condicionamento operante*) e</p><p>desenvolvimento de habilidades que diminuam as probabilidades de frustração,</p><p>estresse e pensamentos negativos automáticos.</p><p>* Condicionamento Operante refere-se ao procedimento através do qual</p><p>é modelada uma resposta no organismo através de reforço diferencial e</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>120</p><p>aproximações sucessivas. É onde a resposta gera uma consequência e esta</p><p>consequência afeta a sua probabilidade de ocorrer novamente; se a consequência</p><p>for reforçadora, aumenta a probabilidade, se for punitiva, além de diminuir a</p><p>probabilidade de sua ocorrência futura, gera outros efeitos colaterais. Então,</p><p>o comportamento que tem como consequência um estímulo que afeta a sua</p><p>frequência é chamado Comportamento Operante.</p><p>4. No ambiente escolar Brasileiro, existe o treinamento psicológico do</p><p>estudante ou atleta escolar? Se sim, como funciona? Se não, o que podemos</p><p>fazer para implementarmos este treinamento?</p><p>R.: O modelo de aprendizagem escolar é todo desenvolvido de acordo com</p><p>pesquisas feitas na área da Pedagogia e da Psicologia do Desenvolvimento</p><p>(Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Jean Piaget e Vygotsky). Nessas</p><p>teorias são considerados: o ambiente sócio-histórico (cultural) das crianças, a</p><p>faixa etária dos alunos.</p><p>Piaget considera 4 períodos no processo evolutivo da espécie humana</p><p>que são caracterizados "por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no</p><p>decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento.</p><p>São eles:</p><p>• 1º período: Sensório-motor (0 a 2 anos): a criança nasce em um universo para</p><p>ela caótico, habitado por objetos evanescentes (que desapareceriam uma vez</p><p>fora do campo da percepção), com tempo e espaço subjetivamente sentidos,</p><p>e causalidade reduzida ao poder das ações. No recém-nascido, portanto,</p><p>as funções mentais limitam-se ao exercício dos aparelhos reflexos inatos.</p><p>Assim sendo,</p><p>o universo que circunda a criança é conquistado mediante a</p><p>percepção e os movimentos (como a sucção, o movimento dos olhos, por</p><p>exemplo). Progressivamente, a criança vai aperfeiçoando tais movimentos</p><p>reflexos e adquirindo habilidades e chega ao final do período sensório-motor</p><p>já se concebendo dentro de um ambiente. Ela sabe que age e que pertence ao</p><p>mesmo lugar onde tudo aquilo que ela consegue ver, acontece.</p><p>• 2º período: Pré-operatório (2 a 7 anos): o que marca a passagem do período</p><p>sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica</p><p>ou semiótica, ou seja, é a emergência da linguagem. Nessa concepção, a</p><p>linguagem é considerada como uma condição necessária, mas não suficiente ao</p><p>desenvolvimento, pois existe um trabalho de reorganização da ação cognitiva</p><p>que não é dado pela linguagem. Em uma palavra, isso implica entender que o</p><p>desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência.</p><p>A emergência da linguagem acarreta modificações importantes em aspectos</p><p>cognitivos, afetivos e sociais da criança, uma vez que ela possibilita as</p><p>interações interindividuais e fornece, principalmente, a capacidade de</p><p>trabalhar com representações para atribuir significados à realidade. Tanto</p><p>é assim, que a aceleração do alcance do pensamento neste estágio do</p><p>desenvolvimento é atribuída, em grande parte, às possibilidades de contatos</p><p>interindividuais fornecidos pela linguagem. Contudo, embora o alcance do</p><p>TÓPICO 1 | OS PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>121</p><p>pensamento apresente transformações importantes, ele caracteriza-se, ainda,</p><p>pelo egocentrismo, uma vez que a criança não concebe uma realidade da</p><p>qual não faça parte, devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica.</p><p>Para citar um exemplo pessoal relacionado à questão, lembro-me muito bem</p><p>que me chamava à atenção o fato de, nessa faixa etária, o meu filho dizer</p><p>coisas do tipo "o meu carro do meu pai", sugerindo, portanto, o egocentrismo</p><p>característico desta fase do desenvolvimento. Assim, neste estágio, embora</p><p>a criança apresente a capacidade de atuar de forma lógica e coerente (em</p><p>função da aquisição de esquemas sensoriais motores na fase anterior) ela</p><p>apresentará, paradoxalmente, um entendimento da realidade desequilibrado</p><p>(em função da ausência de esquemas conceituais).</p><p>• 3º período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos): estabelece relações e</p><p>coordena pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e integra-os de</p><p>modo lógico e coerente. Este estágio também se refere ao aparecimento da</p><p>capacidade da criança de interiorizar as ações, ou seja, ela começa a realizar</p><p>operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas típicas da</p><p>inteligência sensório-motor (se lhe perguntarem, por exemplo, qual é a vareta</p><p>maior, entre várias, ela será capaz de responder acertadamente comparando-</p><p>as mediante a ação mental, ou seja, sem precisar medi-las usando a ação</p><p>física).</p><p>• 4º período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante): nesta fase se ampliam</p><p>as capacidades conquistadas na fase anterior, já consegue raciocinar sobre</p><p>hipóteses na medida em que somos capazes de formar esquemas conceituais</p><p>abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da</p><p>lógica formal. Com isso, a criança adquire capacidade de criticar os sistemas</p><p>sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais</p><p>e constrói os seus próprios (adquire, portanto, autonomia). Ao atingir esta</p><p>fase, o indivíduo adquire a sua forma final de equilíbrio, ou seja, ele consegue</p><p>alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a idade adulta. Isso não</p><p>quer dizer que ocorra uma estagnação das funções cognitivas, a partir do ápice</p><p>adquirido na adolescência, mas esta será a forma predominante de raciocínio</p><p>utilizada pelo adulto. Seu desenvolvimento posterior consistirá numa</p><p>ampliação de conhecimentos tanto em extensão como em profundidade e até</p><p>na aquisição de novos modos de funcionamento mental com certo esforço e</p><p>acompanhamento.</p><p>Na escola, não há a participação de um Psicólogo do Esporte. Na escola</p><p>há a presença de um Psicólogo Escolar. Entretanto, este segue as referências e</p><p>princípios descritos acima (e na próxima questão).</p><p>5. Existe uma lacuna na formação do professor ou do treinador quanto ao</p><p>como treinar ou ensinar o aluno psicologicamente? Ou isso não seria Papel</p><p>do professor e sim de outro profissional?</p><p>R.: Sim. Existe no que diz respeito às relações sociais, e a percepção de que</p><p>há demandas em grupos escolares (identificação de problemas). Essa lacuna</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>122</p><p>não se refere ao conhecimento técnico da ciência psicológica e nem de como</p><p>funcionam os processos mentais, mas sim, no desenvolvimento de um treino</p><p>de habilidade social focado na aprendizagem escolar e ensino humanizado.</p><p>Há a necessidade de lembrar professores de como é ser criança/adolescente.</p><p>Fazê-los vivenciar (reviver) questões relacionadas aos problemas infantis e de</p><p>adolescência. Dessensibilizar o medo de fazer contato emocional com alunos.</p><p>Fazê-los entender que sim, “dá mais trabalho”, mas que há um retorno (reforço)</p><p>pessoal intangível neste processo. Aos professores, deve ser novamente instigado</p><p>o prazer no processo de ensinar. No contexto escolar há que se fazer presente o</p><p>psicólogo escolar, este deve focar:</p><p>a. No desenvolvimento de programas específicos junto a pais e professores,</p><p>orientando sobre soluções facilitadoras da aprendizagem.</p><p>b. Na avaliação dos alunos de acordo com os projetos implementados.</p><p>c. Na análise e intervenção relacionadas às interações em sala de aula.</p><p>d. No diagnóstico e encaminhamento de problemas relativos a queixas escolares</p><p>(sejam elas vindas de pais, alunos ou professores. No caso de professores, a</p><p>identificação de síndromes como o Burnout*).</p><p>* Distúrbio psíquico de caráter agressivo/depressivo, precedido de</p><p>esgotamento físico e mental intenso.</p><p>O ambiente escolar não deve ser visto como um ambiente clínico e de</p><p>identificação de patologias ou problemas psicológicos, pois assim, será um</p><p>ambiente focado em problemas. A escola deve ser um ambiente onde sejam</p><p>oferecidas opções estimuladoras de saúde (biopsicossocial). A presença de um</p><p>psicólogo escolar deve fomentar a saúde em seu amplo sentido. Ele deve estar</p><p>atendo e focar na humanização do processo de ensino-aprendizagem. Agindo</p><p>assim, a lacuna será diminuída e o desenvolvimento dos sujeitos envolvidos no</p><p>processo será efetivo.</p><p>123</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Os princípios são os aspectos cuja observância diferenciará o trabalho feito à</p><p>base de ensaios e erros, do científico.</p><p>• Filostratos (séc. II d.C.) mencionou a preparação que o treinador necessita</p><p>e também discutiu sobre treinos individualizados para os atletas da época,</p><p>relacionando-se assim ao princípio da individualidade biológica.</p><p>• A civilização grega abordava a importância do descanso e da volta à calma,</p><p>evolução de carga, além de ciclos temporais de treinamento, conhecidos como</p><p>tretas, princípios de sobrecarga, continuidade e importância de um planejamento</p><p>já estavam sendo abordados.</p><p>• Durante o período pré-científico, Gerschler deu início ao que conhecemos como</p><p>Interval training.</p><p>• No período conhecido como Científico temos a melhoria do Interval training,</p><p>entre outros treinos, com a descoberta de como controlar a frequência cardíaca</p><p>e de como utilizá-la como parâmetro de treinamento.</p><p>• Chama-se individualidade biológica o fenômeno que explica a variabilidade</p><p>entre elementos da mesma espécie, o que faz com que se reconheça que não</p><p>existem pessoas iguais entre si.</p><p>• O princípio de adaptação pode ser definido como a busca pelo equilíbrio do</p><p>organismo em resposta aos mais variados estímulos e agentes estressores.</p><p>• A cada adaptação que você realiza o estímulo necessitado para evoluir é maior.</p><p>• Supercompensação é a capacidade do organismo de volta ao seu estado ou em</p><p>um estado melhor</p><p>que o estado depois de determinado agente estressor agir.</p><p>• Continuidade e reversibilidade é quando o organismo se adapta a um nível</p><p>habitual de solicitação, em que os efeitos do treinamento revertem-se, caso o</p><p>indivíduo torne-se mais inativo.</p><p>• Existe uma interdependência entre volume e intensidade, quando o atleta</p><p>aumenta muito abruptamente sua intensidade, logo, o volume que consegue</p><p>percorrer ou treinar diminuirá. Se o atleta resolver realizar um volume de treino</p><p>muito longo não poderá manter uma intensidade alta por muito tempo.</p><p>124</p><p>• Define-se o princípio da variabilidade como fundamentado no pensamento de</p><p>um treinamento total, um treinamento completo, desenvolvido de modo global,</p><p>utilizando das mais variadas formas de treinamento e naturezas de estímulos.</p><p>• O princípio da treinabilidade tem um grande desafio, uma vez que quanto mais</p><p>treinado o atleta mais difícil treiná-lo.</p><p>• O princípio da saúde defende que o exercício não deve ser contra a saúde da</p><p>pessoa, ela deve ser um dos cargos chefes do objetivo de se fazer exercício físico.</p><p>• Os princípios se inter-relacionam, ou seja, acontecem simultaneamente e assim</p><p>você professor e treinador deve pensar de modo conjunto no momento que irá</p><p>estruturar o treinamento.</p><p>• A Educação Especial é uma modalidade de educação que deve ser oferecida</p><p>preferencialmente na regular de ensino para pessoas com necessidades</p><p>educacionais especiais, e no que tange à educação física busca-se adaptar as</p><p>atividades e exercícios às necessidades e capacidades dos alunos portadores de</p><p>necessidades educacionais especiais.</p><p>• No que envolve a educação física adaptada e o treinamento com pessoas</p><p>deficientes devem ocorrer algumas modificações, adaptações e cuidados extras</p><p>que devemos de ter ao longo de todo o período.</p><p>125</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Toda área de estudo tem normas e princípios de atuação. O que são os</p><p>princípios do treinamento desportivo?</p><p>2 Quem foi o criador do chamado Interval training, revolucionário que</p><p>conseguiu ser uma inovação na época e vem sendo usado até os dias de hoje</p><p>no treinamento de vários atletas.</p><p>a) ( ) Dr. Woldemar Gerschler.</p><p>b) ( ) Willian Kraemer.</p><p>c) ( ) Osolin Treinador da URSS.</p><p>d) ( ) Pihkala.</p><p>3 Defina individualidade biológica.</p><p>4 Quando discutimos individualidade biológica, geralmente conversamos</p><p>sobre dois aspectos importantíssimos, são eles:</p><p>a) ( ) Genótipo e fenótipo.</p><p>b) ( ) Hábitat e os hábitos.</p><p>c) ( ) Sobrecarga e individualidade.</p><p>d) ( ) Força e resistência.</p><p>5 Sobre o princípio desportivo de adaptação selecione a alternativa correta:</p><p>a) Tem pouca relação com o princípio da sobrecarga, uma vez que os princípios</p><p>atuam separadamente.</p><p>b) Baseia-se na busca permanente de homeostase pelo organismo.</p><p>c) Aplicado somente para atleta de alto rendimento.</p><p>d) Todo estímulo de treino é considerado forte, independente da carga anterior</p><p>aplicada.</p><p>6 Selecione a alternativa que possui somente as corretas fases da adaptação e</p><p>na correta ordem de acontecimentos.</p><p>a) Fase de resistência, fase de alarme, fase da quase exaustão, fase de exaustão.</p><p>b) Fase de ativação, fase de resistência, fase da quase exaustão, fase de exaustão.</p><p>c) Fase de alarme, fase de resistência, fase da quase exaustão, fase de exaustão.</p><p>d) Fase de alarme, fase de resiliência, fase da quase exaustão, fase de exaustão.</p><p>7 Defina o princípio da continuidade.</p><p>8 Como deve ser montado o treinamento levando em conta o princípio da</p><p>especificidade?</p><p>126</p><p>9 Selecione a alternativa correta sobre a inter-relação entre os princípios do</p><p>treinamento.</p><p>a) Não é dever do professor saber os princípios e de como se interligam.</p><p>b) O princípio da variabilidade não tem relação com o princípio da sobrecarga.</p><p>c) É seu dever, como professor, entender e aplicar estes princípios do</p><p>treinamento a fim de buscar a melhor condição física e mental do seu atleta</p><p>e/ou estudante.</p><p>d) O excesso de carga que a continuidade pode causar não deve ser levado em</p><p>conta no momento de escolha da sobrecarga do próximo treinamento.</p><p>127</p><p>TÓPICO 2</p><p>O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA</p><p>DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Bem-vindo ao Tópico 2 de nossa unidade! Neste tópico, abordaremos as</p><p>principais atividades esportivas e o condicionamento físico necessário para abordá-</p><p>las com excelência. Serão abordadas desde as atividades mais simples e básicas</p><p>que devem ser transmitidas na escola até atividades complexas e específicas dos</p><p>esportes.</p><p>O ensino e aprendizagem de um esporte é parte importante da educação</p><p>física, pois esta é, muitas vezes, a base para a iniciação desportiva em determinada</p><p>modalidade. O esporte é uma ferramenta de formação, criação ou lapidação de</p><p>aspectos psicomotores. Pode-se considerar que na aprendizagem esportiva é</p><p>fundamental uma aprendizagem corporal e motora. Quando o estudante aprende</p><p>uma nova modalidade desportiva ele evolui além das concepções do jogo em</p><p>tarefas motoras que exijam equilíbrio, coordenação e ritmo (GAYA; MARQUES;</p><p>TANI, 2004).</p><p>É evidente que se quisermos jogar livremente nada impede que se criem</p><p>exercícios novos, atividades diversas. Porém, não é disso que estamos</p><p>tratando. Trate-se, isto sim, de aulas sobre práticas esportivas formais.</p><p>São aulas de atletismo, de basquete, de futebol, enfim expressões</p><p>da cultura corporal do movimento humano onde estão presentes</p><p>tecnologias corporais formalizadas com objetivos bem definidos (GAYA;</p><p>MARQUES; TANI, 2004, p. 65 – grifo nosso).</p><p>2 PLANEJAMENTO</p><p>Apesar de antigamente as práticas desportivas serem criticadas na escola,</p><p>atualmente entende-se que com uma boa elaboração podemos usar o esporte</p><p>como uma ótima ferramenta. Para se ter um planejamento de sucesso no esporte</p><p>devemos conhecer e respeitar as fases (APOLO, 2007):</p><p>• Diagnóstico.</p><p>• Elaboração.</p><p>• Execução.</p><p>• Avaliação.</p><p>• Reestruturação.</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>128</p><p>Sobre as fases de planejamento que compreendem (diagnóstico e</p><p>elaboração) o mais importante é considerar a filosofia do trabalho, levantar</p><p>características e dificuldades, observar a população de aplicação, a aplicação do</p><p>local de treinamento desportivo e o tempo disponível para prática (APOLO, 2007).</p><p>Na fase de execução devemos definir a programação (semanal, temporada,</p><p>diária), estabelecer metas baseadas nos conteúdos programáticos. As fases de</p><p>avaliação e reestruturação andam de mãos dadas, uma vez que a avaliação deve</p><p>acontecer de modo interrupto e continuado e servir de base para uma possível</p><p>reestruturação (APOLO, 2007).</p><p>2.1 HABILIDADES MOTORAS ENVOLVIDAS</p><p>Antes de partirmos para as habilidades motoras e atividades físicas</p><p>necessárias em cada esporte e as necessidades específicas de cada esporte, temos</p><p>que entender a classificação das habilidades motoras, alguns autores, tais como</p><p>Scaglia e Souza, 2004; Apolo, 2007; Darido e Souza, 2007, definem a relação com o</p><p>meio como:</p><p>• Abertas – Modalidades imprevisíveis, geralmente com uma longa duração e</p><p>que acontecem em lugar aberto, onde os participantes podem se movimentar</p><p>livremente pelo espaço. Exemplos: futebol, basquete, futebol americano.</p><p>• Fechadas – Modalidades previsíveis, geralmente curta duração e de circuito</p><p>com posições estabelecidas, assim como trajetos. Exemplos: atletismo e natação.</p><p>Quanto à relação com o movimento:</p><p>• Discretas: Apresentam começo e fim. Exemplo: atletismo (100 m rasos).</p><p>• Contínuas: Sem começo e sem fim. Exemplo: pega-pega.</p><p>• Seriadas: apresentam intervalos. Exemplo: treinamento de força.</p><p>Quanto à precisão do movimento:</p><p>• Globais: Movimentos de grande amplitude. Exemplo: arremesso de peso.</p><p>• Finos: Movimentos refinados, curtos e minuciosos. Exemplo: arco e flecha.</p><p>Quanto ao controle de feedback:</p><p>• Circuito aberto: No decorrer da ação não pode ser modificada para melhorar</p><p>suas ações.</p><p>• Circuito fechado: No decorrer da ação pode ser modificada para ser melhorada.</p><p>Agora que as habilidades estão conhecidas, assim como o modelo de sucesso</p><p>para um projeto de desporte com</p><p>crianças e jovens, iremos começar a descrever</p><p>alguns modelos de treinamentos para crianças e jovens para modalidades mais</p><p>específicas, como esportes coletivos, esportes de colisão e esportes cíclicos.</p><p>TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS</p><p>129</p><p>A abordagem específica de como treinar as crianças e jovens em variáveis físicas,</p><p>como flexibilidade, força, potência e resistência serão abordadas na próxima unidade.</p><p>ESTUDOS FU</p><p>TUROS</p><p>2.2 TREINAMENTO DE ESPORTES CÍCLICOS PARA JOVENS</p><p>E CRIANÇAS</p><p>Esportes cíclicos são esportes que apresentam, em sua maioria, o mesmo</p><p>movimento ou habilidade motora continuamente, por exemplo, podemos</p><p>caracterizar a pedalada do ciclismo, ou movimento de braçadas da natação ou</p><p>movimento de passadas da corrida. O esporte cíclico pode ser de longa e curta</p><p>duração. Neste subtópico, aplicaremos, principalmente, o esporte de longa duração</p><p>que necessita de muita resistência muscular, além de características metabólicas e</p><p>cardiovasculares avançadas durante a sua prática.</p><p>Ciclismo – O ciclismo é comum no currículo escolar de alguns países</p><p>mais desenvolvidos, pois a sua prática tem vários benefícios como: aumento</p><p>da resistência, estimula e melhora a coordenação e o equilíbrio, além disso traz</p><p>conscientização ecológica, pois a criança aprende que pode utilizar a bicicleta</p><p>como transporte. O trabalho do professor escolar pode ser ensinar à criança a</p><p>pedalar, uma vez que a urbanização é crescente nos dias de hoje, muitas pessoas,</p><p>devido à falta de espaços com segurança não aprendem a andar de bicicleta. Além</p><p>do caráter básico de aprender a andar de bicicleta, os estudantes que buscam o</p><p>ciclismo mais avançado terão que aprender noções de equilíbrio, o “sprintar” (tiro</p><p>de velocidade) na bike, aprender a correta utilização do “empurrar” e “puxar” do</p><p>pedal e fases da pedalada, pacing (estratégia de prova), entre outros fatores. Você,</p><p>como professor escolar, pode sim organizar aulas de ciclismo em suas aulas de</p><p>educação física, ou um dia da pedalada em que pais e alunos pedalem em conjunto.</p><p>Natação – A natação acontece de modo variado, podendo ser um dos</p><p>estilos de nado, assim como distâncias diferentes (50 m, 100 m, 200 m, 1500</p><p>m etc.), porém para crianças e adolescentes que não são desportistas existe</p><p>ainda o fator aprendizagem ao nado e segurança em meio aquático. Dentre os</p><p>benefícios da natação, podemos destacar: desenvolvimento cardiocirculatório e</p><p>respiratório; correção e manutenção da postura e prevenção de desvios da coluna;</p><p>desenvolvimento motor geral (coordenação e ritmo); condicionamento físico,</p><p>autoconfiança e preservação da vida humana no meio líquido (autopreservação e</p><p>salvamento) (MANSOLO, 1986).</p><p>“Muitas crianças e adultos, que iniciam num curso de natação, desistem</p><p>das atividades aquáticas muito antes que os benefícios da prática venham a surtir</p><p>efeito. São inúmeros os fatores que influenciam para que praticantes de atividades</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>130</p><p>aquáticas interrompam suas práticas” (FREIRE; SCHWARTZ, 2005, p. 1). Entre os</p><p>fatores que levam à desistência, conforme constado na citação, existe o estresse pré-</p><p>competitivo (SOUZA et al., 2012) . Por este motivo que no estágio inicial de ensino</p><p>da natação devemos ensinar de forma lúdica, utilizar fontes lúdicas, sejam elas</p><p>brincadeiras ou estafetas para desenvolver as crianças para somente em uma parte</p><p>mais avançada entrar em um caráter mais competitivo. Na fase inicial, o professor</p><p>deve ensinar: adaptações ao meio aquático, flutuação, maneiras de entrar e sair da</p><p>piscina, face na água, submersão aquática, respiração no meio aquático e posição</p><p>corporal na água e, somente depois, deslocamento na água (LAWTON, 2013).</p><p>Para a natação competitiva outras valências serão trabalhadas, como</p><p>capacidade aeróbia, potência aeróbia, potência muscular, tolerância a acidose,</p><p>entrada e saída da prova, finalização da prova, além de um sistema cardiovascular</p><p>e muscular bem mais preparado (LAWTON, 2013).</p><p>Corrida – Assim como a natação, a corrida também tem dependência da</p><p>distância que a prova exigirá, podendo ser 50 m, 100 m, 400 m, 1500 m, 1000 m,</p><p>42 km etc., porém, nós como professores de educação física, na escola, devemos</p><p>ensinar basicamente o ato de correr a todos os estudantes, a coordenação da</p><p>corrida, a corrida saudável, frequência e amplitude de passada, além de o mínimo</p><p>de capacidade de velocidade na corrida e de resistência na corrida.</p><p>Para os estudantes que forem se aventurar na corrida de competição,</p><p>outros meios devem ser utilizados, como saídas e chegadas de prova, saídas de</p><p>bloco, estratégia de prova, além de capacidades de velocidade e potência muscular</p><p>sobrecarregadas durante treinamento e sistemas cardiovasculares mais bem</p><p>preparados para aguentar as fortes cargas de treinamento.</p><p>Triatlo – Você deve se perguntar: será possível fazermos o triatlo para as</p><p>crianças e adolescentes? Claro que sim, já existem escolas de triatlo para 7 e 15 anos</p><p>para os estudantes que gostam deste tipo de prática, as modalidades e distância são</p><p>controladas para que todos consigam terminar a prova e a prática continua sendo</p><p>prazerosa aos praticantes. Nesta modalidade em que natação, ciclismo e corrida</p><p>devem ser praticados, todos as modalidades pré-estudadas devem ser aplicadas.</p><p>FIGURA 46 - TRIATLO PARA JOVENS E CRIANÇAS</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.attaka.or.jp.e.qy.hp.transer.com/kanko/dtl.</p><p>php?ID=6427>. Acesso em: 11 mar. 2017.</p><p>TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS</p><p>131</p><p>2.3 MINI JOGOS EM ESPORTES COLETIVOS</p><p>Como sabemos, existem várias maneiras de treinamento para esportes</p><p>coletivos e estas serão abordadas nas disciplinas específica, por exemplo,</p><p>Metodologia do Ensino do Futebol, do Basquete, do Handebol. Portanto, nesta</p><p>parte do tópico abordaremos somente o trabalho dos chamados “Small Games” ou</p><p>“Minijogos” para algumas modalidades (WEIN, 2004; CLEMENTE, 2016).</p><p>FIGURA 47 - OS MINIJOGOS, OPORTUNIDADE DE EVOLUÇÃO AOS JOGOS COLETIVOS</p><p>FONTE: Wein (2004)</p><p>Os “Small Games” ou os chamados de “minijogos” são versões menores</p><p>de um jogo real, estes vêm se mostrando muito populares na última década. São</p><p>muito utilizados para otimizar o tempo de treino e desenvolver capacidades</p><p>fisiológicas e metabólicas mantendo um dos principais princípios do treinamento, a</p><p>especificidade. Além disso, este modelo de treinamento também pode desenvolver</p><p>os padrões táticos de um time ou jogador.</p><p>Além dos motivos destacados acima devemos utilizar os modelos de small</p><p>games, estes podem ser executados com ou sem oposição auxiliando na tomada</p><p>de decisão, possuem uma especificidade de tarefa muito grande, aumentam a</p><p>comunicação e sincronismo entre o time (uma vez que em um treino físico tradicional</p><p>isto não aconteceria), causam adaptações em similares ao treinamento intervalado</p><p>de alta intensidade (adaptações aeróbias, anaeróbicas, potência e velocidade) e</p><p>podem ser divididos em fases de ensinamento ou fases de aprendizagem.</p><p>Como usar os small games deve tomar alguns princípios disciplinares com</p><p>padrões antes de sua execução, fisiologia, força, condicionamento, metodologia de</p><p>treinamento, pedagogia e psicologia. A montagem e o design dos small games devem</p><p>ser decididos com base em conceitos pedagógicos e que auxiliem todos a optarem</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>132</p><p>pela atividade mais benéfica no sentido de performance. Outro ponto importante é</p><p>a delimitação de complexidade do exercício, uma vez que a tarefa não pode ser tão</p><p>avançada e com tantas tomadas de decisões que acabem retardando a atividade e</p><p>não causando as adaptações fisiológicas necessárias.</p><p>FIGURA 48 - MINIJOGOS UTILIZADOS COM DIFERENTES OBJETIVOS A) POSSE DE BOLA</p><p>B) POSSE DE BOLA COM CORINGA C) POSSE DE BOLA COM GOLEIROS</p><p>FONTE: Clemente (2016)</p><p>Quando os small games são comparados com os métodos tradicionais de</p><p>treinamento, a</p><p>especificidade do treinamento é um dos fatores que contribuem</p><p>ao condicionamento do atleta ou estudante. Em estudos de rúgbi, os atletas que</p><p>praticaram os small games tiveram melhoras nos sprints de 10, 20 e 40 m, potência</p><p>muscular, potência aeróbica máxima em comparação aos métodos de treinamento</p><p>tradicionais (CLEMENTE, 2016).</p><p>Além de melhoras físicas é muito importante que entendamos quantas</p><p>melhoras de inteligência acontecem nos esportes coletivos com este tipo de</p><p>abordagem. Professor, o que é inteligência nos esportes coletivos? Este tipo de</p><p>inteligência desenvolve melhor a velocidade da decisão tomada, além de melhorar</p><p>a qualidade das decisões tomadas, o atleta ou estudante entende melhor o jogo,</p><p>pois em um minijogo você pode focar em um determinado tipo de aprendizado,</p><p>por exemplo, ataque ou contra-ataque ou defesa contra um atacante a mais ou dois</p><p>atacantes a mais.</p><p>TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS</p><p>133</p><p>Vários esportes utilizam os minijogos para o treinamento. Um deles</p><p>muito comum é o futebol (soccer) que já apresenta vários estudos com este tipo de</p><p>abordagem. Além deles, o futebol americano e o rúgbi também o utilizam.</p><p>Minibasquete</p><p>Outro esporte que utiliza o conceito minijogo é o basquete, utilizado,</p><p>principalmente, com o objetivo principal de desenvolvimento infantil. O campo</p><p>de ação do minibasquete é a infância e os seus objetivos essenciais se dirigem</p><p>à educação. Assim, o mini deve ser um esporte em forma de jogo, para iniciar</p><p>as crianças nas atividades desportivas, prepará-las para o esforço físico do jogo,</p><p>aprender a conduta individual e coletiva de acordo com as regras e assim realizar</p><p>o desenvolvimento moral na criança. O esporte minibasquete não deve ser</p><p>exclusivista, deve ser sempre de integração da criança (MORALES; GRECO, 2007).</p><p>FIGURA 49 - CRIANÇAS PRATICANDO O MINIBASQUETE</p><p>FONTE: Disponível em: <http://www.superbraga.com/sys_cache/2_1297168198.</p><p>jpg> Acesso em: 11 mar. 2017.</p><p>2.4 ESPORTE DE COLISÃO – O CONTATO</p><p>Se o termo esporte de colisão é novo para você não se preocupe, iremos</p><p>explicar o que este termo significa. Os esportes de colisão são os esportes em que</p><p>os participantes realizam colisões propositais com o objetivo de pontuar ou evitar</p><p>pontuação no jogo ou esporte. As colisões podem ser no adversário, mais comum,</p><p>porém podem ser também no chão e também em outros objetos inanimados.</p><p>Alguns exemplos bem claros de esportes de colisão são o futebol americano e o</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>134</p><p>rúgbi, sendo também esportes coletivos, boxe e outras lutas, esportes individuais</p><p>também de colisão. Rodeio (variadas formas de rodeio) também é considerado um</p><p>esporte de colisão, uma vez que colisões aconteçam frequentemente ao chão, ao</p><p>touro e/ou outros objetos (COVASSIN; ELBIN; SARMIENTO, 2012; ALIC, 2015).</p><p>Sabemos que estes esportes precisam de um treinamento diferenciado,</p><p>os atletas de futebol americano e rúgbi precisam ser fortes, rápidos, potentes e</p><p>resistentes. Porém, como falamos, estas variáveis serão trabalhadas na unidade</p><p>posterior. Então, você, acadêmico, deve estar se perguntando: o que iremos</p><p>discutir agora? Discutiremos um fator muito importante nestes esportes: os níveis</p><p>de contato.</p><p>Níveis de contato são a quantidade e a intensidade dos contatos que</p><p>acontecem nos jogos ou treinos, estes contatos são extremamente importantes</p><p>para o resultado do jogo, e assim o seu treinamento também é muito importante.</p><p>Saber tacklear (derrubar) o adversário é algo muito importante, assim como saber</p><p>receber o tackle (derrubada) também é muito importante. Neste caminho, existe um</p><p>grupo de pesquisadores estadunidenses que estão buscando melhorar as técnicas</p><p>de execução e recepção do contato durante os jogos e treinos (KERR et al., 2015).</p><p>Para que entenda ainda mais dos níveis de contato, recomendamos que você</p><p>visite o Website do USA Football, que ensina regras, técnicas e disponibiliza cursos gratuitos</p><p>sobre os níveis de contato. Disponível em: <https://usafootball.com/resources-tools/coach/</p><p>levels-of-contact/>.</p><p>DICAS</p><p>Estes pesquisadores criaram os chamados “níveis de contato” que seriam</p><p>uma maneira de controlar e periodizar o contato. Através de estudos, eles perceberam</p><p>que o número de lesões com as normas adotadas diminuiu consideravelmente e</p><p>assim vários programas do país começaram a utilizar este projeto para a melhoria</p><p>do sistema de contato.</p><p>Os níveis de contato são separados em cinco classificações:</p><p>• Ar ou Intensidade 0 – Praticantes realizam exercícios sem nenhum contato.</p><p>• Sacos ou Intensidade 1 – Praticantes realizam exercícios com contato somente</p><p>com o saco de box ou “dummies” de treinamento (tipo de saco para treinamento).</p><p>• Controle ou Intensidade 2 – Exercícios são realizados com velocidade controlada</p><p>contra outro praticante até o momento do contato. O treinador determinará um</p><p>participante que é teoricamente o “vencedor”. Contato acima da cintura e os</p><p>participantes não devem ir ao chão.</p><p>TÓPICO 2 | O CONDICIONAMENTO FÍSICO PARA DIFERENTES ATIVIDADES ESPORTIVAS</p><p>135</p><p>• Baque (Thud) ou Intensidade 3 – Exercícios são realizados em velocidade</p><p>competitiva até o contato. Nesta intensidade não existe vencedor predeterminado.</p><p>Contato acima da cintura e os participantes não devem ir ao chão e um breve</p><p>som de apito termina o exercício.</p><p>• Full (Intensidade total) ou Intensidade 4 – Exercícios são realizados na velocidade</p><p>e intensidade do jogo, único momento que os jogadores vão ao chão.</p><p>FIGURA 50 - NÍVEIS DE CONTATO</p><p>FONTE: Disponível em: <https://usafootball.com/resources-tools/coach/levels-of-contact/>.</p><p>Acesso em: 11 mar. 2017.</p><p>USA football recomenda um número limitado de treinos com contato</p><p>durante a semana para evitar lesões e evitar contatos excessivos com a cabeça.</p><p>Durante a pré-temporada são permitidos somente 30 minutos de contato por treino</p><p>e no máximo 120 minutos por semana. Já durante a temporada regular 30 minutos</p><p>por treino de contato “full” e no máximo de 90 minutos por semana (ALIC, 2015;</p><p>KERR et al., 2015).</p><p>Para que isso aconteça recomendamos que os treinos sejam planejados</p><p>antecipadamente, discutidos e mostrados aos demais treinadores, e que o contato</p><p>seja periodizado como qualquer outra valência do treinamento, respeitando os</p><p>limites de periodização. Além disso, devemos dar uma atenção ainda maior no</p><p>ensino de técnicas de derrubada e de recepção da derrubada, ensine e disponibilize</p><p>os níveis de contato aos participantes.</p><p>Temos que destacar uma modalidade que também é utilizada na iniciação</p><p>de futebol americano entre outros esportes de contato, ou até mesmo quando os</p><p>treinadores querem treinar somente aspectos táticos sem colisões, o flag football.</p><p>Esta é uma modalidade a parte que utiliza regras semelhantes, porém algumas</p><p>alterações, para que os atletas desenvolvam a velocidade do jogo, assim como</p><p>agilidade. Nesta modalidade, utiliza flag na cintura para simular a derrubada, ou</p><p>seja, não tem colisões na regra do jogo (YOSHINAGA; TAKAHASHI; ONIZAWA,</p><p>2003).</p><p>UNIDADE 2 | PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO E O CONDICIONAMENTO FÍSICO APLICADO</p><p>136</p><p>FIGURA 51 - FLAG FOOTBALL, MODALIDADE SEM COLISÕES</p><p>FONTE: Disponível em:<http://www.krbe.com/2017/02/15/flag-football-is-</p><p>dangerous-now/>. Acesso em: 12 mar. 2017.</p><p>137</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• As fases do planejamento de sucesso no esporte são: diagnóstico; elaboração;</p><p>execução; avaliação; reestruturação.</p><p>• As habilidades motoras são divididas em:</p><p>Abertas – Modalidades imprevisíveis, geralmente com uma longa duração e que</p><p>acontecem em lugar aberto.</p><p>Fechadas – Modalidades previsíveis, geralmente curta duração e de circuito com</p><p>posições estabelecidas assim como trajetos.</p><p>Discretas: Apresentam começo e fim.</p><p>Contínuas: Sem começo e sem fim.</p><p>Seriadas: Apresentam intervalos.</p><p>Globais: Movimentos de grande amplitude. Exemplo: arremesso de peso.</p><p>Finos: Movimentos refinados, curtos e minuciosos. Exemplo: tiro ao</p><p>alvo.</p><p>Circuito aberto: No decorrer na ação não pode ser modificada para melhorar suas</p><p>ações.</p><p>Circuito fechado: No decorrer da ação pode ser modificada para ser melhorada.</p><p>• Esportes cíclicos são esportes que apresentam em sua maioria o mesmo</p><p>movimento ou habilidade motora continuamente, por exemplo, podemos</p><p>caracterizar a pedalada do ciclismo, ou movimento de braçada da natação ou</p><p>movimento de passadas da corrida. Muito dependentes da modalidade para</p><p>determinar o treinamento.</p><p>• Os “small games” ou os chamados de “minijogos” são versões menores de um</p><p>jogo real, estes vêm se mostrando muito populares na última década. São muito</p><p>utilizados para otimizar o tempo de treino e desenvolver capacidades fisiológicas</p><p>e metabólicas, mantendo um dos principais princípios do treinamento: a</p><p>especificidade.</p><p>• Níveis de contato são a quantidade e a intensidade dos contatos que acontecem</p><p>nos jogos ou treinos, estes contatos são extremamente importantes para o</p><p>resultado do jogo, e assim o seu treinamento também é muito importante. Saber</p><p>tacklear (derrubar) o adversário é algo muito importante, assim como saber</p><p>receber o tackle (derrubada) também é muito importante.</p><p>138</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Qual alternativa possui todas as fases de um planejamento de sucesso no</p><p>esporte segundo José Jr. (APOLO, 2007):</p><p>a) ( ) Diagnóstico; elaboração; execução; avaliação e reestruturação.</p><p>b) ( ) Preparo; avaliação; ação e filmagem.</p><p>c) ( ) Diagnóstico; elaboração; execução e avaliação.</p><p>d) ( ) Elaboração; execução; avaliação e reestruturação.</p><p>2 Exemplifique cada uma das classificações das habilidades motoras presentes</p><p>no quadro com exemplos.</p><p>Habilidade motora aberta</p><p>Habilidade motora fechada</p><p>Habilidade motora discreta</p><p>Habilidade motora continuas</p><p>Habilidade motora seriadas</p><p>Habilidade motora globais</p><p>Habilidade motora finas</p><p>3 Selecione a alternativa correta sobre os esportes cíclicos e o seu ensino:</p><p>a) No estágio inicial de ensino da natação devemos ensinar principalmente de</p><p>forma lúdica.</p><p>b) No ciclismo não existem diferenças entre a criança e o adulto quanto ao</p><p>ensino, visto que os dois sabem pedalar.</p><p>c) Na corrida, o simples ato de correr não é importante no treinamento, visto</p><p>que correr é uma atividade naturalmente humana.</p><p>d) Triatlo é única exclusivamente uma modalidade de adultos.</p><p>4 O que são os minijogos e com que finalidade são utilizados?</p><p>5 O que são os níveis de contato criados pela USA football?</p><p>139</p><p>UNIDADE 3</p><p>MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E</p><p>PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO</p><p>ESPORTIVO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>Esta unidade tem por objetivos proporcionar a você:</p><p>• construir o conhecimento para a avaliação do crescimento e maturação</p><p>biológica e suas implicações práticas no processo de treinamento esporti-</p><p>vo em jovens;</p><p>• apresentar os modelos atuais de progressão para o desenvolvimento dos</p><p>diferentes componentes de aptidão física ao longo da infância até o início</p><p>da vida adulta;</p><p>• conhecer as principais diretrizes e considerações que devem ser levadas</p><p>em consideração durante a estruturação e planejamento das aulas ou ses-</p><p>sões de treino com jovens meninos e meninas.</p><p>Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você</p><p>encontrará atividades que visam à compreensão dos conteúdos apresenta-</p><p>dos.</p><p>TÓPICO 1 – CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA</p><p>CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>TÓPICO 2 – TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLES-</p><p>CÊNCIA</p><p>TÓPICO 3 – ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE</p><p>TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>140</p><p>141</p><p>TÓPICO 1</p><p>CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E</p><p>DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO</p><p>ADOLESCENTE</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Seja bem-vindo à Unidade 3 do nosso livro de estudos.</p><p>Para que possamos abordar a temática do treinamento desportivo aplicado</p><p>durante o período da infância e da adolescência, precisamos relembrar brevemente</p><p>alguns conceitos prévios e importantes relacionados ao processo de crescimento,</p><p>maturação e desenvolvimento biológico.</p><p>Veremos que o crescimento, a maturação e o desenvolvimento são</p><p>processos centrais na evolução da criança desde o nascimento (vida pós-natal) até</p><p>a fase adulta. Esse mundo de transformações que ocorre durante as duas primeiras</p><p>décadas de vida é crucial para o desenvolvimento das capacidades motoras de</p><p>toda criança e adolescente. Assim, a criança e o adolescente serão o nosso público-</p><p>alvo nesta unidade. Conhecer esses conceitos auxológicos será de fundamental</p><p>importância para compreendermos como o programa de treinamento esportivo</p><p>poderá ser estruturado e individualizado ao seu aluno/atleta nas diferentes fases</p><p>do processo de crescimento e maturação biológica. De fato, apropriar-se desses</p><p>conceitos fará com que as suas futuras intervenções quanto ao planejamento e</p><p>aplicação de diferentes programas de treinamento físico com crianças e adolescentes</p><p>sejam mais efetivas.</p><p>2 OS PERÍODOS ETÁRIOS DURANTE O CRESCIMENTO PÓS-</p><p>NATAL</p><p>O crescimento pós-natal, de forma comum, embora arbitrariamente, é</p><p>dividido em três ou quatro períodos etários. Temos os seguintes períodos etários:</p><p>1º) início da infância, 2º) pré-adolescência (primeira e segunda infância) e 3º)</p><p>adolescência (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). O início da infância é</p><p>o primeiro ano de vida, mas sem incluir o primeiro aniversário. Esse período</p><p>é caracterizado por um rápido crescimento na maioria dos sistemas e das</p><p>dimensões corporais e de rápido desenvolvimento do sistema neuromuscular.</p><p>Após completar o seu primeiro ano de vida (1º aniversário), entramos na pré-</p><p>adolescência. A pré-adolescência que ocorre durante a infância pode ser subdivida</p><p>em primeira infância e segunda infância. A criança entra no que chamamos de</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>142</p><p>primeira infância assim que completar o primeiro aniversário até os 4 anos de</p><p>idade (1,0 até 4,99 anos). Ao completar 5 anos de idade, a criança entra na segunda</p><p>infância, que irá até o início da adolescência (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR,</p><p>2004). Na primeira infância, o crescimento dos sistemas e dimensões corporais</p><p>ainda continua rápido, embora em uma taxa desacelerada, ao passo que durante</p><p>a segunda infância, comparativamente, é um período de progresso relativamente</p><p>mais estável em crescimento físico (ARMSTRONG, 2007). Por fim, ao sair da</p><p>segunda infância, entramos no período da adolescência. Esse período é o mais</p><p>difícil de definir em termos de idade cronológica, em razão da variação no tempo</p><p>de seu início e término. Algumas entidades, como a Organização Mundial da</p><p>Saúde (OMS), definem a idade da adolescência entre 10 e 18 anos, mas as faixas</p><p>etárias entre 10 e 19 anos para meninas e 10 e 22 anos para meninos são mais</p><p>apropriadas como limites para uma variação normal no início e no término da</p><p>adolescência. Agora, independente de qual faixa etária seja assumida, sabe-se</p><p>que durante a adolescência, os principais sistemas corporais se tornam adultos</p><p>em estruturas e funcionalidade, ou seja, eles alcançam a maturidade biológica</p><p>completa (ARMSTRONG, 2007; MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004).</p><p>ATENCAO</p><p>Toda vez que a palavra “criança” for mencionada estamos nos referindo ao período</p><p>da infância e/ou pré-adolescência. Por outro lado, sempre que usarmos o termo “adolescente”</p><p>estaremos nos referindo ao período da adolescência.</p><p>3 DEFININDO CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>Durante este início do Tópico 1, você já deve ter percebido que algumas</p><p>palavras, tais como crescimento e maturação biológica, costumam se repetir</p><p>algumas vezes. E você sabe o que cada uma dessas palavras representa? Será que</p><p>elas indicam o mesmo fenômeno biológico?</p><p>O crescimento e a maturação são processos biológicos intimamente</p><p>relacionados. Você verá que normalmente o termo crescimento e maturação são</p><p>frequentemente utilizados juntos e, algumas vezes, até como sinônimos, mas na</p><p>verdade cada um se refere a atividades biológicas específicas.</p><p>O crescimento é a atividade biológica</p><p>dominante por cerca das duas</p><p>primeiras décadas da vida humana, incluindo, certamente, os nove meses de</p><p>vida pré-natal. Conceitualmente, o crescimento é definido como um aumento no</p><p>tamanho do corpo como um todo ou o tamanho atingido por partes específicas do</p><p>corpo (BAXTER-JONES; EISENMANN; SHERAR, 2005). Conforme as crianças e os</p><p>Camila</p><p>TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>143</p><p>adolescentes crescem, elas se tornam mais altas e mais pesadas, tendo um aumento</p><p>em tecidos magros e gordos e em seus órgãos. As alterações no tamanho e peso</p><p>corporal são resultadas de três processos celulares subjacentes: (1) hiperplasia, (2)</p><p>hipertrofia e (3) acrescimento. O crescimento do tecido ósseo, muscular e cerebral</p><p>são exemplos em que esses três processos celulares atuam (MALINA; BOUCHARD;</p><p>BAR-OR, 2004).</p><p>A maturação biológica, por sua vez, é um pouco mais difícil de definirmos</p><p>que o crescimento. A maturação pode ser descrita como o processo contínuo de</p><p>tornar-se maduro ou progresso em direção ao estado biológico maduro (BAXTER-</p><p>JONES; EISENMANN; SHERAR, 2005). Perceba que o termo “maturação”</p><p>descreve um processo, enquanto o termo “maturidade” se refere a um estado. A</p><p>maturação ocorre em todos os tecidos, órgãos e sistemas de órgãos. Portanto, a</p><p>maturidade pode variar de acordo com o sistema biológico estudado. A maturação</p><p>tem dois componentes considerados importantes, conhecidos como timing e</p><p>tempo, e por isso merecem destaque também. Timing refere-se a um período em</p><p>que ocorrem eventos de maturação específicos (por exemplo, a idade da menarca</p><p>– primeira menstruação – nas meninas, a idade no aparecimento dos pelos púbicos</p><p>nos meninos e nas meninas, ou ainda a idade no crescimento máximo durante o</p><p>estirão de crescimento). Por outro lado, o tempo se refere à taxa ou velocidade</p><p>na qual ocorrem os progressos de maturação, ou seja, a velocidade com o que o</p><p>adolescente passa dos estágios iniciais de maturação sexual ao estado maduro.</p><p>O timing e tempo variam consideravelmente entre crianças e adolescentes de</p><p>mesma idade cronológica (ARMSTRONG, 2007; BAXTER-JONES; EISENMANN;</p><p>SHERAR, 2005).</p><p>O desenvolvimento, por sua vez, denota um conceito mais amplo, utilizado</p><p>em dois contextos distintos. No primeiro contexto, temos o desenvolvimento</p><p>biológico, que se refere aos processos de diferenciação e especialização das</p><p>células embrionárias. No segundo contexto, veremos que toda criança e</p><p>adolescente passará por um desenvolvimento comportamental, que se relaciona</p><p>ao desenvolvimento de competência em uma variedade de domínios inter-</p><p>relacionados. Esse desenvolvimento se refere à aquisição e ao refinamento de</p><p>comportamentos esperados pela sociedade. Pode-se falar do desenvolvimento de</p><p>competência social, competência intelectual ou cognitiva, competência emocional</p><p>ou de bem-estar e competência motora (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004).</p><p>4 MEDIDAS USADAS PARA A AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO</p><p>E MATURAÇÃO</p><p>Caro acadêmico! Vimos anteriormente as definições de crescimento,</p><p>maturação e desenvolvimento. Agora, veremos como o crescimento e a maturação</p><p>biológica podem ser avaliadas e monitoradas em longo prazo de forma prática e</p><p>aplicada às situações de campo (aulas ou sessões de treino).</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>144</p><p>4.1 AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO</p><p>Você sabe que a antropometria é o conjunto de técnicas padronizadas</p><p>utilizadas para a medição sistemática do corpo e de suas partes. A antropometria</p><p>é frequentemente vista como ferramenta tradicional e básica da antropologia</p><p>biológica, mas tem uma longa tradição de uso na Educação Física e na área de</p><p>Ciências do Esporte (PETROSKI, 2003). De fato, a estatura e o peso corporal</p><p>são as grandezas mais comumente utilizadas nos estudos de crescimento.</p><p>Ambas as dimensões são frequentemente medidas com base rotineira e regular</p><p>para monitorar o status de crescimento e progresso da criança e do adolescente</p><p>(MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). Diante da facilidade para medição</p><p>dessas duas variáveis de crescimento e por servirem como base para avaliar o</p><p>processo de maturação somática da criança e do adolescente, é preciso explorar e</p><p>entender um pouco mais, ainda que superficialmente, o padrão de crescimento da</p><p>estatura e do peso corporal ao longo da infância e adolescência. Essas informações</p><p>serão úteis mais à frente no que se refere à organização dos treinamentos, seleção</p><p>dos exercícios e qualidades físicas a serem desenvolvidas e distribuição da carga</p><p>de treinamento.</p><p>O percurso do crescimento em estatura e peso corporal pode ser</p><p>representado a partir do uso de duas curvas distintas. Tradicionalmente, as curvas</p><p>de distância (Gráfico 13) e de velocidade (Gráficos 14 e 15) são utilizadas para avaliar</p><p>e monitorar o padrão de crescimento de uma única criança/adolescente ou de uma</p><p>amostra de crianças/adolescentes. A partir do nascimento até a fase inicial da vida</p><p>adulta, tanto a estatura quanto o peso corporal seguem um padrão de crescimento</p><p>de quatro fases: (1ª fase) rápido ganho na infância e no início da pré-adolescência,</p><p>(2ª fase) ganho ligeiramente estável durante o meio da pré-adolescência, (3ª fase)</p><p>rápido ganho durante o estirão do crescimento na adolescência, e (4ª fase) aumento</p><p>lento até que o crescimento cesse com o alcance da estatura adulta (ARMSTRONG,</p><p>2007). É importante ressaltar que o peso corporal, no entanto, geralmente continua</p><p>a aumentar na vida adulta.</p><p>O tipo de curva de crescimento ilustrado no Gráfico 13 é uma curva de</p><p>distância. Essa curva indica o tamanho atingido pelas crianças em determinada</p><p>idade ou a distância que as crianças percorreram no caminho para a estatura</p><p>adulta. Por outro lado, a curva de crescimento da razão ou da velocidade de</p><p>crescimento (cm/ano ou kg/ano) tem uma forma diferente daquela de tamanho</p><p>atingido em estatura e peso corporal. As razões de crescimento para a estatura e o</p><p>peso corporal são apresentadas nos Gráficos 14 e 15, respectivamente, como curvas</p><p>de velocidade.</p><p>TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>145</p><p>GRÁFICO 14 - CURVAS DE DISTÂNCIA PARA ALTURA (À ESQUERDA) E PESO CORPORAL (À</p><p>DIREITA) PARA MENINOS (LINHA CONTÍNUA) E MENINAS (LINHA PONTILHADA)</p><p>DURANTE O PROCESSO DE CRESCIMENTO</p><p>FONTE: Malina, Bouchard e Bar-Or (2004)</p><p>GRÁFICO 15 - TÍPICAS CURVAS INDIVIDUAIS DE VELOCIDADE PARA A</p><p>ESTATURA EM MENINOS E MENINAS</p><p>FONTE: Malina, Bouchard e Bar-Or (2004)</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>146</p><p>GRÁFICO 16 - TÍPICAS CURVAS INDIVIDUAIS DE VELOCIDADE PARA O PESO</p><p>CORPORAL EM MENINOS E MENINAS</p><p>FONTE: Malina, Bouchard e Bar-Or (2004)</p><p>Vamos aproveitar para explorar um pouco mais essas curvas de velocidade</p><p>do crescimento em estatura e peso corporal. Você pode ver que a partir do</p><p>nascimento até o término do processo de crescimento, tanto a estatura quanto o</p><p>peso corporal passam inicialmente por uma fase de desaceleração constante, isto</p><p>é, a velocidade com que ganhamos estatura e peso corporal é diminuída. Note,</p><p>contudo, que durante a fase de desaceleração a velocidade de crescimento em</p><p>estatura e peso corporal difere um pouco uma da outra. A velocidade do ganho em</p><p>estatura é diminuída até o início do estirão de crescimento, enquanto para o peso</p><p>corporal essa desaceleração ocorre no início da infância e segundo ano de vida. A</p><p>partir do segundo ano de vida, você pode observar que a velocidade de crescimento</p><p>em peso corporal passa a ser levemente acelerado. Quando a criança e/ou o</p><p>adolescente entrar no período de estirão do crescimento (por volta dos 9-10 anos</p><p>em meninas e 11-12 anos nos meninos), você pode ver que a razão do crescimento</p><p>em estatura e peso corporal aumenta até atingir um pico de velocidade e, então,</p><p>gradualmente diminui até o término do processo de crescimento. De interesse, o</p><p>pico de velocidade em estatura nas meninas ocorre, em média, em torno dos 12</p><p>anos de idade, enquanto nos</p><p>meninos ocorrerá aproximadamente dois anos mais</p><p>tarde, por volta dos 14 anos. E por fim, o pico de velocidade em peso corporal</p><p>acontece, em média, seis meses após o pico de velocidade em estatura.</p><p>TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>147</p><p>ATENCAO</p><p>Lembre-se bem desses marcos biológicos (idade cronológica em que se dá o</p><p>início do estirão do crescimento e que se alcança o pico de velocidade em estatura) que</p><p>ocorrem durante a transição da infância/pré-adolescência para a adolescência, pois veremos</p><p>que isso pode variar amplamente em meninos e meninas da mesma idade cronológica. E,</p><p>portanto, tais informações serão de fundamental importância para nortear a prescrição do</p><p>treinamento para seus alunos/jovens atletas.</p><p>4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO</p><p>Já vimos anteriormente o conceito de maturação e os componentes que</p><p>estão relacionados a esse processo biológico. Vamos agora conhecer os métodos</p><p>mais conhecidos e tradicionalmente usados nos estudos de crescimento para a</p><p>avaliação do nível de maturidade de uma criança e/ou adolescente. A maturação</p><p>esquelética, sexual e somática são os principais métodos de maturidade biológica</p><p>utilizados na prática (BAXTER-JONES; EISENMANN; SHERAR, 2005; BAXTER-</p><p>JONES; THOMPSON; MALINA, 2002; MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004).</p><p>Apesar dos três sistemas biológicos se correlacionarem razoavelmente bem entre</p><p>si, cuidados são necessários quando inter-relações entre os métodos são feitas.</p><p>As vantagens e desvantagens de cada um desses métodos para avaliação da</p><p>maturidade biológica estão apresentadas no Quadro 3. Como nosso propósito</p><p>aqui é mostrar como esses métodos podem ser usados na prática para auxiliar</p><p>na prescrição do treinamento para crianças e adolescentes, não vamos detalhar</p><p>profundamente as particularidades de cada método de avaliação. Vamos nos</p><p>concentrar em saber quais indicadores de maturidade cada método nos fornece e</p><p>como podemos classificar o nível maturacional de cada criança e/ou adolescente.</p><p>QUADRO 3 - DESCRIÇÃO DAS VANTAGENS E DESVANTAGENS ASSOCIADAS A CADA</p><p>METODOLOGIA UTILIZADA PARA A AVALIAÇÃO DA MATURAÇÃO BIOLÓGICA</p><p>Vantagens Desvantagens</p><p>Maturação</p><p>esquelética</p><p>- Aplicada durante todo o processo</p><p>de crescimento.</p><p>- Fornece estimativas da idade</p><p>esquelética de forma reprodutível</p><p>e precisa.</p><p>- Reflete a maturação de um</p><p>importante sistema biológico.</p><p>- Metodologia invasiva (exposição a</p><p>baixo nível de radiação).</p><p>- Alto custo (equipamentos).</p><p>- Baixa aplicabilidade em situações</p><p>de campo.</p><p>- Necessidade de avaliadores bem</p><p>treinados para a interpretação dos</p><p>indicadores de maturidade.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>148</p><p>Maturação</p><p>sexual</p><p>- Pode ser avaliada por meio de</p><p>autorrelato após instruções prévias</p><p>detalhadas ao avaliado.</p><p>- Pode ser avaliada em campo.</p><p>- Baixo custo financeiro.</p><p>- Limitado ao período da puberdade.</p><p>- Fragmenta o processo de maturidade</p><p>sexual em estágios.</p><p>- Não permite estabelecer em que</p><p>momento se deu o início do estágio</p><p>e nem quanto tempo permaneceu</p><p>nesse estágio.</p><p>Maturação</p><p>somática</p><p>- Pode ser avaliada em situações</p><p>de campo.</p><p>- Obtida a partir do registro de</p><p>variáveis antropométricas.</p><p>- Equações específicas por sexo</p><p>para predizer a idade do pico de</p><p>velocidade em altura de forma</p><p>transversal.</p><p>- Baixo custo financeiro.</p><p>- Limitado ao intervalo do estirão do</p><p>crescimento.</p><p>- Medidas longitudinais para a</p><p>determinação direta da idade do pico</p><p>de velocidade em altura.</p><p>FONTE: Elaborado pelos autores</p><p>A avaliação da maturidade esquelética é feita a partir de radiografias</p><p>da mão e do punho. Após a avaliação da radiografia a partir de diferentes</p><p>métodos que usam indicadores e critérios distintos, é possível atribuirmos uma</p><p>idade estimada para o desenvolvimento desse esqueleto. Essa idade estimada é</p><p>conhecida como idade esquelética ou idade óssea, o que representa basicamente</p><p>a idade biológica de cada criança ou adolescente (MALINA; BOUCHARD; BAR-</p><p>OR, 2004; MALINA, 2011). A partir da diferença entre a idade esquelética e a</p><p>idade cronológica podemos classificar meninos e meninas em três categorias de</p><p>estatuto maturacional: atrasado (tardio), normomaturo (no tempo) e adiantado</p><p>(precoce). Portanto, futuro professor, se você sabe que sua aluna tem 12 anos de</p><p>idade cronológica e verifica que a idade esquelética dela é correspondente a 10,5</p><p>anos, essa aluna pode ser considerada como atrasada/tardia quanto ao nível de</p><p>maturidade esquelética. Veja na figura a seguir quais são os critérios usados para a</p><p>classificação do estatuto maturacional de seu aluno.</p><p>TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>149</p><p>FIGURA 52 - CLASSIFICAÇÃO DAS CATEGORIAS DE MATURIDADE ESQUELÉTICA</p><p>(ATRASADO/TARDIO VS. NORMOMATURO/NORMAL VS. ADIANTADO/PRECOCE)</p><p>BASEADO NA DIFERENÇA ENTRE A IDADE ESQUELÉTICA (IE) E A IDADE</p><p>CRONOLÓGICA (IC)</p><p>FONTE: Elaborado pelos autores</p><p>A avaliação da maturação sexual é representada nas figuras seguintes</p><p>de meninos e meninas, ilustrando o desenvolvimento dos caracteres sexuais</p><p>secundários, em que os mais utilizados são os pelos púbicos, glândulas mamárias e</p><p>desenvolvimento genital (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004; TANNER, 1962).</p><p>Tanner (1962) classifica em cinco as categorias (estágios) para um dos caracteres. Em</p><p>geral, os traços gerais dos estágios de desenvolvimento dos diferentes caracteres</p><p>sexuais secundários são descritos como: o estágio 1 corresponde ao estado pré-</p><p>púbere, isto é, a ausência de manifestação do carácter analisado; o estágio 2 indica</p><p>o aparecimento desse carácter, por exemplo, a elevação inicial da mama nas</p><p>meninas ou o aparecimento da pilosidade púbica em ambos os sexos; os estágios</p><p>3 e 4 caracterizam-se pela continuação do processo de maturação do carácter em</p><p>causa e são, de algum modo, mais difíceis de distinguir; o estádio 5 corresponde</p><p>ao adulto ou estado maduro do carácter avaliado.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>150</p><p>FI</p><p>G</p><p>U</p><p>R</p><p>A</p><p>5</p><p>3</p><p>-</p><p>E</p><p>ST</p><p>Á</p><p>G</p><p>IO</p><p>S</p><p>D</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>SE</p><p>N</p><p>V</p><p>O</p><p>LV</p><p>IM</p><p>E</p><p>N</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>A</p><p>G</p><p>E</p><p>N</p><p>IT</p><p>Á</p><p>LI</p><p>A</p><p>(</p><p>À</p><p>E</p><p>SQ</p><p>U</p><p>E</p><p>R</p><p>D</p><p>A</p><p>)</p><p>E</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>P</p><p>E</p><p>LO</p><p>S</p><p>P</p><p>U</p><p>B</p><p>IA</p><p>N</p><p>O</p><p>S</p><p>(À</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>A</p><p>)</p><p>E</p><p>M</p><p>M</p><p>E</p><p>N</p><p>IN</p><p>O</p><p>S</p><p>TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>151</p><p>FO</p><p>N</p><p>T</p><p>E</p><p>:</p><p>D</p><p>is</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>ív</p><p>e</p><p>l e</p><p>m</p><p>:</p><p><</p><p>h</p><p>tt</p><p>p</p><p>:/</p><p>/b</p><p>vs</p><p>m</p><p>s.</p><p>sa</p><p>u</p><p>d</p><p>e</p><p>.g</p><p>o</p><p>v.</p><p>b</p><p>r/</p><p>b</p><p>vs</p><p>/p</p><p>u</p><p>b</p><p>lic</p><p>ac</p><p>o</p><p>e</p><p>s/</p><p>o</p><p>ri</p><p>e</p><p>n</p><p>ta</p><p>c</p><p>o</p><p>e</p><p>s_</p><p>at</p><p>e</p><p>n</p><p>d</p><p>im</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>_</p><p>ad</p><p>o</p><p>le</p><p>sc</p><p>n</p><p>te</p><p>_</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>in</p><p>o</p><p>.p</p><p>d</p><p>f></p><p>. A</p><p>c</p><p>e</p><p>ss</p><p>o</p><p>e</p><p>m</p><p>:</p><p>8</p><p>m</p><p>ai</p><p>o</p><p>2</p><p>0</p><p>17</p><p>.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>152</p><p>FI</p><p>G</p><p>U</p><p>R</p><p>A</p><p>5</p><p>4</p><p>-</p><p>E</p><p>ST</p><p>Á</p><p>G</p><p>IO</p><p>S</p><p>D</p><p>E</p><p>D</p><p>E</p><p>SE</p><p>N</p><p>V</p><p>O</p><p>LV</p><p>IM</p><p>E</p><p>N</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>A</p><p>S</p><p>M</p><p>A</p><p>M</p><p>A</p><p>S</p><p>(À</p><p>E</p><p>SQ</p><p>U</p><p>E</p><p>R</p><p>D</p><p>A</p><p>)</p><p>E</p><p>D</p><p>O</p><p>S</p><p>P</p><p>E</p><p>LO</p><p>S</p><p>P</p><p>U</p><p>B</p><p>IA</p><p>N</p><p>O</p><p>S</p><p>(À</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>IT</p><p>A</p><p>)</p><p>E</p><p>M</p><p>M</p><p>E</p><p>N</p><p>IN</p><p>A</p><p>S</p><p>TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>153</p><p>FO</p><p>N</p><p>T</p><p>E</p><p>:</p><p>D</p><p>is</p><p>p</p><p>o</p><p>n</p><p>ív</p><p>e</p><p>l e</p><p>m</p><p>:</p><p>FO</p><p>N</p><p>T</p><p>E</p><p>:</p><p><</p><p>h</p><p>tt</p><p>p</p><p>:/</p><p>/b</p><p>vs</p><p>m</p><p>s.</p><p>sa</p><p>u</p><p>d</p><p>e</p><p>.g</p><p>o</p><p>v.</p><p>b</p><p>r/</p><p>b</p><p>vs</p><p>/p</p><p>u</p><p>b</p><p>lic</p><p>ac</p><p>o</p><p>e</p><p>s/</p><p>o</p><p>ri</p><p>e</p><p>n</p><p>ta</p><p>c</p><p>o</p><p>e</p><p>s_</p><p>at</p><p>e</p><p>n</p><p>d</p><p>im</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>_</p><p>ad</p><p>o</p><p>le</p><p>sc</p><p>n</p><p>te</p><p>_</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>in</p><p>a.</p><p>p</p><p>d</p><p>f></p><p>. A</p><p>c</p><p>e</p><p>ss</p><p>o</p><p>e</p><p>m</p><p>:</p><p>8</p><p>m</p><p>ai</p><p>o</p><p>2</p><p>0</p><p>17</p><p>.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>154</p><p>O momento (idade) em que ocorre o pico de velocidade do crescimento em</p><p>altura e a porcentagem da estatura adulta alcançada em determinado momento são</p><p>os dois principais indicadores de maturidade somática utilizados nos principais</p><p>estudos da área (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). No entanto, para que</p><p>a idade no pico velocidade em altura seja obtida diretamente são necessárias</p><p>avaliações longitudinais abrangendo um intervalo de cerca dos 9-10 anos até os</p><p>16-17 anos de idade, enquanto que para a determinação direta da porcentagem da</p><p>estatura adulta é necessário obter registros longitudinais e proceder ao tratamento</p><p>dos dados, retrospectivamente, uma</p><p>vez que é necessário “esperar” que a criança</p><p>ou o adolescente alcance a idade adulta. Assim, diferentes equações preditivas têm</p><p>sido propostas para que a idade do pico de velocidade em altura e a porcentagem</p><p>da estatura adulta sejam estimadas a partir de avaliações transversais (KHAMIS;</p><p>ROCHE, 1994; MIRWALD et al., 2002).</p><p>4.2.1 Idade no pico de velocidade em altura</p><p>A partir de equações preditivas específicas propostas e validadas por</p><p>Mirwald e colaboradores (2002) é possível calcular o maturity offset em meninos e</p><p>meninas.</p><p>Equações para meninos:</p><p>Maturity offset: -9.236 + (0.0002708 x (comprimento dos membros inferiores</p><p>x altura sentada)) - (0.001663 x (idade cronológica x comprimento dos membros</p><p>inferiores)) + (0.007216 x (idade cronológica x altura sentada)) + (0.02292 x ((massa</p><p>corporal/estatura) x 100)).</p><p>Equações para meninas</p><p>Maturity offset: -9.376 + (0.0001882 x (comprimento dos membros inferiores</p><p>x altura sentada)) + (0.0022 x (idade cronológica x comprimento dos membros</p><p>inferiores)) + (0.005841 x (idade cronológica x altura sentada)) – (0,002658 x (idade</p><p>x massa corporal)) + (0.07693 x ((massa corporal/estatura) x 100)).</p><p>O maturity offset estima a distância, em anos, a que o menino e a menina</p><p>se encontram do pico de velocidade em altura, podendo o valor ser negativo (se</p><p>ainda não alcançou o pico de velocidade em altura) ou positivo (se já ultrapassou</p><p>o pico de velocidade em altura). Para obter a idade no pico de velocidade em</p><p>altura predita, você precisará somar ou diminuir o valor de maturity offset com a</p><p>idade cronológica da criança ou adolescente no caso do valor de maturity offset ser</p><p>negativo e positivo, respectivamente. Baseado nas equações apresentadas acima,</p><p>vocês viram que precisamos avaliar as seguintes medidas: massa corporal (em</p><p>kg), estatura (em cm), altura sentada (em cm) e idade cronológica (decimal) de</p><p>meninos e meninas. O comprimento dos membros inferiores deverá ser estimado</p><p>a partir da diferença entre estatura e altura sentada.</p><p>TÓPICO 1 | CRESCIMENTO, MATURAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>155</p><p>A seguir, você vê um exemplo real de dois meninos (A e B) com</p><p>idades cronológicas próximas (13,50 vs. 13,89 anos), porém com uma variação</p><p>interindividual ampla em relação à idade do pico de velocidade em altura/estatura</p><p>predita. Note que o menino A ainda irá passar pelo pico de velocidade em altura</p><p>(14,80 anos), por isso seu maturity offset é negativo, enquanto o menino B apresenta</p><p>um maturity offset positivo, indicando que ele já passou pelo período de crescimento</p><p>máximo em estatura (12,89 anos).</p><p>FIGURA 55 - EXEMPLO PRÁTICO DE DOIS MENINOS (A E B) COM IDADES CRONOLÓGICAS</p><p>PRÓXIMAS (13,50 E 13,89 ANOS), PORÉM COM IDADES NO PICO DE VELOCIDADE</p><p>EM ALTURA (PVA) OU ESTATURA (PVE) DISTINTA</p><p>FONTE: Elaborado pelos autores</p><p>Nota: IC: idade cronológica; MC: massa corporal; Comprimento MI: comprimento</p><p>de membros inferiores; PVE: pico de velocidade em altura/estatura.</p><p>4.2.2 Porcentagem da estatura adulta predita</p><p>Os estudos mais recentes têm utilizado o procedimento proposto por Khamis</p><p>e Roche (1994), que prevê para o cálculo da estatura adulta predita a utilização da</p><p>estatura e massa corporal atual da criança ou do adolescente juntamente com a</p><p>estatura média dos pais. A equação está disponível no estudo original. Ela não</p><p>será apresentada aqui, pois o seu entendimento é um pouco mais complicado, o</p><p>que requer mais tempo. Após esse cálculo da estatura adulta predita a partir da</p><p>equação é preciso verificar quanto a estatura atual corresponde da estatura adulta</p><p>predita a partir do seguinte cálculo mostrado a seguir:</p><p>% Porcentagem da estatura adulta predita: (estatura atual/ estatura adulta</p><p>predita) x 100.</p><p>Na prática, você observará crianças e adolescentes de mesma idade</p><p>cronológica com diferentes porcentagens de estatura adulta predita alcançada</p><p>em um determinado momento. O gráfico a seguir apresenta um exemplo prático</p><p>de três meninos jovens (A, B e C) com diferentes níveis de maturidade somática</p><p>durante o período da infância e adolescência.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>156</p><p>GRÁFICO 17 - EXEMPLO PRÁTICO MOSTRANDO A PORCENTAGEM DA ESTATURA ADULTA</p><p>PREDITA DE TRÊS MENINOS (A, B E C) DURANTE A INFÂNCIA (7 ANOS),</p><p>ADOLESCÊNCIA (14 ANOS) E VIDA ADULTA (40 ANOS)</p><p>FONTE: Armstrong (2007)</p><p>157</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Os períodos etários que todos nós passamos ao longo das duas primeiras décadas</p><p>de vida pós-natal: início da infância, pré-adolescência ou infância (podendo ser</p><p>dividida em primeira e segunda infância) e adolescência.</p><p>• O processo de crescimento, maturação biológica e desenvolvimento embora</p><p>sejam inter-relacionados e aconteçam simultaneamente, representam processos</p><p>biológicos diferentes.</p><p>• O crescimento representa o aumento no tamanho do corpo como um todo ou</p><p>o tamanho atingido por partes específicas do corpo, enquanto a maturação</p><p>biológica pode ser descrita como o processo contínuo de tornar-se maduro ou</p><p>progresso em direção ao estado biológico maduro.</p><p>• A maturação biológica pode ser avaliada por meio de metodologias consideradas</p><p>não invasivas (maturação somática) e invasivas (maturação esquelética e sexual).</p><p>• O principal indicador usado na maturação esquelética (considerado padrão-</p><p>ouro) é a estimativa da idade esquelética ou idade biológica.</p><p>• Os principais indicadores usados na maturação sexual são as características</p><p>secundárias sexuais: pelos pubianos (meninos e meninas), desenvolvimento da</p><p>genitália (somente meninos) e das mamas (somente meninas).</p><p>• Os principais indicadores de maturação somática são a idade do pico de</p><p>velocidade em altura/estatura (vimos que há equações preditivas que nos</p><p>permitem ter acesso a essa informação com medidas antropométricas</p><p>transversais) e a porcentagem da estatura adulta predita (também há equações</p><p>que predizem a estatura adulta).</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>158</p><p>1 Sobre os principais fenômenos biológicos que ocorrem durante as duas</p><p>primeiras décadas de vida, qual é o conceito de crescimento e maturação</p><p>biológica? Esses dois fenômenos biológicos representam a mesma coisa?</p><p>2 Quais são os principais métodos utilizados para avaliar o processo de</p><p>maturação biológica?</p><p>3 Enumere os parênteses em aberto à direita de acordo com a metodologia</p><p>de maturidade biológica correspondente aos principais indicadores</p><p>apresentados.</p><p>(1) Maturação esquelética ( ) Porcentagem da estatura adulta predita.</p><p>(2) Maturação sexual ( ) Desenvolvimento das mamas.</p><p>(3) Maturação somática ( ) Desenvolvimento dos pelos pubianos.</p><p>( ) Idade esquelética.</p><p>( ) Desenvolvimento da genitália.</p><p>( ) Idade no pico de velocidade em altura.</p><p>4 Geralmente, o pico de velocidade em altura durante o estirão de crescimento</p><p>adolescente acontece, em média, com que idade para meninas e meninos?</p><p>a) Aos 8 e 9 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.</p><p>b) Aos 15 e 14 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.</p><p>c) Aos 10 e 11 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.</p><p>d) Aos 12 e 14 anos de idade para meninas e meninos, respectivamente.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>159</p><p>TÓPICO 2</p><p>TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E</p><p>ADOLESCÊNCIA</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Muitas vezes, quando ouvimos falar em treinamento esportivo, logo</p><p>pensamos em um processo complexo e totalmente planejado, estruturado e</p><p>sistemático para a melhoria única e exclusiva da capacidade física de atletas de</p><p>alto rendimento. Quando pensamos em treinamento esportivo para crianças e</p><p>adolescentes, naturalmente associamos isso àqueles modelos de treinamento</p><p>específicos aplicados em programas esportivos para o desenvolvimento de jovens</p><p>atletas de elite com capacidade para atuar profissionalmente na vida adulta.</p><p>específico: Neste caso, a ideia é desenvolver ou</p><p>aprimorar as qualidades físicas mais associadas ao desporto-alvo que será</p><p>praticado. O treinamento buscará desenvolver todas as qualidades físicas</p><p>necessárias, mas o foco será um melhor aprimoramento daquelas diretamente</p><p>ligadas à execução de movimento da modalidade praticada.</p><p>• Fatores técnicos: Buscam-se desenvolver as habilidades técnicas necessárias</p><p>do desporto, ou seja, o aprimoramento da melhor técnica, aquela com melhor</p><p>economia de movimento, o gesto motor mais eficiente e ideal para realização de</p><p>determinada tarefa.</p><p>• Fatores táticos: Bompa (2002) diz que os fatores táticos são a melhoria da</p><p>estratégia por meio do estudo da tática de futuros oponentes. Ampliar a</p><p>capacidade técnica e aperfeiçoar a estratégia desenvolve um modelo estratégico.</p><p>A tática é a estratégia em ação.</p><p>• Aspectos psicológicos: É preciso pensar que todo bom desportista, independente</p><p>da modalidade, vai precisar de um bom nível motivacional, força de vontade,</p><p>confiança, perseverança e disciplina para o desenvolvimento das habilidades</p><p>necessárias.</p><p>• Habilidade para o trabalho em equipe: Em alguns desportos, principalmente os</p><p>coletivos, este fator é de imprescindível importância para um bom aprendizado</p><p>e desenvolvimento das habilidades envolvidas. O aluno vai precisar ter um bom</p><p>desenvolvimento social e saber lidar com relações sociais. Nas aulas de educação</p><p>física o desenvolvimento do trabalho em equipe vai criar alunos conscientes,</p><p>confiantes e certos de seus direitos e deveres diante da sociedade.</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>6</p><p>• Fatores ligados à saúde: A recuperação adequada é tão importante quanto ao</p><p>estímulo que será dado. Essa é uma mensagem importante aos profissionais</p><p>que precisam planejar atividades físicas para os seus alunos. O aluno vai</p><p>precisar sempre estar saudável e recuperado para realizar de maneira correta</p><p>as atividades esportivas, o seu desenvolvimento e aprendizado também vai</p><p>depender de uma saúde adequada, por isso é importante que o professor crie</p><p>estratégias de acompanhamento da qualidade de vida dos seus alunos.</p><p>• Prevenção de lesões: Aumentar o nível de flexibilidade, proporcionar aumentos</p><p>da força muscular, principalmente durante o treinamento com iniciantes são</p><p>cuidados que auxiliarão na prevenção de lesões (BOMPA, 2002). A realização de</p><p>uma prática esportiva tomando todos os cuidados de segurança também é um</p><p>ponto a se observar.</p><p>• Aspectos psicológicos: É preciso pensar que todo bom desportista, independente</p><p>da modalidade, vai precisar de um bom nível motivacional, força de vontade,</p><p>confiança, perseverança e disciplina para o desenvolvimento das habilidades</p><p>necessárias.</p><p>• Conhecimento teórico: O aluno vai precisar de um bom nível de conhecimento</p><p>dos aspectos nutricionais, psicológicos, do funcionamento do organismo, da</p><p>Fisiologia, do planejamento do aumento sistemático da carga de treinamento e</p><p>da necessidade de uma boa recuperação. Estes aspectos o professor vai precisar</p><p>saber transmitir da melhor forma possível, sempre respeitando as características</p><p>dos indivíduos que ele está trabalhando, sua realidade e sua faixa etária.</p><p>FIGURA 1 – DESENVOLVIMENTO INTEGRAL NA INFÂNCIA</p><p>FONTE: Disponível em: <http://maurosandri.blogspot.com.br/2015/11/</p><p>atividade-fisica-na-infancia-pode-ser.html>. Acesso em: 2 fev.</p><p>2017.</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>Camila</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>7</p><p>2.1 O TREINAMENTO FÍSICO</p><p>O treinamento físico, ou um bom condicionamento físico, é um dos primeiros</p><p>aspectos que lembramos quando pensamos em atletas. O que vem a sua mente</p><p>quando você pensa no treinamento físico? Esforço, cansaço, fadiga, superação,</p><p>gasto energético, são vários os fatores que podemos elencar. Geralmente, as pessoas</p><p>ligam o treinamento a atletas, ou quando pensam em treinamento lembram-se do</p><p>mais rápido, do mais alto, do mais forte. Não era esse o lema grego? O que você</p><p>poderia listar como componentes que fazem parte do treinamento físico?</p><p>Segundo Bompa (2002), o treinamento físico é em muitos dos casos o</p><p>fator mais importante para o rendimento esportivo. Dependendo da modalidade</p><p>o treinamento físico vai ser um fator que receberá mais ou menos ênfase, mas</p><p>sempre muito considerado. O objetivo deste é o desenvolvimento do potencial</p><p>fisiológico e das habilidades motoras. O treinamento físico é divido por muitos</p><p>autores em treinamento geral e treinamento específico. Perceba, caro acadêmico,</p><p>que deve haver uma ordem lógica em um treinamento organizado e planejado,</p><p>segundo Bompa (2002), pode ser desenvolvido na seguinte sequência:</p><p>1. Treinamento físico geral.</p><p>2. Treinamento físico específico.</p><p>3. Aperfeiçoamento das capacidades biomotoras.</p><p>É sugerido que o desenvolvimento desta sequência ocorra durante o</p><p>planejamento anual, ou seja, aplicado com o objetivo de chegar ao final de</p><p>uma temporada no melhor rendimento. No caso do trabalho com crianças é</p><p>sempre bom lembrar da necessidade de respeitar as fases de desenvolvimento e</p><p>crescimento (POWERS; HOWLEY, 2005). Dessa forma, esta sequência também</p><p>se aplica de maneira longitudinal, ou seja, nos primeiros anos da infância a</p><p>preocupação do professor vai estar voltada ao desenvolvimento geral e global dos</p><p>alunos, o desenvolvimento do organismo como um todo a partir de atividades</p><p>mais lúdicas. Ao que, na adolescência, durante a fase da puberdade, pelo desejo de</p><p>muitos pais e pela própria vontade dos adolescentes, estes são encaminhados para</p><p>alguma modalidade específica. Nesse momento, o professor vai trabalhar com</p><p>estes indivíduos buscando o aperfeiçoamento físico específico da modalidade.</p><p>Em outras palavras, o aprimoramento fisiológico ideal para desempenhar tal</p><p>desporto. A necessidade de respeitar a sequência citada acima no decorrer de uma</p><p>temporada permanece válida.</p><p>Com o final da puberdade, o jovem poderá começar o trabalho de</p><p>desenvolvimento e aperfeiçoamento das capacidades biomotoras específicas,</p><p>buscar-se-á o aprimoramento das qualidades físicas, como força, potência,</p><p>resistência e velocidade de maneira que o desporto seja praticado em um bom</p><p>nível de rendimento.</p><p>Camila</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>8</p><p>IMPORTANTE</p><p>Tenha em mente que a maioria dos livros que abordam a teoria do Treinamento</p><p>Desportivo dividem um planejamento anual ou uma temporada em períodos de preparação.</p><p>Os dois principais são o período preparatório, quando ocorrerá a preparação física geral e</p><p>específica e; o período competitivo em que ocorrerá o aperfeiçoamento das capacidades</p><p>biomotoras específicas. Ainda, você poderá encontrar, na literatura, outras divisões de períodos,</p><p>nomeadamente os períodos de pré-temporada, de base, pré-competitivo, de transição,</p><p>entre outros.</p><p>Segundo Powers e Howley (2005), existem muitas questões não esclarecidas</p><p>relacionadas às respostas fisiológicas de uma criança saudável a vários tipos</p><p>de exercício. Muito do que é realizado na prática do treinamento com crianças</p><p>e adolescentes ainda é de forma empírica e sem muito embasamento científico.</p><p>Isto se dá pela seguinte razão, por questões éticas óbvias muitas pesquisas e</p><p>projetos não são aplicados com crianças para salvaguardar o bem-estar físico</p><p>do indivíduo. Dessa forma, pouco se sabe sobre os efeitos da exposição ao calor</p><p>ou ao frio extremo, ou outros ambientes hostis, por exemplo. Poucos cientistas</p><p>fariam uma biópsia muscular em uma criança somente para saber os efeitos de</p><p>determinado treinamento. Assim, muito do que existe na teoria do treinamento</p><p>durante a infância e a adolescência está relacionado ao desenvolvimento do</p><p>sistema cardiopulmonar e do sistema musculoesquelético (MACARDLE et al.,</p><p>2005). No decorrer desta unidade, mais precisamente no Tópico 2, vamos estudar</p><p>o desenvolvimento do sistema aeróbio e dos sistemas anaeróbios de produção</p><p>de energia. O</p><p>No entanto, sabemos que o número de crianças e adolescentes envolvidos em</p><p>programas esportivos de alto rendimento é relativamente baixo devido a sua</p><p>característica seletiva. Em comparação, podemos encontrar um número muito</p><p>maior de crianças e adolescentes que optam em praticar esportes em uma</p><p>perspectiva apenas recreacional, assim como podemos ter aqueles jovens que</p><p>são extremamente sedentários e não conseguem cumprir as recomendações</p><p>diárias de prática de atividade física. Nesse sentido, seria intuitivamente ingênuo</p><p>negligenciar os potenciais benefícios dos modelos de desenvolvimento físico em</p><p>longo prazo como uma estratégia para melhorar diversos fatores relacionados à</p><p>saúde, aptidão física e capacidade esportiva de todas as crianças e adolescentes,</p><p>independentemente do nível de capacidade física (sedentário, fisicamente ativo ou</p><p>bem treinado).</p><p>O interesse pela saúde, aptidão física e bem-estar das crianças e dos</p><p>adolescentes na sociedade atual está em evidência em todo momento devido às</p><p>constantes preocupações com o aumento na prevalência de inatividade física,</p><p>obesidade infantil e sua associação com o desenvolvimento de doenças crônicas</p><p>degenerativas não transmissíveis (DIETZ, 1998; OGDEN et al., 2014). Além</p><p>dessas questões de saúde pública, outras preocupações têm sido apontadas</p><p>em consequência do baixo nível de atividade física habitual das crianças e dos</p><p>adolescentes, tais como maior susceptibilidade à ocorrência de lesões relacionadas</p><p>à atividade física ou ao esporte, constante percepção de cansaço físico e desistências</p><p>da prática esportiva na infância e adolescência (DIFIORI et al., 2014; MATOS;</p><p>WINSLEY; WILLIAMS, 2011). Por essas razões, os modelos de treinamento físico</p><p>para crianças e adolescentes têm como grande desafio propor uma abordagem</p><p>estruturada para evitar a inatividade física e promover o amplo desenvolvimento</p><p>de todas as capacidades físicas desde a infância até a vida adulta. Contudo,</p><p>professores/treinadores devem saber que melhorar a aptidão física de crianças e</p><p>adolescentes é uma questão complexa e dinâmica, devido às diferentes interações</p><p>160</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>de crescimento, maturação e treinamento (LLOYD et al., 2014). Além disso, para</p><p>garantir um desenvolvimento holístico durante a infância e adolescência, os</p><p>profissionais devem estar cientes dos fatores psicossociais, educacionais e de estilo</p><p>de vida que podem afetar o engajamento, a aderência e adesão aos programas</p><p>esportivos ou de atividade física, e a satisfação em geral na prática do esporte nos</p><p>diferentes contextos (alto rendimento, participação/lazer ou educacional).</p><p>2 PERÍODOS SENSÍVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS</p><p>CAPACIDADES FÍSICAS</p><p>Você já deve ter ouvido falar de períodos sensíveis para o treinamento</p><p>com crianças e adolescentes. Você já ouviu comentários sobre o termo “janela de</p><p>oportunidade”? Será que as adaptações induzidas pelo treinamento esportivo</p><p>estão relacionadas com os diferentes períodos etários e com os estágios de</p><p>desenvolvimento maturacional?</p><p>Conceitualmente, esses períodos sensíveis para o treinamento das</p><p>capacidades físicas, também conhecidos como “janelas de oportunidade”, são</p><p>caracterizados como períodos de desenvolvimento ou adaptação acelerada dos</p><p>componentes de aptidão física a partir de um estímulo de treinamento adequado</p><p>durante as diferentes fases de desenvolvimento maturacional da criança e do</p><p>adolescente (FORD et al., 2011a; LLOYD; OLIVER, 2012). Em teoria, o período</p><p>do estirão do crescimento adolescente, no qual meninas e meninos passarão</p><p>por diversas mudanças morfológicas, metabólicas, moleculares, anatômicas e</p><p>endócrinas, parece ser o momento ótimo para a aplicação do treinamento, pois</p><p>é quando vamos visualizar as maiores e principais mudanças na maior parte das</p><p>capacidades físicas e motoras (PHILIPPAERTS et al., 2006).</p><p>As informações disponíveis na área de fisiologia do exercício e treinamento</p><p>físico para populações pediátricas baseado em estudos de design longitudinal</p><p>têm sugerido alguns períodos sensíveis para o desenvolvimento dos principais</p><p>componentes de aptidão física (VIRU et al., 1999). Veremos agora de maneira</p><p>resumida quais são esses possíveis períodos considerados como sensíveis (“janelas</p><p>de oportunidade”) para cada qualidade física.</p><p>• Força: sugere-se que a “janela de oportunidade” para o desenvolvimento da</p><p>força em jovens ocorra, em média, 12-18 meses após o pico de velocidade</p><p>em altura, período que coincide com o pico de velocidade em peso corporal.</p><p>A fundamentação por trás dessa informação é que adolescentes passarão</p><p>por períodos de ganhos rápidos de massa muscular como resultado das</p><p>concentrações aumentadas de hormônios anabólicos circulantes.</p><p>• Flexibilidade: recomenda-se que o momento ótimo para o desenvolvimento</p><p>da flexibilidade ocorre entre os 6 e 10 anos de idade (meio e final da infância)</p><p>para ambos os sexos. Embora pareça receber menor atenção em programas de</p><p>treinamento durante a infância e adolescência, a manutenção e desenvolvimento</p><p>TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>161</p><p>da flexibilidade devem ser parte essencial de qualquer programa de treinamento</p><p>com jovens, especialmente para garantir que crianças e adolescentes sejam</p><p>capazes de atingir amplitudes de movimento adequadas em qualquer prática</p><p>esportiva.</p><p>• Aptidão aeróbia (resistência): o período ótimo para o desenvolvimento</p><p>da aptidão aeróbia ocorre no momento que meninos e meninas atingem o</p><p>pico de velocidade em altura. Recomenda-se que a potência aeróbia seja</p><p>progressivamente introduzida após o pico de velocidade em altura, quando a</p><p>taxa de velocidade do crescimento começa a desacelerar.</p><p>• Hipertrofia: sugere-se que a partir da idade de 14 anos para meninos e 12 anos</p><p>para as meninas, o treinamento para o desenvolvimento da hipertrofia muscular</p><p>pode ser enfatizado. Conforme mencionado anteriormente, essas fases de</p><p>desenvolvimento normalmente ocorrem após o pico de velocidade em altura,</p><p>em um momento que os níveis de testosterona e hormônio do crescimento</p><p>circulante rapidamente aumentam de acordo com o estirão do crescimento</p><p>adolescente. Esses aumentos nas concentrações séricas de testosterona, estradiol,</p><p>progesterona tem sido diretamente associada às vias de sinalização celular para</p><p>a síntese proteica.</p><p>• Potência: Períodos de desenvolvimento rápido na potência muscular têm sido</p><p>estabelecidos em crianças pré-púberes entre as idades de 5 e 10 anos. Estes períodos</p><p>de desenvolvimento acelerado são em grande parte atribuíveis à coordenação</p><p>neuromuscular melhorada. Um segundo período de desenvolvimento acelerado</p><p>tem sido mostrado no início da puberdade em meninas entre 9 e 12 anos e em</p><p>meninos entre 12 e 14 anos, com desenvolvimento mais significativo da potência</p><p>muscular de membros inferiores nas idades de 14 e 15 anos. Esse segundo</p><p>período de ganho acelerado está relacionado a uma combinação de fatores</p><p>hormonais, musculares e mecânicos causados pelo início da puberdade (como</p><p>visto com os outros componentes da aptidão).</p><p>• Velocidade: Meninos e meninas mostram um similar desenvolvimento da</p><p>velocidade durante a primeira década de vida, com o primeiro período de</p><p>adaptação acelerada sugerido a ocorrer entre os 5 e 9 anos de idade em ambos os</p><p>sexos. A partir dos 12 anos de idade, a taxa de progressão de desenvolvimento</p><p>da velocidade é dramaticamente reduzida em meninas comparada aos meninos.</p><p>Essa diferença entre os sexos é atribuída às mudanças maturacionais em</p><p>dimensão e composição corporal. Por fim, um segundo período de adaptação</p><p>acelerada ocorre entre os 12 e 15 anos de idade nos meninos, enquanto para as</p><p>meninas esse segundo período acontece por volta dos 12 anos de idade.</p><p>• Agilidade: Não existe um consenso em relação ao período de desenvolvimento</p><p>acelerado para a agilidade. Talvez, isso possa ser explicado pelas poucas</p><p>evidências na área de prescrição de treinamento para populações pediátricas</p><p>tratando sobre</p><p>os períodos específicos para a melhoria da agilidade.</p><p>Recentemente, tem sido sugerido que a agilidade deve ser progressivamente</p><p>desenvolvida a partir do meio da infância até o início da vida adulta.</p><p>Apesar do período da puberdade durante a adolescência ser a principal</p><p>fase de mudanças físicas e motoras relacionadas ao processo de maturação</p><p>biológica (BEUNEN; MALINA, 1988), devemos ter cautela na interpretação</p><p>e aplicação desse conceito de períodos sensíveis em relação à estruturação e</p><p>162</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>prescrição de treinamento físico para crianças e adolescentes. As evidências mais</p><p>recentes recomendam que tenhamos cuidado na interpretação do termo “janelas</p><p>de oportunidade”, pois podemos associar isso ao fato de que teremos somente</p><p>esse período para o amplo desenvolvimento dos componentes de aptidão física</p><p>(FORD et al., 2011a; LLOYD; OLIVER, 2012). Em outras palavras, isso significa</p><p>que se não desenvolvermos determinado componente de aptidão física entre o</p><p>exato momento em que a janela para essa aptidão física se abre até o momento</p><p>final em que ela se fecha, perderemos um período considerado chave e, como</p><p>consequência o desenvolvimento de todo o potencial atlético de nossa criança ou</p><p>adolescente poderia ficar comprometido. Na verdade, as evidências recentes vêm</p><p>tentando descontruir essa teoria e pensamento que alguns treinadores/professores</p><p>ainda aplicam na prática, e mostrando que todos os componentes de aptidão</p><p>física e sistemas biológicos são treináveis durante todo o processo de crescimento</p><p>e maturação biológica, isto é, desde a infância até a vida adulta (FORD et al.,</p><p>2011a; LLOYD; MEYERS; OLIVER, 2011; LLOYD et al., 2013; OLIVER; LLOYD;</p><p>RUMPF, 2013). Adicionalmente, essas recomendações recentes mostram que não</p><p>há razões para acreditarmos que exista um limiar maturacional para as adaptações</p><p>fisiológicas e de desempenho físico como previamente estabelecido, na qual</p><p>previa que somente após o período da infância ou da pré-puberdade que meninos</p><p>e meninas se favoreceriam de adaptações positivas induzidas pelo treinamento</p><p>físico. Maiores detalhes em relação às novas abordagens para a prescrição do</p><p>treinamento físico em crianças e adolescentes serão destacados e mostrados no</p><p>próximo item deste tópico.</p><p>3 MODELOS DE DESENVOLVIMENTO FÍSICO EM LONGO</p><p>PRAZO PARA JOVENS</p><p>Durante todo o processo de crescimento e desenvolvimento humano,</p><p>a maior parte das crianças e dos adolescentes é constantemente estimulada a</p><p>se envolver em múltiplos programas esportivos com o propósito de maximizar</p><p>o desenvolvimento das suas capacidades físicas e habilidades motoras</p><p>(CAPRANICA; MILLARD-STAFFORD, 2011; MAIA et al., 2010). Na prática,</p><p>você, enquanto futuro professor/treinador, poderá encontrar/aplicar abordagens</p><p>distintas de modelos de treinamentos para jovens. Geralmente, os programas de</p><p>treinamento físico são planejados e estruturados baseados em resultados em curto</p><p>e longo prazo (BOMPA; CARRERA, 2015).</p><p>Apesar do desenvolvimento das capacidades físicas de crianças e</p><p>adolescentes ao longo do processo de crescimento e maturação biológica com</p><p>o intuito de maximizar o sucesso atlético na vida adulta não ser um conceito</p><p>relativamente novo, pesquisadores e professores/treinadores ligados ao esporte têm</p><p>mostrado cada vez mais interesse em conhecer detalhadamente as características</p><p>dos programas atuais de desenvolvimento físico em longo prazo para os jovens</p><p>(LLOYD; OLIVER, 2012). Esses mesmos pesquisadores têm recomendado</p><p>TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>163</p><p>fortemente que crianças/adolescentes não sejam tratadas como “adultos em</p><p>miniatura”. Enquanto futuros professores/treinadores devemos saber que crianças</p><p>e adolescentes têm características fisiológicas, físicas e psicológicas totalmente</p><p>distintas daquelas apresentadas por adultos e, portanto, tais diferenças precisam</p><p>ser levadas em consideração durante a estruturação do programa de treinamento.</p><p>Historicamente, os modelos de treinamento físico de crianças e adolescentes</p><p>têm sido fundamentalmente baseados apenas na idade cronológica (CÔTÉ,</p><p>1999). A figura a seguir ilustra de forma simples o processo sequencial para o</p><p>desenvolvimento do componente físico em longo prazo ao longo da infância e</p><p>adolescência (BOMPA; CARRERA, 2015).</p><p>FIGURA 56 - ABORDAGEM DE DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES MOTORAS E</p><p>CAPACIDADES FÍSICAS EM LONGO PRAZO BASEADO NA IDADE CRONOLÓGICA</p><p>DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE</p><p>FONTE: Bompa e Carrera (2015)</p><p>Você notará que a base da pirâmide, que nós podemos considerar o</p><p>início de qualquer programa de treinamento físico, consiste no desenvolvimento</p><p>múltiplo de habilidades multilaterais. Quando esse desenvolvimento alcança um</p><p>nível considerado aceitável, os jovens atletas estão aptos a se especializar em uma</p><p>determinada modalidade esportiva desejada. Após essa etapa, esse jovem atleta</p><p>é conduzido ao nível de alto rendimento ou à prática de atividades esportivas</p><p>relacionadas ao lazer. Essa proposta temporal do desenvolvimento atlético em</p><p>longo prazo, mostrado por Bompa e Carrera (2015), estabelece que apesar das</p><p>variações interindividuais e da especificidade dos diferentes tipos de esportes,</p><p>o desenvolvimento dos componentes físicos e habilidades motoras das crianças</p><p>e adolescentes deverão ser estruturados e aplicados de forma progressiva. No</p><p>entanto, essa proposta, apresentada na figura acima, apresenta um panorama</p><p>mais simplista, especialmente por estabelecer a progressão do treinamento</p><p>164</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>físico para crianças e adolescentes baseado apenas na idade cronológica. Esses</p><p>modelos estruturados dentro de uma perspectiva apenas cronológica têm sido</p><p>considerados falhos e amplamente criticados na literatura (FORD et al., 2011a). A</p><p>partir desse contexto, novas abordagens são necessárias e, de fato, alguns modelos</p><p>interessantes vêm propondo novos direcionamentos de forma mais compreensiva</p><p>para o desenvolvimento das capacidades físicas em longo prazo ao longo de toda</p><p>infância e adolescência (LLOYD; OLIVER, 2012).</p><p>Recentemente, uma nova abordagem para o desenvolvimento físico</p><p>em longo prazo para jovens, conhecido em inglês como “Long-Term Athletic</p><p>Development – LTAD”, tem ganhado destaque na área de condicionamento e</p><p>prescrição do treinamento físico para crianças e adolescentes (FORD et al., 2011a;</p><p>LLOYD; OLIVER, 2012). Esse modelo LTAD tem proposto que o nível maturacional</p><p>da criança e/ou adolescente seja levado em consideração durante a organização e</p><p>prescrição do treinamento, diferente daquelas propostas que têm usado apenas a</p><p>idade cronológica como referencial. Esse modelo baseado na inter-relação entre</p><p>crescimento, maturação e treinamento, que respeita as fases do crescimento e o</p><p>nível de desenvolvimento maturacional da criança/adolescente, possibilita uma</p><p>abordagem mais adequada e individualizada, maximizando o desenvolvimento</p><p>de todo potencial atlético desse jovem e minimizando o risco de lesões ao longo do</p><p>tempo, seja dentro do ambiente escolar ou contexto esportivo (LLOYD; OLIVER,</p><p>2012).</p><p>Na prática profissional, alguns professores/treinadores ainda se baseiam</p><p>naquele conceito que as adaptações induzidas pelo treinamento em jovens ficam</p><p>restritas somente ao período da adolescência, isto é, crianças pré-púberes não serão</p><p>responsivas aos sucessivos estímulos do treinamento durante a fase da infância/</p><p>pré-adolescência. Esse novo modelo LTAD proposto por Lloyd e Oliver (2012)</p><p>estabelece novas perspectivas de treinamento para crianças e adolescentes para</p><p>além daquela abordagem que tem sido fundamentada na ideia que o treinamento</p><p>dos diferentes componentes de aptidão física deva ser enfatizado apenas naqueles</p><p>períodos de adaptação acelerada, conhecidos como “janelas de oportunidade”,</p><p>na qual as adaptações induzidas pelo treinamento parecem ser maximizadas</p><p>(VIRU et al., 1999). Portanto, dentro de</p><p>uma perspectiva mais prática, esse novo</p><p>modelo LTAD procura mostrar que não há apenas um único momento ideal para</p><p>a aplicação de diferentes regimes de treinamento visando ao aprimoramento das</p><p>principais capacidades físicas consideradas essenciais para a saúde das crianças e</p><p>dos adolescentes, e para que esses jovens consigam ter bons rendimentos durante</p><p>a prática de programas esportivos. Com isso, pensar que o treinamento das</p><p>principais capacidades físicas deve ficar exclusivamente restrito àquele período de</p><p>rápido desenvolvimento natural que cada uma das diferentes capacidades físicas</p><p>e motoras apresenta pode ser uma abordagem ultrapassada. Você verá, logo a</p><p>seguir, a partir de recomendações mais atualizadas, que as capacidades físicas</p><p>relacionadas ao desenvolvimento motor em sua maior parte, apesar da diferença</p><p>na magnitude das adaptações entre o período da infância e da adolescência, são</p><p>treináveis e devem estrategicamente ser estimuladas também ao longo de toda a</p><p>TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>165</p><p>infância (MORAN et al., 2016), não se restringindo aos períodos sensíveis (“janelas</p><p>de oportunidade”) específicos de cada capacidade física comumente observada</p><p>durante o período de estirão em crescimento da adolescência.</p><p>A partir de uma perspectiva integrativa, esse novo modelo de LTAD tem</p><p>estabelecido uma proposta para o desenvolvimento físico de jovens desde o</p><p>início da infância (2 anos de idade) até a vida adulta (21 + anos de idade). Os</p><p>modelos de desenvolvimento físico para meninos e meninas, nas figuras acima,</p><p>podem ser visualizados logo a seguir. Esse modelo mais completo e baseado em</p><p>evidências atuais fornecerá aos treinadores, professores e também aos pais uma</p><p>base de informações consistentes para maximizar o desenvolvimento físico global</p><p>em longo prazo de qualquer criança e adolescente envolvidas no esporte de</p><p>rendimento, no esporte participação/lazer ou no esporte educacional. Você verá</p><p>que dentro desse modelo teórico, a ênfase do treinamento ao longo da infância</p><p>e adolescência é destacada a partir do aumento no tamanho da fonte (ou seja,</p><p>quanto maior for o tamanho da fonte, mais importante é o treinamento para aquela</p><p>aptidão física em questão). Por exemplo, se trabalharmos com meninas entre 10</p><p>e 11 anos, o modelo mostra que devemos primeiramente focar o treinamento</p><p>dessas meninas para o desenvolvimento da agilidade, velocidade, força e potência</p><p>muscular juntamente com as habilidades específicas dos esportes (possivelmente</p><p>mais de 1 ou 2), que elas praticam durante as aulas de Educação Física ou sessões</p><p>de treino em clubes esportivos. Por outro lado, treinamentos voltados para o</p><p>ganho de massa muscular (hipertrofia), potência e capacidade aeróbia (endurance)</p><p>e condicionamento metabólico devem ter um foco reduzido nesta faixa etária com</p><p>meninas entre 10 e 11 anos de idade.</p><p>166</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>FIGURA 57 - UM NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES FÍSICAS</p><p>EM MENINOS AO LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA LEVANDO EM</p><p>CONSIDERAÇÃO AS DIFERENTES FASES DO CRESCIMENTO E MATURAÇÃO</p><p>BIOLÓGICA</p><p>FONTE: Adaptado de Lloyd e Oliver (2012)</p><p>Nota: O tamanho da fonte refere-se à importância no desenvolvimento dessa</p><p>qualidade física; caixa azul clara refere-se ao período da infância, caixa azul escura refere-</p><p>se ao período da adolescência. HMS: habilidades motoras fundamentais; HEE: habilidades</p><p>específicas ao esporte que pratica; PVA: pico de velocidade em estatura.</p><p>TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>167</p><p>FIGURA 58 - UM NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES FÍSICAS</p><p>EM MENINAS AO LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA LEVANDO EM</p><p>CONSIDERAÇÃO AS DIFERENTES FASES DO CRESCIMENTO E MATURAÇÃO</p><p>BIOLÓGICA</p><p>FONTE: Adaptado de Lloyd e Oliver (2012)</p><p>Nota: O tamanho da fonte refere-se à importância no desenvolvimento dessa</p><p>qualidade física; caixa rosa clara refere-se ao período da infância, caixa rosa escura refere-</p><p>se ao período da adolescência. HMS: habilidades motoras fundamentais; HEE: habilidades</p><p>específicas ao esporte que pratica; PVA: pico de velocidade em estatura.</p><p>É importante lembrar que esse modelo teórico foi apresentado para nortear</p><p>a prescrição de treinamento em crianças e adolescentes levando em consideração</p><p>os diferentes eventos maturacionais que acontecem durante todo o processo</p><p>de crescimento humano. É importante deixar claro para você que os modelos</p><p>apresentados nas figuras acima consideram uma situação em que estamos</p><p>trabalhando com meninos e meninas que tem um ritmo maturacional normal</p><p>(normomaturos), isto é, que não são nem atrasados (tardio) nem adiantados</p><p>(precoce) no nível de maturidade biológica. No entanto, em um contexto prático de</p><p>treinamento em ambientes esportivos e escolares, você, enquanto futuro professor/</p><p>treinador encontrará jovens alunos/atletas de diferentes faixas maturacionais,</p><p>idades, sexos e experiência em treinamento. Portanto, nos próximos itens veremos</p><p>como as diferenças relacionadas à idade e à maturação biológica podem ser</p><p>manipuladas para que a prescrição se torne cada vez mais individualizada e</p><p>apropriada para as características dos seus jovens alunos/atletas.</p><p>168</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>3.1 DIFERENÇAS RELACIONADAS AO SEXO</p><p>Embora seja amplamente reconhecido que meninos se envolvem de maneira</p><p>mais regular em esportes jovens do que as meninas durante a juventude, houve um</p><p>aumento do número total de crianças e adolescentes que participam ativamente em</p><p>esportes juvenis organizados na última década. Ao trabalhar com jovens, qualquer</p><p>professor/treinador deve estar ciente das diferenças fisiológicas e maturacionais</p><p>que existem entre meninos e meninas. Dessa forma, os programas de treinamento</p><p>devem ser individualizados e específicos para meninos e meninas. Durante os anos</p><p>pré-púberes (meio e final da infância), meninos e meninas basicamente seguirão</p><p>taxas de desenvolvimento semelhantes em crescimento e maturação, e apesar das</p><p>consistentes diferenças relacionadas ao sexo, força, velocidade, potência, aptidão</p><p>aeróbia e coordenação irão se desenvolver em taxas similares para ambos os sexos</p><p>ao longo da infância (ARMSTRONG, 2007; MALINA; BOUCHARD; BAR-OR,</p><p>2004). Consequentemente, considerando uma perspectiva prática, tanto as meninas</p><p>quanto os meninos podem seguir programas de treinamento semelhantes durante</p><p>os anos da pré-puberdade. O modelo LTAD preconiza que o foco de treinamento</p><p>para meninos e meninas seja direcionado ao desenvolvimento de habilidades de</p><p>movimentos fundamentais, força, velocidade e agilidade.</p><p>Após o início do estirão de crescimento adolescente, as diferenças de</p><p>maturação são aparentes para quase todos os componentes da aptidão física, com</p><p>os meninos melhorando a maioria das qualidades físicas mais que as meninas, com</p><p>exceção da flexibilidade (MALINA; BOUCHARD; BAR-OR, 2004). Tipicamente,</p><p>o início do estirão de crescimento adolescente ocorre cerca de 2 anos antes em</p><p>meninas (cerca de 10 anos de idade) do que em meninos (aproximadamente 12 anos</p><p>de idade) (IULIANO-BURNS; MIRWALD; BAILEY, 2001), e na maioria dos casos,</p><p>as meninas experimentam o pico de velocidade em altura em uma idade mais cedo</p><p>que meninos (12 anos versus 14 anos, respectivamente) (BEUNEN; MALINA, 1988).</p><p>Durante o estirão de crescimento adolescente, as meninas passarão por processos</p><p>fisiológicos específicos do sexo que podem afetar o desempenho/rendimento</p><p>físico: aumento da massa gorda, taxas diferenciais de desenvolvimento da força</p><p>neuromuscular, da altura e do peso; início do ciclo menstrual, frouxidão articular</p><p>aumentada, aumento do ângulo valgo do joelho; e dependência aumentada no</p><p>uso do membro inferior dominante em situações de aterrisagem ao solo, todas</p><p>associadas a um risco aumentado de lesão do ligamento cruzado anterior sem</p><p>contato (HEWETT; MYER; FORD, 2004; HEWETT; ZAZULAK; MYER, 2007).</p><p>Consequentemente, o modelo</p><p>LTAD sugere que estratégias de treinamento</p><p>destinadas a reduzir o risco de lesões do ligamento cruzado anterior sem contato,</p><p>como treinamento pliométrico, fortalecimento do core, treinamento de força e</p><p>treinamento de equilíbrio, devam ser utilizadas nos programas de treinamento</p><p>físico de jovens meninas e mantidas até a idade adulta.</p><p>TÓPICO 2 | TREINAMENTO ESPORTIVO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>169</p><p>3.2 TREINAMENTO PARA JOVENS: MATURAÇÃO TARDIA VS.</p><p>PRECOCE</p><p>Por causa da ampla variabilidade interindividual no timing de maturação,</p><p>é necessário que qualquer modelo de treinamento físico específico para crianças</p><p>e adolescentes contenha um grau de flexibilidade (LLOYD et al., 2012). Uma</p><p>criança ou adolescente com nível de maturidade biológica avançada (precoce) tem</p><p>sido previamente definida como uma menina ou menino que inicia seu estirão</p><p>de crescimento adolescente aproximadamente 1,5 ou 2 anos mais cedo que uma</p><p>criança ou adolescente de ritmo maturacional tardio (GASSER et al., 2001). No</p><p>contexto prático, você enquanto futuro professor/treinador de condicionamento</p><p>físico deverá perceber que uma criança ou adolescente de ritmo maturacional</p><p>tardio ou precoce precisará ser tratado de forma um pouco diferente comparado a</p><p>uma criança ou adolescente classificado como normomaturo (ritmo maturacional</p><p>normal).</p><p>Na prática, podemos pensar que se uma criança é classificada como</p><p>adiantada no nível de maturidade biológica (precoce), então os componentes do</p><p>modelo para o desenvolvimento físico em longo prazo precisarão ser movidos</p><p>para a esquerda, permitindo assim que a criança ou o adolescente inicie técnicas</p><p>de treinamento mais avançadas em uma idade cronológica anterior ou mais nova.</p><p>Por outro lado, os componentes do modelo LTAD devem ser direcionados para a</p><p>direita no caso de trabalhar com uma criança ou adolescente que é considerado</p><p>como atrasado no processo maturacional (tardio), introduzindo-os assim a um</p><p>treinamento mais avançado em uma idade cronológica posterior ou mais velha,</p><p>momento em que eles estarão fisiologicamente prontos para lidar com o aumento</p><p>do estímulo de treinamento. Em qualquer um destes casos, embora a prescrição</p><p>de treinamento varie de acordo com a idade cronológica, deve-se permitir maior</p><p>consistência e maior precisão em termos da idade biológica da criança e do</p><p>adolescente.</p><p>Como vimos no Tópico 1, existem algumas metodologias não invasivas que</p><p>possibilitam estimar a idade do pico de velocidade em altura ou a porcentagem da</p><p>estatura adulta alcançada em um determinado momento. A partir disso, podemos</p><p>estruturar e aplicar diferentes programas de treinamento e condicionamento físico</p><p>para crianças e adolescentes de acordo com o nível maturacional de cada um</p><p>deles, respeitando, dessa forma, as individualidades biológicas. Por exemplo, se</p><p>trabalharmos com um grupo de meninos ou meninas classificadas como Pré-PVA</p><p>(> 1 ano antes do PVA) ou <85% da estatura adulta predita alcançada, os programas</p><p>de treinamento devem ser estruturados para promover prioritariamente positivas</p><p>adaptações neurais e, por consequência, proporcionar ganhos de força, potência</p><p>e velocidade. Agora, se trabalharmos com jovens entre 89% e 95% da estatura</p><p>adulta predita alcançada (meio e final da puberdade), os programas devem ser</p><p>direcionados para induzir tanto adaptações neurais quanto adaptações estruturais.</p><p>Por fim, se trabalhar com um grupo de jovens com 95% ou mais da estatura</p><p>170</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>adulta predita alcançada, caracterizando assim a pós-puberdade, a organização</p><p>e aplicação dos programas de treinamento deveriam ser fundamentalmente</p><p>baseados em promover significantes ganhos de força, potência e velocidade por</p><p>meio do desenvolvimento da hipertrofia muscular.</p><p>171</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Crianças e adolescentes passam por períodos de adaptação ou desenvolvimento</p><p>natural acelerado, comumente conhecido como “janela de oportunidade”, que</p><p>é caracterizada por um momento de sensibilidade aumentada às adaptações</p><p>induzidas pelo exercício ou treinamento.</p><p>• A maior parte das capacidades físicas (velocidade, força, potência, aptidão</p><p>aeróbia) apresenta a sua fase de adaptação ou desenvolvimento natural acelerado</p><p>próximo ao período de máximo crescimento em altura/estatura (ou seja, o pico</p><p>de velocidade em altura).</p><p>• Ao mesmo tempo, um novo modelo proposto por Lloyd e Oliver (2012) propõe</p><p>que todas as capacidades físicas devem ser progressivamente desenvolvidas ao</p><p>longo de toda a infância e adolescência em meninos e meninas. De fato, esse</p><p>novo modelo questiona um pouco aquele paradigma de que o treinamento de</p><p>qualquer capacidade física deveria ser exclusivamente restrito ao período de</p><p>adaptação acelerada (“janela de oportunidade”).</p><p>• Esse mesmo modelo apresenta também uma proposta mais aprofundada em</p><p>relação à estruturação e desenvolvimento dos principais componentes da</p><p>aptidão física levando em consideração o nível de desenvolvimento biológico</p><p>da criança e do adolescente, e não apenas baseado na idade cronológica.</p><p>• Recomenda-se que a potência muscular, e principalmente a força muscular,</p><p>seja integralmente desenvolvida desde o início da infância até o início da vida</p><p>adulta em meninos e meninas a partir de diferentes progressões de exercício e</p><p>modalidades de treinamento.</p><p>• Programas de treinamento voltados para o desenvolvimento da hipertrofia</p><p>muscular, aumento da aptidão aeróbia e treinamentos de característica metabólica</p><p>devem ser aplicados em direção ao final da puberdade e pós-puberdade (final</p><p>da adolescência).</p><p>• O programa de treinamento precisa ser individualizado para cada criança e</p><p>adolescente, considerando especialmente as diferenças relacionadas ao sexo e</p><p>à maturidade biológica. Por exemplo, um menino com um ritmo maturacional</p><p>mais rápido (adiantado) pode iniciar exercícios mais complexos em uma idade</p><p>cronológica mais cedo que aquele menino que apresente um ritmo maturacional</p><p>mais lento. Obviamente que isso só deverá acontecer se esse jovem aluno/atleta</p><p>já dominar as competências técnicas necessárias para tal.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>172</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Defina o que representa o termo “janelas de oportunidade”.</p><p>2 Assinale com verdadeiro (V) ou falso (F) as sentenças a seguir, considerando</p><p>as recomendações do modelo LTAD previamente apresentado em relação ao</p><p>desenvolvimento dos principais componentes de aptidão física em crianças</p><p>e adolescentes.</p><p>a) ( ) A progressão do treinamento físico para crianças e adolescentes deve ser</p><p>baseada apenas na idade cronológica.</p><p>b) ( ) Os modelos de progressão do treinamento físico estruturado dentro de</p><p>uma perspectiva apenas cronológica têm sido considerados falhos e tem</p><p>recebido algumas críticas, especialmente por não considerar as variações</p><p>interindividuais no ritmo de desenvolvimento biológico.</p><p>c) ( ) O nível maturacional da criança e/ou adolescente não precisa ser levado</p><p>em consideração durante o processo de organização e prescrição do</p><p>treinamento.</p><p>d) ( ) O modelo LTDA proposto baseia-se na inter-relação entre crescimento,</p><p>maturação e treinamento, respeitando assim as fases do crescimento e o</p><p>nível de desenvolvimento maturacional da criança/adolescente, assim como</p><p>possibilitando uma abordagem mais adequada e individualizada.</p><p>e) ( ) O modelo apresentado estabelece que todas as capacidades físicas e</p><p>habilidades motoras devem ser progressivamente estimuladas desde o</p><p>início da infância até a vida adulta, ainda que o nível de importância de cada</p><p>qualidade física varie ao longo da infância e adolescência.</p><p>f) ( ) De acordo com o modelo TTDA, o treinamento aeróbio (endurance) e</p><p>condicionamentos metabólicos devem ser enfatizados desde os anos iniciais</p><p>de formação do jovem aluno/atleta.</p><p>g) ( ) Durante o período da infância, as principais adaptações induzidas pelo</p><p>esforço ou treinamento são mais relacionadas aos fatores neurais, enquanto</p><p>que no período da puberdade as mudanças podem ser atribuídas</p><p>aos</p><p>componentes neural e estrutural.</p><p>3 Preencha o quadro a seguir mencionando quais são os componentes físicos</p><p>ou motores que devem ser desenvolvidos prioritariamente nos diferentes</p><p>períodos etários da infância e adolescência em meninos e meninas?</p><p>Início da Infância Meio da Infância Puberdade Final da Adolescência</p><p>173</p><p>TÓPICO 3</p><p>ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS</p><p>PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA</p><p>E ADOLESCÊNCIA</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste último tópico, veremos como os diferentes componentes da</p><p>aptidão física podem ser progressivamente desenvolvidos ao longo da infância</p><p>e da adolescência. No entanto, devemos lembrar que para uma formação mais</p><p>holística da criança e do adolescente, além do componente físico devemos levar em</p><p>consideração o desenvolvimento psicológico, comportamental e social de todos.</p><p>De fato, esses três últimos fatores não foram o foco da Unidade 3, por isso ficaremos</p><p>mais atentos à estruturação e periodização dos programas de treinamento físico nos</p><p>diferentes períodos etários ao longo de todo processo de crescimento e maturação</p><p>biológica da criança e do adolescente.</p><p>2 TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA PARA CRIANÇAS E</p><p>ADOLESCENTES</p><p>A capacidade de realizar e sustentar um determinado esforço físico por</p><p>longos períodos de tempo é comumente chamado de resistência aeróbia ou</p><p>aptidão aeróbia. De fato, a aptidão aeróbia não é simplesmente uma habilidade</p><p>exclusiva de corredores, nadadores, remadores, ou esquiadores de cross-country de</p><p>longas distâncias como se pensava anteriormente. O desenvolvimento da aptidão</p><p>aeróbia também é de fundamental importância para a maioria das jovens crianças</p><p>e adolescentes praticantes de esportes de equipe (handebol, futebol, basquetebol,</p><p>rugby, hóquei de grama). Maiores níveis de aptidão aeróbia durante a infância e</p><p>a adolescência farão com que os futuros alunos/atletas envolvidos em qualquer</p><p>programa de prática esportiva lidem melhor não somente com as constantes</p><p>cargas de treinamento e competição impostas sobre eles, mas também com as</p><p>tarefas escolares e as demandas físicas da vida diária de qualquer jovem (BOMPA;</p><p>CARRERA, 2015). De um modo geral, as principais modalidades de exercício</p><p>usadas para o desenvolvimento da aptidão aeróbia envolvem corrida, ciclismo,</p><p>natação, remo, canoagem, triathlon. Além disso, programas recreativos utilizando</p><p>as modalidades coletivas como estratégia para o aumento da aptidão aeróbia são</p><p>ferramentas viáveis e úteis tanto no contexto escolar quanto nos clubes esportivos.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>174</p><p>2.1 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO AERÓBIO</p><p>Crianças e adolescentes de ambos os sexos e diferentes níveis de</p><p>treinamento podem se beneficiar de qualquer programa de treinamento aeróbio</p><p>bem estruturado e supervisionado desde o início da infância até o início da vida</p><p>adulta. Entre os maiores benefícios de um programa de treinamento aeróbio bem</p><p>planejado estão (ARMSTRONG; BARKER, 2010; BOMPA; CARRERA, 2015):</p><p>• Aumentos nos valores de consumo máximo de oxigênio (VO2max).</p><p>• Aumento do volume sistólico e débito cardíaco.</p><p>• Redução dos valores de frequência cardíaca de repouso.</p><p>• Redução do risco de complicações cardíacas.</p><p>• Aumento do número de hemoglobinas.</p><p>• Melhora da economia de movimento.</p><p>2.2 RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA PRESCRIÇÃO DO</p><p>EXERCÍCIO AERÓBIO EM JOVENS</p><p>Segundo Armstrong e Barker (2010), um programa de treinamento</p><p>apropriado para aumentar a potência aeróbia de crianças e adolescentes deve incluir</p><p>modos de exercícios contínuos e intermitentes, usando os grandes grupamentos</p><p>musculares, com uma frequência mínima de 3-4 sessões de treino com duração entre</p><p>40 e 60 minutos por semana ao longo de no mínimo 8 a 12 semanas. Além disso,</p><p>a intensidade do exercício durante as aulas ou sessões de treino deve variar entre</p><p>85-90% da frequência cardíaca máxima. A seguir serão brevemente apresentadas</p><p>as principais considerações que devem ser pensadas durante o planejamento e</p><p>estruturação das aulas ou sessões de treino para o desenvolvimento da aptidão</p><p>aeróbia ao longo da infância e adolescência.</p><p>Pré-puberdade (meninos: 0-12 anos; meninas: 0-11 anos)</p><p>De uma maneira geral, a infância pode ser caracterizada por um período</p><p>em que as crianças podem apresentar baixos níveis de coordenação motora e</p><p>economia de movimento. Além disso, as crianças parecem apresentar uma baixa</p><p>tolerância aos esforços de longa duração, especialmente por elas considerarem</p><p>esse tipo de atividade como uma tarefa de baixa motivação (BOMPA; CARRERA,</p><p>2015).</p><p>O principal objetivo do treinamento para meninos e meninas na fase da</p><p>pré-puberdade é progressivamente tornar essas crianças capazes de realizar</p><p>qualquer forma de atividade física por um período de tempo mais prolongado</p><p>antes de experimentar o cansaço. As aulas ou sessões de treino voltadas para o</p><p>desenvolvimento da aptidão aeróbia nessa fase do processo de crescimento devem</p><p>ser exclusivamente lúdicas por meio de desafios, jogos não estruturados e tarefas</p><p>de baixa complexidade física. O desenvolvimento da aptidão aeróbia nessa fase não</p><p>deve, em hipótese alguma, ser proposto de uma maneira altamente estruturada e</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>175</p><p>controlada como, por exemplo, propor voltas de corrida para uma dada distância</p><p>ou velocidade. Isso, de fato, seria um grande desserviço para as crianças. Lembre-</p><p>se de que crianças têm um baixo nível de concentração e atenção e, portanto, não</p><p>devem ser consideradas como adultos em sua versão mais jovem. Se a atividade</p><p>pretendida não for atraente e divertida, eles estarão mais propensos a querer parar</p><p>o exercício ou associar o exercício à fadiga. Esse modelo de desenvolvimento da</p><p>aptidão aeróbia não funcionará com crianças. Eles irão facilmente ficar entediados</p><p>com esse padrão de aula ou sessão de treino e, podem ainda prematuramente</p><p>apresentar sintomas de fadiga/cansaço exagerado.</p><p>Durante a pré-puberdade, crianças parecem lidar melhor com atividades</p><p>ou exercícios que sejam curtas em duração e requeiram velocidade. De modo</p><p>algum ofereça atividades competitivas com distâncias acima de 100-200 metros.</p><p>Estas distâncias não devem ser aplicadas em programa algum de exercício aeróbio</p><p>para meninos e meninas pré-púberes porque as crianças não são capazes de</p><p>tolerar a percepção de esforço e fadiga aumentada específica que ocorre neste tipo</p><p>de atividade de alta intensidade. Somente ao final da adolescência professores/</p><p>treinadores são encorajados a incorporar essas distâncias nos programas esportivos</p><p>de seus jovens alunos/atletas. O período da infância é o momento de introduzir</p><p>diferentes formas de brincadeira e jogos não estruturados, e também envolver as</p><p>crianças em minijogos com pequenas regras simplificadas e com a menor rigidez</p><p>possível. Além disso, para facilitar as restrições e programação, as crianças devem</p><p>jogar durante o tempo que for divertido e não estressante.</p><p>Puberdade (meninos: 12-15 anos; meninas: 11-15 anos)</p><p>Uma vez que meninos e meninas entram na puberdade, seu nível de</p><p>aptidão aeróbia melhora progressivamente, mas com padrões diferentes entre os</p><p>sexos. Enquanto os meninos aumentam sua aptidão aeróbia desde a infância até</p><p>o início da vida adulta, as meninas parecem melhorar a sua capacidade aeróbia</p><p>até o meio/final da puberdade (ARMSTRONG; WELSMAN, 2000; ARMSTRONG,</p><p>2007). Devemos pensar que o início da puberdade representa o ponto de partida</p><p>para a elaboração de um programa de treinamento um pouco mais estruturado</p><p>(BOMPA; CARRERA, 2015). Qualquer programa de treinamento de aeróbio</p><p>para jovens adolescentes durante a puberdade tem como propósito continuar</p><p>desenvolvendo todos os componentes relacionados à aptidão aeróbia. Neste</p><p>período, o desenvolvimento das características aeróbias será ainda mais benéfico,</p><p>pois os alunos/atletas lidarão melhor com o aumento no número de horas de</p><p>treinamento por semana e também com a demanda total do treinamento, que</p><p>aumentará progressivamente durante a puberdade e pós-puberdade. Maiores</p><p>níveis de aptidão aeróbia também proporcionará uma capacidade de recuperação</p><p>mais rápida entre as sessões de treinamento, tornando os jovens adolescentes</p><p>melhor condicionados para tolerar uma carga de treinamento progressivamente</p><p>crescente.</p><p>Como muito dos jovens nesse período estarão envolvidos na prática de</p><p>algum programa esportivo, considere desenvolver a aptidão aeróbia por meio dos</p><p>trabalhos técnicos e táticos específicos de cada modalidade esportiva. Eventualmente,</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>176</p><p>se você estiver trabalhando com jovens atletas dentro de um ambiente esportivo</p><p>mais formal e estruturado, introduza a realização de treinamentos físicos para o</p><p>aprimoramento da aptidão aeróbia específica para determinada modalidade. Isto é,</p><p>propor certos tipos de treinamento aeróbio não significa necessariamente executar</p><p>voltas e mais voltas controlando o tempo. Professores e treinadores podem fazer</p><p>as aulas ou sessões de treino mais agradáveis e estimulantes, variando a distância</p><p>e terreno e organizando um treino mais desafiador. Para esportes de equipe, os</p><p>professores/treinadores podem definir a duração de exercícios técnicos e táticos</p><p>com o desenvolvimento da aptidão aeróbia em mente. Por exemplo, pode propor</p><p>uma atividade que dure entre 3 a 5 minutos com propósito de reforçar os padrões</p><p>técnicos, aprimorar os conceitos táticos e desenvolver a aptidão aeróbia de maneira</p><p>específica ao esporte praticado (BOMPA; CARRERA, 2015).</p><p>Final da Adolescência (meninos: 16+ anos; meninas: 15+ anos)</p><p>Conforme nossos jovens alunos/atletas melhor se adaptam ao treinamento,</p><p>o custo energético para uma determinada tarefa se torna mais efetiva e econômica,</p><p>fazendo com que o desempenho físico melhore constantemente. As diferenças</p><p>biológicas, assim como as diferenças de desempenho físico entre meninos e</p><p>meninas continuam crescendo ainda mais durante a fase final da adolescência</p><p>ou pós-puberdade. Embora haja maior visibilidade sobre o esporte masculino,</p><p>não esqueça que temos grandes exemplos de atletas femininas que mostram suas</p><p>habilidades esportivas em um nível de desempenho excelente, tais como a tenista</p><p>Serena Williams e a jogadora de futebol Marta.</p><p>A partir da base aeróbia construída na fase da pré-puberdade e puberdade,</p><p>as aulas ou sessões de treino agora se tornam mais específicas para atender às</p><p>exigências do esporte que nosso aluno/atleta pratica de maneira mais formal e</p><p>estruturada. Contudo, treinadores/professores devem lembrar que não precisam</p><p>excluir as outras opções de treinamento visando ao aprimoramento de competências</p><p>técnicas. Podemos pensar juntos, que durante os dois ou três primeiros anos dessa</p><p>etapa do processo de crescimento podemos desenvolver os componentes de</p><p>capacidade e potência aeróbia geral para os esportes coletivos ou individuais. E</p><p>então, nas etapas finais da fase final da adolescência, quando nossos alunos/atletas</p><p>estão se aproximando da vida adulta, maior ênfase é dada sobre os treinamentos</p><p>mais específicos respeitando a demanda fisiológica do esporte praticado por eles</p><p>(BOMPA; CARRERA, 2015).</p><p>2.3 TREINO DE FORÇA PARA JOVENS E CRIANÇAS –</p><p>PARADIGMAS</p><p>Existem várias dúvidas quando discutimos o treinamento para jovens.</p><p>Devemos treinar força com os jovens? Se sim, como treinaremos? Se não, por que</p><p>não? O treino de força prejudica o crescimento e desenvolvimento da criança, ou,</p><p>pelo contrário, ele auxilia?</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>177</p><p>De modo genérico, podemos classificar o treinamento de força como</p><p>o conjunto de treinamento realizado com o objetivo de melhoria da força,</p><p>resistência e potência muscular. Temos que lembrar que treinamento de força não</p><p>necessariamente quer dizer halterofilismo ou culturismos, treinamento de força para</p><p>jovens e crianças não deve ser isso. No treinamento de força não necessariamente</p><p>são utilizadas cargas máximas como nestes esportes, e muito em particular para</p><p>crianças e jovens, uma sobrecarga com pesos que se conseguem realizar poucas</p><p>repetições já causa adaptações necessárias (FAIGENBAUM; WESTCOTT, 2009).</p><p>Acreditamos que não se deve dedicar o jovem exclusivamente ao</p><p>treinamento de força, porém este é um ótimo complemento para que o jovem</p><p>desenvolva força e saúde. Segundo Faigenbaum e Westcott (2009), dois grupos de</p><p>crianças precisam do treinamento de força são eles:</p><p>• Crianças com fraco desenvolvimento das atividades físicas regulares ou diárias,</p><p>resultado da vida cada vez mais sedentária. Este grupo está em crescente</p><p>aumento.</p><p>• Crianças desportistas, um grupo em menor escala, necessidade para realização</p><p>de certos gestos desportivos com excelência e acima de tudo segurança para</p><p>evitar lesões.</p><p>Entre os modelos de treinamento que podem ser utilizados com crianças e</p><p>jovens destacam-se os exercícios calistênicos, exercícios de peso livre, os exercícios</p><p>de máquina e os exercícios pliométricos, todos possuem pontos positivos e negativos</p><p>(FAIGENBAUM; WESTCOTT, 2009). Exercícios calistênicos, como flexões de braço,</p><p>apresentam um custo muito barato, porém com certa limitação quanto ao número</p><p>de exercícios que podem ser feitos, principalmente para crianças e adolescentes</p><p>com sobrepeso. Exercícios com máquinas têm os benefícios de serem mais fáceis</p><p>para realizar por serem mais controlados, porém temos os problemas de a maioria</p><p>das máquinas não serem construídas para as crianças, e terem um custo muito</p><p>elevado. Já os exercícios com pesos livres e os exercícios pliométricos parecem</p><p>ser a melhor escolha, visto que o praticante se adapta facilmente ao equipamento</p><p>como, por exemplo, cordas, caixotes, barras e halteres. Além disso, a quantidade</p><p>de exercícios que podem ser realizados é muito vasta. Além disso, se pensarmos</p><p>em um custo e benefício, esta também é uma boa escolha.</p><p>2.4 ADAPTAÇÕES AO TREINAMENTO DE FORÇA E POTÊNCIA</p><p>Crianças e adolescentes de ambos os sexos e diferentes níveis de treinamento</p><p>podem se beneficiar de qualquer programa de treinamento de força e potência</p><p>bem estruturado e supervisionado de forma segura desde o início da infância até o</p><p>início da vida adulta. Entre os maiores benefícios de um programa de treinamento</p><p>resistido bem prescrito estão (FLECK; KRAEMER, 2014):</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>178</p><p>• Aumento da força, potência e resistência muscular (capacidade de um ou</p><p>mais músculos realizar múltiplas repetições com uma determinada resistência</p><p>externa).</p><p>• Melhora da saúde cardiovascular, metabólica e óssea.</p><p>• Melhora no desempenho em tarefas específicas ao esporte.</p><p>• Menor susceptibilidade ao desenvolvimento de lesões relacionadas à prática</p><p>esportiva.</p><p>• Melhora na saúde mental como, por exemplo, aumento na percepção de bem-</p><p>estar psicológico e desenvolvimento de hábitos saudáveis em longo prazo.</p><p>• Melhora na capacidade cognitiva, melhorando assim o rendimento escolar de</p><p>crianças e adolescentes.</p><p>2.5 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO</p><p>EXERCÍCIOS NA MÁQUINA E DE PESO LIVRE</p><p>Caro acadêmico! Você concordará conosco que a estruturação de um</p><p>programa de treinamento de força para jovens envolve muito mais do que</p><p>simplesmente prescrever o número de séries e repetições. Um bom programa</p><p>de treinamento de força com jovens envolve instrução e supervisão, juntamente</p><p>com uma progressão adequada das cargas, um aquecimento dinâmico adequado</p><p>e uma compreensão que nossos jovens alunos/atletas não são simplesmente</p><p>adultos em “miniatura”. Uma vez que os diferentes componentes da aptidão</p><p>física vão melhorando durante a infância e adolescência como resultado natural</p><p>do desenvolvimento biológico, um fator-chave na estruturação e planejamento</p><p>de qualquer programa de treinamento de força é equilibrar as demandas do</p><p>treinamento com a necessidade para recuperação entre os diversos estímulos.</p><p>Com uma prescrição apropriada de todas</p><p>as variáveis agudas de treino, levando</p><p>em consideração não apenas a idade cronológica, mas também o nível de</p><p>maturidade biológica da criança e do adolescente, o treinamento de força pode ser</p><p>uma atividade agradável para meninos e meninas com diferentes necessidades,</p><p>objetivos e habilidades motoras (LLOYD et al., 2012).</p><p>Veremos agora como podemos estruturar as aulas ou sessões de treino para</p><p>o desenvolvimento da força, resistência e potência muscular usando exercícios na</p><p>máquina, pesos livres (halteres e barras), medicine ball e faixas elásticas durante</p><p>todo o processo de crescimento e desenvolvimento biológico. De um modo geral, o</p><p>quadro a seguir estabelece recomendações básicas para a progressão dos exercícios</p><p>em um programa de treinamento de força com jovens (FLECK; KRAEMER, 2014).</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>179</p><p>QUADRO 4 - DIRETRIZES BÁSICAS PARA A PROGRESSÃO DO TREINAMENTO DE FORÇA EM</p><p>CRIANÇAS A PARTIR DE EXERCÍCIOS CALISTÊNICOS, MÁQUINAS, PESO LIVRE,</p><p>MEDICINE BALL E FAIXAS ELÁSTICAS</p><p>Faixa Etária Considerações</p><p>5-7 anos</p><p>Introduza a criança aos exercícios básicos com pouca ou nenhuma</p><p>resistência externa; desenvolva o conceito de uma aula ou sessão de</p><p>treino; ensine as técnicas corretas dos exercícios; progrida de exercícios</p><p>calistênicos realizado com peso corporal, exercícios em dupla, e então</p><p>exercícios com carga leve; mantenha o volume e intensidade de treino</p><p>baixo.</p><p>8-10 anos</p><p>Gradualmente, aumente o número de exercícios; pratique as</p><p>competências técnicas para todos os exercícios; inicie a progressão</p><p>gradual das cargas levantadas por aparelho; mantenha exercícios de</p><p>baixa complexidade; aumente o volume lentamente; cuidadosamente</p><p>monitore a tolerância da criança ao esforço induzido pelo exercício.</p><p>11-13 anos</p><p>Ensine as técnicas básicas de todos os exercícios; continue progredindo</p><p>lentamente a carga de cada exercício; dê ênfase nas competências</p><p>técnicas; introduza exercícios um pouco mais avançados com pouca</p><p>ou nenhuma resistência.</p><p>14-15 anos</p><p>Progrida para programas de treinamento de força de nível</p><p>intermediário; adicione componentes específicos ao esporte praticado</p><p>pelo adolescente; aumente o volume e intensidade gradualmente.</p><p>16+ anos</p><p>Entra em programas de treinamento de força mais avançados após</p><p>adquirir as competências técnicas necessária nos estágios anteriores.</p><p>FONTE: Fleck e Kraemer (2014)</p><p>Considerações para o treinamento de força na infância</p><p>Quando o programa de treino é interessante e desafiador, e o professor/</p><p>treinador está engajado e motivado, as crianças e os adolescentes raramente</p><p>perdem uma aula ou sessão de treino. Segundo Fleck e Kraemer (2014), a aderência</p><p>de jovens em um bom programa de treinamento de força pode ser superior a 95%.</p><p>Principalmente durante o período da infância ou pré-puberdade, precisamos ser</p><p>criativos na elaboração da aula ou treino e atenciosos no momento que conversamos</p><p>com nossas crianças.</p><p>Embora seja lógico assumir que exercícios mais pesados produzam melhores</p><p>resultados, nesse período do meio para o final da infância (7-10 anos de idade),</p><p>meninos e meninas respondem favoravelmente a curtas sessões de treinamento</p><p>e conseguem excelentes ganhos de força fazendo mais repetições (entre 10 e 15)</p><p>com cargas moderada durante as semanas iniciais. Em geral, recomenda-se que</p><p>seja realizado entre 8 a 10 exercícios com uma frequência de 2 a 3x por semana</p><p>(FAIGENBAUM, 2000). Quanto às possibilidades de exercícios, meninos e meninas</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>180</p><p>nesta fase da pré-puberdade podem não se ajustar adequadamente às maquinas</p><p>disponíveis nos ginásios de aula ou treino, uma vez que os membros inferiores</p><p>e superiores de crianças são mais curtos. Nesse caso, professores/treinadores</p><p>podem propor diferentes exercícios usando principalmente medicine ball e faixas</p><p>elásticas, exercícios com o próprio peso corporal ou ainda com peso-livre (halteres</p><p>de peso leve). Além disso, durante as aulas de Educação Física ou sessão de treino,</p><p>o desenvolvimento de diversas estações (treinamento em circuitos) ao redor do</p><p>ginásio ou local de treino se mostra uma excelente e estimuladora estratégia para</p><p>o aumento da força, resistência e potência muscular em jovens (FAIGENBAUM;</p><p>WESTCOTT, 2009). Lembre-se de que o programa de treinamento deve sempre</p><p>contemplar exercícios que fortaleçam não somente os músculos dos membros</p><p>superiores e inferiores, mas também toda musculatura da região do tronco.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Considerações práticas:</p><p>Ao trabalhar com jovens meninos e meninas nessa fase da pré-puberdade, duas coisas são</p><p>fundamentais: instrução competente e supervisão adequada. As instruções devem ser claras</p><p>e concisas, com explicações curtas e demonstração de todos os exercícios. Em relação à</p><p>supervisão, jamais permita que eles façam qualquer exercício sem um supervisor por perto.</p><p>Isso é válido também para exercícios feitos em casa. Instrua pais e familiares que esse ambiente</p><p>familiar e confortável pode reduzir a consciência de segurança e nível de concentração da</p><p>criança durante a prática.</p><p>Considerações para o treinamento de força na puberdade</p><p>O período da puberdade é um momento do desenvolvimento biológico</p><p>crítico de meninos e meninas. Ao mesmo tempo em que ocorre uma melhora na</p><p>maior parte dos componentes de aptidão física como consequência das mudanças</p><p>induzidas pelo processo de maturação biológica, é esperando que os jovens</p><p>experimentem rápidos crescimento no crescimento dos membros, o que pode causar</p><p>alguns desconfortos e/ou redução momentânea na coordenação motora (LLOYD et</p><p>al., 2012). Consequentemente, é imperativo que nesta fase, professores/treinadores</p><p>monitorem essa taxa de crescimento de seus jovens alunos/atletas (já vimos como</p><p>fazer isso lá no Tópico 1 desta unidade) e estejam ciente da possível redução nas</p><p>competências técnicas de diferentes tarefas motoras. Portanto, em um primeiro</p><p>momento, o foco das aulas ou sessões de treino estará baseado na reaquisição das</p><p>competências técnicas e coordenação motora geral e específica. Depois desse período</p><p>de rápido crescimento em estatura, que coincidirá com o pico de ganho em massa</p><p>corporal, principalmente por meio do aumento da massa muscular, as aulas ou</p><p>sessões de treino poderão ser planejadas para enfatizar um incremento progressivo</p><p>nas cargas levantadas em cada exercício.</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>181</p><p>De modo geral, recomenda-se que meninos e meninas façam entre 1-3 séries</p><p>de 6 até 15 repetições, podendo realizar entre 2 a 3 sessões por semana em dias</p><p>não consecutivos. Dependendo do nível do seu aluno/atleta, você pode prescrever</p><p>um programa incluindo entre 8 e 12 exercícios para os diferentes grupamentos</p><p>musculares (tronco, membro superior e inferior) por meio da combinação entre</p><p>exercícios multiarticulares e monoarticulares de cadeias cinética fechada e aberta.</p><p>Além disso, outras modalidades de exercício além de máquinas e peso livre podem</p><p>ser usadas como, por exemplo, medicine ball e faixas elásticas (FAIGENBAUM, 2000).</p><p>Considerações para o treinamento de força no final da adolescência</p><p>A maioria dos jovens de 15 a 18 anos é grande o suficiente para treinar</p><p>em máquinas de resistência de tamanho adulto, especialmente aqueles que</p><p>envolvem movimentos de empurrar ou puxar, tais como “leg press”, supino reto,</p><p>puxada máquina. Eles também são capazes de executar a maioria dos exercícios</p><p>de peso livre corretamente e com segurança a partir de uma boa instrução técnica</p><p>e adequada supervisão profissional. Como recomendação geral para esses jovens</p><p>adolescentes já se encaminhando para o final da adolescência e início da vida adulta,</p><p>o programa de treinamento pode ser baseado entre 3-6 séries de 6 até 15 repetições</p><p>cada dependendo dos objetivos e capacidade atlética de seu jovem aluno/atleta.</p><p>Iniciantes no treinamento de força nessa faixa etária</p><p>podem começar com 1-2 séries</p><p>de 10 a 15 repetições e progredir para 2-3 séries de 6 a 12 repetições após quatro</p><p>a oito semanas de treinamento (FAIGENBAUM; WESTCOTT, 2009). No entanto,</p><p>note que nem todos os exercícios precisam ser executados para o mesmo número de</p><p>séries. Se o tempo total de treinamento for limitado, considere executar uma série</p><p>para os exercícios de pequenos grupos musculares e séries múltiplas nos exercícios</p><p>de grande grupamento muscular. Como o desenvolvimento de outras capacidades</p><p>físicas também é importante nessa fase final do processo de crescimento, uma</p><p>frequência de treinamento de 2-3x por semana em dias não consecutivos parece ser</p><p>apropriada para a maioria dos adolescentes.</p><p>Possibilidades de exercícios com pesos livres, máquinas, medicine ball e</p><p>faixa elástica</p><p>Veremos de forma ilustrativa algumas das possibilidades de diferentes</p><p>modos de exercícios para o desenvolvimento da força, potência e resistência</p><p>muscular com crianças e adolescentes.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>182</p><p>FIGURA 59 - POSSIBILIDADES DE EXERCÍCIOS COM PESOS LIVRES</p><p>FONTE: Adaptado de: FAIGENBAUM; WESTCOTT (2009)</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>183</p><p>Levantamento de Peso (Weightlifting) como estratégia de treino em jovens</p><p>A modalidade de levantamento de peso tem sido usada e recomendada</p><p>para o desenvolvimento da força, potência e velocidade em jovens envolvidos em</p><p>programas de treinamento dentro de ambientes esportivos e escolares (LLOYD et</p><p>al., 2012). O levantamento de peso refere-se a uma modalidade esportiva olímpica,</p><p>que inclui os exercícios “snatch” e “clean e jerk” (STONE et al., 2006). O “snatch” e</p><p>o “clean e jerk” são exercícios multiarticulares muito complexos que requerem uma</p><p>sequência estruturada de movimentos para mover a barra do chão para a linha</p><p>acima da cabeça em 1 (snatch) ou 2 (cleand e jerk) movimentos (LLOYD et al., 2012).</p><p>Ao ensinar estes levantamentos aos seus jovens alunos/atletas, é necessário que o</p><p>professor/treinador de força e condicionamento use uma abordagem estruturada e</p><p>lógica. Em todos os momentos, especialmente na infância, o foco na aprendizagem</p><p>do levantamento de peso deve ser única e exclusivamente colocado na competência</p><p>técnica (não indicado o uso de qualquer tipo de carga/peso durante estes exercícios).</p><p>Portanto, é recomendado que durante a infância, meninos e meninas devem sempre</p><p>começar por realizar os levantamentos com um bastão de madeira ou um longo</p><p>pedaço de cano PVC ao invés do uso de uma barra de levantamento de peso oficial</p><p>(LLOYD et al., 2012). Uma vez que a proficiência técnica pode ser completamente</p><p>demonstrada, só então é recomendado que a criança e/ou adolescente possa usar a</p><p>barra de levantamento de peso de tamanho juvenil, que tipicamente pesa 5-10 kg.</p><p>O professor/treinador precisará usar de todo seu conhecimento e experiência para</p><p>decidir depois qual será o momento adequado que seu jovem aluno/atleta estará</p><p>pronto para usar uma barra de levantamento de peso de tamanho normal.</p><p>A figura a seguir apresenta um modelo compreensivo e estruturado</p><p>para progressão e desenvolvimento das competências técnicas nos exercícios de</p><p>levantamento de peso (snatch, clean e jerk).</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>184</p><p>FIGURA 60 - MODELO DE PROGRESSÃO PARA A MODALIDADE DE LEVANTAMENTO DE PESO</p><p>AO LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>FONTE: Adaptado de Lloyd et al. (2012)</p><p>Ao planejar e estruturar os programas de levantamento de peso para seus</p><p>jovens alunos/atletas, as seguintes variáveis: volume, intensidade, velocidade</p><p>de repetição, frequência e recuperação devem ser consideradas para garantir o</p><p>desenvolvimento atlético ideal e minimizar o risco de lesão. Vocês devem sempre</p><p>lembrar que as seguintes recomendações devem ser aplicadas dentro do contexto</p><p>das necessidades individuais de cada um dos seus alunos/atletas e, portanto,</p><p>tais variáveis de treinamento deverão sempre ser individualizadas. Lembre-se</p><p>de consultar também outras fontes de informações para ampliar o conhecimento</p><p>em relação à estruturação e planejamento do treinamento de força por meio da</p><p>modalidade de levantamento de peso (“snatch” e “clean e jerk”). O quadro a seguir</p><p>apresenta um resumo das diretrizes de prescrição de treinamento de levantamento</p><p>de peso ao longo da infância e adolescência.</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>185</p><p>Q</p><p>U</p><p>A</p><p>D</p><p>R</p><p>O</p><p>5</p><p>-</p><p>D</p><p>IR</p><p>E</p><p>T</p><p>R</p><p>IZ</p><p>E</p><p>S</p><p>P</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>A</p><p>P</p><p>R</p><p>E</p><p>SC</p><p>R</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>D</p><p>O</p><p>T</p><p>R</p><p>E</p><p>IN</p><p>A</p><p>M</p><p>E</p><p>N</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>L</p><p>E</p><p>V</p><p>A</p><p>N</p><p>TA</p><p>M</p><p>E</p><p>N</p><p>T</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>P</p><p>E</p><p>SO</p><p>A</p><p>O</p><p>L</p><p>O</p><p>N</p><p>G</p><p>O</p><p>D</p><p>A</p><p>IN</p><p>FÂ</p><p>N</p><p>C</p><p>IA</p><p>E</p><p>A</p><p>D</p><p>O</p><p>LE</p><p>SC</p><p>Ê</p><p>N</p><p>C</p><p>IA</p><p>FO</p><p>N</p><p>T</p><p>E</p><p>:</p><p>A</p><p>d</p><p>ap</p><p>ta</p><p>d</p><p>o</p><p>d</p><p>e</p><p>L</p><p>lo</p><p>yd</p><p>e</p><p>t</p><p>al</p><p>. (</p><p>2</p><p>0</p><p>12</p><p>)</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>186</p><p>Veremos a seguir quais são os principais tópicos que devemos considerar e</p><p>ter atenção em relação à manipulação das variáveis agudas de treino mencionadas</p><p>no quadro acima.</p><p>Volume</p><p>• Para meninos e meninas durante o Estágio 1 (infância), o volume da aula ou</p><p>sessão de treino deverá ser maior comparado aos últimos estágios. Pode-se chegar</p><p>até 2-4 séries de 6-12 repetições. Ainda, recomenda-se que um feedback verbal em</p><p>tempo real seja fornecido a cada repetição. Em outras palavras, se o aluno estiver</p><p>fazendo algo de errado, peça para ele parar, forneça as instruções adequadas e,</p><p>então solicite que ela faça novamente.</p><p>• Os exercícios no Estágio 1 deverão ser de baixa complexidade, baixa sobrecarga</p><p>articular e baixo impacto, preferencialmente usando o peso corporal da própria</p><p>criança.</p><p>• No Estágio 2 recomenda-se a realização de séries múltiplas entre 3-5 repetições,</p><p>fornecendo também um feedback verbal a cada repetição.</p><p>• Na transição do Estágio 2 para os dois últimos estágios, o volume dentro de cada</p><p>sessão é reduzido, enquanto a intensidade é progressivamente aumentada.</p><p>Intensidade</p><p>• No Estágio 1, meninos e meninas deverão trabalhar com o próprio peso corporal.</p><p>• No Estágio 2, fase de aprendizagem do levantamento de peso, cargas baseadas no</p><p>percentual de uma repetição máxima (%1RM) podem ser usadas.</p><p>• O uso de cargas percentuais do 1RM é considerado preferível ao invés de se</p><p>basear no levantamento de cargas máximas para um dado número de repetições</p><p>(por exemplo, 10 repetições), especialmente para evitar que jovens alunos/atletas</p><p>treinem até a falha.</p><p>Velocidade de repetição</p><p>• É necessário que dentro de cada estágio do modelo de progressão existam</p><p>movimentos explosivos, exigindo assim que a velocidade de execução seja rápida.</p><p>• No Estágio 1, a maior parte dos exercícios precisará ser feito com o movimento</p><p>lento e controlado. No entanto, o professor/treinador pode propor outros exercícios</p><p>mais simples e já dominados tecnicamente pelo aluno/atleta para incluir esse</p><p>elemento de movimentos rápidos.</p><p>Frequência</p><p>• Jovens devem acumular entre 2 a 3 horas no máximo de aulas ou sessões de treino</p><p>usando a modalidade levantamento de peso.</p><p>• Como regra geral, podem ser realizadas múltiplas sessões com durações curtas</p><p>(30 a 40 min) ao longo da semana.</p><p>• Quando os nossos jovens alunos/atletas se encaminham para os estágios finais</p><p>do modelo de progressão, a frequência de aulas ou sessões de treino por semana</p><p>podem chegar a 5 vezes.</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>187</p><p>Recuperação</p><p>• Como recomendação geral, um período de recuperação de 48 horas entre as</p><p>aulas ou sessões de treino parece ser o ideal.</p><p>• Com crianças pré-púberes e adolescentes no início da puberdade, esse tempo de</p><p>recuperação entre as aulas ou sessões de treino podem chegar até 72 horas.</p><p>• Ao trabalhar com jovens, fique atento aos principais sintomas de um processo</p><p>de recuperação física inadequada, o que pode cronicamente sinalizar</p><p>supertreinamento (overtraining): redução</p><p>da capacidade física, percepção de</p><p>fadiga constante, infecções das vias aéreas superiores, qualidade de sono</p><p>diminuída, mudanças de humor e perda de peso acentuada.</p><p>2.6 ESTRUTURAÇÃO DO TREINAMENTO USANDO</p><p>EXERCÍCIOS PLIOMÉTRICOS</p><p>Pliometria refere-se a uma modalidade do treinamento de força, expressado</p><p>principalmente na forma de saltos ou pulos, na qual um “alongamento” excêntrico</p><p>do músculo é rapidamente terminado por uma potente contração isométrica,</p><p>iniciando desta forma um reflexo de estiramento biotático ou muscular, o qual irá</p><p>melhorar a ação concêntrica subsequente (LLOYD; MEYERS; OLIVER, 2011). O</p><p>treinamento pliométrico tem sido uma estratégia excelente e segura para promover</p><p>adaptações positivas (aumento de desempenho) na capacidade de produção</p><p>de força e potência muscular, velocidade de corrida e economia de movimento</p><p>(BOMPA; CARRERA, 2015; FAIGENBAUM, 2000; FLECK; KRAEMER, 2014;</p><p>MORAN et al., 2016). Tais capacidades motoras são determinadas por um padrão</p><p>muscular específico conhecido como ciclo alongamento-encurtamento (CAE), uma</p><p>combinação de processos sequenciais envolvendo ações musculares excêntricas,</p><p>isométricas e concêntricas que resultam em uma maior produção da força</p><p>concêntrica subsequente (KOMI, 1986). O CAE se mostra diretamente dependente</p><p>de mecanismos relacionados ao armazenamento de energia potencial elástica e ao</p><p>grau de atividade muscular reflexa (CAVAGNA; DUSMAN; MARGARIA, 1968;</p><p>KOMI; GOLLHOFER, 1997). É importante esclarecer que o CAE pode ser dividido</p><p>em ações rápidas (< 250 m) e lentas (> 250 m).</p><p>2.7 IMPLICAÇÕES PARA O TREINAMENTO PLIOMÉTRICO</p><p>Como com qualquer forma de programa de treinamento, as principais</p><p>variáveis agudas para a prescrição de exercício (intensidade, volume, frequência,</p><p>velocidade de repetição e tempo de recuperação) devem ser cuidadosamente</p><p>monitoradas para garantir um ótimo desenvolvimento atlético enquanto minimiza</p><p>o risco de lesões.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>188</p><p>• Intensidade: a intensidade de um exercício pliométrico refere-se à quantidade</p><p>de stress colocado sobre a estrutura musculo-tendão e, portanto, é amplamente</p><p>dependente da seleção de exercício. Como regra geral, meninos e meninas devem</p><p>começar iniciando exercícios que requeiram baixa carga excêntrica (exercícios</p><p>mais simples) e gradativamente ao longo do tempo avançar para exercícios mais</p><p>complexos de maior sobrecarga excêntrica.</p><p>• Volume: no treinamento pliométrico, o volume tem sido estabelecido a partir do</p><p>número total de contato com o solo durante uma única sessão. Na infância, sugere-</p><p>se uma única série de 6-10 repetições por exercício, evoluindo posteriormente</p><p>para 2-3 séries de 6-10 repetições por exercício durante a adolescência. Em</p><p>média, o número total de contato com o solo pode variar entre 50 a 150 vezes.</p><p>• Frequência: recomenda-se a realização de treinos pliométricos 2x por semana</p><p>em dias não consecutivos.</p><p>• Velocidade de repetição: os jovens alunos/atletas devem sempre receber</p><p>informações claras e simples. Eles devem ser orientados a realizarem os</p><p>movimentos sempre o mais rápido possível e/ou o mais rápido e mais alto</p><p>possível. Lembre-se de que a técnica do movimento deve sempre ser priorizada</p><p>durante a execução da tarefa.</p><p>• Tempo de recuperação: a recuperação entre as séries deve ficar em torno de 60-</p><p>120 segundos para exercícios pliométricos de menor complexidade. Contudo,</p><p>esse tempo deve ser aumentado quando múltiplos exercícios pliométricos de</p><p>maior sobrecarga excêntrica forem realizados.</p><p>2.8 PROGRESSÃO DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO AO</p><p>LONGO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>Pensando a partir de uma perspectiva prática, você, futuro professor/</p><p>treinador, quando trabalhar com crianças e adolescentes, certamente se deparará</p><p>com um grupo de alunos/atletas extremamente heterogêneo. Além disso, irão</p><p>lidar com alunos/atletas de diferentes faixas etárias e também com características</p><p>maturacionais amplamente distintas. Portanto, você terá o desafio de planejar e</p><p>estruturar as suas aulas ou sessões de treino de acordo com o nível motor, físico e</p><p>cognitivo de seus jovens alunos/atletas. Então, como fazer isso da melhor maneira</p><p>possível?</p><p>Na figura a seguir, você será apresentado a um modelo de progressão do</p><p>treinamento pliométrico ao longo da infância e adolescência (LLOYD; MEYERS;</p><p>OLIVER, 2011). Esse modelo propõe que toda criança e adolescente deverá passar</p><p>por esses seis estágios apresentados logo a seguir. Lembre-se de que a proposta</p><p>desse modelo é estruturar o processo do treinamento pliométrico levando sempre</p><p>em consideração as diferenças maturacionais entre meninos e meninas de mesma</p><p>faixa etária.</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>189</p><p>FIGURA 61 - MODELO DE PROGRESSÃO DO TREINAMENTO PLIOMÉTRICO AO LONGO DA</p><p>INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>FONTE: Adaptado de Lloyd, Meyers e Oliver (2011)</p><p>Estágio 1 (Fundamental)</p><p>• A criança, para iniciar esse primeiro estágio, deve apresentar algum nível de</p><p>maturidade para escutar e seguir as instruções dadas pelo professor/treinador.</p><p>Além disso, a criança precisa demonstrar um bom padrão de movimentos</p><p>básicos.</p><p>• Os exercícios nesse estágio devem incorporar elementos de agilidade, equilíbrio,</p><p>coordenação motora e expor a criança a um ambiente que desenvolva a</p><p>percepção cinestésica e espacial. Como exemplo, podemos citar exercícios como:</p><p>agachamento com o próprio peso corporal, avanço realizado sobre uma linha</p><p>e outros exercícios multiarticulares de cadeia cinética fechada que envolva as</p><p>articulações de tornozelo, joelho e quadril.</p><p>• Sempre que possível estes exercícios devem ser introduzidos em jogos ou</p><p>estafetas (lembre-se de usar sua criatividade).</p><p>• A progressão para o Estágio 2 deve acontecer quando o seu aluno/atleta</p><p>apresentar um bom padrão de execução das habilidades motoras fundamentais,</p><p>tais como corrida, skipping, pequenos saltos laterais e outros.</p><p>Estágio 2 (Aprendendo a treinar)</p><p>• Esse estágio é caracterizado por uma maior variedade de exercícios pliométricos</p><p>que o estágio anterior. Crianças e adolescentes começam a realizar saltos verticais</p><p>e horizontais em torno de uma pequena área previamente definida e marcada.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>190</p><p>• Os exercícios tipicamente exigem saltos e aterrisagem unilaterais e bilaterais.</p><p>• O aluno deve apresentar uma boa mecânica durante a fase de aterrisagem do</p><p>salto, tais como: aterrissar sobre a ponta dos pés e transferir o peso suavemente</p><p>para os calcanhares, evitar deslocamento dos joelhos para dentro (joelho</p><p>valgo), manutenção da integridade lombotorácica, e coordenação dos membros</p><p>superiores e inferiores durante o exercício.</p><p>Estágio 3 (Treinamento para treinar 1)</p><p>• Meninos e meninas começam a realizar saltos com deslocamentos horizontais.</p><p>• Os alunos/atletas devem ser estimulados a tocar o solo (fase da aterrisagem)</p><p>com as “bolas” de seus pés (região anterior) durante esses deslocamentos</p><p>horizontais.</p><p>• Exercícios para este estágio podem incluir: pogo stick hopping e múltiplos saltos</p><p>de contramovimento.</p><p>• Comece a incluir exercícios que exijam tempos curtos de contato com o solo.</p><p>Estágio 4 (Treinamento para treinar 2)</p><p>• Uma vez que seu aluno/atleta tenha demonstrado competência nos estágios</p><p>anteriores, eles podem ser apresentados aos exercícios pliométricos de saltos</p><p>sobre a caixa (box jumps) de baixa intensidade (saltando e descendo de uma</p><p>caixa) e exercícios com obstáculos (barreiras de pequena e média altura) em</p><p>sequência ou não.</p><p>• O objetivo desse estágio é aumentar a sobrecarga excêntrica e ao mesmo tempo</p><p>manter a velocidade de movimento e a competência técnica aprendida nos</p><p>estágios anteriores.</p><p>Estágios 5 e 6 (Treinamento para competir e ganhar)</p><p>• Esses dois últimos estágios são para meninos e adolescentes já no final da</p><p>adolescência se encaminhando para a vida adulta.</p><p>• Os exercícios nesse estágio podem incluir contato</p><p>dos pés com o solo de forma</p><p>unilateral ou bilateral em direções variadas, na qual o objetivo é atingir a maior</p><p>distância com o menor tempo de contato com o solo possível.</p><p>• Inclusão dos exercícios pliométricos “drop jumps”, na qual o aluno/atleta começa</p><p>saltando de um caixote (altura ≤ 20 cm, baixa intensidade) em direção ao</p><p>solo, podendo o aluno/atleta na sequência fazer ou não um salto vertical com</p><p>contramovimento quando tocar o solo.</p><p>• O propósito é aumentar ainda mais a sobrecarga excêntrica, estimulando assim</p><p>o CAE durante a fase de aterrisagem do salto. Ao longo desses dois estágios você</p><p>pode progressivamente aumentar a altura do drop jump. Contudo, certifique-se</p><p>de que a altura do drop jump não promova uma estratégia inibitória protetiva que</p><p>reduza a ativação reflexa miotática (importante para a capacidade de produção</p><p>de força e potência).</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>191</p><p>2.9 TREINAMENTO PARA FLEXIBILIDADE EM CRIANÇAS E</p><p>ADOLESCENTES</p><p>A flexibilidade refere-se à amplitude de movimento de uma articulação.</p><p>Nesse sentido, estratégias para a melhoria da flexibilidade é um elemento</p><p>considerado fundamental em qualquer programa de treinamento voltado</p><p>para jovens crianças e adolescentes. De fato, uma boa flexibilidade articular é</p><p>necessária para um bom desempenho locomotor, pois possibilita que meninos e</p><p>meninas sejam capazes de alcançar amplitudes de movimento articulares além</p><p>daquelas requeridas para a execução dos gestos motores em diferentes esportes.</p><p>Ainda, o treinamento de flexibilidade na infância e adolescência é de fundamental</p><p>importância para auxiliar na prevenção de lesões (BOMPA; CARRERA, 2015).</p><p>Visto que chegamos à vida adulta, o desenvolvimento da flexibilidade se</p><p>torna muito mais difícil quando comparado ao período da infância. Você deve</p><p>lembrar que o período de adaptação acelerada, também conhecido como “janela</p><p>de oportunidade”, para a flexibilidade é em torno dos 5 e 11 anos de idade para</p><p>meninos e meninas, isto é, do meio para o final da infância ou pré-puberdade (FORD</p><p>et al., 2011b; VIRU et al., 1999). Em geral, as crianças durante a pré-puberdade</p><p>são muito flexíveis, mas o desempenho da flexibilidade tende a diminuir com a</p><p>idade após a puberdade, especialmente em meninos, presumivelmente por causa</p><p>de ganhos em massa muscular, estatura e força muscular. Por conseguinte, o</p><p>treinamento de flexibilidade deve estar presente em todas as fases de um programa</p><p>de desenvolvimento físico em longo prazo de jovens alunos/atletas. No entanto,</p><p>você deve estar ciente que o objetivo desse treinamento pode variar de acordo</p><p>com os períodos etários do processo de crescimento. Uma vez que seu aluno/atleta</p><p>atingiu o nível desejado de flexibilidade, o objetivo do programa de treinamento de</p><p>flexibilidade passa a ser a manutenção desse nível ou a melhoria da flexibilidade</p><p>em casos particulares, como no caso de alguma aluna/atleta que apresente baixos</p><p>níveis de flexibilidade. A manutenção e aprimoramento dos níveis de flexibilidade</p><p>ao longo da adolescência são extremamente relevantes do ponto de vista prático</p><p>e clínico, principalmente porque meninos e meninas podem ter seus níveis de</p><p>flexibilidade rapidamente reduzidos com a inatividade física, tornando-os mais</p><p>propensos ao desenvolvimento de lesões (BOMPA; CARRERA, 2015).</p><p>A melhor maneira de melhorar a flexibilidade é por meio de exercícios</p><p>de alongamento. Em geral, os exercícios de alongamento podem ser realizados a</p><p>partir de três métodos distintos: (1) estático/passivo, dinâmico/balístico e facilitação</p><p>neuromuscular proprioceptiva (FNP) (BOMPA; CARRERA, 2015; WEINECK,</p><p>2005). Veja a seguir como cada método funciona brevemente:</p><p>1. O alongamento estático ou passivo envolve estender o músculo até o limite</p><p>do movimento articular sem forçar o alongamento e, em seguida, manter esta</p><p>posição sem movimento por um determinado tempo. Ao longo do desempenho</p><p>de exercícios de flexibilidade estática, o aluno/atleta deve tentar relaxar os</p><p>músculos para alcançar a máxima amplitude de movimento desejada.</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>192</p><p>2. O alongamento dinâmico ou balístico envolve a realização de movimentos</p><p>ativos (por meio de “balanços”) que atinjam os limites do movimento articular.</p><p>O aluno/atleta não deve se manter estático ao alcançar a posição final. Por</p><p>exemplo, fique de pé com os braços acima da cabeça e os pés levemente</p><p>separados. Abaixe o tronco dinamicamente em direção aos joelhos para alcançar</p><p>a máxima amplitude de movimento. Repita isso várias vezes, tentando alcançar</p><p>em cada repetição o maior ângulo. Pare se sentir qualquer desconforto ou dor.</p><p>3. O método de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) consiste</p><p>basicamente de um processo sequencial, iniciado por um alongamento passivo</p><p>estático dos músculos até o limite articular e, em seguida, pede-se ao aluno/atleta</p><p>que faça uma contração isométrica por alguns segundos contra a resistência</p><p>aplicada por um parceiro e imediatamente após, aplica-se outro alongamento</p><p>assistido de maior amplitude que o primeiro.</p><p>2.9.1 Desenvolvimento da flexibilidade na infância e</p><p>adolescência</p><p>Durante o período da infância ou pré-puberdade, as aulas ou programas de</p><p>treinamento deverão propor exercícios de alongamento para o desenvolvimento</p><p>da flexibilidade geral de todas as articulações, especialmente as articulações do</p><p>quadril, ombro e tornozelos. A flexibilidade do quadril e tornozelo é crucial para</p><p>qualquer habilidade requerendo saltos ou corridas. É recomendado nessa fase que</p><p>professores/treinadores aconselhem e estimulem seus alunos/atletas de ambos os</p><p>sexos para dedicarem o maior tempo possível no desenvolvimento da flexibilidade</p><p>geral, pois quanto mais tempo destinado para o aumento da flexibilidade na</p><p>infância provavelmente menor será a chance da ocorrência de lesões graves na</p><p>adolescência e, posteriormente vida adulta. De acordo com Bompa e Carrera (2015),</p><p>o uso do método estático ou passivo é priorizado nessa fase da pré-puberdade em</p><p>comparação com os outros métodos. Nesse sentido, é preciso ter atenção para não</p><p>alongar o músculo além daquele ponto de leve desconforto.</p><p>Quando caminhamos para a fase final da puberdade e final da adolescência,</p><p>período também caracterizado pelo início do processo de especialização esportiva,</p><p>as aulas ou sessões de treino previamente planejadas e estruturadas por você,</p><p>futuro professor/treinador, deve priorizar primariamente o desenvolvimento da</p><p>flexibilidade mais específica ao esporte prático pelo seu aluno/atleta. Portanto,</p><p>mais atenção deve ser destinada em nível de flexibilidade daquelas articulações</p><p>que estão sendo constantemente exigidas durante os gestos motores específicos</p><p>de determinado esporte. Nessa etapa, os três métodos principais para o</p><p>desenvolvimento ou manutenção da flexibilidade já podem ser usados. No</p><p>quadro a seguir, você encontrará um modelo descrevendo resumidamente como</p><p>a flexibilidade pode progressivamente ser desenvolvida ao longo da infância e</p><p>adolescência.</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>193</p><p>QUADRO 6 - MODELO DESCRITIVO MOSTRANDO COMO A FLEXIBILIDADE PODE</p><p>PROGRESSIVAMENTE SER DESENVOLVIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES</p><p>Estágio de</p><p>Desenvolvimento</p><p>Método de Treinamento Exercícios</p><p>Infância ou Pré-</p><p>puberdade</p><p>• Estático.</p><p>• Exercícios dinâmicos de</p><p>baixa intensidade.</p><p>• Flexão do quadril e tronco.</p><p>• Sentado com pernas juntas ou</p><p>afastadas (alcançar as pontas</p><p>dos pés).</p><p>Puberdade</p><p>• Estático ou passivo.</p><p>• Facilitação neuromuscular</p><p>proprioceptiva.</p><p>• Introdução de</p><p>alongamentos dinâmicos</p><p>de maior intensidade.</p><p>• Exercícios em pé ou sentado com</p><p>um parceiro para melhorar a</p><p>flexibilidade usando os métodos</p><p>de alongamento estático ou</p><p>FNP.</p><p>Final da Adolescência</p><p>• Estático ou passivo.</p><p>• Facilitação neuromuscular</p><p>proprioceptiva (FNP).</p><p>• Alongamentos dinâmicos</p><p>de maior intensidade</p><p>treinamento do sistema musculoesquelético, mais precisamente</p><p>questões relacionadas ao desenvolvimento da força serão abordadas de maneira</p><p>mais aprofundada na Unidade 3.</p><p>3 OS PROCESSOS DE AVALIAÇÃO DO TREINAMENTO</p><p>DESPORTIVO</p><p>A ciência do treinamento esportivo é uma área muito ampla e complexa.</p><p>Esta ciência possui um grande número de variáveis intervenientes, ou seja, que vão</p><p>influenciar em maior ou menor grau e estão relacionadas entre si. Como foi listado</p><p>anteriormente sobre os fatores fundamentais do treinamento, essas variáveis</p><p>serão de teor prático ou teórico. Estas poderão estar relacionadas aos objetivos</p><p>dos principais componentes do treinamento esportivo, o aprimoramento físico,</p><p>técnico, tático ou psicossocial.</p><p>São diversas as ferramentas que poderão ser usadas para o acompanhamento</p><p>e a avaliação do rendimento esportivo de um aluno. Estas ferramentas poderão ser</p><p>mais complexas ou mais simples, poderão avaliar um ou mais componentes do</p><p>treinamento, poderão ser mais específicas ou gerais. Existe, ainda, outra divisão</p><p>clara na literatura que você acadêmico poderá encontrar em muitos livros que</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>9</p><p>tratam do assunto, avaliações laboratoriais ou testes de campo. Uma ferramenta</p><p>de avaliação poderá ser avaliada pela sua especificidade, reprodutibilidade e</p><p>validade (MATHEWS, 1980).</p><p>Ao começar um novo trabalho, ou um novo ano de trabalho, uma das</p><p>primeiras coisas que você irá fazer é decidir seu plano de ensino, traçar suas metas</p><p>e objetivos para aquele período. Depois, você escolherá ou decidirá qual(ais)</p><p>método(s) ou metodologia(s) de avaliação do desenvolvimento dos seus alunos</p><p>você usará, sejam teóricos ou práticos, físicos ou de alguma habilidade ou</p><p>capacidade específica.</p><p>FIGURA 2 – AVALIAÇÃO ESPORTIVA NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/</p><p>search?q=avaliação+esportiva+crianças>. Acesso em: 2 fev. 2017.</p><p>Independente da ferramenta que você utilizará para avaliar seus alunos</p><p>ou do componente que você quer avaliar, é preciso, primeiramente, ter certeza de</p><p>que esse instrumento foi cientificamente elaborado e que faz um trabalho acurado</p><p>de medição daquilo que foi designado a medir (MATHEWS, 1980). Assim, vamos</p><p>olhar um pouco mais detalhadamente quais seriam estes critérios:</p><p>• Validade: uma ferramenta de avaliação pode ser considerada válida quando ela</p><p>foi cientificamente testada para avaliar o que ela se propõe a medir. Por exemplo,</p><p>um teste de habilidade para jogar basquete será válido se os praticantes que</p><p>apresentarem maiores escores no teste forem os melhores pontuadores durante</p><p>um jogo ou um torneio. Não adiantaria um teste com o objetivo de testar o</p><p>mais habilidoso dos jogadores, se este praticante não fosse realmente o que</p><p>apresentasse um melhor rendimento em uma situação real.</p><p>• Reprodutibilidade: o teste precisa ser reprodutível, ou seja, se for aplicado duas</p><p>vezes ou mais com o mesmo grupo de indivíduos na mesma situação terá que</p><p>apresentar resultados idênticos ou semelhantes (MATHEWS, 1980). No caso</p><p>do exemplo acima, o mesmo grupo de alunos apresentaria resultados muito</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>10</p><p>parecidos no teste de habilidade se fossem testados uma segunda vez sem a</p><p>ocorrência de alguma intervenção que pudesse melhorar o rendimento.</p><p>• Especificidade: a avaliação do professor precisa ser específica à realidade da</p><p>modalidade que ele quer testar (MATHEWS, 1980). Utilizando-se do mesmo</p><p>exemplo citado, testar a habilidade dos alunos pedalar em uma bicicleta pouco</p><p>responderia à capacidade deles em jogar basquete.</p><p>Concluindo esta parte, Mathews (1980) ainda ressalta que um dos critérios</p><p>para selecionar um teste é a sua aplicação educacional. Dessa forma, ao selecionar</p><p>um teste é preciso ver se ele se aplica ao programa escolar oferecido e, esse plano</p><p>deve ditar os tipos de testes que serão aplicados. Podemos ainda ressaltar a você,</p><p>caro acadêmico, que uma avaliação precisa ser bem planejada, clara, objetiva,</p><p>estruturada, direta e organizada.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Caro acadêmico! Grave as seguintes informações, pois serão de grande valia para</p><p>o seu aprendizado. O aprimoramento físico, técnico, tático e psicossocial são os principais</p><p>objetivos do treinamento esportivo. São diversas as ferramentas que poderão ser utilizadas para</p><p>a avaliação do desenvolvimento durante o treinamento. Estas ferramentas precisarão possuir</p><p>validade, especificidade, reprodutibilidade e aplicação educacional.</p><p>3.1 A AVALIAÇÃO DOS ASPECTOS FÍSICOS</p><p>Um dos principais componentes que precisamos avaliar de nossos alunos</p><p>durante nossa atuação profissional é a avaliação dos aspectos físicos, ou seja,</p><p>do desenvolvimento das capacidades motoras e das qualidades físicas destes</p><p>indivíduos. São diversas qualidades físicas que um indivíduo precisa desenvolver.</p><p>Podemos classificá-las em três grandes grupos: força, resistência e velocidade.</p><p>Dentro de cada um desses grandes grupos haverá outras subdivisões. A força</p><p>pode ser dividida em estática, dinâmica e explosiva. A resistência em aeróbia,</p><p>anaeróbia e resistência muscular localizada. Enquanto que a velocidade poderá</p><p>ser dividida em de deslocamento, de membros e de reação (WEINECK, 2005).</p><p>Veja a figura a seguir para gravar estas informações.</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>11</p><p>FIGURA 3 – QUALIDADE FÍSICAS</p><p>FONTE: Os autores</p><p>Perceba você, acadêmico, que não podemos entender estas capacidades</p><p>como isoladas e sem conexão com as outras. É preciso ter o entendimento que elas</p><p>estão conectadas e existem inter-relações que ainda vão criar outras categorias.</p><p>Observe que na figura as conexões criam as categorias de resistência de força,</p><p>resistência de velocidade e a potência. Cada uma dessas qualidades poderá</p><p>ser treinada ou desenvolvida em menor ou maior grau, dependendo sempre</p><p>do planejamento de ensino do professor e dos objetivos traçados durante um</p><p>determinado período de tempo. Assim, os instrumentos para avaliação, quando</p><p>do objetivo de uma avaliação física, devem estar direcionados para averiguar uma</p><p>ou mais dessas qualidades físicas. Os testes podem ser bem específicos para a</p><p>avaliação de um destes componentes físicos, por exemplo, um teste de sprint curto</p><p>para avaliar a velocidade de deslocamento, ou mais amplos e generalizados como</p><p>um teste que vise, por exemplo, avaliar ao mesmo tempo o desempenho técnico de</p><p>alguma tarefa e a exigência física do mesmo. Portanto, nesta parte deixamos um</p><p>exemplo de uma possibilidade de avaliação criada por nós para o futsal, mas que</p><p>pode ser adaptada para outras modalidades coletivas. Acreditamos que poderá ser</p><p>uma boa ferramenta para aulas de educação física por exemplo.</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>12</p><p>O teste que será sugerido agora foi criado enquanto atuava como treinador</p><p>de futsal. Acabou não sendo publicado em nenhuma revista científica, mas ele pode ser</p><p>encontrado on-line no blog <nascimentopc.blogspot.com.br>.</p><p>TESTE FÍSICO/TÉCNICO ESPECÍFICO PARA O FUTSAL</p><p>Após um longo período de “silêncio” no blog, e depois de um período de férias na ativa, um</p><p>pouco conturbado, mas também merecido, queremos retomar com uma breve sugestão de</p><p>avaliação para nossa modalidade. Esta tem como objetivo uma avaliação mais completa com</p><p>aspectos físicos e técnicos/táticos, de uma forma global incluindo os componentes técnicos</p><p>básicos com uma movimentação semelhante ao que ocorre durante o jogo e certo nível de</p><p>acidose. Antes de discutir melhor o assunto, a figura a seguir ilustra a forma de realização do</p><p>teste.</p><p>DICAS</p><p>Vamos desvendar agora a complexa ilustração do teste. Pode-se dividi-lo em três partes: parte</p><p>inicial com ênfase no esforço físico. A segunda e a terceira partes, com mais ênfase na técnica</p><p>do passe e chute, respectivamente. O raio significa o ponto de início do teste. As carinhas são</p><p>os jogadores(as). O(a) atleta inicia o teste com deslocamento para sua direita, o caminho a ser</p><p>percorrido</p><p>e</p><p>específicos ao esporte.</p><p>• Executar exercícios de</p><p>alongamento com e sem um</p><p>companheiro usando o método</p><p>FNP.</p><p>• Você pode usar exercícios de</p><p>alongamento dinâmico em</p><p>dupla. Tome cuidado nos</p><p>pontos de desconforto.</p><p>FONTE: BOMPA: CARRERA (2015)</p><p>Como uma regra geral, os exercícios de alongamento estático, dinâmico</p><p>e FNP podem ser introduzidos no início da aula ou sessão de treino logo após o</p><p>término do aquecimento. Particularmente para o alongamento estático, o tempo</p><p>de duração do alongamento precisa ser controlado (KAY; BLAZEVICH, 2012).</p><p>Caro acadêmico, se o objetivo principal da aula ou sessão de treino não for o</p><p>desenvolvimento da flexibilidade, e sim o desenvolvimento de outras capacidades</p><p>físicas como força, potência ou tarefas dependentes de velocidade, recomenda-se</p><p>o seguinte procedimento:</p><p>1. Exercícios de alongamento estático com durações ≤ 30-45s podem ser</p><p>seguramente usados previamente ao início do treino sem comprometimento do</p><p>desempenho subsequente (KAY; BLAZEVICH, 2012).</p><p>2. Exercícios de alongamento estático com durações ≥ 60s podem ser problemáticos</p><p>se usados antes da parte principal da aula ou sessão de treino, pois podem</p><p>reduzir o desempenho tarefas que requeiram força, potência e velocidade (KAY;</p><p>BLAZEVICH, 2012).</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>194</p><p>2.10 TREINAMENTO DA VELOCIDADE EM CRIANÇAS E</p><p>ADOLESCENTES</p><p>A velocidade pode ser considerada como uma das capacidades físicas</p><p>mais importantes para a prática esportiva durante a infância e adolescência,</p><p>especialmente por estar presente nos momentos mais decisivos de um jogo. Agora,</p><p>você sabe como devemos planejar e estruturar um programa de treinamento para</p><p>o desenvolvimento da velocidade ao longo da infância e adolescência? Quais</p><p>elementos são necessários desenvolver para melhorar a capacidade de nossos</p><p>alunos/atletas se moverem eficientemente de forma mais rápida?</p><p>Embora velocidade represente um termo genérico referindo-se à capacidade</p><p>de realizar movimentos o mais rápido possível, existem outros elementos</p><p>essenciais para o desenvolvimento da velocidade. A velocidade não está somente</p><p>relacionada à capacidade de correr rapidamente, mas também associada ao</p><p>desempenho em gestos motores acíclicos (saltos e lançamentos) e cíclicos (sprint no</p><p>ciclismo, braçada na natação) (WEINECK, 2005). Segundo Bompa e Carrera (2015),</p><p>o termo velocidade incorpora três elementos fundamentais: velocidade de reação</p><p>(capacidade de reagir a um estímulo no menor tempo possível), velocidade de</p><p>deslocamento de membros (capacidade de mover um membro rapidamente, como</p><p>um chute ou um arremesso) e velocidade de corrida (frequência de movimento</p><p>de braços e pernas sincronizados). Por consequência, o desenvolvimento dessas</p><p>diferentes formas de manifestação da velocidade está diretamente relacionado a</p><p>diferentes fatores fisiológicos e biomecânicos.</p><p>Particularmente durante a infância os principais ganhos em velocidade a</p><p>partir dos 5 anos de idade ocorrem por meio de adaptações neurais como, por</p><p>exemplo, melhoria da coordenação intramuscular e intermuscular. Quando</p><p>chegamos à adolescência, mais especificamente na puberdade, o desenvolvimento</p><p>da velocidade embora ainda possa ser atribuído aos fatores neurais agora passa a ser</p><p>principalmente associado às mudanças morfológicas (ganho de massa muscular)</p><p>e metabólicas (desenvolvimento do metabolismo anaeróbio) promovidas pelo</p><p>processo de maturação biológica (OLIVER; LLOYD; RUMPF, 2013). Do ponto</p><p>de vista mecânico, outros dois fatores são considerados fundamentais para o</p><p>desenvolvimento da velocidade. A partir de uma perspectiva mais simplista,</p><p>a velocidade pode ser considerada como o produto da frequência da passada e</p><p>comprimento da passada. Portanto, a capacidade da criança ou do adolescente</p><p>em produzir e aplicar força contra o solo pode influenciar diretamente estas</p><p>duas variáveis consideradas importantes para a geração de velocidade (BOMPA;</p><p>CARRERA, 2015). Em teoria, as crianças quando comparadas aos adolescentes</p><p>por serem menos potentes e apresentarem um menor comprimento de membros</p><p>inferiores podem ser mais dependentes da frequência de passada para atingir sua</p><p>velocidade máxima. Por outro lado, conforme a criança se torne mais velha (ou</p><p>seja, adolescente e depois adulta), a velocidade de corrida se torna cada vez mais</p><p>TÓPICO 3 | ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA</p><p>195</p><p>rápida como consequência da maior capacidade de produção de força horizontal</p><p>e potência contra o solo, o que aumentará o comprimento de passada e permitirá</p><p>que o corpo seja impulsionado mais para frente durante a fase aérea da corrida</p><p>(OLIVER; LLOYD; RUMPF, 2013).</p><p>2.10.1 Desenvolvimento da velocidade na infância e</p><p>adolescência</p><p>Considerando uma abordagem de desenvolvimento da velocidade</p><p>em longo prazo, LIoyd e colaboradores (2013) propõem que os programas de</p><p>treinamento para o aprimoramento da velocidade, conforme apresentado na</p><p>figura a seguir, devem ser progressivamente estruturados a partir de quatro</p><p>períodos maturacionais distintos: (1) início da infância, (2) final da infância/início</p><p>da adolescência (pré-puberdade), (3) puberdade e (4) final da adolescência (pós-</p><p>puberdade). Nesse sentido, vamos entender as características de cada um desses</p><p>períodos.</p><p>FIGURA 62 - PROGRAMAS DE TREINAMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DA VELOCIDADE EM</p><p>CRIANÇAS E ADOLESCENTES</p><p>FONTE: Adaptado de Oliver, Lloyd e Rumpf (2013)</p><p>Pré-puberdade (meninos: 0-12 anos; meninas: 0-11 anos)</p><p>Durante a pré-puberdade ou infância, o rápido desenvolvimento do sistema</p><p>nervoso central leva a melhorias aceleradas nas diferentes habilidades motoras</p><p>fundamentais. Durante este período, as crianças devem ser constantemente</p><p>estimuladas a repetirem exercícios que promovam o desenvolvimento de novas</p><p>habilidades motoras, assim como aprimorem/refinem a execução de forma</p><p>eficiente de gestos motores já previamente conhecidos. Durante a pré-puberdade</p><p>ou infância, as adaptações de treinamento continuarão sendo predominantemente</p><p>UNIDADE 3 | MÉTODOS, ESTRUTURAÇÃO E PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO</p><p>196</p><p>neurais em sua essência (BOMPA; CARRERA, 2015; OLIVER; LLOYD; RUMPF,</p><p>2013). Portanto, o foco das aulas ou sessões de treino deverá priorizar a melhoria</p><p>dos diversos fatores neurais que contribuem para a produção de força rápida</p><p>contra o solo e, consequente, desenvolvimento da velocidade. Lembre-se de</p><p>elaborar e propor exercícios que imitem os diferentes padrões de movimento e</p><p>deslocamentos articulares associados a fases de corrida, dando preferência àqueles</p><p>exercícios que permitam a realização de passadas mais longas e tempos de contato</p><p>mais curtos com o solo. Considerando isso, a inclusão de sessões de treinamento</p><p>pliométrico com baixa carga excêntrica e de modo pouco estruturado parece ser</p><p>uma boa estratégia para alcançar esse propósito (OLIVER; LLOYD; RUMPF, 2013).</p><p>Ao mesmo tempo, não devemos negligenciar o desenvolvimento da velocidade de</p><p>deslocamento de membros, especialmente membros superiores. Crianças adoram</p><p>realizar tarefas físicas em que precisam desenvolver velocidade. Lançamentos</p><p>simples usando bolas de tênis ou medicine ball de pesos mais leves podem ser boas</p><p>opções para o desenvolvimento dessa velocidade de deslocamento de membros</p><p>(BOMPA; CARRERA, 2015).</p><p>Durante o planejamento e estruturação das aulas ou sessões de treino</p><p>para crianças pré-púberes alguns pontos importantes devem ser levados em</p><p>consideração:</p><p>1. As crianças devem ser estimuladas a jogar ou fazer os exercícios/educativos no</p><p>seu próprio ritmo, ou seja, de acordo com a sua capacidade.</p><p>2. Brincadeiras e jogos devem ser os maiores elementos de um programa de</p><p>treinamento para a melhoria da velocidade durante a pré-puberdade.</p><p>3. Introduza uma variedade de movimentos e exercícios que desenvolvam a</p><p>coordenação motora.</p><p>4. Nessa etapa, as crianças devem realizar exercícios de corrida primários em linha</p><p>reta. Conforme eles</p><p>está demarcado pelos triângulos estrategicamente posicionados em lugares onde</p><p>poderia estar um jogador no caso do sistema 3x1. A distância entre os triângulos (na prática,</p><p>discos ou cones) é de 10 metros.</p><p>Depois do primeiro deslocamento para a direita, o jogador muda de sentido e corre até o</p><p>próximo disco (posição pivô, vamos nomear didaticamente dessa maneira), contornando e</p><p>voltando pelo mesmo caminho até o ponto inicial. Muda de sentido e corre em direção à</p><p>ala esquerda, passando pelo disco e correndo até o disco “pivô”. Retorna pelo caminho da ala</p><p>esquerda chegando ao ponto de início novamente.</p><p>Até então, o atleta realizou uma corrida de 80 metros, dividido em 8x de 10 metros com 7</p><p>mudanças de sentido, caracterizando um esforço anaeróbio alático e lático. O tempo deve ser</p><p>coletado a cada 40 metros.</p><p>A partir desse ponto, começa a segunda parte com ênfase na realização correta do fundamento</p><p>passe. Serão 4 passes ao todo. O primeiro já é realizado no ponto inicial, onde está o disco ‘fixo’.</p><p>O “T” no centro da quadra significa o treinador, que deve passar a bola aos atletas durante essa</p><p>parte do teste. Os atletas dominam a bola, realizam o passe de volta ao treinador e correm ao</p><p>próximo disco (ala direita). Executam outro passe e assim sucessivamente até chegar ao disco</p><p>da ala esquerda. O passe é classificado pelo conjunto de ações e classificado em um score de</p><p>0-3. Será considerado o domínio correto, a força correta aplicada ao passe e se o passe foi em</p><p>linha reta para o treinador. A distância total percorrida nessa parte será de 30 metros.</p><p>Por fim, a terceira parte do teste será a fase de chutes a gol. Posicionado no disco da ala</p><p>esquerda, após realizar o quarto passe, o atleta receberá a bola passada pelo treinador nesta</p><p>mesma ala para executar a primeira finalização.</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>13</p><p>O “T” situado no canto esquerdo da figura significa o outro treinador necessário para a realização</p><p>do teste. Este deve passar a bola próxima ao centro da quadra ofensiva (marca dos 10 metros)</p><p>para a execução da segunda finalização. Após o chute o atleta deve posicionar-se próximo da</p><p>ala direita para realizar a terceira e última finalização a gol.</p><p>Desta forma, vamos focar principalmente nas ferramentas que poderão ser</p><p>utilizadas como avaliação do processo de treinamento. Como dito anteriormente,</p><p>para a avaliação física de uma (ou mais) determinada qualidade poderão ser</p><p>utilizados testes laboratoriais ou testes de campo. Como o nome propriamente já</p><p>diz, o teste laboratorial é aquele em que o indivíduo realiza uma avaliação neste tipo</p><p>de ambiente. Geralmente, este tipo de teste é mais válido e é chamado de padrão</p><p>ouro para avaliação de determinada qualidade física. Por outro lado, usualmente</p><p>dependem de materiais e equipamentos mais caros, não é tão específica a realidade</p><p>das modalidades realizadas de maneira individual.</p><p>Nesse sentido, os testes de campo surgem buscando atender uma demanda</p><p>de custo-benefício para as avaliações físicas. Os testes de campo, historicamente,</p><p>foram criados como alternativas para a avaliação dos componentes físicos em um</p><p>ambiente “fora do laboratório”, na busca de acompanhar o desenvolvimento e</p><p>rendimento esportivo no ambiente em que é praticado, ou seja, o próprio local</p><p>de prática. Dessa forma, este tipo de teste geralmente ganha em especificidade e</p><p>aplicação educacional, pois além de serem de um custo-benefício melhor, permitem</p><p>a avaliação de um grupo de indivíduos simultaneamente e não dependem</p><p>de equipamentos caros. Esta possibilidade pode auxiliar o professor que visa</p><p>acompanhar a evolução dos seus alunos no próprio ambiente de ensino e prática</p><p>(quadra esportiva por exemplo) de uma maneira mais barata e acessível. Vejamos,</p><p>em seguida, o que Arins et al. (2015, p. 759) têm a dizer sobre os testes de campo:</p><p>Porém, apesar das avaliações realizadas em laboratório fornecerem</p><p>dados valiosos sobre a performance e as características fisiológicas</p><p>de atletas, normalmente não possuem validade ecológica, sendo</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>14</p><p>incapazes de reproduzir os padrões de movimentos específicos</p><p>associados às modalidades intermitentes. Desse modo, para superar</p><p>algumas deficiências apontadas sobre os testes de laboratório, foram</p><p>desenvolvidos protocolos de campo mais específicos que possuem a</p><p>finalidade de refletir de forma mais apropriada o caráter intermitente</p><p>dessas modalidades [...] os testes compostos por multiestágios têm</p><p>sido amplamente utilizados para estudar as respostas fisiológicas</p><p>do exercício intermitente que envolve mudanças de direção, como o</p><p>futsal. Esses protocolos objetivam reproduzir o padrão de movimento</p><p>executados nos esportes coletivos, permitindo a avaliação simultânea</p><p>de um grande número de atletas por um custo financeiro mínimo.</p><p>Dessa forma, podemos observar que além de tudo que foi citado sobre os</p><p>testes de campo, eles podem avaliar também uma ou mais das qualidades físicas</p><p>exigidas durante a prática. Um dos mais famosos e utilizados em muitos lugares</p><p>é o teste de vai e vem de 20 metros. Inicialmente proposto por Léger e Lambert</p><p>(1982), se popularizou e ganhou espaço em muitos clubes, escolas e equipes, que</p><p>utilizam o teste para avaliação da resistência aeróbia.</p><p>O teste progressivo intermitente de campo de 20 metros (SHT20)</p><p>de Léger et al. é um teste incremental máximo, do tipo intermitente</p><p>escalonado, composto de multiestágios de 60 segundos de duração</p><p>em sistema shuttle-run run, constituído de um número de repetições</p><p>variadas de corrida. O SHT20 fornece dados de potência (estimativa do</p><p>VO2max; PV) e capacidade (ponto de deflexão da FC (PDFC)) aeróbia</p><p>(ARINS et al., 2015, p. 759).</p><p>ATENCAO</p><p>Caro acadêmico! Em relação às variáveis a que Arins et al. (2015) se referem, o</p><p>PV (Pico de Velocidade) é a máxima velocidade atingida durante o teste e é um indicador da</p><p>máxima produção aeróbia de energia. Enquanto o ponto de deflexão da frequência cardíaca</p><p>(PDFC) é um indicador de capacidade aeróbia, ou seja, um limite que pode indicar a capacidade</p><p>do indivíduo em realizar um esforço de longa duração.</p><p>Como pode ser observado na figura seguinte, o teste de vai e vem é executado</p><p>em um espaço delimitado por cones de 20 metros. É necessária a utilização de um</p><p>equipamento de som para emitir um sinal sonoro ‘beep’ que vai dar o ritmo de</p><p>corrida. A cada ‘beep’ o indivíduo deve atingir uma das marcas. A cada 60 segundos,</p><p>a duração entre os sinais sonoros vai diminuindo e, em consequência aumentando</p><p>a velocidade. Se houver a possibilidade do uso de um monitor cardíaco é possível</p><p>identificar através do comportamento da frequência cardíaca o PDFC (veja o UNI</p><p>anterior).</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>15</p><p>FIGURA 4 – TESTE DE CAMPO VAI E VEM DE 20 METROS</p><p>FONTE: Disponível em: <http://guardamunicipalcuritiba.blogspot.com.</p><p>br/2015/04/corrida-de-vai-e-vem-em-20-metros-teste.html>. Acesso</p><p>em: 7 fev. 2017.</p><p>Vale ressaltar que o monitoramento da aptidão aeróbia é de extrema</p><p>importância e, nas fases da infância e adolescência poderá auxiliar na prescrição</p><p>das cargas de treinamento para o desenvolvimento adequado do praticante, bem</p><p>como na detecção de talentos esportivos.</p><p>A aptidão aeróbia e anaeróbia será abordada mais especificamente no Tópico 2</p><p>desta unidade.</p><p>Metodologias de treinamento para o desenvolvimento da força serão abordadas na Unidade 3.</p><p>ESTUDOS FU</p><p>TUROS</p><p>Outro ponto que precisa ser destacado é a avaliação do desenvolvimento</p><p>das qualidades físicas relacionadas à força durante o processo de treinamento.</p><p>Existem algumas ferramentas que podem ser utilizadas para tal. O método que</p><p>parece ser mais confiável é a avaliação isocinética. A avaliação em aparelhos</p><p>isocinéticos e/ou dinamômetros, apesar de não possuir uma grande especificidade</p><p>com a maioria dos gestos motores das modalidades esportivas, trará valores bem</p><p>apurados da força de membros do avaliado. A maior dificuldade neste tipo de</p><p>teste</p><p>é o custo e o acesso a este tipo de equipamento. Basicamente, os aparelhos</p><p>trazem como resultado a capacidade de aplicar em determinado movimento, por</p><p>exemplo, a extensão de joelho que poderia estar relacionada ao movimento do</p><p>chute e/ou a flexão de cotovelo que poderia estar relacionado a algum gesto do</p><p>vôlei ou tênis.</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>16</p><p>FIGURA 5 – AVALIAÇÃO DE EXTENSÃO DE JOELHO EM DINAMÔMETRO</p><p>ISOCINÉTICO</p><p>FONTE: Disponível em: <http://bmsi.ru/doc/3970d6ac-5b28-470d-b805-</p><p>8751cd154363>. Acesso em: 7 fev. 2017.</p><p>O termo isocinético significa se mover numa velocidade constante.</p><p>Dinamômetro isocinético de resistência variada é um instrumento</p><p>eletromecânico que mantém uma velocidade movimento constante</p><p>enquanto varia a resistência durante determinado movimento. A</p><p>resistência oferecida pelo instrumento é uma resistência de acomodação,</p><p>destinada a combinar com a força gerada pelo músculo. Um transdutor</p><p>de força no interior do instrumento monitora constantemente a força</p><p>muscular gerada e transmite a informação a um computador, que</p><p>calcula a força média gerada em cada período de tempo e o ângulo</p><p>articular durante o movimento (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 419).</p><p>Existem outros tipos de testes para avaliar parâmetros de força com um</p><p>custo mais baixo. Entre eles, podemos destacar os que utilizam dinamômetros</p><p>mais simples para realizar o teste de força de membros inferiores e lombar (como</p><p>no exemplo da figura a seguir, do lado esquerdo) ou força de preensão manual</p><p>(figura a seguir no lado direito).</p><p>Os dinamômetros de preensão manual e os dinamômetros de tração</p><p>lombar têm sido utilizados para avaliar as forças de preensão e dorsal,</p><p>respectivamente, há muitos anos. Quando uma força é aplicada a um</p><p>dinamômetro uma mola de aço é comprimida e move um ponteiro</p><p>ao longo de uma escala. Calibrando-se o dinamômetro com pesos</p><p>conhecidos, pode-se determinar quanta força é necessária para mover</p><p>o ponteiro a uma distância específica da escala (POWERS; HOWLEY,</p><p>2005, p. 420).</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>17</p><p>FIGURA 6 – TESTE EM DINAMÔMETRO DE FORÇA LOMBAR E PREENSÃO</p><p>MANUAL</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/</p><p>search?q=dynamometer+children>. Acesso em: 7 fev. 2017.</p><p>Apesar deste tipo de testes não apresentar grande nível de especificidade,</p><p>eles apresentam boas relações com determinados esportes, ou pelo menos com</p><p>testes mais específicos de determinados esportes. O teste de preensão manual,</p><p>por exemplo, apresenta-se como uma boa ferramenta para avaliar tenistas ou</p><p>praticantes de esportes de raquete, visto da necessidade da força para realizar</p><p>a empunhadura da raquete (REID; SCHNEIKER, 2008). Neste sentido, Lemos</p><p>(2015) ressalta a importância de acompanhar variáveis relacionadas à força</p><p>em adolescentes tenistas para identificar possíveis desequilíbrios de força e,</p><p>consequentemente, evitar o risco de desenvolvimento de instabilidade e lesão na</p><p>articulação do ombro. Esta citação poderemos aplicar a outros tipos de esportes</p><p>nos quais o movimento de membros superiores é predominante, como o basquete,</p><p>handebol e vôlei.</p><p>Além disso, o desenvolvimento da força parece estar relacionado ao</p><p>crescimento e à maturação, bem como é influenciado pelo tipo de treinamento e a</p><p>modalidade praticada. Neste sentido, modalidades coletivas, por exemplo, podem</p><p>desenvolver a força de jovens e adolescentes de maneira diferente que modalidades</p><p>individuais. Por isso a importância de se analisar a ferramenta que poderá ser</p><p>utilizada de maneira mais adequada para atender aos objetivos do professor e do</p><p>planejamento.</p><p>Durante esse período da puberdade, o aumento do torque muscular tem</p><p>sido atribuído a diferentes alterações nas características morfológicas,</p><p>biomecânicas, neurais e hormonais do sistema neuromuscular</p><p>e neuroendócrino. Além disso, a participação em programas de</p><p>treinamento esportivo organizados também pode influenciar</p><p>positivamente o desenvolvimento do torque muscular. Os estudos</p><p>realizados com adolescentes jogadores de futebol têm apresentado</p><p>resultados consistentes mostrando que o torque muscular concêntrico e</p><p>excêntrico dos extensores e flexores do joelho em diferentes velocidades</p><p>angulares aumenta progressivamente entre os 9-21 anos de idade</p><p>(TEIXEIRA, 2015, p. 24).</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>18</p><p>Outro tipo de teste que é comumente utilizado para avaliar os aspectos de</p><p>força e potência muscular, principalmente de membros inferiores, são os testes de</p><p>saltos verticais. Acreditamos, caro acadêmico, que os mais utilizados são os saltos</p><p>com contramovimento (CMJ) e os saltos contínuos (CJ). A questão que mais</p><p>implica este tipo de avaliação é a necessidade de uma plataforma de força ou de</p><p>um equipamento similar. Porém, primeiramente queremos explicar rapidamente</p><p>como este tipo de teste funciona e depois vamos apresentar algumas evidências</p><p>que mostram a aplicação prática deles.</p><p>FIGURA 7 – TESTE DE SALTOS VERTICAIS</p><p>A = posição inicial. B = ângulo do joelho próximo a 90º. C = joelho em</p><p>completa extensão no salto. D = aterrissagem</p><p>FONTE: Bosco (1999)</p><p>O CMJ investiga os níveis de força explosiva exercida, a capacidade de</p><p>recrutamento neural e a reutilização da energia elástica (BOSCO, 1999). Neste salto</p><p>ocorre participação do ciclo alongamento-encurtamento, potencializando a ação</p><p>muscular por meio da energia elástica acumulada e aos reflexos de estiramento.</p><p>O uso do salto CJ possibilita os profissionais da área a diagnosticar os processos</p><p>neuromusculares e metabólicos em esforços de alta intensidade e curta duração. O</p><p>teste CJ é importante para avaliação de praticantes que participam de esportes onde</p><p>a potência muscular é um fator determinante para rendimento, como por exemplo</p><p>o futebol ou o futsal, considerando que, os mecanismos de força produzidos no CJ</p><p>são muito sensíveis as características dos sujeitos e as mudanças no treinamento</p><p>(BOSCO, 1999).</p><p>No protocolo do CMJ, o indivíduo realizará os saltos verticais a partir de</p><p>uma posição em pé, com as mãos na cintura, precedido por um contramovimento,</p><p>o qual consiste em uma aceleração para baixo do centro de gravidade, flexionando</p><p>os joelhos até próximo aos 90º. Durante o salto, o tronco deverá manter-se o mais</p><p>vertical possível. São realizadas três tentativas para o CMJ, sendo considerada para</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>19</p><p>análise a média das alturas obtidas. O teste do CJ consiste na execução de saltos</p><p>com contramovimento, de modo contínuo, por um período de 15 segundos. Como</p><p>nos demais saltos, o sujeito mantém o tronco o mais vertical possível e as mãos</p><p>no quadril, com o ângulo do joelho sempre próximo aos 90º ao final da fase de</p><p>descida. No protocolo CJ realiza-se apenas uma tentativa, tendo em vista ser um</p><p>teste mais exaustivo. Assim, utiliza-se para análise a altura média relativa de todos</p><p>os saltos realizados em um período determinado de tempo.</p><p>GRÁFICO 1 – COMPARAÇÃO DE SALTOS VERTICAIS NO FUTEBOL E FUTSAL</p><p>FONTE: Silva et al. (2012)</p><p>Veremos, em seguida, alguns aspectos mais práticos envolvendo a avaliação</p><p>de saltos verticais. Podemos ver como um exemplo de aplicação prática o estudo</p><p>de Silva et al. (2012), que demonstrou que praticantes de futebol e futsal parecem</p><p>apresentar níveis semelhantes de potência muscular. Apenas os zagueiros no</p><p>futebol apresentaram maiores níveis de potência quando comparados aos meio</p><p>campistas, porém, no futsal, os atletas apresentaram níveis similares de potência</p><p>muscular. Independente da categoria, tanto os praticantes de futebol quanto de</p><p>futsal, apresentaram níveis semelhantes de potência muscular.</p><p>Podemos observar que a partir do que foi dito e com base na figura</p><p>apresentada, o planejamento do treinamento para o desenvolvimento da força e</p><p>potência muscular poderia ser realizado de acordo com esses aspectos. Vale ressaltar</p><p>que não podemos generalizar achados de alguns estudos para outras realidades ou</p><p>outras populações. Por isso,</p><p>a importância de você, como profissional, escolher a</p><p>melhor ferramenta e a maneira como você as aplicará nos seus alunos no contexto</p><p>que você está inserido.</p><p>Neste contexto, podemos ainda destacar um outro estudo realizado pelo</p><p>nosso grupo de pesquisa em Biomecânica e Fisiologia do Exercício na Universidade</p><p>Federal de Santa Catarina (DAL PUPO et al., 2016). Este estudo apresentou dados</p><p>interessantes sobre a relação entre os saltos verticais e a capacidade de realizar</p><p>sprints. O objetivo do trabalho foi comparar ao desempenho nos saltos verticais e</p><p>sprints repetidos realizados com mudança de sentido e linha reta entre jogadores</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>20</p><p>de futsal das categorias sub-15 e sub-17. Foram avaliados 15 jogadores do sexo</p><p>masculino, que realizaram saltos verticais e testes de sprints repetidos em linha</p><p>reta e mudança de sentido. Foram observadas em ambas as categorias que</p><p>desempenho nos sprints, tanto de linha reta quanto com mudança de sentido</p><p>apresentaram relação com os saltos verticais. Em outras palavras, podemos dizer</p><p>que, como conclusão do estudo, independente da categoria ou faixa etária abaixo</p><p>ou acima dos 15 anos a potência muscular estaria relacionada com o desempenho</p><p>nos sprints.</p><p>TABELA 1 – SALTOS VERTICAIS EM DIFERENTES FAIXAS ETÁRIAS</p><p>FONTE: Dal Pupo et al. (2016)</p><p>Caro acadêmico! Na tabela anterior estão apresentadas as características</p><p>dos sujeitos. Na tabela a seguir, você poderá observar uma tabela apresentada pelo</p><p>estudo citado que apresenta a relação entre os saltos verticais com contramovimento</p><p>(CMJ) e o desempenho de sprints. Observe que, o CMJ foi relacionado com ambos</p><p>sprints, em linha reta ou mudança de sentido, mas a relação maior foi observada</p><p>nos sprints de linha reta. Se você observar o tempo médio em linha reta, por</p><p>exemplo (TMLR), a relação foi de -0,87, ou seja, uma relação alta visto que o maior</p><p>valor possível é 1,00 e, basicamente, mostra que quanto maior o salto CMJ menor</p><p>o tempo médio para realizar este tipo de sprint. Importante destacar que o nível de</p><p>potência muscular pode ser considerado um dos aspectos mais importantes para</p><p>praticantes de modalidades coletivas considerando esta relação com o desempenho</p><p>na capacidade de sprints repetidos, que também é de suma importância para um</p><p>bom desempenho nestas modalidades.</p><p>TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>21</p><p>TABELA 2 – SALTOS VERTICAIS E DESEMPENHO DE SPRINTS</p><p>FONTE: Dal Pupo et al. (2016)</p><p>Assim, levando em consideração o que foi exposto previamente, avaliar</p><p>a capacidade de realizar sprints é de suma importância, principalmente em</p><p>modalidades coletivas e com características intermitentes. Entre estas, podemos</p><p>destacar o basquete, handebol, futsal, futebol, hóquei, rúgbi, tênis, entre outras.</p><p>Existem, basicamente, duas formas de avaliar a qualidade física de velocidade</p><p>e resistência de velocidade de membros, bem como a resistência e potência</p><p>anaeróbia. Afinal de contas qualquer movimento que exija a velocidade de</p><p>membros vai depender principalmente do fornecimento de energia anaeróbio,</p><p>mas isso será melhor abordado no próximo tópico. Entretanto, mantendo o foco no</p><p>tipo de avaliação para estas qualidades físicas, uma das formas bastante utilizadas</p><p>é o esforço em linha reta de 10 e 30 m.</p><p>Geralmente, quando professores e/ou treinadores adotam realizar a avaliação</p><p>de 10 e 30 m, anota-se o tempo que o aluno levará para percorrer esta distância de</p><p>30 m iniciando no ponto 0 com o corpo partindo de posição estática. Anota-se</p><p>também o tempo que o aluno levará para percorrer 10 m. Desta forma, obtém-se</p><p>uma medida de aceleração de 10 m e outra medida de 20 m lançados, ou seja, do</p><p>décimo metro que ele já estava correndo até o trigésimo metro. O ideal é realizar</p><p>estes testes com fotocélulas que irão capturar o tempo exato de deslocamento.</p><p>Porém, considerando a realidade de muitos lugares, dois avaliadores experientes</p><p>utilizando-se de cronômetros já trará a possibilidade de uma boa avaliação. É</p><p>sempre importante destacar a necessidade de um aquecimento adequado e, neste</p><p>caso específico de avaliação, geralmente são recomendadas duas ou três tentativas</p><p>com intervalos de 3 a 5 minutos entre elas, para anotar o melhor tempo que será</p><p>considerado como medida de aceleração e velocidade.</p><p>Quanto à avaliação da capacidade de repetir sprints um dos testes mais</p><p>utilizados em clubes, associações esportivas e bem disseminado na literatura é o</p><p>teste de Rampinini et al. (2007). Este teste já apresentou validade ao ser comparado</p><p>com a performance no futebol, por exemplo, é um teste de fácil aplicação e</p><p>reproduz alguns movimentos específicos das modalidades coletivas. O protocolo</p><p>é composto por 6 sprints de 40 m com uma mudança de sentido (180°) a cada 20</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>22</p><p>m do percurso. O período de recuperação é de 20 segundos entre cada sprint de</p><p>forma passiva. O avaliado deve iniciar o teste em posição estática, e ser estimulado</p><p>verbalmente para executar cada sprint no menor tempo possível. Antes de realizar</p><p>o teste é importante a realização de aquecimento específico. Com o teste de</p><p>Rampinini é possível a determinação de variáveis relacionadas ao desempenho</p><p>anaeróbio alático (como o melhor tempo – Tmel); e lático como o tempo médio e/</p><p>ou total para realizar os 6 sprints (Tmed, Ttotal, respectivamente).</p><p>TABELA 3 – DESEMPENHO DE SPRINTS REPETIDOS</p><p>FONTE: Nascimento et al. (2014)</p><p>Agora, observe a tabela acima por alguns instantes. O objetivo deste</p><p>trabalho foi comparar as características antropométricas e de performance aeróbia</p><p>e anaeróbia em jogadores de futebol entre as categorias infantil e juvenil. Observe</p><p>você na tabela apresentada que tanto as características de velocidade (10 e 30 m)</p><p>quanto as variáveis de desempenho anaeróbio (Tmel, Tmed, Ttotal) foram menores</p><p>na categoria de atletas juvenis quando comparados com os infantis. Como uma</p><p>das conclusões do estudo podemos dizer que encontramos que os efeitos da</p><p>idade cronológica influenciam na potência aeróbia máxima e nas performances</p><p>anaeróbias, como demonstrado pelo melhor desempenho dos juvenis tanto no</p><p>teste aeróbio, na habilidade de repetir sprints quanto na capacidade de aceleração</p><p>(NASCIMENTO et al., 2014).</p><p>23</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• O treinamento esportivo pode ser pensado observando os fundamentos do</p><p>treinamento esportivo e os processos de avaliação do treinamento.</p><p>• Existem diversos fundamentos do treinamento esportivo englobando os</p><p>aspectos físicos, técnicos, táticos e psicossociais.</p><p>• São diversos os objetivos do treinamento e entre eles podemos destacar o</p><p>desenvolvimento físico de maneira global, os fatores técnicos e táticos, os fatores</p><p>ligados à saúde e os aspectos psicossociais.</p><p>• O treinamento físico pode ser dividido em treinamento geral e específico e</p><p>aperfeiçoamento das capacidades biomotoras.</p><p>• Uma ferramenta de avaliação poderá ser avaliada pela sua especificidade,</p><p>reprodutibilidade, validade, aplicação educacional e, poderá ser dividida em</p><p>avaliações laboratoriais ou testes de campo.</p><p>• As qualidades físicas podem ser classificadas em três grandes grupos: força,</p><p>resistência e velocidade. Dentro de cada um desses grandes grupos haverá</p><p>outras subdivisões. A força pode ser dividida em estática, dinâmica e explosiva.</p><p>A resistência em aeróbia, anaeróbia e resistência muscular localizada. Enquanto</p><p>que a velocidade poderá ser dividida em de deslocamento, de membros e de</p><p>reação.</p><p>• Os testes podem ser específicos para a avaliação de um dos componentes físicos</p><p>ou mais amplos e generalizados como um teste que vise, por exemplo, avaliar</p><p>ao mesmo tempo a performance física e técnica de um grupo de indivíduos.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>24</p><p>1 A área de conhecimento acerca da metodologia do treinamento esportivo é</p><p>muito abrangente. São diversos fundamentos que precisam ser observados.</p><p>Existem princípios e objetivos que precisam ser seguidos. Assim, os processos</p><p>de avaliação</p><p>precisam ser coerentes com os fundamentos e objetivos do</p><p>treinamento. Dessa forma, assinale as alternativas relacionadas ao conteúdo</p><p>deste tópico com V para verdadeiro ou F para falso:</p><p>( ) Os aspectos psicológicos não são treináveis e não precisam ser observados</p><p>no processo de treinamento.</p><p>( ) A avaliação física de qualquer componente físico deve ser feita somente em</p><p>laboratório para que seja válida.</p><p>( ) As qualidades físicas podem ser divididas em três grandes grupos: força,</p><p>resistência e velocidade.</p><p>( ) O aspecto de aplicação educacional deve ser observado como um dos</p><p>quesitos para escolher uma avaliação.</p><p>( ) Uma ferramenta de avaliação precisa ser válida, reprodutível e específica</p><p>para fazer com que a avaliação seja adequada.</p><p>( ) Existem inter-relações entre as qualidades físicas que formam outras</p><p>categorias com a potência, por exemplo.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>25</p><p>TÓPICO 2</p><p>O TREINAMENTO DA APTIDÃO AERÓBIA E</p><p>ANAERÓBIA</p><p>UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Olá, acadêmico! Vamos dar continuidade aos nossos estudos sobre o</p><p>treinamento desportivo em um novo tópico sobre a aptidão aeróbia e anaeróbia.</p><p>Veja bem, caro acadêmico, este tópico estará dividido em duas partes principais,</p><p>o primeiro sobre desenvolvimento da aptidão aeróbia e; o segundo sobre o</p><p>desenvolvimento da aptidão anaeróbia.</p><p>Para falarmos de desenvolvimento para estas aptidões precisamos pensar</p><p>que elas são treináveis, ou seja, o treinamento ou a falta deste poderá modificá-las.</p><p>Além disso, precisamos saber que é muito importante ter um conhecimento mais</p><p>aprofundado sobre a Fisiologia do Exercício, área que contribuirá para um melhor</p><p>entendimento destas aptidões no contexto do que é possível e do que é treinável</p><p>em relação à aptidão aeróbia e anaeróbia. O conhecimento fisiológico também</p><p>proporcionará saber qual é a influência genética e quais são os melhores estímulos</p><p>e métodos para treinar tais capacidades.</p><p>Dessa forma, você perceberá que este tópico busca proporcionar</p><p>conhecimentos acerca da Fisiologia do Exercício e da Teoria e Metodologia</p><p>do Treinamento Esportivo na busca de um entendimento mais amplo do</p><p>funcionamento do organismo nos aspectos aeróbios e anaeróbios. Buscará</p><p>abordar também de que forma é possível avaliar estas aptidões e quais</p><p>as possibilidades que existem para tal. Você estudará também algumas</p><p>possibilidades de treinamento aeróbio e anaeróbio e de que forma o profissional</p><p>de Educação Física poderá planejar seu trabalho para o desenvolvimento de</p><p>tais habilidades.</p><p>Participe conosco do estudo de mais um tópico que trará novos</p><p>conhecimentos ou uma melhor compreensão destes assuntos para sua formação</p><p>acadêmica e seu crescimento profissional, bem como novas possibilidades</p><p>para o treinamento desportivo na sua atuação profissional. Ressalta-se que o</p><p>entendimento completo do funcionamento do organismo aeróbio e anaeróbio é</p><p>imprescindível para que o profissional possa administrar cargas de treinamento</p><p>de maneira adequada aos indivíduos, respeitando seus limites, sua saúde,</p><p>suas capacidades, sua faixa etária e seus objetivos. O treinamento aeróbio e</p><p>anaeróbio adequado possibilitará um ótimo desenvolvimento do indivíduo de</p><p>maneira global.</p><p>UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO</p><p>26</p><p>2 APTIDÃO AERÓBIA</p><p>Acreditamos que o primeiro passo que precisamos dar é um entendimento</p><p>geral do que é a aptidão aeróbia. A palavra “aptidão”, segundo o dicionário</p><p>Priberam (2017), está relacionada à capacidade, disposição ou à qualidade de</p><p>estar apto. Enquanto que, a palavra “aeróbio”, segundo o site Significados (2017),</p><p>quer dizer "com oxigênio" ou "na presença de oxigênio" e refere-se a tudo que</p><p>necessita de oxigênio para subsistir. A respiração aeróbia ou aeróbica necessita do</p><p>oxigênio (O2), que é usado como agente oxidante e essa propriedade importante</p><p>do O2 é utilizada pelas células para produzir uma forma utilizável de energia e</p><p>converter moléculas de carboidratos, gorduras e proteínas em moléculas de ATP</p><p>(trifosfato de adenosina) e gerar energia (POWERS; HOWLEY, 2005). O ATP é a</p><p>fonte imediata de energia para a contração muscular.</p><p>FIGURA 8 – A RESPIRAÇÃO CELULAR</p><p>FONTE: Disponível em: <https://www.google.com.br/search?q=mitocondria&source>. Acesso</p><p>em: 13 fev. 2017.</p><p>Observe, caro acadêmico, que estamos buscando alguns conhecimentos</p><p>básicos da Fisiologia nesta parte introdutória. Demos agora um passo atrás,</p><p>praticamente voltamos a conhecimentos do ensino médio somente para relembrar</p><p>que a respiração celular vai ocorrer em uma minúscula organela denomina</p><p>mitocôndria. É lá na mitocôndria, dentro do citoplasma celular, ou, no caso das</p><p>células musculares, o sarcoplasma, ou seja, o meio intracelular, que o O2 vai</p><p>realizar seu papel fundamental e terminar sua jornada que começou quando o</p><p>ar foi inspirado. Na figura anterior, no lado esquerdo podemos ver um esquema</p><p>didático de um músculo, composto por diversas fibras musculares, que por sua</p><p>vez são compostas por miofrilas e filamentos de actina e miosina. Podemos ver</p><p>outras organelas que fazem parte da célula muscular, como o núcleo celular e o</p><p>retículo sarcoplasmático. A mitocôndria pode ser considerada a “usina celular”,</p><p>pois está envolvida na conversão oxidativa de nutrientes em energia celular</p><p>utilizável, o ATP, e existem diversas delas envolvendo a fibra muscular (POWERS;</p><p>HOWLEY, 2005). Lembramos, ainda, que a mitocôndria estará dividida em dois</p><p>espaços distintos o espaço intermembranoso e a matriz mitocondrial. Estes espaços</p><p>estão divididos por uma membrana interna e a mitocôndria é revestida por uma</p><p>membrana externa.</p><p>TÓPICO 2 | O TREINAMENTO DAS CAPACIDADES AERÓBIAS E ANAERÓBIAS</p><p>27</p><p>Importante destacar ainda que é na membrana interna da mitocôndria que</p><p>está localizada a cadeia de transporte de elétrons ou cadeia respiratória. O ciclo</p><p>de Krebs, que está localizado no interior da mitocôndria na matriz mitocondrial,</p><p>juntamente com a cadeia respiratória vai interagir como vias metabólicas</p><p>cooperativas para que ocorra a produção aeróbia de ATP. Esse processo de</p><p>produção de energia é denominado fosforilação oxidativa.</p><p>A função primária do ciclo de Krebs (também denominado de ciclo</p><p>do ácido cítrico) é o término da oxidação (remoção de hidrogênio) dos</p><p>carboidratos, das gorduras ou proteínas com a utilização de NAD ou</p><p>FAD como transportadores de hidrogênio (energia). A importância</p><p>da remoção é que os hidrogênios (em virtude dos elétrons que eles</p><p>possuem) contêm a energia potencial das moléculas dos alimentos. Essa</p><p>energia pode ser utilizada na cadeia de transporte de elétrons a fim de</p><p>combinar o ADP + Pi para ressintetizar o ATP. O oxigênio não participa</p><p>das reações do ciclo de Krebs, mas é o aceptor final de hidrogênio no</p><p>fim da cadeia de transporte de elétrons (isto é a água é formada, H2 + O</p><p>= H2O) (POWERS; HOWLEY, 2005, p. 35).</p><p>ATENCAO</p><p>É preciso destacar aqui uma explicação sobre o que foi dito no texto anteriormente.</p><p>O hidrogênio é removido dos substratos nutricionais nas vias bioenergéticas e transportados</p><p>por “moléculas transportadoras”. Nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD) e flavina</p><p>adenina dinucleotídeo (FAD) são duas importantes moléculas transportadoras (POWERS;</p><p>HOWLEY, 2005).</p><p>Observe você na Figura 10 a demonstração de um “zoom” na atividade</p><p>mitocondrial. Neste caso, para efeitos didáticos está demonstrada somente uma</p><p>formação de energia através da glicose ou da via glicolítica. Porém a fosforilação</p><p>oxidativa para a geração de energia de maneira aeróbia inicia com uma molécula</p><p>de dois carbonos chamada acetilcoenzima A ou acetil-CoA. O acetil-CoA pode ser</p><p>formado pela degradação tanto de carboidratos, gorduras ou proteínas e vai passar</p><p>por uma série de reações no ciclo de Krebs o que vai formar CO2, NAD e FAD. A</p><p>NAD e a FAD por sua vez vão transportar os elétrons e os íons de hidrogênio (H+)</p><p>para a cadeia respiratória. É ali, durante os processos da cadeia respiratória, que</p><p>o O2 vai exercer seu papel fundamental na produção de ATP de forma aeróbia, o</p><p>O2 que respiramos</p>